O Centro - n.º11 – 04.10.2006

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    O Centro - n.º11 – 04.10.2006 - Presentation Transcript

    1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca Francisco Amaral Mário Martins Renato Ávila Varela Pècurto PÁG. 19, 20, 21 e 24 Exposição Pág. 8 de Zé Penicheiro | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro na Figueira da Foz de plástico fechado (DE53742006MPC) ANO I N.º 11 (II série) De 4 a 17 de Outubro de 2006 € 1 euro HOJE É O DIA MUNDIAL DO ANIMAL (iva incluído) Eles também têm direitos! EM COIMBRA, DE 16 A 21 DE OUTUBRO Festa do Cinema Francês PÁG. 12 EMBORA POR RAZÕES DIFERENTES Republicanos e monárquicos celebram o 5 de Outubro PÁG. 4 E 5 PÁGINAS 6 E 7 CO-INCINERAÇÃO DESPORTO ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes Governo Basquetebol do “Centro” Futebol com 10% trava Futsal de desconto providência Natação na compra cautelar Pólo Aquático de livros PÁG. 2 e 3 PÁG. 3 PÁG. 14 a 17
    2. 2 DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 EDITORIAL Efemérides outros sectores bem menos relevantes, como de-rosa, tal não afecta a independência nacio- com outras entidades, públicas e privadas, sejam os futebóis e negócios afins… nal…). Se quase todos sabem de cor os hinos para que Coimbra seja reconhecida como Jorge Castilho ou do Benfica, ou do Sporting ou do FCP “Cidade da Saúde”. jorge.castilho@zmail.pt E por falar em Monarquia e República, (consoante as preferências clubísticas), mais se devo confessar que, independentemente de justifica que conheçam também o de Portugal, Por último, que me seja permitido aludir a Celebra-se hoje, 4 de Outubro, o Dia Mun- convicções políticas, me parece ter sido desne- que deveria ser o clube de todos nós. O outra efeméride: foi a 30 de Setembro de 1987 dial do Animal. cessária a mudança da Bandeira Nacional “Centro” dá o seu contributo para a causa, que saiu a primeira edição do “Jornal de O “Centro” tem vindo a assumir, desde a quando foi implantada a República. publicando, na página 4, a letra de “A Coimbra”, um semanário que fundei e dirigi primeira edição, a defesa dos direitos dos ani- Por um lado, a bandeira que representava Portuguesa”. ao longo de quase 17 anos, e de que o mais (relativamente à qual a UNESCO apro- Portugal a 5 de Outubro de 1910 (e ao contrá- “Centro” tenta ser digno sucessor. vou, há quase 30 anos, uma Declaração que rio do que sucede com as bandeiras de alguns Uma outra celebração que importa aqui Como reconheceram publicamente deze- reproduzimos na página 7). outros países), não ostentava símbolos incom- registar é a do Dia Mundial da Água, assinala- nas de personalidades dos mais diversos qua- Infelizmente, como é fácil de concluir pela patíveis com o novo regime republicano – do no passado domingo, dia 1 de Outubro. drantes, o “Jornal de Coimbra” foi um exem- leitura do articulado dessa Declaração, todos com excepção da coroa, que poderia ter sido Para a maior parte de nós, portugueses, há plo de independência e isenção, para além de os dias se assiste à violação dos princípios ali retirada, mantendo-se os restantes elementos. dois tipos de água: a do mar, salgada, boa para uma escola onde se iniciaram alguns dos que plasmados, de forma muitas vezes cruel, não Por outro lado, há que reconhecê-lo, era a pesca e para refrescar no Verão; e a outra, são hoje dos mais destacados jornalistas por- raro descarada e quase sempre impune. bem mais bonita (azul e branca) do que a dita doce, que é tratada como sendo apenas tugueses. Aliás, uma impunidade que é normalmen- adoptada pela República. Mas gostos não se um líquido acessível, de baixo custo (excepto Conscientes da responsabilidade de tão te extensiva às constantes infracções à legisla- discutem… a engarrafada, especialmente quando se con- honrosa herança, cá continuamos a respeitar ção portuguesa e comunitária (atente-se, por Agora o que já pode, e deve, discutir-se, é o some em restaurantes e hotéis…), que corre os mesmos princípios, enfrentando as dificul- exemplo, no caso das touradas com a morte tratamento que actualmente está a ser dado à com abundância por rios e ribeiros, e também dades daí decorrentes, mas orgulhosos por dos animais na arena, na maneira cruel como Bandeira Nacional. Por oportuna sugestão do das torneiras que abrimos nas casas-de-banho, levarmos até aos leitores um jornal impoluto. muitas vezes são transportados e abatidos os um brasileiro que sabe do seu ofício, ela foi nas cozinhas, nos jardins… animais para consumo humano, na desumani- utilizada para exacerbar o apoio dos portu- Mas nem sempre foi assim, no passado, e dade com que muitos maltratam e abando- gueses à selecção de futebol por ele dirigida. O não poderá continuar a ser assim, no futuro. nam animais domésticos, sobretudo na época apelo resultou, e o negócio das bandeiras Lembro-me de, nas férias estivais de infân- Os Leitores de férias). prosperou. O País inundou-se de “bandeiras cia passadas no Minho, assistir a graves confli- Por tudo isto, à medida que os anos vão nacionais”, que da China chegavam aos milha- tos entre agricultores por causa das servidões a participarem passando, com maior convicção vou adoptan- res, quase sempre deturpando os seus símbo- de águas de rega, que serpenteava pelos sulcos Gostaríamos que os leitores ti- do a sábia afirmação: quanto mais conheço los de forma mais ou menos grosseira. Mas o rasgados na terra à força da enxada, e que a vessem uma efectiva participação dos homens e das mulheres, mais apreço tempo foi passando, e hoje o que se vê, em horas certas era desviada para fazer medrar as nos conteúdos de cada edição do tenho pelos animais… muitas varandas, paredes de cafés e antenas de culturas sequiosas na manta de retalhos que “Centro”, enviando-nos textos e automóveis, são trapos desbotados, num des- eram aqueles campos agrícolas, cada pedaci- imagens que entendam terem inte- Amanhã, 5 de Outubro, assinalam-se os 96 mazelo que configura desrespeito por um nho com seu intransigente proprietário. resse para publicação (e que editare- anos do regime republicano, implantado em símbolo que – importa disso esclarecer os E não tenho dúvidas de que demorará mos se, efectivamente, preencherem Portugal em 1910. Mas se o facto não é, menos avisados –, não é objecto decorativo, muito menos tempo do que alguns imaginam os indispensáveis requisitos para obviamente, razão para festejo por parte dos relegado para o mesmo nível que os galos de até que a água venha a tornar-se muito mais esse efeito). monárquicos, a verdade é que, para estes, o 5 Barcelos ou as bonecas sevilhanas... valiosa do que o petróleo e a ser a principal Os textos deverão ser curtos e de Outubro é também motivo de celebração, Há mesmo legislação relativa à Bandeira causa de guerras entre nações, caso se não focar questões de interesse geral, ou por outras razões, a que aludimos nesta edição Nacional, que expressamente refere: tomem medidas adequadas para a sua preser- então casos insólitos ou relevantes. (página 5). “A Bandeira Nacional, no seu uso, deverá vação e utilização racional. Quanto às imagens, podem ser Felizmente, neste país de (alguns ainda) ser apresentada de acordo com o padrão ofi- Daí a importância de acções de sensibiliza- mesmo as captadas por telemóvel brandos costumes que é o nosso, adeptos dos cial e em bom estado, de modo a ser preserva- ção como aquela a que nos referimos nesta (embora, naturalmente, seja preferí- dois regimes convivem de maneira pacífica, da a dignidade que lhe é devida”. (Ver, a este edição (página 8). vel obtê--las com máquinas digitais ou enviá-las em papel, para melhorar civilizada, havendo mesmo muitos monárqui- propósito, a página 5) a qualidade da reprodução), e deve- cos que participam activamente nas institui- Outra data que merece notícia neste rão identificar o respectivo autor, a ções políticas republicanas (por exemplo, o E, já agora, era bom que os portugueses “Centro” (página 8) é a de 30 de Setembro, dia data e o local onde foram recolhidas antigo Presidente do Partido Popular Mo- conhecessem também a letra do Hino em que os Hospitais da Universidade de e o que documentam. nárquico, Pignatelli Queiroz, é deputado na Nacional (mesmo que se possa pôr em causa Coimbra (HUC) comemoraram 20 anos nas O desafio aqui fica, esperando Assembleia da República). a sua actualidade, pois longínquos vão os tem- actuais instalações. São impressionantes os que rapidamente comece a merecer Pena que este exemplo de sã convivência, pos do Ultimatum inglês, e apesar do mapa do números relativos à grandeza desta prestigiada resposta de muitos leitores. de tolerantes divergências, se não estenda a País ser neste momento maioritariamente cor- instituição, que tanto tem contribuído, a par Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros No sentido de proporcionar mais em material escolar por cada filho, este Se não quiser ter esse trabalho, bastará Propriedade: Audimprensa alguns benefícios aos assinantes deste jor- desconto que proporcionamos aos assi- ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 nal, o “Centro” acaba de estabelecer um nantes do “Centro” assume especial assinatura, ou solicitá-la através do e-mail Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho acordo com a livraria on line “livros- significado (isto é, só com o que poupa centro.jornal@gmail.com. net.com” (ver rodapé na última página por um filho fica pago o valor anual da São apenas 20 euros por uma assinatu- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 desta edição). assinatura). ra anual – uma importância que certamen- Para além do desconto de 10%, o assi- Mas este desconto não se cinge aos te recuperará logo na primeira encomenda Composição e montagem: Audimprensa - Rua da Sofia, 95, 3.º nante do “Centro” pode ainda fazer a manuais escolares. Antes abrange todos os de livros. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 encomenda dos livros de forma muito livros e produtos congéneres que estão à E, para além disso, como ao lado se Fax: 239 854 154 cómoda, sem sair de casa, e nada terá a disposição na livraria on line “livrosnet”. indica, receberá ainda, de forma automáti- e-mail: centro.jornal@gmail.com pagar de custos de envio dos livros enco- Aproveite esta oportunidade, se já é as- ca e completamente gratuita, uma valiosa mendados. sinante do “Centro”. obra de arte de Zé Penicheiro – trabalho Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Numa altura em que se aproxima o Caso ainda não seja, preencha o boletim original simbolizando os seis distritos da início de um novo ano lectivo, e em que que publicamos na página seguinte e Região Centro, especialmente concebido Tiragem: 10.000 exemplares as famílias gastam, em média, 200 euros envie-o para a morada que se indica. para este jornal pelo consagrado artista.
    3. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 COIMBRA 3 “Braço de ferro” entre Câmara e Governo CO-INCINERAÇÃO EM SOUSELAS O Ministério do Ambiente travou os efei- Resíduos Industriais Perigosos (RIP) como que norteia a política europeia de resíduos ENCARNAÇÃO NÃO FICOU tos suspensivos da providência cautelar combustível \"não é um projecto público, mas (redução da exportação). SURPREENDIDO requerida pela Câmara Municipal de Coimbra sim privado\". Além disso argumentou ainda que a adop- contra a decisão de avançar com a co-incine- O secretário de Estado do Ambiente refere ção da valorização energética de RIP por co- Carlos Encarnação, afirmou ontem (terça- ração em Souselas sem avaliação de impacto que o Instituto dos Resíduos (entidade compe- incineração nas cimenteiras é uma solução feira, dia3) não estar surpreendido com o \"tra- ambiental, alegando ser lesiva do interesse tente para o licenciamento das operações de adequada e que contribui pa ra a redução dos vão\" do Ministério do Ambiente aos efeitos público. co-incineração) e o Instituto do Ambiente riscos para a saúde das populações que resul- suspensivos da providência cautelar interposta Numa resolução a que a Agência Lusa teve (Autoridade de AIA) emitiram parecer favorá- tam da contaminação de solos ou de queima pela autarquia contra a co-incineração em acesso, o secretário de Estado do Ambiente, vel à dispensa d este procedimento e propuse- não controlada. Souselas. Humberto Rosa, argumenta que a suspensão ram um conjunto de medidas de minimização A providência cautelar não foi o primeiro \"A secretaria de Estado usou um expedien- dos efeitos do despacho governamental pre- dos impacte s ambientais. recurso da Câmara de Coimbra para impedir a te possível do ponto de vista da lei, para não tendida pela autarquia, \"mais do que inconve- Humberto Rosa considera que o diferimen- co-incineração. suspender a eficácia do acto. Já esperava, a niente, é gravemente lesiva para os interesses to do processo de co-incineração de RIP No dia 21 de Agosto, o executivo municipal Câmara de Coimbra j á o fez noutras ocasiões\" públicos subjacentes à sua emissão (...), os durante o tempo necessário à tomada de deci- aprovou uma postura de trânsito que proíbe a disse à Agência Lusa Carlos Encarnação. quais contribuem para a concretização de são judicial na providência cautelar é \"total- circulação de Resíduos Industriais Perigosos Carlos Encarnação disse ainda que o direi- uma política global de gestão de resíduos mente inadmissível e altamente prejudicial para (RIP) para co-incineração na fábrica de cimen- to \"não é dramático\", sendo \"normal\" a con- perigosos\". os interesses públicos\". to de Souselas, uma freguesia a norte da cidade. testação nos termos da lei. A suspensão da eficácia da decisão gover- Entre estes interesses contam-se nomea- No dia seguinte, o Governo, através do \"As pessoas não têm de ficar ofendidas\", namental foi requerida a 13 de Setembro. damente: a necessidade de uma política de secretário de Estado do Ambiente, Hum- sustentou. Na altura, o presidente da Câmara Mu- gestão de RIP que complemente o uso dos berto Rosa, anunciava que mantinha a pre- Lembrou, no entanto, que além da provi- nicipal, Carlos Encarnação, adiantou que a Centros Integrados de Recuperação, Valo- visão de iniciar em Setembro ou Outubro dência cautelar, interposta a 13 de Setembro, providência cautelar seria acompanhada de rização e Eliminação de Resíduos (CIRV- os testes para a queima dos RIP em Sou- requerendo suspensão da eficácia da decisão uma acção principal a contestar o despacho ER), o tratamento dos lixos contaminados selas. No dia 24 de Agosto, a Câmara de governamental, deu entrada uma acção princi- com que o ministro do Ambiente, Nunes existentes e acumulados em diversos locais Coimbra começou a instalar sinais de trân- pal a contestar o despacho com que o ministro Correia, dispensou em Agosto a Cimpor de e a resolução do processo de pré-conten- sito nos acessos a Souselas, proibindo a cir- do Ambiente, N unes Correia, dispensou em Souselas da realização do Estudo de Impacto cioso comunitário por incumprimento da culação de RIP e outras matérias perigosas. Agosto a Cimpor de Souselas da realização do Ambiental (EIA). directiva relativa aos RIP por n ão terem Quatro dias depois, o ministro Nunes Cor- Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Carlos Encarnação disse que a decisão de sido adoptadas as medidas necessárias a um reia questionou a competência d a autarquia \"A acção principal deu entrada, com natu- dispensar a Cimpor de efectuar o EIA repre- tratamento adequado. para aplicar essa proibição e acusou a Câmara ralidade vamos defender a nossa causa. O juiz sentava \"um erro e um perigo\" e sublinhou O secretário de Estado invocou ainda o de Coimbra de \"usar o terror das pessoas para ainda não decidiu sobre a providência caute- que a aposta da cimenteira no uso dos cumprimento do princípio da auto-suficiência fins políticos\". lar\", argumentou. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal “Centro” Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- manterá sempre bem informado sobre o de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às que de mais importante vai acontecendo centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- nesta Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para Não perca, pois, a oportunidade de re- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas out- automaticamente ganharem uma valiosa ceber já, GRATUITAMENTE, esta mag- Não perca esta campanha promocional, ras regalias para os nossos assinantes, pelo obra de arte. nífica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o excelente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de o “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista Para além desta oferta, passará a rece- preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. plástico – um dos mais prestigiados pinto- ber directamente em sua casa (ou no local de AUDIMPRENSA), para a seguinte res portugueses, com reconhecimento que nos indicar), o jornal “Centro”, que o morada: CONTAMOS CONSIGO! mesmo a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
    4. 4 5 DE OUTUBRO O Hino Nacional: letra e História DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 Muitos portugueses, especialmente os das gerações mais recentes, não conhecem bem a letra do Hino A Portuguesa Nacional e menos ainda sabem a sua História. Por isso, e como forma de assinalar o 5 de Outubro, Heróis do mar, nobre povo, aqui deixamos um contributo para o necessário esclarecimento sobre “A Portuguesa”, nome dado Nação valente, imortal, ao Hino cuja música é da autoria de Alfredo Keil e a letra de Henrique Lopes de Mendonça – e que, Levantai hoje de novo como abaixo se relata, e ao contrário do que poderia pensar-se, não tem a ver com a Implantação O esplendor de Portugal! da República, antes surgiu nos finais do séc. XIX. Entre as brumas da memória, Ó Pátria, sente-se a voz ANTECEDENTES HISTÓRICOS prios de cada corpo e as canções relativas aos era considerado como hino oficial o “Hymno Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória! DO HINO NACIONAL acontecimentos dignos de memória. Patriótico”, da autoria de Marcos Portugal. Este Às armas, às armas! Só a partir do século XIX os povos da Durante a monarquia, o ideário da Nação hino inspirava-se na parte final da Cantata “La Europa criaram o uso de cantar os hinos, quan- Portuguesa estava consubstanciado no poder Speranza o sia l`Augurio Felice”, composta e Sobre a terra, sobre o mar, do um movimento de opinião levou a que cada do Rei. Não havia a noção de um hino nacional, oferecida pelo autor ao Príncipe Regente D. Às armas, às armas! estado estabelecesse uma composição, com e por isso as peças musicais com carácter públi- João quando este estava retirado com a Corte Pela Pátria lutar letra e música que fosse representativa e oficial. co ou oficial identificavam-se com o monarca no Brasil, e que foi representada no Teatro de S. Contra os canhões marchar, marchar! Até então os povos e os exércitos conheciam reinante. Carlos em Lisboa, a 13 de Maio de 1809 para apenas os cantos e os toques guerreiros pró- Neste contexto, ainda em 1826, em Portugal celebrar o seu aniversário natalício. Sessão em Coimbra no dia 10 de Outubro COM PALESTRA E LANÇAMENTO DE LIVRO evoca o general Sousa Dias Evocando o 5 de Outubro, a I República de 1926, como outros da sua geração. Não consequente demissão de oficial do Exérci- e a resistência à ditadura, a Delegação do são conhecidas referências à sua participa- to e deportação para Cabo Verde, impedi- Centro da Associação 25 de Abril vai pro- ção nos movimentos de 31 de Janeiro de ram que fosse levada mais longe a investi- mover em Coimbra, no próximo dia 10 de 1891, de 14 de Maio de 1915 ou 12 de gação biográfica que suportou a obra em Outubro (terça-feira da próxima semana), a Outubro de 1918. Por outro lado, sempre causa, em homenagem aquele corajoso apresentação e debate da obra intitulada recusou desempenhar cargos políticos, ape- republicano e democrata ”. “General Sousa Dias: Militar, Republicano, sar de várias vezes ter sido convidado pelo Patriota”. alto prestígio de que gozava entre os secto- PREFÁCIO DESTACA Trata-se de um trabalho do major-gene- res republicanos e no seio do Exército. Mas IMPORTÂNCIA DA OBRA ral Augusto José Monteiro Valente, editado desde a juventude até à sua morte, Sousa pela Câmara Municipal da Guarda – N.A.C. Dias foi sempre um militar profissional de No Prefácio do livro, escreve Amadeu A sessão decorre na Casa Municipal da extrema integridade de carácter e de abso- Carvalho Homem: Cultura, com início às 21 horas, e incluirá luta intransigência na fidelidade aos ideais “Um dos méritos facilmente assinalá- uma palestra intitulada “Palavras Livres”, constitucionais, republicanos e civilistas, veis na abordagem feita por Monteiro por Amadeu Carvalho Homem, Professor sem olhar a sacrifícios ou perigos. Apoiou Valente ao tema em apreço reside no facto da Faculdade de Letras da Universidade de o 5 de Outubro, combateu Paiva Couceiro, de ter sabido compaginar e articular os aci- Coimbra. recusou colaborar com os movimentos mi- dentes e incidentes biográficos da figura Segue-se a intervenção do autor do livro, litares de Pimenta de Castro e Sidónio Pais, estudada com a evolução geral da socieda- Augusto Valente, subordinada ao tema “Os opôs-se à «Monarquia do Norte» e resistiu de portuguesa, na tripla vertente política, militares e a I República: O exemplo do ao 28 de Maio. fectível lealdade à República, de firmeza, social e militar. Daí que seja não apenas General Sousa Dias”. Após este último pronunciamento, foi coragem, coerência e sacrifício na defesa explanado o exemplar percurso de vida de um dos poucos generais, e porventura o dos seus ideais. No dizer de Raul Rego, a um distinto Oficial do Exército, como seja “GENERAL SOUSA DIAS mais destacado, que mais se empenhou no sua figura podia “servir de modelo a quan- igualmente apresentada aos leitores, com – MILITAR, REPUBLICANO, combate ao novo regime ditatorial, chefian- tos se bateram contra a ditadura e aos pro- objectiva serenidade, a diacronia histórica do as revoltas de 3 de Fevereiro de 1927, no cessos de repressão do regime que ainda se que se alonga desde a crise finissecular PATRIOTA” Porto, e de 4 de Abril de 1931, na Madeira. dizia República”. oitocentista da Monarquia Constitucional à Entre a plêiade de corajosos democratas No desterro, em S. Tomé, nos Açores, na radicação da Ditadura Militar e do Estado que tenazmente lutaram pela defesa da Madeira e em Cabo Verde, continuou a O LIVRO SEGUNDO O AUTOR Novo, passando pela experiência crítica, República e contra a Ditadura Militar que manter um papel político activo, quer como convulsa e dramática da nossa Primeira lhe pôs termo a 28 de Maio de 1926, ocupa representante dos deportados nas colónias, Sobre o livro, disse ao “Centro” o res- República. Por outro lado, este livro consti- lugar de destaque o General Adalberto quer como elemento de ligação com os pectivo autor, Augusto Valente: tui um acto de justiça para com a memória Gastão de Sousa Dias, republicano notável dirigentes da resistência republicana no “General Sousa Dias – Militar, Repu- de um protagonista da história contempo- e intrépido resistente, silenciado pelo Es- continente e os exilados políticos em blicano, Patriota, é uma obra muito modes- rânea do nosso país que foi perseguido, vili- tado Novo e ainda hoje um desconhecido França e em Espanha. ta para o muito mais alto merecimento pendiado e deprimido pela bem organizada para a maioria dos Portugueses. Maltratado e humilhado pela Ditadura daquele general, mas que pretende contri- máquina de propaganda do salazarismo. Daí a oportunidade deste livro da auto- Militar e pelo Estado Novo, Sousa Dias buir para o objectivo de democratização de Pouco se sabia sobre a trajectória existenci- ria de Augusto Valente. passaria os últimos anos da sua vida depor- uma memória a que importa continuar fiel, al e militar do General Sousa Dias. À seme- Natural de Chaves, o Adalberto Sousa tado em Cabo Verde, onde viria a falecer. contra o esquecimento daqueles que, entre lhança do que aconteceu com muitos out- Dias nasceu em 31 de Dezembro de 1865, Transladado em segredo de Cabo Verde, 1926 e 1974, cometeram o «crime» de lutar ros adversários da autocracia deposta em e faleceu a 27 de Abril de 1934, no Min- em 1936, e transportado até à cidade da pela Liberdade. Deixar esquecer essa me- 25 de Abril de 1974, o Estado Novo teceu delo, Cabo Verde, onde se encontrava de- Guarda, também em sigilo, o seu corpo foi mória será cortar a raiz ao Portugal livre e em torno da sua figura uma verdadeira portado. sepultado às escondidas, ao cair da noite, democrático que Abril fez renascer, será “conspiração de silêncio”. A reconstituição Fez os preparatórios à Escola do Exér- no cemitério da Guarda. esquecer o seu percurso histórico e os valo- feliz e escrupulosa da vida e obra do cida- cito na Universidade de Coimbra, entre Três anos após o 25 de Abril, Sousa Dias res e ideais que lhe deram força. Infeliz- dão que por duas vezes, em 1927 e em 1881 e 1883. Serviu como major em Coim- foi reintegrado no Exército e no seu posto mente, o facto de ainda não haver sido 1931, se insubordinou contra a venalidade bra, no então Regimento de Infantaria n.º de general. E, em 1980 foi condecorado, a localizado pelo Arquivo Histórico-Militar e arbítrio de poderes não sufragados e 35, entre 1912 e 1915. título póstumo, com a Ordem da Liberdade, do Exército o processo individual do gene- democraticamente ilegítimos, rompe essa Convicto republicano, Sousa Dias não com vários outros políticos e militares que ral Sousa Dias, porventura destruído pela barreira conspirativa e oferece aos leitores foi, contudo, um militar revolucionário mais se evidenciaram no combate à ditadura. sanha da ditadura após o fracasso das o esboço criterioso de um vulto marcante nem um político activo até ao 28 de Maio Sousa Dias foi um exemplo raro de inde- revoltas que contra ela sustentou e a sua da história democrática portuguesa”.
