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O Centro - n.º 60 – 22.10.2008
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O Centro - n.º 60 – 22.10.2008

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Versão integral da edição n.º 60 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 22.10.2008. …

Versão integral da edição n.º 60 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 22.10.2008.

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  • 1. DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 60 (II série) 22 de Outubro a 4 de Novembro de 2008 1 euro (iva incluído) CICLO DE CONFERÊNCIAS EVOCA MIGUEL TORGA EM COIMBRA Clara Rocha fala sobre “A Casa de meus Pais” A Casa-Museu Miguel Torga promove um Ciclo de Conferências que se inicia no próximo dia 31 (sexta-feira), com a filha do poeta, Clara Rocha, que irá falar sobre a casa e seus Pais (ao lado, Miguel Torga e Andrée Crabbé Rocha) PÁG. 3 PERSONALIDADES DE DIVERSOS PAÍSES ELOGIARAM A LAUREADA PÁG. 12 e 13 NA CERIMÓNIA REALIZADA EM PARIS Cristina Robalo Cordeiro recebeu Prémio “Richelieu Senghor” ROTARY / OLIVAIS MUNDO ANIMAL FIGUEIRA DA FOZ GUERRA COLONIAL Pedro Roma Conselhos Zé Penicheiro Ex-militares: escolhido para evitar regressa 150 mil ainda “Profissional ataques com mostra dependentes do Ano” de cães no CAE de fármacos PÁG. 2 PÁG. 4 PÁG. 5 PÁG. 17
  • 2. 2 NACIONAL 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 HOMENAGEM DO ROTARY CLUBE DE COIMBRA / OLIVAIS Pedro Roma (guarda-redes da Académica) distinguido como “Profissional do Ano” - MÁRIO CAMPOS FALOU DA ACADÉMICA DE OUTROS TEMPOS O Rotary Club de Coimbra/Olivais homenageou anteontem (segunda-feira) o guarda-redes da Académica Pedro Roma com o título de “Profissional do Ano”. A distinção foi entregue durante um jantar que contou com a participação de dezenas de elementos rotários, mas tam- bém de diversos convidados, entre os quais os dirigentes da Académica OAF (José Eduardo Simões, Presidente da Direcção; Paulo Mota Pinto, Presidente da Assembleia Geral, e António Preto, Presidente do Conselho Fisal), o Presi- dente da Associação Académica de Co- imbra, André Oliveira, e alguns antigos jogadores da “Briosa”: Manuel António, José Eduardo Simões, Helena Goulão e Manuel António Manuel António e Mário Campos Mário Campos e Francisco Andrade na cerimónia de saudação das bandeiras (que foi também treinador da Académi- Clube de Pombal, de onde veio para a ca, tendo levado o clube à final da Taça Académica para uma longa carreira, só de Portugal, em 1969). interrompida durante quatro anos (de A Presidente do Rotary Club de Co- 1992 a 1996) em que representou o Ben- imbra /Olivais, Helena Goulão, salientou fica e outros clubes (de realçar que Pe- que se tratava de uma homenagem sin- dro Roma, com os seus 38 anos de ida- gela, mas muito significativa, pois pre- de, é um dos mais velhos atletas da Aca- tendia distinguir, como exemplo de “Por- démica de sempre em actividade). fissional do Ano”, um jogador de futebol De seguida foi Mário Campos, médi- com um longo percurso, muito credenci- co e antigo internacional da Académica, ado, mas que sempre foi um exemplo em que fez uma palestra dobre o que foi a termos de solidariedade, ao mesmo tem- Académica nos seus tempos gloriosos, po que foi construindo uma carreira aca- nomeadamente nos anos 40, 60 e 70, em démica (Pedro Roma licenciou-se em que, a par dos bons resultados desporti- Ciências do Desporto na Universidade vos, o clube levava a cabo uma função de Coimbra e pretende continuar a pro- única e muito meritória de proporcionar gredir na formação académica). condições de estudo aos seus jogadores, Coube a Fernanda Mota Pinto fazer a o que permitiu que muitos deles viessem apresentação de Pedro Roma, referindo a concluir os seus cursos e a ser hoje o seu nascimento em Pombal em 1970, figuras destacadas na sociedade. onde começou a praticar futebol no Sport Sublinhou que para isso contrbuíram também os excelentes treinadores que a Académica foi tendo, que flexibilizavam os treinos para que os jogadores-estu- dantes pudessem frequentar as aulas. E destacou o apoio que então existia às Director: Jorge Castilho camadas jovens. (Carteira Profissional n.º 99) Contou alguns episódios curiosos, como o sucedido logo após a Revolução de 25 Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 de Abril de 1974, em que ele e outros elementos da Académica se deslocaram Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho a Lisboa a uma entrevista com o então ISSN: 1647-0540 Primeiro Ministro Vasco Gonçalves, a fim Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 de garantir a continuidade da Académi- ca (que alguns então quiseram extinguir Composição e montagem: Audimprensa enquanto equipa de futebol a disputar o Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra Campeonato da I Divisão). Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 Também Francisco Andrade evocou alguns momentos da história da Acadé- Helena Goulão entrega o diploma de “Profissional do Ano” a Pedro Roma e-mail: centro.jornal@gmail.com mica, antes do próprio Pedro Roma agra- Referiu depois que apesar de nos obter a sua licenciatura. E concluiu Impressão: CIC - CORAZE decer a distinção. tempos actuais o futebol ser diferente agradecendo a homenagem e afirman- Oliveira de Azeméis O homenageado começou por subli- de há uns anos atrás, a Académica tam- do que continuará a tentar transmitir aos Depósito legal n.º 250930/06 mais novos os valores que aprendeu na nhar que “ser da Académica não se ex- bém continua a ser um clube diferente, Tiragem: 10.000 exemplares plica, implica!”. que muito fez por ele, permitindo-lhe Académica.
  • 3. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 NO PRÓXIMO DIA 31, NA CASA-MUSEU MIGUEL TORGA, EM COIMBRA Clara Rocha vem falar sobre “A Casa de meus Pais” - MÁRIOS SOARES É O PRÓXIMO INTERVENIENTE NO CICLO DE COLÓQUIOS MENSAIS Na Casa-Museu Miguel Torga, perten- terrogações suscitadas pela obra e pelo vi- cente A‘Câmara Municipal de Coimbra, vai vido de Miguel Torga, encerrará este ciclo, decorrer um Ciclo de Colóquios, a iniciar já no mês de Junho”. no próximo dia 31 (sexta-feira), pelas 18 Antevê-se o especial interesse deste pri- horas, com a filha do Poeta, Clara Rocha, a meiro colóquio, já que Clara Rocha certa- abordar o tema “A Casa de meus Pais”. mente irá falar das vivências que ela pró- Cristina Robalo Cordeiro, Conserva- pria teve na casa onde habtou desde a in- dora da Casa-Museu, refere, a propósi- fância e até rumar a Lisboa (onde é Profes- to deste Ciclo: sora Catedrática da Faculdade de Letras “Aberta desde Agosto de 2007 aos nu- da Universidade Nova). Mas deverá focar, merosos visitantes que, de todos os pontos sobretudo, aspectos relacionados com a vida do país e do estrangeiro, vêm render ho- e obra de seu Pai, o escritor Miguel Torga, e menagem à memória do escritor, a Casa- de sua Mãe, Andrée Crabbé Rocha (inves- Museu, para plenamente cumprir a função tigadora e professora universitária, que igual- que lhe foi confiada no momento da sua mente publicou diversas obras) inauguração, deve ser, sob a inspiração de Segundo revelou Cristina Robalo Cordei- Clara Rocha Miguel Torga, um lugar de diálogo, de aná- ro, os participantes previstos para este ciclo lise e de criação. mento, a palavra e a escrita no contacto da identidade, ou melhor das identidades, de colóquios mensais são os seguintes: Má- Chegou assim agora a altura de, favo- com os seus textos”. não nos viesse fornecer um fio condutor. É rio Soares (Novembro), Almeida Faria (De- recendo a concentração e a autenticida- E acrescenta: pois esta noção que escolhemos como prin- zembro), Maria Alzira Seixo (Janeiro), An- de intelectuais que o escritor prezava aci- “A diversidade de temas, ideias e formu- cípio ordenador de uma primeira série de tónio Arnaut (Fevereiro), José Carlos Sea- ma de tudo, privilegiar o debate de ideias lações contida nos livros de Miguel Torga conversas, que, de Outubro a Maio, preen- bra Pereira (Março), José Luís Peixoto e a troca de experiências a partir da re- poderia parecer um obstáculo à concepção cherão o ano de 2008-2009. Um Colóquio, (Abril), José Augusto Bernardes (Maio). flexão do escritor, estimulando o pensa- de um programa de Encontros se a questão cuja problemática se prenderá com as in- A entrada é livre. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 239 854 150 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 239 854 154 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
  • 4. 4 MUNDO ANIMAL 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 Porcos farejam trufas de mais de 500 euros O produtor Orlando Barroso ensinou os mais duras e são raspadas como o queijo, porcos que cria a farejarem as trufas pela sendo servidas com massas ou risotos, en- florestas de Boticas, vendendo depois esta tre muitos outros pratos”, salientou. espécie de cogumelo subterrâneo a 500 ou Agora, em Portugal, o chefe gosta de 600 euros o quilo para restaurantes locais e estufar as trufas, juntando-lhes presunto, estrangeiros. alho, azeite e vinho branco. Orlando Barroso é construtor civil mas, Na prática quem manda nesta activida- há cerca de dois anos, tirou um curso de de é o porco e, por isso, segundo diz Orlan- tubérculos e cogumelos e decidiu ensinar do Barroso, a apanha das trufas vai sendo os porcos que o próprio cria em sua casa, feita consoante a vontade dos animais. na localidade de Carvalhelhos, a fareja- Normalmente, o produtor treina entre dois rem trufas. a três porcos de cada vez, mas o trabalho O trabalho é árduo mas recompensa, e destes farejadores no campo é feito por um bem. É que, por cada quilo de trufas que animal de cada vez. apanha, o produtor disse à Agência Lusa O grande inimigo do nariz deste animal é que ganha cerca de 500 ou 600 euros. o cio das fêmeas. “O preço varia consoante a procura e “Depois de farejarem uma porca com cio, quantidade de trufas que consigo apa- os animais já não prestam para nada. São nhar”, frisou. capados e depois abatidos para produção O método de ensino dos porcos é sim- de carne”, referiu. ples. Orlando Barroso pega nas pequenas isso, o trabalho é mais facilitado”, referiu. Orlando vende ainda para Itália, Ingla- Depois, segundo Orlando Barroso há que crias destes animais e alimenta-as com esta Quando o animal fareja o fungo, normal- terra, Canadá ou Luxemburgo. treinar novos animais. espécie de cogumelo. mente enterrado a cerca de oito a 15 centí- “Ainda não é um produto muito conheci- Agora, o produtor diz que está a tentar Quando os animais têm cinco ou seis metros, Orlando Barroso apanha o produto do. Falta alguma divulgação para termos treinar um cão a farejar as trufas. meses “estão completamente domestica- com “todo o cuidado” para não o danificar também mais procura”, salientou. No ano passado, o preço das trufas-bran- dos” e prontos para irem para a floresta à ou às raízes que, meses depois, produzirão O chefe José Pinheiro trabalha na Ta- cas de Alba, na região italiana de Piemonte, procura das trufas, um fungo subterrâneo novas trufas. berna do Ti João, em Carvalhelhos, e diz rondava os cinco mil euros, sendo que al- que nasce nas raízes de castanheiros, pi- As trufas são apanhadas entre Feverei- que as trufas são também um produto mui- guns dos melhores exemplares chegaram nheiros ou carvalhos. ro e Março ou entre Agosto e Outubro. to caro para poder fazer parte da ementa aos sete mil euros. “Abro a porta da carrinha e os porcos Apenas numa manhã de trabalho, o pro- daquele restaurante. As trufas-negras são consideradas as entram logo. Depois, percorro os montes dutor pode ganhar “muitos euros” com este José Pinheiro trabalhou durante 22 anos mais raras e mais caras. com o animal preso por uma trela à procu- produto considerado de gourmet e, por isso, como chefe na Suiça, no cantão italiano, ra. Neste momento já sei mais ou menos região onde as trufas são muito procuradas. Texto de Paula Lima e foto procurado apenas por um número reduzido onde podemos encontrar as trufas e, por de restaurantes. “São um pouco diferentes das nossas. São de João Miranda (LUSA) As agressões de cães aos donos Salvador St.Aubyn Mascarenhas e formas de as combater Médico Veterinário salvadorvet@gmail.com o que representa um elemento de conflito, que é raro, mas deve ser descartado, visto mer, ser afagado, brincar ou ir dar um A agressão dos cães aos donos é uma ansiedade ou medo nas motivações do cão. que situações dolorosas ou de doença po- passeio. alteração comportamental, que acontece O cão pode parecer deprimido e este dem aumentar a tendência para comporta- Durante as primeiras 2-3 semanas, os com alguma frequência, caracterizada por comportamento pode ser o sinal para pro- mentos agressivos) donos devem dar atenção ao cão só por bre- um comportamento agressivo como rosnar, vável agressão. A punição inapropriada ou inconsistente ves períodos, e só durante os momentos em mostrar os dentes, latir, ou morder, usual- O cão pode demonstrar um comporta- ou uma relação entre o cão e o dono sem que ele obedece aos comandos e é recom- mente contra os membros que vivem em mento de medo, como não olhar directa- regras, podem contribuir para o desenvolvi- pensado. Noutros momentos, o cão deve casa ou contra pessoas que lhe são familia- mente, meter a cauda entre as pernas e mento de um comportamento de conflito e ser ignorado, especialmente se ele solicitar res em situações que envolvem acesso aos evitar contacto nos primeiros episódios, mas agressivo. atenção. objectos preferidos, como brinquedos, ou à que tendem a desaparecer à medida que O tratamento consiste na modificação do Devemos ensinar comandos usando re- comida. fica mais confiante no resultado da sua comportamento e administração de alguns forço positivo (como comida, brinquedos, Também referido como agressão por agressão medicamentos. jogos, festas) que ensinem comportamen- dominância, agressão relacionada com o Esse animal exibe uma notável ansie- Devem ser evitadas todas as situações tos que são contra os que resultaram em status, agressão competitiva ou por conflito. dade, que pode ser observada nomeada- que lembrem as agressões. agressões no passado – por exemplo, ensi- Usualmente manifesta-se no início da mente quando o dono parte ou quando está Para alterar este comportamento de nar “sai” para sair do sofá ou “solta” para maturidade social (entre os 12 e os 36 me- perante situações novas. agressividade, devemos usar métodos indi- largar os brinquedos. ses, dependendo da raça) mas pode ser ob- Esse comportamento pode fazer parte rectos, que ensinem o cão a ver as pessoas Um aumento da actividade física tam- servada em cães mais novos, existindo uma do repertório comportamental canino nor- da casa como os líderes da matilha. bém ajuda a diminuir a incidência das predominância nos machos relativamente às mal, mas a sua expressão é influenciada Devemos começar por ensiná-lo a agressões. fêmeas. pelo ambiente, pela aprendizagem e pela obedecer ordens, usando recompensas, Alguns medicamentos e alimentos Uma postura hirta, parada, com a cabe- genética. sem que ele fique agressivo ou em con- com baixo teor proteico e alto em tripto- ça erguida, as orelhas apontadas para a A manifestação da agressão pode ser flito. Antes de permitir que o cão obte- fano podem ajudar, mas não terão ne- frente e a cauda levantada normalmente influenciada por experiências precoces em nha qualquer coisa que deseje das pes- nhum efeito sem uma terapia no sentido acompanham o comportamento agressivo. que o animal aprendeu que a agressão fun- soas, devemos fazer com que ele obe- de modificação do comportamento, sen- Uma combinação destas posturas pode ser ciona, controlando as situações e por in- deça a um comando. Esta técnica tam- do também recomendável castrar os observada com outras posturas de submis- consistência ou ausência de regras e roti- bém é conhecida como “Nada é de bor- cães inteiros. são, como a cauda levantada mas as ore- nas em casa ou na sua relação com as la na vida”, e um exemplo é mandar o Afinal, “de pequenino é que se tor- lhas dobradas e os olhos virados para baixo, pessoas. Também por razões médicas (o cão sentar-se ou deitar-se antes de co- ce o pepino”.
