O ensino da disciplina de empreendedorismo na educação tecnológica casi 2012

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O ensino da disciplina de empreendedorismo na educação tecnológica casi 2012

  1. 1. CASI 2012 - Congresso de Administração Sociedade e Inovação Marcos José Corrêa Bueno mjvm@ig.com.br André Luiz Cisi profcisi08@gmail.com Daniela Bartholo dani.bartholo@gmail.com O Ensino da Disciplina de Empreendedorismo na Educação TecnológicaA sociedade contemporânea elucida a necessidade de um cenário com protagonistas cada vez maisempreendedores. A acepção empreendedora neste trabalho está fundamentada nos princípios humanistas desociedade, de ensino e, também, de aprendizagem. Nesse sentido, a formação empreendedora converge com asnecessidades e tendências da sociedade contemporânea no que se refere à formação do sujeito, à sua autonomia ecriatividade, à valorização do indivíduo enquanto ser humano dotado de unicidade quanto às suas experiências,cultura, conhecimento, motivação entre outros. Sendo assim, a educação tecnológica pode receber um agregadorque permita sua transcendência da grade curricular focada na formação específica, simultaneamente,possibilitando ao alunado a integralização de outros saberes constitutivos de uma formação mais empreendedora.Para tanto, este trabalho se finda em conceber o empreendedorismo como parte integrante e constitutiva noscursos de educação tecnológica, ainda assim, indicando as diretrizes de fundamentação a tal necessidade. Aseguir, este trabalho apresenta quatro estudos de casos relatados com alunos que, ao final do curso, seguiramcarreira empreendedora com base na aplicação de seus estudos.Palavras-chaves: empreendedorismo, ensino superior, educação tecnológica, abordagem humanista de ensino. 1 INTRODUÇÃO 1.1 O mercado e as novas exigências formativas A sociedade contemporânea elucida o cenário das conseqüentes transformaçõesdecorrentes da globalização. Para tanto, a partir da década de 1990 os distintos einterdependentes âmbitos político, geográfico, econômico e, sobretudo social sofreramimpactos que culminaram com novas exigências formativas e, portanto, com o repensar daformação dos profissionais atuantes no mercado. Sendo assim, as novas exigências domercado incluem à obtenção de profissionais mais qualificados, conseqüentementepreparados para atender as novas demandas impostas pelo mundo globalizado. Nesse sentido,o conjunto educacional responsável pela formação do profissional direcionou-se àreformulação dos conteúdos curriculares a fim de atender as necessidades emergentes domercado.
  2. 2. Para tanto, a preocupação, primordialmente do ensino superior constituiu-se ementregar à sociedade o que ela necessita: quantidade de profissionais formados para atender acrescente demanda e, principalmente profissionais qualificados para que a qualidade deprodutos, serviços e informações também fosse obtida. Sendo assim, emerge a necessidade deformar profissionais engajados à composição de um novo modelo social, político e econômicode sociedade, simultaneamente, competentes e habilidosos no que se refere à profissão, poissegundo Gadotti (2000) A substituição de certas atividades humanas por máquinas acentuou o caráter cognitivo do fazer. O fazer deixou de ser puramente instrumental. Nesse sentido vale mais hoje a competência pessoal que torna a pessoa apta a enfrentar novas situações de emprego e a trabalhar em equipe do que a pura qualificação profissional. (GADOTTI, 2000, p. 251) Diante de tais considerações, faz-se possível afirmar que o aluno concluinte do ensinosuperior vê-se diante de um cenário desconhecido e exigente quanto aos seus distintossaberes, pois A obsolescência do conhecimento e da tecnologia implica o realinhamento e a readaptação do profissional num curto espaço de tempo, pois os empregos definitivos darão lugar à atuação coletiva, que exigirá flexibilidade e competência para saber resolver problemas variados de acordo com a realidade que se apresentar (MORAN et al, 2000, p.80) Partindo de tais pressupostos, faz-se possível afirmar que a qualificação doprofissional aumenta suas chances de empregabilidade, simultaneamente, manter-secompetitivo no mercado exige do profissional a manifestação de certas competências, taiscomo, visão sistêmica dos negócios e processos da organização, estar predisposto a aprender eaperfeiçoar-se, trabalhar em equipe, saber se comunicar, possuir formação específica e, aomesmo tempo, sob óptica de um generalista ao deter um saber global que lhe permita agir demaneira eficaz localmente, pois a escola Certamente não constitui a única fonte de aquisição dessas competências. A família, os meios de comunicação, o convívio social ou a própria experiência de trabalho são, também, instâncias importantes de qualificação. Entretanto, não há duvida de que as oportunidades ocupacionais vêm exigindo perfis de qualificação para os quais a responsabilidade da escola é cada vez mais proeminente (SALM, 1998, p.240) No que se refere às novas exigências, o profissional vê-se diante de desafiosimpositivos à sua colocação e, também, permanência no mercado. Nesse sentido, desenvolvehabilidades de interpretação, identificação e de transformação, pois passa a interpretar omercado, identificar oportunidades e transformar conhecimento em novos conhecimentos. Ainda assim, a imprescindível competência inovadora emerge juntamente com anecessidade de instituir empresas, também, inovadoras no mercado. Contexto já elucidadopreviamente por Drucker (2000) ao afirmar que nas próximas décadas as escolas euniversidades sofrerão mudanças e inovações mais drásticas que nos seus últimos trezentosanos quando se organizaram em torno da mídia impressa, pois as novas Tecnologias deInformação e Comunicação, concomitantemente, todos os elementos dissidentes das mesmas,poderão consolidar a chamada aprendizagem contínua. Nesse sentido, apresentaram-se novas demandas sociais, conseqüentemente impondoàs organizações respostas inovadoras perante a ineficiência das respostas antigas, uma vezque, o emergente contexto é tipicamente dinâmico, mutável e complexo.
