O Centro - n.º10 – 20.09.2006
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O Centro - n.º10 – 20.09.2006

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Versão integral da edição n.º 10 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 20.09.2006. ...

Versão integral da edição n.º 10 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 20.09.2006.

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Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
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  • 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca Mário Martins Paula Beirão Valente Renato Ávila Varela Pècurto PÁG. 14, 19 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) ANO I N.º 10 (II série) De 20 de Setembro a 3 de Outubro de 2006 € 1 euro (iva incluído) PRESIDENTE DA “REN” EM ENTREVISTA AO “CENTRO”: Transportes têm de modificar-se para poupança de energia Numa altura em que as questões energéticas estão, tões, mesmo às mais incómodas (como é o caso das mais do que nunca, na ordem do dia, condicionando a centrais nucleares), o eng. José Penedos pronuncia-se evolução política e o desenvolvimento económico da sobre o presente e o futuro do sector energético e su- Humanidade, o “Centro” foi entrevistar o Presidente gere algumas medidas para enfrentar os problemas do da REN (Rede Eléctrica Nacional). Sem fugir às ques- referido sector. PÁG. 4 e 5 NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ, SITUAÇÃO INÉDITA NA EUROPA “Baleia-Piloto” bebé sobrevive graças a exemplar apoio MUSEU NACIONAL DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA DOUTOR MÁRIO SILVA Director demissionário queixa-se Uma “Baleia-Piloto” bebé que deu à costa no final de Agosto, está a sobreviver num de falta de apoios da tutela centro de apoio na zona da Figueira da Foz, graças a um exemplar acompanhamen- Criado em Coimbra pelo Professor Mário Silva (um ilustre físico que trabalhou to que funciona 24 horas por dia. Este caso de sobrevivência é único na Europa e com Madame Curie e foi perseguido pelo regime salazarista), o Museu Nacional deve-se a um grupo de pessoas que se revezam para prestar assistência ao simpático da Ciência e da Técnica está a passar por uma crise muito profunda. O Director bebé. Mas esse apoio tem custos muito elevados, e o grupo precisa de auxílio dos demissionário, em declarações ao “Centro”, queixa-se do abandono a que o Museu amigos dos animais para que o seu esforço seja coroado de êxito. PÁG. 9 tem sido votado pela tutela. PÁG. 6 e 7 DESPORTO REPORTAGEM ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes Capitão Por que é do “Centro” da Naval que os carros com 10% quer jogar têm de desconto mais as cores na compra três épocas que têm? de livros PÁG. 2 e 3 PÁG. 16 PÁG. 10 a 12
  • 2. 2 DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 EDITORIAL O Sol não nasce para todos… E, releve-se a presunção e imodéstia, portuguesa pós-Revolução de Abril. Muitas go após esta espaventosa chegada, será ver será injusto pensar que tal é coisa pouca! vezes mais irreverente do que independen- e vencer. Oxalá assim aconteça, mas sem Este sector da imprensa escrita é muito te, não raro excessivo e pouco correcto, a que tal signifique o ocaso do “Expresso” – complexo! Nele se podem encontrar pro- verdade é que esse semanário criou um uma instituição algo anquilosada, mas que jectos verdadeiramente jornalísticos, que novo estilo, ousou fazer rupturas e contri- se espevitou para enfrentar a ameaça e não visam apenas alcançar a nobre função de buiu para o desenvolvimento – e rejuvenes- facilitar a vida ao atrevido adversário que Jorge Castilho informar de maneira isenta, a par com ou- cimento – de uma imprensa escrita mais ou dele próprio foi gerado. jorge.castilho@zmail.pt tros que se servem dos jornais para embru- menos acomodada, e em alguns casos (Dele e de uns milhões de euros, que é lhar e apoiar interesses menos claros. mesmo adormecida. coisa que dá sempre jeito para bem poder Após a anunciada pausa estival, o “Centro” É, também, um sector vulnerável às tur- Depois do “Século”, do “Diário de Lis- construir projectos de grande envergadura…). regressa ao convívio dos seus leitores. bulências, como demonstram dois recentes boa”, de “O Comércio do Porto”, de “A Saúda-se o recém-chegado, pois a dispu- É bom estar de volta! exemplos de cariz oposto. Capital”, e de mais alguns outros prestigia- ta com o velho senhor promete ser benéfi- Reconforta saber que, embora lutando Por um lado, o fim de “O Indepen- dos títulos que foram ficando pelo cami- ca para quem continua a apreciar a leitura com dificuldades de ordem vária, conse- dente”; pelo outro, o nascimento do “Sol”. nho, chegou agora ao “Indy” a inevitabili- de jornais. guimos ir vencendo os obstáculos e vamos Quanto ao “Indy” (designação carinhosa dade de fechar as páginas. Quanto a nós, que jogamos noutro cam- levando até aos que em nós confiam um que lhe concediam leitores fiéis), é com Em compensação (mais desejável seria a peonato, cá continuaremos a tentar fazer o jornal que se orgulha da sua independên- muita tristeza que vejo desaparecer um títu- acumulação…), surgiu um “Sol” brilhante melhor que pudermos e nos deixarem. cia. lo que teve relevante papel na imprensa de vaidade, ambicioso, convicto de que lo- Mas, repito, é bom estar de volta! VENDE-SE Blogue ao Centro Prédio de habitação O “Centro” tem já em fase adiantada a construção da sua edição on line, que OS LEITORES devoluto dentro em breve será disponibilizada ao A PARTICIPAREM público. E, indo ainda mais longe, gostaría- Trata-se de um passo coerente com a mos que os leitores tivessem uma efec- importância que temos vindo a dedicar tiva participação nos conteúdos de à Internet, nomeadamente através da cada edição do “Centro”, enviando-nos secção “Ideias Digitais”, que continua a textos e imagens que entendam terem merecer críticas muito positivas, já que interesse para publicação (e que edita- NUM DOS MELHORES nela Inês Amaral nos indica alguns dos remos se, efectivamente, preencherem sítios mais originais e com maior interes- os indispensáveis requisitos para esse se, em áreas muito variadas deste fasci- efeito). nante mundo virtual que é a Internet. Os textos deverão ser curtos e focar LOCAIS DE COIMBRA Mas enquanto o nosso “site” não está questões de interesse geral, ou então disponível, queremos estreitar os laços casos insólitos ou relevantes. com os nossos leitores através de outro Quanto às imagens, podem ser meio de comunicação virtual que está a mesmo as captadas por telemóvel (em- crescer e a vulgarizar-se de forma es- bora, naturalmente, seja preferível obtê- pantosa: os blogues. -las com máquinas digitais ou enviá-las (Rua Pinheiro Chagas, Assim, criámos um blogue, cujo en- em papel, para melhorar a qualidade da dereço é reprodução), e deverão identificar o res- mesmo junto à Avª Afonso Henriques) pectivo autor, a data e o local onde http://jornalcentro.blogspot.com foram recolhidas e o que documentam. Este blogue está disponível para os O desafio aqui fica, esperando que leitores nos remeterem as suas críticas, rapidamente comece a merecer respos- Informa telemóvel 919 447 780 mas também as suas sugestões. ta de muitos leitores. Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros Propriedade: Audimprensa No sentido de proporcionar mais alguns to que proporcionamos aos assinantes do ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 benefícios aos assinantes deste jornal, o “Centro” assume especial significado (isto assinatura, ou solicitá-la através do e-mail “Centro” acaba de estabelecer um acordo é, só com o que poupa por um filho fica centro.jornal@gmail.com. Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho com a livraria on line “livrosnet.com” (ver pago o valor anual da assinatura). São apenas 20 euros por uma assinatura rodapé na última página desta edição). Mas este desconto não se cinge aos anual – uma importância que certamente Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Para além do desconto de 10%, o assi- manuais escolares. Antes abrange todos os recuperará logo na primeira encomenda de Composição e montagem: Audimprensa - nante do “Centro” pode ainda fazer a en- livros e produtos congéneres que estão à livros. Rua da Sofia, 95, 3.º comenda dos livros de forma muito cómo- disposição na livraria on line “livrosnet”. E, para além disso, como ao lado se in- 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 da, sem sair de casa, e nada terá a pagar de Aproveite esta oportunidade, se já é assi- dica, receberá ainda, de forma automática e Fax: 239 854 154 custos de envio dos livros encomendados. nante do “Centro”. completamente gratuita, uma valiosa obra e-mail: centro.jornal@gmail.com Numa altura em que se aproxima o iní- Caso ainda não seja, preencha o boletim de arte de Zé Penicheiro – trabalho original Impressão: CIC - CORAZE cio de um novo ano lectivo, e em que as que publicamos na página seguinte e envie-o simbolizando os seis distritos da Região Oliveira de Azeméis famílias gastam, em média, 200 euros em para a morada que se indica. Centro, especialmente concebido para este Tiragem: 10.000 exemplares material escolar por cada filho, este descon- Se não quiser ter esse trabalho, bastará jornal pelo consagrado artista.
  • 3. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 SOCIEDADE 3 REVELADO ONTEM PELO GOVERNO Empresa Em Portugal há cerca “Águas de Coimbra” pioneira em gestão No âmbito do plano de modernização de 738 mil funcionários públicos das novas tecnologias de informação, a em- presa municipal “Águas de Coimbra” cele- brou ontem um contrato de implementação O total de funcionários públicos ascende vela que os restantes funcionários públicos serviços apoio, administração regional e au- de um sistema avançado de informação de a 737.774, 70 por cento dos quais na admi- pertencem à administração autárquica tónoma e administração autárquica, inde- gestão (ERP). Segundo os responsáveis nistração directa e indirecta do Estado, ór- (130.650 trabalhadores ou 17,7 por cento pendentemente da sua natureza (nomeação, daquela empresa, “em termos de estratégia gãos de soberania e respectivos serviços de do total) e à administração regional e autó- contrato administrativo de provimento, está em causa obter ganhos assinaláveis ao apoio, revelou ontem (terça-feira) a Base de noma (38.740 trabalhadores ou 5,3 por contrato de trabalho por tempo indetermi- nível da gestão, que se vão traduzir na ex- Dados dos recursos humanos da adminis- cento). nado ou a termo resolutivo). celência do serviço aos consumidores”. tração pública. A BDAP inclui todo o pessoal que A base de dados inclui ainda prestações O consórcio Edinfor/ Oracle foi escolhi- A Base de Dados (BDAP), ontem apre- detém uma relação jurídica de emprego de serviço (tarefa e avença), tal como acon- do pela “Águas de Coimbra” para o projec- sentada pelo Secretário de Estado da com a administração directa e indirecta do teceu no último recenseamento feito na to de implementação das soluções ERP e Administração Pública, João Figueiredo, re- Estado, órgãos de soberania e respectivos Administração Pública, em 1999. UBS. A primeira refere-se a um sistema de gestão global da empresa, que afecta trans- versalmente todas as áreas de gestão. A se- gunda incide especificamente sobre a área CONFERÊNCIA NA UNIVERSIDADE ANO LECTIVO INICIOU-SE ANTEONTEM comercial. O contrato prevê a implemen- ABERTA DE COIMBRA tação, em 12 meses, da solução integrada de Escola de Hotelaria e Turismo backoffice, que inclui as componentes finan- A criança de Coimbra com cerca de 500 alunos ceira, de stocks, de Recursos Humanos, de e a matemática projectos e de exploração, bem como a A Escola de Hotelaria e Turismo de Coim- de Especialização Tecnológica com certificação gestão da manutenção da rede. “A criança e a matemática: estratégias de bra iniciou anteontem (dia 18), o ano lectivo, profissional de nível IV). Ainda segundo os responsáveis da em- motivação” – eis o tema da conferência a pro- com uma sessão de boas-vindas aos alunos. O número total de alunos da Escola ascende presa, “a implementação da solução de ferir em Coimbra na quinta-feira da próxima São 125 os “caloiros” desta prestigiada esco- a cerca de meio milhar, incluindo mais de duas backoffice na Águas de Coimbra vai permi- semana (dia 28), por Darlinda Moreira e Isolina la dependente do INFTUR (Instituto de centenas que frequentam os 2º e 3º anos dos tir aumentar a eficiência da empresa, com a Oliveira, docentes da Universidade Aberta. Formação Turística), distribuídos pelos cursos cursos de nível III e os finalistas de Gestão Ho- automatização de processos e com a elimi- A conferência, com entrada livre, inicia-se às de Cozinha, Restaurante/Bar e Turismo (nível teleira, a que se juntam mais 116 no Núcleo nação do papel. Outra mais-valia é a central- 18 horas, na Delegação de Coimbra da referida III de qualificação profissional, com equivalên- Escolar do Fundão, tutelado pela escola de ização e o controlo da informação que per- Universidade (Rua Alexandre Herculano, nº 52 cia ao 12º ano de escolaridade) e do curso/itine- Coimbra, reconhecida como um exemplar esta- mitirá ganhos ao nível da gestão”. – frente à estátua do Papa João Paulo II). rário de formação em Gestão Hoteleira (Curso belecimento de ensino nesta área. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Assine o jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 e ganhe valiosa obra de arte fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  • 4. 4 ENTREVISTA DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 PRESIDENTE DA “REN” EM ENTREVISTA AO “CENTRO”: “A melhor energia é a que Numa altura em que a uma disputa de preços com a Ucrânia. problemática da energia emerge, Acresce que há notícias de que Rússia em todo o Mundo, como uma das está a construir um gasoduto para a mais relevantes, em termos China, que depressa pode vir a tornar- políticos e económicos, o -se num mercado alternativo e bem mais apetecível, em termos económicos “Centro” foi ouvir o Presidente da mas também políticos. Como avalia REN (Rede Eléctrica Nacional). esta situação do gás natural em termos Das energias alternativas até à mundiais? E qual a situação de hipótese nuclear, passando pela Portugal, também no que respeita ao liberalização do mercado ibérico, abastecimento através do Norte de José Penedos não se furtou África? a responder a qualquer uma das JP – É verdade que o gás natural também diversas questões que lhe oferece o risco de subidas significativas. colocámos. Uma entrevista que Portugal, para além do abastecimento por faz luz sobre alguns aspectos gasoduto a partir do Norte de África, dispõe menos claros que condicionam de um terminal de gás liquefeito, em Sines, e esta área tão importante como de instalações de armazenamento subterrâ- neo, no Carriço-Pombal, o que lhe dá uma complexa. certa capacidade negocial. Mas, naturalmen- te, isso não será suficiente para obviar a ten- Jorge Castilho dência de subida que se tem registado. CENTRO – Em declaração conjunta, na sua recente reunião na Rússia, os lí- DECISÃO SOBRE deres dos países que integram o G8 su- CENTRAL NUCLEAR blinharam ser a energia essencial para DEVE SER SUPORTADA melhorar a qualidade de vida e as opor- PELA SOCIEDADE tunidades para os países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, acrescen- CENTRO – Perante os problemas tando ser um desafio para o G8, e para a dos combustíveis fósseis, alguns países, Humanidade em geral, assegurar reser- José Penedos como o Reino Unido, voltam a equacio- vas de energia suficientes, respeitando o nar a opção por centrais nucleares de Ambiente e a preços razoáveis. Se este Estas reflexões levam-nos a que o pri- ser, mercê dos anunciados avanços tecnoló- nova geração. Julga que para os países parece ser um desígnio consensual, já a meiro passo será o da redução dos consu- gicos da descarbonização, um combustível com maiores necessidades energéticas sua concretização se antevê nada fácil. mos como uma das principais formas de com importância crescente. é inevitável o recurso à fissão e/ou à Quais são, na sua perspectiva, os cami- prolongar as reservas de energia. Será dese- fusão nucleares? nhos mais exequíveis para tentar atin- jável que as economias emergentes quei- gir-se este objectivo global? mem as etapas por que passaram as socie- JP – Não podemos ignorar que a energia É DE ESPERAR dades que hoje ocupam os lugares cimeiros. eléctrica obtida a partir da nuclear é uma CONTINUAÇÃO José Penedos (JP) – O paradigma em Do lado da oferta, as energias renováveis forma limpa e que faria frente às instabili- DOS PREÇOS ALTOS que se desenvolveram os países mais avan- terão um papel cada vez mais relevante. Os dades que se observam com os restantes çados baseou-se na substituição massiva da transportes, nas próximas décadas, em que CENTRO – O brutal aumento do combustíveis fósseis. A fissão tem, como se força muscular por energias baratas. A o petróleo deixará de ser competitivo, terão custo do petróleo, a par com a instabili- sabe, o problema dos resíduos radioactivos Humanidade tem hoje consciência de que que ser substancialmente