Twitteratura a arte de escrever em até 140 caracteres
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Artigo Científico - Monografia - Autores: Renan Osvaldo Pacheco & Daniele Souza Freitas. Citam: SORIANO, M. página 55.

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Twitteratura a arte de escrever em até 140 caracteres Twitteratura a arte de escrever em até 140 caracteres Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA DANIELE SOUZA FREITAS RENAN OSVALDO PACHECO TWITTERATURA:A ARTE DE ESCREVER EM ATÉ 140 CARACTERES Tubarão 2011
  • DANIELE SOUZA FREITAS RENAN OSVALDO PACHECO TWITTERATURA:A ARTE DE ESCREVER EM ATÉ 140 CARACTERES Monografia apresentada no Curso de Graduação em Letras Português/Inglês da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Licenciado em Letras. Orientadora: Prof. Cláudia Espíndola Gomes Tubarão 2011
  • DANIELE SOUZA FREITAS RENAN OSVALDO PACHECO TWITTERATURA: A ARTE DE ESCREVER EM ATÉ 140 CARACTERES Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Licenciado em Letras e aprovado em sua forma final pelo curso de Graduação em Letras Português/Inglês da Universidade do Sul de Santa Catarina.___________________, ________ de _________________________ de 2011. Local dia mês _______________________________________________ Prof. e Orientadora Cláudia Espíndola Gomes, Msc. Universidade do Sul de Santa Catarina _______________________________________________ Prof. Jussara Bittencourt de Sá, Dr. Universidade do Sul de Santa Catarina _______________________________________________ Prof. Marizete Farias da Rocha, Msc. Universidade do Sul de Santa Catarina View slide
  • AGRADECIMENTOS Nossos pais por nos ensinar a ser, cada professor e orientadora, twitteiros quefazem duma rede social um espaço para Literatura: #obrigado. View slide
  • “140 caracteres são o suficiente para sangrar.” (Carpinejar)
  • RESUMOEste estudo aborda um novo meio de publicação literária na internet, a Twitteratura. Em até140 caracteres, autores brasileiros têm divulgado seus textos literários no microblog Twitter,criado em 2006. Entretanto, textos curtos não são uma novidade do microblog, portanto, fez-se uma abordagem dos escritores brasileiros pioneiros nessa literatura concisa, partindo domodernista Oswald de Andrade até os microcontistas do século XXI. Também é feito umestudo acerca do Twitter, seu surgimento, principais ferramentas e utilidades, assim como suapopularidade no Brasil. Dessa forma, a pesquisa reúne referenciais teóricos sobre Literatura eTwitter, além de informações extraídas dos livros literários provindos do microblog, einvestigações dos autores deste trabalho como usuários do serviço. Não é objetivo desseestudo analisar a qualidade literária dos textos que circulam no Twitter, mas expor e reunirparte das publicações literárias que formam a Twitteratura, reconhecendo-a como um novomeio de publicação literária à disposição dos autores. É impossível abordar todo o conteúdoliterário publicado no Twitter, tanto pela efemeridade, característica do serviço, como pelaquantidade. Nesta pesquisa, percebeu-se o Twitter como um meio democrático e incentivadorda publicação literária, no qual os indivíduos não só são estimulados a sintetizar suas criaçõesliterárias em 140 caracteres ou menos, como também a lerem essas produções curtas, queexigem pouco tempo e custo ao homem pós-moderno.Palavras-chave: Twitteratura. Literatura digital. Twitter. Literatura contemporânea.Literatura curta.
  • ABSTRATCThis study addresses a new way of literary publishing on the Internet, the Twitterature. Up to140 characters, Brazilian authors have published their literary texts on the Twitter microblog,created in 2006. However, short texts are not a novelty of the microblog, therefore, Weapproach the Brazilian writers pioneers in this concise literature, starting from the modernistOswald de Andrade until the twenty-first century writers of micro-fiction. It is also done astudy about Twitter, its emergence, its main tools and utilities, as well as its popularity inBrazil. Thus, the research collects theoretical references about Literature and Twitter, as wellas information extracted from the literary books stemming from the microblog, andinvestigations of the authors of this work as service users. This study does not aim to analyzethe literary quality of the texts which circulate on Twitter, but to present and to collect part ofthe literary publications that makes the Twitterature, recognizing it as a new way of literarypublication available to the authors. It is impossible to cover all posted literary content onTwitter, not only because the ephemerality, characteristic of the service, but also the quantity.In this research, we noticed Twitter as a supporter of a democratic and literary publication, inwhich individuals are not only encouraged to summarize their literary creations in 140characters or less, but also to read these short productions that require little time and cost tothe postmodern man.Keywords: Twitterature. Digital Literature. Twitter. Contemporary Literature. ShortLiterature.
  • LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1- Poema vazio agudo................................................................................................... 24Figura 2 – O primeiro tweet ..................................................................................................... 30Figura 3 – Perfil de um dos autores deste trabalho.................................................................. 32Figura 4 – Página inicial do Twitter de um dos autores deste trabalho .................................. 33Figura 5 – Uso de algumas ferramentas................................................................................... 34Figura 6 – Página inicial, slogan do Twitter. ........................................................................... 36Figura 7 – Definição do Twitter de Marcelo Tas..................................................................... 37Figura 8 – Capa do livro Twitterature...................................................................................... 39Figura 9 – Nanoconto “Micro-ondas” em cem toques cravados............................................. 43Figura 10 – I Sarau Literário via Twitter nos Assuntos do Momento...................................... 47Figura 11 – Poeminuto de André Luís Gabriel......................................................................... 50Figura 12 – Poeminuto de Denison Mendes............................................................................. 51Figura 13 – Haicai de Millôr Fernandes................................................................................... 52Figura 14 – Aforismo de Carpinejar......................................................................................... 54Figura 15 – Aforismo de Marcelo Soriano............................................................................... 55Figura 16 – Microconto de Samir Mesquita............................................................................. 57Figura 17 – Conto nanico 153 de Marcelino Freire.................................................................. 58Figura 18 – História coletiva no Twiterbook............................................................................ 61
  • LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 - A divisão de tweets por país em junho de 2010.....................................................31
  • SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO................................................................................................................... 102 LITERATURA.................................................................................................................... 122.1 A LITERATURA : UMA ABORDAGEM........................................................................ 122.2 AS VANGUARDAS EUROPEIAS E O MODERNISMO BRASILEIRO...................... 152.2.1 A concisão de Oswald de Andrade............................................................................... 162.2.2 Manuel Bandeira, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade.................... 182.3 PÓS-MODERNISMO........................................................................................................ 212.3.1 Paulo Leminski e o haicai............................................................................................. 232.3.2 A narrativa curta: miniconto, microconto e nanoconto............................................. 253 TWITTER............................................................................................................................ 293.1 O PRIMEIRO TWEET....................................................................................................... 293.2 O TWITER NO BRASIL................................................................................................... 313.3 BREVE DESCRIÇÃO DO TWITTER.............................................................................. 323.3.1 Twitter: uma praça pública.......................................................................................... 354 TWITTERATURA............................................................................................................. 394.1 CONCEITUAÇÃO............................................................................................................ 394.2 ASPECTOS DA TWITTERATURA................................................................................. 414.3 ESCRITORES E LEITORES............................................................................................. 454.4 GENÊROS TEXTUAIS NO TWITTTER......................................................................... 494.4.1 Poeminuto, haicai e aforismo........................................................................................ 504.4.2 Microconto..................................................................................................................... 564.4.3 Prosa além de 140 caracteres........................................................................................ 595 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................. 63REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 65
  • 101 INTRODUÇÃO Novos meios de divulgar textos literários surgiram com a popularização dainternet. Um deles é por meio da rede social Twitter, um serviço gratuito de microblog quevem ganhando novos leitores e escritores no Brasil. A sociedade do século XXI é marcada pela falta de tempo e pela rapidez em queocorrem os acontecimentos. Principalmente por esse motivo, o Twitter tem se destacado, poisos textos que circulam nessa esfera são relativamente curtos, de leitura rápida e instantânea,escritos em até 140 caracteres, sendo postados em tempo real. O usuário dessa rede socialdeve ter habilidade de concisão, escrevendo seus textos dentro da limitação do microblog.Assim, a literatura veiculada no Twitter é extremamente adequada às necessidades do leitorcontemporâneo. Outro fator que contribui para o sucesso do Twitter como divulgador da literaturaé que qualquer indivíduo pode escrever seu texto e publicá-lo, contribuindo para o que sechama “Twitteratura”, a Literatura no Twitter. Além disso, o microblog possibilita a interaçãoentre leitores e escritores, pois qualquer usuário pode comentar, responder, elogiar,complementar, criticar um texto de outro. Isso tende a enriquecer ainda mais o âmbitoliterário. Percebe-se, a partir do exposto, um universo literário muito rico e novo, sendo queo Twitter popularizou-se recentemente no Brasil, há cerca de dois anos. Contudo, esseuniverso parece não ter sido descoberto por teóricos da área, pois se constata que não háestudos a esse respeito. Tendo em vista a falta de pesquisas sobre esse assunto, evidenciando a relevânciadesse trabalho para o meio acadêmico, faz-se necessário um estudo específico da literaturacontemporânea brasileira veiculada no microblog Twitter, nos últimos dois anos.Levando em consideração essa situação problema, o objetivo geral desse trabalho visareconhecer a Twitteratura como um novo meio de publicação literária. Parte-se dos objetivosespecíficos: buscar um conceito de Literatura; relacionar a Twitteratura com a poesiamodernista brasileira da primeira fase; explicar como o Twitter é utilizado; caracterizar operfil do escritor e do leitor do Twitter; descrever as características da Twitteratura; justificaros benefícios do Twitter para a Literatura; identificar os gêneros literários existentes noTwitter; demonstrar algumas obras literárias publicadas no Twitter.
  • 11 Contudo, se faltam pesquisas sobre o assunto, como desenvolver este estudo? Ametodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica, esta segundo Leonel e Motta (2007) éessencial no conhecimento e na análise das principais contribuições teóricas sobre um tema.Nossa pesquisa além do caráter bibliográfico é enriquecida por nossas investigações noâmbito do Twitter como usuários do serviço. Fez-se neste trabalho o mesmo processo feitocom o termo “Twitteratura”: primeiro abordaremos os referenciais teóricos de Literatura eTwitter separadamente, para depois unirmos ambas as teorias. Dessa forma, o trabalho se divide em três seções seguidas pelas ConsideraçõesFinais. Na primeira, discute-se um conceito de Literatura com base nas teorias de Coelho(1976), para posteriormente abordar a literatura rápida no Brasil, recorrendo aos ideaismodernistas do início do século XX, aos poemas do primeiro nome brasileiro dessa literaturacurta: Oswald de Andrade, e as análises de Haroldo de Campos (1971). São mencionadostambém os poemas de Manuel Bandeira, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade. Assim como os ideais modernistas, o primeiro capítulo também destaca osprincipais aspectos do pensamento do homem no Pós-Modernismo, período em quevivenciamos, com base nas teorias de Tarnas (2008), e a influência desses pensamentos naliteratura, discutindo os conceitos trazidos por Proença Filho (1995). Após, é exposto oformato original do haicai e sua presença no Brasil, principalmente na obra de PauloLeminski, aproveitando-se principalmente do estudo de Geraldes Júnior (2007). Paracompreender a narrativa curta, analisa-se o estudo de Spalding (2008) sobre o miniconto,além de afirmações de teóricos do conto e de grandes contistas da Literatura mundial, comoEdgar Allan Poe e Machado de Assis, abordados pelo autor. A segunda seção tem como tema as características do Twitter, é explicado seusurgimento, detalham-se suas principais ferramentas e utilidades. Aborda-se também apresença da Língua Portuguesa no microblog e sua popularidade no Brasil. Para a elaboraçãodessa revisão bibliográfica, os principais autores utilizados são: Zago (2010), Recuero(2009), Maurílio Silva (2009) e Spyer et al (2009). Por fim, a terceira seção trata, de fato, da pesquisa sobre Twitteratura, abordandoas informações extraídas do nosso estudo bibliográfico de Literatura e Twitter, já citados,além de utilizarmos informações contidas nos livros literários provindos do microblog enossas constatações utilizando o serviço. Discutiu-se o conceito de Twitteratura; se aLiteratura no Twitter difere da publicada fora dessa plataforma; quem são as pessoas queescrevem; para quem escrevem; quais os gêneros literários que circulam na Twitteratura; equais os benefícios que essa nova modalidade traz para o âmbito literário em geral.
  • 122 LITERATURA2.1 A LITERATURA : UMA ABORDAGEM Antes de chegarmos a Twitteratura, tema central deste trabalho, naturalmente faz-se necessária uma caminhada pela Literatura. E o que se entende por Literatura? Pode-se dizerque a Literatura é a Arte da palavra, mas essa concepção é extremamente generalizadora. Buscar um conceito claro, verdadeiro, estático para Literatura é uma tarefa umtanto árdua, se não impossível. A Literatura como qualquer outra arte, sendo uma criaçãohumana, está sujeita aos valores e anseios do homem que se modificam constantemente. Aeste propósito, Coelho (1976, p.23) escreve: No sentido de compreendermos o que é Literatura para os homens de hoje, examinemos em primeiro lugar o que ela significou para os do passado. [...] Múltiplas conceituações foram formuladas através dos tempos mas nenhuma conseguiu ser completa e definida, pois cada época fundamenta-se de acordo com a sua maneira de interpretar a vida e o mistério da condição humana. Assim, ao longo dos tempos a Literatura foi concebida de diferentes formas.Ainda segundo a autora, na Antiguidade Clássica, Litteratura1 significava caligrafia de cadaum, alfabeto, símbolos de escrita. O termo Literatura na Era medieval equivalia a Gramática,mais adiante no Renascimento, era definido como um conjunto de obras literárias arquivadaspela história. Durante a Era Clássica – graças à teoria aristotélica da arte como imitação doreal – a Literatura era tida como a expressão da beleza e da verdade essencial dos seres ecoisas que surge da apreensão racional da realidade. Até aqui, os conceitos de Literatura são marcados por princípios rígidos,tradicionais. A atividade literária é regida por normas ensinadas que descartam aspeculiaridades individuais do talento criador. Também nesse período, não há umadiferenciação entre os textos literários ou não, todo texto escrito, seja ele científico, filosófico,histórico, ficcional ainda é considerado literatura. Contudo a Era Romântica rompe essa rigidez disciplinar e essa generalizaçãoinformal. Segundo Coelho (1976, p.26) “A Literatura deixa de ser vista como uma imitação1 Termo em latim, origina-se em littera/ae que significa letra do alfabeto, sinal.
