DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O
 OPINIÃO

    Francisco Amaral
    João Caetano
    José d’Encarnação
    Mário Nunes
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DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006                                                                                      ...
4        ENTREVISTA                                                                                                     DE...
DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006                                                                                      ...
6        REPORTAGEM                                                                                                       ...
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O Centro - n.º 8 – 19.07.2006
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Versão integral da edição n.º 8 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 19.07.2006.

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Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
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O Centro - n.º 8 – 19.07.2006

  1. 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Francisco Amaral João Caetano José d’Encarnação Mário Nunes PÁG. 12, 21 e 24 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 8 (II série) De 19 de Julho a 1 de Agosto de 2006 € 1 euro (iva incluído) COMUNIDADE JUVENIL DE S. FRANCISCO DE ASSIS Muitas dezenas de crianças à espera de nova família PÁG. 6 e 7 MÁRIO NOGUEIRA CONTRA O PROJECTO DE REVISÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE “A luta dos professores vai ser muito dura” PÁG. 4 e 5 EXEMPLAR INTEGRAÇÃO DE CIGANOS Solidariedade floresce no Bairro da Rosa PÁG. 8 ESPINHAL DESPORTO ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes Vila Académica do “Centro” assinalou e Naval com 10% cem anos preparam-se de desconto na compra de História para a Liga de livros PÁG. 11 PÁG. 14 e 15 PÁG. 2 e 3
  2. 2. 2 DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 EDITORIAL Procura-se família que adopte quatro irmãos mento quase sempre é inversamente pro- humanos que conseguem preocupar- -se de imenso conseguir enriquecer, em termos porcional aos anos que levam de vida atri- mais com os outros do que consigo pró- humanos, de um dia para o outro. bulada. prios. Deixou de ser “Madre” para se tornar Trata-se de quatro irmãos. Idades? O Destas instituições, umas funcionam Mãe de muitas dezenas de meninos e meni- mais velho tem 12, o mais novo 5, os do melhor do que outras. nas que, ao longo dos anos, no meio do in- meio 9 e 10 anos. Reincidente injustiça seria Nos últimos tempos, algumas têm sido fortúnio, têm a sorte de nela encontrar uma a separação, depois de terem crescido jun- Jorge Castilho objecto de desenvolvidas referências públi- inesgotável fonte de carinho, à frente de tos a partilhar sofrimento. jorge.castilho@zmail.pt cas, pelas piores razões. uma instituição original em muitos aspec- Movido pelo contagiante optimismo de Mas há as que raramente merecem a tos, que assim tenta suprir a falta das famí- Teresa Granado, atrevo-me a desejar que, A Vida é, muitas vezes, de uma extrema atenção dos meios de comunicação social, lias, destroçadas de múltiplas maneiras. entre os que fazem o favor de ler estas li- ironia, que não raro tem laivos de enorme apesar de nelas se desenvolver trabalho Entre mais de uma centena de crianças e nhas, esteja alguém que não queira desper- injustiça e de profunda crueldade! digno de elogios. jovens que a Comunidade alberga actual- diçar a possibilidade de um gesto que pode Aí está um exemplo: Entre elas, escolhemos hoje a Comu- mente (70 em Coimbra e 40 em Poiares), ser gratificante como nenhum outro. Enquanto há casais que durante anos vão nidade Juvenil de S. Francisco de Assis, que muitos estão à espera de que surja quem Se for o seu caso, pegue no telefone, tentando, infrutiferamente e muitas vezes há anos concretiza em Coimbra uma extraor- queira integrá-los numa família estruturada, ligue para o 239 826 351 e peça para falar com grandes sacrifícios, concretizar o anseio dinária obra, discreta mas exemplar – à se- seja através da adopção, seja por via do com a Madre Teresa. de ser pais, há muitas crianças que – pelas ra- melhança da sua fundadora e mentora, “apadrinhamento” – caminho bem mais Mas mesmo se achar que não tem condi- zões mais diversas, mas sempre muito infeli- Teresa Granado. simples e sem peias burocráticas, que pode ções para aumentar a família, de forma zes… – não conseguem ter uma família, um Como se refere na entrevista que publi- trazer imensa felicidade a quem acolhe e a assim tão substancial, súbita e inesperada, lar onde cresçam com o carinho e o apoio de camos nas páginas 6 e 7, Madre Teresa saiu quem é acolhido. ligue também! Marque uma visita à Co- uns pais, biológicos ou adoptivos. da Ordem religiosa onde professara, “para De tantas crianças e jovens que ali se en- munidade, conheça Teresa Granado, torne- Injusto seria não reconhecer que há insti- assim melhor poder servir a Deus”. contram, à espera que a Vida lhes conceda -se padrinho ou madrinha de um ou mais tuições que tentam combater esta paradoxal E se “servir a Deus” significar amar o agora o que antes lhes roubou, atrevo-me a daqueles seres humanos tão carentes. realidade, recebendo seres humanos que próximo, então Teresa Granado atingiu es- destacar um caso, na esperança de que al- Verá que a sua vida passa a ter um novo nunca sentiram o bafo da sorte e cujo sofri- se objectivo, só ao alcance de escassos seres guém queira aproveitar a oportunidade rara e reconfortante estímulo! “Estou arrependido!” Perante a enxurrada futebolística, come- titulou o desabafo do dito “incendiário”: arrependido, isso sim, de ter ido trabalhar no É exercício irresolúvel, especialmente se çou por passar quase despercebida a tragé- “Estou arrependido!”. Acrescentavam as fim-de-semana, exactamente na limpeza de ao enunciado se acrescentar que o detive- dia com que a vaga dos fogos florestais notícias que o jovem fora ouvido em tribu- mato para prevenir incêndios. Em vez de ir ram e levaram a Tribunal, enquanto ao País marcou a sua chegada a Portugal. nal e de lá saíra com uma medida de coac- divertir-se, optou pelo trabalho para amea- (e até ao Mundo, através das agências noti- Seis bombeiros mortos pelo fogo – ção: TIR (que em termos rodoviários é lhar uns euros. Na limpeza da mata, supervi- ciosas) era apresentado como incendiário, cinco profissionais chilenos e um jovem vo- grande camião, mas em sede judicial não sionada, mesmo a seu lado, pelo engenheiro insinuando-se que cometera um crime que luntário português que terá tentado ir so- passa da mais pequena das medidas cautela- agrónomo proprietário do terreno, o jovem custara a vida de seis pessoas. corrê-los. res, o Termo de Identidade e Residência). utilizava uma moto-serra. A dado momento Pena que alguns jornalistas pouco es- Depois, no refluxo da onda do pontapé A verdade é que quem lesse o desabafo em a máquina tocou numa pedra oculta pela ve- crupulosos, que para venderem jornais na bola, houve então tempo e espaço para letras tão grandes como negras, ficava com a getação, provocando chispas que terão esta- fazem o mesmo à consciência, não tenham dedicar à trágica ocorrência (chavão jorna- ideia de que o jovem “incendiário” confessava do na origem do incêndio. um assomo de justa lucidez e escrevam lístico quase obrigatório desde há décadas) arrependimento por ter usado “mão crimino- Tento imaginar o estado de espírito deste (mesmo que não fosse na mesma página e para ela se tentarem descobrir as causas. sa” (outro ingrediente quase obrigatório no jovem trabalhador (no sentido próprio do nem com o mesmo destaque): “Estou ar- De repente, começaram a circular as no- noticiário dos fogos estivais) para atear incên- termo, e não naqueloutro com que, não raro, rependido!”... tícias pelas rádios e televisões. Fora “identi- dio com tão horrível desfecho… dele abusam…) quando soube as terríveis Ficavam os leitores melhor esclarecidos, ficado e preso o incendiário”. E o diário O texto da notícia, contudo, esclarecia, e consequências das chamas que, de forma to- e esta nobre profissão de informar menos que se arroga “líder de audiências” no País afinal era coisa bem diversa: o jovem estava talmente involuntária, terá provocado. pervertida. Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros Propriedade: Audimprensa No sentido de proporcionar mais alguns to que proporcionamos aos assinantes do ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 benefícios aos assinantes deste jornal, o “Centro” assume especial significado (isto assinatura, ou solicitá-la através do e-mail “Centro” acaba de estabelecer um acordo é, só com o que poupa por um filho fica centro.jornal@gmail.com. Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho com a livraria on line “livrosnet” (ver ro- pago o valor anual da assinatura). São apenas 20 euros por uma assinatura dapé na última página desta edição). Mas este desconto não se cinge aos anual – uma importância que certamente Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Para além do desconto, o assinante do manuais escolares. Antes abrange todos os recuperará logo na primeira encomenda de Composição e montagem: Audimprensa - “Centro” pode ainda fazer a encomenda livros e produtos congéneres que estão à livros. Rua da Sofia, 95, 3.º dos livros de forma muito cómoda, sem disposição na livraria on line “livrosnet”. E, para além disso, como ao lado se in- 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 sair de casa, e nada terá a pagar de custos de Aproveite esta oportunidade, se já é assi- dica, receberá ainda, de forma automática e Fax: 239 854 154 envio dos livros encomendados. nante do “Centro”. completamente gratuita, uma valiosa obra e-mail: centro.jornal@gmail.com Numa altura em que se aproxima o iní- Caso ainda não seja, preencha o boletim de arte de Zé Penicheiro – trabalho original Impressão: CIC - CORAZE cio de um novo ano lectivo, e em que as que publicamos na página seguinte e envie-o simbolizando os seis distritos da Região Oliveira de Azeméis famílias gastam, em média, 200 euros em para a morada que se indica. Centro, especialmente concebido para este Tiragem: 10.000 exemplares material escolar por cada filho, este descon- Se não quiser ter esse trabalho, bastará jornal pelo consagrado artista.
