O Centro - n.º 6

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Versão integral da edição n.º 6 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. 26.06.2006. …

Versão integral da edição n.º 6 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. 26.06.2006.

Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html

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  • 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca João Caetano J.A. Alves Ambrósio José d’Encarnação Renato Ávila PÁGINAS 8 e 10 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 5 (II série) De 21 de Junho a 4 de Julho de 2006 € 1 euro Observatório (iva incluído) POR INCAPACIDADE DE ESCLARECER POPULAÇÃO da Saúde critica Governo PÁG. 7 Pedro Ferreira, responsável pelo Museu da Pedra Observatório dos Sistemas de Saúde CANTANHEDE É HOJE A FESTA PROMOVIDA PELA ALLIANCE FRANÇAISE é referência a nível nacional PÁG. 4 e 5 Oito horas de música oferecida a Coimbra PÁG. 22 EMPREENDEDORISMO VIAGENS DESPORTO ASSINE O «CENTRO» E GANHE OBRA DE ARTE Presidente Florença: Basquetebol da República monumental Futebol esteve ontem cidade Futsal na Região dos Ginástica Centro artistas Karate PÁG. 2 PÁG. 11 PÁG. 3 PÁG. 12 a 19
  • 2. 2 DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 EDITORIAL Exageros coisas que justo mas exaustivo seria aqui re- por exemplo, sustenta que “os deputados Aqui, nesta edição do “Centro”, onde a lacionar… – esta faculdade sem preço, in- são preguiçosos, incultos e eleitos de forma bola e o jogo que protagoniza (embora só tangível mas desde então praticável por errada”. se fale nos que lhe dão pontapés…) ocu- Jorge Castilho todos (até pelos que a combatem!), que se Se com ela comungo quanto ao método pam um record(e) de páginas – desde o jorge.castilho@zmail.pt José Saramago declarou há dias, de chama Liberdade. De forma menos lata, a eleitoral, já na preguiça e falta de cultura Mundial (com destaque para as belas ima- forma peremptória: “Não ficou nada, rigo- que para aqui convoco é a que sustenta as considero abusiva a generalização, pois é gens das páginas centrais recolhidas na rosamente nada, do 25 de Abril!”. palavras que assim podem fluir, sem peias uniforme tacanho para muitos parlamenta- Alemanha por Mário Martins) até ao local Apesar de todo o respeito e grande ad- nem receios: a liberdade de expressão. res que no hemiciclo se vão assentando (e, (onde o quase desconhecido Sampaense miração que tenho pelo ilustre escritor (e Mesmo um laureado com o mais presti- por vezes, ausentando...). Haverá, certa- mereceu oportuno trabalho de António antigo jornalista), discordo da radical afir- giado dos prémios literários pode exagerar mente, alguns preguiçosos – e esses, prova- José Ferreira). mação. no que diz e no que escreve. Do mesmo velmente, serão incultos. Mas garantida- E se é quase certo que muitos leitores Aliás, uma afirmação que se contradiz a modo que pode dizer e escrever coisas di- mente que lá está apreciável quantidade de deste jornal acharão que a dose é excessiva, si mesma, pois se nada tivesse ficado do 25 versas das que pensa… mulheres e homens cultos – e esses só pa- não menos provável é que os amantes do fu- de Abril, esta frase saramaguiana não teria Por outras palavras (sempre livres!), o radoxalmente seriam preguiçosos. tebol (e são um incontável ror deles e delas!) vindo a público, pelo menos em Portugal, Nobel Saramago certamente que exagerou, Afinal, todos exageramos, aqui e ali. considerem esta minha afirmação exagerada antes se quedaria pelo seu círculo de ami- quiçá deliberadamente, ao proferir tão in- Então neste momento é um desvario! e achem que o jornal deveria conceder ainda gos e, quando muito, seria divulgada nou- justa sentença. Rigorosamente… Refiro-me, obviamente, ao futebol… mais espaço ao seu “desporto” preferido. Eu tras paragens. Mas este pecadilho do exagero está a ba- Ali, nas televisões – como bem comenta prefiro dizer espectáculo (ou mais adequado Quero dizer com isto que do 25 de Abril nalizar-se. De forma exagerada… Francisco Amaral, na saborosa “Pública seria negócio?) – e por isso pus as aspas. de 1974 ficou – para além de muitas outras A socióloga Maria Filomena Mónica, Fracção” da última página. Exageros... Blogue ao Centro «Coimbra - Cidade da Saúde MEDALHA DA CIDADE PARA O CIRURGIÃO MANUEL ANTUNES constrói-se com homens destes» O “Centro” está a preparar a sua edi- OS LEITORES ção on line, que dentro em breve será A PARTICIPAREM – sublinhou o Presidente da Câmara Municipal disponibilizada ao público. Trata-se de um passo coerente com a im- E, indo ainda mais longe, gostaríamos O cirurgião Manuel Antunes, Professor portância que temos vindo a dedicar à que os leitores tivessem uma efectiva da Faculdade de Medicina de Coimbra, vai Internet, nomeadamente através da secção participação nos conteúdos de cada edi- receber a Medalha da Cidade de Coimbra, “Ideias Digitais”, que tantos elogios tem sus- ção do “Centro”, enviando-nos textos e por decisão da Câmara Municipal, que deli- citado, já que nela Inês Amaral nos indica al- imagens que entendam terem interesse berou também distinguir algumas outras guns dos sítios mais originais e com maior para publicação (e que editaremos se, entidades com a Medalha de Mérito e da interesse, em áreas muito variadas deste fas- efectivamente, preencherem os indis- pensáveis requisitos para esse efeito). Solidariedade Social. cinante mundo virtual que é a Internet. Mas enquanto o nosso “site” não está Os textos deverão ser curtos e focar A proposta aprovada pelo executivo mu- disponível, queremos desde já estreitar questões de interesse geral, ou então nicipal foi apresentada pelo respectivo os laços com os nossos leitores, através casos insólitos ou relevantes. Quanto Presidente, que nela sublinha o “notabilíssi- de outro meio de comunicação virtual às imagens, podem ser mesmo as cap- mo currículo e intensíssima actividade pro- que está a crescer e a vulgarizar-se de tadas por telemóvel (embora, natural- fissional” de Manuel Antunes, Director do forma espantosa: os blogues. mente, seja preferível obtê-las com má- Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Assim, acabámos de criar um blogue, quinas digitais, para melhorar a qualida- Hospitais da Universidade de Coimbra cujo endereço é de da reprodução), e deverão identifi- (HUC) e um dos mais reputados especialis- car o respectivo autor, a data e o local tas na sua área, mesmo a nível mundial. http://jornalcentro.blogspot.com onde foram recolhidas e o que docu- Carlos Encarnação sublinhou “o incon- mentam. tornável número de intervenções cirúrgi- que está já disponível para os leitores O desafio aqui fica, esperando que ra- cas, a constância e a certeza com que são nos remeterem as suas críticas, mas tam- pidamente comece a merecer resposta realizadas e a sua invejável taxa de mortali- bém as suas sugestões. de muitos leitores. dade (0,7% no último ano) constituem re- ferências de significado internacional”, Violência acrescentando que “o próprio edifício do Centro de Cirurgia Cardiotorácica deveu-se doméstica à insistência e capacidade do Prof. Manuel Antunes, que conseguiu, também, com a em conferência Director: Jorge Castilho sua dedicação e empenho, edificar uma (Carteira Profissional n.º 99) obra no prazo certo e com redução de cus- Manuel Antunes Propriedade: Audimprensa tos em relação ao orçamentado”. Nif: 501 863 109 “Violência doméstica na sociedade Carlos Encarnação realçou também o A Câmara Municipal aprovou também a portuguesa” é o título da conferência que programa de transplantes de coração, lan- atribuição da Medalha de Mérito e da Soli- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho vai ser proferida amanhã (quinta-feira), çado em 2003, que levou a equipa de Ma- dariedade Social à Associação das Cozinhas pelas 17,30 horas, na Delegação de nuel Antunes a efectuar até ao momento 70 Económicas Rainha Santa Isabel (uma obra Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Coimbra da Universidade Aberta. transplantes, que tornam a cidade “como o que há décadas exerce um notável e discre- Composição e montagem: Audimprensa - Será conferencista Luísa Ferreira da mais produtivo centro de transplantes do to trabalho de apoio aos desfavorecidos); a Rua da Sofia, 95, 3.º Silva, docente da referida Universidade, país”. José Mendes Barros, Director do Centro de 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 sendo a entrada livre. E o Presidente da Câmara Municipal de Reabilitação de Paralisia Cerebral de Fax: 239 854 154 Esta iniciativa insere-se no ciclo de- Coimbra concluiu a proposta nos seguintes Coimbra; a Nuno Viegas do Nascimento, e-mail: centro.jornal@gmail.com nominado “Conferências Abertas” que termos: Presidente da Fundação Bissaya Barreto; ao Impressão: CIC - CORAZE a citada Delegação vai continuar a pro- “Coimbra-Cidade da Saúde constrói-se padre António Sousa, Presidente da Cáritas Oliveira de Azeméis mover nas respectivas instalações (Rua com exemplos, com homens destes que Diocesana de Coimbra; e ao padre Fran- Tiragem: 10.000 exemplares Alexandre Herculano, 52 – junto aos conseguem mobilizar pessoas e recursos e cisco Proença Serra, Presidente do Lar São Arcos do Jardim). colocá-los ao serviço do país”. Martinho.
  • 3. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 COIMBRA 3 Empreendimento quer criar Cavaco Silva presidiu a fim PARQUE TECNOLÓGICO DE COIMBRA NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA 5 mil postos de trabalho de curso de empreendedorismo Beira Interior e pelo CEC (Conselho Em- A Câmara Municipal de Coimbra apro- obras consiste na construção de um edifí- presarial do Centro). vou anteontem (segunda-feira), por unani- cio central, um conjunto de lotes e execu- O curso pretendeu contribuir para a cri- midade, o projecto do Plano de Pormenor ção de infra-estruturas em 29,8 hectares do ação de novas empresas de base tecnológi- para o Parque Tecnológico que prevê a cri- terreno. ca, estimulando a inovação com base em ação a de 5 mil postos de trabalho. De acordo com o autarca, as obras da tecnologias desenvolvidas nas unidades de Abrangendo uma área de cerca de 150 primeira fase estão aprovadas pelo Pro- I&D das três Universidades da Região hectares, entre as freguesias de Antanhol e grama Operacional Centro do Ministério Centro, culminar agora, depois de um ano S. Martinho do Bispo, na margem esquerda da Economia, devendo estar concluídas em de trabalho, com a apresentação dos resu- do rio Mondego, o parque foi concebido 30 de Junho de 2008. mos dos planos de negócio das 15 equipas para receber unidades industriais de inova- Para a segunda fase, que será também envolvidas. ção e tecnologia, equipamentos e habitação, candidatada a fundos europeus, está pro- Para além de Cavaco Silva (que anda a representando um investimento final esti- gramada a restante zona industrial e os con- fazer um périplo por centros de investi- mado em 175 milhões de euros. juntos residenciais previstos, com os res- gação do País), a sessão contou com a pre- A Câmara de Coimbra pretende criar pectivos equipamentos complementares e sença de várias outras entidades. quot;uma cidade tecnológica dentro da cidadequot;, de apoio. Antes do encerramento formal, foi feita que potencie a criação de emprego e rique- Na reunião camarária, Pina Prata afir- a apresentação dos 15 planos que represen- za, apostando numa zona que é servida mou que já existem empresas interessa- tam outras tantas oportunidades de negócio pelo IC2 e IP3, próxima do aeródromo de das em instalar-se no Parque Tecnológico promissores, com as várias equipas partici- Cernache e da auto-estrada do Norte em de Coimbra, que será gerido pela socieda- pantes no curso a aprofundar alguns aspec- Taveiro, onde se prevê uma paragem do de Coimbra Inovação Parque, na qual a tos dos conceitos de negócio desenvolvidos. comboio de alta velocidade. autarquia detém 51 por cento do capital Na sessão de encerramento usaram da O Parque Tecnológico terá uma área de social. palavra o Presidente do CEC, António Al- 316.235.9 metros quadrados de construção Entre as que já manifestaram desejo de meida Henriques, o Reitor da Universidade bruta, dos quais mais de dois terços são se instalarem, o autarca destacou o Centro Cavaco Silva presidiu ontem (terça- da Beira Interior, Manuel Santos Silva, a para indústria, 10 por cento para equipa- de Excelência para a Floresta, a criar no -feira), no Auditório do Edifício Central da Reitora da Universidade de Aveiro, Maria mentos e cerca de 23 por cento para habi- âmbito de um protocolo com a Associação FCTUC (no Pólo II) à sessão de encerra- Helena Nazaré, o Reitor da Universidade tação a preços controlados. de Produtores Florestais e a Fundação mento do Curso de Empreendedorismo de de Coimbra, Fernando Seabra Santos, e o Segundo o Vice-Presidente da autarquia, Luso-Americana, e o Centro Tecnológico Base Tecnológica, um projecto promovido Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Horácio Pina Prata, a primeira fase das da Cerâmica e do Vidro. pelas Universidades de Coimbra, Aveiro e Silva. Assine o jornal «Centro» Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). ção de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artísti- Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Região Centro, concebeu uma flor, com- Nome: posta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Morada: Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é representado Localidade: Cód. Postal: Telefone: por um elemento (remetendo para respec- tivo património histórico, arquitectónico Profissão: e-mail: ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Centro de Portugal, tão rica de potenciali- Assinatura: dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  • 4. 4 REPORTAGEM DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Museu da Pedra é referência a CANTANHEDE É o único Museu da Pedra des, e em que se diminui o peso da infor- de Portugal e situa-se mação – cada vez mais efémera, daí resul- em Cantanhede. Consagrando-se tando a alienação e consequente perda de aos muitos séculos de história sentido de cidadania –, o Museu da Pedra do calcário da região e ofícios vem contrariar esta tendência, colocando a tónica da sua acção na preservação da a ele associados, o Museu História e no reencontro com as raízes cul- da Pedra foi criado pelo turais, com base na pedagogia e no ensino Município há menos de cinco interactivos. Até porque, como frisa Maria anos e é já uma referência Carlos, “o trabalho passa muito pela educa- no país. Honrosamente ção junto das escolas e instituições”. galardoado por duas vezes, Prova irrefutável do valor patrimonial e cultural da região, o Museu alberga um o Museu prima por uma forte acervo representativo de testemunhos pale- componente educativa, sendo ontológicos e das obras de arte que, desde frequentemente caracterizado há muitos séculos, foram sendo – e conti- como um “museu vivo”. nuam a ser – elaboradas com o calcário local, por meio de mãos ágeis e habilidosas. O ESPÓLIO DO MUSEU Flávia Diniz Não existirá no país melhor exemplo, a nível de espaços museológicos temáticos, do As jazidas milenares de calcário, que se es- que o Museu da Pedra do Município de tendem a sul do concelho de Cantanhede Cantanhede. Pelo menos na área em que se (Ançã, Portunhos, Outil e Vila Nova), são, demarca: essencialmente geologia e paleonto- desde há longa data, alvo de extracção e traba- logia. Inaugurado a 20 de Outubro de 2001, o lho da sua pedra, facto que tem produzido mar- Museu foi, nesse mesmo ano, premiado com cas de indiscutível relevo artístico e cultural que a Menção Honrosa de Melhor Museu importa perpetuar. O Museu da Pedra foi o Português, do Triénio 1999/2001, pela local escolhido para acolher esse vasto legado. Associação Portuguesa de Museologia. Mais Artefactos arqueológicos recolhidos em recentemente, a 22 de Abril deste ano, rece- várias estações do concelho, estatuária anti- beu o Prémio Geoconservação 2006, destina- ga e ornamentos com “pedra de Ançã”, do a distinguir as autarquias relativamente à fósseis, a caracterização geológica do con- implementação de estratégias de conservação celho, os métodos de extracção da pedra, os e valorização do património geológico do seu utensílios tradicionais usados no trabalho concelho. Objectivos que o Museu da Pedra da pedra e peças artísticas, são apenas al- parece ter cumprido integralmente ou não lhe guns exemplos do que o Museu tem para teria sido atribuído tal galardão – “um reco- mostrar, na parte permanente, e conse- nhecimento notável do trabalho desenvolvido quentemente nuclear, do mesmo. pelo Museu”, segundo Pedro Cardoso, Entre o material exposto, destaca-se uma Vereador da Cultura de Cantanhede, e que colecção de arte sacra – esta, temporária e re- acrescenta alguma “responsabilidade” aos gularmente renovada –, que visa dar a conhe- que, desde o início, trabalham neste projecto. cer as riquezas das igrejas e capelas do Baixo Maria Carlos Pêgo, responsável pelo Mondego e incentivar a sua conservação. Museu, afirma lidar com um “desafio diário”, Realizada em colaboração com as Paróquias, na medida em que é fundamental inovar esta é “pedagogicamente uma das exposições constantemente, de modo a cativar o público. mais importantes”, segundo nos confia Maria “Não podemos esgotar as nossas actividades Carlos, coordenadora do Museu. Outra das nem repetir as mesmas”, diz, reiterando de exposições temporárias presentes no Museu seguida: “Tentamos ser o mais criativos pos- neste momento é dedicada à ourivesaria e à sível, para atrair o nosso público-alvo”. joalharia da região, tendo sido já exibidas ou- Criado pela Câmara Municipal de tras, todas relacionadas com a pedra – como Cantanhede, o Museu recebe anualmente a de escultores contemporâneos, a de cantei- uma média de 14 mil visitantes, de todas as ros, a de minerais, entre outras. faixas etárias, mas sobretudo crianças e jo- Além disto, o Museu dispõe de actividades vens, que o visitam com as escolas durante lúdico-pedagógicas como ateliers de arte a semana, acabando depois por voltar plástica e exibição de filmes, visitas guiadas acompanhados das respectivas famílias. De (gerais e temáticas) para públicos diferencia- referir que a autarquia disponibiliza gratui- dos, ou ainda actividades de campo com as tamente um autocarro de 50 lugares, todas escolas, nas pedreiras do concelho. Como as quartas-feiras, para levar escolas ao marca da sua versatilidade, há ainda que fazer Museu da Pedra, o que, de acordo com alusão às visitas destinadas a invisuais, a Maria Carlos, “é algo a valorizar”. quem é facultada uma planta táctil do museu, textos e legendas em braille. Para isto, conta UM LOCAL PRIVILEGIADO com a colaboração da Associação de Cegos e DE APRENDIZAGEM Amblíopes de Portugal (ACAPO). Toda esta movimentação do Museu Uma vez que é nos mais pequenos que valeu-lhe a designação frequente de “museu se concentram as expectativas na criação de vivo”, o que evidencia, uma vez mais, o seu um mundo melhor, o Museu da Pedra de empenho na preservação e valorização do Cantanhede aposta fortemente na vertente património cultural e ambiental, sensibili- pedagógica e numa relação estreita com as zando públicos distintos para a arte e para a escolas. Com efeito, numa altura em que a importância da afirmação dos valores tradi- globalização se impõe, ofuscando identida- cionais da região.
