Escola de balé encerra o ano com noite beneficente

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Matéria sobre espetáculo de encerramento da Escola Municipal de Ballet de Joinville. …

Matéria sobre espetáculo de encerramento da Escola Municipal de Ballet de Joinville.
ANoticia, Dezembro de 1999

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  • 1. Ê NOSSOS ANUNCIANTES SÌO A GARANTIA DE CONTEòDO SEMPRE MELHOR E GRATUITO Leia também: Roberto Carlos Música Programação passa A imagem do som do Cinema e filmes na o Natal com de Chico Buarque TV. Cinema coletânea Inspirados em músicas do compositor, artistas Sem novidades e ressentida recriam obras visuais de dos anos 60, CD funciona como consolo para fãs do impacto, com erros e acertos Rei Walter de Queiroz Guerreiro Rubens Herbst Especial para o Anexo Joinville - Este foi um ano duro para Roberto Felipe Taborda, artista Carlos. O câncer que acometia sua mulher.. gráfico, desenvolveu o .. voltou com força total e, segundo a imprensa projeto de criar uma coleção tem noticiado, seu estado é crítico, inclusive com de arte inspirada na música, poucas chances de sobrevivência. O tratamento melhor diríamos na letra, dos difícil, as viagens para o exterior, as vigílias pela maiores compositores saúde de Maria Rita e o natural estresse brasileiros contemporâneos. mantiveram o cantor longe dos estúdios e palcos O projeto, iniciado no ano em 1999, o que culmina, mais uma vez, num passado com letras de Natal diferente para os fãs. Sem repertório novo Caetano Veloso, está dando nem especial de fim de ano na Globo - uma frutos saudáveis este ano, tradição que vinha se mantendo desde 1974 -, com Chico Buarque, a que se eles terão que se contentar mesmo com mais seguirão Roberto Carlos, uma coletânea. Gilberto Gil e outros durante No ano passado, o mesmo expediente fora oito anos, construindo um utilizado pela Sony, que recheou o lançamento painel das artes visuais de fins com quatro canções inéditas. Em "30 Grandes do século 20, início do 21. Sucessos - Volumes 1 e 2" há apenas uma nova A série intitulada "A Imagem composição, que abre cada CD da compilação do Som" convida a cada ano dupla. Com uma inspirada levada caipira e o 80 artistas das mais diferentes discurso religioso de sempre, "Todas as Nossas linguagens e suportes, de Senhoras" é o resultado da única incursão do ilustradores a artistas "Rei" pelos estúdios neste ano. O resto, como já conceituais, abrangendo todos deu para perceber, são velhos sucessos, cavalos os campos da criação. Para de batalha pinçados de todas as fases da carreira evitar direcionamento do do cantor.
  • 2. O lado romântico de Roberto Carlos, aquele que gosto subconsciente,o elevou à condição de maior astro nacional a queiramos ou não, na escolhapartir dos anos 70, é privilegiado pela do tema Taborda optou porcompilação. "Detalhes", "Lady Laura", sortear as letras, numa"Cavalgada", "Outra Vez", "Amada Amante", relação representativa da"Café da Manhã" e, claro, "Emoções", não melhor poética de Chicopoderiam ficar de fora, bem como o Roberto Buarque.devoto, representado por "Quando Eu Quero Fornecer letras de músicaFalar com Deus", "Nossa Senhora", "Jesus como estímulo à criaçãoSalvador" e "Aleluia". "Canzone Per Te" mostra plástica é um caminhosua porção italiana, e "Mulher de 40" e delicado, pelo perigo de a arte"Caminhoneiro", sua produção mais recente. O visual se tornar transformaçãofilé, porém, está nas faixas menos citadas em imagética da palavra escrita,shows e especiais - mas nem por isso menos ou seja, de a arte visualimportantes -, caso de "O Portão", "Como Vai perder sua liberdade,Você", "Não Quero Ver Você Triste", tornando-se literária. Esse"Desabafo", entre outras. intercâmbio vem de longe,Mas há um problema - ou melhor, dois. O desde E. Cummings, passandoprimeiro é que, apesar de a maioria das músicas por Ezra Pound sobre aserem essenciais para