  3. 3. DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 3 CIMEIRA DA CPLP “Saúde em português” entre as organizações admitidas como observadoras A Cimeira da CPLP, que decorreu anteon- dade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, agora era liderada pelo cabo-verdiano Manuel Em comunicado alusivo ao décimo aniver- tem (segunda-feira) em Bissau, aprovou a ade- Fundação pata o Desenvolvimento da Comu- Brito Semedo. sário da criação da CPLP, o Fórum Luso- são de 18 organizações, que terão, a partir de nidade, Associação das Universidades de Amélia Mingas, 60 anos, foi já directora do Asiático lembra que devido às anunciadas van- agora, o estatuto de quot;observador consultivoquot;, Língua Portuguesa e Comunidade Sindical dos Instituto Nacional de Línguas do Ministério da tagens da ligação preferencial aos países da co- enquanto dois Estados, Guiné Equatorial e Países de Língua Portuguesa. Cultura angolano e lecciona presentemente a munidade, o Governo português quot;abandonou ilhas Maurícias, ficam como quot;observadores as- Os estatutos de Observador Consultivo e de cadeira de Linguística Bantu no Instituto Supe- a vertente do relacionamento com a República sociadosquot;. A decisão foi ratificada na VI Observador Associado foram aprovados na X rior de Ciências de Educação da Universidade Popular da China, logo que resolvida diploma- Cimeira de Chefes de Estado e de Governo reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que Agostinho Neto, em Luanda, onde já foi chefe ticamente a questão de Macau, o que se reflec- da Comunidade de Países de Língua decorreu em Luanda a 19 e 20 de Julho de 2005. do Sector de Língua Portuguesa. te numa balança comercial crescentemente ne- Portuguesa (CPLP), depois do Conselho de Na cimeira foram também ratificados pelos Amélia Mingas terá à sua disposição um or- gativa e desvantajosa para Portugalquot;. Ministros da comunidade ter já aprovado a chefes de Estado e de Governo lusófonos os çamento de 148.500 euros, dotação que é uma Nesse sentido, a nota, assinada pelo presi- proposta na reunião de domingo. nomes dos Embaixadores de Boa Vontade da contribuição obrigatória de todos os Estados dente do fórum, Arnaldo Gonçalves, refere tex- Segundo a resolução, obtiveram o estatuto CPLP, num total de sete, três antigos chefes de membros - Portugal e Brasil com 44.550 euros, tualmente que quot;Portugal distraiu-sequot;, já que quot;ou- de quot;observador consultivoquot; o Conselho Em- Estado: Jorge Sampaio (Portugal), José Sarney Angola com 22.275 euros, Cabo Verde com tros dentro da CPLP aproveitaram esta oportu- presarial da CPLP, Fórum da Juventude da (Brasil) e Joaquim Chissano (Moçambique). 11.880 euros e Guiné-Bissau, São Tomé e nidade para reforçarem o seu relacionamento CPLP, Fundação Calouste Gulbenkian, Um primeiro-ministro e um ministro, Fernan- Príncipe e Timor-Leste com 4.455 euros cada. com a China, tomando partido do manancial de Fundação Luso-Americana para o Desenvolvi- do Van-Dunen (Angola) e Albertino Bragança oportunidades que a 3.ª maior economia do mento (FLAD) e Associação dos Comités (São Tomé e Príncipe) constam também dessa Fórum Luso-Asiático mundo coloca no seu pujante crescimentoquot;. Olímpicos de Língua Portuguesa. lista, que inclui ainda o músico Martinho da quer clarificação de Portugal O Fórum Luso-Asiático adianta ainda que Entraram também a Fundação para a Vila (Brasil) e Gustavo Vaz da Conceição, pre- a CPLP foi quot;durante parte significativa da sua sobre comunidade Divulgação das Tecnologias de Informação, sidente da Federação Angolana de Basquetebol história um local de encontro, formal e regi- Fundação Bial, Assistência Médica Internacio- e membro do Comité Olímpico de Angola. O Fórum Luso-Asiático pediu a Portugal mentalquot; dos países que a integram, quot;mas rara- nal (AMI), Saúde em Português, Círculo de Aprovada também foi a nomeação de para clarificar o que espera da Comunidade mente foi o local onde se concertam estraté- Reflexão Lusófona, Fundação Luso-Brasileira Amélia Mingas, linguista angolana, como nova dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e dos gias de cooperação efectivas e vantajosas para e Academia Brasileira de Artes. presidente do Instituto Internacional de seus parceiros, tendo em conta os objectivos todas as partes, onde a vivacidade dos projec- As restantes cinco organizações são a Asso- Língua Portuguesa (IILP), entidade com sede anunciados na defesa do Programa do tos suplantasse as declarações de amizade de ciação das Misericórdias de Portugal, Universi- na Cidade da Praia (Cabo Verde) e que, até Governo. circunstânciaquot;. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal “Centro” Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  4. 4. 4 ENTREVISTA DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 MÁRIO NOGUEIRA ERGUE A VOZ DOS PROFESSORES CONTRA O PROJECTO DE REVISÃO DO “A luta vai ser muito O Ministério da Educação pretende avançar com a revisão do Estatuo da Carreira Docente, firmemente defendida pela actual Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Os professores “torcem o nariz” às propostas apresentadas e têm marcado posição através das diversas organizações sindicais representativas da classe. Uma das principais vozes que mais se tem feito ouvir é a de Mário Nogueira, Coordenador do Sindicato dos Professores da Região Centro. Em conversa com o nosso jornal voltou a manifestar-se contra o rumo que o Governo pretende dar à carreira dos professores António José Ferreira O Ministério da Educação pretende rever o Estatuto da Carreira Docente… O projecto de Estatuto da Carreira Docente que o Ministério da Educação apresenta não é, ao contrário do que tem sido dito pela Senhora Ministra, um docu- mento que vise promover a qualidade do ensino ou reconhecer o mérito dos profes- sores. Não tem nada a ver com isso. Trata- se, isso sim, de um documento que tem um único objectivo, que é o de tornar barato o sistema, com um número menor de profes- sores e com professores mais mal pagos e mais instáveis do ponto de vista dos seus vínculos laborais. seja, embora todos os professores de uma de serviço lhe seja cortado. Por exemplo, nada. Como lhe paga pouco, pode ficar o determinada escola possam ter um desem- chegando a extremos, se uma professora resto da vida nessas circunstâncias. Se qui- Quais os principais pontos que con- penho suficientemente positivo para que tiver um filho não é avaliada nesse ano, por- ser entrar no quadro tem que fazer um testam nas propostas apresentadas? lhe seja atribuída classificação elevada, o que está de licença de maternidade, e no prova nacional de competência, como se O documento que nos é apresentado Ministério diz que não pode ser assim e que ano seguinte a avaliação