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O Centro - n.º 62 – 19.11.2008
 

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Versão integral da edição n.º 62 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 19.11.2008. ...

Versão integral da edição n.º 62 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 19.11.2008.

Site do Instituto Superior Miguel Torga: www.ismt.pt

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
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Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
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    O Centro - n.º 62 – 19.11.2008 O Centro - n.º 62 – 19.11.2008 Document Transcript

    • DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 62 (II série) 19 de Novembro a 2 de Dezembro de 2008 1 euro (iva incluído) ACONTECEU HÁ 100 ANOS NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA O jovem estudante Bissaya-Barreto ousou recusar prémio que o Rei queria entregar-lhe No dia 20 de Novembro de 1908, na abertura solene das aulas na Universidade de Coimbra, um jovem estudante republicano, de seu nome Fernando Bissaya-Barreto, recusou receber o prémio de mérito que o Rei D. Manuel II ia entregar-lhe. “Não conheço o Rei!” - afirmou o jovem, que viria a tornar-se numa das mais extraordinárias figuras do Portugal contemporâneo, onde desenvolveu uma obra ímpar. Este e outros aspectos da vida e dos múltiplos empreendimentos de Bissaya-Barreto, estão no suplemento especial incluído nesta edição, com o qual pretendemos homenagear o Homem e a Fundação que criou há precisamente meio século SANTA CLARA EDUCAÇÃO SAÚDE OLIVAIS Orgulho Sócrates Homenagem Os 154 anos e queixas afirma ao maior da maior do Presidente querer dador freguesia da Junta dialogar de sangue de Coimbra PÁG. 11 PÁG. 9 PÁG. 14 PÁG. 5
    • 2 CULTURA 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 CINEMA Um belo livro para uma grande artista CADC homenageia Manoel de Oliveira Cinco filmes de temática ca Portuguesa, o crítico Pedro Me- adiantou o presidente do CADC. – Teresa Cortez religiosa de Manoel de Oliveira xia, o investigador e professor da Foi “escolhido o critério “religi- vão ser projectados em Janeiro em Faculdade de Letras da Universi- oso”, como podia ter sido escolhi- Coimbra num ciclo com a presen- dade de Coimbra Fausto Cruchi- do outro. De facto, na sua longa e ça do realizador, organizado pelo nho, especialista na obra de Ma- prestigiada história, o CADC deu Centro Académico da Democra- noel de Oliveira, e o docente jubi- muita atenção à questão do cine- cia Cristã (CADC). lado da Faculdade de Letras do ma em geral, através da sua Sec- O presidente da direcção do Porto João Francisco Marques ção de Cinema. Na revista Estu- CADC de Coimbra, João Caeta- (consultor e colaborador do cine- dos do CADC foram publicadas no, disse à agência Lusa que o ci- asta) são alguns dos especialistas muitas críticas a filmes, nomeada- clo compreende seis sessões com que participam nas sessões. mente nas décadas de cinquenta a exibição dos filmes do cineasta, De acordo com João Caetano, e sessenta”, referiu. que completa 100 anos em De- Manoel de Oliveira estará presen- “Manoel de Oliveira manifes- zembro, e a discussão em torno te na sexta sessão, para “uma dis- tou a sua disponibilidade para es- das obras por vários especialistas. cussão livre” em torno da sua obra, tar presente. Será um regresso ao “O Pão”, “O Acto de Prima- a par com Fausto Cruchinho e CADC, onde já esteve presente e vera”, “Benilde ou a Virgem Pedro Mexia. por quem nutre simpatia”, disse Mãe”, “O Meu Caso” e “Palavra “O CADC associa-se às come- ainda João Caetano. Acaba de chegar às livrarias um precioso livro sobre Tereza e Utopia” são as películas, que morações do centenário do nasci- O CADC “é uma associação Cortez e a sua obra de ceramista. Designadamente os seus tão abrangem o período entre as dé- mento de Manoel de Oliveira, ho- de estudantes, professores e inves- belos quanto surpreendentes painéis murais, que enriquecem fa- cadas de cinquenta e noventa, a menageando-o com a projecção de tigadores católicos, que actua no chadas exteriores assim como interiores de vários edifícios de vá- projectar, em princípio ao longo de cinco filmes com temática religio- meio universitário e que promove rias localidades do nosso país. É fácil reconhecê-los pela marca de duas semanas em Janeiro, no au- sa. Achou-se que seria interessan- a discussão das grandes questões originalidade, nas cores como no modelado, no traço como nos ditório do CADC. te perspectivar deste modo a obra da actualidade” - refere o presi- elementos, das flores e frutos aos animais, em composições onde O vice-director da Cinemate- vasta e notável” do realizador, dente da instituição. se sentem as leis da harmonia, a força criativa, uma sensibilidade rara que nos reconduz ao imaginário da artista como apela à inte- rioridade de cada um de nós, porque Contam histórias, estimu- Esta semana, chegou às sa- elenco, sobretudo da actriz prin- gadgets e muito mais acção), lam, requerem, reconduzem o leitor a uma convivência com o Belo las “Ensaio sobre a Cegueira”, cipal Julianne Moore, que inter- embora não se esqueçam os fil- numa expressão maior de rigor e claridade. adaptação ao cinema do famo- preta uma mulher cuja visão não mes anteriores (neste filme, São vários os textos que interceptam e são interceptados por so livro de José Saramago, que é afectada pela epidemia e que nota-se uma pequena homena- reproduções da obra da Artista (onde igualmente emergem algu- ficou a cargo do realizador bra- acaba por se tornar testemunha gem ao clássico “Goldfinger”). mas de pequenas dimensões, onde percutem retratos, toques de sileiro Fernando Meirelles (“Ci- única desta “sociedade de ce- Recomendável a todos os fãs da Natureza, movimento geométrico), reflexões de especialistas que dade de Deus”, “O Fiel Jardi- gos”, onde se tornam claros os série, sobretudo aos que gosta- ajudam à compreensão e sobretudo nos tornam interrogantes na neiro”). O filme, que retrata uma desejos e as fraquezas da raça ram de “Casino Royale”. fruição do multiforme talento de uma ceramista que se distingue sociedade devastada por uma humana. Por último, destaco o filme “A pelas técnicas, que vão do azulejo ao modelado. epidemia instantânea de ceguei- Continua nas salas “Quantum Turma”, vencedor da Palma de Cada objecto, sente-se na qualidade deste livro, tem a mão e o ra, é um trabalho caracteristica- of Solace”, o novo filme de Ja- Ouro de Cannes deste ano, um olhar da sua Autora. O livro contém um CD que o enriquece subs- mente poderoso e por vezes mes Bond, continuação directa testemunho sincero (injustamen- tantivamente, pelo que nos conta e nos envolve. muito pesado. Tal deve-se so- do anterior “Casino Royale” te classificado como um docu- Estamos perante um objecto editorial que, no seu conjunto, seja bretudo ao trabalho de câmara (algo inédito na história da saga mentário) sobre o ambiente es- pela qualidade dos textos, pela possibilidade de “ter à mão” alguns de Meirelles, que consegue cinematográfica). Daniel Craig, colar e as pessoas que coabi- dos surpreendentes painéis como outras obras de Teresa Cortez, transmitir para o grande ecrã a apesar de ter mudado a imagem tam nesse mundo diariamente. ainda pela qualidade da edição, se recomenda e será uma preciosa natureza assustadora da “ce- física e psicológica do famoso Uma obra poderosa porque ver- prenda na época que se aproxima. gueira branca” e a crueza da espião, continua a interpretar um dadeira. A todos os títulos indispensável. natureza humana. Destaque-se Bond mais humano, ideal para igualmente o trabalho de todo o uma nova geração (com menos Pedro Nora José Henrique Dias Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho ISSN: 1647-0540 Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 car toon cartoon Composição e montagem: Audimprensa Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 e-mail: centro.jornal@gmail.com Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem: 10.000 exemplares
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 Presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores apela à “serenidade” O presidente Conselho Científico quais as suas sugestões, segundo o se- çar a sua tomada de posição a este do também ontem pelo ministério da para a Avaliação dos Professores ape- cretário de Estado Valter Lemos. propósito”, disse Alexandre Ventura. Educação, disse à saída do encontro lou ontem (terça-feira) à “serenida- O actual e a anterior presidente do O presidente do Conselho Científico ver “com preocupação” a conturba- de”, sublinhando que o Ministério da Conselho Científico para a Avaliação para a Avaliação dos Professores co- ção registada nos últimos dias entre Educação está a ouvir agentes edu- dos Professores, Alexandre Ventura mentou ainda a sugestão feita segun- professores e Governo. cativos para “alicerçar” uma tomada e Conceição Castro Ramos, e docen- da-feira na RTP pelo socialista António “Também sou professor e vejo com de posição em relação ao processo de tes premiados foram recebidos ontem Vitorino no sentido de o Governo equa- preocupação” o processo de avalia- avaliação de desempenho. de manhã no Ministério. cionar a criação de uma comissão de ção em curso, afirmou à Lusa, escu- “O ingrediente que mais falta faz À tarde foram ouvidos o Conselho sábios para alcançar um acordo sobre sando pronunciar-se sobre qual o me- neste momento no processo de avali- das Escolas, o Conselho Nacional de o processo de avaliação de docentes. lhor modelo de avaliação mas salien- ação de desempenho dos professores Educação, a Confederação Nacional “Não vejo que seja uma ideia nega- tando que “toda a gente defende que é a serenidade, é a calma necessária das Associações de Pais (CONFAP) tiva. Acho que pode eventualmente ser o actual sistema deve ser melhorado”. para debater de forma civilizada”, dis- e a Federação Nacional de Educação considerada neste processo”, afirmou. Questionado sobre a necessidade se Alexandre Ventura aos jornalistas. (FNE). Hoje (quarta-feira) será rece- Alexandre Ventura anunciou ainda de o ministério da Educação suspen- O Ministério da Educação começou bida a Fenprof, a maior federação de que durante iria convocar a próxima der o processo de avaliação, face à ontem a receber “representantes de to- sindicatos da Educação. reunião do órgão a que preside, que contestação dos professores, o docen- dos os sectores ligados ao problema da “Penso que a senhora ministra está não se reúne desde Julho passado. te de matemática afirmou: “Tudo de- avaliação dos professores” para ouvir a ouvir um conjunto alargado de pes- Arsélio Martins, vencedor do Pré- pende das duas partes, mas o proces- aquilo que pensam sobre o processo e soas e entidades no sentido de alicer- mio Nacional de Professores, recebi- so ainda está em negociação”. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
    • 4 SICTAÇÕES 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 não havia incompatibilidade com a fé. O CRISE E COELHOS historiador das ciências D. Lecourt es- A MÃO NA MASSA creveu: “A figura mais importante da Imagine uma empresa de pombos A recente crise financeira, que se Igreja escocesa declarou-se evolucionis- correios com uma epidemia de gripe abateu sobre o Banco Português de ta e, num curso, em 1874, aconselhou os das aves; perante a catástrofe a ad- Negócios é, antes de tudo, um verda- teólogos a sentirem-se ‘perfeitamente à ministração decide passar a enviar as deiro caso de polícia, em que o Direi- vontade com Darwin’.” Darwin, sepul- mensagens por... coelhos. Esta esco- to e a Justiça têm de ser chamados a tado com pompa, em 1882, na abadia de lha insólita seria paralela ao que se pronunciar-se. Para isso é necessário Westminster, a alguns passos do túmulo prepara na actual crise financeira, que os factos noticiados, de uma ges- de Newton, nunca foi oficialmente con- com políticos a manipular o complexo tão com uma prática de “legalidade denado pela Igreja católica e A Origem sistema económico. Tal tolice, mesmo duvidosa”, como disse o ministro das das Espécies nunca esteve no Índex. se recorrente de anteriores turbulên- Finanças, cheguem aos tribunais. De qualquer modo, segundo o reve- cias, é mesmo muito estúpida. A vontade política vai ser o farol rendo Malcom Brown, director dos ser- A crise nasceu por graves erros e que irá fazer despoletar e orientar essa A NOITE AMERICANA viços de relações públicas da Igreja An- crimes de economistas, gestores e fi- denúncia, para bem da transparência glicana, a sua Igreja deveria agora pedir nanceiros. Embriagados de sucesso, e da credibilização do sector financei- Como tanta gente, vivi entre amigos a desculpa pela má interpretação de Da- caíram em euforias que agora amea- ro, que ficou beliscado na sua imagem noite americana. Uma poltrona, um copo rwin e algum fervor anti-evolucionista. çam o mundo. Eles têm, sem dúvida, com esta gestão doméstica dos dinhei- à mão e um cinzeiro que começa imacu- Hoje, os equívocos beligerantes pro- a responsabilidade principal na catás- ros dos contribuintes. lado, mas sobre o qual chovem beatas ao vêm essencialmente do “criacionismo” trofe, pelo que é necessário e urgente ritmo do apuramento dos votos. Em vol- americano e do chamado “desígnio inte- punir e substituir esses especialistas Rui Rangel ta, vozes familiares, risos conhecidos, ligente”. Mas o “criacionismo” assenta infectados. Mas têm de ser trocados Correio da Manhã exaltações antigas - ou seja, idiossincra- numa leitura literal do mito da criação do por outros financeiros, os únicos que sias da minha colecção pessoal. Não que- Génesis, esquecendo que o Génesis é percebem alguma coisa do complexo um livro religioso e não de ciência e que BANCO PORTUGUÊS ro chocar ninguém, mas nem James sistema. Se um médico mata, por erro só uma leitura simbólica é adequada. DE NEGÓCIOS ESQUISITOS Bond, nem Indiana Jones, nem Rambo: ou negligência, não se confia o trata- as grandes emoções são sedentárias. Quanto ao “desígnio inteligente”, o seu mento a contabilistas ou ministros. equívoco provém da ambição de demons- Qual é, hoje em dia, a profissão Vivida a festa, porém, logo na manhã Com políticos tratando destes assun- trar Deus pela ciência. mais rentável? Jogador de futebol? seguinte vemos alguns, dos que era lícito tos, a única certeza é desastre. Coe- De facto, como é evidente, a exis- Advogado? Namorada de jogador de pensar que a celebravam, falando agoi- lhos voam menos que pombos doen- tência de Deus não é nem pode ser ob- futebol? ros em nome da prudência, com caras tes. (...) jecto de ciência. Mas afirmar taxati- Não. Creio que o ramo de activida- soturnas e olhar sombrio. É deprimente de mais atraente para quem quer a militância no cinzento. É a recusa do vamente que a evolução é mero pro- João César das Neves duto do acaso não deixa de ser tam- construir uma carreira de sucesso é encanto em nome de qualquer desencan- DN 10/Novembro/08 bém uma posição dogmática. A ciên- ser proprietário de um banco falido. to que aí venha. É a recusa dos afectos Enquanto o banco não vai à porque amanhã estaremos todos mortos. cia vai respondendo ao “como” da evo- OS DESILUDIDOS lução, mas não responde ao “porquê”, falência, retiram-se todos os benefí- Nós sabemos que os valores iluminam o cios que ser banqueiro oferece; quan- sentido da História e os interesses fazem concretamente ao porquê e para quê (...) A eleição de Obama tem um da existência do Homem e de tudo: do vai à falência, não se suporta ne- a gestão do cruzeiro da vida. Mas os va- significado simbólico incontornável, nhuma das desvantagens - o Estado lores libertam muitos condenados e as- “Porque há algo e não pura e simples- tratando-se do primeiro Presidente mente nada?” toma conta de tudo. sustam muitos carcereiros. Devemos-lhes proveniente da comunidade de origem Quem deve 700 euros pode ter a literatura, a música, a pintura. Já os in- Como escreveu o cientista Francis- africana. Nesse significado vai um co J. Ayala, na conclusão da sua obra problemas:intimações,tribunais, pe- teresses, esses, são contas em papel par- mundo de sentimentos e de esperan- nhoras. do, sem as quais o merceeiro não nos fia. Darwin e o Desígnio Inteligente, “a ças que apela ao imaginário colectivo evolução e a fé religiosa não são in- Quem deve 700 milhões, em princí- Depende deles o nosso dia. Nós sabe- não apenas nos EUA mas também à pio, está