Observatório da Alteridade Convida Marcos Maurício Alves da Silva Futebol:  muito mais que um esporte.   Para Armando Nogu...
Futebol <ul><li>n  substantivo masculino  </li></ul><ul><li>Rubrica: esportes. </li></ul><ul><ul><li>1 esporte disputado e...
<ul><li>O futebol, no Brasil, é muito mais que um esporte. Entre os moleques, das variadas classes e raças, ele constitui ...
A partida de hoje <ul><li>Preleção </li></ul><ul><li>Minha aproximação ao futebol </li></ul><ul><li>A proposta do doutorad...
Preleção <ul><li>Minha aproximação ao futebol.  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A inserção em um grupo social difere...
Primeiro Tempo: Futebol no Brasil de Charles Miller a Neymar <ul><li>Um jogo inglês para brasileiro ver.  </li></ul><ul><l...
Intervalo <ul><li>Arte e festa.  Espetáculos futebolísticos </li></ul><ul><li>A vida é a arte do encontro embora haja tant...
<ul><li>&quot;Sociólogo no Brasil que não tiver os fundilhos das calças puídas pelas arquibancadas não entenderá este país...
O futebol nem sempre foi um sucesso.  <ul><li>“ Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estran...
Segundo Tempo: Futebol é cultura <ul><li>Futebol e literatura (em prosa e verso) </li></ul><ul><li>Enredo, narrador, perso...
Armando Nogueira, futebol e eu, coitada (Clarice Lispector)   (…) Já então era tarde demais para eu resolver, mesmo com es...
Sexo e futebol Luis Fernando Ver í ssimo No que se parecem sexo e futebol? No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao   ...
Futebol e poesia <ul><li>O futebol brasileiro evocado da Europa  </li></ul><ul><li>João Cabral de Melo Neto </li></ul><ul>...
Copa do Mundo de 70 Carlos Drummond de Andrade (…) De repente o Brasil ficou unido contente de existir, trocando a morte o...
Futebol e música <ul><li>“ A comunhão entre a música e o futebol e a senha para entender o país.” (Jair de Souza) </li></u...
<ul><li>“ Esse casamento tornou possível a sublimação de vários elementos irracionais de nossa formação social e cultural....
Aqui é País do Futebol Milton Nascimento e Fernando Brant  <ul><li>Brasil está vazio na tarde de domingo, né? olha o sambã...
Goleiro (Eu vou lhe avisar)  Jorge Ben Jor Eu vou lhe avisar  Goleiro não pode falhar Não pode ficar com fome Na hora de j...
<ul><li>Gol Anulado  João Bosco / Aldir Blanc  </li></ul>Quando você gritou mengo  No segundo gol do Zico  Tirei sem pensa...
Algumas reflexões sobre o futebol <ul><li>(…) o futebol é o jogo da vida. Há toda uma filosofia no futebol, no conjunto qu...
O Futebol de Armando Nogueira <ul><li>(...) O futebol é jogado com os pés e feito de gols. </li></ul><ul><li>Mas se o fute...
Futebol e linguagem <ul><li>“ As nossas armas, neste momento, são pois, as de defesa, e da defesa mais legítima, respeitáv...
Futebol e política <ul><li>Copa de 34 (Itália)  </li></ul><ul><li>Copa de 38 (França)   </li></ul><ul><li>Depois da vitóri...
Los generales y el fútbol.  Eduardo Galeano E fica a pergunta: Futebol e política só se unem em ditaduras?
Futebol e mídia <ul><li>Quanto blogs sobre política há no UOL?  </li></ul><ul><li>4 sobre política nacional e 2 sobre polí...
Mesa Redonda <ul><li>Identidade nacional </li></ul><ul><li>Futebol esporte nacional ou o principal esporte do país? </li><...
Bibliografia <ul><li>AGOSTINO, Gilberto.  Vencer ou morrer. Futebol, geopolítica e identidade nacional .  Rio de Janeiro: ...
<ul><li>COELHO, Eduardo.  Donos da bola . Rio de Janeiro: Língua Geral, 2006. </li></ul><ul><li>DAMATTA, Roberto. et alii....