    5. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 5 DE OUTUBRO 5 A poesia do “Hynmno Patriótico” teve dife- autoria generalizou-se com a denominação ofi- A mesma Assembleia Constituinte de 19 de rentes versões face às circunstâncias e aos acon- cial como “Hymno nacional”, e por isso obriga- Junho de 1911, que aprovou a Bandeira tecimentos da época, tornando-se naturalmente tório em todas as solenidades públicas, a partir Nacional, proclamou “A Portuguesa” como generalizada e nacional pelo agrado da sua de Maio de 1834. Hino Nacional. expressão marcial, que estimulava os ânimos Com a música do “Hymno da Carta” com- Era assim oficializada a composição de aos portugueses, convidando-os à continuação puseram-se variadas obras de natureza popular Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça de acções heróicas. (modas) ou dedicadas a acontecimentos e per- que, numa feliz e extraordinária aliança de músi- Com o regresso do Rei ao País, em 1821, o sonalidades de relevo, identificando-se em ca e poesia, respectivamente, conseguira inter- mesmo autor dedicou-lhe um poema que, pleno com a vida política e social dos últimos pretar em 1890, com elevado sucesso, o senti- sendo cantado com a musica do hino, rapida- setenta anos da monarquia em Portugal. mento patriótico de revolta contra o ultimato mente se divulgou e passou a ser entoado sole- Nos finais do século XIX, “A Portuguesa”, que a Inglaterra, em termos arrogantes e humi- nemente. Entretanto, na sequência da revolução marcha vibrante e arrebatadora, de forte expres- lhantes, impusera a Portugal. de 1820, foi aprovada em 22 de Setembro de são patriótica, pela afirmação de independência Em 1956, constatando-se a existência de 1822 a primeira Constituição Liberal que representa e pelo entusiasmo que desperta, algumas variantes do Hino, não só na linha Portuguesa, que foi jurada por D. João VI. D. torna-se, naturalmente e por mérito próprio, um melódica, como até nas instrumentações, espe- Pedro, então Príncipe Regente no Brasil, com- consagrado símbolo nacional, na sua versão desconsiderado pelos monárquicos e proibida a cialmente para banda, o Governo nomeou uma pôs o “Hymno Imperial e Constitucional”, completa: sua execução em actos oficiais e solenes. comissão encarregada de estudar a versão ofici- dedicado à Constituição. Porém, o Hino, que fora concebido para unir Quando da implantação da República em al de “A Portuguesa”, a qual elaborou uma pro- Após a morte do Rei, e com a subida de D. os portugueses em redor de um sentimento 1910 “A Portuguesa” aflora espontaneamente posta que, aprovada em Conselho de Ministros Pedro IV ao trono, este outorgou aos portu- comum, pelo facto de ter sido cantado pelos de novo à voz popular, tendo sido tocada e can- em 16 de Julho de 1957, é a que actualmente Bandeira Nacional gueses uma carta Constitucional. O hino de sua revolucionários de 31 de Janeiro de 1891, foi tada nas ruas de Lisboa. está em vigor. Após a instauração do regime republicano, tica este Símbolo Nacional. I, estando desde então sempre presente na Portugal, devendo ser respeitada por todos os um decreto da Assembleia Nacional constituin- Assim, no entender da Comissão, o branco emblemática nacional, ela consagra “a epopeia cidadãos, sob pena de sujeição à cominação pre- te datado de 19 de Junho de 1911, publicado no representa “uma bela cor fraternal, em que marítima portuguesa (...) feito culminante, vista na lei penal. “ Diário do Governo nº 141 do mesmo ano, todas as outras se fundem, cor de singeleza, de essencial da nossa vida colectiva”. Logo a seguir, no n.º 2) do artº 2.º, alerta: aprovou a Bandeira Nacional que substituiu a harmonia e de paz “ e sob ela, “salpicada pelas Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu “A Bandeira Nacional, no seu uso, deverá ser Bandeira da Monarquia Constitucional. Este quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas a Comissão fazer assentar o escudo branco com apresentada de acordo com o padrão oficial e decreto teve a sua regulamentação adequada, pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma as quinas, perpetuando e consagrando assim “o em bom estado, de modo a ser preservada a dig- publicada no diário do Governo n.º 150 (decre- cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé milagre humano da positiva bravura, tenacida- nidade que lhe é devida”. to de 30 de Junho). pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo de, diplomacia e audácia que conseguiu atar os No n.º 3 do Art.º 8.º, sublinha: A Bandeira Nacional é bipartida vertical- épico das nossas descobertas marítimas”. primeiros elos da afirmação social e política da “A Bandeira Nacional, quando desfraldada mente em duas cores fundamentais, verde escu- O vermelho, defendeu a Comissão, “nela lusa nacionalidade”. com outras bandeiras, não poderá ter dimen- ro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. deve figurar como uma das cores fundamentais Finalmente, achou a Comissão “dever rode- sões inferiores às destas. “ Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem por ser a cor combativa, quente, viril, por exce- ar o escudo branco das quinas por uma larga Por último, estipula o Art.º 10.º: o escudo das armas nacionais, orlado de branco lência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor faixa carmesim, com sete castelos”, consideran- “Em actos públicos a Bandeira Nacional, e assentado sobre a esfera armilar manuelina, cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e do estes um dos símbolos “mais enérgicos da quando não se apresente hasteada, poderá ser em amarelo e avivada de negro. incita à vitória”. Em relação ao verde, cor da integridade e independência nacional”. suspensa em lugar honroso e bem destacado, O comprimento da bandeira é de vez e meia esperança, dificilmente a Comissão conseguiu mas nunca usada como decoração, revestimen- a altura da tralha. A divisória entre as duas cores justificar a sua inclusão na Bandeira. Na verda- LEI ESTABELECE REGRAS to ou com qualquer finalidade que possa afectar fundamentais deve ser feita de modo que de, trata-se de uma cor que não tinha tradição o respeito que lhe é devido.” fiquem dois quintos do comprimento total ocu- histórica, tendo sido rebuscada uma explicação A importância da Bandeira Nacional levou a Como se pode concluir, olhando à nossa pados pelo verde e os três quintos restantes pelo para ela na preparação e consagração da Revolta que tivesse sido publicada, em 1987, legislação volta, muitas infracções a esta legislação são vermelho. O emblema central ocupa metade da de 31 de Janeiro de 1891, a partir da qual o verde fixando as regras que regem o uso deste símbo- cometidas todos os dias, certamente não por altura da tralha, ficando equidistante das orlas terá surgido no “momento decisivo em que, sob lo da Pátria. deliberado desrespeito, mas antes por desco- superior e inferior. a inflamada reverberação da bandeira revolucio- Trata-se do Decreto-Lei 150/87, de 30 de nhecimento. A escolha das cores e da composição da nária, o povo português fez chispar o relâmpa- Março, que considera, no respectivo preâmbu- Quem quiser pôr-se a par da legislação Bandeira não foi pacífica, tendo dado origem a go redentor da alvorada”. lo, “a necessidade de dignificar a Bandeira completa, bem como de outras curiosida- acesas polémicas e à apresentação de várias pro- Uma vez definidas as cores, a Comissão pre- Nacional como símbolo da Pátria e de avivar o des relacionadas com a Bandeira Nacional postas. Prevaleceu a explicação constante do ocupou-se em determinar quais os emblemas seu culto entre todos os portugueses”. (nomeadamente a sua evolução), pode con- Relatório apresentado pela Comissão então mais representativos da Nação para figurarem E estabelece logo no Artº 1.º: sultar o site do Governo (http://www.go- nomeada pelo governo a qual, num parecer na Bandeira. “A Bandeira Nacional, como símbolo da verno.gov.pt/Portal/PT), de onde foram nem sempre heraldicamente correcto, tentou Relativamente à esfera armilar, que já fora Pátria, representa a soberania da Nação e a inde- retirados muitos dos elementos que aqui se expressar de uma forma eminentemente patrió- adoptada como emblema pessoal de D. Manuel pendência, a unidade e a integridade de inserem. Os 863 anos de Portugal MONÁRQUICOS COMEMORAM 5 DE OUTUBRO DE 1143 Nem só os republicanos assinalam o existência de um novo Estado, PORTU- Oficialmente é comemorada apenas a comemorado em cada “5 de Outubro” o dia 5 de Outubro. Também os monárqui- GAL. revolução de 1910, que opôs Portugueses a aniversário da Fundação da Nacionali- cos o fazem. Só que enquanto os primei- Esta declaração de Portugal como Portugueses, e que teve como acto prepa- dade, mandando celebrar na Igreja de ros assinalam a Implantação da República, Reino Independente infelizmente não é ratório e decisivo o assassinato do (então) Santa Cruz, em Coimbra, Missa sufragan- em 1910, os outros celebram o nascimen- comemorada oficialmente no próprio Chefe de Estado (que era o Rei D. Carlos I do a alma do Rei Fundador e dos seus to de Portugal enquanto Nação indepen- País. ) – nas eleições gerais que tinham antecedi- Descendentes. dente, em 1143. PORTUGAL deve ser o único País do do o regicídio, o Partido Republicano tinha Neste ano de 2006, a Missa de Sufrágio A esse propósito, a seguir transcreve- Mundo que não celebra oficialmente a tido apenas 7% dos votos! será celebrada na Igreja de Santa Cruz, em mos um texto da autoria do Presidente da data da sua independência, a data do seu Continuam as actuais Autoridades Ofi- Coimbra, às 11,30 horas do dia 5 de Real Associação de Coimbra, Joaquim nascimento! ciais Portuguesas a ignorar a celebração do Outubro, após o que será prestada home- Leandro Costa e Nora: As Autoridades Oficiais Portuguesas aniversário do nascimento de Portugal nagem junto aos túmulos de D. Afonso têm preferido comemorar as datas de aci- como Estado-Nação. Henriques e de D. Sancho I. “É em 5 de Outubro de 1143, com o dentais alterações do regime, que simboli- Discordando frontal e veementemente Convidam-se todos os Portugueses a Tratado de Zamora e na presença do Le- zam sobretudo revoluções fratricidas desta valoração das datas históricas por participar nas Comemorações do 863.º gado Pontifício, Cardeal Guido de Vico, entre Portugueses. parte das Autoridades Oficiais Portu- aniversário da independência de Por- que D. Afonso VII de Leão reconhece a É o caso do “5 de Outubro”: guesas, a Real Associação de Coimbra tem tugal”.
    6. 6 MUNDO ANIMAL DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 Dia Mundial do Animal O “Dia Mundial do Animal” celebra-se a 4 de Outubro, cidadãos que apoiam os animais aproveitem este dia para Em 1929 no Congresso de Protecção Animal que decor- desde 1930, pelo menos em meia centena de países. alertar a sociedade, quase sempre distraída, para a explo- reu em Viena, Áustria, foi declarado o dia da morte de São Mas os animais que se distinguem neste dia não são ape- ração e maus tratos de que tantos animais são vítimas, nas Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal, em nas os classificados como “domésticos”, mas sim todos os mais diversas circunstâncias. homenagem ao amor que este santo dedicou aos animais. que fazem parte do chamado Mundo Animal. Em Outubro de 1930, foi comemorado pela primeira De facto, para além dos cães, gatos, e também outros vez o Dia Mundial do Animal. mamíferos e aves (e até alguns répteis) que as pessoas A 15 de Outubro de 1978 foram registados os direitos dos ORIGEM DO DIA DO ANIMAL adoptam como companhia em suas casas, há uma É bem conhecido o amor que S. Francisco de Assis animais através da aprovação da Declaração Universal dos infinidade de outros animais que devem ser respeitados e nutria por todos os animais. Direitos do Animal pela UNESCO. O Dr. Georges Heuse, protegidos – o que, infelizmente, não acontece numa mul- Nascido em Assis, velha cidade italiana, em 26 de secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação tiplicidade de situações. Setembro de 1182, viria a falecer a 4 de Outubro de 1226, de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta Daí que muitas associações, grupos ou movimentos de e dois anos depois foi santificado. declaração (que se publica na página ao lado). EM ALCAIDARIA (LEIRIA) A inteligência Escolas e hotéis dos grandes símios para cães Os grandes símios, como os orangotan- gos, os gorilas e os chimpanzés, são os pri- “A questão é que uma espécie pode resolver melhor um problema do que Na Região Centro existem já algumas sábados, entre 15h00 e as 19h00, e pode ser matas não humanos mais inteligentes, à outra, não porque seja mais inteligente mas estruturas privadas de adestramento de frequentado por quem quiser, mesmo que frente dos macacos e dos lémures, segundo por estar melhor adaptada à situação em cães, nomeadamente em Mortágua, que não seja sócio da Ucas”, disse o mesmo um estudo do Centro Médico da que o problema se apresenta”, afirmou. treinam cães para cegos, e nos arredores de responsável. Universidade de Duke. Foi a partir destas considerações que os Coimbra, onde ministram treinamento e “Os adestradores podem informar e “É claro que algumas espécies podem cientistas submeteram os primatas a uma alojam cães quando os donos têm de prestar esclarecimentos sobre os treinos e desenvolver uma maior capacidade para série de testes de medição do nível de inte- ausentar-se. as várias modalidades existentes”, disse resolver problemas específicos”, afirmou ligência, tendo algumas espécies obtido Recentemente (no início de Setembro), Frederico António, adiantando que Robert Deaner, principal autor do estudo, resultados claramente melhores do que foi inaugurado em Alcaidaria, Leiria, um “podem também ajudar pessoas que ten- recentemente publicado na revista outras. campo de treinos cujo principal objectivo é ham cães agressivos ou com fobias”. “Evolutionary Psychology”. “A investigação confirma a ideia de que preparar cães para acções de busca e salva- Será neste espaço que irá funcionar a No entanto, acrescentou, “os resultados há espécies mais inteligentes do que outras. mento. sede da Ucas, constituída em Fevereiro de da investigação implicam a possibilidade de Os animais mais inteligentes são os grandes “No campo de treinos, teremos uma 2004, e que conta actualmente com cerca a selecção natural favorecer um tipo geral símios, isto é, os orangotangos, os chim- parte para iniciação de cães na busca e sal- de 60 associados, criada com o objectivo de inteligência nalgumas circunstâncias, e panzés e os gorilas superam os macacos e vamento, bem como pista de obstáculos inicial de “participar em acções de protec- isso poderá ter sido crucial na evolução do outros prossímios (primatas inferiores)”, para treino de modalidades desportivas”, ção civil de carácter humanitário e na busca ser humano”. disse o cientista. disse à LUSA Frederico António, presiden- e salvamento de pessoas desaparecidas”. Os psicólogos definem a inteligência Para Carel Van Schaik, co-autor do estu- te e director-técnico da Unidade Canina de Neste tipo de missões, de busca e salva- como a capacidade de resolver problemas do e director do Instituto Antropológico Salvamento (Ucas) de Leiria. mento, “a Ucas participou em três inter- em situações imprevisíveis, o que é diferen- de Zurique (Suíça), é “reconfortante” que O novo espaço está também apto para venções no último ano, após solicitação da te da capacidade de certos animais de os grandes símios tenham mostrado maior “treinos de obediência básica e de várias protecção civil municipal e também do recordarem, por exemplo, onde esconde- inteligência. modalidades desportivas, como ‘agility’, Centro Distrital de Operações de ram um alimento. “Ao fim e ao cabo, em termos absolutos, ‘mondioring’ e ‘obedience’, que serão Socorros”, disse Frederico António. Os testes de inteligência mostraram que os seus cérebros são maiores e revelam um facultados por três adestradores caninos”, Este espírito, aliás, levou a Ucas a adqui- algumas espécies obtêm melhores desem- comportamento sofisticado em condições adiantou. rir “cinco cães para buscas e salvamento, penhos do que outras, mas os cientistas têm naturais (…) astúcia, comportamento cul- Instalado no Centro Hípico Dom das raças pastor belga, pastor alemão e gol- tido dificuldade em concluir que esses resul- turalmente transmitido e uso de instrumen- Cavalo, o campo de treinos “funciona aos den retriver”, adiantou. tados demonstram uma maior inteligência. tos”, assinalou. Brigitte Bardot: lutadora incansável em prol dos animais Uma das figuras públicas que mais se E em 1986 BB, que desde sempre se tem empenhado, ao longo dos anos, na batera pela defesa dos animais, cria a luta pela causa da defesa dos direitos dos “Fundação Brigitte Bardot”, reconhecida animais, é Brigitte Bardot. de utilidade pública, dedicada a essa luta Para muitos dos mais novos, este nome (o endereço do sítio da Fundação na pouco ou nada dirá. Internet é ww.fondationbrigittebardot.fr). Mas para quem era jovem nos anos 50 e Ao longo de todas estas décadas BB 60, Brigitte Bardot, mais do que uma actriz tem tomado posições públicas muitas do cinema francês, tornou-se num mito. vezes polémicas, mas sempre coerente BB, assim era conhecida, e essas duas com a causa que abraçou desde a juven- letras passaram a ser sinónimo de beleza. tude. Aliás, há quem defenda que BB foi a mais Em sua homenagem, aqui publicamos bela mulher de tantas deslumbrantes que, duas fotografias: numa delas, BB, enquan- ao longo dos tempos, têm passado pelos to jovem, considerada a mais bela do ecrãs de todo o Mundo. Mundo. Na outra, obtida na passada Nascida em Paris em 28 de Setembro semana, BB no dia em que completou 72 de 1934, BB estreou-se no cinema em anos, numa conferência de imprensa alu- 1952, com apenas 18 anos. Nesse mesmo siva ao 20.º aniversário da fundação que ano casou com o realizador Roger Vadim criou para protecção dos animais. (o primeiro dos seus quatro casamentos), Brigitte Bardot nos anos 60... ...e na passada semana O tempo pode ofuscar a beleza. Mas que fez dela protagonista, em 1956, de um em muitos casos, como no de BB, não filme com grande simbolismo, intitulado Em 1985 o Governo francês distin- decorações daquele país: Cavaleiro da consegue afectar a coerência na luta por “E Deus criou a mulher”. guiu-a com uma das mais destacadas con- Legião de Honra. belos ideais.
