Your SlideShare is downloading. ×
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Reflexões do estágio 2011   marcelo
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Reflexões do estágio 2011 marcelo

550

Published on

Este trabalho é resultado das reflexões do Estágio em Ciências Biológicas em uma escola pública na cidade do Rio Grande - RS. Se passa no contexto escolar, em aulas de genética, onde o autor dialoga …

Este trabalho é resultado das reflexões do Estágio em Ciências Biológicas em uma escola pública na cidade do Rio Grande - RS. Se passa no contexto escolar, em aulas de genética, onde o autor dialoga com sua orientadora supervisora.

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
550
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
2
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. REFLEXÃO 1 APRESENTAÇÃO, CONHECENDO A TURMA... O INICIO DO ESTÁGIO. Creio que as coisas novas que acontecem na vida da gente são todassemelhantes, inicialmente com aquele friozinho na barriga. O desconhecidonos assusta e nos estimula, e nos faz querer cada vez mais e mais. O queseria de nós se não fosse a adrenalina do 1º dia? Inicialmente comecei a conversa com apenas algumas meninas queestavam em aula. Me apresentei, falei de mim, da minha história, deUruguaiana... Falei um pouquinho da minha trajetória até estar ali naquelasala em um momento histórico único, acho que isso é bom para que elestenham confiança no professor. Professor é gente, ri, chora, comemora,dança, brinca, perde, ganha. Temos um grande trabalho até desmistificar afigura historicamente construída do professor. Entreguei o cronograma, comentei os conteúdos e acrescentei queminhas aulas eram preparadas sob orientação de uma profª orientadora(nesse caso você, querida leitora), e fiz questão de ler a frase da MariaCurie para a turma, que naquele momento era representada basicamentepelo público feminino. Na frase a cientista fala que a ciência é como sefosse um conto de fadas. Ao passar do tempo a turma ia chegando aos poucos. Já haviam medito que aulas noturnas seriam assim. Então iniciei provocando a reflexão: oque estuda a genética? Como somos parecidos com nossos pais? O que onúcleo celular e nossa carteira tem em comum? Nesse momento a turmasilencia e assim começamos nossa aula. Guardamos informação em nossa carteira. Se você encontrar a minhacarteira você pode descobrir quem eu sou, pelos meus documentos, algumtelefone... minha carteira de identidade. Assim no núcleo celular está aidentidade da célula. A molécula do DNA. A molécula da hereditariedade. Falei um sobre a descoberta da molécula dos Ácidos nucléicos.Expliquei a constituição básica dos nucleotídeos, e notei que as dúvidasficaram no ar. No segundo período aprofundamos nos nucleotídeos e basesnitrogenadas (AG<CT)(U). Mostrei a pintura de Salvador Dali, querepresenta a molécula. Falamos em projeto genoma. Busquei explicar oseqüenciamento do genoma humano (projeto Genoma). Acredito que elestenham captado o que quis dizer. Percebi que eles entenderam aimportâncias de estudar o DNA.
