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Www1 an-com-br 2005-jul_25_0fes-htm_hi4eiuwi

  1. 1. J o i n v i l l e                   ­                  Segunda ­f e i r a ,   2 5   d e   j u l h o   d e   2 0 0 5                 ­                    S a n t a   C a t a r i n a   ­  B r a s i l        ANotícia   O bom filho à casa torna Leia também Ensaio & Camarote AN Festival Velho "papão" de prêmios no festival, Grupo Raça  abrilhanta a Noite de Gala. Portal é lançado Veja tudo sobre os  últimos festivais. O portal www.unidanca.com.br foi lançado nesta  2004  ­ 22 º Festival de Dança edição do Festival de Dança de Joinville e consiste  2003  ­ 21 º Festival de Dança em uma universidade livre da dança (Unidança),  criada para que o conhecimento seja tão amplo  quanto a dança e que chegue onde precisar. A  2002  ­ 20 º Festival de Dança Unidança é também para quem precisa de base  teórica. E mais: a universidade atua com  2001  ­ 19 º Festival de Dança metodologia, carga horária e conteúdos que podem  ser disponibilizados por meio de cursos a distância,  2000  ­ 18 º Festival de Dança presenciais e mistos. Foto Divulgação/Amir Sfair Filho 1999  ­ 17 º Festival de Dança 1998  ­ 16 º Festival de Dança Santa Catarina faz bonito Noite competitiva de sábado consagrou dois grupos do  Estado, que levaram prêmios no balé e nas danças  populares Diego Santos os três grupos catarinenses que se apresentaram na noite de sábado  D da mostra competitiva, no Centreventos Cau Hansen, dois foram os  melhores em suas categorias. O Juvenil da Escola Municipal de  Roseli Rodrigues, coreógrafa do Grupo Raça e Cia.,  que se apresenta nesta noite Foto  Ballet, da Casa da Cultura de Joinville, abriu as apresentações e, no final,  Divulgação/André Kopsch conquistou a maior pontuação no balé clássico, conjunto júnior, ficando  com o segundo lugar (nenhum dos concorrentes atingiu pontuação para  ficar com a primeira colocação).  "E por Falar em Dança"  Nas danças populares, quem levou o troféu de campeão do conjunto  Hoje, às 10 horas, inicia­se no Teatro Juarez  avançado foi o jaraguaense Grupo de Danças Húngaras Dunántúl. O terceiro Machado e no Centro de Convenções Alfredo Salfer  grupo catarinense que se apresentou foi a Associação Folclórica Angelina  a programação didática do FDJ "E por Falar em  Blahobrazoff, também nas danças populares (conjunto avançado), mas não  Dança", que neste festival traz novidades, como a  figurou entre os primeiros colocados. Mostra Comentada de Videodança, o Espaço  Sempre com seu público fiel, o balé clássico praticamente lotou as  Acadêmico, e talk show com Ana Botafogo, Cecília  arquibancadas do Centreventos Cau Hansen. Vinte grupos se encarregaram  Kerche e Ricardo Scheir. de abrilhantar a noite com movimentos que arrancavam insistentes  aplausos da platéia. Estavam na disputa o conjunto júnior, solo feminino  júnior, trio sênior, trio avançado e conjunto sênior. Em uma das apresentações mais esperadas na chuvosa noite de sábado,  os paulistas do Ballet Assaf e Franzoi conquistaram o primeiro lugar no  conjunto sênior. Os jurados optaram por não dar a ninguém o segundo lugar  na categoria, e deram o terceiro lugar ao Grupo Juvenil da Escola de Dança  Maria Olenewa, do Rio de Janeiro. A principal atração da noite era mesmo o balé clássico, no entanto, muitos aguardavam ansiosos a segunda parte  das apresentações da noite. Foi quando entraram em cena as danças  populares, no conjunto avançado, e mais sete apresentações. Melhor para  O diretor de produção do FDJ, Victor Aronis,  os catarinenses do Grupo de Danças Húngaras Dunántúl, campeões da  sorrindo à toa Foto Divulgação/André Kopsch noite.  Em função da Noite de Gala, que traz como atração o Grupo Raça, de São  Paulo, a mostra competitiva dá uma folga hoje e retoma as apresentações  Bolshoi em Petrópolis  na terça­feira. É quando retornam ao palco do Cau Hansen os trabalhos em  A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil no último final  balé clássico (duo júnior, trio júnior, solo masculino sênior, solo feminino  de semana realizou duas apresentações em  avançado, conjunto avançado, duo avançado) e danças populares (conjunto  Petrópolis, RJ, no 5º Festival de Inverno, e lotou o  sênior e conjunto júnior). Teatro Paulo Gracindo. Na tarde de sábado, o  ensaio foi aberto ao público: idosos, crianças da  rede pública e portadores de necessidades  especiais acompanharam o desenrolar das  atividades.