<ul><li>LOVISARO, Martha e NEVES, Lecy Consuelo (orgs.).  Futebol e sociedade um olhar transdisciplinar .  Rio de Janeiro:...
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Futebol: muito mais que um esporte

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Palestra apresentada na ESPM no Observatório da Alteridade Convida em 05/04/2010 para os alunos de Relações Internacionais.

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  • Falar que vamos apresentar uma parte do que logo pode vir a ser uma Oficina na qual discutiremos todos os temas aqui tratados de maneira mais profundizada.
  • Futebol. Essa é a definição do dicionário, mas não é verdadeira porque o futebol não é só um jogo, é muito mais. Futebol é uma alegria triste que está além de qualquer explicação. Por isso hoje não vamos explicar o futebol (coisa como já dissemos é impossível de fazê-lo). Vamos sim, ver como essa manifestação cultural-artística e porque não também, esportiva, surge em diferentes meios; porque os 90 minutos de partida são apenas o início de muito mais.
  • Viram que no tempo que temos teremos uma pequena amostra. Alguns tópicos pouco pretensiosos, né? Como numa partida nem tiudo acabará aqui. O que está em Mesa redonda entrará neste trabalho que lhes dizia. Uma possível oficina.
  • Falar da época da faculdade. Do trabalho na Sul América. No ponto 2 falar do MSN com a Andreia e do filme “O ano em que meus pais saíram de férias”. Da viagem à Buenos Aires e do tiozinho na feira do Parque Ridavadia (“ustedes vienen quí a buscar algo de fútbol lo llevan a Brasil y después nos joden” )
  • Miller traz o futebol em 1894. Morador do Brás. Faz o primeiro jogo nas ruas do gasômetro depois no lugar onde hoje está a ROTA na Tiradentes. Era um jogo, no Brasil, para a burguesia. Só se populariza depois.
  • Falar dos muitos craques que fizeram a história do futebol brasileiro e dos muitos pernas de pau. Sandro Goiano, Galeano, etc.
  • Parafraseando Vinícius. Falar que Miller não era um jogador dos ingleses que gostavam do futebol técnica e sim muito mais do futebol drible, arte. Talvez por isso até hoje possamos ter times como o do Santos hoje. (Uma das exceções no mundo é o caso do Braça – um capítulo a parte)
  • Nessa época o Lima Barreto criou a Liga contra o futebol.
  • Explicar a teoria do Passolini que diz que futebol europeu se aproxima mais a um romance, onde o conjunto é fundamental, no qual o enredo está bem traçado a ordem não pode mudar muito. O futebol latinoamericano estaria mais próximo a poesia pois em alguns momentos o inesperado acontece, uma frase muda todo o enredo. Claro que todo jogo tem seu momento de prosa e que em qualquer um pode aparecer um momento poético, mas que no geral a estrutura no futebol europeu é sempre a mesma. Na segunda parte falar da importância do narrador. Tanto em uma novela como num jogo (o radinho de pilhas) Sobre Pelé. Contar a história dele num jogo contra o Vasco quando o Vasco ganhava de 2 a 0 e um zaqgueiro chegou para ele e disse: Onde está o Rei? Alguém viu o rei por aí? O Pelé fez 2 gols empatou o jogo, no final pegou a bola e levou pro zagueiro e disse fala pra sua mãe que foi o rei quem mandou. Sobre o Garrincha no dia que ele dribla meio time fica frente e frente pro goleiro e não chuta pro gol depois o técnico pergunta porque demorou tanto e ele diz que o goleiro não queria abrir as pernas. &amp;quot;Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno!&amp;quot; - Garrincha durante a comemoração da conquista da Copa do Mundo em 58. O Barbosa e a pena de mais de 30 anos. E Dáda com sua frases fantásticas.: Não venham com problemática que eu tenho a solucionática.&amp;quot; - Dadá Maravilha (
  • Falar de outros grandes cronistas do futebol como? Mario Filho, Jose Lins do Rego e Nelson Rodrigues
  • Lembrar do Rappa (Eu quero ver gol) / Skank (É uma partida de futebol) /
  • Na Copa de 34 a mídia era incentivada pelos militares a usarem o vocabulário bélico ao narrar e comentar os jogos. Lembrar que o Lima Barreto odiava futebol e não queria ver essa linguagem de guerra nos jornais, jogando irmão contra irmão.