  3. 3. Ademais, a competitividade no mercado de trabalho elucida o cenário competitivoentre as organizações, portanto, a inovação é inerente ao processo, uma vez que, paramanterem sua vantagem competitiva as empresas apostam nas criações propostas por seucapital intelectual, pois segundo Porter (1986) a vantagem competitiva emerge do valor queuma empresa é capaz de criar para seus consumidores, mesmo que o custo para a criaçãodesse valor seja excedido. Portanto, a empresas procuram criar estratégias que as diferenciemde suas concorrentes. 1.2 A inovação e empreendedorismo Convergente aos pressupostos elencados tem-se que as aquisições de conhecimentoque se fazem sob um processo contínuo de aprendizagens ampliam as possibilidadesempregatícias do profissional, tornando-o mais competitivo. Quanto à edificação dacompetência inovadora do profissional, esta se vê impulsionada, também, pelos desafiosimpostos pelo dinamismo contemporâneo nos distintos âmbitos sociais. Sendo assim, mudança e inovação são faces de um mesmo conjunto que indicamnovas diretrizes às estratégias de negócio. Portanto, as empresas se reconfiguram, se adaptame tornam-se mais descentralizadas, pois A organização deve ser estruturada para tomar decisões rapidamente. E essas decisões devem ser baseadas na proximidade - com o desempenho, com o mercado, com a tecnologia, e com todas as muitas mudanças ocorrentes na sociedade, no meio ambiente, na demografia e no conhecimento que propiciarão as oportunidades para a inovação. (DRUCKER, 2000, p.7) Portanto, saber inovar implica assumir com comprometimento um projeto demudança, simultaneamente, consiste em acreditar que todos estarão engajados no projeto demudança. De acordo com Senge (1996) mudança e inovação caminham lado a lado, entretanto,só se concretizam quando os envolvidos se posicionam em prol do aprender, do mudar, daaquisição de novos saberes, simultaneamente, revendo conceitos arraigados. Ainda assim,assumem novas posturas e refletem acerca da cultura pessoal e organizacional que se foiperpetuada e praticada ao longo dos anos, concomitantemente, revêem valores e aderemnovos modos de pensar e de agir. No entanto, segundo Cardoso (1992) o termo inovação nemsempre é utilizado na sua acepção mais correta, pois é quase sempre aplicado como sinônimode mudança, ou de renovação ou de reforma, mesmo sem ser sob realidades idênticas. Por outro lado, neste artigo, inovação será concebida pela identificação de algopreexistente que se vê transformado a fim de adequar-se a um determinado contexto. Portanto,sob esta óptica Freeman (1988, p.1) elucida que a questão da inovação tecnológica exige umaformulação alternativa, simultaneamente, capaz de incorporar mudança tecnológica einstitucional à análise econômica, visando superar os limites da análise convencional, que atrata como fator residual ou exógeno. Partindo dos pressupostos supracitados, tem-se que a competência inovadora poderáser inerente ao ato de empreender, entretanto, Dolabela (1999, p.20) pergunta: “pode alguémaprender a ser empreendedor?”. Tal questionamento requisita abordagens acerca dodesenvolvimento e aprendizagem dos indivíduos, simultaneamente, elucidando maneirasconceptivas de um empreendedor. Para tanto, a abordagem a ser utilizada à análise dos
  4. 4. conceitos neste trabalho concebe aprendizagem pela óptica humanista e, esta fundamentanossas intenções de pesquisa. Neill e Rogers representam a abordagem humanista de ensino que elucida suastendências e enfoques a partir do sujeito/indivíduo. Nesse contexto, o desenvolvimento dapersonalidade do sujeito acontecerá por intermédio das relações estabelecidas com o meio,simultaneamente, sob um processo de construção e organização da realidade. Situado nomundo/único em sua vida interior, em suas percepções, em suas avaliações. Para Rogers(apud Mizukami, 1986) o homem não nasce com um fim determinado, mas goza de liberdadeplena e se apresenta como um projeto permanente e inacabado. Nesse sentido, o indivíduo apartir dessa visão é independente, autônomo e inerentemente diferente, portanto, deve seraceito e respeitado. Os sentimentos e experiências servem de base para o crescimento, umavez que, apresenta tendência a desenvolver-se, autodirigir-se e reajustar-se. O sujeito é apessoa do presente, sob a noção do “aqui e agora”, ainda assim, interage com outras pessoas eé compreendido, ou ainda, aceito por quem o ajuda, simultaneamente, um pressuposto básicoda teoria de Rogers. Ademais, Rogers (apud Mizukami, 1986) concebe o sujeito como um arquiteto de simesmo, concomitantemente, é incompleto, vive sob transformação e transformando o mundoque o circunda. Nesse sentido, o homem/sujeito vive sob um processo de atualização e, assim,atualiza-se no mundo. Para tanto, o conhecimento se vê construído por meio da experiênciapessoal e subjetiva num processo do “vir – a - ser” da pessoa humana, simultaneamente, émutável e dinâmico. A educação do indivíduo sob a abordagem humanista de ensino se faz propulsoraformativa de pessoas com características peculiares e indispensáveis à conjuntura de mercadoda atualidade. Para tanto, iniciativa, responsabilidade, autodeterminação, discernimento, adaptação àssituações inéditas por corroborar com o caráter flexível de formação do sujeito, dentre outros,constituem-se em elementos agregadores e intencionados por tal vertente de ensino. Aindaassim, tal abordagem vislumbra a concepção de sujeitos livres e criativos que sabem colaborarcom os outros sem deixar de ser indivíduo convergindo com as intenções econômicas,políticas e sociais do mundo global. Por fim, compreende a educação em tudo o que esteja aserviço do crescimento pessoal, interpessoal ou intergrupal. Sendo assim, a abordagem deensino humanista é a que mais se aproxima da acepção empreendedora a ser adotada nestetrabalho. 