  2. 2. atividades. Uma careta da atriz e bailarina Sabrina Lermen  Foto Pena FilhoGrupo apresenta hoje releituras de dois balés já apresentados em Joinville  Daniele Suzuki  Foto Pena Filho A atriz do seriado "Malhação", da Rede Globo, e  apresentadora do programa "Mandou Bem", do  A volta triunfal do Raça Multishow, Daniele Suzuki, esteve sábado no  Festival de Dança de Joinville para gravar uma  matéria para seu programa de abrangência nacional  Companhia paulista é a atração da Noite de Gala do  em canal a cabo. A atração será transmitida dia 4  festival em que cansou de competir e ganhar de agosto, às 9h30 e 18h30, no canal 42 da Net. Diogo VargasQuem não lembra da euforia gerada pelo Raça nas noites do Festival de Dança ainda no Ginásio Ivan Rodrigues? Para se ter uma idéia, cada apresentação fazia o público vibrar, assim como nos espetáculos atuais da dança de rua. A companhia de dança paulista alcança hoje, a partir das 20 horas, o seu momento máximo: apresentar­se na Noite de Gala no palco do Centreventos Cau Hansen. "Filho" do festival joinvilense (como a própria diretora e coreógrafa Roseli Rodrigues considera), o Raça participa desde a terceira edição e obteve seguidas premiações no jazz. Neste ano, no entanto, será a primeira vez que irá figurar como atração numa noite especial.A companhia foi convidada pelo reconhecimento ao trabalho apresentado  Paulo Ivo Koentopp, no jantar de comemoração de nos Estados brasileiros e em países como Argentina, Itália e Portugal. O  abertura do festival Foto Divulgação/André Kopschpúblico poderá conferir dois trabalhos: "Novos Ventos" (30 minutos) e Caminho da Seda" (45 minutos), releituras de dois balés já apresentados em Joinville. Lançamento  O primeiro, com direção cênica de Luis Arrieta e músicas de Erik Satie,  Ana Botafogo lançou no Festival de Dança de levará ao palco (forrado por folhas secas) bailarinos que se dividem em  Joinville uma linha de produtos com acessórios e conjuntos, solos, duos e trios. A representação busca mostrar o outono em  roupas, como camisetas bordadas e pintadas si ­ sua transformação, nostalgia, romantismo e poesia. O segundo  manualmente. A bailarina estará hoje, no período da trabalho, inspirado na Rota da Seda (Oriente e Ocidente), traz 600 metros  tarde e à noite, no estande da Caliman, na Feira da de tecido com fibra de seda. Com a iluminação e a dança dos bailarinos, o  Sapatilha, atendendo ao público e dando elemento cênico possibilita efeitos surpreendentes no palco. autógrafos.O Raça de hoje mantém, por exemplo, acrobacias de risco, mas a linguagem atual é da técnica contemporânea. "Somos rotulados pelo jazz,  Carlos Büst ­  carlosbust@joinville.com  afinal, tenho toda a minha base na educação física. No entanto, esse pique e o tema foram ficando insustentáveis. Por isso, eu creio que essa mudança significa um marco na companhia", explicou Roseli ontem pela manhã, durante conversa com a imprensa.Embora esteja num nível elevado, o Raça não tem patrocínio e os bailarinos associam atividades extras atuando como professores e coreógrafos. A companhia também faz apresentações em empresas e aberturas de convenções. "O Raça tem qualidade e técnica artística. Eu assisti o Caminho da Seda e achei bastante impactante", analisou o crítico Roberto Pereira, do conselho artístico do Festival de Dança. "Subimos degrau por degrau, ou seja, do amador ao profissional. Eu devo ao festival uma boa    apresentação", disse Roseli Rodrigues. Ainda há ingressos para todos os setores do Centreventos. A arquibancada custa R$ 10,00.    Americana Tiffany Caldas com o pai Diego  Caldas: "O festival é maravilhoso. As pessoas demonstram uma paixão pela dança muito forte,  são abertas e simpáticas. Extraordinário" Foto  Cleber Gomes Outro idioma,  uma mesma paixão Apesar das dificuldades de  comunicação, estrangeiros  comemoram a oportunidade de  competir e aprender Marcia CostaLonge de casa e com dificuldades de comunicação, mas muito felizes. É assim que estão se sentindo as bailarinas Tiffany Caldas, americana, e 
