Curso de Tradutor Intérprete de LIBRAS                                                           Linguística Geral        ...
Barthes (1991), nenhum outro sistema com a mesma complexidade e grandezafoi observado em nosso espaço e tempo.        Dada...
2. O Signo             Um signo é uma coisa que, além da espécie ingerida pelos sentidos, faz vir ao          pensamento, ...
imagem acústica. Para explicitar melhor o nosso raciocínio, tomaremos comoelemento de inteligibilidade o exemplo que se se...
a significação contida em cada um deles. O primeiro elemento significativoclassifica-se como radical e contém a significaç...
tempos, responsabilizaram-se pelos registros e pelas transformações dohomem em sociedade e em si mesmo.2. 3. O signo em Ro...
(02)Ele é um cavalo pela atitude que tomou.MENTE – Campo das homonímias(01)Rastreou a própria mente e nela nada encontrou....
apresenta valor discursivo, mesmo comportando as suas significaçõeslinguísticas: significante e significado.        O sign...
Por fim, vale ainda ressaltar que o signo pode ser analisado segundotrês aspectos básicos. São eles: o sintático, o semânt...
(01)   è      S = R (M, O, I)(02)   è      RS = [(M ==> O) ==> I] ou então                                RS = (M ==> O. =...
autônomo, porque goza de leis próprias para a sua organização e potencial designificação. Veja o que afirma Walther-Bense:...
idéias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo sejainterpretado como se referindo àquele objeto”. Vezes e v...
Poderíamos escrever muito mais sobre a teoria triádica de Peirce;contudo, aprofundar os estudos das teorias peircianas não...
nesta parte do nosso trabalho, centraremos então na definição de significante,significado e significação.      2.7.1. Para...
Como exemplo, podemos tomar a comunicação humana que, geralmente, éconstituída de significantes orais, escritos e demonstr...
Desta forma é viável dizer que o signo é carregado de significaçõesideológicas. Se tomarmos as expressões sígnicas de Hjel...
lingüístico em detrimento dos demais, tendo em vista a sua meta-natureza, fatoque o torna mais valoroso em relação a outro...
Literarius (publicações do Departamento de Letras da UNESC), além depesquisador, escritor e poeta.[2] . Disponível em: <ht...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

As teorias do signo e as significações lingüísticas

15,336 views

Published on

Parte 2 - As teorias do signo e as significações linguísticas, Antônio Carlos da Silva

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
15,336
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
164
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

As teorias do signo e as significações lingüísticas

  1. 1. Curso de Tradutor Intérprete de LIBRAS Linguística Geral Prof.ª Mariana Correia Parte 2 – Teorias Linguísticas As teorias do signo e as significações linguísticas Antônio Carlos da Silva[1]RESUMO: O presente artigo tem como principal objetivo apresentar um painelde resultados obtidos a partir de estudos feitos sobre o signo e suas diversassignificações linguísticas, com base nas teorias de Saussure, Hjelmslev,Barthes, Borba, Peirce, Guiraud, Greimas, Bakhtin e Vigotsky, a fim de queseja possível verificar a importância que têm o signo e suas emanações noestudo e na compreensão da linguagem como elemento implementador dasaspirações lingüísticas e sócio-psico-ideológicas do homem.PALAVRAS-CHAVE: signo, significante, significado, significação, semiótica,semântica.1. Reflexão sobre os fundamentos semânticos e semióticos Tendo em vista o estudo das diversas teorias do signo e suassignificações, faz-se necessária uma reflexão prévia sobre os fundamentos daSemântica e da Semiótica; bem como as relações que cada uma delas temcom o tema em questão, o signo linguístico. 1.1. O método semiótico tem por conceito fundamental o estudo do signoque, conforme Saussure (2001), apresenta um primeiro elemento chamadosignificante, caracterizado não por sua natureza material, mas como a imagemacústica, a impressão psíquica do som, que pode desencadear um outrofenômeno psico-semiológico, o significado, o segundo elemento constituinte dosigno. Saussure (2001), em seu Cours de LinguistiqueGénérale, diz que alíngua é o mais importante dos sistemas de signos. Ele a considera o maiscomplexo e o mais utilizado dentre os chamados sistemas de expressõessígnicas, mesmo sendo a língua, para ele, apenas uma parte do universosemiológico. Ainda para Saussure, existe uma ciência geral dos signos, da quala Linguística poderia ser tão somente uma subdivisão, questão que será pornós elucidada com o apoio de Roland Barthes. Para Charles SandersPeirce (2000), a semiótica é constituída em trêsníveis: o sintático, o semântico e o pragmático. O primeiro revela a relação queo signo tem com o seu interpretante, o segundo diz respeito à relação existenteentre o signo e o seu referente (objeto) e o último se importa com a relação dosigno com ele mesmo e com outros signos. É perfeitamente perceptível que a sociedade atual organiza-se em tornode um grande e poderoso universo de signos, diga-se de passagem bastantecomplexo. De igual modo, é também perceptível o estado absoluto em que seportam a linguagem humana e seus signos de valor incondicional. Conforme
  2. 2. Barthes (1991), nenhum outro sistema com a mesma complexidade e grandezafoi observado em nosso espaço e tempo. Dada a complexidade da linguagem humana, seus signos e respectivassignificações, Roland Barthes, além de definir a semiótica como sendo aciência que se ocupa do estudo de qualquer sistema de signo, considerandosuas substâncias e/ou limites, também refuta Saussure, quando diz que: “ALinguística não é uma parte, mesmo privilegiada, da ciência dos signos: aSemiologia é que é uma parte da Linguística; mais precisamente, a parte quese encarregaria das grandes unidades significantes do discurso” (BARTHES,1991, p. 13). Embora acreditando que possa ser muito maior o universo do métodosemiológico, tomaremos como suporte os elementos de Roland Barthes, comosendo bastantes, a priori, para subtraírem da Linguística cada uma dassubstâncias básicas e necessárias “para permitir a preparação da pesquisasemiológica” (BARTHES, 1991, p. 13). Os Elementos de Semiologia foramagrupados por Barthes da seguinte maneira: I. Língua e Fala; II. Significante eSignificado; III. Sintagma e Sistema e IV. Denotação e Conotação. Assim sendo, torna-se possível perceber que o referido método deanálise semiótica é binário e trabalha com a ideia dicotômica dos elementosque, aparentemente distintos, completam-se para formar o todo discursivo,dada a natureza dialética existente entre eles. 1.2. Para definir o método semântico, necessário se faz antes definirsemântica. Segundo Pierre Guiraud (1980, p. 7), “semântica é o estudo dosentido das palavras”. Guiraud (1980) apresenta três ordens principais de problemas que asemântica tem que resolver em relação às análises dos diversos significados:primeiramente, um problema psicológico – nesse caso ela deve solucionarquestões e dar respostas a perguntas que elucidam o signo e as relaçõesintrínsecas do espírito dos interlocutores de um discurso quando secomunicam; o segundo problema refere-se à lógica. Aqui, a semântica precisaapresentar argumentos que dizem respeito à relação entre o signo e o meio noqual ele é empregado. Deve descrever a situação propícia para um signo seraplicado e o que ele deve significar necessariamente quando relacionado comum objeto no tempo e no espaço. Por último, a semântica deve solucionar osproblemas lingüísticos concernentes à significação, e estes são muitos, hajavista a complexidade dos sistemas sígnicos, suas funções e formas. A Semântica, conforme Guiraud, tem sido instrumento de três ciênciasdistintas: da psicologia, da lógica e da linguística. O que neste trabalho nosinteressa é o fato dela constituir valioso instrumento para os estudos e análisesdos sentidos e das significações no âmbito da linguagem humana. Assim sendo, “nossa ciência, assim definida, recobra um campo tãovasto que, mesmo confinado aos estritos limites da língua, ultrapassa asfronteiras da lógica, da psicologia, da teoria do conhecimento, da sociologia, dahistória etc.” (GUIRAUD, 1980, p. 12).
