Artigo leitura

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Artigo leitura

  1. 1. FACULDADE DE CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO E TEOLOGIA DO NORTE DO BRASIL - FACETEN PÓS - GRADUAÇÃO LATU SENSO JANIRES DA SILVA PEREIRA MARIA EDILENE COSTA DA SILVA A LEITURA PROPICIANDO ODESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO NAS SÉRIES INICIAIS. BOA VISTA/RR OUTUBRO/2012
  2. 2. JANIRES DA SILVA PEREIRA1 MARIA EDILENE COSTA DA SILVA2 A LEITURA PROPICIANDO O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO NAS SÉRIES INICIAIS. . Artigo apresentado ao Centro de Pós- Graduação da Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil - FACETEN, como requisito para obtenção do Título de Especialista Lato Senso. Boa Vista 2012 A LEITURA PROPICIANDO O1 Graduada em Pedagogia pela Faculdade Roraimense de Educação Superior – FARES/RR2 Graduada em Pedagogia pela Faculdade Roraimense de Educação Superior – FARES/RR
  3. 3. DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO NAS SÉRIES INICIAIS. 3. RESUMOReconhecer a importância da leitura e incentivar a formação do hábito de ler na idade em quetodos os hábitos se formam, isto é, na infância, é o que este artigo vem propor. Neste sentido,o incentivo ao hábito de ler na infância através da leitura de histórias é um caminho que leva acriança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa esignificativa. O presente estudo inicia com um breve histórico da leitura e suas concepções eapresenta conceitos de linguagem e leitura, enfoca a importância de ouvir histórias e docontato da criança desde cedo com o livro e finalmente esboça algumas estratégias paradesenvolver o hábito de ler.Palavras-chave: Leitura, Desenvolvimento da criança, Hábito de leitura.3 Artigo apresentado ao Centro de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil -FACETEN, como requisito para obtenção do Título de Especialista Lato Senso.
  4. 4. ABSTRACTRecognizing the importance of reading and encouraging the formation of the habit of readingat an age when all habits are formed, in the childhood, is what this article proposes. In thissense, encouraging reading habit in children by reading stories is a path that leads the child todevelop imagination, emotions and feelings so pleasurable and meaningful. These studiesbegins with a brief history of reading and introduces concepts and their conceptions oflanguage and reading, focuses on the importance of listening to stories and contact the childearly on with the book and finally outlines some strategies to develop the habit of reading.Keywords: Reading, Child Development, Reading Habit..INTRODUÇÃO
  5. 5. Muito se tem discutido a respeito do processo de leitura e escrita. Na tentativa deexplicar como se constitui sua aquisição na escola, o que pensam os educadores e a criançasobre esse objeto e quais os fatores que contribuem para o fracasso na e da escola, muitosautores têm elaborado questões que tornam possível repensar a prática escolar. Uma das formas de recreação mais importante para a criança, principalmente no quese refere ao seu desenvolvimento e crescimento intelectual, psicológico, afetivo e espiritual éa leitura. A literatura infantil, como meio de comunicação e modalidade da leitura, também éum dos mais eficientes mecanismos de recreação e lazer, servindo como um método práticode terapia educacional. Vivemos em uma sociedade altamente letrada, onde o domínio da leitura é umaatividade de vital importância para o sucesso na vida de qualquer pessoa. É por meio dela queconseguimos compreender e interagir com o mundo a nossa volta. O bom domínio da leituranos permite realizar com desenvoltura as atividades que colaboraram para o nossocrescimento pessoal e intelectual e ainda capacita-nos a agir de forma ativa e critica nasociedade em que vivemos. A leitura infantil é um dos fatores básicos para a criança buscar a sua realizaçãocomo pessoa humana, incumbindo às novas gerações uma grande responsabilidade quanto àmudança de concepção ideológica, de maneira a que o hábito da leitura seja propugnadodesde a mais tenra idade, contribuindo em sua formação sob todos os aspectos.1 O ATO DE LER X FAZER LEITURA