  • 2. REFLEXÃO 2 A HISTÓRIA DO REI SALOMÃO. Cheguei cedo na escola sexta-feira, percebi que 10 min. para as 7h osportões estão abertos para @s alun@s entrarem. Observei um pouco daentrada del@s no colégio. Vão chegando e já se direcionando para suassalas. @s profºs ficam nas sala dos professores e debandam todas para suasrespectivas salas em um momento exato. O 1º período era destinado às aulas de religião, mas fui autorizadopela direção iniciar a aula. Como só tinha 3 alun@s em sala dediquei-me afazer um esquema na lousa, e entreguei a folha de exercício. Assim aospoucos a turma foi chegando enquanto eu passava alguns tópicos no quadro,assim notei que foi o tempo ótimo para iniciar a aula. “- Boa noite pessoal. Há 3 mil anos atrás, o rei Salomão encontra-seem um grande impasse, pois duas mães reivindicam a maternidade...” Então ahistória procedeu normalmente, e um aluno chamado Bruno sabia a moral dahistória. Noto que quando começamos uma aula com alguma história, é umaforma instigante e provocativa, que a turma aceita muito bem. Busquei fazer um flash back da nossa primeira aula, fui maisrepetitivo na importância de que el@s entendam a importância decompreender o DNA como molécula da hereditariedade. Falei emdeterminado momento que se el@s percebessem que a informação genéticaera constituído de um código organizados pela seqüência dos 4 nucleotídeosbásicos (A,G,C,T) e a diferença elementar entrehomes/macacos/sapos/pteridófitas/alface é a sequências desse código... “-pessoasl, se vocês compreenderem isso, saio feliz dessa aula!” Uma aluna trouxe a filha dela para assistir a aula, a menina ficouescrevendo e fez o exercício que eu havia entregado. Maria me disse quesua filha adorava Biologia, e que seria minha colega no futuro, falei que amenina tinha um potencial enorme e que quando ela quisesse assistir a aulaera bem vinda. Percebo que no turno da noite não há como fazer um controledo horário de chegada e saída dos alun@s em sala, el@s são adult@s, quepossuem cada um seus problemas e suas prioridades. Desejo ganhar el@s noamor, na liberdade e na magia da ciência, quero que a turma deseje chegarno horário nas segundas e sextas feiras, e desejo que eles me digam no finalda aula que o tempo passou rápido. A diretora solicitou que eu ficasse mais um período em sala. Fiqueicom prazer. É Primeira vez que saio com a sensação de ter facilitado umaboa aula.
  • 3. REFLEXÃO 3 IDENTIFICANDO PESSOAS PELO DNA. Tinha uma grande expectativa no ar para esta aula, poisdesenvolveria a proposta em sala que simula o padrão eletroforético de 5pessoas semelhantes aos testes de DNA usados para solucionar crimes eexames de paternidade. Realmente achei a proposta brilhante e foi o quepude constatar com @s alun@s em sala. No primeiro instante procurei corrigir os exercícios que tinhamficados na última aula, mas a maioria não fez, ou esqueceu em casa. Perceboque trabalhar com os adultos nesse sentido de fazer trabalhos de casa émais complicado, pois não sabemos se eles não fazem, ou se não tem tempopara fazer. Ao mesmo tempo não são crianças para serem cobradas, poiscada um sabe de suas responsabilidades. Iniciamos nesta terça-feira contando a história do julgamento de umex-astro de futebol americano acusado de assassinar a esposa. Através daanálise de sangue encontrado no local do crime, revelou a presença de DNApertencente ao assassino. Expliquei a turma como as enzimas de restrição(tesouras moleculares) atuam cortando pontos específico da molécula,somente onde ocorre determinadas seqüências de bases. Após busquei representar no quadro como a eletroforese acontece, ecomo ocorre a separação dos diversos tamanho de fragmentos de restrição,assim eles se movem no gel de maneira inversamente proporcional ao seutamanho. Então a parte mais difícil da aula: Explicar os cortes nos segmentosespecíficos dos cromossomos homólogos. Confesso que senti um pouco dedificuldade, mas a turma foi muito boa, se empenharam em fazer aatividade, ajudaram com as respostas, logo conseguimos fazer o exercíciotodos juntos, descobrimos quem era o criminoso e descobrimos quem era opai da criança. Neste dia passei no paiets pela manhã e pedi um bloquinho deanotações que sobrou de um evento que fizemos, e levei comigo. “ – pessoal quem descobrir quem é o criminoso, ganha este bloquinho!”Foi a minha provocação. No final como toda a turma fez juntos o exercícioachei mais justo sortear o bloquinho, então a Jenifer ganhou o bloquinho queeu havia levado.