  3. 3. 2. O Signo Um signo é uma coisa que, além da espécie ingerida pelos sentidos, faz vir ao pensamento, por si mesma, qualquer outra coisa. Santo Agostinho É possível dizer que qualquer objeto, som, palavra capaz de representaruma outra coisa constitui signo. Na vida moderna, todos nós dependemos dosigno para vivermos e interagirmos com o meio no qual estamos inseridos.Para o homem comum, a noção de signo e suas relações não são importantesdo ponto de vista teórico, mas ele os entende de maneira prática e precisa. Autilidade do signo vai além do que imaginamos: ao dirigirmos, por exemplo,precisamos constantemente ler e analisar discursos transmitidos pelas placasde trânsito, pelas luzes do semáforo, pelas reações do veículo ao meioambiente etc. O homem intelectualizado não vive sem o signo, precisa delepara entender o mundo, a si mesmo e às pessoas com as quais mantémrelações humanas. As noções de signo são muito mais amplas e discutíveis do quepodemos imaginar; todavia, no presente trabalho nos limitaremos à análise dealgumas considerações referentes ao signo linguístico que, doravante,constituirá o nosso principal objeto de estudo.2.1. O signo dicotômico de Saussure Para Saussure (2001, p. 80-1), “o signo linguístico é, pois, uma entidadepsíquica de duas faces”, é ainda “a combinação do conceito e da imagemacústica”. Para entender melhor analisemos o gráfico abaixo: Embora as palavras conceito e imagem possam designar oposição,Saussure resolveu substituí-las por significado e significante, acreditando quetais palavras pudessem expressar com maior clareza a ideia de oposição entreos principais elementos do signo: conceito e imagem. Para facilitar acompreensão, apresentaremos mais um gráfico abaixo: O significante é a apresentação física do signo, de forma sonora e/ouimagética. Se considerarmos o exemplo dado no gráfico acima, diremos que aimagem acústica da palavra “sapo” é o significante para todos os fins. O significado é o conceito que permite a formação da imagem na mentede um indivíduo quando ele entra em contato com o significante; portanto, arepresentação do sapo na figura 02 é o que podemos chamar de significado. Com isto é possível dizer que o signo é o resultado de um conjunto derelações mentais. Há em cada signo uma idéia ou várias idéias, de acordo como contexto, com a leitura ou com o leitor e seu estado emocional. O signo, paraSaussure, é um elemento binomial, a sua natureza é dicotômica. O significadoe o significante traduzem as pontas da bifurcação do signo, agemdialeticamente, embora sua relação de reciprocidade seja considerada pelopróprio Saussure como arbitrária. Não é possível admitir a existência dosignificante sem o significado e vice-versa, assim como não é possívelestabelecer ou definir um elemento de relação objetiva entre o conceito e sua
  4. 4. imagem acústica. Para explicitar melhor o nosso raciocínio, tomaremos comoelemento de inteligibilidade o exemplo que se segue: o animal classificadocomo batráquio da ordem dos anuros que, como a maioria dos anfíbios,desenvolve-se na água, apresentando, quase sempre, na fase adulta, hábitosterrestres, só procurando a água na época da reprodução, poderia ter outroconceito diferente daquele atribuído a si: sapo. Qual é a relação entre aimagem acústica e o conceito? São questionamentos como esses que realçame justificam a idéia de arbitrariedade do signo lingüístico. Esta questão daarbitrariedade, por sua complexidade e excelência, merece ser tratada numtrabalho posterior a este que se predestina, tão somente, a estabelecer asdiversas visões sobre o signo lingüístico e suas significações.2.2. O signo e suas significações em Hjelmslev Embora a teoria do signo vista pela óptica de Saussure parecessesuficiente para a análise dos elementos sígnicos do discurso, ao longo dostempos percebeu-se que o significante e o significado sem a significação que ocontexto lhes atribui não poderiam, por eles mesmos, responsabilizar-se poruma análise absolutamente perfeita. Por isso é que a seguir apresentaremos ateoria das significações, vista em seu teorizador. Para Hjelmslev (1975, p. 49),o signo que representa algo, tradicionalmente considerado, “é de definiçãorealista e imprecisa”, haja vista que a natureza das significações pode alcançarprofundidades interpretativas e analíticas muito mais extensas e extraordináriasque aquela apresentada pela lingüística tradicional. Para Hjelmslev, o signoque se define por uma função é um signo que se opõe a um não-signo, ou seja,é um signo que funciona, que designa e que significa, é, acima de tudo, “umsigno portador de uma significação” (HJELMSLEV, 1975, p. 49). O signo não pode ser considerado um elemento de natureza vazia, ouseja, um signo frívolo, sem significação. Os signos, quando analisados fora deum contexto, são apenas signos que nada ou quase nada significam, tendo emvista que sua máxima realização dá-se pela relação que mantêm com outrossignos dentro de um dado contexto. Uma palavra pode ser considerada ocontexto de um signo menor que ela, mas que, por sua natureza significativa epela organização e relação que estabelece com outros signos menores, podesignificar tanto quanto, ou muito mais que uma palavra quando empregadacomo elemento menor de um contexto maior que a sua natureza. Veja o quediz Hjelmslev: As palavras não são os signos últimos, irredutíveis, da linguagem, tal como podia deixá-lo supor o imenso interesse que a lingüística tradicional dedica à palavra. As palavras deixam-se analisar em partes que são igualmente portadoras de significações: radicais sufixos de derivação e desinências flexionais. (HJELMSLEV, 1975, p. 49) Com base no exposto, podemos fazer a seguinte análise: a forma verbal“estudássemos” é um signo menor em relação ao contexto a que podepertencer, ou seja, quando empregada na frase, a exemplo: “Se estudássemosmais, passaríamos nos exames”. A frase, nesse caso, é um signo maior emrelação à palavra “estudássemos”, que pode ser entendida como o contexto designos menores contidos nela. Veja: em (estud-á-sse-mos), da esquerda para adireita, podemos classificar os elementos significativos da palavra e apresentar
