O Centro - n.º 5
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Versão integral da edição n.º 5 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. 07.06.2006. ...

Versão integral da edição n.º 5 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. 07.06.2006.

Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html

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O Centro - n.º 5 O Centro - n.º 5 Presentation Transcript

  • DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca João Caetano José d’Encarnação Monteiro Valente Renato Ávila PÁGINAS 14 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 5 (II série) De 7 a 20 de Junho de 2006 € 1 euro (iva incluído) O homem ENTREVISTA COM MANUEL SÉRGIO que mais marcou José Mourinho Uma conversa sobre alta competição, o futebol português, José Mourinho, a função dos clubes, a Académica e o Belenenses, José Maria Pedroto, os mitos da prática desportiva, a final da Taça de Portugal de 1969, as igrejas e os estádios, Mário Campos, Scolari e... onde também se fala de Jesus Cristo PÁGINAS 4 a 6 CAMPEONATO DO MUNDO ÉPOCA BALNEAR Novas regras Coimbra DE GINÁSTICA ACROBÁTICA a partir de hoje recebe 800 atletas AMANHÃ EM 40 HOSPITAIS PÁGINA 2 de 28 DE TODO O PAÍS Rastreio gratuito países de cancro da pele PÁGINA 15 PÁGINA 11 RECONHECIMENTO «HOSPITAL DE DIA» LIGA DOS AMIGOS ASSINE O “CENTRO” DE COMPETÊNCIAS EXEMPLAR DE CONIMBRIGA E GANHE OBRA DE ARTE Governo 14 mil Notável quer consultas trabalho qualificar e 12 mil de um milhão tratamentos associação de pessoas em 2005 invulgar PÁG. 3 PÁG. 8 PÁG. 10 PÁG. 11
  • 2 DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 EDITORIAL Heróis da terra costumam fazer aos familiares: “Está a re- metros, com o pesadelo de recordarem os menor risco (para isso se alistaram, para tal ceber apoio psicológico?”. seres humanos a que eles próprios tiraram a foram treinados e para tanto são pagos). Jorge Castilho A surpresa decorre de que este País ig- vida. Muitos desses ex-militares tornaram- Ora a verdade é que esta ânsia de “fabricar” nora, quase em absoluto, muitas dezenas de se em farrapos humanos, refugiando-se no heróis começa a ser, entre nós, quase pato- É bem conhecida a anedota do jovem milhares de homens que, desde 1961 e até álcool, encharcando-se em drogas, com di- lógica. De tal modo que, a par com os candidato a ingressar na Marinha que, che- 1974 foram obrigados a ir para Angola, ficuldades de integração social a prejudica- GNR’s que agora “foram projectados para gada a altura dos testes, quando lhe pergun- Guiné e Moçambique, combater por uma rem-nos no emprego, a destruírem-lhes a Timor” (Ministro António Costa dixit), tam se sabe nadar, comenta: “Essa agora! causa com que muitos deles se não identifi- vida familiar. Esses continuam esquecidos, também já receberam esse estatuto os rapa- Para que é preciso saber nadar? Então cavam, e aí tinham de ficar no mínimo dois com o Estado a querer dar-lhes “pensões” zes que o “mister” Scolari decidiu “projec- vocês não têm cá barcos?!”. anos (depois de, pelo menos, seis meses de que mais parecem esmola insultuosa. Sem tar” para a Alemanha, com escala técnica Invoco este tirada humorística para alu- preparação em Portugal), comunicando querer fazer demagogia, não posso deixar no Luxemburgo. dir a uma outra situação que não é nada en- com as famílias apenas através de correio de estabelecer a comparação com o que se Estes “guerreiros” do pontapé na bola (e graçada, mas que se vem repetindo, nos úl- (os célebres aerogramas), pelo que se esco- passa relativamente às pensões a que ficam frequentemente também na gramática…) timos anos, ciclicamente: sempre que há ne- avam longas semanas, até meses, sem que com direito os detentores de cargos políti- são equiparados aos conquistadores que cessidade de uma intervenção por parte das as famílias soubessem o que com eles se cos, após escassos anos de actividade (em outrora alargaram o império (mais do que a nossas forças militares ou militarizadas, passava. E essas centenas de milhar de pes- alguns casos mais adequado seria dizer fé…), sendo que deles se espera que recau- logo vem um clamor de que pode haver ris- soas nunca receberam qualquer apoio psi- inactividade…), durante os quais, para além chutem, chutando (para as redes…), a cos, de que não está afastada a hipótese de cológico, mesmo aquelas a quem chegava a de tudo, tiveram benesses e remunerações nossa auto-estima - que, tal como a econo- haver “baixas” (que é como quem diz mor- notícia de que o filho, o marido, o pai, o muito acima das que aufere a esmagadora mia, está nas lonas… tos ou feridos), chegando-se ao cúmulo de, irmão, tinham morrido em combate. maioria da população portuguesa. A partir de agora, e durante alguns dias, as previamente, entidades responsáveis avan- (Aliás, lembro-me que, tal como todos Actualmente, os militares que partem grandes preocupações deste País e da maio- çarem com a percentagem de baixas previs- os outros militares que estiveram na “guer- nestas missões são quase sempre voluntá- ria dos seus autóctones vão ser os “comba- ta! ra colonial”, no próprio dia em que embar- rios, vão por períodos relativamente curtos tes” travados sobre a relva germânica. Ora quem ingressa nas forças militares quei no Vera Cruz, rumo a Angola, tive de (normalmente um máximo de seis meses), Oxalá o desempenho dos seniores seja ou militarizadas, deve estar consciente de preencher um documento indicando quem com remunerações substancialmente au- mais reconfortante do que o dos sub-21, que por alguma razão se designam por deveria ser avisado em caso da minha mentadas e tendo ao seu dispor meios de para que os vejamos muitas vezes (se possí- “forças armadas”, isto é, que usam armas. morte. Muito animador!...). comunicação que lhes permitem contactar vel até ao jogo final) a mexer os lábios ao E se aprendem a manejá-las, seguramente Pior do que isso, aos próprios militares as famílias diariamente, através de telemó- som da “Portuguesa”, provavelmente “a que não é para que sirvam de adorno, mas que, ao longo de quase década e meia veis e da Internet, que associa o som e a fintar” a letra que ainda não decoraram. antes para as utilizar sempre que tal se mos- foram regressando das ex-colónias, mais ou imagem. tre necessário. menos traumatizados, nunca ninguém lhes Não quero desvalorizar a acção desses Assim, enquanto nas brumas da memó- perguntou se precisavam de apoio psicoló- homens e mulheres, mas custa-me ver a co- ria se vão afogando os “Heróis do Mar”, da É, pois, com alguma surpresa que vejo as gico. E muitos deles bem que precisavam (e municação social a fazer deles heróis ainda espuma das ansiadas vitórias emergem, mi- nossas estações de televisão a fazerem “te- precisam ainda!) depois de terem passado antes de terem posto o pé no avião que há- lionários, os novos “heróis” desta nossa lenovelas” das partidas dos nossos militares longos períodos em situações de isolamen- de levá-los ao destino. santa terrinha… para o Afeganistão, para a Bósnia, para o to, de combate, de emboscadas, com me- Pois que surjam, ao menos, golos que Iraque, agora para Timor, e uma pergunta mórias de minas e armadilhas a fazerem em Apesar de tudo, estes homens vão, efec- mitiguem a sede de felicidade, já que de pe- que alguns jornalistas para aí destacados bocados o amigo que avançava a poucos tivamente, enfrentar situações de maior ou naltis injustos estamos (quase) todos fartos! ÉPOCA BALNEAR Novas regras a partir de hoje As novas regras para as praias, que inclu- Segundo o oficial da Armada Portuguesa, em multas para quem tome banho no mar a aplicação do decreto-lei que foi publicado com bandeira vermelha, vão ser aplicadas a em Diário da República, obedece ao regime a partir de hoje (quarta-feira, dia 7) em jurídico geral que dita a sua aplicação cinco Portugal continental, disse à Lusa o Co- dias após a publicação. mandante Brás de Oliveira, da Armada Por- Nas regiões autónomas da Madeira e dos tuguesa. Açores o período é de 15 dias, ou seja, as re- gras passam a ser aplicadas apenas no próxi- mo dia 17 de Junho. quot;Este é um período que deve servir para a informação e sensibilização das populações, nadadores e concessionáriosquot;, disse Brás de Director: Jorge Castilho Oliveira. (Carteira Profissional n.º 99) As novas regras foram aprovadas em nadar com bandeira amarela (que permite a locais e horas para que foram contratados, os Propriedade: Audimprensa Conselho de Ministros há três semanas quot;para entrada na água mas proíbe nadar) vai pagar que se afastarem da área de socorro, os que ti- Nif: 501 863 109 entrar em vigor já nesta época balnearquot;, afir- pelo menos 55 euros de multa. verem comportamentos negligentes nas mou à Lusa em finais de Maio o secretário de Por outro lado, quem utilizar material de zonas de banhos e os que não cumprirem as Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho Estado da Defesa, Lobo Antunes. desporto náutico, como motas de água, fora instruções sobre o estado do mar fornecidas O diploma enumera várias ilicitudes que das zonas permitidas pela lei, também fica su- pela autoridade marítima. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 podem ser cometidas por banhistas, conces- jeito a multa. Os concessionários das praias também Composição e montagem: Audimprensa - sionários das praias e nadadores-salvadores, a Além dos banhistas, as novas regras apli- podem ser multados se procederem à abertu- Rua da Sofia, 95, 3.º quem podem ser aplicadas coimas que vão de cam-se aos nadadores-salvadores e aos con- ra ou encerramento da zona balnear antes ou 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 55 até mil euros. cessionários das praias (normalmente os pro- depois do período para que foram autoriza- Fax: 239 854 154 O novo diploma define cerca de 20 infrac- prietários de restaurantes e bares que, para dos, se usarem as infra-estruturas para fins di- e-mail: centro.jornal@gmail.com ções em zonas balneares e praias fluviais que obterem licença, pagam ao nadador-salvador ferentes do acordado e se não tiverem a visto- Impressão: CIC - CORAZE são sujeitas à aplicação de coimas pela Polícia e suportam os custos das infra-estruturas de ria necessária para a abertura da zona balnear. Oliveira de Azeméis Marítima. apoio à praia). As multas vão dos 55 aos mil euros, vari- Tiragem: 10.000 exemplares Quem entrar no mar com bandeira verme- Para os nadadores-salvadores, as multas ando consoante quem pratica a ilicitude e se a lha (que proíbe a entrada na água) e quem vão ser aplicadas aos que não estiverem nos infracção é um acto repetido.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 COIMBRA 3 «MIC» lança núcleo Curso Médico em Coimbra e cria blogue celebrou 55.º aniversário Decorreu no passado fim-de-semana a reunião comemorativa 55.º aniversário de Foi criado, na passada sexta-feira (dia 2) “Num primeiro momento, promover-se- formatura do Curso Médico de 1945 a o Núcleo de Coimbra do MIC – Movimen- á um grande debate de âmbito nacional, pa- 1951 da Universidade de Coimbra. to de Intervenção e Cidadania. trocinado pelo próprio Manuel Alegre, em Inicialmente constituído por 92 médi- Em reunião que contou com cerca de que serão discutidos problemas cruciais do cos, este grupo conta actualmente com 52, três dezenas de participantes, foi debatido o país na actualidade – o papel do Estado e a que exerceram (e alguns ainda exercem) a lançamento do Movimento no distrito de crise da democracia, a corrupção, o empre- respectiva actividade em diversos pontos Coimbra, dando sequência aos princípios go, a exclusão e as desigualdades, o desen- do País e também nas antigas colónias. orientadores da candidatura presidencial de volvimento do interior e o combate à deser- Entre os médicos de Coimbra que fazi- Manuel Alegre, debateram-se “preocupa- tificação – com a presença de diversos con- am parte deste Curso contam-se Pacheco ções comuns, estabelecendo-se algumas li- vidados e nomes prestigiados nas referidas Mendes, Alípio Rocha, José Dias, Seabra nhas de acção para o futuro próximo”, áreas. Numa segunda fase, o MIC/Coimbra Santos (pai do actual Reitor), Teles das Ne- como referiu um dos responsáveis do MIC, organizará um conjunto diversificado de ves, Chorão de Aguiar, Cardeira Severo e que especificou: acções a nível local”. Moura Relvas. “Assinalou-se a situação deprimente que Para além disso, “o MIC/Coimbra privi- Foram professores universitários Lucia- tem marcado a Cidade e a região de Coim- legiará a atenção aos novos meios informá- no dos Reis (em Angola e no CHC), Raul bra nos últimos anos em diferentes domí- ticos de comunicação, dinamizando redes da Bernarda (em Moçambique e na Facul- nios, o refluxo das iniciativas cívicas e polí- de acção através do chamado ciberespaço”. dade de Medicina de Coimbra), Ismael Pra- ticas do país, bem como o défice de peso Foi decidido criar de imediato um blogue, tas Ferreira (na Faculdade de Medicina de político de Coimbra junto do poder central. que pode ser acedido desde já, e cujo ende- Lisboa) e Poiares Baptista (na Faculdade de Tal situação é preocupante, exigindo por reço é micporcoimbra.blogspot.com. Medicina da UC, de que foi também Vice- isso respostas adequadas dos cidadãos e das Foi ainda eleita uma Comissão Coor- Reitor). forças vivas da sociedade civil. É portanto denadora, assim constituída: Alda Salgado, Os participantes neste reencontro de fundamental dar sequência à vontade ex- Ana Catarina Aidos, Alice Castro, Elísio convívio e saudade estiveram na Univer- pressa de muitos cidadãos e cidadãs, filia- Estanque, Fernando Rodrigues, Henrique sidade a assistir à celebração de missa e dos ou não em partidos políticos, que se Manuel Alegre Reis, Ilya Semionoff, José Ricardo Nóbre- apresentaram cumprimentos ao Reitor, co- identificam com as preocupações cívicas e ga, Luís Martinho do Rosário, Mariana mo é tradicional. Depois confraternizaram políticas do MIC”. cidido programar as actividades do Movi- Dias, Pedro Monteiro, Rosa Pita, Rui em almoço servido na Escola de Hotelaria. Quanto às iniciativas a promover, foi de- mento em duas fases: Roque e Teresa Portugal. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal ìCentroî Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  • 4 ENTREVISTA Académica já foi um DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 À CONVERSA COM MANUEL SÉRGIO, O “CATEDRÁTICO DO DESPORTO” Uma conversa-entrevista-conversa sobre alta competição, o futebol português, José Mourinho, a função dos clubes, a Académica e o Belenenses, José Maria Pedroto, os mitos da prática desportiva, a final da Taça de Portugal de 1969, as igrejas e os estádios, Mário Campos, Scolari e... onde também se fala de Jesus Cristo Conversar com Manuel Sérgio é Com a profissionalização, o desporto elucidativa, de um médico chamado Victor mo. Mas não sei como é que os jogadores um prazer. O filósofo esteve em português melhorou. Há um apoio à alta Franco: “Nós, médicos, passamos a vida a actuais estarão, do ponto de vista da saúde, Coimbra há dois meses e conce- competição que antigamente não existia. dizer aos doentes que façam exercício físi- quando chegarem aos 50 anos... deu a entrevista que hoje publica- Há dinheiro, agora temos campeões olímpi- co, não comam açúcar, não comam sal, etc., Se calhar, em piores condições físicas mos. No ambiente tranquilo de cos. Não são muitos, mas já temos alguns... e esquecemos de lhes dizer que o primeiro que o cidadão comum... uma sala do Hotel Quinta das No futebol, permanece uma mentira: assi- factor de saúde é que a vida tenha sentido”. Não sei. Eles chamam-lhes ‘suplementos Lágrimas, em fim de tarde chuvo- nam-se grandes contratos, mas depois não A felicidade pessoal é o primeiro factor de vitamínicos’, mas desconfia-se que seja so, falámos de muitas facetas do se paga. saúde. E depois vêm os outros factores. outra coisa. Não sei... O Desporto de Alta Desporto. Continuamos a ser o país do fute- Como a sociedade não dá saúde, põem-se Competição, no fundo, está a substituir o Volta e meia, a conversa derivou bol... as pessoas a correr. Embebedam-se as pes- sagrado – este amor ao clube é uma coisa Continuamos a ser porque já o éramos soas com essas tretas. A saúde tem de se interessante. Enquanto os nossos avós (e para a Académica. É notório o antes do 25 de Abril. Não mudou nada. obter através de uma sociedade diferente. mais atrás, até desde a Idade Média) nos fascínio que a Briosa desperta no E continuamos a ser um país de des- deixaram igrejas, catedrais, nós vamos dei- Professor. portistas de café e da televisão... xar campos de futebol, estádios... E a al- Foi por isso que decidimos publi- car a entrevista só depois do cam- O Desporto não entrou na vida das pes- A Académica foi das equipas, guns até já lhes chamam catedrais. soas, porque não é apresentado como ele é. Foi a única coisa que o Euro 2004 nos peonato ter terminado – para evi- O Desporto continua a servir para muita em todo o mundo, que melhor deixou? tar eventuais “más interpretações”. coisa... O Desporto é um espectáculo ao soube reproduzir a ideia de que Já ouvi altas figuras dizer que foi muito lado de outros espectáculos. Há um econo- no futebol é possível existir um bom para o turismo. Mário Martins micismo que domina toda a vida em socie- Mas nós, adeptos, ficámos na dade e que também está presente no ideal. Esta Académica perdeu- mesma... Manuel Sérgio, pessoa simples, já tem o Desporto. Veja bem que as campanhas a se porquê? Na mesma, na mesma. É verdade que o nome gravado na História. Ele criou um promover o Desporto-Saúde, com a ideia espectáculo desportivo pode servir para o novo paradigma do conhecimento: a Mo- de que o Desporto dá saúde, são promovi- reforço da identidade nacional. Há um tricidade Humana. As suas ideias vão, a pou- das pelas grandes multinacionais de materi- E quanto ao espectáculo desportivo? certo patriotismo que se está a perder e o co e pouco, fazendo caminho pelo mundo al desportivo. O espectáculo desportivo não está mal. desporto de alta competição pode servir fora: já são várias as universidade que têm fa- É o espectáculo de maior magia no mundo para combater essa situação. Os jogadores culdades de Motricidade Humana. Felicidade é o primeiro contemporâneo, as pessoas querem-no. sentem, quando entram em campo diz-se- Há meses, José Mourinho surpreendeu factor de saúde Mas não se pode dar só espectáculos des- lhes que vão cumprir algo ao serviço da tudo e todos ao afirmar que Manuel Sérgio portivos às pessoas, não se pode apenas Pátria. era a pessoa que mais o tinha marcado – Depois há quem siga o conselho e embebedar as pessoas com espectáculos E a nível local, o clube ainda é uma nem Van Gaal, nem Bobby Robson... O acabe por morrer a praticar Desporto... desportivos. As pessoas têm de ler, têm de forma de identificação? Benfica, FC “mestre” principal era o pensador que, aos É verdade. Há quem não possa ser um saber. Não se pode apenas publicitar aquilo Porto e Sporting têm legiões de adep- 22 anos, tendo como habilitações a 4.