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  • 1. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad EaD Editar Anexar Impressão Iniciar sessão ou Você está aqui: TWiki > Web EaD > LivroAvaliacaoEmEad r7 - 18 Feb 2011 - 08:23:02 - Main.PeterStone Registro , create new tag Web EaD Índice Criar Novo Tópico Índice 1 - Direitos autorais e licenciamento Busca 2 - Avaliação como motivação para a aprendizagem Alterações 2.1 - Introdução Notificações 2.2 - O que é ensinar? Estatísticas 2.3 - Educação a distância – contexto, limites e possibilidades. Preferências 2.4 - A interface aluno - professor 2.5 - Como avaliar a aprendizagem Webs 2.6 - Avaliar na educação a distância. BrOffice 2.7 - Conclusão EaD 3 - Avaliação diagnóstica GrupoJava 3.1 - Os três tipos de avaliação GrupoLinux 3.1.1 - Avaliação Diagnóstica GrupoLogica 3.1.2 - Avaliação Formativa GrupoWeb 3.1.3 - Avaliação Somativa Main 3.2 - Função da avaliação diagnóstica Ruby 3.3 - Por que tanta ênfase nas avaliações somativas? SGBD 3.4 Aplicando avaliações diagnósticas SO 3.5 - Avaliações diagnósticas para EaD: ATTLS e COLLES Sandbox 3.6 - A importância de cada tipo de avaliação TWiki 3.7 - Considerações finais Wikeditora 4 - Avaliação formativa WikiEdu 4.1 - Introdução 4.2 - Para que serve a avaliação formativa: discutindo o processo 4.3 - Acompanhando e Rastreando o processo de aprendizagem do aluno em EaD 4.4 - Instrumentos de avaliação 4.5 - Formação avaliativa pressupõe feedback 4.6 - Desafios de personalizar, contextualizar e gerar estratégias de feedback 4.7 - Avaliação Formativa na ótica de Otto Peters 5 - Avaliação somativa 5.1 - Introdução 5.2 - Enfoques 5.3 - Critérios para Elaboração 5.4 - Escopo de Avaliação 5.5 - Avaliação Somativa em Ambientes Virtuais de Aprendizagem 5.6 - A Importância da Avaliação Somativa 6 - Subjetividade da avaliação 6.1 - Objetividade, subjetividade e intersubjetividade na avaliação 6.2 - Mediação semiótica 6.3 - Dizeres, saberes e fazeres da avaliação 6.4 - Em síntese, mas não concluindo 7 - Avaliação Ergonômica 7.1 - Relação entre Avaliação ergonômica, Avaliação Contínua e Avaliação Formativa 7.2 - Avaliando a Ergonomia do Material didático 7.3 - Considerações Finais 8 - Avaliação de aprendizagens 8.1 Um Breve Relato sobre Avaliação de Aprendizagens em EAD Uma visão panorâmica da origem da avaliação de aprendizagem 8.2 - Avaliação de Aprendizagens exige um novo conceito em Ambientes Virtuais de Ensino- Aprendizagem 8.3 - Avaliação e Aprendizagens Significativas 8.4 - Qualificação x Classificação 9 - Avaliação curricular 9.1 - Introdução 9.2 - O que é um currículo em EAD 9.3 - Avaliando o currículo 9.4 - A EaD no Brasil 9.5 - Novos papeis pra o Professor e aluno 9.6 - O atendimento ao aluno via instrumento de aprendizagem 9.7 - Considerações finais1 de 81 29/9/2011 16:27
  • 2. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 10 - Avaliação de competências 10.1 - A Avaliação de Competências no contexto do Ensino Superior a Distância 10.1.1 - O Planejamento da Avaliação sob a ótica do ciclo PDCA 10.1.2 - O Treinamento do Professor 10.2 - Competências e Habilidades 10.2.1 - O que são Competências? 10.2.2 - Diferença fundamental entre Habilidade e Competência 10.3 - O Processo de Avaliação de Competências 10.3.1 - A metodologia A2Comp para Avaliação de Competências 10.3.2 - O Ambiente AulaNet e a Avaliação de Competências 10.4 - Avaliação de Competências X Avaliação de Desempenho 11 - Avaliação colaborativa 11.1 - Introdução 11.2 - A Interatividade 11.3 - A avaliação colaborativa 11.4 - Conclusão 12 - Avaliação da interatividade 12.1 - Interação versus Interatividade 12.2 - Avaliação da Interatividade em Ambientes de EaD 12.3 - A abordagem téorico-construtivista 12.4 - Circunstância da aprendizagem 12.5 - Recursos tecnológicos 12.6 - Suporte ao aluno 12.7 - Interatividade do estudo 12.8 - Instrumentos para avaliação 12.9 - O processo de avaliação 13 - Avaliação de softwares educativos 13.1 - Introdução 13.2 - Base Pedagógica de um Software Educativo 13.3 - Classificação 13.3.1 - Tutoriais 13.3.2 - Exercícios e Práticas 13.3.3 - Programação 13.3.4 - Aplicativos 13.3.5 - Multimídia e Internet 13.3.6 - Simulação e Modelagem 13.3.7 - Jogos 13.4 - Outros critérios de classificação 13.4.1 - Classificação por níveis de Aprendizagem 13.4.2 - Classificação de acordo com a função 13.4.3 - Classificação segundo os Fundamentos Educativos 13.5 - Avaliação de um software 13.6 - Papel do Professor na avaliação dos Softwares 14 - Avaliação de sistemas de EaD 14.1 - Direcionando nosso olhar 14.2 - A importância da Avaliação no contexto educacional 14.3 - Os principais indicadores de um projeto em Ead 14.4 - Os sistemas em Ead 14.5 - Conclusão 14.6 - Referências: 15 - Avaliação de recursos audiovisuais para EaD 15.1 - Introdução 15.2 - Por que usar o audiovisual? 15.3 - Audiovisual e público-alvo 15.4 - Produção audiovisual 15.5 - Estudo de caso: a TV Escola 15.6 - Novo cenário 15.7 - Conclusão 16 - Avaliação de AVAs 16.1 - Concepções Gerais 16.2 - Qualidade de AVA 16.3 - AVA e Recursos 16.4 - Avaliação on-line (Avaliação Em AVA) 17 - Avaliação de chats 17.1 - Avaliando chats - uma mudança no processo de avaliação nos cursos a distância 17.2 - Avaliar para quem? 17.3 - Mudando as formas de avaliar em cursos a distância 17.4 - Bibliografia. 18 - Avaliação de fóruns de discussão2 de 81 29/9/2011 16:27
  • 3. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 18.1 - Introdução 18.2 - Relação entre Avaliação e Planejamento 18.3 - Desafios da Avaliação em EAD 18.4 - A avaliação da aprendizagem em Fóruns de Discussão 18.5 - Fórum de Discussão, utilizado como Recurso Avaliativo. 18.6 - Procedimentos para Construção e Desenvolvimento do Fórum de Discussão 18.6.1 - Critérios Avaliativos 18.7 - Dinâmica de Gerenciamento de Fóruns 18.8 - Regulamentando Fórum de Discussão 18.9 - Pensar o Fórum – Docente e Discente 18.10 - Pensar o Fórum - Discente 18.11 - Referências 19 - Avaliação de blogs educativos 19.1 - Introdução 19.2 - Avaliação e suas formas 19.3 - Avaliação em EaD 19.4 - Utilizando Blogs 19.5 - Avaliação e Blogs em educação 19.6 - Considerações finais 20 - Avaliação do professor 20.1 - REFERÊNCIAS 21 - Avaliação do tutor 21.1 - A Tutoria na visão de Otto Peters 21.2 - Avaliação – o papel do Tutor nesse processo 21.3 - Referências Bibliográficas usadas nesse capítulo 22 - Referências Bibliográficas 23 Comentários, sugestões e dúvidas 1 - Direitos autorais e licenciamento Direitos autorais © 2003 - 2006, por cada autor de capítulo e seus respectivos colaboradores. Este trabalho está licenciado separadamente por capítulos sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5. Para ver uma cópia desta licença, visite http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/ ou envie uma carta para Creative Commons, 559 Nathan Abbott Way, Stanford, California 94305, USA. Atribuição-Uso Não-Comercial-Compatilhamento pela mesma licença 2.0 Brasil Você pode: copiar, distribuir, exibir e executar a obra criar obras derivadas Sob as seguintes condições: Atribuição: Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Uso Não-Comercial: Você não pode utilizar esta obra com finalidades comerciais. Compartilhamento pela mesma Licença: Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta. Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra. Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que Você obtenha permissão do autor. Qualquer direito de uso legítimo (ou "fair use") concedido por lei, ou qualquer outro direito protegido pela legislação local, não são em hipótese alguma afetados pelo disposto acima. Este é um sumário para leigos da Licença Jurídica, acessível na íntegra em: http://creativecommons.org/licenses3 de 81 29/9/2011 16:27
  • 4. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad /by-nc-sa/2.5/br/legalcode A Licença Simplificada não é uma licença propriamente dita. Ela é apenas uma referência útil para entender a Licença Jurídica (a licença integral) - ela é uma expressão dos seus termos-chave que pode ser compreendida por qualquer pessoa. A Licença Simplifica em si não tem valor legal e seu conteúdo não aparece na licença integral. O Creative Commons não é um escritório de advocacia e não presta serviços jurídicos. A distribuição, exibição ou inclusão de links para esta Licença Simplificada não estabelece qualquer relação advocatícia. 2 - Avaliação como motivação para a aprendizagem Eliane Vasconcellos Garcia Duarte 2.1 - Introdução “Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa”. Guimarães Rosa Vivemos na contemporaneidade, com um cenário sócio-econômico fortemente influenciado pela globalização econômica, exigindo dos indivíduos uma postura ativa no sentido de se adaptar e sobreviver a uma realidade de constantes e profundas mudanças políticas, econômicas, educacionais e sociais. Exigindo, para que possamos acompanhá-las, uma constante reciclagem, absorvendo novos conhecimentos e, também, quebrando paradigmas. As implicações das mudanças no ambiente em que vivemos são profundas e inquietantes, tanto do ponto de vista pessoal quanto empresarial, e nos chamam a atenção para o fato de que manter-se “atualizado” é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência. Também é necessário lembrar que embora vivamos em uma era de grandes avanços tecnológicos, onde a velocidade da informação é influenciada pelo desenvolvimento das TIC’s e o uso de máquinas está presente em nosso cotidiano, o aumento da produtividade não é função somente de tais ingredientes. Exige de todos nós uma forma de ver, sentir e organizar a sociedade. Vendo por este prisma, a educação a distância possibilita uma alternativa viável de oferecer educação para esta demanda crescente por conhecimento. Segundo Drucker (1992), “a produtividade dos grupos que hoje dominam a força de trabalho, trabalhadores com conhecimento e trabalhadores em serviços, será o maior e mais difícil desafio a ser enfrentado pelos gerentes nos países em desenvolvidos nas próximas décadas. E o trabalho sério, a respeito dessa intimidante tarefa, apenas começou. A explosão da produtividade, também pagou pela expansão da educação, de dez vezes. A produtividade transformou-se na riqueza das nações”. Na era do conhecimento a questão da produtividade está intimamente atrelada à questão do aprendizado, e ao analisarmos a história e a evolução da Administração veremos que a ênfase sempre foi no aumento da produtividade, basta para tanto um estudo mais detalhado das idéias de Taylor, Fayol e seus contemporâneos, embora as ações desenvolvidas a partir desses estudos somente contribuíssem para o aumento da produção. Hoje em dia é amplamente aceita, embora ainda não seja praticada de forma irrestrita, a teoria de que o conhecimento que o trabalhador tem do seu trabalho é o ponto de partida para a elevação conjunta da qualidade, da produtividade e do desempenho. Ainda segundo Drucker [7], “mais duas lições que Taylor e Mayo não conheciam: a maior produtividade necessita de aprendizado contínuo. Não basta reprojetar a função e treinar o trabalhador em uma nova maneira de executá-la – o que pregava Taylor. Tem início o aprendizado, o qual nunca é um produto acabado. Na verdade, o maior beneficio do treinamento não está em aprender o novo. Está em se fazer melhor aquilo que já fazemos bem. E, igualmente importante, uma constatação recente: as pessoas que trabalham com conhecimentos e serviços aprendem mais quando ensinam. A melhor maneira de aumentar a produtividade de um grande vendedor é faze-lo apresentar os segredos do meu sucesso” numa convenção de vendas. A melhor maneira de um cirurgião melhorar seu desempenho é fazer uma palestra a esse respeito na associação médica. Fala-se muito que, na era da informação, toda Empresa deve transformar-se numa instituição de aprendizado. “Ela também deve se transformar em uma instituição de ensino”. O processo educacional é essencial para o ser humano. “O homem é um ser perfectível, um ser de cultura e dependente da educação para levar à plenificação a sua inteligência e a sua vontade a fim de vir a ser ele mesmo.” (Niskier [25]) damos para aprender, para crescer, para nos informar, para questionar, para socializar-nos, enfim para sermos um cidadão. Não basta que o ensino transmita apenas habilidades e conhecimentos já alcançados, mas que eduque o indivíduo transformando-o num homem completo. Portanto, podemos claramente perceber o papel da educação na sociedade em que vivemos, e para tanto é necessário que todos os envolvidos, principalmente os educadores, avaliem o contexto em que atuam e procurem desenvolver métodos e soluções para garantir a efetividade do ensino e do aprendizado. 2.2 - O que é ensinar? “Educar todas as crianças não é tão importante quanto despertar nelas o desejo de aprender.” (John Lubbock, 1834-1913)4 de 81 29/9/2011 16:27
  • 5. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Procuramos enfatizar um ambiente onde está em curso um processo de mudanças tão radicais e velozes que as instituições de ensino, a exemplo do que vem ocorrendo em outras áreas, terão de redefinir seu papel e seus objetivos. Nas observações de alguns futuristas, o grande objetivo da educação será capacitar os indivíduos a: Assumir responsabilidades sobre o seu próprio futuro. Adquirir conhecimento básico que viabilize suas necessidades de reaprender continuamente e com maior rapidez. Neste contexto a grande tarefa do educador e professor é desenvolver ações para garantir que o aprendizado ocorra e que o aluno possa utilizar, de forma efetiva, os conhecimentos transferidos em sala de aula. De acordo com Jeanette Voss, em seu livro Revolucionando a Aprendizagem (São Paulo: Makron, 19XX), o ser humano aprende, em média, 10% pelo que lê; 15% pelo que ouve e 80% pelo que vivencia. Significa que temos sistematicamente negligenciado o fator mais importante, que é a participação ativa do aluno no processo. Vivenciar é mudar o foco de ensinar para aprender. Isto faz do aluno o grande responsável pelo que aprende, transformando-o em exigente “consumidor de conhecimento”. Neste cenário, não haverá lugar para currículos massificados, pois os educadores devem estar voltados para transmitir, na medida do possível, exatamente aquilo que o aluno necessita. Segundo Lima [19], “o professor não ensina, ajuda o aluno a aprender”. Reforçando esta afirmativa relembramos o filme “A Sociedade dos Poetas Mortos” onde o Professor protagonizado por Robin Williams enfatiza que “Educar é ensinar a pensar sozinho”. Para tanto, vemos na EAD uma modalidade que enfatiza o texto acima, onde segundo Peters [29] _“numa visão tradicional, sob ponto de vista didático, o processo de ensino e aprendizagem tem uma ligação mais ou menos integrada de formas do aprendizado no estudo em sala de aula, pois consta de”: Aprender por meio de leitura e material impresso. Aprender por meio do estudo dirigido. Aprender por meio do trabalho científico autônomo. Aprender por meio da comunicação pessoal. Aprender por meio de meios auditivos e audiovisuais. Aprender por meio da participação em tradicionais ofertas de ensino acadêmico.”_ Durante o processo de ensino-aprendizagem existem fatores intervenientes que devem ser considerados para que o resultado seja o mais efetivo possível. Esses fatores podem ser resumidos conforme abaixo: Por parte do aluno. O seu desejo de aprender e o nível de conhecimentos que já possui; além disso, é importante também considerarmos que a relação entre aluno x professor, e a atitude do aluno com relação ao conteúdo que se deseja ensinar, são também pontos importantes; Quanto ao assunto a ser ensinado. A estrutura do conteúdo que será transmitido, os requisitos para que a aprendizagem se efetive (conceitos, associação, princípios, etc.), e a ordem de apresentação dos assuntos; Por parte do Professor. Os componentes da situação, a forma como verbaliza o conteúdo durante a transmissão, sua postura e entusiasmo com relação à disciplina, sua postura como exemplo a ser seguido e, as informações que ele transmite ao aluno acerca de seu progresso no processo de aprendizagem. Ao longo dos últimos anos a prática docente vem se reformulando com o propósito de se adequar às mudanças do ambiente, e também obter melhores resultados no processo de ensino-aprendizagem com o uso de recursos e métodos mais apropriados ao mundo em que vivemos e às posturas dos alunos que entram em nossas salas de aula (presencial ou virtual). Uma comparação entre a antiga x nova práxis docente pode ser resumidamente apresentada: Antigo Novo Aula Orientação Transmitir Construir Copiar Participar Prova Elaboração própria Verdade Aproximação Nesse contexto podemos fazer uma representação esquemática da visão do processo de ensino-aprendizagem:5 de 81 29/9/2011 16:27
  • 6. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 2.3 - Educação a distância – contexto, limites e possibilidades. Para tanto a educação a distância é uma poderosa ferramenta, dentro do ambiente educacional, com possibilidades de atender a um número quase ilimitado de alunos, com uma metodologia mais efetiva do que as outras modalidades e com a garantia de que os serviços ofertados não perderão qualidade independente da quantidade crescente de alunos. Desde a década de 60 a educação a distância vem sinalizando, que é uma nova modalidade de ensino nada convencional, comparativamente aos outros modelos, tendo ainda um grande espaço a ocupar. Com uma grande vantagem competitiva, o atendimento de um número excessivamente grande de alunos, com grande chance de ser eficiente, eficaz e com qualidade garantida, atendendo plenamente aos anseios de universalização do ensino no Brasil pelas instituições educacionais, com uma demanda cada vez maior e considerando também a condição sócio- econômica do alunado, ficam impossibilitados fisicamente de atender a procura. Dotar as instituições de uma modalidade como a educação à distância, é oferecer a demanda sempre crescente de pessoas ávidas por conhecimento, de um instrumento de ensino e treinamento, ágil, célere e qualitativamente melhor com a garantia de que o conhecimento gerado intensamente pela ciência e cultura humana tem um meio apropriado a sua permanente atualização será propagada de forma rápida e fiel. Segundo Keegan [16] (p.11), “a educação a distância não apareceu no vácuo da educação tradicional, ela tem uma longa história de experimentações, sucessos e fracassos. Podemos considerar que as cartas de Platão e as epístolas de São Paulo como um meio de informação e conhecimento, portanto de educação à distância, todavia temos evidências mais recentes, pois a partir do século XVIII já temos sinais do seu uso, muito embora somente no meado do século XIX, a utilização de educação por correspondência foi largamente utilizada”. Se considerarmos que nos dias atuais a utilização de multimeios, como simuladores on-line em rede de computadores, sistemas de dados em voz-imagem via satélite ou por cabos de fibra ótica, formas avançadas de comunicação e que podem servir de interação entre o aluno e o centro produtor, podemos deduzir o grande potencial que a educação a distância tem para transformar a história da educação no nosso país. No inicio do século XX, o ensino por correspondência foi a melhor alternativa encontrada dentre as varias experiências adotadas pelos educadores, e posteriormente com a introdução do rádio, o grande meio de comunicação utilizado para a divulgação do ensino à distância, principalmente no meio rural, onde diversos projetos foram desenvolvidos objetivando alcançar aluno do interior carente de conhecimento, o EAD foi consolidado como a grande revolução do ensino no Brasil. Os nossos grandes exemplos foram à fundação, em 1939, do Instituto Rádio-Monitor, e em 1941, o Instituto Universal Brasileiro, que alavancaram de forma agressiva, vários projetos com algum sucesso. Entretanto, como temos um traço cultural constante nesta área que é a descontinuidade dos projetos, notadamente no âmbito governamental, os resultados foram se perdendo no tempo e consequentemente os projetos foram diminuindo ou interrompidos definitivamente. Um belo exemplo do uso do EAD foi à utilização do código Morse, método desenvolvido por F. Keller em 1943, destaque entre os vários métodos utilizados para uma capacitação rápida dos recrutas norte-americanos durante a6 de 81 29/9/2011 16:27
  • 7. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad II Guerra Mundial na recepção de mensagens, que mesmo após o seu termino teve uma ampla e universal utilização, principalmente para a integração social dos atingidos pelos efeitos da guerra na sua nova capacidade laboral, vez que a migração do campo para a reconstrução dos grandes centros pela população exigia uma rápida forma de transmissão de informações. No Brasil as “escolas radiofônicas”, desenvolvidas a partir do MEB - Movimento de Educação de Base, programa voltado para alfabetização e acompanhamento dos primeiros passos dos milhares de jovens e adultos, notadamente no Norte e Nordeste do País, foi sem dúvida o grande destaque entre os projetos voltados para a EAD. Mas, a repressão política que foi imposta a partir do golpe militar de 1964, fez com que o projeto fosse abandonado, esvaindo-se assim todos os esforços e ideais de educação de massa. Mas, uma ferramenta com tantas vantagens não poderia arrefecer no seu crescimento, assim é que a partir dos meados dos anos 60, a EAD deu um grande salto no campo da educação secundaria e superior, começando pela Europa, na França e Inglaterra, tendo posteriormente alcançado os demais continentes. Somando-se a estas podemos acrescentar a Universidade Nacional Aberta, da Venezuela; Universidade Nacional de Educação a Distância, da Espanha; o Sistema de Educação a Distância, da Colômbia; a Universidade de Athabasca, no Canadá; a Universidade para Todos os Homens e as 28 Universidades locais de televisão da China Popular, entre muitas outras. Atualmente milhões de estudantes são atendidos, em mais de 80 paises nos cincos continentes, nos diversos níveis de ensino, seja pelo sistema formal ou não-formal, consolidando a EAD como um grande instrumento de formação. Os próprios professores são treinados e aperfeiçoados através da EAD, como é o caso do México, Tanzânia, Nigéria, Angola e Moçambique. Vários cursos, não formais de ensino, para adultos, nas áreas de saúde, agricultura e previdência social, são oferecidos tanto pela iniciativa privada como pelos Governos. O numero de empresas e instituições desenvolvendo cursos e treinamentos voltados para o desenvolvimento dos seus recursos humanos, através da EAD é cada vez maior. Na Europa o treinamento de pessoal, principalmente na área financeira, é investido de forma cada vez mais vigorosa, por se acreditar que seja a melhor forma de obter maior produtividade e uma grande redução de custos (Nunes, 1992 a). Nos Estados Unidos, quando em 1993 assumiu novo governo, os investimentos em formação e treinamento de pessoal foram a grande arma utilizada para melhorar o desempenho de um modo geral e a EAD foi o grande canal que contribuiu para o sucesso do programa desenvolvido na época. A experiência brasileira: governamental, não-governamental ou privada, nas últimas décadas tem tido o envolvimento de um bom número de técnicos, grandes recursos financeiros, contudo os resultados ainda não espelham o grande esforço feito para consolidar a EAD no cenário nacional. No Brasil algumas empresas são destaques no tema; tal como a Petrobrás, que no período entre 1998 a 2001 formou, via Internet, no curso de escolarização básica 4.500 colaboradores. A Empresa possui 40 salas de videoconferência espalhadas pelo país, sendo uma delas no meio da selva Amazônica, às margens do rio Urucu, a 600 km de Manaus. Alguns fatores têm contribuído decisivamente para que a não aceitação aconteça, tais como: descontinuidade dos projetos, a ausência de memória administrativa pública brasileira e receio em se adotar procedimentos mais rigorosos e científicos de avaliação de programas e projetos. Dentro deste contexto podem-se estabelecer alguns fatores que limitam e dificultam a atuação da EAD como ferramenta da educação: População Dispersa. Considerando algumas razões como posição geográfica, condições de emprego, incapacidade física, etc., os alunos, notadamente os adultos, tem de um lado necessidade de continuar com seus estudos, procurando aperfeiçoar-se, ou outros motivos; por outro lado estas características dificultam bastante o aprendizado e a comunicação do aluno do EAD com seus professores; População Adulta. Na sua grande maioria os alunos do EAD já estão na fase adulta, apresentando peculiaridades, todavia o programa educativo deve prever que também se terão alunos crianças e jovens, o que exige um material completo que atenda a todos de uma forma equacionada; Material Único. Todos os alunos recebem o mesmo programa e material, independente da idade, do conhecimento intelectual, região geográfica, etc., talvez seja este um grande diferencial se compararmos com a educação presencial. Como o aluno conta com pouco apoio externo, na EAD ele passa a ser o centro de todo o processo de ensino; Cursos pré-produzidos. Como a produção dos cursos é centralizada, uma grande limitação é a possibilidade de alguma mudança ao longo da sua execução, pois aos alunos são fornecidos materiais impressos, combinando com suplementos de periódicos e revistas, livros adicionais, rádio, televisão, filmes, multimídia, etc., todavia de um modo geral sem sofrer alterações que possam adequar-se a este ou aquele aluno, como eventualmente acontece na educação presencial; Comunicação Massiva. Na medida em que os programas na EAD objetivam alcançar um grande número de alunos, nos lugares mais remotos do país, algumas dificuldades são imperiosas, como por exemplo, a linguagem a ser utilizada, pois como sabemos a cada região agregada ao curso, novos sotaques e gírias, termos específicos do lugar, desconhecimento de outros termos apresentados nos materiais, vão aparecendo e como o programa é formatado de maneira definitiva para aquele curso os alunos têm uma grande dificuldade de entendimento e adaptação;7 de 81 29/9/2011 16:27
  • 8. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Estudo Individualizado. Muito embora nada impeça que o aluno procure ajuda de outros alunos, na prática o que acontece na EAD é o aluno desenvolver seu curso de forma isolada sem a integração grupal às vezes necessária, para a troca de conhecimentos e experiências, para melhor desenvolver um determinado tema. Outro aspecto que dificulta o aluno é a adaptação ao método EAD, uma vez que na sua grande maioria, estão habituados ao encontro presencial e quando se vêem sozinhos diante do grande desafio que é estudar de forma autônoma, se sentem inseguros e sem muita certeza que terão capacidade para concluir os estudos. Custos. Como acontecem em qualquer outra atividade, o investimento para a estruturação de um projeto é elevado e necessita que atinja um número muito grande de uma população estudantil, para justificar sua realização. Independente destes aspectos, cada vez mais os profissionais têm necessidade de se tornarem alunos vitalícios, e de se manterem permanentemente qualificados, para atenderem às exigências crescentes do mercado de trabalho. Assim, o processo de educação continuada é imprescindível e, aliado às dificuldades de encontrar tempo para concretizar sua educação formal, abre grandes perspectivas para projetos de educação à distância no Brasil. A EAD além de apresentar suas características próprias, nos leva a refletir sobre aspectos básicos relativos às suas possibilidades e limitações, a saber: A EAD não surgiu para substituir a educação tradicional, mas sim complementar. A ênfase da EAD não é mais no professor, e sim, cada vez mais, no aluno. O foco não é mais no ensinar, e sim no aprender a aprender. A EAD traz consigo a necessidade de mudança no paradigma tradicional, seja no aspecto do ensino, da absorção do conhecimento, da relação professor – aluno, e principalmente nas questões ligadas à avaliação. Nenhuma metodologia de EAD funciona sem interatividade, e para tanto há necessidade de haver escala, pois do contrário o projeto não tem como se viabilizar economicamente. 2.4 - A interface aluno - professor “Ninguém começa a ser educador numa certa Terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador permanente, na prática e na reflexão sobre a prática”. (Freire, 1986) Na EAD a relação no processo de docente tem tríplices aspectos: professor, educador e tutor. O professor se projeta quando colabora com o estudante para acordar a crítica e a criatividade, quando são colocadas no plano de julgamento e aproveitamento do já vivenciado. O educador assume seu papel, quando o foco principal são os valores que induzem à autonomia. Desta visão, os dois papéis se concretizam no processo docente. Em outras palavras, tratando-se de construção do saber, a docência é marcada pelo trabalho de estruturar os componentes de estudo, orientar, estimular e provocar o participante a construir o seu próprio saber, partindo do princípio de que não há resposta feita, a cada um compete “criar” um pronunciamento pessoal. Na docência há uma dimensão de busca que perpassa a aprendizagem e caracteriza-se como uma presença. A presença é representada como um campo em que podem conviver o passado e o futuro, subsidiando projeções a serem vividas autonomamente. A docência caracteriza-se por seu caráter solidário e interativo, possibilitando o relacionamento da pessoa como um ser existente e vivenciado como eu, tu, nós e outros, do que decorre em conjunto de dificuldades, inclusive para colocar-se “entre” outros, como uma presença que se põe intencionalmente. O professor, e, principalmente o tutor, é sempre alguém que possui duas características essenciais: domínio do conteúdo técnico-científico e, ao mesmo tempo, habilidade para estimular a busca de resposta pelo participante. Ele é uma figura singular em todas as instituições de ensino a distância, pois é um conselheiro, um orientador, um assessor, etc., que auxilia os alunos no processo de ensino-aprendizagem, com o fito de reduzir ou eliminar as distâncias que definem os estudos por esta modalidade. A orientação educativa no processo considera como relevante às necessidades dos participantes e o contexto educativo do mesmo. Daí, o conceito de professor vai alargando-se e mesclando-se com os conceitos de professor e educador – TUTOR! A tutoria é exercida em momentos diferenciados, podendo ocorrer diretamente ou à distância. Destaca-se que em qualquer dos dois momentos – diretamente ou à distância – o contato com o aluno não consiste em um “jogo” de perguntas e respostas, consiste em discutir e indicar bibliografia que amplia o raio de visão do educando, para que seja possível desenvolver respostas críticas e criativas, consideradas como momentos para ampliação básica do “saber”, voltadas para oportunizar a análise de possibilidades de aplicação prática do saber conquistado. No processo de orientação à distância o atendimento realiza-se a partir da necessidade do aluno, que busca situar-se no contexto da aprendizagem. Neste caso, recursos tecnológicos são os intermediários do diálogo do tutor com o participante. O tutor deve contribuir com informações adequadas para o processo de construção do conhecimento do aluno.8 de 81 29/9/2011 16:27
  • 9. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Evidentemente, o professor deve ter domínio do conhecimento em processo, além da habilidade de problematizar e indicar fontes de consulta. Pode-se dizer que o professor é um especialista, tanto no que concerne ao conteúdo do trabalhado na Unidade, como nos procedimentos a adotar para estimular a construção de respostas pessoais. É essencial que o tutor esteja plenamente consciente do seu papel. Não basta dominar o conteúdo trabalhado. É primordial saber para que e o que significa o proposto. 2.5 - Como avaliar a aprendizagem Acreditamos que ao longo do tempo em que se discute educação e aprendizagem, a questão da forma de realizar a avaliação daquilo que o aluno aprendeu, sempre foi uma questão polêmica e trouxe à tona questionamentos e contradições. Segundo Bordenave & Pereira [4], “os professores concordam em afirmar que a avaliação é uma área de enorme falta de preparação, mesmo reconhecendo sua decisiva importância. Segundo eles, o problema mais geral da avaliação é a ausência de um conceito integral do aluno, já que as provas medem somente certos aspectos do mesmo, podendo ser injustas ao negligenciar aspectos importantes”. Na EAD, tradicionalmente a avaliação é realizada de forma presencial, em caráter individual, onde o aluno faz sua preparação prévia acerca de um conjunto de assuntos apresentados pelo professor, e em data e hora marcada são formuladas questões abrangendo os assuntos estudados. Nossa experiência mostra que nestas ocasiões a grande maioria do alunado concentra seu esforço de estudo no período pré-realização das avaliações, e também é grande o percentual de alunos que literalmente decoram conceitos e abordagens para “vomitar” durante a realização da avaliação. Entendemos que esta abordagem relega a avaliação da aprendizagem do assunto exposto, a análise critica, o raciocínio sistêmico, a interface entre assuntos, etc.; como uma forma de motivação. E, o pior de tudo é que, com grande incidência, num espaço de tempo muito curto o aluno esquece tudo aquilo que decorou. Segundo Picanço [31], “Cipriano Luckesi chama a atenção para o equívoco implícito na consideração de que esse tipo de prática seja considerada como avaliação. De fato, ela reduz a reflexão sobre as ações dos sujeitos aos limites de uma verificação, na qual se opera um recorte no processo de ensino-aprendizagem que considera a manifestação de conteúdos que foram memorizados pelos alunos. No momento ritual da avaliação, a expressão do que foi assimilado é condicionada a uma forma de registro unificada. É comum a sala de aula passar por alterações, tanto no seu espaço físico quanto na dinâmica das relações entre professores / alunos e conhecimento no temido dia da prova”. Ao pensarmos em avaliação temos a obrigação de focar em algumas questões chaves: O que queremos medir quando aplicamos uma prova? Como elaborar as questões que integrarão a avaliação? Quais são os nossos objetivos? Que critérios utilizaremos ao efetuarmos a correção da produção do aluno? Qual a relação existente entre objetivos, métodos e avaliação? A avaliação será aplicada somente em relação ao conteúdo da disciplina, ou outros aspectos relacionados a comportamento, interesse, etc., também serão considerados? Como o professor avaliará e conduzirá este momento? Segundo Bordenave & Pereira [4], “na área da educação, medir significa determinar, através de instrumentos adequados, aspectos quantitativos e qualitativos do comportamento humano. Esses aspectos são variáveis da personalidade, tais como traços de caráter, de temperamento, capacidade de ajustamento, interesses, atitudes; ou aspectos relacionados diretamente com a aprendizagem sistemática: medida de aptidões, indicadores daquilo que o indivíduo já aprendeu ou está aprendendo”. Concluímos que, qualquer que seja o foco, o assunto é bastante complexo e requer uma reflexão profunda para nos permitir adotar a metodologia que garanta a obtenção de melhores resultados e o ajuste dos pontos necessários para aumentar a aprendizagem dos alunos. Há três pontos considerados importantes e, até mesmo comuns, nos vários aspectos relativos à avaliação: 1. Deve ser estruturada considerando as características do grupo a que se destina; ou seja, não há uma fórmula pronta para toda e qualquer ocasião; 2. Deve ser cada vez mais encarada como um momento único, onde professor e aluno, respectivamente identificam deficiências no ensino e no processo de incorporação de conhecimentos, e procuram fazer os ajustes necessários para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem; 3. Deve haver uma cultura consolidada que coloca um peso demasiadamente grande na nota que o aluno precisa tirar, e termina por menosprezar o significado em si da avaliação, tanto é que, em muitos lugares, a avaliação continua sendo conhecida como “prova”. Considerando o mutante contexto educacional, reestruturado para atender às novas demandas e, também, reorientado para ser compatível com um ser humano consciente da sua necessidade de educação continuada e, de seu estado permanente de ser inacabado que está sempre em busca de um complemento para melhorar sua visão de mundo, entendemos que há necessidade de uma reavaliação do processo de avaliação, e isto pode ser feito9 de 81 29/9/2011 16:27
  • 10. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad considerando os parâmetros discriminados na tabela abaixo: Dimensões da avaliação DE PARA Aprender Aprender a aprender Freqüência Participação Prova Pesquisa Reprodução Construção própria 2.6 - Avaliar na educação a distância. O sistema de ensino aprendizagem tradicional prioriza a transmissão de informações e imagens mediante definições que devem ser memorizadas progressivamente, considerando o aluno como receptador passivo. Porém esta perspectiva, ainda existe na EAD, que muitas vezes, considera a avaliação como um momento determinado, separado do processo de aprendizagem. A avaliação realiza-se a partir de instrumentos de mensuração do conhecimento adquirido em determinados períodos. Muitas vezes é estabelecida uma data para aplicação do instrumento de avaliação, tais como prova, trabalho, seminário, cujos resultados são julgados pelo professor, que estabelece os critérios de julgamento. Na maioria das vezes esses critérios não são conhecidos pelos alunos, tornando-os subjetivos no entendimento dos estudantes, o que pode levar à desconfiança em relação à avaliação e provocar conflitos entre professor e aluno. Este modelo possibilita o aparecimento de desconfianças quanto às preferências e simpatias pessoais dificultando, ainda mais, o relacionamento e o processo de ensino aprendizagem. Ainda perdura o processo baseado em conceitos tradicionais que privilegiam a relação de autoridade e dependência e objetivam o controle sobre os alunos, distanciando o professor e conferindo-lhe autoridade absoluta para julgar. Neste caso são esquecidos fatores importantes que podem influir negativamente a avaliação, tais como a inadequação do momento, tempo e local para sua realização. Devemos lembrar que a avaliação é um processo natural e contínuo, onde o ser humano está constantemente sendo avaliado e avaliando. Na EAD, principalmente por questões de distância, o professor deve perceber que a avaliação independe de utilizar ou não técnicas formais, quando distribui tarefas, define as normas para sua execução, estabelece o assunto a ser pesquisado, aprova ou não o trabalho. Deve perceber que a avaliação é um processo contínuo, Cumulativo e compreensivo, decorrente do ensino-aprendizagem e que procura verificar as mudanças no comportamento, no sentido de valorizar e motivar o desenvolvimento de habilidades e atitudes. O professor não deve somente comparar resultados obtidos com aqueles esperados. Para promover um efetivo aprendizado, o aluno deve identificar suas deficiências de aprendizagem e as causas dessas deficiências. Para que possa realizar essa verificação é necessário estabelecer primeiramente, objetivos claros a serem alcançados dentro do aprendizado referente ao conteúdo de determinada disciplina e acima de tudo estar motivado. No início de um Curso na modalidade de EAD já deve estar concebida as formas avaliativas no Guia do aluno, com o intuito de tornar melhores o objetivo a ser atingido. Além dos objetivos é preciso estabelecer o limite do conteúdo disciplina que vai ser avaliado, quais os padrões mínimos de desempenho esperados e que formas de medidas serão utilizadas. Pois a avaliação é parte do processo de ensino-aprendizagem, e possibilita o acompanhamento dos alunos em diferentes momentos, evidenciando os avanços necessários para que eles prossigam no seu processo de crescimento. A avaliação é um tema de fundamental importância na EAD, destaca-se como um recurso de medidas de objetivos do ensino, de métodos, de conteúdos, de currículos, de programas e das próprias habilidades do professor. Todos os indivíduos buscam seu auto desenvolvimento, procuram atingir seus objetivos e vencer obstáculos e desafios. Porém a forma como atuam tentando atingir suas metas é diferente. Os indivíduos têm comportamentos e objetivos diferentes, por isso devem ser tratados de formas das mais diferentes possíveis. Os professores devem dar atenção às diferenças individuais, pois por este ângulo há uma grande possibilidade de fazer com que os alunos produzam com maior satisfação, elevando o nível de aprendizagem. Quando o professor utiliza técnicas abertas para avaliar o crescimento no processo de aprendizagem do aluno, ele pode obter dados que demonstrem as dificuldades ou o avanço que cada um atingiu. Tais evidências criam referências para identificar qual a melhor maneira de desenvolver a potencialidade do estudante, satisfazendo também suas necessidades de estima e auto-realização “pela valorização dos esforços pessoais, pela abertura de espaços para a criatividade individual (...)” (Pontes [32]). O aluno deve ser motivado a satisfazer sua necessidade de auto-realização aprendendo que concorrência pode significar a superação de suas próprias dificuldades, não valorizando excessivamente os resultados obtidos pelos outros. Cabe ao professor oferecer condições aos alunos de satisfazê-las. Nesse caso, o docente deve considerar como verdadeira motivação, aquelas necessidades que são internas, intrínsecas ao indivíduo como a sua própria constatação de crescimento, o reconhecimento pelos seus esforços, à possibilidade de empreender algo novo. As10 de 81 29/9/2011 16:27
  • 11. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad necessidades extrínsecas, mais perceptíveis, são aquelas que promovem a satisfação a partir de fatores externos à própria pessoa, como a nota atribuída pelo professor ou as condições ambientais para realizar trabalhos. Esse tipo de satisfação é importante, porem só estimula as pessoas, levando-as a agir, mas necessitam de incentivos constantes. Assim, o aluno poderá deixar de motivar-se a partir do aprendizado em si, que é o fator responsável pelo seu auto desenvolvimento e que permite a satisfação de suas necessidades internas de auto-estima e auto-realização. Conforme dados levantados em pesquisas verificamos que alguns fatores motivacionais dos alunos da EAD são considerados muito importantes: Fatores Motivacionais Ocorrências - % Atualização profissional 30 Aprimoramento e realização profissional 15 Base teórica para aplicar na profissão 15 Desafio Pessoal 10 Necessidade de Titulação 10 Possibilidade de troca de experiências 10 Interesse em ingressar em uma instituição de ensino 10 Fonte: adaptado do relatório de Perfil Geral dos Alunos a Distância do LED-UFSC, 2000. É essa forma de satisfação que leva o aluno a envolver-se com o processo de aprendizagem motivando-se a partir de suas próprias carências intrínsecas. Evidencia-se, então, para o aluno que o significado do processo de avaliação é o seu desenvolvimento pessoal e não apenas a nota obtida em momentos determinados. O feedback é uma ferramenta disponível para que o aluno tome conhecimento dos resultados alcançados durante o processo de ensino-aprendizagem, pois analisando os resultados é possível corrigir falhas, reformular o planejamento proposto e evidenciar os acertos e resultados positivos, elevando a auto-estima. Permite ao indivíduo a avaliação de seu comportamento e as correções necessárias para alcançar o objetivo final. Para tanto o feedback deve ser contínuo, reforçando os acertos, elevando a auto-estima, e identificando as falhas, possibilitando com isso uma revisão e uma atualização eficiente por parte do professor ou do tutor. A avaliação contínua e cumulativa é parte do processo de aprendizagem em EAD, e não somente um momento determinado, desvinculado do processo. Dessa forma, as fontes de satisfação e recompensa ocorrem a partir do próprio aprendizado, desencadeando a motivação interna que surge e se mantém, principalmente, quando os alunos sabem o que se espera deles e como será orientado e avaliado pelo professor. Quando o estudante conhece o objetivo e o conteúdo da disciplina e os padrões de desempenho mínimos que são exigidos, tende a se comprometer buscando realizar um bom trabalho, e sentindo a satisfação de ser bem sucedido. O professor deve estar sempre atento aos progressos dos alunos procurando orientá-los, e incentiva-los para o desenvolvimento de suas potencialidades, levando-os a atingir os objetivos propostos. O professor deve assumir uma postura de motivador do processo, promovendo a aprendizagem progressiva e efetiva do conteúdo abordado. O professor deve demonstrar confiança na capacidade dos alunos, elogiar os progressos obtidos antes de apontar as deficiências, que devem ser analisadas conjuntamente, indicando sua disposição de auxiliar o aluno na busca por resultados positivos. Deve enfatizar a importância do crescimento na aprendizagem e a satisfação do bom trabalho. O professor deve ser um bom ouvinte e comunicador, pois através da participação de um diálogo construtivo, possibilita a realização da aprendizagem de forma mais adequada e satisfatória. De acordo com Bergamini [2] “caso se esteja verdadeiramente interessado em promover o desenvolvimento do ser humano (...), devemos cultivar, além da técnica, a atenção e o afeto pelas pessoas.”. A partir dessa premissa o professor pode esperar desenvolver sentimentos de segurança e confiança nos alunos, elevando sua auto-estima, fazendo com que se sintam parte integrante e importante do grupo do qual fazem parte e evidenciando a possibilidade verdadeira de desenvolver suas habilidades e potencialidades. 2.7 - Conclusão Concluindo, verificamos que a forma de avaliar o aprendizado na EAD não pode ser instrumento inibidor das manifestações de criatividade individual que levam ao maior desenvolvimento do potencial do aluno, principalmente porque este aluno é um ser adulto, crítico e instigador. O mundo contemporâneo atual tem por exigência um profissional inovador e criativo. Os avanços tecnológicos exigem profissionais com qualificação crescente, necessitando de aperfeiçoamento contínuo. A partir desta premissa evidencia-se que, a tecnologia atual, embora importante, subordina-se ao manejo do homem, que deve estar em constante atualização. Para tanto deve desenvolver espírito empreendedor, dinâmico, criativo, flexível e decidido. _“Essas características do profissional moderno deslocam a ênfase da especialização para a visão mais integradora do seu trabalho, seja com o ambiente interno, seja com o contexto externo; dão mais importância à criatividade e a inovação do que a larga experiência repetitiva; substituem a segurança do conhecimento já testado pela audácia em enfrentar desafios e correr riscos (...)”_(Lucena [20]).11 de 81 29/9/2011 16:27