  • 5. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 REGIÃO CENTRO 5 EXPOSIÇÃO ATÉ AO PRÓXIMO DIA 2 DE NOVEMBRO Zé Penicheiro regressa à Figueira da Foz Dedicada ao Povo Português e à sua museus e galerias de arte de diversos paí- Pátria – eis como Zé Penicheiro classifica ses, mas criou um estilo próprio, inconfundí- a mostra de trabalhos de sua autoria inau- vel, onde magistralmente joga com planos gurada no passado sábado na Figueira da geométricos e simbologias cromáticas. Foz, no CAE (Centro de Artes e Espectá- Tem larga representação da sua obra em culos), na sala de exposições que tem o Museus nacionais e em colecções particu- seu nome. lares espalhadas pelo mundo. A inauguração contou com a presença Tem sido, com a sua obra e o seu pres- do artista (ainda a recuperar de uma que- tígio, um ilustre embaixador da Figueira da), de muitos dos seus amigos e admirado- da Foz, razão pela qual foi distinguido com res, e de diversas entidades oficiais, como o o títulode Cidadão Honorário e atribuído Delegado Regional da Cultura do Centro, o nome “Zé Penicheiro” à galeria de arte António Pedro Pita, o Presidente e o Vice- no CAE. Presidente da Câmara Municipal da Figuei- Esta mostra, de visita obrigatória, é cons- ra da Foz, Duarte Silva e Lídio Lopes, res- tituída por 27 trabalhos e estará patente até pectivamente, e a Administradora Executi- ao próximo dia 2 de Novembro. va da Figueira Grande Turismo - EM, Ana Zé Penicheiro esteve presente na inauguração da mostra na Figueira da Foz Registe-se, por último, que está prestes a Redondo. ções de Lisboa, Porto e outras cidades do tando, sobretudo, as profissões mais liga- ser publicada uma volumosa e luxuosa edi- Recorde-se que Zé Penicheiro nasceu País. Foi criador de uma expressão plástica das ao mar, como o pescador e a varina. ção sobre a vida e obra do pintor, que mes- na aldeia beirã de Candosa, Tábua. Passou original, que denomina Caricatura em Vo- Desenvolveu também actividade no do- mo antes de sair a público está já a suscitar a juventude na Figueira da Foz, onde iniciou lume, iniciando o seu ciclo de exposições mínio da publicidade e é autor de diversos grande interesse. Os interessados poderão a sua carreira artística, como caricaturista e em 1948. São dessa época os originais bo- painéis e murais dispersos pelo país. reservar um exemplar da obra através do ilustrador, colaborando em diversas publica- necos que esculpiu em madeira, represen- Efectuou diversas viagens de estudo a telemóvel 919690069). Serra da Lousã fância à memória, quando, segurando uma pequena haste no cimo da qual pre- Varela Pècurto gávamos um “moinho”, velas de papel colorido, corríamos contra o vento para as fazer girar mais depressa. O sedentarismo do Homem Primitivo As torres vistas de longe iludem qual- foi diminuindo à medida que a sua inteli- quer observador. É necessário estar-se gência desabrochou, lentamente mas muito perto para darmos conta do seu segura. volume. Nesses longínquos tempos, tal criatu- Por mim, confesso que não me sinto ra pouco se devia importar com a boa ou incomodado ao olhar esta nova paisagem. má paisagem que a rodeava. Mas, for- Pelo contrário. (Veja a gravura). çada por condições adversas, era obri- E ainda que assim não fosse, confron- gada a procurar lugares mais favoráveis tados com a crise energética (e é enor- e então, aí sim, ganhando novos horizon- me a nossa dependência neste sector), tes teria que os olhar, ao menos para re- colocaríamos as torres no sopé da mon- conhecimento. tanha? Tudo evoluiu e as inovações tornaram Para um ou outro descontente tenho as deslocações fáceis, transformando-as uma recomendação: sejam realistas! num prazer. Hoje, qualquer endinheirado pode mudar facilmente de fusos horários em sentidos porque à sua volta sempre pode mostrando a adopção científica que é a poucas horas, deixando o sol tropical e ver algo com algum interesse. Entre coroação com torres eólicas, cada uma passar às neves eternas ou vice-versa. momentos menos bons está a esperança com a altura de 35 andares, onde se gera Há cerca de um século, o português que leva a tirar partido do que nos envol- energia “à borla” porque o vento é grá- comum começou por viajar timidamente ve. tis. Além deste ouro do nosso tempo, os até Espanha. Alegre e ruidoso acenava Tudo isto vem a propósito do actual acessos construídos beneficiam as po- e batia palmas aos que, já de regresso, aspecto da Serra da Lousã. Quem tem o pulações e são defesa contra incêndios. com ele se cruzavam, sintoma de como privilégio de habitar numa terra que é das A Câmara Municipal recebe impostos e eram raras estas aventuras além-fron- mais belas do nosso distrito, está em van- os donos dos terrenos, rendas. teiras, prenúncio das grandes saídas para tagem, acrescida agora com algo mais A energia gerada pelo rodopio das pás outras paragens, que muitos agora fazem para contemplar. com 41 metros de comprimento é limpa depois do empréstimo bancário, caindo Levantando o olhar, vê a imponente e assim nos vamos aproximando da meta no logro do convite “viaje agora e pague Serra, aldeias pelas encostas, entre ver- que nos foi estabelecida em Quioto e que depois”. des e outras tonalidades que mudam ao temos o compromisso de alcançar. O Zé, esse coitado representante das longo do dia. É assim, haja sol, chuva ou O receio de que as torres provocas- gerações que poucas vezes mudam de nevoeiro. A montanha desce até nós, sem impacto visual negativo não se con- sítio, vai olhando o que está à sua volta, entra por algumas portas e janelas, num firmou, pois a vastidão da paisagem ab- alheado, pensando mais como sustentar sortilégio de luz e cores sempre em mu- sorve qualquer aspecto de que alguns não Esta imagem parcial da base de uma a família. Mas os que têm por cenário a tação, enchendo de vida a senhorial vila. gostem. Até o movimento das pás pren- das torres eólicas permite avaliar parede do vizinho, devem espevitar os O panorama agora tem novidade, de a nossa atenção, trazendo-nos a in- a sua grande dimensão
  • 6. 6 INTERNACIONAL 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 Missão russa na ONU recebe Vaticano promove encontro um pedido de fundos com muçulmanos da campanha McCain Um encontro no Vaticano com re- presentantes muçulmanos vai realizar- se a 4 e 5 de Novembro, anunciou o A missão diplomática russa junto da políticas nos países estrangeiros”, de- publicano e vem acompanhada por um presidente do Conselho Pontifício para ONU afirmou ter rejeitado um pedido clara o comunicado. formulário de apoio pré-redigido para o Diálogo Inter-Religioso, cardeal de contribuição financeira para a cam- Interrogado por telefone, o porta- datar, assinar e devolver com uma con- Jean-Louis Tauran, citado pela agên- panha presidencial do candidato repu- voz da missão russa, Rouslan Bakhti- tribuição para o estado-maior da cam- cia católica Ecclesia. blicano à Casa Branca John McCain. ne, precisou que a carta, datada de 29 panha McCain-Palin. Na reunião, que terá como mote “o Num comunicado, a missão russa de Setembro tinha chegado à missão Interrogado pelo France Presse, um amor de Deus no amor ao próximo”, diz ter recebido “uma carta do sena- por correio ordinário a 16 de Outu- porta-voz da campanha de McCain, participarão alguns dos 138 signatári- dor John McCain pedindo uma contri- bro. Brian Rogers, afirmou não estar ao os da Carta “Uma palavra comum buição financeira para a sua campa- Esta carta de quatro páginas, a que corrente do envio de tal carta e suge- entre nós e vós”, publicada há um ano nha presidencial”. a agência France Presse teve aces- riu que pode tratar-se de um erro. por intelectuais e religiosos muçulma- “A este respeito, desejamos reite- so, é assinada por John McCain e é “Não tenho ideia nenhuma do que nos. rar que nem os responsáveis russos, dirigida ao embaixador russo na ONU, eles (os russos) falam. A priori, pode A delegação dos participantes será nem a missão permanente da Federa- Vitaly Tchurkine. ser que este correio tenho sido envia- chefiada pelo príncipe da Jordânia, ção da Rússia junto da ONU, nem o A carta contém um resumo das do para um endereço errado “, decla- Ghazi bin Muhammad bin Talal. governo russo financiam actividades principais posições do candidato re- rou. As eleições nos EUA e a Rússia O objectivo de Barack Obama – resta- Nos anos da governação de George W. ciativas com vista a transformar o sistema belecer a liderança norte-americana com Bush, Washington tornou-se num bode ex- global que começou a tropeçar. Fiodor Lukyanov * métodos opostos aos usados pela adminis- piatório autodesignado. Tendo como pano Infelizmente, na diplomacia russa tem tração que abandona a Casa Branca. Há de fundo a estupidez, os erros e a presun- predominado ultimamente uma linha de es- A duas semanas das eleições presiden- que esperar uma mudança do estilo, e da ção da potência mais poderosa do planeta, tranha sinceridade no que respeita aos ob- ciais nos EUA a chance de Barack Obama estilística, no comportamento dos EUA. O as acçõs dos outros participantes das rela- jectivos da sua política externa. Essa práti- entrar na Casa Branca parece cada vez mais contraste com George W. Bush vai criar ções internacionais pareciam muito mais ca não só não desarma, como, pelo contrá- crível, sobretudo depois da sua vitória folga- uma forte impressão. Barack Obama aponta inofensivas. E as tentativas dos EUA de rio, arma os adversários. Vejamos, a decla- da nos três importantes debates televisivos. para a necessidade de amplo diálogo e de chamar à resposta alguns destes intervien- ração sobre a esfera de «interesses privile- Contudo, não se deve esquecer que a fortalecimento das instituições internacionais. tes provocavam apenas sarcasmo. giados» da Rússia pode ser facilmente utili- América profunda continua ainda bastante A nova retórica vai formar um ambiente A mudança da imagem dos EUA, bem zada contra a declarante. Quem gosta da racista. Um prognóstico elucidativo de pos- político favorável em torno da futura ad- possível em caso de vitória de Barack Oba- pretenção de um Estado de ter direitos es- sível desfecho do escrutínio em 4 de No- ministração. ma, deixa vago o lugar do «polo de rejei- peciais? vembro foi-me apresentado ainda em Maio, Além disso, Barack Obama goza de po- ção». E a Rússia tem a chance de o ocupar, A política russa exibe muitas abordagens num táxi que me transportava do aeroporto pularidade no mundo. A Europa Ocidental caso não corrigir urgentemente as formas positivas, capazes de reunir um amplo apoio nova-iorquino. À minha pergunta: «Quem vê nele uma chance de aproximação tran- de comportamento e a linguagem de comu- no mundo. Por exemplo, durante a eleição substituirá George W. Bush?», o taxista, um satlântica, baseada numa proximidade dos nicar com o mundo. de director geral do FMI em 2007, Mosco- homem branco de meia-idade, respondeu valores políticos e intelectuais, e não impos- Até ao conflito no Cáucaso, Moscovo vo avançou com um candidato alternativo e sem pestanejar: «John McCain». «E por que ta à força. Para o Terceiro Mundo importa- sempre defendia claras posições em apoio insistia na necessidade de uma séria refor- não Barack Obama?», indaguei. «Porque o rá positivamente o facto da única superpo- ao direito internacional e acções colectivas ma desta instituição. Agora, no auge da cri- sítio onde trabalha o Presidente chama-se a tência ter um líder não branco. O significa- na solução de inúmeros problemas mundi- se financeira, salta aos olhos a incapacida- Casa Branca», disse o taxista. do de tudo isso para a política global ainda ais. Essa abordagem firme irritava muitos de de agir do FMI. Numa palavra, a Rússia Entretanto, a provável vitória do senador será necessário estudar e analisar, mas o países, mas era difícil rejeitá-la, pois a Rús- tinha toda a razão e pode continuar a de- negro criará uma nova situação, que obri- acontecimento, caso tenha lugar, augura mui- sia agia com base nos princípios claros e senvolver a sua iniciativa. gará Moscovo a reagir. O contexto geral da tas e consideráveis alterações. justos. O reconhecimento da Abcásia e da Também continuam válidas as propostas política externa dos EUA vai mudar e a Tudo isto não significa que a política nor- Ossétia do Sul, em 26 de Agosto, pôs em do Presidente russo sobre um novo sistema Rússia corre o risco de se ver numa situa- te-americana mude radicalmente e os EUA dúvida essa linha de comportamento de de segurança atlântica, avançadas em Ju- ção desfavorável, se não corrigir a tempo o de repente desistam da ideia de domínio Moscovo. É verdade que, na situação cria- nho deste ano. Mais um passo nesta direc- modo de abordar as questões internacionais. mundial. Por outro lado, é pouco provável da pela agressão militar da Geórgia, o Kre- ção foi dado em Outubro, na cidade france- que o novo rumo tenha êxito. O apoio nas mlin não tinha outra alternativa. No entanto, sa de Eviane. Os 5 princípios de novo trata- RECORDES instituições internacionais, agora em franca agora é preciso demonstrar que as acções do de segurança, anunciados por Dmitri NORTE-AMERICANOS degradação, dificilmente trará resultados empreendidas não passam de uma excep- Medvedev, são uma continuação de sérias desejados. ção forçada e o rumo geral da política russa conversas. A administração de George W.Bush Também é difícil supor que a Casa Branca não mudou. Todos os Estados se orientam pelos seus bateu todos os recordes de impopularida- esteja pronta a iniciar uma profunda refor- Em caso contrário, pode parecer que interesses nacionais, o que constitui, aliás, de tanto no país, como no estrangeiro. As ma da gestão, pois neste caso os EUA seri- Moscovo decidiu adoptar a prática de Wa- um axioma das relações internacionais. Mas, enormes ambições, os preconceitos ideo- am obrigados a partilhar «as competênci- shington – «cada um faz aquilo que lhe para os conseguir, cada um procura reduzir lógicos, a soberba em relação aos parcei- as» contra a sua expressa vontade. apetece e para que tem forças» – exac- ao mínimo a resistência do meio externo. ros, as aspirações agressivas de conse- tamente no momento quando os EUA ten- Uma orgulhosa e repetida declaração pú- guir o seu objectivo a qualquer preço, o PERIGOS PARA A RÚSSIA tarão distanciar-se dela, com aprovação blica de interesses nacionais como a única desprezo pelas normas da convivência in- do resto do mundo. estrela guia para a política russa cai bem ternacional, o apoio na força militar e a No entanto, a mudança de tom e o anún- À Rússia convém pôr em foco o tema nos ouvidos dentro do país, mas não dá nada incompetência em várias direcções cha- cio de nova agenda dos EUA vão, sem dú- de reforma das instituições internacionais, do ponto de vista de aquisição de apoios fora. ve, tornaram os EUA num exemplo de vida, influir na política mundial. O que isto antes que o faça a nova administração dos como não se deve comportar-se. significa para a Rússia? EUA. Também deve apresentar novas ini- * in revista A Rússia na Política Global
  • 7. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 Igreja contra nova lei do divórcio comunicado o seu verdadeiro pensar”. O Presidente da República “fundamenta [a sua decisão] no parecer de bons juristas O presidente da Conferência Episcopal ção última que tem saído nesta área, na “li- mulheres de mais fracos recursos e os fi- e isso dá-me uma certa tranquilidade”, afir- Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, consi- nha de facilitar, não é normalmente o me- lhos menores”. mou também à Lusa o prelado católico, su- derou ontem que a nova lei do divórcio, pro- lhor caminho”. Cavaco Silva salienta que esta é uma blinhando que a maneira de “agir e actuar” mulgada pelo Presidente da República, é “A lei devia apontar para caminhos, por- convicção “partilhada por diversos opera- de Cavaco Silva tem “simplesmente uma facilitadora e poderá levar ao aumento do ventura, de alguma austeridade, mas que dores judiciários, com realce para a Associ- preocupação: defender os mais fracos”. número de divórcios em Portugal. gerassem um verdadeiro bem-estar nas ação Sindical dos Juízes Portugueses, por “Seja aqueles que têm menos posses, seja “Estou convencido de que por detrás de pessoas e nas famílias”, sustentou à Lusa. juristas altamente qualificados no âmbito do também, no caso concreto, muitas vezes toda esta lei do divórcio com certeza que O Presidente da República promulgou a Direito da Família e por entidades como a dentro do matrimónio litigioso, as mulheres”, acontecerão muitos mais divórcios, porque nova lei do divórcio, mas deixou um alerta Associação Portuguesa das Mulheres Ju- especificou o presidente da CEP, conside- é tudo muito mais fácil”, disse à Agência para as situações de “profunda injustiça” a ristas”. rando esta preocupação um “facto positivo Lusa D. Jorge Ortiga, também Arcebispo que este regime jurídico alegadamente irá D. Jorge Ortiga considerou “positiva” a e um elemento que devia ser devidamente de Braga. conduzir na prática, sobretudo para os mais atitude do Presidente da República ao apro- pensado e equacionado na discussão parla- D. Jorge Ortiga considerou que a legisla- vulneráveis, “como é mais frequente, as var a lei, mas “manifestando através de um mentar”. ponto . por . ponto O buraco negro Por Sertório Pinho Martins que os nossos problemas reais, de uma eco- em lamentos e noites mal dormidas. Gor- mo, com versões que o dão como de salva- Depois das férias de Verão, que o Cen- nomia moribunda e gerida a martelo, que don Brown passou de político inábil, em que- ção nacional, outras como eleitoralista e tro também teve direito a gozar em paz, pedi antecedeu em muito o cataclismo das bol- da nas sondagens e já com sucessor à per- outras ainda que o temem quando em 2010 ao Jorge Castilho que me concedesse um sas e o afundamento dos planos optimistas na, para salvador da nação europeia, levan- tocar a rebate perante a réplica fiscal que o fôlego para ver claro no meio da desbunda de um Portugal à beira do sétimo céu, esses tando atrás um coro de elogios dos mesmos atravessa em toda a extensão. E a ‘bolsa que já tinha ameaçado na Primavera e que marcharam para o esgoto infinito da crise que na véspera o tinham sepultado vivo. de garantia’ de 20.000.000.000 de •uros (já deixava antever um Verão de torrar: o pre- planetária. E razão tinha o Jorge Castilho E nós entregues à nossa sorte! O mal viram a catrefa de zeros, que pagava seis ço do petróleo liderava as dores de cabeça quando me ‘desculpou’ o tempo de ausên- doméstico está na economia real, na para- aeroportos novos?), para pôr muletas virtu- no