ª clas- homem-máquina. A Fundação Portuguesa que as adormece, aquilo que anestesia. tos. E os pequenos clubes?... Estão con- se, trabalhava no Arsenal do Alfeite. de Cardiologia só diz mexa-se, não diz Os grandes jogos, por exemplo... denados? Foi com este mesmo homem, hoje pro- corra. Só diz mexa-se!... O problema é este: Os grandes jogos não estão mal, mas não Os pequenos clubes pretendem imitar os fessor universitário, sempre afável, que esti- a saúde é um fenómeno social, político. A chegam. O Desporto não é mau, o que tem grandes, mas esquecem-se de que estes, vemos à conversa. saúde não se obtém unicamente porque se de mal o Desporto são as taras da socieda- como têm muita gente, sempre conseguem Como vamos de Desporto em Portu- corre, a saúde decorre de um país diferente, de – porque o Desporto actual reproduz e ir vivendo. Mas o Sporting já quer vender gal? de uma sociedade diferente. Há uma frase multiplica as taras da sociedade. Não é con- quase todo o património, o Benfica pratica- trapoder ao poder das taras dominantes. mente não tem património... Os pequenos Homem de vários mundos Continua a pensar isso?... tentam imitar os grandes, mas têm muitas Continuo. dificuldades. Nunca serão equipas para ga- Portanto, valores no Desporto... nhar o campeonato nacional, talvez uma Os valores tradicionais do Desporto – “Taça”... Conheci o Professor Manuel Sérgio há cerca de 15 anos, por altura do I (e único) camaradagem, generosidade... – encontram Curso de Auditores de Informação Desportiva. Durante vários meses, o Centro de outros valores quando se chega à alta com- Académica perdeu ligação Estágo da Cruz Quebrada era o destino, dois dias por semana. petição. Mas estes ‘outros valores’ estão no à Universidade Manuel Sérgio coordenava o curso e as noites de segunda-feira constituíam uma Desporto como estão na vida. O Desporto “oportunidade de ouro” de formação extra-curricular para quem, como eu, estava alo- de Alta Competição é um dos produtos da Socialmente, os clubes distinguem- jado no Jamor. Por vezes, ser da Província é uma vantagem em Lisboa... sociedade altamente competitiva em que vi- se? Por exemplo, a Académica ainda faz Ficámos longas horas naqueles sofás. Um dia, deu-me boleia para Lisboa. O desti- vemos. sentido como “clube diferente”? Há no era Santa Apolónia. A certa altura, o convite: “Venha conhecer uma amiga minha!”. lugar no futebol profissional para uma Entrámos no Hotel Tivoli, na Avenida da Liberdade. À espera, para o chá da tarde, Pequenos clubes tentam equipa com uma filosofia própria? estava Beatriz Costa. imitar os grandes Ainda há. A Académica, que já foi um Feitas as apresentações, começaram os dois a conversar. Foram duas horas inesque- clube com alma, comete um grave erro se a cíveis - um diálogo ao mesmo tempo simples e profundo, entre duas pessoas simples, O seu Belenenses está na alta com- perde, porque a alma não pode estar sujeita verdadeiras e cultas, deslumbradas com o mundo e a vida, um diálogo sem formalis- petição? às contigências. Eu sou do Belenenses, mos bacocos, a provar que todos temos algo para ensinar e para aprender. Está, então não havia de estar?... Até a mas... a Académica entrava nos campos em Nunca mais esqueci aquele fim de tarde. Devo-lhe esse momento mágico. Académica!... Todos estes clubes estão em Lisboa e era uma coisa diferente. Porque é alta competição. Exige-se tudo dos jogado- que há-de perder isso? M.M. res, não sei é se se lhes paga sempre... Diferente porque vestia de preto? Existe dedicação completa, profissionalis- Não, porque era diferente. Falava às pes-
  • ENTREVISTA 5 clube com alma DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 soas de valores que as outras equipas indis- A claque da Académica considera-se Pois, ele é esperto. cutivelmente não tinham. Até o futebol que diferente... Mas eu nunca ensinei jogava era diferente, era um futebol pensa- Não sei. Não parece. futebol a ninguém, do, e via-se que havia qualquer coisa de di- O Professor é um belenense que tem ensinei outras coisas ferente que unia os jogadores. A Académica como segundo clube a Académica, tal que ele diz que se apli- perdeu isso e é mau para a Académica ter como acontece com muita gente? cam ao futebol. perdido muitos dos valores, quase que diria Eu digo-lhe com toda a franqueza: eu Continua a falar estupidamente. A Académica de hoje não nasci em Belém, em frente do campo do com ele todas a sema- pode ser igual à de 40 ou 50. Mas há uma Belenenses e, por isso, sou do Belenenses. nas? alma, há valores que ainda hoje se podem Agora, eu olhava (muita gente olhava) para Agora não, já não manter, independentemente do tempo. a Académica como portadora de um con- falo com ele há Como é que, estando em Lisboa, vê ceito diferente, que reflectia cultura, que re- algum tempo. esse perder da alma? flectia política. Perdeu-se porquê? É um Ele tem a Eu vejo isso porque a equipa já não apa- caso para os homens da Académica pensa- sua vida, eu rece da mesma forma. A linguagem é outra, rem. tenho a mi- vê-se que os valores não são os mesmos Dava uma boa tese... nha... Ve- através do discurso das pessoas. Sim, sim. Dava uma grande tese de dou- nho ago- Antigamente, os jogadores reflectiam a toramento. Uma coisa deste tipo: “Futebol ra dos Universidade de Coimbra, quase todos tira- da Académica – reflexo e projecto de uma vam o seu curso. E havia qualquer coisa de Universidade”. Qualquer coisa assim, é um diferente. É evidente que me é difícil, que caso para pensar. Não faz sentido que a via as coisas de fora, concretizar mais esta Académica tenha perdido essa dimensão. ideia. Mas, olhe!, naquela final da Taça de E... estou a lembrar-me... esses jo- Portugal, em 1969, a que assisti no Jamor, a gadores nem sequer eram infe- Académica reflectia, mais do que uma equi- riores aos outros. Eu não pa de futebol, uma contestação ao estou a dizer isto para Governo. Mais nenhuma equipa poderia fazer isso! E ainda há espaço para uma equipa dessas no desporto profissional? Claro que há. A Académica pode fazer isso. Aquilo que fez em 1969, assumindo uma atitude, pode continuar a fazê-lo. Se calhar, deveria estar mais ligada à Universidade, aos estudantes... Talvez. Não é por acaso que o Professor Queiró, que era um mestre eminente de Direito, era um homem que andava sempre com a Académica. Eu acho que nenhum mestre eminente de Direito anda hoje com a Académica pode ser um espaço equipa da Associação Académica. Havia uma que a Académica, coitadinha, acabe a jogar Açores, ando de um lado para o outro... ligação à Universidade que hoje não existe. nos campeonatos distritais. Não... Mas de vez em quando falamos. diferente O Manuel António era “Bola de Pra- Ele tem sido muito simpático consi- Como vamos de Motricidade Hu- Manuel António, Maló... ta”... go: considera-o a pessoa que mais o in- mana pelo mundo fora? eram todos bons! Sim... O Maló era um dos grandes guarda- fluenciou na sua formação como técni- As ideias que eu defendo aparecem redes... Eram todos bons! Está provado: co de futebol. como novas: o passar do físico à motricida- Portanto, como pensador do Despor- Florentino Pérez fez uma equipa de milhões Ele tem sido muito simpático comigo. de humana, à pessoa em movimento inten- to, acha que ainda há lugar para uma e não ganhou mais por isso; é uma equipa que Ou melhor, tem sido justo. cional. No Brasil há várias faculdades, em Académica assim... não é equipa, são “primas-donas”, são pesso- Não sei, não sei. Eu procuro não [apare- Portugal há vários cursos, em Espanha Sem dúvida. É claro que a Académica cer muito]. Vou fazer 73 anos, já não tenho estão agora a nascer. E estão a começar a não pode jogar com botas de traves, porque idade para exibicionismos pueris. Já não traduzir alguns textos meus para inglês, a tecnologia avançou... O que digo é que o fica bem. porque é fundamental. Há ideias que eu de- espírito que distinguia a Académica, até O treinador triunfa se é, ou não Já tem o nome da sua teoria gravado fendi há anos que agora se concretizam uma certa consciência política, pode conti- é, homem. Isso é a força do na fachada de diversas faculdades, tem mesmo. Por exemplo, quando eu digo que nuar a existir. José Mourinho. O líder é o um dos melhores treinadores do mundo não há educação física, mas sim educação Tem pena que não exista? a dizer que a pessoa que mais o marcou de pessoas em movimento, queria acabar Tenho pena, logicamente. Não vou dizer grande treinador. Na alta com- foi o Professor... com a noção do homem-máquina. nomes, mas hoje a Académica está consti- petição, o líder é uma espécie Há um outro que também tem muito O homem integral... tuída por um grupo de jogadores que não de general; é evidente que tem contacto comigo, o Mariano Barreto. Está O homem integral em movimento. Eu são Académica. A Académica foi das equi- no Dínamo de Moscovo. Eu acredito muito julgo que a Académica, mesmo aquela pas, em todo o mundo, que melhor soube de saber qualquer coisa de fu- nele. É uma pena ainda não lhe terem aber- Académica que começou com o Cândido reproduzir a ideia de que no futebol é pos- tebol... to portas, porque ele vai longe... Há ainda de Oliveira (que não era bem um treinador sível existir um ideal. Esta Académica per- um outro, que foi meu assistente, que é um de futebol e era treinador de futebol)... deu-se porquê? dos melhores escritores portugueses – o ... nos anos 50... Poderia continuar? as que andam a olhar para o próprio umbigo. Gonçalo M. Tavares – que se doutorou há ... nos anos 50, o Cândido que falava Absolutamente. Pode ser continuada. A Com narcisismo não se faz uma equipa. pouco na Faculdade de Motricidade com os jogadores de vários aspectos de cul- Associação Académica de Coimbra tem a Humana e fui o orientador da tese dele. tura, julgo que a Académica poderia voltar obrigação de fazer do futebol um espaço José Mourinho tem sido Vai ser também treinador de futebol? a ser assim. E criar um outro clima. Caso diferente. Não pode ter claques a tentar simpático Não, não tem nada a ver. contrário, a Académica não tem razão para imitar as claques do FC Porto, do Benfica São os seus três “delfins”? existir com o nome de Académica. Há uma ou do Sporting. Isso é uma vergonha, é ni- Por isso é que o seu discípulo José Dois no futebol e um na escrita. Mas há velar por baixo. Mourinho não quer “estrelas” na equipa... mais... Continua na página seguinte ››
  • 6 ENTREVISTA DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 Entrevista a Manuel Sérgio ›› Continuado da página anterior Para ir às conferências que me pedem, de- pois também não posso sair assim para dar tradição, a Académica nasceu de uma deter- um “salto” a Inglaterra. minada maneira, embora eu não conheça O futebol nunca o chamou? bem a história. A Académica podia ser um Não, não, não. A única pessoa que mais anúncio de um novo futebol. falou comigo, e que me deu a impressão de Novo comportamento, novos valores? gostar de falar comigo, foi o José Maria Novos valores. E eu, nisso, entrava. Era Pedroto. É uma coisa interessante. apaixonante. A Académica pode ser um es- Falávamos muito ao telefone. E até cheguei paço como não há. Mas... “não temos o a ir para o estágio dos jogadores do FC Ronaldinho?”... Também aparecia! Porto, cheguei a levar a minha mulher, o Aos 73 anos, sente-se realizado? Já Pedroto levava a mulher dele, e eu falava fez muita coisa... com ele. Já fiz muita coisa. Mas não me sinto rea- Qual era a sua função: aconselhá-lo? lizado. Há sempre hipóteses de fazer mais. Não, não. Eu nunca ensinei futebol a Com as minhas fraquezas humanas (tenho ninguém. O Pedroto, coisa curiosa, era um a toda a hora a noção dos meus limites), homem que sabia que não sabia. Uma coisa nasci de gente muito pobre, trabalhei e es- interessante... Era uma pessoa cursiosíssi- tudei com gosto. ma, um indivíduo que gostava de saber e, Aos 20 anos tinha a 4.ª classe... então, gostava de me ouvir falar e levantava Aos 22 anos tinha a 4.ª classe, depois co- perguntas. mecei a estudar. Já trabalhava no Arsenal Sobre tudo? do Alfeite. Sim, sobre política, mesmo futebol. O E foi por aí acima... Pedroto era muito interessante. Eu não sei Fui por aí acima, a trabalhar, a estudar e se terá havido mais alguém no futebol com na companhia da minha mulher, que foi aquela curiosidade. Eu não conheci o uma grande companheira que eu nunca es- Cândido de Oliveira, quem escreveu sobre quecerei. A vida familiar é fundamental. ele foi o Homero Serpa... José Maria Pedroto Jogador tem de sentir convidava-me para os estágios que serve um ideal Tem projectos? O Homero chegou a ser treinador do Projectos há sempre. Eu penso como se Belenenses... tivesse 20 anos. Sinto isso. É uma situação curiosa. O Belenenses Sente mesmo ou está a usar uma estava para descer de divisão e o Acácio “frase feita”? Rosa, aí por 1969 ou 1970, foi buscar o pai Sinto, sinto. Claro que do ponto de vista do José Mourinho, que era nosso guarda- fisiológico, uma pessoa sente que a prósta- redes [Félix Mourinho], e o Homero Serpa, um jornalista, para orientarem a equipa. E o Belenenses não desceu de divisão! Isto deu- E vai correr bem? Isso supõe uma formação cultural do me muito que pensar, muito que pensar... É Pode correr bem porque nós temos jogador... Enquanto os nossos avós o homem que triunfa no treinador. O trei- grandes jogadores de futebol. Mais do que isso: toda a organização do (desde a Idade Média...) nos nador triunfa se é, ou não é, homem. Isso é Velhotes já, alguns... clube tem de estar orientada nesse sentido. a força do José Mourinho. O líder é o gran- O Figo é que é velho, o Cristiano tem 21. Tem de haver uma nova cultura, um novo deixaram igrejas, catedrais, nós de treinador. Na alta competição, o líder é discurso, tem de haver objectivos. Partindo vamos deixar campos de fute- uma espécie de general; é evidente que tem Mário Campos foi dos maiores daquilo que o clube é, transformá-lo, visan- bol, estádios. E a alguns até já de saber qualquer coisa de futebol... Tem de “extremos” de sempre do a transformação da própria sociedade. ser perspicaz, conhecer bem os seus joga- Os clubes devem preparar-se para não faze- lhes chamam catedrais. dores. Mas isso quase todos sabem fazer, Frequenta os estádios? rem só bestas esplêndidas, mas para faze- mas depois falta-lhes o resto: formar um Às vezes. Quando o meu amigo João rem pessooas de bem. Acho que isto não é grupo que saiba entrar em campo e ter ob- Santos era vivo, ele costumava receber dois só retórica. ta não está boa, a gente tem doenças... jectivos. O jogador, acima de tudo, tem de bilhetes e eu ia com ele, porque a mulher O que é que isso tem a ver com o fu- [sorri] Uma pessoa chega à minha idade e entrar em campo e sentir que está a servir nunca ia. E houve outra fase da minha vida tebol e os clubes... sente que não é a mesma pessoa. Agora, um ideal em que acredita. em que, de 15 em 15 dias, ia ao futebol. Há valores sem os quais se torna impos- quero escrever isto, fazer aquilo... continuo O dinheiro?... Olhe, há um rapaz, o Mário Campos, que sível viver. Mesmo hoje, esses valores têm na mesma. Não sei. Talvez até qualquer coisa de foi dos maiores extremos-direitos que eu vi de enformar a sociedade. Dizem: “Ai isso Então qual é o projecto que fervilha transcendente, mais do que o dinheiro. O no futebol português, de sempre! Vi-o fazer era antigamente...”. Então nós, hoje, só de- agora na sua cabeça? jogador tem de entrar em campo sem pen- exibições que nunca mais esqueci. vemos consumir, não podemos pensar? Agora estou a escrever “Motricidade sar no dinheiro. É evidente que ele tem de Bem, estamos a chegar ao fim da Há meia dúzia de anos, a Académica Humana – itinerários de um projecto”. Eu viver com dinheiro, mas tem de ter mais conversa... entrou em Alvalade com uma tarja a quero fazer a história da Motricidade qualquer coisa: o orgulho, o “vamos ga- Sabe uma coisa?... Gostava muito que o afirmar “Não à co-incineração”. É este Humana. Aquilo que pensei... Mas sou, nhar!”, o “tu és jogador de futebol e quan- futebol pudesse ser um motor de transfor- tipo de comportamentos que defende? acima do mais, um ensaísta e, como tal, to melhor jogares mais serás conhecido”... mação da sociedade. Com a força que tem, Claro, claro. É evidente que se eu estiver estou sempre a escrever coisas, recebo mui- É a transcendência, é a superação. O joga- ser o gérmen de qualquer coisa... dentro de um clube que pensa de determi- tos convites para ir aqui, ir ali... dor tem de entrar em campo convencido Mas diz o contrário... nada maneira, eu também começo a pensar. Convite para Stamford Bridge, para que o faz ao serviço de um valor transcen- É verdade, o futebol actual reproduz e Quando entramos numa igreja, sentimos ver jogar o Chelsea?... dente. multiplica as taras da sociedade. Julgo que a qualquer coisa de diferente, agimos de ma- Já tive, já tive, mas... Será por isso que Scolari reza com os Académica tinha condições invulgares para neira diferente. Não gosta do ambiente dos estádios jogadores antes dos jogos? ser esse motor... E é um não-crente que está a falar... ingleses? No Brasil usa-se muito isso. No Brasil, o ca- Mas o discurso mais ouvido é de que Não, não. Eu sou cristão, profundamen- Sim, mas não calhou ainda. O meu tolicismo entra no balneário. Ele [Scolari] pra- os tempos são outros e que é preciso te cristão. A figura que eu mais admiro na mundo é outro, sabe? Eu gosto muito de tica o catolicismo à sua maneira. Vai à missa. ganhar jogos... História é Cristo. Jesus Cristo trouxe uma ver os jogos do meu Belenenses. Estamos bem entregues, com Scolari? Ninguém está a dizer que não é preciso mensagem que põe Deus perto de nós. É O seu mundo é o Restelo? Não sei. Ele não faz menos do que ou- ganhar jogos. O jogador tem que se sentir esta a grande novidade do cristianismo, que O meu mundo é o Restelo. Mas não é só tros têm feito. Não sei... Não conheço ver- homem de um tempo e tem de lutar para S. Francisco de Assis interpretou de forma isso... Eu sou presidente da parte universi- dadeiramente o trabalho dele. Veja bem a transformar esse tempo. Ele é jogador de admirável. Onde está Deus?... No outro. A tária do Insituto Piaget, não tenho a vida facilidade com que chegámos à fase final do futebol, com certeza. Mas mesmo como jo- grande mensagem é esta: Deus está no tão livre como parece. Tenho obrigações. Campeonato do Mundo. gador de futebol pode fazer isso. nosso semelhante.