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O Centro - n.º12 – 18.10.2006
 

O Centro - n.º12 – 18.10.2006

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Versão integral da edição n.º 12 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 18.10.2006. ...

Versão integral da edição n.º 12 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 18.10.2006.

Não se esqueça de que pode ver o documento em ecrã inteiro, bastando para tal clicar na opção “full” que se encontra no canto inferior direito do ecrã onde visualiza os slides.
Também pode descarregar o documento original. Deve clicar em “Download file”. É necessário que se registe primeiro no slideshare. O registo é gratuito.

Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html

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    O Centro - n.º12 – 18.10.2006 O Centro - n.º12 – 18.10.2006 Presentation Transcript

    • DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca José d´Encarnação Mário Martins Renato Ávila Varela Pècurto PÁG. 10, 20 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) ANO I N.º 12 (II série) De 18 a 31 de Outubro de 2006 € 1 euro (iva incluído) HÁ 70 ANOS A PRATICAR A ARTE DA TESOURA E DA NAVALHA O homem que fez a barba a Salazar - Com 82 anos continua em actividade PÁGINAS 4 e 5 Acidente aéreo na primeira pessoa PÁGINA 7 CASO ÚNICO NA EUROPA ACONTECE NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ “Baleia-piloto” continua a lutar pela vida PÁGINA 11 D. João III / José Falcão: um encontro de memórias PÁGINAS 8 e 9 TELEVISÃO DESPORTO ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes “Os Grandes Basquetebol do “Centro” Portugueses” Futebol com 10% na crónica Futsal de desconto de Francisco Rali na compra Amaral Tiro de livros PÁG. 14 a 17 PÁG. 2 e 3 PÁG. 24
    • 2 DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 EDITORIAL Corrupção, prostituição Jorge Castilho jorge.castilho@zmail.pt televisão Na posse do novo Procurador Geral da mador ouvir falar assim, com este desassombro Todos nós, jornalistas, vamos ouvindo falar Tribunais - e para que aí as leis existentes República, a corrupção foi a situação mais em e determinação, de um problema que vem cor- de muitas situações de alegada corrupção. sejam devidamente aplicadas. destaque – nos discursos, bem entendido!... roendo toda a estrutura social portuguesa. Alguns de nós tentam investigar esses Pinto Monteiro conhece bem o problema, Desde a pequeníssima corrupção que quase rumores. Mas, na maior parte dos casos, a já que integrou a Alta Autoridade contra a todos praticam no quotidiano (por exemplo, investigação esbarra num emaranhado tão A concluir, e voltando a falar em televisão Corrupção, presidida por Costa Brás, que dá-se um euro ao arrumador para que ele denso e complexo que não permite chegar a (aconselho a leitura da oportuna e muito acabou por ser dissolvida (não por desnecessi- guarde o carro ou antes para que não o risque conclusões. lúcida crónica de Francisco Amaral na últi- dade, possivelmente antes porque outros valo- ou assalte?…), até à de proporções tão gigan- E mesmo nas raras circunstâncias em que ma página), não posso deixar de referir uma res mais altos se levantaram…). Mas, nesse tescas que – sussurram algumas vozes muito essas conclusões se conseguem obter, quase das mais caricatas “reportagens” que vi nos momento da sua brilhante carreira, o agora credíveis –, se viessem a ser conhecidas revela- sempre faltam os meios de prova que susten- últimos tempos. Foi há dias, na RTP 1, a sucessor de Souto Moura deverá ter ficado riam valores tão avultados, denunciariam pes- tem a denúncia pública – pelo que, avançar propósito da idade da reforma. A jornalista com uma noção da dimensão do problema, soas tão altamente colocadas e atingiriam enti- com o processo acabaria por ter como conse- entendeu mostrar, como “espantoso” exem- bem mais exacta do que o comum cidadão. Por dades tão respeitadas, que poderiam pôr em quência a absolvição dos corruptos e dos cor- plo, o caso de um médico que decidiu con- isso sabe do que fala e fala do que sabe. É ani- causa a própria estrutura da Nação. ruptores, assim “lavados” de culpa; e, no míni- tinuar a atender clientes no seu consultório, mo, o descrédito de quem ousara tentar pôr apesar de ter completado agora 65 anos de cobro à sua criminosa actuação. idade. E para justificar esse “feito heróico”, Desejemos, por isso, boa sorte ao conse- não achou melhor do que invocar a árvore Blogue ao Centro lheiro Pinto Monteiro, que dela bem carece, para que não seja “triturado” pelos mais diversos interesses que se entrechocam nas genealógica do clínico em causa, dizendo que essa sua “indómita vontade de traba- lhar” (as palavras são minhas), deveria justi- O “Centro” tem já em fase adiantada teias da Lei. ficar-se com o facto de ter o médico como a construção da sua edição on line, que antepassado um fidalgo que combateu ao OS LEITORES dentro em breve será disponibilizada ao lado de D. Afonso Henriques!... A PARTICIPAREM público. E, indo ainda mais longe, gostaría- Outro tema também agora novamente Não sei se mais ridícula foi a afirmação da Trata-se de um passo coerente com a mos que os leitores tivessem uma efec- trazido à ribalta (mais adequado seria dizer à jornalista, se a posição do médico que aceitou importância que temos vindo a dedicar tiva participação nos conteúdos de pantalha, pois quase tudo isto se faz, sobretu- aparecer a mostrar o quadro com a referida à Internet, nomeadamente através da cada edição do “Centro”, enviando-nos do, para as televisões…) foi o da prostituição. “árvore genealógica”, se a atitude de quem secção “Ideias Digitais”, que continua a textos e imagens que entendam terem Que, afinal, mais não é também que uma permitiu que tamanho disparate ocupasse merecer críticas muito positivas, já que interesse para publicação (e que edita- outra forma de corrupção. tempo na televisão pública. nela Inês Amaral nos indica alguns dos remos se, efectivamente, preencherem os indispensáveis requisitos para esse O Presidente da República andou por O que sei é que nesta mesma edição do sítios mais originais e com maior interes- se, em áreas muito variadas deste fasci- efeito). Lisboa, a peregrinar contra a exclusão e a “Centro” falo de um barbeiro que tem 82 nante mundo virtual que é a Internet. Os textos deverão ser curtos e focar favor da inclusão. E nesse seu périplo visitou anos e continua a trabalhar, seguramente Mas enquanto o nosso “site” não está questões de interesse geral, ou então uma instituição que acolhe prostitutas onde cansando-se muitíssimo mais e ganhando disponível, queremos estreitar os laços casos insólitos ou relevantes. disse que não deve haver tolerância para os muitíssimo menos do que aquilo que o com os nossos leitores através de outro Quanto às imagens, podem ser que exploram mulheres para prostituição. E médico com 65 anos aufere nas suas con- meio de comunicação virtual que está a mesmo as captadas por telemóvel (em- confessou o Chefe de Estado: sultas privadas. crescer e a vulgarizar-se de forma es- bora, naturalmente, seja preferível obtê- “Não conheço bem a legislação que pune E poderia falar de tantos outros casos de pantosa: os blogues. -las com máquinas digitais ou enviá-las estes crimes. Li uns documentos que diziam verdadeiro heroísmo, de mulheres e homens Assim, criámos um blogue, cujo en- em papel, para melhorar a qualidade da que a nossa penalização em relação a esses que já passaram mais de oitenta Invernos e dereço é reprodução), e deverão identificar o res- exploradores de mulheres é mais fraca do que continuam a trabalhar duramente para tentar, pectivo autor, a data e o local onde acontece noutros países europeus”. apenas, sobreviver… http://jornalcentro.blogspot.com foram recolhidas e o que documentam. Como em muitas outras matérias, e como Seria deveras interessante que a jornalista bem sublinhou o novo Procurador Geral no investigasse a genealogia dessa legião de Este blogue está disponível para os O desafio aqui fica, esperando que discurso proferido na tomada de posse, o seniores obrigatoriamente atarefados! leitores nos remeterem as suas críticas, rapidamente comece a merecer respos- problema não é, em boa parte das situações, a Pelo menos andaria entretida até completar mas também as suas sugestões. ta de muitos leitores. falta de legislação, mas antes a incapacidade ou os 65 anos... E poderia então usufruir do des- falta de vontade para que as coisas vão até aos canso assim bem merecido… Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros No sentido de proporcionar mais em material escolar por cada filho, este Se não quiser ter esse trabalho, bastará Propriedade: Audimprensa alguns benefícios aos assinantes deste jor- desconto que proporcionamos aos assi- ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 nal, o “Centro” acaba de estabelecer um nantes do “Centro” assume especial assinatura, ou solicitá-la através do e-mail Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho acordo com a livraria on line “livros- significado (isto é, só com o que poupa centro.jornal@gmail.com. net.com” (ver rodapé na última página por um filho fica pago o valor anual da São apenas 20 euros por uma assinatu- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 desta edição). assinatura). ra anual – uma importância que certamen- Para além do desconto de 10%, o assi- Mas este desconto não se cinge aos te recuperará logo na primeira encomenda Composição e montagem: Audimprensa - Rua da Sofia, 95, 3.º nante do “Centro” pode ainda fazer a manuais escolares. Antes abrange todos os de livros. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 encomenda dos livros de forma muito livros e produtos congéneres que estão à E, para além disso, como ao lado se Fax: 239 854 154 cómoda, sem sair de casa, e nada terá a disposição na livraria on line “livrosnet”. indica, receberá ainda, de forma automáti- e-mail: centro.jornal@gmail.com pagar de custos de envio dos livros enco- Aproveite esta oportunidade, se já é as- ca e completamente gratuita, uma valiosa mendados. sinante do “Centro”. obra de arte de Zé Penicheiro – trabalho Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Numa altura em que se aproxima o Caso ainda não seja, preencha o boletim original simbolizando os seis distritos da início de um novo ano lectivo, e em que que publicamos na página seguinte e Região Centro, especialmente concebido Tiragem: 10.000 exemplares as famílias gastam, em média, 200 euros envie-o para a morada que se indica. para este jornal pelo consagrado artista.
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 COIMBRA 3 NA LIVRARIA “ALMEDINA ESTÁDIO” Arquitectura e centralidades em debate Encontro do Livro “Coimbra, arquitectura, centralidades e visão e uma análise muito vivas acerca da plura- pergunta: Que posição central ocupa Coimbra? vivências” é o tema do ciclo de quatro debates lidade de olhares que se pode ter perante uma É à volta de “provocações” destas que os Univesitário que se iniciou na noite de ontem (terça-feira, 17 realidade concreta. Isto é, vão discorrer sobre o dois intervenientes vão debater um dos temas de Outubr)o, na livraria Almedina Estádio. papel centralizador de Coimbra, sem deixar, mais sensíveis e estratégicos para o futuro da À hora a que encerramos esta edição o deba- com isso, de interpelar velhos “clichés” que pro- cidade. Isto, claro, sem perder de vista a relação No âmbito do Encontro do Livro te não se tinha ainda iniciado, mas elemento da vavelmente não fazem sentido hoje, fruto das e inserção de Coimbra no todo nacional, numa Universitário de Coimbra, a decorrer organização deu-nos conta do que estava pre- profundas alterações que o próprio Pais prota- altura em que se viu preterida por Guimarães na Coimbra Editora (ao Arco da Al- visto, nos seguintes termos: gonizou”. no processo de candidatura à Capital Europeia medina), desde o passado dia 11, “A cidade e as maneiras como a pensamos E a organização acrescentou: da Cultura”. estão a ser apresentadas obras da ou como ela se projecta e afirma perante os que “Por outras palavras, tanto José Reis como O ciclo prossegue amanhã (quinta-feira, dia mais diversa índole, desde Labirintos a vivem, os que a utilizam ou apenas a olham, Alexandre Alves Costa vão desafiar os presen- 19) com a apresentação do “Inquérito à arqui- do Mito, de José Ribeiro Ferreira , a são alguns dos tópicos que, sem perder de vista tes a ver Coimbra a partir do exterior e não tectura do século XX em Portugal: o Centro”, As Mulheres do Mundo Contem- a realidade de Coimbra, vão estar em foco, em apenas, como sucede quase sempre, olhar a com José António Banderirinha. porâneo, de Irene Vaquinhas (hoje, mais um programa organizado pelas Ideias cidade exclusivamente com as lentes interpre- A 26 de Outubro o tema é, “Obras de dia 18, pelas 18 horas), a Lições de Concertadas para a Almedina. tativas dos que vivem no seu interior. No Coimbra na 10ª Mostra Internazionale di História da Idade Média, de João José Reis, professor da Faculdade de fundo, aquilo que estará em causa é um deba- Architettura da Bienal de Veneza”, com a parti- Gouveia Monteiro. Economia da Universidade de Coimbra, e o te sobre a centralidade do(s) poder(es) e o cipação dos arquitectos Camilo Cortesão, João Amanhã (quinta-feira, dia 19) arquitecto Alexandre Alves Costa são os partici- poder de influência de Coimbra na vasta regi- Mendes Ribeiro, António Bandeirinha, e do pelas 17 horas, os professores Amíl- pantes da primeira sessão (dia 17), em que se vai ão em que se insere. Dito de outra maneira, engenheiro João Rebelo. car Guerra (da Faculdade de Letras debater o tema, ‘Coimbra e a centralidade, as quais os poderes de afirmação e atracção que A 31 de Outubro o ciclo encerra com o tema da Universidade de Lisboa) e Mário centralidades de Coimbra’. Coimbra tem, no contexto de uma Europa das “Projectos”, da autoria do arquitecto Manuel Barroca (da Faculdade de Letras da Aquilo que os dois especialistas em áreas Regiões e numa sociedade crescentemente glo- Aires Mateus, autor dos espaços das novas livra- Universidade do Porto) intervirão muito diversas vão propor ao público é uma bal e cada vez mais competitiva? Simplificando a rias Almedina. numa mesa-redonda que terá como tema o interesse dos monumentos epigráficos como fonte histórica, a Exposição de pintura propósito do livro “Epigrafia - As Pedras que Falam”, da autoria de de António Menano José d’Encarnação (professor da Faculdade de Letras da Universidade “Olhares e Sonhares” é o título de uma exposição de pintura de António de Coimbra), editado este ano pela Menano que foi inaugurada em Coimbra, no passado sábado, na Galeria Imprensa da Universidade de Coim- Minerva. A mostra estará patente até ao dia 6 de Novembro, na Rua de bra. Macau, 52, em Coimbra, de segunda a sábado das 10 às 13 e das 14 às 20. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Assine o jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 e ganhe valiosa obra de arte fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- manterá sempre bem informado sobre o de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às que de mais importante vai acontecendo centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- nesta Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para Não perca, pois, a oportunidade de re- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas out- automaticamente ganharem uma valiosa ceber já, GRATUITAMENTE, esta mag- Não perca esta campanha promocional, ras regalias para os nossos assinantes, pelo obra de arte. nífica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o excelente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de o “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista Para além desta oferta, passará a rece- preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. plástico – um dos mais prestigiados pinto- ber directamente em sua casa (ou no local de AUDIMPRENSA), para a seguinte res portugueses, com reconhecimento que nos indicar), o jornal “Centro”, que o morada: CONTAMOS CONSIGO! mesmo a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