conta para os dois não existisse um curso anterior; tem que se prevê que mais de 80% dos professores, ao apenas alguns vão poder ser classificados anos. Sabendo nós que, muitas vezes, no sujeitar a uma entrevista, não se sabe ainda fim de doze anos de serviço (e hoje são pre- dessa forma. Em suma, administrativamen- primeiro ano de vida dos filhos, as profes- muito bem feita por quem embora se parta cisos 40 para se chegar à aposentação) atin- do princípio que haja um conjunto de ava- ja um patamar que é cerca de metade do ac- liadores; a seguir entra no quadro e faz um tual topo da carreira docente, onde ficarão “…é muito importante irmos à discussão pública com outras período probatório de um ano, no fim es- quase toda a sua vida, ou seja cerca de 28 entidades, nomeadamente com o Ministério da Educação, tabiliza se obtiver a classificação de “regu- anos sem qualquer perspectiva de desenvol- vimento de carreira. Prevê um sistema de porque não temos dúvida nenhuma que quando todos lar”, que corresponde a obter entre 5 e 6,9, numa escala de 1 a 10. Caso contrário é avaliação anual que, com a complexidade derem a cara e confrontarem posições, olhos nos olhos, imediatamente exonerado e não pode con- com que o Ministério o apresenta, irá colo- será fácil desmontar estas propostas do Ministério” tinuar na profissão. Portanto a precarieda- car as nossas escolas de “pantanas”. de é uma tónica marcante neste projecto Imagine-se o que significa, todos os anos, de estatuto, a dificuldade para entrar na entre Maio e Julho, ainda por cima num te condiciona-se o acesso às classificações soras acabam por ter que faltar um pouco profissão é evidente e os mecanismos ad- momento em que os professores têm for- mais elevadas. Por fim, tem outros aspectos mais do que é normal, sujeitando-se assim a ministrativos para avaliar negativamente çosamente que estar mais concentrados no que nada têm a ver com o desempenho, obter avaliação negativa em dois anos con- os professores estão em tudo o que é sítio, período final do ano a nas avaliações, ter- todos rejeitáveis, uma vez que de uma secutivos, arriscando-se neste caso à expul- com especial incidência nos impedimentos mos cerca de 150 mil professores a serem forma meramente administrativa se preten- são da profissão. É este o projecto de revi- para se chegar aos escalões mais elevados avaliados, com exigências que necessaria- de fazer com que os professores percam são que o Ministério nos apresenta… da carreira, isto para além daquilo que já mente farão com que se perca muita da tempo de serviço. Como exemplo, aquilo estava negativo, nomeadamente as ques- atenção e exigência fundamentais para o que o Ministério nos propõe é que um pro- Como se enquadram os novos profes- tões da aposentação e que apenas reafir- trabalho que desenvolvem com os seus alu- fessor por todos reconhecido como exce- sores na proposta do Governo? mam o que já hoje existe que é a obrigação nos. Embora a Senhora Ministra diga que lente profissional e que tenha um desempe- É um projecto medonho igualmente de os professores trabalharem até aos 65 os professores não são bons, que não são nho muito bom mas que por qualquer cir- para quem quer entrar na profissão. Um anos, com 40 anos de vida contributiva e atenciosos para os alunos, que não são cunstância da sua vida, um acidente ou jovem tira o seu curso, que lhe dá a profis- com pensões calculadas através de uma competentes até, o próprio Governo sabe outra, fique mais do que cinco dias em casa, sionalização, faz o seu estágio, exigente, e fórmula que fará com que sejam extrema- que não é assim e então criou um sistema com faltas justificadas, tem imediatamente a seguir vem para a profissão. Se quiser ser mente baixas. Tudo isto está a indignar de avaliação do desempenho por cotas. Ou uma avaliação que vai implicar que o tempo só contratado, o Ministério não lhe exige muito a classe.
  5. 5. DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 ENTREVISTA 5 ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE APRESENTADO PELO GOVERNO dura” De que forma os professores vão Admito que sim. Quando há greve nos Mas o Ministério da Educação tem uma via profissão. E portanto neste momento, para mostrar a discordância em relação ao transportes prejudicam-se os utentes, quan- muito simples de evitar que haja greves, que nós, é muito importante irmos à discussão projecto de revisão proposto? do há greve na saúde prejudicam-se os do- é flexibilizar as suas posições e avançar com pública com outras entidades, nomeada- Foi criado na opinião pública um clima entes, quando há greve na Educação é na- outra revisão do Estatuto da Carreira mente com o Ministério da Educação, por- favorável a que estas propostas fossem tural que se prejudiquem os alunos. Mas a Docente. Porque nós não somos contra a que não temos dúvida nenhuma que quan- apresentadas. Também propositadamente, responsabilidade de uma greve nunca é revisão. Somos contra esta revisão. Nós do todos derem a cara e confrontarem po- o Ministério da Educação apenas fez a en- apenas de uma parte. Ou seja, se o poder próprios apresentámos propostas, quer sições, olhos nos olhos, será fácil desmon- trega destes documentos no dia 29 de Maio tar as propostas do Ministério. (quando o deveria ter feito em Fevereiro), numa altura em que os professores já “…a responsabilidade de uma greve nunca é apenas de uma Espera que haja abertura do Minis- andam no encerramento do ano lectivo, parte. Ou seja, se o poder for dialogante, avançar por tério para esse debate que o Sindicato nos exames, etc, antes de irem de férias. É este o calendário do Ministério, apresenta- processos negociais sérios e efectivos e se não quiser impor propõe? Acho difícil. Gostava que houvesse essa do em férias, com a tentativa de anular três apenas as suas propostas, é evidente que não há greves” abertura, mas acho muito difícil. Só quem meses de negociação e procurar precipitá-la não conhece as pessoas que hoje ocupam as depois em cerca de mês e meio, até final de cadeiras do Ministério da Educação é que Outubro. Claro que vamos contestar esta for dialogante, avançar por processos nego- para a avaliação, quer para a carreira, quer poderia ter alguma expectativa que algum forma de trabalhar e já fizemos plenários, ciais sérios e efectivos e se não quiser impor para a vinculação, quer para a contratação, dia pudesse haver algum debate. A Senhora reuniões, já tivemos uma greve e uma mani- apenas as suas propostas, é evidente que quer para a aposentação, portanto sobre Ministra e o Secretário de Estado Valter festação enorme de professores no dia 14 não há greves. Os professores quando todas as matérias. Lemos são dois políticos que convivem de Junho. Posso dizer que a FENPROF fazem greves fazem-no com um grau