O Centro - n.º 67 – 06.03.2009

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    O Centro - n.º 67 – 06.03.2009 - Presentation Transcript

    1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 67 (II série) 6 de Março de 2009 1 euro (iva incluído) CELEBRA-SE A 8 DE MARÇO Dia Internacional da Mulher “Mulheres e homens unidos para pôr termo à violência contra Mulheres e Meninas”. Este é o tema escolhido pelas Nações Unidas para as comemorações do “Dia Internacional da Mulher 2009”, que se celebra no próximo domingo, 8 de Março. Atendendo à relevância desta efeméride e ao seu significado, o “Centro” dedica-lhe um trabalho simbólico, onde presta homenagem às Mulheres do passado (na pessoa de uma pioneira que vive em Coimbra, prestes a completar 110 anos de idade), às do presente e a todas de quem depende o futuro Menina da Roça Monte Café, São Tomé e Príncipe (Setembro de 2008, foto JC) PÁG. 11 a 13 DE 7 A 14 DE MARÇO A 19 DE MARÇO SAÚDE COIMBRA Raridades Dia do Pai Deputadas Universidade na “Feira é pretexto do PS votam inaugura do Disco” para lembrar contra taxas edifício em Coimbra progenitores moderadoras invulgar PÁG. 24 PÁG. 7 PÁG. 17 PÁG. 5
    2. 2 COIMBRA 6 DE MARÇO DE 2009 ALERTA DE JORGE PAIVA SOBRE LOCAL EMBLEMÁTICO DE COIMBRA Mata do Choupal pode desaparecer este século O biólogo Jorge Paiva acaba de lançar “muitas centenárias e de grande porte”. juntos”, disse. lhas”, disse há dias o vice-presidente da o alerta público de que a mata do Chou- O Choupal “é a maior fábrica de oxi- “A Câmara nunca se preocupou em Câmara, João Rebelo. pal, em Coimbra, corre o risco de desa- génio natural que Coimbra tem”, onde “há integrar o Choupal na cidade. Dizem que Entretanto, a deputada Teresa Portu- parecer neste século, recordando que nos animais protegidos por lei”, como a lontra vão agora requalificar a mata, mas não gal, do PS, pediu esclarecimentos ao Go- últimos anos sucessivas obras públicas e a raposa, além de águias e outras aves. acredito nisso”, adiantou. verno sobre o impacto ambiental da cons- destruíram 20 por cento da sua área. “Ainda por cima, está a Ocidente da Para o botânico, se a destruição deste trução de uma ponte no rio Mondego e de “O Choupal tinha 89 hectares e ficam cidade e os ventos marítimos empurram espaço mítico continuar ao ritmo dos últi- um viaduto sobre o Choupal, no âmbito apenas 73”, declarou à agência Lusa o esse oxigénio para dentro da cidade”, sa- mos 30 anos, “não haverá Choupal” no do “Projecto IP3 - Coimbra (Trouxemil) professor e investigador da Universidade lientou o ambientalista. fim do século XXI. Mealhada, IC2 Coimbra/Oliveira de Aze- de Coimbra, que tem participado nas ini- Jorge Paiva lamentou que, em três dé- Deixará então de fazer sentido a céle- méis (A32/IC3) e IC3 Coimbra /IP3”. ciativas da Plataforma do Choupal, movi- cadas, diversas obras públicas tenham bre canção interpretada por José Afonso: A passagem do IC2, com um total de mento cívico que contesta a construção subtraído 16 dos 89 hectares que consti- “Do Choupal até à Lapa, foi Coimbra os seis faixas, produzirá “perturbações na do novo troço do IC2, que prevê um via- tuíam o Choupal. meus amores…” biodiversidade”, afugentando os animais duto sobre aquele espaço florestal. Em causa, recordou, estão a regulari- “Passa a ser do betão até à Lapa”, iro- da zona, alertou João Melo, da Platafor- Jorge Paiva explicava, numa visita gui- zação do Mondego, o canal de rega, es- nizou. No entanto, a Câmara Municipal ma do Choupal ada, a importância ambiental da mata do tradas junto ao rio, o sistema municipal de tem uma visão mais optimista. Entretanto, o movimento cívico aciam Choupal, de que ele próprio é frequenta- tratamento de esgotos, as condutas do gás “Qualquer solução que se adopte deve citado promoveu um “cordão humano” em dor assíduo. natural e a Ponte-Açude, a que se junta ser a que tenha os menores impactos que participaram centenas de pessoas, “Temos aqui uma elevada biodiversida- agora a passagem do IC2. ambientais e sobre as pessoas. Tem que para reclamar a suspensão do concurso de e uma biomassa vegetal enorme”, dis- A área já destruída, “com 5000 árvo- ser uma oportunidade determinante e de- público e alternativas ao traçado. se, numa alusão à existência de milhares res perdidas, é superior aos 13,5 hectares cisiva para a requalificação do Choupal, Aguardam-se agora os reflexos que de árvores de diferentes espécies, sendo que tem o Jardim Botânico e a sua mata da zona envolvente e do Vale de Cose- estas posições poderão vir a ter. CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- damente se adaptam aos seus novos apenas custam uns minutos na deslocação, Podem também enviar um e-mail para segue uma campanha intitulada “Adop- donos (que, para além do mais, os esta- para escolher um companheiro (ou compa- Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem rão a poupar a um fim muito triste e tre- nheira) para a vida, que será sempre fiel e de aranimal@gmail.com um animal no Canil Municipal”. mendamente injusto). uma enorme dedicação e em troca apenas ou consultar o site Trata-se de uma iniciativa muito me- Um cão ou um gato é sempre um pre- pede um pouco de atenção e de carinho. www.cm-coimbra.pt/741.htm ritória, que permite que pessoas que gos- sente bem recebido, desde que a pessoa a O Canil/Gatil Municipal fica no Campo Os dias e horas especificamente desti- tam de animais ali possam ir buscar um quem ele se oferece goste de animais, não do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- nados às adopções são os seguintes: fiel companheiro, sem nada pagarem os encare como um brinquedo ou um objec- mais esperam, ansiosos, por uma nova casa - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; por isso. to e tenha condições mínimas para deles tra- e uma nova família. - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. São muitos os cães (e também alguns tar convenientemente. Os interessados em obter mais informa- gatos) que esperam que gente com bom Se for o caso, não hesite em ir buscar ções podem ligar para o telemóvel 927 441 Muitos animais estão à espera de que coração os vá adoptar, tendo como re- um destes amigos muito valiosos em ter- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl alguém queira aproveitar todo o carinho que compensa conquistarem um amigo para mos materiais (basta ver os preços nas lo- (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do têm para dar. toda a vida, já que estes animais rapi- jas de animais!...), mas que no Canil/Gatil telefone 239 493 200. Vai ver que não se arrependerá! Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais regionais que se viram obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus familiares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem: 10.000 exemplares Contamos consigo!
    3. 6 DE MARÇO DE 2009 NACIONAL 3 A PROPÓSITO DE NOVO LIVRO DE CELSO CRUZEIRO “A Nova Esquerda”. Editado pela editora Campo das Letras, Jorge Leite e Pio Abreu debatem o livro de Celso Cruzeiro foi lançado em Lisboa no passado mês de Novembro, numa sessão que contou com a participa- ção do líder do Bloco de Esquerda, Fran- “A Nova Esquerda” em Coimbra cisco Louçã, do deputado socialista Paulo Pedroso e do membro da Comissão Políti- ca Nacional do PCP, Paulo Fidalgo. Sob a forma de um testamento político, Licenciado em Direito pela Universi- o advogado Celso Cruzeiro realiza na obra dade de Coimbra, Celso Cruzeiro é actu- “A Nova Esquerda: raízes teóricas e hori- almente advogado em Aveiro. Ao longo zonte político” uma viagem ao interior do da sua carreira, interveio em várias cau- marxismo, com o intuito de definir o actual sas de repercussão social, tendo sido o rumo da esquerda portuguesa. Na próxi- advogado de Paulo Pedroso no mediático ma segunda-feira (dia 9 de Março) pelas “Caso Casa Pia”. 18 horas, na livraria Almedina Estádio em Durante os anos passados em Coimbra, Coimbra, Jorge Leite e José Luís Pio Abreu integrou várias estruturas estudantis de luta apresentam e discutem os diferentes tópi- pela conquista democrática da Associação cos abordados no livro. A entrada é livre. Académica de Coimbra. Foi um dos prin- “O essencial da resposta a dar por uma cipais dirigentes da “Crise Académica de esquerda nova, na difícil hora que atraves- 1969”, da qual escreveu, vinte anos mais samos, passa pois pela questão de saber tarde, a história e a interpretação política, ler os sinais que a realidade de hoje lhe num livro intitulado «Coimbra, 1969» aponta: a urgência da construção de um (Afrontamento, 1989). programa emancipatório que constitui a sua A apresentação em Coimbra da obra identidade matricial, mas agora despido da “A Nova Esquerda: raízes teóricas e ho- certeza, do determinismo e da universali- rizonte político” é organizada pela livraria dade, tão só passível de ser desenhado no Almedina, em colaboração com a “Asso- Celso Cruzeiro aos ombros de colegas, à porta do Departamento de Matemática quadro da probabilidade, da contingência e da FCTUC (com a mão na cabeça), a 17 de Abril de 1969, dia em que começou ciação 25 de Abril” e a empresa “Ideias da historicidade”, lê-se na contracapa de o movimento estudantil que esteve na origem da famosa “Crise Académica de 69” Concertadas”. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
    4. 4 OPINIÃO 6 DE MARÇO DE 2009 cou um vaso de guerra para a Figueira da «Vida privada de Salazar» o biltre fascista Ministério Público de Torres Vedras, Cristi- ponte europa Foz para defender a pátria… da pílula. era um homem com cio a saltitar de fenda na Anjos, proibiu uma sátira ao computador Guantánamo – É a nódoa indelével a em fenda até sucumbir na reentrância de Magalhães e recuou perante o ridículo. A juntar à tragédia do Iraque. A civilização de uma banheira onde serenou os desejos e censura da magistrada antecipou os feste- que nos reclamamos, ferida nos Açores, afogou quarenta anos de ditador. jos e acordou medos. cobriu-se de opróbrio com a suspensão de Emprego – O desespero aumenta com Suíça – O fim do segredo bancário é a direitos e as atrocidades com que torturou falências fraudulentas, salários em atraso e exigência dos países europeus do G-20, com os presos. contratos falsos com que patrões sem es- represálias contra os paraísos fiscais que não Eutanásia – Há situações que atentam crúpulos recorrem ao terror e a todo o tipo aceitem cooperar em investigações de frau- Carlos contra a dignidade humana e obrigam a pen- de torpezas, contra os trabalhadores, a pre- des e evasões fiscais. A soberania não pode Esperança sar que há limites para condenar alguém à texto da crise. impedir o combate ao banditismo. aesperanca@mail.telepac.pt vida. Viver é um direito e não a obrigação Venezuela – Com 54,36% dos votos, a Itália – Na sequência de crimes sexu- www.ponteeuropa.blogspot.com/ implacável de manter viva uma mulher em emenda constitucional permite a reeleição ais, a legalização de milícias populares pelo coma há 17 anos. ilimitada para todos os cargos públicos. Chá- exótico primeiro-ministro Sílvio Berlusconi NOTAS SOLTAS - FEVEREIRO Freeport – Parece que o masoquismo vez abriu a porta ao despotismo em elei- é mais uma excentricidade de contornos nos conduz ao ódio, que substitui os factos, ções livres enquanto a oposição pretende o preocupantes, a recordarem o advento do Al-Qaeda – A rede terrorista persiste na numa vertigem suicidária que agrava a cri- mesmo através do golpe de Estado. fascismo italiano. violência contra os infiéis. Há quem a atri- se e lança o desânimo no seio dos portugue- Iraque – A maior fraude em todo o mun- Bragaparques – A condenação de um bua a fanáticos, não querendo ver que o ódio ses. do, em todos os tempos, com o dinheiro dos administrador é um prémio para a coragem reside nos versículos do Corão que alega- EUA – A imposição de limite aos rendi- americanos, para a reconstrução de um país de José Sá Fernandes e um aviso à corrup- damente o arcanjo Gabriel ditou a Maomé. mentos dos gestores não é só uma medida pelos que o destruíram, é a herança da últi- ção. Pela primeira vez houve sanção con- Basta lê-los. higiénica, é o gesto de moralização imposto ma administração dos EUA. Torpe e incom- tra um corruptor, apesar da vergonha de uma Vaticano – A reabilitação e promoção de por Obama ao capitalismo selvagem que petente. pena tão branda. bispos anti-semitas confirmou a natureza de andou à solta. Inglaterra – A xenofobia contra traba- Bancos – Perante o drama das pessoas, Bento XVI. Só a laicidade evitará as guer- Israel – A vitória da direita e o cresci- lhadores portugueses foi a nódoa que sujou sem trabalho e sem salários, parece uma ras que, no passado, dilaceraram a Europa. mento da extrema-direita são um obstáculo os sindicatos, o Governo e a democracia do heresia socorrer os bancos mas, ironicamen- PR – O veto à lei que abolia o voto por à paz, um desafio à administração america- país com notáveis tradições no campo da te, sem a recuperação da saúde financeira correspondência nos círculos eleitorais da na e fonte de preocupação para todo o mun- defesa dos direitos humanos. Perigoso pre- não há economia que resista nem empre- emigração confirma o alinhamento presiden- do. Os falcões judeus e o Hamas saíram núncio dos tempos que se avizinham. gos que perdurem. cial com a direita mas, neste caso, legítimo, vitoriosos das últimas eleições. Santo Pereira – A santidade de Nuno Madeira – A falha de regras de equi- apesar das fraudes a que o actual quadro Segredo bancário – O fim deste sagrado Álvares, herói de Aljubarrota, obtida com líbrio orçamental, declarada pelo Tribu- legal se presta. princípio, para quem manifeste rápido enri- um milagre obrado no olho esquerdo da D. nal de Contas, é anterior à crise e revela Tribunal Europeu dos Direitos Huma- quecimento sem causa, é uma medida sau- Guilhermina de Jesus – cura da queimade- grave e persistente abuso que a Repú- nos – A condenação do governo português dável que, desde há anos, se reclama neste la, com óleo de fritar peixe –, desmerece o blica não pode continuar a tolerar. A de- pela obstrução ao ‘barco do aborto’ repro- espaço. Mais vale tarde do que nunca. seu prestígio. magogia e o populismo têm custos insu- vou a conduta de Paulo Portas que deslo- Salazar – De acordo com a SIC em Carnaval – A procuradora-adjunta do portáveis. Repensar o CITIUS Nuno Carvalho * tina” companheiro de cela – “…e o raio quase conseguiu colocar o mundo todo ao Srª Juiz no seu despacho, dos experts, do processo que não haveria de ir para o barulho!... Se ele o conseguiu naquele bunker dos craques, dos piratas, dos vírus, dos O “Cunha da Bandeirinha” tinha um inferno naqueles braseiros!...”. Senhor de segurança informática americano, muito “fogos” intencionalmente criminosos, grave problema em tribunal – um processo “Lima Carcereiro” – “tenho um segredo mais facilmente conseguirá neste “compu- apostados na confusão e no caos total, crime que lhe tolhia a vida! Queria emigrar… muito importante para lhe contar… se me tadorsito” no Ministério da Justiça. Isto para que não olham a meios para atingirem mas não podia fazê-lo, com aquele raio de tirar daqui”. Dias depois, perante o Dele- ele é canja… e mais vírus menos vírus, o os seus fins, seja a que preço for. Mas processo em Tribunal! O seu cadastro cri- gado do Procurador da República, os mis- dito Citius vai “arder” num repente… e pelo logo vem a lume, com justificações apres- minal estava sujo. Tinha que o limpar. Ho- teriosos incêndios em Famalicão estavam menos durante largos meses ou anos, os Tri- sadas, o nosso Ministro da Justiça – “que mem determinado e decidido, se bem pen- desvendados… e o “Cunha da Bandei- bunais deste País ficam na “pancadaria” e tudo está bem protegido e em segu- sou, melhor o fez – há que fazer desapare- rinha” lá malhou com os ossos na pri- aos tiros uns com os outros. O Ministro da rança máxima”. E os “bunkers” infor- cer o processo. Roubá-lo era complicado e são por mais uns anos, com direito a de- Justiça multiplica-se em justificações e ex- máticos do Pentágono não estavam mui- arriscado!... Não há problema. Queima-se gredo e tudo. Ainda há poucos anos se plicações… enquanto a “virtualidade” dos to mais protegidos?!... Nesta matéria o processo. Se necessário incendeia-se o passeava por esta terra, já velho e po- processos é refeita em anos de confusão como noutras (registos on line, empre- Tribunal, e lá vai o processo. E aquele boni- bre, condenado em milhões de custas em social e do sistema. Depois, é só esperar sa na hora, etc.) o grave erro do Legis- to edifício secular dos Paços do Concelho processos reformados. que a prescrição faça o resto do trabalho! E lador e do Senhor Ministro da Justiça em de V. N. de Famalicão, Tribunal, Câmara Não… não estou a inventar esta his- desta nos safamos mais uma vez!... Objec- particular, é pensar que todos somos Municipal, Notário, Conservatórias, etc., tória! São factos reais e históricos, até tivo conseguido. Missão cumprida. Só es- “bons rapazes”! Não é assim no mundo ardeu longamente naquela noite!... Qual bra- nos nomes, passados na minha Terra em pero que todos os nossos muitos processos perverso do crime, que se move apenas seiro!... O maior incêndio de sempre na mi- 1951.(1) não estejam nas casas dos Juízes… e ainda por critérios de eficácia. nha Terra. Azar dos azares… por mero “Mutatis… mutantis”… Imaginemos no velho papel!... É este o erro desta política, de impor por acaso o processo estava em casa do Juiz! que eu e a minha “equipa” estamos meti- Tem carradas de razão o despacho da via administrativa uma virtualização total e Muda-se o Tribunal à pressa para instala- dos até ao tutano numa gravíssima “alha- Senhora Juiz do Tribunal de Família e forçada na Justiça, que se quer concreta, ções provisórias, nas Escolas que ali fica- da” com os “grandes” deste País – varia- Menores de Lisboa, que tanta celeuma real e humana. Mas, azar…azar, teve o meu vam perto… e oito dias depois, o “novo Tri- díssimos processos de alta corrupção, trá- tem dado recentemente nos meios judi- conterrâneo “Cunha da Bandeirinha”!... bunal” volta a arder!... O azar perseguia- fico de droga, armas, espionagem e outros, ciais. As possibilidades de espionagem o… o processo safou-se mais uma vez das espalhados por esse Portugal!.. Temos que e controlo a um órgão de soberania que (1) – O meu bom Amigo Manuel Sam- brasas, em casa do Juiz! E o “Cunha da nos safar disto a qualquer preço… custe o são os Tribunais, não são uma ficção. É paio – “Manuelzinho do Azevinheiro” – Bandeirinha” homem persistente, lá aca- que custar. Dinheiro não é problema… é só questão de encontrar o “tal” puto que o Homem que mais histórias sabe sobre bou por ser julgado no tal processo que es- uma fartura dele. Temos que encontrar ra- consegue penetrar no sistema! Tudo é Famalicão e grande conversador, conhe- capara ao braseiro… e pior do que isso, pidamente aquele puto, craque na inter- virtual e está lá concentrado no tal mega ceu e conviveu de perto com os protogo- condenado a prisão efectiva!... Desanima- net, que até conseguiu entrar nos compu- computador do MJ. É só lá entrar e pe- nistas desta história. do, revoltado, desabafa com o “Raul Cris- tadores do Pentágono aqui há uns anos e gar fogo à casa. Esqueceu-se porém a * Advogado em Vila Nova de Famalicão