  • 13do real e passa a ser a expressão do mistério e do enigma da existência.” A razão dá lugar àemoção. Ocorre a associação entre a Literatura e a Ficção, os textos literários começam aexigir um caráter ficcional. Levando tal aspecto em consideração, a conceituação deLiteratura passa a ser mais restrita e funcional. No século XX, Salvatore D’Onofrio (1990, p. 9) propõe o seguinte conceito deLiteratura: “A literatura é uma forma de conhecimento da realidade, que se serve da ficção eque tem como meio de expressão a linguagem artisticamente elaborada.” Nesse conceito, Literatura e linguagem estão fortemente associadas. Assim comotodo ser vivo é formado por células, sistemas, funções a Literatura é composta por signos quese organizam em estruturas maiores como enunciados, discursos. (COELHO, 1976). Então, alinguagem vem a ser o meio de expressão da Literatura, no entanto é “artisticamenteelaborada”, não sendo uma linguagem qualquer. Distinta da linguagem objetiva e diretautilizada no Jornalismo, a Literatura utiliza estilos, figuras de linguagem para emocionar oleitor. O conceito de D’Onofrio, acima citado, associa Literatura e Ficção como adefinição de Coelho também o faz: Literatura é Arte, é um ato criador que por meio da palavra cria um universo autônomo, onde seres, as coisas, os fatos, o tempo e o espaço, assemelham-se ao que podemos reconhecer no mundo real que nos cerca, mas que ali – transformados em linguagem – assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção. (1976, p. 23). Observa-se que ambos os conceitos fazem referência a Literatura como criadorade um ambiente ficcional, porém não consideram a Literatura distante da realidade, ela“assemelha-se ao mundo real”. A Literatura, então, não é apenas o fruto da imaginaçãocriadora do homem, mas uma forma de conhecimento, e até de problematização do real. Ao retomar a discussão inicial desse capítulo, percebe-se a existência de inúmerasdefinições de Literatura que surgem e desaparecem. Em sua maior parte generalizadoras,essas definições confirmam a ideia de Coelho (1976) que considera a Literatura enigmática eindefinível, porque o espírito humano também o é. Sendo criada pelo homem, a Literaturatende a refletir aspectos mutáveis da sociedade em que ele está inserido. Sendo assim, quaisos principais aspectos da sociedade atual? Certamente, inúmeras seriam as reflexões afloradas por essa pergunta. Mas, nessemomento, quer-se apenas ressaltar alguns poucos aspectos da complexa sociedade do séculoXXI:
  • 14 O sujeito moderno usa o tempo como um valor ou como uma mercadoria, é um sujeito que não pode perder tempo, que tem sempre de aproveitar o tempo [...] que tem de seguir o passo veloz do que se passa, que não pode ficar para trás, e por essa obsessão por seguir o curso acelerado do tempo, este sujeito já não tem tempo. (LAROSSA, 2002, p. 23). Essa é a situação vivenciada diariamente pela maioria dos indivíduos, numasociedade que vive em ritmo acelerado: cidades, metrôs, ônibus superlotados, surgem os fastfood e os arranha-céus. O cidadão passa mais tempo no trabalho, no elevador, nas filas, nosmeios de transporte do que na própria casa. Enfim, o sujeito não tem mais o próprio tempo. Em meio a esse tumulto surge, como aliada à rapidez do relógio moderno, ainternet. “A rede digital tem crescido em uma velocidade espantosa; basta comparar seucrescimento com o de outros veículos de comunicação: o rádio levou 38 anos para atingir 50milhões de pessoas; a TV aberta, 16 anos; a Web apenas 5 anos.” ( XAVIER; SANTOS,2005, p. 30). É de conhecimento de todos que a rede digital já penetrou em todas as esferas daatividade humana, desde o interior de nossos lares até os mais variados setores, como bancos,supermercados, lojas... A Internet se destaca pela dinamicidade interativa, facilita o acesso àsmais variadas informações e a cada dia adquire novas utilidades. Nesse contexto de “eradigital” Pinheiro (2005, p. 131) ressalta: A inserção de Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) nas sociedades modernas tem acarretado muitas transformações nos seus diversos setores. Novas formas de pensar, de comunicar, de acessar informações e de perceber o conhecimento estão se impondo. Assim, a internet incentiva novas ações que permitem profundas mudanças nomodo de vida do homem moderno, transformando as formas de pensar, de adquirirconhecimento e inclusive as formas de ler e escrever. E que concepção de Literatura reflete a sociedade acima descrita? A respeito dissoCalazans (2001, p. 6-7) escreve: [...] é nesta vida veloz [...] que as artes se adaptam-se ao novo homem urbano, na esperança de acompanhá-lo em sua corrida contra o tempo cotidiano e alcançar, tocar sua sensibilidade empedernida, petrificada,[...] surgem o Cinema de curta- metragem, o Teatro de esquetes e anedotas, e a Literatura que ocupa pouco espaço impresso e que é lida em alta velocidade.
  • 15 A tal Literatura que ocupa pouco espaço impresso é uma literatura curta, rápida esucinta, capaz de prender o leitor em poucas palavras. Essa Literatura é extremamenteadequada ao leitor do século XXI: a velocidade e a condensação, a possibilidade depublicação em diversas mídias como celulares, e-mails, painéis eletrônicos, blogs,microblogs, entre outras ferramentas da internet. Drummond já previa que “escrever é cortar palavras”, Hemingway recomendava“corte todo o resto e fique no essencial” e João Cabral proclamou “enxugar até a morte”(SEABRA, 2010). Então, talvez essa Literatura não seja emergente.2.2 AS VANGUARDAS EUROPEIAS E O MODERNISMO BRASILEIRO Antes mesmo de internet e televisão existirem, a Literatura sofreu modificaçõesque influenciariam fortemente a literatura contemporânea, no seu estilo, forma, tamanho. No final do século XIX e início do século XX, o mundo ocidental passou porgrandes mudanças. A revolução industrial, as duas guerras mundiais e suas consequênciasmudaram o mundo, e, obviamente, o homem, seus valores e seus anseios. Na Europa, várias tendências artísticas surgiram, tais como o Cubismo, oFuturismo, o Expressionismo, o Dadaísmo e o Surrealismo. Todos esses movimentos,chamados de correntes de vanguarda, buscavam uma ruptura com os valores artísticostradicionais e um novo estilo para traduzir a nova realidade do século XX. Paulo Prado, em1924, na apresentação do livro Pau-Brasil de Oswald de Andrade, registrou que: Encaixar na rigidez de um soneto todo o baralhamento da vida moderna é absurdo e ridículo. Descrever com palavras laboriosamente extraídas dos clássicos portugueses e desentranhadas dos velhos dicionários, o pluralismo cinemático de nossa época é um anacronismo chocante [...]. Outros tempos, outros poetas, outros versos. (ANDRADE, 1971, p. 68-69). Teles (2000, p. 82) acrescenta: “mais do que simples tendência, a vanguardarepresenta a mudança de crenças experimentais no pensamento e na arte do mundo ocidental.”O Modernismo brasileiro foi influenciado pelas vanguardas europeias, contudo osmodernistas brasileiros:
  • 16 Nunca se consideraram componentes de uma escola, nem afirmaram ter postulados rigorosos em comum. O que os unificava era um grande desejo de expressão livre e a tendência para transmitir, sem os embelezamentos tradicionais do academismo, a emoção pessoal e a realidade do país. (CÂNDIDO, 1967, p. 9). E foi por meio dessa união que os modernistas realizaram a Semana de ArteModerna em 1922. A Semana teve a participação de vários jovens artistas. Constou de exposição de quadros e esculturas, concertos, recitais e conferências, provocando da parte da opinião dominante uma reação violenta, que foi à vaia e ao tumulto. Os jovens capitalizaram bem este aspecto combativo, que serviu, senão para estruturá-los, certamente para os demarcar no panorama literário como representantes de uma nova estética. (Ibid., p. 12). Nesse contexto, alguns autores se destacaram. Oswald de Andrade, um jovem defamília rica, destacou-se por seu espírito revolucionário, inovador, radical, polêmico e, o quemais interessa neste trabalho, por sua habilidade e técnica de síntese.2.2.1 A concisão de Oswald de Andrade O paulistano Oswald de Andrade (1890-1954) foi o primeiro brasileiro a escreverna literatura curta, rápida, sintética. Essa característica da maioria de seus poemas permitiriaque os textos oswaldianos fossem publicados no Twitter, se a rede social existisse na época.Mário da Silva Brito chama esses textos do autor de poemas-minuto, micropoemas eminipoemas (ANDRADE, 1971). Embora o foco desse texto seja a habilidade de concisão de Oswald de Andrade,não se pode deixar de mencionar outras características de seu texto, que o colocam comoprecursor da literatura contemporânea. Na apresentação do livro Poesias Reunidas de Oswald de Andrade, Haroldo deCampos (1971, p. 9) diz que “se quisermos caracterizar de um modo significativo a poesia deOswald de Andrade no panorama de nosso Modernismo, diremos que esta poesia responde auma poética de radicalidade. É uma poesia radical.” O autor faz essa afirmação, pois alinguagem literária em uso e aceita pela crítica, na época de Oswald, era a parnasiana, que“funcionava como um jargão de casta, um diploma de nobiliarquia intelectual” (Ibid., p. 10),ou seja, entre a linguagem dos livros aceitos pela crítica e a linguagem falada, existia umabismo que parecia ser intransponível.
  • 17 Oswald de Andrade mudou esse cenário, mas não com pequenas modificações, eleradicalizou: utilizou-se do verso sem métrica e sem rima, da linguagem coloquial: “Acontribuição milionária de todos os erros” (ANDRADE, 1971, p.77). Fez poemasnacionalistas sem qualquer traço de ufanismo, pelo contrário, sempre apresentando uma visãocrítica. Tudo isso com uma gigantesca dose de humor e ironia, como se pode observar nopoema abaixo (Ibid., p. 95): senhor feudal Se Pedro Segundo Vier aqui Com história Eu boto ele na cadeia As características citadas anteriormente podem ser justificadas, nesse poema, pelotítulo em letras minúsculas, a ausência de rima e métrica, a linguagem coloquial no últimoverso (o correto pela norma padrão da língua seria “Eu o boto” ou “Eu boto-o”) e o tomhumorístico, tudo isso em quatro pequenos versos. Outros poetas modernistas apresentam muitas dessas características, no entantosomente Oswald apresenta uma técnica de síntese tão sofisticada. Vejamos o “mais sintéticopoema da língua”, e a análise de Haroldo de Campos: amor humor [...] Eis aí o mais sintético poema da língua, tensão do músculo-linguagem, elementarismo contundente, ginástica para a mente entorpecida no vago, obra-prima do óbvio e do imediato atirado à face rotunda da retórica. Por este poema se mede [...] até onde foi Oswald na sua radicalidade e como se distanciam dele, por este aspecto, mesmo as mais ousadas investidas de seu companheiro Mário de Andrade. (1971, p. 46). Nesse poema, Oswald utiliza duas palavras com alta carga semântica, que sediferem apenas por duas letras, um som. E o principal da obra fica a cargo do leitor, que temde imaginar as possíveis relações entre esses dois dissílabos, isso significa que a obraoswaldiana, segundo Haroldo de Campos: Ao invés de embalar o leitor na cadeia de soluções previstas e de inebriá-lo nos estereótipos de uma sensibilidade de reações já codificadas, esta poesia, em tomadas e cortes rápidos, quebra a morosa expectativa desse leitor, força-o a participar do processo criativo. (Ibid. p. 46).