  3. 3. Naike Oneglia, argentina. As duas estão no festival e em Joinville pela primeira vez e não escondem o encanto com o evento e com a simpatia daspessoas que encontraram por aqui. Tiffany veio de Gaithersburg (EUA), que fica a cerca de 40 minutos de Washington, especialmente para participar docurso clássico intermediário, com o professor Leonardo Ramos, e do de jazz avançado, com Sueli Guerra. A bailarina americana, com 13 anos, dança desde os três e resolveu participar do festival incentivada pelo pai colombiano, Diego Caldas, e depois de assistir a uma apresentação do grupo brasileiro Corpo, em Washington. "Ela ficou impressionada com o grupo e, então, pesquisamos para conhecer o festival. O objetivo, além de conferir o evento e da Tiffany fazer o curso, foi a integração com as pessoas", conta o pai. "O festival é maravilhoso. As pessoas demonstram uma paixão pela dança muito forte e são abertas e simpáticas. Extraordinário", ressalta ela. "Definitivamente, pretendo voltar".A bailarina argentina Naike Oneglia, de Santa Fé, veio ao festival para concorrer na mostra competitiva de balé clássico de repertório ­ variação feminina júnior, e também para participar do curso clássico avançado, com a professora Miriam Guimarães. Ela chegou acompanhada dos pais, Miguel Oneglia e Norma Silvia, e também não esconde o encantamento com o evento. "O festival já é conhecido e é uma oportunidade de me apresentar. O curso também é interessante e estou aprendendo muitas coisas", afirma. Os três vão ficar até o final do evento, assistindo às apresentações e conhecendo mais Joinville. "A cidade é muito linda e aconchegante. Já garantimos ingressos para várias noites", destaca o pai. Naike, que tem 14 anos e dança desde os nove, já participou de vários festivais e quando tinha 11 anos ganhou um ano de estudos na França. "É muito difícil ser jurado. A gente precisa separar a emoção da razão. Balé é um todo, não é só físico, não é só  musicalidade, não é só técnica." "Essas crianças que estão imbuídas em passar o dia  praticando esporte, balé, pintura, música, computação e,  principalmente, o balé, se futuramente não vierem a ser profissionais da dança, vão ser público, cidadãos que vão  ter esclarecimento para poder também dizer gosto, não  gosto, conheço, sei o que é bom e o que é ruim." "O meu conselho para os jovens é que, primeiro, fiquem longe das drogas, respeitem e amem seus pais, respeitem  a si próprios, saibam escolher seus professores e,  principalmente, tenham muita dedicação. E não desistam  no primeiro obstáculo, porque não é só o primeiro, são  vários no caminho de um estudante ou de um  profissional." Um referencial chamado Cecília Kerche Recém­chegada da Rússia, onde dançou "Lago dos  Cisnes", bailarina brasileira é jurada do festival de  Joinville e participa hoje do programa Talk Show Marcia CostaCecília Kerche, uma das principais profissionais no ramo da dança mundial, tem uma relação consolidada com o Festival de Dança de Joinville. Ela encantou o público desde a primeira vez que se apresentou no evento, em 1989. Vem servindo de espelho para as revelações que têm saído do festival e é musa de todas as bailarinas que sonham em ser estrelas internacionais do balé. Esse ano, Cecília participa novamente da programação. Desta vez, como jurada e entrevistada no Talk Show que integra a programação didática. Na entrevista abaixo, ela fala sobre a sua relação com o festival, a satisfação pela admiração recebida das novas gerações e sobre o futuro da dança no Brasil. Também repassa conselhos e recomendações para os bailarinos em começo de carreira.AN Festival ­ Você é um ícone do Festival de Dança de Joinville. Como avalia o fato de ser tão marcante na história do festival?
