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Versão integral da edição n.º 61 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 05.11.2008. …

Versão integral da edição n.º 61 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 05.11.2008.

Site do Instituto Superior Miguel Torga: www.ismt.pt

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
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Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
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  • 1. JORGE CASTILHO DIRECTOR | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Telef.: 309 801 277 Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA 1 euro (iva incluído) ANO III N.º 61 (II série) 5 a 18 de Novembro de 2008 CICLO DE CONFERÊNCIAS NA CASA-MUSEU MIGUEL TORGA Clara Rocha veio a Coimbra revelar facetas da vida e obra de seus Pais Clara Rocha regressou à sua antiga residência em Coimbra (imagem ao lado), agora transformada em Casa-Museu Miguel Torga, para abrir um Ciclo de Conferências sobre o grande escritor e poeta, tendo evocado alguns aspectos muito interessantes da vida e da obra de Torga. O próximo conferencista, ainda este mês, será Mário Soares PÁG. 13 JULGAMENTO DE HOMICÍDIO DE ARTISTA OCORRIDO HÁ 15 ANOS ESTÁ A DECORRER EM MADRID Dois irmãos de Coimbra reafirmam inocência PÁG. 3 PINTOR DISTINGUIDO BISSAYA-BARRETO CAMPANHA ADOPCÃO TOPONÍMIA “Escolha Mário Silva I Congresso Aniversário um animal faz revelações nacional da Fundação no Canil em entrevista decorre e do Homem Municipal” ao “Centro” em Coimbra que a criou PÁG. 11 PÁG. 4 e 5 PÁG. 12 PÁG. 2
  • 2. 2 NACIONAL 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Fundação Bissaya Barreto comemora meio século e assinala aniversário do seu fundador A Fundação Bissaya Barreto, com modalidades – em toda a Beira Litoral. sede em Coimbra, uma das mais presti- Nessa altura ninguém conseguiria ima- giadas e actuantes fundações portugue- ginar a obra extraordinária que a Funda- sas, tem vindo a comemorar este ano ção viria a desenvolver ao longo das dé- meio século de existência com um pro- cadas seguintes. grama muito rico e diversificado – à se- Após o 25 de Abril de 1974, Bissaya melhança, aliás, da imagem da institui- Barreto tem de vagar o gabinete que ção. ocupava nos Hospitais da Universidade Na passada semana, a Fundação de Coimbra (por inerência das funções assinalou também o aniversário do como professor jubilado de cirurgia). nascimento do seu patrono. Mais É em Lisboa e no Hotel Metrópole, exactamente 102 anos, já que Fernan- ao Rossio, que encontra a morte no dia do Baeta Bissaya Barreto Rosa nasceu 16 de Setembro desse ano. O funeral em Castanheira de Pêra, no dia 29 de católico que lhe foi prestado, sai de Lis- Outubro de 1886, fruto do casamento de boa em direcção à sua terra natal, onde Albino Inácio Rosa, farmacêutico de pro- está sepultado. fissão, com Joaquina da Conceição Bar- Por vontade testamentária fez herdeira reto. A 27 de Dezembro, recebeu o bap- universal a Fundação Bissaya Barreto. tismo na Igreja Paroquial de S. Domin- gos da Castanheira, tendo como padri- UMA OBRA nhos Abílio Barreto, médico cirurgião do EXTRAORDINÁRIA Exército, e Leopoldina Rosa da Concei- ção. A vida longa do Professor Bissaya Fernando foi o segundo de quatro fi- Barreto é marcada por um enorme po- lhos, todos nascidos em Castanheira de der de realização no campo da assistên- Pêra. (A irmã mais velha recebeu o nome cia pública. de Sofia quando nasceu, em 1885. As Da sua vasta obra podem salientar as duas irmãs mais novas chamavam-se seguintes realizações: Aura nascida em 1889, e Berta, nascida · 3 Sanatórios anti-tuberculose em 1891). · 1 preventório Em 1903 Bissaya Barreto matricula- · 2 Hospitais Psiquiátricos se na Universidade de Coimbra, conclu- · 1 Colónia Agrícola Psiquiátrica indo em 1909 o bacharelato em Filosofia · 1 Leprosaria com 18 valores. · 1 Creche/Preventório para filhos A 19 de Junho de 1911 toma parte de leprosos como deputado eleito na 1ª sessão da · 1 Centro de Reabilitação para ex- Assembleia Nacional Constituinte, que leprosos decretou a abolição da Monarquia. Ain- · 1 Hospital Geral Central da neste ano, Bissaya Barreto termina o · 1 Hospital Pediátrico Curso de Medicina com 19 valores, e em · 1 instituto Materno Infantil Novembro é nomeado 2º Assistente Pro- O Pof. Bissaya Barreto (na imagem rodeado por crianças) foi, seguramente, uma · Casa da Mãe (Figueira da Foz) visório da Faculdade de Medicina de das personalidades que desenvolveu obra mais notável e pioneira na assistência materno-infantil na História de Portugal · 1 Centro de Surdos · 1 Instituto de Cegos Coimbra. · 26 Casas da Criança Sempre com a ânsia de aprender mais do a assumir as funções de Director da · 3 Colónias de Férias e mais, em 1912 conclui o 4º ano do Cur- Clínica Terapêutica e Técnica Operató- · 2 Bairros Sociais Director: Jorge Castilho so do Magistério Secundário, na recém- ria, dos Hospitais da Universidade de · Escola de Enfermagem “Bissaya (Carteira Profissional n.º 99) criada Faculdade de Letras de Coimbra. Coimbra. Barreto” Em 1914 chega a ser nomeado pro- Propriedade: Audimprensa Em de Julho de 1918 é nomeado Pro- · Escola Normal Social NIF: 501 863 109 fessor do Liceu de Coimbra, lugar de que fessor Ordinário da Faculdade de Medi- · Escola de Enfermeiras Puericul- não chega a tomar posse. A 4 de Julho cina. E em 1942 atinge o cume da sua Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho toras desse ano discursa na sua terra natal, por carreira académica, sendo nomeado Pro- · Escola Profissional de Agricultu- ISSN: 1647-0540 ocasião da tomada de posse da Comis- fessor catedrático de Clínica Cirúrgica, ra, Artes e Ofícios - em Semide são Instaladora do concelho de Casta- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 da Faculdade de Medicina da Universi- · Dispensários, Brigadas móveis, nheira de Pêra. dade de Coimbra, de que se viria a jubi- Portos rurais Composição e montagem: Audimprensa Em 1915 apresenta a dissertação “O Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra lar em 1956. · Aeródromo de Coimbra (Aeródro- Sol: em Cirurgia”, no âmbito das pro- mo Municipal “Bissaya Barreto”) Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 vas de concurso a um lugar de 1º Assis- SURGE A FUNDAÇÃO Destaque ainda para a criação da tente da Faculdade de Medicina da Uni- centro.jornal@gmail.com e-mail: Sede da Associação Académica de Co- versidade de Coimbra. Dois anos depois, em 1958, institui, em imbra e da Obra de Assitência Materno- Impressão: CIC - CORAZE Logo no ano seguinte, em Março, Oliveira de Azeméis Coimbra, a Fundação Bissaya Barreto, Infantil, para além de muitas outras acti- é nomeado Professor Extraordinário da vocacionada para prestar e desenvolver Depósito legal n.º 250930/06 vidades a que faremos referência mais Faculdade de Medicina de Coimbra, vin- assistência – nas suas mais diversas detalhada na próxima edição. Tiragem: 10.000 exemplares
  • 3. NACIONAL 3 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 ACUSADOS DE HOMICÍDIO COMETIDO HÁ 15 ANOS Dois irmãos de de Coimbra declaram-se inocentes Dois irmãos portugueses naturais de Co- ta e alegadamente com obras de arte que essencial da defesa, nomeadamente um tes- do arquivamento em Portugal, que o caso imbra acusados do homicídio, ocorrido há terão sido roubadas da sua casa. temunho que coloca Gonçalo num banco em estava fechado”.Posições rejeitadas por 15 anos, do artista espanhol Abel Martin, A defesa – explicou à Lusa Carmen Coimbra no dia do crime. Eduardo Pera Casado, advogado de acusa- declararam-se ontem inocentes no início do Merino, advogada de Conçalo – insiste que A advogada insiste na fraqueza dos tes- ção particular, que garantiu à Lusa haver julgamento, que decorre em Madrid e se nenhum dos arguidos estava em Madrid na temunhos da acusação, afirmando que, além “mais do que indícios” que relacionem os espera termine amanhã (quinta-feira). altura dos factos e que os testemunhos são de não haver qualquer prova forense que dois arguidos com o crime. Gonçalo Manuel Montezuma e Manuel “débeis” e sem qualquer documento com- relacione os dois arguidos com o lugar do Casado alega que os dois irmãos estive- Franco Montezuma, de 44 e 40 anos, são provativo. crime, “nunca ninguém os viu” na casa de ram mais de 12 anos “em fuga das autori- acusados de no dia 6 de Agosto de 1993 “Eles disseram a verdade. Não estavam Abel Martin e os seus supostos vínculos com dades”, sob um mandado de captura inter- terem morto Martin para roubar várias obras aqui em Madrid, mantêm a inocência. Não os quadros roubados “são ténues”. nacional, e acusa a defesa de atrasos pro- de arte. têm nada a ver com os quadros, não há qual- “Parecem teorias de ficção científica. cessuais ao longo de mais de 18 meses. Depois de declarações iniciais de inocên- quer prova de transacção”, disse. Nunca se investigou os outros cenários. Não “Mantemos a nossa acusação. Eles hoje cia, ambos foram questionados pelo procu- “É importante recordar que a Justiça por- se investigou se podia ser um crime passio- ratificaram as suas declarações, que já ti- rador e pelo advogado da acusação parti- tuguesa, que se declarou competente para nal, não se investigou o ‘marchant’ que nham prestado anteriormente, mas onde já cular, Eduardo Pera Casado. investigar este caso, arquivou o processo em montava as exposições. Não se investigou existiam contradições”, disse, frisando que Hoje serão ouvidas as testemunhas de 1994, por considerar que não havia indícios. nada mais”, sublinha. a acusação apresentará 15 testemunhos de acusação e de defesa e amanhã as alega- E tomou essa decisão exactamente com as “Na casa havia 100 e tal quadros. Havia pessoas que alegam ter recebido ofertas dos ções finais. A sentença deverá ser conheci- mesmas provas”, afirmou. Picassos e Miró e só desapareceram ale- arguidos para comprar os quadros rouba- da daqui a uma semanal. Anos depois, 2005 no caso de Manuel gadamente os de que se fala neste proces- dos na casa de Abel Martin. A pena máxima pelos crimes de que são Franco e 2007 no de Gonçalo, a Justiça so? Se esse fosse o mobil do crime, não Questionado sobre se há provas foren- acusados pode atingir os 20 anos de cadeia. espanhola reabriu o caso, detendo os dois teriam roubado os outros todos?” ses que relacionem os arguidos com o cri- Sem provas forenses que relacionem irmãos, que têm estado em prisão pre- Ao mesmo tempo recorda que o crime me, o advogado admitiu que não, e ques- qualquer dos dois arguidos com a morte de ventiva. ocorreu há 15 anos, frisando que o atraso tionado sobre se os quadros tinham sido Abel Martin, a acusação assenta, no essen- Desde o arquivamento do processo em no julgamento não de deveu à intervenção recuperados foi mais evasivo, responden- cial, em relatos policiais e testemunhos que Portugal, a que se refere Carmen Merino, de qualquer dos irmãos, que “sempre esti- do: “Sobre isso não posso dizer nada nes- relacionam os dois portugueses com o artis- já foi junto ao processo um outro elemento veram em Portugal e que pensavam, depois te momento”. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 239 854 150 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 239 854 154 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- CONTAMOS CONSIGO! gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  • 4. 4 MUNDO ANIMAL 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra tem em marcha Nesta página e na seguinte publicamos imagens de uma campanha intitulada “AdopCão”, com o seguinte alguns dos bons aamigos de 4 patas que estão à espera lema: “Adoptem um animal no Canil Municipal”. de que alguém queira aproveitar todo o carinho que Trata-se de uma iniciativa muito meritória, que per- têm para dar. mite que pessoas que gostam de animais ali possam ir Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz um des- buscar um fiel companheiro, sem nada pagarem por tes que esperam por si e não se arrependerá! isso. São muitos os cães (e também alguns gatos) que ali esperam que gente com bom coração os vá adoptar, tendo como recompensa conquistarem um amigo para toda a vida, já que estes animais rapidamente se adap- tam aos seus novos donos (que, para além do mais, os estarão a poupar a um fim muito triste e tremendamen- te injusto). O Canil/Gatil Municipal fica no Campo do Bolão, Mata do Choupal, onde os animais esperam, ansiosos, por uma nova casa e uma nova família. Os interessados em obter mais informações podem ligar para o telemóvel 927 441 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do telefone 239 493 200. Podem também enviar um e-mail para aranimal@gmail.com ou consultar o site www.cm-coimbra.pt/741.htm Os dias e horas especificamente destinados às adop- ções são os seguintes: A cantora Inês Santos dá o exemplo, segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; quintas-feiras, Kaká é este bichinho adorável acarinhando um dos cães recolhidos no Canil/Gatil das 10 às 12 horas. que espera que alguém o adopte Municipal de Coimbra Prurido nos cães - causas e tratamento Salvador St.Aubyn Mascarenhas Médico Veterinário salvadorvet@gmail.com de cálcio ou tumores da pele. Além disso, pôs antibacterianos contendo peróxido de Ao longo da nossa prática clínica, muitas algumas doenças imunomediadas, hormo- benzoílo podem aumentar o prurido. vezes um dono preocupado chega à consul- nais e psicogénicas, podem causar prurido. Certos animais não toleram nenhum pro- ta desesperado com a queixa de que o cão Várias doenças podem contribuir ao duto na sua pele, incluindo água morna, pio- ou o gato está cheio de pulgas, e que já es- mesmo tempo para o prurido. Por isso, quan- rando a comichão, mas a água fria normal- gotou toda a parafernália de sprays e colei- do identificamos uma causa, tratamo-la. mente alivia. ras e não consegue controlar a infestação. Mas se o animal continua com comichão, Os medicamentos que são administrados A primeira pergunta que normalmente faço, devemos considerar a coexistência de uma pela boca ou injectados (terapia sistémica) é se tem observado muitas pulgas, e não outra razão. têm uma acção mais eficaz, como os este- poucas vezes a resposta é: não, mas ele A utilização de um colar isabelino pode róides, na diminuição da inflamação e logo coça-se desesperadamente. E após obser- ajudar, mas normalmente não é prático para do prurido. Ácidos gordos polinsaturados vação cuidada não observo nenhuma pulga um tratamento a longo prazo. para administração oral podem ajudar, mas nem os excrementos característicos. Geralmente não precisamos mudar a ali- têm de ser usados durante 6 a 8 semanas, O que se passa é que animal tem um mentação, a não ser que haja suspeita de também auxiliam no controle da pele seca, sintoma que na gíria médica se chama pru- tas, como é o caso da dermatite alérgica alergia à comida. que igualmente pode ser origem de prurido. rido que é o termo que designa comichão, e pela picada das pulgas, a atopia (uma doen- Por vezes teremos de realizar biopsias Alguns medicamentos que diminuem a an- essa sensação provoca o desejo de coçar, ça em que o animal é sensível ou alérgico a da pele para se poder chegar a um diag- siedade, conhecidos como drogas psico- esfregar, morder ou lamber as zonas afec- determinadas substâncias que se encontram nóstico preciso, sendo um procedimento génicas, podem controlar o prurido nal- tadas, que muitas vezes apresentam verme- no seu meio ambiente, como o pólen, que fácil e seguro, dando-nos óptimas informa- guns casos, como a fluoxetina (o conhe- lhidão ou mesmo perda de pêlo. E pulgas normalmente não causam nenhum proble- ções para solucionar o problema. cido prozac), a amitriptilina e o diazepam não são nem de perto nem de longe a única ma); a alergia à comida, alergia de contac- Os medicamentos utilizados devem ser (valium). causa dessa comichão desesperante. to, alergia aos medicamentos e alergia às específicos para cada situação, ou seja, não Os animais deverão ser avaliados perio- O prurido é a indicação da pele inflama- bactérias, conhecida por hipersensibilidade existe um medicamento para todas as co- dicamente pelo veterinário para verificar a da, que devemos investigar para chegar ao bacteriana. michões, como às vezes nos solicitam. resposta ao tratamento. diagnóstico da sua causa. Outras causas da comichão também po- Alguns medicamentos são de aplicação Devemos prevenir a infestação do nosso As causas são inúmeras e podem ir des- dem ser infecções bacterianas, tipicamente directa na pele, ou seja, terapia tópica, e es- amigo por parasitas externos porque estes de parasitas como as pulgas, ácaros que o Staphylococcus, ou fúngicas, como a ses são normalmente usados nas comichões potenciam qualquer causa subjacente, tor- parasitam o folículo piloso, os ácaro dos ou- Mallassezia. menos graves, sendo os sprays, loções e nando frustrante o tratamento tanto para o vidos, piolhos, e mesmo a migração cutâ- Ainda algumas origens do prurido podem cremes usados nas áreas mais localiza- dono como para o veterinário. nea de parasitas internos. estar ligadas a uma excessiva descamação das.Mas quando são áreas extensas é pre- O prurido na maior parte das vezes não Também alergias causadas pelos parasi- da pele, conhecida por seborreia, deposição ferível usar um champô, mas alguns cham- mata mas mói
  • 5. 5 MUNDO ANIMAL 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 A Fiona é uma menina pequenina, com uns olhos muito bonitos! De porte pequeno e altivo, esta jovem cadelinha espera por fazer uma família muito feliz! O Black adora festas! É um bem disposto, brincalhão A Kéké é uma cachorrinha muito ternurenta. Tem cerca e muito fotogénico! É de porte médio/grande, tem um de 2 meses e espera por uma família que lhe dê muitos pelo preto lustroso e é muito bonito! miminhos A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes muito bonitos e é uma excelente mãe. È também muito meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e deve ser uma boa cadela para ter em apartamento A Pipoca é uma cadelinha muito bonita, de porte pequeno, com cerca de 1 ano de idade e que foi abandonada à porta do Canil no Dia do Animal! É muito meiga e atenta A Cookie é uma cadelinha com cerca de 1 ano, de porte pequeno, muito meiga e calminha. Tem a particularidade de ter um olho castanho e outro azul clarinho A Nina é um amor de cadela! Tem cerca de 1 ano e é meiguíssima. Adora festinhas e que lhe cocem a barriga! Tem uns bigodes muito engraçados e é de porte grande Este cãozinho branquinho, muito pequenino, muito simpático e meigo é o Snow O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno, abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo, e quando ganha confiança com as pessoas é muito Facilmente nos apaixonamos pela Esmeralda! Ela é brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que muito dócil, super simpática e tem uns lindos olhos tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho verdes A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que teve bebés e que já foram adoptados. Ela ainda espera que alguém a adopte! È uma ternura, muito meiga e A Shakira é uma cadelinha pequenina, muito esperta Para quem prefere gatos, este é um dos vários que adora saltar para o nosso colo! Cativa qualquer pessoa e extremamente meiga e simpática está à espera de quem o adopte