  • 12. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Isto significa que está sendo valorizada crescentemente a capacidade de aprender e criar, para abrir e conquistar novos espaços. Dessa forma torna-se cada vez mais importante o desempenho humano, tendo em vista que o aluno deve ser considerado pela sua capacidade de realizar as tarefas e responsabilidades que lhe foram atribuídas apresentando resultados satisfatórios. Assim o aprendizado do aluno deve ser verificado em relação aos resultados que lhe apresenta e a sua capacidade de criar e aprimorar-se sempre, de acordo com os parâmetros estabelecidos. A verificação desse aprendizado refletirá a capacidade do aluno de utilizar de forma eficiente seu talento e os recursos de que dispõe par atingir as metas propostas. Porém para que tudo isto aconteça é necessário que o aluno seja motivado constantemente, ou seja, em todas as fases avaliativas do processo ensino- aprendizagem. Ele deve se sentir partícipe do processo com uma grande responsabilidade. Sob esta ótica temos o professor como verificador do desempenho, acompanhando o processo de aprendizagem e não apenas avaliando periodicamente o conhecimento obtido. Esta postura leva-o a buscar o desenvolvimento da capacidade do aluno para enfrentar desafios, aperfeiçoar talentos, superar dificuldades, participando e se comprometendo com o aprendizado, não somente das técnicas e habilidades, mas da forma de utilizá-las. Para tanto, a avaliação deixa de ser apenas um instrumento técnico gerador do medo, insegurança e frustração. Passa a ser visto como um processo natural e necessário para direcionar o aprendizado, desenvolvendo a realização pessoal e valorizando o potencial de cada indivíduo, motivando para a busca constante e contínua do aprender a aprender. Além disso, é necessário que o aluno desenvolva na prática suas habilidades para planejar, organizar, dirigir e controlar sua práxis acadêmica. Dessa forma a avaliação passa a ser considerada instrumento útil para todos os envolvidos. A implementação dessa mudança radical de visão na forma de avaliar o aprendizado apóia-se na busca constante de maior investimento em educação a fim de despertar valores comprometidos com a responsabilidade, a criatividade e a inovação. Procura ainda desenvolver a capacidade de aprender mais e mais, aperfeiçoar continuamente suas habilidades, procurando a realização pessoal mediante a satisfação no próprio trabalho. Esses requisitos são fundamentais para o profissional de hoje, e devem ser desenvolvidos, também, no interior de nossas escolas. 3 - Avaliação diagnóstica Marcelo Akira Inuzuka 3.1 - Os três tipos de avaliação Para poder falar sobre avaliação, é importante saber classificá-las. Bloom et. all [3] classifica as avaliações em três tipos. 3.1.1 - Avaliação Diagnóstica Geralmente é realizada inicialmente pelo educador para diagnosticar os pontos fracos e fortes do aluno na área de conhecimento em que se desenvolverá o processo de ensino-aprendizagem. O processo de ensino é um processo de construção de conhecimento e diagnosticar no início é como verificar se a fundação da casa está boa para se iniciar a construção, ou seja, se o aluno domina todos os pré-requisitos. Por exemplo, antes de ensinar as operações de multiplicação, é interessante saber se aluno domina bem o processo de soma. Assim, o resultado da avaliação diagnóstica pode apontar uma necessidade de revisão de um assunto que servirá de base para os seguintes, que poderá ser trabalhada individualmente ou coletivamente. 3.1.2 - Avaliação Formativa A avaliação formativa é geralmente realizada durante todo o processo de ensino-aprendizagem. É melhor aproveitada quando o resultado (feedback) é rapidamente fornecido para os alunos, permitindo que possam corrigir eventuais erros de interpretação do conteúdo ensinado. É um termômetro para o professor e o aluno saberem como o aprendizado está sendo desenvolvido, bem ou mal, permitindo que o aluno se recupere agilmente. 3.1.3 - Avaliação Somativa Geralmente é realizada no final de um curso e é conhecida como prova, ou seja, serve para classificar se o aluno passou ou não. Pela obrigatoriedade dos professores fornecerem notas, é a que é mais aplicada no ensino tradicional. 3.2 - Função da avaliação diagnóstica A avaliação diagnóstica possui uma importância elevada no processo de ensino-aprendizagem. Luckesi [21] argumenta que a avaliação deve ser diagnóstica, voltada para autocompreensão e participatipação do aluno. Luckesi defende que a avaliação deva ser um instrumento auxiliar de aprendizagem (mais diagnóstica) e não para aprovação/reprovação de alunos (menos somativa): "...que (a avaliação) ela seja um instrumento auxiliar da aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos... Este é o princípio básico e12 de 81 29/9/2011 16:27
  • 13. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad fundamental para que ela venha a ser diagnóstica. Assim como é constitutivo do diagnóstico médico estar preocupado com a melhoria de saúde do cliente, também é constitutivo da avaliação da aprendizagem estar atentamente preocupada com o crescimento do educando. Caso contrário, nunca será diagnóstica" Outro aspecto interessante é sobre a idéia de Luckesi da função da avaliação, como instrumento de autocompreensão do professor, aluno e sistema de ensino, permitindo descobrir os desvios: "No que se refere à proposição da avaliação e suas funções, há que se pensar na avaliação como um instrumento de diagnóstico para o avanço e, para tanto, ele terá as funções de autocompreensão do sistema de ensino, de autocompreensão do professor e autocompreensão do aluno... O professor, na medida em que está atento ao andamento dos seus alunos, poderá, através da avaliação da aprendizagem, verificar o quanto o seu trabalho está sendo eficiente, e que desvios está tendo. O aluno, por sua vez, poderá estar permanentemente descobrindo em que nível de aprendizagem se encontra, dentro de sua atividade escolar, adquirindo consciência do seu limite e das necessidades de avanço." Luckesi também acrescenta que para a avaliação funcionar como ferramenta de autocompreensão, deve ter um caráter participativo: "Para que a avaliação funcione para os alunos como um meio de autocompreensão, importa que tenha, também, o caráter de uma avaliação participativa. Por participativo, aqui, não estamos entendendo o espontaneísmo de certas condutas auto-avaliativas, mas sim a conduta segundo a qual o professor, a partir dos instrumentos adequados de avaliação, discute com os alunos o estado de aprendizagem que atingiram." Concluindo, Luckesi defende que a avaliação diagnóstica possui elevado valor didático, uma vez que permite uma correção de rumos do sistema de ensino, do professor e do aluno, durante o processo de ensino-aprendizagem por meio da autocompreensão, e que para que esta ocorra, deve ser participativa, através de diálogo adequado com os alunos. 3.3 - Por que tanta ênfase nas avaliações somativas? Apesar de Luckesi defender de forma convincente a avaliação diagnóstica, na prática vemos uma tendência elevada pela utilização de avaliações somativas, em detrimento das avaliações diagnósticas e formativas. A percepção de tal tendência é nítida no predomínio do "modelo vestibular" amplamente utilizado no Brasil e o "modelo prova" na maioria de escolas que seguem um modelo tradicional de ensino. Mas qual seriam os motivos para esta preferência? O produto esperado da avaliação diagnóstica é a detecção de problemas, procurando indentificar causas e apontar soluções. Este processo deve ser realizado antes e durante todo o processo de ensino-aprendizagem, não no final, onde já não há mais tempo hábil para que se apliquem as devidas correções. Logo percebe-se que a avaliação diagnóstica ou formativa gera um esforço maior do professor; este precisa conhecer a deficiência específica de cada aluno, de forma individualizada, autocompreensiva e participativa. E assim, quando não há preocupação real com o desenvolvimento do aluno, o professor opta por priorizar a aplicação de avaliações somativas. Para agravar o problema, alguns professores jogam a sujeira para baixo do tapete, afrouxando as exigências da avaliação para que notas baixas não reflitam a realidade. É então necessário reavaliar o processo de avaliação, aplicando avaliações diagnósticas em momentos estratégicos, e a partir da detecção de doenças aplicar o remédio, mesmo que amargo. Somente assim é que podemos saudavelmente desenvolver um bom nível de educação. 3.4 Aplicando avaliações diagnósticas Como foi dito aplicação de avaliações diagnósticas pode ser tanto no início ou durante um curso e tem várias formas de aplicação. Vamos apresentar alguns casos para que tornemos sua utilização mais clara. Segundo Tarouco [44], a Avaliação Diagnóstica pode ser utilizada para realizar encaminhamentos ou reforço escolar para que o aluno resolva seus problemas juntamente com especialistas como psicólogos, orientadores educacionais, entre outros: "...ocorre em dois momentos diferentes: antes e durante o processo de instrução; no primeiro momento, tem por funções: verificar se o aluno possui determinadas habilidades básicas, determinar que objetivos de um curso já foram dominados pelo aluno, agrupar alunos conforme suas características, encaminhar alunos a estratégias e programas alternativos de ensino; no segundo momento, buscar a identificação das causas não pedagógicas dos repetidos fracassos de aprendizagem, promovendo, inclusive quando necessário, o encaminhamento do aluno a outros especialistas (psicólogos, orientadores educacionais, entre outros)." Por outro lado, Swearingen [43], explica que a avaliação diagnóstica é utilizada para determinar a necessidade de reestudo: "Na prática, o propósito da avaliação diagnóstica é para medir, antes do processo de ensino, cada deficiência, competência, fraqueza, conhecimentos e habilidades. Possuindo tais dados, isto permitirá que o professor oriente seus alunos e ajustem o curriculum para suprir cada necessidade individual... Por exempl, o Departamento de Matemática de Heritage College aplica um teste diagnóstico a todos seus estudantes de matemática... durante a13 de 81 29/9/2011 16:27
  • 14. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad primeira semana de cada semestre...Baseado nos resultados, a deficiência de cada estudante é determinada, e cada estudante é subsequentemente obrigado a participar um programa tutor baseado em computador que é confeccionado conforme suas dificuldades." Outros autores [1] consideram que uma avaliação que a própria discussão de uma correção de prova classificatório pode ser diagnóstica, que com certeza pode ser um elemento de autocompreensão do seu nível de aprendizado, de forma participativa: "...Assim, no momento em que o professor elaborar provas cujas questões forem formuladas a partir de objetivos definidos, aplicando-as em situações novas e, após a correção, sejam elas discutidas com os alunos para solucionar seus problemas de aprendizagem, a prova classificatória, transforma-se numa avaliação diagnóstica... Ora, quaisquer formas de avaliações, sejam provas, trabalhos em grupo, pesquisas, participação do aluno nas atividades rotineiras de sala de aula, ao serem avaliadas, deverão, sempre, constituir-se em novo momento de descoberta e possibilidade de novas aprendizagens, ou seja, algo dinâmico e não estático..." Portanto, quando a avaliação diagnóstica é aplicada no início de um curso, esta tem a função de detectar problemas e deficiências, permitindo encaminhá-lo para outro curso de reforço para fins de resolver problemas de aprendizado ou até para outros especialistas de outras áreas, como psicólogos ou médicos. Quando a mesma é aplicada durante o curso, pode ser utilizada participativamente para autocompreensão, por exemplo, em correções de provas juntamente com alunos. 3.5 - Avaliações diagnósticas para EaD: ATTLS e COLLES Em EaD, um dos problemas mais comuns encontrados é a evasão, não somente do curso, mas também em atividades. Cabe ao professor conhecer e acompanhar seus alunos, por meio de avaliações diagnósticas que permitam direcionar ações que minimizem os problemas enfrentados pela modalidade à distância. Neste sentido, estudaremos 2 tipos de avaliação diagnósticas voltados para o ambiente EaD: ATTLS e COLLES. Os três foram originalmente criados para funcionar internamente no ambiente Moodle [6], porém os pelo menos os dois últimos podem ser aplicados independentemente [5]. Conforme Inuzuka et all [14], o moodle possui uma concepção sócio-constrututivista, e suas atividades são voltadas para a cooperação entre pares. Segundo Vygotsky, a inteligência humana origina-se de em nossa sociedade ou cultura, e o ganho individual cognitivo ocorre primeiramente através de processos de aprendizagem inter-pessoais (interação com o ambiente social) do que intra-pessoal (internalização). Neste sentido Filho [8], explica melhor o que vem a ser construtivismo social ou sócio-construtivismo, aplicado no Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle: "...O Construtivismo Social tem como fundamento teórico a visão da aprendizagem como processo dinâmico. A aprendizagem é vista como uma atividade de elaboração conceitual em um ambiente caracterizado pela interação social. O Construtivismo Social é uma epistemologia, ou modo de saber, em que o novo conhecimento é construído através da colaboração recíproca, especialmente em um contexto de intercâmbio de experiências pessoais... Um elemento central para a colaboração recíproca é o desenvolvimento de competências de comunicação, ou seja, a habilidade de participar nas discussões com colegas e tutores em modo construtivo. As discussões devem ser orientadas à compreensão mútua e a atividades de reflexão crítica..." Neste sentido, as três avaliações visam avaliar os possíveis alunos que teriam mais dificuldades de cooperação e que seriam mais propensos a não se integrarem à turma, devendo, portanto terem um acompanhamento mais próximo do professor para que a evasão não se concretize. Segue a descrição de FILHO [8] da avaliação *ATTLS:* "...A sigla ATTLS (em inglês, Attitudes Towards Thinking and Learning Survey) refere-se a um tipo de questionário baseado na teoria dos modos de saber e foi desenvolvido por Galotti et al. (1999) [2] para medir a proporção em que uma pessoa tem um saber conectado (CK) ou um saber destacado (SK). Pessoas com valores CK maiores tendem a ver os processos de aprendizagem como experiências prazerosas, cooperam com maior freqüência, procuram ser agradáveis e demonstram interesse em construir a partir da idéia dos outros, enquanto as pessoas com valores SK mais altos tendem a ter uma posição mais crítica e criar polêmicas...Um professor pode (e deve) aplicar o questionário ATTLS logo no início de um curso. Se analisar os resultados de cada participante do curso, uma intervenção pessoal (conversa particular com alunos que se mostram fora da média do grupo) terá como resultado redução na evasão (desistência) e melhor aproveitamento da turma como um todo..." Segue a descrição da avaliação COLLES por Taylor e Maor [45]: "... COLLES foi projetado para nos habilitar a monitorar a extensão da capacidade interativa da Internet em engajar estudantes as práticas de aprendizado dinâmicas...a forma com que é administrada depende do propósito do avaliador. Tipicamente aplicamos o formulário no início do curso, depois de duas semanas... e finalmente na semana final..." COLLES (Constructivist On-Line Learning Environment Survey) é uma auto-avaliação que avalia seis critérios: relevância, reflexão, interatividade, suporte da tutoria, suporte entre estudantes e interpretação. É uma boa ferramenta de autocompreensão dos relacionamentos entre professor-aluno, tutor-aluno e aluno-aluno. 3.6 - A importância de cada tipo de avaliação14 de 81 29/9/2011 16:27
  • 15. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Os tipos de avaliações não são excludentes entre si. Uma avaliação pode ter características diagnósticas, formativas e/ou somativas ao mesmo tempo, servindo para dois objetivos simultaneamente. Um bom processo de ensino-aprendizagem, consiste em um ciclo iterativo em que se diagnostica, forma, classifica e diagnostica novamente. Um educador que negligencia uma ou outro tipo de avaliação geralmente provavelmente não deve colher bons resultados. Caso o professor não tenha diagnosticado no início, pode cometer o erro de tentar ensinar algo que o aluno não é capaz de aprender, por falta de conhecimentos básicos para construir seu conhecimento. O aluno que não teve avaliações formativas ao longo do curso pode não ter um bom desempenho na avaliação somativa, por falta de autocompreensão dos assuntos e negligenciar um estudo mais aprofundado. 3.7 - Considerações finais A avaliação diagnóstica faz parte do conjunto de tipos de avaliação no processo de ensino-aprendizagem e possui uma importância vital para sua qualidade, pois permite que a turma como um todo (professor, aluno e sistema de ensino) possam juntos se autocompreenderem, diagnosticando deficiências e capacidades e direcionando ações corretivas. Diferente da avaliação somativa, a avaliação diagnóstica, permite que o aluno evolua ao longo do curso e é aplicada tanto na modalidade presencial quanto a distância. 4 - Avaliação formativa Eliã Siméia Martins dos S. Amorim 4.1 - Introdução "A avaliação é julgamento, mas é fundamentalmente, ação". (Jussara Hoffman) Avaliar é ato cotidiano e por isto mesmo pressupõe muitos significados e conceitos. No dicionário Aurélio, por exemplo, avaliar significa: determinar a valia ou o valor de; apreciar ou estimar o merecimento de; determinar a valia ou o valor, o preço, o merecimento, calcular, estimar; fazer a apreciação; ajuizar. Contudo, avaliar também pode ser definido como medir. Assim, conceitos e concepções diversas permeiam o universo escolar e consequentemente, as avaliações realizadas nas escolas decorrem, inclusive, de um ecletismo, mesmo que não-intencional, das quais nem sempre se tem clareza dos seus fundamentos. Perrenoud [28] (p. 156) coloca que o sistema tradicional de avaliação oferece uma direção, um parapeito, um fio condutor; estrutura o tempo escolar, mede o ano, dá pontos de referência, permite saber se há um avanço na tarefa, portanto, se há cumprimento do seu papel. De certo que estas condições aliadas ao processo avaliativo vão descortinando trilhas, no entanto, observadas as práticas cotidianas, tais caminhos apenas identificam erros e denotam em fracassos do aluno e consequentemente do sistema, quando na verdade deveriam apontar os motivos, escolhas e consequências de cada passo dado em direção à aprendizagem, numa visão de erro construtivo defendido por Piaget [30]. O que se pretende buscar na contemporaneidade é uma ruptura entre os velhos modelos avaliativos e adotar novas posturas, dinamizando oportunidades de ação-reflexão, num acompanhamento do professor e este por sua vez, oportunizará ao aluno experiências que o permitam refletir acerca do mundo, formando seres críticos libertários e participativos na construção de verdades formuladas e reformuladas (Hoffmann, 2000). Transformar a prática avaliativa, assim, significa questionar a educação desde as suas concepções, seus fundamentos, sua organização, suas normas burocráticas. Significa mudanças conceituais, redefinição de conteúdos, das funções docentes, entre outras. O sentido de avaliação formativa configura-se nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que se continue a aprender. 4.2 - Para que serve a avaliação formativa: discutindo o processo Sabendo que a avaliação não começa nem termina na sala de aula, envolve todo o processo de ensino- aprendizagem que vai desde o Planejamento até o resultado final. Seu atrelamento envolve o Projeto Curricular da escola e a programação do ensino em sala de aula e de seus resultados, que serão a base para o reinício de todo o processo, portanto é algo extremamente dinâmico. Como elemento formador deverá possibilitar: Conhecer melhor o aluno em suas competências curriculares, seu estilo de aprendizagem, seus interesses, suas técnicas de trabalho. Constatar o que está sendo aprendido: a partir das informações, de forma contínua e com diversos procedimentos metodológicos. Adequar o processo de ensino aos alunos como grupo e àqueles que apresentam dificuldades, tendo em vista os objetivos propostos. Julgar globalmente um processo de ensino-aprendizagem: ao término de uma determinada unidade, por exemplo, se faz uma análise e reflexão sobre o sucesso alcançado em função dos objetivos previstos e15 de 81 29/9/2011 16:27
  • 16. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad revê-los de acordo com os resultados apresentados Melhora do Processo Ensino-Aprendizagem Importa ressaltar que em um curso à distância, o acompanhamento dos aprendizes é muito mais difícil que em cursos presenciais, já que o formador só tem a percepção do comportamento e desenvolvimento do aprendiz quando este participa ativamente do curso, expondo dúvidas, participando de discussões, realizando as tarefas ou contribuindo com os colegas. E para acompanhar o desenvolvimento dos aprendizes é necessário rastrear um grande volume dados gerados pelas interações e atividades. O formador tem um grande trabalho procurando, coletando e analisando informações relevantes. É necessário acompanhar cada nova ação dos aprendizes, de estar atento para detectar possíveis problemas no processo de aprendizagem (como a falta de acesso, falta de participação, atraso de tarefas, falta de participação no grupo). Também permite alguma forma de autenticação da identidade do aluno, pela familiarização com o estilo e habilidades do mesmo. Para muitos autores, entre as características de um bom instrumento de avaliação, destacam-se: Validade: analisa o que se propõe a avaliar e permite generalizações apropriadas sobre as habilidades dos estudantes; Consistência: requer que os professores definam claramente o que esperam da avaliação, independentemente da matéria ou do aluno; Coerência: apresenta conexão com os objetivos educacionais e a realidade do aluno; Abrangência: envolve todo o conhecimento e habilidades necessárias ao conteúdo explorado; Clareza: deixa claro o que é esperado do estudante; não confunde nem induz respostas; Equidade: deve contemplar igualmente todos os estudantes, levando em conta as características e valores de sua comunidade. Regina Lúcia de Resende [34], no texto “Avaliação Processual e Formativa na Educação à Distância”, pontua que ao se pretender um modelo que considera a aprendizagem a partir da construção do conhecimento, deve-se entender a avaliação, segundo concepções construtivistas como “eixo de auto-aprendizagem”, que se relaciona tanto com o professor e o aluno, como com os métodos e técnicas utilizadas. 4.3 - Acompanhando e Rastreando o processo de aprendizagem do aluno em EaD Diversos pesquisadores nos dão pistas de ambientes inteligentes para acompanhamento e rastreamento das ações dos alunos aprendentes em EaD, que dentre outras ações permitem coletar dados a partir das discussões que se encontram em andamento, analisar quantitativamente esses dados, manter dados de avaliações, auxiliar na motivação do aluno, facilitar o processo de avaliação transmitindo tais informações ao professor além de monitorar e auxiliar o aprendiz na tarefa de aprender,. Assim, temos diversas contribuições como de uma arquitetura Multi- Agente (Silva e Vieira [41]). 4.4 - Instrumentos de avaliação Considerando a variedade de instrumentos em suas interfaces, os mais usuais em EaD são: Discussões: realizados para promover a discussão de temas específicos do curso. Essas discussões podem ser realizadas de 3 formas: Fórum: discussão assíncrona, conduzida pelos formadores, que incentivam as trocas de idéias e experiências. Favorece a reflexão e a elaboração das participações, possibilitando maior qualidade e aprofundamento; Seminário Virtual: semelhante à atividade Fórum, no entanto nesta modalidade um ou dois grupos ficam responsáveis por propor as questões a serem discutidas, conduzir as discussões do fórum, fazer uma análise e avaliar a participação dos colegas; Bate-Papo (chat): discussão síncrona que gera participações curtas e pouco elaboradas, no entanto possibilita aumentar a proximidade entre os participantes do curso, contribuindo para aumentar a colaboração; Portfólio: onde todo processo pode ser comentado pelos formadores e aprendizes de forma colaborativa e construtiva. O aprendiz é motivado a entrar num ciclo de revisões, no qual tem a oportunidade de construir e depurar os novos conhecimentos; Provas à distância ou presenciais – as provas à distância consistem em exercícios contendo questões que os estudantes terão que responder e enviar ao centro do curso/tutor. As presenciais, por sua vez, podem ser de vários tipos: de ensaio ou de resposta livre, prova prática ou de execução, prova objetiva e prova oral, sendo essa última raramente utilizada nesta modalidade de ensino, exceto em provas de idioma, podendo ser feita através de fitas cassete ou de vídeo. Relatos: reflexões do aprendiz sobre o próprio processo de aprendizagem, por meio de relatos de suas experiências. Uma ferramenta interessante é o Diário de Bordo, que permite leitura e comentário apenas de formadores e também os Blogs que permitem a inserção de fotos, imagens, links, enquetes e outros. 4.5 - Formação avaliativa pressupõe feedback O feedback é apontado como um importante elemento para a aprendizagem independentemente da teoria de educação que o embasa, embora existam diferenças substanciais na forma como é usado e no lugar que ocupa16 de 81 29/9/2011 16:27
  • 17. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad para cada diferente referencial teórico. Considerando a EaD, o feedback apresenta importância central no processo de aprendizagem, potencializando os resultados e motivando o sujeito cognoscente, pois permite ao “curso” estabelecer um diálogo através do qual o estudante interage com o objeto de aprendizagem. Sem esta interação, a solução torna-se apenas uma lista de informações publicada na rede. São formas de feedback: Informal: é normalmente dado de forma oral, em uma conversa com o aluno ou o grupo de alunos. Em EAD normalmente é utilizada a comunicação por e-mail, fórum ou Chat, quando o professor/tutor dá uma resposta na discussão para estimular a participação ou corrigir o rumo. Formal: nele se encontram todos os testes de aprendizado. E pode ser encontrado nas respostas aos exercícios de fixação, na avaliação final e nos medidores de desempenho. Direto: quando é direcionado a um aluno, a um grupo (sendo o trabalho de grupo) ou por conseqüência de uma determinada atividade/tarefa. O ideal, quando falamos de um ensino a distância, é que a comunicação sempre seja feita diretamente ao aluno, pelo seu desempenho. Isto se torna essencial nos cursos com pouca interação, pois neste caso o aluno está sozinho no processo de ensino e algo direcionado ao grupo, do qual ele pouco ou nada sabe, aumenta ainda mais a distância entre ele e o conteúdo. Indireto: direcionado a toda a turma ou para avaliar o desempenho geral. Não menciona nomes nem tarefas específicas. 4.6 - Desafios de personalizar, contextualizar e gerar estratégias de feedback É necessário criar novas estratégias e desenvolver tecnologias que dêem suporte às mesmas. Ambientes de aprendizagem baseados na comunicação interpessoal são ricos em interação de diversas ordens, provendo o sujeito de feedback de diversos tipos, a todo momento e de modo personalizado e contextualizado, não somente ao final da tarefa, mas também durante a ação. As limitações tecnológicas parecem ser um dos desafios dos cursos à distância em termos de feedback, pois para prover feedback ao longo das ações do aluno seria necessário acompanhar cada ação e interpretá-la, dando sugestões e intervenções construtivas para o aluno, que pode ajustar suas ações ao longo do processo de aprendizagem. Pode-se buscar, a partir da criação de históricos de erros cometidos, freqüentes ou não, e do mapeamento de caminhos alternativos para desenvolver questões ou solucionar problemas propostos, dar resposta às escolhas dos alunos imediatamente e durante suas ações, interferindo ao longo da realização das tarefas e do processo de aprendizagem. A personalização do feedback, comum em ambientes baseados na comunicação interpessoal é um desafio em educação à distância, pois isto nem sempre é possível, sendo necessário que o desenho do curso antecipe as necessidades e demandas, tornando essencial conhecer bem e antecipadamente o perfil dos cursantes. Em função dessas dificuldades, alguns erros podem ser cometidos, como tirar a motivação do aluno e desestimular durante o processo, quando: Há excesso de direcionamento, ao tentar explicar demais ou dar respostas, tirando o interesse do aluno pelo conteúdo. O feedback é genérico (repreensão ou elogio para todo o grupo) Um feedback mal direcionado tem efeito desastroso. Há falta de feedback: Muito comum em EAD, pois um feedback bem feito consome muito tempo. Neste caso, a falta de estímulo pode levar o aluno a abandonar o curso ou treinamento no meio. 4.7 - Avaliação Formativa na ótica de Otto Peters Em sua obra “Didática do Ensino a Distância”, Otto Peters [29], não discute formalmente a avaliação nesta modalidade de ensino, porém seu texto é recheado de conjecturas a respeito do tema e nos fornece diversas pistas de como a didática proporciona elementos para a construção de um processo de avaliação. Neste sentido, desejo me reportar a algumas considerações deste autor estabelecendo pontes com as reflexões travadas até então. Duas questões permeiam suas reflexões: a primeira em torno da avaliação institucional, em sua dúvida: Como poderia ser melhorada a qualidade do ensino a distância? (op.cit, 22) e a segunda costura a didática com avaliação através da discussão do feedback e de sua aplicação em cursos a distância, foco que pretendo deter a atenção. Seguindo esta linha de raciocínio, há todo um caminho proposto, num sentido histórico, porém não-linear da construção de EaD em diversas épocas e lugares, uma vez que a primeira geração não é suplantada pela segunda e terceira gerações, mas que sim, continua agindo ao lado delas ou em conexão com elas (PETERS [29], p. 32) Porém, o autor discute mais detalhadamente a partir da introdução das universidades a distância, fundadas nos anos 70, situando-as na primeira das três fases distintas por que tem passado. Aliando didática ao processo avaliativo num contexto pedagógico, cada uma destas fases vai revelando o modo de como, para quê e por que avaliar. Além de todos os atrelamentos sócio-econômicos e culturais subjacentes, há um sentido filosófico, antropológico e cultural que se fazem presentes em toda prática educativa. Desta forma, a avaliação em EaD configurou-se: 1. Numa estreita relação entre os atores que a fazem, através de diferentes mecanismos de diálogo e na busca pelo desenvolvimento da autonomia; 2. Na primeira fase, fortemente influenciada pelo pensamento fordista e behaviorismo, (em contraste ao formato acadêmico tradicional das universidades), há uma busca por superar a distância entre professores e alunos e para isto, não bastava apenas denominar e descrever regras nas avaliações, mas os exames e ordens de estudo deveriam elaborar detalhadamente, fixar, produzir, distribuir, fornecendo apoio, fomento e motivação ao processo.17 de 81 29/9/2011 16:27
  • 18. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 3. Nas segunda e terceira fases, em modelos que participam milhares de alunos, os estudantes ficam isolados e segundo o autor, entregues a própria sorte porque os sistemas de assistência são insuficientes. (p. 42), Neste sentido, algumas condições seriam necessárias à compreensão como: a. Estabelecer equilíbrio entre acesso e qualidade dos diálogos numa proposta de distância transacional; b. Considerar as reais necessidades da sua clientela, uma vez que é formada de sujeitos adultos, com larga experiência de vida; c. Possibilitar auto-estudo considerando o tempo de dedicação a este em conjunção com a vida profissional; d. Promover participação ativa dos alunos no desenvolvimento de competências específicas de: argumentar objetivamente, assumir, fundamentar, defender, modificar ou rejeitar espontaneamente, questionando criticamente os conteúdos expostos, refletir conscientemente e criticamente, com os colegas, os resultados dos seus estudos, experimentando progressos cognitivos e avançando numa postura adequada ao pensamento científico e acadêmico; e. Possibilitar um feedback automático em que os resultados do processo estejam acessíveis ao aluno de forma individual. Neste caso, Peters considera, mediante dispersão geográfica e investimento, algumas condições indispensáveis como: orientador específico e presente a todas as fases do curso, diálogos entre alunos e tutores em clima de confiança e intimidade, multimeios para acesso e participação ativa nos diálogos. Ainda sobre a questão do feedback, Peters argumenta que são necessários alguns critérios para que ocorra de forma eficiente e atinja os objetivos na construção do conhecimento e mantenha o nível de motivação desejável: 1. Evitar devolver trabalhos e provas dos alunos com apenas riscos, sinais de aprovação ou reprovação e uma nota final; 2. Estabelecer critérios e meios de comunicação eficazes, que promovam diálogo e troca de experiências relativas aos resultados das avaliações; 3. Estabelecer contatos e devolução dos resultados com menor brevidade possível, valorizando as produções dos alunos e mantendo a motivação em alto nível; 4. Valorizar e compreender a importância do diálogo didático inclusive para as avaliações corrigidas pelo computador; 5. Apreciar e comentar, com relevância, os resultados corretos e acertos nas tarefas propostas; 6. Estabelecer e socializar os critérios e parâmetros das correções, justificando as notas atribuídas; 7. Manter os mesmos tutores e orientadores específicos para os alunos, a fim de que possam acompanhar a progressão e desenvolvimento dos seus estudos; 8. Estabelecer um número limitado de alunos por tutores, a fim de facilitar e não sobrecarregar o trabalho dos mesmos, possibilitando um atendimento mais detalhado e bem feito; 9. Fazer conhecidos os tutores e orientadores para que seja estabelecido um clima de confiança e intimidade didática entre eles; 10. Utilizar meios individuais para estabelecimento de diálogos, como telefone (utilizado em larga escala e possibilita contatos mais eficientes), carta e/ou e-mail, utilização de ferramentas dos softwares em computadores pessoais como o chat (messenger), telefax (apesar de haver restrição para os mesmos, pois modificam o diálogo); 11. Empenhar-se por manter a interação sistematicamente estruturada e espontaneamente realizada, num clima tranqüilo, agradável, valorativo, simpático e empático entre professores, tutores e alunos. O autor complementa sua fala, afirmando que: tutores que trabalham desta maneira não ensinam, mas sim, favorecem e facilitam o trabalho autônomo dos estudantes. Deste modo, solucionam tarefas pedagógicas e didáticas complexas. (PETERS [29], op. cit: 117) Assim, além de um processo didático otimizado, os valores subjacentes tornam-se evidenciados na construção de um modelo em EaD desejável, atual, necessário e que considera reais todos os entraves na estrutura dos cursos, na tentativa de minimizar os problemas, propiciar qualidade e manter a excelência dos cursos superiores das Universidades. Apesar de o autor colocar que a universidade virtual está no futuro, ela já existe. Necessário se faz uma avaliação consistente e constante da mesma, a partir das experiências concretas, principalmente, no atendimento das necessidades do aluno brasileiro em universidades brasileiras, possibilitando a esta Nação, o pagamento da dívida pública, que tem com as camadas sociais que foram expropriadas do saber legítimo e acadêmico, e da população adulta e trabalhadora, que se encontra ainda sem acesso aos bancos universitários. 5 - Avaliação somativa Marcelo Minholi 5.1 - Introdução A Avaliação Somativa tem como objetivo dar uma visão geral, de maneira concentrada, dos resultados obtidos no processo de ensino e aprendizagem. Com a sua aplicação busca-se traduzir o quão distante o avaliado ficou de atingir uma meta estipulada inicialmente. Esse tipo de avaliação deve ser aplicado em momentos específicos ao longo de um curso, como por exemplo, no final de um período ou ano letivo. 5.2 - Enfoques18 de 81 29/9/2011 16:27
  • 19. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Ao contrário do que pode parecer, a avaliação somativa não se restringe apenas à ótica tradicionalista e pode ser utilizada como instrumento de avaliação sob diversos enfoques, sendo eles: Tradicional: Utilização de verificações de curto prazo e prazo mais longo; punição (reprovação, notas baixas) e reforço positivo (aprovação, bons conceitos). Tecnicista: Avaliação de comportamentos observáveis e mensuráveis; controle de comportamento face a objetivos pré-estabelecidos. Libertador: Verificação direta da aprendizagem é desnecessária; avaliação da prática vivenciada entre educador/educando; auto-avaliação em termos de compromisso assumido com a prática social. Progressista: A avaliação é realizada a qualquer momento, pois sua preocupação é diagnosticar falhas; observação do desempenho; valorização de outros instrumentos que não a "prova". 5.3 - Critérios para Elaboração As boas práticas de avaliação recomendam que sejam elaborados instrumentos de avaliação que sigam certos critérios, sendo que dentre os principais estão: Validade: mede o que se propõe a medir e permite generalizações apropriadas sobre as habilidades dos estudantes; Consistência: requer que os professores definam claramente o que esperam da avaliação, independentemente da matéria ou do aluno; Coerência: apresenta conexão com os objetivos educacionais e a realidade do aluno; Abrangência: envolve todo o conhecimento e habilidades necessários ao conteúdo explorado; Clareza: deixa claro o que é esperado do estudante; não confunde nem induz respostas; Equidade: deve contemplar igualmente todos os estudantes, levando em conta as características e valores de sua comunidade. 5.4 - Escopo de Avaliação O principal desafio de confeccionar uma avaliação somativa é definir o seu escopo, ou seja, saber o que deve ser avaliado para que se tenha uma visão completa do processo cognitivo e do seu impacto junto aos estudantes. Uma classificação muito útil, que pode ser tomada como parâmetro para elaboração desse tipo de avaliação é conhecida como Taxonomia de Bloom, onde Benjamin Bloom e seus colaboradores criaram uma divisão dos objetivos educacionais em 3 partes, sendo elas: Cognitiva: objetivos que enfatizam a memorização ou reprodução de algo que foi aprendido, ou que envolvem a resolução de alguma atividade intelectual para a qual o indivíduo tem que determinar o problema essencial, então reorganizar o material ou combinar ideiais, métodos ou procedimentos previamente aprendidos; Afetiva: objetivos que enfatizam o sentimento, emoção ou grau de aceitação ou rejeição. Tais objetivos são expressos como interesses, atitudes ou valores; e Psicomotora: objetivos que enfatizam alguma habilidade muscular ou motora. Dentre os três domínios o cognitivo é o que costuma ser utilizado mais freqüentemente e, segundo Bloom, encontra-se divido em seis níveis, sendo eles: Conhecimento: processos que requerem que o estudante reproduza com exatidão uma informação que lhe tenha sido dada, seja ela uma data, um relato, um procedimento, uma fórmula ou uma teoria; Compreensão: requer elaboração (modificação) de um dado ou informação original. O estudante deverá ser capaz de usar uma informação original e ampliá-la, reduzí-la, representá-la de outra forma ou prever consequências resultantes da informação original; Aplicação: reune processos nos quais o estudante transporta uma informação genérica para uma situação nova e específica; Análise: caracterizam-se por separar uma informação em elementos componentes e estabelecer relações entre eles; Síntese: representa os processos nos quais o estudante reune elementos de informação para compor algo novo que terá, necessariamente, traços individuais distintivos; e Avaliação: representa os processos cognitivos mais complexos. Consiste em confrontar um dado, uma informação, uma teoria, um produto, etc., com um critério ou conjunto de critérios, que podem ser internos ao próprio objeto de avaliação, ou externos a ele. Levando em consideração essa classificação é possível criar avaliações somativas que possibilitem uma visão abrangente do aprendizado, melhorando a aquidade da avaliação em si. Mas atenção! Nada substitui a técnica universal do bom senso, ou seja, mesmo que sejam seguidos critérios é preciso que o avaliador/professor tenha a sensibilidade necessária para considerar as diferenças entre os perfis de cada um de seus alunos, não havendo portando uma fórmula mágica, imutável, que permita avaliar qualquer grupo de alunos sem a interação direta do professor munido das informações extraídas por ele durante o processo de aprendizagem, sejam essas informações provenientes de outros instrumentos e avaliações ou não. Mais informações sobre a Taxonomia de Bloom podem ser obtidas na fonte de onde retirei essas informações ou na página sobre o assunto na Wikipédia.19 de 81 29/9/2011 16:27