  • 5. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 REPORTAGEM 5 nível nacional A equipa Por detrás do sucesso do Museu, exis- cnologia da Universidade de Coimbra. te uma vasta equipa, dinâmica e dedicada, Maria Carlos considera que “é muito im- que trabalha em conjunto para manter e, portante que os museus estejam interli- se possível, elevar a qualidade do espaço. gados, porque alguns têm peças descon- Maria Carlos explica como geólogos, an- textualizadas, não as podendo mostrar tropólogos, arqueólogos e paleontólogos ao público”. E enfatiza o facto de o Mu- colaboram graciosamente com o municí- seu da Pedra valorizar essa articulação, pio de Cantanhede, na materialização de pertencendo também à Rede Portuguesa um mesmo fim. “Há todo um trabalho de Museus, à Associação de Museus e de investigação, limpeza e tratamento de Centros de Ciência de Portugal e ainda à conservação preventiva”, revela a respon- Associação Portuguesa de Museologia. sável pelo Museu, para além de as peças No tocante a apoios financeiros, o serem fotografadas e inventariadas. Museu conta com a cooperação do Fun- De realçar também o trabalho desen- do Europeu de Desenvolvimento Regio- volvido em parceria com outras institui- nal (FEDER), do Ministério da Cultura ções museológicas e científicas, designa- e da própria autarquia. damente o Museu Nacional de História O Museu está aberto de terça-feira a Natural de Lisboa, o Museu Nacional de sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às Machado de Castro, o Departamento de 18h; e aos sábados e domingos das 14h Ciências da Terra e o Museu de Antro- às 19h. Com entrada gratuita, encerra à pologia da Faculdade de Ciências e Te- segunda-feira e aos feriados.
  • 6. 6 CIÊNCIA DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Francisco José Viegas apresentou LIVRO COORDENADO POR DOIS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS «Tempo e Ciência» em Coimbra Em primeiro plano o Prof. Morais Barbosa, de quem Francisco José Viegas foi assistente Rui Fausto Lourenço, Francisco José Viegas e Rita Marnoto na Universidade de Évora Foi apresentado no passado dia 30 de logia) e por Rita Marnoto (Professora de da leitura de um artigo sobre a vida do ci- sim por “textos a propósito de outros tex- Maio (na FNAC de Coimbra) o livro “Tem- Literatura Comparada da Faculdade de Le- entista que se apercebeu de que ele come- tos” e que, em paralelo com outros textos, po e Ciência”, um conjunto de textos da au- tras), ambos da Universidade de Coimbra. çou por ter outros empregos, um dos pri- “abrem novas perspectivas”. toria de vários cientistas e pensadores, co- A ideia que motivou o livro surgiu de meiros o de coordenar horários de comboi- Rui Fausto salientou ainda a beleza da ordenados por Rui Fausto (Professor de forma ocasional. Tal como referiu Rita os, tarefa difícil devido aos relógios que di- capa, da autoria de António Olaio (artista Química da Faculdade de Ciências e Tecno- Marnoto, teve algo a ver com Einstein. Foi feriam em alguns minutos, o que deu ori- plástico e docente da licenciatura em gem a reflexões sobre o tempo. Coincidiu Arquitectura da Universidade de Coimbra) este factor com a apresentação de propos- e o carinho com que o livro foi tratado pela Um dos mais jovens a receber tas culturais para Coimbra Capital da respectiva editora, a Gradiva. Cultura, no ano de 2003. Surgiu assim, A obra foi apresentada por Francisco Jo- o Grande Prémio da APE nessa altura, um ciclo de conferências inter- sé Viegas, escritor, jornalista, actualmente, disciplinares, algumas das quais viriam a dar Director da Casa Fernando Pessoa, e que origem ao livro “Tempo e Ciência”, con- poucos dias depois viria a ser distinguido junto de comentários acerca do tempo, com o Grande Prémio da Associação Por- Como acima referimos, Francisco Manaus” é “o melhor livro” de Viegas. E cujos autores pertencem não só à Universi- tuguesa de Escritores – como noutro local José Viegas foi galardoado com o acrescentou: “É um livro estupendo, que dade de Coimbra, mas também a outras se noticia. Grande Prémio de Romance e Novela da tem um enredo policial, mas também instituições portuguesas e estrangeiras. Francisco José Viegas falou sobre a dua- Associação Portuguesa de Escritores uma natureza psicológica e mítica, e que Rui Fausto, actualmente Presidente do lidade entre as áreas das Ciências e das (APE), sendo um dos mais jovens escri- junta dos perspectivas, a portuguesa e a Instituto de Investigação Interdisciplinar da Letras, mundos entre os quais “é necessário tores a receber esta distinção, atribuída a brasileira”. Universidade de Coimbra (III), salientou a estabelecer pontes”. Exemplo disso, subli- autores portugueses desde 1982. Baptista-Bastos disse que “Longe de “interdisciplinaridade do livro”, um “cruza- nhou o escritor, é a Colecção Ciência Viegas tem 44 anos. Nasceu em 1962 Manaus” é “um belíssimo romance de mento sistemático de saberes”. O tempo é Aberta, da qual faz parte o livro apresenta- em Vila Nova de Foz Côa, fez os estudos um grande escritor da língua portuguesa, um tema transversal que trouxe aos comen- do. Assim, segundo Viegas, o que o “Tem- secundários em Chaves, formou-se em que escreve um português admirável, tadores, pessoas com formações distintas, a po e Ciência” tem de mais fascinante é esse Letras na Universidade de Lisboa e che- coisa que vai sendo cada vez mais rara oportunidade de darem a sua opinião. Rei- “diálogo entre as letras e a ciência”, ponte gou a ser docente de Linguística na nos escritores e nos jornalistas portu- terou, no entanto, que o livro não é com- estabelecida entre dois conhecimentos e Universidade de Évora. Tem desenvolvi- gueses”. posto por verdadeiros comentários, mas “atravessada por linguagens diferentes”. do, a par da escrita, actividades múltiplas A obra ficcional de Viegas inclui títu- A crise da qualidade na leitura de divulgação cultural, na rádio, nos jor- los como “Crime em Ponta Delgada”, nais e na televisão. “Morte no estádio”, “As duas águas do Surpreendido com a atribuição do mar” e “Lourenço Marques”, romances prémio, considerou-o um estímulo. assentes em tramas policiais mas não se Numa breve entrevista ao “Centro”, Viegas estreou-se nas letras em 1983, limitando a um desenvolvimento linear Francisco José Viegas disse não poder afir- aos 21 anos, com uma recolha poética a desse “esquema”. mar que exista hoje uma crise de leitura, na que deu o título de “Olhos de água”. Escreveu ainda uma peça de teatro, medida em que, refere, “não existem dados Quatro anos depois, publicou um novo “O segundo marinheiro”, e um livro de seguros desse facto”. título poético, “As imagens”, e lançou a viagens, Comboios portugueses”. Segundo o escritor nos afirmou, em sua sua primeira ficção, “Regresso por um O Grande Prémio de Romance e opinião a verdadeira crise tem a ver com as rio”. Novela da APE registou na edição deste escolas, na medida em que são leccionados “Excelente poeta”, na opinião do ano um número recorde de obras con- “menos autores clássicos”. também poeta e ficcionista Vasco Graça correntes, 90. O seu valor pecuniário é Para Francisco José Viegas o “problema Moura, o anterior vencedor do prémio de 15.000 euros. está na qualidade da leitura”, ou seja, não com o romance “Por detrás da magnó- Nas anteriores edições foram distin- tem a ver com a quantidade do que se lê, lia”, Viegas deu já à estampa, 23 anos guidos autores como José Cardoso Pires, mas sim com a qualidade do que se lê. volvidos sobre a sua estreia, seis livros de Augusto Abelaira, Saramago, Agustina “Não é um drama, nem um perigo”, afirma poesia e nove de ficção. Bessa-Luís, David Mourão Ferreira, o escritor, mas a mudança teria que passar Para Lídia Jorge, distinguida com o Vergílio Ferreira, Mário Cláudio e pelas escolas, as quais deveriam ser “um Grande Prémio em 2002, “Longe de António Lobo Antunes. lugar onde as pessoas aprendessem a ler e a ter princípios de leitura”.