1.3 Empreendedorismo e Oportunidades: pressupostos conceituais Quanto a acepção do termo etimológico da palavra etimologia a recorrência aqui serápara os autores Dolabela, Drucker, Say, Schumpeter e o próprio GEM - GlobalEntrepreneurship Monitor. A palavra “empreendedor” cuja expressão em inglês é entrepreneur surgiu na Françanos séculos XVII e XVIII, com o objetivo de designar aquelas pessoas ousadas queestimulavam o progresso econômico, mediante novas e melhores formas de agir. Outraconcepção vem do economista francês Jean-Baptiste Say (1767 – 1832) no século XIX queconceituou o empreendedor como o indivíduo capaz de alavancar recursos econômicos pormeio da transferência das áreas de baixa produtividade para as áreas de produtividade maisaltas e com maior possibilidade de retorno. Joseph Alois Schumpeter (1883 – 1950),economista austríaco, utilizou o termo empreendedor para definir uma pessoa com
  5. 5. criatividade e capaz de fazer sucesso com inovações. Peter F. Drucker (1909 – 2005) em 1970introduziu o conceito de risco intimamente ligado ao empreendedorismo e afirmou que umapessoa empreendedora é aquela que tem coragem e disposição para arriscar em algumnegócio. Por fim, a Global Entrepreneurship Monitor – GEM afirma que oempreendedorismo é o principal fator promotor do desenvolvimento de um país. Para a GEMempreendedorismo fica assim definido: qualquer intento de novos negócios ou criação denovas empresas, como o auto-emprego, a reorganização de um negócio, ou a expansão de umjá existente, por um indivíduo, grupo de indivíduos ou firmas já estabelecidas. Nos estudos e abordagens mais recentes a respeito do tema empreendedorismo Filion(In: DOLABELA, 1999, p.75): “o empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve erealiza visões”. Para tanto, empreendedorismo e oportunidades são termos complementares,pois um não existe sem o outro. Para tanto, o elemento gerador da oportunidade é a ideia,embora não devemos confundir os termos. Segundo Dolabela (1999) a oportunidade é uma ideia que está vinculada a um produtoou serviço que agrega valor ao seu consumidor, seja por meio da inovação ou ainda, peladiferenciação. Filion (1997) afirma que o processo visionário descreve a busca deoportunidades, enquanto a compreensão do setor antecede e alimenta a capacidade deidentificá-las. Portanto, antes de qualquer ação, o empreendedor deve munido de umaestrutura de pensamento sistemática e visionária, graças à qual ele estabelece alvos e depoisinstala um fio condutor, um corredor que segue para atingi-los.Sendo assim, “o empreendedoré alguém que assume riscos calculados e, sempre que pode, tenta minimizá-los”(DOLABELA, 1999, p.88) 2 A Educação Tecnológica e os Tecnólogos A educação profissional tecnológica possui um histórico centenário no Brasil e emâmbito mundial remonta à segunda metade do século XVIII, quando a revolução industrial seconsolidava na Europa e nos Estados Unidos. Trazemos aqui informações do sítio do MEC eda Escola Agrotécnica Federal do Rio Grande do Sul: A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica teve sua origem em 1909, quando, o então presidente da Republica, Nilo Peçanha, criou 19 escolas de Aprendizes e Artífices que, mais tarde, dariam origem aos Centros Federais de Educação Profissional e Tecnológica – CEFETS (Disponível em: http//www.eafrs.gov.br). Na atualidade, tanto instituições de ensino superior quanto o mercado focaram atençãonos cursos tecnológicos. Ação esta impulsionada pelas características do curso e pelaexpansão do conceito que, originalmente voltava-se apenas ao setor de tecnologia. Sendo assim, na contemporaneidade há cerca de uma centena de graduaçõestecnológicas organizadas em dez eixos, simultaneamente, atendem necessidades urgentes dasociedade e do mercado de uma maneira geral. São estes: Produção Alimentícia, RecursosNaturais, Produção Cultural e Design, Gestão e Negócios, Infraestrutura, Controle eProcessos Industriais, Produção Industrial, Hospitalidade e Lazer, Informação eComunicação, Saúde e Segurança. O Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, do Ministério da Educaçãoe Cultura, pode ser acessado no endereço Portal do MEC na internet. Para tanto, o objetivo doMEC é que, por meio do catálogo o aluno possa ser ajudado quanto aos aspectos de
  6. 6. orientação, segurança na hora de escolher o curso e certificar-se de que terá a formaçãoadequada (NOGUEIRA, 2008, p.28). Os cursos tecnológicos impulsionam o Brasil à superação da defasagem em relaçãoaos países europeus e, também, Estados Unidos e, com isso corrigir arestas que remontam amais de meio século tal atraso tecnológico. O referido atraso foi ocasionado, principalmentepela ausência de ações efetivas e eficazes capazes de promover os fomentos necessários eexigidos nas áreas de abrangência destes cursos. Ainda assim, pela ausência de efetivação porparte dos poderes públicos dos requisitos publicados na Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional – LDBEN 9394/96, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso e de seuministro na época Paulo Renato de Souza. Há divergências quanto à necessidade, eficácia e, também, qualidade dos cursostecnológicos, pois há quem argumente que quanto maior a duração de um curso, melhor eleserá em termos de conteúdo e visão de