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Slide 1: DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 239 854 150 ANO III N.º 50 (II série) De 7 a 20 de Maio de 2008 1 euro (iva incluído) “Queima” fresquinha... PÁG. 3 PÁG. 11 a 15 VALE DO MONDEGO MÚSICA SAÚDE POLÍCIA JUDICIÁRIA As Coimbra Maio Almeida amarguras volta a ser é o mês Rodrigues de um arroz capital de amar é o novo difícil do jazz o coração Director PÁG. 6 PÁG. 19 PÁG. 17 PÁG. 2
Slide 2: 2 NACIONAL DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 É DOS QUADROS DA PJ E TRABALHAVA EM COIMBRA Almeida Rodrigues nomeado ontem Director Nacional da Polícia Judiciária AAlmeida Rodrigues, até aqui sub- director nacional adjunto na Directo- Essas declarações geraram bastan- ria de Coimbra da Polícia Judiciária te polémica e levaram o ministro da (PJ), é o sucessor de Alípio Ribeiro Justiça, Alberto Costa, a dar explica- na liderança daquela polícia. ções no Parlamento. É a primeira vez que a PJ passa a ser dirigida por um investigador dos seus quadros, o que provocou mani- “ASFIC” festações de regozijo por parte da res- pectiva associação profissional. SATISFEITA José Maria de Almeida Rodrigues, de 49 anos, licenciado em Direito, é POR ESCOLHA coordenador de investigação criminal da PJ, tendo sido um dos três directo- RECAIR res nacionais adjuntos no mandato do antigo director nacional da Judiciária, EM POLÍCIA o juiz conselheirAo Santos Cabral, também ele de Coimbra. DE CARREIRA A nomeação de Almeida Rodrigues para dirigir a Polícia Judiciária (PJ) O presidente da Associação Sindi- foi divulgada ontem à tarde em comu- cal dos Funcionários da Investigação nicado do Ministério da Justiça, onde Criminal (ASFIC) da PJ, Carlos An- é referido que o Ministro da Justiça jos, congratulou-se ontem pelo facto “aceitou o pedido de demissão que lhe de, “pela primeira vez”, ter sido esco- foi entregue ontem mesmo pelo direc- lhido um polícia de carreira para lide- tor nacional da PJ”. rar a instituição. Alípio Tibúrcio Ribeiro, de 56 anos, Carlos Anjos falava à Agência Lusa é procurador-geral adjunto e foi no- a propósito da escolha de Almeida Ro- meado para director nacional da Polí- drigues para suceder a Alípio Ribeiro cia Judiciária em Abril de 2006, subs- no cargo de director nacional da PJ, tituindo no cargo Santos Cabral. ontem oficialmente confirmada. O mandato de Alípio Ribeiro à fren- “Trata-se de uma situação nova”, te da PJ, que terminava em Abril do comentou o presidente da ASFIC, lem- próximo ano, ficou marcado por algu- brando que a regra era escolher um mas polémicas. magistrado judicial ou do Ministério Anteontem (segunda-feira) seguiu Público para dirigir a PJ. para a Presidência da República a Carlos Anjos confessou ter ficado nova Lei Orgânica da PJ, para pro- “surpreendido” por ser um polícia de mulgação, enquanto hoje (quarta-fei- carreira a ser nomeado para chefiar ra) o Parlamento aprovará, em vota- a PJ, adiantando que a ASFIC dará ção final, a nova Lei de Segurança todo “o apoio e colaboração” ao novo Interna (LSI) e a nova Lei de Orga- director nacional da Judiciária, à se- nização da Investigação Criminal. melhança do que fez com os seus an- tecessores. O presidente da ASFIC alertou, contudo, que o problema da PJ “não é unicamente um problema de pessoas”, passando assim por dois vectores: a Director: Jorge Castilho Almeida Rodrigues, o novo Director Nacional da Polícia Judiciária, resolução da questão dos meios da Po- (Carteira Profissional n.º 99) sai da Directoria de Coimbra para assumir, em Lisboa, a liderança da PJ lícia e sua gestão e, por outro lado, a questão do horário de trabalho, desig- Propriedade: Audimprensa Nif: 501 863 109 Em entrevista publicada anteontem maior “eficácia”. nadamente as horas extraordinárias. pelo Diário Económico, Alípio Ribeiro Esta posição provocou acesas re- Em sua opinião, foram estes pro- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho mostrou-se adepto da transferência da acções e terá sido determinante para blemas que “arrastaram” a Polícia Ju- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 tutela da PJ do Ministério da Justiça a substituição do Directos da PJ. diciária para “a situação em que ac- para o da Administração Interna e cri- O mandato de Alípio Ribeiro ficou tualmente se encontra”. Composição e montagem: Audimprensa Rua da Sofia, 95, 3.º - 3000-390 Coimbra ticou a nova figura do secretário-ge- também marcado por outra declara- “Se estes problemas não forem re- Telefone: 239 854 150 - Fax: 239 854 154 ral da Segurança Interna, criada pela ção polémica, sobre o “caso Maddie”. solvidos, daqui a ano e meio estare- e-mail: centro.jornal@gmail.com LSI, considerando que este ficou com Alípio Ribeiro afirmou, numa entre- mos na mesma situação”, advertiu, competências “aquém” do que seria vista, que teria havido “alguma preci- dizendo querer acreditar que Almeida Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis desejável. pitação” na constituição de arguidos Rodrigues “vai ter as condições que Depósito legal n.º 250930/06 Alípio Ribeiro admitiu que a passa- do casal McCann, pais da criança in- os seus antecessores (como Alípio Tiragem: 10.000 exemplares gem da PJ para o Ministério da Ad- glesa desaparecida no Algarve a 03 Ribeiro e Santos Cabral) não tive- ministração Interna iria trazer uma de Maio de 2007. ram”.