  • 18 “Esta poesia, em tomadas e cortes rápidos” não se refere exclusivamente aopoema acima. E quando o autor menciona “tomadas e cortes rápidos”, ele se refere a umacaracterística da obra de Oswald, influenciada por outra arte, o cinema. Os “flashescinematográficos” são facilmente identificados e compreendidos no poema abaixo(ANDRADE, 1971, p. 94): o capoeira - Qué apanhá sordado? . - O quê? . - Qué apanhá? . Pernas e cabeças na calçada. Além das características já citadas, o poema apresentado pode suscitar umadúvida: essa obra é ou não um poema? Esse texto se assemelha com uma narrativa, como osmicrocontos que serão explicados posteriormente neste trabalho. Esse estilo é um exemplo decomo Oswald “quebrou as barreiras entre poesia e prosa, para atingir a uma espécie de fontecomum da linguagem artística.” (CÂNDIDO, 1967, p. 65). Haroldo de Campos ressalta que oessencial não é chamar a obra oswaldiana de poesia ou não, e acrescenta que ela evoluiu “parauma ideia mais válida e mais atual de texto [...], ideia para a qual marcham também toda umasérie de manifestações contemporâneas, da nova poesia ao novo romance.” (1971, p. 58). Em virtude de sua radicalidade, Oswald de Andrade foi muito criticado e atéridicularizado por seus contemporâneos. Em vida, não teve sua obra devidamente valorizada.Contudo, pelos mesmos motivos que o ridicularizaram, sem nenhuma ressalva, “pode-se dizerque a sua importância histórica de renovador e agitador (no mais alto sentido) foi decisivapara a formação de nossa literatura.” (CÂNDIDO, 1967, p. 65). Torna-se fácil justificar essaafirmação, tendo em vista que esse trabalho tratará de uma modalidade de escrita de cincoanos de existência (o Twitter foi criado em 2006) que demonstra um estilo muito semelhante àobra de Oswald, sendo imprescindível a citação do valor de sua luta e de sua obra.2.2.2 Manuel Bandeira, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade Oswald de Andrade foi o primeiro e o maior destaque da literatura rápidabrasileira, entretanto outros autores se utilizaram desse estilo em seus poemas. Nenhum deles
  • 19escreveu tantos textos curtos quanto Oswald, no entanto eles devem ser mencionados,ilustrando que a síntese oswaldiana não morreu junto com o autor. Manuel Bandeira (1886 – 1968) foi um poeta modernista da primeira fase, assimcomo Oswald de Andrade, contudo por ter vivido 82 anos, seu estilo foi se modificando,misturando todas as tendências artísticas que vivenciou. A poesia de Manuel Bandeira “vemdo parnasianismo crepuscular até as experiências concretistas, do sonêto às formas maisaudazes de expressão.” (CÂNDIDO, 1967, p. 34). A obra bandeiriana se destaca pelo lirismo com que trata os temas vida, morte,amor, erotismo, solidão, infância, saudade. Além disso, Bandeira foi um mestre no uso doverso livre, sem métrica. “A êle se deve a prática regular do verso livre, com superação doverso polimétrico e do verso libertado, praticados pelos seus antecessores e coevos.”(CÂNDIDO, loc. cit.) Para ilustrar as afirmações citadas, vejamos um poema no qual o tamanho doverso se relaciona com o conteúdo da obra (BANDEIRA, 1993, p. 150): Poema do Beco Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? - O que eu vejo é o beco.2 Pode-se observar que o lirismo do primeiro verso, mencionando “paisagem”,“Glória”, é representado por um verso longo que se assemelha à “linha do horizonte”. Emseguida, o segundo verso nos remete a uma paisagem fechada, pelo relato do eu-lírico queafirma ver apenas “o beco” e pelo tamanho do verso: curto, rápido, sem adjetivos ouadvérbios. Bandeira harmoniza perfeitamente forma e conteúdo. Em relação ao conteúdo desses versos, pode-se pensar em dois significados: oprimeiro seria o significado literal, pois o poeta morou no Beco das Carmelitas, no Rio deJaneiro, na década de 1950. O segundo seria metafórico, pois desde os 18 anos, manifestara-se no autor a tuberculose. Como na época não existia cura, o tratamento primordial era oisolamento. Soma-se a isso o fato de que Bandeira perdeu os pais na infância, ou seja, asolidão pode ser “o beco”, e todas as coisas boas citadas no primeiro verso são o mundo queele não pôde aproveitar na sua juventude. Deve ressaltar-se que os dois significados não seexcluem, pelo contrário, eles se unem na significação desse belo poema bandeiriano, deapenas dois versos.2 Apesar de não ser recomendado pelas normas da ABNT, optamos por utilizar recuo de página quandoreproduzimos os textos literários, ainda que não ultrapassem três linhas.
  • 20 Outro poeta da primeira metade do século passado que se destaca é o gaúchoMário Quintana (1906 - 1944). O autor não participou do movimento modernista brasileiro,no entanto algumas de suas obras apresentam influências dos artistas da Semana de ArteModerna. Quintana escreveu a maioria de seus poemas num estilo tradicional, em forma(publicou muitos sonetos), métrica e rima. Bosi (2001, p. 463) afirma que ele “encontroufórmulas felizes de humor sem sair do clima neo-simbolista que condicionara sua formação.” Mesmo tendo esse estilo tradicional, Quintana escreveu alguns poemas, sem rimaou métrica, revelando uma semelhança com a obra de Oswald de Andrade e Manuel Bandeira,como no poema a seguir (QUINTANA, 1997, p. 441): VERÃO Quando os sapatos ringem - quem diria? São os teus pés que estão cantando! Outro poema que pode enriquecer esse trabalho é (Ibid., p. 121): QUEM DISSE QUE EU ME MUDEI? Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa [em que nasceu. Nos dois poemas, Quintana mistura lirismo e humor, isto é, ele escreveu, em seupróprio estilo, poemas rápidos, curtos, semelhantes aos que são publicados hoje no Twitter. O terceiro e último poeta a ser discutido neste subtítulo é Carlos Drummond deAndrade (1902 – 1987). O autor mineiro não foi um adepto da literatura curta. Drummond fezpoemas de todos os tamanhos, usava quantas palavras fosse necessário. Todavia ele escreveualguns poemas curtos e, entre eles, destaca-se nesse trabalho a obra a seguir (ANDRADE,Drummond, 1985, p. 28): COTA ZERO Stop. a vida parou ou foi o automóvel?
  • 21 Esse poema se assemelha muito à obra oswaldiana em sua síntese e ironia. Oprimeiro verso, em inglês, registra a influência estadunidense em ascensão, principalmente noque diz respeito aos produtos industrializados. Pode fazer-se tal afirmação, tendo em vista queo texto menciona o “automóvel”, produto que o Brasil sempre importou. Em três versos,Drummond faz uma reflexão sobre a dependência do homem moderno às tecnologias, afinal oeu-lírico fica em dúvida se foi a vida que parou, ou foi apenas o automóvel. É impressionantea contemporaneidade dessa obra se pensarmos, por exemplo, em nossa reação quando ocelular, o computador, ou mesmo o carro não funciona. Fica-se a sensação de impotência,como se a vida acabasse (ou parasse como traz o poema) quando esses artefatos nãofuncionam. E para essa crítica, observação e/ou aviso, o autor mineiro se utiliza da ironia, dohumor, “traço constante na poesia de Drummond.” (BOSI, 2001, p. 441). Com esse breve poema de Drummond, encerra-se a relação de autoresmodernistas que poderiam ter obras publicadas no Twitter, se a rede social existisse no séculoXX. Não houve a preocupação de se fazer uma lista impecável de autores que publicaramalgum texto em até 140 caracteres. Discorreu-se apenas sobre alguns dos autores e obras maisrelevantes da nossa literatura modernista.2.3 PÓS-MODERNISMO Atualmente, vive-se no período chamado de Pós-Modernismo, porém não existiunenhum movimento, obra ou acontecimento que marque essa transição do Modernismo paraoutra escola literária. Proença Filho afirma que teóricos discordam quanto à data dessatransição, para uns “desde o fim da Segunda Guerra Mundial, teríamos ingressado na pós-modernidade. Para outros, entretanto, a grande mudança ainda está para acontecer: o Ocidentenão deixou de ser moderno.” (1995, p. 8). Não se pretende nesse trabalho discutir o fim ou começo de escolas literárias, opróprio Proença Filho (Ibid. p. 8) acrescenta que “vive-se, no mínimo, uma fase de transição,onde o fato pós-modernista, em termos estéticos, é uma realidade.” E são esses termosestéticos que queremos discutir. Contudo, antes pensaremos sobre o que mudou no homempara que mudasse sua arte. A principal mudança no pensamento do homem ocidental na pós-modernidade é anão predominância de uma corrente, seja ela filosófica, científica, artística.
  • 22“Podemos considerar o espírito pós-moderno como sendo um conjunto de atitudes abertas eindeterminadas que foi moldado por uma grande diversidade de correntes intelectuais eculturais.” (TARNAS, 2008, p. 422). O homem pós-moderno não sabe o que pensar, não sabe em que acreditar. Asverdades não são mais verdades. Todo o conhecimento científico, histórico, religioso é postoa prova e não pode ser tido como absoluto. “Implicitamente, o único absoluto pós-moderno éa consciência crítica que, desconstruindo tudo, parece forçado por sua própria lógica adesconstruir também a si mesmo.” (Ibid., p. 429). Com essa visão crítica, nenhuma corrente ou pensamento se torna absoluto. Noentanto, repensa-se e considera-se todas as ideias e visões do passado, também de maneiracrítica. Sendo assim: Não apenas o próprio pensamento pós-moderno é um turbilhão de diversidades não resolvidas, mas virtualmente todos os elementos importantes do passado intelectual do Ocidente agora estão presentes sob uma ou outra forma, contribuindo para a vitalidade e confusão do Zeitgeist 3 contemporâneo. (TARNAS, 2008, p. 429). Além da diversidade de pensamentos em torno do homem pós-moderno, nasegunda metade do século XX e início do século XXI, a sociedade ficou marcada peladesigualdade social e econômica: por um lado pessoas desfrutando da industrialização econsumo exagerado; por outro, pessoas sem ter o que comer e sem acesso à escola e outrosserviços. “Nesse contexto múltiplo, em que computadores sofisticados convivem com altadose de miséria e analfabetismo, o Pós-Modernismo como expressão literária e artística, sópode ser visto de modo também múltiplo.” (COUTINHO, 2004, p. 243). É essa multiplicidade de visões e valores que refletiu e refletem na Literatura.Esta, no Pós-Modernismo, não se concentrou num estilo ou num objetivo. Na verdade, naliteratura, surgem vários Pós-Modernismos que integram a mesma escola literáriabasicamente por ocorrerem no mesmo período. A liberdade na criação predominou e hásomente algumas características em comum entre os textos literários pós-modernos. O ludismo, como uma dessas características, intensifica-se na literatura pós-moderna. O autor “brinca” com as palavras, com suas formas e sons. Uma das ferramentasutilizadas pelos autores é a paródia, que se torna uma característica marcante com base nasteorias do diálogo entre os textos, do russo Bakhtin. Oswald de Andrade também foi pioneironesse âmbito: num capítulo do seu livro Pau-Brasil, todos os textos estabeleciam diálogos3 Zeitgeist – Termo alemão que significa espírito de época.
  • 23com textos históricos brasileiros. “Na literatura contemporânea isso se dá sobretudo com oaproveitamento intencional de obras do passado. Insere-se nesse procedimento a mistura deestilos presente também na arte literária dos últimos decênios.” (PROENÇA FILHO, 1995, p.39). Dentro de toda a diversidade descrita nos parágrafos anteriores, destacar-se-ánesse trabalho uma modalidade originada no Japão, o haicai, principalmente nas obras doautor Paulo Leminski. Depois também se tratará do microconto, uma forma curta de narrativasurgida na literatura pós-moderna. As duas modalidades serão apresentadas nesse trabalho porfazerem parte da literatura rápida e curta, que poderia ser publicada no Twitter. Na verdade,atualmente haicais e microcontos são publicados na rede social, mas não são frutos dela,como veremos nos capítulos seguintes.2.3.1 Paulo Leminski e o haicai Paulo Leminski (1944 – 1989) foi um poeta pós-modernista. O autor curitibanodestacou-se por sua poesia irreverente, no entanto, não é graças a essa característica que obandido que sabia latim4 foi incluído nesse trabalho. A concisão é uma forte característica dospoemas leminskianos. Além disso, ele foi pioneiro no Brasil na arte do haicai, juntamentecom Guilherme de Almeida. Angélica Soares nos explica a forma tradicional do haicai (1993, p.33): “poemajaponês caracterizado pela brevidade, composto de três versos, somando dezessete sílabas, oprimeiro e o terceiro com cinco e o segundo com sete”. Em seu conteúdo, o haicai apresentaum tema do presente, geralmente relacionado a algo da natureza, e teria de mencionar umaestação do ano (MAURER; ALVES, 2009). No Brasil, principalmente o haicai leminskiano,essas características se alteraram muito, tendo em vista o grande número de influências dapós-modernidade, como visto anteriormente. Mesmo com várias modificações, o haicai não deixou de ser um poema curto,quase sempre conservando os três versos. No Twitter, o haicai é uma das formas demanifestação literária, considerando que esse estilo se encaixa perfeitamente como publicaçãono microblog.4 Título da biografia de Leminski escrita por Toninho Vaz, Editora Record, 2001.
