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Um olhar para a educação a distância por uma perspectiva sócio construtivista interacionista

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  • 1. Texto com recursos de design didáticoMarcelo Cordeiro da Silva – 2012 “Oferecer um bom design é mais que oferecer um produto maquiado, é oferecer possibilidades de caminhos para que a essência atinja nossos sentidos.” (COSTA; MARINS, 2012) Um olhar para a Educação a Distância por uma Perspectiva Sócio-Construtivista/Interacionista Rotina construtivista (figura 1) 1
  • 2. Uma sociedade moderna requer processos modernos A sociedade sempre passou e continuará passando por diversas mudanças, mas uma coisa não muda: a necessidade que as pessoas têm de estudar. Num primeiro momento, enquanto criançase adolescentes são encaminhadas e mais tarde na fase adulta trilham seu própriocaminho. Desde o momento em que as pessoas se organizaram em sociedade é assim,por outro lado, sabemos que nem todos apreciam o estudo formal, mas ele está aípara quem dele quiser se apropriar. É certo que esse estudo passou portransformações necessárias para se adequar aos anseios de uma parcela dasociedade, sendo assim, modelos diferenciados foram criados para satisfazer umademanda que não se enquadrava na formalidade por motivos dos mais variados. O material de estudos para um curso a distância deve possuir uma dinâmica de perfil construtivista e interacionista. Podemos aceitar como modelo diferenciado para se alcançar os estudos aeducação a distância, modelo esse que também passou por grandes mudanças,pois é sabido que o aluno de curso a distância já foi aquele que aguardava ansioso achegado do carteiro com o seu material de estudos, depois passou a ser aquele queacordava cedo para assistir ao telecurso e atualmente, com a infraestruturatecnológica digital, é aquele que se comunica com seu professor e suas tarefas emum ambiente virtual e tem ao seu alcance uma gama de informações, principalmentena internet, que devem ser transformadas em resultados satisfatórios no que dizrespeito ao processo ensino-aprendizagem. Seja qual for a época uma coisa é certa, o material de estudos para um cursoa distância deve possuir uma dinâmica de perfil construtivista e interacionista. Deve 2
  • 3. propiciar ao aluno a construção de seu conhecimento e ao mesmo tempo umainteratividade desse aluno com o aprendizado e com a sociedade que o rodeia,sendo assim, “[...] é necessário que o professor encontre algumas variáveis paratrabalhar e alimentar a atividade construtivista do aluno.” (MATUI, 1995, p. 86)A construção do conhecimento por uma filosofia sócio-interacionista Q uando pensamos em sócio-interacionismo nos vem a mente o trabalho de Vygotsky, portanto apresentamos um breve relato de seus estudos aplicados a educação. Para iniciar ele não eraformado em psicologia e dizem que, por esse motivo, sua contribuição não foi muitoquestionada, pois ele via a psicologia com outro olhar. Na verdade, ele começou pela arte, com seu livro Psicologia da Arte, neleprocurou fazer o seguinte questionamento – o que faz uma obra de arte serartística? – e respondeu a essa questão mostrando-se contra a transformação daarte em uma função cognoscitiva ou em uma simples expressão da emoção. Para Vygotsky a criação humana é resultado de fatores intelectual eemocional, ou seja, o pensamento e o sentimento. Apenas o sentimento não ésuficiente para criar a arte. Para que a arte se realize se faz necessário vencer osentimento e, portanto, arte é uma criação que envolve aspectos da cognição e dalinguagem. Conclui Freitas: “Nessa perspectiva, os sentimentos fazem parte da obrade arte, mas não se transformam nela”. (FREITAS, 2002, p. 76) Vygotsky e seus colaboradores foram os primeiros a estudarem opensamento e a linguagem de modo único, ou seja, diferente do que se haviaestudado até então – resultados em separados. “A psicologia deve fazer dessasrelações e de suas variações ao longo do desenvolvimento o problema central, ofoco de estudo, em vez de simplesmente postular a inter-relação geral de todas asfunções.” (VYGOTSKY, 2008, p. 2) 3