  4. 4. Cecília Kerche ­ Acho que geração após geração se remete e se espelha na minha figura como bailarina porque o meu biotipo já vem desde os anos 80 sendo a meta do balé clássico. E também porque o carinho que eles têm pela dança chega a ser um reflexo do esforço, da constância, da persistência do trabalho. Isso eu sempre passei a todas as gerações. A persistência é uma das coisas mais importantes na vida.AN Festival ­ Que detalhes importantes, bons momentos, curiosidades que tenham marcado a evolução do festival você lembra?Cecília ­ Em 1992, quando eu trouxe o primeiro convidado internacional para me acompanhar, o Maximiliano Guerra. Dali, se traçou um novo parâmetro principalmente para os rapazes. De lá pra cá, eu vejo que meninos começaram a fazer aula de balé. Muito antes da Escola Bolshoi se estabelecer aqui, se incentivou a meninos começarem mais cedo, entre 11 e 12 anos, porque é uma arte difícil, uma escola de no mínimo oito anos. E depois, quando já está maduro, experiente, profissional, tem que seguir estudando. Acho que esse foi um marco.AN Festival ­ Ajudou também a diminuir o preconceito em relação a meninos no balé?Cecília ­ Nós já conseguimos superar uma grande parte desse caminho. Porque o preconceito é um caminho, e as pessoas precisam conhecer para saber do que se trata e dizer eu gosto ou não gosto.AN Festival ­ Como você vê os projetos que aliam a dança à cidadania? Essa aproximação da dança com a comunidade traz resultados eficientes para o futuro profissional da arte?Cecília ­ Isso é importantíssimo. Essas crianças que estão imbuídas em passar o dia praticando esporte, balé, pintura, música, computação e, principalmente, o balé, se futuramente não vierem a ser profissionais da dança, vão ser público, cidadãos que vão ter esclarecimento para poder também dizer gosto, não gosto, conheço, sei o que é bom e o que é ruim.AN Festival ­ Quais os conselhos para quem está começando na carreira?Cecília ­ O fundamental é ter uma boa escola. A gente precisa batalhar pelo método brasileiro. Estudar porque o bailarino brasileiro faz tanto sucesso aqui dentro e fora do país. No meu caso, acabei de voltar da Rússia, dancei "Lago dos Cisnes", na Rússia, que é a casa do balé, e até hoje recebo e­mail das pessoas que me assistiram, enaltecendo a minha apresentação. Creio que o bailarino brasileiro tem alguma coisa de muito especial. O meu conselho para os jovens é que, primeiro, fiquem longe das drogas, respeitem e amem seus pais, respeitem a si próprios, saibam escolher seus professores e, principalmente, tenham muita dedicação. E não desistam no primeiro obstáculo, porque não é só o primeiro, são vários no caminho de um estudante ou de um profissional.AN Festival ­ O que envolve, uma vida de bailarino, fora a dedicação integral aos treinamentos? O aprimoramento intelectual e a vida afetiva influenciam?Cecília ­ O equilíbrio afetivo é uma coisa que a gente traz para o palco. E o conhecimento intelectual é fundamental, porque antes de ser bailarino, é cidadão. Ele tem de saber o que se passa no seu país para poder reivindicar. Ser cidadão acima de tudo.AN Festival ­ Na sua opinião, o que significa a Escola Teatro Bolshoi na vida do País? Cecília ­ Uma escola nos moldes do Bolshoi é fundamental, principalmente num país como o nosso. Por isso, a importância de se fazer uma escola brasileira de balé nesses moldes que já deram certo. É uma forma de realmente escolher a excelência entre os melhores.AN Festival ­ O nível dos grupos da mostra competitiva está cada vez mais alto. Como você analisa o trabalho dos jurados?Cecília ­ É muito difícil ser jurado. A gente precisa separar a emoção da razão. Balé é um todo, não é só físico, não é só musicalidade, não é só técnica. Tudo faz sentido no balé, tudo passa pela sensibilidade, pelo treinamento, pela técnica e pela dedicação. É um turbilhão na cabeça dos jurados para analisar tudo numa única avaliação. Um jurado tem que ser uma pessoa que tenha muita experiência, não adianta só amar a dança ou achar bonito.AN Festival ­ Qual sua opinião sobre o evento "E por falar em Dança", que envolve o Talk Show que terá sua participação?Cecília ­ Tudo o que se possa fazer para debater ou incluir a dança no cotidiano das discussões sobre como melhorar, como aumentar o campo de trabalho, é válido. Principalmente para que a gente não veja nossos jovens saindo daqui para abrilhantar palcos internacionais. Para manter esses jovens aqui dentro e perto de suas famílias. Para que se aventurar seja uma opção para eles e não uma necessidade por falta de campo de trabalho. Se surgir desse programa alguma luz que abra alguma possibilidade da dança como profissão, como indústria de entretenimento, é