  • 4. REFLEXÃO 4 O que você quer ser quando crescer?. Agora descobri que nas sextas-feiras o primeiro período seriadedicado às aulas de religião. Entretanto tenho chegado neste horário poishá esta gaveta de horários. Então busquei fazer uma aproximação com aturma no sentido de conhecê-los melhor, seus objetivos e projetos futuros.Solicitei que cada um@ dissesse o que desejaria fazer quando crescer: “ - Falem o que gostam de fazer, se tem algum hoby, se desejamcontinuar os estudos.” Foram diversas respostas: engenharia civil,engenharia ambiental, educação especial, geografia-licenciatura,oceanografia. Mas o que me deixou pensando foi que uma menina não dissenada, se recusou dizer. Sabe aquele filme PRECIOSA? Ela me lembra muitoaquela atriz. E aquele contexto que ela vivia, a dificuldade que ela passavana escola. Trouxe toda aquela reflexão quando ela não expressou seusdesejos e sonhos. Isso me deixou pensando. Tenho usado a mesma metodologia em aula. Abro um grande esquemano quadro envolvendo os principias conceitos que serão abordados no dia,com as devidas palavras chaves que remetem o significado. Esse foi oespaço de tempo para el@s se chegarem em sala, se acomodarem, para darinicio a explicação. Coloquei a página do livro del@s que continha aquelaexplicação, conforme fui orientado pela querida leitora/orientadora! Comecei de fato, contando a história do jovem camponês de famíliahumilde, que gostava de matemática e botânica, que foi seguir os estudosem um convento. Gregor Mendel, foi um homem a frente do seu tempo, poisdescobriu o que é tão popular na ciência da Hereditariedade: o gene. Expliquei as ervilhas de Mendel, o trabalho do monge, o porquêrecebe o título de pai da genética. Entramos em meiose para que elescompreendessem o processo de segregação dos genes, solicitei atenção daturma, e reforcei dizendo que muitos acadêmicos de biologia saem dagraduação sem entender corretamente a meiose. A turma manteve-seatenta durante a explicação. A maioria é adulta, e tenho notado que elescolaboram. A profª Rosane solicitou se eu poderia aplicar uma prova nesta sexta-feira dia 9, para fechar os 30% da nota deles. É o conteúdo que ela estavapassando para eles. Fui afirmativo na minha resposta, meu trabalho é apenascuidar da prova, disse que não haveria problemas, entretanto nossa aula desexta-feira de exercícios migrará para terça-feira.
  • 5. REFLEXÃO 5 Entendem mas não compreendem!. “- Como foi a aula hoje Marcelo?” Minha resposta rimou: “-Eles entendem mas não compreendem!” Nossa aula nesta terça-feira abordou a 1ª lei de Mendel – Lei doMonoibridismo. Na última aula já havia explicado o histórico/trabalho deMendel, as características analisadas por Mendel (cor da sementeamarela/verde, forma da semente lisa/rugosa, altura do pé alta/baixa,entre outras). Cheguei 10min atrasados, depender demototaxi para o transporte tem sidocomplicado. Minha adrenalina sempre sobe a1000mil quando a moto pega aquela faixamovimentada/perigosa de noite, entre oJardim do Sol e a Escola Lorea Pinto. “- Boa Noite à turma!” Entreguei o glossário e solicitei que anexassem no caderno, pois aliestão os principais conceitos que serão abordados ao longo deste trimestre.Também solicitei que me entregassem os exercícios para correção. Algunsme entregaram, assim eu leio que escreveram e coloco algumasconsiderações e entrego-os. Também estou registrando todos que estãoentregando os trabalhinhos. Iniciei a aula com alguns conceitos na lousa e o cruzamento entresementes lisas (AA) e sementes rugosas (aa) cuja F1 é 100% heterozigota.Depois o cruzamento entre duas plantas (Aa), que então reaparece ogenótipo recessivo. Como algum@s educadas chegam minutos depois devidotrabalharem no comércio, apaguei esse esquema e o refiz novamente. Entrea explicação chegou um aluno (Bem Hur) que não havia estado presente emaula desde o início dso meu estágio. Poxa! Fiz uma breve retomada em alguns minutos sobre a molécula dahereditariedade e Mendel, para que ele ficasse por dentro das discussões ejá me concentrei nos cruzamentos de Mendel.