  • Não. Em 2002 por exemplo os jogadores depois de mais de 24 horas de viagem tiveram que ir ver o FHC. Lembram do Vampeta dando cambalhotas na esplanada? E o Lula também sempre tem a sua frase futebolística pra qualquer momento.
  • Alguém vê na hora do Globo Esporte alguma reportagem sobre política, trânsito, etc? Não!!! Mas no meio de praticante todos os jornais há uma parte dedicada ao futebol, ou seja, mesmo quem não se interessa pelo assunto sabe o nome de vários jogadores sabe que time está na frente, etc.
  • Futebol: muito mais que um esporte

    1. 1. Observatório da Alteridade Convida Marcos Maurício Alves da Silva Futebol: muito mais que um esporte. Para Armando Nogueira que fez do futebol poesia.
    2. 2. Futebol <ul><li>n substantivo masculino </li></ul><ul><li>Rubrica: esportes. </li></ul><ul><ul><li>1 esporte disputado em dois tempos, de 45 minutos, por duas equipes de 11 jogadores cada, no qual é proibido (exceto aos goleiros, quando dentro da sua área) o uso dos braços e mãos, e cujo objetivo é fazer entrar uma bola redonda no gol do adversário </li></ul></ul><ul><ul><li>1.1 estilo e técnica de jogar futebol </li></ul></ul><ul><li>Ex.: o time mostrou um f. de primeira </li></ul><ul><li>ing. football (association), orign. adp. foot-ball (1423-1424) 'jogo de bola praticado com os pés', do ing. foot 'pé' + ball 'bola'; no ing.n.-am. football association reduz-se a soccer por alt. de association, e o voc. football designa o jogo rugby football (1864) (cp. rúgbi), que na Inglaterra se firmou como rugby (do top. Rugby, porque a prática desse jogo se inicia na Rugby School, Warwickshire, Inglaterra); as demais línguas copiam (sXIX-XX) o termo football; no it. adapta-se calcio 'coice, pontapé' de gioco del calcio (do lat. calx,cis 'calcanhar, pé, pata') para futebol; o erud. balípodo (gr. bállo 'lançar' + poús,podós 'pé'), proposto pelo gramático Castro Lopes para substituir o anglicismo, não se fixou na língua; f.hist. 1889 foot-boll, 1899 foot-ball, 1933 futebol </li></ul><ul><li>Houaiss da Língua Portuguesa. Edição Eletrônica. </li></ul>
    3. 3. <ul><li>O futebol, no Brasil, é muito mais que um esporte. Entre os moleques, das variadas classes e raças, ele constitui um dos primeiros índices de aceitação social. Não importa a cor ou a situação financeira: um garoto negro e pobre, brilhante com os pés pode torna-se o rei do jogo ou do país. Trata-se de um exercício democrático, educativo e político que respeita a individualidade e o todo. Mas futebol também é drama: a conquista do reconhecimento público e de uma vida confortável se restringe a poucos. Mesmo para os que alcançam o sucesso, há um tempo limitado de aproveitamento, pois logo se atinge a idade de abandonar a profissão e cair no esquecimento. </li></ul><ul><li>(COELHO, Eduardo. In: Donos da Bola, Língua Geral, 2006) </li></ul>
    4. 4. A partida de hoje <ul><li>Preleção </li></ul><ul><li>Minha aproximação ao futebol </li></ul><ul><li>A proposta do doutorado </li></ul><ul><li>Primeiro Tempo </li></ul><ul><li>Futebol no Brasil de Charles Miller a Neymar (melhores momentos) </li></ul><ul><li>Um jogo inglês para brasileiro ver. </li></ul><ul><li>O Maracanaço </li></ul><ul><li>Intervalo </li></ul><ul><li>A grande festa </li></ul><ul><li>Arte e festa. Espetáculos futebolísticos </li></ul><ul><li>Segundo Tempo </li></ul><ul><li>Futebol é cultura </li></ul><ul><ul><li>Futebol e literatura (em prosa e verso) </li></ul></ul><ul><ul><li>Futebol e música </li></ul></ul><ul><ul><li>Futebol e linguagem </li></ul></ul><ul><ul><li>Futebol e política </li></ul></ul><ul><ul><li>Futebol e mídia </li></ul></ul><ul><li>Mesa Redonda </li></ul><ul><li>Identidade nacional, esporte nacional ou o principal esporte do país? </li></ul><ul><li>Futebol e resistência </li></ul><ul><li>As Relações Internacionais e o futebol ao longo do século XX </li></ul><ul><li>O Capitalismo explicado pelo futebol </li></ul>