  • 24 Observemos um dos mais famosos haicais de Leminski, publicado no livro La vieen close: Figura 1- Poema vazio agudo. Fonte: Leminski (2000, p. 123). Esse poema não tem título, assim como a maioria dos haicais. O ludismo dessepoema se dá na antítese “vazio/cheio” e ainda “meio”, três “estados de espírito” diferentes,sendo que cada um ocupa um verso, começando “vazio” e terminando “cheio”. O poema tem duas rimas: uma no final do primeiro e do terceiro versos(agudo/tudo); outra no final do segundo verso com a primeira palavra do último verso(meio/cheio). A volta da rima – lembrando que ela foi praticamente extinta no Modernismo –ilustra o que foi dito anteriormente: no Pós-Modernismo as produções literárias anteriores nãosão desconsideradas, qualquer técnica está à disposição do escritor. O “vazio agudo” do primeiro verso do poema é reforçado pelo espaço entrelinhasentre um verso e outro (GERALDES JÚNIOR, 2007). No segundo verso, ele dá um passo adiante “ando meio”, ou seja, o poeta chega ao meio que, semanticamente, tem duas potencialidades: a primeira faz uma clara referência à posição da palavra no corpo do poema, exatamente no verso do meio – aparecendo após três palavras [vazio / agudo / ando] e deixa outras três palavras apenas até o final do poema [cheio / de / tudo]. A outra potencialidade desta palavra
  • 25 no poema é no que diz respeito ao “estado de espírito” do Eu-lírico, do sujeito do poema. “Estado de espírito” este que vem culminar no último verso do poema, Cheio de tudo. (Ibid., p. 93). É magnífico como o autor diz tanta coisa com apenas sete palavras. Leminski nãoescreveu apenas haicais, também escreveu poemas concretos e em outros estilos. Em todoseles, a concisão é característica presente. Com esse autor, encerra-se a parte referente à poesiacurta no Brasil antes da Twitteratura, o próximo subtítulo diz respeito às narrativas curtas.2.3.2 A narrativa curta: miniconto, microconto e nanoconto Até este subtítulo, relacionamos os pioneirismos na literatura curta no Brasil. Emtodos os casos, tratava-se de poemas. No caso de Oswald de Andrade, alguns poemasapresentavam elementos narrativos, como o diálogo em “o capoeira”, no entanto o próprioautor os considerava poemas. Abordaremos agora as narrativas curtas, mais especificamente o conto. Estesempre foi considerado uma narrativa curta, como se pode observar nesta afirmação deMachado de Assis: “O tamanho não é o que faz mal a êste gênero de histórias, é naturalmentea qualidade; mas há sempre uma qualidade nos contos, que os torna superiores aos grandesromances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos.” (ASSIS, 1955, p. 5). Observamosque o conto é considerado curto por Assis, comparado ao romance, logo até os mais longoscontos do próprio escritor, como O Alienista de 36 páginas, são entendidos como curtos. E quando essa narrativa curta diminui, ficando mais sintética? Surgem entãoalguns termos como miniconto, microconto e nanoconto. É difícil definir esses termos, assimcomo é difícil definir o conto. Edgar Allan Poe nos oferece uma explicação de como se develer o conto: em apenas uma assentada, pois se alguma obra literária é longa demais para ser lida de uma assentada, devemos resignar-nos a dispensar o efeito imensamente importante que se deriva da unidade de impressão, pois, se requerem duas assentadas, os negócios do mundo interferem e tudo o que se pareça com totalidade é imediatamente destruído. (POE 1997 apud SPALDING, 2008, p. 21). Tendo essa ideia de Poe em mente, é fácil entender por que os minicontos,microcontos e nanocontos surgiram: o homem contemporâneo tem menos tempo, inclusive
  • 26para uma assentada, logo ele necessita de contos menores, para que “os negócios do mundo”não interfiram na sua leitura. De acordo com Spalding (2008), não se pode afirmar quais foram os primeirosautores e textos de minicontos no Brasil, pois faltam estudos e antologias no nosso país sobreo assunto. Contudo o autor destaca Dalton Trevisan como pioneiro em minicontos, mas oautor considera miniconto contos de uma página e meia, que não são relevantes para nossoestudo. Porém, o 166º texto do livro Ah, é? de Trevisan, contém apenas 21 palavras e seencaixa no limite de 140 caracteres do Twitter: O velho em agonia, no último gemido para a filha: - Lá no caixão... - Sim, paizinho. -... não deixe essa aí me beijar. (TREVISAN 1994 apud SPALDING, 2008, p. 39). Segundo Spalding, a partir de Ah, é?, várias antologias de minicontos forampublicadas, inclusive do próprio Trevisan, todavia o autor considera miniconto contos de umapágina ou duas. Porém em 2004 é publicada uma antologia com cem textos, de cem autoresdiferentes e com número máximo de letras pré-determinado, estamos falando de Os CemMenores Contos Brasileiros do Século5, antologia organizada por Marcelino Freire. “A obratraz cem histórias inéditas com até cinqüenta letras, sem contar o título e a pontuação”.(SPALDING, 2008, p. 49). Todos os textos da antologia são independentes, não estabelecem relação com osdemais, e contém sentido completo. Vejamos o texto da autora Cíntia Moscovich: Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás. (FREIRE, 2004, p. 16). Spalding faz uma análise dos elementos narrativos desse texto (2008, p.62): Não temos na narrativa a primeira ação de forma explícita, mas implícita nas entrelinhas: a personagem, se tem uma vida inteira pela frente, nasceu. E a segunda ação, essa sim, está expressa através de um motivo, o tiro: a personagem morreu. O ludismo desse texto, assim como no haicai de Leminski, acontece por meio daantítese, explicitamente em “frente / trás” e implicitamente em “vida / morte”. Nesse conto, oludismo é essencial para o entendimento do texto e seu efeito no leitor. Se trocássemos a5 O título é uma paródia do livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século. Antologia organizada por ÍtaloMoriconi, editora Objetiva, 2001.
  • 27primeira frase para algo como “teria sido um ótimo escritor”, não haveria uma ligação entre asfrases, e a sequência dos fatos ficaria comprometida (SPALDING, 2008). As informações que não constam no conto, como espaço e tempo, serãopreenchidas pelo leitor, e certamente ele preencherá a partir de suas experiências: se for um leitor urbano, o tiro remeterá para a violência crescente de nossas grandes cidades; se for um leitor jovem, a vida inteira pela frente representa toda a expectativa de um grande futuro. [...] A narração, de toda forma, é a de uma morte, uma morte prematura de alguém com a vida inteira pela frente; o efeito, porém, pode variar de acordo com o leitor porque caberá a ele criar o clima necessário. (SPALDING, 2008, p. 63) Spalding ressaltou, nesse trecho, o que muitos teóricos abordam: a importância doleitor na construção do texto. Já foi mencionado nessa pesquisa que Haroldo de Campos dizque a obra de Oswald de Andrade força o leitor a participar do processo criativo (1971).Nesse âmbito de discussões sobre a participação do leitor, a teoria de Ernest Hemingway sedestaca, por sua comparação com o iceberg: O leitor, se o escritor está escrevendo com verdade suficiente, terá uma sensação mais forte do que se o escritor declarasse tais coisas. A dignidade do movimento do iceberg é devida ao fato de apenas um oitavo de seu volume estar acima da água. (HEMINGWAY, 1996 apud SPALDING, 2008, p. 19). Hemingway, na sua teoria do iceberg, fala da importância do não dito, daparticipação do leitor que vê todo o “iceberg” a partir de um oitavo dele. Essa teoria se refereaos contos, não necessariamente minicontos, microcontos ou nanocontos. Spalding completa ateoria do autor norteamericano (2008, p.62): “ocorre que o miniconto [...] intensifica a importância do não dito na narrativa, diminui o volume do iceberg acima da superfície de um oitavo para, digamos, vinte avos, sem impedir, se o texto estiver bem realizado, que ele suscite certo efeito”. Neste trecho: “se o texto estiver bem realizado”, Spalding se refere a alguns textosda antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século que, de acordo com sua pesquisa,não constituem uma narrativa, por não terem uma sequência de fatos e elementos narrativossuficientes para que o texto cause efeito no leitor. O que não encontramos no estudo de Spalding e de nenhum outro teórico é adiferença entre miniconto, microconto e nanoconto. Para o nosso trabalho, trataremos ominiconto como um conto de até uma página, pois é o termo que foi dado aos textos deTrevisan, por exemplo. Consideraremos que microconto e nanoconto são sinônimos e que
  • 28tratam de textos menores que os minicontos. Talvez haja diferença entre os dois termos, masno Twitter, ambos são utilizados para os contos que variam de duas palavras até o limitemáximo da rede social: 140 caracteres. Entretanto, também levaremos em consideração um dizer de Mário de Andradesobre o conto: “Em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome deconto”. (2002, p.9). Apliquemos a fala do poeta modernista aos textos contemporâneos:sempre será miniconto, microconto ou nanoconto aquilo que seu autor batizou com o nome deminiconto, microconto ou nanoconto, respectivamente. Deste modo, encerra-se o primeiro capítulo deste trabalho. O próximo capítuloabordará o Twitter, quando ele surgiu e como ele funciona. Como se pode observar,abordamos nos dois primeiros capítulos Literatura e Twitter separadamente. No terceirocapítulo discutiremos, finalmente, a Twitteratura.
  • 293 TWITTER3.1 O PRIMEIRO TWEET Antes de abordar o surgimento do Twitter, é necessário destacar um brevecontexto da época em que isso ocorreu. Já foi mencionado que o advento da internettransformou a sociedade, dita pós-moderna, modificando seu conceito social, racional ecultural. Além disso, esse último conceito associado à crescente utilização das tecnologiasdigitais passou a ser denominado cibercultura. Atualmente, qualquer indivíduo pode produzir e publicar seu conteúdo na internet.Entretanto, a rede nem sempre foi aberta dessa forma. Quando surgiu, na década de 1990, aWorld Wide Web (rede de alcance mundial) era editada por um pequeno número de pessoas eseu conteúdo era raramente renovado (ZAGO, 2010). Esse quadro começou a mudar nosúltimos dez anos, ao invés de serem apenas receptores dos conteúdos da rede, os internautaspassaram a produzi-los. Tal cultura de colaboração da internet foi chamada de web 2.0: Em 2004, para caracterizar o novo paradigma de interatividade que os dispositivos técnicos haviam disponibilizado na internet, foi cunhado o termo web 2.0 em uma conferência da O’ Reilly Media. Em linhas gerais, trata-se de uma segunda geração de ferramentas que aprofunda a noção de web como plataforma de interação, uma tendência que reforça a sociabilidade a partir da troca de informações e colaboração dos internautas. (O’ Reilly, 2005 apud SPECK, 2009, p. 14). É nesse âmbito que surgem os microblogs, sendo o mais popular entre eles oTwitter6. Os microblogs podem ser entendidos como “multiplataformas de atualizaçõescurtas, que combinam características de blog e rede social.” (RODRIGUES, 2009, p. 149). Como microblog, o Twitter parte da ideia de um blog - sistema de postagens,atualizações e possibilidade de comentários - mas difere desse pela postagem reduzida, essacaracterística facilita a interação com outras ferramentas digitais (ZAGO, 2010). Assim, oTwitter permite a postagem de tweets, mensagens instantâneas de até 140 caracteres(considera-se caractere qualquer letra, símbolo, espaço, número ou ponto), pela web ou pordispositivos móveis, como celulares. O Twitter também é percebido como site de rede social,pois seu usuário cria um perfil público e interage com sua rede de contatos (RECUERO,6 www.twitter.com
  • 302009). É importante ressaltar que a rede só existe em função dos usuários que estabelecemconexões de troca, no caso os twitteiros7. Lançado em 2006 pela empresa estadunidense Obvious, o projeto inicialmentechamado de Twttr - sem letras vogais - foi criado por Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Willians.Em 21 de março de 2006, Jack Dorsey8 enviou o primeiro tweet (PENNER, 2011).“Convidando os colegas de trabalho”, dizia em português a mensagem: Figura 2 – O primeiro Tweet. Fonte:<http://twitter.com/#!/jack/status/29> . Acesso em: 27 abr. 2011. O nome do serviço está relacionado ao termo tweet que em português significa“pio” (MICHAELIS, 2009, p. 339). Convém lembrar que o serviço limita as postagens em140 caracteres, como a velocidade de um pio, e que o símbolo do Twitter é um passarinhoazul, observado no canto superior esquerdo da Figura 2.7 Também chamado de tuiteiros.8 www.twitter.com/jack
  • 313.2 O TWITER NO BRASIL Os desenvolvedores do Twitter não anunciavam números e não faziamcomentários a respeito até o ano de 2010, mas uma pesquisa externa feita pela Com Score asrevelou que o Twitter passou de 5 milhões de usuários no mundo em 2008, para 44,5 milhõesem 2009 (SCHONFELD, 2009) Contudo, em setembro de 2010, o presidente SCHONFELD, 2009). presidente-executivo doTwitter, Evan Williams, anunciou no blog oficial do Twitter que o microblog haviaultrapassado 145 milhões de usuários usuários. O Twitter conquista cada vez mais usuários em todo mundo, no Brasil a situaçãonão é diferente. “O Ibope registrou que 326 mil brasileiros se conectaram ao ser serviço em abrilde 2009, um crescimento de 28% em relação a março e de 456% em relação ao mesmoperíodo do ano anterior.” (SPYER et al, 2009, p. 88). SPYER Nos primeiros anos, o Twitter só estava disponível nos idiomas Inglês e Japonês,todavia em função do seu alcance mundial o serviço passou a disponibilizar out mundial, outros idiomas.Em junho de 2011 lançou a versão em Língua Portuguesa, terceira língua mais falada noserviço. De acordo com uma pesquisa divulgada pela consultoria francesa Semiocast (2010)o Inglês é a língua mais popular no Twitter (40%), seguido do Japonês (18%) e do Português nglês ),(11%). Outro estudo da Semiocast com base em 2,9 milhões de tweets gerados em 22 de Semiocast,junho de 2010, mostra o Brasil como quarta maior fonte de mensagens no Twitter: Gráfico 1 - A divisão de tweets por país em junho de 2010. Fonte: SEMIOCAST. Disponível em: <http://semiocast.com/pr/20100701/Asia_first_Twitter_region>. Acesso: 26 abr. 2011
  • 32 Observando os dados citados sobre a abrangência do Twitter não só no Brasil,mas no mundo todo, pode-se perceber o grande salto de popularidade que essa ferramenta deunos últimos anos. E isso de certa forma desmistifica o boato do Twitter ser apenas ummodismo passageiro. Confirmada a relevância do Twitter, posteriormente serão abordados algunstermos técnicos referentes a essa ferramenta, bem como suas formas de utilização.3.3 BREVE DESCRIÇÃO DO TWITTER Ao criar uma conta no Twitter, pode-se adicionar uma foto, um endereçoeletrônico e uma breve biografia que juntamente ao nome de usuário e ao nome completoformam o perfil, como a imagem abaixo: Figura 3 – Perfil de um dos autores deste trabalho. Fonte: < http://twitter.com/#!/Daniele_SF/> . Acesso em: 23 jun. 2011. A esse respeito, Recuero explica que devido à ausência de informações dacomunicação face a face no ciberespaço, é necessário que o usuário possua um perfil:“É preciso colocar rostos, informações que gerem individualidade e empatia, na informaçãoanônima do ciberespaço. Este requisito é fundamental para que a comunicação possa serestruturada.” (2009, p.27). Entretanto, há quem prefira não ver suas postagens publicadaslivremente na web, portanto, alguns usuários bloqueiam seus perfis, restringindo seus tweetsapenas aos seguidores autorizados. No Twitter, os usuários são convidados a responderem a pergunta “O que estáacontecendo?”, em até 140 caracteres. As postagens são publicadas em tempo real formandouma lista de tweets denominada histórico.
  • 33 A lógica do Twitter é baseada no ato de seguir outros perfis. Para ler o que cadausuário tweetar9, é necessário segui-los. Assim, quando um usuário está seguindo outro, elerecebe em seu histórico os tweets do usuário seguido. Da mesma forma o usuário pode terpessoas que o seguem, os chamados seguidores. Vale ressaltar que a qualquer momento umusuário pode deixar de seguir outro. Diferente de muitos sites de rede social, no Twitter não é preciso que o usuárioaceite um seguidor (exceto alguns usuários que optam por bloquear seus perfis, comoexplicado anteriormente), por isso, as conexões estabelecidas no serviço não sãonecessariamente recíprocas. Um usuário pode seguir outro sem que este o siga. Paraexemplificar melhor o funcionamento do Twitter, observemos a seguir um recorte da páginainicial de um dos autores desse trabalho: Figura 4 – Página inicial do Twitter de um dos autores deste trabalho. Fonte: < http://twitter.com/#!/> . Acesso em: 23 jun. 2011.9 Também chamado de tuitar.
