O Centro - n.º 68 – 24.04.2009

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    O Centro - n.º 68 – 24.04.2009 - Presentation Transcript

    1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 68 (II série) 24 de Abril de 2009 1 euro (iva incluído) FOI O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL DE 1974 Otelo favorável à Praça Salazar em Santa Comba Dão Otelo Saraiva de Carvalho surpreendeu ontem, em Coimbra, ao afirmar-se favorável à Praça Salazar em Santa Comba Dão. Este um dos aspectos das comemorações do 25 de Abril a que nos referimos nesta edição PÁG. 11 a 13 ATÉ 2 DE MAIO COMEÇA A 1 DE MAIO “FADADVOCAL” FOGOS FLORESTAIS Atractiva “Queima Cantores Portugal “Feira das Fitas” da Justiça está em ano do Livro” põe Coimbra lançam CD de grande em Coimbra a “escaldar” em Coimbra risco PÁG. 5 PÁG. 3 PÁG. 19 PÁG. 4
    2. 2 EDITORIAL 24 DE ABRIL DE 2009 Aniversários... Jorge Castilho de 2009 para mim representa reside, nal: o semanário “Jornal de Coimbra”. quaisquer grupos ou interesses, a não jorge.castilho@gmail.com sobretudo, no facto de nele ter com- Tenho um enorme orgulho no papel ser o interesse público. E que, O “Centro” assinala, com esta edi- pletado (no dia 1 de Março que pas- que esse jornal desempenhou durante exactamente por isso, muitas ve- ção, o seu 3.º aniversário (na II Série). sou) exactamente quatro décadas os 17 anos em que foi publicado, quer zes é esquecido ou deliberadamen- Um aniversário em Abril, mês com como jornalista profissional (actual- enquanto órgão difusor de cultura, de te ignorado por alguns que não grande simbolismo, já que nele se ce- mente com a carteira n.º 99, num uni- informação isenta e de opinião plural, aceitam a independência, antes lebram os 40 anos da Crise Académi- verso que engloba hoje muitos milha- quer como escola de formação onde pretendem impor a subserviência. ca de 1969 e os 35 anos da “Revolu- res de jornalistas). se iniciaram alguns dos que hoje são O “Centro” quer continuar a pu- ção dos Cravos” – dois acontecimen- Ou seja, já lá vão mais de 40 anos dos mais reputados jornalistas portu- blicar-se, quer manter-se como um tos marcantes na luta pela Liberdade (porque já antes ia escrevinhando umas gueses (e também repórteres fotográfi- espaço de liberdade, uma tribuna e pela Democracia. coisas para jornais, em regime de ama- cos, paginadores e excelentes profissio- para o debate pluralista, um veícu- Ainda por cima dois acontecimen- dorismo) dedicados a esta profissão nais de outras áreas, que no “Jornal de lo difusor de boa informação e de tos que eu vivi intensamente, enquan- apaixonante, que me tem trazido mo- Coimbra” se iniciaram e fizeram a sua cultura, um defensor e promotor da to cidadão e enquanto jornalista. mentos de grande regozijo, mas tam- aprendizagem). Região Centro, cujo nome adoptou O aniversário do “Centro”impele- bém (como é apanágio das paixões...) Por razões que aqui me não apete- exactamente com esse propósito. -me a fazer algumas confidências pes- muitas horas de enorme sofrimento e ce hoje evocar, o “Jornal de Coimbra” Oxalá os responsáveis das ins- soais aos Leitores deste meu jornal, de amargas decepções. deixou de me pertencer e cessou a sua tituições desta Região entendam esperando que não as entendam como Têm sido 40 anos muito intensos, publicação... a importância de um jornal com um reprovável exercício de narcisismo, pois esta profissão só com intensida- Mas como sempre entendi que ti- estas características e tratem o mas antes como um desabafo que é de se pode assumir em plenitude. E nha obrigação de continuar a lutar “Centro” de forma semelhante à quase um balanço de vida, uma pres- extremamente diversificados: traba- pelos meus ideais, pelas boas práticas que concedem aos outros órgãos tação de contas a quem sinto que te- lhei em jornais diários e semanários, do jornalismo, pela minha cidade e de comunicação social. nho obrigação de o fazer. em matutinos e vespertinos; numa pela minha Região, há três anos reco- Não queremos privilégios. Ape- Porque este ano de 2009 tem para agência noticiosa nacional (a ANI, mecei do zero, relançando o “Centro”. nas reivindicamos o direito a que mim particular importância. hoje LUSA), noutra estrangeira (a Devo confessar que tem sido um reconheçam a nossa existência e Por um lado, será aquele em que Reuters); fui um dos fundadores e di- combate muito difícil, especialmente não nos impeçam de prosseguir o entrarei no clube dos sexagenários rector-geral da Rádio Jornal do Cen- nos últimos tempos, quando a crise nosso caminho. Um caminho nor- (em meados de Julho próximo, se lá tro (TSF/Coimbra); fui um dos funda- mundial começou a fazer-se sentir. teado pelos valores morais e pe- chegar...) – uma designação extrema- dores de uma produtora que, quando E tenho o dever de aqui manifestar los princípios éticos e deontológi- mente antipática, criada pelo estilo jor- apareceram os canais privados de te- o meu agradecimento, muito sincero, cos que trilhamos há mais de 40 nalístico de há umas décadas para de- levisão, para eles fazia a cobertura no- a tantos e tão excelentes Colabora- anos. Por respeito pelos Leitores, signar os velhos. Até aos 59 (que é o ticiosa da Região Centro; fui um dos dores que, de forma totalmente desin- por nós próprios e pela Profissão meu caso, no momento), o indivíduo fundadores do canal de televisão TV teressada, vêm dando o seu contribu- que abraçámos quando a sua prá- ainda tinha direito à menção da idade Saúde; tenho colaborado em estações to para valorizar os conteúdos deste tica era mais penosa e com maio- – não há referência a qualquer “cin- de rádio, jornais e revistas. jornal. Do mesmo modo que é minha res riscos, porque condicionada quentenário atropelado”... Mas mal se Comecei no diário da minha cidade obrigação referir o consolador apoio, pela Censura do regime derruba- cai nos 60, passa-se a sexagenário, (o “Diário de Coimbra”, de que meu Pai material e moral, de alguns Familiares, do em Abril de 1974. depois, se tudo correr bem, vem a foi Chefe de Redacção durante déca- que têm permitido manter este projecto. Coimbra e a Região Centro pre- “promoção” a septuagenário, com sor- das e até ter falecido, em Fevereiro de Contudo, este duríssimo combate só cisam, talvez mais do que nunca, te a octogenário, e já vão abundando 1969). Passei depois para o que já era poderá ser vencido com o apoio dos de vozes que contrariem o seu os (e as) nonagenários (para não fa- então o maior jornal diário do País (o Leitores, dos Assinantes e dos Anun- gradual apagamento e contribuam lar naqueles que ultrapassam a bar- “Jornal de Notícias”), onde trabalhei ciantes, tamanhas são as dificuldades para que se reforce a sua impor- reira dos 100, longevidade que ainda mais de 20 anos, e de onde saí, quando que a comunicação social enfrenta tância e o seu prestígio. dá direito a cobertura televisiva, mas ocupava uma estável posição de che- nesta época de crise. O “Centro” quer continuar a que tende a ser coisa banal). fia, para me lançar na arriscada aven- Dificuldades redobradas para um ser uma tribuna de Liberdade onde Porém, a importância que este ano tura de criar o meu próprio jornal regio- jornal pluralista e não alinhado com essas vozes se façam ouvir! Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Editor/Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais regionais que se viram já obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus familiares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem média: 5.000 exemplares Contamos consigo!
    3. 24 DE ABRIL DE 2009 COIMBRA 3 “Queima Lançamento do I Volume de “TELO DE MORAIS das Fitas” | COLECÇÃO” anima A Câmara Municipal de Coimbra, através do De- partamento de Cultura / Divisão de Museologia, apre- Coimbra senta hoje (sexta-feira, dia 24), às 18h00, o I Volume “Telo de Morais – Colecção”, de autoria de Leonor Oliveira, Raquel Henriques da Silva e Virgínia Gomes. A Queima das Fitas, considerada por A apresentação da obra/catálogo estará a cargo de alguns como “a maior e mais animada Raquel Henriques da Silva, uma das autoras do estudo festa de estudantes do Mundo”, volta a científico. animar a cidade entre os dias 1 e 8 de Desde a inauguração do primeiro pólo do Museu Maio próximos. Municipal – Colecção Telo de Morais – que está pre- Embora se mantenham as manifesta- visto a elaboração de um livro/catálogo de todo o acer- ções tradicionais, volta assim a existir uma vo da Colecção, com o objectivo de divulgar o tão va- mudança nos dias da semana que eram riado espólio e permitir uma melhor compreensão das habiruais a cada uma das realizações. obras expostas, integrando-as nos movimentos artísti- No que toca aos espectáculos, a res- cos correspondentes. pectiva Comissão considera que “o pro- A publicação está dividida em dois volumes: o pri- grama das noites de parque é o mais equi- meiro, a ser lançado hoje, destinado ao núcleo de Pin- librado dos últimos tempos, tendo os me- tura e Desenho; o segundo, com o restante acervo, lhores nomes a nível nacional, de que se repartido por diferentes núcleos: Cerâmica, Escultura, destacam os “Xutos & Pontapés”, “Quim Mobiliário, Prata, entre outros. Barreiros”,”Blasted Mechanism” e Bu- O lançamento do primeiro volume do Catálogo da raka Som Sistema”. A nível Internacional Colecção Telo de Morais assinala o arranque de uma vão actuar algumas das bandas mais em série de iniciativas que decorrerão no decurso de 2009/ foco do momento, como “Morcheeba”, 2010, no âmbito das Comemorações do Centenário do “Brandi Carlile”, “Patrice” e “Cansei de Edifício Chiado. Ser Sexy”. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
    4. 4 OPINIÃO 24 DE ABRIL DE 2009 Um ano de maior risco Vasco Paiva de fogos florestais mvcfp@hotmail.com co, a vegetação herbácea e arbustiva rificadas, estão a comprová-lo. te fustigada por fogos florestais. começa a secar, e ou se verifica uma Acresce que os dois, três, últimos Duas questões retive. Todos os anos, quando chega a Pri- inversão significativa no clima que te- anos foram mais frescos e com pou- Uma delas é que sendo um facto mavera, costumo reflectir sobre o Ve- mos nas próximas semanas, meses, ou ca intensidade de fogos. Não se to- comprovado que o lançamento de fo- rão que nos espera e o risco de fogos iremos ter pela frente muitos fogos flo- maram as medidas adequadas para a guetes nas festas e romarias tem pro- florestais que temos pela frente. Com vocado muitos fogos, apesar disso al- frequência tenho partilhado essa re- guns líderes (?) das aldeias teimavam flexão com os leitores. Feliz ou infe- em defender esse hábito, porque o lizmente essas reflexões, previsões, povo precisa de festas e… “limpem não têm andado longe da verdade. os matos e deixem o foguetório acon- E não têm andado longe do que re- tecer”. Cabe às autoridades licenci- almente vem a acontecer, não por ne- ar, ou não, esse tipo de festejos. Es- nhum acto de adivinhação ou qualquer peremos que esses licenciamentos tipo de ciência oculta. É fundamen- não ocorram e que o desejo de agra- talmente o clima que determina essas dar, de colher votos num ano com tan- ocorrências e a dimensão que pode- rão vir a alcançar. É necessário evitar No ano passado, afirmei nas pági- as ignições, nas deste jornal que teríamos um Ve- é necessário prevenir, rão fresco, que teríamos poucos fo- gos, de reduzida dimensão. E que isso controlar os matos, era sobretudo resultado das condições vigilância e detecção de clima e não de uma melhoria signi- eficazes, rapidez ficativa do esquema de prevenção e na actuação, meios combate, e muito menos do facto de de combate existirem mais ou menos incendiári- os. Foi o que aconteceu. quando já não puderem Este ano tudo se conjuga para ter- restais com os incontroláveis prejuí- limpeza de matos. Não houve finan- ser evitados os fogos mos um ano difícil. Tem chovido pou- zos. As primeiras ocorrências, já ve- ciamentos e apoios eficazes para o efeito. Acumulou-se carga combustí- tas eleições, não leve a que as autori- vel, matos mais extensos e de maio- dades civis e policiais facilitem. res dimensões. A outra foi o facto de que, perante a Em circunstâncias destas, são neces- proibição de queimadas e a ameaça de sárias medidas de emergência. É neces- multas, as pessoas no meio rural estão sário evitar as ignições, é necessário a fazê-las a coberto da noite e de uma prevenir, controlar os matos, vigilância forma descontrolada, fugindo do local e detecção eficazes, rapidez na actua- para não serem apanhadas pela GNR. ção, meios de combate quando já não Será bem melhor uma acção pedagó- puderem ser evitados os fogos. gica e ajudar, quem precisa, a fazer es- As questões fundamentais, enquan- sas queimadas com a presença dos to ainda estamos a tempo, residem na bombeiros e em segurança. limpeza de matos em locais estratégi- Esperemos que o bom senso pre- cos, criar faixas de contenção. Resi- valeça e que não venha por aí, peran- dem ainda no evitar de ignições que, te desgraças incontroladas, a esfar- descontroladas, podem provocar fogos rapada desculpa de que são mãos cri- de grandes dimensões. minosas e incendiários loucos. Há poucos dias assisti a uma sessão É uma desculpa habitual e fácil, mas de sensibilização numa freguesia rural não resolve problema nenhum e só ser- do Oeste, perto de uma zona fortemen- ve para esconder as responsabilidades. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
    5. 24 DE ABRIL DE 2009 COIMBRA 5 REFERE ESTUDO APRESENTADO NA FEIRA DO LIVRO DE COIMBRA Quem mais lê melhor cuida da sua saúde Quem lê livros é mais capaz de adoptar Nesta amostra perto de 2 por cento dos literacia, afirmam os clínicos. estilos de vida saudável, de gerir as doenças utentes possuíam mestrado ou doutoramen- “A adopção de comportamentos desti- e de compreender a mensagem do médico, to, 26 por cento formação superior, e ape- nados a promover hábitos saudáveis, a par conclui um estudo sobre os hábitos de leitu- nas 17 por cento possuía o primeiro ciclo. da educação, resulta numa maior literacia ra realizado em centros de saúde. Dos leitores de livros 59 por cento tinha for- em saúde, numa acrescida capacidade de “Há uma relação positiva entre os níveis mação superior ou secundária. compreensão das mensagens de saúde e de literacia dos cidadãos e o nível de saúde Na investigação realizada por Rosa Costa numa maior capacidade em gerir doenças de uma população”, afirmam os médicos e Rui Macedo no âmbito do Plano Nacional crónicas”, concluem. Rosa Costa e Rui Macedo, num trabalho de Leitura “Ler+ dá Saúde”, conclui-se que apresentado ontem (quinta-feira) na Feira quando os profissionais de saúde se envol- FEIRA FUNCIONA do Livro de Coimbra, no âmbito das come- vem no aconselhamento da leitura em fa- ATÉ 2 DE MAIO morações do Dia Mundial do Livro. mília melhoram-se os níveis de literacia e os O trabalho, sobre hábitos de leitura e com- hábitos de leitura das crianças. Com um diversificado programa de pra de livros, jornais e revistas, foi realizado No entendimento de Rosa Costa, estes animação cultural, a Feira do Livro de através de questionário, entre 2 e 11 de dados reforçam a necessidade de criar “can- Coimbra tem, acima de tudo, o enorme Março último a utentes de dois centros de tinhos de leitura” nos centros de saúde, onde atractivo de proporcionar a aquisição de saúde de Coimbra onde estes médicos de- os utentes os possam manusear enquanto livros de todos os géneros (são muitos senvolvem a actividade clínica, o da Fernão aguardam a consulta. milhares de títulos de editoras nacionais de Magalhães, e o de S. Martinho do Bispo. “Quando os livros estão presentes, com e estrangeiras) a preços muito mais aces- Nessa amostra constituída por 342 uten- Quem lê, lê por gosto (94 por cento), e maior facilidade o médico abordará o tema síveis. tes (68 por cento mulheres) os melhores lei- em 76 por cento dos casos escolhe livros da leitura com o seu utente, e este revelará Mas outros aspectos há que bem jus- tores são... as leitoras, principalmente as mais que não são escolares nem técnicosescola- menor estranheza pelo assunto”, afirmou à tificam uma visita à tenda gigante insta- jovens e as mais escolarizadas. Não foram res. Os livros com maior presença nos lares agência Lusa. lada na Praça da República. considerados os cidadãos analfabetos e os são de literatura em geral, enciclopédias/di- Na sua perspectiva, “era importante que Entre eles uma exposição fotográfica jovens abaixo dos 15 anos. cionários e os escolares. nas consultas se falasse da leitura”, mesmo alusiva à Crise Académica de 1969, or- No estudo, 74 por cento dos inquiridos Cerca de 67 por cento costuma comprar nas de saúde infantil, antes mesmo de as ganizada pela Secção Fotográfica da dizem-se leitores de livros e 70 por cento de um a seis livros por ano e 4 por cento crianças aprenderem a ler. Associação Académica de Coimbra. lêem jornais/revistas. Setenta e dois por cen- mais de 21. Um pouco mais de 15 por cento O convívio com livros e a leitura em fa- Para além disso, todos os dias há ses- to dedicam aos livros três horas por semana dos inquiridos declarou não saber quando mília, entre adultos e crianças com menos sões de autógrafos com a presença de e 75 por cento dizem ocupar duas horas por adquiriu o último livro, ou não respondeu à de seis meses, são determinantes na apren- escritores, que ali dialogam com os seus semana com jornais e revistas. questão. dizagem da leitura e no desenvolvimento da leitores. PRAÇA DA Soneto REPÚBLICA de uma Carlos Carranca guitarra portuguesa a Jorge Gomes Sou de mil acordes o sustento Dos que sofrem e suspiram. Afagam-me nos ventres engelhados Escravos do meu corpo enlouquecido. Rasgam-me doem-me sonhando O som que os enleva e acompanha. Levitação; deuses pequeninos. A música a nascer-me das entranhas. Quem me tange me incendeia – dedos da vida solidários. O sonho os ilumina Seiva – chão de amor e terra. E o meu corpo – guerra De amor e mar que se franteia.