    5. 5. Preleção <ul><li>Minha aproximação ao futebol. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A inserção em um grupo social diferente. </li></ul><ul><li>A possibilidade de se ter assunto sempre em qualquer ambiente. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A proposta do doutorado </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Minha ideia inicial. </li></ul><ul><li>O projeto. </li></ul><ul><li>A busca do corpus (Brasil e Argentina). </li></ul>
    6. 6. Primeiro Tempo: Futebol no Brasil de Charles Miller a Neymar <ul><li>Um jogo inglês para brasileiro ver. </li></ul><ul><li>“ o futebol até nos lembra o projeto oswaldiano, à moda antropofágica, por tomar as técnicas do outro, acrescentar nossos valores e depois levar nosso “produto” ao mundo. (...) Técnicas foram absorvidas do futebol inglês – não há dúvidas. Adicionamos, contudo, docilidade e lirismo a ponto de tornar esse jogo um elemento recorrente da identidade nacional. (…) Gingado, astúcia, sedução, perspicácia e malandrices são características de nosso futebol e da nossa gente.” </li></ul><ul><li>(COELHO, Eduardo. In: Donos da Bola, Língua Geral, 2006) </li></ul><ul><li>O Maracanaço </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>“ Eu estava lá, com dez anos, nas cadeiras de ferro azuis, que de tão novas cortaram, a frio, as minhas pernas de calças curtas, principalmente na hora do frisson do gol de Friaça, nome adequadíssimo para a circunstância. O resto já se chorou em prosa e verso. Perdemos para sempre. Olho para trás: o que vejo é o gigante do Maracanã contra o céu, nu e cru, cinza em concreto aparente e bruto, arranhando todos aqueles que o vestiram por noventa minutos e eu, agora, o abandonavam em silêncio. O Maracanã foi minha primeira ruína. (Armando Freitas Filho, Maracanã sem amanhã. poeta) </li></ul>
    7. 7. Intervalo <ul><li>Arte e festa. Espetáculos futebolísticos </li></ul><ul><li>A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida. </li></ul><ul><li>Vinícius de Morais </li></ul><ul><li>“ La tecnocracia del deporte profesional ha ido imponiendo un fútbol de pura velocidad y mucha fuerza, que renuncia a la alegría, atrofia la fantasía y prohíbe la osadía. Por suerte todavía aparece en las canchas, aunque sea muy de vez en cuando, algún descarado carasucia que se sale del libreto y comete el disparate de gambetear a todo el equipo rival, y al juez, y al público de la tribunas, por el puro goce del cuerpo que se lanza a la prohibida aventura de esta libertad.” (GALEANO, Eduardo. El fútbol a sol y sombra ) </li></ul><ul><li>“ O difícil, o extraordinário, não é fazer 1000 gols como Pelé. É fazer um gol como Pelé. (Crônica. Pelé: 1000. Carlos Drummond de Andrade) </li></ul>
    8. 8. <ul><li>&quot;Sociólogo no Brasil que não tiver os fundilhos das calças puídas pelas arquibancadas não entenderá este país.&quot; </li></ul><ul><li>Gabriel Cohn(Sociólogo em Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 23/04/2006) </li></ul><ul><li>“ O futebol é a arte do encanto embora haja tantos desencantos pela vida.” </li></ul><ul><li>Marcos Maurício </li></ul><ul><li>La fiesta </li></ul><ul><li>“ Hay algunos pueblos y caseríos del Brasil no tienen iglesia, pero no existe ninguno sin cancha de fútbol. El domingo es el día que más trabajan los cardiólogos de todo el país. Un domingo normal, cualquiera puede morir de emoción, mientras se celebra la misa de la pelota. Un domingo sin fútbol, cualquiera muere de aburrimiento.” (GALEANO, Eduardo. El fútbol a sol y sombra . Catálogos, 2005: 178) </li></ul><ul><li>  </li></ul>“ O bom jogador vê a jogada, o craque antevê.” Armando Nogueira
    9. 9. O futebol nem sempre foi um sucesso. <ul><li>“ Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras? O futebol não pega, tenham a certeza. Não vale o argumento de que ele tem ganho terreno nas capitais de importância. Não confundamos. As grandes cidades estão no litoral. Isso aqui é diferente, é sertão. </li></ul><ul><li>(Graciliano Ramos nos primeiros anos do século XX) </li></ul>Lima Barreto. Crônica “ O football ”. publicada na revista Careta em 1 de julho de 1922.