  5. 5. a significação contida em cada um deles. O primeiro elemento significativoclassifica-se como radical e contém a significação lexical do ato de aplicar ainteligência; o segundo é a vogal temática e tem como função indicar a queconjugação pertence o verbo; a terceira é a desinência verbal modo-temporal etem como função a indicação do tempo pretérito e do modo subjuntivo,expressando, portanto, uma ação hipotética que poderia ocorrer no passado;finalmente, o quarta elemento significativo é também uma desinência verbal,cuja função é expressar o número e a pessoa do discurso. A ideia da significação fica mais clara quando analisamos um dado signofora e dentro do seu contexto. Tomando a palavra manga como corpus,podemos ver que nem sempre é possível relacionar o signo a sua significação,tendo em vista o seu esvaziamento de sentido, em virtude do emprego solitário.Manga, em língua portuguesa, é uma palavra que pode ter, dentro de um dadocontexto, significação diferente daquela que teria quando aplicada em outroscontextos. A manga, peça do vestuário é diferente de manga, o fruto quetambém é diferente de manga, a terceira pessoa do presente do indicativo doverbo mangar. Outras incidências significativas do signo manga poderão serobservadas mais adiante quando trataremos do signo em Borba. Sobre oassunto, Hjelmslev diz que: Considerado isoladamente, signo algum tem significação. Toda significação de signo nasce de um contexto, quer entendamos por isso um contexto de situação ou um contexto explícito, [...]. É necessário, assim abster-se de acreditar que um substantivo está mais carregado de sentido do que uma preposição, ou que uma palavra está mais carregada de significação do que um sufixo de derivação ou uma terminação flexional. (HJELMSLEV, 1975, p. 50) É bom ressaltar aqui que os fonemas e as sílabas não podem serconsiderados como elementos significativos, ou seja, como expressões designos. Hjelmslev (1975) trata-os como partes das expressões de signos emais tarde, em sua teoria, denomina-os formas. Segmentando a palavrameninas em menin-a-s, o “a” e o “s” são fonemas, mas também sãodesinências nominais que indicam, respectivamente, o gênero feminino e onúmero plural do substantivo. Já na palavra sapo, o /s/ e o /a/ são apenasfonemas, não podendo, portanto, ser considerados expressões de signos, mastão somente partes de uma expressão de signo. Hjelmslev pensa a respeitaque: Tais considerações levam-nos ao abandono de uma tentativa de análise em “signos”, e somos levados a reconhecer que uma descrição que esteja de acordo com nossos princípios deve analisar conteúdo e expressão separadamente, cada uma destas análises isolando finalmente um número limitado de grandezas que não são necessariamente suscetíveis de serem comparadas com as grandezas do plano oposto. (HJELMSLEV, 1975, p. 51) Por fim, Hjelmslev considera que uma língua, dada a sua naturezasignificativa muito mais complexa e subjetiva do que aquilo que se imagina,não deve ser pensada como um sistema de signos, tendo em vista a suariqueza em sistemas de figuras que, antes de qualquer coisa, serviriam paraformar signos. Dizer que a linguagem é um sistema de signos é desconsiderara sua essência mais profunda, é deixar de mergulhar nas micro-significaçõesdesencadeadoras das macro-significações contextuais que, ao longo dos
  6. 6. tempos, responsabilizaram-se pelos registros e pelas transformações dohomem em sociedade e em si mesmo.2. 3. O signo em Roland Barthes Inicialmente, para Barthes, o signo é composto de um significante e deum significado, conforme prenunciou Saussure, e ele acrescenta que “o planodos significantes constitui o plano de expressão e o dos significados o plano deconteúdo” (BARTHES, 1991, p. 43).2.3.1. Barthes (1991) define o significado como a representação psíquica deuma “coisa” e não a “coisa” em si. Para fundamentar isso ele retoma Saussure,queste chamou primeiramente o significado de conceito, reconhecendo aí ovalor psíquico que ele intrinsecamente carrega. Para clarear ainda mais oraciocínio de Barthes, tomaremos como exemplo a famosa pintura A traiçãodas imagens[2] de René Magritte: Cecin‟est pas une pipe.E de fato não é um cachimbo. A mente pode trairos que não leem os signos como devem ser lidos. O significado da palavracachimbo não é o objeto cachimbo, mas a representação gráfica do objeto, suaimagem psíquica. O significado expresso no quadro de Magritte pode ser lido esegmentado de várias maneiras, conforme as diferenças culturais de um dadoleitor. Com base nisso, tomaremos Barthes novamente quando diz que “várioscorpos de significados podem coexistir num mesmo indivíduo, determinando,em cada um, leituras mais ou menos „profundas‟”. (BARTHES, 1991, p. 47).2.3.2. Para Barthes (1991), o significante pode ser analisado com as mesmasobservações que ele coloca para o significado, apenas com a diferença de sero significante um elemento mediador que se comporta como gerador, ou seja,materializador da figura do objeto, o significado.2.3.3. Por fim, Barthes (1991, p. 52) diz que “a significação pode ser concebidacomo um processo; é o ato que une o significante e o significado, ato cujoproduto é o signo”. A significação, como elo de ligação entre o significante e osignificado, não constitui uma teoria nova, ou seja, quando Barthes discute oassunto embasa-se em autores que o discutiram anteriormente, a exemplo deHjelmslev e Lacan, retomado por Laplanche e Laclair. Assim como o significado é o conceito do signo e o significante a suarepresentação acústica, a significação é, em tese, o fator psico-sindético entreeles. Todo significante pode ter o seu significado prognosticado, de modo falsoe/ou verdadeiro; todavia, isso não pode constituir exatidão, pois a perfeitarelação entre o significante e o significado só será verificada em parte pelocontexto, em parte porque outros fatores deverão ser levados em conta, taiscomo as relações extralingüísticas espaço/tempo e sintonia entreinterlocutores. Para esclarecer melhor o que estamos demonstrando, daremoso seguinte exemplo: no campo das metáforas, da homonímia e daspolissemias, encontramos férteis modelos. Vejamos:CAVALO – Campo das metáforas e comparações(01)Ele compareceu montado no belo cavalo.