  • 6. 6 INTERNACIONAL 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Hillary Clinton diz que Obama “servirá bem” os norte-americanos massa às 1.351 assembleias eleitorais, A senadora por Nova Iorque e ex-ri- à assembleia de voto de Chappaqua onde tiveram de esperar várias horas em val de Barack Obama nas primárias do acompanhada pelo marido, o ex-presiden- filas para poderem votar. Partido Democrata, Hillary Clinton, as- te Bill clinton, e, quando questionada so- Alguns dos colégios eleitorais de Nova segurou ontem (terça-feira) que o can- bre como se sentia por não ver o seu Iorque abriram mais tarde do que a hora didato do seu partido à Casa Branca “ser- nome nos boletins de voto, respondeu que prevista porque faltavam as máquinas virá bem” os norte-americanos. tinha sido “uma honra” ter aspirado à para contabilizar os votos. Hillary Clinton, que votou na localida- candidatura. A cidade de Nova Iorque, com mais de nova-iorquina de Chappaqua, reiterou “Ter estado tão perto é algo de que de 8,2 milhões de habitantes, tem regis- o seu apoio a Obama e sublinhou que na estarei para sempre orgulhosa”, decla- tados 4,6 milhões de eleitores, dos quais última fase da campanha eleitoral parti- rou Hillary Clinton. 724.000 de origem hispânica, de acordo cipou “em mais de 75 eventos” de apoio As última sondagens, segundo o site com dados da Associação Nacional de ao seu ex-rival. RealClearPolitics.com, dão a Obama a Funcionários Latinos. Em declarações à imprensa depois de preferência de 52 por cento dos eleito- Em Nova Jersey também se regista- votar, a mulher do ex-presidente Bill Clin- res e ao candidato do Partido Republi- ram grande filas de espera para votar e ton vincou que os norte-americanos “sa- cano, John McCain, 44,2 por cento. até mesmo o governador daquele esta- bem que os EUA precisam de um presi- Obama e o seu rival McCain continu- do, o democrata Jon Corzine, “teve de dente sério”, uma qualidade que reco- aram no dia da votação a fazer acções esperar mais de uma hora e meia para Em Nova Iorque, “feudo” do Partido nheceu em Obama. de campanha e a apelar para o voto dos votar”, segundo o seu porta-voz. Democrata, os votantes acudiram em A senadora por Nova Iorque chegou eleitores. Efeitos salutares da crise centes ambições, do estado das coisas na mundial», enveredaram para alargar a in- ve o norte-americano. Fiodor Lukyanov * única superpotência. fluência das instituições «verncedoras», ou A CIMEIRA MUNDIAL A interdependência económica dita a li- seja, as ocidentais. Os resultados estão à A crise financeira mundial promete SERÁ IMPRODUTIVA nha política. Independentemente das anti- vista: estas falham na tomada de decisões alterar fortemente a política interna- patias pelos EUA, Pequim está vitalmente políticas globais, na esfera de segurança e cional. À luz do enorme défice orçamental, her- interessado em ver os norte-americanos na economia. A instabilidade financeira, que dado pelo Presidente (que acaba de ser eleito, saírem mais rápido da crise. Sem o merca- Numa perspectiva ideal, a crise financei- avança pelo mundo, tem demonstra- a 4 de Novembro), e da situação geral do do norte-americano, a China não pode so- ra é capaz de fazer com que as potênciais do à Rússia e a vários outros países, sistema financeiro dos EUA, o novo inquili- nhar continuar a trajectória de desenvolvi- mundiais, inclusive a Rússia, tomem consci- beneficiados pelo bume de matérias- no da Casa Branca terá que fazer uma re- mento dos últimos dez anos. ência dos interesses colectivos e da neces- primas do último decénio, o grau da visão dos seus objectivos na política exter- A revista norte-americana «Foreign sidade de acções multilaterias, desistindo do dependência mútua geral, assim como na. Hoje em dia, Washington considera pri- Affairs» publicou recentemente um artigo egoísmo inerente a todos os sujeitos das re- os limites das suas possibilidades eco- mordiais – o que também é uma herança de do economista Fred Bergsten, propondo for- lações internacionais. nómicas e geopolíticas. Graças às George W. Bush – todas as prioridades po- mar «uma dupla invencível EUA-China» Para que tal aconteça, a percepção de consideráveis reservas de divisas (cer- líticas: elas não podem ser sacrificadas ou para dirigir a economia mundial. Para obri- uma inevitável catástrofe deve ser verda- ca de 600 mil milhões de dólares), acu- ser objecto de cedência. gar a China a assumir a responsabilidade deiramente profunda. O que, por enquanto, muladas durante os anos de rápido Um aspecto positivo da crise financeira pela estabilidade global no quadro do siste- não existe. Daí ser inútil ter a expectativa crescimento económico, a Rússia tem sido a reanimação do debate internaci- ma supervisionado actualmente pelos EUA, de um êxito da cimeira mundial, a realizar pode combater os efeitos negativos da onal sobre a necessidade de renovar as ins- Washington terá que partilhar com Pequim em 15 de Novembro em Washington, pela crise, mas é duvidoso que tenha re- tituições de gestão global. Convém assina- os direitos e as obrigações. Nesta fase de administração cuja saída é esperada por cursos suficientes para levar a cabo lar que a Rússia fala há muito sobre a deca- luta contra a crise financeira mundial a du- grande maioria da população do planeta. os seus sonhos geopolíticos. dência das estruturas existentes, mas a sua pla EUA-China até poderá ganhar terreno. Com a nova conjuntura mundial, a voz não foi ouvida. Por exemplo, há um ano DUPLA EUA-CHINA No seu artigo, Fred Bergsten reconhece importância dos principais activos rus- e meio Moscovo apelou para a reforma do que doravante os EUA dificilmente pode- sos – as matérias-primas – está a di- FMI (Fundo Monetário Internacional), e até Entretanto, o conceito de «multipluralis- rão dar muita atenção à Europa, pois a rea- minuir. Claro, a médio e a longo pra- avançou uma candidatura alternativa para mo antiamericano», que a Rússia tem de- lidade demográfica e económica faz dimi- zos a procura de petróleo, gás natural o posto de director do Fundo. Agora é mais fendido nos dois últimos anos e continua a nuir a importância do Velho Mundo. Esta e metais vai crescer imparavelmente. que evidente que nem o FMI, nem o seu fazê-lo agora, poderá perder a sua actuali- perspectiva trará sérios problemas à UE e Mas, num futuro próximo, a agiotagem dirigente máximo cumprem devidamente as dade. à Rússia, que mantêm relações em muito em torno dos recursos energéticos vai suas funções. Em primeiro lugar, os EUA ver-se-ão parecidas com as existentes entre os EUA parar, o que vai mudar a atmosfera Outra ideia russa consiste em encetar um obrigados a corrigir o seu comportamento: e a China: uma ligação económica forte, mas geral no mundo. amplo diálogo sobre a segurança euroatlân- passarão a agir com mais delicadeza e até sem simpatias políticas. Este efeito da crise pode ser consi- tica, que por várias razões – tanto subjecti- escutar, embora formalmente, os parceiros. A Europa tende a ser independente em derado positivo, já que com a bolha vas, como objectivas – não teve uma devi- Depois das rudes maneiras da administra- relação ao Novo Mundo, mas, ao mesmo financeira mundial vai desaparecen- da repercussão no Ocidente. Entretanto, é ção de George W. Bush, mesmo pequenas tempo, receia uma independência comple- do também a bolha de ambições e ex- mais que legítimo pôr em foco este proble- mudanças positivas na política externa dos ta. E não está pronta para considerar sérios pectativas exageradas. A ameaça de ma. Todas as instituições chamadas a tratar EUA são capazes de produzir grande im- projectos de integração com Moscovo. Tam- recessão obriga a definir melhor as a questão de segurança têm as suas raízes pacto. bém a Rússia se vê como um pólo indepen- prioridades, graduar as intenções e de- mergulhadas na guerra fria e foram criadas Em segundo lugar, a crise mostrou não dente num futuro mundo multipolar, embora sistir de objectivos secundários em para uma realidade bem diferente. Após a apenas a fraqueza da liderança norte-ame- não tenha fundamentos objectivos para isto. favor dos mais importantes. Isto diz guerra fria, em vez de criar novas institui- ricana, mas também a dependência do res- respeito a todos os governos, inclusi- ções capazes de apoiar a «nova ordem to do mundo, inclusive os paísese com cres- * in revista A Rússia na Política Global
  • 7. 7 NACIONAL 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 EMPOSSADO PRESIDENTE DA ENTIDADE REGIONAL DE TURISMO DO CENTRO PORTUGAL Pedro Machado deseja adesão de Coimbra, Figueira e Cantanhede bilizados recursos financeiros pela admi- O presidente da Entidade Regional de pios no Turismo do Centro Portugal. o que estiver ao seu alcance” no sentido nistração central para que esta entidade Turismo do Centro Portugal, Pedro Ma- A posse dos órgãos da nova Entidade, de que aqueles municípios adiram. possa promover todos estes territórios, chado, manifestou anteontem o seu em- que vai ter sede em Aveiro e engloba 55 Entre as “consequências práticas” da do meu ponto de vista não faz sentido penho em que os municípios de Coim- dos 58 municípios da região, decorreu no não adesão ao novo organismo, Pedro que estes municípios não estejam pre- bra, Cantanhede e Figueira da Foz adi- hotel da Quinta das Lágrimas, suceden- Machado enunciou, para os municípios, sentes”, declarou o membro do governo ram ao novo organismo. do a uma sessão de trabalho, eventos pre- o “afastamento da capacidade de aces- aos jornalistas ao comentar a não ade- Em declarações aos jornalistas no fi- sididos pelo Secretário de Estado do Tu- so ao programa de investimentos para o são daqueles municípios. nal da tomada de posse dos órgãos da rismo, Bernardo Trindade. turismo e a outros programas nacionais” Bernardo Trindade manifestou-se con- nova entidade, que decorreu em Coim- “O caminho faz-se caminhando. Se e o facto de a região deixar de contar victo, porém, que a sua inclusão “será bra, Pedro Machado disse estar “forte- num primeiro momento não foi possível com a contrapartida financeira corres- uma realidade a breve prazo”. mente empenhado e disponível para tudo e na medida em que estão a ser disponi- pondente à participação desses municí- ponto . por . ponto Maneiras de ver Por Sertório Pinho Martins continua a confiar um país, perdido no meio ta, luxos dispensáveis, modelos económicos Relatórios e Contas de gerência (a banca), da borrasca, a uma turma de noviços que assentes em falcatruas, chefes políticos à usando dinheiro dos contribuintes para sa- A crise tantas vezes negada, tal como S. não sabe para que lado fica o nascer do medida dos interesses de cada clã. far negócios privados e deixando para se- Pedro antes do galo cantar três vezes, es- sol? E o que eu temia (recordas-te, Jorge E nós não fomos excepção, porque tam- gundas núpcias as novas escolas, hospitais, toirou na cara dos políticos julgados imunes Castilho?), está aí sem dó nem piedade: a bém – como lá fora – vamos em rebanho vias de comunicação indispensáveis, infra- à desgraça alheia (pensamos sempre que UE acaba de anunciar, alto e bom som, que atrás de qualquer slogan, de qualquer es- estruturas sociais e outras carências de um as misérias só nos atingem depois de terem Portugal entrou já em recessão técnica no tandarte levantado por políticos que se pre- país que continua alegremente na cauda de vergastado todos os outros pecadores do 3º trimestre do ano e assim vai continuar no zam e são iguais em todos os quadrantes, uma Europa cada vez mais densa de nacio- universo). E não vale a pena avivar o pesa- seguinte. Ninguém ouve os sinos a dobrar? guiando-se por um cardápio de valores do nalidades e de apetência por fundos que lhes delo dos que têm entre mãos o destino do Vossa Excelência ainda tem um Vieira da mais variado que imaginar se possa: man- alimentem a escada por onde hão-de che- mundo, porque a grande maioria ignorou os Silva que sabe o que faz, um Teixeira dos drião, chico-esperto, venal, vira-casacas, ti- gar aos patamares de desenvolvimento dos sinais inequívocos da derrocada, e continuou Santos que faz o que lhe manda, tem mais ranete, seguro da sua impunidade, e não seus parceiros de União Europeia. alegremente a atafulhar os off-shores de um ou outro com boa-vontade e carinha raras vezes propenso para a actuação em E assim se esvai a esperança de um povo dinheiro fácil, a ensopar a camada de ozono laroca – e tem depois uma correnteza de bando que defende com unhas e dentes os entalado entre a sobrevivência e o direito ao com gases de estufa, a dizimar baleias pelo gente que não sabe o que é, nem como seus interesses comuns – doa a quem doer! mínimo de dignidade humana. Cá pelo bur- prazer mórbido de saborear uma bifalhada boiar, numa crise séria como a que se vai É capaz de ser melífluo, camaleão, insinu- go, esperava-se que (a necessidade aguça de alcatra de cachalote, a temperar as cor- estender e submergir o mundo nos anos ante, traiçoeiro, vingativo, pedante, lambe- o engenho) uma ‘remodelação’ pusesse fim rentes marítimas com água de lavar depósi- mais próximos: os da ‘crise’, que nas opi- botas, e no final assistir contrito à missa do- à carreira de alguns actores de série B e tos de petroleiros, a brincar aos ensaios ató- niões mais optimistas durará ainda no bi- minical na igreja chique do bairro exclusivo contribuísse para uma esperançazinha do micos desde o Irão à Coreia do Norte – e énio 2009-2010, e depois – Deus nos acu- onde coabita com os seus semelhantes. português anónimo que continua a sofrer na isto sem contabilizar os triliões que mantive- da – os da ‘saída da crise’ até regressar- Portugal não foi excepção! Basta olhar pele a incontinência verbal e a imprepara- ram vivas as guerras no Afeganistão, no Ira- mos à tona. Já pensou? em volta e ler os textos e as entrelinhas da ção técnica de muitos afilhados do regime. que, nos Balcãs, no Médio Oriente, na anti- Bem sei que são ‘maneiras de ver’, nossa história recente, que está lá tudo, legí- Mas, pasme-se, a crise do sistema financei- ga URSS e na nova Rússia, mais as redes mas esta até um cego lá chega: quem vel à vista desarmada: nem é preciso fazer ro vai afinal servindo para alimentar a pão- terroristas de cariz religioso e separatista. não sabe gerir a fartura, os biliões para zoom de consciência e de boa vontade! E de-ló alguns que já tinham guia de marcha Tudo isto enquanto na África e na Ásia se aeroportos e TGVs, e o clima de euforia para a classe política instalada, a crise fi- para o vale das almas penadas de onde vie- morre aos milhões por falta de algo tão sim- económica que ainda no início deste ano nanceira internacional vai servindo para la- ram! Porquê? Pois se em ambiente de fes- ples como a ração de comida diária que era cartilha de qualquer ministro que se var as asneiras de alguns cromos que subi- ta e de exaltação clubista, era o que se via – mantém vivo o ser humano. prezasse, como vai saber guiar um bar- ram ao palanque governamental, e aí ser- numa conjuntura de arrepiar e sem mar- A crise chegou, mas não é de hoje: é de co no meio do lamaçal que até há pouco vem as suas clientelas e preparam o futuro, gem para a mínima asneira, que sentido faz todos estes anos em que se carregou no foi lagoa de serenidade virtual e julgada que isto de vacas gordas dura o que dura. O manter gente que nem no meio da fartura acelerador sem ligar à fraca cavalagem de com fundo para todas as loucuras de Estado dá uma mão amiga a quem não sou- apregoada sabia cuidar do quintal que lhes cada país e ao tamanho do depósito de com- navegação? Vossa Excelência manda, be gerir o seu ganha-pão, mesmo com lu- tinha sido confiado? Agora, Sr. Primeiro- bustível de cada consumidor. Foi só ‘produ- Vossa Excelência é que sabe! cros fabulosos a saltitar anualmente dos Ministro, é que a remodelação é vital! Ou zir’ bens de consumo, guerras longe da por- VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  • 8. 8 OPINIÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 ção. Aconteceu recentemente entre nós tado não pode, por definição, quebrar esta DIREITO À PRIVACIDADE com as iniciativas legislativas sobre o di- relação de confiança. (...) vórcio. (...) Maria José Nogueira Pinto É arrepiante ouvir dizer, com grande se- João César da Neves DN 23/Out/08 renidade, que a Inspecção das Finanças DN 27/Out/08 deste País democrático, leu e-mails de cen- MANOBRAS DE OUTONO tenas de funcionários, sem o consentimento OS QUE HÃO-DE GUIAR-TE destes, só para averiguar eventuais fugas À VITÓRIA Há várias lições possíveis a retirar da de informação. E tudo fez sem qualquer novela Manuela Ferreira Leite-Santana consequência. Lopes, a propósito da fatal candidatura do O CDS não cuida dos seus maiores, nem (...) Diz a Lei, nos arts. 80º do Código ‘menino guerreiro’ à Câmara de Lisboa. Só rega a sua árvore genealógica. Recusou o Civil e 26º da Constituição, que todos de- que em nenhuma delas Manuela Ferreira centrismo de Freitas do Amaral, desautori- vem guardar dever de reserva quanto à in- Leite sai bem na fotografia e eu lamento, zou o institucionalismo que Adriano Morei- timidade da vida privada. O carácter uni- porque, em acordo ou em desacordo, sem- ra nem teve tempo para fixar na mira, des- versal destes direitos vincula todas as enti- pre achei que ela fazia parte do número res- prezou o neoliberalismo de Lucas Pires, para CASA BRANCA NEGRA dades públicas e privadas que estão sujeitas trito dos que estão na política para servir e – sempre empurrado pelos ventos eleitorais a critérios de ponderação proporcional e de não para se servir dela. – vir aterrar nas mãos de Manuel Monteiro (...) A eleição de Obama, a ocorrer, é o concordância prática, em caso de conflito, Mas acontece, primeiro que tudo, que eu e Paulo Portas. Este acabaria por escorra- resultado da revolta dos norte-americanos com outros direitos fundamentais. São di- não tenho dúvida de que ela tem por Santa- çar aquele, em espasmos intestinais onde, ante a grave crise económica e a estrondo- reitos jurídico-constitucionalmente protegi- na Lopes a mesma consideração política que vistos os factos de fora, a ideologia não sa derrota no Iraque, apesar de declarada dos. Não podem ser violados de forma gra- eu tenho – isto é, nenhuma. As razões pelas meteu prego nem estopa. Nenhum dos idos como vitória até ao último momento, como tuita, nem escancarados para averiguar fu- quais Ferreira Leite aceitou a presidência é saudoso nessa casa da Família Adams sita já aconteceu no Vietname. O fenómeno gas de informação. Os e-mails dos funcio- do PSD, como antes aceitara funções go- no Largo do Caldas. Obama revela a força e a fragilidade da nários das Finanças só poderiam ser aber- vernativas, são exactamente as opostas que (...) E o CDS lá se vai afunilando, com democracia nos EUA. A força, porque a tos e lidos de duas maneiras: por via de um levam Santana Lopes a habitar eternamen- um discurso triunfal sobre o bom resultado cor da sua pele simboliza um acto dramáti- inquérito e através de prévia autorização ju- te na política. Por isso, ambos se confronta- nos Açores (que ignora a Madeira e sobre- co de inclusão e de reparação: à Casa Bran- dicial, como sucede nas escutas telefónicas, ram há poucos meses e toda a gente perce- tudo a catástrofe de Lisboa) a justificar mais ca dos senhores chega um descendente de ou através de autorização do lesado que beu que o confronto era, não só entre duas um assalto de viela escura, que é surpreen- escravos, mesmo que ele pessoalmente o prescinda desse direito e que consinta essa formas radicalmente opostas de fazer polí- der qualquer hipotética oposição interna com não seja. A fragilidade, porque dois temo- invasão. tica, mas, sobretudo, entre duas atitudes éti- uma antecipação mais de 4 meses do seu res assolam os que o apoiam: que seja (...) De facto as nossas vidas (virtuais) cas radicalmente opostas de estar na políti- calendário interno (com um pré-aviso de 15 assassinado por racistas extremistas e que estão ao sabor de um qualquer clique. A ca. Além disso, que já não é pouco, Ferreira dias), que obriga a