  • 7. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 SAÚDE 7 Medicamentos sem receita DENUNCIA OBSERVATÓRIO DOS SISTEMAS DE SAÚDE mais caros fora das farmácias GOVERNO NÃO ESCLARECE Os medicamentos sem receita vendidos o Relatório critica a dificuldade em quot;descor- fora da farmácia são mais caros, o que con- tinarquot; um quot;claro enfoque estratégicoquot;, POPULAÇÕES traria um dos objectivos anunciados pelo dando como exemplo a criação das Unida- Governo para avançar com a medida, reve- des Locais de Saúde, quot;sem que se perceba O Relatório acusa o Governo de ser in- la o 6º Relatório do Observatório Portu- qual o desempenho e papelquot; dos hospitais e capaz de esclarecer as populações sobre o guês dos Sistemas de Saúde. centros de saúde que as compõem. processo de fecho de blocos de partos e do O documento, que foi ontem apresenta- Sob a crítica do documento está também fim dos actuais serviços de urgência dos do em Lisboa, procura analisar o impacto a quot;tomada de decisões que alteram substan- centros de saúde. do primeiro ano de governação em saúde cialmente a estrutura do sistema de saúde, O OPSS diz apoiar tecnicamente as duas da actual equipa ministerial, debruçando-se sem que se tenha tornado clara a existência decisões tomadas pelo Ministro da Saúde, tanto sobre as medidas já tomadas, como de um planeamento para as transformações mas lamenta que elas sejam tomadas quot;sem sobre os projectos entretanto anunciados. anunciadas ou em cursoquot;, como o encerra- que se tenha tornado clara a existência de Em relação às primeiras, e tendo em mento dos blocos de partos de 11 materni- um planeamento para as transformações conta que o sector do medicamento foi um dades e fim do atendimento de urgência anunciadasquot;. dos que mais alterações conheceu durante o dos centros de saúde. Em relação ao fecho de onze blocos de primeiro ano de tutela do Ministro da Saú- O Relatório lamenta também que se partos de várias maternidades, o documen- de, António Correia de Campos, o Rela- continue a sentir quot;a falta de alguma transpa- to sustenta que o quot;actual governo demons- tório realça que a medida emblemática da rência na informaçãoquot; e quot;alguma dificulda- tra coragem ao tentar colocar de novo no venda de medicamentos sem receita médica dequot; em abandonar quot;más práticas de gover- terreno decisões tecnicamente defensáveis, fora das farmácias apresentada pelo Pri- nos anterioresquot;. que só interesses locais mais pequenos têm meiro-Ministro aquando da sua tomada de Neste caso o exemplo apontado pelo dificultadoquot;. posse está a ter um resultado diferente do Relatório é o das listas de espera para cirur- Porém, quot;todo este processo talvez pudes- anunciado. gia, que o OPSS estima englobarem já 257 se ter sido conduzido de forma diferentequot;, De acordo com o 6.º Relatório do mil pessoas, e em relação à qual lamenta nomeadamente quot;se tivessem sido encaradas Observatório Português dos Sistemas de que o ministro da Saúde quot;tenha ignorado o com antecedência as eventuais reacções dos Saúde (OPSS), a quot;informação disponível Pedro Ferreira, professor da Faculdade de pedido de fornecimento de dadosquot; apre- autarcas, mesmo quando imbuídas de algu- aponta para o aumento generalizado dos Economia de Coimbra e responsável pelo sentado a 31 de Março. ma dose de populismoquot;, realça o relatório. preços dos Medicamentos Não Sujeitos a Observatório dos Sistemas de Saúde Por isto, o Observatório reitera as reco- O documento contesta ainda que o encer- Receita Médica (MNSRM) face ao período mendações feitas no documento do ano ramento dos blocos de partos possa ser en- prévio à liberalizaçãoquot;, salientando-se que OPSS resulta de uma parceria entre a Es- passado, nomeadamente a divulgação dos tendido como uma quot;decisão puramente eco- quot;os preços de venda ao público nestes cola Nacional de Saúde Pública, a Facul- tempos de espera por patologia e serviço de nomicistaquot; e considera que a polémica insta- novos estabelecimentos são, na generalida- dade de Economia da Universidade de saúde. lada nas autarquias e populações contra a me- de, superiores aos preços praticados nas Coimbra /Centro de Estudos e Investiga- A falta de informação clara é também dida do Ministério da Saúde é quot;mais uma ma- farmáciasquot;. ção em Saúde da Universidade de Coimbra apontada ao processo das parcerias entre os nifestação de pouca coerência com opções Tal como assinala o documento, quot;estes e o Instituto Superior de Serviço Social do sectores público e privado para a constru- tomadas em diferentes ciclos políticosquot;. factos contrariam, no presente, um dos ob- Porto. ção de dez novos hospitais - quot;das quais não Chamando a atenção para a necessidade de jectivos da liberalização dos MNSRMquot; Neste documento anual, o OPSS salien- transparece para o grande publico a infor- envolver mais as autarquias e informar os cida- anunciada pelo Primeiro-Ministro, José ta que quot;não toma posição sobre as agendas mação sobre o que acontecequot; -, e às contas dãos da quot;melhoria de qualidade e segurança que Sócrates, nomeadamente quot;a diminuição do políticasquot;, mas pretende sim quot;analisar os dos hospitais Sociedade Anónima que o passam a terquot;, o relatório do OPSS alerta tam- [seu] preço, com obtenção de ganhos para seus efeitos, assim como a qualidade da go- Governo transformou em Entidades Pú- bém o Ministério da Saúde para a necessidade os consumidores, decorrente do aumento vernação em saúde no paísquot;. blicas Empresariais (EPE). de precaver e impedir quot;qualquer tentativa de da concorrênciaquot;. O sector do medicamento é um dos quot;A não publicação periódica de dados de aproveitamento desta situação para a criação e O Relatório do OPSS, intitulado quot;Um poucos em que o Relatório apresenta al- desempenho e a quase ausência de publica- manutenção de unidades privadas de partosquot;. ano de Governação em Saúde: Sentidos e guns resultados concretos da governação ção dos Relatórios de Gestão e Contas le- A forma como o processo de encerra- Significadosquot;, critica ainda a entidade regu- socialista, uma vez que, por se tratar do pri- vam a afirmar que, se a anterior equipa mi- mento dos blocos de partos se tem desen- ladora do sector, o Instituto Nacional da meiro ano, quot;não há ainda tempo suficiente nisterial foi várias vezes alvo de críticas re- rolado leva ainda o Observatório a questio- Farmácia e do Medicamento, que quot;não dis- parta se apreciar com o rigor e detalhe ne- lacionados com a veracidade dos dados pu- nar se, quot;apesar da sustentação técnicaquot;, está ponibilizou qualquer informação sobre a cessários (Ó) os efeitos das medidas toma- blicados, neste caso, a ausência de dados realmente a ocorrer uma quot;reestruturação evolução, subsequente à medida tomada, dasquot;. oficiais relacionados com o desempenho integrada da rede de cuidadosquot; ou quot;se esta do mercado totalquot;. Na apreciação geral que faz à actuação hospitalar é uma realidade infelizmente ve- é uma intervenção desgarrada duma con- Lançado desde 2001, o Relatório do da equipa liderada por Correia de Campos, rificadaquot;, sustenta o documento. cepção mais global dessa rede de serviçosquot;. Pó de giz das escolas pode afectar ambiente ESTUDO SOBRE QUALIDADE DO AR ESTÁ A DECORRER EM VISEU O giz usado para escrever nos quadros dar” avançaram já, no Dia Mundial do Participam no estudo quatro escolas de para o interior da sala levam consigo “de- das escolas poderá ser o responsável por Ambiente (5 de Junho), alguns resultados, Viseu, duas situadas na zona urbana terminado tipo de partículas que são depois elevadas concentrações de partículas detec- conseguidos no âmbito da primeira campa- (Marzovelos e Massorim) e outras duas em levantadas”. tadas na atmosfera do interior dos edifícios, nha experimental do projecto, desenvolvida zonas mais periféricas (Jugueiros e Ra- “Isto significa que haverá com certeza revelam resultados preliminares de um es- em Janeiro deste ano. nhados). cuidados adicionais a ter no interior das tudo a decorrer em Viseu. Segundo Carlos Borrego, da Universi- No interior das escolas “as partículas são salas de aulas e a segunda campanha já está O projecto “Saudar - A saúde e o ar que dade de Aveiro, nesta campanha foi possí- em concentrações três a quatro vezes supe- orientada para aí”, sublinhou. respiramos”, elaborado pelas Universidades vel verificar que “não há poluição signifi- riores às do exterior”, afirmou Carlos Na próxima campanha, a desenvolver de Aveiro e Nova de Lisboa e financiado cativa” em Viseu, excepto no que respeita Borrego, esclarecendo que esta “não é com durante este mês, vai haver “uma sala de pela Fundação Calouste Gulbenkian, teve às partículas, tendo sido encontrados “al- certeza poluição que vem de fora, é sim po- aulas com quadro de giz e uma outra onde início em Abril de 2004 e só deverá estar guns indícios quer de concentrações ele- luição no interior da própria escola”. se vão usar marcadores”, sendo previamen- concluído em 2008. vadas no exterior, quer no interior da es- Por outro lado, acrescentou, os próprios te medidos “os compostos orgânicos volá- No entanto, os responsáveis do “Sau- colas”. alunos ao levarem as suas mochilas e pastas teis que esses marcadores têm”.
  • 8. 8 OPINIÃO 32 anos e meio DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 PRAÇA DA REPÚBLICA De facto, apesar de existirem graves proble- telar. Depois há ainda quem se espante por- mas de ineficácia das instituições públicas, que os portugueses não esperam nem con- João Caetano raramente ocorre a responsabilização do fiam nas decisões dos tribunais. Estado ou dos seus agentes. A verdade é que muitas coisas se perdem A Guitarra Carlos Carranca É também verdade que, em muitas áreas por não serem faladas. Uma coisa é a acção relvaocaetano@yahoo.com Um dos maiores obstáculos dos nossos sociais, a acção dos privados é mais frutuo- do poder político não poder ser posta em de João Alvarez dias à acção política é a burocracia, ela sa do que a pública. Na base de tal facto, causa pela acção dos particulares. Outra mesma fruto do seu labor. Até pode pare- parece estar a natureza da intervenção: as coisa é a colaboração que os particulares cer que a burocracia fala direito, mas a ver- obras privadas são mais apelativas do que as querem dar. Esta é imprescindível. Mas O tempo dade é que se irrita à primeira dúvida. públicas, porque estão mais perto do cora- para isso as pessoas precisam de poder falar me constrói Extremamente rígida e impaciente, a buro- ção. Já o problema das obras públicas resi- alto e justo, de maneira que todos ouçam. e me destrói cracia é alheia a valores e iniciativas, faz de na divisa que as orienta. À semelhança Falar também significa dizer a verdade. o tempo. com que cada um viva no seu pequeno do que ocorre nas obras particulares, a divi- Mas só diz a verdade quem diz a verdade mundo, afasta a verdadeira generosidade. sa correcta das obras públicas deveria ser toda. Os sistemas políticos que consagram Falo do tempo… Quando se verifica, como é o caso de “procurar acima de tudo o bem de quem é o medo de que as pessoas falem, tocando o Portugal, a prevalência ideológica das obras servido”. O espírito financista hoje muito coração dos seus, criam inevitavelmente fal- E há uma guitarra ditas do Estado sobre todas as outras, nin- em voga se, por um lado, exerce uma fun- sas caricaturas. É o caso do cidadão a quem por dentro desse tempo guém dá nada às primeiras. Pelo contrário, ção de racionalização positiva, por outro são reconhecidos direitos, mas que formal- e é de vento. cria-se margem para a criminalidade econó- lado, pode gerar a corrupção, fazendo crer mente, na hierarquia das prioridades, está mica e administrativa, na conta de que não que o que importa é produzir resultados a condenado a não os exercer. É por dentro que nos dói se será descoberto. Um bom conhecedor todo o custo. Contra quem assim julga, eu Quem procura a verdade não pode ter essa guitarra-vento. dos romances de Eça de Queirós não igno- digo que não há bom governo sem justiça. medo do que pode vir. E quem clama por ra este facto político relevante: os portu- Não se pense porém que a acção dos par- justiça, e é reconhecido como um legítimo E há o vento gueses são manhosos. E a manha é tanto ticulares é fácil. Os seus passos são muitas interveniente do sistema político, não pode - uma guitarra. mais forte quando se está dentro do vezes tímidos ou titubeantes, porque, contra deixar de dizer a verdade toda. E há o tempo Estado. E muitos dos que lá não estão para os seus desejos sinceros, não lhes é permiti- O poder é demasiado alto, quando não que nos dói lá espreitam. “Não te preocupes, isto é do do falar. Muitas obras de voluntariado soci- se refere a quem anda na terra. 32 anos de- e nos amarra Estado”. Muitos ainda acham que os con- al ficam à margem dos seus objectivos por pois do 25 de Abril de 1974, apraz-me re- e nos constrói tratos da sua vida serão feitos com o falta de direitos de decisão. Ainda há poucos cordar uma frase da célebre – embora e nos destrói. Estado, porque os preços serão mais altos e dias os jornais noticiaram que o Tribunal assim impropriamente denominada – carta os contratos menos escrutinados. Existe Administrativo e Fiscal de Lisboa indeferiu de D. António Ferreira Gomes a Salazar, Uma guitarra abundante comprovação do que acabei de uma providência cautelar interposta por escrita 32 anos após 28 de Maio de 1926: uma guitarra dizer: desde os pequenos e tolerados furtos uma associação de mulheres, com funda- “V. Ex.ª insiste em que a política não tem e é de vento. dos economatos públicos até à negociação mento na ilegitimidade da requerente. Não futuro, mas sim a necessidade de governar. de contrapartidas pela realização de contra- seria nada de estranho, se a curta decisão, in- Concordo, mas precisamente no sentido de tos com o Estado, passando pela sua per- cidindo exclusivamente sobre matéria pro- que a política vai submeter-se à sociologia versa redacção, de modo a incluir trabalhos cessual, não tivesse sido proferida quatro se- [a um conjunto de finalidades úteis para e tempos não previstos. Para a maior parte manas depois de dois dias de intensa produ- todos]. Quanto a nós, apesar das aparências das pessoas, o Estado é um senhor desco- ção de prova, em que intervieram testemu- e da urgência – “nos próximos seis nhecido, que mora muito longe. A distância nhas de todo o país, e quase cinco meses meses”… – sinto ter de pensar que não es- significa ausência, e a ausência é injustiça. após a entrada em juízo da providência cau- tamos a caminhar, a não ser do avesso”. foram comprados, que nunca foram mon- servirá aos empresários e trabalhadores pri- tados nem usados e que agora vão ser ven- vados auto-avaliarem-se com notas eleva- didos. Quem é que é responsável? Há aqui das, se não tiverem clientes que os esco- dois aspectos, o de olhar para trás e o de lham. No ensino privado, os pais dos alu- olhar para a frente. No olhar para a frente nos são, afinal, os avaliadores das escolas, gostaria que isto não fosse mais possível, através da sua escolha. itações que houvesse transparência e uma gestão Infelizmente, os utilizadores dos servi- criteriosa das aquisições de equipamento ços do Estado não têm esse privilégio. E os militar. Olhando para trás, quero que se que menos posses têm não dispõem de al- apure responsabilidades, tanto política ternativas às escolas, hospitais e tribunais como tecnicamente por estas compras ab- do Estado. CARTÓRIO NOTARIAL DE A. NUNES DA COSTA Gaveto à Av. Fernão de Magalhães, n.º 136, 1.