mundo. É fato que o academicismo intenciona afastar-se das acepções impostas pelas exigências do mercado, segundo Bolan (apud Nogueira,2008). Nesse sentido, cursos tecnológicos e os denominados subcursos universitáriosassumem a característica de objeto de comércio e lucro por serem, entre outros, de menorduração e focado às necessidades do mercado competitivo e, estes aspectos já são suficientespara o aumento da demanda de alunos em detrimento dos cursos de maior duração, como obacharelado e licenciatura. Bolan (apud Nogueira, 2008) colabora para o argumento favorável à existência destetipo de curso. Tais cursos suprem necessidades de conhecimentos técnicos e, também,científicos que se façam mais adequados à inserção de profissionais mais qualificados e,portanto, mais competitivos no mercado. Por outro lado, dado o caráter de especialidade dessetipo de curso e por serem de menor duração, pode soar superficialidade formativa. A questão que envolve a discussão entre as duas correntes, mesmo porque este não é oobjeto da pesquisa deste trabalho, e ainda amparado no pensamento e na fala do DoutorBolan: a sociedade descobre a importância de cursos mais focados para a especialidade, comoé o caso dos tecnológicos do que dos generalistas com maior duração. Ou ainda segundo orelato de Geringher (2008) que diz que muita gente pensa que o curso tecnológico é um cursode nível técnico, mas certamente não é. Sendo assim, a LDBEN 9.394 de 1996 publica que ocurso tecnológico tem nível superior embora sua duração seja de dois a três anos.Simultaneamente, seu objetivo é o de formar especialistas em determinadas áreas. 2.1 Tecnólogos: a formação empreendedora e a metodologia conceptiva O ensino do empreendedorismo na educação tecnológica fundamenta-se, também, pelaaquisição por parte do aluno de competências capazes de torna-lo mais completo nos níveispessoal e profissional, pois fundamenta-se nos princípios humanistas de ensino já elucidadosneste trabalho. Para tanto, aos professores que ministram aulas em cursos tecnológicos sãonecessárias competências didático-metodológicas imprescindíveis à formação qualitativa dosalunos. Segundo Perrenoud (2000) há dez competências docentes que fazem diferença quantoà atuação de professores, pois segundo o autor É preciso reconhecer que os professores não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais que não se reduzem ao conteúdo dos saberes ensinados, e aceitar a idéia de que a evolução exige que todos os professores possuam
  7. 7. competências antes reservadas aos inovadores ou àqueles que precisam lidar com públicos difíceis. Existe hoje um referencial que identifica cerca de 50 competências cruciais na profissão de educador. Algumas delas são novas ou adquiriram uma crescente importância nos dias de hoje em função das transformações dos sistemas educativos, bem como da profissão e das condições de trabalho dos professores. Essas competências dividem-se em 10 grandes "famílias": 1. Organizar e estimular situações de aprendizagem. 2. Gerar a progressão das aprendizagens. 3. Conceber e fazer com que os dispositivos de diferenciação evoluam. 4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e no trabalho. 5. Trabalhar em equipe. 6. Participar da gestão da escola. 7. Informar e envolver os pais. 8. Utilizar as novas tecnologias. 9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. 10. Gerar sua própria formação contínua. (PERRENOUD, 2000, p.23). As dez competências propostas por Perrenoud (2000) embora focadas aos níveisbásico e médio de ensino, podem se adequar perfeitamente à educação tecnológica,simultaneamente, servem aos professores que serão formados para informar e preparar oaluno à realidade de educação direcionada ao empreendedorismo. Portanto, são competênciasque complementam o ensino do empreendedorismo na educação tecnológica. Partindo de tais pressupostos, pode-se afirmar que a formação de tecnólogoempreendedor pode ser vislumbrada pelo aluno que ingressou em algum curso de educaçãoem gestão tecnológica e aplicou de maneira literal a palavra “gestão” na prática, ainda assim,um aluno que concebe a ideia de empreender sobrepondo a visão tradicional de buscarcolocação no mercado apenas por meio de um emprego formal. Aspectos estes queconvergem à afirmação de Dolabela (1999, p.191) que diz que um empreendedor pode mudara comunidade, enquanto que uma comunidade sem empreendedores estará mais distante dodesenvolvimento. Ademais, o ser empreendedor é aquele que domina a intelectualidade e consegue, pormeio desta, agir em seu meio percebendo suas dificuldades e necessidades sanando-as. Todoindivíduo que é formado para pensar, raciocinar e refletir consegue ter atitudesempreendedoras. Formar pessoas empreendedoras requer uma visão dotada de seriedade comamplitudes de longo e médio prazo, ou seja, formar cidadãos autônomos e atuantes nocontexto social e constituir no futuro uma sociedade mais igualitária, com espírito decoletividade e solidariedade tão inerentes aos princípios humanistas de educação. Portanto, faz-se necessário entender a cultura empreendedora compreendendodiferenças e identificando sua amplitude em relação à educação tradicional. Para tanto, oensino prático do empreendedorismo são elementos que podem ser diferenciados a partir databela 1 de Dolabela (1999). Tabela 1 – Ensino Tradicional e Aprendizado de EmpreendedorismoConvencional ou Tradicional EmpreendedorÊnfase no conteúdo que é visto como meta Ênfase no processo; aprender a aprenderConduzido e dominado pelo instrutor Apropriação do aprendizado pelo participanteO instrutor repassa o conhecimento O instrutor como facilitador e educando; participantes geram conhecimentoAquisição de informações “corretas” de uma vez O que se sabe pode mudarpor todas