entender (e curtir) o mito aparência da palavra e daRoberto Carlos, não há fã que não tenha tudo teoria de que o poema, comoisso em casa. Até pelo fato de já ter lançado uma toda forma de arte, é umcoletânea no ano passado, a gravadora poderia objeto (vide hoje osvalorizar um pouco mais o suado dinheirinho do neoconcretos, Haroldo deconsumidor com algo menos redundante e mais Campos e afins). No ladotentador. Às vésperas do fim do milênio, seria oposto, a característica dauma ótima chance de desencavar sobras de maioria das obrasestúdio, velhas canções inéditas e faixas ao vivo contemporâneas édo cantor, sozinho ou com alguns de seus desenvolver um códigoinúmeros parceiros. próprio de leitura que não pode ser lido de maneiraA segunda pisada, e ainda mais grave, é restringir autônoma, exigindo uma fase da Jovem Guarda a uma única canção, "O discurso de explicações dosCalhambeque". Ora, é impossível mapear a conceitos subjacentes. A artetrajetória de Roberto Carlos dignamente sem conceitual, a mais cerebrallembrar sua contribuição para a música brasileira das formas plásticas,nos anos 60, quando ajudou a traduzir para o buscando autonomia, sóidioma nacional as inquietações e desejos que sobrevive através de códigostomavam conta da juventude ao redor do mundo. suplementares deOnde estão "Quero que Vá Tudo para o Inferno", comunicação, pela linguagem"Splish, Splash", "Parei na Contramão", escrita. Desta forma há uma"Namoradinha de um Amigo Meu", "Eu Sou simbiose em que a obra paraTerrível", "É Proibido Fumar", e por aí vai? ser entendida, transforma-seImperdoável. em metalinguagem, no código criado pela própria obra.Sendo assim, a quem pode interessar umacoletânea incompleta e sem novidades como Voltemos à exposiçãoesta? Talvez aos que se preferem apenas o inaugurada no Paço ImperialRoberto baladeiro, ou então ao fanático que
  • 3. engole qualquer coisa que lhe é empurrado de (Rio de Janeiro) a 2 deseu ídolo. Como já foi dito, não é de todo ruim, dezembro, permanecendo atémas fica um gosto esquisito na boca. É triste, 5 de março de 2000.como a expressão de Roberto na capa do disco. Comparada à exposição de 1998, dedicada a Caetano Veloso, houve sensível Poeta joinvilense amadurecimento nas é premiado em SP propostas, registradas em definitivo num livro-catálogo Entre 441 inscritos e 12 selecionados, de alta qualidade gráfica, patrocinado pela Petrobras. Rubens da Cunha obtém o 1º lugar no Concurso de Poesia Falada A multiplicidade de caminhos da arte contemporânea é vista GLEBER PIENIZ pela leitura de cada artista,Joinville - Oito anos de dedicação à poesia assim como a boa e márenderam ao joinvilense Rubens da Cunha a carpintaria na criaçãomaturidade suficiente para conquistar, no último artística, a leitura direta edia 4, o primeiro lugar no Concurso de Poesia fácil da letra, a reflexão sobreFalada 1999 da Biblioteca Mário de Andrade, de o conteúdo e a obsessãoSão Paulo. Entre 441 trabalhos inscritos e 12 particular de cada um. Esta é,selecionados para a fase de apresentação, foi aliás, uma característica"Tratado Sobre a Caça ao Poema" o grande constante na obravencedor, texto premiado com R$ 1 mil. No ano contemporânea: o artista criapassado, Cunha fora classificado em segundo um código de leitura quelugar no mesmo concurso. perpassa toda sua criação, desenvolvendo redaçãoEm novembro, uma comissão composta por dialética com o criadocinco jurados apontou 12 trabalhos que deveriam anteriormente, compreensívelser declamados pelos autores no dia 4 de para os que reconhecem serdezembro para um júri de três nomes que sua visão de mundo. Emdefiniria a premiação. Cunha foi selecionado, termos de metalinguagem,apresentou seu trabalho e voltou para Joinville existe contradição essencial,com o primeiro prêmio. Sua conterrânea Patrícia o significante adquirindoClaudine Hoffmann, vencedora da última edição significado preciso apenas nodo prêmio Lindolf