O Centro - n.º 9 – 2.08.2006
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O Centro - n.º 9 – 2.08.2006

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Versão integral da edição n.º 9 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 2.08.2006. ...

Versão integral da edição n.º 9 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 2.08.2006.

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Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html


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  • 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca Renato Ávila Rui Lucas Santos Cardoso Sertório P. Martins Varela Pècurto PÁG. 16, 20 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 9 (II série) 2 de Agosto de 2006 € 1 euro (iva incluído) Marinhas de sal Chefe de cozinha de Coimbra contribuiu da Figueira da Foz para êxito da Selecção podem desaparecer PÁG. 14 e 15 Jovem de Coimbra eleita presidente dos Estudantes Democratas Europeus PÁG. 11, 12 e 13 PROFESSOR DA GUARDA CORRE A EUROPA EM AUTO-CARAVANA Mais de 130 mil km em “Pão-de-Forma” para ir alimentando Ana Janine com a Chefe do Governo o espírito alemão, Chanceler Angela Merkl PÁG. 4 e 5 PÁG. 5 DESPORTO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes Académica: Cães à espera do “Centro” novos de quem com 10% equipamentos os adopte de desconto provocam Os perigos na compra polémica do calor de livros PÁG. 2 e 3 PÁG. 16 e 17 PÁG. 10
  • 2. 2 2 DE AGOSTO DE 2006 EDITORIAL O “Centro” faz pausa Jorge Castilho jorge.castilho@zmail.pt na “estação pateta” E pronto! Cá estamos chegados a mais dois parágrafos, mas que nesta época são Não para descansar – embora o esforço É a pensar em vós que nos empenhamos um mês de Agosto, que é conotado com promovidos a acontecimentos com honras destes últimos meses o justificasse… – em preencher as nossas páginas com temas aquilo que em inglês se define como “silly de primeira página (nos jornais) ou de aber- mas antes para preparar a reentrada em interessantes, sempre com a preocupação season” – o que, nesta riquíssima língua que turas de noticiários (nas televisões e rádios). Setembro, planeando conteúdos, progra- de evitar o sensacionalismo inconsequente, Camões genialmente soube utilizar, se po- Não é preciso ser adivinho para prever mando iniciativas, tentando dar maior con- apostando antes em divulgar pessoas e ins- derá designar por “estação pateta”. que os espaços noticiosos voltarão a ser sistência a um projecto jornalístico que tituições que, quase sempre de forma dis- Digamos que é aquela época do ano em preenchidos em larga medida, infelizmente, tem enfrentado grandes obstáculos para creta, desenvolvem trabalho muito meritó- que vai para férias quase toda a gente que com as vagas de fogos florestais que este conseguir singrar. E isto porque não em- rio, que bem merece o reconhecimento pú- costuma gerar notícias com que a comuni- ano já deixaram marcas trágicas. barca em cómodos facilitismos, porque blico. cação social alimenta, quotidianamente, os E também não é difícil adivinhar que não se rende aos poderes vigentes, porque Essa continuará a ser a nossa linha edito- seus ávidos consumidores de escândalos. voltaremos a ser massacrados, todos os não faz fretes nem se deixa instrumentali- rial, mesmo sabendo que tal opção não nos Assim, com os políticos a molhar os pés dias, com as declarações, tão vazias de con- zar, porque preza, acima de tudo, a sua li- facilitará a existência, antes a tornará mais nas salsas águas algarvias ou brasileiras, a teúdo como repetitivas, dos senhores trei- berdade e independência, e faz da isenção complexa e atribulada. deleitarem-se em cruzeiros pelo Mediter- nadores do Sporting, do Benfica, do FCP... e pluralismo a cartilha que rege a sua acti- Mas tal não nos desviará do rumo que há râneo ou pelas Caraíbas, ou a adrenalina- Perante esta inelutável realidade, e consi- vidade do dia-a-dia. décadas nos norteia, e que é o de honrar a rem-se em safaris no Quénia, mais não resta derando que a maior parte dos nossos assi- Nesta pausa para retemperar forças e re- confiança que os Leitores em nós deposi- aos jornais, rádios e televisões do que ir des- nantes e leitores fiéis foram levados pela organizar projectos, voltamos a apelar aos tam. cobrindo factos mais ou menos insólitos, onda estival, decidimos nós próprios fazer nossos Leitores para que nos façam chegar que noutra altura não mereceriam sequer uma paragem neste mês de Agosto. sugestões e críticas construtivas. Boas férias e até Setembro! COOPERATIVA CRIADA EM BRAGA Portugueses “vão Sociedade Portuguesa para fora cá dentro” de Autores tem concorrente Um grupo de autores, artistas e produtores ca, que não os autores. O novo organismo, que Portugal é dos Estados-membros da cento) viajam para outro país da União de eventos de Braga fundou uma entidade de tem já uma sede aberta ao serviço dos autores União Europeia (UE) onde mais se gozam Europeia e somente um terço (7,4 por registo de direitos de autor para concorrer com da região e do resto de Portugal, actuará, tam- férias “domésticas”, com praticamente qua- cento) deixa o espaço comunitário. a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), disse bém, com serviços de apoio aos jovens autores tro em cada cinco portugueses a viajarem A preferência por férias domésticas é à Lusa o seu presidente. e artistas, quer no domínio do registo de obras em turismo dentro do país, indica um estu- ainda mais acentuada em quatro Estados- Segundo António Peixoto, a Daicoop - quer no apoio à edição e divulgação. do divulgado em Bruxelas pela Comissão membros, designadamente Grécia (90 por Cooperativa de Direitos de Autor e Imagem - Nos termos legais e com o avanço do pro- Europeia. cento), Espanha (88), França (83) e Polónia iniciou já a actividade, tendo registado a adesão cesso de angariação de associados - que deverão O estudo do gabinete oficial de estatísti- (82), sendo que em termos gerais 60 por de várias dezenas de associados, quer a título in- atingir os 500 em finais de Outubro - a Daicoop cas da UE, Eurostat, sobre “os europeus cento dos cidadãos da União Europeia dividual (músicos, cantores, actores, escritores, vai arrancar com a cobrança de direitos de autor, em férias” revela que Portugal é o quinto gozam férias nos respectivos países. designers, e jornalistas), quer a nível colectivo, mas praticando uma tabela de preços mais mo- país entre os “Vinte e Cinco” onde mais se O estudo elaborado pelo Eurostat, com (grupos rock, pop e folclóricos, bandas de mú- derada do que a da SPA que - acusa - “penaliza privilegia o turismo nacional, com 77,4 por dados relativos a 2004 e 2005, avalia tam- sica, tunas académicas e grupos de teatro). os empresários da cultura e do espectáculo e da cento dos cidadãos a fazerem férias (via- bém os meios de transporte utilizado pelos “Defendemos uma maior aproximação restauração”. gens turísticas com pelo menos quatro noi- turistas europeus, concluindo que o auto- entre quem cobra e gere os direitos de autor e O vice-presidente da SPA, José Jorge Letria tes de estadia) dentro do país. móvel particular é o mais utilizado no con- quem é beneficiário, o autor, em sentido lato”, disse que o organismo “não teme a concorrên- Apenas 22,6 por cento dos portugueses, junto da União Europeia (57,5 por cento), afirmou António Peixoto, frisando que a cia de outras entidades”, já que abarca um uni- ou seja praticamente um em cada cinco, es- sendo o transporte eleito por praticamente Daicoop vai também actuar no domínio dos verso de dezenas de milhares de autores e está colhe o estrangeiro como destino turístico, dois terços dos portugueses (64,6 por chamados direitos conexos, relativos aos intér- presente, através de delegações e corresponden- sendo que, destes, dois terços (15,1 por cento). pretes e outros participantes numa obra artísti- tes, em 300 cidades e vilas de Portugal. Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros Propriedade: Audimprensa No sentido de proporcionar mais alguns to que proporcionamos aos assinantes do ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 benefícios aos assinantes deste jornal, o “Centro” assume especial significado (isto assinatura, ou solicitá-la através do e-mail “Centro” acaba de estabelecer um acordo é, só com o que poupa por um filho fica centro.jornal@gmail.com. Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho com a livraria on line “livrosnet.com” (ver pago o valor anual da assinatura). São apenas 20 euros por uma assinatura rodapé na última página desta edição). Mas este desconto não se cinge aos anual – uma importância que certamente Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Para além do desconto de 10%, o assi- manuais escolares. Antes abrange todos os recuperará logo na primeira encomenda de Composição e montagem: Audimprensa - nante do “Centro” pode ainda fazer a en- livros e produtos congéneres que estão à livros. Rua da Sofia, 95, 3.º comenda dos livros de forma muito cómo- disposição na livraria on line “livrosnet”. E, para além disso, como ao lado se in- 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 da, sem sair de casa, e nada terá a pagar de Aproveite esta oportunidade, se já é assi- dica, receberá ainda, de forma automática e Fax: 239 854 154 custos de envio dos livros encomendados. nante do “Centro”. completamente gratuita, uma valiosa obra e-mail: centro.jornal@gmail.com Numa altura em que se aproxima o iní- Caso ainda não seja, preencha o boletim de arte de Zé Penicheiro – trabalho original Impressão: CIC - CORAZE cio de um novo ano lectivo, e em que as que publicamos na página seguinte e envie-o simbolizando os seis distritos da Região Oliveira de Azeméis famílias gastam, em média, 200 euros em para a morada que se indica. Centro, especialmente concebido para este Tiragem: 10.000 exemplares material escolar por cada filho, este descon- Se não quiser ter esse trabalho, bastará jornal pelo consagrado artista.
  • 3. 2 DE AGOSTO DE 2006 NACIONAL 3 CONSTITUÍDOS NO PASSADO DOMINGO EM CÔJA (ARGANIL) Fundação e Centro de Estudos homenageiam Fernando Vale A Fundação Beatriz Vale e o Centro de ponibilizam em património e dinheiro um Estudos e Documentação Fernando Vale valor total de 392.450 euros. foraam constituídos no passado domingo “O meu pai deixou escrito que o seu es- (dia 30 de Julho) em Côja, concelho de Ar- pólio seria aquilo que os filhos quisessem. ganil. O seu principal objectivo é a promo- Pensámos em criar a fundação e demos o ção de acções de carácter cultural, educati- nome da minha mãe porque foi um grande vo científico, social e filantrópico. amparo do meu pai e de todos nós”, expli- A cerimónia decorreu na casa do médico cou Mário Vale. e anti-fascista Fernando Vale, um dos funda- A Fundação e do Centro de Documen- dores do Partido Socialista, de que foi presi- tação vai localizar-se na Quinta do Casal, dente honorário, falecido em 2004, com mais propriedade da família, que será alvo de de cem lúcidos anos (no passado domingo uma intervenção a cargo dos arquitectos passaram 106 anos do seu nascimento). Miguel Pinheiro e Pedro Mendonça. “A fundação tem objectivos fundamen- “Em Setembro vamos tentar apresentar talmente culturais, englobando aspectos ar- a ideia concreta do edifício à Fundação e tísticos, técnicos e científicos. Através do até ao final de 2006 o projecto estará con- centro de documentação penso que no es- cluído e será apresentado”, explicou Miguel pólio que o meu pai legou poderá haver Pinheiro, que não adiantou qualquer prazo algo de importante para os investigadores”, para a conclusão das obras. sublinhou Mário Vale, um dos quatro filhos Dos órgãos sociais da Fundação fazem de Fernando Vale. parte os herdeiros fundadores, Luís Vale, A criação da Fundação e do Centro de Maria Teresa Vale, Fernando Maia Vale e Luís Valle, Mário Valle, Fernando Valle e Teresa Valle, filhos do fundador histórico do Documentação surge como uma homena- Mário Vale, entre personalidades da vida Partido Socialista Fernando Valle, assinam a escritura de criação da Fundação Beatriz gem dos filhos de Fernando Vale, que dis- pública, social, cultura e científica do país. Valle, instituição de homenagem ao médico APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Assine o jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 e ganhe valiosa obra de arte fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  • 4. 4 ENTREVISTA 2 DE AGOSTO DE 2006 Mais de 130 mil km em “Pão-de-Forma” PROFESSOR DA GUARDA CORRE A EUROPA EM AUTO-CARAVANA QUE JÁ TEM 37 ANOS Um professor da Guarda há 20 anos que aproveita as férias para viajar pela Europa, sozinho, ao volante de uma emblemática auto-caravana (conhecida por “pão-de-forma”) de que restam raros exemplares, e com o objectivo primordial de visitar museus, conhecer outras terras e outras gentes. Já percorreu com ela mais de 130 mil km, visitando muitas dezenas de Museus e quase todos os países da Europa José António Alves Ambrósio é profes- sor na Guarda, onde ele próprio fez os es- tudos liceais antes de vir para a Univer- sidade de Coimbra, em cuja Faculdade de Letras se licenciou em História (tendo de- pois feito uma pós-graduação em Sala- manca). Para além das coisas da cultura, tem uma outra paixão: os “Volkswagen”. Foi no mais célebre modelo dessa marca alemã (que significa “carro do povo”) que fez a sua primeira grande viagem de turismo cul- tural, em 1986, em busca do que restava da presença portuguesa em Marrocos. E nessa (que se publica aos sábados) dá-me uma in- olina saiu do lugar e a carrinha está à beira co tinha fato-macaco, pois os outros dois incursão pelo Norte de África, o “Carocha” formação preciosa. Outra é-me dada in loco, da estrada a um quilómetro daqui. Tenho senhores estavam de gravata. Três homens (designação dada a esse famoso modelo da nos próprios museus ou equivalentes, que, que lá passar a noite”. “Vamos já a rebocá- a trabalhar durante meia-hora e não paguei marca) rodou mais de 5 mil km sem qualquer em convénio com outros, publicitam expo- -la para aqui”, respondeu prontamente. E um centavo – de forma nenhuma quiseram problema. E ainda no “Carocha” foi depois sições e acontecimentos. Um exemplo: em assim foi. Terminada a operação dei-lhe levar nada. Com uma garrafa cada um foi conhecer toda a Península Ibérica. Uma es- 2005 o Palácio-Residência do Arcebispo uma caixa com seis garrafas de vinho do como se um tesouro os abençoasse. pécie de aperitivo a aguçar o apetite para via- em Vurtzburgo, anunciava uma série de Porto. (Chego a levar meia centena de gar- Sempre que vou para Augsburgo ou gens muito mais longas. importantes exposições na Alemanha. rafas para agradecer gentilezas, como seja Munique deixo-lhes o mesmo presente. Como confessa na entrevista ao jornal Ademais, e ainda antes, enquanto curioso, mudarem-me o óleo na VW-Oslo e não me São amigos de peito e, às vezes, mudo lá “Centro”: esteta, professor de História da Arte, há quererem um centavo. Eu levo o óleo). o óleo. “Sou do signo Sagitário, e os Sagitários gos- objectivos que me proponho desde há Em Münster, da última vez, quando Em Friburgo da Brisgóvia, enquanto es- tam de viagens, quanto mais longe melhor”. muito: há anos visitei Clúnia, em 2005 vinha a sair da Sala do Tratado, a funcioná- perávamos num semáforo para peões, meti Contudo, sublinha que ter de andar a Conques e, dentro de dias, visitarei Mois- ria da recepção, ao ver-me com a minha lei- conversa com uma rapariga com uma bici- pernoitar em hotéis “era uma maçada” e to- sac e a Cartuxa de Dijão, tal qual Munique tura debaixo do braço (um livro de Thomas cleta pela mão. Decidimos ir jantar e eu fi- lhia a liberdade que tanto preza nas viagens. (pela segunda vez), Linderhof, Regens- Moore), insistiu em que, por ser tão incó- quei a saber por que é que o Japão e a Assim, em 1991 decidiu adquirir uma auto- burgo, Dresda e Berlim. modo para mim, devia trazê-lo num saqui- Coreia do Sul tinham uma tal quantidade de caravana em segunda-mão, que lhe servisse nho de plástico. Com tocante carinho deu- crédito mal- parado. A Ute era economista de casa nas suas deambulações. E a escolha RAZÕES DA PREFERÊNCIA -me um. e acabara de fazer um estágio na Coreia e de recaiu sobre uma “Volkswagen Kombi - PELA ALEMANHA Chegado a Kiel às 22,30 , um rapaz, na visitar o Japão. 23”, fabricada em 1969 – um modelo cujo casa dos 20, disse-me: “Todo o património Em Tubinga realço o acolhimento na bi- desenho invulgar levou a que fosse apelida- A Alemanha parece ser o seu país foi destruído durante a 2ª Grande Guerra”. blioteca universitária, na qual precisei de da de “Pão-de-Forma”. Mas passemos a re- preferido. Por quê? Não foi isso que o impediu de me mostrar trabalhar durante um bocado. produzir o essencial da entrevista: Estar em Portugal ou Espanha é igual o que, em seu criterioso entender, eu devia Em Flensburgo, a pegar com a fronteira parar mim, mesmo se a Catalunha, a este ver. Sabem todos como os alemães se dei- danesa, a simpatia do guarda de armazém O que o motiva para empreender todas respeito, é peculiar. Além-Pirinéus, a Ale- tam “com as galinhas”. que me indicou um lugar para estacionar e estas viagens, desde há tantos anos? manha é soberba. Simplesmente soberba! Descia os Alpes da Suábia e o motor d’ dormir. O que a Vida postula para cada um de Apenas alguns exemplos. arranque acoplou ao volante do motor (di- E não me alongo mais. A Alemanha é nós e as possibilidades que nos propicia são Saído da Holanda na direcção de Ham- recção Munique-Estugarda). Parei num re- soberba, porque é hierática. Duas teologias infinitas. Mas são infinitas como resultado burgo, a escassos 60 quilómetros da fron- fúgio à beira da auto-estrada. Escassos mi- em confronto fizeram um país ímpar. do esforço, do optimismo, portanto. Quan- teira, está Haselünne. O acolhimento e a nutos passados chega uma VW – Trans- Talvez também para o nazismo… do se conhece a si próprio, o homem sabe qualidade da área de serviços levaram-me a, porter com uma família. Explicada a situa- que, para ele, não há outro lugar excepto o logo da primeira vez, oferecer uma garrafa ção ao chefe de família, foi-me deixar na Qual o critério para a escolha dos mais alto, a maior exigência. Museus, patri- de vinho do Porto ao proprietário, o senhor VW mais próxima (Kircheim-unter-Teck). museus que visita? mónio, arte, História, conversar com pesso- Josef Brümmer. A minha auto-vivenda fez 36 anos no pas- Desde logo procuro tudo o que à minha as extremamente interessantes, falarmos Isto repete-se sempre e, entretanto, tor- sado Dezembro. Há uma tocante solidarie- área toque. E, como já antes referi, não ape- vários idiomas, sentirmo-nos cosmopoli- námo-nos amigos. Numa ocasião, chegado dade entre os proprietários VW e, junto do nas museus. tas… Isto é o mais alto e uma feliz exigên- sexta- feira à tarde, perguntou-me: “Qual o agente oficial, senti-me absolutamente se- cia no uso do tempo. 30 dias de Agosto não seu programa para o fim-de-semana?”. A guro. Àquele amigo dei uma garrafa de “OS DIRIGENTES DESTE PAÍS podem – para mim, claro – ser usados de minha resposta foi: “Amanhã vou a Porto, claro. Todos os que a recebem ficam SÃO GENTE DEPLORÁVEL” outro modo. Münster ver a Sala do Tratado (onde se as- deliciados. Como decide o que vai visitar? sinou o tratado que pôs fim à Guerra dos Na agência-oficina estavam apenas o Perante o vasto conhecimento que No princípio ia um pouco sem destino. Trinta Anos); domingo vou a Bremen”. Chefe de Serviço de Clientes, outro senhor, tem da Europa, como vê Portugal neste Agora preparo as viagens, embora a pro- Cerca do meio-dia de domingo, ao ver- e um mecânico. Era o fim do dia. conjunto? gramação delas não seja rígida. Leitor do -me sentado a ler, numa mesa corrida, no Descarregada a carrinha do pronto-so- Em toda a Europa que conheço, diário espanhol “El País”, desde há déca- exterior, perguntou-me: “Que é que se corro substituíram o sistema de ignição – e Portugal destaca-se por uma idiossincrasia das, o seu suplemento cultural “Babelia” passa?”. “Um tubo de alimentação de gas- não me levaram um centavo. Só o mecâni- muito forte, única. Mas está condenado a