universo da economia real, a crise do sub- cia na rentrée do Centro, vaticinando que gem cardíaca que no Verão de 2007 era já ais na banca portuguesa, é um sinal inequí- prime nos EUA era tentadamente abafada não era daí a duas semanas (como eu supu- uma verdade incontornável, ainda que be- voco de que o ESSENCIAL é tranquilizar a portas adentro para deixar George Bush sera) que a borrasca desabaria: “deixa as- suntada com loas e promessas de vida far- malta, uma vez que toda esta crise é antes chegar calmamente ao fim do mandato sem sentar bem a poeira e vamos ver depois o ta. A banca portuguesa respirava saúde até de mais ‘de confiança’ – e é, não se duvide, rabos de palha que lhe chamuscassem a que vem ao de cima”. Mas já desisti de es- há meia dúzia de semanas, à boa maneira tal como é também de ‘desconfiança’: gato petulância desbragada, e os nossos respon- perar por esse tempo de bonança, que vem da ‘alegria no trabalho’ que nos embalou o escaldado tem medo de água fria, e a velei- sáveis políticos viviam na estratosfera do não- longe, muito longe! berço durante décadas (e os jornais arreba- dade dos políticos de todos os quadrantes te-rales a debitar patetices que nem caloiros Depois da escalada impensável, o petró- nhados têm por tradição não contrariar a passou a ser um dos maiores contributos de qualquer mestrado de meia-tijela. E nem leo caiu de súbito para ‘acompanhar’ a bai- verdade dos regimes), – pese embora as para o buraco negro da nossa camada de vale a pena relembrar o sobe-sobe da certe- xa das expectativas de retoma mundial da trapalhadas com o BCP e as suas guerri- protecção social que costumava sossegar o za no crescimento económico, o controlo da economia, e porque naturalmente a procura lhas e reformas milionárias, os solavancos contribuinte anónimo. Dir-se-á que HOJE inflação com um simples estalido de dedos, diminuiu – não porque o mundo árabe, ve- do BPN com Miguel Cadilhe a mandar car- é fundamental restaurar a abertura da ban- ou a reafirmação da nossa imunidade ao ter- nezuelano ou russo, se compadeçam com o ga tóxica pela borda fora, ou o crescimento ca ao financiamento da economia real (so- ramoto que passava ao largo – para na se- apertar de cinto dos países crudo-dependen- multiexponencial da entrega de casas aos bretudo das iniciativas do tecido empresari- mana seguinte se cair na desilusão mais con- tes. O tempo da solidariedade das nações já vendedores de sonho a crédito… por im- al), mas esse pressuposto já tem barbas. frangedora e a prenunciar o fim da civiliza- foi, e todos sabemos que neste fim de déca- possibilidade real de cumprimento das obri- Então mudou o quê? Mudou a credibilidade ção ocidental, tudo isto sem nenhuma base da do novo século, é cada um por si. E a gações e porque a prioridade vai neste mo- na atitude reguladora e incentivadora do séria de argumentação ou simples cálculo União Europeia, perguntarão? Essa só rea- mento para as exigências da barriga da fa- Estado, mudou (e caiu a pique) a confiança previsional que desse consistência ao alar- ge à desgraça, não previne a tragédia e é mília e para os impostos a que não é possí- dos contribuintes na classe política, mudou me deixado no esgoto da opinião pública. um peso lento congénito, à boa imagem dos vel fugir. o espírito de missão para o salve-se-quem- Falar continua a não pagar imposto! que se assumiram como seus sócios maio- Estamos no fio da navalha! E mais do puder, e está aí em força o cada-um-por-si. E a crise financeira internacional apenas ritários – e é ver como a Alemanha e a Fran- que o medo do desconhecido, apavora-me E que mais é preciso para, empurrados pela veio ajudar a manter a face do nosso peque- ça sucumbiram ao primeiro abanão, deixando perceber que não há alternativas à vista barriga a dar horas, resvalarmos para um no mundo de tias e de festas da socialite afinal para um Reino Unido auto-marginali- desarmada, e que depois de 2013 ninguém caudilhismo populista à boa maneira sul- onde os políticos se sentem como peixe na zado do clube do •uro a missão de Messias quererá ser governo quando o QREN não americana, com o regresso às ’santas da água, reflectindo no copo e no pastel de ba- salvador, no meio de uma tormenta onde for mais que um corpo a enterrar. O Orça- ladeira’ por esse país além? Caudilhismo, calhau a triste sina de os ter ao leme. Por- Ângela Merkel e Sarkozy se embrulharam mento para 2009 já é o reflexo disso mes- disse? Perdão pelo lapso: esse já chegou. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
  • 8. 8 OPINIÃO 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 cracia... ferenciou claramente a impossibilidade de constitutivos, da respectiva força política. Se virmos além da pequena política con- crescer no curto prazo; a inexistência de Será isto utópico, impossível? De ma- juntural e da pretensa “desforra” ideológica instrumentos políticos para fazer a econo- neira nenhuma. Era isto que estava nos Es- contida há quase duas décadas, que moti- mia crescer; o País encravado perante o tatutos do PRD e funcionou perfeitamente vam muitas destas afirmações, logo se con- endividamento externo. O seu discurso foi quando, em 1985, o partido recém- clui, porém, que, quando a poeira assentar, de grande brutalidade, porque absolutamente -criado teve 18% dos votos e foi o «fiel» grande parte delas parecerá descabida. (...) verdadeiro, já que a nossa realidade é bruta. da balança no Parlamento, no qual teve um (...) papel muito activo e positivo. E o PRD fa- Paulo Mota Pinto lhou não por esses e outros princípios ino- Diário As Beiras Paula Teixeira da Cruz vadores, tendentes a assegurar a maior par- Correio da Manhã 16/Outubro/08 ticipação dos cidadãos, a democraticidade ORÇAMENTO PARA A CRISE e a transparência, mas, pelo contrário, por- AGUARDAR VEZ que lhes deixou de ser fiel. (...) Manuela Ferreira Leite abandonou A CRISE E A BANCA a sua condição de múmia para vir dizer que Tanto silêncio nesta casa e tanta voz que José Carlos de Vasconcelos o PSD votará contra, antes mesmo da dis- me fala. Da janela vejo as mulheres que Visão Quando, no passado domingo, o Ministé- cussão na AR, porque é “o pior Orçamento sobem a rua levando os sacos do super- rio das Finanças anunciou que o Governo que se fez em Portugal desde 1974”. O exa- mercado. A rua é inclinada e elas devagari- A CIÊNCIA E A VIDA vai prestar uma garantia de 20 mil milhões gero é de tal ordem que descredibiliza esta nho passeio acima, com os tendões dos bra- de euros aos bancos até ao fim do ano, res- jactância de última hora de Manuela Ferrei- ços saídos, os tendões do pescoço saídos, o A extraordinária e fascinante evolução pirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise ra Leite. Se ouvirmos o PCP e o BE, igual- cabelo a tremer. Porque razão me como- da ciência foi, mais uma vez, destacada nos mundial, devemos ajudar quem mais preci- mente de um exagero absoluto, chega a ser vem na manhã suja, outonal, de setembro? prémios Nobel da Medicina. Este ano, fo- sa. E se há alguém que precisa de ajuda são ridículo. O PCP, com a cassete do costume, As árvores começam a perder as folhas, ram galardoados investigadores fundamen- os banqueiros. De acordo com notícias de reclama e exige coisas do arco-da-velha. pombos por aqui e por ali, vários cinzentos tais no combate a dois flagelos do século Agosto deste ano, Portugal foi o país da Se o PCP diz “mata”, o BE diz “esfola”. O feios nas nuvens. Um par de homens a con- XX: a sida e o cancro. A infecção com VIH Zona Euro em que as margens de lucro dos que dizem o PCP e o BE não conta para sertarem não sei quê num buraco. Deve ser já não é uma sentença de morte e já existe bancos mais aumentaram desde o início da nada, não produz resultado, não gera nenhu- isto o que as pessoas chamam vida e, se é uma vacina que previne o cancro do colo crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, ma consequência. Vale zero, como antiga- isto, que miséria: ninguém sorri. Tenho de ir do útero. Diariamente surgem triunfos da os lucros dos quatro maiores bancos priva- mente sentenciava Jô Soares nos seus pro- aos Correios buscar livros da América, de cura contra a doença e estas vitórias quase dos atingiram 1,137 mil milhões de euros, só gramas de humor. França, do raio que o parta: tira-se um pa- nos convencem de que podemos ambicio- no primeiro semestre desse ano, o que re- Este Orçamento, que retira o tapete de- pelinho com um número, espera-se entre nar a imortalidade. Mas sabemos que não é presentava um aumento de 23% relativa- baixo dos pés às oposições sem ideias, é, gente que espera. Da última vez tirei o nú- assim.(...) mente aos lucros dos mesmos bancos em referem os especialistas, uma grande arma mero 65, ia a procissão no 12. Fico séculos igual período do ano anterior. Como é que do Governo para enfrentar a crise econó- para ali, a olhar. Espera—se para tudo, so- Teresa Caeiro esta gente estava a conseguir fazer face à mica. Está orientado para ajudar as famílias mos feitos não de carne, de paciência, se Correio da Manhã 14/Outubro/08 crise sem a ajuda do Estado é, para mim, na resolução dos seus problemas mais gra- calhar já nascemos com um papelinho na um mistério. ves (habitação, endividamento, arrendamen- mão. Retire aqui o seu bilhete e aguarde a DEMOCRACIA A partir de agora, porém, o Governo dis- tos, etc.) e para o apoio efectivo de todas as sua vez. Aguardo a minha vez. Desde que EM TRANSFORMAÇÃO ponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos pequenas e médias empresas, com inúme- me conheço que aguardo a minha vez. A impostos. Significa isto que eu, como contri- ras medidas de auxílio efectivo a este sec- minha vez de quê? E lá fora uma chuvinha (...) É o argumentário da irresponsabili- buinte, sou fiador do banco que é meu cre- tor importante da economia real. Os impos- sem peso. Um princípio não bem de frio, de dade: durante muito tempo, procedeu-se dor. Financio o banco que me financia a mim. tos baixaram e os funcionários públicos têm desconforto. como se “as coisas” não tivessem conse- Não sei se o leitor está a conseguir captar o maior aumento salarial da década. Este – O que fazes no mundo, António? quências. E, quando estas eclodiram, pre- toda a profundidade deste raciocínio. Eu Orçamento em época de crise não resolve – Aguardo a minha vez. (...) tendeu-se que tudo aconteceu porque não consegui, mas tive de pensar muito e fiquei todos os problemas mas ajuda o País a não se viram as respectivas causas. Por trás com dor de cabeça. Ou muito me engano parar e alivia as famílias e as pequenas e António Lobo Antunes desta “ilusão retrospectiva da fatalidade”, ou o que se passa é o seguinte: os contribu- médias empresas. Garante crescimento eco- Visão como diria Bergson, esconde-se há muito o intes emprestam o seu dinheiro aos bancos nómico e afasta o fantasma da recessão grau zero da política. sem cobrar nada, e depois os bancos em- A ECONOMIA DO PAPEL Porque a verdade é que se conheciam prestam o mesmo dinheiro aos contribuin- Emídio Rangel tão bem as consequências, como hoje se tes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. Correio da Manhã 18/Outubro/09 (...) Aliás, se a regra é, como continua a conhecem as causas. E foram muitos os A troco de apenas algum dinheiro, os ban- ser, a da disciplina de voto, para que são que as apontaram: J. Stiglitz, E. Todd, G. cos emprestam-nos o nosso próprio dinhei- FRAGILIDADES necessários 230 deputados na Assembleia Soros, J. Peyrelevade, J. K. Galbraith, etc. ro para que possamos fazer com ele o que da República? Com essa regra, o Parlamen- E também Paul Krugman, que acaba de ser quisermos. A nobreza desta atitude dos ban- Em intervenção televisiva, na passada to podia funcionar, pelo menos ao nível de- galardoado com o Prémio Nobel da Econo- cos deve ser sublinhada. (...) terça-feira, Henrique Medina Carreira – em cisório, como uma assembleia geral de uma mia. curto espaço de tempo – disse tudo sobre o sociedade, tendo cada partido só um repre- O problema, é que quando a ilusão é gran- Ricardo Araújo Pereira nosso país, no tom directo e sem papas na sentante com um número de votos corres- de, nenhuma razão consegue ser maior. Por Visão língua que o caracterizam. As suas inter- pondente à sua expressão eleitoral... isso, os dirigentes da União Europeia conti- venções fazem a diferença. No caso fê-la Julgo ser indispensável uma reforma (ou nuam, apesar dos esforços da última sema- A CRISE FINANCEIRA logo de forma muito pouco comum entre uma revolução?) na concepção e funciona- na, incapazes de encontrar respostas efica- E O MERCADO nós. Recusando-se a falar do que desco- mento dos partidos, pela qual há muito me zes para contrariar a crise que, durante mais nhecia, nem podia conhecer: o Orçamento bato, com propostas concretas. Sem ela, os de um ano, tão infantilmente pretenderam Em tempos de crise no mundo das finan- entregue menos de hora e meia antes da Parlamentos não recuperarão o prestígio ignorar. ças, logo surgiram vozes a prognosticar a intervenção a que faço referência. perdido, condição sine qua non da sua efi- Para já, estamos apenas no controlo de derrocada do capitalismo e da economia do Depois vergastou o sistema político indo cácia e da valorização da insubstituível de- danos. E do “plano” europeu ao “governo” mercado ou o “fim do mundo de prosperi- directo ao cancro que o mina e explicou por mocracia representativa. Para isso uma das europeu, vai um caminho que, surpreenden- dade tal como o conhecemos”, ou a criticar que não cresce Portugal (pôs em causa todo medidas fundamentais, mais fáceis de esta- temente, ninguém parece querer fazer. Os os mercados financeiros como o “jogo da o sistema com exemplos lineares, próprios belecer e cumprir, é exactamente a liberda- líderes europeus fariam bem em reflectir bolsa”, de uma dita “economia de casino”. de quem sabe do que fala porque só quem de de voto como regra que só pode ter ex- seriamente nas palavras do novo Nobel da Até já se comparou a presente crise com a sabe do que fala pode ser simples nas suas cepções por imperiosas razões de governa- Economia, que há dias chamou a atenção, queda do muro de Berlim, esquecendo que explicações) e começou por questionar o bilidade (nas votações do Orçamento do não só para a “inevitável, generalizada e esta, além da liberdade económica, devol- princípio da disfunção do nosso regime: o Estado, de moções de censura e confian- prolongada recessão” que se anuncia, mas veu a muitos povos e a centenas de milhões sistema educativo e a falta de atenção de ça); ou em algum caso especialíssimo em também para a dramática falta de crédito de pessoas a liberdade política e a demo- uma geração para com os seus filhos. Re- que estejam em causa princípios nucleares, que atinge todos aqueles que estimularam a
  • 9. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 OPINIÃO 9 irresponsável cegueira dos últimos tempos. JANELA DE OPORTUNIDADE contraste flagrante com temas reduzidamen- do, e as notícias alarmantes sucedem-se Como já aqui escrevemos várias vezes, te circunscritos a quase coisa nenhuma, em catadupa: crescimento zero, economia Manuel Maria Carrilho a resposta à crise financeira internacional como o do casamento gay -, Sócrates apro- estagnada, subida do desemprego, falta de DN 18/Outubro/08 passa por dois tempos: a estabilização ime- veitou a onda, qual bom surfista, vendo aqui dinheiro para obras públicas, indisponibili- diata dos mercados e do crédito interbancá- a grande oportunidade de redireccionar o dade crónica dos empresários para corre- A BÍBLIA: 73 LIVROS rio e a definição de regras que visem as debate político, a agenda política, as priori- rem riscos... causas da crise, impedindo a sua reedição. dades políticas. Com a Espanha atrapalhadíssima aqui ao A palavra Bíblia vem do grego e signifi- E se as duas fases não se sucedem cro- Neste estado de necessidade, assente em lado e toda a Europa a antever recessões e ca livros, no plural. Em latim e, por deriva- nologicamente de forma pura, elas impli- factos mas também muito em factores psi- falências, resta saber até onde irão os efei- ção, em português, transformou-se num sin- cam-se, pois que só da sua conjugação cológicos, quem vai lembrar-se do passado tos negativos que a crise acabará por pro- gular feminino: a Bíblia como “O Livro”. pode resultar o restabelecimento da con- recente da governação de Sócrates, dos duzir em Portugal. Quem não estiver atento pensará que se trata fiança necessário ao funcionamento da péssimos indicadores sociais, do desempre- Manuela Ferreira Leite já mostrou que a de um livro como os outros. Na realidade, é, economia global. go, da contestação de rua, das meias refor- crise não pode ser um álibi para Sócrates, segundo o cânone católico, o conjunto de 73 Neste quadro, há que registar que o acor- mas, do Estado vulnerável, dos camionistas, por muito que o primeiro-ministro se agarre livros - uma pequena biblioteca -, e a sua do entre os países da Zona Euro do passa- da insegurança, das maleitas da justiça? desesperadamente a essa ideia: primeiro, redacção e formação prolongaram-se por do domingo, seguindo de perto o plano anti- Sabendo tudo isto, foi fácil ao primeiro- porque toda a gente sabe que o buraco por- mais de mil anos. crise britânico e definido em concertação ministo marcar o tom: responsabilidade, ri- tuguês era muito anterior, por obra e graça Assim, como reconhece o Sínodo dos gor, sentido de Estado, interesse público, dos governos PS; segundo, porque o álibi Bispos, reunido em Roma até 26 deste não enche barriga: os empréstimos para mês, para tratar precisamente da Bíblia, compra de casa não se pagam com álibis e o magno problema bíblico é o da inter- a subida do custo de vida também não. pretação. De tal modo foi possível, com Vasco Graça Moura base na Bíblia, fazer leituras díspares que DN 15/Outubro/08 o filósofo Hegel tem o dito famoso de que ela é como um nariz de cera, ex- A MUDANÇA pressão que já vem de Alain de Lille, no Desde a fundação da ONU talvez o apelo fim do século XII. à mudança seja o mais frequente, e de me- Dou exemplos, um pouco ao acaso, ape- nores consequências, com as resoluções da nas para mostrar, perante o emaranhado de Assembleia Geral facilmente ignoradas por- textos, a urgência da tarefa gigantesca da que são apenas directivas. Com frequência, exegese e da hermenêutica. os efémeros presidentes da Assembleia ini- No primeiro livro - o Génesis -, há duas ciam o brevíssimo mandato anunciando ur- narrativas da criação, que não são coinci- gências e alarmes, mas a estrutura absorve dentes. Logo por aí se vê que não podem no esquecimento os