    5. 6 DE MARÇO DE 2009 COIMBRA 5 JULIÃO SARMENTO RECEBE PRÉMIO UNIVERSIDADE DE COIMBRA “Casa das Caldeiras” reconvertida para centro de Artes vai ser inaugurada na segunda-feira O Prémio Universidade de Coimbra senta actualmente um dos mais signi- 2009 vai ser entregue ao artista plástico ficativos embaixadores da cultura por- Julião Sarmento, na próxima segunda- tuguesa no mundo, expondo, publican- feira, dia 9 de Março, pelas 15H00, no do e leccionando nos mais importan- renovado espaço da “Casa das Caldei- tes locais das artes plásticas interna- ras”, que nessa data será oficialmente cionais. inaugurado. O Reitor Fernando Seabra Santos en- Assim, e a culminar a “Semana Cul- tregará o Prémio Universidade de Co- tural da Universidade”, aliar-se-á a ho- imbra a Julião Sarmento na mesma ceri- menagem a uma das grandes figuras mónia que marcará a inauguração da portuguesas das Artes à reabertura de Casa das Caldeiras. um espaço histórico de Coimbra, conver- Este edifício, antiga Central Térmica tido, de forma muito original, em local de dos Hospitais da Universidade de Coim- promoção de actividades artísticas. bra, foi restaurado e ampliado de acordo Sublinhe-se que o “Prémio Universi- com um projecto arquitectónico muito dade de Coimbra” (no valor de 25 mil interessante e original, da autoria de João euros) é uma das mais importantes dis- Mendes Ribeiro em parceria com Cristi- tinções nacionais nas áreas da Ciência e na Guedes. da Cultura. Ali irá agora funcionar como sede da Julião Sarmento foi anunciado como licenciatura em Estudos Artísticos da o vencedor da edição deste ano do Pré- Julião Sarmento Faculdade de Letras, com salas de au- mio Universidade de Coimbra no passa- las, mas dispondo também de espaços do mês de Janeiro. obra enquanto expressão máxima da artes plásticas em Portugal. para exposições e outras iniciativas cul- O galardão pretende destacar a sua contemporaneidade no panorama das Na opinião do júri, o artista repre- turais. ASSOCIAÇÃO DE ANTIGOS ALUNOS, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS Câmara de Coimbra DO LICEU D. JOÃO III abre concurso / ESCOLA JOSÉ FALCÃO para videovigilância Novos dirigentes no centro histórico tomam posse A Câmara Municipal de Coimbra aprovou, por unanimidade, a abertura de um concurso para instalação de 17 câmaras de vídeovigilância no centro histó- rico da cidade. na terça-feira Na sua reunião quinzenal, o executivo liderado pelo social-democrata Carlos Encarnação decidiu avançar com o denominado Sistema de Vídeovigilância no Centro Histórico de Coimbra, sendo o preço base do concurso de 148.356 euros mais IVA. Na próxima terça-feira (dia 10), Presidente), Jorge Castilho (Secretá- A aprovação do concurso, quase no fim da reunião, não suscitou quaisquer pelas 21 horas, realiza-se a tomada de rio), Maria Augusta Reis (Suplente). reservas aos diferentes partidos com assento no órgão - PSD, CDS, PS e posse dos novos corpos sociais da DIRECÇÃO: Reinaldo Elói Olivei- CDU - cujos eleitos votaram prontamente a favor. “Associação dos Antigos Alunos, Pro- ra (Presidente), Victoriano Nazaré “Não sei se repararam que acabámos de aprovar o sistema de vídeovigilân- fessores e Funcionários do Liceu D. (Vice-Presidente), Maria Natália Cruz cia”, comentou Carlos Encarnação, ao verificar a facilidade com que todos João III / Escola SecundáriaJosé Fal- (Secretária), Augusto Valente (Tsou- apoiaram a medida. cão”. reiro), Nuno Manso Ribeiro (Vogal), Os serviços da autarquia consideraram ser esta “a melhor solução” para A cerimónia decorre durante a As- Palmira Albuquerque (sócia nº 1 e an- “colmatar questões da segurança de pessoas e bens” na zona antiga da cidade, sembleia Geral a realizar num dos an- tiga Presidente, agora Suplente) e Jor- propondo nesse sentido a realização de um concurso limitado por prévia quali- fiteatros da referida Escola. ge Ferreira de Carvalho (Suplente). ficação. Os novos corpos sociais, recente- CONSELHO FISCAL: Alfredo A colocação das 17 câmaras insere-se na acção “Reabilitação urbana dos mente eleitos, têm a seguinte consti- Castanheira Neves (Presidente), José centros históricos - aquisição de equipamento/instalação”, prevista nas Gran- tuição: Alfredo Campos (Vice-Presidente), des Opções do Plano e Orçamento de 2009. ASSEMBLEIA GERAL: Rui Alar- Maria Fernanda Fonseca (Secretária) O prazo de execução da obra é de 60 dias. cão (Presidente), Jorge Veiga (Vice- e Jorge Côrte-Real (suplente).
    6. 6 NACIONAL 6 DE MARÇO DE 2009 AO CENTRO CABEM 2 MILHÕES QREN: Oito milhões de euros destinados à promoção de actividades culturais em rede A região Norte do país terá a mai- zerem programações culturais termi- ve com 500 mil euros. jam proprietários ou gestores de tea- or fatia de investimento dos oito mi- na no final de Março. De acordo com o Ministério da Cul- tros e cineteatros e tenham por ob- lhões de euros (ME) de fundos euro- No total serão distribuídos oito mi- tura, este concurso representa uma jectivo desenvolver actividades cultu- peus destinados a apoiar actividades lhões de euros de fundos estruturais aposta “na promoção de uma progra- rais. culturais, no âmbito do Quadro de por cinco regiões do país: Norte, Cen- mação cultural de elevada qualidade O QREN referente a 2007/2013 Referência Estratégico Nacional tro, Alentejo, Lisboa e Algarve. e descentralizada a todo o território” foi aprovado pelo governo em Janei- (QREN). À região Norte estão afectos três e destina-se a apoiar, por exemplo, co- ro de 2007 e envolverá no total cer- O concurso para as autarquias, as- milhões de euros, seguindo-se a região produções em rede. ca de 21,5 mil milhões de euros em sociações, fundações e outras entida- Centro com dois ME, Lisboa com O concurso está aberto a entidades fundos comunitários, a investir em des públicas se candidatarem a um 1.500 ME, Alentejo com um milhão de como municípios, fundações e asso- áreas como economia e recursos hu- apoio financeiro do QREN para fa- euros e, por último, a região do Algar- ciações sem fins lucrativos, que se- manos. ponto . por . ponto a tenaz E chegaremos muito em breve a um tem- Por Sertório Pinho Martins po em que a rua e a arruaça tomarão de rios, não acontece nada! O Presidente diz peridade. Mas serão as chatas das oposi- novo e definitivamente conta do nosso futu- No meio da borrasca é que se mede a alto e bom som que a “supervisão” falhou e ções regateiras que ensombram a modorra ro. As greves e os desfiles vão regressar capacidade de sobreviver. E esbracejar nos o Banco de Portugal continua a assobiar para nacional? Pobres e moribundas oposições! em força, e o povo anónimo (que já fez o remoinhos de uma corrente que nos sub- a lateral, enquanto a pobre banca reduziu A ‘crise do subprime‘ foi tratada como seu julgamento, mais perigoso a prazo que o merge as margens, acaba quase sempre na para escassas dezenas de milhões os lucros praga que não ia atravessar o Atlântico: viu- melífluo e transitório julgamento mediático) exaustão que precede a ida ao fundo. Nes- que antes eram centenas e que mantem um se! Logo, logo a seguir foi a ‘crise de confi- entrou em vigília atenta e ditará depois nas te momento, o país real é uma tábua à deri- IRC muito abaixo do de um reles depósito- ança’ no sistema financeiro internacional, a urnas o seu veredicto. E esse povo, em cada va, carregada de náufragos que apenas sa- a-prazo da minha avó Leontina. O envolvi- corroer as bolsas de todo o mundo e a dei- mês que sucessivamente vai tendo mais dias bem o porto de onde saíram há escassos mento de figuras gradas do PS e do PSD tar abaixo, em duas passadas, os preços lou- sem salário, ficará também mais sensível q.b. meses, mas poucos vislumbram o ponto de nas maiores escandaleiras de que há me- cos do crude e alguns gigantes americanos para não deixar passar em claro o simples chegada. Na correnteza vertiginosa vaguei- mória (nem no tempo do ‘dr. botas’!), só indestrutíveis: mas nós por cá todos bem! zumbido de um moscardo! am destroços dos outlets, dos BPNs, das cimenta cumplicidades num centrão ávido Num ápice, era a real ‘crise financeira’ a Os ministros da propaganda, responsá- Qimondas, dos lay-off empresariais, das e voraz que já não consegue viver fora do mandar países para a falência (olhe-se a Is- veis pela imagem dos governos, devem ter quedas em cascata das Bolsas, dos balões guarda-chuva do Estado. Não são suspei- lândia, como foi possível!) e a fazer ruir im- tento na língua e estar hoje mais despertos de oxigénio da segurança social. E emer- ções – Deus nos livre – trata-se antes de périos empresariais: mas Portugal manteve do que nunca, para não deixar sair à rua gem já – perdido que foi o pudor da pobreza factos reais, com datas e coincidências que a sua fé inabalável na Senhora de Fátima! frases assassinas e politicamente inimputá- envergonhada – o desespero de milhares confundem o comum dos mortais! E naturalmente depois veio a ‘crise econó- veis, ou permitir que se instale a ideia de que de famílias sem poder pagar água, luz, gaz e Já disse nestas linhas da minha total con- mica’, filha do colapso financeiro, a alastrar Carlos Silvino há-de ser o único pedófilo outras necessidades básicas. Ao lado, mes- cordância com a ‘estabilidade’ que nesta meteoricamente: mas para já encontrou-se portas-adentro, que o futebol vai seguramen- mo ali ao lado, numa patética exibição de altura é pão-para-a-boca de um país que, um Oliveira e Costa, um Dias Loureiro e te ser inocentado de todos os erros de arbi- miopia política, ainda há quem brade pela para além de batido pela ressaca da ondula- um João Rendeiro para explicar toda a nos- tragem pagos com noitadas a abarrotar de manutenção de projectos faraónicos num ção vinda do mar exterior, irá pagar caro a sa desgraça colectiva! E atrás da crise eco- meninas-de-alterne, ou que os offshores tempo de vacas esqueléticas em pasto ralo, factura do deixa-andar geral de alguns anos nómica, que vai derretendo empresas aos hão-de continuar a ser o PPR de refúgio de ignorando os biliões que o Estado decidiu de uma segurança que tem medrado à som- milhares, aí está na rua a pavorosa ‘crise quantos ganham o pão-de-cada-dia com o priorizar como garantia de sobrevivência à bra da impunidade. Mas entrámos (e não social’, com a sua procissão de desempre- suor do seu rosto. A “mudança” está em banca falida (porque reincidente na pilha- foi ontem!) num ciclo fatal de “crises”, a go galopante, (in)segurança social, novas marcha, mas pode não ser a que o governo gem impune das poupanças e no uso abusi- que ninguém ligou peva e que até há sema- pobrezas, nova emigração forçada, e todo o mais deseja e apregoa! Neste tempo de vo do dinheiro alheio), e deixando vazio o nas atrás os arautos do poder olhavam de séquito de réplicas soturnas que desde a quaresma social e de jejum forçado, vai ha- porquinho que iria financiar as obras do re- esguelha e sacudiam do sudário das suas segunda guerra mundial estavam quase ba- ver manhãs em que um homem de tarde gime: o TGV, o novo aeroporto em Alco- preocupações, como mera chatice das opo- nidas do nosso imaginário. E um cenário não pode sair à noite! E nesses dias, os pais chete e a nova travessia do Tejo. E a esta sições empenhadas em inventar nuvens da destes não é apenas catastrófico: é aterro- da desbunda nacional de certeza que irão gente inútil e acorrentada aos botes partidá- desgraça onde só brilha o sol radioso da pros- rizante! fingir de mortos! Cá estaremos para ver!!! VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
    7. 6 DE MARÇO DE 2009 DIA DO PAI 7 Dia do Pai celebra-se a 19 de Março É já no próximo dia 19 de Março (uma quinta-feira) dias disto e daquilo), parece meritório que, ao menos efeméride. que se celebra o Dia do Pai. num dia do ano, os filhos prestem tributo de gratidão Trata-se de um belo trabalho em bronze, da autoria Para as origens desta celebração há versões diver- ao seu progenitor, demonstrando como o Pai é, para do escultor Jorge Coelho (a medalha , que nesta página sas, do mesmo modo que também o dia dedicado ao cada um de nós, uma figura marcante e a quem muito reproduzimos, tem um diâmetro de 90 mm). Pai varia muito, havendo datas diferentes em muitos devemos. Para além de ser uma oferta acessível e que perdu- países de todo o Mundo. Embora se viva uma altura de crise (de que muitos rará pelos tempos fora, a Medalha constitui também Em Portugal (tal como em Itália) convencionou-se Pais acabam por ser grandes vítimas...), a verdade é uma significativa homenagem ao Pai, reforçada pelo que o Dia do Pai seria a 19 de Março, que é também, que em Coimbra, e na Região Centro, há um leque muito texto que acompanha cada exemplar, da autoria de A. em termos religiosos, o Dia de S. José. variado de ofertas para os Pais. Jesus Ramos (Director do Instituto Superior de Estu- Independentemente das datas e das motivações, Entre estas, e cumprindo uma tradição muito louvá- dos Teológicos). e até do aspecto comercial que esta efeméride en- vel, em que concilia a Cultura e a Arte, a Medalhística É esse bonito texto que, com a devida vénia, abaixo cerra (aliás tal como o “Dia da Mãe” e tantos outros LUSATENAS editou uma Medalha Comemorativa da reproduzimos: O maior e o melhor de todos os amigos Há pessoas e acontecimentos que nos apontado como modelo de todos os pais minhos de dedicação ao trabalho e à fa- estão presentes na celebração festiva dos marcam para a vida inteira. que se assumem como educadores que mília, de seriedade e de honradez na pra- filhos, que reconhecem e agradecem a Muitos de nós retemos, entre as pri- velam pelo crescimento físico, intelectual, ça das relações sociais. sua capacidade de doação, a sua pre- meiras lembranças, o momento em que, social e espiritual dos seus filhos. No Dia do Pai, muitos de nós vamos sença constante, mesmo que silenciosa, amorosamente arrancados do colo acon- Esta celebração pode apresentar, na- fazer ainda a celebração do reconheci- e o seu espírito de renúncia em favor chegado da Mãe, fomos erguidos ao alto turalmente, vários sentidos, tendo em mento pelo esforço e pelos sacrifícios que daqueles que se orgulham de, tal como o pelos braços fortes do Pai que, nesse conta as circunstâncias, a idade e a for- os pais fizeram e continuam a fazer, sem- patriarca S. José em relação a Jesus, ver gesto repetido, nos fazia olhar de um ça da relação que, ainda agora, nos liga pre de olhos postos no futuro dos filhos, crescer “em sabedoria, em estatura e em ponto mais elevado, o mundo em que nos àquele que as crianças continuam a ver tentando concretizar neles muitos dos graça, diante de Deus e dos homens” era dado viver. Outros guardamos na como o seu herói, os adolescentes e os sonhos que, pelas andanças da vida, eles (Lc.2,52). retina da memória o quadro de uma jovens como um modelo de vida, e os mesmo não conseguiram realizar. As nos- Com a edição da presente medalha, criança sentada nos joelhos do Pai, aca- adultos como um seguro ponto de refe- sas famílias, felizmente, estão cheias de obra do escultor Jorge Coelho, a Meda- bado de regressar do trabalho, tentando rência, ou mesmo como uma estrela cin- exemplos de pais que trabalham de sol a lhística Lusatenas pretende contribuir comparar a nossa pequena mão com a tilante que continua a servir-nos de guia sol, privando-se muitas vezes do essen- para que nasça continuamente no cora- grandeza da sua, que nos envolvia, cale- no firmamento da saudade. De qualquer cial ou mesmo do merecido descanso, ção dos mais jovens um sentimento de jada e firme, como um voto de seguran- modo, pequenos e grandes, jovens e adul- para que os filhos possam frequentar um verdadeira admiração e um espírito de ça no futuro. tos, todos fazemos deste Dia do Pai a curso superior, ou tenham meios até para gratidão por aquele que será sempre, para A marca destas gostosas lembranças festa de gratidão e do reconhecimento se especializarem no estrangeiro em cada filho, o maior e o melhor de todos trazemo-las sempre connosco, mas são àquele que é o nosso maior amigo, com matéria que façam deles homens de re- os amigos. avivadas na celebração anual do Dia do quem podemos contar nas horas de êxi- conhecido valimento na sociedade do A. Jesus Ramos Pai, a 19 de Março, festa litúrgica do pa- to ou nos momento de interrogação, sem- nosso tempo. Director do Instituto Superior triarca S. José, o carpinteiro de Nazaré, pre pronto a dar a mão e a apontar ca- São todos esses que, neste Dia do Pai, de Estudos Teológicos
