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I forum-sobre-o-crack[1]
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I forum-sobre-o-crack[1]

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  • 1. I FÓRUM SOBRE ASPECTOS MÉDICOS E SOCIAIS RELACIONADOS AO USO DO CRACKJane Lemos*INTRODUÇÃO Tendo em vista a promoção do I Fórum sobre aspectos médicos e sociais relacionados ao uso do crack pelo Conselho Federal de Medicina e a pedido da Diretoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco elaboramos esse documento para subsidiar participação dos nossos representantes no citado evento. O Fórum contará com duas mesas redondas que abordarão: I-Aspectos Técnicos e Éticos: epidemiologia, abordagens clinicas, dilemas ético- clínicos na assistência, acolhimento, medicina e interdisciplinaridade; II- Aspectos institucionais e Sociais: aspectos jurídicos, papel institucional do Estado, proposta do MEC para combate ao crack no sistema educacional e crack: visão da sociedade. A complexidade e gravidade da questão das drogas têm levado a sociedade a discuti-la em seus mais diversos aspectos numa perspectiva pluridimensional. Certamente, foi o que levou o Conselho Federal de Medicina, entidade cada vez mais presente e preocupada com os temas mais relevantes de nossa sociedade a propor uma discussão mais profunda sobre o uso do crack e suas nefastas conseqüências. Para elaboração deste texto contamos com a contribuição do Conselheiro José Francisco de Albuquerque, da Psiquiatra Jandira de Barros Saraiva e da Psicóloga Enildes Monteiro de Albuquerque Melo, todos com vasta experiência na área de Dependência Química. 1
  • 2. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O USO DE DROGAS. “Parece improvável que a humanidade em geral seja algum dia capaz dedispensar os “paraísos artificiais”, isto é,... a busca de auto transcendênciaatravés das drogas ou... umas férias químicas de si mesmo... A maioria doshomens e mulheres levam vidas tão dolorosas- ou monótonas, pobres elimitadas, que a tentação de transcender a si mesmo, ainda que por algunsmomentos, é e sempre foi um dos principais apetites da alma” .( Aldous Huxley) Este texto de famoso autor inglês permanece até hoje muito atual com relaçãoao complexo tema do uso e abuso de drogas cujo debate deve ser aprofundadosempre numa visão pluridimensional. Apesar do cotidiano de noticias na mídia nacional sobre drogas retratar agravidade da questão das drogas no país, do ponto de vista de saúde pública, osestudiosos do tema consideram que há distorções em relação a real situação deconsumo. Por exemplo, entre as causas de óbitos relacionadas com drogas, mais de95% são devidas a drogas legais, lícitas, como álcool e fumo; no entanto o foco damídia sempre se volta para as drogas ilegais, sobre narcotráfico e narcodólares,violências supostamente decorrentes do uso de drogas-, estas mortes, quandocomparadas com mortes no trânsito ou com a mortalidade infantil, são ínfimas.Evidentemente, isto não diminui a extensão do problema do ponto de vista técnico,ético e social.DEPENDENCIA DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS. À guisa de introdução é importante ressaltar ser consenso entre os estudiososdo assunto, que os efeitos de uma droga dependem de três elementos:1-Suas propriedades farmacológicas ( excitantes, depressoras ou perturbadoras);2-A personalidade da pessoa que a usa, suas condições físicas e psíquicas, inclusivesuas expectativas;3-O conjunto de fatores ligados ao contexto de uso dessa droga, tais como ascompanhias, o lugar de uso (ambiente sócio/cultural) e o que representa esse usosocialmente. 2