    7. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 MUNDO ANIMAL 7 Declaração Universal CÂMARA DE VILA DO CONDE DÁ EXEMPLO dos Direitos dos Animais É preciso combater abandono Não existem estatísticas sobre cães e gatos abandonados em Portugal, mas a ver- dade é que o número é impressionante, Muitas pessoas ignoram que, à semelhança do que se passa sobretudo na época estival. relativamente aos seres humanos, também existe Em vários pontos do País há algumas uma “Declaração Universal dos Direitos dos Animais”. associações ou simplesmente cidadãos com A referida Declaração, que abaixo se transcreve, foi aprovada bons sentimentos, que lutam para combater e proclamada pela UNESCO, em 15 de Outubro de 1978. esta injusta situação, e também já algumas (“UNESCO” é a sigla da “United Nations Educational, autarquias se mostram sensibilizadas para Scientific and Cultural Organization” – em português este problema. “Organização das Nações Unidas para a Educação, A verdade é que, infelizmente, na maior Ciência e Cultura” – fundada em 16 de Novembro de 1945). parte dos casos as estruturas existentes não O texto integral da referida Declaração é o seguinte: dão resposta às muitas necessidades do quo- tidiano. Por exemplo, se um cão ou um gato é atropelado, não existe nenhum serviço a PREÂMBULO ARTIGO 6º Considerando que todo o animal pos- 1. Todo o animal que o homem esco- que se possa recorrer para que lhe seja sui direitos, lheu para seu companheiro tem prestada assistência, restando a boa vontade Considerando que o desconhecimento direito a uma duração de vida con- de alguns veterinários que respondem ao e o desprezo destes direitos têm le- forme a sua longevidade natural. apelo de pessoas amigas dos animais (justo é vado e continuam a levar o homem a 2. O abandono de um animal é um salientar, na zona de Coimbra, o exemplo da cometer crimes contra os animais e acto cruel e degradante. VetCondeixa, que tem ajudado em muitas contra a natureza, dezenas destes casos). Considerando que o reconhecimento ARTIGO 7º Todo o animal de trabalho tem direito a Realce merece também o trabalho desen- pela espécie humana do direito à exis- uma limitação razoável de duração e Alguns gatos e ratos convivem melhor volvido pela “AGIR pelo Animais”, que tência das outras espécies animais de intensidade de trabalho, a uma ali- que muitos homens com animais... procura arranjar donos para os abandonados acabaram por morrer, outros salvaram-se constitui o fundamento da coexistên- mentação reparadora e ao repouso. e mantém um canil na zona de Poiares onde graças à boa-vontade destas duas voluntárias, cia das outras espécies no mundo, alberga dezenas deles, mesmo lutando com que têm também à sua responsabilidade Considerando que os genocídios são ARTIGO 8º perpetrados pelo homem e há o peri- 1. A experimentação animal que impli- grande falta de meios. várias jaulas alugadas em dois hotéis caninos que sofrimento físico ou psicológico É certo que Coimbra existe uma estrutu- do concelho de Vila do Conde. go de continuar a perpetrar outros. Considerando que o respeito dos homens é incompatível com os direitos do ra municipal, o chamado Centro de O trabalho de encontrar novos donos animal, quer se trate de uma experi- pelos animais está ligado ao respeito Protecção de Animais (mais conhecido por para muitos dos cães abandonados no ência médica, científica, comercial dos homens pelo seu semelhante, canil e gatil), mas que não tem capacidade município de Vila do Conde está nas mãos ou qualquer que seja a forma de Considerando que a educação deve para responder ao elevado número de solici- destas duas mulheres, que mantêm uma rede experimentação. ensinar desde a infância a observar, tações, pelo que a maior parte dos animais ali de contactos pessoais e via Internet. a compreender, a respeitar e a amar 2. As técnicas de substituição devem acolhidos (a maioria abandonados, que são “É um trabalho gratificante. Quando con- os animais, de ser utilizadas e desenvolvidas. capturados na rua) acabam por ter o triste e seguimos entregar bem um animal é c omo injusto destino do abate. se nos tivesse saído o totoloto”, conta ARTIGO 9º Quando o animal é criado para ali- PROCLAMA-SE O SEGUINTE: De Vila do Conde vem um exemplo a Piedade Almeida, sublinhando tratar-se de mentação, ele deve de ser alimenta- ARTIGO 1º seguir. Ali a autarquia decidiu incentivar a “um trabalho contínuo e sem hora marca- Todos os animais nascem iguais pe- rante a vida e têm os mesmos direi- do, alojado, transportado e morto adopção dos cães, recorrendo aos meios de da”. sem que disso resulte para ele nem comunicação social, aos párocos e a acções Antes de entregar qualquer cão, as volun- tos à existência. ansiedade nem dor. de rua destinadas a sensibilizar para os dire- tárias procuram saber se o interessado tem ARTIGO 2º itos dos animais e a angariar fundos para condições para o acolher em casa. 1. Todo o animal tem o direito a ser ARTIGO 10º associações que trabalham nesta área. “Se suspeitarmos que o animal poderá respeitado. 1. Nenhum animal deve de ser explo- Esta estratégia obrigou ao aluguer de não ser bem tratado, não o entregamos”, 2. O homem, como espécie animal, não rado para divertimento do homem. espaços num hotel canino do concelho e explica Teresa Santos. pode exterminar os outros animais ou 2. As exibições de animais e os espec- segundo o Presidente da Câmara de Vila do Defendem, por isso, que a adopção de um explorá-los violando esse direito; tem táculos que utilizem animais são o dever de pôr os seus conhecimen- incompatíveis com a dignidade do Conde, o socialista Mário de Almeida, tem animal deverá resultar de “um acto reflecti- tos ao serviço dos animais. animal. tido “um enorme sucesso”. do, ponderado e decidido em família” para “Há três semanas tínhamos mais de 40 evitar o posterior abandono do animal. 3. Todo o animal tem o direito à aten- ção, aos cuidados e à protecção do ARTIGO 11º animais para adopção, actualmente temos Atropelam-se as histórias contadas por Todo o acto que implique a morte de 21”, afirmava há semanas à Agência LUSA estas duas voluntárias, que colaboram há homem. um animal sem necessidade é um Mário de Almeida, explicando que o recurso cerca de três anos com a Câmara de Vila do biocídio, isto é um crime contra a vida. ARTIGO 3º ao hotel é temporário, uma vez que está pre- Conde. 1. Nenhum animal será submetido nem vista a ampliação do canil municipal. A maior parte tem um final feliz, como a a maus tratos nem a actos cruéis. 2. Se for necessário matar um animal, ARTIGO 12º Só numa semana, segundo o autarca, do pastor alemão, baptizado de “Tripé”, 1. Todo o acto que implique a morte de foram adoptados oito cães de diferentes encontrado com uma perna ferida que ele deve de ser morto instantanea- grande um número de animais sel- raças que se encontravam no canil e no hotel. acabou por perder. mente, sem dor e de modo a não vagens é um genocídio, isto é, um Parte do sucesso da estratégia da Câmara “Era ainda bebé quando o encontrámos, provocar-lhe angústia. crime contra a espécie. de Vila do Conde deve-se ao trabalho de hoje vive com uma dona de uma dedicação ARTIGO 4º 2. A poluição e a destruição do ambi- duas voluntárias, que não medem esforços absoluta”, sublinhou Piedade Almeida. 1. Todo o animal pertencente a uma ente natural conduzem ao genocídio. para salvar os cães abandonados ou maltrata- Mais triste é a história de “Tibi”, um galgo espécie selvagem tem o direito de dos. que participou em muitas corridas, ganhou viver livre no seu próprio ambiente ARTIGO 13º 1. O animal morto deve de ser tratado Dizem não conseguir ignorar um animal muitos prémios mas, já sem serventia para o natural, terrestre, aéreo ou aquático com respeito. que precise de ajuda, organizando formas de seu dono, acabou no canil, com ordem para e tem o direito de se reproduzir. 2. As cenas de violência de que os os recolher, de os tratar e encaminhar para abater. 2. Toda a privação de liberdade, mes- animais são vítimas devem de ser adopção. Em Portugal, o abandono de animais é mo que tenha fins educativos, é con- interditas no cinema e na televisão, trária a este direito. O tratamento passa por cuidados de considerado crime, mas “lamentavelmente a salvo se elas tiverem por fim de- saúde, pela vacinação e desparasitação, mas lei não tem sido posta em prática”, queixa-se ARTIGO 5º monstrar um atentado aos direitos também por um “tratamento psicológico”. Teresa Santos, que diz esperar que a obriga- 1. Todo o animal pertencente a uma do animal. Os cães chegam-lhes às mãos “muito car- toriedade do uso do microship (sistema de espécie que viva tradicionalmente no entes e desconfiados”, sendo necessário identificação) previsto para 2008 possa alter- meio ambiente do homem tem o ARTIGO 14º direito de viver e de crescer ao ritmo 1. Os organismos de protecção e de tratá-los com “muita paciência”, contam. “A ar a situação. salvaguarda dos animais devem nossa prioridade é sempre ajudar os que tem Assumindo-se contra o abate dos cães, e nas condições de vida e de liberda- de que são próprias da sua espécie. estar representados a nível gover- hora de morte marcada”, diz Teresa Santos, admitindo-o só em situações excepcionais, namental. 2. Toda a modificação deste ritmo ou que à custa desta dedicação acolhe em casa Mário de Almeida pretende que a autarquia 2. Os direitos do animal devem ser destas condições que forem impos- 12 cães. de Vila do Conde funcione como um exem- defendidos pela lei como os direitos tas pelo homem com fins mercantis Ambas recordam histórias de cachorros plo nacional do que pode ser feito em defe- do homem. é contrária a este direito. atropelados, maltratados ou intoxicados. Uns sa dos animais.
    8. 8 REGIÃO CENTRO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 MINISTRO NO ANIVERSÁRIO DOS HUC Ao serviço da Saúde Os HUC (Hospitais da Universidade de NÚMEROS DÃO IDEIA Realçou depois “o cinquentenário, que Coimbra) assinalaram no passado sábado este ano se celebra, da institucionalização do (dia 30), o dia do seu padroeiro, S. Serviço Domiciliário dos HUC”, acrescen- DA GRANDEZA DOS HUC Jerónimo, e também os 20 anos de ocupa- O catedrático de Medicina sublinhou tando: “Em 28 de Abril de 1956 fez-se his- ção do actual edifício (uma das maiores depois que “nos HUC existem, sobretudo, tória. Depois de alguns anos de intervenção, unidades do País). pessoas”, passando a citar números que em Coimbra, e por iniciativa dos HUC, da Na cerimónia (em que foram distingui- reflectem bem a grandeza daquela institui- Escola de Enfermagem Dr. Ângelo da dos alguns funcionários) participaram ção: cerca de 5 mil funcionários; 1.200 doen- Fonseca e do Instituto de Assistência à diversas entidades, entre as quais o Ministro tes internados por dia; mais de 450 mil con- Família, das denominadas Brigadas de da Saúde e o Bispo de Coimbra. sultas médicas por ano; uma média de 420 Educação Sanitária da Família, surge a deci- Na intervenção que proferiu, o atendimentos urgentes em cada 24 horas; são inédita e ainda hoje, ao que julgo, única Presidente dos HUC, Agostinho de cerca de 35.000 intervenções cirúrgicas no País. A formalização de um Serviço Almeida Santos, salientou: anuais; próximo de 10 milhões de exames Domiciliário”. “Vive-se agora um ciclo que há vinte complementares de diagnóstico e terapêuti- A concluir, disse Agostinho de Almeida anos sofreu mudança. E hoje se comemora. ca em 2005. Santos: Ao ter-se descido a escadaria do antigo colé- E Agostinho Almeida Santos acrescentou: “Todas estas invocações nos levam a gio jesuíta para deixar o velho e saudoso edi- “Além das 3.500 crianças que vêm ao partilhar convosco o sentimento pessoal de fício onde antes se sedearam também os mundo, todos os anos, na velhinha uma maior e sempre crescente responsabi- Colégios das Artes e das Ordens Militares. Maternidade Doutor Daniel de Matos. Para lização. Que é o dever de todos. Porque Mudança sonhada. Mudança sofrida. não falar das 15 mil pessoas que deambulam envolve questões de cidadania. Por isso, o Que recordo na pessoa do meu bom amigo pelos 14 pisos do edifício todos os dias. Ou código de conduta que perfilhamos no Professor Norberto Canha, a quem se fica ainda nos 30 mil veículos que transitam no exercício das funções em que estamos a dever a heróica decisão que partilhei e que campus hospitalar diariamente. Ou até nas investido assenta em pilares que são outros não deixava alternativas. Mudança amanhã! cerca de 5 mil refeições confeccionadas e tantos actos de fé. A excelência tem de se Operação de risco! servidas em cada dia”. promover pela qualidade. A responsabilida- Revolução tempestuosa! Afinal tranqui- O Presidente dos HUC prestou homena- de não deve alhear-se da exigência. A eficá- la! Como são todas as que pugnam por ide- gem aos funcionários e destacou “o acto cia só faz sentido se aliada à humanização. ais puros e lutam por causas nobres. solene de posse de um importante órgão de A ambição só é legitimada quando não ferir Vinte anos volvidos recupera-se a ima- consulta das instituições hospitalares públi- ética. gem. Mas a solidez da estrutura preserva-se cas – o Conselho Consultivo – o qual, estou Na imagem de grandeza que é protagoni- integra. Porque os pilares são sólidos, a certo e seguro, graças à sua constituição qua- zada pelos HUC queremos sempre imprimir construção é de mérito e os obreiros são lificada e abrangente, virá a desenvolver os tons da dignidade. Tendo presente, em tenazes. fecundo labor na apreciação das políticas e todo o tempo, o respeito pelo outro e a soli- Os edifícios aí estão. Estáticos e majestá- estratégias que garantam o melhor funciona- dariedade que é devida à pessoa que sofre e ticos. Porém, são as pessoas que os ador- mento dos serviços a prestar às populações, que se nos confia. Para sermos verdadeira- nam que lhes dão força e transmitem senti- tendo, naturalmente, em conta os recursos mente grandes pensemos o dia dos HUC do e vida”. Agostinho Almeida Santos disponíveis”. em cada dia dos nossos dias”. EXPOSIÇÃO NA FIGUEIRA DA FOZ Zé Penicheiro volta ao “Mar Pátrio” “Mar Pátrio” é o título genérico da ex- pujantes anos de Zé Penicheiro, que certa- posição de pintura de Zé Penicheiro, que mente, também por isso, irá ter à sua volta vai abrir, na sala que tem o seu nome, no muitos dos amigos e admiradores que tem Centro de Artes e Espectáculos da Figueira por todo o País, e que quererão abraçá-lo da Foz. neste regresso à Figueira da Foz. A inauguração será no próximo dia 14 A exposição, composta por trabalhos de Outubro, pelas 18 horas. inéditos alusivos ao mar, poderá ser visita- Exactamente na véspera dos 85 anos da até 5 de Novembro. COM ACÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL Dia Nacional da Água comemorado em Coimbra Para assinalar o “Dia Nacional da Água”, a empresa municipal Águas de Coimbra (AC) promoveu no passado domingo (dia 1 de Outubro) no Parque Verde do Mondego, uma série de iniciativas para animação e sensibilização ambiental. Os mais novos são o público privilegiado da estratégia de educação ambiental, pelo que tiveram oportunidade de interagir com o “Plim”, a simpática mascote da AC. Além de levarem para casa alguns brindes pedagógicos, as crianças e os pais puderam partici- par no “Jogo do Peso da Água”. Neste jogo, a AC desafiou todos os que chegaram ao Parque Verde a passarem por uma balança, para ficarem a saber qual o seu peso em água. Cada participante teve direito a um diploma que exibe o valor do seu peso em água e a uma t-shirt do “Plim”.
    9. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 REPORTAGEM 9 ASSOCIAÇÃO COMBATE EXCLUSÃO SOCIAL “Integrar” para melhor reinserir Numa palavra apenas, que lhe dá car desportos de aventura como o slide, o o nome, esta associação resume rappel e a escalada, ou ainda fazer trabalhos o seu objectivo, ou a causa social manuais de expressão plástica, entre outras pela qual luta diariamente: coisas. Integrar. Integrar para reinserir António frequenta este espaço há 2 meses, passando ali 8 horas diárias. O socialmente, integrar para tempo restante passa-o no Centro de combater a pobreza ou ainda Acolhimento e Inserção Social, onde lhe integrar para um melhor exercício deram alojamento. Na quinta gosta de aju- da cidadania e coexistência em dar na agricultura, cuida dos animais, pinta sociedade. Questões complexas – agora não só paredes mas também telas –, que exigem uma acção elaborada. e faz um pouco de bricolage. Interrogado acerca das suas perspectivas de futuro, afir- Neste sentido, a Associação mou serem boas: “Quero arranjar um Integrar promove um conjunto emprego e ser independente”. É um “talen- de projectos e actividades, to descoberto”, remata Catarina Gralheiro, nos quais a acção directa animadora sócio-cultural e responsável pela com as pessoas assume um papel gestão da quinta. E, como ele, parece exis- de indiscutível relevo. tirem outros casos de sucesso. Pelo menos isso nos afirmou a animadora, apontando, O “Centro” acompanhou, como exemplo, casos de utentes que são por um dia, a acção da equipa Integrar promove, e que visa particular- que podem dirigir-se à Casa Aninhas (junto actualmente jardineiros. Catarina Gralheiro Integrar em Coimbra, de modo mente as famílias imigrantes e as perten- à Praça 8 de Maio), local onde está sedeado trabalha há 2 anos na quinta e, apesar de a melhor compreender centes a minorias étnicas. Como nos afir- o projecto e um Centro de Inclusão Digital, admitir que nem sempre é fácil lidar com o âmbito do seu trabalho. ma, os elementos do projecto que geral- que se centra nas novas tecnologias. adultos problemáticos e de este ser um tra- mente vêm ao seu encontro “preocupam- Educação, saúde, emprego, habitação e balho moroso, reconhece ser compensador se com as crianças, com a sua educação e acção social são temas recorrentes nas visi- receber, ao fim de algum tempo, o seu Flávia Diniz perguntam sempre se precisamos de algu- tas da Integrar. A Associação procura for- retorno. Para ela, o convívio é fundamental, ma coisa”. “Semana sim, semana não, já mar e informar as populações carenciadas, pelo que tenta “incutir-lhes o espírito de Há 12 anos que a Associação Integrar, bem como esboçar planos de educação ou grupo e de entreajuda”. sedeada na Rua do Teodoro, em Coimbra, outros, incentivando-as a transformar os Neste espaço funciona também o pro- tem vindo a desenvolver uma acção significa- seus hábitos e incutindo-lhes novos concei- jecto “Quinta Pedagógica Joaninha Sabe tiva de solidariedade social junto das popula- tos de responsabilidade social. É, pois, no Tudo”, em que as crianças são convidadas ções desfavorecidas. São essencialmente cri- terreno que contactam com a realidade das a contactar com a Natureza, de maneira a anças e jovens em situação de risco, ex-reclu- populações desfavorecidas e conhecem as aprenderem a dar mais valor aos recursos sos, famílias disfuncionais, sem-abrigo, toxi- suas necessidades, procurando colmatá-las naturais. codependentes ou delinquentes o público- com formas de intervenção concretas, alvo da sua intervenção. Como finalidade, adaptadas a cada situação. tem a construção de projectos de vida alter- Carla Lopes, agora secretária geral da nativos, adequados a cada caso. Associação Integrar, já fez trabalho de rua António, 36 anos, e António, 31, são e considera o saber prático crucial na orien- dois homens diferentes, provenientes de tação dos projectos. Não obstante, é tam- meios distintos, que partilham, no entanto, bém ela que sublinha a importância das alguns pontos em comum: para além do outras vertentes da acção da Integrar, que nome, ambos beneficiam do apoio contí- se complementam e contribuem para o seu nuo da Associação Integrar e afirmam tra- sucesso. De referir o atendimento e acom- tar-se de um bom auxílio. O primeiro é um panhamento em gabinete, com a colabora- ex-pintor da construção civil, diabético e ção de psicólogos, assistentes sociais, entre algo solitário, que frequenta actualmente a outros profissionais da área, e a interven- Quinta dos Olivais, um espaço cedido pelo ção em articulação com outras entidades, Instituto de Reinserção Social (Direcção como é o caso do Centro de Saúde Fernão Regional do Centro) à Associação Integrar. sabemos que eles aparecem”, continua de Magalhães. A propósito, a visita da O segundo é de etnia cigana e vive com a António. Caso não apareçam, por qualquer Integrar às diversas comunidades ciganas família numa caravana, sendo habitualmen- motivo, os utentes sabem – porque Susana conta com a cooperação de uma enfermei- te visitado por membros do projecto Marçal, assistente social e coordenadora do ra deste centro, que acompanha os utentes “Origens”, um dos muitos projectos que a projecto, não se esquece nunca de o frisar – e lhes dá o devido apoio. Mas a diversidade e o trabalho multidis- ciplinar da Associação Integrar não ficam por aqui. Os seus projectos são muitos e englobam também o desporto e activida- des lúdico-pedagógicas. A título de exem- plo, a Associação Integrar conta com uma secção de Futsal e uma quinta, onde mais uma vez se treinam competências pessoais e sociais, e se fomenta o espírito de com- Os projectos têm normalmente um panheirismo e camaradagem necessários à prazo, mas a Integrar propõe-se sempre dar- vida em sociedade. lhes continuidade com iniciativas congéne- res, para que “não se comece sempre do zero”, como explica Susana Marçal, e para que o apoio aos utentes seja permanente e UMA QUINTA possa vir a dar frutos, aliás já visíveis. EM PLENA CIDADE Importa ainda realçar, que a Associação Na Quinta dos Olivais, uma quinta de 4 Integrar intervém por vezes sem qualquer hectares de área florestal e agrícola, desen- apoio financeiro, como no caso da Quintas volvem-se ateliers ocupacionais de horti- dos Olivais, atitude que demonstra a sua cultura, jardinagem e fruticultura. Aqui dedicação e forte convicção na possibilida- pode também tratar-se dos animais, prati- de de criar uma sociedade melhor.