anúncios e os propósi- ser tomadas à letra. tos. Sobre o amor, encontra-se na Bíblia um O mesmo apelo à mudança transita para dos livros mais eróticos da história da litera- os programas dos governos estaduais, e tura: o Cântico dos Cânticos é um poema agora tem presença altamente ressonante que canta o amor de um homem e de uma no processo eleitoral americano, cujo povo mulher, com a sua expressão sexual, e não decide consequências para todas as latitu- são casados. Mas, no Levítico, lê-se: “O des e povos que não influenciam o proces- homem e a mulher adúlteros serão punidos so. No discurso dominante que ali marca a com a morte”; “Se um homem coabitar se- disputa pelo governo, foi acrescentado um xualmente com um varão serão os dois pu- As eleições nos EUA e o humor na internet esperançoso “podemos”, embora seja sufi- nidos com a morte”. Na Bíblia, ao lado de cientemente vaga a definição dos objecti- uma ética sexual do amor, da justiça e da com o próprio Governo de Gordon Brown, capacidade de decisão. E como nós, portu- vos a concretizar. (...) bondade, encontramos éticas da pureza e constitui uma preciosa janela de oportuni- gueses, gostamos disso, de um chefe, firme Adriano Moreira da propriedade. (...) dade para que se gere uma dinâmica da saída e seguro, bastando-nos, até, que apenas o DN 15/Outubro/08 a prazo da crise. (...) pareça! (...) Anselmo Borges Esta crise é assim uma janela de oportu- Não deixa de ser irónico que esta crise O “CRASH” E O PÂNICO DN 18/Outubro/08 nidade para julgar da vontade de reconhe- do sistema financeiro à escala mundial, que (...) Com efeito, já começaram a circular cer que o mundo global e interdependente tem parte da sua origem na morte generali- rumores que põem em causa a existência A LEI QUE RENDE em que vivemos é pertença de todos e não zada da política, do seu pensamento e da do euro... Num momento de tão grande cri- INJUSTIÇAS apenas a quinta de alguns. sua prática, vá servir para anular o pouco se - maior do que a de 1929 -, os líderes Creio que será possível manter a janela debate político-partidário que ainda esperá- políticos fracos, que nos governam, têm ten- (...) Numa altura em que se discutem aberta à espera de um novo inquilino na Casa vamos ver neste tempo pré-eleitoral. Iróni- dência a aceitar qualquer disparate na ânsia as rendas “incrivelmente” baixas das ca- Branca no começo do ano que vem. co e perverso. de esconder as suas fragilidades... sas da Câmara de Lisboa, um diploma com António Vitorino Maria José Nogueira Pinto A questão, como tenho dito e repetido, três anos atenta olimpicamente contra o DN 17/Outubro/08 DN 16/Outubro/08 não é remendar a crise e tentar salvar o princípio da igualdade. E, já agora, da ra- sistema, os banqueiros e os gestores que dele cionalidade: como pode um Governo di- CRISE E POLÍTICA ALIBIS se serviram é que são responsáveis. É mu- zer que quer incrementar o mercado de É sabido que no meio de uma grande cri- NÃO ENCHEM BARRIGA dar o sistema neoliberal, que nos conduziu arrendamento quando mantém em vigor se só conta quem manda. O cidadão co- (...) A irresponsabilidade e o espírito de onde estamos. Como? Regulamentando a uma lei que decreta a perseguição e o mum quer ouvir algo que o tranquilize e só o meia bola e força continuam a caracterizar globalização, introduzindo regras éticas es- sacrifício dos senhorios? Não é preciso tranquilizam decisões, não meras opiniões. a governação. É assim com o Magalhães. tritas, o que passa, necessariamente, pela decerto ser constitucionalista nem sequer Por isso, nas crises, conta o Governo e, nes- É assim com os atrasos na utilização do reforma do FMI, do Banco Mundial e da jurista para perceber que estamos peran- ta, conta Sócrates, que pediu o debate par- QREN. É assim com o reforço dos efecti- Organização Mundial do Comércio, inte- te uma aberração jurídica. O NRAU é lamentar da passada semana, transforman- vos das forças da ordem. É assim com a grando estas instituições obsoletas no uni- uma obscenidade em forma de lei, uma do-o na sua verdadeira rentrée política. lentidão da administração da justiça ou com verso das Nações Unidas, democratizan- lei que rende injustiça. E se nunca é tarde Valeu a pena ver e ouvir este debate para a prestação dos cuidados de saúde. É as- do-as, combatendo a corrupção, punindo os para reconhecer erros, a sua revogação entender muito do que se passa com o sis- sim com a segurança de pessoas e bens. culpados e acabando com os paraísos fis- virá sempre tarde de mais. tema político português. Tendo como pano Vai ser assim com os grandes projectos. cais, por onde passam tantas negociatas de fundo uma crise financeira com contor- Afinal nem tudo está pelo melhor no menos transparentes. (...) Fernanda Câncio nos perigosamente inovadores, de escala melhor dos mundos possíveis, como pan- Mário Soares DN 17/Outubro/08 global e um efeito de baralho de cartas - em glossianamente o Governo vinha afirman- DN 15/Outubro/08
  • 10. 10 CRÓNICA arte em café 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO …como um fósforo frio José Henrique Dias* notícia pela manhã, apanhado desprevenido, venha de- gorgolejava a fonte na gárgula de granito enegrecido. jhrdias@gmail.com pressa, senhor doutor, disse ao telefone a velha Engrá- Do bolso do colete tirou o relógio que viera do bolso do cia, ele que sempre fora tão forte, pensava, que forte colete do avô e tinha esmalte de horas romanas pendu- Caminhou às escuras pela velha casa. Já nem con- que nada, como é que se é forte quando se fica às radas da corrente de ouro. seguia lembrar-se quando fora a última vez. Por isso, escuras no meio das velhas casas ainda que se saibam Que tarde!, disse o eco a escorregar pela garganta. se calhar não era por isso, nem conseguia alinhar re- todos os recantos? A Mãe tem de ficar na parede da sala, também ele cordações. Caminhar às escuras é caminhar para den- Foi então que se lembrou que nas paredes não havia afinal nunca pensara as mulheres que não fosse pela tro de nós. Talvez tenha lido isto em algum lugar, jamais um só retrato de mulher. Havia uns óleos de quatro, lógica positivista que moldara a sua inteligência. Servi- saberia onde. Algum lugar será sempre o dentro de três gerações atrás, aqueles homens austeros, alguns am para dar filhos, cuidar da casa e não sabiam gover- nós, aí tudo se reinventa e ganha verdadeira existência. com fardas e comendas, também fotografias de outros nar-se pela sua cabeça. Por isso não sufragavam que Na velha casa sabia onde as paredes e os móveis e os de fartos bigodes jacobinos, mas nem um sorriso, um não fosse as almas dos mortos… lugares de tudo, do tempo da infância e de ir crescendo olhar transparente e acolhedor, a avó que ainda conhe- Mãe! com as pessoas lá dentro, o tempo, no tempo, pensou a ceu a fazer paciências intermináveis com umas cartas Foi procurar um velho amigo, famoso pintor, exímio reinventar Pessoa no chiar do frio neuronal, retratista. Pediu-lhe que pintasse o retrato no tempo em que festejavam o dia dos da Mãe. Viva. A estranheza não podia re- meus anos, mas estava ali na escuridão noc- cusar a tarefa da amizade. Que importava. turna e não sabia das velas e se soubesse Representa-se sempre o que não é. Para também não tinha fósforos nem isqueiro de ser. Todos os retratos são vidas paradas. que iriam servir as velas, o que precisava Seja na plasticidade dos óleos ou no instan- era caminhar por dentro da casa de dentro te de cristalizações fotoquímicas, em olha- de si mesmo, nem fósforos nem isqueiros res de nitrato de prata. nem velas nem chamas para esta escuridão A noite deslizava nas paredes da capela dentro das velhas casas onde fomos felizes mortuária e as velas derramaram toda a cera e se festejavam o dia dos anos e ninguém do último sopro nos pavios da despedida. estava morto, o Pessoa sabia falar tão inte- Não há racionalidade que resista. ligentemente destas coisas, e como estava O pintor ajeitou o cavalete, pousou o rec- escuro, meu Deus, porque disse tal coisa se tângulo da tela, levantou a cambraia que era ateu, meu Deus era a voz de outro tem- tapava o rosto. O silêncio cobriu-se de si- po com a Mãe sentada à beira das mãos a lêncio. Esboçou a oval onde tudo iria acon- tecer com gestos mágicos a renda para a tecer. Se houvesse música, seria certamen- colcha da cama quando se casasse, as mães te aquela balada que a Mãe tecia com de- prevêem tudo, até as colchas de renda para dadas de anjo no teclado do piano da sala quando casamos e as não colchas de não grande. Moderato cantabile. Talvez Liszt. renda para quando nos divorciamos ou ou- Sonata em Si menor. Ou seria… tra coisa qualquer, destas que os códigos As marcas das rugas enrugaram o tom transcrevem em geometrias mais ou menos violáceo da pele gelada. Pincelada a pince- euclidianas com os resultados que se sabem, lada, cada vez mais exactas até parecer. Um onde a palavra amor não aparece, alguém pouco abaixo dos seios. Em vestido de seda me ensina o código onde a palavra amor se azulado, ombros tufados e um cordão de ouro diz para resolver o estar ou o partir? com o relicário da madeixa de cabelos do Que escuridão na velha casa, aqui é a filho menino. Ele. cadeira do avô, chegou lá às apalpadelas, o avô senta- puídas, e a Mãe, com um rosto luminoso e olhos fundos É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um do a ler O Século e as notícias da frente de batalha que e negros e a pele de um moreno de jasmim se os jas- fósforo frio... a Censura consentia, isto agora vai, dizia às vezes, pen- mins fossem morenos, não havia uma só imagem da A Mãe era mulher e foi ficando distante. Tor- durado no cigarro enrolado em mortalhas Tango e onça Mãe fora da sua cabeça, agora que a deixara na cape- nou-se sábio e respeitável. de tabaco francês, senhor Avelino, o meu avô manda la mortuária onde ficaram sozinhos, ela muito hirta e Os olhos ficaram abertos como se viva. No ros- dizer que lhe venda uma onça de tabaco francês, de- deitada, ele a tocar as mãos gélidas, os dedos finos e to morto. pois vem pagar, e lá ia com o cilindro do tabaco empa- sem cor, sem teclas de melodias intermináveis aos se- Sentiu que os olhos não eram aqueles. Só ele sabia cotado, que pesava uma onça, só pode ser, tenho de ir rões, duas tochas a tremeluzirem lágrimas mordidas e como eram os olhos. Como fora possível esquecer tan- ver quanto pesa uma onça no sistema decimal, quantos pancadas nas costas de sinto muito, os meus sentimen- tos anos? Aqueles pareciam os dos peixes na gravilha gramas, dizia o professor, acentuando o grama, é mas- tos. Sentem o quê? Alguém me arranja aí maneira de de gelo das bancas das peixeiras. Na hora da escolha culino, venham cá dizer-me duzentas gramas e as mãos eu saber o que sinto nesta escuridão, pensou, quase a nos supermercados. Pelos olhos se vê se é fresco. Nunca até fervem, duzentos gramas, assim é que é. A onça gritar para as paredes escuras onde não havia um re- é fresco um peixe morto. vale cerca de vinte e oito gramas. Mais uns pozi- trato de mulher, alguém é capaz de me dizer como vou Nunca olhes os olhos dos peixes mortos, dissera-lhe nhos. Libra, Quintal, Arroba, Arrátel, Onça. Tantas guardar por quanto tempo aquele sorriso e o calor das um dia. Parecem rir-se de nós. Sorrisos em molho de vezes ouviu, ora uma ora outra destas medidas. O mãos que foram ficando cada vez menos corporizados escabeche. Guardados num mosqueiro. Antes de ha- quintal servia para o bacalhau. Sempre ouvira, um à medida que se fez homem, médico famoso, salvador ver frigoríficos, como na velha casa. As moscas poi- quintal de bacalhau. de outras esperanças, há alguém capaz de me dizer, sam sempre onde não devem. Deixam pintas pretas Como está escuro! Quatro passos para a direita, meu Deus, pensou de novo como podia pensar qual- nos olhos das mulheres que amamos. Ou seremos nós quantas vezes os contou, o contador de pau-santo, um, quer outra coisa, como posso não saber que os meus que as não sabemos amar? dois, esbarrou no contador de pau-santo, claro, os pas- olhos vão agora perder brilho, vão secar, ficarão como Nas paredes da velha casa apenas retratos de sos eram bem mais pequenos, mas será que ainda lá o grelado nas paredes da velha casa, onde não restará homens. Vigorosos como robles. Pesados como re- está a colecção de moedas do Pai? Olha esta, que bo- ninguém para pendurar o meu retrato? morsos. Afinal havia nele uma nesga para a ternu- nita, um dobrão, está impecável, mostrava o pai, a fo- Tentou encontrar a porta. Deixara-a entreaberta e ra. Ninguém diria. lhear as saquetas de papel vegetal onde se guardavam deu conta que os ratos sabiam todos os labirintos, cor- Era difícil abrir espaço para aquele retrato de com a mesma unção com que a avó guardava as page- riam no corredor do fundo, da carpete da sala de entra- mulher. las dos santinhos, os meus bentinhos, como dizia, tudo da sabiam o gosto dos desenhos persas, ritmados, geo- Ficou sobre a cómoda. Encostado à parede. Sem na velha casa e na escuridão tinha agora a luz das ter- métricos, misteriosos. vez. Há um ror de anos. nas recordações e fora ali porque era aquele dia da Havia luar pendurado no caramanchão do pátio e * Professor universitário
  • 11. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 COIMBRA 11 UM EXTRAORDINÁRIO ÊXITO EM COIMBRA Texto e fotos de Carina Martins Festa do Cinema Francês Philippe Barbry (Cônsul-Geral de França no Porto), Denis Delbourg Isabel Vargues (Directora do TAGV), Poiares Baptista (Presidente Paul Zimmerlin, Director da (Embaixador de França em Lisboa) e Henrique Fernandes do Comité da Alliance Française de Coimbra) e o Embaixador de Alliance Française de Coimbra, (Governador Civil de Coimbra), na recepção por este oferecida França, na sessão de estreia da Festa satisfeito com o êxito da Festa Ascendeu a cerca de cinco mil o número de espectadores que acorreram ao Teatro De registar que a aberura da Festa contou com a presença de destacadas personali- Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, para assistir à projecção dos diversos dades, entre as quais o Embaixador de França em Lisboa, a quem foi oferecida uma filmes integrados na 9.ª Festa do Cinma Francês, que decorreu na passada semana. recepção pelo Governador Civil de Coimbra. Um número impressionante, que espelha bem o êxito da edição deste ano, que assim De parabéns estão os elementos da organização, com destaque para o Director da registou mais do dobro dos espectadores da Festa similar realizada o ano passado. Alliance Française de Coimbra, Paul Zimmerlin. Por outro lado, esta presença massiva Para este sucesso invulgar terá contribuído a qualidade dos filmes exibidos (todos eles de público demonstra que os apreciadores da 7.ª arte acorrem às salas quando se muito recentes e alguns já premiados), mas também a boa divulgação do evento e as lhes proporciona o bom cinema francês, que tão arredado anda dos circuitos comer- condições de ingresso inovadoras e muito acessíveis. ciais em Portugal. Um exemplo que deve ser analisado pelas distribuidoras. AFIRMA O REALIZADOR JEAN BECKER EM ENTREVISTA AO “CENTRO” Para se fazer um bom filme é preciso saber contar uma história Aproveitando a vinda a Coimbra de Jean Becker, realizador do filme Cinema Francês, o Centro fez uma pequena entrevista a este reputado “Deux jours à tuer” (Dois dias para esquecer) que inaugurou a Festa do autor, que a seguir se transcreve: CENTRO (C) - Com a internet, o nião, o realizador francês mais dotado dvd, o home-cinema, considera que da sua geração é Jacques Audiard. De apesar de todo avanço tecnológico o qualquer forma tenho tendência para cinema pode ser salvo? não dar opinião sobre realizadores, mas Jean Becker (JB) - Salvo, certamen- sim sobre filmes, pois um realizador te que não. Existem, de facto, meios de pode fazer um excelente filme num ano, comunicação diferentes, penso que a e no ano seguinte um desastroso. Por sala de cinema continuará a existir com isso prefiro falar de filmes. mais dificuldades. O género de filmes C - Qual é o género de filmes que exibidos nestas salas vai possivelmente mais gosta? alterar-se, pois haverá filmes de gran- JB - Todos, até os maus. Quando me de espectáculo que só poderão ser vis- sento numa sala de cinema e penso que tos em grandes ecrãs, mas isso não irá o filme não é muito bom, fico sempre até impedir de fazer filmes que são justa- ao fim e acredito que irá acontecer qual- mente transmitidos em directo dos home- quer coisa, e essa coisa por mais pe- cinema, é uma forma diferente de ver quena que seja, não posso perdê-la. Às os filmes, talvez não seja a melhor for- vezes acaba por não acontecer nada ma. Pessoalmente, estou muito ligado à (risos). Quando digo todos os filmes é sala de cinema, à luz que se apaga, ao mesmo isso, não é qual o género de fil- grande ecrã, é mágico isso, é um mo- me, o que gosto é do cinema em geral. mento que não conseguimos ter nas Se eu tivesse que dar agora um conse- nossas casas com o home-cinema, por- lho aos jovens realizadores, certamen- O realizador Jean Becker quando falava ao “Centro”, na Quinta das Lágrimas que há o telefone, a campainha, o le- te que lhes diria que um filme é antes de vantar-se para beber um copo de mos que havia uma geração de cineastas noel de Oliveira? mais uma história, depois é uma histó- água… não existe concentração, como que “ocupavam bem o terreno.” Por outro JB - É decididamente um cineasta mui- ria e, finalmente, é ainda uma história. por exemplo quando vamos à missa, lado, penso que teve igualmente o seu lado to importante para a nossa época, para o Considero que é necessário estarem mais numa igreja, não se levanta a hipótese negativo porque as pessoas estavam um pou- cinema em geral. È bom que um homem atentos ao argumento, pois sendo mais de podermos ser interrompidos. co fartas de ver um tipo de cinema demasi- como ele exista. Não sou muito conhece- ou menos dotados, todos sabemos o que C - Qual é a sua opinião sobre a ado narcisista, isto é, existe muita gente cuja dor dos seus filmes, mas considero que ele é uma câmara, a técnica, etc, mas se “Nouvelle Vague” do cinema francês? vida não interessa ao público e os cineastas é uma mais-valia para o cinema. somos muito bons na técnica e não con- JB - Existiram aspectos positivos e ne- estavam demasiado concentrados nas suas C - Quais são os seus realizadores seguimos transmitir nada em especial, gativos. É certo que se abriram portas aos aventuras particulares. preferidos? se não conseguimos contar uma histó- cineastas mais jovens, pois na época, diga- C - O que pensa dos filmes de Ma- JB - É difícil… (risos) Na minha opi- ria, então não temos filme.