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 CITAÇÕES 7 A senhora da limpeza expulsa-me: era GUERRA contrário, uma reorientação, do betão para crianças. Mostra-me o laçarote sobre a cabeça de uma figura (meninas) e um E ECONOMIA para os recursos humanos, do investi- mento na infra-estrutura física para o in- laço sob a cabeça da outra figura (meni- “Se olharmos só para o século XX, das vestimento social.” nos). Lógico... para ela que trabalha lá campanhas na Flandres (em 14-18) à pri- todos os dias. Mas para gente comum, meira missão de paz na Bósnia Herze- Marina Costa Lobo itações como eu, um Sudoku difícil em momen- govina (em 1993-94), passando pelas DN 03/06/06 to em que não me apetece jogar. guerras de África, em nenhuma altura es- De que vos falo aqui? Falo-vos do tivemos verdadeiramente preparados pa- Plano Nacional de Leitura – o tema do ra as emergências, mas adaptámo-nos de- PROBLEMAS DA IMIGRAÇÃO dia. Eu tenho uma proposta: sejam sim- pressa, e improvisámos melhor (como ples com a língua (e os sinais nas portas). sempre). Acabem com a Faculdade de Motricidade Isto pode mostrar que a falta de equi- “Para tomar a situação mais recente re- Humana. E com a empregabilidade. E a pamento adequado e estruturas, é cróni- cordemos que, em 1986, quando o Con- sustentabilidade. Digam ‘recebi’, não ‘re- ca, nas nossas forças armadas, ou que um gresso americano reformou a lei de imigra- VARREDELA cepcionei’. Isto que fiz é uma lista. Não país pacífico e não imperial tem (ou julga ção, estimava-se que existissem naquele uma listagem.” ter) menos obrigações do que as superpo- país cerca de cinco milhões de imigrantes DO SISTEMA Ferreira Fernandes tências, que vivem literalmente da guerra, e aprenderam a fazer reverter a mesma ilegais, razão pela qual a decisão da Administração passou então por um pro- “O choque de que o nosso país preci- CM 02/06/06 para o crescimento das suas economias”. cesso de regularização de grande dimensão. sa nessa matéria reconduz-se à varredela: Nestes 20 anos estima-se que tenham é preciso varrer radicalmente do sistema a Nuno Rogeiro entrado nos EUA cerca de 11 a 12 mi- maior parte dos actuais programas, ma- GERAÇÕES JN 02/06/06 lhões de imigrantes ilegais, a par dos que COBAIAS nuais, livros de estudo, métodos de ensi- entraram legalmente, seja a título de reu- no, teorias pedagógicas, talvez mesmo as nificação familiar, seja a título de imigra- próprias bases em que funcionam as es- PAÍS VIVE ção para fins económicos. A título com- DO ESTADO colas superiores de educação, formando “Nos últimos 30 anos, a educação tem parativo refira-se que na Europa, inexis- professores cuja actuação, a despeito de sido campo de experiências sucessivas, tindo um sistema coordenado de regulari- boas classificações, de empenhamentos com leis e meias reformas, tornando cada “É inquestionável que o emagrecimen- zações, é difícil fazer sequer uma estima- sinceros, das maiores boas vontades e de- geração uma grande cobaia, na qual se to da quot;máquinaquot; do Estado terá de acon- tiva do número de imigrantes ilegais, mas dicações, redunda globalmente nos fami- testam teorias e teimosias. Simultanea- tecer. Em serviços e pessoas. Não pode avalia-se em cerca de 500 mil os que anual- gerados resultados referidos. mente caíram intramuros escolares novos porém esse emagrecimento ser feito atra- mente entram ou permanecem irregular- Se tudo falha, é preciso recomeçar e agudos problemas sociais que deviam vés de quot;dietas cegasquot; como aquelas que, mente, dos quais cerca de 120 mil serão tudo desde o princípio, é preciso mudar ter resposta a montante e a jusante, mas para obter beleza, provocam indesejáveis mulheres e crianças, integrando, pois, o os materiais didácticos, é preciso inscre- não têm. anorexias. Mexer na quot;máquinaquot; do Esta- grupo de maior risco em termos de tráfi- ver os professores e demais responsáveis A escola transformou-se num espaço do requer tacto, coragem, inteligência. co para fins de exploração económica e pela educação numa reciclagem vigorosa multifunções, exigindo-se que faça tudo Parece um dos tais casos em que pode- sexual”. e completa, hoje que a palavra de ordem menos ensinar: intervenção social, psico- mos não morrer da doença, mas da cura. é a formação ao longo da vida. O que se logia, tratamento da pré-deliquência, sub- Portugal é ainda um país que vive do António Vitorino aprendeu com o objectivo de ensinar e o stituição da rede familiar, prevenção da Estado. Esta quot;verdadequot; é uma constata- DN 02/06/06 que se ensina com o objectivo de educar violência doméstica, remédio para o ção muito iludida pelo discurso dos em- não presta para nada e a melhor prova abandono, a subnutrição, a doença e ain- presários. Feitas as contas à contribuição disso é o que está a acontecer”. da o esforço diário de contrariar uma cul- em impostos directos e indirectos por COMPRESSÃO DE SÉCULOS tura de irresponsabilidade e laxismo. parte dos cidadãos trabalhadores depen- Vasco Graça Moura A classe dos professores é tida como dentes, essa fatia está desproporcionada DN 31/05/06 uma das mais relevantes socialmente e, relativamente àquela que deveria ser a “De facto, qual é o sentido de acabar paradoxalmente, é uma das mais desres- contribuição das empresas. Num Estado assim de repente, e à bruta, com uma peitadas. Para o que se lhes pede, são es- moderno terão de ser as empresas o gran- compressão de séculos? Até pode preju- PROFESSORES cassos os instrumentos de que dispõem de motor da sua economia.” dicar as mulheres, coitadas, aquele ror de VÍTIMAS para, com autoridade e eficácia, respon- espaço nas listas para encher. Felizmente, der aos problemas daquele quotidiano”. Paquete de Oliveira o Presidente está atento: quot;Mecanismos “Há uma tendência, em muitas das JN 01/06/06 sancionatórios e proibicionistasquot; como o opiniões publicadas ultimamente, para Maria José Nogueira Pinto da lei vetada quot;concedemquot; às mulheres acusar os professores de todas as malda- DN 02/06/06 quot;que assim acedam a cargos públicos um des cometidas na escola - e elas são mui- A INFLUÊNCIA inadmissível estatuto de menoridadequot;. DA DIREITA tas, mas não lhes cabem inteiramente. Suspeitar-se-á de que foram lá postas Acontece que a maioria dos professores PAZ EM ALTO RISCO pelos chefões do partido, por simpatia, são, à sua maneira, vítimas de um sistema “Mas, afinal, de que forma é que a di- bairrismo ou até competência, ao contrá- municiado (através do próprio Ministé- “O exercício da política, sobretudo na reita a pensar influencia a direita nas ins- rio do que sucede com os homens. Já es- rio) por uma burocracia que se apropriou área das relações internacionais, não é tituições, hoje? tamos a imaginar: passa uma deputada e do ensino público para impedir a avalia- uma actividade que se espera regida em Em relação aos partidos de direita, não toda a gente comenta: quot;Olha, lá vai mais ção, o trabalho e a excelência. Tem sido função da santidade, mas talvez seja ad- se vê grande impacto. Nos anos 80, O uma. Que vergonha. O que é que ela fez essa burocracia, geralmente ignorante e missível exigir que não se afaste da decên- Independente serviu como viveiro de para ir parar a São Bento?quot; Coisa assusta- cheia de poder e prerrogativas, que tem cia, e designadamente que a clássica men- ideias políticas para reformular o CDS dora, que como se sabe não se passa nos vindo a dificultar o trabalho dos profes- tira real, que a longa tradição liga às ne- em CDS/PP. Primeiro com o líder Ma- nossos dias.” sores e a alimentar uma terrível forma de cessidades do segredo de Estado, não ul- nuel Monteiro, e numa segunda fase corrupção no interior da escola, a que trapasse os limites do razoável. como trampolim para Paulo Portas che- Fernanda Câncio premeia os próprios burocratas que não A situação de alto risco em que se en- gar a líder do partido. Neste momento, DN 03/06/06 têm nada a ver com a escola”. contra a paz, entre mais razões relaciona- não se vislumbra reorientação liberal no das com interesses traduzíveis em espéci- CDS/PP, pelo contrário. Francisco José Viegas es raras, financeiramente especuláveis, e E qual a influência efectiva na direita RECICLAGEM JN 29/05//06 estrategicamente indispensáveis, é resul- no poder, isto é em Cavaco Silva? Para já tado de uma difícil conciliação da razoa- podemos dizer que é nula. A primeira “Nos festivais somos como bandos de bilidade com as intervenções sancionató- quot;presidência abertaquot; de Cavaco Silva foi pardais à solta, uns putos; somos filhos de DESLIGUEM OS rias adoptadas, desde a guerra aos condi- cionamentos das relações de mercado, dedicada à inclusão social. Esta semana esteve no interior do Alentejo para mos- uma mãe drogada na terra da fraternidade somos tribos futebol, somos parolos e bem COMPLICÓMETROS passando pela pregação de directivas con- trar o que as instituições políticas públi- mesmo sem olhar a quem. Há bar e mar, há dicionantes da liberdade de governo dos cas, nomeadamente as câmaras municipa- ir e voltagem; na natureza nada se perde, “À frente das portas das casas de ba- países em causa”. is, têm estado a fazer pelos excluídos. tudo se transtorna, tudo é recliclagem.” nho de um centro comercial, hesito. Uma Pelas entrevistas que tem dado, o que parece-me ter desenhada a figura de uma Adriano Moreira Cavaco advoga não é claramente uma di- Rui Reininho mulher. Vou pela outra. DN 30/05/06 minuição do papel do Estado. É, pelo JN 03/06/06
  • 8 SOCIEDADE DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 Governo cria 122 novos Centros RECONHECIMENTO, VALIDAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS e quer qualificar um milhão de pessoas Três em cada quatro trabalhadores por- Solidariedade, Vieira da Silva. Segundo a Lisboa e Vale do Tejo, 19 no Alentejo, dois perior. Os trabalhadores com menos do que tugueses não têm o ensino secundário, um Ministra da Educação, actualmente o siste- no Algarve e dois na região Autónoma da o secundário diminuíram em 33.200”. número que o Governo quer diminuir, ma RVCC destina-se apenas a adultos sem Madeira. Contudo, o peso, no total do emprego, tendo para isso lançado na passada semana o 4º, 6º ou 9º ano de escolaridade, pois os O lançamento destes novos Centros per- de trabalhadores com formação equivalen- (dia 31 de Maio) 122 novos Centros de Re- centros só dispõem de instrumentos técni- mitirá tornar operacionais, até ao final deste te ao secundário cresceu “apenas 0,9 por conhecimento, Validação e Certificação de cos para fazer a formação até ao 9º ano. ano, 220 centros, uma vez que já se encon- cento”, razão por que este programa é Competências (CRVCC). Contudo, afirmou que o 12º ano estará tram 98 em funcionamento. “fundamental”. Os CRVCC destinam-se a reconhecer as abrangido nestes centros já a partir do pró- Vieira da Silva destacou a “ambição de Relativamente ao calendário de abertura aprendizagens que os adultos desenvolvem ximo ano lectivo. enorme grandeza” do Governo ao preten- dos 122 centros, 30 serão inaugurados ao longo da vida nos vários contextos pro- “Terminámos agora a fase de homologa- der “multiplicar por cinco” (até 2010) os ainda no primeiro semestre deste ano, 50 fissionais, permitindo-lhes complementar ção para criar os instrumentos técnicos ne- Centros já existentes, sublinhando que até Setembro e os restantes 42 até ao final essa formação e obter habilitações reconhe- cessários para o 12º ano. Esperamos que “tem que ser assim”. do ano. cidas equivalentes ao 9º e 12º anos de esco- antes do Verão estejam homologados e que “Há ainda quem questione a importância Com este projecto, o executivo pretende laridade. no próximo ano estejamos em condições estratégica deste investimento. Gostava de até 2010 qualificar um milhão de pessoas A intenção de combater a escolaridade de arrancar”, disse. lembrar os números actuais”, disse o em 500 “Centros Novas Oportunidades” reduzida dos portugueses foi reafirmada Ministro, acrescentando: (Centros de Reconhecimento, Validação e pelo Governo durante a cerimónia de lan- REGIÃO CENTRO “No primeiro trimestre deste ano, e com- Certificação de Competências) e combater çamento dos 122 novos centros, que con- parativamente ao mesmo período do ano a baixa escolaridade da população activa COM MAIS 25 CRVCC tou com a presença do Primeiro-Ministro, passado, foram criados 32.500 postos de tra- portuguesa – 75 por cento com menos do José Sócrates, e dos Ministros da Educação, Dos 122 centros agora lançados, 43 vão balho, cresceram em 34.100 os trabalhadores que o 12º ano e metade com menos do que Maria de Lurdes Rodrigues, e do Trabalho e abrir na Região Norte, 25 no Centro, 31 em com o secundário e 31.500 com o ensino su- o 9º ano. Certificados 250 formandos NA ESCOLA DE HOTELARIA E TURISMO DE COIMBRA Joana Martins Foram cerca de 100 os certificados en- tregues, no passado dia 16 de Maio, pelo Centro de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (CRVCC) na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Foi a última de três sessões onde um total de 250 pessoas viram reconhecidas e certi- ficadas as competências adquiridas fora da escola, terminando assim uma formação que, pelas mais variadas razões, não haviam completado através do ensino formal. Tutelado pelo Ministério da Educação, o projecto do CRVCC, pretende que pessoas de qualquer sector profissional possam de- monstrar as suas competências em quatro áreas chave: matemática para a vida, cidada- HorÆcio Pina Prata, JosØ Lu s Marques e Adelaide Claro nia e empregabilidade, linguagem e comuni- cação e tecnologias da informação e da co- O projecto começou em Novembro de do ao nível da satisfação pessoal” e também construir um projecto de sucesso”, tal municação. Assim, tal como explicou José 2001 e desde aí o número de inscritos já no sentido de “abrir portas no futuro para como referiu José Luís Marques. Luís Marques, Director da Escola de Tu- chegou aos 2400, sendo que, destes, cerca uma formação adicional”. Horácio Pina Prata, Vice-Presidente da rismo e Hotelaria de Coimbra, o desafio é a de 900 já foram certificados, sobretudo Adjectivado pelo Director da Escola co- Câmara Municipal de Coimbra, também es- criação de um “dossier pessoal que deve es- com o 9º ano de escolaridade. Tal como mo um “projecto educacional e de forma- teve presente na cerimónia e deixou uma pelhar as competências de cada um”. Numa José Luís Marques confessou ao “Centro”, ção”, o CRVCC contou, no seu desenvolvi- mensagem de encorajamento aos forman- segunda fase este dossier é aprovado pela a importância deste projecto reside em “ver mento, com parcerias que se revelaram de dos. Salientou a importância de “validar as equipa de validação do processo, que certi- o trabalho concluído com qualidade e ver, extrema importância. Assim, registou-se a competências”, sublinhando que esta é uma fica que os formandos possuem tais compe- sobretudo, a satisfação das pessoas”. Para colaboração de várias Juntas de Freguesia, oportunidade de “gerar competências e au- tências. É-lhes assim dada a equivalência ao José Nobre, um dos formandos presentes, centros de formação, associações e sindica- mentar o nível de inovação” do país. ano escolar que pretendem completar. esta certificação é “uma mais-valia, sobretu- tos, “cada uma com a sua intervenção para Apesar de as portas do projecto ainda não estarem ainda abertas para aqueles que querem finalizar o 12º ano de escolaridade, a certifica- ção da escolaridade obrigatória através do CRVCC não deixa de ser um impulso e uma motivação para os formandos prosseguirem os estudos. Adelaide Claro, representante da Direcção Regional de Educação do Centro , encorajou todos os presentes na sessão a pro- curarem novos caminhos para continuar a sua formação. Segundo a representante da DREC, “o Ministério da Educação tem muita vontade de fazer sair Portugal da cauda de União Europeia”. Adelaide Claro apresentou, por isso, uma pluralidade de saídas escolares para todos aqueles que quiserem continuar os estudos.