    6. 6 NACIONAL 24 DE ABRIL DE 2009 Pequenos empresários pedem apoios Cerca de duas centenas de pequenos queixas e anseios. 17 por cento e a sua redução para 7 por “Ninguem sabe quantas micro e pe- empresários concentraram-se ontem (quin- “O assessor do primeiro ministro para os cento no sector da restauração. quenas empresas foram beneficiadas”, ta-feira) junto à residência oficial do primei- assuntos laborais recebeu-nos e garantiu- Ao nível da secretaria de Estado do Co- afirmou José Luis Silva acrescentando ro-ministro para pedir o desagramento fis- nos que as secretarias de Estado da tutela mércio, pretendem a garantia de que não que “os empréstimos bancários são uma cal e medidas efectivas de apoio às micro e iriam dar a devida atenção às nossas reinvi- sejam licenciadas novas grandes superfíci- fraude porque armadilham o que resta pequenas empresas que enfrentam o risco dicações, mas isso é de todo insatisfatório”, es comerciais e que estas encerrem ao do- da vida dos pequenos empresários, exi- de encerramento. disse o dirigente da CPPME depois de sair mingo para permitirem a sobrevivência do gindo-lhes como garantias as respecti- “Viemos aqui, com algum apoio, para da residência oficial de S.Bento. pequeno comércio. vas lojas e habitações”. mostrar ao primeiro-ministro a razão do nos- Quintino Aguiar afirmou, no entanto, que “Todas estas medidas e o acesso efecti- Muitos dos pequenos empresários que se so descontentamento pois os contactos que a estrutura a que preside irá esperar por vo a fundos do QREN são fundamentais concentraram em S.Bento eram fotógrafos, já tivemos com secretarias de Estado não novas reuniões com a secretaria de Estado para salvaguardar o que resta das micro e que fizeram questão de participar de má- contribuiram em nada para a resolução dos dos Assuntos Fiscais e com a secretaria de pequenas empresas”, disse à Lusa José Luis quina ao ombro e mascarinha preta, para nosso problemas”, disse à agência Lusa Estado do Comércio e depois, dependendo Silva, dirignete da CPPME e presidente da simbolizar a solidariedade para com os co- Quintino Aguiar, presidente da Confedera- dos resultados, decidirá o que fazer. Associação de micro e pequenas empresas legas que se têm retirados da profissão de- ção Portuguesa das Micro, Pequenas e Os pequenos empresários que vieram de de Setúbal e do Alentejo. vido a dificuldades de subsistência. Médias Empresas (CPPME). vários pontos do país queixam-se de que a Este pequeno empresário (taxista) con- Estes profissionais também entregaram Quintino Aguiar chefiou a delegação que Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais siderou que o Governo “está a cometer um um documento ao primeiro-ministro em que entregou no gabinete de José Socrates os não deu resposta aos seus pedidos de de- erro gravíssimo ao colocar nas mãos da pedem a regulamentação da profissão e a documentos reivindicativos em que os pe- gravamento fiscal, nomeadamente a elimi- banca a distribuição de fundos para as mi- actuação da Autoridade da Concorrência quenos empresários expuseram as suas nação do PEC, a redução do IVA para os cro e pequenas empresas”. para evitar a concorrência desleal. ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins A crise culos que os empurrou para os cadeirões tarcas despudorados e demais in-circles do to-socorro às falências dos grandes grupos, Tudo de repente passou de moda e ficou do poder. Até os sem-abrigo perceberam poder, alargam os cós das calças com tanta compra de acções acima do preço de mer- sensaborão : a ‘crise’ é a estrela do mo- que algo mudou, porque a torneira das es- falta de cuidado na alimentação – e sabem cado,…), não vão durar senão o tempo bre- mento! Crise à bordalesa ou de fricassé, molas alimentares começou a jorrar mais bem que, com este ou com outro governo, ve das escolhas eleitorais : porque depois crise de trazer por casa ou de faz-de-conta, grosso. E até Deus parece que entrou em vão depender e respirar a generosidade da tudo volta ao mesmo fado da crise. E os crise de valores e de princípios, crise de pa- crise de bondade, e na sua surpresa divina gota-a-gota de quem detém a decisão final. reitores das universidades já o perceberam, ciência para ouvir falar de mais crise. Insta- só repete “perdoai-lhes, que não sabem o Quem se mete com o poder político – este a CGTP e a UGT também, os professores lou-se a diarreia mental e a soltura do verbo que fazem”. ou outro de antes ou depois – já sabe que nem se fala, os novos reformados já sabem só soletra ‘crise’. Só balbucia ‘crise’. A clas- que vão entrar para o rol dos pagadores de se média geme só de ouvir falar em crise, (...) a crise é filha de mãe solteira e de pai incógnito, promessas, – e se calhar o povo anónimo as pequenas e médias empresas asfixiam como convém: a criança tornou-se um impecilho não vai encarneirar muito mais tempo, por- na lama da crise, os pobretanas fazem um que tem filhos para alimentar, prestações a manguito à crise, a gatunagem chama um incómodo e foi entregue aos cuidados adoptivos cumprir num quadro de spreads galopante, figo à crise. A Justiça não tem mãos a medir da solidariedade social. Os banqueiros, habituados e com a esperança a diluir-se pelo esgoto com a crise, as benesses sociais navegam à velha confiança que a impunidade dá, compraram abaixo. na crista da onda da crise, a Educação jus- camarotes de luxo nos cruzeiros de negócios Os partido políticos, que deviam ser o tifica disparates a esmo com o fantasma da aos paraísos fiscais (...) espelho da boa-conduta, é o que se vê: a crise. Cavaco Silva está farto de ouvir falar crise serve-lhes às mil maravilhas para en- em crise e clama no deserto pelo fim da dita Portas adentro, a crise é filha de mãe mais tarde ou mais cedo “leva”! E as bar- cobrir incompetências, ganâncias, uniões cuja. O Governo, fixado no umbigo e des- solteira e de pai incógnito, como convém: a bas de molho ainda são uma mezinha eficaz de facto e arranjinhos de vão-de-escada, lumbrado com o espelho mágico das maio- criança tornou-se um impecilho incómodo e nos grandes momentos de aflição. vingançazinhas, limpeza de balneários, rias absolutas, caiu subitamente na real e foi entregue aos cuidados adoptivos da soli- E chegamos ao cerne do busílis: a pro- compadrios, subida de umas décimas nas anda numa sarabanda de medidas contra a dariedade social. Os banqueiros, habituados miscuidade entre o poder económico e o sondagens. E o povoléu que se amanhe, crise que até há pouco tempo jurava a pés à velha confiança que a impunidade dá, com- poder político, não deixa espaço suficiente com a ajuda de Deus e da solidariedade juntos ser pura invenção das oposições e praram camarotes de luxo nos cruzeiros de para gerir com mão firme uma crise que dos que ainda se vão condoendo da des- não passar de maleita circunscrita ao sub- negócios aos paraísos fiscais, e não abdi- ameaça levar-nos ao fundo. E se Cavaco graça alheia. prime americano. O TGV, a quarta traves- cam da minguada jorna mensal que lhes re- Silva não estiver para engolir sapos que lhe E para a história ficarão apenas as sia do Tejo e o novo aeroporto, andam nas tribui a dedicação às instituições que come- compliquem a digestão dos poderes presi- sombras e as memórias de que houve nuvens e não são definitivamente parte as- çaram por parasitar as poupanças do Zé- denciais, a coisa ainda vai fiar mais fino. Os uma crise de morrer e de matar, a pior e sumida desta crise. As exportações e as povinho e a seguir sugaram prazenteiramen- desfiles de rua não se comoverão com mais mais arrasadora (dizem) no pós-25 de importações nunca se viram num carrossel te os milhões caídos do céu e dos bolsos de promessas eleitorais, quando a barriga va- Abril. Pelo meu lado – e esta vai, do fun- tão empinado e de enjoo permanente como qualquer calmeirão da negociata escura. zia discute acaloradamente com a razão. Os do do coração, para o Jorge Castilho – o desta crise. Os ministros (à excepção de Com a crise, os contribuintes anónimos aper- remendos à esquerda (sigilo bancário, ca- gostaria que o CENTRO não fosse uma Vieira da Silva) não sabem para onde se tam o cinto, e os governantes, gestores de samento gay, aborto, e por aí fora) e os pis- das vítimas inocentes da matança cega virar, porque a crise não fez parte dos currí- grandes empresas (públicas e privadas), au- car-de-olhos à direita (IRC bancário, pron- da nossa esperança colectiva.
    7. 24 DE ABRIL DE 2009 NACIONAL 7 Vila Franca de Xira também é uma Lição realismo português”, cujo catálogo, de ex- nhas são dez, uma delas repetida em for- beu do Estado Português. celente apresentação gráfica , 496 pági- mato gigante – talvez mais de 3 metros. As exposições, reveladoras da capa- nas com recheio excepcional, envolve o Estão igualmente abertas ao público cidade do Museu do Neo-Realismo, são Varela Pècurto que ao neo-realismo português diz respeito. mais duas exposições, uma de Miguel motivo justificado para uma visita, o que Agora o Museu volta a surpreender Palma, representado em numerosas co- aconselho vivamente. Nem por estar a escassa distância da com a apresentação de outra exposição, lecções nacionais e estrangeiras, públi- Tal como aconteceu na “Batalha pelo capital do País, Vila Franca de Xira se cuja organização mobilizou mais de uma cas e privadas; a outra mostra as obras Conteúdo”, também na “Batalha de Som- queda na indiferença, quando confron- vintena de especialistas, credores do nos- do escritor doutor Mário Braga, que vi- bras”, travadas em Vila Franca de Xira, tada com a importância de Lisboa. so elogio, todos, sem excepção. No en- veu nos arredores de Coimbra, expon- a Vitória foi indiscutível. Pelo contrário. Reage e prossegue o tanto, pela intervenção tão vincada na ex- do-se ainda documentos vários, cartas, Parabéns a quantos batalharam para seu desenvolvimento em todas as fren- posição, a começar pela pesquisa e pas- fotografias e a condecoração que rece- que fosse alcançada. tes, de que é exemplo a Cultura. sando pela organização documental, justo será citar a doutora Emília Tavares, do Museu Nacio- CIRCULA NA INTERNET nal de Arte Contemporânea – Museu Chiado, Lisboa, base da colecção de foto- Homenagem a Varela Pècurto grafias dos anos 50, dirigido A internet possibilita coisas extraordinárias! E aqui relatamos uma, que desde finais de 90 pelo dou- será uma boa surpresa para Varela Pècurto, por demonstrar que, mesmo tor Pedro Lapa que se es- longe, no tempo e no espaço, há quem continue a considerá-lo como um Mes- forçou na promoção desta tre e a exprimir-lhe gratidão. exposição e que foi o inicia- Eis um comentário que colhemos na net, assinado por Francisco Forjaz de dor da colecção de fotogra- Sampaio, um fotógrafo com reputação internacional, que assim se refere a fias que o Museu já possui. Varela Pècurto:. Emília Tavares, que na “A este homem extraordinario, que teve a paciência de me suportar horas exposição “Batalha pelo e horas na câmara escura da Hilda e mesmo no Fotoclub , devo todo o entu- Conteúdo” apresentou o que siasmo e a técnica que fez de mim mais tarde, na Alemanha, um bom fotógra- pode ser considerado o pri- fo. Recordo que citei num workshop do Willy Flekaus (mestre do preto e meiro estudo “sobre a rela- branco e um dos criadores da “Photokina”) esta afirmação do querido Varela: ção da disciplina de fotogra- ‘Não preciso de célula fotoeléctrica para tirar fotografias a preto e bran- fia com o neo-realismo, o co, nunca me engano’. cruzamento entre as práticas Um só desejo: que esteja vivo e de boa saúde (...) A minha gratidão”. salonistas e o novo «huma- nismo» desenvolvido pela cultura oposicionista”, ago- ra, na exposição “Batalha de “Viúva da Nazaré”: uma das fotografias de Varela Pècurto exposta no Museu do Neo-Realismo, Sombras” aborda a historio- em Vila Franca de Xira grafia da fotografia portu- guesa, escalpelizando-a ao E a prová-lo basta conhecer a activi- longo de mais de cinquenta páginas. dade que se tem verificado no Museu do Não tem lugar neste pequeno e mo- Neo-Realismo, entidade que muito hon- desto espaço comentar, melhor diria dis- ra o Município e a cidade. cutir, o conteúdo do seu texto, até por- Sedeado num belo edifício que muitas que, na generalidade, estou de acordo localidades desejariam, visitámo-lo há uns com ele. meses para assistir à inauguração da ex- Importa, sim, referir que, mais uma vez, posição “Batalha de Sombras” que será Vila Franca de Xira está de parabéns por complementada com dois encontros, em esta iniciativa e que Coimbra sai dignifi- 30 de Maio e 6 de Junho próximos. cada com a sua representação (até gra- Em finais de 2007, o Museu do Neo- ças ao extinto Grupo Câmara). Realismo, acabada a remodelação das Das 90 fotografias expostas, de diver- suas instalações, foi centro da grande ex- sas tendências, do doutor Franklim de Fi- posição “Batalha pelo Conteúdo no neo- gueiredo – já falecido – são duas e mi-