  6. 6. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, afirmou Paulo Freire, na obraintitulada A Importância do Ato de Ler (1988). Com essa afirmação, Freire revela que omundo que se movimenta para o sujeito em seu contexto pode ser diferente do mundo daescolarização. Dessa forma, a leitura das palavras na escolarização, ou de sua escrita, de nadaimplicaria na leitura da realidade. Fazer os alunos lerem com eficiência sempre foi um desafio para pais e professores.Muitas pessoas encaram a leitura como simples decodificação de palavras. Muitos professoresreclamam da dificuldade que seus alunos apresentam na hora de se trabalhar a leitura, maseste problema é mais comum e corriqueiro do que se imagina. Muitas crianças tem verdadeiraaversão à leitura por não conseguirem depreender o sentido do texto e acabam por ficaremcada dia mais desmotivadas em relação ao ato de ler, principalmente a leitura que é impostapela escola. Freire se preocupava com os “textos”, as “palavras” e as “letras” daquele contextoem que a percepção era experimentada pelo aluno. E notou que quanto mais “codificava” aleitura dessa realidade, mais aumentava a capacidade do indivíduo de perceber e aprender. Oque resultava em uma série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão acontecia pormeio da relação com o concreto e com os pares. Esse processo de leitura organizado por Freire, denominado como o “ato de ler”,busca a percepção crítica, a interpretação e a “reescrita” do lido pelo indivíduo. Talabordagem nos mostra que, o que antes era tratado e realizado de forma autoritária, agora éconcebido como “ato de conhecimento”. O papel do educador nessa proposta é de suma importância, bem como a coerênciaentre o que o educador proclama e sua prática. Pois “não é o discurso que ajuíza a prática,mas a prática que ajuíza o discurso”, afirma Freire. Contudo, podemos observar os desafios do texto sem contexto, e dos esforços quelevam ao sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, asrelações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve e, portanto, da relação entre“leitura” do mundo e leitura da palavra. Todavia, para que isso seja entendido, deve-se, primeiro, entender o processo deleitura em seu íntimo; como ele se desenvolve; os caminhos que podem tomar e sua relaçãocom o leitor, que irá determinar como essa ideia será entendida e transmitida a outrem. "fazer a leitura" de um gesto, de uma situação; "ler a mão", "ler o olhar de alguém", "ler o tempo", "ler o espaço", indicando que o ato de ler vai além da escrita (MARTINS, 2007, p.7)
  7. 7. Partindo dessa reflexão, tem-se uma visão de leitura em dois caminhos: o primeiroseria a visão do leitor como um decodificador dos códigos linguísticos, ou seja, o indivíduoque é capaz de decifrar o que está no papel na forma de códigos linguísticos, sendo isso o quebastaria para se fazer a leitura. O segundo ponto de vista seria o da leitura global: o indivíduocapaz de ler não só os códigos da língua, mas também de identificar as nuances e alteraçõesque acontecem a sua volta.2 ORIGEM E IMPORTÂNCIA DA LEITURA Desde os primórdios da civilização o homem busca habilidades que lhe tornem maisútil à vida em sociedade e que lhe possam tornar mais feliz. A criação de mecanismos quepossibilitassem a disseminação de seu conhecimento tornava-se um imperativo desaber/poder, que ensejava respeito e admiração pelos companheiros de tribo. Daí o surgimento das inscrições rupestres, simbologia, posteriormente e num estágiomais avançado das civilizações, os hieróglifos e as esculturas que denotavam sua própria emais nobre conquista: a conquista de ser. Nesse contexto surge a escrita e a leitura como imanentes à própria história dacivilização. A criação dessa disponibilidade que chamamos escrita e leitura criam outrasdisponibilidades, pois ela é a básica, dela provêm as demais. Através da leitura e da escrita ohomem conseguiu estreitar os laços de afetividade com seus semelhantes, harmonizar osinteresses, resolver os seus conflitos e se organizar num estágio atual da civilização, com aabstração a que nominamos “Estado”. O homem se organizou politicamente. Mas voltando-nos ao campo do conhecimento humano, que é o que por ora nosinteressa, o mito poético que sempre embalou o homem, a fantasia dos deuses, descortinaramas portas do saber, originando a busca da informação, do saber humano, do seu prazer. Com o desenvolvimento da linguagem, a força das mensagens humanas aperfeiçoou-se a tal ponto ser imprescindível à sua própria existência. A busca do conhecimento tornou-seimperativa para novas conquistas e para o estabelecimento do homem como ser social, comocentro de convergência de todos os outros interesses. Na busca desse conhecimento, que se perpetua ao longo da história da civilização,percebe-se que quanto mais cedo o homem iniciar, mais cedo germinarão bons resultados. Ou