  • 12. 12 REPORTAGEM 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 EM CERIMÓNIA SOLENE REALIZADA EM PARIS, NO PALÁCIO DO LUXEMBURGO Cristina Robalo Cordeiro recebeu Patrick Gautrat, Cristina Robalo Cordeiro (a receber o Prémio), Anne-Magnant, actual Presidente do “Cercle Richelieu Senghor”, justificando António Costa Moura e Julien Kilanga a atribuição do Prémio a Cristina Robalo Cordeiro Destacadas personalidades da Cul- concedido a figuras de grande relevo De destacar as intervenções de Portugal em Paris, que manifestou o tura de diversos países (nomeadamen- mundial (como, por exemplo, ao anti- Anne-Magnant, actual Presidente do orgulho de ver uma personalidade por- te França, Bélgica, Suiça, Canadá, Lí- go Secretário-Geral da ONU Boutros “Cercle Richelieu Senghor”, que afir- tuguesa ser laureada com este Pré- bano, República do Congo, Espanha e Boutros-Ghali). mou ter havido unanimidade do júri na mio, e elogiou a brilhante carreira de Portugal), participaram na passada se- A cerimónia decorreu num dos lu- concessão do Prémio deste ano a Cristina Robalo Cordeiro (que é tam- mana, em Paris, na cerimónia solene xuosos salões do magnífico Palácio do Cristina Robalo Cordeiro, que classi- bém Cônsul Honorária de França e de entrega do “Prémio Cercle Riche- Luxemburgo, tendo usado da palavra ficou como “uma verdadeira humanis- Vice-Presidente do Comité da Alliance lieu Senghor” a Cristina Robalo Cor- diversas das individualidades presen- ta”, aludindo ao seu trabalho continua- Française de Coimbra). deiro, Vice-Reitora da Universidade tes, todas elas tecendo rasgados elo- do em diversas organizações interna- Patrick Gautrat, antigo Embaixador de Coimbra. gios à notável acção desenvolvida por cionais ligadas ao ensino universitá- de França em Portugal, Julien De referir que é a primeira vez que Cristina Robalo Cordeiro em prol da rio e à cultura. Kilanga,antigo Reitor da Universida- uma personalidade portuguesa é dis- língua e da cultura francesas, não só O governo português fez-se repre- de de Lumumbashi, no Congo, e o tinguida com este prémio, um dos mais em Portugal, mas em muitos outros sentar por António Costa Moura, Mi- Embaixador Bernard Dorin, actual prestigiados da francofonia, que já foi países. nistro Conselheiro da Embaixada de Conselheiro de Estado de França, fo- Aspecto parcial dos participantes na cerimónia de atribuição Um dos faustosos salões do sumptuoso Palácio de Luxemburgo, do Prémio Cercle Richelieu Senghor mandado construir por Maria de Médicis
  • 13. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 REPORTAGEM 13 “Prémio Cercle Richelieu Senghor” Cristina Robalo Cordeiro durante a palestra que proferiu após receber o Prémio Aspecto do jantar de homenagem a Cristina Robalo Cordeiro ram outras das entidades que usaram realçando a importância dos valores truir o deslumbrante Palácio do Lu- a decorrer, nessa altura, uma das ses- da palavra para manifestar o seu apre- transmitidos pela cultura francesa e xemburgo, ligado a momentos muito sões, apesar da hora tardia, que os vi- ço pela laureada. o papel destacado da francofonia no importantes da História de França e sitantes puderam seguir durante alguns Cristina Robalo Cordeiro, após re- Mundo, que importa preservar, termi- do Mundo. momentos, nas galerias destinadas aos ceber o Diploma e a Medalha deste nando por agradecer a distinção con- Após o jantar, alguns dos presentes convidados. prestigiante galardão, fez uma deta- cedida e as elogiosas palavras de que tiveram o privilégio de fazer uma visi- Enfim, tratou-se de uma jornada de lhada palestra em que começou por fora alvo. ta ao imenso Palácio, guiados por Jac- celebração da importância da franco- evocar o apreço pela língua e cultura Seguiu-se um jantar de homena- ques Golliet, um antigo senador tam- fonia, mas sobretudo de uma relevan- francesas que herdou de seus Avós e gam à laureada, durante o qual inter- bém presente na homenagem a Cris- te distinção a uma personalidade por- seus Pais e que começou, por isso, a vieram muitos dos presentes para te- tina Robalo Cordeiro. De registar que tuguesa, pelo que, importa reafirmá- cultivar desde criança, aludindo depois cer elogios a Cristina Robalo Cordei- no Palácio, para além da existência de -lo, se trata de um prémio que muito a diversos vultos que marcaram o seu ro – entre eles Marie Thérèse Bour- muitas preciosidades históricas (como, prestigia a laureada, mas também a percurso universitário em termos de bon-Parma, descendente directa de por exemplo, o trono de Napoleão) fun- Universidade de Coimbra e o próprio estudo, de investigação e de ensino, Maria de Médicis, que mandou cons- ciona o Senado de França, estando até País. Aspecto da sessão do Senado de França, que decorria O Palácio do Luxemburgo, em Paris, e uma parte dos seus magníficos jardins, na noite da entrega do Prémio no dia da entrega do Prémio
  • 14. 14 OPINIÃO 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 OPINIÃO J.A. Alves Ambrósio Angola em Saragoça (II) canto para mim: eu dou tudo sem quaisquer merece um respeito profundo, porque se cias virão. O colonialismo – e houve muito Quando se viaja vai-se exponenciada- reservas; é-me dado tudo sem quaisquer converteu. pior que o português, excepto na boca dos mente aberto para as surpresas, de olhos reservas. Melhor. Dou tudo exponenciada- Relembre-se, a esse respeito, a recente descendentes da ralé australiana – nunca arregalados ao máximo, para nada se per- mente; recebo tudo exponenciadamente. Foi conversão de Tony Blair. Uma pessoa vul- soube que “cá se fazem, cá se pagam” (se- der, para fruirmos ao máximo, aprendermos justamente o que me aconteceu, mal tinha gar, presunçosa, nem tem categoria para a não nós, os nossos descendentes), muito ao máximo de tudo quanto vemos. Mas, pisado o espaço do pavilhão angolano. E é exigência religiosa, nem para se pensar in- menos que só uma generosidade bem acei- quando vamos ter com alguém pela primei- da mais elementar justiça elogiar aqui esse tegrada, religiosamente. te leva à genuína felicidade. Ignorou (igno- ra vez, sabemos que levamos alguma pre- formidável calor humano das jovens Edna As relações fazem-se com humanidade, rava) que a Bíblia, o Corão, o Budismo, o paração. Um encontro de um humano com Adão e Jessica Gonçalves (ordem alfabéti- a mais acendrada. E é por isso que Sarago- Livro dos Mortos Egípcios e Tibetanos... são um humano tem, desde logo, como incoer- ca), que me cumularam de atenções. Deus ça é um absoluto desmentido, digamos, ao unânimes: se quer receber e ser rico há que, cível denominador comum a humanidade as abençoe para sempre. Mais. O seu alta- que pode ser percebido na imprensa lusa, antes, ser generoso. Adiante porém. que em cada um dos interlocutores existe. mente tocante acolhimento já, de algum uma automática negação do autor de blo- Após a conversa e o exaltante acolhi- Os meus ininterruptos mais que dois anos modo, o sentira com os elementos da selec- gue ou quejandos, que afirmam sujeição de mento da Edna e da Jessica o que se me de estada em Angola deram-me preciosas ção angolana de futsal que encontrara, du- Portugal a Angola. A uma tal criatura está deparou foi um conjunto de telas. Foi em- indicações. rante refeições, no “meu” hotel (Turismo). longe de passar pela cabeça que as rela- polgante, porque o supremo requinte que a Este calor humano tão característico do E, se é bem certo que tenho sorte em tudo, ções entre os dois países não apenas têm Arte é, ali estava, desde logo, a afirmar ri- português – ainda maior se se tratar de pes- mais uma vez as minhas expectativas fo- séculos de existência, como são muito mais queza interior e prosperidade material. O soas de baixa condição sócio-cultural que ram absolutamente suplantadas. profundas que alguma vez ele poderá ima- espaço do pavilhão era tão exíguo e as con- foram quem, durante anos e no geral, emi- Desde logo achei muito bem que uma ginar. “Vale mais uma pinga de sangue que dições de luminosidade tão insuficientes que grou para aquelas terras –, este calor hu- fotografia de José Eduardo dos Santos mar- uma arroba de amor”, diz o ditado; e, no não deu para extensas conclusões. Mas, mano, dizia, passou, evidentemente, para o casse presença. caso em apreço, são sangues aos milhares muito gratamente surpreendido, exclamei nativo. Mas o calor e a grandeza existiu, Depois de uma guerra de inenarráveis e milhares cruzados desde antanho. para mim mesmo: Angola está safa! Uma também, em portugueses de rara categoria, dilacerações, um País tem que sentir a exis- O mal do colonialismo não está em não conclusão foi-me, pelo menos, possível: a como, v.g., o egitaniense Eng. Crespo de tência de um símbolo e a comunidade inter- ter sido empreendedor e não ter deixado obra arte dos pintores angolanos em Saragoça é Carvalho. nacional impregnar-se bem de tal. E con- perdurável, sim no seu ocluso egoísmo. afirmação de consciência, vitalidade, extre- O encontro não podia ter sido mais fácil, quanto a Imprensa seja o que é – já nem Queria a abundância e a prosperidade cus- ma alegria e total confiança no futuro. porque os filhos de uma terra úbere são eles vou dizer que alguma é péssima em muitos tasse o que custasse (deportações, mortes, As contagiantes juventude e alegria, bem próprios intrínseca, admiravelmente, caloro- aspectos mas se crê uma excelência – e escravatura, trabalho forçado, latrocínio...), como o acolhimento, da Edna e da Jessica sos. Sem mais delongas baste ter em consi- conquanto a Imprensa não apresente o dis- ignorando que a fortuna, uma vez obtida, não são bem o que Angola é – uma presença e deração as suas danças, o seu folclore. curso profundo da Filosofia construtiva ou está definitivamente adquirida e que, se os uma afirmação. Relacionar-me desta maneira é um en- da religiosidade, José Eduardo dos Santos bens não se partilham, terríveis consequên- Guarda, 12-X-08 CARTA ABERTA AO COMANDANTE DA FORÇA AÉREA PORTUGUESA “Asas de Portugal” podiam ter feito melhor figura Exmo. Sr. cações, manifestei a minha desilusão – e a de Este é um aspecto importante a reter. As de- existirem – peço-lhe então desculpa por esta General do Comando Operacional muitos que assistiram. Mas desta investida cisões e circunstâncias de participação deve- carta aberta!... Havia limitações de 1.000 pés Força Aérea Portuguesa pude concluir, com espanto, que as Esqua- riam, pois, ter sido de excepção. Dir-me-á o de altitude para trabalharem? A Breitling jet Lisboa dras da FAP não fizeram mais, porque as não Senhor General, que essa não é a missão da team teve essas mesmas limitações? Se tive- deixaram… não tinham ordens para mais!... FAP mas apenas, e tão só, de marcar presen- ram, conseguiram mesmo assim dar es- Senhor General: Aí o meu espanto virou indignação!... Inda- ça. Para a acrobacia aérea temos os Asas de pectáculo! Se limitações houve junto da guei se as esquadras da FAP estão habilitadas Portugal!... Este raciocínio está errado, face FAP, então uma única saída se impunha, Escrevo-lhe na qualidade de cidadão e con- e se são mesmo capazes de proporcionar es- ao que acima lhe trouxe à colação. A despesa pelas razões acima aduzidas – não parti- tribuinte deste País. Estive no Porto, pela se- pectáculos idênticos ao da Breitling. – “Que era a mesma. cipar! – e publicitar essas mesmas ra- gunda vez, a assistir ao espectáculo da Red sim… e talvez mais, desde que haja ordens Sai de tudo isto uma imagem promocional zões junto dos media, para que os Portu- Bull – Air Race, publicitado a nível mundial. para tal!... Embora essa não seja a vocação positiva e de excepção para os estrangeiros gueses/contribuintes o soubessem. A Nele participaram duas esquadras da Força primária da FAP”. Na realidade, já assisti a da Breitling, em detrimento da nossa FAP, que, igualdade “de armas”, de oportunidades Aérea Portuguesa (FAP), com os F-16 e os festivais aéreos, onde a acrobacia das esqua- pelos vistos, é capaz de fazer tanto ou melhor na exibição, a par dos estrangeiros, im- Alpha-Jet. Como Português senti-me triste dras da FAP, e dos seus homens, brilharam e do que eles. Soube, depois, que não foram os punha-se como dever de protecção e de- com uma tal participação, pobre de conteúdo fizeram jus. Asas de Portugal (apenas 2 aviões) que par- fesa de imagem da FAP. e muito limitada em termos de espectáculo. Confuso, resolvi ali mesmo escrever-lhe ticiparam, mas sim 4 aviões Alpha-Jet, que Senhor General: a despesa estava feita e Ambas as esquadras se limitaram a fazer “pas- uma missiva, com estas reflexões pessoais. incluem instrutores dos Asas de Portugal, o seria a mesma. Mobilizar tantos meios e ho- sagens em formação” perante aquele mar de Aqueles milhares de pessoas presentes, esti- que é bem diferente. Também se impunha mens de Beja para Ovar apenas para passa- gente!... Comentei isto mesmo com vários veram ali para ver um espectáculo de acroba- uma informação detalhada junto dos jornalis- gens pobres de conteúdo, sinceramente, não espectadores no local, e o sentimento foi unâ- cia aérea, e não uma “parada militar” onde se tas, por parte da FAP, para que não seja de- valeu a pena! Poder-se-ia ter feito muito mais, nime – frustração e desilusão como Portu- justificaria plenamente a tal “passagem aérea turpada a veracidade da informação que se com os mesmos meios!... Haveria que agar- gueses. Sobretudo porque houve termos de em formação”, como símbolo de presença. difunde, como aconteceu na SIC. Os seus rar esta oportunidade única, de forma a pro- comparação com uma esquadra privada da Neste caso, trata-se de uma verdadeira situa- homens dos Asas de Portugal até podem sen- mover a nível mundial aquilo que é nosso, Breitling. Essa sim, deu um verdadeiro festi- ção de excepção, oportunidade única para pro- tir-se “ofendidos pela informação/imagem er- bem Português. A imagem da FAP sairia jus- val de acrobacia aérea! Aos micros da TV, mover uma imagem positiva de todos os que rada que deles foi difundida pelos media. Nes- tificada e fortalecida, porque mais próxima um comentador da SIC limitava-se a dizer nela participam, mesmo que nos intervalos tas circunstâncias, porque não apareceram do público, dos Portugueses, que gostariam dos Asas de Portugal/Alpha Jets enquanto da competição. E isto era o que o público também os helicópteros Rotores de Portu- de comparar as suas Forças Armadas/FAP, o estes se exibiam – “uma participação algo esperava encontrar, ver e apreciar, para valo- gal? Se os Asas de Portugal estão prepara- seu orgulho e “ego” nacionais, face ao que pobre… limitaram-se a mostrar-se e a voa- rizar um pouco o brio, o orgulho e o “ego” dos para fazer acrobacia porque não o fize- vem de fora! Diriam no final, sem rodeios e rem em formação!...” de ser Português e da sua FAP. Nestas cir- ram?... estas exibições teriam sido, sem dú- com ênfase – a nossa FAP também brilhou!... Neste estado de espírito, desloquei-me até cunstâncias, a actuação da FAP deveria tam- vida alguma, um êxito! E não disseram! ao padock/boxes dos aviões em Matosinhos, bém ter sido de excepção, de marketing e pro- Se, porventura, estas restrições/limitações em busca de uma explicação cabal para o su- moção positiva de uma imagem pública, para de participação da FAP em igualdade de cir- Creia-me sinceramente cedido. Era patente um sentimento de frus- justificar a sua existência e os seus avultados cunstâncias no evento, foram impostas pela tração e até uma certa indignação! Pedi expli- investimentos, junto do Povo contribuinte. Organização/Red-Bull – que eu não acredito Nuno Carvalho
  • 15. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 “GRUPO DE TORDESILHAS” REUNIU NO PORTO Portugal, Brasil e Espanha debatem reconhecimento António Brotas Professor Catedrático de doutoramentos feitos nos 3 países Jubilado do Instituto Superior Técnico A possibilidade de iniciar um dou- versidade Politécnica de Madrid. toramento em Portugal, continuá-lo no O Grupo de Tordesilhas reúne 29 Uni- Brasil e terminá-lo em Espanha este- versidades, 21 brasileiras, 12 espanho- Os ve em discussão até ontem (terça-fei- las e 6 portuguesas, estando prevista a ra) no Porto, na Reunião Anual do Gru- entrada de mais três para o grupo. computadores po de Tordesilhas, que junta Reitores “Desejamos firmar uma relação que de Universidades dos três países. não seja bilateral mas que envolva gru- e a escola “Neste encontro queremos definir pos de universidades de Portugal e Es- a missão do grupo e discutir a criação panha”, disse Malvina Tuttman, Rei- de escolas doutorais que permitam o tora da Universidade Federal do Es- Vão os computadores contribuir doutoramentos e o reconhecimento do tado do Rio de Janeiro. para tornar as novas gerações mais grau nas universidades dos três paí- Desde da sua criação, em Junho de inteligentes, ou para as tornar mais ses”, disse José Marques dos Santos, 2000, em Tordesilhas, o Grupo levou estupidazinhas? Reitor da Universidade do Porto. a cabo várias acções e projectos com É uma pergunta a que não sei res- Com a criação das escolas douto- o objectivo de “promover a mobilida- ponder. rais, os estudantes dos três países po- de entre os estudantes e docentes”. Ou melhor, acho que é a questão dem iniciar o doutoramento num país “Têm sido desenvolvidas várias ac- central da Educação do futuro e que e terminá-lo noutro, obtendo um du- ções importantes como a criação de exige estudos e discussões muitíssi- plo título, reconhecido nos respectivos um grupo de enfermagem que envol- mo aprofundadas. países. ve todas as universidades dos três Para já, sugeriria que, nas esco- “Estas escolas vão permitir mais países onde o curso de enfermagem é las, os estudantes (e professores) oportunidades de mestrados e douto- leccionado”, disse a Reitora. fossem absolutamente proibidos às ramentos para os estudantes, uma vez Portugal liderou durante este ano o terças e quintas feiras de olhar para que os alunos têm ao seu dispor uma grupo de Tordesilhas, sendo que des- um ecran de computador. maior mobilidade entre os três países”, de ontem a liderança fica a cargo de explicou Javier Antolin, Reitor da Uni- Espanha. OPINIÃO Os professores João Louceiro * regressam à rua! Oito meses depois, a oito de Novembro, luta obrigou o ME a assinar com os sindica- porcionar em Fevereiro de 2005. os professores vão voltar à rua para uma tos sobressaem aspectos relevantes que se Mas é preciso que se diga: os professo- Manifestação Nacional onde será retoma- prendem com a avaliação. Foi ele que adiou res cometeriam um erro fatal se se entre- da a expressão da indignação, do justificado a aplicação do decreto que já estava publi- gassem ao “ram-ram” da aplicação confor- desacordo por demasiadas medidas do Go- cado em Janeiro, isto é, retirou do terceiro mada e da facilitação presentemente dese- verno e da defesa de uma profissão e da período os problemas que hoje se vivem por jada pelo ME para a avaliação com que os Escola Pública atacadas até ao insuportá- tal via nas escolas: primeiro com uma apli- quer tramar… Até ao momento da altera- vel pela equipa do Ministério da Educação cação que, devendo ser uniforme e mini- ção da avaliação do ME é preciso manter (ME). Os professores regressam à rua, re- malista, incidiu apenas sobre 8 % dos pro- uma vigilância e uma crítica totais sobre o lançando também aí a luta no presente ano fessores e não sobre os 140 mil que estão rigor do que é feito; é preciso denunciar tudo lectivo, ano que vai ser de embates duros e no sistema; depois, já para este ano lectivo, o que provocar dificuldades, atropelos ou in- decisivos onde, não esqueçamos, já não fun- com a adiada concretização do diploma de justiças; é preciso, sem dúvida, manter bem cionará apenas a prosápia e a arrogância Janeiro mas em condições que não são as alta a expressão de rejeição perante um da maioria absoluta mas também apertos que o ME então decidiu. modelo de avaliação tão torpe. E afirmar governamentais impostos pela aproximação Assim, a aplicação da avaliação do ME outro, alternativo, tal como a FENPROF de eleições. far-se-á com a garantia de que da maqui- propôs aos professores portugueses no dia Vinquemos já hoje a importância da for- nação não vão resultar as penalizações pre- 8 deste mês! ma e da força com que iremos continuar as vistas no decreto para quem seja atingido Só assim teremos força para dar uma nossas lutas! Para além das oportunidades por menções de Regular ou de Insuficiente. volta nisto. Só assim poderemos, também, de rupturas nas lamentáveis opções políti- A aplicação vai poder ser acompanhada pelo dar as nossas indicações para políticas al- cas do Governo e da maioria que o suporta, olhar de quem representa os professores, ternativas nestas áreas. da força com que exprimirmos as nossas isto é, os seus sindicatos, já que o ME teve Oito meses depois, em Lisboa, os posições surgirão também as possibilidades de aceitar a criação de uma Comissão Pari- professores vão à rua, manifestar-se. de que seja inscrito o que propomos como tária para o efeito. Por último, talvez o mais Até para quem quis confundir os re- alternativas políticas subscritas por outros pertinente: o ME viu-se obrigado a acei- sultados da luta do ano lectivo passa- partidos que hoje se opõem, ou dizem opor- tar que ficasse já marcada a alteração da do com o fim dela, o sinal está aqui! É se, à governação do PS de Sócrates. sua tenebrosa avaliação de desempenho, um primeiro passo neste ano lectivo; São muitos os motivos que empurram os em face do comportamento do monstro que seja um passo em grande. Um professores de volta à rua. Mas centremos que gerou… passo necessário para talhar o futuro a atenção na questão da avaliação de de- Que me desculpem os detractores do mas necessário também porque o su- sempenho que o Governo forjou para redu- Memorando de Entendimento… É que não foco que este Governo impôs nas es- zir custos com salários de docentes e, na é pouco o que acabo de referir e mais é se colas nos obriga mesmo a vir para a mesma penada, para forçar a “domestica- tivermos em conta as condições de exercí- rua gritar! ção” da sua classe profissional. cio do poder governativo que, erradamente, Do Memorando de Entendimento que a demasiados portugueses acabaram por pro- * Professor e dirigente do SPRC
  • 16. 16 DIA MUNDIAL DA POUPANÇA 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 “DIA MUNDIAL DA POUPANÇA” CELEBRA-SE A 31 DE OUTUBRO Crise deve estimular o aforro apesar das dificuldades para muitas famílias sobreendividadas Celebra-se a 31 de Outubro (sexta- Os registos da Deco traduzem ape- ço de um ano 892 pedidos de ajuda. O último Boletim Estatístico do Ban- feira da próxima semana), o “Dia Mun- nas os casos em que ainda é possível in- O acesso facilitado ao crédito, o pou- co de Portugal revela que, em Agosto, o dial da Poupança. tervir no sentido de ajudar a reestruturar co conhecimento em relação a várias crédito de cobrança duvidosa atingia 2,21 Trata-se de uma efeméride em cuja a situação de endividamento, dado que componentes do crédito, a agressivida- mil milhões de euros, mais 0,63 por cen- origem esteve o propósito de alertar os há muitos consumidores que recorrem à de de muitas campanhas contribuem to face ao mês anterior e qua- consumidores para a ne- cessidade de controlar as se dois por cento mais que o despesas e de amealhar al- mesmo mês do ano passado” gum dinheiro, para fazer Estes eram, repete-se, os face a despesas inespera- dados já preocupantes publi- das, mas também para evi- cados o ano passado. tar situação de sobreendi- Infelizmente, a situação vidamento. este ano é ainda bem mais A verdade é que, mais complicada, como consequên- do que nunca nas últimas cia da crise que está a afec- décadas, o endividamento tar a economia de todos os pa- está a crescer de forma íses do Mundo. muito preocupante e certa- O ano passado, e para as- mente será esse facto a sinalar este Dia Mundial da dominar este “Dia Mundi- Poupança, a Secretaria de al da Poupança” Estado de Defesa do Consu- O ano passado, em tex- midor fez algumas recomen- to publicado pelo jornal dações, como “a necessidade “Público” para assinalar de os portugueses desenvol- esta efeméride (da autoria verem hábitos de gestão e de de Rosa Soares), referia- poupança, e de hierarquizarem se que “há um aumento as suas necessidades para crescente de famílias a en- não perderem a cabeça”. Em trar em ruptura financeira situações de excesso de endi- e, na sequência disso, em vidamento e antes de contrair conflitos familiares e soci- novos empréstimos, a Secre- ais”. taria de Estado recomenda a E o artigo acrescentava: consulta dos dois centros de “O aumento de pedidos apoio ao consumidor (Deco - de ajuda aos gabinetes de tel. 21 3710200 e GOEC - 21 apoio aos consumidores 3925942). endividados é revelador. Sublinhava ainda o cuida- Até final de Setembro, o do indispensável na aplicação Gabinete de Apoio ao So- de poupanças, uma vez que breendividado da Deco re- algumas dessas aplicações ti- gistou 1092 pedidos de aju- nham riscos associados. associação, mas já com dívidas em lití- para a acumulação de vários créditos em da, mais do que os 905 pedidos recebi- Um alerta bem avisado, como se viu. gio judicial, o que impossibilita esse apoio simultâneo e ao aumento de situações de dos ao longo de todo o ano de 2006. O A verdade é que, mesmo com a situa- e os retira dessa estatística. Para estes sobreendividamente e de incumprimen- número de pedidos de ajuda ao gabinete ção de crise que se atravessa neste final casos, a associação presta outro tipo de to. Estas situações agravam-se quando da associação de defesa dos consumi- de 2008, ou sobretudo por causa dela, ajuda, como o acesso a apoio judiciário. surgem problemas de desemprego, divór- dores não tem parado de aumentar. Em mais do que nunca é indispensável ten- Outro gabinete apoiado financeira- cio e doença. O recente aumento das ta- 2005, um universo de algo mais de 700 tar fazer poupanças, contendo despesas mente, desta feita, pelo Governo, o xas de juro também contribui para o agra- pessoas tinham recorrido a este depar- e escolhendo aplicações seguras para o GOEP, a funcionar no ISEG e criado em vamento das dificuldades dos consumi- tamento de aconselhamento. que se conseguir aforrar. finais do ano passado, recebeu no espa- dores.