    10. 10 OPINIÃO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 úteis e raramente vêem resultados. Per- ção. Durante o mandato de Souto Moura o mas decorreu mais de um milénio entre a sistem, insistem e são vistos como chatos contexto sócio-jurídico português esboro- morte de Cristo e a Primeira Cruzada de serviço, quando não como arrivistas. A ou-se. Eu quase diria, em linguagem escato- (1096-1099), o que indicia imediatamente a vida de parlamentar europeu também deixa lógica, não ficou pedra sobre pedra. E, por resposta à questão de saber qual das duas amargos de boca”. isso, está por fazer uma grande reconstru- religiões, na origem, tinha vocação mais Miguel Portas ção.” expansionista e guerreira. E o Papa podia itações Sol 30/09/06 Paquete de Oliveira ainda sem dúvida ter referido expressamen- JN 21/09/06 te todas as barbaridades que, nos últimos AS PALAVRAS anos, andam a ser ditas e praticadas pelo NÃO SÃO INOCENTES MAGREZA NÃO É BELEZA terrorismo de sinal islâmico, em nome de ”Palavras do cardeal Ratzinger, como ”Se gordura não é formosura, magreza Alá, por esse mundo fora. Não fez nada filósofo e teólogo, que não deixa de ser não é beleza. E isto é uma verdade funda- disso. Abordou a questão em termos extre- Papa, e vice-versa. Palavras de Bush e Al- mental para perceber a mini polémica que mamente sérios e sóbrios, perante um audi- madinedjad, marcando o território, e envi- estalou a propósito de uma directiva da tório universitário. Imagine-se agora que, ando sinais de fumo. Palavras de Hugo Pasarela Cibeles de Madrid que decretou por uma razão de simetria, um mufti qual- Chavéz, na habitual aproximação de banda uma massa corporal mínima para os mane- quer, numa universidade muçulmana qual- EROSÃO DA AUTORIDADE desenhada às relações internacionais (para quins que contrata. Às vezes as boas inten- quer, se punha a censurar violentamente as AMERICANA usar o comentário do embaixador John ções não chegam e julgo que esta iniciativa Cruzadas, ou a falar dos crimes da In- “Segundo o respeitável The New York Bolton). Palavras “preventivas” do respon- dos desfiles de Madrid, que parece irá ser quisição imputando-os à Igreja Católica, Times, um relatório confidencial dos 16 sável de direitos humanos da ONU, face às seguida também pelos organizadores da dizendo as últimas do sinistro tribunal e da serviços secretos dos Estados Unidos, pro- declarações da Casa Branca sobre o trata- passerelle de Milão, corre o risco de entrar religião que o suportava, e que os católicos, duzido ao longo dos últimos dois anos, mento de prisioneiros. O estudo da lingua- para a história das boas ideias que perdem por causa disso, desatavam a apedrejar as conclui que a invasão do Iraque provocou gem na política, e em especial na política por serem mal executadas. O espírito que mesquitas, a ameaçar de morte os muçul- um alastramento do fundamentalismo islâ- externa, é um campo menos conhecido das presidiu à atitude da Pasarela Cibeles é a manos e a exigir a apresentação imediata de mico, do terrorismo internacional e das ciências humanas, mas uma área fascinante tentativa de criação de um paradigma de desculpas... O terrorismo islâmico engen- ameaças à segurança interna da América. de investigação. Há palavras que dissimu- beleza que não se aproxime de modelos de dra cada dia novas formas de manipulação Há duas ou três coisas verdadeiramente lam o pensamento verdadeiro (ou funda- falta de saúde. Todos percebemos que o das massas. Primeiro, foram as caricaturas. extraordinárias nessa conclusão. mental), e palavras que o acentuam, ou exagero num conceito de elegância que raia Agora, é este novo alvoroço hipócrita. A primeira é que uma rede tão extensa revelam. os limites da pele e osso, não dá saúde a Vasco Graça Moura de entidades secretas levou dois anos a Há palavras que, segundo Hariman, ser- ninguém. A crescente influência e capaci- DN 20/09/06 diagnosticar o que um qualquer observador vem como “símbolo”, marca de água ou dade de sedução dos agentes do mundo da sensato e não padecendo de cegueira ideo- “estilo” político, ou que se limitam a servir moda, “máxime” os manequins, na forma- SÓ PARA LEMBRAR lógica aguda já se apercebera há, pelo de software de comunicação. Há palavras ção da personalidade dos mais jovens, traz “As cinzas de Savorgnan de Brazza vão menos, dois anos atrás. que possuem uma lógica própria, e outras uma responsabilidade acrescida, que os voltar ao Congo, onde serão recebidas A segunda é o contraste demasiado fla- que a pedem emprestada. Na análise de organizadores dos desfiles de Madrid pelas autoridades congolesas. Quem foi grante entre a conclusão dos 16 serviços conteúdos, há palavras involuntárias, ou entenderam assumir, à sua maneira. É só Brazza? secretos e a doutrina oficial vigente na Casa ambíguas, que precisam de ser separadas aqui que a porca torce o rabo. A maneira Explorador francês, de passagem pela Branca, o que suscita infinitas perplexidades das expressões pensadas e voluntárias. escolhida pelos espanhóis não me parece a região que seria mais tarde o Congo fran- sobre como é possível que o eixo principal Murray Edelman disse um dia que há pala- mais feliz. Sendo sabido que têm a capaci- cês, em 1880 fundou a cidade de Braz- da política externa dos Estados Unidos vras que triunfam, ao mesmo tempo que dade de escolher, não se percebe porque é zaville. Brazzaville, ontem; hoje, Brazza- assente num equívoco de tal magnitude sem falham as políticas que servem.” que optaram pela proibição, tornando ville. O que não aconteceu com a cidade de precedentes. Daí decorre uma terceira coisa Nuno Rogeiro eventualmente ainda mais apetecido o fruto Silva Porto, em Angola, que é hoje Kuito. extraordinária: se a comunidade dos serviços JN 22/09/96 proibido. Nesta linha, qualquer dia lem- Silva Porto não esteve de passagem em secretos conclui exactamente o contrário do bram-se de proibir a contratação de mane- Angola, foi um explorador do centro de que é defendido pela Administração da única A REPÚBLICA quins muito bronzeados, porque apanhar África muito antes de Livingstone e foi superpotência planetária, esse divórcio ame- DO PROCURADOR-GERAL sol em excesso também pode ter conse- conselheiro do rei bieno Ndunduma. aça conduzir a uma situação catastrófica de ”Quando o antigo procurador-geral da quências funestas”. Casou com uma biena e teve filhos angola- descrédito e erosão global da autoridade República, Cunha Rodrigues, em Outubro Manuel, Serrão nos. americana. Face a tudo isto, é possível colo- de 2000, deixou o seu cargo, dizia-se JN 21/09/06 Silva Porto fez-se explodir com um bar- car hipóteses mais ou menos loucas: admitir, “entredentes” que, no dia em que o ilustre ril de pólvora. As suas cinzas espalharam- por exemplo, que os serviços secretos – 16, magistrado publicasse as suas memórias, o O TERRORISMO se: ele falava uma língua que é, hoje, a única ainda por cima – não servem rigorosamente Estado português estremeceria. Em certos DO ALVOROÇO HIPÓCRITA língua nacional angolana. A única que se para nada, ou que a política de segurança e meios aventava-se a hipótese de Cunha No contexto actual, de fundamentalis- fala de Cabinda ao Namibe, o português”. hegemonia imperial americana pode prescin- Rodrigues poder ser um eventual candidato mos, fanatismos e terrorismos todos eles Ferreira Fernandes dir, contra toda a evidência, das actividades, a presidente da República. E comentava-se, de sinal muito próximo da Al-Qaeda, o CM 30/09/06 informações ou diagnósticos desses serviços entre bastidores, ser um candidato muito Papa fez muito bem em abordar a questão - e fazer o oposto do que eles concluem. forte. da violência nos termos em que a pôs. E FILOSOFIA, TEOLOGIA A partir daqui, a Casa Branca domestica- Forte pelo poder acumulado no conhe- foi, até, um eufemismo da sua parte recor- E HIPOCRISIA ria radicalmente a CIA e demais agências, cimento dos “segredos do país”, no exercí- rer a um remoto imperador de Bizâncio. Pode lamentar-se que o mundo em geral transformando-as em meros apêndices pro- cio do cargo de procurador-geral. Dos Quanto à violência islâmica podia ter cita- ou as autoridades e as massas muçulmanas pagandísticos da sua política e mergulhando- segredos do Poder. Dos poderes. Pense-se do o Corão (transcrevo de um artigo de em particular não saibam filosofia bastante as no mesmo autismo suicidário que levou a o que quiser do exercício do cessante pro- Antoine Sfeir, no Figaro de 19-9-2006): “Ó para distrinçar a complexidade e as subtile- KGB a não pressentir a implosão do império curador-geral, José Souto Moura, julgo que crentes, não tomeis por amigos os judeus e zas do discurso papal. E que essa ignorân- soviético. Resta um cenário alternativo, à o mesmo, e de modo mais agravante, se os cristãos. São amigos uns dos outros. cia tenha sido aproveitada e manipulada pa- medida das célebres teorias da conspiração: poderá dizer. Ou seja no dia em que Souto Aquele que os tomar como amigos acabará ra um remake das cenas de fanatismo vin- os serviços secretos aparecem como uma Moura resolver, e puder, publicar as suas por se lhes assemelhar e Deus não será o gativo desencadeadas pela chamada crise espécie de quinta coluna ou inimigo interno, memórias, o país pode ser sacudido por um guia dos perversos” (V-56). Ou ainda: dos cartoons. Acontece, porém, que Bento apostados em derrubar o poder político legí- forte abalo, não sísmico, mas social e polí- “Combatei-os até não terdes de recear a XVI não é um caricaturista dinamarquês, timo (como já se viu, aliás, em tantas ficções tico. E isto porquê? Se o mandato de tentação e que todo o culto seja o do Deus um cidadão comum exercendo o direito de cinematográficas e televisivas)”. Cunha Rodrigues, consensualmente elogia- único. Se eles puserem termos às suas livre opinião reconhecido nas sociedades Vicente Jorge Silva do, também teve problemas e controvérsi- acções, não haja mais hostilidades. As hos- democráticas, ou apenas um professor de DN 27/09/06 as, o mandato de Souto Moura, foi um tilidades somente serão dirigidas contra os teologia investido transitoriamente nas fun- mandato cheio de turbulências, repleto de ímpios” (II, 19). ções de Papa: é uma das mais influentes casos que estilhaçaram a harmonia do O Papa podia também ter invocado a autoridades espirituais contemporâneas, o VIDA TRAMADA Estado de Direito e do estado do Direito, e História. Decorreram apenas 79 anos entre dirigente supremo da Igreja Católica e, por “A vida de jornalistas, de profissionais puseram a nu a organização do Estado, a morte de Maomé e a chegada dos Árabes acréscimo simbólico, um chefe de Estado. diplomáticos conscientes e de activistas muito especialmente no que concerne à à Península Ibérica (711), após terem toma- As suas palavras ganham assim um sig- sociais ante os buracos negros da nossa própria organização da Justiça. Na sua do conta de praticamente todo o Médio nificado e uma gravidade que não deveriam modernidade, é tramada. Procuram ser orgânica, na sua formatação, na sua aplica- Oriente e toda a bacia do Mediterrâneo, prestar-se a interpretações dúbias ou erró-
    11. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 OPINIÃO 11 neas, como se verificou neste caso. É obri- e empirismo. Só as ciências naturais pode- O fracasso comunista acentuou nas soci- Embora, para efeitos demonstrativos dos gação do Papa saber isso, mesmo quando rão reivindicar certeza, pois detêm o mono- edades ocidentais um hedonismo egoísta e excessos da vivência religiosa, todos saiba- fala para uma audiência universitária. E pólio da cientificidade, que deriva da siner- um desencanto com a ideia de tentar mudar mos que o Papa não precisava de ter recua- também que, na sua boca, não há citações gia de matemática e experiência. Assim, as coisas. Pois se o comunismo deu no que do tanto no tempo nem ter ido procurar inocentes. Ora a citação de Paleólogo é não admira que as ciências humanas ten- deu... Mais vale, então, cada um tratar da fora do próprio legado da Igreja Católica tudo menos inocente - e corresponde, no ham procurado aproximar-se deste critério. vidinha, desinteressando-se de quem está para encontrar exemplos que fundamentas- fundo, ao conceito de superioridade matri- Por outro lado, este método exclui o pro- na miséria. sem a sua tese. cial do catolicismo que Bento XVI já por blema de Deus, “fazendo-o aparecer como A raiva de muitos islâmicos às socieda- O alvo do Papa era o ateísmo europeu, diversas vezes reivindicou, pelo menos problema a-científico ou pré-científico”. des ocidentais exprime também uma con- se quisermos era exactamente o extremo implicitamente ou com fórmulas ambíguas Torna-se, porém, claro que, nesta con- denação moral, tal como acontecia no oposto: o racionalismo obsessivo que nega e oblíquas, ao abordar o tema do diálogo cepção, o próprio homem sofre uma redu- comunismo. Por isso é curto explicar o a vivência religiosa. com outras religiões. Não foi, aliás, por ção, já que as perguntas radicais sobre o “fascismo islâmico” e o terrorismo que ele Perante a onda de choque que, no acaso que algumas eminentes personalida- fundamento e fim últimos e as questões da promove apenas com razões económicas mundo muçulmano, as palavras do Papa des católicas, incluindo padres e teólogos, religião e da ética não encontrariam lugar (exploração dos povos muçulmanos pelos provocaram, o Vaticano e o próprio Bento se atreveram desta vez a criticar o Papa.” no espaço da razão universal, devendo ser ocidentais) ou políticas (indignação pelas XVI produziram, nos dias seguintes, três Vicente Jorge Silva deslocadas para o âmbito da mera subjecti- guerras do Iraque, do Líbano, etc.). clarificações e um pedido de desculpas, DN 20/09/06 vidade. Assim, é um erro - e faz o jogo dos radi- embora subtil. Podemos interrogar-nos se Não se pode voltar atrás em relação ao cais - desvalorizar à partida toda e qualquer uma reacção tão extensa não será, ela pró- COMPROMETIDOS pria, também excessiva...” “O Compromisso Portugal apresenta-se Antóno Vitorino como um grupo de gestores e empresários DN 22/09/06 que detém a chave de ouro para o País. Que vão salvar Portugal, definindo o Estado A IMPORTÂNCIA como o problema e o Compromisso como DA PALAVRA a solução. Supostamente, as propostas não “O que nos levou então a endeusar o são políticas e os elementos do grupo não provérbio oriental de que “uma imagem são partidarizados. vale mil palavras”? Lendo as minúsculas do cartão-de-visita, Nós, que ao longo dos tempos sentimos, conclui-se que se trata de um grupo de ges- crescemos, aprendemos, ensinamos, parti- tores que debitam ideias estafadas, com lhamos, descobrimos e fomos nas palavras parangonas mediáticas, sem nunca explica- e com as palavras? Todo o animal vê, só rem como pretendem concretizar, realmen- nós falamos. Esse foi o dom, o Big Bang! te, aquilo que propõem. Muitos têm prota- O mais extraordinário é que a palavra gonismo político e/ou partidário, como vive hoje subordinada à imagem. Tornou- Alexandre Relvas - director da campanha se breve, seca, descarnada, subliminar. Já presidencial de Cavaco Silva -, António não se fala para se ser entendido, fala-se Borges e António Mexia, do PSD, e vários para se ver visto. são ex-governantes de Guterres. As pro- Criámos uma cultura bárbara, incipiente, postas que defendem são, evidentemente, onde só ressalta a espuma das coisas. Uma ideológicas. Centram-se no Estado, ao qual regressão que a grande escritora de ficção fazem um largo conjunto de exigências, científica Ursula Le Guinn imaginou há sem se implicarem. Sem dizerem qual o muito no “nome das coisas”, um estádio contributo que as suas próprias empresas humano onde para se conhecer a verdade podem oferecer. O que nem deveria ser di- era preciso dizer a palavra certa e exacta. fícil, crendo-se no empreendedorismo, com- E a verdade tornou-se um privilégio de petitividade e dinamismo que apregoam. muito poucos. Contudo, se o País mudasse à imagem e O trabalho jornalístico passou à condi- semelhança de várias empresas que elemen- ção de “diz que disse” e o cidadão sabe Intervenção do Papa gerou acesa polémica tos deste grupo gerem, ficaríamos pior. iluminismo. Mas impõe-se superar a limita- crítica islâmica à nossa maneira de viver. Há mais sobre o efémero e o irrelevante do Teríamos menos criação de emprego, mais ção da ciência ao que é verificável na expe- quem tema ser visto como “amigo de ter- que sobre o que, sendo essencial, o defen- falências fraudulentas e mais fuga aos rimentação e abrir a razão à amplidão de roristas” se não diabolizar o islão. Ora, tal de e ameaça. impostos. O Compromisso Portugal pres- todas as suas dimensões, isto é, não se pode como a ameaça comunista levou a atenuar Bed Bradlee, professor de Jornalismo siona, prescreve e pede muito. Mas nem o ficar encerrado na razão positivista”. injustiças no capitalismo, importa dar aten- que foi director do Washington Post, dizia: exemplo dá”. Anselmo Borges ção a algumas críticas islâmicas às nossas “Por detrás de uma informação deficiente Joana Amaral Dias DN 24/09/06 sociedades. Estas não são o paraíso nem existe sempre uma formação deficiente.” DN 25/09/06 chegámos ao fim da História.” A morte da palavra transporta consigo a DO COMUNISMO Francisco Sarsfield Cabral morte de muitas coisas essenciais: o pensa- FÉ, RAZÃO À AMEAÇA ISLÂMICA DN 23/09/06 mento, a inteligência, a verdade. O fim das E UNIVERSIDADE “Desaparecida a alternativa comunista, a ideologias - também estupidamente erigido “Tudo aconteceu no contexto de uma esperança de desforra para alguns humilha- VER TELEVISÃO como um desiderato - conduzirá a um pen- Vorlesung (lição universitária) e, mesmo dos pelo Ocidente é agora uma teocracia “Já muito se disse e escreveu sobre a con- samento único e bacoco. A impunidade inte- admitindo que Bento XVI tenha sido talvez reaccionária. É o que resta disponível para ferência do Papa Bento XVI em Ratisbona. lectual será não só tolerada como justificável. imprudente ao apresentar, no desenvolvi- quem, por motivos vários, detesta as socie- É claro para todos que o objecto da confe- Nas democracias, onde a palavra foi mento da sua tese, a já famosa citação e que dades capitalistas ocidentais. rência do Papa não era o Islão: era sim o dada a uns por se supor que poderiam falar poderia fazer também uma referência à vio- Para os islâmicos pesa ainda a frustração sempre recorrente tema do cardeal Ratzinger em nome de todos e, paralelamente, se lência dos cristãos ao longo da História, de verem a sua civilização ultrapassada pelo sobre a identidade europeia, que ele funda na criou um quarto poder em nome de direi- deve-se reconhecer que não há razões Ocidente, quando há sete séculos estava na convergência entre o legado do racionalismo tos, liberdades e garantias fundamentais, objectivas para a indignação e os protestos vanguarda. A frustração persiste até (ou da filosofia clássica grega e a fé cristã. Essa assiste-se a um distanciamento cada vez do mundo islâmico. sobretudo?) naqueles que já nasceram em simbiose indissolúvel, no entender do Papa, maior entre os que julgam saber e os que Como se sabe, nas universidades públi- países europeus, como a Grã-Bretanha, e explica porque é que não é possível viver a fé não querem ouvir. Os primeiros já só falam cas alemãs, há duas faculdades de Teologia: estão aí relativamente integrados. sem a mediação da razão. Esta impede que a entre si. Os segundo afastam-se cada vez uma católica e outra protestante. Ora, se a Mas repare-se que há jovens ingleses a vivência mística resvale para o excesso, o mais. A abstenção, em todas as suas for- fé nada tivesse a ver com a razão, com que converterem-se ao islamismo radical, não fundamentalismo e a violência. mas, aumentará. O poder de decidir desa- direito se justificaria a presença da Teologia recusando o terrorismo. Talvez porque, Do mesmo modo, é claro que o exemplo parecerá. O direito à informação será, cada na universidade? Daí o tema da lição do como notou Timothy Garton Ash (Públi- do diálogo escolhido pelo Papa (um texto vez mais, uma figura de retórica. Sobre uns professor Joseph Ratzinger na Universidade co, 19-8-06), a Grã-Bretanha é uma das medieval onde se refere expressamente o cairá o descrédito. Sobre outros a anestesia de Regensburg: “Fé, razão e universidade.” sociedades mais libertinas da Europa, onde legado religioso de Maomé) representou manipuladora da confusão.” O conceito moderno de razão baseia-se proliferam o álcool, as drogas, o sexo sem uma escolha que não corresponde ao pen- Maria José Nogueira Pinto na síntese entre platonismo (cartesianismo) freio, a instabilidade familiar, a irreligião... samento do próprio Papa sobre o Islão. DN 22/09/06