  • 20. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 5.5 - Avaliação Somativa em Ambientes Virtuais de Aprendizagem Praticamente todos os ambientes virtuais de aprendizagem apresentam alguma ferramenta que possibilita a aplicação de avaliações somativas. No caso do Moodle, um dos ambientes de aprendizagem mais utilizados, a ferramenta "Questionário" pode ser utilizada para esse fim com uma grande variedade de opções e possibilidades que auxiliam tanto o aluno quanto o professor. Os questionários podem ser construídos mediante utilização de vários formatos de questões, podendo ir desde as tradicionais questões de múltipla escolha até questões abertas, passando por somatórias, associativas e a grande maioria de exercícios já conhecidos das práticas de avaliação somativa do ensino presencial. Outros ambientes, de maneira semelhante, oferecem recursos muito próximos aos disponíveis no Moodle, os quais podem ser visualizados neste endereço. Há também a possibilidade de importação de questionários elaborados por ferramentas como o HotPotatoes, que permitem a elaboração de questionários para utilização em formato impresso e interativo. Uma outra possibilidade, também bastante interessante, oferecida pelos ambientes virtuais de aprendiazagem no que diz respeito ao uso de avaliações somativas, é a construção de bancos de questões que podem ser re-aproveitadas entre os diversos cursos e ambientes oferecidos em um determinado portal. No caso do Moodle, além desse recurso também há a possibilidade de mesclar respostas, o que dificulta a fraude, além de temporizadores, que permitem o controle sobre o tempo disponível ao aluno para realização de uma "prova" e também o acompanhamento dos resultados obtidos de maneira tabular ou gráfica, a importação dos resultados para formatos manipuláveis (planilhas) e a geração de estatísticas que permitem um melhor entendimento sobre os resultados obtidos por um indivíduo ou grupo. 5.6 - A Importância da Avaliação Somativa A avaliação somativa, que pode ser considerada como uma das marcas registradas do tradicional "instrucionismo" do qual a educação a distância e as modernas técnicas de ensino buscam fugir, mas, apesar de toda a estigmatização com a qual é tratada, ela não deixa de ser um importante instrumento de avaliação, que certamente tem seu lugar garantido em qualquer projeto de ensino de cursos em quaisquer níveis. A aplicação de avaliações somativas garante um retorno muito eficaz (na maioria das vezes) ao docente sobre os resultados obtidos ao término e/ou durante um curso, entretanto, se utilizada sem nenhum outro tipo de acompanhamento, pode se constituir como vilão nos processos de ensino, já que, por ser tradicionalmente utilizada ao término de um processo educativo, não dá chance ao educador para que ele corrija possíveis falhas de formação. A utilização desse tipo de avaliação, dentro de um contexto coerente de aplicação, associada a outros tipos de avaliação, é necessária e garante que sejam estipuladas metas para serem atingidas pelos estudantes, o que pode servir, inclusive, como motivação para que os mesmos dediquem-se ao seus estudos, mesmo que não tenham ainda total consciência da sua importância. 6 - Subjetividade da avaliação Jaqueline B. Ferraz de Andrade "Ser professor implica um corpo-a-corpo permanente com a vida dos outros e com a nossa própria vida." Antonio Nóvoa 6.1 - Objetividade, subjetividade e intersubjetividade na avaliação "De repente, O outro se apresenta para mim. Não como o vejo, Mas como intenta mostrar-se. Busco novos detalhes, nuances Para que possa, a partir do que sei, Sabê-lo". Jaqueline Ferraz Para analisar o componente subjetivo que a avaliação comporta, antes é necessário destacar as representações do professor/tutor e as questões pertinentes ao processo ensino-aprendizagem no âmbito da Educação a distância. O processo didático envolve as concepções de mundo, de educação, de si mesmo e do outro, de linguagem e da própria ação de ensinar. Esses aspectos estão presentes na formatação do curso, na sua ergonomia e na proposta pedagógica. Em EaD, professores e alunos são representados pela linguagem. No ciberespaço, a constituição da identidade se dá a partir da construção lingüística. A linguagem é o elemento cultura que delineia a pessoa "virtual". Nos novos20 de 81 29/9/2011 16:27
  • 21. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad espaços de interação, o diálogo didático delineia o vínculo entre educador-educando, educando-educando e nesse processo interacional há um componente chamado subjetividade. Conceituar o termo subjetividade é tarefa complexa e nos limitaremos a considerá-lo aqui a partir do ponto de vista da psicanálise e adequação desse ponto de vista à educação. Para Neder [24] "a relação teoria-prática coloca-se como imperativo no tratamento do conteudo e a relação intersubjetiva, dialógica, professor/aluno, mediada por textos é fundamental". Falar sobre subjetividade na avaliação é sensibilizar o olhar para um processo que necessita ser ressignificado em educação on-line. Segundo Von Glasersfeld (1984, apud Blikstein, 2006) "o que experimentamos, processamos cognitivamente e passamos a conhecer é necessariamente construído a partir de nossos "blocos de construção", e não pode ser explicado de outra forma que não em termos de nossos próprios meios de construção". Em educação online, o sujeito coloca na tela do computador sua forma de ver a si, o outro e o mundo. Portanto, a subjetividade é imanente ao processo de educar. Não há como separar a aspecto subjetivo da relação de ensino-aprendizagem tendo em vista que o próprio conhecimento é interpretativo. Isso significa que na relação aprendente – objeto - ensinante há não só o aspecto cognitivo, mas pensamento, sentimento, motivação, valores, crenças, cultura, tanto de quem ensina quanto de quem, no momento, aprende. Peters [29] coloca que ” todo ensino e toda aprendizagem são determinados, entre outras coisas, pelas pessoas envolvidas e pela mentalidade e pelos posicionamentos dominantes da sociedade e da época”. Para Freire [9], a subjetividade se manifesta através do “corpo consciente”, pois se delineará por meio das reflexões que faz no campo virtual, nesse espaço, atua entre o mundo e a intersubjetividade, a relação que estabelece com os outros “corpos conscientes”. O conceito de intersubjetividade foi criado por Husserl ao elaborar o problema da existência do outro. “O outro não é somente o que eu vejo, mas também o que me vê, sendo por sua vez, fonte transcendental de um mundo a ele dado”. (HUISMAN; VERGEZ, [13] pág.385). Para além da subjetividade, comum nas relações do homem com o mundo que o cerca, é importante destacar a intersubjetividade que pode ser compreendida pelo encontro entre as subjetividades presente nas relações que estabelecemos com o outro. Segundo Merleau-Ponty (1996), em Fenomenologia da Percepção “se lido com um desconhecido que ainda não disse uma só palavra, posso acreditar que ele vive em um outro mundo no qual minhas ações e meus pensamentos não são dignos de figurar. Mas que ele diga uma palavra ou apenas faça um gesto de impaciência, e ele já deixa de me transcender: então é esta a sua voz, são estes os seus pensamentos, eis portanto o domínio que eu acreditava inacessível." Percebe-se que há elementos presentes no ato avaliativo, para além de uma aferição dos resultados objetivados, palpáveis: que é enxergar o outro constituinte desse ato, compreender que ao falar da subjetividade da avaliação, é dar realce a aspectos afetivos-emocionais que interferem na avaliação. É considerar a troca intencional, o diálogo orientador, a avaliação formativa, que segundo Perrenoud [28] é a avaliação que ”ajuda o aluno a aprender e a se desenvolver, eu participa da regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto educativo.” É superar o modelo autoritário e arbitrário, migrado do modelo tradicional de avaliação, e dar novo tratamento à avaliação a partir das narrativas construídas na relação pedagógica do percurso. Para Gomez [11] o planejamento do curso deve comportar as dimensões filosófica, ontológica, antropológica, gnosiológica, político-pedagógica, ética e estética, tecnológica, rizomática e a dimensão subjetiva. Isso significa dizer que a concepção de avaliação não pode estar desvinculada do contexto em que a mesma opera. Qual desafio que essa abordagem traz para nós educadores e profissionais de EaD? Em que aspecto a compreensão dos aspectos subjetivos se manifesta em benefício da qualidade do processo? Em que medida as interações entre alunos podem se constituir em campo de avaliação da aprendizagem em EaD? Como não deixar que a falta de simetria no par educativo prejudique o processo avaliativo? Em uma avaliação tradicional, esse componente é desprezado, pois se prima pela objetividade, pela frieza que, em tese, corresponderia à fidedignidade do processo. Moore (1993, apud Peters, 2003) destaca o papel do diálogo na Educação a distância, embora o diálogo tenha sido relegado durante muito tempo a favor de uma “universidade de massas” e ao auto-estudo. Quando falamos em avaliar, pensamos em como estabelecer valores - seja através de menções ou notas - de forma construtiva, para que a subjetividade comum em qualquer ação do homem se dê em benefício do processo e não como uma viseira que impeça de enxerga o outro em toda sua potencialidade. É importante que tenhamos claro que o desenvolvimento do processo de ensino não se dá sem agruras, entraves, dissonância, mas que devemos buscar potencializar o cenário não com ferramentas decorativas e sim com o fortalecimento de uma cultura virtual constituída pelo diálogo, dando vez e voz aos homens e mulheres, em processos cooperativos. 6.2 - Mediação semiótica21 de 81 29/9/2011 16:27
  • 22. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad "Comunicar não é de modo algum transmitir uma mensagem ou receber uma mensagem. Isso é a condição física da comunicação, mas não é comunicação.(...) Comunicar é partilhar sentido". Pierre Lévy A especificidade da educação a distância requer uma construção dialógica que rompa com as barreiras da distância espaço-temporal. Peters (2003) aborda o conceito de distância transacional de Moore (1993) diferenciando distância física da distância comunicativa, psíquica: “a distância transacional é determinada pela medida em que docentes e discentes podem interagir simultaneamente e é influenciada pela medida em que o caminho a ser seguido no estudo está prefixado”. Nesse sentido, a distância transacional é um elemento variável e denota a flexibilidade que o processo de ensino-aprendizagem tem para o estabelecimento das interlocuções entre pares educativos. Essa busca pela pelo estabelecimento de um processo dialógico é fundamental na relação de aprendizagem e consequentemente no seu processo avaliativo. É na intersubjetividade entre os sujeitos desse processo que se consegue colher dados importantes para promoção da aprendizagem. A linguagem é um sistema articulado de signos impregnados de simbologias pertencentes a uma comunidade lingüística e é por excelência ela se deve como instrumento de mediação. Para Vygostky [46] “A linguagem, como um sistema articulado de signos, construído socialmente ao longo da história, veicula significados instituídos relativamente estáveis, embora mutáveis, o que faz a polissemia das palavras. Entretanto, esses significados adquirem sua significação concreta no contexto da interlocução”. * Um mapa conceitual para linguagem e aprendizagem. M.A.Moreira [23]: A mediação semiótica pode ser percebida a partir dos cinco modelos, analisados por Peters [29] que buscam alternativas para suplantar as dificuldades oriundas da distância física. No modelo por correspondência, as missivas buscavam um tom pessoal, dirigidas de forma direta ao estudante. Porém seu caráter didático não busca uma interface quanto a compreender o indivíduo, com ser único aprendente. No Modelo da conversação, há uma tentativa de buscar aproximar a linguagem do material didático a uma conversa com o leitor. Buscava também a empatia, a abordagem pessoal. Toda essa busca pela aproximação, ainda denuncia uma canal unidirecional de conversação. Não se caracteriza por uma mediação voltada para a aprendizagem colaborativa. No modelo professoral priorizou-se a forma de como os conteúdos eram apresentados como forma de aproximar o texto didático da voz do docente. Era uma forma de mostrar o docente perto do aluno. Essa simulação de um diálogo não substitui a necessária interface entre educador – objeto do conhecimento – educando para que se promova o encontro das subjetividades, importante para a compreensão do outro. O modelo tutorial tem como característica um aconselhamento por escrito. Não se restringe a desenvolver o conteúdo disciplinar, mas sim a motivar o aluno, a familiarização com os estudos. Aproxima-se de um trabalho metacognitivo, mas a mediação ainda não se destaca por comportar a necessidade de conhecer as especificidades do outro. Como o diálogo ainda de dá de forma uni ou bi direcional, a construção do conhecimento ainda segue muito o modelo de estudo autônomo. Ao transitarmos para um modelo tecnológico de extensão temos um perfil que utiliza a tecnologia como um recurso para registrar os conteúdos presenciais a serem repassados para alunos de Ead e, outro, que começa a se delinear com o advento da internet e do conceito de interatividade. Conceitos como significado, interação e conhecimento ganham novo enfoque com a questão da interatividade. É necessário elencar esses conceitos para compreendermos que a subjetividade presente no ato avaliativo deve ser visto como componente imanente a este. Esse aspecto ganha maior complexidade se compreendermos que é através da linguagem que tentamos decifrar o humano que está por trás de uma carta, livro ou computador.22 de 81 29/9/2011 16:27
  • 23. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad * aprendizagem.GIF: O Decreto 2.494, de 1998, artigo relata que “a avaliação do rendimento do aprendiz para fins de promoção, certificação ou diplomação, realizar-se-á no processo por meio de exames presencias, de responsabilidade da instituição credenciada para ministrar o curso, segundo procedimentos e critérios definidos no projeto autorizado”. Porém, verifica-se na prática um avanço nessa prática, através da implantação em muitos cursos de Ead de um processo de avaliação contínua que se visa aferir tanto aspectos qualitativos quanto quantitativos. Dentro dessa abordagem novas estratégias e instrumentos são constantemente elaborados para a prática da avaliação online. 6.3 - Dizeres, saberes e fazeres da avaliação "O medo de amar é o medo de ser De todo momento escolher Com acerto e precisão A melhor direção” Fernando Brant e Beto Guedes Um processo avaliativo que prioriza o desenvolvimento da aprendizagem na perspectiva de Freire [9] que a considera formativa, continuada, processual, interativa, contextualizada e dialógica constitui-se em um desafio aos educadores comprometidos com a qualidade do processo de ensino-aprendizagem em EaD. Caminhar por esse viés, permite o desdobramento do tema subjetividade com outros elementos presentes no processo de avaliação. Luckesi [21] destaca três elementos no processo de aprendizagem: dados relevantes, instrumentos, e utilização dos instrumentos. Na busca por superar dificuldades no processo avaliativo em Ead, algumas ferramentas estão sendo construídas ou adaptadas de forma a tornar cada vez mais apurado essa etapa do processo ensino-aprendizagem. Qual relação desses dispositivos com a subjetividade? É a necessidade de transformar ferramentas tecnológicas em instrumentos simbólicos de mediação para que possamos desenvolver um projeto político-pedagógico cuja avaliação formativa, processual atinja tanto ao desenvolvimento de competências específicas quanto a competência globais, voltadas para o entorno do aprendente na comunidade em que atua. Vários dispositivos em educação online permitem a interlocução, o repensar de idéias, um espaço para se questionar, refletir, problematizar, abordar temáticas específicas e ampliar o enxergamento destas a partir de opiniões divergentes ou consensuais. Em alguns de comunicação assíncrona, a interatividade é mantida pela constante retro-alimentação, pela interação entre os participantes. A construção do conhecimento se dá através de rede de associações, leituras, vivências, depoimentos, argumentações que se constituem em verdadeiros espaços semânticos, onde a linguagem delineia a presença intelectiva, emocional, social e cultural do sujeito. Por isso, tão necessário quanto o saber e o dizer em avaliação está o fazer. Que é a comunhão da teoria com a prática. Do discurso com a ação. A partir dessa concepção de uso de canais de interação, desdobrar-se-á a avaliação da subjetividade. Essa vertente interdisciplinar permite com que a aprendizagem seja, simultaneamente, singular e plural, pois comportará uma dimensão individual e uma coletiva dos dizeres e saberes que ali não socializados. Por mais variados que sejam os discursos, os sujeitos e suas narrativas e biografias se inter-relacionando-se em um espaço semântico, estas devem ser respeitadas e valorizadas no processo de avaliação.23 de 81 29/9/2011 16:27
  • 24. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Segundo Sant´anna [37] é indispensável verificar a extensão das capacidades aprendidas. Para avaliar o conhecimento construído, podemos ter como indicador o estabelecimento de relações entre o tema e outras literaturas, práticas, vivências, que permitam aprofundar o tema, aumentando o grau de complexidade à abordagem dada a ele durante o processo. É necessário também que se tenha a representatividade do conhecimento construído a partir do processo de autoria. É importante que o processo avaliativo feito através de dispositivos tecnológicos tenha também como critério a produção do aluno. Essa tentativa de mapear alguns critérios avaliativos do processo de aprendizagem respeitando a “voz” dos aprendentes busca compreender a individualização da aprendizagem e as interlocuções do sujeito com o conhecimento. Tarefa complexa e necessária frente aos desafios no nosso tempo. 6.4 - Em síntese, mas não concluindo "O inesperado surpreende-nos. É que nos instalamos de maneira segura Em nossas teorias e idéias, e estas não têm estruturas para acolher o novo. Entretanto, o novo brota sem parar. Não podemos jamais prever como se apresentará, mas deve-se esperar sua chegada, ou seja, esperar o inesperado. Edgar Morin Qual educação em Ead ensejamos? Quais dimensões comportam a singularidade humana? Existem mecanismos para avaliá-las? Refletir sobre avaliação é um processo árduo, mas não tão duro quanto vivenciá-la, seja como avaliador ou avaliando. A todo momento, estamos todos assumindo ambos os papéis. Na qualidade de avaliador, queremos ser justo, francos, abertos. Buscamos estipular critérios claros, diálogos franqueados, espaços de interação abertos para avaliados e avaliandos. Buscamos uma linguagem compreensiva, amena. Como avaliados, queremos mostrar o melhor de nós, da nossa capacidade, do nosso potencial – mesmo que naquele momento, o melhor de nós seja muito pouco frente o que o outro espera. Temos dificuldade de enxergar nossas próprias falhas e mais ainda permite que os outros a sinalizem. O encontro das intersubjetividades deve promover a comunhão, mesmo que ele venha do caos que precede aos pensamentos, idéias, divagações, nunca a partir das nossas impossibilidades, o que ocorre em uma avaliação voltada para produto, pra resultado final. Muitas vezes as portas para o diálogo estão abertas, mas não nos permitimos passar por ela. Não aceitamos a aproximação do outro. Não nos mostramos para ele. E, assim, mesmo com todo o cenário preparado, o ator não entra em cena e a avaliação vira um monólogo ou um falso diálogo cuja palavra final já está determinada. E quanto ao que escapa totalmente das ferramentas e estratégias de avaliação? Ao que escapa dos encontros e desencontros das intersubjetividades? Como considerar isso? É preciso considerar isso? O que escapa é o que não é sensível aos olhos. Portanto, o humano deve ser priorizado em qualquer sociedade aprendente. Quando falamos em avaliar, pensamos em como estabelecer valores - seja através de menções ou notas - de forma construtiva, para que a subjetividade comum em qualquer ação do homem se dê em benefício do processo e não como uma viseira que impeça de enxerga o outro em toda sua potencialidade. Não considerar as pessoas nem como avaliador, nem avaliando, mas como um sistema observante que só tem finalidade e funcionamento pelas interlocuções que elaboram. Mas ainda, que é um sistema em construção e, por isso, sujeito a falhas e que devem estar em constante reavaliação. E que não devemos permitir que o que não enxerguei, o que deixei escapar, o que a ferramenta que utilizei para avaliar não deu conta, não mate no outro, o desejo de crescer. 7 - Avaliação Ergonômica Sandra Maria Araújo A avaliação ergonômica destina-se a verificar e qualificar as condições a que estão sujeitos em suas atividades durante o processo produtivo da empresa (Silvya Hermann 2006) , se nos reportarmos a educação, podemos afirmar que ela vai qualificar as condições dos sujeitos no processo de aprendizagem. Nesse sentido cabe-nos a seguinte reflexão: Como verificar essas condições num processo avaliativo? O que deve ser observado e considerado numa avaliação do processo de ensino e de aprendizagem? Ao discutir a necessidade de mudanças nas atuais práticas avaliativas Perrenould [28] destaca oito pólos interdependentes no processo avaliativo: 1. Relações entre as famílias e a escola; 2. Organização das turmas, individualização; 3. Didática, métodos de ensino; 4. Contrato didático, relação pedagógica, ofício de aluno;24 de 81 29/9/2011 16:27
  • 25. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 5. Acordo, controle, política institucional; 6. Planos de estudo, objetivos, exigências; 7. Sistema de seleção e de orientação;e 8. Satisfações pessoais e profissionais; Esses pólos nos apontam fatores relevantes a serem obervados num processo avaliativo. Mas ao nos referirmos a Avaliação em EaD, acreditamos que outros pontos devem ser considerados tais como: 1. Ambiente de aprendizagem Web, neste deve-se verificar o nível de acessibilidade, de interatividade e de ergonomia, analisando o seu potencial como fonte geradora de conhecimento, de interação e de comunicação; 2. As habilidade dos professores e alunos em lidar com as ferramentas disponíveis no ambiente de aprendizagem; Não é possível avaliar a aprendizagem do aluno sem considerar os meios e as condições a ele oferecidas durante o processo de construção de conhecimentos, pois através do processo de avaliação, os educadores e educandos devem ter condições para uma compreensão crítica da realidade escolar em que estão inseridos [24]. Além disso, não podemos nos esquecer que na modalidade de ensino a distância, o aluno não conta com a presença física do professor logo deve dispor de um ambiente de aprendizagem adequado, que lhe permita desenvolver com autonomia, as atividades propostas. 7.1 - Relação entre Avaliação ergonômica, Avaliação Contínua e Avaliação Formativa Se a Avaliação Ergonômica está diretamente ligada à ergonomia de manutenção (corretiva) onde o trabalho é analisado, há de se considerar também, a necessidade de que a avaliação seja um processo contínuo, formativo e favorecedor da dialogicidade, para permitir a análise interna e externa do conteúdo e o tratamento a ele dado; a relação entre a temática e a prática de aprendizagem; a pertinência epistemológica dos conteúdos abordados; o nível de interatividade das ferramentas, do material e dos atores do processo (professor e aluno) (Freire [9]). Dessa forma é impossível dissociar essas três formas de avaliação. Para Otsuka e Rocha, a avaliação formativa ajuda o aluno a aprender e a se desenvolver e participa da regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto educativo (Otsuka e Rocha, 2002) [26]. Já para LACERDA [18]: “a avaliação formativa ou processual tem mais relevância numa proposta de EaD via Web porque permite identificar os progressos e as dificuldades do aluno e informar os efeitos do trabalho do docente, possibilitando regular sua ação pedagógica” Luchesi [21] propõe que avaliação seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educando e que tenha como objetivo final a tomada de decisão e o redirecionamento do aprendizado e o desenvolvimento do educando. A avaliação contínua está também, atrelada a avaliação ergonômica e formativa visto que prevalece como instrumento utilizado para analisar as interações dos alunos com o material didático, com o ambiente, com os colegas e com o professor. Segundo Perrenould [28], ao avaliar o professor deve colocar os alunos, frequentemente, em situação de aprendizagem ótima, envolvendo-o e provocando-o em sua zona de desenvolvimento próxima. Isto é, a partir da percepção do que o aluno já aprendeu ou apresenta dificuldade o professor deve criar situações para que cada aluno progrida rumo aos domínios visados. Nesse sentido uma das competências que o professor deve desenvolver no processo avaliativo é Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação” [28], sendo este, um dos grande desafios da avaliação. 7.2 - Avaliando a Ergonomia do Material didático Conforme discutimos anteriormente, a Avaliação ergonômica refere-se ao diagnóstico das dificuldades de aprendizagem e seus reflexos na vida do aluno e da própria escola e/ou no ambiente de aprendizagem cuja função principal, é promover a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. Portanto, para avaliar a ergonomia de um material didático é necessário pensar na sua função, objetivos e público-alvo. A construção do conhecimento se dá fundamentalmente, no processo de interação por isso ao nos propormos avaliar um MD precisamos inicialmente, pensar nas informações priorizadas por ele ou ambiente de aprendizagem, pois como afirma MORAN , a informação é o primeiro passo para conhecer, e como resultado da organização de dados anteriormente soltos, possui uma certa estrutura que facilita a compreensão de um fato pelo aluno/aprendente. A qualidade da educação, comumente centradas nas inovações curriculares de didáticas, não pode desconsiderar a incorporação de novas tecnologias pois elas constituem-se como elementos que podem contribuir para uma maior vinculação entre os contextos de ensino e as culturas que se desenvolvem aquém dos ambientes de aprendizagem. Essas novas tecnologias permitem mudanças significativas nas formas de ensinar e aprender em EaD, pois oportunizam a criação de ambientes de aprendizagem integrados , que favorecem a interação e a interatividade. Peters [29] chama atenção para o espaço adicional que um sistema integrado de telecomunicação pode conceder25 de 81 29/9/2011 16:27
  • 26. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad ao diálogo no ensinar e estudar. Segundo ele esse sistema por não transmitir somente dados, mas também a voz e a imagem dos docentes e docentes de forma síncrona e assíncrona permitindo uma proximidade que não é possível em outros modelos de Ensino a Distância. Além disso, amplia a participação no diálogo reduzindo a estrutura,fechada e estática de qualquer Material Didático (grifo nosso). O diálogo é um elemento fundamental a qualquer material didático seja ele virtual, escrito, tutorial, etc. Para Moore (1993) a concepção de ensino dialógica “....está comprometida com a pedagogia humanista , para a qual o diálogo de pessoa para pessoa tem importância central desde que transcorra sem estrutura e sem fins pré-determinados.” Esse diálogo para ele, acontece de fato, quando há a interação lingüística direta e indireta entre docentes e discentes (Moore 1993 apud Peter’s 2002” p.73). Destacamos as diferentes versões práticas do ensino dialógico para a Educação Superior a Distância, propostas por Peters [29]: 1. O aconselhamento acadêmico – diálogos com tele-estudantes; 2. No centro de estudos – diálogo com os tutores; 3. Em grupos de trabalhos – diálogo dos estudantes entre si; 4. Contatos com a área específica - diálogos com os pesquisadores e/ou autores dos cursos; 5. Em escolas residenciais – diálogos entre tele-estudantes que moram e estudam juntos; 6. Em seminários e períodos práticos – diálogo dos estudantes com os conferencistas/seminaristas; 7. Estabelecer contatos por meio da técnica – diálogos realizados por meio de recursos diversos: cartas, telefonemas, fax, e-mail, teleconferência, etc. 8. Interpretação – diálogos pessoais; Essas versões ressaltam a relevância do diálogo no processo educativo por isso, ao elaborar materiais didáticos para a EaD os educadores devem ter a clareza epistemológica de que “o diálogo não apenas desempenha funções auxiliares mas é também, uma forma autônoma de ensino e de aprendizagem, com funções didático-pedagógicas específicas. (ibid, 1993). E que Ensino e aprendizagem dialógica e a participação no processo científico são um evento de natureza totalmente própria e por isso incomparável [29] (p. 82) *Um outro ponto fundamental quando discute-se a qualidade ergonômica de um material didático é a autonomia. * Numa concepção de aprendizagem autônoma o a aprendizagem é concebida como construção e modificação de estruturas individuais de saber, de comportamento e de experiência. [29] (p.258). Portanto, a EaD deve favorecer o desenvolvimento da autonomia do aluno, da sua metacognição, tornado-o autodeterminado e auto-responsável por sua aprendizagem, e o material didático deve ser favorecedor do desenvolvimento dessa autonomia devendo ser reflexivo, dinâmico, interativo. De acordo com Moran, conhecer é relacionar, integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Saber, desvendar, indo além da superfície, do previsível, da exterioridade. Aprofundando os níveis de descoberta, e penetrando mais fundo nas coisas, na realidade, no nosso interior. Para ele o conhecimento se dá no processo rico de interação externo e interno. Se a construção do conhecimento é essencialmente um processo comunicacional, entendemos que na EAD, o MD deve permitir a interação do aluno/aprendente, com o ambiente, com o outro – aluno, professor, material didático - possibilitando uma comunicação aberta e confiante e o desenvolvimento de contínuos e inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de conhecimento pessoal, comunitário e social, isto é, equilibrando os processos de interação e de interiorização. 7.3 - Considerações Finais As discussões que fizemos até aqui nos levam à compreensão de que enquanto instrumento de verificação das condições de aprendizagem dos alunos, a avaliação ergonômica dever ser um processo reflexivo e dinâmico. Deve ainda, atravessar o ato de planejar e executar e contribuir em todo o percurso da ação planificada E que, enquanto crítica do percurso, a avaliação é uma ferramenta importante no processo de construção dos resultados que o homem planeja produzir e no redimensionamento da ação já efetivada [21] (p.118). A avaliação deve ser entendida como o ponto de partida e de chegada de todo e qualquer trabalho pedagógico, por isso conforme defende Lacerda %CITE{LACERDA_GILBERTO} deve estar profundamente interligada aos objetivos do curso e da disciplina qualquer que seja o tipo: diagnóstica, formativa, somativa, ergonômica, pois ela não é um fim em si mesma, mas uma engrenagem no funcionamento didático e organização e orientação escolares. Apesar dos avanços tecnológicos em EAD, faz-se necessário o desenvolvimento de formas inovadoras que se adequem a essa modalidade de ensino para que sejam mais dinâmicas e inovadoras. Pois, embora haja um avanço tecnológico em EAD, é preciso desenvolver formas de avaliações inovadoras, interativas, dinâmicas e formadoras, por isso é importante discutir a avaliação ergonômica, e entender que os sistemas avaliativos dependem do tipo de curso, dos recursos tecnológicos por ele utilizados, do projeto pedagógico do curso, do tipo de planejamento desenvolvido pelo professor/tutor e, sobretudo, da postura político-filosófica e epistemológica do professor e da Instituição que se propõe a ministrar o ensino a distância.26 de 81 29/9/2011 16:27
  • 27. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 8 - Avaliação de aprendizagens Gabriella Maculan Forattini Pelizer 8.1 Um Breve Relato sobre Avaliação de Aprendizagens em EAD Avaliar por si só já é um processo complexo e controverso. Avaliar aprendizagens, mais ainda. Avaliar aprendizagens em Ensino a distância então, nem se fala... Quando se pretende avaliar aprendizagens, deve-se primeiro compreender o que é aprendizagem, como ela ocorre e o que ela acarreta. Pois bem, aprendizagem é um processo de aquisição e formulação de novos conhecimentos, de desenvolvimento de competências e que de certa forma, produz modificações no comportamento das pessoas. A aprendizagem necessita de fatores e estímulos internos do indivíduo, bem como dos estímulos externos. Mas, como medir o conhecimento? Como mensurar o quanto uma pessoa sabe sobre determinado assunto ou saber? E com que profundidade? Complicado, não? Toda a atenção é válida. Não precisa muito para se equivocar nestas condições. O avaliador deve estar atento aos valores de juízos e subjetividade que permeiam e que podem interferir negativamente em um processo avaliativo que pressupõe, dentre outras coisas, a coerência e a justiça aos fatos e às pessoas. Para se iniciar um processo de avaliação de aprendizagens, em qualquer modelo de ensino, é imprescindível o planejamento. Através dele pode-se ter claramente a visão dos objetivos que se pretende alcançar. Para isso, considera-se todos os aspectos do processo de ensino-aprendizagem e todos os elementos que permeiam esta relação. Acompanhar o desenvolvimento do aluno, conhecer sua postura e procedimento, saber como ele aprendeu o conteúdo, como o utiliza em determinados contextos e situações requer auxílio de ferramentas, meios e procedimentos que auxiliem o professor na busca destas respostas. Classificar o aluno neste processo é uma exigência legal dos órgãos de educação. Mas não é um fim da avaliação, que se propõe a muito mais. Aqui entram também os aspectos éticos do ato de ensinar, de formar cidadãos conscientes, de dar condições para que o indivíduo se desenvolva, cresça como pessoa e busque sua autonomia e possa atuar em prol do conhecimento, modificando realidades. Através de uma visão holística, que considera um todo e transcende o fator “nota”, é possível utilizar a avaliação para diagnosticar problemas no aprendizado e propor as melhorias, fornecendo o feedback propulsor de ajustes e de potencializações das práticas e métodos pedagógicos utilizados no processo de ensino-aprendizagem. Ou seja, além de ser constante, formativa, a avaliação deve ser diagnóstica, levantar questionamentos e buscar respostas para promover a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, verificando os sucessos e insucessos de determinadas ações, dos meios, materiais e recursos utilizados, bem como da atuação. Segundo PETERS (1997) nas universidades a distância se desenvolvem cursos que estabelecem o caminho da aprendizagem dos estudantes, onde estes podem acompanhar os conteúdos oferecidos e exercer sua autonomia. Com este princípio, os cursos são planejados, desenvolvidos e experimentados conforme esta concepção, apresentando além dos conteúdos, intervenções didáticas. No ambiente de EAD, a avaliação precisa ser específica e estender sua análise sobre os outros tipos e variedades de aprendizados como a questão da tecnologia empregada e sobre seu mecanismo próprio de ensino- aprendizagem. Hoje, tanto a percepção e o modo de se avaliar exigem uma nova postura, uma nova atuação dos avaliadores. Os processos mudaram e com eles as oportunidades de se levar o conhecimento às mais remotas partes do país e do mundo. Os desafios da avaliação de aprendizagens em EAD passam a ser mais complexos, pois os avaliadores não contam com a observação direta dos alunos. É preciso prestar a atenção para a singularidade dos sujeitos, a questão de se personalizar o processo de avaliação. O aluno, dentro da coletividade precisa ser visto como uma pessoa única, com trajetória específica, pois se deve levar em conta que a aprendizagem não se dá da mesma forma para todos. Ressaltar e reconhecer os pontos fortes dos alunos e corrigir os pontos fracos durante e após o percurso é de fundamental importância para motivar o estudante a aprender e continuar aprendendo. Existem diversas formas de avaliação que englobam tanto as condições qualitativas quanto as quantitativas. Não se deve restringir o método de avaliação a uma ou outra modalidade. Na verdade a combinação de diversos instrumentos podem oferecer subsídios ao avaliador, dotando-o de conteúdos que possam ajudá-lo a formular um conceito mais aproximado do real e do ideal. Não existem fórmulas, e cada caso é um caso. Há de se avaliar o projeto didático-pedagógico e os objetivos a que27 de 81 29/9/2011 16:27
  • 28. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad ele se propõe, o ambiente onde será realizada determinada ação educativa, os recursos e tecnologias envolvidas e muitos outros itens para planejar a melhor estratégia de avaliação. Devemos considerar o processo de aprendizagem centrado no aluno, para humanizar o processo, visando seu desenvolvimento contínuo. Avaliar dentro destas possibilidades prevê o melhoramento do processo educacional, admitindo as expressões do conhecimento do indivíduo e o enriquecimento em todos os sentidos. Uma visão panorâmica da origem da avaliação de aprendizagem Inicialmente, o modelo tradicional de avaliação de aprendizagem estava relacionado com o desenvolvimento das teorias tecnicistas e comportamentalistas da década de 60, que buscavam a efetividade do processo de aprendizagem conforme padrões esperados de respostas. Um exemplo que ilustra este pensamento é o da “ máquina de ensinar” de Skinner que condicionava os estudantes à uma resposta exata tal e qual foi “transmitida” sobre o assunto avaliado. Neste cenário, foram desenvolvidos vários tipos de testes e instrumentos padronizados de avaliação que admitiam avaliar o aluno segundo determinado tipo de resposta. Dentro deste pensamento, a avaliação de aprendizagem se valia de um instrumento para análise de desempenho final, funcionando de forma exclusivamente classificatória. Com a evolução dos recursos e meios educacionais, mudanças no modo de entender a avaliação foram ocorrendo. Mesmo assim, muitas das ferramentas de avaliação de aprendizagens desenvolvidas para serem utilizadas nos AVEAs advém das concepções mecanicistas de avaliação, que consideram a verificação quantitativa de aprendizagem, como a aplicação de testes, a classificação por número de participações e acessos e muitas vezes não analisam pelo fator qualitativo, talvez pela complexidade do processo e despreparo de profissionais. Vários autores contribuíram ao longo dos anos para o processo de avaliação de aprendizagem. No modelo tecnicista, TYLER (1949) tinha na avaliação convencional, um instrumento de comparação entre o desempenho dos alunos e o os objetivos definidos. BLOOM, HAASTING E MADAUS (1971) formularam o Manual de Avaliação Formativa e Somativa do Aprendizado Escolar, onde sugerem três funções da avaliação: Diagnóstica – ocorre antes e durante o processo de aprendizagem e tem como função, identificar e agrupar os alunos de acordo com suas dificuldades inicialmente, para depois identificar se houve ou não melhoras com relação à assimilação do conteúdo. Formativa – ocorre ao longo do processo de aprendizagem e tem como objetivo identificar e corrigir falhas do processo educacional, bem como propor medidas alternativas de recuperação e melhorias das falhas de aprendizagem. Somativa – ocorre no final do processo e se destina a mensurar os resultados. Autores Construtivistas e sócio-interacionistas como Pedro Demo, Jussara Hoffman, J. E. Romão, Cipriano Luckesi, Phillipe Perrenoud, Miguel Zabala e outros, criticaram a utilização da avaliação apenas como forma de verificação de conhecimento, afirmando ser o processo de aprendizagem mais importante do que seus resultados propostos. Com isso, os teóricos evidenciam o papel da avaliação como aliada no processo de construção do conhecimento, cujo foco está centrado no conhecimento do desenvolvimento cognitivo do aluno, e não apenas como forma de verificação do conhecimento. 8.2 - Avaliação de Aprendizagens exige um novo conceito em Ambientes Virtuais de Ensino-Aprendizagem Na educação on-line, a avaliação de aprendizagem demanda a estruturação e a construção de novos conceitos e práticas pedagógicas que possam considerar os recursos interativos e os processos colaborativos de aprendizagens com as práticas de avaliação que vislumbrem a construção do conhecimento, e não apenas a sua reprodução memorizada, como vemos em muitos cursos na modalidade a distância. A avaliação como prática política-pedagógica (o próprio ato de ensinar é um ato político, segundo Paulo Freire) deve ser contextualizada, ou seja, estar adequada e adaptada ao contexto educacional – levando em conta as especificidades e características dos AVEAs - e o contexto pessoal – considerando as peculiaridades que afetam tanto os alunos quanto os professores envolvidos no processo. NEDER ilustra este pensamento ao afirmar que a avaliação está sempre vinculada a determinadas ações baseadas em propostas que expressem vontades políticas, sendo uma dimensão do processo educativo, dinâmico, processual, capaz de qualificar e oferecer subsídios para um direcionamento ou redimencionamento de ações dos educadores e educandos. E diz ainda que não deve ser vista isolada de uma uma proposta educacional, de um projeto de educação que traga em seu bojo, um processo de transformação que acarrete modificações em uma determinada situação. A Prática avaliativa deve fazer parte do processo de aprendizagem durante todo o percurso, e não apenas ser vista como uma atividade externa ao processo pedagógico. Deve ser formulada especificamente para atender a determinadas características dos cursos e contextos próprios para poder avaliar de forma a considerar as individualidades e o real processo de construção do conhecimento, onde torna-se mais importante o significado do instrumento dentro do processo avaliativo, do que o tipo a ser utilizado. Segundo NEDER, o que interessa em uma avaliação de aprendizagem é analisar a capacidade de reflexão critica28 de 81 29/9/2011 16:27
  • 29. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad dos alunos frente a suas próprias experiências. Considerar as características particulares dos ambientes de aprendizagens, bem como as relações que emergem da interação dos diferentes elementos é imprescindível para que as aprendizagens sejam significativas. Torna-se necessária a criação de novas formas e processos de avaliação, lançando um novo desafio para mudanças quanto à concepção de aprendizagem e formação de professores capazes de avaliar dentro deste panorama (contexto). 8.3 - Avaliação e Aprendizagens Significativas Segundo LUCKESI (2003) a avaliação de aprendizagem é um ato amoroso – talvez pelo envolvimento do avaliador com o avaliado quanto às emoções e sentimentos desencadeados no processo – na medida em que a avaliação tem por objetivo diagnosticar e “incluir” o educando, pelos mais variados meios, no curso da aprendizagem satisfatória, que integre todas as suas experiências de vida. Ou seja, oferecer-lhes condições de encontrar o caminho para obtenção de melhores resultados na aprendizagem e do auto-conhecimento. Frente aos desafios que a nova realidade mundial impõe ao processo educativo e principalmente ao avaliativo, faz-se necessário desenvolver estudos e adequar metodologias avaliativas que proporcionem as aprendizagens significativas. Adotar critérios que possam avaliar o aluno, não quanto à preocupação excessiva da nota, mas conhecer o quanto ele aprendeu durante o seu caminho de aprendizagem e como aplica seus conhecimentos, entendendo o processo como uma forma de incentivar, acompanhar, mediar, dialogar e promover a interação entre ensino e aprendizagem é o que se espera. Readequar ou aperfeiçoar a prática docente e ao mesmo tempo orientar os alunos, conscientizando-os, em busca de um caminho mais expressivo para a construção do seu conhecimento e ainda, verificar e adotar procedimentos avaliativos diferenciados e específicos para cada contexto de ensino-aprendizagem são elementos imprescindíveis para melhorar o processo avaliativo e obter qualitativamente os parâmetros para uma análise de quanto o aluno aprendeu – transformou os ensinamentos apresentados em conhecimentos – e como vai utilizá-lo nas situações de vida é o que realmente se espera atingir na averiguação da aprendizagem. Neste contexto, pretende-se que o aluno possa desenvolver seu senso crítico e a criatividade através da expressão do seu conhecimento. Avaliar envolve um conjunto de procedimentos e vertentes a serem analisadas, especialmente no ensino a distância, é preciso levar em consideração o objetivo da aprendizagem, o conteúdo dos cursos, o público a ser atingido, os meios de comunicação, os recursos tecnológicos, as políticas e diretrizes da instituição, para elaborar um planejamento e formas de acompanhamento a fim de formular instrumentos e traçar diretrizes e planos de ação para efetivar a avaliação que realmente seja construtiva. 8.4 - Qualificação x Classificação A avaliação da aprendizagem tem o propósito de garantir a qualidade da aprendizagem do aluno, em outras palavras, possibilita a qualificação da aprendizagem do estudante, enquanto que a avaliação classificatória padroniza os alunos e os agrupam de acordo com comportamentos esperados, indo contra a democratização do ensino. Este tipo de avaliação não contribui para o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem ao segregar parte dos alunos que não se enquadram no “padrão esperado”, rotulando e até desmotivando os educandos. Esta visão não leva em consideração a heterogeneidade e diversidade dos alunos e de seus modos e velocidades de aprendizagem. Em contrapartida, a avaliação diagnóstica vislumbra o crescimento do aluno, elaborando avaliações que os levam a expressar seus entendimentos, compreensões de conteúdo, hábitos e habilidades ensinadas. A avaliação formativa e continuada em ambientes de EAD, por sua vez, consiste em uma prática avaliativa e contextualizada, flexível, interativa e dialógica, que, segundo OTSUKA e ROCHA, permite acompanhar e orientar o aprendiz durante o desenvolvimento de tarefas significativas – individuais e/ou coletivas - e relevantes, promovendo o engajamento ativo na construção de seus conhecimentos. Mais do que acompanhar, esta modalidade de avaliação, de acordo com os autores citados acima, permite utilizar a tecnologia através de ferramentas de interação, que podem registrar a participação dos alunos, fornecendo subsídios para a análise do desenvolvimento do mesmo. O papel da tecnologia neste contexto, auxilia o avaliador no registro de informações que amparam a sua análise, pois permite quantificar as participações dos alunos, evidenciando seu grau de interesse e o seu desenvolvimento. SILVA e VIEIRA afirmam que o uso do computador torna possível captar as características do aprendiz – o grau de interesse, a participação, o comportamento social e mapear sua evolução. Dessa forma, através da avaliação informal, pode-se recolher subsídios para traçar o perfil do aluno e ainda, definir suas características e interações no ambiente de EAD, além de apontar sua postura diante da metodologia de ensino. Avaliar aprendizagens também requer dialogicidade, para entender como o aluno pensa, constrói seu conhecimento e interage com docentes e com os demais alunos.29 de 81 29/9/2011 16:27