  • 4. A partir desse momento, pensamento e linguagem são estudados epesquisados de modo diferente e esse estudo é chamado de análise em unidades –assim o estudo das propriedades básicas é conservado como um todo. A unidade de pensamento verbal que serviu de ponto de partida para suaspesquisas foi o significado das palavras. Ele afirma que “[...] é no significado dapalavra que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal” (VYGOTSKY,2008, p. 5), portanto, significado é a chave para as questões de relacionamentoentre pensamento e linguagem, melhor ainda, pensamento e fala. Com isso sua pesquisa segue a linha de que uma palavra pode ter váriossignificados, ou seja, uma palavra refere-se a um grupo ou classe de objetos, logocada palavra já é uma generalização. Fica claro em seus estudos que a base é osignificado, pois este é um ato de pensamento e por fazer parte da palavra elepertence tanto ao domínio da linguagem quanto ao domínio do pensamento,concluindo assim que palavra sem significado é um som vazio. O significado das palavras evolui com o amadurecimento da criança etambém a relação entre pensamento e palavra modifica-se com esseamadurecimento. Esta forma de ver o significado é que dá uma conotaçãodiferenciada em sua teoria em relação às demais correntes filosóficas da época. O próprio Vygotsky afirma que: “A relação entre pensamento e palavra não é uma coisa, mas um processo, um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra, e vice- versa. Nesse processo, a relação entre o pensamento e a palavra passa por transformações que, em si mesmas, podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional”. (VYGOTSKY, 2008, p. 156). Podemos concluir que para ele pensamento e palavra estão intimamenterelacionados de modo que a evolução de um depende do outro e ajuda a evoluir ooutro. Para ele os estudos sobre pensamento verbal, ou seja, pensamento e fala,deveriam ser aprofundados do ponto de vista da análise semântica, estudo do 4
  • 5. desenvolvimento, do funcionamento e das estruturas dessas unidades e suas inter-relações. Quanto à fala ele faz um estudo também diferenciado do que se tinha naépoca – comunicação por meio de signos, palavra ou som – para ele a fala temcomo função essencial à comunicação, o intercâmbio social. Dentro de uma filosofia marxista em que o trabalho é a principal relação socialda classe operária, Vygotsky afirma que para acontecer à transmissão deexperiências e pensamentos no trabalho se faz necessária uma ação mediadora queé a fala humana. Na sua teoria a fala se divide em duas:  Fala interior – é aquela que é para si mesmo e o pensamento fica interiorizado.  Fala exterior – é aquela que é para os outros e transforma o pensamento em palavras. A ausência de som não é considerada por ele como uma fala que precede afala exterior nem tão pouca um processo de memorização, é sim o contrário da falaexterior. A fala interna é uma continuidade da fala egocêntrica de Piaget, que afirmaque esta se encera na idade escolar, porém Vygotsky conclui que esta se transformae evolui para a fala interna. As pesquisas feitas por ele levam a comprovação de quetodas as características funcionais, estruturais e genéticas da fala egocêntricaevoluem para que esta se transforme em fala interna. A fala interior não deve ser vista como uma fala sem som e sim como umafunção independente da fala, ela é dinâmica e muitas vezes formada pelo próprio 5
  • 6. pensamento, e desaparece com o advento da palavra ficando no linear entrepensamento e palavra. Podemos afirmar que a comunicação requer significado, isto é, generalizaçãotanto quanto signos. Portanto, para que haja comunicação por palavras se faznecessário uma generalização que leva ao entendimento no diálogo, ou seja, ohomem possui em seu pensamento conceitos para as palavras que correspondemao seu entendimento. Por esse motivo quando não entendemos certos pensamentosé porque, apesar de conhecermos as palavras, seus conceitos não estãogeneralizados. Os nossos anseios e desejos é que fazem com que nossa mente crie ospensamentos e estes se relacionem entre si com determinada finalidade nãohavendo a necessidade da fala. Quando esta ocorre o pensamento transforma-seem palavras.A educação sob o manto do sócio-interacionismo V ygotsky foi professor de Literatura e Psicologia além de História da Arte, porém não se limitou apenas em ministrar aulas, foi também um estudioso dos temas da educação regular e especial. A educação decrianças portadoras de necessidades especiais, como é chamada hoje, foi tema deimportantes estudos, principalmente àquelas relacionadas a doenças congênitas. Ele classificava a escola como o próprio lugar da Psicologia, é nela que serealizam as construções e o nascimento das funções psíquicas superiores. A escolaera considerada o melhor laboratório, pois dizia, é lá que a aprendizagem sofreinfluência sociocultural gerando as tais funções psíquicas (memória, linguagem,planejamento, etc). Sua teoria foi trazida com êxito para a educação, pois mostracomo são construídos o aprendizado e o conhecimento na mente humana e a seguirvamos descrever alguns tópicos dessa teoria. 6