º, salas E, F e G solutamente desastrosas”. Ao menos que se lhes permita emitir 3000-171 Coimbra - Tel: 239832258 Fax: 239832160 uma opinião acerca dos serviços que o Primeira publicação Ana Gomes Estado, com os impostos de todos, lhes JN 13/JUN/06 presta”. JUSTIFICAÇÃO NOTARIAL O BANQUETE EXTRACTO A AVALIAÇÃO PELOS PAIS Proença da Carvalho E O FOSSO CERTIFICO, narrativamente, para efeitos de publicação, DN 10/JUN/06 que por escritura de vinte e seis de Maio de dois mil e seis, iniciada a folhas duas, do livro número “dez-A”, de notas “Dizem as estatísticas que, em Portugal, “Mas o que terá de sacrílego que os pais A DUPLA para escrituras diversas, deste Cartório, Luís Manuel 91% da população são católicos e que cerca dos alunos dêem a sua participação na ava- Cardoso de Meneses de Almeida, casado com Maria de DA ESQUERDA Fátima Cristino Teixeira Dias Cardoso Meneses Almeida, sob de dois milhões e meio de portugueses ce- liação dos professores? Não são os alunos, o regime de comunhão de adquiridos, natural da freguesia da Sé Nova, concelho de Coimbra, residente na Avenida lebram todos os domingos a Missa, o ban- justamente, a razão de ser do trabalho dos Marnouco de Sousa, número vinte e oito, freguesia da Sé quete fraterno do Senhor. O que não se professores? “Sócrates-Cavaco. A esquerda tem uma Nova, cidade e concelho de Coimbra, JUSTIFICOU PELA USUCAPIÃO, a aquisição dos seguintes imóveis, como seu percebe então é, por exemplo, como é que A realidade é que existe um enorme dé- dupla como nunca teve . O consulado Gu- bem próprio: a) Prédio urbano, sito na Avenida Marnouco e Sousa, o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% fice de avaliação dos profissionais que exer- terres- Sampaio esteve a anos-luz deste freguesia da Sé Nova, cidade e concelho de Coimbra, com- posto de casa de habitação de cave, garagem, rés-do-chão mais pobres se cava cada vez mais fundo”. cem funções na administração pública. novo “ticket” da política portuguesa. e primeiro andar, com a área coberta de duzentos e vinte e Esse défice é seguramente um dos factores Eleito em nome da Direita, só votou cinco metros quadrados e área descoberta de trezentos e noventa metros quadrados, que confronta do norte com Anselmo Borges responsáveis pelo mau funcionamento do Cavaco quem preferiu o mal menor, julgan- Maria Amélia Albergaria Nunes, sul com Avenida Marnouco e Sousa, nascente com Carriço e poente com João Duarte DN 10/JUN/06 Estado, por falta de estímulo aos que mais do que os velhinhos Soares e Alegre podi- de Oliveira, não descrito na Conservatória do Registo Predial se empenham ao seu serviço. Nas activida- am levar a melhor. competente, inscrito na matriz urbana respectiva sob o arti- COMPRAS DESASTROSAS go 1413, com o valor patrimonial de € 102.170,63, proprieda- des privadas, o mercado exerce essa avalia- Eu pecador, me confesso, votei Cavaco, de perfeita pelos meios normais. DE CONFORMIDADE COM O ORIGINAL Coimbra e Cartório Notarial de A. Nunes da Costa, em ção permanentemente. As empresas e os como quem se despede da família”. “Houve a admissão pelo ministro da De- profissionais liberais não sobrevivem se os um de Junho de dois mil e seis. fesa português na Lei de Programação consumidores dos seus produtos e serviços Manuel Serrão A colaboradora do Notário, Militar desse episódio dos aviões F-16, que escolherem os seus concorrentes. De nada JN 14/JUN/06 Maria Lisete Carreira (“Centro”, edição nº 6, de 21/06/06)
  • 9. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 PUBLICIDADE 9
  • 10. 10 OPINIÃO Escola de emergência DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 cessivas governações foram deixando na inconsequente de esforços e cabedais, em reira dos docentes que a seriedade e compe- manta de retalhos que é o nosso sistema tempo algum será uma escola de excelência tência regressarão à escola mas através educativo. Só que, à farda de bombeiro, tido que é aquela de que precisamos como do ar duma revisão profunda, consistente e coe- como soldado da paz, associou ela a espada que nos mantém vivos. rente da política curricular, da organização do guerreiro, desencadeando, tal como o A escola tem de ser um lugar agradável e da escola e da formação de professores nas chefe do governo, quixotescas e desneces- apelativo. Com crianças e jovens ensonados suas vertentes inicial e permanente pelo en- sárias guerras contra quem, no fundo, pior arrebanhados nos casais e aldeias ainda riquecimento integrado e equilibrado das ou melhor, faz funcionar o próprio sistema. noite cerrada, com alunos amedrontados competências pedagógicas, científicas e téc- Renato Ávila Atacar o insucesso educativo e o aban- por uma crescente onda de violência que nico-didácticas. dono escolar com as pontuais medidas de ninguém combate e que muitos pretendem É importante deixar trabalhar a Senhora O Senhor Presidente da República res- encerramento das pequenas escolas, do silenciar, com professores continuamente Ministra, como foi importante deixar traba- suscitou há dias uma das frases marcantes tapa-furos lectivos, do prolongamento in- sujeitos a uma gratuita e soez campanha lhar os Ministros Couto dos Santos e do seu duplo consulado de primeiro-minis- tempestivo do horário escolar, da mobiliza- descredibilizadora, confinados uns e outros Manuela Ferreira Leite. tro – quot;deixem-nos trabalhar!quot; ção máxima da pretensa disponibilidade em espaços arquitectonicamente inacolhe- E foi o que se viu. Deixem trabalhar a Senhora Ministra, re- temporária dos docentes, da duplicação dos dores e desadequados ao salutar funciona- Seria bem melhor que esta burocrática e comendava S.Excª da etérea e suprema cá- professores de matemática, da adopção de mento das práticas lectivas e para-lectivas, esburacada manta de retalhos desse lugar a tedra de Primo Magistrado da Nação. currículos alternativos para motivar a esco- a escola estará sempre sujeita à rejeição e ao uma peça única bem pensada e bem urdida De facto, a Senhora Ministra da laridade aos candidatos ao abandono, as insucesso. na construção duma escola de excelência, Educação arregaçou as mangas e vem ata- draconianas e caricatas disposições de jul- A escola tem de ser um lugar de trabalho só possível com a definição e prossecução cando com mais ou menos sabedoria, mas gamento e punição das faltas dos professo- sério e consequente. O sistema não tem fi- duma coerente e consistente política educa- com muito empenho, os gravíssimos pro- res para combater um supra empolado ab- losofia clara e credível. Funciona de acordo tiva. blemas de que enferma a escola e a educa- stencionismo... não só não tapam os bura- com as expectativas e vicissitudes imediatas È que, nesta escola de emergência, a ção no país. cos da manta como ainda lhe abrem muitos e com os tiques burocratizantes de sucessi- Senhora Ministra, por mais que se esforce, É inegável. A Senhora Ministra está a outros. vas décadas de poderes mal definidos. Não não vai longe. É fartar, vilanagem!! tentar tapar os inúmeros buracos que as su- Esta escola de emergência, delapidadora será, nunca, na alteração do estatuto da car- E todos continuamos a perder. Educação desde o 25 de Abril não são pro- peliu ao exílio. De Chagall a Kandinsky não soberba herança clássica que – desde logo – priamente anónimos; e, todavia, é a eles – e faltam exemplos, mas os professores não deu o tom para as desgraças que nos espera- só a eles – que se deve a inenarrável catástro- vão, evidentemente, exilar-se. vam. Quem, na altura, o identificou? Nivelar, fe em que nos encontramos. “ Um rei fraco Que qualquer jornalista rasca incense a sim, mas por baixo – as Escolas Secundárias faz fraca a forte gente”, como disse o vate. Senhora Ministra e o próprio Primeiro- aí estão, com insofismável designação, a atra- Bastaria a seriedade e o empenhamento Ministro ainda não tenha dado pela heca- içoar o excelso escopo do Educar. J.A. Alves que os professores põem na sua tarefa para tombe… a quem é que isso espanta? E até Claro que a ancestral e procaz incultura lusa Ambrósio os alcandorar ao reconhecimento público – um tão espantoso filósofo como Proença logo virá bramar contra a palavra “liceu”. Mas donde o que se passa só poder provir de de Carvalho compõe o ramo. Foi no DN de aí, nela precisamente, é que a educação está O mundo da Educação é muito mais um espírito maligno que, na melhor das hi- hoje. Lembrou-me uma afirmação de com esta Ministra, a quem, com absoluta legi- vasto, complexo e profundo – sobretudo póteses, tem uma aparência especiosa. Heraclito que, por pudor, não cito. timidade se dirão as palavras, em Alfarrobeira muito mais espiritual – que qualquer cida- O que, nas suas palavras, parece elevado, Estas nossas palavras não são nem far- proferidas por D. Pedro. Ademais, o que acon- dão, momentaneamente desperto para a provém do deletério. E faz-me lembrar os ronca, nem demagogia. Conhecer o funcio- teceu no estabelecimento do Lumiar é – tão- questão pelas trombetas da comunicação elementos das vanguardas russas, todos de- namento de um liceu por dentro é, não raro, só – o retrato da praxis da Senhora Ministra. social, pôde alguma vez imaginar. dicados – e a sonhar com a transformação situarmo-nos no puro domínio da emoção. É fartar, vilanagem!! Os pré-filatélicos POIS... É tanto assim, que os responsáveis pela – a quem Estaline, uma vez no poder, com- Liceu – sim, Liceu. Foi o desprezo pela Guarda, 11-VI-06 FILATELICAMENTE João Paulo Simões Comunicar, sempre foi uma necessida- José de do Homem. Inicialmente, usava as d’Encarnação pinturas nas cavernas, as pinturas rupes- tres para comunicar. Mais tarde, com a Três anos de estudos intensivos. descoberta do fogo, passou a enviar si- Sim, que estudo não é apenas ir às nais de fumo e, na Idade Média, eram os aulas: é preciso ler, ler, ler; investigar; mensageiros que levavam a correspon- pensar, em espírito crítico; seguir as dência a cavalo. Hoje usamos as cartas. últimos tinham uma cor sépia. Também Estas cartas são hoje muito raras, va- pistas traçadas nas sessões; ter um mes- Antes do aparecimento do selo, as cartas havia cartas pagas pelo remetente. Neste lendo por isso muito dinheiro. Há colec- tre sempre disponível para “atendi- eram colocadas no correio e recebiam um caso o carimbo a aplicar era outro: FRAN- cionadores que se dedicam a esta temáti- mento personalizado” (que frase boni- carimbo nominal da estação expeditora. CA, ou PAGOU O PORTE. Os serviços ca com álbuns bastante valiosos. ta na publicidade empresarial!...); saber Caso não existisse esse carimbo, o que era públicos isentos de pagamento apresenta- Deixo aqui dois exemplos de duas car- os nomes dos professores e os profes- raro, era substituído pela designação manus- vam ao centro em cima, as iniciais RS ou tas distintas. Uma segura de Alenquer sores saberem os nomes dos estudan- crita da localidade. A correspondência era SNeR. Nas cartas registadas escrevia-se SE- para Azambuja em 13 de Maio de 1836, tes; ter turmas pequenas… paga pelo destinatário e, no canto superior GURA. muito rara. Outra expedida normalmente A mudança radical! De… mentali- direito era colocado um selo fixo ou manus- (Baseado em www.pwp.netcabo.pt/cm.fonse- de Coimbra para o Porto em 10 de Ou- dades! Assim, do dia para a noite. crito, ou aplicado através de carimbo. Estes ca/selos/cartas.htm) tubro de 1837.
  • 11. CRÓNICA DE VIAGENS 11 A cidade-monumento dos artistas DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Florença é a cidade das artes e de todos os artistas. Fervilha de Cultura e de História, respira vida. As ruas, estreitas, estão repletas de fachadas renascentistas. O amor celebra-se a cada esquina. José Manuel Simões (texto e fotos) O rio Arno prossegue a sua lânguida ca- valgada por debaixo da Ponte Vecchia, a mais antiga de Florença. Facilmente se ima- ginam os romanos que por ali passaram, os comerciantes de ouro e de pedras preciosas trazidas do além-mar a estabelecerem tro- cas comerciais. Turistas olham fascinados para as vitrinas luxuosamente imponentes que bordam esta ponte que divide a parte nova e a velha da cidade. Algo de maravi- lhoso se passa. Um casal de namorados troca carícias, um artista transpõe para a tela a grandiosi- dade da paisagem envolvente, séculos de História penetram o nosso olhar pasmado. Pese embora a instável situação social e política que Florença viveu na segunda me- tade do século XIII, foi durante estes tem- pos que a cidade registou um enorme de- senvolvimento na Arte e na Literatura. Eram os anos de Dante e do dolce stilo nuovo, de Giotto e de Arnolfo di Cambio, dio improvisado é a Piazza della Signoria – Na Via San Gallo, pode apreciar-se a «COMPRAR» CULTURA em que muitas famílias ricas e poderosas, onde ficam situados alguns dos mais belos Igreja de San Gallo e, para manter o des- como os Pitti e os Frescobaldi, mandaram monumentos europeus como o Palazzo lumbramento, basta entrar nas galerias Em Florença a História tem início com construir os seus palácios. Vecchio – grande trono dos Médici – e a Ufizzi, admirar as gravuras de Albrecht os romanos, 59 anos antes de Cristo. A Caminhando pelas ruas estreitas que sepa- Galeria Uffizi, casa-museu do efebo Durer, as obras de Filippo e Filippino Lip- inundação de 4 de Novembro de 1966 pro- ram as fachadas renascentistas – artérias “David”, de Miguel Ângelo, e do “Hércules pi, a “Anunciação” de Leonardo, os impres- vocou graves danos na arquitectura local e vivas da antiga República – sente-se uma ci- e Caco” de Bandinelli. Por aqui acontecem sionantes trabalhos de Rafael. o atentado de 27 de Maio de 1994 danificou dade a fervilhar de cultura e de entusiasmo. inúmeros concertos de música clássica. Ao lado do Duomo fui abordado por um seriamente as Galerias Ufizzi. Todavia, con- As realizações artísticas são celebradas, como grupo de ciganas vestidas com roupas colo- tinua a ser o berço de artistas, de amantes se de um ritual se tratasse, em qualquer ponto JUNHO FLORIDO ridas e falas exuberantes, carregando filhos da cultura e de compradores. Aqui, é possí- recôndito ou visível desta cidade-monumen- ao colo, cara suja de terra misturada com lá- vel adquirir inúmeros produtos com direito to. Na Via Cavou fica-se perplexo diante da Se tiver oportunidade de visitar a cidade, grimas. Enquanto intensificavam os gestos, ao rótulo de “artísticos”, desde o vestuário beleza do Palácio dos Médicis. Junho é o mês indicado. A ponte de Santa iam, perante o meu espanto, passando as ao artesanato, até à joalharia e às louças e É Domingo de Páscoa. A cidade fervilha Trinitá (reconstruída depois da II Guerra mãos pelo meu corpo. Quando me prepara- vidros. Uma cidade que tem um dos cen- com uma festa única no mundo, a “Ex- Mundial segundo o modelo original do sé- va para entrar no Museu do Duomo consta- tros europeus mais ricos em palácios e igre- plosão do Carro”, espectáculo de fogo-de- culo XVI) é decorada de flores para receber tei que a minha carteira tinha mudado de jas e que comporta o maior número de ar- artifício que enche de cor todas as artérias. a “Festa Íris Show”. Odores a rosas e fascí- bolso. Alguns dias depois compreendi que tistas por metro quadrado da Europa. E Tal como em muitas cidades portugueses, nio envolvente suavizam a caminhada. So- em Florença existem inúmeras mulheres de como é fantástico caminhar pelas ruas também aqui, no dia 24 de Junho, se celebra mos transportados até ao Renascimento, etnia cigana que se dedicam a roubar turistas. desta cidade-monumento, apreciando os ar- o S. João. No mesmo dia, festeja-se ainda o época em que Florença viu emergir perso- Dentro do Museu do Duomo, esplendor tistas que em qualquer rua, canto ou esqui- Cálcio Storico, um jogo de futebol em mol- nalidades como Leonardo de Vinci e Miguel do estilo gótico, ver a “Pietá” de Miguel na, se deixam inspirar pela arte que herda- des medievais, com um notável guarda- Ângelo, obtendo, através das suas obras, Ângelo é das experiências mais fantásticas ram de um dos passados históricos mais roupa que lembra tempos distantes. O está- muito do prestígio que ainda hoje possui. para quem ama a arte. ricos do Mundo.