de muito mal com a democracia e que enten- aprovou já no Conselho Nacional um plano consciência de tal maneira elevado, que só Têm previstas acções que tendam dem que aquilo que eles acham que deve ser de acção e de lutas que passa por iniciativas raramente as fazem. Porque uma greve não para a informação e sensibilização da feito é para ser feito. Sabem que existem várias, desde o luto na primeira semana de é algo que os professores façam de ânimo opinião pública? leis e regras democráticas de debate e nego- aulas; a afixação de faixas nas zonas das pa- leve ou por “dá cá aquela palha“. Porque Temos tido um conjunto de iniciativas ciação e então simulam processos que rais, para que os professores, ainda que de uma greve significa prescindir do salário e junto da população, das associações de pais, podem dar ideia de que essas regras, pelo férias, vão lembrando o que os espera quan- para quem não os tem muito elevados, dos alunos, de modo a fazermos o contra- menos do ponto de vista meramente demo- do regressarem; uma marcha nacional de como é o caso dos professores, é natural ponto em relação à propaganda feita pelo crático, estão a ser respeitadas. Mas de facto professores e educadores marcada para o que não seja fácil fazê-lo. Portanto quando Governo. No final do mês passado enviá- assim não acontece. De Educação não têm dia 5 de Outubro (Dia Mundial dos se chega a uma greve é porque é a forma úl- mos uma carta a todas as escolas e a todos grande conhecimento, nem capacidade para Professores), que é feriado em Portugal e tima de demonstrar o descontentamento os meios de Comunicação Social, disponi- resolver os problemas, mas sabem o que no qual vamos dizer à Senhora Ministra que ou de exigir a alteração do rumo que o bilizando o Sindicato para participarmos estão lá a fazer. Têm como objectivos des- os professores até nos feriados lutam con- outro lado pretende traçar. Veja que este em debates, em reflexões, em discussões, valorizar os profissionais da Educação e de- tra as políticas que estão a ser levadas a ano desenvolvemos um conjunto muito fosse com quem fosse. Pensamos que esta é gradar as respostas educativas da escola pú- cabo; e certamente teremos um conjunto grande de iniciativas, desde abaixo-assina- a melhor forma de se poder mostrar o quão blica e, principalmente, tornar barato o sis- grande de greves e de outras acções fortes, dos, concentrações, vigílias, etc, e greves fi- injusto tem sido o discurso do Ministério e tema. Admito que há questões do ponto de que neste momento estão a unir todas as zeram-se duas, isto apesar do ataque siste- quão negativas são as propostas apresenta- vista da gestão de recursos que podem ser organizações sindicais. A luta vai ser extre- mático com que temos vindo a ser confron- das. E não são só os professores que se vão melhoradas, mas o embaratecimento do sis- mamente dura. tados. Greves que fizemos acompanhar de defrontar com elas, uma vez que vão segu- tema que está a ser feito não é a esse nível duas grandes manifestações em Lisboa, de ramente ter reflexos no próprio ensino pelo mas sim da liquidação de respostas, impor- Quando os professores fazem greve é modo a que não se pensasse que os profes- facto de termos professores com muito tantíssimas, que as escolas dão às popula- comum ouvir-se dizer que estão a preju- sores estavam a fazer greve com o objecti- maior precariedade e instabilidade e com ções e muito especialmente às crianças e dicar os alunos… vo de não trabalharem aqueles dois dias. piores condições para o exercício da sua aos jovens. MÁRIO NOGUEIRA LANÇA DESAFIO AOS ALUNOS “Sejam exigentes” No termo da entrevista lançámos a Mário Pais: “Os pais são parceiros importantís- res queixam-se de que os pais vão pouco às uma posição conhecida da FENPROF que a Nogueira o desafio de dirigir breves palavras simos e imprescindíveis no sistema educati- escolas. É importante que participem mais, Senhora Ministra devia demitir-se e deixar a aos diversos intervenientes no processo da vo. Em muitos casos os alunos são ainda porque são parceiros insubstituíveis”. Educação para aqueles que sabem o que é a Educação. muito jovens e os pais têm um papel funda- Professores: “Que se mantenham muito Educação e que têm alguma coisa de positi- Alunos: “Os alunos são a razão de ser da mental a desempenhar nas escolas. E devem unidos e que continuem a ser um exemplo vo a dizer e a fazer em relação à Educação. nossa profissão. É costume dizer-se que se fazê-lo, naqueles que são os níveis de inter- de profissionalismo, através do seu empe- A Senhora Ministra não tem nada”. não houver professores não há escola, mas venção em que devem estar envolvidos, no- nhamento e da sua dedicação à escola. Não Primeiro-Ministro: “O Senhor Primeiro- se não houver alunos também não. As medi- meadamente nas decisões sobre questões de vou dizer que todos os professores são exce- Ministro é o responsável político do Governo das negativas que foram aprovadas em rela- funcionamento das escolas, da forma como a lentes profissionais, mas a esmagadora mai- e muitas das medidas que hoje são tomadas ção aos professores têm reflexo essencial- própria escola se organiza, das respostas so- oria são-no com toda a certeza. E portanto na Educação decorrem de decisões políticas mente nos alunos. E os professores, se exis- ciais que as escolas devem ter. Outra coisa é o que apelo é para que todos continuem a superiores, tomadas a nível do Governo e do tem, é exactamente porque têm alunos e aquilo que o Ministério da Educação quer mostrar que, neste país, no que diz respeito à seu Conselho de Ministros. O Senhor para conseguir que estes possam, na escola, fazer dos pais, que é fiscais dos professores. Educação, são os professores que têm razão Primeiro-Ministro deveria estar mais atento e adquirir conhecimentos mas também com- Penso que os próprios pais já perceberam e não a Ministra da Educação”. ser conhecedor daqueles que são os grandes petências para a sua vida. E portanto o que que não é esse o seu papel e que não é isso Ministra da Educação: “Que vá para o problemas da Educação e, principalmente, ter tenho a dizer aos alunos é que devem ser exi- que querem. O apelo que faço aos pais é para sítio de onde veio. Provavelmente lá era boa a capacidade democrática de ouvir aqueles gentes em relação à qualidade do ensino, que venham à escola. É comum dizer-se que profissional, admito que sim, e portanto se que mais se envolvem no processo educativo. fundamental para o seu futuro enquanto ci- os professores não querem os pais nas esco- estava a fazer bem onde estava não venha Que não são apenas os professores. Mas são dadãos”. la. Isto é mentira! Pelo contrário, os professo- destruir mais para o mundo da Educação. É também, sem dúvida, os professores”.
