O Centro - n.º 70 – 26.06.2009
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O Centro - n.º 70 – 26.06.2009

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Versão integral da edição n.º 70 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 26.06.2009. ...

Versão integral da edição n.º 70 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 26.06.2009.

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O Centro - n.º 70 – 26.06.2009 O Centro - n.º 70 – 26.06.2009 Document Transcript

  • DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO IV N.º 70 (II série) 26 de Junho de 2009 1 euro (iva incluído) TERÇA-FEIRA (DIA 30), ÁS 18 HORAS O fascínio das estrelas em Coimbra com Gil Vicente, Camões Vieira, Pessoa e “jazz” PÁG. 5 CIC’09 LITERATURA CHOUPAL FOTOGRAFIA Indústria Novas obras Plataforma Imagens e comércio de M.ª Helena exige aéreas mostram-se Teixeira explicações de Varela em Coimbra e J. H. Dias sobre viaduto Pècurto PÁG. 12 e 13 PÁG. 2 e 19 PÁG. 10 PÁG. 11
  • 2 COIMBRA 26 DE JUNHO DE 2009 NO PRÓXIMO DIA 8, NA CASA DA CULTURA DE COIMBRA Livro de crónicas de José Henrique Dias apresentado por Cristina Robalo Cordeiro No próximo dia 8 de Julho (quarta-fei- junto à estação do Rossio, frequentada por ra), pelas 18 horas, na Casa Municipal da nomes cimeiros da literatura e da arte por- Cultura de Coimbra, decorre a sessão de tuguesas, publicando entre 1956 e 1969, lançamento do livro de crónicas intitulado ininterruptamente, séries de crónicas se- “A Outra face do Espelho”. O autor é manais. Tendo-se dedicado ao ensino e à José Henrique Dias, e a apresentação será actividade teatral como encenador, o seu feita por Cristina Robalo Cordeiro, Vice- trabalho centrou-se mais na investigação Reitora da Universidade de Coimbra. sobre o século XIX, primeiro no domínio Com edição de “Campo da Comunica- das ideias políticas, depois na sociocomu- ção”, a obra de José Henrique Dias é nicação teatral. composta pelas crónicas que o professor universitário publicou, nos anos mais re- centes, nos jornais de Coimbra “O Des- pertar” e “Centro”. Inclui desenhos inéditos de Nadir Afon- so e prefácio do romancista Fernando Campos. “Os lugares são sobretudo Coimbra e Lisboa, uma fugidia referência a Chaves e à Figueira e pouco mais. O tempo re- cua para trás da vida do Autor, memória das memórias dos mais velhos, e vem até aos nossos dias. Se se fizesse um índice de pessoas e factos referidos, que acervo de riqueza de cultura, humanismo e hu- manidade, desde o nomear de escritores, artistas, cientistas, actores, médicos, ad- José Henrique Dias vogados, professores, músicos, políticos, saltimbancos, contorcionistas, trapezistas, dela, está o Autor e este sentimento de Ideias Sociais. Depois de uma longa car- que sei eu!...” – escreve Fernando Cam- eco autobiográfico mais de uma vez nos reira no ensino público, leccionou na Uni- pos no prefácio, acrescentando: acode ao espírito…O médico (que não versidade Nova de Lisboa, depois de apo- “O antes e depois do 25 de Abril não quis ser) está presente e o filósofo e o sentado no ISCEM e actualmente é pre- Instado por colegas, regressou às cró- podia deixar de ter especial lugar… com poeta, além, claro, do jornalista… .”. sidente do Conselho Científico do Institu- nicas em jornais de Coimbra, primeiro em nomes, factos e rememorações…e, se se to Superior Miguel Torga. “O Despertar”, depois no “Centro”, reto- verrinam os tempos da “outra senhora”, UM CONIMBRICENSE Desde os verdes anos ligado à escrita, mando um dos seus velhos títulos, “A ou- não se deixa de lançar olhar crítico aos ILUSTRE integrou em Coimbra tertúlias de que en- tra face do espelho”. É uma colectânea grafitti que maculam tudo quanto é pare- tre outros faziam parte Zeca Afonso, Lou- dessas crónicas que agora se apresentam de (“…a arte e os equívocos…”), as flo- José Henrique Dias nasceu em Coim- zã Henriques, Manuel Alegre, António neste livro, onde, ficcionadas, passam restas de cimento que desfiguram, nas bra, em 1934. Licenciado em História, fez Portugal e Levi Baptista. A partir de fi- momentos de vidas marcadamente no cidades, o que era écloga… Mestrado em História Cultural e Política nais dos anos cinquenta e primeiros anos espaço e tempos de uma Coimbra sem- Notável a “capacidade de lidar com as na UNL e é doutorado pela mesma uni- da década de sessenta do século passa- pre mítica e evocações de figuras da mú- palavras e as imagens”, diz uma persona- versidade em História e Teoria das Idei- do, integra o grupo polarizado por Edmun- sica coimbrã, de que também foi, ainda gem, mas nós sentimos que, por detrás as, com especialidade em História das do de Bettencourt, no Café Restauração, vai sendo, cultor. Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Editor/Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais regionais que se viram já obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus familiares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem média: 5.000 exemplares Contamos consigo!
  • 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 3 NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, NO MUSEU DA ÁGUA Francisco Bandeira em debate promovido pelo Clube de Empresários de Coimbra Na próxima sexta-feira (dia 3 de Ju- presários, Pedro Vaz Serra. “Por outro Machado de Castro. lho) o Clube de Empresários de Coim- lado, a pertinência do tema é indiscutí- Francisco Marques Bandeira é Vice- bra promove o primeiro de uma série de vel, pois a conquista de novos mercados Presidente do Conselho de Administra- jantares-debate do Museu da Água des- é algo de incontornável para a esmaga- ção da CGD desde Janeiro de 2008. tinados “a dinamizar o tecido empresari- dora maioria das empresas portuguesas”, Entre outros cargos, integra os conse- al da região” e em que trarão a esta ci- sublinha. lhos de administração do Grupo Pestana dade “figuras de relevo do panorama De resto, nem a escolha do próprio Pousadas, da AdP - Águas de Portugal económico e financeiro” espaço onde decorrerá o debate foi dei- e da Visabeira. É ainda presidente do Neste primeiro debate, o convidado é xada ao acaso. “Queremos, mais uma Banco Caixa Geral, presidente do Con- Francisco Bandeira, Vice-Presidente da vez, efectuar a ponte entre o meio em- selho Directivo da Caixa Geral de Apo- Caixa Geral de Depósitos (CGD). No presarial e o património cultural que te- sentações e presidente dos conselhos de jantar-debate, para o qual foram convi- mos em Coimbra, razão pela qual resol- administração da Locarent - Companhia dados todos os sócios do Clube, Francis- vermos promover este jantar-palestra no Portuguesa de Aluguer de Viaturas e da co Bandeira deverá explicar aos empre- Museu da Água que, desta forma e pela Caixa Leasing e Factoring - Instituição Francisco Bandeira sários como é que a Caixa Geral de De- primeira vez desde a sua inauguração, Financeira de Crédito. pósitos os pode ajudar a conquistar no- zões: é um cidadão de Coimbra e ocupa, recebe uma iniciativa deste género”, fri- Licenciado em Economia pela Univer- vos mercados, abrindo assim novas pers- neste momento, funções de grande res- sa. Recorde-se que já a tomada de pos- sidade de Coimbra, Francisco Bandeira pectivas para o desenvolvimento econó- ponsabilidade na maior instituição finan- se dos actuais órgãos sociais, a 5 de foi agraciado pelo Presidente da Repú- mico da região. ceira portuguesa, com grandes e direc- Maio, teve como palco um dos princi- blica, Jorge Sampaio, com o grau de “Tivemos a preocupação de convidar tas repercussões no meio empresarial”, pais pólos culturais da região e do país, o Comendador da Ordem do Infante D. o vice-presidente da CGD por duas ra- explica o Presidente do Clube de Em- recém-reinaugurado Museu Nacional Henrique em Julho de 1999. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  • 4 INTERNACIONAL 26 DE JUNHO DE 2009 UM EXEMPLO QUE VEM DO BRASIL Supermercados suspendem compras a empresas envolvidas na desflorestação da Amazónia A Wal-Mart, o Carrefour e o Pão de acordo com a associação de supermer- comprou gado de fazendas multadas pelo A decisão foi resultado da acção civil Açúcar, as três maiores redes de super- cados, inclui notificar as empresas de pro- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e pública do Ministério Público Federal que mercados do Brasil, suspenderam as cessamento de carne, exigir delas as gui- dos Recursos Naturais Renováveis (Iba- encaminhou, na última semana, uma re- compras de produtos bovinos de fazen- as de trânsito animal junto às notas fis- ma) e de outra que fica dentro de uma comendação às grandes redes de super- das envolvidas na desflorestação da cais, e suspender compras das fazendas reserva indígena. mercados e outros 72 compradores de Amazónia. denunciadas pelo Ministério Público Fe- A ONG informa que foram propostas produtos bovinos para que parem de ad- Numa reunião realizada este mês na deral (MPF) do Pará. 21 acções ao Ministério Público do Pará quirir carne proveniente da destruição da Associação Brasileira de Supermercados “Como medida adicional, as três redes pedindo o pagamento de 2,1 mil milhões floresta. (Abras), o Carrefour, Wal-Mart e o Pão solicitarão, ainda, um plano de auditoria de reais (770 milhões euros) em indemni- O desrespeito do pedido poderá resul- de Açúcar tomaram esta medida em re- independente e de reconhecimento inter- zações pelos danos ambientais à socieda- tar em multa de 500 reais (180 euros) por púdio de práticas denunciadas pela orga- nacional que assegure que os produtos que de brasileira. A área total desflorestada, quilo de produto comercializado. nização não-governamental Greenpeace. comercializam não são procedentes de diz o Greenpeace, corresponde à superfí- O Ministério Público Federal pretende Segundo um comunicado da Abras, “o áreas de devastação da Amazónia”, des- cie da cidade de São Paulo. ainda ampliar estas acções de combate à sector de supermercados não irá compac- tacou o comunicado. A decisão foi tomada pelas três maio- desflorestação com responsabilização da tuar com as acções denunciadas e reagi- Entre as empresas processadas está res redes de supermercados por não ha- cadeia produtiva da pecuária para outros rá energicamente”. uma das maiores do sector no Brasil, a ver “garantias de que a carne não vem de estados da chamada Amazónia Legal, A posição definida pelas empresas, de Bertin S.A, que, segundo a Greenpeace, áreas desmatadas na Amazónia”. como Mato Grosso e Rondónia. Um forte abraço de concorrência uma combinação de interacção e con- Paquistão. dos militares empenhados em tarefas Fiodor Lukyanov * corrência. Hoje em dia, Washington tenta, sem «práticas e concretas» nos campos de O facto da China e da Rússia faze- sucesso, activizar os seus aliados euro- combate no Afeganistão e no Paquistão. As duas cimeiras, decorridas em me- rem parte da OCX já é mais que sufici- peios que não querem afastar-se muito Portanto, o papel da OCX na arena glo- ados de Junho em Ekaterinburgo, no ente para a organização estar em das zonas tradicionais da responsabilida- bal irá crescer gradualmente, o que cor- coração dos Urais – da Organização de responde aos interesses de Moscovo e Cooperação de Xangai e de BRIC (Bra- Pequim. sil, Rússia, Índia e China) – tiveram por Ao nível global, os interesses da Chi- objectivo demonstrar uma maior diver- na e da Rússia são, em princípio, conci- sificação política externa da Rússia. dentes. Mas ao nível regional, estes paí- Do encontro dos dirigentes do Brasil, ses são, e cada vez serão mais, fortes da Rússia, da Índia e da China pode-se rivais. tirar uma conclusão parodoxal: os seus Pequim vê na OCX um instrumento participantes, vistos neste formato, não de reforço da sua presença nos merca- têm praticamente nada em comum. dos da Ásia Central e de acesso ao re- De facto, os 4 países têm diferentes cursos energéticos da região. Moscovo sistemas políticos, tipos de identifiicação pretende o mesmo. Percebe-se que o nacional, modelos económicos, priorida- domínio económico da China na OCX é des de desenvolvimento e relações com inegável. Assim, na cimeira de Ekaterin- os maiores jogadores na arena interna- burgo, Pequim prometeu 10 mil milhões cional. O formato de BRIC é como um de dólares de ajuda para financiar pro- mundo não ocidental em miniatura, e as jectos no quadro da organização. Mas discussões travadas no quadro da nova as capitais dos países da Ásia Central organização reflectem toda a multicida- conhecem muito bem o pragmatismo de dos problemas globais. Já que os pon- chinês: Pequim não concede ajudas mas tos de vista ocidentais sobre os proces- foco.Nos últimos anos os políticos oci- de da Organização do Tratado do Atlân- apenas financia projectos que lhe são sos internacionais predominam no mun- dentais receavam uma nova e verdadei- tico Norte. Entretanto, tanto Moscovo, vantajosas economica e politicamente. do, pode, aliás, ser útil escutar as opini- ra aliança entre Moscovo e Pequim. Na como Pequim e os países da Ásia Cen- O trunfo russo é a cooperação políti- ões destes quatro Estados importantes. primeira metade dos anos 2000, a força tral, percebem a importância vital do nó co-militar, já que a China, devido à sua No caso de BRIC não se pode falar motora da aproximação política no qua- afegão-paquistanês. No caso paquista- filosofia política externa, não dá garanti- sobre qualquer tipo de bloco, aliança ou dro da OCX foi o desejo de mostrar aos nês, já não se pode fazer nada sem Pe- as de segurança a ninguém. E os peque- organização formal a tomar decisões «forasteiros» (leia os EUA) os limites do quim: a influência da China sobre a elite nos vizinhos da China preferem não usá- práticas. A concordância tem apenas um permissível na região cujos «donos» são militar paquistanesa começa a superar a las, pois têm mais medo do domínio de carácter geral. Qualquer tentativa de a Rússia e a China. influência norte-americana. Pequim de que do de Moscovo. concretizar algo embaterá numa insupe- Um exempo desta audácia foi o ulti- Claro que os pontos de vista e as pri- À medida que a OCX, de uma organi- rável diferença de interesses contradi- mato para Washington definir os prazos oridades da OCX e da coligação ociden- zação simbólica a censurar o expansio- tórios. No caso de BRIC, é difícil falar da estadia das forças armadas norte- tal ainda divergem bastante. Mas o mun- nismo norte-americano transforma-se numa concorrência interna. Esta estru- americanas na Ásia Central, assim como do em rápida mudança e as capacidades numa estrutura com importantes objec- tura dificilmente adquirirá um grau de o convite para o Irão ocupar na OCX limitadas dos EUA obrigam a alterar as tivos concretos a alcançar ao nível regi- maturidade quando as divergências dos um lugar de observador. táticas e estratégias ocidentais. onal, a tarefa de Moscovo complica-se. participantes impedem a fazer algo. A importância da OCX não pára de Nos últimos meses surgiram sintomas Exige-se um árduo e consequente tra- Na Organização de Cooperação de crescer. Até agora, os EUA e a NATO de uma atitude mais prática de Washing- balho com os vizinhos e uma estratégia Xangai a situação é muito diferente. Os têm evitado uma interacção com esta ton para com a OCX. Mas. Os impulsos acertada de relações com o «amigo-con- interesses dos países membros entrela- estrutura na solução dos sérios proble- não partem dos políticos, que continuam corrente» chinês. çam-se de modo tão estreito que surge mas que enfrentam no Afeganistão e no a recear alianças concorrentes, mas sim * in revista A Rússia na Política Global