    10. 10. Segundo Tempo: Futebol é cultura <ul><li>Futebol e literatura (em prosa e verso) </li></ul><ul><li>Enredo, narrador, personagens. Espaço e tempo no futebol e na literatura. </li></ul><ul><li>“ E se uma partida de futebol é uma narrativa – é de fato o é, uma narrativa que mistura várias linguagens - , é natural que, também aqui, o personagem seja figura importantíssima, tanto quanto o narrador e o enredo.” (CARNEIRO, Flávio. Passe de Letra. Rio de Janeiro, Rocco:2009) </li></ul><ul><li>Exemplos: </li></ul><ul><li>Heróis épicos: Pelé; líricos: Garrincha. </li></ul><ul><li>Trágicos: Barbosa; Cómicos: Dadá Maravilha. </li></ul>
    11. 11. Armando Nogueira, futebol e eu, coitada (Clarice Lispector)   (…) Já então era tarde demais para eu resolver, mesmo com esforço, não ser de nenhum partido: eu tinha me dado toda ao Botafogo, inclusive dado a ele a minha ignorância apaixonada pelo futebol. Digo “ignorância apaixonada” porque sinto que eu poderia vir um dia apaixonadamente a entender de futebol.   Mas futebol parece-se com balé? O futebol tem uma beleza própria dos movimentos que não precisa de comparações. (30 de março de 1968) A crônica nossa de cada dia Dize-me quem escalas e te direi quem és . José Roberto Torero
    12. 12. Sexo e futebol Luis Fernando Ver í ssimo No que se parecem sexo e futebol? No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao   mesmo tempo, avan ç am e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas tamb é m caem para um lado ou para o outro e, à s vezes, h á um deslocamento. Nos dois é important í ssimo ter jogo de cintura. No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelo no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. A í um   vai para o chuveiro mais cedo.   Dizem que a ú nica diferen ç a entre uma festa de   amasso e a cobran ç a de um escanteio é que na   grande á rea não tem m ú sica, porque o agarramento é o mesmo... E no escanteio tamb é m tem gente que   fica quase sem roupa. Tamb é m dizem que uma das diferen ç as entre o   futebol e o sexo é a diferen ç a entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta,   tamb é m não distingue; ela tanto pode vestir um   craque como um med í ocre. No sexo, como no futebol, você amacia no peito,   bota no colo, tem cadência e tem de ter uma explica ç ão pronta na sa í da para o caso de não dar certo.   No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante. No sexo,   como no futebol, tem o feijão com   arroz, mas tamb é m tem o requintado, a firula e   o lance de efeito. No sexo tamb é m tem gente que vai   direto no calcanhar. E tanto no sexo quanto no futebol, o som que mais   se ouve é aquele &quot;uuu&quot;.   No fim, sexo e futebol s ó são diferentes mesmo, em duas coisas. No futebol não se pode usar as mãos. E o sexo, gra ç as a Deus, não é organizado pela CBF.   In: COELHO, Eduardo. Donos da Bola. Rio de Janeiro: L í ngua Geral. 2006:102
    13. 13. Futebol e poesia <ul><li>O futebol brasileiro evocado da Europa </li></ul><ul><li>João Cabral de Melo Neto </li></ul><ul><li>A bola não é a inimiga </li></ul><ul><li>como o touro, numa corrida; </li></ul><ul><li>e embora seja um utensílio </li></ul><ul><li>caseiro e que usa sem risco </li></ul><ul><li>não é o utensílio impessoal, </li></ul><ul><li>sempre manso de gesto usual: </li></ul><ul><li>é um utensílio semivivo, </li></ul><ul><li>de reações próprias como bicho, </li></ul><ul><li>e que como bicho, é mister </li></ul><ul><li>(mais que bicho, como mulher) </li></ul><ul><li>usar com malícia e atenção </li></ul><ul><li>dando aos pés astúcias de mão. </li></ul>