    8. 8 OPINIÃO 6 DE MARÇO DE 2009 roleta, desejam unir-se em casamento participações mais marcantes foram as resultou a primeira divisão séria da Eu- com um seguidor do islamismo. (...) dos jovens (15 mil) e dos povos indíge- ropa? nas (1300 vindos de 50 países). Para os Ora o que se tem visto, nos últimos Ricardo Araújo Pereira que vêem no FSM uma plataforma mun- meses, são reuniões sectoriais do “direc- Visão dial de discussão sobre os problemas que tório dos grandes”, de má memória, muito afligem o mundo a partir da perspectiva egoísmo de tipo proteccionista ou nacio- DESCOMPOSTURA dos que mais sofrem com eles, o êxito nalista e bastante esquecimento dos gran- AO MEU AMIGO LÁ DE CIMA foi incondicional. Para os que esperari- des valores comunitários: a unidade, a am do FSM a formulação de políticas solidariedade, a igualdade entre Estados, Deus, estou zangado contigo. Supo- mundiais a serem levadas a cabo pelos grandes e pequenos, objectivos comuns, nho que já Te habituaste às minhas zan- movimentos e organizações que o inte- políticas concertadas. Justamente o que gas como Te habituaste às minhas dúvi- gram, o êxito do IX FSM não consegue mais falta faz à União Europeia. (...) das, aos meus afastamentos, aos meus disfarçar a exaustão do seu modelo or- regressos a fingir que não venho, aos ganizativo.(...) Mário Soares momentos de harmonia que de vez em DN 3/Março/09 CRÍTICAS TARDIAS quando existem entre nós, à minha in- Boaventua Sousa Santos compreensão de tanta coisa que fazes Visão HOLOCAUSTO, PASSADO Com a presente e grave crise finan- ou não fazes, aos meus ralhetes, aos E FUTURO ceira, económica e social, chovem as meus amuos, ao que considero as Tuas A UNIÃO EUROPEIA críticas ao chamado neo-liberalismo. Os injustiças, a Tua crueldade e se calhar E A CRISE O Governo argentino serviu-se de um órfãos do comunismo têm aí uma peque- não é injustiça, se calhar não é cruelda- pormenor burocrático para expulsar do na desforra e os partidos de centro-es- de, sou parvo, não ligues, não consigo É verdade que a Europa, no seu con- país o bispo inglês Richard Williamson. querda (que entretanto se converteram entender as Tuas profundezas e os Teus junto, está a ser fustigada de forma mui- A burocracia não passou de pretexto. A ao mercado) aproveitam para atacar a caminhos, o significado dos Teus gestos. to violenta pela crise global, nos seus verdadeira razão da expulsão prendeu- direita. O capitalismo foi bombo de festa Só que ultimamente tens exagerado: o múltiplos aspectos. Muito mais do que no Congresso ano ainda mal começou e já desataste a se pensava há poucos meses. E para a do PS em Espinho. despovoar o mundo à minha roda, eu que qual ainda não encontrou uma resposta As actuais críticas vêm um pouco tar- nunca fui próximo de muita gente, bicho concertada e eficaz. Como seria de es- de. Uma das pessoas mais influentes do mato a fechar-me, a fechar-me. Co- perar, está a reagir, em ordem dispersa, para a derrocada do colectivismo mar- meçaste pelo Zé Manel Rodrigues da cada um por si, egoisticamente. O con- xista, o Papa João Paulo II, há vinte anos Silva, não sei se Te lembras dele, era jor- trário do que seria necessário e desejá- já alertava para que muita coisa teria de nalista, morava na Rua Azedo Gneco, vel, tratando-se de uma União que re- ser corrigida no capitalismo, condenan- usava óculos, acho que Te lembras por- presenta um projecto político de paz, de do a sacralização do mercado. que se vestia de uma maneira única, fu- solidariedade e de unidade entre os paí- A doutrina social da Igreja é pioneira mava cachimbo, tinha brinquedos em ses membros, pelo menos no plano eco- no combate por uma globalização soli- casa, bebia chá, os olhos desapareciam nómico, uma vez que nunca foi possível, dária, politicamente enquadrada, contra a sorrir, era muito generoso e muito bom, infelizmente, constituir-se numa união uma globalização selvagem. E no apelo usava cabelo comprido com risca ao política, como sempre foi a ideia dos Pais à eliminação da pobreza e da fome no meio, barba, um anel de prata no mindi- Fundadores. Não obstante o espaço mundo. (...) nho, houve uma altura em que fumou ci- Schengen (que levou à abolição das fron- garros de mortalha, se procurares achas teiras), a Zona Euro, com a constituição Francisco Sarsfield Cabral fotografias da gente os dois no Teu ar- de uma moeda única, e alguns passos Página 1 RR 2/Março/09 quivo. Tiraste o Zé Manel sem razão, não dados no plano de uma defesa comum e fazia mal a ninguém, fez bem a muitas de uma legislação e uma justiça, em cer- RECONQUISTA CRISTÃ pessoas a começar por mim que estou tas matérias, também comuns. DO CASAMENTO aqui a jeito Ora a crise não pode ser vencida se (estou sempre aqui a jeito) não for encontrada para ela uma resposta Mais de um milénio depois, os mouros segurava os óculos com um fio. O Zé comum. É verdade que a crise apanhou estão de volta a Portugal e desta vez Manel, desculpa lá, não perdoo, quer di- a União numa fase de longa paralisia, querem casar connosco. Em 711 vieram zer não digo que daqui a uns tempos não desde, pelo menos, o final da presidên- para lutar; agora vêm para contrair ma- perdoe mas para já não perdoo. E a se- cia portuguesa, quando foi subscrito pe- O bispo inglês Richard Williamson trimónio o que, pensando bem, é quase a guir, pumba, a Tereza. Dessa recordas- los 27 membros o Tratado de Lisboa, que, mesma coisa, se não for mais sangren- Te, não mintas, foi a semana passada, aliás, ficou também em banho-maria de- to. Por sorte, os cruzados continuam de perdão, o funeral foi domingo passado, pois do veto do referendo irlandês, país se com as declarações do sujeito a uma atalaia e, depois de terem rechaçado a fresco ainda, não franzas a testa a pen- considerado então o “melhor aluno” do televisão sueca em Janeiro último, nas invasão da Península Ibérica, parecem sar, não Te escapes, é impossível que não espaço económico europeu. Curiosa- quais negou que o Holocausto tivesse prontos a impedir esta nova e igualmen- Te recordes, a mulher do Rui, a mãe do mente, foi o primeiro país europeu a su- eliminado seis milhões de judeus. Segun- te perniciosa invasão das conservatóri- Henrique e da Sara, pertencíamos à cumbir à crise, seguido pela Islândia, a do Williamson, entretanto erguido a curi- as. mesma editora, a Tereza tomava conta Inglaterra (quem tal diria), a Espanha e osa celebridade, os nazis mataram so- Pessoalmente, confesso que não dei de mim, foste tão duro para ela nos últi- agora, com especial força, alguns países mente 300 mil, um número que o bispo por nada. Só sei que os mouros voltaram mos tempos e a Tereza sempre corajo- do Leste, os últimos a entrar na União. presumirá irrisório. É, também, um nú- porque, no espaço de pouco mais de um sa, digna, sem uma queixa. (...) E até, embora em menor dose, os nórdi- mero falso. A evidência histórica confir- mês, dois cardeais foram ao Casino da cos. ma amplamente a existência dos cam- Figueira precatar as moças católicas António Lobo Antunes O presidente da Comissão Europeia, pos de concentração e de extermínio, das contra os perigos do casamento com Visão Durão Barroso, segue os grandes países câmaras de gás e, claro, de uma quanti- muçulmanos. Eu não conheço uma úni- que têm contradições fundas entre eles, dade de vítimas judias próxima dos tais ca senhora que pretenda desposar um FORUM SOCIAL MUNDIAL hesitando porém entre eles, com o pro- seis milhões. Ao rejeitar um facto com- muçulmano, nem imagino a razão pela pósito principal de ser reeleito. Mas como provado, Williamson não está a cometer qual os mouros, aparentemente, prefe- O IX Fórum Social Mundial (FSM) se trata de um dos amigos de Bush, o um crime: está a fazer uma figura triste, rem noivas católicas frequentadoras de realizado no Brasil, em Belém, foi um inesquecível anfitrião da minicimeira dos no fundo semelhante à dos que recusam casinos. Mas a verdade é que, tendo em êxito: 133 mil participantes de 142 paí- Açores - onde estiveram também, além o 11 de Setembro ou a importância da conta a frequência dos avisos e o local ses; 489 organizações de África, 119 da de Bush, Blair, Aznar e Berlusconi -, e penicilina. (...) em que eles são emitidos, o que não fal- América Central, 155 da América do na qual se decidiu unilateralmente e nas ta na Figueira da Foz são donzelas cris- Norte, 4193 da América do Sul, 334 da costas do “motor” franco- -alemão, a Alberto Gonçalves tãs que, após uma tarde de apostas na Ásia, 491 da Europa, 27 da Oceânia. As “Velha Europa”, invadir o Iraque, donde DN 1/Março/09
    9. 6 DE MARÇO DE 2009 OPINIÃO 9 ÚLTIMA OPORTUNIDADE uma das mais importantes formas co- terá arrombado um galinheiro e furtado então dirigia, candidatou-se a todos os municacionais. Era o debate da cida- duas galinhas no valor de 50 euros. concursos e, apesar de ser o melhor pro- dania, enquanto espaço de articulação A Justiça tarda, mas chega. O crimi- jecto, como veio a verificar-se, perdeu O problema do futuro não é tanto o entre sociedade civil e sociedade polí- noso andou mal e merece justa punição, todas as batalhas. Foi-lhe atribuída a se- de saber como será, mas de como lá tica, entre conflito e consenso, o “pú- quer pela mediocridade de fins quer pela gunda frequência para Lisboa. (...) chegar. Em cada dia que passa senti- blico” entendido como o que é comum, ruralidade de meios. Gente como ele, que mos mais os efeitos da crise no nosso o mundo próprio de todos (H. Arendt) pilha galinhas em vez de fundar um ban- Emídio Rangel quotidiano, pesando a incerteza sobre que devia ser o “difundido”, o “publici- co e pilhar as contas dos depositantes, CM 28/Fevereiro/09 a sua duração. Alguns discursos en- tado” entre a maioria. ou como aquela septuagenária que não cantatórios tentam convencer-nos de que existe uma qualquer solução má- Mas as novas tecnologias criaram, pagou uma pasta de dentes num super- DISPARATES entretanto, uma sociedade descentra- mercado em vez de pedir uns milhões à gica que nos faça emergir ao virar da da e estruturalmente mediada através Caixa, comprar o supermercado na bol- Épreocupante que a agenda do Go- próxima esquina. de fluxos incessantes de discursos e sa e igualmente não o pagar, vendendo- verno ande tão permanentemente des- Mas a realidade encarrega-se de de- imagens da esfera do “público”. E as o depois à Caixa através de um “offsho- fasada das necessidades ditadas pela monstrar que não só levará tempo a sociedades de comunicação tornaram re” pelo dobro do preço (ou vendendo- realidade. Desta vez tocou à Juventude, reinverter a crise de confiança e a re- difícil a gestão da palavra e a gestão lho mesmo antes de o ter comprado), não que tanto precisa de ensino de qualidade criar as condições da retoma econó- do silêncio. Esta dificuldade transfor- tem lugar no Portugal moderno e empre- e perspectivas profissionais de futuro. mica, como entrementes há que cui- mou em excepção o que devia ser a endedor. Ainda por cima, deixou-se apa- No dia 18 de Fevereiro foi publicada dar dos efeitos nefastos que se vão regra: a verdade dos factos e a isen- nhar. Se calhar, até confessou, em vez a Lei nº 8/2009, que cria o Regime Jurí- produzindo. ção da opinião. É este o sentimento tão de invocar lapsos de memória. E aposto dico dos Conselhos Municipais de Juven- A primeira lição da crise é a de que bem expresso na exclamação de Gar- que nem se lembrou de se divorciar an- tude. A juventude, o futuro, merece-me os países, mesmo os mais poderosos cía Márquez: “Temos tanta informação, tes de ser preso, pondo os 50 euros a todo o respeito e empenho. A sua ‘utili- económica e militarmente, não terão mas não sabemos a verdade!” Ou salvo na partilha de bens. Não queria zação’ politiqueira, não. A Lei nº 8/2009 êxito se actuarem sozinhos. A viagem aquela outra que fala das saudades de estar na pele do seu advogado, não há é um exemplo descarado de politiquice. da secretária de Estado americana, Hi- “ler notícias”. (...) Código de Processo Penal que valha a Apesar da má qualidade das nossas llary Clinton, a Pequim, pedindo que a China continue a adquirir títulos da dí- um caso destes. É condenação mais que leis e da sua profusão, raras vezes me Maria José Nogueira Pinto certa. foi dado a observar um regime – peço vida americana, não podia ser mais elo- DN 26/Fevereiro/09 desculpa pela brutalidade – tão pouco quente. O exemplo europeu de Outubro pas- Manuel António Pina inteligente, da composição às competên- sado aponta no mesmo sentido: só QUARTA-FEIRA DE CINZAS JN 3/Março/09 cias. Está tudo feito para que nada fun- quando os 27 Estados da União acor- cione nem permita funcionar: os conse- daram numa acção conjunta e numa Não estão definidas quaisquer meto- GRAU ZERO lhos municipais de juventude são com- estratégia comum para estancar a de- dologias de aplicação do Acordo Orto- postos, entre outras entidades, por um riva do sistema financeiro é que foi gráfico nas escolas. Ninguém sabe quais As campanhas eleitorais que se apro- representante de cada associação juve- possível fazer a diferença e começar as propostas concretas que terão sido ximam começam a desnudar o que de nil com sede no município, inscrita no a pensar em limitar os estragos da cri- elaboradas para se fazer a transição do pior, de mais perverso, de mais repug- Registo Nacional de Associações Jo- se nos mercados bolsistas e no siste- actual sistema ortográfico para o próxi- nante existe no debate político. Costa, o vens, um representante de cada associ- ma bancário. mo. Não há, que se saiba, qualquer estu- eterno delfim sem futuro, subiu ao púlpi- ação de estudantes do ensino Básico e Infelizmente, desde então para cá, do realizado por serviços competentes do to do Congresso do seu partido para cha- Secundário com sede no município ins- a União Europeia voltou a dar uma ima- Ministério da Educação. Não há também mar ao Bloco de Esquerda, entre outros crita no RNAJ (exacto, é verdade) e, gem de incerteza e de insegurança qualquer estudo sobre as consequências mimos, de ‘parasita’, ao que Louçã res- ainda, um representante de cada associ- quanto ao rumo a seguir, cada país cor- práticas da aplicação do Acordo no que pondeu que o outro militava num partido ação jovem equiparada a associação ju- rendo na sua própria pista para fazer diz respeito ao ensino de português e das de ‘ratices e ratazanas’. É apenas um venil... (...) face à recessão, sendo inúmeros os doutras disciplinas. E a ministra da Edu- exemplo. Multiplicam-se os discursos sinais de desentendimento quanto ao cação nunca abriu a boca em público deste teor, carregado de insultos, de in- Paula Teixeira da Cruz curso a seguir para limitar os efeitos sobre estas coisas. tenções malévolas, denunciando a mor- CM 26/Fevereiro/09 do desemprego galopante e relançar o A Assembleia da República aprovou te rápida daquilo que há muito estava crescimento da economia. (...) um prazo de seis anos para a entrada doente: o debate ideológico foi pelo es- PARA MENORES DE CINCO em vigor do Acordo. É evidente que não goto e o esgoto devolveu, agoniado, a António Vitorino pode improvisar-se nesta matéria. Teria enxúndia dos insultos. (...) Num congresso de encenação, que DN 27/Fevereiro/09 de haver especialistas a estudar, a pro- abjurou qualquer ideia, venham os slo- gramar e a fasear uma transição. Não Francisco Moita Flores gans. Primeiro, era ‘A Força da Mudan- MEDIAÇÃO E PODER consta que tenham sido nomeados. E CM 1/Março/09 ça’. Como, se o único projecto do PS é teria de ser previsto um dispositivo de manter o poder? Alguém acredita que avaliação cuidadosa e frequente. Não OUTRA VEZ, NÃO! melhorámos desde 2005? O poder tribunício dos media cons- parece que exista. Se o primeiro slogan é ficção, o se- titui uma das suas mais importantes fun- E, todavia, para as luminárias de dois Os concursos públicos para atribuição gundo choca. Escolheram ‘Vencer ções, embora isso seja frequentemen- ministérios, o da Cultura e o da Educa- de frequências de rádio ou de televisão, 2009’, ganhar eleições, enquanto o País te esquecido: vemos, ouvimos e lemos ção, parece que basta a existência de um em Portugal, não têm passado de meras agoniza. É por isso que se ataca o Blo- para saber o que se passa. Em tempos corrector ortográfico da Priberam para formalidades, com muita batota pelo co. O objectivo não é vencer a crise. conturbados, em que prepondera a in- o Acordo Ortográfico começar a ser meio. Têm sido puros actos de desones- É bater (n)as esquerdas. E estar à de- certeza e se adensa a dúvida, uma aplicado no ensino! Não em seis anos, tidade do Estado e dos governos de cada fesa. Na socratolândia, as eleições já consciência generalizada de que essa mas em menos de seis meses! Com este ocasião, com vencedores antecipados e não escolhem o melhor para governar, função está entregue e é cumprida tor- Governo é assim: faz-se tudo sobre o jo- desculpas esfarrapadas para justificar o mas o combatente de eventuais cam- na-se essencial. É o que se passa nes- elho e o princípio é sempre o mesmo: que por vezes é injustificável. panhas negras. Para isso mostrou-se te ano de 2009, em que a notícia cor- “Zás! Meia bola e força!” (...) Recordo-me bem do processo para a o líder pronto. E não para enfrentar a recta dos factos e uma opinião clara e livre serão decisivas para a formação criação das rádios locais e regionais. A crise, colocando-se ao nível de certos Vasco Graça Moura desvergonha chegou ao ponto de incluir autarcas... Sócrates pressupõe mesmo das muitas decisões que os portugue- DN 25/Fevereiro/09 no júri de decisão candidatos que “mila- que a Democracia está em perigo ses vão ter de tomar. A opinião pública, entendida como a grosamente” viriam a ganhar as frequên- quando o primeiro-ministro é investi- acção que se opunha a uma prática de CRIME E CASTIGO cias mais potentes para Lisboa e para o gado? Se é assim em Democracia, ima- segredo própria do Estado absolutista Porto. A cena repetiu-se mais tarde com gine-se em ditadura! (...) e a consagração do princípio da crítica Noticia o JN que está marcado para o a atribuição das redes regionais. Adivi- como um direito dos cidadãos a deba- dia 20 de Abril, no Tribunal da Maia, o nhem quem venceu. Exactamente, os Joana Amaral Dias terem as decisões políticas, constituiu julgamento de um homem que, em 2007, mesmos membros do júri. A TSF, que eu CM 2/Março/09