    8. 8 INTERNACIONAL 24 DE ABRIL DE 2009 Parlamento Europeu aprova legislação sobre agências de ‘rating’ O Parlamento Europeu (PE) aprovou cedimento de registo das agências de ontem (quinta-feira) a primeira legisla- notação de crédito, de modo a que pos- ção sobre agências de notação de crédi- sam ser controladas as actividades das to, definindo regras e obrigações que vi- agências cujas notações são utilizadas sam trazer maior transparência a uma pelas instituições de crédito, sociedades actividade que esteve em foco, pela ne- de investimento, empresas de seguros e gativa, com o despertar da crise global. de resseguros, organismos de investimen- “Integridade, transparência, responsa- to colectivo e fundos de pensões da bilidade e boa governação são as pala- União Europeia. Actualmente, existe vras de ordem da primeira legislação apenas um código de conduta voluntá- europeia sobre as agências de notação rio. de crédito”, informou o PE. O registo das agências de notação pelo Estas agências passam a ter que res- Comité das Autoridades de Regulamen- peitar um conjunto de obrigações adicio- tação dos Mercados Europeus de Valo- nais em relação às notações de produtos res Mobiliários (CARMEVM), o refor- financeiros estruturados, medidas relativas ço da transparência, da informação e da aos conflitos de interesses, à qualidade das protecção dos investidores, o regime de notações, à transparência das agências e responsabilidade, um mecanismo de ro- à supervisão das suas actividades. tação dos analistas e a garantia de que A elaboração deste regulamento tor- actual crise financeira mundial”, reconhe- das condições do mercado, por um lado”, as notações não sejam afectadas por nou-se necessária devido às insuficiên- ce o relator da Comissão dos Assuntos e “não conseguiram ajustar atempada- eventuais conflitos de interesse são al- cias ou falhas constatadas aquando da Económicos e Monetários do PE, Jean- mente as suas notações de crédito na guns dos pontos sobre os quais o Parla- emissão ou seguimento das notações Paul Gauzès. sequência do agravamento da crise dos mento Europeu e o Conselho - que co- emitidas pelas agências de notação. Estas agências “não reflectiam nas mercados, por outro”, lê-se no documen- legislam nesta matéria - chegaram a “É claro que estas insuficiências ou suas notações de crédito, numa fase su- to hoje aprovado. acordo, aprovado em plenário por 569 falhas contribuíram, em parte, para a ficientemente precoce, a deterioração A legislação europeia introduz um pro- votos a favor, 47 contra e 4 abstenções. Mitos e realidades do “Grande Duo” se. O «abraço financeiro-económico» tem procurar novos métodos de garantir a lide- ses vêem nela uma espécie de armadilha, o mesmo efeito. Mas dele não emana auto- rança norte-americana no mundo depois do destinada a amarrar mais a China e torná-la maticamente o desejo de reforçar as rela- rotundo fracasso do ex-presidente George mais dependente dos EUA. Fiodor Lukyanov * ções existentes. Bem ao contrário. Assim, W. Bush de a impor à força. Por enquanto, Pelos vistos, a saída da actiual situação na China põe-se em dúvida o antigo modelo consistirá em tentar superar, embora com de crescimento económico, baseado quase todo o cuidado, o actual sistema das rela- Há uns dois anos e picos, o chefe do Ins- exclusivamente nas exportações, isto é, de- ções. E não se trata da sua consolidação. tituto de Economia Mundial em Washing- pendente inteiramente da conjuntura eco- Obrigar Pequim Contudo, existe uma questão mais geral. Ao ton, Fred Bergsten, começou a propagan- nómica externa. fim e ao cabo, a actual recessão global deve- dear a ideia de «dois grandes». No ano pas- Sabe-se que anunciar os planos de de- a mudar o seu rumo se ao surgimento da «Chimérica». sado, o mecanismo da «Chimérica» – um senvolvimento do mercado interno é muito (tanto político, A prontidão da China de adquirir e acu- conglomerado sino-americano de produto- mais fácil de que os pôr em prática. Mas é mular as obrigações e os dólares norte-ame- res-credores e consumidores-devedores – significatico o próprio desejo de semelhan- como monetário) ricanos, ganhos à custa das exportações para foi descrito pelo historiador económico Nial tes mudanças, tendo em conta que Pequim, a favor dos EUA os EUA, permitia manter o sistema de cré- Ferguson. O tema de «destino comum» da uma vez escolhida uma meta, sempre pro- é praticamente dito baratíssimo nos EUA, o que estimulou China e dos EUA no séc. XXI foi apanhado cura alcançá-la. Se a China pelo menos o consumo dos norte-americanos – com- e desenvolvido por Henry Kissinger e Zbig- percebe em que direcção deve avançar, impossível prar novas casas e novos produtos chine- new Bzezincki, tornando-se num lugar co- então a situação dos EUA torna-se mais ses. Em contrapartida, a China recebia a mum nos debates sobre a arquitectura do complicada. garantia para um mais elevado nível de vida mundo. No entanto, a dependência mútua Por um lado, para Washington é critica- a nova administração avança com muita di- da sua população sem nunca realizar as ne- sino-americana não parece uma parceria li- mente importante que a China continue a plomacia e habilidade, procurando ouvir a cessárias reformas internas. Como assina- vremente escolhida, apresentando-se mais comprar as obrigações norte-americanas. opinião dos parceiros externos. lou Thomas Friedman, esta parceria de 30 como a consciencialização da situação de Deste ponto de vista, a intenção do governo Obrigar Pequim a mudar o seu rumo anos de duração esgotou-se e dificilmente aniquilamento mútuo, surgida na era nucle- chinês de encaminhar os recursos para in- (tanto político, como monetário) a favor dos sobreviverá à actual crise económica. Pe- ar entre os EUA e a URSS. vestimentos internos não agrada aos EUA. EUA é praticamente impossível. Isto sig- los vistos, não vale a pena recuperar este Na verdade, um passo brusco de uma Por outro, nos EUA, como sempre acon- nifica que é preciso propor à China um modelo que serviu de base para o apareci- das partes com o intuito de abandonar o sta- tece em situações de crise, surgem políticas grande projecto para que, sob a capa des- meto da actual bolha gigante. Mas, sem este tus quo acarreta inevitavelmente um preju- proteccionistas, e o seu alvo principal, por te, tais acções favoráveis a Washington modelo nada ou pouco restará do «destino ízo mutuamente inaceitável. Há 30 anos, o razões óbvias, é exactamente a China. Os possam ser vistas não como cedências, comum» da China e dos EUA. instrumento para o fazer era a arma nucle- produtores norte-americanos querem que os mas sim como passos no sentido de edifi- Claro que na Rússia os debates sobre o ar. Hoje em dia é a vulnerabilidade dos mer- produtos chineses fiquem no mercado in- cação de uma ordem mundial conjunta. tema de «duopólio» de Washington e Pe- cados: do chinês face a uma queda da pro- terno chinês. Compreende-se que a ideia da liderança quim (dado o poderio económico dos EUA cura da sua mercadoria, e do americano face Como conciliar as duas aspirações con- norte-americana permanece intacta e nem e da China) têm um significado especial, pois a uma recusa de Pequim de financiar o dé- trárias, ainda não está inteiramente claro e se põe em dúvida. o seu aparecimento hipotético ameaça em- fice dos EUA. nos EUA multiplicam-se os debates sobre Em Pequim dão-se conta deste proble- purrar Moscovo para a periferia mundial. Durante a «guerra fria», o frente-a-fren- esta contradição dificilmente solúvel. ma e a ideia de condomínio sino-americano te nuclear obrigava as partes a conterem- A principal tarefa de Barack Obama – é tratada com muita cautela. Muitos chine- * in revista A Rússia na Política Global
    9. 24 DE ABRIL DE 2009 OPINIÃO 9 BARACK OBAMA cuidado e do profeta Arons, tem piorado gremente do gabinete do dr. Alberto Cos- bastante, em tudo. Julgam que vão contro- ta para a mesa dos magistrados respon- Barack Obama tem vindo a mudar mui- lar toda a comunicação social. O resultado sáveis pelo processo, então, das duas to, em pouco tempo, quer a América quer, não pode ser mais catastrófico. (...) uma: ou o dr. Lopes da Mota se demite; psicologicamente, o resto do mundo, exce- ou o dr. Lopes da Mota é demitido. In- dendo as expectativas dos mais optimistas. Emídio Rangel dependentemente de se saber se foi Internamente, com um plano consequente Correio da Manhã (11/Abril/09) mandatado para o efeito ou se, como diz de ataque à crise que, sendo posto em ac- o procurador—geral da República, gos- ção, apesar dos cépticos e dos republicanos PAÍS FEIO ta apenas de “brincadeiras estúpidas” – mais cavernícolas, tem sido saudado por o que, diga-se de passagem, parece de- grandes economistas. Evitou a falência (...) Francamente, com lavagem de masiado estúpido. anunciada de grandes instituições financei- personagens não vamos a lado nenhum. ras, bancos e companhias seguradoras, mas Tem de terminar o tempo em que as tei- Constança Cunha e Sá não deixou de exigir rigor e moralidade aos as de influências políticas, económicas e Correio da Manhã (07/Abril/09) AS SOBRANCELHAS mediáticas permitem manter uma ima- gestores das empresas beneficiadas. DE DURÃO BARROSO A justiça americana também ajudou: gem de seriedade de quem o não é ou NACIONALIZAR OS BANCOS punindo exemplarmente e com enorme mesmo da sustentabilidade eterna de (...) Ainda no âmbito da visita de Ba- dúvidas, sejam elas de que sector forem O mal que corrói a finança está agora rapidez o grande escroque internacional rack Obama à Europa, uma última nota (económico, político, judicial). Este qua- a devorar a economia mundial, de que a Bernard Madoff. Está na cadeia, con- sobre o papel desempenhado por Durão dro de fundo da Sociedade Portuguesa finança extraiu a sua substância. Quan- denado praticamente à vida e a mulher Barroso, que foi nenhum. Devo confes- não permite que nos centremos no es- do um banco se desmorona, é comprado foi obrigada a restituir quadros e precio- sar, no entanto, que estou preocupado sencial. Estou a falar mesmo do essen- por outro banco, o qual garante assim que sidades, para indemnizar os lesados. com o estado de saúde de Durão Barro- cial, isto é, da nossa viabilidade social. o Estado deva salvá-lo, visto ele se tor- Outros se seguirão. so. Primeiro, porque Durão Barroso está A guerra ao Ministério Público não nar «too big to fail» («demasiado grande Tem estado a valer aos mais pobres, a ficar sem sobrancelhas. Não se trata terá nada a ver com o branqueamento para falir»). Um pouco por toda a parte, tentando incutir-lhes confiança e espe- de uma metáfora política, estou a ser li- que anda por aí? com precipitação e encurralados, os con- rança no futuro. São fundamentais. Está teral: neste momento, Barroso tem ape- tribuintes pagam biliões de dólares para a procurar reanimar os investimentos nas nas três ou quatro pêlos em cima de cada Paula Teixeira da Cruz socorrer as maiores instituições financei- áreas mais depressivas. É certo que a olho, o que é razoavelmente inquietante. Correio da Manhã (09/Abril/09) ras. Ora, ninguém sabe quantos «acti- actual crise é bem mais complexa do que Segundo, temo pelas costas do nosso vos tóxicos» continuam a estar nas en- no tempo do new deal. Mas Obama está antigo primeiro-ministro. Obama veio la- tranhas de tais instituições nem quanto atento. Tem dado sinais disso mesmo: em DEMASIADO ESTÚPIDO mentar a política internacional seguida vai ser ainda necessário pagar para ad- matéria de saúde, educação, segurança por Bush e prometeu um novo rumo. quirir a crescente rima dos seus créditos social, protecção aos mais pobres e aos (...) Se o presidente do Eurojust, o Barroso, que na cimeira dos Açores aju- deteriorados. Eis o balanço da desregu- discriminados. (...) homem que assegura a ligação entre a dou Bush a concretizar a política que lamentação financeira. (...) Mário Soares investigação portuguesa e a investigação Obama critica, disse agora estar mara- Visão inglesa, no caso Freeport, andou por aí, vilhado com a mudança prometida pelo Serge Halimi TRETAS em conversinhas dúbias, saltitando ale- Le Monde Diplomatique novo presidente. São pinotes que devem fazer mal à coluna. Há uns anos que o Governo acha por bem divulgar uma coisa a que pomposa- Ricardo Araújo Pereira mente chamam prioridades da política Visão criminal. Uma espécie de boletim mete- orológico do crime através do qual os AS GRANDES ILUSÕES ministros informam o povo das priorida- des que vão ter no combate ao crime (...) Qualquer cidadão sabe que, com durante o próximo ano. Uma tontice. Um excepção das vacinas, nenhuma substân- expediente para arranjar algum tempo de cia perigosa pode curar os males que cau- antena e, simultaneamente, induzir os in- sa. Ora, o que se decidiu em Londres foi crédulos de que aquela lista de priorida- garantir ao capital financeiro continuar a de é para levar a sério. Então, a lista agir como tem agido nos últimos 30 anos, deste ano é uma verdadeira ementa de depois de se ter libertado dos controlos um restaurante chinês. (...) estritos a que antes estava sujeito. Ou seja, acumular lucros fabulosos nas épocas de Francisco Moita Flores prosperidade e contar, nas épocas de cri- Correio da Manhã (12/Abril/09) se, com a generosidade dos contribuintes, desempregados, pensionistas roubados, OVOS DA PÁSCOA famílias sem casa, garantida pelo Estado do Seu Bem Estar. Aqui reside a euforia (...) O meu primeiro ovo de chocolate de Wall Street. Nada disto é surpreen- vai para o rato de sacristia que comanda dente se tivermos em mente que os ver- a ERC e para o senhor Silva, com cara dadeiros artífices das soluções - os con- de menino Tonecas, que trata da Assem- selheiros económicos de Obama, Timo- bleia da República, da comunicação so- thy Geithner e Larry Summers - são ho- cial e agora, nos tempos livres, faz algu- mens de Wall Street e que esta, ao longo mas horas nos bombeiros voluntários ao das últimas décadas, financiou a classe serviço do Governo. política norte—americana em troca da Aparece a falar de tudo, a responder substituição da regulamentação estatal por a todos e ainda debate com Morais Sar- auto-regulação. Há mesmo quem fale de mento na TVI 24. um golpe de Estado de Wall Street sobre Uns dizem que está a fazer tirocínio Washington, cuja verdadeira dimensão se para um dia substituir Sócrates, outros revela agora.(...) que a sua ânsia de protagonista não tem limites. Por enquanto, só consegue es- Boaventura de Sousa Santos palhar o ridículo com as suas actuações. Visão A comunicação social, que está ao seu