  • 12. 12 A PÁGINA DO MÁRIO Campeonato do Mundo apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Mário Martins
  • 13. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 A PÁGINA DO MÁRIO 13
  • 14. 14 DESPORTO DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Elite mundial brilhou em Coimbra CAMPEONATO DO MUNDO DE GINÁSTICA ACROBÁTICA Decorreu em Coimbra, petição a delegação da Rússia liderava em entre 14 e 17 de Junho, três especialidades, na de pares femininos, o XX Campeonato Mundial pares mistos e trios femininos. Em pares de Ginástica Acrobática. masculinos, a Ucrânia conquistou o primei- O balanço é positivo, apesar ro lugar da qualificação, e em grupos mas- culinos a Grã-Bretanha liderou por com- de o público não ter aderido pleto, com dois grupos em primeiro e se- em massa gundo lugar. No que toca aos portugueses, o par masculino composto por Telmo Dias e Hugo Teixeira foi o único capaz de salvar o orgulho lusitano, ficando apurado para a Mafalda Nogueira Terminou em beleza o XX Campeonato final, enquanto o trio feminino, que no pri- do Mundo de Ginástica Acrobática que, meiro dia tinha ficado em 3º lugar, não foi entre os passados dias 14 e 17, proporcio- além da 9ª posição e, portanto, deixou pelo nou ao público momentos gímnicos bri- caminho o sonho de ir à final. Neste dia, lhantes. O campeonato realizado em Coim- em que se decidiu o apuramento para as fi- bra, sobre a égide da Federação Internacio- nais, realizou-se também a cerimónia pro- nal de Ginástica (FIG) e com o apoio da tocolar de entrega de medalhas por equipa, Federação Portuguesa de Trampolins e em que a Rússia, mais uma vez, foi a gran- Desportos Acrobáticos e da Associação de vencedora, logo seguida pela Grã- Académica de Coimbra, contou com a pre- Bretanha e pela Ucrânia. sença de 150 ginastas, em representação de 19 países. A Cerimónia de Abertura do evento reali- DOMÍNIO RUSSO zou-se no dia 14, pelas 21 horas. Após o des- file dos participantes e dos juízes, o presiden- O dia 17, dia das grandes finais por espe- te da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos cialidade, começou às 15 horas com os Encarnação, e o Presidente da FIG, Bruno Grupos Masculinos e os Pares Mistos. Nos Grandi, fizeram um pequeno discurso e de- grupos masculinos, os ingleses arrecadaram clararam aberto o campeonato. Seguiu-se o o primeiro lugar e os ucranianos ficaram em juramento feito pelos atletas e pelos juízes, em segundo, mas foram os chineses, classifica- nome de uma competição justa. Começou dos em 3º, que levaram a assistência ao depois o espectáculo em si, cheio de luz, cor, rubro. Nos pares mistos os russos levaram tradição e inspirado nas lendas do brasão de para casa o 1º e o 2º lugar e o 3º foi arreca- Coimbra e de Inês de Castro, que estão na dado pelo par dos Estados Unidos. Seguiu- origem da nossa cidade. se a final de pares femininos, bastante renhi- da, em que o par da Bielo-Rússia acabou PAR PORTUGUÊS por vencer o par da Rússia, que arrecadou o NA FINAL segundo lugar, e a China, com um par muito simpático, ficou com o terceiro lugar. Na O dia 15 marcou o início da competição, sessão da noite, a Rússia voltou a vencer com todos os competidores a subirem ao duas medalhas, primeiro e segundo, na espe- praticável e a realizarem os esquemas de cialidade de grupos femininos, ao deixar o equilíbrio, onde se exige força, flexibilidade, público de “boca-aberta” com a dificuldade equilíbrio e agilidade e dois, três ou quatro dos seus exercícios. Na final da especialida- ginastas estão em contacto constante, e de de pares masculinos o nosso par portu- também de dinâmico, onde vemos saltos, guês ficou com o 6º lugar, muito graças ao voos e recepções. No primeiro dia, a dele- apoio do público que esperou pelo último gação portuguesa realizou boas provas, dia para encher as bancadas. Aqui os gran- com o par Telmo Dias e Hugo Teixeira a des vencedores foram os ucranianos, segui- conquistar o 6º lugar e o trio composto por dos por russos e polacos. Joana Vicente, Débora Pinto e Joana Geada O balanço deste XX Campeonato do a classificar-se num magnífico 3º lugar. Os Mundo de Ginástica Acrobática, que termi- outros dois pares lusitanos realizaram tam- nou com o desfile de toda a organização, bém provas com um bom nível, mas infe- dos 100 voluntários e de todas as delega- riores aos restantes participantes. ções, é muito positivo e pretende-se que se O segundo dia de prova começou bem repita a partir de dia 21, data da cerimónia cedo e durante toda a manhã decorreram os de abertura do 4ª Competição Inter- restantes exercícios de dinâmico e equilí- nacional por Grupos de Idades. Esta prova brio. Nas sessões da tarde e noite, todos os volta a ter por palco o Pavilhão Multi- participantes realizaram os esquemas com- desportos de Coimbra e estende-se até ao binados, onde se conjugam os equilíbrios e dia 24, esperando-se que possa contar com os dinâmicos. Ao fim dos dois dias de com- mais público nas bancadas. Fantástico Alegria PAULO BARBOSA (OPINIÃO DO PÚBLICO) PAULA PINTO (OPINIÃO DO PÚBLICO) “Como leigo na matéria não me acho capaz de comentar os as- “Embora a cerimónia de abertura tenha sido bonita, esperava pectos técnicos da competição. Mas achei fantástico! E fiquei ter visto algo com mais vida, mais movimento e mais saltos. extremamente satisfeito por um evento destes ocorrer em A ginástica está a evoluir cada vez mais, proporcionando mo- Portugal e especialmente em Coimbra. É pena o pavilhão ter es- mentos de grande beleza, onde a agilidade, a elegância e a ale- tado pouco composto de plateia! Mas acho que o balanço é gria marcam uma forte presença“. muito positivo“.
  • 15. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 DESPORTO 15 Tricampeão da Proliga Imenso prazer SAMPAENSE DETÉM HEGEMONIA NA MAIOR PROVA DA FEDERAÇÃO PEQUENOS ATLETAS Como e quando entraste para o basquete? Entrei com 10 anos, no 5º ano de es- colaridade, através do Desporto Escolar. Que importância ocupa o basquete no teu dia-a-dia? O basquete é muito importante para mim, uma vez que é um desporto que pratico há já cinco anos e que me dá imenso prazer. Fala um pouco sobre a tua equipa. A nossa equipa é extraordinariamente unida e com uma vontade enorme de progredir. Assim, o ambiente que se vive Raquel Filipe, 14 anos é de grande camaradagem, entusiasmo e AAC – Basquetebol dedicação. Trabalhamos sempre em equi- 9º ano pa e o treinador desempenha um papel muito importante no conjunto. E vão três! O Sampaense voltou a vencer a maior Os responsáveis pela Sociedade Recreativa O basquete é só para os jogadores mais altos ou também pode prova da Federação Portuguesa de Basquetebol. Lealdade Sampaense estudam agora a possibilidade e deve ser para os mais baixos? Comandada por Jorge Dias, a turma de S. Paio de de ingressarem, pela primeira vez, na Liga de Diz-se que o basquete é para os jogadores mais altos pois esses têm Gramaços (Oliveira do Hospital) detém assim o Clubes de Basquetebol, depois de convite expresso a vantagem de chegar melhor ao cesto, no entanto a distribuição e orga- pleno das edições da Proliga, competição criada na feito pelo presidente José Castel-Branco. O assunto nização do jogo pode ser feita por um jogador mais baixo. O importan- época 2003/2004. Na grande final, depois de duas será alvo de aturadas discussões internas, uma vez te é a técnica de ataque, a velocidade e a defesa. vitórias caseiras (76-65 e 88-76), os tricampeões na- que a Direcção presidida por Vítor Duarte há Este ano a tua equipa venceu a Taça Nacional. Que sensações cionais foram copiosamente batidos no terceiro jogo muito que anseia dar este passo gigantesco para a viveram com esse momento? (90-70), no Pavilhão do Esgueira, mas acabaram por vida do clube, mas quer fazê-lo com os pés bem as- Vencer a Taça foi o prémio pelo trabalho desenvolvido ao longo de decidir a contenda no dia seguinte, igualmente em sentes na terra e de modo que possa cumprir todas toda a época. A sensação vivida foi uma enorme alegria e satisfação. Aveiro, vencendo após prolongamento por 74-83. as novas obrigações que vai assumir. A conquista da Taça foi festejada com um banho no mar… Quando apuradas para a “Final 4”, decidimos que se trouxéssemos a Desce e sobe Taça para Coimbra iríamos mergulhar nas águas frias de Viana de OLIVAIS ESTÁ DE REGRESSO AO CAMPEONATO NACIONAL 1 Castelo. Consegues conciliar o basquete com os estudos? Sim, embora por vezes nos sintamos cansadas e com pouca vontade para estudar. Não sei se sabes mas Coimbra já foi o maior centro do basquete- bol português (a directora Carmo Rebelo, por exemplo, foi cinco vezes campeã nacional). O que achas que falta que voltem esses tempos de mais vitórias e maior qualidade? Seria necessária a existência de mais pavilhões desportivos para trei- nar, pessoas empenhadas como a nossa directora Carmo e o incentivo junto de jovens para a prática do desporto, concretamente do basquete- bol. Mensagem que gostarias de deixar para os leitores do jornal “Centro”? Valeu a pena o esforço e a dedicação! Vamos fazer de Coimbra a ca- pital do basquetebol português. O plantel do Olivais festejou a subida de divisão peonato Nacional 2, frente ao Basket de Queluz, vencedor da zona sul, em jogo marcado para o dia AJF O Olivais está de regresso ao Campeonato Na- 25, no Pavilhão Multiusos de Torres Vedras, em cional 1. A culminar uma caminhada triunfante, ao hora a definir pela Federação Portuguesa de longo da qual apenas sofreu duas derrotas, curiosa- Basquetebol. mente frente ao mesmo adversário, o Galitos B, a O grupo de trabalho do Olivais é chefiado pelo turma olivanense garantiu o primeiro lugar da zona jogador/treinador Frederico Portugal (substituiu norte (o Vagos foi segundo e também sobe de divi- Miguel Barbosa há cerca de dois meses) e compos- Com direito a banho são) e volta assim a ocupar o posto que deixara na to pelos seguintes elementos: Ruben Ribeiro, Nuno CONQUISTA DA TAÇA FOI FESTEJADA NO MAR época passada. Trata-se de um feito importante, Januário, Tiago Cardoso, André Duarte, André que premeia o grupo de trabalho, composto na Marçal, Luís Fernandes, Tiago Pina, Miguel Bento, maioria por jovens basquetebolistas, alguns forma- Vasco Azenha, João Rosado, Guilherme Quintela, O mar inspirou a equipa de Cadetes Femininos da Associação Académi- dos na “casa”, e que funciona como excelente Ricardo Santos, Carlo Ferreira e Bruno Santos ca de Coimbra. A “Final 4” foi realizada no distrito de Viana do Castelo, que exemplo, e imagem, tal como já acontece com a (Jogadores); Paulo Matamouros e João Correia (Sec- possui excelentes praias, motivo suficiente para que as jogadoras definissem equipa sénior feminina, para a reorganização que o cionistas); Alfredo Silva (Director); André previamente uma forma sui generis de festejar, nas águas geladas, obtendo a clube pretende implementar em todo o sector de Nogueira e Paulo Cortesão (Fisioterapeutas); Car- imediata anuência do treinador Pedro Rebelo, da directora Carmo Rebelo e formação. los Gonçalves (até 22 de Março) e Carlos Ângelo dos seccionistas Eduardo Seixas e João Horácio. Conquistada a Taça , a pro- O Olivais vai agora discutir o título do Cam- (Presidentes). messa foi cumprida com o banho que a foto documenta.