    12. 12 COIMBRA DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 EM COIMBRA, DE 16 A 21 DE OUTUBRO Festa do Cinema Francês A Festa do Cinema Francês, este ano na o filme “Dunia”, de Jocelyne Saab, sobre a A par da exibição desta trintena de obras, sua sétima edição, estende-se em Outubro e condição feminina no mundo islâmico. a Festa do Cinema Francês irá revisitar na Novembro a sete cidades portuguesas, reve- A realizadora estará presente em Portugal Cinemateca a história da revista francesa lando a mais recente produção cinematográ- para um debate sobre a temática da película. Cahiers du Cinema. fica francesa. No total, entre 4 de Outubro e 21 de Para falar sobre a prestigiada publicação Em Coimbra decorrerá entre os próxi- Novembro, a sétima Festa do Cinema cinéfila, fundada em 1951, estará em Lisboa mos dias 16 e 21, com sessões no TAGV Francês propõe 32 filmes em antestreia em o editor da revista, Emmanuel Burdeau. (Teatro Académico de Gil Vicente), com o Portugal, a maioria de jovens realizadores. O lançamento de um portal móvel, com programa que se divulga em caixa (sendo de Além de Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, a toda a informação do certame disponível em salientar que os filmes são legendados em iniciativa chega pela primeira vez a Évora, telemóvel, e uma programação especial para português). Almada e Funchal, numa colaboração com a RTP e 2: fazem também parte da edição Da programação faz parte, por exemplo, as autarquias locais. deste ano da Festa do Cinema Francês. Imagem dos filmes “Carmen” (em cima) e “Qui m’aime me suive” PROGRAMA DA FESTA EM COIMBRA SEGUNDA-FEIRA, 16 21H15 – Abertura, com a presença de uma delegação artística francesa Qui m’aime me suive (100 minutos) Comédia, de Benoît Cohen 23H15 - La raison du plus faible (1h30), de Lucas Belvaux TERÇA-FEIRA, 17 19H00 - Sauf le respect que je vous dois (90 minutos) drama, de Fabienne Godet 21H30 - Carmen (1h40), de Jean-Pierre Limosin 00H10 - Frankie (90 minutos) drama, de Fabienne Berthaud QUARTA-FEIRA, 18 10H30 - Kirikou et les bêtes sauvages (75 minutos) animação, de Michel Ocelot et Bénédicte Galup (preço espe- cial 1€) 19H00 - La petite Jérusalem (96 minu- tos) Drama, de Karin Albou 21H30 - Gentille (1h42), de Sophie Fillières 23H15 - Dunia (1h50), comédia dramática de Jocelyn Saab QUINTA-FEIRA, 19 23H30 - 13 Tzameti (93 minutos) thriller, de Gela Babluani SEXTA-FEIRA, 20 19H00 - Le passager (85 minutos) drama, d’Eric Caravaca 21H30 - Fauteuils d’orchestre (106 min- utos) comédia, de Danièle Thompson 23H15 - Je ne suis pas là pour être aimé (1h33), de Stéphane Brizé SÁBADO, 21 21H30 - Selon Charlie (2h20), de Nicole Garci 23H30 - Ils (78 minutos) thriller, M/12 anos, de David Moreau et Xavier Palud
    13. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 PUBLICIDADE 13
    14. 14 DESPORTO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 ANTÓNIO PIMENTEL FOI REELEITO PRESIDENTE DO CLUBE REAL DA CONCHADA “Queremos regressar aos Nacionais” Além do Futsal, a modalidade mais representativa, o Clube Órgãos Sociais Real da Conchada dedica especial do Real da Conchada atenção às Artes Marciais e ao Teatro, procurando funcionar Direcção: António Pimentel (Presi- dente); João Minas (Vice-Presidente); como um espaço de congregação Maria João (Tesoureira); Fernando Alves dos associados e dos moradores (1º Secretário); Miguel Manaca (2.º Se- das zonas envolventes. cretário); Luís Pimentel, José João e António Pimentel, presidente Anabela Mesquita (Vogais); Mário Ale- reeleito no passado sábado, xandre, Sónia Moleta e João Amílcar mostra-se muito motivado (Suplentes). Assembleia Geral: José Talina (Pre- com o trabalho que tem em mãos, sidente); Miguel Braga (Vice-Presidente); embora descontente com a falta Carlos Rodrigues (1.º Secretário); Luís de apoios a que o clube Serrano (2. º Secretário); Manuel Moreira tem sido votado e Mário Maganito (Suplentes) Conselho Fiscal: Aristides Braga António José Ferreira (Presidente); Tiago Moreira (1.º Se- cretário); Maria Mesquita (2.º Secretário); “Em equipa vencedora não se mexe”. Virgílio Pimentel (Suplente) Consciente do bom trabalho que tem vindo a realizar com a sua equipa, foi desta forma que António Pimentel comentou a reelei- quão contrariado está por ter sido obrigado ção para a presidência do Clube Real da a retirar aos jovens da Conchada a oportu- Conchada. Para o novo mandato de dois nidade de praticarem desporto. Depois anos, a Direcção eleita tem como principal explicou que, no passado, uma “Direcção objectivo fazer regressar a equipa de Futsal da qual eu também fazia parte não entre- aos “Nacionais”, que “foi sempre o nosso O presidente António Pimentel conversou com o “Centro” acompanhado por Mário gou nos serviços da Câmara Municipal o lugar e onde, inclusivamente, já fomos Cardoso e Virgílio Costa exigido relatório de actividades, pelo que campeões da 2ª Divisão”. Para atingir esse este ano não recebemos qualquer subsídio. desiderato, o Real volta a contar com o clube, para que possam transmitir aos mais as pessoas voltem a estar unidas em torno Tivemos apenas um pequeno apoio da concurso de diversos elementos que, nou- jovens a necessária experiência para luta- da colectividade e da sua equipa de Futsal”. Junta de Freguesia, manifestamente insufi- tros tempos, já deram o seu contributo ao rem por uma subida de divisão”. Com o A dada altura veio à conversa a extinção ciente para mantermos três equipas em clube, entre os quais o treinador César regresso de alguns jogadores e o reviver das equipas de formação do Real da actividade. Optámos por manter os Minas. “Para que fosse viável lutar pelo dos melhores tempos do Futsal no clube, a Conchada, esta época, motivada pela escas- Seniores, que dão representatividade ao objectivo a que nos propomos”, explica o Direcção de António Pimentel espera reto- sez de apoios. Não foi necessária resposta clube, e agora vamos querer ‘arrumar’ a presidente do Real, “faltava ao nosso grupo mar a mística própria do Real e das gentes quando perguntámos com que sentimento casa, conseguindo novos apoios, para que alguma maturidade e experiência e o tacto da Conchada, incentivando o”bairrismo e o a Direcção a que preside tomou tão difícil num futuro próximo possamos voltar em de jogar à bola. Por isso, fomos buscar clubismo, que estão a morrer. Somos o decisão. António Pimentel comoveu-se e, força com as nossas equipas de formação alguns elementos que já tinham jogado no único clube da Conchada e queremos que com a voz embargada, deixou transparecer de Futsal”. FRANCISCO OLIVEIRA É O RESPONSÁVEL PELAS “ESCOLINHAS” DE FUTEBOL DA ACM “Preparar as crianças para o futuro” O gosto pelo ensino do futebol vidas, usando o desporto, neste caso o fute- Como encara este desafio em termos levou Francisco Oliveira bol, como meio preferencial. pessoais? a apresentar um projecto junto Pessoalmente será uma experiência muito da Direcção da Associação Cristã Que tipo de trabalho pretende reali- enriquecedora e gratificante. É um desafio da Mocidade. Que prontamente zar com as crianças que se vão iniciar ao qual eu me propus e no qual espero estar na prática da modalidade? à altura. Acima de tudo espero que o meu deu “luz verde”, alargando A Escolinha de Futebol tem como prin- trabalho seja reconhecido pelas crianças. assim o leque de modalidades cipal objectivo dar a conhecer a modalida- e o excelente serviço que presta de a todas as crianças, acentuada numa base à juventude da cidade teórico-prática, maximizando o contacto de Coimbra. Em conversa das crianças com a bola, desenvolvendo as Inscrições abertas com o “Centro”, o técnico suas capacidades técnicas, físicas e cogniti- vas, adequando os planos de treino às suas O futebol na Associação Cristã da das novas “escolinhas” explica idades, despertando o sentimento de parti- Mocidade deu o “pontapé de saída” na sucintamente o que pretende lha, espírito de grupo e socialização. passada segunda-feira. Francisco Oli- com o trabalho a que se abalançou Como tal, foi com grande abertura que aco- veira é o responsável técnico pelo pro- e que define como “uma lheu este meu projecto, assim como julgo Que futuro para a modalidade na jecto, pontualmente com a colabora- experiência muito enriquecedora que acolherá muitos outros. À falta de vari- ACM, relacionando com os espaços de ção de Vítor Manuel, José Viterbo, Ra- e gratificante” edade em desportos colectivos, surgiu-me a treino/jogo existentes? miro Santiago e Braga da Cruz. Os ideia e a oportunidade de apresentar esta As perspectivas em relação ao futuro são treinos estão marcados para as segun- proposta. boas. Este projecto teve em conta os espaços das, quartas e sextas-feiras, no Pavilhão AJF físicos existentes, pois além do pavilhão na Desportivo da sede da ACM, às 17h30 Quais os principais objectivos? Sede, a ACM dispõe de um excelente Campo para as Escolinhas (5 e 6 anos) e às Como surgiu a ideia de a ACM se Ao longo da sua história, a ACM tem de Férias em Foz de Arouce, que alberga 18h30 para os Infantis (7 a 10 anos). abalançar ao futebol? tido como apanágio preparar atletas e pes- dois novos campos multidesportivos, poden- As inscrições mantêm-se abertas A ACM é uma instituição virada para a soas e, assim sendo, o objectivo de ambas do vir a ser utilizados pela “Escolinha” na na sede da ACM, sita na Rua Ale- cidade, que gosta e sabe receber todos as partes é bem claro: é fundamental prepa- realização de futuros torneios e estágios, alar- xandre Herculano, em Coimbra. aqueles que se dirigem às suas instalações. rar as crianças para os desafios das suas gando assim as suas potencialidades.
    15. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 15 BASQUETEBOL OLIVAIS APRESENTOU EQUIPAS PARA A ÉPOCA 2006/2007 Resultados Encontro de Gerações Seniores Femininos Olivais/S. Cabo Verde 55-66 Juniores Femininos Olivais/C. Calvão 24-54 António José Ferreira Cadetes Femininos Olivais/Amiense 49-41 Iniciados Femininos O Olivais Coimbra levou a efeito, no passado fim-de-semana, o 8º Encontro de Olivais/Ac. Porto 39-29 Gerações. Além de se tratar de um momento de convívio entre todos aqueles que, de Seniores Masculinos uma forma ou de outra, vivem o dia-a-dia da colectividade olivanense e do Pavilhão Eng. Olivais/Sanjoanense 71-40 Augusto Correia (dirigentes, seccionistas, treinadores, atletas, pais, adeptos, etc.,) este even- Juniores A to contou com a presença de responsáveis de entidades oficiais da cidade, entre os quais Olivais/Sangalhos 48-65 Luís Providência e Francisco Andrade, respectivamente Vereador do Desporto da Juniores B Câmara Municipal de Coimbra e Presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais/Sangalhos 40-50 Olivais, e serviu de mote para a apresentação das diversas equipas para a época 2006/2007, desde os Minis (na foto) aos Seniores. A forma como evoluíram e os resul- Cadetes Masculinos Olivais/Sangalhos 46-16 tados alcançados frente a congéneres de outros clubes, permitem vaticinar a realização de uma boa época, a tender para o sucesso, tanto para as equipas seniores, masculina e femi- Iniciados Masculinos «A» Olivais/Sangalhos 73-24 nina, treinadas respectivamente por Bruno Santos e Cristina Viegas, como para os con- juntos do sector de formação, agora coordenado pelo Director Técnico Luís Gonçalves. Iniciados Masculinos «B» Olivais/Sangalhos 27-35 SÓNIA FERREIRA LEMBRA O ESSENCIAL CARLO FERREIRA ESPERA UMA BOA ÉPOCA “Gostamos “Discutir de jogar basquete” todos os jogos” “Estamos no início de época e é sempre apesar de terem uma baixa estatura em relação Muito bem orientada pela jovem dupla Bru- Recuperando os êxitos alcançados na época complicado jogar contra uma selecção. Mas ao que estávamos a contar e a precisar, e creio no Santos e Gonçalo Simões, a equipa sénior passada, Carlo Ferreira lembra que “já tinha sido estamos cá, vamos continuar a trabalhar e que vão ‘dar nas vistas’ ao longo da época”. masculina do Olivais apresentou-se aos adeptos campeão nacional e no ano seguinte tivemos com toda a certeza vamos conseguir fazer O início de época “foi muito complicado, com uma clara vitória sobre a Sanjoanense. O uma má experiência, porque o clube não se pre- muito melhor”. Esta garantia foi porque fisicamente estávamos mal preparadas. “capitão” Carlo Ferreira reconhece que “a equi- parou devidamente e acabámos por deixada por Sónia Ferreira, A equipa foi afectada por algumas lesões e che- pa não entrou bem no jogo, com bolas falha- dormir um pouco ‘à sombra “capitã” da equipa séni- gámos a treinar apenas com seis atletas, o das debaixo do cesto e alguns ‘turn-overs’ da bananeira’. Mas este ano or feminina do Oli- que torna o trabalho muito difícil. Agora pouco habituais, em parte devido à falta as coisas vão ser comple- vais, no final do jogo já estamos melhor, já treinámos todas de entrosamento”, mas frisa que depois tamente diferentes. A de apresentação fren- juntas e vamos continuar a evoluir, espe- do intervalo tudo foi diferente sobretu- época está muito bem te à Selecção de Ca- remos que sem lesões ou outros contra- do “pela melhoria da atitude defensiva, preparada, com grande bo Verde, no qual a tempos”. Os objectivos estabelecidos que conduziu a um melhor nível de mérito para a nossa equipa já contou com pelo grupo para a participação na Liga jogo e a que conseguíssemos sair mais dupla de treinadores, jo- o contributo das norte- Feminina passam “por ganhar o máximo vezes em contra-ataque”. vem e ambiciosa, que nos americanas Carlyshia de jogos, tentando chegar o mais longe possí- As boas indicações deixadas neste jogo está a incutir mais entrega e Hurdle e Kimberly Turner, vel. As outras equipas vão ter que tomar cuida- permitem encarar a época com tranquilidade, agressividade e alguns hábitos de chegadas na véspera a Coimbra. Ambas qui- do connosco, porque não queremos perder ao longo da qual os objectivos vão passar por treino e de trabalho aos quais não estávamos seram “mostrar serviço”, naturalmente, mas nunca. Sabemos que não vai ser fácil, pois “tentarmos ser competitivos jogo a jogo, con- habituados, o que é muito bom”. acabaram por actuar com alguma precipitação temos uma equipa muito jovem e pouco expe- tra todos os adversários, embora saibamos que A terminar, sobre o 8.º Encontro de Gera- e pouco sentido colectivo. Mais integradas no riente, mas temos muita força de vontade e vamos encontrar equipas mais apetrechadas, ções e a atenção que o Olivais continua a dispen- conjunto e com mais tempo de trabalho sob a gostamos de jogar basquete, o que é essencial”. especialmente as equipas ‘B’ da Liga Profis- sar à formação de jogadores, Carlo Ferreira orientação de Cristina Viegas e João Pedro “O Olivais tem a maior escola de basque- sional. Sem o objectivo fixo de subir de divisão, sublinha que “é o único caminho a seguir. O Gonçalves, poderão constituir claras mais te do país”, concluiu Sónia Ferreira, “e este ao qual não vamos ambicionar e para o qual o facto de ser o clube com mais atletas inscritos na valias para o conjunto olivanense. Sónia Encontro de Gerações é importante para próprio clube, neste momento, não estará pre- Federação deixa-nos a todos com muito orgu- Ferreira também “defende” as novas compa- que os atletas mais jovens vejam onde parado, vamos querer ganhar jogo a jogo, ten- lho. Agora é continuar o trabalho, para que o nheiras, lembrando que “chegaram ontem e podem chegar, tendo as equipas seniores tando andar sempre ‘lá em cima’, nos primeiros clube consiga formar bons jogadores e princi- estão ‘estoiradas’. Mas pelo que vi são fortes, como exemplo”. lugares”. palmente homens”.
    16. 16 DESPORTO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 JOSÉ LUÍS CARVALHOS QUER QUE O CLUBE NÁUTICO SE AFIRME PELA QUALIDADE “Não queremos andar a vender Mais de 2 mil utentes! Tanto a Natação como o Pólo Aquá- Há na generalidade dos insuficientes. Criou-se a ideia, a É este o número que “obriga” tico são modalidades que requerem de- clubes o sentimento de nível dos quadros técnicos au- o Clube Náutico Académico terminadas condições, muito específi- que o estado não apoia tárquicos, que os serviços de a ter uma “máquina” organizativa cas, e que normalmente estão muito devidamente a meritó- Natação que se prestam à po- muito bem montada e coordenada. dependentes dos espaços públicos exis- ria actividade que de- pulação geram muito dinheiro e tentes. Como funcionam as coisas a esse senvolvem, nomeada- que os clubes vivem desafoga- Tanto mais que, conforme nível no dia-a-dia do Clube Náutico? mente na formação dos e não têm problemas nen- afirmou ao “Centro” o presidente Esse tem sido o drama da Natação e tam- de atletas. Também é huns nesse aspecto. Ora isso não José Luís Carvalhos, “é para nós bém do Pólo Aquático, modalidades que, de assim no caso do é verdade, pelo menos para nós fundamental seguirmos numa facto, exigem condições muito específicas. Clube Náutico, mes- que movimentamos cerca de 120 senda de melhoria de qualidade Enquanto noutras actividades, como por mo tendo em con- atletas federados e um le- e de afirmação do clube pela exemplo o futebol, há melhores ou piores ta os apoios que de profissio- estruturas, mas pode-se praticar num nível nais a treinar es- qualidade, pela disponibilidade variado de exigência e de condições, na ses atletas, além e pelo empenho que colocamos Natação, infelizmente (ou felizmente), não é das desloca nas nossas actividades” assim pois tem que ter piscinas e planos de ções, em água nas devidas condições, de modo a não suma António José Ferreira porem em causa a saúde dos utentes. imensos Nos últimos tempos o panorama de encargos De uma forma geral, em que se ba- oferta de planos de água melhorou que se seia a actividade do Clube Náutico muito, com a construção do Com- Académico? plexo Olímpico e das piscinas da A actividade do Náutico, que já se desen- Pedrulha e de São Martinho, volve há mais de 20 anos, tem-se pautado mas também apareceram, e sempre por critérios de qualidade e de elevado bem, novos clubes a pro- serviço prestado à juventude. Para além da moverem a prática da Na- equipa de Natação pura, que tem sido hege- tação, além daqueles que mónica no panorama da modalidade a nível a ela já se dedicavam no regional, temos a equipa de Pólo Aquático, tempo das “vacas ma- única na região de Coimbra e que há dois anos gras”. Essa “explosão” se sagrou campeã nacional da 2ª Divisão, pre- de praticantes tem cria- parando-se este ano para lutar por idêntico do algumas dificulda- feito. Paralelamente a tudo isto desenvolve- des à actividade federa- mos um amplo leque de actividades, que pro- da de clubes como o porcionamos a crianças desde os seis meses nosso. Não tem sido de idade até aos 88 anos, desde as oito da fácil para nós, que temos uma actividade indirectos que recebe por via da manu- traduzem num enorme esforço para conse- manhã até às nove da noite, praticamente federada e devidamente estruturada e profis- tenção dos espaços que utiliza? guirmos manter a Natação competitiva e o todos os dias e com um número de utentes sionalizada, conseguirmos horários para Temos tido apoios directos da Câmara Pólo competitivo em Coimbra. Se calhar que ultrapassa seguramente as 2 mil pessoas. podermos trabalhar em boas condições, através do Plano Desportivo Municipal e para outros clubes, que não têm actividade Portanto achamos que desenvolvemos uma consequência de alguma sofreguidão de também, podemos considerar que sim, federada, a Natação será um bom negócio. actividade meritória, feita com muito sacrifício angariação de espaços das múltiplas institui- alguns apoios indirectos pela utilização das Para nós é pura sobrevivência. mas também com muito gosto e muito empe- ções que neste momento compõem o pano- piscinas. Admitimos que são apoios mas Compreendo que os tempos não são nho, e que merece ser acompanhada. rama da cidade. que são, quanto a nós, manifestamente fáceis e que a própria Câmara passa por MARQUES PEREIRA DESTACA A IMPORTÂNCIA DA NATAÇÃO PARA BEBÉS “Os benefícios são bastantes” Além da Piscina de Celas, actualmente as para Crianças entre os 3 e os 14 anos, re- demos dizer que vamos crescer em relação Escolas do Clube Náutico Académico fun- partidos pelos diferentes níveis técnicos, ao ano anterior”. Sobre o diverso leque de cionam também nas novas infra-estruturas Natação para Adultos e Hidroginástica pa- serviços que o Clube Náutico oferece, de Coimbra (Solum, Pedrulha e São Mar- ra Adultos. solicitámos um comentário sobre a Na- tinho). As inscrições para as aulas podem Marques Pereira, responsável pelas Es- tação para Bebés e para Adultos: “A ser feitas através das instituições com as colas de Natação, realça que o clube “tem Natação para Bebés surgiu com o apareci- quais o Clube Náutico tem protocolos esta- tentado crescer, em termos de utentes, mas mento das novas estruturas, primeiramente belecidos, ou por via particular no Dolce este ano, com a introdução de horários na Piscina de São Martinho porque foi a Vita ou nas piscinas que servem de “ofici- escolares mais alargados, há mais inscrições que nos garantiu um aumento da temper- na”. Os serviços oferecidos passam pela para o período a partir das 18h30, estando atura do tanque, o mesmo acontecendo Natação para Bebés (em São Martinho e na os outros mais livres”. Mesmo assim, frisa, agora na Unidade de Saúde de Coimbra. Unidade de Saúde de Coimbra), Natação e apesar de a época estar a começar, “po- Os benefícios de levar o bebé à piscina são bastantes, podendo ser destacada a melhoria de relação efectiva com os famil- iares (as aulas são dadas sempre com a pre- sença de um familiar dentro de água), bem como as condições de imunidade da parte cardiovascular, do movimento, da sociabi- lização, da interligação com outras cri- anças. Quanto aos adultos, nos últimos tempos temos tido um crescendo na Hidroginástica e uma diminuição, embora ligeira, no adulto que quer aprender a nadar. Ainda assim, nesta área, estamos satisfeitos com a procura que os nossos São reconhecidos os benefícios da natação para bebés serviços têm vindo a ter”.