  8. 8. seja, a infância como uma fase especial de evolução e formação do ser, deve despertar-lhepara este mundo, o mundo da simbologia, o mundo da leitura.3 A ESCOLA E A LEITURA3.1 Os Objetivos da Leitura na Escola No que se refere à Escola e aos objetivos da leitura ou ao “Para que ler na escola?”,pode-se afirmar que ainda não existe nos currículos conhecidos e analisados, umaconcretização de um pressuposto geral básico, qual seja o da articulação entre a função socialda leitura e o papel da escola na formação do leitor. “A escola precisa ser um espaço mais amplamente aberto a todos os aspectos culturais do povo, e ir além do ensinar a ler e a fazer as quatro operações. Precisa investir em bons livros, considerando que a cultura de um povo se fortalece muito pelo prazer da leitura; e a escola representa a única oportunidade de ler que muitas crianças têm”. (BRAGA, 1985, P.7) O conceito básico de leitura, nesse contexto, passa ser então a “produção de sentido”.Essa produção de sentido, por conseguinte, é determinada pelas condições socioculturais doleitor, com os seus objetivos, seus conhecimentos de mundo e de língua, que lhe possibilitarãoa leitura. “É necessário propiciar nas salas de aula e na biblioteca a dinamização da cultura viva, diversificada e criativa, que representa o conjunto de formas de pensar, agir e sentir do povo brasileiro.” (BRAGA, 1985, P.7) Nesse sentido, a construção do conhecimento, segundo entendimento de algunsautores como elemento principal, se efetivará pelo hábito da leitura, uma vez inserida eenfatizada no contexto escolar. Afinal, é principalmente através da leitura que os alunospoderão encontrar respostas aos seus questionamentos, dúvidas e indagações, mormente noque concerne aos caminhos por onde permeiam na construção do seu conhecimento, e nãoapenas vinculados e adstritos a uma metodologia tradicional.3.2 A Importância da Escola na Formação de Leitores
  9. 9. Numerosos estudos nos fazem supor que os livros preparados para a infânciaremontam ao final do século XVII. Antes disso, as crianças, vistas como adultos emminiatura, participavam desde a mais tenra idade, da vida adulta. Naqueles tempos não havia histórias dirigidas especificamente ao público infantil,pois a infância, enquanto período de desenvolvimento humano, com particularidades quedeveriam ser respeitadas, inexistia. As profundas transformações ocorridas no âmbito social e econômico,principalmente com o advento do Capitalismo e da Supremacia burguesa, fizeram com quesurgisse uma nova organização familiar e educacional, na qual a criança passou a ocupar umespaço privilegiado. Com intuito de capacitar cidadãos a fim de enfrentar um mercado detrabalho tão competitivo já naquela época, tornava-se imperioso o preparo eficiente dascrianças para o trabalho e, consequentemente, para um desenvolvimento social sustentável. Nesse sentido, reorganiza-se a Escola para que a atenda às novas exigências,repensando-se todos os produtos culturais destinados a infância e, dentre eles, especialmente olivro. A Escola há que estar atenta para a formação do leitor, conforme Eriche Fromm “oelemento básico da cultura, a linguagem, é a precondição de qualquer realização humana”.Nesse desiderato a Escola deve estar atenta à esta concepção da leitura como fonte doconhecimento e de sua responsabilidade na formação do leitor. Surge assim a Literatura Infantil, criada com uma concepção ideológica comprometida com um destinatário específico: a criança, embora persistissem resquícios ideológicosamalgamados à transmissão de valores da sociedade então vigente. Com o passar dos tempos e com o surgimento de novos autores, os livro infantis vãogradativamente sofrendo transformações e promovendo, através da disseminação de umaleitura prazerosa e ao mesmo tempo vinculada à construção do conhecimento, umalargamento vivencial para as crianças. Nesta direção, a Escola, como espaço socializador do conhecimento, fica com atarefa primordial de assegurar aos seus alunos o aprendizado da leitura, devendo fazercircular em seu meio uma diversidade de materiais, com conteúdos ricos e variados, quepromovam a formação de leitores livres. Concebe-se assim, a prática da leitura, não comohabilidades linguísticas, mas como um processo de descoberta e de atribuição de sentidos quevenha possibilitar a interação leitor-mundo. Conforme FREIRE (1996): “(...) O ato de ler nãose esgota na decodificação pura da palavra escrita (...). A leitura do mundo precede a leiturada palavra.”.