  7. 7. (02)Ele é um cavalo pela atitude que tomou.MENTE – Campo das homonímias(01)Rastreou a própria mente e nela nada encontrou.(02)Por não saber da verdade, ela mente.DOBRAR – Campo das polissemias(01)Dobrou apenas uma folha de papel e acreditou estar cansado.(02)Mal dobrou a esquina, enfartou, caiu e morreu. Segundo Barthes (1991) o signo tem caráter arbitrário e só se realiza porassociação nos atos de fala. Nos três exemplos dados, as palavras cavalo,mente e dobrar isoladamente não poderiam ser realizadas linguisticamente,mas, quando aplicadas dentro de um dado contexto, elas ganharam o queestamos aqui chamando de significação, ou seja, o significado e o significanteharmonizaram-se, convergiram. Podemos dizer que a significação é o elo de ligação entre o significantee o significado, ou que a significação é a fusão do significante ao significadopor meio de um contexto bem definido. E com isso, concluímos mais um tópicodeste trabalho, ao apresentarmos a visão de Barthes a respeito do signo.2.4. O signo contextualizado de Borba O signo linguístico transmite (ou veicula) uma informação servindo-se de uma parte material e perceptível associada a uma parte imaterial e inteligível. A parte sensível é o significante e a parte não sensível é o significado. (BORBA, 1998, p. 19) Como podemos observar na citação anterior, para Borba o signo é umelemento de cunho primordial na veiculação do discurso lingüístico e tambémse apresenta de forma binomial, ou seja, divide-se em significante e significado.Assim: O signo também é arbitrário na medida em que cada sistema linguísticoadota como pertinentes ou não determinadas características que constituirãoas classes de significantes e significados que utiliza. (BORBA, 1998, p. 19) Nesta questão da arbitrariedade do signo, Borba concorda comSaussure, mas acredita na indissolubilidade das formas linguísticas, uma vezque “o significante sem o significado é apenas um objeto, que existe, mas nãosignifica e o significante sem o significado é indizível, impensável e inexistente”.(BORBA, 1998, p. 19) Enquanto Saussure trata do signo como um elemento em si mesmo semapresentar suas características discursivas, Borba trata da sistematização dosigno, ou seja, ele diz que nenhuma palavra em “estado de dicionário”
  8. 8. apresenta valor discursivo, mesmo comportando as suas significaçõeslinguísticas: significante e significado. O signo analisado isoladamente é um elemento hermético, mas quandoé aplicado dentro de um contexto, seu significante ganha, além de umsignificado, a competência de poder significar mais de um significado de acordocom as exigências discursivas:(1)Fui à feira e comprei uma gigantesca manga-rosa.(2)Ele conseguiu rasgar a manga da camisa.(3)Os bois foram levados para a manga do alagadiço.(4)Por sua natureza escarnecedora, André manga de todos os amigos.(5)Marta usou uma grande manga para aguar o jardim.(6)Não conseguiu passar o pavio na manga do lampião.(7)Nenhum resíduo passou com o licor, graças à eficiência da manga.(8)Ao longe, era possível ver uma manga de soldados.(9)Mandaram-no trocar apenas a manga do eixo, mas nada fez o dia todo.(10) Estava na estrada e foi surpreendido pela manga que o acabouensopando. Se o nosso objetivo aqui fosse apresentar os diversos significados dapalavra manga, certamente, encontraríamos muito mais que os apresentadosacima. Mas analisando cada significante destacado nos enunciados acima, épossível perceber, com clareza, a existência de um significante para dezdiferentes significados. No primeiro caso o significante manga refere-se ao frutoda mangueira; no segundo, tem referência direta com a parte do vestuário quecobre os braços; em (3), refere-se a uma roça de capim, onde bovinos,eqüinos, ovinos, asininos e caprinos pastam; em (4), trata-se da terceirapessoa do singular do verbo mangar; em (5), manga é o mesmo quemangueira; em (6), refere-se a uma peça do lampião por onde passa o pavio;em (07), trata-se de um filtro cônico para filtrar líquidos; em (8), pode significargrupo, ajuntamento, turma; em (9), significa peça do motor que se localiza nacaixa de graxa e em (10) o significante tem como significado uma trombad‟água. Com isso, é possível perceber que o valor do signo transcende assignificações dicotômicas de Saussure. É perfeitamente perceptível o valordiscursivo do signo, quando analisado além do significante e do significado. Osigno, ao interagir com outros signos, dentro de um dado contexto, pode, nasua explosão máxima, emitir as mais diversas e surpreendentes significações,além de outras desejadas pelo emissor.
  9. 9. Por fim, vale ainda ressaltar que o signo pode ser analisado segundotrês aspectos básicos. São eles: o sintático, o semântico e o pragmático. O sintático responsabiliza-se pela relação diplomática dos signos dentrode um contexto, possibilitando, desta forma, ver que nenhum signo existe por sie em si mesmo. “Um signo só funciona quando ajuda o intérprete a explicaralgo e isso só pode ser expresso com referência a outros signos” (BORBA,1998, p. 21). O valor semântico do signo dá-se pela relação sintática que ele exercecom outro signo dentro do contexto, e tal relação deve ser a mais harmônicapossível. “A semântica focaliza a relação dos signos com os objetos que elesrealmente denotam ou podem denotar” (BORBA, 1998, p. 21). Para Borba (1998, p. 21), “a pragmática trata da relação dos signos comseus intérpretes”. O valor pragmático do signo está intimamente relacionadocom a forma de interação que ele apresenta, ao ser proferido ou captado, comos interlocutores de um dado discurso. Em síntese, o signo é o fio alimentador de uma teia chamada discurso.O signo deve ser organizado e relacionado sintaticamente com outros signos,com o intuito de comportar significações semânticas desejadas pelo discursoinicial; bem como ser permeado de intenções pragmáticas, objetivadas pelodiscurso final, pleno e ideológico.2.5. O signo tricotômico de Peirce, lido em Peirce e em Walther-Bense2.5.1. O signo e suas relações triádicas Para Peirce (2000, p. 46): “Um signo, ou representâmen, é aquilo que,sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém.” A teoria do signo em Peirce é uma renovação de tudo o quanto já foidiscutido e teorizado em relação ao assunto. A idéia do signo pelo signo e dosignificante que tem um certo significado fica obsoleta quando Peirce analisa orepresentâmen segundo as suas relações triádicas: o representâmen, o objetoe o interpretante. Conforme Peirce (2000), o representâmen é o signo primeiro, pode-sedizer que é o signo como tal, o objeto é a representação do signo e ointerpretante a consciência intérprete do signo, ou seja, o seu significado. Todosigno gera um outro signo fruto da mente e é isto que Peirce chama deinterpretante. Walther-Bense (2000, p. 4), ao discorrer sobre a teoria de base dePeirce, no capítulo “O signo como relação triádica”, em sua obra A Teoria Geraldos Signos, diz: “Um signo é, portanto, uma tríade de referências, ou umarelação triádica. Se esse algo não apresenta essas três referências, então nãose trata de um signo completo.” A fim de criarmos uma representação visual das relações triádicas dosigno em Peirce, tomaremos as fórmulas de Max Bense e a interpretação deWalther-Bense, as quais se seguem respectivamente em (01) e (02).