mais à vontade. Se contrair mos. E creio que Obama, o “menino compatíveis. Os crentes podem ver a escala planetária. Mas por muito im- presença de Deus no poder criativo do empréstimos, já sabe: aponte para magricela com um nome esquisito”, sa- portante que seja a eleição de um Pre- cima. No que toca a devedo- berá que quase sempre os valores desa- processo de selecção natural descober- sidente de raça negra, não seria justo to por Darwin”. res, aplica-se o mesmo princípio de guam nos interesses e dissolvem-se ne- para o próprio Obama que a sua elei- mérito que rege o resto da sociedade: les. Mas, que raio!, isto avança por ma- Anselmo Borges ção se reconduzisse apenas a essa DN 8/Novembro/08 os maiores e mais talentosos têm mais rés. Sigamos esta por agora. Se e quan- dimensão histórica e simbólica. Aliás dinheiro e prestígio. do esmorecer e sobrevier o desencanto, a forma como Obama calibrou a ques- Levando tudo isto em consideração, pois também esse é finito e precário - (...) João Paulo II reconheceu, em tão racial durante os dois anos da sua 1996, numa intervenção na Academia não se percebe por que razão não como nós e como o encanto que ele ma- campanha pode ser considerada ma- há programas de auxílio à criação de tou. Mas então sobrevirá outra maré alta Pontifícia das Ciências, que novos co- gistral e a sua eleição premiou essa cla- nhecimentos levam a considerar a te- bancos falidos. É certo que, no mo- de valores, trazida por outro alguém que rividência e esse sentido de equilíbrio. mento em que vão à falência, os apoi- ousou e que subirá um pouco mais no oria da evolução como mais do que A eleição de Obama representa uma simples hipótese. os não faltam. Mas, tendo em conta areal dos interesses. (...) também uma janela de oportunidade que se trata de uma actividade tão pro- Há evolucionistas materialistas. de relançamento da relação transa- Mas também há evolucionistas que são veitosa, não deveria ser incentivada Nuno Brederode Santos tlântica, essencial tanto para os EUA desde cedo? DN 9/Novembro/08 crentes. Não há incompatibilidade en- como para a Europa. Perante a mag- tre a fé e o evolucionismo, que, se- Como toda a gente, teria todo o gos- nitude dos problemas com que esta- to em fundar um banco fali- gundo a obra célebre do padre e cien- DEUS CONTRA DARWIN mos confrontados, o sucesso desta re- do. Desgraçadamente, contudo, não tista Teilhard de Chardin, podem mes- aproximação dependerá tanto da for- mo harmonizar-se. Depois de se es- tenho curso de economia ou gestão, e (...) A teoria da evolução constituiu ma como Obama a liderar como da temo que a minha falta de preparação clarecer o “como” do processo evo- resposta conjunta que os europeus uma daquelas humilhações do Homem de técnica me levasse a criar um banco lutivo que leva ao aparecimento do estiverem dispostos a dar-lhe. que falou Freud. Embora o Homem não bem sucedido e próspero, o que não Homem, ainda se não calou a pergun- Cabe agora ao resto do mundo apro- descenda do macaco, ele e o macaco interessa a ninguém. Só os mais con- ta pelo “porquê” da evolução desem- veitar o espaço aberto pela eleição de descendem de um antepassado comum, ceituados e bem pagos gestores pa- bocando num ser humano que conti- Obama. Até porque a maior desilusão o que não constituiu uma descoberta par- recem ter a capacidade para condu- nua a perguntar pelo sentido da sua é sempre aquela que vem de não fa- ticularmente exaltante. Desde então a zir um banco estrondosamente à ban- existência e de tudo.(...) zermos aquilo que nos compete a nós nossa visão da natureza, do Homem e de carrota. (...) Deus modificou-se. próprios fazer. Anselmo Borges António Vitorino Significativamente, já na altura, mui- Ricardo Araújo Pereira DN 15/Novembro/08 DN 7/Novembro/08 tos religiosos britânicos declararam que Visão
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 SANTO ANTÓNIO DOS OLIVAIS 5 NA PRÓXIMA SEGUNDA -FEIRA (DIA 24) Freguesia de Santo António dos Olivais comemora 154 anos - É A MAIOR DE COIMBRA E UMA DAS MAIORES DO PAÍS que hoje é ocupado pelo adro e pelo a freguesia da Sé, de que fazia parte, cemitério, para albergar a comunida- cerca de 14% dos baptizados, 10% de dos franciscanos capuchos. Pela dos casamentos e 17% dos óbitos”. mesma época, também o Mosteiro de Celas sofria grandes obras de ampli- FREGUESIA CRIADA EM 1854 ação e beneficiação. Entretanto, a paisagem humaniza- Corria o ano de 1854 e nos meios da do espaço hoje adstrito a Santo An- eclesiásticos e civis amadurecia a ideia tónio dos Olivais vai-se alterando. de redimensionar as freguesias da ci- Lentamente, quase imperceptivelmen- dade de Coimbra. Uma comissão ela- te, mas vai-se modificando. Vão cres- borou o “Plano de Redução, Supres- cendo os velhos povoados e outros vão são de Paróquias na Cidade de Coim- nascendo. bra e Seus Subúrbios”, que foi aprova- Para tomarmos um ponto de refe- do e convertido em lei. rência, diremos que, em 1700, o bur- Com a publicação do decreto, em 25 go de Celas contava 48 fogos, o que de Novembro de 1854, estava criada a perfazia cerca de 200 habitantes. E o freguesia de Santo António dos Olivais, povoado de Santo António dos Olivais desde logo a maior de Coimbra. Dis- teria, então, um pouco mais. punha já de 749 fogos, que abrigavam Por outro lado, pelos dados colhi- 3.000 habitantes, tomando a maior par- dos nos livros paroquiais, vemos que te das povoações de que se compunha Celas representava, em relação a toda a freguesia de S. Pedro. Francisco Andrade, Presidente da Junta de Freguesia Santo António dos Olivais, a maior rico hábito e a murça branca de có- freguesia de Coimbra e uma das mai- nego regrante de Santo Agostinho pela ores do País, comemora 154 anos na humilde estamenha franciscana. O próxima segunda-feira. novo nome foi-o buscar ao patrono do Presidida por Francisco Andrade modesto cenóbio, visto que do latino desde há alguns anos, a Junta de Fre- “Antonius” veio Antão e veio Antó- guesia tem vindo a levar a cabo um nio. exemplar trabalho de apoio às popu- Frei António morreu em 1231 e, lações, com iniciativas muito diversas após a sua canonização, que ocorreu nas áreas da cultura, do desporto e do logo no ano seguinte, o convento fran- lazer, dando particular importância à ciscano dos Olivas de Coimbra mu- população mais idosa. dou a invocação de Santo Antão para A efeméride vai ser devidamente Santo António. Assim nascia Santo assinalada, com o programa variado António dos Olivais, cuja povoação se que se divulga nesta página. foi desenvolvendo nas imediações da colina sagrada. ORIGENS DA FREGUESIA Refere José Manuel Azevedo Sil- va, em “Criação da Freguesia de Santo Nos princípios do século XIII, cer- António dos Olivais”: ca do ano 1210, a infanta D. Sancha “Cerca de 1247, os menoritas fo- funda o Real Mosteiro de Santa Ma- ram para o seu novo convento de S. ria de Celas, de Guimarães, da Ordem Francisco da Ponte e, nos finais do de S. Bernardo, e à sua roda vai cres- século XV, em virtude do crescente cendo o burgo de Celas. culto antonino, o cabido catedralício Poucos anos passados, em 1217/18, mandou reformular o templo dos Oli- junto à capelinha de Santo Antão, os vais, ficando a igreja com as dimen- primeiros franciscanos chegados a sões que hoje tem, à excepção de um Portugal fundam um humilde eremi- pequeno aumento da capela-mor, fei- tério. E em 1220, depois de nesse to no século XVIII, pela mesma altu- mesmo ano ter tomado ordens sacer- ra em que foi constituída a vistosa es- dotais em Santa Cruz, aqui se vem cadaria. acolher Frei António, preferindo este No século XVI são ampliadas as nome ao de Fernando e trocando o instalações conventuais, no espaço
    • 6 INTERNACIONAL 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 nos estaduais, a vitória dos democra- cessivamente a ingleses e soviéticos. tas foi muito significativa, começa um O risco de recessão, com o acréscimo da novo ciclo político. dívida pública para a cobertura de Ban- Não me preocupa a vitória de Oba- cos e Seguradoras falidos. A questão do ma; só vai incomodar um bocadinho o macroterrorismo. E os problemas de que barulho que a “esquerda festiva”, por fez bandeira – a saúde, a educação, as cá, vai fazer à sua volta. Até come- cidades, a pobreza. çar, daqui a seis meses, a manifestar E também, a necessidade de rede- a sua desilusão com o novo Presiden- finir o papel dos Estados Unidos pe- te americano rante um mundo que mudou muito. E Porque Obama é um político e es- onde não é possível, ao mesmo tem- tratega consumado no modo como po, enfrentar o islamismo radical, hos- apareceu, ganhou a nomeação demo- tilizar a Rússia e inquietar a China, e crática à todo-poderosa Hillary Clin- ter a política externa condicionada por AMÉRICA: NOVO CICLO ton, captou as forças do capital - de lobbies de interesses e agendas ideo- Warren Buffet a Paul Volcker - e parte História” – e uma série de personali- lógicas. (...) Assim se fecha um longo ciclo do establishment conservador ame- dades que na semana final se junta- Mas Obama tem, com um Congres- de hegemonia conservadora na políti- ricano e internacional. ram ao carro do vencedor. so da sua cor e uma grande dose de ca americana – apoiado a partir de Por isso teve 600 milhões de dóla- Obama vai ter uma das mais difí- expectativa favorável interna e exter- Reagan em 1980 na aliança Sul-Mi- res para a campanha. Que não podi- ceis presidências da história america- na, uma oportunidade de refazer, em ddle West, blue-collars, evangélicos am vir de “pequenas” contribuições de na: duas frentes de guerra – Iraque, face a face com o resto do mundo, e republicanos tradicionais, que mes- 50 dólares na Internet, num país de difícil e vital para a política do Médio uma ordem internacional estável e mo na era Clinton manteve o Con- 300 milhões de habitantes! E acabou Oriente, e o Afeganistão, que nem equilibrada. Deus o ajude, e a nós tam- gresso. A gestão de George W. Bush endossado por toda a gente, incluindo sequer é um país, mas um conglome- bém. e Dick Cheney deu cabo dessa alian- intelectuais conservadores – como o rado tribal, de “senhores da guerra” e Maria José Nogueira Pinto ça. Como no Congresso e nos gover- incontornável Fukuyama, do “fim da fanáticos, que serviu de cemitério, su- Diário de Notícias UE-Rússia: os negócios como sempre anos, uma imitação de progresso da inte- Bruxelas são agravadas também devido à fluência. Também não pode integrar um blo- Fiodor Lukyanov * gração nas condições de uma crescente ir- polarização interna na UE, entre a «nova» e co por ser um país demasiado grande e in- ritação mútua. a «velha Europa», quanto à questão russa. dependente. Em 14 de Novembro decorreu em Nice Muitos dos princípios básicos da aproxi- Também na UE nem tudo está claro. a 22.ª cimeira UE-Rússia. O Presidente da mação russo-europeia no início dos anos 90 A INTEGRAÇÃO As reformas institucionais, chamadas a Comissão Europeia, José Manuel Barroso, esgotaram-se devido à mudança radical das É INSEPARÁVEL dar mais um passo na direcção a uma confirmou a decisão de Bruxelas de «reco- circunstâncias. Naquela altura, acreditava- DA SEGURANÇA união política consolidada, de novo estão meçar as conversações com Moscovo so- se que a Rússia podia integrar o sistema da emperradas. O Tratado de Lisboa, mes- bre um novo acordo base», interrompidas Europa Unida, adoptando as normas e as Os acontecimentos na Geórgia fizeram mo se for rapidamente ratificado, não em Agosto devido ao conflito militar no Cáu- regras então vigentes, sem pretender ser subir à tona os problemas latentes e permi- mudará, em princípio, muita coisa. Al- caso. «Sendo vizinhas próximas, a UE e a país membro da UE. Na Rússia, o objectivo tiram avaliar melhor a disposição geral. guns países da UE procuram aumentar Rússia têm, naturalmente, muitos interesses de aproximação paulatina à Europa a qual- Em primeiro lugar, existe uma relação a importância política e a independência e preocupações comuns», acrescentou Xa- quer custo, era partilhado pela elite russa e muito estreita entre todos os aspectos da da UE. O papel desempenhado pela vier Solana. visto positivamente pela sociedade civil. Mas existência da Europa Unida. Assim, uma França durante o conflito militar no Cáu- Ao intervir no encontro, o Presidente rus- as prioridades russas alteraram-se e a UE conversa sobre a integração económica é caso animou muitas pessoas na Europa. so declarou: «Procuramos um desenvolvi- viu-se numa situação difícil. simplesmente inseparável do problema da De uma forma ou de outra, as actuais mento dinâmico dos contactos com os ho- A Rússia foi considerada um país parcei- segurança. Os receios e os medos transpi- mudanças na arena internacional, rela- mens de negócios, várias regiões, numero- ro civilizado e vizinho próximo. O formato ram cedo ou tarde, o que se tornou mais cionadas com um certo enfraquecimen- sos Estados e a sociedade civil da UE. A das relações da UE com semelhantes paí- que evidente na esfera energética. A politi- to das posições políticas e financeiro-eco- maioria esmagadora dos países da UE age ses prevê um paradigma integracional. Ou zação de qualquer tipo de debates sobre o nómicas dos EUA, abrem novas pers- da mesma maneira». Dmitri Medvedev ga- seja, uma entrada gradual no espaço políti- fornecimento do gás natural russo é resul- pectivas para todos. rantiu que em 2008 o PIB do seu país «cres- co e jurídico da UE, quer com uma pers- tado do facto da arquitectura da segurança As conversações sobre um novo acordo cerá cerca de 7%». pectiva de ser admitido nela como país mem- europeia geral não fornecer garantias a cer- de parceria entre a UE e a Rússia serão Os dois actos, a suspensão e o reinício bro, quer como um país com dependência tos países. longas e difíceis. Não se trata de elaborar do diálogo Bruxelas-Moscovo, tiveram um estreita e preferências especiais. É um fenómeno que se revela nos dois um documento base para muitos anos, mas carácter meramente simbólico. De facto, Moscovo recusou este formato e Bru- lados. A Rússia, por exemplo, tem dificulda- sim um acordo intercalar, capaz de fixar um antes do conflito militar russo-georgiano as xelas nada podia propor. Além disso, a pró- des de manter um diálogo económico nor- compromisso situacionista e tornar mais efi- consultas bilaterais ainda não começaram, pria Rússia nem sempre entende o que con- mal com a Ucrânia, tendo esta atrás de si caz a actual cooperação. nem se pode esperar agora um “boom” di- cretamente quer. As relações meramente uma sombra da NATO e todo um conjunto Numa perspectiva histórica, a UE e a plomático. No entanto, os acontecimentos mercantis, tais como existem entre a UE e de problemas e emoções daí decorrentes. Rússia estão fadadas a uma parceria e do Verão de 2008 influíram consideravel- a China, não agradam a Moscovo, já que Por outro lado, a Polónia e os países do uma interacção caso ambicionem desem- mente na situação na Europa. pretende (dadas a proximidade cultural e o Báltico, ao temerem o alegado expansionis- penhar um papel importante no século XXI. entrelaçamento económico) um estatuto mo russo, não acreditam nas garantias da Mas, para elaborar um modelo desta inte- A APROXIMAÇÃO único. Como resultado, no momento da ex- NATO e da UE. Isto significa que sem cri- racção é preciso apresentar novas abor- E AS DIVERGÊNCIAS piração do Acordo sobre Parceria e Coo- ar um credível sistema da segurança euro- dagens e desistir dos estereótipos herda- peração, assinado em 1994 e ratificado em peia, a progressão económica é praticamente dos do século passado. A edificação, na A UE chegou a avisar que depois do con- 1997, ou seja, noutro período histórico, as impossível. base da UE e da Rússia, de uma nova flito militar com a Geórgia «seria impossí- duas partes perderam a noção do objectivo Em segundo lugar, os processos de auto- «grande Europa», é uma tarefa compará- vel» manter com a Rússia «os negócios estratégico das suas relações. determinação geopolítica continuam quer na vel apenas à assumida pelos arquitectos como sempre». O que até pode ser consi- Hoje em dia salta à vista a discordância Rússia, quer na UE. Moscovo procura o da integração europeia após a II Grande derado positivo. O formato das relações quanto aos valores básicos do Estado mo- seu papel na política mundial e gostaria de Guerra. Naquela altura, poucos acredita- Bruxelas-Moscovo tem sido, nos últimos derno. As divergências entre Moscovo e ser um poderoso e independente polo de in- vam no seu êxito.