  • 30. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad PETERS ressalta que nas universidades a distância, é comum surgir o sentimento de insuficiência e solidão em muitos estudantes pela falta de comunicação. Para evitar tal procedimento, deve-se investir nas condições, meios, processos e atitudes que facilitem a comunicação e o entendimento mútuo. Ainda citando PETERS (1997), temos que ensinar e aprender são definidos como processo de interação e comunicação. E este processo é fundamental para a socialização acadêmica e para a evolução do saber, uma vez que o discurso inicia no diálogo científico quando se rompe o consenso a respeito de um assunto e quando se procura entendimento. Sendo assim, PETERS (1997) afirma também que a formação em escola superior deve formar a competência comunicativa no aluno, capacitando-o para a discursividade. Disso tudo, temos que é essencial e imprescindível haver a dialogicidade, a troca e inter-relação de conhecimentos para o crescimento do saber individual e coletivo. Pois é através das interações que surgem as complementações de idéias e aprimoramento do conhecimento. Finalizamos este capítulo, sem no entanto encerrar as possibilidades de crescimento e novas descobertas do processo de ensino-aprendizagem e suas formas de avaliação, com a expectativa de transformações na esfera do ensino a distância, visando uma realidade cada vez melhor para a sociedade através do desenvolvimento humano em todos os sentidos. Por isso, a concepção do que PETERS (1997) chama de Universidade do Futuro poderá estar mais perto do que imaginamos de aconter. 9 - Avaliação curricular Luana Kedma Barreto Menezes 9.1 - Introdução “Qualidade não é obra do acaso. Resulta de intenção, esforço e competência.” George Herbert - A importância do currículo O currículo é a mola mestre do um ensino, onde todos os envolvidos devem ter livre acesso para construção de um aprendizado significativo, ele é um tema complexo de ser discutido por conter as características de intenção de natureza filosófica e política, segundo Ribeiro (1989) é o "Plano estruturado de ensino-aprendizagem, incluindo objetivos ou resultados de aprendizagem a alcançar, matérias ou conteúdos a ensinar, processos ou experiências de aprendizagem a promover".Quando pensamos em definir um currículo devemos refletir em que contexto educacional ele está inserido, como são os agentes e protagonistas participantes. 9.2 - O que é um currículo em EAD Pensando a Educação a Distancia, que está virando uma realidade para muitos, ela deve ser vista como um laboratório para esta nova experiência curricular, quando se fala nova é pela quantidade de recursos tecnológicos que vão agregando a esta modalidade de ensino . Segundo Peters, 2001;377 chamam especial atenção, no ensino a distância, quatro diferenças típicas no comportamento docente e discente em relação aos objetivos institucionais gerias, aos meios-guia que lhe servem de base á medida que se concedem aos estudantes espaços livres para a configuração própria de um estudo em relação á idéia que se associa ao termo ensino a distância , bem como a influência de tradições acadêmicas e culturas de estudo. Assim é necessário pensar as finalidades educacionais da instituição, qual o público discente almejado desde a faixa etária classe social, qual o meio técnico que será utilizado Garrison apud Peters 2001;32 define desta forma se é da 1º geração através de materiais didáticos, da 2º geração com teleconferências ou pela 3º geração que seria o resultado da segunda e mais o uso do computador pessoal, através de quais instrumentos metodológicos e avaliativos conseguiremos estimular e alcançar a aprendizagem, se utilizaremos um currículo aberto ou fechado, como serão selecionados os conteúdos, como o aluno usará sua autonomia para o estudo e principalmente como através deste sistema em EaD tão dinâmico podemos estar reformulando este currículo,com estes pontos bem definido podemos alcançar a aprendizagem através de objetivos bem traçados O currículo deve ter um enfoque técnico cientifico, cultural por conta dos valores presentes naquela sociedade, ideológico, flexível, dinâmico, sendo sempre reconstruído dependendo da equipe da instituição, este currículo pode ser construído a partir das relações entre os agentes, por exemplo no ensino on-line de profissionais qualificados que estão passando por uma capacitação , estes tem muito a construir junto a equipe mantenedora do curso, tornando a aprendizagem mais rica, colaborativa. 9.3 - Avaliando o currículo Para que posamos fazer uma avaliação curricular na EaD devemos realizar um estudo se a eficácia dos objetivos que foram definidos para o currículo de um determinado curso ou disciplina estão sendo alcançados. Este ato é algo fundamental e deveria ser periódico a cada curso que é lançado das instituições pois através dela analisamos o rendimento , a interação, a colaboração , a evolução, o não envolvimento das pessoas ali inseridas bem como a evasão diminuiria. Em 1994 Hoeben pensou os parâmetros de uma avaliação curricular sendo os seguintes: Os objetivos ou os efeitos30 de 81 29/9/2011 16:27
  • 31. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad pretendidos com o currículo foram cumpridos? O tempo é suficiente para os professores poderem ensinar e os alunos aprenderem? A estruturação dos objetivos e dos conteúdos é clara, progressiva e geradora de novas oportunidades de aprendizagem? O currículo está dividido em pequenas unidades que possibilitem uma eficaz construção de instrumentos de avaliação da aprendizagem (testes, observações, etc.)? Face ao rendimento inadequado oferece aos professores possibilidades para deixarem que os alunos recuperem os atrasos? È interessante que todas estas reflexões chegam ao único objetivo do ensino “a aprendizagem de nosso aluno” e para que ela aconteça é necessário pensar quais instrumentos avaliativos estou usando para dar a oportunidade dos alunos a aprenderem num tempo e ritmo adequados ao seu desenvolvimento. 9.4 - A EaD no Brasil Segundo o Instituto Monitor e a Abed em 2004 mais de 1,1 milhão de brasileiros realizaram algum curso on-line no país, ou seja, a Educação a Distância(EaD) tem crescido no Brasil agregando um número enorme de estudantes e com ela também a preocupação com o seu formato, sua validade o seu reconhecimento perante outras instituições. Nessa perspectiva os avanços tecnológicos de informação e comunicação modificam este sistema de ensino acompanhando a modernidade. Segundo o MEC Ministério da Educação (2000) a EaD deve ter a “capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessárias para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho” . Para que este ensino tenha um parâmetro é necessário possuir um currículo adequado com as políticas em vigor e os anseios de nossa sociedade onde cada país tem suas peculiaridades e devem ser respeitadas, muitas vezes a experiência vivida da EaD em um país não são plausíveis para outro. No Brasil a Educação a Distância passou a receber incentivos tímidos do (MEC) por meio das bases legais pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional a partir de 1996. Hoje existe um setor dentro do MEC que orienta para esta modalidade de ensino que é a Secretaria de Educação a Distância – SEED, sua função é de delinear os processos de ensino e aprendizagem das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) da educação a distância e os métodos didático-pedagógicos que nela deve ser utilizada, promovendo a pesquisa e o desenvolvimento ela ofereci algumas diretrizes para uma boa formatação de curricular na EaD. 1. integração com políticas, diretrizes e padrões de qualidade definidos para o ensino superior como um todo e para o curso específico; 2. desenho do projeto: a identidade da educação a distância; 3. equipe profissional multidisciplinar; 4. comunicação/interatividade entre professor e aluno; 5. qualidade dos recursos educacionais; 6. infra-estrutura de apoio; 7. avaliação de qualidade contínua e abrangente; 8. convênios e parcerias; 9. edital e informações sobre o curso de graduação a distância; 10. custos de implementação e manutenção da graduação a distância. 9.5 - Novos papeis pra o Professor e aluno Pensar no currículo da Educação a Distancia está explicito pensar uma pedagogia que será utilizada para bem viabiliza-la com métodos novos, novas ideais de postura do professor e aluno. Para o profissional aberto as mudanças seria importante repensar sua postura, e aprenda na prática a interagir com seu aluno nesta nova formatação, sendo não só um mediador do conhecimento mais um animador. Segundo Valentes 2002, ao sentir-se mais familiarizado com as questões tecnológicas, o professor pode dedicar-se a exploração da informática em atividades pedagógicas mais sofisticadas. Ela poderá interar com o conteúdos disciplinares, desenvolver projetos utilizando recursos das tecnologias digitais e saber desafiar os alunos para que a partir do projeto que cada um desenvolve, seja possível atingir objetivos pedagógicos que ele determinou em seu planejamento. Esta discussão de Valente é bem pertinente, pois qualquer recurso que seja utilizamos com nossos alunos devemos antes estudá-lo, criticá-lo e discuti-lo. Para que um currículo de uma educação a distância seja considerado bom é necessário que o professor durante o processo de aprendizagem consiga orientar e desafiar o aluno para que a atitude computacional contribua para a aquisição do conhecimento onde as avaliações sejam parte da aprendizagem não tendo um peso especifico de medição e sim mais um momento de troca de experiências dos membros para a resolução de um problema , que seria a otimização do aprender. Os alunos não são mais dependentes do docente para adquiri o conhecimento, eles podem e tem ferramentas que apresentam as informações de uma maneira dinâmica por via da internet, correspondência, grupos de estudo, telefone, via o instrumento que a instituição disponibilizar para a relação docente x discente esta perspectiva professor e aluno aprendem juntos, entretanto algumas habilidades devem ser desenvolvidas no professor e aluno para que eles possam melhor aproveitar o curso como: proporcionar momentos que desenvolva a autonomia haja vista este aluno precisa aprender a buscar novos conhecimentos on-line, em bibliotecas, consiga trabalhar em grupo construído o conhecimento colaborativamente.31 de 81 29/9/2011 16:27
  • 32. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 9.6 - O atendimento ao aluno via instrumento de aprendizagem A instituição que desejar implantar o sistema de Ensino a Distância deve se preocupar se os instrumentos que ela utiliza para chegar ao aluno estão funcionando satisfatoriamente e cumprindo seu papel de conteúdo e material didático. Se eles estão chegando com falha. Por exemplo, no sistema on-line algumas instituições criam paginas na internet que ficam constantemente em manutenção dificultando ao aluno inserir seus trabalhos, ler os livros existentes na biblioteca digital gerando uma frustração e insatisfação quanto ao instrumento viabilizador do contato e da aprendizagem. Alguns professores, ou tutores demoram muito tempo para responder aos questionamento do aluno que acaba ficando com a dúvida e desmotivado por não acreditar mais naquele ambiente que era para ser dinâmico. Existem algumas ferramentas que proporcionam a construção do conhecimento por meio da interne como através de chats, fóruns de discussão, comunidades virtuais de aprendizagens, portfólios, provas objetivas quanto subjetivas. As intervenções que neste sistema é facilitado pela interação que acontece por intermédio do computador mudam o cenário pedagógico de um sistema de anos que o professor era o protagonista principal. Coll,1994 afirma que “ Numa perspectiva construtivista, a finalidade ultima da intervenção pedagógica é contribuir para que o aluno desenvolva a capacidade de realizar aprendizagens significativas por si mesmo numa ampla gama de situações e circunstâncias, que o aluno “aprenda a aprender”. A aprendizagem aluno via conteúdo acontece quando o docente proporcionar momentos que desenvolva a autonomia do aluno, haja vista este precisa aprender a buscar o conhecimento. O professor disponibiliza o conteudo por apostila, módulos, hipertextos, blogs, comunidades virtuais de aprendizagem, links informativos que constantemente são atualizados e materiais didáticos que representam o conteúdo daquele curso. O aluno tendo em mãos as ferramentas que apresentam as informações de uma maneira dinâmica por consegue sozinho ter acesso ao conhecimento e interagir com ele. Assim o ensino e a avaliação a distância terão como fio condutor propor ao aluno se organizar, pesquisar em locais diversos no momento que achar conveniente, desenvolvendo a autonomia da sua aprendizagem, o professor sendo flexível e tendo coragem perante o novo sem medo de erra ,ajudando não só no conhecimento mais nas várias formas de adquiri-lo. 9.7 - Considerações finais Algo é certo um bom currículo precisa contemplar as diferentes maneiras de ensinar, aprender, utilização de tecnologias a praticas pedagógicas voltadas á aprendizagem significativa do aluno. Em qualquer forma de ensino com aulas presenciais, por telégrafos, vídeo, on-line, por satélite o aluno deve ser sujeito ativo da aprendizagem, aprendendo a fazer, testando experiências, ao professor cabe a função de criar situações que estimulem os alunos a interagir entre si, ser colaborativos onde os fóruns de discussões ajudam a buscar informações, os hipertextos possuem várias teias que corroboram produzindo novos conhecimentos através do contato via Internet com os colegas professores outros especialista e pela interação. Pensar um currículo em EaD é algo complexo, pois estamos cheios de amarras, quanto ao medo da mudança, do curso não ser reconhecido pela instituição que a regulamenta, quanto o medo de errar, qual enfoque dar para quais eixos temáticos dos conteúdos. Entretanto esta nova forma de ensino é necessária, importante e desafiadora possue muitas instituições e docentes que estão consolidando o sistema de ensino e prontos a trilhar este novo caminho. 10 - Avaliação de competências André Prado Peretti 10.1 - A Avaliação de Competências no contexto do Ensino Superior a Distância Como já abordado no decorrer do livro, a avaliação pode vista sob diversas dimensões e abordada de acordo com o avaliado e o avaliador, entre outros diversos critérios também tratados neste livro. Antes de começarmos a tratar do tema avaliação de competências é preciso delimitar o assunto, que terá foco na avaliação de competências no ensino superior à distância no Brasil, mesmo que em alguns momentos e exemplos fujam desse contexto, a análise e interpretação sempre será dentro dessa delimitação. Quando falamos em avaliação do ensino superior, tanto à distância, presencial, ou semi-presencial, modalidade essa última também em constante crescimento nas instituições de ensino superior do Brasil, as premissas, ou seja os principios básicos da avaliação, independente da modalidade adotada, podem ser vistos da mesma forma, porém, no aspecto operacional começam as diferenças e não são poucas. Por exemplo, o planejamento da avaliação deverá levar em conta as formas de mediação na EaD; o modelo pedagógico do sistema de EaD, que diferem muito de uma IES para outra, como por exemplo, se existe tutoria ou não e caso afirmativo de que forma é trabalhada, se é presencial ou também a distância, ou ambos; as tecnologias de informação e comunicação aplicadas e a forma como são utilizadas, como as tecnologias de transmissão de dados, o ambiente virtual de aprendizagem e suas ferramentas avaliativas; entre outras características peculiares a32 de 81 29/9/2011 16:27
  • 33. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad cada IES. Neder (2006) acrescenta que o primeiro ponto a ressaltar, então, é que a avaliação deve ser compreendida como um processo sempre circunscrito a um determinado projeto ou ações. Ou seja, cada modelo (formas de mediação, TICs, concepção pedagógica) irá demandar uma abordagem avaliativa que seja adequada, que deverá estar contemplada em tais planejamentos. Avaliação é um tema complexo, podemos inclusive dizer que é um processo orgânico, pois seu planejamento envolve a confluência, ou melhor, a associação de diversos aspectos como os já citados no parágrado anterior, pois são aspectos que interagem entre si. Outra peculiaridade específica do EaD no Brasil e em outros países industrializados de terceiro mundo, e que pode afetar um processo de avaliação de competências é a quantidade de alunos. Países como o nosso possuem uma demanda muito grande por ensino superior, de acordo com estatísticas do Ministério da Educação em 2005, apenas 10% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior, realidade que traz uma urgência no setor e coloca as iniciativas de EaD em massa como principal recurso para atender esse cenário. Porém, como veremos no decorrer deste capítulo a quantidade de alunos é outro fator que altera consideravelmente a operacionalização de um processo avaliativo, principalmente quando se trata de uma proposta formativa, onde a maioria das iniciativas de avaliação de competências se encaixam. De acordo com Otsuka & Rocha (2002) em um curso à distância o acompanhamento dos aprendizes é muito mais difícil que em cursos presenciais, já que o formador só tem a percepção do comportamento e desenvolvimento do aprendiz quando este participa ativamente do curso, expondo dúvidas, participando de discussões, realizando as tarefas ou contribuindo com os colegas. Essa preocupação é muito relevante, pois na prática, conforme Peters (2003) se observa com efeito: quanto maior a acessibilidade ao material impresso, de rádio e de televisão, proporcionada, por exemplo, pelo emprego dos meios de massa, tanto maior o número de estudantes e tanto mais esporádica e escassa a interação direta e indireta entre docentes e discentes. Após essa rápida contextualização, em alguns momentos com uma necessária redundância e em outros complementar aos demais capítulo deste livro, é ainda importante que o leitor - para aprofundar-se no tema deste capítulo e aplicar algo em sua realidade, sua prática - parta de um visão macro, como uma reflexão sobre a concepção ideológica de mundo, sociedade e de homem que se pretende formar e uma leitura aprofundada no projeto político-pedagógico institucional e em seguida do projeto pedagógico do curso em que atua, para só depois partir para a elaboração do seu plano de ensino contemplando já o planejamento da sua avaliação, seja de competências ou não. Ou seja, para o sucesso do processo de avaliação é necessário enxergar a instituição como um todo sistêmico, que seja sinérgico e harmônico, pois os mecanismos de avaliação são apenas uma parte desse todo que é interagente e interdependente. 10.1.1 - O Planejamento da Avaliação sob a ótica do ciclo PDCA A avaliação, seja ela somativa que acontece em um único dia ou dois no semestre, ou formativa, contínua ao longo do semestre, o planejamento prévio é um dos fatores críticos que irão ter muito peso no sucesso ou fracasso no futuro. A avaliação de competências exige ainda mais um planejamento, pois como veremos no decorrer deste capítulo, pode exigir uma preparação dos envolvidos, principalmente dos docentes e tutores se for o caso, pois avaliar competências não é a mesma coisa que avaliar conteúdos apenas, o entendimento da ciência do comportamento também pode ser necessária para uma avaliação mais acurada. Para tal planejamento é colocado como proposta o ciclo PDCA. Uma técnica simples, aproveitada da administração de empresas, que visa o controle do processo, podendo ser usado de forma contínua para o gerenciamento das atividades de uma organização. É um método que visa controlar e conseguir resultados eficazes e confiáveis nas atividades. É um eficiente modo de apresentar uma melhoria no processo. Padroniza as informações do controle da qualidade, evita erros lógicos nas análises, e torna as informações mais fáceis de se entender. Pode também ser usado para facilitar a transição para o estilo de administração direcionada para melhoria contínua. Mas como aproveitar este ciclo, aplicado inicialmente apenas em empresas para um processo de avaliação? Basta seguir suas quatro fases básicas: Planejar (Plan), Executar (Do), Verificar (Check) e Atuar corretivamente (Action). Como a proposta é apresentar a avaliação de competências como uma avaliação formativa, o ciclo PDCA aplica-se muito bem, pois visa o controle do processo e não de um momento apenas, e toda avaliação formativa deve ser planejada com antecedência, traçando-se objetivos, ações e formas de mensuração também. 10.1.2 - O Treinamento do Professor Como já mencionado no tópico anterior a avaliação de competências pode exigir dos docentes conhecimentos que vão além do conteúdo das suas disciplinas. Conhecimentos da área da pedagogia, que muitos bacharéis sem formação pedagógica e até licenciados deixam a desejar, e como também já citado, conhecimentos na área da ciência do comportamento. Porém, não só o treinamento na avaliação de competências é um problema, mas o próprio treinamento do docente na modalidade de educação a distância, Pierre Levy diz que: A EAD explora certas técnicas de ensino a distância, incluindo as hipermídias, as redes de comunicação interativas e todas as tecnologias intelectuais da cibercultura. Mas o essencial se encontra em um novo estilo de pedagogia, que favorece ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede. (LEVY, 1999,33 de 81 29/9/2011 16:27
  • 34. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad p.158). Uma proposta interessante é a implantação de Núcleos de Tecnologia Educacional, sem uma visão reducionista que vê a tecnologia apenas relacionada aos artefatos da informática ou telecomunicações, mas sim como a ciência da técnica, uma ciência aplicada. A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), como ferramenta, traz uma enorme contribuição para a prática pedagógica em qualquer nível de ensino. Porém, o que acontece muitas vezes é que assistimos passivamente a invasão do espaço escolar por tecnologias que são apresentadas como verdadeiros milagres para a resolução dos problemas educacionais e muitos ficam apenas na crítica, sem ações. A utilização das NTICs apresentam múltiplas possibilidades, porém, deverão ser realizadas de acordo com uma determinada concepção de educação e determinado modelo pedagógico também. Porém, quando apresentamos os Núcleos de Tecnologia Educacional como uma solução, é preciso uma equipe multidisciplinar, é preciso a proposta ser discutida e definido quais são os pilares pedagógicos e técnicos que fundamentam o projeto, para depois começar a realmente operacionalizar o projeto para capacitar os professores no uso das novas tecnologias, novas possibilidades de ensino e aprendizagem, como também novas possibilidades de avaliação. A idéia dos NTEs não deve ser apenas capacitar professores com cursos pré-formatados, mas também construir um ambiente que seja rico em interação e colaboração onde o aluno/docente possa construir seus conhecimentos sobre o uso das novas tecnologias na sua prática pedagógica. Referente a preparação do docente, Peters (2003) traz a tona a questão da aprendizagem dialógica, dizendo que o docente que o levar em consideração no ensino a distância, e não reduz o estudo e o ensino a distância somente a materiais de ensino pré-preparados, mas reconhece seus objetivos mais amplos, confere-lhes adicionalmente substância e relevância pedagógica. 10.2 - Competências e Habilidades Após essa rápida introdução e contextualização da avaliação de competências no ensino superior a distância os próximos tópicos irão tratar de conceituar e diferenciar competências de habilidades. 10.2.1 - O que são Competências? Competências são características subjacentes de um indivíduo que prevê um desempenho notável ou superior em um trabalho, num cargo, numa organização ou cultura em particular. Exemplos de competências: “Pensamento analítico” é a aptidão ou capacidade de processar informações, separando-as, e identificar os relacionamentos causais entre os elementos. “Manter as pessoas responsáveis” é a aptidão ou capacidade de estabelecer e comunicar claramente os objetivos e os padrões operacionais ou profissionais de uma maneira aberta e direta, de modo a assegurar o respeito a um compromisso a esses padrões e objetivos. 10.2.2 - Diferença fundamental entre Habilidade e Competência O conceito de habilidades difere de competências, ou seja, habilidade é definida como técnicas específicas e conhecimento sobre um domínio funcional. Exemplos de habilidades: Conhecimento legal, conhecimento sobre regras contábeis, conhecimento sobre um processo químico, a habilidade em trabalhar com um pacote específico de software. Na administração, as habilidades são definidas para cada cargo e a descrição de cargo reflete as exigências ocupacionais como se elas fossem requisitos essenciais sem os quais se torna impossível realizar as tarefas a ele atribuídas. Portanto, habilidades são requisitos ocupacionais e competências requisitos comportamentais. 10.3 - O Processo de Avaliação de Competências É impossível pensar numa avaliação tradicional, onde se mede a quantidade de conteúdos que o aluno "aprendeu", seja por um teste, uma prova ou um trabalho feito em casa e apresentado na escola. Estes "instrumentos de avaliação" não levam em consideração o processo que o aluno percorreu, mas "fotografam" (e mal) um determinado momento. A escola deve tirar o foco dos conteúdos e colocar no desenvolvimento de competências, já que um conteúdo passado hoje pode estar obsoleto amanhã. E quando pensar em o que avaliar, o primeiro ponto é definir o conjunto de competências de forma muito clara (GUIMARÃES, 2006). A avaliação de competências sendo um processo contínuo, devendo ser vista como uma avaliação formativa necessita de algumas ações por parte dos docentes como: Observar, intervir e questionar, registrar e dar feedback. Neste ponto é importante uma parada para articular essas ações com uma realidade de ensino a distância. Pois no ensino presencial, normalmente com poucos alunos por sala, essas ações são operacionalizáveis, mas no EaD, o ensino não ocorre no mesmo espaço e muitas vezes não ocorre no mesmo tempo também (assíncrono), a ação de observar, talvez a mais importante, fica prejudicada, pois só podemos observar o comportamento do aluno no34 de 81 29/9/2011 16:27
  • 35. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad ambiente virtual de aprendizagem, que por sua vez precisa fornecer ferramentas de apoio ao docente, como histórico de acessos e comportamento do aluno dentro do ambiente, resumo de postagens, mensagens, acesso a material didático, periodicidade, entre outros indicadores. Para nortear esse processo de avaliação das competências é sugerido a definição de indicadores que poderão auxiliar o educador e indicar que os alunos estão ou não desenvolvendo suas competências. Porém, aqui vai um alerta. Definir esses indicadores muitas vezes exige um conhecimento que muitos docentes não possuem, como em psicologia cognitiva como já citado. Talvez a criação de núcleos de apoio pedagógicos, além dos núcleos de tecnologia educacional sejam necessários. Atenção também para o treinamento do tutor, pois algumas universidades que atuam na modalidade a distância no Brasil possuem dezenas de milhares de alunos e o professor não é o único mediador, nem o único responsável pela avaliação. Com certeza nessas situações o desafio é proporcional. Não devemos esperar o final do processo para intervir, ou rotular o aluno com um aprovado ou reprovado, neste ponto o modelo de avaliação de competências cumpre bem o seu papel de avaliação formativa, porém, como já explicitado acima é preciso estar atento para a complexidade desse modelo avaliativo. 10.3.1 - A metodologia A2Comp para Avaliação de Competências Primo (2006) em seu artigo intitulado como "Avaliação de competências em cursos de EaD: Relato de experiência" apresenta a metodologia A2Comp - Acompanhamento de cursos de EaD e Avaliação de Competências, em um programa de Educação Corporativa do Senac/CE. A metodologia apoia o tutor na tarefa de avaliar o desenvolvimento de competências dos alunos de forma personalizada, respeitando seu ritmo e suas diferenças, usando sistemas de computação para tratamento das incertezas. A metodologia possui as seguintes características: é formativa, estimula a negociação e autonomia do aluno para administrar seu aprendizado e permite desenvolver competências sociais e profissionais. A metodologia nasceu dos seguintes desafios encontrados na avaliação de competências: Dificuldades em avaliar aspectos qualitativos devido à subjetividade do trabalho com competências; Falta de elementos que os ajudem a verificar os resultados quanto à aquisição de competências de cada aluno; E também de alguns questionamentos, como: Se competência é articular saberes... ... conhecimentos, ... habilidades e ... atitudes, então, como isso pode ser avaliado na educação virtual? Como aferir, de forma eficiente e eficaz, os resultados quanto à aquisição de competências de cada aluno? De acordo com Primo (2006) o tema competências é complexo, por envolver muitas características subjetivas, dificultando a avaliação do desempenho dos alunos por parte dos professores. A metodologia A2COMP foi desenvolvida na crença da pedagogia da diferenciação que leva a uma avaliação caracterizada pela observação formativa a serviço da regulação das aprendizagens. Os erros são trabalhados como pontos de reflexão para que o aluno possa, a partir deles, buscar as soluções e, assim, ampliar seu conhecimento. Por tratar-se de um processo, a reflexão também é feita pelo tutor, que procura estratégias alternativas para a mediação, ajudando o aluno a desenvolver as competências propostas. A apuração dos resultados, durante o acompanhamento, objetiva aferir o aproveitamento, de maneira que possa direcionar a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno (PRIMO, 2006). 10.3.2 - O Ambiente AulaNet e a Avaliação de Competências O AulaNet é um software LMS (Learning Management System) que possui uma eficiente plataforma de ensino. A ferramenta foi desenvolvida no Laboratório de Engenharia de Software - LES - do Departamento de Informática da PUC-Rio, em 1997. O ambiente de criação e manutenção de cursos apoiados em tecnologia da Internet pode ser utilizado tanto para ensino a distância como para complementação às atividades de educação presencial e treinamento de profissionais. No AulaNet, a competência de uma pessoa é caracterizada por três dimensões: interesse, qualificação e performance. Para visualizar a competência, o AulaNet disponibiliza o relatório de competências onde são apresentados os valores das dimensões de cada aprendiz nos tópicos (ou temas, capítulos, etc.) do curso. A partir do relatório de competências disponibilizado pelo ambiente o tutor/professor pode classificar os aprendizes em função de suas competências e formar grupos de trabalho. Sem dúvida que é uma ferramenta interessante, porém, vale a reflexão do professor no sentido de que separar grupos em função de suas competências pode talvez não criar uma discussão e uma saudável competitividade que favorecem à aprendizagem grupal. De acordo com Otsuka & Rocha (2002) vários educadores têm usado os recursos destes ambientes para oferecerem cursos à distância baseados na avaliação formativa da perfomance dos aprendizes, por meio do acompanhamento dos registros das participações destes durante o desenvolvimento das atividades. Os mesmos autores complementam dizendo que dessa forma, novas tecnologias computacionais (tais como os agentes de35 de 81 29/9/2011 16:27
  • 36. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad software, a mineração de dados e a visualização de informações) vêm sendo pesquisadas, a fim de explorar melhor os registros das interações dos alunos em ambientes de EaD e prover suporte ao professor na coleta, identificação, seleção e análise de informações relevantes a avaliação formativa. Já Silva & Vieira (2006) propõe que ambientes virtuais de aprendizem, tenham em um primeiro nível, um histórico de todas as ações do aluno no ambiente de EaD. Esse histórico pode ser extremamente útil no acompanhamento do aprendizado, pois, permite uma "avaliação" adicional àquela realizada por meio de provas, testes, trabalhos, entre outros. 10.4 - Avaliação de Competências X Avaliação de Desempenho Avaliação de competências não é avaliação de desempenho! Essa confusão ocorre tanto no meio empresarial, onde a avaliação de competências é muito comum, como também no meio acadêmico. Quando chega o momento de avaliar, muitos docentes encontram-se diante de num verdadeiro labirinto, pois nem sempre a instituição utiliza uma metodologia de trabalho adequada à sua realidade. Por conta disso, não são raros os casos de alunos que recebem uma avaliação abaixo do esperado, mesmo tendo se dedicado às suas atividades com comprometimento e responsabilidade. As competências e habilidades são um dos fatores (talvez os principais) que levam o aluno, ou funcionário de uma organização, para o bom resultado, mas não podemos afirmar que um indivíduo que possui as competências esperadas terá um bom desempenho com certeza. Algumas vezes as habilidades e competências não são um objetivo por si só. O que se persegue é o desempenho com relação ao estudo e as atividades a serem desenvolvidas, em uma empresa a idéia é a mesma, mas busca-se o desempenho em relação ao trabalho. Uma performance bem sucedida em um determinado trabalho, função ou disciplina depende da combinação de habilidades e competências que a pessoa traz para tal. Como também do processo de formação de competências durante um curso, por exemplo. São assuntos que estão intimamente relacionados, por isso que para buscar um precisamos trabalhos todos, o desempenho também depende das características do meio-ambiente em que a pessoa trabalha ou estuda. Fatores do ambiente interno (empresa, universidade) e fatores do ambiente externo (mercado, sociedade) são grandes influenciadores. O professor não pode se fechar em um foco que é desenvolver determinadas competências e esquecer das habilidades, da busca pelo desempenho, do meio ambiente e outros fatores de influência que irão depender de cada cenário. De acordo com Neder (2006) o que interessam portanto, numa avaliação de aprendizagem é analisar a capacidade de reflexão crítica dos alunos frente a suas próprias experiências, a fim de que possam atuar, dentro de seus limites, sobre o que os impede de agir para transformar aquilo que julgam limitado em termos dos interesses da comunidade. 11 - Avaliação colaborativa Edmar Ribeiro 11.1 - Introdução Desde o alvorecer da transmissão de conhecimento à distância, buscou-se otimizar o resultado do processo, que levaram à busca incessante de equipamentos e tecnologia para a consecução do resultado final do conhecimento disponibilizado. Foi assim, dos primórdios das cartas paulianas, dos lhamas-correios dos incas , passando pelas epístolas do visionário Sinuhe aos hititas (cf.“O Egípcio de Mika Valtari), até aos planetas virtuais de nossa atualidade. No campo da educação à distância, Peters [29] divide e classifica-as em 12ª., 2ª. e 3ª. Gerações(01). Na primeira, o centro da atividade didática limitava-se a materiais escritos. No caso da segunda, apresentou-se a teleconferência, que torna-se abandona seu alvo inicial (grandes grupos), para espraiar-se e oferecer-se a um número controlável de alunos, possibilitando diálogo simultâneo e dinâmico. Caracterizou-se também como a utilização da multimídia “industrializada”, que conjugou o material impresso a outros meios como fitas de áudio e vídeo, rádio e televisão. As duas primeiras gerações tiveram como característica a pouca ou quase inexistente interação entre os agentes (professor e aluno). A terceira geração já utiliza o meio computacional pessoal oferecendo mediação mediante uso de TICs, bem como porta uso de tecnologias de comunicação bem avançadas. Na realidade, constitui-se como o ensino à distância, interativo e multimídia, com o nítido intento referente à aprendizagem como processo social. A qualificação citada já fora comentada por NIPPER apud Jones [15], quando classificava como sendo de primeira geração o tipo do modelo de correspondência típica, quando a única maneira de comunicação e interação entre professor e aluno era a mídia impressa. Ainda segundo Sherry [38], nessa primeira geração teve como característica uma comunicação mínima entre os agentes, em forma lenta e ineficiente.36 de 81 29/9/2011 16:27
  • 37. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad São, então, estas as características de EAD, segundo o fundador da Universidade Aberta Alemã, a prevalência do ensino pela escrita e o estudo pela leitura ao invés do ouvir, o grau de acessibilidade influenciando a qualidade do estudo, o uso de tecnologias (TICs) no processo ensino-aprendizagem, a consideração efetiva e real do status sociográfico do aluno, mais a disponibilidade e inscrição de pressupostos institucionais e organizacionais específicos, que venham a definir a condução e avaliação do processo educativo. Importante desatacar que em educação à distância, são fundamentais três elementos para um resultado otimizado das ações: diálogo, estrutura e autonomia. O primeiro disponibiliza uma interação direta e indireta entre docentes e discentes. Este mesmo obrigatoriamente tem a exigir parceria, respeito, calor humano e consideração, sobretudo compreensão com as óbvias dificuldades e peculiaridades encontradas no desenvolver do programa, cada um de per se para análise e .... apreciação. No caso da estrutura, evidentemente ela tem que ser não só disponibilizada, mas amigável, de fácil manuseio e, principalmente, de acessibilidade. No tocante À Autonomia, no poder decisório do aluno, em sede de EAD, prefere-se a síntese meridiana de procurar uma maneira de que o aprendiz , em alguns casos, aja sozinho, ele mesmo atuando em situações que até então, tradicional e formalmente outros fizeram por ele. Vale lembrar que as ações referentes a decisões curriculares (objetivos, conteúdo, ênfase de estudo), fogem mor das vezes à ação do estudante, e isto fere a autonomia. É mister concluir com a inexcedível observação interrogada e instigante do mestre alemão: “que pode um ensino a distância durante anos contribuir para a formação da autodeterminação e auto-responsabilidade, se seus objetivos, conteúdos e métodos de exposição estão inteiramente heterodeterminados? Como pode viver uma vida em liberdade, se o estudo é prescrito passo a passo durante anos? Como se pode pretender que os estudantes cheguem à emancipação, se não lhes dá condições para agirem com responsabilidade própria inclusive no estudo? Como podem eles desenvolver iniciativa, criatividade e disposição para assumir riscos, se em questões curriculares se lhes nega, durante anos, uma atividade própria responsável? Como podem chegar a um conhecimento próprio, ao uso autônomo da razão, na compreensão de Kant, se na leitura recebem, em grande parte, apenas idéias pré-pensadas?” (Op. Cit.). Aventurando-se, em princípio (com certeza futuramente vitorioso) de uma universidade virtual, ainda o ilustre luminar alemão proclama que as vantagens de sua implantação na adoção de suas múltiplas estratégias de ensino- aprendizagem com o suporte dos recursos midiáticos “Os serviços da universidade estão à disposição essencial e eficazmente, ainda que invisíveis em sua realidade. Isto é um triunfo da tecnologia da informação e comunicação”. Ele ainda conclui sobre o devir da universidade virtual que deveria ser não um modelo de universidade futurística, mas, sim vir a “contribuir com sua extraordinária eficiência, flexibilidade, capacidade de adaptar-se e sua variabilidade para a universidade do futuro, deveria aparecer nos eventos face a face com a mesma naturalidade como outras formas de ensino e aprendizagem, tanto do ensino a distância quanto do ensino presencial.” (Op. Cit.) 11.2 - A Interatividade Quanto se trata de avaliação de forma colaborativa, de logo, está ela investida de intensa interatividade. Não deve-se olvidar que esta é obtida principalmente com a expansão visível de rede de computadores, o que revolucionando as formas de comunicação, possibilitou o uso de um variegado e eficaz formas de comunicar e interagir, sem restrições de localização e/ou horário de pessoas (em ação). o entanto, é fundamental para o processo de avaliação colaborativa, salientar a diversidade de sentidos entre interação e interatividade. A primeira, por sua própria etimologia desenvolve. uma ação que contém reciprocidade entre pessoas ou coisas. Já a interatividade pode ser vista como uma interação técnica, com característica eletrônico-digital (diferentemente da interação analógica da mídia tradicional), constituindo seu agir como a “extensão em que os usuários podem participar modificando a forma e o conteúdo do ambiente mediado em tempo real” [42], onde sua principal diretriz é o envolvimento, o engajamento entre os atores. Verdadeiramente o diálogo, o informe de posições e posicionamento, mesmo de sentimentos frente a uma ação, verdadeira conversa digital e virtual, que influenciam poderosamente o aprendizado em EAD e, consequentemente, contribui significativamente para a avaliação colaborativa, que levará a uma verdadeira e efetiva criação e construção de conhecimentos. O ex-reitor alemão já pontificava com toda propriedade, sobre a importância do fenômeno comunicacional a ser estabelecido, quando entendeu que a educação mediada e conduzida pela tecnologia apóia-se no tripé constituído pela estrutura, diálogo e autonomia. A atual disposição para uso de ferramentas altamente eficazes no mundo virtual garante a interação de diferentes formas, possibilitando interações bidirecionais ou multidirecionais, independente de constituírem-se em forma síncrona ou assíncrona. Isto sim, possibilita a constituição de uma lógica comunicacional substituindo a lógica da transmissão pura e tradicional, em que o receptor pode liberar-se para a livre criação, e que mensagem com sua intervenção, surge com o resultado dessa interação na aprendizagem. 11.3 - A avaliação colaborativa É inegável a tendência tradicional e histórica e milenar que acompanha a educação formal desde seus primórdios, em abominar e muitas vezes execrar inovações e avanços em suas práticas pedagógicas. Mesmo assim, é consabido na experiência, sobretudo em nossos dias, que há é absolutamente indispensável proceder ao37 de 81 29/9/2011 16:27