  8. 8. Currículos e sessões fortemente programados Sessões flexíveis e voltadas às necessidadesObjetivos do ensino impostos Objetivos do aprendizado negociadosPrioridade para o desempenho Prioridade para a auto-imagem geradora de desempenhoRejeição ao desenvolvimento de conjecturas e Conjecturas e pensamento divergente vistos como partepensamento divergente do processo criativoÊnfase no pensamento analítico e linear Envolvimento de todo o cérebro; aumento da racionalidade do cérebro esquerdo através de estratégias holísticas, não lineares, intuitivas; ênfase na confluência e fusão dos dois processosConhecimento teórico e abstrato Conhecimento teórico amplamente complementado por experimentos na sala de aula e fora dela Resistência à influência da comunidade Encorajamento à influência da comunidade Ênfase no mundo exterior; experiência interior Experiência interior é contexto para o aprendizado; considerada imprópria ao ambiente escolar sentimentos incorporados à ação Educação encarada como uma necessidade social Educação vista como um processo que dura toda a vida, durante certo período de tempo, para firmar relacionado apenas tangencialmente com a escola habilidades mínimas para um determinado papel Erros não aceitos Erros como fonte do conhecimento O conhecimento é o elo entre aluno e professor Relacionamento humano entre professores e a alunos é de alunos é de fundamental importância fundamental importância(DOLABELA, 1999, p.116) Ainda assim, Malraux (2000, p. 32) exemplifica o esforço pelo enfrentamento dosdesafios da educação no século XXI, estes definidos no Relatório Jacques Delors a partir doestudo publicado pela UNESCO, que defende a ideia de que educar é desenvolver no serhumano quatro competências básicas: Competência Pessoal (Aprender a Ser); CompetênciaRelacional (Aprender a Conviver); Competência Produtiva (Aprender a Fazer) e CompetênciaCognitiva (Aprender a Conhecer). Essas quatro competências citadas por Antipoff (In:DUFAUX, 2007, p. 19) atuam em favor de uma educação mais humanigtária e centrada emvalores e habilidades do homem, assumindo sua verdadeira condição de sujeito de sua jornadade crescimento em direção à felicidade e à paz. A fundação francesa Jacques Delors se encarregou de organizar o relatóriodesenvolvido por vários especialistas de todo o mundo, que compõem a ComissãoInternacional sobre Educação para o Século XXI. Este relatório, concluído em 1996 é a baseda UNESCO para orientar seus projetos de ação (DELORS et al, 2006, p.23). Para tanto, aeducação brasileira, por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e amparados pelaLei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9394/96 prepara suas escolas, seusprofissionais da área de ensino e principalmente seus atuais e futuros estudantes para umarealidade que já não pode mais ter como foco indivíduos pertencentes a uma elite econômicaou intelectual. Para tanto, um conjunto de publicações cujas raízes discursivas e de ideaisfundamenta-se na concepção humanista de educação e demais espaços de convivência eaprendizagem e, também, processos sociais. Valorizar o ensino baseado em projetos empreendedores significa desafiar acapacidade do aluno estimulando-o a utilizar o raciocínio em detrimento da “decoreba”.Quando o aluno encara um projeto com todas as suas forças ele aprende fazendo e gosta de seempenhar e desempenhar para entregar o melhor modelo de produto que seus cérebros podemconceber. Esta pesquisa é de cunho qualitativo e caráter bibliográfico, simultaneamente, sob otipo de estudo exploratório que analisa literaturas, livros, revistas impressas e eletrônicas emateriais de apoio fundamentativo disponibilizados nos websites. Para tanto, as ferramentasutilizadas para a realização da pesquisa sobre o ensino do empreendedorismo em sua visão
  9. 9. prática para os cursos tecnológicos estão embasados nos método indutivo de Francis Bacon(1561 – 1626) e dedutivo proposto por Descartes (1596 – 1650) (LAKATOS, 2003, p.85). 3. Estudos de Caso Caso 1. Confecção de Roupas e Uniformes Profissionais. A estudante Kelly Alarcon ingressou na universidade no curso de Tecnologia emGestão de Pessoas nas Organizações (hoje Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos) apartir de agosto de 2007. Foi solicitado ao grupo de alunos da classe da Kelly um projeto demelhoria sobre uma situação existente, como parte da disciplina denominada Indicadores deDesempenho e Monitoração. Ou seja, o aluno iria detectar algum problema existente em umasituação atual, fazer todo o levantamento diagnóstico da situação para propor uma melhoriaconcreta e aplicável ao problema levantado dentro deste diagnóstico. Esta aluna trabalhava a três anos em uma empresa de captação e alocação deprofissionais no mercado empresarial do ABC paulista e ao ser solicitado e exigido para odesenvolvimento e elaboração do projeto pensou na confecção que a mãe e a avó haviamfundado e que se encontrava inativa por problemas diversos, como impostos, pendências coma previdência, gerenciamento e até questões de ordem técnica. Eis o desafio que motivouKelly a escrever seu projeto e a partir dele sentir o despertar empreendedor que fez com que ajovem estudante substituísse o emprego com carteira assinada para assumir as atividadesgerenciais daquela empresa familiar que estava em vias de se extinguir. Kelly durante os três anos em