    10. 10 CRÓNICA arte em café 6 DE MARÇO DE 2009 A OUTRA FACE DO ESPELHO Como em Madison County zada de uma maneira tão forte que ainda agora, quando recordo, preso à narrativa, trespassa-me um arrepio de José Henrique Dias* emoção, porque nela, nessa história, se guarda um amor jhrdias@gmail.com para além da própria vida. Foi no momento da separação que a ponte se ergueu. Ponte de ternura, dádiva, ponte absoluta, com a duração de O que somos, verdadeiramente? Porque temos de res- muitos anos e cinzelada a afecto. guardar sentimentos, ocultar paixões, comungar silêncios? Não sei como explicar. Quem sabe alguma coisa de nós? Quando Roberto acabou o curso e decidiu ir para longe, Às vezes é preciso morrer para que os nossos amores correr mundo, contou em sobressalto, a mãe entregou-lhe amadureçam nos pomares da memória. Há recordações, uma caneta. Uma caneta de prata. Teria vindo, pensava, momentos de resguardo que tantas vezes passam a solitári- de alguém antes dela. Nunca ficou esclarecido. Apenas se as confissões que só os papéis podem guardar. No acaso sabia que fora feita no prateiro da casa real. Às vezes a rir, de descobertas, anos mais tarde, desaparecidos, reapare- o pai contava uma história curiosa. Quando casou, foi viver cem, quando já não restam memórias que não sejam do dia para as terras da mulher. As pessoas recebiam. Não houve em que nascemos e do dia em que morremos. Como lem- casa onde entrasse que não lhe dissessem, num determina- brava Pessoa. No fundo de uma caixa esquecida, no forro do quarto, nesta cama, por acaso, dormiu o rei D. Carlos. de uma divisão, na cómoda de segredo, sei lá, naqueles Toda a gente blasonava de ter tido por hóspede o rei. O pai sítios que inventamos e que julgamos mausoléu inviolável, de Roberto, republicano jacobino, se recebia alguém e mos- alguém acaba por encontrar. Como em Madison County. e todos irem para suas casas, a sua história, história de um trava a casa, ao chegar a um quarto, dizia sempre com o ar Saber, saber, não, apenas espreitar, o que valeu um tempo, amor breve, paixão intensa, vibração afinal sem mácula, mais sério que lhe era possível, nesta cama, por acaso, nun- mesmo breve, de um amor intenso. Aqueles amores que emergem das folhas acauteladas de ternas recordações. ca dormiu o rei D. Carlos. sabem a eternidade. Porque silenciam. Andam por dentro Numa caixa de lata de chocolates belgas, que tinha ao lado O rei D. Carlos, dizia-lhe a Mãe, que se lembrava do dia de quem os vive. Amarguram. Na hora do amor, é assim um postal com renda de Bruges. do regicídio, usava uma cigarreira cinzelada por aquela ar- que se diz?, fecham-se os olhos a pensar noutra pessoa. Na Sei que estão a pensar no filme de Clint Eastwood, The gêntica oficina centenária. A caneta era uma jóia. que não está. Não estará mais. Todos nós, será que todos?, Bridges of Madison County, com Meryl Streep e o pró- Roberto sentiu que tinha de lhe dar uma dimensão do guardamos em nós uma pessoa especial. Que queremos prio Eastwood, produzido, creio, em 1995, a partir do ro- tamanho do amor que sentia e iria ficar esquecido, como se intocável. Esse é o verdadeiro amor. Tudo o resto são ade- mance de Robert Waller. numa ponte qualquer de um sítio distante, Iowa do seu de- reços. Retoques de alma. O que toleramos. Às vezes ape- Confesso que também não escapei à comparação, quando sassossego, trepidante de angústia e ao mesmo tempo de nas para fazermos outros felizes. Migalhas que deixamos. me chegou a narrativa. Lembram-se certamente daquele uma indizível paz interior. Que alguém apanha pensando que lhe deram o pão de to- fotógrafo da National Geographic que atravessou Des No filme, lembro agora, Robert disse: das as fomes. Não é hipocrisia. É defesa. Tantas vezes Moines, virou para Iowa à procura das pontes cobertas de Só tenho uma coisa a dizer, apenas uma; nunca voltarei a também generosidade. Madison County. Encontrou as primeiras seis, pensa planos dizê-la a ninguém, e peço-te que te lembres dela: num uni- Pode existir, em cada um de nós, um segredo tamanho, para as fotografar, mas faltava a sétima, de um lugar cha- verso de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma ciosamente guardado, seja em relato de diário, seja em fo- mado Roseman Bridge. vez, e nunca mais, não importa quantas vidas se vivam. lhas soltas ou breves apontamentos para repartir a memória Estava um calor sufocante. Robert, às voltas na sua car- Há palavras que só se dizem a alguém uma vez na vida. e a alma no desabafo insano da escrita. Felizes os que po- rinha numa estrada de gravilha que parecia levar a nenhu- Palavras que pairam acima e além de todas as ambiguida- dem escrever. Bem-aventurados os que um dia chegam à res, acaba por chegar a uma mulher solitária naquele fim de des, sejam quais forem as vidas que se vivam. Dúmia me- revelação, num acaso qualquer da vida. todas as coisas. Francesca. O marido e os filhos tinham recia ter ouvido a palavra. Guardou essa palavra. Dúmia guardou um segredo. Nunca soube porque lhe saído para uma feira. Roberto tivera essa certeza. Na última tarde, com olhos chamaram assim. O nome. Todos os nomes naquela pala- Terei muito prazer em lha mostrar, se quiser, foram as límpidos, na brevidade de um encontro que soube a despe- vra estranha, que leva à perplexidade ascensional. Dúmia. palavras que abriram as portas da inquietação. dida, entregou a Dúmia um embrulhito de papel dourado. Quando perguntou aos pais, disseram-lhe, foi o pai quem Quem não leu o romance, quem não viu este filme, deve Sempre fora desajeitado para fazer embrulhos, aquele não revelou, que quando ia para a registar, a caminho da Con- apressar-se. Penetrar a maravilha daquelas sequências, os escapava à regra. servatória, encontrou um velho cego, parecia Tirésias, que olhares, os silêncios, o sorriso, o perscrutar do tempo e das Dúmia, é para ti. Guarda-a bem. lhe perguntou que nome ia pôr. Disse: Genoveva, como a distâncias, leva a perceber porque Meryl ganhou o Óscar. Dúmia rasgou o papel com algum nervosismo. Do interi- minha Mãe, que Deus a tenha em descanso. Destinada a Imperdível. or de um estojo esguio, surgiu a caneta de prata. Ficou de ser Bebinha toda a vida. Com subtónica no e. Bèbinha. Mas não foi por causa do filme que aqui me sentei. Foi respiração suspensa. Não sabia que dizer. A tarde esgota- Ponha-lhe Dúmia, disse o profeta. Talvez calhasse me- Dúmia. A sua imagem tinha ficado para sempre impressa, va-se em mondegos de poentes arroxeados. Iriam regres- lhor Antígona. Que Dúmia seja. Assim ficou. Que quer di- como direi? (porque não esta banalidade), impressa no co- sar ao mundo das convenções. Das ambiguidades. Cada zer? Na escola era conhecida por Beta, creio que de Alber- ração de Roberto. Coincidência forçada, dirão, mas ele um em seu lado. Ela com um companheiro que não podia ta, ninguém lhe chamava Dúmia. Era para todos Beta. Dúmia chamava-se mesmo Roberto. Que passa na história de um amar, porque Roberto existia no suave encontro da memó- era no momento de assinar a cópia ou o ditado. Dúmia encontro. Jornalista de profissão, à procura de um lugar ria. Recordava. Alberta e mais aquela qualquer outra coisa dos apelidos de para espaço de reportagem imaginada. Ficaram fascina- Roberto segredou-lhe, tomando-lhe as mãos: família, metade do lado da mãe, o fim do lado do pai. dos. Porém contidos. Foi minha Mãe que me ofereceu, há muitos anos, no Quando entrou na faculdade e aprendeu como investi- Só que entre ele e Dúmia não havia pontes cobertas. dia da minha formatura. Guarda-a. Quando quiseres, gar, não houve fonte que não percorresse para saber a ori- Nem ele era fotógrafo. Nem estavam em Iowa. Estavam ou puderes, lembrar-te de mim, aperta-a em tuas mãos. gem. Andou por tudo quanto era dicionário onomástico. Viu em Coimbra. No espaço entre duas pontes. Uma apenas Dúmia sorriu. Não havia, não há sorriso como o seu. róis de outras eras. Percorreu o teatro grego. Personagem pedonal. De madeira. Chamavam-lhe a ponte do Modesto. Dúmia-Francesca-Dúmia. a personagem. Nada. Dúmia também dá para personagem Aconteceu a força insuperável desse encontro. Imperecí- É a ponte entre as duas mulheres que mais amei na de tragédia. A suave tragédia que a esperava. vel. Vitorioso. Ninguém podia matar, por mais que ousasse, vida, disse Roberto. E partiu sem se voltar. Estranhamente, gostava do nome. Pensava que mais nin- a suave e terna recordação daquele olhar, vivido quase no Suponho que os papéis de Dúmia, que os filhos encon- guém no mundo se chamava assim. E devia ser verdade, tempo breve de um adeus. Quando do encontro, havia ape- traram, foram escritos com essa caneta. Nunca ninguém porque também me dei a essa tarefa e foi em vão. nas a velha ponte, com três tabuleiros. Separados por gra- poderá ter a certeza. Como jamais se saberá quando foram Ao longo da vida tornou-se escritora. As suas novelas, des de ferro, losangos levantados para dificultar a transpo- escritos. Nem data, nem lugar. com pseudónimo, acabaram famosas. Construiu vagarosa- sição. Para o lado da corrente uma simples grade de pru- Quando leram a última folha, os filhos souberam que não mente a história do seu próprio amor. Do seu segredo. Com mos paralelos. O tabuleiro do meio, mais largo, para os car- se tratava do manuscrito de um romance inédito. Percebe- sabor a pecado. Apetecido. Guardado. Esquecido. ros. À passagem as travessas vibravam. Som a desembo- ram o que é amor e pensaram nos seus próprios casamen- Nos papéis que os filhos encontraram, muitos anos de- car na Portagem. A outra, de madeira, oscilante, era precá- tos. pois, quando mal se refazia o tempo da memória nas reuni- ria, armava-se entre o tempo da chegada das cheias. Aqui tudo igual. Como em Madison County. ões de família, a avó Dúmia, a avó Alberta, era como calha- Entre eles ficou uma ponte, de natureza, diria, insólita. va, quando o Natal se exasperava na espera do dia seguinte Mais do que simbólica, para além das metáforas, materiali- * Professor universitário
    11. 6 DE MARÇO DE 2009 DIA INTERNACIONAL DA MULHER 11 NO PRÓXIMO DOMINGO, 8 DE MARÇO Dia Internacional da Mulher Vai assinalar-se no próximo domingo, cada vez mais, figuras destacadas nos mais 8 de Março próximo, o “Dia Internacional diversos domínios, desde o mundo do tra- da Mulher”. balho ao da política. Este ano, a Organização das Nações Mas é também, e sobretudo, um mo- Unidas escolheu o seguinte lema para as mento para lembrar os direitos das Mulhe- comemorações: “Mulheres e homens res, tantas vezes ainda esquecidos e viola- unidos para pôr fim à violência contra as dos em diversos pontos do Mundo. Mulheres e as Meninas”. De facto, embora nos países mais de- Por isso o “Centro” decidiu assinalar senvolvidos e evoluídos a igualdade de di- a data prestando homenagem (nas duas reitos e deveres entre homens e mulheres páginas centrais) a uma Mulher pioneira seja, de cada vez mais, uma realidade, há tério, que ainda existe em pleno século XXI! Nunca houve uma Presidente da Re- (que vive em Coimbra e completa 110 Estados (e não só no chamado “Terceiro Mas, repita-se, casos de infracção aos pública ou da Assembleia da República, anos no próximo dia 3 de Abril), mas tam- Mundo”) onde as Mulheres são ainda víti- direitos das mulheres não sucedem ape- até hoje só tivemos uma chefe de Gover- bém a Meninas que em África cedo se mas de discriminação, de exclusão, de ex- nas entre os povos considerados menos no (Maria de Lourdes Pintasilgo), só re- vêem forçadas a assumir responsabili- ploração, e até mesmo de actos de violên- evoluídos. centemente uma Mulher ascendeu à li- dades de Mulheres, ajudando no traba- cia absolutamente inaceitáveis, por mais Pelo contrário, na generalidade dos paí- derança de um dos principais partidos lho e cuidando dos irmãos mais novos. que quem os pratique invoque, como justi- ses mais avançados existem situações de- (Manuela Ferreira Leite, actual líder do Como vem sucedendo desde há déca- ficação, as tradições e direitos ancestrais. ploráveis de exploração da Mulher (nomea- PSD). Nos sucessivos Governos têm tido das, a data é aproveitada para prestar ho- É o caso, por exemplo, da excisão (prati- damente através da prostituição forçada, uma participação reduzidíssima (o actual menagem ao multifacetado papel que as cada sobretudo em alguns países africa- da violação e violência doméstica), a que a continua a ter apenas duas Ministras, pois mulheres desempenham na sociedade, en- nos) ou do apedrejamento e da pena de sociedade fecha os olhos. embora tenha saído Isabel Pires de Lima quanto esposas, companheiras, mães e, de morte para as mulheres acusadas de adul- Daí que, pese embora a emancipação da Cultura, entrou Ana Jorge para a Saú- da Mulher seja já uma consoladora rea- de e mantém-se Maria de Lurdes Rodri- As origens lidade em muitas zonas deste nosso Mun- do, há ainda necessidade de alertar para anomalias várias que persistem e que im- gues na Educação). O número de depu- tadas é também muito escasso. Enfim, as coisas estão a mudar, mas De acordo com um trabalho de investigação da autoria da historiadora Maria Luísa Paiva Boléo, é uma lenda referir o Dia Internacional da Mulher porta corrigir de imediato. certamente muito mais vagarosamente do como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de É verdade que a Mulher está a assumir, que desejaria a maioria das Mulheres. 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calça- por mérito próprio, uma posição de pre- O certo é que, no futuro, a situação só do. ponderância (que se revela, por exemplo, pode melhorar. Refere aquela investigadora que essa versão (que continua a ser veicu- na muito maior percentagem de Mulheres Daí que, em termos simbólicos, o lada pela generalidade dos órgãos de comunicação social) “não tem qual- nas Universidades, na Justiça, mas tam- “Centro” tenha escolhido, para ilustrar, quer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bém em áreas que até há pouco lhe eram nesta página, a efeméride, a pequena bem como mito”. quase interditas, como, por exemplo, as For- Mariana, bisneta de um jornalista que E acrescenta: ças Armadas, as Engenharias, os Trans- muito lutou pela liberdade, mas faleceu “Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstra- portes Públicos, as Forças de Segurança). sem a ver concretizada; neta de um dos ram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, Apesar disso, na política continuam a ter oficiais do Exército que fizeram o 25 de pura e simplesmente não aconteceu (1), não vem noticiada nem mencionada em muito maiores dificuldades do que os ho- Abril, filha de dois jovens nascidos de- qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de orgãos de comu- mens para singrar, como se pode ver mes- pois da Revolução. nicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constan- mo em Portugal, onde o número de mulhe- O futuro será, certamente, muito temente repetida acaba por se tornar verdade»). res a ocupar cargos políticos de destaque daquilo que as Mulheres, como a Ma- Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas é muito reduzido. riana, quiserem que ele seja! se reuniu num “party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que esta- beleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro. Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido. A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados. Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março. Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos. A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento in- ternacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista”. (1) Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, pelo que nunca poderia ter ocorrido uma greve nesse dia de descanso semanal.
    12. 12 DIA INTERNACIONAL DA MULHER 6 DE MARÇO DE 2009 Virgínia Pestana: a mais antiga aluna da Universidade de Coimbra está prestes a completar 110 anos de vida Maria Virgínia Pestana é a mais anti- considerar-se como a primeira “repúbli- ga aluna viva da Universidade de Coim- ca” feminina: a “Casa Independente das bra (cidade onde habita há muitas déca- Raparigas”. Cria, pouco depois, o Cír- das) e uma das mais idosas cidadãs por- culo Académico Feminino Católico. tuguesas. Fez os 5 anos do Curso de Físico-Quí- De facto, completará a magnífica ida- micas e mais dois da Escola Normal Su- de de 110 anos no próximo dia 3 de Abril. perior. Iniciou a carreira docente em Lis- Nascida no Porto (a 3 de Abril de boa, mas depressa regressou a Coimbra, 1899), Maria Virgínia de Abreu Ferreira tendo sido colocada no Liceu Infanta D. Maria, onde leccionou quando a ouviu cantar (e que viria a ser até se reformar, aos 75 Governador Civil de Coimbra). anos. Foi uma cidadã pioneira em muitos Aos 32 anos casou aspectos, assistiu a acontecimentos re- com o então capitão levantes em 3 séculos diferentes, e con- Ernesto Pestana tinua a ser hoje uma Mulher interessada (combatente na I por quanto se passa à sua volta. Guerra Mundial), que Por isso bem merece a singela home- por ela se apaixonou nagem que aqui lhe prestamos! de Almeida ficou sem Mãe com apenas 5 anos. Seu pai, médico, ficou residência em S. Pedro do Sul, e Maria Virgínia teve aí uma educação esmerada: aprende mú- sica e francês, mas também joga ténis (então com vestido comprido...), anda a cavalo, nada no rio Vouga. Concluído o curso liceal em Viseu pede a seu pai para prosseguir os estu- dos em Londres, onde tinha uma tia. Mas o máximo que consegue é que ele a dei- xe vir para Coimbra. Ingressou na Universidade de Coim- bra em 1917 (ano das Aparições de Fá- tima e do começo da Revolução Russa), sendo uma das 70 mulheres entre os cer- ca de 1.200 alunos que a Universidade de Coimbra tinha então inscritos. Nessa época as Mulheres eram tra- tadas na Universidade por “Vossa Ex- celência”, mas não podiam usar capa e batina e nem sequer lhes era admitida a entrada na Associação Académica. Maria Virgínia insurge-se contra esta Virgínia Pestana em foto relativamente recente. Em cima duas imagens onde aparece com colegas da Universidade discriminação e funda aquela que pode
    13. 6 DE MARÇO DE 2009 DIA INTERNACIONAL DA MULHER 13 Meninas-Mulheres: o futuro de África Em África, fascinante Continente de contrastes, as Mulheres são ainda vítimas, em algumas zonas, de con- denáveis hábitos ancestrais, mas também assumem já, em muitos países, exemplares papéis de liderança nos mais diversos domínios. A Mulher africana é, de uma forma geral, um exem- plo de trabalho, de coragem, de sacrifício, de abnega- ção, enquanto Mãe, enquanto Esposa, trave-mestra da Família, mas igualmente trabalhadora incansável. E é também uma das mais valiosas riquezas desse fabuloso Continente, que agora começa a ser encarado com o respeito que lhe é devido e onde o progresso e o desenvolvimento vão fazendo o seu caminho, ainda con- turbado por lutas fratricidas, mas também por muitas carências, pelo atraso em termos de Saúde e de Educa- ção, e por tentações ditatoriais e/ou neocolonialistas. Esta página pretende ser uma homenagem à Mu- lher de África, símbolo da força de todas as Mulheres. Por isso a preenchemos com Mulheres-Meninas de um País irmão (São Tomé e Príncipe), de uma terra deslumbrante, de um povo muito afável e hospitaleiro, onde a infância e a juventude são uma esperançosa maioria para um futuro mais risonho.