    10. 10 CRÓNICA arte em café 24 DE ABRIL DE 2009 A OUTRA FACE DO ESPELHO José Henrique Dias* Que mil flores… jhrdias@gmail.com experiência de uma qualquer vida, talvez tantas vidas, vivi- das ou a viver. Este o milagre da criação. Ainda quando Como são os dias a que chamamos radiosos? Há sem- possa parecer percorrido por algum hermetismo. Mesmo pre, penso agora, porque tudo é pensável, um motivo que supostamente inverosímil. forte para além dos imperativos ou determinismos mete- A verdade, agora que uma nova Primavera se desenha orológicos. Os dias só são o que forem dentro de nós. e há raios tardios a mergulhar na lonjura marítima, quando Aquele podia ter sido, foi ao menos num pedaço de noi- rubros os cravos aprendem o esmaecer da esperança, es- te, radioso, iluminado, sei agora, pela luz baça do começo perança traída, lutos por resolver, quanto Abril não vindo de um adeus. Digo tudo isto com a insegurança que ulti- mas com o sabor imbatível da liberdade substantiva que mamente me assalta, depois que me notifiquei para par- alguns tentam roubar, a verdade, é óbvio e reconhecível, é tir para longe, cumprir obrigações de político profissio- que o narrador não está de partida que não seja para fora de nal. Desempenhar o cargo. Dar sinais de eficácia. Le- si mesmo, bem dentro do pensável, que imaginar é viver. vantar bandeiras para os votos futuros. Mara realmente não existiu assim. Mara nunca existiu. Ter de decidir sobre a vida das pessoas, com uma É pura invenção. Uma espécie de delírio. A materialização simples assinatura, mandar homens, e agora também mu- de um desejo. Ou apenas a transfiguração de uma realida- lheres, para lugares pouco seguros, num quadro de guer- traição. Sinto-me capaz de compreender todas as fragilida- de que se escapou como areia entre dedos abertos para ra semeado de armadilhas, não convencional, ideologi- des humanas, aceito como posso algumas misérias morais, uma interrogação. Uma mulher entra sempre bem nestas zada na dimensão religiosa, logo marcada pela violência mas o figurino da traição leva-me sempre ao desespero de histórias. Faz muita falta. Respiramos a mensagem fero- sem limites e a intolerância sem tréguas, não é um acto ser capaz de tudo, mesmo do impensável, para que aquele mónica das suas promessas de primavera. Talvez algum mecânico que uma caneta resolve. Um despacho. Que veneno se solte da possibilidade da mordedura, da angústia dia Mara tenha escrito, em momento de raiva ou no impas- se emoldure num qualquer dia do Diário oficial. Ter de de viajar o sangue. se do amor, não te amo nem nunca te amei. Com maiús- comandar é pedir a um homem, sossegado neste beira- Para mim, enquanto pudemos andar de mão dada na culas. Como um grito. Como quem foge. Como quem mor- tarde em que recordo todo o tempo de antes, é pedir a conspiração, Coimbra-noite, vigiada, escura, subitamente re. A verbalizar um interdito. Guardado ciosamente. Ao lon- um homem, estava a dizer, a entrar no ocaso da vida, liberta nas viagens clandestinas a Lisboa, preparação de go de anos. A verdade. Só é verdade o que imaginamos. A que se demarque de algumas das traves-mestras de que todas as confrontações e das jornadas que trouxeram para vida é ficção. Ou um palco, como diria Shakespeare. ou a partir das quais foi alimentando o Ser. primeiro plano das conversas a luta juvenil, como gerou A menina nascida não podia ouvir canções de embalar. Ia destravar-se-me a língua para imperativo ético, não tensões no ditador, Mara era o sopro de respiração onde o Não era de carne. Era de palavras. De palavras feitas car- fosse estar aqui preso no dedilhar da viola a que sempre futuro sonhado se desenhava no terno encantamento do ne. Como no Genesis. volto nos momentos de angústia. Tem braço-abraço e cor- primeiro beijo, mais tarde no desenrolar nocturno dos cor- Significante paralisado na espera do significado. Para po de mulher. E sabe responder ao suave toque dos dedos. pos adormecidos como se um, melodia sempre inacabada re-significar. Re-presentar. Tornar presente. Metáfora. Na E faz das carícias música. Libertação. Levei-a para a Gui- de plena dádiva e dia seguinte. procura do Tempo. Na ânsia da Duração. Da aventura da né na primeira comissão, à socapa trauteava na negrura Foi decidida a clandestinidade. Mudámos de nome. En- linguagem em movimento perpétuo. das noites de medo umas baladas do Zeca e havia sempre tregaram-nos os documentos das novas identidades. Parti- Deve estar algures escondida em anonimato de lomba- quem chorasse, não pelas palavras, pelos protestos que sol- mos em diferentes direcções. da. Numa qualquer biblioteca. Ou num arquivo morto. Tempo tavam, mas porque traziam a distância, amplificavam a sau- È a razão de ir agora para longe, cumprir uma missão breve de uma ilusão. Consta que era Abril. Não aparece dade, sopravam para longe o cheiro da morte, calavam por especial, responsável por umas dezenas de homens e algu- nas gavetas do catálogo. Nunca chegou. Se calhar nunca instantes o trepidar das armas e o terror das minas semea- mas mulheres, e penso em tudo o que ficou para trás nesta foi feita. Como por cumprir ficaram tantas promessas. De- das nos calcanhares de cada incauto passo, ao longo das espera em Figo Maduro, onde a aeronave já ronca a ânsia sapareceu na trepidação postal. Talvez roubada. Foi o que picadas, no bordejar dos rios. do voo e há lenços de adeus no lá mais para trás, como disse a bibliotecária. Quem? Quando mais tarde, afoito na experiência e exponenci- antigamente, no cais de Alcântara. Impossível saber dela. Ninguém conhece o título. Pare- almente revoltado com o impasse, rumei para Angola, em Abandonara o partido por causa dos acontecimentos de ce que nunca teve autor. E isso que importa? Se há poesia. cumprimento de castigo por querer ser livre e pensar li- Praga. Mara ficou e afastou-se absolutamente de mim, E fraternidade. E possibilidade de recordar. vremente, ainda hesitei, mas irresistivelmente lá foi comi- como se tivesse uma nova lepra, medievalização de novos Lembrei agora, com indizível saudade, o António Ber- go e animou sôfregos intervalos entre aerogramas e notí- determinismos que aprisionam a inteligência. nardino. O nosso Berna. cias de Mara. Ficou grávida e relatava-me com muitos Lembro agora como tudo então se passou. A notícia che- dias de atraso o que se passava dentro de si e no à volta, gou ao fim da manhã, via telégrafo. Ecoou nas copas dos entre impotências e raivas. Então já eu sonhava lonjuras imbondeiros, salpicou o vermelho do poente no planalto, Flores para Coimbra. outras e cantava a Canção de Embalar saltitou depois nas cordas da viola em ritmo de fado. Dorme meu menino que a estrela d’ alva… – Nasceu. É uma menina. Que mil flores desabrochem. Que mil flores Procurava o tom que servisse o abaixamento da voz, Não era a voz de Mara mas reproduzia o texto do tele- (outras nenhumas) onde amores fenecem porém atinava uma a uma com as posições no braço da grama. Corria a Primavera e eu nem sabia que dizer. Quem que mil flores floresçam onde só dores viola. A mão direita, sem hesitações, harpejava dolên- me dera em Abril, pensei, transpondo o poema de uma ba- florescem. cias que desatavam as fontes dos olhos daqueles ho- lada. Mas não sabia que outro Abril estava a despontar. mens endurecidos pela guerra, sobretudo os que havi- Acabou por florir. Em mil flores… Que mil flores desabrochem. Que mil espadas am deixado filhos e em outros a quem os filhos nasce- Só que tudo ficou longe e a memória dói agora como não (outras nenhumas não) ram já eles estavam no mato, estirados no chão, dedo a sei dizer. Tenho na boca este gosto de perda. Nem sei se é onde mil flores com espadas são cortadas pressionar a pulsão da morte. amargo. Eu sei que ninguém trai ninguém que não seja a si que mil espadas floresçam em cada mão. Eu deixara esperanças. Mara tinha sido o que eu costu- próprio. É um lugar-comum e qualquer aprendiz de adulto, mava chamar a grande descoberta da minha vida, num co- adulto a sério, é capaz de dizer. Mas é insuportável. Que mil flores floresçam meço de noite depois de uma reunião na Associação em A menina que nasceu, que era nosso envolvimento e onde só penas são. que decidíamos o que fazer no desencadear da crise. Tão partilha, moldada em palavras e deslumbramento, sabe-se Antes que amores feneçam inocentes quanto generosos. Tanto tempo já. Quão longe. lá bem porquê, em vez de nos unir, dir-se-ia que foi o fim do que mil flores desabrochem. E outras nenhumas não. Mara era desenvolta e livre. Vinte anos. Livre e de- sonho e o começo do corte silencioso com a vida. Encontrei senvolta como se podia ser naqueles tempos. Eu tinha isto mais ou menos assim num caderno de apontamentos. passado por uma primeira vinculação ao Partido, apren- Retalhos de passado. (Música de Joaquim Fernandes, que, dizem-me, dera algumas regras para todas as eventualidades, só O leitor certamente já percebeu que esta história está lecciona actualmente na Universidade Fernando Pessoa, poema de Manuel Alegre, com a guitarra de António Portugal). não podia contar com a traição. recheada de contradições. Claro que está. É construída assim O que sempre mais me custou na vida foi lidar com a para que possa ser possível como história e verdadeira como * Professor universitário
    11. 24 DE ABRIL DE 2009 25 DE ABRIL 11 A INESPERADA OPINIÃO DO LÍDER DA REVOLUÇÃO DE ABRIL MANIFESTADA ONTEM EM COIMBRA Largo em memória de Salazar pode ser didáctico - considerou Otelo Saraiva de Carvalho a propósito da iniciativa em Santa Comba Dão O militar de Abril Otelo Saraiva de Carvalho encara com naturalidade a inauguração da requalificação do Lar- go Dr. Salazar, em Santa Comba Dão, amanhã (dia 25), por entender que iniciativas do género podem até ter um papel didáctico. “Acho que Santa Comba Dão tem orgulho de um ho- mem que ali nasceu e não vejo mal que isso aconteça, até porque pode servir didacticamente para dizer às pessoas ‘este homem viveu de tantos a tantos, morreu com 81 anos e foi um ditador que fez o que fez ao país’ e explicar porquê. Acho que é sempre didático”, considerou. Otelo Saraiva de Carvalho falava à Lusa no Instituto de Almalaguês, em Coimbra, onde participou num debate com alunos sobre os 35 anos do 25 de Abril. Questionado sobre o polémico Centro de Estudos e Museu do Estado Novo, projectado pela Câmara de Santa Comba Dão e encarado por alguns como uma homenagem a Sala- zar, o capitão de Abril afirma que “as pessoas têm direito a ter opinião e a não ter razão”. “Salazar é um homem que pertence à História, ape- sar de todo o ódio que muita gente do nosso país, feliz- mente a maior parte, terá a um ditador que colocou o país de rastos, apesar do muito bem que muitos possam dizer dele”, afirmou. Otelo Saraiva de Carvalho não se opõe à construção do referido museu, por entender que isso “não significa fazer incitamento, de forma inconstitucional, a formações nazis”. “São os saudosistas do Salazar, que acham que ele foi o maior português de sempre. Não ponho entraves a isso. Se isso fizesse recrudescer ou renascer o espírito nazi, a coisa devia ter sido mais bem pensada, mas julgo que não”, afirmou. RECUSA DE PROMOÇÃO Otelo Saraiva de Carvalho afirmou ontem sentir-se in- justiçado com a promoção a coronel ao abrigo da reconsti- tuição das carreiras e admitiu recusar o distinção e pôr o Estado em tribunal. “Para já, estou a pensar seriamente em recusar esta promoção e os 48 mil euros. Recuso, assim não, não que- ro”, declarou Otelo à Agência Lusa, em Almalaguês, à mar- gem do acima referido. Otelo Saraiva de Carvalho recusa o que classifica de “aparente benesse política” e frisa que o seu caso “não se aplica à reconstituição de carreiras”.
    12. 12 25 DE ABRIL 24 DE ABRIL DE 2009 AFIRMA VASCO LOURENÇO EM ENTREVISTA A MANUELA CRUZEIRO “Descoordenação” e “recuo” do PCP impediram golpe de Novembro de 1975 A forma “descoordenada” como foi lan- do-Maior do Exército, autonomiza-se em çada a acção e o “recuo” do PCP face às relação a mim e começa a ter iniciativas sas forças que, à partida eram vistas como dificuldades de “fazer o pronunciamento” fora da cadeia de comando (…) por isso suas apoiantes. E, se o conseguissem, na foram factores determinantes para travar a me considero, então, enganado por ele. Ainda zona de Lisboa estavam em maioria, tinham tentativa de assalto ao poder pela extrema- que só mais tarde me aperceba do que efec- mais força que nós. E, talvez tivessem mes- esquerda a 25 de Novembro de 1975. tivamente se passou”, refere. mo criado a ´Comuna de Lisboa´”. A opinião é expressa por Vasco Louren- Sobre o falhanço da tentativa de contra- “Tenhamos presente o envolvimento do ço, uma das figuras mais destacadas do 25 golpe à Revolução de Abril, Vasco Louren- SDCI (Serviço de Detecção e Controle de de Abril de 1974 e do período subsequente, ço avança a sua explicação. Informação) onde os gonçalvistas recusa- no livro “Do interior da revolução” (livro que “O 25 de Novembro não é um golpe pla- ram a entrada, nesse dia 25, a militares que resulta de uma entrevista de quase 600 pá- neado e executado de forma bem pensada, aí prestaram serviço, apenas porque eram ginas à investigadora Maria Manuela Cru- mas sim acções dispersas desencadeadas, dos Nove. Recordo, nomeadamente, o Luís zeiro, do Centro de Documentação 25 de por um lado, por forças políticas que preten- Arruda, militar de Abril com importante ac- Abril da Universidade de Coimbra). dem alterar a correlação de forças dentro ção no 25 de Abril; recordo a acção da In- No livro (lançado ontem, quinta-feira, em do poder e, por outro, pela extrema-esquer- tersindical na Amadora, com tentativa de Lisboa) lança farpas aos que se “passeiam da que tenta aproveitar para fazer efectiva- bloquear as saídas dos Comandos; recordo nas diversas ´passerelles´” à sua custa, e o mente o golpe. Como é tudo descoordena- a acção de vários gonçalvistas, nomeada- nome do ex-Chefe de Estado (1976-1986) do e nós (…) actuámos de forma organiza- Manuela Cruzeiro com o livro mente o Dinis de Almeida, que envolveu o Ramalho Eanes é um dos que mais surge. ontem lançado em Lisboa RALIS na tentativa de golpe”, elencou. da e disciplinada, conseguimos rentabilizar “Há uma coisa que eu não compreendo: as poucas forças que tínhamos”, descreveu E prossegue: “com toda a sua capacida- Na longa entrevista, em que reconstitui como pode o Ramalho Eanes falar do 25 de Vasco Lourenço. de e competência, os dirigentes do PCP rá- ao pormenor a sucessão de episódios em Novembro, da sua importante e decisiva Para o militar, as movimentações milita- pido se aperceberam de que não era fácil que participou antes e depois da revolução acção, dizendo sempre que não actuou so- res de 25 de Novembro de 1975 tiveram fazer o pronunciamento. E o golpe, ainda de Abril, Vasco Lourenço considera mes- zinho, indicando vários nomes e nunca pro- por objectivo “uma tentativa de ocupar o mais complicado e custoso seria. Por isso mo que, “se tivesse havido coordenação e nunciando o nome de Vasco Lourenço ?”, poder”. recuam. Procurando perder o menos possí- determinação” por parte dos insurrectos, a questiona. “E nisso, estou plenamente convencido vel, e apagando de seguida os vestígios da unidade de Comandos chefiados por Jaime “O Eanes respondia perante mim (…) que o PCP esteve envolvido, directa e indi- sua intervenção (…) se quisessem fazer um Neves - que acabaram por impedir o assal- após a sua indigitação para Chefe de Esta- rectamente”, assegura. golpe, tê-lo-iam planeado cuidadosamente to ao poder pela extrema-esquerda - “aca- e teriam garantido a intervenção das diver- bariam vencidos”.