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins Nossa Senhora de Lurdes… audíveis politicamente para Maria de Lur- … nos perdoe, mas o país deixou de acre- des Rodrigues, e continua a ter os 49% gan- ditar nela, e os órgãos directivos das escolas hos na 2ª volta das presidenciais. E José vão ter que responder à letra à boutade de Sócrates cai na esparrela ingénua – porque que “não me passa pela cabeça que as não pode ser ameaça, de certeza! – de o escolas desobedeçam”! Porquê, se já não repreender em público, afirmando que o é a primeira vez? Ou já se esqueceu, Sra. poeta nunca apoia o PS e as medidas do Ministra, da visita da PSP a algumas das Governo (não dá para crer!). António “suas” escolas, à procura de textos e faixas Costa diz alto e bom som que o braço- de incentivo à contestação de rua que se de-ferro da ministra da Educação pode avizinhava, e como houve então que dobrar mandar às urtigas a próxima maioria ab- a cerviz? E vir um porta-voz afirmar agora soluta. António José Seguro afina pelo um peremptório “não há 1% de possibili- mesmo diapasão e lança a escada à su- dades de a ministra da Educação sair”, cessão de Sócrates. E este trata os seus pode ser frase a engolir a curto prazo. Nes- críticos domésticos… chutando-os para ta altura já se contabiliza um segundo desfi- cima: Carrilho na UNESCO, João Cra- le-gigante dos professores (e mais concor- vinho no BERD, Ferro Rodrigues na rido que o anterior), já correm o país men- OCDE – e Alegre deve ter também à sagens de telemóvel a incitar ‘alunos’ à gre- espera um lago inspirador e recheado de ve (veja onde isto já vai!), voam ovos e to- musas, porque já avisou a navegação que mates pelo ar – o que não chegou a aconte- “não pensem despachar-me para o cer a Correia de Campos, e veja o tempo parlamento europeu” (e a este alerta que ele durou a seguir à pressão da rua, directo, o primeiro-ministo disse nada, mesmo não estando então no horizonte pró- nadinha). ximo um calendário eleitoral escaldante onde Ora Sócrates começa a ter nas mãos vão pesar os votos dos professores, dos alu- um batatal a ferver! A minha humilde opi- nos, dos pais, e do povinho que está farto de nião de nada vale, mas já aqui a escrevi arrogâncias e parvoíces políticas. Nem terá mais de uma vez: remodele, enquanto é mais eco, a seguir à saída da notícia nos tempo! Quantas insónias não teria pou- pasquins do costume, o boca-a-boca de que burro do que lá se passou, o PS já inviabili- onde for economicamente eficiente”; pado e quantas asneiras do tamanho do Sócrates mandou calar o PS sobre nomes zou a audição. Comentários para quê, se Manuel Pinho, depois do mar-de-rosas da mundo não passariam hoje de monólogos de social-democratas envolvidos na derro- são tudo ‘artistas portugueses’? economia portuguesa, logo seguido da ca- ressabiados e caseiros de ministros já fora cada do BPN; porque se isto é real, então o Mas do lado governamental da trinchei- tástrofe anunciada de que “nada será como da carroça do poder? Se o tem feito no recado vai direitinho para Cavaco Silva, ra e no PS, as coisas começam a ir de mal a dantes”, deixa-se agora embrulhar na polé- início de 2007, a alguns meses da presi- numa altura em que se diz serem precisos pior, senão mesmo a ameaçar ruína: a equi- mica cobertura que dá a um amigo pessoal dência europeia, estava hoje a lidar com bem mais de 1.000 milhões para tapar o rom- pa da Saúde não sabe o tamanho da dívida (o presidente da Autoridade da Concorrên- gente fresca e quase com dois anos de bo no banco e o Governo meteu nas mãos do Ministério (Ana Jorge diz num dia que cia, que é uma entidade-chave de supervi- experiência governativa (e nessa altura do Presidente o “assine aí” da nacionaliza- não sabe, no outro que a coisa vai chegar a são em temas efervescentes como o preço tinha muito por onde escolher), para ata- ção, interferindo-se desse modo (goste-se um milhão de euros – e só se esqueceu de dos combustíveis); Mário Lino colecciona car 2009 com os olhos postos na nova ou não da verdade) no funcionamento livre que são realmente mil milhões, menos que as incontinências verbais do costume; a maioria absoluta. Mas termino como na do mercado – e perguntar-se-á porque não o rolhão que o BPN precisa para não der- Defesa desafia a instituição militar (come- última crónica: Vossa Excelência manda, é assim para o mundo empresarial que co- ramar mais óleo no pavimento); Mariano ça a dar no goto dos membros do governo, Vossa Excelência é que sabe !!! Mas… lapsa, quando as Finanças e os credores os Gago anda a ‘empurrar’ os reitores e vai afrontar as ‘instituições’ sem medir conse- e se o Presidente se lembra de que está empurram para a declaração de falência. ter à perna uma das mais respeitadas insti- quências), e tem de vir o tandem presidente em causa o regular funcionamento de ‘ins- Mas Dias Loureiro já disse que quer ser tuições de todo o país – a Universidade; + primeiro-ministro salvar a situação. tituições’ debaixo de fogo, Sr. Primeiro- ouvido pela Assembleia da República sobre Maria de Lurdes Rodrigues e os seus “ad- Manuel Alegre parte a loiça dentro de Ministro? Santana Lopes também fez uma o tema-BPN, e que quer limpar o nome de juntos” contradizem-se, ela não vai onde pro- casa, diz sem rebuço o que pensa de minis- cara de espanto (de que ainda não saiu) uma lista que mais tarde ou mais cedo vai mete e os ovos e os tomates sobram para tras sem cultura democrática, junta-se a um quando, por muito menos, Jorge Sampaio cair na praça pública. E será que podem vir eles; o responsável governamental pela comício do B.E. onde o Governo leva na o mandou de volta às bases. Parece-lhe a lume alguns tições acesos que podem cha- Cultura diz sem papas na língua que “não cabeça, quebra a disciplina de voto e apoia que alguns cromos que tem no Governo muscar muito boa gente de outros partidos? está satisfeito com o Orçamento” que lhe propostas do BE e do PEV, vota contra o merecem esse risco? Repare que 2009 é E como ele é um dos que deve saber p’ra deram, e pergunta se “investir é só fazê-lo Código do Trabalho, deixa epítetos nada já amanhã! 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    • 8 CRÓNICA 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO O Sol na ementa, por favor… Crescera num orfanato. Falou-me do frio que passara, José Henrique Dias* da comida horrível, o arroz de espinhas de peixe, as ora- ções, os banhos gelados, os castigos das freiras. A sua mai- jhrdias@gmail.com or ambição, contou-me, fora sempre poder comer um ovo estrelado, como os que vira comer às freiras. A molhar o Tinha nos olhos um brilho que ainda me cintila na memó- pão. A lamber os lábios. ria. Conhecemo-nos no acaso do lançamento de um livro, Quando começou a trabalhar e lhe entregaram o primei- não, foi no bengaleiro de um teatro, vão lá não sei quanto ro salário, disse-me como se falasse de um imperativo kan- anos, na estreia de Seis Personagens em Busca de Autor, tiano, foi a um restaurantezinho do bairro e pediu um ovo de Luigi Pirandello. Na altura, sei lá bem, andava eu pelos estrelado. Nada lhe soubera tão bem na vida. Comeu lento, vinte e poucos anos, entrara no internato e fazia bancos à demorou as migalhitas de pão, cortou pedacinhos da clara sexta-feira, na equipa de um experimentadíssimo cirurgião, tisnada. Feliz. Ainda se via nos olhos. também coronel, que se repartia entre o decrépito S. José e Tudo isto me revisitou hoje, ao olhá-la. Ainda tão bonita, o Hospital da Estrela. o cabelo platinado, o rosto luminoso e os gestos brandos, tão Acolhia-nos a todos com bonomia e rapidamente nos elegante naquele fato de veludo preto, no peito a pregadeira punha de agulha e catgut no costuredo dos coros cabelu- que lhe ofereci nas bodas de prata do casamento. Nem dos, bom território para a superação das naturais dificulda- esperámos pelo fim dos cursos. Com a minha mesada e o des. Um dia entrou um homenzarrão um tanto cianosado, seu salário, fizemo-nos à vida. Vieram os filhos. que se sentira subitamente mal depois de uma injecção de O reitor acabou de lhe tecer os maiores elogios. A sua penicilina. Sem pulso e sem respiração. Os internos, volun- obra foi comentada, a sala cheia de alunos, antigos alunos. tariosos, massajavam como podiam, na tentativa da ressur- A faculdade revia-se na última lição. A claridade do pensa- reição (não me lembro de ouvir falar em desfibrilhadores) e mento, a profundidade leve da erudição. Ia jubilar-se. No requereram autorização para uma massagem directa. Pre- mesmo dia foi apresentado um número da Revista da Fa- paravam-se para abrir caminho, bisturis em riste. Pávi- culdade, em sua homenagem, com artigos de alguns dos do, o chefe de equipa limitou-se a dizer façam se quise- maiores nomes da filosofia europeia. rem, mas não serve de nada. Está morto. Tratou-se de Fomos jantar à beira do rio. Entrou um jovem com um um shock anafiláctico traduzido no dia seguinte na im- cone de rosas, sotaque sul-americano. Aproximou-se e prensa em tremendista local titulada de ”injecção mal esperou que eu escolhesse. Antes que eu pudesse decidir, dada mata comerciante”. antecipou, apenas uma. Estava cansada. Tudo naquele Todos pensámos que estávamos numa espécie de mo- dia fora cumprir obrigações académicas. Sentia-se o ru- mento histórico, a primeira anafilaxia conhecida numa apli- bor da nostalgia. Custava-lhe muito deixar as aulas, conti- cação da prodigiosa penicilina. nuaria no centro de investigação. A sorrir, disse-me tenho Mas eu estava a lembrar-me daquele encontro no tea- os netos para cuidar. tro. Não consigo fazer contas exactas, talvez mil novecen- Disseram-me depois que foi a bênção de um tio bispo. Quando veio a ementa, percorreu-a com olhos de uma tos e cinquenta e nove, tinham arrancado as obras do me- Pior a emenda do que o soneto. Berrei com a família e indizível ternura e perguntou: tropolitano e os acidentados entravam ao minuto, ambulân- nunca mais parei de conspirar. Será possível arranjar-me um ovo estrelado? cia atrás de ambulância. A rapariga do bengaleiro, ia a esquecer, deixava ficar um Dois, outro para mim, disse com os olhos presos nos Aumentara a vigilância por causa das eleições do ano agasalho que foi junto com o meu sobretudo, levado pela seus olhos e os dedos enlaçados na haste da rosa poisada anterior, Humberto Delgado sacudira o país. Apanhado em empregada, que nos devolveu uma rodela de lata com um na toalha. Ficaram a olhar para nós. Não interessa o que Lisboa, nos redemoinhos da chegada a Santa Apolónia e número. Ficámos a olhar um para o outro. Qual de nós… pensaram. Coisas de velhos, certamente. uns panfletos a distribuir, fui levado para a António Maria A mulher notou e disse estão juntos não estão? Não es- Estamos agora no jardim. Vai lá um ano. É o fim de um Cardoso. Anoitecia. No início do interrogatório, quando me queço a suave gargalhada da rapariga ao dizer não. Des- dia de Outono, o sol esconde-se na lonjura do Guincho. perguntaram o nome, saiu-me sei lá porquê, não falo com culpem, disse a mulher, voltou dentro e deu uma rodinha a Os pequenos correm atrás dos patos. A Mariana é a indivíduos como vocês. cada um. O meu sobretudo ficou com certeza ao lado do mais pequenina, encontrou uma flor silvestre, corola ama- Custou-me caro, o arremedo de heroicidade. Durante casaco dela. Reparei na camisola de gola alta e na saia até rela. Estendeu a mãozita e disse Avó. Ficámos frente a uma eternidade jogaram futebol comigo. Os pontapés acer- meio da perna. Não sei se ela reparou em alguma coisa, frente. Com uma flor do tamanho do Sol. Tomei-a pelos taram em tudo onde já não valia a pena doer. É incomen- aterrava-me que reparasse na falha do incisivo que ficara ombros e beijei-a como naquela tarde longínqua em que surável a capacidade do ser humano. Eu que sempre tive cuspido na sala do interrogatório. ficámos sós. medo de levar uma injecção. És uma maricas, é o mínimo Ouvia-se uma canção que dizia que o destino bate à Com exactidão suspensa, ao olhar o poente e a flor ama- que ouço, quando vejo uma agulha à procura da minha porta. Bateu mesmo, por coincidência ficámos lado a lado rela, senti que no horizonte de um beijo acordava a gulodice. pele. Não tens vergonha?! Não, não tenho, isto não foi na plateia do Avenida, não, do D. Maria, não sei, já não De um ovo estrelado. feito para ser furado. consigo lembrar. Sei que perdi muito da peça ao olhar de Não deu para muito tempo a passagem na pide. Dois esguelha o seu perfil atento ao movimento das persona- dias depois, punham-me na rua, a rosnarem ameaças, com gens, como pensamentos à espera de pensador, sufocado equimoses por todo o corpo e a raiva multiplicada. na tentação de poisar a minha mão sobre a dela. À saída disse-lhe uma frase banal. Eu também só era capaz de frases banais. Pelo visto ela não sabia, tomou- a por grande frase. Acho que disse, conheço-a da peça, não conheço? Juntei-lhe o nome para apresentação: Octávio. Mariana, respondeu num vago aceno de olhos. Ficámos a conversar. Sobre as reincarnações no palco. Personagens e actores. Estudava Histórico-Filosóficas, como aluna voluntá- ria, trabalhava numa livraria do Campo Grande, vivia num quarto alugado lá para Sete Rios. Ficámos juntos para sempre. Naquela longa tarde de um domingo, o primeiro de tantos passeios, fiquei a saber a sua história. Personagem em busca de autor. Como em Piran- dello, Sei personaggi in cerca d’autore. Também ela aban- donada, em busca de uma vida. Personagem e intérprete. Em reencontro. * Professor universitário
    • 10 BISSAYA-BARRETO NOVEMBRO DE 2008 Prof. Bissaya-Barreto: um Homem do futuro O Prof. Bissaya-Barreto, para além de prestigiado cirurgião e ilustre mestre de Medicina, destacou-se por ter levado a cabo uma extraordinária obra social, nas mais diversas áreas, mas também uma relevante actividade cívica e uma notável acção em termos de empreendedorismo e desenvolvimento do território. Algumas das suas iniciativas vão citadas nas páginas seguintes, e por elas se pode ficar com uma ideia do que foi o incansável labor deste Homem em prol do seu semelhante, antes de tudo, mas também do seu País. Este suplemento pretende ser uma homenagem singela a Bissaya-Barreto e à Fundação com o seu nome, criada há precisamente 50 anos, e que tem sabido ser digna continuadora dos ideais do seu Patrono Novembro / 2008 suplemento do jornal