  • 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 5 Rotary Club de Coimbra/Olivais tem novo Conselho Director Realiza-se no próximo dia 6 de Julho, Jorge Humberto (Tesoureiro). Os restan- no decorrer do seu mandato irá promover nhecida reputação em cada uma das áre- pelas 21,30 horas (no Hotel Tryp de Co- tes lugares passam a ser ocupados por o debate sobre diversos temas de grande as focadas. imbra), uma Assembleia Geral do Rotary Jorge Corte-Real, Amílcar Carvalho, Jor- actualidade, dos quais salientou “Coimbra Club de Coimbra / Olivais, onde acaba de ge Castilho, Santos Cabral, Ernesto Viei- e o seu Património”, “Nutrição e Saúde” RIBEIRO FERREIRA PRESIDE decorrer a transmissão de poderes. ra, Isolina Mesquita e António Pato. e “Água e Recuros Hídricos”. AO CLUBE DE COIMBRA Assim, a presidente cessante, Maria Na cerimónia de transmissão de po- No âmbito do primeiro tema, vão ser Helena Goulão, passou o cargo a Alber- deres, Albertino de Sousa elogiou o tra- organizadas visitas guiadas a monumen- Também no Rotary Clube de Coim- tino de Reis e Sousa. balho desenvolvido por Helena Goulão e tos de Coimbra e da Região, alargando a bra se procedeu à cerimónia detransmis- O novo Presidente constituiu o seu saudou também Agostinho Almeida San- participação nessas iniciativas aos ele- são de poderes. Conselho Director com os seguintes ele- tos, já designado para assumir a Presi- mentos dos outros Clubes Rotários. O novo Presidente é José Ribeiro Fer- mentos: Rodrigo Santiago (Vice-Presi- dência do Club no próximo ano. Para abordar os outros temas irão sen- reira, que referiu que a sua aposta vai ser dente), António José Gala (Secretário), Albertino de Sousa revelou ainda que do convidadas personalidades de reco- sobretudo na Cultura. TERÇA-FEIRA (DIA 30), ÁS 18 HORAS O fascínio das estrelas em Coimbra com Gil Vicente, Camões, Vieira, Pessoa e “jazz” Sabia que a música também deu ori- avança José António Paixão. gem a uma teoria astronómica? E que o Mas, acrescenta, os astros foram tam- Padre António Vieira estava atento às bém uma importante fonte de inspiração inovações da Astronomia? E o que terá para a música e, em particular, para o jazz. ele dito sobre a revolução iniciada por “Já na obra dos ‘veteranos’ Duke Elling- Copérnico, também jesuíta, mas com ton e Charlie Parker encontramos temas uma teoria que abalaria as crenças da que remetem directamente para os astros. Igreja? O dramaturgo Mário Montene- Com o advento do free jazz e do jazz de gro, a matemática Carlota Simões e o fusão, nas década de 60 e 70, muitos são físico José António Paixão dão a conhe- os artistas que gravaram composições ins- cer em Coimbra cruzamentos inespera- piradas na aventura espacial. E são mui- dos entre a Arte e a Astronomia. tas as referências ao cosmos na música Acompanharam de perto as revoluções contemporânea, do “Big Bang” aos bura- na Astronomia e as suas obras estão re- cos negros”, revela o também responsá- pletas de referências rigorosas a fenóme- vel pelo projecto ‘Quark!’, uma escola nos celestes: o fascínio pelas estrelas con- olímpica da Universidade de Coimbra des- tagiou alguns dos expoentes da arte em tinada a jovens pré-universitários e onde Portugal, e não só. O dramaturgo Mário a Física e o Jazz se entrecruzam. Montenegro, a matemática Carlota Si- A sessão na Almedina, subordinada ao mões e o físico José António Paixão vão :Intervenientes da última sessão do ciclo “O Universo da Astronomia” deram tema “A Astronomia e as Artes” é a ter- dicas preciosas para que todos possam desfrutar ao máximo das estrelas dar a conhecer em Coimbra o lado este- ceira do ciclo “O Universo da Astrono- lar do teatro, da literatura e da música. A mia”, organizado pela Almedina e pela e ‘Os Lusíadas’ de Camões coincidem da Universidade de Coimbra, onde inves- sessão terá lugar no dia 30 de Junho (ter- Ideias Concertadas no âmbito das come- com a época áurea dos Descobrimentos, tiga a relação entre o teatro e a ciência, o ça-feira) às 18 horas na livraria Almedina morações do Ano Internacional da As- quando as caravelas cruzaram a linha do dramaturgo irá ainda dar a conhecer o tra- Estádio, em Coimbra. A entrada é livre. tronomia (AIA 2009). equador e tiveram finalmente acesso ao balho da Marionet na área da divulgação Carlota Simões, professora e investi- Depois de sessões dedicadas a Gali- céu do hemisfério Sul, desconhecido até das temáticas astronómicas. gadora do Departamento de Matemáti- leu, às observações astronómicas e, ago- ca da Universidade de Coimbra, irá re- então”, lembra a investigadora. A MÚSICA TAMBÉM ra, às Artes, o “Universo da Astronomia” velar uma face menos conhecida de al- Na Almedina, Carlota Simões irá ain- termina a 9 de Julho às 18 horas com INFLUENCIOU AS ESTRELAS guns dos nomes maiores da escrita em da mostrar como em alguns autores, como uma conferência sobre o ensino da As- português: a sua relação com os céus. Camões e Alberto Pimenta, é possível Mas se o Universo inspirou a litera- tronomia. Os convidados serão Rosa Pela mão da investigadora da Faculdade descobrir ou confirmar a data de aconte- tura e o teatro, a Astronomia influen- Doran, do NUCLIO - Núcleo Interacti- de Ciências e Tecnologia, os participan- cimentos associados na escrita a eventos ciou também a música. E, não menos vo de Astronomia, Joana Marques, do tes poderão conhecer o lado astronómi- astronómicos. A investigadora irá, por fim, importante, deixou-se influenciar por Museu da Ciência da Universidade de co de Leão Hebreu, Gil Vicente, Luís de revelar o que é que Padre António Vieira ela, explica o professor do Departa- Coimbra, e Victor Gil, presidente da di- Camões, Padre António Vieira, Fernan- achou do sistema heliocêntrico do tam- mento de Física da UC José António recção do Exploratório - Centro Ciência do Pessoa e Alberto Pimenta. bém jesuíta Nicolau Copérnico, que, ao Paixão. Viva de Coimbra. Algumas das descobertas mais impor- sugerir que o Sol (e não a Terra) era o “As regularidades que se observam O Ano Internacional da Astronomia é tantes da Astronomia foram imortaliza- centro do Sistema Solar, abalaria uma das nos movimentos dos astros e nos sons coordenado em Portugal pela Sociedade das por incontornáveis da literatura. As principais convicções da Igreja. musicais levaram os primeiros astróno- Portuguesa de Astronomia, com o apoio obras do tempo da expansão marítima, Já Mário Montenegro, director artísti- mos a intuir a existência de uma relação da Fundação para a Ciência e Tecnolo- como ‘Os Lusíadas’, são, de resto, fon- co da companhia de teatro Marionet, vai entre a harmonia cósmica e a musical – gia, da Agência Nacional Ciência Viva, tes ricas sobre a evolução da Ciência, debruçar-se sobre a forma como a As- como a proposta na ‘música das esfe- do Museu da Ciência da Universidade explica Carlota Simões. “A publicação tronomia tem influenciado o universo tea- ras’ de Kepler, uma teoria para o movi- de Coimbra e da Fundação Calouste de ‘Diálogos de Amor’ de Leão Hebreu tral. Doutorando na Faculdade de Letras mento planetário inspirada na música”, Gulbenkian.
  • 6 CRÓNICA 26 DE JUNHO DE 2009 A OUTRA FACE DO ESPELHO Parque Verde José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com Podemos dar uma volta no Parque Verde. Foi as- sim que começou a conversa, quando a tarde se ex- tinguia na sala onde acabara a conferência, sobre aquelas coisas que às vezes nos pedem e a que não podemos dizer não, por dever de ofício. Nem sem- pre os temas nos agradam, quantas vezes nos obri- gam a trabalho suplementar, leituras apressadas, umas nótulas securitárias para não corrermos risco de aba- far, mas sempre esta obrigação de estar ali, a funci- onar no funcionalismo gratuito da contribuição cul- tural, porque nunca ninguém se lembra de quanto vale o que sabemos e podemos disponibilizar, paga- se ao médico, ao advogado, ao arquitecto, paga-se ao pintor, ao carpinteiro, ao canalizador, mas ao tra- balhador intelectual faz-se o favor de convidar para uma mesa-redonda, uma palestra, conferência, sei lá o quê, venha daí em viagem à sua própria custa, que fará parte do adorno ou servirá para compor o currículo. Quando me disse podemos dar uma volta no Par- que Verde, senti que era a compensação de que dis- punha para me colocar no limbo dos bons momen- tos. O certo é que eu não sabia o que era o Parque A mulher já não tinha muita paciência para aturar as formas ridículas que afinal são as que valem a Verde. Aprendi depois que é um lugar aprazível, à os pequenos caprichos do senhor administrador, gos- pena, pronto, o Parque Verde está visto e agora, se- beira de um Mondego que é outro naquele passear tava das festas sociais e sair nas revistas ao lado nhor engenheiro, vou levá-lo ao hotel. de horas mais ou menos lânguidas, onde as mãos se dele, mas era bem mais interessante o motorista, que Foi então que ele olhou e viu um pequeno cartaz podem encontrar, os sorrisos adormecerem, os olha- um dia a levou ao Algarve para uma festa de notá- que falava numa homenagem ao António Portugal. res multiplicarem cumplicidades e, quem sabe, tal- veis a que ele não podia ir. Lembrou então os idos de finais dos anos quarenta, vez um regato nascente para um rio de ternura, que Depois, bem, passado o embaraço da timidez foi todos os anos cinquenta do século passado, a Coim- a ternura é sempre o esperável que vale a pena es- tudo o jogo da glória e nem uma pitada de remorso, bra dos preparatórios de engenharia, que então não perar. Ai de quem não sabe isto, quem apenas se ele também mas faz, logo estamos quites, penso que havia licenciatura, os encontros com o António e a prende nas realizações de futuros organizados, arru- não disse assim, o motorista é que ficou sem saber Teresa, todos os daquela tertúlia depois de almoço, madinhos, muito conseguidos para. Quem funciona- como tratá-la, também para que interessa a maneira que se espreguiçava pela tarde, se repetia depois de liza o amor ou isso a que é costume chamar amor, como as pessoas se tratam na intimidade, há sempre jantar até horas mortas. como querem sempre funcionalizar a inteligência a O António Portugal ficará como um símbolo, não recibos verdes ou contratos a termo certo, que é sem- de uma geração, mas de um esforço renovador. Que pre termo sabido, amar com horário e relógio de pon- é muito mais do que marcar um tempo, é ser o pró- to, que horror, disse-me ela no Parque Verde, quan- prio tempo. A partir daquela noite em que Artur Pa- do isto tudo me saía torrencial para expurgar a re- redes, com o filho Carlos, Arménio Silva e Ferreira volta, que horror, senhor engenheiro, nem sei se hei- Alves, no Avenida, nas comemorações das Bodas de chamar-lhe engenheiro ou economista, repetia, de Diamante do Orfeon trouxeram uma outra sono- mas não se chama a ninguém senhor economista, ridade à guitarra, o António Portugal ficou depositá- reparo agora, disse com ar gaiato, diz-se sempre se- rio da responsabilidade de mudar tudo no espaço nhor doutor, também serve para tudo, mas senhor coimbrão. Assumiu com tranquilidade exaltante. Com economista também soa mal, não acha? a guitarra e uma maneira de se dobrar com ela. Ar- Divertia-me ouvi-la e pensei no curso de enge- rebatado. Como em tudo. Até o coração aguentar. nharia do Técnico e depois nos estudos de econo- Naquele rés-do-chão da Avenida Afonso Henri- mia, o doutoramento em Boston, os conselhos de ad- ques. Corria o ano de 1955. Eu sei que isto pode ministração e as aulas, os convites das televisões incomodar alguns, não sou evidentemente especia- em programas para dizer o que se quer ouvir, pensei lista. Tenho memória. Sei que semeava a diferença. em tudo, julgo que pensei, porque na verdade apenas Que construiu a diferença. andava à solta nos canteiros dos seus olhares de O António, que então tocava com o Jorge Godi- desafio, penso que eram de desafio, que a madureza nho, o Manuel Pepe e o Levi Baptista, percebeu bem da minha idade talvez abrisse alguma especial curio- o que eram cromáticos, é assim que se diz?, agarrou sidade, como será na cama este tipo tido por sábio na guitarra e meteu-se a fazer a Aguarela Portu- em questões económicas, ora ora, são todos iguais, guesa. Seguiu-se um salto enorme, com os poemas mas talvez haja alguma coisa que a gente não sabe, do Alegre, a voz do Goes e do Adriano, quantas mais. um qualquer viciozito privado, qualquer surpresa, isto A resistência activa mas acima de tudo um toque andava vagamente na cabeça dela, ou talvez apenas de qualidade que repercutiu em tantos dos que vie- na minha cabeça, eu é que estava a pensar o que ram depois, e não vou nomeá-los, que agora já nem queria que ela pensasse, faltava-me coragem para me importam os olhos da mulher que acaba de dizer verbalizar um convite. é altura de ir para o hotel… Aquela coragem com que era capaz de demolir Valeu a pena saber o que é o Parque Verde. Para as grandes opções de um qualquer plano de um qual- poder marcar este encontro com o António Portugal. quer governo. Interfiro agora na história, mudo a António Portugal pessoa, a conjugação neutraliza o que pode. * Professor universitário