diferentes dos ac- dade política no Médio Oriente, que e o do risco dos acidentes. Até agora houve aquele paradigma mudou. Daí que a susten- tuais. nos últimos tempos se agudizou, tem muito poucos e todos acreditamos na fiabi- tabilidade do desenvolvimento terá que Na produção de electricidade, o gás na- levado a que se intensifique a busca de lidade da engenharia quando entramos, por buscar soluções diferentes. As casas, por tural passou a ter um papel relevante, até alternativas. Ainda assim, a sociedade exemplo, num avião. A fusão, quando esti- exemplo, construídas sem preocupações re- porque as suas reservas têm uma previsão contemporânea tem uma enorme de- ver comercializada, e é anunciada para lativas à eficiência energética, são uma das de esgotamento maior (100 anos). Mas a pendência dos combustíveis fósseis, daqui a 30 anos, não terá os mesmos pro- grandes causas para os elevados consumos. evolução do preço acompanha muito de que não pode modificar-se de um dia blemas e será um grande salto na obtenção O transporte, facilitador da mobilidade, é a perto o do petróleo. O carvão, com reser- para o outro. Quais são as suas previ- de energia eléctrica. E se não se mudar o maior. vas previstas até daqui a 200 anos, volta a sões no que concerne à evolução dos paradigma actual do desenvolvimento das mercados do petróleo? sociedades, apostando mais na eficiência do uso global da energia, parece inevitável re- JP – Pode considerar se haver défice de correr a esta fonte de energia primária. Em refinação face às necessidades actuais e às todo o caso, uma decisão sobre uma central de grandes países como a China. As refina- nuclear, nomeadamente a fissão, deve ser rias estão a trabalhar ao máximo. À mínima suportada pela sociedade, pelos factores en- perturbação os preços disparam. É, pois, de volvidos que são os de localização, risco de esperar uma continuação de preços altos exploração e destino a dar aos resíduos. que mais ajudarão à procura de alternativas. CENTRO – E no que respeita a CENTRO – Também no que respei- Portugal? Apesar do actual Primeiro- ta ao gás natural a situação mundial é Ministro afirmar que essa é uma ques- complexa. Uma recente sondagem da tão que não está na agenda do actual BBC, abrangendo 20 mil pessoas em 19 Governo, alguns empresários não es- países, mostrou que 45% dos inquiridos condem o seu interesse pela construção confiavam na Rússia como seu abaste- de uma central nuclear no nosso País. cedor de energia. A verdade é que já Qual a sua posição sobre esta matéria? este ano a Gazprom, que tem o mono- pólio do gás natural na Rússia, cortou o JP – Não estando na agenda do actual abastecimento à Europa por causa de governo, a possibilidade só deve ser consi- “A energia eólica é a que claramente está a ter uma maior evolução, podendo vir a contribuir muito significativamente se se conseguir instalar todo o potencial existente”
  • 5. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 ENTREVISTA 5 não é necessário gastar” derada quando incorporada na Estratégia deveriam ser tomadas para atenuar esta Nacional para a Energia. É bom que a socie- realidade? dade vá formando a sua própria opinião, de modo a que se possa pronunciar, na altura JP – Impõe se criar uma consciência de própria, com clareza. cidadania. A melhor energia é aquela que não é necessário gastar. Uma unidade de energia é valiosa e, como tal, deve ser cor- rectamente valorada de forma a reflectir os ENERGIA EÓLICA custos ambientais, também. Com valores É A QUE ESTÁ A TER claros, cada cidadão europeu terá a sua MAIOR EVOLUÇÃO oportunidade de escolher em consciência. CENTRO – Começa a haver um maior Valerá a pena, em paralelo com isto, ensinar interesse pelas energias renováveis, quer nas escolas toda a problemática energética em termos internacionais, quer no nosso para que as novas gerações tenham melhor País. Hídrica, eólica, solar – qual o papel preparação que lhes permita lidar com o que cada uma delas pode vir a assumir em novo paradigma que vão encontrar e que Portugal, em termos percentuais, relativa- Quanto à energia nuclear, “é bom que a sociedade vá formando a sua própria opinião, não é o mesmo dos seus antecessores. mente às necessidades de consumo? de modo a que se possa pronunciar, na altura própria, com clareza” CENTRO – Qual é, em síntese, o JP – A energia eólica é a que claramente estão a ser aproveitadas com culturas “ener- de futuro relativamente a este complexo papel da REN, e quais os seus principa- está a ter uma maior evolução, podendo vir géticas”. problema energético para os seus is projectos a curto e médio prazo? a contribuir muito significativamente se se Estados-membros? Quais deveriam ser conseguir instalar todo o potencial existen- as linhas-mestras dessa política? JP – A REN é concessionária do estado te. A grande hídrica ainda pode quase que para o transporte de energia eléctrica e, REDE EUROPEIA dobrar, isto é, chegar aos 8000 MW de po- JP – De uma forma geral elas estão refe- muito proximamente, sê lo á, também, para DE ENERGIA É DESÍGNIO tência instalada. A solar está numa fase um renciadas no Livro Verde para a Energia o do gás natural. Cabe lhe, no âmbito das DE SOLIDARIEDADE tanto experimental, com uma fotovoltaica que destaca seis aspectos principais. Para correspondentes concessões, construir e que não virá a ter grande futuro pelo seu CENTRO – Que alterações, positi- além do desenvolvimento dos mercados do manter as respectivas Redes de Transporte baixo rendimento, mas a ser substituída vas e negativas, pode sentir o consumi- gás e da electricidade, de um cabaz energé- e controlar os processos para que ambas as pelas nanotecnologias e por utilização de dor português perante a liberalização tico mais sustentável, eficiente e diversifica- formas de energia nunca faltem em Por- fluidos que podem gerar vapor por efeito do mercado ibérico de energia? do, de uma abordagem integrada para com- tugal. de aquecimento a algumas centenas de bater as alterações climáticas, de um plano No âmbito da electricidade está previsto graus que pode ser usado como nas turbi- JP – É das leis dos mercados eficientes estratégico para as tecnologias energéticas, um investimento da ordem de mil milhões nas de outras centrais térmicas. A biomassa que a livre concorrência conduz aos melho- de uma política energética externa comum, de euros, num horizonte de cinco anos para terá, também, um contributo importante. O res preços para o consumidor. Haver um destacaria a segurança do aprovisionamen- continuar a desenvolver a rede de transpor- “mix” de fontes primárias de energia apon- mercado é, pois, uma situação potencial- to mediante uma solidariedade institucional te de forma a permitir ligar os novos cen- ta, assim, para 40% de renováveis, 30% de mente favorável. O mercado ibérico é entre os Estados Membros, com a criação tros produtores, sobretudo, os baseados em carvão “limpo” e 30% de gás natural em muito condicionado pelo maior país, a de um observatório europeu para o aprovi- energias renováveis, e libertar a rede de es- 2025, na produção de energia eléctrica. Espanha, tanto mais que há ainda restrições sionamento, ou estrutura semelhante, que trangulamentos para que se possa imple- Esta, no entanto, representa apenas cerca de capacidade na fronteira com o resto da dê resposta a um eventual risco de ruptura. mentar um verdadeiro mercado de electrici- de 18% da energia total de que o país neces- Europa, dada a fraqueza nas interligações Haverá, no entanto, que ter em conta toda dade. Neste âmbito estão, ainda, incluídas sita. Os restantes 82% são gastos nos entre a Espanha e a França. Mas o mercado a diversidade da Europa e o respeito pelas as novas interligações com Espanha no transportes e na indústria e serviços. Esta é ibérico será um contributo para o mercado opções de cada Estado, nomeadamente Alto Minho, na zona do Douro Internacio- uma das partes mais difíceis do problema. interno europeu da electricidade, anunciado quanto ao mix de produção, não sendo de nal e no Algarve, podendo ainda vir a sur- O caminho-de-ferro, consumindo electrici- como um factor de esperança para gerar realçar a aposta na criação de condições gir uma outra na fronteira de Trás-os-Mon- dade, deveria substituir o grande transpor- maior competitividade para a Europa, e para maior garantia de abastecimento. tes por razões ligadas com a evolução da te. O automóvel terá que ser optimizado se- para concretizar, à escala regional, o para- produção eólica. guindo a linha de alguns construtores com digma duma rede europeia de energia que A REN vai, entretanto, passar por uma veículos híbridos e possibilidade de carga está constituída em desígnio de solidarieda- fase de crescimento com a junção dos já re- ESCOLAS DEVEM durante a noite o que até ajudaria a unifor- de entre os povos dos estados membros da feridos activos do gás natural a que se se- ENSINAR PROBLEMÁTICA mizar o diagrama de carga do consumo de União. guirá uma fase de dispersão de capital em ENERGÉTICA electricidade em cada país. Os transportes bolsa. Constituir se á assim um grupo de públicos, consumindo biodiesel, ajudariam CENTRO – A UE tem alguma polí- CENTRO – Apesar das crescentes empresas interessante para os investidores a reconverter zonas do território que não tica concertada, coerente e com visão dificuldades no sector, continua a assis- com gosto pelo aforro em títulos de empre- tir-se a um generalizado desperdício sas mais seguras porque não flutuam signi- energético, e não só por parte dos con- ficativamente com os altos e baixos das bol- sumidores domésticos. Que medidas sas, por se tratar de activos regulados. Bush defende nuclear O presidente norte-americano, George W. Bush, defendeu, no início do corrente mês, o recomeço da construção de centrais nucleares para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação ao petróleo. “Devemos ser agressivos para promover novas tecnologias, em particular no domínio da energia”, disse. “Na minha opinião, este país devia continuar a desenvolver a energia nuclear se quer- emos tornar-nos menos dependentes de fontes de energia estrangeiras”, defendeu. Citou também o etanol como fonte de energia alternativa ao petróleo. Os Estados Unidos deixaram de construir centrais nucleares desde o acidente de Three Mile Island (Pensilvânia, leste), a 28 de Março de 1979. Uma centena de cen- trais naquele país produz actualmente cerca de 20 por cento da electricidade na- “A grande hídrica ainda pode quase que dobrar, isto é, chegar aos 8000 MW de po- cional, muito atrás do carvão. tência instalada”
  • 6. 6 REPORTAGEM DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 FALTA DE APOIOS TORNA COMPLICADA A SUA EXISTÊNCIA E ACTIVIDADE Museu Nacional da Ciência e da Fábio Moreira A comemorar o trigésimo aniversário desde a sua criação oficial, o Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), em Coimbra, atravessa momentos conturbados. O respecti- vo Director, Paulo Gama Mota, afirmou ao “Centro” que o propósito inicial do Museu era “criar um repositório da memória da ciência e tecnologia produzida no nosso país e a sua di- vulgação e contribuição para a evolução tecno- lógica e científica”. Mas acrescentou que tal objectivo “só muito parcialmente está a ser atingido”. Os problemas que o Museu atravessa são principalmente de ordem financeira, um pouco como no resto do País. Segundo Paulo Gama Mota, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), que tutela o Museu, tem votado este ao abandono, não dispondo de qualquer tipo de apoio. A instabilidade tem sido tal que o Museu es- teve já quase para encerrar portas. “Durante o mandato PSD de Santana Lopes houve uma decisão de reconversão do Museu, que entre- tanto não se fez pela súbita queda do governo” revela-nos o Director. Já com José Sócrates e o PS no comando dos destinos do país surgiu uma nova ideia “de entregar o Museu a outra entidade, retirando-o da administração central, Uma das peças do espólio do Museu Nacional da Ciência e da Técnica que pode ser vista actualmente no claustro do Colégio mas o processo nunca foi claro e nunca fui in- das Artes formado do que pretendiam na realidade fazer, o Museu Nacional da Ciência e da Técnica Mas, apesar de tudo, o Museu tem man- mostra. Contudo, houve um projecto em pelo que as coisas se vão arrastando” - queixa- vai vivendo apenas de exposições temporá- tido alguma actividade. Actualmente está colaboração com o Visionarium de Santa se Paulo Gama Mota. rias desde 1999, desde que passou a estar em patente ao público, desde Maio e até Maria da Feira para expor esses objectos, sob a alçada do MCTES. “Queria exposi- Novembro, a exposição “À Luz de Eins- mas não se conseguiram reunir os financia- ções permanentes, até para ter algum pólo tein”, que esteve em 2005 na Fundação mentos necessários”. de atracção constante, mas não disponho Calouste Gulbenkian, aquando das come- Paulo Gama Mota lamenta toda esta si- ESCASSA ACTIVIDADE de apoios financeiros para tal, apesar de es- morações dos 100 anos das publicações do tuação, pois “o museu tem características POR FALTA DE MEIOS Tudo isto já levou o Director a apresen- tarem prometidos” justifica-se o Director. famoso físico alemão. Esta mostra pode ser únicas, com todas as condições para ser um tar a demissão, decorria o ano de 2005. No Como seria de esperar, esta situação tem vista nas instalações do Museu no Colégio museu moderno com um papel importante entanto, o Ministério apelou a Paulo Gama consequências negativas. “Tem continuado a das Artes (antigos Hospitais da Universi- na contribuição para a cultura cientifica na- Mota para continuar até à sua substituição, haver alguma adesão do público, mas não dade de Coimbra). cional”, afirma. situação que se vai mantendo. Deste modo, aquela que poderíamos e gostaríamos de ter”, O MNCT possui uma notável colecção A concluir, o Director demissionário do reitera Paulo Mota. E continua: “O museu sobre Leonardo da Vinci, mas que não está Museu Nacional da Ciência e da Técnica, tem perdido pessoal e não tem havido mais acessível ao público. O “Centro” questio- deixou no ar uma interrogação, semelhante Exposição contratações. Para chegar ao público é preci- nou Paulo Gama Mota sobre as razões que a outras que há muitos anos vêm sendo le- so ter uma atitude agressiva na divulgação, impedem que essa interessante mostra este- vantadas por outras prestigiadas entidades, “À Luz mas para isso são necessários recursos”. ja indisponível, numa altura em que tanto se e que talvez possa assim traduzir-se: será Projectos para o futuro também são difí- fala do genial e polivalente erudito italiano. exactamente por isso, pela sua importância, de Einstein” ceis de delinear face à situação demissioná- Nas palavras do Director, “qualquer museu que há quem queira que o Museu de Coim- ria do Director. não tem sempre o seu património todo à bra definhe? Como se refere no texto principal, no Museu está patente uma exposição intitu- lada “À luz de Einstein”, que pode ser vi- sitada, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 (o Mário Silva (1901-1977) acesso é gratuito). Sobre o certame diz o “site” do Museu: Mário Augusto da Silva nasceu em Coimbra em 1901. Licenciou-se em Ciências “O Museu Albert Einstein publicou, Físico-Químicas, com 19 valores, na Universidade de Coimbra, seguindo depois para em 1905, quatro artigos que vieram revo- França, onde se doutorou, em 1929 no Instituto do Rádio de Paris, tendo sido colabo- lucionar os conceitos da física. A revolu- rador de Marie Curie. Professor catedrático na Universidade de Coimbra, dirigiu o ção desencadeada por estes trabalhos foi Laboratório de Física e lançou vários projectos, entre os quais a criação do Museu de tal forma importante que a física se Pombalino de Física da Faculdade de Ciências de Coimbra. Como resultado do seu en- transformou profundamente. Foram volvimento político em organizações anti-fascistas e pela sua conduta sempre interven- estas novas ideias que permitiram todo o tiva na promoção dos ideais democráticos, foi preso pela primeira vez em 1946. A per- desenvolvimento da ciência no século seguição política de que foi alvo durante toda a sua vida teve como ponto culminante a XX, que está na base da tecnologia actual sua aposentação compulsiva da Universidade. Impossibilitado de prosseguir a sua bri- e da nossa visão do mundo. Sem esta rup- lhante carreira académica e científica, e para poder sustentar a família numerosa, foi su- tura não teríamos computadores, televi- cessivamente vendedor de espumantes e consultor científico de uma grande empresa. sões e telemóveis, viagens pelo espaço, bi- Em 1971 vê finalmente concretizado um sonho da adolescência, ao ser nomeado otecnologia, nem a compreensão actual Presidente da Comissão de Planeamento do Museu Nacional da Ciência e da Técnica. da origem e evolução do Universo. A ex- Tal nomeação ficou a dever-se ao então Ministro da Educação, Veiga Simão. Em 1976 posição mostra muitas das aplicações prá- o Museu viria a ser formalmente constituído, com um espólio variado que vinha sendo ticas das descobertas do grande físico”. reunido por Mário Silva, e que foi distribuído por vários núcleos do Museu.