  10. 10. Por esta perspectiva, é oportuno reforçar a assertiva de que o professor deveselecionar diferentes tipos de textos, literários ou não, que projetem a vida contemporânea dolocal onde os alunos estão inseridos, bem como de outros lugares e tempos, os diversos pontosde vistas, estimulando discussões, reflexões e confrontos entre os alunos. “Se educar é preparar para a vida, despertar a consciência, compreender e transformar a realidade, então a leitura só pode ser compreendida numa perspectiva crítica. Ler criticamente é admitir pluralidade de interpretação, desvelar significados ocultos, resgatar a consciência do mundo, estabelecendo, por meio dela, uma relação dialética com o texto.” (INDURSKY e ZINN. 1985. p. 23) Tornar o ambiente escolar e o livro objetos “amigos” do aluno, oportunizando ocontato com o belo, com o imaginário e com a arte da palavra, são condições que reforçarão oestabelecimento do hábito de ler por prazer e entretenimento. Alcançados tais objetivos, osdemais propósitos referentes a relevância da leitura, virão como consequência.4 NOVAS CONCEPÇÕES SOBRE LEITURA Um problema apontado por Daniel Pennac (1993: p. 13) é a forma como a leitura éimposta aos alunos, segundo ele "o verbo ler não suporta o imperativo", ou seja, ler só porquese é obrigado não garantirá que o leitor irá realizar a leitura com eficiência, o mais provável éque a criança crie aversão ao ato de ler. Outro entrave à leitura apontado por Pennac é aconcorrência com os meios de comunicação em massa, sobretudo a televisão. Muitos autores tentam conceituar o que é leitura, Leffa (1996, p. 17-18), porexemplo, ao indicar uma definição do que seja a leitura, afirma que a leitura é um processofeito de múltiplos processos, que ocorrem tanto simultânea como sequencialmente; essesprocessos incluem desde habilidades de baixo nível, executadas de modo automático naleitura proficiente, até estratégias de alto nível, executadas de modo consciente. Diante do exposto percebemos que a leitura envolve múltiplos processos que vaidesde a decodificação das letras e palavras até a escolha de estratégias de leitura. Além disso,a atividade leitora vai além da percepção da página impressa pelos olhos, ela deve ativar oconhecimento prévio do aluno em relação a determinado assunto.