  • 5. 2 DE AGOSTO DE 2006 ENTREVISTA 5 para ir alimentando o espírito ser fonte de dissabores para os seus filhos. Igreja é, igualmente, muita fraca; a Im- e, assim, as pessoas nem se situam, nem A sua auto-caravana deve despertar a Os dirigentes deste País são – tradicional e prensa mal apresenta gente em condições. identificam o que os próprios olhos vêem. atenção, pela raridade… actualmente – gente deplorável. É uma Não é lamúria. Tenho muito má impressão Trabalhar para além do sistema, É um facto. Em Portugal, Espanha, pena. Mais: quem tiver o mínimo de desta- da imprensa francesa. identificá-lo na perfeição e ser domina- França, Suécia, as pessoas acham-na muito que será pasto de maledicência. Universi- Aqui em Portugal, o laicismo, a boçalida- do por i n c o e r c í v e l o p t i m i s m o, e i s bonita, ou excepcional. Às vezes pedem-me dade, Liceu, Primária, são debilíssimos, a de e o “vale tudo” imperam, avassaladores, a s o l u ç ã o. para a fotografar. Ana Janine Presidente de Associação JOVEM JURISTA DE COIMBRA ELEITA COM 83% DOS VOTOS que representa 400 mil estudantes Ana Janine, 23 anos, recém-licenciada sável, em 2004/2005, pelo Pelouro de em Direito pela Universidade de Coimbra e Política Educativa Internacional da Direc- dirigente nacional da JSD, foi eleita Pre- ção-Geral da Associação Académica de sidente dos Estudantes Democratas Eu- Coimbra. Fez também parte da tuna femi- ropeus (EDS). nina “Mondeguinas” e do Orfeon Acadé- A eleição realizou-se durante a “Univer- mico de Coimbra. No último ano lectivo sidade de Verão” dos EDS, que decorreu até estudou, ao abrigo do Programa Erasmus, ao passado domingo na zona de Lisboa, com na Universidade de Siena (Itália). a presença de cerca de uma centena de dele- A JSD foi admitida nos EDS em 2001. gados de toda a Europa. Ana Janine recolheu Diogo Freitas do Amaral foi Presidente 83% dos votos expressos. Honorário dos EDS, por nomeação, entre É a primeira vez que um estudante por- 1978 e 1981. Outros dois portugueses de- tuguês assume a presidência da organização, sempenharam funções como Vice- fundada em 1962. Os EDS agrupam estru- Presidentes: António Correia de Oliveira, turas representativas de 34 países europeus, em 1975/76, e Luís Queiró, em 1980/81 e num total superior a 400 mil estudantes. 1981-82. Ana Janine, natural de Coimbra, foi elei- Ana Janine sucede na presidência dos ta presidente depois de três anos como EDS ao alemão Sven Henrik. Vice-Presidente da organização. Nos últi- mos dois anos, dirigiu o órgão oficial dos Informações adicionais: EDS, a revista “Bullseye”. Directora do Gabinete de Relações Site dos EDS: Internacionais da Juventude Social www.edsweb.org Democrata (JSD), a estudante portuguesa Site da Universidade de Verão (EDS): tinha sido eleita Vice-Presidente dos EDS www.summeruniversity2006.eu nas assembleias realizadas na Croácia (2003), Inglaterra (2004) e Bulgária (2005). Contactos: Durante o percurso universitário, e para além das responsabilidades que assumiu 913 463 816 (JSD) nos EDS e na JSD, Ana Janine foi respon- anajanine@mail.telepac.pt
  • 6. 6 NACIONAL 2 DE AGOSTO DE 2006 Pedro Machado preside à Região de Turismo do Centro Pedro Machado foi eleito na passada reza, saúde e bem-estar, gastronomia e vi- sexta-feira para a presidência da Região de nhos e turismo náutico”, adiantou. Turismo do Centro (RTC), num sufrágio O novo Presidente da RTC salientou em que votaram cerca de 80 por cento dos também o “esforço de harmonização e de- inscritos no caderno eleitoral. senvolvimento do turismo para combater Vice-presidente (PSD) da Câmara de as assimetrias entre o litoral e o interior nos Montemor-o-Velho, Pedro Machado enca- distritos” que integram a RTC. beçava a lista única para a presidência da Licenciado em Filosofia e mestrando em comissão executiva da RTC, que teve 29 Psicologia Educacional, Pedro Machado, 39 votos favoráveis e um negativo, além de três anos, integra a Comissão Política Nacional brancos. do PSD, foi director de campanha de Cavaco Em declarações à agência Lusa, o novo Silva, no distrito de Coimbra, nas últimas Presidente da RTC expressou a sua “home- eleições presidenciais, e chefe de gabinete de nagem e respeito” pelo anterior Presidente José Cesário quando este foi Secretário de do organismo [José Manuel Alves, que fale- Estado da Administração Local. ceu no mês passado] e pela sua equipa. A RTC integra cerca de quatro dezenas Sobre a orientação para os próximos qua- de associados, sendo a maioria Câmaras dos tro anos, Pedro Machado afirmou tencionar distritos de Coimbra, Viseu e Leiria, orga- “cumprir e desenvolver” o projecto da ante- nismos desconcentrados da administração rior equipa, nomeadamente apostando na central, associações e sindicatos, entre ou- promoção do Centro de Portugal a nível ex- tras entidades. terno, em países como a Alemanha, Itália, Da nova Comissão Executiva fazem parte Espanha e Holanda. ainda Luís Vilar, vereador da Câmara de “No plano estratégico nacional para o Coimbra actualmente com o mandato sus- turismo, a região Centro encontra-se bem penso, José Reis, Luís Antunes e José Elísio posicionada, com cinco produtos basilares: (autarcas das Câmaras de Penela, da Lousã e Pedro Machado o turismo natural e de património, de natu- da Figueira da Foz, respectivamente). LANÇADA CAMPANHA DE PREVENÇÃO DEFENDE A CDU DE COIMBRA DA SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA Centro de Educação É preciso diminuir Ambiental na Mata a tragédia nas estradas A campanha de prevenção da sinistralidade correcta, numa altura em que muitas famílias de Vale de Canas rodoviária lançada na passada sexta-feira, em resultado de uma parceria Ministério da Admi- vão para férias, com as suas crianças”. Por sua vez, o Presidente da Galp Ener- A CDU de Coimbra defendeu na passada semana a aprovação da candidatura em nistração Interna/Galp Energia, visa a redução gia, José Marques Gonçalves, afirmou que a análise no Instituto da Conservação da Natureza (ICN) para reflorestação e instala- da velocidade nas estradas e tem como “clique empresa patrocinou a campanha no quadro ção de um Centro de Educação Ambiental na Mata de Vale de Canas. emotivo” as crianças. da sua “política de responsabilidade social”, Numa visita à mata, que foi atingida no Verão de 2005 por um violento incêndio, “Todos os anos a velocidade nas estradas com o objectivo de “mitigar a sinistralidade autarcas e dirigentes da CDU alertaram para o facto de estar em causa a candidatu- vitima um avião cheio de crianças. Este ano rodoviária”. ra para a reflorestação e criação do Centro de Educação Ambiental. ajude-nos a evitar uma tragédia. Reduza a velo- “Queremos contribuir para uma redução “Era importantíssimo aproveitar a Mata de Vale de Canas para aqui se fazer edu- cidade”, é esta a mensagem de suporte da cam- significativa até 2010 do número de mortos e cação ambiental, prevenção de incêndios e conhecimento das espécies”, afirmou panha multimédia, que tem um enfoque nas feridos nas estradas portuguesas”, frisou o res- Francisco Queirós, da Comissão Política Concelhia, preocupado com notícias recen- crianças, para “mais facilmente despertar as ponsável, que alertou os condutores para as tes de que o ICN teria desistido do projecto. consciências” para o problema dos acidentes “boas práticas de condução”. Com 16 hectares de extensão, a Mata de Vale de Canas está encostada a Coimbra de viação. Concebida e produzida pela BBDO, em- e recebe anualmente a visita de 5.000 a 6.000 crianças das escolas do concelho, de- O Ministro de Estado e da Administração presa de serviços na área de comunicação, para vido à sua biodiversidade. Interna, António Costa, realçou na conferên- a Galp Energia, a campanha “é forte, chocan- “Não há no país muitas cidades com a nossa dimensão que tenham junto de si cia de imprensa de apresentação da campanha te e não deixará ninguém indiferente” ao manchas florestais com a potencialidade para educação ambiental que tem Vale de que 59 mil pessoas foram vítimas de acidentes drama da sinistralidade rodoviária, segundo Canas”, sublinhou o vereador Gouveia Monteiro, único eleito da CDU na autarquia. de viação em Portugal nos últimos cinco anos, José Marques Gonçalves, que defendeu a ne- A candidatura apresentada ao Programa Operacional do Ambiente representa um sendo que entre 300 e 400 crianças morrem ou cessidade de promover “valores de respeito investimento de 400 mil euros, dos quais 300 mil corresponderiam a financiamento ficam feridas por ano devido à sinistralidade pelo próximo”. comunitário e o restante ao Estado português. rodoviária. A campanha começou já a ser divulgada na O projecto prevê o apetrechamento e ampliação da Casa do Fogo, melhoramen- “Muitas pessoas nesta altura vão partir para televisão, na rádio, em outdoors e nos 800 pos- tos no Centro de Informação, arranjo de caminhos, infra-estruturas, jardim e bene- férias. tos da Galp existentes no país, principalmente ficiação do Centro de Acolhimento de Aves, colocação de painéis informativos e Há que lembrar-lhes a necessidade de cum- nos situados nas vias de maior trânsito. melhoramentos no parque de merendas. prir o Código da Estrada, nomeadamente no A Galp custeou a produção da campa- “Temos de deixar um alerta às instituições de Coimbra para fazerem voz connos- que se refere à velocidade”, referiu o gover- nha com 500 mil euros, enquanto o co para que esta oportunidade seja aproveitada e a candidatura consolidada”, insis- nante, que se regozijou por a campanha ter Ministério da Administração Interna inves- tiu Gouveia Monteiro. sido iniciada agora, em que a circulação auto- te um milhão de euros na divulgação da Aos jornalistas, os dirigentes da CDU adiantaram que será preparada uma moção móvel é mais intensa. mesma, provenientes do Fundo de Ga- para apresentar nos órgãos autárquicos, de modo a que se aumente a força reivindi- Questionado pelos jornalistas sobre a razão rantia Automóvel. cativa de Coimbra em torno da aprovação da candidatura. de a acção incidir sobre as crianças, António Os acidentes de viação em Portugal este Segundo o autarca, é fundamental “transformar Vale de Canas, puxando para Costa explicou: “A campanha tem um clique ano já causaram 436 mortos, 1.870 feridos gra- Coimbra um grande Centro de Educação Ambiental”, que ensine a prevenir o fogo emotivo, que é a questão das crianças vítimas ves e 22.878 feridos ligeiros, num total de na floresta de acidentes de viação. O objectivo é reforçar 25.184 vítimas, segundo os dados mais recen- a atenção dos condutores para uma condução tes da Direcção-Geral de Viação.
  • 7. 2 DE AGOSTO DE 2006 NACIONAL 7 JOSÉ SÓCRATES NÃO DIZ SE VOLTA AO QUÉNIA… As férias dos políticos A costa alentejana destronou este ano as que habitualmente se muda com a família Pelo Parlamento, os destinos não são cilmente evitará cruzar-se em Agosto com praias algarvias entre os destinos de eleição por esta altura para a casa de Verão, em muito diferentes, com os deputados e líde- o líder parlamentar do CDS-PP, já que para as férias de Verão dos líderes partidá- Odemira, no litoral alentejano. res parlamentares a seguirem o conselho Nuno Melo escolheu também Moledo para rios e parlamentares, com as ilhas e Espa- Este ano, o plano do Presidente demo- publicitário “vá para fora cá dentro”. gozar as suas férias. nha a converterem-se no ‘top’ nos destinos crata-cristão inclui ainda uma volta de carro O Presidente da Assembleia da Repú- No grupo parlamentar do CDS, a maio- mais longínquos. por Portugal e por algumas capitais euro- blica, Jaime Gama, estará de férias durante ria irá a banhos no Algarve, mas o ex-líder Se o Primeiro-Ministro e líder do PS, José peias, que deverá acontecer na primeira todo o mês de Agosto, a maior parte do Paulo Portas preferiu não revelar o seu des- Sócrates, continua a manter secreto o seu desti- quinzena de Agosto. tempo na sua casa de Sesimbra. Mas, de tino de eleição. no de férias - na segunda quinzena de Agosto - Pela costa alentejana já anda o Se- acordo com o seu gabinete, é provável que Pelo PSD, o líder parlamentar Marques , o líder do maior partido da oposição, do PSD, cretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, dê ainda “um salto” aos Açores, de onde é Guedes partiu com a família para o Marques Mendes, repetirá a rotina habitual no que se manterá de férias “até meados de originário. Alentejo, o mesmo destino escolhido pelo Verão: férias durante as duas primeiras semanas Agosto”, de acordo com o seu gabinete. Já o líder parlamentar do PS, Alberto Presidente da bancada comunista, de Agosto na sua casa em Vilamoura, Algarve. Um pouco mais longe estará o coorde- Martins, tirará férias também durante o mês Bernardino Soares, para parte das suas fé- No entanto, Mendes será o único líder nador da comissão permanente do Bloco de Agosto, primeiro rumo às praias de rias. partidário a passar férias no Algarve. de Esquerda, Francisco Louçã, que tam- Moledo do Minho e, depois, com destino à No entanto, Bernardino Soares não se fi- Um pouco mais acima vai estar o Pre- bém já se encontra de férias, na ilha Galiza. cará por Portugal e gozará uma parte do pe- sidente do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, Graciosa (Açores), onde tem família. O Presidente da bancada socialista difi- ríodo de descanso no sul de Espanha PSP VIGIA A SUA CASA GRATUITAMENTE Alunos portugueses brilharam Vá para férias nas Olimpíadas da Matemática descansado Alunos portugueses arrebataram uma medalha de ouro, duas de prata e várias de bronze nas Olimpíadas de Maio de Matemática - anunciou a Faculdade de Carreira Pereira, de Souto do Meio, arre- bataram medalhas de prata. Os jovens portugueses foram tam- bém distinguidos com oito medalhas de Até ao próximo dia 30 de Setembro a A PSP recomenda também a quem vai Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC). bronze e uma menção honrosa. PSP vigia, de forma gratuita e regularmen- de férias que faça uma lista dos objectos de Segundo uma nota divulgada na pas- Dirigidas a jovens alunos com inte- te, as residências das pessoas que se ausen- valor com os respectivos números de série, sada semana pela FCTUC, este foi “o resse por esta disciplina, as Olimpíadas tam para veranear, no âmbito da utilizando um impresso disponibilizado melhor resultado de sempre” obtido por de Maio são organizadas, desde 2001, “Operação Férias 2006”. pela polícia. Portugal nesta prova, que se realizou em pelo Departamento de Matemática da O objectivo é combater a criminalidade E, lembra a PSP, quem decidir antecipar simultâneo em vários países latinos. FCTUC, com o apoio da Sociedade Por- associada às alterações demográficas verifi- o regresso das férias deve avisar esta força “Pela primeira vez, alunos do nível 1 tuguesa de Matemática. cadas na época balnear, especialmente o policial, para evitar situações constrangedo- (menores de 13 anos) receberam meda- Embora a competição tenha decorri- furto no interior de residências desocupa- ras como algumas que já aconteceram no lhas e, no nível 2 (entre os 13 e os 15 do em Maio deste ano, só agora os resul- das. passado, em que pessoas quase foram pre- anos), o destaque é para a primeira me- tados foram divulgados. Quem pretenda aderir a esta operação sas nas suas próprias casas. dalha de ouro obtida”, lê-se na nota. Os diplomas referentes às medalhas tem de preencher um formulário confiden- A “Operação Férias” é executada desde Além da medalha de ouro, conquista- serão entregues em Novembro, no cial que está disponível nas Unidades 1977, abrangendo desde 1985 todo o terri- da por Miguel Neto Afonso Villa de mesmo departamento da Universidade Policiais, no site da PSP (www.psp.pt) e no tório. Brito, Lisboa, os participantes Sílvia Mo- de Coimbra, no dia da realização das Portal do Cidadão (www.portaldocida- Nos últimos três anos foram vigiadas reira Cavadas, de Paredes, e João Morais Olimpíadas Paulistas de Matemática. dao.pt), indicando o período de ausência. 20.384 residências.