    • 4 ENTREVISTA DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 HÁ 70 ANOS A PRATICAR A ARTE DA TESOURA E DA NAVALHA O homem que fez a Ao longo de quase meio século em que Salazar mandou em Portugal, muitos houve com desejo de “lhe fazer a barba”, no significado metafórico da expressão… Mas, curiosamente, também aconteceu que um rapazola de verdes 18 anos, ido de Coimbra para Santa Comba Dão, fez mesmo a barba ao ditador, em sentido próprio. José Pedro, de seu nome, hoje com 82 anos, continua a exercer o ofício que começou a praticar há sete décadas. Uma vida repleta de histórias e uma história repleta de vidas, em conversa informal com o “Centro”, que a seguir se partilha com o Leitor. pode dizer que tenha sido cliente de luxo instinto e experiência feita) do proprietário- Sofia velha e o Presidente do Conselho era (mas a desforra haveria de chegar logo 6 executivo da barbearia. José Pedro recorda: do concelho – mais exactamente do Vi- Jorge Castilho anos depois, como adiante se lerá). O elei- “O senhor António Ribas foi o meu gran- mieiro, como José Pedro depressa saberia). to (melhor seria dizer a vítima…) para a de mestre. Com ele aprendi não só a cortar E lá foi o rapaz, com parca bagagem e José Marques Pedro nasceu em Coimbra, estreia do aprendiz foi o “Júlio Maluco” - cabelos e fazer barbas, mas sobretudo a ter sem outras armas que não o grande desejo na freguesia de Santa Cruz, a 18 de Abril de um daqueles pobres dementes que em boas maneiras, a atender bem os clientes”. de vida melhor, mesmo no fio da navalha 1924. Os tempos eram outros, bem diferen- todas as épocas se encontram a vaguear por Este manual prático que lhe arribava do um pouco romba. tes dos de hoje. Para a maior parte da miu- todas as ruas de todas as cidades. exemplo patronal foi rapidamente interiori- Para sua surpresa, o patrão barbeiro era dagem o infantário era a rua aberta e a José Pedro não revela se o cliente ficou zado, pois José Pedro já nessa altura deve- também carcereiro da prisão local. E infância um percurso que se fechava prema- satisfeito, mas presume-se que o penteado ria ser de natural gentileza (coisa que nele enquanto o patrão guardava os presos na turamente. Salvo para escassos privilegia- que executou não destoaria do perfil dessa se adivinha inata e se manteve pela vida cadeia, José Pedro ia guardando os clientes dos, o trabalho substituía a brincadeira com primeira cabeça em que lançou tesoura… fora, sem precisão de grandes aprimora- que prendia com o seu fino trato e suaves pressa em demasia. mentos). tesouradas. Assim foi com o José Pedro. Tinha apenas Sentindo-se já apto para mais alto voar, De tal modo conquistou a confiança da 12 anos quando o Avô entendeu que chegara voltou à Baixa, à Barbearia Ruas, na Rua da clientela, que lhe chegou do alto, inespera- APRENDER O CORTE a altura do gaiato ir fazer pela vida. Já tinha Sofia. Mas por pouco tempo. da e surpreendente, a desforra do “Júlio E AS BOAS MANEIRAS um neto barbeiro e com outro no ofício Depois de dois anos na Rua da Sofia, Maluco”. Só teve pena que o não vissem poderia vir a arriscar-se um estabelecimento sabiamente o barbeirote decidiu evoluir e agora, tocando a mais imponente e quase familiar. Mas primeiro era preciso que o rapaz foi para estabelecimento na Rua das Pa- omnipotente cabeça do País. Ali, às suas DITADOR CLIENTE aprendesse a manejar a tesoura e a navalha. deiras. Mas esta revelou-se demasiado mãos, sentado, estava Salazar. Esse mesmo, DE BARBEIRO-CARCEREIRO E foi por mor desta anciã decisão que o estreita para as suas ambições, já que logo A meio de uma bela manhã, tinha ele já António de Oliveira Salazar, com as botas franganote de franzina dúzia se viu forçado decidiu subir até zona mais desafogada: o 18 experientes anos (meia dúzia de tesou- que lhe valeram alcunha a espreitar para lá a entrar na Barbearia Ribeiro, na Rua da Calhabé, para barbearia mesmo ao lado da ras, pentes e navalhas), um cliente desafiou- do pano alvo com que, quase a medo, Sofia, para que lhe ensinassem a arte. linha férrea. Essa passagem de nível foi o a ir até Santa Comba Dão – o que não era envolveu os ombros ditatoriais. É certo que O miúdo pareceu jeitoso, pois poucos decisiva para o futuro profissional de José coisa pouca para a época (estava-se em não teve direito a aparar-lhe o cabelo acer- dias depois já era posto à prova. Não se Pedro. Ali carrilou graças à pedagogia (de 1942, o Estado era Novo, a barbearia da tadinho… No meio da equipa da Barbearia Santa Cruz Há alguns anos, na sua barbearia
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 ENTREVISTA 5 barba a Salazar – Com 82 anos continua em actividade Mas, em contrapartida, fez-lhe a barba! Ao longo dos 70 anos que leva de activi- Já nessa altura, quantos não aspirariam a dade profissional, depois das lições do sr. estar naquela dominante posição para dei- Ribas só voltou a ter aulas do ofício quan- xar que a navalha fugisse, impetuosa, para do surgiu a moda do “corte francês”, lá maus caminhos… pela década de 70. Aí foi a uma acção de Não era o caso de José Pedro, que fez formação em Lisboa, aprendeu-lhe o jeito e rápida sabatina das lições de mestre Ribas pôs placa a condizer no vidro do estabele- para bem escanhoar o catedrático. cimento: Passou no exame, com distinção! “Foi um êxito! Não tínhamos mãos a “O Doutor Salazar foi muito simpático medir!”. comigo. Era um homem simples, conversa- Hoje a barbearia não tem tanto movi- dor. E deve ter ficado satisfeito com o meu mento. Já não dispõe de engraxador nem trabalho, pois voltou lá depois com o Dr. de manicure. Pais de Sousa, que então era Ministro do Mas está ainda viva, na casa dos 90 anos, Interior e tinha casa lá em Santa Comba. e num Lar da Rua da Sofia, a espanhola Também lhe fiz a barba várias vezes!” – diz, Maruca, que tratou das mãos a tantos clien- com compreensível orgulho, José Pedro. tes, enquanto ouvinte atenta e paciente de desabafos vários, confidente involuntária Corte francês foi um êxito à Barbearia Santa Cruz, mesmo ao lado da que sempre tinha uma palavra de estímulo Igreja homónima. com o característico sotaque da sua terra. NO DIA DA ESPIGA “Um belo estabelecimento, com sete cadei- ARRANJOU RAPARIGA A verdade é que José Pedro depressa se ras e muita freguesia” – lembra José Pedro. convenceu que não era com a episódica E se é certo que os Reis repousavam NEM A DOENÇA O IMPEDE honraria salazarista que ganhava o futuro. mesmo ali ao lado, por mais que ele se can- DE ATENDER OS CLIENTES Santa Comba Dão fora apenas mais um sasse a trabalhar não conseguia encher os Quanto ao sr. José Pedro, leva já 82 anos passo, mas era pouca terra para descarrilar. bolsos: dois cortes de cabelo davam cinco de vencida. Podia – e merecia! – reformar-se. E tinha saudades de Coimbra. mil reis (25 tostões por cabeça), a barba Mas não quer, por causa dos clientes fiéis, Por isso voltou à cidade universitária, já custava 5 tostões. Coisa pouca, mesmo para que mais do que isso se tornaram amigos. “doutorado” em ciências capilares e técni- a época. Ainda há escassos dias foi submetido a cas barbeirísticas. Por isso se abalançou a mais uma aven- uma intervenção cirúrgica (uma hérnia que Regressado às margens do Mondego, tura: concretizar o sonho do Avô e abrir a o incomodava há vários anos), e já está de empregou-se na Rua Corpo de Deus, na bar- sua própria barbearia. volta a atender os que se habituaram à sua bearia do Zé d’Almeida, ensaiador da divinal Achou que o Terreiro da Erva, apesar de voz calma e macia como a tesoura com que arte de Talma na FNAT – Fundação Nacional ser local de não muito beleza, era sítio onde afaga os cabelos, quase a pedir-lhes perdão para a Alegria no Trabalho, hoje INATEL (na os potenciais clientes estacionavam os car- por ter de os cortar. época nem os tempos eram livres…). ros. Encontrou uma casa que lhe pareceu Não sei quantos o terão ido ver ao Tinha o destino traçado: adequada, desafiou um colega, o sr. Alcides Hospital. Mas sei que ele, ao longo dos “Numa Quinta-Feira da Ascensão fui até (com quem mantém sociedade até hoje). Só tempos, sempre tem ido visitar os seus cli- Coselhas, à apanha da espiga. E o que lá faltava arranjar dinheiro para compor a entes internados, para lhes fazer a barba ou apanhei foi esta rapariga” – diz, com os casa e comprar bom equipamento. cortar o cabelo. olhos a apontarem ternura para a Rosa que “Fui ao Banco Lisboa & Açores pedir E quando estes lhe perguntam quanto lhe perfuma a existência há 57 anos que um empréstimo, mas o gerente recusou, devem, ele responde, invariavelmente: levam de casados. dizendo que o banco não estava interessa- “Nada! Vim cá ver o amigo, não o cliente!”. E a sr.ª D. Rosa Cardoso de Almeida, sor- do em ficar com uma barbearia – isto é, Estes gestos de generosidade e nobreza ridente, chega-se à conversa. Lembra que tra- insinuando que eu não ia conseguir pagar. são hoje coisa rara. balhava então na fábrica de camisas do sr. Vim-me embora revoltado, e desabafei o (Curiosamente, mesmo ali ao lado da bar- Alvoeiro, e pagavam-lhe à peça. Quanto mais caso enquanto fazia a barba a um cliente, o bearia há outro que se lhe assemelha em ter- cosia, mais ganhava. Naquela quinta-feira sr. Girão, que tinha uns talhos no Mercado. mos de amizade fraterna, que também é José, ganhou um namorado, quando só esperava E ele logo me disse para ir a outro banco, e que toda a cidade conhece por Zé Reis. O trazer espigas e papoilas. Casaram, D. Rosa que ficaria como fiador. Assim fiz, conse- Terreiro, como se pode ver, tem carros em comprou uma máquina de costura e conti- gui o empréstimo no Banco Nacional vez de erva, mas também gente invulgar). nuou, em casa, a alinhavar camisas para o sr. Ultramarino e quando já tinha pago todas Por tudo quanto atrás tentei dizer, mais Alvoeiro (e assim ganhava mais do que os 5 as ‘letras’ voltei ao Lisboa & Açores só para do que cliente do sr. José Pedro desde a tostões por semana que lhe pagavam antes, as mostrar ao tal gerente que me recusara o minha meninice, congratulo-me por ser um como ajudante de costura). Desta Rosa sem dinheiro!”. dos seus muitos amigos. espinhos desfolhou o sr. José Pedro dois fil- Mas não foi essa circunstância que moti- hos, pétalas que até hoje lhe amaciam a exis- vou este texto e estas imagens. tência, como confessam ambos ao mostrar, Mesmo que o não conhecesse tão de QUANDO O “CORTE FRANCÊS” embevecidos, as fotografias onde se vêem perto, acharia que a sua vida é um exemplo ERA A GRANDE MODA também quatro netos já adultos, mas que A barbearia abriu no dia 28 de Maio de de profissionalismo, de dedicação ao ofício continuam a receber semanada que o Avô 1965, 29 anos depois do sr. José Pedro ter que pratica há 70 anos e, sobretudo, de faz questão de lhes enviar, mesmo insistindo cortado o cabelo ao “Júlio Maluco”. De saber estar e fazer, sem artifícios. eles que dela não precisem. então para cá, pelo Terreiro da Erva têm Por isso esta singela homenagem, que passado clientes ilustres (que seria cansati- certamente será partilhada pelos Leitores. vo enumerar, mas cujos nomes ele vai des- Oxalá mais alguém se lembre, como fiando) e outros que, mesmo não o sendo, seria de justiça, que o senhor José Pedro é, DE SANTA CRUZ têm tratamento semelhante: simpático, não só talvez o mais veterano barbeiro do PARA O TERREIRO DA ERVA Como em Corpo de Deus não havia delicado, acolhedor e com a preocupação País, mas também um homem de que milagres, José Pedro veio em romagem até de satisfazer o gosto de cada um deles. Coimbra deve orgulhar-se. Três imagens de outras tantas épocas
    • 6 OPINIÃO DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 dos Unidos, 65,7% na China (!) e 74,8% no cinhas), a catadupa de legislação escolar em que deu-nos tudo. Só não nos deu governantes. Japão. Portugal tem investido muitos dos seus têm de se especializar, as alterações muitas vezes De facto, julgo que não há ninguém, portu- recursos na I&D que se realiza nas Univer- absurdas das orientações científicas caídas do guês ou chinês, que não se encante com aquele sidades e em algumas outras instituições do parnaso ministerial. Muitas vezes, aliás, por país, com aquele povo. Estado, ao contrário da generalidade dos países culpa do Ministério (que vive a desconfiar dos Paquete de Oliveira desenvolvidos, em que os Governos apoiam professores) eles não têm meios para reagir nem JN 05/10/06 mais as empresas para investigarem e inovarem. à indisciplina, nem ao insucesso escolar, nem às itações Muito tem de ser feito para que Portugal se salas frias de escolas públicas onde falta gás para DIMENSÃO EUROPEIA torne mais competitivo através da inovação, aquecimento, nem aos manuais escolares de Os jovens europeus devem ser levados a desde a valorização dos métodos de aprendiza- qualidade confrangedora que o ministério auto- compreender que pertencem a um complexo gem da criatividade em todos os níveis de ensi- riza a circular, nem aos - repito - génios certa- civilizacional comum, do qual decorre a diversi- no, até ao desenvolvimento de uma cultura de mente carregados de talento que, depois de dade das culturas e das identidades nacionais e responsabilização das nossas crianças e dos nos- requisitados às escolas, se ocupam de reformar uma especial projecção da Europa no mundo. sos jovens, que lhes permita valorizar perma- periodicamente os programas e a gramática das Mas não basta a compreensão, com toda a nentemente a sua capacidade de construção de suas directivas. Se alguém se ocupar, durante informação que tem de estar-lhe subjacente. O um futuro melhor para si e para os outros. alguns dias, a analisar grande parte dos docu- ideal seria promover as condições de uma inte- Luís Portela mentos de natureza pedagógica e ideológica que riorização desse sentimento de pertença... JN 11/10/06 emanam do ministério da educação acerca de Alguns elementos dessa dimensão europeia REGIONALISMOS coisas tão díspares como matemática, portu- “O Governo, através do primeiro-ministro, saltam à vista: a História, a geografia humana e a José Sócrates, e do ministro da Ciência e do En- “PELAS BARBAS guês ou disciplina na sala de aula, fica com a geografia física, a herança cultural e artística, nas impressão de que um grupo de esquizofrénicos sino Superior, vem ligar a assinatura do protoco- DO PROFETA!” se entretém a punir professores e alunos com suas vertentes materiais e imateriais, as línguas lo com o MIT (assachusetts Institute Of Te- Que Bento XVI ande a tentar deitar água na europeias. Os elementos nacionais ligados a uma gramática desconhecida e absurda. Este é esses aspectos têm muitas vezes prolongamen- chnology) ao lançamento da primeira pedra para fervura do extremismo islâmico ainda aceito apenas um exemplo, mas haveria muitos. Leiam a grande reforma da Universidade portuguesa. A que seja um acto diplomático, pois o Papa é tos e parentescos, osmoses, variações morfológi- os materiais de apoio e rejubilem. cas e semânticas, bem como inevitáveis antago- expressão é minha, mas o sentido simbólico de chefe de um Estado, por minúsculo que seja. Francisco José Viegas todo o cerimonial de ontem no Centro Cultural Que a Ópera de Berlim retire Mozart do car- nismos e conflitualidades de que a História dá JN 09/10/06 abundante testemunho, decorrentes das relações de Belém e dos discursos no acto é esse. So- taz... – só se considerar que se tratou de uma me- bretudo foi clara essa mensagem na intervenção dida preventiva tão idiota como as da segurança de vizinhança nas suas múltiplas vertentes e, por de Mariano Gago no Fórum da TSF. dos aeroportos, onde nos apreendem corta- NAS CALMAS aí, organizam-se desde logo em manchas que Trata-se, efectivamente, de um momento unhas, pastas de Colgate e garrafinhas de água. Num tranquilo regresso à República, depois transcendem as fronteiras de cada país. importante e de um acordo de enorme signifi- Mas o que sucedeu em Valência (Espanha) já de todos estes acontecimentos monárquicos em Hoje, superados muitos desses antagonis- cado para a internacionalização da investigação passa das marcas. Duas aldeias cortaram do que a vizinha espanhola é useira e nós apenas mos por uma integração pacífica, evolutiva, e produzida em Portugal. Mas se a reforma da programa dos festejos a destruição de giganto- viseira. Quem quer ser ibérico, como presunto? bem sucedida em muitos aspectos, a questão da Universidade portuguesa começa aqui, ou é nes representando Maomé, pois, alegaram, quot;tal Em vida, claro, que para infelicidade já basta a dimensão europeia nos conteúdos escolares posta em causa aqui, é o que se vai ver. como agora estão os ânimos, convém andar dos hermanos que naufragaram aqui mesmo ganha um novo relevo, a despeito do princípio Está fora de dúvida ou de qualquer suspeita com pés de lãquot;. Nunca ninguém ouviu falar de em frente, despedaçados contra os rochedos de da subsidiariedade, cuja aplicação leva a que as a categoria mundial e global do MIT. Importa, tais aldeias, o que não impede os seus habitan- Ulisses que ao longo dos anos já ceifaram umas matérias relativas aos programas de educação porém, ter em conta que o MIT não é uma uni- tes de recear ser incluídos no mapa da vingança muitas vidas; ao lado, o porto de Leixões. sejam da competência dos Estados membros. versidade, nem é um instituto público, é um ins- fundamentalista. Verifico que, tal como a gripe Diz que é um dos mais caros da Europa e A verdade é que inúmeros programas, pro- tituto privado. Porém, está classificado entre os das aves nasceu no Extremo Oriente mas se vai por isso os barcos fundeiam ao largo para pou- cessos e actividades (Sócrates, Erasmus, Come- dez melhores do mundo. Tudo o que se passou, aproximando cada vez mais da Europa, lançan- par no estacionamento; por isso também, a nius, aprendizagem ao longo da vida, Bolonha, no terreno político, e no campo universitário, do-a no pânico, também a paranóia da retalia- ponte móvel que nos separa da lota de etc., etc.) vão fazendo avançar as coisas no senti- para se chegar à assinatura do acordo, pôs a nu, ção muçulmana se vai aproximando cada vez Matosinhos abre e fecha aleatoriamente, quan- do de se ultrapassar gradual e quase insensivel- os sintomas de autofagia com que se debate a mais do extremo ocidental europeu. Portugal do menos se espera e menos convém é uma mente essa limitação. E já há mesmo casos con- Universidade portuguesa. A turbulência existen- talvez não faça mal em seguir o exemplo espa- ponte divertida, atravessada por peões, bicicletas cretos em que, bilateralmente, se vai na mesma te entre as diversas e muitas universidades do nhol. Pelo sim, pelo não, tomemos algumas pre- e mesmo carroças. direcção. Por exemplo, o manual de História universo lusitano foi grande. cauções. Dantes, no liceu, líamos quot;Os Lusíadasquot; Rui Reininho Moderna Franco-Alemã, preparado por um Cada universidade portuguesa está montada expurgados do canto IX, pois aquelas indecên- JN 07/10/06 grupo de especialistas dos dois países, há poucos sobre o seu próprio umbigo. Para cada um dos cias na Ilha dos Amores não podiam chegar aos meses neles adoptado oficialmente para o ensi- seus agentes a melhor instituição é sempre a sua. olhos pudicos dos meninos e das meninas da RÉ PÚBLICA no secundário e que representa um passo muito As outras são sempre menores na particular hie- Mocidade Portuguesa. Agora, censuremos, por Se tivesse que usar um rótulo ideológico na importante nesse sentido (ocorre-me, de resto, rarquia gradual dos rankings. Fora da universi- exemplo, o canto I, onde Camões não hesitou cabeça, escrevia quot;Libertário já idoso, nacionalis- que há décadas existe uma comissão com objec- dade, na lógica conceptual da universidade por- em escrever este horror quot;a malina gente que ta-revolucionário, católico...e republicanoquot;. tivos semelhantes para uma História Luso-- tuguesa, não existe academia. Fora da universi- segue o torpe Mahamedequot;. Também será con- Sou republicano, muito mais por convicção Espanhola, que não me consta tenha já chegado dade não há instituto que se preze, investigação veniente retirar do dicionário e proibir o uso de do que por tradição. Na minha família, nunca a quaisquer resultados concretos). que preste. Mesmo no caso daqueles que lhes termos agressivos como quot;mata-mourosquot;, quot;tra- houve