    14. 14 CULTURA 6 DE MARÇO DE 2009 DOMINGO, EM MONTEMOR-O-VELHO, “A MAGIA DO TOUR” Livro e exposição sobre a participação portuguesa na mais importante prova de ciclismo mundial Vai realizar-se no próximo domin- go (dia 8), pelas 16 horas, no Salão francesa, em muito ajudaram à com- Nobre da Câmara Municipal de Mon- preensão e ao enquadramento das su- temor-o-Velho, uma sessão para lan- cessivas edições do Tour. O mais po- çamento do livro “A Magia do Tour”, deroso instrumento de pesquisa actu- da autoria de Alves Barbosa (uma das al, a internet, foi fundamental, e o re- “velhas glórias” do ciclismo nacional) curso a sítios especializados, sobretu- e de José Magalhães Castela do de origem francesa, uma constan- No mesmo dia, na Galeria Munici- te, permitindo assim, Volta a Volta, e pal, será inaugurada uma exposição etapa a etapa, a reconstituição do per- alusiva à Volta a França em bicicleta. curso de todos os corredores portu- O livro pretende dar a conhecer, gueses nas sucessivas edições do com algum pormenor, a participação Tour em que participaram. dos vinte e cinco corredores portugue- Foram muitos os contributos pesso- ses que tiveram o privilégio de alinhar ais que enriqueceram o presente pro- nas diversas edições da Volta a Fran- jecto, destacando-se os de Joaquim ça em bicicleta, indiscutivelmente um Andrade (pai), Herculano de Olivei- dos maiores acontecimentos despor- ra, José Martins, Bernard Hinault e tivos a nível mundial. dÓscar Pereiro, antigos vencedores do Acontecimento mediático, só com- Tour, Jens Voight da equipa da CSC e parável aos Jogos Olímpicos ou aos Bjorn Schroder da equipa MILRAN, Campeonatos do Mundo e da Europa actuais corredores do pelotão interna- de Futebol, e fortemente caracteriza- cional, Fédèrico Bahamontes, vence- do pelo grande envolvimento da pró- dor da Volta a França de 1959, Mar- pria sociedade francesa, a Volta a co Chagas, Orlando Rodrigues, José França em bicicleta (na gíria veloci- Azevedo e Francisco Araújo. pédica mundial designada por Le Tour ou La Grand Boucle) constitui sem dú- OS AUTORES vida a mais exigente prova de ciclis- mo do mundo, tornando-se o objecti- Alves Barbosa é uma figura incon- vo mais ou menos distante, quando tornável no panorama do ciclismo por- não mesmo uma mera utopia, para tuguês. Enquanto praticante partici- qualquer corredor de bicicleta. pou em algumas das mais famosas Falar da participação dos 25 corre- provas internacionais, nomeadamen- dores portugueses no Tour implicou te, na Volta a França, Volta a Espa- uma análise aprofundada das suas vá- nha, Volta a Marrocos, Paris-Nice, rias edições, desde 1956, ano em que Paris-Roubaix, Seis Dias de Nova Ior- um dos autores do presente trabalho, que e Quatro Dias de Dunkerque, en- Alves Barbosa, se constituiu como o A expressiva capa do livro editado pela Minerva Coimbra tre outros. A nível nacional, obteve primeiro português a alinhar na pro- nove títulos de Campeão Nacional, va, obtendo um excelente 10.º lugar venceu por três vezes a Volta a Por- da classificação geral individual, até tugal – tendo conquistado 34 vitórias 2007, ano em que Sérgio Paulinho, ali- nhando pela equipa americana Discovery Channel, subiu ao pódium nos Champs em etapas, recorde que ainda não foi Elysées, em Paris, mercê da vitória co- ultrapassado – e muitas das provas lectiva da sua equipa, na prova. clássicas portuguesas. Foi ainda trei- Com as suas treze participações no nador, formador, seleccionador e téc- VENDE-SE Tour, de 1969 a 1973, Joaquim Agos- nico federativo. tinho, o maior ciclista português de to- José Magalhães Castela é autor de dos os tempos, ocupa um lugar de justo vários trabalhos já publicados no âm- bito da ficção e da poesia, mantendo Casa com 3 pisos e natural destaque na análise efectu- ada. E por razões de óbvio enquadra- uma colaboração esporádica em jornais e revistas especializadas, tendo igual- grande quintal e anexos mento, os autores igualmente aprovei- taram para referenciar muitos dos mente produzido alguns programas ra- diofónicos na RDP Centro. Tendo pu- grandes nomes do ciclismo mundial de blicado alguns títulos relativos à histó- várias épocas, transformando o pre- ria do ciclismo português, A Magia do num dos melhores locais de Coimbra sente projecto numa aliciante viagem Tour, de que é co-autor, pretende dar a pelas diferentes épocas da velocipe- conhecer a participação dos corredo- (Rua Pinheiro Chagas, dia mundial. Entrevistas publicadas e res portugueses que tiveram o privilé- trabalhos de reportagem, bem como o gio de alinhar nas diversas edições da junto à Avenida Afonso Henriques) visionamento de alguns filmes dispo- Volta a França, indiscutivelmente um níveis sobre a Volta a França, com dos maiores acontecimentos desporti- Informa telemóvel 919 447 780 natural destaque para os de origem vos a nível mundial.
    15. 6 DE MARÇO DE 2009 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES Ministério espera pareceres da OCDE e Conselho Científico O Ministério da Educação (ME) aguar- estar pronto no final deste ano lectivo. cisão que o ministério vai tomar”, afirmou, da pareceres do Conselho Científico para “Sem prejuízo deste calendário, que realçando que “os pareceres não são so- a Avaliação dos Professores (CCAP) e aponta para a existência de propostas fi- bre a estrutura da carreira, mas sim so- da OCDE para propor alterações ao mo- nais no final do ano lectivo, entendemos bre a avaliação de desempenho”. delo de avaliação docente, que os sindi- que deveremos trabalhar desde já com os “Provavelmente, teremos esses pare- catos do sector continuam a rejeitar. sindicatos sobre uma matéria que é de op- ceres em finais de Maio, no caso do Con- Numa reunião negocial para a revisão ção política e que implica naturalmente a selho Científico, e durante o mês de Ju- do Estatuto da Carreira Docente, o ME e definição de um quadro em que as propos- nho, no caso da OCDE”, adiantou. a Federação Nacional dos Sindicatos da tas técnicas se vão estabelecer”, disse. No entanto, enquanto o ministério Educação (FNE) discutiram na passada No entanto, Jorge Pedreira destacou “continua a considerar que é necessário terça-feira (dia 3) também o modelo de que o esboço da avaliação de desempe- uma responsabilidade individual pelo acto avaliação para os próximos anos lectivos, nho para os próximos anos espera ainda de avaliação, responsabilidade do avali- num encontro que não trouxe novidades e a contribuição de um parecer do Conse- ado e do avaliador”, a existência de uma no qual os sindicalistas reiteraram a neces- lho Científico que acompanha a aplicação hierarquia na carreira e diferenciação sidade de acabar com as quotas para atri- do processo este ano, porque “o governo através de quotas, a FNE quer outro es- buição das classificações mais elevadas. pretende colher a experiência da aplica- tatuto de carreira docente, “sem duas ca- O Secretário de Estado Adjunto e da ção do actual regime de avaliação de de- tegorias hierarquizadas, sem quotas e Educação, Jorge Pedreira, lembrou que o sempenho”, e de outro parecer que o mi- sem vagas”. memorando de entendimento assinado nistério pediu à OCDE (Organização para Depois desta reunião, a FNE disse ir com os sindicatos no ano passado apre- a Cooperação e Desenvolvimento Eco- pôr ainda à consideração dos seus ór- sentava um calendário de negociação que nómico). gãos a participação no cordão humano apontava que o essencial do regime de “Naturalmente, pedimos os pareceres marcado pela Fenprof para amanhã (sá- avaliação para os próximos anos deveria para que eles pudessem influenciar a de- bado, dia 7). A luta volta à rua! Tem de ser! João Louceiro se tornasse um mísero local de “domestica- dar… E é que estão a acabar as oportuni- Professor e dirigente do SPRC ção”, em primeiro lugar dos que lá traba- dades de o fazer antes do terceiro período lham e, por via deles, dos que lá se formam do ano lectivo, período de intenso trabalho e … A isso obrigam os becos sem saída a aprendem. Não se iludam os que ainda de especial delicadeza. Ou estarão à espe- forçados pelo Ministério da Educação (ME) acham que os professores lutam para não ra que os professores desistam?! em reuniões que deveriam ser de diálogo e ser avaliados! A 7 de Março, são precisos milhares de de negociação; a isso obriga também as suas No pesado e ameaçador enredo delinea- professores. Tenham ou não entregado uma pressão e chantagem diárias, numa desvai- do pelo ME para avaliar desempenhos, foi proposta de objectivos individuais, os que rada teimosia de imposição. A alternativa previsto um truque para condicionar e en- discordam do modelo de avaliação do ME, seria deixar as coisas irem por onde teima a volver os professores na avaliação que, com prosseguem a luta no próximo sábado! Por equipa apadrinhada por Sócrates. E isto não lucidez, rejeitam: a formulação de uma pro- este e por outros motivos tão importantes pode acontecer, em nome da dignidade e do posta de objectivos individuais. Porque es- como este! futuro da profissão docente e em nome da tão em frontal desacordo com a perigosa Há outra dimensão da luta dos pro- Escola Pública. via de avaliação que o ME quer pôr em fessores que é verdadeiramente decisi- A 7 de Março, professores de todo o país, marcha, largas dezenas de milhar de docen- va: a da compreensão consequente de em cordão humano, vão unir as principais tes declinaram a entrega da referida pro- que muito daquilo contra que têm lutado sedes do poder que os apontou como um posta. O ME queria que o fizessem para os é expressão particular, próxima, do rumo dos alvos destacados das políticas erradas poder capturar na sua teimosia; queria para político e das opções do governo de José que governam o país. Do Ministério, à As- poder anunciar o triunfo político sobre os Sócrates. Esta compreensão, esta cons- sembleia da República, acabando na resi- professores e as escolas. Milhares e milha- ciência política, é indispensável para que dência oficial do primeiro-ministro… Uma res de professores, enfrentando pressões, os professores não se isolem na sua luta, vez mais, os professores escolhem o sába- chantagens, mentiras, perseguições, mos- sem dúvida justa, e para que, de forma do para organizar o seu justo protesto. O tram-se dignos e verticais: o ME que não inteligente, juntem e reforcem as suas que terão de passar a fazer para serem ou- lhes peça uma ajudinha para pôr em mar- razões com as razões dos outros. É em vidos de verdade e com responsabilidade? cha mais este instrumento de liquidação da conjunto que alteraremos a correlação O modelo de avaliação do desempenho carreira docente e de degradação da Esco- de forças, obrigando à mudança do rumo engendrado pelo Governo para reduzir ven- la Pública! que o Governo tem seguido. cimentos e subjugar a classe profissional, Mas a pressão para que o Governo re- A seguir ao próximo sábado, o prosse- não tem meio de arrancar... Aos seus pró- solva a questão não pode ficar só dentro guimento da luta faz-se na Manifestação prios tumores e entorses junta-se a corajo- das escolas. É na rua que se criam dificul- Nacional convocada pela CGTP-IN. A 13 sa resistência de milhares de docentes na dades maiores à via do autoritarismo e da de Março, a luta dos professores volta à rua, maioria das escolas. Se o Governo pusesse teimosia. Dia 7 de Março, milhares de pro- em Lisboa, em conjunto com os outros tra- em marcha o inenarrável modelo de avalia- fessores realizam mais uma importante jor- balhadores portugueses. ção, ficaria a profissão docente definitiva- nada de luta. Pode ser que o ME/Governo É a luta que volta à rua! Tem de ser! mente de joelhos; mas seria também um ouça de vez os professores portugueses. A perigoso passo para que a Escola Pública aproximação de eleições também pode aju- * Professor e dirigente do SPRC
    16. 16 SAÚDE 6 DE MARÇO DE 2009 Dois séculos após Massano Cardoso o nascimento de Darwin O frio intenso de um final de tarde de Inverno, que gelava os ossos ao ponto de sentir dores, não me impediu de pensar que a minha “forma de pen- sar” era o fruto do “pensar de outros”, que revolucionaram o mundo ao des- locarem as nossas mundividências cá para baixo, para um plano mais terres- tre. Aguardava o momento de assistir a uma conferência sobre Darwin. Entrei numa pequena sala. Após breve conversa com a conferencista, historiadora e filósofa, uma amiga de longa data que já não via há algum tempo, sentei-me ao lado dos restan- tes seis ouvintes. – Bom, vou falar de Darwin, ou me- lhor de Sir Darwin. Sir?! Penso que não era Sir, os sobrinhos e neto é que chegaram a ser, mas ele não! Excla- mou, perscrutando o meu olhar, o que me obrigou, dada a informalidade em que nos encontrávamos a afirmar – Pois não! Nem podia ter sido. – Não? Porquê? – Então! As suas descober- tas e escritos foram de tal modo re- volucionários que abalaram a socie- dade. E queria que ainda lhe atribuís- sem o título de Sir! Após esta informalidade, a estudio- sa fez a sua intervenção, finda a qual houve um debate. Concluiu-se que “há vários Dar- wins”, dependendo da esfera em que Charles Darwin e o seu famoso manuscrito sobre a origem das espécies nos movimentamos e da forma como utilizamos o seu pensar e escritos. O tamos perante um homem que é um não existência”. É lamentável que os detratores de mundo do Fixismo foi abalado com a verdadeiro “modelo de espírito cientí- Darwin, ou melhor, a sua teoria, um homem pacífico, burguês, inimigo sua teoria que designou de “Descen- fico”. Para Darwin o que contava continua a ser objeto de contestação, da escravatura, chegassem a conotá- dência com modificações por seleção eram factos, factos, factos, argumen- tal como há duzentos anos, agora nas -lo com os genocídios verificados du- natural”. É curioso o facto de nunca tos, argumentos, argumentos e nada vertentes modernas, apesar da evolu- rante a II Grande Guerra. Darwin não ter utilizado a palavra evolução. Não de especulação. ção da ciência – nascimento e desen- ficaria nada satisfeito que invocassem quis ofender os seguidores do Fixis- As suas preocupações, que já ti- volvimento da genética e da biologia a “evolução” para justificar os crimes. mo e das teorias catastrofistas. nham sido alvo de atenção por parte molecular –, não a pôr em causa, an- Estamos perante aquilo a que se pode O seu percurso académico – fre- de mais de uma larga centena de in- tes pelo contrário. O seu pensamento chamar de “crime hermenêutico” ao quentou medicina e teve formação teo- vestigadores que o precederam, ma- e filosofia transformaram-se em Zeit- colocarem “na boca de Darwin pala- lógica –, aliado a leituras, dentro das terializaram-se numa forma nova de geist, espírito do tempo ou espírito de vras que nunca disse”. quais se destaca Malthus, que muito ver e de estar no mundo. A sua visão, época, que continua nos nossos dias. Quando saí da conferência, o ar es- provavelmente terá desencadeado o estudo e interpretação dos factos, pos- Nasceu no século XIX, passou pelo tava ainda mais gelado do que quan- clique do “struggle for life,” utilizado sibilitou o nascimento de uma nova ló- século XX, entrou no século XXI e irá do entrei, mas o facto de pensar em nas suas análises, à viagem no Bea- gica da vida, permitindo pensar que “o continuar nos séculos seguintes. Nada Darwin e no que ele representa para gle e a longuíssima reflexão antes da mundo atual é apenas um dentre mui- do que veio depois pôs em causa a a Humanidade fez com que não sen- publicação da obra, revelam que es- tos outros possíveis ou mesmo a sua essência do pensamento darwiniano. tisse dores nos ossos…