Slide 3: DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 COIMBRA 3 ABRE SEXTA-FEIRA NA PRAÇA DA REPÚBLICA É O PRESIDENTE DO CONSELHO Feira de Artesanato DA CIDADE DE COIMBRA José Dias publica de Coimbra livro de memórias Abre depois de amanhã (sexta-feira), económica, social, cultural e de turismo. em Coimbra, na Praça da República, a Referiu, também, um caso de uma “cu- “Memórias do cidadão José Feira de Artesanato, que decorre de 9 a nha” vinda de um deputado da Assem- Dias” é o título do livro da autoria 15 de Maio. bleia da República para demonstrar a do actual Presidente do Conselho Esta 8.ª edição da Feira de Artesana- importância que a Feira de Artesanato da Cidade de Coimbra, que vai ser to de Coimbra é uma iniciativa do De- de Coimbra publicado pelas Edições Afronta- partamento de Cultura da Câmara Mu- Por seu turno, Joaquim Correia des- mento. nicipal de Coimbra, que conta com o tacou o facto de todos os expositores Recorde-se que José Dias, entre apoio do IEFP e CEARTE. serem artesão credenciados e que o outras funções que tem desempe- O certame deste ano conta com a número de interessados em estar pre- nhado, foi assessor de Jorge Sam- participação de 97 artesãos, das mais sentes superou em muito as possibili- paio na Presidência da República, diversas actividades, provenientes dos dades. e sempre um activo militante pelas mais díspares pontos do país. Relace ainda para o facto de que, à causas da liberdade, da justiça so- Pela primeira vez, terá um programa excepção do vidro, todos os artesãos tra- cial e da democracia participativa. ta Catarina de animação agregado, a tornar a Feita balharão ao vivo. Estão já marcadas as seguintes 14 de Maio - Coimbra - Livra- ainda mais atractiva. Na conferência de imprensa de apre- sessões para apresentação do livro, ria Almedina Estádio Disporá ainda de uma mostra de do- sentação da Feira de Artesanato foi ain- com a presença do autor: 19 de Maio - Lisboa - FNAC çaria tradicional da feita a promessa de que, na próxima 12 de Maio - Braga - Livraria do Chiado O vereador da Cultura da Câmara edição, os Açores vão estar representa- Centésima Página Todas as sessões terão início às Municipal de Coimbra, Mário Nunes, dos, assim como as cidades de vários 13 de Maio - Porto - FNAC San- 18.00 horas. salientou as quatro funções da Feira: países geminadas com Coimbra. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 239 854 150 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 239 854 154 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
Slide 4: 4 NACIONAL DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 HOJE EM DEBATE NO PARLAMENTO Novas Leis de Segurança Interna e de Organização da Investigação Criminal As novas Leis de Segurança Inter- de abastecimento de água e electrici- por titulares de cargos políticos vão adiantou que já houve uma negociação na e de Organização da Investigação dade, bem como estradas e transpor- passar a ser investigados unicamente “franca e construtiva” com o PSD so- Criminal são discutidas e votadas hoje tes colectivos. pela Polícia Judiciária (PJ). bre os diplomas, apesar se não ter sido (quarta-feira) no plenário da Assem- Também a resolução de situações de No diploma que altera as regras da possível chegar “a acordo quanto a to- bleia da República, devendo uma das uso de armas em casos que ponham Organização da Investigação Criminal dos os pontos”. questões mais debatidas residir na fi- em risco a vida de várias pessoas, o é estabelecido que o Serviço de Estran- “Como não era possível prolongar gura do secretário-geral de Seguran- recurso a explosivos e outras substân- geiros e Fronteiras (SEF) passe a ficar mais a aprovação desses dois impor- ça Interna. cias letais, além da tomada de reféns, com competências para investigar cri- tantes instrumentos legais, o Governo Em relação à nova redacção da Lei fica igualmente sob coordenação da- mes de associação ao auxílio à imigra- aprovou-os e remeteu-os para a As- de Segurança Interna, a nomeação do quele secretário-geral. ção ilegal e tráfico de pessoas, bem sembleia da República”, explicou na secretário-geral de Segurança Inter- No caso de ataques terroristas ou como de falsificação de documentos de altura Rui Pereira, antes de deixar uma na – cargo ainda não ocupado e que catástrofes, a actuação do secretário- identificação com aquele objectivo. nota de abertura