  5. 5. válido.AN Festival ­ Falando em família, o que ela representa no desenvolvimento dos bailarinos?Cecília ­ A família é um suporte, não importa a condição social. Nós vivemos um momento atribulado no mundo, um desamor muito grande, um desapego à vida. E a família é fundamental para a criança poder crescer, se fortalecer e se tornar um adulto saudável. Encontro marcado com a experiência Ana Botafogo, Cecília Kerche e Ricardo Scheir participam, hoje, de programa de entrevista ao vivo no "E  por Falar em Dança" Marcia CostaAna Botafogo, Cecília Kerche e Ricardo Scheir. Só os nomes já dispensam apresentação. Mas vamos lá: Ana e Cecília foram primeiras bailarinas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e figuram como as mais requisitadas bailarinas brasileiras no exterior. Scheir foi o coreógrafo­revelação de 2004 e ganhou como prêmio do Festival de Dança de Joinville uma viagem a Bienal de Lyon. Não resta dúvida de que apenas essas informações já serviriam para atrair opúblico para um evento envolvendo essas três personalidades. Mas, além disso, que tal saber que será possível ouvir, conhecer e ficar por dentro de detalhes da experiência vivida por eles, em um programa de entrevistas ao vivo, dinâmico e ao estilo do programa apresentado por Jô Soares?Pois é, isso vai acontecer hoje, no Teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventos Cau Hansen, com a realização do Talk Show. O ambiente será como num programa de TV, com toda a estrutura técnica e platéia. O jornalista Osny Martins, de Joinville, vai entrevistar os convidados especiais. O resultado já pode ser imaginado: debates sobre dança, dicas, curiosidades, conselhos, recomendações para quem está começando na carreira, detalhes sobre as experiências nacionais e internacionais e possibilidade de conhecer um pouco mais os profissionais.O evento faz parte da programação do "E por Falar em Dança". A estrutura diferenciada visa a não deixar o debate cansativo. O Talk Show vai começar com a entrevista de Ricardo Scheir, às 15h30. Em seguida, a partir das 16 horas, sentam no lugar dos entrevistados Cecília Kerche e Ana Botafogo. O "E por falar em Dança" também vai reunir mesa­redonda, painel, palestra, espaço acadêmico e mostra comentada de videodança. Todos os eventos serão promovidos hoje. Para que todos aproveitem a programação, não vão ser realizados cursos e oficinas. O espaço foi aberto para oferecer mais uma programação didática e cultural durante o festival. "Os bailarinos poderão participar dos debates, refletir sobre os estudos e trocar idéias comoutros participantes e profissionais", destaca o diretor­executivo do instituto, Ely Diniz.Então, o dia de hoje tem programação com hora e local marcados para o encontro de bailarinos, professores, visitantes e todas as pessoas interessadas. Seja no Talk Show, na mesa­redonda, no painel, na palestra ou na mostra comentada, é só comparecer e conferir tudo sobre essa arte chamada dança. Concorrência  argentina nos palcosA concorrência entre Brasil e Argentina, acirrada principalmente nos campos de futebol, invadiu o palco do Centreventos Cau Hansen. O país foi o único do exterior que inscreveu representantes para lutar com os brasileiros por um lugar na Noite dos Campeões.Os quatro grupos inscritos foram selecionados e estão garantindo o embalo internacional do evento. Os hermanos, vindos do local onde a tradição é o tango, estão na briga pela melhor performance no balé clássico, cinco coreografias. Entre os selecionados argentinos está a bailarina Naike Oneglia, de Santa Fé, que entrou na disputa na modalidade de balé clássico de repertório ­ variação feminina júnior. Ela se apresentou na primeira noite competitiva e ficou em terceiro lugar. Apesar de não ter sido a campeã, comemorou o fatode ter passado pela seleção e a oportunidade de ter participado do festival. A concorrência, segundo ela, é difícil. "O nível dos grupos é muito bom", observa.Além de Naike, a Argentina também está representada no evento pelo Instituto de Danza Katty Gallo Candal, de Buenos Aires, que participa no Festival Meia Ponta, na modalidade de balé clássico ­ solo feminino infantil, e no balé clássico de repertório ­ variação feminina infantil. O grupo também participa na mostra competitiva, nas modalidades balé clássico de 
