Percepção Ambiental TAIM   (marcelo)
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Like this? Share it with your network

Share

Percepção Ambiental TAIM (marcelo)

  • 1,400 views
Uploaded on

Trabalho desenvolvido no curso de graduação em Ciências Biológicas FURG

Trabalho desenvolvido no curso de graduação em Ciências Biológicas FURG

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
1,400
On Slideshare
794
From Embeds
606
Number of Embeds
13

Actions

Shares
Downloads
4
Comments
0
Likes
0

Embeds 606

http://biosul.blogspot.com.br 447
http://www.biosul.blogspot.com.br 62
http://biosul.blogspot.com 30
http://biosul.blogspot.ru 27
http://biosul.blogspot.pt 22
http://www.biosul.blogspot.com 7
http://biosul.blogspot.it 3
http://biosul.blogspot.co.uk 2
http://biosul.blogspot.com.ar 2
http://biosul.blogspot.mx 1
http://biosul.blogspot.fr 1
http://biosul.blogspot.com.es 1
http://biosul.blogspot.ca 1

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. A PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A RESERVA ECOLÓGICA DO TAIM: UM ESTUDO A PARTIR DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA COMUNIDADE ESCOLAR. Marcelo Gomes de Oliveira1, Vilmar Alves Pereira2.Introdução No contexto atual de um mundo globalizado, o ser humano deixa de serelemento do meio natural e passa a ser dominante da Natureza. O equilíbrio do meionatural sofre grande mudança insensível. A conservação e funcionamento dosecossistemas crescentemente depende da relação entre o homem e meio em que estáinserido. Dialogar as questões ecológicas e ambientais no contexto da comunidadeescolar é buscar entender como se dá essa relação entre o sujeito e o ecossistema que ocerca. Esta pesquisa teve como objetivo escutar a voz daqueles sujeitos que vivem naReserva Ecológica do Taim, na Vila da Capilha e assim pensar a partir disso com ossaberes empíricos pode ser de extrema valias para buscarmos alternativas sustentáveis ecoerentes para alguns problemas que hoje comprometem a biodiversidade do Banhadodo Taim, Assim como coletar dados para uma análise da multiplicidade das realidadesdos sujeitos envolvidos no contexto em questão, tendo em vista que o trabalhopedagógico com a questão ambiental concentra-se no desenvolvimento de atitudes eposturas éticos e no domínio de procedimentos mais do que na aprendizagem restrita deconceitos, a escola se torna um ponto chave em todo esse processo. Discutir a relaçãohomem-natureza é a principal investigação dessa proposta. A região ocupa uma estreitafaixa da Planície Costeira do Rio Grande do Sul, entre Laguna Mirim e OceanoAtlântico. Uma área com cerca de 33.800 hectares constitui a Estação Ecológica do1 Acadêmico do Curso de Ciências Biológicas Licenciatura da Universidade Federal do Rio Grande –FURG. (marcelobiosul@hotmail.com)2 Doutor em Educação, Professor e Pesquisador no Instituto de Educação e nos Programas de Pós-Graduação em Educação e Ciências e Educação Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande –Brasil. (vilmar1972@gmail.com) 1
  • 2. Taim, criada em 1978. Área prioritária à conservação da biodiversidade (MMA, 2000),núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (UNESCO), loca de grandediversidade ecológica e cultural. Para conservado é importante despertar nascomunidades que ali vivem a emoção e a responsabilidade de tornarem-se guardiã atodos elemento ali presentes e que dão sentido as suas vidas. Logo se percebe que oolhar sobre Áreas de Preservação, é uma demanda atual. É consenso na comunidadeinternacional que a educação ambiental deve estar presente em todos os espaços queeducam os cidadãos. O Taim destaca-se como a zona mais rica de aves migratórias aquáticas daAmérica do Sul, disponibilizando abrigo para alimentação e reprodução dessas espécies.No Taim há mais de 200 espécies de vegetais, que convivem com as 220 espécies deaves, 21 répteis, 51 peixes, 28 mamíferos, diversos crustáceos, moluscos e insetos queinteragem com microorganismos indispensáveis para a manutenção da vida (NEMA2004). Nesse estudo levantam-se as seguintes hipóteses: Uma delas é de que acomunidade escolar desconhece o significado do termo meio ambiente, ou sabemapenas o conceito do livro didático. A outra é de que as pessoas acabam criando umsiguinificado próprio e vago para meio ambiente e que muitas vezes é àquelereproduzido