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Revista literatas   edição 4
 

Revista literatas edição 4

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    Revista literatas   edição 4 Revista literatas edição 4 Document Transcript

    • Literatas Não conhecemos o preço da palavra. Envie esta revista a um amigo Literatas agora é no SAPOSai às Terças-feiras literatas.blogs. sapo.mz Revista de Literatura Moçambicana e LusófonaDirector Editorial: Eduardo Quive * Maputo * 02 de Agosto de 2011 * Ano 01 * Nº 04 * E-Mail: kuphaluxa@sapo.mzCOMO É QUESE ESCREVECHORIRO?Ana Rusche em contactocom literatura moçambicana pg. 2Em LichingaGincana a volta da fogueira“A Décima Primeira Campa” pg. 10
    • 2 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 2Em primEira- Do Brasil para estar em contacto com literatura moçambicanakuphaluxa recebe Ana RuscheJá se encontra na capital moçambicana, Maputo, a escritora brasileira, AnaRusche, que vem ao País com o propósito de conhecer o Movimento LiterárioKuphaluxa bem como capacitar jovens escritores e amantes da literatura nogeral, sobre as técnicas de escrita na literatura contemporânea.ontem, Ana Rusche, iniciou as suas actividades de trabalho literário emMaputo, com uma entrevista que à escritora Sónia Sultuane, de Moçambique,as no Centro Cultural Brasil – Moçambique, onde pela primeira vez conheceuos precursores deste movimento, criado para promover e divulgar novosaspirantes da literatura.Ainda ontem, iniciou a Oficina Literária com jovens amantes da literatura eestudantes no auditório do CCBM, realizado sob o tema “Nós que adoramosum documentário.”Ana Rusche, vem a Moçambique com a missão de interagir com vários pro-tagonistas da literatura Moçambicana, estando já, em diálogo com váriosescritores do País.Na tarde de hoje, a escritora vai proferir uma palestra, sobre o tema “PorquêLer”, na Escola Industrial 1º de Maio em Maputo, no âmbito do projecto “Lit-eratura na Escola”, que desenvolvido pelo Kuphaluxa, desde o ano passado,já levou os escritores, Ungulani Ba Kha Khosa, Paulina Chiziane, MarceloPanguana, Juvenal Bucuane, em várias escolas das cidades de Maputo eMatola.Amanhã, Ana Rusche, vai participar de um Sarau Cultural, a ser realizado noCCBM as 18 horas.Na quinta-feira, as 09:00h, Ana visitará a Casa do poeta-mor, José Craveirinhae no mesmo dia, a escritora vai ministrar uma palestra na AEMO, num painelem que estará acompanhada pelo secretário geral da AEMO, Jorge de Oliveira,onde oferecerá vários livros à instituição.Na sua bagagem, Ana Rusche traz, igualmente, livros da sua autoria e deoutros autores do Brasil, para doar ao Kuphaluxa e a Escola Industrial 1º deMaio. Ana Rusche, escritora brasileira, em Maputo para um diálogo com a literatura moçambicanaRefira-se que durante os cinco dias, Ana Rusche, vai entrevistas escritoresmoçambicanos, que culminará na publicação de um livro com as entrevistas,já no Brasil- Gincana de ArteViver a arte de escrita a volta da fogueiraLiNO SOuSA MucuRuzA - LichiNgALiNOMucuRuzA2010@yAhOO.cOM.bRO espaço “Gincana de Arte” reúne todos os sábados vários artistas em sarau cultural a volta da fogueira, num dos maiores bairros da cidade de Lichinga. Em Chuaula, a tertúlia literária, faz-se sentir num movimento artisticamente diferente. culturais tais como, teatro, música, cinema, poesia e outras arregaçaram as mangas e agora com o espaço Gincana de formas de expressão cultural, a nível provincial. No ABC, Artes veremos se pelo menos substitui o Cine ABC e possam actuaram, igualmente, vários grupos culturais reconheci- fluir vários talentos, porque esse é um dos objectivos.” dos no País, como a Companhia de Teatro Gungu da capital Por suA vez, Eduardo Tocolowa, um dos mentores da ini- moçambicana. ciativa, para a Literatas, não escondeu a sua satisfação pelo MAs, outrAs forças tomaram o espaço que pertencia a arte espaço Gincana de Artes. e os artistas. A infra-estrutura foi concessionada à Igreja “este esPAço demorou chegar, mas como o chegou é só Universal do Reino de Deus (IURD). louva-lo e enveredar esforços para que esta iniciativa não Vendo-se o silêncio, jovens uniram-se para criar a Gincana termine por aqui. Para a criação deste programa, não custou de Arte, espaço que reúne várias artes desde a poesia, – nos algum dinheiro. Vimos que a Direcção Provincial de teatro danças tradicionais, música artes plásticas, contado- Educação e Cultura não aposta nas nossas iniciativas e nos res de estórias e histórias, tudo a volta da fogueira. decidimos fazer as coisas da nossa maneira.” eM entreVistA concedida a revista Literatas os artistas se contArAM com apoios para a concretização da inicia- revelaram a sua satisfação com a iniciativa, uma vez estar a tiva, Tocolowa disse que “ já tivemos alguns apoios com revitalizar o desenvolvimento da arte a nível da província. pessoas singulares que nos deram uma viola e um piano, Pedro FABião Pedro, poeta da província do Niassa com instrumentos que estão em uso no nossos espaços e temos residência na cidade de Lichinga considera ser louvável, também o apoio do proprietário do lugar onde a nossaGincAnA de Artes é um projecto literário idealizado pelo o projecto Gincana de Arte, e disse que vai trazer muitos arte funciona.”artista plástico, músico e jornalista da Rádio Moçambique benefícios não só para os artistas mais também para a PArA terMinAr, o nosso entrevistado, teceu críticas à– Emissor Provincial do Niassa, Eduardo Tocolowa, e o poeta província como também o País. atitude dos responsáveis pela área da cultura a nível dadeclamador, igualmente, jornalista da província do Niassa, de Acordo com Pedro, o País precisa de iniciativas do província do Niassa.Mukurruza. O projecto, reflecte-se na realização semanal de género para fortalecer a cultura moçambicana com par- “se A Direcção Provincial da Educação e Cultura tivesse estesaraus culturais aos sábados, num dos maiores bairros da ticularidade na província do Niassa, por isso apoia a con- espírito os nossos espaços teriam outra credibilidade no queprovíncia nortenha de Moçambique, denominado Chuaula, tinuidade do espaço uma vez ser o único lugar já existente concerne a valorização das nossas artes. Mas tristemente sóe a missão do mesmo, é a revitalização dos espaços cul- para os artistas. existe esta instância, quando se trata de um festival e outrosturais na cidade de Lichinga, “tereM nos tirado, no ano passado, o Cine ABC, aquele que eventos de âmbito nacional e é por isso que as actividadesnuMA ALturA em que a cidade de Lichinga vivia um silêncio era o maior espaço da província, para dar lugar o funcio- culturais, muitas vezes, fracassam por falta de preparação ecultural, com o encerramento do Cine ABC, outrora, o maior namento da igreja, é lamentável. O governo, simplesmente assim facto que nos deixa agastados.” Concluiuespaço que deu parte para a realização de muitos eventos não entreviu. Mas os artistas apesar de ficarem sem pai não
    • Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 3 Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 3Em primEira- Centro Lusófono CamõesAdelto Gonçalves é indicadoassessor em São Petersburgo Professor fará trabalho de divulgação das atividades da instituição universitária russa em todos os países de língua oficial portuguesa.O jornalista e escritor Adelto Gonçalves, professor de LínguaPortuguesa do curso de Direito da Universidade Paulista(Unip) e de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comu-nicação (FaAC) da Universidade Santa Cecília (Unisanta),de Santos-SP, foi indicado assessor de imprensa e culturaldo Centro Lusófono Camões da Universidade Estatal Ped-agógica Hertzen, de São Petersburgo, na Rússia. A indica-ção foi feita pelo director do Centro, Prof. Dr. Vadim Kopyl,durante visita, no começo de Julho, do professor brasileiroa São Petersburgo.As relações do professor Adelto Gonçalves com o CentroLusófono Camões datam de 2005, quando, por indicaçãodo ex-embaixador do Brasil em Portugal, Dário Moreira deCastro Alves (1927-2010), escreveu prefácio para o livroContos, de Machado de Assis (1839-1908), publicado em2006 em edição russo-portuguesa por aquela instituiçãocom o apoio da Embaixada do Brasil em Moscou.Doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Uni-versidade de São Paulo (USP), Adelto Gonçalves tambémescreveu, em 2007, prefácio para o livro Contos Escolhidos,de Machado de Assis, publicado igualmente em ediçãobilíngüe pelo Centro Lusófono Camões e Editora Alex-andria, de São Petersburgo, com apoio do Ministério dasRelações Exteriores do Brasil e da Embaixada brasileiraem Moscou. Os dois livros foram vertidos para o russo portradutores do Centro Lusófono Camões aos cuidados doprofessor Kopyl. de