  • 16. 16 DESPORTO Futsal solidário DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 GIMNODESPORTIVO DE VILA VERDE TRANSBORDOU DE ALEGRIA E ENTUSIASMO A selecção Jornal Futsal 2006 e o União de Cernache defrontaram-se em nome da solidariedade Solidariedade, saúde e futsal. António José Ferreira deslocar uma Unidade Móvel de Radiologia com bons apontamentos técnicos, demons- E festa, acrescentamos. Digital e uma equipa de enfermeiras para trativos do trabalho realizado. Quatro palavras que definem fazerem um rastreio e prestarem informa- A ideia de organizar o Torneio de Soli- ções sobre a tuberculose, com o intuito de De seguida subiram ao palco as equipas se- niores. Pela Selecção Jornal Futsal 2006, orien- na perfeição o torneio dariedade Saúde e Futsal partiu de António passar a mensagem de que quot;não é uma do- tada pelos treinadores Arlindo Matos (AAC) e organizado pela Associação Pimenta, treinador da ADC Vila Verde e ença do passado, mas sim do presente e que Ricardo Soles (Tocha), alinharam João Manuel Desportiva e Cultural das Escolas do União de Coimbra, empe- ainda afecta muitos indivíduosquot;. (S. João), Rui Moreira (AAC), Pipe (Tocha), nhado em levar a efeito um torneio de cri- A população mostrou-se interessada e Zé João (S. João), Cláudio Marques (Chelo), de Vila Verde, que no passado anças para crianças. De crianças, porque em aderiu em número considerável. O mesmo Jardel (S. João), André Matos (AAC), Joca fim-de-semana reuniu doze campo iriam estar dezenas de jovens quot;cra- aconteceu com o trabalho do CAD, neste (Tocha), Ruben Fonseca (S. João), Luisinho quesquot;, divertindo-se com a prática do fut- caso mais virado para os jovens atletas, com (AAC) e Nuno Gouveia (AAC), jogadores equipas de Escolas sal. Para crianças, pela pronta intenção de grande curiosidade demonstrada igualmen- convocados pelo quot;seleccionadorquot; Ricardo e Infantis. Em campo fazer reverter os proveitos da prova para a te pelos pais. Jogos e visionamento de fil- Ferreira Santos, com a particularidade de estiveram igualmente Comunidade Juvenil Francisco de Assis mes foram algumas das actividades levadas serem todos de equipas que, ao longo da (Eiras). As gentes de Vila Verde deitaram a cabo. época, disputaram provas nacionais. Pelo a Selecção Jornal Futsal 2006 mãos à obra, desde logo com a preciosa co- Cernache, sob o comando de Miguel Tente, e o União de Cernache, laboração do Jornal Futsal e de Ricardo Fer- MAIS DE 130 ATLETAS jogaram Ferrão, César, Leonel, Paulo Alves, campeão da Divisão reira Santos, estando todos de parabéns Beto, Sousa, Pedro Teixeira, Ricardo, Paulito, pela excelência da organização. Perfazendo mais de 130 atletas, partici- Pena, Tomé, Nuno Martinho, Márito e Beto de Honra da Associação Explicadas que estão as vertentes da param no torneio seis equipas de Escolas e II. A Selecção Jornal Futsal 2006 venceu por de Futebol de Coimbra, Solidariedade e do Futsal, acrescente-se que outras tantas de Infantis, em cada escalão 4-0 (3-0 ao intervalo), com golos de Ruben num jogo que “abriu a Saúde esteve presente porque ao evento divididas em dois grupos. Conhecidos os se associaram o Centro de Diagnóstico resultados de sábado, no domingo os gru- Fonseca (2), Cláudio Marques e André Matos. Os 19 jogos do torneio foram dirigidos o apetite” para o “Acreditar Pneumológico de Coimbra (CDPC/BCG) pos quot;cruzaram-sequot; de modo a escalonar a pelos árbitros Artur Pereira, Carina Pereira, no Futsal 3”, marcado para e o Centro de Aconselhamento e Detecção classificação final (que apresentamos em Gouveia Santos, José Monteiro, Lourenço o próximo sábado, às 15 horas, Precoceos casos com Coimbramontadas em quadro anexo).dominante, aqui e ali com os ambos de VIH de bancas (CAD), no sempre a nota Alegria e entusiasmo foram Costa, Luís Cação, Luís Marques, Nuno Bogalho, Nuno Oliveira, Pedro Costa e Tia- de novo em Vila Verde exterior do pavilhão. O CDPC/BCG fez pequenos jogadores a quot;encheremquot; o campo go Antunes. Os Infantis do Miro A e Vilaverdense disputaram a Final Para os 3.º e 4.º lugares defrontaram-se Miro B e Comunidade Juvenil Francisco de Assis
  • 17. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 DESPORTO 17 «Uma questão de solidariedade» RESULTADOS MANUEL CRÚZIO CHEFIOU EQUIPA DE TRABALHO INFANTIS Por entre os diversos afazeres, pró- ções e desde o início contámos com a co- Série A prios de uma organização arrojada como laboração de várias instituições e patroci- Santa Clara-Vilaverdense 2-2 esta a que os responsáveis pela ADC Vila nadores. Esperamos que outros se pos- Vilaverdense-Miro A 4-1 Verde se abalançaram, o actual presiden- sam juntar a nós, dando mais alguma Santa Clara-Miro A 1-3 te da colectividade, Manuel Crúzio, en- coisaquot;. controu tempo para trocar breves pala- Na mesma linha de raciocínio, outro Série B vras com o quot;Centroquot;. Começou por ex- aspecto que mereceu destaque por parte Miro B-S. Martinho de Árvore 8-0 plicar que quot;a ideia partiu de um nosso do dirigente vilaverdense foi quot;o convívio S. M. Árvore-Comunidade Juvenil 3-4 sócio e treinador, que trabalha no BCG e existente entre crianças que nada têm a Comunidade Juvenil-Miro B 6-7 nos propôs a realização deste torneio. ver umas com as outras, provenientes de Anuímos quase de imediato e os clubes contextos sociais e culturais bem diferen- 5º e 6º lugares que temos connosco também apoiaram a tes. E a nós dá-nos imenso prazer vermos Santa Clara-S. M. de Árvore 7-0 iniciativa desde o início, bem como o o nosso pavilhão cheio de crianças a CAD e o BCGquot;. Entre outros objectivos, 'brincarem', porque no fundo é disso que 3º e 4º lugares nomeadamente o de proporcionar a prá- se trataquot;. Miro A- Comunidade Juvenil 4-1 tica do futsal a cerca de 130 crianças, de Manuel Crúzio não terminou a con- doze equipas de Escolas e Infantis, esta versa com o quot;Centroquot; sem antes enaltecer Final quot;prova destina-se a angariar fundos para a e agradecer a colaboração de todos os Vilaverdense-Miro B 3-3 (5-6, g. p.) Comunidade Juvenil Francisco de Assis. agentes envolvidos na organização do No próximo sábado teremos uma outra, torneio, muito especialmente aos volun- Classificação a favor da Acreditar. São duas iniciativas tários e voluntárias que permitiram servir 1º Miro B distintas, embora interligadas. É uma refeições quentes a todos os participan- 2º Vilaverdense questão de solidariedade entre institui- tes, nos dois dias da prova. Manuel Crúzio 3º Miro A 4º Comunidade Juvenil 5º Santa Clara 6º S. Martinho de Árvore ESCOLAS Série A União A-União B 11-0 União B-S. Silvestre 2-7 S. Silvestre-União A 1-4 Série B Andorinha- Vila Verde 2-0 Vila Verde-Miro 2-6 Miro-Andorinha 2-4 5º e 6º lugares União B-Vila Verde 0-4 O voluntariado foi fundamental para o êxito da iniciativa 3º e 4º lugares S. Silvestre-Miro 3-3 (6-7, g. p.) Final União A-Andorinha 3-2 Classificação 1º União A 2º Andorinha 3º Miro 4º S. Silvestre 5º Vila Verde 6º União B Joana Casquilho e Daniela Vaz apelaram à prevenção da sida Enfermeiras do BCG prestaram esclarecimentos sobre tuberculose União de Coimbra e Andorinha jogaram a Final de Escolas S. Silvestre e Miro decidiram o 3.º e 4.º lugares
  • 18. 18 DESPORTO «Procuramos ser úteis» DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 AIRES LEITÃO É UM DOS “MOTORES” DA DINÂMICA DA ADC ADÉMIA Ousar ser útil! É este o lema tes “miúdos” tão depressa não terão opor- guimos levar os nossos Iniciados ao que serve de base ao trabalho tunidade sequer de saírem de Portugal. É Campeonato Nacional. Estivemos a cinco da Associação Desportiva para nós uma vitória brilhante, extraordiná- minutos de atingir aquele objectivo, mas e Cultural Adémia (ADCA). ria. Consideramos este aspecto social como acabámos por sofrer um golo. Os Juvenis E os responsáveis pela prioritário e procuramos envolver a comu- ficaram em terceiro e os Seniores em quar- nidade e “agarrar” os pais, com uma políti- to, o que quer dizer que está a crescer deva- colectividade tão bem lhe têm ca de substituir o estado nas suas funções, garinho, com calma e confiança. Os resulta- feito jus, desenvolvendo complementando a educação e tentando dos desportivos hão-de aparecer, mais tarde um trabalho meritório, pleno combater ao máximo o insucesso escolar. E ou mais cedo, como corolário de todo o de vivacidade e dinâmica, temos estatísticas que, neste momento, nos nosso trabalho. e de reconhecida importância podem dizer que o nosso trabalho está a ter Trata-se, em suma, de um trabalho para a juventude envolvente. sucesso. No escalão sénior, por exemplo, importante para a juventude das zonas temos três licenciados e mais 13 jogadores envolventes? Esse testemunho foi dado oriundos da nossa formação que são estu- É de facto um projecto muito interes- ao “Centro” pelo presidente dantes universitários. sante. Com o lema “Ousar ser útil”, come- Aires Leitão Que principais caminhos utilizam çámos por tentar melhorar os nossos equi- para o combate ao insucesso escolar? pamentos desportivos e definimos como Alguns pais de atletas têm a vocação e a política do clube aumentar o número de profissão de professor e, antes dos treinos, praticantes. Essa foi a nossa grande aposta. António José Ferreira Que balanço faz da época que termi- dão uma ajuda aos “miúdos” nas diversas Há cerca de dez anos só tínhamos Seniores nou? disciplinas. Temos tido um sucesso especta- e de então para cá temos vindo a caminhar A ADCA, este ano, para além de ter par- cular em todos os escalões e é sem dúvida com passos certos e passámos de 25 atletas ticipado em todos os escalões de competi- um projecto para continuar. para quase 200. O que é de facto extraordi- ção, participou pela primeira vez com duas Aires Leitão preside à ADC Adémia Em termos desportivos, o sucesso nário. equipas de Infantis, o que revela a dinâmica também se verifica? As iniciativas que levam a cabo con- que temos vindo a dar ao nosso futebol. Há Daí o lema “Ousar ser útil”? Nos escalões mais jovens, Escolas, tribuem sobremaneira para a valoriza- três ano apenas tínhamos quatro equipas Procuramos ser úteis perante a socieda- Infantis e Iniciados, criámos a Escola de ção do aspecto humano e para o envol- em competição, agora já temos seis, num de, perante a comunidade e todas as pesso- Futebol Pedro e Inês, associada à nossa ci- vimento das pessoas em torno do vosso dos escalões com equipa “A” e “B”, tudo as que nos rodeiam e que nos procuram. dade e com pergaminhos na História de projecto… isto com uma política social abrangente, Prestamos um serviço à comunidade e van- Portugal. Estes três escalões conseguiram Muito! Os “miúdos” vêem nisto o reco- acolhendo “miúdos” sem grandes recursos, gloriamo-nos de o fazer, pois julgamos que apurar-se para a discussão do campeão dis- nhecimento por todo o trabalho que desen- por exemplo do Padre Serra. Temos por- é muito valioso em termos sociais e de in- trital. O nosso objectivo prioritário não é volveram ao longo do ano. É um prémio tanto uma perspectiva diferente de visionar tegração. A participação no Torneio de ganhar mas, mesmo assim, pela primeira simbólico e humilde, tal como o próprio estas coisas. Paris é um bom exemplo, pois muitos des- vez na história do clube, quase que conse- clube, e no qual os atletas se revêem pois A equipa de veteranos do Adémia festejou dentro da campo, recebendo a con - génere de Monte Real Os Juniores receberam as medalhas pelo triunfo na Taça de Encerramento Valdemar Correia (Dirigente do Ano) Distinguidos com Prémio Revelação Atletas que receberam o Prémio Atleta Completo e Juca (Treinador do Ano)
  • 19. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 DESPORTO 19 Selecção de ouro verificam que há adultos que olham para a juventude de uma forma diferente. Posso EXCELENTE PARTICIPAÇÃO DA COMITIVA PORTUGUESA dizer que há “miúdos” que vêm da Académica e do União, mas que depois de “beberem desta água” já não querem voltar. É sinal que são bem tratados e reconhecem o nosso trabalho. Nesse aspecto social, en- volvente, julgo que estamos à frente uns passos bem seguros em relação às colectivi- dades da nossa região. Há um espírito de militância muito grande e é isto que faz com que o associativismo seja feito com gozo e com prazer. Maria Arménia Pratas viu reconhecida a dedicação ao clube A comitiva portuguesa deixou excelente imagem em Jarvenpaa A selecção portuguesa rubricou uma participação francamente positiva no Campeonato do Mundo de Karate Shukokai, realizado na Finlândia, com a obtenção de quatro São estes alguns dos principais “culpados” pela dinâmica da ADC Adémia primeiros lugares António José Ferreira A cidade de Jarvenpaa, na Finlândia, re- cebeu entre os dias 8 e 10 de Junho o Cam- peonato do Mundo de Karate Shukokai. Em prova estiveram 25 países, entre os quais Portugal, com 16 atletas, cuja comiti- va foi chefiada pelo Sensei Marcelo Azevedo (7º Dan), instrutor-chefe nacional da Associação Portuguesa de Karate Shu- Ema Lopes é campeã do mundo kokai, com o apoio do treinador Sensei Jorge Marques. Fruto de uma participação muito positi- va, que premeia o trabalho realizado, a selec- ção portuguesa obteve vários lugares no pódio. O maior destaque vai para a manu- tenção do título mundial por equipas mascu- linas, na categoria de kumite (combate), já na posse de Portugal desde o Mundial de 2004, disputado na África do Sul. Diogo Guincho, Jogadores galardoados com o prémio fair-play João Duarte, Nuno Dias, Paulo Briosa, Pratas da casa Pedro Seguro, Tiago Guincho e Carlos Marques são os novos campeões do mundo. Ainda em resultados colectivos, registe-se o GALA PREMIOU OS MELHORES DA ÉPOCA terceiro lugar obtido pela equipa feminina de combate, composta por Ema Lopes, Susana Mendes, Catarina Santos e Telma Seguro. Equipa masculina renovou título mundial Individualmente, destaque para os títu- Depois do 18º Encontro de Gerações, lho desenvolvido ao longo da época, foram los mundiais conquistados por Ema Lopes do Torneio Pedro e Inês e da participação distribuídos os seguintes prémios: Grati- (kumite individual feminino sénior, -55 kg), no Torneio de Paris, entre outras iniciati- dão - Maria Arménia Pratas; Atleta Fair- Catarina Santos (kumite individual júnior, vas, teve lugar no passado sábado a Gala da Play - Rola, Pedro Ferreira, Moura, Ferrão +60 kg) e Juliana Santos (kumite individual Associação Desportiva e Cultural Adémia, e Fábio; Atleta Revelação - João Pedro, júnior, -60 kg). que encheu de animação o Campo Ramos Carlos Costa, Grilo, Bruno Morais e Hugo; Outros resultados individuais obtidos de Carvalho. Atletas, pais, sócios e amigos Atleta Completo - Jorge, Ricardo Carvalho, pelos karatecas portugueses: Nuno Silva, 2º do clube marcaram presença em número Paulito, Micael e Márcio; Treinador do lugar em kumite masculino sénior, -90 kg; considerável, vitoriando os premiados e, de Ano - Juca; Dirigente do Ano - Valdemar João Duarte, 3º lugar em kumite sénior, -70 uma forma geral, todos aqueles que “ves- Correia. kg; Carlos Marques, 3º lugar em kumite sé- tem” a camisola do Adémia. Igualmente premiados foram todos os nior, -90 kg; Susana Mendes, 3º lugar kumi- Além do agradecimento às empresas elementos da equipa júnior, pela vitória na te sénior, +65 kg; Miguel Silva, 3º lugar em Matobra, Ademiauto e Barata & Marce- Taça de Encerramento da Associação de kata júnior; André Henriques, 3º lugar ku- lino, as que mais contribuíram para o traba- Futebol de Coimbra. mite júnior; Ricardo Carvalho, 3º lugar em kumite e kata júnior. André Marques e Ricardo Carvalho
  • 20. 20 CULTURA Obra pioneira sobre DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 LIVRO DE JOSÉ TENGARRINHA LANÇADO EM COIMBRA a censura em Portugal As Edições MinervaCoimbra lançaram institutos e os mecanismos de censura à im- recentemente, na Casa Municipal da Cultu- prensa. Desnecessário será enaltecer o valor ra, o mais recente livro de José Tengarrinha, pedagógico que possui, com vista à plena intitulado “Imprensa e Opinião Pública em compreensão de sucessivas ordens censó- Portugal”. Recorde-se que José Tengarri- rias ao longo da História de Portugal”. nha, historiador e professor da Universi- José Tengarrinha, por seu turno, desta- dade de Lisboa, foi também jornalista e é o cou o facto de na obra abordar não apenas autor da única História da Imprensa a censura enquanto acto limitativo, mas so- Portuguesa até hoje editada (e há muitos bretudo a “tentativa de criação de «bloco de anos esgotada, estando ele a preparar nova opinião nacional» ao serviço de interesses edição refundida). dos governantes”. Como exemplos, o his- A apresentação deste seu mais recente toriador e ex-jornalista refere “o primeiro trabalho esteve a cargo de Mário Mesquita, jornal português, que procura desenvolver Director da Colecção Minerva Ciências da uma «corrente de opinião» favorável à Comunicação, em que esta obra se integra. Restauração, contra a que os castelhanos Segundo Mário Mesquita, “Imprensa”, tentavam promover, ou, em 1809, quando o “Opinião Pública” e “Censura” são pala- objectivo do Governo era levantar o País vras-chave do livro de José Tengarrinha que contra os invasores franceses”. consta de doze estudos situados na área da A obra de José Tengarrinha abrange um história do jornalismo. Desses estudos, sin- longo período, percorrido em algumas das tetizou, seis visam especialmente a impren- principais fases e questões emergentes, sa. Em “Assim nasceu o Jornalismo em desde 1641 ao Estado Novo. “Os primeiros Portugal” analisa-se o surgimento dos peri- Mário Mesquita, José Tengarrinha e Isabel Garcia debates teóricos em Portugal sobre «opini- ódicos em Portugal no início do século ão pública», a partir de propostas dos nos- XVII. A imprensa da emigração política, Quatro desses estudos centram-se, de Os dois capítulos restantes incidem so- sos escritores românticos, merecem igual- sediada em Inglaterra, sob o impulso dos forma explícita, continuou ainda Mário bre as instituições e a acção da censura. mente atenção, ao mesmo tempo que se in- exilados liberais é o tema abordado em “O Mesquita, na problemática da opinião pú- Neste aspecto merece especial realce o es- tenta compreender os novos aspectos evo- Jornalismo da primeira emigração em blica. É o caso dos capítulos intitulados “A tudo “A Censura às Folhas Informativas lutivos da Imprensa quando inserida nas di- Londres na formação de uma corrente de formação da opinião pública em Portugal”, (visão global)”, que Mário Mesquita consi- nâmicas da sociedade oitocentista”, refere opinião liberal”; a que se seguem “Primeira “A opinião pública segundo Garrett” derou “a primeira visão de conjunto da cen- ainda o autor. Emigração Liberal e Pré-romantismo”, “O (acompanhado de comentários de Maria de sura à imprensa em Portugal, abarcando o A encerrar a sessão gerou-se animado de- Jornalismo Romântico”, “A imprensa clan- Lourdes Lima dos Santos), “As crises ibéri- vasto período que vai das Ordenações Fi- bate sobre a censura à imprensa, no Estado destina durante a guerra civil de 1846- cas finisseculares, a opinião pública e a im- lipinas até ao fim do salazarismo. Este Novo, com o relato de histórias vividas nas China quer Confúcio 1848” e ainda “A imprensa nas dinâmicas prensa” e, por fim, “Imprensa e opinião pú- conspecto possui o mérito de descrever de redacções dos jornais e contadas na primei- da sociedade oitocentista”. blica no Estado Novo”. forma clara, concisa e contextualizada os ra pessoa por alguns dos presentes. a competir com Sócrates O pensador chinês Confúcio (551-479 ancião, de pé, com as mãos cruzadas em que são hoje mais de três milhões, o último Até agora, o pensador tem sido represen- a.C.), uma das figuras centrais da História frente do peito, boca e orelhas grandes, dos quais nascido em Taiwan a 01 de tado de formas diferentes. Com a nova ima- da China, terá em Setembro uma imagem longa barba e túnica. Janeiro último. gem, explicou Hu Xijia, membro da equipa oficial que o tornará tão facilmente reco- O esboço, que se pretende seja o ponto “Símbolo da História e da cultura chine- que concebeu o esboço, pretende-se “mos- nhecível em todo o mundo como Sócrates de partida para um debate público de que sas, Confúcio é conhecido em todo o trar o Confúcio que existe na mente das ou Platão, noticiou na passada quarta-feira resulte a “fixação” da imagem do Mestre, mundo. Necessitamos de um retrato-pa- pessoas, um filósofo sagaz e respeitador”. (dia 14) a imprensa oficial chinesa. baseia-se num quadro do pintor Wu Daozi, drão para que todos os países tenham a Nascido em Shandong, Confúcio lançou A Fundação de Confúcio da China, en- que viveu na Dinastia Tang (618- 907). mesma imagem”, disse o secretário-geral da as bases do pensamento tradicional chinês, carregada de “dar uma imagem” ao pensa- Aprovaram o esquisso historiadores, ar- Fundação, Zhang Shuhua, citado pelo com princípios como a obediência à hierar- dor, desenhou já um esboço que mostra um tistas e mesmo descendentes de Confúcio, “Diário do Povo”. quia e à família e a busca do bem comum.