  • 7. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 REPORTAGEM 7 Técnica vive dias difíceis Logotipo do Museu “O símbolo do Museu procura in- tegrar um conjunto de dicotomias, in- terrogações e oposições entre ciência e técnica, natureza e tecnologia, inacaba- do e terminado, esquiço e rigoroso, es- boço e repetido, subtil e forte, erudito e popular, conhecimento e prática, su- posições e objectos testados, formas rebuscadas e formas simples. Figura impossível, um tipo de ilu- são em que um objecto, apesar de fi- sicamente inconcebível, é representa- do; uma figura é chamada de impossí- vel quando sentimos uma contradição na nossa interpretação e isso não re- sulta numa negação nossa em relação a esse objecto, em favor de um outro mais consistente e real, nem sentimos Em 1997 o Prof. Mário Silva foi homenageado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, no Museu de Coimbra que ostenta o seu nome (na foto desse acontecimento vê-se Sampaio com o filho do homenageado, o pintor Mário Silva) necessidade de o corrigir ou de o re- fazer mentalmente. O símbolo é baseado numa figura A ausência de Da Vinci impossível criada pela matemática Margherita Barile – impossible torus – e é uma homenagem ao espírito inquie- to, curioso e questionador do cientis- Como se diz no texto principal, o Museu tem um ta. Chama a atenção para a parte mais interessante conjunto de peças relacionadas com o ge- intangível, filosófica, da ciência. O nial Leonardo da Vinci (entre as quais reproduções de equívoco, a questão e a curiosidade alguns dos maquinismos que inventou e de manuscri- como força geradora de um processo tos diversos), infelizmente não disponíveis ao público cíclico e infinitamente grande.” (em baixo imagem de algumas dessas reproduções, quando estavam em exposição, com a curiosidade da assinatura de Leonardo da Vinci que ele escrevia ao contrário). Coisa diversa sucede em muitos outros pontos do Até Mundo. Por exemplo, o “Victoria and Albert Museum”, de Londres, inaugurou na passada semana uma exposi- quando ção dedicada a Leonardo da Vinci, que pode ser vista até Janeiro de 2007, e que inclui 60 exemplares de ca- dernos de apontamentos do génio da Renascença. O o abuso? que aqui se reproduz (à direita) é um desenho de O Museu tem um “site” na Inter- 1489, que mostra secções vertical e horizontal da ca- net, mas rapidamente se verifica que beça humana e do olho. ele não está concluído nem actualiza- do, antes em construção (como, aliás, refere uma breve nota que lá aparece a dado passo). Curioso é verificar que no local destinado a um “pequeno texto so- bre a biblioteca” que se supõe irá ser redigido, surge um célebre texto em latim, onde se questiona, a determi- nada altura: “Quo usque tandem abu- tere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando abusarás, Catilina, da nossa paciência?). Irónica coincidência, em que ape- nas se deverá substituir o nome do autor das catilinárias pelos responsá- veis pela situação em que o Museu se encontra…
  • 8. 8 OPINIÃO DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 ria das religiões. Um jovem termina os seus cias itinerantes que Al Gore tem vindo a Há cinco anos eu estava em trabalho na estudos e sabe quem era Poséidon e Vulca- fazer desde 1989. Apresentações lúcidas, ví- cidade do Panamá com bilhete de avião no, mas tem ideias confusas acerca do vidas e desafiantes. Durante as quais, a sim- para, no dia 12, voar para Washington. Espírito Santo, pensando que Maomé é o ples exibição de um gráfico consegue pro- Durante o dia 11, fechada numa sala de re- deus dos muçulmanos e que os quacres são vocar um estremecimento na audiência. uniões, com as comunicações dificultadas, personagens de Walt Disney...” O degelo dos glaciares, a catadupa de tu- as notícias contraditórias, o estado de alerta itações Ernst Bloch, o filósofo marxista hetero- fões, tornados e furacões, as ondas de calor, imediatamente decretado no canal do doxo e ateu religioso sublinhou que o des- o efeito de estufa, o aumento do nível dos Panamá, a ansiedade corajosamente contida conhecimento da Bíblia constitui uma “si- oceanos, são informações que vão chegan- de vários representantes das Nações tuação insustentável”, pois produz bárba- do periodicamente. Mas “aquele que já foi Unidas, agências e organismos multilaterais ros, que, por exemplo, perante a Paixão se- o próximo presidente dos EUA” - como Al com sede em Nova Iorque, que não tinham gundo São Mateus, de Bach, ficam como Gore graciosamente se auto-intitula - tem o forma de contactar as famílias, era eu o sol- bois a olhar para palácios. mérito de reunir e articular aquilo que dado de Waterloo: não conseguia ver mais É um facto que não é possível ensinar li- todos nós já ouvimos, conseguindo passar que a explosão de duas torres, provocada teratura, história, filosofia, artes, sem uma uma mensagem alarmante e tantas vezes por dois aviões. Só à noite percebi que o se- cultura religiosa mínima. Por outro lado, vi- abafada. Por exemplo, uma recente revisão gundo milénio se iniciava de facto e que A PARTE DESVIANTE... vemos num mundo cada vez mais multicul- dos trabalhos científicos sobre aquecimen- aquela data marcava uma fronteira histórica “Acredito que haja políticos com vidas tural e multirreligioso. Sem paz entre as reli- to global mostra que quase todos o confir- irreversível. fascinantes. Outros nem tanto. Surpre- giões, não haverá paz no mundo. A paz exige mam e nenhum o nega. Contudo, no mes- Hoje, após cinco anos de convivência ender-me-ia muito se Mota Amaral es- o diálogo inter-religioso, mas o diálogo pres- mo período, 53% das notícias apresentam a com o fenómeno que então emergiu de crevesse umas memórias muito picantes. supõe o conhecimento das religiões.” teoria como carecendo de prova científica”. modo tão brutal, faz sentido interrogarmo- De qualquer forma, seria de facto interes- nos sobre o que é que mudou e o que é que sante ler a biografia de um membro do Padre Anselmo Borges Joana Amaral Dias continua? Ou seja, há uma ruptura essencial Opus Dei que dá de si uma imagem tão DN – 17/09/06 DN de 18/09/06 ou tão-só um acidente de percurso que será recta e pura. No extremo oposto está Mário reencontrado mais adiante? Soares. Tem ar de folgazão, de quem teve A REVOLUÇÃO O PARTIDO ÚNICO Como noutras situações, a História de- inúmeras amantes. Julgo que nunca es- DAS REVOLUÇÕES E O CARTÃO ÚNICO pende do seu curso próximo-futuro, isto é, creverá as memórias com medo do impacto se se repetiriam e multiplicariam os episódi- que poderiam ter no país e na família. É “Provavelmente serei catalogado entre “A assinatura do pacto para a Justiça, na os do tipo “nine-eleven”, mas em cinco pena porque o que ele tem de melhor é exac- os enfileirados do “eduquês”. Mas continuo semana que passou, é um acontecimento anos não se repetiram em tal escala ou es- tamente essa parte desviante. a pensar que a grande revolução das revolu- relevante. A ideia dos “pactos de regime” calada. Podemos então pensar que, também (...) Cheira-me que Cavaco , infelizmente ções que está por fazer, neste país, é no sec- atravessa de vez em quando a vida política do lado do macroterrorismo, se introduzi- para ele, é aquilo que ali está. (...) O corpo tor do ensino. portuguesa; Vasco Pulido Valente fez bem ram factores de medida e cálculo “políti- de José Sócrates deve ser bem feitinho. O Sem confundir a dimensão globalizante em relembrar que a ideia pertenceu a Sá co”e que podemos viver com esta espécie dr. Mário Soares está muito gordo, mas de toda a problemática mais vasta da educa- Carneiro nos primeiros anos de democra- de “islamo-leninismo” e enfrentá-lo como também já é velho... (...) Mário Soares é ção de um povo ou de cada indivíduo sin- cia, como forma de assegurar um mínimo uma nova guerra.” charmoso. As mulheres dizem que Santana gularmente considerado, o sistema de ensi- de estabilidade e de consenso. Trinta anos Lopes tambémn tem charme. .. A mim di- no é um definitivo factor condicionante depois, não sei se essa “exigência” fará sen- Maria José Nogueira Pinto verte-me, mas também os palhaços me di- para toda e qualquer educação. Para todo e tido. DN – 15/09/06 vertem. Quando foi indigitado primeiro- qualquer enriquecimento cultural. A última vez que a ideia de um “pacto -ministro pensei que me ia rir que nem uma Sei que se confrontam as teses teóricas para a justiça” foi brandida como uma solu- MAIS APOIOS... perdida. Dois meses depois a situação era daqueles que defendem a educação e ensi- ção miraculosa para resolver os problemas tão trágica que já não tinha vontade de rir. no serem caminho para o desenvolvimento “do sector”, era Santana Lopes primeiro- “Os fundos estruturais são a vantagem Falta-lhe qualquer coisa naquela cabeça. e daqueles que perfilam o não cruzamento ministro e o país ainda fervia de indignação mais óbvia, embora, a meu ver, não a mais Não tem tino.(...) Correr de cama em cama destes dois campos desenvolvimento e edu- e suspeita diante de alguns escândalos judi- importante da integração de Portugal na é algo que se faz aos 17 anos. Com 50, cação. Será difícil, porém, pelo menos nos ciais. Percebeu-se a intenção mas ninguém União Europeia. A propósito deles, há idei- Santana deveria ter alguma maturidade emo- países europeus cultural e socialmente mais avançou realmente para esse mínimo de as feitas que se vão repetindo e vícios ad- cional e sexual que obviamente não tem. próximos do nosso, o seu desenvolvimento “estabilidade e consenso”. quiridos que se vão tornando perigosos so- não ter passado por um forte investimento Não vem mal ao mundo que exista um bretudo quando, como noticiaram os jor- Maria Filomena Mónica no sector do ensino e educação. “pacto de regime” - na verdade, o mais as- nais durante a semana, o País se prepara Sol - 16/09/06 Ainda agora ao reler os últimos dados di- sustador é que se mencione permanente- para receber um novo pacote de fundos; a vulgados pela OCDE, através do relatório mente a sua necessidade como se o regime designação mudou de QCA (Quadro Co- “Panorama da Educação de 2006” e ao ve- estivesse em perigo e precisasse de salvação. munitário de Apoio) para QREN (Quadro A RELIGIÃO rificar que Portugal é o país dessa organiza- Não está e não precisa. O regime funciona de Referência Estratégico Nacional), mas a NA ESCOLA PÚBLICA ção internacional em que a sua população, com alguma normalidade. Não existe, nova sigla continua a significar, como é entre os 25 e os 64 anos, passou menos como em Espanha, um perigo secessionis- norma desde há quase três décadas, que “Quantos cristãos saberão que, se Adão e tempo no sistema educativo, não posso dei- ta ou a ameaça do terrorismo; mas há sec- vem aí mais apoio! O que justifica alguns Eva fossem figuras reais e nossos contempo- xar de ver neste lugar da cauda dessa tabe- tores, ligados à vida do Estado, em que é breves comentários… râneos, precisariam, para viajar para o estran- la, um indicador concludente do nosso necessário haver um acordo de princípio e O primeiro tem a ver com o hábito naci- geiro, de um passaporte iraquiano? Quantos mesmo estádio de desenvolvimento cultu- é provável que o da justiça esteja em pri- onal, também decorrente das benesses eu- se lembram de que Abraão, que está na base ral, social e económico. Estamos atrás da meiro plano, juntamente com o da chama- ropeias, de se analisarem mais empenhada- das três religiões monoteístas – judaísmo, Turquia e do México. Esta classificação só da reforma da administração pública. Há mente volumes de dinheiro do que o que se cristianismo, islão –, possuiria igualmente na- melhora quando se refere à população entre outros sectores em que um pacto não faz faz com ele. Na discussão anual dos inves- cionalidade iraquiana? Quantos se lembram os 25 e 34 anos e com particular respeito ao qualquer sentido - porque há opiniões dife- timentos do Estado que acompanha o de que os primeiros capítulos do Génesis, re- ensino secundário. rentes sobre o que está em causa na econo- Orçamento (o chamado PIDDAC), é cho- ferentes ao mito da criação e da queda, se O início de um novo ano escolar não mia, no sistema de ensino, no financiamen- cante ver-se publicitado que o sector x passam na Mesopotâmia, onde mergulham pode, por isso, deixar de ser uma data assi- to da segurança social ou nos regimes fis- “perdeu prioridade política” quando a reali- algumas das nossas raízes culturais? Há guer- nalável e um momento muito importante cais”. dade pode ser que terminou a obra de cons- ras em curso, também por causa da divisão para reflexão, tomadas de consciência e de- trução de um tribunal ou de um hospital entre xiitas, sunitas e jihadistas. Mas quem co- cisão, de todos os actores e autores respon- Francisco José Viegas que, durante anos e precisamente porque nhece essas divisões e a sua origem e impor- sáveis neste sector”. JN 11/09/06 estava em construção, aparecia registada tância históricas? Qual é a relação entre reli- com uma verba avultada na corresponden- gião e violência, religião e política, religião e Paquete de Oliveira “NINE-ELEVEN”: te rubrica orçamental. O mesmo raciocínio desenvolvimento económico? JN - 14/09/06 UM PONTO SEM RETORNO vale em relação a um suposto “desinteresse Há já alguns anos, Umberto Eco, agnós- político” em relação a regiões ou concelhos tico, lamentava-se: “Nas escolas italianas, UMA VERDADE “Contava-se a história daquele soldado quando estradas ou outros investimentos Homero é obrigatório, César é obrigatório, INCONVENIENTE inglês que esteve na Batalha de Waterloo e, públicos, ao serem terminados, originam Pitágoras é obrigatório, só Deus é facultati- interrogado sobre o que havia visto, terá uma quebra no volume de investimento re- vo. Se o ensino religioso se identificar com “Uma Verdade Inconveniente, o novo respondido que no meio de tão grande con- gistado face às verbas inscritas em anos an- o do catecismo católico, no espírito da documentário de Davis Guggenheim sobre fusão só se recordava de ver passar um teriores.” Constituição italiana deve ser facultativo. Só as alterações climáticas, já está nas salas. É homem pequeno em cima de um cavalo Elisa Ferreira lamento que não exista um ensino da histó- um filme construído a partir das conferên- branco. JN – 10/09/06
  • 9. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 MUNDO ANIMAL 9 NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ, SITUAÇÃO INÉDITA NA EUROPA “Baleia-Piloto” bebé sobrevive graças a exemplar tratamento - equipa precisa de apoios para ser bem sucedida Uma “Baleia-Piloto” bebé que deu à costa no Centro de Portugal no fim do passado mês de Agosto está a sobreviver na zona da Figueira da Foz, num caso inédito na Europa, que fica a dever-se ao esforço de uma equipa que a acompanha 24 horas por dia. Mas para além da voluntária e desinteressada dedicação pessoal, esta equipa precisa de auxílio material de amigos dos animais, já que o tratamento tem custos muito elevados. Foi no passado dia 27 de Agosto que ar- rojou à costa portuguesa uma “Baleia- Piloto” bebé, com cerca de 1,70 de compri- mento e que se supõe ter então apenas um mês de idade. Chamaram-lhe “Nazaré”, por ter dado à costa próximo dessa praia. Mas a verdade é que se trata de um mamífero macho e não é baleia, mas golfinho. “Globicephala” é o nome científico desta espécie de golfinho que na idade adul- ta atinge uma imponente envergadura de especialista referiu ao “Centro”, esta espé- – como sublinha o veterinário) para obter a Apesar de ser muito difícil levar essa cerca de 7 metros, razão pela qual é vulgar- cie de golfinho tem um tempo de amamen- mistura mais adequada para alimentar árdua tarefa a bom porto, os membros da mente conhecida como “Baleia-Piloto”. tação de cerca de 20 meses. Por isso, quan- “Nazaré” e tentar que sobrevivesse. E a equipa de recuperação do “Nazaré” têm tra- “Nazaré” terá perdido a mãe por razões do “Nazaré” deu à costa, “foram pondera- verdade é que a fórmula tem dado bons re- balhado afincadamente dia e noite, com um que se desconhecem. Quando tal sucede, a das as graves questões da impossibilidade sultados, a par da assistência médico-veteri- apoio extraordinário dos técnicos de outros morte é, quase sempre, o inevitável desfe- estatística em recuperar um cetáceo bebé”. nária que é feita a “Nazaré” e do acompa- centros de recuperação nacionais e estran- cho. Mas “Nazaré” teve sorte, já que houve O caso foi entregue aos técnicos da nhamento constante, 24 horas por dia. geiros, através de conselhos e sugestões re- quem se apercebesse do seu insólito apare- “Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem” De acordo com Salvador Mascarenhas, sultantes da sua experiência acumulada. cimento, tendo promovido imediata ajuda. (SPVS) que resolveram tentar o (quase) im- “decorrido todos estes dias o bebé está no Diversos técnicos de renome internacional Uma ajuda que se mostrou vital, já que, três possível. Assim, lançaram mãos à obra, le- Centro de Recuperação da ‘SPVS’ a recupe- nesta área são unânimes em afirmar que, semanas volvidas, o bebé continua vivo. vando “Nazaré” para um recinto apropria- rar bem, a ganhar peso, a nadar com destre- apesar das graves dificuldades decorrentes Um caso de sobrevivência que se julga do, na zona da Figueira da Foz, e procuran- za e a brincar”. E acrescenta: “Exceptuan- dos parcos meios de que a “SPVS” dispõe, ser único na Europa, como nos referiu o do a melhor fórmula para o “leite” do bebé. do alguns achaques naturais do crescimen- este trabalho tem sido extraordinário. veterinário Salvador Mascarenhas, um dos Essa era uma medida de extrema urgência e to, ele continua a sua caminhada, que resul- Salvador Mascarenhas confessa que ele e abnegados elementos da equipa que tem decisiva, pelo que estabeleceram muitos ta da batalha dia-a-dia, devido à delicadeza os seus colegas da clínica veterinária conseguido este “milagre”. Segundo este contactos (“literalmente com meio mundo” da sua reabilitação”. “Vetcondeixa” sentem muito orgulho por fazer parte da equipa multidisciplinar que tem acompanhado o golfinho bebé, ajudan- do a avaliar as análises sanguíneas regulares, bem como na assistência médica em cola- boração com outros elementos da equipa. Muitas pessoas têm sacrificado o seu tempo para poderem ajudar nos turnos 24/24H junto do “baby Globicephala”. Mas para além dessa preciosa ajuda, é preciso pagar as análises, a alimentação, os filtros, os medicamentos, os equipamentos dispendio- sos e essenciais para a recuperação do bebé, etc, etc, sendo uma conta que não pára de crescer devidos aos parcos apoios financei- ros disponibilizados para a protecção da Natureza. Por isso a “SPVS” necessita de apoio financeiro urgente para poder ajudar o bebé a recuperar e a voltar ao oceano. Por isso aqui deixamos o apelo: Ajudem o golfinho-bebé! Quem quiser dar essa ajuda poderá fazê- -lo contactando a “Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem” através do telemóvel número 913 241 188.