  • 8. 8 SAÚDE 2 DE AGOSTO DE 2006 Há falta de médicos nos Centros de Saúde? Neste contexto, interessará conhecer a re- QUADRO II sulta normal pelo seu médico de família ou alidade actual dos meios disponíveis no país, Região de Saúde % de utilizadores por outro médico da equipa que o substitua, no sentido de conhecer se há falta de meios Norte 61,2 mas com acesso ao seu processo clínico, ao humanos ou se há organização inadequada. Centro 66,1 contrário do que sucede nos SAP. Pelos dados disponíveis nos sítios da Lisboa e VT 56,1 Concomitantemente, pretende-se com o Internet da Direcção Geral de Saúde Alentejo 64,1 encerramento dos SAP, que a libertação das Santos Cardoso (DGS) e do Instituto de Gestão Financeira Algarve 51,7 horas de trabalho médico nos mesmos per- Administrador hospitalar (IGIF), constata-se que o número de inscri- Continente 60.3 mitam prolongar o tempo de atendimento tos nos Centros de Saúde é superior ao nú- pelas USF e, concomitantemente, a organi- A reestruturação dos Cuidados de Saúde mero de residentes por Região de Saúde e No sistema actual, o número de utentes zação de Unidades Básicas de Urgências Primários (Centros de Saúde) está na ordem no Continente, conforme quadro seguinte: inscritos por médico não deve exceder (UBU) em locais estratégicos, dispondo do dia. A necessidade de reestruturação é bem 1500. Considerando o número de residen- estas de meios complementares de diagnós- patente nos dados obtidos no inquérito recen- tes (inscritos + não inscritos nos Centros tico essenciais. te efectuado pelo Centro de Estudos e In- de Saúde), os números médios de residen- Os custos actuais com remunerações QUADRO I vestigação em Saúde (CEIS) da Faculdade de Região Residentes Inscritos % tes por médico (considerando somente clí- nos SAP (horas extraordinárias, tempo noc- Economia da Universidade de Coimbra, onde Norte 3251,2 3283,5 101 nicos gerais e de medicina geral e familiar) turno e fins de semana) serviriam para ins- se conclui que 67% dos Utentes dos Centros Centro 2399,8 2591,0 108 e por enfermeiro constam no seguinte tituir o pagamento de incentivos aos médi- de Saúde não conseguem marcar uma consul- Lisboa e VT 3456,0 3739,9 108 quadro: cos das USF, segundo sistema de remunera- ta para o próprio dia, o tempo médio de espe- Alentejo 450,8 475,6 106 ções experimental já em vigor nalguns ra por uma consulta é de 27 dias, o tempo Algarve 401,9 444,2 111 Centros de Saúde. médio de demora na sala de espera para além Pelos dados disponíveis e constantes nos QUADRO III Continente 9959,5 10534,2 106 da hora marcada é de 1,16 horas e só 17,8% Região Residentes/ Residentes/ quadros anteriores penso que a prometida /Médico /Enfermeiro conseguem marcar uma consulta pelo telefone. As primeiras consultas em cada ano são re- reforma é possível, criando um sistema de Para além desta realidade, é frequente- gistadas como primeiras consultas, mesmo Continente 1.542 1.430 transporte de doentes adequado para as mente referido pelos meios de comunica- quando estas sejam consultas seguintes às do Reg. Norte 1.584 1.369 consultas urgentes nas UBU, com interco- ção social haver centenas de milhares de ano anterior, o que permite contabilizar o nú- Reg. Centro 1.418 1.418 municação directa entre as USF e os seus portugueses sem médico de família atribuí- mero médio de utilizadores ou inscritos acti- Reg. LVT 1.637 1.697 utentes, possibilidade de marcação de con- do e, por isso, poderia ser aceitável o recur- vos. Acresce, que para obter a renovação de Reg.Alentejo 1.387 887 sultas no próprio dia ou no dia seguinte e a so aos Serviços de Atendimento Perma- receitas (patologias crónicas) os utentes não Reg. Algarve 1.440 1.139 organização de visitas médicas e/ou de en- nente (SAP), atendimentos efectuados pelo passam do balcão administrativo do Centro fermagem domiciliárias. médico que estiver de serviço, o qual, na ge- de Saúde, mas pagam taxas moderadoras e O actual Ministro da Saúde iniciou um Todavia, o encerramento de SAP e de al- neralidade dos casos, não é o médico de fa- contam como consultas normais. Vejamos a processo de criação de Unidades de Saúde gumas extensões de saúde antes da anuncia- mília do utente, este sim conhecedor dos percentagem de utilizadores ou inscritos acti- Familiares (USF), que, sucintamente, podem da reforma dos Centros de Saúde e criação seus antecedentes através das consultas an- vos, (incluindo as designadas consultas para ser referidas por medicina de grupo ou de das UBU é, necessariamente, um contra- teriores e do respectivo processo clínico. renovação de receitas): equipa – o utente deve ser atendido em con- senso. Portugal em 16.º ALERTA DO “MOVIMENTO DOS UTENTES DA SAÚDE” “Quem paga os cuidados no “ranking” europeu da Saúde Portugal ocupa o 16º lugar no ranking que avalia os serviços de saúde dos 25 países da União Europeia (UE), mais a Suíça, no qual so- bressai pelas medidas contra a mortalidade infan- til. De acordo com um relatório elaborado pela continuados?” organização europeia Health Consumer Power- O “Movimento dos Utentes da Saúde” Avelar para pagar a importância de 762,09 nome do utente, são os normais, devendo house, a França é o país com o melhor sistema (MUS) enviou-nos, com o pedido de publi- euros. este efectuar o pagamento e remete-lo à de saúde público dos 26 países avaliados (os 25 cação, um alerta relativo ao pagamento dos A pedido do utente, o MUS levantou a ADSE para a competente comparticipação». da UE, mais a Suíça). cuidados continuados, que se baseia num questão à Administração Regional de Saúde Segundo o MUS, “o desinteresse da Em segundo lugar neste ranking está a Ho- caso concreto que assim relata: do Centro com o objectivo do Serviço ARSC perante este caso é reprovável: des- landa, seguida da Alemanha e da Suécia. Portugal “Em Setembro de 2004 um idoso de (68 Nacional de Saúde proceder ao referido pa- prezo por saber se o utente tem capacidade ocupa o 16º lugar. anos), beneficiário da ADSE, sofreu um gamento, dado o interesse de desocupação económica para adiantar a importância em No relatório, o sistema de saúde público por- acidente de viação tendo sido conduzido ao de camas hospitalares, razão de ser do acor- causa – desprezo pelo facto do utente nem tuguês (Serviço Nacional de Saúde) é interpreta- Hospital Geral dos Covões, onde foi trata- do presumidamente existente entre o SNS e sequer ter sido previamente avisado de que do como “não tão avançado como o espanhol”. do de um traumatismo craniano e fractura o Hospital do Avelar. teria de adiantar o pagamento – mesmo que As medidas implementadas em Portugal con- da coluna. Finda a primeira fase dos trata- Após várias insistências recebemos in- a ADSE viesse a comparticipar o pagamen- tra a mortalidade infantil são salientadas neste re- mentos, a família foi informada de que de- formação da ARS do Centro (ofício nº to, mostra ainda desconhecimento de que a latório, o que para a presidente da Comissão vido a outras prioridades não podia conti- 7929 de 2006-06-02), a qual, embora con- comparticipação, dado não haver conven- Nacional da Saúde da Criança e do Adolescente nuar ali internado, embora carecesse de cui- firmando a existência de acordo entre o ção entre a ADSE e o Hospital do Avelar, (CNSCA) é totalmente justificado. dados hospitalares durante cerca de duas SNS e o Hospital do Avelar, diz o seguinte: muito provavelmente, não deveria ultrapas- Em declarações à Lusa, Maria do Céu semanas, pelo que o doente ia ser transferi- «Conforme informação da Senhora sar 40%”. Machado referiu que este declínio da mortalida- do para o Hospital da Fundação de Nossa Directora do Centro de Saúde de Condeixa, Por isso, o MUS alerta os utentes do de infantil (até um ano de idade) em Portugal tem Senhora da Guia, no Avelar, o que veio a foi emitido boletim de referência solicitando SNS “para eventuais casos semelhantes que sido constante e que se deve às medidas levadas acontecer através de solicitação do Hospital ao Hospital da Fundação Nossa Senhora da podem vir a acontecer com a tão propagan- a cabo desde os anos 80. dos Covões e do Centro de Saúde de Guia do Avelar o internamento… Não deada rede de cuidados continuados que Em 1980, por cada mil crianças que nasciam, Condeixa-a-Nova, onde esteve internado tendo aquele Hospital convenção com a anunciam para breve”. cerca de 24 morriam antes de completar um ano durante dez dias. ADSE, mas apenas com o SNS, os procedi- Mais informações sobre o “MUS” po- de idade. No ano 2000, esse valor situava-se nos Posteriormente, o mesmo utente rece- mentos subsequentes ao internamento, dem ser obtidas em www.mus-portugal.org 5,5 (por cada mil crianças). beu a factura nº 2.832 do Hospital do como é o caso de emissão da factura em ou através do e-mail mus@netvisao.pt.
  • 9. DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 MUNDO ANIMAL 9 NA ZONA DA FIGUEIRA DA FOZ, SITUAÇÃO INÉDITA NA EUROPA “Baleia-Piloto” bebé sobrevive graças a exemplar tratamento - equipa precisa de apoios para ser bem sucedida Uma “Baleia-Piloto” bebé que deu à costa no Centro de Portugal no fim do passado mês de Agosto está a sobreviver na zona da Figueira da Foz, num caso inédito na Europa, que fica a dever-se ao esforço de uma equipa que a acompanha 24 horas por dia. Mas para além da voluntária e desinteressada dedicação pessoal, esta equipa precisa de auxílio material de amigos dos animais, já que o tratamento tem custos muito elevados. Foi no passado dia 27 de Agosto que ar- rojou à costa portuguesa uma “Baleia- Piloto” bebé, com cerca de 1,70 de compri- mento e que se supõe ter então apenas um mês de idade. Chamaram-lhe “Nazaré”, por ter dado à costa próximo dessa praia. Mas a verdade é que se trata de um mamífero macho e não é baleia, mas golfinho. “Globicephala” é o nome científico desta espécie de golfinho que na idade adul- ta atinge uma imponente envergadura de especialista referiu ao “Centro”, esta espé- – como sublinha o veterinário) para obter a Apesar de ser muito difícil levar essa cerca de 7 metros, razão pela qual é vulgar- cie de golfinho tem um tempo de amamen- mistura mais adequada para alimentar árdua tarefa a bom porto, os membros da mente conhecida como “Baleia-Piloto”. tação de cerca de 20 meses. Por isso, quan- “Nazaré” e tentar que sobrevivesse. E a equipa de recuperação do “Nazaré” têm tra- “Nazaré” terá perdido a mãe por razões do “Nazaré” deu à costa, “foram pondera- verdade é que a fórmula tem dado bons re- balhado afincadamente dia e noite, com um que se desconhecem. Quando tal sucede, a das as graves questões da impossibilidade sultados, a par da assistência médico-veteri- apoio extraordinário dos técnicos de outros morte é, quase sempre, o inevitável desfe- estatística em recuperar um cetáceo bebé”. nária que é feita a “Nazaré” e do acompa- centros de recuperação nacionais e estran- cho. Mas “Nazaré” teve sorte, já que houve O caso foi entregue aos técnicos da nhamento constante, 24 horas por dia. geiros, através de conselhos e sugestões re- quem se apercebesse do seu insólito apare- “Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem” De acordo com Salvador Mascarenhas, sultantes da sua experiência acumulada. cimento, tendo promovido imediata ajuda. (SPVS) que resolveram tentar o (quase) im- “decorrido todos estes dias o bebé está no Diversos técnicos de renome internacional Uma ajuda que se mostrou vital, já que, três possível. Assim, lançaram mãos à obra, le- Centro de Recuperação da ‘SPVS’ a recupe- nesta área são unânimes em afirmar que, semanas volvidas, o bebé continua vivo. vando “Nazaré” para um recinto apropria- rar bem, a ganhar peso, a nadar com destre- apesar das graves dificuldades decorrentes Um caso de sobrevivência que se julga do, na zona da Figueira da Foz, e procuran- za e a brincar”. E acrescenta: “Exceptuan- dos parcos meios de que a “SPVS” dispõe, ser único na Europa, como nos referiu o do a melhor fórmula para o “leite” do bebé. do alguns achaques naturais do crescimen- este trabalho tem sido extraordinário. veterinário Salvador Mascarenhas, um dos Essa era uma medida de extrema urgência e to, ele continua a sua caminhada, que resul- Salvador Mascarenhas confessa que ele e abnegados elementos da equipa que tem decisiva, pelo que estabeleceram muitos ta da batalha dia-a-dia, devido à delicadeza os seus colegas da clínica veterinária conseguido este “milagre”. Segundo este contactos (“literalmente com meio mundo” da sua reabilitação”. “Vetcondeixa” sentem muito orgulho por fazer parte da equipa multidisciplinar que tem acompanhado o golfinho bebé, ajudan- do a avaliar as análises sanguíneas regulares, bem como na assistência médica em cola- boração com outros elementos da equipa. Muitas pessoas têm sacrificado o seu tempo para poderem ajudar nos turnos 24/24H junto do “baby Globicephala”. Mas para além dessa preciosa ajuda, é preciso pagar as análises, a alimentação, os filtros, os medicamentos, os equipamentos dispendio- sos e essenciais para a recuperação do bebé, etc, etc, sendo uma conta que não pára de crescer devidos aos parcos apoios financei- ros disponibilizados para a protecção da Natureza. Por isso a “SPVS” necessita de apoio financeiro urgente para poder ajudar o bebé a recuperar e a voltar ao oceano. Por isso aqui deixamos o apelo: Ajudem o golfinho-bebé! Quem quiser dar essa ajuda poderá fazê- -lo contactando a “Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem” através do telemóvel número 913 241 188.
  • 10. 10 MUNDO ANIMAL Calor perigoso 2 DE AGOSTO DE 2006 para animais de estimação O Hospital Veterinário do Porto alertou aponta a prevenção como a melhor forma A respiração ofegante e salivação, o Além das altas temperaturas, o HVP para o perigo dos golpes de calor nos ani- de evitar os golpes de calor. olhar arregalado ou ansioso, a ausência de aponta as praganas existentes na relva e os mais de estimação, apontando os mais jo- “Nunca deixe o seu animal de estimação resposta às ordens do dono, a pele muito químicos usados para embelezar os jardins vens e idosos e os que têm focinho acha- fechado num carro estacionado e mantenha seca e quente, febre alta, batimento cardía- e controlar pestes como os principais peri- tado e excesso de peso como os mais sus- sempre disponível água limpa e fresca”, co acelerado, fadiga e fraqueza muscular ou gos do Verão para os animais. ceptíveis. aconselha. colapso são os principais sinais de que o “As praganas podem causar infecções do- Entre os animais mais predispostos a so- Quando o animal é mantido num canil animal pode ter sofrido um golpe de calor. lorosas e os químicos podem envenenar o frer golpes de calor, o Hospital Veterinário ou num recinto fechado, o HVP recomen- Neste caso, alerta o HVP, o dono deve ten- seu animal”, explica o HVP no comunicado. do Porto (HVP) destaca ainda os que so- da a verificação de que existem ventilação e tar reduzir a temperatura do animal, “imergin- Também perigosa nesta altura do ano é a frem de problemas cardiovasculares e respi- circulação do ar adequadas, enquanto fora do-o gradualmente em água fria ou usando leishmaniose, uma doença potencialmente ratórios e os que possuem já um historial de de casa aconselha a preferência por locais sacos de gelo na cabeça e no pescoço”. fatal transmitida por um mosquito, assim Quem quer ganhar susceptibilidade às altas temperaturas. com sombra e a não realização de exercício Depois o animal de estimação deve ser como as mais frequentes pulgas e carraças Em comunicado, o Hospital Veterinário excessivo nas horas de maior calor. levado ao veterinário. e as mordidas e picadas de outros animais. um grande amigo? CÂMARA DE LISBOA Intercâmbio DÁ EXEMPLO A SEGUIR de animais domésticos Quem tem, ou já teve, cães, sabe que não há amigo mais para contar. Agora é alimentada e acarinhada por al- para evitar mais dedicado, companheiro mais fiel. guém que tenta fazer-lhe esquecer a maldade humana. Quem nunca foi dono de um desses excelentes animais Vamos tentar repetir a história com os outros sobrevi- tem agora oportunidade de confirmar o que se diz acima. ventes. Contamos convosco para ajudar a passar a palavra. abandono De facto, há vários cães à espera de que alguém queira Bem hajam”. adoptá-los. O apelo aqui fica, esperando que encontre eco junto de Entre estes, alguns que vivem bem perto de Coimbra e alguns dos leitores do “Centro”. que estão a precisar urgentemente de alguém que deles Os interessados em adoptar um destes companheiros, tome conta. poderão ligar para o telemóvel 912 454 122. Trata-se de uma situação que há algum tempo foi de- A Câmara Municipal de Lisboa está a levar a cabo uma orig- nunciada por um colaborador do “Centro”, o veterinário Labradores inal campanha de intercâmbio de animais domésticos destinada Salvador Mascarenhas, que tem uma clínica em Condeixa. na zona de Lisboa a evitar que estes sejam abandonados pelos donos no período A verdade é que em Eira Pedrinha, local onde os ani- de férias – como, infelizmente, todos os anos acontece de Norte mais estavam em péssimas condições, ainda hoje ali se en- Mais longe da Região Centro, na zona de Lisboa, há tam- a Sul do País. contram seis ou sete a precisar de quem cuide deles. bém uma ninhada de lindos Labradores, pretos, que serão No âmbito da campanha, foi criada uma bolsa de voluntários O que lhes tem valido é um pequeno grupo de pessoas oferecidos a quem os tratar bem. que tomam conta do animal de estimação de outra pessoa enquan- amigas dos animais, que regularmente lhe levam alimento Quem tiver o desejo de assim conquistar um fiel amigo, to ela se encontra ausente, por motivo de férias ou outros. e água. poderá entrar em contacto com Paulo Alves Costa, através Por outro lado, esses voluntários têm a garantia de que quando De uma dessas pessoas recebemos uma enternecedora do telefone 214 706 200 ou do telemóvel 968 776 532. eles próprios se ausentarem, alguém cuidará do seu animal de esti- imagem acompanhada do texto que a seguir transcreve- mação. Iniciado em 2003, este exemplar programa é desenvolvido mos: pelo Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa e pela Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais, contando ainda com a colaboração da “SOS Animal”. Com a adesão da “SOS Animal” à campanha, vão ser criadas “Famílias de Acolhimento Temporário” que aceitam acolher ani- mais durante as férias dos seus donos mesmo sem necessidade de reciprocidade de acolhimento. Ora aqui está um excelente exemplo, que bem poderia ser seguido no resto do País, onde o abandono de animais, especial- mente no Verão, é prática habitual. Embora sempre condenável, este abandono é muitas vezes justificado pelos donos dos animais com o facto de não os poderem levar consigo e não terem alter- nativas, preferindo largá-los na rua, à espera de que alguém os ali- mente, do que deixá-los fechados em casa, condenados a morte certa. Enquanto este exemplo de Lisboa não é posto em prática noutros pontos do País, aqui deixamos os contactos, pois pode haver donos mais escrupulosos que optem por ir deixar os seus “Esta é a Rosinha. Uma cadela sobrevivente do terrível fiéis companheiros para umas férias na capital, em vez de os aban- caso de Eira Pedrinha, Condeixa. Foi abandonada pelo donar à sua sorte na rua. “dono” fora do canil onde ainda se encontram outros cães Quem quiser aderir a esta iniciativa basta telefonar para o que, apesar de tudo, tiveram a sorte de escapar ao pesade- Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos (21 325 35 lo dos seus iguais e ainda não foram levados (e abatidos) 55) ou através do correio electrónico: dhurs@cm-lisboa.pt pela edilidade. As inscrições serão encaminhadas para a Divisão de Higiene e Os cães dentro do canil precisam de quem os alimente Controlo Sanitário deste Departamento que, por sua vez, se artic- e estime. Quem adoptar qualquer um deles, terá um amigo ulará com a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal e SOS fiel e reconhecido para a vida. Animal. Se não tivesse sido salva, a Rosinha não teria muito
  • 11. REPORTAGEM 11 Marinhas de sal 2 DE AGOSTO DE 2006 NA FIGUEIRA DA FOZ AINDA HÁ 5 MIL TONELADAS DO ANO PASSADO POR ESCOAR podem desaparecer Enquanto que no século passado muitas famílias sobreviviam do sal, actualmente, dos quase 2000 marnotos que laboravam na Figueira da Foz, não sobram mais de umas poucas dezenas que vendem o produto do seu trabalho a um preço que consideram insignificante Texto e fotos de José Manuel Simões Convenhamos que quem vende o sal a nove cêntimos o quilograma não tem uma actividade muito rentável. Como, em média, uma marinha com um hectare produz, por época, 100 toneladas, sobra muito sal. Na Figueira da Foz, a safra de 2005 ainda não foi escoada, existindo quase 5000 toneladas acumuladas em armazéns. Os mais pessi- mistas receiam que as marinhas de sal ve- nham a desaparecer e que os marnotos te- nham que se dedicar a outras actividades. Pese embora os esforços que têm sido feitos para salvar esta secular profissão, a verdade é que os marnotos estão a ter difi- culdades em sobreviver. Cada vez são menos os interessados em se dedicar a esta função, como o comprova o facto de, das cerca de três centenas de marinhas que compõem o salgado figueirense, actual- mente só funcionarem 44. E nem a tentati- va de comercializarem outros produtos de- rivados do sal (por exemplo ervas aromáti- É essa concorrência, que os marnotos as pessoas, e está a devorar o nosso, que barracões em madeira enquanto eles dei- cas e sais-de-banho) parece conseguir ame- consideram desleal, que representa um dos não leva nenhuma mistura”, diz, aconse- xam o sal na rua coberto com uns plásticos, nizar a crise do sector. maiores problemas para os produtores de lhando que “o sal de mina seja usado na in- o nosso sal é branquinho e brilhante, pare- Para piorar as coisas, as chuvas que se fi- sal da Figueira da Foz. “É verdade que em dústria e o das salinas na culinária. Digo ce neve, enquanto o deles é amarelado por- zeram sentir em meados o passado mês de países como a França os marnotos estão isto com conhecimento de causa, pois já fui que tem argila”, denuncia. Julho, associadas à falta de vento, provoca- mais desenvolvidos que nós, que continua- a França ver como eles trabalham, pensan- Se a situação não for invertida “a tendên- ram uma quebra na produção relativamente mos muito atrasados. Têm grandes coope- do eu que ia descobrir alguma coisa. Afinal, cia é para a nossa actividade morrer”, consi- ao ano passado. Todavia, o maior problema rativas e estão bem associados”, explica. percebi que tudo o que nós temos é melhor. dera. “Porque o sal está barato e tem cada dos marnotos é o escoamento. Os revende- “Mas o pior é que eles estão envolvidos As nossas salinas estão preparadas com ma- vez menos saída. Antigamente, o sal servia dores preferem o sal industrial francês e com sal de mina, que prejudica gravemente deira, enquanto eles é tudo em terra, temos para conservar o peixe e a carne, era utiliza- turco por ser adquirido a preços bastante do em barcos e navios bacalhoeiros, enquan- inferiores. A reportagem do jornal “Cen- to que hoje é tudo congelado. Com isto, per- tro” comprovou que os armazéns estão deu muito”, afirma, dando a entender que a cheios e os marnotos – gente que se levan- sua salvação “é o que vende a 22 cêntimos ta ainda de madrugada para retirar o sal que para a Serra da Estrela, para fazer queijo”. já está produzido e colocar água nas mari- nhas – estão deveras preocupados. “Isto está a perder-se!” “Zé do sal”: Apesar de ter sido criada a associação de de França à Serra da Estrela produtores figueirense Fozsal, Zé do sal opina: “Não estou a ver muito bem que com Há quase duas décadas que todos conhe- isso a gente chegue lá. É um bocadinho com- cem na Figueira da Foz o marnoto José plicado. Fala-se muito mas para se chegar à Brito Jacinto por “Zé do sal”. Foi um realidade é muito custoso. E, como as coisas amigo que o chamou para esta actividade não começam a andar para a frente as pesso- que “de lá para cá não se desenvolveu as desanimam”, explica, para, de seguida, vol- muito”. Pode ser, acredita, que as coisas ve- tar a denunciar: “Nunca tive o apoio de nin- nham a mudar se as pessoas compreende- guém, nem da associação, nem do Governo. rem “que este nosso sal é totalmente puro, Tudo o que consegui foi à minha custa”. que vem do mar, que não tem nada a ver Antigamente havia o hábito de famílias in- com o sal de mina que faz mal à saúde e teiras trabalharem em conjunto nas salinas. não tem nada de natural”, considera. Continua na página seguinte ››