  10. 10. (01) è S = R (M, O, I)(02) è RS = [(M ==> O) ==> I] ou então RS = (M ==> O. ==> I)[3] Na representação (01) de Max Bense, a fórmula deve ser lida daseguinte maneira: o signo (S) é igual às relações do signo em si mesmo (M),em seu objeto (O) e em seu interpretante (I). Já para Walther-Bense, a fórmuladeve ser lida: A relação sígnica (RS) é igual a (M), o signo como tal, que gera(O), a “referência ao objeto”, que gera (I), o interpretante. Para justificar as relações anteriormente expostas e a máximaobediência à ordem seqüencial das fórmulas, Walther-Bense afirma: Com essa escrita fica de pronto evidente que a relação sígnica deve ser concebida como uma “tríade ordenada” e que esse ordenamento não deve ser transgredido. Por outro lado, fica evidente que a referência ao meio representa uma primaridade, a referência ao objeto uma secundaridade, a referência ao interpretante uma terciaridade. Com base nisso também podemos dessumir: nenhum signo é independente de um interpretante, isto é de um intérprete, ou melhor, apenas um intérprete pode introduzir, propor uma signo ou explicar algo como signo. (2000, p.5)2.5.2. A primeira tricotomia[4] do signo Peirce divide o estudo dos signos em ramos diferentes para fins deanálise: a primeira tricotomia trata do signo em si mesmo, a segunda refere-seàs relações que o signo tem com o seu objeto e a terceira apresenta asrelações entre o signo e o seu interpretante. A primeira tricotomia é aquela em que o signo funciona com referênciaao meio e está dividida seqüencialmente em três partes chamadas por Peircede quali-signo, sin-signo e legi-signo.[5]2.5.2.1. O quali-signo (qualidade), segundo Peirce (2000), refere-se aosaspetos qualitativos do signo. Cada estado material do signo ou cadafenômeno, que nele tem a função de apresentar um caráter, é um quali-signo.Quando mudamos a dimensão, a cor, o volume de um dado signo, o quali-signo nunca é o mesmo, o que podemos deduzir: com a mudança de um quali-signo, o signo sofre alterações e passa a ser um signo novo, ou seja,semelhante ao primeiro e não ele mesmo. Para clarear, tomemos comoexemplo as cores: o preto, na maioria das culturas ocidentais, indica luto, assimcomo o branco representa a paz. O quali-signo possui aspetos sensoriais, poispode ser percebido gustativa, olfativa, tátil, auditiva e visualmente. Vejamos umoutro exemplo: uma maçã vermelha e aparentemente cheia de viço é um frutopróprio para o consumo; já a mesma maçã murcha e de tonalidade escurecidanão deixa de ser maçã, mas é uma maçã podre e imprópria para o consumo.Este fenômeno pode ser percebido olfativa e visualmente.2.5.2.2. O sin-signo (singularidade) está, conforme Peirce (2000), relacionadocom a permanência do signo no espaço e no tempo. Todo signo é particular, é
  11. 11. autônomo, porque goza de leis próprias para a sua organização e potencial designificação. Veja o que afirma Walther-Bense: O signo depende de determinados quali-signos implicados tanto no espaço quanto no tempo. Por exemplo, determinada palavra numa linha determinada de uma determinada página de um determinado livro é um sin-signo, ainda que existam 10.000 exemplares desse livro no qual ela apareça. (2000, p. 12) 2.5.2.3. O legi-signo (lei), em Peirce, é o signo empregado consoante asnormas que o regem. Trata-se da convenção do signo num dado tempo eespaço. Para exemplificar o legi-signo, podemos tomar as palavras de Walther-Bense: São signos usados segundo as normas, por exemplo, as letras do alfabeto de uma língua, as palavras de uma língua, os signos matemáticos, químicos, lógicos nas ciências, os sinais de trânsito, os signos meteorológicos, os da rosa dos ventos, os algarismos do relógio, os graus dos termômetros. (2000, p. 13)2.5.3. A segunda tricotomia do signo Na sua segunda tricotomia, Peirce (2000, p. 52) apresenta o signo quepode ser denominado como ícone, índice ou símbolo[6]. 2.5.3.1. O ícone segundo Peirce (2000, p. 52) “é um signo que se refereao objeto que denota apenas em virtude de seus caracteres próprios,caracteres que ele igualmente possui quer um talojeto realmente exista ounão”.A palavra ícone vem do grego e quer dizer imagem, por isso, quandorepresentamos algo por meio de uma imagem (desenho), estamos utilizandoum ícone. Como exemplo, podemos tomar certas placas de trânsito icônicas,ou seja, aquelas que representam travessia de pedestres (um homemestilizado dando um passo a frete), linha férrea (imagem dos dormentescruzados por duas linhas paralelas). Conforme Walther-Bense (2000, p. 15),“são signos icônicos, por exemplo, os retratos, os padrões, as estruturas, osmodelos, os esquemas, os diagramas, as metáforas, as comparações, asfiguras, as formas (lógicas, poéticas etc)”. 2.5.3.2. O índice, conforme Peirce (2000, p. 52), “é um signo que serefere ao objeto que denota em virtude de ser realmente afetado por esseobjeto”. O índice é, portanto, um signo de referência a um dado objeto e/ouobjetivo. Um bom exemplo disso é o dedo indicador da mão que é usado parafazer uma referência direta a alguém ou a alguma coisa. Trata-se da indicaçãode um caminho no espaço e no tempo. O marcador de páginas de um livro é oindicativo da página em que você parou de ler ou marcou para encontrar algoimportante, isto é um índice. Podemos ainda mencionar as placas de trânsitode indicação viária (setas), o pisca-pisca dos automóveis que são usados comoindicativo do movimento escolhido pelo motorista para virar, se para a direita oupara a esquerda. O índice de uma dada obra é o indicativo dos conteúdos e aspáginas em que estão. No tempo, como índices referenciais, podemos fazermenção à importância que têm as datas em relação aos acontecimentos: 22 deabril de 1500 é um índice em relação ao descobrimento do Brasil pelosportugueses. 2.5.3.3. O símbolo para Peirce (2000, p. 52) “é um signo que se refereao objeto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de
