DIRECTOR    JORGE CASTILHO




| Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia |
Autorizado a circular em invólucro
de plástico fe...
2       NACIONAL                                                                                                         1...
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                               ...
4        MUNDO ANIMAL                                                                                                    1...
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                               ...
6       INTERNACIONAL                                                                                                     ...
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                               ...
8 OPINIÃO                                                                                                                 ...
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                               ...
10            CRÓNICA                                                                                arte em café
        ...
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
O Centro - n.º 64 – 17.12.2008
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

O Centro - n.º 64 – 17.12.2008

1,182

Published on

Versão integral da edição n.º 64 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 17.12.2008.

Visite-nos em www.ismt.pt, www.youtube.com/youtorga, http://torgaemsms.blogspot.com, http://diarioxii.blogspot.com, http://torgaemsms2.blogspot.com, http://mapastorga.blogspot.com/
~~~~~~~~~
Site oficial de Dinis Manuel Alves: www.mediatico.com.pt
Encontre-nos no twitter (www.witter.com/dmpa) e no facebook (www.facebook.com/dinis.alves).
Outros sítios de DMA: www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/camarafixa, http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2, http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/3 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , www.mediatico.com.pt/redor/ ,
www.mediatico.com.pt/fe/ , www.mediatico.com.pt/fitas/ , www.mediatico.com.pt/redor2/, www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm, www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm , www.mediatico.com.pt/nimas/
www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , www.mediatico.com.pt/luanda/, www.slideshare.net/dmpa , www.panoramio.com/user/765637

Published in: News & Politics
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
1,182
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
3
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "O Centro - n.º 64 – 17.12.2008"

  1. 1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 64 (II série) 17 a 30 de Dezembro de 2008 1 euro (iva incluído) O “novo” Mosteiro de Santa Clara-a-Velha Reabre hoje ao público o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, um dos mais importantes monumentos de Coimbra, PÁG. 3 inundado pelo Mondego durante séculos, o que o viria a preservar de forma notável, como poderá ser apreciado pelos visitantes JÓIA DE COIMBRA PRENDA DE NATAL NA SEXTA-FEIRA PGR INVESTIGA Museu Adopte Entrega Venda Machado um amigo do “Prémio de prédio de Castro no Canil Robalo dos CTT vai reabrir Municipal Cordeiro” de Coimbra PÁG. 5 PÁG. 4 PÁG. 17 PÁG. 11
  2. 2. 2 NACIONAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 Rotary Club de Coimbra/Olivais recebeu visita do Governador O Rotary Club de Coimbra/Olivais re- imbra, agradecendo a recepção caloro- cebeu anteontem (segunda-feira), a visi- sa que lhe fora feita. ta do Governador do Distrito Rotário a Recordou depois os objectivos do que pertence, Henrique Maria Alves. movimento rotário internacional, cujo Durante a visita foram tratadas diver- lema manda que se pense primeiro no sas questões relacionadas com o movi- seu semelhante, e aludiu à obra que tem mento rotário e, especificamente, com as sido levada a cabo em todo o Mundo, acções de solidariedade que têm vindo a nomeadamente nos campos da saúde, do ser desenvolvidas, e outras que estão pla- combate à fome, na defesa dos direitos neadas, pelo Rotary Club de Coimbra/Oli- da criança. Destacou, como exemplo, o vais, presidido por Maria Helena Goulão. combate à poliomielite, referindo, como A encerrar a visita, efectuou-se o jan- curiosidade, que a comunidade muçulma- tar de confraternização alusivo ao Na- na, ao contrário do que antes sucedia, já tal, em que participou também o Gover- está a aceitar vacinas provenientes dos nador e elementos de outros clubes ro- Estados Unidos da América. tários. Henrique Maria Alves congratulou-se Depois do ritual de saudação às ban- depois com a intensa actividade solidá- deiras (Nacional, de Coimbra e do Clu- ria que o Rotary Club de Coimbra/Oli- be anfitrião), a Presidente Maria Helena vais tem em curso, citando, como exem- Goulão saudou os presentes, com desta- plo, os casos do apoio à Casa dos Po- que para o Governador e sua Mulher, bres, à Escola da Pedrulha, ao Centro referindo a acção de solidariedade que de Apoio à Terceira Idade de S. Marti- esta última tem em curso, destinada a nho do Bispo. angariar fundos para apoiar obras meri- Sublinhou, por último, que os membros tórias em países africanos. do movimento rotário devem fazer o im- O Governador Henrique Maria Alves possível para realizar os sonhos do seu Maria Helena Goulão, Presidente do Rotary Club de Coimbra/Olivais, José Ribeiro Ferreira, do Rotary Club de Coimbra, Henrique Maria Alves, do Rotary Clube das usou depois da palavra para manifestar semelhante, para assim concretizarem os Antas-Porto e Governador do Distrito Rotário 1970, e Albertino Sousa, do Rotary o seu regozijo por se encontrar em Co- seus próprios sonhos. Club de Coimbra/Olivais, na cerimónia de saudação às bandeiras Governo concede tolerância de ponto a 24 de Dezembro O Governo deliberou conceder tole- pacho do primeiro-ministro, José Sócra- rância de ponto a 24 de Dezembro e, em tes, ontem divulgado. alternativa, a 26 de Dezembro e 2 de No despacho, o chefe do Governo Janeiro, aos funcionários e agentes do justifica que “é tradicional a deslocação Estado, dos institutos públicos e dos ser- de muitas pessoas para fora dos seus viços desconcentrados da Administração locais de residência no período natalí- Central. cio, tendo em vista a realização de reu- A tolerância de ponto consta num des- niões familiares”. “É concedida tolerância de ponto no próximo dia 24 de Dezembro e, em al- ternativa, nos dias 26 de Dezembro ou 02 de Janeiro, aos funcionários e agen- Director: Jorge Castilho tes do Estado, dos institutos públicos e (Carteira Profissional n.º 99) dos serviços desconcentrados da admi- nistração central”, refere o despacho do Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 primeiro-ministro. Ficam excluídos da tolerância de pon- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho to “os serviços e organismos que, por ISSN: 1647-0540 razões de interesse público, devam man- ter-se em funcionamento naquele perío- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 do em termos a definir pelo membro do Composição e montagem: Audimprensa Governo competente”. Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra No entanto, os funcionários que terão Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 de estar a trabalhar nos dias de tolerân- cia de ponto poderão beneficiar posteri- e-mail: centro.jornal@gmail.com ormente de uma “equivalente dispensa Impressão: CORAZE do dever de assiduidade (...) em dia ou Oliveira de Azeméis dias a fixar oportunamente” pelos res- Depósito legal n.º 250930/06 pectivos “dirigentes máximos dos servi- Tiragem: 10.000 exemplares ços e organismos”.