a um entendimento irá funcionar na dependência directa geral é determinada pelo Primeiro-Mi- Em finais de Março, o Ministro da político com os sociais-democratas. do primeiro-ministro – passa a ser an- nistro após ser informado o Presidente Administração Interna, Rui Pereira, A 5 de Março passado, PS e PSD tecedida de audição no Parlamento. da República. disse acreditar ainda num consenso haviam-se acusado mutuamente pelo As suas funções, que incluíam a co- As propostas do Governo foram alargado, designadamente com o PSD, atraso nas Leis de Segurança Interna ordenação das forças policiais, passam aprovadas em Conselho de Ministros para a aprovação dos dois diplomas. e de Organização da Investigação Cri- agora a ser delimitadas a situações no início de Março e, de acordo com a Em declarações aos jornalistas no fi- minal, num debate na Assembleia da como ataques a órgãos de soberania, nova legislação, os crimes de prevari- nal de uma reunião do Conselho Supe- República sobre casos de violência no hospitais, prisões e escolas, sistemas cação e abuso de poderes praticados rior de Segurança Interna, Rui Pereira país. ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins O dia do juízo Durante a rusga dos inspectores da ONU nos no ranking dos vinte e sete, enquanto a quenos negócios que vivem dessas peque- ao Iraque, à cata de armas proibidas, Sa- mexida constante no preço dos combustí- nas loucuras e orgulhos sazonais, andam já dam Hussein ameaçou com a subida do pe- veis só mereceu do governo uma tíbia ‘ave- à deriva a um ritmo alucinante, gerando uma tróleo até aos 40 dólares, ao tempo (e não riguação’, depois do monte arrombado e cadeia monstruosa e crescente de despedi- há muito tempo!) uma autêntica heresia. E mesmo assim a reboque dos ataques parla- mentos e de ‘não pagantes’, pelo simples nesse papel de ameaça planetária, augurando mentares e da comunicação social que pal- facto de que não têm com quê! E a seguir, longos amanhãs de pesadelo, o crude está rou apenas três diazitos sobre cartel nos pre- como vai ser? Em 2009 regressará a des- hoje a cumprir a sua missão profética de ços. As taxas da FED americana caem para bunda, porque as eleições de três-em-um cutelo da civilização ocidental – a mesma 2,25% e os juros à habitação em Portugal, exigem mais um chorrilho de promessas que há um século lhe estendeu o tapete de em claro masoquismo de orgulhosamente- para de novo não cumprir depois das urnas salvador da humanidade. E é sabido, por sós, trepam 4% só em Abril. E no meio do contadas. E é óbvio que todos querem ser reincidente experiência, que tudo aquilo com horizonte negro das nossas reservas alimen- Ministro anuncia “estados gerais poder apenas até 2013, porque no fim da que o petróleo mexe (transportes, energia, tares, calhou-nos um Ministro da Agricultu- da agricultura”... festa do QREN nem migalhas vão sobrar: fibras sintéticas para vestuário, materiais ra que é o expoente máximo da falta de na Europa quase 40%, e como Portugal só vacas magras e baldios rapados pela ari- de construção, asfaltos, indústria…) vai dis- palavra política e de incumprimento para importa muito do que come, ficamos à es- dez crescente das agruras climáticas. parar sem apelo. Cá pelo burgo, continua com os agricultores à beira da falência, os pera de uma solução esfarrapada para acu- A fome, a falta de água e a desertifica- a marcha inexorável do taxímetro das ga- tais a quem agora pede que dêem uma mão- dir às famílias e ao orçamento nacional de ção já são hoje parte de um espectro uni- solineiras, enquanto engrossam as filas de zinha à melhoria dos stocks de cereais, en- rectificativos invariavelmente feito, porque versal e assustador, e vieram para ficar em consumidores nacionais à beira de qual- quanto lhes retém (sob os pretextos mais as importações vão continuar a crescer e muitas regiões do mundo para quem tal ce- quer posto de combustível que esteja para caricatos) as ajudas devidas há meses, para as exportações, voltando à queda inexorá- nário era ridículo há meia dúzia de anos, lá da raia espanhola: o pessoal vai à gaso- assim ir sustentando a rédea solta da des- vel, só ajudarão à catástrofe. Neste cenário Europa incluída. As pessoas acotovelam-se lina, aos medicamentos, aos alimentos bá- pesa do Ministério; e vem ainda anunciar, encurralado, é evidente que o resultado da em torno dos grandes