  • 7. A. Conceitos Espontâneos e Científicos O desenvolvimento cognitivo da criança se dá através da inter-relação destacom o meio, orientada por alguém e com isso ela se apropria da cultura elaboradapela sociedade. Logo sua aprendizagem se inicia antes de entrar na escola, equando chega lá traz consigo uma bagagem que por pequena que possa ser, deveser respeitada e aproveitada. A este conhecimento prévio Vygotsky dá o nome deconceitos espontâneos. Os conceitos espontâneos são a base para a criança adquirir os conceitoscientíficos junto à escola, conceitos como: abstração, atenção deliberada, memórialógica, capacidade para comparar, diferenciar, etc. Eles são desenvolvidos na escolapor meio de atividades que induza a criança a pensar. O conceito científico é oinstrumento mediador entre o objeto, que a criança não tem acesso, e o novoconhecimento. O desenvolvimento da formação de conceitos se dá através dorelacionamento e da influência constante entre os dois processos de construção dosconceitos espontâneo e científico. Uma criança em idade escolar tem melhorescondições de solucionar situações problemas que estão voltadas para os conceitoscientíficos, pois estes se formam no processo de aprendizagem escolar que ela estáinserida e há o trabalho em conjunto com o professor, porém essas situações necessitam de determinados conceitos espontâneos Um conceito se forma à medida que que a criança ainda não possui, seja as características são condensadas por não ter consciência ou e o resultado é um instrumento do maturidade, logo ela terá maior pensamento. O progresso na dificuldade para resolvê-los. formação dos conceitos acontece após o domínio do abstrato e a Apesar de os dois conceitos combinação deste com terem direções opostas, estão pensamentos mais complexos e intimamente relacionados, pois um avançados. dá suporte para que o outro floresça, quanto mais se eleva o científico, o 7
  • 8. espontâneo o acompanha. Quando se eleva o nível de um conceito há um rearranjodos conceitos anteriores. É preciso que um conceito espontâneo alcance certo nívelpara que a criança possa absorver um conceito científico ao qual se relacionamutuamente. Afirma Freitas: “O conceito espontâneo abre o caminho para o conceitocientífico e este fornece estrutura para o desenvolvimento daquele, tornando-oconsciente e deliberado”. (FREITAS, 2002, p. 103). Podemos imaginar então que basta ensinarmos os conceitos de modo diretoa criança e tudo estará resolvido, porém Vygotsky afirma que: “Um professor que tenta fazer isso geralmente não obtém qualquer resultado, exceto o verbalismo vazio, uma repetição de palavras pela criança, semelhante a de um papagaio, que simula um conhecimento dos conceitos correspondentes, mas que na realidade oculta um vácuo”. (VYGOTSKY, 2008, p. 104).B. Zona de Desenvolvimento Proximal Vygotsky classificou as teorias da época que relacionavam o desenvolvimentoe aprendizado de crianças em três grupos, que não vem ao caso citá-los, porémafirmou que apesar de rejeitá-los foi através da análise dos mesmos que ele passoua ter uma visão mais adequada dessa relação. Para ele o aprendizado e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde oprimeiro dia de vida da criança. Como já foi citado neste trabalho, ele valorizava oque a criança aprendeu antes de chegar à escola e a partir disso passou a estudarcomo funciona a aprendizagem em nível escolar. Para isso ele defendeu a ideia deZona de Desenvolvimento Proximal e a definiu como sendo à distância entre o nívelde desenvolvimento real e nível de desenvolvimento potencial. Nível de desenvolvimento real é aquele em que certas funções já estãofixadas na criança, ou seja, as atividades que ela consegue realizar sozinha, deforma independente. Nível de desenvolvimento potencial é aquele em que certasfunções estão em via de amadurecer e que a criança precisa do auxílio de alguémpara que as atividades presentes nesse nível sejam realizadas. 8