  • 3. USO, ABUSO E DEPENDENCIA. Não existe uma fronteira clara entre Uso, Abuso e Dependência. O Uso pode ser definido como qualquer consumo de substancias, seja para experimentar, seja esporádico ou episódico; Abuso ou uso nocivo, como o consumo de SPA já associado a algum tipo de prejuízo ( biológico, psicológico ou social); e, Dependência como o consumo sem controle, geralmente associado a problemas sérios para o usuário. O estado de Dependência não constitui um estado do tipo “tudo ou nada”: trata- se de um contínuo, de uma gradação entre um extremo e outro. Mesmo o estado de dependência não constitui uma categoria homogênea, sendo mais adequado pensarmos em termos de “graus de dependência”. Diferentes mecanismos levam as pessoas a se tornarem dependentes. Assim, dependência é uma relação alterada entre um individuo e seu modo de consumir uma substancia, sendo capaz de trazer problemas para o usuário. No entanto, algumas substâncias psicoativas (SPA) causam dependência mais rapidamente. O álcool, por exemplo, pode levar meses para se instalar, já a cocaína e seus derivados, acontece após algumas vezes de uso. COMORBIDADES Sabe-se, que é comum o consumo de substancias psicoativas coexistindo com outros transtornos mentais. De modo geral, o uso de SPA, mesmo ocasional e em pequenas doses, nesta população pode gerar conseqüências mais serias que as vistas em pacientes sem comorbidades. Ha poucos estudos realizados no Brasil investigando a comorbidades entre uso abusivo ou dependência de SPA e transtornos mentais graves. DADOS EPIDEMIOLÓGICOS.Região Nordeste- CEBRID – Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas. Peculiaridades regionais e populações específicas-Os objetivos dos estudos epidemiológicos nesta área são: Diagnosticar o uso de drogas em uma determinada população; Possibilitar a implantação de programas preventivos adequados à população pesquisada. 3
  • 4. Os tipos de estudos 1- Levantamentos epidemiológicos (fornecem dados diretos do consumo de drogas): Domiciliares Com estudantes (alunos do ensino fundamental, médio e universitários) Com crianças e adolescentes em situação de rua Com outras populações específicas; por exemplo: profissionais do sexo; trabalhadores da indústria; policiais; profissionais de saúde etc. 2-Indicadores epidemiológicos (fornecem dados indiretos do consumo de SPA de uma determinada população). Internações hospitalares Atendimentos ambulatoriais Atendimentos em salas de emergências Laudos cadavéricos de mortes violentas Apreensões de drogas feitas pela policia Federal, Estaduais e Municipais Prescrição de medicamentos (benzodiazepínicos anfetamínicos) Mídia Casos de violência decorrentes do uso de drogas, tanto licitas como ilícitas. Prisões de traficantes.Drogas mais usadas no BRASIL, segundo uma ordenação decrescente:Álcool, tabaco, solventes benzodiazepínicos, anorexígenos, xaropes, estimulantes, barbitúricos - LÍCITASMaconha, Cocaína (pó);opiáceos; alucinógenos; crack; merla; heroína.- ILÍCITAS. As Principais Drogas Usadas no Nordeste, seu impacto Social e na Saúde Pública. Sinopse dos Principais resultados da Região Nordeste no I e II Levantamento Domiciliar Sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil- CEBRID- 2001/2005 População Estudada-  Amostragem de 22 cidades com mais de 200 mil habitantes (1.644 entrevistas).  CIDADES- Maceió, Feira de Santana, Ilhéus, Vitória da Conquista, Caucaia, Fortaleza, Juazeiro do Norte, Imperatriz, São Luis, Campina Grande, João Pessoa, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Petrolina, Recife, Teresina, Mossoró, Natal, Aracaju. 4
  • 5.  Faixas etárias- de 12 anos a maiores ou igual a 35 anos. Homens de mulheres.  Grupos étnicos- predomínio de mulatos sobre os demais grupos.  Estado civil- 50% eram solteiros  Classes sociais- maior percentagem de respondentes nas classes C e D  Escolaridade- 1/3 da amostra é de analfabetos ou I grau incompleto.  Religião- 70,7% católicos.  DADOS ESPECÍFICOS-% de Uso na Vida % de DependentesÁlcool 68,4 Álcool 16,9% de USO na Vida % de DependentesTabaco 37,4 Tabaco 8,3Orexígenos 11,2 Benzodiazepínicos 2,3Solventes 9,7 Maconha 1,2Benzodiaz. 5,3Xarope (codeína) 3,2Opiáceos 2,2Estimulantes 1,7Cocaína 1,4Anticolinérgicos 1,3Barbitúricos 0,6 Uso na vida de qualquer drogaCrack 0,4 (exceto tabaco e álcool) – 29%ACHADOS RELEVANTES 1. Quase 1/3 da população estudada do Nordeste (29%) já fez uso na vida de alguma droga, exceto tabaco e álcool. 2. A estimativa de dependentes de álcool foi a maior do Brasil, com 16,9% , correspondendo a 1.537.000 pessoas.5