    13. 24 DE ABRIL DE 2009 25 DE ABRIL 13 Como são os portugueses 35 anos após a Revolução dos Cravos Trinta e cinco anos depois da Revolução de Abril, há nas estatísticas de 1970, quando morriam 58 crianças mais dois milhões de portugueses. Apesar de terem me- com menos de um ano por cada mil nados vivos. nos filhos, vivem mais tempo, e a chegada dos imigrantes Nesta altura, a taxa de mortalidade infantil em Por- ajudou a população a crescer. tugal situava-se 137,2 por cento acima do valor da Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística União Europeia (15 países). (INE), em 1970 existiam 8,6 milhões de portugueses. Em A atestar o contributo dos imigrantes para o au- 2007 esse número tinha aumentado para 10,6 milhões. mento da população residente em Portugal refira-se Apesar do aumento populacional, actualmente há me- que, em 2007, nasceram em Portugal cerca de 10 mil nos crianças até aos 10 anos do que havia em 1970 (cer- bebés cuja mãe tem nacionalidade estrangeira. ca de um milhão, contra 1,6 milhões, respectivamente). São quase 10 por cento do total de bebés nascidos Em contrapartida, o número de pessoas com mais de no país. 70 anos duplicou, passando de 560 mil para 1,2 milhões, Vasco Lourenço e Pezarat Correia, dois dos militares de Abril resultado do aumento da esperança de vida, que deu mais 13 anos aos homens e 15 às mulheres. Portugal passou também a ser um país com maior diversidade populacional: enquanto em 1975 residiam no território nacional cerca de 32 mil estrangeiros, segundo dados do Serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em 2007 esse valor subiu para 435 mil, sem contar com os imigrantes ilegais. Segundo o estudo “As Regionalidades Demográficas do Portugal Contemporâneo”, de Maria João Guardado Moreira e Teresa Ferreira Rodrigues, houve um “decrés- cimo da população portuguesa entre 1960 e 1974”. A década de 70 começou com um recorde de saídas: 173.300 emigrantes, dos quais 107 mil ilegais procuraram melhores condições de vida fora de Portugal. Entre 1960 e 1974 registaram-se os valores mais ele- vados da emigração no país: mais de 1,5 milhões de por- tugueses, ou seja, 100 mil por ano, saíram de Portugal, de acordo com o Atlas de Portugal do Instituto Geográfico Português. A inversão desta tendência só aconteceu em 1974 e surgiu ligada à Revolução de Abril. Nesse ano, o aumen- to demográfico foi de 2,6 por cento, segundo as duas investigadoras do CEPESE (Centro de Estudos de Eco- nomia e Sociedade). O número de emigrantes baixou a partir de 1973 devi- do à crise económica internacional, à mudança do regi- me político em Portugal e ao processo de independência das colónias. Em 1974 emigraram apenas cerca de 43 mil portu- gueses, número que baixou para os 24 mil em 1975. O regresso de portugueses residentes nas ex-colónias - mais de meio milhão - traduziu-se num aumento popula- cional expressivo, estimando-se que a população tenha aumentado 14 por cento, na década de 70, sobretudo en- tre 1974 e 1976, devido ao processo de descolonização. Uma estimativa feita pelas investigadoras do CEPE- SE apontava para 8,3 milhões de residentes em Portugal em 1974, contra nove milhões dois anos depois. Nos últimos 30 anos, a população portuguesa envelhe- ceu: nascem cada vez menos crianças e morre-se cada vez mais tarde. Segundo o estudo do CEPESE, “entre 1960 e 2006, a proporção de jovens desceu de 29 por cento para 16 por cento e os idosos aumentaram de oito para 17 por cento”. Em 2007, pela primeira vez em mais de um século, o número de mortos superou os nascimentos: morreram 103.727 pessoas e nasceram apenas 102.213. Ainda assim, nesse ano, a população residente em Por- tugal cresceu ligeiramente, graças a um saldo imigratório positivo de 19.500 pessoas. Contudo, verificou-se um decréscimo da taxa de nata- lidade e um aumento da taxa de mortalidade, mas a ma- nutenção da taxa de mortalidade infantil em valores abai- xo dos 3,5 óbitos de crianças com menos de 1 ano por mil nados vivos. Números bem diferentes dos que estavam reflectidos
    14. 14 EDUCAÇÃO/ENSINO 24 DE ABRIL DE 2009 NO GOVERNO CIVIL DE COIMBRA Entregues os prémios distritais do Concurso “Escola Alerta” Alguns dos premiados da Escola EB 2,3 Carlos de Oliveira – Agrupamento de Escolas “Finisterra” – Febres, com o Governador Civil Foram entregues na passada terça-fei- – Na Categoria 1 (1.º Ciclo do Ensino ra, no Salão Nobre do Governo Civil de Co- Básico): Agrupamento de Escolas Álva- imbra, os prémios distritais do Concurso ro Viana de Lemos, Escola EB1 de San- “Escola Alerta 2008/2009”. ta Rita, Concelho da Lousã. O trabalho No início da cerimónia, Governador Civil apresentado assenta no diagnóstico das si- de Coimbra, Henrique Fernandes, cumpri- tuações de barreiras arquitectónicas exis- mentou as escolas e os alunos pela partici- tentes numa instituição local – a ARCIL – A representante do grupamento de Escolas Álvaro Viana de Lemos, Escola pação neste concurso, considerando ser um propondo algumas correcções. EB1 de Santa Rita, Concelho da Lousã, recebe o Prémio conquistado exercício de cidadania, tendo depois alerta- – Na Categoria 2 (3.º Ciclo e Ensino Se- do para as questões relativas à importância cundário): Escola EB 2,3 Carlos de Oli- rio Augusto Lemos, Agrupamento de Esco- Reabilitação, contando com a colaboração das acessibilidades para os cidadãos porta- veira – Agrupamento de Escolas “Fi- las de Alhadas, Figueira da Foz; com o tra- dos Governos Civis, das Direcções-Regio- dores de algumas deficiências. nisterra” – Febres. O trabalho assenta balho intitulado “Desporto Sem Limites”; e nais de Educação, de Câmaras Municipais Estiveram também presentes na sessão no diagnóstico de situações, propondo solu- na Categoria 2 (3.º Ciclo e Ensino Secundá- e, essencialmente, com a participação dire- a Directora Adjunta da Direcção Regional ções e acções concretas a promover, con- rio) a Escola EB 2,3 Lousã, Agrupamento cta das Escolas e Agrupamentos de Esco- de Educação do Centro, o Director Adjun- tribuindo para a eliminação das mesmas, no de Escolas da Lousã; com o trabalho intitu- las. De acordo com o Regulamento, o Con- to do Centro Distrital de Segurança Social, que respeita às barreiras sociais, barreiras lado “Caminhos (des)encantados” e a Es- curso visa sensibilizar e mobilizar os alunos o Presidente da Câmara Municipal da Lou- de informação e comunicação e barreiras cola Secundária da Lousã, com o trabalho dos ensinos básico e secundário para as ques- sã e a professora e membro do júri Maria urbanísticas e arquitectónicas. intitulado “Espaços Acessíveis”. tões da deficiência, para o que os alunos, do Rosário Pimentel. – Foram também entregues três Men- O concurso “Escola Alerta” é subordi- sob a orientação de docentes, são estimula- Os premiados do Concurso “Escola ções Honrosas: na Categoria 1 (1.º Ciclo do nado ao lema “Acessibilidade a todos” e dos a apresentar trabalhos relacionados com Alerta 2008/2009” foram os seguintes: Ensino Básico), a Escola EB2,3 Pintor Má- desenvolvido pelo Instituto Nacional para a esta problemática. MINERVA COIMBRA PROMOVE CICLO SOBRE “O DEVER DE EDUCAR” Escola, igualdade e diferença A Minerva Coimbra tem vindo a promo- e de ter contribuído para a redução de desi- menos ao nível das competências básicas ver um meritório ciclo de palestras subordi- gualdades, nomeadamente, desigualdades todos, de facto, atingem essa igualdade em nado ao título genérico “O Dever de Edu- de cariz social, quando a democratização termos de resultados”. car”. Nas anteriores sessões, dedicadas às permitiu que todos frequentassem o ensi- As funções da escola em torno da igual- capacidades cognitivas e à motivação, en- no, assiste-se agora à consciencialização de dade, acrescentou ainda, são cada vez me- veredou-se por uma abordagem genérica que, afinal, se se quiser pensar em termos nos vistas como uma corrida pelos melho- da aprendizagem, que legitima a afirmação de um sistema educativo igualitário, não res postos profissionais na sociedade, mas da igualdade. Esta requer, porém, uma ou- basta oferecer a todos o mesmo. como uma igualdade de oportunidades no tra que lhe é complementar: a abordagem “Se sentarmos ricos e pobres lado a lado, desenvolvimento de potencialidades dos in- da diferença. De facto, se é certo que todos aqueles que estão em desvantagem acen- divíduos. “Essas potencialidades são neces- dispomos de uma estrutura cognitiva, tam- tuarão a sua desvantagem”, frisou o espe- sariamente diferentes entre os indivíduos”, bém é certo que ela só existe e se desenvol- cialista, acrescentando que no sentido mais provocando abertura ao reconhecimento da ve num certo contexto cultural. Maria Helena Damião, Joaquim Pires utópico, o que se pretende é tentar que “os diferença e da especificidade. Valentim e Isabel de Carvalho Garcia Joaquim Pires Valentim (professor da resultados escolares não sejam desiguais em A escola deve assim reconhecer a espe- Universidade de Coimbra, doutorado em igualdade e diferença”, salientando que de- função das diferenças de classe social, de cificidade e a diferença e é nessa especifi- psicologia social, e convidado da última ses- pois de durante várias décadas a escola ter cultura ou de sexo”, mas numa versão mais cidade e nessa diferença que se deve apoi- são deste ciclo) abordou o tema “Escola, apostado na homogeneização da educação pragmática “é tentar assegurar que pelo ar para fazer o trabalho pedagógico.
    15. 24 DE ABRIL DE 2009 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 AFIRMA O SECRETÁRIO-GERAL DA FENPROF Surpresa seria se o Governo não decretasse o alargamento da escolaridade obrigatória A Federação Nacional dos Professo- Parlamento que o Governo vai apresen- igual a duas vezes o abono. res (Fenprof) considerou que o alarga- tar uma proposta de lei para alargar de Para Mário Nogueira, “não basta de- mento da escolaridade obrigatória só se- nove para 12 anos a escolaridade obri- cretar a obrigatoriedade”, são necessá- ria uma surpresa se não fosse decretado gatória, ou seja, os jovens até aos 18 anos rias medidas de política educativa para pelo Governo e alertou para a necessi- terão de frequentar a escola ou um cen- reduzir significativamente as taxas de dade de medidas de combate ao aban- tro de formação profissional. abandono e insucesso escolar, “mas não dono e insucesso escolar. Segundo José Sócrates, a regra legal administrativamente”. “O que seria novidade, surpreendente de extensão da escolaridade obrigatória “Se isso não acontecer teremos uma e inaceitável, era o Governo não cum- será para aplicar “aos alunos que se vão obrigatoriedade no secundário com ele- prir este compromisso”, afirmou o Se- inscrever no 7.º ano de escolaridade”. vadas taxas de abandono e insucesso”, cretário-Geral da Fenprof, Mário No- O chefe do Executivo anunciou igual- acrescentou. gueira, em declarações à Agência Lusa, mente que, a partir do próximo ano lecti- Além de uma reestruturação do ensi- lembrando que o alargamento de nove vo, todos os alunos com aproveitamento no básico e secundário, Mário Nogueira para 12 anos já estava previsto no pro- escolar no ensino secundário beneficiá- defende reforços “significativos” da ac- grama de Governo. rios dos dois primeiros escalões do abo- ção social escolar e medidas para con- O Primeiro-Ministro, José Sócrates, no de família terão direito a bolsa de es- trariar problemas exteriores à escola, anunciou durante o debate quinzenal no tudos, sendo que o valor da bolsa será como o desemprego. FNE considera alargamento positivo A Federação Nacional dos Sindicatos da Bragança, dirigente da FNE, em de- micas. Não vamos dizer que uma bol- da Educação (FNE) considerou “positi- clarações à Agência Lusa. sa vai resolver o problema do acesso va” a passagem da escolaridade obriga- A sindicalista sublinhou que a taxa e da continuidade dos estudantes no tória de nove para 12 anos, mas subli- de abandono escolar ao nível do ensi- ensino secundário”, acrescentou Ar- nhou a necessidade de medidas que tor- no obrigatório tem vindo a diminuir, minda Bragança, exigindo um alrga- nem o alargamento eficaz e promotor de mas mantém-se ainda com valores ele- mento “de qualidade”. sucesso educativo. vados, defendendo, por isso, mecanis- Para a FNE, terá de ser tomado um “Esta medida, que foi sendo adiada mos de controlo de abandono e novas conjunto de medidas, em articulação, sistematicamente, é uma medida positi- medidas de promoção do sucesso como a revisão “profunda” de progra- va, mas é necessário criar condições para escolar.”O facto de os alunos não con- mas e currículos, assim como apostar na que este alargamento seja eficaz e de tinuarem a estudar, no secundário, não formação de professores, para atender real sucesso educativo”, afirmou Armin- tem só a ver com dificuldades econó- ao multi-culturalismo dos alunos. Chega de tanta arrogância! Maria Isabel A questão é exactamente essa: será cepção participada por todos os interve- Lemos * que sabe mesmo? Será que está estatu- nientes no acto educativo (pais, encar- ída, no enquadramento legal em vigor, a regados de educação, autarcas, técnicos Foi com estupefacção que ouvi, há obrigatoriedade, por parte dos docentes, não-docentes, alunos) do Projecto Edu- dias, o Secretário de Estado da Educa- de definir objectivos individuais para a cativo, para depois se vir exigir aos do- ção, Jorge Pedreira, dizer, em plena As- sua acção profissional? É que só o se- centes a definição dos seus objectivos sembleia da República, aos deputados nhor Secretário de Estado da Educação individuais?! Parece francamente absur- que questionavam a Ministra da Edu- encontra tal imposição legislativa! Nem do e paradoxal. cação acerca dos famigerados objecti- os professores, nem os deputados!!! E Os professores devem comprome- vos individuais na avaliação de desem- então volta-se à imagem de marca deste ter-se, pelo contrário, como sempre o penho docente e da (i)legalidade come- governo: a arrogância. Lamentável, no fizeram, na construção dum modelo de tida pelos docentes que não os apre- mínimo, este exemplo de prepotência, de escola em que o desempenho indivi- sentaram: “Está na lei… Leia, senhor falta de sentido de cidadania e respeito dual de cada um não seja um fim em deputado, leia”. Do espanto passei ra- democrático. si mesmo, nem sirva para gerar cas- pidamente à indignação. Então não é E passemos então ao fulcro da ques- tas dentro da profissão, mas contri- obrigação de uma equipa ministerial tão: a apresentação de objectivos indivi- bua, em ambiente de forte empenha- prestar contas e informação aos legíti- duais por parte dos professores. É que o mento cívico e de exigente valoriza- mos representantes dos cidadãos, elei- acto educativo tem uma especificidade: ção profissional de todos, para a rea- tos, eles sim…? Então é assim que um é eminentemente cooperativo. Tanta im- lização dos objectivos educacionais dirigente político respeita a democracia? portância se dá às reuniões de Conse- descritos na Lei de Bases do Sistema Parecia um garoto birrento; como quem lhos de Turma, à definição colectiva de Educativo, desde 1986. diz: eu sei, mas não digo… um Projecto Curricular de Turma, à con- * Professora e dirigente do SPRC