  • 38. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad desvencilhamento inevitável de velhas e ultrapassadas ações frente aos ambientes educacionais tradicionais, sobretudo frente aos novos espaços. O tema avaliação, em nossa cultura, em especial em se tratando de ensino, em especial à distância, constitui-se em grande dificuldades, com grandes problemas a sanar. No ambiente presencial, o processo avaliativo prescinde de mecanismos de controle e verificação que, como tais, são difíceis de implantar no ambiente virtual. Justamente por isso, quando se transmuda do ambiente presencial de estudo para o virtual, os alunos necessitam de apoio extra e base de equipamentos que os ajudem a, não receber a informação e avaliação de seu progresso, mas, e sobretudo, acompanhar, intervir, interagir e perceber seu progresso, sobretudo estando consciente e recebendo (e percebendo) as reações às suas atividades e participações. Forçoso é reconhecer que as estratégias e métodos de avaliação comumente utilizadas em aprendizagem presencial são absolutamente insuficientes para a aprendizagem colaborativa utilizando em educação à distância. Sacristán [36] entende a avaliação como um processo no qual as características de um aluno, de uma classe, de um professor, o ambiente educativo, dos objetivos de ensino, dos métodos de ensino, dos materiais didáticos “recebem a atenção de quem avalias na medida em que são analisados em função de critérios ou pontos de referência para emitir um julgamento que seja relevante para a educação. Esse mesmo julgamento e sua relevância torna-se destacado justamente porque vai contribuir para a própria melhoria do processo, e seu provável reencaminhamento, tendo em frente opções necessárias, frente a dificuldades encontradas e sua forma de superação. Esta avaliação não somente atem-se ao aluno, mas amplia seu raio de atenção para o professor e seu material de ensino, o material didático. Numa verdadeira ressignificação de conceitos de interação, condensam-se as idéias de colaboração e cooperação, justamente porque com o apoio de tecnologias de informação e de comunicação associadas ao caráter interativo de que se reveste na junção de inteligência com o suporte da web, constitui-se, na verdade, no dizer de Lévy [22], uma verdadeira inteligência coletiva. Concomitantemente a este fenômeno, os inúmeros recursos e possibilidades virtuais levam a construir novas áreas, espaços e tempos de interatividade. É inegável que é um dos grandes desafios de nosso tempo a busca de criação de metodologias ideais para utilização em uma avaliação revestida de dinamismo e com absoluta interatividade em EAD. É forçoso reconhecer que a busca de metodologias desse tipo de educação que esteja envolvido em uma ação e trabalho comuns, e porisso mesmo, coletivos e compartilhados, são um grande desafio para atendimento ás carências educacionais de nosso país continental, que para esse objetivo carece de busca (pesquisa) objetiva e com urgência que requerem nossas necessidades. Em nosso século, considera-se um dos requisitos básicos para a educação, a inserção dos agentes envolvidos no processo educativo no universo virtual e globalizado, para que est4ejam integrados nele, munidos com a arma maior do conhecimento, eminentemente constituído em moeda para a economia. Surge a necessidade, então, de que o aluno venha a integrar-se na economia globalizada, que é baseada no puro conhecimento, vez que este último valor virá a ser o recurso mais crítico e primordial para o desenvolvimento social e econômico global. Evidentemente o ensino tradicional que tem o eixo de transmissão de conhecimentos estático e na aprendizagem passiva e individual não pode oferecer aos alunos condições efetivas de receber essas transformações. Aí é que desponta a colaboração, que via aprendizagem desta forma, compondo-0se, evidentemente com a avaliação cooperativa, é realmente a alternativa que irá transmudar a aprendizagem em base flexível, ativa e centrada no aluno. Um dado interessante sobre a performance da avaliação colaborativa, pode ser espelhado pelo exame aposto em aprendizagem colaborativa, e no estudo de Naomi Miyake (apud KUM) [17], “aproximadamente 80% do processo de autocrítica (reflexão) ocorrem durante a aprendizagem colaborativa e apenas 20% ocorrem durante a aprendizagem individual", o que leva a implicar que a autocrítica e a auto-reflexão podem ser constituir como uma das responsáveis pelo sucesso da avaliação que, com certeza na interatividade, na coesão, na compartilhação, e porque não dizer, na comum-união, irá proporcionar um sucesso mais valioso no resultado da aprendizado. Peters já alertava sobre as dificuldades que podem ser enfrentadas na dialogicidade de educação à distância, que são a falta de (reconhecimento do potencial didático dos grupos de trabalho auto-organizados e a falta de clareza por parte dos estudantes denominados) denominados “lutadores individuais” no tocante à relevância de diálogo virtual tanto para a formação científica, socialização acadêmica e para o seu próprio desenvolvimento. Notório é destacar alguma ocorrência de falta de fluência digital do público envolvido, podendo transmudar-se em uma verdadeira ojeriza do mundo digital e seus equipamentos. É que, embora a maioria dos programas em EAD utilizem uma linguagem simples e programas de computador amigáveis e de fácil manuseio, vê-se que uma boa parte dos usuários têm reação diversa frente ao incontável número de operações a serem efetuadas no ambiente virtual, e considerando também o seu incomensurável volume de informações. No ambiente multimídia, não é suficiente ter uma noção do cenário virtual e de educação. Muito mais ainda é38 de 81 29/9/2011 16:27
  • 39. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad necessário e recomendável é conhecer também um pouco de psicologia humana para entender e estabelecer condições para que o ambiente educacional incentive (e incite) os alunos ao desafio da discussão interativa e à busca de construir o conhecimento, em comum-unidade. Na avaliação colaborativa, o aluno torna-se também responsável pelo resultado de sua avaliação, pois, interativamente, atuou e colaborou para o resultado em união com os outros agentes do processo de aprendizado. A avaliação cooperativa afinal tem ainda a missão que envolve o aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, e, naturalmente aprender a ser. Para isso há que ter a instigação na busca do c conhecimento em coletividade de seus pares. 11.4 - Conclusão A inter-comunicação virtual desenvolvida e mediada nas comunidades, além, de ser um coadjutor do aprendizado, serve, evidentemente de estímulo à interação social e colaboração no processo como um todo. A construção e disponibilidade de novas ferramentas que proporcionem a conter com maior otimização a quantidade de ações e respostas dos agentes envolvidos no processo de EAD, deve ser buscado, ao lado de mister ser procurar e ter um acompanhamento sistemático de todas as ações. O acompanhamento das ações não deve constituir-se, pelo menos em sede de avaliação colaborativa, em perspectiva de controle. Mister é buscar-se a capacidade de liberar-se do ranço de ações advindas de uma cultura que foi centrada no viés da individualidade, ainda perpassada da visão lógica e pragmática do resultado do produto e estreitado sua finalidade na visão estreita do possível de alguma visão de verdade e na vergonha do erro. A avaliação colaborativa, centrada na cooperação, na comum-união de atuações, por outro lado, não deve perder de vista a qualidade formal do conteúdo programático. Extremamente saudável constitui-se a interação, perpassada com todas as peculiaridades de todos os agentes, na avaliação interativada com a ajuda do uso otimizado da tecnologia em prol do resultado final avaliativo mais justo, humano e ético. 12 - Avaliação da interatividade Matias Gonzalez de Souza 12.1 - Interação versus Interatividade Creio ser essencial fazer a distinção entre a interação e a interatividade. A primeira pode ocorrer de diversas formas, utilizando-se ou não a tecnologia e pode ser presencial ou virtual. Por outro lado a interatividade pressupõe a possibilidade dos envolvidos (professor-aluno) interagirem com uma máquina para a troca de informações. Assim, para que o uso de tecnologias interativas faça diferença na qualidade da educação a distância e assegure sua expansão é necessário o uso de metodologias de interação não presenciais próprias e eficientes. Segundo Belloni (1999): “É fundamental esclarecer com precisão a diferença entre o conceito sociológico de interação – ação recíproca entre dois ou mais atores onde ocorre intersubjetividade, isto é encontro de dois sujeitos – que pode ser direta ou indireta (mediatizada por algum veículo técnico de comunicação, por exemplo, carta ou telefone); e a interatividade, termo que vem sendo usado indistintamente com dois significados diferentes em geral confundidos: de um lado a potencialidade técnica oferecida por determinado meio (por exemplo CD-ROMs de consulta, hipertextos em geral, ou jogos informatizados), e, de outro, a atividade humana, do usuário, de agir sobre a máquina, e de receber em troca uma “retroação” da máquina sobre ele.” Para realçar a importância da interatividade na educação a distância, temos as palavras de Wickert (2000): "... o futuro da EAD não se fundamentará no estudo solitário, em que o indivíduo conte somente com o material educativo para desenvolver a sua aprendizagem. E, sim, em ambientes em que a autonomia na condução do seu processo educativo, conviva com a interatividade. Esta pode ser conseguida e prevista no planejamento, das mais diferentes formas: entre aluno/professor; aluno/com suas próprias experiências e conhecimentos anteriores; aluno/aluno; aluno/conteúdo; e aluno/meio, utilizando os mais diversos recursos tecnológicos e de comunicação." Deste modo, considero fundamental que ao iniciarmos um estudo sobre avaliação da interatividade em EaD tenhamos o mesmo foco e critérios utilizados para outros tipos de avaliação, considerando aqui a especificidade: 1. os objetivos da avaliação 2. os instrumentos a serem usados na avaliação 3. o tipo de avaliação que será feito 4. a competência do avaliador 5. as variáveis intervenientes na avaliacão Creio que este é um bom ponto de partida.39 de 81 29/9/2011 16:27
  • 40. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 12.2 - Avaliação da Interatividade em Ambientes de EaD Segundo Lewis Platt, presidente da Hewlett-Packard em 1997, empresa considerada campeã em inovação permanente: "Nesta época de mudanças intermináveis, a regra de ouro é sempre molhar os pés, porque só se aprende fazendo... Acredito que hoje a causa principal do fracasso seja a incapacidade de assimilar mudanças... A boa notícia é que a mudança sempre traz oportunidades. Sempre há muitas oportunidades para compensar as ameaças... Geralmente o tipo de pessoa que contratamos prospera com mudanças, procura mudanças. Tentamos sempre escolher gente assim". (Platt,1997) A Educação a Distância (EAD) é um processo educativo sistemático e organizado que exige não somente a dupla via de comunicação mas também a instauração de um processo continuado, onde os meios devem estar presentes na estratégia de comunicação. Assim, a escolha do meio deve satisfazer o público alvo, nesse caso profissionais graduados, e deve ser eficaz na transmissão, recepção, transformação e criação do processo educativo. O EAD tem uma característica própria que pressupõe uma grande ênfase no auto-aprendizado. O aprendiz deve ser incentivado a estudar e pesquisar de modo independente e o aprendizado colaborativo, dinamizando a comunicação e a troca de informação entre os alunos, deve ser intensificado de modo a consolidar a aprendizagem através de atividades individuais ou em grupo. Essas atividades em grupos virtuais podem ser feitas em espaços de reuniões on-line (chats) ou off-line (e-mail), disponíveis no ambiente virtual de aprendizagem. 12.3 - A abordagem téorico-construtivista Pensar, não se reduz, acreditamos, em falar, classificar em categorias, nem mesmo abstrair. Pensar é agir sobre o objeto e transforma-lo. Piaget Construtivismo é uma "concepção teórica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. A idéia central é a de que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio. Ao contrário, responde aos estímulos externos, agindo sobre eles para construir e organizar seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada", (LOPES, 1996). O construtivismo procura demonstrar o papel central do sujeito na produção do saber. Não apresenta uma metodologia ou sugestões de técnicas de como ensinar, sua preocupação científica é com a aprendizagem/como o indivíduo aprende. A aprendizagem começa com uma dificuldade/problema e com a necessidade de resolvê-la. Ao perceber essas dificuldades, o próprio sujeito desencadeia um movimento de busca de novas soluções no mundo externo. Entram em ação uma série de operações mentais visando voltar ao estado de equilíbrio (conhecimento). Dentro da concepção construtivista é essencial que os alunos desenvolvam a flexibilidade operatória de seus esquemas mentais e não um repertório de respostas aprendidas. Dessa forma, rui toda a Pedagogia da "exercitação" e do cultivo das "faculdades mentais" através de repetições e fixação de soluções. O aprendiz passa de uma situação de receptor passivo e, numa nova postura de busca participativa e reflexiva, constrói seu conhecimento a partir do contato, da interação com os mais variados objetos e possibilidades de novos conhecimentos. 0 aprendiz, numa proposta de EAD, interage com o assunto focalizado observando, analisando, levantando hipóteses, aplicando estratégias, que poderão confirmar ou não as hipóteses levantadas. Assim, partindo do encadeamento de idéias e das inferências realizadas, maior será a capacidade do aprendiz em comparar, contrastar, verificar e concluir. Dessa forma a aprendizagem é repensada. O aprendiz deixa de ser aquele a quem se ensina e passa a ser um sujeito que aprende a aprender. No entanto, assumir essa nova proposta requer preparação, estudo e disposição para mudar paradigmas. 12.4 - Circunstância da aprendizagem O aprendiz que optar por se atualizar através de um programa de EAD deverá estar pronto para mudar paradigmas. Mesmo em cursos que oferecem sistema de tutoria ele necessitará de uma nova postura, diferente daquela adotada na maioria dos cursos ministrados em sala de aula tradicional. Estará diante de uma nova possibilidade de aprendizagem, onde será o ator principal, e isso exige o desenvolvimento de atitudes imprescindíveis ao seu sucesso, como adquirir hábitos de estudo sistemáticos e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequadas. É preciso estar consciente da necessidade de se utilizar uma metodologia de trabalho especialmente voltada para o ensino individualizado e fundamentada em técnicas de estudo. Essa atitude ajudará a desenvolver estudos com mais racionalidade, sistematização e aproveitamento. Em programas de EAD onde o seu processo de aprendizagem ocorre, na maioria das vezes, de maneira solitária esta postura torna-se mais do que recomendável, é imprescindível no seu processo de construção de conhecimento. De acordo com Matos (1994) estudar é ir à procura da verdade. Trata-se de um processo dinâmico de ësaber, buscar, saber de novo e recomeçar para buscar ainda mais. A meta é chegar a aprender, a ver com os próprios olhos, a expressar-se com as próprias palavras.40 de 81 29/9/2011 16:27
  • 41. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad As características comportamentais necessárias ao desenvolvimento do aprendiz são: estar motivado para aprender; ter constância, perseverança e responsabilidade; ter hábito de planejamento; ter visão de futuro; ser pró - ativo; e ser comprometido e auto-disciplinado. 12.5 - Recursos tecnológicos Uma visão parcial sobre a tecnologia nos leva a pensar somente nos seus aspectos tangíveis (instrumentos) e tendemos a considerar perigosos aqueles instrumentos que desconhecemos. No entanto, atualmente tem crescido o uso de tecnologia na educação, o que tem permitido a otimização dos recursos disponíveis, possibilitando multiplicar o acesso ao conhecimento. Porém, segundo Litwin (1997), é de suma importância, na hora de pensar em inovações, reconhecer a necessidade de criá-las nos contextos educacionais específicos a fim de que sua implantação seja significativa. "A tecnologia posta à disposição dos estudantes tem por objetivo desenvolver as possibilidades individuais, tanto cognitivas como estéticas, através de múltiplas utilizações que o docente pode realizar nos espaços de interação grupal" (Litwin, 1997:10) A tecnologia da informação como elemento facilitador da aprendizagem, oferece uma amplitude de recursos com exigência de amigabilidade, performance, integridade e segurança. O ambiente de estudo do aprendiz quer seja no trabalho ou em casa, requer os atributos de disponibilidade de máquina com acesso seguro e contínuo a redes de comunicação, atualização técnica permanente, softwares de comunicação e interação configurados e suporte técnico de manutenção. A utilização de tais recursos exige do aprendiz noções básicas de informática das ferramentas cognitivas (Struchiner,1999) tais como: hipertexto/mídia; aplicativos em geral ( banco de dados, planilhas, etc...) e simulações; e navegação em ambientes virtuais. 12.6 - Suporte ao aluno Na EAD o professor assume um novo papel, surge a função do tutor, que apoiado em diferentes ferramentas pedagógicas irá propiciar a interação do aprendiz com os diversos objetos de estudo/conhecimento, colocando-o como sujeito participativo da sua aprendizagem. Segundo Struchiner (1999) "o tutor nesta nova modalidade aparece como uma figura desvinculada do modelo tradicional e que no modo de pensar sob o âmbito do construtivismo, tenha um novo perfil seria um potencializador, que no processo do E.A.D. atuaria como mediador, utilizando todos os espaços como forma de objetivar a participação coletiva, a independência, possibilitando a plena ação dos sujeitos no processo ensino-aprendizagem". O EAD, utilizando-se dos variados recursos pedagógicos e tecnológicos e de todo o apelo motivador intrínseco à mídia eletrônica, possibilita uma interação dinâmica que pode tornar-se bastante produtiva se corretamente direcionada. Assim, o tutor deve atuar junto ao aprendiz como facilitador, incentivador dessa constante interação com os diversos objetos de conhecimento, numa atitude de co-autor nesse processo de construção/produção do conhecimento. 12.7 - Interatividade do estudo A interação professor-aprendiz na EAD se faz intermediada por um meio, recurso ou material estrategicamente elaborado, que estimule a auto-aprendizagem no aprendiz, suprindo a ausência física dos participantes do curso. A metodologia utilizada deve permitir a comunicação ativa entre todos os participantes do ambiente, fazendo com que toda a informação necessária ao desenvolvimento e aquisição do conhecimento seja acessível a todos. Além disso, é indispensável que esse ambiente virtual permita a realização de questionamentos coordenados pelos tutores (professores) que gerem discussões permitindo a comunicação a qualquer hora entre alunos e professores. Em um ambiente virtual de aprendizagem (AVA), os alunos costumam participar do aprendizado de um modo mais ativo pois é decisivo que haja uma atuação pessoal para obter informações dos outros alunos participantes, recuperar material de apoio na rede, estudar um assunto e discuti-lo com os colegas, tirar dúvidas com os professores, fazer trabalho em conjunto ou mesmo expor o próprio conhecimento ou obter o dos outros (Barros,1994 e Lander, 1997). Os métodos de EAD devem buscar reduzir a distância interpessoal promovendo a interação entre professor- aprendiz e aluno-aluno, garantindo a aprendizagem e a transferência de mensagens. A Internet é um espaço de troca e produção coletiva de conhecimento e informação que propicia uma maior interação entre os professores e alunos. Essa interação se dá através de um Site WWW disponível para todos os indivíduos envolvidos no curso. Nesse Site devem estar disponíveis as ferramentas necessárias para o aprendiz se comunicar com os professores e com os outros alunos; questionar e discutir temas relacionados ao curso; enviar sua produção ao professor; acessar biblioteca virtual e outras informações importantes ao curso. O e-mail, chats e fóruns de discussões são outras ferramentas importantes que devem estar disponibilizadas afim de promover discussões entre todos os indivíduos do curso.41 de 81 29/9/2011 16:27
  • 42. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad A interatividade é uma função absolutamente crítica do processo de aprendizagem em EAD e um fator importante a ser considerado, pois trata-se não só da interatividade entre tutor-aluno, aluno e material didático de apoio, alunos entre si ou alunos e instituição de ensino, mas sim da cultura grupal no que se refere às dificuldades individuais de cada um. A interação constante reforça significativamente a aquisição de conhecimentos, na medida que o aprendiz é também estimulado pelas interações sociais. Se desejar escutar um arquivo de Áudio sobre o tema clique neste endereço: http://www.geocities.com/mathiasgonzalez2005/blog1.mp3 12.8 - Instrumentos para avaliação Quais os melhores instrumentos para se avaliar a interatividade em ambientes virtuais de aprendizagem? Após uma série de pesquisas em plataformas utilizadas por diferentes instituições de ensino a distância, verifiquei que pelo menos dez critérios devem ser adotados quando se desejar efetuar uma avaliação da interatividade nos ambientes de aprendizagem. Tais critérios ajudarão a nortear os objetivos pedagógicos desejados pelos gestores, professores com suas repsercussões positivas para os aprendizes. Esta tabela não esgota as possibilidades uma vez que sendo um processo dinâmico, está sempre sujeito a contínuas modificações e aperfeiçoamento. TABELA PARA AVALIAÇÃO DA INTERATIVIDADE EM AVAs (copyleft) CRITÉRIOS: Plenamente Satisfatório (A) Satisfatório (B) Insatisfatório (C) Plenamente Satisfatório Insatisfatório Critério Satisfatório (A) (B) (C) 1. Design e layout amigáveis, permitindo ao usuário entendimento das funções dos botões de acesso e navegação; 2. Disponibilização de meios síncronos de comunicação entre usuários; 3. Sistema de auto-avaliação com respostas automatizadas (feed-back instantâneo); 4. Disponibilização de meios assíncronos de comunicação entre usuários; 5. Acessibilidade a indivíduos com necessidades especiais (surdos e cegos); 6. Metodologia dinâmica favorável à interatividade (aluno- máquina-professor-aluno); 7. Prontidão de respostas (da Administração); 8. Prontidão de respostas (dos Professores); 9. Sistema de Tutoria dinâmico e atuante na relação com o aluno; 10. Existência de Chatterbots ou outros FAQs interativos. TOTAL PARCIAL DOS PONTOS AVALIAÇÃO TOTAL (a+b+c) PONTUAÇÃO: 0,6 - 1,0 - (Plenamente satisfatório) PONTUAÇÃO: 0,5 - (Satisfatório) PONTUAÇÃO: 0,4 - 0,0 - (Não satisfatório) Baixe esta tabela acima neste endereço: http://pt.wikinourau.org/pub/EaD/AvaliacaoDaInteratividade/avalia_interatividade.doc 12.9 - O processo de avaliação Ainda que o texto aqui se refira apenas a uma visão sobre avaliação da interatividade em EaD, convém abordarmos o tema levando em conta o processo da avaliação na educação a distância. Sabemos que a apropriação do conhecimento tecnológico, onde a informática e as redes de comunicação assumem novos papéis no processo de transformação social é fundamental na sociedade moderna. Acredita-se que este conhecimento deva ser um instrumento de apropriação e construção de novos conhecimentos. A rede mundial de computadores pode apoiar42 de 81 29/9/2011 16:27
  • 43. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad formas inovadoras de aprender, ensinar e avaliar, sendo vista como uma aliada no processo de reestruturação do ambiente de ensino e aprendizagem. Para se entender o processo de avaliação, especificamente a avaliação na modalidade de ensino a distância, torna-se necessário compreender como a educação utiliza-se da avaliação, dentro de enfoques distintos, tal como resumido abaixo levando-se em conta o ENFOQUE e o MÉTODO DE AVALIAÇÃO: Tradicional Utilização de verificações de curto prazo e prazo mais longo; punição (reprovação, notas baixas) e reforço positivo (aprovação, bons conceitos). Tecnicista Avaliação de comportamentos observáveis e mensuráveis; controle de comportamento face a objetivos pré-estabelecidos. Libertadora Verificação direta da aprendizagem é desnecessária; avaliação da prática vivenciada entre educador/educando; auto-avaliação em termos de compromisso assumido com a prática social. Progressista A avaliação é realizada a qualquer momento, pois sua preocupação é diagnosticar falhas; observação do desempenho; valorização de outros instrumentos que não a "prova". 13 - Avaliação de softwares educativos Francisco Maciel Lima Alves O presente capítulo pretende: Discutir os critérios para uma avaliação de um software para uso educacional, segundo uma concepção construtivista de aprendizagem e refletir sobre a classificação dos mesmos quanto ao tipo e nível de aprendizagem e apresentar uma sugestão para registro desta avaliação. 13.1 - Introdução Para iniciar uma discussão sobre os critérios para uma avaliação de softwares educativos torna-se necessária uma reflexão sobre o papel do computador nas escolas, a influência do mesmo no processo de aprendizagem dos alunos e uma contextualização do conceito de avaliação do ponto de vista construtivista. É indiscutível o poder de fascinação das máquinas sobre alunos e professores. Mas, sob o êxtase da utilização dessa poderosa ferramenta, os professores devem estar atentos no intuito de garantir que o computador seja usado de uma forma responsável e com potencialidades pedagógicas verdadeiras, não sendo utilizado apenas como máquinas com programas divertidos e agradáveis. O uso do computador na educação tem como objetivo promover a aprendizagem dos alunos e ajudar na construção do processo de conceituação e no desenvolvimento de habilidades importantes para que ele participe da sociedade do conhecimento e não simplesmente facilitar o seu processo de aprendizagem. Para Valente, o principal objetivo da escola é criar ambientes de aprendizagens que ensejam a existência de um ambiente rico, desafiador e estimulador, no qual qualquer indivíduo será capaz de aprender algo sobre alguma coisa. Apesar do termo avaliar possuir inúmeros significados, na expressão "avaliação de softwares educativos", avaliar significa analisar como um software pode ter um uso educacional, como ele pode ajudar o aprendiz a construir seu conhecimento e a modificar sua compreensão de mundo elevando sua capacidade de participar da realidade que está vivendo. Nesta perspectiva, uma avaliação bem criteriosa pode contribuir para apontar para que tipo de proposta pedagógica o software em questão poderá ser melhor aproveitado. Tomando por base essas considerações, a seguir serão tecidos alguns comentários sobre aspectos importantes , que podem contribuir para uma análise criteriosa de softwares educativos. 13.2 - Base Pedagógica de um Software Educativo A primeira tarefa do professor que se propõe a analisar um software educativo é identificar a concepção teórica de aprendizagem que o orienta, pois um software para ser educativo deve ser pensado segundo uma teoria sobre como o sujeito aprende, como ele se apropria e constrói seu conhecimento. Numa perspectiva construtivista, a aprendizagem ocorre quando a informação é processada pelos esquemas mentais e agregadas a esses esquemas. Assim, o conhecimento construído vai sendo incorporado aos esquemas mentais que são colocados para funcionar diante de situações desafiadoras e problematizadoras. Essa construção tem a base biológica, mas vai se dando à medida em que ocorre a interação, troca recíprocas de ação com o objeto do conhecimento, onde a ação intelectual sobre esse objeto refere-se a retirar dele qualidades que a ação e a coordenação das ações do sujeito colocaram neles. O conhecimento lógico - matemático provém da abstração sobre a própria ação.43 de 81 29/9/2011 16:27
  • 44. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Baseado na teoria do ensaio e erro, um software educativo que se propõe a ser construtivista deve propiciar à criança a chance de aprender com seus próprios erros. O simples fato de um software possuir sons e animações não são indicativos para que o mesmo seja classificado como construtivista. Do ponto de vista do Behaviorismo ( comportamentalismo), aprender significa exibir comportamento apropriado; o objetivo da educação nessa perspectiva é treinar os estudantes a exibirem um determinado comportamento, por isso usam o reforço positivo para o comportamento desejado e o negativo para o indesejado. A instrução programada é uma ferramenta de trabalho nessa linha de ação e aplica os princípios de Skiner para o desenvolvimento do comportamento humano. Outro ponto a ser considerado na avaliação de um software para uso educacional está no fato de verificar se ele busca ser autônomo, descartando, desconsiderando a figura do professor como "agente de aprendizagem" ou se ele permite a interação do aluno com esse agente, com outro aluno ou mesmo com um grupo de alunos. Se o software tem a pretensão de ser autônomo, tem como fundamento o ensino programático, onde as informações padronizadas, por si só, promovem o ensino de qualquer conteúdo, independente das condições específicas da realidade educacional de uma escola. Além do mais, qualquer software que se propõe a ser educativo tem que permitir a intervenção do professor, como agente de aprendizagem, como desencadeador e construtor de uma prática específica e qualificada que objetiva a promoção do aprendiz. O "feedback dado ao "erro" do aluno é um ponto fundamental na análise do software educativo. Se o mesmo não dá um feedback imediato e subjetivo, podemos classificá-lo como "comportamentalista", onde só há estímulo e resposta e esta resposta não permite a continuidade do processo. 13.3 - Classificação Os diversos tipos de softwares usados na educação podem ser classificados em algumas categorias, de acordo com seus objetivos pedagógicos: tutoriais, programação, aplicativos, exercícios e práticas, multimídia e Internet, simulação e modelagem e jogos. 13.3.1 - Tutoriais Caracterizam-se por transmitir informações pedagogicamente organizadas, como se fossem um livro animado, um vídeo interativo ou um professor eletrônico. A informação é apresentada ao aprendiz seguindo uma seqüência, e o aprendiz pode escolher a informação que desejar. A informação que está disponível para o aluno é definida e organizada previamente, assim o computador assume o papel de uma máquina de ensinar. A interação entre o aprendiz e o computador consiste na leitura da tela ou escuta da informação fornecida, avanço pelo material, apertando a tecla ENTER ou usando o mouse para escolher a informação. "Esse programa só permite ao "agente de aprendizagem" verificar o produto final e não os processos utilizados para alcançá-lo. A sua limitação se encontra justamente em não possibilitar a verificação se a informação processada passou a ser conhecimento agregado aos esquemas mentais", afirma Valente. 13.3.2 - Exercícios e Práticas Enfatizam a apresentação das lições ou exercícios, a ação do aprendiz se restringe a virar a página de um livro eletrônico ou realizar exercícios, cujo resultado pode ser avaliado pelo próprio computador. As atividades exigem apenas o fazer, o memorizar informação, não importando a compreensão do que se está fazendo. 13.3.3 - Programação Esses softwares permitem que pessoas, professores ou alunos, criem seus próprios protótipos de programas, sem que tenham que possuir conhecimentos avançados de programação. Ao programar o computador utilizando conceitos, estratégias, este pode ser visto como uma ferramenta para resolver problemas. A realização de um programa exige que o aprendiz processe a informação, transformando-a em conhecimento. As características disponíveis no processo de programação ajudam o aprendiz a encontrar seus erros, e ao professor compreender o processo pelo qual o aprendiz construiu conceitos e estratégias envolvidas no programa. 13.3.4 - Aplicativos São programas voltados para aplicações específicas, como processadores de texto, planilhas eletrônicas, e gerenciadores de banco de dados. Embora não tenham sido desenvolvidos para uso educacional, permitem interessantes usos em diferentes ramo do conhecimento. Quando o aprendiz está digitando um texto no processador de texto, a interação com o computador é mediada pelo idioma materno e pelos comandos de formatação. Apesar de simples de serem usados e de facilitar a expressão do pensamento, o processador de texto não pode executar o conteúdo do mesmo e apresentar um feedback do conteúdo e do seu significado para o aprendiz. A única possibilidade, em se tratando de reflexão, é comparar as idéias originais do formato com o resultado apresentado, não dando margem para a reflexão e depuração do44 de 81 29/9/2011 16:27
  • 45. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad conteúdo. Nesse sentido, o processador de textos não dispõe de características que auxiliam o processo de construção do conhecimento e a compreensão das idéias. 13.3.5 - Multimídia e Internet Em relação à multimídia, chamamos a atenção para a diferenciação entre o uso de uma multimídia já pronta e o uso de sistemas de autoria para o aprendiz desenvolver sua multimídia. Na primeira situação, o uso de multimídia é semelhante ao tutorial, apesar de oferecer muitas possibilidades de combinações com textos, imagens, sons, a ação do aprendiz se resume em escolher opções oferecidas pelo software. Após a escolha, o computador apresenta a informação disponível e o aprendiz pode refletir sobre a mesma. Às vezes o software pode oferecer também ao aprendiz, oportunidade de selecionar outras opções e navegar entre elas. Na segunda situação, o aprendiz seleciona as informações em diferentes fontes e programas construindo assim um sistema de multimídia. Dessa forma é possibilitado ao aprendiz refletir sobre os resultados obtidos, compará-las com suas idéias iniciais e depurar em termos de qualidade, profundidade e significado da informação apresentada. 13.3.6 - Simulação e Modelagem Constituem o ponto forte do computador na escola, pois possibilitam a vivência de situações difíceis ou até perigosas de serem reproduzidas em aula, permitem desde a realização de experiências químicas ou de balística, dissecação de cadáveres, até a criação de planetas e viagens na história. Para que um fenômeno possa ser simulado no computador, basta que um modelo desse fenômeno seja implementado no computador. Assim, a escolha do fenômeno a ser desenvolvido é feito a priori e fornecido ao aprendiz. A simulação pode ser fechada ou aberta, fechada quando o fenômeno é previamente implementado no computador, não exigindo que o aprendiz desenvolva suas hipóteses, teste-as, análise os resultados e refine seus conceitos. Nessa perspectiva a simulação se aproxima muito do tutorial. A simulação pode ser aberta quando fornece algumas situações previamente definidas e encoraja o aprendiz a elaborar suas hipóteses que deverão ser validadas por intermédio do processo de simulação no computador. Neste caso, o computador permite a elaboração do nível de compreensão por meio do ciclo descrição - execução - reflexão - depuração - descrição, onde o aprendiz define e descreve o fenômeno em estudo. Na modelagem, o modelo do fenômeno é criado pelo aprendiz que utiliza recursos de um sistema computacional para implementar esse modelo no computador, utilizando-o como se fosse uma simulação. Esse tipo de software exige um certo grau de envolvimento na definição e representação computacional do fenômeno e, portanto, cria uma situação bastante semelhante à atividade de programação e possibilita a realização do ciclo descrição - execução - reflexão - depuração - descrição. Na programação o aprendiz pode implementar o fenômeno que desejar, dependendo somente da linguagem de programação que for utilizada. Na modelagem, a descrição é limitada pelo sistema fornecido e pode-se restringir a uma série de fenômenos de um mesmo tipo. Na simulação aberta, o fenômeno pode estar definido e o aprendiz deverá implementar as leis e definir os parâmetros envolvidos. Na simulação fechada, a descrição se limita a definição dos valores de alguns parâmetros do fenômeno. 13.3.7 - Jogos Geralmente são desenvolvidos com a finalidade de desafiar e motivar o aprendiz, envolvendo-o em uma competição com a máquina e os colegas. Os jogos permitem interessantes usos educacionais, principalmente se integrados a outras atividades. Vale lembrar que os jogos têm a função de envolver o aprendiz em uma competição e essa competição pode dificultar o processo da aprendizagem uma vez que, enquanto estiver jogando, o interesse do aprendiz está voltado para ganhar o jogo e não em refletir sobre os processos e estratégias envolvidos no mesmo. Sem essa consciência é difícil uma transformação dos esquemas de ação em operação. 13.4 - Outros critérios de classificação Além da classificação geral, os softwares educacionais pode se classificar em: 13.4.1 - Classificação por níveis de Aprendizagem Seqüencial: a preocupação é só transferir a informação; o objetivo do ensino é apresentar o conteúdo para o aprendiz e ele por sua vez deverá memorizá-la e repeti-la quando for solicitado. Esse nível de aprendizado leva a um aprendiz passivo. Relacional: objetiva a aquisição de determinadas habilidades, permitindo que o aprendiz faça relações com outros fatos ou outras fontes de informação. A ênfase é dada ao aprendiz e a aprendizagem se processa somente com a interação do aprendiz com a tecnologia. Esse nível de aprendizagem leva a um aprendiz isolado. Criativo: associado à criação de novos esquemas mentais, possibilita a interação entre pessoas e tecnologias compartilhando objetivos comuns. Esse nível de aprendizado leva a um aprendiz participativo. 13.4.2 - Classificação de acordo com a função A concepção de um dado produto de software destina-se, em princípio, a uma dada função e é esta que importa45 de 81 29/9/2011 16:27
  • 46. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad apurar, quando o pretendemos classificar. Neste sentido, inicialmente foi apresentado uma classificação muito simples, dividindo o software em três grandes grupos de acordo com a sua função: Tutor: Este software é concebido para funcionar como "professor substituto". O computador apresenta certa material de uma dada disciplina, o aluno responde, o computador classifica a resposta e segundo os resultados da avaliação, determina dos passos seguintes. Trata-se de um tipo de produtos baseados em exercícios de pergunta/estímulo-resposta. Ferramenta de Trabalho: Este software é concebido para desempenhar um conjunto de tarefas específicas, como a elaboração de gráficos, pesquisa de bases de dados, etc. Tutelados: Este tipo de software é concebido de modo que o aluno ponha à prova a capacidade dos computadores para resolver certos problemas ou concretizar certas idéias. 13.4.3 - Classificação segundo os Fundamentos Educativos Paradigma Instrucional: Este software assenta no pressuposto que o ensino é uma simples transmissão de conteúdos, utilizando para tal um conjunto de metodologias e técnicas mais ou menos eficazes. O centro da atenção é o programa. O aluno é visto como um mero receptor de mensagens. A instrução apresenta-se como uma seqüência de operações previamente definidas das mais simples para as mais complexas. Paradigma da Descoberta: Este software assenta no pressuposto que a aprendizagem é sobretudo uma descoberta, devendo por isso ser facultado aos alunos meios para desenvolverem a sua intuição em relação ao campo de estudo. O centro da atenção são os alunos. O software procura criar ambientes de exploração e de descobrimento, sendo muito freqüentes as simulações de ambientes reais. Os alunos avançam na aprendizagem introduzindo dados para descobrirem as reações ou os efeitos que os mesmos provocam. Paradigma das Hipóteses Construtivas: Este software assenta no pressuposto que o saber é essencialmente uma construção, O centro da atenção são os alunos na sua interação com o meio. O software procura criar uma espécie de micro-mundos informáticos que possibilitem que os alunos manipularem idéias, conceitos ou modelos na compreensão da realidade. Os alunos avançam na aprendizagem construindo saberes. Paradigma Utilitarista: Não se trata de um novo tipo de software, mas sim de uma maneira de encarar qualquer a utilização dos computadores em geral, e os programas informáticos em particular. Estes são vistos como meras ferramentas, cuja grande utilidade consiste na libertação dos alunos de tarefas penosas e repetitivas. Esta atitude anda em geral associada a uma concepção utilitarista da educação, na qual esta é reduzida a uma mera resposta mais ou menos eficaz a necessidades específicas do cotidiano. 13.5 - Avaliação de um software Além da base pedagógica, um software deverá também ser analisado do ponto de vista técnico, uma vez que estes aspectos orientam para uma adequada utilização. Do ponto de vista técnico, deverão ser observados os seguintes aspectos: mídias empregadas, qualidade de telas, interface disponíveis, clareza de instruções, compartilhamento em rede local e Internet, compatibilização com outros softwares, hardware e funcionalidade em rede ( importação e exportação de objetos), apresentação auto-executável, recursos hipertexto e hiperlink, disponibilidade de help-desk, manual técnico com linguagem apropriada ao professor - usuário, facilidade de instalação, desinstalação e manuseio, etc. Podemos pensar, agora, em critérios de avaliação da qualidade de um software educacional. Quando professores vão adquirir um software ou vão trabalhar em uma equipe de desenvolvimento, o que devem olhar? O que devem analisar e privilegiar? Abaixo estão listados alguns aspectos que devem ser considerados e que foram retirados de pesquisa realizada com professores do Estado do Rio de Janeiro: Possibilidade de correção de conteúdo (Alterabilidade) Facilidade de leitura da tela (Amenidade ao uso) Clareza dos comandos (Amenidade ao uso) Independência da linguagem (independência do ambiente) Adaptabilidade ao nível do usuário (Eficiência do processamento) Adequação do programa ao nível do usuário (Validabilidade) Facilidade de leitura do programa (Clareza) Ausência de erros no processamento do programa (Correção) Adequação do programa às necessidades curriculares (Rentabilidade) Independência de hardware (Independência do ambiente) Existência de recursos motivacionais (Amenidade de uso) Previsão de atualizações (Validabilidade) Ausência de erros de conteúdo (Validabilidade) Possibilidade de inclusão de novos elementos (Alterabilidade) Resistência do programa a respostas inadequadas (Robustez) Adequação do vocabulário (Amenidade ao uso) Fornecimento de feedback (Amenidade ao uso) Apresentação dos escores aos alunos (Validabilidade) Uso do tempo do equipamento (Rentabilidade)46 de 81 29/9/2011 16:27
  • 47. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Integração do programa com outros recursos (Rentabilidade) Capacidade de armazenamento das respostas (Eficiência do processamento) Existência de tratamento de erro (Amenidade ao uso) Controle da seqüência do programa (Amenidade ao uso) Diagramação das telas (Amenidade ao uso) Tempo de resposta (Eficiência do processamento) Existência de ramificações para enfoques alternativos (Amenidade ao uso) Existência de mensagem de erro (Amenidade ao uso) Acesso a helps (Amenidade ao uso) Existência de manual do usuário (Amenidade ao uso) Uso de ilustrações (Amenidade ao uso) Uso de cor (Amenidade ao uso) Tempo de exposição de telas (Amenidade ao uso) Uso de animação (Amenidade ao uso) Existência de geração randômica de atividades (Amenidade ao uso) Uso de recursos sonoros (Amenidade ao uso) 13.6 - Papel do Professor na avaliação dos Softwares É conveniente que o professor possa refletir e decidir sobre a qualidade técnica-estética e curricular, a sua adequação às características dos alunos, bem como às concepções teóricas que lhe dão suporte e, não somente de softwares, mas de quaisquer outros materiais que lhe são apresentados. É claro que parta tal é necessário que o professor receba em sua formação inicial, uma capacitação adequada, tanto para a utilização destes recursos, como para sua avaliação. 14 - Avaliação de sistemas de EaD 14.1 - Direcionando nosso olhar Falar em Avaliação já é tema difícil. Avaliação em Educação a Distância então, trata-se de tema da maior complexidade. Tal complexidade está relacionada à necessidade de se estabelecer rupturas ao modelo tradicional de educação e à conseqüente necessidade de criar formas de avaliação, em sintonia com a dinâmica de nosso tempo. Para Neder a avaliação como prática educativa, deve ser compreendida sempre como uma atividade política, cuja principal função é a de propiciar subsídios para tomadas de decisões quanto ao direcionamento das ações em determinado contexto educacional. (Neder,2006). Destaco do trecho acima, algumas palavras chave na colocação da autora: prática educacional, atividade política, subsídios para a tomada de decisões e contexto educativo. Como prática educacional, a avaliação não se resume unicamente à mecânica da atribuição do conceito ou nota, definindo avanços ou não do aluno. Deve sim fornecer ao docente, informações sobre o esforço, realizado pelo aluno, em seu desenvolvimento como sujeito de seu processo de ensino e aprendizagem (Demo,1998). No que se refere à atividade política, é importante esclarecer que não há avaliação sem uma emissão de juízo de valor, mesmo porque na percepção da realidade a ser avaliada, cada um de nós acentua mais a subjetividade ou a objetividade. Nesse contexto, afirma Dias Sobrinho que a avaliação envolve concepções políticas, visões de mundo e portanto valores. Por serem múltiplos os públicos a que podem destinar-se as avaliações, essas podem ser definidas a partir de diferentes ângulos e dessa forma lhes são atribuídos diferentes fins, funções ou propósitos. Podem ser vistas na perspectiva de sua função ou finalidade e, então são classificadas ora como formativas, centradas no processo, tendo em vista a melhoria da qualidade, ora como somativas, finalísticas, quase sempre levando à classificação de indivíduos, grupos ou instituições. Podem ter uma intencionalidade educativa ou ser um instrumento de controle e modelação exercido pelo poder político e pelas organizações coercitivas. Podem se pretender técnicas, neutras e objetivas, mas no fundo jamais deixam de ser também subjetivas, mergulhadas em valores e comprometidas com posições políticas. (Dias Sobrinho ,2000:90.). A avaliação é portanto multidimensional, isto é, apresenta inúmeras formas e conteúdos, como também uma pluralidade de funções e finalidades. Pode-se citar ainda como exemplo a avaliação utilizada como forma de controle que tem por objetivo verificar correspondências entre o realizado e o planejado, entre resultados alcançados e regras estabelecidas, sejam elas, educacionais ou não. Já a avaliação como processo de formação e desenvolvimento humano tem foco na construção de sentidos, favorecendo não só o objetivo mas também o subjetivo, a diversidade, as contradições e o qualitativo. Nesse sentido a avaliação tem importante papel, seja ele institucional como também no processo de ensino aprendizagem enquanto como elemento integrador e de cooperação, produzindo questionamentos, reflexões éticas, construindo sentidos e oferecendo subsidios para a tomada de decisão, tão importante nos processos de gestão da47 de 81 29/9/2011 16:27