  • 34 É possível ver na figura 4 o espaço destinado à escrita dos tweets, após a pergunta“O que está acontecendo?”. O histórico, logo abaixo, é a parte onde aparecem os tweets dosperfis seguidos e do próprio usuário. Observa-se no canto direito dessa Figura, a quantidade de mensagens publicadaspelo titular da conta até o momento (1.019 tweets), abaixo, o trecho do último tweet postado, aquantidade de perfis que o usuário está seguindo (430) e o número de seguidores (316). Emseguida, percebem-se mais duas ferramentas do Twitter: “Quem seguir”, que são sugestões dopróprio serviço de usuários a serem seguidos e “Assuntos do Momento”, que funciona comouma lista dos assuntos mais tweetados naquele momento. O usuário pode selecionar osAssuntos do Momento do mundo, de um país, ou de algumas cidades (na Figura 4, estáselecionado Brasil). Assim, percebe-se através dessa Figura que o assunto mais comentado noTwitter, no Brasil, naquele instante, era a conquista de um título do Santos Futebol Clube:#santoscampeao (#ClaussenPickles é um tema promovido pelo próprio Twitter, com finslucrativos, não sendo necessariamente o mais comentado naquele momento). Além disso, há duas formas de comunicação entre os usuários do Twitter:mensagens diretas, respostas ou menções. As mensagens diretas (MD) são mensagensprivadas apenas aos usuários envolvidos. Para enviá-las, é necessário que o destinatário siga oremetente. Entretanto, respostas ou menções são mensagens públicas, caracterizadas pelo usoda @ (arroba) seguida pelo nome de um usuário na postagem, como no segundo tweet daFigura a seguir: Figura 5 – Uso de algumas ferramentas. Fonte: < http://twitter.com/>. Acesso em: 29 abr. 2011. Na Figura 5 também percebemos um Retweet, outra ferramenta comum quesegundo a Central de ajuda do Twitter “É um Tweet enviado por um terceiro e encaminhado
  • 35para você, por um usuário que você segue” (2011b). Assim, ao retweetar10, o usuáriocompartilha com os seus seguidores o tweet postado por outro usuário. Nessa Figura, pode-seobservar um símbolo verde no canto esquerdo do tweet que foi retweetado (o de renanrop porDaniele_SF). Outra ferramenta do Twitter é a hashtag ou marcador, isto é, a união do símbolo #(sustenido) a uma expressão qualquer, como em “#Rumos”, no terceiro tweet da Figura 5.Sabe-se que “o símbolo # é usado para marcar palavras-chave ou um tópico em um Tweet. Omarcador ou hashtag foi criado pelos usuários do Twitter” (TWITTER, 2011). Além dosusuários saberem de maneira mais fácil do que se trata o tweet, a utilização do marcadortambém faz com que o termo em questão transforme-se em um link, tornando-se uma formade busca. Assim, se um usuário clicar em “#Rumos”, aparecerão todos os tweets escritos comesse mesmo termo. Nesse subtítulo, nem todos os termos e ferramentas relacionadas ao Twitter foramdescritos. Preocupamo-nos em mencionar apenas as mais relevantes para esse estudo.3.3.1 Twitter: uma praça pública Inicialmente a pergunta que motivava os twitteiros a escreverem em 140caracteres era “O que você está fazendo?”. Mas, em novembro de 2009, a pergunta inicialpassou a ser “O que está acontecendo?”. A respeito dessa mudança, Biz Stone11, co-fundadordo microblog, escreveu no blog oficial do Twitter que: Pessoas, organizações e empresas começaram rapidamente a alavancar a natureza aberta da rede para compartilhar qualquer coisa que eles queriam, ignorando completamente a pergunta original [...]. O modelo fundamentalmente aberto do Twitter criou um novo tipo de rede de informação que há muito tempo já ultrapassou o conceito de atualizações de status pessoal. O Twitter ajuda você a compartilhar e descobrir o que está acontecendo agora entre todas as coisas, pessoas e eventos que lhe interessam. “O que você está fazendo?” não é mais a pergunta certa, a partir de hoje o Twitter pergunta: “O que está acontecendo?”. Nós não esperamos que isso mude como alguém usa o Twitter [...]. (STONE, 2009, tradução nossa). Esse fato confirma a ideia de Recuero (2009) de que as redes sociais não sãoestáticas, elas são dinâmicas e sofrem constantes transformações pelos desenvolvedores da10 Também chamado de retuitar.11 www.twitter.com/biz
  • 36rede e, até mesmo, pelas adaptações dos usuários. Observa-se que a pergunta do Twitter nãoestava mais adequada às necessidades dos usuários do microblog, por isso houve a mudança.Além dos próprios desenvolvedores confirmarem, estudos de Mischaud (apud ZAGO, 2010)constataram que a maior parte dos twitteiros não responde à pergunta proposta pelo Twitter,eles utilizam o serviço para fins diversificados e à medida que a base de usuários aumenta,surgem novos usos. A seguir, observa-se na página inicial do Twitter seu slogan: “siga o que mais lheinteressa”: Figura 6 – Página inicial, slogan do Twitter. Fonte: < http://twitter.com/>>. Acesso em: 24 jun. 2011. Assim, o Twitter além de ser utilizado como ferramenta de comunicação entre os“amigos”, também vem sendo amplamente usado na difusão de informações de “interesses”diversos, como políticos, publicitários, jornalísticos. Silva completa essa ideia ao mencionarque (2009, p. 80): O Twitter se apresenta também como espaço para as celebridades afirmarem sua fama; para as empresas manterem contato com seus clientes e fornecedores; para os políticos conversarem com seus eleitores; para os órgãos públicos publicarem informações aos cidadãos e para as pessoas comuns se manterem em contato com todo esse universo de informação.
  • 37 Portanto, a utilização do Twitter não se restringe a registros pessoais ou ainteração entre amigos, vai além disso. O serviço possibilita a publicação de textos livres (nãodirecionados a alguém), e a publicação de tweets direcionados a um público específico. As redes sociais tradicionais têm propósitos bem definidos estabelecidos peloserviço, como o Orkut para relacionamentos. O Twitter, porém, não. Como já citado porStone anteriormente, o modelo do Twitter é “fundamentalmente aberto”, isto é, a falta delimitações de como utilizá-lo acaba “abrindo um leque” de novas possibilidades. Dessa forma,acredita-se que o sucesso do Twitter decorre da liberdade que os usuários têm para descobrirnovas utilidades para o serviço que não foram previstas originalmente (SPYER et al, 2009). A maior parte das ideias expostas até o momento é englobada por esta metáfora:“O Twitter lembra uma praça onde ambulantes, artistas, pastores e transeuntes se encontram ese misturam.” (Ibid., p.80). E nessa praça pública, queremos dar destaque aos artistas,especificamente aos escritores. Dentre as várias utilizações do Twitter, a mais relevante para onosso estudo é a possibilidade de publicação literária por meio desse serviço. A seguir uma criativa definição do Twitter: Figura 7 – Definição do Twitter de Marcelo Tas. Fonte: <http://twitter.com/#!/VideosdoTas/statuses/25454018546 /> . Acesso em: 24 jun. 2011.
  • 38 O "Jornalista, comunicador e extra-terrestre" Marcelo Tas12 tweetou essa inusitadadefinição do Twitter (o tweet da Figura 7 foi publicado por fãs do autor13) que nos faz refletirsobre os artistas, podemos supor os escritores, que “cutucam as mentes e corações” dosleitores twitteiros. Tendo em mente os aspectos de Literatura e Twitter abordados até o momento,entraremos no mundo da Twitteratura, no qual - aproveitando a fala de Marcelo Tas - “Em140 toques ou menos, a imaginação é o limite”.12 www.twitter.com/MarceloTas13 www.twitter.com/VideosdoTas
  • 394 TWITTERATURA4.1 CONCEITUAÇÃO Até o momento abordamos alguns aspectos da Literatura e do Twitterisoladamente. Neste capítulo, far-se-á uma aproximação de ambos para conceituar o quechamamos de Twitteratura14. Esse termo foi usado pela primeira vez pelos estudantes Alexander Aciman eEmmett Rensin, que publicaram no Twitter adaptações de obras clássicas da literaturamundial em 140 caracteres. Posteriormente, os tweets dos norteamericanos foram reunidos nolivro Twitterature: The Worlds Greatest Books Retold Through Twitter, em português“Twitteratura: os melhores livros do mundo recontados pelo Twitter”, lançado em 2009. Os autores fazem paródias de grandes clássicos, como Jane Austen, Shakespeare,Homero, Ernest Hemingway, em tweets inusitados. Como este de Hamlet: “Por que, Cláudio,está me dizendo o que fazer, de novo? Você não é meu verdadeiro pai! Na verdade vocêmatou meu verdadeiro pai...” (ACIMAN; RENSIN, tradução nossa). A seguir a capaestadunidense do livro: Figura 8 – Capa do livro Twitterature Fonte: < http://www.twitterature.us/us/index.htm/> . Acesso em: 14 maio 2011.14 Também chamada de Tuiteratura.
  • 40 Observando a Figura 8, percebe-se que para Aciman e Rensin Twitteratura seria a“aglutinação de ‘twitter’ e ‘literatura’, releituras bem humoradas de clássicos da literaturapara o pensamento do século XXI, em porções digestíveis de 20 tweets ou menos.” (traduçãonossa). Ainda que conceituemos a Twitteratura como a união dos termos Twitter eLiteratura conforme Aciman e Rensin, o conceito de Twitteratura proposto nesse trabalho édistinto, por ser mais abrangente. Consideramos Twitteratura todos os textos literáriospublicados no Twitter. Ou seja, não apenas adaptações ou recriações de obras clássicas, mastoda e qualquer arte literária que ocorra na twittosfera15. Como ressaltamos no capítulo anterior, o Twitter registrou um grande aumento deusuários no Brasil nos últimos anos, expandindo as potencialidades da ferramenta. SegundoCordeiro e Campos (2010, p. 9-10), o Twitter é: um verdadeiro fenômeno digital, que virou mania, compulsão mesmo, de muitos internautas, que, além de divulgação de links e frases, iniciaram, no resumido espaço de 140 dígitos (ou toques) a divulgação de frases e versos que revelavam visível valor literário [...] Constitui um verdadeiro desafio, pois é necessário amalgamar concisão, originalidade e beleza, a exemplo de consagradas formas literárias como a milenar Haikai. Mesmo sendo uma ótima ferramenta para publicação dessas obras concisas, oTwitter não é um bom suporte para registro de textos. Não é possível, por exemplo, organizá-los por categorias: a ordem é sempre do mais recente ao mais antigo. E pior, é difícilencontrar tweets antigos, durante a busca só são exibidas as mensagens das últimas semanasou meses, e o microblog apaga as mensagens muito antigas. Além disso, qualquer usuáriopode deletar seus próprios tweets. Sendo assim, a Twitteratura não se constitui de um acervo de textos, ela é umfluxo de obras literárias para serem lidas no momento da publicação. É possível lê-las depois,porém a falta de possibilidade de organização e de uma busca simples e eficiente desestimulaessa prática. Por isso, algumas antologias de tweets são formuladas no bom e velho formatode livro, para que nada seja perdido. Alguns autores também usam os blogs para registraremseus textos. Deste modo, nos próximos subtítulos, nós trataremos dos autores, leitores, obras egêneros presentes na Twitteratura. No entanto, deve-se levar em consideração que esse15 Também chamada de tuitosfera.