  • 26 DE JUNHO DE 2009 OPINIÃO 7 ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins mata-mata! Há cerca de um ano, esta coluna riga vazia dos contribuintes bate derrocada de sonhos para uns tantos do parceiro a contra-gosto) e PS + BE dava à luz um texto cujo título balan- mais forte do que a vozearia dos que nada fizeram para merecer outro (que vai durar o tempo de um sopro, çava entre o real e o jocoso: “a cor- debates sobre o estado da nação ? destino, e um quebra-cabeças para mi- porque os tempos não são de nacio- da e o circo”. E passo a citar dois Remodelando agora, terá no míni- lhões de portugueses que só querem nalizar sectores de que o BE quer a excertos, que parece terem parado no mo o benefício da dúvida de quem apostar certo e garantir que não lhes todo o transe pôr-e-dispor). tempo. foi solidário até ao limite do tole- tiram o resto da pele que já deixaram E um governo minoritário, como “Cada um faz o seu número de rável, mas que não hesitou em dar nos desfiles de rua, na dobradiça das fará passar o seu ‘programa’? Se for circo, a corda vai esticando debai- o passo patriótico quando esgotou portas do emprego fechadas com es- do PS, o PCP não lhe dará mais que o xo das nossas desilusões e não nos todas as esperanças em homens que trondo, nos salários em atraso, nas fi- benefício da ‘abstenção’, e o BE pode demos conta que já estamos a tra- afinal desapontaram o país real. E las de espera de uma esperança cada não chegar para que passe rés-vés balhar sem rede! Numa conjuntura contra a aliança parlamentar PSD- económico-social sem precedentes CDS, – sendo certo que, se for um desde há décadas, o que passa a BE-fiel-de-balança, fará duras exi- valer é o chorrilho de asneiras, a E depois de 27 de Setembro? Ninguém vai gências que lhe continuem a dar visi- surdez à voz do bom-senso, a com- bilidade e protagonismo. Mas o mun- petição pela maior parvoíce políti- sobreviver sozinho, e os ‘fiéis-de-balança’ do que Francisco Louçã sonha não é ca – porque no fim alguém há-de (CDS e BE), emergentes de um desnorte o que aí vem, feito de consensos ao apagar as luzes! ... Qualquer even- centro, de privatização da economia, to (por mais insignificante) serve que atacou os indecisos e os desalentados, de liberalização das leis laborais e de para tocar a rebate e a lançar re- cados que não têm segunda leitu- voltam a ser (Deus nos acuda!) os decisores esbatimento do Estado como golden- share dos sectores-chave do século ra, cruzam-se ameaças por cima das do equilíbrio político que nos é necessário XXI. Se for do PSD, o CDS ajudará nossas cabeças atarantadas com mas quererá também contrapartidas, tanto despudor político, e o hori- como pão para a boca! e com toda a certeza que o PCP, PS e zonte continua nublado a perder de BE votarão contra – e aí, adeus pro- vista. Cheira cada vez mais a quei- grama de governo! mado e ninguém repara na direc- Conclusão? A batata pode voltar às ção do vento!” se ele tem por onde escolher!”. vez mais ténue. E quando em 27 de mãos de Cavaco Silva, que decerto “José Sócrates tem nas mãos uma Escrevi isto em Julho de 2008, an- Setembro e 11 de Outubro chegar o não hesitará em pôr ordem na bagun- maioria absoluta, base primeira tes do big-bang do suprime america- momento de fazer escolhas, receio ça. E ai de quem lhe apontar que não para a estabilidade política que ou- no que já corroía a economia ameri- muito que o “mata-mata” assassino e foi um gajo-porreiro-pá e deu aos par- tros vão ter que conquistar, esgri- cana e que os gurus europeus acha- sem discernimento se sobreponha ao tidos todas as oportunidades de se en- mindo argumentos que levem a dar vam que não se atreveria a passar o razoável de uma realidade que deixou tenderem em nome da paz política que um passo atrás aos que em 2005 Atlântico a vau, e antes das catástro- de ter esperança. o país (que os sustenta!) exige, e que votaram claramente no PS. Dir-se- fes universais em cadeia que se lhe E depois de 27 de Setembro? Nin- já está assegurada noutros parceiros á que nessa altura já havia no ar seguiram. Mas também nunca tive guém vai sobreviver sozinho, e os ‘fi- europeus que vão dar as mãos para uma ‘dinâmica de mudança’ ; mas veleidades (há que dizê-lo) de que al- éis-de-balança’ (CDS e BE), emer- chegar ao lado de lá do terramoto que chegar à maioria absoluta foi um guém ligasse a mais uma voz perdida gentes de um desnorte que atacou os varre o mundo desde há um ano a esta feito indiscutível. Porém, ao primei- no deserto. Diz-se tanta coisa que não indecisos e os desalentados, voltam a parte. ro-ministro falta-lhe dominar es- passa do ‘diz-se-diz-se’… ser (Deus nos acuda!) os decisores Quem não enxergar isto, não me- pontaneidades, dosear ímpetos, si- E fico perplexo com o que mudou do equilíbrio político que nos é neces- rece mais que o “mata-mata” adivi- mular contrições e sacrificar peões num ano! E fico doente com o que se sário como pão para a boca! Cenári- nhado dos próximos actos eleitorais para chegar ao pleno em 2009. Ora vai passar nos próximos três meses! os? Todos eles são de cedências fei- que decidirão o nosso futuro colecti- sacrificar peões é algo que Sócra- E fico em pânico com a eventual in- tos: PSD + CDS (natural, até onde vo. Muita cabeça vai rolar e algumas tes ainda não absorveu e interiori- governabilidade que se desenha no ho- Manuela Ferreira Leite tiver paciên- promissoras carreiras cairão sob a gui- zou do mundo da política, a ponto rizonte descalcificado das nossas cia para segurar Paulo Portas), PS + lhotina inexorável do voto popular. de ir remodelar tão só para as elei- energias nacionais. CDS (em que o primeiro dá ao segun- Mas não merecem outra coisa, por- ções de 2009. Senão, que outros As eleições europeias foram uma do dois ou três ministérios — Defesa, que a esperança de um amanhã me- trunfos ou actos de propaganda lhe agradável surpresa para alguns, uma Assuntos Sociais, Negócios Estrangei- lhor vale por todos os pessimismos do restam, numa altura em que a bar- alegria esfusiante para outros, uma ros?– para usar como quiser os votos hoje. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  • 8 OPINIÃO 26 DE JUNHO DE 2009 gência de prazer e de poder está a von- Egipto fazer um discurso que agradou Mais avisados, os do Norte da Euro- tade de sentido. (...) tanto a judeus como a muçulmanos, a pa desataram a andar de bicicleta e a Anselmo Borges tese de que o Presidente americano é descobrir o charme de compartilhar odo- Diário de Notícias Satanás ganhou força. Talvez este ho- res e sabores a próximo nos transportes mem seja, de facto, o Anticristo respon- públicos. (...) EMERGÊNCIA sável pelo Apocalipse, na medida em Rui Reininho DO PODER PIRATA que parece capaz de acabar com o Jornal de Notícias mundo tal como o conhecemos. Apa- O muito jovem Partido Pirata sueco fez uma entrada assinalável no Parla- mento Europeu, tendo obtido 7,1% dos votos na eleição de 7 de Junho de 2009. Para Estrasburgo vai enviar dois depu- tados. (...) UM ÚLTIMO OLHAR É preciso levar a sério a emergência SOBRE AS EUROPEIAS desta nova oferta política. Depois de apenas três anos de existência, o Pira- (...) As sondagens das eleições europeias tpartiet reúne cerca de 50.000 aderen- portuguesas eram, afinal, quase tão fanta- tes e é a terceira força militante da polí- siosas como os resultados das eleições tica sueca, logo atrás dos Moderados. nacionais iranianas. Há que dizer, contudo, (Os adversários do Partido Pirata subli- que não era fácil a tarefa de quem sonda. nham que a adesão ali é gratuita.) Em Boa parte dos resultados eleitorais era qua- 2009, houve uma adesão maciça dos jo- se impossível de prever. A vitória do PSD, vens entre os 18 e os 30 anos – na gran- por exemplo, acaba por ser surpreenden- de maioria, homens – a um programa te, sobretudo se tivermos em conta que fundado na legalização da partilha de fi- Paulo Rangel teve de superar algumas di- cheiros. O principal detonador deste ficuldades sérias: a falta de apoio de mui- movimento foi o processo «The Pirate tos dos principais militantes do partido, a Bay», do nome de um sítio sueco na In- sua relativa inexperiência política e uma ternet que propunha um motor de busca perturbadora semelhança física com o especializado nos ficheiros torrents, que Manelinho, da Mafalda, poderiam ter dei- permitem descarregar e partilhar, entre tado tudo a perder. utilizadores, filmes, música, programas Outra surpresa: o candidato ideal do informáticos, etc (...) PS, percebemo-lo agora, era Basílio Philippe Rivière Horta. Recordo que, segundo o ministro Le Monde Diplomatique Manuel Pinho, Paulo Rangel teria de comer muita papa Maizena para chegar A CRISE DA JUSTIÇA rentemente, está interessado em trocá- “NÃO ABRACE TÁXI, aos calcanhares de Basílio Horta. No lo por outro melhor, mas não deixa de destruir o nosso. Obama já tinha torna- JUNTE COM CAMBITO” entanto, e mantendo a metáfora da fari- Custa-me abordar este assunto, pelo nha láctea, que é realmente elegante, seu especial melindre. Mas, em consci- do claro que o nosso sistema de pre- conceitos, que era tão fiável e seguro, Rio Branco (Acre) – Se alguém pe- Rangel comeu as papas na cabeça de ência, não posso deixar de o fazer. A cri- dir: por favor, pode me destentar este che- Vital Moreira. Imaginem agora a quanti- se da Justiça está aí, é uma evidência estava pervertido. Um respeitável se- nhor branco de alguma idade como Ber- que, e você souber que o sujeito é fari- dade de papa Maizena que Vital Morei- incontornável. Não pode deixar de preo- nha de cruzeiro, destente. Se tiver dinhei- ra teria de comer para chegar aos cal- cupar os cidadãos responsáveis. nard Madoff roubou-nos a todos e deu cabo da economia, e um negro relativa- ro, tudo bem, é tarefa que você pode re- canhares de Basílio Horta. (...) A Justiça, em demasiados casos, não alizar sem abraçar táxi. Vai ser como Ricardo Araújo Pereira funciona, nomeadamente quando envol- mente jovem deseja endireitá-la outra vez. Confesso que já não sei quem hei- juntar com cambito. E se avistar um ho- Visão ve políticos mediáticos ou desportistas mem usando bosoroca não estranhe, ele igualmente mediáticos. Os juízes não se de temer, quando passo por um beco escuro. (...) é homem mesmo. Ao ouvir “cuida, me- entendem com os procuradores e estes nina”, não se preocupe. Agora, saindo não se entendem com os responsáveis Ricardo Araújo Pereira QUE NOS ESPERA? por ai, cuidado com as peremas. Grande da Polícia Judiciária. Há a sensação de Visão e vasto é o Brasil, digo sempre, sem (...) O Homem vem ao mundo por que disputam, entre si, para aparecerem medo do clichê. Porque é mesmo. fazer e quer queira quer não tem essa nas televisões, como vedetas. Não re- NORMAL OU SUPER? Felizmente, viajar por causa da litera- tarefa constitutiva: fazer-se a si mesmo. sistem a responder a perguntas dispara- tura tem me ajudado a conhecer o país E tanto podemos fazer de nós uma obra tadas ou mal intencionadas e nem sem- (...) Quando os carros andavam a e, principalmente, descobrir as múltiplas de arte como fracassar. pre o fazem com o bom senso que seria Normal, os dos remediados cujos pais se variações de nossa língua. Vou incorpo- Einstein constatou que quem sente a de esperar. deslocavam a pé ou de carroça no senti- rando aos meus caderninhos os vocabu- vida vazia de sentido não é feliz e sobre- Assim sendo, perdem a distância - tão do de dar estudos e educação aos filhos, lários locais, além de trazer dicionários vive mal. O Homem não pode viver sem necessária à profissão que exercem - e o gasóleo era para quem trabalhava e se regionais. Destentar é descontar. Abra- sentido. Aliás, a existência humana está desacreditam as magistraturas. Parece tinha que fazer à estrada; os do normal çar táxi é trabalho difícil (diga tachi e não baseada na convicção do sentido. A sua não perceberem que o silêncio é de ouro tiravam o coberto ao carro, limpavam- táxi), é sofrer. Bosoroca é uma bolsinha própria negação ainda o afirma. No limi- e a palavra, em certas circunstâncias, lhe pó e iam ali até à praia ou à ribeira onde se carregam cartuchos. Cuida, te, não é possível o “suicídio lógico”, pois lhes é bastante inconveniente. O que mais próxima ouvir o relato enquanto se menina significa se apresse, avie-se! quem pegasse numa arma para suicidar- contribui, com alguma frequência, para fazia um croché e as crianças suspira- Farinha de cruzeiro é gente boa, confiá- se, porque tudo é absurdo, negaria o ab- o descrédito da Justiça, nos espíritos dos vam pela sumol e pelos bolos de coco. vel, enquanto juntar com cambito é coi- surdo e afirmaria o sentido. telespectadores, que nas suas casas, num Nesse Mesozóico, também houve uma sa fácil de fazer. Peremas são mulheres O famoso psiquiatra Viktor Frankl, contexto diferente, os vêem, escutam, gravíssima crise de combustíveis por dadas, oferecidas, assanhadas e até mais fundador da logoterapia, mostrou, a par- avaliam. E não gostam... (...) causa dos ayatollas que contestavam as do que isso. tir dos estudos que realizou com base na Mário Soares modernices do xá da Pérsia. As viaturas Aos dicionários de gauchês e de per- sua terrível experiência nos campos de Visão tinham só um depósito com que se haver nambucanês, já acrescentei o baianês e concentração nazis, que a exigência mais aos fins-de- semana, de matrículas par o cearês. Agora tenho o acreano, do Gil- radical do ser humano é o sentido, ra- OBAMA ANTICRISTO? ou ímpar para circular e o Júlio Isidro berto Braga de Mello, delicioso. Gilber- zões para viver. Contra Freud e Adler, aproveitou para inventar a Música na TV, to, como todo acreano, firma pé. Apesar no mais fundo de nós, mais do que a exi- (...) Quando, há dias, Obama foi ao como o Bernstein cá do burgo. da reforma ortográfica, os acreanos, com