  3. 3. 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 UM IMPONENTE MONUMENTO QUE O RIO MONDEGO SACRIFICOU Mosteiro de Santa Clara-a-Velha reabre hoje Esquecido durante séculos, em ruínas desta altura já será possível uma visita à riquíssimo associado a Isabel de Ara- ológica do espaço se mantém intacta. devido à invasão das águas do Monde- ruína e assistir à projecção do filme “Me- gão e a Inês de Castro”, sublinhou o A nível paisagístico, com o enquadra- go, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, morial à Água”, ocorrendo a abertura arqueólogo. mento do Polis, a intervenção “foi trans- em Coimbra, agora requalificado, vai ser oficial em data a anunciar mais tarde. Contar a história do mosteiro e das versal”, proporcionando sempre um olhar hoje (quarta-feira) devolvido à cidade, Proporcionando uma viagem ao pas- freiras que nele viveram, numa perspec- sobre o mosteiro. recriando o universo das monjas que o sado, ao universo das monjas que lá vi- tiva que não será apenas religiosa, é pos- Pensado para público e investiga- habitaram ao longo da história. veram, o Mosteiro, agora devolvido à ci- sível graças aos imensos materiais reco- dores, o centro interpretativo consis- Iniciado no final do Século XIII para dade no âmbito do projecto da Direcção- lhidos das escavações arqueológicas, te num edifício de mil metros quadra- acolher as freiras clarissas, o convento Regional de Cultura do Centro, vai cons- num trabalho que envolveu especialistas dos, com funções museológicas, do- feminino fundado pela Rainha Isabel de tituir mais um importante pólo de anima- das áreas da antropologia, arqueologia, tado de um auditório, salas de exposi- Aragão, que o escolheu para passar o ção cultural e atracção turística. história de arte, biologia, engenharia e ções, uma loja e uma cafetaria volta- resto da vida, travou ao longo dos sécu- Face à importância da ruína e dos “es- geologia, entre outras. da para o monumento (que será ex- los uma batalha inglória com o alagamen- pólios riquíssimos” nela colectados por Mas os espólios recolhidos permitem plorada pelo Hotel Quinta das Lágri- to provocado pelas cheias do Rio Mon- uma vasta equipa de especialistas de di- reproduzir também a origem das freiras, mas), num espaço onde o elemento dego, que o arruinaram e levaram ao seu versas áreas e resolvido o problema do oriundas da nobreza, através, nomeada- água está sempre presente. abandono. alagamento com a construção de uma mente, das campainhas de serviçais en- “O centro pretende acolher as pesso- Objecto, desde 1991, de um ambicio- cortina periférica (uma estrutura enter- contradas, entre vários objectos, numa as numa perspectiva de acolhimento di- so projecto de recuperação e valoriza- rada que permite proteger todo o recinto viagem à vida mundana da época. ferente, conjugando o passado e o pre- ção da ordem dos 7,5 milhões de euros, e a área de reserva arqueológica), foi “Este projecto faz parte de um per- sente numa harmonia sumptuosa. Ten- o Mosteiro abre hoje parcialmente ao decidido edificar um centro interpretati- curso de persistência, exigência e muita tou-se personificar os actores deste uni- público, dotado com um moderno centro vo que vai acolher a “história do sítio” – paixão. Foi alterado constantemente face verso monástico, saber o que comiam, o interpretativo – como revelou hoje à explicou Artur Côrte-Real. às especificidades do sítio. O objectivo que bebiam, dando a vivência da comu- agência Lusa o coordenador da interven- “Para além do olhar sobre a beleza foi não danificar a ruína, minimizar os nidade e não centrando toda a história ção, Artur Côrte-Real. plástica do monumento, queremos que efeitos da empreitada”, disse Artur Côr- na figura da Rainha Santa Isabel”, disse Segundo este responsável, a partir os visitantes conheçam este universo te-Real, ao realçar que a potência arque- ainda Artur Côrte-Real. ORIGINAL PRENDA DE NATAL POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta de Natal a um Ami- simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço go, a um Familiar ou mesmo para si mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: próprio: uma assinatura anual do gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com jornal “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  4. 4. 4 MUNDO ANIMAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” Um grande amigo como prenda de Natal O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- muito triste e tremendamente injusto). nas custam uns minutos na deslocação, para aranimal@gmail.com segue uma campanha intitulada “Adop- Aproxima-se a época de Natal, e é sabi- escolher um companheiro (ou companhei- ou consultar o site Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem do como os tempos de crise que se atraves- ra) para a vida, que será sempre fiel e de www.cm-coimbra.pt/741.htm um animal no Canil Municipal”. sam tornam mais complicada a aquisição uma enorme dedicação e em troca apenas Os dias e horas especificamente desti- Trata-se de uma iniciativa muito meritó- de prendas, sobretudo para a miudagem. pede um pouco de atenção e de carinho. nados às adopções são os seguintes: ria, que permite que pessoas que gostam de Ora a verdade é que um cão ou um gato O Canil/Gatil Municipal fica no Campo - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; animais ali possam ir buscar um fiel compa- é sempre um presente bem recebido, desde do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. nheiro, sem nada pagarem por isso. que a pessoa a quem ele se oferece goste mais esperam, ansiosos, por uma nova casa Excepcionalmente, também este São muitos os cães (e também alguns de animais, não os encare como um brin- e uma nova família. sábado, das 14 às 18 horas. gatos) que esperam que gente com bom quedo ou um objecto e tenha condições mí- Os interessados em obter mais informa- Abaixo vêem-se alguns dos bons aami- coração os vá adoptar, tendo como recom- nimas para deles tratar convenientemente. ções podem ligar para o telemóvel 927 441 gos de 4 patas que estão à espera de que pensa conquistarem um amigo para toda a Se for o caso, está encontrada uma ex- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl alguém queira aproveitar todo o carinho que vida, já que estes animais rapidamente se celente forma de dar prendas de Natal de (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do têm para dar. adaptam aos seus novos donos (que, para enorme valor (basta ver os preços nas lojas telefone 239 493 200. Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz além do mais, os estarão a poupar a um fim de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape- Podem também enviar um e-mail para um destes que esperam por si. A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes muito bonitos e é uma O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos, A Cookie é uma cadelinha com cerca de excelente mãe. È também muito meiga e castrado, que foi entregue no canil pelo 1 ano, de porte pequeno, muito meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e dono. Como todos os cães entregues no O TOMMY também foi abandonado calminha. Tem a particularidade de ter deve ser uma boa cadela para ter em canil pelos donos é um pouco triste. é um cão muito engraçado, tem uns um olho castanho e outro azul clarinho apartamento Mas que voltará a alegrar-se quando olhos tiver novo dono muito bonitos e tem cerca de 1 ano de idade O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade foi encontrado abandonado e é muito meigo O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno, abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo, e quando ganha confiança com as pessoas é muito brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho O RALPH foi encontrado abandonado e estava muito magro, condição que ainda mantêm embora já tenha melhorado. Tem cerca de 2 anos e é muito meigo A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que teve bebés e que já O SPEEDY é um podengo, estava foram adoptados. Ela ainda espera que abandonado alguém a adopte! È uma ternura, muito e tem 8 meses. meiga e adora saltar para o nosso colo! É muito brincalhão e muito atento Cativa qualquer pessoa a tudo o que se passa à sua volta