Gente Pobre, primeiro livro do maior romancista russo“Senti muito interesse pelo Brasil por parte dos estudantes de todos os tempos.russos de Português e pretendo aproveitar essa oportu- Lusófono Camões no mundo de expressão portuguesa”, Fundado em 1999, o Centro Lusófono Camões começa onidade para tornar o trabalho desenvolvido pelo Centro disse. ano, em média, com 15 estudantes russos de Português. OsLusófono Camões mais conhecido não só em nosso país Ao Centro Lusófono Camões, o professor brasileiro entre- estudantes entram no nível 0, passando para o nível médio,como em Portugal e nos demais países de língua oficial gou um exemplar de seu livro Bocage: o Perfil Perdido, chegando ao nível superior. Em média, formam-se de seteportuguesa”, disse o professor, que é colaborador do quin- publicado em 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, seu a oito alunos por ano. O Centro já obteve a introdução dozenário As Artes Entre as Letras, do Porto, da revista Vértice, trabalho de pós-doutorado desenvolvido em Portugal em Português como língua facultativa numa escola secundáriade Lisboa, da Revista Forma Breve, da Universidade de 1999-2000 com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Petersburgo, o que significa um potencial alarga-Aveiro, do Jornal Opção, de Goiânia, A Tarde, de Salvador, no Estado de São Paulo (Fapesp), além de repassar quatro mento da lista de frequentadores da instituição em futuroe outros jornais, revistas e sites brasileiros e portugueses. exemplares de Gente Pobre (Biédnie Liúdi), de Fiodor próximo. Seus professores têm participado de conferências“Quero aproveitar também minhas ligações com o mundo Dostoievski (1821-1881), publicado em Março de 2011 internacionais na Europa.cultural de Moçambique, Angola e demais países de língua pela Associação Cultural Letra Selvagem, de Taubaté-SP, Desde a sua fundação, o Centro já publicou outros livros,portuguesa para levar notícias sobre as actividades do tradução de Luís Avelima, oferecidos pelo editor Nico- como o Guia de Conversação Russo-Portuguesa Contem-Centro Lusófono Camões, intensificando as nossas relações demos Sena. porânea, Poesia Portuguesa Contemporânea(2004), queculturais com a Rússia”, disse. Durante sua visita a São Petersburgo, o professor Adelto reúne poemas de 26 poetas portugueses, e Vou-me emboraPara o director do Centro, professor Vadim Kopyl, o pro- Gonçalves foi também recebido no apartamento-museu de mim (2007), do poeta português Joaquim Pessoa. Afessor Adelto Gonçalves é a pessoa certa para fazer esse de Dostoievski pelo vice-director e responsável pelo setor Universidade de Coimbra, a Biblioteca Nacional de Lisboa,trabalho. “Temos certeza que o professor Gonçalves dará científico do Museu, Boris Tikhomirov, ocasião em que o Instituto Camões e a Fundação Calouste Gulbenkiancontinuidade ao trabalho que o embaixador Dário Mor- fez a entrega à instituição de dois exemplares dos livros são algumas das instituições culturais portuguesas queeira de Castro Alves, nosso antigo sócio-honorário, vinha de Machado de Assis publicados pelo Centro Lusófono também têm cooperado com o trabalho dos lusistas russosfazendo em favor da divulgação das actividades do Centro Camões e de um exemplar da mais recente edição brasileiraA Cabala na Ceia de Leonardo da Vincio escritor gaúcho Eucajus Eugênio, autor do livro “Ordemdos Fantasmas”, realizou uma leitura dos símbolos esoté- Tiago Maior, e isso é incrível! Thiago. Maior, é justamentericos inseridos nas pinturas de Leonardo da Vinci, e revela aquele que representa a esfera “Tiferet”, confirmandoque a postura e a localização dos apóstolos na Ultima Ceia um principio da cabala que define: Daat é a imagem decorrespondem com as Esferas da Cabala. Tiferet”. “MAis do que revelar segredos ou códigos, é preciso A LeiturA dos símbolos realizada por Eucajus é surpreen-entender o significado de um símbolo, entender o que ele dente porque mostra algo que sempre esteve diante derepresenta. Quando Da Vinci pintou o apóstolo João, não nós. Você viu a enorme letra “S”, de Salai na Mona Lisa?pintou uma mulher, e sim, um ser andrógino, porque João Não! Então olhe ao lado do ombro direito, não esqueça,representa a esfera “Hod” da Cabala. Vou dar um exemplo Da Vinci escrevia da direita para esquerda. Veja tambémprático: Na ceia, as mãos de Jesus representam o Princípio a ponte acima do ombro esquerdo. Segundo Eucajus, aHermético de Correspondência (O que esta em cima é olhando para a pintura. Ele meditava sobre uma questão: ponte é um símbolo místico que representa a ligaçãoigual ao que esta em baixo), basta observar que uma mão Como destacar o personagem principal e ao mesmo tempo entre aquilo que pode ser percebido e aquilo que estaestá com a palma virada para cima e a outra para baixo. Na torna-lo invisível? A resposta seria torná-lo o menos expres- além da percepção.Cabala, Jesus representa a esfera “Daat”, conhecida no meio sivo de toda a pintura! Criei uma experiência que prova síMBoLos MAçons na Mona Lisa, o verdadeiro significadomístico como a Esfera Invisível da Árvore da Vida. Aí você essa teoria e esta divertindo os leitores do livro e do blog. do pote de sal na ceia e outras revelações sobre as obraspergunta: Jesus a esfera invisível? O personagem principal Trata-se de uma imagem da ceia sem Jesus. Acredite, 98% de Leonardo da Vinci você pode conferir no blog do livroda ceia? Isso nos faz compreender porque Leonardo da das pessoas não percebem a ausência dele. Quando essa repleto de imagens ilustrativasVinci permanecia por horas no refeitório Maria delle Grazie ausência é revelada, eles dizem ter confundido Jesus com
    • 4 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 4Um pouco sobre Albino MagaiaNOSSO LAR DA MAFALALA DEScOLONizÁMOS O LAND-ROVER ALbiNO MAgAiA ALbiNO MAgAiA Já não é carro cobrador de impostos Nós descolonizámo-lo. Ao mestre Craveirinha Já não é terror quando entra na povoação Já não é Land-Rover do induna e do sipaio. Lá mais para o Sul É velho e conhece todas as picadas que pisa. Mandela É experiente este carro britânico continua a sonhar com uma estrela Seguro aliado do chicote explorador. Violas electrónicas do Soweto Mas nós descolonizámo-lo. vomitam notas de sangue No matope e no areal sobre os céus de Johannesburg Sua tracção às quatro rodas enquanto Miriam Makeba Garante chegada às machambas mais distantes curte o exílio na Guiné Às cooperativas dos camponeses. Há joverns que morrem Entra na aldeia e no centro piloto suicidando-se em Smadje-Mandje Ruge militante nas mãos seguras do condutor num contraste de preto e branco Obedece fiel a todas as manobras com a sumptuosidade multinacional Mesmo incompleto por falta de peças. nos lupanares do Transkey - Descolonizámos o Land-Rover Mama Winnie Com nossos produtos essa grávida de coerência Comprámos combustível que consome continua a sonhar com o gesto íntimo de Nelson Com nossa inteligência depois de séculos de separação ALBino FrAGoso Francisco Magaia (Lourenço Marques, Consertámos avarias que surgem como se fosse brincadeira 27 de Fevereiro de 1947-27 de Março de 2010) foi um Com nossa luta a interposição de Vorster e Botha jornalista, poeta e escritormoçambicano. Transformámos em amigo este inimigo. entre ela e os beijos do seu herói nA suA juventude, foi membro do Núcleo dos Estudantes Nós, descolonizadores Em Robben Secundários Africanos de Moçambique (NESAM). Libertámos o Land-Rover há um militante não racista que morre Foi director do semanário Tempo e secretário-geral da Porque também ficou independente, afinal e os sobreviventes entoam Nkosi Sekelela Associação dos Escritores Moçambicanos. Transformaram-se os objectivos que servia enquanto a noite da África Austral E hoje é militante mecânico ganha mais uma estrela oBrAs PuBLicAdAs Um desviado reeducado que não é ainda Uma prostituta reconvertida em nossa companheira. a estrela com que Mandela sonha AssiM no tempo derrubado. Maputo, Instituto Nacional Descolonizámo-la e com ela casámos Ouvi dizer do Livro e do Disco, 1982. (poesia)[1] E não haverá divórcio. pelos jornais e pela rádio Yô MABALAne!. Maputo, Cadernos Tempo, 1983. De Tete a Cabo Delgado que os filhos de Ghandi e outros deserdados (novela) Do Niassa a Gaza ganharam direito a voto lá no Sul PreFácio de Gilberto Matusse. Da sede provincial ao círculo Só que os guerreiros de Tchaka MALunGAte. MAPuto, Associação dos Escritores Moçam- Este jeep saúda quando passa estão a morrer baleados ou enforcados bicanos, 1987. Colecção Karingana. (novela) O caterpillar, seu irmão num ensaio geral organizado e eficiente Outro descolonizado fazedor de estradas da nova edição modernado Dingana´s Day E cruza-se com o Berliet atarefado Ex-pisador