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Os Lusíadas   canto I
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Os Lusíadas canto I

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Transcript

  • 1. E. E. Profa. Irene Dias Ribeiro
    • Disciplina: Língua Portuguesa
    • Adilson Alves Junior da Fonseca
    • Alex Lavecchia Rezende
    • Jonathan Simões do Santos
    • Eduardo Leitão Pereira
    • 1ª A - 2009
  • 2. Os Lusíadas Luís Vaz de Camões Canto I
  • 3. Proposição “As armas e os barões assinalados Que, da ocidental praia lusitana, 1 Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo reino , que tanto sublimaram
  • 4.
    • E também as memórias gloriosas 2
    • Daqueles reis que foram dilatando
    • A fé, o império, e as terras viciosas
    • De África e de Ásia andaram devastando,
    • E aqueles que por obras valerosas
    • Se vão da lei da morte libertando:
    • Cantando espalharei por toda parte,
    • Se a tanto me ajudar o engenho e arte .
    • Cessem do sábio grego e do troiano 3
    • As navegações grandes que fizeram;
    • Cale-se de Alexandro e de Trajano
    • A fama das vitórias tiveram;
  • 5.
    • Que eu canto o peito ilustre lusitano,
    • A quem Netuno e Marte obedeceram.
    • Cesse tudo o que a musa antiga canta,
    • Que outro valor mais alto se levanta.
  • 6. Invocação E vós, tágides minhas, pois criado 4 Tendes em mim um novo engenho ardente, Se sempre, em verso humilde, celerado Foi de mim vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo gradíloco e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham inveja ás de Hipocrene.
  • 7.
    • Dai-me uma fúria grande e sonora,
    • E não de agreste avena ou frauta ruda, 5
    • Mas de tuba canora e belicosa,
    • Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
    • Dai-me igual canto aos feitos da famosa
    • Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
    • Que se espalhe e se cante no universo,
    • Se tão sublime preço cabe em verso.
  • 8. Dedicatória E vós, ó bem nascida segurança 6 Da lusitana antiga liberdade, E não menos certíssima esperança De aumento da pequena cristandade, Vós, ó novo temor da maura lança, Maravilha fatal da nossa idade, Dada ao mundo por Deus (que todo o mande, Pera do mundo a Deus dar parte grande);
  • 9.
    • Vós, tenro e novo ramo florescente,
    • De uma árvore, de cristo mais amada
    • Que nenhuma nascida no Ocidente, 7
    • Cesárea ou cristianíssima Chamada.
    • (Vade-o nom vosso escudo, que presente
    • Vos amostra a vitória já passada,
    • Na qual vos deu por armas e deixou
    • As que ele pera si na cruz tomou);
    • [...]
  • 10.
    • Inclinai por um pouco a majestade,
    • Que nesse tenro gesto vos contemplo, 9
    • Que já se mostra qual na inteira idade,
    • Quando subindo ireis ao eterno templo;
    • Os olhos da real benignidade
    • Ponde no chão: vereis um novo exemplo
    • De amor dos pátrios feitos valerosos,
    • Em versos divulgando numerosos.
    • [...]
    • Mas, enquanto este tempo passa lento
    • De regerdes os povos que o desejam, 18
  • 11.
    • Daí vós favor ao novo atrevimento,
    • Pera que estes meus versos vossos sejam;
    • E vereis ir cortando o salso argento
    • Os vossos argonautas, por que vejam;
    • Que são vistos de vós no mar irado,
    • E costumai-vos já a ser invocado.
  • 12. Concílio dos Deuses Já no largo oceano navegavam, 19 As inquietas ondas apartando; Os ventos brandamente respiravam, Das naus as velas côncavas inchando; Da branca escuma os mares se mostravam Cobertos,onde as provas vão cortando As marítimas águas consagradas, Que do gado de Próteu são cortadas,
  • 13.
    • Quando os deuses no olímpo luminoso,
    • Onde o governo está da humana gente,
    • Se ajuntam em concílio religioso, 20
    • Sobre as cousas futuras do Oriente.
    • Pisando o cristalino céu fermoso,
    • Vêm pela Via Láctea juntamente,
    • Convocados, da parte do Tonante
    • Pelo neto gentil do velho Atlante.
    • [...]
    • Estas palavras Júpiter dizia, 30
  • 14.
    • Quando os deuses, por ordem respondendo,
    • Na sentença um do outro diferia,
    • Razões diversas dando e recebendo.
    • O padre Baco ali não consentia
    • No eu júpiter disse, conhecendo
    • Que esquecerão seus feitos no Oriente,
    • Se lá passar a lusitana gente.
    • Ouvido tinha os fados que viria
    • Uma gente fortíssima de Espanha, 31
    • Pelo mar alto, a qual sujeitaria
    • Da Índia tudo quanto Dóris banha,
  • 15.
    • E com novas vitórias venceria
    • A fama antiga, ou sua ou fosse estranha.
    • Altamente lhe dói perder a glória
    • De que Nis celebra inda a memória.
    • Vê que já teve o Indo sojugado
    • E nunca lhe tirou fortuna ou caso 32
    • Por vencedor da Índia ser cantado
    • De quantos bebem a água de Parnas.
    • Teme agora que seja sepultado
  • 16.
    • Seu tão célebre em negro vaso
    • De água do esquecimento, se lá chegam
    • Os fortes portugueses que navegam.
    • Sustentava contra ele Vênus bela,
    • Afeiçoada à gente lusitana, 33
    • Por quantas qualidades via nela
    • Da antiga, tão amada sua, romana;
    • Nos fortes corações, na grande estrela,
    • Que mostraram na terra tingitana,
    • E na língua na qual quando imagina,
    • Com pouca corrupção crê que é a latina.
  • 17. Cilada de Baco Porém disto que o mouro aqui notou E de tudo o que viu, com olho atento, 69 Um ódio certo na alma lhe ficou, Uma vontade má de pensamento. Nas mostras e no gesto o não mostrou Mas, com risonho de ledo fingimento, Tratá-los brandamente determina, Até que mostrar possa o que imagina.
  • 18.
    • Pilotos lhe pedia o capitão,
    • Por quem pudesse à Índia ser levado; 70
    • Diz-lhe que o largo prêmio levarão
    • Do trabalho que nisso for tomado.
    • Promete- lhos o mouro, com tenção
    • De peito venenoso e tão danado.
    • Que a morte, se pudesse, neste dia,
    • Em lugar de pilotos lhe daria.
    • [...]
    • Tanto que estas palavras acabou,
    • O mouro, nos tais casos sábio e velho, 82
  • 19.
    • Os braços pelo o colo lhe lançou,
    • Agradecendo muito o tal conselho;
    • E logo nesse instante concertou
    • Pera a guerra o belígero aparelho,
    • Pera que ao português se lhe tornasse
    • Em roxo sangue a água que buscasse.
    • E busca mais, pera o cuidado engano,
    • Mouro que por piloto à nau lhe mande, 83
    • Sagaz , astuto e sábio em todo o dano,
    • Diz-lhe que, acompanhando o lusitano,
    • Por tais costas e mares com ele ande,
  • 20.
    • Que se daqui escapar, que lá diante
    • Vá cair onde nunca se levante.
  • 21. Fala do poeta No mar, tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a morte apercebida; 106 Na terra, tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o céu sereno Contra um bicho da terra pequeno?