  • 9. A zona de desenvolvimento proximal é, portanto, o caminho que oaprendizado segue para que haja o desenvolvimento, ou seja, a atividade seencontra no nível em que a criança interage com alguém mais capacitado e dessainteração começa haver o amadurecimento da atividade, das funções mentaisnecessárias para a sua realização, e com isso elas passam para o nível de fixação.Sendo assim, aquilo que é potencial num momento passa a ser desenvolvimentoreal noutro momento. Desta forma para que haja desenvolvimento o aprendizado deve ser voltadopara o nível potencial, ele deve estar à frente do desenvolvimento, portanto, os doisprocessos não caminham juntos, o desenvolvimento é mais lento que o aprendizado.“O nosso estudo mostra que a curva do desenvolvimento não coincide com acurva do aprendizado escolar; em geral, o aprendizado precede odesenvolvimento.” (VYGOTSKY, 2008, p. 127)C. Mediação Antes da teoria de Vygotsky, defendia-se que o aprendizado se dava de formadireta, ou seja, estímulo – resposta, porém ele dá outra interpretação na forma deconceber o aprendizado usando para isso a mediação. Mediação é um processo em que ocorre a intervenção de um elementointermediário na relação de aprendizado, e esta deixa de ser direta passando a sermediada por esse elemento. A partir de então ele descreve o processo deaprendizado de forma indireta e afirma que “[...] o processo simples estímulo-resposta é substituído por um ato complexo, mediado, que representamos daseguinte forma”: 9
  • 10. (VYGOTSKY, 2000, p. 53). Temos, portanto, nessa relação: S é o estímulo, R é a resposta e X é oelemento mediador. O simples fato de o elemento mediador estar presente nessa relação, cria noindivíduo uma relação mais forte com o meio e seu semelhante e ao longo de seudesenvolvimento as relações mediadas tornam-se mais constantes que as relaçõesdiretas. Dentro da teoria marxista, o trabalho foi o que gerou o processo detransformação da natureza pelo homem para que este viesse suprir suasnecessidades e, com isso, ele criou suas ferramentas, seus instrumentos. O trabalhonão só gerou transformação na natureza como influenciou nas mudanças dasociedade e com isso o homem também passou por transformações. Fazendo uma analogia ao instrumento, pois este é usado como meio detrabalho para transformar a natureza, ele cria dois tipos de elementos mediadores:são eles os instrumentos e os signos – o signo que é usado como um instrumento naatividade psicológica – e dá grande destaque para a linguagem, pois esta forma demediar está inserida na sociedade. Vídeo - Marta Kohl - Mediação Numa visão de aprendizagem sócio-interacionista, Vygotsky define Signoscomo sendo meios auxiliares que ajudam na solução de problemas que envolvematividades de cunho psicológico, tais como lembrar, comparar, relatar, escolher,diferenciar, etc. Existe uma diferença entre instrumento e signo: instrumento serve paraconduzir a influência humana sobre o objeto da atividade, é orientado externamentee produzirá mudanças no objeto, enquanto que o signo é orientado internamente 10
  • 11. para o controle do próprio indivíduo, não modifica em nada o objeto da operaçãopsicológica. Por último conclui que tanto o uso de signos quanto o uso de instrumentosaumenta a quantidade de atividades elevando a novas funções psicológicas que irãotrabalhar internamente no indivíduo, com isso a função psicológica superior pode sercolocada como uma combinação entre instrumento e signo na atividade psicológica. Numa atividade que envolve processos psicológicos superiores, asrepresentações mentais da realidade exterior, ou seja, o uso da imaginação é omaior mediador na relação entre o ser humano e a sociedade.D. Processo de Internalização Quanto ao processo de internalização, o próprio Vygotsky cita em: Aformação Social da Mente, (2000, p. 75), que a internalização é dada por uma sériede transformações, tais como:  Uma operação que inicialmente representa uma atividade externa é reconstruída e começa a ocorrer internamente.  Um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal.  A transformação de um processo interpessoal num processo intrapessoal é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento. Portanto, podemos concluir que, o processo de internalização passa pelo usodas operações com signos e é fundamental para o desenvolvimento dofuncionamento psicológico humano. A internalização se dá por meio de umaatividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna, éinterpessoal e se torna intrapessoal. Ela não é um processo de acúmulo de domíniodos vários instrumentos e sim um processo de reorganização da atividadepsicológica. 11