de minas Eles aprenderam com a G-3 Estudantes recordam Menina vanguardista na mudança de rumo A primeira a saber e a gostar A diferença antagónica Entre a carícia libertadora das nossas mãos Kuphula Munu e o aperto sufocante e opressor do inimigo que servia. As mãos dos operários que o fabricam são iguais às mãos dos operários da nossa terra. Essas mãos inglesas que o criam Um dia saberão que ajudaram a fazer a revolução e vão levantar o punho fechado da solidariedade. JESSEMuSSE cAciNDA - NAMPuLA Ruge este militante nas picadas da Zambézia Galga as difíceis estradas de Sofalaos estudAntes Da 12ª classe, grupo A (comunicação e ciências sociais) da escola secundária 12 de Passa pelos pomares de ManicaOutubro em Nampula, realizaram no dia 23 de Julho uma visita de estudo ao local memorial de Kupula- Pelo milho de GazaMunu, um líder de resistência anti – ocupação efectiva da zona de Mogovolas, distrito do mesmo nome Pelas palmeiras de Inhambanena província de Nampula. Na cidade do Maputo descansa.KHuPuLA Munu surgiu das redondezas do monte Namuli, na província da Zambézia, local que segundo a Transporta pelo país os olhos dos estrangeiros amigostradição surgiu o primeiro homem Macua tendo se dirigido as montanhas de Mphotto, um local onde vivia que querem conhecer de perto a nossa Revoluçãoum rei de nome Naweya que cobrava impostos, por isso o nome de Mphotto, resultado da má pronúncia - Descolonizámos uma arma do inimigodo termo imposto. Descolonizámos o Land-Rover!APós AFixAr-se no local Khupula Munu dirigiu uma ofensiva contra os portugueses em 1910, nesta Aquelas quatro rodas de um motor potentemorreram muitas pessoas por isso se chama Batalha de Malavi, que em língua local significa tabu. Aquela cabine dos mecanismos de comandoseGundo trAnquiLo Emílio, descendente de Khupula – Munu, o seu antecessor utilizava uma arma Aquelas linhas da carroçaria irmanadas ao medode fabrico caseiro, com munições de feijão macaco que com sua arte mágica embriagava os portugueses Já não afugentam o povo:para depois mata-los a faca. Homens, Mulheres e Crianças do campoKHuPuLA Munu combateu contra os Portugueses até em 1930 ano da sua morte e da tomada das suas fazendo sinal ao condutor, pedem boleia.terras pelos portugueses. Hoje é uma figura venerada e tornou-se ídolo para todos os nativos do Distrito Nós descolonizámos o Land-Roverde Mogovolas, que em todos anos vão visitar a sua campa, que virou um santuário para os que acreditam Por isso o povo já não foge.na sua eternidadeFicHA tÉcnicA Propriedade do Movimento Literário Kuphaluxa Sede: Centro Cultural Brasil-Moçambique* AV. 25 de Setembro nº 1728, Maputo, Caixa Postal nº 1167 * Celulares: (+258) 82 27 17 645 e (+258) 84 57 78 117 * Fax: (+258) 21 02 05 84 * E-mail: kuphaluxa@sapo.mzDirector Editorial: Eduardo Quive (eduardoquive@gmail.com)Coordenador: Amosse Mucavele (amosse1987@yahoo.com.br)Editor - Canto da Poesia: Rafael Inguane (inguane.rafael@hotmail.com)Redacção: David Bamo, Nelson Lineu, Mauro Brito, Izidine Jaime, Japone Arijuane.Colaboradores: Maputo: Osório Chembene Júnior * Xai-Xai: Deusa D´África * Tete: Ruth Boane * Nampula: Jessemusse Cacinda * Lichinga: Mukurruza*Brasil: Itapema - Pedro Du Bois * Santa Catarina: Samuel da Costa * Nilton Pavin * Marcelo Soriano * Portugal: Victor Eustaquio e Joana Ruas.Design e páginação: Eduardo Quive
    • Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 5Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 cRóNicA / cONTO 5 VOVó zuMbi FiLosoFonias rapsódicas LuANA MccAiN – bRASiL Era hora de dormir. Eu e meus irmãos tivemos um dia muuuuuito agitado. Primeiro, vovó levou a gente no parque MARcELO SORiANO - bRASiL m.m.soriano@gmail.com de diversões. Depois, no cinema. Assistimos Um dia com a vovó zumbi. Por mais que o titulo fosse aaaaaaaassustador, o filme era de aventura. - Meus amores, já está na hora de dormir. Nota preliminar: Antes de - Vovó, a gente vai embora amanhã... não queria... foi legal prosseguir com este artigo, passar as férias aqui – disse meu irmão do meio, com aquela vozinha lembro ao leitor que me de sempre. dirijo à CPLP(Comunidade - Eu também – os olhos da minha irmãzinha se encheram de dos Países de Língualágrimas. Portuguesa), portanto, Revirei os olhos. podemos encontrar - Vovó, antes de dormir, eu posso comer aquele bolo de nozes que cê fez hoje de gerúndios, futuros domanhã? pretérito, expressões etnocêntricas, familiares a certos leitores, Ela fez uma cara pensativa. Segundos depois, falou com aquela calmaria de sempre: porém, inusitadas a outros. Oxalá, que esta peculiaridade não seja - Hmmm não, não pode. Você acabou de escovar os dentes. pretexto para correções, mas para integrações e enriquecimentos - Mas... léxicos e culturais entre nós. Marcelo Soriano. Santa Maria - RS - - Na na ni na não. BR. 14/07/2011. - Vovó, quero água – disse meu irmão do meio. - E eu tô com sede – falou minha irmãzinha. 1. 1. Monsieur FLAnêur - o etíLico - Venham. Eu levo vocês. E eles foram. Só eu fiquei no quarto. Entrei num café ontem à tarde e lá fiquei, a beber e observar Dez minutos depois. os outros... Deixei a caneta fluir em guardanapos limpos... Eis o E a casa estava um puro silêncio. Senti uma intensa vontade de descer na cozinha e ver resumo da ópera de minha ronda investido com a máscara venezianao que os três estavam fazendo. Era sempre assim: vovó realizava os desejos daquelas malinhas e de Monsieur Flanêur, o etílico!eu sempre ficava de fora. Guardanapo 1: A multidão... O meu alter-ego... Fui pra cozinha, quietinho da silva. Eu queria pegar eles de surpresa. Um passo. Dois Guardanapo 2: Finge que não vê. Finjo que não vejo. Mas nãopassos. Três... e na porta da cozinha estava minha irmãzinha de cócoras e cabeça baixa. Eu conseguimos parar de nos perceber...cutuquei ela e nenhuma resposta. Peguei ela pelos cabelos e enoooooooooooooorme foi o meu Guardanapo 3: Os melhores amigos dos poetas de bar são ossusto, eu vi ela sem os olhos e a sua língua caiu nos meus pés. guardanapos com batom. Dei um pulo pra trás. Eu queria chorar, mas não conseguia. Virei pra cozinha e meu Guardanapo 4: Quanto mais eu bebo, mais a assombração meirmão estava diante da pia comendo o bolo de nozes, mas atrás dele estava a vovó, com uns apetece.dentes-monstros, super afiados, pronto pra abocanhar a cabeça dele Guardanapo 5: As aparências encantam. Guardanapo 6: Os gestos simulam o que os olhos não conseguem esconder. Guardanapo 7: As pérolas em tuas pulseiras não te deixam FLOR DA guAViRA não sorrir... Guardanapo 8: A vítima perfeita - não te enganes, barman! - é VANESSA MARANhA sempre um predador.O sol duro da tarde seca batendo nas cabeças em fila. Era sertão no Mato-Grosso. Homens com Guardanapo 9: Jazz em um pub lotado... Todo mundo ali...suas mulheres e meninos seguiam montados em jegues, vindos do coração da Bahia, uma comitiva Ninguém nem aí...pardacenta em busca de mais do que a coisa nenhuma que os cercava naqueles agrestes. Guardanapo 10: Caramujo de bêbado é o barril. Maria com um lenço vermelho de brilho berrante sob o chapéu desbeiçado, era vaidosa, linhas Bem, foi isso o que deu tempo de anotar. Eu estava louco paragrossas e ossudas de cabocla, o tupi correndo evidente no sangue, empunhou o 38 e estourou as voltar para casa e apreciar sozinho estes canapés roubados desta festaseis balas no céu para dar fé de parada. pública intimista.Que aqui ela mais Pedro ficavam, que os outros seguissem rumo, se quisessem, os olhosvivos ameaçadores e à tocaia, símios, a brabeza acossada dos babuínos transparente em seusmovimentos. Gestos decididos num chacoalhar de pulseiras coloridas ela apeou, Pedro atrás, o 2. LetrAs VisuAiscuidado com a craviola. Debandaram os dois em busca de tocos e estacas para o acampamento,as ancas doloridas, as facas enferrujadas, o fumo mascado e cuspido no chão fazendo a trilha. 