Bell, também foi uma das 12 código próprio do autor.concorrentes selecionadas para a fase final com"Navegações Léxicas a Respeito do que Fica". A exposição revela grandesOs poemas que concorreram na etapa de interpretações, como a deapresentação integram, agora, uma exposição Oscar Ramos, sobre a letra deitinerante pelas bibliotecas públicas paulistanas. "O Meu Guri". Partindo da imagem criada por Matisse,Cunha escreve desde os 20 anos e participa há em Saint Paul de Vance, dadois do grupo de poetas Zaragata, que também Virgem e o Menino Jesus, otem Patrícia como integrante. "Quando um de artista substitui Jesus pelanós ganha algum prêmio, a gente considera como foto de um menor de Belémse todo o grupo ganhasse. Prezamos muito pela do Pará e superpõe umaqualidade dos poemas", garante o escritor, poesia de Rimbaud sobre oex-surrealista que admira o trabalho de Hilda garoto que dorme tranqüilo,Hilst, Jorge Lima e João Cabral de Melo Neto. O
  • 4. convívio com o grupo, admite, lhe deu disciplina, em oposição à dura realidadebase técnica e conhecimento, elementos do pivete com a tarja negra,preciosos que ainda não são suficientes para que ocultando a identidade dooriente sua poética em um caminho bem menor delinqüente.demarcado. "Ainda estou meio à cata de umestilo, de uma linha mais conceitual", diz o De leitura imediata, e nopoeta. "Construo um conteúdo poético utilizando entanto de alta qualidade, é aimagens e metáforas". escultura-objeto de Gabriel Vilella, apontando claramente"Tratado Sobre a Caça ao Poema" é um roteiro em "Com Açúcar, comem versos para a construção poética, texto Afeto", a ligação literária nasconstituído de metáforas alusivas ao reino animal balas verde-amarelas come à prática da caça. "Parti do princípio de como trechos da música, dentro dodesenvolver um poema e usei a imagem dos tacho de cobre tradicional dasfelinos", explica Cunha, consciente de que este doceiras interioranas.conteúdo didático - e ao mesmo tempoconfessional - do trabalho pode ter colaborado Criando impacto visível,para "seduzir os jurados". A utilização de porém se apropriando daelementos como linces, leões, tigres e panteras já linguagem única de Arthurfaz parte do universo estético do poeta e será Bispo do Rosário, a artistatema para o primeiro livro que Cunha pretende plástica Veronica DOrey crialançar, ainda sem previsão de data. "Penso em o "Brejo da Cruz", bordandoum livro-conceito onde eu trabalharia a a letra da música e formandometalinguagem usando a figura dos felinos". uma cruz de botões coloridos. Como transliteração daEscritor cuja produção é pouco ligada ao rigor música será válida, não fossepoético, Cunha garante que busca, agora, a idéia ser marca registradaagregar valores formais à lavra. "Gosto da de um grande artista dométrica porque ela me impõe um espaço", inconsciente, à margem daadianta, "mas não sou afeito à rima". "Se uso sociedade.rimas em meus poemas, são rimas internas",avisa. Arnaldo Pappalardo cria uma macrofotografia, a imagem densa de um velho cravo,Tratado sobre a caça ao poema citado na letra de "Tanto Mar", enquanto Ruth Freithof1 Da preparação relê o "Passaredo" em trêsNa caça ao poema é preciso gravuras com recursos dedestituir-se de covardias. computação, citando pássaros inexistentes na letra, o azul daÉ preciso que os tremores vários liberdade, o sangue da vida, asentidos na preparação violência do grafismosejam apenas estratagemas das máscaras prenunciando o homem.para enganar o poema. Dentro da habitual posturaAs máscaras devem ser incorporadas irônica de Nelson Leirner,sobre os escombros da face: papa neodadá dos anos 60,nunca mostrada, nunca vista, "Bem-querer" se transformanunca espelhada em verdades. em arte objeto, o tabuleiro de xadrez opondo figuras de