  • 10. 10 REPORTAGEM DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 Por que é que os carros Por Carla Guardado * Caso para dizer “ Diz-me a tua cor… dir-te-ei de onde és!” O azul deverá ser a cor preferida para a Também aqui há excepções confirman- maioria dos carros, em 2009! De acordo do a regra! A Alemanha, por exemplo. Por com a PPG Industries Inc., fornecedor de alturas da segunda guerra mundial viu-se tinta para empresas como a General Motors obrigada a mudar a cor dos famosos “Silver Arrows” da Mercedes, para branco, porque o cinza-prata estava muito associado ao na- zismo. Recentemente, talvez por uma ques- tão de moda, o cinza-prata reapareceu nos MacLaren Mercedes de Fórmula1. AS CORES DA MODA As tendências da moda também podem influenciar muito a escolha da cor dos veí- culos. Desde há muito tempo que as gran- e a Daimler Chrysler, o azul predominará. des empresas realizam estudos de mercado Tonalidades como o azul esverdeado e o com o objectivo de apurar quais as prefe- lilás deverão ser introduzidas no mercado e rências do seus consumidores. O que nos cores como o amarelo e o laranja deverão diz sobre isto Mário Gomes, da Auto to-escuro. O actual, um Peugeot 206, man- ser pintados ou polidos depois do seu pri- ficar mais vivas, ao passo que o vermelho fi- Gomes de Adémia, Lda.? tém-se na gama cinza, mas agora prata. “Ao meiro Verão. Actualmente, com o avanço cará mais parecido com o bordeaux. Estes Gomes já vai em vinte carros diferentes, dos longo da minha vida tive muitos carros e a das novas tecnologias, os carros já não pre- são alguns dos dados mais recentes de um anos 60 do século passado aos dias de hoje. moda foi-se alterando bastante! Quando cisam de ser pintados tantas vezes. “Hoje, a estudo sobre as cores dos carros, efectuado comprei o primeiro automóvel, em 1960, maioria dos carros tem pintura metalizada, pela “Sport & Classic Motors”. optei por um Morris preto de 8 cavalos; em que é muito mais resistente. Mas, as cores Actualmente, o cinza-prata é a cor que 1973 adquiri um Fiat Sport Coupé amarelo- vivas não ficam tão bem nos carros metali- predomina nos carros em todo o mundo. torrado com uma faixa azul; vendi-o para zados e talvez por isso se vejam tantos car- Entre as favoritas está também o branco, o comprar um Fiat 127 azul metalizado, isto ros cinza ou preto, pois são as cores que fa- azul, o preto, o vermelho, o verde e o bege. no mesmo ano. Entre 1974 e 1975 tive três vorecem mais os automóveis, do ponto de Mas, porque é que os carros têm a cor que Fiat 600 diferentes - primeiro um branco, vista estético.” têm? Há muitas respostas… a tradição depois um azul claro e por último um verde pode ser uma delas! ‘azeitona”. Em seguida adquiri um Volkswagen ca- A COR DO DINHEIRO rocha vermelho. A escolha da cor dos automóveis pode Tive ainda uma Renault 4 L vermelho es- ainda ser motivada por outros factores! MUNDO COLORIDO Para muitos apreciadores de carros, um curo, um Fiat 850 cinzento escuro, mais Mais do que uma questão de moda ou de Ferrari tem que ser vermelho e um Jaguar tarde tive outro Fiat 850 bege acastanhado, gosto é também uma questão de dinheiro! verde-escuro, mais propriamente, “British ‘café com leite’. Tive um Mini 1275 amare- Há cores que são mais caras do que outras. racing green”. lo, um Mini Cooper S com 2 carburadores, As cores metalizadas, sobretudo o cinza- Esta escolha é fruto de uma tradição. No também amarelo. prata, o preto e o azul-escuro são mais passado, as cores dos automóveis de com- Em 1981 comprei um Fiat 127 900 C, caras, mas também desvalorizam menos, o petição eram determinadas pelo anexo K que foi o meu primeiro carro novo e que que se reflecte no valor da venda do carro. do Código Desportivo Internacional, que ainda mantenho! Tive também um Datsun Pode parecer exagerado, mas a verdade é determinava as cores com que cada país de- 1200 branco quando era solteiro.” que a maioria dos consumidores, quando veria correr. Assim, o vermelho e o verde Mário Gomes afirma que antigamente a compra um carro, pensa logo numa possí- eram, respectivamente, as cores oficiais das O mecânico considera que, na actualida- pintura dos automóveis se queimava muito vel venda! Se tivermos em conta que o país entidades federativas da Itália e do Reino de, a cor da moda é o cinzento. O seu pe- facilmente e os carros, principalmente os atravessa uma grave crise e que a desvalori- Unido. núltimo carro, um Ford Fiesta, era cinzen- que ficavam fora da garagem, tinham que zação do carro começa no momento em O “Colour Crash Index” “Os carros de cor preta têm maior Batman, que “denotam uma personali- e dedicadas ao trabalho”. “No entanto, probabilidade de se envolverem em aci- dade agressiva, ou alguém que é um Jerry Seinfeld conduz um Porsche Spider dentes do que os das restantes cores, rel- forasteiro ou rebelde”. Nos segundo e cinzento”, salienta a Churchill, alertando eva um estudo da seguradora britânica terceiro lugares estão, respectivamente, os para a possibilidade de excepções. A Churchill Insurance. O “Colour Crash carros prateados (que indicam alguém seguir aparecem os carros vermelhos, Index”, elaborado pela Churchill Motor calmo, descontraído e ligeiramente isola- conduzidos por alguém “cheio de entusi- Insurance, revela “a existência de uma do) e os verdes, como o Mini de Mr. asmo, energia, e que pensa e fala depres- correlação directa entre a cor do carro e a Bean, “que podem ser frequentemente sa”. Os automóveis cor-de-rosa, que a- frequência de acidentes”. escolhidos por pessoas com tendências parecem no oitavo lugar na lista, são es- No entanto, sublinha a seguradora, histéricas”. Seguem-se os carros amare- colhidos por pessoas “gentis, simpáticas e estas ocorrências “têm mais a ver com a los, normalmente propriedade de “ideal- condutores aficionados”, enquanto os personalidade e comportamento do con- istas e apreciadores de inovações”.A meio brancos, como o Jaguar de Britney dutor, do que com a aparência física da da lista da probabilidade de acidentes a- Spears, representam “condutores extro- própria cor. “ E diz também que as cores parecem os automóveis azuis, como o vertidos à procura de status”. Os carros dos carros revelam sempre algo sobre as Porsche de Cameron Diaz, carros escol- com menor probabilidade de terem aci- pessoas que os conduzem: “A liderar o hidos “pelos condutores mais introspec- dentes são os de cor creme, como o “Colour Crash Index” aparecem os au- tivos, pensativos e cautelosos”. O sexto Auburn 851 de Marlene Dietrich, deno- tomóveis de cor preta, como o BMW de lugar é ocupado pelos carros cinzentos, tando “pessoas reservadas e contro- David Beckham ou o Batmobile do que representam pessoas “calmas, sóbrias ladas”.
  • 11. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 REPORTAGEM 11 têm as cores que têm? que este sai do stand, facilmente constata- com a cor dos táxis, que pode variar de acor- mos que a previsão antecipada da venda do com o país ou até mesmo com a cidade. Cores e Países pode ajudar a concretizar um negócio van- Em Portugal, os táxis podem possuir a cor tajoso. bege-marfim ou as cores verde-mar e preta, à Os vendedores de automóveis sabem à excepção da Madeira, onde os táxis são, desde PAÍS COR partida qual é a cor de carros que se vende 1982, amarelos com uma barra azul, repre- Alemanha Branco mais facilmente; logo, não é de admirar que sentando as cores da bandeira madeirense. África do Sul Dourado com lista lateral verde Cidades como o Rio de Janeiro e Nova York têm táxis amarelos, enquanto que Argentina Azul Londres tem táxis pretos. A cor utilizada ros mais claros não aquecem tanto no Bélgica Amarelo pelos táxis é excluída do leque de escolhas, Verão, o que pode constituir uma grande porque ninguém quer correr o risco de ver vantagem para os condutores que não dis- Brasil Amarelo pálido, jantes verdes o seu veículo confundido com um táxi. põem de ar condicionado nos seus veículos. Bulgária Verde Cores há que se adequam às funções espe- O cinza prata congrega algumas vanta- Canadá Verde com listas brancas cíficas de alguns veículos. Há cores que são gens: para além de tornar os carros mais mais vantajosas, principalmente quando aplica- “frescos”, disfarça mais a sujidade. Daí o Chile Vermelho e branco das a certos veículos. As ambulâncias são quase facto de vermos as nossas estradas repletas Cuba Amarelo façam tudo para induzir os seus clientes a sempre brancas e os carros de bombeiros ver- de “cinza-prata”. comprar automóveis cinza-prata ou pretos. melhos. Os carros comerciais são, normalmen- Egipto Violeta pálido Muitas vezes nem têm de se esforçar muito, te, brancos. Para além de mais barata, esta Espanha Vermelho com lista branca é o próprio cliente que lhes pede opinião opção permite publicitar, com mais facilidade, em relação às cores que sofrem menos des- a empresa a que pertencem. Escócia Verde muito escuro valorização e que estão mais na moda. Estados Unidos Branco com listas azuis Para o vendedor, ter um stand com um Finlândia Preto stock onde predominam as cores mais ven- CORES SEGURAS didas facilita muito o seu negócio, tanto no O facto de um automóvel se destacar fa- França Azul claro acto da venda, como no de uma hipotética cilmente na estrada pode fazer toda a dife- Holanda Laranja retoma, pois tem a garantia de que aquelas rença em situações de visibilidade reduzida. cores vendem facilmente. Em princípio, quanto mais visível for a cor “O cinza prata é a cor que está na moda. Hungria Frente branca, traseira verde Há opções cromáticas que são rejeitadas, à do carro, menor será o risco de acidentes! Os riscos, pequenas mossas ou alterações à Irlanda Verde com risca horizontal branca partida, pela grande maioria dos consumido- A comodidade do condutor também é pintura de origem normalmente passam mais res de veículos automóveis. Assim acontece importante. É do senso comum que os car- despercebidas, o mesmo valendo para a suji- Itália Vermelho dade” – diz-nos Mário Sousa, da “Instalações México Dourado Eléctricas, Águas e Saneamento MT, Lda.”, Mónaco Branco e vermelho horizontal empresa da Mealhada. No parque de estacio- namento da empresa verificámos, no entanto, Polónia Branco, com lista lateral vermelha ser o branco a cor predominante. Portugal Vermelho e branco horizonta (Esta reportagem continua na página seguinte onde se re- Reino Unido Verde escuro produzem alguns dos automóveis a cores) Suécia Azul e amarelo * Aluna da Licenciatura em Ciências da Informação, Instituto Superior Miguel Torga Venezuela Branco com lista verde Indústria decide cores dos carros com 3 anos de antecedência Concluímos este “dossier” sobre as simplesmente com transporte. “A escolha cores metálicas com efeito de degradê, mina nos EUA mais do que em outros lu- cores dos carros respigando notícia do da cor errada pode matar um produto, ou com um colorido que varia conforme bate gares, pois é a cor preferida dos veículos “Estado de S. Paulo”, publicada neste in- então, pode salvá-lo”, alerta. a luz. Mas Kings pontua que as preferên- utilitários. fluente jornal brasileiro a 26 de Setembro De acordo com Kings, há muitos anos, cias mudam conforme o país. Num inqué- “A Nissan lançou há alguns anos uma de 2004 (autora: Renata Stuani). os automóveis tinham cores parecidas e a rito realizado ao público de S. Paulo pre- linha limitada de carros com cores muito for- O consumidor nem imagina, mas neste indústria não costumava inovar nessa área. sente na Feitintas, o azul ganhou na prefe- tes, como o violeta, que foram muito bem momento [Setembro 2004], as indústrias Hoje, ocorre o contrário. As montadoras rência, seguido pelo cinza. O vermelho sucedidas em vendas”, conta. Segundo ele, automobilística e química estão decidindo estudam por muito tempo a cor de deter- veio em terceiro lugar e o amarelo, em talvez por temor de ter sua imagem muito as cores dos carros que serão vendidos em minados modelos, pois isso pode influen- quarto. marcada, a montadora preferiu não produzir 2007. A decisão leva em conta as tendên- ciar até a imagem que o consumidor tem Segundo Kings, embora seja uma cor essas cores em massa. De acordo com este cias de moda do vestuário e da decoração da empresa. “A popularidade das cores é cí- considerada “difícil”, o amarelo está na especialista, a cor continua sendo um item de de casas e móveis. Ela tem de ser tomada clica”, afirma ele. moda actualmente e tem sido escolhido in- peso nos investimentos de marketing, tanto com grande antecedência para que as fabri- De acordo com o especialista, embora a clusive para carros desportivos de luxo, que as montadoras chegam a cobrar dois mil cantes de tintas possam iniciar a produção indústria realize experiências com cores for- como Audi e Ferrari. “No entanto, a indús- dólares por uma cor diferenciada. e a pesquisa dos pigmentos a serem usados. tes, o sector ainda tende ao conservadoris- tria de tintas ainda não conseguiu produzir Em todos os casos, o sector de repintu- Há também estudos de preferências do mo. Não é à toa que 70% dos carros produ- um amarelo metálico considerado adequa- ra e reforma tem de se adaptar às inova- público e muito trabalho de marketing por zidos no mundo têm cores neutras: cinza, do”, diz. Já o vermelho tem tido muitas va- ções. “As oficinas achavam que não iriam detrás da cor de um automóvel. Isto é o branco e preto, com diversas variações de riedades, graças às possibilidades do pig- conseguir fazer reformas com as cores me- que diz o gerente de Colour Marketing da tons. Segundo pesquisas feitas pela DuPont, mento Paliocrom. tálicas quando elas foram criadas, há mais DuPont Titanium Technologies para a 37% dos consumidores no mundo prefe- Kings lembra também que diferenças de 25 anos”, disse. “Hoje, qualquer oficina Europa, o britânico William Kings, que rem o cinza prateado para seu carro; 23%, o culturais influenciam a escolha de cores ao trabalha com o metálico”. Segundo este es- veio ao Brasil para participar da feira azul; 12%, o negro; 10%, o verde; 7%, o ver- redor do mundo. Por serem associados a pecialista, há também na indústria química Feitintas, em São Paulo. Segundo ele, as tin- melho; 6%, o branco; 2%, o amarelo; 2%, o funerais, os carros negros não estão entre europeia a tendência de produzir tintas tas automobilísticas tendem à diversidade e laranja; 1%, violeta e outros. os preferidos dos europeus. Mas o negro com base em água, menos nocivas ao am- à sofisticação, porque actualmente a com- Como o cinza é naturalmente mais ven- aparece muito em carros de luxo de Nova biente. Já nos EUA, não há essa preocupa- pra do automóvel está relacionada cada vez dável, a indústria mantém a aposta nessa York, onde os moradores associam a cor ção, e as tintas baseadas em solventes são mais ao estilo de vida de cada um, e não cor. Para 2007, a tendência aponta para ao poder e ao dinheiro. O castanho predo- mais usadas.
  • 12. 12 REPORTAGEM DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 A monotonia das cores dos carros (Continuado da página anterior) encontrada pelos especialistas para explicar o gosto tão pouco criativo dos motoristas brasilei- Uma recente pesquisa da DuPont mostra que ros. As pessoas já compram um automóvel pen- 30% dos veículos feitos no Brasil em 2004 eram sando no seu valor de revenda, optando por prateados. O preto foi a segunda cor mais usada, cores neutras para não correrem o risco de ver o com 19%, seguida pelos tons de cinza (15%) modelo desvalorizar. “Dependendo da cor, principalmente as mais fortes, o valor de revenda do carro cai bem mais do que a média”, alerta Ísio Kelner, presidente da Associação das Agências de Veículos Usados do Rio de Janeiro (Aavurj). Segundo alguns vendedores de veículos usa- dos, na revenda, uma cor mais alegre, como verde-claro ou laranja, pode fazer com que o preço final do carro seja reduzido em até 5%. Coloridos na Europa Se a conta bancária está com a luz amarela, de Se Henry Ford estivesse vivo ficaria feliz com alerta, ligada, o motorista investe mesmo no veí- a monotonia de cores dos automóveis brasileiros. culo prata ou preto. Na década de 10 do século passado, o fundador “Como o carro é um produto de pouco aces- da Ford teria dito “que o cliente pode ter um so para os brasileiros, quem pode ter prefere não carro de qualquer cor, desde que seja preto”, ao comentar a produção do Modelo T apenas nesta cor — um recurso para aumentar a velocidade na linha de produção. Quase cem anos depois, o Brasil parece seguir a cartilha de Ford e a maioria dos modelos vendidos no mercado nacional é pintada de prata ou preto. Uma recente pesquisa da DuPont, fabricante arriscar. Automóvel ainda é encarado como um de tintas responsável pela pintura de metade dos investimento. Em países com poder aquisitivo carros feitos no país, mostra que 30% dos veícu- maior, as pessoas acabam ousando mais nas cores”, conclui Pelizzaro. Mas pesquisas internacionais de preferência de cor revelam que a sobriedade brasileira não é causada só pelo bolso apertado. Na Venezuela, outro país emergente sul-americano, o prata tam- bém é o líder no gosto dos motoristas, mas, com 17,8% de participação, está apenas um ponto percentual à frente do vermelho e do azul. “Os técnicos estrangeiros não conseguem en- tender por que razão um país jovem, alegre e co- los produzidos no Brasil em 2004 eram pratea- dos. O preto foi a segunda cor mais usada, com 19%, sendo seguida pelos tons de cinza (15%) e outras cores frias. “Há muito tempo o prata domina as ruas, mas a ascensão do preto nos últimos anos é sur- preendente. Na pesquisa de 2003, ele era o quar- to colocado, com 10% de participação, atrás do cinza e do branco”, afirma Roberto Akira Sugai, gerente de qualidade da DuPont. Mas nem são precisas estatísticas para com- provar a monocromia nacional. Basta olhar para lorido, tem tantos carros com cores escuras. Na parques de estacionamento ou para o trânsito Europa compram-se mais veículos coloridos do para ver o engarrafamento de sobriedade. que no Brasil, talvez para dar motivação em paí- Somando-se o cinza ao prata (como é comum ses tão escuros”, lembra António Carlos de em algumas pesquisas) e as cores azul-marinho e Oliveira, director de fornecimento para monta- verde-escuro no grupo do preto, cerca de 70% doras da DuPont. dos carros novos do país só têm dois tons domi- nantes. Laranja e amarelo Uma caretice, se nos lembrarmos da riqueza de cores que dominava as ruas nos anos 70, com modelos como Maverick e Corcel amarelos, Fusca laranja e até Chevette rosa. “A montadora diz que não ousa nas cores porque o motorista não compra. O consumidor fala que não compra porque não acha nas lojas. A concessionária não pede porque tem medo de ficar encalhado. Na verdade, com medo de per- Dois em cada dez carros comprados pelos eu- der dinheiro, todo o mundo evita ousar e fica-se ropeus são azuis e apenas um é preto, assim como está”, afirma o consultor de automóveis como vermelho e verde. Quatro deles são prata Arnaldo Pelizzaro, da ABI Consult. ou cinza, e o restante se divide entre o branco, O factor económico é a grande justificação amarelo e outras cores.