  • 6. 3. A porcentagem de dependentes de maconha (1,2 %) foi a segunda colocada , quando comparada às cinco Regiões brasileiras, porém a dependência dos benzodiazepínicos superou a de maconha, apresentando 2,3%, quase o dobro da maconha. 4. Os solventes tiveram o maior uso na vida comparado a todo o país (9,7). 5. O maior uso na vida de orexígenos (estimulantes do apetite) apareceu no Nordeste, com 11,2%.O I Levantamento Domiciliar feito pelo CEBRID, mostra também dadosimportantes em relação a:  A Maconha como a droga ilícita mais fácil de ser obtida pela população-53,3%  Cocaína, referida por 23,9% e o Crack por 19,9%.  Presença de pessoas “bêbadas” nas vizinhanças, nos últimos 30 dias- 66,0%  Pessoas que passaram por algum tratamento por causa do uso de álcool e/ outras drogas- 8,9%Complicações Decorrentes do Uso de Álcool e de outras Drogas, queforam pesquisadas.  Acidentes de trânsito- variando de 7,4% a 12% segundo a faixa etária.  Estar sob efeito de drogas no trabalho- 4,4% (faixa etária de 25 a 34 anos)  Quedas decorrentes do uso das drogas- 11,7% para os H e 3,4% para M.  Ferimentos ou agressões físicas sob efeito das drogas- de 5,4% a 13,5%.  Procura por traficantes para obter drogas nas vizinhanças- variando de 5,0% a 20,9%.  O sexo masculino teve mais complicações do que o feminino, em todas as faixas etárias.São as Drogas licitas as que lideram os problemas no coletivo e na saúdedas pessoas.No Levantamento de 2005, o Nordeste continua sendo a região de maiorprevalência na dependência de álcool, 14%, ou seja , em cada 100nordestinos, 14 são dependentes de álcool ( alcoolistas). Houve aumento naprevalência de dependência de Maconha, que superou os Benzodiazepínicos,e aumento no uso do crack, principalmente nas regiões metropolitanas.6
  • 7. COCAÍNA E SEUS DERIVADOS- Levantamentos epidemiológicos e indicadores epidemiológicos, têm evidenciado um aumento considerável das apreensões de cocaína, a partir dos anos oitenta no Brasil.Em paralelo houve um aumento do consumo e com isso a cocaína tomou o lugar dos medicamentos como o dextropropoxifeno ( Algafan) e derivados anfetamínicos ( bolinhas; arrebites) na preferência do usuário.É freqüente o uso entre os adolescentes para “alivio” do desanimo(sic). O Crack é a cocaína preparada para consumo via inalatória (fumada). A rapidez e intensidade de seus efeitos, decorrentes da intensa absorção ao nível dos pulmões, são fatores que favorecem a Dependência dessa droga. Vale assinalar que, em relação especificamente ao CRACK, o seu surgimento no espaço da rua, introduziu mudanças profundas no consumo de drogas em situação de rua por três razões: o produto é Ilícito, justificando a perseguição policial; detém alto potencial aditivo e provoca dependência rápida e devastadora, além de levar às perdas da capacidade relacional e da influencia socializantes que o crack acarreta, tornando a criança ou o Jovem mais indiferentes ou mesmo hostil a propostas de mudanças de vida ( Carlini, E.A., Napo e Galduroz) O consumo de CRAK têm se expandido tanto em nosso meio, sobretudo em cidades maiores ou de região metropolitana, que vem substituindo o consumo da coca injetável. As razões para isso são: Efeito rápido e intenso, Menor custo, em relação ao pó, adequando-se ao perfil de baixa renda dos consumidores; Fácil utilização, dispensando a necessidade de seringa; Tem maior aceitação social por ser consumida fumada e não-injetável, podendo ser misturado com ao tabaco e à maconha (pistilo, mesclado) Constitui uma alternativa ao uso das drogas injetáveis, com redução dos riscos de ISR. Considerando-se o crescente aumento do Consumo do crack, com seus desdobramentos (tráfico, violências,roubos, mortes por problemas Clínicos como pneumonia por crack, Infarto do Miocárdio, AVC, Estado de Mal epiléptico,mortes violentas por assalto, homicídio, suicídio,AIDS, hepatite tipo C, episódios psicóticos paranóides,aumento da prostituição e de pessoas com conflitos com a Lei) e o envolvimento dos usuários com narcotraficantes, além do uso concomitante de álcool e crack/cocaína, que leva a produção de uma terceira substância extremamente tóxica para o fígado, o Cocaetileno, foi sendo cada vez mais premente a necessidade 7