  • 6. Solicitei atenção e disse que gostaria que eles aprendessem a fazeros cruzamentos pois assim a genética se revelaria como mais uma matériafácil e interessante. Notei que a dificuldade por parte de alguns é na ordem dos genes nomomento da construção do quadro de punnett, Por isso que o título destareflexão é este, querida leitora! O mais engraçado nisso tudo é que aquele aluno que ainda não haviavindo nas minhas aula, foi o que mais colaborou nas respostas de freqüênciagenotípica e proporção fenotípica. Ao meu ver ele foi o que compreendeumelhor a aula e tinha as sacadas do cruzamento velozmente. Quando eu estava esperando a mototaxi chegar para retornar para acasa da Letícia, ele passou por mim. Do outro lado da rua eu falei: “ – Vem nas aulas kra, você manda bem!” Realmente, mergulhei neste oceano chamado estágio IV. Figura 1http://jomasipe.no.sapo.pt
  • 7. REFLEXÃO 6 Mãos de cimento!. Sexta-feira foi o dia que a turma fez uma prova para fechar a notado trimestre que passou. Chegando ao colégio fui ao encontro da profªRosane para que ela me entregasse a avaliação e assim eu me dirigi até asala de aula. Aquel@s que chegam sempre no horário já estavam meaguardando. Fiz algumas considerações sobre a provas: “ – Pessoal, segundo as orientações da profª Rosane a avaliação éIndividual, sem consulta... Boa Prova.” No que o tempo foi passando alguns alunos foram chegando, então eusolicitava que elas assinassem a presença, pegassem a avaliação e sentassempara iniciar a prova. Notei que alguns estavam meios relapsos para aavaliação, não estava ligando muito, fizeram poucas questões, e entregaramlogo a folha. Algumas alunas ficaram até o final com a prova, tentando,perguntando algo para mim. Na medida do possível eu facilitava algumasidéias para que se lembrassem do conteúdo. Fiz algumas breves falas, semdar resposta alguma, mas na intenção de facilitá-los a recordar da matéria. Passado o primeiro período, chega um aluno, fiz o mesmoprocedimento, entretanto no que ele leva a mão para assinar a chamadanotei que sua pela estava branca. Aquele branco do cimento de quemtrabalha em obras, e que não sai com esses sabonetes comerciais. Entãominha reflexão me levou para ocontexto de uma construção civil,virando massa de cimento,carregando areia e tijolos, paradepois do dia de trabalho tomarum banho em casa e ir para escolafazer uma prova de histologia.Será que ele dispôs de tempopara decorar os dois tipos detecidos epiteliais? Será que eleesteve lendo nessa tarde algo do tipo: Por onde caminha o impulso nervoso? Sempre me questiono o tipo de avaliação que deve ser feita paradeterminada classe, para que avaliar não seja apenas medir a capacidade dereprodução da informação recebida d@s alun@s. Para que aprender não sejasinônimo de decorar. Sempre me questiono que espécie de sujeito quetrabalha com educação serei eu. Para que minha função na atividadeeducativa não seja apenas de instrução.
  • 8. Não olhei a prova del@s, mas pelo que observei acho que maioriarespondeu apenas a metade da prova, e muit@s sequer responderam 2 ou 3questões. Isso me preocupa um pouco! Sabe... REFLEXÃO 7 Nariz alquilino!. Ontem ao sair da escola depois da aula, me pairou a dúvida se tinhamediado uma boa alua, ou não tão boa assim. Fiquei com essa pulga atrás daorelha. Ser avaliado enquanto se está falando, é uma tarefa muito difícil,pois se o fator nervosismo entrar em cena pode estragar o bom andamentodo pronunciamento ou da fala. Ao chegar em casa, assisti o filme “o Discursodo Rei (Oscar 2011)” já ouvira falar sobre, mais não sabia o que exatamentese tratava. Em certos momento do filme me remeti ao espaço da sala de aulaonde me faltou palavras para descrever um conceito que poderia estar naminha mente, entretanto fatores psíquicos diversos podem atrapalhar nomomento. Sorte que, além de uma avaliadora de estágio, há uma pessoaamiga junto a nós, que nos entende nas situações adversas, e tem nosajudado nessa trajetória de estudos e superação pessoal. O filme trata disso: de uma relação de amizade, de um homem simplesque apóia um Rei a superar sua gagueira, para fazer seu discurso, antes deestourar a 2ª guerra mundial. Iniciei a aula como tenho feito, com um esquema colorido e ilustrativono quadro, assim dá tempo da turma chegar aos pouquinho, e copiar para quea explicação inicie. Busquei na explicação elucidar os principais conceitos que sãoutilizados em genética, e tenho notado que alguns a turma já estáfamiliarizada tamanha a ênfase que tenho dado a eles nas aulas. A turma tem colaborado muito nas explicações, e noto que alguns jáestão sabendo fazer os cruzamentos da 1ª Lei Mendel. Nessa próxima aulafaremos uma sequência de exercícios então terminamos essa primeira partee seguimos em frente. Mesmo sendo observado, na mair parte do tempo creio ter mantido acalma, entretanto a turma notou e veio me falar de pois: “ - Como foi professor? Estava nervoso, né?” Trabalhar com o raciocínio lógico das pessoas também não é tarefamuito fácil, a genética é uma das poucas áreas da biologia que necessita dasaptidões da matemática, e nesse sentido é um desafio para mim que elescompreendam as probabilidades e resultados.