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 REPORTAGEM 9 LIGA DOS AMIGOS DE CONIMBRIGA Notável trabalho de associação multidisciplinar Na anterior edição do “Centro” publicá- pregados, em torno de temas como a Ges- mos detalhada reportagem sobre as ruínas ro- tão do Património, o Turismo Ambiental e manas de Conimbriga, focando as inovações o Desenvolvimento Sustentável, sendo de que ali têm sido introduzidas e que permiti- salientar a empregabilidade de mais de cen- ram duplicar agora a área aberta ao público. tena e meia de desempregados de longa du- Hoje é a vez de aludirmos à Liga dos ração, jovens em risco e licenciados”. Amigos de Conimbriga (LAC), uma asso- Referência merecem também, para além de ciação que há muitos anos desenvolve uma projectos de impacto local, regional e mesmo actividade tão diversificada como meritória, transfronteiriço, as acções de divulgação cien- e que se não cinge ao espaço físico das ruí- tífica no âmbito da “Astronomia no Verão”, nas nem à zona geográfica onde estas se si- assim como sessões de Biologia e Geologia. tuam, antes se estende a diversos pontos do País e do estrangeiro. CONGRESSOS E PROJECTOS Para melhor conhecer a LAC, o “Cen- INTERNACIONAIS tro” foi ouvir o respectivo Presidente, António Queirós. Em 1998, a LAC organizou o I Encontro Começou por nos referir que a LAC foi Internacional de Plantas Aromáticas e Medi- fundada em 18 de Março de 1992, “como cinais Mediterrânicas, que contou com a pre- associação cultural e científica, desenvol- sença de 300 congressistas, oriundos de 21 vendo nos anos seguintes novas valências países, e onde foram apresentadas 136 comu- enquanto associação ambientalista de âmbi- nicações. Promoveu, em paralelo, a 1ª Feira to nacional, juvenil e de desenvolvimento Internacional de Plantas Aromáticas e Medi- local e regional”. cinais e Outros Produtos Naturais – FIPAM Segundo referiu, a LAC (que é reconhe- 98, onde estiveram representadas empresas li- cida como Instituição de Utilidade Pública), gadas a diversos ramos de produtos naturais. tem vindo a crescer “na ordem das cente- No ano de 1999 organizou o I Congresso nas de associados por ano, atingindo hoje das Plantas Aromáticas e Medicinais dos 3.200 sócios, distribuídos por todo o país e PALOP – Países de Língua Oficial Portugue- também pela Europa, das mais diversas sa, que contou com a presença de 200 delega- condições sociais e com uma forte compo- dos dos referidos países e onde foram apre- Ant nio Queir s nente juvenil”. sentadas 50 comunicações científicas. Em pa- ralelo, promoveu e organizou a FIPAM 99. QUATRO ÁREAS Em 2002 e 2003, o CEFOP foi o parcei- Licenciado em Estudos Portugueses, História e Arte e Design. Pós-graduado em DE INTERVENÇÃO ro nacional, juntamente com a DGEMN, Ciências da Educação, mestre em Filosofia da Natureza e do Ambiente e mestre em do projecto NOMAD, de reinserção social Teorias da Arte. Doutorado em Filosofia das Ciências, pela Universidade de Lisboa. De acordo com António Queirós, a LAC de jovens através da descoberta e do traba- Autor de cerca de duas centenas de trabalhos científicos, técnicos e didácticos, particu- desenvolve as suas actividades a partir de qua- lho com o Património Arquitectónico, larmente nas áreas do Património e do Ambiente, Formação e Turismo. tro grandes áreas organizadas por outros tan- apoiado pelo programa Leonardo e pelo Membro do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Presidente da Liga de tos departamentos: “Educação, Investigação, Conselho da Europa, e que se desenvolveu Amigos de Conimbriga e do Conselho Científico-Pedagógico do Centro de Formação Formação e Divulgação”; “Animação Cultu- em Portugal, França e Itália. de Professores (Profissional) de Conimbriga. Formador acreditado pelo CCPFC de ral”; “Iniciativas Empresariais, Emprego e professores para uma dezena de áreas científicas. Membro fundador de diversas asso- Desenvolvimento Sustentável”; e “Edições. LITERACIA CIENTÍFICA ciações e federações das áreas do ambiente e do património cultural e promotor da sua No que concerne à primeira área, mere- E ANIMAÇÃO CULTURAL internacionalização. Coordenador de vários programas integrados no Mercado Social ce destaque o Centro de Formação de Pro- de Emprego. Coordenador de alguns projectos de reabilitação da paisagem e desenvol- fessores (CEFOP) de Conimbriga, de âm- António Queirós lembra que desde 2004, vimento sustentável. Gestor e administrador empresarial nestes sectores. bito nacional, “com um Programa anual o CEFOP integrou a Comissão Instaladora que pode ir até mais de 100 acções, 70 tur- da MC2P - Museus e Centros de Ciência de mas, 1.400 professores formandos, 40.820 Portugal, que representa os principais mu- sas acções, focando temas que vão desde “a de longa duração e a grupos de risco. Estas horas de formação”, como salienta An- seus e centros de ciência do nosso país. E religião local, a sociologia e geografia dos empresas actuam a nível regional, nacional tónio Queirós, acrescentando: acrescenta: “Cerca de quatro dezenas de ins- desportos radicais até à cultura clássica, a as- e com extensão a Espanha no turismo cul- “O CEFOP.Conimbriga evoluiu parale- tituições aderiram à novel associação, oriun- tronomia, a arqueologia”. Em colaboração tural e de Natureza. A LAC tem ainda lamente como Centro de Formação Profis- das do sector empresarial, das universida- com o Museu de Conimbriga, desenvolve ac- vindo a editar, desde 1993, diversos livros, sional, acreditado pelo IQF e, mais recente- des, da iniciativa da administração pública e tividades de animação das ruínas e do seu ter- brochuras, cadernos, roteiros, filmes vídeo, mente, como Centro de Verificação e da sociedade civil. O seu programa e objec- ritório (os seis Concelhos do Maciço Calcário etc., com fins científico-didácticos, num Certificação de Competências, para todas tivos estão orientados para a promoção da de Sicó), desde a reconstituição histórica, até total de mais de meia centena de títulos. as áreas e domínios científicos, possuindo literacia científica e técnica, o ensino experi- espectáculos de teatro, música e ópera”. De realçar, por último, a participação um corpo de mais de uma centena de for- mental das ciências, a promoção do turismo muito activa da LAC, em conjunto com ou- madores, mais de um terço doutorados e científico e o desenvolvimento da cultura ci- GRUPO DE MICRO-EMPRESAS tras entidades, na criação de Parques Ecoló- oriundos das principais universidades, mu- entífica nas actividades económicas e nos gicos e do Circuito da Romanização – um seus, associações científicas. A partir de processos de desenvolvimento”. António Queirós refere que a LAC criou notável percurso histórico, de invulgar ri- 2003, em parceria com a CCDRC e Asso- No que toca ao Departamento de Ani- um grupo de micro-empresas que visam, queza natural e cultural, a que o “Centro” ciações locais de desenvolvimento, desen- mação Cultural, o Presidente da LAC refere- sobretudo, dar oportunidade a jovens que irá dedicar desenvolvida reportagem na volveu-se a formação de activos e desem- nos que desde 1992 promove as mais diver- procuram o 1º emprego, a desempregados próxima edição. Auto-Luz E LECTRICIDADE A U T O António Afonso Barbosa 66 anos de actividade ao serviço do automobilismo S ERVI˙O P E R M A N E N T E:912 332 204 / 239 823 436 / 239 712 864 Morada: Terreiro da Erva 1-A 3000-355 COIMBRA
  • 10 SAÚDE DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 «Hospital de Dia» dos HUC 14 MIL CONSULTAS E 12 MIL TRATAMENTOS EM 2005 presta serviço exemplar Entrada do H ospital de Dia Anabela SÆ Joana Martins Pneumologia, Dermatologia, Urologia e espera, realizou, aproximadamente, 14 mil Dia. A unidade administra, ainda, as terapêu- Hematologia, os quais foram sendo transfe- consultas e 12 mil tratamentos no ano de ticas para a dor e fornece consultas de Em funcionamento há pouco mais de ridos gradualmente. Entretanto, iniciou-se 2005. Falamos, no entanto, de custos tera- Nutrição Clínica e Consulta de Risco. quatro anos enquanto unidade independen- o tratamento de doentes com tumores do pêuticos muito elevados. Tal como refere Anabela Sá considera como “um bom te, o Hospital de Dia de Oncologia dos sistema nervosos central. Anabela Sá, “é uma área muito cara” o que grupo de profissionais” a equipa que a Hospitais da Universidade de Coimbra Tal como define Anabela Sá, Directora resulta não só do aumento do número de acompanha na rotina do Hospital de Dia. (HUC) é a unidade de saúde que alberga e do Hospital de Dia, esta unidade “não é doentes como, também, do surgimento de Salienta que os custos são a maior dificulda- trata os doentes de oncologia. Médicos, far- exactamente um serviço”, mas sim o espa- novas terapêuticas nas várias áreas, que se de que enfrentam, sendo que “a falta de macêuticos, enfermeiros, técnicos e auxilia- ço onde pessoas de diversas áreas médicas tornam bastante dispendiosas. São, no en- pessoal, nomeadamente de enfermagem” é res compõem a equipa que, todos os dias, prestam atendimento durante várias horas tanto, custos suportados pelo Hospital, outro dos pontos críticos de que a unidade se empenha neste trabalho. por semana. A Directora da unidade salien- sendo que, inclusivamente, o doente está padece. Por outro lado, sublinha a A criação do Hospital de Dia foi um ta que houve algumas dificuldades de adap- isento de taxas moderadoras. Directora do Hospital de Dia, apesar da di- processo gradual. Desde a sua abertura, em tação, na medida em que muitos tiveram de Não falamos, apenas, das terapêuticas di- ficuldade que advém da proximidade que Março de 2002, que vários serviços foram se adaptar ao novo espaço e a uma nova or- rectas, denominadas citostáticos, mas, tam- os profissionais estabelecem com os doen- desenvolvendo o espaço para as suas espe- ganização de trabalho em equipa. bém, de terapêuticas de suporte, medicamen- tes, e que se torna dolorosa face a casos em cialidades. Assim, constituem esta unidade Os números do primeiro trimestre deste tos que não só “melhoram a qualidade de que eles padecem da adversidade da doen- extensões dos Serviços de Ginecologia e de ano apontam para um total de 2800 trata- vida”, como muitas vezes são elas que permi- ça, Anabela Sá considera que se torna “gra- Medicina III, projectados para o espaço do mentos realizados no Hospital. Trata-se de tem “manter os doentes em tratamento”, tal tificante dar alta aos doentes e ver quando Hospital de Dia desde o início e, ainda, de uma unidade que, apesar de não ter listas de como esclarece a Directora do Hospital de as coisas correm bem”. Hospitais sem tabaco Joana Martins Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) assinalaram, no passado dia 31 de Maio, o Dia Mundial do Não Fumador com a apresentação do projecto “HUC sem Tabaco”, inserido na Rede Europeia dos Serviços de Saúde sem Tabaco. Aprovado a 15 de Março de 2006 pelo Conselho de Administração dos HUC, este projecto visa promo- ver uma unidade hospitalar sem fumo. Assim, foram lançadas diversas iniciativas, de entre as quais se salientam a realização de um inquérito entre os trabalhadores do hospital visando conhecer os seus hábitos de ta- bagismo. Foi ainda feita uma acção de rastreio de dependência tabágica e da Doença Pul- monar Obstrutiva Crónica que durou todo o dia. Do inquérito realizado, ao qual responderam 2200 funcionários, resultam dados que mostram que mais de 80% dos trabalhadores acham que não se deve fumar no hospital, visto este ser um local de tratamento de doentes. O Presidente do Conselho de Administração dos HUC, Agostinho Almeida Santos, reiterou o “êxito do programa” que deixa assim os hospitais “mais isentos de monóxi- do de carbono”. A acção de sensibilização não fica por aqui, e entrará em funcionamen- to uma consulta de desabituação tabágica para os funcionários do hospital. Agostinho Almeida Santos presidiu sessªo no Dia do Nªo Fumador
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 SAÚDE 11 DE 17 A 19 DE JUNHO, EM COIMBRA Conferência Internacional de Pneumologia com especialistas de 26 países Joana Martins Lisboa que pratica esta técnica, de uma forma não continuada, sendo que os doen- Entre os próximos dias 17 e 19 de Ju- tes que necessitam de transplante pulmonar nho, a Quinta das Lágrimas recebe a Con- são recebidos por centros em Espanha ou ferência Internacional de Lavagem Bron- em outros países. coalveolar. O evento acontece de dois em Apesar do encerramento ser no dia 19 dois anos e, apesar de ser a sua décima edi- de Junho, no dia 20, nos Hospitais da ção, pela primeira vez terá lugar em Universidade de Coimbra, irá decorrer um Portugal. A reunião, para a qual se esperam “workshop” prático sobre a técnica de es- cerca de 200 participantes, é baseada na téc- pectoração induzida, leccionado por um nica de estudo do pulmão profundo, desen- dos maiores especialistas nesta área, volvida nos anos 80 e rampa de lançamen- Elisabeth Fireman. Carlos Robalo Cordeiro to para a evolução do conhecimento na salienta que houve muitos pedidos para área da pneumologia. participar no curso prático mas apenas pu- O alvo da Conferência, em termos cien- deram receber 35 participantes. tíficos, é a patologia do interstício pulmo- A reunião conta com o patrocínio cientí- nar, cujas causas, quando identificadas, fico da Sociedade Europeia de Pneumo- podem estar relacionadas com a actividade logia, facto relevante visto ser esta a primei- profissional, ocupação de tempos livres e ra vez que este organismo patrocina uma consumo de tabaco, aliados à inalação de conferência de pneumologia em Portugal. agentes nocivos. Apesar de ser uma reunião Acresce ainda o apoio de cerca de 15 labo- que interessa sobretudo ao campo da pneu- ratórios da indústria farmacêutica. mologia, engloba profissionais de outras Duas novidades farão parte do decorrer áreas, tais como a imunologia, a biologia, a da Conferência. Em termos técnicos será a genética, a infecciologia, a hematologia e primeira vez que numa reunião de pneumo- mesmo algumas áreas laboratoriais. São logia serão discutidos “posters” em forma- vinte e seis os países que estarão presentes to electrónico, com a respectiva projecção no evento, com “uma forte representação temporizada durante os intervalos. Do da Europa de Leste”, tal como refere ponto de vista social, Carlos Robalo Cor- Carlos Robalo Cordeiro, Presidente da Con- deiro revela que teve a preocupação de ferência. mostrar “algumas particularidades da atmos- Da reunião não constam apenas confe- fera cultural” de Portugal e de Coimbra. rências e painéis, mas também um simpósio Assim, a abertura da Conferência terá lugar “onde serão divulgados os resultados mais na Biblioteca Joanina com uma conferência recentes de ensaios clínicos internacionais Carlos Robalo Cordeiro de História da Arte, seguida de uma prova sobre novas terapêuticas” na área da pato- de vinhos portugueses. No dia 18 será ofe- logia do interstício pulmonar, explica Car- tação livre, discussão de casos clínicos e de gem broncoalveolar para o acompanha- recido aos conferencistas um jantar no los Robalo Cordeiro (Professor de Pneu- “posters”. Falamos de mais de meia cente- mento do transplante pulmonar, “área fra- Jardim da Sereia, acompanhado de um es- mologia da Faculdade de Medicina de na de trabalhos, cerca de metade dos quais gilizada em Portugal”, tal como refere pectáculo de Jazz. O encerramento terá Coimbra e do Departamento de Ciências de conferencistas estrangeiros, oriundos de Carlos Robalo Cordeiro, visto que o nosso lugar no Jardim Botânico com uma festa Pneumológicas e Alergológicas dos Hos- 15 países. país não tem ainda “a técnica de transplan- popular, animada por ranchos folclóricos, e pitais da Universidade de Coimbra). Cons- Uma das conferências que constituem a tação pulmonar feita de uma forma estan- onde será servida gastronomia regional tam ainda do programa sessões de apresen- reunião irá incidir sobre a técnica de lava- dardizada”. Existe apenas um centro em portuguesa. Rastreio gratuito de cancro da pele AMANHÃ EM 40 HOSPITAIS DE TODO O PAÍS Dermatologistas de quarenta hospitais As consultas gratuitas com os dermato- 100 mil habitantes por ano (cerca de 800 ra é a hora para brincadeiras ou exposição de todo o país vão fazer amanhã (quinta- logistas devem ser previamente mar cadas, casos por ano). solar”, adiantou o secretário-geral da APCP. feira, dia 8) exames gratuitos do cancro de estando disponível no site www. apcc.on- Os dermatologistas defendem que a ex- Os dermatologistas aconselham o uso de pele, numa campanha de prevenção para o line.pt a lista de aderentes ao rastreio e res- posição ao sol deve ser lenta e progressiva um creme com factor de protecção igual ou Verão que abrangerá ainda as escolas e os pectivos contactos. e sempre acompanhada de cremes de pro- superior a 30 e que se evite a exposição di- utentes das praias. Segundo Joel Amaro, do A incidência dos cancros de pele está a tecção solar e chapéu. recta ao sol dos bebés e das crianças com Instituto Português de Oncologia (IPO) de aumentar em Portugal e em mais de 90 por “É errada a ideia de pôr protector solar menos de três anos. Lisboa, deverão recorrer ao rastreio sobre- cento dos casos a doença está relacionada enquanto a pele está branca e deixar de pôr A campanha de prevenção do cancro de tudo as pessoas de pele clara ou com difi- com um passado de exposição exagerada ao quando está bronzeada. Os malefícios do pele vai estender-se também aos banhistas culdade em bronzear, com muitas sardas, sol. sol são sempre iguais, quer a pele esteja já durante o Verão. que tenham antecedentes de várias queima- “Os inquéritos que têm sido feito nos úl- queimada ou não”, explicou Fernando A praia da Falésia, em Vilamoura (Al- duras solares ou antecedentes pessoais ou timos ano mostram que a maioria dos jo- Ribas dos Santos, do IPO do Porto. garve), é a primeira onde vários dermatolo- familiares de cancro de pele. vens não coloca protector solar, não usa A campanha sobre o cancro de pele, que gistas vão começar a fazer a partir de 15 de “Está ainda indicado nas pessoas que chapéu e está na praia ou noutro local ao começa no Dia Nacional e Europeu da Julho, campanhas de sensibilização aos ba- possuem múltiplos sinais, em particular si- sol nas horas proibidas, entre as 12 e as 16 Prevenção do Cancro da Pele/Eurome- nhistas e distribuir informação sobre o nais que são assimétricos, de bordo irregu- horas. Provavelmente isto vai justificar o lanoma (8 de Junho), inclui ainda acções de auto-exame que deve ser feito à pele, para lar, cor heterogénea ou muito escura, de di- aumento da curva do cancro da pele nos sensibilização das crianças nas escolas através detectar indícios de um cancro de pele. âmetro maior que seis milímetros e sobre- próximos anos”, adiantou Osvaldo Correia, da distribuição de livros adaptados aos mais Quando precocemente detectado, a mai- tudo se tiveram evolução ou modificação na conferência de imprensa de apresenta- pequenos sobre os cuidados a ter com o sol. oria dos cancros de pele tem cura radical. recente”, adiantou Osvaldo Correia, secre- ção da campanha de rastreio. “Explicamos nesses livros nomeadamen- “O sol é como o vinho, em quantidade tário-geral da Associação Portuguesa de Actualmente estima-se que em Portugal te a regra da sombra, uma vez que muitas moderada é bom e faz bem, em excesso faz Cancro de Pele (APCP), uma das entidades a incidência de melanoma – cancro de pele crianças não sabem ainda ver as horas: mal e é feio”, concluiu Fernando Ribas dos promotoras do rastreio. mais temível – seja de oito novos casos por quanto maior for a nossa sombra mais segu- Santos.