  • 8. de intervenções planejadas, com abrangência nacional, respeitando-se asespecificidades de cada Estado e das populações –alvo. O Decreto Presidencial 7.179, de maio de 2010 e a Medida Provisória 498 de29/7/2010, assim como a Portaria 2841 de Setembro de 2010, institui o “PlanoIntegrado de Enfretamento ao Crack e Outras Drogas, com propostas factíveis demodificar o atual panorama existente no Brasil, desde que as Normatizações sejamimplementadas, com ênfase também nas Capacitações continuadas dos diferentesatores que deverão se inserir nas ações preventivas, no tratamento e na reinserçãosocial. As ações da saúde não podem deixar de buscar parceiros nas organizaçõessociais da comunidade, incluindo-se as Igrejas, Escolas, Pastorais, ComunidadesTerapêuticas Religiosas, Policlínicas, Ambulatórios, Hospitais Clínicos e Psiquiátricos,Grupos de Auto-Ajuda, Terapia Comunitária, enfim, quanto maior o leque dediversidade a ofertar, as possibilidades também tenderão a uma resposta maissatisfatória. Quanto as abordagens terapêuticas é importante ressaltar que não existe umuma única abordagem para envolver todas as características multidimensionaisdas adições. Portanto, considerando a gênese multifatorial da dependência química,a atenção deve ser direcionada às diversas áreas afetadas, tais como social, familiar,física, mental, questões legais, qualidade de vida e enfocando estratégias derecaídas. Deve-se ainda ressaltar alguns aspectos relevantes considerando a intensafissura desencadeada por essas drogas e a baixa adesão ao tratamento anecessidade criar estratégias que facilitem o acesso dos usuários aos serviços deassistência, que tendem a procurá-los em situação de maior crise e mesmo com riscode morte. As intervenções medicamentosas são de suporte, sintomáticas, objetivando aredução dos desconfortos provocados e as comorbidades existentes.Lamentavelmente, apesar das intensas pesquisas dos últimos anos, não há aindanenhuma medicação especifica aprovada para dependência de cocaína/crack. O conhecimento de que o uso da cocaína causa aumento inicial na neuro -transmissão de dopamina e serotonina relacionados aos efeitos prazerosos ereforçadores da droga e, a hipótese de que a desregulação desses sistemas temimportante papel na síndrome de abstinência, levou a inúmeros ensaios clínicos, comintervenções farmacológicas voltadas para tais sistemas sem, no entanto, resultadossatisfatórios. Na prática, assim como nos ensaios clínicos tem sido testados diversascategorias de medicamentos como: Anticonvulsivantes (Carbamazepina,Topiramato, Gabapentina, Lamotrigina, Valproato de sódio); Antidepressivos(tricíclicos inibidores da recaptação de serotonina – ISRSs, Inibidores seletivos darecaptação da Noradrenalina – ISRNs; antidepressivos de ação dual; Estabilizador 8
  • 9. do Humor (Lítio); Antipsicóticos; Antagonistas Opióides, Antagonistas doscanais de cálcio e Agentes Aversivos. Não há, no entanto, qualquer evidênciacientífica comprovada ou experiência clinica consistente. Existe ainda em pesquisaspara ser utilizada em humanos uma vacina anticocaína que visa a produção deanticorpos. (Laranjeira, R) O conjunto de Ações para o tratamento a essas pessoas incluem entre outros:Terapia Familiar; Terapia Cognitiva Comportamental (treino de habilidades sociais eprevenção de recaída); Intervenções Motivacionais – (Motivational Interviewing) eGerenciamento de Contingências (uso de incentivos motivacionais) desenvolvidas nosEstados Unidos; Identificação Dos Fatores de Risco e Proteção aos usuários e suasComunidades; Trabalhar estimulando a resiliência dos participantes e familiares;Construção com os sujeitos envolvidos de um “Projeto de Vida”, sem intermediar comas drogas; Abrigos ou Pensões protegidas para os usuários em situação de risco;Hospitais com leitos para as intervenções clinicas; Leitos psiquiátricos paraatendimento aos pacientes em surtos psicóticos e as Comunidades Terapêuticas. No que tange em relação as Comunidades Terapêuticas, que pese à suaimportância prática, vale a pena ressaltar que tem havido uma proliferação dessesserviços na área privada e, portanto com fins lucrativos. Como não existem, pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal deMedicina, instrumentos normativos que os regulem tecnicamente, deve-se, nomínimo, questionar quanto ao seu funcionamento e a necessidade do controle