  • 17. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 SAÚDE 17 AINDA OS EFEITOS DA GUERRA COLONIAL 150 mil homens ingerem fármacos por sofrerem de stress pós-traumático 150 mil antigos combatentes na O projecto vai ser apresentado ao Guerra Colonial ingerem fármacos por Programa Pares, do Ministério da So- sofrerem de stress pós-traumático, dis- lidariedade. se o médico que preside à Associação Embora sem números precisos, o Portuguesa de Veteranos de Guerra presidente da Associação de Vetera- “Cerca de 150 mil homens, antigos nos de Guerra, afirmou que existem militares nas ex-colónias portugueses, “centenas de ex-combatentes a viver estão a tomar fármacos para minorar em condições precárias e até alguns os efeitos do stress de pós-traumático sem-abrigo”. de guerra”, disse à Lusa Augusto Frei- Com um complemento de reforma tas, médico e presidente da APVG - anual, que no máximo, atinge os 150 Associação Portuguesa de Veteranos euros pagos numa prestação única, os de Guerra. ex-combatentes querem mais ajuda do Anteontem (segunda-feira), come- estado. morou-se o Dia do Veterano de Guer- “Quando fomos para a guerra fomos ra com uma reunião de antigos solda- com bilhete de ida e volta mas houve dos, em Guimarães. muitos que nunca voltaram”, frisou Au- A ajuda prestada aos ex-soldados gusto Freitas. que sofrem de stress de guerra é uma Os antigos combatentes já reuniram das prioridades da organização sedea- 3.500 mil assinaturas numa petição, exi- Mais de 30 anos depois a Guerra Colonial continua a fazer vítimas da em Braga e com 50 mil associados. gindo ao Governo o regresso dos cor- “São 150 mil homens que, para além ra, tem por base as consultas de psi- qualquer rede de antigos combatentes pos 3.200 militares que ainda perma- do apoio clínico, ainda recebem outros quiatria, clínica geral e de psicologia ou que recorrem apenas aos centros necem em cemitérios de Angola, Gui- tipos de ajuda como a terapia individu- prestadas nas várias delegações da as- de saúde”, salientou o responsável pela né e Moçambique. al, familiar ou de grupo”, referiu, à mar- sociação bem como em outras entida- APVG. “Desde 1975 que ninguém fez nada gem do encontro, Augusto Freitas. des ligadas aos antigos militares. A associação é detentora de um ter- por este corpos que podem e devem O número, avançado pela Associa- “Este número não engloba os ex-sol- reno em Braga para construir um Cen- ser transladados para Portugal” - la- ção Portuguesa de Veteranos de Guer- tados que estão em tratamento fora de tro de Dia e um Lar com 130 camas. mentou. Poluição dam por aí e cujas fontes são as mais varia- Massano das, muitas das quais são menosprezadas Cardoso ou desvalorizadas por responsáveis políticos e económicos. Mas não chega. Temos que A poluição constitui, desde há muito tem- ir mais longe, à barriga da mãe, não para po, um dos principais problemas que tem que estes últimos possam mudar de ideias, afligido a Humanidade. Presentemente, a mas para evitarmos que crianças inocentes situação agrava-se a olhos vistos. Todos sejam vítimas de algo para que nunca con- os esforços para conseguir que determi- tribuíram. E, a este propósito, o que se está nadas substâncias não ultrapassem certos a passar na China é paradigmático da viola- valores de “segurança”, começam a reve- ção dos direitos dos seres humanos. Um lar que são insuficientes, para não falar de crime de lesa-majestade, fruto de falta de actividades criminosas ligadas à criação de escrúpulos, de interesses económicos mas alguns produtos. também da ausência de vigilância adequa- As crianças que nascem nos dias ac- dos e um risco acrescido de excesso de peso muitos de nós não estão “preparados” para da por parte das autoridades, colocando as tuais comportam à nascença mais de uma em crianças, depois de controlados todos os viver neste estranho e poluente mundo. As- crianças e os pais numa situação delicada e centena e meia de compostos, muitos de- outros factores que lhe estão associados, sim, os que são diabéticos e os que se pre- angustiante. Para quem fez e construiu os les perigosos, tradutores de uma verda- nomeadamente alimentares e socioeconó- param para o ser – e são tantos, meu Deus! últimos Jogos Olímpicos, para quem é tão deira “poluição uterina”. Ainda não viram micos. Mesmo nos adultos, o risco de so- – têm de se preocupar não só com os seus eficiente em calar e cercear a liberdade das a luz do Sol e já estão a sofrer os efeitos frer diabetes aumenta quando ocorre expo- hábitos alimentares e exercício, mas tam- pessoas, melhor fora que protegesse os seus dos que já cá andam! A culpa não é das sição aos denominados POPs (poluentes bém com a exposição a poluentes que an- cidadãos e sobretudo as crianças. mães, naturalmente, já que adoptam as orgânicos persistentes), também conhecidos devidas medidas para alimentar e prote- pelos “doze malditos” e que foram objecto ger os seus rebentos. A culpa é do que da Convenção de Estocolmo. É muito curi- respiram e do que comem. oso este achado, porque sendo a diabetes Muita da investigação que tem sido feita do adulto uma consequência de inadapta- aponta para os riscos que correm as crian- ção biológica de um organismo face à abun- ças expostas durante as fases mais críticas dância e sedentarismo, mas que foi indis- do seu desenvolvimento. Recentemente, foi pensável para a sobrevivência da espécie demonstrada uma associação entre a “po- humana nos longos períodos de carência, luição uterina” por compostos organoclora- venha agora demonstrar, mais uma vez, que
  • 18. www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 çadas de um dos cantos da “Praça Ver- qualquer deles está com desconto de 100 nem sequer um carro de lavagem. melha”, respondíamos com esta “arma”: euros Ontem, finalmente, teve direito a lim- os versos de Adriano. Cantados (ou me- Ou seja, o que era vendido antes a 699 peza. lhor, gritados) do fundo do coração. custa agora 599. E o que era vendido a Pela mão dos Sapadores e com a Bons tempos. 599 agora tem o preço de 499. ajuda da PSP. A compra de qualquer dos televisores (publicado em 13/10) Mário Martins (Hoje é igualmente tempo de resistên- parece ser um bom negócio. cia – aos que querem uniformizar os gos- Hoje em dia, no entanto, não se deve CASAS EM LISBOA tos e os pensamentos, aos que tendem a fazer nenhuma compra sem recorrer à «Em 4.222 casas, lojas e ateliês ELEIÇÕES NOS AÇORES calar as vozes discordantes, aos que nos Internet, para comparar preços e ler as cedidos pela Câmara Municipal de Hoje sinto-me açoriano. querem transformar num País e num opiniões de quem já possui os produtos Lisboa, por cedência e arrendamento Sinto-me um daqueles 55% por cento Povo sem memória, nem valores. Resis- em que estamos interessados. habitacional e não habitacional, 83 que não apareceram para votar ou, se o tiremos!) E foi precisamente aqui que «a porca por cento têm aplicadas rendas men- fizeram, votaram branco ou nulo. (publicado em 16/10) torceu o rabo»... No “site” do fabricante sais de valor inferior a 50 euros e 29 Verdadeiramente, verdadeiramente, apercebe-se que os dois televisores têm por cento contam mesmo com uma ren- sinto-me um daqueles 53% que não se MAGALHÃES: A FRAUDE o mesmo «preço de venda recomenda- da inferior a cinco euros por mês.» deram ao incómodo de ir votar. «Foi anunciado como o primeiro do» (no caso, 620 euros). O quê?! Então (in “Correio da Manhã” de hoje) Acho que esta é a melhor atitude pos- computador português, mas não é bem um não era (e é) mais caro 100 euros do sível na democracia (triste) em que vi- assim. O Magalhães é originalmente que o outro?... Não. Portugal é um mar imenso de cor- vemos. o Classmate PC, produto concebido Volta ao “Outlet” e alerta para a situ- rupção. (publicado em 20/10) pela Intel no sector dos “netbooks” ação. Informam-no que podem existir Começa a ser necessário outro “25 de (...). Tirando o nome, o logótipo e a «erros de marcação» e sugerem que volte Abril”. Rapidamente. PORTUGAL, PAÍS CORRUPTO capa exterior, tudo o resto é idêntico no dia seguinte. (publicado em 11/10) Ontem à noite, na SIC Notícias, a pro- ao produto que a Intel tem estado a Assim faz. Existira mesmo um erro: o pósito do prolongamento da concessão a vender em várias partes do mundo televisor que alegadamente teria estado JORNADA FINAL uma empresa do grupo Mota-Engil (pre- desde 2006. Aliás, esta é já a segun- à venda por 699 euros, afinal tinha tido o sidido agora por Jorge Coelho, “homem- da versão do produto.» (in “Portugal preço de 639. Mas no “Outlet” manti- forte” do aparelho socialista), prolonga- Diário”) nha-se nos 599. O “desconto” de 100 mento que o Governo fez sem qualquer (publicado em 16/10) euros baixara para 40 euros. concurso público, Helena Roseta pergun- No dia seguinte, o cliente volta ao tou: «Já não há sequer vergonha?» GASOLINA: O ESCÂNDALO “Outlet”. Nova mudança de preço: o te- Pouco depois, ainda na SIC Notícias, DOS PREÇOS levisor mais caro já só custava 579 eu- uma procuradora da República afirmou ros! O outro continuava nos 499 euros, que a corrupção em Portugal começa a Fuentes de Oñoro (fronteira) impávido e sereno, enquanto o colega do ser do tipo da Máfia italiana. gasolina 95: 1,070 lado ia sofrendo trocas sucessivas. Pela minha parte, faço a “pergunta gasóleo: 1,085 (Recorde-se que o fabricante reco- habitual”: e ninguém vai preso? menda o mesmo preço de venda para Coimbra um e para outro). (Já é tempo de aparecer em Portugal gasolina 95: 1,399 Em conclusão: o cliente, cansado de um juiz da “estatura” de Baltazar Gar- gasóleo: 1,274 tantas trocas-e-baldrocas, decide com- zón, que mande alguns “figurões” para a prar o televisor (o mais caro dos dois) cadeia. Ou, então, que volte a aparecer Em Espanha, aqui ao lado, o gasóleo noutro lado. um grupo de militares...) é mais caro do que a gasolina 95 sem (publicado em 15/10) (publicado em 17/10) chumbo (0,015 por litro; ou seja, cerca de 3 escudos). ORÇAMENTO 2009 TROVA Em Portugal, a gasolina 95 sem chum- É o “grande tema” do momento. O campeonato da “Jornada” acabou DO VENTO QUE PASSA bo é mais cara do que o gasóleo (0,125 A par do facto do ministro ter chega- na ronda n.º 19, no passado sábado. por litro; ou seja, cerca de 30 escudos). do atrasado ontem e do ministro ter che- Amanhã... já não há. Confesso que não consigo compreen- gado atrasado hoje. Nesta hora triste, envio um abraço der. Haverá alguém que me explique? (Os atrasos em questões de Finanças, solidário ao Nuno Dias e ao Afonso de (publicado em 16/10) normalmente, não são bom prenúncio.) Melo. Quanto ao documento... acredita O Nuno é amigo desde os tempos (glo- QUE TRAPALHADA! quem quer. riosos) do arranque do primeiro diário Aí está mais uma (grande) trapalha- (Já que falamos de Ministério das Fi- desportivo português. Há mais de 20 da do Governo de Sócrates. nanças... O cidadão que requereu o “car- anos, portanto. A entrega do Orçamento de Estado tão de contribuinte” em Fevereiro ainda O Afonso conheci-o pessoalmente no para 2009 redundou numa novela ter- continua à espera! É apenas um sinal de último jogo da selecção, em Alvalade ceiro-mundista. como vai o país.) (Portugal-Dinamarca), faz hoje precisa- Confirma-se que entre Santana e (publicado em 15/10) mente um mês. Sócrates as diferenças são apenas de Depois do jogo fomos os três para estilo. FINALMENTE! as instalações do jornal, acompanha- Adriano Correia de Oliveira Entretanto, Portugal continua a cami- dos em parte da curta viagem pelo (9/Abril/1942 - 16/Outubro/1982 nhar para o abismo. António Florêncio – uma conversa Pobre país. muito agradável, até à hora do “Ex- Já agora... (publicado em 15/10) presso” de regresso a Coimbra. «Mesmo na noite mais triste / Em tem- Como singela homenagem à cora- pos de servidão / Há sempre alguém que OUTLET: CUIDADO! gem do Afonso e do Nuno, guardo a resiste / Há sempre alguém que diz não» Ao entrar num “Outlet” não pense que partir de hoje aqui no blogue a “capa” Ainda hoje recordo a forma como es- vai encontrar “bons preços”. da última edição do jornal e os textos tes versos eram cantados no Largo da Pode encontrar ou não. (“editoriais”) que ambos lá publica- Sé Velha, em 1977 e 1978, quando se Imagine que se interessa por dois te- ram. iniciou o movimento de recuperação das levisores e decide “investigá-los”. São A vida é assim. tradições académicas coimbrãs. ambos da mesma marca. Amanhã já não tenho o “meu” sema- Confrontados com as provocações, as Olha as etiquetas e vê que um custa Há 18 anos que moro nesta rua. nário desportivo. agressões, as garrafas cobardemente lan- mais 100 euros do que o outro, mas que Nunca por lá passou um varredor, (publicado em 10/10)
  • 19. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 MÚSICA 19 Distorções On Me” ou, mais recentemente, “Pja- noo”. Acrescentando, ainda, que pen- sa mesmo editar uma série de temas mais dançáveis, mas não os irá assi- nar para evitar que os seus fãs ape- nas os oiçam ou elogiem, porque são José Miguel Nora fãs da banda de que é baterista, mas josemiguelnora@gmail.com que o sejam única e exclusivamente porque os mesmos têm qualidade, nem Esta semana é do NME (New Mu- que para isso tenha de ir actuar com sical Express), de que vamos conti- uma máscara. O primeiro tema da sua Never Dies”, que além de conter imagens de alguns concertos dos Soulwax, tem, também, um docu- mentário que relata a sua vida nos últimos tempos, entremeando os dj-sets como 2 Many Dj´s, com as actuações dos Soulwax e a produ- ção e remistura de novos temas. nuar a falar, ou melhor, dos seus arti- autoria é “Dreamer” – que conta com Edição esta que traz um cd bonus. gos e dos artistas de que por lá se vai a “ajuda” de Nesreen Shah nas vozes “falando”. Em primeiro lugar, não pos- – e vem incluído na mais recente com- PARA SABER MAIS: so deixar passar em branco uma en- pilação “Late Night Tales” cuja selec- trevista com o baterista dos Arctic ção é da sua autoria. – “Late Night Tales – Compiled by Monkeys, Matt Helders, em que o Já que falamos em autores que as- Matt Helders of Arctic Monkeys” mesmo afirma que quer ser um dos sumem não ter assinado alguns dos (Azuli) djs mais populares dos próximos tem- seus temas ou, mesmo, tê-los assina- pos e ter uma notoriedade semelhan- do com um nome falso, lembro-me dos – Soulwax - “Part Of The We- te à de que goza actualmente Eric belgas Soulwax, que, em entrevista, ekend Never Dies” (Pias) Prydz – que, além de um reconhecido também ao NME, assumem isso mes- dj, é autor de alguns dos maiores “hits” mo, numa altura em que acabam de www.nme.com das pistas de dança, como sejam: “Call editar o dvd “Part Of The Weekend www.soulwax.com 100 ANOS DE FADO DE COIMBRA - CANTAR COIMBRA Novos discos dos Antigos Orfeonistas Nuno Carvalho da Universidade de Coimbra Saudade dos amigos, do palco, das viagens, Quando há dias o meu cunhado José do convívio, das longas conversas de via- Miguel Baptista me entregou em 1ª mão gens semanais ao longo de 17 anos!… Esse, os novos CDs dos Antigos Orfeonistas da é o preço da distância, da falta dos com- Universidade de Coimbra(AOUC) para pagnons de route. ouvir, foi com um misto de nostalgia e Todos nós, Antigos Estudantes de Coim- apreensão que os auscultei de rajada! Para bra, contribuímos para a diáspora da cultura quem como eu, esteve ligado a esta Asso- e música Coimbrã, cada um à sua maneira. ciação desde a sua fundação desde 1980 É um imperativo cultural e artístico e os até 2006, é sempre difícil fazer uma crítica AOUC são disso exemplo vivo. Muitos, vêm serena ao trabalho que agora vem a lume, regularmente de longe para os ensaios e os que poderá ser entendida como parcial e espectáculos. Na realidade há aqui um cer- viciada à partida. to mistério, utopia, senão mesmo até místi- A apresentação gráfica deste trabalho ca! Quantas canseiras e noites sem dormir!... com seus 3 CDs, onde predomina o negro, Uma palavra de apreço e admiração, pelo convida à reflexão e a penetrar mais pro- trabalho de mistura e masterização levada fundamente na realidade artística que lhe a cabo pelo Heinz, um dos Orfeonistas, em está subjacente – a Música de Coimbra na ro impacto visual de palco, onde se salien- fundo. O caminho das óperas e da música todo o trabalho. É na realidade verdadeira- sua vertente Coral e de Fado. Para o Côro tam os solos individuais e colectivos com (e clássica, será sempre mais ingrato e difícil mente notável o equilíbrio entre todos os ins- dos AOUC, penso ser este o caminho cer- na) Música de Coimbra!... É esta, a he- de trilhar, atentas as limitações humanas que trumentos da orquestra, as guitarras, as vo- to, onde poderão tirar mais partido de vários rança histórica que lhe veio do velho Or- a força as idades impõe e as comparações zes e a calibragem conseguida. Nos fados factores intrínsecos à sua realidade huma- feon Académico que importa salientar, pro- que sempre surgirão. e nos solos, as vozes estão ali mesmo, à na e artística – côro de vozes masculinas, mover e divulgar – imagem própria, sui ge- Ouvir este trabalho provocou-me ainda nossa frente, com uma pequena reverbera- com uma sonoridade muito própria, um cla- neris, sempre com Coimbra em pano de momentos de lágrimas e de saudade!… ção notável.