    17. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 17 PEQUENOS ATLETAS Natação ao quilo” “Praticar desporto é uma boa opção” algumas dificuldades, mas realmente sem sos quadros, reforçando a componente huma- em alguns casos com preços que não percebe- Como e quando apoios não é nada fácil. Vamos gerindo na e de liderança da nossa equipa, com a con- mos. Não queremos ir por aí. Se calhar somos entraste para o bas- todas as situações, com muito cuidado e tratação de José Manuel Borges, um técnico um pouco mais caros do que os outros, mas as quete? muita contenção, para podermos prosse- muito conceituado e que vem coordenar toda pessoas que vêm ter connosco acabam por Entrei para o bas- guir com a actividade competitiva, que é a nossa estrutura competitiva. Não podemos perceber porquê, uma vez que queremos mar- quete há 6 anos, por largamente deficitária. É claro que temos o pensar em ter resultados de um momento para car a diferença pela qualidade e não queremos influência da minha apoio de algumas empresas, casos da o outro mas, a curto prazo, almejamos a subi- andar a vender Natação ao quilo nem outras mãe e do meu irmão, Matobra e de uma grande estrutura de da de divisão, tanto em masculinos como em actividades ao metro. que também pratica- Coimbra, muito importantes para nós, mas femininos, e a individualmente, além de cimen- va a modalidade. 12 Anos Maria Francisca Lima que não resolvem os problemas que temos. tarmos a liderança a nível regional, conseguir- Alguma questão que não tenhamos Telecom Coimbra mos marcar uma presença mais firme e visível colocado mas que gostasse de abordar? Que importân- Basquetebol 7º Ano de Escolaridade A actividade do clube funciona em nos campeonatos nacionais. Portanto, quere- Apenas dizer que o Náutico é um clube já cia ocupa o bas- quatro piscinas, situadas em zonas mos dar um passo em frente para trazermos com alguma dimensão e que exige muito quete no teu dia-a-dia? opostas da cidade, situação que poderá para a Natação em Coimbra um lugar que já empenho de todos e muita coordenação, pelo Tenho três treinos de hora e meia por conduzir a alguma perda de identidade. foi seu. Não podemos esquecer que o próprio que temos que agradecer e valorizar a forma semana e sempre que posso assisto a alguns Como resolvem esse problema e que Náutico, não há muitos anos, foi segundo clas- quase desinteressada como os nossos técnicos jogos de escalões diferentes. Geralmente aos iniciativas desenvolvem para reunir sificado no campeonato da 1ª Divisão. Neste e colaboradores se dedicam à actividade que fins-de-semana tenho jogos da minha toda a família do Clube Náutico? momento a nossa realidade é um pouco dife- desenvolvem. Finalmente voltar a sublinhar as equipa. Há sete/oito anos estávamos só aqui em rente, para pior, infelizmente. A nível de uten- dificuldades com que nos deparamos e que por Celas mas, com o aparecimento das novas pis- tes e de toda a intensa actividade que desenvol- vezes as pessoas não se apercebem. Por exem- Fala um pouco sobre a tua equipa e cinas, são os próprios utentes que vêm ter vemos é para nós fundamental seguirmos plo, enquanto que um “miúdo” com 13 anos sobre o ambiente vivido em torno do connosco que escolhem o local onde querem numa senda de melhoria de qualidade e de afir- que pratique futebol treina três vezes por sema- basquetebol da Telecom Coimbra. ter as suas aulas. E nós procuramos corres- mação do clube pela qualidade, pela disponibi- na, na Natação um praticante da mesma idade O ambiente que se vive no basquetebol ponder. A nossa grande preocupação passa lidade e pelo empenho que colocamos nas faz por semana sete treinos de duas horas. da Telecom Coimbra é de muita amizade. Na por mantermos as nossas estruturas competi- nossas actividades. Como já referi, actualmen- Portanto gostávamos que compreendessem o minha equipa somos todas muito unidas e tivas, aí sim, com uma forte interligação e com te há muita concorrência, muitos agentes a que custa organizar tudo isto e que olhassem quando necessário ajudamo-nos umas ás uma forte união. Fazemos dois festivais por proporcionarem serviços idênticos aos nossos, mais para o trabalho que desenvolvemos. outras. ano, um por altura do Natal e outro no Verão, para os quais convidamos todos os nossos Com que principais objectivos te abal- utentes e onde, de uma forma lúdica, fazemos Mais de 2 mil utentes anças à nova época desportiva? uma apresentação de todas as actividades que Os objectivos para a próxima época são, desenvolvemos. São umas jornadas muito Com cerca de 120 atletas no sector de competição, na Natação e no Pólo Aquático como sempre, dar o nosso melhor para interessantes e que constituem festas valentes. (que pretende incrementar, abalançando-se agora às camadas jovens), e perto de 2 mil alcançarmos bons resultados. Com que objectivos principais o utentes nas Escolas de Natação e na Hidroginástica, o Centro Náutico Académico Clube Náutico se abalança à nova épo- presta um serviço meritório à comunidade conimbricense, nomeadamente à popula- A Telecom Coimbra não tem equipas ca desportiva? ção mais jovem. Tão intensa actividade, repartida por quatro piscinas da cidade de seniores. Gostavas que o clube desse A nível competitivo há dois ou três pontos Coimbra (Celas, Pedrulha, São Martinho e Complexo Olímpico), obriga a que toda a esse passo num futuro próximo? Que que para nós são muito importantes. No Pólo “máquina” organizativa esteja muito bem montada, assente no trabalho de dirigentes, importância lhe atribuis, para o futuro do Aquático está perfeitamente determinado que treinadores e outros colaboradores. clube e dos atletas? o objectivo é subir à 1ª Divisão, se possível Mais informações sobre a colectividade, nomeadamente inscrições nas diversas Sim. Gostava que, no futuro, a Telecom conseguindo o primeiro lugar da 2ª Divisão. actividades que promove, podem ser obtidas na sede, situada na Rua Bernardo Coimbra tivesse equipas de Seniores, a fim de Na Natação pura, este ano fizemos um esfor- Albuquerque, em Coimbra, ou na Internet em www.cnac.pt.vu. dar continuidade ao trabalho realizado nos ço muito grande no apetrechamento dos nos- escalões inferiores. O basquete é só para os jogadores JOÃO RODRIGUES FRISA QUE O PÓLO AQUÁTICO PRECISA DE MELHORES CONDIÇÕES mais altos ou também pode e deve ser para os mais baixos? “Evitar o sobe e desce” O basquete pode e deve ser praticado por altos e baixos. João Rodrigues é o “homem forte” do Com base nas novas condições “reunimos o Consegues conciliar o basquete com Pólo Aquático no Clube Náutico Acadé- grupo de trabalho, que é em simultâneo um os estudos? mico. Trata-se de uma modalidade pouco grupo de grandes amigos, e procurámos um Consigo. conhecida e divulgada, afinal “uma das novo alento com o regresso do técnico Lírio pechas que existe a nível regional e contra a Branco, que já havia estado no clube e Acompanhaste os recentes êxitos das qual temos procurado lutar. Para que possa desenvolvido um bom trabalho”. O objecti- selecções nacionais seniores, masculina crescer o Pólo Aquático precisa de ser visto, vo principal passa então “pelo regresso à 1ª e feminina, no apuramento para os nomeadamente para atrair mais público, mas Divisão e pela conquista do título da 2ª respectivos europeus? a falta de espaços com que nos temos depa- Divisão, sendo depois necessário criarmos Não. rado ao longo dos anos para a realização de as melhores condições para nos mantermos treinos e jogos não tem ajudado muito”. no escalão maior e evitarmos o ‘sobe e Mensagem que gostarias de deixar O dirigente do Clube Náutico acredita desce’. Mas para incrementarmos e consoli- para os leitores do jornal Centro? que há condições em Coimbra “para fazer darmos a modalidade no clube e na cidade Praticar desporto, seja ele qual for, é sem- vingar o Pólo Aquático”, tanto mais que não podemos ficar por aí, sendo importante pre uma boa opção. “começa a haver maior compreensão para começarmos a formar atletas a partir dos com as exigências especificas da modalidade 13/14 anos. A técnica de nado do Pólo é e, este ano, felizmente, conseguimos que a ligeiramente diferente em relação à Natação Câmara Municipal nos disponibilizasse mais pura, além de muitas outras questões como espaços e podemos treinar todos os dias, de o passe, a técnica e a táctica de jogo. Mas segunda a sexta feira, ainda que não nos para começar só é preciso que saibam horários ideais. E estamos a tentar que nadar”. A captação para as equipas jovens alguns jogos possam ser disputados no do clube já está em marcha, com a adesão à Complexo Olímpico, para já com grande prática da modalidade a deixar bastante abertura por parte do Vereador do Des- agradados os responsáveis do Clube A equipa acompanhada pelo treinador porto da Câmara Municipal de Coimbra”. Náutico, mantendo-se abertas as inscrições. Miguel Cunha e pela seccionista Conceição Lourenço
    18. 18 INFORMAÇÃO COMERCIAL DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 Cervejaria Portugália abriu em Coimbra Em menos de um mês, a Cervejaria quanto ao êxito que está a obter a primeira Situado na zona residencial do Vale da toca à ementa: a “estrela da companhia” Portugália de Coimbra atendeu mais de 8.300 unidade de Coimbra de uma das mais tradi- Flores, junto ao Coimbra Shopping, a continua a ser o famoso “Bife à Portugália”, clientes, serviu 5.500 bifes, 7.520 pães, 3950 cionais marcas da restauração nacional. decoração da Portugália de Coimbra segue com o seu molho exclusivo que resulta de ovos estrelados e mais de 9.000 cervejas. Com capacidade para 120 pessoas (80 no mesmo estilo arquitectónico das outras cer- uma receita desenvolvida por várias gera- Estes números foram divulgados na pas- interior e 40 na esplanada), a Cervejaria vejarias da cadeia, inspirando-se no concei- ções de chefes de cozinha. A cerveja, com a sada quinta-feira (dia 28 de Setembro), data Portugália de Coimbra prevê receber mais de to da cervejaria tradicional portuguesa, que sua técnica especial de tiragem e o marisco da inauguração oficial daquele novo espaço 90 mil clientes durante o primeiro ano (ainda inclui as madeiras e a azulejaria nacional. muito fresco eis outro dos motivos do (que abriu as portas ao público no dia 1 do de acordo com os elementos fornecidos pela A Cervejaria Portugália de Coimbra grande sucesso desta cervejaria que já serviu passado mês de Setembro) e são eloquentes empresa Portugália Restauração, S.A.). mantém-se igualmente fiel á tradição no que várias gerações de portugueses. Cartão de crédito “Ed-Kids Club”: novas instalações inspirado e maior variedade de escolhas culturais em Fernando Pessoa Depois de um Verão enriquecedor para as crianças, onde se divertiram a aprender, o “Ed-Kids Club” recomeça mais O poeta Fernando Pessoa, imortalizado como uma um ano lectivo com algumas novidades. figura austera, dá nome a um novo cartão de crédito O novo conceito deste clube é agora mais vasto. Unibanco, disponibilizado em edição limitada, desde o Devido ao êxito do “Fun Language” para ensino do inglês, início deste mês de Outubro, e que oferece condições foi alargado para aprendizagem do espanhol e do alemão. especiais na compra de produtos culturais. Os pais têm a oportunidade de deixar os filhos com acom- Os portadores do novo cartão, chamado “A Palavra”, panhamento constante durante as férias e aos fins-de-semana, poderão usufruir até 31 de Março de 2007 de benefíci- ou em qualquer outro tempo livre. os em locais associados à vida de Fernando Pessoa e em As crianças não ficam fechadas no espaço do “ED-Kids diversos pontos de oferta cultural, segundo refere a Club”, pois a empresa tem parcerias com algumas escolas e Unicre (empresa emissora de cartões de pagamento). outras entidades, como a PSP (Policia de Segurança Pública), Descontos nas obras do poeta publicadas pela Lello a GNR (Guarda Nacional Republicana), a RUC (Rádio Editores, em compras nas livrarias Bertrand, na galeria Universidade de Coimbra) e o Exploratório, e diversas outras, ArtEmporio (situada num prédio onde Pessoa viveu) e que as crianças do “ED-Kids Club” têm a oportunidade de em restaurantes relacionados com o seu percurso, visitar. como o Martinho da Arcada, em Lisboa, e o Ribeiro, Teresa Torres, umas das sócias-gerentes deste clube, não no Porto, são alguns dos benefícios para os utilizadores tem dúvidas de que estas parcerias são uma mais valia para as de “A Palavra”. crianças: “Não queremos prender as crianças num espaço O novo cartão será personalizado pelos clientes, que fechado, e as parcerias com estas entidades são um forma de poderão escolher uma de entre “as seis mensagens expandir e alargar os horizontes dos pequenos”. mais enigmáticas do poeta”, segundo a Unicre: “Tenho A música também faz parte do leque de opções do “Ed- em mim todos os sonhos do mundo”, “Tudo vale a Kids Club”. pena se a alma não é pequena”, “Deus quer, o homem Manuela do Bem, também sócia-gerente da empresa, nem sonha, a obra nasce”, “Saúdo todos os que me lerem”, vê muitas diferenças entre a música e a língua: “A música é “Põe quanto és no mínimo que fazes” e “Minha pátria uma língua, tem um convívio saudável com a aprendizagem. é a língua portuguesa”. Este ano introduzimos um novo instrumento, o violino. As O novo cartão terá uma emissão limitada de 15 mil aulas estão abertas para crianças a partir dos 3 anos e são exemplares, não possui anuidade e representa, de acor- ministradas por dois professores do Conservatório de Música do com a Unicre, “uma aposta no nicho de mercado de Coimbra”. composto pelos verdadeiros admiradores de cultura”. Ainda no ramo da música, o Jazz também está disponível ças, os adultos também podem aqui aprender línguas e a tocar Ao adquirirem o cartão, os clientes receberão uma para os pequenitos a partir dos 3 anos de idade. instrumentos musicais. reprodução do manuscrito de um poema e um relógio A criação do site interactivo do “Ed-Kids Club” é outra A concepção das novas instalações do “Ed-Kids Club” exclusivo com uma mensagem do escritor, concebidos novidade este ano, com actividades na área do Inglês, e mais ficou ao cargo do arquitecto Bruno Gil, que conseguiu criar para esta edição especial. tarde do espanhol e do alemão. um espaço interactivo e comunicativo. Serão ainda oferecidas aos utilizadores duas cháve- Durante a fase experimental, o site é aberto a todos os que Mais informações estão disponíveis pelo telefone 239 nas Spal personalizadas por cada 12 transacções reali- o quiserem visitar; mas dentro de pouco tempo terá acesso 703735 ou nas próprias instalações do “Ed-Kids Club”, na zadas com o cartão Fernando Pessoa. livre apenas para os inscritos no Clube. Rua Augusto Marques Bom, Lote 14 - Loja 2 (Vale das Apesar do “Ed-Kids Club” ser vocacionado para as crian- Flores).
    19. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 19 5. Será que já não há (pelo menos...) ver- gonha? (publicado no blog em 23 de Setembro) OUTRA VEZ... SOL Depois de um n.º 2 que não apreciei par- Mário Martins ticularmente, o “Sol” regressou hoje com uma edição de bom nível. ESTAÇÃO MISERÁVEL A luta promete. Acabo de chegar da estação ferroviária (Nesta altura do campeonato, o “Sol” de Coimbra-B. regista 2 vitórias e houve um empate - na Não estive lá mais de 3 minutos e... foi uma semana passada. Entretanto, continua a autêntica odisseia. Como sempre acontece. necessidade de levantar cedo ao sábado Um gesto simples (transportar um fami- para conseguir os dois semanários sem liar à estação) revela-se em Coimbra algo de “complicações”. No posto de gasolina em muito difícil concretização. que habitualmente compro os jornais ao RUA NA PEDRULHA De um lado e do outro, o espaço de esta- fim-de-semana até já aceitam encomendas!) cionamento está reservado para os táxis e o (publicado no blog em 30 de Setembro) Este é um aspecto da rua que conduz ao Campo do Pedrulhense. Assinalei alguns cidadão comum não tem onde parar o buracos, mas não todos. É que são mais os buracos que o alcatrão! Será que quem ali mora e quem ali transita não tem os mesmos direitos dos outros automóvel. PUBLICIDADE cidadãos de Coimbra? Já imaginaram esta situação na Solum?... (publicado no blog em 1 de Outubro) FIM-DE-SEMANA “A pedido de muitas vacas, a Portugália DESPORTIVO vai lançar o pernil de porco” (campanha publicitária da Cervejaria Portugália). No caso da gasolina, ir a Espanha abas- ÚLTIMA HORA No sábado, o André Gonçalo (que já (publicado no blog em 30 de Setembro) tecer significa, portanto, uma poupança de jogou na minha equipa e agora joga nos 54$33 em cada litro!!! Os prometidos campos de treino com juvenis do Sporting) convidou para ir ver o CURIOSIDADES E Salamanca aqui tão perto... relva sintética, na “Academia” da Acadé- Benfica-Sporting. Não pude ir. (publicado no blog em 29 de Setembro) mica/OAF, no Bolão, já não devem demo- Acabei por ir ver a 2.ª parte do U. rar muito. Coimbra-Cinfães, em juvenis, a convite do pai Os rolos com o relvado já chegaram. do André Gonçalves (que jogou na minha CITAÇÃO equipa até Junho e agora está no U. Coimbra). ENCONTRO Venceram os unionistas por 4-3 e ainda vi o “O semanário Sol perguntou e os portu- 4.º golo, marcado pelo André. Um golaço! gueses responderam: 28% querem ser espa- No domingo de manhã, a minha equipa nhóis. É um caso de incesto agudo. Que recebeu a Sanjoanense e venceu, com inteira outra coisa chamar ao desejo de quase um justiça, por 2-1, com o golo do triunfo a sur- terço de portugueses quererem ser nuestros gir mesmo no fim, marcado pelo “central” hermanos deles próprios?” (Ferreira Marco (na foto, o 3.º a contar da direita). Fernandes, in “Sábado”) Da parte da tarde, vi o Académica- O melhor resultado dos clubes portu- (publicado no blog em 29 de Setembro) Nacional (1-3) de um camarote do estádio. gueses na Liga dos Campeões foi consegui- Como acabara de almoçar às 3 da tarde, do pela equipa formada por maior número COMO É DIFERENTE bebi um sumo de laranja. de jogadores nascidos neste “jardim à EM INGLATERRA... Voltando aos juvenis da Briosa, resta beira-mar plantado”. E que é orientada pe- escrever que, na semana passada, houve lo treinador mais jovem. O defesa Ben Tatcher, do Manchester uma deslocação a Matosinhos, para jogar (publicado no blog em 28 de Setembro) City, não vai ser alvo de investigação polici- com o Boavista (derrota natural, por 2-1, al por agredir Pedro Mendes, no jogo dispu- mas com um bocado de sorte o resultado PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS tado a 23 de Agosto. Isto porque o jogador poderia ter sido diferente...). português do Portsmouth, bem como os Ontem, no Campo da Pedrulha, tive o A Galp voltou a baixar o preço dos com- dois clubes e a Federação inglesa não quise- prazer de encontrar um dos melhores joga- NOTAS SUPLEMENTARES: bustíveis - e os noticiários da rádio não se ram envolver a polícia na resolução do caso. dores que vestiu a camisola da Académica cansam de anunciar o facto. Isso mesmo foi anunciado esta sexta-fei- nos últimos 25 anos. 1. Para que serve o parque de estaciona- Os novos preços são os seguintes: ra, em comunicado, pela polícia de Man- Veio acompanhar a “sua” Sanjoanense e mento do lado do Bolão, que está sempre Gasolina 95 - 1,228 euros; Gasóleo - chester, onde se explica que depois de ouvir o filho, ainda juvenil do 1.º ano. vazio? 1,1018 euros. Pedro Mendes, os clubes e a Federação, o Falámos de passado, do presente e do 2. Porque é que a Estrada de Eiras está O que a rádio não diz é que estes preços médio português solicitou que Tatcher futuro. Ainda tem guardadas duas páginas transformada em parque de estacionamen- correspondem a 246$19 e 204$09, na fosse castigado apenas pelos órgãos des- de “O Jogo”, com uma entrevista que lhe to permanente, sem condições, colocando moeda antiga. portivos e não pela polícia. Assim sendo, fiz, a propósito da ida dele para o Benfica. em risco quem ali estaciona ou circula? O que a rádio poderia dizer é que basta pode ler-se, «o caso é dado por encerrado». Eu já não me lembrava; ele recordava até os 3. Porque é que os responsáveis da cida- dar um salto a Espanha (país com um nível Recorde-se que a agressão a Pedro Mendes pormenores. “A entrevista foi feita na redac- de, em vez de se desculparem HÁ DE- de vida bem superior) para encontrar os motivou uma suspensão de oito jogos a Ben ção, ali perto da estação dos comboios”, disse. ZENAS DE ANOS, ora com o Governo seguintes preços: Tatcher, que aumentará para 15 se o jogador Pois deve ter sido. “O Jogo” e o “Jornal ora com a CP, não criam condições de aces- Gasolina 95 - 0,957 euros; Gasóleo - reincidir neste tipo de comportamento. O defe- de Notícias” estiveram dezenas de anos ins- so mínimas à estação? 0,898 euros sa foi ainda privado pelo Manchester City de talados na Avenida Fernão de Magalhães. 4. Os nossos impostos servem para quê, (o que corresponde, respectivamente, a seis semanas de salário. (in “A Bola”, adapt.) Um grande abraço, Flávio! para além de sermos tratados como cães? 191$86 e 180$03). (publicado no blog em 29 de Setembro) (publicado no blog em 2 de Outubro) AGENDA A minha equipa joga amanhã, quinta-feira (11h00) com o FC Porto, no campo principal do complexo do Olival (em Vila Nova de Gaia, mesmo ao lado de Avintes). A minha (outra) equipa joga no sábado (21h00), no Estádio do Bessa, com o Azerbaijão. Espero não faltar. (publicado no blog em 1 de Outubro)