    • arte em café 2II BISSAYA-BARRETO NOVEMBRO DE 2008 Um grande Homem, O Prof. Bissaya-Barreto é uma figura notável, seja qual for o ângulo de análi- se da sua multifacetada actividade. Uso o verbo, deliberadamente, no pre- sente (é, e não foi), para significar que O Prof. Bissaya-Barreto ele continua a ser, nos tempos que cor- era um homem de acção, rem, uma personalidade não apenas como o demonstra a espantosa rara, mas verdadeiramente ímpar! obra que legou, mas era também um intelectual de inteligência rara Isso está eloquentemente demonstrado e grande sensibilidade, sempre na obra, tão vasta quanto valiosa e diversifi- a pensar em novos empreendimentos cada, que concretizou no passado, muitas que pudessem ajudar os mais desfavorecidos vezes com métodos precursores (alguns que ainda hoje estão espantosamente actuais) e que, graças a dignos continuadores, per- manece bem viva e pujante. Dizer isto, aqui e agora, numa altura saya, quando o viu pelo vidro, fez-lhe um em que se celebram os 50 anos da Fun- cordial aceno para que entrasse. dação que criou, poderia ser interpreta- “Então é este o seu herdeiro?” – inda- do como elogio fácil e sem outra consis- gou com um sorriso, enquanto me fazia tência que não a de juntar a voz ao coro uma festa na cabeça e convidava meu de loas que, muito justamente, dos mais Pai a sentar-se frente a ele, no banco de ilustres aos mais humildes, se tem er- três lugares forrado de vermelho guido ao longo de 2008 – ano em que Começaram a conversar, não sei de tem vindo a ser concretizado rico progra- quê. Aliás, nem ouvia o que diziam, ocu- ma comemorativo, recheado de momen- pado que estava a olhar aquele senhor tos de grande elevação em diversos do- que acabara de conhecer, intimidado, mínios (apesar de ter sido também um mas que afinal não era grande e depressa ano de profunda tristeza, pela morte, tão se me tornou simpático, pelo sorriso e prematura, do Eng. Nuno Viegas Nasci- pelo tom de voz. Numa prateleira, junto mento, que durante décadas presidiu à à janela, uma bandeja com uma cháve- Fundação Bissaya-Barreto). na, ao lado de um objecto estranho (que pouco depois verifiquei ser um bule com Sucede, porém, que as afirmações que chá, tapado com uma “carapuça” de fel- aqui deixo agora escritas, são apenas a tro, para que não arrefecesse). repetição das que publiquei há três dé- Lembro-me de meu Pai me dizer de- cadas no “Jornal de Notícias”, numa al- pois que o Prof. Bissaya ia a Lisboa, de tura em que os “ventos revolucionários” comboio, todas as semanas, alojando- varreram, finalmente, muitas prepotên- -se no Hotel Métropole (recordo achar cias, mas também sopraram, de forma Foi num dia em que entrei, com meu mem grande, alto. Mas apenas apareceu estranha a fonética, pois pensava que lamentável, várias injustiças. Pai, no comboio “rápido” que nos leva- um senhor de baixa estatura e andar se devia dizer metrópole...), que perten- ria de Coimbra a Lisboa. Embora a CP não apressado que entrou para uma carrua- cia a outro amigo comum, Alexandre de (Nesse período conturbado e pouco to- primasse pela pontualidade, certo é que gem de 1.ª classe, enquanto o chefe da Almeida (um príncipe da hotelaria portu- lerante, era ousadia elogiar qualquer fi- já passavam vários minutos para além Estação o cumprimentava, tirando o guesa). gura que, mesmo levianamente, fosse do horário, mas a composição mantinha- boné, para logo de seguida tocar a cor- E igualmente aprendi de meu Pai, nessa conotada com o regime deposto. Por isso -se muda e queda nos carris. Meu Pai, o neta de metal amarelo, reluzente, que inesquecível viagem (quando o questionei tive a grata satisfação de ver esse meu jornalista José Castilho, talvez impelido dava ordem de marcha ao maquinista. sobre o facto do Prof. Bissaya, ao contrário gesto, e outros semelhantes que assumi por curiosidade profissional, saiu da car- Alguns minutos depois, quando o revi- do que ele afirmara, não ser um homem ao longo dos anos, serem gentilmente ruagem, comigo pela mão, para indagar sor veio picar, com um alicate, os peque- grande...), que a grandeza dos homens se reconhecidos e agradecidos pelo Presi- o que motivava a estranha demora. O nos bilhetes cinzentos, de cartão gros- não mede aos palmos, pelo tamanho, pela dente da Fundação, Viegas Nascimento). Chefe da Estação esclareceu, em voz so, meu Pai perguntou-lhe onde se en- envergadura física, mas antes se determi- baixa e tom respeitoso: “Estamos à es- contrava o Prof. Bissaya. na pela estatura moral, pela forma como Ora o Prof. Bissaya-Barreto, mais pela pera do senhor Professor Bissaya-Bar- Obtida a resposta, lá me levou corre- passam pela vida. sua amizade por Salazar do que pelos reto...”. dores adiante, a mão protectora no meu cargos políticos que ocupou, foi uma das Vi o meu Pai sorrir, o que me tranquili- ombro, a amparar-me dos balanços do Depois tornei a ver o Prof. Bissaya-Bar- figuras injustiçadas nessa época em que zou, e enquanto voltávamos a entrar na comboio, mais apertada quando era pre- reto por diversas vezes, e muitas mais a Democracia dava os primeiros passos. carruagem perguntei-lhe quem era esse ciso passar de uma carruagem para a se- ouvi meu Pai a falar com ele por telefo- Aliás, não só injustiçado, mas esquecido senhor tão importante que até o comboio guinte, sobre chão de ferros assustado- ne. Lembro-me, particularmente, de uma e, pior, até mesmo atacado por muitos esperava por ele. ramente movediços e rajadas de vento acesa polémica escrita que manteve com daqueles que tanto ajudou!... “É um grande homem e um grande ami- ruidoso. outro amigo de meu Pai, o Prof. Ibérico go! Daqui a pouco vais conhecê-lo”. Nogueira, nas páginas do “Diário de Sei do que falo, porque, ainda criança, Depressa chegámos à porta de um dos Coimbra” (de que meu Pai era Chefe de tive o privilégio de conhecer Bissaya-Bar- Lá fiquei de nariz encostado à janela compartimentos numerados, a que meu Redacção), numa série de artigos que, reto. do “rápido”, à espera de ver surgir um ho- Pai nem chegou a bater, pois o Prof. Bis-
    • NOVEMBRO DE 2008 BISSAYA-BARRETO 3 III uma Obra enorme se a memória me não falha, tinham por título “Coimbra precisa de um Hos- pital-Universidade, Coimbra preci- sa de um Hospital-Cidade”. E, efec- tivamente, o Hospital-Geral da Colónia Portuguesa do Brasil (que Bissaya-Bar- António de Oliveira Salazar reto criara inicialmente para tratamento e Bissaya-Barreto: uma amizade forjada da tuberculose) viria a tornar-se num nos bancos da Universidade de Coimbra, que se prolongou pela vida fora, modelar Hospital civil de Coimbra, hoje e que não raro Bissaya-Barreto utilizou designado por Centro Hospitalar de para proteger opositores do regime Coimbra (vulgarmente conhecido como e para facilitar o lançamento de obras de importância para Coimbra, Hospital dos Covões, por caussa da sua para a Região Centro localização). e para o próprio País Se evoco esta experiência pessoal, é para referir algo que me parece impor- tante para definir a personalidade do Prof. Bissaya-Barreto. A relevantíssima acção de Bissaya Bar- Meu Pai foi sempre um homem “de es- reto não se quedou pelas áreas da saú- querda”, no sentido mais nobre da ex- de e da assistência (e, dentro destas, pressão – isto é, lutando toda a sua vida pelas diversas instituições de ensino que por uma sociedade mais justa e mais fra- criou e fomentou, e pelas políticas que terna e pela liberdade de expressão que influenciou) tanto prezava e que a Censura do regi- A sua sensibilidade estética levou-o a me impedia (faleceu em 1969, sem ter reunir uma valiosíssima colecção de visto concretizado o sonho de mudança obras de arte, hoje espalhadas por di- que só chegaria 5 anos depois, com a versos edifícios da Fundação, com es- Revolução de 25 de Abril). pecial destaque para o magnífico recheio Usava a caneta como esgrimista exí- da sua residência principal em Coimbra, mio, belas palavras em golpes geniais, o palacete junto aos Arcos do Jardim, corajosos e contundentes, que acaba- transformado em Casa-Museu Bissaya- riam por valer-lhe a prisão, pois a Dita- -Barreto (e que acolhe uma actividade dura não admitia tais atrevimentos. cultural intensa, incluindo a sua galeria Só anos mais tarde, já adolescente, de arte). soube que foi graças à intervenção do Prof. Bissaya-Barreto que o libertaram. Mas importa sublinhar que Bissaya- Do mesmo modo que vim a saber que a Barreto desenvolveu, em simultâneo, muitos outros opositores do regime ti- uma outra obra de importância equiva- nha valido uma palavra de Bissaya-Bar- lente à que concretizou no plano social. reto ao seu grande amigo Salazar, para dois antigos condiscípulos. Instituto Maternal, hoje Maternidade Estou a referir-me ao seu trabalho na que saíssem das masmorras do regime. A verdade é que isso nunca afectou a Bissaya-Barreto, foi uma instituição al- área do desenvolvimento económico, so- Soube também que a amizade de Bis- amizade recíproca. tamente inovadora na época), e o espan- bretudo de Coimbra e de outras zonas saya-Barreto por Salazar se forjara nos Uma amizade que Bissaya-Barreto toso “Portugal dos Pequenitos” (que con- da Região Centro. bancos da Universidade de Coimbra, sempre aproveitou para conseguir levar tinua a atrair e a deslumbrar, anualmen- As suas iniciativas foram muitas e di- onde foram condiscípulos, e que havia a cabo, mais facilmente, os seus pionei- te, centenas de milhar de miúdos e graú- versificadas, desde a instalação dos Es- de manter-se pela vida fora, apesar de ros projectos de intervenção e desenvol- dos, nacionais e estrangeiros). taleiros Navais do Mondego, na Figueira defenderem ideais bem diversos. vimento social (até mesmo a nível do Go- Mas as preocupações de Bissaya Bar- da Foz, até à criação do Aeródromo de verno do País, como sucedeu com a cria- reto não se quedavam pela assistência Coimbra (que merece referência alarga- Desde logo, enquanto Salazar era mo- ção do Ministério da Saúde), ao mesmo às crianças e às mães, antes se esten- da noutro local deste suplemento), pas- nárquico, Bissaya-Barreto foi sempre, tempo que igualmente ia intercedendo diam a outros seres humanos que a Na- sando pelo lançamento e pelo apoio a desde muito jovem, um apaixonado Re- junto do Ditador para livrar muitas pes- tureza penalizara – como os cegos, os muitas outras empresas e instituições publicano, que chegou mesmo a afron- soas das perseguições da PIDE (a polí- surdos, os tuberculosos e os leprosos, dos mais variados sectores, desde o ter- tar o Rei D. Manuel II, em cerimónia so- cia política do regime salazarista). tendo criado instituições de grande qua- malismo ao ensino (nomeadamente da lene na Universidade de Coimbra (epi- lidade no apoio a pessoas afectadas por enfermagem e do serviço social). sódio que ficou famoso e que se relata Porque outra das características de estas deficiências e patologias. mais à frente, noutra página deste suple- Bissaya-Barreto era o humanismo, a sua Antes de erguer estas instituições, Bis- Por tudo isto afirmo, ciente de que não mento). constante preocupação com os mais saya-Barreto procurava saber o que ha- exagero, que Bissaya-Barreto foi, na sua Bissaya-Barreto foi igualmente um desfavorecidos e vulneráveis. via de mais avançado, a nível mundial, época, e pode considerar-se ainda hoje, destacado membro da Maçonaria – so- A obra que desenvolveu em prol das em cada uma das áreas em que preten- para além de cultor da solidariedade, um ciedade secreta (agora preferem classifi- crianças é absolutamente pioneira e ex- dia intervir, adoptando os métodos e os pioneiro, um visionário, um empreen- cá-la como discreta...) que Salazar detes- traordinária, mesmo se avaliada pelos equipamentos mais modernos, que me- dedor – enfim, um Homem do futuro! tava. parâmetros actuais. Dos “Ninhos” dos lhorava com adaptações ditadas pela E muitas outras divergências de con- pequenitos às Casas da Criança, passan- sua inteligência e pela sua capacidade Jorge Castilho vicções e de práticas existiam entre os do pela assistência materno-infantil (o inventiva.
    • 4 IV BISSAYA-BARRETO NOVEMBRO DE 2008 PER ANTE O EMBARGO JUDICIAL, BIS SAYA-BARRETO MANDOU AVAN PERANTE BISSAY SAYA-BARRETO AV Aeródromo de Coimbra c Escrever ou falar sobre o Aeródromo de Coimbra é referir as várias etapas da sua evolução, o percurso da aviação civil em Coimbra e os nomes dos que lhe estão ligados. São partes de um mesmo corpo que não se devem separar. Como tudo tem um começo há que lem- brar a génese, o mentor, a acção do ilustre Homem que foi Bissaya Barreto. Com vasta e pioneira actividade que ul- trapassou o nosso distrito, foi em Coimbra que mais tempo viveu, estudou e planeou as suas obras, avançadas para a época, das quais as mais emblemáticas estão nesta cidade. Uma delas é o Aeródromo de Coimbra, que muito justamente tem o seu nome. Contudo, é de estranhar que este espaço seja citado por vezes como de Cernache. Se tal pudesse dizer-se, muito mais racio- nal seria chamar-lhe de Antanhol porque a área que ocupa pertence maioritariamente a esta freguesia. É minha convicção que tal confusão te- nha origem no facto de todos os proprietá- rios dos terrenos adquiridos para neles se construir o campo de aviação, ao tempo O Prof. Bissaya-Barreto, no banco de trás do helicóptero, no Aeródromo que tem o seu nome moravam em Cernache. diferente da actual, situando-se perto do camente, um campo de aviação. bra). Este incremento, com a Escola Bissaya O aeródromo serve Coimbra e a sua re- cruzeiro que, de antigo, só tem a coluna A ideia de dotar a cidade com uma pista e Barreto a formar pilotos que incluíam se- gião, mas nunca Cernache ou Antanhol em dórica. Para o templo hoje existente pas- escola de pilotos era mais uma das várias nhoras, coincidiu com a direcção de José particular. sou parte do recheio antigo. Podem ver-se que Bissaya Barreto concretizou durante a Varela dos Reis. (Embora aquela seja uma bela e simpáti- nele várias esculturas em pedra e madeira. sua vida, sempre a favor de Coimbra. Dos contactos para a compra das 11 par- ca localidade, com um passado de que se Destas, duas do século XVIII, barrocas, vie- A primeira vez que manifestou publica- celas de terreno que constituíam a deseja- deve orgulhar, no escrito de hoje inclinar- ram de Coimbra: S. Bernardo, vestido de mente esse desejo foi em 1939, bem antes da área para uma pista, que se pretendia me-ei para Antanhol, onde existiu o solar branco e, contrastando, S. Roberto, vestido que qualquer outra localidade se adiantas- com 1.000 metros, tratou o dr. José Pimenta dos Cunhas, família que mais tarde se mu- de negro). se com a mesma intenção. (que foi responsável pelo Turismo de Coim- dou para Maiorca, Figueira da Foz. Voltando ao Aeródromo: cedo se formou Formou-se uma comissão constituída bra). A apoiar a administração lembro Filipi- Documentos antigos chamam-lhe “Cava- o grupo de entusiastas que se bateu tam- pelo Professor Bissaya, representando a no Martins (um rádio-amador de prestígio leiros de Antanhol”, designação que nessa bém por um aeródromo em Coimbra. Bapti- Junta Distrital, com esta a comprar o terre- internacional), cujo nome também está gra- época era uma honraria. zei-os de “bons guerreiros” porque a sua no, o piloto Carlos Galo e o major Humberto vado no memorial levantado em frente às A primeira igreja foi edificada em local ambição era nobre e pacífica: voar e, logi- Pais, da Força Aérea Portuguesa (FAP). A instalações do aeródromo. Três nomes a compra dos terrenos arrastar-se-ia e só vi- não esquecer. ria a ser concluída vários anos mais tarde. As terraplanagens tiveram que vencer Entretanto a pista foi ganhando forma e desníveis nos terrenos e não se livraram de com tal incremento que em 10 de Março de burocracias por causa da existência de um 1940 aterrou nela o Tiger n.º 146 da FAP, duplo declive, com fosso também duplo. A pilotado pelo major Humberto Pais, em ex- zona era conhecida por Mata Velha ou Ci- periência de operacionalidade. dade Velha, sendo este nome mais apro- Logo em 15 de Julho seguinte, o que exis- priado por haver ali uma “fortificação” ro- tia do campo de aviação foi inaugurado. mana, que se julga ter pertencido à época Posteriormente outras inaugurações tive- que medeia entre o avanço de Décimus Ju- ram lugar, enquanto as obras decorriam. nius Brutus – Callaicos (138-135 A.C.) e o O grupo de entusiastas também não de- protectorado da Ulterior de Júlio César sistia dos seus esforços, o que levou à cria- (61 A.C.)”, segundo o Inventário Artístico ção de uma Secção Aeronáutica na Associ- – Coimbra, de Vergílio Correia e Noguei- ação Académica de Coimbra, garantida que ra Gonçalves. estava a pista adequada às necessidades O pouco que restava desta posição mili- de maior autonomia. À Secção sucedeu o tar, que os romanos terão utilizado por fi- Centro de Aeronáutica (e mais tarde, em 14 car entre Conímbriga e Aeminium (Coimbra), Para além das aeronaves civis, o Aeródromo de Coimbra tem servido também para aterragem de aviões militares, como a imagem documenta de Janeiro de 1976, o Aero Clube de Coim- nunca foi explorado pelos especialistas,