  • 5. Não se preocupe com verdades, presépio em confronto comsão animais mitológicos de impossível caça. seres elementais (gnomos?)Detenha-se apenas no poema. de falos eretos, na explicação da fúria dos casais.2 Da armaNa caça ao poema é preciso A questão apontadaque o sonho seja o predador. inicialmente quanto à criação de vocabulário próprioTransforme seu sonho em fera. repetitivo como código deFelinos são os mais completos. linguagem aparece em Alex Cerveny na leitura de "NoiteLeões, leopardos, panteras, linces: dos Mascarados", aomisto de silêncio e beleza, enfileirar colagem dede amor e violência. máscaras. O caso se repete com Amador Perez propondoJamais transforme seu sonho em um tigre. "Último Blues" dentro de suaTigres já não caçam mais poemas habitual execução impecáveldepois que passaram a servir no desenho ao captar detalhesà cegueira de Borges. da "Gioventú" de Eliseu Visconti, rememorando a3 Da sabedoria da fome sedução da boca e olhos daPense na escrita se fazendo fome ninfeta.sobre os espaços em branco.Faça com que seus felinos Em leitura bem brasileira epartam em busca da presa direta, Ana Durães mostra "Aescondida nos contornos da palavra. Banda", tema adequado ao universo popular, como asSinta o alimento respirando nas sombras, imagens dos Pífaros dedisfarçando-se em ausências. Caruaru, do mesmo modo que Muti Randolph, utilizandoSonhos transmutados em felinos recursos de computaçãosão sempre silenciosos. Não grite. gráfica e plotter, compõe seuNão assuste o poema com a inexatidão da "Sabiá" intensamente tropicalpressa. e neo-antropofágico, clara homenagem a Tarsila do4 Do golpe final Amaral.Felinos sabem matar. Poemas querem morrer. Há nomes consagrados queDeixe-os livres, instintivos, desapontam, como aseguidores de suas próprias naturezas. instalação de Cildo Meirelles, a montagem fotográfica deNão tenha compaixão Adriana Varejão, o objeto dequando um poema tenta a fuga Luiz Zerbini. Surpresae é pego e estraçalhado e lapidado agradável é a escultura depelos intensos dentes dos sonhos. Maninha, assemblage de porcelanas de gosto duvidoso,Depois de abatido, proteja seu poema tão kitsch quanto ascriando em volta dele referências às fogueiras,muralhas transparentes de solidão. balões e luares do sertão daO poema morto pode ser visto, cheirado música "Barrão".
  • 6. mas jamais poderá ser comidopor quem não o caçou. Analisar mais é tarefa impossível pela exigüidade deTenha sempre muito cuidado espaço (e paciência do leitor).com as hienas e os chacais, A apenas a visão direta dessasão caçadores ineptos, vivem de restos, importante mostra dá adesejam sempre adonar-se dimensão real dada caça que não lhes pertence. experimentação contemporânea. A aparente5 Da eterna insaciação indefinição da arte atual, comNão acorde seus sonhos seus múltiplos caminhos, écom a ofensa da derrota. exatamente o que demonstraFelinos nunca sabem o que é perder. a validade da arte, leitura e releitura, reflexão eCace eternamente. acomodação, sustentação doPoemas são animais visual pela palavra e vôo livreque precisam ser devorados. da imagem. Definir esteA sobrevivência deles está diretamente relacionamento amoroso,ligada à sua própria morte. quase incestuoso entre artes, é missão impossível,Impregne o papel com a violência do amor, traduzível quiçá numa palavracom a beleza insana do poder de caçar um única: arte, que na origemanimal significa capacidade deque só deseja ser caçado. realizar.Deixe sua marca no corpo sacrificado do poema. Walter de QueirozEle pede por isso. Guerreiro é historiógrafo e crítico de arteComa a carne crua de cada verso.Alimente-se com a vida que o poema lhe Crônicaconcedeu.Eternize-se com o desejo de eternidade José Mindlin,contido em todo poema que se deixa matar. bibliófilo Salim Miguel As várias faces Para falar de uma vida entre de Barry Adamson livros, título paradigmático de seu livro de memórias, José GLEBER PIENIZ Mindlin começa esclarecendo que não gosta da expressãoJoinville - Barry Adamson é uma referência para "palestra". Muito menosse tentar entender um pouco da música atual, "formal". Considera-se ummesmo que a lição que tenha a dar pareça contador de histórias, que vaiconfusa. Em 1977, com Howard Devoto desfiando o fio das(ex-Buzzcocks), formou a lendária Magazine, lembranças - e assim envolvebanda extinta em 1981. Juntou-se a Nick Cave e o ouvinte e mesmo o leitorà primeira formação dos Bad Seeds em 1984. que já lera suas andanças peloCom o bardo australiano, compôs e gravou