  6. 6. 6 REPORTAGEM DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 COMUNIDADE JUVENIL DE S. FRANCISCO DE ASSIS É “A FAMÍLIA” PARA MAIS E é tão fácil dar ajuda A Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis é uma das mais notáveis obras do País no que toca ao apoio a crianças e jovens desfavorecidos. Apesar disso, é talvez mais conhecida no estrangeiro do que em Portugal, e luta com grandes dificuldades para conseguir proporcionar uma vida digna a mais de uma centena de crianças e jovens que ali foram parar pelas razões mais diversas, mas que lá encontraram um lar, uma família, uma Mãe. Chama-se Teresa Granado, durante muitos anos pertenceu a uma ordem religiosa, e por isso há quem continue a chamar-lhe Madre Teresa. A sua vida é um exemplo de amor ao próximo, de coragem para enfrentar as adversidades com optimismo, sempre com um sorriso de esperança. O jornal “Centro” foi ouvi-la e aqui deixa, para além de um testemunho comovente, um pedido de auxílio que bem merece ter resposta adequada. Márcia Arzileiro Teresa Granado: o sorriso da esperança Centro (C) – Quantas crianças e jo- ele veio para cá muito doente. Não movia as C – Como estão eles agora? TG – De início sim. Aparecem uma, vens estão alojados na Comunidade de mãos, tinha-as hirtas. Andou em médicos, TG – São crianças muito debilitadas emo- duas, três vezes. Mas com o passar do S. Francisco de Assis? fez exames, andou em hospitais, mas nunca cionalmente. Mas com uma enorme capaci- tempo não voltam a aparecer. Teresa Granado (TG) – Aqui em lhe diagnosticaram nada. Ninguém sabia o dade de perdoar. Ainda ontem o pequenito Coimbra temos 70; na Comunidade de Vila que ele tinha. De um dia para o outro ficou me disse: “Pensas que a minha mãe não me Nova de Poiares temos 40. Estamos no li- bom! É um rapaz muito inteligente. vem buscar? Ela vem!”. Eu respondi-lhe: MUITAS CRIANÇAS mite, infelizmente não temos condições O mais novo tem 5 anos. Apareceu aqui “Tenho a certeza que a tua mãe está a pensar PARA ADOPTAR para receber mais ninguém. de madrugada, acompanhado da polícia e em ti neste momento”. Apesar do que sofreu, OU APADRINHAR C – E qual é a variação de idades? dos 3 irmãos. Vinham todos negros nas ainda consegue amar e perdoar a mãe. C – E essas crianças, uma vez que os TG – O mais velho tem 22 anos, mora pernas. Eram agredidos pelo padrasto, em C – Os pais das crianças costumam pais acabam por as abandonar definiti- aqui desde pequenino. É engraçado, porque frente da mãe. vir visitá-las? vamente, podem ser adoptadas? Uma vida dedicada aos outros Maria Teresa Granado nasceu na Covilhã, a numa casa, com um marido e dois ou três fi- seis anos), concretizou um sonho antigo. Sem- da Comunidade de S. Francisco de Assis, 29 de Março de 1929. lhos. pre teve paixão pela cultura chinesa. Abriu a es- onde está até hoje. Filha de pai médico e de mãe que toca piano Chegou a confessar à mãe que se não casas- cola de enfermagem e humanizou a prisão de Uma vida dedicada a ajudar os outros, a ser- e harpa, vivia sem dificuldades, em casa nada se queria ter “doze filhos, vezes doze, vezes Macau. vir a Deus com uma dedicação tão forte que se lhe faltava. doze...” A prisão em Macau era um sítio muito duro, viu obrigada a largar a vida na Instituição Mas os seus pais sempre a educaram no Por isso, aos 21 anos, já com o curso de e a Madre Teresa sentiu necessidade de dar aos Religiosa. sentido da solidariedade, da entreajuda, da par- Assistente Social, entregou-se à vida religiosa, reclusos um aspecto de ser humano com dig- Porque andar na rua a pedir para os pobres, tilha. passou a servir a Deus a aos outros. nidade. Assim, ensinou-os a fazer a barba, a vaguear até altas horas pela rua com os pobres, No terceiro ano do liceu abandonou a terra Fez trabalho missionário em França du- tomar banho regularmente, a cortar as unhas – não era visto com bons olhos pela Igreja. natal para prosseguir os estudos em Lisboa. rante dois anos, onde entrou para a congre- enfim, a sentirem-se melhor consigo próprios Mas Teresa Granado nunca perdeu de vista Concluiu o antigo 7.º ano (actual 12º). Mais gação das Franciscanas missionárias de e com os outros. os seus objectivos. Oficialmente deixou de ser tarde tirou o curso de Assistente Social em Maria. Em 1962 regressa a Portugal como Madre, mas continuou a ser Mãe de muitas de- Coimbra. De seguida rumou para Itália, onde perma- Directora do Instituto de Serviço Social, onde zenas de filhos – uma prole que aumenta cada Foi uma adolescente normal, namorou, so- neceu dois anos, trabalhando nos bairros po- esteve doze anos. ano que passa. nhou casar, ter filhos. bres de Roma. Mais tarde ajuda os filhos dos emigran- Enfim, saiu da Igreja para melhor poder Mas não se conseguia imaginar fechada Mais tarde, em Macau (onde permaneceu tes a estudar. E é aí que surge o projecto servir a Deus e amar o próximo.
  7. 7. DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 REPORTAGEM 7 DE CEM CRIANÇAS E JOVENS a esta obra exemplar! TG – Todas as crianças chegam aqui jovens praticam natação nas Piscinas jovens da comunidade. O pão é outro ali- C – Neste período de Verão, onde através de ordem do tribunal. E só vão para Municipais; conseguimos isso através da mento essencial. Há uns tempos atrás passam as crianças as férias? a adopção se também houver ordem do tri- Câmara Municipal de Coimbra. Mas, para enchi-me de coragem e fui pedir ajuda às TG – Em anos anteriores já aconteceu bunal. É um processo difícil. Podem ter fa- além do desporto há outras actividades, grandes pastelarias de Coimbra, como a algumas empresas oferecerem viagens. Um mília que os queira adoptar, o tribunal pode como a música. Há um grupo de alunas que Vénus e a Vasco da Gama. Agora fazem en- grupo de jovens foi à Suiça, numa experiên- achar que os pais biológicos possam vir a aprende a tocar instrumentos de sopro no trega directa de pão, todos os dias, e com o cia muito enriquecedora - conheceram uma reunir condições para os voltar a educar. Bairro da Rosa; outro grupo aprende a pão acabam por vir os bolos do dia anteri- outra cultura, diferentes costumes, outras Existem vários factores para a adopção. tocar cavaquinho em Santa Clara. Fora as or. É uma grande ajuda. línguas. Todos os anos um grupo de espa- C – Existem aqui crianças para adop- actividades escolares que são muitas. O es- nhois vem apara a comunidade em Agosto ção neste momento? tudo ocupa-os muito tempo. e leva um grupo de jovens de férias, para TG – Sim. Temos quatro crianças para C - Os jovens aqui na comunidade colónias. E também há famílias que levam É MUITO FÁCIL FAZER adopção. São irmãos. Mas para eles não vai têm aproveitamento escolar? algumas das nossas crianças quando vão de CHEGAR AS AJUDAS ser fácil. Já são crescidos. Têm doze, dez, TG – Sim. Cerca de 94% deles tem bom C – Quem quiser ajudar, como pode férias. nove e cinco anos. É muito difícil surgirem aproveitamento. Todos estudam, seja em fazer chegar apoios à Fundação? C – A concluir, quer deixar algum famílias que queiram adoptar estas crianças. escolas gerais ou profissionais. TG – Qualquer pessoa pode vir entregar apelo especial em prol da Comunidade As pessoas procuram crianças pequeninas, o que quiser aqui à Comunidade. Para além de S. Francisco de Assis? de preferência bebés. disso, podem tornar-se sócios e pagar a TG – O meu apelo vai para o Estado. Os C – Existe alguma medida para que quota anual. Quem quiser ajudar financeira- jovens que estão nesta instituição são uns HÁ MUITAS FORMAS as crianças mais velhas consigam vir a mente, nós fornecemos o número da nossa heróis. São corajosos, enfrentaram as agru- DE APOIAR ESTA FAMÍLIA ter uma família? conta para que façam os depósitos. Basta ras da vida e venceram. Estudam, muitos TÃO NUMEROSA TG – Penso que está para ser aprovada C – De que apoios dispõe para man- que nos telefonem para o número 239 826 chegam a concluir licenciaturas, mas depois uma lei que permitirá que qualquer família ter a Comunidade? 