na mídia e meios de comunicações, ou seja, são as representações sociaisque dão origem a nossa forma de interpretar o que é meio ambiente. A falta deestratégias e projetos em Educação Ambiental também estaria afetando de formasignificativa essa realidade. Esta análise será apresentada em três momentos; um primeiro momento estetrabalho terá um enfoque teórico onde serão consultados vários autores e pensadoressobre a temática como: Marcos Reigota, Ricklefes, Duvigneud, Pierre George. Depois apesquisa será voltada para o estudo da Vila da Capilha, e a realidade que se encontraatualmente. No terceiro momento colocaremos as diversas interpretações das entrevistase relatos vindos dos atores dessa narrativa. Por fim, considerações finais e proposta deintervenção. 2
  • 3. Metodologia: Podemos atribuir inúmeras definições sobre o que é meio ambiente. Entretantodevemos distanciar brevemente o radical meio do sufixo Ambiente. Segundo o autorReigota, ambiente é “Um lugar determinado e/ou percebido onde estão em relaçõesdinâmicas e em constante interação os aspectos naturais e sociais. Essas relaçõesacarretam processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e políticosde transformação da natureza e da sociedade”.(REIGOTA, 1995) Nesta definição fica implícito que: 1 - Ele é "determinado", quando se trata de delimitar as fronteiras e os momentosespecíficos que permitem um conhecimento mais aprofundado. Ele é "percebido"quando cada indivíduo o limita em função de suas representações sociais, conhecimentoe experiências cotidianas. 2 - As relações dinâmicas e interativas indicam que o meio ambiente está emconstante mutação, como resultado da dialética entre o homem e o meio natural. 3 - Isto implica um processo de criação que estabelece e indica os sinaisde uma cultura que se manifesta na arquitetura, nas expressões artísticas e literárias, natecnologia, etc. 4 - Em transformando o meio, o homem é transformado por ele. Todo processo detransformação implica uma história e reflete as necessidades, a distribuição, aexploração e o acesso aos recursos de uma sociedade. A definição de ambiente para o ecólogo Ricklefs (1984) permeia os campos desaberes das Ciências biológicas, pois define meio ambiente como: “o que circunda oorganismo, incluindo as plantas e os animais, com os que ele interage”. Podemosobservar que para a o ecólogo o ambiente é o lócus onde possibilita a existência da vida.Neste local as plantas, os animais e os microorganismos representam diferentes papéisnos sistemas ecológicos. (RICKLEFS, 2003). Nesse contexto o ecólogo Duvigneud (1984), diz que: “é evidente que meioambiente se compõe de dois aspectos. Meio Ambiente abiótico físico/químico e meioambiente biótico. Já o dicionário Enciclopédia de Psicologia define o meio ambiente: o que circunda oindivíduo ou grupo. A noção de meio ambiente engloba ao mesmo o meio cósmico,geográfico, físico e o meio social, com suas instituições, sua cultura, seus valores. Esse 3
  • 4. conjunto constitui um sistema de forças que exerce sobre o indivíduo e nas quais elereage de forma particular, segundo seus interesses e suas capacidades. Para o geógrafo Pierre George (in Giollito, 1984) o meio ambiente é ao mesmotempo uma realidade científica, um tema de agitação, objeto de grande medo, umadiversão e uma especulação. A partir do exposto, pode se afirmar que a definição de meio ambiente é ampla einterdisciplinar, e que a problemática ambiental não pode se reduzir só aos aspectosgeográficos e biológicos de um lado, ou só os aspectos econômicos e sociais de outro.Nenhum deles isolados possibilitará o aprofundamento do conhecimento sobre essaproblemática. A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 225, o direito de todos aomeio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo, essencial àsadia qualidade de vida, impondo ao poder público, e a Coletividade o dever dedefendê-lo para as presentes e futuras gerações. Assim como o Artigo 170, inciso III eVI instituem a livre iniciativa e a defesa do meio ambiente, que são aspectos dodesenvolvimento sustentável, cuja definição clássica baseia-se, no desenvolvimento queatenda as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as futurasgerações atenderem suas próprias necessidades. Para Marcos Reigota a educação ambiental deve orientar-se para a comunidade,deve procurar incentivar o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemasno contexto de realidades específicas. Os cidadãos do mundo atuando nas suascomunidades, é a proposta traduzida na frase de muitos ambientalistas.