    20. 20 OPINIÃO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 FILATELICAMENTE Sérios propósitos tência e a incompetência, o mérito e a inca- me universo de escolhas profissionais e pacidade, o zelo e o desleixo... defraudou milhares de jovens ao recusar- Trinta anos de loucura numa paranóia de lhes instrumentos essenciais para a sua canudos afunilando toda a gente à porta da inserção social e no mundo do trabalho. É, João Paulo universidade, sem alternativas intermédias de facto, tempo de mudar. Simões para os que não podiam ou não queriam Para além da componente científica e alinhar em tão irrealista e inconsequente cultural proporcionada pelas escolas supe- Sir Rowland Hill megalomania. riores e enriquecida pelo interesse e pelo Renato Ávila Trinta anos de clamorosa inconsistência zelo na formação pessoal, está a preparação na formação inicial e contínua de professo- pedagógica e didáctica concedida pelos cur- Alguma vez teria de ser – premiar o res, de insensato e hermético minimalismo sos profissionalizantes e pelas componen- mérito e combater a mediocridade. na concepção dos programas. A inconcebí- tes curriculares de preparação para a Nem sempre estivemos de acordo com a vel fractura entre os programas das escolas docência. Qualquer uma delas deve visar a política da actual Ministra da Educação, do magistério e as substitutas escolas supe- exigência e a excelência. Só com competen- especialmente pelo seu estilo peregrina- riores de educação é o espelho desse des- tes e dedicados professores se pode conce- mente voluntarioso e pela ausência de um norte e, em parte, responsável pelo abaixa- ber uma escola de excelência. Daí a tónica projecto consistente para a escola portu- mento da qualidade do ensino básico. na formação inicial. guesa. Avaliar e bem é fundamental. Só distin- Num tempo de vertiginosa mudança e Subscrevemos, todavia, os traços funda- guindo o mérito e combatendo o comodismo de permanente inovação científica e tecno- mentais da sua recente entrevista ao Diário e a bagunça é possível motivar e galvanizar os lógica, impõe-se a formação permanente de Notícias, docentes para as ingentes tarefas que uma numa perspectiva de enriquecimento cultu- Três bandeiras afloram e pelas quais nova escola exige. Só perseguindo a excelên- ral e de actualização de conhecimentos. É ingloriamente nos batemos nas nossas vel- cia e lutando contra o facilitismo minimalista mister que a formação inicial e a dinâmica has andanças sindicais: avaliação do desem- é possível arrumar com a mediocridade das escolas criem essa ambiência e moti- penho, formação docente e componente O insucesso educativo e o abandono vante predisposição e tomem a iniciativa Nasceu em Kidderminster na Ingla- profissionalizante no ensino básico. escolar combatem-se com a abertura curri- das respectivas respostas. terra a 3 de Dezembro de 1795. Peda- Trinta anos inglórios num diálogo de cular, sem estultos complexos e inconsis- Estamos todos de acordo: excelentes gogo e mecânico de profissão, celebri- surdos entre governantes e sindicatos. tentes pruridos sociais. Ao minimizar as professores para uma escola de excelência zou-se pela introdução do selo postal Desconfianças e incapacidades que enca- respostas profissionalizantes no ensino onde, sobretudo, vigore a justiça, o traba- adesivo, na Inglaterra, tendo também minharam para um mesmo saco a compe- básico, a escola fechou a porta a um enor- lho profícuo e o bom senso. esboçado o desenho do primeiro selo que circulou no Mundo. Roowland Hill foi nomeado director dos correios, cargo “Conselho da Cidade” promove cursos de formação que ocupou durante dois anos. Em 1864 recebeu o título de “Sir”. Quando resig- De parceria com o Instituto Pedro Nunes, tiva, o Conselho da Cidade acredita no efeito incidência sobre a prática do voluntariado e as nou à posição de Secretário Chefe dos um dos seus membros fundadores, o Conselho multiplicador de todas as acções de formação diversas forma de associação. Correios, devido à sua saúde em 1864, da Cidade de Coimbra promove a realização de que promovam uma participação cívica esclare- Em “Gestão urbana e qualidade de vida”, recebeu pelo Parlamento, uma retribui- dois cursos de formação – um sobre cida, dinâmica e empenhada, cada vez mais con- efectivamente centrada sobre Coimbra, promo- ção de 20 000 libras e foi-lhe mantido o “Cidadania activa: experiências e políticas” e vencida da importância da construção social da ve-se a leitura crítica da cidade nos seus diversos ordenado de 2 000 libras anuais. Nesse outro sobre “Gestão urbana e qualidade de cidade pelos indivíduos e pelas suas colectivida- planos, desde a apropriação do espaço físico aos mesmo ano, a Universidade de Oxford vida” – que visam contribuir para o desenvolvi- des e da organização da vida urbana em redes. aspectos estéticos e funcionais, incluindo as conferiu-lhe o grau de “Doctor of Civil mento de recursos humanos nos campos da Impõe-se aumentar a massa crítica na cidade, perspectivas de novos usos do espaço público e Law”. A 6 de Junho, o município de cidadania e da vivência urbana. seja através do cidadão comum, seja por inter- do património construído, seja o monumental, Londres decretou-o cidadão honorário As sociedades actuais estão profundamente médio dos técnicos que têm a responsabilidade seja o habitacional. da cidade. Faleceu em Hampstead a 27 marcadas pelos efeitos da globalização, quer ao de informar e/ou decidir acerca do crescimen- Contando com a competência e experiência de Agosto de 1879, sendo sepultado na nível político-económico, quer ao nível das to das cidades e seu apetrechamento, ou dos de um largo painel de especialistas, procura-se – Abadia de Westminster. Em 1882, erigi- componentes sociais. E, tal como as sociedades mecanismos de coesão social. Não basta viver como esclarece Pedro Hespanha, coordenador ram-lhe um monumento em Londres. se encontram traumatizadas por múltiplas e em democracia, é necessário vivificá-la pelo dos cursos – “identificar os factores de risco e (In:www.filatelicamente.online.pt) sucessivas mudanças, crescentes desigualdades e pleno exercício da cidadania. compreender a sua actuação, condições neces- recomposição dos mecanismos de exclusão No curso “Cidadania activa: experiências e sárias para estruturar uma intervenção social Não sendo oportuno falar de uma social, também as cidades se acham incontrola- políticas”, a par do aprofundamento do tema da sólida que favoreça a emancipação cidadã e emissão de selos posterior ao primeiro damente grandes e inseguras, dominadas pela participação cívica, nas suas diversas vertentes, reforce a democracia”. selo português e sua história, cabe aqui especulação imobiliária, fragmentadas e cheias oferece-se a possibilidade de análise de um Os interessados podem obter informações fazê-lo, uma vez que a emissão de que vou de contradições. vasto leque de casos concretos nos domínios através do telefone 239700905 ou no sítio falar está relacionada com Rowland Hill. Embora consciente das limitações da inicia- dos direitos e realidades de cidadania, com forte www.ipn.pt. Assim, em 1940, Portugal lançou uma Emissão Comemorativa do 1.º Cen- VENDE-SE tenário do Selo Postal. A ideia desta emis- são foi dada pela firma “Garland Laidley Varas de Competência Mista e Juízos Criminais de Coimbra – 4º Juízo Criminal & Cª Ldª” de Lisboa. O desenho foi de autoria de Pedro Guedes, inspirado num Palácio da Justiça – 3004-502 Telef. 239852950 Fax: 239822935 mail: correio@coimbra.varm-mj.pt retrato extraído da biografia escrita pelo Prédio filho de Sir Rowland Hill. A gravura é de PROCESSO: 23/04.0EACBR – PROCESSO COMUM (TRIBUNAL SINGULAR) – N/REFª 1198537 ANÚNCIO Arnaldo Fragoso e foram impressos na de habitação A Mmª Juiz de Direito Dr.ª Helena Lamas, do 4.º Juízo Criminal – Varas de Competência Mista e Juízos Imprensa Nacional Casa da Moeda sobre Criminais de Coimbra: papel liso, médio ou fino, em folhas de 50 selos com denteado 11,5 x 12. Foram devoluto FAZ SABER que no Processo Comum (Tribunal Singular) n.º 23/04.0EACBR, em que é arguido Luís emitidos seis milhões de selos de 15 cen- Gonçalves Marques Temudo, filho de José Maria Temudo e de Conceição Gonçalves Marques, natural de Antuzede (Coimbra), nascido em 28-08-1966, Casado, BI – 7849557, domicílio: Rua da Liberdade, Adémia de Cima, 3020-000 Coimbra, foi o mesmo condenado pela prática de 1 crime de Géneros alimentícios ou aditivos ali- tavos castanho, 2 milhões de selos de 25 mentares avariados, p.p. pelo artº 24º, nº 1, al. b) e c), do Dec. Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro, com referência ao centavos vermelho tijolo, oitocentos mil selos de 35 centavos verde, vinte milhões artº 81º, nº 1 al. a) e ao artº 82º, nº 1 als. b) e c) e nº 2 als. b) e c), praticado em 10-02-2004, por sentença profe- NUM DOS MELHORES rida nos presentes autos em 29-06-2006 e transitada em julgado em 14-07-2006, na pena de 40 dias de multa à taxa diária de € 5,00 e na pena de prisão de cinco meses, substituída pela pena de multa de 120, à mesma taxa de selos de quarenta centavos violeta diária, assim perfazendo a pena única de multa de 160 dias, à taxa diária de € 5,00, no montante total de € 800,00, escuro, seiscentos mil selos de cinquenta LOCAIS DE COIMBRA a que corresponde, se a mesma não for paga voluntária ou coercivamente, 106 dias de prisão subsidiária; – Em que é arguido Temudu´s Restaurante, Lda, c/ sede na Rua da Liberdade, Adémia de Cima, 3000-000 centavos verde azulado, oitocentos mil Coimbra, foi o mesmo condenado pela prática de 1 crime de Géneros alimentícios ou aditivos alimentares ava- selos de um escudo vermelho, e um mil- hão e quatrocentos mil selos de 1 escudo riados, p.p. pelo artº 24º, nº 1, al. b) e c), do Dec. Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro, com referência ao artº 81º, nº 1 al. a) e ao artº 82º, nº 1 als. b) e c) e nº 2 als. b) e c), artºs. 3.º e 7.º, praticado em 10-02-2004, na pena de 60 (Rua Pinheiro Chagas, dias de multa à taxa diária de € 20,00, ou seja, na multa de € 1.200,00. e setenta e cinco centavos azul escuro. mesmo junto à Avª Afonso Henriques) Coimbra, 28 de Julho 2006 Circularam de 12 de Agosto de 1940 a A Juiza de Direito, Dr.ª Helena Lamas 30 de Setembro de 1945. Informa telemóvel 919 447 780 O selo aqui reproduzido faz parte A Escrivão Adjunto, Fátima Sequeira desta emissão e tem o valor de $40. “Centro”, edição nº 11, de 04/10/2006
    21. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 OPINIÃO 21 – Hoje, um grupo andou à volta da diante de todos e que peças desculpa! A minha primeira POIS... D. Irene. Chamámos-lhe velha, não a queríamos deixar passar, ela ia carrega- Outra mãe ouvira a conversa: – E a senhora era capaz de fazer grande dúvida da com sacos, foi um gozo… uma coisa dessas? – O quê? E tu estavas nesse grupo? – Eu? Claro que era? Se já se viu o – A princípio, estive; depois, achei dislate destes energúmenos para com a que era de mais, coitada da senhora contínua mais querida e mais antiga cá contínua!... da escola! – Ouve-me bem, Carlitos! – A sério? Era capaz? E já viu o José Se eu sonho que fazes uma coisa enorme trauma que poderia causar no d’Encarnação dessas, eu exijo ao director que te ponha menino!... Varela Pècurto O escritor, a Europa Nem todos suportarão viver num monte PRAÇA DA REPÚBLICA alentejano, porque estes carecem de algumas e a sociedade do futuro comodidades que muitos não dispensam. Quem nasce num deles inicia desde logo a natural integração neste meio, como peça essencial que vai ser no jogo da vida isolada que o espera. Salva-se com o trabalho que, Poema que ainda hoje permanece como Os famintos do mundo olham-nos, a além de necessidade, é forma de manter a sani- bandeira de uma Europa multicultural e nós, europeus, como privilegiados, habitan- dade mental. identitária. tes de um lugar feliz, ansiando também eles O silêncio que envolve os montes é terapia Carlos Carranca Falamos de guerras, de cicatrizes e de to- por essa felicidade. para os de fora. Chegando necessitados de sos- lerância. É nesta perspectiva que os países de lín- sego, partem retemperados após alguns dias de Talvez toda a literatura nasça de um golpe, A tolerância tolera e tolerar é aceitar gua portuguesa, força aglutinadora que estadia. de uma ferida que se torna cicatriz de um sobranceiramente, e olhar com paternalis- hoje se reveste das mais diversas matrizes, Contrariamente ao que muitos julgam, nos corpo, de uma Pátria, de uma identidade. mo é conviver com reserva mental. devem gerar novos espaços identitários montes há vida social. Fazem-se visitas entre os É sempre algo que nos dói e nos torna Ultrapassemos essa barreira moral, hoje comuns, capazes de ultrapassar as feridas vizinhos mais próximos e raros são os que ina- mais conscientes da nossa condição. que a Europa - no coro polifónico das suas da guerra colonial e as barreiras imperialis- daptados à convivência. É sempre a marca da nossa personalidade, vozes - busca caminhos comuns, reforçan- tas da globalização. Os que falam a língua Numa delas meus pais decidiram incluir-me dos muitos sonhos que tentamos realizar, do do a identidade em dois planos. O nacional portuguesa existem por esse mundo fora. como passageiro da «charrete» que nos tran- muito que percorremos. e o europeu. São cidadãos desses novos países que sportou, um trote até à distância de uma meia Cicatrizes como resultado de um sem- Qual o papel, hoje, do escritor europeu vivem fora do seu território, residindo uma hora. Para mim, a visita era irrelevante. O meu número de deslumbramentos, de ganhos e numa sociedade globalizada que promove e parte significativa na Europa. entusiasmo centrava-se na própria viagem, no de perdas. Cicatrizes como roteiro dessa via- agrava os desníveis entre povos? A língua comum facilita contactos, ajuda que ia vendo pelo caminho, tudo mundo novo gem de exílio que é a do escritor. Porque Será possível ou pelo menos admissível a garantir a preservação de uma identidade, para uma criança. Diria até que é assim que se escrever é estar sempre fora, é “ser estrangei- viver sem remorsos quando há gente em mas não assegura, por si só, forma de coo- aprende a gostar do Alentejo. ro no mundo” ansiando, sempre, por uma África, por exemplo, que não conhece o peração que terão que ser atingidas e desen- Adorava os balanços do carro, na reacção pátria ideal, sem dogmas nem preconceitos, retinir de um telefone? volvidas com outras línguas, outras culturas. das molas à passagem das rodas sobre as covas nossa, feita de velhas raízes e novos ramos, Será moralmente aceitável que louvemos Nesta língua dos Poetas, a de Camões, da estrada térrea. Mas os meus seis anos não sob os quais possamos pernoitar, habitar e as maravilhas, as novas maravilhas da In- Pessoa, Pascoaes, Torga, Sophia, Manuel me iriam dar direito a participar na conversa conviver, à sombra da sua altura. formação, enquanto assistimos, à distância, Bandeira, Craveirinha, Daniel Filipe, Jorge dos adultos. A nossa literatura, a portuguesa, é, como à tragédia de milhões de seres humanos a Gomes Duarte, língua portuguesa falada, Por isso, após os cumprimentos habituais e se sabe, desde o início, uma literatura marca- viverem abaixo do limiar da pobreza para dizem, por 200 milhões de seres humanos de estarmos instalados numa sala com estranha da pela errância. Errância pelo mundo, pelo que alguns possam, em nome do progresso – número resultante de um longo percurso decoração, olhando cada canto, os quadros nas Oriente, pela Europa, por todos os continen- e da nova civilização, desenvolver os seus histórico, de patrimónios comuns, produto paredes, cadeiras e muitas almofadas, quedei- tes do homem. negócios? de uma convivência multissecular -, é nesta me numa floreira de madeira torneada, com Talvez Fernando Pessoa seja o exemplo Será admissível continuarmos a assistir ao casa que saudamos os escritores, os poetas, uma planta esquisita. mais universal dessa errância, sem sair do enriquecimento despudorado dos ricos à custa que acreditam na sua pátria e na Europa do Esgotada a observação, encarei as duas lugar. De uma errância que se fez pelo des- da manutenção e multiplicação dos pobres? futuro, fraterna e multicultural. irmãs, que nos recebiam sem os maridos por- dobramento da personalidade, pelo muito Será aceitável continuarmos a ver a eco- Basta sabermos congraçar na indepen- que eram solteiras. imaginar, pelo muito pensar, por uma certa nomia global a fazer o seu percurso de coli- dência de cada um, como afirmava Agos- Reparei que uma delas apresentava desme- forma de navegação espiritual que também são com os ecossistemas terrestres, geran- tinho da Silva. surado volume no peito, pormenor que passei sintetiza a nossa história, o nosso povo. do catástrofes ambientais, enquanto as Essa é a dimensão da poesia. a olhar fixamente. De duas grandes e profundas feridas, as grandes questões do nosso tempo (que Concluo citando um grande poeta de Nunca tinha visto coisa igual! guerras mundiais, restam hoje as cicatrizes também são portuguesas), a falta de água, a Portugal, Miguel Torga: Com tantas almofadas à vista ocorreu-me que ajudaram a dividir o mundo e a Europa. sobrevivência das florestas, a regeneração que a senhora teria ali metido uma delas. Dos longínquos anos da 2.ª Guerra, os dos oceanos, passam ao lado? Por isso a vós, Poetas, eu levanto Mas a que propósito? horrores que a marcaram ditaram ao Poeta e O papel do escritor na Europa de hoje A taça fraternal deste meu canto, A dúvida atormentou-me tanto que acabei pedagogo Afonso Duarte versos que dedi- deve conduzir-nos à reflexão e à acção, E bebo em vossa honra o doce vinho por sussurrá-la ao ouvido de minha mãe. cou a outra grande figura de português e abrindo portas. É que a diluição dos valo- Da amizade e da paz! Que mistério era aquele? homem da Europa, Paulo Quintela, que me res ainda não destruiu definitivamente Vinho que não é meu, A senhora alvo do meu insistente olhar logo permito recordar. todas as consciências morais. Mas sim do mosto que a beleza traz! suspeitou ser a causadora de tanta agitação, Hoje, tudo interdepende de tudo. levando minha mãe a quebrar o segredo da ino- E cá mesmo no extremo Ocidental O aumento exponencial dos que procu- E vos digo e conjuro que canteis! cente dúvida. Duma Europa em farrapos, eu ram trabalho não especializado ultrapassa, Que sejais menestreis Desmamado que fora há anos nem sequer Quero ser europeu: Quero ser europeu em muito, as novas tecnologias que cada Duma gesta de amor universal! me passou pela cabeça que tal anomalia pudes- Num canto qualquer de Portugal vez mais dispensam o homem. Duma epopeia que não tenha reis, se ser um atributo físico daquela virgem. Que mundo vai ser o nosso? Mas homens de tamanho natural! Fui então chamado para o seu colo e tirar de Como as ondas do mar sabem a sal, Poderemos nós recusar a globalização? imediato todas as dúvidas. A ave amacia o ninho que teceu; Faz sentido novos centros mundiais de Homens de toda a terra sem fronteiras! Segurando uma das minhas mãos introdu- Mas não será do mar, e nem do céu, decisão? De todos os feitios e maneiras, ziu-a naquele seu privado espaço, fazendo-a Porque me quero assim tão natural. Da cor que o sol lhes deu à flor da pele! mover de um lado para o outro. O FUTURO CÁ ESTARÁ Crias de Adão e Eva verdadeiras! Ainda hoje não sei calcular se foi maior a E se a esperança ainda me consente PARA NOS JULGAR Homens da torre de Babel! minha surpresa ante a verdade dos factos ou No Sonho do futuro, ao mal presente o deleite que a senhora deixou transparecer Se digo adeus, – é adeus até um dia... Não sei quem o disse, suponho que Homens do dia-a-dia ao sentir aquela movimentada apalpação aos Edgar Morin, mas assusta e dá que pensar Que levantem paredes de ilusão! seus seios. Mesmo assim a minha mão pare- Um presídio será, mas e meu berço! esta afirmação: “A técnica traz, do mesmo Homens de pés no chão, ceu-me realmente muito pequena para aquela Nem noutra língua escreveria um verso passo que a civilização, uma nova barbárie Que se calcem de sonho e de poesia abundância… Que me soubesse ao sal desta harmonia. cega e manipuladora”. Pela graça infantil da vossa mão! Mas fiquei esclarecido.