351. Ou seja, existem muitas formas de aju- não encontram trabalho. Contudo, estes jo- possa dar um lar a uma criança. No entan- TG – O Estado dá 350 euros mensais dar e nós, em nome das crianças, todas vens que vieram do nada, sem ninguém, to não são adoptadas, são acolhidas por por cada criança. Desse dinheiro pagamos agradecemos. com carências afectivas, emocionais e soci- essa família a tempo inteiro. a todo o nosso pessoal, incluindo os psicó- C - Existem voluntários a trabalhar ais, não se entregaram à fraqueza, não dei- C – Em que consiste essa lei? logos. Temos duas psicólogas; uma a na Instituição? xaram de lutar. Por isso, estes jovens devi- TG – Esta é uma forma de combater as tempo inteiro e outra apenas uma vez por TG – Sim. E de várias nacionalidades. am ter tanto ou mais apoio que os toxico- carências afectivas e emocionais dos jovens. semana. Temos cerca de 20 pessoas a tra- Neste momento temos 3 portugueses que dependentes. Não se pense que estou con- O Estado está a pensar dar cerca de 400- balhar aqui na Fundação. E estamos a pre- se ocupam com actividades lúdicas com os tra a ajuda dada aos toxicodependentes. 450 euros às famílias que acolherem crian- cisar de mais; pelo menos uns dois ou três jovens. Uma italiana, que está a fazer um Mas entendo que estes jovens também po- ças em casa. É claro que se for aprovada a animadores sócio-culturais. Mas não temos livro com histórias escritas pelas crianças. diam ter escolhido esse caminho, pois a lei, vamos precisar de tomar muita atenção dinheiro para os contratar. Aliás, depois de Temos ainda um grupo de espanholas e em vida deles não foi fácil. Mas eles não se en- a esta medida. As famílias têm de ser muito pagarmos ao pessoal pouco dinheiro sobre Setembro vêm duas alemãs. Mas todas as tregaram. Lutaram e venceram! Mereciam bem estudadas, porque a oferta de dinheiro para tudo o resto, que é muita coisa: água, pessoas que quiserem ajudar serão aqui ter mais apoios na integração no mundo do pode trazer interesses apenas materiais, e o luz, gás. Tudo o que se faz numa casa nor- acolhidas com alegria. trabalho e na vida social. que interessa aqui é o interesse afectivo pela mal. Só que nesta casa vivem mais de 70 criança. pessoas! C – Mas para além do que vem do Estado, a Comunidade não recebe BONS RESULTADOS ESCOLARES ONDE SABER OUVIR É UMA REGRA outro tipo de auxílios? TG – Sim. Temos cerca de 150 sócios que pagam uma quota anual de 5 euros, Levar liberdade C – Como se integram os Jovens aqui na Comunidade? Têm muitas dificulda- des de integração? TG – A escola é o maior factor de inte- podem dar mais se quiserem e puderem. Geralmente quem ajuda são os da classe média e da pobre. Ajudam no que podem: em roupa, brinquedos, livros, comida, etc. às prisões gração. Convivem com outras crianças, é o C – As ajudas recebidas não são, por- Desde criança que a Madre Teresa O que a chamou para passar para além momento em que são iguais, ou que estão tanto, suficientes… (como muitos continuam a tratá-la) tem das grades foi um português que estava numa situação de igualdade. Mas é sempre TG – Dá para viver... Mas era muito im- um fascínio pelas prisões. preso, desanimado, sem coragem e com complicada a fase da adaptação. Mesmo portante sensibilizar as pessoas para que Sendo uma pessoa que preza a liberda- vontade de morrer. A Madre começou a vi- sendo mal tratados e violentados, não é ajudassem mais, para serem solidárias. Eu de, fazia-lhe impressão ver os homens sitá-lo, tentou encontrar maneiras de ele se fácil fazer rupturas, mesmo que seja para apelo principalmente às pessoas mais abas- presos. ocupar e ganhar de novo entusiasmo pela melhor. Não é fácil abandonar os amigos, tadas para que ajudem estas crianças. Quando tinha sete anos de idade, pas- vida. Descobriu que ele tinha muito jeito os colegas de escola, os vizinhos. De repen- Podem fazer o lugar de padrinhos, de ami- sava pela cadeia a caminho da escola, co- para escultura. Conseguiu autorização para te estão sem ninguém, tudo é novo e desco- gos; podem estabelecer uma relação que se meço a parar junto às grades e a cantar levar madeira e um canivete para dentro da nhecido para eles. não limite ao apoio financeiro. É funda- para os presos. cela. E o português começou a fazer Cristos C – Existe alguma forma especial mental que as crianças sintam que alguém, Este gesto tornou-se tão repetitivo perfeitos em madeira. Esperou 12 anos por para lidar com essa situação? fora da Instituição, pensa nelas, se preocu- que passaram a permitir que a pequenita um julgamento, em que viria a ser absolvido. TG – Nós também os integramos aqui pa com elas. Eu apelo a quem pode para visitasse os presos. Ainda na cadeia de Macau, a Madre na Comunidade. Saber ouvir é fundamen- apadrinhar uma criança. Pode, por exem- Eles contavam-lhe histórias e ela ten- conseguiu tirar os presos da cela para as- tal. É mais importante do que saber falar. plo, dar uma bolsa mensal para a ajuda nos tava animá-los. sistirem a filmes numa grande sala. E, Nós precisamos de os ouvir. Para além dos estudos. Mas também telefonar para saber Até que, certo dia, um colega do pai a como noutro local se refere, conseguiu laços afectivos que eles precisam, o despor- como correm as coisas; estabelecer um viu e foi contar aos pais que a filha anda- que neles despertasse a auto-estima, no- to é algo integrante. Temos aqui várias acti- contacto de proximidade que é fundamen- va de volta dos presos. meadamente através dos hábitos de higi- vidades lúdicas e desportivas. Temos um tal para os jovens. Os pais não lhe ralharam. Explicaram ene pessoal. Pequenos pormenores, mas grupo de dança; um brasileiro que ensina C – Quais são as maiores carências? que nem todas as pessoas eram tão boas que ali fizeram toda a diferença. capoeira de 15 em 15 dias. Temos um con- TG – A comunidade precisa de coisas como ela pensava. O segredo para uma amizade tão rica tador de histórias. Joga-se futebol, basque- básicas. O leite, por exemplo, é um bem es- A partir desse dia deixou de ir à cadeia. era simples: nunca perguntava por que te. sencial, toda a ajuda de leite é muito agrade- Mas, e porque mais cedo ou mais tarde estavam ali, nunca pretendeu julgar os C – A Comunidade tem algum proto- cida. O Continente fornece leite para Vila os sonhos se cruzam com a vida, a Madre seus actos. colo com clubes desportivos? Nova de Poiares, o Jumbo e a Makro tam- voltou à cadeia enquanto esteve em Apenas quis ajudá-los. E até os piores TG - Sim. Temos um grupo de alunos bém ajudam a Fundação. O ano passado o Macau. criminosos se mostraram reconhecidos! que joga futebol na Académica. Todos os Jumbo ofereceu uma piscina às crianças e
  8. 8. 8 REPORTAGEM DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 Solidariedade floresce EXEMPLAR EXPERIÊNCIA DE ENSINO E INTEGRAÇÃO DE FAMÍLIAS CIGANAS no Bairro da Rosa Márcia Arzileiro grupo de alunos adultos que conseguiram concluir agora o 6.