  5. 5. 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 COIMBRA 5 VAI REABRIR EM JANEIRO Escavações no Museu Machado de Castro trazem nova luz sobre período romano Escavações no Museu Nacional de lógicos, e aprofundar o conhecimento do Machado de Castro desvendaram novos Fórum claudiano e malha urbana envol- dados sobre a Coimbra romana, de há vente. 2.000 anos atrás, que em Janeiro próxi- O projecto de arquitectura, da autoria mo serão mostrados ao público. de Gonçalo Byrne, além de procurar uma As pessoas vão poder passear pelas coerência entre o edifício do museu com extensas galerias dos dois pisos do crip- as novas construções, procurou articu- topórtico romano, que há dois milénios lar entre si um conjunto de preexistênci- os cidadãos da Aeminium também utili- as arquitectónicas, desde o criptopórtico zariam, para aproveitar da sua frescura romano até ao paço episcopal, passando em dias muito calor. pelos vestígios românicos da igreja de São Escavações realizadas no âmbito das João de Almedina e do seu claustro. obras de requalificação e ampliação do O novo espaço edificado, que dupli- museu, ao longo dos últimos dois anos, cará a área do museu, albergará galeri- permitem agora reconstituir virtualmen- as de exposições, as reservas, uma ca- te – e pela primeira vez – o que foi o fetaria-restaurante panorâmica, com antigo fórum da época de Claudio, e re- acesso independente, e os serviços ad- velar a sua monumentalidade. ministrativos, estes ligados por uma pas- “Finalmente o criptopórtico vai ter a sagem sob uma rua. projecção que merece, porque é um edi- Um dos espaços emblemáticos do fício notável. Esta é sem dúvida uma Aspecto parcial do magnífico criptopórtico romano “novo” museu, além do criptopórtico ro- das mais notáveis obras da arquitectu- versidade de Coimbra. mano, será a Capela do Tesoureiro, da ra romana em Portugal que subsis- malha urbana da “Alta” da cidade. autoria de João de Ruão (século XVI), Segundo o especialista, trata-se da Uma zona escavada revelou a parte tem”, declarou à agência Lusa o ar- obra de um arquitecto, presumivelmente que foi trasladada nos anos 60 da antiga queólogo Pedro Carvalho, coordenador externa do Fórum e permitiu aprofundar igreja de S. Domingos, na Rua da Sofia, de Caius Sevius Lupus, muito engenho- o conhecimento as redes de água e de das escavações. so, na forma de conceber o espaço. As onde hoje existe um centro comercial. De grande monumentalidade, com esgotos romanas, com um condutor de Segundo a Directora do museu, Ana duas galerias sobrepostas foram implan- grandes dimensões, “muito bem conser- dois pisos e uma área de implantação de tadas no terreno submetendo-se a um de- Alcoforado, a nave da capela será exibi- cerca de 2.800 metros quadrados, o crip- vada e articulada”, no qual uma pessoa da como uma peça de exposição, e como senho geométrico, com medidas muito pode circular no seu interior, e para o qual topórtico serviu para superar o declive certas, articulando formas e volumes, espaço onde serão mostrados os retábu- da zona onde foi implantado o Fórum de ainda vazavam algumas habitações das los da renascença. A capela será envol- “aliando as principais características da imediações do criptopórtico. Aeminium, em meados do século I A. arquitectura romana, de edifícios muito vida pela escultura em pedra pré-româ- C., assumindo-se como o centro social, A conduta de água iria entroncar no nica, românica e gótica. robustos, muito funcionais, e ao mesmo antigo aqueduto romano, junto ao Jardim político e cultural da civitas romana. Quando reabrir, o público poderá ain- Botânico, que o rei D. Sebasti- da aceder a um conjunto de recursos ão mandou reconstruir e hoje é baseados em novas tecnologias, para popularmente conhecido como uma compreensão global do espólio do “Arcos do Jardim”. museu, e para fomentar a interacção com Foi ainda descoberta uma escolas. fonte monumental que estaria Haverá audio-guias, para orientar os implantada na fachada do Fó- visitantes nos percursos pelas exposi- rum, e seria ladeada por uma ções, a possibilidade de visita virtual e praça. Este e outros achados do um conjunto de informação em folhetos período claudiano, em resulta- e publicações para mostrar a dimensão do do projecto de requalificação do espólio, que a directora considera ser do museu, vão estar visíveis a o segundo a nível nacional. quem circular na rua. Após a reabertura parcial em Janeiro, Com a abertura do cripto- ao longo de 2009 será executado o pro- pórtico romano, em Janeiro, jecto museológico, com vista à reabertu- será também inaugurada a ex- ra da totalidade dos espaços expositivos. posição “De Fórum a Museu. Em 2010 deverá ficar concluído o audi- Permanências”, que se man- tório do museu, na Igreja de S. João de terá visitável até à reabertura Almedina. total do museu, a dar conta dos Para 2011 já está a ser preparada uma trabalhos arqueológicos reali- programação especial evocativa do cen- zados e a explicar as obras de tenário da fundação do Museu Nacional Ana Alcoforado num dos locais do Museu onde decorrem as obras requalificação e ampliação aí de Machado de Castro. realizadas. Ana Alcoforado quer que o “novo” “Foi possível encontrar mais estru- A requalificação do Museu Nacional museu seja “um espaço público de cida- tempo muito belos”. de Machado de Castro, iniciada em Ou- turas do criptopórtico e do Fórum de Os trabalhos arqueológicos aí realiza- dania, arte e cultura”, recriando as fun- Aeminium, que nos permitem agora, tubro de 2006, englobou novas edifica- ções de fórum da Aeminium, de há 2000 dos no âmbito do projecto de requalifi- ções em zonas anexas, onde antigamen- pela primeira vez, propor uma imagem cação e ampliação do arquitecto Gonça- anos atrás. virtual do que seria o edifício romano te existiam casas de habitação, que ao lo Byrne, possibilitaram um melhor co- longo dos anos foram sendo expropria- há dois mil anos atrás”, revelou o ar- nhecimento do edifício e das suas muta- Texto de Francisco Fontes queólogo, igualmente docente da Uni- das para desenvolver trabalhos arqueo- e fotos de Paulo Novais (Lusa) ções ao longo do século, bem como da
  6. 6. 6 INTERNACIONAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 A Casa Europeia 40 anos depois veitada amiúde pela parte que se conside- tante politização da economia, reflectindo ra vencedora da «guerra fria». Era impos- um baixo nível de confiança geral. Fiodor Lukyanov * sível alterar formalmente as regras do jogo, Em terceiro lugar, a defesa da demo- e o fosso entre a letra e o espírito continu- cracia e dos direitos do homem é uma gran- Em 10 de Dezembro o Prémio Nobel ava a aumentar. de conquista do processo europeu. Para a de Paz foi entregue a Martti Ahtisaari. O maioria dos países membros da OSCE, in- ex-primeiro-ministro finlandês recebeu em HELSÍNQUIA-2 cluindo a Rússia, seria útil reafirmar o seu Oslo este maior galardão político pelo seu apego a estes princípios. Mas a ideia de- empenho na solução de conflitos locais em Moscovo encontra-se numa situação mocrática deve ser protegida não apenas vários recantos do planeta. Mas, a opinião complexa. Depois da queda da URSS, a de atentados autoritários, mas também da pública mundial entendeu o acto como um Rússia defendia o status quo, pois queria sua instrumentalização em nome de objec- prémio especial