    16. 16 SAÚDE 24 DE ABRIL DE 2009 Deixámos de evoluir que ditariam as regras do reino animal, se “cheiinho” de retrovírus? De facto, oi- “macacos”, mas, também, dos vírus. Sendo Massano por causa da agricultura” – ou seja, não tenta por cento é composto de restos destes assim, com base nos velhos retrovírus que Cardoso deveríamos ser mais do que 600.000 ter- vírus, que, há muitos milhões de anos se in- fazem parte do nosso genoma, não podere- ráqueos –, o acaso vai ter dificuldade em troduziram nos nossos antepassados. São mos excluir que outros possam vir a incor- Steve Jones, reputado geneticista e autor impor-se, e a globalização, que também designados retrovírus endógenos, porque porar-se nas nossas células germinativas de várias obras, fez, recentemente, uma in- irá manifestar-se nesta área, originará uma tornaram-se parte da nossa espécie. Ver- provocando alterações genéticas suscetíveis teressante declaração: “A evolução huma- mistura de tal ordem com redução da pro- dadeiros fósseis da nossa evolução. de provocarem mudanças estruturais e fun- na está paralisada”, ao apontar para “a falta babilidade de haver mudanças casuais. Agora imaginem o que é que poderá cionais significativas. de progenitores de idade avançada”. De Modificações na pressão da seleção acontecer se “sacarem” algumas dessas O aparecimento dos HIV é um exemplo facto, quanto mais idosos forem os pais, so- natural aliadas à diminuição das mutações partículas, juntá-las e porem em atividade dos “esforços”, ou melhor, da interação en- bretudo o pai, maior é a probabilidade de e das alterações devido ao acaso estão retrovírus adormecidos! Ótima sugestão para tre os seres vivos e a natureza numa per- ocorrência de mutações e de estas serem na base da afirmação do geneticista bri- bioterroristas. manente experimentação para ver o que é que vai sair desta feita. O nosso passado está repleto de “agressões” deste género ao ponto do agressor acabar por fazer parte do próprio indivíduo. Quem sabe se no futu- ro, não possam surgir novos retrovírus gulo- sos das nossas células, sobretudo das ger- minativas, e capazes de originar novas es- pécies a partir da nossa? Ao menos que saia uma “coisita” melhor, no bom sentido do mesmo! Sem ofensa para o Homo sapiens sapiens… Termino com a frase de Villarreal, que Michael Specter citou no seu excelente en- transmitidas aos filhos. Tenho algumas dú- tânico, segundo o qual o ser humano dei- Foi à custa destas curiosas partículas que saio, “Darwin´s Surprise”, publicado no vidas quanto a este argumento, porque, atu- xou de evoluir. ocorreu um dos mais importantes fenóme- New Yorker (3 de Dezembro de 2007): “Vi- almente, os pais têm filhos cada vez mais Mas terá mesmo? nos: a formação da placenta, característica ruses may well be the unseen creator that tarde. Mas ao decréscimo das mutações Será que os vírus poderão dar respostas dos mamíferos, e nossa, claro está, e do su- most likely did contribute to making us humanas, devido a alterações dos padrões a perguntas que ainda não questionámos? cesso da superioridade sobre pássaros, rép- human.” reprodutivos, Jones descreve os comporta- O papel dos vírus na evolução começa a teis e peixes. Houve quem, em jeito de brin- Nota da Redacção: Como os leitores se terão mentos sociais, como o casamento e a con- ser entendido. Os seus efeitos e consequên- cadeira, tenha feito a seguinte afirmação: apercebido, o nosso colaborador Salvador Massano traceção, como sendo igualmente respon- cias são bem conhecidos. Mais mortíferos “Sem estes vírus era muito possível que os Cardoso (ilustre Professor da Faculdade de Medici- sáveis por este “fenómeno” de paralisia evo- do que a própria peste. Febre amarela, sa- seres humanos andassem ainda a pôr ovos”! na da Universidade de Coimbra), redigiu este texto já lutiva. As suas explicações, interessantes, rampo, varíola, para citar apenas três, pro- Afinal acabamos por descender não só dos seguindo as normas do novo Acordo Ortográfico. sem sombra de dúvida, alargam-se ao en- vocaram mortandades terríveis ao longo da fraquecimento da seleção natural, na qual nossa Hstória. Basta recordar que só a va- ríola, doença extinta, matou no decurso do século XX 500 milhões de pessoas! Apesar Acreditação de Laboratório de tudo, e não obstante os seus efeitos nal- gumas características fisiológicas, não teve, da Faculdade de Medicina tal como muitas outras doenças infecciosas, capacidade para influenciar os seres huma- da Universidade de Coimbra nos como espécie. Para tal é preciso que alterem as células germinativas. Os únicos O Instituto Português de Acreditação, como organismo nacional de acredi- capazes de mudar a estrutura genética são tação, reconheceu recentemente que o Laboratório de Microbiologia de os retrovírus. Como é do conhecimento ge- Águas do Instituto de Higiene e Medicina Social da Faculdade de ral, neste momento lidamos com retrovírus Medicina de Coimbra, cumpre com os critérios de acreditação para Labo- terríveis, caso dos vírus da sida. No entanto, ratório de Ensaio estabelecido na NP EN ISO/IEC 17025:2005 - Requisitos estes não têm capacidade de infetar um es- gerais de competência para laboratórios de ensaio e calibração. permatozoide ou um óvulo, condição neces- Desta feita, passa a constituir o primeiro laboratório acreditado da Faculda- sária para provocar mudanças genéticas. de de Medicina de Coimbra, facto que constitui uma honra, premiando o es- Mas já aconteceu que uma célula germina- forço e a dedicação dos seus colaboradores, e “para o que foi determinante Steve Jones tiva fosse contaminada por um retrovírus? todo o apoio e entusiasmo demonstrado pela direção da Faculdade, a qual está o acaso perde importância. E aqui entra Já! É raro e ainda mais raro que o embrião de parabéns por mais esta distinção e reconhecimento” - como salienta o em jogo um conceito importante. Haven- resultante sobreviva. Mas já aconteceu? Já! Director daquele Laboratório, Prof. Massano Cardoso. do “dez mil vezes mais seres humanos do Quem diria que o nosso genoma estives-
    17. 24 DE ABRIL DE 2009 SAÚDE 17 Médicos vão propor menus saudáveis e baratos para evitar má alimentação As unidades de saúde vão propor às quiátrico) e acesso igualitário aos servi- nus vão estar disponíveis em todas as uni- anças com fome devido à crise, Francisco famílias menus saudáveis e baratos para ços de saúde. dades de saúde pública, nos serviços de George admitiu que já surgiram casos pon- prevenir a má alimentação das crianças O “primeiro eixo de alerta” diz res- aconselhamento nesta área e através de tuais, mas “ainda não constituem um pro- devido à crise e as autoridades ponderam peito às questões ligadas à alimentação, todos os médicos, principalmente os de fa- blema de dimensão preocupante”. mesmo alargar o horário das cantinas es- disse Francisco George. “É preciso as- mília, que vão poder aconselhar os utentes O director-geral da Saúde adiantou ain- colares, revelou o director-geral da Saúde. segurar que os portugueses comam bem, sobre medidas simples que assegurem uma da que a crise financeira levou à criação Em entrevista à agência Lusa, Francis- de forma equilibrada e com menos cus- alimentação adequada. de unidades de alerta em 68 localidades do co George avançou que estão previstas tos”, acrescentou. Para prevenir situações de má alimen- país, que já estão operacionais. “medidas de contingência” para responder Nesse sentido, a Direcção-Geral de tação nas crianças, sobretudo as que es- “Este dispositivo vai acautelar e per- aos efeitos da crise económica na saúde Saúde (DGS) solicitou à Plataforma con- tão em idade escolar, a DGS já contactou mitir que sejam tomadas medidas a tem- dos portugueses. tra a Obesidade, que reúne especialistas o Ministério da Educação para, no caso de po, a fim dos programas de saúde não As preocupações das autoridades de em nutrição, que preparasse “um conjunto ser necessário, as cantinas das escolas serem prejudicados”, sublinhou Fran- saúde situam-se sobretudo a três níveis: de menus saudáveis, equilibrados e de bai- estarem abertas mais tempo, incluindo nas cisco George. alimentação das famílias, em particular xo custo que pudessem ser utilizados pelas férias, “servindo refeições de uma forma das crianças, saúde mental (ansiedade, famílias com mais dificuldades”. equilibrada”. Helena Neves e Sandra Moutinho stress, depressão e doenças do foro psi- Francisco George revelou que os me- Questionado sobre a existência de cri- (Lusa) Centro de Medicina de Reabilitação da Tocha vai ter unidade de cuidados continuados O Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro (CMRRC) de Rovisco Pais deverá estar apetrechado em 2010 com uma unidade de cuidados continuados de convalescença, dotada de 60 camas, re- velou fonte hospitalar. Manuel Teixeira Veríssimo, Presidente do Conselho de Administração e Director Clí- nico do CMRRC, situado na Tocha, Canta- nhede, disse à agência Lusa que a nova unidade deverá ser adjudicada na segunda quinzena de Maio, prevendo-se que esteja concluída dentro de um ano a ano e meio. Segundo o médico, a unidade está orien- tada para dois tipos de patologias, em que existem “grandes necessidades na Região Centro”: a recuperação de doentes no pós- agudo de acidentes vasculares cerebrais e de pacientes em convalescença de cirurgi- as ao aparelho locomotor. Para cada uma das situações, serão afec- tadas 30 camas, adiantou Manuel Teixeira Veríssimo. “É uma unidade muito importante por- que se oferece um serviço de qualidade na reabilitação de pessoas que sofreram AVC ou foram operadas a cirurgia do aparelho locomotor, facilitando a sua recuperação e tentando desenvolver ao máximo as suas Vista parcial do Hospital Rovisco Pais, na Tocha capacidades”, frisou o Presidente do Con- selho de Administração do Rovisco Pais. Por outro lado, a nova unidade vai permi- vai ser recuperado para o efeito, num in- actividade de interesse público nas áreas de vilegiada articulação com os restantes ser- tir retirar “mais cedo os doentes dos hospi- vestimento de três milhões de euros, reve- cuidados de saúde, ensino e investigação na viços de saúde da Região Centro e promo- tais dos agudos, onde a estadia é mais cara lou ainda o Director Clínico daquela unida- saúde, nomeadamente no âmbito dos cui- ve a readaptação e reintegração sócio-pro- e não está tão direccionada para a reabilita- de, que já foi no passado uma leprosaria. dados diferenciados de reabilitação, em pri- fissional das pessoas com deficiência”. ção”, referiu o Presidente do Conselho de Vai ser inserida na Rede Nacional de Administração do CMRRC - Rovisco Pais. Cuidados Continuados Integrados, embora Estes cuidados continuados de curta du- seja uma resposta dirigida à recuperação de ração ou de convalescença compreendem pessoas que sofreram AVC ou que foram um internamento até um mês, período após submetidas a intervenções do aparelho lo- o qual os doentes têm alta ou, caso necessi- comotor, nomeadamente colocação de pró- tem, são encaminhados para o centro dife- teses da anca ou joelho, explicou o respon- renciado de reabilitação do CMRRC. sável. A unidade vai funcionar num dos pavi- O CMRRC - Rovisco Pais é “um esta- lhões da antiga leprosaria Rovisco Pais, que belecimento de nível central, que exerce
    18. www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 24 DE ABRIL DE 2009 Ontem foi a Viseu. Segundo ouvi num SÓCRATES: de Formação da Académica/OAF organi- telejornal, a visita esteve marcada para UM HOMEM INOCENTE zou um seminário sobre Psicologia do Des- as 17h00, depois para as 14h30 e o pri- «Calúnia, intriga, inveja e mal-dizer», foram porto, que segundo acabo de ler num blo- meiro-ministro acabou por aparecer à hoje palavras usadas por Mário Soares e Al- gue teve cerca de 60 participantes. Come- hora do almoço. No final, abandonou o berto Martins em defesa de José Sócrates. çou por estar previsto para o Auditório da local pela porta das traseiras. Ontem, foi Jorge Coelho a tirar o capacete das Reitoria da Universidade e acabou por ser Hoje, José Sócrates veio a Coimbra à obras e a vestir o seu ex-fato de político para transferido para o auditório do Estádio do Mário Martins dizer que o Caso Freeport estava a pôr em cau- abertura do mosteiro de Santa Clara-a- Calhabé. sa o Estado de Direito. E até João Cravinho, um ELEIÇÕES EUROPEIAS Velha, mas nenhum dos dois diários de Há escassos meses atrás, o mesmo De- anti-Sócrates assumido e que se tem notabili- NA RTP Coimbra sabia do facto. zado como um arauto da anti-corrupção veio a partamento de Formação da Académica/ Duas conclusões sobre a 2.ª parte (só Parece que o primeiro-ministro quer público defender o seu rival. Portanto, Sócra- OAF organizou um outro seminário, que vi a 2.ª parte) do “Prós e Contras” que esconder-se do país e dos portugueses. tes não está nada só neste imbróglio que pare- teve várias centenas de participantes - obri- há pouco terminou: (De qualquer modo, com visitas anun- ce não ter fim.Pelo contrário: o ex-bombeiro de gando, mesmo, à transferência do local de 1. Paulo Rangel muito seguro, apesar ciadas ou não, Sócrates não consegue serviço do PS voltou a ligar a sirene e Soares realização do auditório do Estádio do Ca- até foi buscar a imprensa como mãe de todos lhabé para o Auditório da Reitoria da Uni- da alegada juventude. evitar as manifestações de protesto.) os males de Sócrates. versidade. Um sucesso estrondoso! 2. Não vai ser nada fácil a tarefa de (publicado em 18 de Abril) Não se percebe porque precisa um homem Vital Moreira. inocente de tantos anjos da guarda à sua volta Claro que ninguém é insubstituível. (PS - Não me admirava nada que, neste CRISE CÁ E LÁ Mas será que a equipa que organizou e logo todos no dia 1 de Abril.» (Luiz Carvalho, momento, já estivessem a tocar as “cam- Não há nada como dar uma saltada a o seminário deste fim-de-semana era ri- no “Instante fatal”) painhas de alarme” no gabinete eleitoral Espanha e comprar alguns jornais e re- gorosamente igual à que organizou o ou- (publicado em 2 de Abril) socialista...) vistas para tomar consciência da reali- tro seminário? (publicado em 21 de Abril) dade portuguesa. CÂMARA COMPRA Se calhar, faltava lá uma pessoa... Antes da crise, Portugal crescia me- PORTÁTEIS A 1.200 EUROS (publicado em 29 de Março) O IMI BAIXOU? nos do que a Espanha. Ao que parece, a Câmara Municipal de Vital Moreira acaba de afirmar na Agora, em plena crise, Portugal des- Coimbra comprou computadores portáteis PROVEDOR DO AMBIENTE RTP1 que o IMI baixou nos últimos anos. ce mais do que a Espanha. para os vereadores. ANALISA “LIXO NA RUA” Lá estou eu a viver noutro país: o meu Isto é tão simples que não compreen- Segundo li na blogosfera, trata-se de com- «Exmo. Sr. Mário Martins, IMI não baixou. do como é que há quem não perceba. putadores Toshiba, modelo “Portégé M750”, A Provedoria do Ambiente e Qualidade de (publicado em 21 de Abril) (publicado em 18 de Abril) cujo preço ronda os 1.200 euros. Vida Urbana de Coimbra vem, por este meio, A pergunta: para que é que os vereadores informar que, após tomar conhecimento da fal- DIA SEGUINTE O GOLO DE RONALDO necessitam de um computador deste valor? ta de limpeza da Rua da Liberdade, através do Guilherme Aguiar a tentar explicar No jogo da semana passada, Cristia- seu blogue pessoal, registou o seu processo porque é que Olegário Benquerença não Eu comprei um Toshiba no último Natal, o com o número mencionado em epígrafe, o qual no Ronaldo foi assobiado sempre que modelo “A300-1|4”, por metade daquele preço e marcou grande-penalidade contra o FC tocava na bola. deverá ser utilizado sempre que se dirigir ao posso garantir que é uma “bomba”! nosso gabinete, solicitando e/ou adicionando Porto ontem em Coimbra. Ontem, no Porto, a situação repetiu- Lapidar. Repito a pergunta: para que é que os ve- qualquer informação ao processo. se, sobretudo durante a 1.ª parte. (Se a mão de Raul Meireles não é mo- readores necessitam de um computador da- Segundo o artigo 7.