  • 12. Educação a distância construtivismo e interacionismo A teoria do construtivismo defende que o aluno participe do processo de construção do conhecimento. “Assim, o construtivismo é uma teoria do conhecimento que engloba numa só estrutura os dois polos, o sujeito histórico e o objeto cultural, em interação recíproca, ultrapassando dialeticamente e sem cessar as construções já acabadas para satisfazer as lacunas ou carências (necessidades).” (MATUI, 1995, p. 46)  Construtivismo (Maria do Carmo Motta) Em meio a tanto fracasso Podemos mudar o passo E construir algo melhor, Melhor para minha vida Melhor para sua vida Educando e educador Hora sou um Hora o outro Ambos sempre em comunhão Refazendo a contrução Dia-a-dia sem cessar, Pois quando acreditamos Tudo podemos mudar. E Vandré já nos dizia: "... Quem sabe faz a hora, não espera acontecer" Por isso vem,vamos embora Que a hora é agora De formarmos cidadãos Construindo e transformando E cada dia melhorando, Somos seres em construção.  12
  • 13. O avanço da tecnologia acrescentou à educação a distância umaresponsabilidade além da que já possuía, pois cursos foram e estão sendotransformados total ou parcialmente nessa modalidade de ensino, cabe então aosprofessores aproveitarem o conhecimento que possuem sobre construtivismo einteracionismo e adequarem a esse tipo de ensino. Na educação a distância não há o contato físico entre professor e aluno ouentre aluno e aluno, logo isso acontece de modo virtual usando-se as ferramentasapropriadas de comunicação. Num primeiro momento pode-se pensar que essainteração virtual seja isolada, aluno com acesso a vídeo, e-mail e textos para leitura,porém esse modelo vem passando por mudanças e mesmo virtual já há um contatomais frequente entre os envolvidos. Quanto às ferramentas da EAD, são diferenciadas com relação ao momentoem que a usamos, ou seja, o aluno frente à máquina em momento determinado porele, as ferramentas são chamadas de assíncronas, vídeos, fórum, e-mail, textos paradiscussão. “As ferramentas assíncronas podem revolucionar o processo de interação entre professores e estudantes, uma vez que mudam os processos tradicionais por meio dos quais essa comunicação vem se dando ao longo dos tempos.” (DACOL; LINS; MOITA, 2006, p. 3) Por outro lado, o aluno frente à máquina em momento pré-definido, pelainstituição, sincronizado, as ferramentas são chamadas de síncronas, chats,vídeo/áudio-conferência. “As ferramentas síncronas, que transportam no espaço estruturas de comunicação presenciais, dão aos alunos de EAD e aos professores e instituições envolvidas, uma sensação de grupo, de comunidade. Esta sensação psicológica é importante como fator motivacional para a perseverança e continuidade do curso.” (DACOL; LINS; MOITA, 2006, p. 4) 13
  • 14. Devemos evitar que a EAD se transforme apenas num substituto dos cursospresenciais em que, na maioria das vezes, a forma de trabalhar os conteúdos étotalmente conservadora, ou seja, o aluno é apenas o receptor. Não podemosaceitar que a EAD transforme seu aluno de modo que ele veja na internet apenasuma grande biblioteca virtual para fazer suas pesquisas, uma vez que o potencial deambos é muito grande. É preciso que o ensino a distância se transforme emaprendizagem a distância. Numa concepção construtivista/interacionista o uso da internet deveproporcionar ao aluno a construção do conhecimento por meio de atividadescolaborativas ou software em que haja a interação aluno e atividade. A experiênciasocial de cada integrante será exposta à comunidade virtual trazendo para oaprendizado uma contextualização em que osignificado seja o alicerce para o novoconhecimento do grupo. Assim, num processo virtualcaminhamos pela zona de desenvolvimentoproximal; a interatividade entre os integrantesdo grupo e ao mesmo tempo mediada peloprofessor e pelas ferramentas que o sistemaoferece faz com que o aprendizado saia deuma zona confortável real e avance rumo aodesenvolvimento potencial transformando osconceitos espontâneos em conceitos Figura 2científicos. Vídeo - Marta Kohl - Vygotsky - ZDP Essa interatividade mediada ocorrida em um ambiente virtual é explicada porLucena: “[...] a interação entre pares permeada pela linguagem (humana e da máquina), potencializa o desempenho intelectual porque força os indivíduos a reconhecer e a coordenar as perspectivas conflitantes de um problema, construindo um novo conhecimento a partir do seu nível de competência 14