pelo contributo do finlan- reter algo do património geopolítico. Via de tivos geopolíticos, o que acontece nomea- dês para o caso do Kosovo. regra, os mais activos defensores do direi- damente sob a capa de «avanço da demo- O Prémio Nobel de Paz é sempre um to internacional são os países que não po- cracia». indicador da pulsação do sistema interna- dem alcançar os seus objectivos por meio Do ponto de vista do bem-estar geral, a cional. A escolha deste ano é um sintoma de força, e vice-versa. iniciativa de Moscovo mereceria ser apoi- muito característico: foi distinguido o plano Nos últmos dois anos, a Rússia, como ada. Mas surge a pergunta: será vantajoso de solução que nunca chegou a ser aceite, se vê, evoluiu para o revisionismo: come- para a Rússia iniciar o processo Helsín- ou seja, falhou, contribuindo para acções çou a alterar as regras vigentes. Moscovo quia-2? Aliás, o processo que levou para a violadoras do direito internacional. Também critica duramente a OSCE, anunciou uma Acta Final da Conferência sobre Seguran- criou um precedente prenhe de graves moratória sobre a participação no Tratado ça e Cooperação na Europa, assinada em Martti Ahtisaari consequências. O ano de 2008 decorreu sobre as Forças Convencionais na Euro- 1975, foi longo e atormentado. sob o signo de reconhecimentos de inde- pa, recusou-se a ratificar o acordo para a pendência ilegais: primeiro do Kosovo, e Carta Energética e reconheceu unilateral- uma confirmação abalizada dos acordos O OCIDENTE NÃO ESTÁ depois da Abcásia e da Ossétia do Sul. Isto mente a independência de duas repúblicas conseguidos há quase 40 anos. PRONTO A DIALOGAR é, foi violada a integridade territorial res- caucasianas. Moscovo insiste em alterar pectivamente da Sérvia e da Geórgia. as regras do jogo e renovar a arquitectura A VELHA NOVA AGENDA A Rússia de hoje tem muito menos ins- da segurança europeia. trumentos políticos que a ex-URSS. Mos- ENTRE A LETRA No entanto, uma análise atenta da polí- Em primeiro lugar, trata-se do equilíbrio covo tem falta de aliados e a sua depen- E O ESPÍRITO tica russa leva-nos a uma conclusão paro- e da confiança na esfera da segurança. dência dos factores externos é grande. A doxal. Apesar dos gestos bruscos, Mosco- No ano passado fracassou a tentativa da eficácia do aparelho de gestão estatal e a Um traço distintivo dos últimos anos tem vo continua a ser (a Abcásia e a Ossétia Rússia de promover um debate, no quadro rectaguarda socioeconómica deixam mui- sido a crescente contradição entre as re- do Sul são apenas uma excepção) fiel da OSCE, sobre o problema do Tratado to a desejar. gras internacionais, à primeira vista não adepto do status quo, mas daquele que já sobre as Forças Convencionais na Euro- Vale a pena, nesta situação, lutar por uma contestadas, e os novos princípios usados não existe. Na verdade, a Rússia tenta pa. Os parceiros recusaram-se a fazê-lo revisão cardinal das regras do jogo, cor- por alguns países nas suas acções reais. voltar aos princípios revistos de facto após pois a OSCE perdeu, faz muito, este as- rendo um risco de piorar, em vez de me- Depois da «guerra fria», as instituições – a «guerra fria». pecto da sua actividade. Desde os anos lhorar, o status quo? as organizações internacionais e as normas Pode-se afirmar que as ideias do Presi- 90, as grandes potências da Europa e os Que o planeta precisa de «uma nova legais – quase não sofreram mudanças. dente Medvedev, avançadas este Verão em EUA afirmam que a NATO é a melhor ordem mundial», nunca surgida após a Mas, estando formalmente em vigor, en- Berlim, são, de facto, uma repetição do garante da segurança do Velho Mundo. guerra fria, não há dúvidas. Mas existem contram-se deformadas. Diluíram-se con- conteúdo da Acta Final da Conferência de Um outro problema são as fronteiras. dúvidas de que as grandes potências, no- ceitos básicos tais como a soberania, a in- Helsínquia de1975. É verdade, porém, que De novo é precisa a sua confirmação,pois meadamente as ocidentais, têm a consci- tegridade territorial, os critérios de uso de devido às divergências entre a base legal e o mapa europeu mudou por mais de uma ência disso e estarão prontas a encetar um força. política real, estes princípios precisam de vez desde a Acta de Helsínquia. Entre os sério diálogo. Sem esta consciência é difí- Apareceram, embora não consagrados uma nova legitimação. Nos anos decorri- países no espaço pós-soviético não há ne- cil, ou quase impossível, perspectivar ob- pelo direito nternacional, novos conceitos dos desde então, o Velho Mundo mudou nhum (a Rússia inclusive) que possa afir- jectivos a longo prazo. Embora isto não deva – intervenção humanitária, força suave irreconhecivelmente, sendo necessário res- mar que as suas fronteiras «são garanti- servir de obstáculo para fazer pequenas (soft force) – que passaram a ser usados tituir inteiramente o famoso espírito de Hel- das, naturais e historicamente justificadas». obras no sistema ainda existente, a fim de pelos grandes países. A maioria dos Esta- sínquia. Ou seja, encher com conteúdo os Em segundo lugar, a atmosfera político- evitar o seu desmoronamento descontro- dos continuava a contestar a revisão da três cestos – o político-militar, o económi- económica na Grande Europa constitui um lado. prática das relações internacionais, apro- co e o humanitário. A Europa precisa de fenómeno complexo: assiste-se a uma cons- * in revista A Rússia na Política Global
  7. 7. 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 ponto . por . ponto Pão com manteiga Por Sertório Pinho Martins dito como para manter em 2009 dê por para cardíacos! pois. Porque uma vez acesos os rasti- A cada parangona de mau-olhado so- onde der, pode passar a 3% no breve A coisa vai ficar feia no ano que aí lhos (professores, polícias, juízes, milita- bre a nossa desgraça colectiva, que as espaço de uma entrevista de Teixeira dos vem e no que depois dele virá! Todas as res, estudantes, desempregados já sem pitonisas e cartomantes da política dão à Santos – e lá vai para o cesto dos papéis instâncias responsáveis além-fronteiras nada a perder), o incêndio só vai parar luz nos pasquins do costume e nas tele- um Orçamento que há 15 dias era into- o afirmam sem rebuço e com a cábula nas escadas da Assembleia da Repúbli- visões de maus costumes, tremo só de cável e foi aprovado com gritos de júbilo bem decorada. Mas no nosso quintal ca ou no largo fronteiro ao palácio de pensar em quatro tipos de leitores ou pela maioria parlamentar. O apoio às doméstico mora a ilusão fugaz, e as gran- Belém. E o saber lidar com uma situa- ouvintes basbaques: os distraídos por empresas agora decidido em conselho de des decisões começam a ser feitas com ção que em 2009 vai piorar ainda mais, natureza, os incrédulos por hábito, os ministros de afogadilho, é desmentido na os empurrões do poder que caiu na rua, não é tarefa fácil, muito menos para in- desconfiados por sistema e os desenten- imprensa do dia seguinte com o título da pressão retesada das corporações continentes verbais e oportunistas da didos do que lhes é metido pelos olhos bombástico de que esse apoio está reti- profissionais deixadas de fora do bodo política: faltam profissionais a sério, e dentro. E todos juntos perfazem a maio- do às ordens de quem o tem à sua guar- oferecido à banca falida, e do ‘salve-se sobram amadores de opereta. E do lado ria das vítimas inocentes da crise que da – mas no minuto seguinte decerto vai quem puder’ enquanto há avales dispo- das oposições o fala-baratismo é igual, aterrou sobre todos nós, ainda por cima com um CDS à espera de boleia num vítimas sem hipótese de escapar à praga governo onde o PS precise de novos vinda de nenhures. Porque bem vistas “queijos limianos”, e o PSD se tornou ... a falta de confiança no