º da Designação, Com- Aos 6 minutos de jogo, Ronaldo “en- quele valor? petências e Mandato do Provedor, os muní- tivo para marcar “penalty”... acabaram cheu o pé” e marcou um golo sensacio- E faço outra: é lógico que uma Câmara que cipes têm direito de resposta no prazo de 90 os “penaltis” nos jogos disputados em nal. Um “golaço”! ainda há pouco tempo teve de aprovar um dias. Esperamos desta forma ir ao encontro Portugal.) Para aqueles que afirmam que os empréstimo de milhões gaste o dinheiro pú- das suas expectativas na resolução do pro- (publicado em 20 de Abril) adeptos de qualquer clube devem apoiar blico nestes luxos? blema apresentado.» OUTRA “TRAPALHADA” sempre as equipas portuguesas num jogo Termino com a “tal” pergunta: para que é Ainda me parece impossível! O secretário de Estado da Justiça [Ti- internacional, creio que será consolador que os vereadores necessitam de um com- Ontem ao princípio da noite, o Provedor ago Silveira] considerou hoje “muito gra- ver que o FC Porto foi afastado por um putador daquele valor? do Ambiente da Câmara Municipal de Coim- ve” a Ordem dos Notários pedir aos car- jogador português. bra enviou um comentário para o blogue, a (É tempo de os contribuintes começarem PS - Já agora: qual a razão dos asso- propósito do texto que escrevi ao final da tórios notariais a relação das escrituras a questionar directamente aqueles que ge- bios a Ronaldo, “capitão” da selecção tarde sobre a falta de limpeza na rua onde feitas pelo primeiro-ministro e outras rem o nosso dinheiro. Eles têm o poder de portuguesa, num estádio português? moro. pessoas para facultar a um jornalista, no aumentar os impostos, mas nós temos o de- Deve existir um motivo qualquer que Informava que tinha lido o texto e solicita- âmbito do caso Freeport. (Público) ver de questionar como gastam o dinheiro. O va informação sobre o assunto. Ouço na televisão a bastonária da Or- não consigo alcançar. nosso dinheiro.) Na resposta, enviei-lhe cópias das men- dem dos Notários (e o bastonário anterior) (publicado em 16 de Abril) (publicado em 30 de Março) sagens que enviei em Junho passado ao pre- dizer o óbvio: as escrituras são públicas e, PORTUGAL ESTÁ PODRE ACADÉMICA: NÃO HÁ sidente da Junta de Freguesia de Eiras, José portanto, acessíveis a qualquer cidadão. Assistir actualmente aos noticiários INSUBSTITUÍVEIS... Passeiro (e da respectiva resposta), ao vere- Em que é que ficamos: o secretário televisivos é confirmar a ideia de que o ador Luís Providência em Outubro (que não «Não há ninguém insubstituível!». de Estado da Justiça já se demitiu? Ou teve resposta) e à Câmara Municipal de Co- país está podre. Esta é uma das frases que mais me imbra há 10 dias (que também não obteve já foi demitido? irrita. Começa a ser tempo de acabar com resposta). (publicado em 20 de Abril) Esta tarde, recebi a mensagem que acima este estado de coisas. Na minha vida profissional já a ouvi FUTEBOL PORTUGUÊS: Como? Prendendo quem deve ser pre- transcrevo. algumas vezes, quando pretendi demons- UM NOJO so, punindo quem deve ser punido, afas- trar a superiores hierárquicos que a saí- Ainda me parece impossível! O jogador abre os braços e joga a bola tando quem deve ser afastado, correr com da de um colaborador resultaria em pre- Não é vulgar os serviços públicos funcio- com a mão dentro da área. a “malta” que desde a década de 70 se juízo para a empresa. narem em Portugal com tamanha rapidez. sentou à “mesa do Orçamento” e não quer (Apenas um exemplo: um familiar meu con- Penalty! «Não há ninguém insubstituível!». largar os “tachos”, chamar outros prota- tinua à espera, há 11 meses!!!, da chegada Seria, seria... mas se o jogo fosse nou- Uma vez, já farto de ouvir esta frase, do “cartão de contribuinte”.) tro lado que não em Portugal. gonistas, dar lugar aos jovens e definir pa- respondi assim: Não é vulgar, creio eu, um “provedor” to- drões ético-legais muito mais exigentes. - Tem razão, não há insubstituíveis. O Acaba de acontecer em Coimbra, no mar conhecimento de um assunto por um blo- Ao mesmo tempo, é tempo de acabar Benfica continua a jogar com 11, só que gue e, em escassa hora e meia, decidir agir. Académica-FC Porto. com nomeações de amigalhaços, concur- não tem Eusébio. Árbitro: Olegário Benquerença. sos à medida, gastos sem controlo, salá- Felizmente há pessoas da craveira do Prof. E gostei tanto da resposta que, a par- rios escandalosos, obras sumptuosas, Doutor Salvador Massano Cardoso, Prove- O futebol português é um nojo. tir daí, passei a utilizá-la sempre em situ- dor do Ambiente e da Qualidade de Vida Ur- (publicado em 19 de Abril) despesas de representação, empresas ações semelhantes. bana de Coimbra e professor catedrático da públicas e municipais sem justificação, E vem isto a propósito de quê?, per- Faculdade de Medicina, para (ainda) nos fa- SÓCRATES “ESCONDE-SE” repartição familiar de cargos públicos, guntará que lê este texto. zerem acreditar na qualidade da Democracia DO PAÍS projectos faraónicos, e..., e..., e.... em que vivemos. Na segunda-feira, José Sócrates visi- Explico... Estou farto disto. E desta gente. Muito obrigado. tou uma escola... em férias. (publicado em 4 de Abril) Neste fim-de-semana, o Departamento (publicado em 27 de Março)
    19. 24 DE ABRIL DE 2009 MÚSICA 19 Relativamente aos Distorções White Lies são uma banda de Londres, que editou em Janeiro o seu disco de estreia, “To Lose My Life”, e são claramente o nome de que mais se fala para “next big thing” da mú- José Miguel Nora sica britânica. Do disco josemiguelnora@gmail.com de estreia destaco, des- de já, “Death”, To Lose Depois de termos feito, nas anterio- My Life” e “A Place to res edições do “Centro”, o balanço de Hide”, que curiosamen- 2008, vamos agora referir-nos a novida- te são os primeiros três des, em termos musicais, do corrente ano temas do disco. Empire of The Sun Por fim, vou sugerir- de 2009. Aproveitando a boleia do se- manário britânico NME, começamos por vos os Little Boots, destacar três bandas: Empire of The Sun, que em 2008 já nos ti- White Lies, Little Boots. nham brindado com os Os Empire of The Sun, já tinham temas “Meddle” e “Stu- editado o seu disco de estreia “Walking ck On Repeat” (tema de On A Dream” em Outubro passado, mas que há uma excelente deverá ser em 2009 que estes australia- mistura da autoria dos nos vão retirar grande parte do “feedba- Fake Blood), é o novo ck” desse trabalho. Este dueto, formado projecto da ex-vocalis- por Luke Steele, dos Sleepy Jackson, e ta dos extintos Metric, Nick Littlemore, dos PNAU, que já nos Victoria Hesketh. Victoria Hesketh deu a conhecer uma série de temas como sejam “Walking On A Dream”, “Stan- ding On The Shore” ou “We Are The PARA SABER MAIS: People”, surgiu da colaboração do pri- meiro nas vocalizações de “With You www.myspace.com/empireofthesunsound Forever” da banda de que faz parte o www.myspace.com/whitelies segundo. http://www.littlebootsmusic.co.uk/ White Lies “FADVOCAL” LANÇA CD EM COIMBRA 6.º ANIVERSÁRIO DO “JAZZ AO CENTRO” “VelhasMargens “Underground Trio” actua hoje no Salão Brazil (em Coimbra) NovasPontes” Um espectáculo pelo Russ Lossing’s “Undergroung Trio”, a realizar hoje (sexta- ser particularmente derivativo de nenhum de- les.” “VelhasMargens NovasPontes” é o no próximo dia 29 de Abril (quarta- feira, dia 24 de Abril) à noite, no Salão Bra- E, se juntarmos a um dos renovadores do título do CD gravado pelo Grupo feira) em Coimbra, nas instalações da zil (em Coimbra), assinala o 6.º aniversário piano da actualidade, o talento de dois dos “FADVOCAL”, que vai ser lançado Ordem dos Advogados. do JACC (Jazz Ao Centro Club), com sede mais imaginativos e, simultaneamente, mais A sessão inicia-se pelas nesta cidade. sólidos instrumentistas da cena jazz interna- 21,30 horas, integrando o Antes do espectáculo, decorrerá no mes- cional, temos a receita para um espectáculo programa as seguintes ac- mo local, pelas 21,30 horas, uma conferên- inesquecível”. tuações: cia de imprensa para apresentação – “Advocal – Coro do programa da VII edição do Jazz Misto de Advogados”, ao Centro – Encontros Internacio- dirigido pelo Maestro Au- nais de Jazz de Coimbra 2009. gusto Mesquita. Quanto ao espectáculo desta noi- – Aníbal Moreira e Car- te, refira-se que o trio é liderado pelo los Jesus, com alguns temas pianista nova-iorquino Russ Lossing, do CD “Outros Mundos”. acompanhado pelo contrabaixista – “Fadvocal”, interpre- nipónico Masa Kamaguchi e pelo tando alguns temas do CD baterista Billy Mintz, e apresentará, “VelhasMargens Novas- segundo os organizadores, “uma re- Pontes” interpretação do clássico formato do O Conselho Distrital de Co- ‘piano trio’, por parte de músicos que imbra, onde decorrerá o espec- têm vindo a quebrar as barreiras, ou- táculo (com entrada livre) si- trora quase estanques, entre diferen- tua-se na Praça Mestre Pêro, tes abordagens daquilo a que cha- na Quinta de D. João. mamos jazz”. E acrescentam: Recorde-se que a “Advo- “Lossing, o principal responsável cal” é a Associação Artísti- por este projecto, tem sido ampla- ca do Distrito Judicial de mente elogiado por comentários Coimbra, que engloba advo- como aquele que figura no all music gados e outros profissionais guide: “(...) um passo à frente de ligados à Justiça. Paul Bley e de Keith Jarrett, sem
    20. 20 CRÓNICA 24 DE ABRIL DE 2009 AO CORRER DA PENA... Era Abril a chegar… e o mar. A nossa praia”… lha em forma de sonho). Era um ar- Mas agora a Rosinha (ou se- busto tão feio, tão feio, tão sem jeito ria a mãe Rosa?) já não era para nada… mas que agora, obser- Maria Pinto* praia, sol e mar. Já não era Ro- vando bem, se tornara até bonito… tão mainha.pinto@gmail.com sinha-liberdade. Não podia mais mais que bonito que Rosa sentiu que correr. Tinha apenas uma per- lho haveria de dizer todos os dias… “ (…) Mãe não tem limite, na. Uma coisa esquisita feita de Mas o Sol… é tempo sem hora, madeira e bem cravada na ter- Luz que não apaga ra. E o mar, que antes coloria o – Mamã! Mamã! Quando sopra o vento seu olhar, tornara-se seara a Rosa correu em direcção ao quar- E chuva desaba (…) perder de vista. Seara de infini- to de Rosinha. Mãe, na sua graça to, amarelecida… empalideci- – Mamã! Mostra-me o teu rosto… É eternidade (…).” da… entorpecida. a tua perna. Não, as tuas pernas. Não (Carlos Drummond de Andrade, Naquele enorme espaço de me fujas, mamã! Antologia Poética) seara, todos cumpriam o seu – Não é nada, meu amor. Foi ape- dever, todos obedeciam ao Sol nas um pesadelo. Estás encharcada, De cotovelos apoiados à beirinha da que já não tinha rosto nem sorri- Rosinha! mesa e queixo fincado nas mãos fecha- so de mãe, mas de um ser todo- – Mamã, eu sonhei contigo… não das, Rosinha olhava atentamente o de- poderoso. Os seus raios já não sei… penso que foi contigo. E tu eras senho que acabara de nascer de suas abraçavam. Pareciam tentácu- sempre linda, mas eras um espanta- pequeninas mãos e que iria oferecer à los sempre prontos a comandar. lho muito, muito triste. sua mãe no dia seguinte. No dia do seu Sem que alguém ousasse sequer – Mas tu dizes que eu sou como o aniversário. Imaginara fazer casinhas, ripostar. sol porque te dou calorzinho e abraços!... muitas casinhas rodeadas de flores e de A linda mulher-espanta-pardais (tudo bonita mulher rosa-espantalho. – Mas aquele Sol não eras tu. Estava cores, muitas árvores em volta e um sol aponta para que fosse mesmo a mãe Tanto choveu, tanto tempestou, que sempre a castigar-te e a calar-te, mamã. sorridente. Resplandecente. Com rosto Rosa) tinha de espantar pardais (porquê, Rosa, cansada (um espantalho cansa- Só te ouvi dizer “estou farta! Estou far- e sorriso de mãe. Com raios em forma se era tão bonita?!). Os pardais sabiam -se?!) caiu por terra e bateu com a ca- ta!”… e foi aí que veio a Primavera que de abraço. que tinham de se afastar dela. De fugir. beça espantada e aturdida numa pedra. te transformou numa árvore… Mas ela era tão bonita – tão linda mes- Numa pequena pedra. Pareceu-lhe en- – E mais, meu amor? Entretanto, a noite avançava. E o sono mo! – que eles atreviam-se a pousar… tão ouvir o bater de um coração. Será – Não me lembro, mamã. Podes ficar chegava. Rosinha adormeceu, pousan- no seu chapéu de palha… ou nos om- que as pedras também têm coração, pen- comigo até eu adormecer? do serenamente a face na sua obra-pri- bros… pelos braços fora… e tentavam sou Rosa. E um espantalho pensa? – A Mamã está aqui. Agora e sem- ma de afectos. até bicar aquele olhar triste. Talvez para Logo o Sol dourou de novo, desta vez pre. Para te ninar. Num repente, tudo se misturou. Tudo de forma sufocante. Com os seus raios, – E aquela ervilha? Aquela que anda- voltou a colocar Rosa no seu lugar. Os va sempre colada a ti? pardais foram, aos poucos, desistindo de – A ervilha é verde, Rosinha. Da cor Rosa, que cumpriu integralmente a sua do que há-de vir de bom. É Abril, meu função, espantando-os. amor, minha linda praia. Meu cântico de Rosa desanimava, definhava. Tão cor e de liberdade. bela! Tão só! Tão sem nada!... Rosinha voltara a adormecer. Rosa Entretanto, Abril chegou. O extenso ficou com ela mais um pouco, abraçan- campo começava a verdejar. E Rosa do-a. sonhou (ainda que este sonho fosse o de Passava já da meia-noite. Era o dia Rosinha, lembram-se?). Sonhou que dei- do seu aniversário. Ainda se conseguiu xara de ser espanta-pardais. Que se tor- recordar que houve tempos em que, neste nara agora uma bela árvore, alta, fron- dia, era acordada com o sussurro lindo dosa. A mais bela árvore daquela flores- de um “pássaro”, entoando Vinicius: ta… por mais que neste sonho se falas- se de uma seara. E Rosa, tão harmonio- “Rosa pra se ver sa que era, apaixonou-se por um pássa- Pra se admirar ro. Um pequenino pássaro cor de giesta, Rosa pra crescer alegre, luminoso, que cantava todo o dia. Rosa pra brotar Por ele ela se derreteu. A ela ele se deu. Rosa pra viver E lhe deu alegria e voo. O dia inteiro. Rosa pra se amar Ambos voavam de um lado para o outro, Rosa pra colher percorrendo quilómetros de ar, de liber- E despetalar se deturpou. Rosinha deixara de ver a bebericarem a água que dele saía. dade, de melodia. Por ser Abril. Rosa pra dormir mamã que desenhara em forma de sol, Mas o Sol de imediato chamava o ven- No final do dia, voltavam para a flo- Rosa pra acordar sobressaindo agora a figura de uma mu- to, que soprava e rugia e uivava, deixan- resta e o pequeno pássaro voava para Rosa pra sorrir lher-espanta-pardais. Bonita, sem dúvi- do Rosa-espanta-pardais na sua solidão os ramos de Rosa, que ela abria para o Rosa pra chorar da. Mas espantalho. Dir-se-ia tratar-se forçada, de braços abertos para nada recolher e voltava a fechar, bem deva- Rosa pra partir de Rosinha em adulta. Quando o seu poder abraçar. E aquela perna! Aquela garinho, para o proteger e abraçar. Rosa pra ficar nome já só seria Rosa. Debatia-se por- perna que não a deixava fugir – sempre Rosa estava finalmente a descobrir o E se ter mais uma rosa mulher” que lhe roubavam o “inha” de menini- com uma pequena ervilha agarrada – , maravilhoso da vida que vinha com a Pri- nha. Da menininha maravilhosa que ha- que lhe travava o sonho de poder andar, mavera de Abril. Tudo lhe parecia mais (Vinicius de Moraes, via sido no meio daqueles lindos cabelos andar, correr por estradas longas e lar- bonito, mais pleno de sons, da natureza Samba da Rosa) cor de sol e olhinhos de mar, como lhe gas, por caminhos feitos de verde e de que cada vez mais e melhor sabia escu- diziam os pais, quando ainda viviam jun- longas fileiras de flores. tar. Reparara até numa espécie de ar- Tudo de bom lhe acontecera sempre tos, em tom de adoração… ”És tão lin- Um dia, o Sol mandou vir a chuva for- busto, quase sempre agarrado a ela (sim, em Abril… da, meu-nosso amor! Tão linda! És o sol te num gesto de revolta pela tristeza da talvez fosse uma mistura daquela ervi- * Docente do ensino superior
