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Janine salvaro: Tribalização
 

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    Janine salvaro: Tribalização Janine salvaro: Tribalização Document Transcript

    • TRIBO: QUAL É A SUA? A PÓS-MODERNIDADE COMO PALCO PARA A FORMAÇÃO DE TRIBOS. Janine Salvaro1Resumo O presente artigo visa discorrer sobre a importância do estudo dos relacionamentos sociais do Homem, no momento atual, a pós- modernidade. Tais relacionamentos contribuem na formação humana e exercem influências, principalmente na formação de tribos, grupos ou comunidades. Conjuntos que partilham de elementos em comum, mas que como a sociedade, estão em constante evolução. A fundamentação teórica foi baseada, principalmente, nos conceitos de Maffesoli. Optou-se pela pesquisa bibliográfica. Tribo qual é a sua? Identifica a existência de inúmeras na sociedade pós-moderna. O desejo de estar em grupo e se sentir membro de alguma coisa mais sólida induz ao Homem este sentido de partilha e convívio, até mesmo pela partilha de signos, a citar a moda como exemplo.Palavras-chave: Tribos. Maffesoli. Pós-modernidade.INTRODUÇÃO Balada, trabalho, futebol, família, grupo religioso, galera da faculdade [...]As situações vividas com estes e demais grupos representam as relações doindivíduo com seus semelhantes. O convívio com tais grupos não é padrão, pode serdiário ou esporadicamente. A importância do estudo de tais relacionamentos é, alémdo conhecimento do comportamento dos indivíduos (entenda-se consumidores), acompreensão do movimento atual: a pós-modernidade, que é o palco para aformação destas tribos, que acabam por proporcionar mudanças tanto para vidaindividual quanto coletiva. (MAFFESOLI, 2005).1 Acadêmica do 8° semestre do curso de Comunicação Social – habilitação em Publicidade ePropaganda – da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, campus Tubarão. Atua noSENAC de Criciúma no setor de Relações com o Mercado. E-mail: janinesalvaro@hotmail.com.
    • 2 Em princípio acredita-se que são “tribos” todos os grupos de convivência.No entanto, Maffesoli (2005) esclarece que para se considerar “tribo” é necessária apartilha de valores, através dos quais se caracteriza cada grupo para seus membrose para quem os enxergam fora dele. Em princípio serão abordadas aquicaracterísticas da pós-modernidade e da formação de tribos para compreensão detal feito.O PALCO CHAMADO PÓS-MODERNIDADE A pós-modernidade, como terreno para a formação destas tribos, seria ajunção de valores arcaicos e tecnológicos, a expansão da tecnologia, e oagrupamento dos homens. Maffesoli apud Paiva (2004, p. 35) considera que “oBrasil se configura como um “laboratório da pós-modernidade”, onde se conjuga oarcaico e o tecnológico, expressão dos sincretismos e hibridações, celeiro deconexão das diversidades mais extremas”. É após a Segunda Guerra Mundial que a humanidade toma consciênciade que ingressou numa nova época, e que não haveria mais a revolução dasociedade, pois é a própria, que, com todas as suas divisões, encontra-se emprocesso de desintegração (ROCHA, 2007). Ou seja, neste âmbito de mudanças,até mesmo as relações consideradas mais estáveis acabariam por se fragilizar. Talfato percebe-se nas mudanças de grupos, as relações modificam-se e aaproximação dos grupos, é feita por características em comum; como ascaracterísticas estão em plena ebulição, é coerente que as tribos também mudem.Rocha (2007, p.232) explana que “o perfil pós-moderno advém da consciência deque sempre há lacunas, fragilidades e limites, e que como é formada por humanos,há sempre a sua ambigüidade”. Humanos são complexos e tornam a suaconvivência complexa. Santos apud Barros Filho (2006, p. 112) expõe que “na pós-modernidade,matéria e espírito se esfumam em imagens, em dígitos num fluxo acelerado”. Apreocupação da imagem também pode ser relacionada ao consumo, em que, namaioria das vezes não é decorrente de uma necessidade básica, mas sim desustentação de sua imagem perante a sociedade ou seu próprio grupo de referência.