sistema financeiro, os off-shores numa casa-sem-mão-onde-todos-ra- as coisas, a falta de confiança no siste- montados e usados subterraneamente, as irresponsáveis ma financeiro, os off-shores montados lham-e-nenhum-põe-travão. E, pasme-se, aventuras bolsistas de particulares e públicos (públicos ninguém manda ninguém para casa, para e usados subterraneamente, as irrespon- impunes), os investimentos milionários em empresas não perder a face! E esta, hein? Um país sáveis aventuras bolsistas de particula- res e públicos (públicos impunes), os in- falidas ou inexistentes, a cavalgada dos combustíveis já vale menos que um par de faces fora- vestimentos milionários em empresas e respectiva cartelização dos preços (politicamente de-catálogo, ou mesmo que uma qual- falidas ou inexistentes, a cavalgada dos consentida), as falências fraudulentas, o salvar quer cara de parvo que se preze e exiba combustíveis e respectiva cartelização do afogamento (com o dinheiro dos contribuintes!) alguns emblema na lapela! dos preços (politicamente consentida), as bancos afundados pelos próprios timoneiros, os projectos Muito provavelmente vão ter que es- falências fraudulentas, o salvar do afo- megalómanos, as habilidades orçamentais para travestir perar por dias melhores as grandes bo- gamento (com o dinheiro dos contribuin- das do TGV, do novo aeroporto e de ou- uma tragédia com cores de esperança tes!) alguns bancos afundados pelos pró- tras aventuras que jamais estariam em em que ninguém já acredita... dúvida na agenda de ilusões de cada boca prios timoneiros, os projectos megalóma- nos, as habilidades orçamentais para tra- que se abre-e-fecha ao sabor da viração vestir uma tragédia com cores de espe- – porque saber esperar também tem de rança em que ninguém já acredita, os aparecer um desmentido de fonte ´pró- níveis e luz verde para fartar-vilanagem. caber no léxico político dos mais capa- braços-de-ferro apenas para salvar fa- xima’ ou ‘autorizada’ a denunciar a ca- Ninguém “avalia” banqueiros e empre- zes e dos menos apressados. Mas essa ces retalhadas pela teimosia fora-da-re- bala. O ministro da Agricultura afirma a sários mal-sucedidos (nem pede contas mudança de prioridades também irá com alidade, o preço a pagar pela suprema- pés juntos que este ano pagará até ao a supervisores que não supervisam coi- certeza (e por fatalidade nossa) ser dita cia de vaidades políticas sobre a triste fim do ano os subsídios de 2008 (os mes- sa-nenhuma), empunhando a mesma bi- à ralé com o mesmo ar compungido de nudez do nosso quotidiano atolado em mos que no anterior só viram a luz do dia tola vesga e de freio apertado que os quem mudou o aeroporto da Ota para becos sem saída, e tanto, tanto mar-chão seis meses depois), e os agricultores ge- professores vão ser obrigados a morder Alcochete com um simples estalar de iludido de oceano sem fundo – todo este lados até aos ossos estão numa de ver- até ao aço frio da rendição. Como disse- falangetas. Ou talvez mesmo nem o seja, ror de desgraças é obra (e que obra!) de para-crer o que vai suceder por exem- mos uma vez nesta coluna, o Estado anda e bastará tão só deixar cair o assunto no meia dúzia de protegidos do sistema que plo com o RPU de 2008, quando reco- por maus pisos e nós vamos ter de andar esquecimento. Se no parlapié político há se riem da impunidade que têm por se- meçarem as desculpas de que primeiro por pisos em mau estado durante pelo tanta coisa que morre sem sequer che- gura. Porque a tempestade só há-de de- há verificações a fazer no terreno (à úl- menos dois anos. gar a viver, mais uma menos uma não sabar sobre os distraídos, os incrédulos, tima hora, claro!). E a José Sócrates não A casa portuguesa não é farta que deve trazer melhoras ao défice das pro- os desconfiados e os desentendidos! basta esfolar-se a tapar os rombos do baste para se dar ao luxo de ficar sem o messas esquecidas. Porque se assim não A verdade de hoje, é mentira amanhã. barco, a correr o convés da popa à proa, pão de cada dia, porque a cairmos nessa fosse, que sentido tinha a nossa vida A esperança de agora, é desencanto mais porque a marinhagem que tem à sua volta ravina, o passo seguinte é o inevitável monocórdica de pobres distraídos, incré- logo. As balelas dos políticos, são o ca- enjoa com as ondas e já viaja amarrada casa-sem-pão-todos-ralham-e-ninguém- dulos, desconfiados e desentendidos do dafalso das ilusões dos pobres de espíri- aos mastros. E como Cavaco não deixa- tem-razão. E daí à revolta de rua vai outro que está mesmo diante dos nossos olhos? to que vêem luz em cada porta que se rá ir o bote ao fundo, e Manuel Alegre já passo – e a Grécia aqui tão perto a di- Que vai doer, lá isso vai! E há-de ser abre-e-fecha no lapso de todas as ver- avisou que pode ir a votos por uma ‘nova zer-nos de que migalha insignificante se doloroso para aqueles a quem o pão cai dades desmentidas. O défice de 2,2%, esquerda’, está na cara que 2009 não é faz outro Maio-de-68 quarenta anos de- sempre com a manteiga para baixo! VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  8. 8. 8 OPINIÃO 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 co de uma nota de 50 escudos, talvez, mas gueses dos demais sectores, da banca aos PERGUNTAS SOBRE A CRISE o facto era inquestionável: as prostitutas ti- carros, das minas aos têxteis, mendigam nham deixado de existir. Como prova, havia milhões ao Estado e exibem a suprema pu- 1. Onde é que se traça a divisória entre o tal decreto. (...) jança deste. O Estado está falido? Eis uma empresas a salvar pelo tesouro público, para Ferreira Fernandes oportunidade para os contribuintes portugue- protecção “da imagem do Estado” (antes DN 14/Dezembro/08 ses que não integram grupos de pressão apli- dizia-se “a bem da Nação”), e aquelas que, carem devidamente as poupanças realiza- tristemente, morrerão sozinhas, sufocadas DIREITOS HUMANOS das com a descida dos combustíveis. (...) por credores impacientes e trabalhadores desesperados? O Mundo celebrou o 60.° aniversário da Alberto Gonçalves (sociólogo) 2. Que critérios fundamentam essa sal- Declaração Universal dos Direitos Huma- DN 7/Dezembro/08 vação ou perda? O número de assalaria- nos, um dos textos internacionais, segura- dos? A antiguidade da instituição? O impac- mente, mais importantes do século XX. Foi A IMAGEM DE CAVACO te social da sua existência, para indivíduos, votado, com a abstenção dos países comu- famílias, regiões? A facturação? Os resul- A “COMPONENTE HUMANA” nistas, em 10 de Dezembro de 1948, depois (...) Ao aceitar que lhe vedassem o tados de exploração? A importância fiscal? da Mensagem ao Congresso, enviada por acesso à Assembleia Legislativa da Ma- 3. Quando falamos das perdas e prejuí- A ideia de Guilherme Silva, do PSD, para Franklin Delano Roosevelt, em 6 de Janeiro deira – ainda por cima com explicações zos, há ou não que distinguir entre quantida- resolver o problema das faltas dos deputa- de 1941, no auge da II Guerra Mundial – públicas de Jardim que resultavam num de e qualidade, ou, se quisermos, entre valo- dos que, às sextas-feiras, assinam o ponto e intitulada Quatro Liberdades (liberdade de insulto soez a toda a oposição regional – res financeiros e circunstâncias? É que há vão de fim-de-semana prolongado, estan- expressão do pensamento, liberdade de re- e ao vergar-se a convidar para um jan- um abismo entre a má gestão e a força do-se nas tintas para a AR e para o que ali ligião, liberdade contra a miséria e liberdade tar de consolação os partidos preteridos, maior. Ou entre a infidelidade administrati- se discute e decide, é de apoiar: passaria a contra o medo) – e da Carta das Nações, Cavaco Silva não representou os portu- va (art.