  • 41trabalho não almeja abordar toda a Twitteratura brasileira. Essa tarefa, aliás, seria impossível,pois lidamos com uma rede social que está em constante transformação: a cada momento háum novo tweet literário, surgem novas iniciativas, novos gêneros, autores. Em contrapartidatweets são apagados, ou não vistos, escritores esquecidos ou nunca conhecidos.4.2 ASPECTOS DA TWITTERATURA Pode-se equivocadamente pensar que, por não ser uma boa plataforma pararegistro de textos, a Twitteratura não é digna de um estudo acadêmico. Entretanto, aefemeridade também é característica de um gênero consolidado na Literatura: a crônica. A Twitteratura e a crônica são escritas para serem lidas no momento de suapublicação: a crônica tende a ser lida no mesmo dia, pois o jornal é geralmente publicadodiariamente; no caso da Twitteratura, para ser lida naquele momento, pois em pouco temponovos tweets ocuparão aquele espaço. Por isso, muitas antologias de tweets são organizadas,assim como acontece com a crônica. Deste modo, segundo Sá (2001, p.10), a crônica quando publicada em um jornal,dirige-se “inicialmente a leitores apressados, quem lêem nos pequenos intervalos da lutadiária, no transporte ou no raro momento de trégua que a televisão lhes permite.” O leitor daTwitteratura não é apressado, é apressadíssimo, ele pode ler os tweets literários em qualquerlugar em seu computador portátil ou em seu celular, em meio à imensidão de notícias que sãopublicadas na rede social, assim como a crônica vem em meio às notícias do jornal. O espaço limitado imposto pelo Twitter também não é uma novidade, os folhetinse as crônicas também têm seu espaço delimitado no jornal: uma vez que a página comporta várias matérias, o que impõe a cada uma delas um número restrito de laudas, obrigando o redator a explorar da maneira mais econômica possível o pequeno espaço de que dispõe. É dessa economia que nasce sua riqueza estrutural. (SÁ, 2001, p. 8). “O pequeno espaço” que dispõe um cronista tradicional é de geralmente umapágina, espaço que é muito menor no Twitter, ou seja, a “maneira mais econômica possível”que um cronista tem de explorar, há de ser muito mais econômica no microblog. A habilidadede concisão deixa de ser um diferencial e passa ser obrigação. E essa opção por textos curtos
  • 42não é apenas do leitor e sua pressa, cada vez mais escritores aderem à literatura curta.Vejamos como Henry Alfred Bugalho16 trata esse tema dentro de um de seus microcontos: Poder de síntese Antes, escrevia 200 páginas sem pestanejar; hoje, se chega a 200 caracteres já começa a ter dores-de-cabeça. (BUGALHO, 2009a, p.25). Pode-se ter duas interpretações do seguinte trecho desse microconto: “se chega a200 caracteres já começa a ter dores-de-cabeça.” Na primeira, a personagem começa a terdores-de-cabeça por estar escrevendo muito, chegar a 200 caracteres seria cansativo. Nasegunda interpretação possível, a personagem estaria com dores-de-cabeça por chegar a 200caracteres, ultrapassando o limite do Twitter, tendo que reformular a ideia para que caiba nos140 caracteres máximos da rede social. O autor tem de lidar com essa limitação de espaço, precisando às vezes mudaruma palavra ou descartar uma ideia por não caber em 140 caracteres. Há um escritor quelevou a limitação ao extremo. Edson Rossatto17 publica todos os dias em seu Twitter umnanoconto de 100 caracteres. Não se tratam de histórias de até 100 caracteres, mas com exatoscem caracteres: “Cem Toques Cravados”, como o próprio autor intitula seu trabalho. Mas como o autor sintetiza uma ideia em cem toques exatos? Vejamos umnanoconto do autor, que não está com 100 caracteres: Micro-ondas “Queimou, e minhas meias continuam molhadas.” (ROSSATTO, 2010). O nanoconto tem 56 caracteres. Observa-se que Rossatto sintetizou a ideia omáximo possível, deixando o leitor completar os sentidos da história, como Hemingwayexplica em sua teoria do iceberg. Contudo, o autor aproveitou a ideia para seu Twitter@cemtoques18. Comparemos as versões:16 www.twitter.com/henrybugalho17 www.twitter.com/edsonrossatto e www.twitter.com/cemtoques18 www.twitter.com/cemtoques
  • 43 Figura 9 – Nanoconto “Micro-ondas” em cem toques cravados. Fonte:< http://twitter.com/#!/cemtoques/status/63217888189882368> . Acesso em: 30 mai. 2011. Nota-se que na segunda versão, em cem toques cravados, o autor dá maisinformações sobre a história, diminuindo o trabalho do leitor em completar os significados.Rossatto incluiu várias palavras “desnecessárias” para que o texto ficasse em 100 caracteres; otexto deixou de ser em primeira pessoa e se tornou um diálogo; o autor trocou uma palavra-chave do texto (molhadas) por outra semelhante (úmidas), por ter dois caracteres a menos. Quando a qualidade deixa de ser prioridade para que o texto se encaixe em suaslimitações, é a forma se sobrepondo ao conteúdo. Essa é uma característica de todos os textosda Twitteratura, embora no caso de Rossatto aconteça de uma maneira mais extrema. Porém,a forma sobre o conteúdo não é uma característica exclusiva da Twitteratura, pois quantosautores canônicos não tiveram de alterar suas ideias para que seu texto se encaixasse namétrica, na rima, no ritmo, na quantidade de versos do soneto ou ainda no tamanho da páginado folhetim? No entanto, essa característica não representa uma má qualidade dos textos,como podemos observar na afirmação de Sá sobre o curto espaço da crônica: “É dessaeconomia que nasce sua riqueza estrutural.” (2001, p. 8). Mesmo com essa quantidade limitada de espaço para os autores da Twitteratura,observamos que estes não utilizam abreviações em suas obras, ainda que na internet essa sejauma prática comum. Há alguns casos isolados em que o escritor opta pelas abreviações dointernetês e em outros casos até ocorrem abreviações, mas que se tratam de uma representaçãoda linguagem informal, como neste trecho do livro @re_vira_volta, um romance publicadoprimeiramente no Twitter:
  • 44 Tá perdido? Ei, parece que tá dormindo um sono profundo. E esses espasmos, o que eles significam? (LEMOS, 2010, p. 33). O uso do “tá” já é comum no âmbito literário fora do Twitter em textos maisinformais. Além disso, podemos verificar que a palavra “que” não é abreviada pelo autor(“q”), forma muito frequente na internet. A esse respeito: Seabra vê na limitação de espaço um incentivo à criatividade, embora desaprove o uso de abreviações. Para ele, usar "vc” em vez de "você” pode ser válido no processo de comunicação, mas condenável na tuiteratura. (MURANO,2010, p.43). Além do internetês, também é comum na Web e nas redes sociais a presença deimagens, músicas e vídeos, juntamente com os textos. Todavia a Twitteratura é compostaexclusivamente pela linguagem verbal, o que, segundo Camila Franco Monteiro, explica aadesão de escritores ao Twitter: Diferentemente de outras redes sociais, como o YouTube, de blogs e da televisão, que estimulam uma linguagem menos verbal e mais imagética, o twitter é essencialmente uma linguagem escrita que abre espaço para a criação literária propriamente dita. (SPATUZZA, 2011, p. 26-7). Mesmo sendo unicamente verbal, o Twitter não dispõe de algumas ferramentas deedição de texto, como mudar fonte, cor e tamanho da letra, ou até mesmo pular uma linha.Vejamos o poema de Sérgio Bernardo19: CICLO - O menino come terra / depois / a fome de sempre / e a terra come o menino (CORDEIRO; CAMPOS, 2010, p. 197). Pode-se observar que o autor usa a barra para indicar que o trecho seguinte seriauma linha abaixo, se publicado em outra plataforma. O título “CICLO” está em caixa alta,pois não há como centralizar palavras, nem como as colocar em negrito ou itálico. Esses sãoalguns recursos que os autores utilizam para vencer essas limitações, no entanto algunsescritores não colocam título. Para demonstrar que se trata de um verso novo utilizam letramaiúscula (mesmo quando não há ponto final) ou apenas usam a pontuação para marcar oritmo, como neste poema de Fernando José Ribeiro Júnior20:19 www.twitter.com/Sempoesianaoda20 www.twitter.com/FernandoPlan
  • 45 O corpo descansa apodrecendo, O mundo girando ainda se move. As flores em volta vão crescendo, Deixando que a vida se renove. (Ibid., p. 105) A ausência de título em algumas obras da Twitteratura não indica necessariamenteum recurso para que o texto caiba em 140 caracteres. Para comprovar, vejamos o haicaiabaixo de Carlos Seabra21, que assim como muitos haicais de Leminski, não tem título: No despenhadeiro / a sombra da pedra / cai primeiro. (CORDEIRO; CAMPOS, 2010, p. 21). Esse texto contém apenas 52 caracteres, ou seja, sobraram 88 caracteres para queo autor incluísse um título, o que ele optou por não fazer. Sendo assim, como características do próprio Twitter, as opções para a construçãodo texto são democráticas e variadas, ficando a cargo do escritor escolher as mais eficientespara que o leitor melhor entenda seu texto. Essa relação entre leitores e escritores serádiscutida detalhadamente na seção seguinte.4.3 ESCRITORES E LEITORES Como mencionado no terceiro capítulo, o Twitter só existe em função dosusuários que estabelecem conexões de troca, consequentemente, só há Twitteratura em funçãoda interação de escritores e leitores. Portanto, neste subtítulo tentaremos descrever um perfilgeral de escritores e leitores brasileiros de Twitteratura. Pesquisas demonstram que a maior parte dos usuários brasileiros do Twitter sãojovens que vivem no mundo da internet, eles conhecem e utilizam as ferramentas da web: As pessoas que aderiram ao Twitter são predominantemente usuários avançados da web, 59% possui blogs, passa em média 46 horas por semana acessando a rede. É um público jovem, 65% entre 21 e 30 anos, e qualificado: 80% está estudando, tem diploma universitário ou pós. (SPYER et al, 2009, p. 90). Se o público do Twitter é predominantemente jovem, podemos considerar que osleitores e escritores da Twitteratura também o são. “Marcelino Freire acredita no potencial do21 www.twitter.com/cseabra
  • 46Twitter para difundir a literatura e estimular a escrita literária entre os usuários,principalmente entre os mais jovens.” (SPATUZZA, 2011, p. 26). Percebe-se também que os leitores do século XXI vivem em ritmo acelerado:“O sujeito moderno não pode perder tempo, que tem sempre de aproveitar o tempo [...] quetem de seguir o passo veloz do que se passa, [...] e por essa obsessão por seguir o cursoacelerado do tempo, este sujeito já não tem tempo.” (LAROSSA, 2002, p. 23). E por ser curta,ser lida em alta velocidade e ocupar pouco tempo, a Twitteratura se adapta perfeitamente avida cotidiana desses leitores. A esse respeito, Rossatto (2010, p.10) brinca com seus leitores no prefácio de umde seus livros: “Divirta-se! E nunca mais diga que não tem tempo para ler. Com textos tãocurtos, isso já é desculpa do passado...” Além de terem uma rotina acelerada, os leitores modernos convivem com váriasinformações. O próprio Twitter é utilizado para diversos fins, como fonte de notícias,entretenimento, relacionamento, e não apenas literário. Semelhante ao jornal, o Twitteroferece muitas informações, trata de vários assuntos e a literatura ocupa uma parcela do que épublicado no microblog. Mas como os leitores encontram a Twitteratura nesse fluxo de informaçõesvariadas? Comparemos novamente com a crônica que se encontra no jornal. O leitorinteressado em lê-la pode ir direto a sua página, pulando as outras seções (política, economia,entretenimento etc.) ou ler todo o jornal, inclusive a crônica, assim como o leitor daTwitteratura pode optar por seguir apenas perfis literários ou mesclá-los com outrosinteresses. Observamos que muitos usuários leitores não só seguem escritores e perfis queabordam aspectos literários, como também se utilizam de hashtags. Encontramos as hashtagsliterárias: #microconto, #miniconto, #curtaconto, #poesia, #poema, #poeminuto, #haikai,#haicai, #haiku, #literatura, #letras365. Dentre essas, a hashtags #letras365, criada por Giselle Zamboni22 em 2011,ganhou destaque na twittosfera: cerca de 200 tweets por dia são publicados com ela.Observamos que essa hashtag promove a interação de escritores, leitores e colaboradores,sendo utilizada para citar criações próprias ou não (poemas, microcontos, trecho de obras),compartilhar notícias importantes do mundo das letras, tais como concursos, festas literárias,feiras, artigos e até dar dicas de livros, blogs, sites.22 www.twitter.com/gisellezamboni
  • 47 Além disso, ocorreu no dia 11 de junho de 2011, o I Sarau Literário via Twitter,organizado por Renan Osvaldo Pacheco23, Daniele Souza Freitas24 (ambos autores dessetrabalho) em parceria com Giselle Zamboni. O evento foi criado para reunir escritores eleitores da Twitteratura, um momento com hora marcada, das 19h às 21h, para divulgar eapreciar criações literárias de 140 caracteres. Para participar do sarau, bastava publicar umtweet com a hashtag #sarauletras365, retweetar ou comentar outro durante o horárioestabelecido. Tendo o sarau como base, podemos ter uma ideia de quantas pessoas utilizam oTwitter para a Literatura, pois foi registrada a participação de 324 perfis de Twitter,distribuídos entre 24 estados brasileiros e o Distrito Federal, mais dois participantes quetweetaram do exterior. Durante o sarau, foram postados 2316 tweets literários, excluindo oscomentários e os retweets. O evento ficou nos Assuntos do Momento (também chamado deTópicos de Tendência, no canto direito da Figura 10) do Brasil praticamente do começo aofim. Na imagem a seguir, observamos a hashtag #sarauletras365 em terceiro25 lugar: Figura 10- I Sarau Literário via Twitter nos Assuntos do Momento. Disponível em: < http://bit.ly/iuvGML > Acesso em : 11 jun. 2011. Contudo a interatividade não ocorre somente com o uso de hashtags e em sarausliterários via Twitter, ela é uma das principais marcas do microblog. Foi-se o tempo em que23 www.twitter.com/renanrop24 www.twitter.com/Daniele_SF25 O tópico “#PinkisFreedom” é promovido pelo Twitter, ou seja, não significa que ele é o assunto mais comentado naquele momento.