“PENSAMENTO GLOBAL E ATUAÇÃO LOCAL.” Assim a Educação ambientaldeixa de estar inserida nas áreas biológicas, e passa a cooperar com as diversas áreas doconhecimento. Conforme o que o autor coloca a educação ambiental deve ser entendidacomo educação política, no sentido que ela reivindica e prepara os cidadãos, para exigirjustiça social cidadania nacional e planetária, autogestão e ética nas relações sociais ecom a natureza. Nas ciências sociais o estudo das representações sociais remonta ao estudo doséculo passado e fundamentadas no trabalho de Émile Durkhein. Autor consideradomarco na sociologia. Segundo ele nada ou quase nada escapa das configurações sociais,ou seja, a sociedade age sobre seus indivíduos e por conseguinte sobre o meio ambienteindependente da vontade desses. Seguindo esse raciocínio estudar as representaçõessociais sobre a concepção de meio ambiente da comunidade escolar do Taim, é 4
  • 5. desvendar o modo de pensar, e as próprias práticas dos alunos, dos professores e dosmoradores diante suas ações na Reserva Ecológica. Para isso a importância dedefinirmos o que é meio ambiente, conforme seus diferentes olhares. O que vem em mente quando falamos em Taim? Um lugar de imensa beleza paisagística e cheio de vida. Na sua imensa gama dediversidade de formas e adaptações. Um ecossistema peculiar cuja manutenção dependede um ambiente vivo, em uma dança de modificações contínuas e de inter-relações nofluxo e refluxo de energia da Mãe-Terra. Ventos sopram do Nordestes. Ventos sopramdo Sul trazendo o ar gelado do Uruguai. A Lagoa Mirim, fonte de riqueza e alimentopara a comunidade que ali vive. Fonte de água para a agricultura e produção de grãos.Lagoa Mangueira, que serve de abrigo e refúgio de milhares de aves que migratóriasque delas tiram o nutriente para seguir em sobrevoada. Areia. Dunas. Marismas. Flora efauna em harmonia. Atividade humana. O potencial biológico é fantástico. A Vila da Capilha, município de Rio Grande, é um dos maiores agrupamentoshumanos mais antigos da região. Os testemunhos da história e da vida das pessoas,estão registrados na Igreja da Capilha, nas casas Comunitárias, na comida, no linguajar,nas vestimentas, nas lendas e mitos, nos botes que colhem as redes, nas taipas doscampos de arroz, na lida com o gado, no golpe do matungo, no grunhido do capincho ena liberdade da vida selvagem. 5
  • 6. Os moradores que vivem na Capilha são extremamente hospitaleiros ecompreensíveis. A maioria deles tem ciência e juízo claro que habitam um lugar deimportância ecológica a nível global. Já estão habituados a receberem pesquisadores eestudantes de muitas universidades que por ali passam e ficam maravilhados com o pôr-do-sol na Lagoa Mirim, e principalmente com a mística e segredos que a Igreja nosrevela quando a avistamos pela primeira vez. Revelo que fui uma das vítimashipnotizadas pela magia desse amigo lugar no Sul do Brasil, e motivo pelo qual nosinstigou a realizar a presente pesquisa. Figura 1: Igreja da Capilha 6
  • 7. Contextos da Reserva, realidade atual. A IUCN (União Mundial para a Conservação) recomenda que sejam protegidos,pelo menos, 10% do território de cada país pra que se assegure minimamente aconservação da biodiversidade no médio e longo prazo. Segundo informações doICMBIO, o Brasil mantém 8,2% (77 milhões de hectares) do seu território protegidosob forma de Unidade de Conservação. A Reserva Ecológica do TAIM sobrevive aos impactos da pecuária extensiva.Essa forma de produção acarreta no pisoteamento do solo com vegetação nativa queserve de abrigo para aves que nidificação no chão, além disso, esse bioma é habitadopor peixes anuais que depositam suas ovas e que também dependem dos ciclos de cheiae seca do banhado. A Lagoa Mirim é largamente utilizada como fontes hídricas para aguar osarrozais, esses que por sua vez, são contaminada pelos pesticidas, agrotóxicos edesfolhantes sintéticos amplamente utilizados pela agricultura convencional. Essesprodutos químicos têm elevado espectro de atuação. Apresenta efeito genotóxicos ecausa diversos problemas para a saúde de quem os consome, neste caso a espécies dePlantas e animais pois integram a Teia ecológica. Figura 2: Biodiversidade local 7