    17. 6 DE MARÇO DE 2009 SAÚDE 17 HOJE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Teresa Portugal e Matilde Sousa Franco votam a favor da suspensão das taxas moderadoras A deputada socialista Teresa Portu- 19 de Fevereiro, a votação dos pro- gal anunciou que vai votar hoje (sexta- jectos da oposição sobre taxas mode- feira, dia 6 de Março) a favor dos pro- radoras - isenção total de taxas mo- jectos da oposição que propõem a sus- deradoras nas cirurgias de ambulató- pensão das taxas moderadoras, dizen- rio (CDS-PP e PSD) e revogação das do fazê-lo “em nome da sua consciên- taxas moderadoras (Bloco de Esquer- cia e do Serviço Nacional de Saúde”. da e PCP) - ficou marcada para hoje “Eu vou votar pela suspensão das (sexta-feira, dia 6). taxas moderadoras no contexto em Se Manuel Alegre e Eugénia Alho que são colocadas: aplicadas ao inter- se juntarem a estes votos dissonantes namento e à cirurgia”, afirmou Tere- na bancada do PS, a maioria absoluta sa Portugal, em declarações aos jor- socialista pode encurtar-se de 121 nalistas no Parlamento. para 116 deputados, num total de 230. Questionada sobre os motivos por Idêntico cenário enfrentou a maio- que votará contra a orientação da sua ria do PS no mês passado em relação bancada, Teresa Portugal salientou a um projecto de lei do CDS-PP que que o faz “em nome do Serviço Naci- pretendeu suspender o modelo de ava- onal de Saúde, para honrar o dr. An- liação dos professores. tónio Arnaut” e para “não ir contra a Nessa altura, perante a possibilida- sua consciência”. de de o diploma do CDS-PP passar, o Também a deputada independente, presidente do Grupo Parlamentar do eleita nas listas do PS, Matilde Sousa PS, Alberto Martins, admitiu abando- Franco, disse que deverá votar a fa- nar o cargo se isso acontecesse. vor dos projectos do PSD e CDS que Também o Governo, sobretudo por defendem a suspensão das taxas mo- via do Ministro dos Assuntos Parla- deradoras. mentares, Augusto Santos Silva, adi- “As taxas nem são moderadoras antou que o Governo retiraria todas nem vão financiar muito a saúde”, jus- as consequências se a Assembleia da tificou. República deixasse de apoiar “uma das Já a deputada socialista Júlia Caré reformas mais emblemáticas” do exe- disse que irá votar a favor do projec- cutivo. to do Bloco de Esquerda, estando ain- Na última reunião da bancada do da a ponderar o sentido de voto no pro- PS, a 19 de Fevereiro, o líder parla- jecto do CDS. mentar Alberto Martins admitiu a ne- “Tenho dificuldade em compreen- cessidade de um “aprofundamento” der que haja taxas nos internamentos na questão das taxas moderadoras, e cirurgias porque são decisões que apesar de classificar os diplomas da Teresa Portugal (na imagem acima) assume uma posição corajosa e que demonstra independência, ao assumir que votará contra o seu partido, o PS, no que respeita às não dependem do desejo do doente”, oposição para a sua revogação como taxas moderadoras. Aliás, posição semelhante à assumida também por Matilde afirmou. medidas políticas para criar dificulda- Sousa Franco, com a diferença de que esta última é independente, enquanto que Depois de ter estado marcada para des ao Governo. Teresa Portugal é uma destacada militante do PS desde há décadas INVESTIMENTO DE 3 MILHÕES DE EUROS PARA REVITALIZAÇÃO Obras nas termas do Luso arrancam este mês A revitalização das Termas do Luso, ção e gestão do complexo termal, as- vida à comunidade do Luso” através jas, a Sociedade da Água de Luso, se- através da associação ao termalismo sociando os cuidados médicos e de da revitalização do destino histórico deada naquela vila do concelho da Me- de um centro médico, fisioterapia e bem-estar ao termalismo. que aquelas termas representam. alhada, comemorou, em 2002, 150 spa, arranca este mês e deverá estar Um estudo elaborado pela SAL para Já Paulo Maló, presidente da Malo anos de existência e tem como activi- concluída em Outubro de 2010, disse a revitalização das Termas do Luso Clinic, destacou o “conceito revolu- dade principal a exploração e engar- fonte da sociedade proprietária. concluiu pelo potencial turístico do cionário” ao nível da gestão da saú- rafamento de água mineral natural, “As obras arrancam este mês. O complexo termal no segmento da saú- de, associando o termalismo a um água de nascente e de consumo hu- caderno de encargos foi segunda-fei- de e bem-estar, associado à localiza- centro médico e spa. mano e a exploração da actividade ra (dia 2 de Março) lançado e as em- ção estratégica no centro do país. Propriedade da Central de Cerve- termal através das Termas de Luso. presas consultadas têm agora dez dias Apresentado publicamente em Mar- para se pronunciarem”, disse à agên- ço do ano passado, o projecto “vai cia Lusa fonte da Sociedade Águas além do conceito tradicional de ter- do Luso (SAL). mas”, disse, na altura, Nuno Pinto da A intervenção, orçada em três mi- Magalhães, assessor da administração lhões de euros, tem um prazo de im- da Sociedade Águas do Luso. plementação de 18 meses e decorre Presente na sessão de apresentação, da criação de uma empresa detida em Alberto da Ponte, administrador da 51 por cento pela Malo Clinic e 49 por SAL, afirmou que a concessionária pre- cento pela SAL, que visa a explora- tende “oferecer maior qualidade de
    18. www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 6 DE MARÇO DE 2009 não mantenho qualquer lugar ou vínculo. O meu pai era contínuo e eu sou jor- nalista. O discurso Tenho uma filha licenciada em Direi- to e um filho a estudar Medicina. Nunca assinei um texto que eu pró- de José Sócrates Mário Martins prio não tivesse redigido. Fiz o sacrifício de assistir, na íntegra, ao discurso de José Sócrates na abertura Nunca fui “boy”. do Congresso do Partido Socialista. Nem sequer nunca estive filiado em Foram 51 minutos que quase me apetece definir numa palavra: vazio. Mas há CHEIRA A ELEIÇÕES qualquer partido. outra que talvez se aplique melhor: demagogia. Comprei um apartamento que custou A primeira parte da intervenção, cerca de um quarto de hora, foi o “discurso do Uma pessoa sai à rua e não pode dei- o mesmo que custaram os dos meus vi- nada”. xar de perceber que há qualquer coisa zinhos. Depois, retive algumas ideias. de novo no ar. Nunca me candidatei a qualquer lu- É verdade, já cheira a eleições. gar político. José Sócrates falou da baixa do IMI e eu não a senti. Continuo a pagar um Há quem, por motivos vários, não se Só exerci, por eleição, “lugares de ser- valor que julgo exorbitante para viver num modesto apartamento numa das zonas aperceba do odor. viço” (associação de estudantes, sindi- mais humildes de Coimbra. Muitas centenas de euros que me levam a pensar, Alguns sofrerão de rinite e, assim, têm catos dos professores e dos jornalistas, sempre que sou obrigado a pagá-las, que estou a ser alvo de autêntico roubo. o olfacto reduzido. associação de jornalistas desportivos, José Sócrates criticou a comunicação social (falou de «director de jornal» e de Outros terão dificuldades de concen- estruturas do futebol, Academia Olímpi- «estação de televisão»), mas eu não dispenso as informações da Imprensa e tração e, devido a isso, nem sequer pen- ca, ACM, etc.), nos quais nunca recebi passo bem sem o discurso dos políticos. Aliás, ainda esta semana se ficou a saber sam no assunto. qualquer compensação monetária, nem que a credibilidade dos políticos políticos anda pelas ruas da amargura - só 1% dos Mas é fácil perceber quando cheira a sequer as famosas “senhas de presen- portugueses acredita neles. eleições. Há comportamentos novos. ça”. Na maioria deles, nem as despesas José Sócrates falou das Novas Oportunidades e lembrei-me da dona do quios- Deixo aqui três “dicas” para os mais de deslocação. que onde compro jornais. Quando, depois de ter obtido a certificação do 9.º ano, a desatentos. Nunca meti uma “cunha”. tentei motivar para obter o 12.º ano, disse-me com convicção: «Não, não vou tirar. 1. Ver um político às compras, ao sá- Não tenho nenhum amigo que seja Não se aprende nada...». bado à tarde, num hipermercado. (E se membro de qualquer força policial, das José Sócrates falou do aumento dos salários dos Função Pública e eu só tenho olhar com atenção, verá que o carrinho magistraturas ou dirigente de partido po- visto diminuir, ano após ano, o salário da minha mulher, que é funcionária pública. de compras está praticamente vazio). lítico. José Sócrates falou da aposta na educação e eu sei bem o que isso é, com um 2. Ver um político na missa de domin- Nutro profundo desprezo por quem filho a estudar na Universidade em Lisboa. As propinas, a renda do quarto, as go de manhã. sobe na vida à custa do erário público, viagens, as refeições, os livros; cerca de 1.000 euros por mês. E qual é o apoio do 3. Ver um político (normalmente, nes- de “esquemas” e “negociatas”. Estado? Nada. Zero. te caso, até são os “candidatos a políti- Evito relacionar-me com tais pes- José Sócrates falou da reforma da Administração Pública e eu pensei logo no cos”) a escrever textos de opinião num soas, tentando mesmo não frequentar meu familiar que continua à espera (há quase um ano!!!) que as Finanças enviem jornal. espaços públicos onde seja previsível o cartão de contribuinte. A partir de agora será mais fácil para que as possa encontrar. Ou seja, em resumo: José Sócrates falou de um país e eu vivo noutro, comple- si, caro leitor, comprovar que as eleições Sou contra a corrupção. tamente diferente. estão à porta. Nunca paguei “luvas” ou “suplemen- (publicado em 3 de Março) tos” de qualquer espécie, nem mesmo Quanto pude ver, só houve um momento de entusiasmo durante o discurso: quando só se compravam automóveis quando José Sócrates falou de nova maioria absoluta. Aí levantou-se quase toda SERÁ AGORA, CÂMARA? novos com “donativos” ao vendedor. a gente, braço no ar, a gritar «PS, PS, PS». Ao fim de quase 35 anos como jorna- (Nessa altura, tive uma ideia: com a tecnologia hoje disponível, seria possível às A Câmara Municipal de Coimbra apro- lista, não há ninguém com quem me te- televisões colocarem junto a cada rosto a profissão que desempenha, ficando-se vou ontem a contracção de um emprés- nha relacionado profissionalmente que assim a saber quais os que vivem das verbas do Estado - do nosso dinheiro colec- timo de 12,5 milhões de euros, pagável possa dizer que me pagou qualquer coi- tivo, portanto - e quais os que não vivem. Seria esclarecedor, creio.) em 20 anos. sa - nem um almoço, nem sequer um Nos restantes 48 minutos da intervenção de José Sócrates, os (poucos) gran- Será desta que os varredores vão co- café. des planos da RTP mostraram rostos desinteressados, tristes, desiludidos, sem meçar a limpar a rua onde moro? Cumpro as leis, mas acredito que os ponta de entusiasmo visível. (publicado em 3 de Março) valores morais se sobrepõem à legisla- Se a isso juntarmos o tom do discurso, uma mão-cheia de lugares-comuns, ção. E tento agir em conformidade. proclamados sem chama e sem emoção, tive a sensação de estar numa cerimónia PESADELO LEONINO Recuso o “chico-espertismo” e o “sal- com algo de fúnebre - o “requiem” por esta maioria, quem sabe. ve-se quem puder”. Nem mesmo o rosto de José Sócrates (que me pareceu cansado e sentir algu- Na quinta-feira de manhã, como é Não sou perfeito. Cometo erros - de- mas dificuldades com o “teleponto”) conseguiu desfazer a ideia que, a pouco e habitual na casa do treinador do Spor- masiados, para o meu gosto. pouco, se foi formando no meu espírito. ting, a mulher de Paulo Bento disse- E como digo repetidamente, «não nas- -lhe: ci para ser simpático». Vão longe os tempos em que a Política era algo de empolgante em Portugal. - Acorda, Paulo, que já são 6. Talvez por isso tenha escrito este tex- - O quê?... Ainda marcaram outro? to num domingo à tarde, quando poderia (publicado em 27 de Fevereiro) (publicado em 27 de Fevereiro) estar calmamente num dos vários Car- navais da região. (Não, não gosto do JESUALDO VIU OUTRO JOGO Afirmar, depois do FC Porto-Benfi- SÓ... (MAS FELIZ) Carnaval...) ca de hoje, que os “azuis” foram muito Acredito que o futuro só será melhor Não sei se Jesualdo Ferreira é bom superiores e mereciam vencer o desa- Não tenho, nem nunca tive, conta no se as vozes livres, descomprometidas, se ou mau treinador. fio é um conclusão só ao alcance de BPN. Nem no BPP. fizerem ouvir. Faltam-me conhecimentos para o quem... viu outro jogo, bem diferente Frequentei uma universidade que ain- Quando abro os jornais e vejo que - a avaliar. daquele que eu vi. da existe. propósito de tudo e de nada - Portugal é Mas parece-me que não é grande coi- PS 1 - Continuo a afirmar que a Nunca tive um “tacho”. uma terra de “primos e primas”, em que sa a gerir plantéis. maioria dos actuais árbitros da Super- Fiz 21 cadeiras na licenciatura e cin- as vidas pessoais, profissionais e políti- Na quarta-feira foi “aviado” com 4-1 liga são maus árbitros. co no mestrado e tive 26 professores di- cas se entrelaçam num rendilhado de em Alvalade e hoje só não perdeu o jogo PS 2 - É por estas e por outras que ferentes. malha fina, finíssima, sinto-me um ho- porque o árbitro viu algo que mais nin- decidi não gastar nem mais um cêntimo Fui funcionário público durante 13 mem só. guém viu - nem conseguirá ver. com o futebol que temos. Ah... e depois anos, depois de concurso público e na- Felizmente. Do que não tenho dúvidas é que Je- do folhetim do “goal-average” na Taça cional. sualdo Ferreira é péssimo a analisar um Carlsberg passei a beber Sagres... Saí da Função Pública há 18 anos e (publicado em 22 de Fevereiro) jogo de futebol. (publicado em 8 de Fevereiro)
    19. 6 DE MARÇO DE 2009 MÚSICA 19 Distorções José Miguel Nora josemiguelnora@gmail.com Por fim, acabamos hoje de destacar o que de melhor se fez em 2008, em pri- meiro lugar vamos eleger o melhor dis- co nacional de 2008. A dúvida recaía entre “Are You Ready For The Bal- ckout?” dos X-Wife e “Black Dia- mond” dos Buraka Som Sistema, mas a opção acaba por recair no segundo, no momento, a minha banda de fica atrás das duas magníficas ac- tendo em conta o excelente trabalho que eleição, a decisão recai no seu úl- tuações a que assisti dos Cut a banda tem feito além fronteiras, sobre- timo registo de originais, “In Copy, quer no Festival do Sudoes- tudo nos Estados Unidos, Inglaterra e na Ghost Colours”. te, quer no Clubbing. Fácil seria Europa Central. Já no campo dos discos revela- eleger o concerto de 2008 ao qual No que toca ao melhor disco inter- ção de 2008, no que toca ao dis- mais me custou não assistir e aí a nacional de 2008, há seis discos que co revelação internacional a actuação dos Sigur Rós no Cam- poderiam aspirar a ganhar esse galar- minha escolha recai em “Reality po Pequeno em Novembro passa- dão, nomeadamente: “In Ghost Co- Check” dos The Teenagers, ao do seria indubitavelmente o eleito. lours” dos Cut Copy, “Vampire We- passo, que o disco revelação na- Por fim, gostaria de destacar o ekend” dos Vampire Weekend, “Only cional vai para “E.Seni.A” de desaparecimento de um dos maio- By The Night” dos Kings Of Leon, Sensi MC. res e mais criativos vultos da mú- “Beautiful Future” dos Primal Scre- Já o cartaz do Festival Opti- João Aguardela sica portuguesa, João Aguardela am, “Saturdays = Youth” dos M83, ou mus Alive foi para mim o me- (e cujo falecimento, no passado dia mesmo “Midnight Boom” dos The lhor Festival de 2008, festival duran- certos do ano passado, dos Rage 18 de Janeiro, foi noticiado na anterior Kills. Mas dado que os Cut Copy são, te o qual assisti a um dos grandes con- Against The Machine, que em nada edição do “Centro”). “FADVOCAL” SÁBADO (DIA 7 DE MARÇO) NO TAGV dá espectáculo José Cid e Luiz Goes na Figueira da Foz na III Gala dos Antigos Coimbra (da qual também Estudantes de Coimbra faz parte o ADVOCAL, O cantor José Cid vai estar em tes da Universidade de Coimbra. Coro Misto de Coimbra no dia 7 de Março (sábado) Pedo Roma é considerado como um Advogados do para homenagear a tradição académi- dos atletas mais emblemáticos da Aca- Conselho Dis- ca na III Gala dos Antigos Estudan- démica, clube em que viveu os mo- trital de Coim- tes da Universidade de Coimbra (UC). mentos mais altos da sua carreira. Li- bra da Ordem O espectáculo terá lugar às 21 horas cenciado em Educação Física pela dos Advoga- no Teatro Académico de Gil Vicente Universidade de Coimbra, é actual- dos) – sendo (TAGV). mente guarda-redes e capitão da equi- composto Depois de em 2008 ter esgotado por pa de futebol principal da Académica. maioritaria- completo a lotação do TAGV, a gala A Real República dos Lysos, que mente por Ad- volta a reunir um elenco de luxo. Para este ano comemora meio século de vogados ins- além de José Cid, actuará um dos mai- existência, foi formada em 1959 por 13 critos no Con- ores nomes da canção de Coimbra, estudantes (entre os quais Augusto selho Distrital Luiz Goes; mas também o guitarrista Carmona da Mota e Jorge Anjinho), de Coimbra da Paulo Soares e Bruno Aleixo (do que na impossibilidade de então termi- Ordem dos “Programa do Aleixo”, da Sic Radi- narem os seus cursos na Universidade O Centro de Artes e Espectáculos Advogados. O FADVOCAL teve a cal). Em palco estarão ainda actuais de Coimbra resolveram criar no Porto (CAE) da Figueira da Foz apresenta, sua primeira apresentação pública no e antigos elementos da Orxestra Pi- uma “República” à imagem das exis- no próximo dia 13 de Março, pelas dia 30 de Abril de 2005, no Palácio de tagórica, associações de antigos es- tentes na “Cidade dos Estudantes”. 21h30, um espectáculo com o grupo S. Marcos, na 6ª Reunião do Curso Ju- tudantes da UC de todo o país e alu- Esta III Gala dos Antigos Estudan- de fados de Coimbra FADVOCAL, no rídico de 1970/75. O seu repertório é nos do Jardim Escola João de Deus. tes da UC, que tem como tema “Co- âmbito do Café Concerto do CAE, e constituído exclusivamente por Guitar- A apresentação estará a cargo de Fá- imbra, ainda és capital?”, é organiza- com entrada gratuita. radas, Fados e Canções de Coimbra. tima Araújo, da RTP. da pela Rede de Antigos Estudantes O FADVOCAL faz parte da Asso- Este é o terceiro espectáculo do O guarda-redes da Académica- da UC (que conta já com cerca de 15 ciação cultural, sem fins lucrativos, novo conceito de Café Concerto do -OAF Pedro Roma e a Real Repúbli- mil membros) e conta com a parceria denominada ADVOCAL – Associa- CAE, este trimestre dedicado ao ca dos Lysos são os homenageados da Empresa Municipal “Turismo de ção Artística do Distrito Judicial de Fado. desta III Gala dos Antigos Estudan- Coimbra”.