um casus belli a esse respeito. A república Vasco Graça Moura trazem nome, prestígio. Os politécnicos são os balhar como um mouroquot; e -- sobretudo este! - ficou assim na minha cabeça, não por um princí- DN 11/10/06 polichinelos do sistema. Foi esta matriz centrí- quot;anda mouro na costaquot;. E banir expressões pio de infalibilidade paterna, ou de imposição tri- peda da universidade que fez crescer como vagamente literárias, como quot;perro de Mafoma!quot; bal, mas pela certeza (tanto quanto há certeza em A MADEIRA cogumelos tantas outras unidades fora do siste- ou quot;Pelas barbas do Profeta!quot;. política) de que é, apesar de tudo, o melhor regi- ESTÁ FORA DA LEI? ma. Hoje, é difícil a racionalização de um parque Sérgio de Andrade me. O melhor regime, em modo comparativo, e A impunidade chegou a um ponto tal que a tão prolífero e desajustado que se está a esvair a JN 10/10/06 o melhor regime, por virtudes próprias. Se a nomenclatura madeirense não se preocupa se- si próprio. Ninguém quer juntar-se a ninguém, Cidade-Estado é coisa de uma comunidade, deve quer em esconder-se atrás de qualquer manto porque estamos num campo em que há os da SOBRE A MÁ FAMA ser esta a pronunciar-se sobre os seus rumos, no diáfano, antes se compraz numa exibição osten- tribo e os gentios. Não admira, por isso, que DOS PROFESSORES respeito por legados, e no cuidado de não danifi- sivamente hardcore e à luz do dia. Basta seguir as tenha sido tão difícil chegar a um entendimento Há duas realidades essenciais ligadas aos pro- car sonhos futuros. As repúblicas menos doentes pistas deixadas pelos sucessivos mas inconse- entre tantas instituições. Subsistia a ideia quot;ou só blemas do ensino em Portugal em primeiro lugar, fazem isso melhor do que as monarquias mais quentes relatórios do Tribunal de Contas, verifi- nós, ou nenhumquot;. Ironicamente conseguir um a ministra da educação tem razão na absoluta mai- saudáveis. Por outro lado, há, no mérito de cada car as situações sistemáticas de concursos públi- acordo destes é quase um contra naturam . Faço oria das medidas adoptada (contesto fortemente modelo, uma diferença importante de orientação, cos feitos à medida dos protegidos do poder, votos para que a quot;primeira pedraquot; não seja mais o papel despropositado concedido aos pais e e preocupação. Na sua forma depurada, a constatar como políticos-empresários votam e um calhau a decompor a articulação na gestão encarregados de educação na avaliação dos pro- República é o domínio da quot;coisa públicaquot;, dos aprovam disposições em seu próprio benefício, de projecto(s) comum (uns) por onde tem de fessores, que terá consequências muito perigosas interesses comuns, da utilidade geral, sobre as pai- em especial quando estão em jogo os interesses passar a revolução da Universidade”. na estabilidade das escolas); em segundo lugar, se xões privadas, os egoísmos dos clãs e a visão do poderoso lóbi do betão que tem massacrado Paquete de Oliveira há culpas a atribuir pelo estado calamitoso de que umbilical das linhagens de sangue. A Monarquia, literalmente a paisagem madeirense. A Madeira é JN 12/10/06 se revestem alguns aspectos do ensino em também em abstracto, coloca o acento tónico no uma vistosa vitrina dos meandros da corrupção Portugal, elas cabem – por maioria – aos técnicos princípio do poder conduzido, desconfiando de à portuguesa, a tal que nos acostumámos a ver CONHECIMENTO E VALOR do próprio ministério e à burocracia quot;pedagógica algo mais do que a solidão do trono, no momen- com maior nitidez no universo do futebol, do Em Lisboa, em 2000, a Europa decidiu e ideológicaquot; que se instala periodicamente na to da decisão última. poder local e das lavagens de dinheiro e financia- apostar no conhecimento e na inovação, para se Avenida 5 de Outubro (sindicatos incluídos). Nuno Rogeiro mentos partidários por baixo da mesa. Aliás, é tornar mais competitiva, face aos desafios da Neste complexo, os professores - os que JN 06/10/06 simplesmente inexplicável - ou talvez não... - globalização. Segundo o Eurostat, em 2004 a estão instalados no terreno - são o elo mais como é que, até hoje, nunca houve uma efectiva Europa investiu em Investigação e Desenvolvi- fraco de uma cadeia de comando em que, fre- BRASIL curiosidade judicial pelo funcionamento dessa mento 1,9% do PIB, muito longe dos 3% colo- quentemente, têm sido cobaias de vários génios, Cheio de pobres, o Brasil é um dos países gigantesca máquina patrimonial do poder jardi- cados como objectivo para 2010. Os Estados certamente talentosos, que, à distância, quot;imagi- mais ricos do Mundo. E dizem os estudos de nista que é a Fundação Social Democrata. Quem Unidos investiram nesse ano 2,6% e o Japão namquot; o ensino em Portugal. Quando falo no prospectiva que tem condições para vir a ser financia e como é financiada essa Fundação, cujas 3,2%! A própria China já está a investir 1,3%. quot;terrenoquot;, quero dizer quot;as escolasquot;, quero dizer uma das grandes potências na economia global. proporções superam, de longe, as das suas outras E, ainda em 2004, Portugal investiu apenas os problemas de indisciplina com que têm de Quando se visita o Brasil, é comum ouvir-se congéneres nacionais, e que, no entanto, funcio- 0,8%, sendo que a percentagem do sector em- lidar permanentemente, os contactos com os aos taxistas Temos tudo. Uma mãe natureza na sem qualquer escrutínio público? presarial nesse investimento foi de 31,7%, con- pais, a realidade fatal das agressões nos corredo- riquíssima. Mulheres lindíssimas. Samba. Pe- Vicente Jorge Silva tra 53,7% na Europa dos 25, 63,7% nos Esta- res e nos gabinetes (por alunos e pais das crian- tróleo. Aviões. Energia. Um povo único. Deus DN 11/10/06
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 REPORTAGEM 7 Acidente aéreo na primeira pessoa espera de cerca de uma hora a mais do que estava casa? O medo era muito, mas a ansiedade de previsto. Na altura, não soube o motivo do atraso, regressar a casa era maior. nem houve qualquer explicação. Afinal, já estáva- A pressão a que ficámos sujeitos foi tão grande, mos em propriedade chinesa, num avião da China que, muito mais tarde, os médicos disseram que Airlines, mais concretamente, Mandarim Airlines. sofremos de stresse pós-traumático, idêntico ao E, aqui, a cultura e a organização é bem diferente da stresse de guerra. Estávamos e estamos condena- nossa. dos a sofrer dum drama que afecta, e de que manei- A viagem lá seguiu, duma forma normal, apesar ra, muitos milhares de pessoas. José Soares do mau tempo existente na zona. A chegada ao A viagem de regresso foi, para o grupo de 77 jose.soares@mail.pt aeroporto internacional de Hong Kong adivinhava- sobreviventes portugueses, uma mistura de medo, se difícil, dada a turbulência que o avião sofria, à ansiedade e alegria. Era um turbilhão de emoções, Desafiado pelo Director do CENTRO, o meu medida que nos aproximávamos do aeroporto. difíceis de gerir. amigo Jorge Castilho, a relatar a situação anormal Como sempre fazia, tentava filmar a aterragem. não tínhamos aterrado no mar. Um bombeiro Depois de regressar a Lisboa, já fiz várias via- porque passei, sobreviver à queda de um avião, A turbulência era cada vez maior. Durante muito segurava a criança que eu tinha ajudado a sair dos gens de avião, mas sempre com alguma/muita pre- acedi com gosto, embora depois de muito pensar. tempo, só se viam nuvens. De repente, aparecem as destroços e já não o larguei mais. Apesar de serem ocupação. Já nada será como dantes. Outros, É sempre doloroso expor a minha história publica- luzes do aeroporto. Com uma rapidez impressio- só 18 horas, estava de noite e não se via nada. O porém, nunca mais conseguiram viajar. Há quem mente, com tanto detalhe, relembrando o horror nante, estávamos quase a aterrar e a alta velocidade. sangue, as dores, a cegueira, o traumatismo crania- pense que têm de deixar passar alguns anos, para porque passei. Para o Jornal, espero que seja um A descida foi tão rápida que o trem de aterragem no, os cheiros e os ventos na casa dos 150/180 voltarem a viajar. O tempo irá ajudar. Puro engano! documento histórico; dos leitores, espero simples- traseiro parte, a asa direita bate no chão, incendian- km/h, é tudo muito coisa para um homem só. O medo é igual, quer viajem agora ou daqui a mente que leiam até ao fim. do-se, e o avião descontrola-se acabando mesmo Embora não seja dos que desistem, não estava a ser cinco/dez anos. Se perdermos um ente querido, o Após sete maravilhosos dias na Tailândia, está por capotar. Exactamente. Capotou, tal e qual um fácil lidar com a situação. Afinal, estávamos no meio tempo vai ajudar a sarar a saudade e o sofrimento. na altura de prosseguir a viagem até Macau. automóvel. do Tufão “Sam”. Afinal, esse familiar ou amigo nunca mais vai mor- Estamos a 22 de Agosto de 1999. Levanto-me Tudo se descontrola. O avião, a tripulação e os Ao chegar à ambulância que já estava na pista, rer. Na viagem de avião, não! A possibilidade de se cedo, de modo a ter tempo de preparar tudo com passageiros. Os que iam a dormir, rapidamente tento arranjar um telemóvel para ligar para casa, repetir o acidente, por muito remota que possa ser calma. Como líder do grupo, tento acautelar a via- acordam. O pânico apodera-se da maioria dos pas- dado ter feito a viagem sozinho, em termos familia- (em termos estatísticos, e só nesses), estará agora e gem das 119 pessoas. Destas, 41 vão directamente sageiros. Pessoalmente, tenho a ideia que aterrámos res. Embora não tivesse nenhuma informação, a sempre presente. para Macau; as outras 78, esperava-as um dia que no mar, dado ter ficado com a cabeça debaixo de situação era demasiado grave e seria notícia interna- É nestas alturas que sabemos quem está ou não nunca mais irão esquecer, dado que foram para o água, depois de ter sido cuspido. Nos segundos cional. Tinha que avisar a família. Assim o fiz, falan- connosco. Institucionalmente, fui contactado pelo aeroporto Chek Lap Kok de Hong Kong, no fatí- imediatos à paragem do avião, parece que só tenho do com a minha filha, de modo a que avisasse o assessor do presidente Câmara Municipal de Coim- dico voo 642, da China Airlines. Embarcariam num uma de duas alternativas: ou morro afogado ou resto da família, para não se preocuparem. A minha bra, a transmitir-me a solidariedade daquele órgão avião McDonnell Douglas MD-11, com 315 passa- morro queimado. A morte, qualquer que ela fosse, frieza e autocontrolo voltaram, e pedi-lhe para me autárquico. Com o mesmo objectivo, também fui geiros. estava terrivelmente garantida. Apesar de tudo, guardar tudo o que viesse na Imprensa (televisão e contacto, entre muitos outros, por duas pessoas que O tempo está a piorar e sabe-se que naquela mantenho-me incrivelmente calmo. Impressionan- jornais) durante uma semana, porque poderia vir a exerciam cargos institucionais: Dr. Fausto Correia época há sempre monções na região. Mas ninguém temente calmo. precisar mais tarde dessas informações, o que veio (Secretário de Estado) e Prof. José Humberto Paiva pensa no pior, nem existe nenhuma informação Dentro do avião ouvem-se gritos por tudo a acontecer para o longo processo judicial. de Carvalho (Director dos HUC). Refira-se, no para cuidados especiais. Passo parte do dia no hotel, quanto é sítio, apesar de algumas zonas estarem Finalmente, chego ao Hospital Princesa Mar- entanto, que estes contactos foram feitos exclusiva- a aguardar a hora da viagem de avião que me leva- mais calmas. Lá fora, os bombeiros começam a aju- garida. Fiz a primeira intervenção cirúrgica na testa. mente a título particular, dada a ligação de amizade rá, a mim e a mais 77 portugueses, até ao aeropor- dar as pessoas a sair. Com o avião a arder, o medo Só depois é que me fizeram uma TAC. Dado o que tenho com ambos. Quem o deveria fazer a títu- to internacional de Hong Kong. de explosão apodera-se de todos. Cego de um dos meu traumatismo craniano, fui internado na lo oficial e não fez, devia ser o Dr. José Lello, na altu- Aproveito o tempo livre para escrever um pos- olhos por causa do acidente e com um grande corte Neurocirurgia. Estranhamente, não me deixaram ra Secretário de Estado das Comunidades. Embora tal ao DNA. Nunca mais me esqueci da frase que na testa, jorrando sangue em quantidade apreciável, tirar a roupa durante dois dias. Nunca percebi por- o grupo não lhe perdoe, temos que ser compreen- escrevi nesse postal: “É com vontade de ficar, que ainda vi um casal asiático com uma criança, presos quê. Trataram-me e meteram-me numa cama de sivos. Afinal também ele passava um grande mo- vou partir.” Que verdade esta frase encerra em si às bagagens, bancos e destroços difíceis de descre- hospital, com a roupa encharcada do acidente. mento de ansiedade, com o risco de poder vir a não própria. Mal sabia do que me esperava. ver. Ajudo-os a sair dali, não sabendo muito bem Os momentos seguintes ainda eram muito ser eleito deputado. Por isso, qualquer pessoa enten- Embora não acredite muito em coisas do desti- para quê, dado que morte estava bem presente e angustiantes. Mudava para outro tipo de preo- de (só os sobreviventes é que não), que entre espe- no, a verdade é que esta viagem parecia predestina- garantida para todos. De facto, não é herói quem cupações. Como é que estaria a minha família, rar no aeroporto os 77 portugueses sobreviventes da. No dia da partida de Lisboa para Bangkok quer, mas sim quem está à hora certa e no sítio sabendo que eu tinha tido um acidente de ou ir com o chefe António Guterres a uma festa- (Tailândia), não pude embarcar, porque tinha o meu certo. Perdão: na hora errada e no sítio errado. avião e não me podiam visitar? E os meus -comício do PS em Caminha, ele tenha optado pela passaporte caducado. Ironia das ironias, fui eu a Pela primeira vez, sinto medo a sério. Vejo um companheiros de viagem? Como estariam? E festa. Afinal, a crise dos empregos estáveis não é só confirmar se todos os outros passaportes estariam grande incêndio e um buraco no avião onde ante- saberiam eles como eu estava? Foram momen- de agora e temos de compreender estas angústias… em ordem. Só me esqueci de conferir o meu. riormente tinha existido uma porta e tento reagir tos dramáticos. Nos três hospitais de apoio ao Desta experiência tirei um ensinamento: dou Parecia que algo me queria dizer para não viajar. depressa. Grito por João e Antonino (amigos que acidente, entraram e saíram muitos portugues- muito mais valor à vida. Passei a valorizar o que de As horas foram passando e aproximava-se a iam ao meu lado) e nenhum me responde. Corro es, tendo doze deles ficado internados. Depois facto interessa e desvalorizo o que não tem qual- hora do transfer para o aeroporto. Tínhamos que para o referido buraco e atiro-me para fora do avião, de tudo o que se passou, havia uma outra gran- quer interesse e que anteriormente me preocupava. viajar de Pattaya (para onde tínhamos ido passar 3 não sabendo muito bem para onde. Felizmente, a de barreira a ultrapassar – como é que íamos O meu lema de vida é agora o seguinte: Viver dias) até ao aeroporto de Bangkok. Aqui, tivemos a água não tinha mais de meio metro de altura. Afinal, entrar novamente num avião, para regressar a intensamente cada dia, como se fosse o último. Encontro de sobreviventes de acidente aéreo Alguns dos sobreviventes do acidente aéreo ocorrido em Hong mente morreria do coração”, disse Antonino Neves ao “Centro”. Kong em 1999, encontraram-se no passado sábado (dia 14 de Quem também marca sempre presença nestes encontros é João Outubro), na Quinta da Lagoa, em Mira, para comemorarem mais Cunha, director-geral da “Mondego, Viagens e Turismo”, agência que uma vez o facto de “estarem vivos”. assegurou a acidentada viagem. Também ele é um sobrevivente e con- Nas palavras do principal organizador, José Soares, de Coimbra tinua muito ligado ao “Grupo de Sobreviventes”, com quem mantém (autor do impressionante relato que acima publicamos), “estes encon- uma boa relação de amizade. tros servem para nós como ‘terapia de grupo’, dado que há psiquia- Segundo apurou o “Centro”, estes encontros devem-se muito à tras que dizem que sofremos de stress pós-traumático”. Afirmando determinação e empenhamento de José Soares e, este ano, os pre- não ser fácil reviver a desgraça porque passaram, acrescenta que, “por sentes fizeram-lhe o público reconhecimento. Nas suas próprias isso, alguns dos sobreviventes nunca participaram nestas reuniões, palavras, “são pessoas minhas amigas e por isso exageraram nos elo- porque evitam falar sobre o acidente, que ainda é o tema principal dos gios. Eu também tenho uma grande estima por todos eles”. nossos encontros”. Por outro lado, uma boa parte faz questão de Apesar dos sobreviventes evitarem falar sobre o assunto, o nunca faltar, dado que “é a única altura do ano em que podem fazer “Centro” soube que as questões indemnizatórias que estavam pen- a sua catarse com gente que entende, sem críticas, porque estão com dentes já foram resolvidas com a maioria das vítimas deste acidente que cada um tem uma história muito diferente de todos os outros”. pessoas que passaram pelo mesmo”. aéreo, estando somente por solucionar o caso dos chamados “mais Foi notório o companheirismo e boa disposição de todo o grupo, Igualmente de Coimbra é Antonino Neves, outro dos sobre- feridos do grupo”. José Soares confirmou-nos que a maioria já pelo que os seus membros manifestaram aos organizadores a vontade viventes e também ele organizador da fatídica viagem, e destes encon- chegou a acordo com a companhia de seguros, mas ainda há um de continuarem a participar neste encontros. Estes sobreviventes vêm tros/convívio. Ao contrário de José Soares, que continua a viajar, pequeno grupo que nada recebeu, onde ele próprio se inclui. de muitos pontos do país, dado que era uma viagem nacional. “Há Antonino Neves não vê a hipótese de voltar a entrar num avião: “Se Como nos diz José Soares, “se pedirem a cada um para contar a pessoas que chegam a andar mais de 600 quilómetros para partici- voltasse a viajar, podia não morrer de desastre aéreo, mas possivel- sua experiência, vai parecer que estivemos em aviões distintos, dado parem nestes convívios”, referiu José Soares ao nosso jornal.