  12. 12. idéias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo sejainterpretado como se referindo àquele objeto”. Vezes e vezes, o objeto nãoparece com sua representação; a associação do signo ao objeto geralmente éinstituída ao longo do tempo, por meio de uma assimilação cultural. Numarodovia, o motorista, ao ler uma placa de indicação viária, está fazendo a leiturade um índice, mas se ao lado da placa for vista por ele uma cruz, estaráfazendo a leitura de um símbolo. A cruz está simbolicamente relacionada àmorte. O motorista poderá entender que naquele lugar ocorreu uma morte.2.5.4. A terceira tricotomia do signo A terceira tricotomia de Peirce diz respeito ao interpretante. Todo signoestá para um objeto, assim como todo objeto está interpretante para umintérprete. A última das três tricotomias está em Peirce dividida da seguinteforma: rema, dicente e argumento.[7] 2.5.4.1. Em Peirce (2000, p. 43), um “rema (signo singular) é um signoque, para seu interpretante, é um signo de possibilidade qualitativa, ou seja, éentendido como representando esta e aquela espécie de objeto possível”.Como elemento clareador do rema, podemos dizer que na frase As rosas sãovermelhas, o predicativo – são vermelhas – é um rema, pois trata-se dainterpretação que o intérprete faz de uma qualidade singular do signo. 2.5.4.2. Ainda para Peirce (2000, p. 52), “um signo dicente[8] é um signoque, para seu interpretante, é um signo de existência real”. Para esclarecermelhor a idéia do signo dicente, tomaremos as palavras de Walther-Bense(2000, p. 52): “Na arquitetura, a fachada de um prédio, que representaefetivamente uma unidade fechada e como tal pode ser julgada ou afirmada, éum dicente”. O dicente é uma proposição, trata-se de um signo que provoca edesperta uma reação crítica no intérprete. Por fim, pode-se dizer que é ainterpretação particular do leitor de um signo, seja ela negativa, seja positiva.Com base nas afirmações anteriores, ainda podemos dizer que uma cerca éum signo dicente, pois ela indica que o transeunte não pode passar daqueleponto. Já uma porta aberta pode ser um convite, ou não – quiçá umaarmadilha. 2.5.4.3. Por fim, Peirce (2000, p. 53) apresenta e define o últimoelemento de sua terceira tricotomia: “Argumento é um signo que, para seuinterpretante é signo de lei”. O argumento é o juízo verdadeiro que ointerpretante faz do signo, portanto se dissermos que um elemento “R” é igual asoma de um elemento “X” mais um elemento “Y”, ou seja, (R = X + Y), estamosconstruindo um signo argumento, porque podemos dizer que a soma de X maisY é igual a R, ou seja, (X.+ Y = R). Com isso, é possível perceber que oargumento que expressa verdades, ou juízos verdadeiros. É possível construiro seguinte exemplo: Pedro está com uma doença “A”; Pedro morrerá porque adoença é mortal e não possui cura. De posse destas informações, podemosdeduzir que todas as pessoas com a mesma doença “A” morrerão, porque elaé mortal. Peirce (2000, p. 57) ainda diz: “Um argumento é um signo cujointerpretante representa seu objeto como sendo um signo ulterior através deuma lei, a saber, a lei segundo a qual a passagem dessas premissas paraessas conclusões tende a ser verdadeira”.
  13. 13. Poderíamos escrever muito mais sobre a teoria triádica de Peirce;contudo, aprofundar os estudos das teorias peircianas não é o nosso objetivoneste trabalho. Muito mais poderia ter sido dito, exemplificado e esclarecido,mas para isso seria necessário um trabalho de muito maior fôlego e amplitudeque o proposto por nós ao elaborarmos o nosso plano de ação.2.6. O signo em Pierre Guiraud Para Pierre Guiraud (1980, p. 15), “o signo é portanto um excitante – ospsicólogos dizem um estímulo, cuja ação sobre o organismo provoca a imagemmemorial de um outro estímulo; a nuvem evoca a imagem da chuva, a palavraevoca a imagem da coisa”. Ainda para Guiraud (1980), os signos podem sernaturais ou não-naturais. Os naturais são aqueles que têm relação direta com anatureza e seus fenômenos naturais, a exemplo das nuvens carregadas quedenotam chuva. Os signos não-naturais (artificiais) são os criados pelo homeme/ou pelos animais de modo geral, a exemplo dos códigos e símbolos usadospara denotarem coisas e fenômenos. Guiraud divide os signos em quatrograndes categorias, a saber: 1. os signos naturais identificados e classificadospela ciência; 2. os signos de representação ou imagem (quadros, fotografiasetc); 3. os signos de comunicação ou símbolos que podem ser associados aoprocesso de comunicação (letras, números etc) e 4. os signos de comunicaçãoicônico-simbólicos, tais como a moda, simbologias religiosas etc. Conforme Guiraud (1980, p. 22), o signo é formado de duas partes,significante e significado, as quais possuem uma relação psíquica bastanteestreita entre elas: Há portanto uma associação psíquica bipolar que compreende dois termos: a forma significante e o conceito significado; e duas fases: a evocação do nome pela coisa e a da coisa pelo nome; o processo é recíproco. Por último, Guiraud não apresenta uma palavra para conceituar arelação entre o significante e o significado, todavia não descarta a existência detal elemento gerador de uma associação recíproca entre os elementos dasignificação lingüística. Veja o que ele escreveu sobre o assunto em questão:“É o estado da língua que determina os valores da palavra, valores que sãoexatamente as possibilidades de relação que definem um campo de empregono discurso”. (GUIRAUD, 1980, p. 26)2.7. As significações semânticas de Greimas Em Greimas (1973), o signo não é definido como tal, ou seja, ele nãoapresenta nenhuma terminologia que possa representar o conjunto dassignificações, como fizeram Saussure, Hjelmslev, Peirce, Borba, Bakhtin entreoutros. Mesmo não apresentando um rótulo para designar um ponto no qualresidem o significante e o significado, Greimas coloca as duas terminologiasdentro de um conjunto abstrato, quando pressupõe a inexistência de um sem ooutro e do outro sem o um. Se o significado não é possível sem o significante,então eles se inter-relacionam, completam-se, referem-se e, por naturezasemântica, devem ser semas de um semema. É lógico que o nosso objetivoaqui não é questionar por que Greimas deixou de lado a nomenclatura signo efirmou-se apenas nas significações: o significante e o significado, criados porSaussure e aperfeiçoados pelos semioticistas ulteriores a ele. Assim sendo,