dequalidade. Laranjeira, em um dos seus artigos comenta sobre o funcionamentoprecário de alguns desses serviços, sem infra- estrutura e equipe capacitada paralidar com os internos, ressaltando a falta de estudos relacionados ao tema assimcomo ausência de identificador público de quantidade e qualidade. O mesmo autorchama a atenção tecem considerações sobre os modelos de comunidadesterapêuticas que inspiram esses serviços e especialmente para a carência detrabalhos na literatura científica nacional a cerca do tema, existindo apenas relatos deexperiência. Em termos de normatização das Comunidades Terapêuticas existe apenas umanormatização da ANVISA RDC 101/2001 que estabelece regulamento Técnicodisciplinando as exigências mínimas para o funcionamento de serviços de atenção apessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas,segundo modelo psicossocial, também conhecido como Comunidades Terapêuticas,parte integrante desta Resolução. Parece- nos importante o estabelecimentos denormas técnicas para esses serviços. 9
  • 10. Evidentemente que todas essas articulações perpassam e irão confronta-se com os modelos existentes na sociedade brasileira, se fazendo também fundamental o questionamento e a superação dos fatores que facilitam e reforçam o uso de SPA. Anexo a este texto, encontram-se: contribuição da Dra. Jandira Barros Saraiva sobre a rede de atenção aos usuários de drogas do Estado de Pernambuco e do Conselheiro do CREMEPE e Professor de Psiquiatria da UFPE sobre a Experiência do NEDEQ – Núcleo Especializado em Dependência Química do Hospital das Clinicas da UFPE. Anexo – Decreto 7.179/2010, Portaria 480 e 481 do Ministério da Saúde*Psiquiatra, Conselheira do CREMEPE e Presidente da Associação Médica de Pernambuco.Referências Bibliográficas.- CEBRID- Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas- II Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil-2005 – Brasilia – SENAD,2006 – Disponível em URL: HTTP: www.cebrid.epm. BRDecretos e Portarias Ministeriais – disponíveis no site do Ministério da Saúde – www.saude.gov. br-Diehl, A; Cordeiro, D; Laranjeira, R – Tratamento Farmacológicos para Dependência Química – Da evidencia Científica à Prática Clinica – Porto Alegre - Artmed – 2010-Figlie, NB; Bordin, S; Laranjeira, R – Aconselhamento em Dependência Química – São Paulo -Editora Roca Ltda, 2004.Gigliotti, A; Guimarães, A – Diretrizes Gerais para Tratamento da Dependência Química – Rio de Janeiro – Editora Rubio/ABEAD – 2010.-Projeto Diretrizes – Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, 2002-Revista Debates- Psiquiatria Hoje – Associação Brasileira de Psiquiatria, Ano 2 – Nº3 – maio/junho de 20010 10
  • 11. -REALIDADE DA REDE DE TRATAMENTO AOS USUÁRIOS ABUSIVOS OU DEPENDENTES DE SPA EM PERNAMBUCO.Jandira Barros Saraiva* Até o momento atual não há uma abordagem única para pacientes que fazem uso problemático de álcool e /outras drogas (SENAD, CEBRID). A rede deve ser diversificada com um leque de opções. A rede de atenção é ainda insuficiente e não dá conta da demanda existente no Estado e Municípios. Parte desses pacientes estão sendo atendidos em Hospitais Psiquiátricos, que vão receber aumento de 31% em suas diárias, repassado pelo Ministério da Saúde ( vide portaria).Recife e área metropolitana.Conta com um (1) CAPS ad por Distrito Sanitário (06 CAPS ad) e dois Albergues para usuários que sejam considerados em situação de alto risco.Outros Municípios-Camaragibe- 1 CAPS ad, funcionando os 2 turnos; Jaboatão, 1 Caps ad; Cabo, 1 Caps ad; Paulista 1 CAPS ad. Olinda- 1 Caps adAmbulatórios da Justiça Terapêutica também oferece atendimento e encaminhamentos quando necessário. ( VEPA)Leitos de Desintoxicação-Hospital da Mirueira, em Paulista, com 52 leitos para alcoolismo, e que atende a todo ESTADO de Pernambuco. As enfermarias foram transformadas em Unidades de Desintoxicação há cerca de 8 anos atrás.HUP- Hospital Ulysses Pernambucano - Desintoxicação também em condições precárias, geralmente transferindo os pacientes para outras unidades.Hospital Geral de Jaboatão- 6 leitos para desintoxicação, mas, na emergência-Segundo a GASAM- Gerência de Atenção à Saúde Mental/SES/PE, há outros leitos conveniados em Hospitais Gerais, mas, que não são Hospitais de Referencia ad, segundo as portarias de normatização do Ministério da Saúde Há leitos em Policlínicas do Interior (sic), perfazendo mais 9 leitos . 11