  • 12 REPORTAGEM DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 A SEGUNDA EM TODO O PAÍS ESEC conquista bandeira da Qualidade A Escola Superior de Educação gente, compreendendo-se assim que apenas a de Coimbra é, desde o passado ESEC e o Instituto Superior de Engenharia dia 2 de Junho, a única instituição do Porto, em todo o País, tenham até ao mo- de ensino superior da Zona mento conseguido obter a distinção. Centro, e a segunda em todo o Na cerimónia de entrega da certificação, o Presidente do Conselho Directivo da País, que pode hastear à porta a ESEC, João Orvalho, sublinhou que a cer- bandeira da Qualidade. tificação constitui “um ponto de partida e não de chegada”. Numa cerimónia que contou com a pre- A ESEC, que durante muito tempo se sença, em representação do Ministro Ma- dedicou quase em exclusivo à formação de riano Gago, do Secretário de Estado da Ciên- professores, desde a década de 90 que veio cia, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel a alargar a suas áreas de formação. Assim, Heitor, a Escola Superior de Educação de neste momento, são mais os alunos que fre- Coimbra (ESEC) recebeu a Certificação de quentam licenciaturas noutras áreas do que Gestão da Qualidade. Esta certificação con- aqueles que fazem a sua formação com o cedida à ESEC refere-se ao conjunto da pres- objectivo de seguir a docência. tação dos serviços da Escola - formação/in- A ESEC ministra cursos superiores de vestigação e gestão técnica/administração. Arte e Design, Animação Sócio-Educativa, A certificação (segundo a norma euro- Comunicação e Design Multimédia, Comu- peia ISO-NP EN:2000) é uma garantia para nicação Social, Comunicação Organizacio- o mercado empregador da competência e nal, Desporto e Lazer, Educação de In- credibilidade da ESEC para desenvolver a fância, Ensino Básico – 1º ciclo, Língua formação que oferece aos seus alunos. Gestual Portuguesa, Educação Musical, O processo de certificação é muito exi- Teatro e Turismo. “PANELA AO LUME” NO HOTEL ASTÓRIA Pratos com História O Hotel Astória, de Coimbra, e a Con- hando a diferença que existe entre migas e fraria Gastronómica “Panela ao Lume”, açorda (que muitos confundem), e destacan- promoveram, na passada sexta-feira, mais do a riqueza criativa da gastronomia do um jantar do ciclo intitulado “Pratos com Alentejo, onde a escassez aguçou o engenho. História no Hotel Astória”. Para além do convívio e da divulgação da Desta feita o jantar contou com a partic- boa gastronomia portuguesa, estes jantares ipação do restaurante “Cerca Nova” do têm ainda uma vertente de beneficência, Hotel da Cartuxa, de Évora, sendo a emen- que desta feita distinguiu a “Liga dos ta “Sopa de Cação”, seguida de “Migas com Amigos da Cardiotoráxica dos Hospitais da Lombinhos de Porco Preto”, e doçaria vari- Universidade de Coimbra”. ada como sobremesa, tudo acompanhado No decorrer do jantar foi ainda feita a por vinhos da Bairrada “Casa de Saima”. entrega do diploma e donativo à instituição Como é hábito, o Presidente da Confraria, beneficiada no jantar anterior: a APPACDM Gonçalo Reis Torgal, fez saborosos comen- de Coimbra (Associação Portuguesa de Pais tários sobre a história daqueles pratos, sublin- e Amigos do Cidadão Deficiente Mental). TROPA DE SOUSA Clínica Geral Medicina Estética Acupuntura VIRGÍLIO CARDOSO Ginecologia / Obstetrícia CRISTINA FERREIRA GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA LUÍSA MARTINS Laser Yag Vascular (Varizes) Kromoterapia PEDRO SERRA Lsrd Dplçodfntv ae e eiaã eiiia Florais de Bach PODOLOGISTA Lsrd LzPlaa(rt Ettc) ae e u usd Ta. séia RENATA MARGALHO MARIA TERESA PAIS Psicologia Clínica Endermologia (LPG) MEDICINA DENTÁRIA LUÍS MIGUEL PIRES Pressoterapia Ozonoterapia (Trat. por Ozono) TÂNIA SOUSA Terapia Ocupacional ESTETICISTA Osteopatia Dermo Abrasão (Limpeza de Pele) PAULO SOUSA NUNO CARVALHO MASSAGISTA Hipnoterapeuta Mesoterapia FERNANDO KUNZ JOÃO CALHAU Implantes para Rugas (Biopolímeros) Tratamentos por Esteticista OPERADOR LASER Nutricionista Urbanização da Quinta das Lágrimas, lote 24 R/C Santa Clara, 3020-092 Coimbra Telf. 239 440 395-Fax. 239 440 396 Telm. 919 992 020 / 964 566 954 / 933 573 579
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 PUBLICIDADE 13
  • 14 OPINIÃO Memória e cidadania DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 POIS... ção de democracia participativa em Por- cias que favoreceram a emergência do tugal, exceptuando alguns raros momentos Estado Novo. altos, de que foram exemplos a explosão de A desgraça da I República residiu, pri- cidadania no 25 de Abril e a grandiosa mo- meiramente, no próprio Partido Republi- José bilização cívica em torno causa de Timor- cano. Os seus dirigentes não promoverem d’Encarnação Leste. as transformações económicas e sociais do Passados trinta e dois anos sobre a data País nem o alargamento das bases popula- em que «emergimos da noite e do silên- res de apoio ao novo regime e foram alie- Raciocínio: Tínhamos de pagar quatro Monteiro cio», regressou a desilusão, a angústia e o nando progressivamente a simpatia que ha- anos de estudos; se passarmos a pagar só Valente desespero, a falta de confiança e de espe- viam conseguido no 5 de Outubro. A sua três, poupa-se uma pipa de massa, está rança no futuro, a par do descrédito do sis- actuação política, especialmente a partir visto! E – vai daí! – optamos pelos três, já! Segundo uma notícia publicada pelo tema político, da crise de identidade colec- dos anos vinte, falha de grandeza nos ob- Dantes, porém, ao fim dos estudos, “Público”, em 6 de Maio último, ao comen- tiva e do reaparecimento do «sebastianis- jectivos e excessivamente corruptora, seria havia fortíssimas probabilidades de em- tar o relatório “Power to the People” (Po- mo» na vida política nacional. Será que ditada, sobretudo, por uma ânsia desmedi- prego (e trabalho) compatível. Agora… der ao Povo), divulgado no passado mês de Eduardo Lourenço terá razão quando fala da de poder, que lhes valeria uma hostilida- desemprego, o andar por aí, vamos a Fevereiro, o jornal The Independent con- da descentragem permanente dos portu- de crescente. Apesar de uma retórica demo- uma “bejeca”, eh! pá, o que é que a cluía que a democracia no Reino Unido es- gueses e da sua total ausência de interesse crática, acabariam por se quedar numa po- malta há-de fazer?!... tava doente. pela «ideia de Portugal» que tenha qual- lítica de imobilismo, a qual, renegando a Poupa-se? O relatório chamava a atenção para os quer conteúdo além do da sua representa- histórica feição progressista do Partido E os centros de recuperação, os sub- números crescentes da abstenção nos actos ção? Ou não será esta situação resultado, Republicano, conduziria ao seu fracciona- sídios de desemprego, as consultas mé- eleitorais e a diminuição das inscrições nos mais propriamente, de um propósito deli- mento sucessivo, ao isolamento da socieda- dico-psiquiátricas? partidos políticos, reflectindo o desencanto berado por parte de uma certa classe polí- de e à transferência do apoio da população pela política por parte do público em geral, tica, mais interessada em reduzir a demo- para o lado dos conspiradores. FILATELICAMENTE particularmente preocupante nas camadas cracia à sua componente representativa e Num momento em que passou mais um jovens. Na origem da situação estava o sen- em esquecer o valor da cidadania enquan- aniversário do pronunciamento militar de timento generalizado de que o voto não faz to princípio fundamental legitimador da 28 de Maio de 1926, é oportuno lembrar a diferença, que os deputados representam acção política? que, naquela altura, a maioria republicana mais o partido do que os constituintes, que Perante este cenário sombrio, parece esquecera já os ideais da liberdade e da ci- o poder está demasiado centralizado no go- pertinente perguntar até que ponto é que dadania que haviam sido a sua bandeira. verno, e que tudo se joga entre dois parti- o passado será um peso morto para os Sonhando com uma «nova ordem de coi- dos entre os quais, progressivamente, só se portugueses. É que a crise nacional assen- sas», acreditava então mais nas virtudes de encontram diferenças à lupa. ta, na sua génese, numa preocupante falta uma «ditadura de reformas». Quase todos João Paulo Se idêntico estudo tivesse sido feito em de memória sobre o que foi a longa dita- queriam ordem pública, estabilidade políti- Simões Portugal, as suas conclusões teriam sido, se- dura salazarista: quarenta e oito anos de ca, equilíbrio financeiro, eficiência econó- guramente, ainda mais inquietantes, pois as totalitarismo, assassínio, degredo, prisão mica, governo de competência, numa lógi- “Um erro, em gramática, é um solecismo; em teo- taxas de mobilização cívica dos portugues- arbitrária e tortura dos opositores políti- ca proclamada de salvação nacional - o logia pode chegar a ser uma heresia; em poesia es são bastante inferiores às corresponden- cos, repressão violenta, privação de direi- mesmo, precisamente, que pedia toda a chama-se “pé-quebrado”; em música é uma desa- tes no Reino Unido, e noutros países euro- tos fundamentais, miséria em larga escala, oposição anti-republicana. finação ou fífia; em pintura é causa de riso; em ar- peus, com percentagens de participação dos analfabetismo generalizado, emigração Estará o regime democrático fundado quitectura, de ruína; no comércio pode invalidar jovens nos actos eleitorais significativamen- clandestina e uma guerra colonial onde se em 25 de Abril a seguir os passos da I um contrato; em filatelia pode valer uma fortuna.” te abaixo da média nacional. As razões exauriram, durante treze anos, gerações República? Introdução Autor desconhecido serão, provavelmente, muito idênticas às do sucessivas de jovens portugueses e africa- Mais memória e cidadania, precisa-se! Reino Unido, agravadas por uma longa tra- nos. Mas assenta, igualmente, numa idên- Para que o relógio da História não volte a Avaliar os professores dição de autoritarismo e pela escassa tradi- tica falta de memória sobre as circunstân- andar para trás. A Filatelia, não é só um hobby em que o Coleccionador agrupa os selos por paí- ses ou temáticas. A Filatelia é também e sobretudo um meio de cultura vastíssimo. Através de um selo, podemos desco- uma vez que, mais que o produto, o que mo se avalia. É por isso que duvida de brir coisas interessantíssimas acerca do está em jogo é o processo, todo o conjunto tudo o que, de marginal, tendenciosamen- nosso país, da nossa cultura, dos nossos de procedimentos, competências e respecti- te se apresenta num processo tão sério e hábitos, dos nossos costumes, do nosso vas concretizações postas à prova susceptí- rigoroso. vastíssimo património. veis de serem testadas a cada momento na Num país que se notabiliza pela iliteracia Coleccionar selos, é uma tarefa árdua prossecução do projecto em apreço. Este e por um clamoroso défice de desenvolvi- que, por vezes, para podermos ter algum aquilatar contínuo e solidário da prestação mento social e cultural, incluir indiscrimi- conhecimento daquele rectângulo de profissional é, no nosso modesto entender, nadamente o universo parental na avalia- papel e antes de o pôr no nosso álbum, Renato Ávila a vertente mais importante porque, no diá- ção dos professores é um acto de pura de- implica uma consulta a manuais, enciclo- logo entre a auto e a hétero avaliação, su- magogia e de clamorosa ignorância da rea- pédias e outros livros para darmos a infor- Todo o bom profissional entende a ava- bentende a autocrítica, o autoajustamento e lidade e da verdade educativas. mação exacta daquele selo. Isto aplica-se liação como processo fundamental no de- autosuperação do avaliando. O caso é, para nós, tanto mais grave mais aos Coleccionadores que querem senvolvimento do seu trabalho. Avaliar jamais poderá ser um processo quando precedido de toda uma campanha apresentar álbuns com as histórias dos Será ela o reconhecimento público do eminentemente subjectivo e sazonal no de descrédito da classe levada a efeito por selos. Por outro lado, há também a com- seu mérito, do seu empenho e factor de qual os avaliadores se perfilam para emiti- alguns altos responsáveis governativos ponente artística do Coleccionador que, aperfeiçoamento na medida em que o leva rem displicente e infundadmente meros ju- desde a preparação do ano lectivo corrente. ao elaborar o seu álbum, desenha temas a reflectir e a superar as suas insuficiências ízos de valor. O ónus da falência do sistema deve, isso alusivos àquela série, o que torna o álbum e a estabelecer novas metas de progressão. Avaliar implica dominar a filosofia que sim, ser assacado à inépcia e incompetência muito mais rico e agradável à vista. Daí que a avaliação deva ser um acto consubstancia o acto, conhecer as respec- das sucessivas governações, totalmente in- Nestes artigos, vão ser abordados sério, rigoroso e interactivo no qual avalia- tivas coordenadas, as estratégias e técnicas capazes de definir e fazer executar um pro- todos estes pontos. O Leitor vai entrar no dor e avaliando, nos respectivos estatutos, de recolha de dados, seu tratamento e in- jecto educativo - escolar coerente e realista mundo da Filatelia, mesmo que seja um dão corpo a um projecto cujo objectivo ul- terpretação e sua utilização, não propria- para o país. leigo nesta matéria. trapassa a dimensão individual do sujeito mente como elemento classificativo mas, Pensamos ter chegado a altura de levar Ao falar do selo, não vou fazer uma para se reflectir no interesse colectivo. essencialmente, como factor de aperfeiçoa- isto muito a sério. análise exaustiva de cada um, mas descre- Por outro lado, avaliar será muito mais mento. Pelo que vemos, não será propriamente ver aquilo que representa e para o que foi do que um periódico prestar de contas O bom profissional também sabe co- o que está a acontecer. elaborado.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 DESPORTO 15 FRANCISCO ANA PAULA CARLOS EN- ANDRADE DIRIGENTE DO SPORT CARNAÇÃO AUTARCA PRESIDENTE DA CMC “É importante para a cidade, porque vai envolver muita “Honra-me sobremaneira que gente. E vai, de alguma manei- “Recebemos esta competição a Freguesia de Santo António ra, entusiasmar os ’pequenitos’ graças às infra-estruturas que dos Olivais receba este que vão ver e incutir-lhes o temos. Todos os campeonatos Campeonato Mundial, no ’bichinho’ da ginástica. que conseguirmos receber novo ‘ex-libris’ que é o Finalmente, a nivel financeiro, virão, até porque este já não é Pavilhão Multidesportos. Coimbra precisa que este tipo também é bom para a cidade, uma vez que vai receber o primeiro. Já temos tido vários certames do género, to- de manifestações desportivas se realizem mais amiúde e pessoas de vários pontos do Mundo”. davia este Campeonato Mundial de Ginástica será o muito nos apraz que tenham lugar na área da nossa fre- mais significativo“. guesia”. CAMPEONATO DO MUNDO DE GINÁSTICA ACROBÁTICA «Espero casa cheia» JORGE ABRANTES ANTEVÊ ÊXITO O Pavilhão Multidesportos de RESUMO DO PROGRAMA Coimbra vai ser palco do Campeonato do Mundo de Mundial de Ginástica Ginástica Acrobática. Jorge Abrantes, Vice-Presidente da Dia 11 - Começam a chegar as dele- gações Comissão Organizadora, revelou Dia 12 - Início dos treinos com horá- ao “Centro” alguns aspectos rela- rios pré-definidos cionados com a grande “máquina” Dia 13 - Prosseguem os treinos com que está por detrás do evento, horários pré-definidos Dia 14 - Cerimónia de Abertura (21 mostrando-se convicto do êxito da horas) prova e da afluência de público Dia 15 - Início das competições (10 horas) Dia 16 - Prosseguem as competi- António José Ferreira ções, a partir das 9 horas; Cerimónia de entrega de medalhas por equipas A organização de um Campeonato (21h45) do Mundo exige naturalmente uma Dia 17 - Finais, a partir das 15 horas; “máquina” muito bem montada… Cerimónia de entrega de medalhas É obviamente uma organização comple- (16h55 e 21h05); Cerimónia de encerra- xa, tutelada pela Federação Portuguesa de mento (21h25); Convívio final na “Beira Trampolins e Desportos Acrobáticos e su- Rio“ (22h30) portada em Coimbra por um conjunto de Dia 18 - Partida das delegações Jorge Abrantes não tem dúvidas de que Coimbra vai assistir a um grande espectáculo de gi- nástica 25/30 pessoas, que têm as suas profissões Competição por Grupos de Idade mas que de há um tempo para cá se têm de- Espero casa cheia! Mas é uma das grandes Unidos e a Bulgária. Em algumas especiali- dicado a organizar este campeonato. Há incógnitas. Primeiro porque vamos ter um dades vamos ter uma luta titânica. Em rela- Dia 19 - Começam a chegar as dele- todo um trabalho relacionado com aloja- espectáculo de ginástica pago, tal como ção aos portugueses, como é típico nas mo- gações mento, transportes, alimentação, pavilhão, acontece com os espectáculos de cinema, te- dalidades gímnicas, penso que não há pers- Dia 20 - Início dos treinos com horá- programa técnico, etc. Neste momento atro ou ballet. Portanto, também aqui a en- pectivas de lutar por uma medalha. Mas rios pré-definidos temos montada toda a estrutura organizati- trada não é gratuita. E, ao contrário do que pode vir a acontecer, até porque já obtive- Dia 21 - Cerimónia de abertura (noite) va, todos os pormenores pensados, de modo se faz noutras modalidades, não vamos ter mos quartos e quintos lugares, portanto Dia 22 - Qualificações (todo o dia) a que a partir do dia 14 possamos assistir a bilhetes baratos para encher a casa. Temos muito próximo do pódio. Mas, de uma Dia 23 - Qualificações e Finais (todo um grande evento desportivo, de ginástica, a os bilhetes ao preço que achamos que o pró- forma mais sincera, penso que a entrada nas o dia) nível internacional. E acima de tudo, a um prio espectáculo merece. Se tivermos cinco finais será o grande objectivo dos portu- Dia 24 - Finais e Cerimónia de En- grande espectáculo, porque este Cam- pessoas, são as cinco pessoas que quiseram gueses. Espero que corra tudo bem aos gi- cerramento (todo o dia) peonato do Mundo vai ser sobretudo isso, ver o Campeonato do Mundo. Mas pensa- nastas portugueses e que algum possa con- Dia 25 - Partida das delegações mesmo para quem não aprecia muito a gi- mos que vamos ter casa cheia, ou seja, cerca seguir uma medalha. O Mundo em Coimbra nástica. de duas mil pessoas, na sessão de abertura, A cidade e a região corresponderam nas sessões nocturnas e nas finais. Nas ses- com os apoios que um evento desta sões da manhã e da tarde já ficaremos con- grandiosidade justifica? tentes com meia casa. No total esperamos Se me pergunta se os apoios oficiais e pú- entre 30 a 35 mil pessoas a assistir a espectá- blicos são os que eu esperava, eu digo que o culos de ginástica, a pagar, o que é extraordi- O Campeonato do Mundo de Ginás- Acrobática; depois, entre os dias 21 e 24, apoio nacional, através do IDP, é um bom nário e diz bem do valor do evento. tica Acrobática vai ter por palco o tem lugar a 4ª Competição Internacional de apoio, mas que os locais, através da Câmara Em termos técnicos o que podemos Pavilhão Multidesportos de Coimbra, Ginástica Por Grupos de Idade. Em prova Municipal, não são. Limitam-se à cedência do esperar deste Campeonato do Mundo? inaugurado em 26 de Abril de 2005. vão estar cerca de 800 ginastas de 28 países. pavilhão e a um apoio reduzido para um even- E em relação aos ginastas portugueses? Trata-se de um espaço que apresenta três Os bilhetes variam entre 5 e 10 euros, to como este, embora significativo face ao que Vai ser do melhor que se pode ver a nível bancadas com capacidade para 2.300 es- consoante a fase das provas, mas têm é habitual. Por outro lado, temos que perceber de ginástica. São os pretendentes a campe- pectadores e que delimitam uma área de desconto se comprados por famílias ou que se trata de um apoio que está dentro das ões do mundo que cá vão estar, oriundos de 50x30 metros, com 14 metros de altura. grupos. Podem ser adquiridos na bilhetei- possibilidades do próprio Município. Mas nós um conjunto de países fortíssimos na moda- O certame divide-se em duas partes: pri- ra do Pavilhão, na FNAC e nas Lojas sabíamos isso desde o início e nunca pensá- lidade, como a Rússia, a Ucrânia e a Grã- meiro, de 14 a 17 de Junho, decorre o XX Viagens Abreu, ou por reserva através do mos que fosse de outra forma. Bretanha. A nível pontual, vamos ver, a dis- Campeonato do Mundo de Ginástica número 707 234 234. O que espera em termos de público? putar as medalhas, a China, os Estados
  • 16 DESPORTO DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 CARMO REBE- LUÍS SANTARI- PEDRO BAS- LO NO TOS DIRIGENTE DA AAC TREINADOR TREINADOR DA AAC DE BASQUETEBOL “Espero que a prestação da “O grupo é acessível, portan- selecção de todos nós seja “Desta Selecção espera-se a to se houver união e humilda- igual ou melhor do que a do ida à final e a vitória, porque de não haverá dificuldades em último Euro. Espero que com mais que a Selecção Nacional chegar à segunda fase. A par- humildade, trabalho e espírito esta é a selecção de Scolari. tir daí é difícil porque a selec- de equipa consigam os objectivos que todos os portu- Logo, este terá que justificar as escolhas que fez. Em ção que calhar virá de um grupo fortíssimo. Se ultrapas- gueses desejam alcançar”. caso de derrota, terá que sair“. sarmos essa eliminatória, podemos chegar à final“. CAMPEONATO DO MUNDO DE FUTEBOL Quartos são objectivo primário NA ALEMANHA PARA MELHORAR OU REPETIR 1966 Portugal entrará em campo, no tugueses se habituaram. De facto, a fase de a- próximo dia 11 de Junho, com es- puramento acabou por ser quase um passeio perança de fazer uma boa cam- para a turma das quinas, que se classificou no panha, embalado pelo Euro 2004 primeiro lugar do grupo, com nove vitórias e e pela tranquila fase de qualifi- apenas três empates, sem uma única derrota no pecúlio. Os dois golos sem resposta, no cação que realizou. Depois de primeiro jogo de apuramento face à Letónia, 1966, a Selecção de todos nós não foram o início de uma série quase cem por voltou a ter nenhuma participação cento vitoriosa. Seguiu-se a vitória em casa, de monta nos Campeonatos do por 4--0, ante a Estónia, antes daquele que Mundo em que participou foi o resultado menos conseguido nesta fase: empate fora a 2 bolas, com a mo-desta Selecção do Liechtenstein. Quem “pagou” Bruno Garrido foi a Rússia, que saiu de Portugal vergada a uma copiosa e humilhante derrota, por 7-1. A Selecção Nacional somará, na Alema- O restante percurso, além de um periclitante nha, a sua quarta participação em Mundiais, 2-1 ante o Liechtenstein, não registou sobres- depois de ter tido o seu expoente nesta saltos. Decorrente disso, é com inusitada competição em 1966, com Eusébio e com- tranquilidade que a Selecção de todos nós panhia a alcançarem o terceiro lugar, em chega agora à Alemanha, sendo apontada Inglaterra. Nos Campeonatos de 1986 e por muitos (crítica e adversários), como can- 2002, Portugal não logrou ultrapassar a didata ao lugar mais alto do pódio. primeira fase. No entanto, se recuarmos no tempo, A invulgar tranquilidade com que Portu- constatamos que Portugal nunca foi um gal garantiu a qualificação para o Cam- “habitué” nestas andanças, pois só por qua- peonato do Mundo contrastou com as tradi- tro vezes chegou a esta fase da competição. cionais contas de última hora a que os por- Em 1966, a Selecção Nacional ficou no O optimismo da Selec ªo Portuguesa durante o treino no Luxembugo grupo do todo poderoso Brasil, juntamente da desastrosa em prova, com Portugal a Nação unida com Hungria e Bulgária, que na altura eram averbar uma surpreendente derrota na par- selecções com um poderio bastante maior tida com os Estados Unidos, por 3-2, os OPINIˆO que o da actualidade. De forma inesperada, quatro golos sem resposta com que Eusébio levou a melhor sobre Pelé, tendo Portugal despachou a Polónia na segunda apontado os dois golos com que Portugal jornada do grupo deixaram tudo em aberto. triunfou. A extraordinária campanha, le- No último e decisivo jogo, a Coreia venceu Bruno Garrido As bandeiras nas janelas humaniza- vada a cabo em terras de Sua Majestade, pela margem mínima e afastou a Selecção bgarrido@esec.pt ram-se, tomaram uma dimensão digna do terminaria, somente, nas meias-finais com a lusa da prova, numa partida marcada por Guiness Book of Records, encarnada re- selecção da casa a superar o conjunto luso, várias incidências. Os cartões vermelhos O fantástico exemplo que Portugal centemente por mais de 18 mil mulheres, depois de uma “trapalhada” que envolveu com que Beto e João Vieira Pinto (este, de- deu no Euro 2004, durante o qual o em pleno relvado do Jamor. Movimentos uma troca do local da partida, à última hora. pois de ter sido expulso, resolveu presen- apoio à nossa Selecção foi incessante e como este traduzem a crença de uma Em 1986, foi a vez do México receber a tear o árbitro da partida com um soco) demonstrado de várias maneiras, parece nação na capacidade dos 23 heróis de maior competição de selecções. As lem- foram admoestados retiraram ao conjunto não ter esmorecido, muito pelo contrário. Scolari trazerem a taça da Alemanha. Não branças deste mundial, para os portugueses, nacional a possibilidade de seguir em A nação volta a estar unida em torno de será uma exigência, antes uma esperança são muito poucas, pois à parte da vitória na frente. uma selecção, de um sonho, de uma am- numa boa campanha, em solo germânico, partida inaugural, face à Inglaterra, a Na Alemanha espera-se que Portugal ul- bição de chegar muito longe na que todos esperam ter o seu epílogo dia Selecção contou por derrotas as restantes trapasse a primeira fase, em virtude do Alemanha, ou seja, sair do Olímpico de 9, em Berlim. Esperam-no os muitos partidas que disputou. Polónia e Marrocos sorteio ter sido algo favorável às cores na- Berlim, no dia 9 de Julho, com a coroa de emigrantes que apoiarão Portugal na foram os algozes que confirmaram o afas- cionais. Sabendo-se de antemão que louros. Uma ambição justificada pelo se- Alemanha e espera-o também todo o país tamento de Portugal de prova, sem honra Angola, Irão e México vão dar tudo por gundo lugar alcançado no pretérito que, mesmo à distância, não deixará de nem glória. tudo, Scolari aponta como meta mínima os Campeonato da Europa, no qual, por mostrar que está ao lado da sua equipa. O Mundial de 2002, na Coreia, trouxe o quartos-de-final. A competição terá início a mérito próprio, a Selecção merecia Afinal, sonhar não é crime e o céu está, episódio do soco que João Vieira Pinto deu 9 de Junho e decorrerá, em território mais… apenas, à distância de sete partidas… ao árbitro, no último jogo da primeira fase, alemão, até 9 de Julho, dia da final que terá frente à Selecção da casa. Depois da entra- lugar em Berlim.