  14. 14. nesta parte do nosso trabalho, centraremos então na definição de significante,significado e significação. 2.7.1. Para Greimas (1973, p. 17), significantes são “os elementos ougrupos de elementos que possibilitam a aparição da significação ao nível dapercepção”, e significados são o conjunto das “significações que sãorecobertas pelo significante e manifestadas graças à sua existência”. Greimas (1973), além de definir, apresentou uma classificação para ossignificantes, conforme a ordem sensorial pela qual eles podem se apresentar.As classificações podem ser de ordem: Visual – É possível determinar algo por meio de um sinal indicado, comoo polegar direito, um muxoxo produzido com leve ou brusca torção da face, pormeio da própria língua escrita e seus padrões etc. Auditiva – A língua oral é, talvez, o exemplo mais indicado; todavia,outros significantes significativos podem ser aludidos, tais como: a música, asbuzinas, sirenes etc. Tátil – O braile[9] é o melhor dos exemplos do significante tátil-sensitivo;por outro lado, as carícias constituem também exemplos de fácil compreensão. Olfativa – Qualquer indivíduo em seu estado natural e sem quaisquerproblemas no sistema olfativo pode diferenciar as rosas das angélicas sem vê-las. è Gustativa – Neste caso, podemos citar os degustadores que ganham avida experimentando e classificando alimentos com o auxílio do paladarapurado que têm. O gosto de uma maçã, por exemplo, é diferente do gosto deum morango. Como ressaltamos anteriormente, Greimas não admite a classificaçãode nenhum significado sem um significante e, para clarear seu ponto de vista,ele apresenta um conjunto de três relações que abaixo interpretamos: 2.7.1.1. Significantes de uma mesma ordem sensorial – podem constituirum outro significante autônomo, ou seja, podem ser pequenos semas quecompõem conjuntos de sememas que podem significar estruturas ((mais) oumenos) complexas e diferentes. Por exemplo: cada nota musical é um sema, oconjunto das notas forma um semema, o semema organizado forma o sistemade uma música, e a música, pelos elementos de um dado discurso, pode serreconhecida e diferenciada de outra música, exatamente pelo conjunto desemas que a compõem. 2.7.1.2. Significantes de natureza sensorial diferentes – podem referir eindicar uma mesma significação. É o caso da língua oral e da língua escrita.Veja: O significante oral /meza/ e o significante gráfico “mesa”, este percebidopelo sistema sensorial visual e aquele pelo sentido auditivo dentro de um dadocontexto, podem possuir a mesma significação. 2.7.1.3. Significantes de várias procedências sensoriais – podem serinterferentes num dado processo de construção de significações discursivas.
  15. 15. Como exemplo, podemos tomar a comunicação humana que, geralmente, éconstituída de significantes orais, escritos e demonstrações gestuais. Pode-seassim dizer que esta incidência é a habilidade humana em certificar-se daperfeita interpretação da mensagem pelo interlocutor-receptor. Com o conteúdo acima exposto, procuramos apresentar a visão deGreimas sobre as significações e as relações que elas têm ao interagirem naformação dos significados discursivos. Estudar Greimas não é apenasapresentar a sua visão de significações, mas mergulhar nas suas profundasdefinições semântico-analíticas, propósito que deverá constituir um novoprojeto de estudos. Por enquanto, ficaremos apenas nas considerações queapresentamos, isto porque o nosso propósito era realmente apresentar demodo sucinto a visão de significações do autor em contraste com outras visõesemanadas de autores diferentes e que comportam pontos de vista outros.2. 8. As significações à luz da psicologia: palavras de Vigotsky Ao desenvolver a teoria de análise das relações multifaces entre opensamento e a linguagem, Vigotsky (2000) fala com propriedade de doiselementos linguísticos – som e significado – que para ele convergem-se numsó elemento chamado “palavra”. Não queremos aqui, de modo algum, fazer análises e/ou apresentar osigno segundo a óptica da psicologia na sua plenitude, mas sim apresentarmais uma maneira de ver o signo e suas significações aplicados comoinstrumentos de decodificação do espírito humano. Em referência ao signo, Vigotsky fala de um tipo especial de análise aque ele chama análise em unidades. A unidade é, para Vigotsky, o que o signo é para os linguistas, ou seja,uma unidade que representa o todo e que pode ser subdivida em partes. Paramelhor elucidar, tomaremos a reflexão do próprio Vigotsky (2000, p. 5): A chave para a compreensão das propriedades da água são as suas moléculas e seu comportamento, e não seus elementos químicos. A verdadeira unidade da análise biológica é a célula viva, que possui as propriedades básicas do organismo vivo. Assim como a molécula representa um microcosmo para a água, acélula para a análise biológica, o significado da palavra é o microcosmo emrelação ao pensamento verbal, que deve ser, por sua natureza, o macrocosmo. Por último, Vigotsky (1998) considera que o significado é um atodesencadeado pelo pensamento e que uma palavra sem o seu devidosignificado é algo vazio que quase nada, ou nada importa como elemento defala.2.9. O signo ideológico de Bakhtin: uma visão filosófica O signo para Bakhtin é um elemento de natureza ideológica. Ele chega aafirmar que todo signo é ideológico por natureza. “Tudo que é ideológico possuium significado e remete a algo situado fora de si mesmo, [...], tudo que éideológico é signo. Sem signos não existe ideologia”. (BAKHTIN, 2002, 31).