    22. 22 MÚSICA DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 mais atenção alguns dos discos que à pri- “riffs” das guitarras se cruzam com a elec- Distorções meira não nos cativaram muito, é uma das coisas que aproveito para fazer. E o ba- trónica. Mas, desta vez, estamos num regis- to bem mais melódico e menos cru do que lanço da últimas férias foi extremamente o seu antecessor, “Echoes”. Quanto a mim, positivo. Discos como: o homónimo dos os melhores temas são: “Don Gon Do It”, Broken Social Scene, “This is Hazelville” “Pieces Of The People We Love”, “Get dos Captain, “The Berlin Sessions” de Myself Into It”, “The Devil” e “Down For Chikinki – só para enumerar alguns – são So Long”. José Miguel Nora alguns dos nomes que fizeram parte da No seguimento do que tem acontecido josemiguelnora@gmail.com minha banda sonora deste Verão. Tam- nas últimas edições deste espaço, deixo bém ouvi alguns discos que me desiludi- uma sugestão final, desta feita: “Raise The ram bastante, mas dos “fracos não reza a Alarm”, dos The Sunshine Underground. As férias são sempre um período em história”. que se faz tudo aquilo que não se pode Nesta quinzena lembrei-me de escrever, fazer durante o resto do ano, e ouvir com em primeiro lugar, sobre o mais recente tra- PARA SABER MAIS: balho de uma banda que conheci há cerca The Rapture - http://www.chikinki.co.uk/ de dois anos, via NME (New Musical Ex- - http://www.captaintheband.com/ press), os Razorlight. Nessa altura tinham registo discográfico, “In The Morning” – - http://www.razorlight.co.uk/ acabado de editar o disco de estreia, “Up tema que tem gozado de algum “airplay” - http://www.therapturemusic.com/ All Night”, que (acabei por comprar), ape- nas rádios nacionais –, mostram uma banda - http://www.thesunshineunderground.co.uk/ sar de inconstante continha três grandes mais segura de si mesmo e que sabe muito - Broken Social Scene – “Broken Social canções: “Rip It Up”, “Golden Touch” e o bem o rumo a seguir. É um disco de que de Scene” (City Slang) fenomenal “Stumble & Fall”. Depois de que gosto imenso. Curiosa é o mínimo que - Chikinki – “The Berlin Sessions” (Urban uma série de concertos bem sucedidos, se pode chamar à discrepância das classifi- Cow Records) nomeadamente nas primeiras partes dos cações que este disco obteve nas revistas da - Captain – “This is Hazelville” (EMI) Queen & Paul Rogers, dos Oásis, e no Live especialidade (a britânica “Q” deu 5 em 5, - Razorlight - “Up All Night” (Vertigo) 8, a banda do novo “bad boy” do pop/ro- ao invés do português “Blitz” que apenas - Razorlight – “Razorlight” (Mercury) ck, Johnny Borrell, regressa com um álbum deu nota 2 numa escala de 0 a 5). - The Rapture – “Echoes” (Mercury) homónimo que, apesar de muito comercial, Outro dos discos que tenho ouvido bas- - The Rapture – “Pieces Of The People We reúne uma série de excelentes temas. “Fall tante é “Pieces Of The People We Love” Love” (Mercury) to Pieces”, “America”, “Hold On”, “Who dos The Rapture, que regressam com um - The Sunshine Underground – “Raise The Razorlight Needs Love?” e o primeiro avanço deste novo trabalho onde, mais uma vez, os Alarm” (City Rockers) Sérgio Godinho edita A PROPÓSITO DO DIA MUNDIAL DA MÚSICA novo álbum este mês Sérgio Godinho edita no final de Outubro Orquestras portuguesas um novo álbum de originais, seis anos depois de tornaram-se “uma pequena ONU” “Lupa”, revelou a editora discográfica EMI Music. Ainda sem título anunciado, o novo tra- Em Portugal há 2.000 a 2.500 músicos que Gostou de trabalhar em Portugal, onde pas- do outras dificuldades. Para o sindicato dos balho apresenta dez canções escritas por Sérgio trabalham exclusivamente na profissão, cerca de sou por várias orquestras, foi reforço na músicos, esta ausência de dificuldades na Gul- Godinho, entre as quais “Às Vezes o Amor”, o 600 dos quais em orquestras, onde dois terços Gulbenkian, realizou concertos a solo, deu aulas benkian não é novidade. primeiro single do disco. dos instrumentistas são estrangeiros de mais de no conservatório durante três ou quatro anos, “Eu acho que a Gulbenkian neste momento O novo álbum põe fim a seis anos de ausên- uma dúzia de nacionalidades, uma espécie de apaixonou-se por um português e foi ficando. é das orquestras mais bem pagas da Europa. Só cia de edição de registos originais, mas não signi- Nações Unidas. “O fundamental é que aqui dava para pôr a encontramos melhores remunerações nas fica que Sérgio Godinho tenha estado parado. “Os estrangeiros nas orquestras são a maio- mão em todas as coisas que me interessavam. orquestras de topo da França e Alemanha”, afir- Um ano depois de “Lupa”, foram editados o ria. A orquestra do Porto tem 80 por cento de Isto no meu país não é possível. Se estivermos mou Luís Cunha. álbum ao vivo “Afinidades”, com os Clã, e a co- estrangeiros, a Metropolitana tem mais de 80 em ‘full time’ num a orquestra sobra tempo para Na Gulbenkian um músico com alguns anos lectânea “Biografias do Amor”. por cento, a orquestra do Algarve tem apenas dar aulas e pouco mais”, adiantou. de serviço chega a ganhar 5 mil euros por mês, Em 2003, Sérgio Godinho lançou “O Irmão um português e a Orquestra Sinfónica tem cerca Para Katharine Rawdon, há ainda uma outra indicou, enquanto os salários médios noutras do Meio”, que, não sendo de originais, apresen- de 65 por cento e é das que tem menos”, disse diferença no panorama musical dos EUA. orquestras rondam os 1300, 1400 euros. ta versões renovadas de temas seus, com a ajuda Luís Cunha, da Direcção do Sindicato dos “Nos Estados Unidos, a música é feita um “Os solistas ganham um pouco mais”, afir- de diferentes músicos, entre os quais Xutos & Músicos. bocado em torno dos nomes sonantes e dos mou Luís Cunha, adiantando que neste momen- Pontapés, Da Weasel, Camané e Carlos do Car- Segundo a carta de intenções do Dia Mundial maestros. Se não há nomes sonantes não se to a orquestra das Beiras é a que mais mal paga mo, Caetano Veloso, Teresa Salgueiro, Milton da Música, criado em 1975, esta efeméride des- vende bilhetes”, o que leva à necessidade de (cerca de 500 euros por mês). Nascimento e Zeca Baleiro. Sérgio Godinho es- tina-se a aplicar os ideais de amizade e paz entre apoios privados, “com tendência para um reper- Mas, a nível laboral, os músicos portugueses treou-se ainda na edição de DVD, com o lança- as pessoas. tório muito conservador”. e estrangeiros enfrentam essencialmente o mento em 2004 de “De volta ao Coliseu”. No panorama musical português, onde nem “Tem de se tocar a 5ª Sinfonia de Beethoven mesmo problema, a contratação a recibo verde, Este ano, lançou a biografia musical “Retro- tudo é harmonioso, convivem polacos, húnga- semana sim, semana não”, ironiza. uma situação a que escapam as orquestras naci- visor”, assinada pela jornalista Nuno Galopim, ros, russos, italianos, franceses, ingleses, búlgaros, Katharine nunca se arrependeu por isso de onais (de Lisboa e Porto) e a Gulbenkian, segun- onde passa em revista, por ordem quase crono- eslovenos, australianos, norte-americanos, chi- não voltar a Nova Iorque, embora reconheça do o m esmo sindicalista. lógica, os álbuns de 35 anos de carreira. Ilustrado neses e belgas, entre outros. que lá “a nível da música é o sítio onde há “mais “A moda surgiu nos anos 80” e partiu-se “do por dezenas de fotografias do músico, “Retrovi- “Em média, deve haver 60 a 70 por cento de fermentação”. princípio errado” que os músicos estrangeiros sor”, inclui também uma discografia detalhada e músicos estrangeiros nas orquestras portugue- A Los Angeles não coloca sequer a hipótese não poriam problemas a nível laboral. um índice alfabético com todas as canções es- sas”, afirmou Luís Cunha, explicando que há de voltar. “É uma cultura em que se vive dentro “O que tem acontecido é que os músicos critas por Sérgio Godinho. alguns anos, para se fazer uma orquestra de qua- do carro e isso para um músico não é bom”. estrangeiros têm-se revelado mais combativos e Neste intervalo de seis anos, Sérgio Godinho lidade era preciso recorrer a estrangeiros. Bin Chao, um violinista chinês, solista da mais empenhados em preservar o seu elo de tra- compôs ainda para o espectáculo “Portugal - “Estou cá desde Abril de 1988. Vim por seis Orquestra Gulbenkian, é outro dos músicos balho”, explicou Luís Cunha. uma comédia musical”, com texto de Nuno Ar- meses”, contou à Lusa a norte-americana estrangeiros que vive há vários anos em Mas, o ambiente que se vive no panorama tur Silva e Nuno Costa Santos, que estreou em Katharine Rawdon, flautista na Orquestra Portugal. musical português entre músicos de todas as 2004 no Teatro Municipal São Luiz. Sinfónica Portuguesa, sedeada no São Carlos. “Estou em Portugal há quase 15 anos”, afir- nações é pacífico. Em Abril de 2005, aceitou um desafio daque- “Aqui na orquestra creio que temos 15 naci- mou, explicando que foi convidado pelo maes- “É um meio de trabalho onde há uma gran- le teatro e apresentou “Troca por Troca”, um onalidades representadas. Podemos falar nos tro Muhai Tang para a Gulbenkian e ficou pelo de mistura...”, diz Katharine Rawdon, “não há espectáculo mais intimista, em que interpretou ensaios em português, em inglês, em italiano. “ambiente fantástico “ que encontrou e por con- guerras tipo ‘os ingleses contra os portugueses’”. músicos de eleição, como Tom Jobim, Zeca Ultimamente tem sido muito em italiano”, con- siderar que é “uma orquestra de primeira classe “Aquela coisa do estrangeiro que vem e tira- Afonso ou The Kinks. fessou, em alusão à nacionalidade do actual no mundo”. me o lugar não acontece”, afirmou, consideran- De “Os Sobreviventes” (1971) a “Lupa” maestro titular, Donato Renzeti. Aprender a língua portuguesa, que fala de do no entanto “provável” que aconteça no futu- (2000), Sérgio Godinho é um nome incontorná- Esta norte-americana natural da Califórnia forma mais ou menos perceptív el, foi difícil. ro, quando muitos jovens saírem das escolas de vel da música portuguesa, com canções intem- veio para Portugal pela mão do maestro Álvaro “Não falo muito bem, mas para nós o mais música portuguesas bem preparados e quiserem porais de amor e crítica so cial que conseguiram Cassuto, que conheceu em Nova Iorque, onde importante é a música, falamos música”, subli- um lugar ao sol. chegar a várias gerações. trabalhava e vivia antes. nhou o violinista, adiantando não ter encontra- Elsa Oliveira (Lusa)
    23. DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS software que agiliza e simplifica o processo, mas também cação e divulgação de obras de carácter científico», mas ver características de outras aplicações e divulgá-las para permite que os utilizadores possam adquirir as versões que outros utilizadores possam ter acesso a estas e copiar impressas mediante encomenda. as especificidades que lhes convêm. Livros Labcom Zoho Creator Inês Amaral endereço: http://www.labcom.ubi.pt/livroslabcom/ Docente do Instituto endereço: http://www.zohocreator.com/ | categoria: | categoria: comunicação, arte Superior Miguel Torga software JUMPCUT 43 THINGS APRENDER A EUROPA O vídeo é a moda mais recente na rede. Os inevitáveis O 43 Things é um sistema construído com base no Youtube e Google Video permitem alojar vídeos, outros O site Aprender a Europa disponibiliza conteúdos vari- fenómeno do “tagging”, que permite aos utilizadores criar apresentam apenas rankings e os melhores vídeos de outros ados sobre a União Europeia (UE) e assume uma vertente uma listagem de objectivos e, através das palavras-chave sites – como o Video Awards. Um site que apresenta as fun- educativa. O projecto foi desenvolvido com o apoio do escolhidas, interligar os utilizadores que partilham as mes- cionalidades de todos os outros e ainda lhe acrescenta outras PRODEP III e tem como objectivos «facilitar o acesso à mas ideias. mais valias é o Jumpcut. informação, preparada em diferentes suportes pedagógi- Partindo do conceito de catalogação com base em pala- O Jumpcut permite alojar vídeos, classificá-los e pesqui- cos, envolver a comunidade educativa e estimular o debate vras-chave, o 43 Things expandiu-se e tem agora sub-sites sar por “tags”, participar em grupos e outros recursos que através da disponibilização de fóruns e realização de chats com temas tão variados como sítios a visitar, pessoas a os restantes serviços também apresentam, mas fornece temáticos». conhecer, bens a consumir… O fenómeno do “tagging” uma mais valia: possibilita a edição e criação de vídeos onli- Este sub-site do Centro de Informação Europeia remete para a prática de categorização colaborativa e dá vida ne. O utilizador pode acrescentar efeitos sonoros, manipu- Jacques Delors é uma ferramenta pedagógica de apoio a este site e à sua rede, que conta com mais de 617 mil utili- lar o som, montar vários excertos num único vídeo, colo- sobre a UE com três áreas temáticas distintas: Aluno, zadores de mais de nove mil cidades espalhadas pelo mundo car legendas, créditos… e outras funcionalidades. Professor e Investigador. A página disponibiliza ainda e que já categorizam aproximadamente 700 mil projectos. A informação sobre programas e bolsas de estudo, formação, pergunta é simples: “what do you want to do with your life?” Jumcut publicações juvenis, brincadeiras e questionários, fóruns e chat’s temáticos. Em cada sala temática materiais pedagógi- Links relacionados: endereço: http://www.jumpcut.com | categoria: vídeo cos, bases de dados e directórios de hiperligações adequa- dos ao seu público-alvo. Algumas das funcionalidades do http://www.allconsuming.net/ - All Consuming site só estão acessíveis mediante um registo prévio. http://www.43places.com/ - 43 Places ART FOR HOUSEWIFES http://www.43people.com/ - 43 People Aprender a Europa http://www.listsofbests.com/ - Lists of bests endereço: http://www.aprendereuropa.pt/ | categoria: 43 Things educação endereço: http://www.43things.com/ | categoria: comunidades virtuais ZOHO CREATOR LIVROS LABCOM O blog Art for Housewifes é um espaço criado para expor temas relacionados com mulheres, arte e lares. A ideia era par- tir do conceito de dona de casa e manter o weblog com assun- tos associados. Mas rapidamente se transformou num site dinâ- mico, no contexto da vida urbana, e com interessantes dicas sobre reciclagem. O site é um excelente apontador para ligações externas temáticas, tanto nos “posts” como numa extensa colu- na de links apresentada no lado direito do blog. Arte em papel, reaproveitar roupa velha, ideias para acessórios para a casa… O O Zoho Creator é um site que permite aos utilizadores ponto de partida eram as donas de casa mas hoje a temática criarem as suas próprias aplicações informáticas, sem O Labcom – laboratório de comunicação online da centra-se no conceito de casa na nova vida urbana. terem conhecimento de linguagens de programação. Trata- Universidade da Beira Interior, disponibiliza em formato se de uma espécie de “self service” que possibilita aos uti- pdf todos os seus livros publicados. Até ao momento estão Art for Housewifes lizadores comuns e não especializados gerar aplicações online duas colecções – “Estados da Arte” e “Estudos da para integração em suportes multimédia e interactivos. Comunicação”. Este projecto editorial empenha-se «em endereço: http://www.encontra-me.org/ | categoria: No site é possível criar uma aplicação com a ajuda de explorar esta nova via do online como território de publi- crafts, reciclagem, vida urbana
    24. 24 T E L E V I S ÃO DE 4 A 17 DE OUTUBRO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO sões do Porto Canal, um canal de televisão dis- tribuído por cabo e que é produzido no Porto. lentamente, com espaços baratos embora por vezes esticados ao limite. O desporto, ou me- O estereótipo na televisão portuguesa é uma ameaça. De facto, se a televisão se baseia Não houve ainda tempo para ver com olhos lhor, o futebol profissional, também lá tem na sedução e esta assenta o seu poder de co- mais atentos o que o Porto Canal tem para lugar e é um desses momentos levados ao ex- municação naquilo que ela tem de promessa, o oferecer, mas já se viu que não existe grande tremo. A táctica é ir ouvindo gente na rua, estereótipo baseia o seu poder no que tem de quantidade de produção. Para já é necessário dando tempo de antena e deixando que as pes- ameaça. Há sempre uma ameaça de exclusão ocupar o canal, o 13 da TV Cabo, e mais à soas falem o tempo que quiserem. Outra para aquele que não o segue. Francisco Amaral frente se verá. forma é utilizar o formato Fórum. Coloca-se Quem não segue a visão estereotipada da Docente da ESEC Há uma evidente recuperação estética de al- um jornalista (?) sentado de frente para o écran realidade oferecida pela televisão, corre o risco gumas soluções seguidas pela antiga NTV e al- e espera-se que os telespectadores telefonem. do isolamento social, da marginalização do co- ... e o Porto aqui tão perto guns regressos. Visualmente o canal é o que se Este processo é deveras penoso, já que o dis- lectivo, da expulsão do grupo. Isto, numa soci- Sérgio Godi- poderia chamar de “chill-out”. Graficamente positivo utilizado é o do chroma simples, quer edade que se tem vindo progressivamente a in- nho tem uma não é exuberante, mas tem bom gosto. Há dizer, uma espécie de cenário virtual dos po- fantilizar, pese embora o cada vez menor nú- canção (ia a cha- longos momentos em que a imagem é a de brezinhos. mero de crianças, é grave. mar-lhe “velha”, percursos pela cidade, com música de fundo Bernardino Barros, o famoso BB do Os canais por cabo com produção própria, mas não faz sen- como se viajássemos de carro. Noutros mo- mundo futebolístico, ex-TSF, ex-RTP, ex- como o lote da SIC, têm vindo a ampliar as tido) que no re- mentos há ideias simples para captar especta- SportTv, aparece como editor de desporto do ameaças de ex- frão repete: “Ai dores, como o caso do programa “Vizinhos”, Porto Canal e anima, pelo telefone, a conversa clusão para todos eu estive quase no qual um jornalista Porto Canal conversa com os telespectadores, já que o moderador os que não se in- morto no deserto e o Porto aqui tão perto”. com um “vizinho” – no último domingo um em estúdio não sabe muito bem como aguen- tegram nas novas Ora se isto do “Porto aqui tão perto” é coisa antigo barbeiro. Uma longa conversa de quase tar a situação que, no mínimo, é pesada. tribos das energi- para ter mais de 25 anos, neste tempo de abo- uma hora, que se vai desenrolando num banco Mais à noite, um regresso. Aquela menina as (ver o patético lição de distâncias o Porto está muito mais de jardim, com realização semelhante à de um loura que atendia telefonemas pela noite fora, programa de He- perto. Ou será que não? estúdio. em directo, na NTV, está de regresso. É apre- loísa Miranda na SIC-Mulher), dos signos, da Na passada semana iniciaram-se as emis- Há tempo para tudo. A emissão flui muito sentada como Rosa Bella e o programa tem conversa balofa, do opinar sobre tudo sem um sugestivo título: “Sozinha na cidade”. saber de quase nada. Depois desta brevíssima descrição, muito Por via hertziana, a TVI continua o seu es- incompleta, do Porto Canal, chego à conclu- forço de imbecilização, mais até do que infan- são de que é inexplicável que Coimbra, o tilização. Num programa sobre um falso prín- Centro, não consigam igualmente marcar pre- cipe, que também é milionário, o glamour cri- sença na televisão distribuída por cabo. Este ado é de terceira categoria, mas ainda há meni- canal produzido no Porto chega a todo o País nas suburbanas que dizem sentir-se num conto e em variadas matérias, Coimbra, tem imenso de fadas quando dançam com o “príncipe”. para oferecer. Sabendo que manter um canal Programas como este resvalam constantemen- de televisão não é coisa simples, há no entanto te para a chinela, como aconteceu com a espe- uma “nova televisão” a fazer que, numa cida- cialista em etiqueta que treinava o “príncipe” de como Coimbra e com a conjugação de es- para beijar a mão a uma senhora. “É assim... forços com outras capitais de distrito do você beija o seu dedo... não me beija a mão, Centro, é possível. Os processos aligeiraram- por uma questão de higiene... que eu não sei se. O Centro do País tem uma série de escolas onde é que você andou com a boca”. Com do ensino superior e até tecnológicas (em estes exemplos de vulgaridade, confirma-se Coimbra, Aveiro, Leiria, Castelo Branco, que muitas vezes o estereótipo começa como Viseu...), que na área dos audiovisuais e do um mecanismo que permite a economia de multimédia dão garantias de fornecer gente energia, mas acaba por ter um efeito de pres- conhecedora e entusiasta. Há também algumas são social para todos os que não se querem empresas no sector. Falta uma congregação de sentir privados de uma qualquer identidade vontades que, forçosamente, terão de ir á fren- cultural, digamos antes, de um universo sim- te dos interesses. bólico de referência. E que referência! A ameaça dos estereótipos O panorama geral da televisão portuguesa devia fazer-nos pensar duas (ou mais) vezes sobre o estado da sociedade onde vivemos. Para lá de todas as considerações que se pos- sam tecer sobre a informação na televisão pro- duzida em Portugal, há um outro lado, o do entretenimento, que revela às claras o que se tem vindo laboriosamente a construir. Não é pois só o espanto de ver um noticiário de um canal que pertence ao serviço público, abrir Há, no entanto, uma contradição que teima com a notícia da explosão de uma botija de gás em não se resolver. Por um lado há os apoian- doméstico em Barcelona. Nem tão pouco tes de uma nova atitude como forma de resol- acreditar que Carlos Daniel se demitiu de sub- ver os problemas económicos do País. Do director de informação para a RTP-Norte, outro, os que não querem seguir nessa direc- porque a Federação Portuguesa de Futebol ção. Estes constituem a maior parte dos teles- terá pressionado a RTP para o afastar da co- pectadores que dão audiências. Os outros, são bertura dos jogos da selecção nacional. É tudo os que, com o seu capital, estão por trás da isto e muito mais. maior parte de tão bizarras criações.

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