    • 8 REPORTAGEM DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 LICEU D. JOÃO III / ESCOLA JOSÉ FALCÃO Convívio de antigos e actuais alu “Pautado ou quadriculado? É a dois tostões almoço de convívio integrado no programa ma, os exames feitos em centenas das clás- palavras, aqui ficam as imagens, sobretudo cada folha”. das comemorações dos 170 anos da criação sicas carteiras de madeira espalhadas até para que possam ser apreciadas pelos lar- do Liceu de Coimbra e os 70 anos do edifí- pelas galerias, ou mesmo os jogos de bas- gos milhares de antigos alunos, professores Esta a lenga-lenga que o sr. Pinheiro, cio do Liceu D. João III, actual Escola quetebol (com destaque para um Aca- e funcionários que não estiveram presentes, contínuo do Liceu D. João III, repetiu Secundária de José Falcão. démica-Benfica, nos anos 60, que acabou mas que decerto nelas descobrirão caras milhares de vezes ao longo de algumas A confraternização juntou largas deze- antes do tempo, com cadeiras enfiadas nos que vão identificar, assim evocando os feli- gerações de estudantes que o procuravam nas de pessoas com idades muito diversas cestos das tabelas e cenas de pugilato que zes anos de juventude e as memórias que para adquirir as folhas timbradas (só o pre- (desde, pelo menos, duas senhoras já na se estenderam desde o recinto do jogo até deles permanecem. ço foi aumentando…) onde obrigatoria- casa dos 90, com invejável memória e boa às galerias). mente se faziam os exercícios escritos das dispoição, até antigos alunos ainda na fres- Evocaram-se muitos dos carismáticos (Na próxima edição iremos aqui traçar a diversas disciplinas. Hoje com 84 anos, mas cura dos vinte, passando por todas as gera- professores que fizeram daquele escola história notável deste estabelecimento de ainda com boa memória, o próprio sr. Pi- ções intermédias). uma das mais prestigiadas do País, recorda- ensino) nheiro recordou esta sua função de déca- Naquele (ainda magnífico) ginásio onde ram-se episódios de juventude, reencontra- das, no passado sábado (dia 14), com vários se efectuou o almoço, recordaram-se não ram-se antigos colegas que se não viam há Jorge Castilho antigos alunos que se reuniram a antigos e só as aulas de educação física, mas também dezenas de anos. (antigo aluno do Liceu Nacional D. João III, actuais professores e funcionários para um os bailes de gala e chás dançantes da Quei- Mas, mais eloquentes do que quaisquer antigo professor da Escola Secundária José Falcão)
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 REPORTAGEM 9 nos, professores e funcionários
    • 10 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario.blogspot.com Os blogues e os jornais apaginadomario@gmail.com DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 MÁRIO NOGUEIRA Há pouco mais de 10 anos, o “Jornal de No entanto, os jornais – quase todos com as Socialista, vão aparecendo textos – mais ou Notícias” enviou-me durante quase duas sema- tiragens em queda – ainda não entenderam ver- menos mordazes – sobre assuntos da cidade e nas para Paris, para fazer a reportagem do refe- dadeiramente o que está a acontecer. Olham de do país. Nos últimos tempos, têm estado a ser rendo (e do debate quente que existia na soslaio para a Net e, por arrastamento, para os publicados os rendimentos de alguns titulares sociedade francesa) sobre o Tratado de Maas- seus conteúdos. de cargos políticos da região, com base nas tricht. Actualmente, o cidadão que quer estar infor- declarações entregues no Tribunal Cons- Foi uma experiência enriquecedora. Mas... mado tem necessariamente de recorrer à Net. E titucional. com muitas dificuldades. Ainda não havia dentro desta tem de reservar algum dos seu Crítico da actual direcção da Académica/ telemóveis, não havia com- /OAF, o blogue “Pardalitos do Choupal” putadores portáteis. Fui com informa exaustivamente sobre o futebol Fomos colegas de turma na Escola do Ma- a máquina de escrever, batia da Briosa e a Académica em geral, divul- gistério Primário – éramos os únicos Mários os textos, pedia na recepção ga o calendário de jogos do fim-de-sema- numa escola repleta de Marias. do hotel que enviassem o fax na, informa sobre os resultados de todas Estivemos em lados diferentes nas eleições para o jornal e, à hora combi- as equipas e relata alguns jogos minuto-a- para a Associação de Estudantes. nada, tinha de telefonar para -minuto, como ainda sucedeu no domin- Voltámos a defrontar-nos numas eleições saber se “o material” chegara go. Depois, e por entre muita polémica para o Sindicato dos Professores da Zona em condições. estéril, surgem volta e meia textos de Centro. Hoje, é tudo diferente. grande qualidade, como aquele que o ex- Apesar das diferenças ideológicas, manti- Em qualquer lado há “rede”, -dirigente Fernando Pompeu publicou vemos sempre o contacto. Hoje, somos chega-se com o portátil, es- na semana passada e que até segunda-feira já quase vizinhos numa das freguesias esqueci- creve-se e envia-se. E se há qualquer tinha suscitado 144 (!) comentários. das de Coimbra, longe de Doces Vidas e problema, pega-se no telemóvel e esclarece-se o tempo para olhar (pelo menos, olhar) os blo- Uma palavra final para o “Porta-Aviões”, quejandos. assunto de imediato. gues. que voltou a navegar há poucos dias. Criado Continuamos a ver-nos quando o destino O Mundo mudou muito nestes últimos Cá por Coimbra, há alguns blogues que são pelo médico Maló de Abreu, é um espaço mor- cruza os nossos caminhos. anos. Hoje, o correio electrónico é indispensá- de leitura quase obrigatória – e que vão suscitan- daz, na linha da histórica ironia coimbrã. Por ali Admiro-o pela capacidade de luta, pela defe- vel. Na revista onde trabalho, as colaborações já do um interesse cada vez maior, se olharmos ao passam assuntos de política nacional, política sa constante dos valores em que acredita. E chegam todas – à excepção de uma – por via número de visitas e de comentários que os autárquica e – não fosse o seu criador um ex- muitos dos valores “dele” são “meus” também. electrónica; os textos e as fotos. Muito do leitores lá deixam. -candidato à presidência da Académica/OAF – Veio para estudar e cá ficou. Coimbra já lhe “expediente comercial” também já circula por Trago hoje aqui quatro “links”. “O Piolho da temas ligados à Briosa. deve muito – na intervenção política, na luta esta via: até, mesmo, alguns pagamentos. Solum”, um blogue bem disposto, faz diaria- A terminar, que o texto vai longo: muita da sindical, na dedicação ao desporto. Ou seja, no planeamento do dia de traba- mente, logo pela manhã, um resumo do noti- informação a que se tem acesso nos blogues (publicado no blogue em 14 de Outubro) lho há que considerar uma fatia de tempo para ciário do dia, comenta assuntos de interesse da não está habitualmente disponível nas páginas os assuntos da Net; e, de preferência, há que comunidade e, de vez em quando, mostra dos jornais. E é este desafio que os jornais não PERGUNTAS estar constantemente ligado, para poder fotografias de Coimbra antiga. E, pelo meio, há podem continuar a ignorar, sob pena de verem responder com prontidão a qualquer pergunta. muita brincadeira e textos que nos fazem sorrir. os leitores fugir. Porque, quer se queira quer Como se sentirá o primeiro-ministro de um Não há que discutir: hoje, as coisas são assim; No “Política & House”, um blogue que dá não, o Mundo está mesmo diferente. Muito governo socialista ao ver tantos trabalhadores são diferentes. muita atenção às questões internas do Partido diferente. nas ruas a protestar? Derrota em Guifões Triste? Como se sentirá o primeiro-ministro de um governo socialista ao ver que as suas medidas não são contestadas pelos detentores do capi- tal? Incomodado? A minha equipa (os juvenis da Académi- ... ca/OAF, recorde-se) voltou a perder. Desta Fará sentido falar hoje de socialismo? feita, frente ao Pasteleira, por 2-0, num jogo ... disputado em Guifões (Matosinhos), mesmo à O que vale é que é sexta-feira. Vem aí o fim- porta da Cimpor. -de-semana e a malta pensa noutras coisas. Foi a terceira derrota em três jogos fora de (publicado no blogue em 13 de Outubro) casa: 2-1 com o Boavista, 2-1 com o FC Porto e 2-0 agora. Mas ao contrário dos outros jogos, AI ESTES FRANCESES! neste a minha equipa praticamente não jogou. Ou melhor, jogou no primeiro quarto-de- “Portugal ainda está muito longe de chegar ao nível -hora; depois disso... “apagou-se”. dos outros países europeus. E então os preços nem se Mas já lá vamos. fala!... O que eu não compreendo é como num país onde [Antes, porém, quero dizer-vos que os meus se ganha uma miséria se podem pagar preços milioná- “dias de futebol” são sempre iguais: enquanto há rios. Em França eu pago 29.90 euros por mês, por jogo, ando à volta do campo com a máquina fotográ- internet ilimitada e telefone para toda a França, assim fica, vou vendo os lances de sítios diferentes, ouvindo como para Portugal para todas as chamadas para a os comentários de uns e de outros. Quase nunca con- com rapidez e empurrando o adversário iria suceder. A minha equipa – que sabe jogar rede fixa”. sigo registar os golos, porque fico curioso de ver como para a área. E ga-nhou dois ou três ponta- à bola – quis trocar de pé para pé, mas o piso Encontrei hoje na Net este desabafo de um a jogada termina e... pronto, já foi golo e acabei por pés de canto quase seguidos. Num deles, irregular não o permitia; quis jogar com calma, emigrante português em França. não tirar a foto. E lá vou andando para aqui e para estava eu mesmo atrás da baliza, ouvi o mas o adversário não dava espaços, não permi- Não há dúvida que continuamos a ser um lá, o que tem a grande vantagem de ver o jogo com os “capitão” do Pasteleira dizer aos colegas: tia pensar. país... diferente. meus olhos, solitariamente, sem ser sugestionado por “Vamos lá a meter o pé! Eles estão a fazer Assim, a 2.ª parte foi um duelo entre o aqueles adeptos que passam os jogos a comentá-los de nós o que querem. É preciso jogar com pontapé para a frente dos portuenses e o ten- COMENTÁRIO DE LEITOR: É por continuamente em voz alta. É, afinal, uma mania mais força!”. tar jogar junto ao solo dos conimbricenses. E estas e por outras que as companhias engros- como qualquer outra. Já agora, há outro ritual: o de Dito e feito. Num instante, o jogo mudou como os outros se mostraram sempre mais sam os lucros... Para ter acesso à internet ADSL no intervalo encontrar um restaurante para o almo- de feição. O Pasteleira começou a jogar (mais) rápidos, a fisionomia do jogo não se alterou. sou obrigado a ter telefone fixo e a pagar uma ço, onde por vezes se junta muita gente – o que, dado duro, começou a dominar e acabou mesmo A diferença de velocidade sobre a bola deci- coima mensal de 15 euros ( com bonificação de o número de comensais, não é tarefa fácil. Ontem por marcar um golo, aos 22 minutos, creio que diu o jogo. um ano, ou seja em 2007 vou pagar mais!), tenho o telefone na sua caixa original, dentro de fomos 19 à mesa, mas já tivemos almoços mais no primeiro remate que fez à baliza da Em conclusão: vitória certa do Pasteleira, uma gaveta (já pensei em oferecê-lo de prenda) numerosos...] Académica. E... acabou ali o jogo para a minha sem discussão. porque não uso, não preciso, não gasto. Eis o Vem isto a propósito porque, ontem, nestas equipa. [Já agora: ao almoço houve caldeirada e depois um verdadeiro estado das coisas. Só preciso mesmo deambulações ao redor do campo, assisti a um Ainda faltava uma hora até ao final, mas a “passeio higiénico” na Foz. Estava uma linda tarde, mesmo é da ligação à internet e sou obrigado a episódio curioso – e significativo. Académica nunca mais se encontrou. Acabou quente, dezenas de surfistas na água. Foi um dia bem ter telefone fixo e pagar mais pela utilização do Apesar das reduzidas dimensões do a 1.ª parte à deriva, começou a 2.ª parte mais passado.] serviço. Está bem pensado pelos senhores da campo (100 x 60) e do vento, a Académica calma. Pensou-se que ainda poderia ir atrás do PS – O campeonato é interrompido. O próximo jogo, com PT, oh se está! começou a jogar bem, trocando a bola empate. Mas rapidamente se viu que isso não o Feirense, disputa-se no dia 5 de Novembro. (publicado no bloague em 10 de Outubro)
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 MUNDO ANIMAL 11 CASO ÚNICO NA EUROPA ACONTECE NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ “Baleia-piloto” continua a lutar pela vida Está a ser quase um “milagre” de sobre- vivência, a evolução do estado de saúde da “NAZARÉ” RESISTIU “baleia-piloto” bebé que deu à costa próxi- A GRAVE INFECÇÃO mo da Nazaré no passado dia 27 de Agosto Salvador Mascarenhas revela-nos depois: (caso que mereceu desenvolvida reporta- “O nosso bebé esteve acometido de uma gem na edição do “Centro” publicada no complicada infecção respiratória que não passado dia 20 de Setembro). cedia perante a terapêutica instituída. Como então referimos, trata-se de uma Então, após ponderação cuidada (porque espécie de golfinho a que, pela forma e qualquer alteração brusca pode revelar-se grandes dimensões que atinge (cerca de 7 catastrófica) e consulta de uma rede mun- metros em adulto!), vulgarmente chamam dial de técnicos que estão a apoiar-nos sem “baleia-piloto” e a que, apesar de ser ma- reservas, decidimos alterar a terapêutica. O cho, foi dado o nome de “Nazaré”, por ter que se passou nos dias seguintes foi um sido recolhido próximo daquela praia. autêntico ‘renascimento da fénix’, com Entregue aos cuidados da “Sociedade “Nazaré” a revelar-se um bebé cheio de Portuguesa da Vida Selvagem” (SPVS), o energia e vigor. Agora estamos todos feli- mamífero-bebé foi albergado num centro zes com a recuperação do nosso ‘Globi- de recuperação eu a SPVS mantém na zona cephala melas’ (designação científica desta Duas voluntárias agarram “Nazaré” e a bióloga responsável por um dos turnos orien- da Figueira da Foz, e onde tem estado a ser espécie de golfinho), mas sabemos que este ta o tubo até ao estômago do bebé seguido por uma equipa multidisciplinar processo vai ter altos e baixos e temos de que o acompanha 24 horas por dia, todos estar preparados para o que vier a aconte- escondendo nenhuma ideia nem conheci- mes em considerar que se está a fazer um os dias. cer. A nossa luta é dia-a-dia. E não é só mento, em prol do desenvolvimento da bom trabalho”. Mas a verdade é que este esforço desin- com os problemas de saúde do jovem cetá- ciência e da recuperação dos cetáceos - A verdade é que as ajudas continuam a teressado tem tido recompensa, pois ceo, mas também com as necessidades contrariando algum egoísmo e tacanhez ser necessárias, para que tenha êxito o “Nazaré” tem reagido bem aos tratamentos intrínsecas numa operação desta enverga- que existem ainda em alguns sectores cien- desenvolvimento de “Nazaré”, nesta pri- e à alimentação, num caso de sobrevivência dura. Pensamos que está a haver um ponto tíficos. À medida que os trabalhos avan- meira fase, mas igualmente para que, mais que os especialistas mundiais consideram de viragem e pelo menos alguma parte da çam, as informações sobre as análises san- tarde, ele possa ser devolvido ao mar, o que único na Europa. sociedade portuguesa já repara que algo de guíneas, alimentação, medição, monitoriza- exige um trabalho tanto ou ainda mais Como nos referiu o veterinário Salvador novo e inédito está a ser feito algures numa ção da respiração e comportamento, aspec- complexo do que este da luta pela sobrevi- Mascarenhas (um dos elementos desta vila perto da Figueira da Foz”. to e volume das fezes, etc, etc, são enviados vência. extraordinária equipa), “Nazaré”, que neste para diversos técnicos (veterinários, biólo- Por isso, repetimos o apelo, todas as ajudas momento terá cerca de três meses de idade, gos e outros especialistas) do globo que são úteis e se agradecem. Quem quiser saber pesa já quase 120 quilos! Quanto ao apelo analisam as informações e ajudam com as como ajudar, poderá ligar para o telemóvel TRATAMENTO que lançámos neste jornal, afirma-nos suas sugestões. Neste momento são unâni- 913 241 188, ou para o telefone 239 945 057. MUITO COMPLEXO Salvador Mascarenhas: Como acima se refere, a sobrevivência “Tem havido uma resposta satisfatória de uma cria destas em cativeiro, especial- relativamente ao pedido de voluntários para mente sem a mãe, é muitíssimo difícil. Para nos ajudarem a acompanhar o nosso bebé o êxito que está a ser conseguido, até ao 24 horas por dia. Também algumas empre- momento, tem sido fundamental o comple- sas já romperam o cerco e começaram a xo tratamento a que o “pequeno” golfinho apoiar a recuperação do bebé cetáceo. está a ser submetido. Salvador Mascarenhas Infelizmente, algumas “grandes” revelaram- descreve-nos alguns pormenores: se muito pequeninas (caso da TAP e da “O ‘Nazaré’ é entubado de três em três Sonae) quando se desculparam com a crise horas e recebe cerca de dois litros de ali- económica para recusarem qualquer apoio! mento em cada entubação. A ementa inclui Em contrapartida, a empresa espanhola 800 gr de arenque, 100 gr de lulas, 130 gr de “Gre”, a quem a SPVS comprou a piscina leite próprio para bebés cetáceos, vitaminas, onde actualmente está o “Nazaré”, ofereceu aminoácidos, minerais, antibióticos, etc, outra piscina igual (o que facilita enorme- numa mistura resultante da experiência de mente a limpeza porque já se pode transfe- muitos delfinários por esse mundo fora”. ri-lo para outra durante essas operações). E o veterinário acrescenta: Também a “Astral Pool” ofereceu um “As informações (obtidas via e-mail na filtro de 300kg, o que melhora imenso a sua maioria), que ajudaram a construir esta água da piscina de recuperação - que tem miraculosa fórmula, vêm confirmar a gran- sido um dos maiores problemas, pois a de solidariedade que existe entre os técni- qualidade da água nestas situações é cru- cos que trabalham em reabilitação de cetá- cial”. ceos, revelando uma grande abertura, não “Nazaré” a receber o seu leite pelo tubo, operação que se repete cada três horas
    • 12 REPORTAGEM DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 Êxito da IX Feira Distrital do Mel da Serra da Lousã Decorreu no passado sábado (dia 14 de Outubro), na Baixa de Coimbra, a IX Feira Distrital do Mel Certificado da Serra da Lousã, da Castanha e da Noz. Presentes dezenas de produtores de vários pontos da Região Centro, que se espalharam desde a Praça 8 de Maio até ao Largo da Portagem, após a recepção, logo pelas 8 horas da manhã. Nas bancas instaladas nas Ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges estava exposto não só o mel da Serra da Lousã, devidamente cer- tificado (o que atestava a sua origem genuína e a respectiva qualidade), mas ainda muitos produtos relacionados com a apicultura – desde os favos até à aguardente e licores de mel, passando pelos mais variados produtos obtidos a partir da pura cera das abelhas. Além disso, o elevado número de pesso- as que acorreu à Feira tinha também à sua disposição castanhas e nozes, que muitos adquiriram. A meio da manhã iniciou-se o programa de animação, que se iniciou com o desfile e actuação da Filarmónica Mirandense, logo Ponto alto da Feira foi a sessão comemo- do para as 18 horas, mas mesmo depois e Concelhos Limítrofes, C.R.L., Câmara Muni- seguida do Rancho Folclórico da Casa do rativa com prova de mel, a que presidiu o disso ainda alguns apicultores se manti- cipal de Coimbra, Direcção Regional de Agri- Povo de Ceira. Secretário de Estado do Desenvolvimento nham no local, vendendo os seus produtos cultura da Beira Litoral, Associação de Da parte da tarde foi a vez do Rancho Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, aos retardatários. Promoção da Baixa de Coimbra e Escola de Folclórico Rosas do Mondego, do Grupo e que decorreu nas Galerias Almedina, com O certame, que atingiu os objectivos de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Folclórico da Casa do Povo de Mira e do a presença de diversas entidades. divulgação e promoção do Mel da Serra da Registe-se, por último, que esta feira- Grupo Folclórico Ceifeiros da Corujeira. O encerramento de Feira estava marca- Lousã, e ainda das castanhas e nozes, foi orga- festa se estendeu à Praça do Comércio nizado pelo Governo Civil de Coimbra e patro- (Praça Velha), onde esteve patente ao cinado pela Região de Turismo do Centro, con- público uma interessante mostra de espan- tando com a colaboração de Lousãmel – talhos, que despertaram a curiosidade dos Cooperativa Agrícola dos Apicultores da Lousã mais velhos e deliciaram a pequenada. Lousã promove produtos endógenos A Câmara Municipal da Lousã organiza em Novembro duas iniciativas destina- das à promoção dos produtos endógenos da Serra da Lousã: Assim de 3 a 12 de Novembro, o Festival Gastronómico do Mel e da Castanha, “Sabores de Outono”, que decorrerá em 16 restaurantes do Concelho, contando com o apoio de diversas entidades, como sejam a Região de Turismo do Centro, a Pastelaria S. Silvestre, O Licor Beirão e a LOUSÃMEL - Cooperativa de Apicultores, entidade responsável pelo Mel DOP Serra da Lousã; Nos dias 11 e 12 de Novembro decorrerá a XVII edição da Feira do Mel e da Castanha da Lousã, organizada em parceria com a LOUSÃMEL, destinada à venda e promoção do Mel da Serra da Lousã certificado, mas também à castanha e a out- ros produtos endógenos e característicos desta região e desta época do ano. Como complemento da Feira (que funcionará no Pavilhão Municipal de Exposições da Lousã), haverá uma mostra de artesanato.