apresentar candidaturas a sua vitória eleitoral, se não for muito ex- mesquinhez do argumento, para a devassa Leite não ignora o desastre que Santana pro- até 7 de Novembro e moções de estratégia pressiva, seja negada por fraude eleitoral, e o abuso cometido, exige uma investiga- tagonizou em Lisboa, sabe o estado de ruí- até 10. Cego, surdo e mudo, o CDS avança o que não sendo novo (o W. Bush foi «elei- ção para que a Inspecção das Finanças na em que ele deixou as finanças de Lisboa aos tropeções por um corredor cada vez mais to» pelo Supremo Tribunal) representa aprenda a lição. – como já antes deixara as da Figueira da estreito e mais escuro. Um dia, Paulo Por- agora uma ocorrência ainda mais sinis- Rui Rangel Foz e as do próprio país. Ela sabe que o tas recordará melancolicamente o que foi tra. Se nada disto ocorrer, um jovem ne- Correio da Manhã 29/Out/08 ‘menino guerreiro’ serve, às vezes, para ga- mandar cada vez mais num partido que era gro, filho de um emigrante queniano e de nhar eleições ou animar debates, mas não cada vez menos. uma norte-americana, terá o papel histó- KIT PARA REFLECTIR serve para ser levado a sério e governar Nuno Brederode Santos rico de presidir ao fim do longo século XX, nem que seja uma paróquia de Trás-os-Mon- DN 26/Out/08 o século americano. (...) (...) Tenho diante de mim o Kit Autonó- tes. Mas aceitou a candidatura de Santana, mico dos Açores. Peço ao leitor que refreie primeiro porque isso lhe resolve o problema INVESTIMENTOS E SUBSÍDIOS Boaventura Sousa Santos a inveja, que é dos sentimentos mais feios de se ver livre dele, bem à maneira sibilina Visão que se pode ter, logo a seguir ao sportinguis- de Durão Barroso: se ganhar Lisboa, a vitó- Quando se torna público que a Seguran- mo. Uma leitora amiga fez o favor de me ria poderá também ser reivindicada por ela; ça Social já perdeu 200 milhões de euros na BRECHA NA MURALHA enviar o kit, cuidando que eu gostaria de o se perder, é de esperar que ele entre em sua carteira de investimentos, pareceria nor- DA CIVILIZAÇÃO possuir e de reflectir sobre ele. Tinha razão. pousio mais uns tempos, embora necessari- mal que o ministro Vieira da Silva explicas- Possuí-lo é uma honra, reflectir sobre ele é amente curtos, como todos sabemos. (...) se, sentisse mesmo necessidade de expli- O casamento é uma coisa impossível. A uma empreitada de tal monta que está fora Miguel Sousa Tavares car, como é que este fundo é gerido, quem simples descrição chega para o constatar. do âmbito das minhas capacidades. Reflec- Expresso 27/Out/08 decide das aplicações, que decisões foram Duas pessoas unidas para toda a vida e de- tir, como bem sabe quem me lê habitual- essas, porque é que 500 milhões de euros dicadas às mais difíceis tarefas da humani- mente, não é o meu forte. Também não será ORDEM INTERNACIONAL foram aplicados no BPN (um banco de vida dade – educar crianças, aturar jovens, as- o forte de quem me lê habitualmente, caso DESFASADA atribulada...), etc. Quanto mais não fosse sistir a idosos – é uma clara impossibilidade. contrário não o faria. Cogito moderadamente para não tornar ridículas as lições de moral Quem tentar a experiência imediatamente bem, raciocino sofrivelmente, mas sou fra- sobre o capitalismo e o mercado que o pri- A ordem internacional de que hoje dispo- confirma os enormes obstáculos que se le- co a reflectir – e o caso exige reflexão. Por meiro-ministro nos prodigou, se o motivo mos está desfasada, porque os centros de vantam ao que inicialmente parecia um doce sorte, o facto de não saber fazer qualquer maior – o de este fundo dizer respeito aos poder são diversifi cados. romance. Não existem casais sem proble- coisa nunca me impediu de tentar. (...) descontos e às reformas de cada um de nós Isto já não é mais os cinco países que mas. Há os que os ultrapassam e os que Ricardo Araújo Pereira – não relevar para o Governo. têm direito de veto no Conselho de Segu- não os ultrapassam. Todo o verdadeiro amor Visão Isto porque o sistema de Segurança So- rança – uma coisa do fim da II Guerra que passa pela cruz. cial assenta numa base contratual: de uma cumpriram todos, a organização da socie- Essa impossibilidade, no entanto, tornou- ORÇAMENTO DE ESTADO parte, os activos que efectuam os seus des- dade internacional cumpriu o seu papel pre- se há séculos comum e habitual graças a contos; da outra, o Estado que os recebe, cisamente no pós-guerra e por causa do pós- uma das mais extraordinárias forças do pla- O Orçamento de Estado de 2009 provo- assumindo a obrigação de garantir as suas guerra. neta, a civilização. Controlando e elevando cou nas pessoas as reacções do costume. reformas, bem como todas as outras pres- Hoje percebemos que isto tudo está a os instintos básicos do ser humano, a civili- Trata-se de um documento fascinante, cujo tações legalmente previstas e que fazem precisar de reforma ou de alternativas e é zação consegue maravilhas, realizando até articulado, evidentemente, excita as emo- parte integrante deste contrato. Ora estas um mundo, digamos assim, onde se espe- impossibilidades práticas, como o casamento, ções de todos. Algumas pessoas ficaram in- obrigações que o Estado assume deviam ram resultados. Não me parece que se pos- democracia, matemática, ópera ou doçaria dignadas, outras ficaram desiludidas, outras ser sagradas e qualquer incúria ou tenta- sa acudir aos novos problemas com as mes- regional. ficaram receosas. Até agora, julgo ser o ção de risco severamente censurados, mas estruturas, tendo nós hoje uma tão di- Infelizmente de vez em quando apare- único a ter ficado comovido. Creio que é quer por pôr em causa o financiamento versa maneira de olhar para os poderes cem uns políticos que, descobrindo com sur- por isto que a VISÃO me paga: por ser o em situações como doença, invalidez ou múltiplos e novos que surgiram entretanto. presa aquilo que toda a gente sempre sou- único cidadão suficientemente sensível para velhice, nas quais já não são possíveis ren- Jorge Sampaio be, decidem usar a lei para atacar a civiliza- se emocionar com documentos oficiais do dimentos do trabalho, quer porque o Es- Rádio Renascença Estado. E a verdade é que, este ano, embo-
  • 9. 9 OPINIÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 ra as Grandes Opções do Plano não me te- de António José Saraiva, outro dos grandes colocar uma Universidade portuguesa no a esquerda europeia em particular, será sem- nham tocado como é habitual, o Orçamento esquecidos. topo dos rankings internacionais das me- pre preferível que o Presidente dos EUA seja falou-me ao coração como nunca. (...) Baptista-Bastos lhores instituições do ensino superior, é uma alguém que sabe que a América precisa do Ricardo Araújo Pereira DN 29/Out/08 excelente ideia, que há muito defendo. Tra- mundo. Já que a esquerda europeia que acre- CONFIANÇA Visão ta-se justamente, a meu ver, do tipo de de- dita na liberdade, no multilateralismo e na safio e de ambição de que Portugal urgen- tolerância, por seu turno, é a esquerda que VÁCUO temente precisa. Que, com um investimen- sabe que o mundo precisa de uma América (...) Não se entende como pode o PM to insignificante (e peso bem a palavra!) se predisposta ao diálogo e liderada por quem pensar que os projectos de construção de comparado com o que se tem feito em auto- sente na sua própria condição humana o va- (...) Hoje de manhã a televisão holande- grandes infra-estruturas continuam viáveis, lor do respeito das diferen- sa a entrevistar-me: deve ser uma estucha questão que alguém tão insus- ças! para os jornalistas porque não falo da minha peito como o seu ex-ministro Porque esse será, sem vida e muito menos dos meus livros, eles das Finanças, Campos e Cu- dúvida, um mundo melhor! que se defendam sozinhos. A certa altura nha, escalpelizou há poucos António Vitorino silêncio e a produtora a perguntar-me o que dias num artigo notável do Pú- DN 31/Out/08 pensava eu. Não respondi. Para quê? blico. É que se respondesse dizia-lhe que não A relação custo-benefício VIRTUDES pensava em nada, pensava no vácuo. envolvida por esses projectos ENLOUQUECIDAS António Lobo Antunes deve ser cuidadosamente ana- Visão lisada, como Manuela Ferrei- A GOLPADA ra Leite tem reclamado repe- (...) É que apesar de as- tidas vezes sem que o Gover- pectos simpáticos como o no se explique. E agora, por (...) O clima de suspeição que recai so- seu optimismo e determina- maioria de razão, não pode dei- bre tudo o que tenha a ver com sistema par- ção – o que num país ten- xar de se considerar uma aná- tidário é perigoso, mas lá que há razões para dencialmente bisonho e con- lise muito rigorosa das condi- isso há: das leis-medida ao recuo na trans- formado não deixa de ser ções efectivas de organização, parência do sistema. assinalável – o primeiro-mi- no presente contexto mundial, No último acto eleitoral, o percentual de nistro já mal disfarça a sua de consórcios internacionais abstenção foi de 50%, o que dá muito que propensão para um autorita- para os avultadíssimos e one- pensar. Diga-se o que se disser e por mais rismo crescente, uma intole- rosíssimos financiamentos ne- rebuscadas análises que se queiram fazer, a rância relativamente a tudo cessários. verdade é simples: 50% das pessoas não se o que o contraria. A sua im- Afinal, sobre estes aspec- reviram, pura e simplesmente, no espectro paciência por não perceber- tos, e ao responder com cha- político-partidário. E isto é muito preocupan- mos essa ideia de Portugal e vões de estouvada e banal de- te porque, quer se queira quer não, deslegi- dos portugueses, que ele magogia a questões sobre o tima e enfraquece a democracia. criou e o norteia, esse desíg- TGV, o novo aeroporto, as Com um sistema a dar os piores sinais, nio, uma espécie de Escan- auto-estradas e as barragens, os cidadãos não sabem quem é quem na dinávia sulista, de não ver- é o PM quem tem a impru- política: quem está lá por interesse seu ou mos o nosso próprio interes- dência de laborar num cenário de terceiros, quem está lá em regime de vo- se, do qual ele se assume puramente hipotético e mani- luntariado. (...) como principal representan- festamente irreal. Se fosse Paula Teixeira da Cruz te, transmitindo a ideia da dis- atingido o crescimento de 0,6% Correio da Manhã 23/Out/08 pensabilidade das outras ins- que ele anuncia (e não vai ser), tâncias: os partidos são irres- provavelmente não chegaria A DEPRESSÃO PORTUGUESA ponsáveis uns, requentados para os juros... (...) outros; os corpos intermédi- estradas, estádios de futebol e outras inutili- Vasco Graça-Moura os e as corporações, interesseiras; os críti- A consciência de que terminou um ciclo dades do género, pode ajudar o País a mu- DN 29/Out/08 cos, pessimistas e mesquinhos. do capitalismo tem passado ao lado daque- dar de paradigma abrindo novas vias para o PORTO-LISBOA Este voluntarismo visionário, aliado à pro- les eventualmente mais apetrechados para seu desenvolvimento, atraindo e fixando ta- gressiva ocupação do espaço político, vai as- descodificar e proceder à reformulação das lentos e competências de primeiro plano em (...) Depois da falência estrepitosa da sumindo os contornos de um perigoso ates- grandes categorias económicas. Gritar por Portugal. Fórmula Um e do autódromo do Estoril, da- tado de menoridade à sociedade no seu con- Keynes e omitir Marx não é intelectual nem Manuel Maria Carrilho quela empresa que ainda hoje está a contas junto e de uma desvalorização das formas e eticamente sério: é revulsivo. Há algo de DN 2/Novembro/08 com o Estado e das exéquias daquele Rali fórmulas de qualquer democracia para a le- doentio em apagar a evidência do conheci- de Portugal, que enchia as matas de Sintra gítima manifestação das diferenças. E abu- mento, tornando-o unilateral. As relações ELEIÇÕES USA com vândalos, incendiários em potência e sos de autoridade, como o recente caso da culturais não são meramente conflitivas: re- bêbados com tendências suicidas, que se devassa mandada fazer pela Inspecção-Ge- presentam o espaço mais amplo da liberda- Tendo manifestado há muito tempo (logo atravessavam à frente dos faróis de cada ral das Finanças a milhares de e-mails, ou as de. Leio textos editados na Imprensa portu- no começo das próprias primárias) a minha bólide que se aproximava, tudo o que em atitudes persecutórias a funcionários públi- guesa acerca da crise financeira mundial e preferência por Obama, fi-lo sempre na cer- Portugal se faz com competência e dimen- cos, ou ainda os “lapsos” como o da altera- nenhum dos que li incita à reflexão - sim à teza de que Obama seria eleito Presidente são no mundo motorizado passou para o ção da Lei do Financiamento dos Partidos depressão. dos EUA... para defender os interesses Porto. pela enviesada via da Lei do Orçamento, Portugal, aliás, é um concentrado de americanos, claro está! E esses interesses, Circuito da Boavista e Red Bull Air Race numa crescente impunidade. deprimidos. Leia-se Manuel Laranjeira. em vários momentos, não coincidirão com dão “baile”, na terra e no ar, a qualquer ini- Dá que pensar ser este o mesmo primei- Mas também Antero, Eça (que escondia os interesses europeus. ciativa do género com que Lisboa sonhe. ro-ministro que capitulou frente aos camio- o acabrunhamento com a zombaria e o Mas a diferença da eleição de Obama (...) nistas que ocuparam um eixo rodoviário es- cinismo) e, sobretudo, o imenso Oliveira virá dos valores, não dos interesses. E é esse Manuel Serrão tratégico e confessou que “... sentiu o Esta- Martins, cujo Portugal Contemporâneo reencontro com valores que mais facilmen- JN 28/Out/08 do vulnerável...” não percebendo que o Es- fundamenta um magno tratado do que fo- te partilharão americanos e europeus que AMBIÇÃO tado nunca é vulnerável; ele, Sócrates, é que mos e do que somos. Além do mais, Mar- me motivam neste momento. Valores que o foi. O mesmo que teve medo da rua aquando tins escrevia num idioma admirável, no uma certa retórica neoconservadora espe- da megamanifestação dos professores. O qual a clareza se associava ao mais ele- À primeira vista, a ideia pode parecer não zinhou e depreciou nestes últimos oito anos mesmo que remodelou o Governo depressa gante sainete. Mas se quiserem uma ex- só megalómana mas também estranha, dada e em relação aos quais os europeus, na sua e mal para pôr termo à mediatização do des- celente introdução a essa época, a essa gen- a difícil situação que a Universidade portu- esmagadora maioria, permaneceram afec- contentamento. (...) te e ao espírito de uma fascinante aventura guesa atravessa. Mas na verdade a suges- tos. cultural, estética e ética leiam, com mão diur- tão de Paulo Teixeira Pinto, que defendeu Maria José Nogueira Pinto É que para os europeus em geral, e para na e mão nocturna, A Tertúlia Ocidental, há dias que Portugal deveria apostar em DN 30/Out/08
  • 10. 10 CRÓNICA arte em café 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO O jogo da macaca José Henrique Dias* da mãe, Almeida e Silva cá do meu lado. Horácio Rebello Caramulo disse-me não tenhas receio, rapaz, que se correr Almeida e Silva. Presente!. Era assim todos os dias na cha- mal tira-se o pulmão. Como ficaste aflita! Afinal as coisas jhrdias@gmail.com mada no liceu, mal o senhor Saul tocava a sineta e vínha- não foram assim tão más, mas qualquer coisita me abalava, mos a correr, falhado o último golo da bola de trapos no fumava como um cavalo, ficou a bronquite, o enfisema, Tão tarde. Sabes?, acendi a lareira. Pela primeira vez campo de cima. Mas eu sempre escolhi um dia diferente sempre passei mal sobretudo deitado. Felizmente não che- neste ainda não Inverno, quando Outubro se despe nas fo- para fazer anos. Dizia assim: amanhã faço anos. Quantos? gaste a ver-me assim. O Agostinho é que veio aqui e trazia lhas dos plátanos do jardim. Amanhã, Novembro vai entrar Não sei nem me interessa, amanhã faço os anos que quero a notícia. Puxou duma folha de jornal, dobrada no bolso, na memória dos meus mortos ainda mais viva, pousarei fazer, talvez, deixa ver, oitenta e sete, tinha para aí uns vinte disse-me queres ver, Horácio, o que aqui vem? Estendeu- olhares de crisântemos na janela dos retratos e vou deixar e quatro e as pessoas diziam, não eram as pessoas, era a me o jornal e vinha a tua fotografia e o teu nome num correr aquela música de que tanto te falei. Fazes-me falta, minha Mãe, este rapaz está cada vez mais maluco, não sei rectângulo tarjado a negro, onde se cumpria o doloroso de- fazes-me imensa falta. Estive a pensar, com os olhos mo- a quem sai, a mim não é, e ficava a rir, porque eu acho que ver de se informar que foi Deus servido chamar à sua Divi- lhados nas labaredas que fui atiçando com os gestos lentos era mesmo a Ela que saíra e Ela sabia isso muito bem e na Presença… Apesar dos anos, o teu rosto mantinha-se de que costumavas rir, a tenaz está a ficar desarticulada e o gostava. Tenho de pôr mais uma acha na lareira, davam belo e tinhas aquele mesmo olhar, que eu levei comigo no fole, que decoraste em pinceladas breves de miosótis, res- jeito uns guicitos para arder mais depressa, mas não tenho, Vera Cruz e me aconchegava as noites de insónia quando pira quase tão mal quanto eu, aquele meu primo que vem o fole está meio rasgado, já te disse, arfa mais do que sopra, as metralhadoras cantavam a canção da morte, como por aqui às vezes e de que gostavas pouco, nunca percebi assim estou eu, o AVC deixou sequelas e nunca arribei no poema do Alegre, tão daquela nossa realidade e revolta, porquê, mas dizias mal se ia embora “não é flor que se daquela pneumopatia que nunca se esclareceu, sindroma o tempo a secar-nos os verdes anos e a esperança, como cheire”, aquele meu primo, coitado do Agostinho, não é de Loefller, disseram à falta de melhor explicação para a os aerogramas que foram escasseando, e as palavras fo- mau homem, um pouco ingénuo, um tanto inculto, tenho hemoptise, o internamento e a tomografia que então come- ram mudando de sentido, e a verdade foi espreitando por pensado se não teria havido qualquer coisa que te disse de çava a fazer-se, a cultura bacteriológica e nem sinais do detrás de cada letra, Rayuela, jogar este jogo da vida ao pé- que não gostaste, algum galanteio que tomaste por atrevi- bacilo, mas a mancha lá estava no pulmão e o médico do coxinho atrás do bodrelho que se lança para o sítio certo, mento, ou quem sabe alguma palavra sobre mim que não numerado, percorrer até acertar e mudar os in- perdoaste, mas eras injusta, fosse pelo que fosse tervalos do salto, sempre ao pé-coxinho, para lá eras injusta, como foste com o João Rui só por- e para cá, que frio que agora está, a lareira pare- que desajeitado como era teve a triste ideia de te ce um círio e o teu rosto ainda me devolveu a dizer que gostava de um dia almoçar contigo a raiva quando o Agostinho me foi esperar ao cais sós, que tinha uma coisa importante para te dizer, e me disse, Horácio, o que acontece é que ela e a eterna dificuldade que tinhas de lidar com a o João Rui… realidade, sempre tão segura, tão perfeita, inte- Nunca soube mais nada, nunca quis saber mais lectual de esquerda com dizias e eu nunca per- nada. Trabalhei incessantemente até ao dia do cebi em que se traduzia, porque ao mesmo tem- AVC. Passei o consultório ao filho mais velho e po achavas que o mundo devia ser conduzido, recuso ir para um lar, como eles querem. Aqui, governado por elites, parecias o Comte, lembro- entre os meus livros, mesmo quando há frio e a me que um dia me disseste o homem tem mes- lareira esmorece, com as minhas recordações, mo razão e eu lembrava-te o povo, só para te consigo lembrar que tudo foi mentira, em boa provocar, para te ouvir, logo dizias claro que me verdade fui eu que te roubei ao João quando ele preocupo com o povo o pior é o cheiro, era