centros, a feroz ‘luta sicos, aos automóveis, ao IVA vários pon- com o ar melífluo que Deus lhe deu, uns venda continuada de imóveis do Estado não pelo espaço vital’ vai ser a praga maior do tos abaixo do nosso, à procura de empre- ‘estados gerais da agricultura’ (?) onde vai ser para minorar qualquer falta de bens século XXI porque o planeta tem só estas go, aos médicos, e a tudo o mais que em decerto vai também explicar as cobranças alimentares, mas apenas para equilibrar um milhas quadradas e não mais, precisa respi- Portugal é afogado em taxas e impostos ilegais feitas a milhares de candidaturas que défice há largos anos recheado de artifícios rar e não o deixamos, perde aos poucos a cujo destino se resume a sustentar uma má- tiveram de pagar ao Estado uma ‘avalia- contabilísticos – e o Zé continuará a salivar diversidade biológica que foi a alavanca da quina trituradora, caduca e improdutiva – ção’ que é obrigatória por parte do exérci- em seco! sustentabilidade articulada das espécies – o sagrado monstro público. to de funcionários já contemplados salari- A ameaça do preço da comida e dos com- e, pela lei natural das coisas, o ‘dia do juí- Não tem servido de muito o Presidente almente no orçamento anual desse mes- bustíveis vai bater à porta de todos, com zo’ será uma questão de tempo. Decerto da República aconselhar caldos de galinha mo Estado. E a juntar aos caprichos do reflexos letais nos nossos orçamentos do- pesadelo doloroso dos nossos tetranetos, à nossa doente economia. Assusta a surdez tempo, os desgraçados agricultores ainda mésticos, que mais uma vez serão engoli- porque continua à rédea solta a insensatez que por aí vai, mesmo perante tantas previ- têm de aturar o pedantismo bacoco de quem dos pela inflação cega. Porque primeiro cada de quem comanda com uma ligeireza arre- sões internacionais e responsáveis de que a perdeu toda a noção de serviço público e a um mata a fome, depois paga apenas as piante o destino de todos nós. A começar enferma vai continuar a perder força este mais não se sente obrigado. dívidas que possam pôr o fisco no encalço pela prata da casa, que vai vivendo na se- ano e no próximo. E já não colhe o argu- E como aos pobres o pão cai sempre com dos contribuintes – e o resto logo se verá: gurança que a impunidade lhe dá, num en- mento de que “a crise é mundial”, pois a a manteiga para baixo, só nos faltava a pra- prestações avulso, roupa, um almocito fora, colher de ombros que há-de sobrar para Estónia e a Eslováquia, náufragos do mes- ga da ‘fome’: os alimentos básicos vão es- as férias, uma educação melhorada aos mais quem vier atrás e fechar a porta. E as luzes mo barco, são os próximos a ultrapassar- cassear; o preço da comida subirá este ano novos, tudo irá por água abaixo. E os pe- do último festim, claro!
Slide 5: DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 NACIONAL 5 AFIRMOU ONTEM BOB GELDOF EM LISBOA “Angola é gerida por criminosos” O músico e activista Bob Geldof afirmou Relativamente a Portugal, o músico ir- “Esta cidade, Lisboa, é a cidade onde se ontem (terça-feira) em Lisboa que Angola landês considerou que o país deve ser um realizou a cimeira UE-África, quando a é um país “gerido por criminosos”, palavras parceiro de Angola devido ao seu passado, Europa forçou os países africanos a assinar que levaram o embaixador angolano na ca- e acrescentou que tanto Portugal como Es- os acordos de parceria económica”, acu- pital portuguesa a abandonar a sala. panha e Itália “serão os primeiros [países sou. Bob Geldof falava no Hotel Pestana Pa- europeus] a sofrer o impacto de qualquer “Onde os europeus disseram aos africa- lace, em Lisboa, na conferência sobre De- problema em África”. nos: ´ou aceitam este acordo ou não comer- senvolvimento Sustentável, organizada pelo E Portugal deveria ter especial interesse ciamos convosco`” Banco Espírito Santo e jornal Expresso, de- em promover o “desenvolvimento em Áfri- “Isto não é sustentável! Isto não é ter dicando uma intervenção de cerca de vinte ca”, já que tem “uma economia muito vul- uma voz, é estupidez”, frisou. minutos ao tema “Fazer a diferença”, no nerável, uma economia que depende do cli- A propósito das relações de Portugal com fim da qual o embaixador angolano, Assun- ma e está paredes-meias com África, sali- outros países, Geldof referiu-se também ao ção dos Anjos, abandonou a sala. entou. Brasil, que caracterizou como “a China da Quando se referia às relações históricas “Estamos (os cidadãos europeus) a 12 América Latina”. e culturais de Portugal com o continente quilómetros de África”, disse Geldof antes A assistir ao discurso estavam dezenas africano – “vocês serão uma voz importan- de questionar “Como podemos não nos de pessoas, entre as quais os embaixadores te no século XXI”, disse para a assistência, questionar?”