  • 21. CULTURA 21 «Gostava de ter DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 FERREIRA FERNANDES TRAÇA QUADRO DA IMPRENSA EM PORTUGAL um jornalismo popular» Ferreira Fernandes dispensa bém podia ter dado exemplos europeus. apresentações. Actualmente A imprensa italiana é de muito boa qua- é redactor principal da revista lidade. Sábado, depois de ter passado por A informação veiculada pela impren- jornais como o “Diário Popular”, sa é acessível, é bem transmitida? Os jornais partem do princípio que nós “o Jornal” e o “Público” e ter sido sabemos mais do que aquilo que sabemos. director das revistas “Visão” Temos um jornalismo que aponta para e “Focus”. Numa breve conversa cima e assim não atinge as pessoas. Não há com o “Centro”, deu a conhecer suficiente preocupação em ganhar leitores, o seu ponto de vista sobre em conquistar público. Quase que se tapam o jornalismo português. os assuntos para se mostrar que se sabe mais que o leitor. Alguns jornais italianos de referência usam muito as infografias, que em Portugal são raríssimas. A infogra- fia é a maneira de percebermos o assunto Bruno Garrido Como devia ser o jornalismo em quase imediatamente. Portugal? É estranho, então, que as infografias Gostava de ter um jornalismo que fosse não sejam mais usuais em Portugal… popular, que se baseasse fundamentalmen- Só que as infografias precisam de ser fei- te em histórias. tas por muito bons jornalistas. Só faz uma O jornalismo feito em Portugal pode boa infografia aquele que é um bom jorna- equiparar-se àquele que se pratica nos Ferreira Fernandes lista e que percebeu bem o âmago da ques- países tidos como detentores do jorna- tão e que em duas penadas consegue expli- lismo de maior qualidade? desconhecia quase tudo. A imprensa ameri- leio os jornais portugueses e muito dificil- car, por exemplo, Timor ou as células esta- Vou dar-lhe um exemplo: durante as úl- cana é uma imprensa baseada em factos. mente consigo saber o que é que se está a minais. timas eleições americanas fui para a capital Não conta temas, conta pessoas que estão passar no nosso país. Ainda assim, acha que a informação do Estado de Ohio, como enviado da revis- implicadas ou mesmo influenciadas por Quer então dizer que a imprensa ame- é acessível a toda a gente? ta “Sábado”. Depois de ler os jornais lá pu- esses temas. Só a ler jornais, eu aprendi ricana apresenta um nível superior à da Eu, que tenho uma cultura média, não blicados, ao segundo dia, eu já sabia o que sobre uma sociedade da qual desconhecia restante imprensa? percebo grande parte dos artigos de infor- se passava em Ohio, um Estado do qual eu quase tudo. Quando venho do estrangeiro Dei o exemplo americano mas tam- mação. «As frases já existiam, o difícil era chegar lá» JOÃO FERREIRA E FERREIRA FERNANDES APRESENTARAM A SUA OBRA EM COIMBRA João Ferreira e Ferreira Fernandes de- no seu critério, se bem que “ficaram de fora Durante o processo de realização do ram a conhecer, recentemente, o seu livro outras tantas”. João Ferreira aceitou com livro, os autores depararam-se com alguns “As frases que fizeram a História de Por- agrado a proposta da editora Esfera dos pormenores curiosos, como a atribuição tugal”, no café da FNAC, no novíssimo Livros para levar a cabo este projecto, em da célebre frase “enterram-se os mortos e Fórum Coimbra. O livro retrata os nove- co-autoria com Ferreira Fernandes, sendo cuidam-se dos vivos“, que todos atribuíam centos anos da História do nosso país, que a perplexidade dos autores incidiu no ao Marquês de Pombal, mas que, ao que através das frases que, pela sua força e im- facto de esta ser uma obra original e não parece, não é pacífica. portância, foram agora recolhidas e tran- existir nenhuma do género. Ferreira Fernandes sublinha as portas scritas nesta obra. João Ferreira deu conta do seu lamento que esta obra abre, pois “estas frases exis- Nenhuma das frases reproduzidas no pela falta de interesse dos jovens pela tem noutros livros, o difícil é chegar lá”. O livro foi inventada, todas elas já existiam e História, atribuindo a responsabilidade “à propósito dos autores assenta em contar estavam registadas: “Foram encontradas maneira como os programas de ensino “a história absolutamente admirável de em livros de História e apenas procurámos estão construídos, o que afasta as pessoas personagens, episódios e acontecimentos atribuir-lhes um nome e uma circunstância” do gosto pela matéria porque não lhes são de uma maneira clara, de uma maneira que tendo os autores seleccionado as melhores, contadas histórias”. as pessoas entendam”. JORGE MENDES IRMÃO & C. , L A DA FORNECEDORES DE: HOSPITAIS,CLÍNICAS, CÂMARAS, ESCOLAS, HOTÉIS, FORÇAS ARMADAS, INFANTÁRIOS, MUSEUS, ETC. Atoalhados . Camisaria . Fardas . Malhas . Roupa Interior Praça do Comércio, 97 - 99 101 - 103 Telef. 239 824 284 Fax 239 841 709 3000 - 116 Coimbra
  • 22. 22 MÚSICA DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 Oito horas de música oferecida a Coimbra É HOJE A FESTA PROMOVIDA PELA ALLIANCE FRANÇAISE É hoje (quarta-feira, dia 21), que se reali- Professores de Educação Musical do En- za a “Festa da Música”, oferecida à popula- sino Básico- ESEC ção de Coimbra pela Alliance Française, em - Alunos do 3º ano da Licenciatura em parceria com algumas outras entidades, Professores de Educação Musical do entre as quais a Universidade e a Câmara Ensino Básico- ESEC Municipal. - Coro Misto da Universidade de Coim- Durante oito horas (entre as 16h e as bra 24h), vão actuar em palco montado na Rua - Canto - Conservatório de Música de Pinheiro Chagas, n.º 60, frente às instala- Coimbra ções da Alliance Française, um variado - Associação Cultural Coimbra Menina e conjunto de grupos musicais, executando Moça com o seu Grupo de Fados «Guitar- diversos géneros, desde a música popular à ras de Coimbra» - ISEC erudita. - Instrumentos de Arco - Conservatório Uma iniciativa inédita em Coimbra, mas de Música de Coimbra que a Alliance Française vem promovendo - Percussões - Conservatório de Música há 25 anos em diversos pontos do Mundo, de Coimbra para assinalar o solstício de Verão. - Conjunto de saxofones - Conservató- Como acima se refere, a festa é oferecida rio de Música de Coimbra ao público de Coimbra, o que significa que - Quinteto de Metais - Conservatório de todos os interessados ali podem dirigir-se ao A apresentação do programa da Festa Música de Coimbra longo das referidas oito horas, para usufruí- - Conjunto de Clarinetas - Conservató- rem de um espectáculo que se antevê muito - Orquestra da Escola de Música do - Conjunto de Cordas dirigido pelo Ma- rio de Música de Coimbra animado e com algumas surpresas. Colégio de São Teotónio estro João Ventura - Orquestra de Sopros - Conservatório O programa provisório inclui a partici- - Coro infantil - Conservatório de Músi- - Escola de Guitarra do Instituto Su- de Música de Coimbra pação dos seguintes grupos (a que podem ca de Coimbra perior de Engenharia de Coimbra (ISEC) - Flauta Transversal - Conservatório de vir a juntar-se vários outros): - Orquestra de Cordas do Conservatório - Sociedade Filarmónica de Vila Nova de Música de Coimbra - Grupo de Flautas e Danças Regionais Regional de Coimbra Anços - Cordas Dedilhadas - Conservatório de do Externato de João XXIII - Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra - Alunos do 1º ano da Licenciatura em Música de Coimbra Distorções do o que querem ouvir, mas vai mais além, aliando ao “djing” uma enorme criatividade através das suas próprias versões para cada um dos temas que fazem parte dos seus “dj - “Soulwax Present Hang All Dj´s 1” (mixed by 2 many Dj´s) (PIAS) - “Soulwax Present Hang All Dj´s 2” (mixed by 2 many Dj´s) (PIAS) Vol. Vol. set´s”, assim como mostra uma enorme - “Soulwax Present Hang All Dj´s Vol. versatilidade nas suas misturas, conjugando 3” (mixed by 2 many Dj´s) (PIAS) nas suas sequências temas, que, abstracta- - “Soulwax Present Hang All Dj´s Vol. mente nada têm a ver um com um outro. 4” (mixed by 2 many Dj´s) (PIAS) Como diria Scolari: “nota 10”. - “Soulwax Present Hang All Dj´s Vol. 5” (mixed by 2 many Dj´s) (PIAS) PARA SABER MAIS: José Miguel Nora josemiguelnora@gmail.com Bob Dylan lança A escolha dos temas que, quinzenalmen- gular e que é, sem dúvida, a minha referên- - http://rockinrio-lisboa.sapo.pt/ te, dão cor a este espaço acabam por ser cia no que toca ao “djing”, os Zig Zag - www.2manydjs. org/ fruto de uma escolha natural, mas, de facto, dadas as excelentes actuações a que assisti Warriors (Zé Pedro & Miguel Quintão), que “incendiaram” por completo a audiên- - www.2manydjs.free.fr ou: novo disco nos últimos dias – nomeadamente Red Hot cia, abrindo caminho para os seguintes, co- - “As Heard On Radio Soulwax – Part 1” O músico e poeta norte-americano Chili Peppers, Soulwax, The Cult, Keane ou meçando pelo Dj Kitten – que incluiu no (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) Bob Dylan vai lançar no final de seu “set” um tema dos Guns N´Roses, - “As Heard On Radio Soulwax – Part 2” Agosto um novo álbum, intitulado mais propriamente “Welcome To The (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) “Modern Times”, com dez canções Jungle”, algo que eu nunca tinha visto –, a - “As Heard On Radio Soulwax – Part 3” originais, anunciou a editora Columbia. que se seguiu o Dj Headman. (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) “Modern Times” será o primeiro Para o fim estavam reservados os belgas - “As Heard On Radio Soulwax – Part 4” álbum de Bob Dylan desde 2001 e o 2 Many Dj´s, formados pelos irmãos (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) 44.º da sua carreira. Stephen e David Dewaele, respectivamente - “As Heard On Radio Soulwax – Part 5” As dez canções do disco, entre as vocalista e guitarrista dos Soulwax, dos (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) quais a editora destacou quatro títulos quais já tinha ouvido imensos “dj set´s” e - “As Heard On Radio Soulwax – Part 6” (“Thunder on the Mountain”, “Spirit que andava para ver há muito, mas por uma (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) on the Water”, “Workingman’s Blues” ou outra razão, até agora não tinha sido - “As Heard On Radio Soulwax – Part 7” e “When the deal goes on”) foram gra- possível. Abriram as “hostilidades” com o (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) vadas no Inverno passado. “clássico” “Apache” dos Shadows, a que se - “As Heard On Radio Soulwax – Part 8” Além de cantar, Dylan toca guitarra, seguiram um punhado de temas mais actu- (mixed by 2 Many Dj´s) (PIAS) teclas e harmónica, adiantou a ais da cena “electro”, intercalados com ou- Columbia. tros, bem mais conhecidos de todos nós, “Modern Times” fecha a trilogia ini- 2 Many DJ’s nomeadamente: “Girls and Boys” dos Blur, ciada em 1998 com “Time out of “Blue Monday” dos New Order, “Rebellion Mind” e cujo segundo disco foi “Love os Franz Ferdinand -, dificultaram-me esta (Lies)” dos Arcade Fire, “Killing In The and Theft”, lançado há cinco anos. tarefa. Name” dos Rage Against The Machine, Bob Dylan, 65 anos, iniciou entre- Apesar de todas estas contingências mas sempre com a particularidade de estes tanto uma nova carreira de DJ e de ani- optei por escrever sobre algo que me sur- temas não serem “tocados” com a sua rou- mador de rádio com um programa se- preendeu verdadeiramente, uma grande pagem original, mas através das suas pró- manal sobre a música norte-americana. noite na Tenda Electrónica do Rock In Rio prias “mixes”. Segundo a editora, o lançamento Lisboa (3 de Junho) cujo conceito domi- Se as expectativas criadas em torno dos mundial de “Modern Times” ocorrerá nante era o “electro-rock”. A “noite” co- 2 Many Dj´s eram enormes, de facto, não a 28 de Agosto, um dia antes de ser lan- meçou (apesar do sol ainda brilhar) com a saíram goradas, porque esta dupla belga çado nos Estados Unidos. dupla de dj´s que acompanho de forma re- não se limita a animar as “massas”, passan- Zig Zag Warriors