  • 12. TRATAMENTOS EXISTENTES NA COMUNIDADE, EM PERNAMBUCO:Os Grupos de Auto-Ajuda: Alcoólicos Anônimos (AA); Al-anom (para familiares e amigos);Amor Exigente; Narcóticos Anônimos ( NA); Pastoral da Juventude da Igreja das Graças; Grupo de Terapia Comunitária para usuários, familiares e pessoas da comunidade – reuniões quinzenais na Igreja do Espinheiro, pela manhã; Grupos de Terapia Comunitária na Igreja do Pátio de Santa Cruz, nas segundas-feiras.COMUNIDADES TERAPÊUTICAS RELIGIOSAS. Sem fins Lucrativos Foram identificadas em Pernambuco no ano de 2007/2008, 14 (quatorze estabelecimentos, em diferentes Municípios, entre eles: Recife, Jaboatão, Paulista; Cabo; Caruaru; Garanhuns; Igarassu. Possivelmente já houve aumento das CTR, só que não foram cadastradas pela GASAM - Gerência de Atenção à Saúde Mental/SES/PE. Nos últimos tempos tem surgido as comunidades terapêuticas com fins lucrativos, cujo funcionamento ainda não se conhece o suficiente para uma avaliação do seu funcionamento inclusive sem normatização técnica pelo Ministério da Saúde.  Psiquiatra do ASSISTA. 12
  • 13. EXPERIÊNCIA DO NEDEQ (NÚCLEO ESPECIALIZADO EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA DO HC/UFPE.)José Francisco de Albuquerque*O NEDEQ faz parte da Unidade de Saúde Mental do HC/UFPE. Foi implantado no ano de 2000 e atende a população do SUS que procura o HC. É um projeto de extensão da UFPE, contribuindo como campo de treinamento para estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais voluntários com interesse de atuação na área. O atendimento é essencialmente ambulatorial, sendo prestado por uma equipe constituída por : psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais (docentes, funcionários do HC ou voluntários)Em amostra constituída por 576 pacientes atendidos pelo serviço, no período de 2000 a 2008, evidenciou-se um perfil com as seguintes características:sexo masc . – 89%Substâncias mais utilizadas: álcool – 66%, maconha- 22% e o crack aprox. 7% dos pacientes.Início do uso:< 15 anos – 29%15 a 20 anos – 49%21 a 30 anos – 11%outros.....A maioria daqueles que utilizavam substâncias ilícitas, apresentavam história de dificuldades em várias esferas (estudo, trabalho, família, convivência social).Alguns com envolvimentos com tráfico, assaltos, etc.Importante ressaltar que essa amostra descrita acima foi até o início do ano de 2008. Nos dois últimos anos estamos verificando que o perfil da nossa população atendida, vem se modificando, ou seja: o percentual de pacientes com uso do crack passou 13
  • 14. dos 7% para aproximadamente 40 a 45% dos atendidos. Predominam adolescentes e adultos jovens.Correspondem a dois grupos:1º.-Mais freqüente – antigos usuários de outras substâncias, que passaram a usar o crack2º.-Jovens sem história importante de uso de substâncias, com vida relativamente organizada, que iniciaram o uso do crackAspecto mais importante a realçar: a rápida intensidade, desorganização pessoal nas duas situações após início do uso do crack, com o registro crescente de envolvimento com o tráfico, registro de violência doméstica e de rua, além da grande dificuldade de aderir ao tratamento.Maiores dificuldades enfrentadas na condução dos casos:  Escassez ou quase ausência de leitos de desintoxicação na rede  Ausência de leitos na rede pública para internamentos por maior tempo após a desintoxicação (dispomos apenas de leitos para alcoolismo)  Ausência de integração entre os diversos serviços da redeNecessidades fundamentais:  Uma política pública para a área, com possibilidade de estimular e promover ações a curto, médio e longo prazo para o atendimento a essa população, que possa contemplar: 1. Ações preventivas, de orientação, conscientização, envolvendo recursos da comunidade nas escolas, nas instituições de saúde , e outras instâncias da sociedade organizada; 2. Investimento na formação de recursos humanos especializados, atendendo aos padrões regionais. *Professor de Psiquiatria da UFPE/Conselheiro do CREMEPE. 14