  • 8. Pesquisa de campo A pesquisa qualitativa trabalha com siguinificado, motivações, valores e crençase estes não podem ser simplesmente reduzido as questões quantitativa, pois respondema noções muito particulares. Entretanto os dados quantitativos e qualitativos acabam secomplementando dentro da pesquisa. (MINAYO, 1996) Nesta análise estaremos apresentando os resultados da pesquisa de campo,realizada na Vila da Capilha, comunidade que vive na Reserva Ecológica do Taim. Oobjetivo da aplicação dos questionários foi a compreensão e o estudo contextualizadodas percepções ambientais da comunidade. Foram desenvolvidos dois tipos dequestionário; O primeiro direcionado a crianças da Escola Municipal de EnsinoFundamental Profº Aurora Ferreira Cadaval, o qual engloba uma questão, e propicia quea criança se expresse em forma de desenho. O segundo questionário para os moradoscom três questões que permite aos colaboradores expressem suas opiniões.2.1. Questionário direcionado a Escola:1) O que você entende por meio ambiente?2) Desenhe o ambiente em que você vive:2.1.1 Meio Ambiente para as crianças Considerável número das crianças pesquisadas possui opinião sobre meioambiente ligada aos animais da do local. Para elas meio ambiente são os pássaros quevivem ali, são os peixe pescados, gatos, cavalinhos e vaquinhas. Notamos que dessesanimais que eles possuem no plano das idéias são animais domesticados, e que osanimais selvagens não estão ainda familiarizados ao contexto ambiental. Podemosperceber uma opinião que confirma nossa primeira hipótese, Algumas criançasapresentam dificuldades em conceituar meio ambiente, todavia outra menininha nãodefine o que é. Ana Julia fica em silêncio quando questionada sobre o que entende pormeio ambiente. A professora estimula que ela diga que meio ambiente seja a água dalagoa e os bichinhos que vivem lá. Ana Julia comenta que “há muito tempo houve umaqueimada ali Taim, então ficaram alguns dias as cinzas e as nuvens de fumaça no céu, e 8
  • 9. isso não era bom para as capivaras e filhotes de capivara, pois o fogo havia queimado opasto que servia de alimento para a capivara.” Quando Cardosinho foi questionado o que para ele é o meio ambiente,respondeu: “- A Gauga, cachorrinha lá de casa, está amamentando a 10 filhotinhos,você, você pode ir lá tirar uma foto ou entrevistar meu pai”. Foi constatado que a percepção que as crianças têm de meio ambiente ainda édistante de uma natureza incluída em um espaço histórico e produto das atividadeshumanas. Percebemos que ainda há distância siguinificativa de projetos em EducaçãoAmbiental para essa comunidade e que abracem principalmente as crianças que alivivem.2.1.2 Desenhando o ambiente Ao solicitarmos que as crianças desenhassem o siguinificado de meio ambiente,Ana Julia foi a educanda que se destacou entre as demais coleguinhas. Rapidamenteentregou-nos sua obra em uma folha com a sua assinatura. Ao analisarmos o trabalho dedicado da pequena menina, notamos que na base deseu desenho está as águas da uma lago, que possivelmente seja a Lagoa Mirim.Notamos a presença de Peixinhos na água e um barco sob as águas com ondinhas. Asondas representam a agitação das águas da Lagoa Mirim, que por ostentar uma lâminad’água de extremamente grande, em dias de vento forte a Lagoa Mirim parece formarondas semelhantes as do Mar. Percebemos logo acima um helicóptero perto de seunome. Logo notamos alguns rabiscos que representam uma linda flor e uma bonitaárvore com seus frutos. Visualizamos no desenho da Pequena Artista alguns pássaros sobrevoando ocenário imaginado pela criança, e a presença de um Sol, Astro-Rei, sorridente eirradiante no centro superior da folha, representado a energia suprema fonte da vida. Percebemos que as crianças possuem uma visão coerente de meio ambienteatravés de desenhos e esquemas, pois nesta análise notamos a relação dos elementos daNatureza juntamente com elementos humanos. Constatamos que o trabalho lúdico éuma importante forma para pensarmos novas formas pedagógicas para aplicarmos umaeducação ambiental que traga-nos belos resultados. 9