    14. 14. Copa do Mundo de 70 Carlos Drummond de Andrade (…) De repente o Brasil ficou unido contente de existir, trocando a morte o ódio, a pobreza, a doença, o atraso triste por um momento puro de grandeza e afirmação no esporte. Vencer com honra e graça com beleza e humildade e ser maduro e merecer a vida, ato de criação, ato de amor. A Zagallo, zagal prudente, e a seus homens de campo e bastidor fica devendo a minha gente este minuto de felicidade. (20 maio 1970)
    15. 15. Futebol e música <ul><li>“ A comunhão entre a música e o futebol e a senha para entender o país.” (Jair de Souza) </li></ul><ul><li>Uma coisa é certa: no Brasil a música brota em todas as partes, como o futebol. Basta ter uma caixa de fósforos ou uma bola de meia, que dá samba ou dá jogo. </li></ul><ul><li>Se o futebol veio de cima e era jogado pelas elites, como se propala, o samba surgiu de baixo, alcançando o gosto dessa elites muito depois da sua popularização; mesmo assim a adesão não foi completa. Ambos foram redirecionados pelo governo para angariar simpatias e promover o controle sobre a grande maioria da população. Era a busca da identidade nacional – a partir de um modo de vida carioca – torneada naturalmente pelo samba, e por tabela, pelo futebol. </li></ul><ul><li>Beto Xavier. Futebol no país da música. Panda Books, 2009. </li></ul>
    16. 16. <ul><li>“ Esse casamento tornou possível a sublimação de vários elementos irracionais de nossa formação social e cultural. A capoeiragem e o samba, por exemplo, estão presentes de tal forma no estilo brasileiro de jogar, que é possível ver nele um pouco da molecagem baiana ou malandragem carioca. Foi com esses resíduos que o futebol brasileiro se afastou do bem ordenado original britânico para se tornar uma dança cheia de surpresas e de variações dionisíacas que é” (Gilberto Freyre, 1947) </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Samba e futebol </li></ul><ul><li>Samba e futebol tiveram evolução social no final dos anos 1920, início da consolidação de ambos como peças vitais da identidade brasileira. Pois foi justamente nesse período que tanto a vida musical quanto o esporte brasileiro tiveram profundas modificações. (Beto Xavier. Futebol no país da música. Panda Books, 2009: 34 ) </li></ul>
    17. 17. Aqui é País do Futebol Milton Nascimento e Fernando Brant <ul><li>Brasil está vazio na tarde de domingo, né? olha o sambão, aqui é o país do futebol Brasil está vazio na tarde de domingo, né? olha o sambão, aqui é o país do futebol </li></ul><ul><li>No fundo desse país ao longo das avenidas nos campos de terra e grama </li></ul>Brasil só é futebol nesses noventa minutos de emoção e alegria esqueço a casa e o trabalho a vida fica lá fora dinheiro fica lá fora a cama fica lá fora família fica lá fora a vida fica lá fora e tudo fica lá fora
    18. 18. Goleiro (Eu vou lhe avisar) Jorge Ben Jor Eu vou lhe avisar Goleiro não pode falhar Não pode ficar com fome Na hora de jogar Senão, um frango aqui, um frango ali, Um frango acolá. Que outros cantores falam de futebol? O futebol é visto pelo lado mais eufórico ou disfórico?