  • 20. 20 CRÓNICA 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 AO CORRER DA PENA... “Abrir uma escola é fechar uma cadeia...” menos, inofensiva…” (Alfredo Pimenta, “Educar e Instruir”, fessora. A professora Lídia. Ao mesmo tem- Por falar em sonhos, não posso deixar in A Voz, 1927) po que a porta se abria, abria-se também o passar em claro uma experiência que me seu sorriso. Um sorriso contagiante. Uma marcou profundamente. Numa das discipli- Maria Pinto* Virgínia de Castro Almeida, escritora e nova esperança. Hoje, pensando nela, sei nas que leccionava (História Contemporâ- mainha.pinto@gmail.com autora de livros para a juventude, afirmava, que a grande diferença estava no afecto, na nea II), entre outros assuntos, abordava a num artigo publicado no Jornal O Século, doçura com que nos tratava. A todas. Será temática das ditaduras fascistas, dando par- Tão assim. Tão sempre assim. Nesse também em 1927: que te lembras, Fatinha? As suas aulas fi- ticular realce à barbaridade do regime nazi. dia, noutro dia da semana, todos os dias. caram para sempre no fundo de mim. Era À medida que as aulas foram decorrendo, Chegar, deitar. Por breves instantes, dei- “Que vantagens foram buscar à apercebi-me do interesse que este tema tar. Lembrar as horas do dia e o dia feito escola? Nenhumas. Nada ganharam. suscitava nos alunos em geral e, em par- de horas, de rotinas. Da sensação de de- Perderam tudo. Felizes os que esque- ticular, no André. Este aluno sorvia pa- riva entre o que se é por dentro e o que cem e voltam à enxada. A parte mais lavras e saberes. Emocionava-se com se tem de ser no de fora. Chegar, deitar, linda, mais forte e mais saudável da as imagens projectadas. Quase no final aconchegar. Cansaço. Fechar os olhos alma portuguesa reside nesses 75% do ano, ao terminar a aula, o André e olhar para dentro. Para trás... de analfabetos”. acercou-se de mim. “Professora, tenho um sonho! Gostaria de visitar o Campo Quando menos espero, vejo-me mergu- Estas afirmações fazem parte de de Concentração de Auschwitz! Pres- lhada no passado. No meu passado como um coro que se intensifica ao longo sinto que me iria emocionar… e apren- aluna. Tão “mainha-menina”! de muitos anos. der!” Esta viagem no tempo leva-me aos ban- Na altura, disse-lhe que havia visitas cos da escola primária, no início dos anos Era, pois, importante, ensinar as guiadas a este local e que esse sonho setenta, já na fase final da ditadura. crianças a não pensar, a não ter vonta- seu iria concretizar-se. Recordo com toda a nitidez a minha de própria. A aprender, desde cedo, a Passados alguns dias, este aluno, trou- sala de aula. Um conjunto de carteiras obedecer… sem perceber. A engros- xe para a aula um roteiro turístico de alinhadas e aparafusadas ao chão. Num sar as fileiras de uma cidadania passi- visita a Auschwitz. Lembro-me que lhe plano mais elevado, por cima de um es- va, apática, alheada dos valores e da dei força para prosseguir em direcção trado, a secretária da professora. Sobre importância dos direitos individuais. ao seu sonho. a secretária, a régua, a cana, as orelhas Por outro lado, todo o sistema es- A conversa passou. O ano lectivo ter- de burro. A luminosidade não era gran- colar era profundamente discrimi- minou. Chegou o período de férias. de, mas permitia realçar, na parede, um natório, sendo organizado de acor- crucifixo, ladeado pelas figuras de Mar- do com as divisões naturais da so- Em Outubro, reencontrei o André, celo Caetano e de Américo Tomás. ciedade. A co-educação deixou de uma professora exigente, ensinando-nos que me ofereceu... um envelope. Quando o Não me lembro das aulas. Não me existir. Rapazes e raparigas eram edu- que pensar faz doer. E era também um abri, vi que o seu conteúdo incluía uma série lembro do exacto momento em que cados em escolas diferentes para vi- poço de afectos e de sensibilidade. Revi- de fotografias, acompanhadas de um texto. aprendi a ler e a escrever. Mas vem-me, rem a ocupar, no futuro, funções e es- sitando esses tempos, sinto que aquele raio Texto que considerei de uma enorme bele- com frequência, à memória, um emara- paços também diferentes. de luz com nome de Lídia traçou o meu za. Dele ressaltavam as emoções sentidas nhado de sensações: a angústia de ir para No contexto do Estado Novo, a harmo- destino profissional. naquele local de horror, onde, segundo o An- a escola, a rigidez dos métodos de ensi- nia social só era conseguida colocando cada dré, nesse “final de tarde, nem a chuva se no e a grande desigualdade com que as um no seu lugar. Seguindo esta linha, gran- De facto, uns bons anos depois, iniciei- dignara a cair, apesar do triste olhar do céu”. meninas eram tratadas. Se pobres, mal- de parte das crianças não tinha hipótese de me na maravilhosa arte de ensinar. Mas Onde só mais tarde, perante os vestígios dei- tratadas. Sovadas. Reduzidas a nada. prosseguir os seus estudos. Era o próprio com a possibilidade de exercer a minha pro- xados por anos seguidos de tortura, “final- Que será feito de ti, Fátima?... Estado que as rotulava de “ineducáveis” e fissão em liberdade. A experiência que fui mente começou a chover. Mas a água não de “normais estúpidas”, não carecendo, por adquirindo ao longo dos anos, permitiu-me caía lá fora… Era salgada e percorria o ros- A escola do Estado Novo pautava-se isso, de estudos complementares. Para es- retirar algumas conclusões acerca dos mé- to de muitos visitantes”. pelo autoritarismo. O ambiente que se vi- sas crianças bastavam os chamados postos todos de ensino. Permitiu-me aliar a tradi- Depois de ler este texto, imbuído de via era de cega obediência, de ordem, de de ensino, autênticos casebres de madeira, ção à inovação. Tradição que, segundo pen- uma sensibilidade rara, também eu me um silêncio ensurdecedor. O medo era sem quaisquer condições, tutelados por re- so, deve funcionar como suporte, como base senti profundamente motivada a rumar uma constante. gentes absolutamente desqualificados, se- de sustentação dos métodos mais inovado- em direcção a Auschwitz. Como se sabe, o ensino é – e sempre veros. Por vezes brutais. res. Sempre pensando no exemplo da pro- O ensino é isto mesmo. Só assim tem será – um espelho do aparelho político vi- Perante este ambiente de total vazio fessora Lídia, fui tomando consciência do sentido. Uma troca, uma partilha de vivên- gente. Existe uma estreita relação entre es- emocional, apetecia perguntar: “Profes- papel fundamental do professor em todo o cias entre alunos e professores. É, no fun- cola, política, e sociedade. Durante o Esta- sor, porque me castigas? Porque não me processo de ensino/aprendizagem. Sentin- do, um processo de aprendizagens e de do Novo, o ensino foi deliberadamente utili- ensinas?” do que a minha missão era, antes de mais, a empatias. Um processo muitas vezes peno- zado para veicular os objectivos do poder. Voltando à minha infância, e à minha es- de ajudar a formar caracteres. Sabendo que so e carregado de insatisfações. Exaltava-se o ultra-patriotismo, assim como cola, terei de salientar que fui uma criança cada aluno é uma alma, diferente de todas Mas a vida é feita de avanços e recuos, se procurava incutir a “poesia”da pobreza e bafejada pela sorte. A cana e a régua qua- as outras almas e que levará para sempre de altos e baixos. “A vida é feita de peque- da ruralidade. Considerava-se que o cum- se nunca me tocaram. Mas durante muito consigo a imagem dos seus professores. nos nadas”. De pequenos tudos. primento da escolaridade mínima seria mais tempo me escondi debaixo da cama... atrás Os profissionais do ensino são, essen- A experiência que acabei de partilhar do que suficiente. Tudo isto para abafar as das portas... no terraço... para faltar à es- cialmente, agentes construtores de sabe- fez-me sentir bem. E fez-me recordar Vic- vozes discordantes e criar uma alma nacio- cola. Desde muito cedo que os métodos res e de afectos. Na boca do grande mes- tor Hugo quando dizia que “abrir uma es- nal, submissa ao poder estabelecido. de ensino autoritários, arbitrários e violen- tre Agostinho da Silva, “professor é o que cola era fechar uma cadeia”. Ainda que As ideias de “cultura” e “alfabetização” tos me causaram uma profunda revolta. sabe e o que ama”. o destino de férias do André tivesse sido eram consideradas altamente perigosas. Sentia a falta daquele magnetismo, daque- O professor necessita de conhecer as Auschwitz... la relação quase mágica que se pode e necessidades dos seus alunos, quer as do Ele percebeu, certamente, nesta viagem, “Foi o querer saber que fez o ho- deve estabelecer entre professor e aluno. domínio cognitivo, quer as do foro afecti- o valor da liberdade. mem pecar… Insisto: não preconizo o Aquilo que por vezes se não vê. Mas exis- vo. É óbvio que esta tarefa não se afigura analfabetismo sistemático; digo que a te. Até nos silêncios. fácil num sistema de educação massivo Abrir de novo os olhos. Olhar e ver-me. Instrução é um instrumento perigoso Foi preciso chegar à 4ª classe, meses antes como se apresenta o nosso, hoje em dia. Por dentro. Sentir que afinal a vida não é que não pode andar em todas as mãos. da Revolução de Abril, para que o Sol des- Mas é preciso estarmos atentos às fragili- sempre assim. Tão sempre assim... Como um explosivo. Como um veneno. pontasse. Em brilho de Primavera. A porta dades, às fortalezas e também aos sonhos Só num carácter são, ela é útil, ou pelo da sala de aula abriu-se e entrou a nova pro- dos nossos educandos. * Docente do ensino superior
  • 21. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 OPINIÃO 21 mais viver para consumir! O estoiro O incentivo à poupança numa sociedade apelativamente balanceada para o consumo é um paradoxo. Uma cínica forma de ames- cá da Europa põe nos cornos da lua. nocratas de duvidosa idoneidade à adminis- quinhar o cidadão. Poupar para investir num Os economistas fazem as suas análises tração das SA, nomeadamente as de capi- descredibilizado sistema capitalista é alimen- Renato Ávila e conjecturas com maior profundidade. O tais públicos, a roda livre em que parecem tar uma máquina insaciável e egoísta que re- cidadão comum matuta… matuta… a pro- actuar, nomeadamente na auto atribuição serva para si a parte de leão e para o aforra- Andam os “capitais”alvoroçados com o curar uma explicação para todo este tre- de escandalosas remunerações, prebendas dor as migalhas e o logro criminoso que nin- estrondo da bolsa e da banca algures por mendo fiasco. e de principescas garantias engenhosa- guém parece querer sancionar. esse mundo fora. Há enigmas que, de há muito, por cá mente artilhadas. Se bem que em Portugal o estrondo te- Qual balão empanzinado, os papeis aca- nos intrigam por causa da sua estulta in- Para o observador pouco informado em nha sido bem menor, é imperioso regulamen- recados e anchos de falcatruas rebentaram congruência. questões de natureza económica e finan- tar com o maior rigor o funcionamento dos com inusitado estrondo e consigo arrasta- Primeiro: afirma-se que é preciso gastar ceira, estes fios da imensa teia que é o capi- mercados. Sem dúvida. ram quem deles fez património. para consumir uma vez que, consumindo, talismo descontrolado, atafulhando-lhe na No nosso modesto entender, será muito Para o leigo cidadão, a coisa que mais se faz aumentar a produção e, logo, haven- mente estas e outras preocupações, foram mais importante repensar e refazer as co- depressa lhe vem à cabeça é a vernácula do produção, há trabalho e emprego donde desencadeando novelos de perplexidades e ordenadas económicas que, de há muito, vêm exclamação – há sujeira no beco! Na ban- vêm receitas para se poderem gastar. Por interrogações e, por intuição, levaram-no a tornando cada vez mais difícil a vida dos ca, mais sucintamente falando. outro lado, defende-se que é preciso poupar pensar que, mais dia, menos dia, seria inevi- cidadãos. É urgente morigerar toda esta te- Seria mister que toda a gente se precipi- a fim de que haja capital disponível para in- tável um estoiro. oria consumista por uma acção mais peda- tasse e caísse em barda a pôr em contado vestir e aplicar em meios de produção. Aí está ele. Com repercussões ultra gógica e muito menos apelativa do consu- os papeis ciosamente guardados em secre- Segundo: apregoam-se os benefícios da atlânticas. Universais. Nesta ilustre casa mo e por uma disciplina mais apertada so- ta gaveta, o pecúlio avara e arduamente bolsa como decisivo motor da actividade lusitana. bre os mecanismos do lucro e da sua distri- amealhado ao longo duma vida. económica e financeira; porém, é muito E agora? Agora, cabe-nos perguntar o buição. E a bolsa viria por aí abaixo, volatilizando difícil de entender o constante corrupio dos que andava a fazer tanta luzida gente com a Aqueles que, desde sempre, vêm diabo- fortunas e os bancos passariam a enfrentar valores dos títulos em negócio, a tremen- mão na massa ou perto dela que só agora lizando o papel do estado na sociedade e delicados e angustiosos problemas de liqui- da mistificação e opacidade de certos pro- deu pelo buraco? promovendo a sua asfixia terão de rever a dez, quer para cumprir os resgates, quer para dutos, o sobe e desce das acções em fun- Agora, que tanta cabeça desprevenida sua posição. Tem sido o estado quem vai financiamentos. ção dos relatórios, nem sempre escorrei- anda aos papeis e se dispõe a despejar tor- tapando os buracos. Assim, enquanto a alta finança entrasse tos, das empresas e a especulação àque- rentes de milhões para recompor o sistema Terá, pois, de ser o mesmo estado, de em parafuso, o cidadão aforrador temeria las associada. estrondosa e sandeiramente falido, dever- forma consertada a nível ultra nacional, a pelas suas economias e ao investidor min- Terceiro: dão-se como avançadas as se-á perguntar se essa será de facto a solu- impor as regras, a controlar e desencadear guariam as possibilidades de acesso aos metodologias de gestão com as estratégias ção, se não se estará a criar a curto ou mé- as acções pedagógicas e morigeradoras da capitais. A actividade económica arrefece- alucinantes e alienantes que se desenvolvem dio prazo um outro buraco ainda maior. actividade económica global. A defender os ria, estagnaria e em perigo ficariam os pos- em algumas empresas na mira do maior lu- Na nossa modesta e leiga opinião é im- interesses das classes mais débeis e, por isso tos de trabalho cro a fim de valorizar os títulos, levando ao perioso que se faça uma profunda leitura da mesmo, mais afectadas pelas crises. Este o panorama que nos seria dado ob- extremo duma espécie de escravatura por complexidade da situação. O estado nunca será asfixiante nem gas- servar e que, de facto, veio a acontecer. objectivos a mobilização dos seus recursos Este paranóico ciclo do consumo não tador quando procurar encontrar o equilí- O caso passou-se nos Estados Unidos, humanos. poderá manter-se por muito mais tempo a brio entre o desenvolvimento da economia matriz das grandes ideias e manigâncias Quarto: vem-nos causando certa perple- ditar a sorte de biliões de seres humanos. É e a valorização, o bem estar e a segurança desse liberal capitalismo que muito boa gente xidade o “assalto” de certas cliques de tec- uma louca utopia! Consumir para viver, ja- de cada cidadão. FILATELICAMENTE 17ª Mostra Filatélica do Núcleo POIS... Filatélico e Numismático João Paulo do Concelho da Mealhada Simões José d’Encarnação Um pequeno parêntesis na História da Apetecia-me escrever, hoje, apenas Filatelia, para falar um pouco da 17ª a pergunta com que se termina esta Mostra Filatélica, inaugurada dia 4 de nota. Contudo, num momento em que Outubro e que decorreu até ao dia 12 no determinações governamentais – intei- salão dos Bombeiros Voluntários da Pam- ramente desenraizadas da realidade, pilhosa (BVP), nas comemorações do porque gizadas nos gabinetes – ape- seu 82.º Aniversário. nas parecem ter em conta números e Esta Mostra, além da parte Filatélica números e estatísticas para UE ver, há vasta e rica em temas, englobou tam- que contextualizá-la, pois se deveria bém outras formas de coleccionismo. enquadrar numa política em que não Assim, ali se puderam ver quadros com se analisassem somente os estudantes insígnias e crachats de quase todo o com problemas psicomentais, mas o seu mundo da temática “Bombeiros”, rádios enquadramento familiar, merecedor ele antigos, grafonolas, gravadores de cas- qualquer cidadão comum pode ir à pági- próprio de ainda maior atenção que os setes, medalhas, moedas e notas de Por- muito interessante e a merecer elogios na dos CTT e fazer o seu próprio selo rebentos que dele emanaram e estão tugal e de outros países, medalhas e mi- de quantos o visitaram. com as imagens que bem entender. São na escola. niaturas de carros de bombeiros. Reproduzo aqui o envelope comemo- impressos em folhas, e tornam-se exem- Mas, apesar disso, resisto a dar o No centro do salão, encontravam-se rativo da efeméride e respectivo carim- plares únicos, podendo circular livremen- enquadramento específico da frase – os placards com os selos. Selos que fa- bo, com uma particularidade interessan- te nas cartas. a bom entendedor meia palavra basta! lavam da Natureza, da pesca do baca- te: o selo adoptado foi feito na página Neste caso, foi adoptada uma imagem – Manel, conta lá! Com as tuas ore- lhau, do Escutismo, dos Automóveis, das dos CTT na Internet no espaço reserva- de uma viatura antiga dos B.V.P. que ain- lhas grandes conseguiste pôr sete pa- marcas postais… enfim, um sem núme- do ao “meuselo”. da circula – o Packard de 1926. res de óculos, não foi? ro de temas que tornaram este certame Que quer isto dizer? Quer dizer que