  • 10. Questionário direcionado aos moradores1) Quais os pontos positivos de viver em uma reserva Ecológica2) Quais os pontos que você considera negativo da Reserva?3) Qual é sua definição de meio Ambiente2.2.1 Pontos positivos de uma Reserva Percebemos que as sujeitos entrevistados têm uma paixão e um sentimento depertença em viver na Reserva. Tânia destaca como pontos positivos “a tranqüilidade ehospitalidade do povo, também que está em contato direto com a Natureza. Nãoconseguiria viver em uma cidade com trânsito de ônibus e poluição dos carros. Ocolaborador Pedro diz que “na Lagoa Mirim está o sustento da sua família, seu avô foipescador, seu pai , e ele também é pescador.” Juraci relata que mora na Capilha há maisde 50 anos e é coordenador da Associação dos Pescadores, para ele morar na Reserva doTaim é ver a presença de Deus todos os dias quando desperta para suas atividadesdiárias. Foram observadas várias opiniões, entretanto destacamos que os sujeitossentem-se ligados com o local que nasceram, viveram e criaram seus filhos. A maioriadeles(as) são pescadores e dependem da fartura da Lagoa Mirim Figura 3: A pesca artesanal 10
  • 11. 2.2.2 Pontos negativos de viver em uma Reserva Ecológica Foi escutado o relato de alguns pescadores que dependem da Lagoa. Elesreclamam de problemas com o órgão fiscalizador. Relatam que os lavoreiros queretiram água da Lagoa para os arrozais, não colocam a tela que impede a entrada dealevinos e peixes pequenos, acarretando na sucção dos filhotes de traíra e jundiá para asos campos, muitas vezes acabam morrendo no barro das lavouras por falta de oxigênio. Relatam que o IBAMA muitas vezes acaba proibindo o pequeno pescador eapreendendendo suas redes. Contudo não fiscaliza as bombas de sucção de água quecausa nocivo impacto ambiental a comunidade de peixe e em conseqüência disso a todaa cadeia trófica. Luiz Carlos declarou que a questão climática vem afetando o ciclo hídrico decheia e rasa da Mirim, que no inverno está calor e que esse quadro acaba cada vez maisse agravando. Afirma que o homem não deveria provocar queimadas, ao contrário dissodeveria preservar a mata virgem. Notamos que os sujeitos entrevistados têm profunda preocupação com LagoaMirim, e que lutam por sua preservação. Ao contrário dos demais, Maria diz que “as pessoas deveriam ter consciência aoacelerarem seus carros na estrada que cruza pelo Taim, pois é inconcebível que nãovisualizem as enormes capivaras atravessam a rodovia. Relata também aresponsabilidade do ICMBio em colocar as telas para que impeçam a travessia dosanimais. Talita relata o descaso do Estado para com a Reserva, pois deveria haver maisplacas na estrada, e pessoas capacitadas e qualificadas para trabalharem na Taim. 11
  • 12. Figura 4: Atropelamento de capivaras2.2.3 Qual é a sua definições de meio ambiente Considerável número dos sujeitos pesquisados não apresenta definição clarasobre meio ambiente. Assim para elas meio ambiente é Preservar a Natureza. Notamosdessa forma que o siguinificado para a comunidade é semelhante aos slogans echamadas da televisão. Nesse sentido constatamos que são essas formas de pedagogiasculturais que acabam dando origem subconscientemente a nossa forma de interpretar ever o mundo em que vivemos. Para Giroux (2003. P128) “a mídia produz imagens que preenchem a vida daspessoas, especialmente crianças e jovens, de forma que condicionam seus desejos epercepções. Na cultura contemporânea, em um panorama marcado pela onipresença damídia, estaríamos presenciando um processo permanente de regulação de significados,valores e gostos, enfim, estaríamos sujeitos a processos educativos postos em ato pelamídia, na medida em que ela “estabelece as normas e as convenções que oferecem elegitimam determinadas posições de sujeitos.”. Constatamos que os sujeitos da comunidade entrevistados desconhecem o que éEducação Ambiental, alguns não possuem escolaridade e poucos sabem ler e escrever. Quando Gilson é questionado sobre o que é educação ambiental logo solicita queo não façamos perguntas referente a escola, pois freqüentou até a quarta série. Podemos perceber uma opinião que confirma nossa primeira hipótese, pois todosentrevistados relacionam meio ambiente a alguma elemento da flora e/ou fauna. 12