  • 12. 12 REPORTAGEM 2 DE AGOSTO DE 2006 Marinhas de sal da Figueira ›› Continuado da página anterior Agora, “isso está a perder-se cada vez mais. Cada um tem que defender-se a si próprio. Noutros tempos, quando era para esgotar as salinas, ajudávamo-nos uns aos outros. Per- deu-se tudo isso”. A justificação prende-se com o rendimento obtido. Por isso, “da ma- neira como eu ando lá e vejo, pelos muitos meses que a gente passa sem ganhar nenhum dinheiro”, não se vislumbra nenhuma luz no horizonte. “Uma pessoa que ganha o salário mínimo passa por dificuldades mas, no nosso caso, a situação ainda é pior. E depois isto joga tudo com o tempo que, se corre bem, ainda nos podemos safar. O pior é que, se corre mal, vemos tudo a andar para trás”. Para se proceder a uma correcta manu- tenção, é fundamental manter os barracões e as madeiras em perfeitas condições de hi- giene. O que nem sempre é feito pois, “co- mo os lucros são poucos as pessoas não podem fazer investimentos”. Tratados como escravos “Zé do sal” só vê uma solução para que a sua profissão não morra: “Aumentar o preço do sal”. Se isso não acontecer, “não vamos conseguir andar para a frente”. Por outro lado, “como as grandes empresas, multinacionais, como a Vatel, nos têm na mão, tratam-nos como escravos. Isto devia dar para toda a sal” não tem ninguém na família que se in- gratificada por viver na região? rato que um quilo de fruta. E dá para muito gente, mas a verdade é que uns vivem bem de- teresse por dar continuidade à sua profis- Outro marnoto, José Augusto Pedrosa tempo”. José da Silva vende 1000 quilos de mais e outros estão na miséria. E aí é que está são. “Eles sabem que aquilo é muito traba- da Silva diz que gosta muito da sua terra. sal por 90 euros. “A dividir por dois são 45 o mal. Porque se nós formos oferecer o nosso lhoso, mal remunerado e muito dependente Começou a trabalhar com 13 anos, quando euros a cada um. É com isso que eu me vou sal a essas grandes empresas, só o aceitam se do clima. Quando chove, o serviço atrasa e as Abadias ainda eram uma enorme quinta. governar?”, questiona. for ao desbarato. E não pode ser, porque a qualidade do produto diminui drastica- Hoje, com 68, continua dedicado “a uma assim nós ficamos cada vez mais decadentes e mente, porque a chuva, ao cair, suja e turva vida que não presta para nada”. Não presta eles cada vez mais ricos”. Quem perde é o o sal, e a gente já não o consegue apurar. É porque “se trabalha e nem sempre se rece- Quando a Lua comanda o sal consumidor. “O sal que eles compram não sempre prejuízo”. be. A gente vende uma tonelada de sal, me- “Eu já tenho andado por aí em jornais a tem qualidade nenhuma, pois leva branquea- tade para mim e outra metade para o dono dizer que esta vida é dura e ninguém a mentos e outros preparos químicos”. da salina. Nunca se chega a arranjar nada. quer”, afirma, também ele apontando o Se fosse hoje, “Zé do sal” teria pensado Andamos aqui seis ou sete meses sem rece- dedo à concorrência. “O sal daqui é a Uma tonelada de sal duas vezes antes de ter escolhido esta pro- bermos nem um tostão”. À sua volta, já se Natureza que o faz e que o derrete. É feito só rende 45 euros fissão. “Só vim para esta actividade porque “A Figueira da Foz continua a ser a rainha vêem salinas em pousio por não haver quem para a água. Não leva química nenhuma”. na altura era pedreiro e andava de um lado das praias de Portugal. Possui uma oferta di- as queira trabalhar. “Há cada vez menos As análises comprovam que o seu sal é de para o outro. Fartei-me. Pelo menos, assim, versificada de animação turística e cultural e pessoal interessado nesta arte. Quando os qualidade. Depois de ter “tirado umas pin- trabalho sempre no mesmo lugar”, conta. um extraordinário meio ambiente (serra, rio velhos acabarem não vai haver quem venha gas de águas velhas, que ficam chocas e não Pai de dois filhos, “uma rapariga, que e praias de qualidade) ímpar no panorama para aqui. Porque a rapaziada nova não quer apuram o sal”, mostra-nos o certificado de está a acabar o curso de Engenharia nacional”, afirma Duarte Silva, Presidente trabalhos muito puxados. Isto é duro e não garantia. Química na Universidade de Aveiro, e um da Câmara local. E isso chega para que a sua dá para a gente poder viver. Esta vida é José da Silva começa a “livrar os traba- rapaz que está bem empregado”, “Zé do população, sobretudo a mais idosa, se sinta muito má. Um quilo de sal ainda é mais ba- lhos a partir de Abril”. Dois meses depois O cartel do sal Sal tradicional Há oito anos que um sofisticado cartel presas que excedessem essa quota teriam do sector do sal vinha funcionando na per- feição. Até que, recentemente, a autoridade que pagar uma penalização às restantes ou então tinham que comprar sal às que ti- nos supermercados da concorrência desmantelou um acordo nham uma quota inferior à estabelecida. feito à margem da lei, que terá lesado con- Os membros deste cartel encontravam- Uma boa notícia para os marnotos. Tudo indica que, no próximo ano, o sal tra- sumidores e indústria em mais de 5,6 mi- se regularmente entre 1997 e 2005 para dicional vai poder ser vendido nos supermercados. Depois de uma luta que durou lhões de euros. As quatro principais em- trocarem informações de forma a contro- seis anos, os produtores de sal tradicional da Figueira da Foz vão poder certificar o presas da indústria do sal (Vatel, Salexpor, lar as suas vendas para poderem restringir fruto do seu trabalho e, consequentemente, poder vendê-lo a retalho, em embala- Sociedade Aveirense e Salmex), que repre- as quantidades colocadas no mercado de gens próprias e com o selo de certificação de origem. O processo já foi aprovado sentam entre 75 a 90% do mercado, foram forma a fazerem subir os preços”, informa na Assembleia da República, faltando agora o parecer do Parlamento Europeu. multadas em mais de 910 mil euros. o Presidente da Autoridade da Concorrên- Segundo a associação de produtores figueirense Fozsal (entidade que defende os in- “Acordavam a fixação de quotas de merca- cia. A empresa mais penalizada foi a multi- teresses dos marnotos e tenta contribuir para escoar o sal) existem três países inte- do, fixação directa de preço e clientela e de- nacional Vatel, que vai ter que pagar mais ressados nesta certificação: Portugal, Espanha e França. Assim, a comercialização finição de condições de comercialização. de 540 mil euros, enquanto que a Salexpor do sal tradicional irá começar em simultâneo nestes países, representando uma Um esquema que começou a ser investiga- foi multada em 225 mil euros. Caso discor- mais-valia económica para todas as entidades envolvidas. do no início do ano passado na sequência dem da decisão da Autoridade da As 30 salinas da Figueira da Foz que se candidataram a este projecto receberam de uma denúncia e que visava manter alto Concorrência, as empresas podem recor- certificação de qualidade, o que confirma que o sal figueirense, a par do algarvio, o preço do produto no mercado. As em- rer ao Tribunal do Comércio. são os que têm mais qualidade no nosso país.
  • 13. 2 DE AGOSTO DE 2006 REPORTAGEM 13 da Foz inicia o processo de limpeza, retirando as lamas. A partir de Julho começa a retirar o sal. “O pior é quando chove no Verão que atrasa tudo e não deixa apurar”. José recorda-se da sua infância. Saía da escola e vinha para as salinas. Quando não fazia o trabalho de forma conveniente, ou se esquecia dos nomes das marachas, o pa- trão puxava-lhe as orelhas. “Foi para o Brasil trabalhar em salinas. Já morreu. Deixou isto tudo aos sobrinhos e nunca mais voltou. Eu é que nunca daqui saí”. Recorda, saudoso, outros tempos, outras luas. “Sabia que a gente só abastece de 15 em 15 dias quando a lua está cheia?”, inter- roga. “É quando as marés são mais altas e a melhor água chega do rio, porque a mais doce é empurrada para o cima”, explica. “Zé do sal” confirma isso enquanto problema é que ninguém valoriza isto. aponta as suas salinas. “Isto é tudo por prai- Ninguém quer pagar o preço que o sal me- as. Praia de baixo, praia do meio, talhões, sertões, cabeceiras, meias cabeceiras, vivei- rece. E, uma vez que em termos económi- cos não é lucrativo, é muito duro e dá cabo Para além da cozinha ros. Há atalhos, caneiros, carreiras, tudo da coluna, ninguém quer vir para aqui. Isto Falar de sal é muito mais do que falar de cozinha. Para além do consumo ali- tem nome”, explica. está a acabar. É uma função em extinção”, mentar, o sal tem muitas outras aplicações, sendo um dos produtos mais utilizados Sua esposa, Maria do Rosário, chega das crê a estudante de Engenheira Química que na indústria, desde a construção civil até ao fabrico de vidro, passando pela produ- suas actividades para ajudar nas tarefas do explica que o principio básico da sua futura ção de tintas e pela metalomecânica. O sal também é uma importante matéria- marido. Há 17 anos que coopera com ele. profissão poderá verificar-se numa salina. prima no fabrico de sabão e de detergentes, bem como na produção de cloro. “Trabalho numa fábrica e depois venho Ao seu lado, o seu pai, olhar pousado em para cá. Gosto de aqui andar”, diz, enquan- parte incerta, lamenta que as suas marinhas Também a indústria química, nomeadamente a farmacêutica, utiliza muito este to pega no rodo. Não têm empregados. de sal não possam ser reconvertidas noutra produto. Numa leitura atenta aos folhetos informativos que acompanham os me- “São os filhos e o namorado da filha que actividade. “Qualquer dia ninguém mais se dicamentos, percebe-se que na composição de muitos comprimidos há sal, certa- nos vêm ajudar”. Dulce Brito, a filha, crê vai lembrar da nossa profissão”, afirma, mente designado no texto por cloreto de sódio. O mesmo cloreto de sódio que que a actividade do pai qualquer dia não algo desolado. Então, o marnoto será ape- aparece na composição de uma água com gás ou até de um perfume. será mais do que uma grata recordação. “O nas uma saudosa recordação.
  • 14. 14 DESPORTO 2 DE AGOSTO DE 2006 CHEFE DE COZINHA DE COIMBRA AUTOR DE GOLOS DA SELECÇÃO NO MUNDIAL Frangos de Luís Lavrador ajudaram Os frangos que consentiu Francisco Paraíso só fizeram bem à Selecção portuguesa que tão boa figura fez no recente Campeonato Mundial. Ele foi um dos melhores jogadores dessa Selecção, pois em todos os jogos esteve em campo, tanto actuando na defesa (da saúde e boa forma física dos futebolistas), como no ataque (à fome e ao desgaste dos atletas), conseguindo, com os seus companheiros de equipa, deliciosas fintas à rotina e surpreendentes remates. Falamos de Luís Lavrador, chefe de cozinha do INFTUR, que com outro “craque” da gastronomia, o chefe Hélio Loureiro, lideraram uma equipa que, embora jogando nos bastidores, foi de enorme importância para o bom desempenho que os futebolistas portugueses tiveram neste Campeonato, onde conseguiram um muito honroso 4.º lugar. Jorge Castilho Tal como sucede na maior parte dos es- pectáculos, também no futebol quem se evidencia são ao atletas que em campo andam aos pontapés à bola, os técnicos que orientam as equipas e os árbitros. Mas para que essas “estrelas” possam brilhar, nos bastidores muita gente tem de Luís Lavrador entre dois “craques” da Selecção Nacional trabalhar, de forma competente, para que nada falte aos atletas. Desde os roupeiros vio, mas que de uma forma geral ele é se- porcionar-lhes boa alimentação, que os aju- Mas, de uma forma geral, todos comiam que lhes preparam os equipamentos até aos guido à risca. dasse a compensar o esforço de treinos e as mesmas coisas. Contudo, há algumas re- médicos e massagistas, passando pela equipa Uma das excepções aconteceu porque, jogos”. gras curiosas, que Luís Lavrador nos revela. de cozinha, que tem a seu cargo a enorme por uma feliz coincidência, na localidade Luís Lavrador refere que no Hotel onde Por exemplo, em dia de jogo, o almoço responsabilidade de os manter em forma. alemã onde se situa o hotel de que a a equipa permaneceu mais tempo tiveram a era constituído por massas, carnes brancas E não se pense que isso é coisa fácil. Selecção Portuguesa fez seu “quartel-gene- sorte de ter uma cozinha só para eles, con- e secas (por exemplo frango ou peru). O jornal “Centro” foi ouvir o Chefe Luís ral”, vive um cidadão português que com- tando com a ajuda de três alemães muito Quatro horas antes do jogo era servida uma Lavrador, monitor de cozinha e pastelaria do ercializa produtos importados do nosso cooperantes. Mas nos outros locais tinham merenda aos atletas, composta por bis- INFTUR, que juntamente com outro presti- País. de partilhar a cozinha, “o que se torna mais coitos açucarados, pão, café, chá, sumos. giado profissional, o Chefe Hélio Loureiro, “Assim, tal tornou possível, por exemp- complicado, mas acaba sempre por fun- Depois dos jogos, a refeição é talvez há muitos anos integra a equipa de cozinha lo, que no dia de Santo António tivéssemos cionar”. ainda mais importante, para recuperar ener- que acompanha as Selecções Nacionais de feito uma típica sardinhada portuguesa, as- Lavrador diz-nos ainda que o Chefe Hé- gias. Assim, ainda no balneário os esgota- Futebol por esse Mundo fora, tratando de sando sardinha fresca acabada de chegar de lio Loureiro ia sempre à frente, de molde a dos atletas têm à sua disposição fruta, manter os jogadores em forma através de Peniche. Foi uma festa!”. que tudo estivesse organizado quando a Se- iogurte, frutos secos. Uma hora depois é a uma alimentação adequada, mas apetitosa. lecção Nacional chegava. vez dos hidratos de carbono. A refeição “Porque a nossa função era adquirir os principal. depois do jogo, é constituída por alimentos, prepará-los, confeccioná-los e peixe (rodovalho, linguado, robalo). GASTRONOMIA PORTUGUESA distribuí-los pelos vários elementos da Luís Lavrador refere ainda que, na maior EMENTAS SÃO PLANEADAS AJUDA A MANTER A FORMA O Chefe Luís Lavrador revela que de Selecção. parte dos casos, os jogadores não têm fome AINDA EM PORTUGAL Na informal conversa com o jornal Portugal levaram alguns géneros - como, logo após o grande esforço físico, mas ape- “Centro”, o Chefe Luís Lavrador começou por exemplo, o indispensável bacalhau, nas horas depois. por nos revelar: queijos, enchidos. E também azeite e alguns Quando lhe perguntámos se não havia ALGUNS SEGREDOS “As ementas são todas elaboradas em bons vinhos nacionais. Depois, ele e o alguns jogadores mais exigentes, ou que DA ALIMENTAÇÃO Portugal, antes da partida das selecções. chefe Hélio Loureiro iam às compras nos prevaricassem, Luís Lavrador afirmou: DOS “CRAQUES” Assim aconteceu agora neste Campeonato mercados alemães, para escolher produtos O Chefe Luís Lavrador esclarece que, “Os jogadores são profissionais, e quan- do Mundo da Alemanha. Tínhamos as frescos de qualidade. como é natural, o planeamento das refei- do chegam a esta altura sabem que têm de ementas programadas para os dias todos, “Apesar de grande parte dos jogadores ções era feito em conjunto com a equipa ter este tipo de alimentação. Por isso todos desde o da chegada até ao da final. E isto da Selecção estarem habituados a outro tipo médica. a aceitam sem protestos. Aliás, nós tenta- porque sempre admitimos que Portugal de gastronomias, porque jogam em equipas Em casos pontuais, havia um jogador mos que, através da forma como as coisas não só podia chegar à final, como ganhá-la estrangeiras, em países com hábitos ali- que precisava de perder um bocadinho de são confeccionadas, dos temperos, as e tornar-se campeão do Mundo!”. mentares muito diferentes, a verdade é que peso, outro que precisava de recuperar um refeições agradem a todos”. Acrescentou que às vezes se fazem al- todos eles continuam a preferir a cozinha pouco mais – e isso condicionava o que No que toca a vinhos, a maior parte dos gumas alterações a esse planeamento pré- portuguesa. E a nossa preocupação era pro- lhes era servido. jogadores não os consumia, apesar de
  • 15. 2 DE AGOSTO DE 2006 DESPORTO 15 DE FUTEBOL Portugal a ganhar Francisco Paraíso O chefe Lavrador proporcionou uma sardinhada à Selecção no dia de Santo António terem disponíveis excelentes vinhos por- sintam bem e até para os estimular, em ter- pusesse bandeiras nacionais a esvoaçar, das 50 dias. E que em todo esse período tudo tugueses. mos psicológicos. janelas aos automóveis, passando pela indu- correu de forma exemplar. “Esta malta jovem prefere outro tipo de Assim, a preparação da sala de refeições mentária das senhoras. “Felipão” dava o exemplo, e mesmo bebidas” – comenta Luís Lavrador era feita com grandes cuidados. após as vitórias, nos balneários, festejava-se Por exemplo, os atoalhados muitas vezes com muita alegria mas sem excessos. exibiam as cores da selecção. “Um ambiente extraordinário!” – sublinha. EXPERIÊNCIA E a decorar as mesas havia sempre arran- Como extraordinário, dizemos agora nós A PSICOLOGIA À MESA ENRIQUECEDORA Mas não se pense que a função desta ex- jos de flores, preparados com muito cari- que com ele falámos, tem sido o trabalho NUMA FAMÍLIA FELIZ periente equipa de profissionais de cozinha nho, e que a maior parte das vezes recor- Luís Lavrador não esconde o seu entu- de Luís Lavrador (cujo curriculum, que se fica apenas pela confecção dos alimen- riam a flores de em tons de verde, vermelho siasmo pelo êxito obtido pela Selecção. Ele junto se publica, é bem eloquente). tos. e amarelo, a evocar a bandeira nacional. assistiu a todos os jogos, esteve nos bal- Assim, e glosando um outro Luís (o de Segundo nos relata o Chefe Luís La- Um gesto simpático, certamente aprecia- neários a festejar todas as vitórias e a parti- Camões), bem se pode dizer que Luís vrador, há toda uma série de pequenos por- do por todos, mas sobretudo por Felipe lhar alguma tristeza com as derrotas. Lavrador cozinhando tem espalhado por toda menores que não são descurados, no senti- Scolari, o seleccionador que desde o Lembra que aquele grupo que constituía a parte as glórias gastronómicas lusitanas, do de contribuir para que os jogadores se Europeu conseguiu que Portugal inteiro a Selecção Nacional coabitou durante quase porque a tanto o ajudam o engenho e a arte... Mais de duas décadas a cozinhar José Luís Pimentel Lavrador nasceu em Seixo de Mira Entre 1988 e 1991 foi Monitor-Chefe no Instituto reciclagem por todo o País, mas com o mesmo gosto e em 3 de Março de 1959. Nacional de Formação Turística. Em 1991 vem para a entusiasmo tem orientado muitos cursos de formação ini- Concluído o curso complementar dos liceus (área de recém-criada Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, cial de cozinha /pastelaria para desempregados e para co- Ciências) na Escola Secundária de Cantanhede, decidiu onde se mantém até hoje, como Monitor-Coordenador de zinheiras de instituições de solidariedade social. enveredar por uma actividade de que gostava: a cozinha. Cozinha. Tem participado em júris de prestigiados concursos in- Assim, matriculou-se no curso de cozinha/pastelaria, Ao longo de todos estes anos tem procurado valorizar-se ternacionais, em Portugal e noutros países (como Canadá concluído em 1983, com a classificação de 17 valores, na em muitas outras áreas, tendo frequentado um curso de e Suiça), e na divulgação da gastronomia portuguesa em Escola de Hotelaria do Porto (Núcleo Escolar de Vidago). pós-graduação em gestão hoteleira, acções de formação diversos pontos do Mundo, desde a Holanda até Macau. Estagiou no Hotel das Termas da Curia e iniciou a sua psico-pedagógica para formadores, formação em gestão de Tem ainda feito diversas palestras sobre alimentação, gas- carreira como cozinheiro do Hotel Palace de Vidago em equipamentos, em informática, um estágio profissional na tronomia e saúde. 1983. Escola de Hotelaria e Turismo de S. Nazaire (França). Para além disso, há muitos anos que faz parte da briga- Logo no ano seguinte começou a ensinar aos mais Mas a sua grande paixão é mesmo a cozinha, a sua prá- da de cozinha responsável pela pela alimentação das várias novos (e também a muitos mais velhos): foi monitor de tica e o seu ensino. equipas da Selecção Nacional de Futebol. cozinha no Núcleo Escolar de Vidago e chefe de cozinha E tem ensinado muitas gerações de cozinheiros, hoje Com este brilhante curriculum, não surpreende que no Hotel Afonso V (Restaurante A Cozinha do Rei), em espalhados por alguns dos mais reputados hotéis do País tenha sido justamente condecorado pelo Presidente da Aveiro, onde se manteve até 1988. e do estrangeiro. Tem ministrado cursos de formação e República.