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 PUBLICIDADE 13
    • 14 DESPORTO DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 Em prol do desporto automóvel AUTOMOBILISMO ARMANDO FIDALGO FALA DOS 40 ANOS DO CLUBE AUTOMÓVEL DO CENTRO O Clube Automóvel do Centro passar por um período menos bom. Foi (CAC) está em festa. preciso arregaçar as mangas e estamos a Fundado em 7 de Março de 1966, tentar recuperar o clube. Na nossa terra o clube assinalou recentemente nem tudo tem que definhar. Coimbra tem a passagem dos 40 anos gente que ama muito a cidade e que, por via disso, está disposta a dedicar-se de alma e de actividade com uma reunião coração a instituições como o CAC”. de família realizada Armando Fidalgo explica que, em 2002, o no Casino da Figueira da Foz “Clube Automóvel do Centro fez uma aposta muito grande na internacionalização António José Ferreira do Rallye da Figueira da Foz, que tinha vol- tado à cidade. A prova estava a ser observa- Em conversa com o “Centro”, o presi- da para passar do Campeonato Nacional ao dente Armando Fidalgo começou por afir- Campeonato Internacional mas, por vicissi- mar que “ao longo destes 40 anos desen- tudes várias que agora não vem ao caso volvemos uma actividade muito intensa em recordar, sendo melhor até esquecer, em prol do desporto automóvel”. Resumindo a vez de subir, desceu. Isto apesar de todos actividade do CAC ao longo dos tempos, os esforços das pessoas que então estavam prosseguiu dizendo que “antes de 1966 já à frente do clube, e tenho a certeza que os as pessoas que fundaram o clube desenvol- fizeram, até porque a maior parte conti- viam várias organizações na área dos ‘ral- nuam a ajudar o CAC. As dificuldades avo- lyes’. Mas não tinham o necessário alvará lumaram-se e havia que arranjar uma equi- para a realização das provas, que eram pa de trabalho que pusesse de novo o clube Armando Fidalgo indica o cartaz da primeira edição do Rali da Figueira da Foz então organizadas pelo ‘100 à Hora’, um a funcionar. Havia algumas linhas mestras, dos mais antigos e prestigiados clubes por- mas fundamentalmente o que era preciso “apesar de aqui e ali a tentarem ferir de potenciar o CAC. Mas não nos chega! Sa- tugueses. Fruto desse mal-estar, de se ter na era dar continuidade aos 38 anos de histó- morte. Mas não conseguem porque Coim- be-nos a pouco, queremos mais e estamos cidade provas organizadas por gente que ria do Clube Automóvel do Centro. Um bra é uma terra fantástica. As coisas estão a a trabalhar para esse desiderato que é, de vinha de fora, vários filhos da terra resolve- dos objectivos prioritários passava por mudar, nomeadamente a política de dar hoje para amanhã, construirmos a nossa ram fundar o CAC, entre os quais o antigo subir do escalão onde estávamos para o pouco a muitos, que gera descontentamen- sede. Esse dia já esteve mais longe e até presidente da Câmara, Dr. Joaquim de Campeonato Nacional de Rallyes, que é o to a longo prazo. Os tempos que correm final do nosso mandato espero apresentar Moura Relvas, e outros ligados ao comércio nosso lugar e onde estamos de novo. A luta são de muita dificuldade, o dinheiro não aos sócios o projecto para o novo edifício”. automóvel. Do vasto leque de provas então é renhida e para continuarmos na 1ª abunda, mas penso que se os projectos E o espaço físico de suporte ao clube é organizadas, destaco o Rally Rainha Santa, Divisão sofremos uma concorrência fortís- forem bem apresentados acabarão por ser considerado muito importante, pois os seus que é das provas mais antigas do calendário sima e lutamos contra organizações que reconhecidos. No CAC não temos grandes dirigentes gostavam de ver mais associados da especialidade, embora hoje em moldes dispõem de meios e de retaguardas que nós razões de queixa. Este ano, através do na sede, a conviver e a trocar impressões, diferentes”. A primeira grande crise surge infelizmente não dispomos. Mas o que nos Senhor Vereador do Desporto, o Dr. Luís sobre automóveis ou outros assuntos. “em 1976. O clube agonizava e inclusiva- falta nesse particular, sobra-nos em arrega- Providência, a Câmara apoiou uma iniciati- Armando Fidalgo recorda que “ainda sou mente já não eram pagas as rendas da sede, nho, em vontade e sobretudo em compe- va nossa. Tratou-se do Rallye da Rainha do tempo em que as escadas do antigo edi- na altura na Rua Alexandre Herculano. A tência. Temos aqui no CAC uma equipa Santa, que já não se realizava desde 1974 e fício demoravam mais tempo a descer do Direcção então presidida pelo Dr. Rocha muito competente, da qual me permito que este ano voltou à Praça da República, que a subir porque encontrava-se um sem Pita e que contava, entre outros, com o destacar o Eng. Luís Santos, Vice- constituindo uma grande festa”. número de pessoas ilustres, antigos prati- Carlos Barata, o José Manuel Dinis, o Presidente Desportivo, que tem muita Ainda em matéria de apoios, Armando cantes que durante anos e anos levaram o Cabeço, o José Rolo, o José Regêncio, o Sr. experiência e traquejo na organização de Fidalgo referiu-se a um sonho antigo de nome do Clube Automóvel do Centro a Gutierres, o Luís Carrito, conseguiu encon- provas e que é uma garantia de sabermos o sucessivas Direcções do Clube Automóvel todo o Portugal. Lembro-me de encontrar, trar as melhores soluções para os proble- que estamos a fazer. Modéstia à parte, creio do Centro e que tem sido alvo de contactos entre outros, o Mário de Figueiredo, o Dr. mas e o clube arrancou para anos largos de que estamos a desenvolver um bom traba- com a autarquia de Coimbra: “Herdámos Augusto Roxo, os irmãos José e Romão de grande fulgor e para organizações de lho”. da anterior Direcção um protocolo que Sousa. Hoje temos pena que as pessoas não monta, por exemplo o Rally da Figueira da visa, a curto prazo, a construção da nossa apareçam, até porque o CAC tem uma sede Foz (1978), que durante anos atingiu o Nova sede social sede social. Passámos por vários pontos da agradável e que constitui um bom ponto de escalão de internacional durante várias edi- cidade, desde a Rua Alexandre Herculano à encontro e de convívio que eu recomendo ções”. Mais tarde, por intermédio “do “As coisas têm vindo a mudar”. Ar- Arregaça. Hoje estamos neste edifício, airo- às pessoas a quem o clube diz alguma nosso prezado consórcio e na altura ilustre mando Fidalgo respondeu assim quando, a so, bonito e que dá todas as condições para coisa”. presidente da Câmara Municipal de Oli- propósito dos apoios recebidos, atalhámos veira do Hospital, Eng. Carlos Portugal, que Coimbra é por vezes um pouco Mortágua rumámos às faldas da Serra da Estrela, rea- “madrasta” para os clubes e associações lizando sete edições, com muito brilho”. que fomentam a prática desportiva. “Coim- recebe Rally Há cerca de dois anos “o CAC voltou a bra é uma cidade de excelência”, justificou, Clube em festa Para a organização do Rally de Mortágua 2006, o Clube Automóvel do Centro contou com o apoio de diversas entidades, entre as quais a Câmara O Clube Automóvel do Centro assinalou os 40 anos de existência com uma gala Municipal de Mortágua. Integrada no realizada no Casino da Figueira da Foz. Além de promover o convívio entre toda a Campeonato Nacional FPAK de família do clube, este evento teve como ponto alto as cerca de sessenta homenagens Rallyes, a prova está marcada para o a pessoas e entidades, nomeadamente os associados mais antigos, as Câmaras do próximo sábado, com o seguinte horá- distrito e a Região de Turismo do Centro. Armando Fidalgo não tem dúvidas de que rio: Mortágua 1 (24,62 km), 9h45; “esta grande festa não deixou ninguém indiferente e demonstrou que o nosso clube Espinho 1 (19,67 km), 10h29; Aguieira está vivo e tem pernas para andar”, aproveitando esta entrevista “para fazer dois 1 (15,48 km), 11h24; Mortágua 2 (24,62 pedidos de desculpa. Durante a homenagem que fizemos a várias pessoas, por lapso km), 13h15; Espinho 2 (19,67), 13h59; não foi chamado o nome do prezado associado João Carlos Carmo Santos e do Aguieira 2 (15,48 km), 14h54; antigo praticante Augusto Roxo”. Mortágua (119,54), 16h15.
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 15 FUTEBOL A árdua tarefa de começar do zero Tiago Almeida a alteração da equipa técnica retardam. Frente últimos casos, a Académica não só apresentou ao Boavista, no Bessa, e Belenenses, no Estádio uma inconstância exibicional durante o Ao cabo de seis jornadas na Liga, a Briosa Cidade de Coimbra, a Académica foi ligeira- jogo, como também uma gri- continua sem triunfar. A soma de quatro empa- mente superior aos seus adversários, contudo, tante incapacidade de gerir o tes – três deles fora de portas – até ao momen- nas restantes partidas, apenas assinou esse resultado e as emoções da par- to, parece indiciar uma recuperação pontual na domínio em fases do encontro e não durante os tida. Nuances que Manuel tabela, mas a ausência de vitórias começa a pre- 90 minutos. Aconteceu assim em Setúbal, na Machado continua a vislumbrar, ocupar dirigentes e adeptos academistas. jornada inaugural, e em Paços de Ferreira – em prol de uma época menos Manuel Machado promete melhorias, logo ainda que a actuação menos feliz do árbitro aflitiva do que as anteriores. que a equipa atinja os automatismos necessá- tenha condicionado o resultado – e, principal- Conseguirá a Briosa entrar na senda rios, processo que as 15 caras novas do plantel e mente, ante a Naval e o Nacional. Nestes dois das vitórias? Aceitam-se apostas. O PLANTEL DE MANUEL MACHADO 21 LITOS 32 PAVLOVIC Talvez o mais sonante reforço contratado no Internacional sérvio sub-21, veio melhorar os BALIZA defeso, depois de cinco anos ao serviço do índices físicos e de capacidade no jogo aéreo 24 PEDRO ROMA Málaga. Contudo, a recta inicial da época não do meio-campo. Tem sido aposta de Manuel Há mais de uma década no clube, Roma Machado, mesmo provando que não pauta as suas exibi- podia estar a correr pior para Litos, que leva já duas expul- volta, esta época, a ser o dono da baliza e a sões somadas. ções pela regularidade. envergar a braçadeira de capitão. Cumpre o seu último ano de contrato, mas é provável que prolongue o 16 LINO 87 DAME N’DOYE vínculo até 2008. Apesar de ter já 29 anos, Lino não era conhe- Assinou por uma época, com mais duas de cido em terras lusas, antes da Briosa o contra- opção, no último dia de inscrições na Liga. 1 DOUGLAS tar ao Juventude de Caxias. Com dois golos de Em boa hora o fez, apesar de ainda algo ina- Contratado ao Mineiros, o brasileiro Douglas belo efeito já apontados, de livre directo, e bons aponta- daptado ao futebol da Briosa, até porque, ainda jovem, mentos, o defesa/ala esquerdo promete. demonstra ter uma enorme margem de progressão. tentou durante a pré-época mostrar serviço para agarrar um lugar na equipa, mas não tem convencido nos amigáveis já disputados. Assinou contrato 18 VITOR VINHA por uma temporada, com mais duas de opção. Terá, certamente, frente ao Desportivo das Aves, a oportunidade de se estrear no onze, ATAQUE face ao castigo de Lino. Machado vê-o como 7 HÉLDER BARBOSA 15 EDUARDO alternativa, depois de Nelo Vingada o ter considerado, na O “eterno suplente da casa”, pelas sucessivas Uma das maiores esperanças do futebol naci- 2ª volta da época passada, imprescindível. onal. Tem dado até a ideia que teria já lugar épocas sentado no banco ou na bancada. no plantel do F.C. Porto que o emprestou por Eduardo assinou por mais uma época, mesmo um ano à Briosa. Já mostrou ser um jogador decisivo, mas sabendo que um lugar titular entre os postes não seria fácil promete ainda muito mais… de obter. MEIO-CAMPO 19 MIGUEL PEDRO 5 ALEXANDRE Contratado ao Desportivo das Aves, Miguel Médio de contenção contratado ao Corin- Pedro não é um criativo, por natureza, mas thians Alagoano para dar mais músculo a um DEFESA tem na sua capacidade de cruzamento e veloci- 27 NUNO LUIS “miolo” que já o pedia. Machado conhece-o dade atributos muito interessantes. Um dos jogadores com Ainda não se estreou esta temporada, em vir- bem – foi seu jogador em 2004 no Guimarães – e, por isso, mais minutos até ao momento. tude da lesão que o afasta desde Janeiro da vê nele um jogador útil. competição. A integrar o treino colectivo já há 22 SARMENTO 6 ROBERTO BRUM Esteve perto de ser dispensado, por existirem mais de três semanas, o seu regresso está marcado para Eleito um dos sub-capitães, ganhou há muito muitas opções para o seu lugar, mas continua, muito breve. a espaços, a mostrar que se trata de um valor a simpatia da maioria dos adeptos. Indiscutí- vel na manobra de Machado e, provavelmente, seguro no plantel. Rápido e forte no duelo, Sarmento espe- 25 SONKAYA a representar, pela última época, o clube que o trouxe para ra por mais oportunidades. Não agradou a Co Adriaanse, que o foi bus- o futebol europeu. car ao Besiktas, sendo um ano depois 30 ESTEVEZ emprestado à Briosa por uma temporada. Fatih 8 PAULO SÉRGIO O seu passe pertence ao Boca Juniores, que o Sonkaya, presente nos últimos quatro jogos da Liga, tem Chegou do Moreirense, sem experiência na emprestou por um ano aos estudantes. Depois mostrado o que dele muitos já esperavam: pouco. Liga principal, procura ainda adaptar-se a uma de uma pré-época interessante, Estevez ainda não nova realidade. Suplente por vezes utilizado, justificou, na Liga, os motivos que levaram à sua contratação. 3 DANILO pode vir a ser importante na solidez do sector intermediário. Relegado para terceira opção, esta época, no 9 GELSON eixo central da defesa, o brasileiro mostra-se 10 FILIPE TEIXEIRA Continua a evidenciar a capacidade de luta ainda a Manuel Machado, que conseguiu, há Ausente de parte dos trabalhos de pré-época, que tanto agradou a Nelo Vingada, quando meses, segurá-lo por mais duas épocas, quando Danilo já não se encontra ainda no auge da sua forma. chegou à Briosa no início da época passada. tinha um pé fora da Briosa. Manuel Machado também gosta dele e o brasileiro tem Quando tal acontecer, pegará de estaca numa correspondido. Já apontou um golo. equipa ainda órfã de um organizador como o ex-PSG. 4 KAKÁ “Encontrado” nas divisões inferiores do 29 GYANO 11 DIONATTAN Era o goleador do Vasas de Budapeste, antes Brasil, proveniente do Grémio de Jaciara, Tem passado os últimos meses sob a atenção Claudiano Bezerra (o seu verdadeiro nome) de assinar por três temporadas pela Briosa. do departamento clínico do clube, não se vis- Bom tecnicamente, mas nem sempre lúcido na estreou-se em Paços de Ferreira, à 6ª jornada da Liga, e lumbrando ainda o seu regresso à competição. hora do remate, o avançado húngaro já marcou e promete promete continuar a lutar por uma vaga. Quando este se anunciava, o brasileiro lesionou-se de novo… fazê-lo mais vezes. 14 MEDEIROS 28 NUNO PILOTO 99 NESTOR Manuel Machado gostou tanto de Medeiros, Discutiu-se, durante meses, a sua continuida- Talvez a maior decepção da ainda curta época. quando o treinou em Guimarães, há duas de em Coimbra, que acabou por se confirmar, Suplente três vezes utilizado, lesionou-se com épocas, que o indicou para a Briosa. Con- com o prolongamento do contrato até 2009. A gravidade e só deve regressar à competição tratado por uma época, Medeiros tem sido aposta habitual sua ligação forte ao clube e polivalência nas quatro linhas daqui a algumas semanas. Com bom toque de bola, parece para o centro da defesa, ao lado de Litos. influenciaram a decisão. ainda alheado do futebol português.
    • 16 DESPORTO DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 FUTSAL JOÃO ALMEIDA PEDE MAIS APOIOS PARA O FUTSAL DO SPORT CLUB CONIMBRICENSE “A cidade tem de acordar para o Sport” Empenhada em dar mais vida António José Ferreira qualquer tipo de objectivos utópicos. Com hu- ao clube e em proporcionar mildade e atitude vamos viver jogo a jogo e ver a prática desportiva à juventude Como surgiu a ideia de o Sport se aba- o que se pode fazer. da cidade, a Direcção do Sport lançar ao Futsal? A ideia nasceu exteriormente ao clube. Eu As condições oferecidas pelo “velhinho” Conimbricense acolheu de bom e um amigo decidimos começar um projecto Pavilhão da Palmeira permitem o desenvol- grado o projecto apresentado de Futsal em Coimbra, pois cremos que falta vimento do trabalho que têm em mente? por João Almeida para algo neste meio, na cidade. Começámos a ver Que melhoramentos gostariam de ver a incrementação do Futsal. soluções e clubes que poderiam estar interessa- introduzidos? dos e foi assim que surgiu o Sport. Fomos a O Pavilhão é velho, desactualizado e com Com três equipas uma reunião e apresentámos um projecto inúmeros problemas que causam dificuldades à em funcionamento, a nova ambicioso e que se espera vencedor dos seus prática da modalidade. Mas é o que temos e modalidade tem dado os passos próprios objectivos. A Direcção do Sport rece- vamos tentando melhorá-lo aos poucos. Tem necessários para ser beu muito bem a ideia e a partir daí foi come- chegado e servido para o que precisamos, mas çar a preparar tudo para que no início da época necessita de arranjos urgentes na cobertura, pois definitivamente uma realidade nada faltasse. se chover não poderá haver treinos nem jogos. no dia-a-dia do clube. João Almeida É uma vergonha a quantidade de água que entra Em conversa com o “Centro”, Tendo em conta que o Sport se tem uma referência em todo o país. O Futsal preten- no campo pelo telhado. o impulsionador do Futsal dedicado mais ao basquetebol, como foi de ser uma referência no clube e, neste momen- recebido o Futsal e como se “encaixou” no to, está a conquistar o seu espaço, a ambientar- Ao cabo de cerca de dois meses de traba- no Sport Club Conimbricense dia-a-dia do clube? se, a rotina está a construir-se e toda a gente vai lho, já é possível dizer que o Futsal se clama por mais apoios e garante O Basquetebol tem sido a referência do ambientar-se a esta nova realidade. Todos traba- implantou definitivamente no Sport Clube que “vamos fazer do nosso Sport nos últimos anos. Mas é necessário ver lhamos para um clube e todas as modalidades Conimbricense? projecto um caso de sucesso que o clube vive de outros desportos e não só são uma equipa com o objectivo de vencer com Sim. Não duvidem disso! O Futsal nasceu do Basquetebol. O Karaté, por exemplo, tem a camisola do Sport. A Direcção, os funcioná- no Sport e vai aqui ficar até nos quererem. Tem na cidade de Coimbra” sido uma aposta vencedora e neste momento é rios e os atletas de todas as modalidades têm estado a ser um projecto vencedor. Prova disso ajudado e tudo está a correr bem. é ainda não haver derrotas em jogos oficiais, em qualquer dos escalões, e estar a ser bem recebi- Como decorreu o processo de formação do por toda a gente. Com calma vamos fazer do das equipas? Foi fácil a captação para os nosso projecto um caso de sucesso na cidade de escalões mais jovens? Coimbra. O processo de formação das equipas das camadas jovens correu da melhor maneira, O público tem acorrido aos jogos? embora ainda exista lugar para dois jogadores, Curiosamente o público vai aumentando. tanto nos Juvenis como nos Infantis. Ambas as Nunca anunciámos nenhum jogo na rua, nem equipas estão muito competitivas. A equipa nada parecido. Nestas duas primeiras jornadas, sénior formou-se com um grupo de amigos e praticadas em casa, preferimos ver como cor- com alguns jogadores com experiência na ria, se as pessoas apareciam ou não, e a verda- modalidade, formando uma mescla interessan- de é que aparecem. A partir da próxima jorna- te e ambiciosa, que, com humildade, tem sido da vamos começar a publicitar a agenda dos um exemplo para todos nós e para mim, pesso- jogos e vamos ver se ainda vai chamar mais a Os Seniores do Sport mantêm a invencibilidade no “Distrital” da 1.ª Divisão almente, um orgulho. atenção. A cidade tem de acordar para esta modalidade, tem de acordar para o Sport Club O projecto tem recebido os apoios Conimbricense. necessários? Nos apoios é que está o mais difícil. Corri praticamente toda a indústria de Coimbra e Arranque quase todas as lojas da “baixinha”. Foi uma ver- dadeira maratona que, infelizmente, teve quase prometedor sempre o mesmo resultado, com a mesma res- posta:”a vida está difícil”. As pessoas não enten- No ano de “arranque”, o Futsal do dem que qualquer ajuda é importante e bem Sport Club Conimbricense conta já com 42 recebida. Até 50 € seriam bem aceites. Mas não praticantes inscritos na Associação de recebemos essa resposta e é uma pena que não Futebol de Coimbra, repartidos pelas três abram os olhos para este clube. Eu penso que equipas em competição: Seniores (treinados tudo segue o exemplo da própria Câmara por João Graça e Tiago Ferreira), Juvenis Municipal. Há coisas urgentes que têm de ser (João Almeida e Diogo Tadeu) e Infantis Os juvenis ainda não perderam no Campeonato Distrital feitas e os apoios não existem. Por outro lado, (Carlos Rodrigues e Olavo Simões). Em temos que agradecer, e muito, à Matobra, à termos desportivos o início não podia ter MotoEnergia, ao fotógrafo João Graça e ao sido melhor e mais motivador: os Seniores Senhor Presidente da Junta de Freguesia de ocupam neste momento o 2º lugar do Santa Cruz, pois sem estas instituições, pessoas Campeonato Distrital da 1ª Divisão, com 3 ou empresas, certamente a modalidade tinha vitórias (no próximo sábado recebem o morrido à nascença. Há ainda a ajuda da Santa Clara, às 21 horas, no Pavilhão da Pastelaria Nobreza, que dá a alimentação para Palmeira); os Juvenis contam igualmente depois dos jogos, e dos Tecidos de Coimbra, por vitórias os três jogos realizados (jogam que ofereceram as camisolas de aquecimento. no próximo domingo, às 11 horas, em Quais os principais objectivos para a Soure); os Infantis ainda não entraram em presente época? campo, oficialmente, mas os bons resulta- Os objectivos são simples: estabilizar a dos verificados nos “amigáveis” deixam modalidade no clube e dizer à cidade que existi- antever uma época a tender para o sucesso mos. Depois disso tudo será mais fácil. Quanto (a estreia está marcada para sábado, às 11 a objectivos desportivos, em todos os escalões horas, com a visita do Miro). A estreia dos Infantis está marcada para o próximo sábado se pretende fazer o melhor possível mas sem