º 244 do Código Penal), que se tra- haver plenários só às terças, quartas ou quin- assinada em 6 de Junho de 1945, na cidade gueses, mas apenas o chefe local, os seus duz em prejuízo sério e violação grave e tas (pois que as segundas ainda são fim-de- de S. Francisco. semana). A Declaração Universal dos Direitos A explicação de Guilherme Silva é que Humanos tem apenas 30 artigos mas é um os deputados têm família, pelo que há no texto de uma concisão e clareza de concei- caso “uma componente humana (…) res- tos extraordinárias, que marcou a cultura peitável”. O PSD é um partido respeitador política da segunda metade do século XX e não só da família como das tradições. Os que, no dizer de Robert Badinter, ex-presi- deputados pirarem-se às sextas-feiras é uma dente do Tribunal Constitucional francês, tradição parlamentar, e o PSD não poderia senador e membro do Comité de Apoio aos ter no caso posição diferente da que teve Human Rights Watch, de Paris, exprime «a em relação a Barrancos. O problema é que, dimensão moral do nosso tempo». sabendo-se o que a casa gasta, o mais certo Houve, no entanto, desde início, dois pon- é que os deputados comecem, depois, a bal- tos críticos relativamente à Declaração: o dar-se às quintas, e quando deixar de haver primeiro, o facto de não ser vinculativa plenários também às quintas, às quartas, e (como é hoje a Carta de Direitos insita no depois às terças, e acabem ficando a sema- Tratado de Lisboa, se chegar a ser ratifica- na inteira em casa com a família, coisa com do); o segundo, a prioridade dada pelo en- uma “componente humana” inteiramente tão Bloco Soviético aos Direitos Económi- respeitável, até porque a maior parte deles cos e Sociais, enquanto os americanos pri- não faz falta nenhuma na AR e em casa vilegiaram sempre os Direitos Cívicos e decerto faz. Políticos, o Direito à Propriedade e ao Livre Manuel António Pina Mercado... JN 12/Dezembro/08 Mário Soares Visão CÓLERA E PROSTITUIÇÃO SITUAÇÃO MARAVILHOSA consciente de deveres de disposição, admi- Robert Mugabe disse esta semana: “Es- incondicionais e a sua própria fraque- nistração e fiscalização de coisa alheia, e a tou feliz por ter acabado com a cólera.” Ao (...) No Verão, o primeiro-ministro acha- za. Ao proferir, neste mesmo contex- mera consequência financeira de circuns- mesmo tempo, a ONU fez outro balanço: a va a subida do preço dos combustíveis um to, um ditirambo incontido sobre as ex- tâncias externas alteradas. Ou ainda entre cólera continua, já fez quase 800 mortos e “incentivo” ao uso dos transportes públicos. celências da governação local, reinci- erros administrativos, deficiências contabi- 16 mil pessoas estão na lista de espera. As Agora, acha que a descida representa uma diu, já não por encobrimento, mas por lísticas, imputáveis à impreparação, e deli- duas declarações são produto de duas con- melhoria nos rendimentos dos portugueses, cumplicidade. Ao omitir qualquer de- tos, derivados do dolo em acção. cepções filosóficas diferentes. Há os ho- que elegeram o eng. Sócrates e se vêem claração sobre esse carnaval da de- 4. Por outras palavras, nem todas as mens de pouca fé, demasiado agarrados à governados pelo Pangloss de Voltaire, esse mocracia que foi a suspensão dos ple- empresas falidas possuem o crime como ditadura dos factos – infelizmente a mais incurável optimista para quem tudo o que nários parlamentares da Madeira e a origem do desastre. Não deve, assim, exis- alta instância internacional está cheia des- acontece é, por definição, benéfico. O exem- interdição física, levada a cabo por se- tir um saco único para colocar todos os ca- ses cínicos. E, depois, há os visionários que plo do petróleo é apenas um indício da ma- guranças privados, do acesso de um sos de degenerescência. (...) acreditam que o fim da cólera é quando o ravilhosa situação em que nos encontramos deputado eleito, sob a alegação de que homem quiser. Mugabe é um desses. e da ainda mais maravilhosa situação a que estas coisas se resolvem melhor no si- Nuno Rogeiro A direcção de um país dá a certos políti- nos arriscamos em breve. A economia eu- lêncio das chancelarias, ele entrou em JN 5/Dezembro/08 cos o exercício de um poder que os aparen- ropeia entrou oficialmente em recessão? contradição insanável com as ruidosas ta a deuses: o decreto. Nos anos 60, Salazar Óptimo, pois mostra que os portugueses são mensagens ao país sobre as questões LIÇÃO INDIANA aboliu a prostituição. Os homens de pouca tão europeus quanto os restantes. O euro do estatuto açoriano. Depois de tudo fé de então também sorriram, a pretexto da cai face ao dólar? É bom para as exporta- isso, o Presidente já não está a defen- (...) Neste caso tudo leva a crer que a suposta ineficácia da medida. Mas, na ver- ções nacionais. As exportações não saem der o regime, mas a sua própria ima- dezena de terroristas que perpetrou os aten- dade, Salazar acabou com a prostituição: da cepa torta? Excelente: os portugueses gem pública. Ora o regime é que é o tados de Bombaim eram originários do Pun- tendo decretado que as prostitutas acaba- podem prosperar através do investimento nosso problema. A defesa da imagem, jab paquistanês e visavam desestabilizar a ram, elas acabaram. Talvez tenha continua- público. As obras públicas são sinónimo de sendo embora um direito, é com quem sociedade indiana a poucos meses de um do a haver mulheres nas esquinas do Mar- “derrapagem” e prejuízo calado? Não im- julga precisar dela. (...) importante acto eleitoral naquele país. tim Moniz, que subiam aos quartos das pen- porta, visto que estimulam a economia. O O que é inovador nestes atentados é o sões manhosas com homens desconheci- estímulo restringe-se, quando muito, à cons- Nuno Brederode Santos facto de eles se terem prolongado por mais dos, talvez tivessem relações sexuais a tro- trução civil? Perfeito, já que assim os portu- DN 7/Dezembro/08 de dois dias, assim contrastando com a na-
  9. 9. 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 9 tureza instantânea da generalidade dos aten- 1962 (vencimento mensal: 800$00), nunca De um Pai, que se chama Estado (...) jovem, blá-blá, adolescentes coitados, blá- tados terroristas suicidários. Os seus agen- o vi, por exemplo, nas reuniões em casa de Pode ou não este Pai ter preferências blá. Os desempregados que assaltam lojas tes não parecem ter sido uma célula agre- João Abel Manta, onde se discutia (Cardo- pelos seus filhos, tratando uns como fi- em países africanos ‘progressistas’ ou em gada ocasionalmente, mas antes um grupo so Pires, Sttau Monteiro, Abelaira, Cutilei- lhos e outros como enteados? Pode ou Timor, esses, são ‘desordeiros’. Há um gla- bem treinado, que se dedicou ao seu plane- ro) o tema da revista seguinte. Aliás, nos não este Estado-Pai tratar de forma de- mour do protesto consoante os desordeiros amento durante bastante tempo, que con- últimos 40 anos, apenas por quatro ou cinco sigual os seus filhos, ajudando uns com usam lencinho palestiniano ou exibem ma- duziu as operações complexas (ataques qua- vezes enxerguei a cara desagradável do garantias, que, se correrem mal, são pagas les pouco fotogénicos. No primeiro caso, se simultâneos em sete pontos distintos de cavalheiro – que parece suscitar um temor por todos os enteados e não pelo consór- podem apedrejar os carros da polícia en- Bombaim) com uma disciplina e uma preci- reverencial, para mim inexplicável, porque cio bancário? Ou seja por todos os cida- quanto bebem umas cervejas; no segundo, são militares. o não receio, em nenhuma circunstância ou dãos que morrem lentamente asfixiados são apenas instrumentalizados pela miséria, No mais a matriz destes atentados re- situação. Desejo, ainda, referir que Augusto com a carga brutal de impostos que pa- o que é pouco cool para as novas gerações. produz algumas das consignas do terroris- Abelaira possuía grande coragem moral e gam e por empresas que este Pai