  • 9. Tenho feito possível, querida leitora, o que vistes ontem é uma extenção domeu sujeito. Mesmo que o profissional da educação sofra freqüentes abalosem sua auto-estima e auto-imágem, parece certo que o amor peloconhecimento e a tarefa para construí-lo juntos aos educandos, sem dúvida,é uma virtude. REFLEXÃO 8 A pergunta que não quer calar!. Nesta terça feira cheguei na Escola perto da 19h. A menina queestava sentada perguntou se eu iria viajar pois estava com a minha mochila.Respondi que não, aquela era minha mochila mesmo, e estava cheia de livros,saqueios lá de dentro e fiz questão que eles sejam tocados e toquemoutr@s. Neste dia a merenda foi cedo. O pessoal ia chegando e a Lu(?) vicediretora, comunicava ao pessoal para irem ao refeitório: “ – Pessoal Sanduíche e suco hoje!” Então fui até o refeitório fazer o lanche também. Lá estava aeducanda Maria, nos cumprimentamos e peguei o lanche e sentei na frentedela. Maria é daquelas que vem sempre a aula, tem uma filha grande quegosta de Biologia e ora aparece nas aulas. Falei que ela pode vir quandoquiser. Ao iniciarmos nossa conversa Maria seriamente me perguntou: “ - Marcelo, mas tu que mesmo ser professor?” A pergunta que não quer calar. A pergunta que o garotinho Endrel naescola Porto seguro, em meu estágio no ensino Fundamental me fez, com omesmo tom de voz, com a mesma dúvida e provocação. As pessoas duvidamque alguém deseje o trabalho pedagógico. Creio de fundamental importânciapara aqul@s que irão trabalhar na docência busquem compreender melhor aposição socialmente desvalorizada do saber docente em relação os outrosconhecimentos sociais. Maurice Tardif ao filosofar sobre Saber etrabalho: Contrariamente ao operário de uma indústria, o professor não trabalha apenas com um objeto, ele trabalha com sujeitos em função de um projeto: transformar os alunos, educá-los e insntruí- los. (Tardif, pg.13) Freire em Pedagogia da autonomia nos leva um complexo devaneiofilosófico, entretanto, para mim, define muito esta troca recíproca queocorre neste processo de transformar os sujeitos: ...quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender. (Freire, pg. 23)
  • 10. Não respondi a minha querida educanda. Sou daqueles que acha quenem tudo na vida deve ser respondido. Deixarei que ela tire suas conclusões.A aula ocorreu normalamente. Ontem havia pouc@s educandos em sala.Entretanto corrigimos os exercícios mendelianos aqueles que tinham dúvidasno cruzamento foram a quadro praticar. No final prguntei quem queria serprofessor. O Bem Hur levantou o braço. Então pedi para ele apagar oquadro. Prontamente ele foi e disse que desejava ser professor deMatemática. Falei que ele tinha potencial para tal. É um garoto que tem oraciocínio lógico bem desenvolvido e veloz, notei isso ao fazer minhasprovocações nos exercícios de proporção fenotípica e genotípica. Elesempre com as repostas à frente de seus colegas. Creio que a educação sejaum pouco disso, sabe querida Leitora, Identificar n@s sujeit@s os seupotencias, volvê-los com base naquilo que se gosta de fazer. REFLEXÃO 9 O concelho!. Quando a professora Rosane me convidou para participar do conselhode classe primeiramente a minha resposta foi negativa, sempre escuteicoisas ruins sobre o conselho, que os profºs falavam mal dos alunos e outras.Mas em conversa com a orientadora fui estimulado a participar de talreunião, se assim posso chamar, e na terça-feira à noite desloquei-me para ocolégio. Desta vez não para a sala de aula! Quando cheguei @s prfesso@s já estacam reunidos na biblioteca, emuma mesa redonda. A biblioteca estava bem iluminada, a professoraconvidou-me para sentar, cumprimentei a todas e sentei-me ao lado dela. Ocoordenador pedagógico da escola, falou para os demais professores queiria começar pela turma 202, devido a minha presença. Todos prontamentetoparam. Pelo caderno de chamada (diário de classe) nome a nome iniciando pelaletra “A” foi chamado @s 40, alun@s, matriculados na 202-noturno daescola. Professor por professor das diversas ares foi dando seu parecer(“R” de reprovado e “A” de aprovado) situação dos alunos. Pausadamentequando chegava em situações que precisava melhor detalhamento e