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 17 ATLETAS TIRO PEQUENOS JORGE BATALHA É UM DOS ENTUSIASTAS DA MODALIDADE “A união Sport inaugura Carreira de Tiro faz a força” Como e quando entraste para o bas- A Carreira de Tiro do Sport Club As inscrições estão A concluir, Jorge Ba- quete? Conimbricense é inaugurada abertas e “estamos talha reconheceu que Entrei no basque- na próxima sexta-feira, às 18h30. disponíveis para “a modalidade tem tebol porque gostava Jorge Batalha é um dos entusiastas ensinar quem um ‘fantasma’ que muito de ver o meu do “tiro” e explicou ao “Centro” queira aparecer. são as armas, que irmão jogar esta mo- Vamos ver qual levam as pessoas a dalidade. Comecei a alguns aspectos da modalidade vai ser a acei- pensarem em coi- praticar aos sete anos. André Godinho 13 Anos tação por parte sas más. Mas as Que importân- Olivais António José Ferreira das pessoas, armas não são cia ocupa o basque- Basquetebol 8º Ano de Escolaridade mas estamos más, são como te no teu dia-a-dia? O Sport Club Conimbricense tem tradições convencidos uma esferográ- A importância que o basquetebol tem para em várias modalidades, entre as quais as que que vão apa- fica ou uma mim, no meu dia-a-dia, é permitir o convívio estão ligadas ao tiro de precisão. Que agora recer alguns faca. Depen- com amigos e aprender coisas novas. É tam- volta a acolher, inaugurando a Carreira de Tiro praticantes”. dem das mãos bém um passatempo de que gosto muito. na próxima sexta-feira, às 18h30. A nova estru- Quem estiver que lhes pegar e Fala um pouco sobre a tua equipa e tura está montada num pequeno ginásio, con- interessado em do que se fizer sobre o ambiente vivido em torno do bas- tíguo ao recinto de jogos, e dispõe de todas as experimentar, com elas. Portanto quetebol do Olivais. condições normativas para a prática e com- pode dirigir-se ao gostava que as pes- A equipa dos Iniciados “A” recebeu joga- petição do tiro de precisão. “Que é modalidade Pavilhão da Palmeira soas entendessem que o dores novos que estão ainda em fase de adap- olímpica e na qual Portugal tem atletas bem e “conhecer melhor o tiro de precisão é tação. Contudo, com o decorrer da época, o consagrados, entre os quais João Costa e Sara tiro. uma actividade trabalho de grupo irá melhorar e os resultados Antunes”, começou por enfatizar Jorge Batalha intelectual, onde da equipa também. Quanto ao ambiente vivi- na conversa que travou com o “Centro” e na há ciência e do nos Olivais é óptimo porque há muitos qual explicou que “a modalidade de tiro de pre- paz de atletas jovens, de diferentes escalões, que cisão é um desporto 90% mental, espiritual, e sabem conviver. Deste modo o pavilhão tor- 10% físico. Embora se trate de tiros, é uma mo- na-se um recinto agradável, com imensa ami- dalidade agradável para quem procura uma zade e basquetebol. certa paz de espírito. Torna-se necessário coor- Com que principais objectivos te aba- denar a respiração e os batimentos cardía- lanças à nova época desportiva? cos, para que no momento em que se O meu objectivo para esta época é que a acciona o dispositivo para disparar a equipa consiga a melhor classificação possível pessoa não se mexa”. Segundo e possa disputar a fase nacional. Jorge Batalha, que confessa ser Ganhar é importante? um “pouco hiperactivo, irrequi- Ganhar é importante porque é uma manei- eto, e ter encontrado no tiro ra de ver reconhecido o trabalho realizado nos momentos de grande tranquil- treinos. Torna-se motivador, mas é importan- idade”, esta é uma modali- te saber ganhar. dade que reúne “um tipo de Que importância atribuis ao chamado gente com grande carácter “espírito de equipa”? humano, camaradista, que O “espírito de equipa” é muito importante convive muito em torno de porque sendo o basquetebol um desporto um espírito são. É algo que colectivo é fundamental que todos, de igual até me emociona um modo, dêem o melhor para obter os melhores pouco”. Por outro lado, resultados para a equipa. Como se costuma avança, trata-se de um desporto “de fácil aces- No início não recomendo a ninguém que espírito e que apela à calma e à concen- dizer, “a união faz a força”. so e sem idade certa para se começar. Basta que compre a arma, antes de experimentar e tomar tração”. E agradeceu “à Federação “Só no dicionário é que o sucesso está se consiga pegar numa arma que pesa cerca de contacto com a modalidade. Primeiro ver Portuguesa de Tiro, pela cedência do materi- antes do trabalho”. Como comentas esta três quilos. Tenho colegas de tiro com cerca de como é”. Para já, a nova Secção do Sport Club al e pela paciência pelo tempo de espera, e frase? 70 anos e que atiram muito bem. Entre as sen- Conimbricense conta com quatro elementos: também à Direcção do Sport Na minha opinião, para se ser bem sucedi- horas, que são mais calmas, também há exce- além de Jorge Batalha, estão inscritos Fernando Conimbricense, por ter acreditado e confia- do é necessário trabalhar no dia-a-dia, de lentes atiradoras”. Cruz e Silva, Jorge Sequeiros e José Nazaré. do em nós”. modo a melhorar a nossa atitude e desempe- nho. A prova é que os bons resultados que podemos obter nos jogos só serão possíveis se trabalharmos bem nos treinos. BREVES DO DESPORTO REGIONAL Consegues conciliar o basquete com passado dia 3 do corrente, com a activida- assbc@sapo.pt, por telefone (239 701297) os estudos? TORNEIOS DE MINIBASQUETE de a funcionar às terças e quintas-feiras, ou por fax (239 404770). Normalmente, sim. É uma questão de O Olivais Coimbra leva a efeito, no pró- entre as 18 e as 20 horas. As inscrições saber gerir o tempo, porque são duas situações ximo dia 1 de Novembro, dois Torneios de mantêm-se abertas, devendo os interessa- importantes para mim. Minibasquete. De manhã vão estar em dos contactar a secretaria do clube, todos Que mensagem gostarias de deixar REUNIÃO TÉCNICA acção os Minis Femininos, de acordo com os dias entre as 18 e as 19 horas. A Associação de Basquetebol de Coim- para os leitores do jornal Centro? o seguinte calendário: Olivais/Sporting bra leva a efeito na próxima sexta-feira, Praticar desporto é fundamental para Figueirense (10 horas), Anadia/Sporting pelas 21h30, na Escola Dra. Maria Alice todos. Principalmente para os jovens, porque Figueirense (11 horas) e Olivais/Anadia Gouveia, uma reunião técnica para a qual contribui imenso para o seu desenvolvimento. CURSO DE ÁRBITROS DE (12 horas). Da parte da tarde entram em estão convocados todos os treinadores BASQUETEBOL campo os Minis B e os Minis A: Olivais/ Estão abertas as inscrições para mais um dos escalões de Iniciados e Cadetes, mas- /Sangalhos (14h30), Esgueira/Sangalhos Curso de Juízes de Basquetebol, acção pro- culinos e femininos. A ordem de traba- (15h30) e Olivais/Esgueira (16h30). movida pela Associação de Basquetebol de lhos é a seguinte: Apresentação e Coimbra e pelo respectivo Conselho de Ar- Discussão do Plano de Actividades do bitragem. Centro de Aperfeiçoamento Técnico Os interessados podem fazer a pré-ins- Distrital; Jornada Nacional de Formação GINÁSTICA NO OLIVAIS A Ginástica do Olivais Futebol Clube, crição na Secretaria da Associação de Regional (1 e 2 de Dezembro de 2006); manutenção e aeróbica, abriu portas no Basquetebol de Coimbra, pelo e-mail Outros Assuntos. André Godinho é o “capitão” dos Iniciados “A” do Olivais Coimbra
    • 18 REPORTAGEM DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 “Mercadinho do Botânico” contribui para divulgar agricultura biológica Márcia Arzileiro onde o consumidor podia adquirir os seus pro- dutos, actualmente já não é bem assim. O “Mercadinho do Botânico” voltou a abrir As grandes superfícies comerciais já são portas no passado sábado, no magnífico cená- adeptas deste tipo de produtos, também para rio do Jardim Botânico da Universidade de responder à procura de muitos consumidores Coimbra. que já fizeram destes produtos um hábito ali- Este original mercado, que tem vindo a con- mentar diário. quistar um crescente número de clientes, assu- No entanto, a existência de produtos frescos me-se como “mercado de agricultura sustentá- é praticamente inexistente. vel”. Embora os produtos expostos para venda Paulo Coelho é um dos proprietários de uma sejam originários de produção biológica, alguns loja de Coimbra exclusivamente dedicada a este não apresentam a certificação. E isto porque, tipo de cultura, relativamente à qual nos afirma: como foi explicado ao “Centro”, para os produ- “A ‘Quental Biológica’ é a única loja especia- tores poderem rotular os seus produtos como lizada nesta categoria. A loja tem alguns produ- biológicos teriam de ter a uma certificação a tos frescos diariamente, mas a maior parte ainda nível europeu, cujo custo, no caso dos pequenos são produtos transformados, e na maioria produtores, não compensaria. estrangeiros. A diferença das grandes superfíci- A verdade é que, em Portugal, os produtos es é que aqui há frescos, apesar de poucos. Mas biológicos ainda são, para a maior parte das pes- geral conta com alguns apoios financeiros, o acaba por sair barato. Este género de produtos queremos melhorar nesse sector”. soas, pouco conhecidos – e, consequentemente, modo de produção biológico conta ainda com é extremamente rico em nutrientes. Por exem- E Paulo Coelho acrescenta: “Os preços são pouco consumidos. mais uma ajuda especial para a produção. plo, aqui no ‘Mercadinho do Botânico’ temos um pouco mais elevados, e criou-se mesmo o Ouve-se dizer que fazem bem à saúde, que Entendo que seria importante ter apoios a nível um género de maçã típica do interior, chama- estereótipo de que é uma cultura de ricos, por- são bons para o meio ambiente. Mas a procura de educação e de informação. Por exemplo, por da ‘Bravo de Esmolfe’, que é muito saborosa, que os pobres não lhes podem aceder”. escassa destes produtos leva a crer que a infor- que é que não existe, nas escolas, uma disciplina aromática e com baixo teor de água. No entanto, Paulo Coelho acredita que se mação não está ainda suficientemente divulgada relativa à nutrição? É obvio que as pessoas não Comparando com outras maçãs, como a existissem mais lojas com exclusividade para junto dos potenciais consumidores. compram o que não conhecem”. ‘Golden’, muito consumida em Portugal, a de este tipo de produtos, os preços seriam cada vez Paulo Coelho, um dos comerciantes de pro- Um dos factores negativos para a comercia- Esmolfe é muito mais rica em nutrientes. A dutos biológicos devidamente certificado, acre- lização deste tipo de produtos é a circunstância ‘Golden’ contém imensa água, o que o consu- dita que o que mais falta para o desenvolvimen- de serem mais caros. Contudo, Paulo Coelho midor está a pagar é em grande parte a água to deste sector de actividade é a informação e a não tem dúvidas relativamente a esta questão: contida no produto”. educação. E afirma: “Eu não acho que o mais “Os produtos biológicos são, de facto, mais A malápia de Gouveia é outra maçã de ori- importante seja pedir dinheiro ao Estado para o caros. Cerca de 30% mais caros. No entanto, gem biológica vendida no “Mercadinho” que, modo de produção biológico. A agricultura em no que toca à qualidade do produto, o caro tal como a de Esmolfe, é muito rica em nutrien- tes e com pouca água. “Uma das coisas que diferenciam o produto biológico do não bioló- gico é a quantidade de água na sua composição. Quanto mais água possuírem, menos sabor têm. Para além disso, os produtos biológicos são muito mais ricos em vitaminas”, realça Paulo Coelho. RAZÕES DO MAIOR CUSTO DOS PRODUTOS BIOLÓGICOS Mas por que é que os produtos biológicos são mais caros? Eis uma pergunta que muitos fazem. Para Paulo Coelho a resposta é simples. Sublinha que agricultura biológica tem caracte- Paulo Coelho rísticas muito diferentes, com maiores cuidados mais baixos, pois seria um mercado mais com- e métodos muito mais exigentes, menos polu- petitivo. E refere, a este propósito: entes, mais amigos da saúde e do ambiente. “Na nossa loja os preços são acessíveis, estão Por isso, este produtor considera que a dife- dentro da média. É natural que numa grande rença de preço – que ronda, em média os 30%, superfície as coisas acabem por ser mais caras, e como acima se refere – nem sequer é muito ele- como não há conhecimento deste mercado, as vada, já que a qualidade dos produtos é muito pessoas ficam com a ideia de que é assim em superior. todo o lado”. E reforça: Paulo Coelho diz que apostaram numa loja de “Cultivamos as coisas na altura que devem pequenas dimensões, “para servir a todos, sejam ser cultivadas, para serem mais ricas em nutrien- ricos ou pobres”. E acrescenta: “O grande objec- tes e minerais, e conterem menos água”. tivo da loja é ser um espaço onde todos fiquem Porque, insiste, “muitas vezes as pessoas satisfeitos, com os preços na medida certa, não é estão a comprar fruta, mas verdadeiramente só para quem tem mais possibilidades, mas para estão a pagar é água ao preço da fruta”. E o qualquer cidadão. Além de preços acessíveis, mesmo, acrescenta, se passa com a carne, onde também fazemos entregas ao domicílio”. a produção biológica é feita com os animais ao A ‘Quental Biológico’ situa-se na Rua ar livre, com alimentação cuidada e sem produ- Antero de Quental, nº 218. Tem também um tos nocivos para a saúde de quem consome a site na Internet: http://quentalbiologico.canal- carne. blog.com. A concluir, justo se torna elogiar a Universidade de Coimbra, e quem dentro dela está a promover e a apoiar este “Mercadinho do ONDE COMPRAR Botânico”, uma vez que esta iniciativa é um PRODUTOS BIOLÓGICOS Se há uns tempos atrás mal se ouvia falar em importante contributo para desenvolver o sau- agricultura biológica, e poucos eram os locais dável consumo de produtos biológicos.
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 SAÚDE 19 Nutricionando Alimentação saudável na adolescência empresas de alimentação precisamente para ir ao encontro do gosto dos jovens, para lhes despertar um maior apetite e pro- mover um maior consumo. É mole, come- se rapidamente, tem uma apresentação Paula Beirão atractiva, um sabor doce ou salgado Valente agradável ao paladar, com uma publicidade (Nutricionista) estudada cientificamente para ficar regista- da no seu sistema nervoso central. Como dissemos em anterior artigo, o Os padrões de alimentação dos adoles- aumento número de adolescentes com centes são frequentemente caóticos: tendem excesso ponderal no nosso país é uma a omitir um número crescente de refeições tendência perturbadora que justifica a em casa; estabelecem diferentes associações atenção especial por parte dos pais, escolas, com alimentos saudáveis e alimentos de autarquias e profissionais de saúde pública. baixo valor nutritivo, dando preferência aos A adolescência é um dos períodos mais últimos; e o recurso a fast-food, em substi- críticos no desenvolvimento humano. O tuição de refeições normais ou lanches, crescimento relativamente uniforme da torna-se prática regular. Ora, apesar de algu- infância dá então lugar a um outro bastante ma variedade desta alimentação oferecer mais rápido. Esta fase da vida é considera- uma selecção de produtos saudáveis, na gen- da especialmente vulnerável em termos eralidade dos casos mais de 50% das suas nutricionais, devido a uma maior carência calorias são provenientes de gordura. geral e necessidades especiais de nutrientes, Em termos práticos, uma alimentação provocadas pela maior velocidade de saudável na adolescência deverá ter como crescimento e pelas alterações do estilo de objectivos: possibilitar o desenvolvimento possível) e a preferirem alimentos cozidos, bradas e variadas e a eliminarem as má- vida e dos hábitos alimentares que nela máximo consentido pelas características grelhados ou estufados em gordura vegetal, quinas de venda e todos alimentos hiper- ocorrem. A obesidade na adolescência é, de genéticas – cerebral, ósseo, estatural; em vez dos fritos e assados. Na selecção calóricos dos bares); e, no caso dos filhos facto, um problema grave, mais característi- aumentar a capacidade de resposta imune dos menus e na prática das refeições, é terem excesso de peso, é conveniente não co do modelo de cultura ocidental. para reduzir a susceptibilidade a doenças importante persuadi-los a preferirem os deixarem andar com muito dinheiro, Embora as consequências de um excesso infecciosas e outras; impedir o aparecimen- ementas à base de carne de peru, frango, para lhes reduzir as possibilidades de ten- de peso a longo prazo sejam preocupantes, to de doenças metabólicas degenerativas; galinha e coelho, em detrimento de carne tação por outros alimentos aliciantes, de nos jovens os efeitos mais graves são, sobre- beneficiar a competência mental, favorecer de vaca, pato ou porco, a não comerem a que não necessitam. tudo, os que se manifestam a curto prazo, a atenção e, deste modo, contribuir para pele e a gordura visível da carne e do peixe, Em casa, é recomendável dar preferência numa fase em que a imagem do corpo é ful- melhores aptidões escolares. a escolherem o azeite como gordura de a alimentos de origem vegetal, fazer cral. Acresce que nos rapazes, ao contrário Então, o que poderão fazer os pais para eleição, a optarem, quando for o caso, pelos refeições equilibradas e variadas, com sopa, do que se passa com os homens adultos que contrariar esta preocupante tendência? conservados em azeite ou em água, a re- carne, peixe, ovos, farináceos, vegetais e engordam na cintura, o excesso de gordura É fundamental convencer os filhos a duzirem o consumo de alimentos ricos em fruta, e ensinar os filhos a tomarem uma ou se acumula na mesma zona das raparigas, o fazerem seis ou sete refeições diárias, evi- sal ou açúcar, assim como o de bebidas duas refeições a meio da tarde, de modo a que altera o aspecto masculino tipo, modifi- tando que fiquem mais de três horas sem gaseificadas e refrigerantes. prevenir as compulsões entre o lanche e o cação que se pode acentuar com um cresci- comer (poderão começar por colocar nas É aconselhável que os filhos não tomem jantar, e a beberem 1,5 l de água diariamente. mento moderado dos seios. suas mochilas um iogurte e algumas sistematicamente a 2 ª refeição fora de casa, Por último, é primordial estimular os fil- Estas mudanças fisionómicas são espe- bolachas simples para uma refeição inter- mas, se tal prática não for possível, que pre- hos a praticarem actividade física, na esco- cialmente favorecidas pelos vícios de uma calar); insistir com eles para que tomem um firam o almoço nas cantinas das escolas la, nos ginásios ou em clubes desportivos, sociedade desenvolvida, onde predomina o pequeno-almoço completo, com leite e pão (pressionando os conselhos directivos a fazê-los caminhar a pé e organizar passeios sedentarismo e a comida hipercalórica, ou cereais simples; habituá-los a que torná-las espaços agradáveis de convívio, a pedestres ou com amigos. E se os pais os com a agravante de esta ser estudada pelas comam sopa (almoço e jantar sempre que servirem refeições nutricionalmente equili- acompanharem tanto melhor! ACUSA O PSD/PORTO Médico dos HUC alerta Governo esvazia matriz de investigação para o combate à cegueira dos hospitais universitários A Degenerescência Macular da Idade (DMI) em vitaminas e antioxidantes, uma vez que aju- O PSD/Porto acusou o Governo de pre- pensa, talvez em virtude da sua própria forma- é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a dam a diminuir o risco da doença evoluir para tender esvaziar a matriz de investigação dos ção, que as engenharias serão as únicas áreas de principal causa de cegueira a partir dos 50 anos formas graves. hospitais universitários para os transformar investigação e desenvolvimento em que vale a de idade, nos países desenvolvidos. Em Portu- “Actualmente existem tratamentos que per- em “meros centros de controlo de custos hos- pena investir”, comentou. gal estima-se que existam cerca de 300 mil casos mitem estabilizar a visão, mas vão surgir novos pitalares”. Rui Nunes, que falava no final de uma reuni- com DMI e surjam, por ano, mais de 3 mil medicamentos que vão conseguir melhorar a O porta-voz do PSD/Porto para a área da ão da Comissão Política Distrital do novos doentes em risco de cegar. qualidade de vida dos doentes”. Com estes saúde, Rui Nunes, antigo presidente da Entidade PSD/Porto realizada no passado dia 10, em “É muito importante que as pessoas com novos tratamentos, Rufino Silva acredita que Reguladora da Saúde, considerou que o modelo que foi analisada a situação no sector da saúde, mais de 50 anos façam visitas periódicas ao poderá haver uma diminuição do número de assumido pelo Governo para a área da gestão frisou que “a saúde é, em todo o mundo, uma oftalmologista, ou no caso de surgirem sinais casos de DMI a evoluir para cegueira. hospitalar (as Entidades Públicas Empresariais - área fundamental de inovação e desenvolvi- repentinos (como a visão distorcida) procurem Para sensibilizar a população para este pro- EPE) vai acabar por transformar os grandes mento tecnológico”. O porta-voz do ajuda médica e não fiquem semanas à espera”, blema, a Associação de Retinopatia de Portugal hospitais universitários em “hospitais como os PSD/Porto para a saúde considerou que o explica Rufino Silva, oftalmologista dos (ARP), em parceria com a Sociedade Portugue- outros”, menorizando a investigação. desinvestimento no s hospitais universitários Hospitais da Universidade de Coimbra, subli- sa de Oftalmologia (SPO) criou o Clube viVER, Rui Nunes considerou “estranho e contradi- implica que “dezenas de anos de trabalho vão nhando que a doença se caracteriza por uma que pretende juntar pessoas interessadas em tório” que, por um lado, o Ministério da Ciência ser perdidos, ao mesmo tempo que se destrói degradação da visão muito rápida. saber mais sobre hábitos de vida saudáveis, espe- e Ensino Superior tenha sido o único que viu a um património que levará pelo menos uma A idade, a história familiar e o tabaco pare- cialmente no que diz respeito à saúde dos olhos. sua dotação reforçada no Plano de geração a recuperar”. cem ser os factores de risco comprovados. “É importante que a população esteja sensi- Investimento e Despesas de Desenvolvimento Considerou ainda que esta situação é apenas “Contudo existem estudos que avaliam qual o bilizada para a importância da saúde ocular, da Administração Central (PIDDAC), enquan- mais um sinal comprovativo da “ausência de papel da hipertensão, do colesterol, da diabetes, para pequenas alterações que podem fazer. Por to, por outro, os hospitais centrais universitários rumo da política do Governo para o sector da etc. no desenvolvimento da DMI”, comenta o exemplo, modificar hábitos alimentares e tabá- do país vejam as suas verbas diminuídas. saúde”, tal como acontece com a reorganização especialista, acrescentando que, as pessoas com gicos, bem como fazer rastreios periódicos”, “Até parece que o senhor primeiro-ministro dos serviços de urgência. maior risco devem consumir alimentos ricos sublinha Rufino Silva.