2.1 - Frase paródia à expressão do célebre Descartes - “Penso, logoJá decidida: ficamos por esses dias aqui perto do arroio, a represa deixada em paz lá adiante. existo”.Depois é buscar assento num povoado. Caçar a zona, pensou ele, perguntando, na sequência,do menino. Aqui nasce, não passa de hoje. Pedro, submisso, anuiu, jogando o encerado sobre as 2.2 - Frase em Código QR : “ Corações puros são pedras preciosasestacas já de pé. Frases econômicas, viviam o correr dos dias, nas tocaias da lida, ele violeiro, ela beijadas por Deus”.cortesã. E o mais que diziam era: estou com fome, me dá a craviola, vou banhar no riacho, vemdeitar comigo, me passa a farinha. Sabiam e se riam de quem não entendia o claro de que a vida se dá por todas as vias, menos as 3. MonóLoGos PóstuMos coM quintAnA -das facilidades. Ilusões, só mesmo as dos dedilhados e a da fome pega. PArte iiiA lua já flutuava a meio-céu, caducando o dia, anunciando noite clara e desespero: livres dosjacarés podiam estar, já que a boas braçadas da represa, mas havia as jararacas, as jacutingas, os “O silêncio é um espião.”tiús, as ratazanas silvestres, os seres da escuridão que poderiam se atrair pelo sangue do partoque se aproximava. Mário QuintanaE era o fim, ponderava Pedro, misturando tudo na mesma lata em que punha o pequi amarelo e [Silêncio-Nós]o preá para ensopar: a gravidez refreara ao menos um pouco essa mulher no seu jeito arregalado.E agora?, perguntava-se, terror sobreposto, sem, entretanto se falsear na intimidade: pudesse, Eu a ele:não padecesse de tamanha debilidade de decisões, traria a fanchona no miudinho da vergasta. Silêncio de café quente.Mas sabia que não. Erguesse a ela uma sobrancelha para ver só o que é bom pra tosse. O que lhe Silêncio de solitude em alto mar.restava mesmo era o descampante. Silêncio de altar perfumado.Maria Tomé, que passara a tarde em incômodos, entrou na cabana suprida de bacias com água. Silêncio de contemplação.Vou me deitar. Já mastiguei muito capim, acho, pelo toque, que agora mesmo o bichinho chega, Parece tão fácil fechar os olhosa cabeçona dura me congestionando por baixo. só para poder alcançar. -Não quer uma parteira? Diga e busco uma agorinha já.-E eu lá vou permitir mulher olhando nas minhas vergonhas? Sou parteira de mim mesma, comode outros dez que por aqui vieram. Campeie aí que o último, você lembra, foi mordido aindaensanguentado, tadinho, por gato do mato. [A expressão favorita]E então foi parir em solo seco coberto por lençol, os urros sufocados, a dignidade da solidãoreclamada e atendida, os espasmos de coisa se revirando dentro de si, a natureza primitiva em Ele a mim:sua ode triunfal: nascia um menino. - Ora bolas!-É seu, Pedro, venha cá!, tentou gritar, a voz num fiapo, agastada, arfante. A mosquitada numalvoroço, ele acudiu nervoso com uma toalha branca para aquecer a criança. Mas nem abraçariaesse, que, sabia, seria dado também a família direita e ao que ele se calaria e consentiria, sem, (3.) continuA nA PróxiMA edição...diante de Maria, brandir intenção qualquer, um desuso nesse casal. Bastava ela querer ou nãopara ele segui-la: às rodas de viola, às rinhas, à cachaça inveterada, a tantos outros homens, o ___________________oco onde nem parecia mais haver coração em angústia, corpo sacudido por um arrepio de ciúme Código QR é um código de barras em 2D que pode sercalado. facilmente lido usando qualquer celular moderno. Esse código Então ele, terno, analisava, ao bruxuleio da luz amarelada de lamparina: era bonita, ela. Bruta e vai ser convertido em uma pedaço de texto (interativo) e/ou umextenuada, a mulher derreada, sem resgate. E o menino chorava link que o celular os identifica.
    • 6 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 6 - discurso dirEctoComo é que se escreve Choriro? LucíLiO MANJATE - MAPuTO Ao Aurélio FurdelaA epistemologia que conferiu à ciência a exclusividade do conhecimento válido traduziu-se num vasto aparato institucional – universidades, centros de investigação, sistema de peritos, pareceres técnicos – e foi ele que tornou mais difícil ou mesmo impossível o diálogo entre a ciência e os outros saberes. Boaventura de sousa santos e Maria Paula Meneses in epistemologias do sul, 2009O problema é que o grosso dos países africanos têm cultura ágrafa, e eu pergunto: antes da chegada dos colonialistas, não curávamos a malária ou ela não existia? Haviadentistas no século treze? O preto não sofria de dentes? Só começou a sofrer de dentes depois da colonização? Mas como nós não tínhamos escrita, isso trouxe o problema daaculturação, da rejeição da cultura. Diz-se ser um mundo supersticioso e eu digo não, esse mundo supersticioso tem o seu quê de racionalidade, para sustentá-la, vi que aliteratura é um caminho, e quem abriu esse caminho foram os latino-americanos, eles tomaram aquilo que os ocidentais consideraram irracionalidade como uma base para racionalidade própria. ungulani Ba Ka Khosa, in Proler, n.0 3 Março/Abril 2002, “somos um país promíscuo” – entrevista Assim se entende por que, em Choriro, os afectos em rela- nos. Seguros nos pequenos e confortantes pedaços de terra, os1. do projecto do autor... ção aos objectos observados são potenciados num jogo de canoeiros pouca atenção prestavam aos reptéis das águas. Estes, racionalidades que se negam, alegorizando formas variadas silenciosos, reluziam os olhos enquanto as línguas de fogo iam, de conhecer e teorizar o próprio conhecimento. Veja-se o aos poucos, fenecendo com a madrugada que ia abatendo as exemplo: estrelas.” – p. 20.uma, entre outras questões que se colocam ao ler-se o último romance de ungulani ba Ka Khosa, choriro, é sobre o conhecimento. Trata-se de um apelo a uma discussão epistemológica sobre os desafios que se colocam, num primeiro plano, à ciência histórica, essa narração metódica de passados, na produção do conhecimento a partir de um olhar local, de dentro. Esta proposta pode ler-se na nota que Khosa faz questão de colocar no livro: “Este retrato de um espaço identitário, de uma utopia que se fezverbo, assentou na rica e impressionante História do vale do Zambezeno chamado período mercantil. A intenção do livro foi a de resgatara alma de um tempo, a voz que não se grudou aos discursos dossaberes. O fundamento histórico valeu-me como porta de entradaao mundo de sonhos e angústias por que o vale do Zambeze passoudurante mais de quatro séculos…” Choriro, um lamento, uma espécie de exorcismo ao “epistemicídio”africano; um discurso que procura resgatar essas vozes abafadas,silenciadas ao longo do processo de produção desse conhecimentoque temos sobre nós próprios e sobre outros. Subjaz neste projecto um fundamento existencialista, a ideia deque o facto dessas vozes vincularem-se ao universo da oralidade “Em geral, os indígenas, nas frequentes e animadas con- A naturalidade com que os indígenas observam a realidadenão lhes permite afirmarem-se como um discurso válido e promotor versas em volta da fogueira, de tanto acharem natural a circundante, a ponto de se imiscuirem nela como um todo har-de um conhecimento produzido a partir de dentro. Isto significa, beleza circundante, não se extasiavam com o intermitente monioso – repare-se que canoeiros e carregadores deixam-seironicamente, que “os discursos dos saberes”, a que Khosa se refere luzir dos pirilampos, a miríade de estrelas abarrotando o céu, estar serenos no leito do rio, partilhando as mesmas águas comem alusão à epistemologia promovida pelo Ocidente, produziram o sussurro das folhas das árvores, ou o longícuo rugir de um os crocodilos – é antítese da artificialidade estampada no olhar dee promoveram um conhecimento sobre a “nossa” realidade a partir leão na savana dos predadores da noite. Eles pasmavam-se Chicuacha, para quem essa aliança não só não faz sentido comode fora, portanto, não intercambiando os afectos, não ouvindo essas com o encantamento de Chicuacha [o padre branco] ante o é perigosa. Mas é exactamente a essa aliança a que Etounga-outras vozes, exactamente pela sua natureza ágrafa, imprecisa e nascimento, na entrada abrupta da noite, das ilhas de fogo Manguelle (1991) se refere ao tentar caracterizar os valores dedúbia. com que os canoeiros e carregadores pintavam as noites ao África, os quais, exactamente por serem consubstanciais a tudo a longo do leito do Zambeze. Na escuridão das águas, era-lhe que a África diz respeito, caracterizarão a forma como o continente2. ...ao testemunho do narrador possível observar os intrigantes olhos dos crocodilos que à deverá (re)produzir um conhecimento localizado. Essa epistemo- direita e à esquerda perscrutavam os movimentos huma- logia, entre outros valores, será caracterizada por uma inserção
    • Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 7 Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 7- discurso dirEctopacífica com o meio ambiente” . Mas o que se entenderá por o facto de o Ocidente estar disposto a ajudar a África a resgatar as suas determina antecipadamente a natureza dos problemas científicos e os tipostal inserção? formas de conhecimento e a potenciá-las para o avanço da humanidade. de procedimentos que levam às respectivas soluções . Ora sabe-se que tais Abre-se, entretanto, a segunda possibilidade. Sugere-se então que, não soluções muitas vezes não respondem aos problemas colocados. Por isso se dando a transmudação de Luís António Gregódio, apesar da suposta Khosa sugere-nos, por outro lado, e ainda na esteira de Granger (1955), essa3. outras vozes inserção no meio ambiente, há uma negação ou pelo menos reserva e concepção romântica do conhecimento, a qual faz predominar os valores estranhamento em relação à primeira possibilidade. Mas por que Khosa vitais sobre os valores intelectuais , onde a acção, a emoção, a paixão, Wellek e Warren (1948), na busca de uma ciência literária, fun- colocaria possibilidades aparentemente antagónicas, a segunda tornando desempenham os principais papéis. Contra a imagem duma invetigaçãodamentam a sua existência no que entendem como “fruição em inviável a primeira? paciente, controlada, discutida, oferece-se o modelo de um saber directo,estado de simpatia” em relação aos objectos observados. Parece indecomponível, intraduzível, onde signos como símbolo, mito, imaginaçãoestar aqui reforçado, de certa forma mais extensivamente, o pres- 5. Para dasafiar os utópicos constituirão a porta de entrada para um universo de conhecimentos quesuposto de Etounga-Manguelle. Ora uma inserção pacífica com o mundo da oralidade encerra e cuja validade deve ser potenciada. Nãoo meio é o desejável, mas poucas vezes é conseguida, sobretudo Os espaços virtuais, como o que se abre na última página do romance, há, portanto, na recusa de Tyago, um pretenso monopólio científico, quiçáquando o investigador é “estranho” à realidade observável e vice- serão formas de projecção de futuros? Ora Khosa sugere, ao buscar essa determinado pelo carácter mitológico ou pelo secretismo a que se refere oversa. A inserção torna-se, então, não raras vezes, conflituosa, e essa História não escrita sobre o Zambeze, que o futuro não é exactamente narrador, como se poderia pensar. Pelo contrário, a epistemologia africanaconflitualidade determina o tipo de conhecimento que se produz, uma incógnita porque é feito de passados. Isto significa colocar o Homem há-de homogeneizar porque tudo deve estar na “nossa mente”, tornandoum conhecimento pouco emancipador, que possível a comunhão. O acesso ao conhecimento pressupõe semprecastra o diferente. É prestando a devida atenção uma espécie de iniciação, seja qual for o paradigma e as leis quea este “delírio uniformizador” que Matusse (1998) gerem o conhecimento. Assim se entende que o monopólio científicorepensa a teoria sobre o Fantástico, de Todorov. aqui é evocado como referência à epistemologia ocidental, de baseEsta teoria é repensada por Matusse em função escrita, exclusiva, selectiva e que cria a noção de Poder. É a estade determinados objectos, com os quais segura- imagem caótica, do Poder, a que o autor nos pode arrastar discor-mente o teórico russo não contactou. rendo sobre o fim último da espistemologia ocidental. A caracterização do fantástico, segundo Todo-rov, baseia-se na intervenção de fenómenos sobre- 7. A imagem do Podernaturais em condições tais que provocam na(s)personagem(s) e no leitor implícito a hesitação A escrita, aqui entendida como metonímia de epistemologia oci-sobre a sua natureza real ou ilusória. Assim, o fan- dental, criou e vai perpetuando o Poder, a subordinação de uns, quetástico situa-se entre o maravilhoso e o estranho . não sabem ler e escrever em Português, aos que detêm esse poderEntretanto, referindo-se à prosa de Couto e Khosa, e assim o conhecimento que ele mesmo produz e veicula. De facto,Matusse adverte para a necessidade de se a palavra grafada reclama a sua individualidade e subjectividade, e “considerar a noção de fantástico numa per- subjuga outros tons na cadeia sintagmática. Aqui está metaforizadospectiva histórica, como uma noção relativa. o fundamento, a génese e a natureza das nações africanas, queCom efeito, o fantástico resulta da ocorrência não se acautelaram perante estas questões de modo a potenciarde fenómenos que a experiência humana julga outros saberes e outras formas de os produzir, de modo a salva-como transgressores da ordem natural, tal como guardar o equilíbrio que a educação trazida pela colonização nãoessa experiência permite concebê-la. Não há, consegue. Importa destacar, entretanto, que esforços há no sentidopor conseguinte, um padrão válido para todas as de empoderar o cidadão analfabeto do ponto de vista da gramáticasociedades e civilizações a partir do qual se possa traçar uma fronteira africano – como aliás ele próprio é a metonímia – no centro da questão das línguas não locais. Basta pensar-se em desafios como o Ensino Bilingueentre o que é e o que não é fantástico. As nossas reflexões partem e acreditar que, afinal, África pode escrever o seu futuro a partir dessas ou em iniciativas de organizações que têm pedido proficiência em línguasde uma visão do mundo assente no modelo racionalista ocidental, vozes que, não estando grudadas aos discursos dos saberes produzidos a bantu a candidatos a emprego. Estes exemplos devem aguçar a nossamas os universos retratados nas obras pertencem a civilizações onde partir de fora, estão grudadas na mémória local. Esta ideia faz de Choriro atenção de modo que aprofundemos os argumentos ai subjacentes.imperam outros modelos de pensamento, outras crenças, enfim, um discurso alegórico sobre todas as formas de produção e reproduçãooutras concepções do que é a ordem natural.” – 171 do conhecimento válidas em função de contextos diversos e desiguais. 8. em jeito de conclusão A reserva de Matusse em relação à aplicação da teoria do fantástico Neste sentido, parafraseando Aurélio Rocha no posfácio à obra, diríamossobre o objecto em estudo é explicável à luz da afectividade e recon-hecimento culturalmente estabelecida e que se desencadeia quando que todo o conhecimento válido precisa, para a suposta validade, de algo que não foi ou não é possível afirmar-se a partir de um certo número de Ora as reflexões sobre as realidades doso crítico entra em contacto com o objecto, o que lhe permitiu tomarparcialmente aquela teoria, ou seja, produzir esse conhecimento hipóteses e dados. É com esta tese que em Choriro a escrita e a oralidade colocam-se no centro de ambivalências, hesitações e preconceitos muitas países africanos saídos da dominaçãooutro, localizado. vezes difíceis de resolver. E o grande preconceito que Choriro nos obriga a questionar é o das “autoridades científicas”, preconceito (re)produzido colonial têm sido produzidas a partir4. nhabezi, uma metáfora possível Esse é, como dissemos, o desafio que Khosa coloca no seu Choriro. sob o influxo ideológico segundo o qual o conhecimento científico é a única forma de conhecimento válida e que fundamenta, de forma radical, do modelo racionalista ocidental.Esta é a questão primacial, uma questão metaforicamente sugerida a emergência de qualquer forma de conhecimento na escrita que aos Os níves de desenvolvimento político e económico não lhespela “burla referencial”, para usar a noção de Matusse em “As poses países africanos chega com a nau colonial, no século XIV. Sabe-se que permitem ou quase não lhes permitem potenciar e disponibilizaridescritíveis”. Com efeito, ao fim das 145 páginas do romance de uma visão eurocêntrica acreditará que África passa a existir desde então. as suas formas de produção de conhecimento. Pelo contrário,Khosa, depois de levados, por esse mundo de sabedoria a resga- Entretanto, Khosa desafia-nos a pensar na condicionam que estes, como referem Santos e Meneses (2009),tar, pelos olhares, pensamentos e racionalidades que se cruzam e sirvam de matéria-prima para o avanço do conhecimento científicomuitas vezes se negam – porque esse o projecto – perguntamo-nos 6. escrita e oralidade como imagens... que vem do Norte. Para estes autores, continua adiada a negaçãose Nhabezi ou o branco Luís António Gregódio, depois de morto, a este epistemicídio, esta supressão dos conhecimentos locaischegou, de facto, a transmudar-se num espírito mpondoro, nesse O autor sugere-nos, por um lado, a escrita, o grafema, como o espectro perpetrada por um conhecimento alienígena que vem do Norte,“espírito de leão como outros soberanos das terras à margem sul do de uma racionalidade fixa, inflexível no que diz respeito à abertura a cujo projecto é homogeneizar o mundo, obliterando as diferençasZambeze se haviam transformado e governado espiritualmente os outras experiências, outras esferas do conhecimento. Por isso se esfuma culturais. Ora não parece que essas diferenças adiem a utopia doseus homens. Mas muitos duvidavam da real capacidade de o espírito no tempo, ou seja, é a imagem escatológica da epistemologia ocidental. diálogo, de um diálogo emancipador. Isto é o que se pode dizer dode Nhabezi em coabitar com outros no selecto reino das divindades Sugere o autor, por outro lado, que a racionalidade africana há-de ser carácter aberto da narrativa de Khosa, já atrás referido. O espaçoafricanas.” – p.39 deveras eclética, flexível e ritual. Por isso se renova ao longo do tempo, virtual, que na última página se abre, terá de ser híbrido, o