  • 11. discussão sobre uma situação específica, @s professo@s trocavam idéiassobre determinada pessoa. Em um primeiro momento, pensei na situação quando fui aluno noensino fundamental. Por quantos conselhos de classe meu nome passou... Poralguns momentos pensei o quanto é importante esses momentos. Tive escutando que a maioria dos conselhos de classe eram chatos edesagradáveis, mas não foi o que vivenciei na companhia dos professores daEscola que tenho feito estágio. Todos bem descontraidos, riam, faziambrincadeira. Percebi que o colegiado de professores é unido, é um coletivobem coeso e paira sobre El@s uma Aura de amizade recíproca. Senti umasensação boa em estar lá naquele momento. Percebi que a elite intelectualsenta para conversar, em roda, para decidir as coisas, todos os grandeintelectuais, pessoas famosas, presidentes e personalidades passaram peloconselho. Mas que conselho é esse? Lembrei das aulas de história, pensei como as coisas eram decididasna Roma antiga, no conselho dos Anciãos, me pairou estas imagens em meuplano de idéias. No fim a vice diretora abrir para que eu falasse: Agradeci. Posicionei-me em favor de alguns alunos... REFLEXÃO 9 Rato amarelo, professor!. Ontem iniciamos a 2ª Lei de Mendel. Estive estudando bastante paradesenvolver esta aula, fica em mim a preocupação de que El@scompreendam estes cruzamentos, pois penso que muitos saem do ensinomédio sem compreender adequadamente um Cruzamento simples de
  • 12. monoibridismo, acho que alguns saem do curso superior sem entender ocruzamento das 16 possibilidades do diibridismo. Tenho iniciado as aulascom a mesma metodologia, passado uma folhinha com a data que eles vãoassinando, assim tem sido a “chamada”. Busco não perder tempo nospontinhos nome-a-nome. Iniciamos com um feedback do que viemos estudando, os genes, ascaracterísticas, a 1ª Lei, e apresentei então a 2ª Lei de Mendel. Soliciteiatenção da turma. Disse que a primeira lei analisava uma característica decada vez, entretanto a 2ª Lei irá analisar mais de uma característicasimultaneamente. Isso dificulta a compreensão do cruzamento. A aula foi basicamente toda no quadro. Meu estágio tem sido assim.Muito desenho e esquemas. Setas prá lá e cá. Conceitos novos e conceitosdesconhecidos. O universo das palavras e dos símbolos. O universo dasidéias no quadro negro. “ - Não entendo a letra, professor!” Vou colocando as idéias principais. Fazendo os esquemas. Algumasfrases. Assim na hora da explicação El@s ficam atentos. A questão não écopiar. Mas captar as idéias que facilitem o processo de aprendizagem. letra realent não é uma das elhores, n m d s pior s. Cheisde simbls e ©arregad s de signi ic ds s bjetivs do “eu”. Estudamos dois exercícios específicos da 2ª Lei de Mendel, oprimeiro envolvendo o cruzamento de duplo heterozigotos, comcaracterísticas específicas das ervilheiras de Mendel. Características paraa cor da semente e tipo de tegumento da semente (lisa/rugosa). Esse foi oprimeiro que fizemos. Fizemos o quadro de 16 possibilidades, solicitei que ose alguém era voluntári@ para fazer no quadro os cruzamentos. Aquelamenina de cabelo curto que trabalha na farmácia fez direitinho oscruzamentos dos genes. Mesmo com dois pares de gene ela sacou rapidinhocomo fazia. Notei que ela tem um potencial altíssimo. Na hora de separar os fenótipos o Bruno ajudou na lousa. Fezatentamente e nós compreendemos a proporção fenotípica de 9:3:3:1.Propus um outro exercício para fixar esse tipo de cruzamento, que ao meuver é complexo demasiadamente. Nesse meio tempo chegou uma aluna quenão faz biologia comigo, ela chega para a aula do 3º período. Com ela veio oseu filho, com cerca de 6 anos, eu acho. Sentou-se ao lado da mão naprimeira cadeira, abriu a bolachinha e perguntou se o professor queria uma...o professor prontamente aceitou pois o professor adora bolachinharecheada de morango.