  • 13. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 PUBLICIDADE 13
  • 14. 14 OPINIÃO DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 PRAÇA DA Lousã desconhecida REPÚBLICA Carlos Carranca Terrorismo, Varela Pècurto Deixamos a estrada que nos levaria a simplesmente Góis, cortamos à direita, para Cabanões, Estamos a viver um tempo em que diz a placa que antecede uma pequena subi- liberdades individuais, direitos humanos, da de um quilómetro, por estrada de bom democracia, se tornaram retórica sem piso. Passamos pela capela de Santa Eufé- sentido face aos níveis de insegurança e mia, um pouco afundada à beira do cami- de desrespeito alcançados em todo o nho. E. logo de seguida os nossos olhos, Mundo. num misto de surpresa e deleite, deparam A barbárie islâmica vai espalhando o ter- com uma modesta povoação inserida num ror, enquanto os civilizados judaico- quadro de sonho. A serra, imponente, com cristãos suportam regimes ditatoriais para as suas ravinas destacadas pela luz rasante, prosseguirem os seus objectivos de explo- não chega a esmagar a aldeia. Esta, embora ração de recursos e permitirem a algumas na base da montanha, alcandorada numa grandes empresas lucros fabulosos. pequena elevação, liberta-se, destacando-se. Só que às vezes resolvem combater o Ao sol da tarde, na serenidade do ambi- vilão: o facto de não terem sido encon- ente, ante aquela paisagem, somos tran- tradas no Iraque armas de destruição ma- sportados a um mundo de encanto, cuja be- ciça – pretexto de agressão externa do país leza, oferecendo-se, ali está à espera de que civilizado mais poderoso do Mundo – e a a descubram e a tornem conhecida. agressão e ocupação se terem concretizado Nos limites da freguesia de Vilarinho, com o apoio da europeia Grã-Bretanha, em Ribeira dos Casais, já muito perto de nacional, o brasão da Lousã e dois tritões. Dizem: dá-nos a negra realidade dos factos: o mal Serpins, existe uma fonte, simples, mas que Mas o interesse maior reside nas legendas, A água é o principal factor da higiene e o bem não existem hoje. tem a decorá-la um azulejo com o escudo verdadeira apologia da água. A água é um alimento essencial A nossa civilização judaico-cristã perdeu É vida e riqueza sentido. A desagregação acelerada do que A água é um dom precioso parecia ter triunfado para sempre, deixa- É o sangue da Terra nos, hoje, sem fé na vida. Só pura se deve beber A degradação moral provocada pela Faz crescer e frutificar as plantas ausência de referências constantes, seguras, É indispensável como bebida e para cozinhar essenciais, vai fazendo o seu caminho de Ensinai as crianças a lavar-se encontro ao imprevisível. Entre o passado Dai-lhes o mais possível o sentido da água. e o futuro, resta-nos o tempo da angústia, o hoje imediato, esburacado, sem raízes. Não importa saber quando e quem man- O mundo inundou-se. dou pôr o azulejo nesta escondida fonte. O caos vive-se na insegurança de cada Certo é que foi Homem de visão, agora mais um, na família, no trabalho, na rua, na so- em evidência porque a água escasseia, passa ciedade em geral. a ser considerada Bem Universal. Nascida As selvajarias islâmica e capitalista uni- onde quer que seja é pertença de todos. E ram-se. neste tempo global, acelerando a por todos deve ser poupada e respeitada. catástrofe. É como uma epidemia que nos vai conquistando e fragilizando a todos. É (Este texto faz parte do livro intitulado “Lousã”, que está de dimensão nunca experimentada. É o a ser preparado por Varela Pècurto) terrorismo. Força e compostura nham, procurasse restituir ao estado a es- fogueiras para, primariamente, queimar os E é na mesma praça e no mesmo esque- tatura e a imagem de autoridade democrá- indesejáveis. ma que o governo coloca “outros” defrau- tica, de sensatez política e de dignidade. Foi o local escolhido pelo governo para dadores do erário público – os caloteiros. Ficou-se pelas reformas. Às penúrias e queimar, fragilizar, domesticar os famige- Não só pela estratégia em si mas pela fraquezas que vêm corroendo o estado, rados “lobbies” que, segundo ele, se opu- clamorosa falta de critérios de destrinça juntou-lhe mais uma: o odioso persecutó- nham às reformas, às mudanças. entre privilégio e delito, colocar no mesmo Renato rio e soez de, ostensivamente, denegrir o Maquiavélico e iníquo. quadro de condenação pública os privilegi- Macedo Ávila cidadão na praça pública como forma de Ninguém escapou. Nem mesmo os ór- ados órgãos de soberania e servidores do renatomacedo@portugalmail.pt afirmação de poder e eficácia interventiva. gãos de soberania. estado e os faltosos é absolutamente de- Esta maioria vilipendia, assim, a boa- Juízes, médicos, farmacêuticos, profes- magógico e revela uma afrontosa falta de A recambolesca tragicomédia da publi- fé dos que nela votaram na esperança de sores, funcionários da administração pú- seriedade e de dignidade. cação do rol dos caloteiros do estado trou- que a arredia seriedade comandasse a blica...foram tendenciosamente apresenta- O estado afunda-se ainda mais com este xe à evidência a falta de senso e de respei- mudança. dos aos cidadãos como detentores de far- tipo de procedimentos, não só pelo insóli- to pela causa e pela res publica. A praça pública, está mais que provado, tos privilégios e como principais responsá- to e insensato mas pela gratuita e incom- Depois de tanta bagunça política e go- é e será por muitos anos o cadafalso onde veis pelas dificuldades das finanças públi- preensível subalternização das suas atribu- vernativa das maiorias “a martelo”, espera- as cabeças rolam sem apelo nem agravo à cas. ições e estruturas de aplicação das leis. va-se que esta, unipartidária, para além das margem da lei e da presumível inocência, o Dir-se-ia Moscovo em plena revolução Torna-se num estado sem força e sem reformas sempre adiadas que se impu- local onde melhor se ateiam as paixões e as de Outubro ou o PREC no seu melhor. compostura.
  • 15. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 15 JUDO JIMMY PEDRO PARTICIPOU NUM CLINIC DE TREINADORES EM COIMBRA Judo português surpreende antigo campeão americano O judoca norte-americano Jimmy Pedro, campeão do Mundo em 1999, partilhou expe- riências com judocas e treinadores portugues- es durante o 3.º Estágio Nacional Aberto de Juvenis e Esperanças e o XI Clinic de Judo – Acção de Formação para Treinadores, que decorreram em Coimbra. Nuno Delgado, que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, também participou em ambas as iniciativas, que contaram com a colaboração da Associação Distrital de Judo de Coimbra e permitiram o contacto com diferentes reali- dades da modalidade. Depois de ter orientado, em conjunto com Nuno Delgado, o último treino dos juvenis e esperanças, realizado no Pavilhão Multiusos de Coimbra, Jimmy Pedro confessou-se “sur- preendido com o elevado número de jovens a praticar judo em Portugal”, sobretudo levan- do em conta que “é um país muito mais pe- queno que os Estados Unidos”. Participante em quatro Jogos Olímpicos, onde conquistou duas medalhas de bronze em 1996 e 2004, o 6.º Dan, que tem origens portuguesas de terceira geração, assegurou Jimmy Pedro Nuno Delgado que “nos Estados Unidos, as crianças fazem judo por recreação, mas, em Portugal, os jo- culturas”. “Na América, o judo não é acessí- mas para os jovens, muitas vezes, não é”, “O contacto internacional é fundamental e vens fazem disto competição e já com um vel para os miúdos, enquanto os outros des- disse, antes de acrescentar: “Temos de descer acho que o Jimmy aprendeu um bocadinho nível médio”. portos, como o basquetebol, o basebol e o fu- à linguagem e ao nível deles e tentar transmi- connosco e nós aprendemos muito com ele. Apesar de ser a primeira vez que está em tebol, são”, sublinhou. tir tudo o que sabemos fazer através de uma É isto que faz as pessoas evoluírem e não Portugal, Jimmy Pedro, actual responsável A passagem de atleta a treinador não foi linguagem mais acessível e fácil”. podemos ficar parados no nosso cantinho”, pela selecção norte-americana de esperanças, fácil. Jimmy Pedro garantiu que são “coisas A exercer, actualmente, funções técnicas concluiu. considerou “espantoso ter mais de 100 treina- diferentes”, afirmando que “ser treinador é no Algés, Delgado está convicto que “os jo- Henrique Fernandes, governador civil de dores a assistir ao Clinic”, acrescentando ser mais difícil do que ser judoca”. Segundo o vens praticantes de hoje vão dar muitas alegri- Coimbra, e Luís Providência, vereador do “impossível acontecer o mesmo no meu norte-americano, “como atleta posso traba- as no futuro”, apresentando “a evolução e a Desporto da Câmara de Coimbra, marcaram país”. lhar muito para ser melhor, mas como treina- experiência transmitida pelos mais velhos” presença no jantar do XI Clinic de Judo, rea- Confrontado com o facto dos norte-ame- dor posso fazer o mesmo e não conseguir que como fundamentais para o alcance de resulta- lizado no Hotel D. Luís, manifestando-se sa- ricanos se interessarem pouco pelo judo ao os meus atletas sejam melhores”. dos internacionais de grande nível. tisfeitos e orgulhosos por a cidade ter recebi- contrário dos portugueses, o antigo campeão Uma opinião que Nuno Delgado partilha. A presença de Jimmy Pedro em Portugal do mais dois importantes eventos da modali- do Mundo justificou-se com “as diferentes “Para nós, o judo é muito simples e natural, foi, segundo Nuno Delgado, “excelente”. dade e várias figuras do judo. BASQUETEBOL FEITO HISTÓRICO DO BASQUETEBOL PORTUGUÊS Selecção nacional no Europeu A selecção portuguesa de basquetebol garantiu no passado sábado (dia 16), 56 anos depois, um lugar na fase final de um Europeu, ao vencer Israel por 69-49, em encontro da sexta e última jornada do grupo B, realizado em Lordelo, Paredes. A formação lusa, que ao intervalo já vencia por 33- 32, garantiu o triunfo no agrupamento, beneficiando do desaire da Macedónia no reduto da Bósnia-Herzego- vina (75-72). Portugal vai estar pela segunda vez na fase final de um Europeu, que se realiza em Espanha, entre 3 e 16 de Setembro de 2007. Em 1951, esteve presente em Paris, por convite, conseguindo o 15º lugar.
  • 16. 16 DESPORTO DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 CAPITÃO DA NAVAL AMBICIONA JOGAR MAIS TRÊS ÉPOCAS “Gostava de terminar a minha carreira na Naval” Fernando, “capitão” da Naval, do treinador. Subiu a Naval, depois veio nova- afina pelo discurso “OS MELHORES MOMENTOS, mente salvar o clube da despromoção, dos responsáveis NO FUTEBOL, então o seu método de trabalho já é co- do clube e aponta a manutenção FORAM PASSADOS nhecido e isso é meio caminho andado como objectivo, reforçando que para o sucesso. NA NAVAL” a permanência de Rogério Como é a sua relação com Certamente que, ao longo destas Gonçalves e da maioria ele? oito épocas que já leva de Naval, do plantel da época transacta Tenho uma relação espec- teve diversas propostas para aban- são factores preponderantes tacular com ele. Esta é a ter- donar o clube, Por que nunca o para o sucesso que deseja ceira época que faço com ele fez? para a instituição fa Figueira da e temos mesmo uma relação Para abandonar o clube, finan- fantástica. Além de ser meu ceiramente teria que valer a pena. Foz. Os seus 32 anos treinador, é uma pessoa Logicamente, o jogador tem que já lhe permitem, também, muito amiga, principal- pensar na sua vida e ver a parte deitar um olhar sobre o futuro mente fora de campo. financeira. Tive algumas pro- pós-futebol… Não existe, hoje, ne- postas, ao longo destes anos, nhum jogador da Naval mas não justificavam a minha Bruno Garrido que não goste dos méto- saída do clube, até pelo próprio dos do treinador. estatuto que tenho aqui. Já conhe- Como capitão de equipa, obviamente, ço a casa e já estou adaptado, pelo desempenha um papel importante na inte- A liga bwin.com sofreu, que a minha saída teria que ser justifi- gração dos novos reforços. Como é que se esta época, uma redução dos cada pela parte financeira. Mas a Naval tem processado essa mesma integração? clubes participantes. Será dá-me todas as condições, tenho um Tem corrido super bem. Os jogadores que que a Naval poderá retirar daí al- contrato com o qual estou satisfeito, vieram, chegaram com o pensamento de aju- gum benefício? então para sair do clube teria que ser uma dar a Naval, isso também já foi falado antes de A maioria das pessoas estão enga- situação muito tentadora. assinarem contrato. Tive a vida facilitada nesse nadas ao achar que o campeo- sentido, pois os novos jogadores, para além da nato fica mais facilita- Com 32 anos já vê o final da carreira sua qualidade, são pessoas de bom carácter. do com a redu- mais próximo. Pretende continuar liga- Nesses quinze dias deu para provar isso. do ao futebol? Enquanto puder jogar e ser útil O que podemos esperar da Na- ao clube, vou jogar. Penso que val esta época? poderei jogar mais três O objectivo da Naval é, anos, contando de novo, a manutenção. O com esta época, clube tem como objecti- dependendo, vo cimentar a sua po- também, de sição na primeira outros fa- liga para depois ctores, poder almejar um como pouco mais, me- lesões, lhorar a classi- que, ficação, mas gra- o objectivo ças principal é mesmo a manuten- ção no campeo- nato. Falar de Taça UEFA ou algo mais ção das equipas. A concorrência é maior, há Há, em Portugal, a ideia de que os a deus, nunca tive nenhuma grave. Estou a ambicioso é, então surrealista… mais jogadores disponíveis, então as equi- clubes vivem acima das suas possibili- terminar um curso de Educação Física e Isso não passa pela cabeça de nenhum pas tornam-se ainda mais equilibradas. Eu, dades. Sente que isso também acontece tenho como objectivo seguir ligado à parte jogador, nem dos dirigentes da Naval. particularmente, não sou a favor da redu- na Naval? físico, como preparador físico e continuar Logicamente que, conseguindo a manuten- ção de clubes, acho que teria, isso sim, que Esta é a oitava época que faço na Naval ligado ao futebol. ção, o que vier será lucro. haver um incentivo aos clubes, tornando-se e sei um pouco da realidade do futebol por- mais organizados, melhores no capítulo fi- tuguês. A Naval posso dizer que é uma ex- Pretende terminar a carreira na Naval? A manutenção do técnico Rogério nanceiro. cepção, pois não existem salários em atraso, Gostava que assim fosse, porque passei Gonçalves é um factor importante para Assim, o campeonato seria mais longo e nem nunca existiram. Nesse capítulo, acho metade da minha vida futebolística na o sucesso desta época? com maior tempo para uma possível recu- que é dos melhores clubes que existem na Naval e os melhores momentos que passei Com certeza! Acho que é um dos factos peração, porque, da forma que está, um Liga. Não é um clube que pague muito, só no futebol foram aqui, na Figueira da Foz. preponderantes. Primeiramente, a manutenção clube que perca dois ou três jogos, possi- que aquilo que promete cumpre! Ao longo Então, seria muito gratificante terminar a da maioria do grupo de trabalho, a espinha velmente, pode não ter tempo de se reabi- destas oito épocas que aqui estou, foi sem- minha carreira na Naval e, de preferência, dorsal, como se costuma dizer e, logicamente, litar. pre dessa maneira. em grande plano.