    • NOVEMBRO DE 2008 BISSAYA-BARRETO V5 AS MÁQUINAS PAR RASGAR PISTA DURANTE ARA NÇAR A S MÁQUINA S PAR A R A SG AR A PISTA DUR ANTE A NOITE onstruído à luz do luar!... deduzindo-se que até os arqueólogos não Força Aérea, com envio de dois aviões, pilo- para aeronaves de média capacidade, in- sul, e da Europa, especialmente Espanha lhe atribuíram importância. Constava de um tos instrutores e um mecânico. cluindo as internacionais, para o que está e França. entricheiramento de campanha. Na verda- Na sala de recepção do edifício está um devidamente equipado. Numa altura em que se presta homena- de, mesmo que em escavações se encon- busto do Prof. Bissaya Barreto, ali coloca- O actual presidente da direcção do Aero gem ao Prof. Bissaya Barreto, era obrigató- trasse algo como uma fivela de centurião, do aquando de uma home- moedas, lanças ou punhais, que valia tudo nagem que lhe foi prestada isso comparado com a existência de uma em 4de Junho de 1997, por escola de aviadores apoiada numa pista, iniciativa da Câmara Munici- às portas de Coimbra? pal e do Aero Clube. Em 22 de Fevereiro de 1958, após reu- A propriedade do conjun- nião de altas individualidades, foi decidi- to das instalações ficou do nivelar parte do terreno, deixando uma para a Junta Distrital de Co- outra com vista a futuras escavações ar- imbra, que em 1984 celebrou queológicas. um protocolo de cedência O general Santos Costa, então Ministro da com a Câmara Municipal de Defesa Nacional, participante da citada reu- Coimbra. nião, determinou destacar um Serviço de Esta, por sua vez, assinou Engenharia Militar, com máquinas pesadas outro protocolo com o Aero e pessoal para iniciar os trabalhos. Mas eis Clube, respeitante à explo- que surge um embargo judicial , suspenden- ração por este da parte des- do toda a actividade, com regresso dos mili- portiva e técnica, conservan- tares ao quartel, mas ficando no terreno toda do, porém, a exploração comercial. Clube é o coronel José Oliveira, que assu- rio falar de mais este arrojado empreendi- a maquinaria. José Varela tinha estudado o Vai longe a caricata situação de perso- miu o cargo em 30 de Setembro de 2006, mento que Coimbra e o País lhe devem. Por seu funcionamento antes desta paragem, o nalidades dos governos português e fran- com o entusiasmo dos que sobem mais alto. isso aqui evoco as minhas recordações dos que foi utilíssimo quando o Prof. Bissaya to- cês, acabadas de aterrar em Coimbra, que Das melhorias que conseguiu para o aeró- vôos que fiz há anos, principalmente com o mou a grande decisão de sugerir a retoma- ante a falta de instalações sanitárias tive- dromo, saliento a que levou ao desapareci- dr. Viriato Namora, que é sócio efectivo n.º da dos trabalhos, entusiasmando quem a ram de se encostar aos pinheiros para alí- mento dos bidons de gasolina dos terrenos 1 da Secção Aeronáutica da AAC, data em aguardava: “Numa destas lindas noi- vio das suas necessidades fisiológicas. Pre- marginais do parque de estacionamento. que já pertencia ao grupo de entusiastas tes de luar pode-se fazer uma linda sidia então ao Aero Clube o eng. Teles de O combustível está agora num carro-tan- que tanto se esforçaram para que o Aeró- obra. Avancem!”. E foi numa azáfama in- Oliveira, que de imediato aplicou os seus que, cedido pela FAP. dromo Bissaya Barreto se tornasse numa descritível, com José Varela manobrando um conhecimentos técnicos na elaboração do Num esforço final, espera-se que o arma- realidade de enorme importância para o bulldozer à luz dos faróis dos automóveis da projecto no qual saiu o edifício base do zenamento venha a ser subterrâneo. desenvolvimento desta Região. “muralha”, que se fez o que tinha de ser aeródromo. Em aberto continua um outro plano regio- (Naquele tempo voava e fotografava, o feito, ao que a cidade correspondeu com As formações de pilotos continuam, au- nal para receber aeronaves maiores, como que me proporcionou alguns bons prémios, brita e areia em quantidade. Chegara a vez mentando a pleíade com estatuto próprio, o 747 da Boeing e o A380 da Airbus, que já incluindo a publicação em livros, dos quais do alcatrão. como é timbre dos pilotos de máquinas voa- suplantou tecnicamente aquele seu rival. destaco “Coimbra vista do céu”, do arqui- A Escola tem formado dezenas de pilo- doras, nas quais fazem os seus primeiros No perímetro do aeródromo está uma tecto Filipe Jorge, e texto do seu colega José tos, sob a responsabilidade de sucessivos vôos a pensar – quem sabe? – subir mais oficina especializada, empresa particu- António Bandeirinha). e credenciados instrutores, tendo chegado além, agora em máquinas que podem levá- lar intitulada “Indústrias Aeronáuticas E se este escrito já vai longo, o “culpado” a formar num só ano mais pilotos que to- -los a outros mundos. de Coimbra”. é o dr. Viriato Namora, que fez o favor de das as outras escolas do País. Apesar das melhorias rodoviárias, o inte- Trabalha de acordo com a legislação eu- me facultar alguns dados, o que muito lhe É justo também lembrar que, nos tempos resse deste aeródromo mantém-se, integra- ropeia, dando apoio a aeronaves ligeiras agradeço. iniciais, esta instrução se ficou a dever à do que está na rede nacional interna e até e os seus clientes vêm do País, de norte a Varela Pècurto
    • que o carac 6 VI BISSAYA-BARRETO NOVEMBRO DE 2008 A eloquência das realizações Bissaya-Barreto foi um homem de acção, que conseguiu concretizar uma obra ímpar, quer pela quantidade e diversidade, quer pela qualidade de todos os seus empreendi- mentos. A relação de alguns deles, que nesta página se publica, é mais eloquente do que quaisquer palavras. Mas importa também salientar a sua dedicação ao ensino e à prática da Medicina, bem como o entusiasmo pelos grandes projectos empresariais que lançou, numa polivalência que estas imagens pretendem simbolizar. Com um grupo de seus alunos finalistas de Medicina, no Hospital dos Covões · 3 Sanatórios · 1 Instituto de Surdos anti-tuberculose · 1 Instituto de Cegos · 1 preventório · 26 Casas da Criança · 2 Hospitais · 3 Colónias de Férias Psiquiátricos · 2 Bairros Sociais · 1 Colónia Agrícola · Escola de Enfermagem Psiquiátrica “Bissaya Barreto” · 1 Leprosaria · Escola Normal Social · 1 Creche/Preventório · Escola de Enfermeiras para filhos de leprosos Puericultoras · 1 Centro de Reabilitação · Escola Profissional de para ex-leprosos Agricultura, Artes e Ofícios - · 1 Hospital Geral Central em Semide · 1 Hospital Pediátrico · Dispensários, Brigadas · 1 instituto Materno Infantil móveis, Postos rurais · Casa da Mãe · Portugal dos Pequenitos (Figueira da Foz) · Aeródromo de Coimbra · 1 Centro de Neurocirurgia · Estaleiros Navais · 1 Centro Hospitalar do Mondego · etc ... ... ... ... ... ... ... ... ... Bissaya-Barreto “escrevia poemas” com o bisturi (assim salvando muitas vidas), e fazia “intervenções cirúrgicas” com a caneta, em textos polémicos em que defendia os seus ideais e tudo aquilo que achava poder contribuir Ao centro, em cerimónia de “bota-abaixo” de um novo barco nos Estaleiros Navais para melhorar a sociedade, do Mondego, na Figueira da Foz, um dos seus grandes empreendimentos na área sempre com os olhos postos no futuro empresarial, que muito contribuiu para o desenvolvimento do País
    • NOVEMBRO DE 2008 BISSAYA-BARRETO 7 VII HÁ PRECISAMENTE UM SÉCULO (A 20 DE NOVEMBRO DE 1908) O jovem estudante republicano que rejeitou prémio do Rei O Rei D. Manuel II (imagem ao lado) ficou atónito e vexado quando Fernando Bissaya-Barreto (foto abaixo) se recusou a ir receber, das mãos do também jovem monarca, os prémios que este pretendia entregar-lhe. “Eu não conheço o Rei!”. Esta foi a ousada afirmação do estudante republicano, que ficou para História Bissaya Barreto desde muito cedo se revelou um apaixonado lutador pelos princípios republicanos, numa altura em que Portugal era ainda uma Monarquia. Foi um activista corajoso e consequente, enquanto aluno da Universi- dade de Coimbra, vindo mesmo a fazer parte do grupo de 160 estudan- tes republicanos que receberam a designação de “Os Intransigentes”, durante a greve académica de 1907. Essa militância levou a que tivesse sido escolhido como delegado ao Congresso do Partido Republicano. Mas seria no ano seguinte que o jovem Fernando Bissaya-Barreto viria a protagonizar um episódio que ficou para a História. Foi no dia 20 de Novembro de 1908 (há precisamente cem anos), quando o Rei D. Manuel II se deslocou à Universidade de Coimbra para, como era tradição, entregar os prémios aos melhores alunos das diver- sas Faculdades (aqueles que haviam conseguido obter nota igual ou superior a 18 valores). A cerimónia pomposa decorria na Sala Grande dos Actos, e o Rei lá ia entregando os prémios aos alunos laureados. Bissaya-Barreto conquistara o direito às distinções pelas elevadas classificações que obtivera nos cursos de Medicina, mas também de Matemática e de Filosofia. A verdade é que proferido o seu nome por três vezes, para receber, das maõs do Rei, os prémios a que fazia jus, o jovem Fernando ousou manifestar o seu republicanismo, ignorando ostensivamente as chamadas, apesar de estar mesmo nas filas da frente. Na Sala Grande dos Actos, repleta de professores, estudantes e autoridades, fez-se um silêncio sepulcral. O Rei D. Manuel II, de diplomas nas mãos, aguardava que o estudante premiado se levantasse e se lhe dirigisse para receber a honraria. Em vez disso, porém, Bissaya-Barreto manteve-se sentado no seu lugar, impassí- vel. E enquanto todos os olhos nele se fixavam, o jovem exclamou, num desabafo de alma: “Eu não conheço o Rei!”. Bissaya-Barreto (em cima, ao centro) com alguns A ousadia teve ecos nos jornais da época, e fez dele um herói entre os republicanos outros estudantes do grupo “Os Intransigentes” que, dois anos mais tarde, a 5 de Outubro de 1910, viriam a derrubar a Monarquia.
    • 8 VIII BISSAYA-BARRETO NOVEMBRO DE 2008 NO DIA 26 DE NOVEMBRO (QUARTA-FEIRA) Fundação Bissaya Barreto completa meio século No próximo dia 26 (quarta-feira) a Fun- dação Bissaya-Barreto completa meio século de intensa e diversificada activi- dade. Ao longo de 2008, têm sido muitas e variadas as iniciativas para assinalar, condignamente, os 50 anos de existên- cia da Fundação, num programa vasto e de grande qualidade. Como refere o Comissário das Come- morações, Dr. Carlos Páscoa, “neste ano de cinquentenário da Fundação que Bis- saya Barreto criou, relembra-se o Homem cuja memória se respeita e acentua-se o muito que tem sido feito para dar se- quência à sua obra”. Desde 1981, a responsabilidade de di- rigir a Fundação esteve confiada eo Eng. Nuno Viegas Nascimento, que a esse di- fícil papel se dedicou de forma apaixo- nada ao longo de 27 anos, até que a morte o levou, prematuramente, no pas- sado dia 29 de Julho. O testemunho foi passado a sua Mu- lher, Dr.ª Patrícia Viegas Nascimento, que assumiu a Presidência da Fundação e lhe manteve o rumo e o dinamismo. ORIGENS DA FUNDAÇÃO Foi a 26 de Novembro de 1958 que o Governo de então oficializou a criação Na origem da Fundação estava, natu- 27 SERÁ O PRIMEIRO DIA da Fundação, através de um despacho ralmente, a vontade do Prof. Bissaya- DO PRÓXIMO MEIO SÉCULO Bissaya-Barreto, com o seu exemplo, Barreto de arranjar forma de incremen- continuará, certamente, a apontar que publicava também os respectivos o rumo do futuro da sua Fundação Estatutos. tar a sua acção social diversificada, ga- Nascido em Castanheira de Pêra a 29 Como fundadores, um grupo de notá- rantindo, ao mesmo tempo, que ela iria de Outubro de 1886, Fernando Bissaya- veis. amigos e admiradores de Bissaya- perdurar para além da sua morte. Barreto viria a ter uma carreira académi- Barreto: D. Ernesto Sena de Oliveira (Ar- Nos Estatutos referia-se, a dado pas- ca brilhante, quer enquanto aluno, quer cebispo Bispo-Conde de Coimbra); Coro- so do Artigo 10.º: depois, como Professor da Faculdade de nel Ernesto Nogueira Pestana (então Go- “(...) Os signatários constituem, na ci- Medicina, de que viria a ser catedrático. vernador Civil de Coimbra); Juiz Conse- dade de Coimbra, uma instituição parti- Notável foi igualmente a sua acção lheiro José Perestrelo Botelheiro (na épo- cular de utilidade pública e fins de as- como médico, invulgar a sua actividade ca Presidente do Tribunal da Relação de sistência, ao abrigo (...) destinada a con- política (iniciada ainda enquanto aluno Coimbra); Dr. Joaquim Moura Relvas (mé- tinuar a obra criada e mantida durante da Universidade de Coimbra, em prol dos Daí que se não estranhe que algumas dico radiologista, e na altura Presidente mais de meio século pelo Prof. Doutor ideais republicanos). das mais destacadas personalidades da da Câmara Municipal de Coimbra); Dr. Bissaya Barreto, quer como cidadão quer Mas os aspectos mais relevantes da vida nacional tenham vindo a participar José dos Santos Bessa (médico pedia- como orientador de organismos assis- sua vida (faleceu a 16 de Setembro de neste relevante programa comemorati- tra, colaborador muito próximo de Bis- tenciais”. 1974, em Lisboa, poucos dias antes de vo que agora chega ao fim. saya-Barreto e então deputado da As- E acrescentava-se: completar 88 anos e poucos meses após Porque, disso estamos certos, 27 de sembleia Nacional); Eng. José Horácio de “Como justa homenagem e devida gra- a Revolução de 25 de Abril) foram, sem Novembro será o primeiro dia do próxi- Moura (que viria a ser Governador Civil tidão às altas qualidades e serviços pres- dúvida, as múltiplas iniciativas de carác- mo meio século de existência da Funda- de Coimbra de 1959 a 1970); e Dr. Lino tados à sociedade no vastíssimo campo ter social e assistencial que promoveu, ção, que saberá ir encontrando, como até Cardoso de Oliveira (advogado e então da sua actividade, a Fundação adoptou a par com outras que muito contribuíram aqui, os que melhor conseguirem dar Presidente da Câmara Municipal de Can- o nome daquele iminente professor mé- para o progresso de Coimbra, da Região continuidade à extraordinária obra de tanhede). dico-cirurgião. (...)”. Centro e do País. Bissaya-Barreto. O CENTRO agradece à Fundação Bissaya-Barreto Novembro / 2008 a cedência das imagens que ilustram este suplemento suplemento do jornal
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 EDUCAÇÃO / ENSINO 9 Sócrates diz que Governo é “sensível” às críticas e quer dialogar O primeiro-ministro declarou ontem (ter- Reagindo à ideia de alguns docentes que mente, os sindicatos rasgaram-no e disse- ça-feira) que a avaliação dos professores é consideram já ter sido avaliados no passa- ram que não o pretendiam cumprir”, sus- para manter, mas que será “sensível às crí- do, ao longo da sua carreira profissional, tentou, antes de deixar novo aviso: ticas” sobre burocracia e carga de trabalho Sócrates soltou um sonoro “francamente!”. “Se os sindicatos agora também dizem inerente ao sistema, procurando melhorá-lo “O que existia no passado não era pro- que não querem negociar, isso é com os sin- através do diálogo com “todos os sectores”. priamente uma avaliação, sendo antes, na dicatos. A disponibilidade do Governo é para Sócrates assumiu esta posição após ter prática, uma progressão automática nas dialogar, para ouvir e para melhorar o que visitado a exposição “Portugal Tecnológico carreiras. Esse sistema tem de ser posto de deve ser melhorado”, sublinhou. 2008”, no Parque das Nações. lado. Temos de ter um sistema que distinga Nas declarações aos jornalistas, o primei- Em declarações aos jornalistas, José Só- os professores, porque essa é a melhor ga- ro-ministro também se referiu à ideia avan- crates frisou que “a ministra da Educação rantia que podemos dar às famílias no sen- çada segunda-feira pelo dirigente socialista [Maria de Lurdes Rodrigues] está neste tido de que valorizamos os melhores pro- António Vitorino, na RTP, em que sugeriu a momento num processo de diálogo são com fessores”, argumentou. criação de um conselho de sábios para se várias individualidades ligadas ao sector edu- Interrogado sobre a actual situação de aferir a experiência resultante do processo cativo - pessoas que estão a fazer a avalia- ruptura de diálogo entre sindicatos e Gover- de avaliação. ção no terreno (nas escolas), para identifi- no, o primeiro-ministro responsabilizou os António Vitorino, segundo a interpreta- car os problemas e para tentarmos minorar sindicatos. ção de José Sócrates, “sugeriu aquilo que já esses mesmos problemas”, disse. “Essa conversa acabou por parte dos sin- estava no memorando de entendimento” O primeiro-ministro garantiu depois que dicatos, não pela nossa parte. Esse é um assinado entre o Governo e os sindicatos o objectivo do Governo é melhorar “os as- julgamento que os portugueses farão”, ad- dos professores em relação ao sistema de pectos que porventura estejam a correr vertiu. avaliação. menos bem” no processo de avaliação. Neste contexto, Sócrates disse que, após “Após a aplicação do processo de avali- “Somos sensíveis às críticas que fomos a manifestação nacional de professores de ação, deveria haver uma aferição da pró- ouvindo sobre burocracia, mas também no Março, o Governo se disponibilizou para di- pria avaliação, tendo em vista melhorar os que diz respeito ao trabalho nas escolas. alogar e negociar, processo que se concluiu aspectos que correram menos bem. Esse Vamos procurar ouvir todos os sectores para “com um acordo, um memorando de en- relatório feito por especialistas pode e de- melhorarmos tudo aquilo que possa ser me- tendimento”. verá ser feito”, frisou o primeiro-ministro, lhorado, mas a avaliação é para continuar e “A expectativa é que o memorando de ainda em referência à ideia avançada por tem de ser feita”, frisou. entendimento fosse cumprido, mas, infeliz- António Vitorino. Revoltas cusa à avaliação de desempenho que está mocrática convenhamos, sobre avaliação do em causa. Então o Estatuto? Com todas as desempenho de professores da mais repre- José Neves da Costa* suas implicações: fractura na carreira, ho- sentativa central sindical de professores rários loucos, avaliação impossível… (FENPROF). Como é possível, Sócrates, Mente É caso para dizer: já que perdendo os Maria de Lurdes e anexos dizerem que nin- Mente sempre professores ganhou a opinião pública a dita guém propõe nada. Provavelmente? que “dê aulas”. Opinião pública, claro. A Os grandes defensores do tão proclama- Não… tão proclamada “opinião pública” felizmen- do “choque tecnológico” ainda morrem elec- Mente sempre. te já começou a perceber de que lado está trocutados. Não perceberam, ou querem a razão. confundir, que basta um qualquer aluno O professor de Filosofia, entra na sala e Um tal primeiro, penso eu que ministro, mediano mandar uma mensagem a meia fruto de uma aula muito bem planificada, mandou boca fora que vinte mil já foram dúzia de amigos para gerar a confusão? In- encara os seus alunos pensando num bri- avaliados! Os dentes não são tantos para sinuar instrumentalizações é, no mínimo, uma lharete. Puxa de uma cadeira coloca-a em contar as mentiras. Só os contratados o fo- desonestidade que qualquer pessoa de bem cima de uma mesa e diz: “Provem que esta ram e num processo simplificado. Eram para reconhece. cadeira não existe”. aí sete mil… faltam treze mil. Treze mil! Agora estes pequenos “deuses caseiros” Azáfama infernal de quase todos; escre- Numa escola houve, que face aos crité- donos de toda a razão, são “vítimas” de mi- veram páginas até lhes doerem os dedos e rios “simplex” conquistados pela Platafor- lhares e milhares de professores, alunos e os neurónios se esgotarem, para provarem ma de Sindicatos, os contratados foram cor- encarregados de educação que, estúpidos, que tal cadeira, bem visível, não existia. Um ridos a “EXCELENTE”, para, na semana não entendem a bondade das suas inten- aluno num minuto, se tanto, entrega a folhita seguinte serem desqualificados (ia para di- ções; “A BEM DA NAÇÃO”. com duas palavras: “Qual cadeira?”