a tua partiu para a guerra, porque já antes, quando con- costela aristocrata a saltar do barro do génesis, versávamos no café da Praça da República, sa- mas o meu primo, ia a dizer-te, apareceu ontem bíamos ambos que ia ser inevitavelmente assim. à noite, já eu tinha acendido a lareira e lia entre- Foi inevitavelmente assim. Só que não eras tu, cortado pelas recordações dos meus mortos um ou será que se agravou a confusão na minha cabeça? Quan- livro perturbador do Júlio Cortázar, Rayuela, que significa do me sento à braseira, na mesa de camilha, penso sempre jogo da macaca, que se joga ao pé-coxinho atrás do bodre- como era bom ter uma lareira. Tinhas razão, sou um ro- lho que se lança, o bodrelho, palavra linda, aprendi-a quan- mântico incorrigível. Dava-me jeito ter um AVC e ter feito a do fui para Chaves fazer a tropa, caçadores especiais, an- guerra de África. E ter mesmo saído à minha Mãe, que era tes do embarque para Angola, alferes médico, contigo no arrumada, tudo certo, a horas. Mas fui logo sair ao Pai. cais em lenços de lágrimas, o João Rui a teu lado com ar Anarquista e diletante. Se ao menos soubesse ao certo o compungido e a pôr-te a mão no ombro como a amparar- dia em que nasci, sabia ao certo o dia em que vou fazer te, que eu vi lá da amurada quando silvou o ronco das amarras oitenta e sete. O bilhete de identidade diz que é amanhã. soltas, adeus meu amor, dizia cá para dentro, e a tua mão Só que amanhã estou em Lisboa, vai haver um terramo- cada vez mais longe, até ficares um ponto negro, dois pon- to, e o padre Malagrida vai dizer que é castigo de Deus, tos negros, que o João não te largou e no primeiro aerogra- por causa dos Gatos Fedorentos, que andaram a fazer ma já estavas a dizer-me que o palerma do João Rui anda- celebrações eucarísticas com discos de instalação do Ma- va armado em protector. Estava embrenhado na leitura, galhães que, ao contrário do navegador da homenagem, “Estou a atar os sapatos, contente, a assobiar, e de repente é estrangeiro ao serviço do rei de Portugal. Este ano de a infelicidade. Mas desta vez apanhei-te angústia, senti-te 1755 está insuportável. Era melhor ser Outubro, 1929, antes de qualquer organização mental, no primeiro instante Terça-feira, 29. Para voar do meu arranha-céus de Nova da negação”. Antes, em itálico, porque não há tempo, ape- Iorque. O banco faliu. Não comprei o televisor de plas- nas duração, para um depois. Rayuela. Como foi possível ma. Em quarenta e oito prestações. Ao pé-coxinho. Como demorar quase meio século a ser traduzido para portugu- na macaca. Com o padre Malagrida a fazer de gato fe- ês?! Lembro agora que tenho a leitura cristalizada nas bo- dorento. A ver se não brincam com coisas sérias. E se lachas do chá deste fim de tarde, que foste exactamente tu, escutam as lições da Senhora Palin e lhe oferecem um claro que foste tu, que me ofereceste o livro num dia em Magalhães. Sem disco de instalação. E uma caixa de que resolvi fazer anos. Tu sabes que eu não faço anos pastéis de Belém. O sítio do presépio. Para rezar a cada como toda a gente, nunca me lembro do que está no bilhete dentada de nata pelas almas de todos os embriões. Com de identidade, de resto esse é o dia do meu registo, pois eu canela e a efígie de Charles Darwin com uma parra no sei que nasci em outro dia e outro mês, mais recuado, meu sexo. pai era um preguiçoso, tinha mais que fazer que ir a tempo – É melhor dar-lhe Haldol. Injectável. Está a repetir a e horas ao Registo Civil para dizer tenho mais um filho, um crise. rapaz, quero que se chame Horácio. Rebelo com dois eles * Professor universitário
  • 11. COIMBRA 11 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 NO PRÓXIMO SÁBADO, EM COIMBRA I Encontro Nacional de Toponímia Por iniciativa do Pelouro da Cultura da des: Universidade de Coimbra – o Pró- as vivas”, entendendo-se, neste pressupos- Câmara Municipal de Coimbra vai reali- Reitor José António Bandeirinha (desde to, individualidades falecidas há menos de zar-se nesta cidade, no próximo sábado (dia Fevereiro de 2007); Conselho da Cida- três anos. Verifica-se, contudo, uma tendên- 8), o I Encontro Nacional de Toponímia de de – Jorge Castilho (desde Março de cia para a diminuição do período que decor- Coimbra. 2003); CTT – Correios de Portugal – re entre a morte de uma figura a homena- Este Encontro decorre na Casa Munici- Fernando Marques (desde Junho de 2007); gear e a atribuição do topónimo, sobretudo, pal da Cultura, com o seguinte programa: União dos Sindicatos de Coimbra – se se tratar de uma personalidade marcan- 09H00 – Recepção dos participantes Aníbal Alves Fortunato (desde 2002); te na cidade e ou no país. 09H30 – Sessão de abertura pelo Presi- Movimento Artístico de Coimbra Constitui, também, um princípio, que, ge- dente da Câmara Municipal de Coim- (MAC) – Augusto Alfaiate (desde Junho ralmente, é respeitado, de não modificar os bra. Documentário sobre Coimbra e Re- de 2006); Diocese de Coimbra – Cóne- nomes de topónimos já deliberados e colo- gião. Apresentação do Livro Novos Topó- go Aurélio Campos (desde Outubro de cados. Somente, em casos muito excepcio- nimos - Coimbra 2002-2008 2003); Associação Comercial e Indus- nais se alterará a regra. 10H15 – A Importância da Toponímia trial de Coimbra (ACIC) – Francisco Na distribuição dos topónimos, aplica-se, nos Centros Históricos – Dr. José No- da Silva Paiva (desde 2002); Grupo de por vezes, o critério de limitar a área temá- ras, Secretário Geral da Associação de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC) tica que importa identificar, como é o caso Municípios com Centro Histórico. – Alvarino Carmo Barata (desde Junho das Cidades Geminadas com Coimbra, que 10H45 – Da Toponímia tradicional à de 2006); Associação para o Desenvol- se distribuíram por um espaço físico, previa- Toponímia actual – Prof. Doutor José vimento da Alta de Coimbra (AD- mente reconhecido. d’ Encarnação, Universidade de Coimbra. DAC) – Luís Alte da Veiga (desde Junho Atribuição de topónimos, não apenas, a Moderador: Dr. José Francisco Rodei- de 2006). personalidades da cidade, mas, também, a ro, Advogado, membro da Comissão de To- Integram ainda a Comissão de Toponí- acontecimentos e figuras do País, e a ou- TOPONÍMIA ponímia de 2002 a 2006. mia os seguintes representantes dos parti- tras de relevância internacional, de que se 11H30 – A Toponímia como Agente dos com assento na Assembleia Munici- sublinham: Aristides Sousa Mendes, Santo Cultural – Dr. João Mendes Rosa, Di- pal: António, Fernando Lopes Graça, Álvaro A palavra Toponímia, derivada do Grego rector do Museu Arqueológico Municipal - Coligação por Coimbra (PSD/CDS- Cunhal, Albert Einstein e Paul Harris, Rua topos, “lugar” e ónyma, por ónoma José Monteiro (Fundão) PP/PPM) – Hélder Abreu (desde 2002) e 1º de Dezembro, Rua 25 de Abril, que pelo “nome”+ ia, é um registo de informações e 12H00 – Descerramento de Placa de João Serpa Oliva (desde 2006) seu simbolismo, pela sua acção, mérito, pres- eventos memoráveis, que acompanham o Homenagem ao Dr. Alberto Vilaça. Cola- - Partido Socialista (PS) – Isabel No- tígio e outras qualidades e capacidades se desenvolvimento urbanístico e populacional, boração do Coro Municipal Carlos Seixas bre Vargues (desde Junho de 2005) diferenciaram e se distinguiram no contexto acusando as alterações havidas no viver das 14H30 – O topónimo, a Autarquia e os - Coligação Democrática Unitária geral da comunidade e da sociedade. comunidades, reflectindo os costumes, as Serviços – A Toponímia e a Comunidade (CDU) – José Alberto Gabriel (desde 2006) Nesta regra de aplicação de topónimos, tradições, as movimentações das activida- – Eng.º Carlos Inácio Fonseca, Director - Bloco de Esquerda (BE) – Serafim privilegia-se quer o Professor Universitário, des económica, social e cultural, as tendên- de Serviços nos CTT em Lisboa, membro dos Santos Duarte (desde 2006) o Médico, o Cientista, o Advogado, o Políti- cias de ordem política e religiosa, as modifi- da Comissão de Toponímia de 2002 a 2006. Um total de 15 elementos efectivos, co, e, também, o Comerciante, o Industrial, cações educacionais, os ciclos de história e Moderador: Prof. Doutor Manuel Au- acompanhados, nas reuniões pelo Presidente o Mandador de Fogueiras, o Desportista, o a evolução ou retrocesso da sociedade. gusto Rodrigues, Universidade de Coimbra da Junta de Freguesia em que são atribuí- Jornalista, o Ardina, o Artesão, a Imprensa 15H15 – Numeração de Polícia – Engº dos os novos topónimos. Logo, uma plurali- (exemplo de “O Conimbricense”), e de ou- COMISSÃO DE TOPONÍMIA Octávio Alexandrino, Chefe da Divisão dade democrática que analisa, opina, suge- tros valores de referência. de Informação Geográfica e Solos da Câ- re, adia, esclarece, aprova, ratifica e/ou in- Para melhor identificar a malha urbana Estabelecendo a lei que compete às Câ- mara Municipal de Coimbra defere a designação proposta para rua, lar- da cidade e do concelho e orientar os Cida- maras Municipais “estabelecer a denomi- 16H00 – As vantagens de uma Comis- go, instituição, praça, via, travessa, acessibi- dãos, a Comissão de Toponímia adoptou, a nação das ruas e praças das povoações”, a são de Toponímia plural; Critérios e Com- lidade, equipamento público e outros bens par da atribuição dos topónimos, fornecer Comissão de Toponímia de Coimbra, que petências para atribuição de topónimos sociais, e adequa o topónimo do motivo ao os números de polícia em áreas de urbani- esteve 14 anos inactiva, foi reactivada por – Dr. Mário Nunes, Vereador da Cultura evento ou à actividade principal, que melhor zação, com aprovação do licenciamento, proposta de Mário Nunes, Vereador da Cul- da Câmara Municipal de Coimbra e Presi- define e enquadra o distinguido. com alvará de loteamento e autorização de tura . dente da Comissão de Toponímia edificação. A Comissão de Toponímia de Coimbra é 16H30 – A Maçonaria na Toponímia OBJECTIVOS A apoiar este trabalho, existe a Divisão uma das mais democráticas do País, por- de Coimbra – Prof. Doutor Lusitano dos Geográfica e Solos da Câmara Municipal quanto é composta por personalidades cre- Santos. Moderador: Dr. Pedro Manuel de Coimbra que colabora com a Comissão Preservar a memória de lugares tradicio- denciadas, que representam instituições cul- Monteiro Machado, Presidente da Região de Toponímia e fornece um imprescindível nais e naturais, de costumes, de aconteci- turais, artísticas, empresariais, sindicais, cí- de Turismo do Centro, Vereador do Pelouro contributo na identificação cartográfica. mentos, de actividades, de profissões, de vicas, religiosas, académicas, e os partidos da Cultura da Câmara Municipal de Mon- A par do indispensável registo dos topó- instituições, de pessoas e outros - eis um políticos com assento na Assembleia Muni- temor-o-Velho. nimos e sua actualização a nível cartográfi- dos objectivos da Comissão de Toponí- cipal. 17H00 - Debate co procede-se, em breve tempo, à coloca- mia. O Município preside, na pessoa do Verea- 17H30 – Encerramento com Momento ção definitiva das placas toponímicas, que É consensual, no seio da Comissão de dor da Cultura, Mário Nunes, acompanha- Musical, seguido de Porto de Honra validam os topónimos atribuídos. Toponímia, não atribuir topónimos a “pesso- do por representantes das seguintes entida-
  • 12. 12 ENTREVISTA 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 MÁRIO SILVA CONTA HISTÓRIAS EM ENTREVISTA AO “CENTRO” Texto e fotos de Carina Martins Das prisões pela PIDE ao ingresso na Maçonaria passando pela audiência com o Rei da Suécia Mário Silva é uma figura que não deixa ninguém indiferente. Quase a as armas que vieram para os comunis- MS – A Vieira da Silva, claro, o Júlio completar oito décadas de vida, com mais de meio século de actividade tas?”. Eu expliquei-lhe que as minhas re- Pomar e o Júlio Resende. artística (sobretudo como pintor e escultor), representado em colecções lações com ela eram sexuais, mais nada! CENTRO – Que significado tem, e museus de todo o Mundo, continua a ser uma figura polémica, assumi- E assim acabou a conversa, mandou-me para si, a distinção que a Figueira da logo embora e não me bateu, até achou damente anarquista, provocador, mas também solidário e com uma Foz acaba de conceder-lhe? piada à minha brincadeira, que até era MS – Penso que foi uma bonita acção legião de amigos. A propósito da distinção que acaba de lhe ser concedi- verdade, deste Presidente da Câmara, na medida da pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, o “Centro” foi fazer-lhe CENTRO – Ser assumidamente em que eu já fiz centenas de quadros so- uma entrevista, onde revela episódios curiosos. anarquista não é um pouco contradi- bre a Figueira. A propósito, uma das coi- sas que ninguém sabe é que eu fiz dez O ESQUELETO DA PIDE quadros, 3 metros por 3, que era tipo “a x E QUADROS PREFERIDOS km Figueira da Foz espera por si”, para serem colocados na estrada Lisboa-Por- CENTRO – Quando sentiu vocação to, que passava por Coimbra. Isto já foi para a pintura? depois da Revolução, estávamos em 1978, Mário Silva (MS) – Quando eu tinha e eu gostava de saber onde estão esses cinco anos, o meu pai estava em quadros que foram feitos para o turismo Paris(onde trabalhou com Madame Cu- da Figueira da Foz. É uma pergunta que rie) e num dos Natais que veio, em 1935, eu aqui deixo: onde estão esses quadrosa, trouxe-me o dicionário Petit Larousse a bem como uma escultura que eu também cores. Na altura era tudo a preto e bran- fiz nessa altura e que igualmente desapa- co e este tinha as bandeiras coloridas. É receu. claro que desapareceu o Petit Larousse e CENTRO – O que pensa da situa- nasceu o artista: fiz a minha primeira co- ção em que está o Museu Nacional lagem com as bandeiras do dicionário!... da Ciência e da Técnica, criado por CENTRO – Quais os artistas que seu Pai, o Prof. Mário Silva, expulso mais o influenciaram? da Universidade pelo regime salaza- MS – Picasso e Vieira da Silva. rista? CENTRO – Se não fosse pintor, que MS –Aquilo era um Museu Nacional, outra profissão gostaria de ter? agora é o museu de Coimbra. O meu pai MS – Se na altura existisse Arquitec- nunca quis que o museu fosse da Univer- lena, muito antes de falarem nisso. Foi há tura em Coimbra eu teria sido arquitecto. tório com o facto de pertencer à Ma- sidade. Passou a ser um Museu local, o 20 anos que o pintei e pus o peixe espada, Mas não existia, também não havia Pin- çonaria, com todos aqueles rituais? que foi um disparate, quanto a mim, por- símbolo da Igreja Católica, eles comeram tura, não havia nada nessa área. Fui para MS – Não! uma coisa é Maçonaria, que há sempre muito menos dinheiro nas o peixe e beberam vinho – tem lá o Deus a Universidade e iniciei o curso de Geó- outra coisa é anarquismo. Anarquismo é Universidades. Quando era Nacional, o a comandar o Cristo. grafo e depois fui para Lisboa com uma para a pintura e para o meu modo de vida, cadeira que faltava. Depois mudei para sou anarca porque gosto de estar sempre DAS ARMAS QUE NÃO TINHA Matemática para ver se acabava o curso, contra todos e contra tudo, por isso é que porque também só me faltava uma cadei- eu nunca fui para nenhum partido. Che- À ENTRADA NA MAÇONARIA ra. Entretanto casei e já não acabei. O guei a ser convidado, há muitos anos, para meu pai nunca se chateou e ajudava-me. Presidente de Turismo na Figueira da Foz, CENTRO – A perseguição política Até me fez um atelier na nossa casa (que mas não aceitei. Entrei para a Maçonaria de que seu Pai foi alvo influenciou as ainda existe ao pé da de Bissaya Barre- em Coja, tinha eu 20 anos. Agora estou suas ideias nessa área? to). Essa casa tinha um lado, onde existia adormecido mas continuo maçon. MS – A minha primeira manifestação uma porta, que era muito húmido, pelo que política foi quando o Norton de Matos apa- REI DA SUÉCIA criava bolor quase com um palmo. Resol- receu nos jornais com um avental e eu vi pegar num esqueleto que a minha irmã PERMITIU EXPOSIÇÃO perguntei ao meu pai quem era aquele Se- tinha (para estudar Anatomia, pois ela for- nhor, respondendo-me ele que era o grão- mou-se em Medicina), e coloquei-o nes- mestre da maçonaria portuguesa. No dia CENTRO – Tendo vivido e traba- se local. Rapidamente esqueleto ficou seguinte (eu tinha cerca de 17 anos) es- lhado em diversos países, qual foi todo coberto de bolor, parecendo que lá crevi com tinta, em frente a casa do meu aquele de que mais gostou? estava uma pessoa morta. Assim, quando pai: Norton. O meu pai ficou lixado. Mais MS – A Suécia. Em 1958 tinha feito aparecia alguém que eu queria assustar, tarde, engatei uma garota muito gira, ela uma exposição, vendido uns quadros e fui abria a porta e dizia que aquilo era um tinha carro e fomos os dois para Lisboa, para lá de boleia. A PIDE não sabia que gajo da PIDE que lá tinha ido a casa e ela era filha do Krupp, dono das fábricas eu tinha ido embora. Levei uns quadros e que tive de o matar antes que me levas- onde se faziam os canhões e armas do quando lá cheguei quis fazer uma exposi- sem. O meu pai é que não achou graça, Hitler. Ora a menina veio vender material ção. Nessa altura uma galeria levava 30 ficou lixado com essa brincadeira... aqui e a PIDE soube quem ela era como contos por semana, o que era muito di- CENTRO – Há algum dos quadros eu andava com ela prenderam-me. Esti- nheiro! Pedi então uma audiência ao Rei, Com a distinção que lhe foi que pintou de que não tenha conse- ve lá 3 meses até ser interrogado. A pri- disse-lhe o que pretendia, ele achou piada concedida pela Câmara Municipal guido separar-se, que não venderia meira pergunta que o inspector da PIDE e deu autorização para que o pintor Má- da Figueira da Foz por dinheiro algum? me faz é onde foi: “Onde é que estão as rio Silva fizesse uma exposição nas insta- MS – Há. Por exemplo, a minha pri- armas?”. E eu respondi: “Mas quais ar- lações da Rádio Sueca, e porque tinha pro- meira pintura abstracta - S/título, 1955. A dinheiro vinha directamente do Ministé- mas?”. E ele insistiu: “Aquela senhora paganda muita gente foi visitá-la. Natureza Morta, 1970 é uma história de rio. Enfim, penso que o museu não existe, com quem você anda, quais são as rela- CENTRO – Quais são os pintores, saber pintar. O Cristo acabado de morrer infelizmente acabaram ele! ções que tem com ela, onde é que estão portugueses que mais aprecia? e a primeira Ceia que eu fiz com a Mada-