  • 48. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad aprendizagem e das ações acadêmico-administrativas. No contexto educativo, a avaliação educacional, como elemento relevante de um projeto político pedagógico, deve estar fundamentada na autonomia e na cooperação dos atores envolvidos, enquanto princípios básicos da educação proposta. A escolha dos instrumentos de avaliação da aprendizagem deve ser baseada na concepção pedagógica definida no desenho pedagógico do curso. Ou seja à concepção de currículo, metodologia do ensino, à organização pedagógica, matriz curricular e seu conteúdo. Dessa forma a teoria da aprendizagem adotada poderá conduzir a uma avaliação mais tradicional e conservadora, ou a uma proposta inovadora, mais flexível e colaborativa. 14.2 - A importância da Avaliação no contexto educacional Tais critérios citados buscam nortear os sistemas que compõem o projeto de Ead, em uma proposta integrativa e de qualidade, criando um contexto educativo propiciador ou adequado ao que Peters considera Didática do ensino à distância. Falando em Qualidade, palavra de origem latina: “qualitas”, que significa essência, ou parte mais importante e significativa, poderia dizer que a dimensão dialógica, a aprendizagem autônoma e as ações colaborativas, formam um tripé essencial, sendo que seu grau maior ou menor imprime um referencial de qualidade relevante ao desenvolvimento de um projeto de Ead. Afirma Peters que passa a haver uma melhoria da qualidade em diferentes modelos de Ead quando se integra processos citando por exemplo à acessibilidade e encontros presenciais, como aconteceu na Austrália. Para eles, a participação indireta em atividades didáticas do estudo com presença pessoal é modelo decisivo. ( PETERS,2003) Isto posto, é importante considerar os sistemas que compõem um projeto em Ead, lembrando que os três critérios deverão permear cada sistema e seus respectivos subsistemas integrando-os e dando-lhes a qualidade necessária para o desenvolvimento de sujeitos pedagógicos ativos. Na Ead, como a interatividade e a aprendizagem autônoma individual e colaborativa, são processos fundamentais de construção do conhecimento, faz-se necessário acompanhar de perto, de forma cuidadosa , todas as atividades desenvolvidas, seja com abordagem quantitativa quanto qualitativa. Dessa forma, todos os sistemas, que integrados, compõem a proposta pedagógica de um projeto em Ead, devem estar organizados com o mesmo cuidado e olhar, de tal forma a proporcionar cenário e ambiente de aprendizagem adequados para o desenvolvimento e evolução e expansão de todos os atores envolvidos no processo. Assim , os sistemas devem oferecer o desenvolvimento de um ambiente aberto, colaborativo, organizado, dialógico, favorecendo a linguagem cuidadosa e afetiva, e que seja ao mesmo tempo crítica e construtiva. Nesse sentido, construir tais sistemas, como também avaliá-los revela-se tarefa complexa, necessária, sensível e relevante. Muitas vezes não possuímos o instrumental e metodologias para executar os processos avaliativos de forma assertiva e empática. Muitos têm a dificuldade de articular ações de auto-avaliação, avaliação individual e avaliação coletiva. Porém todos concordam que é preciso acompanhar o processo como um todo e fazer intervenções sempre que necessário. Avaliação portanto, é componente de um processo e não um momento isolado de atividade. Deve ser planejada desde a concepção do projeto do curso ou programa e refletir-se na elaboração do material didático, no atendimento aos alunos pelo sistema tutorial, no desempenho da equipe de gestão, nos serviços que a instituição oferece. Avaliar, portanto, inclui diferentes olhares sobre processos, construindo coletivamente uma teia de sentidos. 14.3 - Os principais indicadores de um projeto em Ead O Ministério da Educação – MEC, por meio da Secretaria do Ensino Superior SESu, com o objetivo de orientar e regulamentar as instituições de ensino na oferta de programas de Ead, tornou público os referencias de qualidade para a área, sendo que tais referenciais servem também de padrão de avaliação in loco dos cursos ofertados, que é realizada pela comissão de avaliadores do MEC/INEP, órgão oficial responsável pelas avaliações das condições de ensino dos cursos superiores de graduação - ACE. São eles: 1. compromisso dos gestores; 2. desenho do projeto; 3. equipe profissional multidisciplinar; 4. comunicação/interação entre os agentes; 5. recursos educacionais; 6. infra-estrutura de apoio; 7. avaliação contínua e abrangente; 8. convênios e parcerias; 9. transparência nas informações; 10. sustentabilidade financeira. Pode-se portanto perceber a complexidade dos projetos pedagógicos dos cursos a serem ofertados na modalidade a distância, uma vez que sua implantação exige a integração entre os diferentes setores e áreas da instituição para que sejam evitados o isolamento acadêmico e administrativo.48 de 81 29/9/2011 16:27
  • 49. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Os instrumentos de avaliação dos Sistemas em Ead, devem facilitar o registro, analise e sistematização dos inúmeros aspectos a serem observados em aprendizagem na modalidade a distância. A visão crítica sobre o processo e suas ferramentas, podem proporcionar a necessidade e o desenvolvimento de novas dinâmicas de interação, colaboração e ainda para a produção textual. Para se obter tais resultados podem ser utilizadas técnicas de avaliação quantitativas ou qualitativas tais como questionários, pesquisa de opinião, entrevistas estruturadas, discussões abertas, tabelas automáticas no próprio ambiente virtual, diários dos alunos, observações de todos os atores do processo, principalmente dos mediadores. 14.4 - Os sistemas em Ead Quando se fala em EAD, não se deve perder de vista conceitos importantes como a ergonomia cognitiva, já que as TIC são fundamentais para o processo de mediação pedagógica ocorrer de forma efetiva, qualitativamente falando. Faz-se importante apresentar agora os diferentes sistemas de Ead, para que se possa perceber a complexidade das variáveis envolvidas. Para tanto adoto o esquema apresentado por Sartori e Roesler, ( 2005) que apresento a seguir, com o objetivo de tornar didático o tema, para que melhor possa ser relacionado à pratica. 1. Sistema pedagógico : a Gestão da aprendizagem Desenho Pedagógico Material didático Sistema Tutoria Secretaria Acadêmica 2. Sistema Administrativo: a Gestão financeira e de pessoas Análise, Planejamento, controle dos custos fixos e variáveis Políticas de contratação, remuneração e capacitação pessoal Setorização das atividades e atribuição de responsabilidades Infra-estrutura física e tecnológica 3. Sistema de Gestão do Conhecimento Sistema de gestão da Informação políticas de formação da equipe elaboração de relatórios oficiais Pesquisas Publicações Avaliação Na gestão da aprendizagem a principal ação avaliativa a ser desenvolvida refere-se à avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Já no sistema administrativo a principal ação de avaliação é a avaliação do projeto de Ead e finalmente na gestão do conhecimento a principal ação avaliativa é a avaliação do programa, por meio da elaboração de relatórios oficiais e acadêmicos e a socialização do conhecimento. De forma geral, pode-se perceber que o foco principal de diversos autores como Peters, Neder, Otsuka, Rocha é a qualidade do desenho pedagógico do projeto de Ead, tendo em vista que a aprendizagem autônoma e colaborativa, está baseada na interatividade entre os diferentes atores do processo educativo . Nesse contexto, os já citados autores realçam em suas colocações, as concepções pedagógicas que estimulam o desenvolvimento de projeto pedagógico inovador, que permita a construção do conhecimento de forma autônoma e colaborativa e segundo Mercado, que permitam o desenvolvimento de espaços diversificados para a construção do conhecimento, à medida que, ao revolucionar processos e metodologias de aprendizagem, permitem à escola um novo dialogo com os individuos e com o mundo.(MERCADO 2005). Ainda nessa direção gostaria de me referir ao conceito de Distancia Transacional, considerado por Peters como: Contribuição significativa para a didatica da Ead, no momento em que e considerada não como grandeza fixa mas como variável, que resulta do conjunto de dialogo, estruturação dos programas de ensino a serem apresentados e da autonomia dos estudantes, diferente, em cada caso, ela explica de modo convincente a enorme flexibilidade dessa forma do ensino acadêmico. (PETERS, 2003:66) Assim, é importante considerar a proximidade virtual, qualidade da distância transacional, no sentido de que na Ead tal conceito ao ser praticado não apenas otimiza o dialogo, mas sim também a estrutura, uma vez que reduz o intervalo entro os aos de ensinar e estudar. (SABA apud PETERS, 2003: p67). 14.5 - Conclusão Há diferentes modelos de projetos em Ead, mas há uma convergência de opiniões, no que se refere aos elementos principais que o compõem e que lhes dão qualidade . Da mesma forma, são inúmeros os objetivos institucionais que permeiam as ofertas de programa e de cursos, porém a Universidade do futuro citada por Peters contempla o incremento da utilização das tecnologias de Informação e Comunicação no ensino, transformando estruturalmente os sistemas de ensino e aprendizagem tradicionais, promovendo mudanças, flexibilizando as estruturas curriculares, abrindo espaços para a aprendizagem autônoma e colaborativa, caracterizando-se como escola superior flexível e49 de 81 29/9/2011 16:27
  • 50. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad variável por excelência. (PETERS,2005:382) Como resultado de todo esse avanço em ágil movimento, pode-se desenvolver um modelo específico de gestão de sistemas em Ead em que a soma dos saberes individuais e coletivos dá origem a uma gestão denominada colegiada, uma vez que todos os sistemas em funcionamento são interdependentes, interrelacionados, além de integrados. Nessa direção é importante ressaltar o papel do líder em uma organização do conhecimento, no caso de uma Universidade que busca aprender com seus processos, a chamada “organização aprendente” baseada nos ensinamentos de Senge (2005), que apresenta cinco elementos ou disciplinas fundamentais na aprendizagem organizacional: o domínio pessoal, a visão compartilhada, os modelos mentais, a aprendizagem em equipe e o pensamento sistêmico. Concluindo, a gestão de sistemas complexos envolve a necessidade de modelos inovadores, igualmente complexos e criativos, que permitam a vazão da potencialidade e dos saberes humanos. Por meio de um conjunto interdisciplinar de abordagens, que proporcione o cruzamento e a multiplicação dos diferentes níveis de conhecimento, é que será possível interpretar a realidade em questão, assim como construí-la e reconstruí-la em sua integralidade. DESAFIADOR NÃO! 14.6 - Referências: Dias Sobrinho. J. Avaliação da Educação Superior . São Paulo: Vozes,2000. ________ Avaliação: Politicas Educacionais e Reforma da Educação Superior . São Paulo: Cortez.2003 Assis, E. Avaliação em Ead: Reflexões . Blog educativo,acessado em outubro 2006 http://elisamestradoead.blogspot.com Mercado, L.P.P. Recursos Avaliativos em Aulas virtuais . Acessado em novembro 2006 http://aprender.unb.br. Neder, M.L.C *Avaliação da Educação a Distância: Significações para definição de percursos. Acessado em outubro 2006 http://aprender.unb.br. Peters, O Didatica do Ensino a Distancia Rio Grande do Sul: Unisul, 2003 Sartori, A; Roesler, J. Educação Superior a Distância . Rio Grande do Sul :Unisul, 2005 http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/ReferenciaisQualidadeEAD.pdf http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/formverifinloco-ead.pdf consultados em setembro 2006. 15 - Avaliação de recursos audiovisuais para EaD Viviane Viana 15.1 - Introdução Avaliar a utilização de recursos audiovisuais na Educação a Distância (EaD) implica na análise de diversos elementos que não apenas a qualidade técnica e estética do vídeo. É fundamental, portanto, que as ações para utilização do audiovisual sejam fundamentadas e planejadas, de modo que o recurso esteja em consonância com a proposta e os objetivos do curso. Assim sendo, alguns itens devem ser, necessariamente, verificados ao se tratar da avaliação de audiovisual na EaD, como: a. O recurso audiovisual é condizente com a política do curso? b. O recuso audiovisual é um instrumento que potencializa a ação pretendida no curso? c. O conteúdo é simplesmente transcrito para a mídia televisão ou é tratado de forma a tirar proveito da linguagem audiovisual? d. O conteúdo está bem distribuído ao longo do programa ou série? Ou há muito conteúdo em pouco tempo de programa, levando à dispersão dos alunos? e. O vídeo dialoga, eficientemente, com o público-alvo do material? A linguagem e o formato são condizentes com as características desse público? f. O programa funciona como motivador de debates e pesquisas mais aprofundadas? g. O programa é importante ferramenta/recurso pedagógico, sem o qual o curso ficaria empobrecido ou é dispensável? h. O audiovisual mostra situações e experiências que perderiam sua riqueza pedagógica se apenas contadas em texto? i. As imagens reforçam estereótipos? Ou são instigantes e sedutoras? j. * A finalidade do audiovisual é clara? 15.2 - Por que usar o audiovisual? A linguagem audiovisual esteve, durante muitos anos, excluída da atividade pedagógica. Ela era considerada menos recomendada diante, por exemplo, da linguagem verbal, o foco do ato de ensinar. No entanto, na chamada sociedade midiática, é imperativo que os educadores se apropriem da linguagem audiovisual e compreendam seus mecanismos e dinâmicas, de modo a aproveitar seu potencial no fazer50 de 81 29/9/2011 16:27
  • 51. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad pedagógico. Otto Peters , no livro Didática do Ensino a Distância , observa que a possibilidade de aprender também com o auxílio de imagens animadas é importante porque as pessoas, de uma forma em geral, estão acostumadas desde a infância/juventude a assimilarem as informações pela televisão e que, por essa razão, já desenvolveram o hábito visual. A televisão formou e ainda hoje forma o comportamento social e a visão de mundo de muitos indivíduos. A relação de cada meio é, portanto, diferente com seu público. Enquanto a televisão é sobreposição de imagens, rapidez na fala, instantaneidade, por exemplo, o texto escrito requer reflexão, quietude, atenção focada. Ou seja, cada recurso tem a sua natureza e deve ser aplicado em situações que requeiram suas especificidades. Por isso, Peters aponta a complexa missão do especialista em EaD que muitas vezes deve integrar, de forma eficaz, três ou mais meios de transmissão de informações, dos quais cada um desencadeia um comportamento diferente em relação ao estudo. No entanto, ele adverte os profissionais a respeito do pensamento equivocado de acreditar, por exemplo, que um meio é sempre mais eficaz, independentemente de suas potencialidades e limitações. Ou seja, é preciso entender que às vezes um texto escrito funciona melhor que o vídeo e vice-versa. “A combinação e integração de formas de apresentação tão diferentes serão, sem dúvida, uma tarefa central no desenvolvimento da aprendizagem em ambientes de estudo digital”, afirma ele. Portanto, caros leitores, a utilização ou não do recurso audiovisual depende, essencialmente, da informação que se pretende passar e do público-alvo, sem perder de vista, é claro, a natureza e os objetivos do projeto político- pedagógico que norteiam o respectivo curso a distância. 15.3 - Audiovisual e público-alvo Ao avaliar o recurso audiovisual na EaD, é preciso observar se o material tem formato e linguagem adequados ao público de alunos a que se destina. Essa questão é fundamental, visto que se isso não for levado em consideração na produção de um programa, por exemplo, pode comprometer o curso como um todo, principalmente se este estiver apoiado no meio televisivo. Se, por exemplo, um curso de EaD tem como objetivo formar professores para trabalhar, interdisciplinarmente, com o controle do tabaco nas escolas, não é recomendado produzir um vídeo em formato de animação com personagens infantilizados. Da mesma forma, o extremo oposto é perigoso. Ou seja, também não adiantaria produzir um programa apenas com depoimentos de especialistas da área de Saúde que tratem do assunto numa linguagem rebuscada. Portanto, antes de iniciar qualquer produção audiovisual – e a regra vale para elaboração de impressos, objetos de aprendizagem, sites, programas radiofônicos e até novos produtos para consumo – é preciso identificar o público. Otto Peters , no livro Didática do Ensino a Distância , chama os estudantes da educação a distância de uma “clientela especial”. Segundo ele, esses alunos, no geral, têm média de idade maior do que aqueles da educação presencial e esse fato modifica o ponto de partida didático em relação ao estudo, já que a. Os estudantes costumam ter mais experiência de vida; b. A maioria deles leva para as discussões científicas a bagagem profissional adquirida em suas respectivas áreas de atuação, principalmente quando estudo e trabalho são afins; c. Os estudantes a distância, no geral, estão complementando os estudos e, portanto, tendem a ser mais qualificados; d. O estudo numa idade mais avançada tem outra função do que entre estudantes de 19 anos porque está diretamente relacionado aos planos de futuro e ciclo de vida. Apesar de se ter uma idéia do perfil geral dos estudantes em EaD, são vários os grupos de alunos, com características bastante distintas. É preciso levar em consideração, por exemplo, onde estão localizados, a expectativa deles, se já fizeram cursos a distância, se estão preparados para a EaD etc. Para quem se fala e com quais objetivos são respostas que, necessariamente, devem ser dadas na pré-produção do material. Em Educação a Distância, um erro de percurso é muito mais complicado de ser, digamos, corrigido, justamente pelo distanciamento geográfico dos participantes. 15.4 - Produção audiovisual A produção audiovisual requer o estabelecimento de políticas claras por parte do grupo interdisciplinar que está responsável pela organização do curso. É imprescindível que sejam organizadas reuniões com coordenadores, professores, tutores, monitores sobre o papel pedagógico do respectivo recurso. Os programas e séries televisivos podem ser produzidos pela própria instituição que oferece o curso na modalidade EaD. Assim sendo, é necessária a contratação de uma equipe técnica especializada (com diretores de tevê, produtores, roteiristas, iluminadores e cinegrafistas, entre outros) mais os conteudistas, que são os profissionais responsáveis pelos aspectos pedagógicos.51 de 81 29/9/2011 16:27
  • 52. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Trata-se de um trabalho bastante complexo e delicado, que envolve profissionais de diversas áreas. Deve-se evitar, por um lado, o tom professoral do antigo paradigma educacional, do tipo que afugenta a platéia, e, por outro, o programa não pode ser apenas um vídeo com qualidade estética, conforme dito no início deste capítulo. Portanto, para o sucesso da empreitada, é preciso que os objetivos do programa sejam perfeitamente compreendidos por todos. O formato do programa (documentário, dramatização, entrevista, animação) deve ser deliberado em conjunto pela equipe. E a escolha deve ser feita em função dos objetivos de aprendizagem que se deseja alcançar, levando-se em consideração, é claro, o orçamento que pode ser comprometido e o tempo que deverá levar a respectiva produção. A falta de diálogo efetivo entre a equipe pedagógica e a equipe de tevê é a causa recorrente dos vídeos pedagógicos considerados "chatos", até mesmo pelos professores, ou aqueles sem conteúdo. Aos educadores, no geral, falta formação específica para adequar o conteúdo à linguagem de televisão, falta também a habilidade de contar audiovisualmente o que eles sabem repassar verbalmente. Já aos comunicadores, falta o entendimento sincero que a arte está a serviço da formação e que, portanto, o produto deve conter os elementos pedagógicos necessários. 15.5 - Estudo de caso: a TV Escola A TV Escola é um canal da Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação (MEC), que destina-se ao aperfeiçoamento e à valorização dos professores da rede pública de ensino, ao enriquecimento do processo de aprendizagem e à melhoria da qualidade da Educação. A TV Escola transmite 24 horas de programação diretamente relacionada ao currículo escolar da Educação Básica, com programas e séries nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Artes, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual, Filosofia, entre outras. O Canal diferencia-se das televisões educativas em geral, como TV Cultura, TVE e Canal Futura, porque tem foco específico na escola e seus atores: alunos, professores e gestores. De acordo com o censo de 2004 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 45 mil escolas públicas no País recebem o sinal da TV Escola. O número representa potencial de alcance de cerca de 29,5 milhões de alunos e 1,2 milhão de professores que recebem diariamente o sinal da TV Escola, sem contar a audiência do sistema DTH (Direct to Home), já que o Canal faz parte da programação básica das televisões por satélite Sky (canal 27), Directv (canal 237) e Tecsat (canal 4). A grade horária da TV Escola é composta de cinco faixas de programação: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Salto para o Futuro e Escola Aberta. Esta última é veiculada aos sábados, domingos e feriados, com programação especialmente selecionada para as famílias e a comunidade em geral. Relatos indicam um número significativo de professores que assiste ao Canal e grava os programas em casa. Organizações não-governamentais, associações, hospitais, bibliotecas e outras instituições também declaram utilizar o programa em projetos educacionais. Segundo pesquisa amostral realizada pelo MEC em 2005 com as coordenações estaduais do programa, o Canal contribui para: Melhoria da qualidade do ensino nas escolas da rede pública; Formação de educadores e alunos críticos, criativos e conscientes do potencial e dos limites da mídia; Aperfeiçoamento e atualização continuada de professores; Aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem. A TV Escola, além de comprar direitos de exibição de programas nacionais e estrangeiros, mantém uma produção própria para atender diretamente aos interesses e demandas das escolas e órgãos do Ministério da Educação, além de cobrir áreas do currículo cujos conteúdos não são encontrados no mercado. Um exemplo dessa produção foram os vídeos para o curso de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas, ministrado na modalidade a distância e que capacitou mais de dois mil professores. Nessas produções, é fundamental o esforço conjunto e o entendimento dos objetivos do recurso audioviosual de toda a equipe. Isso porque a TV Escola, sendo um canal do Ministério da Educação, tem como preocupação o conteúdo, sem, no entanto, perder de vista a qualidade técnica e estética dos produtos. Desde a pré-produção, pedagogos e comunicólogos trabalham juntos. Não interessa à TV Escola produzir uma série tecnicamente bem realizada que não promova melhorias significativas no contexto escolar. Da mesma forma, a intenção não é elaborar programas que apresentem bastante conteúdo e que não sejam utilizados, devido à impropriedade da linguagem audiovisual, pelos alunos, professores ou professores-alunos. 15.6 - Novo cenário A Educação a Distância ainda tem um caminho crescente a trilhar, principalmente no que concerne ao uso da linguagem audiovisual. Conforme afirmou Moacir Gadotti , no artigo Perspectivas atuais da Educação , de 2000 (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392000000200002&lng=es&nrm=iso&tlng=pt), os52 de 81 29/9/2011 16:27
  • 53. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad sistemas educacionais ainda não apreenderam o impacto da comunicação audiovisual. “A escola não pode ficar a reboque das inovações tecnológicas. Ela precisa ser um centro de inovação. Temos uma tradição de dar pouca importância à educação tecnológica, a qual deveria começar já na educação infantil”, defende o autor. Por outro lado, há também que se considerar a falta de infra-estrutura, que leva muitos cursos a distância no País a adotar materiais didáticos tecnologicamente menos sofisticados. No artigo Avaliação na Educação a Distância , Maria Lúcia Cavalli Neder , ao descrever a criação de licenciatura em Educação Básica (1ª a 4ª série) na modalidade EaD, explica, por exemplo, que o material didático básico do curso é o o texto escrito "em razão, principalmente, da falta de recursos estruturais da região onde se desenvolve o curso, como falta de energia em algumas comunidades (...) e a falta de disponibilidade financeira dos alunos para obtenção de recursos tecnológicos próprios". É impossível não levar tudo isso em consideração quando se trata de discutir a avaliação do audiovisual na Educação a Distância. Até porque as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) causaram mudanças profundas nesse campo. Maria Luiza Belloni , no Ensaio sobre a Educação a Distância no Brasil (http://www.scielo.br /scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302002000200008&lng=pt&nrm=isso), de 2002, observa que todas as mídias fazem parte do universo de socialização das crianças, da socialização das novas gerações. “Novos ‘textos’ surgem na paisagem audiovisual que os jovens contemplam e aprendem, sozinhos ou com outros jovens, a ler e a interpretar. Imagens coloridas fixas e em movimento, sons ambientes, música, linguagem oral e escrita, teatro, todas estas formas de expressão – ‘linguagens’ - estão mixadas numa mesma mensagem, construindo significados, carregando representações, difundindo símbolos”, afirma. Em resumo: a utilização do audiovisual na EaD, assim como a das outras mídias, é defensável na medida em que a sociedade atual é midiática e que todas as áreas vivem o impacto das tecnologias. No entanto, a inserção dessas linguagens não deve ser aleatória. É preciso compreender a especificidade da respectiva mídia, no caso deste capítulo o audiovisual, e avaliar a necessidade de seu uso no curso, o contexto apropriado e seus objetivos. Tudo isso, portanto, deve ser apreciado na avaliação. 15.7 - Conclusão Conforme dito em capítulos anteriores, um dos objetivos da EaD é desenvolver a autonomia crítica do aprendiz e da avaliação, oferecer elementos que possam contribuir para o direcionamento das ações pedagógicas. A avaliação, nesse novo paradigma, é definida como uma atividade política diretamente relacionada ao respectivo projeto educacional. Dito isso, é possível concluir que o trabalho de avaliação da coordenação do curso e dos professores e tutores deve ser realizado no sentido de verificar se o material audiovisual contribui, efetivamente, para que os alunos ampliem sua capacidade de reflexão crítica, seja fomentando debates, seja motivando pesquisas e estudos mais aprofundados. É importante ressaltar, no entanto, que essa avaliação pode - e deve - ser realizada também pelos alunos. Cabe a eles analisar, por exemplo, se o conteúdo abordado no vídeo foi plenamente compreendido, se permite alguma interatividade ou dialogicidade e em que medida propicia o enriquecimento do processo de aprendizagem. Assim sendo e de acordo com Maria Lúcia Cavalli Neder, a avaliação deve ser entendida como um processo contínio, que possibilite analisar o objetivo de oportunizar uma atitude crítica-reflexiva frente à realidade concreta. "Uma avaliação que apenas busque verificar em que medida houve ou não retenção de informações e em que quantidade deixa de ter sentido", afirma a autora. 16 - Avaliação de AVAs Woquiton Fernandes 16.1 - Concepções Gerais Ao longo deste livro colaborativo, temos observado a importância do processo avaliativo em EaD, no sentido de transpor a discussão de vê-la negativamente, como injusta e perseguidora e aplica-la conscientemente no sentido de obter resultados, antes, durante e depois, colhendo informações necessárias para tomada de decisões. A este respeito Neder descreve a avaliação como prática educativa, como uma atividade política, cuja principal função é a de propiciar subsídios para tomadas de decisões quanto ao direcionamento das ações em um determinado contexto educacional. Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA são programas WEB desenvolvidos para proporcionar a interatividade entre professor-aluno, aluno-aluno, mediado por computador, num processo colaborativo de aprendizagem mediada pelo professor, de forma a oferecer recursos (ferramentas) importantes para tal fim, conforme pode ser observado na Figura 1.53 de 81 29/9/2011 16:27
  • 54. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Figura1: Composição básica de um AVA: Nesse sentido, para a realização das atividades - das quais posteriormente serão também importantes na avaliação - um Ambiente Virtual de Aprendizagem deve atender alguns aspectos importantes para que não comprometa a aprendizagem, vistos ao longo deste capítulo. Alguns destes, detalhados em funcionalidades, podemos observar na Tabela 1 analisada por Silva e Vieira em 18 AVAs: Tabela 1: Aspectos avaliados em 18 AVAs por Silva e Vieira: Peters (2001) descreve a terceira geração da Educação a Distância, na qual passa integrar o aprendizado com o auxílio do computador pessoal, oferecendo orientação ao auto-estudos e também na comunicação mediada por computador (CMC). Desta forma, a avaliação de AVA se faz necessária para não comprometer o processo de aprendizagem, tanto num aspecto técnico e pedagógico, quanto na relação entre os dois (técnico-pedagógico). 16.2 - Qualidade de AVA A importância de se preocupar em avaliar este ponto se fortifica como bem aborda Peters (2001), ao afirmar que o computador pessoal, sempre mais rápido, transforma-se além disso, num meio de comunicação polivalente, com o qual se pode trocar cartas por via eletrônica com outras pessoas, elaborar ou desenvolver e aperfeiçoar, mesmo a distância, vídeos, textos ou representações gráficas. Nesse sentido, sabendo da relação AVA e Aprendizagem mediada por computador. O que deve possuir um AVA para ser caracterizado como de qualidade? O que poderia descrevê-lo como bom ou ruim? Quais características devem ser observadas? No momento de definir qual AVA utilizar, uma instituição deve levar em consideração alguns critérios mínimos, entretanto, estamos lidando com situações diversas, o caso que se aplica a uma, pode não se aplicar a outra. Nesse sentido, abordaremos aqueles principais comuns a todos: • Estabilidade Talvez este seja o principal aspecto quanto a utilização de um AVA, a ponto de se tornar uma exigência. O bom funcionamento do sistema, chegando próximo de zero em número de erros, quedas, ajuda na motivação do aluno, no bom andamento do curso, na própria aprendizagem. Manter o fluxo de mensagens, garantir que as mesmas sejam entregues, num processo contínuo de comunicação, é vital para sobrevivência do curso e mesmo da instituição. Conforme podemos observar na figura 2, diversos são os recursos que constituem um AVA, desta forma, qualquer54 de 81 29/9/2011 16:27
  • 55. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad problema em um destes, seja banco de dados, servidor ou rede, pode ocasionar em falha de todo o serviço. Figura 2: Estrutura física simplificada de um AVA A escolha de cada um destes servidores, deve ser cuidadosamente avaliada, preocupando-se com o número de tráfego diário de informações, por exemplo, quanto maior o número de alunos, maior deve ser o investimento em recursos estáveis que garantam o bom funcionamento, não comprometendo o processo de aprendizagem. Manter o serviço firme requer uma política de manutenção e suporte, realizando as alterações necessárias no ambiente em horários de menor acesso e atender os usuários (suporte) minimizando problemas como simples acesso. Por fim, conforme ilustrado na figura 3, vale observar que na balança entre tecnologia (AVA) e aprendizagem, quem deve pesar é a aprendizagem. O AVA, ganhando peso com seus problemas de instabilidade, poderá por vencer aspectos motivacionais, de mediação, de colaboração e interatividade, ou seja, de aprendizagem. Figura 3: Balança Ilustrativa do AVA instável: • Ergonomia Segundo o Novo Aurélio Ergonomia é um conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina. Um AVA é desenvolvido por analistas-programadores e administradores de banco de dados, entretanto, é importante não perder o foco para qual fim foi desenvolvido, nesse sentido, a ergonomia de um AVA se faz necessária, ou seja, profissionais especialistas em Educação a Distância, devem estar a todo instante envolvidos no projeto, para que seu fim tenha sucesso. Assim ressalvando as características de aprendizagem. Um exemplo nesse sentido pode ser dado com o recurso fórum, a ergonomia desta ferramenta quando posta numa perspectiva educativa, a sua estrutura é colocada a fim de atender um público alvo, numa organização clara e objetiva das mensagens e de quem as postou, além de possibilidades respostas coletivas e individuais, amarradas a outros recursos do ambiente. • Navegabilidade e Design O número de acessos em um ambiente pode ser alto, o que exige um hardware e estrutura de redes boas, entretanto apenas isso não resolve o problema. O que não deixar de ser também ergonomia, a navegabilidade do AVA deve evitar ao máximo o uso do hardware e da rede (do servidor), ou seja, em seu desenvolvimento é preciso preocupar-se com a menor utilização possível de acessos a banco de dados com consultas desnecessárias ou repetitivas, e apenas através de uma boa navegabilidade, levando o usuário exatamente onde quer estar. A este respeito Wingert apud Perters (2001) falando sobre as características de hipertexto/hipermídia do AVA, afirma que a rápida localização de conteúdo e a imediata disponibilidade de informações desejadas colocam os estudantes na condição de, conforme seu interesse, necessidade e desejo, penetrar a fundo num contexto. Junto a isso, o AVA é um sistema largamente utilizado, respeitando o ritmo de cada usuário, assim alguns permanecem muito tempo frente ao computador. O que faz necessário um design agradável e não-cansativo, ou55 de 81 29/9/2011 16:27
  • 56. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad seja, a utilização de fontes legíveis, cores suaves, sem recursos que desviem a atenção do aluno do fim proposto. 16.3 - AVA e Recursos • Interatividade Ao que nos parece, o motivo de ser de um Ambiente Virtual de Aprendizagem é a interatividade (a comunicação), ilustrada pela figura 4. Dos diversos ambientes que possuímos no mercado, todos possuem estas ferramentas, as mais conhecidas são: - Fórum: - Chat: Figura 4: Ilustração de interatividade mediada por computador: Encontramos outras ferramentas como o Diálogo, que proporciona conversas particulares entre professor-aluno e aluno-aluno, também importante pois mantém a privacidade. O fórum é de longe um dos recursos mais utilizados, por isso não basta apenas o AVA oferece-lo, o mesmo deve dar controle ao tutor/professor, organizar as mensagens enviadas de forma clara, proporcionar respostas entre os usuários – deixando claro o processo colaborativo, possibilitar a edição das mensagens, inserção de imagens, gráficos e anexos. O Chat (Bate-papo) é uma atividade em que, alunos, tutores e professores estabelecem uma comunicação por escrito, on-line, com dia e hora previamente determinados. É semelhante, em tudo, às ferramentas disponíveis na internet com este mesmo nome. É um ótimo recurso para papos informais, aproximação entre os participantes do curso. Entretanto, como funciona de forma síncrona, exige muito do servidor (computador) que possui o AVA. • Produção de Material Didático A produção de material didático deve possuir uma ergonomia clara, de forma a proporcionar o estudando uma interatividade dialógica a partir do mesmo. O AVA deve oferecer a possibilidade de desenvolvimento de Blogs, Wikis, páginas web, assim como postagem de materiais, o que ajuda no desenvolvimento do conteúdo, indicando ao aluno que material seguir. • Controle e Manutenção Em um AVA além do módulo de interatividade e material didático encontramos com o módulo de Controle e Manutenção, que deve garantir a criação de novos cursos, com possibilidade configurações particulares, definindo acessibilidade, estrutura da navegação que se adapte ao planejado pelo professor. Outro fator importante é a realização automática de Backup, ou seja, cópias extras dos arquivos, desta forma, evitando problemas futuros, como a perda de todo trabalho. • Melhoria e Continuidade Por que algumas universidades optam por desenvolver um AVA ao invés de utilizar um já existente, muitas vezes gratuitos? Vamos tentar responder esta pergunta com algumas hipóteses caso opte por implantar uma ferramenta gratuita (livre) e observando o resultado ilustrado na Figura 5: - Todos os recursos desta ferramenta lhe atendem? - Existe a possibilidade de integrar a outros sistemas? - E se acontecer à descontinuidade do desenvolvimento deste AVA, já que não lhe pertence?56 de 81 29/9/2011 16:27
  • 57. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Figura 5: Situação Ilustrada de Dependência do AVA: Assim, não é tão simples decidir por um AVA gratuito, é certo ao escolher um AVA avaliar: Se o mesmo possui a possibilidade de incorporação de novos recursos, tendo em mente que este é o negócio da Universidade, possuir um AVA que atenda suas necessidade de Educação a Distância são importantíssimas. Pensar na evolução do AVA, é pensar na incorporação de novos recursos e integração com outros sistemas. 16.4 - Avaliação on-line (Avaliação Em AVA) Gipps apud Otsuka e Rocha, observam uma mudança no processo avaliativo, que passa de um modelo de testes e exames (quantitativa), para um modelo que valoriza o quantitativo e o qualitativo, de forma que os aprendizes tem a oportunidade de demonstrar o conhecimento que construíram. Nesse sentido referencia-se a linha que valoriza a autonomia e o diálogo posta por Perters (2001), de forma a partir da utilização de um AVA construir um processo quantitativo e qualitativo observando a construção do conhecimento por parte do estudante. Os recursos avaliativos são parte integrante do AVA no que diz respeito à avaliação do processo de aprendizagem em EaD. Estas interfaces podem ser lições, questionários, tarefas, portfólios, elaborados pelo professor. Vale ressaltar que o professor deve possuir uma estratégia ao elaborar algum tipo de avaliação, seja de forma continuada, diagnóstica ou somativa, o importante é que o docente tenha em mente o porquê de sua aplicabilidade. A esse respeito Silva e Vieira afirmam que para acompanhar o processo de ensino/aprendizagem em EaD é necessário definir um conjunto de informações que se julgue relevante ao acompanhamento. Então é preciso, estipular quais informações sobre o aluno e suas atividades são parâmetros para delinear o perfil do aluno e para medir o quanto ele aprendeu. Notas 1 – Figura extraída do site: http://www.distance.uvic.ca 2 – Figura extraída do site: http:// www.rev.vagnerqueiroz.nom.br 17 - Avaliação de chats Antonio Rangel Costa Lembrei-me de Aristóteles em "Metafísica": "Todos os homens têm, por natureza, um desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até de sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas, e, mais que todas as outras, as visuais...". Acho que ele errou. Isso não é verdade para os adultos. Os adultos já foram deformados. Acho que ele estaria mais próximo da verdade se tivesse dito: "Todos os homens, enquanto são crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer..."Rubens Alves. 17.1 - Avaliando chats - uma mudança no processo de avaliação nos cursos a distância Nos últimos anos, temos observado a preocupação dos gestores, técnicos, analistas, programadores, professores e pedagogos, das várias Instituições de Ensino Superior, que se propõem a trabalharem cursos na modalidade em EaD, totalmente On Line, em virtude do grande avanço tecnológico proporcionados pela modernização das ferramentas de informação e comunicação e o grande interesse destas instituições em formar cidadãos para viverem neste novo século. O desafio está na busca por pensar em desenvolver ambientes virtuais de aprendizagens, que funcionem como espaços pedagógicos em substituição as salas de aulas tradicionais, que contenham em seu bojo recursos interativos síncronos e assíncronos como: chats, fórum, listas de discussão e e-mails, que facilitem as trocas de informações entre alunos X professores, alunos X alunos ou todos com todos e57 de 81 29/9/2011 16:27