  • 22. 22 OPINIÃO 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 aos resultados, podem não estar muito sen- Não é preciso ser bruxo sibilizados para o efeito. Ao fim e ao cabo, não foi notícia, nem há pressão pública ou mediática sobre o assunto. Juntando alguns ingredientes: 2 anos em tivo para as loucuras. É tempo para o poder público e os jornais que ardeu menos significa que há mais car- Não tendo um dedo que adivinha, nem não embarcarem em explicações fáceis ou ga combustível (matos) e que depois de 2 capacidades ocultas de vidência, são ape- de concluírem rapidamente que foi um su- Verões amenos pode vir um mais quente, Vasco Paiva nas os dados do clima, aquilo que se ob- cesso da prevenção e do combate e dos e então teremos as condições propícias para serva e a experiência, que nos permitem meios que foram disponibilizados. temer o próximo ano. No princípio de Junho, escrevemos nas tirar estas conclusões e fazer estas previ- Acredito que seja um bom elemento Se a isto juntarmos que os Quadros Co- páginas deste jornal, que seria um Verão sões, assim, como há anos atrás, “acertá- para uma propaganda, nomeadamente munitários de Apoio têm estado paralisados, ameno com poucos fogos. mos” em prever, neste mesmo jornal, que para uma propaganda eleitoral, mas é um e que não há muita vontade, leia-se dinhei- O Verão terminou, as chuvas outonais a floresta iria arder. mau caminho. ro, para os pôr em ritmo de cruzeiro, então finalmente começaram a chegar e, assim, Um observador menos atento diria que É óbvio que foi o clima que proporcio- menos limpeza haverá na floresta… se confirmam as nossas previsões. os criminosos, acusados todos os anos de nou estes bons resultados, uma Primave- Enfim, da mesma forma que os estudan- Foi um dos anos com menos fogos, me- deitarem fogo à floresta e servirem como ra que se prolongou com humidade no solo tes não tiveram melhores notas a matemá- nos área ardida. Ainda bem! bodes expiatórios para os responsáveis, fi- e na vegetação, um Verão mais ameno tica porque estivessem melhor preparados, Como não havia grandes braseiros, tam- carem imunes e este ano passaram a de- com alguns dias de chuva. mas porque os exames foram mais fáceis, bém não houve muitas horas de telejornais dicar-se a outras coisas, por exemplo ao Assim, como será óbvio que é preciso também não tivemos menos fogos porque a dedicados ao assunto. Melhor, menos incen- car-jacking! desde já prevenir o próximo ano e, face floresta estivesse melhor preparada! ponte europa João Paulo II e o atentado falhado Quando quis apunhalar o Papa, a me- piedoso embuste para enaltecer o mártir Sócrates. nos que fosse só um gesto para pro- e comover os crentes. O aumento do número de partidos mover a Cova da Iria na comunica- A Igreja católica fez de JP2 uma es- com representação parlamentar reforça ção social, logo os guarda-costas o do- trela pop e quer fazer do Papa polaco um a democracia. minaram. mártir para relançar a fé e comover os O facto de o PSD afirmar na campa- Carlos Podia ter servido o acto para justifi- crentes. O cardeal que inventou, agora, nha eleitoral que cada voto em Carlos Esperança car o 3.º segredo de Fátima mas, peran- os ferimentos não se dá conta de que te- César seria um voto em Sócrates e o aesperanca@mail.telepac.pt te o fracasso, JP2 guardou-o para uma ria cometido um crime ao ocultar a agres- empenhamento pessoal de todos os líde- www.ponteeuropa.blogspot.com/ bala que a Virgem acompanhou à mão são, se tivesse existido, crime bem maior res partidários conferiram a estas elei- na viagem de circum-navegação à volta do que a piedosa mentira com que pre- ções uma leitura nacional. O ataque falhado do desvairado pa- das suas vísceras, por baixo da batina tende provocar o culto do Papa polaco. dre católico, Fernandez Khron, ao que ofereceu ao santuário. Os desígnios do cardeal Stalislaw COREIA DO NORTE E PCP Papa polaco, foi o momento de aluci- Em 12 de Maio de 1982 o padre Khron Dziwisz são insondáveis. nação mística de um sacerdote em- não conseguiu atingir o Papa, embora ti- Bernardino Soares, líder parlamentar, brutecido que julgou João Paulo II um vesse ficado ao alcance de uma bênção. AÇORES: considera a obscura ditadura hereditária progressista capaz de modificar a A TV mostrou claramente os gestos e MAIORIA ABSOLUTA DO PS uma democracia, Jerónimo de Soura, Igreja católica. os figurantes. secretário-geral, pensa que é um país Nem o Papa era liberal nem o pa- O documentário cinematográfico A vitória em todas as ilhas, pela pri- socialista e Octávio Teixeira, ex-líder dre equilibrado. O primeiro era cren- «Testemunho», com base nas memórias meira vez na história, e a repetição da parlamentar, afirma que não é uma coi- te e supersticioso e o segundo um in- publicadas no ano passado por Stalislaw maioria absoluta são motivo de satis- sa nem outra. divíduo perturbado pelas leituras pias. Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, é um fação para o PS, Carlos César e José Em que ficamos? Voltar farçadas. E escrevem-se com “l”, de “la- mechas”, de “lulu”, de “lápis”… Pegamos numa borracha e lá se vão as lembranças. Por isso voltemos! É bom voltar aos síti- Voltar é uma descarga eléctrica que nos umas pantufas e andar como o Bugs Bunny os onde demos o nosso primeiro beijo, André Filipe escorrega pelo peito, desce até à barriga e quando se quer esconder do caçador. Ao àqueles onde passámos a maior vergo- Pereira nha da nossa vida… Voltar é cheirar, é sobe novamente a alta velocidade, dando- lembrarmos, estamos a exercitar a nossa http://www.andrefilipereira.blogspot.com/ nos um valente murro nos queixos. Daí a memória, é certo, mas estamos a estragar o agarrar, é trincar! Lembrar é todo um palavra ser um “volt” com “ar”, a tal lufada nosso coração. É bom lembrar, faz bem, mas malabarismo mental para criar o que já Voltar. A própria palavra transmite uma de oxigénio que nos sopra na cara. Fecha- dói e não se recomenda. Por muito que as existe. Lembrar é construir um castelo sensação de viagem, de vazio, de mergu- mos os olhos, os cabelos voam e sentimo- memórias sejam boas. Obrigam-nos a ir às de cartas no topo de um arranha-céus. lhar até ao fundo do poço e regressar à tona nos o Joker no carro da polícia de Gotham nossas gavetas mentais, forçar a entrada, Voltar é construir as cartas. E o arra- em menos dez segundos. Levantar a cabe- City. Mesmo com as cicatrizes, aquelas pe- não encontrar a chave, procurá-la debaixo nha-céus. A memória atraiçoa. Dá-nos ça, passar os dedos pelos olhos, esfregar o dras que se metem nas rodas do nosso car- dos tapetes, metê-la na fechadura, não dar uma facada nas costas. O regresso dá- nariz e puxar o cabelo para trás. Lufada de rinho, aquelas memórias que nos fazem adiar e ter de arranjar uma outra forma para ar- nos vida, ou mata-nos. Pisamos o chão e ar fresco. Ar puro novamente. O “v” tem a o regresso. Adiar o “voltar”. Mas voltamos, rombar a maldita gaveta. Voltar é uma lem- estamos, somos, existimos. A lembran- forma de vale, de escorregar, cair, e saltar sempre! Há sempre um regresso, com ou brança em presença. Não precisamos de ça imagina, probabiliza, supõe. E Portu- rapidamente rumo às estrelas. Tal e qual sem autorização, acabamos por voltar ao procurar a chave porque, quando voltamos gal precisa de voltar. Não àquilo que foi, um adolescente numa pista de skate, mas nosso baloiço, à nossa escola, ao campo temos comando, carregamos no botão e o mas àquilo que teve. Não no sentido de sem capacete nem qualquer outro tipo de de futebol que substituía as aulas de Fí- portão abre-se automaticamente. Não saí- recuperar territórios físicos, mas sim de protecção. Só uma mera tábua de madei- sico-Química… Voltamos. mos do carro, mesmo que esteja a chover. conhecer as pedras que pisou. Voltar ra com umas rodas desengonçadas, E é tão bom, não nos molhamos, mesmo onde esteve, onde não esteve, inventar como os carrinhos de rolamentos na des- A forma mais corriqueira e mais incor- que a chuva saiba a sal. novos mundos, novos regressos, novas cida em frente à minha casa. Inconstan- recta de voltar é camuflada por letras maci- viagens. Ir, regressar, viver e voltar. te, difícil, perigoso. Cai-se, esmurram-se as, leves… Lembrar. Lembrar é voltar sem Voltar é dar um par de estalos à memória Lembrar não, dói. Voltar sim, dói ainda os joelhos, atira-se terra para estancar o “v”, é regressar em pezinhos de lã. É pedir e fazê-la acordar. Nunca se volta fisicamente mais. Talvez seja por isso que agora não sangue, e está tudo óptimo. Volta-se. licença para entrar, tirar os sapatos, calçar através de lembranças. Por isso estão dis- me lembro de mais nada para escrever.
  • 23. 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 INTERNET 23 mano com a máxima precisão e detalhe. Para visuali- muito útil. IDEIAS DIGITAIS zar estas estruturas basta proceder a um registo gratui- to no site e descarregar um plug-in para o browser, que GASMAPPERS lhe permitirá reproduzir os espaços tridimensionais. endereço: http://www.gasmappers.com VISIBLE BODY categoria: economia endereço: http://www.visiblebody.com Inês Amaral categoria: corpo humano Docente do Instituto Superior Miguel Torga ANIMOTO NJOUBA BEYOND SPACE AND TIME Animoto é uma aplicação que pode ser muito útil a quem tem dezenas de fotografias perdidas no arquivo. Este sistema analisa as fotografias dos utilizadores, que podem sugerir músicas. Depois de analisadas, aparece «Make web easy for everyone» é o slogan do Njou- um filme “profissional”. ba, uma plataforma que permite fazer pesquisa em vá- Complicado? Nem por isso. Trata-se de uma aplica- rios suportes da Internet. Para além de web, a pesqui- ção trabalhada por técnicos e produtores de televisão sa do utilizador pode ser centrada em Mp3, imagens, que definiram determinado tipo de padrões. Claro que Parece título de jogo mas é bem mais do que isso. vídeo, e-Books, FTP, rapidShare e torrents. Ou seja, os resultados não são filmes profissionais e não é ga- Beyond Space and Time é uma recriação, a três di- Njouba é uma autêntica raridade na rede. rantido que o utilizador goste. Mas é uma alternativa mensões, da Cidade Proíbida, na China. A autoria do O motor de busca do Google é a base das pesquisas aos slideshows e é sempre uma inutilidade útil, passan- projecto é da IBM e o objectivo é divulgar e possibilitar desta plataforma, mas a vantagem é apresentar os links do a devida redundância. visitas virtuais ao Museu do Palácio (como também é directos para os arquivos e apresentá-los consoante a conhecida a Cidade Proíbida). categoria. A rapidez é outra das características deste ANIMOTO Num ambiente tridimensional, os utilizadores podem site, que tem de ir urgentemente para os favoritos. É navegar pela Cidade Proíbida, que até 1925 esteve in- ainda possível escolher a língua e o Português é uma endereço: http://animoto.com terdita à população chinesa e que em 1987 foi conside- das contempladas. categoria: curiosidades rada património mundial pela Unesco. Tal como num mundo virtual, cada utilizador é um turista neste espa- NJOUBA ço e pode interagir com os restantes visitantes. Para tal basta fazer download de um programa disponível MONEY BASICS.PT endereço: http://www.njouba.com no site do museu sobre a história imperial da China. categoria: pesquisa BEYOND SPACE AND TIME endereço: http://www.beyondspaceandtime.org GASMAPPERS categoria: História VISIBLE BODY O site MoneyBasics.pt é um portal direccionado aos tempos de crise a que assistimos. Trata-se de uma iniciativa da GE Money e tem como objectivo disponi- bilizar conselhos sobre finanças domésticas. Situações do dia-a-dia, orçamento familiar e banca, e ainda créditos e consumos. São estas as grandes três Não é uma novidade mas é sempre interessante áreas do portal que promove educação financeira e E porque as Ideias Digitais desta semana começa- sugerir um site que apresenta informação de cerca presta um serviço que quase se assemelha a consulta- ram com a sugestão de um ambiente virtual, continua- de 14 mil postos de abastecimento de combustível, doria online. Saber gerir recursos financeiros, ter infor- mos dentro da temática dos espaços tridimensionais. espalhados por Portugal e Espanha. A tecnologia é mação sobre empréstimos e vários tipos de financia- Visible Body é um site interactivo que disponibiliza Google Maps e o projecto é da Innovation Point SA. mento, assim como saber como proceder do ponto de mais de 1700 modelos em 3D de estruturas anatómi- No mínimo, muito útil. vista financeiro em situações quotidianas, são algumas cas do corpo humano. Para estudar o corpo humano O utilizador fica informado sobre os postos com das informações disponíveis no site. em réplicas realistas. melhores preços nos dois países no momento em Inicialmente, o Visible Body dirigia-se a profissio- que acede. Para já, a informação disponibilizada MONEY BASICS.PT nais da área da Saúde, mas o interesse do site acabou sobre Portugal é actualizada pelos próprios consu- por motivar que fosse aberto a todos os utilizadores. midores. Em Espanha é automática. Antes de ates- endereço: http://www.moneybasics.pt Os modelos 3D representam os sistemas do corpo hu- tar o depósito, uma visita a este site por der mesmo categoria: economia
  • 24. 24 TELEVISÃO 22 DE OUTUBRO A 4 DE NOVEMBRO DE 2008 ças políticas que, assim, nunca deviam muito mais para a frente. a atitude distanciada e muitas vezes so- PÚBLICA FRACÇÃO estar representadas no canal público de Às quintas-feiras, numa espécie de branceira, pedante, que, na última emis- televisão. extensão do Jornal da Noite, surge “Aqui são, chegou ao ponto de incluir esgares e agora” (designação copiada da tv bra- enfastiados perante uma interrupção, ali- TV SUBSTITUI PAIS sileira). Uma boa meia hora onde se pro- ás adequada, feita pelo jornalista Rodri- cura debater um assunto da actualidade go Guedes de Carvalho. Francisco Amaral sem o recurso a especialistas, mas antes José Gameiro, nesse mesmo progra- A propósito da ERC, a entidade pro- franciscoamaral@gmail.com move também conferências sobre temas a um conjunto de comentadores fixos que, ma, que abordou a actual crise financei- relacionados com os média. Aplausos. ra, chegou a resvalar para o ridículo quan- REGULAÇÃO Pois numa das últimas, chegou-se à con- do tentou desvalorizar o facto das difi- AO CRONÓMETRO clusão, aliás pressentida, que os pais uti- culdades económicas poderem contribuir lizam a TV como substituta da falta de para o desenvolvimento de estados de- disponibilidade. pressivos. “Não!”, cortou ele secamen- A ERC (Entidade Reguladora para a As crianças até aos 15 anos revelam te o raciocínio de Guedes de Carvalho, Comunicação Social) funciona com uma “dieta pesada” de consumo televi- que lhe falava de que sem dinheiro até a base num cronómetro. Pelo menos é isto sivo, como salientou a professora Cristi- relação amorosa, muitas vezes, se dete- que transparece de algumas das suas na Ponte, na Conferência da ERC. riora. E “não!”, vejam, porque um doen- decisões. Os pais preocupam-se com os con- te com um milhão de contos no banco teúdos mediáticos, sobretudo os de vio- (sim, são cinco milhões de euros), no lência e sexo, mas 60% dos quartos de momento mais alto da sua depressão, crianças e jovens até aos 15 anos estão ainda lhe perguntava: “acha que chega equipados com este dispositivo. Esta é supostamente, transportam consigo um uma das contradições apontadas pelo certo senso, a que não chamaria comum, Estudo de Recepção dos Meios de Co- mas de gente equilibrada e inteligente. municação relativas à exposição aos Há sempre uma peça que lança o de- média de crianças e jovens. bate e, não raro, uma outra que se foca A pesquisa, baseada numa sondagem num ou outro caso concreto. Os comen- tadores, aliás já aqui referenciados, são o advogado Rogério Alves, o psiquiatra José Gameiro e o “criminalista” (? ex- polícia? guionista de televisão? presidente O tempo das “Escolhas de Marcelo”, da Câmara? professor?) Moita Flores. na RTP-1, foi reduzido para não se des- Sobre Moita Flores as interrogações tacar da intervenção de António Vitori- são imensas. A sua polivalência parece doutor?”. no que acontece nas segundas-feiras à conferir-lhe o estatuto de estrela mediá- Ficou assim no ar uma conclusão do noite no mesmo canal. tica que tanto surge em programas de género “pobretes, mas alegretes” e o O programa com Marcelo Rebelo de informação sérios, tal como o “Aqui e “dinheiro não traz felicidade a nin- Sousa tem as suas raízes na Rádio, na agora”, como lhe permite saltar para os guém”. Aliás, isto mesmo me pareceu TSF de meados dos anos 90. Passou ecrãs do mais obtuso entretenimento. saltar das palavras de José Gameiro, depois pela TVI, mas acabou por ser Como se diria nos “Contemporâneos”: que se deve ter assustado com a ideia afastado, aparentemente por pressões do … “o que tu quegues é aparecherrr…”. de começar a ser procurado no consul- governo da coligação PSD/PP. nacional e num inquérito em 11 escolas Já aqui referi que a postura do psiqui- tório por gente depressiva, mas… sem Como se isto já não bastasse para re- da Grande Lisboa, aponta aliás que “não atra José Gameiro, como comentador de dinheiro! Não deve ser com clientes des- cearmos que alguma coisa de estranho está em sintonia” o discurso de pais e televisão, não é a mais adequada. Ago- tes que o médico pagou tudo o que ti- se passa com a participação de Marcelo filhos sobre as actividades mais frequen- ra, ao rever várias gravações de “Aqui e nha a pagar à Banca. Ele mesmo o dis- na Comunicação Social, vem agora a tes das crianças e os equipamentos que agora”, não entendo como é possível que se no mesmo programa: “já devi… mas RTP-1 encurtar o programa com base, existem no lar e no quarto. este senhor se mantenha em antena. paguei tudo!”. Era o único não devedor confessada pelo Director de Informação, Destaca-se além disso que os pais ten- Talvez porque se trata de um psiquiatra, na mesa do Jornal da Noite da SIC. numa recomendação da ERC que dá a dem a utilizar a televisão como uma al- não aceito facilmente a postura “blasé”, Percebe-se por quê. entender que Marcelo é um represen- tante do PSD e Vitorino do PS, tendo ternativa à sua falta de tempo. Segundo este menos tempo de antena. a investigadora, se os mais novos pas- Se esta circunstância é verdadeira, sam horas do seu quotidiano à frente de ecrãs, “é preciso questionar” como é que Faça lamenta-se que o canal público de tele- visão tenha, e já lá vão uns anos, optado por programas de comentário político vêem televisão e utilizam outros media. Estou de acordo. Mas o importante é uma entregues a representantes de partidos e não a personalidades independentes. educá-los para os meios e não subtraí- los ao mundo real que os envolve. A não assinatura ser assim, no futuro, serão adultos pou- Mesmo“assim, devia ter-se em conta o interesse que cada programa possa ter, co ou nada críticos das mensagens me- do independentemente do seu autor, o que diatizadas, o que os colocará nas mãos neste caso se revelaria a favor de Mar- de quem controlar os meios. “Centro” celo que consegue uma intervenção viva com discurso acessível. António Vitori- no está muito longe destas capacidades AQUI E AGORA e ganhe de Marcelo Rebelo de Sousa e o “seu” espaço das segundas-feiras à noite, co- A SIC tem feito um esforço para re- forçar o seu Jornal da Noite. Tenho al- valiosa lado ao Telejornal, é, manifestamente, um gumas dúvidas quanto aos resultados, momento pouco interessante. mas a aposta na apresentação de tipo obra Neste caso, mesmo que Marcelo pa- anglo-saxónico, com dois pivôs, permite reça (e é!) mais próximo do PSD, das duas uma: ou não se convida uma perso- uma dinâmica curiosa. Quanto ao formato, é sem dúvida mais de arte Esta é a reprodução da valiosa obra original nalidade marcante como esta por ser atraente do que o empastelado formato de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região próxima (militante…) de um partido, ou, da RTP e até do da TVI, com esta esta- APENAS Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, tendo-o feito, não se altera o tempo atri- ção a insistir nos lançamentos bombásti- 20 euros POR ANO Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente, buído ao programa para equilibrar as for- cos do “já a seguir” que só se revelam lá - LEIA NA PÁG. 3 quando fizer a assinatura do jornal CENTRO