  • 13. REPORTAGEM 13 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 NA CASA-MUSEU MIGUEL TORGA Clara Rocha veio a Coimbra falar sobre a vida e obra de seus Pais - MÁRIO SOARES DEVERÁ SER O PRÓXIMO CONFERENCISTA, AINDA ESTE MÊS Clara Rocha, Professora catedrá- bém que a intimidade propicia uma so- tica de Literatura na Universidade ciabilidade mais intensa e mais calo- Nova de Lisboa, voltou na passada rosa, que na casa do poeta costuma- sexta-feira a Coimbra, à casa de seus va ser ritualmente assinalada”, quer Pais, agora transformada em Casa- com vinho fino servido aos amigos, Museu Miguel Torga. quer com almoços ou jantares de ani- Veio proferir a primeira conferên- mado convívio edebate de ideias cia de um ciclo intitulado “Identida- Clara Rocha referiu-se depois à ori- des”, promovido pela Direcção da gem e à história de alguns dos móveis Casa-Museu, a que preside Cristina e objectos da casa (pertencentes ao Robalo Cordeiro, Vice-Reitora da espólio por ela oferecido à Câmara Universidade de Coimbra. Municipal de Coimbra), revelando que Presentes diversos amigos e admi- Torga gostava de visitar antiquários e radores de Miguel Torga, alguns de- apreciava o mobiliário rústico dos sé- les frequentadores da casa quando culos XVII e XVIII, a arte sacra e a nela residia Clara Rocha com seus cerâmica espanhola. E aludiu também Pais – com ela própria viria a subli- ao valioso espólio literário que doou à nhar na palestra que proferiu. Casa-Museu. Antes, Cristina Robalo Cordeiro, agradeceu a presença de todos e, em O LUGAR DE TORGA ERA especial, a disponibilidade de Clara A PRÓPRIA ESCRITA Clara Rocha voltou à sua antiga casa para falar da vida e obra de seus Pais, Rocha para vir abrir esta série de En- Miguel Torga e Andrée Crabbé Rocha contros que se prolongará, com uma “De tudo isto – vivências, memóri- conferência mensal, até Junho do pró- as, objectos – é feita a casa de meus Londres a peça Mar, no King’s Col- ximo ano, altura em que se efectua pais, que foi também a minha durante lege onde era leitor de Português, ten- um Colóquio para abordar diversas in- A PRIMEIRA CASA mais de quarenta anos” – referiu Cla- do sido essa primeira representação terrogações suscitadas pela vida e NA ESTRADA DA BEIRA ra Rocha, para, mais adiante, concluir: no estrangeiro do texto de Torga. obra do poeta. “Durante muitos anos vi aqui meu Só em 1953 Miguel Torga e sua Clara Rocha começou por lembrar Nessa altura o casal instalou-se pai escrever, emendar textos manus- Mulher se mudaram para a casa da que foi em 1940 que Torga abriu con- perto do Largo da Portagem, numa critos e provas tipográficas, e muitas rua Fernando Pessoa, nº 3, onde mo- vezes o ouvi de noite dizer em voz alta raram até ao fim das suas vidas. E poemas acabados de compor, para pôr por esta casa, como Clara Rocha re- à prova a sua harmonia e a justeza cordou, igualmente passaram muitas dos seus ritmos. Mas verdadeiramen- personalidades – desde Presidentes te o lugar de Miguel Torga era a pró- da República, Primeiros-Ministros e pria escrita, era dentro dela que o po- outros políticos, até embaixadores, in- eta vivia em certas horas, ao mesmo telectuais, editores estrangeiros e so- tempo alheado e inteiro. E era na es- bretudo muitos amigos. crita que gostava que os seus leitores Clara Rocha citou, entre outros, o procurassem, o compreendessem e João Villaret, Murilo Mendes, Lucia- o amassem. Por isso a casa-museu na Stegagno Picchio, Guilhermino Miguel Torga não é mais do que uma César, Jean-Baptiste Aquarone (o pro- peça dum conjunto biográfico, convi- fessor da Universidade de Montpelli- dando à leitura e à fruição da sua er que em 1960 lançou a primeira pro- obra, a melhor forma de homenagem positura de Torga ao Prémio Nobel), que podemos prestar a um escritor”. António José Saraiva, Jacinto do Pra- Depois da conferência, estabele- do Coelho, Lindley Cintra, Sophia de ceu-se um animado diálogo, com epi- Mello Breyner Andresen, Alexandre sódios do convívio com Miguel Torga O’Neill, Günter Grass, os tradutores a serem evocados por alguns dos pre- Denis Brass (que em 1950 publicara sentes, como Tello de Morais, Sá Fur- em Inglaterra uma tradução de Bi- tado e Karl Delille. chos com o título Farrusco the Bla- Como acima se refere, este Ciclo Na assistência vários amigos de Miguel Torga, que evocaram episódios ckbird and Other Stories from the da sua convivência com o poeta de conferências na Casa-Museu Mi- Portuguese), Claire Cayron e Eloísa guel Torga vai prolongar-se até Maio, Alvarez, e ainda figuras da vida polí- sultório em Coimbra e se casou com pequena casa na Estrada da Beira, estando prevista para o corrente mês tica portuguesa como Fernando Vale, Andrée Crabbé (uma jovem belga que “com vista das traseiras para o Mon- de Novembro a intervenção de Mário Ramalho Eanes, António Barreto, fora aluna de Vitorino Nemésio na Uni- dego”, onde viriam a receber muitos Soares. Os outros conferencistas con- Mário Soares, Manuel Alegre, Antó- versidade Livre de Bruxelas e que em intelectuais e amigos, entre os quais vidados são Almeida Faria (Dezem- nio Campos, Fausto Correia e Antó- 1938 viera a Portugal frequentar um Eugénio de Andrade, Paulo Quintela, bro), Maria Alzira Seixo (Janeiro), nio Arnaut. curso de férias, aqui conhecendo o o escritor brasileiro Ribeiro Couto e António Arnaut (Fevereiro), José Car- Como Clara Rocha sublinhou, “Tor- médico Adolfo Rocha, verdadeiro Ruben Andresen Leitão. Foi, aliás, los Seabra Pereira (Março), José Luís ga tinha o gosto e a arte da conversa, nome do poeta). Ruben A. que em 1950 encenou em Peixoto (Abril), José Augusto Bernar- e os seus interlocutores sabiam tam- des (Maio).
  • 14. 14 FESTA DAS LATAS 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Na passada semana Coimbra voltou a viver a tradição da Festa das Latas, que, para além dos espectáculos e de outras iniciativas culturais, desportivas e recreativas, teve como ponto alto o cortejo vulgarmente conhecido por “Latada”. É dessa manifestação estudantil (que este ano teve o ineditismo de abrir com o Presidente da AAC a conduzir duas vacas, alegadamente magras...) que aqui deixamos algumas imagens Fotos de Dinis Manuel Alves
  • 15. EDUCAÇÃO/ENSINO 15 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 ADVERTE A MINISTRA DA EDUCAÇÃO Professores sem avaliação não progridem na carreira A Ministra da Educação, Maria de Lur- sequência imediata é que, não sendo avali- Quanto à possibilidade de acabar com des Rodrigues, advertiu na passada sexta- ado, o professor não reúne as condições reprovações no ensino público básico, a feira que os professores que não se sub- para progredir na carreira, como qualquer ministra afirmou que não teve qualquer ini- meterem ao processo de avaliação “não funcionário público”. ciativa nesse sentido, havendo apenas um reunirão condições para progredir na car- A Ministra sublinhou que as escolas pú- parecer do Conselho Nacional de Educa- reira, como qualquer funcionário público”. blicas “estão a ter mais alunos e melhores ção que ainda não conhece e sobre o qual, A Ministra, que falava aos jornalistas à resultados”, de acordo com a avaliação a seu tempo, se irá pronunciar. margem do 2º Encontro de Educação de feita pelo Ministério a 300 escolas, que re- Já quanto a casos que têm sido rela- Anadia, disse que não há escolas a rejeitar vela as várias dinâmicas, para além dos tados em alguns meios de comunicação a avaliação, mas sim alguns professores, e exames. social, de alunos que reprovam por fal- que a maioria dos estabelecimentos de en- Maria de Lurdes Rodrigues criticou os tas dadas por motivo de doença, Maria sino e dos docentes está a fazer um esfor- “rankings” das escolas feitos com base nos de Lurdes Rodrigues disse que “têm de ço, no quadro da autonomia das escolas, resultados dos exames, dizendo mesmo que ser corrigidas as situações anómalas e para implantar o sistema de avaliação. “há interesse em desvalorizar o trabalho excessivas”, mas devolveu o problema “Há professores que não querem ser da escola pública, porque esses rankings às escolas. avaliados e já o sabemos há muito tempo, promovem a comparação entre o que não “O Estatuto do Aluno é uma lei geral mas o país não entenderá que os professo- é comparável, numa atitude pouco séria de e é importante que, na sua transposição res sejam uma classe à parte, pelo que te- exaltação dos colégios privados”. para os regulamentos das escolas, se rão de estar sujeitos a regras de avaliação “Misturam escolas que levam dez alu- encontrem soluções equilibradas, ouvin- como os outros profissionais”, comentou. nos a exame e que os escolhem com es- do os pais e os próprios alunos se já ti- Questionada sobre as consequências colas públicas que levam a exame mais de verem idade para se pronunciar. Uma para aqueles que não aceitarem ser sub- mil alunos, e reduzir a avaliação de uma criança doente tem de ter, por parte da metidos ao modelo de avaliação, Maria de escola à nota média dos exames é insufici- escola, a consideração da sua situação”, Lurdes Rodrigues foi peremptória: “A con- ente”, criticou. concluiu. A 8 de Novembro vamos todos vamos juntos! Isabel Dias * A luta travada pelos professores contra tomadas pela tutela da educação estão a despachinhos, ofícios e rectificativos, gre- as políticas educativas seguidas pelo actual esboroar completamente o que ainda resta- lhas, descritores e indicadores que nos im- governo tem sido pretexto para uma espé- va da escola pública, subvertendo o que pedem tão-somente de dar aulas. cie de deriva discursiva, atacando-se com o deveria ser a essência do trabalho docente, Seria bom que se entendesse que um mesmo vigor o ministério da educação e afastando as últimas réstias de democracia certo discurso maniqueísta contra as orga- todos os sindicatos que, agregados na plata- da gestão escolar e abrindo o caminho à nizações sindicais poderá ter custos pesa- forma, teriam traído os docentes ao assina- proliferação de atitudes discricionárias e de díssimos para todos nós, pelo esvaziamento, rem o memorando de entendimento. despudorado clientelismo? Que se perde, a pela indignidade que vai sendo associada à O que me causa alguma perplexidade não cada dia que passa, a dignidade da própria sua representação social e pela óptima aju- é que se questione a assinatura do memo- profissão, lançada nas garras da opinião da que presta aos progenitores das políticas rando, facto mais que legítimo em qualquer pública, que a senhora ministra da educa- que combatemos. A continuar assim, quase democracia que se preze; o que me surpre- ção ganhou quando perdeu os professores? se poderá perguntar se o que se pretende é ende é a representação social dos sindica- Reivindicar direitos é legítimo e até dese- perder os sindicatos, para ganhar a ministra tos, dos sindicalizados e dos sindicalistas que jável, na condição de não pôr a perder ou- da educação! aí se foi perfilando. Com efeito, os sindica- tros já conquistados e porventura tão ou mais Estou certa que não e que nos cabe a tos foram apresentados, nalguns discursos, importantes! A existência de sindicatos é um nós, professores, cidadãos críticos e exi- como organizações de insondáveis desígni- direito inquestionável de todos os trabalha- gentes, manifestar publicamente o repú- os e inconfessáveis motivações; os sindica- dores, activamente reivindicado e exercido dio pelo desmando que sobre nós tem im- lizados, como manso e adormecido rebanho, por tantos e tantos, sobretudo quando a le- pendido, passando o testemunho aos nos- pouco dado ao escrutínio crítico da realida- gislação laboral e a prática do mundo em- sos alunos, que também educamos, de que de; e os sindicalistas como bando de dúbios presarial apontam para uma vulnerabiliza- a dignidade é um bem precioso, que tem pastores, vendidos e subservientes em rela- ção dos vínculos contratuais e para uma fra- de ser acautelado e preservado, sob pena ção a um sistema político e partidário! Nada gilização dos direitos. Esta não é altura para de nos metamorfosearmos, de facto, em tendo contra a simplificação, parece-me tentar a divisão, a atomização da força rei- seres rastejantes. contudo ser de questionar a quem serve ta- vindicativa que detemos; mas é o momento Dia oito de Novembro vamos ser ainda manho simplismo esquematizador, tamanho de nos unirmos e de nos fazermos repre- mais, activos e participativos; com os sindi- ressurgir de estereótipos próprios de outros sentar e ouvir nas estruturas que têm efec- catos, alguns, muitos, mesmo muitos, não tempos. tivo poder para nos defender, no sentido de serão só sindicalizados mas sindicalistas - o Será que é difícil de perceber que se está combater aquilo que de facto está mal. que é uma belíssima forma de passar da a mandar fora o bebé com a água do ba- Na hora de nos defendermos, não pode- voz passiva para a voz activa; contudo, o nho? Que se desviam e desconcentram as mos ignorar de onde vem o ataque e o alvo mais importante é que vamos muitos, va- atenções daquilo que é primordial e que é que pretendemos atingir - neste caso, o alu- mos todos, vamos juntos. manifestar publicamente que as medidas vião de decretos e decretinhos, circulares e * Professora e dirigente do SPRC
  • 16. 16 OPINIÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Culpas trocadas ou o coração da direita Rui Namorado (professor universitário) http://ograndezoo.blogspot.com com isso uma enorme desfaçatez e siderar como verdadeiros assaltos, pam, nem se desmancham a rir, quan- uma grande falta de vergonha. mas não deixa de ser verdade que os do os ouvem cantar tão estranhas me- E esse é um escândalo tanto maior, Alguns expoentes dos partidos pre- anunciados episódios de gestão dano- lodias. quanto alguns deles são os mesmos que feridos pela maioria dos banqueiros, sa, a que nos referimos, causaram, E, no entanto, isso não é menos ab- se indignam veementemente com os acham que a grande culpa das alega- provavelmente, aos respectivos ban- surdo do que aquilo que seria, peran- magros desperdícios, que possam exis- das falcatruas, por alguns desses ban- cos mais prejuízos do que todos os te um assalto a um banco, qualquer tir, nas atribuição do rendimento míni- queiros cometidas, não é de quem re- efectivos assaltos a bancos perpetra- vozearia indignada que vituperasse a mo de inserção aos portugueses po- almente as cometeu, mas dos vigilan- dos em Portugal, nos últimos dez anos. polícia, por não ter evitado o assalto e bres, mas que não esboçam agora um tes que não conseguiram evitar essas Efectivamente, os políticos e os ban- absolvesse os ladrões que, coitados, simples esgar de indignação, contra a violações da legalidade. queiros que têm vindo a público bran- assaltaram o banco. atitude dos ricaços que delapidaram Como usam gravata, fatos de bom quear vigarices e culpar as entidades É certo, que os desmandos recen- milhões que não lhes pertenciam. corte e são bem falantes, nem os apu- públicas reguladoras, apenas revelam temente ocorridos não se podem con- SOBRE A NOÇÃO DE CASAMENTO EM PORTUGAL “De cama e pucarinho”... António Brotas Professor Catedrático Jubilado do Instituto Superior Técnico Seria importante que no âmbito de definida com as leis da República. Por reira Leite do que da de alguns diri- Estes PUCs, que serão registados uma universidade, pública ou privada, volta dos anos 30, muitas pessoas ca- gentes da JS. oficialmente, serão caracterizados por: fosse feita e depois publicada em li- savam na igreja e depois (ou antes) Aceitar que o casamento pode ser, a) Cada pessoa só poderá partici- vro uma tese sobre a evolução da no- iam casar-se no Registo Civil para também, um contrato entre pessoas do par num PUC. ção de casamento em Portugal. Se tal serem consideradas casadas pelo Es- mesmo sexo, é alterar a natureza do b) Poderá haver PUCs com co- já tivesse sucedido, eu teria ido com- tado. Obviamente, quem quisesse, po- casamento. Há, talvez, três milhões de munhão de bens e comunhão de ad- prar esse livro e tê-lo-ia lido com cui- dia casar-se só pelo Registo Civil. casais que casaram numa altura em quiridos. dado antes de escrever este artigo. Com o salazarismo, admitiu-se que que o casamento era, inequivocamen- c) Os PUCs poderão ser desfei- Mas nada encontrei nas livrarias e te- os casamentos feitos nas igrejas ca- te, um contrato entre pessoas de se- tos em qualquer altura por vontade de nho, assim, de abordar o tema com os tólicas teriam também validade civil, xos diferentes. A modificação desta uma das partes. (Para evitar um uso conhecimentos de um cidadão comum, devendo os padres transmitir o seu re- situação só é legítima, a meu ver, se abusivo, quem desfizer um PUC não não especialista na matéria. gisto ao Registo Civil, onde os recém- sancionada por referendo nacional. Os poderá, por exemplo, integrar um novo Assim, na primeira dinastia, o Es- casados já não precisavam de passar. deputados têm legitimidade para pro- PUC durante um ano) . tado português (isto é, os reis), não Surgiu, assim, uma situação anóma- por este referendo, mas não para de- d) Os PUCs beneficiarão de esta- decidiam as leis sobre os casamentos. la, que só veio a ser resolvida depois cidirem sobre o fundo da questão, so- tutos sociais e financeiros mais ou me- Eles próprios tinham de se casar em do 25 de Abril. A Igreja Católica não bretudo quando não definiram previa- nos semelhantes aos dos actuais ca- conformidade com as leis da Igreja o aceita o divórcio. Ao reconhecer os mente a sua posição. (A disciplina de sais casados. Católica – com a qual, aliás, tiveram casamentos da Igreja Católica, o Es- voto imposta aos deputados do PS, por e) Os PUCs poderão, naturalmen- algumas dificuldades. Mas havia uma tado português, que em princípio acei- exemplo, permitiu-lhes não revelarem te, ser de pessoas do mesmo sexo, ou outra religião minoritária, a religião ju- tava o divórcio, não aceitava o divór- agora o modo como pretendem votar de sexos diferentes. daica, e os judeus não casavam nas cio dos cidadãos que tivessem sido ca- na próxima legislatura) . Penso que uma legislação assim, no igrejas. Tinham o seu casamento pró- sados pela Igreja Católica. Mas o mundo evolui e não deixo de fundo não muito diferente da existen- prio nas sinagogas, que não deixava Para resolver este problema, foi ne- reconhecer que é preciso procurar so- te no início da nacionalidade, é condi- de, como tal, ser considerado, incluin- cessária uma revisão pontual da Con- luções para um problema que hoje di- zente com a evolução actual da soci- do pelos próprios reis. Os judeus ca- cordata entre o Estado Português e o vide a sociedade portuguesa. edade. Com ela, a instituição casa- sados eram os judeus casados nas si- Vaticano, o que foi feito com bastan- mento não desparece, pelo contrário. nagogas. te bom senso de ambas as partes logo PROPOSTA As diferentes Igrejas – católica, pro- Depois sucederam muitas coisas. a seguir ao 25 de Abril, com as nego- testantes, ortodoxa, muçulmana, isra- Os judeus foram expulsos, as sinago- ciações conduzidas, pelo lado portu- elita, budista e outras – continuarão a Ouso, assim, apresentar aqui uma gas proibidas e os casamentos consi- guês, pelo ministro Salgado Zenha. celebrar e a valorizar os casamentos proposta que ponho à apreciação das derados válidos passaram a ser uni- A situação passou a ser a seguinte: entre os seus fieis. E os diferentes gerações mais novas e de instituições camente os celebrados pela Igreja quem se casar pela Igreja Católica grupos da sociedade poderão, com os já muito antigas, como é o caso das Católica, com a excepção dos estran- nunca mais se pode casar pela Igreja rituais que entenderem, celebrar ca- igrejas. geiros casados em igrejas protestan- (enquanto o cônjuge estiver vivo) mas samentos entre os seus adepto. Só que Esta proposta é a seguinte: tes, que não deixavam, por isso, de ser pode divorciar-se perante o Estado o Estado não terá nada que ver com - O Estado português deixa de le- considerados casados. português e voltar a casar civilmente. isso. gislar em todas as matérias relacio- Assim chegamos ao liberalismo, em Ao longo de todo este processo, o Os pares, casados ou não, que quei- nadas com os futuros casamentos e, que o Estado passou a legislar sobre casamento foi sempre um contrato en- ram ter um estatuto reconhecido pelo naturalmente também, com os divór- o casamento (e sobre o divórcio) por tre pessoas de sexos diferentes. Estado, só têm que se dirigir a uma cios. considerar que, perante a lei, os cida- Nas últimas décadas, começou-se repartição e registar um PUC. Para - Em contrapartida, legislará sobre dãos deviam estar todos em condições a falar em casamento de pessoas do usar uma linguagem corrente: é um es- o que poderemos chamar um PUC de igualdade, independentemente das mesmo sexo. Embora militante do PS, tatuto adequado a quem tenha “junto (pacto de união civil) destinado a pes- suas convicções, ou não convicções, tenho, nesta matéria, uma posição os trapinhos”, ou viva “de cama e pu- soas que vivam em economia comum religiosas. Esta orientação ficou bem mais próxima da da Dr.ª Manuela Fer- carinho”. e comunhão de afectos.