  • 58. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad favoreçam o desenvolvimento de atividades colaborativas e de troca de experiências que facilitem a construção do conhecimento, motivando o processo de ensino e aprendizagem. Esses ambientes inclusive devem possuir sistemas de controles das atividades, atendam as exigências dos alunos e professores no que se referem a avaliação e o acompanhamento dos alunos.. Esses Ambientes Virtuais de Aprendizagens, são espaços criados na WEB (ambientes estruturados em forma de um enorme hipertexto na internet), utilizados tanto na área educacional como na área de treinamento pelas empresas na capacitação de seus funcionários. Segundo BELLONI, “O aumento da adequação e da produtividade dos sistemas educacionais vai exigir necessariamente, nesta passagem de século e de milênio, a integração das novas tecnologias de informação e comunicação, não apenas como meios de melhorar a eficiência dos sistemas, mas principalmente como ferramentas pedagógicas efetivamente a serviço da formação do individuo autônomo”. 2003, p.6. No cenário atual em atendimento a Lei 9.394/96 e Decreto de nº 5.622 vem regulamentar o artigo 80 da LDB, dando ao ensino através da modalidade Ead uma nova direção, uma base legal de referência para as instituições que forem atuar na modalidade de ensino EaD, inclusive criando um diferencial de competências e habilidades, para os profissionais que irão atuar em EAD. Essa modalidade de educação principalmente as executadas On Line, vem ganhando frente e numa nova visão de importância dentro das ações de governo e no cenário nacional, abrindo espaço para a que as Instituições de Ensino Públicas e Privadas, possam atuar nos vários seguimentos da educação tanto de formação como continuada, permitindo e incentivando as parcerias, a formação de consórcios entre as instituições, visando agilizar e viabilizar a implantação de projetos mais onerosos com cunho educacionais, para serem aplicados à Distância, visando melhorar as dificuldades existentes nessa modalidade de ensino, como a relação da superação de comunicações existentes entre os sujeitos do processo ensino aprendizagem. Pesquisas realizadas em universidades brasileiras sinalizam que as novas tecnologias digitais podem se constituir em ferramentas importantes para o desenvolvimento de processos construtivos de aprendizagem, para a criação de novos espaços de aprendizagem, de novas formas de representação da realidade, para ampliação de contextos e maior incentivo aos processos cooperativos de produção do conhecimento (Moraes, 2002, p. 04). 17.2 - Avaliar para quem? Nossa sociedade vive preocupada em estabelecer parâmetros, formulando critérios para medir, avaliar todas as atividades que desempenhamos, ou desenvolvemos, ou seja, vivemos em um constante processo de avaliação contínuo, seja na vida pessoal, nosso comportamento na comunidade, em casa, no trabalho através da avaliação de competências, nos grupos de amigos do qual participamos e na escola visando a promoção. Ao longo da história da educação, a avaliação vem passando por vários processos de mudanças, na busca por se encontrar um modelo ou uma forma mais humana de se avaliar a aprendizagem escolar, sem acarretar os previsíveis descontentamentos para uns, e uma certa alegria para outros. Conforme os depoimentos de diversos autores e pesquisadores da área na educação, estes buscam encontrar na sociologia, filosofia e psicologia, fundamentação teórica que permitam a criação de ferramentas, mecanismos que atenuem a angustia de alunos, pais, professores e gestores, sobre os traumas sofridos durante a vida escolar, em face dos vários processos de avaliação, vivenciados ao longo da vida estudantil. Segundo Luckesi, Tanto os pais como o sistema de ensino e os profissionais da educação; professores e alunos, todos tem suas atenções centradas na promoção, ou não do estudante de uma série de escolaridade para outra. 2006, p. 18. A avaliação para os alunos e os pais, tem um valor para a promoção, existe uma preocupação exagerada dos pais sobre o desempenho dos filhos nas disciplinas de uma maneira geral, pois precisam tirar notas boas para passar de ano, se tiram notas baixas, os pais ameaçam os filhos de pseudos castigos, tirando-lhes ou privando-os de algo que gostem, como lazer e a diversão, e em contrapartida contratam os serviços de um outro professor, para ministrar aulas de reforço, ou seja, fazem todos os esforços possíveis, para que os filhos tenham sucesso, e que consigam passar de ano. Já os alunos estão preocupados em saber como é a elaboração da prova, como é feita pelo professor, se ele repete as mesmas provas do ano ou semestre anterior, como ele elabora as questões, onde ele faz a reprodução, assim o aluno pressionado, precisa tirar a qualquer custo uma nota boa para poder passar de ano. Já o professor utiliza a avaliação como um instrumento de dominação, para manter a sua autoridade em classe e o respeito dos demais colegas e gestores da instituição. 17.3 - Mudando as formas de avaliar em cursos a distância A avaliação do rendimento na EAD é definida, no nosso país, pelo Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que "regulamenta o Art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e dá outras providências". No caput do Art. 1º, o Decreto adota um conceito de educação a distância, entendida como: a. "uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem";58 de 81 29/9/2011 16:27
  • 59. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad b. "com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados"; c. "apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação"; A "avaliação do rendimento do aluno para fins de promoção, certificação ou diplomação" nos cursos a distância deve ser feita no processo e por meio de exames presenciais que, nos termos do Artigo 7º, "deverão avaliar competências descritas nas diretrizes curriculares nacionais, quando for o caso, bem como conteúdos e habilidades que cada curso se propõe a desenvolver". A responsabilidade pela avaliação cabe à instituição credenciada para realizar o curso e deve refletir procedimentos e critérios definidos no projeto autorizado. Fica também prevista, no Artigo 8º, a possibilidade de credenciamento de instituições "exclusivamente para realização de exames finais" nos níveis fundamental para jovens e adultos, médio e educação profissional, questão da qual discordamos. Neste caso, ficam estabelecidas algumas condições: a "construção e manutenção de banco de itens que será objeto de avaliação" Que exames para educação profissional “devem contemplar conhecimentos práticos, avaliados em ambientes apropriados admitindo convênio ou parceria com outras instituições, inclusive empresas, "adequadamente aparelhadas"? Como o objeto primordial a ser avaliado é o mesmo – a aprendizagem do aluno– há semelhanças entre esta avaliação e aquela que é realizada em ambientes presenciais de aprendizagem. Vimos em nossas leituras e em nossas discussões que não existem diferenças entre avaliar no sistema presencial e no sistema à distância, pois em ambos podem ser aplicadas, a avaliação diagnóstica, a avaliação formativa e a avaliação somativa. A avaliação formativa decorre de um processo contínuo que pode ocorrer a qualquer momento no decorrer do curso. A avaliação formativa desencadeia na relação professor X aluno um processo de cumplicidade, possibilitando o acompanhamento permanente do processo ensino-aprendizagem, dando a oportunidade de o professor valorizar a qualidade da atuação do aluno, dá atenção, incentiva e motiva, e permite ao professor fazer determinados ajustes no rumo do curso, buscando assim atingir os objetivos traçados para o ensino e aprendizagem do aluno, funcionando como uma espécie de feed-back. Como vimos apesar de toda evolução dos procedimentos da avaliação, ela continua sendo o centro das atenções de educadores, gestores e pesquisadores, pois continua sendo conflito e insatisfações entre alunos e professor. Mas afinal para que avaliar o aluno no ensino presencial ou em EaD? Avaliação tanto na modalidade de ensino presencial como em EaD, deve ser vista como uma ferramenta que oferece possibilidades para o professor/tutor possam: Medir a evolução do aluno a partir de critérios pré-definidos e objetivos; Observar o comportamento da performance do aluno; Acompanhar a evolução dos alunos. Com o advento das novas tecnologias de comunicação e da informação, a democratização da Internet, ocasiona um novo impulso nos modelos de curso ministrados a distância. Esses cursos agora ministrados On Line, são abrigados em ambientes conhecidos como AVAs – Ambientes virtuais de Aprendizagens, que trazem no seu bojo ferramentas como: correio eletrônico, lista de discussão, fórum, vídeo-conferência e ferramentas de bate papo ou chats. Essas ferramentas permitem a comunicação, a interação entre os atores desses cursos de maneira síncrona e assíncrona, criando assim novas maneiras e possibilidades de avaliar e de ser avaliado. Mas o que avaliar em uma interação ou uma sessão de Chat’s? Após algumas e observações e chegamos algumas conclusões. O Chat é um ambiente de aprendizagem com potencial a ser explorado dentro do planejamento traçado pelo professor, visando o ensino-aprendizado do aluno. Os Chat´s tem como característica a comunicação informal sendo que os participantes possuem uma linguagem própria e a atividade se desenrola sobre o acompanhamento do professor/tutor que vai alimentando, conduzindo o processo de discussão visando atender os seus objetivos que é o aprendizado do aluno. Geralmente a avaliação dos alunos é feita fundamentada nos seguintes critérios: Quantidade de mensagens enviadas pelos alunos nos debate; Qualidade das mensagens enviadas pelos alunos no debate; Quantidade de vezes que o aluno é acionado durante o debate pelos colegas; Qualidade das respostas oferecidas pelo aluno quando instigado pelos alunos; Suas intervenções provocam, estimulam a interação, a cooperação e o crescimento do grupo. Nos cursos de natureza On line o professor não conta com a presença corpo a corpo do aluno, ou seja, é todo desenvolvimento através dos computadores, conectados pela rede mundial, daí a necessidades desses ambientes AVA´s, onde esses cursos são hospedados e dispõem de ferramentas de controle que auxiliem o professor acompanhar e avaliar o aluno através da participação, grau de interesse, seu comportamento em relação ao grupo, seu nível de atuação nas atividades, e a qualidade nas interações a colaboração. Lembrando que em um curso On line o processo de avaliação, tende a ser diferenciado devido a natureza das atividades. As atividades Síncronas como o Chat exigem um planejamento diferenciado na sua execução, devido a agilidade em que o processo de interação acontece, para que ganhe em qualidade nas propostas e respostas das discussões. Apesar de que em EaD, o professor/tutor, pode-se utilizar dependendo do planejamento traçado qualquer modalidade de avaliação, lembramos que face a peculiaridade do curso o processo de avaliação, deverá ser feito de maneira a estimular a aprendizagem e o conseqüente sucesso dos atores, concedendo-lhe a autonomia no apreender a aprender e ganhar o discernimento para avaliar e se auto avaliar em sua trajetória durante o curso, devendo através de feed-back, estar constantemente informado de sua atuação, seus avanços pessoal, no grupo e no curso.59 de 81 29/9/2011 16:27
  • 60. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 17.4 - Bibliografia. MORAN. José Manoel; MASSETO. Marcos T. BEHERENS. Marilda Aparecida. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas – SP.: Papirus, 2000. CAMPOS. Fernanda C. A.; SANTORO. Flavia Maria; BORGES. Marcos R. S. Borges; SANTOS. Neide; Cooperação e aprendizagem on-line. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. COSCARELLI. Carla; RIBEIRO. Ana Elisa (org), Letramento Digital. Belo Horizonte, Ceale; Autentica, 2005. PALLOF. Rena M; PRATT. Keith; O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on – line. Porto Alegre, Artemed, 2004. LUCKESI. Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem escolar: estudos e proposições – SP. Cortez, 2006. BELLONI. Maria Luiza. Educação a Distância. Campinas , SP. Autores Associados. 2003. 18 - Avaliação de fóruns de discussão Elidiani Domingues 18.1 - Introdução Conforme já abordado, a avaliação é um elemento fundamental do processo ensino e de aprendizagem e é considerada uma das questões mais delicadas da prática docente. Visa à reflexão, estabelecimento de objetivos e metas e o planejamento a serviço da aprendizagem. Porém, para se avaliar, faz-se necessário a definição de parâmetros e padrões, os quais são determinados por vários outros fatores, tais como: econômicos, sociais, políticos dentre outros. A avaliação em EAD deve ser um processo contínuo, de modo a provocar e promover uma aprendizagem significativa. Segundo Hopper (1998), avaliar e acompanhar o aprendizado do aluno em um curso a distância não são tarefas triviais, pois envolvem, além das teorias pedagógicas sobre as quais os professores estruturam seus cursos, questões tecnológicas, como autenticação e rastreamento do aluno e apoio à tomada de decisão por parte do professor, mediante situações problemáticas na dinâmica de ensino-aprendizagem. Para o professor, a avaliação tem com objetivo principal repensar todo o processo de aprendizagem, as estratégias e ferramentas, ou seja, todo o processo, e, quando necessário, corrigir possíveis falhas. A avaliação no contexto de uma aprendizagem significativa ocorre no próprio processo de trabalho dos alunos, no dia-a-dia, no momento das discussões coletivas e da realização de tarefas em grupos ou individuais. É nesses momentos que o professor pode perceber se os alunos estão ou não se aproximando dos conceitos que considera importantes, e localizar dificuldades, auxiliando para que elas sejam superadas por meio de intervenções, questionamentos, complementando informações e buscando novos caminhos que levem à aprendizagem. “Avaliar é um processo que deve servir para diagnosticar as dificuldades e potencialidades do aluno e não para excluir ou reprovar (Luckesi)”. Dentre os recursos de avaliação mais utilizados nos ambientes virtuais de aprendizagem, estão os Fóruns de Discussão, nos quais as experiências trocadas/partilhadas promovem a interatividade, a troca de experiências, além de favorecer a aprendizagem colaborativa. Na aprendizagem colaborativa, os aprendizes constroem conhecimentos por meio de discussão em grupo. Essas trocas incentivam e provocam o interesse e o pensamento crítico, possibilitando, assim, aos participantes alcançarem melhores resultados do que quando estudam individualmente. Nesse modelo de colaboração, os professores deixam de ser uma autoridade para se transformarem em orientadores (Lucena e Funks, 2000). O professor, perante um Fórum, deve ter uma atitude de mediador, incentivando e motivando seus alunos á aprendizagem por meio do estabelecimento de diálogos permanente, disponibilizando a opção de troca de experiências e o compartilhamento do conhecimento entre os participantes. O fórum é uma interface que possibilita a disponibilização de um tema para debate, que pode ser aberta, quando o aluno disponibiliza o tema para a discussão, ou fechada, quando é o professor quem disponibiliza (Silva, 2006). A possibilidade de compartilhamento de informações é extremamente importante para o desenvolvimento de um trabalho colaborativo e coletivo, pois é na troca de experiências, reflexões e sentimentos que os trabalhos se fortalecem. 18.2 - Relação entre Avaliação e Planejamento A avaliação está intimamente relacionada ao planejamento, uma vez que a intervenção, na realidade, exige que se construa juízo de valor. É fonte de dúvidas e incertezas porque se baseia em julgamento, e exige critérios que a transformem em instrumento seguro de diagnóstico para reconstrução da realidade e das práticas pedagógicas. Enquanto o planejamento tem uma identidade que o define como um processo constituído de fases nítidas e específicas, a avaliação é objeto de diferentes interpretações e, conseqüentemente, de diferentes usos no ambiente educativo.60 de 81 29/9/2011 16:27
  • 61. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Desde a forma de classificar alunos, determinando-lhes o grau de competência e a quantidade de informações adquiridas, até a prática permanente, que, simultaneamente, promove relações sócio-pedagógicas e possibilita aperfeiçoá-las durante o processo ensino-aprendizagem. A avaliação depende fundamentalmente da referência do avaliador, do modo como ele entende o que seja educar. 18.3 - Desafios da Avaliação em EAD O processo de avaliação de aprendizagem em EAD, embora possa se sustentar em princípios análogos ao da educação presencial, requer tratamento e considerações especiais em alguns casos. Os objetivos fundamentais da EAD devem ser o de obter dos alunos a capacidade de produzir conhecimentos, analisar práticas e posicionar-se criticamente em situações concretas, e não a capacidade de reproduzir idéias ou informações. Assim, o foco da avaliação está na análise da capacidade de reflexão crítica e colaborativa do aluno diante das próprias experiências e das vivências compartilhadas com colegas. Portanto, avaliar os alunos nessa perspectiva formativa, em um curso online, pode ser algo desafiador, tanto para o tutor, que precisará analisar continuamente quanto de conhecimento cada aluno construiu individualmente, quanto para o próprio aluno, que não está familiarizado com essa dimensão avaliativa. 18.4 - A avaliação da aprendizagem em Fóruns de Discussão Abordaremos a avaliação de Fóruns de Discussão – um dos espaços pedagógicos de construção de conhecimento na modalidade Educação a Distância, que têm por objetivo debater temas e idéias referentes a um determinado conteúdo. No entanto, para iniciarmos o estudo sobre o assunto, é fundamental que levemos em consideração os critérios utilizados para avaliação da aprendizagem de maneira geral, observando ainda, as especificidades dessa modalidade de ensino. Segundo Silva (2006), Fórum de Discussão é uma área de interação assíncrona, onde os participantes podem trocar opiniões e debater temas propostos (”provocações”). Nesse espaço, o aluno pode participar, emitindo opinião sobre determinado(s) tema(s), acompanhar o andamento das discussões e, também, iniciar um debate propondo um novo tema. Assim, sendo o Fórum de Discussão espaço privilegiado de construção de conhecimento, deve ser acompanhado sistematicamente pelo professor, já que avaliar é mediar o processo de ensino e de aprendizagem. 18.5 - Fórum de Discussão, utilizado como Recurso Avaliativo. É essencial para o acompanhamento do processo de ensino – aprendizagem que o professor oriente seus alunos quanto à dinâmica do Fórum e o que se espera dele, conscientizando-o da importância da sua participação ativa neste contexto de aprendizagem. Então, deve ser definido um conjunto de informações que se julga relevante ao seu acompanhamento, ou seja, os critérios utilizados pelo professor para decidir se foram cumpridos ou não pelos alunos. O Fórum de Discussão, conforme já mencionado, é um meio de discussão assíncrona. E em Ambientes Virtuais de Ensino e Aprendizagem, conduzidos por professores ou tutores, visa ao incentivo de trocas de idéias e experiências. Sua natureza assíncrona favorece a reflexão e a elaboração das participações, possibilitando maior qualidade e aprofundamento. Para Santos et al (2003), o fórum permite o registro e a comunicação de significados por todo o coletivo, possibilitando que a mensagem circulada seja comentada por todos os sujeitos envolvidos. 18.6 - Procedimentos para Construção e Desenvolvimento do Fórum de Discussão Antes de discutirmos os critérios para a avaliação de Fóruns de Discussão, serão relacionados abaixo alguns procedimentos considerados importantes para sua construção e desenvolvimento. Sendo um fórum temático, a definição do assunto, assim como a leitura que orientará a discussão, deverão ser previamente definidas; O início do fórum é desencadeado por uma questão ou afirmativa que sirva de ponto de partida para o desenvolvimento da atividade; Deve-se elaborar questões abertas e provocativas que possam ser facilmente interpretadas pelos alunos; Os critérios de avaliação devem ser apresentados previamente. 18.6.1 - Critérios Avaliativos Dentre os diversos critérios avaliativos que podem ser adotados para sua avaliação, apresentaremos, abaixo, alguns deles. Iniciaremos com o quesito participação.61 de 81 29/9/2011 16:27
  • 62. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 1.Avaliando a “Participação” do Aluno no Fórum de Discussão. O sucesso desse espaço de ensino e de aprendizagem, na educação a distância, depende de todos os participantes e requer disciplina, respeito e coerência. Existem vários critérios para avaliar a Participação dos alunos nos Fóruns de Discussão. No entanto, neste momento, vamos nos limitar à quantidade de mensagens postadas e, ainda, à relevância dessas para as discussões propostas. Numa discussão, todos devem dar contribuições significativas e equiparáveis. Segundo Silva (2006), quem participa sem se preparar ilude e desaponta o grupo. Quem apenas lê ou vê mensagens não está participando, apenas assisti. Quando uma pessoa participa muito mais que as outras, está monopolizando a discussão. Portanto, para avaliar a participação de um aprendiz num fórum de discussão, é adequado considerar tanto a qualidade de suas mensagens como a freqüência de sua participação (Fuks, Cunha, Gerosa e Lucena, 2003). Para isso, serão utilizados como referência de análise os perfis dos alunos a seguir relacionados: Questionador – questiona posições e sugere solução para os problemas apresentados, instigando a discussão. Ausente - recebe as mensagens sem contribuir/posicionar-se, em nenhum momento, sobre a discussão. Passivo - não contribui para uma discussão aprofundada sobre o tema em questão, sendo superficial em suas posições, e a quantidade de mensagens postadas é pequena, geralmente uma ou duas. Debatedor – contribui, com sua experiência, apresentando argumentações bem fundamentadas, responde a questionamentos e comenta as contribuições dos demais participantes. Apresentamos ainda uma tabela que também serve de referenciais de Avaliação de Fóruns de Discussão. Fonte: (Silva,2006, p.373) 2. Avaliando “Conteúdo” no Fórum de Discussão. Abordaremos agora outro critério como referência de análise de Fóruns de Discussão, trata-se do Conteúdo. Podemos avaliar o conteúdo das postagens dos alunos quanto à: Articulação entre o tema proposto e as considerações apresentadas, sejam na forma de questionamento, dúvidas, contraposições, concordâncias e/ou aprofundamento; Coerência na apresentação das considerações; Demonstração de compreensão do tema estudado; Condição de apropriação do conhecimento e autonomia na busca de novos conhecimentos. 3. Avaliando “Procedimentos de Comunicação” em Fórum de Discussão. Podemos também considerar como referencial de análise os Procedimentos de Comunicação, no tocante à: Clareza e objetividade na apresentação das considerações apresentadas; Capacidade de articulação e diálogo com os demais participantes do fórum, demonstrando condição de dialogar e superando a apresentação unilateral de idéias; Capacidade de análise do conteúdo e síntese de idéias; Polidez, cortesia e respeito às opiniões apresentadas. Ressalta Peters (2001) que o ensino a distância se constitui essencialmente pela integração de diálogos didáticos, de programas de ensino, de estudos estruturados e de atividades de estudo autônomo. Afirma que esse tipo de diálogo/comunicação em muito contribuiu para o ensino- aprendizagem. Segundo Moore(1993), um diálogo é direcionado, construtivo e é apreciado pelos participantes. Cada uma das partes presta respeitosa atenção ao que o outro tem a dizer. Cada uma das partes contribui com algo para o seu desenvolvimento e se refere às contribuições do outro. Podem ocorrer interações negativas e neutras. O termo diálogo, no entanto, reporta-se a interações positivas. Dá-se importância a uma solução conjunta do problema discutido, desejando chegar a uma compreensão mais profunda dos estudantes. No conceito de Reinhard Tausch & Anne-Marie Tausch (1997), a aprendizagem dialogal exige dos estudantes parcerias, respeito, considerações, compreensão empática, sinceridade e autenticidade. 4. Fórum - Instrumento de Avaliação de Curso, na modalidade de EAD e Presencial Dentre os vários recursos avaliativos que envolvem registros disponíveis na Internet estão os Fóruns, pois propiciam uma avaliação contínua para atender às comunidades de aprendizagem. Muitas instituições de ensino também utilizam os Fóruns como apoio à participação de sala aula presencial, que estão se tornando um grande aliado para o aluno e para o professor. Essa ferramenta possibilita o aprofundamento das discussões iniciadas em salas de aula, e é utilizada também como uma forma de preparação para a discussão presencial. Trata-se ainda de uma forma alternativa de participação de aluno, que apresenta traços de timidez e de falta de assertividade para interromper discussões mais acirradas em salas de aulas presenciais.62 de 81 29/9/2011 16:27
  • 63. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 18.7 - Dinâmica de Gerenciamento de Fóruns Segundo Prado (2001), a dinâmica e o gerenciamento de Fóruns de Discussão, visando à provocação da participação e à interação entre os alunos, demandam ao professor atentar para alguns aspectos, tais como: escolher um tema que seja pertinente aos participantes; elaborar questões abertas e provocativas que possam ser facilmente interpretadas pelos alunos; utilizar uma linguagem clara, não muito extensa, nem demasiadamente acadêmica; (re) alimentar as discussões de forma equilibrada, para que os participantes encontrem espaço para interagir entre si; e cuidar para que as discussões possam ampliar as idéias, podendo, com isso, gerar subtemas, porém sem perder o foco, para que não ocorra uma pulverização de questões desarticuladas. 18.8 - Regulamentando Fórum de Discussão Já discutimos vários quesitos, aspectos e critérios referentes a um Fórum de Discussão. Contudo, ainda faz-se necessária a disponibilização de algumas orientações aos participantes para otimizar e potencializar o uso da ferramenta Fórum. De acordo com Gonzales (2006), o Fórum de Discussão deve ser “regulamentado”, ou seja, deve seguir normas pré-estabelecidas, principalmente quanto aos seguintes itens: a. tamanho das mensagens; mensagens muito longas que inviabilizam as leituras e muitas vezes desestimulam o leitor; b. quantidade máxima de participantes, pois em grupos muito extensos o número excessivo de postagens torna o fórum desgastante correndo o risco de desviar do foco; c. quantidade de postagens máxima e mínima por participante, visto que, muitas vezes devido à exigência de um grande número de postagens, faz com que algumas mensagens pouco ou nada acrescentam ou são incoerentes com o objetivo do fórum postagens. Ainda segundo o autor, a regulamentação possibilita maior rendimento para todos. 18.9 - Pensar o Fórum – Docente e Discente No processo educativo e, conseqüentemente, avaliativo, sabemos da importância do diálogo entre os atores envolvidos. O professor deve estar sempre dando feedback aos alunos, pois este é um elemento extremamente importante no processo de aprendizagem, permitindo estabelecer diálogo, onde o aluno interage com o objeto de aprendizagem de modo contextualizado e, durante o processo, ajusta suas ações. Diante da importância desse diálogo e em consonância com as informações até então disponibilizadas, foram realizadas quatro entrevistas sobre a utilização de Avaliação de Fórum de Discussão como recurso avaliativo, visando ao enriquecimento do trabalho ora desenvolvido e, conseqüentemente, do leitor. Os entrevistados são professores e alunos de cursos de Pós-Graduação em Educação a Distância, sendo duas com docentes e duas com discentes. As entrevista foram realizadas no mês de novembro de 2006. A seguir, relacionamos a síntese das respostas dos professores entrevistados a respeito do tema mencionado. Seu objetivo é promover a aprendizagem por meio do debate sobre um determinado assunto/tema. É um espaço de debate e reflexão apoiado em referenciais teóricos ou informativos. Local onde o aluno tem oportunidade de ampliar sua compreensão, expressar dúvidas e discordâncias, indicar questionamentos. O fórum de discussão cumpre o seu papel de ferramenta colaborativa de aprendizagem, por sintetizar os diversos ângulos pelos quais podem ser vistos determinados assuntos, desequilibrando visões ao mesmo tempo em que amplia conceitos e argumentações. Professor e alunos são interlocutores ativos do processo. Permite o refinamento do processo comunicativo, dando tratamento clareza e objetividade das mensagens, estrutura da argumentação, desenvolvimento do poder de análise e síntese, comparação e julgamento. O fórum é um instrumento de aprendizagem, é para isso que ele é utilizado, para promover a aprendizagem. E como todo objeto de aprendizagem ele pode vir a ser avaliado. Dizendo melhor, ele não é usado para avaliar, ele é avaliado. Para avaliar um fórum de discussão, é utilizado como instrumento uma tabela de critérios onde estão elencadas as competências esperadas durante o processo de discussão. Um fórum de discussão pré-estabelecido como atividade extra, opcional ou que permite ao aluno abrir novos tópicos de discussão, sem um questionamento central, polêmico e sem a mediação constante do professor, corre o risco de se tornar uma troca de idéias vazias, que não chega a lugar algum, dificultando e até mesmo inviabilizando uma avaliação de qualidade. Avaliar pura e isoladamente o conteúdo da mensagem postada pode levar à falsa compreensão de aprendizagem e domínio de conhecimento, porque o aluno invariavelmente é levado a reproduzir com suas palavras, os conceitos e idéias dos autores dos textos que servem de base para a discussão. Dentre as vantagens de se avaliar fóruns de discussão está a possibilidade de análise da aprendizagem nos dois âmbitos: individual e coletivo. Individualmente, é possível acompanhar pelas diversas postagens de cada aluno, seus momentos de reflexão, questionamento, exemplificação, extrapolação, ampliação, negação (pensamento reverso), crítica, contextualização, síntese etc. Esse conjunto de ações compõe a dinâmica63 de 81 29/9/2011 16:27
  • 64. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad esperada pelos alunos num fórum de discussão. E comparando a evolução das postagens e argumentações do aluno, ao longo do fórum, é possível observar em que medida ele aprendeu (re-significou seus conhecimentos, ampliou suas relações conceituais, fortaleceu suas argumentações). O fórum de discussão permite acompanhar e avaliar também a trajetória do grupo, do coletivo. O conhecimento, embora individualmente apreendido, é socialmente construído isso porque há uma relação de reciprocidade, de troca entre o indivíduo e o seu grupo. Quando o grupo não interage, não estabelece relação de confiança, de colaboração, o receio se instala, o aluno se recolhe, evita a exposição e pouco argumenta. Como resultado não há discussão nem aprendizagem significativa. O aluno se sairá melhor num fórum onde a educação, a urbanidade e o respeito por toda e qualquer intervenção são praticados por todos. Onde o grupo interage, discordando elegantemente, instigando com delicadeza o colega a explicitar melhor sua argumentação, gerando polêmicas saudáveis, com humor e com tranqüilidade. O grupo constrói uma consciência coletiva, gerando aprendizagens não apenas conceituais, mas principalmente atitudinais e afetivas. Uma de suas vantagens é a possibilidade do aluno expressar sua reflexão e, em um período de tempo determinado, estruturar correções, ampliação, novas compreensões. O desenvolvimento do processo viabiliza que o aluno forneça ao professor indicativos para correção do processo no caso de aspectos que não correspondem a conceitos ou informações que devem ser asseguradas, bem como a evolução de aprendizagens diferenciadas, de acordo com o ritmo e condição do próprio estudante. Não há desvantagens em se avaliar fóruns de discussão, pois se a avaliação é para promover a regulação do planejamento de ensino pelo professor e a auto-regulação da aprendizagem pelo aluno, sempre será fundamental em qualquer situação educacional. O fórum não é avaliado para classificar, nem certificar os alunos, embora tenha que a ele atribuir nota por exigência legal. Retira-se o foco da nota e atribui-se aos comentários escrito (feedback avaliativo) sobre a participação no fórum. Os critérios utilizados na avaliação dos fóruns são: a. O aluno discute no fórum? Ou seja, apresenta comentário próprio + concordâncias + discordâncias + complementos + novos questionamentos + exemplos da prática + sínteses? b. O aluno publicou freqüentemente comentários e questões relevantes que contribuíram para o tópico da discussão, não deixando a discussão se desviar do foco principal? c. O aluno freqüentemente ajudou a esclarecer e sintetizar as idéias de outros participantes? d. Quando não concordou com as idéias de outros participantes, o aluno comentou sua discordância de forma educada? e. Expressa sua opinião e observações fazendo uma conexão com a discussão anterior, sua experiência pessoal ou conceitos do artigo lido? f. O aluno demonstra sua aprendizagem sintetizando as discussões levantadas? g. Como o aluno se auto-avaliou no fórum? h. Número de postagens: 0 – Ausente; 1- Passivo; 2 – Questionador e 3- Debatedor. Sempre são feitas algumas recomendações aos alunos que, embora não sejam critérios de avaliação, são importantes para um bom desempenho nos fóruns: a. O aluno deve ater-se ao tema proposto no debate. Mensagens particulares, de interesse restrito, não devem ser postadas no fórum, mas enviadas por e-mail. b. Evitar postar intervenções muito longas ou muitas intervenções no mesmo dia, para não cansar os interlocutores. Antes de escrever o que tem a dizer, leia o que já foi dito, procurando estabelecer realmente um contato/diálogo com os demais participantes. c. Como uma intervenção é um discurso escrito, cuidar da forma como estiver escrevendo, pois ela pode tanto ajudar os outros a compreendê-lo quanto atrapalhá-los. Evitar expressões rebuscadas e linguajar excessivamente formal; ter cuidado com colocações muito informais, e excesso de intimidade. Reler o texto fazendo correções ortográficas antes das postagens. d. Por fim, é importante lembrar que a urbanidade e o bom trato ao discutir as questões devem sempre se fazer presente, afinal, ninguém é dono da verdade, ninguém é obrigado a demonstrar que sabe muito, pois todos estão aqui para aprender. As divergências, caso existam, só vão enriquecer e ampliar nossa própria argumentação, portanto nada de ter medo de “errar” ou de ser criticado. Não é uma tarefa fácil avaliar fóruns de discussão. Requer tempo, atenção e muitas idas e vindas nas leituras. Além disso, o tutor deve sempre lembrar que todos, incondicionalmente, têm a sua forma particular e histórica de analisar e discutir os temas, portanto todas as intervenções devem ser respeitas e creditadas. 18.10 - Pensar o Fórum - Discente A seguir, relacionamos a síntese das respostas dos alunos entrevistados a respeito do tema mencionado. Acreditam que o fórum de discussão é um importante instrumento de interação entre discentes e entre discentes e professor(a), podendo, através do mesmo, ser desenvolvido conteúdos de aprendizagem e trabalhado conceitos, informações e intensas manifestações dos indivíduos envolvidos nessa modalidade de ensino/aprendizagem, de forma mais interativa e menos cartesiana. É uma das estratégias que mais possibilita a aprendizagem no modelo, comparado aos exercícios em grupo e as atividades individuais. Porém, a efetividade do fórum está associada à efetiva participação do grupo: os colegas devem discutir as mensagens postadas pelos outros colegas e não apenas responder as perguntas64 de 81 29/9/2011 16:27
  • 65. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad deixadas pelo professor. Os fóruns devem ter objetivos bem definidos e claros para os alunos. Não é muito confortável ser avaliado por meio dessa ferramenta, visto que cada pessoa tem sua própria interpretação ao ler as postagens. Portanto, é necessário procurar se manifestar em fóruns de uma forma clara e objetiva se desejar ser bem avaliado. A avaliação do fórum é bem diferente da avaliação de uma discussão em sala de aula presencial. Em sala de aula presencial, estamos presentes na sala, ouvindo a discussão, e todo mundo sabe que você está ali, anotando, prestando atenção, checando alguma questão trazida pelo colega no texto, etc Em sala de aula, essa postura não é muito problemática (apesar de não ser a mais esperada pelos professores), mas no fórum sim. Quando você não posta mensagens é como se tivesse recebido FALTA em sala de aula (apesar de o tutor saber se você esteve na página ou não). Mas concordo que o professor só conseguirá avaliar o aluno se realmente estiver acompanhando a discussão e, portanto trocando informações, contribuindo e construindo conhecimento apenas com as postagens. A maior dificuldade na utilização dessa ferramenta a timidez seja, pelo menos no início do uso desta ferramenta e esse é um fator limitante. Porém, algumas pessoas se manifestam com muito mais conforto quando estão na frente de um computador do que pessoalmente. Outra dificuldade é quando o grupo de alunos é grande, o volume de postagens diariamente conseqüentemente também é grande fator esse que dificulta a participação efetiva na discussão. As interações com colegas e professores utilizando essa ferramenta se dá quando conseguimos expor as idéias com clareza e quando os participantes fazem comentários a respeito do assunto e também os comentários por parte do professor. Para que um fórum tenha sucesso, faz-se necessário: participação efetiva dos alunos; não fugir ao tema e ao seu objetivo; as pontuações devem ser aliadas ao desenvolvimento ou não do objetivo proposto; as discussões devem ser embasadas em textos ou experiências dos alunos; deve ter espaço para ouvir o que os participantes têm a expor , respeito às suas experiências, questionamentos para que haja interação e raciocínio lógico, trocar idéias, de forma respeitosa e ética. O fracasso de um Fórum se dá pela falta de motivação e participação dos alunos, quando se desvia do tema e quando há participantes agressivo, desagradáveis e senhores da verdade. 18.11 - Referências PETERS, Otto. Didática do ensino a distância. Trad. Ilson Kayser. Porto Alegre, RS: Unisinos, 2001. NEDER, Maria Lucia Cavalli. Avaliação em educação a distância: Significações para definição de percursos. www.nead.ufmt.br/documentos/AVALIArtf.rtf SILVA, Daniela Resende e VIEIRA, Marina Teresa Pires. Modelo para acompanhamento do aprendizado em educação a distância.São Carlos. http://www.dc.ufscar.br/~marina/pub/Wie2001.pdf SILVA, Marco. Avaliação da aprendizagem em educação online.São Paulo, SP: Loyola, 2006. OTSUDA, Joice Lee e ROCHA, Heloisa Vieira. Avaliação formativa em ambientes de EaD.Campinas, 2002. http://teleduc.nied.unicamp.br/pagina/publicacoes/17_jh_sbie2002.pdf GONZALES, Mathias (2006). http://blog.eadsenacdf.com.br 19 - Avaliação de blogs educativos Juliana Telles Faria Suzuki 19.1 - Introdução A utilização das novas tecnologias da informação e da comunicação, sobretudo a internet, em situações de aprendizagem é um tema que cada dia desperta o interesse de professores e pesquisadores na área educacional. Tanto no cenário nacional quanto internacional cresce o número de pesquisas sobre o assunto. Neste sentido são necessários “novos olhares” acerca dos processos educacionais, que revelam novas posturas, novos desdobramentos. Por este motivo estaremos tratando neste capítulo acerca de um aspecto importantíssimo para o processo de ensino e aprendizagem: a avaliação. Como avaliar? De que forma? Quais os instrumentos? Enfim, vários são os questionamentos quando falamos em avaliação e mais em avaliação para EaD. Diante disto pretendemos discutir uma das formas de avaliação para EaD utilizando blogs educativos. 19.2 - Avaliação e suas formas Para discutimos este assunto primeiramente é necessário pensarmos por que avaliar? Segundo Cipriano Carlos Luckesi [21], avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão. Por este motivo ela é uma função permanente no trabalho docente, acompanhando passo a passo a trajetória do conhecimento. Os resultados obtidos comparados com os objetivos propostos darão sustentação ao processo de ensino e aprendizagem, revelando os progressos conquistados, as dificuldades encontradas e por fim re-orientando os trabalhos futuros. Sendo assim, a prática da avaliação não pode acontecer de forma ingênua ou inconsciente, como se fosse apenas uma formalidade do sistema educacional. É preciso, é necessário, é urgente a reflexão sobre a avaliação da aprendizagem. Avaliar é abrir as portas para novas65 de 81 29/9/2011 16:27
  • 66. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad conquistas, avaliar é descortinar novas possibilidades. Ser um avaliador é mais que ser um simples docente é ter a oportunidade de abrir caminhos para a estrada do conhecimento. O processo de avaliação tem que ser uma constante. A avaliação deve ser compreendida como um processo amplo, complexo, interativo e de formação, por isto são necessárias várias formas de avaliar. Didaticamente, os tipos de avaliação são classificados como: diagnóstica, somativa e formativa. De forma resumida podemos dizer que na avaliação diagnóstica o objetivo é realizar um levantamento sobre os conhecimentos prévios do aluno para dar elementos ao professor no sentido de adequar seu planejamento. Já na avaliação somativa, obtemos os resultados em um determinado momento verificando o quanto de uma meta foi atingido. Em avaliação formativa a tomada de conhecimento ocorre a todo o momento. Como uma bússola, a avaliação dará sustentação ao processo de ensino e aprendizagem. A escolha de um determinado modelo de avaliação deve estar atrelada aos objetivos propostos para cada situação de ensino. Por este motivo é necessário definir as propostas dentro do Projeto Político Pedagógico, sendo este norteador de toda prática educativa. Em EaD isto também é válido. 19.3 - Avaliação em EaD A avaliação em Educação à Distância não é um processo tão simples. Por vários momentos em sua trajetória histórica foi considerada o “calcanhar de Aquiles” da EaD em função da não credibilidade aos processos que não permitiam verificar ou aferir o real aprendizado do aluno. Segundo Hopper, (apud SILVA & VIEIRA [40]), avaliar é acompanhar o aprendizado do aluno em um curso a distância não são tarefas triviais, pois envolvem, além das teorias pedagógicas sobre as quais os professores estruturam seus cursos, questões tecnológicas, como autenticação e rastreamento do aluno e apoio à tomada de decisão por parte do professor, mediante situações problemáticas na dinâmica de ensino-aprendizagem. Sabemos que a avaliação formal da forma como tem sido realizada em grande parte das instituições de ensino não são tão eficazes, trazendo resultados ruins para educação. E é neste cenário que surgem as tecnologias que vêm proporcionar novas formas para o fazer educativo. Hoje com as ferramentas da internet várias possibilidades têm se descortinado, mas ainda é um desafio para os professores, devido à necessidade de estarmos preparados para conduzir o trabalho em grupo, ser dinâmico, saber guiar diversas situações simultâneas e dominar o conteúdo. Ainda há muito a se aprender sobre avaliações dinâmicas e interativas no contexto da EaD, principalmente avaliações que possam acompanhar o processo de autonomia implícito nesta modalidade de ensino. “Essa independência é incomum no sistema de ensino tradicional, e por isso é a primeira coisa que dá na vista. Ela não apenas concede aos estudantes a ocasião de desdobrarem iniciativas no planejamento e na organização de seu estudo, revelando atividades especiais como, inclusive, os obriga a isso. Com efeito, eles podem e têm que decidir onde, por quanto tempo, quanto, com que intensidade, em que ordem e em que ritmo irá estudar. Com isso assumem maior responsabilidade de seu próprio estudo do que outros estudantes” Otto Peters [29] (pg 156). A autonomia em EaD constitui um grande diferencial em relação aos modelos presenciais de educação. E para acompanhar este processo autônomo, é necessário repensar a avaliação, que não pode ser praticada como um momento único no processo de ensino e aprendizagem, mas sim como uma observação de todo o percurso do aluno durante um curso. Assim a avaliação formativa torna-se imprescindível. Atualmente a criação de vários Ambientes Virtuais de Aprendizagem como Aula Net, Moodle, Teleduc e tantos outros têm proporcionado ao docente uma visão acerca do trabalho individual de cada aluno. Aliados a estes AVAs observamos que as instituições de ensino também têm procurado explorar ferramentas que a própria internet oferece como listas de discussão, fóruns, chats, blogs, webfólios e etc. Estas ferramentas potencializam o processo avaliativo, uma vez que possibilitam gerar experiências de aprendizagens diferenciadas, mas com registros concretos através das demarcações de dia, hora e conteúdos postados pelos alunos. Desta forma, estaremos falando sobre Blogs pedagógicos como uma alternativa para cumprir a avaliação formativa. Tal abordagem poderá ser utilizada tanto num modelo presencial quanto a distância. Para isto iremos primeiramente refletir sobre alguns conceitos relacionados a esta ferramenta e depois articulá-la com a avaliação. 19.4 - Utilizando Blogs Um Blog é uma página da Web cujas atualizações (chamadas posts) são registradas cronologicamente. Como num diário, ele é atualizado freqüentemente. Neste espaço são inseridas informações, opiniões, emoções, imagens, enfim qualquer tipo de conteúdo que o autor desejar. Atualmente um grande número de pessoas tem se dedicado a utilizar esta ferramenta quer para relatar o que acontece durante uma gravidez ou até mesmo para acompanhamento de cursos. Algumas instituições já estão utilizando o Blog como ferramenta de acompanhamento de estágio dos alunos. Um Blog pode ser individual (criado e mantido por uma pessoa) ou em conjunto (criado e mantido por mais de uma pessoa). Por este motivo ele pode ser utilizado em salas de aulas com poucos ou muitos alunos. A diferença entre um Blog e uma Homepage (página pessoal) é o fato de o Blog ser atualizado constantemente e a66 de 81 29/9/2011 16:27