  • 26 DE JUNHO DE 2009 OPINIÃO 9 E, se recusam a se tornar acrianos, com se pela “eficácia” do discurso e pela “for- ser prejudicial (veja-se a Educação). Só- vas bases: continuando o barrosismo I. Que se mantenha o E, clamam, indig- ça” da sua imagem. Ao ponto de a linha de crates gosta de governar sozinho. Ideias, sem Barroso, assim como Guterres inau- nados. Ouçamos, minha gente, essas rumo, de que tantos falam agora, ter sido, precisam-se. E coerência. Não basta co- gurara um cavaquismo de “rosto huma- vozes distantes, elas não estão separa- nos últimos dois anos, substituída por uma piar a música e o slogan de Obama. Por- no”. das do Brasil. (...) sucessão ininterrupta de momentos de pro- que ao PSD basta-lhe uma ideia: estar no Durão Barroso revelou-se, no entan- Ignácio de Loyola Brandão paganda ao longo dos quais o Governo sal- poder. E querer estar no poder. Ser o balu- to, um excelente presidente da Comis- “O Estado de São Paulo” tava de anúncio em anúncio, de promessa arte contra o avanço da esquerda. são Europeia. Reabilitou a imagem da em promessa, de inauguração em inaugu- Clara Ferreira Alves “coisa”, depois dos desastres de Santer PENSAR NO FUTURO ração como se o país fosse um palco, imu- Expresso e Prodi, tratou dos assuntos essenciais, ne às contingências da realidade. e sobretudo antecipou estratégias, numa (...) Quando a crise chegou, Portugal já Daí que os apelos que se fazem sentir, O CAMINHO DE DURÃO União sonâmbula e pouco atenta. Foi era outro país, apesar das raivas que late- no interior do PS, a uma mudança de estilo um dos primeiros a advertir para a cri- javam em muitos sectores e que foram não deixem de ser um retrato fiel da deso- Aos costumes digo que sou amigo e se energética e a hiperdependência da ampliados pelas traições internas e acções rientação que existe hoje em todo o parti- fui colega de Durão Barroso. Conheci- Europa face ao ex-Leste. E a agir aí. (...) inusitadas como as de Manuel Alegre. Se do: porque o estilo é a única marca de uma o, era ele um dirigente do MRPP já com Nuno Rogeiro Sócrates resistiu a tudo, até chegar a crise maioria que privilegiou a forma ao conteú- muitas dúvidas, em trânsito para uma si- Jornal de Notícias que devastou todos os países do mundo, do, a ficção à realidade e a propaganda a não teve força para o ‘tsunami’ que apare- qualquer linha de rumo. Mudar o que pode O NOSSO FADO ceu. Apesar dos erros cometidos pelo Go- parecer acessório é, neste caso, mudar o verno, foi nessa altura precisa que Sócra- essencial. É que por trás do acessório, exis- Não, nunca iremos tornar-nos um tes começou a desfalecer. te apenas um imenso vazio. imenso Portugal. O nosso fado está tra- A maior acção de contra-informação Constança Cunha e Sá çado e, após oportunidades e mais opor- desencadeada no sentido de afirmar que o Correio da Manhã tunidades desperdiçadas, vamos ser ape- culpado da crise era o governo produziu os nas um Portugal dos pequeninos, um efeitos desejados. Sócrates não soube tra- AIRBUS SAI DO SILÊNCIO Portugal pequenino. var mais esta investida, ainda por cima com Vamos ser o Portugal onde os melho- porta-vozes, como Santos Silva, que em vez Doze dias depois do acidente com o res já não querem governar porque não de mudarem a onda agravaram os seus A330-200 do voo AF 447 onde morrem aguentam a eterna maledicência da rua. efeitos, com tantas baboseiras. Foi por tudo 228 pessoas o fabricante Airbus aban- Onde o povo tanto lhe faz ser mal ou isto que Sócrates perdeu. Agora é hora de dona o silêncio costumeiro para defen- bem governado porque é sempre con- renovar a estratégia para novos desafios der sua cria. “O A330 é um dos melho- tra. Onde ninguém - pessoa, corporação, que aí vêm. res e está entre os mais seguros aviões empresa, sindicato - deixa de achar sem- Emídio Rangel construídos até hoje”, disse o alemão pre que tudo lhe é devido e nada lhe é Correio da Manhã Thomas Enders, presidente da compa- exigível. Onde as grandes construtoras nhia européia. Ele se baseia na ficha vivem quase todas de sacar ao Estado A MATAMORFOSE corrida do A330-200. Desde que o avião obras inúteis, porque de outro modo não foi brevetado, em 1996, houve apenas um tuação de independência, primeiro, e para sabem viver. Onde ninguém pensa a pra- (...) Embora o País tenha dito nas ur- acidente com vítimas fatais: o vôo AF o PPD, depois. zo porque há sempre uma eleição pelo nas que já chega ao actual primeiro-mi- 447 do 1 junho que fazia o trajeto Rio- Não nos aproximava nem a doutrina, meio que não se pode perder, mesmo que nistro, convém não o subestimar. Sócra- Paris. “Um avião Airbus decola a cada nem a história, nem as “opções políticas”, seja a feijões, como as europeias que tes transformar-se-á no que os guerrei- dois segundos no mundo, a aviação civil nem sequer a formação intelectual, mas acabamos de atravessar. (...) ros do marketing político lho ditarem. E continua sendo o meio de transporte mais penso que nos juntava a curiosidade de A mediocridade há-de sempre que- como agora tantos falam em humildade, seguro do planeta.” compreensão dos motivos, pensamento rer que o nivelamento se faça por bai- o primeiro-ministro será humilde. Talvez O pronunciamento inédito de diretor e expressão dos aparentes “inimigos”, e xo. Há-de sempre querer afastar cri- até sereno e simpático para com os seus alto graduado da Airbus depois de um a previsão dessa era que hoje se chama térios que assentem no mérito, no tra- adversários. Nem que tenha de ensaiar a acidente envolvendo uma de suas aero- de “pós-ideológica”. Teremos também balho, no talento, na honestidade, nos metamorfose mil vezes, só aparentemen- naves não acontece por acaso. Nunca tido uma certa cumplicidade no entendi- valores. O que distingue um país com te contrariando a sua natureza (o que quer houve uma pressão tão grande da opi- mento dos rumos, nem sempre fáceis ou futuro de outro que o não tem é justa- é o mesmo). E agradece a moção de cen- nião pública mundial para saber as cau- explicáveis, do “interesse nacional”. mente o desfecho desse embate. Em sura. Não nos iludamos, será o mesmo. sas de um acidente de avião. (...) O seu projecto de governo, depois de Portugal premeia-se o absentismo e a Paula Teixeira da Cruz António Ribeiro muitas peripécias de saúde, de muitas rotina; desculpa-se a incompetência e Correio da Manhã Veja negociações e subidas a pulso, de mui- aceita-se resignadamente a burocracia tos caminhos solitários, ou incompreen- e o autoritarismo imbecil; perdoa-se a OFERTA CULTURAL A DECADÊNCIA didos, acabou na coligação “pragmática” ausência de valores éticos a todos os DO SOCIALISMO com um ex-aliado, ex-adversário, ex-po- níveis e trata-se socialmente por se- O primeiro-ministro admitiu que o lemista, Paulo Portas. Apesar das previ- nhores os que nada mais são do que (...) Olhamos para o PS e que vemos? Governo errou (aqui está uma novidade) sões de catástrofe, conseguiu rumar pe- bandidos; condecora-se o triunfo em- As caras e aproveitadores do costume. A por não ter investido muito na cultura e los escolhos complicados do “país de tan- presarial por favor político; perdoam- larga testa do dr. Vitorino, o único ‘inteli- lamentou a falta de oferta cultural. Se é ga”, manteve unidas facções díspares, e se os impostos e os crimes fiscais aos gente’ do partido, que tem um think tank só verdade que José Sócrates quer ‘arrepi- entrou no Campeonato Europeu de Fu- grandes vigaristas, enquanto se perse- para ele. A oportunista testa do dr. Carri- ar caminho’ e aparecer com um imagem tebol, feito em estádios que não tinha gue implacavelmente o pequeno e ho- lho, sentado na sinecura da UNESCO. diferente, convém que saiba do que fala. previsto nem aprovado, com altos níveis nesto devedor ou aqueles que mais im- Vemos alegristas e guterristas, senhoras do A oferta cultural só é diminuta para quem de confiança. postos pagam e que não fogem ao fis- costume, apparatchiks obsoletos, luta pela anda distraído; há bastantes coisas a A saída para Bruxelas fracturou a sua co; arquivam-se os crimes que são di- sobrevivência e confrangedora ausência de acontecer todos os dias e o Governo não própria base de apoio. fíceis de investigar e tortura-se a mãe discussão e de temas. Vemos que uma fez falta, a não ser para quem quer ter Achei-a, na altura, incompreensível, da Joana, transformando os responsá- certa intelligentsia que votaria no PS pas- emprego fácil. (...) prejudicial, má para Portugal, para a es- veis em vedetas mediáticas; consen- sou a votar no Bloco de Esquerda, por ra- Francisco José Viegas tabilidade, para a confiança nos políti- te-se o indecoroso tráfico de influên- zões éticas e estéticas, ou porque o Bloco Correio da Manhã cos. Com a opção comissarial abriu-se cias entre o poder político e a advoca- é uma ‘vanguarda’ não ‘corrompida’. E uma crise de legitimidade, cujos efeitos cia de negócios e pretende-se calar o tem o poder de não ser poder. O Bloco fez MUDAR DE RUMO ainda sentimos, obrigando Santana Lo- bastonário dos advogados que, à reve- do PS o seu inimigo principal. E o PS dei- pes a um sacrifício de emergência, Jor- lia dos bons costumes, denuncia o que xou. A hemorragia do PS é culpa do PS. (...) Por oposição à dra. Ferreira Leite, ge Sampaio a um bizarro presidencia- todos sabem ser verdade. (...) Tal como o PCP, foi derrotado. Sócrates capaz de comunicar apenas a sua própria lismo de tutela e vigilância, e à recria- Miguel Sousa Tavares tem a vantagem do voluntarismo e da re- incapacidade, o eng. Sócrates distinguia- ção do PS pós-Ferro Rodrigues em no- Expresso sistência. Voluntarismo não chega e pode
  • 10 COIMBRA arte em café 26 DE JUNHO DE 2009 CARLOS ENCARNAÇÃO ACUSA ESTADO DE SE DISTRAIR DAS QUESTÕES SOCIAIS Coimbra é uma lição em projecto integrador de comunidade cigana O Presidente da Câmara de Coimbra pal lançou do ponto de vista humano e experiência poderá ser alargada a cida- afirmou há dias que o Estado “continua social. dãos não ciganos, a outras comunidades distraído” no que respeita a questões “Esta é uma missão insubstituível do que também vivem em situação de ex- sociais, tendo as autarquias de assumir Estado, que continua distraído das ques- clusão social. essas competências para minimizar os tões sociais. É obrigação do Estado fa- “Portugal devia adoptar o lema “Por- problemas. zer isto. É uma questão nacional que tem tugal País de Todos”, disse, em adapta- “O que mais me ofende é que o Es- cambiantes locais”, observou. ção do lema escolhido por Coimbra para tado faça de conta que não sabe dos pro- Para Carlos Encarnação, “não vai ser o projecto, que contempla o acompanha- blemas. Que seja distraído”, declarou possível ao Estado deixar de ter atenção mento multisectorial de famílias ciganas Carlos Encarnação, ao encerrar, em a estas soluções” que o projecto pionei- num centro de estágio habitacional; um Coimbra, um debate nacional sobre a ro de Coimbra apresenta ao nível da in- espaço de conquista de competências população cigana em situação de preca- tegração da comunidade cigana. para a sua integração em bairros da ci- riedade habitacional”. Também Artur Trindade, secretário- dade. Na sessão, que contou com o envolvi- geral da ANMP criticou o Estado por Sara Carvalhal, responsável por esse mento da Associação Nacional de Mu- deixar nas mãos dos municípios a reso- centro de estágio habitacional da Câma- nicípios Portugueses (ANMP), a Câma- Carlos Encarnação lução de problemas sociais sem lhes ra de Coimbra, por onde passam as fa- ra de Coimbra apresentou aos técnicos bém impressão que as comunidades não transferir essa competência, e sem as mílias ciganas, afirmou que o seu perfil de várias autarquias do país um projecto compreendam estes problemas”, afirmou dotar de meios financeiros para tal. não difere de qualquer família multipro- pioneiro de intervenção junto da popula- o autarca. “Tenho orgulho pela Câmara Muni- blemática pobre, isolada, que não tive ção cigana, que já está a ser adoptado Reportando-se ao projecto “Coimbra cipal de Coimbra que, em representação acesso a oportunidades. pela Câmara Municipal de Ovar. Cidade de Todos”, que a sua autarquia do poder local, tenha tido esta iniciati- Também a Alta Comissária para a “Não fico bem com a minha consci- lançou em 2004 para intervir junto da va”, afirmou o dirigente, desejando que Imigração e Diálogo Intercultural, Rosá- ência quando vejo cidadãos a degradar comunidade cigana a viver em barracas, a experiência seja adaptada e transpor- rio Farmhouse, defendeu na sessão que a sua situação, e abandonados a si pró- Carlos Encarnação disse tratar-se “das tada para outros municípios. o projecto de Coimbra seja aplicado nou- prios a viver na cidade. Causa-me tam- melhores coisas” que a Câmara Munici- Na perspectiva de Artur Trindade, esta tros municípios. “Plataforma do Choupal” quer Câmara a dar explicações sobre projecto de novo viaduto O movimento Plataforma do Chou- mo que a Câmara de Coimbra “tenho ressados observassem a circulação po que entenderem”, explicou o bió- pal considerou ontem (dia 25) que a o mesmo estatuto no processo, com o rodoviária. logo Miguel Dias, que integra o movi- Câmara Municipal de Coimbra “deve argumento de que estão a defender os “Ficou comprovado que não há si- mento. explicações” sobre a necessidade de interesses do município”. tuações de entupimento, apenas situ- A iniciativa começa hoje (sexta-fei- se construir uma nova ponte na cida- “Parece-nos haver vontade das Es- ações pontuais de dificuldades no es- ra) às 18:00 e, durante 48 horas, os de, na zona da Mata do Choupal. tradas de Portugal de não deixar de coamento”, disse Luís de Sousa, re- participantes podem “correr, andar de O movimento, que contesta a cons- fora uma parte interessada no proces- ferindo que a Plataforma do Choupal bicicleta ou caminhar”. trução de um viaduto rodoviário com so”, referiu. está contra o “desperdício de dinhei- No caso da corrida, os participan- 40 metros de largura e que atraves- A Plataforma do Choupal conside- ros públicos num troço sem necessi- tes devem fazer uma pré-inscrição sa o Choupal numa extensão de 150 rou ainda “extremamente positiva” a dade”. através do e-mail metros, no âmbito do novo IC2, re- iniciativa designada por “Desafio Elec- No âmbito do processo de contes- plataformadochoupal@gmail.com. velou hoje, em conferência de im- trónico à População!, que procurou tação à construção do viaduto sobre Segundo Luís Sousa, estão já ins- prensa, que o município “está desde mostrar “a total ausência de entupi- a Mata do Choupal, iniciado em Fe- critos cerca de 150 participantes. o primeiro momento por detrás desta mentos ou engarrafamentos” de trân- vereiro deste ano, o movimento pro- Entre eles os candidatos à autarquia solução”. sito na Ponte Açude, junto à Mata do move entre os dias 26 e 28 de Junho de Coimbra Pina Prata (independen- Luís Sousa, do movimento, disse à Choupal, onde o Governo pretende mais uma iniciativa desportiva, que se te), Francisco Queirós (CDU), Cata- Agência Lusa que, na contestação do construir o viaduto rodoviário. designa “Uma espécie de corrida”. rina Martins (BE) e as deputadas so- Ministério do Ambiente e das Estra- Através de uma câmara, o movi- “Trata-se de uma espécie de corri- cialistas Teresa Portugal e Matilde das de Portugal à acção popular in- mento disponibilizou durante uma se- da desportiva sem regras, em que to- Sousa Franco, para além do provedor terposta no tribunal por sete cidadãos, mana imagens permanentes em direc- dos os participantes podem praticar a do Ambiente de Coimbra, Massano foi requerida por este último organis- to da Ponte Açude para que os inte- actividade que quiserem durante o tem- Cardoso.