não aju- A televisão gosta de promover o turismo do mo global conotado com a Al-Qaeda: tenta- física, o que o levou a enfrentar a PIDE, dou e que estão em situação de falência. desacato. (...) tiva de provocar o maior número possível com rara valentia. Do que nem todos se Aos enteados (reformados, pensionistas de vítimas (falava-se de que almejavam cinco podem ufanar. Ponto final. Mas voltarei ao e funcionários públicos) pede-se sacrifício Francisco José Viegas mil vítimas), destruição de símbolos da soci- assunto, acaso seja chamado à colação. e que apertem o cinto. Aos filhos banquei- Correio da Manhã 10/Dezembro/08 edade atacada (estação de caminhos-de- ros dá-se prémios pela gestão danosa. ferrro, hotéis, hospitais, um centro judaico), Baptista-Bastos Embora a situação destes filhos endia- OS PATRIOTAS DO PSD escolha de alvos plurinacionais (dos 200 DN 4/Dezembro/08 brados seja diferente, o caso do BPP, ban- mortos há 30 estrangeiros de 13 nacionali- co privado, sem expressão na economia (...) Há no PSD um núcleo de patrio- dades distintas) e o maior impacto mediáti- CONTO DE NATAL real do País, que se limitava a especular e tas indefectíveis disposto a fazer tudo co possível. (...) a gerir fortunas, é escandaloso. para impedir que o partido leve a me- O eng.º Sócrates resolveu antecipar- Se querem ajudar ajudem mas falem lhor nas eleições. Basta ouvi-los na te- António Vitorino se ao Pai Natal e presentear-nos com a verdade e não inventem a desculpa do levisão ou na rádio durante alguns se- DN 5/Dezembro/08 um anúncio: afinal, 2009 vai ser um ano risco sistémico. Qualquer pessoa de bem gundos, ou lê-los nos jornais ao longo próspero e afortunado para todos nós. e com a Instrução Primária sabe que a de escassas linhas. É uma gente com ELEIÇÃO DOS DEPUTADOS Diz ele, que as famílias portuguesas vão falência do BPP não comporta risco sis- alma de criada de servir que só sabe ter melhores condições de vida. Como témico de contaminação do restante sec- dizer mal da patroa nas lojas da vizi- Por entre o ruído provocado pelas faltas lhe diria o humorista Jô Soares, “só con- tor financeiro. nhança. Aposta muito mais venenosa- dos deputados à sessão parlamentar de sex- mente na desagregação da imagem de ta-feira passada, quase passou despercebi- Manuela Ferreira Leite e do PSD do que do o colóquio promovido pelo grupo parla- o próprio PS. Está desesperada e dis- mentar do PS em torno de um estudo aca- posta a tudo. Todas as semanas se ma- démico sobre possíveis alterações a intro- nifesta, sob os pretextos mais idiotas e duzir na lei eleitoral para a Assembleia da nas formulações mais ranhosas e rastei- República. ras. E todas as semanas dispõe de larga (...) Pelo tom do debate naquele colóquio, cobertura de uma comunicação social tão a fazer fé nos parcos relatos vindos na im- prazenteira a anunciar as suas leituras, prensa, ainda não será nesta Legislatura que quanto superficial e leviana a passar à tal objectivo será atingido. margem do que é realmente importante (...) Continuo a pensar que a melhor for- ou a analisar o fundo das questões. (...) ma de personalização do voto passa pela criação de círculos uninominais de candida- Vasco Graça Moura tura, compatibilizando-os com círculos pro- DN 10/Dezembro/08 porcionais de apuramento, com base nos quais se faria a distribuição dos mandatos A CRISE pelos partidos, desta forma reconhecendo a prevalência do princípio da representação (...) A verdade é que, tirando aque- proporcional como determina a Constitui- les seis meses da década de 90 em que ção. Reconheço, contudo, que o desenho chegaram uns milhões valentes vindos de um tal modelo não seria isento de algu- taram p’ra você!” O que fica contaminado é a honra, da União Europeia, eu não me lembro ma complexidade e que tal exigiria um es- A acreditar no primeiro-ministro, dir-se- a ética e a honestidade dos homens. de Portugal não estar em crise. Por forço de explicação do novo sistema aos ia que vai sair a Lotaria de Natal às famí- Então os gestores e accionistas do isso, acredito que a crise do ano que eleitores que poderia tornar mais imprevisí- lias portuguesas, que, e cito, “podem es- BPP não têm direito a fugir com os vem seja violenta. Mas creio que, se vel o seu resultado final. (...) perar, em 2009, ganhar poder de compra”. seus dividendos e a continuar a morar uma crise quiser mesmo impressionar Isto porque “podem esperar um melhor na quinta do patinho ‘feio’? os portugueses, vai ter de trabalhar a António Vitorino rendimento disponível em 2009 que advi- Claro que sim, esta gente merece sério. Um crescimento zero, para nós, DN 12/Dezembro/08 rá da baixa da Euribor” e “ver as suas que o Estado proteja as suas fortunas é amendoins. Pequenas recessões co- despesas reduzidas com a gasolina, fruto privadas. mem os portugueses ao pequeno-almo- TEXTO INDIGNO da baixa do preço do petróleo”. O povo ‘invejoso e ingrato’ é que ço. 2009 só assusta esses maricas da Atendendo à quadra, gostaria de pe- assim não pensa. Só com escárnio se Europa que têm andado a crescer aci- A propósito do falecimento do grande dir ao eng.º Sócrates o obséquio de não entende este golpe de mestre. ma dos 7 por cento. Quem nunca foi editor Joaquim Figueiredo de Magalhães, o tratar “as famílias portuguesas” como in- além dos 2%, não está preocupado. apenas concebível Vasco Pulido Valente capazes e de começar a falar-lhes com Rui Rangel (juiz) É tempo de reconhecer o mérito e escreveu, no Público, um texto mais indig- seriedade. (...) Correio da Manhã 10/Dezembro/08 agradecer a governos atrás de gover- no do que lhe é habitual. Entre omissões, nos que fizeram tudo o que era possível mentiras e pequenas velhacarias, insulta a Teresa Caeiro DUPLICIDADE para não habituar mal os portugueses. memória de Augusto Abelaira, intelectual Correio da Manhã 9/Dezembro/08 A todos os executivos que mantiveram respeitado e admirado, de quem diz ter tido Há uma enorme duplicidade das televi- Portugal em crise desde 1143 até hoje, a alcunha de “A Velha”. O Vasco PV de- FILHOS DA NAÇÃO sões quando exibem imagens de tumultos: muito obrigado. Agora, somos o povo veria examinar a gravação das suas inter- há guerrilhas boas e guerrilhas más. Depen- da Europa que está mais bem prepara- venções, na TVI, medonha encarnação do Do que venho hoje falar é de justiça de. Para a generalidade da Imprensa, os do para fazer face às dificuldades. apodo que atribui ao grande romancista de social e de igualdade, é de justiça de um meninos que andam a destruir Atenas são A Cidade das Flores. Quanto à revista Al- Pai, que distribui de forma desigual e ina- jovens e anarquistas em protesto. Ricardo Araújo Pereira manaque, de que fui redactor a partir de dequada a sua bênção aos filhos. Lá vem a ladainha habitual: desemprego Visão