  • 67. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Homepage não. Esta atualização constante permite em avaliação ter uma noção mais clara a respeito do desenvolvimento dos alunos. Os objetivos de um Blog podem ser bem variados. Existem Blogs cuja finalidade é servir de diário pessoal on-line, outros servem de sustentação para interatividade como ferramenta de comunicação entre indivíduos; outros apenas registram um processo em desenvolvimento, como é o caso um curso de mestrado. Enfim, os objetivos de um Blog serão definidos sempre pelo seu autor. “Todas estas possibilidades permitidas pelos blogs parecem colocar-nos perante um alargamento do espaço público. Vozes e olhares sobre a realidade envolvente encontram assim uma nova forma de se afirmarem. O espaço público é alargado no âmbito da apresentação de diferentes pontos de vista sobre determinados assuntos.” [35] (p. 5 ) Os indivíduos que descobrem esta nova forma de publicar a sua fala passam a fazer parte de uma comunidade de blogueiros. E esta nova possibilidade fascina os autores pelo fato de publicarem um conteúdo que é seu. Numa avaliação escrita tradicional, o aluno muitas vezes reproduz a fala ou o pensamento de um professor. Num blog educacional o aluno traduz o seu pensamento, as suas reflexões. Além disso, a utilização dos Blogs como ferramentas pedagógicas também vêm conquistando espaços entre professores e alunos, re-significando não só a avaliação, mas o próprio trabalho pedagógico. Utilizados como ferramenta educacional serve como apoio para conteúdo das aulas, pesquisas, oficinas, debates, produção de material em conjunto, etc. A utilização dos Blogs em educação proporciona algumas vantagens, sobretudo em avaliação. Para iniciarmos poderíamos falar sobre a possibilidade de elaborar o pensamento. No processo de ensino e aprendizagem a escrita assume papel imprescindível uma vez que envolve certa reflexão e análise sobre o conteúdo. A possibilidade de escrever conteúdo de autoria própria num Blog pedagógico também cumpre esta função. Outra vantagem refere-se á linguagem utilizada. Num Blog se utiliza linguagem cotidiana, sem compromissos com textos longos, embora não sejam proibidos. Também é possível explorar a linguagem visual através das imagens, tornando seu conteúdo mais prazeroso. Também auxiliam no desenvolvimento de habilidades importantes como gerir o próprio recurso, administrar, gerenciar as informações contidas. Os posts podem ser comentados, com isso é possível refletir sobre as colocações feitas. Enfim, professores podem utilizar os Blogs com diversas finalidades, como o desenvolvimento de projetos escolares ou a produção de seu próprio material didático. Além disso, ele poderá ampliar as aulas que geralmente são de 50 minutos em média, discutindo diversos assuntos, permitindo a troca de experiências com os colegas. Alunos poderão ser beneficiados ao produzir resumos, sínteses dos conteúdos estudados, descrição do desenvolvimento de projetos ou pesquisas escolares e também na aprendizagem colaborativa. 19.5 - Avaliação e Blogs em educação Segundo Silva & Vieira [40], o uso do computador torna possível capturar algumas características do aprendiz à distância, e analisá-las de uma maneira análoga ao comportamento de um aluno de um curso presencial. Ou seja, as tecnologias podem proporcionar ao professor mesmo à distância uma visão bem próxima ou até a mesma visão de aluno que teria um professor no ensino presencial. Mas para isto é necessária primeiramente uma mudança de paradigma. “Está em curso uma mudança de paradigma na área de avaliação, passando de um modelo de testes e exames que valoriza a medição das quantidades aprendidas de conhecimentos transmitidos, para um modelo em que os aprendizes terão oportunidade de demonstrar o conhecimento que construíram, como construíram, o que entendem e o que podem fazer, isto é, um modelo que valoriza as aprendizagens quantitativas e qualitativas no decorrer do próprio processo de aprendizagem” (GIPPS, 1998, apud OTSUKA & ROCHA [27]- p. 12 ) A utilização de novas ferramentas tecnológicas em educação passa por uma mudança radical nos paradigmas docentes. O professor deixa de ser o único detentor do conhecimento e passa a compartilhar de uma sociedade aprendente. A utilização de Blogs em avaliação também reflete esta nova postura dentro da sociedade do conhecimento, abrindo portas para novas conquistas, descortinando novas possibilidades. Adriane Lizbehd Halmann em seu artigo “Diário de professor: histórias que se cruzam na sociedade aprendente” vêm nos mostrar como a utilização das novas tecnologias tem beneficiado o processo de avaliação (principalmente formativa). Em cursos de graduação que contemplam as práticas de estágio, percebe-se uma dificuldade em oferecer o acompanhamento necessário ao discente, uma vez que o professor responsável não pode estar com aluno no campo de estágio o tempo inteiro. Desta forma a autora propõe a utilização destas ferramentas, como por exemplo, o Blog, os fóruns, chats, etc. para que não se perca de vista todo o processo trilhado pelo aluno. Os Blogs publicados em caráter educacional também podem ser considerados um material didático. E esta é uma ótima possibilidade para os professores, sendo possível manter um material de autoria própria para cada disciplina, adequando conforme a necessidade dos alunos e sem custo algum. Neste sentido precisamos pensar que são necessários alguns critérios gerais para o desenvolvimento de um bom blog educacional. São eles: 1. Conter a biografia do autor: um blog educacional deve apresentar o nome do autor, e não um pseudônimo, e trazer dados principalmente acadêmicos a respeito do autor.67 de 81 29/9/2011 16:27
  • 68. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 2. O título geral deve ser coerente com o assunto a ser tratado no Blog: o autor deve ter bem definido um norte para articular todo o conteúdo postado, e não perder de vista o foco central no qual se propõe o blog. 3. Os títulos dos posts devem descrever o seu conteúdo: isto facilita a localização feita pelos leitores. 4. Tratar de um determinado assunto e não de vários: não fazer desvios no assunto proposto confere ao material maior coesão. 5. Utilizar linguagem clara, objetiva: o conteúdo de um blog não é o conteúdo de um artigo científico. 6. Links devem funcionar perfeitamente indicando o caminho. 7. Ter freqüência de novidade, atualização contínua. 8. Promover a interação, espaços para interlocução dos leitores: é necessário provocar, instigar os leitores a participarem da sua discussão. 9. Possuir uma estética agradável, evitar poluições visuais. Tais critérios apresentados não são normas ou regras, mas sim observações que podem auxiliar no processo de construção de um material que se destina a ser didático. 19.6 - Considerações finais O crescente uso da tecnologia nas diversas áreas aponta para mudanças significativas na forma como o ser humano interage na sociedade em que vive. Em educação não é diferente. As novas tecnologias têm alterado substancialmente o processo de ensino e aprendizagem, suscitando novas formas de pensar o fazer educativo e os velhos paradigmas. Dentre as diversas ferramentas tecnológicas disponíveis os blogs surgem como a mais recente novidade e com ele tantas possibilidades educacionais. O seu uso em educação ainda ocupa um pequeno espaço na blogosfera, entretanto conquistam cada dia mais adeptos. As novas tecnologias e, sobretudo a utilização de blogs em avaliação surgem como uma nova possibilidade no espaço educacional que ficou por muitos anos estagnados em seus velhos modelos. Por isto ainda surgem resistências ao seu uso, porém, quem se aventurou nestes novos modelos aprovou e recomenda. 20 - Avaliação do professor Vilma Aparecida Gimenes da Cruz Avaliar! O que é avaliar? Por que se avalia? Como se avalia? Estase outras perguntas sobre a avaliação, principalmente sobrea avaliação da aprendizagem em educação adistância nos inquietam muito. O processo de avaliação educacional é sempre muitocomplexo. São muitas as variáveis que dificultam a sua implementação de forma adequada. No caso da avaliação no ensino a distância nãoé diferente. Muitos autores (OTSUKA; ROCHA, 2002; NEDER, 2006;GOMEZ, 2006;) inclusive, afirmam que é muito mais difícile problemático o processo de avaliação nesta modalidadede ensino. Podemos citar a distância física entre professor/aluno,o que dificulta um acompanhamento mais direto por parte do professor,apenas para citar uma variável. Existem vários tipos de avaliação: formativa, somativa,diagnóstica, auto-avaliação. A avaliação, independentemente do tipo, deve ser feita continuamentee de forma planejada assegurando assim, o seu desenvolvimento e a suaimplementação. Avaliações que refletem a melhoria da qualidade da educaçãoe expressam o significado das suas próprias funçõesdevem constituir-se preocupação constante dos professorestornando-os mais consciente do processo de ensinar e avaliar. Integrar ensino, avaliação e aprendizagem é uma demonstraçãode esforço dos professores para alcançar a autonomia nodesenvolvimento do aluno, o que vem se tornando cada vez mais importantecom o crescimento da tecnologia e a rapidez das mudanças sociais.A aprendizagem realmente significativa extrapola a área do conteúdodas disciplinas. Nela está presente a intenção deproporcionar aos alunos "compreensão dos conceitos fundamentaisde um determinado conteúdo e utilização da suas váriashabilidades intelectuaisxbf na manipulação desse conteúdo"(WARREN, apud GODOY, 1995, p. 11). Essa aprendizagem significa a adoçãode práticas de avaliação condizentes com seus objetivos,o que possibilita a formação de alunos independentes e capazesde manipularem dados e informações, em melhores condiçõesde trabalho com inovações. Por outro lado, exige dos docentesum melhor preparo técnico e didático sobre a avaliaçãoe a aprendizagem. Observa-se, nesse sentido, que, se por um lado toda a aprendizagem significativadepende necessariamente de procedimentos de ensino e métodos deavaliação inovadores, por outro lado "[..]. a qualidadedo ensino aumenta quando a própria avaliação converte-seem instrumento de ensino [...]" (WARREN, citado por GODOY, 1995,p.17), favorecendo o desenvolvimento de habilidades de aprendizagem independente,o controle do aprendizado pelo aluno, ou seja, característicasque são próprias do ensino a distância. Nesse contexto, o professor deve assumir maior responsabilidade pelo processode avaliação da aprendizagem e portanto, além deavaliar os seus aprendizes de forma adequada e à luz dos pressupostosaprendizagem independente, também deverá ser avaliado. Trataremosassim, nesse capítulo de discutir como deve ser a68 de 81 29/9/2011 16:27
  • 69. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad avaliaçãodo professor nesse contexto. Para discutir a avaliação do professor levantaremos inicialmentealguns pontos que devem ser investigados, em relação aotema, tais como: Por quem o professor deve ser avaliado? Pelos alunos? Pelos colegas? Por ele mesmo por meio da auto-avaliação?; " Quais os aspectos, referentes ao professor, devem ser avaliados?; " E, como deve ser feita a avaliação. Considerando a complexidade do tema em questão, tentaremos encontrarrespostas para estas questões e outras mais que com certeza surgirão Podemos afirmar categoricamente que a avaliação da aprendizagemse faz necessária em qualquer modalidade de ensino, portanto nãopoderia ser diferente no ensino a distância. Acreditamos nãohaver dúvidas quanto à importância da avaliaçãodo professor nessa modalidade de ensino, no entanto, a literatura específicasobre o assunto é escassa. Para saber mais sobre o assunto podemos buscar subsídios na avaliaçãoinstitucional, na avaliação do aluno e também nosprocessos de avaliação. A avaliação institucional, que é mais abrangente,reúne uma série de instrumentos para que a somatóriade todos apresente os resultados da avaliação, incluindoa do professor também. Segundo Requena (1995), o processo avaliativo deixou de limitar-se somenteao rendimento dos alunos pois passou a englobar os aspectos - cognitivo,sociais, comportamentais - a avaliação do professor observandoseu rendimento, sua satisfação, sua motivação;a avaliação do currículo, programas e cursos; avaliaçãodo ambiente escolar e institucional; avaliação de departamentose de instituições. CITAR AS AVALAIÇÕES O INEO/MEC/SINAE A avaliação institucional somente terá sentido quandoestiver articulada com o projeto pedagógico do curso, e ainda,segundo Abromowicz (1998) "[...] só tem sentido quando searticula a um projeto pedagógico mais abrangente, da instituiçãoou do sistema escolar". O professor precisa ser considerado comoum sujeito ativo do processo, dando a ele a oportunidade de participarativamente da construção do modelo de avaliaçãode desempenho a ser implantado na escola. Caso contrário corre-seo risco de perder-se a credibilidade dos resultados dessa forma de avaliação. A avaliação do professor pelos alunos permeia a maioriados sistemas implantados nas instituições de ensino. Nessetipo de avaliação é solicitado aos alunos que respondamum questionário elaborado com o objetivo específico de avaliaro professor e a disciplina que ele ministra. No ensino a distância, que usa o ambiente on-line, o amor àmatéria, o compromisso com os alunos, o senso de humor e a disposiçãopara a adaptação talvez não transpareçam claramente.Mas sabemos que esses fatores podem influenciar, e muito, a imagem queo aluno tem do professor. E é certo também que a relaçãode afeto que o aluno estabelece com o professor pode interferir positivaou negativamente, no momento da avaliação. Portanto a elaboraçãodesse instrumento deve ser muito cuidadosa para que todas essas variáveissejam contempladas para que o aluno possa fazer uma avaliaçãoconsciente e justa. A título de sugestão listamos, a seguir, alguns aspectosque podem fazer parte de um instrumento de avaliação paraos alunos responderem a partir da pergunta - O professor deve: a. Demonstrar domínio do conteúdo da disciplina; b. Desenvolver o conteúdo de forma organizada; c. Exigir na avaliação conteúdos que correspondem aos que foram trabalhados durante a disciplina; d. Discutir os conteúdos da avaliação após a.divulgação dos resultados e. Utilizar técnicas de ensino que facilitam a aprendizagem; f. Instigar a participação dos alunos em todas as atividades programadas para o desenvolvimento da disciplina; g. Atribuir notas que expressam a aprendizagem do aluno. h. Demonstrar respeito na sua relação com os alunos independentemente do recurso (chat, fórum etc.) utilizado para o desenvolvimento da disciplina; i. Fazer a mediação do material didático com o aluno de forma satisfatória. Certamente muito outros itens poderiam ser acrescentados nesta lista. Mas o importante é não perder de vista que o projeto pedagógico do curso precisa ser considerado no momento da elaboraçãodo instrumento e sendo assim cada um terá as suas peculiaridades..Neder (2006) reforça esse ponto de a vista ao afirmar: "A avaliação não pode ser vista,pois, isolada de uma proposta educacional, de um projeto de educaçãoque traga em seu bojo um processo de transformação, umaproposta de ação que busque modificações deuma determinada situação" Na avaliação do professor pelos alunos no sistema de ensinoa distância, faz-se necessário considerar todas as variáveisque podem interferir no resultado desse processo. É preciso considerara subjetividade que com certeza estará presente no olhar do alunosobre o professor. É importante que o instrumento de avaliaçãoa ser construído considere também o sistema de EaD comoum todo. Não é possível para o professor dar um atendimentode qualidade se a modalidade de EaD em que o curso é oferecido,não tiver uma estrutura adequada. Por exemplo, o Ambiente Virtualde Aprendizagem (AVA) não possibilita que o professor estabeleçaatividades síncronas com os alunos. Ao discutirmos a avaliação do professor por meio de questionáriorespondido pelos alunos percebemos que esse69 de 81 29/9/2011 16:27
  • 70. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad instrumento pode sim ser utilizado,mas não isoladamente. É necessário que se agregueoutros instrumentos ou meios para que a avaliação possaser utilizada como um processo e o professor possa então , a partirdela, refletir sobre a sua prática pedagógica Como tudo em avaliação, também a auto-avaliaçãoé polêmica. Mas ela também é importante naavaliação do processo ensino aprendizagem. Atravésdela o professor faz uma reflexão sobre a sua atuaçãopedagógica dentro de uma ambiente virtual de aprendizagem. Eleprecisa refletir para ter respostas sobre algumas questões quesão fundamentais para que o aluno obtenha sucesso na aprendizagem.Ele precisa, por exemplo, saber como é o seu desempenho na mediação,se as suas críticas aos alunos, embora de cunho construtivo, sãorecebidas pelo aluno, como um fator motivador ou desestimulador. Muitosaspectos do fazer pedagógico precisam ser revisitados pelo professor. A título de ilustração apresentamos no Quadro 1 ositens que constam do modelo do questionário "Auto-Avaliaçãode Professor" (AAVAP) que foi desenvolvido pela Universidade da Califórnia- Berkeley pelo professor Robert Wilson e vem sendo utilizado como partedo seu Programa de Aperfeiçoamento dos Professores. Quando Estou Ensinando Eu: 1. Discute outros pontos de vista diferentes do seu 2. Destaco as implicações contrastantes das várias teorias 3. Discuto desenvolvimentos mais recentes do assunto 4. Cito referências a respeito dos pontos mais interessantes 5. Enfatizo a compreensão dos conceitos 6. Explico o mais claramente possível 7. Estou bem preparado 8. Apresento aulas que são fáceis de acompanhar 9. Sumarizo os pontos principais 10. Defino os objetivos em cada aula 11. Identifico o que acho ser importante 12. Encorajo a discussão entre alunos 13. Incentivo os alunos a compartilhar suas experiências e conhecimento 14. Encorajo os alunos a criticar meus pontos de vista 15. Sei quando os alunos estão me compreendendo ou não 16. Sei quando os alunos estão confusos ou entediados 17. Tenho um interesse genuíno em relação aos alunos 18. Presto auxílio pessoal aos alunos com dificuldade no curso 19. Relaciona-se com os alunos como seres humanos 20. Mostro-me acessível aos alunos fora da sala de aula 21. Tenho um estilo interessante de apresentar as aulas 22. Sou entusiasmado pelo assunto que ensino 23. Procuro variar o tom e a velocidade de voz 24. Tenho interesse e preocupação pela qualidade do meu ensino 25. Motivo os alunos a fazer tudo com a melhor qualidade possível 26. Dou exercícios e tarefas que sejam interessantes e estimulantes 27. Dou os testes e exames que representam sínteses de parte docurso 28. Dou testes e exames que permitam aos alunos demonstrar seus conhecimentose habilidades 29. Mantenho os alunos informados de seu progresso Podemos observar que a maior parte dos itens estão relacionadoscom a prática pedagógica do professor e com o seu relacionamentocom o aluno. Também na elaboração do instrumentode auto avaliação deve estar presente a preocupaçãocom o modelo de ensino a distância que está sendo aplicado.E o professor precisa ter muita auto-crítica para ser verdadeirona sua própria avaliação. Podemos constatar que os modelos de avaliação existentespara a avaliação os professores de um modo geral, nãosão suficientes o bastante para avaliação dos professoresque atuam em EaD. Partindo dessa premissa acreditamos que seria interessantebuscar, na literatura, quais são as características quese espera de um bom professor que atua no ensino a distância. Encontramos em Jonassen et al., 1999 apud Lima, que existem cinco característicasda aprendizagem construtivista que devem estar presentes no processo deensino aprendizagem que se dá através das Tecnologias deComunicação e Informação (TICS), sendo elasa interatividade, a reflexividade, a colaboratividade, a contextualizaçãoe a intencionalidade. Ao entender como se dá a avaliação da aprendizgeme como deve ser a avaliação de sistemas de EaD teremos maissubsídios para identificar o que se espera de um ótimo professorde ensino a distância. Começaremos apontando os aspectos que devem ser considerados emum sistema de ensino a distância e para isso iremos considerar asrecomendações de Willis (1996) apud Isoni (2003): 1. Uso da tecnologia - familiaridade, problemas, aspectos positivos, atitudesno uso da tecnologia; 2. Formatos das aulas - eficácia das exposições doprofessor, discussões, perguntas e respostas, qualidade das questõesou problemas levantados nas aulas, incentivo aos alunos se expressarem; 3. Atmosfera das aulas - na condução do aprendizado dosalunos;70 de 81 29/9/2011 16:27
  • 71. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 4. Quantidade e qualidade das interações com outros alunose com o instrutor; 5. Conteúdo do curso - relevância, adequaçãodo conteúdo, organização; 6. Atividades - relevância, grau de dificuldade e tempo requerido,rapidez das respostas, nível de legibilidade dos materiais impressos; 7. Testes - freqüência, relevância, quantidade da matéria,dificuldade, retorno das avaliações; 8. Estrutura de suporte - Facilitadores, tecnologia, bibliotecas, disponibilidadedos instrutores; 9. Produção dos alunos - adequação, propriedade,rapidez, envolvimento dos alunos; 10. Atitudes dos alunos - freqüência, trabalhos apresentados,participação nas aulas; 11. Instrutor - contribuições como líder das discussões,efetividade, organização, preparação, entusiasmo,abertura aos pontos de vista dos alunos. Portanto baseado nos itens levantados pelo autor citado acima, podemosconsiderar que um bom professor em EaD deverá ter: Competênciano uso das TICs; Competência Didática; Competênciapara a mediação e Domínio de Conteúdo. Na visão de Peters (2006) o ensino a distância se amparano diálogo, na autonomia do aluno e no conhecimento científicoe, portanto ele os considera como elementos indispensáveis paraque a prática do EaD seja eficiente. Através do diálogo que é estabelecido atravésda distância transacional é possível associar alémdos dados a voz e a imagem dos docentes e discentes de uma forma síncronae interativa. Essa possibilidade é muito útil para o processode avaliação. Peters (2006, p.67) afirma que: [...] docentes e discentes a distância podem trabalhar simultaneamentee em conjunto o mesmo programa de estudo e discutir imediatamente problemasque surgem, discutir e corrigir simultaneamente em conjunto o mesmo textode uma solução de tarefa enviada [...]. O diálogo permite ao aluno ter um contato mais direto com o professorindependentemente da distância física que os separa e issocolabora para que ele tenha uma percepção maior das qualidadesdo professor, facilitando a sua tarefa no momento de avaliá-lo.Podemos inferir que o mesmo ocorre também com o professor, propiciandouma visão abrangente sobre o aprendizado do aluno e assim dandocondições de se autoavaliar conscientemente. A questão da autonomia do aluno defendida por Peters (2006) tambémcolabora e, muito na avaliação do professor. Seja a avaliaçãofeita pelo aluno, à avaliação institucional ou aauto-avaliação, pois as mesmas possibilitam verificar sealuno conseguiu atingir a autonomia desejável para o perfil quedele se espera na modalidade de ensino a distância. Ao finalizarmos estas reflexões podemos, em primeiro lugar, destacarque o perfil do bom professor de EaD, tem que estar estreitamente voltadopara o modelo pedagógico do curso. Aliás, o projeto pedagógicoé a linha mestra de qualquer curso. Outro ponto a ser consideradoé o modelo do ensino a distância no qual o curso estásendo oferecido. O modelo influencia, e muito o que se espera do professorpara conduzir adequadamente o fio condutor do curso proporcionando assim,ao aluno a oportunidade de desenvolver com sucesso a sua própriaaprendizagem. 20.1 - REFERÊNCIAS AUTO-AVALIAÇÃO de professor. Disponível em: http://www.serprofessoruniversitario.pro.br /ler.php?modulo=5&texto=158 Acesso em: 17 nov. 2006 Acesso em: 17 nov. 2006 LIMA, Marcos .Teoria da Flexibilidade Cognitiva e a Autoria de Estudosde Casos Hipertextuais em Ambientes de Aprendizagem Construtivistas: ProjetoAplicado de Novas Tecnologias para a Educação On- Line.CONGRESSO BRASILEIRO DA COMUNICAÇÃO, 24. Campo Grande :Intercom, 2001. Disponível em: http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/4883/1/NP11LIMA.pdf Acesso em: 17 nov. 2006 ISONI, Taciana Maria. Considerações sobre os resultadosda aplicação de um Modelo de Avaliação paracursos de Formação Continuada no ensino a distância.2003. Disponível em: www.abed.org.br/seminario2003/texto23.docAcesso em: 17 nov. 2006 PETERS, Oto. Didática do ensino a distância. Experiênciae estágio da discussão numa nova visão internacional.São Leopoldo: Unisinos, 2006. REQUENA, A.T.(1995). La evaluación de instituciones educativas.Granada:Universidad de Granada. 21 - Avaliação do tutor Valessa Cristiane Paiano É inegável que o mundo está se modernizando em todos os segmentos com uma rapidez assustadora e não poderia deixar de atingir a educação como um todo, uma vez que, esta representa uma das facetas dessa sociedade, e como tal, sofre suas influências e também influencia este cenário, trazendo facilidade do conhecimento, dinamizando a forma de transmitir o saber, agilizando a informação, quebrando paradigmas e fornecendo a liberdade para uma atualização contínua, provocando inclusive mudanças no ambiente de trabalho que redirecionaram e redimensionaram seu rumo, em busca de novas habilidades e perfis, demandando modificações no sistema de ensino.71 de 81 29/9/2011 16:27
  • 72. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad Quando se fala em educação, precisa-se ter em mente que educação é sempre educação independente da modalidade em que é oferecida, dada que possui os mesmos princípios e finalidade: a formação do homem. Não é a forma como é ofertada que qualifica esta ou aquela modalidade educativa, o que importa na proposta é a clareza pedagógica, o que se deseja, com quem se deseja e porque isso é desejado, afinal, o que se almeja é que o indivíduo possa adquirir e construir conhecimentos mediante postura participativa, autônoma e crítica. Neste cenário, o autor do livro Didática do Ensino a Distância, Otto Peters(2006) afirma que, "...a Educação a Distância despontou como mais uma modalidade de ensino e como uma solução solidária e igualitária para compensar a escassez de vagas nas universidades com ensino tradicional e os impedimentos que grande parcela da população de todos os países tem, no que se refere à conciliação das necessidades individuais de estudo e qualificação com as exigências diárias familiar e de trabalho" . Segundo ele, a Educação a Distância tem suas raízes na educação convencional, mas ao longo da sua evolução, através de práticas, concepções e modelos, passou a incorporar peculiaridades próprias dessa modalidade, motivo pelo qual, o autor propõe em seu livro uma Didática de EAD. Tal Didática terá como objetivo acompanhar o ensino a distância em seu difícil caminho para a era da informação e da comunicação, facilitando muitos processos de replanejamento, uma vez, que se ocupará com problemas próprios desta modalidade, principalmente com aqueles que não ocorrem em outros contextos de ensino, buscando a solução em princípios teóricos, interpretações e experiências específicas próprias, já que na prática da EAD podem ser identificados muitos cursos com estruturas didáticas diversas, cada uma com o objetivo de enriquecer ainda mais o processo de ensino-aprendizagem, que para Peters(2006) é determinado entre outras causas, pelas pessoas envolvidas, pela mentalidade e pelos posicionamentos dominantes da sociedade da época, pois segundo ele, as diferentes tradições culturais, acadêmicas e outras circunstâncias sociais influenciaram e influenciam a estrutura da EAD. Para acompanhar a evolução e as mudanças que aconteceram ao longo da história da EAD, e que segundo Peters(2006) apontaram mudanças significativas nessa modalidade, muitos elementos que compõem a totalidade desse processo educacional foram reelaborados, ganharam importância, tiveram que assumir novas posturas, rever as práticas pedagógicas, assim como, as concepções e práticas de avaliação, incorporando a essa última aspectos como interesse, cooperação e participação nas atividades propostas. Assim, para contribuir com a potencialização dessas exigências, é imprescindível a presença de um novo profissional – o Tutor, cuja responsabilidade é proporcionar orientação sobre os caminhos a seguir, propor exercícios inteligentes, acompanhar e participar do processo de avaliação da aprendizagem dos alunos. A prática da tutoria está presente em alguns modelos de EAD e universidades citadas por Peters(2006) em seu livro, assunto que será tratado a seguir. 21.1 - A Tutoria na visão de Otto Peters A principal característica atribuída a EAD, está relacionada com o fato do indivíduo que ensina - o professor, estar fisicamente e/ou temporalmente separado do indivíduo que aprende - o aluno. Para atenuar essa distância física, vários modos didáticos de proceder foram propostos ao longo da história da EAD, são propostos por Peters(2006), e continuarão a serem propostos pelos estudiosos e especialistas em EAD, cada qual com suas vantagens e desvantagens, contribuindo assim de modo significativo para o processo de ensino e aprendizagem a distância no contexto e época onde estão inseridos. Alguns deles, se agregam e determinam a prática da EAD atualmente, mas passam despercebidos pelos atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. São eles:72 de 81 29/9/2011 16:27
  • 73. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad modelo da correspondência modelo da conversação modelo professoral modelo tutorial modelo tecnológico de extensão modelo da distância transacional Dentre eles, daremos destaque ao modelo tutorial, uma vez que esse modelo está diretamente ligado ao assunto principal desse capítulo. Na visão de Petters(2006), o modelo tutorial pressupõe que o aluno seja capaz de elaboração autônoma dos estudos, tendo na figura da pessoa do Tutor ou em um Tutorial por escrito, um conselheiro incentivador para casos onde haja dificuldades. Esse modelo se aproxima mais do sentido da orientação, do aconselhamento e do incentivo, do que do ensino propriamente dito. Entre as universidades que oferecem a EAD, fazem uso do modelo tutorial a Open University e o Empire State College Americano. 21.2 - Avaliação – o papel do Tutor nesse processo Como citado anteriormente, a própria definição e características da EAD assenta uma construção e reconstrução progressiva do conceito, com base na interação dos sujeitos com as realidades inerentes a uma sociedade em permanente transformação e a um desenvolvimento e expansão de novas tecnologias. Nesse sentido, Peters(2006) diz que o ensino-aprendizagem a distância exige métodos específicos e abordagem totalmente diversa do ensino presencial e que apesar das especificidades de cada país ou região, é preciso adotar 3(três) elementos fundamentais e indispensáveis para uma prática eficiente: diálogo - pedagogicamente importante, porque nele, linguagem, pensamento e ação estão intimamente relacionados, realizando o desenvolvimento individual e social do ser humano; estrutura - definição dos objetivos do ensino e da aprendizagem, dos conteúdos, da estratégias de ensino, da mídia, do material didático, da avaliação, entre outros. autonomia - consiste em o aluno deixar a postura passiva e desenvolver novos hábitos, assumindo responsabilidades em sua própria educação, deixando de se ver como um receptor no final de uma linha e passando a se ver como um nó de transmissão numa teia de linhas de comunicação. Para conseguir alcançar êxito frente a esses 3(três) elementos, o Tutor, personagem a que se refere esse capítulo, assume um papel relevante no contexto da EAD, pois além de atuar como intérprete do curso junto ao aluno, se colocando de ponte, como elo entre os alunos e o processo de aprendizagem e de colaboração, muitas vezes tendo que negociar, equilibrar e ajustar situações, esclarecendo dúvidas, estimulando o aluno a prosseguir com autonomia, e ao mesmo tempo, participando do processo de avaliação da aprendizagem. Segundo Michael Moore apud Peters(2006), a relação dinâmica entre esses 3(três) elementos: diálogo, estrutura e autonomia, define o grau de distância ou proximidade transacional no processo ensino-aprendizagem, por isso, nesta modalidade de ensino, como não há proximidade física entre professores e alunos, e como o contato é fundamental em todos os processos de socialização e educação, é preciso que se estabeleçam novas formas de proximidade que propiciem o desenvolvimento do ensinar e do aprender, e o mais importante, que haja interação constante entre os atores do processo e os meios disponibilizados. Ainda que essas interações não ocorram no mesmo espaço e tempo, é importante que elas sejam facilitadas e73 de 81 29/9/2011 16:27
  • 74. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad reforçadas sempre que possível, uma vez que quanto maior for o grau de interação e comunicação entre os participantes do processo, mais significativa se torna a aprendizagem, por isso, em EAD, Peters(2006) dá importância para a aprendizagem dialógica e para todas as formas de comunicação, pois elas ajudam a diminuir o isolamento dos alunos. Na EAD, a linguagem, qualquer que seja a forma como é expressada, é a principal ferramenta no processo de construção do conhecimento, devendo ser explorada, dada que é mediante a linguagem que compreendemos o outro, nos mostramos ao outro. Nesse processo, compartilhamos conhecimentos e compatibilizamos comportamentos, além de conseqüentemente, amenizarmos a distância transacional, um dos grandes desafios para o processo de aprendizagem e de avaliação na EAD. É importante destacar que o que se pretende, não é extinguir a distância transacional, mas sim alcançar uma dosagem certa para cada modelo de EAD, até mesmo porque, a presença da distância transacional contribui para o estudo autônomo, ao passo que sua extinção impede essa forma de estudar, mas o diálogo e a comunicação, mesmo que dosados, ainda assumem um papel de extrema importância nesse contexto. Peters(2006) afirma que ... “a aprendizagem dialógica deve abranger mais do que a ajuda complementar e treinamento para o estudo por parte do Tutor, deve também ajudar realmente os estudantes a fortalecerem estruturas cognitivas, construídas por meio de subsídios para o estudo, diferencia-las, colocá-las sobre outra luz e modifica-las, proporcionando um aproveitamento maior no estudo por parte dos estudantes”. Assim como Peters(2006), Neder(1998), em seu artigo intitulado “Avaliação na EAD – significações para definições de percurso”, valoriza o diálogo e o acompanhamento do aluno e diz que o serviço de tutoria em um curso de EAD é fundamental para verificar e acompanhar a aprendizagem do aluno e contribuir na avaliação dos mesmos, por isso merece cuidado, uma vez que ainda constitui um dos pontos nevrálgicos dessa modalidade. Com o intuito de amenizar e até mesmo sanar tal dificuldade, é preciso que a escolha das pessoas para atuarem como Tutor na EAD seja realizada com cautela, uma vez que serão os responsáveis por realizar a intercomunicação entre os elementos que intervêm no sistema, reunindo-os em uma função tríplice: orientação/acompanhamento /avaliação, tornando possível traçar um perfil completo do aluno por meio do trabalho desenvolvido, do seu interesse e da aplicação do conhecimento. Assim, as bases teóricas da formação inicial do Tutor deverão ser as mesmas que formam o professor de classes presenciais. No entanto, à sua formação, devem ser acrescentados conhecimentos e habilidades específicas necessárias ao desempenho de funções que envolvam a responsabilidade pela mediação pedagógica, pela execução, acompanhamento e avaliação da aprendizagem do aluno. Outro fator que deve ser levado em conta são os conhecimentos tecnológicos do Tutor, ou seja, é preciso que o mesmo possua certa familiaridade com a tecnologia, uma vez que, em muitos modelos de EAD, alguns deles pontuados por Peters(2006) em Didática do Ensino a Distância, o aluno tem contato com meios tecnológicos e ambientes, sendo estes grandes aliados do Tutor no processo avaliativo, pois permite ao mesmo, flexibilidade e uma gama de opções para observar e acompanhar o aluno na busca pelo seu conhecimento e crescimento. Mediante ao exposto, Silva e Vieira(2001), no artigo “Modelo para acompanhamento do aprendizado em EAD” afirmam que ”... para acompanhar o processo ensino-aprendizagem em EAD é necessário definir um conjunto de informações que se julgue relevante ao acompanhamento. Então, é preciso estipular quais informações sobre o aluno e suas atividades são parâmetros para delinear o perfil do aluno e para medir o quanto ele aprendeu”. Os resultados das informações colhidas em conseqüência desse acompanhamento, só serão alcançados pelo Tutor através de um processo contínuo, que possibilite analisar em que medida o objetivo de oportunizar uma atitude crítico reflexiva frente a realidade concreta se expressa. Mediante a isso, a prática de avaliação em EAD feita por ele, deve considerar um aluno pró-ativo, prevendo o uso de métodos, técnicas e instrumentos que estimulem o processo autônomo de aprendizagem, que conforme Peters(2006), como já foi dito anteriormente, desempenha um papel importante na educação, uma vez que o aluno passa a ser sujeito de sua própria educação, transformando sua receptividade em atividade. O Tutor deve ter consciência que a prática de avaliar deverá estar a serviço da aprendizagem, numa intenção74 de 81 29/9/2011 16:27
  • 75. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad formativa e processual da avaliação, deixando esta de ser uma ação final para se tornar uma ação contínua, cumulativa, descritiva e compreensiva, que permita formar pessoas capazes de realizar tarefas, construir novos conhecimentos e de resolver problemas, assim como, de acordo com as considerações de Neder(1998) “...propiciar subsídios para tomadas de decisões quanto ao direcionamento ou redirecionamento e ações em determinado contexto educacional”. É preciso, resgatar a avaliação como uma possibilidade de comunicação no contexto educativo da EAD, com a construção de processos criativos e inovadores. Diante desse contexto, aconselha-se ao Tutor fazer uso da Avaliação Formativa, onde Otsuka e Rocha(2002) a conceituam como uma avaliação baseada no acompanhamento e orientação do aprendiz durante o desenvolvimento de tarefas significativas e relevantes ao mesmo, planejadas para levarem o aprendiz a um engajamento ativo na construção dos seus conhecimentos, uma vez que é continuada, contextualizada, flexível e interativa, por permitir o diálogo constante entre avaliado e avaliador. Para finalizar este capítulo, não poderia deixar de citar, a importância da presença do feedback no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que é a luz dos resultados da avaliação que o Tutor re-orienta e intervêm, por isso, sua avaliação deve ser calcada em uma estrutura flexível e ao mesmo tempo sólida, aliada a um diálogo democrático, claro e pedagogicamente estimulador, seja ele através de qualquer meio, fazendo com que os alunos se sintam confiantes e tenham a certeza de que mesmo distantes estão sendo vistos, observados e que suas contribuições e criações estão sendo analisadas e até mesmo questionadas. Daí, a importância do retorno da avaliação, onde Peters(2006) afirma que “.... em nenhuma outra situação, os alunos a distância estão tão atentos e receptivos como quando seu trabalho é avaliado e comentado ..... ai não se corrigem e comentam resultados errados, mas, sim, também resultados corretos são reconhecidos e apreciados, exposições distorcidas são criticadas, argumentações inconsistentes são indicadas, outros modos de proceder são considerados possíveis...” , porém, e o mais importante, o resultado será justificado e o feedback feito. Muitos são os modelos, os métodos e os meios de trabalhar a aprendizagem e a avaliação na EAD. Essa modalidade, atualmente, demonstra seu potencial de gerar novos modelos de ensino e aprendizagem, que poderão influenciar o modo como a educação em geral é provida. Mas, a escolha certa do modelo, do método e dos meios, dependerá entre outros fatores, principalmente da proposta pedagógica do curso, e do tipo de homem que se pretende formar. 21.3 - Referências Bibliográficas usadas nesse capítulo NEDER, M. L. C.. Avaliação na Educação a Distância: significações para definição de percursos. Disponível em: www.nead.ufmt.br/documentos/AVALIArtf.rtf. Acesso em 03/11/2006 OTSUKA, J. L; ROCHA. H. V. Avaliação formativa em ambientes de EAD. Disponível em http://www.teleduc.nied.unicamp.br/pagina/publicacoes/17_jh_sbie2002.pdf. Acesso em 03/11/2006 PETERS, Otto. Didática do Ensino a Distância. São Leopoldo (RS): Editora Unisinos, 2006 SILVA, D. R; VIEIRA, M.T.P. Modelo para Acompanhamento do Aprendizado em Educação a Distância. Disponível em: http://www.dc.ufscar.br/~marina/pub/Wie2001.pdf. Acesso em 03/11/2006. 22 - Referências Bibliográficas75 de 81 29/9/2011 16:27
  • 76. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad 1. ____________________. Jornal do Plano Pedagógico. Disponível em http://www.udemo.org.br /JornalPP_02_02Avalia%E7%E3oDiagnostica.htm. Acessado em 23 de Novembro de 2006 2. BERGAMINI, C. W. & BERALDO, D. G. R. Avaliação de Desempenho Humano na Empresa. 4ª ed., São Paulo, Atlas, 1988. 3. BLOOM, B. S.; HASTINGS, J. T. e MADAUS, G. (1971). Handbook on Formative and Summative Evaluation of Student Learning. New York: McGraw Hill Co. 1971 4. BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 20a. edição, Petrópolis: Vozes, 1999. 5. CURTIN UNIVERSITY OF TECHNOLOGY. A free tool to help teachers survey students. Disponível em http://surveylearning.moodle.com/main.php. Acesso em 23/11/2006. 6. DOUGIAMAS, MARTIN. http://www.moodle.org, acesso em 23/08/2006. 7. DRUCKER, P. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. São Paulo: Pioneira, 1992.] 8. 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  • 77. LivroAvaliacaoEmEad < EaD < TWiki http://pt.wikinourau.org/bin/view/EaD/LivroAvaliacaoEmEad educação à distância. Disponível em http://www.dc.ufscar.br/~marina/pub/Wie2001.pdf. Acesso em 15/10/2006 41. SILVA. José Carlos Tavares e FERNANDES, José Rodrigues. Amon-Ad: Um Agente Inteligente para Avaliação de Aprendizagem em Ambientes Baseados na Web. Disponível no site: http://www.niee.ufrgs.br /SBC2000/eventos/wie/wie016.pdf 42. STEUER, Jonathan. Defining Virtual Reality: dimensions determining telepresence. Journal of Communication, 42(4) 1992, p.72-93. 43. SWEARINGEN, Richard. A Primer: Diagnostic, Formative, & Summative Assessment. Disponível em: http://www.mmrwsjr.com/assessment.htm, acessado em 23 de Novembro de 2006 44. TAROUCO, Liane. O Processo de Avaliação na Educação a Distância - Liane Tarouco - disponível em: http://www.pgie.ufrgs.br/webfolioead/biblioteca/artigo6/artigo6.html, acesso em 23 de novembro de 2006. 45. TAYLOR, Peter e MAOR, Dorit. he Constructivist On-Line Learning Environment Survey (COLLES) Disponível em: http://surveylearning.moodle.com/colles/, acessado em 23 de Novembro de 2006 46. VYGOTSKY L.S. (1988). A formação social da mente. 2ª ed. bras. São Paulo: Martins Fontes. Cadastro de referências Esta é uma tabela de cadastro para que as referências sejam numeradas automaticamente. Key Description Número BERGAMINI, C. W. & BERALDO, D. G. R. Avaliação BERGAMINI_AVALIACAO de Desempenho Humano na %CITE{BERGAMINI_AVALIACAO} Empresa. 4ª ed., São Paulo, Atlas, 1988. BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino- BORDENAVE_ESTRATEGIAS %CITE{BORDENAVE_ESTRATEGIAS} aprendizagem. 20a. edição, Petrópolis: Vozes, 1999. BLOOM, B. S.; HASTINGS, J. T. e MADAUS, G. (1971). Handbook on Formative and BLOOM_FORMATIVE [3] Summative Evaluation of Student Learning. New York: McGraw Hill Co. 1971 DRUCKER, P. Administrando para o futuro: os anos 90 e a DRUCKER_ADMINISTRANDO %CITE{DRUCKER_ADMINISTRANDO} virada do século. São Paulo: Pioneira, 1992.] FILHO, Athail Rangel. Moodle: Um sistema de gerenciamento de cursos. Disponível em: FILHO_MOODLE http://aprender.unb.br/file.php [8] /1/manuais/moodlebook.pdf. Acessado em 23 de Novembro de 2006. FIUZA, P. & MARTINS, A. R. Conceitos, características e FIUZA_CONCEITOS importância da motivação no %CITE{FIUZA_CONCEITOS} acompanhamento ao aluno distante. UFSC; PPGEP;LED. FREIRE, Paulo. Pedagogia do FREIRE_PEDAGOGIA Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e [9] Terra, 1975. FURTADO, Odair. O psiquismo e a subjetividade social. In Psicologia sócio-histórica (uma FURTADO_PSIQUISMO [10] perspectiva crítica em psicologia). São Paulo: Cortez, 2001. GOMEZ, Margarita Victoria. Educação em Rede. Uma visão GOMEZ_EDUCACAO emancipatória. São Paulo: [11] Cortez, Instituto Paulo Freire, 2004.77 de 81 29/9/2011 16:27
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