    19. 19. <ul><li>Gol Anulado João Bosco / Aldir Blanc </li></ul>Quando você gritou mengo No segundo gol do Zico Tirei sem pensar o cinto E bati até cansar Três anos vivendo juntos E eu sempre disse contente: Minha preta é uma rainha Porque não teme o batente, Se garante na cozinha E ainda é vasco doente Daquele gol até hoje O meu rádio está desligado Como se irradiasse O silêncio do amor terminado Eu aprendi que a alegria De quem está apaixonado É como a falsa euforia De um gol anulado
    20. 20. Algumas reflexões sobre o futebol <ul><li>(…) o futebol é o jogo da vida. Há toda uma filosofia no futebol, no conjunto que se é necessário para marcar o gol na vida que a gente passa driblando e de muitas pessoas que às vezes se dão mal porque não passam a bola para os outros na vida, ou às vezes passam e não recebem de volta. (Arthur Moreira Lima, maestro e pianista) </li></ul><ul><li>“ Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.” </li></ul><ul><li>“ No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica.” </li></ul><ul><li>“ Os cartolas pecam por ação, omissão ou comissão” </li></ul><ul><li>“ Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”. </li></ul><ul><li>“ Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro.” </li></ul><ul><li>“ A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus.” </li></ul><ul><li>Armando Nogueira </li></ul><ul><li>“ O homem nasceu para assistir Copa do Mundo” Gabriel Castanho Oliveira </li></ul>
    21. 21. O Futebol de Armando Nogueira <ul><li>(...) O futebol é jogado com os pés e feito de gols. </li></ul><ul><li>Mas se o futebol tem alma. </li></ul><ul><li>A alma do futebol está na sua poesia. </li></ul><ul><li>Poesia que brota das letras de quem ama o futebol-sonho. </li></ul><ul><li>Hoje a poesia do futebol está em silêncio. </li></ul><ul><li>E vai permanecer assim por algum tempo. </li></ul><ul><li>Pegando carona no também lendário Drummond. </li></ul><ul><li>Difícil não é escrever mil poesias como o Armando. </li></ul><ul><li>Difícil é escrever uma só poesia como Mestre Armando Nogueira. </li></ul><ul><li>ROBERTO VIEIRA </li></ul>
    22. 22. Futebol e linguagem <ul><li>“ As nossas armas, neste momento, são pois, as de defesa, e da defesa mais legítima, respeitável, mais nobre possível porque ela assenta numa demonstração pública, esperada com cerca de 30 dias de paciência.” (Lima Barreto citando um jornal do dia 14 de agosto de 1918). </li></ul><ul><li>Vocabulário de Guerra. </li></ul><ul><li>Atacante / Defesa / Bomba / Artilheiro / Guerra / Petardo / Tática / Estratégia / Rival / Invadindo a área inimiga </li></ul><ul><li>Fuzilou o gol / Campo de batalha / Ficar fora do combate </li></ul><ul><li> “ A batalha dos Aflitos” </li></ul>
    23. 23. Futebol e política <ul><li>Copa de 34 (Itália) </li></ul><ul><li>Copa de 38 (França)   </li></ul><ul><li>Depois da vitória da Itália sobre o Brasil (4 a 2) na Gazzetta dello Sport </li></ul><ul><li> “ La apoteosis del deporte fascista en esta victoria de la raza.” </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>E a imprensa oficial italiana dizia: </li></ul><ul><li>“ Saludamos el triunfo de la itálica inteligencia sobre la fuerza bruta de los negros.” </li></ul><ul><li>Copa de 70 (México) </li></ul><ul><li>Copa de 78 (Argentina) </li></ul><ul><li>  </li></ul>
    24. 24. Los generales y el fútbol. Eduardo Galeano E fica a pergunta: Futebol e política só se unem em ditaduras?