  • 7. quatro discos sem restringir seu talento apenas mundo, em busca deao baixo. Multinstrumentista, ganhou segurança primeiras edições. É, empara apostar em uma carreira solo que jamais síntese, um papo gostoso, quepecou pela falta de talento ou de coragem. É esta vai-e-vem, recua e avança,trajetória irretocável que a coletânea "The como nas histórias das "Mil eMurky World of Barry Adamson" (Roadrunner) uma Noites", de que seregistra. mostrou mais do que umEm 12 faixas (três inéditas), Adamson mostra o apaixonado. Foi uma tarde,que de melhor sua concepção de música pode na Aliança Francesa deoferecer, ainda que seu universo temático não Florianópolis, em que todosseja nada agradável. Como Cave e David Lynch nos encantamos com sua(diretor de "A Estrada Perdida", filme para o facilidade de comunicação,qual gravou quatro músicas), Adamson tem uma seu humor, sua memóriavisão peculiar do lado negro da vida, do amor e prodigiosa, seu prazer deda frustração, da ruína e da redenção. Vertidas viver.em disco, estas crônicas malditas ganham leitura Revela-nos que iniciou suasofisticada e abordagem digna da tradição das vida entre livros aos 13 anos,big bands, com metais em destaque, piano e uma agora, aos 85, tem cerca degama fabulosa de timbres de teclados. 30 mil. Ou já serão mais? EleEngana-se quem considera o trabalho deste continua comprando.músico, compositor e arranjador um sinônimo de Concorda com sua mulher: apurismo e austeridade. Longe de apresentar uma partir de certo momento,música sisuda ou datada, Adamson deturpa uma deixaram de ser donos dosaparente reverência ao passado com livros, os livros é que sãointervenções eletrônicas, linhas de baixo donos deles.marcantes, bases pré-gravadas e vocais que vão O livro é para ele como umda rouca insinuação à pura canastrice. De "Moss ser vivo. Dá exemplos:Side Story", seu primeiro disco solo (1988), saem precisou selecionar cem de"The Man With the Golden Arm" e "The Big seus livros para umaBamboozle", temas bastante ortodoxos exposição. Foi difícil; todosamparados pelo baixo e pelos metais que são queriam se mostrar; umatrazidos à modernidade para contrapor vozes ciumeira danada. Teve dedistorcidas. "007, A Fantasy Bond Theme" (de acalmar os que não foram"Soul Murder", 1992) ambienta em paragens escolhidos, dizendo que maistropicais uma versão quase irreconhecível do adiante teriam vez.tema do agente secreto. Difícil também foi atender à"The Vibes Aint Nothing but the Vibes" (de solicitação de uma lista de"Oedipus Schmoedipus", de 1996) mistura piano, cem livros importantes, queaplausos e uma voz a la Barry White sobre base constituiriam a base docândida de vibrafone, instrumento que também acervo de uma escola. Tarefase faz ouvir em "Cant Get Loose", fazendo impossível, em vez de livrosoposição à bela melodia vocal sobre uma base indicou cem autores; nãopós-punk. A crueza dá o tom na inédita "Mitch satisfeito fez uma listaand Harry", construída apenas de uma narração complementar de mais 20.ao pé do ouvido aliada a um tema de suspense. Lancei a isca, perguntei-lheVoltando aos exageros polifônicos, Adamson dá se conhecia as listas depersonalidade à "Saturn in the Summertime" Carpeaux e Marques Rebelo.acrescentando-lhe assobios, violinos e o