. do Reino Unido, da Irlanda, de Marrocos, Bob Geldof fez uma pausa e virou o discur- Para Bob Geldof, através da capacidade da Argélia e de Angola, que abandonou o so para Angola. de acção em África, a voz de Portugal pode local após as palavras de Geldof e antes do Bob Geldof ontem em Lisboa “Angola é gerida por criminosos”, acu- ser “decisiva na Europa, que por sua vez é fim de todas as intervenções da conferên- sou o organizador do Live Aid e Live 8. capital inglesa. ouvida no mundo”. cia e do almoço que se seguiu. “As casas mais ricas do mundo do mun- “Angola tem potencial para ser um dos O activista criticou igualmente a posição A agência Lusa solicitou um comentário do estão [a ser construídas] na baía de Lu- países mais ricos do mundo”, frisou Geldof, actual dos países europeus – salientando à Embaixada de Angola em Lisboa, mas anda, são mais caras do que em Chelsea e considerando que aquele país africano tem, também aqui o papel de Portugal – face às fonte daquela representação diplomática Park Lane”, apontou, estabelecendo como designadamente, potencial para “influenci- nações africanas, especialmente nos acor- disse à Lusa que não vai ser feito qualquer comparação estes dois bairros luxuosos da ar as decisões da China”. dos de parceria económica. comentário. Na Câmara Escura – Revelação de António Portugal obteve distinções. Varela Pècurto O seu olhar perscrutador e fina sensibili- dade, esta repartida com a música e em grau Parte da minha existência foi vivida du- tal que fez dele um dos melhores guitarris- rante o governo do Estado Novo, desde tas portugueses, marcou-o na fotografia, Salazar a Marcelo Caetano. onde, como sócio do “Grupo Câmara”, per- A propaganda que se fazia deste regime, tenceu ao núcleo associativo que honrou no repetida vezes sem conta, parecia rechea- País e no estrangeiro o nome de Coimbra. da de verdades aos mais crédulos e pouco À média luz vermelha falámos de tudo esclarecidos, deixando marcas em parte da um pouco e, inevitável, acabámos por abor- população. dar a política. Por todo o lado, nas escolas, oficinas, lo- Para que os leitores mais novos compre- jas, fábricas, etc., o contacto com os melho- endam a surpresa que tive neste encontro, res informados sobre política foi uma das há que lembrar a forma única como o regi- formas para desfazer erros e tirar dúvidas. me rotulava os seus opositores: quem não Os tempos não eram fáceis para tais parti- fosse a favor, era considerado comunista. lhas, o que exigia cautela na escolha de lo- Não existiam distinções para os adversári- cais recatados para tais reuniões. Havia que os políticos. ludibriar a polícia política. Entretanto, a nossa conversa começou a Certa tarde, ainda com o 25 de Abril ser “filtrada” e então compreendi que o meu muito distante, António Portugal entrou na amigo António Portugal era um opositor do “Hilda” e, como sempre fazia, foi ter comi- regime, mas não um comunista. De esquer- go à câmara escura. da, sim! Mas a sua ideologia quedava-se Desejava umas ampliações do que ti- onde começava a de Cunhal. nha fotografado recentemente na Ria de Após o 25 de Abril surgiram dezenas de Aveiro. partidos, deles restando hoje meia dúzia com Nestes casos, eu optava por pedir orien- representantes na Assembleia da Repúbli- tações aos clientes para que o trabalho final ca, conhecidos de todos – ou quase todos – se apresentasse como os respectivos auto- os portugueses. res desejavam e não contivesse influências Os ideais de António Portugal já então de meu gosto. tinham um lugar próprio no que viria a ser o António Portugal foi um bom fotógrafo Partido Socialista, onde militou, sem mudan- amador, conforme demonstrou nos salões ças de conveniência, sempre fiel aos princí- de arte fotográfica a que concorreu, alguns pios que lhe vinham desde a juventude e bem distantes – como a Malásia –, nos quais Moliceiros: uma das belas imagens da autoria de António Portugal manteve até nos deixar.