    20. 20 CRÓNICA 6 DE MARÇO DE 2009 AO CORRER DA PENA... O Importante é Voar... Maria Pinto* mainha.pinto@gmail.com Vagueava pelo escritório. Como sempre, afundada em livros. Eram eles, sem dúvida, um dos seus grandes amores, a sua fonte de liberdade, de evasão, de aventura. Sentou-se numa pequena poltrona, o seu ninho das horas de leitura e fitou um maravilhoso livro, recentemente adquiri- do. “Mulheres que lêem são perigosas”. A capa inundada por um rosto sedutor de mulher que desafia o mundo, que já se encontrou, que percebeu que a normali- dade não existe. Essa mulher levou Matilde, por momen- tos, às estórias de sua avó Elvira, que há tantos, tantos anos tecera longos bordados por entre páginas soltas e gastara os seus lindos olhos lendo. Lendo muito. Apesar das incessantes repreensões do seu médi- co particular que lhe dizia “leve uma vida “Après le bal”, de Ramon Casas y Carbo (1895) normal, Dona Elvira, descanse o cérebro. casamentos já não serão para sempre, já Matilde, plena de amor, mas amputada. a divorciar-se por não ter dado à luz um ra- Desfrute dos prazeres do lar, dos filhos e não haverá ideologias nem religiões que or- Desorientada. Descrente. Desesperando paz. A sua menina-bebé... tinha desapare- do marido que tanto a amam. Ah! E sobre- denem convictamente os teus dias. Encon- pelo inesperado. Lembrando poemas sol- cido. Matimba, doce como o chocolate, ha- tudo não leia”…” tra-te com a liberdade, Matilde. Sei que vai tos, intensos, imensos. Imarcescíveis. As via sido vítima de mutilação sexual. Por ser Querida Matilde, contava a avó, nessa ser tudo muito difícil para ti, minha filha. valsas... a sua beleza. A beleza da arte que doce. Por ser mulher. Elvira... altura quase entrei em agonia mental. Já não Para ti, meu tesouro. Porque és mesmo fica para sempre. Matilde acordou subitamente com o som suportava o meu destino passivo de esposa. um tesouro. Mas não desesperes, pois o Os passeios à beira-mar, a areia que se do telemóvel. Alguém do outro lado lhe di- Queria ser escritora, talvez até actriz. Ter o teu dia chegará se souberes esperar… o escoa por entre os dedos formando pontos zia “não vem hoje ao trabalho? Aconteceu meu próprio mundo. Desejava ser, Matilde, inesperado”. de interrogação. A pedra em forma de con- alguma coisa? Sabe, ficámos preocupa- desejava tanto ser! No rosto de Matilde caíram duas gros- De facto, Matilde tinha tudo para triun- cha, promissora, selando beijos sentidos, sem dos”... Matilde respondeu de forma evasi- sas lágrimas, aquelas que enxugara nos lin- far. Era talentosa e de uma sensibilidade rara. fim. Com um fim iminente... va, pouco interessada. Alheada até. dos olhos de sua avó tantos anos antes. A A vida fizera dela uma mulher corajosa e Em seguida, regressou à sua poltrona, Matilde chorava agora. Convulsivamen- avó Elvira tinha, entretanto, partido, levan- livre. Falavam-lhe com frequência da sua estirou-se, espreguiçou-se. Como há muito te. Sabendo que merecia tudo de bom. De- do consigo o muito que aprendera nos li- beleza. No entanto, estes dons, aparente- tempo não fazia. Determinada, entendeu que sejando ardentemente ter asas. Lembrando vros. Mas a sociedade de então encerra- mente decisivos para quem caminha para chegara o momento do inesperado. Daque- as palavras intuitivas de sua avó... ”sei que ra-a, presenteara-a com a clausura, como bons momentos de felicidade, não a prote- le inesperado tão ansiado de que há tantos vai ser tudo bem difícil para ti... porque és acontecera a tantas outras mulheres. geram. Matilde estava cada vez mais con- anos lhe falara Elvira. A sua avó. um tesouro”... Quanto ao sonho de se tornar actriz, vi- victa, à medida que os anos se desfiavam, O mar, as letras formando palavras sol- veu-o no palco da vida, imaginando outras que tinha nascido em tempo e lugar erra- Pegou numa pequena mala e encheu-a tas, amo-te, Matilde, és a minha vida, és tu vidas, outros amores, grandes viagens. A dos, num mundo onde os seres humanos se de poucas roupas e de vários livros. Dos quem eu respiro, gosto tudo de ti... em ti... vida no palco fora-lhe vedada. Elvira invi- devastam e destroem em nome de egoís- poemas: Da pedra em forma de concha. E teu colo, teu colo, eternamente teu colo... sível. Eterna fugitiva do excesso e da ri- mos mórbidos. partiu. Partiu, deixando as mesmas pessoas queza. Com garras de aço, vontade enor- Viajando pelos amores, sabia ter usufru- O cenário era agora bem outro. Deze- agarradas às mesmas tarefas inodoras e me de ser, de crescer, de viver a plenitude. ído dos melhores e dos piores momentos. nas de mulheres saíam dos livros de Matil- incolores do quotidiano. Sempre agarradas Mulher de sonhos, mas de uma ardente Por ser Matilde. Por ser corajosa e livre. de. Mulheres de todas as cores. “Brancas às folhas em branco. Produzindo brancas solidão. A solidão do silêncio. Talvez por ser mulher. Neste flash-back como o açúcar, amarelas como o sol, pretas folhas. Matilde sentia-se tranquila, sabendo Querida avó, são tantas as saudades! Sin- doloroso, percebeu que em tempos tinha como as estradas, vermelhas como as fo- que dentro em breve iria fazer grandes ro- to tanto a falta de tu. Era assim que te dizia encontrado O AMOR, aquele que se diz que gueiras, castanhas da cor do chocolate”. O das de solidariedade com mulheres de to- em pequenina, lembras-te? é para sempre. aroma, a cor e o calor que delas emanava das as cores, sulcando novos caminhos, no- Matilde olhou em volta. Largas dezenas Mas a vida é com frequência cruel e não enchiam o mundo. vas formas de carinho. de livros. Um aluvião de material sobre há vontade humana que, ainda que podero- Vinham em magotes em busca de vidas mulheres, seu objecto preferencial de estu- sa, seja capaz de resistir “aos desígnios do com a dignidade a que tinham direito. O Porque é necessário lutar e porque é pos- do. Longas histórias de outras vidas, de tra- acaso” Do ocaso. Do inevitável ocaso. ambiente tornara-se magnetizante. Todas sível vencer, este pequeno texto é dedicado jectos outros. A necessidade de encontrar Com o tempo, Matilde e João foram-se elas, com gestos e gritos de socorro, cha- a todas aquelas e a todos aqueles que lutam uma espécie de mapa, de caminho que a afastando, deixando de ser dois corpos com mavam Matilde, traziam-na para a sua luta. obstinadamente contra a injustiça. A todas aliviasse de tanto vazio. uma só cabeça. Foram-se destruindo mutu- Em protesto contra a sua sorte e contra to- as “gaivotas” que sentem um desejo inadiá- Dirigiu-se ao quarto que recentemente amente pela certeza esmagadora da impos- das as formas de arbitrariedade. Matilde vel de voar... remodelara para conseguir simplesmente… sibilidade. Pelo mar que não podiam nave- uniu-as numa espécie de roda gigante e in- “...Tu tens a liberdade de seres dormir. Deitada de costas, Matilde pensava gar. Pelo que não poderiam viver. Pela sau- tegrou-se na defesa da sua causa. tu próprio. no mundo, na vida, no seu carácter cada dade de um futuro que nunca chegaria. Talisma e suas meninas haviam sido es- O teu verdadeiro eu. vez mais acidental, mais caótico, mais au- Matilde encolheu-se no leito. Enroscou- pancadas e violadas na guerra. A violação Aqui e agora: sente de paliativos. Num mundo, numa vida se em posição fetal. Gritou por dentro pela tornara-se uma arma poderosa e o corpo Nada se pode interpor em que nada é para sempre. “Lembra-te sua avó. Naquela solidão tantas vezes ape- das mulheres fazia parte do saque. Iang, a no teu caminho”. disto, minha adorada neta! No teu tempo os tecida, mas agora de uma crueza indizível. mulher-sol, tinha sido humilhada e obrigada * Docente do ensino superior
    21. 6 DE MARÇO DE 2009 OPINIÃO 21 Os apagões funcionários, quadros do partido, a causa- com alguma razão, abuse do disco da “cam- mam, os votos do medo e da carência de rem perplexidades, a revolta, disfunções que panha negra” para anatemizar a comunica- convicções cívicas e políticas vir-lhe-ão ter Renato Ávila só inquinam, atrasam e emperram a refor- ção social e denegrir o ministério dos seus às mãos. Convém-lhe, por isso, apregoar que ma da administração. profissionais. É com preocupação que co- é o povo quem mais ordena. No entanto, já Estranho congresso este que, no último A consciência crítica e solidária que ca- meçamos a divisar nesse comportamento lhe vai fazendo a cama ao consignar o ca- fim de semana, em Espinho, mobilizou a aten- racteriza um socialista de esquerda, isto é, algumas sombras duma espécie de totalita- samento dos homossexuais, a eutanásia, e ção dos portugueses. um não acomodado, parece ter-se esbati- rismo e de domesticação da liberdade de não só, no programa que o mesmo povo se Não propriamente pelo apagão o qual, por do. Apagado. É, não só o partido, mas o informar. A intervenção corrosiva e sectá- sentirá compelido a votar. insondáveis desígnios e sem qualquer alter- país que ficam mais pobres. País que, civi- ria, acintosa e ignóbil de alguns órgãos do O povo é quem, de facto, mais ordenará. nativa, fez calar a boca de muita gente apos- camente, parece condenado a regressar às audiovisual e da escrita, em parte devido à Mas só aquilo que Sócrates quiser. tada em discursar, mas pelos apagões que trevas de má memória. falta de clareza, de transparência do socra- Mão de mestre! se evidenciaram nas mentes dos congres- O segundo apagão deve ter acontecido tiano percurso cívico e político, não pode E o apagão, qual eléctrica e paralisante sistas, especialmente dos dirigentes, e, so- na zelosa mente da organização do congres- constituir móbil para um ataque tão dema- endemia, saído do pavilhão de Espinho, irá bretudo, no espírito democrático que sem- so. No aparelho. Um curto circuito nos neu- gógico. Os jornalistas, tal como os magis- entrando na mente de muitos portugueses, pre foi apanágio do PS. rónios que coordenam o conceito desse trados, os médicos, os professores, os mili- os mais desprotegidos, os mais aflitos, os Salvo duas ou três excepções, todas as magno conclave, o momento por excelên- tares… parecem também apresentados menos informados, e fará desta ilustre casa intervenções ter-se-ão pautado por rasga- cia do debate e da confrontação de ideias e como corporação, como alvo a abater. lusitana um lúgubre e desconfortável lugar do panegírico ao “chefe”, algumas vezes de projectos, o momento do enriquecimento Só assim se entende a peregrina preocu- onde pensar será de doidos e onde falar tre- roçando as raias da subserviência. ideológico, transformou-o numa sessão so- pação de trazer a “decência” para a políti- sandará a sacrilégio. Este, o primeiro apagão – o dos delega- lene de consagração do “líder”. Toda a en- ca, para o estado. Como se a “decência” O quinto e último apagão será o da con- dos eleitos pelos vinte e sete milhares de cenação, ao milímetro e ao segundo, teria fosse algo que possuísse em abundância. veniência. Neste deserto de ideias e de pro- militantes. Faltou-lhes a isenção de espírito de pôr em evidência máxima o “vencedor”, Deveria começar precisamente por testar jectos consequentes, de desencontrada vo- e a coragem de, também, dizer o que vai o “sabedor”, “o condutor”, o “messias”. tal virtude nos diversos órgãos e patamares zearia, agiganta-se de novo o monolitismo mal na governação. Na justiça, na educa- Tudo se apagou perante o “chefe”. Apa- do no seu governo, de algumas esferas do do PS como única força capaz de enfrentar ção, na saúde, na segurança… Nem uma gou-se o partido. Até a luz da sala! partido que o sustenta e noutras em que a a crise. voz se ouviria a lembrar as angústias e as O terceiro apagão há muito que aconte- concomitância e a promiscuidade não raro Na hora da verdade, um profundo im- carências do meio milhão de desemprega- ceu no espírito de Sócrates. Um complexo transparecem. perativo levar-nos-á a desligar as luzes dos. Nem uma voz se soltaria a condenar apagão de memória, de clareza de princípi- O quarto apagão virá com a campanha das nossas convicções e a fazer sumir as promíscuas negociatas que vêm empes- os e de projectos, de alguns lapsos de cultu- eleitoral. O mote foi dado no congresso. na secreta escuridão da urna o voto da tando as relações entre o estado e certas ra democrática. De um especial respeito Sócrates sabe bem que não tem alterna- utilidade. franjas do sector financeiro. Nem uma voz pelos cidadãos. tiva credível que se lhe oponha. Num mo- Sócrates será, de facto, o maior! ousaria denunciar as prepotências de altos Só assim se compreende que, embora mento de crise em que os receios se avolu- Triste fado, o da nossa democracia! FILATELICAMENTE 1937 POIS... – 4º Centenário João Paulo da Morte Simões de Gil Vicente José d’Encarnação A personalidade de Gil Vicente suscita ainda algu- mas dúvidas. Isto porque há um ourives também Certamente também recebeu e-mail de indignação sobre o chamado Gil Vicente, cuja vida está documentada tema. Experimente, então, ir ao google e busque “aviso nº até 1517, autor da custódia de Belém (obra-prima da 11 466/2008”, documento dado como publicado na 2ª Série do ourivesaria portuguesa quinhentista) que realizou im- Diário da República nº 255 (6-11-2008). E pasmará com a portantes trabalhos para a corte. O principal argu- quantidade de bem sugestivas exclamações e frases adjecti- mento a favor da identificação do poeta com o ouri- vais (mais de 50!...) a que vai ter acesso: «genuinamente lusi- ves é um apontamento que alguém escreveu no sé- tano», «vota outra vez», «socialismo de plástico», «não era culo XVI à margem de um documento nomeando que às vezes não me tivesse já parecido», «não calarei a mi- aquele ourives Mestre da Balança da Casa da Moe- nha voz até que o teclado se rompa», «olhar à esquerda», da de Lisboa. Diz o apontamernto: Gil Vicente, tro- «coisas da tia: por estas e por outras é que existem coveiros vador, Mestre da Balança. cultos e assessores…»… O que se sabe de Gil Vicente, pode reduzir-se ao Tudo isso porque ali se daria conta da abertura de concurso seguinte: nasceu à roda de 1465, encenou a sua pri- para um cargo de «assessor» em organismo do Estado e o meira peça em 1502, foi colaborador do Cancionei- «método de selecção a utilizar» seria prova pública que apenas ro Geral de Garcia de Resende. Desempenhou na também um grande poeta. A sua obra é vasta e seria consistiria «na apreciação e discussão do currículo profissional corte a importante função de organizar as festas pa- impossível relatá-la toda aqui. do candidato». Em contrapartida, outro anúncio, da Câmara de lacianas, como por exemplo, da recepção em Lisboa (Parte deste texto foi baseado na História da Literatu- Lisboa, para lugar de coveiro, exigiria «prova de conhecimen- à terceira mulher de D. Manuel. ra Portuguesa, 12ª edição da Porto Editora de 1982). tos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 Publicou Gil Vicente ainda em vida, alguns dos Pensa-se que o poeta faleceu em fins de 1536, minutos», sobre deontologia profissional, exumações, traslada- seus autos, em folhetos de cordel que depois foram pouco se sabendo da sua biografia. ções, ossários, jazigos, columbários ou cendrários… reeditados. Destas edições, algumas foram proibidas Relativamente à Filatelia, foi celebrado nesta emis- Experimente o leitor a procurar esse Diário da Repúbli- pela Inquisição. Eis os títulos de algumas das obras são de dois selos: de $40, castanho escuro; e 1$00, ca. Verificará que o desse dia (II série) tem o nº 216. E tam- vicentinas: o Auto da Barca do Inferno, a Farsa carmim. Foram desenhados por Raquel Roque Ga- bém ficará a saber que um aviso com esse número realmente de Inês Pereira, e D. Duardos e o Pranto da Ma- meiro Ottolini com gravura de Arnaldo Fragoso. Im- existe: só que foi publicado no DR de 14 de Abril de 2008 (p. ria Parda. pressos na Casa da Moeda em folhas de 100 selos, 16 946) e refere-se… à nomeação definitiva de uma docente Estes autos tinham por objectivo satirizar a socie- em papel de porcelana denteado 11 ½, circularam de da Universidade da Madeira!... dade da época. Para além do teatro, Gil Vicente foi 29 de Julho de 1937 até 30 de Setembro de 1945.