que trabalhou na popularmente conhecida agência deempregos conheceu muitas pessoas e através dessas pessoas construiu uma excelente rede derelacionamentos – modernamente denominada de Networking. Ao perguntar para umempresário por telefone se os funcionários de sua empresa utilizavam uniformes e receber aresposta afirmativa, Kelly então perguntou a seguir quais eram os valores e quem eram osfornecedores dos vestuários dos trabalhadores. O empresário respondeu a todas as questões eKelly disse ao empresário se poderia participar da próxima concorrência de cotação defornecedores de uniformes recebendo consentimento por parte do proprietário da empresa,com a condição de que assumisse a entrega de uma centena de aventais, com prazo e preçosdeterminados. Se as duas exigências fossem mais atrativas que as dos atuais fornecedores,então a confecção que Kelly procurava reativar participaria da próxima concorrência. A seguirKelly foi procurar a mãe e esta verificou as condições para a entrega das cem peças em umaquinzena. Consultou os fornecedores de matéria-prima, costureiras, condições das máquinasque se encontravam em sua oficina de costura e estabeleceu o preço que foi prontamenteaceito pelo empresário consultado pela aluna. O pedido foi entregue com prazo reduzido emuma semana, com boa aceitabilidade dos padrões de qualidade e a um preço mais atrativo deque os fornecedores catalogados pela empresa praticavam. Com isso a empresa da mãe deKelly recebeu nova encomenda feita por aquela empresa, sem que houvesse necessidade deuma cotação e seleção de fornecedores. A jovem ficou tão satisfeita com aquele feito que saiua consultar outras pessoas responsáveis por compras de uniformes, aventais e outras roupasprofissionais e entre muitos nãos, somaram-se alguns sins que passou a motivar e estimularainda mais a estudante de Gestão de Pessoas a não apenas escrever o projeto como a colocá-loem prática. De agosto de 2007 a janeiro de 2009, muita coisa mudou na vida de Kelly, tantodo ponto de vista profissional, como acadêmica e principalmente sob o prisma pessoal. Aprimeira dessas mudanças foi no campo profissional, pois ao enxergar uma oportunidade realde auto-sustentação Kelly resolveu sair do emprego e dedicar seu tempo e seu esforço naempresa que começava a se recuperar de maneira fabulosa e, por que não dizer espantosa.
  10. 10. No âmbito acadêmico Kelly também verificou diversas vantagens com a conclusão doprojeto e a conseqüente aplicação do mesmo. Hoje, cursando o último semestre do curso deGestão de Recursos Humanos, Kelly se diz mais questionadora e as disciplinas existentes nocurso são constituídas de informações que, em boa parte dos casos, constituem informaçõesaplicáveis na gestão do negócio reabilitado por Kelly a partir do desenvolvimento do projetosolicitado. Em todos os cursos de Gestão Tecnológica da universidade onde a jovem estudaexiste a disciplina Empreendedorismo no último módulo semestral. Kelly aguarda estadisciplina com maior expectativa de que todas as outras que existem no curso até então, poisacredita que será a disciplina que possui a maior quantidade de informações com aobjetividade exigida para o bom desempenho e a melhoria do empreendimento por elacapitaneado. Vale lembrar que o empreendedor é o indivíduo que está disposto a assumir risco eque precisa saber planejar e organizar bem seu tempo e seu negócio. No caso de Kelly hojeela é muito mais ativa e se assume como uma workaholic (viciada em trabalho, em umatradução livre), pois dorme bem menos do que antes, trabalha muito e ultimamente temviajado muito também, sempre a trabalho. Caso 2. Carrinho de Feira com seis rodas Além da disposição para aceitar riscos, outra característica que marca o perfil de umempreendedor é o seu poder de inovação e de criar produtos inéditos que atendam a umanecessidade de mercado. Pode até acontecer de acrescentar um diferencial a um produto jáexistente e que esse diferencial venha para facilitar o uso, proporcionando conforto aousuário. Foi com esse pensamento que Cristiano Lasso, aluno do curso de Tecnologia emGestão de Negócios e Finanças (hoje Gestão Financeira) teve a idéia de elaborar um carrinhode feira diferente dos tradicionais com um eixo e duas rodas. Acrescentou mais dois eixoscom as respectivas rodas em suas extremidades e o carrinho de feira com seis rodas tem oobjetivo de facilitar seu transporte em escadas, tanto no aclive, ou subida, como no declive –descida. Cristiano ao escrever o projeto junto com o grupo de mais cinco alunos para adisciplina de estratégia de marketing no segundo semestre de seu curso resolveu publicá-lo naInternet e dentro de poucos dias recebeu uma proposta de encomenda de algumas dezenas decarrinhos para uma loja de material de construção localizada no Rio de Janeiro. A única montagem do produto realizada até aquele momento era justamente oprotótipo do produto que fora materializado em uma oficina do tipo “fundo de quintal”,pertencente ao pai do aluno Cristiano para o dia da apresentação do projeto em sala de aula.Mesmo assim Cristiano resolveu averiguar várias informações quase que simultaneamente. Aprimeira delas sobre a veracidade do pedido incluindo aí a existência da dita loja no Rio deJaneiro. Quando as informações chegaram o primeiro pedido foi logo aceito para que outraspreocupações chegassem, como prazo de entrega, condições de entrega e pagamento,obtenção de materiais, regularização do negócio que até então só existia de maneira fictíciapara a elaboração do projeto da disciplina de marketing. Resultado: Pedido aceito e entreguecom sucesso e o segundo pedido não tardou a chegar e este vinha da unidade de uma lojalocalizada em São Bernardo do Campo, pertencente a uma conhecida rede comercial deutilidades domésticas, com lojas espalhadas em todos os estados brasileiros, que solicitou umaencomenda de uma quantidade maior do que a primeira que o recente empreendimentorecebera. Novamente o acordo foi cumprido dentro da normalidade exigida nas basescontratuais. Cristiano também alterou completamente suas rotinas e passou a dedicar-se aonegócio de modo intensivo. Ao ingressar na faculdade Cristiano tinha outros planos para operíodo acadêmico e pós-acadêmico, mas o projeto exigido na disciplina estratégias de