  • 16. 16 DESPORTO DE 20 DE SETEMBRO A 3 DE OUTUBRO DE 2006 CAPITÃO DA NAVAL AMBICIONA JOGAR MAIS TRÊS ÉPOCAS “Gostava de terminar a minha carreira na Naval” Fernando afina pelo do treinador. Subiu a Naval, depois veio nova- discurso dos responsáveis “OS MELHORES MOMENTOS, mente salvar o clube da despromoção, do clube e aponta a manutenção NO FUTEBOL, então o seu método de trabalho já é co- como objectivo, reforçando, FORAM PASSADOS nhecido e isso é meio caminho andado ao mesmo tempo, que para o sucesso. NA NAVAL” a permanência de Rogério Como é a sua relação com Certamente que, ao longo destas Gonçalves e da maioria ele? oito épocas que já leva de Naval, do plantel da época transacta Tenho uma relação espec- teve diversas propostas para aban- são factores preponderantes tacular com ele. Esta será a donar o clube, Por que nunca o para o sucesso que deseja terceira época que faço com fez? para a Naval. Os seus 32 anos ele e temos mesmo uma re- Para abandonar o clube, finan- lação fantástica. Além de ser ceiramente teria que valer a pena. já lhe permitem, também, meu treinador, é uma pes- Logicamente, o jogador tem que deitar um olhar sobre o futuro soa muito amiga, princi- pensar na sua vida e ver a parte pós-futebol… palmente fora de campo. financeira. Tive algumas pro- Não existe, hoje, ne- postas, vários anos, mas não jus- Bruno Garrido nhum jogador da Naval tificavam a minha saída do clube, que não goste dos méto- em primeiro pelo próprio estatuto Como capitão de equipa, obviamente, dos do treinador. que já tenho aqui. Já conheço a desempenha um papel importante na inte- casa e já estou adaptado pelo que a gração dos novos reforços. Como é que se A liga bwin.com sofreu, minha saída teria que ser justificada tem processado essa mesma integração? esta época, uma redução dos pela parte financeira, só que a Naval dá- Tem corrido super bem. Os jogadores clubes participantes. Será me todas as condições, tenho um con- que vieram, chegaram com o pensamento que a Naval poderá retirar daí al- trato com o qual estou satisfeito, então de ajudar a Naval, isso também já foi falado gum benefício? para sair do clube teria que ser uma situa- antes de assinarem contrato. Tive a vida fa- As maiorias das pessoas estão en- ção muito tentadora. cilitada nesse sentido, pois os novos joga- ganadas ao achar que o cam- dores, para além da sua qualidade, são pes- peonato fica mais faci- Com 32 anos já vê o final da carreira soas de bom carácter. Nesses quinze dias litado com a re- mais próximo. Pretende continuar liga- deu para provar isso. do ao futebol? Enquanto puder jogar e ser útil O que podemos esperar da ao clube, vou jogar. Penso que Naval esta época? poderei jogar mais três O objectivo da Naval é, de anos, contando com novo, a manutenção. O esta época, de- clube tem como objecti- p e n d e n d o, vo cimentar a sua posi- também, de ção na primeira liga outros fa- para depois poder ctores, almejar um pouco como mais, melhorar a lesões, classificação, que, mas o objecti- gra- vo principal ças é mesmo a manuten- ção no campeo- nato. Falar de Taça UEFA ou algo mais dução das equipas. A concorrência é maior, Há, em Portugal, a ideia de que os a deus, nunca tive nenhuma grave. Estou a ambicioso é, então surrealista… há mais jogadores disponíveis, então as clubes vivem acima das suas possibili- terminar um curso de Educação Física e Isso não passa pela cabeça de nenhum equipas tornam-se ainda mais equilibradas. dades. Sente que isso também acontece tenho como objectivo seguir ligado à parte jogador, nem dos dirigentes da Naval. Eu, particularmente, não sou a favor da re- na Naval? físico, como preparador físico e continuar Logicamente que, conseguindo a manuten- dução de clubes, acho que teria, isso sim, Esta é a oitava época que faço na Naval ligado ao futebol. ção, o que vier será lucro. que haver um incentivo dos clubes, tornan- e sei um pouco da realidade do futebol por- do-se mais organizados, melhores no capí- tuguês. A Naval posso dizer que é uma ex- Pretende terminar a carreira na Naval? A manutenção do técnico Rogério tulo financeiro. cepção, pois, não existem salários em atra- Gostava que assim fosse porque passei Gonçalves é um factor importante para Assim, o campeonato seria mais longo e so, nem nunca existiram. Nesse capítulo, metade da minha vida futebolística na o sucesso desta época? com maior tempo para uma possível recu- acho que é dos melhores clubes que exis- Naval e os melhores momentos que passei Com certeza! Acho que é um dos factos peração, porque, da forma que está, um tem na liga. Não é um clube que pague no futebol foram aqui, na Naval. Então, preponderantes. Primeiramente, a manutenção clube que perca dois ou três jogos, possi- muito, só que aquilo que promete cumpre! seria muito gratificante terminar a minha da maioria do grupo de trabalho, a espinha velmente, pode não ter tempo de se reabi- Ao longo destas oito épocas que aqui estou, carreira na Naval e, de preferência, em dorsal, como se costuma dizer e, logicamente, litar. foi sempre dessa maneira. grande plano.
  • 17. 2 DE AGOSTO DE 2006 DESPORTO 17 Antigos jogadores e dirigentes da Académica muito críticos para a actual Direcção O Presidente dos Veteranos da Acadé- Na opinião de José Belo “é urgente re- “O equipamento da Académica estatuta- Fernando Pompeu vai mais longe, ao mica de Coimbra, José Belo, manifestou na flectir sobre a reorganização da Académica riamente é preto e em alternativa branco e afirmar que a “Briosa” está a “prostituir- passada semana a sua preocupação perante no séc.XXI, a fim de inverter o processo de os números nas camisolas devem seguir a se”, ao “permitir a inserção de números a gradual descaracterização da AAC/OAF, fragilização crescente que se acentua”. mesma norma. Fora disto é uma violação dourados nos equipamentos de jogo”. relativamente à política desportiva e históri- “Acho que há uma crise de identidade dos estatutos”, afirmou o ex-dirigente. “Com esta medida, fica claro que a ca do clube de futebol. preocupante e sem a dimensão humana, a Fernando Pompeu, Vice-Presidente da Briosa está à venda e que no deliberado “Temos que ser os guardiães do templo. Académica anda à deriva”, reiterou o Direcção de Campos Coroa, em artigo que conspurcar da sua centenária e prestigiadís- A Direcção tem que respeitar os estatutos Presidente dos Veteranos, dando como publicou, afina pelo mesmo diapasão e con- sima camisola, está a leilão também a sua do clube e, se alguma vez vir a Académica exemplo os tempos de homens verdadeira- sidera que a colagem da actual Direcção a ‘alma’ de instituição ‘sui generis’, ora meta- vestida de outra cor que não o preto e o mente académicos como Maló, Marques, estratégias de marketing não desculpa o morfoseada em banal meretriz, que sobe ou branco, saio imediatamente do Estádio”, Vasco Gervásio, entre muitos outros. atropelo aos estatutos de um clube que ul- desce a saia, sem pudor ou vergonha, ao frisou o dirigente, referindo-se a eventuais A Académica tem actualmente no seu trapassou os 100 anos de história. sabor das suas conveniências e necessidades alterações nos equipamentos do clube. plantel 26 jogadores, quase metade dos “Sei que desde que haja a garantia da financeiras”, acrescentou o ex-dirigente. Apesar de “sossegado e tranquilizado” pelas quais são estrangeiros: 10 brasileiros, um ‘bola na rede’, muitos dos sócios da Em causa está a utilização de equipa- palavras do actual Vice-Presidente, Vasco argentino e outro senegalês. Académica encolherão os ombros se a mentos cinzentos e a cor escolhida para o Gervásio, que já considerou que o tradicional equipa jogar de azul, como o farão se actu- terceiro equipamento, o azul, com números “traje” (preto ou branco) deve imperar no clube, ar de verde ou de vermelho. Sei finalmente amarelos. José Belo discorda de algumas políticas despor- que, com os dirigentes que temos, unica- No seu artigo de opinião, Fernando ANTIGOS DIRIGENTES tivas que estão a ser implementadas na Briosa. mente virados para a estratégia do negócio Pompeu acusa o actual presidente, José MUITO CRÍTICOS “A formação está a ser descurada e o es- Também na semana passada, Campos e completamente insensíveis aos princípios, Eduardo Simões, de descaracterizar a trangeiramento está a ser exagerado. Temos Coroa, ex-Presidente da Académica, consi- ao ideário, à imagem histórica da instituição Briosa, não só nos símbolos históricos, que manter a diferença. O nosso produto é derou que a utilização de equipamentos de e aos seus sagrados símbolos, tudo, mas como nas promessas não cumpridas: “os muito especial e daí sermos o clube mais cores diferentes do preto e do branco é tudo mesmo, é hoje possível”, salientou o campos do Bolão, o saneamento do passi- consensual a nível nacional”, disse. uma violação dos estatutos do clube. ex-dirigente. vo, entre outras. Campos Coroa indignado com Avançado brasileiro “modernices” nos equipamentos Anderson Costa Campos Coroa, ex-presidente da Académica, con- e aos seus sagrados símbolos, tudo, mas tudo mesmo, é o 13.º reforço siderou hoje que a utilização de equipamentos de é hoje possível”, salientou o ex-dirigente. O avançado brasileiro Anderson da vinda de Bruno Moraes, avança- cores diferentes do preto e do branco é uma violação Fernando Pompeu vai mais longe, ao afirmar que a Costa, de 22 anos, é mais um refor- do brasileiro do FC Porto que esta- dos estatutos do clube. “Briosa” está a “prostituir-se”, ao “permitir a inserção ço da Académica, para a disputa da giou na Holanda até sexta-feira pas- “O equipamento da Académica estatutariamente é de números dourados nos equipamentos de jogo”. I Liga portuguesa de futebol. sada, pelo que só agora o treinador preto e em alternativa branco e os números nas cami- “Com esta medida, fica claro que a Briosa está à Anderson é proveniente do holandês dos “dragões”, Co Adria- solas devem seguir a mesma norma. Fora disto é uma venda e que no deliberado conspurcar da sua cente- Dínamo de Zagreb, mas já actuou anse, dará o seu aval para vir para violação dos estatutos”, afirmou o ex-dirigente. nária e prestigiadíssima camisola, está a leilão também num dos mais prestigiados emble- Coimbra. Fernando Pompeu, vice-presidente da direcção de a sua 'alma' de instituição 'sui generis', ora metamor- mas do seu país, o Vasco da Gama. Com este reforço, passam a 13 os Campos Coroa, em artigo hoje publicado, afina pelo foseada em banal meretriz, que sobe ou desce a saia, Depois, representou o Córdoba, de atletas contratados esta época pelos mesmo diapasão e considera que a colagem da actual sem pudor ou vergonha, ao sabor das suas conve- Espanha, antes de ingressar no quot;estudantesquot;: Douglas (ex-Mineiros, direcção a estratégias de marketing não desculpa o niências e necessidades financeirasquot;, acrescentou o clube da capital croata. Brasil), Kaká (ex- Grémio de Jaciara, atropelo aos estatutos de um clube que ultrapassou os ex-dirigente. O avançado juntou-se aos seus Brasil), Alexandre (ex-Corinthians de 100 anos de história. Em causa está a utilização de equipamentos cin- colegas em Quiaios, onde a quot;Brio- Alagoano, Brasil), Hélder Barbosa e “Sei que desde que haja a garantia da «bola na rede», zentos e a cor escolhida para o terceiro equipamento, saquot; realizou a segunda fase do seu Sonkaya (emprestados pelo FC Por- muitos dos sócios da Académica encolherão os om- o azul, com números amarelos. estágio de pré-temporada até to), Paulo Sérgio (ex-Moreirense), bros se a equipa jogar de azul, como o farão se actuar No seu artigo de opinião, Fernando Pompeu acusa domingo passado, após uma sema- Gonçalo (ex-Tourizense), Medeiros de verde ou de vermelho. Sei finalmente que, com os o actual presidente, José Eduardo Simões, de desca- na no Luso. (ex-Vitória de Guimarães), Litos (ex- dirigentes que temos, unicamente virados para a estra- racterizar a Briosa, não só nos símbolos históricos, Ainda não está encerrado o plan- Málaga, Espanha), Nestor Alvarez tégia do negócio e completamente insensíveis aos como nas promessas não cumpridas: quot;os campos do tel, pois o técnico Manuel Machado (ex-Tolima, Colômbia), Raul Estevez princípios, ao ideário, à imagem histórica da instituição Bolão, o saneamento do passivo, entre outras. pretende ainda um médio ofensivo e (ex-Boca Juniores, Argentina) e Lino aguarda-se também a confirmação (ex-Juventude de Caxias, Brasil).