  11. 11. “A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto..” (KLEIMAN, 1993 p. 13) Nem todos os profissionais conhecem as teorias a respeito da leitura e acabam portrabalhar de forma inadequada repetindo antigas fórmulas e velhos "erros", escolhendo textosinadequados para seus leitores. Antunes (2007, p.157) afirma que (...) aceitar as concepçõesda linguagem – como atividade funcional, interativa, discursiva e interdiscursiva, comoprática social situada e imersa na realidade cultural e histórica da comunidade – acarretavisíveis diferenças na vida da escola, conseqüentemente, no desempenho de professores ealunos. Nestas novas concepções a língua deixa então de ser vista como mero depositário deregras para se tornar como instrumento de interação e comunicação. Escolher um textoaleatoriamente sem considerar o conhecimento de mundo dos leitores pode não só tornar aleitura mais difícil como também não imprimir nenhum sentido na mente daquele que ler. Issonão significa que se deve limitar o conteúdo lido ao conhecimento prévio do aluno, umainteressante alternativa seria antes de uma leitura mais complexa fornecer aos alunos oconhecimento necessário para a compreensão de determinado texto. Pode-se começar a aulaquestionando o que os alunos sabem sobre o assunto que será tratado no texto. Esse tipo deabordagem serve não só para o educador conhecer o que os leitores já sabem sobredeterminado assunto como também permitir uma interação entre o conhecimento de váriosindivíduos; essa troca de embromações com certeza será de vital importância para a execuçãoda leitura que poderá ser feita em seguida à discussão ou noutra ocasião, ou ainda serdescartado o texto escolhido caso os alunos não tenham nenhum conhecimento ou interessesobre o assunto escolhido pelo professor.5 A LEITURA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO E PRAZER A escola, espaço que convencionamos como sendo específico e privilegiado dosaber, no que concerne à leitura, precisa rever suas práticas, mormente diante de leiturasimpostas em salas de aulas onde faz imperar um dualismo: de um lado algumas escolas que,ao pretenderem uma rápida atualização com o presente, assimilam o novo sem a devida
  12. 12. reflexão utilizando inadequadamente instrumentos modernos de ensino e tornando seusleitores passivos diante de imagens efêmeras. Em contraposição, outras escolas utilizamtextos fragmentados de manuais didáticos como único meio auxiliar para a leitura,objetivando o trabalho de unidades curriculares como mera fixação e memorização deconteúdos, quase sempre aleatórias à realidade dos alunos. Esta antinomia existente em tais práticas de leitura estão longe de resgatar a históriado conhecimento humano, de estimular o pensamento ou induzir o aluno ao prazer em ler. Neste sentido, esta ambiguidade da prática educativa tornam os alunos alheios arealidade que os circundam, tornando-os vulneráveis a dominação de uma minoria que pensae se mantêm bem informados. Parte-se então do pressuposto que a prática da leitura significaa possibilidade de domínio através de um instrumento de poder, chamado linguagem formal,pois é desta forma que estão escritas as leis que regem nosso país, e assim perceber os direitosque se tem, o direito das elites que, com um discurso ideológico em prol da liberdade e dajustiça, os mantêm na condição de detentores do Poder Manter grande parte da população escolar perto do alcance desta linguagem formal,este é o grande desafio, a fim de que, com uma visão crítica e reflexiva e através dodiscernimento, não se permita a perpetuação de sua condição de dominados. “(...) a leitura aparece também como um instrumento de conquista de poder por outros atores, antes de ser meio de lazer ou evasão. O “acesso a leitura” de novas camadas sociais implica que leitura e produção de texto se tornem ferramentas de pensamento de uma experiência social renovada; ela supõe a busca de novos pontos de vista sobre uma realidade mais ampla, que a escrita ajuda a conceber e a mudar, a invenção simultânea e recíproca de novas relações, novos escritos e novos leitores. Nesse sentido torna-se leitor pela transformação da situação que faz que não se o seja.”. (FOUCAMBERT 1994, p. 121) Faz-se necessário que as escolas revejam as condições restritas impostas ao ensino daleitura. Entretanto mudar as condições de produção da leitura na escola não significa apenasalterar os instrumentos de sua codificação e decodificação, vai muito mais além: “(...) o ato de ler não se esgota da decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da