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 DESPORTO 17 CARLOS JOSÉ LAPA ISABEL LEMOS GONÇALVES PRESIDENTE DIRECTORA TÉCNICA DO CERNACHE DA ABC DIRIGENTE DO OLIVAIS “Seria bom chegar às meias-fi- “Portugal pode ir até à final “Desejo os melhores êxitos. nais. Mais do que isso já será ou mesmo ser campeão do Não peço o título, apenas que um feito excepcional, pois Mundo. Há selecções com suem a camisola e que estão em competição selecções muito valor e a carreira da Portugal saia dignificado. E muito superiores à nossa, em nossa equipa dependerá de que sirva de estímulo para os emigrantes que vivem cada vários capítulos“. muitos factores, no entanto temos capacidade para lá dia da selecção. Finalmente que a Selecção Nacional chegar”. sirva, para ‘acordar’ o país para o desporto em geral, que vai muito para além do futebol…” ìO futuro passa por aquiî LUÍS GONÇALVES É O COORDENADOR DA FORMAÇÃO DO OLIVAIS FALTA UMA VITÓRIA AO SAMPAENSE Perto do tri Falta uma vitória! O Sampaense es- tá a um passo de se sagrar tricampeão O treinador Luís Gonçalves assu- ordenação de treinos, cooperando com os da Proliga. Nos dois primeiros jogos me novo desafio na sua carreira, treinadores de cada equipa, uniformizando da final, disputados em S. Paio de ocupando agora o cargo de o sistema de aprendizagem e de jogo. A Gramaços, a turma de Jorge Dias levou Director Técnico do basquetebol falta de espaço é um assunto que a a melhor sobre o Esgueira (88-76 e 76- de formação do Olivais Futebol Direcção vai tentar resolver. A formação 65) e ficou muito perto de fazer o continua a dar os seus frutos e o futuro do pleno no palmarés da Proliga. No sába- Clube. O novo coordenador já Olivais passa por aqui. do, às 18 horas, desta vez em Aveiro, as está a trabalhar e, em conversa duas equipas voltam a medir forças po- com o “Centro”, deu conta dos No basquetebol conimbricense, de dendo a contenda ficar resolvida em principais objectivos que pretende uma forma geral, há alguma falta de caso de triunfo do conjunto sampaen- concretizar exigência no trabalho realizado. Neste se. Se vencerem os esgueirenses, a dis- aspecto, o que pretende para o basque- cussão prossegue no domingo, tam- tebol no Olivais? bém às 18 horas no Pavilhão do Es- António José Ferreira Discordo que haja falta de exigência. O gueira, havendo ainda a possibilidade que na realidade se passa é que se trabalha de um quinto jogo caso os dois conten- Que principais metas estabelece para diariamente com muitas dificuldades, como dores cheguem empatados ao fim do o novo trabalho que vai realizar no anteriormente disse. Existe uma enorme quarto jogo. Olivais? falta de competição em Coimbra. Digo isto Melhorar os níveis de trabalho, aumentar porque se vê a evolução que os atletas apre- o número de atletas nas selecções e conse- sentam após a realização dos Nacionais e ORGANIZADO PELA ABC guir ir o mais longe nos diversos campeo- natos em que iremos participar. Aumentar Torneios Inter-Associações, onde compe- tem com as equipas de Aveiro, do Porto e Campo de treino o número de crianças no Minibasquetebol, outras regiões, que chegam a estas fases Com o principal objectivo de aper- principalmente no feminino, que nos últi- com o dobro de jogos. Para isso vamos ten- feiçoar as capacidades dos participan- mos anos tem vindo a diminuir de uma tar estar sempre em competição, nem que tes, a Associação de Basquetebol de forma muito visível. Isto sem descurar a seja organizando torneios. O basquetebol Coimbra (ABC) leva a efeito entre os parte que considero de ouro, que é o apro- nacional está a precisar de se organizar me- próximos dias 3 e 8 de Julho o 2º veitamento escolar. Lu s Gon alves promete trabalho lhor, está a precisar de ser discutido e de en- Campo de Treino de Basquetebol, para contrar soluções para esta fase menos visí- jovens nascidos em 1990, 1991, 1992, O Olivais é um dos maiores clubes O Olivais é, há dois anos consecutivos, o vel. Será que os escalões, no masculino e fe- 1993 e 1994. Trata-se de uma iniciativa do basquetebol português. De que maior clube português, em atletas e equipas minino, não serão de mais? O Olivais, há que tem por parceiros a Câmara forma pensa relacionar a quantidade inscritas na Federação Portuguesa de uns anos a esta parte que ocupa um lugar Municipal de Coimbra e o Desporto com a qualidade, tendo em conta os di- Basquetebol. O dia-a-dia é muito difícil, de destaque no basquetebol regional e naci- Escolar. versos factores, nomeadamente espaços mas com o esforço de todos vamos alcan- onal. Gostaria que as entidades máximas Os treinadores têm igualmente algo a de treino? çar melhores resultados. Irei tentar uma co- olhassem para o clube como ele merece! ganhar, pois um dos objectivos do campo é o desenvolvimento do espírito Olivais em festa crítico na escolha e orientação dos exer- cícios e actividades do treino, visando a VII GALA CONTOU COM CERCA DE 300 PARTICIPANTES melhoria da capacidade de intervenção junto dos atletas. Em cada dia estará presente um agente desportivo diferente, que vem partilhar os seus conhecimentos e opi- niões com os participantes. O Pavilhão Augusto Correia engalanou- Moura Branco; Título Olivanense de Ouro - Além do basquetebol, a modalidade se para receber a VII Gala do Olivais. Carlos Gonçalves; Troféu Prestígio “forte” do evento, os participantes Contando com cerca de três centenas de Nacional - San Payo Araújo; Troféu Amigo terão também contacto com as compo- participantes, a edição deste ano voltou a do Clube - Nocamil, Chamagás, Automó- nentes lúdica e social, através de activi- corresponder às expectativas e deu mostra veis do Mondego, Horto Mondego, Escola dades como piscina, capoeira, hip-hop, cabal da vitalidade do clube, apesar das difi- Secundária José Falcão, Diário As Beiras, cinema, actividades náuticas, activida- culdades reconhecidas pelos dirigentes. Diário de Coimbra, Junta de Freguesia de des na natureza e actividades de anima- Foram vários os homenageados da noite: Santo António dos Olivais e Câmara ção. Treinador de Competição - Cristina Viegas; Municipal de Coimbra; Troféu Sócios de Para mais informações, contactar a Treinador de Formação - João Cortez Vaz; Mérito - Alfredo Silva, António Figueiredo Associação de Basquetebol de Coimbra Dirigente do Ano - Carlos Ângelo; Seccio- e Jaime Ribeiro; Troféu Dedicação - através da morada Urb. Quinta D. João, nista do Ano - Carlos Gonçalves; Atleta de Mafalda Jesus, Joana Lobo, João Correia, lote 2 E/P, 3000-014 Coimbra, ou dos Competição Feminino - Filipa Freitas; Atle- José Figueiredo, Alberto Moreira, Tiago contactos telefónicos 239 701297 (tele- ta de Competição Masculino - João Rosado; Oliveira, Fabíola Gomes, Oriana Nogueira, fone fixo), 968124405/3 (telemóvel) ou Atleta de Formação Feminino - Maria João André Nogueira, Paulo Cortesão e Carlos 239404770 (fax). Andrade; Atleta da Formação Masculino - Martins JosØ Pina foi homenageado pelos colegas de equipa
  • 18 DESPORTO DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 VÍTOR FÁBIO MAFALDA MANUEL PEREIRA NOGUEIRA TREINADOR DE FUTEBOL JOGADOR DO UNIÃO GINASTA DO ACM “O primeiro objectivo é o de “Portugal tem boas hipóteses “É um bom meio para mostrar passar a fase de grupos. A par- de ganhar o Mundial. Pelo ao mundo um pequeno país tir daí será uma questão de menos tem equipa para chegar com orgulho na sua bandeira! sorte, pois vamos encontrar muito longe. Terá que haver hu- Aqui se vê o peso do futebol. pela frente grandes selecções. mildade, para que tal aconteça“. Entristece-me que este povo Passada a primeira fase ficam apenas as melhores das apenas se una para apoiar os ‘quinas’ e ‘ignore’ tantos atle- melhores. Se chegarmos aos quartos é óptimo, mas até tas que lutam pelo mesmo sonho e que muitas vezes, sem aos oitavos temos que ir” qualquer apoio, seja ele financeiro ou meramente moral, «Estou orgulhoso do meu acabam por alcançá-loquot;. JORGE MANUEL MENDES ORGULHA-SE DA SUA ACÇÃO ENQUANTO AGENTE DESPORTIVO Jorge Manuel Mendes é um dos Quaresma. E há muitos, com menos classe, agentes de jogadores mais mediá- que acabam por ficar pelo caminho. ticos do nosso país. É de Coimbra, Portanto o empresário tem muita responsa- cidade pela qual demonstra grande bilidade na boa ou má carreira de um joga- afeição, bem patente ao longo dor e o bom empresário não é o que ganha dinheiro no imediato, mas sim aquele que desta entrevista. Sobre o futebol da consegue rentabilizar a carreira de um joga- cidade, lamenta que “a Académica dor durante vários anos. não seja tão grande como desejarí- Feito o contrato e colocado o joga- amos” e adianta que “se fosse rico, dor, o acompanhamento do agente o União era um clube que gostava mantém-se? de ajudar” É a parte mais difícil. Porque tem a ver com o sucesso ou não. Se há sucesso, tudo se torna fácil porque os jogadores, naturalmen- António José Ferreira te, querem melhorar os contratos. Existindo e Bruno Garrido o inverso é complicado, porque por vezes os clubes pagaram muito e, por exemplo, que- rem emprestar o jogador ou rescindir. E nós Há quem veja os agentes de jogadores temos que acompanhar tudo isto. O verda- como os “mal amados” do futebol… deiro agente é aquele que está presente nos Há bons e maus empresários. Aceito ple- bons e nos maus momentos. namente essa crítica, porque no fundo é Também trabalha com treinadores? uma constatação. Efectivamente há gente Muitas vezes há treinadores que me menos boa, mas isso faz parte da sociedade ligam, mesmo estrangeiros, e já tentei colo- e acontece em todos os sectores. É uma Jorge Manuel Mendes car alguns nos grandes clubes portugueses. pena que assim seja. Modéstia à parte, e Mas não sou muito apologista de que os permitam-me dizer isto, reconheço algum ferências porque tenho uma actuação mais trangeiro. No seu entender os agentes treinadores tenham empresários. E se fosse mérito no meu trabalho porque quando se tranquila, diversa, até porque continuei sem- terão, portanto, alguma quota-parte de dirigente de um clube, não queria um treina- tem um determinado comportamento, pre a viver em Coimbra, que tem uma responsabilidade nessa situação? dor com empresário. Porque depois isso quando se é correcto e se procura fazer as Académica que, afinal, não é tão grande Têm seguramente. Muitas vezes ir para o quase que “obriga” a que esse treinador coisas de uma forma séria e honesta, quer como desejaríamos. Mas cada um vai no seu estrangeiro é uma ilusão. Há imensos joga- meta lá alguns jogadores desse empresário, com os jogadores, quer com os outros co- passo. Neste momento há empresários que dores que vão e logo regressam e outros que podem ser bons ou menos bons. Para legas, quer com os dirigentes, dificilmente têm imensa gente a trabalhar, observadores, entretanto desaparecem. Dou o exemplo os treinadores devia haver uma bolsa de se tem problemas. Eu reconheço que tenho “olheiros”, etc. Eu continuo sozinho. do Simão. O contrato que havia com o treinadores, que os dirigentes consultavam uma excelente imagem no mercado, porque Quando tem um jogador pretendido Inter era nesta base: custava 14 milhões de para tomarem as decisões. Eu tenho uma sou uma pessoa competente e séria. Isso por vários clubes qual é o critério que euros e ia ganhar 2 milhões de euros, mais excelente relação com os treinadores, mas também tem os seus custos, porque o fute- utiliza? O melhor contrato? do que ganha agora. Eu e o Inter combiná- não gosto de ser empresário deles pois bol é um mundo à parte, mas o importante Eu comecei pelos jovens, como já disse, mos que o jogador ficaria mais um ano no gosto de ter alguma independência. Quando é que sigamos o nosso caminho. E eu estou e felizmente lancei muitos que acabaram Sporting e havia uma série de factores que ofereço um jogador, não o impinjo ou im- orgulhoso do meu, sobretudo pela forma por se solidificar, crescer e ter um desenvol- assim o aconselhavam de modo a que o jo- ponho. Promovo-o, mostro-o. Esta é a como as pessoas me olham e me fazem vimento normal. Nunca me preocupei com gador ganhasse estatuto e experiência: minha forma de trabalhar. Ganho menos di- sentir bem. a transferência imediata, ou pelo dinheiro, Portugal tinha estado no Campeonato da nheiro e faço menos negócios, mas quando Hoje os jogadores começam a ter ou porque me dava protagonismo, ou por- Europa de Inglaterra, onde fez boa figura, e os faço estão mais ou menos garantidos. empresário ainda muito jovens… que tinha medo de perder o jogador no fu- o Sporting foi campeão, o que já não acon- Neste momento representa algum jo- Houve uma altura em que ninguém se turo próximo. O importante é termos a tecia há 18 anos. Portanto o Simão ia jogar gador estrangeiro? preocupava com os jovens. Agora é demasia- noção de que num determinado momento um ano no Sporting campeão, ganhava o Não. Sempre portugueses. Essa também do e há “miúdos” com 14 e 15 anos que já estamos a conduzir bem o processo e a estatuto que até então ainda não tinha, pois é uma ideia que eu tenho, diferente em re- têm empresário, o que eu acho um crime. conseguir ser bons conselheiros dos joga- era apenas internacional sub-21. E era im- lação a outros. Não tenho nada contra os Porque, nessas idades, o melhor empresário é dores, porque no fundo é o que eles preci- portante ter ido para o estrangeiro já com estrangeiros, antes pelo contrário. Eu co- o pai e a mãe. Eu recuso-me a ser empresá- sam, nomeadamente os mais novos. Eles esse estatuto e de forma que as pessoas mecei com os jovens, foram eles que me fi- rio de gente tão jovem. O mercado está tão querem ter um bom carro, uma boa casa, olhassem para ele como um homem e um zeram de certa forma, e eu fiz alguns. A atacado que, qualquer dia, vai-se à maternida- vestir bem, ter uma grande aparelhagem, jogador ganhador e não como um nível de formação somos dos melhores do de à procura de jogadores. Eu patrocinei a etc, e isso consegue-se com dinheiro. Mas “miúdo”. O estatuto é fundamental. Mundo, temos imensos jovens e eu conti- mim próprio um caminho diferente, ou seja tudo tem o seu tempo e é preciso ter em Depois a classe do jogador faz o resto. nuo a acreditar neles. Portanto há que apos- tenho cada vez menos jogadores mas traba- conta que, por vezes, a carreira não começa Veja-se que o próprio Cristiano Ronaldo, tar nesses jovens e não concordo que os es- lho com muitos clubes perante os quais, nes- logo aos 20 anos. Às vezes acaba… que é grandíssimo, também teve momentos trangeiros venham para cá só por virem. O tes cerca de oito anos de actividade, fui crian- Temos assistido à saída precoce de complicados em Inglaterra e teve que único jogador que fui buscar ao estrangeiro do uma boa imagem. Nunca fiz muitas trans- alguns jovens talentos para o futebol es- mudar muito. O mesmo se passou com o foi o Mantorras. Descobri-o com 16 anos e
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 DESPORTO 19 CARLA COU- FERNANDO PATRÍCIA A- CEIRO ALVES MENDOEIRA PRESIDENTE SECÇÃO TREINADOR DO ACM TREINADORA AAC GINÁSTICA AAC “Vai ser um espectáculo fabu- “A Ginástica Acrobática está a “A nossa expectativa é que loso, que reúne ginastas de assumir um papel importante toda a cidade de Coimbra topo de todo o Mundo. É no nosso país e a realização compareça nesta iniciativa. muito bom para a divulgação deste Mundial é extremamente Vão cá estar os melhores gi- da Ginástica Acrobática e da cidade de Coimbra aos favorável para a divulgação da modalidade também na nastas do Mundo e é uma boa oportunidade para assis- olhos de todo o Mundo”. nossa cidade e para que os pais se entusiasmem e tir a espectáculos de grande nível nas vários sessões que tragam os filhos para praticar Ginástica” vão decorrer no Pavilhão Multidesportos”. caminho» PEQUENOS ATLETAS Grupo fantástico Como e quando entraste para o Remo? Um dia fui experimentar e gostei. Que importância ocupa o Remo no teu Perfil revelou-se um grande jogador, infelizmen- dia-a-dia? te vítima de lesões gravíssimas. É importante porque consigo esquecer Tem algum jovem que esteja para todos os problemas da vida. aparecer “em grande“? Jorge Manuel Mendes tem 44 anos e uma vida ligada ao futebol. O Fala um pouco sobre a tua equipa e Ao ponto de ser um Simão, ou um gosto pela modalidade foi ganho muito novo, quando ingressou nas sobre o ambiente vivido em torno do Remo Mantorras ou um Cristiano Ronaldo não camadas jovens da Associação Académica de Coimbra. Foi jogador e da Académica. Manuel Pita há. E os poucos que há já têm representan- treinador, em ambos os casos primeiro amador e depois profissional, A AAC tem um grupo fantástico pois mal 14 anos tes. Eu tenho um ou outro jovem, e vamos pelo meio com uma experiência de “olheiro” do Sporting Clube de entrei consegui logo adaptar-me, com a ajuda AAC - Remo ver o que vai acontecer. Mas como já disse, Portugal. Em 1998 assumiu novo desafio, abraçando a função de de todos. 9” ano é uma área em que estou menos activo por- agente desportivo de jogadores de futebol: “Um dia, conhecedor do O Remo é uma modalidade muito exigente? que existe alguma concorrência desleal. Já meu percurso enquanto jogador, treinador e ‘olheiro’, o Dr. Hélder É, porque exige muito de nós e também porque os nossos treina- aconteceu chegar para falar com um jovem, Forte lançou-me o repto para ser agente de jogadores. A oportunida- dores querem que façamos o nosso melhor. para fazermos um bom trabalho, com de surgiu e cá ando até hoje na minha luta diária”. Consegues conciliar o remo com os estudos? calma, mas já ter havido gente que ofereceu Sim. coisas que eu recuso oferecer. Não entro Este ano foste campeão nacional com a tua equipa. Que sen- Do oito ao oitenta por aí. Não dou carros, nem apartamentos, sações viveram com esse momento? nem vídeos, nem plasmas… Foi absolutamente fantástico pois ainda não tinha nem um ano na E há jogadores e dirigentes que se modalidade e já tinha conseguido alcançar grandes objectivos. Realço deixam ir por aí? Portugal e Angola estreiam-se no Mundial da Alemanha a ajuda da minha equipa pois sem eles não tinha conseguido. Se calhar há. Os jogadores têm muitíssi- à mesma hora e no mesmo local. Frente a frente vão estar Qual a função do timoneiro? É o que “manda” nos outros? ma culpa. Por exemplo, é costume as pesso- Petit e Mantorras, ambos jogadores de Jorge Manuel Men- De certa maneira sim. O timoneiro é por assim dizer o homem do des. Que conselho lhes vai dar: “São muito amigos e respei- as atirarem-se aos empresários, mas não há tam-se muito. Eles que se safem. No final darei os parabéns leme e tem também como função manter o ritmo dos remadores e do nenhum empresário que assine um contrato. a ambos”. barco. Quem o faz são os dirigentes. Ou seja, se o Sobre a participação de Portugal lembra que a nossa selec- Vem aí o Mundial de Futebol. O que esperas da nossa selec- empresário é mau, o dirigente que é coni- ção lembra “é boa, mas muitas vezes vamos do oito ao oiten- ção e como vais viver o campeonato? vente é bem pior. ta. O meu sentir é esse. E neste caso acho que ou vamos por Espero que a selecção consiga um bom lugar. Vou viver o Mundial Mantém uma boa relação com os ou- aí fora e vamos ‘partir a louça toda’, ou então acontece-nos como vivo o futebol, não muito eufórico mas contente quando a equi- tros dois empresários de Coimbra, como em Saltilho. Somos um pouco assim. Espero que a pri- pa ganha. Nuno Patrão e Nuno Rolo? meira seja a verdadeira e que a nossa selecção seja o expoen- Mensagem que gostarias de deixar para os leitores do jornal Há uma relação de amizade, desde o iní- te máximo do nosso país” Centro? O outro estádio cio. Aliás eu não os conhecia muito bem, Ainda não conheço muito bem o jornal mas acho que é importan- mas eles quando começaram procuraram- te porque alerta de certa forma para o “mundo” no centro. me para lhes dar alguma ajuda, o que fiz Jorge Manuel Mendes recebeu o “Centro” no seu café, em dentro do possível. Temos tentado algumas Coimbra. Trata-se de um espaço muito frequentado por des- parcerias e feito algumas tentativas de ne- portistas e que surgiu porque “adoro a minha cidade. Sou um Inverno de campeões gócios em conjunto. Damo-nos bem, EQUIPA DA AAC VENCEU O CAMPEONATO NACIONAL apaixonado por Coimbra. Sempre que levo observadores de somos amigos, eles fazem o trabalho deles, Lisboa ao Porto, trago-os cá. Um dos motivos que me levou eu faço o meu. Não há inimizade e não a criar este espaço foi precisamente a ideia de trazer aqui al- somos adversários. Somos concorrentes. guns jogadores, o que tem acontecido frequentemente. Que consequências pensa que pode- Coimbra tem o clube mais eclético do Mundo, que é a rá trazer o “Apito Dourado” ao futebol Associação Académica de Coimbra, com 23 modalidades, e português? pensei que seria interessante haver um ponto de encontro Ainda bem que os empresários de fute- para todos estes atletas”. bol não apareceram nesse processo, o que Nos jogos grandes, o bar de Jorge Manuel Mendes chega a ter “mais de 300 entusiastas do futebol. O ambiente criado, é coisa rara. É habitual serem acusados de como se estivessem em redor das quatro linhas“, levou a que tudo e na maior parte das vezes não têm chamem ao café “o outro estádio”. Se fosse rico… tanta culpa assim. O “Apito Dourado” não tomou em Portugal as mesmas proporções que tomou noutros países, por exemplo em Itália. O mais importante, porque muita A dada altura confrontámos Jorge Manuel Mendes gente se tem afastado do futebol, era levar com a situação do União de Coimbra, que se debate com Manuel Pita é o timoneiro da equipa júnior de Shell 8 Com isto até às últimas instâncias, até por uma alguns problemas financeiros: “Se eu fosse rico, gostava Timoneiro da Associação Académica de Coimbra que esta época questão de credibilidade da própria justiça. de ajudar o União e de ser presidente do clube. A minha venceu o Campeonato Nacional de Inverno. Orientado pelo trei- Depois se forem só tres culpados, são só paixão por Coimbra é enorme e o União é um clube da nador Rui Coimbra, o grupo de campeões é composto pelos re- cidade, que tem adeptos e que representa muito. Fico a tres; se forem 150, são 150. Sobretudo era torcer pelo clube, para que consiga dar a volta à situação, madores João Simões, João Catarro, Alexandre Almeida, Miguel importante não arquivar, não perdoar. e que as entidades oficiais façam o que devem e podem. Alfaiate, João Santos, André Ferreira, Hugo Gonçalves e Diogo Senão qualquer dia temos todos passapor- Em Coimbra cabem perfeitamente dois clubes”. Tomé. te para fazer o que nos dá na gana.