  • 8. trumpete com surdina de Guy Barker. A melodia O artifício funcionou, Mindlinvocal reassume a condução na inédita "Walk the puxou de uma pasta e leu suaLast Mile" e passa incólume até mesmo pelos relação, feita em ordemloops eletrônicos. Do jazz ao drum n bass, do alfabética. O segundo erarock a ousadias harmônicas, "The Murky World" Alain Fournier, autor de umé a melhor porta de entrada para o universo de único livro, "Le grandirreverentes revisionismos e contradições Meaulnes", morto na guerratemporais de Barry Adamson. Tome cuidado e de 1914/18. Eu o havia lidoseja bem-vindo. por indicação do Marques Rebelo. "De Corpo e Da lista, ele passa para suas preferências literárias. Poucos Alma" estréia no Guairão hispano-americanos e menos Joel Gehlen ainda norte-americanos. Lê e Especial para o Anexo relê Proust; admira o Joyce de "Dublinenses", mas nãoCuritiba - O Balé do Teatro Guaíra, de Curitiba, afina com o "Ulisses"; seentra em cena hoje estreando "De Corpo e fosse forçado a escolher sóAlma", um espetáculo de dança, em muitos dois autores, seriam Balzac easpectos, especial. O programa composto por Proust; só um romance,dois números, "O Segundo Sopro" e "Tango", "Guerra e Paz", de Tostoi.comemora os 25 anos de inauguração do grande Sublinha a importância deauditório do teatro, conhecido como "Guairão", "Os Sertões", mas diz quee promove uma espécie de renascimento do organizaria o livro começandoBTG, companhia das mais importantes do País, pela última parte. Falar deque está completando 30 anos de atividades. autores contemporâneos lhe é mais complicado; nãoCriado em 1969, o Balé do Teatro Guaíra possui consegue dissociar o escritorum respeitável repertório, com obras de alguns do cidadão; apesar dosdos mais expressivos nomes da dança nacional e elogios, nunca leu Celine porinternacional. Já foi dirigido por grandes nomes causa de sua adesão aodo balé mundial, como Yurek Shabelewski, Hugo nazi-fascismo.Delavalle e Carlos Trincheiras. Ao longo de suaexistência, o BTG tem trabalhado com Como todo colecionador queimportantes coreógrafos, dentre eles John Butler se preza, Mindlin valoriza("Catulli Carmina", de Carl Orff, em 1981), certos aspectos do livro, paraMaurice Bèjart ("Opus V", de Webern, em além de primeiras ou antigas1981), Renato Magalhães ("Concerto em Sol", edições: se o volume éde Ravel, em 1986), Vasco Wellenkamp autografado, se passou por("Exultate Jubilate", de Mozart, em 1987), mais de um dono, folheia oRodrigo Pederneiras ("Dança da Meia-Lua", de livro com curiosidade ouEdu Lobo e Chico Buarque, em 1988), Luiz ternura, vai à folha de rosto,Arrieta ("Estância", de Alberto Ginastera, em ao colofão, estuda a tipologia,1991), Milko Sparembleck ("Os Sete Pecados as ilustrações - e muito mais.Capitais", de Kurt Weill, em 1992; e "Canções Ele fala com entusiasmo dede Wesendonck", de Wagner, em 1993), Márcia muitas preciosidades, entreHaydée ("Coppelius, o Mago", de Delibes, em elas uma Bíblia de Gutenberg.1996). Além de bibliófilo
  • 9. Para esta última temporada do século, o BTG apaixonado, Mindlin é umpassou por uma renovação, do elenco à direção. benemérito das artes. Sei quePara dirigi-lo, foi contratada a jornalista e ele não aprecia oex-bailarina Suzana Braga, personalidade "benemérito". Paciência. Nãoconhecida em Santa Catarina pelas participações tenho outra maneira paracomo crítica de dança do ANFestival, defini-lo. Durante anos, comsuplemento especial publicado por A Notícia sua empresa Metal Leve, eledurante a realização do Festival de Dança de lançou importantíssimasJoinville. edições fac-similares (entre outras a "Revista deDesde que Suzana assumiu a direção artística do Antropofagia", de Oswald deBTG, em setembro último, a companhia Andrade, e a "Revista Verde",selecionou 12 novos bailarinos. Entre eles, Saulo do Grupo deFujita, bailarino paulista também conhecido em Cataguazes/MG), ouJoinville, onde, além de premiações oficiais no patrocinou lançamentos comoFDJ, recebeu o Troféu ANFestival, de A Notícia, "Frente e Verso", sobre Carlosem 1998. Outra personalidade com passagem Drummond de Andrade, ondepelo festival que passou a integrar