que “ – No fundo não acreditas na mudança. numa visão mais humanista e até pragmática: significa que o futuro de países como Moçambique depende do – A questão não está em acreditar. É necessário que a alma seja “A princípio a relação [entre Tyago e Alfai] tendeu a azedar-se por Alfai intercâmbio dessas duas formas de conhecer e disponibilizar oaceite. querer registar em letra os procedimentos do fabrico da pólvora e das conhecimento. Fundar o conhecimento a partir de uma visão de – Por quem? gogodas, facto que irritou Tyago, pois só a ele e poucos outros, cabia dentro e relacioná-lo com outras visões é emancipar o próprio – Não perguntes a mim. passar o testemunho, dizia o messiri. E esses testemunhos não se fixam conhecimento e o seu agente de produção, o Homem. – É a cor? em letras que tremem ao vento. Tudo deve estar na nossa mente. Papéis – Nunca um branco se transformou em mpondoro.” – p.38 aqui não, Alfai, sentenciou Tyago.” – p.37 Bibliografia Se Luís António Gregódio assimilou os valores culturais, a cos- Atente-se ainda no excerto seguinte:movisão das gentes locais com quem contactou, a ponto de mudar “A relação entre Tyago e Alfai estreitara-se tanto com o tempo que Chic- GRANGER, Gilles-Gaston. a Razão. Lisboa: Edições 70, 1955.o nome para Nhabezi, podia esperar-se que a tão desejada trans- uacha deixara gradualmente de ser o confidente próximo no momento em KHOSA, Ungulani ba ka. Choriro. Maputo: Alcance, 2009.mudação ocorresse. Entretanto, a narrativa é aberta. Abre-se, pois, que se deslumbraram com as técnicas de fabrico de pólvora e armas de LOPES, José de Souza M. “Poderá ainda o Ocidente escutar a vozentre o curso dessa aculturação e o desejo dos indígenas, de que fogo. Fora lá, nas resguardadas oficinas de fogo e a mando de Gregódio, que vem da África?”. In AMÂNCIO, Iris Maria da Costa (org.). Áfricaa transmudação de Nhabezi num espírito mpondoro se desse – e que Chicuacha e Alfai se deram conta de outras capacidades que não Brasil África – Matrizes Heranças e Diálogos Contemporâneos. Beloassim veríamos concretizados, metaforicamente, alguns dos valores divisavam nos pretos. Rodeadas de secretismo e rituais, as oficinas de Horizonte: PUC Minas; Nandyala, 2008.de África apontados por Etounga-Manguelle: o apagamento do armas e utensílios de ferro encontravam-se interditas aos não iniciados. A MATUSSE, Gilberto. “As poses indescritíveis - Notas sobre as Burlaindivíduo, face à comunidade; a aceitação e a canalização das paixões elas só os iniciados por Nhabezi, Makula, Tyago e alguns mais podiam se Referencial em Ungulani Ba Ka Khosa”. In Lua Nova - Letras Artes e(principalmente pela ritualização); uma inserção pacífica com o meio iniciar nas artes de fabrico de pólvora, armas de fogo e outros artefactos Ideias. Maputo: AEMO, 2001.ambiente – um espaço virtual para todas as possibilidades, pois letais e não letais. Tal como os que se dedicavam à caça, canoagem ou aose o branco não permanece o mesmo, o mesmo acontece com o comércio a actividade ferreira tinha os seus rituais” – p. 37 MATUSSE, Gilberto. A construção da imagem de Moçambicani-indígena. Depreende-se que Khosa evoca, por um lado, e na linha de Granger dade em José Craveirinha, Mia Couto e Ungulani Ba Ka Khosa. Uma dessas possibilidades seria considerar, numa perspectiva (1955), aquela concepção fixista da razão científica, que rompeu com Maputo: Livraria Universitária, UEM, 1998.contemporânea, que Nhabezi personifica o projecto político do Oci- os quadros habituais da percepção, como é o caso da “apreensão das ROCHA, Aurélio. “Posfácio”. In KHOSA, Ungulani ba ka. Choriro.dente que vem a África “reparar os danos e impactos historicamente qualidades sensíveis individuais” dos objectos. É obliterando esta “fruição Maputo: Alcance, 2009.causados pelo capitalismo na sua relação colonial com o mundo” . Do em estado de simpatia”, ou seja, a especificidade e o contexto em que os SANTOS, Boaventura de Sousa, MENESES, Maria Paula (orgs.).ponto de vista estritamente epistemológico, a metáfora aponta para objectos em análise se inserem, que este tipo de pensamento científico Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009
    • 8 BLA BLA BLA Exero 01, 5555Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 8no rEcanto dE apoLo...Quando eu morrer… Auto-quotidiano TerEDuARDO QuiVE JAPONE ARiJuANE - MAPuTO PEDRO Du bOiS - bRASiL Levai a minha amada para os homens, Os meus filhos que fiquem com oalém. Tê-la ao meu lado Levai os meus escritos para o povo, Há vezes que a tristeza faz me muito feliz ter-me prisioneiro O que sobrar que seja para quem tê-la como consoloquiser. Quando triste lembro a felicidade vivida ter-me desconsolado tê-la entre tantas Na minha morte… Nunca da tristeza que vivo. ter-me sozinho Na minha transferência vital, tê-la no anoitecer Na minha derrota sob a vida, Felicidade é bem compreendida ter-me na escuridão Nos meus passos pelo horizonte, tê-la no que inicia Na tragédia contra a vida… quando se esta triste ter-me sem origem Mandam-me para avenida. tê-la como estrela Minha vida é o lado feliz da tristeza ter-me sob as nuvens Chamem a todos, tê-la no esplendor do vento Partilhem o meu corpo ter-me como calmaria com os ladrões do Lhanguene, tê-la na amplidão do horizonte Entreguem-me aos assassinos do Cardoso, ter-me em linha traçada. Partilhem os meus escombros com o além que levou Craveirinha, Com a desgraça que engoliu as palavras do Amim, O resto… Arco - Flechas Tu e eu… O resto fica com o inferno. Na minha morte, Poupem-me das omelias do padre João, Poupem-me das lágrimas que a mim cELSO FOLEgE - MAPuTO Ericson Maque - Lichinga não estarão a chorar, Não quero honras de ninguém, Involuntariamente o título causou susto! Somos dois… Nem nada… Será alguma guerra? Existo para… É mais uma de “ n “ batalhas Não existo sem… Quero apenas morrer. Em que flechas são poderosas armas? Nascemos algures Metam-me com urgência Nem antes nos conhecíamos na terra faminta que me vai comer com gosto. Não!Hoje são poderosas estrofes, rimas Juntos lá vamos Entreguem-me de imediato a justiça divina. Não! Aqui as vitimas não são físicas Bem longe de mim Os alvos não são específicos Nas escuras da incomensurável ambiguidade Distante do colo da minha mãe, Aqui as vitimas são aleatórias Das nossas vidas, vão os nossos desabafos. Abandonado pela poesia Os danos, nem sempre catastróficos E Engolido pelo silêncio profundo. dependem do grau de cognição dos destinatários recolha do texto: Mukurruza os alvos são todos racionais Meus com-planetáriosNos dias em que nós não Aqui não há cessar – fogo Que culpa temosexistiamos Porém, há um contágio de fogo nós? Para atingir até os mais carenciados Aqui as tácticas de combates São excertos de todos poetas citados AMéLiA MATAVELE - MAPuTO Todos poemas publicados Todas obras – flores Nos em que nós não existíamos Onde outros poetas sugam polém Minha terra já estava aqui Como se abelhas fossem Vieram brancos, amarelos Cor-de-rosa A poesia, arco e flechas MuKuRRuzA - LichiNgA Mas meu avô preto Arco permanece na alma do poeta Já existia aqui! Flechas são versos – balas perdidas (A um povo humilde por aí…) A elas todos somos potenciais vulneráveis Naqueles tempos não andava-se de chapa Pois temos uma infinidade de inarráveis Mas caminhava-se anomalias psíquicas, fendas comportamentais I Não tinham as exploradoras tecnologias Aqui não há excepções, em becos ou avenidas Maldito tempo difícil, Que hoje chegam aos nossos cabelos Minguamos desses golpes, Soam balas encravadas nas paredes, como mendigos da gorjeta Acordam banhadas de sangue no rosto. Eram vivos e saudáveis É terrível sacrificar se pela humanidade escolhida! Tenha certeza, senão não existíamos E então! O que quer o poeta? Viviam sem sofrer os quinze meticais do chapa Conseguirá ele moldar o planeta? Eram escravos de alguém Se essa for a sua utópica meta? II Mas, sim eram felizes. No irreparável cuspo da guerra, Não, o poeta não irá moldar o planeta Há um denomino que lhes enche Não como nós Seus escritos são delegados dessa missão De tristezas e lágrimas Somos escravos da tecnologia O poeta é apenas a caneta De caras secas e pálidas! Que nos explora sem motivo Instrumento sólido e variável Somos esmagados por raios de tristeza Importa mais o conteúdo E ares de insatisfação Que é a força motriz III Ah! Nos dias em que nós não existíamos Para arrancar cada anomalia De suor nudez Até o mar estava aliviado Pela sua basilar raiz. Deita (se) milhares pelo avermelhado chão. Agora até ele diz ao sol, a lua e as estrelas E tudo em volta fica encarnado! “ Quem me dera se regressássemos ao tempo em que eles não existiam”! IV Pátria se atormenta E de baixo de sol escaldante Vai o povo sonhando liberdade!
    • Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 9Terça-feira, 02 de Agosto de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 9“canto da poEsia”Labirintos por entre pensamentos Aconchego heresiasALMA DESALMADA E gRADíNiO ESPiNhO ANDERSON FERREiRA Nos misteriosos bairros da minha mente DAViD gAbRiEL NhASSENgO Murmuram vozes estranhas Santificai o poder dos fracos Vozes dessa alma desalmada que nos mesmos vive O meu aconchego Santificai a fortaleza dos fracos Manda-me escrever tudo quanto ela me diz Seria agora em teus braços, Santificai a criatura, que com olhos turvos Sem medo de escândalos dizer. Onde em infinitos abraços Espreita por trás das pedras de argamassa e cimento Nem sequer mentes humanas desfazer. Se perpetuava o meu sossego. São os olhos do fraco São os olhos do rei Mas não, o teu abandono foi integral A coroa é a sua virtude Algo envolve-me na sapiência de mil silêncios Deixando-me aqui sem norte A obediência é o seu escabelo Fala as falas que falo na dança do papel e a caneta E sem o amaldiçoado oriente. Santificai o poder dos fracos Sou eu? Me desconheço nos reflexos da minha alma uma desgraça total. Dos gladiadores franzinos Quem fala? Meu olhar se esconde nos labirintos, alguém me empresta versos Dos que governam a multidão Sim! há quem me desenha palavras na s0mbra da consciência. busco agora o meu conforto Santificai o poder dos fracos Nestes galhos do além Dos coroados Que maldosamente penetram-me Dos eleitos Esses versos que te são emprestados E fazem de mim mais um corno. Dos predestinados. Me são também emprestados Santificai a tua covardia Por uma alma sem alma Privado do todo, e serás eternamente santo, escravo, santo, escravo!! uma alma que nem sabe a origem da sua existência órfão de afeição, Que às vezes sabe nem sequer se existe carente de paixão come-me os dedos essa misteriosa alma E dono deste, amor desgraçado Nas noites quando se torna o silêncio mais silencioso Possui-me e grita vozes assustadoras nos bairros na minha mente. Sinto até o universo a fechar, A esperança a abrandar, O horizonte a desaparecer, ironia da vida Essa alma que me desata as vestes do pensamento E o destino a morrer. Me prende na loucura de não ser, talvez! Faz-me cativo dentro em mim, assombrando-me suas vozes sem melodia Tudo, mas tudo mesmo VicENTE SiTOE Ai se eu soubesse... Talvez me alça verdade de outros ventos ocultos Por conta deste momento, Primeiro nascemos Está em mim, sou eu, me procuro, não estou em mim, quem sou? cuja carência é de sossego com muita pressa, ao mundo viemos há labirintos em meu pensamento onde um silencio passa e deixa um poema. Que me obste o desespero. Provamos a doçura do pecado gostamos. Passamos a pecar sempre Necessito, pois como se tivéssemos vindo para pecar Se não mais de um abraço Que me traga hoje Depois vamos à escola A paz. A paz, e o amor.Poema do parvo Meu aconchego! Decoramos fórmulas e uma teoria “...lutar até à vitória” Ensinam-nos o sentido da vida Trilhamos os passos dos outrosEDgAR bAROSO Nos refugiamos na igreja A aurora desenha-se na projecção ortogonal do meu dia Repetimos versículos e os meus pensamentos se assentam num disco qualquer dessa memória vespertina. “Amai-vos uns aos outros...” Deslizo um lápis vazio de sorrisos porque o amor vale a pena na infinitude desse momento Este é o caminho certo da vida tentando conceber um plano estratégico funcional que te traga para as minhas noites inférteis, cada qual segue a sua vida do mesmo modo que eu roubava nacos de frango na panela da minha infância Mas a do um depende da do outro e ninguém descobria... Não somos independentes Não o consigo. NicO hiLTON TEMbE Somos apenas livres Tu és muito leite para estas manhãs de austeridade Mais livres para morrer do que para viver uma espécie de mel para a escuridão desse futuro sem ti Nascera do primeiro olhar destemido e isso ainda me assusta. A mais linda esperança de a conhecer Primeiro cavamos a terra A tua vida é uma ferida perita em construir nós de frustrações na garganta da minha ânsia de felicidade crescera do mais belo sorrir recolhido para enterrar a semente que produz comida e eu sempre fujo para ti. há trilhas de suas palavras tecer Depois cavamos para o nosso próprio enterro inspirara meu sentimento adormecido E quem nos enterra, depois lhe enterram também Algures num tempo esquecido - Esta é a ironia engraçada da vida há milhas do seu perecercoração em Leilão Me enchera de emoçãoJESSEMuSSE cAciNDA - NAMPuLA E me deixara encarnado numa paixão Nadira … Rubricada na face do meu olhar cronicada em cada cruzar do seu andar ARThuR DELLARubiA Quero dispir verdades com a minha caneta incitará em chamegos meu coração Quero este poema recitar em todo planeta Ao longo do meu sólido caminhar és tu Eis que sabereis vós que é a procura de perfeição A tal pessoa que completa a metade da minha laranja Que vou mesmo leiloar o meu coração Musa moçambicana de estilo natural O espírito que revive a minha a alma inconsequente jeito de furtar meu delírio emocional és tu, o caminho que me conduz a casa Mereço ser completamente amado Que brusca busca a verdade em minhas palavras Da minha crença és a santa Como os Deuses altamente adorado ubíqua se faz parecer em pensamentos Sem limites considerado indescritível ausência semântica em seus tormentos és tu, minha doce amada Como qualquer, um respeitado Da dádiva e incontestável certeza dos seus sentimentos A areia que brilha em minha praia Antecedidas de escravas insinuações de juramentos A flor que de paixão em pétalas rosadas Vou pô-lo em leilão Da sóbria e enlutada paixão que se fez banal és tu, o muito do meu pouco que completa o meu nada O meu espiritualista coração Não me num simples louvor é com mero prazer que lhe sirvo meu juízo final és tu Mas este coração vai para quem me der mais amor Meu amor incondicional A coisa mais certa e lógica que me põem irracional Em vossas mãos entrego este coração A verdade que nunca será mentira Dêm muito amor porque está em leilão és tu nadira… Procura duma moça amadora Que neste circuito de leilões será sem dúvidas a vencedoragRuPO DO FAcEbOOK: hTTP://www.FAcEbOOK.cOM/hOME.PhP?SK=gROuP_185846178099556&AP=1
    • Terça-feira, 02 de Agosto de 201110 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 https://literatas.blogs.sapo.mz 10Em outras paLavrasA Décima Primeira Campa À mim mesmo que as lágrimas derramei na manhã da 4ª feira, às 7.20h À minha irmã, que conversou com o morto no dia último da sua visita, e, teve a ousadia de noticiar-me às 7.18h DJOKANhANE *- MAPuTO À viúva que o cuidou em vida até a morte... A voz era trémula, gritava em voz morta de auxílio, as lágrimas desliza-vam no seu rosto negro, os braços tremiam, o roncar vindo do telemóvel precisas de força e coragem, nos torcemos para superar tudo é duro masanunciava tristeza. é a realidade. colocar sua mão à testa e no fim de beija-lo a testa, eu, só peguei-lhe os « O pai faleceu...» (Mãe da Flávia)12.47h pés para sentir seu frio pela última vez, senti uma energia. Foi a última parte da frase complexa que memorizei naquela manhã Liguei ao meu primo, o Nhacila.fatídica. Quando será o inteiro. Estas bem. « Posso imaginar. Amanhã estaremos ai para prestar a última e merecida Discerni a mente, recordei de tudo com o velho, balbucieie, chorei dois Sinto muito e nem sei como consola-lo homenagem a um homem que marcou, ao seu estilo, a passagem pelaminutos depois, rebentei a parede na inocência da raiva. neste momento. Beijo terra. E, foi primeiro irmão de minha mãe, depois grande amigo do meu Caminhei quarteirões, três, ao encontro da minha irmã, abracei-a, (Nucha) 19.34h pai e, finalmente, meu tio e amigo também. Que Deus ilume-ne seu últimosegurei as lágrimas para poder conter o cenário. caminho. Paz a sua alma.» Veio uma mulher, um homem, um jovem, e todos traziam caras tristes O meu sentimento pelo ocorrido. Mas a noite não passava, puxei da chavena cheia de uisque que levei nae carregadas de raiva da palavra morte. Deus é que sabe quando e como. capital para tirar o frio nos meus muscúlos e puxei uma pergunta familiar Ao fim da tarde juntamo-nos para fazer o plano fúnebre em casa da (Dr. António Saíde) ao meu tio-SISE, Paulino, primo legitimo e grande amigo do morto, nãominha irmã. esquece nada esse. Começou elogiando o morto, recordando o período A notícia espalhou-se como aves em tempo de reprodução na estação Que as portas da vasta planície se abram que os dois enfileiraram o serviço militar e tiveram distínos diferentescerta. a mente que deixou raízes férteis depois da independência, recorda a data de 1977 quando o governo novo «Livanine morreu na manhã lusco-fria da quarta-feira, as 6h35minutos, e vigorosas nestas terras em muito adustra. o mandou para organizar a secção dos recursos humanos e financeirosna sua terra natal, deitado na cama de um hospital local aos cuidados (Ungulani Ba Ka Khossa) 06.23h, 17-06-11 dos CFM, região Norte e Centro até o momento em que eu nasci em 81, e,médicos, depois de três dias de internamento. Morreu, num dia quinze mas não ouvi porque os olhos estavam fechados. Era uma noite lugrubedo sexto mês do ano, como morrem todos os heróis, de olhos fechados, Livanine pregava no seu tempo que o homem como a planície deserta.sem dor, sem raiva da planície que o vi-o nascer e guerrear as vicitudes veio de pó e de pó ele voltara. O burro zurra, as vacas não mungem, às cinco da manhã, os galos jáda vida, morreu como