Slide 6: 6 REPORTAGEM DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 AFIRMAM ORIZICULTORES DO BAIXO MONDEGO Produção de arroz só compensa com subsídios da UE A esperada subida do preço do arroz não acompanha o aumento dos preços do gasóleo, adubos e pesticidas, garantem os produtores do Baixo Mondego, para quem a produção actual só compensa devido aos subsídios da União Europeia. “Há uma grande especulação nos pre- ços dos factores de produção. Os herbi- cidas e pesticidas têm sofrido aumentos assustadores todos os meses, sem subsí- dios os agricultores não fazem arroz”, dis- se à agência Lusa Isménio Oliveira, co- ordenador da Associação Portuguesa de Orizicultores (APOR). O responsável da APOR, associação que congrega 750 produtores, lembra que há 12 anos a indústria pagava o arroz ao produtor a 46 cêntimos o quilo. Hoje, diz, o lucro dos agricultores, com preços de venda entre os 20 a 30 cêntimos, “apenas dá para viver”. “Não é lucro de ficarem abastados, quanto mais ricos. Estão a ga- nhar o mesmo ou menos do que ganha- vam há um ano, o preço do arroz vai subir e não são os produtores que vão ficar melhor, os consumidores é que vão ficar não consigo”, garante. pior”, argumenta. Ali perto, Augusto Pires está aos co- Já Carlos Laranjeira, presidente da As- mandos de uma máquina a gradar (pre- sociação de Orizicultores de Portugal parar) o terreno que pertence a uma pro- (AOP), afirma que os subsídios da União prietária da zona para quem trabalha. Europeia (UE) possuem duas componen- A exemplo dos irmãos Cabete, Augus- tes, a agro-ambiental, relacionada com a to afirma que a produção de arroz “ainda qualidade do produto, e uma compensa- compensa por causa dos subsídios”. ção pela redução do preço. “É uma com- No entanto, observa, os adubos e os pensação pela quebra de rendimento. Se factores indispensáveis à produção “es- há 12 anos o arroz se vendia a 46 cênti- tão muito caros”: “Tudo tem aumenta- mos, hoje seria impossível vendê-lo a 30 do imenso, as sementes custam 178 es- cêntimos se não existisse essa compen- cudos [89 cêntimos] o quilo, em cada sação”, explicou. hectare somos obrigados a plantar 80 Nos arrozais de Maiorca, Figueira da quilos”, explica. Foz, até meados de Maio o tempo é de Já José Maia Carvalho contorna a ne- sementeira. A exemplo de cerca de 2 mil cessidade da compra de sementes, apos- produtores da região do Baixo Mondego, tando na produção própria: adquire semen- os irmãos José e Avelino Cabete traba- tes seleccionadas que semeia “para ter lham nos cerca de 60 hectares que ali sementes para o ano que vem”. possuem, uns já semeados, outros pron- “Todos os anos compro sementes e de tos a receberem as sementes. ano para ano são mais caras. Mas ainda “Enquanto nos derem o subsídio, com- compensa”, diz. pensa”, afirma Avelino, aludindo aos cer- A reportagem da Lusa foi encontrar ca de mil euros que recebe por cada hec- José Carvalho a marcar o terreno onde tare de arroz, área que corresponde a cin- planta as sementes, trabalho manual com co mil quilos. uma cana a fazer de estaca a cada 12 No entanto, a preocupação dos agri- passos. cultores está no custo galopante dos fac- Para além de produzir sementes, tam- tores de produção, como o gasóleo [agrí- bém produz arroz nos 13 hectares que pos- cola], que “já custa 91 cêntimos por li- sui para o efeito: com as duas filhas e a tro”, ou o adubo, cujo saco de 50 quilos maquinaria apropriada, semeia-o, colhe-o “custa hoje 25 euros quando há dois anos e seca-o. No final da campanha anual, era 10 euros”, um aumento de 150 por estima o lucro em 2.800 contos [14 mil cento. euros], um valor que não chega aos 1.200 “Devia pôr quatro ou cinco sacos, po- familiar que divide com o irmão dispensa de poupar onde podemos. Há 12 anos ga- euros mensais. nho três”, revela Avelino Cabete, aludin- empregados; e até as máquinas, quando nhava mais, tinha mais rendimentos na al- do à poupança que os produtores são obri- avariam, são arranjadas pelos próprios. tura sem subsídios do que hoje com subsí- Texto de José Luís Sousa gados a fazer. No seu caso, a empresa “Se queremos ter algum lucro, temos dios. Hoje não ponho dinheiro no banco, Fotos de Paulo Novais (Lusa)