º ano. Recentemente, uma festa multicultural, E este desejo de saber mais está a passar no Bairro da Rosa, em Coimbra, marcou o de pais para filhos, já que estes alunos adul- encerramento do ano lectivo recorrente. tos mostram vontade de que os seus des- Esta festa foi um projecto conjunto dos cendentes prossigam os estudos. “Eu não professores e alunos, maioritariamente de consigo ir mais longe, mas os meus filhos etnia cigana. vão. Os meus filhos vão ser doutores!” - Foram exibidas danças ciganas, levadas a afirma António, um cigano encantado com palco por meninas da etnia; muita música a descoberta do mundo escolar. cigana cantada ao vivo por ciganos adultos Como dissemos atrás, o povo cigano que agora terminaram o 6º ano de escolari- está aberto a novas experiências e a novas dade, no Centro Comunitário de S. José, no culturas. Nesta festa, para além da apresen- Bairro da Rosa. tação de espectáculos tradicionais da etnia, De salientar este exemplo de abertura o fado de Lisboa saiu à rua pela voz de cultural do povo cigano à cultura não ciga- Severa, uma menina de etnia cigana. E mui- na. tas outras adolescentes dançaram ao som De facto, a cultura cigana, de uma forma de Shakira e de outros ritmos quentes. geral, não privilegia a educação escolar. Mas O entusiasmo dos finalistas era bem evi- este é um costume que está a mudar no seio dente, embora alguns lamentassem já, com desta comunidade, pois os ciganos já não alguma tristeza, ter chegado o fim das aulas. querem só aprender a ler e a escrever o mí- A isso não será alheio o facto de a rela- nimo e essencial, querem mais. ção professor-aluno ir mais além do ensinar A prova do querer saber mais está no letras, fazer contas ou ensinar a História de Portugal. Esta relação inclui amizade, felici- Jorge Gouveia Monteiro deixou votos de felicidade para os finalistas dade e gratidão de ambas as partes, como demonstra esta eloquente afirmação de vezes sem razão, porque são pessoas tão dade” – um interessante projecto realizado uma professora dos adultos: “Não fui só eu pacíficas como quaisquer outras. pelos alunos adultos e pelas professoras. que ensinei, vocês também me ensinaram Gouveia Monteiro, Vereador da Câmara Ficou no ar a vontade de continuar com muitas coisas!”. Municipal de Coimbra, esteve presente este projecto, em que crianças e adultos fo- nesta festa. ram alunos interessados e em que professo- UMA CONVIVÊNCIA O vereador tem desenvolvido trabalho res ensinaram empenhadamente e tiveram a NEM SEMPRE FÁCIL rigoroso neste Bairro Social, com diversas humildade de também saber aprender. iniciativas que têm sido muito bem aceites, Um exemplo de que a convivência é pos- principalmente pelos ciganos. sível e de que nunca é tarde para aprender. Deve dizer-se que a convivência entre ci- O projecto de aulas para adultos foi im- No fundo, há esperança de que se aceitem ganos e não ciganos raramente é fácil, nor- plementado por ele e aceite pela comuni- as diferenças e que se respeitem as tradições. malmente com culpas para ambas as partes. dade. Como escreveu o poeta cigano Vittorio A verdade é que os ciganos, por serem Gouveia Monteiro deixou alguns votos Mayer Pasqualle Spatzo: uma minoria com usos e costumes muito de felicidade aos finalistas, e a vontade de próprios, normalmente têm de travar uma fazer mais e melhor: “Nós vamos fazer “Nasce-se cigano. batalha para serem bem aceites no mundo tudo para que consigam continuar os vos- Agrada-nos caminhar sobre as estrelas. dos não ciganos. sos estudos. E para que tenham pleno êxito Contam-se estranhas histórias sobre ciganos. Muitos ciganos revoltam-se por não os no vosso futuro”, afirmou o vereador. Diz-se que lemos nas estrelas e que olharem de frente como a outro qualquer A festa terminou com professores e alu- possuímos o filtro do amor. cidadão. nos a dançar ao ritmo da salsa, merengue, As pessoas não acreditam nas coisas que não E isto aplica-se a quase todos os aspec- tango e milonga. sabem explicar. tos da vida social, seja na escola, seja na rua, Entretanto, foi distribuído por todos os Nós, pelo contrário, não procuramos explicar onde quase sempre são temidos e muitas presentes um exemplar do Jornal “A Liber- as coisas em que acreditamos.”
  9. 9. DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 REGIÃO CENTRO 9 Pela afirmação PAULO JÚLIO DIVULGOU PROJECTOS DE PROMOÇÃO DO CONCELHO PROGRAMA de Penela Sexta-feira (28/07) • Jantar da Juventude de Penela • Concerto - Squeeze Theeze Pleeze: grupo que está em “tour” de promoção do novo álbum, intitulado “Flatline”, edita- do em 31 de Outubro de 2005. Neste momento o single “HiHello (my name is Joe)” é um dos temas com maior rotação na telenovela “Morangos com Açúcar”, bem como na Antena 3 e Best Rock FM. O vídeo-clip do single roda com alguma fre- quência no MTV Portugal, tendo entrado directamente para a 3ª posição dos vídeos mais pedidos. • Dj Miguel Assumpção (Rock Mix): começou em 1992 como Dj da discoteca Down’s, no Estoril. Em 2004 foi nomea- do para o Melhor Dj Pop/Rock, pela Portugalnight. De entre as dezenas de casas por onde passou sobressaem Locomia (Algarve), Kadoc (Algarve), Coconuts (Cascais), Dock’s (Lisboa), Queens (Lisboa), Rock Line (Lisboa), SnooBar (São Pedro de Muel) e Kremlin (Lisboa). Sábado (29/07) • Actividades Culturais: exposições • Actividades Radicais: escalada, rapel e canyonning • Actividades para crianças: workshop de pintura (pinta a tua t-shirt) e contos infantis • Luca Ricci (Itália): Dj e produtor italiano, é um talento a ser observado. O seu som e estilo fazem dele uma preferência nos clubs de todo o mundo. A sua música leva o público numa via- gem que liga o espírito ao corpo, tendo por guia as batidas fortes. • Lady B (Espanha): é uma das mais respeitadas dj’s espanho- las. Com uma forma muito própria de tocar, que muitos consi- deram quente e envolvente, procura sempre mostrar sonoridades novas e futuristas. Actualmente tem residências nas casas Vip Space e Bliss, em Vigo. Volta a Portugal para mais uma sessão a não perder, desta vez em Penela. Emídio Domingues, Paulo Canha, Paulo Júlio e Hugo Paula presidiram à cerimónia • Jiggy: tem no techno e no house a sua base de trabalho, mis- turando inteligentemente as novas influências dos demais estilos Foi um concelho jovem, toda a região”. De imediato passou a No pequeno filme lá estão, de facto, as musicais que vão surgindo. Habituado a tocar nas multidões, em virado para o futuro, que palavra ao edil de Penela, que retribu- pessoas, nomeadamente a juventude, cenários como castelos e conventos, esta vai ser, com certeza, se apresentou aos jornalistas iu os agradecimentos e elogiou a bem como os principais pontos de mais uma noite trepidante. • Tozé Diogo: é um dos mais carismáticos divulgadores das na Sala VIP do Estádio Direcção da ACIC por “trazer o cer- atracção e actividades das gentes da regi- mais modernas expressões da música de dança no nosso país. O Cidade de Coimbra. tame para o Estádio Cidade de ão e que bem fazem jus ao lema “Um Coimbra” e sobretudo “por transfor- destino… de portas abertas“: os cam- seu nome significa sempre busca pela novidade, não impondo li- Em causa estava a apresentação má-lo numa feira de todo o distrito e pos, a flora, a feira medieval, a vila roma- mites aos seus sets que, além de serem caracterizados pela elegân- do DVD promocional não apenas de Coimbra”. na, o castelo, o queijo, o mel, os vinhos, cia, nunca perdem o sentido do espaço onde são inseridos. do Município de Penela O Presidente da Câmara Municipal etc; depois, a apresentação do Fim-de- • Augustto: desde muito novo se sentiu atraído pela Dance e do Fim-de-semana de Penela centrou-se de seguida nos semana da Juventude, que Penela vai re- Scene, tendo trocado em 2002 as pistas de dança pela cabine, ac- da Juventude dois principais assuntos que motivaram ceber de 28 a 30 do mês corrente, con- tuando desde então como freelancer. Possuidor de um estilo elec- a Conferência de Imprensa. Primeiro a forme programa que apresentamos trónico muito próprio, onde predominam os grooves envolven- apresentação do DVD promocional do nesta mesma página. Organizado em tes e fortes basslines, tem vindo a adquirir um gosto musical mais António José Ferreira Município, iniciativa que assenta no es- parceria pela Câmara Municipal e pela requintado e inovador. forço da autarquia para a promoção e empresa Alliance Productions, este • Hugo Barbosa (Vj): pioneiro no movimento Vj português, Paulo Canha foi o primeiro a usar afirmação de Penela no contexto regio- evento está orçado em cerca de 20.000 realizou diversas apresentações e instalações vídeo e trabalhou da palavra, agradecendo a Penela e ao nal e nacional e que pretende realçar euros e vai ser promovido em todo o com músicos, coreógrafos, actores, realizadores e artistas visuais. presidente Paulo Júlio e frisando que todo o património histórico e natural