    21. 24 DE ABRIL DE 2009 OPINIÃO 21 O pior aguentam com a crise. Seria perigoso voltarmos a correr esse risco. A nossa laicidade de muitos janeiros diz-nos O pior entrará sem contemplações pela prudência e contenção e os bens não renová- que precisamos de dar mais valor à prata da porta de dezenas de milhar de portugueses, veis têm horizontes limitados, parece-nos um erro casa, produzindo mais e melhor muito do que Renato Ávila pô-los-á no olho da rua e poderá mesmo de enormes proporções e o caminho escorrega- importamos. Em tempos de carência, ninguém negar-lhes o pão nosso de cada dia. dio para crises futuras ainda mais profundas. poderá impedir-nos de encontrar no sábio apro- Dizem por aí que o pior está para vir. Não sabemos se algum governante, al- Mais do que nunca, os Estados têm de veitamento dos nossos recursos naturais e hu- Ninguém, todavia, teve ainda a coragem gum empresário, algum abornalado gestor assumir em plenitude e com eficácia a disci- manos o que lá fora temos de comprar. Impõe- e a sabedoria de nos explicar o que se en- se deram ao trabalho de reflectir sobre o que plina dos mercados, especialmente os finan- se, por outro lado, um entendimento mais crítico tende por “o pior” será a vida, de se meter na pele, dum cida- ceiros, e o enquadramento e mobilização so- da fronteira entre o necessário e o supérfluo. Acenam-nos com um pano negro mas não dão forçado ao desemprego. Talvez fosse cial das mais-valias. Teremos de procurar vender com preços e nos informam do que nele vem escrito. um bom exercício de cidadania. As empresas balanceadas para a elevada pro- atitudes concorrenciais as excelências dos nos- Teremos nós, cidadãos, leigos nestas ma- Sentir as angústias de não ter um rendimen- dução não poderão, entendemos nós, continu- sos produtos endógenos, as nossas manufac- térias das economias, de deduzir a partir das to seguro que lhes permita planear a sua vida ar a pensar em expansionismos desregrados. Na turas, o nosso sol, a nossa paisagem e a nossa inquietantes palavras daqueles que, lá do alto, pessoal e familiar, fazer face aos encargos do nossa modesta opinião, esta crise irá deixar mar- hospitalidade. A nossa técnica e a nossa ciên- fazem gala em nos amedrontar (confere-lhes dia a dia; amarfanhar-se com as frustrações de cas profundas em termos psicológicos. A previ- cia. A nossa criatividade. uma certa importância mediática, uma certa su- não se sentir compensado do investimento que dência e a sobriedade andarão mais presentes É preciso reconstruir um país desleixado, perioridade intelectual!!!) e do avolumar das fez na sua qualificação e formação profissio- no espírito de cada consumidor, especialmente desestruturado, albardado, na busca de me- situações de carência. nal; revoltar-se pela ausência de justiça na mo- daqueles que tiverem experimentado “o pior”. É lhor ambiente, de melhores condições de ha- Ora vejamos: bilização dos lucros das empresas e pela tibie- bem possível que o sentido consumista se alte- bitabilidade, de melhor paisagem urbana, de O pior não será para todos. Haverá sempre za da solidariedade social. re por uma nova filosofia de vida – o consumir melhores equipamentos e serviços de apoio uma classe que continuará a viver à grande e Nesta sociedade consumista e egoísta de para viver. Daí a premência duma nova concep- social e cultural. à francesa e à qual pertencerão, decerto, mui- estranhas e perversas dependências, o de- ção de “marketing”. Há tanto trabalho para fazer e andamos a gas- tos dos pregadores da desgraça (dos outros, semprego é a face hedionda dum sistema que O futuro duma economia tremendamente tar o nosso dinheiro, a endividar-nos em projec- claro está!). Os automóveis topo de gama con- se recusa a prevenir o futuro e a repartir com vulnerável como a nossa, facilmente contagiada tos megalómanos e a tapar os buracos que, nés- tinuarão a vender-se, as mansões terão asse- justa equidade os lucros que o próprio con- pelas pandemias de além fronteiras, assente em cia e impunemente os maus gestores abriram. gurados os compradores e, como já é hábito, sumo proporciona. pequenas e médias empresas e nas esporádicas Os tempos que aí vêm são de contenção. A prenhes de nababos, os aviões voarão para Soam ainda, aos nossos ouvidos, as ufa- benesses do investimento estrangeiro, nem sem- penúria não a sentirão, decerto, os empresários as Caraíbas ou para as Maldivas. nas palavras do então primeiro ministro, hoje pre de boa-fé, tem de ser repensado em função que abornalaram os lucros em tempo de vacas O pior rondará a porta de muitos que, ape- presidente da comissão europeia – a segu- das nossas potencialidades e das nossas capa- gordas, nem muito boa gente principesca e es- sar dos rendimentos lhes permitirem uma vida rança no emprego e o emprego para toda a cidades. Os parâmetros do nosso consumo e do candalosamente remunerada. Tê-la-ão, sem dú- sem grandes sobressaltos, terão de geri-los vida acabaram. nosso nível de vida não podem continuar desfa- vida, os que, na falência das empresas, viram o com cauteloso rigor. É que é preciso contar Está mais que visto que, neste conformis- sados daquilo que temos e somos capazes de seu futuro volatilizar-se nas bolandas do siste- com os enrascanços de um familiar e nunca se mo, neste displicente e pactuante baixar de produzir. O povo diz e bem que não devemos ter ma financeiro, na sinistra opacidade das bolsas sabe aonde chega o fundo do abismo. braços dos governos e das instâncias su- mais olhos que barriga. e na tenebrosa fuga para os paraísos fiscais. O pior esgueirar-se-á com punhos de ren- pranacionais, face às dolosas estratégias do O liberalismo selvagem, apoderando-se da Que os nossos governantes e demais polí- da pelas casas de muitos cidadãos em situa- liberalismo selvagem, são os trabalhadores globalização, fez dela a galinha dos ovos de ouro, ticos o não esqueçam e, pondo de lado as ção de precariedade de emprego cujos rendi- os destinatários do pior. esquecendo-se de lhe dar o “milho” de que ela estéreis quezílias partidárias, se congreguem mentos, não chegando para as despesas bá- É tremendamente injusto. carecia. Até que estoirou. Certos gestores e os num projecto nacional de combate à crise, pro- sicas, os obrigarão a recorrer à ajuda das famí- Continuar a apostar no reinado do consumo, especuladores manipularam a massa, as empre- tegendo, sobretudo, aqueles que mais a sen- lias, a desdobrar-se em acumulações de tare- procurar recuperá-lo sem qualquer adaptação sas, desprovidas de recursos financeiros, entra- tem – os trabalhadores, os desempregados. fas ou a entrar no infernal ciclo do crédito. aos novos tempos em que o ambiente reclama ram em falência e os trabalhadores, pendurados, Os mais desprotegidos. FILATELICAMENTE 1938 – Emissão comemorativa POIS... do Congresso do Vinho João Paulo Simões José d’Encarnação Esta emissão foi feita a pedido do Presidente da Comissão Executiva do 5° O grupo excursionista japonês Congresso Internacional da Vinha e do descia o Quebra-Costas com más- Vinho. Desenho alegórico de José da caras na boca. Eu nem queria acre- Rocha Pereira, e gravura de Gustavo de são, contribuíram para a modernização e cul- UM POUCO DE HISTÓRIA... ditar no que estava a ver! Como era Almeida Araújo. Imprimidos na Impren- tura da vinha. Com a queda do Império Ro- possível confundir a cidade do Mon- sa Nacional Casa da Moeda, foram emi- mano, o vinho continuou a ser produzido por As últimas investigações arqueológicas, per- dego com a poluidíssima Tóquio? E a tidos em folhas de cem selos com as se- outros povos. mitem admitir terem sido os Fenícios quem trou- Com a fundação de Portugal, o vinho pas- guia não lhes teria explicado que a tri- guintes cores e valores: $15 violeta, $25 xe o vinho pela primeira vez para o território que sou a ser o produto mais exportado, sobretu- cana por eles tão fotografada estava castanho, $40 lilás e 1$75 azul escuro. O é hoje Portugal. Segundo a historiografia portu- do na segunda metade do século XIV, com a descalça, não tinha máscara e o len- denteado é de 11,5. guesa moderna, estes navegadores, oriundos Expansão Portuguesa. Mais tarde, no século ço na cabeça era mais uma moda que Este Congresso foi realizado em Lis- do Médio Oriente, utilizavam o vinho para tro- XVII, o vinho do Porto passou a ser reconhe- uma necessidade?!... boa, de 15 a 23 de Outubro de 1938. O cas comerciais desde o século VIII a.C. e, sobre- cido internacionalmente. Se calhar, explicou – e a máscara, desenho da emissão representa uma vi- tudo, no século seguinte. Mas nem tudo eram boas notícias. No sé- Portugal é um pequeno território peninsu- afinal, visava era evitar que poluições deira no meio de um cacho de uvas. Este culo XIX, a filoxera dizimou muitas vinhas e lar sulcado por dezenas de rios de norte a sul outras, de um género mais refinado e desenho foi muito criticado na época, por só no fim deste século é que a vinha recome- do país. Alguns destes rios foram entrada dos mortífero, como as que andam no ar, não fazer qualquer alusão ao Congresso çou a ressurgir. No século XX foram criadas povos da Fenícia e da Grécia. Estes navega- os contaminasse agora. e representar umas uvas tão grandes que as diversas Regiões Demarcadas. dores pretendiam obter metais, em troca do Como a poluição que nos obriga, quase pareciam ovos ou amêndoas da vinho, manufacturas e azeite. (Baseado em “Portugal vinhos cultura quiçá, a que seja este o último «pois» Páscoa. Assim, foram trazidas para a Península Ibéri- e tradição” do Círculo de Leitores e http:/ (Baseado em Livros Electrónicos desta série. É que, de facto, máscara, ca novas castas e a arte de bem fazer o vinho. /www.portugalweb.pt/historia-vinho- aqui, nós não estamos habituados a pôr! de Carlos Kulberg) Depois, os Romanos, aquando da inva- portugal.html
    22. http://ograndezoo.blogspot.com 22 OPINIÃO 24 DE ABRIL DE 2009 dividualmente como em con- Por último, merece referência a co- cinema junto. Tendo visto ou não o pri- meiro filme, este “Che – Guer- média romântica “Ele Não Está Assim Tão Interessado”. Destacando-se por ter rilha”, que retrata os últimos um elenco de luxo (que conta com no- anos do revolucionário na Bo- mes sonantes, como Jennifer Aniston, lívia, é acessível a todos. Des- Ben Affleck e Scarlett Johansson) e com taco, mais uma vez, o trabalho um argumento capaz, é um bom filme, estupendo do actor principal, recomendável sobretudo a apreciadores Benicio del Toro, que re- trata destemidamente no Pedro Nora grande ecrã uma figura histórica, sem fugir de Esta semana, começo por recomen- controvérsias, sendo um dar “Che – Guerrilha” a segunda parte dos melhores desempe- do projecto a cargo de Steven Soden- nhos da sua carreira. Para os mais novos (ou apreciadores de anima- ção), recomendo “Mons- tros vs. Aliens”, o novo fil- me dos estúdios de ani- mação Dreamworks. Um filme simpático, re- cheado de comédia e ac- ção, que presta homena- gem aos filmes da com- petidora Pixar (nomeada- bergh sobre a famosa figura revolucio- mente, “Monstros e Companhia”), nária Che Guevara. Apesar de este novo contando, no seu elenco de vozes, filme dar seguimento ao filme “Che – O com nomes prestigiados como Argentino” (ainda em exibição nas sa- Hugh Laurie, Reese Witherspoon las), Sodenbergh, afastando-se do seu e Seth Rogen. O filme pode tam- plano original (apresentar os dois filmes bém ser visto em 3D e em versão como um só, o que resultaria num filme portuguesa, que conta com a parti- de 5 horas…) conseguiu criar dois fil- cipação de Catarina Furtado e José Wal- de obras como “O Amor Acontece” e mes que podem ser apreciados tanto in- lenstein. “Não Digas Nada”. OPINIÃO J.A. Alves Ambrósio Angola em Saragoça (VIII) mais fácil um camelo passar pelo fundo de com uma bandeira de estilo soviético, e o problemas, desde logo os da elevação cul- Foi na cosmopolita – e europeia – Bru- uma agulha…»). ressentimento que nela se expõe também já tural e do bem-estar pessoal e social. E um xelas, ali mesmo a “dois passos” do Palácio Acontece é que o marxismo é uma he- não existe. A este respeito, além da conver- milhão de pobres à volta de Luanda? – Isso Real e desse opulento templo que são os resia do Cristianismo. Mais. O considerar são, basta lembrar a legislação sobre pro- resolver-se-á. Reais Museus de Belas-Artes da Bélgica, que um conjunto de condições exógenas é priedade, de há anos a esta parte publicada, Que bandeira então escolher? Não é a que, pela primeira vez (e única), vi hasteada o motor do progresso social (o desenvolvi- o modo como capitais lusos e angolanos se mim que incumbe opinar, Excelência. Sei, isso a bandeira de Angola. Compreendi perfei- mento da indústria e do comércio, sim, é que, dentre os presentes que, tamente o seu conteúdo, o seu alcance, o v.g.), em vez de considerar que é a em Saragoça, eram ofertados aos contexto em que surgiu, tudo, mas o meu elevação aristocrática pessoal – ela, visitantes um dos bonés me pareceu amor por Angola – reitero que não sou filho antes de mais nada – o motor do muito melhor. O conjunto de azul, ver- de colonos e fui apenas um oficial miliciano progresso, o marxismo opta por um melho, branco e amarelo pareceu- a fazer uma comissão –, o meu amor por critério de acção – para já não men- -me esteticamente muito consegui- aquela abençoada terra (o leitor não se es- cionar outros – cujos hediondos re- do. O azul é a tranquilidade e o con- pante com a força desta vibração, porque é sultados não carecem de menção. tentamento; o vermelho a energia, o como a nossa emoção que alcançamos) Lembre-se, v.g. e apenas. O Zero branco, a paz, o amarelo a alegria e postula, como um imperativo, que diga algo e o Infinito de Arthur Koestler e, inteligência. Todavia, a população é a esse respeito. ainda por cima, os próprios suicídi- negra quase em exclusivo – e para Com uma redundância penosamente su- os de Koestler e de sua mulher. ela vai o primeiro respeito. portável a bandeira afirma desde logo a sua Quanto à elevação aristocrática Um pais tão jovem que afirma já filiação soviética (marxista, se quisermos) e pessoal lembre-se Obama. a sua arte, quer implantar uma ar- o letal erro do ressentimento. Angola e os Se muitas universidades não fossem es- entrosam, num e noutro pais, e – sobretudo quitectura sua e, neste momento, com a Ex- seus Presidentes da República e Governo ses inenarráveis centros de embuste que de – casamentos que continuam a fazer-se posição de Arte Contemporânea que, na ca- permitir-me-ão as palavras que seguem, que facto são; se muitos que se consideram fi- entre pessoas do mais alto nível social dos pital, se realizará em Março, enfileirará Lu- mais não são que ditadas por amor. (Desde nos intelectuais se dessem conta do pérfido nossos dois países. anda entre as mais importantes cidades do que lhes agradeço a atenção com que vão logro em que vivem, se esses centros – que … Não existe – e não pode existir – o mundo, um país assim saberá encontrar con- ler este pudico e pundonoroso texto). passam por ser de saber – fossem menos ressentimento, porque este é uma mutila- sultores que lhe indiquem o magnetismo de Seria excessivamente fácil dizer que o permeáveis a modas; se fossem menos pe- ção Senhor presidente José Eduardo dos todas as cores, os quais aliados a estetas de marxismo foi uma hecatombe porque “a tulantes, se a percentagem de espíritos pro- Santos: apoie-se na Igreja a que se conver- primeira plana, criarão uma bandeira que seja árvore se vê pelos frutos” – mas eu passo fundos, capazes de desmascarar e apontar teu e operará milagres. Mais. A kalashni- uma apetência de afago e uma funda emo- ao lado dessa facilidade. Que a doutrina cris- caminhos mais genuínos, não fosse tão irri- kov representada na bandeira de Moçam- ção, bandeira que emanará do topos e das tã seja perfeita, digamos, isso não inibe os sória como é, se… bique lá está a afirmar as sérias dificulda- gentes e seja uma concreção do perfeito erros e as monstruosidades que, invocan- Como José Eduardo dos Santos se con- des que se deparam ao país irmão do Índi- prospectivo. Os modelos de bandeira suce- do-a, foram cometidos. Sem me alongar verteu ao Catolicismo, escrever este texto co. E com os sentimento e sentido de fra- dem-se aqui e além. É natural, é a evolu- basta lembrar a Inquisição e a catastrófica é uma obrigação ética e moral. A categoria ternidade a que é obrigado, não faltarão nem ção, a vida cada vez melhor. Afinal, uma visão, interpretação, sobre o dinheiro («É de Angola não tem que ficar tão fragilizada clarividência nem energia para resolver os bandeira não tem de ser perene.
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