  • 18. 18 DESPORTO 2 DE AGOSTO DE 2006 “Deixem-nos trabalhar e sonhar” CLUBE PORTUGAL TELECOM QUER CONTINUAR A CRESCER NO BASQUETEBOL Ao cabo de doze anos nante, não só na comparticipação financei- de actividade, o basquetebol ra, mas também no apoio dado no dia-a-dia do Clube Portugal Telecom das equipas. José Pedro referiu-se a esse as- ocupa já um lugar de destaque pecto: “Sobretudo no início os pais enca- no panorama distrital ram o basquete como uma forma de ocupa- rem os filhos. A pouco e pouco, e pela da modalidade. forma como o clube tem sido gerido, com Em conversa com o “Centro”, grande mérito para o trabalho do Moura, Moura Távora e José Pedro, apercebem-se que a filosofia aqui não é dei- responsáveis máximos xar cá os ’miúdos’ e vir buscá-los no final pela Secção de Basquetebol, do treino. Os que só fazem isso, vão-se deram conta de alguns apercebendo que estão desenquadrados porque aqui há uma filosofia de família, de aspectos da filosofia que preside clube, de prática desportiva, de formação. ao trabalho que desenvolvem O que está na base disto tudo é a questão da formação, que temos transmitido aos António José Ferreira pais. O nosso principal objectivo é formar homens e mulheres para a vida, através da O Clube PT existe em Coimbra há cerca vertente académica. É comum comentar- de duas décadas, com várias modalidades. mos que, muitas vezes, desempenhamos Fruto da participação na Liga Profissional, mais o papel de ’assistentes sociais’ do que com uma equipa sediada em Lisboa, foi o de dirigentes desportivos, porque ajudamos basquetebol aquela que ganhou maior pro- a resolver problemas que não têm directa- jecção, bem aproveitada pelos responsáveis mente a ver com a prática desportiva. Mas para as raízes criadas no basquetebol co- têm indirectamente, porque a principal acti- nimbricense, de há doze anos a esta parte, vidade dos ‘miúdos’ é serem estudantes e se momento em que os responsáveis decidi- não estiverem bem aí, não podem estar ram “arrancar” com a modalidade na cida- bem no desporto. Este é o objectivo princi- de. Moura Távora explica que “a empresa pal que temos. O resto, em termos despor- passou por várias mutações. Antes perten- tivos, vem por acréscimo”. Sustentando as cíamos aos Correios e Telecomunicações, Moura Távora e José Pedro gostariam de ver mais reconhecido o trabalho desenvolvido suas palavras, José Pedro confessa que por havendo várias empresas nesta área, e com pelo Clube Portugal Telecom vezes “nos magoa que as pessoas nos a fusão de todas elas no Grupo Portugal olhem como um clube meramente despor- Telecom o antigo CDCR deu origem ao PT, com muito gosto, mesmo sem qualquer está também no nome do clube, temos que tivo. Quando fizemos uma aposta clara na Clube Portugal, que hoje existe. O basque- apoio financeiro da empresa. E temos nos salvaguardar e ter uma segurança em formação o nosso objectivo não era esse. O te é, neste momento, a modalidade com vindo a provar que o desporto se pode pen- relação ao nome e à coerência e à correcção que gostaríamos de ver reconhecido, e não maior expansão, com cerca de 200 pratican- sar e fazer assim, com o único objectivo de das contas. Por conseguinte, temos as mes- é estar a pedir nada a ninguém mas o reco- tes. Podem ser praticantes todos os traba- preparar atletas para mais tarde competi- mas dificuldades que os outros têm, nós nhecimento fica sempre bem, sobretudo da lhadores da empresa, bem como qualquer rem nos escalões mais altos”. Para levar esta com uma outra que é termos que cumprir parte das entidades oficiais, é que nos outro cidadão. Os da empresa são sócios “nau a bom porto”, Moura Távora frisa que rigorosamente em termos de contas. Não olhem de outra forma e não como um efectivos, os outros sócios auxiliares ou só- “em termos estruturais as dificuldades são sei como fazem os outros clubes, mas nós clube que tem tudo da empresa PT. cios praticantes, que é o caso do basquete e como em qualquer clube. Mas temos um respondemos por nós…”. Gostaríamos de ver as entidades a reconhe- de toda a juventude que joga no Clube grande apoio, que é termos este pavilhão Na época que se aproxima, mantendo-se cerem o nosso trabalho, porque o investi- Portugal Telecom, mesmo não tendo qual- cedido graciosamente pela empresa. Além Rui Dengucho como Coordenador Té- mento que fazemos é todo na área da for- quer afinidade familiar com algum trabalha- de aqui fazermos os nossos treinos e jogos, cnico, o Clube Portugal Telecom vai ter mação de atletas e de pessoas”. dor da empresa”. é uma grande ajuda porque é um ponto de equipas desde Minis até Juniores, tanto Em jeito de conclusão, José Pedro conta Há cerca de três anos a Portugal referência que aglutina todos os agentes masculinos como femininos, tendo o “ob- que “quando vamos jogar a outros pavi- Telecom decidiu colocar um ponto final no desportivos do basquetebol do clube, desde jectivo de atingirmos dentro de duas épo- lhões é normal os adeptos de outros clubes apoio dado ao basquetebol, que motivou a os atletas, aos pais, aos treinadores, aos di- cas, pela primeira vez, os escalões seniores lançarem alguns ‘piropos’. Um dos mais extinção da equipa profissional. Em rigentes, etc. Estamos sempre sediados no unicamente com atletas formados no clube comuns é dizerem que andamos a jogar Coimbra, os dirigentes da modalidade não mesmo lugar, o que é muito bom em ter- e que nasceram no nosso ‘Minibasquete‘. com o dinheiro dos contribuintes porque conseguiram evitar o fim da equipa sénior mos de ralação humana e de identidade do Depois começaremos um a outra fase na continuam convencidos que a PT injecta feminina, mas “arrepiaram caminho” e de- clube. Em termos financeiros, obviamente vida do clube, em termos desportivos, que dinheiro no basquete. O que, como já refe- cidiram manter as portas abertas à forma- que as dificuldades são as mesmas que os é estudar, programar, reflectir como vamos rimos, não acontece. Agradecemos muito à ção: “A Secção de Basquetebol tem hoje outros sentem, acrescendo que o simples abalançar-nos ao basquetebol sénior, para empresa o apoio que nos dá na cedência de uma personalidade muito própria, com au- facto de termos o símbolo PT nas camiso- já com a certeza de que a aposta na forma- instalações, se bem que esse é um cutelo tonomia em termos de gestão e autonomia las faz passar a ideia de que somos um ção é para manter“. que todos os anos temos sobre o pescoço, total em termos financeiros. Esta realidade clube rico, um clube da empresa, que tudo A concluir, Moura Távora adiantou que “o pois nunca sabemos até quando vamos existe há duas épocas para cá, consequência pode e tudo paga. O que não é verdade. basquetebol na PT está bem e recomenda-se. poder continuar a utilizar este pavilhão. É do fim do apoio financeiro dado pela em- Quando dizemos que o basquete é financei- Se pudermos ser, amanhã, o maior clube de um situação de grande incerteza e que mui- presa ao basquete, por uma questão de ges- ramente autónomo é a pura realidade. A basquetebol da zona centro, temos condições tas vezes é explorada contra nós. Não é por tão, que não comentamos embora tivésse- modalidade no clube vive de três entidades estruturais e de recursos humanos para o ser- acaso que nesta altura da época, nos meios mos lamentado na altura e lamentemos muito próprias: os encarregados de educa- mos. Só pedimos uma coisa: deixem-nos traba- desportivos da cidade de Coimbra, surge ainda hoje. Durante um ano ainda tivemos ção, o conjunto de empresas da cidade e do lhar e sonhar cada vez mais. O que se fez em sempre a notícia de que a PT se está a pre- uma pequena ajuda para a formação, mas país que nada têm a ver com as telecomuni- dez anos, tanto em tão pouco tempo, só no parar para vender o pavilhão. Obviamente há dois anos para cá vimo-nos no seguinte cações mas que nos ajudam e as escolas pri- Clube PT. Mas atenção, e isto é algo que todos que sabemos que isso um dia poderá acon- dilema: ou íamos para a frente sozinhos e márias que trazem aqui os seus alunos a devem perceber, inclusive a própria tecer, mas lamentamos que os responsáveis mantínhamos a formação ou então pura e praticar a modalidade”. O rigor financeiro, Associação: ser grande não é só ter o maior nú- da empresa, ao mais alto nível, ainda não se simplesmente fechávamos as portas e aca- motivo de orgulho para os dirigentes do mero de pessoas a trabalhar. Acima de tudo é tenham apercebido do trabalho que aqui bávamos com tudo. Colocámos um desafio basquetebol do Clube PT, é expresso a “30 a forma como se vive a realidade e a filosofia realizamos. Talvez por culpa nossa, por a nós próprios, idealizámos um projecto a de Junho de cada ano, pois temos que apre- com que se trabalha que devem ser grandes”. nunca termos feito chegar o convite para longo prazo, juntámos os pais e a partir daí sentar um relatório com todas as contas nos visitarem. Vamos fazê-lo. A empresa decidimos avançar unicamente com a for- correctas (entregue também aos pais dos at- O papel dos pais tem feito grandes progressos em termos mação. Daí nasceu então esta nova figura letas). Além de dirigentes desportivos do papel social e de apoia a causas sociais e da Secção de Basquetebol dentro do Clube somos funcionários da empresa e como o No projecto do Clube Portugal Telecom essa é, afinal, a maior vertente do nosso PT, com as cores do clube e ligada ao Clube nome da empresa, mesmo nada nos dando, os pais dos atletas têm um papel determi- trabalho”.
  • 19. 2 DE AGOSTO DE 2006 OPINIÃO 19 Espanha. Desta vez, abandonou mesmo Belgais que se quer cada vez mais civilista, o poder ainda reservistas, desabituado (ou cansado) de sa- e vai para Salvador, Brasil. resiste à ideia da reivindicação colectiva feita por crifícios. Está farta, disse, de ser “torturada”. Nunca agentes da autoridade. Não é uma vergonha Nuno Rogeiro entendi o tom de exigência que MJP punha para quem luta pelos seus direitos. É, antes de CM 23/07/06 quando fala de Belgais. Que ela exija condições mais, o reconhecimento de posições profunda- para ser pianista é justo, porque ela é grande e mente retrógradas deste Governo, que em tem- A MINISTRA E O PLANO itações única – é nossa obrigação não a desperdiçar. pos gritou defendendo sindicatos de polícias e DE LEITURA Quanto ao projecto Belgais, ficou por provar que agora os enxovalha com medidas punitivas O projecto (Plano Nacional de Leitura) é a sua urgência. Se calhar é, mas não está prova- ridículas. de três ministérios, está sediado no Ministério do (como, por exemplo, MJP está provada). Este é o problema essencial. Enquanto não da Educação em articulação com a Cultura e Logo, quem pede para ele, mesmo MJP, tem de for resolvido em toda a extensão, qualquer mo- os Assuntos Parlamentares e constitui uma admitir que o ‘não’ existe. tivo servirá para que mais um polícia sindicalis- bandeira na medida em que estamos conven- Ferreira Fernandes ta seja expulso, nem que seja por ter espirrado. cidos – eu diria que é das poucas certezas que CM 29/07/06 E a verdade é que o grau de indigência, incapa- tenho – que termos capacidade para ler faz- cidade e dificuldades que são os quotidianos dos nos melhores cidadãos e mais livres. A leitura “TÊM HAVIDO” polícias exigem, para defesa dos cidadãos, maior e as outras formas de acesso às artes, da pin- O GANG DOS AÇORES MUITOS ERROS capacidade reivindicativa. E a cruz que têm de tura ao teatro e ao cinema, criam em nós um E DA MADEIRA Aborrece-me sumamente ter de ouvir minis- carregar estes breves heróis pensamento crítico muito vivo e forte que Nos jornais da passada quinta-feira vi uma tros, professores dos vários graus de ensino, jor- Francisco Moita Flores não se consegue com a frequência da escola- fotografia que fica certamente para os anais da nalistas, estudantes – eles e elas – a dizer: CM 24/07/06 ridade que apela mais a um pensamento raci- história política neste recanto à beira-mar plan- “Houveram encontros”, “Poderiam haver mais onal e cognitivo do que pensamento emotivo tado. Os seis deputados socialistas, com assento possibilidades”, “Haviam tantas mulheres que AS RAZÕES DE ISRAEL para usar as duas expressões do agrado do na Assembleia da República Portuguesa, eleitos os homens tiveram medo”, “Podem haver ou- Muitos perguntam por que é que Israel prof. António Damásio. E leitura também nos Açores e na Madeira, fizeram-se fotografar, tros mundos.” não se limitou, desde o início, a ocupar uma nos ajuda muito no campo da imaginação que dentro do parlamento, para afirmarem ‘urbi et Seria preciso perguntar-lhes qual é o sujeito zona de segurança de uns 30 a 40 quilóme- é muito mais activada quando estamos a ler orbi’ que só há maioria do PS com os seus do verbo. Não há paciência! tros, a Sul do Líbano, sobretudo tendo em um livro do que quando vemos uma série de votos, numa atitude arrogante e ameaçadora, Apareceram agora os resultados dos exames conta que a conhece bem, desde que a inva- televisão estereotipada. A leitura exige maior que levava uma legenda inqualificável – se a lei e, mais uma vez, foi o desastre: a Matemática diu. Impedia-se assim o disparo útil de uns concentração do que a maior parte das outras das finanças regionais que o Governo está a teve uma ligeira melhoria em relação ao ano 80 a 90% dos ‘rockets’ usados, protegia-se a formas de arte e entretenimento e necessita rever vier a determinar uma redução da transfe- transacto, mas, mesmo assim, 64% das notas população da Galileia, desmantelava-se de espaços de silêncio e solidão que cada vez rência de verbas para as regiões autónomas eles foram negativas, a média geral das notas de apenas a parte militar da agressão. Mas os temos menos. Nas casas há televisões e rádi- votarão contra e a lei não passará. Química foi de 6,9 valores e a de Física, 7,7. estrategos e analistas do Monte Miron os ligados de manhã à noite, mas faltam espa- (…) Mas, para mim, o mais impressionante foram sabem que o ‘cancro’ está demasiado espa- ços de tranquilidade. São estes aspectos que Toda a gente sabe que os Açores e a Madeira, os resultados dos exames de Português: nota ne- lhado. levam os jovens, actualmente, a muito maior com 250 mil eleitores, representam menos do gativa para metade dos alunos, o dobro em rela- Um ataque por terra tem custos superio- acesso ao livro. que um bairro de Lisboa mas no entanto estão ção ao ano passado. A palavra é mesmo essa: res ao que se pensa, num país com menos Isabel Pires de Lima politicamente sobrerepresentados no parlamen- um desastre! de 6 milhões de pessoas, e meio milhão de CM 30/07/06 to. É público e notório que são beneficiários lí- E a mim impressionam-me particularmente quidos da solidariedade nacional. Ficam com os resultados dos exames de Português, porque todas as receitas cobradas na região e recebem há muito tenho a ideia de que o problema essen- verbas do Orçamento de Estado que nenhuma cial da Matemática, da Física e da Química é outra zona do País beneficia, por força de um mesmo o português, a língua portuguesa. factor de majoração que ninguém põe em causa Porque uma língua é um mundo com uma de- para atenuar os efeitos da insularidade. Gerem terminada estrutura. O mundo em português e como entendem essas receitas. Têm acesso di- em alemão, por exemplo, não é exactamente o recto aos fundos da Comunidade Europeia e, de mesmo - Heidegger chamava a atenção para o forma indirecta, aqueles que se destinam ao facto de, em última análise, a sua filosofia só ter todo nacional. sido possível a partir da língua alemã. George Está tudo certo, mas o que não pode aconte- Steiner não se cansa de repeti-lo: “Como Freud cer é ouvir esta espécie de gang dos Açores e da nos ensina, é preciso virar os grandes mitos ao Madeira reclamar que as transferências do con- contrário, eles dizem o contrário do que pare- tinente para as regiões têm que continuar a au- cem dizer. Babel, longe de ser uma punição, é mentar todos os anos mesmo quando o resto talvez uma bênção misteriosa e imensa. As jane- do País está obrigado a sacrifícios e a uma con- las que uma língua abre dão para uma paisagem tenção orçamental rigorosa única. Aprender novas línguas é entrar em Emídio Rangel novos mundos.” CM 29/07/06 Cá está: quem não domina uma língua - no nosso caso, o português - que mundo tem? SAUDADES DE BB Qual é o seu mundo e, sobretudo, qual é a estru- Ah que saudades da Brigitte Bardot, da tura de mundo que possui? Como pode entrar deloit `n`touch ou lá como se chama essa na Matemática, na Física ou na Química sem a maravilhosa agência publicitária NUNCA língua que lhe dá um mundo e uma estrutura de de férias. Nós os pobres, de espíritas, mundo? somos assim nada de vacanças - trabalha- Anselmo Borges mos sempre para o bem e para o mel, para DN que não vos falte nada. Jornais, bombeiros, geneérres, hezbolahs e empresários de fute- POLÍCIAS NÃO SÃO bol, temos agora a nossa época alta; com os “MENINOS DE CORO” paparazzi, os tifosi, os mafiosi e os caproni Aquilo que em absurdo o Governo fez com ; contem com os portuguesi para manter esta medida foi dizer aos sindicalistas da PSP ufana e alta a nossa bandeira. que têm de se portar como meninos de coro, Rui Reininho comunhão em dia, e servis quanto baste. Veio JN 29/07/06 pedir o impossível. Sobretudo quando a medida aplicada, por ser brutalmente excessiva, não en- A TORTURA fraquece as posições sindicais da PSP, antes as DE MARIA JOÃO PIRES reforça, porque ninguém no seu perfeito juízo Maria João Pires (MJP) tinha um projecto acredita que minudências desta natureza pos- educativo em Belgais, Castelo Branco. O projec- sam levar à expulsão de uma corporação. to precisava de dinheiro e ela não tinha. Com esta medida, o Governo aumentou a O Estado entrou com algum. Não o sufici- galeria dos heróis sindicalistas da Polícia e fez ente, fomos sabendo por protestos da pianista. mais: revelou que passados tantos anos de luta, Ora ela dizia que abandonava, ora que ia para de combate pelo sindicalismo numa instituição