    • 3 Outro aspecto da sociedade pós-moderna é a instabilidade das relações,a imprecisão das expectativas e a indeterminação do ser. Na pós-modernidade elasapresentam-se como sendo menos precisas e menos definidas. Ainda há de serelacionar a falta de compromisso dos indivíduos. Desta forma aparece o “estar” nolugar de “ser”, a “ética do ficar com quantos apetecer” (BARROS FILHO, 2006).Relaciona Cazeloto (2007, p. 66), que “se, durante todo o período moderno, a idéiade “classe social” dominou o imaginário das relações e conflitos sociais, outrasformas de agrupamento vêm surgindo”. Ou seja, as tribos tradicionais já deixam deexistir e dão espaço as novas formas de interação advindas da pós-modernidade. Barros Filho (2006, p. 104) expõe que “o homem pós-moderno éprogramado e impossibilitado de causar alguma forma de revolução, reconhecemoutros, menos esperançosos”. Assim sendo, não existem os antigos militantes, oshomens não se envolvem, ou, no mais é apenas uma participação discreta e, depropriamente expectador, platéia de sua própria existência. Rocha (2007, p.232) acredita que até o conhecimento adquiriu um caráterpós-moderno, com a revisão dos seus fundamentos: Ingressamos não apenas em uma nova época da história, mas em um novo sistema de pensamento. O triunfo da economia de mercado e o correlato avanço das tecnologias de informação acarretam a ruína do principio moderno, segundo o qual o sentido do saber seria a formação do individuo e a emancipação da pessoa humana em relação aos poderes que, de algum modo, a reprimem, e assim, a mantém agrilhoada. Segundo Trivinho (apud Cazeloto, 2007, p. 67), os elementos da pós-modernidade seriam estes: “entrelaçamento biopolítico entre política, economia ecultura, ao romper com o paradigma dominante da constituição social desde omundo grego”. E, para esclarecimento quanto à origem da pós-modernidade, e oque representa a modernidade, Barros Filho (2006, p.103) explana que “se amodernidade se caracterizou pela tentativa de entender objetivamente os poderesque formam o tecido social, em grandes recortes da realidade, a pós-modernidade,por sua vez, denuncia os micropoderes capilares que a compõem”. Nasce a pós-modernidade ou pós-modernismo. Símbolo de uma nova era. Era do vazio. De um novo entendimento. De ‘revanche dos valores do sul’. De retorno histórico e pendular ao predomínio do sensorial em detrimento
    • 4 do racional. De sensualismo pós-moderno. De explicações compreensivas e fragmentadas. De reencanto. De excesso. De desperdício e, de consumação. De muitos deuses. E da parte do diabo. De crepúsculo do dever. De maior respeito à liquidez dos amores. Da natureza oscilante dos afetos. Tudo rápido demais. Nascitura ainda sem nome. Um nome dado às pressas. Um pós qualquer coisa. Para o que vem depois do que acaba de acabar. Sem mais delongas. Sem preocupações com a própria substância. Definição pelo outro. Apenas o que não é. Ou o que não é mais. O vivo pelo morto. Denúncia do fluxo. Pleonasmo (BARROS FILHO, 2006, p. 103). Complementa Bertoldi (2001) que não se pode imaginar a sociedade pós-moderna sem a presença maciça de informações ou, ainda a comunicação demassa na vida pessoal e social. Seria esta possibilidade de interação constante eeste número sem fim de informações recebidas diariamente que também contribuemna construção do Homem. Paiva (2004, p.33) esclarece que “Baudrillard mira a sociedade deconsumo, os objetos e as imagens, mostrando suas fraturas e desaparições,fragmentos e disjunções, enquanto Maffesoli os percebe como elementos de coesãosocial, laços simbólicos forjando estilos de comunicabilidade”. Abordagens diferentesde uma mesma realidade: a pós-modernidade. Nada espantoso devido ao númerosem fim de mudanças que o Homem provoca em seu Ser. Ainda segundo Bertoldi (2001) não se tem claramente o que significa após-modernidade em nosso meio. Discorre o autor: Alguns sugerem que a pós-modernidade representa um período de vida social; a mudança de uma época para outra e ainda a interrupção da modernidade, envolvendo a emergência de uma nova totalidade social, com seus princípios organizadores próprios e distintos; outros vêem nela a ficção de uma imaginação acadêmica fértil, de uma propaganda popular enganosa ou de esperanças radicais frustradas. Torna-se, entretanto, pertinente e relevante aprofundar essa idéia porque ela nos conscientiza para uma série de questões importantes no que diz respeito às transformações tecnológicas, envolvendo as telecomunicações e o poder da informática; mutações nas relações de interesses políticos e o surgimento de movimentos sociais, especialmente os relacionados com aspectos étnicos e raciais, ecológicos e de competição entre os sexos; a globalização. Barros Filho (2006, p. 111) é mais abrangente, afirma que “não bastaapenas inventar simplesmente novos termos, como pós-modernidade e outros”. Énecessário que se compreenda antes, quais as conseqüências da modernidade paraa sociedade, e não apenas permanecer no “achismo” e no “deixar rolar”, frases de