o staff do figura uma foto dos jovens doGuaíra é Beatriz de Almeida, ex-primeira Grupo Sul, num encontro combailarina do Stuttgart Ballet, da Alemanha, que o poeta, na década de 50.ocupa o cargo de maitre de ballet. Temos experiência direta de seu apoio a projetos culturais. Durante todo o tempo em que circulou a revista "Ficção (RJ, Congraçamento com 1976/79), manteve nela a dança brasileira anúncio da sua Metal Leve. É bom lembrar que estaPara coreografar os dois espetáculos de "De empresa pioneira, devida àCorpo e Alma" foram contratados o argentino política entreguista do atualEduardo Ibañez e a paulista Roseli Rodrigues. governo, teve, como tantas outras, de ser vendida paraEm "O Segundo Sopro", Roseli trabalha com os um grupo estrangeiro.sentidos de elementos como o vento, a água epedras semipreciosas, levando ao extremo Alguém lhe perguntou:algumas de suas marcas: ousadia, intensidade e quantos livros formam suafluidez em formas acrobáticas, deslizantes e biblioteca? Respondeu queunidas. O grande desafio que Roseli propõe aos uns 30 mil. Outro: já leubailarinos é dançarem no palco coberto por água, todos? Retrucou: impossível,elemento dificílimo, que exige grande técnica e precisaria ter o dobro dasincronismo perfeito. O resultado é um idade que tenho. Lembrei-meespetáculo a um só tempo lírico e audacioso. A de um diálogo parecido,peça tem música especial, composta por Fábio quando eu lhe disse: ledoCardia. engano, você sempre teria novos - velhos livros para"Tango", o segundo número da noite, é inspirado adquirir e ler, seria necessário(e, ao mesmo tempo, tributo) a um século do mais tempo de vida e assimritmo portenho. A coreografia de Eduardo sucessivamente.Ibañez trabalha com os componentes básicosdesta dança sedutora, desde os temas musicais José Mindlin insiste em que ohistóricos como "El Dia en que me Quieras" até
  • 10. composições modernas como "Tangueira", de livro é imprescindível eAstor Piazzolla. Dançado em seus passos insubstituível para quem sabetradicionais e nas pontas, "Tango" faz um passeio ler, supera tudo o que surgepelas principais personalidades desta música, em pensando suplantá-lo.seus cem anos. Confirma, assim, uma fraseA estréia de hoje à noite, comemorando os 25 de Alberto Manguel, autor daanos do Guairão e os 30 anos do BTG, será excelente "Uma História datambém um congraçamento com a dança Leitura". Perguntado abrasileira, reunindo em Curitiba representantes respeito da afirmativa de Billde todas as companhias oficiais do País e muitos Gates de que a era do livronomes expressivos da dança nacional. chegara ao fim, retrucou: "Para dizer isto Bill Gates escreveu um livro". Escola de balé encerra o ano com noite beneficenteJoinville - A Escola Municipal de Ballet da Casada Cultura da Joinville faz, hoje à noite, seuespetáculo de encerramento de ano no palco doCentreventos Cau Hansen. Do clássico aocontemporâneo, bailarinas e coreógrafosapresentam à comunidade os números que,durante todo o ano, foram premiados em SantaCatarina e em outros Estados.No início do ano, o grupo juvenil da EscolaMunicipal de Ballet da Casa da Cultura obteve oprimeiro lugar no Festival de Dança de Niterói,no Rio de Janeiro, com as coreografias "PássaroAzul" e "Vulnerasti", ambas de Marcos AndréSage, um dos professores da Casa da Cultura deJoinville."Dueto Para Sylvia", outra coreografia deMarcos Sage, voltou do festival carioca com oprêmio pelo terceiro lugar, mesma colocação que"Ad Genua" (um fragmento de "Todas asMulheres da Minha Vida") obteve no Festival 5ºSanta Maria em Dança, no Rio Grande do Sul,realizado em setembro.Em julho, fragmentos de "Weltlos" deram aMarcos André Sage e ao grupo juvenil da escolao primeiro lugar no Festival de Dança deJoinville. "Referência", coreografia de SigridNora, também deu ao Grupo Cidade de Joinvilleda Casa da Cultura o primeiro lugar na últimaedição do maior festival de dança do País.