e, país, esperando-se que atraia a Penela Desde 1999 tem mantido uma presença residente no Club “a CIC é uma mostra económica de principalmente, as pessoas do concelho. cerca de dois milhares de jovens. Luxfragil, em Lisboa, um dos mais destacados Vision Bar do mundo, onde teve o privilégio de trabalhar com alguns dos mai- ores nomes da arte do Djing nacional. • Johnny Def (Mc): já com mais de 12 anos de carreira, este artista foi pioneiro e único nas funções que desempenha, sendo considerado por muitos como uma lenda das nossas pistas de dança. Do seu currículo constam dezenas de Dj’s e artistas de topo a nível mundial, sendo a qualidade do seu trabalho inegável e inquestionável. • Animação Kings e Queens: contando já com alguns anos de experiência, estes animadores levam às festas um espírito de di- versão sem igual e preenchem as noites com momentos inesque- cíveis. Um grupo sem fronteiras que já marcou presença em grandes eventos como a festa de encerramento da Expo 98, o Yorn Sound System, Atlantic Beats, Dance in Douro e Elektro Parade, entre muitos outros. • Animação Mató le Freak • Special Decor Domingo (30/07) • Actividades Culturais: exposições • Actividades Radicais: escalada e rapel • Actividades para crianças: caça ao tesouro no castelo Paulo Júlio brindou os convidados com vinhos da região de Penela
  10. 10. 10 REGIÃO CENTRO DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 JORGE PEREIRA DESTACA QUALIDADE DE VIDA NA VILA DO ESPINHAL “Não podemos crescer” Jorge Pereira recebeu o “Centro” em termos de transferências ficámos pratica- os jovens da vila não são esqueci- nosso posto médico serve cerca no edifício-sede da Junta mente na mesma. Apenas nos aumentaram 900 dos. O desporto não abunda, mas de 700 utentes, em especial gen- de Freguesia do Espinhal, euros. Dizem que somos a Junta mais rica, por- a Junta procura apoiar outras acti- tes da serra que já têm alguma di- no qual funcionam igualmente que de facto temos um património muito ele- vidades igualmente viradas para a ficuldade em se deslocar, e se for os Correios e o Posto Médico. vado e que nos dá alguma independência. Só juventude, desenvolvendo parce- fechado vão ter que ir para para se ter uma ideia posso dizer que temos um rias com a Associação de Jovens, Penela para o Centro de Saúde; O Presidente da autarquia orçamento de cerca de 200.000 euros, sendo com a Associação de Moradores a requalificação da estrada 347, congratulou-se pelo centenário cerca de 47% gerados pela própria Junta. As Quinta da Cerca e com o Grupo que faz a ligação a Castanheira da vila e chamou a atenção para transferências do Estado e da Câmara repre- de Teatro: “Dentro das nossas limi- de Pêra, é uma obra extrema- alguns dos problemas que o seu sentam pouco mais de metade do total”. tações e possibilidades apoiamos mente importante; finalmente executivo pretende resolver Os problemas e dificuldades são os nor- todas as actividades. Os jovens do gostaríamos de ter mais de uma Junta de Freguesia, elegendo Espinhal só não têm mais da Junta por- melhores Jorge Pereira “as limitações que o PDM está a que também não têm mais iniciativas. trans- António José Ferreira impor à construção. Neste momento não Há alguns sempre prontos a por- temos zonas de expansão. Não podemos cres- novos projectos e ideias, tes Quatro anos como Secretário da Câmara cer, apesar de o Espinhal poder proporcionar mas a maior parte Municipal de Penela e outros tantos da Junta excelente qualidade de vida. Os únicos terre- estão mais no seu de Freguesia do Espinhal, deram a Jorge nos disponíveis para construção são algumas ‘canto’ e não se Pereira o traquejo necessário para o trabalho quintas brasonadas, que as famílias natural- preocupam que hoje desenvolve no comando da autar- mente não vendem para esse fim”. Como ex- muito quia. Trata-se de um desafio que aceitou por- celente exemplo da forma como o Espinhal com que “a ligação à terra é muito forte”, embora poderia atrair novos habitantes, através da reconheça ser “muito complicado” gerir todas construção, Jorge Pereira aponta “a Quinta da as situações que vão surgindo e que procura Cerca. Foi um êxito! Vivem cá pessoas oriun- conciliar com a vida profissional. “A nossa das do Porto, de Chaves, de Coimbra, etc, que área de intervenção é muito grande, com mui- aqui fixaram habitação, mas já não há um tos lugares espalhados pela freguesia“, infor- único lote para ser vendido e não temos outras mou, frisando que o trabalho se torna possível zonas onde possam ser construídas novas ur- a comunidade. pú- porque é desenvolvido com igual empenha- banizações. É um dos graves problemas que Ao nível da cultura, blicos mento por todo o elenco da Junta de temos”. Além de não poder atrair novos habi- por exemplo, temos de- pois a Freguesia e porque existe um bom relaciona- tantes, o Espinhal debate-se com “a desertifi- senvolvido diversas ini- actual mento institucional com a Câmara Municipal cação dos lugares da Serra, que têm tendência ciativas, mas são quase oferta de car- de Penela. a desaparecer. A população é muito idosa e sempre os mesmos que reiras deixa muito Neste momento a Junta de Freguesia do nos últimos anos fomos das freguesias que aparecem”. a desejar”. Problemas que uma Junta não pode Espinhal tem seis funcionários, o que “nos so- mais gente perdeu“. A terminar, Jorge Pereira chamou a atenção resolver por si só, apenas “chamar a atenção. brecarrega um pouco em termos de despesa. E Em contraponto dos idosos, que procura re- para três questões prementes para a população Estamos sempre do lado da população mas há não somos a Junta que mais recebe de FEF. solver através de uma relação muito próxima do Espinhal: “Estou preocupado porque estão a questões que não podemos ser nós a resolver di- Foram-nos atribuídas mais competências mas com os habitantes, Jorge Pereira dá conta de que ser encerradas algumas unidades de saúde. O rectamente“, concluiu Jorge Pereira. Vila centenária e rica em património Cascata da Pedra da Ferida Piscinas naturais da Louçainha A vila do Espinhal tem cerca de 1400 ha- visitar as Piscinas Naturais da Louçainha, o paisagísticos, que manterá os traços originais A festa alta da vila, em honra de Nossa bitantes. Região acolhedora, tem nas poten- S. João do Deserto, a Cascata da Pedra da no que respeita a carreiros, moinhos, etc), a Senhora da Piedade, está marcada para 26 cialidades turísticas um dos principais moti- Ferida (que vai ser alvo de um projecto de Igreja Matriz e vários solares brasonados de Agosto, prolongando-se na semana se- vos de atracção. Entre outros, são locais a requalificação, elaborado por arquitectos (que acolhem exposições, conferências, etc). guinte com a Feira do Mel.
  11. 11. DE 19 DE JULHO A 1 DE AGOSTO DE 2006 REGIÃO CENTRO 11 ESPINHAL COMEMOROU CENTENÁRIO DE ELEVAÇÃO A VILA Cem anos de história O grupo de espinhalenses que fez a recriação da entrega do foral AJF “Cem anos de história, de passado, de pessoas, de sentimentos, de emoções. E de futuro”. Esta frase de Paulo Júlio, presidente da Câmara Municipal de Penela, define bem a vila do Espinhal e o vasto programa comemorativo do centenário. Entre outros momentos, merecem destaque a sessão Jaime Gama presidiu à cerimónia Paulo Júlio no uso da palavra Oliveira Gonçalves abriu os discursos solene, presidida por Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, o lançamento do livro comemorativo do centenário, da autoria de Mário Nunes, a recriação da entrega do foral, interpretada pelas gentes da região, o jantar do centenário, que juntou espinhalenses e convidados, a inauguração da iluminação do calvário e a actuação do grupo de fados da Associação Menina e Moça. Fernando Antunes no meio da assistência presente na sessão solene Jorge Pereira discursou sobre o futuro Mário Nunes e Fernando Antunes A Associação Menina e Moça cantou os parabéns à vila do Espinhal
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