    • 20 OPINIÃO DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 PRAÇA DA REPÚBLICA POIS... O LEITOR A ESCREVER Transportes públicos Carlos Carranca A propósito de Coimbra José d’Encarnação Como utente diário dos SMTUC, permito-te Em geral, as greves são anunciadas com antece- do “sossego tecer algumas considerações sobre o seu funciona- dência e os utentes já estão preparados para as con- mento. sequências, No Intercidades: intranquilo” Começo por dizer que, na generalidade, servem O pior são os vários Plenários, anteriores e pos- – Eu quero paz, não quero guerra! Há bem a população muito embora oiça críticas a teriores, que vêm sempre associados e, esses sim. lugares para todos!... Que mais dá ir aqui ou de Carlos Morais vários horários e percursos nas linhas que servem apanham o utente descalço, como é costume dizer. ir ali? populações mais afastadas do centro da cidade. O utente sofre as consequências no dia da greve e Muito afirmativa, a senhora. Andaria aí dos Santos Os motoristas são, na generalidade, briosos pro- em mais 3 ou 4 dias por greve. Terá que ser encon- pelos cinquenta e poucos anos. fissionais, correctos nas relações com os utentes e trada uma forma em que os motoristas possam E sentou-se ao calhas, com a mãe, sem se prontos a facilitar a vida aos mais idosos ou que exercer os seus direitos, mas que não prejudiquem importar com a marcação, porque, antes, já apresentem maior dificuldade de movimentos. Os de forma tão adicional os utentes. quisera ocupar um lugar cujo ‘dono’ apare- tempos do motorista bruto e prepotente estão em A ECOVIA é outra questão: vemos os par- cera. vias de extinção. ques de estacionamento cheios, mas os miniautocar- A senhora não compreenderia, por mais Haverá algumas coisas a limar. Por exemplo, ros a circular quase vazios. Estranho mistério... que lhe explicassem. Ela proclamava paz, na linha 7 está-se demasiado tempo parado, ao Deveria também haver, em meu entender, uma mas é assim que começam as guerras: um a lado do Palácio da Justiça, para fazer o horário!!! campanha de informação junto dos jovens utentes ocupar indevidamente o lugar do outro!... Como os horários são quase incumpríveis, não se que utilizam abusivamente os lugares destinados a Nem sequer lhe passava pela cabeça a Em medir o tempo, fala-nos Carlos percebe que horário se estará a fazer. doentes, idosos, grávidas e deficientes. hipótese de alguém ter escolhido deliberada- Morais dos Santos, questionando-se e ques- Questão mais melindrosa é a das greves. Os Apesar destes ligeiros reparos, considero que mente aquele lugar! Curiosamente, eu esco- tionando-nos quanto aos seus limites, sem trabalhadores têm direito a fazê-la e não são os temos melhores transportes, mais rápidos e mais lho sempre o mesmo; e, apesar de pacifista, deixar de afirmar que “o tempo é só espaço e utentes, os mais prejudicados, que terão direito a cómodos que, por exemplo Lisboa e Porto faço guerra se alguém mo ocupou. momento/ A memória de uma distância/ contestar. Rui Lucas Dos grãos de pó explosão original”. E este livro o que é se não a memória de uma distância que o autor sente, a proximi- dade das pessoas e das coisas, “o grão de pó da explosão original”, que é a vida de Carlos Morais dos Santos? Não direi como o autor “Num rio de vida “Milagres” já só iluminado/ Por este sol de Inverno… a acabar”, mas, no rio do tempo navegado por uma vida que se contempla, surgem, como estandartes dessa mesma vida, os versos de um homem apaixonado e que pelo tempo o em terras do Tio Sam Referir os atributos da grande metrópole que menda tempestade – chuva, vento, raios – que levaram a bater-se “pela paz, pela concórdia e é Nova York é supérfluo. Todos sabem que a obrigou ao cancelamento de TODOS os voos. pela razão”. cidade não dorme. Até nos escritórios instala- E agora? – pensei eu, que partiria na manhã É um homem fraterno, o que sempre con- dos nos altos edifícios as luzes conservam-se seguinte para o Canadá. hecemos, agora registado em versos que nos acesas toda a noite, combinação generalizada Quando me preparava para obter informa- tornam ainda mais nítida a sua imagem. nos EUA e Canadá. É evidente que existem ções sobre como regressar a N. Y. de comboio, Preocupado com o mundo, com a degra- artérias com mais movimento do que outras passou por mim um dos companheiros do cir- dação dos valores, com a sua pátria, assim Varela Pècurto durante a madrugada. Dos programas de via- cuito, de um grupo de espanhóis. como com a velha Europa, a que chama gens que incluem cidades como esta, fazem – Quer regressar a N. Y. não é? “Europa bela”, o autor tenta erguer “Colunas Não tenho por hábito relatar pormenores de parte um ou dois dias livres para compras e out- – Pois, mas assim só de comboio – res- de Humanidade” e, “num abraço universal”, viagens que fiz em tempos mais folgados. ras opções pessoais. pondi. convocar a Europa para o justo caminho da De um modo geral estamos habituados a Depois de ter visto o essencial em N. Y., para – Não, espere! Vai entrar no primeiro corre- fraternidade. ouvi-los, contados por amigos e até nas idas ao tirar partido de mais um dia livre, dirigi-me ao dor à direita, desce cinco ou seis degraus, surge- Ao lermos este livro, somos levados a “café” por alguém que nem conhecemos bem. átrio do hotel para dar uma vista de olhos às lhe um balcão, apresenta o seu bilhete à senho- interrogar-nos sobre este quase ingénuo dese- No entanto, vale a pena dar um pouco de ofertas anunciadas nos panfletos expostos. ra de serviço que o carimba, entra na porta tam- jo, este sonho irrealizável aos olhos descrentes atenção a algumas historietas que podem ir do “Descobri” então a possibilidade de uma bém à direita, passa pela manga e está no avião. dos políticos do nosso tempo. inesperado ao condenável. escapadela a Washington. A partida era cedíssi- Senta-se e espera a partida. Mas – importante! –, Mas cada um sonha o que a sua alma lhe Destas recordo a que presenciei já em pleno mo, viagem em avião, carrinha para o circuito faz tudo sem pronunciar palavra alguma! pede, e quem deseja amplos espaços de frater- voo, quando uma hospedeira simpática, elegan- na cidade e à zona do Capitólio, almoço com o Segui à risca as instruções e foi assim que nidade só pode viver por eles. te e atenciosa, surgiu, oferecendo aos passagei- rio Potomac a nossos pés e guia falando espa- aconteceu o segundo “milagre”. Neste livro, que é uma longa confissão, ros vistosos rebuçados artisticamente dispostos nhol. Regressei a N. Y. voando na cauda da tem- “um espaço de partilha”, Carlos Morais dos num cestinho. Mas havia um pequeno óbice: o autocarro pestade e, para cúmulo, o avião nem vinha Santos vive connosco momentos líricos, Agradecido, tirei dois e a oferta passou ao que nos levaria ao aeroporto de N. Y. partiria às cheio. dramáticos e trágicos, como esse do parceiro do lado. 5 horas da manhã de um hotel que ficava a 10 Na manhã seguinte, à partida para o “Requiem ao Pôr-do-Sol”. Como reagiria o leitor ao vê-lo sacar os rebu- minutos a pé daquele onde me alojara. Canadá, no meio da azáfama que é conferir O mundo percorrido pelo autor vai, ao çados quase todos, enchendo um dos bolsos? A curta distância a percorrer levou-me, malas, cada um perguntava aos outros como longo da obra, tornando-se nosso, percorrido A hospedeira, manifestamente treinada para impensadamente, a dispensar o táxi – e aí vou tinham passado o dia. Das trocas de impres- também pela memória de quem o sentiu, o situações destas, não reagiu. eu e minha mulher, com teres e haveres, passan- sões, a que mais admiração causou foi a minha viveu e o ouviu, descrito por outros – em Como boa funcionária, manteve a conve- do por entre dezenas de sem-abrigo, ladrões e ida à capital federal, na sequência do primeiro Marrocos com D. Sebastião, em Angola num niência comercial… potenciais assassinos. Recorri ao truque da mão dia livre que já tivera e que aproveitei para visi- fim de tarde na baía de Luanda, subindo Uma outra situação aconteceu em autocarro, no bolso, fingindo possuir uma arma, embora tar o submarino “Growler” e o porta-aviões montanhas sul-americanas ou jantando à já na estrada a caminho de nova visita. seja decisão que mete medo às duas partes. “Intrepid”. mesa de um restaurante onde os artistas se Um passageiro corre para o motorista e Por isso, ou porque imaginassem que só Mas o “milagre” de Washington ainda hoje reúnem em Pedra de Guaratiba, nos roga-lhe que volta atrás. Havia esquecido um polícias se atreveriam a tal cometimento, o certo me dá que pensar e começo a acreditar que arredores do Rio de Janeiro. casaco no guarda-fatos do hotel… é que escapámos de uma situação que hoje não aquele espanhol salvador, como os outros, era Este livro é, sobretudo, uma longa e O lado humorístico desta “tragédia” esteve repetiria. funcionário da Ibéria – companhia espanhola inacabada confissão de um homem que teima nos comentários dos companheiros do passeio. Em Washington, finda a visita e já quando de aviação – em excursão por terras americanas. em não passar distraído pela vida. Mas vamos aos “milagres”. estava no aeroporto, desencadeou-se uma tre- Mas, seria?...
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 OPINIÃO 21 Estabilidade e precariedade mos à conclusão de que o assunto se reveste de os clientes em detrimento dos competentes. deira da precariedade do emprego por eles con- um execrando cinismo e duma visão distorcida Por outro lado, levanta-se a voz do capital cebida e já assumida pelos altos responsáveis da do serviço público e das funções do Etado. através de ilustres figuras gestoras, economicis- política e da governação. Todos estamos a ver Por um lado, certos políticos a tentarem tas e empresariais, isoladas ou em convénios de o que se passa diariamente nas empresas que Renato Ávila dissimular a sua incapacidade, a sua insaciável mediática retumbância, a puxar pelas teses do fecham e mudam de poiso. Todos podemos avidez e as nebulosidades do seu comporta- mais radical liberalismo, procurando convencer pensar que isso poderá acontecer um dia quan- A campanha está aí. Em força. mento, mais apostados em acautelar os pro- o cidadão de que as maleitas orçamentais se do aquelas fatias mudarem para o poiso dos Os funcionários públicos são o cancro do ventos através das estratégias partidárias de devem às exageradas despesas do Estado e à privados. nosso orçamento. Sessenta por cento das recei- favorecimento de clientelas e de controlo do má gestão dos dinheiros públicos, forçando a Se se deseja enriquecer a coesão social, for- tas cobradas são para lhes pagar os “chorudos” aparelho do Estado. Eles são os grandes res- famigerada tónica do excesso de pessoal e talecer a criação de novas famílias com o cor- e chorados vencimentos. ponsáveis pelo exagerado crescimento do mandando às urtigas as atribuições de regula- respondente e essencial aumento da natalidade, Esta tese, perversamente repetida à sacieda- número de “comensais”, pela falta de exigên- ção e compensação das políticas sociais que a assegurar às novas gerações um futuro estável de e à sociedade, vai sendo interiorizada pelo cia na qualidade, pela ausência duma avaliação constituição comete ao Estado. Todos nós que lhes permita, em tempo útil, programar a comum dos cidadãos, alimentando no subcon- séria e eficaz e pelas progressões selvagens sabemos os seus propósitos: diminuir as suas sua vida, é mister de qualquer Estado digno sciente certa animosidade latente originada por nas carreiras, à revelia do mérito e da compe- prestações fiscais e usurpar ao Estado determi- desse nome pugnar pela estabilidade do empre- atitudes menos felizes de significativo número tência. Precisamente por isso e pelo enfeuda- nadas áreas de intervenção potencialmente go. Jamais pela precariedade. de elementos da classe. mento das chefias, a avaliação e o emagreci- lucrativas, nomeadamente a saúde, a educação É esta a filosofia correcta. No nosso enten- Todavia, quando conhecemos os seus auto- mento defendidos estão, à partida, inquinados. e a prevenção social. der, é por ela que os governos deverão pautar res e nos apercebemos dos objectivos, chega- Há sobejas razões para se temer que fiquem Assume foros de extrema gravidade a ban- as suas políticas sócio-laborais. FILATELICAMENTE O primeiro selo Português do o reino. (…) Não teve na pia baptismal seu destino lhe vai impor uma conduta efígie em branco, moedas de ouro, prata e mais do que um nome pomposo e um títu- diferente da das outras meninas da sua as primeiras de cobre (…). lo, como se impunha à sua condição de futu- idade. Aos nove anos é mandada para a A rainha tinha paixão pelo teatro, gosto João Paulo ra rainha – Maria da Glória Joana Carlota corte de Viena para ser educada pela avó esse que lhe ficara dos tempos vividos na Simões Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de materna, mulher de Francisco I (…). corte de França. Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga, Tem 15 anos quando sobe ao trono D. Vai empenhar-se, apoiada por Garrett, princesa da Beira e do Grão-Pará (…). Maria II, 29º monarca português e a para que se construa um teatro que será Foi em 1852 que se deu em Portugal a segunda rainha reinante da nossa História edificado no Rossio sobre as ruínas do Reforma Postal promulgada pela Rainha (…). O seu primeiro ministério, presidido Palácio da Inquisição – O teatro D. Maria D. Maria II. Mas só em Julho do ano pelo duque de Palmela, encontra a oposi- II, segundo projecto de Fortunato Lodi. 1º CENTENÁRIO seguinte saiu uma emissão idêntica à que ção das Câmaras. Mas, por agora e por As obras vão decorrer entre 1842 e 1846. DO SELO POSTAL 1$00 tinha saído em Inglaterra, mas com o per- motivos políticos, é prioritário que a rai- O tecto tinha pinturas de Columbano fil da soberana portuguesa, inspirado no nha se case e dê um herdeiro ao País. Bordalo Pinheiro que foram destruídas no modelo inglês. Às rainhas de Portugal estava vedado o incêndio de 1964 (…). O desenho foi confiado a Francisco de casamento com estrangeiros e mesmo na Em 1838, vai comprar o antigo conven- Borja Freire, que segue directrizes combi- Carta Constitucional de 1836 esse precei- to dos monges de S. Jerónimo. O palácio nadas, enviando depois o desenho para to ficara expresso. As Câmaras tiveram, começou a ser edificado em 1844. É o gravação. Depois de feita e aprovada a gra- pois, de reunir para autorizar que a rainha mais belo exemplar da arte romântica do vura, é fabricada, multiplicando assim as pudesse casar com um estrangeiro. nosso país (…). chapas da gravura em folhas de cinquenta Dos diversos noivos que lhe estavam Infelizmente D. Maria II não pode des- ou cem unidades cada uma, sendo depois destinados, a madrasta vai-lhe escolher o frutar muito deste local maravilhoso, visto entregues à Casa da Moeda. seu próprio irmão. Fica decidido o casa- que vem a morrer de parto a 15 de Estava então criado o primeiro selo mento com Augusto de Leuchtenberg, Novembro de 1853 (…).” português, sem qualquer taxa, pois podia neto de Maximiano da Baviera. circular em cartas de qualquer valor. Desenho de Jaime Martins Barata (…) O noivo morre dois meses depois. (Texto gentilmente cedido pela Senhora D. Impressão: Heliogravados, N. V. John . Ainda mal refeita do acontecimento, deci- Maria Luísa Paiva Boleo lançado no site Enschedé en Zonen, de Haarlem dem casá-la de novo com Fernando de www.oleme.pt em 21-02-2005) Circulou de 3 de Outubro de 1953 até 26 de Saxe-Coburgo-Gotha ministro dos SELO DE D. MARIA Julho de 1956. Negócios Estrangeiros do primeiro DE 25 REIS DE 1853 Papel esmaltado, denteado 14 x 13 ½. Governo Constitucional (…). Legenda “PORTUGAL” sobre fundo dou- Temos de admirar esta rainha que con- rado. segue manter a cabeça fria, com um povo em pé de guerra permanente e em casa Na quinta de São Cristóvão, no Rio de com uma prole numerosa para educar. Janeiro, Maria da Glória vai ter uma infân- Nos seus 19 anos de reinado, soube cia despreocupada e feliz, educada e muito sempre ser rainha e mãe ao mesmo tempo, amada pelas camareiras do palácio e pelos pois, em todas as crises políticas que o país pais. Aos 7 anos, essa alegria é interrompi- atravessou, estava sempre D. Maria à espe- da abruptamente com a morte da mãe. O ra de um filho e as obrigações como pai será o seu grande amigo e protector governante nunca foram descuradas por 150 Anos do Primeiro Selo Português emiti- (…). Estava-se no ano de 1822 e a nossa esse motivo (…). Se não tivesse sido uma do em 13 de Março de 2003. princesa contava com dois anos e meio rainha de pulso, não teria acabado o seu Designer: Eduardo Aires quando nas margens do rio Ipiranga se dá reinado já sem guerras civis e proporcio- Picotado 12 x 12 ½ e impresso na Imprensa o grito da independência do Brasil. Em nando aos seus filhos que foram reis, rei- Nacional Casa da Moeda. Portugal morre entretanto D. João VI e nados com uma certa estabilidade (…). seu filho, D. Pedro IV, residente no Brasil, No seu reinado, apesar das vicissitudes Nunca Roland Hill pensou que a sua D. Maria II “nasceu num domingo de vai ter de optar entre ser imperador do por que passou, houve tempo para o pro- invenção corresse o mundo e tivesse tan- Ramos a 4 de Abril de 1819 em terras bra- Brasil ou rei de Portugal. gresso. Em 1835, já fora estabelecido o tos adeptos! sileiras. Seus pais, o rei D. Pedro IV e sua Escolhe o Brasil e, em 1826, abdica do ensino primário gratuito. Em 1836, por Por outro lado, o selo português - além mulher a arquiduquesa Leopoldina de trono de Portugal, em nome da filha acção de Sá da Bandeira, é decretado o fim de abordar os temas mais diversos, tam- Áustria, tiveram a sua primeira filha no Maria, apenas com sete anos (…). Esta do tráfico de escravos nas colónias portu- bém é um múltiplo de arte, altamente apre- Palácio da Boavista. Ali vivia a família real menina começa a pouco e pouco a aperce- guesas a sul do Equador. O primeiro selo ciado em todo o mundo, designadamente fugindo aos franceses que tinham invadi- ber que vai deixar de ser criança e que o postal a circular em Portugal tinha a sua por filatelistas dos quatro cantos do globo.