  13. 13. palavra (...) linguagem e realidade se prendem dinamicamente.” (FREIRE, 1997, p. 11): Exige-se da escola, principalmente, o redimensionamento de todo o trabalhoeducativo que engloba: ousadia, seleção de materiais variados, espaço para socialização,respeito a opiniões divergentes, enfim novas propostas de trabalhos pedagógicos com leiturascríticas e variadas. Reafirmamos que o exercício e prática da leitura transcendem ao uso de materiaiscomo meios auxiliares de ensino, empregados como modismos em sala de aula ou comoatividades ligadas a lição e a intenção didática instrucional. Além da leitura como informação e, consequentemente, como fonte de acesso aoconhecimento e ao poder, o mais importante é a capacidade de se aliar isso ao prazer eentretenimento, pois é de se deduzir, por essa linha de pensamento que, a contrária sensu, oprazer na prática da leitura levará automaticamente o leitor ao conhecimento. Assim, a leitura singular dos livros didáticos deve ceder espaço aos livros deliteratura infantil, jornais, revistas, gibis, bulas de remédios, receitas caseiras, etc., que fazemparte dos objetos de uso cotidiano, articulado a uma leitura significativa e, portanto,compreensiva e mais agradável como processo pedagógico. A realização destas propostas pedagógicas, como alternativas e complementares,poderá estimular nos alunos a vontade e o prazer da leitura. Há muito a se discutir, refletir e pesquisar para que se consiga concretizar de maneiraefetiva, nas salas de aula, esta audaciosa proposta. Para isso, se faz necessária uma mudançana postura dos educadores e também da consciência de que, como enfatizamos nos capítulosiniciais, exigirá a quebra de alguns paradigmas no processo educativo. Trata-se de um primeiro passo e de um grande desafio: romper barreiras para melhorensinar, visando, sobretudo, uma educação que permita ao aluno o exercício pleno de suacidadania e o seu desenvolvimento como pessoa humana através do hábito de ler, não apenascomo fonte de conhecimento, mas também como informação e prazer!CONSIDERAÇÕES FINAIS
  14. 14. Falar sobre a leitura sempre será um desafio, muita coisa já foi dita e muita coisaainda há por se dizer. Mas não se pode deixar de dizer que muitos avanços há na área, cabe,porém aos futuros professores e os já atuantes tomarem posse desses conhecimentos e por emprática, na sala de aula o que as novas concepções de leitura e educação sugerem. O trabalho contextualizado e eficaz nas séries iniciais e principalmente na educaçãoinfantl são importantes, mas não se pode esquecer que muitos dos problemas enfrentados noinício da escolarização acabam se perpetuando até o final do Ensino Médio. Ao repensar oensino de leitura, deve-se ir além dos problemas enfrentados no Ensino Fundamental I eentender que, principalmente, o professor de português, mas não apenas ele deve estar atentoà importância e relevância da leitura na sala de aula, e que a mesma deve exceder e muito aostextos do livro didático, frente à infinidade de gêneros existentes do cotidiano da sociedadeLetrada.REFERÊNCIAS
  15. 15. ANTUNES, Irandé. Muito Além da gramática. Por um ensino de línguas sem pedrasno caminho. São Paulo. Parábola. 2007. BRAGA, Maria Lucia; SILVEIRA, Maria Helena. Revista de Estudos Regionais eUrbanos. Vol. III, Rio de Janeiro, 1985. BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa /Secretaria deEducação Fundamental. Brasília, 1997. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf >Brasília:144p. acesso em:09/12/2012. FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22ed. São Paulo: Cortez, 1988. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. FOUCAMBERT, Jean (1994). A Leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas INDURSKY, F. e ZINN, M.A.K (1985). Leitura como suporte para produçãotextual. In: Trabalhos em Linguística Aplicada. KOCH, I.G.V. (1997). KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura. Campinas, SP: Pontes, 1993. KLEIMAN, Ângela. TEXTO E LEITOR: Aspectos cognitivos da leitura. Campinas,SP: Pontes, 2000 LEFFA. Vilson. Aspectos da leitura. Porto Alegre: Sangra – Luzzatto, 1996. MARTINS, Maria Helena: O que é leitura. Revista Educar. Rio de Janeiro, 1º demarço de 2007. PENNAC, Daniel. Como um romance. Trad. Leny Werneck. Rio de Janeiro: Rocco,1993.

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