  • 17. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 DESPORTO 17 O “FUTEBOLÊS” NAS TV’S, RÁDIOS E JORNAIS Penalti contra os “media”! Manuel de Abreu maior parte das vezes preenchidos com ba- E como se não pode marcar penalti con- Tempos houve em que o “modelo” era nalidades, com tricas e mexericos e, sobre- tra os “media” futeboleiros, resta sugerir Artur Jorge, o treinador-poeta, intelectual Na conturbada e insólita época em que tudo, com as opiniões dos “misters” (leia-se que haja algum bom senso e moderação, de formação filosófica em Coimbra e fute- vivemos há quem sustente que o que não treinadores) dos clubes mais importantes. para não ridicularizar as figuras e os factos. bolística na então RDA. E o seu “bordão” aparece na televisão não existe. E, infeliz- Quem se der ao trabalho de fazer tal Porque, como é obvio, com tanta apari- discursivo, “Como deve calcular…”, ainda mente, isso tem algum fundo de verdade… contabilidade, verificará que os treinadores ção, o discurso, já de si pobre e repetitivo, hoje se vai ouvindo por aí. Por isso, é chocante verificar que em dos três maiores clubes portugueses torna-se enfadonho. Mas agora o “figurino” chama-se José Portugal o que ocupa a maior parte dos es- (Sporting, Benfica e Porto) são as figuras E a culpa, insisto, não é deles, mas sim Mourinho, e até os mais pintados, consciente paços ditos noticiosos é o futebol. que mais aparecem a ditar sentenças nas te- de quem os assedia quotidianamente para ou inconscientemente, vão tentando imitá-lo. Não há noticiário em qualquer dos ca- levisões. que digam qualquer coisinha... O resultado é quase sempre desastroso. nais abertos, e também em alguns dos que Nem políticos, nem intelectuais, nem ar- O resultado é quase sempre desastroso, Mas, mais do que os comentários, aí fica chegam por cabo, que não dedique a esse tistas conseguem chegar-lhes aos calcanha- acentuado não raro por estranhos esgares e uma amostra recente da “eloquência pro- fenómeno complexo largos minutos, a res no que concerne a tempos de antena. algumas “macaquices de imitação”. funda” dos três treinadores de topo. Jesualdo Ferreira “Temos um jogo difícil, como penso que são todos aqueles que o Porto irá fazer no futuro… Não me parece que isso [a falta de golos marcados] seja objectivamente uma… um pecado do Porto… ou uma pecha do Porto. Cada vez mais hoje é difícil fazer golos… Cada vez mais menos jogadores interferem nas acções ofensivas, cada vez mais as equipas defendem melhor, cada vez mais o espaço é menor, cada vez mais a agressividade é Fernando Santos maior… “Não há ninguém mais insatisfeito neste momento do E, portanto, nesta perspectiva, não se torna muito fácil que nós! ser… fazer golos e ser eficaz como nós pretendemos… Nós! Portanto, a única coisa que temos de fazer é acelerar essa Nós o treinador! Nós os jogadores! Nós a Direcção! preparação, esse trabalho, é criar situações em treino que Naturalmente que não estamos satisfeitos. Nós não es- cada vez mais isso possa acontecer… tamos satisfeitos! E, portanto, quando isso acontece, também natural- Não estamos aqui a dizer que estamos todos satisfeitos. mente os jogadores têm mais condições para poder fi- Nós não estamos satisfeitos! Paulo Bento nalizar e para poder fazer golos. Mas estamos é com a consciência e com a certeza e com “A mim custa-me a entender algumas situações… Golo Não conheço nenhuma fórmula milagreira que resolva a convicção absoluta de que não é como começa, é como polémico?!!!... O golo, a polémica, fazem-na… porque se o isto!...”. acaba! golo é com a mão não tem de haver polémica… Na mão… (RTP 1 – 17/09/06) O que importa neste momento não é o Nacional, o Com a mão, andebol, basquetebol, voleibol… Futebol, Nacional faz parte do Campeeonato Nacional, estão três com os pés, com as pernas, com a cabeça… “Foi sem dúvida uma segunda metade menos séria, em- pontos em disputa no jogo de domingo e o Benfica quer Três indivíduos dentro do campo que não conseguem bora não queira com isto ir mais além do que o facto de não vencer!...”. ver uma mão na bola… Fazer o quê?!!!... termos agarrado o jogo como devíamos (…) Posso dizer, (TVI – 17/09/06) Amanhã nos seus sítios, nos seus postos de trabalho, sem quaisquer problemas, que ganhámos mais facilmente toda a gente como se nada se passasse… Os jogadores do porque a Naval dividiu o jogo connosco (…) É preciso en- “Nem entrámos bem: nos primeiros minutos falhámos Sporting amanhã atreinar na Academia penalizados com o tender o clima do jogo, como ele decorre, pois podia ter muitos passes e sentimos dificuldades em ligar o jogo. resultado. sido bem mais complicado (…) Na primeira parte, em que Tinha dito aos jogadores durante a semana que acontecesse Não há mais!... Esta é a história do futebol. houve bom futebol, fizemos um registo interessante. Mas o que acontecesse deveríamos manter o equilíbrio emo- E enquanto continuar e a gente for assobiando… nºao vou dizer que temos um FC Porto à Jesualdo Ferreira. cional e colocar em campo o que treinámos (…) Já mostrá- Porque não vamos apitando… Aliás, o FC Porto tem de ser uma equipa à Porto, pois rege- mos algo mais daquilo que podemos fazer, mas ainda esta- Vamos assobiando para o ar, como se nada se pas- se pela identidade dos jogadores de que dispõe. Nessa me- mos longe, pois há aqui ou acolá alguma dificuldade, quan- sasse!…”. dida, em situações de natureza táctica e mental, estamos a do se perde um lance ou se faz um mau passe. Há, ainda, construir uma equipa sem grandes perturbações”. um certo receio”. (SIC Notícias – 17/09/06) (A Bola – 18/09/06) (A Bola – 18/09/06)
  • 18. 18 SAÚDE DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 ANUNCIADAS ONTEM POR CORREIA DE CAMPOS Movimento de Utentes da Saúde contesta novas taxas moderadoras O Movimento dos Utentes da Saúde (MUS) gratuitos para os utentes, como o internamento tro devia estar a ironizar” quando se referiu à va- da destas e afirmou-se “preparado” para a ce- considerou ontem (terça-feira) negativo e inacei- ou a cirurgia de ambulatório. lorização do serviço prestado. leuma. tável o anúncio do Ministro da Saúde, Correia No entender do dirigente do MUS, a cria- “O senhor ministro deveria estar bem dis- “É claro que a medida vai levantar celeuma, de Campos, de criar novas taxas moderadoras e ção de novas taxas moderadoras “só vai preju- posto e usou a ironia. como sempre levantou, mas o povo não é estú- realçou que a “saúde não é um negócio”. dicar ainda mais a vida dos utentes que já têm Um objecto não tem menos valor se for mais pido, faz as contas e verifica que, apesar do que João Santos Cardoso, dirigente do MUS, de pagar a taxa moderadora no acesso ao barato ou gratuito”, disse. muitos partidos políticos disseram, pouparam disse não entender como é que o Ministro da Serviço Nacional de Saúde e aos bens comple- O dirigente do MUS referiu ainda que a cri- 20 milhões de euros no ano passado” com as Saúde vai subir os custos numa área tão sensível mentares”. ação de novas taxas moderadoras “não vai mo- medidas aplicadas pelo Governo no sector do para a população. Na entrevista à Lusa, Correia de Campos re- derar a procura nem resolver os problemas do medicamento. “É inaceitável para o utente que já tem uma velou que a medida deverá ser aplicada em Serviço Nacional de Saúde e nem valorizar o Algumas dessas medidas, especificou Correia vida tão complicada. Não percebo qual é a breve, mas não tem apenas fundamentos eco- acto médico”. de Campos foram igualmente polémicas, como vantagem para o utente e para o Serviço nómicos. “O doente valoriza é sentir-se melhor”, pre- a diminuição da comparticipação dos fármacos Nacional de Saúde”, afirmou Santos Cardoso, “Este tipo de receitas é mínimo” para o cisou. para doentes crónicos de cem para 95 por cento. que ao longo de muitos anos foi administrador Serviço Nacional de Saúde”, disse o ministro Para Santos Cardoso, a “ideia que dá é que se Sobre as únicas taxas moderadoras que actu- hospitalar. justificando a criação destas novas taxas com está a avançar para uma introdução do utiliza- almente existem - que representa uma receita “A saúde não é um negócio”, sublinhou. objectivos mais estruturais, como a moderação dor/pagador, para que as pessoas se habituem a de 40 milhões de euros por ano - o ministro O Ministro da Saúde admitiu ontem, em en- do acesso e a valorização do serviço prestado. pagar”. disse que serão actualizadas no próximo ano, trevista à agência Lusa a criação de novas taxas João Cardoso considerou a justificação do Em entrevista à Lusa, Correia de Campos consoante o valor da inflação, tal como aconte- moderadoras para sectores que actualmente são Ministro inaceitável e disse que “o senhor minis- disse estar consciente do impacto de uma medi- ceu este ano. LEMBRE-SE DELE NO PRÓXIMO DOMINGO MAIS UM AVANÇO DA CIÊNCIA E DA TÉCNICA “Dia do Coração” Braço artificial comandado em Cantanhede pelo pensamento Uma mulher norte-americana equipada Celebra-se no próximo domingo, dia 24, Pelas 9h45 será a partida dos aderentes, com um braço biónico consegue, pela primeira o “Dia do Coração”. em camioneta (os que não tiverem trans- vez, controlar a prótese com o pensamento e Para assinalar esta data, a Delegação porte próprio), rumo a Cantanhede. “sentir” o braço, o calor ou um aperto de mão. Centro da Fundação Portuguesa de Cardio- Naquela cidade as actividades físicas ini- Claudia Mitchell, soldado da marinha dos logia, presidida pelo Prof. Políbio Serra e ciam-se pouco depois das 9 horas, com um Estados Unidos da América, foi operada há Silva, vai promover diversas actividades em programa muito variado: Futebol de 5, Té- dois anos depois de ter perdido o braço num Coimbra e Cantanhede. nis, Basquetebol, Ginástica, Aeróbica, Jo- acidente de moto. gos Tradicionais, Touro O braço biónico é controlado por nervos Mecânico, Trotinetes e que foram reencaminhados para músculos Patins, Slide, Escalada, sãos nos peitorais. A nova enervação desta Rappel, Oficinas de Dan- região do corpo permite-lhe enviar sinais ao ça e Capoeira. braço robótico através de eléctrodos que re- Às 10h30 inicia-se, já spondem aos impulsos do cérebro. com os participantes idos “Antes da operação, não pensava que de Coimbra e de outros pudesse voltar a ter uma vida normal”, disse locias, a “Caminhada do Claudia Mitchell, 26 anos, cujo caso foi apre- Coração”. Às 11h45 será sentado na semana passada por investigadores feito um “Coração Hu- norte-americanos. mano”, seguido de larga- “Mas este braço e o Instituto de Reabilita- da de pombos e da leitu- ção de Chicago deram- me a possibilidade de ra de mensagem alusiva ter uma vida mais agradável e activa do que es- ao Dia do Coração. perava”, declarou a jovem, sorridente. “Estou Às 12 horas principia feliz, cheia de confiança e independente”, a parte mais saborosa do acrescentou. programa: os Festivais das Este importante avanço no domínio das Desde o começo da implantação de braços Sopas do Coração, do próteses permite aos amputados recuperar a biónicos em 2002, já foram feitas tentativas de Pão do Coração e da Ma- capacidade de executar uma série de movi- enervar músculos em seis amputados, mas só çã do Coração. mentos, como vestir-se, abrir tampas e retirar um deles conseguiu controlar a prótese pelo Pelas 13h30 começa a objectos de prateleiras. pensamento com uma reorientação dos ner- animação, com grupos Os investigadores esperam que estes braços vos. de danças e cantares, que biónicos possam ajudar, por exemplo, os cerca Jesse Sullivan, um antigo jogador de futebol se prolonga até às 17 de 400 estropiados que perderam um membro que perdeu os dois braços, foi o primeiro a horas. nas guerras do Afeganistão ou do Iraque. prestar-se à experiência em 2005. Um programa alician- “É para mim muito gratificante, enquanto Foi depois de ler numa revista de divul- te, que convida à partici- médico e cientista, participar numa investi- gação científica um artigo sobre Sullivan, pação. gação com consequências tão positivas na vida pouco depois do acidente, que Claudia Mas se não puder es- dos amputados, nomeadamente nessas mul- Mitchell entrou em contacto com o instituto Assim, em Coimbra, pelas 9 horas, ha- tar presente, lembre-se que depende do heres e homens que serviram nas forças ar- de Chicago para saber se podiam fazer a verá uma concentração na Praça da Repú- seu coração, e que para ele o ajudar a madas dos Estados Unidos”, declarou Todd mesma experiência com ela. blica, onde decorrem actividades físicas di- viver é necessário que o ajude com exer- Kuiken, director do Instituto de Reabilitação Submeteu-se à operação no dia do seu 25.º versas (como Tai-Chi, Capoeira e “Yoga do cício físico e alimentação saudável – para do Centro de Neuro-engenharia de Medicina aniversário e passou um ano a aprender a con- Riso”), para além da distribuição de brin- além de pôr termo ao tabaco, caso seja Biónica de Chicago, que desenvolveu esta trolar a prótese, que já domina ao ponto de des alusivos ao coração (t-shirts e outros). fumador. tecnologia. poder descascar uma laranja.
  • 19. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 SAÚDE 19 N u t r i c i o n a n d o A alimentação e a escola Preguiça? Falta de tempo? Eficácia da pu- É fundamental reflectir seriamente sobre te desequilibradas, sem variedade e pouco blicidade enganosa? este problema, pois os apelativas; ou na irracionalidade dos bares, Preocupante é, sobretudo, o que se está danos feitos duran- com a maioria das bebidas e outros produ- a passar com os jovens, com o aumento te a adolescência tos disponíveis de pastelaria e snack exces- Paula Beirão considerável do número de casos de exces- em matéria de sivamente energéticos. so ponderal e obesidade, apesar da crescen- nutrição dificil- Como em relação a outros vícios da so- Valente te procura de ginásios. Não será preciso mente serão cor- ciedade de consumo em que vivemos, o (Nutricionista) muito trabalho para o confirmar. Bastará rigidos no fu- problema parece começar, primeiramente, passar num dia de aulas, à hora do almoço, turo. por uma questão de moda e de afirmação No início de um no- por um centro comercial próximo de social. Para o prevenir será precisa maior vo ano lectivo, foi lan- uma escola para ver as mesas dos sensibilização para uma alimentação sau- çada uma oportuna restaurantes cheias de adoles- dável, mas, paralelamente, serão necessá- campanha nacional centes a deliciarem-se com rias melhores condições envolventes. sobre a alimentação batatas fritas encharcadas A transformação das cantinas e bares nas escolas, visando em óleo, com sandes escolares em espaços em que os jovens se prevenir e combater a a escorrer mo- sintam bem e com os quais se identifi- obesidade nos jovens, lhos di- quem, em alternativa aos dos centros co- cujos índices de cres- merciais, será o primeiro passo. Depois, cimento estão a cons- será necessário investir na qualidade tituir séria preocupação. e variedade das ementas, de Já, há três meses atrás, modo a melhorar a houve uma iniciativa apresentação e o pala- local no sentido de se dar dos alimentos e promover um debate amplo o seu equilíbrio nu- sobre as políticas de alimenta- tricional. Nos ba- ção escolar em Coimbra. “O res haverá que que comem e como se sentem promover a gra- os nossos filhos nas escolas?”, dual elimina- era a pergunta com que a Pro Ur- ção de produ- be procurava introduzir o debate. tos hipercaló- Mas a iniciativa não terá provocado ricos e a sua grande eco, talvez porque outros proble- substituição mas no sector da educação a terão desvalo- por produ- rizado, ou porque se estava próximo do ver- tos mais final do ano lectivo. sos, e saudáveis. Há, de facto, um problema alimentar a outros pratos O acompa- nível geral que, embora comece muitas cheios de sal, açú- nhamento vezes na infância, afecta principalmente os car e gordura, com- por especia- jovens em idade escolar. E é preciso preo- pletados com bebi- listas em saúde cuparmo-nos com ele antes que seja dema- das e sobremesas pública será, tam- siado tarde. excessivamente bém, fundamental. O consumo de fast–food está a alastrar açucaradas. En- Em questões de saúde não no país e em todo o tipo de estratos sociais, tretanto as can- se pode improvisar. apesar de o cidadão minimamente avisado tinas vão fican- A colaboração dos pais, das escolas, saber que tal alimentação é prejudicial à sua do mais vazias. das autarquias e do Estado, num envol- saúde. As próprias crianças o sabem. Qual a Por falta de tempo não será, pois maior é a Será pura perda de tempo promover vimento articulado e convergente, será, por razão, então, da corrida a este tipo de ali- demora na deslocação e nas filas de espera campanhas em prol de uma alimentação sa- último, indispensável para combater o que mentos? O que estará a falhar? no shopping. Por uma questão de preço udável se as disfunções alimentares encon- poderá vir a ser um novo flagelo da socieda- Convenhamos que sabe bem, de quando também não, pois dificilmente se consegui- trarem campo aberto nas refeições tomadas de pós-moderna. em vez, saborear uma sandes ou um prato rá uma ementa mais económica que na can- em casa; no facilitismo dos pais, satisfazen- Não se espere que sejam as multina- diferente, para mais sem a preocupação de tina da escola, ainda que seja uma simples do todos os apetites dos filhos, no deficien- cionais produtoras ou distribuidoras a ter de arrumar tudo mais tarde. Mas porquê sandes. Por a comida ser de má qualidade, te funcionamento das cantinas escolares, fazê-lo. tanta sedução por um tipo de alimentação menos ainda, porque pior é, sem dúvida, a com condições de bem-estar poucos agra- Uma alimentação saudável é condição que se sabe à partida fazer mal à saúde? comida rápida. Como os olhos enganam! dáveis, ementas repetitivas, nutricionalmen- necessária para um corpo e mente sãos! COMEÇA AMANHÃ EM COIMBRA Gripe em Forum Regional Um “Fórum Regional sobre Gripe” vai de- “Gripe Sazonal, Infecção de transmissão nos de Contingência na Região Centro”, mo- Saraiva da Cunha e Avelino da Silva Pedroso. correr em Coimbra, amanhã e no dia seguinte Zoonótica e Gripe Pandémica – Diagnóstic”, derada por José Manuel Tereso, Coordenador Às 16h15 a mesa-redonda versará “Os Pla- (21 e 22 de Setembro), no auditório da Facul- moderada por Francisco George, e em que do Centro Regional de Saúde Pública do nos de Contingência no Contexto Europeu, dade de Direito. participam a virologista Helena Rebelo de Centro (CRSPC), e com intervenções de João moderada por Fernando Regateiro, Presidente A sessão de abertura está marcada para as Andrade, do Centro Nacional da Gripe, o in- Pedro Pimentel e de Eugénio Cordeiro. da ARSC e com intervenções de Graça Freitas, 9h30, com uma conferência pelo Director- fecciologista Saraiva da Cunha, dos Hospitais Às 14h30 Mesa redonda nova mesa-redon- Subdirectora Geral da Saúde e de Ana Cristina Geral de Saúde, Francisco George, subordina- da Universidade de Coimbra (HUC), a pneu- da para “Apresentação de Planos de Contin- Garcia. da ao tema “A Direcção Geral da Saúde (DGS) mologista Alcide Tavares Marques, dos HUC e gência de Unidades de Saúde”, moderador por Na quinta-feira o Forum irá abordar a e a Estratégia de Acompanhamento Regional o pediatra Luís Lemos, do Hospital Pediátrico José Marinho Falcão, Coordenador do Obser- “Articulação interinstitucional e a gripe”, com de Preparação para uma Pandemia de Gripe”. de Coimbra vatório Nacional de Saúde, com participações mais uma série de intervenções a cargo de es- Às 10h haverá uma mesa-redonda sobre Às 11h30 nova mesa-redonda, sobre “Pla- de José Manuel de Almeida, Luís Lemos, pecialistas de diversas áreas.