    • 5efeito em grupos que se identificam com certa passividade da vida, há ainda algunsque vivem como o refrão: “deixa a vida me levar, vida leva eu [...]”.TRIBOS: O ESPETÁCULO EM ANDAMENTO Ao longo da história, o Homem buscou viver em tribos, ali se reproduziam,trabalhavam para conseguir alimento e protegiam-se. Esse foi o princípio básico desobrevivência dos primeiros grupos que posteriormente evoluíram para as primeirascomunidades (BALDANZA, 2007). Dessa forma para certas pessoas e mesmohistoricamente, conviver com determinado grupo é uma questão de tradição. Há, a partir de 1970, uma segmentação de público e diferenciação deprodutos e mensagens. Também com a realidade pós-moderna, as relações entregrupos (tribos) são influenciadas, Rocha (2007) situa que muda também a relaçãodos indivíduos com os objetos, na relação familiar e na trajetória dos grupos sociais.Muda também a relação com seus signos de referência. Relacionando diretamenteao consumo, Baudrillard apud Barros Filho (2006, p. 107) cita que “a marca podecomportar uma série de signos. Constituir um “supersigno”. A mesma Mont Blancque significa sofisticação, também significa riqueza, sucesso etc. Simulacro,portanto”. Em síntese, as pessoas compram a marca e não os produtos: preferem aimagem ao objeto, ou seja, a cópia do real. Barros (2006, p. 112) explana que “osimulacro não é pura representação, embeleza o próprio real, o faz mais brilhante,mais próximo daquilo que desejamos como real. O hambúrguer sem graça dá águana boca na fotografia. A calça jeans se destaca na topografia discreta da modelo”. Aexplicação também pode ser relacionada à moda: consumo de signos semelhantespara se sentir um membro efetivo do grupo. Já Maia (2005, p. 78) supõe que “acomunicação transforma-se em comunhão na efervescência das tribos urbanas, peloseu “fechamento” e, também, podemos afirmar, pela circulação de códigos e signosque suscita”. Cada tribo constitui-se de signos, e esta partilha fomenta orelacionamento. Paiva (2004) ainda contextualiza que, para Maffesoli, as instituiçõestradicionais perderam em relações, prejudicando a sua sintonia. Fato este
    • 6perceptível nas tribos que a formam, por exemplo, os grupos escolares cada vezmais dispersos, pois sofrem ameaça de amigos “on-line”, comunidades virtuais,jogos em rede. As pessoas, ainda, substituem suas tribos e membros de referência,é essa gama de valores que perpassa a tribo, pois a constitui, e, por sua vez, aoindivíduo que, também, é formado pela tribo. Guareschi (2005, p.53) expõe que “[...]somos na verdade, algo como uma soma total das relações que estabelecemos emnossa vida”. Em outros termos, o sentido de relação caracteriza-se por esta partilha devalores, e, para tal Maffesoli (2000, p.21) complementa que “é a emoção quecimenta o conjunto. Este pode ser composto por uma pluralidade de elementos, mastem sempre uma ambiência específica que os torna solidários uns com os outros”.Todo o conjunto social possui algo em comum. A ponto de que o indivíduo se formaa partir destas relações, por isso o indivíduo possuir esta multiplicidade de valores,em conseqüência dos diversos grupos que participa (MAFFESOLI, 2005). Clooneyacrescenta que “as pessoas herdam suas características no convívio com o outro aoinvés de herdá-las através dos genes” (CLOONEY apud DEFLEUR E BALL-ROKEACH, 1993, p. 50). De acordo com tal realidade, Maffesoli (2005, p.18), esclarece que “astribos comungam de valores minúsculos e num balé sem fim, chocam-se, atraem-see repelem-se numa constelação de contornos mal definidos e totalmente fluídos”. Oconstante afastamento e a solidão que sofrem os humanos é parte, reflexo destavida sem companhia total, sem segurança, e a busca pela sua plena felicidade. “Éeste horror do vazio que leva os indivíduos a se agruparem, muitas vezes sem ummotivo ou identificação aparente” (MAFFESOLI, 2005, p. 20). A infinidade de relações que um indivíduo possui representa na verdade adiversidade de grupos com os quais integra (GUARESCHI 2005). A relação entre osmembros de determinado grupo ou tribo, pode ser potencializada através doconsumo (partilha de signos). Pois as informações, a comunicação e os hábitos deconsumo são particulares em cada um dos grupos. Maffesoli (2005, p. 24) esclareceque “toda forma produtora de significação para um grupo determinado, pode serinsignificante para outro”. São estas características que identificam o grupo paraseus membros e para os que o percebem fora dele.