  • 17. 17 SAÚDE 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 “Seja o que Deus quiser”... grave anomalia genética, evitando desta forma que o novo ser sofra uma grave Massano doença, é um feito notável e digno de Cardoso admiração. À atitude descrita, selecção de um embrião normal, é possível que o novo ser seleccionado possa, ainda, aju- A expressão “Seja o que Deus qui- dar um outro, neste caso um irmão so- ser” é frequentemente utilizada quando fredor que espera desesperado por cé- somos confrontados com a incerteza do lulas compatíveis com o seu corpo para futuro. De facto, o porvir pode agraciar- obter a cura. Graças ao diagnóstico ge- nos com alegrias e martirizar-nos com nético pré-implantatório é possível resol- infelicidades. Não sabemos quais os cri- ver casos muito graves. Foi o que acon- térios que presidem a este tipo de sor- teceu, na Andaluzia, com o nascimento teio. Mas que existe, existe! Se é por de Xavier. Criança normal, selecciona- vontade de Deus ou por uma mera ques- do de forma a ser compatível com o seu tão probabilística, cujas finalidades des- irmãozito que sofre de uma grave ano- conhecemos, é de somenos importância. malia sanguínea. Os pais devem estar Na prática, as pessoas, temerosas do que muito felizes por terem tido um filho nor- lhes pode vir a acontecer, lançam para a mal que irá solucionar o grave problema vontade divina os seus destinos. do mais velho. É difícil imaginar a ale- Quando uma mulher engravida, dese- gria da família. jamos as maiores felicidades para que Este caso, que não é o primeiro, le- tudo corra bem e que a criança a nascer vanta, em muitas individualidades, preo- seja sã e escorreita. Mas, às vezes, o cupações sobre os limites da interven- infortúnio, e a infelicidade, batem à por- ção humana. Há quem considere que ta dos pais. Ansiosos por acolher no seu estamos perante “excessos” perigosos seio o supremo fruto da existência hu- de manipulação genética, eticamente não mana, deparam-se com um ser doente muito recomendável. Podem apresentar ou malformado, não compreendendo por- tes, quase me convenço – no caso de cuidar dos seus filhos. muitos argumentos, disso não tenho quais- que é que a vida os traiu. Apesar de não existirem, claro está –, de verdadeira dis- Hoje, graças às conquistas da medici- quer dúvidas, balizados em princípios e diminuir a intensidade do amor, muito pelo criminação divina e de selectividade du- na, é possível prevenir, diagnosticar, im- orientações bem estruturados. De qual- contrário – devotam-se de alma e cora- vidosa. Face à atitude divina, seja qual pedir e até tratar muitos males e malfor- quer modo, as conquistas médicas são ção ao ser com dificuldades e limitações for o Deus, o homem procura substituí- mações que a Natureza, ou quem a su- extraordinárias e conseguem fazer aquilo –, o sofrimento está sempre presente, Lo, propiciando os “milagres” para mui- pervisiona, produz com alguma finalida- que Deus não faz, por esquecimento, por despertado amiúde por pequenos gestos tos males. Lentamente, mas de uma for- de, capricho ou intenção desconhecida. excesso de trabalho ou com intenções que ou actos quotidianos. Mergulham, fre- ma cada vez mais consistente, vai con- O que é certo é que muitos são alvos de só Ele sabe. Quem sabe se um dia, a fra- quentemente, numa tristeza domestica- seguindo maravilhas. Tocar num embrião, atenções que bem dispensavam. Con- se “Seja o que Deus quiser” não correrá da, emergindo para respirar forças que fruto da conjugação de dois gâmetas, frontados com a realidade dolorosa pe- o risco de ser substituída por uma em que os mantenham vivos e lhes permitam para saber se é ou não portador de uma dem ajuda e, até, milagres. Quanto a es- a vontade desça dos Céus para a Terra. Homenagem a quatro especialistas em Bioética são problemas importantes que foram des, a Bioética é hoje um referencial O Presidente da República, Cavaco Assumindo o papel de porta-voz dos sendo levantados”, disse apenas Da- comum de debate na sociedade portu- Silva, homenageou ontem (terça-feira) homenageados, Daniel Serrão agrade- niel Serrão. guesa, que passou a interpelar e a en- quatro personalidades portuguesas li- ceu ao Presidente da República por “Não devemos fixar-nos só num ou volver todos os cidadãos”, declarou. gadas à Bioética, área que considerou “honrar a Bioética séria, independente noutro aspecto. O homem não é parce- “Ser pioneiro da Bioética em Portu- “crucial” para o desenvolvimento hu- e responsável”. lável”, comentou ainda Jorge Biscaia. gal significa promover uma cultura ci- mano e para o progresso científico. “É um sinal de como está preocupa- Relativamente às principais preocu- entífica no espírito da democratização Daniel Serrão, professor catedrático do com a Bioética, primeira salvaguar- pações futuras, este especialista subli- da ciência, a par de uma reflexão acer- de Medicina da Universidade do Porto, da da dignidade humana”, sublinhou. nhou que a Bioética começa a cami- ca dos valores que devem orientar o Jorge Biscaia, médico pediatra, e Wal- Em declarações aos jornalistas no fi- nhar num “aspecto de defesa de vul- progresso científico-tecnológico, em prol ter Osswald, especialista em Farmaco- nal da cerimónia, os especialistas agra- nerabilidade dos mais fracos, dos mais do bem da humanidade”, acrescentou. logia, foram agraciados pelo Chefe de ciados escusaram-se falar directamen- susceptíveis de serem ofendidos” e de O Presidente da República dirigiu-se Estado com a Grã-Cruz da Ordem d te de temas como a clonagem ou a eu- protecção de injustiças. ainda àqueles que recearam que a éti- Sant’Iago da Espada por terem sido tanásia. Lembrou ainda que no centro do deba- ca aplicada à vida representasse um en- “pioneiros” na Bioética em Portugal. “Os problemas relacionados com o te da Bioética está sempre a defesa da trave ao progresso científico, conside- Também o especialista em Genéti- fim da vida, com o princípio da vida, vida humana, que “é sempre inviolável”. rando que é na “intersecção entre a ci- ca Luís Archer foi homenageado na com a manipulação de embriões, todos ência e a ética que o conhecimento pro- mesma cerimónia, que decorreu no gride e que o ser humano se dignifica”. Palácio de Belém, em Lisboa. “A Bioética confirma-se cada vez No seu discurso, Cavaco Silva su- mais como factor de desenvolvimento, blinhou que estas personalidades “tive- ao acompanhar o progresso biotecno- ram o mérito” de introduzir a Bioética lógico, ao ponderar as suas implicações em Portugal e de “a desenvolverem, sociais e humanas e ao garantir que os de estruturarem institucionalmente o novos saberes e os novos poderes con- seu futuro e de a difundirem na socie- tribuam para a melhoria das condições dade”. de vida”, frisou o Chefe de Estado. “Graças a estas quatro personalida-
  • 18. www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 blicas ajudará a diminuir o desemprego. CARTÃO DO CONTRIBUINTE (A Manuela Ferreira Leite só faltou NO PAÍS DO “SIMPLEX”: 9 MESES acrescentar que as obras públicas são DE ESPERA! UMA VERGONHA!!! importantes é para engordar os lucros das construtoras e não só...) (publicado em 2/11) Mário Martins O cidadão que pediu o Cartão do Contribuinte em Fevereiro ainda continua à espera que as Finanças lho enviem. SOCORRO! QUERO EMIGRAR Primeiro, passaram-lhe uma guia válida por 3 meses. ARBITRAGEM Agora, sempre que precisa de comprovar a sua situação fiscal, é-lhe passa- «Aquela intervenção de Sócrates CONTINUA (MUITO) MAL da uma guia válida por um mês! na Cimeira Ibero-Americana a ven- der a merda do Magalhães como quem Há quem diga que, agora, a arbitra- Os prejuízos são evidentes: tempo e dinheiro perdido, incómodos vários, trans- vende aspiradores vai ficar como o gem está diferente. portes até às repartições de Finanças, telefonemas... momento mais ridículo da política por- (Ainda noutro dia, num colóquio pro- E ninguém é responsável? tuguesa no estrangeiro. Depois do seu movido pelo “Núcleo Marques Bom”, de amigalhaço Chavez ter dado no ano Coimbra, várias vozes me quiseram con- Há cerca de um mês, contactados os serviços centrais do Ministério das passado aquela bronca, foi agora a vencer disso.) Finanças, soube-se que não são emitidos cartões de contribuinte desde Mar- hora e a vez do engenhocas dar uma ço!!! de vendedor de electrodomésticos. Viram o golo anulado ao Leixões Na semana passada, em novo contacto com os mesmos serviços, um dili- nas Antas? gente funcionário sugeriu que o cidadão reclame por escrito e forneceu dois Porque não saiu desta vez em de- Viram o golo anulado ontem a Lied- endereços de e-mail para o efeito. fesa da boa educação Juan Carlos ? son? «Vamos a isso, reclame!», repetiu, uma vez e outra, o funcionário. “Porque não te calas oh aldravi- Viram hoje a agressão de um joga- lhas???”. dor vimaranense a Suazo, que passou Este é o Portugal real de 2008. sem qualquer punição? O outro, que anda pelos jornais e televisões, é propaganda. A cena triste e ridícula daquele que Viram como, também hoje, o árbi- (publicado em 27/10) quer ficar conhecido como o Homem da tro não marcou uma grande penalida- Regisconta do século XXI, aquela má- de a favor do V. Setúbal frente ao Tro- quina, levanta ainda por cima várias ques- «Amigo Mário, quando será possivel fense? tanto desmentir que haja uma alteração tões éticas. É legítimo um primeiro mi- visitar o seu Blog sem interferências de Viram as “invenções” do árbitro no E. na Lei do Financiamento dos Partidos nistro e um governo promoverem uma spam?». Amadora - Belenenses, em prejuízo dos atraves do Orçamento do Estado. marca de computador? Não há mais no Ora aqui está uma boa pergunta. do Restelo? Teixeira dos Santos diz que a única mercado? O Windows é o único sistema Também gostaria de saber o que devo mudança diz respeito ao cálculo dos do- operativo? Temos de usar todos windo- fazer para eliminar essa praga. A arbitragem portuguesa não mudou nativos. ws como os governantes de há 20 anos nada de substancial. (in “SIC on-line”) nos queriam pôr a andar todos de Re- Pode alguém ajudar-me? Nem poderia ser de outro modo, já que nault? os “intérpretes” são os mesmos. Nota: Já perdi a conta às “trapalha- PS - Uma forma de contornar o pro- (E não estou a referir-me apenas aos das” do Governo de José Sócrates. Sócrates tem o seu Trabandt dos com- blema é utilizar o navegador Firefox e árbitros.) (publicado em 23/10) putadores. Ele deve perceber tanto de em “Preferências / Conteúdo” activar a computadores como eu de lagares de opção “Bloquear as janelas de popup”. PS - Estou a escrever este texto quan- azeite... Aliás se perceber tanto de com- É um descanso: nunca mais há janelinhas NÃO SEJA TROUXA! do vejo na televisão uma grande-penali- putadores como de engenharia e arqui- a abrir, quer na “Página” quer em todos dade bárbara ser assinalada a favor do tectura... ou mesmo de inglês técnico... os outros “sites”! Olhanense. Vais ter relações sexuais? já agora de finanças...já agora de socia- (publicado em 30/10) (publicado em 2/11) O governo dá preservativo. lismo... uffff!! Só falta a Maga Patológica, a Santa SE FOSSE ESPANHOL... Já tiveste? MANUELA E O DESEMPREGO Padroeira da oposição vir defender o O governo dá a pílula do dia seguinte. Magalhães para fazer a tabuada... Se eu fosse espanhol... Não gosto particularmente de Ma- Ou se vivesse em Fuentes de Oño- Engravidou? nuela Ferreira Leite. Socorro!!! Quero emigrar.» ro... O governo dá o aborto. Pelas recordações que a memória (Impedioso como é habitual, me disponibiliza, não deixou particu- Luiz Carvalho escreve sobre ... hoje teria abastecido a 1,019 eu- Teve filho? lares saudades nem como responsá- «O Homem do Magalhães, aquela ros/litro (gasolina 95 sem chumbo). O governo dá Bolsa Família. vel pela Educação (na “agonia” da dé- máquina», no “Instante fatal”) cada governativa de Cavaco Silva) Como vivo em Coimbra, paguei Tá desempregado? nem na pasta das Finanças (no tempo Subscrevo o que escreveu Luiz Car- 1,299 euros por cada litro. O governo dá Bolsa Desemprego. de Durão Barroso). valho, essencialmente em dois aspectos: (publicado em 23/10) 1. Será, certamente, um dos mo- És viciado e não gostas de trabalhar? No entanto, apreciei a referência mentos mais ridículos da política ex- OUTRA “TRAPALHADA” O governo dá rendimento mínimo ga- que ela fez hoje à relação entre obras terna portuguesa de todos os tempos. DO GOVERNO rantido! públicas e desemprego, em entrevista (E o Luiz ainda se esqueceu de refe- à TSF. rir que José Sócrates afirmou que to- AGORA... O Orçamento do Estado para 2009 «Interrogada se não considera dos os seus colaboradores utilizam o Experimenta estudar, trabalhar, produ- (OE 2009) altera a lei de financiamento que “as obras públicas ajudarão, Magalhães!!!) zir e andar na linha para ver o que é que de partidos e das campanhas eleitorais. pelo menos, ao factor desemprego”, 2. Apesar dos meus 51 anos, também te acontece!!! As doações passam a poder ser feitas a presidente do PSD respondeu: quero emigrar. em dinheiro sem ser por cheque ou por “[Ao] desemprego de Cabo Verde, (publicado em 2/11) VAIS GANHAR UMA BOLSA DE transferência bancária. (...) desemprego da Ucrânia, isso aju- IMPOSTOS NUNCA VISTA EM LU- Esta alteração surge na véspera de um dam. Ao desemprego de Portugal, BOA PERGUNTA GAR ALGUM DO MUNDO! ano durante o qual se vão realizar três duvido”.» (in “noticias.rtp.pt”) actos eleitorais. Esta é uma das tais “frases assassi- Um anónimo (mas amigo...) deixou Parabéns, trouxa! nas”. José Sócrates pode dar as voltas esta mensagem na caixa de comentá- (texto recebido por e-mail; Governo nega alteração da lei que quiser - a partir de agora, ninguém rios: publicado em 21/10) O ministro das Finanças veio entre- vai acreditar que o “boom” de obras pú-
  • 19. MÚSICA 19 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Distorções José Miguel Nora josemiguelnora@gmail.com Já está à venda o disco de estreia de Sensi MC, “E.Sensi.A”, e, se bem se recordam, escrevi sobre ele nos início do mês de Março, visto que na altura tinha ido assistir a um concerto seu na Fábri- ca da Pólvora, em Barcarena (Lisboa). Para quem não se recorda, os primeiros passos de Sensi foram dados como co- laborador (nas vozes) dos Yellow W Van, que são uma das minhas bandas preferi- das. Depois colaborou, também, com Ruas – vocalista dos Yellow W Van –, remisturado pelos Hot Chip – ou “IC 19”. tuguesa de que muito se tem falado nos no seu primeiro trabalho a solo, “Operá- Apesar de não ter grande afinidade com últimos tempos é o dos Buraka Som rio do Funk”. E este disco vem confir- as sonoridades africanas, sou o primeiro Sistema, que vão apresentar o seu dis- mar as expectativas criadas por alturas a elogiar esta banda e este disco. É um co de estreia no próximo dia 15 de No- do concerto a que assisti, mostrando-nos disco com o selo de garantia do “Distor- vembro na Voz do Operário em Lisboa. um hip hop bem mais melódico, menos ções”. Todo o alarido tem uma única causa: agressivo do que é normal em registos “Black Diamond”, título do registo de deste género, mas que cruza, também, PARA SABER MAIS: estreia da banda de Kalaf, Lil´John, Dj algumas influências quer do rock, quer Riot e Conductor. Em primeiro lugar, há do funk. No que toca ao disco propria- que salientar a ousadia de deixarem de - Sensi MC “E.Sensi.A” (Independent mente disto, gostei bastante do que ouvi, parte todos os temas do EP já editado, Records) sobretudo de: “Intervenção”, “Na Ami- nomeadamente “Yah”, que tanto suces- - Buraka Som Sistema – “Black Dia- zade e no Respeito” e “Sonhos”, que tem nora de uma das novelas juvenis da tele- so tem feito por aí, mas, sobretudo, a mond” (Sony BMG) sido o “single” de apresentação – e se- visão portuguesa. qualidade dos novos temas como sejam www.myspace.com/sensimc gundo tenho ouvido falar já é banda so- Outro dos fenómenos da música por- “Kalemba (Wegue Wegue)” – que já foi www.myspace.com/burakasomsistema Ney Matogrosso no seu melhor no regresso à Figueira da Foz O Grande Auditório do CAE (Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz) esgotou, na passada semana, com o espectáculo de um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, Ney Ma- togrosso. “Inclassificáveis”, o título des- te espectáculo, o mesmo de uma música de Arnaldo Antunes, é o regresso de Ney, aos 67 anos de idade, ao seu universo exuberante, de que se tinha afastado nos seus últimos trabalhos. Desta feita Ney surgiu com uma rou- re” constituído por “Simples Desejo” e pa justa ao corpo, coberta com 40 mil “Pro Dia Nascer Feliz”. Após o concer- lantejoulas douradas, uma criação do to, Ney presenteou muitos dos seus fãs estilista Ocimar Versolato. Sensivelmente com uma sessão de autógrafos, junto aos a meio do espectáculo, Ney, sempre pro- camarins. vocador, fez um número de “striptease”, musical de Emílio Carrera, ex-elemento cessário”, “Leve”, “Ouça-me”, de Ita- De referir que antes do concerto, pe- surgindo com um fato transparente com do grupo Secos e Molhados. Em palco, mar Assunção, e “Um Pouco de Calor”, las 17h00, a Comunicação Social teve motivos indígenas tatuados, dando a im- Ney fez-se acompanhar por uma banda de Dan Nakanawa. Dos outros temas oportunidade de efectuar uma visita aos pressão de estar nu. Aliás, o cantor mu- bastante jovem, constituída por Carlinhos ouvidos, destaque para “Ode aos Ratos”, bastidores deste espectáculo, num encon- dou constantemente de roupa durante a Noronha (baixo), Júnior Meireles (gui- de Edu Lobo e Chico Buarque, “Inclas- tro com a produção e a direcção técnica actuação, evidenciando o cuidado céni- tarra e violão), Sérgio Machado (bate- sificáveis”, de Arnaldo Antunes, e para do CAE, que revelaram muitos aspectos co que é seu apanágio. ria), Emílio Carrera (piano e teclado), Dj “Divino Maravilhoso”, de Caetano Ve- curiosos por detrás deste grande acon- O repertório foi uma mistura de com- Tubarão (percussão e pick up) e Filipe loso, que encerrou o alinhamento. Perante tecimento que foi a vinda de Ney Mato- posições novas com clássicos da Músi- Roseno (percussão). a fortíssima ovação de pé do público pre- grosso à Figueira da Foz, numa noite ca Popular Brasileira, com uma nova A noite começou com “O Tempo Não sente, Ney e a sua banda regressaram certamente inesquecível para todos aque- roupagem bastante pop, com direcção Pára”, de Cazuza, seguido de “Mal Ne- mais uma vez ao palco para um “enco- les que esgotaram o Grande Auditório.