  • 48só se conhecia o escritor pela foto acompanhada de uma breve biografia na orelha do livro,como afirma Samir Mesquita numa entrevista para o programa entrelinhas (2009). O Twitteraproxima os escritores de seus leitores e estimula o diálogo. Um leitor pode seguir um escritore descobrir suas preferências, algumas curiosidades de sua vida, pode também se comunicarcom ele através de mensagens diretas ou menções. Nesse âmbito, vale ressaltar a democratização da literatura. No Twitter, que é umserviço totalmente gratuito, os leitores têm grande acessibilidade aos textos literários. Bastaseguir um escritor e seus textos e, à medida que forem publicados, aparecerãoautomaticamente no histórico do leitor. Outro aspecto interessante da Twitteratura é que, algumas vezes, não há distinçãoentre leitores e escritores. Um indivíduo pode exercer os dois papéis simultaneamente,publicando seus textos e também lendo os de outros usuários. Essa característica é fruto dademocratização criada pelo Twitter. O serviço possibilita que qualquer indivíduo compartilhe seus textos literárioscom outras pessoas, isso sem nenhum custo, prejuízo, restrição ou curadoria. Freire confirmaessa ideia ao afirmar que “o twitter é lúdico e significa que hoje você não precisa demediadores para a sua produção, não precisa de alguém que classifique como escritor”(SPATUZZA, 2011, p. 26). Então muitos escritores amadores ou profissionais aproveitam esse espaço de 140caracteres para propagar suas criações literárias. Alguns escritores profissionais como MillôrFernandes26 e Marcelino Freire27 já escreviam de maneira sucinta e apenas aderiram aoTwitter. Outros como Fabrício Carpinejar28 e Edson Rossatto passaram a publicar textoscurtos ao ingressarem no Twitter, adequando sua escrita aos 140 caracteres permitidos. Entretanto deve-se fazer uma diferenciação entre os escritores que realmentepublicam seus textos no Twitter e os que utilizam o serviço para divulgação de seus livros,promoção pessoal entre outros fins. Nesse trabalho buscamos caracterizar os escritores daTwitteratura como os usuários que utilizam os 140 caracteres para criação literária, nãoimportando se o autor é amador ou profissional.26 www.twitter.com/millorfernandes27 www.twitter.com/MarcelinoFreire28 www.twitter.com/CARPINEJAR
  • 494.4 GENÊROS TEXTUAIS NO TWITTTER Alguns aspectos da Twitteratura não se aplicam a todos os textos e merecem serabordados separadamente. Poesias e contos, por exemplo, tem características diferentes.Levando isso em consideração, faremos uma abordagem de alguns gêneros textuais presentesno Twitter. Gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na interação de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. (MARCUSCHI, 2008, p. 155) Além de compreender o gênero como texto concreto, situado histórico esocialmente, que serve de instrumento comunicativo como forma de ação social, Marcuschi(2002) ressalta que eles são inúmeros, sendo impossível uma classificação completa de todosos gêneros textuais existentes. Os gêneros também não são estanques, mas sim mutáveis: São de difícil definição formal, devendo ser contemplados em seus usos e condicionamentos sócio-pragmáticos caracterizados como práticas sócio- discursivas. Quase inúmeros em diversidade de formas, obtêm denominações nem sempre unívocas e, assim como surgem, podem desaparecer. (MARCUSCHI, 2002, p. 20) Ressalta-se, no presente trabalho, que não há pretensão de estabelecermosnomenclaturas fixas aos textos abordados. Até porque, segundo o autor, os gêneros textuais“são de difícil definição formal”. Nas últimas décadas, com o desenvolvimento de grandes suportes tecnológicos dacomunicação, tal como a internet, surgiram formas discursivas novas, criaram-se novosgêneros textuais. Contudo “Seguramente, esses novos gêneros não são inovações absolutas,sem uma ancoragem em outros gêneros já existentes. [...] A tecnologia favorece o surgimentode formas inovadoras, mas não absolutamente novas.” (MARCUSCHI, 2002, p. 20). Assim, pode-se dizer que alguns gêneros já existentes, como o microconto,transformaram-se com o advento da internet e especificamente do Twitter, mudando certascaracterísticas, porém não sua essência. Uma dessas características é o suporte. Enquanto no passado os microcontos erampublicados apenas em papel impresso e talvez não chegassem às mãos de muitos leitores
  • 50(apenas receptivos), hoje eles podem ser publicados no Twitter e ganhar inúmeros leitoresinterativos. Segundo Marcuschi (2002, p. 21) “haverá casos em que será o próprio suporte ouo ambiente em que os textos aparecem que derterminam o gênero presente.” Percebe-se então que não haverá Twitteratura fora do Twitter, pois o suporte dessemicroblog traz novas características aos textos que circulam nesse âmbito. Entre os gênerostextuais presentes no Twitter, destacaremos os que tenham caráter literário, abordando-osseparadamente nos próximos subtítulos.4.4.1 Poeminuto, haicai e aforismo Os gêneros que circulam no Twitter são semelhantes aos que circulam fora doTwitter, desde que o texto ou parte dele caiba em 140 caracteres. Brito, no prefácio do livrode Oswald de Andrade, chama os textos deste de poemas-minuto, micropoemas, ouminipoemas (ANDRADE, 1971). Na Twitteratura, os usuários têm usado uma aglutinação doprimeiro termo: “poeminuto”, provavelmente por “gastar” menos caracteres. Vejamos estetweet de André Luís Gabriel: Figura 11 – Poeminuto de André Luís Gabriel Disponível em: http://twitter.com/#!/gabriel_andre/status/78053049070915584 Acesso em : 14 jun. 2011
  • 51 O próprio autor classifica seu texto de “poeminuto”, utilizando uma hashtag paramarcá-lo. Deste modo, quem fizer uma busca por “poeminuto” no Twitter, encontrará o textoacima. Pode-se observar na obra outras características dos poemas, como a rima, a divisão porversos - demarcada pelas barras - e a presença do lúdico no trecho “(p)alma”, que, com umaletra em parênteses, transforma-se em duas palavras: “palma” e “alma”. Assim como na Literatura fora do microblog, na Twitteratura há também poemassem rima, métrica, título. Lembrando que no Pós-Modernismo, período que vivenciamos, nãohá a predominância de nenhum estilo ou corrente: todos os recursos estão disponíveis para oautor utilizar em seus textos. O texto a seguir não é dividido em versos, nem tem título ou rima e até contémduas ações, o que caracterizaria uma narrativa. No entanto, o lirismo é tão forte que o tweetpode ser chamado também de poeminuto: Figura 12 - Poeminuto de Denison Mendes Disponível em: http://twitter.com/#!/denisonmendes/status/79690882147815424 Acesso em: 16 jun. 2011
  • 52 É interessante lembrar que, assim como o texto de Denison Mendes29, a obra deOswald de Andrade tinha esta característica: a mistura de elementos narrativos aos poemas.Percebe-se que o autor não usou uma hashtag para marcar seu poema quanto ao gênero, háapenas a hashtag do I Sarau Literário via Twitter, “#SarauLetras365”, pois esse poeminutofoi publicado durante esse evento. No caso dos poemas, há obras de todos os tamanhos no universo literário, emborana Twitteratura só possam ser publicados textos de até 140 caracteres. Ao contrário doshaicais, que não alteram suas características ao serem publicados no Twitter, pois o gênero játem como característica original a concisão. Há no Twitter haicais poéticos e reflexivos comoos de Leminski, até haicais de humor e ironia como os de Millôr. Aliás, o autor MillôrFernandes tem uma conta no Twitter, na qual publica seus textos, como este: Figura 13 - Haicai de Millôr Fernandes Disponível em: http://twitter.com/#!/millorfernandes/status/16494422993 Acesso em: 16 jun. 2011 No haicai acima, não há a métrica original desse gênero, mas há a presença darima. Millôr Fernandes também utiliza uma hashtag, “#haicai”, para marcar seu texto. Pode-29 www.twitter.com/denisonmendes
  • 53se observar também a popularidade do autor: 62 pessoas retweetaram o texto, ou seja,dezenas de pessoas quiseram compartilhar com seus seguidores a obra lida. Millôr Fernandes e outros autores de haicais encontraram no Twitter uma perfeitaplataforma para a publicação desse gênero. Autores que não são muito conhecidos tambémpublicam seus haicais no microblog, como fez Sônia Maria Carriel Brandão30: De tanto olhar o ninho / nos meus olhos / nasceram pássaros. (CORDEIRO; CAMPOS, 2010, p.37). No haicai de Brandão não há métrica nem rima, ilustrando o quanto ascaracterísticas de um gênero são flexíveis, tendo em vista a forma original do haicai. Entre os poemas e microcontos, há outro gênero que está presente na Twitteratura,o aforismo. De acordo com o dicionário Aurélio, aforismo é uma: “Sentença moral breve econceituosa” (FERREIRA, 2008, p.100). Na Twitteratura, os aforismos funcionam comofrases poéticas, filosóficas e/ou bem humoradas dos mais variados assuntos. O escritor Fabrício Carpinejar se destaca nesse gênero. Ele já era escritor antes doTwitter, mas não era adepto da literatura curta, nem se interessava em participar da redesocial. Porém, o autor mudou de ideia. Carpinejar afirma (2009, p. 8): “Percebi que 140caracteres são o suficiente para sangrar”. O autor declara que um tweet é o bastante para sangrar, contudo ele explora osmais variados temas, fazendo o leitor se encantar, refletir ou simplesmente rir. Vejamos umtexto do autor: Quem confessa os erros não significa que está arrependido, pode estar se antecipando à crítica. (2009, p.11). No prefácio de sua antologia de tweets, Carpinejar explica porque ele se adequouao Twitter (2009, p. 8): “Podia explorar as frases de efeito, bagunçar as veias [...]. Consistianuma chance de exercitar a densidade, a sentença filosófica, o provérbio, a rasteira, orelâmpago.” Essa densidade, sentença filosófica, pode ser vista no tweet a seguir, pois o autor“dá uma rasteira” em quem acha que está fazendo bem, quando assume que seu amor éverdadeiro:30 www.twitter.com/smcbrandao
  • 54 Amor verdadeiro é redundância. Ou é amor ou é nada. (CARPINEJAR, 2009, p. 18) Outro traço marcante dos aforismos de Carpinejar é revelar um pensamento oucondição humanos que ninguém quer expor: Tarado é todo homem que decidiu falar a verdade. (2009, p. 39) Com esse estilo irreverente de texto, Carpinejar conquistou seu espaço no Twittere se tornou um dos escritores brasileiros mais populares da rede social: ele tem mais de 109mil seguidores no microblog. Comprovemos a popularidade do autor, observando o númerode retweets que recebeu o texto a seguir: Figura 14 – Aforismo de Carpinejar Disponível em: http://twitter.com/#!/CARPINEJAR/status/82202521195651072 Acesso em 20 jun. 2011 O Twitter só conta os retweets até 100, ou seja, o texto acima foi retweetado pormais de 100 usuários do microblog, o que comprova o quão popular é Carpinejar. Entretanto,
  • 55o escritor gaúcho não é o único autor de aforismos na Twitteratura, vejamos este tweet doescritor Marcelo Melo Soriano31: Figura 15- Aforismo de Marcelo Soriano Disponível em: http://twitter.com/#!/euHOJE/status/79698267746742272 Acesso em 20 jun. 2011 O aforismo de Soriano é mais um exemplo de texto que foi publicado no#SarauLetras365. Escrito por Carpinejar, Soriano ou qualquer outro autor da Twitteratura,muitas vezes poeminuto, aforismo e microconto se misturam. O texto abaixo apresenta umasequência de acontecimentos, ou seja, uma narrativa, porém ela tem um caráter irreverente ereflexivo, típicos dos aforismos do autor: De tanto roubar cigarros uns dos outros, os fumantes finalmente foram pegos. Condenados a prisão domiciliar. (CARPINEJAR, 2009, p. 43) Mesmo com essa mistura dos gêneros, decidimos abordar os microcontosseparadamente, por apresentar algumas características peculiares. Desta forma, no subtítuloseguinte, discorreremos sobre as narrativas escritas no limite dos 140 caracteres.31 www.twitter.com/euHOJE ou www.twitter.com/euFRASE
  • 564.4.2 Microconto As narrativas de até 140 caracteres ocupam uma grande parcela do que épublicado na Twitteratura. Assim como acontece com os haicais, os autores de microcontosencontram no Twitter uma perfeita plataforma para publicação de seus textos, e há, ainda,alguns casos em que o escritor passou a escrever nanocontos influenciado pelo Twitter.Histórias em até 140 caracteres são publicadas diariamente no microblog. Os twitteiros exploram diferentes temas e estilos em seus microcontos, todavia ohumor é uma característica presente em muitos dos nanocontos da Twitteratura. No conto aseguir de Erik Kurkowski Weber32, o autor explora as palavras “futuro/pretérito” em situaçõesdistintas, para dar ao texto um caráter humorístico: Nunca se sabe o futuro; mas se sabe menos ainda o pretérito perfeito do subjuntivo. (BUGALHO, 2009a, p.10) Além do humor, muitos microcontos da Twitteratura exploram o ludismo,vejamos esta obra de Carlos Emílio Faraco33: Quando sentiu que podia ser livre, leve e solto o chão estava quase chegan... (GOLDFARB, 2010, p.28) A supressão das duas últimas letras da palavra “chegando” representam que apersonagem chegou ao chão. Aliás, o tema suicídio, mais especificamente os casos em que sepula de um lugar alto, é comum na Twitteratura, talvez por representar um instante rápido,que seja adequado para se narrar num microconto. Vejamos outro exemplo, de Paulo Fodra34: Observava admirada as janelinhas passando depressa. Que lindo! Devia ter se jogado de um prédio mais alto... (GOLDFARB, 2010, p.19, 2010) O lúdico e o humor são usados para abordar assuntos cotidianos, um caso desuicídio ou até mesmo uma crítica social. Observemos como Wilson Gorj35 aborda a situaçãodos moradores de rua:32 www.twitter.com/asdecopas200033 www.twitter.com/carlosemilio34 www.twitter.com/paulofodra35 www.twitter.com/wgorj
  • 57 DIÁLOGO SOB UM VIADUTO| _ Que papelão, hein, filha?! / Desculpa, mãe. Foi o único que encontrei no lixo. (GOLDFARB, 2010, p.17) Gorj optou pelo humor e pela ambiguidade da palavra “papelão” para fazer umacrítica social, porém os textos humorísticos não são os únicos a circularem na Twitteratura.Samir Mesquita36 aborda a solidão e a morte neste conto sem traços humorísticos: Figura 16- Microconto de Samir Mesquita. Disponível em: http://twitter.com/#!/samirmesquita/status/38277073176887296 Acesso em: 15 jun.2011. Mesmo havendo diversidade nos microcontos, nem todos os estilos podem seradaptados à narrativa curta, Tiago Moralles37 trata disso em um de seus microcontos: Nunca dava tempo de assustar ninguém com os microcontos de terror. (GOLDFARB, 2010, p. 16) Há autores que conseguem criar um pouco de suspense em seus microcontos, masnão o suficiente para “assustar” alguém, como num conto de terror tradicional. Característica muito importante na construção de microcontos, a intertextualidadeestá presente em muitos textos, não importando o tema ou o estilo, se o autor incluir outros36 www.twitter.com/samirmesquita37 www.twitter.com/tfmoralles
