Os Lusíadas O Velho do Restelo - IV Canto

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Os Lusíadas O Velho do Restelo - IV Canto

  1. 1. E. E. Profa. Irene Dias Ribeiro<br />Jennifer<br />Mateus <br />Wandsley<br />aline<br />1ª A - 2010<br />
  2. 2. O velho do Restelo<br />IV Canto<br />Os LusíadasCamões<br />
  3. 3. Restelo é o nome da praia de onde, no dia 8 de julho de 1497, partiram as caravelas de Vasco da Gama em busca do perigoso e desconhecido caminho marítimo para a Índia.<br />O Discurso Histórico<br />
  4. 4. Na época da expansão mercantilista, entre os séculos XV e XVI, havia duas correntes de opinião em Portugal: uma voltada para os valores medievais, mais preocupada com a agricultura e com os princípios da velha nobreza fundiária ; outra voltada para a renovação do perfil econômico do país, mais preocupada com o comércio e com os princípios flutuantes da burguesia em ascensão.<br />Sentido do Episódio<br />
  5. 5. O episódio do velho do restelo é um fragmento da sequência conhecida como a partida das Naus, em que se narra o embarque oficial dos navegantes, antecedido de procissão solene e despedidas espontâneas. A partida das Naus inicia – se na estrofe 84 e termina na estrofe 93 do canto quarto. Na despedida dos navegantes havia mães, esposas, filhas, crianças, meninos e velhos, entre eles o velho do restelo <br />O Discurso Literário<br />
  6. 6. Quando as Naus já se encontram no Atlântico, surge um grito vindo da praia: é o velho do restelo, homem austero do povo, que não consegue se calar diante da imprudência da viagem. Aventura não encontrava justificativa senão no desejo de mando e na ambição de glória <br />Perfil do Velho<br />
  7. 7. A fala do velho do restelo possui pontos de contato com a ode clássica. Entre os gregos antigos, ode é uma espécie de hino ou canção em louvor das divindades, dos heróis e dos atletas.<br />Forma Literária<br />
  8. 8. Em termos extremamente simplificados este é o conteúdo do velho do restelo: <br />‘’ A vaidade do rei confundia - se com a vaidade comum de todos os mortais, sempre enganados pela ilusão de progresso e de inteligência. Teria sido melhor o homem jamais ter inventado a caravela do que expor todo um povo a tão arriscada viagem <br />O protesto do velho do restelo<br />
  9. 9. 94<br />"Mas um velho d'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito:<br />
  10. 10. 95<br />"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas! <br />
  11. 11. 96<br />"Dura inquietação d'alma e da vida, Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios: Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana! <br />
  12. 12. 97<br />"A que novos desastres determinas De levar estes reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos, e de minas D'ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? que histórias? Que triunfos, que palmas, que vitórias? <br />
  13. 13. 98<br />"Mas ó tu, geração daquele insano, Cujo pecado e desobediência, Não somente do reino soberano Te pôs neste desterro e triste ausência, Mas inda doutro estado mais que humano Da quieta e da simples inocência, Idade d'ouro, tanto te privou, Que na de ferro e d'armas te deitou: <br />
  14. 14. 99<br />"Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidades O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada, pois que já Temeu tanto perdê-la quem a dá: <br />
  15. 15. 100<br />"Não tens junto contigo o Ismaelita, Com quem sempre terás guerras sobejas? Não segue ele do Arábio a lei maldita, Se tu pela de Cristo só pelejas? Não tem cidades mil, terra infinita, Se terras e riqueza mais desejas? Não é ele por armas esforçado, Se queres por vitórias ser louvado? <br />
  16. 16. 101<br />"Deixas criar às portas o inimigo, Por ires buscar outro de tão longe, Por quem se despovoe o Reino antigo, Se enfraqueça e se vá deitando a longe? Buscas o incerto e incógnito perigo Por que a fama te exalte e te lisonge, Chamando-te senhor, com larga cópia, Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia? <br />
  17. 17. 102<br />"Ó maldito o primeiro que no mundo Nas ondas velas pôs em seco lenho, Dino da eterna pena do profundo, Se é justa a justa lei, que sigo e tenho! Nunca juízo algum alto e profundo, Nem cítara sonora, ou vivo engenho, Te dê por isso fama nem memória, Mas contigo se acabe o nome e glória. <br />
  18. 18. 103 <br />"Trouxe o filho de Jápeto do Céu O fogo que ajuntou ao peito humano, Fogo que o mundo em armas acendeu Em mortes, em desonras (grande engano). Quanto melhor nos fora, Prometeu, E quanto para o mundo menos dano, Que a tua estátua ilustre não tivera Fogo de altos desejos, que a movera! <br />
  19. 19. 104 <br />"Não cometera o moço miserando O carro alto do pai, nem o ar vazio O grande Arquiteto co'o filho, dando Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio. Nenhum cometimento alto e nefando, Por fogo, ferro, água, calma e frio, Deixa intentado a humana geração. Mísera sorte, estranha condição!" <br />
  20. 20. A queda do homem associa-se ao mito de Prometeu, aludido como filho de Jápeto na estrofe 103 do episódio.<br />Sua fábula é essencial ao entendimento do ideário do velho do restelo: Prometeu era um dos Titãs que se revoltaram contra o domínio de júpiter.Tendo feito uma estátua de barro, Prometeu roubou o fogo dos deuses para animar sua criação.Como castigo pela ousadia, júpiter ordenou que vulcano, o ferreiro dos deuses, o amarrasse no cáucario, onde os abutres lhe comiam o fígado, que renascia e era de novo comido, prometeu é o símbolo da civilização, da indústria , da sabedoria e do desejo humano<br />Relação entre os Lusíadas e “os Deuses”<br />
  21. 21. O ensaísta Antônio José saraiva, um dos mais interessantes estudiosos de Camões, não aceita essa interpretação. Segundo ele, as idéias do velho do restelo não se harmonizam com o todo da epopéia camoniana. Representariam uma flagrante contradição entre o louvor da expansão para o Oriente . Pela perspectiva do ensaísta português, longe de representar aspecto negativo no poema, essa incongruência dinamiza a poesia do texto, atribuindo-lhe mais vivacidade estética.Quem fala através do velho do restelo é o próprio Camões,que inventou a personagem para incorporar ao poema alguns juízos morais da cultura humanística,que crítica os acontecimentos por uma perspectiva metafísica.julgando a história de fora dos acontecimentos.<br />Crítica<br />

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