    22. 22 OPINIÃO 6 DE MARÇO DE 2009 Coelho: à procura do livro perdido O povo olha desconfiado, nem sa- cou o que lhe pareceu mais adequado obra: “Fenomenologia do Ser”. bendo, por vezes, se há-de rir se há- a um fim de tarde mundano num café Espantado, o velho Sartre teve um Rui Namorado -de chorar. Se há-de rir com o humor de Paris: Sartre. Sartre, com o seu arrepio na alma e enviou o seu espec- (professor universitário) neoliberal do desfasamento completo perfume ousado de um existencialis- tro ao mundo dos vivos para conhe- http://ograndezoo.blogspot.com com a realidade, se há-de chorar com mo que a direita pode usar como um cer tão inesperada figura. De regres- a angústia ainda que remota de ver retoque de modernidade e ainda por so, o espectro sossegou a alma ator- Um dos coelhos lançado como le- um tão fogoso coelho destroçar o país cima com a vantagem de já não estar mentada do filósofo. bre, para fazer correr a Dama de Cin- e arruinar-lhes as vidas já tão difíceis. entre os vivos. E na vertigem da náu- “Não tem inportância. É só um can- za, é um exemplar liberal ainda jovem. Angustiado com o que ele pensa ser sea sartriana, o jovem coelho feito le- didato a líder do PSD! É como aquela Como acontece nas corridas a sério, a distracção popular, o azougado coe- bre inventou para Sartre uma nova história dos violinos e dos tomases”. uma vez ou outra, a lebre entusiasma- lho resolveu respirar um pouco de cul- se e ganha , ou tenta ganhar, a corrida. Talvez por isso, o dito coelho vai tura, sorver uns bons tragos de filoso- fia, adornar-se com a patine dos anos O Congresso do PS aflorando na comunicação social com 60. E se bem o pensou , melhor o fez. poses cada vez mais graves. É certo Na primeira oportunidade mediática, O XVI Congresso do PS foi mediaticamente distorcido, por um lado, talvez que amarrado a uma cartilha, que os reuniu algumas frases que lhe pare- como resultado do aproveitamento pretendido pela direcção do partido para últimos meses envelheceram cem ceram inteligentes, salteou-as com al- efeitos de propaganda, por outro lado, talvez em virtude da miopia política de anos, o dito coelho diz por vezes umas guns nomes de escritores e com algu- uma grande parte dos jornalistas, com base em cujas notícias, muitos dos cha- coisas, sobre o que diz pensar que mas discretas alusões a livros, e re- mados fazedores de opinião teceram comentários de uma superficialidade pró- deve ser o país, que parecem tiradas velou-se denso, profundo, complexo. xima do ridículo. de um filme dos irmãos marx. Mas, E inebriado pelo perfume chique des- Na verdade, os documentos políticos discutidos e as intervenções feitas nas justiça lhe seja feita: di-las sempre sa suave cultura, resolveu dar o reto- suas diversas sessões, foram quase totalmente ignorados, perante as duas mo- com ar grave e com uma voz ponde- que final, pôr a marca indelével do mentosas questões que afligiam os meios de comunicação social até ao paroxis- rada que parece vir directamente de patamar da exigência. Na modesta mo: Manuel Alegre vai ou não vai ao Congresso? Quem vai ser o cabeça de um cérebro atento, diligente e arguto. arca do seus filósofos preferidos, bus- lista do PS para a as eleições europeias? OPINIÃO Angola em Saragoça (VII) J.A. Alves Ambrósio culo XVII ou XVIII; as igrejas de N. S. que possível, emocionado, procurarei Ond- da Nazaré e N. S. do Cabo em Luanda jaki para o abraçar. O altaneiro espírito não Ao situar-se num espaço próprio que era (na ilha, esta); a frontaria da igreja e do é entendido por muitos – mas nem há outro a zona dos países europeus (salvo erro o colégio que foram, também, dos jesuí- caminho, nem a Angola será difícil segui-lo. que lhe ficava contíguo era o da Suécia e tas; o Hospital Maria Pia; alfaias religio- ... A clarividência e a ousadia, visto que não Portugal e a Alemanha não se encontravam sas; etc. etc. ignorará que, ainda no tempo de Diogo Cão, longe), em vez de incluída no espaço dos Não menos emocionante que este patri- o rei do Congo se convertera ao Cristianis- países africanos e Brasil, quer este espaço mónio material-espiritual é, para mim, a lín- mo e que as relações com o Congo foram próprio tenha sido opção deliberada, arranjo gua. Por pressão do Brasil avançou-se para estreitas, absolutamente amistosas e privi- diplomático ou mero acaso (hipótese esta a constituição da CPLP. Sucede é que a legiadas. que não parece nada fácil de aceitar), An- realidade linguística do Brasil está enforma- Ora, pelo que agora nos toca, Angola gola afirmou situar-se num mundo de de- da por uma servidão que lhe ficou na identi- deve, igualmente, ter presente que para a senvolvimento e absoluta confiança no fu- dade. Qual? A de centenas de milhares de carta que, em 1526, Dom Afonso dirigiu a turo. Mais. Enquanto, v.g., os pavilhões por- portugueses analfabetos que o colonizaram. D. João III, pedindo-lhe «bons mestres de tuguês e alemão se situavam ao nível do Depois, concluiu-se que, afinal, o idioma é gramática» para elucidar os súbditos em solo, Angola situava-se no primeiro andar. um PIB; e que, hoje, o Português é 17% do questões de fé, o soberano congolês esteve Perfeito! PIB mundial. O espírito e a cultura deviam três anos à espera de resposta. O D. João Do mundo que, oficialmente, se ex- estar à frente da economia (por a economia III que enviou humanistas para o estrangei- prime em português, Guiné-Bissau, S. não ser tratada como espírito é que esta- ro em cujo reinado se fundou o Colégio das Tomé e Príncipe e Timor não estavam mos no momento em que estamos), mas, mais íntimo de mim o canto sombrio das Artes, em Coimbra, é, aqui, o anti-exemplo. presentes em Saragoça; e Cabo Verde por um pérfido pragmatismo, antepôs-se a saudades. Será a voz antiga, a gota de san- Por um lado ocorre perguntar se, neste pre- e Moçambique tinham as suas explica- economia ao espírito. gue português que ascende do fundo dos ciso momento, Portugal está com horizon- ções noutros idiomas, do Francês ao Como Angola contém em si potenciali- tempos? O meu nome que remonta às suas tes, visão suficiente para ajudar Angola – Inglês (o Brasil estava em Português, dades para um protagonismo a nível mundi- fontes [Senghor de Senhor]?(...», ao afir- porque em S. Tomé e Príncipe não está claro). Com a naturalidade de quem res- al – e como, de resto, está no bom caminho mar, dizia, a sua ancestralidade portuguesa mesmo –, por outro afirmar que a socieda- pira, Angola exprimia-se em Português; no que toca à preocupação com a afirma- possa ser uma imarcescível referência para de civil portuguesa, a começar pelos letra- e eu não me cansarei de ver no opti- ção do Português intra-muros – deve avan- as autoridades da minha querida Angola. Re- dos, não pode ignorar esta questão. Pesso- mismo sem mácula e naquela espontâ- çar, logo ao nível do Liceu, com o ensino do corde-se que Senghor nasceu numa locali- almente ajudarei Angola, logo que me seja nea alegria e contagiante certeza no Grego e do Latim e, depois, na Universida- dade chamada Joal-La-Portugaise e que possível, com todas as minhas forças. futuro, por parte de quem nos recebia – de, constituir um emérito corpo de classicis- integrou a Academia francesa. Seria per- A pecha portuguesa de não dar à cultura me recebia – uma herança nossa, lusa. tas. Estou absolutamente certo que, caso feitamente ocioso recordar que os laços o que lhe é estritamente devido tem que Dos abomináveis traços do colonialis- assim o decida, de Américo Ramalho a entre Portugal e Angola são também – mul- superar-se; e quando acima falei da acção mo já falei – vivi no meio deles. Mas Rocha Pereira (ordem alfabética), v.g., es- ti-secularmente – de sangue. Mais. O ma- dos classicistas urge dizer que a consciên- também não esqueço – melhor: é uma tes nossos queridos e insignes académicos gistério do Latim e do Grego em Eton é uma cia da importância da filologia, da diacronia emoção que sempre preservarei – ou- sentir-se-ão muito honrados em colaborar. das mais absolutas causas da afirmação bri- da filologia, da semântica, da ortoépia e da tros aspectos. Quais? É muito meu emo- Estou a dizê-lo transbordante de convicção: tânica. prosódia, isso é premente obrigação. cionar-me com a Arte, donde mencio- um dos nomes maiores da sabedoria africa- O governo angolano terá, outrossim, a Assim Angola se imporá com um prestí- nar, tão--só, alguns exemplos: o altar- na do transacto século foi precisamente clarividência e a ousadia de proclamar, ci- gio ímpar, fomentando o Saber, o Humanis- mor em mármore e embutidos polícro- Senghor. tando Ondjaki, que «é preciso tirar as pala- mo e, ipso facto, estabelecendo os alicer- mos da capela-mor do templo que per- É também emocionante para mim que vras do dicionário». Esta asserção do poeta ces de um imponente edifício. Imaginar, tenceu aos jesuítas de Luanda, do sé- este humanista, ao afirmar que «Ouço no vibrou tão profundamente em mim que, logo ambicionar, visualizar o futuro.
    23. 6 DE MARÇO DE 2009 CINEMA 23 Por Filipa do Carmo A comichão dos sete anos filipa_do_carmo@yahoo.com exemplares vendidos, também há relação? Junte-se ao clube. Ou Num dos meus mais recentes momen- um algoritmo qualquer que relacio- Groundhog Day chamar-se “O tos de devaneio, dei por mim a traduzir na a absurdez do título de um filme Feitiço do Tempo”, The Whole literalmente títulos originais de filmes. com a sua probabilidade de se tor- Nine Yards ser “Falsas Aparên- Dos clássicos infindas vezes elencados nar um êxito (se não há, já alguém cias” e a obra-prima dos irmãos em topes de “Filmes que não pode dei- devia ter pensado nisso). Por Marx, Duck Soup, “Os Grandes xar de ver antes de morrer, pintar o ca- exemplo, qualquer pessoa que sai- Aldrabões”. A explicação possí- belo ou subscrever o canal Benfica”, aos ba dizer o seu nome e idade em in- vel: a tradução é uma arte e a ilustres desconhecidos, passando por glês sabe que “Crepúsculo dos Deu- criatividade é um atributo funda- películas de qualidade duvidosa distribu- ses” não é a tradução literal de mental no tradutor. ídas à laia de brinde, quais palas de sol Sunset Boulevard, mas soa bem Apesar do cenário catastrófico e para o carro, é comum encontrar autên- melhor que “Bulevar do Pôr-do- distópico, nem tudo está perdido. Ain- ticas pérolas. Mais: apercebi-me que se Sol” (parece nome de bar de alter- da há exemplos de boas traduções existem títulos que ao serem traduzidos ne). O filme até está engraçado, no mundo da 7ª Arte: Pulp Fiction é para Português perdem toda e qualquer conta com uma dupla de verdadei- “Pulp Fiction”, Casablanca é “Ca- semelhança com o original, outros há em ras estrelas (Gloria Swanson e Wi- sablanca”, Psycho é “Psycho” e que se a tradução fosse literal estava lliam Holden) mas com um nome Taxi Driver é “Taxi Driver” (e não garantido o fiasco da respectiva obra. assim não ia longe. “Taxista”, dêmos graças). No meio Quem perderia um segundo que fos- Depois temos as traduções ab- de toda esta embrulhada bilingue, ain- se do seu precioso tempo para ir ver “O surdas, aquelas que me deixam da sobreviveu intocada uma estrela: Silêncio dos Cordeiros” (The Silence of com a sensação de que se trata de Marilyn Monroe. Onde quer que se the Lambs)? Sim, aquele com a Jodie um filme completamente diferente encontre estará, indubitavelmente, Foster que ganhou Óscares e tudo… do original. Um dos meus clássi- Marilyn Monroe e “The Seven Year Itch” grata por não ter sido protagonista de Porque se é verdade que o nível de piro- cos favoritos é It’s a Wonderful “A Comichão dos Sete Anos” (“O sice e foleirice da capa de um disco é Life de Frank Capra. Foi com um cobri que o título em Português é “Do Pecado Mora ao Lado”, no original inversamente proporcional ao número de misto de incredulidade e horror que des- Céu Caiu uma Estrela”. Não encontra a The Seven Year Itch). cinema Pedro Nora Kate Winslet: “A Melhor Actriz” Realizou-se há dias a 81ª Entrega dos car a título póstumo. Óscares, cobiçados prémios da Acade- Jerry Lewis, actor e comediante da mia. A cerimónia decorreu (como é cos- era de ouro de Hollywood recebeu o tume) no Teatro Kodak em Los Ange- Óscar honorário Jean Horsholt, pelo seu les, estando a apresentação a cargo do trabalho humanitário. No campo da ani- Um filme “bilionário” em Óscares: uma dezena deles mação, os estúdios Pixar foram os gran- não teve tanta sorte. Apesar de ter tido des vencedores com o seu filme “Wall- 13 nomeações, tal número provou ser E” a ganhar o prémio de Melhor Filme azarado para o filme, que só conseguiu de Animação. “Man on Wire”, docu- levar 3 Óscares, todos de natureza téc- mentário realizado por James Marsh que nica, sendo o grande perdedor da noite retrata o feito de Phillipe Petit em pas- (foi-lhe, porém, justamente atribuído o sar entre as duas torres do World Trade prémio para Melhores Efeitos Visuais). Center por equilibrismo em 1974, ganhou No que respeita aos actores, Penélo- o Óscar de Melhor Documentário. O fil- pe Cruz recebeu o prémio de Melhor me tem estreia prevista para Março. Por Actriz Secundária pelo seu trabalho em sua vez, o filme “Orokubito”, de Yoshiro Sean Penn: “O Melhor Actor” Takita, vencedor do Óscar de Melhor “Vicky Cristina Barcelona”, enquanto Heath Ledger: “Óscar” póstumo Filme Estrangeiro, ainda não tem data de Kate Winslet, graças ao seu trabalho no estreia prevista. Parabéns a todos os actor australiano Hugh Jackman. O fil- filme “O Leitor”, ganhou finalmente o vencedores! me vencedor da noite foi “Quem Quer Óscar de Melhor Actriz (à sua sexta Ser Bilionário?”, que conseguiu arreca- nomeação) e uma das maiores ovações dar o total de 10 Óscares, entre os quais da noite. Sean Penn recebeu o Óscar de se incluem Melhor Filme, Melhor Reali- Melhor Actor pelo seu desempenho em zador (para Danny Boyle), Melhor Ban- “Milk” (filme que também recebeu o da Sonora (que esteve a cargo do músi- prémio para Melhor Argumento Origi- co indiano A.R. Rahman) e Melhor Ar- nal), enquanto Heath Ledger ganhou o gumento Adaptado (Simon Beaufoy, que Óscar de Melhor Actor Secundário pelo adaptou o livro da autoria de Vikas Swa- seu trabalho como Joker em “O Cava- rup). leiro das Trevas”. Ledger, falecido em “O Estranho Caso de Benjamin But- Janeiro de 2008, junta-se assim a Peter Penélope Cruz: “Melhor Actriz Secundária” ton”, último trabalho de David Fincher, 13 nomeações mas só 3 Óscares Finch como actor que ganhou um Ós-
    24. 24 FEIRA DO DISCO 6 DE MARÇO DE 2009 DE 7 A 14 DE MARÇO, NA PRAÇA DA REPÚBLICA Feira do Disco em Coimbra Abre em Coimbra no próximo sábado Mário Nunes, “é um dos mais importantes (uma vez estarem em vias de extinção), os ção de fonogramas-não-musicais, que divul- (dia 7 de Março), pelas 11 horas, a sétima eventos de divulgação musical realizados materiais comercializados na Feira, que ul- gam áreas como a Poesia, Depoimentos, o edição da “Feira do Disco”, instalada, tal pela Câmara Municipal de Coimbra e dos trapassam as 50 mil unidades, vão desde o Cinema, além de uma mini feira do livro. como nos anos anteriores, numa tenda gi- principais do País, neste sector”. vinil (cerca de 7 mil, de 78, 45 e 33 rota- O Vereador Mário Nunes afirma, a pro- gante na Praça da República. Para res- Pela primeira vez encer- pósito da Feira: ponder aos êxitos precedentes, a Feira des- ra à hora do jantar, pratican- “O evento constitui uma te ano tem um período mais alargado, es- do um horário de funciona- excelente oportunidade para tando a funcionar durante uma semana (até mento entre as 11h00 e as que os cidadãos conimbricen- 14 de Março). 19h30 e entre as 21h00 e as ses e outros, que se deslocam Trata-se de um certame com relevo na- 23h00. No último dia (sába- a Coimbra, sobretudo, colec- cional e muito interessante para todos os do, 14) o recinto estará aber- cionadores (espera-se que apreciadores de música, sejam quais forem to ao público das 11h00 às venham mesmo alguns da vi- os géneros de que gostem, as épocas que 20h00, encerrando, por isso, zinha Espanha), possam ini- procuram e os suportes que preferem. mais cedo que nos dias an- ciar ou completar colecções De facto, desde os melómanos coleccio- teriores. discográficas ou, ainda, tro- nadores que ali podem descobrir velhos dis- De acesso gratuito, pre- car e/ou vender os velhos dis- cos em vinil, até aos jovens que apreciam a vê-se que afluam à Feira do cos, que já não ouvem, por música mais “pesada”, todos terão boas hi- Disco milhares de visitantes, CD recentes, a preços mais póteses de encontrar, por preços acessíveis, vindos expressamente de reduzidos que os praticados os discos da sua preferência. todo o País. Participam no nos estabelecimentos comer- De acordo com a organização, “à venda evento uma dezena de ex- ciais. Na Praça da Repúbli- vão estar discos vinil, CD’s e DVD’s de positores, oriundos de Lis- ca, encontram-se desde an- todos os estilos, como música clássica, jazz, boa, Porto, Odivelas, Pare- tiguidades a novidades, edi- étnica, country, blues, pop, rock, hard and de, Maia e Pinhal Novo, entre armazenistas ções) ao CD (40 mil) e DVD musicais (5 ções especiais ou outras raridades fonográ- heavy, punk, entre outros”. e/ou lojistas da área. O certame tem a par- mil), passando por outros produtos alusivos ficas”. A Feira é uma iniciativa do Departamen- ticularidade de, pela primeira vez, renovar à música (como T-shirts, pins, etc.). E Mário Nunes concluiu: to de Cultura da Câmara Municipal de Co- os stands, que se manterão na Feira apenas Os produtos expostos abrangem, como “A Feira do Disco é uma iniciativa que imbra, (através da Biblioteca Municipal - por um período de 3 ou 4 dias cada, e não atrás se refere, os mais variados géneros atinge, pelas suas características, um públi- Fonoteca), sendo produzida por João Almei- no decurso de todo o evento, o que aumen- musicais, sobretudo a Música Erudita, Jazz, co há muito fidelizado, resultando em mais da e Custódio Simão. tará a diversidade da oferta. World, Rock, Música Portuguesa, Funcio- um importante evento de dinamização e frui- Como sublinha o Vereador da Cultura, Com uma forte aposta nos discos vinil nal, etc. Mas proporciona também a aquisi- ção cultural da Região Centro”. Faça uma assinatura do “Centro” e ganhe valiosa obra de arte APENAS 20 euros POR ANO Esta é a reprodução da valiosa obra original (LEIA NA PÁG. 3) de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente, quando fizer a assinatura do jornal CENTRO

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