  • 11. ProduçãoO espetáculo de hoje à noite é beneficente e seuprograma prevê a apresentação de 15coreografias divididas em duas partes quemostram a produção dos professores MarcosSage, Alessandra Beatriz Hilário, Fabine ÉvelinRomão e Maria Antonieta Spadari à frente deseus alunos de diversas idades.A apresentação de encerramento de ano daEscola Municipal de Ballet da Casa da Culturada Joinville inicia às 20h30 e tem como ingressoapenas um quilo de alimento não-perecível. Papai Noel perde espaço na publicidade de NatalAgências esquecem do espírito natalino e colocam atores no lugar do "om b velhinho" Rodrigo Teixeira TV PressPapai Noel está em baixa neste Natal. E isso ficaclaro nas publicidades natalinas. O "bomvelhinho" perdeu espaço para atores,apresentadores e até desconhecidos contratadospor agências. O ator Thiago Lacerda, porexemplo, aproveita o embalo de seu personagemMatheo, de "Terra Nostra", e além dos inúmeroscomerciais regionais, aparece incessantementeno reclame da Caixa Econômica Federal. JáGugu Liberato, apresentador do "DomingoLegal", no SBT, encabeça a campanha natalinada Arno. Na compra de qualquer produto damarca, o consumidor vai estar ajudando famíliascarentes do Nordeste, pois uma parcela dodinheiro vai ser revertida em cestas básicas.Um dos únicos comerciais em que aparece orepresentante brasileiro do Papai Noel é docelular Nokia. Mesmo assim, o "bom velhinho"não diz uma palavra e só segura o aparelho namão, seguido da frase em off "neste Natal, omundo todo só fala nele". No anúncio daCoca-Cola, a participação do Papai Noel
  • 12. também é quase nula. Ele só dá o ar da graça noúltimo take, quando com uma garrafa dorefrigerante na mão, pede silêncio para ocomboio da Coca-Cola passar por uma cidade.As mensagens dos anúncios também estão maisligadas à tentativa de reforçar o produto e nãopassar uma mensagem que, além de atiçar oespectador a comprar, o faça pensar sobre o querepresenta a festa natalina. A campanha da Arnoé uma das poucas com uma proposta social. ABauducco também tenta passar algumamensagem, já que trabalha com o slogan"aproveite o Natal para aprender a dividir", masnão vai além de mostrar crianças com panetones.Já os comerciais da Caixa Econômica comThiago Lacerda são muito mais para abocanhar o13º dos brasileiros, enquanto a Estrela se resumea dizer que "neste Natal, não importa obrinquedo, tem que ser Estrela". Só usam a festanatalina como gancho, porque nem a imagem doPapai Noel utilizam.Até mesmo as emissoras estão demorando paraexibir suas mensagens natalinas ou de prósperoAno Novo. A Globo, que sempre produzchamadas de seu elenco no início de dezembro,até a primeira quinzena deste mês se limitava achamar os programas dedicados ao Natal e apassagem do ano e insistir na frase persecutória"todo mundo de olho na Globo". A Band, porexemplo, assim como SBT e Record, só irámostrar os funcionários dedicando "feliz Natal eum próspero ano novo" poucos dias antes dasdatas festivas. Até mesmo as músicas natalinastradicionais ou novas canções publicitárias nãoestão sendo exploradas este ano. O jingle deMarcos Valle, usado pela Globo desde a décadade 70 ("hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, éde quem quiser, quem vier..."), parece que foiesquecido por completo.A ausência de alguns comerciais de marcasfamosas também ajuda para o "bom velhinho"estar sentado no banco dos reservas dasagências. Uma propaganda como a do extintoBanco Nacional, por exemplo, é até hojelembrada. Mas parece que os profissionais decriação publicitária atuais não conseguem repetira fórmula, já que o comercial contava com umamelodia de fácil assimilação e uma letra simples
  • 13. tipo "bom Natal, um feliz Natal, muito amor e paz para você...". A Sadia, que sempre fez comerciais interessantes, como o que mostrava uma família se confraternizando ao som de "Perhaps Love", na voz de Plácido Domingo e John Denver, até a primeira quinzena de dezembro não havia colocado nenhuma campanha no ar. Na verdade, a diferença é que as propagandas atuais se baseiam em frases feitas, como "o Natal da TVA é um presente para você", do que no espírito natalino. Por isso, Thiago Lacerda tomou o lugar do Papai Noel e, junto com o "bom velhinho", palavras como paz e fraternidade perdem espaço na publicidade natalina. Manchetes AN Das últimas edições de Anexo Uma noite com os violinos mágicos A poesia que renasce da vertigem De gente grande para gente pequena Ausência de cor, presença de luz Vovó faz 100 anosCopyright © 1998 A Notícia - Todos os direitos reservados - Telefone: 055-47 3431-9000 - Fax: 055-047 431 9100 Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - Caixa Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - Santa Catarina - BRASIL Autoria: Torque Comunica‹o e Internet - Projeto: Avelar L’vio dos Santos , jornalista, RP MTr/PR 890 .