    • 7 Numa visão mais crítica desta característica do mundo pós-moderno,indica Maffesoli (2005, p.8): “como pensar a pulsão que me leva a fazer como osoutros, a seguir a moda, a ser impulsionado por esse estranho instinto demimetismo”. São as reflexões que levam ao grupo partilhar emoções, fatos,imagens. Esta relação, ao mesmo tempo, serve como referência para ocomportamento dos participantes. A partilha inclui o consumo de objetostecnológicos, a citar: celular, que cresce cada vez mais entre os jovens. Outro pontosão as atualizações efêmeras da moda, e o consumo por parte de pessoas quequerem fazer parte do mundo. Para tal Baudrillard (2006, p. 95) relaciona que “oconsumo pode assim, por si só, substituir-se a todas as ideologias e acabar porassumir a integração de toda a sociedade, como acontecia com os rituaishierárquicos ou religiosos das sociedades primitivas”. Há que se perceber o sentido “tribalista” da vida e das interações sociais,que por sua vez asseguram a continuidade da vida humana, através da interação esocialidade (PAIVA, 2004). A formação de tais grupos, e o seu convívio é demaneira ampla, importante para a estabilidade e fortalecimento da sociedade atual.Imagine se não existissem tribos ou grupos, todos seriam desconhecidos um aooutro, os laços afetivos estariam desaparecendo, pois os relacionamentos e o desejode estarem em convívio são relacionados diretamente a presença de sentimentos:amizade, colaboração, conflito [...]. Já uma visão contrária em relação à influência das tribos na formação deum novo consumidor, aparece nas palavras de Zygmunt Bauman apud Barros Filho(2006, p.105) onde “a sociedade pós-moderna envolve seus membrosprimariamente em sua condição de consumidores, fazendo surgir, assim, um novotipo de consumidor. Aquele – idealizado pelos grupos de referência – há muitodeixou de existir”. Os relacionamentos são complexos, a sociedade é constanteprocesso de mudança e, com isso os humanos que a formam também. Quanto aidentidade do novo consumidor: A identidade do novo consumidor é, agora, negociada nas complexas interações sociais em que está envolvido. Multiplicaram-se as fachadas. Num comércio incessante de representações, no qual a mesma pessoa representa várias demandas, sem qualquer uniformidade ou padrão de consumo. Muitos consumidores num só homem. Homem que, além de múltiplo, é mutável. Máscaras em profusão, sobrepostas com agilidade. Para necessidades sociais nunca tão explicitamente inéditas. Máscaras que
    • 8 objetivam novas personagens. Para si e para os outros. Personagens que revelam um ator versátil. Que abrigam em seu interior infinitas imagens sociais. Passageiras. Efêmeras. Fragmentos que não tardam em se desfazer. Esse é consumidor em tempos pós-modernos: dilacerado e perecível (BARROS FILHO, 2006, p. 105). Tal concepção traz à tona, a dúvida: pode realmente as interações entreas tribos que o individuo possui serem relevantes para a formação de suascaracterísticas? Na verdade, percebe-se que tal quantidade de máscaras utilizadaspelo homem, pode ser relacionada a esta diversidade de tribos que participa.Sempre buscando se adaptar para sentir-se querido e protegido no meio dossemelhantes. Ao considerarmos esta ação (de usar máscaras) como prática de todaa sociedade pós-moderna, tem-se, quem sabe, o único ponto em comum de todosos indivíduos. Já o autor Lipovetsky (2004), discorda, de que a sociedade tem tendênciaà tribalização, para ele o indivíduo pós-moderno é excessivamente caricaturado comuma versão sobre si mesmo. Na sua visão o indivíduo está centrado no