  • 13. O exercício que estávamos analisando havia duas característica deratos. 1- Cor do pelo (branca/preto), 2 – tipo de pelo (eriçado/liso) Quandoeu estava em pleno monólogo das característica escutei aquela vozinha: “ – Pêlo amarelo, professor!” Foi ele que disse. Então troquei a cor do rato, fizemos o exercíciocom a cor sugerida pelo aluninho que nos deu a graça de escutá-lo e estarpresente/ciente/inteligente naquele momento em que eu explicava. Fizemoso exercício usando o amarelo. É por isso que gosto de trabalhar com @s pequen@s. É por isso queGonzaguinha fala em sua música: “Eu fico com a pureza das respostas das crianças” – O que é o Que é. É por causa do amarelo que eu acredito utopicamente na Educação.
  • 14. REFLEXÃO 10 Troca de Sala.. Sexta feira o tempo parecia que mais. Iniciamos a aula colocando osia desabar, achei que ninguém ia para tópicos que seriam abordados em sala.aula. Felizmente eu estava errado. Com Alguns conceitos novos como Dominânciatoda aquela ventania do inicio de outubro, incompleta, co-dominância, genes letais,mesmo com o tempo feio (ou bonito), parecem primeiramente assustá-los, cabealguns alun@s foram para escola. então ao mediador do conhecimentoInclusive a Márcia, uma aluna bem torná-los fáceis e acessíveis,atenciosa que fazia dias que não aparecia. desmistificá-los melhor dizendo. ADevido as questões climáticas a nossa Explicação correu em fluxo normal,turma foi deslocada para uma sala dentro entretanto notei que ainda restamdo prédio da escola, devido as rajadas de dúvidas nel@s. É difícil, pois nãovento norte. Habitamos aquela noite a exteriorizam estas dúvidas, só sesala dos 3ºs anos. pressionarmos e provocarmos as A sala é bem diferente, pois é respostas. Aí então notamos que hálimpinha, o quadro é lisinho e bonitinho... dúvidas.até me inspirei para fazer uns desenhos a Dúvidas e mais duvidas. Sinto um distanciamento: Mesmo o professor buscando um métodobem humano de lecionar, mesmo buscando estar em contato com a turma.Creio que reproduzem um fator social, pois observo que ocupamprimeiramente as cadeiras do fundo da sala. É esse distanciamento queobservo pelas diversas experiências que tenho vivenciado. É umdistanciamento físico. É um distanciamento de idéias e de classes (a classedos professores, a classe dos alunos). Penso que uma educação maisprogressista, humana e ecológica no futuro deverá reorganizar esse espaçoda sala de aula também. Penso em um remodelamento radical, que para issodeverá ser pensado por aqueles que efetivamente fazem a educaçãoacontecer no espaço da escola: @s educand@s. Sugeri um encontro no final do estágio. Sei lá, podemos comer umlanche, uma pizza... Escutarmos uma música (acho que vou levar o violão),para sairmos um pouco das paredes frias do concreto. Sinto que preciso irum pouquinho além... percebo a cada dia que el@s tem mais coisas a medizer. Desejo aprender um pouquinho mais com essa gente que faz de mim afinalidade de um ator ou um Ser: “ Professor!” Ao chegar no cassino a água desabou desse céu. Cruzava relâmpagos por todos os lado. Acho lindo tudo isso. A força da natureza ainda encanta qualquer sujeito.

×