. zer descidos, parei a tempo) para “BOM”. E a propósito deste louco decreto de ges- Face à dimensão da indignação de 145 Por ordem da Ministra. tão que mata qualquer intenção democráti- mil professores, 120 mil vieram para a rua, Há uma que não me entra na cabeça, ca nas escolas só me apetece dizer: fora os que gostariam e não puderam; transformar um entendimento de salvação O senhor todo-poderoso erguendo as Maria de Lurdes, que se pensa ministra, do final do ano lectivo, num “ACORDO” mãos ao céu dirá: “Fazei o que eu mando e pergunta: “Professores?” “Qual manifes- que agora os sindicatos não respeitam? de vós será o reino de Deus. Obedecei e tação?”. Acordo em relação ao modelo de avaliação tereis a recompensa”. A cegueira já não é compreensível… de desempenho de professores, sejamos cla- Indignação já é pouco… Para não sair até usa óculos! “O maior cego é quem ros, nunca houve. Disposição para negoci- palavrão, mais não digo. não quer ver”. ar, sempre. Disponibilidade do ME nunca. * Professor Que fique bem claro que não é uma re- É pública a proposta, em construção de- e Dirigente do SPRC/FENPROF
    • www.apaginadomario.blogspot.com em café arte 10 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 monumentais operações de branquea- mento de muitos milhões. Os rumores, neste sítio manhoso, hipócrita, invejoso, SERVIÇO PÚBLICO pobre e cada vez mais mal frequentado, valem o que valem e não interessa an- dar por aí a desconfiar da imensa legião de impolutos, senadores desta Repúbli- Cartão do Contribuinte Mário Martins ca comandada nestes 34 anos de De- mocracia por grandes figurões do PS e no país do “Simplex”: do PSD, os verdadeiros donos do sítio, A IMPORTÂNCIA DA VÍRGULA para o mal e para o bem. Particularmen- 9 meses de espera! Vírgula pode ser uma pausa... ou não. te para o mal se tivermos em conta os O cidadão que pediu o Cartão do Contribuinte em Fevereiro ainda continua à Não, espere. resultados obtidos em matéria de desen- espera que as Finanças lho enviem. Não espere. volvimento económico, bem-estar social e nível de vida dos indígenas, que paci- Ela pode sumir com o seu dinheiro. entemente vão alimentando tal gente a pão-de-ló com o dinheiro dos impostos Gasolina: não se deixe enganar 23,4. que são obrigados a pagar e a vão man- Não se deixe enganar com as notícias que “pingam” diariamente sobre a des- 2,34. tendo no poder com os generosos votos cida do preço dos combustíveis: hoje é uma empresa a descer os preços, amanhã nas muitas eleições autárquicas, legisla- é outra, e assim sucessivamente. Pode ser autoritária. tivas e presidenciais. Mas os preços, no seu conjunto, pouco baixam! Aceito, obrigado. Aceito obrigado. A falência do BPN, que o querido Estado abraçou a tempo e horas para A CEPSA anunciou hoje que passa a praticar os seguintes preços: gasolina evitar males maiores, está a provocar sem chumbo, 1,225; gasóleo, 1,146. Pode criar heróis. muita excitação no espírito de muitos ci- Aqui ao lado, em Fuentes de Oñoro, os preços são hoje os seguintes: gasolina Isso só, ele resolve. dadãos, convencidos na sua eterna boa- sem chumbo, 0,959; gasóleo, 0,979. Isso só ele resolve. fé de que desta vez os figurões que an- A diferença, no caso da gasolina, é de 53 escudos (por litro) na moeda antiga!!! E vilões. daram a jogar com muitos milhões de um lado para o outro vão mesmo ser apa- Até os departamentos da União Europeia assinalam que algo está errado: Esse, juiz, é corrupto. nhados pela chamada Justiça e que a «Segundo dados da Direcção-Geral de Energia e Transportes da União Euro- Esse juiz é corrupto. verdade vai ser, por uma vez na vida, peia, a 27 de Outubro [em Portugal] o litro de gasolina 95 octanas, sem impostos, totalmente conhecida. Cidadãos que an- era 4 cêntimos mais caro do que em Espanha e 3 cêntimos mais caro que a média Ela pode ser a solução. dam obviamente iludidos com o espec- europeia.» (Jornal de Notícias) Vamos perder, nada foi resolvido. Vamos perder nada, foi resolvido. táculo montado e com as declarações solenes dos responsáveis do costume. PS - No sábado, enchi o depósito nas Caldas da Rainha, num posto do “Pingo Cidadãos que obviamente ainda acre- Doce”. Paguei por cada litro de gasolina sem chumbo 1,179. A vírgula muda uma opinião. Não queremos saber. ditam no Pai Natal e que passam a vida a pensar que um dia destes ainda vão (publicado em 12/11) Não, queremos saber. ser testemunhas de um qualquer mila- Uma vírgula muda tudo. gre. Mas desenganem-se. Os figurões 2. Comodidade - é mais fácil enviar nha convicção de há muito que a Edu- ABI: 100 anos lutando para que nin- impolutos do sítio não estão apenas nos um e-mail do que uma carta cação só conhecerá melhores dias guém mude uma vírgula da sua infor- partidos políticos do Bloco Central, na 3. Facilidade - evitam deslocações aos quando o ministro - ou a ministra - for mação. administração central e local. Os figu- CTT, bastando um clique para o efeito um professor primário. Estamos far- rões impolutos estão em todo lado. Os 4. Apoiam o meio ambiente tos de ver o que dá ter como minis- Mensagem adicional: figurões impolutos do sítio também es- 5. Poupam em recursos humanos tros professores do Ensino Secundá- Se o Homem soubesse o valor que tão na Polícia e na Justiça. Os figurões 6. Poupam em papel rio ou do Ensino Superior...] tem a Muher andaria de quatro à sua impolutos do sítio, acreditem, comem 7. Poupam em envelopes procura. tudo e não deixam mesmo nada. E en- 8. Poupam em impressão Por isso, em homenagem aos pro- – Se você for mulher, certamente co- ganam os tolos com papas e bolos. 9. Poupam em despesas postais fessores de Portugal, sobretudo aos locou a vírgula depois de MULHER. Dado que os vossos benefícios são 120.000 (!!!) que se manifestaram no – Se você for homem, colocou a vír- (*) António Ribeiro Ferreira, no muito superiores aos meus, permito-me sábado em Lisboa, publico no blogue gula depois de TEM. “Correio da Manhã” de hoje sugerir que me atribuam um desconto no um video retirado do “site” do meu (Campanha dos 100 anos (publicado em 17/11) valor da factura se eu resolver aderir ao grande amigo Carlos Carranca - tam- da Associação Brasileira de Imprensa; extracto electrónico. bém ele um professor que no sábado publicado em 18/11) VIA VERDE E AMBIENTE Enquanto isso não suceder, prefiro desfilou nas ruas da capital. E um ver- continuar a receber a habitual factura, dadeiro socialista. A Via Verde enviou-me uma mensa- até porque já gastei algum dinheiro na (publicado em 10/11) OS IMPOLUTOS (*) gem de correio electrónico, sugerindo a compra das pastas arquivadoras. adesão à “factura electrónica” porque Com os melhores cumprimentos, O sítio anda muito agitado e mesmo desse modo estaria a ajudar o Ambien- Mário Martins» SÓCRATES entusiasmado com o escândalo BPN e te. (publicado em 13/11) E A BANHA DA COBRA espera a todo o momento grandes notí- Como toda a mensagem merece res- cias sobre os principais figurões que an- posta, enviei o seguinte texto à Via Ver- AO LADO SINTO-ME ENVERGONHADO daram anos e anos, nas barbas de regu- de: DOS PROFESSORES ao ver o primeiro-ministro do meu país ladores e de supervisores, a manobrar «Exmos. Senhores, a desempenhar o papel de vendedor milhões e milhões de um lado para o ou- Muito bom dia. Antigo professor efectivo (abandonei de banha da cobra numa cimeira de tro, milhões vindos sabe-se lá de onde e Agradeço a vossa mensagem. a profissão há 17 felizes anos, porque já chefes de Estado e de Governo. De que ainda não se sabe a que bolsos fo- Fiquei sensibilizado quanto às vanta- nessa altura pensava que o Estado me cada vez que a cena passa na televi- ram parar. gens que V. Exas. me oferecem se ade- tratava mal) e casado com uma profes- são, sinto vontade de me enfiar num É evidente que nestas coisas de ban- rir ao extracto electrónico. sora (que trabalha na mesma escola há buraco. A cena revela falta de senti- cos e banquetas os rumores valem o que No entanto, e embora não o refiram 28 anos!), sei bem como os sucessivos do de Estado, falta de bom senso e valem e ninguém sabe ao certo até que na vossa mensagem, V. Exas. também governos têm espezinhado a classe do- falta de vergonha. (Alfredo Barroso) ponto, nas barbas das autoridades super- beneficiam de várias vantagens: cente. (Pode ler o texto na íntegra visoras, dirigidas obviamente por gente 1. Rapidez - evitam todo o processa- no “Sorumbático”; completamente impoluta,se desenrolaram mento do correio [Aliás, cada vez reforço mais a mi- publicado em 5/11)
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 SANTA CLARA 11 As queixas e o orgulho de uma freguesia com 154 anos A Freguesia de Santa Clara está prestes executivo santaclarense: “Temos um com- a completar 154 anos de existência, embo- que a Estradas de Portugal tem destruído promisso, infelizmente nunca cumprido pela ra este ano não haja quaisquer eventos para património sem dar cavaco a ninguém. De- Secção de Desporto da Câmara Municipal assinalar a efeméride. No entanto, tratan- pois todos os compromissos que têm con- de Coimbra, que é o do Parque Desportivo do-se de uma das mais emblemáticas fre- nosco, não cumprem um!” no Vale Rosal, que já nos foi prometido há guesias do concelho de Coimbra, entende- E exemplifica: “A estrada que vai dar aos três anos. E há três anos que nos dizem que mos pertinente auscultar o seu presidente, Carvalhais trouxe-me dez vezes mais pro- é este ano, que é este ano e que nunca acon- José Simão, sobretudo porque Santa Clara blemas que benefícios. Não beneficiou em teceu até agora. Não temos em Santa Cla- tem sobressaído em termos de desenvolvi- nada Coimbra. Gastou-se ali milhões e mi- ra nenhuma obra desportiva e isto também mento. A margem esquerda do Mondego, lhões e só veio prejudicar todos os morado- se prende muito com o ordenamento do ter- frente à cidade de Coimbra, cada vez é res. Hoje não têm transporte público de re- ritório. Apesar de Santa Clara não ter ne- menos miradouro desta, antes retribui e par- gresso à cidade, não têm acesso às suas nhum Parque Desportivo próprio para os tilha essa função. casas. Mesmo as empresas, que é uma coi- cidadãos no ordenamento do território, te- Questionado sobre o retrato que faz hoje sa ridícula, há pessoas que para irem para mos centenas de atletas e uma quantidade da sua freguesia, José Simão é peremptório as empresas da Rua dos Leitões que vêm à de pavilhões desportivos que é o caso do ao afirmar que”o retrato é bom”, acrescen- Junta procurar como é que lá vão. Muitas Estádio Universitário, que é contabilizado tando que “pode ser bom, mas não porque vezes os donos das empresas têm de vir erradamente em benefício de Santa Clara. haja grandes investimentos municipais em buscar os clientes à estrada que andam per- Apesar de Santa Clara não ter, acaba por Santa Clara. Santa Clara desenvolve-se atra- didos. A Junta fez um painel autorizado pela parecer que tem. E isso cria-nos alguns pro- vés do Estado, do Parque Verde do Mon- José Simão Câmara de Coimbra com indicação das blemas. Imagine, apesar de não ter piscina, dego, através do Ministério da Cultura, com empresas para as pessoas não se perderem que as piscinas privadas eram contabiliza- o Convento de Santa-Clara-a-Velha, o novo viços às pessoas que precisávamos de mais em terrenos da Câmara Municipal de Co- das à freguesia.” Museu e, também, através da acção da Junta espaço. Ora a Junta vive de receitas própri- imbra. A Estradas de Portugal simplesmen- Outros dos pontos que leva José Simão a de Freguesia. A Câmara não tem investido as, até nos protocolos com a Câmara Muni- te arrancou à revelia.” dizer que “Santa Clara é uma freguesia que grandemente em Santa Clara até hoje. Sa- cipal de Coimbra estamos em 28.º lugar, Para reforço desta ideia, diz José Simão não tem nada”, é o apoio aos idosos. “Não bemos que também a Piscina do Parque quando estamos em 3.º, e estamos muito “neste momento, o nosso Aqueduto classi- tem um Lar de Idoso. Nós demos agora um Verde do Mondego está para ser inaugura- perto de atingir o 2.º lugar a nível de popula- ficado vai ser tapado em mais de 5 metros, terreno à Casa do Pai para que aí se cons- da, talvez ainda este ano ou no princípio do ção das freguesias de Coimbra.” quem é que responde por isso? As minas de trua essa importante estrutura. Estamos, próximo. Por isso é que eu disse antes até As limitações orçamentais, levam-no a água que havia ao fundo do Vale Rosal, mi- com a Escola das Lajes e com o apoio da hoje, porque algumas coisas vão ser apre- afirmar não compreender “como uma jun- nas com campânulas, mães de água, que Integrar, a trabalhar para que se faça aí uma sentadas”. ta, que tem mais problemas, que tem um abasteciam um sistema hídrico fenomenal espécie de Centro de Dia ou um Centro que Como exemplo, José Simão lembra que trabalho maior do que certos municípios aqui da Escola Agrícola, pois a Estradas de Por- sirva de plataforma para o auxílio às pesso- “há uma verba definida pessoalmente pelo à volta e, depois, vemos que só os ordena- tugal vieram e acabaram com tudo” Aliás, as, não só em alimentação, mas também Presidente da Câmara para o alargamento dos de certos autarcas de Câmaras, que são sobre o vasto património edificado existen- aos acamados.” do Cemitério” e que tal obra “está bem en- mais pequenas que esta freguesia, são mai- te na freguesia, o olhar crítico de José Si- José Simão considera que a sua fregue- caminhada. Já vai em mais de 50%. O pior ores ao fim do ano, a vereação e a presi- mão leva-o a afirmar: “Tirando Convento sia “está a rejuvenescer porque a quantida- está feito, que é a anulação da conduta de dência tem mais dinheiro do que a junta para de Santa Clara-a-Velha, tudo o resto está de de edifícios, que foram e se estão a fa- água que passa por baixo do Cemitério e fazer tudo. É isso que não está certo!”. mais ou menos ao abandono.” zer, estão a ser ocupados por casais jovens, que fornece o Hospital dos Covões, que nos Questionado sobre a tendência de se vo- Apesar de não haver um programa para em início de vida,pois embora a freguesia impedia e nos impede ainda hoje de fazer- tar na pessoa, mais do que no partido nas as comemorações deste aniversário, a fre- tenha 40 ou 50 por cento de pessoas acima mos obras, mas as Águas de Coimbra vão eleições autárquicas, José Simão afirma: “Há guesia de Santa Clara prepara-se para re- dos 60 anos, neste momento estamos a ver, fazer ali um grande investimento.” essa tendência, mas numa pessoa que pos- ceber dois importantes dois eventos: “Esta- pelos recenseados, que a população está, Outro dos projectos que a breve trecho sa tirar vantagens, agora se não traz nenhu- mos a preparar uma exposição de galeris- de facto, a rejuvenescer. Ora essa popula- se tornará realidade é o Museu da Rainha ma vantagem, às vezes até tenho alguma tas no Convento de São Francisco, numa ção dentro em breve terá filhos. A preocu- Santa, propriedade da Junta de Freguesia frustração. Com esta Junta de Freguesia organização de Santiago Ribeiro, com a co- pação da Junta é precisamente o que va- de Santa Clara. O seu acervo será constitu- onde dois terços do nosso orçamento é de laboração da Junta de Freguesia de Santa mos fazer para os filhos dessas pessoas. ído por “um património na ordem das cinco, receitas próprias a coisa ameniza, dilui mas Clara e Turismo de Coimbra. Deve ser inau- Com certeza que já não será no meu tem- seis mil peças, entre as da Rainha Santa e se vivêssemos como a maioria das fregue- gurada a 5 de Dezembro e terminará a 21 po, mas temos de preparar o futuro. E é as de Inês de Castro.” Este valioso espólio sias dos apoios do Estado e dos apoios da ou 22 do mesmo mês. É uma exposição essa a nossa grande preocupação: que a é “oferecido à Junta de Freguesia e ao seu Câmara se calhar Santa Clara nem podia quase de âmbito internacional.”