  • 20 DESPORTO DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 TIAGO ANTÓNIO ANDREIA ALMEIDA CARDOSO MADEIRA JORNALISTA PRESIDENTE ASSESSORA DE DO EIRENSE IMPRENSA DA AAC/OAF “Se Portugal não passar a pri- meira fase é um fracasso. “Portugal tem todas as condi- “O limite é sempre a vitória. Temos as mesmas possibilida- ções para passar a fase de gru- Portugal tem individualidades, des que outras seis ou sete se- pos, apesar de todos os adver- capacidade, qualidade e um lecções e tudo vai depender muito dos adversários que sários serem difíceis. Depois dependerá da sorte e das bom colectivo, além de uma das melhores claques deste encontrarmos“. equipas que defrontar. Espero que Portugal vença a Mundial. Esta equipa já vem amadurecida do Euro 2004, competição. ”. uma vez que o seleccionador é o mesmo bem como a Esforço e dedicação maioria dos jogadores“. ANDRÉ ROQUE EXPLICA SUCESSO DO MIRO A equipa de Futsal do Miro Época vitoriosa (Penacova) venceu o Campeonato MIRO REGRESSA À DIVISÃO DE HONRA Distrital da 1ª Divisão e garantiu a subida à Divisão de Honra. Em conversa com o “Centro”, o joga- dor André Roque atribui grande importância a estes feitos e antevê boas perspectivas para os novos desafios que se avizinham António José Ferreira Que balanço faz da época que está a terminar? Embora tenha sido difícil, no meu ponto André Roque destaca a união existente de vista esta época foi extremamente posi- no grupo de trabalho tiva, pois mesmo sendo humildes entrámos em todos jogos com uma enorme vontade Esta conquista é de grande importância, de vencer, que veio a ser recompensada porque além de recompensar o bom traba- com o título da 1ª Divisão Distrital. lho desenvolvido pela Direcção e pelos jo- A que principais factores se deveram gadores ao longo destes anos de Futsal, O Miro chegou ao fim do “Distrital” com 21 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Os 67 pon- os êxitos alcançados? penso que demonstrou que o Miro não per- tos amealhados, mas dois em relação ao segundo classificado, o Centro Social dos Covões, Na conquista deste título importa salien- tence à 1ª Distrital. foram suficientes para a equipa se sagrar campeã distrital e garantir o regresso à Divisão de tar o trabalho que a Direcção desenvolveu, O que espera da próxima época, em Honra, que havia deixado na época passada. O grupo de novos campeões (na foto) é cons- com esforço e uma enorme dedicação em termos colectivos e individuais? tituído por Vítor Silva, Vasco Melo, Sérgio Mesquita, Álvaro Melo, Arménio Nogueira (Cap), prol da equipa, e sobretudo a união do A época que se avizinha assevera-se bas- Paulo Pina, Pedro Antunes, Marco Líbio, Thierry Oliveira, Ricardo Roque, António grupo para a qual me faltam palavras para tante trabalhosa e difícil, embora considere Nogueira, Marcelo, André Roque, Fábio e Rui (jogadores); Manuel Nogueira (treinador e qualificar. Não esquecendo também o que a nossa equipa tem condições para fazer presidente); António Nogueira(ex-presidente); Eduardo Pinto (delegado); Emília (massagis- apoio das gentes de Miro! boa figura. A nível individual vou trabalhar ta). Para fazer face aos compromissos inerentes a uma época, a Direcção do clube contou Que importância atribui ao título e à bastante para conseguir adaptar-me ao com vários apoios, dos quais destaca os facultados pelos restaurantes Napolitano e Quinta subida de divisão para o Futsal em Futsal, e assim contribuir positivamente em da Nora. Miro? prol da equipa. ACADÉMICA/OAF RENOVA Escolas TÍTULO DISTRITAL do futuro A Associação Académica de Coimbra/ /Organismo Autónomo de Futebol revalidou o título distrital de Escolas. Os “estudantes”, comandos por José Morgado, concluíram a prova com 9 vitórias e apenas uma derrota, no campo da Naval 1º de Maio. O primeiro lugar foi consumado na penúltima jornada, mas a festa prolongou-se até ao jogo der- radeiro, que teve lugar no Campo da Granja de Ançã e reuniu todos aqueles que, de uma forma ou de outra, acompanharam o percurso dos novos campeões
  • OPINIÃO 21 Os nossos trabalhos DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 PRAÇA DA REPÚBLICA O trabalho é o que lhe dará o sustento e, no política, sem prejuízo das diferenças de es- meio da babel de vozes, a liberdade de dizer tatuto ou posição hierárquica, falar de igual o que pensa. para igual com todas as outras pessoas. Esta Carlos Carta a Anto É bem elucidativo desta situação o que é a situação para a qual remete a justiça das Carranca se passou na universidade portuguesa du- relações de trabalho, na qual o trabalhador rante o Estado Novo. Enquanto o Go- assume a dignidade de cidadão. Mas não se João Caetano verno, com um claro intuito vexatório, pro- chega lá com a aprovação de códigos, como relvaocaetano@yahoo.com curava demitir os seus opositores políticos já e viu com a rejeição da Constituição do exercício de funções académicas, nas Europeia, que englobava a Carta Europeia Os portugueses arriscam muito nos pró- universidades, algumas das vozes mais res- dos Direitos Fundamentais. ximos anos. O cenário de um empobreci- peitadas do regime, com todas as suas ener- Acima da política pura, é através do tra- mento relativo é verosímil. Como é que se gias, defendiam os discípulos que tinham balho que as pessoas se reconhecem umas deve conceber o desafio, no plano das rela- ideias políticas diferentes das suas. A defesa às outras. Daí até à aceitação da igualdade ções do trabalho? Creio que como um passou sempre pela preservação, acima de como um facto vai um pequeno mas deci- exame. tudo, do lugar de trabalho das pessoas per- sivo passo. Só quem se sente igual é capaz Já alguém imaginou um estudante a fazer seguidas. É de registar a forma como tal foi, de falar de igual para igual, sem medo de barulho, quando realiza o exame? Pelo con- invariavelmente, feito: através da prestação errar ou de escandalizar os outros com trário, se for bom estudante, está concen- de informações sobre a capacidade intelec- quem se relaciona. Só quem se sente igual é trado no que vai escrever ou no que lhe diz tual, o nível de cultura e as faculdades de capaz de assumir os seus erros e as suas li- Anto! anda ver o meu país de banquei- a pessoa que o está a interrogar. Não se trabalho dos visados. É que não há imagi- mitações e, sempre que necessário, os dos ros, o meu país de pederastas e políticos. preocupa com o que vai fazer a seguir ou nação que se sobreponha à realidade de outros. Mais ainda: só quem é igual pode Ai o mar que é nosso!... com a classificação que vai ter. Isso ser-lhe- umas mãos carregadas de trabalho. Quem é ser premiado pelo que efectivamente faz, e Um lindo mar, eu sei. á dado por acréscimo. O que sobressai e o o mestre que, conhecendo a capacidade de não pelo que os outros lhe emprestam. De empresários, desportistas radicais, de distingue são o seu trabalho e o seu méto- trabalho e a honestidade do discípulo, lhe Nos países onde, não no plano ideológi- jovens executivos e doutores. do, tão grande é a sua curiosidade para fecha as portas da sua amizade? co mas no plano ético, se valoriza o traba- (Não, já não é dos pescadores!) saber mais sobre a vida e o mundo. A curi- Numa época em que a luta por um em- lho como um espaço de encontro, os É um mar de vender em pacotes aos tu- osidade é a cereja saborosa no cimo do prego chega a atingir o paroxismo de o muros invisíveis de separação têm menor ristas. bolo, que desperta a atenção de quem passa filho substituir o pai ou a mãe, contra a expressão e a capacidade de regeneração e Ai o mar que é nosso!... e lhe aspira o perfume. Mas é também o vontade destes, destruindo a ordem das fa- de superação das crises é maior. Como con- Um brando mar de agentes imobiliários fruto silencioso de uma obra de glória, que mílias e do Estado, é um aspecto da maior sequência positiva, tende a não existir sepa- crescidos entre cifrões, a noite, pó-branco e faz o seu caminho e, naturalmente, se há-de importância quando uma pessoa não tem ração entre a sociedade política e a socieda- patos-bravos. impor pelo seu próprio mérito. Por causa que se preocupar com o que vai fazer no de civil. Esta é também a doença grave Anto! Anda ver o meu país de banquei- da curiosidade, o estudante torna-se maior, dia seguinte. Não só é o que lhe permite (porventura crónica, mas não necessaria- ros, de bancários, de vendedores, vendidos sensibilizando até o mais exigente e áspero viver plenamente o presente, estando dis- mente incurável) de que sofre Portugal. e gerentes. dos professores, a ponto de, com profundo ponível para os outros, como é também o Por onde passa o futuro? Quem passará Anto! Anda ver o meu pobre país dos A astrologia científica agrado de ambos, comerem à mesma mesa. que lhe dá a liberdade para, na comunidade o exame? detergentes. estuda as posições relativas dos corpos ce- tem várias espécies ou modalidades de as- menos as seguintes noções: duração do dia lestes e a sua influência no homem e no trologia: Mundial, Psicológica, Sociológica e da noite ao longo de um ano, conhecer as mundo que o rodeia. ou Política, Geológica, Sinástrica ou das estações do ano, para, segundo o clima, es- A definição tradicional de ciência é o Compatibilidades, Médica, etc. colher o momento certo para pescar, caçar, conjunto organizado de conhecimentos É uma ciência tão antiga como o homem, semear, tratar, colher e guardar. Hoje temos com objecto e método próprios. Ora a as- e não é difícil entender porque assim é. o relógio e o calendário que mais não são trologia tem por objecto o estudo integral O horizonte do homem primitivo era o que conhecimentos astrológicos desenvolvi- Jorge Côrte-Real do homem através das influências cósmicas céu e a terra. Desde muito cedo a sua sobre- dos e vulgarizados. O homem primitivo não que o cercam. É uma ciência do espírito, vivência foi condicionada pelo Fogo do sol e dispunha destes meios e o caminho para lá Dos muitos passatempos que cultivo, uma ciência positiva, já que estuda o ho- o resultante dos relâmpagos das trovoadas, chegar não terá sido nem rápido nem fácil, considero que um dos mais interessantes é mem tal como ele é. O objecto é, pois, a pelo Ar que observava quando ocorriam como iremos verificar oportunamente. sem dúvida a astrologia científica. Pelo uso Humanidade. ventos mais rigorosos e a própria respiração Para traçarmos o perfil psicológico de al- perverso que lhe tem vindo a ser dado, mui- Baseia-se na observação das posições re- como sinal de vida, pela Agua indispensável guém é necessário conhecer, além do dia tos de vós interrogar-se-ão se a astrologia lativas dos corpos celestes e na influência ao seu sustento, marés de pesca e inunda- mês e ano, o local de nascimento e a hora poderá ou deverá ser considerada uma ciên- destas no homem. ções, e pela Terra de onde extraia a sua ali- em que ocorreu o nascimento (com um cia enquanto tal. O método consiste na Observação – mentação base: Animais, frutas, vegetais e erro máximo de dez minutos). Com a intenção de esclarecer os leitores, Análise estatística – Indução da lei. mais tarde os minerais que transformou em Com estes dados é levantada uma carta aqui ficam algumas notas, fruto de uma in- Não se trata de uma ciência exacta nem adornos, ferramentas e armas para caçar. astrológica, que mais não é que uma foto- vestigação iniciada em 1988, com o objecti- experimental, porque não há dois homens Para sobreviver às dificuldades naturais, grafia do céu no momento do nascimento vo de clarificar o que é, como funciona e iguais. Tal como sucede na história, na socio- teve que se empenhar na observação dos fe- para a pessoa considerada. qual o alcance da astrologia como ciência. logia, na psicologia e no diagnóstico médico. nómenos naturais, até conseguir elaborar Voltaremos ao assunto em próxima edi- Podemos defini-la como a ciência que Importa salientar que actualmente exis- um calendário de onde constassem pelo ção. JORGE MENDES IRMÃO & C. , L A DA FORNECEDORES DE: HOSPITAIS,CLÍNICAS, CÂMARAS, ESCOLAS, HOTÉIS, FORÇAS ARMADAS, INFANTÁRIOS, MUSEUS, ETC. Atoalhados . Camisaria . Fardas . Malhas . Roupa Interior Praça do Comércio, 97 - 99 101 - 103 Telef. 239 824 284 Fax 239 841 709 3000 - 116 Coimbra
  • 22 MÚSICA Distorções DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 José Miguel Nora josemiguelnora@gmail.com Depois de já ter marcado presença na de “covers” de outros artistas, “The Spa- edição de 2004 do Rock In Rio Lisboa, fui ghetti Incident” (1993), um disco ao vivo, , mais uma vez, a este prestigiado festival. O “Live Era 1987-1993” (1999) e uma colec- atractivo principal eram, tal como na edição tânea de “Greatest Hits” (2004). Mas a anterior, os Guns N´Roses, apesar de há ausência dos palcos e dos escaparates, não dois anos terem cancelado a sua actuação era obra do acaso, pois os Guns N´Roses a- com algum tempo de antecedência, tendo travessavam uma crise de identidade, muito sido muito bem substituídos pelos Foo por força das “birras” do vocalista Axl Guns N´Roses Fighters do ex-Nirvana, Dave Grohl. Rose, que juntamente com o teclista Dizzy De facto os Guns N´Roses foram um Read, são os únicos sobreviventes da for- “lendários” Guns N´Roses reunia em mim ce”, “Knockin´On Heaven´s Door”, “Live das grupos que fez parte da banda sonora mação que elevou esta banda ao estatuto sentimentos ambivalentes, pois, tanto po- And Let Die”, “You Could Be Mine” e da minha adolescência e, só por isso, já valia que ostenta actualmente. E, de há alguns deria ser uma excelente recordação da “Paradise City”), aliados ao colorido con- a pena a deslocação à “cidade do rock” – anos para cá, que se fala com alguma in- minha adolescência, como uma grande de- ferido pelos inúmeros efeitos pirotécnicos, Parque da Bela Vista, Chelas. Ainda me sistência na saída de um novo trabalho de silusão e desmistificar toda a admiração que fizeram vibrar os cerca de 50.000 presentes, lembro dos tempos em que as paredes do originais dos Guns N´Roses, intitulado tinha por esta banda. Mas quando entraram apesar dos solos de guitarra e os improvisos meu quarto e os meus cadernos eram forra- “The Chinese Democracy”, cujo custo já em palco entoando os primeiros acordes de se terem tornado excessivos e terem criado dos com imagens desta banda. ronda os 13 milhões de dólares, que já “Welcome To The Jungle”, logo se per- alguma inconsistência na actuação. Sem editarem qualquer disco de originais chegou a ter como produtor Moby, mas que cebeu que iria ser uma grande noite e desde 1991 - as duas partes de “Use Your não há meio de chegar aos escaparates, po- “Sweet Child O´Mine” confirmou essa PARA SABER MAIS: Illusion” -, nos últimos anos, a banda de dendo, muito bem, ser rotulado como o mesma expectativa. Axl Rose limitou-se a rentabilizar o suces- disco mais aguardado de sempre. Foi um bom concerto, em que os temas - http://rockinrio-lisboa.sapo.pt/ so alcançado até aí, tendo editado um disco Por tudo isto, a ida ao concerto dos mais antigos (“November Rain”, “Patien- - http://www.gnronline.com/ A terra do dixie… Francisco Neves nizado pelo Município de Cantanhede e pela INOVA-EM, o festival realiza-se no Parque O nome Dixie vem da cidade de Nova Expo-Desportivo de S. Mateus e contará Orleães. Após a fundação, a cidade cresceu com a participação de nove prestigiadas ban- rapidamente, tornando-se no maior centro das nacionais e internacionais de dixieland, comercial e financeiro da região. Nessa designadamente: Tito Martino Jazz Band época grande parte dos bancos emitia as (Brasil), Lalo’s Dixielanders (Itália), The Scat suas próprias notas. Devido ao elevado nú- Cats (Holanda), Pixi Dixi Jazz Band (Espa- mero de colonos de origem francófona, nha), The Sheiks of Europe (Dinamarca, eram impressas em francês e inglês e uma Espanha, Itália, Inglaterra e Portugal), The das mais comuns era a de dez dólares. Dez Good Time Jazz Band (Banda Internacional) em francês é “dix” e assim estava impresso e das bandas portuguesas Dixie Gang, em grandes caracteres numa das faces. Após Desbundixie e Dixie Gringos. a expansão para os territórios de Louisiana Mas antes, hoje mesmo (quarta-feira, dia em 1803 e enquanto cada vez mais america- 7 de Junho) a noite no Parque Verde do nos chegavam a essas terras, as notas come- Mondego, em Coimbra, será marcada por çaram a ser conhecidas por dixies. E porque um acontecimento único. Uma Jam Session uma nota só é válida se o banco a aceitar e com o Dixie Gang acompanhado por diver- os bancos mais fiáveis da época eram os de sos (20 a 30) músicos estrangeiros e nacio- Nova Orleães, as notas de dez dólares ou di- nais, que vieram para o Festival de Can- xies, tornaram-se as preferidas e toda essa tanhede. No interior do Quebra Club, no região passou a ser conhecida como a terra passeio, ou na esplanada poderemos assistir do dixie ou Dixieland. à reconstituição do alegre ambiente tipico de O termo jazz começou a ser usado no final Nova Orleães onde era comum os músicos dos anos 10 para descrever um tipo de músi- desfilarem pelas ruas em pequenos combos, ca que surgia nessa época em Nova Orleães. em cima de carros ou a pé. Quando duas O jazz começou a fazer ondas em formações por acaso se encontravam, havia Chicago por volta de 1915. Músicos e pro- um “duelo de improvisos”, conferindo motores provenientes da terra do dixie usa- imensa originalidade ao som. ram o termo para evidenciar as suas origens Este jazz surpreende na forma como é fa- e a palavra Dixieland – graças a músicos miliar e simples, a melodia cantável, o ritmo como Louis Armstrong, Bix Beiderbecke, que convida á dança, a harmonia frequente, King Oliver, Jelly Roll Morton, etc... – per- previsível e o ambiente de leveza e despreo- manece até hoje no nosso espírito associa- cupação. Numa segunda análise, esta música da a esse novo e irresistiível género musical. revela-se rica, subtil e complexa nos arran- jos, nas variações de ritmo, nas progressões COIMBRA E CANTANHEDE harmónicas e na inspirada improvisação. Só RECRIAM NOVA ORLEÃES assim se compreende que esta música, toca- da desde o princípio do século XX, tenha Entre os dias 8 e 11 de Junho próximos, o lançado bases para uma linguagem musical concelho de Cantanhede receberá o III com temas e sonoridades que ainda hoje nos Festival Internacional de Dixieland. Orga- mobilizam e emocionam.
  • DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS equipas, fotografias, o calendário, os fãs e uma loja online. uma ferramenta de gestão. O Artesão pretende ser uma co- O Mundial de Futebol 2006 começa já a 9 de Junho e vai munidade global de artesãos de língua portuguesa. prolongar-se por um mês. Portugal estreia-se a 11 de Apresenta um directório de artesãos, com possibilidade de Junho, frente a Angola. pesquisa por país, categoria, produtos, preços e até cor. Diariamente há um destaque e actualizações nas feiras e Links relacionados: eventos relacionados com a área. Estão também listadas as Inês Amaral http://infordesporto.sapo.pt/PDF/ /Mundial2006.pdf últimas peças inseridas, bem como as mais populares. O Docente do Instituto - calendário do Mundial 2006 do Sapo Infordesporto site conta já com cerca de 140 artesãos inscritos. Superior Miguel Torga FIFAworldcup.com Artesãos endereço: http://fifaworldcup.yahoo.com |categoria: endereço: http://www.artesaos.com | categoria: arte, futebol lazer ANTÓNIO VARIAÇÕES EXAMES NACIONAIS INFOPRAIAS A época balnear começou oficialmente a 1 de Junho e o site Infopraias apresenta toda a informação necessária sobre as praias de Portugal. O Infopraias é um serviço es- pecializado na informação do tempo e da ondulação nas praias do nosso país, fornecendo também outros conteú- Com o calendário escolar a avançar, o site Exames De Braga a Nova Iorque, a história de António Va- dos associados a esta temática. É o espaço ideal para plane- Nacionais e Acesso ao Ensino Superior é uma importante riações contada em disco. A colectânea apresenta temas ar uma ida à praia ou escolher a praia com melhores condi- fonte de informação para os alunos do 12º ano de escola- inéditos do cantor português e o site permite saber mais ções para praticar desportos náuticos. ridade. Há ainda informação para os alunos que fazem exa- sobre o duplo álbum. Previsão do tempo e da ondulação, as condições diárias mes no Ensino Básico, no 9º ano de escolaridade. António Variações é um nome incontornável no pano- nas praias (para surf, windsurf e para estar na praia), regras O site tem informação variada sobre os exames como o rama musical português e, 22 anos depois da sua morte, a de segurança, as praias com bandeira azul, power cams arquivo de provas nacionais (desde 1997, data em que entra- sua música continua viva. Depois de inúmeras homena- (possibilidade de ver em vídeo algumas praias) e classifica- ram em vigor), critérios de classificação e propostas de cor- gens, este duplo álbum traz inéditos de Variações que esta- dos (bens e serviços associados a desportos náuticos) são recção; os conteúdos dos planos curriculares, objectivos, vam religiosamente guardados pela família. No site há um os tópicos dos serviços deste portal informativo sobre tipo de estrutura dos exames; material autorizado; calendá- texto de Nuno Galopim com uma resenha da vida do mú- praias. rio; a correspondência entre as provas de ingresso e os exa- sico, wallpapers e screensavers, e excertos das músicas que mes nacionais; a lista das disciplinas com exames nacionais figuram no duplo álbum. Links relacionados: e respectivos códigos; normas e documentos vários; tabelas http://www.abae.pt/ - Associação da Bandeira Azul da com as médias das classificações das provas de exame naci- António Variações Europa (site português) onal de 2002 a 2005. A página disponibiliza também infor- endereço: http://www.variacoes.com | categoria: música mação detalhada para os exames do Ensino Básico (exames Infopraias e provas modelo; informações detalhadas, calendário e nor- endereço: http://www.infopraias.com | categoria: lazer, mas e documentos); acesso ao Ensino Superior (médias, utilidades candidaturas, pré-requisitos, vagas, colocações de 2003 a 2005); apontamentos; um fórum; calendários para 2006; cal- culadores (documentos Excel que ajudam a simular as mé- dias para as candidaturas); e links vários. Links relacionados: FIFAWORLDCUP.COM http://www.acessoensinosuperior.pt – Acesso ao Ensino Superior http://www.gave.pt/ – Gabinete de Avaliação NODDY Educacional Exames nacionais e acesso ao Ensino Superior endereço: http://www.exames.org |categoria: educação A cidade dos brinquedos está na Internet. O site do Noddy (versão portuguesa) tem jogos e actividades para os mais pequenos, a descrição dos personagens da série que moram no país dos brinquedos, um guia de aprendi- O FIFAworldcup.com – site oficial do Mundial de zagem para os pais e educadores, links para espectáculos e Futebol Alemanha 2006 – vai permitir aos cibernautas merchandising da marca, e a inscrição dos utilizadores acompanhar o campeonato em tempo real. Em nove lín- mais pequenos num cartão de pontuação que permite guas (a versão em língua portuguesa tem sotaque brasilei- acompanhar o seu progresso nos jogos e actividades do ro), este site foi produzido em parceria com o Portal Yahoo site. e vai acompanhar o Mundial 2006 ao segundo com notícias O pequeno Noddy é um boneco de Madeira que mora de última hora, vídeos, entrevistas e resultados em tempo no país dos brinquedos e faz as alegrias dos miúdos na real. RTP. A série é baseada nas clássicas personagens infantis ARTESÃOS O site apresenta vários menus e secções principais – criadas pela escritora Enid Blyton e recorre à tecnologia, cada uma delas apresentando notícias, resultados em tempo criando um envolvente cenário onde se desenrolam acções real, galerias de fotografias e vídeos dos arquivos da FIFA. em torno de Noody e os seus amigos. A série foi já premi- No menu de topo é possível aceder a links com informa- ada com um Emmy. ções detalhadas sobre o campeonato, vídeos de arquivo da FIFA (outros campeonatos do mundo, estádios, treinado- Links relacionados: res e jogadores, jogos históricos), entretenimento (jogos in- O site Artesãos tem como objectivo dar a conhecer o ar- http://www.rtp.pt – RTP teractivos, as mascotes oficias e downloads) e informações tesanato urbano de língua portuguesa. Lançado recente- sobre a Alemanha. Nos vários menus encontram-se os ha- mente, o projecto é pioneiro e permite o registo gratuito e Noddy bituais links de informação sobre bilhetes, voluntariado, as a criação de uma loja online, com um endereço próprio e endereço: http://www.noddy.com | categoria: infantil
  • 24 TELEVISÃO DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO mesmo tempo, o governo alterou o regime jurídico de forma a que a 2: não pudesse ministro Santos Silva, ou passou a ser uma incomodidade? É necessário encontrar ra- ção previamente estabelecida. Tanto quan- do a liberta ou quando a reflecte, canaliza-a. sair do universo da RTP. Na altura, o minis- pidamente respostas para estas questões. A Assim sendo, socializa. E é aqui que o es- tro Santos Silva reafirmou a intenção de Dois é o único espaço na televisão portu- prosseguir a relação da 2: com a “sociedade guesa que resiste, e tem obrigação disso, ao civil”, afirmando mesmo que ela se apro- tsunami da banalização da mediocridade fundaria. embrulhada a cores. Francisco Amaral Passados apenas quatro meses, o que se Docente da ESEC verifica ? Wemans compactou os dois pro- 2. Agora é que vão ser elas gramas da “sociedade civil” num só, trans- 1. Que fazer com a Dois:? ferindo-o para o horário das donas-de-casa, (ou eles?) isto é, imediatamente a seguir ao almoço. Depois do governo de Durão Barroso Passou também a controlá-lo editorialmen- Huxley sublinhou o poder cativador dos ter pegado no canal 2 da RTP e de o ter de- te. Escondeu o Espaço Universidades num sons que têm ligação com a emotividade. positado à porta, o canal alternativo da es- horário absolutamente insultuoso, por volta “Nenhum homem, por mais civilizado que tação estatal parecia ter o destino traçado. das duas da manhã, após a repetição de seja, pode escutar durante muito tempo um Juridicamente, ao fim de uns tantos anos, programas da série National Geographic tambor africano ou alguns cânticos indíge- seria entregue à sociedade civil, o que muito que são transmitidos à tarde e que, pelos nas, ... , e conservar intacta a sua personali- provavelmente significaria a sua venda a seus temas – caçadores de cobras, crocodi- dade crítica e auto-consciente”. Contras- quem mais desse por ele. Entretanto, a di- los, ..., interessarão apenas a um punhado tando a força vital destas experiências com recção de Manuel Falcão foi assinando pro- de telespectadores. Acabou com o Ma- a racionalidade dos mais eminentes filóso- tocolos com dezenas de associações e as gazine Cultural diário, substituindo-o por fos, diz ainda: “Se os cânticos ou o ruído mais diversas organizações e instituições. um semanal transmitido à sexta à noite. dos tam-tans durasse o suficiente, todos os A intenção foi criar parcerias para cola- Levou o programa “Parlamento” para a filósofos acabariam a saltar e a uivar como borações diversas, de forma a tornar o hora da emissão infantil. Provocou a demis- selvagens”. pectáculo do futebol é o perfeito enquadra- canal mais próximo da designada “socieda- são da produtora Teresa Sousa, responsável mento para a imagem televisiva. de civil”. Para que a programação não se pela ligação da RTP aos parceiros da 2:, As lojas chinesas já encomendaram as tornasse numa manta de retalhos, Falcão facto não irrelevante já que esta profissional bandeiras. Em algumas janelas elas já volta- teve pela frente um trabalho complicado, trabalhava há 22 anos para a estação públi- ram, depois de substituídas as esfarrapadas mas no final de 2005, a Dois: (como se pas- ca. Provocou ainda um boicote total dos de 2004. As televisões criaram hinos à se- sou a chamar) tinha conseguido recuperar o grupos parlamentares, de uma ponta a ou- lecção. Todos diferentes, todos iguais. Peri- share médio de audiência para os 5 pontos tra do hemiciclo, que se recusaram a com- gosamente optimistas. Irrealistas. “Portugal percentuais. Aspirar a mais era difícil, tendo parecer na gravação do programa “Parla- é campeão!”. A emoção está pronta. Os te- em conta a natureza do canal e do País. mento”, depois de saberem da alteração lespectadores serão (ou não) atingidos. Os Uma programação infantil cuidada, toda ela horária sem qualquer tipo de diálogo. directores e as administrações esperam que com a preocupação de ser falada em portu- Por outro lado, semeou séries atrás de sé- sim. Os anunciantes já têm as estratégias guês, embora quase totalmente produzida ries, a maioria estrangeiras e de gosto e qua- definidas. Todos imploram ao deus da bola, fora, serviu de grande âncora à 2:. A “soci- lidade muito duvidosa. Tornou a programa- para que Portugal vá o mais longe possível. edade civil” passou a contribuir para o de- ção da 2: num mosaico mais ou menos caó- A cada vitória, correspondem muitos euros senvolvimento da totalidade de dois pro- tico, onde nunca se sabe o que se pode en- nos negócios paralelos. Os fantasmas da gramas diários com uma hora cada, para contrar. Publica a programação, mas o horá- Coreia estão no quarto ao lado. O portu- além do Espaço Universidades, que marca- rio não corresponde às transmissões, o que guês médio ainda não está conquistado. va presença também diária no final do ho- num canal público sem publicidade e quase Pelo contrário. A televisão mostra-lhe uma rário “late night”. sem directos, é inadmissível. selecção imprevisível, com um treinador Para lá destes períodos da programação, Ainda duas referências para o regresso previsível. E, no entanto, os emigrantes a 2: manteve um magazine diário de infor- da “Revolta dos pastéis de nata” e de Paula portugueses na Alemanha não ficaram a ver mação cultural que substituiu o conhecido Moura Pinheiro. Quanto aos “pastéis”, o Com o Campeonato do Mundo de Fute- televisão. Finalmente, o que viram há dois programa de entretenimento conduzido bol a começar, todos os treinadores de ban- anos (pela televisão, claro), está-lhes à porta pelo antigo companheiro de blog de We- cada e outros (alguns mesmo treinadores de de casa. mans – Luís Filipe Borges – conseguiu ser banco), já saltam e uivam. Numa fase inici- A todos, lá e cá, a televisão não permi- contemplado numa área que teve de se de- al muito timidamente, mas lá se chegará ao te a sabedoria popular do “longe da vista, frontar com um corte de 70% no orçamen- momento do descontrolo. longe do coração”. Impõe-nos uma rela- to, o que não deixa de ser admirável, aten- As televisões iniciaram já as suas progra- ção que pode ser duradoura ou fugaz e de- dendo ao facto do programa ser um perfei- mações especiais. Improváveis e esquecidos cepcionante. to exemplo da infatilização que a sociedade homens do futebol, como o Prof. Neca, re- portuguesa enfrenta desde os anos 80. O gressaram aos écrans para traçar previsões, que distingue Borges é uma boina ao con- lançar críticas, mas principalmente para o trário e uma mal contida tendência para habitual jogo que lhes é querido : o toca e aquilo a que se pode chamar “soft brejeiri- foge. ce”. Paula Moura Pinheiro, uma inegável Ciclicamente, Pelé tenta regressar aos es- presença marcante no écran, veio ocupar tádios disfarçado de outro jogador. Eusébio um cargo que não existia na 2:, o de sub-di- também. Umas vezes dá-se por ele, outras rectora. Talvez o cargo seja motivado por nem tanto. A televisão suspira por estes fe- Wemans ser homem dos jornais e Paula M. nómenos. Há uma inquietação óbvia que Pinheiro ter um percurso mais acentuado antecede não o pénalti, mas a estreia. nos audiovisuais, o que é aceitável e prova- Falta pouco para que de manhã à noite, velmente necessário. Só não se compreende mesmo nos canais generalistas, o futebol se o facto dos canais de televisão terem de ser infiltre de uma forma gradual que se espa- dirigidos por jornalistas. Existe uma direc- lhará ou não, na medida exacta dos resulta- ção de informação onde são bem necessá- dos da nossa selecção. Acontece, de Carlos Pinto Coelho. Um rios. É pena que em Portugal se continue a Quando a bola começar a saltar, os estádi- conjunto de séries de “culto” garantiam a ignorar a importância da figura do produ- os a gritar, as redes a abanar, a televisão por- noite do canal. Outros programas, como a tor, confundindo-a com a dos produtores- tuguesa precisará das imagens para se alimen- entrevista de fundo “Diga lá Excelência”, executivos. tar. Mas em que medida a imagem é energia? em colaboração com o jornal Público e a Depois do que foi dito, a pergunta “o Que papel desempenha no diálogo entre Rádio Renascença, para além do Clube dos que fazer com a Dois?” tem todo o sentido. equilíbrio e tensão? Em alguns casos pertur- Jornalistas, ajudaram a fixar audiências. Será que Jorge Wemans está a “despachar” ba o equilíbrio, já que gera necessidades, de- Ora acontece que no final de 2005, material comprado pelo anterior director? sejos ou receios. Noutros, é simplesmente o Manuel Falcão abandonou a 2:. Para o seu Terá já uma ideia concreta para a essência espelho onde o espectador vê reflectidos e lugar entrou um dos jornalistas fundadores do canal? Mas a Dois não tinha já um per- activados os seus desejos e receios. do jornal “Público” – Jorge Wemans, que se fil definido? A ligação à “sociedade civil” A imagem é sempre, ao mesmo tempo, encontrava na Fundação Gulbenkian. Ao sempre vai ser reforçada, como afirmou o energia orientada, canalizada numa direc-