  • 26 DE JUNHO DE 2009 IMAGENS 11 EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS NA CASA DA CULTURA Imagens aéreas de Varela Pècurto título de Excellence, em homenagem aos lismo em Vila Franca de Xira. seus trabalhos e técnica no domínio da “Vidas de Ferro” é o nome da exposi- arte fotográfica. ção baseada na sua interpretação sobre o Foi operador – correspondente da RTP quotidiano Ferroviário que se encontra no em Coimbra, colaborador de imprensa e Museu Nacional Ferroviário do Entron- de publicações de arte e turismo. camento. É autor dos livros “PENACOVA” e “ER- Homem dotado de um coração imenso, Varela Pècurto numa das avionetas com que sobrevoou Coimbra Na Casa Municipal da Cultura de Co- imbra está patente ao público uma expo- UMA CARREIRA NOTÁVEL sição fotográfica muito interessante. Tra- ta-se de um valioso conjunto de ima- Varela Pècurto tem tanto de modesto VEDAL”. Através deste último, Varela decidiu destribuir o seu espólio fotográfico, Pècurto homenageia a sua alentejana ter- como se de uma devolução se tratasse, a ra-natal. Desenvolveu ao longo de décadas diversas instituições e municípios. um importante levantamento patrimonial, A Coimbra tem doado centenas de foto- objecto de publicações diversas. grafias e algumas das suas preciosas má- Em 2005 recebeu da Câmara Municipal quinas fotográficas. de Coimbra a Medalha de Mérito Cultural e Um lote específico dessa doação é com- um diploma de honra do Clube da Comuni- posta por uma série de negativos contendo cação Social de Coimbra, pelo serviço pres- vistas aéreas, onde o fotógrafo nos revela tado à cidade. uma cidade muito diferente, em termos ur- Encontra-se representado com 15 foto- banísticos, da que hoje conhecemos. grafias no Museu Nacional de Arte Con- É precisamente essa Coimbra de outros temporânea – Museu Chiado. Parte dessas tempos captada pelo olhar do fotógrafo que imagens estão patentes na exposição “Ba- foi pioneiro em imagens aéreas, que se pode talha de Sombras” no Museu do Neo-Rea- apreciar gens áereas recolhidas, ao lonfo de como de notável, com uma carreira bri- anos, por Varela Pècurto, um dos mais lhante. prestigiados e premiados fotógrafos Nasceu em Ervedal do Alentejo, Con- portugueses (e colaborador regular celho de Avis, a 27 de Abril de 1925. deste jornal). Fez o liceu em Évora, onde se iniciou “Voar sobre Coimbra... há meio sé- na arte da fotografia. Trabalhou para a culo”, é o curioso título da mostra, que casa Nazareth & Freitas e, posteriormen- pode ser apreciada na Casa Munici- te, com Eduardo Nogueira. pal da Cultura até ao próximo ia 16 Em 1950 veio para Coimbra, tendo di- de Julho. rigido a Sessão Fotográfica da Livraria Naquela selecção de belíssimas Atlântida e depois a “Hilda” como só- imagens que Varela Pècurto foi re- cio-gerente. colhendo, ao longo de vários anos, a Foi sócio fundador do Grupo Câmara partir de pequenos aviões que sobre- de Coimbra e participou em dezenas de voaram Coimbra, podem ver-se as- concursos nacionais e internacionais. pectos muito curiosos dessa Coimbra Em 1954, por decisão do congresso de há meio século. de Barcelona da Féderation Internacio- nal de L’Art Photographique, recebe o
  • 12 COIMBRA 26 DE JUNHO DE 2009 FEIRA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE COIMBRA CIC’09 na Praça da Canção - MOSTRA COM MUITAS ATRACÇÕES E UM PROGRAMA DE ESPECTÁCULOS DE QUALIDADE Vai ser inaugurada amanhã (sá- actividade económica, a CIC’09 pre- lhares em cada dia da CIC’09). São Pedro de Alva bado, dia 27), pelas 17 horas, a tende ser uma mostra da pujança do Para além da mostra empresarial, 22.00 – Uma Canção para Ti | TVI CIC’09 – Feira Comercial e Indus- tecido empresarial e da sua determi- a CIC’09 tem muitos outros atracti- 24.00 – Encerramento trial de Coimbra. nação para enfrentar as dificuldades. vos, desde a possibilidade de sabore- De novo na Praça da Canção (an- Daí que os responsáveis da Asso- tigo Choupalinho), a CIC’09 deverá ciação Comercial e Industrial de Co- ser o pólo mais atractivo de Coimbra imbra, e todos os seus colaboradores, ao longo dos próximos dias, uma vez tenham trabalhado arduamente para que volta a assumir-se também como que o certame atinja os seus objecti- uma Feira-Festa. vos e agrade a expositores e a visi- Apesar da crise que afecta toda a tantes (que se espera afluam aos mi- A nova margem esquerda do Mondego é uma agradável surpresa ar a boa gastronomia tradicional por- 28-Jun, Domingo tuguesa, até à de assistir a excelentes espectáculos. 17.00 – Abertura Espera-se, pois, que a população de Ilha das Competências | Stand Coimbra e da Região Centro aprovei- ACIC: TIC, Curtas de Informática tem estes próximos dias para ir visi- 19.45 – Animação * tar um dos mais aprazíveis espaços de 22.00 – Rita RedShoes Coimbra, à beira do Rio do Mondego, 24.00 – Encerramento ficando a conhecer as empresas, po- dendo comprar produtos dos mais va- 29-Jun, Segunda-Feira riados tipos e ainda deliciar-se com os excelentes espectáculos promovidos 19.00 – Abertura pelos organizadores. Ilha das Competências | Stand ACIC: CP / CE Reflectir para ser... PROGRAMA CIC’09 19.45 – Animação * 22.00 – Arraial Popular 27-Jun, Sábado 24.00 – Encerramento 17.00 – Abertura 30-Jun, Terça-Feira Ilha das Competências | Stand ACIC: Divulgação e Inscrições 15.00 – Seminário Licenciamento 18.00 – Inauguração da CIC 09 – Industrial: Visita ao Recinto Novo Regime de Exercício da Ac- 19.30 – Espumante de Honra tividade Industrial 19.45 – Rancho Folclórico C.P. de 19.00 - Abertura Ilha das Competências | Stand
  • 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 13 ACIC: Sessão de Esclarecimento CNO 19.45 – Animação * 22.00 – Banda Red 24.00 – Encerramento 01-Jul, Quarta-Feira 19.00 – Abertura Ilha das Competências | CNO, Juri de Validação B3 19.45 – Animação * 22.00 – Be Flat 24.00 – Encerramento 02-Jul, Quinta-Feira 18.00 – Seminário Apresentação do Estudo das Necessidades Formativas Ilha das Competências | Stand ACIC: MV, Fazer Contas à Vida 19.00 – Abertura 19.45 – Marchas de Brasfemes - Plastubo 22.00 – Angélico 24.00 – Encerramento 03-Jul, Sexta-Feira 19.00 – Abertura ACIC: CLC, “A minha Pátria é a mi- 05-Jul, Domingo Ilha das Competências | Stand 04-Jul, Sábado nha Língua...” FP 13.00 – Almoço do Expositor ACIC: STC, Tempos Modernos 18.00 – Lançamento da Renault 17.00 - Abertura 19.45 – Animação * 13.00 – Almoço de Entrega de Pré- Mégane Break - LITOCAR Ilha das Competências | Stand 22.00 – JIZZ * mios | Concurso de Vinhos ACIC – 19.45 – Dixie Gringos ACIC: Entrega de Certificados * 00.30 – Fogo de Artifício – Festas Cidade de Coimbra 22.00 – Guys From Caravan 17.30 – Comemorações 25 Anos da Cidade e da Rainha Santa Isabel 17.00 - Abertura 01.00 – Encerramento Plastubo | Animação Diversa 01.00 – Encerramento Ilha das Competências | Stand 22.00 – St. Dominic’s Gospel Choir
  • 14 EDUCAÇÃO/ENSINO 26 DE JUNHO DE 2009 CRIADO PORTAL DAS ESCOLAS NA INTERNET Alunos e professores podem aceder a conteúdos Alunos e professores podem, desde o para professores e alunos”. adulto que a guie nesse acesso é indis- relevante sobre todas as escolas do passado dia 19, aceder e partilhar con- Maria de Lurdes Rodrigues salientou pensável”, afirmou a Ministra da Edu- país, como a sua história, a sua loca- teúdos informativos digitalizados e divul- que o portal será baseado num princípio cação, realçando que o papel da escola lização, os seus contactos, os seus gados no Portal das Escolas na Intenet, de “diversidade de conteúdos”, da res- continua a ser “absolutamente central”, órgãos de gestão e a sua oferta edu- lançado pela Ministra da Educação. ponsabilidade dos que produzem esses apesar dos conteúdos disponibilizados cativa. Considerado um dos projectos-chave conteúdos e na centralidade da escola e pelo portal. Na cerimónia de lançamento foram do Plano Tecnológico da Educação, o dos professores. “Estes conteúdos não dispensam as ainda assinados dois protocolos de coo- portal apresenta recursos informativos “Se é relativamente fácil que uma cri- escolas da sua dimensão de educar to- peração do ME com os canais de televi- em formato digital permitindo, segundo ança com um computador aceda a partir dos, em igualdade”, disse. são RTP e a SIC, que deverão disponibi- a Ministra da Educação, “a melhoria das de casa a um mundo e informação, tam- Além de conteúdos educativos, o por- lizar conteúdos para acesso através do condições de ensino e de aprendizagem bém é verdade que a presença de um tal compreenderá ainda informação portal. Carlos André toma posse como Director da FLUC Carlos Ascenso André vai tomar A posse será conferido pelo Rei- como o relatório de actividades e as Associado com Agregação na FLUC, posse como Director da Faculdade de tor, Fernando Seabra Santos, em ce- contas, e dirigir os serviços da Facul- onde concluiu o Doutoramento, em Letras da Universidade de Coimbra rimónia a realizar pelas 12 horas, na dade. A equipa de Sub-Directores 1990. Com as Línguas e Literaturas (FLUC), no próximo dia 30 (terça-fei- Sala do Senado da Universidade de será constituída pelos docentes Rui Clássicas, Renascimento e Humanis- ra), na sequência das eleições recen- Coimbra. Gama (Geografia), Joaquim Ramos de mo como principais áreas de investi- temente realizadas em virtude da al- Ao Director da FLUC compete, en- Carvalho (História), Albano Figueire- gação, tem-se dedicado em particular teração estatutárias da Faculdade no tre outras funções, assegurar a presi- do (Línguas, Literaturas e Culturas) ao estudo da Literatura Latina e aos âmbito da aplicação do novo Regime dência do Conselho Científico e do e Fátima Gil (Línguas, Literaturas e estudos camonianos. Desempenhou o Jurídico das Instituições de Ensino Conselho Pedagógico, elaborar o or- Culturas). cargo de Governador Civil do Distrito Superior. çamento e o plano de actividades, bem Carlos Ascenso André é Professor de Leiria entre 1996 e 2002.
  • 26 DE JUNHO DE 2009 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 Portugal funda projecto internacional para ensinar aos alunos “competências do século XXI” Portugal é um dos cinco países fun- de e inovação, pensamento crítico, reso- 2012, um programa de avaliação de com- dadores de um novo projecto educativo lução de problemas, comunicação, lite- petências dos alunos da OCDE. de definição de estratégias para ensinar racia tecnológica”, apontou. O responsável destacou o facto de e avaliar “as competências do século “O que se pretende é identificar estas Portugal ter sido convidado para o ar- XXI”, fundamentado no uso nas tecno- competências e definir estratégias para ranque do programa, o que é entendido logias de informação e comunicação. que sejam transmitidas nos processos de como um “reconhecimento internacional” Coordenado pelo professor Barry ensino e adquiridas pelos alunos de to- da estratégia de modernização tecnoló- MgGaw, da Universidade de Melbourne dos os níveis escolares e desenvolver me- gica do ensino, uma ideia partilhada pela (Austrália), o plano “Assessment and todologias que permitam avaliá-las. O de- ministra da Educação, Maria de Lurdes Teaching of 21st Century Skills” (AT) nominador comum é o uso das tecnolo- Rodrigues. tem também como fundadores a Austrá- gias da informação e da comunicação”, “Este é o reconhecimento das refor- lia, a Finlândia, a Singapura e o Reino explicou. mas introduzidas na educação em Por- Unido e é apoiado pelas empresas Cis- O comité executivo, onde estão repre- tugal, nomeadamente com o Plano Tec- co, Intel e Microsoft. sentados todos os países e empresas par- noógico da Educação, coincidentes com Em declarações à Lusa, o coordena- ceiras, vai começar a trabalhar nos pró- os avanços internacionais nas ciências dor do Plano Tecnológico de Educação ximos meses, tal como os grupos de tra- da educação”, refere a ministra, citada nacional e um dos dois representantes balho que serão criados para traçar me- num comunicado do Plano Tecnológico de Portugal no comité executivo, João todologias e metas e perceber as impli- da Educação. Trocado da Mata, esta é “uma grande cações pedagógicas. O documento cita também Barry oportunidade” para o país, porque, en- Em termos financeiros, o ATC21S é McGaw: “Apesar de os países fundado- quanto promotor inicial, poderá influen- suportado pela Organização para a Co- res diferirem de várias e interessantes for- ciar a direcção da iniciativa e adoptar operação e Desenvolvimento Económi- mas, cada um deles está empenhado no mais cedo que outros países novas es- co (OCDE). desenvolvimento de novas formas de ava- tratégias de ensino, aprendizagem e ava- João Trocado da Mata sublinhou que liação, no sucesso dos seus sistemas atra- liação de competências. a iniciativa vai possibilitar a Portugal a vés da produção de informação de quali- “O projecto visa a definição de com- participação, já no próximo ano, nas ex- dade e no desenvolvimento das competên- petências para o século XXI: criativida- periências-piloto de preparação do PISA cias do século XXI nos jovens”, refere. Eleições, pensões, avaliações e análogos Lurdes admite aos professores o direito no de qualidade. José Neves da Costa* à manifestação da sua insatisfação, diria Guerra, só na sua sacrossanta cabe- indignação mas, adiante, inventando con- ça. Ela a quer, ela a cria; dela não fugi- “Vamos brincar à caridadezinha/ tra todos um dever para si: seguir as suas remos, defendendo um estatuto digno que festas, jantares/e boa comidinha…” políticas e as do governo. Já é um passo acabe com esta vergonhosa divisão en- José Barata Moura em frente considerar que os professores tre titulares e suplentes, que promova uma estão insatisfeitos, não instrumentalizados avaliação de desempenho que o valorize Quando se aproximam eleições tudo pelos sindicatos, mas como uma pedra da pedagogicamente, em nome das apren- é permitido, até o nariz crescer. calçada que não pensa, porque não tem dizagens dos alunos, e não contra, em Há pensões de miséria a serem au- necessidade, persistir na asneira da sua nome do prestígio dos professores, e não mentadas miseravelmente. Linhas de não razão contra todos, menos muito pou- do seu aviltamento, lutando contra este in- crédito, pasme-se, para os funcionários cos. é obra de destruição voluntária. decoroso modelo de gestão que acaba públicos em dificuldade, em vez da re- A Maria de Lurdes afirmou que a ava- definitivamente com a democracia nas posição dos salários a que têm direito. liação era uma batalha ganha. Curiosa- escolas, imagine-se em nome da Negociações que o não são: nós propo- mente não disse de que avaliação se tra- autonomia…diria eu: do compadrio, do mos, vocês aceitam. Para o que dizem tava, embora imaginemos, nem de que autoritarismo, do apadrinhamento, ser negociações abertas, ordenam, im- guerra. Se é a avaliação de alunos, que enfim…um regabofe pegado. E ainda há põem antes e depois simulam “uma es- deveria ser a sua grande preocupação, gente que alinha nisto?!!! Ah! porque mais pécie de magazine”… ai desculpem, de estamos em desacordo. Se é a avalia- vale “este” que é um “gajo porreiro” do reunião. ção de professores, que é a sua grande que “aquele” que é um “filho da mãe”. Em nome da crise… preocupação, voltamos a estar em desa- De porreirismo em nacional-porreiris- Perante mais uma grandiosa afirma- cordo. Não é ganha, porque falsa; não é mo, ainda voltamos ao fascismo com ção de vontade de defesa da escola pú- ganha porque os professores não se vão malta…muito porreira. blica, de um estatuto digno sem fractu- deixar enrodilhar na sua teia de ódio e Cá vamos cantando e rindo… leva- ras e de uma avaliação formativa não continuarão a trabalhar dignamente, de- dos não. burocratizada, finalmente a Maria de fendendo a escola pública com um ensi- * Professor e dirigente do SPRC
  • 16 SAÚDE 26 DE JUNHO DE 2009 Suplementos alimentares podem ser prejudiciais para a saúde dá qualidade, porque na natureza também há substâncias prejudiciais”, alertou. A endocrinologista Isabel do Carmo aler- muito parecido”, disse à Lusa a directora de emagrecimento e não de complemen- “Se as pessoas querem tomar suplemen- tou que os suplementos alimentares, utili- do Serviço de Endocrinologia do Hospital to, dado os componentes laxantes, diuré- tos, então que tomem suplementos de vita- zados para ajudar a emagrecer, podem ser de Santa Maria. ticos e estimulantes que integram a sua minas e sais minerais” que são benéficos perigosos para a saúde e distinguiu-os dos No entanto, os suplementos vitamínicos, composição e que são prejudiciais, subli- em casos como idosos e crianças mal nutri- suplementos multivitamínicos, que cum- que também se chamam nutricionais, são nhou a médica. das, grávidas e doentes. prem “um papel importante na alimenta- apenas constituídos por vitaminas e sais mi- Isabel do Carmo adiantou que estes su- Para quem não tem problemas de saúde, ção equilibrada”. nerais, não alterando o funcionamento do plementos, vendidos em lojas de produtos o segredo para a manutenção de um estilo “As pessoas têm dificuldades em dis- organismo, enquanto os suplementos alimen- naturais e farmácias, são muito procurados de vida saudável é a prática de exercício tinguir os suplementos alimentares dos su- tares contêm substâncias que vão alterar nesta altura do ano para emagrecer e por físico regular e uma alimentação equilibra- plementos vitamínicos porque ambos de essas funções, justificou. serem naturais. da, reservando o açúcar e as gorduras só vendem nas farmácias e têm um nome Estes últimos cumprem apenas funções Mas o “facto de serem naturais não lhes para ocasiões especiais, aconselhou. Boca e sujidade postou no mesmo sentido ao revelar que não estimulação do sistema imunológico, tactam com o mundo, e apreciam-no em Massano sempre teve com a sua filha adolescen- responsável pela defesa dos nossos orga- primeira mão, através da cavidade bu- Cardoso te, entretanto diagnosticada com uma nismos, que não se escuda apenas ao cal. Em boa hora o fazem. Mas quando grave doença inflamatória dos intestinos, combate às infeções, alargando-se aos passam a viver em ambientes asséticos, Três senhoras, bem cuidadas, não escon- cuidados extremos de higiene. campos das agressões físicas e químicas então, o perigo de virem a sofrer mais diam que o cavaqueio era o seu desporto Ouvi com muita atenção a conversa e e das alterações cancerosas, a que esta- tarde certas doenças é uma realidade. A favorito, atendendo ao modo como falavam, situação é de tal modo caricata que, para alto e em bom som, sem receios da vizi- algumas afeções, já estão a utilizar ex- nhança. Interrompiam os seus comentári- tratos de parasitas, que outrora provo- os, por breves momentos, quando levavam cavam infestações, sem grandes conse- as chávenas do chazinho aos lábios, que quências, para as tratar. deveria estar muito quente, pelo menos era Não me admiraria muito que, um dia o que dava a entender os estranhos sopros! destes, comecem a aparecer “extratos O episódio da chupeta de um bebé, de sujidade” à venda para estimular o que tombou no chão do café, leva-me a sistema imunológico. Aqui está uma boa relatá-lo e a tecer alguns comentários e área de negócio: “Proteja a sua saúde! reflexões. Estimule o seu sistema imunológico. O pai da criança, médico, assim que Tome diariamente uma cápsula de ex- viu a chupeta no chão, apanhou-a, afa- tratos de lombrigas”! gou-a em seguida com a palma da mão, Voltando à conversa das senhoras, enfiou-a na própria boca, voltou a afa- apeteceu-me explicar-lhes que as aler- gá-la novamente, acabando por a intro- gias e a asma do filho de uma delas po- duzir na boca da criancinha, ante o ar deriam ter sido, eventualmente, evitadas “gemelarmente” atónito e escandaliza- se tivessem tido menos cuidados de higi- do das três da vigairada. ene em criança, e o mesmo para a mãe Quando os protagonistas saíram, o da jovem com a doença de Crohn. episódio da chupeta passou a ser o tema apeteceu-me intervir para explicar que mos constantemente a ser sujeitos. Nem oito nem oitenta, diz o povo na da conversa. Era patente a indignação não tinham tanta razão quanto isso, an- Temos vindo a assistir, desde há al- sua sabedoria. No caso vertente, as do- sobre a falta de higiene do pai, ainda por tes pelo contrário. guns anos, a um aumento preocupante nas já deviam andar pelos “noventa”! cima médico! A este propósito teceram Ninguém contesta que as grandes con- da prevalência de certas doenças que A boca e a sujidade estão, desde sem- inúmeros comentários, revelando que, quistas na área da higiene foram determi- têm a ver com a falta de estimulação do pre, intimamente ligadas, em todos os relativamente aos filhos, nunca teriam tido nantes para o progresso social, bem-es- sistema imunológico, caso da esclerose sentidos. Importa analisar esta relação, aquela atitude, já que os primaram com tar e saúde das sociedades. Mas – há múltipla, das alergias, da asma e das do- “deshigienizando” o suficiente para que o máximo de cuidados higiénicos. sempre um mas –, o “excesso” de higie- enças inflamatórias do intestino, só para as crianças se possam contaminar. Elas Impossível tal atitude, dizia uma das nização passou a constituir um grave pro- falar de algumas. agradecem! Por fim, seria, também, con- senhoras, “imagino o que poderia ter blema. O não contacto precoce com as Precisamos da “sujidade”, e a boca é veniente investir mais alguma coisita na acontecido ao meu filho, que sofre de “sujidades”, nomeadamente as que pro- a via privilegiada para o contacto, como “higienização” do que anda a sair da boca asma e de alergias, se não tivesse cuida- vocam infeções virusais, bacterianas e é óbvio. de muitos graúdos, sujidade muito peri- dos higiénicos com ele”! A segunda ri- infestações parasitárias, estão na base da Não é por acaso que as crianças con- gosa, mortífera nalguns casos...