. pessoas venham para Santa Clara e não se presidente, porque o doador faz questão que ter presidente. Não fazia aqui nada! E de- Sendo a cultura uma importante valên- sintam defraudadas, tenham uma boa casa, seja a mim e, inclusivamente, uma das con- pois há outra situação: por exemplo, pas- cia, acrescenta que “As instituições deveri- tenham até um bom jardim, mas, depois, não dições para oferecer essas peças é a de sam meio milhão de carros por dia em San- am apoiar os artistas, não é só contribuir tenham parques desportivos, não tenham que eu seja presidente vitalício do Museu. É ta Clara. O que quer dizer o meio milhão de para o catálogo, não é só ceder as instala- apoio aos idosos.” uma questão que eu não entendo, mas é a carros? Muita poluição, lixo, degradação das ções, mas é adquirindo arte, essa é a parte O autarca santaclarense afirma que “San- proposta de Alfredo Bastos, o doador, para estradas.” principal porque, veja, eu estou rodeado de ta Clara, apesar de estar num bom cami- o presidente da Junta de Freguesia de San- A acrescentar a este cenário, José Si- arte na Junta de Freguesia. Temos apoiado, nho, num processo de evolução, em muitas ta Clara. Portanto, não posso escusar-me a mão concretiza: “Santa Clara é um estalei- comprando. A freguesia de Santa Clara tem coisas, ainda não consegue chegar aos cal- ser presidente vitalício desse Museu”. ro há 6 anos. É o IC2, todas as obras do hoje um belo património artístico, um bom canhares de muitas freguesias periféricas Sobre esta sua futura missão, José Si- Fórum. Estas obras são feitas à custa das acervo graças a essa nossa atitude.” Dei- que têm mil habitantes. Por exemplo, veja- mão diz que “não é que me agrade a situa- estradas que nós temos. Neste momento xando também a vontade de reforçar esse se agora a questão das sedes. Vejo a Câ- ção, mas em nome da Junta de Freguesia temos estas infraestruturas todas depaupe- conceito, dizendo: “Quero que Santa Clara mara gastar muito dinheiro em sedes de fre- sinto-me obrigado. Não sei se será um sa- radas. Camiões de 40, 50 e 60 toneladas seja uma marca dentro de Coimbra, uma guesia que não têm três mil habitantes, quan- crifício ou um prazer porque nunca fui e não em cima de 6 cm de alcatrão, sem protec- marca cultural, que já está a ser. Nós apoia- do aqui em Santa Clara nós estamos em sei o que é ser director de um Museu e tê-lo ção à canalização, hoje é diário o rebenta- mos a cultura. Uma junta não é só alca- quase ruptura. Já tivemos de abrir o sótão em actividade porque um Museu não é um mento de canos das águas, quando antes trão.” para guardar coisas, estamos com uma bi- armazém de peças. Eu sou um homem de era raro. Fizeram todas estas obras às cus- Sobre a Feira Popular de Inverno, que se blioteca, com computadores à disposição do movimento e gostava que o Museu tivesse tas das estradas feitas pela Junta, através irá realizar em Santa Clara, José Simão re- público, atendemos centenas ou milhares de essa característica.” dos protocolos de competência com a Câ- mete-nos para uma conferência de impren- pessoas mensalmente. Só em desemprega- A área desportiva também assume pa- mara. Estamos a ser destruídos e depois não sa que ocorrerá hoje. Iniciativa que é parti- dos são mais de 400 visitas que fazem à pel de relevo nas preocupação do líder do há ninguém que compense. Posso mostrar lhada com a Turismo de Coimbra. Junta. Oferecemos uma quantidade de ser-
    • 12 CRÓNICA 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 AO CORRER DA PENA... Em busca da nossa Giancaldo perdida... Maria Pinto* mainha.pinto@gmail.com sentimental e romântico. Fala funda- (bebe-se vinho, fumam-se cigarros, cia da morte do seu amigo Alfredo. “Por favor, Senhora! Leve estes mentalmente de dois grandes amores: dá-se de mamar!) e de reunião (e de Nesse momento relembra tudo o que pensos rápidos! É só um euro...” o amor entre um mestre e o seu culto!) da comunidade local, com as pensava estar esquecido. A infância Não levei os pensos. Também não aprendiz e o amor de toda a vida de suas personagens caricatas ou pito- assombrada pelo pós-guerra e a ima- dei o euro. Convidei aquele menino de um homem pelo cinema. A relação rescas, loucas ou excêntricas, a lem- gem de um pai nunca regressado. A olhos fundos – que olhos tão profun- central entre o projeccionista-filósofo brar Fellini. adolescência. Elena. Alfredo. O gran- dos! – a sentar-se para almoçar. Alfredo (um talentoso Philippe Noi- Este filme retrata também o amor do de amigo da vida do palco... e do pal- Chamava-se António, segundo me ret) sem filhos e o menino sem pai adolescer. A descoberta do amor. A che- co da vida. disse, mas lá em casa era conhecido Toto/Salvatore não se confina a um gada de Elena. “Simpática, magra, ca- O regresso a Giancaldo. Às ori- por Totó. O pai achava-o “apanhado” mero formalismo de interesse mútuo. belo comprido castanho, olhos grandes, gens. Aos objectos seus. O regresso da cabeça porque lhe encontrara uns Ao invés, vai mais longe ao tocar em azuis... um olhar franco e directo...e um a si próprio. Aos amigos embranque- rabiscos escritos em papéis soltos. cidos pela voragem do tempo. À re- Depois disso, sovara António e alcu- cordação do Cinema Paraíso, agora nhara-o de Totó, o que fizera as delí- em ruínas, devorado pela televisão e cias da restante “família”, em especi- pelo vídeo. Elena. O encontro fugaz al dos irmãos mais pequenos, vivendo – “em todas as mulheres que conheci todos amontoados, num ambiente mi- era a ti que procurava”... serável e degradante, lá para os lados da Pedrulha. Antes de morrer, Alfredo deixa um Olhei para António e fiquei perple- presente a Toto. Uma fita. Salvatore xa com a desenvoltura e com a inteli- vê-a quando regressa a Roma. É en- gência daquele menino obrigado a ser tão que se emociona e nos emociona homem. António de olhar doce. De um quando se apercebe que aquela fita olhar imenso. Intenso. De sonho. En- tinha sido o seu sonho de infância: a quanto sorvia gulosamente o spaghet- sequência de beijos cortada pelo pa- ti à bolonhesa, revelou que o seu gran- dre-censor (que não gostava de ce- de sonho era ser escritor. Mas o pai nas carnais, mas adorava cinema!). roubara-lho, obrigando-o a trabalhar No fundo, os beijos mais famosos do desde os seis anos. Tinha agora qua- cinema, majestosamente montados se dez... numa sequência verdadeiramente Não me cansava daquele olhar mei- emocionante e inesquecível. go e inteligente de ver o longe. De ver longe. De querer ir além... estávamos pontos sensíveis de uma amizade que pequeno sinal no lábio. Muito pequeno, O que me toca e perturba em Cine- numa esplanada à beira-rio e António transborda de cumplicidade, brincadei- só se vê de perto. Quando sorri, faz-me ma Paraíso tem a ver com a eterna dizia que queria ser levado pela cor- ra e... amor. Semelhante ao envolvi- sentir... não sei”... demanda das nossas mais profundas rente para um mundo que tivesse ou- mento indizível e terno que existe en- É impossível ficarmos indiferentes raízes e com a laboriosa procura de tras cores... onde não fosse... totó. tre pai e filho. no momento em que Salvatore-apai- uma identidade própria. Um processo E onde está a mãe de Toto, para xonado, durante cem noites à chuva e em constante mutação mas sempre O correr do rio e António transpor- além do sofrimento? No outro amor, ao relento, espera um breve sinal da inacabado, que nos faz mergulhar nos taram-me para Toto... Salvatore. o amor pelo cinema, que se traduz no janela de Elena. “Todas as noites de- mais íntimos recantos da natureza Para a pequena jóia de Cinema Para- tributo caloroso de Tornatore pelos pois do trabalho passarei debaixo da humana. É por isso que, às vezes, no íso, em cujas olheiras nos afundamos mitos sagrados e os géneros clássi- tua janela. Quando gostares de mim, silêncio da noite, me viro para o outro e nos morremos de ternura. cos de Hollywood, nomeadamente abre-a. Só isso e eu perceberei”... A lado na cama e sinto uma súbita e ir- A história deste filme-maravilha é John Wayne e os westerns, Clark janela não se abriu, mas Salvatore e reprimível lágrima deslizar melancoli- essencialmente o longo flashback de Gable e os épicos e Charlie Chap- Elena amaram-se... e separaram-se... camente pela almofada, quando me Salvatore di Vitto, conhecido por lin e os cómicos. Oferecendo ainda, vem à memória o pequeno Toto so- Toto, desenrolando as memórias de de bandeja, o encanto desfocado a A relação sábia e profunda entre nhador que fui, a velha Giancaldo que infância e adolescência passadas na preto e branco dos filmes antigos de Alfredo e o jovem Toto e a partida deixei e a doce inocência que definiti- Sicília pobre e rural do pós-guerra, na Renoir, Visconti, Lang, Stroheim ou deste da terra natal para Roma – vamente perdi. pequena cidade de Giancaldo, lugar Ford e a beleza etérea de ícones do “cada um tem de seguir a sua estrela! onde todos se conheciam e onde to- cinema como Silvana Mangano a Agora que perdi a vista, vejo melhor. Durante o almoço, contei a história dos partilhavam a atracção pelo ve- dançar o mambo ou a jovem Brigitte Vejo tudo o que antes não via...vai-te de Toto Salvatore a Totó António. No lho Cinema Paraíso. Bardot ousadamente despida. O olhar embora, Salvatore! És jovem! Não final, este menino que não esqueço dis- Toto vive num lar atormentado pela fascinado de admiração e espanto do quero mais ouvir-te falar. Quero ou- se apenas “obrigado pelo bocadinho pouca abastança e pelo sofrimento de pequeno Toto descobre e revela em vir outros falarem de ti!” – , bem como de vida bela” e eu respondi “vais ser sua mãe, eterna Penélope, esperando Cinema Paraíso essa magia estranha a decadência e morte do Cinema Pa- escritor, António”. desesperadamente pelo marido que nun- e única da imagem e som projectados raíso, tornam-se metáforas da própria ca chegará a regressar. É no cinema no grande écran da sala escura. vida. É a passagem voraz do tempo, a Em casa, dias mais tarde, vi uma que o pequeno Salvatore se consegue Tudo acontece quando se olha a implacável ordem natural das coisas sequência de imagens enviada por um alhear dos problemas da sua vida. grande tela. O cinema é fonte de vida. que sensibiliza até às lágrimas o es- amigo. Fixei-me naquela que mostra- E naqueles tempos difíceis, a sala de pectador comum. va um rosto de criança. Maravilhoso. Cinema Paraíso é um filme invul- cinema era o espaço onde as pessoas Tal Toto Salvatore. Tal António. Quis gar, pois consegue evitar o tradicional podiam sonhar e, por breves momen- Passam-se trinta anos. Salvatore escrever. Quis muito escrever. Sinto estereotipo do binómio homem-mulher tos, ser felizes. O Cinema Paraíso de Vitto é um realizador de sucesso que fiz tão pouco... que irá ser de ti, para narrar com mestria um drama transforma-se em local de convívio em Roma. Numa noite, recebe a notí- António?... * Docente do ensino superior
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 13 Quando os ovos voam objectivos desaguaram em complicados Renato Ávila exercícios de árida micro-avaliação, de utó- pico rigor e discutível objectividade. O professor será, de facto, um técnico Está a escola pública a braços com uma que utiliza instrumentos, técnicas e recursos das suas piores crises. e cujo produto poderá traduzir-se em efei- O que se passou nestes dias em Fafe e tos, nem sempre calculáveis. Porém, mais em Chelas é bem a imagem duma perigosa que técnico, ele é educador e, no mundo deterioração de comportamentos e atitudes dos afectos, os dados não são mensuráveis, que, com inusitada virulência, está a avas- mas constatáveis. salar a instituição. Está a subalternizar-se, estulta e perigo- À escola convergem a grande maioria samente, essa faceta do professor. dos problemas sociais. A fragilização dos Tal como querem fazer funcionar as nos- laços familiares, a incultura cívica, as ca- sas escolas, qualquer docente muito dificil- rências físicas, afectivas e intelectuais, a mente terá hipóteses de ser educador. pobreza, a violência doméstica e da rua, as Os cento e vinte mil que estiveram em questões de saúde, o abandono… tudo vem Lisboa quiseram dizer isso mesmo. Não os ali desaguar como os afluentes num rio. entenderam. Durante décadas e décadas foram os E, enquanto teimarem em que um do- professores quem procurou responder. cente é tão somente um funcionário públi- Criou-se uma mística única que foi moldan- co, como todos os outros obrigado a preen- do o carácter e a postura docente. cher papeis, a fazer trinta e cinco horas de Não chegava ensinar. Era preciso am- professores que ainda não foi minimamen- to mais em afectos. escola, nomeadamente a dar aulas e a ta- parar. Amar, se possível. te compreendida. Temos de reconhecer que os tempos que par furos, os ovos continuarão a voar sobre Os problemas hoje são bem mais com- É por isso que, quando os governantes se seguiram à revolução dos cravos trouxe- as iluminadas cabeças da Senhora Ministra plicados, mercê da vertiginosa mutação de vêem a escola apenas pelos prismas da ram à escola a riqueza da abertura, do diá- e seus competentíssimos acólitos. valores e dos novos desafios com os quais economia e da administração e, perante a logo, de novas janelas para o mundo. É que os professores não são polícias para se defronta a sociedade e, mais restritamen- opinião pública, tecem sobre aqueles depre- Fruto de um sentimento revolucionário guardar meninos mas educadores para for- te, a família. ciativas considerações à luz duma gestão jamais contido nos devidos limites por um mar cidadãos. O hedonismo egoísta que caracteriza a numérica e geometricamente configurada, poder político quase sempre frágil e volátil, E é isso que o Governo não consegue civilização hodierna, a subalternização do sabe a injustiça. A malfeitoria. também trouxeram a minimização do saber, entender. esforço, da disciplina e da autoridade colo- Os professores sempre foram avaliados. o facilitismo nas aprendizagens e aquisições Construir escolas e distribuir computado- cam à educação novos e sérios desafios para Pela hierarquia e, muito especialmente, pe- e uma cultura avaliativa muito pouco rigo- res, não chega. É preciso educar. os quais encontra sérias dificuldades em cor- las comunidades. Era uma avaliação de rosa e exigente. Urge formar. Apoiar. Respeitar. Dig- responder com acerto e eficácia. proximidade, de continuidade. Humaniza- Os ensaios levados a cabo no âmbito nificar. Há uma angústia latente no ânimo dos da. Minimamente vertida em números e mui- duma peregrina teoria de pedagogia por Os professores. FILATELICAMENTE 1935 - 1ª Exposição POIS... Filatélica Portuguesa João Paulo Simões BREVE HISTÓRA José A 1ª Exposição Filatélica Portugue- d’Encarnação sa foi uma iniciativa de um notável co- leccionador e comerciante, Luís de Sá A Organização da 1ª Exposição Fi- Nogueira, que constituiu uma comis- latélica Portuguesa pediu aos CTT que Português é assim mesmo. são para levar a cabo esta exposição lançasse uma emissão comemorativa Como o brasileiro que “criámos”. – a primeira realizada em Portugal. da efeméride. A ideia era apresentar Sabe sempre dar a volta por Presidida pelo Conde de Folgosa e três selos desta emissão, mas não hou- cima! composta por individualidades de des- ve tempo para tanto. Então, optou-se Não dá o Governo verbas para taque no meio filatélico, a Comissão por um só selo, com legenda desenha- contratar docentes em substitui- Organizadora obteve o patrocínio da da por Almada Negreiros e gravura ção dos muitos que optaram pela Comissão das Festas da Cidade de de Arnaldo Fragoso. aposentação ou mesmo dos que Lisboa, que incluiu a “Exposição” no Foi feita a reprodução do selo de 5 se jubilaram? Que problema há programa dos festejos de Junho des- reis de D. Maria II, com a efígie da nisso? Nenhum! Não há por i tan- se ano. Em 1 de Junho foi solenemen- Monarca em relevo (o primeiro selo ta gente desejosa de ser docente te inaugurada pelo Presidente da Re- português deste tipo). Utilizou-se para universitário e que até paga por pública General Carmona, nos salões isso o cunho existente na Casa da isso? Vamos nessa: contratamos da Câmara Municipal de Lisboa, onde Moeda, de onde saíram folhas de 100 a custo zero! Você quer? Com- Reprodução (muito aumentada se manteve aberta até ao dia 15 do selos denteados 11,5 sobre papel liso preende: ganha currículo e sem- e a preto e branco, já que a cor mesmo mês. espesso. Foram emitidos 9.972.000 original é o vermelho), pre tem a possibilidade de invo- selos de 40 centavos, vermelho. Cir- do primeiro selo em relevo car a qualidade de “professor uni- (Esta breve história foi baseada em cularam de 1 de Junho de 1935 a 30 emitido em Portugal, versitário”, está a ver? comemorativo da I Exposição Livros electrónicos de Carlos Kull- de Setembro de 1945. berg, Álbum II) Filatélica Portuguesa