  • 20. 20 OPINIÃO 2 DE AGOSTO DE 2006 FILATELICAMENTE ponto por ponto Andar por aí... Sertório Pinho Martins mentares cheias de significado e a causar vel!). Olhe-se para António Vitorino, arrepios ao actual líder do CDS-PP, sempre Armando Vara, Fernando Gomes, Durão E a moda pegou! Derrotados de con- que se lembra de voltar a palcos escolhidos Barroso, Celeste Cardona, Marcelo Rebelo João Paulo gressos, varridos da governação, preteridos e deixar o seu perfume-de-pai-atento nos de Sousa, Jorge Sampaio, António Borges, Simões em batalhas políticas, órfãos de ideologias interstícios e esconsos do Largo do Caldas. Guterres: não “andam” apenas “por aí”, falidas, saneados de lugares chorudos por Mário e João Soares devem “andar por aí” porque aquilo é uma autêntica equipa olím- razões partidárias quando o governo muda a lamber feridas e em rigorosa cura de opo- pica de marchadores de fundo, causando ar- de côr, afilhados de anteontem – todos en- sição interna, a que os respectivos resulta- repios de inveja aos menos afortunados na chem o peito e afirmam (ou mandam afir- dos eleitorais os obrigam (e Manuel Alegre procura de um alpendre amigo. Todos se mar por seguidores nostálgicos dos tempos ainda deve estar a perguntar-se atónito – converteram ao saudável exercício de de faz-nenhum) que “vão andar por aí”. E não se duvide! – como foi aquilo de des- “andar”, libertos que foram ficando do peso a gente que os suporte (e sustente nalguns bancar o pai). Pina Moura “anda por aí” a de um país cada vez mais sem beco para casos não raros quanto isso), sempre que se colher os frutos do compadrio com os es- fugir, e que alguns ajudaram a encurralar ao lembrem de assobiar para o lado alijando panhóis das energias, esquecido que foi longo de uma aventura que lhes esmagou culpas pela marcha forçada. (julga ele!) o caricato episódio de ter ido ao sonhos e lhes colocou enigmas insolúveis Pedro Santana Lopes inaugurou a cita- Hotel do Guincho mostrar o orçamento de nas passadeiras que julgavam de glória. ção (e ficou felicíssimo) depois de Jorge Estado ao Sr. Stanley Ho, nas barbas do Mas dá que pensar ver tanta gente válida a Sampaio o ter despedido e de o PSD fazer avisado Miguel Esteves Cardoso que se “andar por aí”! Não terão algo, por pouco que orelhas moucas ao desejo de repetir a can- banqueteava na mesa do lado. E os habitu- seja, a fazer em favor desse país que afinal os didatura a Lisboa. Manuel Maria Carrilho ais “marretas” do PSD, candidatos eternos trouxe para a ribalta e lhes alimentou horizon- evaporou-se duas vezes (depois da saída da a uma liderança que ninguém quer em tes de fartura? É que o dito país é o mesmo Cultura e com a coça eleitoral que Carmona tempo de vacas magras, “andam todos por que está agora a pagar o preço dos seus cálcu- Rodrigues lhe chegou), e veio agora de livro aí” encostados ao comentário político, à los mal esgalhados, dos seus conceitos de dé- em punho dar a entender que também farta consultoria financeira, ou aos choru- fice colados a cuspo, do seu afã de papistas ra- “anda por aí”, ainda que visivelmente a pas- dos lugares em administrações que pingam dicais, da sua santa ignorância das coisas da sear a família… que mais se lhe não vê. Ma- dos acordos de cavalheiros entre partidos governação, da sua impreparação para correr A REFORMA POSTAL nuel Monteiro continua “por aí” a tentar alternantes no Governo. cem metros… mas pendurando ao pescoço o remediar (mas como?) a falta de espaço po- Mas alguns desses andarilhos profissio- anúncio de campeões de maratona. Alguém lítico que Paulo Portas lhe colou aos calca- nhares para sempre. E o mesmo Paulo nais têm aproveitado o seu tempo sabático na política caseira, e vão juntando o útil com bom senso lhes diz que ao menos dei- xem de “andar por aí”, porque ninguém gosta O Penny Portas “anda por aí”, em aparições parla- (nem sempre) ao agradável (e que agradá- de lembrar aquilo que é para esquecer?… black Decorria o ano de 1840. As pessoas Casar com uma continuavam a comunicar por carta mas sem franquia sendo essa paga no destino. Varela Pècurto boneca… Um dia, uma estalajadeira escocesa recebe uma carta dos seus familiares a cobrar no destino. Como erra pobre e não podia pagar aquela quantia, disse O meu amigo A e a que viria a ser sua ao carteiro que conhecia as letras dos Confesso que hesitei passar a escrito os vá- mulher conheceram-se casualmente numa familiares e, que por isso, estavam rios e confusos pensamentos que me assalta- sala de espera de um consultório médico. todos bem de saúde. ram depois do divórcio do meu amigo A. Aos primeiros olhares seguiram-se outros Ora acontece que um homem que se A história é banal nos tempos que vão mais intencionais e, a estes, os encontros encontrava na estalagem, ao ouvir isto, correndo e o espaço ocupado neste jornal é de apelativa intimidade a que não foi pagou os dois xelins para que a senho- valioso. Se me decidi foi porque estava con- estranho um corpo ondulante com ra ficasse com a carta. Este homem era vencido haver nela uma paixão desmesura- requebros de inspiração tropical. Roland Hill, o pai do selo que, propôs da (prelúdio de amor que falhou). Tive a ve- O que foi sucedendo depois, uma taxa fixa a pagar pelos expeditores. leidade de vaticinar uma longa união, a che- em tempos da virgindade não es- As cartas eram postas em pequenos gar até às comemorações matrimoniais. Para perar pelo matrimónio, não carece sacos com os lados gomados, o que quem já vai em 56 anos de casado, esta meta de comentários. não foi aceite pela população. Achavam parece-me alcançável; face ao entusiasmo Tenho a certeza que a noiva, pelas aquilo ridículo e os sacos foram todos do meu amigo, também ele o conseguiria. prendas que foi recebendo, facilmen- queimados. Só ligaram e deram valor à Os casamentos são combinados pelo desti- te chegou à conclusão que o meu etiqueta que acompanhava o saco por- no que, vezes sem conta, prega grandes parti- amigo vivia desafogadamente a per- que lhe viam comodidade. das. Quando nada é coincidente ou muito mitir-lhe fazer só o que lhe dava na Então, Hill abriu um concurso entre pouco se ajusta durante o namoro, para quê gana. todos os artistas e homens da ciência teimar na união de facto? Já em casa, passadas as primeiras semanas contabilizou os contras. Vacilou e por fim fe- tendo aparecido 2 600 planos e 1 000 A vida já não é idílica e, como dizem os bra- de vida nova em comunhão total, o amantíssi- neceu. O abalo causou mossa. A separação es- desenhos. Como não ficou satisfeito sileiros, é preciso cair na real. mo casal passou à monotonia dos casais que tava à vista, com todas as implicações que tal com os resultados, esboçou ele próprio É louco o que seduzido por um mínimo de não sabem ou não têm capacidade de viver a decisão acarreta. um projecto com o perfil da Rainha condições favoráveis à união, as admite como dois, mantendo acesas todas as chamas da exis- Tudo voltou à estaca zero. Foi mais uma Vitória tendo no topo a palavra Pos- suficientes para que o casamento as concretize. tência e compreensão q.b. contribuição para as estatísticas dos casamen- tage e em baixo a inscrição da taxa. E nem quero equacionar os dotes físicos. Bem se esforçou o meu amigo. tos desfeitos. Não sou moralista nem conse- Mandou cunhar e, por ser negro, cha- Um dos parceiros não tardará a manifestar A esposa não sabia cozinhar, passajar e en- lheiro. Mas se o leitor é solteiro e não quer mou-se Penny-blac e custava um di- ideias e hábitos que a outra parte não aceitará. gomar. Era uma especialista em conservas en- fazer parte do clube “casa-descasa”, então nheiro. Dai à separação vai um passo. Pior será se exis- latadas de todas as espécies. Nada sabia do que pondere e estude bem a sua decisão matrimo- Estava apresentado o primeiro selo tirem filhos pelo meio. lhe era necessário como dona de casa. nial. Tanto poderá entrar na corrida aos pré- do Mundo que circulou de 1 a partir de O à vontade dos que não formalizam a sua Embora pudesse recorrer a uma serviçal, o mios das bodas – que, por etapas de 25 anos, Maio de 1840. Estava também lançado união é total nos dias de hoje e até foi substituído mais grave, e sem cura, era não manter conver- podem chegar às de prata, ouro ou diamante – o que viria a ser o mais potente sinal o nome dado a esses casais há 50 anos: de amiga- sas, de média cultura que fossem. Começou ou continuar livre, sem arrependimentos e posto na mão de alguém. dos ou amancebados passaram a namorados. também a ter comportamentos pessoais só re- apto para novas tentativas. O sucesso foi enorme em Ingla- Não contando os que, nesta situação, acabam por velados depois do casamento. Para soluções mais actuais, pode juntar os terra, que outros países lhe seguiram o separar-se, em 2006 os divórcios dos realmente O amor que levara o meu amigo ao altar era seus trapinhos sem passar pelo registo e, exemplo. As máquinas não davam va- casados foram o dobro do ano anterior. cego como o da cantiga e talvez por isso não menos ainda, pela igreja. zão perante tanta procura.
  • 21. 2 DE AGOSTO DE 2006 OPINIÃO 21 rem potencialidades que nós podemos aprovei- 10º- Em Fevereiro chuva, em Agosto uva. tar, cultivar, renunciar, corrigir, ou não. Se soubermos que o Sol determina a tempe- Para as três dúvidas existenciais colocadas a ratura na Terra e a Lua regula a humidade a cir- cada um de nós: “quem somos, de onde vimos culação do sangue nos animais e a seiva nos ve- e para onde vamos?”, a astrologia psicológica getais, já fica mais fácil entender a sabedoria po- terá o mérito inquestionável de responder por- pular. A ideia de ciclo foi sempre a preocupação Jorge Côrte-Real menorizadamente à primeira destas questões. dominante de todas as escolas iniciáticas. Jurista O Sol está amplamente representado na 4000 anos a. C. os Hindus dividiram o céu Renato Ávila ASTROLOGIA Natureza. A oliveira, a vinha, o trigo, o milho, o em 28 regiões iguais, a que chamaram casas lu- alecrim, o loureiro, são considerados tradicional- nares, que correspondiam aos 28 dias do ciclo mente, e desde há séculos, como vegetais solares. lunar. Introduziram o conceito de karma (soma As religiões monoteístas como a católica, a total das nossas acções, boas e más, que ficam li- Matemáticas O Sol que mais influenciou a civilização ocidental, ce- lebram ainda hoje o seu culto com vegetais so- lares. Nesta, o trigo trabalhado de forma branca e redonda como um sol, é dado aos fiéis com gadas á alma), e reencarnação (viagem da alma através de vários corpos cujas experiências re- flectiam anteriores encarnações). 3000 anos a. C. os Sumérios já tinham calen- fobias Tudo normal no reino das escolas, no reino Prosseguindo este enigmático e apaixonante vinho. Nos templos católicos a iluminação era dários prevendo rigorosamente a mudança das das polícias, no reino do emprego, no reino dos passatempo que é a astrologia – não aquela que feita com candeias de azeite. No baptismo, o ini- estações. tribunais... vemos nos jornais e revistas, não a dos charlatã- ciado é ungido com azeite, etc. Em 3500 a. C. aparece o primeiro relógio de Tudo normal neste paraíso de férias e de lé- es de vão de escada, mas sim a astrologia cientí- O Sol está representado no mundo animal e sol. rias. fica, que estuda as posições relativas dos astros e desde logo simbolizado pelo rei da selva – que, A ideia de ciclo, colide, aparentemente, com Entre algumas anormalidades, estão as fobi- a sua influência no homem e no mundo que o como sabemos, é o leão. Ainda actualmente o nosso ciclo de vida, se partirmos do princípio as: aos impostos, às escolas, ... às matemáticas. rodeia –, vamos estudar o Sol. todos, ou quase todos, os locais ermos e de visi- que quando morremos tudo acaba. Mas se ima- São raros os alunos que, perante tal nome, não Na astrologia científica, o Sol representa “o bilidade em 360º, com a designação alto, ermo, ginarmos um ciclo, não fechado, mas um ciclo tremem de medo ou não esboçam um amarelo centro” – “a energia” – a renovação diária da cimo, ”do leão”, foram no passado longínquo em espiral aberta, as respostas podem surgir. sorriso de descrença. energia, a atracção, a força centrípeta, e na análi- locais de culto e de estudo do Sol. Vejamos então: Há quase três décadas que andam os peritos se psicológica, o” Eu sou”. De forma muito simplificada, podemos O ciclo das quatro estações do ano. à procura dos motivos de tal anomalia e ainda Na aludida análise (pois de outra não iremos também dizer que é possível elaborar previsões O Solestício de Inverno (21/12), esteve ninguém conseguiu dar resposta satisfatória. tratar, por agora), manifesta-se de forma dife- astrológicas para os diversos países e para os di- desde sempre relacionado com o nascimento – Os anos passam, os alunos sofrem, as famí- rente consoante a posição – grau que o Sol rigentes destes se soubermos levantar o tema as- dos raios de Sol –, crescimento dos cabelos de lias pagam e a razia continua. ocupa na eclítica – no momento do nascimen- trológico daqueles. Sansão. Continua a defender-se ser a escola primária, to. Deste modo, se estiver compreendido nos E é também possível proceder a previsões O Equinócio da Primavera (21/3), foi desde onde os professores, sem formação específica, primeiros trinta graus estaremos perante um mundiais sobre: o clima para um local e para sempre (druidas e celtas) relacionado com a não sabem ensinar nem obrigam os alunos a es- “eu sou empreendedor”. Se estiver compreen- uma determinada data; terramotos, inundações, morte e ressurreição. Equinócio significa noites tudar. Daí o entendimento comum da necessi- dido entre o grau trinta e o grau sessenta estare- etc.. Basta, para tanto, saber interpretar a lingua- iguais. É o ponto em que o Sol, na sua órbita dade de uma profunda reciclagem. mos na presença de um “eu sou persistente e gem dos astros. aparente, cruza o plano do Equador celeste ou No que se refere aos outros níveis de ensino, gosto dos prazeres da vida”. Se estiver o Sol da O Sol é a nossa principal fonte de energia, in- eclítica. Morre a noite, renascem os dias. É cele- nos quais os docentes têm licenciatura ou outra pessoa considerada situado entre os graus ses- fluencia tudo e todos nós. Não admira, pois, que brado hoje com a Páscoa na primeira lua cheia formação específica, é suposto estar tudo nor- senta e noventa, então podemos dizer que é ao longo da história da Humanidade seja o astro a seguir ao equinócio da Primavera ( lua cheia de mal. “um ideólogo, um orador ou escritor”, e assim mais estudado, venerado até. E, contudo, sabe- Aires ou festival da ressurreição). E é com estas pré-entendidas normalidades sucessivamente. Claro que para o observador mos tão pouco dele. O Solstício de Verão (21/6), (após a lua cheia que as anormalidades vão medrando e o país mais atento isto dos graus ocupados pelo Sol Que tipo de radiações produz? Conhecemos de Touro, Wesak ou lua de Buda, crê-se que vai de vento em popa. Para o charco. nada significa, por isso é que a astrologia actual- as infravermelhas, responsáveis pelo calor e Buda nasceu, iluminou e desencarnou nesta lua No nosso modesto entender, o problema da mente se socorre da designação tradicional e temperatura terrestres; as luminosas, as ultravio- cheia), e da lua cheia de Gémeos ou da fraterni- aprendizagem da matemática atravessa todos os multimilenar – Carneiro, Touro e Gémeos, res- letas, responsáveis pelo bronzeado e também dade, é celebrado com festa (Sansão recupera os graus de ensino, desde o superior onde o pano- pectivamente, e embora estas constelações já pelos melanomas da pele; as magnéticas – e sa- cabelos e com eles a sua força e poder ilimita- rama também não é brilhante, até ao básico. não coincidam há muito com os graus referidos, bemos que estas têm um ciclo de onze anos. dos), para a celebração do dia maior do ano ini- Enquanto se entender que a matemática é é mais fácil denominar os graus como tal, do Porém, quanto às radiações rádio, já sabemos ciam-se os festejos do fogo (hoje Santos uma ciência cabalística, apenas acessível a deter- que pensá-los como números, em abstracto. muito pouco. Os radioamadores só há poucas Populares) que vão durar até ao Equinócio de minados crânios especialmente iluminados, gi- Da posição do Sol na eclítica na hora do nas- décadas iniciaram a investigação nas frequências Outono (21/9), com o S. Miguel, primeiro do- rando em cosmos do milésimo céu, não tenha- cimento, Via Solis, ou Trajectória do Sol, linha mais elevadas (giga hertz), mas no que toca a ra- mingo após 29/9, convidando as pessoas, a par- mos ilusões: isto continuará a ser um descala- imaginaria e aparente ocupada por aquele no diações de partículas e antimatéria, pouco ou tir dessa data, a guardarem as colheitas, ao reco- bro. céu ao longo do ano (imaginária porque não nada conhecemos. Só muito recentemente foi lhimento e à meditação. Tivemos há dias a infausta notícia do faleci- existe e aparente porque o sol não se move, mas descoberto que o nosso planeta é constante- Os cálculos para estes ciclos eram efectua- mento dum grande professor de matemática, o sim a Terra), pouco mais se pode dizer do sujei- mente atravessado por partículas diminutas, de- dos, segundo se crê, pelo estudo rigoroso da Dr. José Monteiro Rodrigues. Curvamo-nos, to em análise. Porém, se porventura o Sol da- nominadas neutrinos, que atravessam todo o projecção da sombra do Sol. Entre muitos ou- condoídos, perante a sua memória. quele estiver em aspecto – ângulo – de 60º, planeta mesmo através dos corpos mais densos tros, Stonehanje e o Cromelec dos Almendres Desfrutámos durante mais de uma dezena 90º,120ºou 180º, com astros susceptíveis de al- que se conhecem. Porém, não se sabe ao certo terão sido observatórios astrológicos. de anos do grato privilégio de o acompanhar terar as características atribuídas ao Sol, então a sua origem o seu destino e quais os seus efei- Estes ciclos, tão facilmente percepcionados, nas acções de Formação Contínua de nem isto é possível prever com exactidão, por- tos. Apesar desta enorme ignorância, ainda há são evidentemente periódicos, mas desiguais Professores levadas a efeito pela extinta Escola que o sujeito pode comportar-se de modo di- quem negue a influência solar directa e reflecti- entre si – não há duas Primaveras iguais porque do Magistério Primário de Coimbra nos dezas- verso em função das variáveis introduzidas por da noutros astros sobre o homem e o mundo ocorrem em tempo universal diverso. Por este sete concelhos do distrito e somos testemunhas aqueles. que o rodeia. facto se pode afirmar estarmos perante um ciclo do seu esforço e motivação no sentido de des- Apenas para demonstrar o que fica dito, ima- O povo ainda possui conhecimentos trans- da Natureza que se desenvolve em espiral aber- sacralizar a matemática, de a procurar no dia-a- ginemos um indivíduo nascido a 23 de Março, mitidos oralmente de geração em geração, que ta. dia da vida do comum das pessoas e daí partir tem o Sol em “Carneiro”, ou mais exactamente lhe permitem fazer algumas previsões, que ape- Tal qual a espiral em hélice dupla de ADN, para a formulação dos conceitos e, muito cau- a dois graus da eclítica, e será previsivelmente nas a astrologia científica consegue explicar: cada gene é um código químico para a produ- telosamente, para os diversos níveis de abstrac- um indivíduo inovador, arrojado, proactivo, di- 1º- Lua nova trovejada 30 dias é molhada. ção de uma molécula chamada proteína e estas ção. nâmico e empreendedor. Porém, se o seu Sol es- 2º- 30 dias tem Novembro,.... contribuem para as características herdadas dos Acreditamos estar aí uma parte da solução tiver posicionado a 90º de Saturno, na altura em 3º- Porco morto em lua nova, carne mais rija seres vivos: altura, cor, aroma, textura, etc. do problema. Há muitíssimas experiências fei- que pela primeira vez respirou, não evidenciará na prova. Também por esta razão, duas pessoas nasci- tas, com sucesso, nesse sentido. Vale a pena co- notoriamente nenhuma destas características, 4º- Janeiro geadeiro Fevereiro rego cheio,.... das no mesmo dia, hora e local, mas em anos di- nhecê-las e meditar sobre elas. comportando-se habitualmente, e conforme os 5º- Semeia batata na lua cheia, terás cova versos, apresentam certamente muitas seme- A matemática é uma ciência árida se apre- trânsitos, umas vezes de forma hiper reactiva, cheia. lhanças, mas jamais se poderá afirmar que pos- sentada à base de fórmulas. Torna-se interes- precipitada e por impulsos, outras vezes marca- 6º- Madeira derrubada em minguante apo- suam rigorosamente as mesmas características. sante quando enquadrada na vida comum das damente reactivo e apagado por considerar as drece num instante. E os gémeos verdadeiros? - questionará o lei- pessoas. suas ideias fora de contexto ou mesmo inúteis 7º- Ainda fazemos corresponder os dias da tor mais arguto. Serão eles rigorosamente igua- Com engenho e arte, a cada passo nascem as depois de filtradas por Saturno, astro da ponde- semana aos planetas mais próximos de nós: Sol, is? Bom, a resposta é negativa. Veremos noutra situações. ração e da experiência próprias daqueles que ti- Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno. altura porque assim acontece e também porque, Vale a pena tentar. Talvez que não sejam lé- veram o privilégio de chegar a uma idade avan- 8º- Candelária chovida à candeia dá vida embora sendo todos nós semelhantes, na verda- rias! çada. Convirá esclarecer que Sol e os astros não 9º- Em Outubro sê prudente, guarda pão e de e em rigor somos todos diferentes. Um abra- Ao menos, um esforço para neutralizarmos condicionam nem determinam, apenas confe- semente. ço, boas férias e até breve. esse diabo de fobias!