  6. 6. repertório ­ variação feminina júnior e no balé clássico conjunto júnior. "Vou me inscrever nos próximos anos, pois pretendo continuar participando da competição", avisa. participação estrangeiraO grupo Estudio de Danza Clasica e Contemporanea Bajo Jardin, de São Miguel de Tucumán, que está na disputa no balé clássico de repertório ­ variação feminina, do Festival Meia Ponta, e a MDK Dance, de Mar del Plata, que participa no balé clássico duo avançado, também integram a lista dos argentinos no evento. A participação estrangeira é mínima perto da brasileira, mas os grupos, de acordo com a conselheira artística do festival, Ady Addor, têm qualidade e bom nível. Segundo ela, a presença dos bailarinos argentinos demonstra que o país continua investindo na arte, apesar de estar se recuperando de uma grave crise econômica. Crise essa que esteve no auge até 2002 e causou o fechamento de fábricas, desemprego, desvalorização do peso e empobrecimento da população. "Eles têm na bailarina cubana Alicia Alonso seu maior impulso. A brasileira Cecília Kerche também é muito querida por lá", destaca. (MC) Ballet Assaf e Franzoi (SP) mostrou segurança e precisão com a  coreografia "Rêve Vert" Foto Pena Filho Opinião de especialista Sandra Meyer Fonte criativa inesgotável Trabalhos de balé clássico equacionaram bem a relação  entre a técnica e estética propostaA noite competitiva do dia 23 foi reservada para os trabalhos do balé clássico conjunto, solos femininos e trios dos estágios júnior, sênior e avançado e revelou bons trabalhos. As coreografias apresentaram um bom nível, com propostas que comprovam que o balé ainda é fonte criativa inesgotável. As composições coreográficas apresentadas, em sua maioria, equacionavam bem a relação entre a técnica e a estética proposta, não apresentando muitas das fragilidades e equívocos da noite reservada às produções de dança contemporânea. Pode­se dizer que alguns trabalhos de balé estavam, de certa forma, mais conectados com a contemporaneidade, no sentido de buscarem alternativasa partir dos elementos próprios do vocabulário da técnica clássica, do que muitas das propostas apresentadas na noite competitiva de dança contemporânea do dia 22, estas sem referências técnicas pertinentes. A noite abriu com a apresentação do grupo Juvenil da Escola Municipal de Ballet, de Joinville, com "Escravas de Bergerah", de Marcos Sage, que surpreendeu pelo elenco coeso e bem ensaiado, com destaque para o jovem Rodrigo Hermes Meyer. As composições para os solos femininos júnior buscaram uma movimentação interessante a partir de figuras femininas de forte atitude, como a "Amazona", criação de Ricardo Scheir para o Nesc Ballet, de Guarulhos (SP). e "Guerreira", de Luciana Zanandréa e Marcelo Moraes para a Escola Dançar, de Vila Velha (ES), dançadas competentemente por Luiza de Oliveira e Poliana Vasconcelos. Um dos destaques da noite foi, sem dúvida, o trio do juvenil do Pavilhão D, com a ótima composição "Trois para Müller", um dos seis trabalhos que o coreógrafo Ricardo Scheir apresentou na noite, e o mais acertado. O trio por ele composto conjuga bom gosto musical e um desenho coreográfico primoroso, com enfoque na dinâmica dos braços, e foi lindamente dançado pelos jovens Flávio da Conceição, Lucas Andrade e Manuela Gomes. "Meu medo", coreografado para o Grupo de Dança da Fundação das Artes, de São Caetano do Sul (SP), continha uma atmosfera mais densa, e também confirmou a qualidade de Scheir como criador. O Ballet Assaf e Franzoi, de São Paulo, revelou um ótimo elenco com a coreografia "Rêve Vert", de Adriana Assaf e Silvana Franzoi. Uma composição coreográfica extremamente variada e com um considerável grau de dificuldade técnica e que foi dançada pelo jovem grupo com segurança e precisão. Outra escola que revelou um elenco competente, desta vez no trio avançado, foi o Ballet Isabel Gusman, com destaque para Rafael Panta, além da qualidade da composição coreográfica, com 
  7. 7. dinâmicas de movimentos e desenho espacial muito bem construído. O grupo juvenil da Escola de Dança Maria Olenewa mostrou suas qualidades enquanto corpo de baile em "Mozart", ainda que a coreografia de Dalal Achcar careça de certos elementos compositivos que valorizem o elenco feminino, bem como uma inserção questionável do elemento masculino. Após a apresentação brilhante do Balé Mazowsze na abertura do festival, chegou a vez das apresentações das danças populares. Guardadas as devidas proporções, a noite não deixou de reservar uma grata surpresa: a apresentação do Grupo de Danças Húngaras Dunántúl, de Jaraguá do Sul. A coreografia "Vonát", de Claudia Marisa Kitzberger, apresentou uma movimentação pontuada por uma marcação rítmica precisa, apenas ao som da batida dos pés e mãos. Um grupo coeso, com destaque para o elenco masculino. A Companhia e Escola de Dança Flamenca Michel Cássin, de Londrina (PR), com vigor técnico e efeitos cênicos por meio de painéis deslizantes e o sapateado irlandês do Banana Brodway, de Campinas (SP), apresentou um elenco afinado e cenicamente presente. O Grupo Dena Cia. de Dança, da cidade de Rio­grande (RS), desperdiçou referencias importantes e distanciou­se do rico universo popular abordado em "Canto Rio Grandense" ao