  • 26 DE JUNHO DE 2009 SAÚDE 17 Tempo quente e praia podem precipitar perturbações do comportamento O Verão, com a redução do tamanho a desculpas como sentir frio para não des- da roupa e o aumento da vida social, pode tapar as “partes do corpo consideram precipitar perturbações do comportamen- mais facilmente criticáveis”. to ao nível alimentar e da auto-estima, A ida à praia torna-se então um “mas- fazendo da praia uma experiência mas- sacre, uma experiência fracassada”. sacrante para algumas pessoas, diz uma Se estas forem situações esporádicas psicóloga. “acabam por ser superadas transitoria- À Lusa, a psicóloga clínica Sandra mente, mas não resolvidas”. Santos Vilaça afirma que há perturba- “Quando passa o Verão, passa esta ções do comportamento que são “manti- necessidade de exposição e o problema das ou precipitadas” nesta altura do ano, também passa, teoricamente”, mas se em que “há uma maior exposição do in- durante o tempo mais frio as questões não divíduo” e “uma maior revelação de si ficarem resolvidas, as “pessoas tornam- próprio em relação a outros” se reincidentes e, por vezes, com um grau Ao nível alimentar, cita a anorexia e a de patologia muito mais evidente”. bulimia nervosa, que é normalmente uma Na psicoterapia, os adolescentes perturbação mais “dissimulada”. Outras “verbalizam a preocupação” que têm perturbações prendem-se com o “auto- com a auto-imagem, o que “é mais difí- conceito e o sentir-se avaliado pelos ou- cil com os jovens adultos e os adultos, tros” e com “quadros depressivos agu- que “de uma forma geral têm vergonha dos, que se arrastam no tempo”. em assumir”, garante ainda Sandra San- Quando há calor e os dias são mais ainda pior”, diz a também psicoterapeu- o que os outros dizem, à forma como são tos Vilaça. longos, as pessoas “libertam-se mais, ta, lembrando que, por vezes, a estes olhadas. As atitudes dos outros, mesmo Os mais velhos, mesmo quando acom- saem de casa e convivem”, mas quem casos está associada a perturbação de que inocentes, são “interpretadas de for- panhados por psicólogos, “não assumem está deprimido tende a “isolar-se” devi- pânico. ma enviesada” pelo paciente, refere a a preocupação com a imagem como um do às “grandes dificuldades em termos Quando se trata de ansiedade social, psicóloga. problema e consideram-na é uma coisa funcionais de auto-conceito”. as pessoas com esta perturbação têm Sandra Santos Vilaça exemplifica que normal”, resultante da idade, conclui a “Por não conseguirem sair, sentem-se uma “hipervigilância em relação a tudo muitas vezes os adolescentes recorrem psicoterapeuta. HOSPITAL GERAL, PEDIÁTRICO E MATERNIDADE BISSAYA BARRETO LANÇAM ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES CHC aposta em medidas simples para salvar vidas O Centro Hospitalar de Coimbra informação a toda a comunidade hospi- O CHC, EPE, aderiu à estratégia da ser sujeito no CHC a duas etapas de (CHC, EPE) lançou na passada ter- talar”, sublinha. Organização Mundial da Saúde – “Me- avaliação de resultados, que incluirão ça-feira (dia 23 de Junho) uma estra- Assim, até ao final de Agosto, as três didas Simples Salvam Vidas” – em De- ainda a elaboração de um plano de ac- tégia de prevenção de infecções hos- unidades do Centro Hospitalar de Co- zembro de 2008. A implementação das ção a cinco anos. pitalares que abrange as suas três imbra vão adoptar um conjunto de me- medidas de prevenção é, assim, a ter- Segundo os responsáveis, o projecto, unidades: Hospital Geral (Covões), didas com o objectivo de promover a ceira etapa de um trabalho que se pro- para além de contribuir para a preven- Hospital Pediátrico e Maternidade higiene das mãos e diminuir, assim, o longa há meio ano e que requereu um ção de infecções associadas aos cuida- Bissaya Barreto. A iniciativa insere- risco de infecções hospitalares. Para investimento do CHC, EPE, na forma- dos, irá ainda permitir a curto prazo um se no projecto da Organização Mun- além de acções de sensibilização des- ção de formadores e de observadores aumento da qualidade e da segurança na dial da Saúde (OMS) “Medidas Sim- tinadas aos profissionais de saúde, aos da estratégia, na constituição de um prestação de cuidados nas três unidades ples Salvam Vidas” (no original “Cle- utentes e visitantes das unidades, dis- grupo coordenador da campanha e na do Centro Hospitalar de Coimbra. an Care is Safer Care”), que procura tribuição de posters e outros materiais concepção de uma estratégia adequa- O projecto “Medidas Simples Salvam sensibilizar a comunidade hospitalar informativos, a estratégia prevê ainda da a cada uma das três unidades hos- Vidas” é apadrinhado pela Direcção- para a importância da higiene das a generalização do acesso a soluções pitalares. Geral da Saúde, que acompanhará de mãos enquanto factor fundamental na anti-sépticas de base alcoólica, a rea- Depois desta terceira fase, o projec- perto o desempenho das três unidades prevenção da infecção. lização de acções de formação e a mo- to “Medidas Simples Salvam Vidas” vai do Centro Hospitalar de Coimbra. “A inadequada higiene das mãos de nitorização dos comportamentos adop- profissionais, doentes e visitantes, cons- tados, nomeadamente, mediante a con- titui no ambiente hospitalar uma amea- tabilização do consumo mensal dos pro- ça, que se traduz no aumento do risco dutos de higiene. de exposição a agentes microbiológi- O evento interno de lançamento da cos”, explica Ana Garrido, da Comis- estratégia começou na terça-feira no são de Controlo de Infecção do CHC, Hospital Pediátrico. Seguem-se o Hos- EPE. “Esta estratégia procura melho- pital Geral (Covões), a 30 de Junho, e a rar as estruturas e a facilidade de aces- Maternidade Bissaya Barreto, no dia 1 so às mesmas, a formação contínua e a de Julho.
  • www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 26 DE JUNHO DE 2009 Ó homem, fale lá com os consultores Natal que como vocês sabem é no In- de comunicação do seu partido, ou com verno e não no Verão mas já vi em dois os “marketeiros” de serviço, e diga-lhes anos seguidos outra instituição pública de que o Povo já não acredita nessa “canti- Coimbra a abrir concursos no Verão por- ga”! que se calhar quem os abre pensa que Então Manuela Ferreira Leite faz uma os concursos em tempo quente são me- Mário Martins série de propostas alternativas e o se- lhores do que os concursos em tempo nhor, 10 minutos depois, vem dizer que frio eu não sei se isto é verdade ou não ela não diz nada?! mas penso que os especialistas destas Vejo que vocês, lá no PS, não apren- coisas já deveriam ter dito qualquer coi- deram mesmo nada com os resultados sa por tudo isto eu gosto muito do Verão das últimas eleições, não perceberam o porque tem calor podemos tomar banho que aconteceu. Paciência... o problema no mar temos tempo para conversar com é vosso. os amigos podemos levantar da cama Vão ver que a “porrada” em Setem- mais tarde até costuma haver estrelas bro/Outubro vai ser ainda maior. Vai uma cadentes no céu e depois disto tudo ain- apostazinha? da temos o passatempo de tentar encon- trar os concursos super-rápidos de Ve- ***** rão nas páginas dos jornais por isso o Não sou “cliente” nem da PT nem coisas que a gente não percebe bem e Verão é a minha estação do ano preferi- da TVI. (Só comecei a ver o Jornal Na- que de um momento para o outro ficam da e o Verão é muito bom. cional da Sexta-feira depois da ERC ter esclarecidas eu agora já sei porque é que prima da Guidinha aberto uma investigação...) Tanto me o Ronaldo ganha tanto dinheiro. (publicado em 21/6) faz que a PT compre a TVI como não, prima da Guidinha tanto me faz que o Moniz seja afastado (publicado em 23/6) IMPRESSÕES PARABÉNS, CAMPEÃO! como não. I Uma conclusão, porém, é indiscutível: O “NOVO” SÓCRATES Empreiteiros “à rasca” com manifes- O João Afonso ainda não terminou a no tempo de Cavaco como primeiro-mi- «Esta coisa da humildade está a dar to dos economistas “época” mas já assegurou o “título”: a nistro a Comunicação Social saíu das resultado. Os comentaristas comentam, II passagem para o 2.º ano de Medicina. mãos do Estado; no tempo de Guterres os analistas analisam, os entrevistadores Santos Silva transfigurado: diz que não Telefonou a meio da manhã a dar a e de Sócrates o Estado voltou a “pôr a entrevistam e…nem uma palavra sobre fala! notícia, na altura em que eu via as ima- mão” na Comunicação Social. o Freeport. (...) Que interessa o Free- III gens que o António Figueiredo me en- E se não querem que a gente pense port e Lopes da Mota, a licenciatura e Jornais das TVs: RTP abre com re- tregou ontem à noite, respeitantes à últi- assim, então vendam a “golden share” as casas compradas a offshore, os pri- gresso de Ronaldo a Portugal; SIC com ma jornada do campeonato – aquele que que o Estado tem na PT. Pois é. mos e o DVD, quando temos em mão Sócrates; TVI com Gripe (informação deverá ter sido o último jogo oficial do um prodígio que rivaliza com as apari- de Luciano Alvarez) João Afonso, após 11 temporadas de fu- ***** ções mais miraculosas? Sócrates teve (publicado em 20/6) tebol federado. A concluir: o PS pensa que a malta é agora a sua epifania. Foi preciso o pior Decidi, por isso, juntar os dois factos parva. resultado eleitoral na história do PS para UM GOVERNO... SIMPLEX e escolher algumas imagens para publi- São parvos, claro. a revelar, mas aí está. Morreu o Animal «O erro que constava na prova de car no blogue: cinco fotos, para um filho Feroz, viva o Animal Domesticado.» Biologia e Geologia ontem realizada por “cinco estrelas”. PS - Será que a PT vai convidar Ri- (Mário Crespo cerca de 37 mil alunos foi corrigido hoje Parabéns, campeão! cardo Costa para a TVI? Levem-no da no “Jornal de Notícias”; pelo Ministério da Educação. Conforme (publicado em 25/6) SIC, que ele não deixa falar ninguém. publicado em 22/6) o PÚBLICO noticia na sua edição de Depressa. hoje, no enunciado do exame do 11.º e PS E LOUÇÃ À DERIVA (publicado em 24/6) EU GOSTO MUITO 12.º anos, numa legenda a um perfil de Estava a jantar mas nem isso impediu DO VERÃO... uma caldeira vulcânica, designava-se que soltasse uma forte gargalhada. INCÊNDIO :) E DE CONCURSOS como epicentro (ponto à superfície) o que Foi quando Louçã apareceu no te- NOTÍCIA URGENTÍSSIMA - A Daqui a pouco por volta das 6 da ma- de facto era o hipocentro (a região pro- levisor a falar dos «interesses da Re- Agência France Press, a CNN, os Wa- nhã chega o Verão e eu gosto do Verão funda onde os sismos têm origem).» (in pública». shington Post, London Times e eu (tb) porque é o tempo em que vou mais ve- “Público.pt”) Olha quem fala?! acabam de anunciar que um terrível in- zes até perto do mar porque o Verão sig- Mas quem é Louçã para falar nos «in- cêndio destruiu hoje de manhã a biblio- nifica calor e à beira-mar está mais fres- Nisto o Governo é bom: em vez de teresses da República»? É ele quem os teca pessoal do primeiro-ministro. quinho no Verão também é a altura de pedir desculpa pelo erro, apaga o erro! define? Com os 10% de votos que con- As informações do Corpo de Bombei- passear mais porque é quando as pesso- É... “simplex”. seguiu agora e que nas próximas elei- ros confirmam a perda total de 2 livros. as normalmente têm férias e viajam den- ções vão necessariamente minguar? Ou O porta-voz acaba de declarar que o tro e fora do país cá pelos lados de Co- ACTUALIZAÇÃO (às 16h55) – Al- foi a República que lhe telefonou a dizer primeiro-ministro está inconsolável e in- imbra é também a altura em que apare- terei a citação do “Público”. Desta for- quais eram os interesses? conformado, já que ainda não tinha aca- cem no jornal concursos que abrem num ma, o erro não foi apagado. Foi corrigido. Só mesmo Louçã para me fazer in- bado de colorir o segundo livro. dia para fechar logo a seguir até parece Continua a faltar o pedido de desculpas. terromper o jantar com uma forte gar- (recebida por e-mail; que nem querem que muitas pessoas (Já agora: quando é que terminam os galhada. publicada em 23/6) saibam que existem os concursos mas erros nos enunciados dos exames, pre- ***** estes concursos são sempre para insti- parados com tanta antecedência? E nin- Já depois do jantar, outra gargalhada. RONALDO PESA 1000 KILOS! tuições públicas porque as empresas pri- guém é responsável?) Desta feita, o responsável foi o novo Eu não sabia mas afinal o Ronaldo é vadas não abrem concursos nesta altura (publicado em 19/6) porta-voz do Partido Socialista, aquele muito pesado e fico a pensar como é que do ano porque sabem que há muita gen- jovem secretário de Estado que disse que o rapaz consegue correr o que ele corre te que está fora de casa e não lê os jor- SÓCRATES as escrituras públicas eram... privadas! com aquele peso todo em cima das per- nais e as empresas privadas não costu- (EM “TOM REMÉDIOS”) (E que noutro país tinha sido demitido de nas agora já sei porque é que ele ganha mam abrir concursos à sexta-feira e que NA SIC imediato, depois daquela afirmação.) tanto dinheiro porque é um esforço do terminam logo na terça-feira eles costu- Ora o novo porta-voz veio com a caraças o que o Ronaldo faz já viram ele mam dar mais tempo às pessoas no ano José Sócrates (num registo muito pró- “cantilena” do costuma, a dizer que o ter de correr 90 minutos carregando 1000 passado houve um concurso super-rápi- ximo do Diácono Remédios) foi entre- PSD não propõe alternativas, não tem quilos é muito para um homem só por do na Câmara de Coimbra mas que aca- vistado na SIC. um rumo para o país, blá-blá-blá e mais isso têm de pagar bem para ele jogar e é bou por não ser tão rápido assim porque Não se passou praticamente nada. blá-blá-blá. por isso que ele ganha o que ganha há aquilo só ficou decidido por alturas do (publicado em 176)