  • 23. DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS vereiro de 2002 e vale a pena rever. A Day In The Life Of 35mm Africa foi uma acção patrocinada pela Olympus e tinha endereço: http://35mm.org | categoria: fotografia, co- como objectivo documentar o que pode acontecer num munidades virtuais único dia no continente africano e transmitir esperança. O grupo de fotojornalistas foi espalhado por 50 países desde o Cabo da Boa Esperança até ao Cairo. O registo dos Inês Amaral contrastes (geográficos e culturais) é uma obra de arte úni- ca, que já foi publicada em livro. O site explica a iniciativa, SPORTUGAL os objectivos, os promotores, apresenta o perfil de cada um Docente do Instituto dos fotojornalistas e uma galeria com as fotografias muito Superior Miguel Torga bem organizada, com sons de África a embalar as fotogra- PESO E MEDIDA fias. Não é um site novo. Mas vale a pena visitar e revisitar. A Day In The Life of Africa endereço: http://www.olympus.co.jp/en/event/DITLA/ categoria: fotografia ESCRITA EM DIA Junho é o mês de futebol. E foi precisamente na esteira do Mundial de Futebol 2006 que surgiu o SPortugal, lança- do na véspera do pontapé de saída do campeonato do des- porto-rei na Alemanha. O projecto é coordenado pelo jor- nalista Luís Filipe, que já integrou as redacções do jornal O site Peso e Medida tem como temática a obesidade e “O Independente” e da revista “Doze”. comportamentos associados e nasceu de uma iniciativa Os conteúdos são essencialmente informativos e bastante conjunta entre a Faculdade de Motricidade Humana da actualizados. No SPortugal encontramos notícias de última Universidade Técnica de Lisboa e o jornal Público. O pro- hora, acompanhamento on live dos jogos do Mundial, opinião, jecto abrange as áreas da nutrição, exercício, medicina, psi- ferramentas interactivas (fórum e uma listagem – com os últi- cologia, educação, saúde pública, entre outras. Trata-se de mos posts – da Federação de Blogs de Futebol) e notícias te- «repositório de recursos informativos permanentemente máticas (desporto-rei em terras lusas, futebol internacional, no- actualizados e cientificamente validados sobre as temáticas tícias sobre os jogadores portugueses a actuar no estrangeiro, da obesidade e comportamentos associados» outros desportos e a cobertura das 32 selecções que actuam no Notícias, entrevistas, artigos científicos, perguntas e respos- Mundial 2006). Há ainda espaço para o humor na rubrica “Pé- tas, factos e mitos, documentos, links e uma agenda de even- Escrita em Dia é o título do weblog do jornalista Carlos de-Atleta” e uma secção cor-de-rosa do mundo do futebol. tos são apenas alguns dos conteúdos que se podem encontrar Narciso. «Memórias de 25 anos de reportagens. Reflexões neste site de verdadeiro interesse público. O Peso e Medida sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias», lê-se SPortugal tem também uma área de diagnóstico com links para sites que na descrição do weblog, em jeito de subtítulo. endereço: http://sportugal.pt/ | categoria: desporto permitem elaborar planos alimentares para crianças e adultos; Na rede desde Dezembro de 2005 (depois de alguns estimar o consumo diário de calorias e nutrientes; analisar a posts publicados noutro espaço, agora já desaparecido), composição nutricional de alimentos; e calcular as calorias in- Escrita em Dia é um registo de ideias, pensamentos, opini- geridas e despendidas nas actividades físicas, entre outros. ões, com jornalismo à mistura. Recupera-se a experiência O MEU ECOPONTO de terreno do jornalista, com África e os seus conflitos ar- Links relacionados: mados no centro da escrita. http://www.fmh.utl.pt/ – Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa Escrita em Dia http://www.publico.pt – jornal Público endereço: http://blogda-se.blogspot.com | categoria: http://peso.fmh.utl.pt/peso_comunitario/preinscri- blogs cao0.htm – Programa Peso Comunitário http://pesoemedida.blogspot.com/ – Blog Peso e Medida Peso e Medida 35MM endereço: http://www.pesoemedida.com | catego- ria: saúde O projecto O meu ecoponto foi desenvolvido pelo GEOTA e pela Sociedade Ponto Verde e tem como objec- tivo dar a conhecer a forma como se organizam os muni- A DAY IN THE LIFE OF AFRICA cípios portugueses no tratamento de resíduos. Com 25 mil ecopontos espalhados pelo país, o site tenta cumprir a tare- fa de educar e sensibilizar o consumidor. No site o utilizador pode ficar a saber onde está o ecopon- to mais perto da sua casa ou sugerir a inclusão de um mais próximo. Há ainda uma área de dúvidas que permite conhe- cer conceitos relativos à reciclagem e as entidades públicas que actuam em Portugal nesta área. Mediante um registo é possível localizar os ecopontos perto da morada indicada O site 35mm é um diário fotográfico comunitário por- pelo utilizador, avaliá-los e saber qual a entidade responsável. tuguês. Trata-se de um espaço onde os utilizadores podem colocar as suas fotografias (no fotoblog comunitário ou Links relacionados: numa galeria individual de cada membro) e partilhar ideias http://www.geota.pt/ – GEOTA e experiências no fórum. http://www.pontoverde.pt/ – Sociedade Ponto Verde O site foi criado em 2002 por um utilizador comum e ra- pidamente a sua comunidade foi crescendo. O fotoblog co- O meu ecoponto As objectivas de 100 fotojornalistas de 26 nacionalida- munitário conta com mais de 2500 fotografias e de 10700 endereço: http://www.omeuecoponto.pt | categoria: des diferentes captaram um dia em África. Foi a 28 de Fe- comentários. reciclagem
  • 24. 24 T E L E V I S ÃO DE 21 DE JUNHO A 4 DE JULHO DE 2006 invasão em que o invasor foi convidado. O Mundial vai correndo, até agora de que: “ai esta terra ainda vai cumprir seu PÚBLICA FRACÇÃO Ou antes, nem teria vindo se não tivesse bem com a selecção nacional. As realiza- ideal, ainda vai tornar-se num imenso sido pago (e bem) para tal. ções das transmissões dos jogos deviam ser Portugal”. A dita rubrica tem por título “A canari- As opções – os dispositivos nha”. Num trocadilho com o “escrete cana- rinho”, a canarinha é nem mais nem menos A SportTv está em todos os jogos e é que Karen, a brasileira que foi casada com Francisco Amaral para isso que os assinantes lhe pagam. Em o antigo jogador do F.C.Porto e do canal aberto, a SIC comprou os direitos e a Sporting, Jardel. Vinda expressamente do RTP, o canal público, tem-se contentado Brasil, Karen “Jardel” lá vai lendo o tele- Docente da ESEC O mundo do Mundial em preencher as noites com emissões cen- ponto ou mesmo as folhas que tem na mão, tradas na Alemanha. com uma destreza pouco além de um exer- Gosto de futebol. Do jogo. Muito mais A RTP terá poupado uns dinheiros cício de leitura em aula de ensino básico. do que rodeia o futebol desde que deixou de quando resolveu abdicar da compra dos di- “É um mundo... o Mundial!”. ser um desporto e passou a ser uma indús- tria. Uma grande indústria dentro da enor- vistas com atenção pelos realizadores por- Júlio Isidro na rua me indústria do entretenimento. A imprevi- tugueses. Não isentas de erros, usam com sibilidade é o segredo. O espectáculo existe, parcimónia as possibilidades tecnológicas Pelo meio da euforia futebolística, che- umas vezes mais do que outras, e é por isso actuais e não se perdem em repetições garam os “santos populares”. Ora quando que a televisão sempre perseguiu o futebol. exaustivas e despropositadas. Repetir? Só o se fala em “santos populares”, as televisões, É certo que o futebol passou a precisar que vale mesmo a pena. Grandes planos? especialmente a RTP, levam a tralha para a da televisão para lhe ampliar as coordena- Os absolutamente necessários. Treinado- Avenida da Liberdade e depois para a das e receber os milhões que tanta falta lhe res? Quanto baste. Ribeira do Porto. Em Coimbra, as “foguei- fazem. Hoje, o espectador passou a ser “de Já os canais portugueses, quando entre- ras” estão de labaredas baixas. sofá”, pois ser-se “de bancada” pode tor- gues a si próprios, repetem os tiques que O Santo António lisboeta (?) lá teve di- nar-se num pequeno (ou grande) tormento. reitos de transmissão, mas em contraparti- lhe são queridos (ia a dizer caros, mas são reito às “marchas”, numa porção cada vez Pelo lado da Sociologia, o futebol tem da montou um dispositivo de acompanha- pechisbeque). Repórteres no meio da mul- sido estudado, analisado, virado e revirado. mento da selecção portuguesa, bem como tidão, que em televisão, utilizando planos de todo o campeonato, que tem surpreendi- fechados, se faz facilmente com meia dúzia do. Por vezes a surpresa tem sido mesmo de pessoas. E então é vê-los aos saltos, aos grande. Será que Noé Monteiro estava por berros, caindo para cima da câmara, afun- acaso no Irão ou foi enviado de propósito a dando o repórter “nesse mar de gente”. Teerão para saber o que pensavam os ira- Um velhíssimo truque manipulador que se nianos do jogo com Portugal? repete todos os dias. Tirando esta bizarra pequena reportagem, Na verdade é eficaz. O crescendo de in- a ideia de centrar as noites na Alemanha tem teresse do público consegue-se muitas vezes com estes curtos momentos. Mesmo na Alemanha, nos directos da RTP-1, a produção do espectáculo informativo não O resultado é sempre o mesmo: um fenóme- dispensa o animador de público. mais pequena da Avenida que a televisão no de socialização. Ora quando se encon- amplia. O espectáculo foi confrangedor. tram duas das maiores forças dos últimos se- Os comentadores Desafinado a ouvidos desarmados, torto e tenta anos – a televisão e o futebol – as con- – a “canarinha” com coreografia de vão de escada a erguer- sequências são previsíveis e conhecidas. -se em bicos dos pés para o La Féria. O problema está na eficácia socializadora Todo este “show de cor, luz, movimen- As marchas já foram populares. Agora, o da imagem informativa ser intensificada pelo to, alegria” e até, como se diria na antiga povo prefere o Rock in Rio. Vasco Pulido facto do espectador se aproximar da infor- propaganda circense, de “mulheres boni- Valente, porque ficou preso no trânsito, já mação audiovisual como se se tratasse de um funcionado. Carlos Daniel gere com mestria tas”, não seria nada sem os comentadores. desancou o suficiente nas marchas, nos po- espelho da realidade e não como realmente a longa emissão e os estúdios em Portugal Os espectadores, espantados, sentir-se-iam pulares e no presidente da Câmara de é: um discurso sobre a mesma condicionado estão em segundo plano. Afinal, é lá longe órfãos se lá não estivessem os comentado- Lisboa. A mim, o que me custou mais foi por um jogo de interesses, intencionais ou que tudo se passa. De tal forma que os líde- res. Eles sabem mais do que nós, explicam- ver o Júlio Isidro na rua. Não como padri- não, conscientes ou inconscientes. res políticos lá tiveram que peregrinar até ao nos tudo muito bem, conduzem-nos o nho de um qualquer bairro, mas como re- Seja como for, o Mundial 2006 invadiu a centro das atenções, como é seu hábito. Nem olhar pelo terreno, pacientemente. “ Figo... pórter da RTP-1. Por tudo o que fez na te- televisão portuguesa e ela está feliz. Uma o Professor Marcelo faltou. Deco... Costinha... Cristiano Ronaldo... levisão portuguesa, e fez muito, desde a sua Pauleta... Figo...” e assim sucessivamente. adolescência, mantendo um difícil equilí- Os comentadores desportivos, na televisão, brio entre o popular, o “p’ra pular” e o mais têm mesmo um dom que todos admiramos: sério, Isidro não merecia ser lançado na rua eles vêem muito mais do que nós. Por vezes e colocado ao nível de jovens, inexperientes TROPA DE SOUSA vêem mesmo o que ninguém consegue ver! e, em alguns casos, falhos de talento. Clínica Geral Porque o homem precisa de trabalhar e Medicina Estética foi recentemente recuperado para o canal 1 Acupuntura da estação pública, não se vislumbra o mo- tivo da humilhação. VIRGÍLIO CARDOSO No poleiro, que é como quem diz, no es- Ginecologia / Obstetrícia Laser Yag Vascular (Varizes) CRISTINA FERREIRA trado da condução da emissão, estavam as GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA LUÍSA MARTINS novas vedetas da RTP: Merche Romero Laser de Depilação definitiva Kromoterapia (olé!) e Carlos Malato. Lêem bem o tele- PEDRO SERRA Florais de Bach Laser de Luz Pulsada (Trat. Estética) ponto, mas só isso. Sem um rasgo, sem sur- PODOLOGISTA RENATA MARGALHO presa, de plástico e balofos (e não é piada Endermologia (LPG) MARIA TERESA PAIS Psicologia Clínica para o Malato). Acham que estão a fazer Pressoterapia MEDICINA DENTÁRIA bem o seu papel, naquela noite e nos outros LUÍS MIGUEL PIRES dias todos em que aparecem a toda a hora. Ozonoterapia (Trat. por Ozono) TÂNIA SOUSA Terapia Ocupacional Com Gabriel Alves ausente, chegou-se à Cuidaram das dentaduras e mostram-nas ESTETICISTA Osteopatia Dermo Abrasão (Limpeza de Pele) perplexidade de se constatar que para se ser satisfeitos. É pouco. Dentes por dentes, PAULO SOUSA NUNO CARVALHO “comentador desportivo”, em televisão, antes os do Isidro que são mais genuínos. Mesoterapia MASSAGISTA Hipnoterapeuta basta uma leve ligação ao futebol, mesmo Implantes para Rugas (Biopolímeros) que de forma indirecta. A SportTv criou FERNANDO KUNZ JOÃO CALHAU uma rubrica para acompanhar a selecção Tratamentos por Esteticista OPERADOR LASER Nutricionista brasileira. Talvez porque exista uma enor- me colónia brasileira em Portugal, ou, Urbanização da Quinta das Lágrimas, lote 24 R/C quem sabe, por que se lembrou, mas tro- Santa Clara, 3020-092 Coimbra cou, a letra da velha canção de Chico Buar- Telf. 239 440 395-Fax. 239 440 396 Telm. 919 992 020 / 964 566 954 / 933 573 579