  11. 11. marketing mudou definitivamente os planos de Cristiano que hoje diz que a práticaempreendedora abriu novos horizontes para as suas aspirações profissionais. Caso 3. “Salgados e Doces” Eunice Rodrigues de Melo concluiu o curso tecnológico de Gestão em Logística emdezembro de 2009 e a partir do projeto de marketing com pesquisa de mercado conseguiurealizar um empreendimento, até então incipiente naquele momento. Os demais componentesda equipe que desenvolveram e elaboraram o trabalho exigido pela disciplina ficaram restritosapenas aos aspectos acadêmicos. A aluna Eunice, no entanto acreditou que o produto salgadose doces para consumo rápido poderia despontar como uma boa oportunidade no mercadopopular. O aspecto técnico a aluna diz que tinha domínio, pois a mãe já trabalhara naconfecção desse tipo de produto e ela já acompanhava o processo produtivo desde esseperíodo, então os dois outros aspectos que restavam para atestar a viabilidade completa doprojeto empreendedor, a saber: mercadológico e financeiro fizeram com que a aluna semovimentasse. O primeiro passo foi realizar uma pesquisa de mercado para a obtenção deinformações inerentes ao tamanho potencial do mercado consumidor na região em quepretendia atuar a empresa até então sonhada. Pesquisou e sondou também os possíveisconcorrentes dentro de critérios e análise técnica bem apurada e desenvolvida durante algunsmeses de observação e muitas informações. Um dos resultados obtidos em sua pesquisaorientava ao fato de que uma parcela considerável de seus clientes apresentava problemas dehipertensão arterial. Estes clientes desejavam produtos com baixo teor de sódio (sal). Comoestes clientes tinham dificuldade em adquirir salgados com estas propriedades, Eunice tratoude direcionar a produção de parte de seu volume de produção com estas características. Faltava ainda analisar os aspectos financeiros do empreendimento. Como iniciar asatividades sem o capital desejado? Como calcular os custos fixos e variáveis dos produtos eda empresa? A quantidade de questionamentos para esse tipo de análise é inúmera e podemais desmotivar que estimular a atividade empreendedora caso a empreendedora desprezassesua coragem e iniciativa de se introduzir no mercado com o minúsculo capital de R$ 120,00para adquirir o material necessário, a fim de entregar algumas encomendas que ela aceitou,mais na condição de um lote piloto do que fruto de um planejamento propriamente dito. Arecuperação do capital foi imediata e Eunice resolveu dar continuidade ao negócio que seexpande a cada dia nesses sombrios dias de 2008 e 2009, com crise anunciada pela imprensabrasileira e mundial e instalada nos diversos segmentos econômicos e sociais. As próximas atitudes da aluna empreendedora estão relacionadas à abertura elegalização da empresa que abriga suas atividades industriais e comerciais, além daelaboração do Plano de Negócios que Eunice pretende escrever com auxílio de algunsprofessores que lecionaram e lecionam para ela. Finalmente ela pretende ampliar seu negócio,tanto em termos físicos com o aluguel ou mesmo a aquisição de um imóvel que apresentecondições mais propícias ao seu empreendimento que está apenas iniciando, como também acompra de novos equipamentos e utensílios, além da contratação de mais mão de obra. Caso 4: “Kit dispositivo para trocas de pneus de motocicletas” Carlos Eduardo e Antonio Carlos são dois empreendedores que concluíram o curso deTecnologia em Gestão Financeira e colocaram em prática o projeto de naturezaempreendedora a partir de uma idéia de um amigo borracheiro chamado Rogério Rosas doNascimento, atualmente sócio de Carlos e Antonio, na cidade de Mauá, onde os três sócios
  12. 12. instalaram uma empresa que abriga a atividade empreendedora. Rogério criou uma técnicapara extração de pneus das rodas de motocicleta de uma maneira mais ágil e eficaz utilizandoapenas ferramentas comuns como serra, martelo, além de recursos próprios, dentro de umprocesso, digamos assim, rudimentar. O comércio de motocicletas representa um mercado em franco e sucessivocrescimento a cada ano, e essa tendência parece que continuará em plena ascensão, a despeitode crise ou retração econômica devido, entre outros fatores, ao baixo custo de aquisição, secomparado com o preço dos automóveis e também pela facilidade de locomoção edeslocamento nos trânsitos, ditos caóticos, verificados nas grandes cidades e, tambémvantajosos em relação aos carros que não possuem tal poder de mobilidade e agilidade. O caso do kit dispositivo para trocas de pneus de motocicletas reúne inovação, atitudevisionária e conhecimentos técnicos aliados à necessidade e oportunidade de mercado, pois omarketing que é o conjunto de ferramentas e atividades necessárias para atender e entender oprocesso empreendedor que, estuda primordialmente as necessidades, desejos e valores de ummercado visado