  • 20. 20 CRÓNICA 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 AO CORRER DA PENA... “Sou mulher...” cia aos homens. Não olhavam. Os ho- dia-se um país novo, uma nova socieda- apetecida. Sentida na companhia de um mens olhavam por elas. Sentiam e pen- de, mais justa, mais equilibrada. Fazia- ente masculino – o livro – que, neste caso, savam em silêncio, não podendo contes- se a apologia de um homem novo, ilus- a liberta. Porque o livro contém mil e uma Maria Pinto* tar os modelos e regras transmitidos pe- trado e feliz. Alertado para as assimetri- palavras que a fazem sonhar. De forma los valores masculinos. as sociais. Preocupado com os mais des- ousada. Decidida. Em tom de mainha.pinto@gmail.com “Sou mulher. favorecidos. desafio.Com o olhar no futuro. Num fu- Nascida aqui, aqui morrerei (...). É neste contexto de convulsão ideoló- turo que é o de Maria. E também o de “Sou mulher. Não há palavra que fale por mim. gica e de tentativa de trazer ao palco da Júlia, de Madalena, Inês, Josefina... Nascida aqui, aqui morrerei. Sou mulher”. vida aqueles que sempre viveram na som- De todas as mulheres. Nunca a feliz viagem Esta visão doentia acerca da mulher bra, que vão surgindo novos discursos No início deste texto, quis partilhar Virá com a sua asa abrir-me o hori- atravessou grande parte da nossa histó- sobre as mulheres. Aos poucos, o velho com os meus leitores o desabafo de uma zonte. ditado “burra que faça him e mulher mulher de oitocentos. Gostaria agora que, Nada conhecerei do mundo de passa- que saiba latim não a quero para em conjunto, observássemos a mulher gem mim”, vai deixando de fazer sentido. que se segue, pintada em 1891 por Ra- Para além do muro que me limita a Sem dúvida que o século XIX corres- món Casas. casa (...) pondeu a um período de avanços no que Sou mulher. respeita à condição feminina. Começam Tons baços. Lusco-fusco. Indefini- Permanecerei na minha cerca... a existir tentativas de regenerar a ima- ção de contornos. À partida tudo pa- Nas idades em que me reste um sulco gem da mulher, instruindo-a e as neces- rece convergir para acentuar a soli- de memória sidades provocadas pelo fenómeno indus- dão desta mulher. Tudo parece convi- Jamais poderei reviver pela história. trial remetem-na para o mundo do tra- dá-la a regressar ao lar, de onde, apa- Não há palavra que fale por mim. balho extra-familiar. É também no oca- rentemente, não deveria ter ousado Sou mulher”. so deste século que os movimentos fe- sair. Mas também se vislumbram pe- (Clémence Robert, ministas progridem, lutando por direitos daços de luz: os focos, o chapéu, par- Antologia de Poesias, 1839) básicos e fundamentais. te da blusa. A toalha... A mulher temerosa, que mal ousa olhar As vozes tradicionais diriam que esta Maria, Emília, Luísa, Sofia, Leonor... através da janela com medo dos perigos, mulher sozinha poderia estar à beira de foram tantas as mulheres que subitamen- vai sendo cada vez mais ultrapassada pela perder a sua honra. Pelo menos estaria te desfilaram perante o meu olhar! Mu- sua companheira interventora. A mulher a arriscá-la. O seu marido? Teria es- lheres burguesas. Mulheres aristocratas. recatada, Helena-reclusa, mero espelho- quecido os filhos? Aguardaria alguém? Mulheres de operários. Meninas-mulhe- “Sogni”, pintura de Vittorio Corcos bastidor do seu companheiro, vai dando Quem?... res. Cada qual com a sua história. Por lugar a uma mulher outra, que povoa sa- Confesso que me apetece sentar na vezes, com a sua não-história. Cada uma lões de dança, que “coquetiza” numa ria e irrompeu pela era de oitocentos. De mesa do lado e confraternizar com ela com os seus silêncios. Muitas com os espécie de baile de máscaras. facto, segundo alguns intelectuais da épo- pela sua ousadia, pela capacidade de se seus problemas. Todas elas retratadas Por outro lado, e aos poucos, as ruas ca, como Oliveira Martins, a mulher era ver, de se refazer e transformar, rumo por homens. Reflectindo a discussão das principais cidades europeias tornam- uma doente, pelo que necessitava de um a um futuro que se adivinha. Quem sabe existente em seu redor no decurso de se multicolores porque povoadas por uma médico –Deus – e não da possibilidade um caminho solitário e independente, uma grande parte do século XIX: a luta de acesso à instrução. Também Maria entre tradição e modernidade. A perma- Amália Vaz de Carvalho, considerada, ao nência de instrumentos mentais de um de leve, como feminista, se referia às suas passado que se afirmou longo e que tei- pares deste modo: mava em remeter a mulher para os “es- “A vida psíquica da mulher é peri- paços de dentro” – do coração e do lar odicamente e crudelissimamente per- – enquanto que para os homens estavam turbada pelas crises da sua vida fisi- reservados os espaços de decisão e de ológica”. Por isso, “ela nunca será um racionalidade. funcionário pontual, nem um magis- Uma plêiade de mulheres tão bem re- trado íntegro e inexorável, nem um tratada por Chico Buarque, se nos dei- operador de execução firme e rápi- xarmos enlevar ao som de “Mulheres de do, nem um médico, nem um legisla- Atenas”. Deste poema emana o desfiar dor. Os que pretendem persuadir-lhe do ciclo de vida da mulher ateniense, que que exija esses privilégios masculinos corresponde, no fundo, à realidade de detestam-na”. séculos infindáveis da história das mu- Estas teorias pseudo-científicas e, por lheres. Um ciclo iniciado pelo verbo vi- consequência, perigosas, visavam a per- ver e terminado pelo verbo secar... mor- manência de uma mulher crédula, exclu- rer. ída da vida pública, confinada à reclusão Durante este trajecto em que a vida do espaço que lhe era destinado: a casa. lhes passava ao lado, as mulheres des- O seu pequeno mundo feito de peque- piam-se para os maridos, com o propó- “Plein air”, pintura de Ramón Casas (1891) nos objectos. Circunscrito ao marido e sito único de gerarem os seus filhos, pois aos filhos. Um tédio sem fim. Mulher- o seu corpo, fonte de pecado e símbolo mescla de mulheres ornadas das mais rio-de-água estagnada, imóvel. Eterna fora do espaço fechado e em direcção de destruição, deveria permanecer silen- diferentes maneiras. Mulheres e senho- concha de formato côncavo que abraça à História? ciado. Fechado. Alienado ao serviço da ras que frequentam os mesmos espaços, e dá colo. Eterno porto de abrigo. Pené- Foi esta a porta que o século XIX dei- espécie. fruto dos novos ventos de liberdade e de lope... tecendo longos bordados... xou entreaberta... Para além disso... sofriam. Temiam. democratização. Não se falando. Entre- Foi este o percurso que quis traçar, Sem sonhos. Sem vontades. Com medo olhando-se apenas. A mulher conquista No entanto, o demi-siècle começa a não me movendo, para tal, qualquer ra- apenas. Mulheres naturalmente defor- a rua e a rua conquista-a. esboçar os ventos da mudança. Vários dicalidade feminista. Antes um olhar as- madas. Inacabadas no corpo e na alma. No entanto, cada vez mais sente a países da Europa estavam a ser tocados sumidamente feminino. Defeituosas se comparadas com o mo- necessidade de solidão. Mas de uma so- pelos ideais de liberdade vindos essenci- Sou mulher... delo masculino de perfeição. Mulheres lidão vivida por si. Para si. Uma solidão almente de França. Em Portugal, defen- que não falavam, pois a palavra perten- * Docente do ensino superior
  • 21. 21 OPINIÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Voto em preto rece estar a desvirtuar-se, a perverter, a pró-formas. Trapos. Há por ali qualquer coisa de cruel, de achincalhar o espírito dum povo honra- Mais uma acha para a fogueira da sinistro, de doentio a roçar as raias da Renato Ávila do, respeitador da vida e da dignidade crescente e preocupante fragilização da insensatez e, até, da irresponsabilidade. humanas, da instituição familiar. organização nuclear da sociedade. A prosseguir neste caminho de laxis- O Presidente da República acabou O Parlamento não é catedral. Certo. Casamento entre homossexuais. En- mo moral, neste aviltamento de valores por assinar a nova Lei do Divórcio. De A Constituição não é Bíblia. De acordo. fiar no mesmo saco casais configurados fundamentais da vida e da organização nada valeu o veto e as pertinentes pre- A moral não é estanque nem estática. pela complementação sexual e pares social, mais dia menos dia, talvez num ocupações com ele manifestadas. Mais Certamente. Mas é séria e tem de ser assumidos segundo a mesma tendência. futuro não muito longínquo, teremos ins- uma vez, o Parlamento, arrogando-se rocha firme onde se fixam, entre outras, Uma aberração! A família organicamente titucionalizada a “saudável” e “suaviza- de dono e senhor da verdade absoluta as âncoras fundamentais da origem da procriadora, baseada na complementa- da” eliminação dos velhos, deficientes e e do poder dito democrático, não teve vida, do seu desenvolvimento e do seu ridade física e psicológica dos seus cons- outros fardos sociais. Assim à laia de contemplações. “terminus”. Da sua dignificação. tituintes não pode ser confundida, muito “beatífica eutanásia”. Esta gente da ponta esquerda, nes- A esquerda, e não só, entrou a matar. menos abastardada num mesmo institu- A mulher não quer ter o filho. Mata- tas e em outras questões tidas por van- Como se os grandes problemas sociais to. Casamento pouco ou nada tem a ver se o filho. guardistas, modernaças, com um mis- se resumissem ao aborto, ao divórcio e com emparceiramento homossexual. Um dos cônjuges não quer mais o ou- to de moral-anarquia a puxar a uma es- ao casamento de homossexuais. A sociedade não pode negar prerro- tro nem a prole. Abandonam-se. pécie de humanismo selvagem, parece Uma pressa, um corrupio, um fer- gativas jurídicas do género familiar e Os homossexuais querem juntar-se e ser o intelectual supra sumo do Palá- vor nunca vistos. Como se o país es- patrimonial nem recusar o aval a um con- constituir família. Casa-se e adopta-se. cio das Cortes. tivesse a arder. trato de união entre duas pessoas do As famílias não querem mais o fardo Dá-nos a impressão de que o pessoal E a maioria socialista foi na onda. mesmo sexo. Sem dúvida. Todavia, nin- nem o cheiro dos velhos e dos deficien- se sente bem é a chafurdar nas misérias Protagonizou o filme. À revelia do guém, nenhuma lei pode impor que o tes. “Eutanasiam-se” (por este andar, lá duma moral de sarjeta, a remeter para o guião eleitoral. emparceiramento homossexual seja físi- chegaremos). lixo valores fundamentais duma socieda- Aborto. Sim senhor. Vamos a isto! ca e psicologicamente o mesmo que o Este mundo está doente. Onde é que de humanamente civilizada. Basta apenas que a mulher queira. casamento tradicional e consuetudinari- isto vai parar? Sem peias. Sem regras. Ao sabor Que nada contrarie a sua vontade! amente entendido. Será que os eleitos do povo goza- do instinto. Nem um conselho. Uma informação. Um Há direitos, condicionantes sociológi- rão, ainda, do seu perfeito juízo? Com o máximo de gozo. Com um tempo de reflexão. A vontade da mulher cas, referências culturais e civilizacionais Loucos, decerto, estaríamos nós se mínimo de obrigações. Sem um lam- é soberana. Muito mais importante que que identificam o casamento e que não lhes continuássemos a dar o nosso pejo de contemplação. De seriedade. a vida indefesa do filho. podem ser menosprezados, descaracte- voto. Seria, por assim dizer, “um voto De decência. Os cidadãos intra-uterinos não gritam, rizados, só porque um grupo que, não em preto”! Não será esse, certamente, o qua- não protestam. Não votam! reunindo essas condições, pretende usu- É que, nas mãos desta gente, o po- dro de valores que há-de continuar O divórcio na hora. Basta que um fruir do mesmo status social. As pesso- der está a tornar-se num perigo imi- este país. Que há-de enobrecer esta dos cônjuges se queira pôr ao fresco. as, quando fazem as suas opções, sabem nente! nação quase milenar. Sem contemplações. Apenas um ne- de antemão quais são as normas vigen- Não foi para isto que votámos. Para gócio de números. A frio. À laia dum tes e socialmente consagradas. Renato Macedo de Ávila tanta insensibilidade. Para tanta baixeza. despedimento sem direito a recurso. Nós, cidadão comum, não entendemos Cidadão Nacional A casa-mãe da nossa democracia pa- Como se a família, as crianças fossem o que se está a passar no Parlamento. BI nº 103102 FILATELICAMENTE 1934 – Emissão Comemorativa POIS... da 1ª Exposição Colonial Portuguesa João Paulo Simões José d’Encarnação Estávamos sob o regime do Estado Novo, com um Governo liderado por António de Oliveira Salazar, que preten- O João teve uma proposta irre- dia mostrar ao Mundo que Portugal era cusável de trabalho no Brasil. Lar- um País unido, que possuía colónias, com gou tudo, a mulher pediu licença sem a legitimidade histórica adquirida através vencimento, tratou de matricular de dos Descobrimentos. O Acto Colonial de Os três selos que compõem a emissão imediato os filhotes em escolas ade- 1930 consagrava, aliás, a natureza orgâ- quadas e toda a família desarvorou nica e indivisível do Império. za um pouco por todo o mundo e tam- daqui com muita urgência. Os CTT, entusiasmados por um arti- Essa política colonial dos anos 30 bém em Portugal. Jantei com ele no Rio de Janeiro, go do coronel Jaime Ramalho, e também era flanqueada por uma propaganda outro dia, exactamente quando ele para assim propagandear a Exposição, ideológica com duplo objectivo. Por (Baseado em: http://iberystyka-uw.home.pl/ acabara de regressar de mais uma emitiram uma série de selos a partir de um lado, protegia-se. através de ar- pdf/Dialogos-Lusofonia/Coloquio_ISIiI- viagem a Portugal: um desenho de Almada Negreiros e com UW_22_PINHEIRO-Teresa_Memoria-historica- gumentos jurídicos, o domínio coloni- – Não percebo – confidenciava- gravura de Arnaldo Fragoso, represen- no-Portugal-contemporaneo.pdf) al; por outro lado, transmitia-se aos me. – Lá toda a gente anda triste; tando o busto de uma indígena africana. Portugueses a ideia de um Portugal Relativamente ao nosso país, teve lu- nas lojas, os empregados são pou- Impressos na Casa da Moeda, em papel grande (espalhado pelos cinco Conti- gar na cidade do Porto, entre os dias 19 cos e parece que estão sempre a liso médio com denteado 11,5, circula- nentes) uno e indivisível. de Junho e 30 de Setembro de 1934, a 1ª fazer um frete!... Já viste como é ram até completa extinção em 1 de Ou- Durante as décadas de 30 e 40, re- Exposição Colonial Portuguesa, com re- aqui no Rio? tubro de 1945. alizaram-se várias iniciativas propa- presentação das Colónias de Cabo Ver- Eu já vira. Era exactamente o gandísticas visando mostrar Portugal de, Timor, São Tomé e Príncipe, Angola, (Baseado em Livros Electrónicos vol. II de inverso! como uma nação colonial e imperial. Carlos Kullberg) Guiné, Moçambique, Índia e Macau. Assim, surgem eventos desta nature-