  10. 10. 10 CRÓNICA arte em café 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO Secam rosas no olhar… José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com O senhor tenha a bondade de me dar uma ajuda. Não tenho ar de precisar? Isso diz o senhor. Olhe bem. Não sou um caso de pobreza envergonhada, bem vê, está até algo exposta, é mesmo extrema necessidade. Ouça-me, por fa- vor. Como? Desculpe, pedi-lhe ajuda, o favor de me ouvir, não lhe pedi opiniões sobre a minha aparência. Apresenta- mo-nos como podemos. Como queremos, no meu caso. Para que hei-de fazer a barba e cortar o cabelo? Não, não sou desleixado. Se quer saber, fui até bem elegante, diziam. Caprichava no vestir. Como caprichava no meu piano. Se não tenho casa? Claro que tenho casa. Até muito confortá- vel. Mas pense bem, meu senhor, se não for abusar da sua paciência: acha mesmo que isto de estar na rua e pedir para que aprendeu a dizer isso com Agostinho da Silva. Vivemos pena, já não está aí, lhe disse que sou um sem-abrigo. Quem ser ouvido, é despautério? Não, não se espante com as belos momentos. Um encantamento sinfónico revertido lou- perde o amor, e o amor acontece apenas uma vez quando palavras. Tenho algumas fragilidades e este aspecto, esta- cura nos encontros nocturnos. Sabe o que resta de mim, acontece, fica desabrigado. Podemos arranjar imitações. rei algo perturbado, mas sempre trabalhei com um vocabu- meu senhor? Ainda aí está? Já foi embora. De mim resta Se formos simples, podemos viver mesmo com alguma lário vasto e diversificado. Sei pensar e conheço as pala- uma rosa seca dentro de um livro e talvez uma florita silves- harmonia. Mas não é, não pode ser aquilo que agora me vras. Conheço-as por dentro. Despi muitas. Enrosquei-me tre que um dia apanhei para lhe dar e não havia mais nada está a queimar as palavras, me deixa a boca colada como em outras tantas. Deixe-me dizer assim, se não ferir os na natureza que valesse o gesto da dádiva. Suspeito que as uma mordaça. seus ouvidos: fiz amor com elas. Não gosto da expressão guardou. O senhor já foi embora mas eu preciso de continuar a fazer amor. Gostava de poder dizer de outra maneira. Mais Tem graça, primeiro a língua fugiu para dávida. Cá estou falar, senão rebento, ou então mato, sim, eu agora já percebi forte. As palavras foram sempre minhas companheiras. eu a torcer o pescoço às palavras. Se estivesse a escrever muito desvario de que as pessoas depois se arrependem. Minhas amantes. Como o meu piano. Mas o piano, coitado, saía dávida pela certa. Depois emendava para o que se tem Há um tigre dentro de todos nós. Matar é fácil. Difícil é teve um triste fim. Lancei-o ao mar. Onde ela gostava de por correcto. Se estivesse com ela começava o jogo das sobreviver à ideia de que alguém toca no que é o ar que prender o olhar. Fez-se barco e viagem. Diluiu-se como os palavras na construção do poema. Dádiva-dá-vida-vidra- respiramos e ficamos sem ar. Digam-me senhores, todos vincos dos seus pés na areia da praia. Nem o senhor imagi- da-irada-virada-iridiada-íris-adiada-ondeada-vida-irisada- os que estão agora a passar diante dos meus olhos, nesta na como conheço as palavras e como tocava piano. O so- -enraizada-em-risada. Brincávamos. As palavras servem rua infinitamente branca como têm sido as minhas noites, nho da minha vida, depois que a conheci, foi compor uma para pensarmos. Também para doerem. Às vezes rir. Ou digam se sabem responder… obra para quatro mãos. As nossas. Com ela, naturalmente. morrer. Os esquizofrénicos inventam palavras. Ângelo de Então, não pode estar a fazer esse barulho. Vamos lá Conseguimos. Uma bela peça. Celebrada por quem a ou- Lima um dia escreveu dorte. Onde há dor e morte. Era embora daqui. Tem família, homenzinho? via. Chamava-lhe, quando a sentia a meu lado, com os de- poeta. Dizem que louco. Coisas dos médicos. Coletes de Homenzinho?! Homem. Escrevi livros, sou pianista, a dos na carícia do cabelo, a minha jói… ó que disparate, ela forças nas palavras com neuroléticos na sintaxe. Assim se minha casa é um palácio que todos invejam, tenho uma é que me chamava jóia rara. Durante algum tempo. Essas adormece a criatividade Assim se atormenta a poesia. Em biblioteca com mais de trinta mil volumes, falo quatro lín- coisas passam. São como o sarampo, em criança. Esque- paredes sujas de hospícios e auspícios. guas e sei latim e grego, fiz conferências em universidades cem. Só que sou mesmo um sem-abrigo. Tornei-me sem Ia falar dela. Pensei-a como a mais brilhante das mulhe- do mundo, concertos em todos os palcos, tenho uma co- dar por isso um sem-abrigo. Durmo em pedaços de cartão res. A mais bela era com certeza, a meus olhos, é evidente. menda pela exemplaridade do meu exercício cívico e o se- da memória nas arcadas do tempo que passa. Como uma Mas… moldar com jeito todas as potencialidades que a sua nhor, só porque tenho estas barbas e falo sozinho, acha que trova. Sem que o esperasse, perdi a essência de sentir-me inteligência abria, elevá-la ao plano da criação, ensinar-lhe me pode chamar homenzinho? Não há homenzinhos, nesse vivo. Amava. Não se ria. Percebe-se quando falei no piano. todos os mistérios das palavras, das mãos sobre o teclado, o tom, senhor guarda: há pessoas. Está a ouvir? Pessoas! Eu Já observou bem um piano? Não, não: por dentro. As cor- soltar dos sons como se ouve o mar, o longe, os voos das apenas fiquei sem-abrigo porque escolhi que fosse assim. das tensas. À espera de serem percutidas. Com leveza ou gaivotas, as canções do vento, os mistérios dos búzios, os Perdi de repente todo o jeito para viver. intensidade. Soarem música. Até ao grito. Até à raiz do passos lentos na praia, o soltar das túnicas, como se ouve a Vamos lá acabar com a conversa e saia daqui. nome. Miriam! A minha discípula judia. nudez e o deslumbramento… Coitado, é maluquinho. Se calhar ficou assim por causa Acho que não percebeu a metáfora e está a pensar que Pois é, imagine que foi exactamente pelas palavras que de algum desgosto. estou a ser ridículo. O senhor é mais ou menos jovem e acabei por perdê-la. Pela música das palavras que foi ab- Fala de mim? Não, minha senhora, fiquei assim por cau- pensa que na minha idade não se ama. Como se engana. sorvendo. Pelas palavras da minha música. Alguém as viu sa de uma rosa seca dentro de um livro. Primeiro secam as Ainda amo. Talvez fosse, talvez seja um tanto possessivo. ou as ouviu, aproximou-se e a verdade é que eu já não era flores, olham para elas e choram de emoção. Depois se- Era. Quem ama de verdade é assim. Absorve tudo Amar é preciso. Estava gasto. Tudo já mais ou menos feito. E eu cam-nos a nós, olham, não nos vêem e voltam ao riso das ter alguém dentro de nós. Arde. Ninguém apaga esse lume. não podia. O médico disse-me que era pouco o tempo, ou novas descobertas. De mão dada. A faca não corta o fogo. Claro que leio Herberto Helder. todo o que teria estava infiltrado de sofrimento. Passei por Até o tempo inexorável de soltar as mãos e voltar tudo Está a perceber porque sou um sem-abrigo? Não é por tudo o que era máquinas. Injectaram-me substâncias radio- ao princípio. causa de não ter casa, expliquei-lhe, é o que estou a sentir. activas e mandaram-me para dentro de espécies de batís- É um outro tecto que me falta. É a abóbada daquele sorriso. cafos individuais. Nuclear não, obrigado. Cantigas. Can- As pessoas passam, vêem-me com este aspecto e, claro, tigas, não positrões. Ficava queimado. Por dentro. De mim não me dão nada. Também não tenho pedido. Acha que se saía um odor verde. Quando o médico me chamou, procu- pode dizer a alguém, tragam de volta a vida? rou ser amável, mas tinha um ar severo. Notei a prega do O senhor é a primeira pessoa a quem peço. Apenas franzir da testa e algum embaraço. Depois falou com algu- porque pensei juntar a minha solidão à possível solidarieda- ma pressa como para se livrar da derrota. Do turbilhão das de que deambula. Não é como no Deus Lhe Pague do palavras retive metástases nos ossos. Já tinha lido o sufi- Joracy Camargo. Ser rico de noite e mendigo de dia. Eu ciente para perceber o que estava a dizer-me. Foi nesse dia não tenho absolutamente nada. Deixei tudo. Perdi tudo. A que pensei nela de uma outra maneira. Não podia condená- minha alma esvaziou-se. Nem lágrimas tenho. Secaram. la a viver a minha tragédia. Não tive coragem para lhe Estou condenado a estar vivo mais algum tempo e estou fazer mal, cheguei a pensar em fazer com que me odiasse, aqui também para vê-la passar sem que me reconheça. mas não fui capaz. Pequenas patifarias apenas. Que ela foi Quando tudo era belo e havia a obra a quatro mãos, gerindo por amor. Mas na verdade eu já não tinha lugar. chamava-me meu poeta. Dizia meu poeta à solta. Creio Quem vai ao mar perde o lugar. Por isso, meu senhor, que * Professor universitário

×