    25. 25. Futebol e mídia <ul><li>Quanto blogs sobre política há no UOL? </li></ul><ul><li>4 sobre política nacional e 2 sobre política internacional. </li></ul><ul><li>Quantos sobre futebol? </li></ul><ul><li>13. </li></ul><ul><li>E futebol de diferentes formas como Neto (ai Meu Deus!) e José Roberto Torero (outro poeta do futebol) passando por análises táticas (Vitor Birner) e coisas mais relacionadas a política no futebol (Juca Kfouri) </li></ul><ul><li>  </li></ul>
    26. 26. Mesa Redonda <ul><li>Identidade nacional </li></ul><ul><li>Futebol esporte nacional ou o principal esporte do país? </li></ul><ul><li>Futebol e resistência </li></ul><ul><li>As Relações Internacionais e o futebol ao longo do século XX </li></ul><ul><li>O Capitalismo explicado pelo futebol </li></ul>
    27. 27. Bibliografia <ul><li>AGOSTINO, Gilberto. Vencer ou morrer. Futebol, geopolítica e identidade nacional . Rio de Janeiro: Mauad, 2002. </li></ul><ul><li>ALABARCES, Pablo. Fútbol y patria. El fútbol y las narrativas de la nación en la Argentina . Buenos Aires: Prometeo libros, 2008. </li></ul><ul><li>ANDRADE, Carlos Drummond de. Quando é dia de futebol . Rio de Janeiro: Record, 2005. </li></ul><ul><li>ANTUNES, F. M. R. F. Com brasileiro não há quem possa. Futebol e identidade nacional em José Lins do Rego, Mário Filho e Nelson Rodrigues . São Paulo: Editora UNESP, 2004. </li></ul><ul><li>BINDI, Luis Fernando. Futebol é uma caixinha de surpresas . São Paulo: Panda Books, 2007. </li></ul><ul><li>BUFALI, Andréa A. et alii. El libro negro de los mundiales de fútbol . Buenos Aires: Planeta, 1994. </li></ul><ul><li>CARNEIRO, Flávio. Passe de letra. Futebol & Literatura . Rio de Janeiro: Rocco, 2009. </li></ul>
    28. 28. <ul><li>COELHO, Eduardo. Donos da bola . Rio de Janeiro: Língua Geral, 2006. </li></ul><ul><li>DAMATTA, Roberto. et alii. Universo do futebol. Esporte e sociedade brasileira . Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982. </li></ul><ul><li>FERNANDES, Cacalo. A bola é uma história. Crônicas sobre futebol . Campinas: Komedi, 2004. </li></ul><ul><li>FOER, Franklin. Como o futebol explica o mundo. Um olhas inesperado sobre a globalização . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. </li></ul><ul><li>GALEANO, Eduardo. El fútbol a sol y sombra . 10ª. Ed. Ampliada, Buenos Aires: Catálogos, 2005. </li></ul><ul><li>GOTTA, Ricardo. Fuimos campeones. La dictadura, El mundial 78 y el misterio del 6 a 0 a Perú . Buenos Aires: Edhasa, 2006. </li></ul><ul><li>GUTERMAN, Marcos. O futebol explica o Brasil. Uma história da maior expressão popular do país . São Paulo: Contexto, 2009. </li></ul>
    29. 29. <ul><li>LOVISARO, Martha e NEVES, Lecy Consuelo (orgs.). Futebol e sociedade um olhar transdisciplinar . Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005. </li></ul><ul><li>LLONTO, Pablo. La vergüenza de todos. El dedo en la llaga del Mundial 78. Buenos Aires: Asociación Madres de la Plaza de Mayo, 2005. </li></ul><ul><li>MILLET, Raul (Org.) Vida que segue. João Saldanha e as Copas de 1966 e 1970 . Rio de Janeiro: Nova Frontera, 2006. </li></ul><ul><li>TORERO, José Roberto. Os cabeças-de-bagre também merecem o céu . Crônicas sobre futebol. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. </li></ul><ul><li>TRIFONAS. Peter Pericles. Umbert Eco y el fútbol . Barcelona: Gesida, 2004. </li></ul><ul><li>XAVIER, Beto. Futebol no país da música . São Paulo: Panda Books, 2009. </li></ul><ul><li>WISNIK, José Miguel. Veneno remédio. O futebol e o Brasil . São Paulo: Companhia das Letras, 2008. </li></ul>

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