  • 26 DE JUNHO DE 2009 COIMBRA 19 NOVO LIVRO DE POESIA DE MARIA HELENA TEIXEIRA “Não me ensines a estrada” ciona uma realidade disfórica, feita de ima- metafórica, a maior atenção ao quotidiano e gens meramente alinhadas, desconexas, das dentro dele também ao momento histórico quais o sentido parece estar ausente, che- que atravessamos, e sobretudo a mais con- gando a roçar o absurdo”. tida transfiguração poética das vivências ou Não são, porém, acrescentou, “as ima- experiências do universo real de que faze- Maria Helena Teixeira Um livro preso ao domínio do sonho e recheado de auto-questionação são algumas das características apontadas ao novo livro de poesia, o quarto, de Maria Helena Tei- xeira, cuja sessão de lançamento decorreu Imagem da cerimónia de apresentação do livro, vendo-se Zé Penicheiro, no Pavilhão Centro de Portugal com apre- sentado, a apresentadora, a editora, a autora e respectivos cônjuges sentação de Maria Manuela Gouveia Deli- lle e leitura de poemas por Maria Manuel gens (quase sempre disfóricas) do mundo mos parte”. Almeida. exterior (que, note-se, constituem completa A apresentadora realçou ainda a colabo- Numa sala pequena para tantos amigos novidade em relação à lírica cerradamente ração de Zé Penicheiro na feitura do livro, e familiares da autora, a sessão foi ainda intimista dos volumes anteriores) que aca- “uma colaboração preciosa que, mantendo abrilhantada pela actuação de um quarteto bam por predominar nesta nova colectânea. a tradição dos volumes anteriores, vem a da Orquestra Clássica do Centro. A maior parte dos versos diz respeito quer meu ver acentuar, através do seu traço di- E sobre o livro, “Não me ensines a estra- ao quotidiano rotineiro e manietante do eu nâmico, o já de si forte elemento cinético da”, Maria Manuela Delille referiu que a poético e às tentativas de auto-questiona- destes versos, os seus múltiplos movimen- autora, ou o sujeito poético, “se confessa ção de início referidas, quer aos lugares-tem- tos, ondulações, fugas, evasões, numa as- inexplicável mas irremediavelmente preso po ou aos lugares de sonho em que esse sociação muito sugestiva entre poesia e de- ao domínio do sonho que acaba por desgas- mesmo eu se refugia ou para os quais tenta senho, em plena sintonia com a sensibilida- tar a vida”. evadir-se”. Refúgio esse frequentemente de estética da autora e com a mensagem “Em horas de intensa desorientação, in- “encontrado na evocação nostálgica do por ela intencionada”. quietude, angústia e/ou funda melancolia, mundo perdido da infância, de que o mar Durante a sessão, presidida por Maria acentuam-se as sensações de frialdade e constitui parte indissolúvel”. Emília Martins, directora da Orquestra Clás- de vazio em vários poemas”, afirmou numa Em relação a outros livros da autora, sica do Centro, usaram ainda da palavra a visita guiada por “Não me ensines a estra- no o eu lírico, nos relativamente raros poe- Maria Manuela Delille confessou-se impres- editora Isabel de Carvalho Garcia e Maria da”, é também “curioso notar que na capta- mas em que sai para fora da esfera íntima, sionada pela “estrutura mais coesa destes Helena Teixeira, que agradeceu a todos a ção de instantes ou momentos do quotidia- regra geral [Maria Helena Teixeira] percep- poemas, a maior densidade e autenticidade presença na sessão. CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- damente se adaptam aos seus novos apenas custam uns minutos na deslocação, Podem também enviar um e-mail para segue uma campanha intitulada “Adop- donos (que, para além do mais, os esta- para escolher um companheiro (ou compa- Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem rão a poupar a um fim muito triste e tre- nheira) para a vida, que será sempre fiel e de aranimal@gmail.com um animal no Canil Municipal”. mendamente injusto). uma enorme dedicação e em troca apenas ou consultar o site Trata-se de uma iniciativa muito me- Um cão ou um gato é sempre um pre- pede um pouco de atenção e de carinho. www.cm-coimbra.pt/741.htm ritória, que permite que pessoas que gos- sente bem recebido, desde que a pessoa a O Canil/Gatil Municipal fica no Campo Os dias e horas especificamente desti- tam de animais ali possam ir buscar um quem ele se oferece goste de animais, não do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- nados às adopções são os seguintes: fiel companheiro, sem nada pagarem os encare como um brinquedo ou um objec- mais esperam, ansiosos, por uma nova casa - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; por isso. to e tenha condições mínimas para deles tra- e uma nova família. - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. São muitos os cães (e também alguns tar convenientemente. Os interessados em obter mais informa- gatos) que esperam que gente com bom Se for o caso, não hesite em ir buscar ções podem ligar para o telemóvel 927 441 Muitos animais estão à espera de que coração os vá adoptar, tendo como re- um destes amigos muito valiosos em ter- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl alguém queira aproveitar todo o carinho que compensa conquistarem um amigo para mos materiais (basta ver os preços nas lo- (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do têm para dar. toda a vida, já que estes animais rapi- jas de animais!...), mas que no Canil/Gatil telefone 239 493 200. Vai ver que não se arrependerá!
  • 20 CINEMA 26 DE JUNHO DE 2009 de sucesso, J.J. Abrams (conhecido so- rie da saga. Outro ponto positivo é o cinema bretudo pelo seu trabalho em televisão, donde se destacam séries como “Per- facto de Abrams ter injectado bastan- te mais acção e humor nesta nova ver- didos” e “Fringe”) pegou na saga e, à semelhança do que tem acontecido com outras figuras, como James Bond e Batman, decidiu começar tudo de novo. De facto, o novo filme “Star Trek” conta os inícios da tripulação da nave Enterprise. Abrams, ao voltar Pedro Nora Começo por falar do novo filme da conhecida série de ficção científica “O Francisco de Mattos Lobo, um dos últi- mos portugueses a ser condenado è for- ca, antes de a pena de morte ser abo- são de “Star Trek”, o que torna o filme bastante mais apelativo. De destacar o elenco perfeito, pois cada actor conse- gue prestar homenagem aos persona- gens da série, sem parecer uma imita- ção barata. Um filme muito bem con- seguido que entretém bastante, reco- assim às origens da série, fez uma óp- mendável a todos. tima jogada, pois captura todo o espíri- Também novidade nas salas de ci- to nostálgico da saga, dando-lhe um nema é “Anjos e Demónios”, adapta- novo fôlego. De facto, o filme é aces- ção do livro de Dan Brown, o autor de Caminho das Estrelas”. Após os últi- sível a todos, mesmo àqueles que nun- “O Código da Vinci”. “Anjos e Demó- mos filmes da série não terem tido gran- ca tenham visto qualquer filme ou sé- nios” conta uma nova aventura de Ro- bert Langdon, desta vez enquanto ele tenta impedir uma conspiração contra o Vaticano. Brown não fugiu de con- Auto-Luz completa 44 anos trovérsias ao usar a religião cristã como pano de fundo para a trama do livro e Ron Howard e Tom Hanks, que reto- mam os seus papéis de “O Código da Vinci” (como realizador e actor princi- pal interpretando Langdon, respectiva- mente), são fiéis ao espírito do livro, o que torna o filme bastante recomen- dável a todos os fãs do escritor ou de thrillers em geral. Há já alguns anos que sou grande fã do realizador americano Kevin Smith. Assim, foi com grande expec- João Salaviza a receber a Palma de Ouro no Festival de Cannes tativa que fui ver o novo filme dele, intitulado “Zack e Miri Fazem um Por- no” e tal não me desiludiu. Não sendo lida no nosso país. O filme vale muito o seu trabalho mais forte, é uma co- pelos valores de produção (fotogra- média simpática que proporciona um fia, banda sonora e cenários e vestu- bom serão. O filme conta a história ário de grande qualidade) e por um de dois amigos (interpretados pelo elenco de luxo, encabeçado pelos ac- actor Seth Rogen e a actriz Elizabeth tores Ivo Canelas e Nicolau Breyner. Banks, que, diga-se já, revelam ser A história é o ponto mais fraco (tem uma óptima dupla no ecrã) que, por No próximo dia 4 de Julho (Dia da Cidade de Coimbra), completam-se 44 anos tendência a perder-se em certos as- de funcionamento da Auto-Luz. estarem com muitos problemas finan- pectos que no final revelam-se fú- Trata-se de um estabelecimento no Beco do Fanado (mesmo junto ao Terreiro ceiros, decidem combater a sua crise teis…) mas é mais um óptimo exem- da Erva), fundado no dia 4 de Julho de 1965 por António Afonso Barbosa, financeira ao fazer um filme porno- que ainda hoje ali continua a vender baterias e a ajudar muitos automobilistas plo do cinema nacional moderno. gráfico amador. Claro está, este fil- com problemas eléctricos nas respectivas viaturas. Ainda neste campo (e para finali- me não é para todos (sobretudo para António Afonso Barbosa começou ainda miúdo (com apenas 10 anos) zar), dirijo os meus parabéns ao jo- a aprender o ofício na Electro-Garagem, na Av. Fernão de Magalhães. Andou os mais novos), mas a sátira feita à vem realizador João Salaviza, que foi depois por outras empresas e quando era já um técnico experiente decidiu abrir indústria pornográfica está muito bem a sua “Auto Luz”, no local onde ainda hoje se mantém. premiado, no Festival de Cannes com conseguida, sem ferir susceptibilidades Mais de 70 anos de trabalho, mas uma notável forma física, já que ninguém a Palme D’ Or de Melhor Curta-Me- O outro filme que gostaria de apon- lhe dá os mais de 80 anos que leva de vida. Aliás, afirma que enquanto a saúde tragem pelo seu filme, intitulado “Are- o deixar ali estará todos os dias (às vezes fora de horas e até tar é “O Último Condenado à Morte”, na”. Esta vitória é prova definitiva de nos dias de merecido descanso) a satisfazer os seus clientes. de Francisco Manso. A trama do fil- que o cinema nacional está vivo e re- Sempre, e de forma invejável, com as baterias bem carregadas! me baseia-se na história verídica de comenda-se!
  • 26 DE JUNHO DE 2009 OPINIÃO 21 Os dados estão lançados dários, a fim de mostrarem ao executivo neutralizar. Do outro, um fervilhar de tagonizar novas soluções políticas e go- Renato Ávila e ao partido reinantes o tão almejado ideias e apetites avulsos, eivados de vernativas, arriscamo-nos a ter mais do “cartão vermelho”. imensa demagogia num deserto de pro- mesmo ou muito pior. Dum amarelo claramente esmaecido jectos sérios, consistentes e coerentes, Está suficientemente demonstrado Dizem que o povo parece estar des- pela paupérrima participação popular, susceptíveis de nos fazer acreditar ha- que a dialéctica acusatória já não pega. contente ao penalizar nas urnas a maio- parece-nos abusivo que alguém ouse re- ver quem, decididamente, queira e pos- O comum dos cidadãos sabe na pele ria socialista. tirar ao poder socialista a legitimidade sa fazer melhor. aquilo que os políticos, refastelados nas Apesar de tanto alarido da oposição, política e considerar a derrota do PS um Até porque muitos daqueles que se cadeiras do poder, nem sonham e que, parece não existirem projectos alternati- pesado voto negativo ao desempenho da perfilam na vanguarda para disputar o com leviana obscenidade, parecem que- vos consistentes e credíveis e as inten- sua acção governativa. poder já lá estiveram e não deixaram rer ignorar. Dá-nos, mesmo, a impres- ções políticas surgem eivadas de dema- A oposição terá, isso sim, é de reflec- saudades. são de que, para muito boa gente mani- gogia e de falta de clareza. tir na relação que poderá existir entre a O cheque em branco dado a Cavaco puladora dos cordelinhos do poder, a po- Como cidadãos deste rectangular país elevadíssima abstenção e a falta de for- e a Sócrates tem deixado marcas pro- lítica serve mesmo para isso – dar tacho à beira mar pasmado, são as amargas ça e coerência da sua mensagem, inca- fundas na nossa memória política, de tal à “nomenklatura”. conclusões que podemos retirar dos re- paz de polarizar o descontentamento rei- modo que será de acreditar tal não repe- No fundo, no fundo, foi para isso que sultados das eleições europeias e do aca- nante e de motivar os portugueses para tir-se uma terceira vez. serviram as eleições europeias. Voz do lorado folclore que se lhes seguiu com a acrescida importância da qual deseja- O nosso paradigma de convivência povo! quase toda a gente a gritar vitória. va revestir o acto. política tem, por conseguinte, de mu- Se não se enveredar, rápida e consci- Afiguram-se-nos estultos e extempo- O povo tem, de facto, sobejas razões dar, drástica e urgentemente, se não enciosamente, por uma dialéctica propo- râneos estes eufóricos afobos, abusivas para estar descontente com a actual so- quisermos tornar este país numa are- sitória, privilegiando o diálogo e a con- e deslocadas, pois, as apressadas con- lução governativa. Terá, todavia, muitas na de maniqueísmos inconfessáveis e sertação, apostando na solidariedade em clusões que, na sofreguidão do poder, mais razões para desconfiar da bondade incontroláveis. vez da estulta e mesquinha guerrilha par- muitos quiseram retirar dos resultados dos arremedos de alternativas que, difu- No final do Verão os portugueses se- tidária, centrando exclusivamente toda a eleitorais. sas e sem consistência política, se dese- rão novamente chamados, agora sim, para acção política no prosseguimento do bem Por mais ensaios e argumentos que nham no horizonte. escolherem um novo Parlamento e, com público, não iremos longe. Continuar-se- se tenham tecido, por forçadas classifi- Dum lado, existe um projecto, con- ele, uma nova solução governativa. á, ingloriamente, a cavalgar no insuces- cações de pré legislativas que se tenham testável, é certo, de boas e más práti- Se os candidatos passarem este tem- so dos outros para cada um mascarar o pretendido colar ao acto eleitoral, o povo cas e de bons e maus resultados, tam- po que falta no soez ataque, na insolente seu próprio insucesso. assim não o entendeu, primando pela bém é certo, condicionado por uma pro- pesporrência de aprazados vencedores, Os dados estão lançados. ausência. funda e anómala crise internacional, que em vez de procurarem o diálogo e os A sorte depende de todos. Da serie- Os cidadãos, de facto, não correspon- só não vê quem não quer, e por cróni- consensos que a delicadeza da situação dade e competências dos que se propõem deram em massa, ao invés do que dese- cos atavismos domésticos que neste úl- exige, se lá chegarem sem o trabalho de assumir o poder e da consciente e parti- jaria a quase totalidade dos líderes parti- timo meio século ninguém conseguiu casa bem feito, exigível a quem quer pro- cipativa escolha dos cidadãos. FILATELICAMENTE 1941 POIS... – Costumes Portugueses. João Paulo I emissão Simões ro, desenhados por Álvaro Duarte de Almeida e gravura de Guilher- José O Administrador Geral dos Correios de me Santos; 800 mil selos de $80 azul d’Encarnação Portugal, Engº Couto dos Santos, iniciou uma claro, representando a Mulher da série, que seria a apresentação dos pitores- Madeira e desenhados por A. Du- Os crânios. Que me desculpem os cos e tradicionais costumes e trajos popula- arte de Almeida e gravura de Ar- verdadeiros. Saíram agora das facul- res. Embora já tivessem sido aprovados dez naldo Fragoso; 800 mil selos de 1$00 dades, impantes de uma licenciatura desenhos, e tendo-se concluído as suas gra- vermelho, representando a Viane- (de três ou, já mais raro, de quatro vuras, entendeu a Junta Nacional de Edu- sa em desenho de Raquel Roque anos), numa das muitas «gestões» cação recusar este projecto, o que fez parar Gameiro e gravura de Arnaldo Fra- que andam por i. E ficaram Sábios! tal emissão. goso; e, para terminar, emitiram-se E conseguiram lugar no banco, ge- Protestaram os CTT, invocando o prejuí- 1,4 milhões de selos de 1$75 azul rente ou subgerente, claro, que os zo com as despesas já efectuadas. escuro representando o Campino velhadas que ainda lá estão têm um Assim, foram autorizados a fazer Ribatejano, desenhado por Raquel curso comercial antiguinho, miserá- esta emissão com os dez desenhos já Roque Gameiro e gravura de Ar- vel 5º ano à antiga, ou, até talvez, o concluídos. naldo Fragoso. 300 mil selos de 2$00 7º ano à antiga. Que percebem eles violeta, representando o Saloio de Lisboa laranja, é o ultimo selo desta série, repre- das novas tecnologias, das novas te- Foram impressos na Casa da Moeda desenhados por Raquel Roque Gameiro e sobre papel liso, em folhas de dez selos sentando a Ceifeira do Alentejo, desenhado orias, do novo marketing? Nadinha! gravura de Renato Araújo; 6 milhões de por Raquel Roque Gameiro e gravura de Privilegiam o cliente, cujo nome até com denteado 11,5. selos de $15 verde amarelo, representado a A emissão dos selos, foi a seguinte: Guilherme Santos. reconhecem? Coisas de outras eras! Peixeira de Lisboa, desenhados por Raquel Agora, o que interessa são os objec- Dois milhões de selos verde escuro com Roque Gameiro e gravura de Marcelino (Baseado em “Livros Filatélicos” tivos, os números, toca a mexer e o valor facial de $04 representando a mu- Norte. de Carlos Kulberg). pouca conversa!... lher da Nazaré, cujo desenho é de Roque Emitiram-se tembém 2 milhões de selos Gameiro e gravura de Guilherme Santos; Aos velhadas – de muito «saber de $25 lilás violeta representando a Mulher A emissão aqui apresentada, foi reti- de experiência feito» – só resta en- 3,2 milhões de selos de $05 representando a de Olhão, desenhados por Álvaro Duarte rada do site Tricana de Coimbra, com desenho de Ra- colher os ombros, calar e… contar de Almeida e gravura de Gustavo de Al- http://www.filsergiosimoes.com/, os dias para uma aposentação con- quel Roque Gameiro e gravura de Gustavo meida Araújo; 20 milhões de selos de $40 casa filatélica a quem compro as minhas e Almeida; 2 milhões de selos de $10 lilás digna. Minimamente condigna. verde claro representando a Mulher de Avei- emissões.