e adapta a organização para promover as satisfações desejadas de forma maisefetiva e eficiente que seus concorrentes (KOTLER, 1991, p.42). Carlos que trabalha há vários anos como ferramenteiro e tem noções de desenhos deprojetos mecânicos aperfeiçoou a idéia e desenvolveu a confecção de novo ferramental paraimplantação do kit para trocas de pneus de motos batizado pelos sócios e autores do projetode “Estepemoto”. O invento surge de forma inovadora e exerce a função de outras dozeferramentas utilizadas para a troca ou reparo de pneus. Constituído de duas peças quecompõem o conjunto, o estepemoto possibilita a remoção e extração de ambas as rodas paraefetuar o reparo de maneira ainda mais rápida e eficaz. As motocicletas não carregam pneus estepes como acontece com outros veículosautomotores, por isso os sócios buscaram obter a maior quantidade de informações possíveis enecessárias para que inserissem seu empreendimento de forma definitiva no mercado e, alémda pesquisa de marketing com o público alvo, ou seja, proprietários e condutores demotocicletas fizeram outros tipos de levantamento de dados, como por exemplo, outrosmodos de reparos existentes, cujas funções são preventivas e não corretivas, como é o caso doestepemoto. Os exemplos citados são: a mecânica e tem também a tectire, que é uma fitaaplicada na banda de rodagem do pneu, mas que também não o protege totalmente contrafuros e rasgos laterais. Os três sócios iniciaram as atividades com R$ 80.000,00 e uma previsão de retorno emtrinta e seis meses. Há confiança nesse planejamento por parte dos autores do projeto devidoao tamanho do mercado em que atuam, vejamos: Há 25 diferentes marcas de motocicletas presentes no mercado brasileiro, sendo queem torno de 90% de todas as unidades possuem até 150 cilindradas e o volume total de motosalcança 12 milhões no Brasil. Carlos afirma que ele e os outros dois sócios aprenderam muitocom os próprios erros, condição essencial para se tornar um empreendedor, conforme análisede Dolabela (1999, p.113). Ainda falta a elaboração do plano de negócios para a descrição da atividade, daempresa, das características do produto e de outras informações relevantes. Do volume de negócios gerado pela empresa, quase que a totalidade fica enquadradono B2B – Business to Business, ou Negócios realizados entre pessoas jurídicas. A parcela
  13. 13. gerada pelo B2C é relativamente pequena e devido a contrato entre clientes e a empresa, essaassumiu o compromisso de praticar o preço estabelecido pelo mercado. 4. Considerações Finais A proposta de educação empreendedora está direcionada para os cursos de gestãotecnológica, estes emergentes e imprescindíveis ao atendimento das exigências do mercadocompetitivo. Vale ressaltar que o público ingressante nesses cursos possui um perfil diferenciadodos demais alunos de curso superior, pois o estudante que ingressa na educação tecnológicabusca preencher seu universo de conhecimento de maneira imediata e com informaçõesatualizadas, simultaneamente, sob uma postura mais objetiva e focada quanto à aquisição dosconhecimentos. Dessa maneira o ensino do empreendedorismo e o amplo incentivo à suaprática em alunos de cursos de gestão tecnológica atenderão de maneira mais dinâmica edireta as lacunas que precisam ser preenchidas para o desenvolvimento econômico,intelectuais e sociais tão exigidos pela sociedade e pelas políticas vigentes. Ainda assim, apropositura de sociedade apoia-se nos princípios da abordagem humanista, estes convergentesà ideia de educação e formação proposta neste trabalho. Sendo assim, o principal beneficiadoda proposta será o próprio aluno que receberá informações necessárias e adequadas paradesenvolver e aplicar projetos de natureza empreendedora e com isso desenvolver novosconhecimentos e compreender a necessidade de estudar sempre e cada vez mais paraaperfeiçoar e aprimorar ideias e ideais. Ainda assim, as instituições de ensino superior também serão beneficiadas ao inserir oensino empreendedor em suas grades curriculares, pois uma das funções básicas do ensinosuperior é colaborar no desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão localizadas.Finalmente a sociedade como um todo receberá os benefícios advindos do ensino prático doempreendedorismo no ensino superior dos cursos tecnológicos. Para tanto, a proposta destetrabalho não se finda na defesa generalista de formar somente tecnólogos, pois conhecemos aimportância e a necessidade de outras áreas e formações profissionais. Para tanto, a sociedade atual impõe necessidades formativas que impulsionem o saberagir diante dos desafios, simultaneamente, tornando a competência criativa um diferencial noprofissional formado. Ademais, as experiências adquiridas pelo indivíduo ao longo de sua vida constituem-se no seu arcabouço de conhecimentos prévios, simultaneamente, imprescindíveis às novasconstruções do saber. Sendo assim, a proposta deste trabalho está cunhada no auxílio de açõespromotoras do desenvolvimento dos indivíduos, concebendo-os sob a formação facilitadorade visões mais críticas e empreendedoras que possam transcender o processo de aquisição ereprodução de informações arraigadas no ensino tradicional. 5. ReferênciasBRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 17ª ed. São Paulo, Brasiliense, 1986.CARDOSO, A. P., As atitudes dos professores e a inovação pedagógica. RevistaPortuguesa de Pedagogia, Ano XXVI, nº1, 1992, 85- 99.DELORS, Jacques et al. Educação – um tesouro a descobrir. São Paulo, Cortez, 2006.
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