  • 15. que está sendo desenvolvido dentro e sob a influência de um determinado contexto histórico-cultural”. (LUCENA apud RESENDE, 2005, p. 4) Segundo Jonassen, (apud Resende) as aplicações construtivistas por meio datecnologia devem promover três tipos de aprendizagem, a saber: aprendizagem porexploração do uso intencional da internet, aprendizagem pela ação, usando paraisso os ambientes interativos de aprendizagem e a aprendizagem pelo trabalhocolaborativo com o apoio do computador. Segundo o autor com esses ambientes eferramentas é possível que o ensino a distância ocorra de modo construtivista einteracionista.Considerações finais A s diversas correntes filosóficas tratam as situações de aprendizagem cada uma a seu modo, este texto procura expor ao leitor apenas o embrião da filosofia sócio-construtivista/interacionista aplicada aeducação. Neste trabalho colocamos a disposição do leitor dois trechos da palestrade Marta Kohl sobre Vygotsky e deixamos como sugestão o vídeo na integra, cujoendereço se encontra nas referências. É certo que para o professor atuar seguindo os pressupostos dessa correntefilosófica se faz necessária uma mudança de atitude perante o aprendiz e oaprendizado. Sabemos que não é uma tarefa fácil, uma vez que muitos de nósprofessores não vivenciamos essa forma de aprendizado enquanto alunos, incluindoaí o ensino básico e o superior, e a tendência e a reprodução do modo comoaprendemos. Com as seguidas mudanças ocorridas na sociedade, principalmente comrelação ao uso da tecnologia, em que as pessoas têm ao seu alcance, por meio dainternet, uma gama imensa de informação se faz necessário que a forma detrabalhar os conteúdos seja atrativa e recheada de significados, portanto mais donunca o construtivismo e o interacionismo ganham força junto aos sistemas deeducação e também as entidades de ensino superior. 15
  • 16. O presente texto também teve a intenção de mostrar ao leitor que um textousado em EAD deve conter atrativos visuais que reforcem o seu entendimento, umavez que o professor não está acessível para esclarecer dúvidas naquele momento eao mesmo tempo apresentar um texto sóbrio desprovido de maquiagemdesnecessária. Com relação à educação a distância, essa segue os mesmos preceitos daeducação presencial e aposta nesse modo de trabalho, visto que o aluno do outrolado da rede necessita de um aprendizado, mais do que nunca, significativo emediado por pessoas e ferramentas ou então o mesmo se sentirá “solitário”encaminhando-se para o abandono do curso.ReferênciasANDRADE, Adja F. de; BORDINI, Rafael H.; JAQUES, Patrícia A.; JUNG, João Luiz;VICARI, Rosa M.. Uma Proposta de Modelo Computacional de Aprendizagem àDistância Baseada na Concepção Sócio-Interacionista de Vygotsky.http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:uSd8QyWOKUUJ:scholar.google.com/+ead+e+a+teoria+socio-interacionista&hl=pt-BR&as_sdt=0&as_vis=1acesso em 10/06/12.COSTA, Rosa Maria E. M. da; MARINS, Vânia. Aula 1: Design Didático. UFF – RJ,2012.DACOL, Silvana; LINS, Rubevan Medeiros; MOITA, Márcia Helena Veleda.Interatividade na Educação a Distância. XXVI ENEGEP - Fortaleza, 2006 –http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR540364_8555.pdf – acesso em10/06/12.RESENDE, Regina Lúcia Sartorio Marinato de. Fundamentos teórico-pedagógicospara EAD. 2005. http://www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/055tcb5.pdf –acesso em 10/06/12.FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Vygotsky e Bakhtin, Psicologia e Educação:Um Intertexto. São Paulo: Editora Ática, 4ª edição, 2002.http://livresensura.blogspot.com.br/2008/07/rotina-construtivista.html – acesso em28/06/12 (figura 1).http://prjosuebrito.blogspot.com.br/2008/05/transformar-para-mudar-ousar-mudar-para.html – acesso em 28/06/12 (figura 2). 16
  • 17. http://www.pucrs.br/mj/poema-professor-6.php – acesso em 28/06/12 (PoemaConstrutivismo).MATUI, Jiron. Construtivismo: Teoria construtivista sócio-histórica aplicada aoensino. São Paulo: Moderna, 1995.OLIVEIRA, Maria Helena Palma de; SILVA, Siony da. Contribuição da teoria sócio-interacionista de Vygotsky para a educação on-line. Revista Sinergia, Centro Federalde Educação Tecnológica de São Paulo, v. 5, n. 2, julho-dezembro, 2004, p.89-94.http://www.geocities.ws/siony.silva/contri.htm – acesso em 10/06/12.OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento. Um processo sócio-histórico. http://www.youtube.com/watch?v=pZFu_ygccOo&feature=related – acesso em10/06/12.VYGOTSKY, Lev Semenovitch. Pensamento e Linguagem. Tradução por JeffersonLuiz Camargo. 3. ed. rev. São Paulo: Martins Fontes, 2008.VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A Formação Social da Mente. Tradução por JoséCipolla Neto, et al. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 17