Slide 7: DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 COIMBRA 7 Carlos Carranca lançou “Frátria” em Coimbra Na Casa Municipal da Cultura de Coimbra foi lançado, na passada semana, o mais recente livro de poesia de Carlos Carranca, intitulado “Frátria”. Muitos amigos e admiradores do autor compareceram naquela sessão cultural, que começou com algumas palavras do responsável da editora “Mar da Palavra”, Vitalino Santos, dizendo do seu regozijo pela publicação da obra. Seguiu-se a apresentação do poeta feita por António Arnaut, que não poupou palavras de elogio a Carlos Carranca e à sua obra, tendo citado alguns dos poemas do livro agora lançado. Quanto à apresentação literária de “Frátria”, esteve a cargo do escritor José Fernando Tavares, que aproveitou um dos poemas do livro, intitulado “Problema do Conhecimento”, como mote para uma interessante análise do mais recente trabalho de Carlos Carranca. Foi depois a vez do próprio Carlos Carranca agradecer as palavras e a presença de tantos amigos, os quais brindou com a declamação, sempre muito viva, de alguns dos poemas. Depois de usar da palavra o Vereador da Cultura, Márioa Nunes, que se congra- António Arnaut provocou fortes aplausos da assistência tulou com o nível da sessão, assistiu-se a um momento musical, com canções de Coimbra, em que Carlos Carranca também participou. José Fernando Tavares fez uma interessante análise literária de “Frátria” Carlos Carranca não só declamou, mas também cantou O autor durante a sessão de autógrafos do seu mais recente trabalho EXPLICAÇÕES DE MATEMÁTICA Licenciada em Matemática com experiência dá explicações a todos os anos Telemóvel: 962 449 286
Slide 8: 8 OPINIÃO DE 7 A 20 DE MAIO DE 2008 SÃO PAULO NASCEU MANUELA FERREIRA LEITE comemorações do 25 de Abril têm sido HÁ 2 MIL ANOS as tentativas para tornar a data «mais (...) Manuela Ferreira Leite representa consensual». O Dia da Liberdade não re- São Paulo terá nascido no ano 8, celebran- demasiado o passado. É a recuperação úne consenso, o que me deixa verdadei- do-se, portanto, este ano, o bimilenário do seu da escola cavaquista da austeridade e da ramente surpreendido. Percebo que a li- nascimento. 12 ou 14 anos mais novo do que recusa da política numa época que nada berdade não seja consensual, mas do meu Jesus, que nasceu no ano 4 ou 6 a. C., era tem a ver com os governos de Cavaco ponto de vista ninguém teve razões de natural de Tarso, na actual Turquia. Um gé- Silva. A sua experiência governativa tam- queixa: para quem aprecia a liberdade, o nio e um dos homens mais cultos do seu tem- bém está longe da perfeição: tentou sa- 25 de Abril foi agradável; para os que não po, fariseu, queria fazer desaparecer a “sei- near o défice público sem o ter conse- gostam, foi uma oportunidade para faze- ta” dos cristãos. guido, nem mesmo recorrendo à prática rem aquela viagem ao Brasil que tinham Depois, de perseguidor fez-se apóstolo e imensamente discutível das receitas ex- andado tanto tempo a adiar.(...) abriu o cristianismo ao mundo, tornando-o traordinárias. É uma continuação, não uma religião universal e tornando-se ele mes- uma mudança. E é uma réplica, no esti- Ricardo Araújo Pereira (humorista) A POLÍTICA DOS JOVENS mo uma figura determinante da História. Visão 24/Abril/08 lo, nas políticas, nos valores, dos predi- Os Actos dos Apóstolos narram a ir- cados de José Socrates que atiraram o (...) No essencial, para o que se aponta rupção na sua vida do mistério de Deus, E AFINAL O 25 DE ABRIL... PSD para os 30% das intenções de voto. é para a distância da juventude em rela- revelado em Cristo como salvador univer- Não basta ser não socialista e esperar ção à “oferta” política; para a vontade sal. Essa experiência avassaladora consti- (...) Espantoso seria, por exemplo, que que o mundo se prostre a nós. É preciso de maior participação num quadro de tuiu o que se chama a sua conversão no este e todos os outros soubessem que no ser não socrático. Um PSD respeitável? cepticismo em relação à eficácia do voto; Caminho de Damasco. No meio de uma dia 25 de Abril de 1974 se deu um golpe de E eu que pensava que o PSD era um para a disposição de apoio a reformas; luz intensa, ouviu uma voz: “Eu sou Jesus, Estado e no dia 1 de Maio se iniciou um partido ambicioso. para a influência dos media nas opções a quem tu persegues.” processo revolucionário. Que o primeiro teve políticas individuais. Foi uma experiência de tal modo podero- como causa próxima uma mera questão de Pedro Lombra (jurista) O que é importante é situar estes tra- sa que, daí para diante, no meio de perigos, precedências e um consequente movimen- DN 01/Maio/08 ços no âmbito das grandes transforma- perseguições, fome, naufrágios, prisão, açoi- to corporativo dos militares, e o segundo se ções que afectam hoje o mundo dos jo- tes, apenas