ordenam as leis da natureza para dar lugar a outra Paz a sua alma procuravam as vitaminas na areia fria, do nosso espaço residencial, asespécie, morreu e ocupou um lugar no cemitério familiar, onde jazem os e que Deus lhe de um eterno descanso na terra que o viu nascer. mulheres já preparavam a cozinha, os homens variam o quintal, masseus descendentes.» (B. Rungo) 07.14h,17.06.11 pessoas chegavam de vários cantos com lenha a mão, as mulheres, os Morreu depois do seu aniversário número cinquenta e oito, um mês homens com a cara triste.depois. A viajem até a planície fértil de Chibuto era triste, no rosto dos pas- A viúva da mas um suspiro de tristeza, as companheiras auxiliam no sageiros familiares via-se tristeza, conversávamos de tudo, recordávamos choro, o tio-avó Zé, já falei quem é, chamou o velho Costa, lider comuni-Palavras sobre a sua morte algo do morto. tário do povoado, este sim está nas últimas, o velho-morto é que fazia os A palavra morto, será usada ao longo da escrita no seu devido sentido, relatórios políticos, escrevia as preocupações da população e os verbos nada de pai, talvez velho, e nada de sobrenome que carregava, porque da ordem para usar nas reuniões municipais, nas reuniões com a classeDinis/Mãe/Izidro. Sejam fortes neste triste momento! a palavra deve assim ser sentida. politica chibutense, este sim estava incauto e com raiva da morte cépticaEstou convosco. Abraço-vos. É noite. Os cânticos cristãos evocavam tristezas, o Salmo inteiro em que o velho levou, veio ao centro do povoado ordenou ao pastor que(Salvador Ganhane)11.49h - 15.06.11 tempo de angústia acompanhavam a missa nocturna, as palavras de São pronuncia-se o Salmo 8 em tempo de angustia. Choros, grito, angustias, Mateus em seus versículos fúnebres substituíam o Salmos, as mulheres incertezas. Espanto tive, a minha irmã-prima Albertina, filha da minha tiaMeus pêsames Izidro. mas choravam, os homens mas roncos ficavam e nós em volta da fogueira Ana, irmã do velho-morto, mais velha, irmão do meu primo Nhacila, osA vida tem de continuar. aquecíamo-nos do frio bebendo do uísque que trouxemos da capital. dois subreviventes da família Zunguza, ela já não é porque casara, não O morto descansa no seu quarto, na sua campa, na sua cubata, vestido, mostrou-nos aqueles choros insurdecedores que demostrava sempre(Ungulani) 12.28h 15.06.11 trazia um dos seus fatos castanhos claro, camisa rosa clara, gravata as nos vários velórios próximos que a família já teve, aprendeu a chorar, por riscas castanhas e um preto ao fundo, as cores combinavam, nos pés vezes quando vinhamos, atirava-se ao chão só de ver as pessoas sentadasMeu caro amigo e sócio, as minhas sentidas condolências um par de meias ou peúgas, os calçados da civilização ficaram. Tive a tristes e sempre a tia Marta, irmã do velho-morto, adotiva do meu avóa família enlutada. Paz a sua alma que descance em paz oportunidade de o ver na noite em que chegamos, eu, minha tia, meu tio- André Dimande, era a única que a consolava.(Cândido Mahalambe)12-16h - 15.06.11 padrinho, meu tio-avo Zé, fomos convidados a entrar na sua cubata para Dentro da cubata, descansava o velho-morto. Entrei eu, meu tio o Rhifo, ver o estado do morto e dar sua última despedida sem aquele agregado o mais novo do clã, o que sobrou, o meu tio-avo Zé, o meu tio-SISE e mais populacional a lutar para o despedir. dois velhos sem recordação na minha mente. Queria tanto carregar aMeus pêsames. Coberto de um lençol branco que minha tia Luisa Dimande ou Lulu campa do velho-morto para lhe pestar a última homenagem, mas o tio-(Dr. Carlos Quembo) 12.07h como carinhosamente a chamo, comprara no mercado central do Chibuto. SISE, pronunciou na sua voz que há procedimentos que eu e o meu tio, E a elegância foi-lhe imposta por um sobrinho dele, filho de um tio meu os mas próximos que ali estávamos não deviamos. Raiva. Fúria. Foi o queMeus pêsames. Abraços. Estamos juntos. de nome António. Foi ele que o recebeu após chegar do hospital. Veio abalou a minha mente e a do meu tio-padrinho, o mineiro da família, pai(Da Costa) 12.05h numa carrinha toyota Hilux branca, de um tal professor local chamado do Mufundise Derick, Tamara, Júnior e Jennifa, é meu tio-padrinho porque Eduardo, cujo valor do serviço foi de duas notas de duzentos e pagas pelo quando fiz o baptismo em 97, no dia fatídico da princensa Diana de gales, meu tio-padrinho no sábado em que fomos a vila comprar mantimentos ele e a esposa foram os que mim apadrinharam, e orgulhosos estão atéMeus pêsames a família enlutada. Vais ao enterro? e a Estrela, esposa do meu meio-irmão, o tomador Ofélio que tanto quer hoje, porque fui o único sobrinho baptizado no clã Dimande.(Justino Fumo) 12.10h ser mais velho em relação a minha pessoa, apresentara-nos quando se E assistimos os quatro homens carregando o velho-morto para fora, saudaram. Ela como mulher foi na nossa companhia para escolher os os que nós os dois fizemos, foi colocar quatro cadeiras junto a multidãoDeus dá, Deus leva! melhores trazes pretos para a viúva do velho. Compramos uma blusa que o via no quintal em frente a cubata. Abri o caixão. Vi outras vez oMeus sentimentos de mangas compridas, por ser inverno, uma saia e meia-saia preta de velho-morto naquele fato, tinha no meu bolço castanho, aquele que levo(Imaculada) 11.24h tecido fino, uma capulana e lenço do mesmo tecido. Para terminar umas sempre quando vou a boa vida nocturna da capital, aquele meu casaco sapatinhas pretas de atacadores, as sem atacadores não encontramos. de algodão, castanho e um azul escuro nos braços, tinha um frasco de Então foi ai que conhecemos quem transportou o velho e transportou- perfume para o morto-velho de marca Sandra. O cheiro era forte. OOs meus sentimentos amigo. nos de volta a aldeia depois do copofônico entre eu e meu tio-padrinho. líquido era muito castanho, quase escuro. A dureza da garrafa era forte.Muita força, saiba que pode contar comigo. O velho-morto antes de ser transportado passou as últimas noites de Tirei do bolço e passei ao meu tio-SISE. O pastor leu o Mateus e pediu que(Zacarias Mabote)11.16h suspiro antes de ir ao hospital em casa do meu avo-tio Zé, já falei do se entoa-se um cântico enquanto os mas próximos vissem pela última meu tio-avo? É irmão de um tio meu que o conheço bem, o tio André vez o velho-morto e joga-sem o perfume de morte. Primeiro foi a minhaMeus sentimentos e muita força ai. que trabalhava na Interfranca, aquela loja que localiza-se na Av. 24 de irmã, depois o tio-SISE, depois a minha mãe, não a viúva, a minha mãe Julho, em frente as bombas da Total, aquela loja onde na era colonial só a foi casada com o velho antes de eu vir ao mundo, quando eu vim não(Aires Mabote)11.14h classe branca entrava, nós só depois do Samora é que passamos a comer durou muito e já estavam separados. Por azar ficamos na província do o alimento dali, essa que hoje tem outro nome, o capitalismo vendeu, e centro entregues a ela só ou ao velho já não sei quem, porque quando oOs meus profundos sentimentos pelo sucedido, vinha sempre aos domingos visitar-nos, quando eu ia a casa dele, lá nas meu tio-aviador, porque trabalha nas Linhas Aéreas de Moçambique e eramuita força meu camarada, bandas do muro da Universidade Eduardo Mondlane, sempre servia-me piloto militar, o Feliciano, disse-me no domingo terceiro que o velho jaziaquando e onde serão as ezequias fúnebres. maçã da cooperativa e refresco em lata, filhos de um irmão do meu avó, na cova, que quando os meus pais separaram-se ele como levava-nos a(Júlio Mulate) 11.13h pai do morto, que a muito está sentado ao lado do seu pai Noa Dimande passear no ar, levou-nos de volta a capital. Esta parte da história já não e sua mãe Marta, nós a chamava-mos vovó Marita, sem se esquecer da me interessa saber, o que sei é que o tio-aviador trouxe-me a custo zero sua querida esposa Nocitina Dimande. É de mim orgulhar que todos se no voo das LAM ou da força aérea. De seguida minha tia Filomena, minhaTomamos conhecimento do acontecimento, casaram oficialmente com direito a uma missa na igreja União Baptista prima Mariazinha, filha da tia Filomena, duas mulheres cujo nomes nãoseja forte e corajoso. de Moçambique, inclusive o morto. conheço, quatro outras pessoas com o mesmo problema de nomeclatura,Os nossos profundos sentimentos. Sinta a nossa presença.(Estagiária O meu tio-avó, este sim é quem deveria ter a face inchada de lágrimas, minha prima-irmã de verdade, foi durante vinte dois anos minha prima eBia) 8.04h viveu os últimos três dias de delírio com o morto, preparou sua papelada frequentávamos o mesmo cenário familiar tanto pela parte materna assim de morto e levou-o as terrras onde jazem os outros. como paterna, a mãe é irmã do meio da minha mãe, até ao dia em que aBom dia padrinho, meus pêsames. A noite está fria, os escorpiões não se atreveram a sair das suas tocas e minha prima Sónia ou mana Sónia com a boca cheia de raiva do convívio(Nunucha) 8.01h invenenarem-nos. O morto descansa, quando cheguei a Vacanhecanhe usando os temas novelescos, pronuncio diante de mim e da minha irmã fizemos uma reza ao morto, abri o caixão, autorizado, vi a face branca do que ela a Tina era, não é minha nossa irmã, filha do velho-mortoFlávia e família, apresentam as sentidas condolências. Neste momento preto do velho-morto, um fio de lagrima molhou a minha face em orbita CONTINUA quando vi minha irmã contorcendo-se de choros. Ela teve a coragem de