  • 13. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao expormos o desenvolvimento desta narrativa, nosso objetivo principal foiescutarmos os diversos sujeitos e atores que vivem na Reserva Ecológica do Taim eassim buscar uma postura dialógica para pensarmos futuros projetos eficientes emEducação Ambiental. Deste modo levamos algumas hipóteses e suspeitas sobre o temaque foram confirmadas ao longo do decorrer da pesquisa Estamos convencidos que necessitamos de uma iniciativa em educaçãoambiental condizente frente a importância da Reserva Ecológica do Taim como reservada Biosfera da Mata Atlântica (UNESCO), Estamos propícios a acreditar que muitos dos entrevistados(as) nãocompreendem o real siguinificado de meio ambiente, e acabam se referindo com umafala Preservacionista. Por esse motivo suas concepções acabam reproduzindo asideologias da mídia vigente. Em relação aos questionários aplicados as crianças observamos que relacionammeio ambiente a um animal domesticável que possuem contato. Notamos todavia que émais produtivo trabalharmos as questões lúdicas das crianças. Estamos convictos da importância d a Lagoa Mirim para a sobrevivência daComunidade da Capilha. Concordamos uniformemente com o Autor Marcos Reigota em que a educaçãoambiental deve orientar-se para a comunidade e deve procurar incentivar o indivíduo aparticipar ativamente da resolução dos problemas no contexto de realidades locais. Acenamos positivamente para o sociólogo Durkhein quando nos diz que “asrepresentações coletivas traduzem a maneira como o grupo se pensa nas suas relaçõescom os objetos que o afetam. Para compreender como a sociedade se representa a sipróprio e ao mundo que a rodeia, precisa considerar a natureza da sociedade e não a dosindivíduos. Constituem objeto de estudo tanto quanto as estruturas e as instituições: sãotodas elas maneiras de agir, pensar e sentir, exteriores ao indivíduo e dotadas de umpoder coercitivo em virtude do qual se lhes impõe” Assim a temática da representaçãosocial comparece ordinariamente na análise das ciências sociais referindo-se à imagemdo social, através da qual os indivíduos elaboram a compreensão do seu universo. Asconstruções do imaginário humano sobre o real exigem repensar de maneira constante ocaráter atribuído à relação entre mundo material e simbólico, entre o objetivo e o 13
  • 14. subjetivo, entre os fatos e a respectiva compreensão. Pensarmos o meio ambiente épensarmos o Eu.3.1 Proposta de Intervenção Definir meio ambiente junto a Comunidade escolar do Taim, facilitar oficinas deeducação ambiental para a Comunidade e principalmente junto a Associação dePescadores. Desta maneira pode-se realizar um trabalho de profunda relevância nocontexto da Reserva Ecológica. Estreitarmos a distância entre Universidade e Comunidade, criarmos projeto deextensão que viabilizem a atuação acadêmica na Vila da Capilha, principalmente com aAção Pedagógica voltada para a Educação Ambiental. Buscar estratégias viáveis via poder público para a melhoria das Condições dosÓrgãos de fiscalização da Lagoa Mirim, impedindo que danos a biodiversidade do localcontinuem acontecendo. Enfoque da ação Pedagógica nas crianças da Escola da Capilha assim de fatoestaremos pensando/fazendo um futuro promissor com base nos princípios de ética,pluralidade e sustentabilidade. 14
  • 15. OBRAS CONSULTADASBRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica.Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio.Brasília, DF, 1999.GRAMSCI, Antonio. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: CivilizaçãoBrasileira, 1986.PORTAL BRASIL. Situação do Meio Ambiente. www.brasil.gov.brMINAYO, Maria Cecília de Souza (org). Pesquisa Social: Teoria, Método eCriatividade. 6a Edição. Petrópolis: Editora Vozes, 1996.GIROUX, Henry. Atos impuros: a prática política dos estudos culturais. Trad.Ronaldo CataldoCosta. Porto Alegre: Artmed, 2003.DURKHEIM, Emil. As regras do método sociológico. Coleção Pensadores. São Paulo:Abril, 1978.LEONARDO BOFF. Ecologia – Grito da Terra, Grito dos Pobres. Editora Sextante.JACOBI – Cidade, Meio Ambiente e Sustentabilidade.LOVELOCK, JAMES – Gaia, cura para um planeta doente – Hipótese Gaia.REIGOTA, MARCOS – Meio ambiente e representações sociais. Editora Cortez. SãoPaulo. 1995.FREIRE, PAULO. Pedagogia da IndiguinaçãoPENTEADO, HELOÍSA DUPA – Meio ambiente e formação de ProfessoresSATO, MICHELE. Biorregionalismo: Identidade histórica e caminhos para acidadania.INTERATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE -www.iucn.org 15