Cristo e o que ele significa para a originou na confluência de todas as forças vens. Basta olhar para o seu modo de O TRIÂNGULO Humanidade lhe interessaram. Percorreu o político-ideológicas que já estavam ou apa- vida – 82% dos jovens europeus entre DAS BERMUDAS DO PSD Mediterrâneo, foi a Atenas, capital do saber, receram no terreno. Que houve dois 25 de os 16 e os 24 anos passam por dia perto planeava vir à Espanha, chegou prisioneiro a Abril, um aqui, neste pequeno rectângulo eu- de duas horas na Net e cerca de três a (...) Santana Lopes, Jardim e Mene- Roma, a capital do Império, onde morreu ropeu, e outro, avassalador, em todos os ter- ver televisão. E o tempo que “passam” zes constituem uma rara espécie de tri- mártir no ano 64 ou 65, era Nero imperador. ritórios onde se hasteava a bandeira portu- na Net é sobretudo utilizado a trocar e- ângulo das Bermudas do PSD. E são, (...) guesa. Que rapidamente tudo o que real- mails, a “descarregar” músicas ou fil- cada um a seu modo, figuras de proa de Anselmo Borges mente relevava passou para a jurisdição de mes, a trocar ficheiros, a participar em um sector do partido pontuado por perso- (padre e professor de filosofia) fóruns ou a visitar blogues. DN 03/Maio/08 Daí que os problemas colocados re- metam afinal para um outro – a genera- LABIRINTO lização da cultura digital no mundo con- temporâneo e a forma como essa gene- (...) o exemplo dado dos jovens portu- ralização tem fomentado uma crescente gueses poderia estender-se mesmo ao con- subjectivação e tribalização dos cidadãos, junto da população: há de facto uma dimi- uma progressiva virtualização e despoli- nuição do interesse pela política em geral tização das suas actividades. (...) e, consequentemente, uma contracção da participação dos cidadãos na vida pública. Manuel Maria Carrilho Este alheamento das coisas públicas é DN 03/Maio/08 mais saliente na esfera política, incluindo a quebra da filiação e da própria militância partidária. A maneira como (ainda) se fa- A TERCEIRA MORTE zem campanhas eleitorais em Portugal (e DE DELGADO os custos inerentes) prova que o modelo de generosidade militante dos primórdios (...) Será que afinal está mesmo a acon- da democracia logo após o 25 de Abril já tecer, diante dos nossos próprios olhos, a só se mantém como uma ficção: a forma é terceira morte do general Delgado? Outro a mesma, mas o conteúdo é dado por uma Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes momento curioso da cerimónia de 23 de máquina partidária oleada e especializada Abril foi a intervenção dr. Mário Soares, e por empresas de comunicação e de ser- nalidades menos proeminentes, mas nem desde a afirmação abstrusa de que Hum- viços vários que compõem o quadro. por isso menos pitorescas, como Ribau forças externas. Que o mundo se dividiu berto Delgado foi “morto pelas costas” até Do mesmo modo, a quebra de partici- Esteves, Mendes Bota, Jaime Ramos e entre o insólito comovedor de que é para- à repescagem de ideias erradas do pro- pação afecta também o mundo sindical e outras. Sendo demasiado optimista dizer digma o cravo no cano da G-3, o folclore cesso espanhol, como a de que Arajaryr um vasto espectro de organizações não que representam um «espaço político» que a esquerda replicava pelos países onde Campos não foi assassinada no mesmo governamentais. No ano passado uma co- dentro do partido, aproxima-os uma série estas coisas ainda eram possíveis, como os local. Mas sobretudo retomou a tese de nhecidíssima organização ambientalista in- de afinidades e interesses, bem como um da América Latina, e uma preocupação ir- que a brigada foi a Badajoz para prender e ternacional teve como tema dominante do populismo vulgar. Pensava-se, assim, que ritadiça com o despropósito histórico do não para matar Humberto Delgado. Mais seu congresso anual precisamente o tema tivessem uma posição comum nas próxi- PREC, num país da Europa ocidental e da ainda, afirmou que, tendo Humberto Del- da incapacidade de mobilização dos cida- mas eleições. Afinal, para já não, porque NATO. Que o único objectivo estratégico – gado puxado de uma pistola, o Casimiro dãos para as suas causas e como a ultra- quer Jardim quer Santana entenderam a descolonização – pertencia ao Partido Monteiro o matou. Traduzido por miúdos, passar. dever ser o principal protagonista e o se- Comunista teleguiado por Moscovo e foi este raciocínio coloca a legítima defesa no O problema, portanto, não é exclusivo g


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