abstrair demasiadamente os elementos identitários da dança gaúcha por meio do vocabulário do balé clássico. Neste item, o Balé Mazowsze nos deixou boas lições. A companhia polonesa recria referências originárias da cultura popular na medida certa, sem, contudo, perder de vista o aprimoramento técnico, visto que inclui técnicas como o balé em seu treinamento. Mas o faz como um meio, e não como uma finalidade estética. Sandra Meyer, crítica de dança Opinião de especialista Sandra Meyer A densidade poética  dos movimentosA Mostra de Dança Contemporânea, em seu último dia, trouxe ao Teatro Juarez Machado a Márcia Milhazes Companhia de Dança, do Rio de Janeiro, certamente uma das mais consistes e importantes do País. "Tempo de Verão", obra estreada em setembro de 2004, dá continuidade ao preciosismo alcançado por Márcia Milhazes em suas criações anteriores. Em meio à recorrente discussão que se estabeleceu na contemporaneidadeacerca dos processos coletivos de concepção na arte, Márcia não abre mão de sua autoria sobre a escritura coreográfica da companhia. O que não significa uma atitude solipsista, mas a postura de uma humanista, acima de tudo, comprometida com valores pessoais e coletivos essenciais da sociedade. Em parceria com os intérpretes da companhia, Márcia expõe os afetos humanos por meio de uma artesania corporal visceral. A coreógrafa revisita o lugar das paixões e emoções na cena contemporânea, meio na contramão de um entendimento que varreu da dança o contato com a esfera, digamos, mais psicológica, fruto da histórica negação da narrativa expressionista do século 20. A obra de Milhazes, contudo, não deixa de serconceitual ­ é absolutamente inteligível e coerente, na qual as idéias se articulam por meio de uma gramática de movimentos próprios do universo da dança, porém, reescrita. A densidade poética é alcançada por meio da calculada instabilidade dos estados dos corpos dos intérpretes em tempo real, e com tamanha sutileza e imprevisibilidade que resulta num alargamento do universo de arquetípicos gestuais comumente requisitados para veicular as tais emoções. Uma condição e dimensão humana que não seria alcançada se não contasse com intérpretes que comungassem intimamente com a poética imaginada por Márcia. Se os excelentes intérpretes Al Crispinn e Ana Amélia Vianna já se integravam com justeza à escritura coreográfica de Márcia Milhazes, a mais recente integrante, Pim Boonprakob, fez de "Tempos de Verão" uma obra ainda mais especial. Bailarina de origem alemã, com passagem pela companhia canadense La la Human Steps, Pim veio contribuir sobremaneira para a atmosfera sensívelda obra. O triângulo formado pelos intérpretes compartilha certos afetos e desejos por meio de uma gramática corporal minuciosa, cuja vertigem e circularidade dos movimentos induzem a um estado de suspensão. O diálogo com a trilha, composta por valsas brasileiras, corroboram para a atmosfera de calor e sensualidade que só os tempos de verão exalam, tão sensivelmente abordados pela companhia. O lustre pendurado ao teto, quase uma instalação que moldura a cena, foi concebido por Beatriz Milhazes, conceituada artista plástica, que junto à concepção de luz quentede Glauce Milhazes, constrói uma ambientação contundente. Sandra Meyer, crítica de dança
  8. 8. Mostra  fecha com chave de ouroA 5ª Mostra Contemporânea encerrou na noite de sábado com apresentação da Companhia Márcia Milhazes Dança Contemporânea, do Rio de Janeiro. A coreografia "Tempo de Verão", de Márcia Milhazes, foi aplaudida de pé pelo público, que quase lotou o Teatro Juarez Machado. Os bailarinos Al Crisppinn, Ana Amélia Vianna e Pim Boonprakob dançaram ao som de colagens de valsas e, com desenvoltura, mostraram três aventuras com encontros e desencontros. Mais uma vez, a sensualidade tomou conta do palco. O espetáculo, que teve uma hora de duração, foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como o melhor do ano passado. Para esta edição, foram selecionadas cinco companhias, entre dezenas de inscritas que passaram pelos olhos atentos dos quatro conselheiros artísticos. As três noites da mostra, que é um evento não­competitivo, atrairam um bom público e conseguiram ampliar as possibilidades desta linguagem, que estará em discussão no "E Por Falar em Dança" de hoje. A preocupação da organização do 23º Festival de Dança em formar platéia, não conseguiu evitar que crianças fossem ao teatro e, no meio do espetáculo, dessem demonstração de inquietação. Coreógrafo­revelação de 2004, Scheir diz que não troca o Brasil por  convites do exterior Foto Cleber Gomes Qualidade e quantidade Coreógrafo Ricardo Scheir acumula prêmios e uma  produção impressionante ­ são 20 trabalhos só neste  festival Marcia CostaFoi