  • 22. 22 OPINIÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 Angola em Saragoça (III) OPINIÃO J.A. Alves Ambrósio julgava África um continente sem Histó- cola valorizar-se-á crescentemente e, a tal ria, a esse respeito sabia tanto como os respeito, ninguém atento poderá ficar indi- É inerente a um certame como Sarago- mais ignorantes dos seus contemporâne- ferente. Para nós, portugueses, que desde o ça que a ele se associe a afirmação de um os. (Já agora e sem desprimor: alguns dos 25 de Abril, nesta república de muita treta, país. A própria polissemia da palavra “cer- embusteiros maiores que se nos deparam sofisma e retórica, nesta atribulada repúbli- tame” é elucidativa a esse respeito: exposi- ao longo de uma vida são filósofos, acadé- ca, vemos uma crescente desvalorização do ção, concurso, desafio, combate... Desde micos, clérigos, políticos, jornalistas...). solo agrícola, cotejar atitudes dos dois go- logo é uma montra, digamos. E o arranjo de A África é devido respeito. À medida que vernos é imperativo. uma montra requer atenção, ambição, ima- a arqueologia e a investigação histórica avan- Assim, por estas e outras, é que Angola ginação, visualização, criatividade, seguran- çam – e apenas desde há muito escassas se tornou, para uma inumerável quantidade ça..., tudo a fim de que, no conspecto dos décadas – sabe-se que, v.g., nas margens de dignos compatriotas nossos, um motivo países presentes, quem decidiu acorrer ao do rio Senegal, aos arqueólogos se deve o de insuperável amor. Na sua admirável pu- certame se afirme. terem concluído por notáveis culturas pré- jança artística, a Espanha avançou, há vári- Ao lado da arte – afirmação no presente islâmicas: Qual eurocentrismo, qual treta??!! os anos, com uma impressionante exposi- e para o porvir – Angola remetia para a sua Neste preciso momento que nos baste esse ção subordinada ao título “As Idades do ruralidade e, ipso facto, para as suas raí- surpreendente magnetismo de Obama, em Homem”. Vi-a na Catedral de Segóvia, zes. É absolutamente pertinente que assim quem, evidentemente, “voto”. onde tive que esperar meia-hora. Como é seja. Aos meninos deve – desde o início – O exemplo do rio Senegal pode esten- próprio destas situações, conversa-se com dizer-se que uma das mais emocionantes der-se à Mauritânia, Costa do Marfim, Gana, quem está ao lado. E, então, foi um casal serto da Namíbia (área do deserto de Mo- culturas que já se afirmou nos milénios da Camarões... e fico-me por aqui. salamantino. O marido, engenheiro com ho- çâmedes). Saliente-se que, na altura, a mais História foi de negros. Refiro-me ao Egipto, Já agora é absolutamente obrigatório de- rizontes, disse-me a dada altura: “Sou ami- reputada imprensa mundial mencionou tal claro; e estudar o Egipto é, de uma penada, clarar que o pioneiro da investigação arque- go de um patrício seu que veio de Angola achado. derrubar a monstruosidade do racismo. ológica pré-histórica em Angola é o nosso por altura da independência. A ligação da- Opulenta nos seus recursos hídricos, Lutar contra o racismo é um comba- querido egitaniense Dr. Adriano Vasco Ro- quele senhor àquela terra é tão profunda que Angola declarava-o também. Lembrem-se te que nos cinge a todos. “Contra a es- drigues. Trabalhou, juntamente com sua fi- me leva a reflectir”. apenas as pluviosas e bem drenadas encos- tupidez os próprios deuses lutaram em níssima Mulher, no então Instituto de Inves- A menção deste encontro serve para tas em que o café (variedade robusta) me- vão”, disse Schiller, mas eu não partilho tigação Científica de Angola, entre 1965 e assegurar à Presidência da República e dra. Mas declare-se, igualmente, como An- desta radicalidade. 1970, tendo, ambos, sido autores da primei- ao Governo de Angola que, em Portugal, gola afirmava a qualidade de uma incontá- E a razão é que a interioridade humana ra Carta Arqueológica de Angola e da cria- há, ao seu dispor, um capital de amor por vel, digamos, quantidade de hectares com superará, em dado momento, sempre, as ção da Secção de Pré-História do Museu parte de gente digna, altamente qualifica- aptidão agrícola, assim se abrindo ao mais melhores perspicácia e alteridade. Lutar de Angola (Luanda). Mais. Além da obra da. Certo que o farão render. Voltarei a qualificado investimento estrangeiro na área. pois – absolutamente certos da vitória. Cla- neste âmbito publicada, baseada, claro, em este tópico. Como quem diz: sou a mãe ubérrima e nada ro que Hegel falava dos “negros selva- prospecções e escavações, acresce a loca- mais pretendo que os mais vigorosos fertili- Guarda, 25-X-08 gens”. Mas o filósofo da dialéctica, que lização de um navio do século XVII, no de- zadores. Ainda de outro modo: o solo agrí- cinema Pedro Nora Estreou esta semana “Em Bruges”, primeira longa-metragem de Martin McDonagh, um dos mais famosos e conceituados directores de teatro, que, após se ter estreado com a curta-me- tragem “Six Shooter” (que ganhou o Óscar de Melhor Curta-Metragem em 2006), regressa em grande às lides ci- nematográficas. A história do filme segue dois assassinos profissionais (protagonizados por Colin Farrell e Brendan Gleeson) que, após ter corri- do mal um dos seus trabalhos, são obri- gados a esconderem-se em Bruges, cidade belga que serve como o palco perfeito para um conto que aborda te- biente da cidade na perfeição (à se- este filme não ser tão bom como o trai- filmes dos irmãos Cohen ou de Guy mas tão díspares como o turismo, a vi- melhança de que Sophia Coppola fez ler (dos melhores que já vi), é um óp- Ritchie. Destaca-se o papel de Ralph olência, a amizade e o suicídio. em “Lost in Translation”). timo filme, com uma história frenéti- Fiennes, que mais uma vez prova que Com um elenco conciso, que repre- Uma outra sugestão é o filme ca e cativante e uma interpretação é dos melhores actores a protagoni- senta com uma naturalidade inata a “Taken-Busca Implacável”, escrito e muito poderosa do actor principal Liam zar vilões no grande ecrã, sem nunca trama da autoria de McDonagh, o re- produzido pelo cineasta francês Luc Neeson. Recomendável a quem gos- se tornar cansativo. Tendo já visitado sultado acaba por ser um filme de Besson e realizado por um dos seus ta de filmes de acção como “Homem Bruges, com grande agrado aprecio cariz muito humano, com traços de protegidos, Pierre Morel. Apesar de em Fúria”. como o filme captura o espírito e am- comédia negra, recomendado a fãs de
  • 23. 23 INTERNET 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 lhor ferramenta deste género. IDEIAS DIGITAIS YAMMER VIDEOSURF endereço: http://www.videosurf.com/ categoria: vídeo Inês Amaral KITCHENET Docente do Instituto Superior Miguel Torga KERODOWNLOAD As redes de colaboração estão na moda e o site Yam- mer é uma óptima solução para a sua empresa. A ideia é melhorar a comunicação nos grupos de trabalho atra- vés do browser, mas há também aplicações para ou- tros dispositivos móveis. O site de receitas do AEIOU não é novo, mas foi As empresas registam-se e permitem o acesso a reformulado e está agora muito mais funcional. O Ki- endereços de email dos seus funcionários. Depois de tchenet tem uma nova imagem e funcionalidades Web se responder à questão “em que está a trabalhar?” é 2.0. Trata-se de uma espécie de livro de receitas onli- criado um feed através do qual é possível discutir idei- ne, onde cada utilizador pode participar. Tem publicidade a mais, é verdade. Mas vale a pena as, partilhar informação e links. A privacidade da rede Diariamente há uma sugestão e é possível escolher visitar. O KeroDownload é um site que disponibiliza de colaboração pode ser garantida através de um en- receitas pela sua facilidade ou consoante os ingredientes software gratuito para descarregar. Está escrito em dereço criado no servidor das empresas. que tem na dispensa. Cada utilizador é pontuado pelo português e apresenta recomendações. número de receitas que envia e há uma lista dos chefes Há ainda o Programa da Semana e todos estão or- YAMMER de cozinha com mais pontos, das receitas mais comenta- ganizados por pastas. Há aplicações disponíveis para das e favoritas, dos últimos utilizadores registados e ain- vários dispositivos como computador, PDA e telemó- da das receitas mais enviadas e das mais recentes. endereço: http://www.yammer.com vel. Os vários sistemas operativos são também con- categoria: redes templados. KITCHENET KERODOWNLOAD endereço: http://kitchenet.aeiou.pt/ GOOGLE STREET VIEW categoria: culinária endereço: http://www.kerodownload.com/ categoria: software GRIPENET VIDEOSURF O Google Street View faz parte do Google Maps e permite visualizar ruas em 360º. A sua utilidade tem sido muito discutida e o software passou a desfocar O frio veio para ficar e as gripes começam a apare- automaticamente as caras e as matrículas que apare- cer. O site Gripenet tem como objectivo «monitori- cem nas imagens. zar a epidemia sazonal de gripe, utilizando a Inter- Na Europa só França e Espanha estão no Google net e com base na participação voluntária dos ci- Já começou a Web Semântica? O VideoSurf acha Street View, mas a curto prazo o número de cidades dadãos». A ideia começou na Holanda e rapidamente que sim e nós achamos óptima ideia acompanhá-lo. europeias deverá aumentar significativamente. O ser- se expandiu a vários países. Este site permite a identificação de tags nas frames de viço disponibiliza imagens panorâmicas de ruas ao ní- Qualquer pessoa pode participar, desde que se re- cada vídeo. Ou seja, mediante uma pesquisa é possível vel de visão de um condutor e pode ajudar a traçar giste. Semanalmente os utilizadores recebem uma news- aceder directamente a uma parte específica de um ví- percursos de viagens ou ajudar a conhecer as cidades. letter com informações sobre a gripe e um pequeno deo, em vez de ter de visionar o total. Com todos os inconvenientes que um serviço destes questionário sobre a sua saúde (e os sintomas gripais) A vantagem é evidente: filtrar os milhões de conteú- acarreta. da semana anterior. Assim é possível monitorizar, em dos vídeo que existem na web. Outro aspecto muito tempo real, a epidemia. interessante desta ferramenta é o facto de, depois de GOOGLE STREET VIEW criada uma conta, ser possível associar ao nosso perfil GRIPENET algumas palavras-chave. Sempre que estas forem in- endereço: http://maps.google.com/help/maps/ seridas recebemos um alerta. Claro que ainda há ele- endereço: http://www.gripenet.pt/ streetview/ mentos a melhorar, mas para já o VideoSurf é a me- categoria: saúde categoria: utilidades
  • 24. 24 TELEVISÃO 5 A 18 DE NOVEMBRO DE 2008 uma dificuldade: eles são humoristas, mas jecto de sucesso dos últimos (para eles a isso, suburbana, com raízes fora da ci- PÚBLICA FRACÇÃO não actores. O tipo de programa low- os primeiros!) anos. dade, mas deslumbrada com o mundo cost que caracterizou, desde o início, a das revistas cor-de-rosa. A relação en- HUMOR – 2 – BOLA E RUEFF sua presença na televisão, foi uma solu- tre as duas recupera a já experimentada ção para ultrapassar a impossibilidade de na “Mulher do sr. Ministro” (RTP – anos contratar actores (entre outros constran- 90), onde Rueff se tornou conhecida Humor na televisão portuguesa há Francisco Amaral gimentos). Acontece que os rapazes se como a afilhada protegida e ao mesmo muito. Mais do que se pensa. Mesmo fora franciscoamaral@gmail.com saíram relativamente bem, especialmente tempo explorada pela madrinha. dos momentos que se convencionou cha- Ricardo Araújo Pereira, e foram ficando Às terças-feiras, coladas ao Jornal mar “de humor”. HUMOR – 1 - GATOS e fazendo a imagem de marca dos Gato da Noite, elas surgem com as peripé- Uma grande maioria dos programas e Fedorento. cias ligadas a uma proprietária de um rubricas humorísticas são fracos, popu- O regresso dos “Gato Fedorento” à O final dos programas, que se carac- “cantinho para arranjar as unhas” e à laruchos e até de mau gosto. Até Her- SIC, já teve o número suficiente de epi- terizava por umas inesperadíssimas e di- sua empregada, também explorada, man José está inócuo. Diria até mais: tris- sódios para se chegar à conclusão de que vertidas versões de músicas conhecidas, mas absolutamente dependente da pa- te. Tal revela que o passar do tempo é o Gato está cansado. O formato do pro- entregue a variados nomes (também ines- troa Dénise. implacável, sobretudo para aqueles que perados) da música portuguesa, está ago- O humor é frequentemente brejeiro, subiram muito e não adquiriram a humil- ra meio desactivado, desconchavado e mas não ordinário. Como a própria Ana dade dos sábios nas alturas… mostrando que a SIC investiu nos Gato, Bola diz, o seu humor não é masculino, Há um outro conjunto de espaços hu- mas poupou nos meios. como é, por exemplo, o dos Gato Fedo- morísticos que tentam avançar alternati- Seja como for, os Gato Fedorento con- rento. Mas as personagens estão de tal seguem ainda arrancar alguns momen- maneira bem desenhadas, e nisto Bola é tos únicos do novo humor em Portugal. mestre, que, a cada programa, nos pa- Foram já (mais uma vez?) processados. recem mais familiares. Descobrimos até, Desta vez porque num sketch transfor- sem grande admiração, que o quartito alugado por Maria Delfina num prédio dormitório dos arredores, tem vista para grama dos domingos à noite é semelhante o saguão. ao que tinha na RTP. Entre sketches, os Dénise, magnânima, em noites de tem- quatro aclamados humoristas têm umas poral, deixa que a empregada durma na conversas pouco estimulantes sentados sua flat acanhada, mas onde pelo me- no meio do público. Em tudo idêntica às nos não chove. Lá vêem televisão e fa- vamente. Refiro-me aos “novos humo- que aconteciam na RTP, esta troca de zem jantares de pizza onde participa com ristas” que aproveitam o espaço da TV palavras parece pouco ou nada prepara- frequência a empregada africana do bal- Cabo, em particular (exclusivamente?) da, esperando que surja assim no mo- cão das sopas. na SIC-Radical., onde uma série de jo- mento a inspiração salvadora. Só que não Toda aquela gente parece não ter fa- vens tentam (a maior parte pagos ao pre- surge. Ou não tem surgido. mília por perto. Há solidão cheia por ço da chuva, ou mesmo gratuitamente) Mesmos os sketches estão mais fra- transportes públicos e muita conversa reeditar o sucesso dos Gato Fedorento. em centro comercial. Simboliza a pobre- Para além deste panorama, registe-se za maquiada do consumismo nacional, a o regresso de Ana Bola e Maria Rueff ignorância, o equívoco e, em última aná- que, na SIC, passaram para o ecrã a ru- lise, o conformismo. brica que tinham já há algum tempo na Leve, “VIP Manicure” não deixa de TSF. “Dénise de Magalhães” e “Maria ser um programa de humor crítico, onde Delfina” vivem momentos hilariantes no há momentos bem desenhados – como seu “corner de nails” – VIP Manicure – aquele em que o segurança do Fórum, que funciona, como não podia deixar de maram uma missa num acto de adora- Carlão (outro achado), perante qualquer ser no Portugal 2008, num Fórum. ção ao computador Magalhães, a que não situação menos clara, aparece a pergun- A fórmula que Ana Bola desenhou não faltou sequer cânticos espirituais com tar: “Há espiga?”. Há quanto tempo não se afasta muito dos seus habituais “bo- letra a condizer. ouvia eu esta frase!… necos”. Gente emergente, ou aspirante Estão mais brandos? Não. Menos cri- ativos? Sim. Mas seria difícil, depois de Faça tanta exposição pública (onde se inclui cos. Já houve, é claro, bons momentos, um excesso de participação em publici- coisas bem achadas, mas os Gato Fedo- uma dade), continuar sem vacilações o tra- rento lutam permanentemente contra assinatura Jornal “Centro” tem novos do “ números de telefone e de fax “Centro” e ganhe Comunicamos a todos os nossos Leitores, Assinantes, Anunciantes e outros interessados em contactar-nos, que mudámos de operador valiosa de telecomunicações. Assim, os novos números de telefone e de fax do jornal CENTRO obra e da AUDIMPRENSA são os seguintes: de arte Esta é a reprodução da valiosa obra original Telefone - 309 801 277 de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região APENAS Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Fax - 309 819 913 20 euros POR ANO Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente, - LEIA NA PÁG. 3 quando fizer a assinatura do jornal CENTRO

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