    • 22 MÚSICA DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 havendo a destacar uma série de outros porque se tratava do primeiro disco que HOJE À NOITE, EM COIMBRA Distorções temas, como: “For Reasons Unknown”, “Read My Mind” e “Uncle Johnny”. recebi, quando tinha perto de 8 anos e que me despertou para o mundo da música. “A guitarra conta Fechou as portas no passado sábado um a sua história” dos mais míticos clubes do rock do mundo, o com Pedro “CBGB”. Situado na José Miguel Nora cidade de Nove Iorque, Caldeira Cabral josemiguelnora@gmail.com durante cerca de 30 anos, por aqui passa- ram alguns dos mais Foi em 2004 que pela primeira vez ouvi importantes nomes da falar de uma banda de Las Vegas, os The música mundial, e a Killers, que tinham acabado de editar o seu festa de despedida não álbum de estreia, “Hot Fuss”, que catapulta- foi excepção, com Pat- do pelo “mega-hit” “Somebody Told Me”, ti Smith a ser a anfitriã se tornou um êxito de vendas. A primeira do derradeiro concerto. amostra deste disco foi “Mr. Brightside” ( há Para sugestão da uma excelente mistura deste tema, a “Thin semana recordo um White Duke Remix” da autoria de Jacques dos vencedores dos Lu Cont ), seguindo- se “Somebody Told prémios MTV do ano Me”, “All These Things That I´ve Done” e transacto (cuja ceri- “Smile Like You Mean It”. Há já muitos mónia de entrega se Vai decorrer hoje (quarta-feira, dia anos que os promotores de eventos musicais realizou em Lisboa), 18), no Auditório dos Hospitais da os tentam trazer aos palcos nacionais, mas mais propriamente o Universidade de Coimbra, um “concer- até ao momento sem grande sucesso. prémio MTV Itália, to comentado” com Pedro Caldeira Este ano regressam com o seu segundo que foi amealhado Cabral. registo de originais, “Sam´s Town”, que Tal como o seu antecessor, este novo pelos Negramaro, muito por força da exce- “Olhares cruzados - A guitarra tem sido muito aclamado pela crítica musi- registo dos The Killers assume-se como um lência do seu último trabalho de originais conta a sua história” é o sugestivo títu- cal, chegando ao ponto de serem aponta- sério candidato a estar presente nas minhas “Mentre Tutto Scorre”. lo deste concerto, mais uma iniciativa dos como os novos U2, e, para isso muito malas de discos para as noites de DJ. de muito mérito da Orquestra Clássica contribuiu o excelente “single” de apresen- Há umas semanas, numa daquelas pro- do Centro. tação, “When We Were Young”, que tam- moções que vão sendo muito comuns nas Mais informações sobre esta iniciati- PARA SABER MAIS: bém, já foi alvo de uma série de remisturas, revistas de hoje, recebi um exemplar de - www.thekillersmusic.com va podem ser obtidas através do tele- nomeadamente: dos Fischerspooner, de “Circo de Feras” dos Xutos & Pontapés, - www.negramaro.it móvel 916994160, através do qual Linderberg Palace e do “repetente” Jacques aparentemente poderia não ser mais do que - The Killers “ Hot Fuss” (Vertigo) poderão ser também pedidos esclareci- Lu Cont, numa edição apenas disponível um exemplar de uma série de discos de - The Killers “Sam´s Town” (Mercury) mentos sobre a campanha de angaria- no formato de vinyl. Mas “Sam´s Town” referência da música portuguesa, mas para - Negramaro “Mentre Tutto Scorre” ção de sócios da Orquestra Clássica do não se resume a “When You Were Young”, mim, significava muito mais do que isso, (Universal) Centro (OCC). DECORRE ATÉ 25 DE NOVEMBRO Festival de Música de Coimbra estende-se pela Região Centro The Copenhagen Concert Choir Cantus Anonimus Iniciou-se na passada semana mais uma edi- interpretou música portuguesa do cussão”, o ARTRIO, Jean-Yves Fourmeau, a obras que vão desde a música antiga à contem- ção do Festival de Música de Coimbra (FES- Renascimento na Igreja Matriz de Ançã. Orquestra Clássica do Centro e a Lisbon porânea (de Schenberg, Beethoven, Bach, MUC), que vai prolongar-se até ao próximo De salientar este aspecto descentralizador Underground Music Ensemble. E ainda o Schubert, Chopin, Liszt, Vivaldi, Piazzolla, dia 25 de Novembro, com espectáculos em do FESMUC, cujo diversificado programa Coros Misto e o Orfeon Académico da Davis Perez e Gabriel Fauré, Debussy, oito concelhos da Região Centro. integra formações como a Orquestra Universidade de Coimbra, bem como o Massente, Charpentier, Milhaud, Boulanger, No passado sábado de salientar a actuação Sinfónica Juvenil, o “Quarteto Musicalis”, o Orfeão de Leiria. Haverá também diversos Messiaen, Gérad Grisey, Xenákis, Haydn, do grupo “The Copenhagen Concert Choir”, “Sax Ensemble - Quarteto de Saxofones de recitais de piano, nomeadamente por Krystyna Mendelssohn, Ryuichi Sakamoto, Chico que apresentou música sacra dinamarquesa na Coimbra”, a Orquestra Adarte, a Orquestra de Raczynska, Armando Vidal, Inês Mesquita, Buarque e António Jobim), e será prestado tri- Capela de S. Miguel (Universidade de Sopros do Conservatório de Música de Paulo Pacheco e João Paulo Santos. buto a grandes génios da música, como Coimbra); e o trio “Cantus Anonimus”, que Coimbra, o “Drumming - Grupo de Per- Ao longo do FESMUC serão interpretadas Mozart, Schumann e Lopes-Graça.
    • DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS Current TV 57 PRODUTIONS endereço: http://www.current.tv/ | categoria: televi- são, jornalismo, entretenimento GOOGLE FOR EDUCATORS Inês Amaral Docente do Instituto Superior Miguel Torga CARICATURE ZONE A empresa de entreternimento britânica 57 Productions lançou recentemente o iPoems, que permite fazer o download de poesia para ser reproduzida em leitores de MP3 e iPods. O site disponibiliza poemas em formato O Google lançou um novo projecto dedicado aos pro- áudio e também em aplicações flash. Os ficheiros podem fessores: o Google for Educators. Este site é a resposta da ser descarregados mediante um pagamento. empresa aos recentes investimentos da Microsoft e da A ideia é simples: promover a poesia com recurso às Yahoo na área da Educação. novas tecnologias. A maioria dos poetas que com “ipo- O Google for Educators é um guia para os professores ems” na plataforma são britânicos e acreditam que a que pretendem utilizar as novas tecnologias na preparação Internet pode transformar o campo da poesia. e no próprio contexto das aulas. Neste sentido, os utiliza- Actualmente, o iPoems disponibiliza mais de 800 poemas. dores têm acesso a informação útil e prática sobre doze O site Caricature Zone apresenta um olhar diferente aplicações do Google que podem ajudar a trabalhar na ver- sobre caras conhecidas. Diariamente são apresentadas Links relacionados: tente educativa: Google Earth, Blogger, BookSearch, novas caricaturas de figuras públicas internacionais e estão Google Maps, Google Vídeo, Picasa, Google Docs & disponíveis para download wallpapers, screensavers, ima- http://www.57productions.com/ - 57 Productions Spreadsheets, SketchUp, Google Calendar, Personalized gens compostas e caricaturas simples de inúmeras persona- iPoems Homepage, Google Apps for Education. Tudo reunido lidades. endereço: http://www.57productions.com/new_site/ numa única página e com informação detalhada das vanta- O Caricature Zone permite que o utilizador transforme ipoems.php | categoria: poesia gens e principais funcionalidades. caras ou crie a sua própria caricatura, recorrendo a mode- los pré-definidos. O site disponibiliza ainda postais electró- Google for Educators nicos, jogos e uma loja online onde se podem comprar CURRENT TV diversos objectos com caricaturas específicas. Outro servi- endereço: http://www.google.com/educators/ index. ço pago é o envio de fotografias para serem caricaturadas. html | categoria: educação Caricature Zone READY TO LEAVE endereço: http://www.magixl.com/ | categoria: entre- tenimento BIBRIA A Current TV é um canal de cabo e satélite norte-ame- ricano que difunde também na Internet. Esta estação de televisão é dirigida pelo antigo vice-presidente norte-ame- ricano Al Gore e dirige-se a um público de jovens adultos “tecnófilos”. Promovendo um modelo de comunicação horizontal e bilateral, a Current TV emite uma programa- ção produzida e/ou escolhida pela sua audiência. A ideia de Gore é criar uma televisão que as pessoas realmente Pronto para partir? O Ready to Leave ajuda-o a respon- queiram ver. der a esta perguntar com a disponibilização de várias ferra- Os espectadores/utilizadores podem escolher as peças mentas que facilitam a vida aos viajantes. O site assume-se que a estação irá emitir e podem enviar trabalhos (pods) como uma espécie de kit de viagens e tem também uma A Biblioteca Digital da Ria (BIBRIA) disponibiliza na rede para rubricas de política, tecnologia, música, moda, entre vertente comercial, com equipamentos e produto para via- um valioso espólio documental, de grande interesse histórico e outras. É o modelo do VC2 – “viewer-created content”. E jantes. cultural. O projecto foi financiado pelo programa Aveiro para isso o site disponibiliza tutoriais de como produzir e O site apresenta um mapa mundo com informações Digital e é uma iniciativa de um consórcio entre a Universidade realizar vídeos (disponível na área “Current Studio”). Para detalhadas de cada país, sugestões de listas de equipamen- de Aveiro e os municípios de Aveiro, Ovar e Oliveira do Bairro. complementar este projecto, a estação de televisão conta to para férias temáticas (tipo “checklist”), links sobre saúde O site disponibiliza jornais, monografias, gravuras, pautas mu- com duas parcerias de peso: o Google e o Yahoo. O pri- em viagem, um conversor de moeda, fusos horários do sicais e outras publicações de autores da região. Os documen- meiro disponibiliza na Internet, no Google Current, uma mundo inteiro, informações sobre meteorologia e um tos faziam parte do espólio das bibliotecas dos municípios e da actualização a cada hora da programação que está a ser directório muito completo para qualquer tipo de viagem e universidade e foram digitalizados com o objectivo de divulgar transmitida no cabo e por satélite. O Yahoo disponibiliza destino. Embora a época das tradicionais férias já tenha de forma mais alargada os conteúdos, assim como permitir a na rede quatro canais independentes da estação: Buzz, passado, o Ready to Leave pode ser um óptimo ponto de preservação deste importante legado. Action, Driver, Traveler partida para planear os fins-de-semana prolongados que se avizinham ou até mesmo as férias natalícias. BIBRIA – Biblioteca digital Links relacionados: dos municípios da ria Ready to Leave http://video.yahoo.com/currenttv - The Yahoo! Cur- endereço: http://bibria.cm-aveiro.pt/Forms/bibria.aspx rent Network endereço: http://www.readytoleave.com/ | categoria: | categoria: história http://www.current.tv/google - Google Current viagens
    • 24 T E L E V I S ÃO DE 18 A 31 DE OUTUBRO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO bertar os reféns. Os pormenores arrastaram-se por uns longuíssimos 16 minutos, explorando ficou foi a ideia de que era apenas “mais uma manifestação”. um acontecimento que não mereceria mais do A outra notícia marcante do dia, o agenda- que um ou dois minutos. mento político do problema da corrupção no Logo a seguir, o alinhamento dava destaque à discurso comemorativo da implantação da notícia da subida das taxas de juro, decretada República pelo Presidente Cavaco Silva, surgiu pelo Banco Central Europeu. Os editores do em quarto lugar e já com meia hora de Francisco Amaral Telejornal resolveram dedicar seis minutos à ma- Telejornal. O tema central da notícia foi tratado franciscoamaral@gmail.com téria, apesar de a própria peça não reconhecer de passagem, mas já a abertura do Palácio de grande importância ao assunto, ao notar que o Belém ao povo, acabou por tomar o destaque. anúncio foi “o que já todos esperavam” e que “a O exemplo deste Telejornal, que vem lançar UM “OUTRO” 5 DE OUTUBRO razão é sempre a mesma”. Não havia assim ainda mais dúvidas sobre a transparência e até grandes motivos para a notícia, mas a RTP resol- competência do serviço público, choca (e de No início, a RTP tinha a sua sede na Rua de veu esticá-la e toca de saltar para a rua fazendo frente) com o entusiasmo com que foi lançada S. Domingos à Lapa e estúdios no Lumiar, em aquelas perguntas óbvias que só podem receber aos quatros ventos a informação de que a RTP Lisboa. Depois passou para a avenida 5 de respostas igualmente óbvias. Não se espera que era o segundo “operador público” que menos Outubro. Com a “revolução” Morais Sarmento, alguém diga que ficou contente com a decisão, já dinheiro gastava na Europa. Esqueceram-se de a estação estatal de televisão juntou-se à RDP e, que ela significa mais encargos ao fim do mês. referir as audiências comparadas, já que quanto à juntas, mudaram-se para um novo edifício na Mais de vinte e dois minutos depois do início qualidade, essa não é mensurável. avenida Marechal Gomes da Costa. do Telejornal e no terceiro lugar do alinhamen- Este caso tem por certo responsáveis. Na Ora esta sequência de locais parece ter tido to, chega finalmente uma das mais importantes RTP há Director de informação, subdirectores, efeitos sobre algumas decisões que vão sendo notícias do dia: a marcha/manifestação de pro- editores. E há também uma Administração que, tomadas na RTP. Se recordarmos o facto de fessores em Lisboa, que o autor da peça consi- pelo vistos, prefere ficar conhecida por gastar Gomes da Costa ter liderado o movimento mili- derou “a maior desde o 25 de Abril” e, mesmo, pouco sem cuidar de saber os resultados. E, já tar do “28 de Maio”, que fechou a primeira “o maior protesto de rua de sempre” da classe agora, recorde-se que a Administração da RTP República e abriu portas à ditadura, podemos docente. tem que responder perante todos nós. OS “GRANDES PORTUGUESES” “Os Grandes Portugueses é o novo programa de entretenimento da RTP que, de forma bem disposta, combina o Documentário com o Grande Espectáculo. É um verdadeiro desafio ao País e, ao mesmo tempo, um excelente mo- mento para um debate animado entre os portu- gueses sobre a sua História. O programa destina-se eleger – com o seu voto – a personalidade mais marcante da História de Portugal. O português que você mais admira.” É desta forma que a RTP, através do seu site, apresenta o novo programa. Guiados por uma Maria Elisa regressada, lá vamos percebendo do que se trata. A ideia base é boa, mas o seu trata- mento já está a provocar polémica. O que é um “grande português”? Se ele não se mede pela al- tura ou pelo peso, então quais são os critérios? Aparentemente e só, ser, ou ter sido conhecido. Na lista de exemplos que o site da RTP mostra, há de tudo. Desde Afonso Henriques a Figo, a grandeza portuguesa passa pelos mais diversos equívocos. A começar pela repescagem do dita- pensar que no passado dia 5 de Outubro, a RTP A ser assim, será aceitável que o assunto dor Salazar que não fazia parte da lista inicial. actuou de forma semelhante aquela que, duran- tenha sido colocado em terceiro lugar e tratado Ana Sá Lopes, no DN, chamou a atenção te quase vinte anos, a ditadura impôs à estação a correr? Os dois minutos e meio que ocupou para esta “espécie de plebiscito selvagem cuja (agora chamada de “operador público”). tornaram-se ridículos perante os dezasseis des- regra parece estar a assentar na desinformação e O que aconteceu no Telejornal das 20 horas, pendidos com um sequestro já em segunda na grande confusão de princípios e valores”. É noventa e seis anos depois da implantação da mão. Para lá da duração da peça, o tratamento um facto. Mas para além disto, o que me fere República em Portugal é, de facto, dificilmente foi absolutamente convencional e, para os que ainda mais é a ideia saloia da RTP fazer “de aceitável, qualquer que seja o ponto de vista que estavam por fora do assunto (a maior parte da forma bem disposta” uma eleição popular entre se adopte. população), os motivos profundos de tal des- todos (já que o telespectador pode votar em si A peça de abertura retomou o caso, que se contentamento ficaram por perceber. Os tais próprio!) e assim chegar-se ao paradoxo de uma veio a revelar um fait-divers, do sequestro num dezasseis minutos dedicados ao fait-divers do se- “final” entre, por exemplo, Salazar e uma das banco em Setúbal. É verdade que o desfecho só questro requentado, teriam sido melhor apro- suas vítimas – Humberto Delgado. na madrugada do próprio dia 5 se verificara, mas veitados com uma abordagem séria do que esta- A RTP devia saber que a História se pode dis- o assunto já tinha sido tratado na véspera e, va em causa. Porque estão os professores tão re- cutir civilizadamente, mas nunca de “uma forma àquela hora, já nada justificava o “esticar” do voltados? Que consequências esta revolta pode bem disposta”, eufemismo escolhido pelos ven- caso, com um representante da PSP em estúdio, ter para as crianças e jovens portugueses? Da dedores de conteúdos para a verdadeira ideia, comentando as imagens das operações para li- forma como a notícia foi desenvolvida, o que isto é, “de uma forma inócua”.