  • 58textos junto ao seu, sua obra vai muito além dos 140 caracteres possíveis. Fábio Coelho38trouxe para um de seus textos, uma cantiga infantil, transformando-a numa narrativa: O homem bateu na porta e ela abriu. Eram vários senhores e senhoras, pulando de um pé só e pondo a mão no chão. (BUGALHO, 2009a, p.19) Esses microcontos apresentados são publicados no Twitter pelos autores sem horamarcada ou periodicidade definida, exceto em alguns casos como no de Edson Rossatto quepublica um nanoconto em cem toques cravados todo dia, ou no caso do I Sarau Literário viaTwitter. Marcelino Freire, organizador da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros doSéculo, já escrevia microcontos antes do Twitter, e propôs-se um desafio: publicar nomicroblog 1001 “contos nanicos”, como o autor os chama, para depois publicar numaantologia. Vejamos o 153º conto nanico do autor: Figura 17- Conto nanico 153 de Marcelino Freire Disponível em: http://twitter.com/#!/MarcelinoFreire/status/27836702269636608 Acesso em 08 jun. 2011 Marcelino Freire, em poucos caracteres, consegue dar uma reviravolta no final dahistória. O filho revelando à mãe sua homossexualidade já seria um conflito interessante paraser tratado num microconto, contudo Freire vai além, adicionando à história um caso de38 www.twitter.com/fabioccoelho
  • 59incesto. Outro detalhe interessante é o número de pessoas que retweetaram o nanoconto deFreire: 21 pessoas. Esses twitteiros quiseram compartilhar com seus seguidores o que leram,ilustrando o alcance da Twitteratura e o retorno que o autor recebe instantaneamente de seusleitores. Pode-se concluir a partir dessa abordagem que os temas e estilos dos microcontosda Twitteratura são variados, assim como são variados nos contos tradicionais. O que muda éseu tamanho e plataforma de publicação, o que não significa menos intensidade.4.4.3 Prosa além de 140 caracteres Os microcontos e poemas apresentados nos subtítulos anteriores tinham seu inícioe fim dentro dos 140 caracteres de um tweet. Entretanto, na Twitteratura, também existemproduções literárias que ultrapassam os 140 caracteres, sendo compostas de vários tweets. É ocaso de adaptações de romances já publicados, ou até de criações de romances e históriascoletivas no Twitter. A primeira iniciativa brasileira de adaptação de um livro publicado em meioimpresso ocorreu em 2009, e foi feita pelo próprio autor da obra Santos Dumont número 8,Cláudio Soares39, que no site de seu projeto explica: O que eu estou fazendo? Twitterizando um romance [...] Twitterização [de "twitterization"] é o termo que está sendo usado nos EUA para indicar a serialização de textos maiores, como um romance, por exemplo, através do Twitter. [...] A adaptação de um romance para uma rede social, como o Twitter, deveria considerar os recursos próprios desse meio. Não se trata aqui de um mero copiar-e-colar de pequenos trechos de 140 caracteres e (depois de mais de 6000 tweets) terminar a história. Em seu projeto de adaptação do romance para o Twitter, Cláudio Soares“considerou os recursos desse meio”. A história é recontada através de oito perfis fictícios40de personagens que faziam parte do livro original, sendo um deles, o @sd8, a espinha dorsaldo projeto que organiza a história. Dessa forma a narrativa torna-se interativa e fragmentada39 www.twitter.com/cssoares40 www.twitter.com/sd8, www.twitter.com/sd8_abayomi, www.twitter.com/sd8_carolina,www.twitter.com/sd8_apollinaire, www.twitter.com/sd8_ariadne, www.twitter.com/sd8_mathias,www.twitter.com/sd8_garcia, www.twitter.com/sd8_souzasoares
  • 60pelos pontos de vista das personagens. Soares ainda enriquece sua história com links deimagens, canções, vídeos e artigos da internet. Além das adaptações, romances como @re_vira_volta e @bia_bem foram criadosdiretamente no Twitter e posteriormente transformaram-se em livros impressos ou digitais. O romance @re_vira_volta foi escrito por André Lemos41, que publicou um tweetpor semana entre 2009 e 2010. A narrativa conta a história de uma personagem que se vêdesaparecendo do banco de dados eletrônicos que comandam a vida social. Lemos tambémincorporou links de fotos, sons, imagens e vídeos, tentando aproximar o leitor ao máximo dahistória vivida pela personagem. O romance @re_vira_volta foi construído em dois perfis doTwitter: @re_vira_volta42 funciona como o eixo central da história e @re_viravolta43 comoum alter-ego do narrador. No livro, a fala do alter-ego está em negrito e a narrativa érepresentada pelo símbolo “&”, como podemos observar no trecho a seguir: @re_viravolta Distante continuava a dar voltas à reviravolta que não tem fim não começa não acaba como uma torrente de desesperos ao longe. & Tentaria agora deletar tudo, repartir do zero e começar uma nova vida (sonho). Simplesmente desaparecer, como desapareceram os seus dados? (LEMOS, 2010, p. 42). Enquanto o romance @re_vira_volta parece demonstrar um enredo crítico,preocupado com a sociedade do século XXI, o romance @bia_bem apresenta uma históriadescontraída e com passagens humorísticas. A narrativa @bia_bem foi escrita por GuilhermeDanadio44, Vitor Fernandes45 e Luciana Xavier46 em 2009. Publicada pelo perfil @continios47,@bia_bem conta em flashes repentinos e aleatórios a vida da personagem Bia. Dessa forma, oenredo se desenrola de maneira muita rápida. Na passagem a seguir, Bia ainda adolescentedescobre-se grávida: Bia culpou tudo quando não entrou mais naquele vestidinho: hormônios, chocolate, TPM. Só não culpou o anticoncepcional. Que ela não tomava. (DANADIO; FERNANDES; XAVIER, 2009).41 www.twitter.com/andrelemos42 www.twitter.com/re_vira_volta43 www.twitter.com/re_viravolta44 www.twitter.com/guidonadio45 www.twitter.com/vithorrR46 www.twitter.com/deathdilla47 www.twitter.com/continios
  • 61 Podemos comparar a estrutura desses romances com a das epopeias clássicas. Paraescrever uma epopeia, o poeta precisava enquadrar suas ideias dentro da forma estabelecidapara esse gênero: tipo de rima, número de versos, métrica. Ou seja, havia uma forma fixaestabelecida previamente. Nos romances da Twitteratura, observamos essa característicaquando o escritor tem de fragmentar e adequar sua narrativa em tweets de 140 caracteres. A limitação como um aspecto da Twitteratura permeia não só os romances vistos,mas também as histórias coletivas publicadas no Twitter. Essas histórias são criadas por umgrupo de pessoas que geralmente se desconhecem. Nesse processo de criação, um escritorcontinua a narrativa a partir do tweet escrito por outro. E por ser escrita por vários indivíduos,a história coletiva apresenta um rumo incerto e pode ter desfechos nunca imaginados. Pode-se dizer que houve e há algumas iniciativas para criação de históriascoletivas no Twitter, mas nem todas foram concretizadas e atingiram o objetivo proposto.Dentre as histórias coletivas que tiveram sucesso na twittosfera, podemos citar o projetotwiterbook, criado em 2009 por três amigos do site Coletivo Centro48. O perfil do twiterbook,que não é atualizado desde dezembro de 2009, já reuniu cinco histórias coletivas e temmais de 550 seguidores e 80 autores. A seguir, os tweets mais recentes da quinta históriacoletiva. Observa-se também no canto esquerdo do perfil algumas regras para participar : Figura 18 – História coletiva no Twiterbook. Fonte:< http://twitter.com/#!/twiterbook> . Acesso em: 11 junh. 2011.48 Disponível em:<http://www.coletivocentro.com/>
  • 62 Inspirada no twiterbook, a Editora Saraiva lançou em 2009 um projeto queincentivou seus seguidores a escreverem uma história de terror, em comemoração aoHalloween. A história coletiva deu origem ao livro digital Twitterror: “mais de 5.000 tweetsenviados, para apenas 10 formarem a primeira história de terror escrita via Twitter.”(NIKAIDO et al., 2009 p.3). A iniciativa fez tanto sucesso que segundo Victor Soares (2010) “a livrariaaumentou em 6.000 seu número de followers49 no microblog e registrou um aumentosubstancial de vendas em seu site”. Ainda que gere lucros, ressaltemos a riqueza literária deuma história produzida coletivamente no Twitter.49 Em português significa seguidores, ou seja, os usuários que seguem o perfil em questão.
  • 635 CONSIDERAÇÕES FINAIS Somente em junho de 2011, foi disponibilizada a versão em Língua Portuguesa doTwitter, porém, dois anos antes, o microblog já havia se popularizado entre os brasileiros, queo utilizam para tweetar diferentes tipos de textos, inclusive literários. Percebemos que a internet, especificamente o Twitter, não inferioriza e nemdesqualifica a Literatura, como alguns julgam precipitadamente. Pelo contrário, o microblogincentiva escritores a sintetizarem seus textos literários em até 140 caracteres, e leitores adedicarem um pouco de seu precioso tempo à Literatura, lendo tais obras em meio às outrasinformações que circulam no Twitter. A Twitteratura, a arte de escrever em até 140 caracteres, é uma arte do séculoXXI, no entanto comprovamos em nossa pesquisa que, desde os modernistas, principalmentena obra de Oswald de Andrade, textos curtos já eram escritos. Não se tratava de nenhumalimitação proposta, apenas de uma questão de estilo e de habilidade de síntese. Então, qual a diferença entre a literatura curta publicada fora do Twitter emrelação à Twitteratura? Em nossa pesquisa, percebemos que há algumas diferenças, por setratarem de meios de publicação distintos. Primeiramente porque há na Twitteratura umademocratização da literatura. Qualquer usuário pode publicar seus textos no momento quedesejar, pois não é necessário ser aceito por uma editora ou curadoria. A Twitteraturatambém é democrática em relação ao leitor, pois é possível ler os textos de qualquer autorgratuitamente. Outra diferença é que o leitor pode interagir com o escritor e com outrosleitores. Todavia, por algumas limitações do serviço, os tweets devem ser lidos no momentode sua publicação. Levando isso em consideração, o Twitter não é uma boa plataforma pararegistro de textos, o que leva os autores a publicarem em formato de livro (impresso oudigitais) os seus tweets literários. A publicação de antologias de tweets literários em formato de livro já demonstra oreconhecimento do Twitter como novo meio de publicação literária. A Twitteratura, assimcomo a crônica, é efêmera se não organizada em antologias e essa organização só acontece sehouver qualidade nos textos publicados. Nosso principal objetivo, reconhecer a Twitteratura como um novo meio depublicação literária por meio de um trabalho científico, pode parecer ousado. Entretanto,alcançar esse objetivo torna-se mais fácil, quando uma instituição canônica e de grande statuscomo a Academia Brasileira de Letras (ABL) já reconheceu a importância e a qualidade do
  • 64que é publicado no Twitter. Além de criar um perfil50 no microblog no final de 2009, a ABLorganizou no 1º semestre de 2010 um concurso de microcontos nos moldes do Twitter. Opresidente da ABL, Marcos Vilaça, justifica a entrada da ABL no Twitter: “Se eu tuíto, tutuítas e eles tuítam, a Academia também tuíta” (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS,2009). A criação do perfil na rede social e o concurso tiveram como objetivos promover aimagem da ABL e aproximar os jovens da Academia. O concurso teve 2293 trabalhosinscritos, cada participante podia enviar apenas um texto. Ao anunciar o resultado, Vilaçamencionou que o número de obras participantes superou as expectativas: Está plenamente justificada a iniciativa da ABL em se abrir para as novas tecnologias em favor da literatura brasileira. O interesse demonstrado pelos participantes também confirma isso. O concurso aproximou ainda mais a tradição acadêmica da sociedade. A qualidade dos trabalhos foi ótima, assim como a participação de muitos jovens autores. (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, 2010). Outros concursos também foram realizados no Twitter. Destaque para o prêmioTOC140, realizado pela Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco).“Foram pré-selecionados mais de 1000 poemas direto dos microblogs dos 391 inscritos noprêmio pelo site da Fliporto – www.fliporto.pe. Desses, foram selecionados, em duas fases,100 poemas, um de cada concorrente” (CORDEIRO; CAMPOS, 2010, p. 11), que fizeramparte da antologia Prêmio TOC140 – Poesia no twitter. Cada um dos cem autores recebeu umexemplar do livro e primeiro, segundo e terceiro colocados ganharam R$3000, R$2000 eR$1000 reais, respectivamente. Pelos livros, concursos, número de usuários, dentre outros argumentos citados nocorpo do trabalho, acreditamos que nosso objetivo foi alcançado. E se faltavam pesquisasacerca do assunto, agora há uma, sendo que podem existir muitas outras. Na Twitteratura, são140 caracteres que podem gerar muitas páginas de estudos científicos, como uma comparaçãomais detalhada com a crônica, um maior aprofundamento na abordagem dos escritores e/ouleitores, uma análise de seus gêneros, um trabalho crítico em relação à qualidade dos textos ousua utilização em sala de aula. O que não faltam são caminhos para expandir os 140 caracteresna comunidade científica.50 www.twitter.com/abletras
  • 65 REFERÊNCIASACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Cinco perguntas para Marcos Vilaça. 2009.Disponível em:<http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=9937&sid=624>Acesso em: 04 jul. 2010.ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. ABL divulga resultado do Concurso deMicrocontos do Abletras. 2010. Disponível em:<http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=10369&sid=672>Acesso em: 04 jul. 2010.ACIMAN, Alexander; RENSIN, Emmett. Examples Twitterature. Disponível em:<http://www.twitterature.us/us/ex.htm> Acesso: 20 maio 2011.AFORISMO. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário daLíngua Portuguesa. 7. ed. Curitiba: Positivo, 2008. p.100.ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: JoséOlympio, 1985.ANDRADE, Mário de. O empalhador de passarinho. 4 ed. Belo Horizonte: Editora Itatiaia,2002.ANDRADE, Oswald de. Obras Completas: Poesias Reunidas. 5 ed. Rio de Janeiro:civilização brasileira, 1971. v.7.ASSIS, Machado de. Várias histórias. São Paulo: Brasileira, 1955BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. 38 ed. São Paulo. Editora cultrix.2001.BUGALHO, Henry Alfred (org.). Tamanho não é .DOC. Oficina Editora, 2009a. Disponívelem <http://en.calameo.com/read/0000022388dabc23135eb>. Acesso em: 31 mai. 2011.
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