  • 22 CRÓNICA 26 DE JUNHO DE 2009 AO CORRER DA PENA... Traz um amigo também... Saiu para a rua. Caiu na rua. Passou a valor, de apelos à “reintegração”, profunda- não existir. viver na rua. Com eles. Com os Sem-Abri- mente agarrados às paredes do poder e à Marta sentia-se enriquecer (por mais go. Como os Sem-Abrigo. angariação de votos. paradoxal que possa parecer!) a cada dia Maria Pinto* Nos primeiros dias, sentiu que se tinha “Mas que reintegração?”, perguntava que passava. Agora percebia melhor a ra- mainha.pinto@gmail.com despistado nesta curva da vida. Entrara num por vezes Jaime, que era conhecido pelo zão por que muitos dos Sem-Abrigo prefe- Vivia a um ritmo alucinante. Sem laze- enorme abismo sem protecção. Só. Com- poeta-pintor e que se fora aproximando cada rem a rua. É que eles são detentores da res. Quase sem prazeres. Sem tempo. O pletamente só. Nas noites mais frias., sem- vez mais de Marta. Um sentimento forte os enorme fortuna de já nada terem para per- trabalho perseguia-a. Reputada jornalista, pre que procurava um abrigo que a prote- unia. Uma mesma linha de pensamento. der. Eles têm a solidariedade das estrelas, tinha sido recentemente distinguida pelas gesse, um canto, um vão de escada, encon- Jaime pertencera a uma família abasta- da lua, do sol. suas reportagens em cenário de guerra. trava um quarto infindável que a cobria com da do Norte do país, cuja fortuna estava li- Os que têm a rua como abrigo podem Marta vivia na zona do Chiado, numa a exclusão social. E sabia que a viagem que gada à indústria automóvel. Mas o seu pai sofrer a fome e o frio e a humilhação da casa antiga recentemente recuperada. Mas encetara iria ser longa. O frio e a sensação era um perdulário acabando por tudo gastar esmola, mas olham as pessoas de frente. o tempo não sobrava para a decorar a seu de abandono iriam permanecer. A solidão por entre amores vários e inquietos. A famí- Pedindo mas não se vendendo...e tendo a gosto. Por isso, a sua casa era tão-só o local abeirava-se de Marta. E também algum lia desagregou-se. A mãe enlouqueceu. O lucidez de saber que todos nós, no fundo, a que pontualmente recorria para se abri- medo...e tanto frio!... pai entregou-se à bebida e Jaime rumou até em algum momento das nossas vidas so- gar. Afinal de contas estava sempre fora e O tempo foi passando e, quase sem se à capital onde procurou trabalho. Sem êxi- mos ou podemos vir a ser Sem-Abrigo. continuamente em situações de alta tensão ter dado conta, Marta passou a ser mais um to. Ninguém o quis, apesar dos seus dotes e de alto risco. O cansaço dominava-a. Sen- deles. Dos Sem-Abrigo. Com eles partilha- literários e artísticos. “Mas quem é que hoje O Chão frio da calçada tia-se viver sob o tecto do êxito obrigatório, va o que ia conseguindo arranjar, com eles em dia quer saber da leitura?” dizia ele em É onde faço o meu leito da corrida ansiosa pelo sucesso. Prémios sentia frio e fome, como eles percorria as tom de desabafo. Mas alguns dos seus com- E com fome me deito que chegavam. Amores que partiam. Sen- ruas da capital, suja e andrajosa. Foi-se aper- panheiros de rua adoravam ouvi-lo decla- Toda a madrugada tia-se uma sem-abrigo. As suas paredes iam- cebendo da falta de auto-estima e de confi- mar muitos dos seus poemas, sentido por se desfazendo aos poucos. Não fizera ain- ança de muitos destes seres humanos que ele um grande respeito. Marta tornou-se a Ponho-me de mãos estendidas da a reportagem da sua vida. Com os olhos no vazio Faltava-lhe o essencial. Enquanto secretamente me rio Ansiava por fugir para não Quando escandalizam minhas feridas enlouquecer de desalento, não desejava voltar a desesperar Sou chaga aberta por amor... ou por carência de Nem desvies os olhos de minha figura amor... ou por falta de tempo Não reproves minha falta de com- para amar. postura Pensou mudar radicalmen- Pois sou o que poderias ter sido”. te a sua vida e a sua profis- (Anónimo... quem sabe são. Arranjar talvez um tra- se da autoria de Jaime?...) balho mais calmo, menos ex- tenuante e regressar a casa. À medida que o seu amor ia crescendo, Abrigar-se. Pensar-se. cada vez mais Marta e Jaime se empenha- Num curto e merecido pe- vam em denunciar e desmascarar a igno- ríodo de férias logo após o Ano rância e a indiferença social e política em Novo, decidiu ser chegada a relação ao mundo dos Sem-Abrigo. Promo- altura de transformar a sua viam manifestações e campanhas para a casa num espaço acolhedor obtenção de fundos. Verdadeiras campa- e confortável. Num lar. Foi nhas de solidariedade em que se incluíam assim que passeou pelas ruas as equipas de rua que vinham essencial- de Lisboa, escolhendo meti- mente de noite para escutar almas, ouvir culosamente cada objecto, o bater de corações, para afagar os ros- cada peça de mobiliário, cada tos mais doridos. Era um trabalho feito de obra de arte. já tudo haviam perdido. Passou a fazer par- sua leitora. A sua musa inspiradora quando amor e de carinho. Um trabalho longo, Mas quando menos se espera, surgem te deles. Por vocação. Entrando nas suas Jaime, em pedaços de papel que encontra- discreto, sem fim. oportunidades e momentos únicos, experi- almas. No seu coração. va, a desenhava. Nestes momentos preciosos sobrevi- ências que apenas acontecem uma vez na “Mas que reintegração?” voltava Jai- nham, por vezes outras pessoas. Gente vida e que não mais se apagam do nosso Decorria o período da campanha para as me a perguntar. “Ainda há tempos fize- com casa mas sem lar. Gente a desabar corpo. Da nossa alma. São curvas que apa- eleições legislativas. Foi nesta altura que ram uma espécie de camaratas para nos por dentro. Parede a parede. Minuto a mi- recem inusitadamente no meio da estrada Marta melhor conseguiu entender as mar- abrigar...e nós continuámos a fugir para a nuto: mulheres alvo de violência domésti- da vida de cada um de nós. cas da hipocrisia social e política. Por um rua, para os cartões que fomos espalhan- ca, jovens sem rumo, reformados privados Cerca de três dias após ter iniciado a sua lado, a sensação de profunda incomodidade do pela cidade”... do carinho de familiares...Jaime entoava breve semana de férias, Marta recebe um dos líderes dos vários partidos políticos e das Marta entendia. O governo dava case- “traz um amigo também”... telefonema do chefe de redacção, alertan- suas comitivas ao sentirem-se obrigados a bres e não dava emprego. À boa maneira Marta quase se esquecia da sua casa no do-a para a premência de uma reportagem apertar a mão a estes homens e mulheres liberal, considerava-os adeptos da malandrice Chiado. Conseguiria voltar a adaptar-se ao sobre os Sem-Abrigo de Lisboa. envoltos em caixotes e em papel de jornal, e da vida fácil, não merecendo, por isso, o estilo de vida que levava antes de vivenciar Algo se passou nesse instante. Marta sem eira nem beira, sem destino, mas que sucesso. O governo exercia a caridade e esta experiência tão dura mas tão incrivel- sentiu um apelo imediato por este trabalho. os olhavam com frontalidade. Estes aper- não a solidariedade. As autoridades senti- mente enriquecedora? Percebeu rapidamente que a sua vida se tos de mão eram geralmente seguidos de am-se profundamente desassossegadas pelo iria alterar profundamente. Marta, mulher- um discurso demagógico e de índole carita- facto de os Sem-Abrigo também terem sen- Tarde da noite. Jaime e Marta de mão coragem, que sempre se envolvera a fundo tiva, com promessas de casas para eles. Para sibilidade e gostarem de se sentar e divagar na mão. Ambos carregando um saco a nos seus projectos, agarrou esta oportuni- os Sem-Abrigo. em sítios bonitos, como a Beira-Tejo. Man- transbordar de amor. Deitando-se sobre as dade com um forte abraço. Alguma revolta se ia instalando nesta jor- davam-nos embora, mas eles regressavam tiras de um caixote feito de emoções. De Largou tudo o que tinha planeado para a nalista sem-abrigo, sem casa, sem Chiado. em bando, tal andorinhas em voo de liber- vida. De recordações. Envoltos em jornais sua vida. A casa do Chiado era uma vez Cada vez mais Marta se afastava deste dade. Alheios à repulsa dos cidadãos ditos plenos de ternura. mais um projecto adiado. mundo de tecnocratas plenos de juízos de honrados. Alheios ao medo que sabiam já (*docente do ensino superior)
  • 26 DE JUNHO DE 2009 CULTURA 23 COMEMORAÇÕES EM COIMBRA PROLOLONGAM-SE POR 2010 Centenário do “Edifício Chiado” Inaugurado em 1910, enquanto agên- As comemorações prosseguem com dade de Letras da Universidade de Co- lar, nos quais tentaremos transmitir e re- cia dos Grandes Armazéns do Chiado lis- um Ciclo de Conferências a realizar nos imbra) - Coimbra – industrialização 1900/ viver os inícios do século XX, através da boetas, o Edifício Chiado é actualmente dias 22 e 23 do próximo mês de Outu- 1920. compreensão do sentido estético e da sede do Museu Municipal de Coimbra, bro, com a participação de destacados - Regina Anacleto (Faculdade de evolução da moda, associada ao fe- tutelado pelo Departamento de Cultura especialistas em diversas áreas. Letras da Universidade de Coimbra nómeno económico dos Grandes Ar- – A arquitectura conimbricense dos mazéns”. finais do século XIX início do sé- A Câmara Municipal de Coimbra vai culo XX. ainda receber duas exposições de arte - Raquel Magalhães (Técnica da contemporânea, proporcionadas pela CMC) – O Edifício Chiado em Fundação Arpad Szenes - Vieira da Sil- Coimbra. va, (instituição que tem como objectivo Telo de Morais e Isabel Garcia da autarquia. No sentido de comemorar De acordo com os organizadores, ha- o centenário do edifício, o Museu Muni- verá comunicações pelos especialistas a cipal planeou a organização de uma sé- seguir indicados, abordando os temas que rie de eventos nos quais pretendemos se referem: enquadrar o momento histórico da sua - Rui Ramos (Faculdade de Arquitec- construção e inauguração. tura da Universidade do Porto) – A mo- O primeiro acto das comemorações dernidade da arquitectura de 1900. foi o lançamento do I Volume de uma - Raquel Henriques da Silva (Univer- luxuosa obra sobre a Colecção Telo sidade Nova de Lisboa) – “As artes em de Morais (uma das mais ricas colec- Portugal em 1910”. ções particulares de arte do País, e - Julien Bastoen (Université de Pa- doada por aquele ilustre médico e sua ris VIII )– Os Grandes Armazéns Pa- Mulher ao Município de Coimbra, es- risienses. tando exposta nos pisos superiores do - Paulo Peixoto (Faculdade de Eco- “Edifício Chiado”. nomia da Universidade de Coimbra) – A Numa cerimónia que contou com a massificação do consumo. participação de muitas e destacadas en- - Maria Calado (Faculdade de Arqui- a divulgação e o estudo da obra dos dois PROGRAMA ESTENDE-SE artistas). PELO PRÓXIMO ANO Durante 2010 serão publicadas as ac- tas do encontro marcado para Outubro As celebrações do centenário do “Edi- próximo, intituladas “Caminhos e iden- fício Chiado” vão prolongar-se por 2010, tidades da modernidade: 1910, o Edi- ano em que verdadeiramente se comple- fício Chiado em Coimbra”. tam os cem anos após a inauguração. Entretanto, o Museu pretende reco- No início do ano, o edifício será re- lher informações e testemunhos sobre o qualificado com pequenas obras de me- edifício para um estudo a publicar du- tidades, a apresentação esteve a cargo tectura da Universidade Técnica de Lis- lhoramento e reabrirá em Abril com uma rante o ano de 2010. Neste sentido, fez de Raquel Henriques da Silva (que foi boa) – Grandes Armazéns de Lisboa: exposição comemorativa do centenário. um apelo a quem possa ter informações Directora do Instituto Português de Mu- Grandella e Chiado. De acordo com os organizadores, “no ou espólio (nomeadamente: produtos dos seus) que teve palavras de grande elogio - Paulo Simões Rodrigues (Universi- âmbito desta exposição serão promovi- Grandes Armazéns do Chiado, como ca- para o altruísta gesto do casal Telo de dade de Évora) – Arquitectos e Enge- das acções educativas, nomeadamente tálogos, agendas de família, imagens, etc.) Morais e para a qualidade da colecção nheiros no século XIX XX. visitas interpretativas ao Edifício Chiado que contacte através dos números 239 por ele doada a Coimbra. - José Maria Amado Mendes (Facul- e ateliers orientados para público esco- 840 754 ou 239833771.
  • 24 PUBLICIDADE 26 DE JUNHO DE 2009