  • 20. 20 AMBIENTE DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 AGRICULTURA BIOLÓGICA AO CENTRO! Jornadas decorrem em Coimbra no próximo fim-de-semana Com o objectivo de apresentar informa- se preocupam com a qualidade dos alimentos segurança alimentar, bem como na área am- tuguesa. Conscientes de que este modo de ção estratégica sobre a agricultura biológica, que ingerem, bem como todos os que têm biental e da sustentabilidade”. produção desempenha um papel e um desa- nas vertentes de produção animal e vegetal, preocupações com a sua saúde e o ambiente E acrescentam: fio importantes para a competitividade da vão decorrer em Coimbra, de 22 a 24 de que os rodeia e está aberto ao público em “Uma das oportunidades para o sector agricultura portuguesa, contamos com a pre- Setembro, no campus da Escola Superior geral. agrícola português é o aproveitamento de re- sença de especialistas nesta área”. Agrária, Jornadas de Agricultura Biológica, Segundo os organizadores, “estas jorna- cursos naturais renováveis que permitam su- Entre os participantes contam-se os se- com o objectivo de apresentar informação das surgem como resposta à forte concor- prir as necessidades alimentares nacionais, guintes especialistas: Alfredo Cunhal Sendim, estratégica nas vertentes de produção animal rência que o sector agrícola português en- potenciando o crescimento da competitivida- Lázaro Simbine, João Cabral Barata, José e vegetal. Este evento, que incluirá palestras frenta, sendo um contributo fiável para res- de industrial e o equilíbrio ambiental e crian- Carlos Ferreira, Jean-Claude Rodet, Jacinto temáticas e uma feira de produtos de agricul- ponder a dificuldades, necessidades e solicita- do valências ainda não exploradas para o de- Palma Dias, Fernando Serrador, Graça tura biológica, destina-se a todos aqueles que ções crescentes na área da saúde, qualidade e senvolvimento sustentado da agricultura por- Costa, Ângelo Rocha e Francisco Varatojo. “Mercadinho do Botânico em “dose dupla” No próximo fim-de-semana volta a realizar- E desta vez o Mercadinho terá “dose dupla”, se, em Coimbra, o “Mercadinho do Botânico”. como explica a organização: Trata-se de uma iniciativa que pretende di- ”Para além de se realizar, como já vem sendo vulgar a agricultura biológica e os produtos na- hábito, no Jardim Botânico da Universidade de turais. Coimbra (entrada pela calçada Martim de Como referem os organizadores, “será uma Freitas - junto aos Arcos) das 10 às 14h de oportunidade de ouro para conhecer melhor Sábado (dia 23) estará também presente nas tudo o que a Terra pôe à sua disposição de uma Jornadas de Agricultura Biológica a realizar no forma natural, sustentada e sem químicos de campus da Escola Superior Agrária de Coimbra síntese”. de 22 a 24 do corrente mês”. Linha “SOS Ambiente”: 350 denúncias num mês Mais de 350 denúncias de atentados ambi- Os resíduos, nomeadamente a de- entais foram encaminhadas em Agosto para a posição ilegal de lixo, foram tema do maior GNR através da linha telefónica “SOS número de queixas ambientais recebidas Ambiente e Território”, quase o dobro das (86), seguidos pelo ruído (65 denúncias) e registadas no mês anterior, disse à Lusa fonte pela água (50). daquela força especializada. Os homens foram responsáveis por Em Julho os elementos da GNR especial- mais de metade (229) das denúncias rece- izados em ambiente (SEPNA - Serviço de bidas naquela linha, que tiveram origem Protecção da Natureza e Ambiente) receber- principalmente nos distritos de Lisboa (61) am 120 queixas naquela linha telefónica. e Porto (49). NO PRÓXIMO DOMINGO Souselas é destino dos Passeios pelas Freguesias de Coimbra Prossegue no próximo domingo a inici- Junta de Freguesia de Souselas; Visita à ativa “Passeios de Coimbra n’As Fregue- Igreja Matriz de Souselas; pausa para con- sias”, promovida pela Divisão de Turismo forto; passeio apeado pelo centro da da Câmara Municipal de Coimbra. Freguesia. Desta feita será visitada a Freguesia de 13h00 – Almoço-convívio na Casa do Souselas, que tanto tem andado “nas bocas Povo, organizado pela Junta de Freguesia do Mundo” nos últimos tempos por causa de Souselas. A ementa é convidativa: En- da co-incineração. tradas; Sarrabulho; Carapaus com molho O passeio será, também por isso, muito escabeche; Pataniscas; Petinga; Caldo Ver- oportuno, já que os visitantes poderão veri- de; Leitão; Vinho Tinto/Branco de Souse- ficar que Souselas é muito mais do que a las; Espumante de Souselas; Àgua/Sumo; controversa fábrica de cimento. Café e café de chaleira; Digestivos; Arroz- As inscrições para o passeio deverão ser Doce. feitas até às 17h30 da próxima sexta-feira No final do almoço, visitas a Sargento- (dia 22 de Setembro), no Posto Municipal Mor, Zouparria do Monte, Marmeleira, Ca- de Turismo de São Jerónimo (telef. 239 832 pela de S. João, Fonte Velha, São Martinho 591) ou através do telefone 239 834 038. do Pinheiro. A terminar um espectáculo O programa do passeio é o seguinte: pelo Grupo de Cordas Allegro; 09h30 – Saída do Posto Municipal de O preço da inscrição é de 20 € (incluin- Turismo de S. Jerónimo(Largo D. Dinis); do o almoço e o transporte).
  • 21. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 21 SOL FORTE Da minha idade, apenas alguns. Os outros Fala, propriedade do Vigor da Mocidade, (centenas) eram jovens na casa dos 20 anos. merece uma urgente explicação pública. José Cid, quase afónico mas bem humo- Pelo menos isso. Pelo menos. rado, foi aplaudido antes, durante e após todas as seis ou sete canções que interpre- (publicado no blog em 6 de Setembro) tou com a ajuda de amigos. Irreverente, “costela” anarquista visível, BLOG ACTUALIZADO lamentou nunca ter cantado nos palcos da Mário Martins Queima das Fitas. “Talvez daqui a uns 30 Esta minha incursão pelo mundos dos ou 40 anos, quem sabe?”, ironizou. blogues é, como se escreveu logo no início, Ficamos à espera, enquanto “cai neve algo de experimental – tanto no papel im- FIM-DE-SEMANA em Nova Iorque” e “há sol no meu país”. presso como no espaço cibernético. DESPORTIVO (publicado no blog em 15 de Setembro) Numa primeira fase, optei por só colocar on-line os textos que iam sendo publicados No sábado, descanso completo em ter- no jornal. mos desportivos, porque houve que ajudar ESPANHOLADA Agora, a opção é diferente: sempre que um amigo a fazer a vindima. possível, apaginadomario.blogspot.com tem No domingo de manhã, fui à Pedrulha Junto às instalações da Rodoviária Na- actualização diária. E está à espera dos co- ver o Académica-Naval (3-1), em juvenis. A cional, em Coimbra, está instalada uma má- mentários de quem a lê, que poderão (ou não) “minha equipa” entrou no campeonato quina de venda automática de bebidas. ser também publicados nas páginas do jornal. com o “pé direito”, após exibição esforça- Tem o “logo” da Coca-Cola, uma das em- da. Nem mais se lhe podia pedir: era o pri- presas que apelou ao patriotismo a propósito meiro jogo oficial da época e tratava-se de do recente Campeonato do Mundo de futebol. ITÁLIA, ITÁLIA… um “derby”. Triunfo indiscutível. Gostei. O jornal tem “pinta”. O arquitec- Mas isso foi em Julho. Agora, em Se- De tarde, no Calhabé, o Académica- to está a caminho de ganhar a aposta: infor- tembro, a máquina tem inscrita uma frase Belenenses (1-1) não deixou saudades. Foi mação diversificada, textos de “peso” dife- esclarecedora: “¿Tienes sed?”. tão mal jogado que o resultado mais condi- rente, grafismo simples e agradável, um tom zente seria 0-0. intimista quanto baste nalgumas prosas. (publicado no blog em 11 de Setembro) Ao princípio da noite, na televisão, fui Confesso que aconteceu algo que há olhando o Benfica-Nacional (1-0). Talvez anos não me sucedia: gastei uma hora só GASOLINA por não ter seguido o jogo com total aten- com o caderno principal! ção, a equipa madeirense fez-me lembrar o A revista, que quase só desfolhei, pare- Boavista de há épocas atrás: há quem goste ceu-me boa, com uns laivos gráficos de daquele tipo de futebol e o chame de viril; “Caras” e “Hola”. Está lá muita coisa para para mim, aquilo é (quase) futebol-caceteiro. ler durante a semana. Do que não gostei foi do caderno de (publicado no blog em 18 de Setembro) Economia; neste particular, o “Sol” leva ta- reia do “Expresso”. Já que falamos do semanário de Pinto DEPUTADOS AUSENTES Balsemão, escreva-se que apareceu mais cuida- do, com um 1.º caderno mais interessante. O Começou bem o ano parlamentar. Leio na suplemento de Economia continua em grande. edição de sábado do “Correio da Manhã”: “Na Em conclusão: bons auspícios para o abertura da sessão legislativa [compareceram] “Sol” (a ideia de mudar o logotipo confor- A Galp anunciou na sexta-feira a terceira menos de metade dos 230 parlamentares. (…) me as estações do ano é de um requinte descida de preço da gasolina em 10 dias. Ora No regresso das férias, a Assembleia da Re- pouco habitual), que já obrigou o “Ex- aqui está aquilo que parece ser uma boa notícia. pública iniciou assim os trabalhos a meio gás, presso” a suar um pouco esta semana. A gasolina sem chumbo de 95 octanas com a bancada do PSD a ter o maior número PS - Há várias “bicadas” ao “Expresso” passava a custar 1,278 euros por litro. de ausências. (…) Alguns deputados optaram nas páginas do “Sol”. A começar pela frase Ou seja, na moeda antiga: 256$21. Por ainda por marcar presença no plenário, mas de- “Este semanário não oferece brindes nem extenso: mais de duzentos cinquenta seis Após duas jornadas do campeonato ita- pressa saíram para os seus gabinetes. Como foi faz promoções”, logo no cabeçalho. Mas há escudos por litro! liano, a diferença pontual entre o primeiro e o caso de Pedro Santana Lopes e Paulo Portas”. mais no interior. Ora aqui está um bom Nem sempre o que parece ser uma boa o último é de… 25 pontos! Pergunta: não há um modo (democráti- passatempo: procurá-las. notícia o é na realidade. A explicação é simples: quatro equipas co) de fazer trabalhar quem aufere salários começaram o campeonato com pontuação acima da média e consegue reformar-se en- (publicado no blog em 16 de Setembro) (publicado no blog em 15 de Setembro) negativa, devido ao escândalo que este quanto “o diabo esfrega um olho”? Verão se abateu sobre o futebol italiano. Cada vez me convenço mais que “somos JOSÉ CID EXPLICAÇÃO OU... Noutro dia li uma opinião que assinalava todos iguais”, mas uns são mais iguais do ALGO MAIS? que o “caso” italiano é uma brincadeira de que outros. O auditório da FNAC, no Forum Coim- garotos ao pé do nosso “Apito Dourado”. bra, foi pequeno na sexta-feira à noite para O que se está a passar com a colocação Moral deste texto: Portugal está mesmo na (publicado no blog em 18 de Setembro) tanta gente. do piso sintético no Campo dos Sardões, em periferia da Europa. A MINHA EQUIPA Os que acompanham este blog desde o início sabem que a minha equipa preferi- da... são duas! Uma é a selecção nacional de futebol, a outra é a equipa onde joga o meu filho. Pois bem, esta época a minha equipa é a formação de juvenis da Académica. O campeonato começou no domingo, com vitória (3-1) frente à Naval. Segue-se o Boavista (no próximo domingo, no Campo do INATEL, em Ramalde). O treinador principal é André Lage, ex- futebolista da Académica. Nos oito jogos da pré-epoca, a equipa averbou 3 vitórias, 4 empates e 1 derrota (com a equipa júnior do Vigor, por 2-1). Um pormenor merece reflexão: os resul- tados com U. Leiria e Desportivo C. Branco foram piores no “pelado” da Pedrulha (2-2 e 2-0, respectivamente) do que quando a Académica jogou nos campos relvados dos adversários (4-0 e 5-0, respectivamente).