  • 22. 22 MÚSICA 2 DE AGOSTO DE 2006 um “See You Soon” – assim seja!) e os The grado na “Bigger Bang Tour”, que iniciou a Distorções Strokes, que nos brindaram com uma presta- ção verdadeiramente arrebatadora, a serem os sua “etapa” europeia no início de Julho no Estádio de San Siro, em Milão. Apesar de grandes destaques da noite. “Juicebox” serviu ser a sua terceira actuação por terras lusas, para abrir as hostilidades, num concerto onde há sempre o atractivo especial de estarmos foi revisitada toda a carreira da banda liderada perante uma das maiores bandas de rock do por Julian Casablancas, sem pontos altos, nem Mundo, naquela que poderá ser a sua última baixos, dada a regularidade da sua actuação, digressão – argumento que acaba por ser José Miguel Nora sempre acompanhada pela entusiástica plateia, recorrente. josemiguelnora@gmail.com que nunca arredou pé, saltou e cantou do Tem início a 14 de Agosto, quanto a princípio ao fim. mim, o maior festival de Verão, o Festival No próximo dia 12 de Agosto (Estádio Heineken Paredes de Coura, que nas suas O “Lisboa Soundz´06” foi, tal como se do Dragão, Porto) visitam-nos os Rolling últimas edições nos tem mostrado os mais previa, um grande festival, com os She Wants Stones de Mick Jagger, Keith Richards, Ron recentes nomes do que de mais alternativo Revenge (que terminaram a sua actuação com Wood e Charlie Watts, num concerto inte- se tem feito na cena musical mundial, este Morrisey ano não foge à regra. No cartaz deste ano, há a destacar: Morrissey, White Rose Coelho, Pedro Gonçalves e Fred. Caso p’ra Movement, os muito “aguardados” Bloc dizer: “Eu vou!”. Party, Yeah Yeah Yeahs, Gang of Four, We Por fim, como estamos em período de Are Scientists, Fischerspooner e os Shout férias, recomendo-vos a leitura de “John Out Louds. A grande surpresa do programa Lennon”, da autoria de Cynthia Lennon, e deste ano, são os Maduros, uma banda de a audição do mais recente trabalho de Josh rock n’roll a cantar em português, liderada Rouse, “Subtítulo”. por Zé Pedro (Xutos & Pontapés), que conta com as presenças de outros “históri- PARA SABER MAIS: blocparty cos”, como sejam: Alexandre Soares, Jorge - www.paredesdecoura.com Luís Represas: DVD celebra Homenagem a Lopes Graça 30 anos de carreira nos 30 anos da Festa do “Avante!” Nuno Lopes (Lusa) A festa do Avante!, em Setembro, que este ano celebra 30 anos, terá como momentos O cantor Luís Represas, que agora celebra 30 altos uma homenagem ao maestro e militante anos de carreira, mantém intacta a vontade de comunista Fernando Lopes Graça e o comí- fazer música de uma forma livre e correndo ris- cio de “rentrée” política com o líder do PCP. cos, preservando a “escola” que foram os Pela Quinta da Atalaia, no Seixal, vão pas- Trovante. Esta foi uma das confissões feitas sar também, de 1 a 3 Setembro, a Orquestra pelo compositor e intérprete em entrevista à Sinfónica de Lisboa, Sérgio Godinho, Xutos e Lusa, na altura em que é editado o seu primeiro Pontapés, Boss AC, Gaiteiros de Lisboa, DVD, que regista o espectáculo realizado na Kussondulola, Obrint Pás (da Catalunha) e Primavera no Centro Cultural de Belém, em Peatbog Faeries (Escócia). Lisboa. O título diz tudo: “A história toda”. Paralelamente, no Pavilhão Central, estará Para o cantor, este é essencialmente “o DVD patente uma exposição sobre os 85 anos do de um concerto, com um alinhamento específi- PCP, os 75 anos do jornal oficial do Partido, co, visando provocar uma curva emocional”. Avante!, e os 30 anos da Festa. São, realça, “duas horas e meia de interacção No recinto existirá ainda um Espaço com o público. Tecnologias de Informação e Comunicação, Se gravasse um DVD em estúdio seria neces- onde estarão em evidência as “contradições e sariamente diferente”. fragilidades” do Plano Tecnológico promovi- “O que as pessoas levam para casa é um es- Faço o que quero, com quero, como gosto, Daniela Mercury, para 40.000 pessoas, e aos pri- do pelo actual Governo, bem como as “alter- pectáculo que é aquilo que eu gosto de fazer, mesmo quando comecei, tendo em conta as meiros acordes de ‘Olhos’ algumas pessoas da nativas possíveis”. estar em palco, lidar com o risco e com a emo- condicionantes da época”. frente começam a alçar os braços e a dançar A 30ª edição da festa do Avante! será ainda ção”, sublinha. Por outro lado, musicalmente, gosta de “cru- como se fosse folclore, a gozar com o ‘tuga’, palco para um “fórum de debate político” Com um disco de originais na calha, a sair no zar informação e influências com outras pesso- mas depois aperceberam-se e entraram na onda sobre temas da actualidade política nacional e próximo ano, este DVD é, na síntese de as, maioritariamente ao Sul, uma identificação da música”. internacional, com destaque para um ciclo de Represa, “o contar de uma história que come- que tem a ver com o código genético”. Na sua opinião, “há ainda, apesar de se ir des- debates no fórum central da festa dedicado ao çou num tempo em que foi preciso reinventar Esta é uma referência que lhe vem dos tem- vanecendo, um certo preconceito com a música tema “85 anos de luta pela democracia e o so- tudo”. pos de infância, quando, da sua varanda, em portuguesa além fronteiras, onde o fado conti- cialismo”. O cantor e autor começou nos Trovante, um Lisboa, “avistava o rio Tejo, os barcos que che- nua a ser referencial”. A festa encerra a 3 de Setembro com o tra- grupo que define como “uma escola de música gavam ou partiam”. Sendo ainda hoje “a música veículo transmis- dicional comício, com a presença do secretá- e de vida”. “Isso criou em mim a vontade de viajar até sor de ideias”, Represas aposta numa platafor- rio-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. “Isso - explica - cria um carimbo genético musicalmente, para além de ‘carregarmos’ os ma lusófona como “um fantástico campo de Para Ruben de Carvalho, dirigente com co- que transportamos sempre”. Daí, este DVD 500 anos em que andámos pelo mundo todo”, miscigenação e cruzamento de culturas, tendo munista e um dos principais organizadores, a abrir com “Balada das sete saias”, um tema dos prossegue. como pólo uma mesma língua”. festa afirmou-se já com uma “identidade pró- Trovante, e passar por outros êxitos do cantor, Represas tem actuado ou gravado com O DVD, que define “a sonoridade Repre- pria dentro de uma enorme variedade”, desti- já a solo, incluindo o inédito “Colibri - pureza e nomes como Mário Lúcio, Manecas Costa, Tito sas”, inclui temas como “Fora de mão”, do seu nada “aos com menos ou mais cultura, menos desejo”. Paris, Martinho da Vila, Miguel Nuñez e dife- último álbum de inéditos, “Perdidamente”, “125 ou mais urbanos e principalmente a todas as “Preservo a escola que tive, os Trovante, uma rentes músicos cubanos, nomeadamente Pablo azul”, “Da próxima vez”, “Timor”, “Hora do faixas etárias”. escola de música e de vida, pois crescemos Milanés. lobo” ou “O Zorro”. Uma festa que “começa no antes e conti- todos juntos, e isso cria um carimbo genético”, Em Cuba, afirma, sente-se “em casa, mais No total, são 25 canções, um documentário, nua para além do final dos três dias” e que insiste. até do que no Brasil”, uma influência, no plano videoclips e várias fotografias. exalta “os valores de trabalho, de solidarieda- Trinta anos volvidos, o “fazer música” envol- musical, designadamente, perceptível em can- O DVD é legendado em português e espa- de e de fruição cultural”, afirmou. ve para o artista os “condimentos” de sempre: ções como “Olhos”, incluída neste DVD. nhol com vista à sua distribuição, não apenas em No ano passado, a festa do Avante! home- “liberdade criativa e cruzar informação e influ- A propósito de “Olhos”, o cantor recordou Portugal, mas também em Cuba e no Brasil, nageou o líder histórico dos comunistas por- ências”. uma das muitas histórias que guarda de uma car- onde “há entendimentos diferentes” da língua tugueses Álvaro Cunhal, falecido a 13 de “Sempre trabalhei - assevera - com liberdade reira de 30 anos. de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Junho desse ano. criativa. Total liberdade de escolhas e opções. “Actuava em São Paulo no Brasil com a Andrade.
  • 23. 2 DE AGOSTO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS proporcionar às crianças portuguesas das Aldeias SOS um é possível consultar imagens de discos de jogos, manuais e dia de brincadeira na areia ou obter mais informações para respectivas caixas. Análises de jogos, títulos musicais, uma saber como contribuir para esta instituição, basta aceder ao galeria de imagens, capas de revistas, wallpapers de jogos site http://www.aldeias-sos.org são alguns dos restantes conteúdos do Video Game Museum. Destaque ainda para um fórum de encontro da Aldeias SOS comunidade e uma área com screenshots de finais de jogos. Inês Amaral endereço: http://www.aldeias-sos.org | categoria: soli- Docente do Instituto dariedade Video Game Museum Superior Miguel Torga endereço: http://www.vgmuseum.com | categoria: jogos GOOGLE EARTH GUINESS WORLD RECORDS THE DAILY NIGHTLY O Google Earth permite ver o planeta em 3D. Este ser- O site do Guinness World Records permite aos utilizado- O blog do Daily Nigthtly foi criado pelo pivot Brian viço de imagens satélites possibilita ver cidades e edifícios res uma viagem intensa pelos factos e feitos mais estranhos. Williams, da cadeira televisiva norte-americana NBC, e é de todo o mundo a três dimensões. A versão mais simples São os recordes do mundo registados pelo grande livro do um espaço de referência na web para quem procura infor- da aplicação é gratuita e pode ser descarregada no endere- Guinness, conquistados individual ou colectivamente. Os mação e opinião sobre a actualidade mundial. A crise no ço http://earth.google.com/. Após a instalação, o utiliza- feitos são tão variados quanto a imaginação permite. E no Médio Oriente é tema recorrente nos dias que correm, já dor pode explorar o mundo de forma interactiva e ter aces- Guinness World Records a imaginação ganha asas. que o weblog conta com a colaboração dos corresponden- so a informação geográfica. É possível navegar em mapas O site está dividido por secções e temáticas e apresenta tes da NBC na região. tridimensionais, pesquisar pontos de interesse e até hotéis. recordes de pessoas de todo o mundo. Portugal também fi- Numa altura em que os líderes mundiais tentam encon- A versão Google Earth Plus é paga (custa 20 dólares por gura no livro com vários recordes, como a mais bela ban- trar uma solução para o conflito entre Israel e o Hezbollah, ano) é compatível com GPS, e permite a importação de deira do mundo – protagonizada por milhares de mulheres o relato diário dos acontecimentos por jornalistas no terre- dados e notas. Está ainda disponível uma outra versão, a portuguesas antes do início do Mundial de Futebol 2006 –, no é precioso para compreender melhor o que se passa na- Google Earth Pro – indicada pelo Google para profissio- o fabrico do maior pão com chouriço ou o maior bolo rei. quela região e nos bastidores do teatro de guerra. nais, com um custo anual de 400 dólares e que inclui fun- cionalidades para imprimir imagens de grande resolução. O Guinness World Records The Daily Nightly Google Earth é baseado na tecnologia da empresa endereço: http://www.guinnessworldrecords.com/ | endereço: http://dailynightly.msnbc.com/ | categoria: Keyhole, que foi adquirida pelo Google. categoria: curiosidades weblogs, jornalismo Google Earth endereço: http://earth.google.com/ | categoria: gadgets NOVAS OPORTUNIDADES ALDEIAS SOS VIDEO GAME MUSEUM O site Novas Oportunidades é a mais recente iniciativa do Governo na Internet. O objectivo é qualificar mais de meio mi- lhão de trabalhadores e integrar 650 mil jovens em cursos téc- O projecto das Aldeias SOS nasceu em 1949, numa al- nicos e profissionais. Este projecto é tutelado pelo Ministério tura em que o mundo acordava da 2ª Grande Guerra. da Educação e o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Actualmente, cerca de 50 mil crianças recebem apoio deste O Video Game Museum é o espaço ideal na rede para os Social e apresenta novas oportunidades de formação. programa, que está implementado nos quatro cantos do aficionados de jogos electrónicos. Este museu virtual apresen- A par da iniciativa devem ser criados 400 centros de reconhe- mundo. Esta instituição de Solidariedade Social acolhe cri- ta uma extensa colecção de conteúdos sobre a temática, inclu- cimento, validação e certificação de competências, que podem anças órfãs, abandonadas e/ou desprotegidas, proporcio- indo imagens, informação técnica e links relacionados. Os jo- vir a ser geridos por entidades públicas e/ou privadas. No site nando-lhes cuidados de longo prazo e uma família nas gadores/utilizadores também podem contribuir com conteú- existem duas grandes áreas: uma para a formação de adultos e Aldeias SOS. dos, ajudando a manter o site permanentemente actualizado. outra para jovens que desistiram do ensino tradicional, dando- O Aldeias SOS chegou a Portugal em 1967 e, para além Sendo este portal um museu, o grande destaque vai para lhe indicações sobre como integrar cursos técnicos profissionais. das aldeias, conta também com Lares de Jovens e um cen- os jogos mais antigos, disponibilizando imagens dos jogos, tro social. O projecto apoia 160 crianças e jovens no nosso referências e informações detalhadas daqueles jogos que o Novas Oportunidades país. Nesta altura do ano, a associação está a pedir donati- tempo já apagou ou os novos e sofisticados softwares se endereço: http://www.novasoportunidades.gov.pt/ | vos para levar os pequenos aldeões à praia. Para ajudar a encarregaram de substituir. Existe também uma área onde categoria: formação.
  • 24. 24 T E L E V I S ÃO 2 DE AGOSTO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO Quem desenvolveu a ideia do filme para a campanha do Skip, conseguiu torná-lo num tos no espaço, e por isso também no tempo, sem no entanto recorrer a qualquer Talvez se perguntem sobre o motivo da análise a um anúncio televisivo? Talvez por- produto apetecível para públicos muito dis- efeito de encadeamento ou mistura de ima- que seja uma marca que ficará deste Verão. tintos. Se para uns funciona em pleno pelo gem. O corte, seco, um “cut” puro, não Talvez não exista mais nada na televisão ge- dispositivo montado (a música, o ambiente de vem descontinuar a narrativa, que a há neralista portuguesa, igualmente em férias e santos populares, tudo o que se adivinha em desde o início, nem altera a escala ou a ân- levando muito para além do razoável a ma- volta), em outros acerta em cheio como uma gulação do plano. A articulação da figura do nutenção das audiências, como acontece Francisco Amaral das caricaturas mais conseguidas dos tempos cantor com tudo que a câmara vai revelan- com a TVI e a sua campanha obsessiva de Docente da ESEC mais recentes na televisão portuguesa. do no seu movimento de recuo, é perfeita. Morangos de Verão. Finalmente, o cantor pimba entra numa Às crianças, em tempo de férias, não lhes EU SEI EU SEI zona mais feérica de arquinhos e balões, é dado um tempo de respiração. É necessário Quase todos os Verões há um anúncio te- O que realmente surpreende é que tudo terminando o anúncio com o fim da can- utilizá-las para segurar shares. Há “Morangos” APENAS 30 SEGUNDOS levisivo (por vezes com extensão à rádio) que se passa em apenas 30 segundos, como a ção, com um arco que diz «Skip amo-te» en- ao pequeno almoço. Há “Morangos” a meio fica associado ao ano. Recordo o Verão de boa publicidade costuma fazer. quanto ele se agarra a uma embalagem de 2005 e a promoção TMN - “Não quero um O filme é vertiginoso. O plano inicial Skip que alguém lhe atirou. rasca”. Mas, e ficando só por Portugal, pode- mostra uma rua estreita onde a câmara recua A letra da canção mistura «correr mos ir bem longe, muito atrás, encontrando ao som dos primeiros acordes da música. mundo» (claro, os emigrantes e a música sempre estes sinais indissociáveis da economia Um cantor, assumidamente “pimba” e vesti- pimba), com lavar, poupar, brancura, esten- moderna. Apenas duas referências: o desenho do com um fato de cetim branco, salta-nos dal, Portugal, «não há outro como o Skip a animado ao som de “Apache”, dos Shadows, para a frente e nunca mais sairá do plano. lavar em Portugal”. publicitando a Larangina C, em 1963, e o no- Segue-se um trajecto por becos e vielas Para concluir, uma embalagem de Skip tável promo à Torralta, com uma montagem em festa, onde todos os estereótipos da tra- enquadrada por dois vasos com manjericos e uma voz-off que informa (garante?) : “Skip sabão natural – a tradição está de volta”. da manhã no programa do Goucha. Há “Morangos” a participar no concurso da No domínio do simbólico, este anúncio é tarde. Há “Morangos” duas horas seguidas A TRADIÇÃO PURIFICADORA dos mais conseguidos entre os que alguma antes do jantar. Há ainda “Morangos” mais vez foram criados para o público português. uma hora depois do Jornal das 20. E, claro, No filme, não se vê uma única vez roupa há “Morangos” aos salpicos nos próprios suja, o detergente em acção ou mesmo má- quinas de lavar ou prosaicos tanques. O can- tor pimba, vestido de refulgente branco, é ele mesmo a brancura personificada, o sím- bolo do resultado da acção do produto. Há avançadíssima para a época, ao som do instru- dição portuguesa, particularmente a que se uma aura indelével de vitória e alegria, de re- mental de Spicks & Specks, em 1972. Este úl- refere aos festejos dos santos populares, lá gresso triunfal da tradição, redentora, purifi- timo, com produção nacional, foi dos primei- estão contidos. No filme, utiliza-se ainda a cadora, mais ainda, libertadora. ros filmes publicitários portugueses a receber legendagem “karaoke” para que o especta- Se tudo isto resulta, e era interessante um prémio em festival internacional. dor consiga ler a alucinante letra. saber qual a resposta do público no domí- Neste Verão de 2006, inesperadamente, A realização, também inesperada, põe-se nio das vendas do Skip, é porque existe uma sobressai um anúncio a um detergente (Skip), completamente ao serviço do produto que hábil receita que mistura os ingredientes in- pensado nos limites da fronteira que separa quer vender e não utiliza qualquer artifício. falíveis para um povo que resiste à mudan- noticiários. Tudo tão falho de criatividade, de os públicos consumidores. Conhecido pelo O espectador mais desprevenido, julgará ça. Por outro lado, há já um outro público talento, da mais pequena réstia de arte, que refrão “eu sei eu sei”, na verdade é a adap- tratar-se de um filme com um único plano, que aderiu à campanha. Não será por acaso quando o cantor pimba e branco do Skip tação de uma canção popularucha de num frenético travelling para trás. De facto, que o Skip tem página na net onde o spot avança para nós, sentimo-nos portugueses, Marante, “A bela portuguesa”. não é. Na correria, há pelo menos três sal- vídeo pode ser visto. sim, mas luminosos. JUNTA DE FREGUESIA DO ESPINHAL O prazer da natureza