    • 14 SAÚDE 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 SEXTA-FEIRA, NOS HOSPITAIS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Homenagem ao maior dador de sangue da Região Centro O maior dador de sangue aos Hos- Hospitais da Universidade de Coim- “Temos uma grande adesão dos jo- A iniciativa do sector de Promoção pitais da Universidade de Coimbra, na bra (HUC), Paula Seiça Neto. vens e de toda a cidade”, disse ainda da Dádiva de Sangue do Serviço de região Centro é homenageado depois Segundo a médica, a distinção vai Paula Seiça Neto. Imunohemoterapia está marcada para de amanhã (sexta-feira), recebendo ser entregue, sexta-feira de manhã, ao Segundo a responsável, esta ade- as 09h30 nos HUC. uma medalha do Ministério da Saúde cidadão José Paula, que já fez 84 dá- são faz com que não se verifiquem “O sangue é um elemento insubsti- numa cerimónia que é também “um divas de sangue a este hospital. problemas nem rupturas nos “stocks” tuível, que não se pode fabricar. Dia- agradecimento” aos 25 mil dadores Registado desde 1984 no arquivo de de sangue dos HUC. riamente muitos doentes necessitam regionais. dadores dos HUC, o dador que agora A médica disse anda que os HUC de uma transfusão de sangue para re- “Queremos agradecer-lhe por ser vai ser homenageado tem 51 anos. gastam uma média anual de 34 mil solver os seus problemas de saúde, o dador com mais dádivas na região De acordo com a directora do Ser- componentes de sangue e que, este nomeadamente quando se está em ris- Centro. É também um agradecimento viço de Imunohemoterapia, o acto ano, se prevê o uso de 36 mil. co de vida. Dar sangue é um proces- dos HUC aos nossos 25 mil dadores, constitui também “um reconhecimen- “As terapêuticas diferenciadas e a so seguro e indolor”, lê-se na página dizendo que são todos importantes”, to a todos os cidadãos que são dado- longevidade da população contribuem na Internet do departamento. referiu à agência Lusa a directora do res anónimos e que salvam vidas to- para o aumento dos gastos de sangue”, Uma realidade que muitos desconhe- Serviço de Imunohemoterapia dos dos os dias”. adiantou. cem, um apelo que merece resposta. “Número de Dunbar”... Massano Cardoso própria das crianças e dos jovens. Tam- à cerimónia. A frase de Max Beerbohm, pos com um tamanho de 150 pessoas são bém já devia ter-se esquecido da fase humorista e caricaturista inglês, na sua ideais para construir tribos. Para que os Certas notícias provocam-me uma da “intermitência da morte”, quando os novela, Zuleika Dobson, “A morte can- seus elementos se mantivessem juntos certo desconforto ao ponto de ficar a avós ou os pais vão desaparecendo. Na cela todos os compromissos”, faz-me teriam de ter fortes incentivos. De fac- ruminar dias a fio sem saber como me última fase, a morte começa a ser nor- sorrir, porque depende de quem morre, to, despendiam cerca de quarenta por libertar. mal na vida de cada cento do tempo na so- Badaró morreu. Ao ler o relato do fu- um. O ponto de vira- cialização, o que per- neral fiquei a saber que o mesmo “con- gem, que caracteriza mitia manter o grupo esta fase, corresponde coeso. Aqui está um ao momento em que interessante fruto que todos os anos se espe- depende do tamanho ra que morra um fami- do neocórtex, ima- liar, um amigo ou pes- gem de marca da es- soa do nosso círculo pécie humana. Os social da mesma idade. dois terços de “con- Qualquer morte, neste vidados” para um fu- período, pode provocar neral, calculados por um choque terrível e Kinsley, a partir do inesperado, mas não “Número de Dun- pode ser considerada bar”, correspondem como uma surpresa. aos que têm uma Morte de Badaró ignorada pelos seus colegas Chegou o momento. idade idêntica à do Qualquer um deve ter, morto. tou com a presença do único filho, de pelo menos, uma cen- Poderão argumen- amigos e vizinhos e de só quatro artistas, tena de pessoas per- tar que, no caso do incrédulos com a falta de solidariedade tencentes ao círculo como é óbvio. Badaró, o círculo já não seria de 150 e o da classe”. social e familiar as quais “são” convida- Mas poderão questionar: como se che- número de “convidados” para o funeral, O humorista já tinha entrado naquela das para o funeral! Cem pessoas? Mas ga aos tais putativos cem acompanhan- com a mesma idade que o humorista, não idade em que se começa a morrer com a capela mortuária não leva tanta gente! tes de um funeral? O cálculo não é meu, atingiria a centena. Hum! Talvez! Mas mais frequência e há muito que devia ter- Não há problema! Em média metade foi feito por Michael Kinsley, num belo mesmo assim, aos 75 anos, os cálculos se libertado da ideia de “imortalidade” estará demasiado ocupada para assistir ensaio publicado no The New Yorker. O matemáticos apontam para a existência jornalista norte-americano utilizou o “Nú- de cerca de quarenta por cento dos mero de Dunbar” e aplicou-lhe dois ter- “cem” originais. Apareceram pouco mais ços. O “Número de Dunbar” é, segundo de quatro! o antropólogo do mesmo nome, a quanti- As leituras referidas permitiram-me dade de indivíduos com os quais uma pes- libertar-me do incómodo que relatei no soa pode manter uma relação estável. O início desta crónica. Afinal, devemos es- cientista teoriza que este número depen- tar perante um problema de “involução” de do tamanho do neocórtex cerebral, do neocórtex num determinado círculo. que começou a desenvolver-se há 250 Claro! Sem um bom neocórtex não há mil anos. Tudo aponta para que os gru- solidariedade possível...
    • 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 IDEIAS DIGITAIS 15 estruturado, indispensável para miúdos e graúdos. IDEIAS DIGITAIS FUNDAÇÃO BATALHA CARNE PARA CANHÃO DE ALJUBARROTA endereço: http://www.fundacao-aljubarrota.pt categoria: História Inês Amaral Docente do Instituto Superior Miguel Torga TV ENERGIA THE BOBS 2008 O que é? «Um projecto de desenvolvimento de con- teúdos audiovisuais para os novos meios de difusão, com a sua génese no Mestrado em Comunicação Mul- timédia da Universidade de Aveiro». Está no Sapo e é «uma série de ficção que não passa na televisão». Mas não é por isso que este projecto é inovador... A utilização sustentável da energia é uma das mais Carne para Canhão é sinónimo de inovação nacio- importantes tarefas do Homem, com vista ao futuro. nal porque «a primeira série audiovisual projectada para A TV Energia é uma proposta para promover este a Web totalmente filmada em estúdio com cenários vir- uso, através da criação de um canal de televisão na tuais e uma estética bastante estilizada». Se não basta web que se dirige aos consumidores finais (domésti- esta informação para aguçar a curiosidade, sublinhe-se Decorre até 26 de Novembro a votação para a cos ou empresariais) de energia eléctrica. que a acção se centra nas aventuras de um jovem de- edição deste ano dos The BOBs, o prémio criado A iniciativa é do IDMEC (Instituto de Investiga- tective que tenta deslindar um estranho desaparecimen- pela empresa de rádio e televisão alemã Deutsche ção em Engenharia Mecânica ligado ao Instituto Su- to e acaba por se envolver nas teias do tráfico de baca- Welle para distinguir os melhores blogs à escala perior Técnico, de Lisboa, e à Faculdade de Enge- lhau. mundial. O “Bibliotecário de Babel”, de José Mário nharia da Universidade do Porto) e centra-se numa Silva, é o representante português na categoria lín- tripla grelha de programação: Cinema ao ar livre (cur- CARNE PARA CANHÃO gua portuguesa. tas-metragens, documentários ou filmes promocio- O júri teve de fazer uma selecção a partir de mais nais sobre a temática); Eventos energia (agenda re- endereço: http://videos.sapo.pt/carnepcanhao de 8500 candidaturas. Ao todo foram selecciona- lacionada com o tema); iNova energia (informação categoria: vídeo dos 176 finalistas. A concurso vão blogs, videoblo- jornalística sobre a temática). gs e podcasts. Mesmo que não seja para votar, vale a pena consultar a lista dos finalistas. TV ENERGIA BOOK COVERS THE BOBS 2008 endereço: http://www.toolstochange.net/tvenergia categoria: ambiente endereço: http://www.thebobs.com categoria: weblogs IDADE NOUTRO PLANETA FUNDAÇÃO BATALHA ALJUBARROTA A criatividade da capa de um livro não significa, ne- Que idade tem noutro planeta? Não sabe? Então cessariamente, que o conteúdo equivale ao design. Mas o Núcleo Minerva, da Universidade de Évora, diz- não deixa de ser um importante aspecto quando pega- lhe. Basta que consulte a página e preencha a sua mos num livro perdido, algures, na estante de uma li- data de nascimento. vraria. Em segundos fica a saber que idade tem noutro A última sugestão das Ideias Digitais desta semana planeta e em que dia comemora o seu aniversário. é o BookCovers, um site que se centra na estética Em Plutão, Néptuno e Úrano somos muito novos, criativa das capas de livros. O site é da Fwis, uma em Mercúrio quadriplica e em Vénus quase dupli- empresa de design norte-americana, e permite que os Saber mais sobre a Batalha de Aljubarrota é o ca. A utilidade não é nenhuma, mas é uma interes- utilizadores submetam capas interessantes. Até ao mote do site da fundação homónima. Há informa- sante curiosidade. momento estão disponíveis pouco mais de 200, num ção interessante disponível e um vídeo que recria o espaço que reúne autênticas obras de arte. momento da histórica batalha que permitiu manter IDADE NOUTRO PLANETA a independência nacional. BOOK COVERS Estão ainda disponíveis uma galeria de imagens, endereço:http://www.minerva.uevora.pt/ticiencia/es- uma interessante área de Multimédia e um jogo de trelas/idade_noutros_planetas endereço: http://covers.fwis.com xadrez alusivo à temática. Um site simples mas bem categoria: curiosidades categoria: criatividade
    • 16 TELEVISÃO 19 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO DE 2008 Bar da TV e todos os abusos que a ele fica- da criação da TSF e que possibilitou a con- ceu apenas 5,5 % nos últimos oito anos (!), PÚBLICA FRACÇÃO ram associados (lembram-se da miúda alen- solidação do melhor projecto radiofónico há ainda quem acredite que será possível tejana?). Já em queda livre, Balsemão des- privado desde a liberalização das ondas. encontrar mercado. pachou-o, mas Rangel encontrou rapidamen- Para director da TSF empurrou José Fra- Aliás, o surgimento deste 5º canal em ano te casa: a RTP. goso, desde há muito um religioso seguidor de eleições é, no mínimo, estranho. Não só E é esta a maior perplexidade que se sente de Rangel (se falarem com Fragoso ao te- não parece haver investimento publicitário Francisco Amaral quando nos lembramos da carreira de Ran- lefone dificilmente o distinguem de Rangel!), suficiente, como o próprio meio “televisão” franciscoamaral@gmail.com gel. Foi com ele que a RTP enveredou por está a perder espectadores na faixa etária caminhos tão baixos que se podiam compa- que lhe podia garantir o futuro, isto é, aque- Emídio Rangel está a trabalhar para a rar aos das estações privadas. “Gregos e les que estão hoje entre os 4 e os 24 anos. Zon de forma a tentar conquistar o 5º canal. Troianos” (antepassado de Prós e Contras), Como o País não cresce (não se esque- A notícia está confirmada pela própria em- com Júlia Pinheiro (levada por Rangel para çam que a economia estagnou), e a crise presa. Recorde-se que por trás de tudo está a RTP) aos guinchos no meio de um palco internacional não deixa antever nada de a Cofina e a Controlinveste. onde supostamente devia estar a decorrer entusiasmante, como irá sobreviver este 5º Rangel, que todos sabemos conseguiu um um debate, é apenas uma triste memória. canal? “case-study” com a rápida ascensão da SIC Foi ainda Rangel que introduziu no tele- Emídio Rangel terá que encontrar um ao topo das audiências nos anos 90 (caso jornal de domingo a presença de Sócrates e modelo que possa ser alternativo aos mo- único na Europa quando a concorrência era Santana Lopes que ele considerava as mai- delos consolidados da televisão de distribui- um canal do Estado), foi também o respon- ores esperanças políticas para o futuro do ção hertziana. Nos primórdios da TSF, e até sável pela sua queda. País. Na realidade foi ele que lhes deu visi- da SIC, ele encontrou a medida exacta para Embora já tivesse sido o responsável pela bilidade e, a esta distância, é forçoso con- o êxito. Neste momento não sei qual é o introdução na programação televisiva naci- cordar com Rangel: estava ali o futuro polí- Rangel que está em funções. O criativo, o onal de programas inclassificáveis – tais tico do País. Não propriamente a esperan- agregador de esforços, vontades e talentos como “All you need is love”, “Perdoa-me” ça, mas dois dos futuros primeiros-ministros mediáticos, referência obrigatória na Histó- ou “Não se esqueça da escova de dentes” de Portugal. ria da Comunicação Social em Portugal, ou – a verdade é que recusou o célebre “Big Entretanto Guterres cansou-se, bateu o homem político que foi (é?) próximo de Brother”. Porque achou que era de mais? com a porta e fomos a votos. O PS saiu e Sócrates, não está de novo na direcção da Porque o programa era caro? Não sei. Nem entrou o PSD coligado com o PP. Rangel que da SIC também tinha seguido para a RTP por manifesta impossibilidade conjun- sei se ele alguma vez o disse, ou se o disse, foi afastado da RTP. Percorreu a sua tra- RTP com o seu “guru”. O curioso é que tural (mas está lá o seu prolongamento – se contou a verdade. vessia do deserto, durante a qual defrontou esta “remodelação” da TSF, feita ao longo Fragoso), que proporcionou negócios entre A verdade é que José Eduardo Moniz graves problemas de saúde, tendo regres- de 2003, acabou por desaguar mais tarde grandes grupos de media, ou ainda aquele (muito deve o povo português a este ho- sado sem que quase ninguém tivesse dado na aquisição daquela estação de rádio pela que escreve artigos de opinião inflamados mem!…) apanhou o BB e a TVI saltou para por ele. Refiro-me à “remodelação” da TSF, Controlinveste que, neste momento, é uma (no Correio da Manhã – Cofina) contra os a frente das corridinhas televisivas para nun- a rádio de que ele fora o principal criador, das interessadas a pedir de novo os bons professores, chamando-lhes “de véspera” ca mais de lá sair. mas da qual se afastara desde 1992 quando serviços de Rangel para atingir o prometido hooligans? Emídio Rangel lançou-se então numa partiu para a direcção da SIC. Fê-lo na som- 5º canal. Para bem do público e até do País, era vertiginosa fúria para conseguir algo ainda bra, traindo muitos dos que com ele estive- O trabalho terá que ser rápido. O limite é bom que estivesse de regresso o Rangel do mais rasca do que o Big Brother. E veio o ram nessa caminhada fantástica para além o dia 21 de Janeiro. Embora os estudos indi- final da década de 80 do século passado. quem que a publicidade em televisão cres- Estará já longe demais? “100 obras de Arte de Coimbra” Faça uma assinatura do “Centro” e ganhe valiosa obra de arte Esta é a reprodução da valiosa obra original “100 Obras de Arte de Coimbra” é o título da obra da autoria do Prof. Pedro de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região Dias, que vai ser lançada amanhã (dia 20), pelas 19,30 horas, no Salão Nobre APENAS Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, da Câmara Municipal de Coimbra. Trata-se de uma edição da Fundação 20 euros POR ANO Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente, Bissaya-Barreto no âmbito do programa comemorativo dos seus 50 anos - LEIA NA PÁG. 3 quando fizer a assinatura do jornal CENTRO