  • 22. 22 MÚSICA DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 Distorções José Miguel Nora josemiguelnora@gmail.com Ao fim de uma série de “Distorções” sobre música estrangeira, hoje vou escrever- vos sobre uma banda que usa a língua portu- guesa em alguns dos seus temas (por exem- Pânico Cansei de ser sexy plo “Bezzi”), e no seu nome, Cansei de Ser Cintra, Luísa Sá, Iracema Trevisam, Carolina temas novos destaco: “Patins” e “Let’s Make ponta à outra, vezes sem conta, e que tem sido Sexy – que se ficou a dever a uma entrevista Parra, Ana Rezende e Lovefoxx formaram, Love and Listen to Death From Above” presença assídua no meu iPod. da ex-Destiny’s Child, Beyoncé Knowles, em em São Paulo, uma das mais populares ban- (uma clara referência aos extintos Death Para esta quinzena destaco um disco intula- que a mesma revelou estar farta de ser um das brasileiras do momento, quando ainda From Above 1979). do “Writer’s Block” da autoria de Peter Bjorn & sexy symbol – ou, simplesmente CSS, como não sabiam tocar qualquer instrumento mu- A outra das bandas que destaco são os chile- John. agora são conhecidos do grande público. Foi sical e em que as preocupações com a estéti- nos Pânico, que foram uma das surpresas do há cerca de um ano que ouvi pela primeira ca e o design assumiam um papel preponde- palco secundário do Festival Heineken de PARA SABER MAIS: vez este projecto, se bem me lembro na rante. O ano de 2006 fica marcado pelo lan- Paredes de Coura, depois de terem dado um - http://www.paredesdecoura.com “Portugália” de Henrique Amaro (programa çamento do seu álbum de estreia, com o concerto verdadeiramente arrebatador – onde - http://panico-band.blogspot.com/ da Antena 3). Depois arranjei a sua maque- selo da independente Sub Pop (editora nem a chuva, nem a hora tardia, conseguiram - http://www.canseidesersexy.com.br/ ta, que continha muitos dos temas que norte-americana que lançou muitas das ban- demover os muitos espectadores presentes. ou fazem parte do seu primeiro longa duração e das do movimento “grunge”, como os Este grupo liderado por Eddie Pistolas, sedeado - CSS - “Cansei de Ser Sexy” (Sub Pop) homónimo, nomeadamente “Art Bitch”, Nirvana, os Dinossaur Jr, etc.), em que o em Paris, acaba de lançar mais um disco de ori- - Panico – “Subliminal Kill” (Tiger Sushi) “Meeting Paris Hilton”, e que denotavam já “electro-rock” é o estilo dominante, e a críti- ginais, intitulado “Subliminal Kill”, marcada- - Peter Bjorn & John – “Writer´s Block” uma qualidade impressionante. Adriano ca social é uma presença constante. Dos mente “electroclash”, que é de ouvir de uma (Wichita) FESTIVAL HEINEKEN PAREDES DE COURA Nem a chuva conseguiu parar a multidão Decorreu na Praia Fluvial do Tabuão noridade, muito distinta do que foi registado dados os dois maiores “trunfos” desta noite: City Blues e Zen, actualmente nos Mesa), de (Paredes de Coura), entre os dias 14 e 17 de em estúdio. O senhor que se seguiu foi Bloc Party e We Are Scientists. Os primeiros que a “cover” de “Call Up” dos The Clash foi Agosto, mais uma edição do Festival Heineken Morrissey, que fez uma retrospectiva, quer da deram o melhor concerto do festival, numa ac- a primeira amostra. Ainda antes dos The Paredes de Coura. sua carreira a solo, quer com o Smiths – “How tuação em que entoaram temas do seu último Cramps e dos Bauhaus, foi tempo de subirem A primeira noite (14 de Agosto) ficou mar- Soon Is Now” foi o tema de abertura –, sem- trabalho “Silent Alarm”, nomeadamente “The ao palco os !!! (chk chk chk). A banda sensação cada pela festa de recepção no Palco After pre acompanhado de alguma ironia e de um Banquet” – que serve de banda sonora a uma da edição do ano anterior veio mostrar-nos al- Hours, no qual desfilaram os Bandex, os humor bastante cáustico. Temas como: campanha publicitária da operadora de teleco- gumas das canções que vão fazer parte do Corsage e os Warren Suicide. Mas foi com os “Girlfriend in a Coma”, “First of The Gang municações, Vodafone” –, “Helicopter”, “Like dj’s Rui Maia, dos X-Wife – em substituição To Die”, “Irish Blood, English Heart” ou o tão Eating Glass” e “Two More Years”, apresen- dos escoceses Óptimo Espacio – e Miguel pedido “Panic” (que terminou com uma inex- tando, também, um par de temas que vão fazer Quintão que os ânimos aqueceram, mostran- plicável saída de palco sem a música acabar) fi- parte do novo trabalho da banda, ainda sem tí- do, desde logo, o sucesso que o evento seria zeram o delírio dos presentes. Mas, quanto a tulo. Para o fim ficaram os We Are Scientists, nos dias seguintes. mim, faltou “The More You Ignore Me” de que estiveram muito bem, apesar de prejudica- A noite de 15 de Agosto foi a primeira de “Vauxhall and I”. A “encerrar as hostilidades” dos pelo facto de tocarem após os Bloc Party, actuações no Palco Heineken. A “abrir as hos- estiveram os Fischerspooner, que aliaram de dada a significativa diminuição da plateia. Mas tilidades” estiveram os White Rose Movement, forma brilhante as batidas da sua música a uma isso não prejudicou a performance deste trio que são umas das novas coqueluches do rock vertente cénica com bailarinas trajadas a rigor, nova-iorquino. No palco After Hours a anima- britânico. Depois das actuações dos Gomez e o que deu um colorido diferente a temas como ção continuou com as actuações dos Members dos Madrugada, surgiu uma das melhores ban- “Kick In The Teeth”, “Never Win” e “Just Let of The Public e dos chilenos Panico (ver das da noite: os canadianos Broken Social Go”. Distorções) e o “set” do Dj Kitten. Scene, um colectivo de 12 elementos que se O denominador comum da noite de 16 de Para a última noite estava reservada a actua- iam revezando em palco, dando uma imagem Agosto era o rock’n roll. Vicious Five e os ção dos míticos The Cramps e dos Bauhaus de Eagles of Death Metal foram as primeiras Peter Murphy, que arrastaram uma imensa le- bandas a subir ao palco, das quais destaco as gião de fãs, que não saíram desiludidos pelas versões de “Fight For Your Right” dos Beastie actuações de ambas as bandas, destacando a We Are Scientists Boys, pelos primeiros, e de “Brown Sugar” dos “cover” dos Bauhaus para o original dos Joy novo trabalho, mas não esquecendo alguns dos Rolling Stones e “New Rose” dos Damned, Division, “Transmission”. A abrir a noite esti- temas dos anteriores. pelos Eagles of Death Metal. Foi já com uma veram os Cat People, sucedidos pelos suecos Para a história fica mais uma edição do significativa moldura humana, apesar da chuva Shout Out Louds, que nos mostraram alguns Festival de Paredes de Coura, a décima quarta, torrencial, que os Gang of Four fizeram uma dos temas que fazem parte do excelente com duas noites de lotação esgotada, respecti- revisitação de alguns dos seus temas, promo- “Howl Howl Gaff Gaff ”, mas que não conse- vamente as dos dias 15 e 17, apesar da muita vendo a sua mais recente colectânea “Return guiram cativar o público presente. Quando já chuva. Importa destacar, mais uma vez, a cres- The Gift”, nomeadamente “Damaged Go- começava a anoitecer foi de tempo de subirem cente preocupação com a qualidade da progra- ods”, que foi acompanhada em palco pela des- ao palco os Maduros, o novo projecto de rock mação apresentada e que ano após ano nos faz truição de um microondas com taco de base- cantado em português liderado por Zé Pedro ver este evento como o melhor festival de bol. De seguida fomos brindados com uma ex- (Xutos & Pontapés) desconhecido da maior Verão de Portugal – e, certamente, um dos me- celente actuação dos Yeah Yeah Yeahs, confir- parte do público, que alia alguns “históricos” lhores da Europa. No que toca a destaques in- mando as expectativas criadas com a sua actu- da música portuguesa – casos de Zé Pedro e dividuais, ficam as actuações de Morrissey, ação na edição de 2003, na altura a promover Alexandre Soares (ex-GNR) –, com alguns Fischerspooner, Yeah YeahYeahs, Bloc Party e “Fever To Tell”, em que a vocalista Karen O músicos da “nova geração”, mais concreta- We Are Scientists no Palco Heineken, e dos Bloc party muito semelhante do que foi a actuação dos mostrou ser uma excelente intérprete, numa mente Fred (Yellow W Van, Hiena, Peace Panico no Palco After Hours. Só faltaram, Arcade Fire na edição anterior, não só pela sua actuação dominada pelo seu último trabalho, Revolution, Balla e Bullet), Pedro Gonçalves mesmo, os Elefant, que estavam confirmados, postura em palco, mas sobretudo pela sua so- “Show Your Bones”. Para o fim, estavam guar- (Dead Combo) e Jorge Coelho (ex-Cosmic mas que acabaram por não marcar presença.
  • 23. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS publicados cerca de oitenta textos e mais de noventa au- Last.FM tores registados. endereço: http://www.last.fm/ | categoria: rádio online, música Textos e Companhia endereço: http://www.textos.web.pt/ | categoria: co- munidades, escrita, literatura Inês Amaral PROJECT CENSORED Docente do Instituto Superior Miguel Torga BOBs AWARDS COUCHSURFING O Project Censored é um projecto de investigação na área dos media desenvolvido pela fundação da universida- de de Sonoma State. A organização sem fins lucrativos existe há 30 anos e, apesar de se focalizar sobretudo na re- Os Óscares da blogosfera são os BOB’s Awards. As can- alidade norte-americana, permite observar a agenda dos didaturas para os melhores weblogs e podcasts do mundo media dos EUA e internacionais. O projecto Couchsurfing surgiu em Janeiro de 2004 e estão abertas até ao fim do mês de Setembro. A língua por- Anualmente é publicada a lista com os principais traba- conta actualmente com 117 mil membros, que colocam à tuguesa também está representada. Os vencedores serão lhos jornalísticos que não chegaram a ser publicados. Este disposição dos utilizadores do site o seu sofá. A ideia é sim- anunciados a 11 de Novembro, numa cerimónia que vai de- relatório faz também uma descrição documental de cada ples: viajar e ter alojamento gratuito, no sofá dos milhares correr em Berlim. caso. Um dado importante para pensar e conhecer o mundo. de membros do site espalhados pelo mundo. Portugal está Os weblogs e podcasts candidatos concorrem em 15 cate- representado e é um dos dez países com mais utilizadores gorias, das quais se destacam o melhor weblog, o melhor web- Links relacionados: registados. log por idioma (que é entregue em 10 línguas e que inclui o http://www.projectcensored.org/censored_2006/ - O site contabiliza utilizadores de 207 países, num total português) e o melhor podcast. O júri internacional vai anali- Top 25 Censored Stories of 2006 de mais de 16 mil cidades representadas. Neste portal en- sar as candidaturas, que se advinham aos milhares, e vai nome- contram-se histórias de amizades e aventura e mais de 38 ar dez finalistas. Qualquer utilizador do site pode indicar um Project Censored mil “successful surfings”. Através de um conjunto de regis- weblog ou podcast para ser candidato aos Bob’s Awards, pre- endereço: http://www.projectcensored.org/ | catego- tos e verificações, é possível ter algumas certezas sobre os enchendo um formulário com a descrição do blog que indica. ria: jornalismo anfitriões ou os hóspedes dos sofás que, espalhados pelo mundo, permitem viajar com um custo bastante inferior ao Bob’s Awards do alojamento tradicional. No site está tudo documentado endereço: http://www.thebobs.com/ | categoria: weblogs e até o conforto dos sofás é votado pelos viajantes. ENCONTRA-ME.ORG Couchsurfing endereço: http://www.couchsurfing.com/ | categoria: LASTFM comunidades, viagens TEXTOS E COMPANHIA O site Encontra-me.org é um projecto da Associação pelos Animais que tem como objectivo fornecer um meio para ajudar a encontrar animais perdidos. A ideia é utilizar a Internet para divulgar um caso de um animal desaparecido e, através da rede, encontrar pistas e chegar ao seu paradeiro. Qualquer utilizador, desde que se registe, pode consultar e inserir anúncios e receber via email notificações de ani- A Last.FM é uma rádio online cujo slogan é “The Social mais desaparecidos e/ou encontrados. Há indicações e Music Revolution”. Trata-se de um serviço online de rádio conselhos no site para prevenir o desaparecimento dos ani- que é uma mistura de rede social e de sistema de recomen- mais domésticos e para ajudar a procurar. Existe também dação. O utilizador pode personalizar selecções de música uma secção com o histórico de casos resolvidos. O projecto Textos e Companhia tem como propósito e partilhá-las. difundir a língua portuguesa e assume-se como um espaço O projecto nasceu em 2002 como uma estação de rádio Links relacionados: de publicação para autores. O site tem como objectivo alo- online e um site de música comunitário, que utiliza perfis http://www.pelosanimais.org.pt/ - Associação pelos jar mil textos nos próximos dois anos. dinâmicos semelhantes às playlists. No Verão passado o Animais O site foi criado por Ricardo Sousa, um jovem de 14 site foi renovado e apresenta maior usabilidade, fazendo anos que é o webmaster do projecto e também um dos agora parte da nova geração de serviços online – que se ca- Encontra-me.org autores que publica os seus textos no Textos e Com- racteriza por uma maior interacção entre aplicação e utili- endereço: http://www.encontra-me.org/ | categoria: panhia. O desafio está lançado. Até ao momento estão zador (a chamada “Web 2.0”). animais
  • 24. 24 T E L E V I S ÃO DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO forma a obter audiências. Apenas a forma que os produtos terão que ter para obter não havia resposta: quem incendeia o quê? São os fogos de Verão que “incendeiam” os FINALMENTE, O 11 DE SETEMBRO audiências. E isto é rigorosamente assim. media ou os media que ajudam a atear As Floribellas e os Morangos com Açúcar aqueles? Chegámos agora à situação de Como se já não bastasse uma série de vão continuar a preencher o tempo que for contabilizar o número de fogos, bem como outras efemérides de que os canais televisi- necessário e, se não for o bastante, faz-se a sua cobertura mediática, de forma a en- vos se aproveitaram para encobrir falta de com que entrem directa ou indirectamente trar no aparente combate entre governo e Francisco Amaral em outros programas (especialmente nos oposição. Docente da ESEC talk-shows) e até nos noticiários. A 20 de Agosto, no Público, o estudioso Mas onde está o problema? Está em e crítico de televisão Eduardo Cintra Torres “MAIS UMA CORRIDA, quase tudo. Das “estórias” completamente (que Rangel considerava o único crítico de MAIS UMA VIAGEM” ocas e forçadas, deturpadoras da realidade, televisão em Portugal) escrevia: “... as infor- vagamente neo-moralistas (especialmente mações de que disponho indicam que o ga- O Verão despede-se cheio de saudades. em relação à sexualidade), até à prestação binete do primeiro-ministro deu instruções Tem razão. Ao contrário dos que pensam dos jovens actores que, é preciso dizê-lo, directas à RTP para se fazer censura à co- que o Verão é a “silly season” da informa- são na maioria dos casos completos canas- bertura dos incêndios: são ordens directas ção, por cá, a televisão trata esta época do trões a fingir de teenagers. A produção e a do gabinete de Sócrates”. Depois de des- ano com um esmero e carinho inultrapassá- realização disfarçam o que podem, e mentidos, ameaças com tribunal e queixas à veis. Todos os Verões, as direcções de in- podem muito, mas não é possível esconder ERC, continuamos na mesma. A matéria é formação dos vários canais afadigam-se tudo. factual e não admite meio termo: ou essas para conseguir meios de forma a fazer uma No entanto, enquanto o respeitável pú- instruções foram dadas e o caso é gravíssi- matéria (ou vontade) informativa, o 5º ani- mais do que conveniente cobertura dos blico não se cansar, tudo continuará na mo. Ou não foram dadas e a acusação é versário do ataque às torres gémeas do fogos florestais. Se não os houver, coisa mesma, tal como aconteceu com o Big completamente irresponsável, logo, gravís- World Trade Center e ao Pentágono, foi ex- que raramente acontece, espera-se por um Brother. sima. plorado até ao limite. Limite que na RTP-1 escândalo futebolístico qualquer, o que é Nesta rentrée televisiva anuncia-se como terá chegado sob a forma do documentário também muito difícil que não aconteça.. grande novidade o programa do “Provedor “Loose Change”, onde se tenta mostrar um Depois há praias, a exposição solar, as do Telespectador” da RTP. O provedor é o hipotético envolvimento do governo norte- crianças (cuidado!), as temperaturas eleva- Professor Paquete de Oliveira. Um homem -americano nos atentados de 11 de Setem- das, as reportagens nas cidades que se esva- culto, de bom senso e igualmente um estu- bro de 2001. A reacção não se fez esperar e ziam, pelo menos três operações da Brigada dioso do fenómeno social que é a televisão. embora as provas mostradas no dito filme de Trânsito da GNR e a chegada dos emi- A grande interrogação está em saber até que sejam perturbadoras (especialmente em re- grantes a Vilar Formoso (e os comerciantes ponto as intervenções do provedor do teles- lação ao Pentágono), Pacheco Pereira já da terra a queixarem-se...) para “merecidas” pectador terão algum efeito. Em Portugal, veio dizer que a sua transmissão “é inacei- férias no “lindo Agosto”. estas figuras dos provedores dos leitores e tável no quadro deontológico de qualquer Em alguns anos, como este, as convul- agora dos telespectadores e ouvintes, apa- estação de informação”. Que faltou debate sões políticas internacionais, os conflitos rentemente poucos resultados têm conse- em torno das questões levantadas, é certo, armados, aliviam a angústia do editor pe- guido. Quando são demasiado incómodos, mas os espectadores ficaram de tal maneira rante o écran vazio. A maior parte das ima- como o foi Estrela Serrano no Diário de confundidos que não só ninguém protestou gens transmitidas são provenientes de agên- Notícias há uns anos atrás, de uma forma ou Ora como a meio de Agosto choveu o (o provedor recebeu um mail levemente re- cias, havendo apenas que gastar algum di- de outra deixam de ser provedores. suficiente para acalmar os incêndios, a tele- provador), como até os pedidos de reposi- nheiro mais com dois ou três “enviados es- Veremos o que se passará com os agora es- visão (e falo da televisão portuguesa em ção foram tantos que o filme vai ser repeti- peciais” que em matéria televisiva credibili- treantes na Televisão e Rádio públicas. toda a sua linha, já que neste jogo ela com- do no canal 1 e na 2: do serviço público. zam muito a informação, mesmo que pareceu em peso), lançou mão da bomba Pacheco Pereira acusa a RTP de “radicalis- pouco adiantem ao que outros já disseram. INCÊNDIOS, TORRES GÉMEAS, atómica desportiva. Depois de um primeiro mo antiamericano” e classifica o filme como Algumas vezes é informação radiofónica OS MAJORES E O FIÚZA ensaio com o “caso Mantorras”, onde o “um produto menor, de muito má qualidade, disfarçada, com um telefonema que corre presidente do Benfica, saudoso dos écrans, por detrás de um écran preenchido com um No campo da televisão, este Verão ficou fez um regresso em grande, logo se seguiu mapa e a fotografia do repórter. Uns efeitos marcado por três episódios. Primeiro o dos a despromoção do Gil Vicente que recor- gráficos em movimento completam o dis- incêndios. Depois de anos com reportagens reu aos tribunais civis e, alerta vermelho, positivo. que foram quase unanimemente considera- como consequência, a ameaça por parte da FIFA da suspensão das equipas portugue- E AGORA? sas de todas as competições internacionais (incluindo a bem amada selecção nacional). Mas com o fim do Verão chegam as pro- Nunca tal se tinha visto! Por isso mesmo, messas de novas e empolgantes aventuras talvez, e após uns bem medidos 16 minutos no reino da imbecilização electrónica. A de abertura de um Telejornal da estação pú- SIC vai apostar (amam esta palavra) na fic- blica com o tal “caso Mantorras”, tivemos a ção nacional. Quer dizer, na telenovela por- absoluta histeria (pudera, lá se ia o ganha- tuguesa. Já o tentou, mas acaba sempre por -pão de muita gente...) com o “caso Gil regressar às brasileiras. É provável que fi- Vicente”. E foram horas, horas e mais quem mais baratas, sobretudo as últimas horas, em todos e mais canais houvesse, que têm mandado vir. Se a técnica narrativa cabo incluído, com directos da sede da Liga e de representação são inquestionáveis, as dos clubes de futebol, com o major a aren- “estórias” são cada vez mais fracas, repetiti- gar às massas, até à célebre Assembleia que circula na internet”. Nesta ordem de vas e, em alguns casos, infantis. das como a cobertura do espectáculo (tene- Geral do clube de Barcelos, onde o seu pre- ideias, é caso para estar preocupado. Os estu- “Mas isto agora não interessa nada”. O broso) do fogo, a RTP anunciou que iria ter sidente, o sr. Fiúza, confirmou todo o valor dos mais recentes indicam que 70% dos jo- que está em causa, na casa da SIC, na da uma relação diferente com as chamas. Não televisivo de que já vinha referenciado. “A vens preferem a internet à televisão. TVI e porque não na da RTP, são as au- sabia no que se metia. Lei de Bases é muito clara...”, dizia. E nós O mundo já mudou. O que talvez suce- diências. Não a qualidade dos produtos de Era uma questão incómoda para a qual cada vez mais às escuras. da é que ainda não se tenha dado por isso.