assistindo a um filme que Ricardo Scheir, coreógrafo­revelação no Festival de Dança de 2004, começou a dançar. O nome exato ele não lembra, só sabe que era um com o ator John Travolta, talvez "Embalos de Sábado a Noite". Inspirado pela história, ele passou a dançar e a se apresentar com a irmã. A dupla fez sucesso, e o que era diversão acabou se tornando coisa séria ­ e, mais tarde, profissão e paixão. Foi numa das apresentações da dupla que uma professora perguntou se ele não queria fazer aula. Para a felicidade da dança, Scheir aceitou, marcando o início de uma carreira de sucesso. "O vírus pegou", afirma ele. Na época com 15 anos, começou a entender a dança e a procurar conhecimento sobre o assunto. Dançou em companhias como o Balé Stagium e Jazz Company e estudou na Escola Municipal de Balé de São Paulo, onde conheceu a professora Toshie Kobayshi. "Com ela, realmente aprendi a dançar", ressalta. Mais tarde, em 1986, Scheir montou a companhia de dança Watts, com a qual ficou três anos, antes de sair do Brasil. Passou cinco anos fazendo shows brasileiros na Ásia e no Canadá. Quando voltou ao Brasil, começou a estudar coreografia. Foi nesse período que fundou a companhia Pavilhão D e passou a ser coreógrafo em muitas escolas e a ganhar prêmios. Sua relação com o Festival de Dança de Joinville é verdadeiramente de amor. "Venho aqui há tantos anos. Devo ter participado de mais de 17 festivais, já vim como bailarino, como coreógrafo. Acompanhei toda a evolução do evento e não abro mão de estar aqui. Se for preciso, desmarco outros compromissos em julho", afirma. Todos os anos, o evento conta com uma infinidade de coreografias assinadas por ele. Só nesta edição são 20, sendo 13 da companhia dele e sete apresentadas por outras, que vão do clássico de repertório livre ao contemporâneo. O certo é que a cada ano os prêmios não param de ser conquistados ­ a estande de Scheir acumula cerca de 40 troféus do festival (só no ano passado foram oito). Porém, ganhar não é mais a prioridade para o coreógrafo. "O principal é poder mostrar o meu trabalho, que está em constante evolução, e que estou sempre em atividade, procurando coisas novas", afirma. E acrescenta: "Não vou sossegar e o público daqui não vai se livrar de mim. Sempre vou fazer parte do festival". O que ele quer mesmo é que todos os bailarinos que estão no palco com suas coreografias sintam­se bem, realizem um bom trabalho e que a platéia curta a apresentação. "O prêmio, o reconhecimento, vai ser uma conseqüência". InspiraçãoPara realizar tantas obras­primas é preciso muita inspiração. De onde ele a tira? "Cada uma vem de uma forma. Às vezes de uma foto, de um livro, de 
  9. 9. uma cena, uma rua, um sonho, do elenco. Deixo a sensibilidade à flor da  pele e procuro notar tudo a minha volta. Algumas são rápidas, outras  começo e desisto, faço laboratórios. O certo é que se não tocar em mim é  porque não rola. Tenho que me sentir satisfeito", explica. A experiência de quando morou no exterior, das apresentações que faz fora  do País e da oportunidade de participar da Bienal de Lyon, na França, como prêmio do festival do ano passado, só fazem o coreógrafo se encantar ainda  mais pelo trabalho brasileiro e pelo País. "Pude ver que a nossa dança vai  muito bem, obrigado. A diferença primordial é que lá existe mais  investimento na cultura, o que aqui ainda dificulta o trabalho dos  profissionais", ressalta.  Apesar dos convites para viver e trabalhar no exterior, Scheir é categórigo e  diz que vai continuar no Brasil. "Amo meu País, sou absurdamente patriota.  O que eu tiver de construir na dança, vou fazer aqui no Brasil", destaca.  Para quem está começando na carreira, Scheir ressalta que amar o que se  faz é fundamental. "Independente da opção, faça com amor que vai ser bem  recebido. Além disso, é preciso ter muita perseverança, ser honesto e  respeitar todos a sua volta. Tendo isso, o resto só vai depender do talento  de cada um", diz.  A partir de agosto, o coreográfo assume novos desafios: dirigir a Escola de  Dança da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e a Companhia de Dança de  São José dos Campos. Como vai arrumar tempo para conciliar tantas  atividades? "Não sei, mas vou conseguir", afirma. Manchetes AN Das últimas edições do Festival 24/07 ­ Aviso: aberto à visitação 23/07 ­ Uma brecha para o permeável 22/07 ­ Sempre há algo para se aprender 21/07 ­ Contornos da experimentação 20/07 ­ As cores polonesas do folclore    Copyright  ©  2000 A Notícia  ­ Fone: 055 ­0xx47 431 9000  ­ Fax: 055 ­0xx47 431 9100  ­ Rua Caçador, 112  ­ CEP 89203 ­610 ­ C. Postal: 2  ­ 89201 ­972 ­ Joinville  ­ SC  ­ BRASIL  ­EXPEDIENTE Por:Torque Comunicação e Internet  

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