seuindividualismo. Ainda afirma que “a necessidade de amor permanece a mesma,microgrupos reconstituem-se, multiplicam-se as associações filantrópicas, masdesaparecem as formas diretivas e coercitivas da sociabilidade” (2004, p. 21).Maffesoli esclarece que M. Scheler e G. Simmel partilhavam igualmente esta visãoda unidade da vida (MAFFESOLI, 2000). Esta crescente pluralidade de tribos presentes na sociedade, e avariedade de perspectivas, de cada grupo, faz com que estes acabem se chocandoe cruzando, mostrando de fato a fragmentação do mundo (MAIA, 2005). JáLipovetsky (2004) tem uma concepção contrária, contextualiza que, em meio aosestudos de tribo, clã ou comunidade, não há de forma alguma esgotamento doindividualismo para a supervalorização de tais conjuntos. Maffesoli ainda relaciona a importância de grupos ou tribos quecompartilham um espaço físico, segundo ele “as emoções partilhadas econsolidadas são vividas como fatos constituídos por e para as “tribos” queinscreveram suas histórias neste lugar” (MAFFESOLI apud MAIA, 2005, p. 79). Nacidade hoje, há diversos lugares de encontros, são ambientes diferentes ondegrupos de pessoas reúnem-se para a partilha de emoções. Tais emoções podem
    • 9caracterizar-se como afinidades emocional ou festivo, ao invés de apenas racional efuncional (PITTA, 2005, p. 87). Evidencia-se o fato de que cada tribo tem um lugar específico deencontro, por exemplo, o futebol no estádio, a família em alguma casa em comum, agalera da faculdade na própria. Relaciona-se o fato de que quando transgridem oambiente que lhes é característico estão assumindo as relações que contemplam.Pitta (2005, p.87) ainda evidencia que “a cidade noturna ou diurna é composta porlugares que são investidos por grupos, tribos, que estão lá por causa de uma razãoemocional, de um sentimento que não tem nenhuma explicação racional.” Baldanzacontribui ao citar Buber (2007, p.22) expõe que “a verdadeira comunidade não nascedo fato de que as pessoas têm sentimentos umas com as outras [...] ela nasce deduas coisas: de estarem todos em relação viva e mútua com um centro vivo e deestarem unidas umas às outras em relação viva e recíproca”. Barros Filho (2006) explana que, em decorrência de tal ação não há únicaatribuição para o indivíduo, e sim múltiplas. Haja vista que neste mesmo período,quando tribos, famílias, etnias, gêneros, profissões e instituições apresentam suaspróprias formas de interação simbólica e representantes de seus papéis (havendotambém modificação nestes papéis), conforme tamanho do grupo. Todavia, merece destaque que foi fundamental a influência da tecnologiapara a expansão destas tribos. Segundo Rocha (2007, p. 226) “o novo sistema decomunicação baseado na tecnologia digital é o lastro dos conceitos de “economiainformacional global”, “cultura da virtualidade real” e, obviamente, o de “sociedadeem rede”. Baldanza (2007, p. 27) sintetiza que “a rede digital maximiza intercâmbiosentre produtores, receptores e emissores”. Tal ação permitiria aos usuários seassumirem como atores, que podem produzir, pensar, analisar, debater, refletir. O crescimento do acesso à internet, faz com que aumentem o número decomunidades virtuais, exemplo disso é o orkut. Acrescenta Paiva (2004, p. 32) aocitar Maffesoli, que: “as relações entre os homens e os objetos tecnológicos,exprimem as extensões de seus afetos e sociabilidades. Para ele, os meios decomunicação geram modos de comunidade e tribalização”. Assim, as comunidadesmultiplicam-se e se espalham pela rede, que podem revelar, de fato, as preferênciasdo indivíduo.