  16. 16. Desta forma é viável dizer que o signo é carregado de significaçõesideológicas. Se tomarmos as expressões sígnicas de Hjelmslev e suassignificações contextuais para construirmos um signo perfeito, inevitavelmentechegaríamos ao signo ideológico de Bakhtin. Nenhum signo isolado possuivalor em si mesmo. Todo signo deve ser contextualizado para ganharsignificação. Se um elemento sígnico não contiver em si uma carga de puraideologia emanada pelo contexto a que pertença, não poderá ser consideradoum signo perfeito. Assim sendo, Bakhtin (2002, p. 33) ressalta: Cada signo ideológico é não apenas um reflexo, uma sombra darealidade, mas também um fragmento material dessa realidade. Todofenômeno que funciona como signo ideológico tem uma encarnação material,seja como som, como massa física, como cor, como movimento do corpo oucomo outra coisa qualquer. O signo embevecido de significação ideológica pode estar sujeito acritérios de avaliação do meio ideológico e, naturalmente, ser entendidoconforme a necessidade contextual dos interlocutores. Quando o signo écontextualizado, o campo de domínio do signo converge com o campo dedomínio do fator ideológico que ele representa. Um signo à margem é um signosem valor significativo, mas um signo que refrata o seu valor sígnico por meioda inter-relação que adquire no contexto com outros signos é um signo repletode significações. No lugar em que estiver um signo carregado de sentido, alitambém estará o ideológico; e tudo o quanto puder ser considerado ideológico,por sua natureza representativa e significativa, deve ser considerado de valorsemiótico, conforme Bakhtin. O homem vive ladeado de signos, cria signos para representar tudo oque quer, interpreta os signos naturais para entender os fenômenos danatureza e, acima de tudo, convenciona-os com a finalidade de perpetuaraconsciência humana. Há até mesmo signos extra-naturais para leitura,indagação e tentativa de compreensão do sobrenatural. Mas é bom ressaltarque a consciência só pode, segundo Bakhtin, ser entendida como tal quandose enche de conteúdo ideológico e interage com outras consciências. Isto querdizer que nenhum signo tem valor absoluto fora da interação social, ou seja, àmargem do contexto, seja ele o contexto do próprio signo ou o contexto dosinterlocutores que o utilizam como elemento de implementação, reflexão etransformação do ideológico, analisado segundo limites de espaço e tempo. Em síntese, pode-se dizer que o signo bakhtiniano é ideológico pornatureza, não porque não signifique algo vazio de sentido, de idéia; masporque significa, acima de tudo, algo que pode ser assimilado pelo ideológicoou que pode personificar o próprio ideológico.2.10. Considerações finais Todas as teorias estudadas neste trabalho possuem uma propriedadeem comum: referem-se às significações que podem emanar de todas as coisasnaturais, artificiais e sobre-naturais – signos naturais, signos não-naturais esignos artificiais. Porém, vale ressaltar que foi dada importância maior ao signo
  17. 17. lingüístico em detrimento dos demais, tendo em vista a sua meta-natureza, fatoque o torna mais valoroso em relação a outros. Todo signo não-lingüístico sópode ser traduzido por um signo lingüístico, nunca por si mesmo. Diz Lopes(2000, p. 45): O que precisamente aparta, de modo definitivo, os signos verbais das demais espécies de signos artificiais é o fato de que estes últimos serão sempre traduzidos pelos primeiros, meta-signos universais; e estes, os signos verbais, só são traduzíveis com adequabilidade por outros signos lingüístico-verbais. Eles não se baseiam em significações de outra modalidade qualquer de linguagem e, fora deles, não há inteligibilidade possível para o homem. O signo é para o homem a mola propulsora que o induz àstransformações sócio-culturais, tendo em vista a sua natureza ideológica,conforme Bakhtin (2002). Saber se o signo foi melhor definido por Saussure, por Peirce, Hjelmslev,Guiraud, por Greimas, Barthes, Borba, Bakhtin, Lopes, Vigotsky ou porqualquer outro teórico não é relevante para este trabalho; muito menos foicritério definir se o signo é melhor teorizado pela semântica ou pela semiótica.Vale dizer então que a principal reflexão deste artigo foi a apresentação dasdiversas teorias do signo e suas significações para que fosse possível verificara importância que têm o signo e suas emanações no estudo e na compreensãoda linguagem como elemento implementador das aspirações linguísticas esócio-psico-ideológicas do homem.2.10. Referências BibliográficasBAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem. 9. ed. SãoPaulo: HUCITEC, 2002.BARTHES, Roland. Elementos de Semiologia. São Paulo: Cultrix, 1972.DUBOIS, Jean et al. Dicionário de lingüística. São Paulo: Cultrix, 1998.GREIMAS, Algirdas Julien. São Paulo: Cultrix, 1973.GUIRAUD, Pierre. A semântica. 3.ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 1980.HJELMSLEV, Louis. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. São Paulo:Perspectiva, 1975.LOPES, Edward. Fundamentos da lingüística contemporânea. São Paulo:Cultrix, 2000.PEIRCE, Charles S. Semiótica. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2000.PEIRCE, Charles S. Semiótica e Filosofia. 9. ed. São Paulo: Cultrix, 1993.SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística geral. 30. ed. São Paulo:Cultrix. 2001.VIGOTSKY, Lev Semenovitch. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martinsfontes, 1998.WALTHER-BENSE, Elisabeth. A teria geral dos signos. São Paulo:Perspectiva, 2000.[1]. O autor é Licenciado em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências eLetras de Caetité – Campus VI da Universidade do Estado da Bahia; éespecialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior e em LínguaPortuguesa pela União das Escolas Superiores de Cacoal. Atualmente éprofessor de Língua Portuguesa e Coordenador do Curso de Letras da UNESC– Cacoal – RO. É organizador e Coordenador do Infoletras e da Revista
  18. 18. Literarius (publicações do Departamento de Letras da UNESC), além depesquisador, escritor e poeta.[2] . Disponível em: <http:// www. Surrealismo.net>. Acesso em 25 de abr. de2003.[3] apud. -WALTHER-BENSE, Elisabeth, 2000, p. 5.[4] Divisão de um tema em três partes lógicas, para efeito de estudos.[5] Segundo PEIRCE, Semiótica, 2000, p. 52.[6]. Segundo PEIRCE, 2000, 52. Semiótica.[7] Conforme PEIRCE. Semiótica, 2000, p. 53.[8] Dicente vem do latim dicere – dizer.[9] Sistema de escrita e impressão para cegos, criado pelo francês Louis BraillDisponível em: http://www.partes.com.br/ed39/teoriasignosreflexaoed39.htmAcessado em 07/10/2012

×