    • 10 Cumpre esclarecer o sentido passageiro destas preferências, com amesma facilidade com que participam, deixam de participar. “A comunidade virtualpode ser entendida como um conjunto de pessoas disponíveis para interesses emcomuns, [...] que podem estar em diferentes posições geográficas e temporárias”(TARJA apud BALDANZA, 2007, p.28). Nem mesmo as relações virtuais ganhamcaráter estável. É através das novas tecnologias que o sentido da presença, adefinição do próximo e do longínquo no espaço e no tempo e a definição do real edo imaginário são transformadas (BALDANZA, 2007). Reinventam as relações, aproximidade entre as pessoas, e, transformam a prática do convívio social emfavorecimento ao “estar conectado”: on line, por assim dizer.CONCLUSÃO A discussão do fenômeno tribal na pós-modernidade é um assuntorelativamente novo, tendo em vista, que a grande massa não percebe o movimentoque integra. Sociólogos, pesquisadores, elaboram conceitos e discorrem sobre otema. Há posições diversas: a valorização do individualismo ou a socialidade atravésdas relações. É evidente que estamos numa fase de constantes mudanças, verifica-se na rapidez das informações e na pluralidade de valores que constituem oindivíduo. O título deste artigo: tribo qual é a sua? Faz referência a uma tribo deconvívio principal, o que, provavelmente torna-se incoerente haja vista a fragilidadede tais relacionamentos, exceto os relacionamentos por tradição: a família, porexemplo. Supõe-se que o indivíduo está inserido em diversas tribos, e as procurapor simpatizarem com algumas características em comum, como tais característicasindividuais estão em constante ebulição, nada, mais previsível, que a migração deuma tribo à outra. Um estudo mais aprofundado no tema, com pesquisas de campopoderiam contribuir na fundamentação do tema, no entanto, estudarrelacionamentos sociais é algo complexo, como foi discorrida, a constância doshomens é refletido na sociedade e suas tribos. Considerando-se também aexpansão da tecnologia para criação de novas comunidades, o que, em certasvezes, acabam por substituir as tribos presenciais. A balada, o time de futebol,
    • 11galera da faculdade, e até a família são substituídos por amigos virtuais,comunidades e os sites de relacionamento.
    • 12REFERÊNCIASBARROS FILHO, Clóvis de; LOPES, Felipe; CARRASCOZA, Jorão. Identidade econsumo na pós-modernidade: crise e revolução no marketing. Revista Famecos:ciência, mídia e tecnologia, Porto Alegre, n. 31, p.103-116, 01 dez. 2006.Quadrimestral. Disponível em:<http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/31/lclovis_barros.pdf>. Acesso em: 24jun. 2008.BERTOLDI, Maria Tereza Jorgens. Pós-Modernidade: uma questão em aberto.Revista Famecos, Porto Alegre, n. 15, p.149-151, 01 ago. 2001. Quadrimestral.Disponível em: <http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/15/a14v1n15.pdf>.Acesso em: 10 set. 2008.CAZELOTO, Edilson. A multidão contra o social. Revista Famecos, Porto Alegre,n. 33, p.66-72, agosto de 2007. Quadrimestral. Disponível em:<http:// www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/33/edilson.pdf>. Acesso em: 24 jun2008.GUARESCHI, Pedrinho. Psicologia social: como prática de libertação. 3. ed. PortoAlegre: Edipucrs, 2005.LIPOVETSKY, Gilles. Metamorfoses da cultura: ética, mídia e empresa. Trad.Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2004.MAIA, João. Michel Maffesoli e a cidade partilhada. Revista Famecos, PortoAlegre, n. 26, p.77-87, abril de 2005. Quadrimestral. Disponível em:<http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/26/joao_maia.pdf>. Acesso em: 24jun 2008.MAFFESOLI, Michael. O mistério da conjunção: ensaios sobre comunicação,corpo e socialidade. Tradução de Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina,2005._______________. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nassociedades de massa. Tradução de: Maria de Lourdes Menezes. 3. ed. Rio deJaneiro: Forense Universitária, 2000.PAIVA, Cláudio. Michel Maffesoli. Tribalista de cátedra: interfaces sociais nocampo da comunicação. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 25, p.29-39, dez. 2004.Quadrimestral. Disponível em:<http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/25/Claudio_Paiva.pdf>. Acesso em:25 maio 2008.
    • 13PITTA, Tânia. Territórios, arquétipos e tribos. Revista Famecos, Porto Alegre, n.26, p.66-72, abril de 2005. Quadrimestral. Disponível em:< http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/26/tania_pitta.pdf>. Acesso em: 24jun 2008.ROCHA, Maria Eduarda da Mota. A “mídia” nas obras de Fredric jameson e jeanBaudrillard. In: FERREIRA, Jairro. Cenarios, teorias e epistemologias dacomunicação. Rio de Janeiro: E-papers, 2007. Cap. 1, p. 25-39.TRIVINHO, Eugênio. O mal-estar da teoria: demissão intelectual na aurora dacibercultura. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 14, p.76-83, 01 abr. 2001.Quadrimestral. Disponível em:<http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/14/a08v1n14.pdf>. Acesso em: 10set. 2008.