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O Centro - n.º 3 – 10.05.2006
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O Centro - n.º 3 – 10.05.2006

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Versão integral da edição n.º 3 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 10.05.2006. …

Versão integral da edição n.º 3 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 10.05.2006.

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Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
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http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
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  • 1. CAFÉ TURISMO Doçaria Conventual do Lorvão Largo de Alberto Leitão n.º 3 / 3360 - 191 PENACOVA / Telefones: 239 476 267 e 918 225 214 DIRECTOR JORGE CASTILHO ANO I N.º 3 (II série) De 10 a 24 de Maio de 2006 € 1 euro (IVA INCLUÍDO) “QUEIMA” INVADIU RUAS DE COIMBRA Faúlhas de arco-íris PÁG. 10 a 13 QUATRO EQUIPAS NA I LIGA Bola ao Centro! A bola não se vê. Mas entrou na baliza! Foi o segundo golo da Académica, a garantir a permanência entre os melhores do futebol nacional. A Naval conseguiu também manter-se à tona, para onde Beira Mar subiu e onde o União de Leiria bem se aguentou. Aveiro, Coimbra, Figueira da Foz e Leiria – a mesma Liga! PÁG. 15 COIMBRA TRÊS GERAÇÕES CUIDAM AFIRMAM DIRIGENTES ASSINE O “CENTRO” EM CONGRESSO DA CANÇÃO DE COIMBRA DA ACM DE COIMBRA E GANHE OBRA DE ARTE Para Guitarras Uma que haja de Artur instituição mais cidade Paredes pobre e melhor eram feitas mas bem cidadania em Lisboa governada PÁG. 3 PÁG. 4 e 5 PÁG. 16 e 17 PÁG. 3
  • 2. 2 DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 DEBATE NA RELAÇÃO EDITORIAL Escutas telefónicas “Escutas telefónicas – o quotidiano” Notas soltas é o tema que será debatido hoje, a par- tano do pontapé na bola. tir das 11h30, no salão nobre do Tribu- Aveiro (com o Beira Mar), Coimbra nal da Relação de Coimbra. (com a Académica), Figueira da Foz (com Trata-se de mais uma jornada pro- a Naval 1.º de Maio) e Leiria (com o movida pela Secção Criminal do referi- União), fazem jus a felicitações e aos do Tribunal, sob a égide da Presidência respeito o escrevo) temos um quot;Lino ibéri- votos de que consigam bons resultados, da Relação, e que desta feita contará coquot;... Aclarando: o Ministro Mário Lino, pois tal será também benéfico contributo com as intervenções de Pedro do Car- falando em Espanha, assumiu-se como para dinamizar a economia do Centro do mo (Director Nacional Adjunto da Polí- iberista convicto. Por cá foi um coro de País e rendibilizar um pouco mais os cia Judiciária) e Fernanda Roberto (Juiz protesto contra a quot;heresiaquot; ministerial. Só megalómanos investimentos que se fize- de Instrução Criminal). que a muitos dos que agora protestaram ram em estádios. em público, já em privado se lhes ouviu defender que a solução para a crise de Como nesta edição se anuncia, vai NO PRÓXIMO SÁBADO, Jorge Castilho Portugal era arrendar o País aos espa- realizar-se ainda este mês o II Congresso EM COIMBRA nhóis. E não deviam estar a brincar, pois promovido pelo Conselho da Cidade de Timor Leste foi uma das causas que muitos deles têm andado a fazer isso Coimbra. “Lions” mais sensibilizou e mobilizou os por- mesmo, a retalho, de forma mais ou O Conselho é constituído por um he- tugueses, numa onda de solidariedade menos encapotada... terogéneo conjunto de cidadãos preocu- promovem debate que logrou alcançar o que parecia impos- pados com o desenvolvimento de sível: a independência. É, por isso, com Apesar de não ser fervoroso adepto do Coimbra e sua Região e que, persistente- sobre tolerância tristeza e preocupação que se assiste ao futebol, reconheço que ele deverá ser o mente, vão analisando as questões mais que neste momento se passa naquele ter- fenómeno que mais interessa e preocupa diversas de forma tão empenhada como O Lions Club de Coimbra promove ritório. Oxalá o bom senso venha a a maioria da população portuguesa. desinteressada, com sacrifício dos seus no próximo sábado (dia 13) um deba- prevalecer! Sem querer entrar em complexas abor- tempos livres (e não raro da sua própria te sobre o tema “Tolerância”, em que dagens sociológicas, direi apenas que actividade profissional), lançando alertas participam Rodrigo Moita de Deus, Foi com satisfação que tomei conheci- isso, como quase tudo, tem desvantagens e oferecendo contributos para um pro- Vasco Pinto de Magalhães (padre je- mento de que em Espanha acabam de e conveniências. gresso equilibrado e bem sustentado. suíta) e José Manuel Leite (pastor nascer duas crias de lince ibérico, em Remetendo apenas para as últimas, Infelizmente, a classe política (a que evangélico). O debate, que decorre na cativeiro, o que permite acalentar a espe- terá de admitir-se que a Região marcou está no poder, a que esteve e a que Casa Municipal da Cultura de Coim- rança de que se consiga salvar uma espé- vitoriosos golos nessa actividade espera vir a estar...), pouca atenção con- bra, com início às 09h30, será modera- cie quase extinta. Infelizmente, em económico-político-desportiva, pondo a cede a este grupo pioneiro, assim des- do pelo jornalista Jorge Castilho. Portugal há já muitos anos que não se bola ao Centro para a próxima época. Ou baratando (mais adequado seria dizer A justificar esta iniciativa, referem avista qualquer exemplar desta espécie. seja, ter quatro clubes que vão disputar a desprezando...) esses generosos gestos os organizadores: “Estando já mais Mas, em contrapartida (e sem des- I Liga é feito meritório no panorama lusi- de cidadania. calma a discussão acesa sobre as fa- migeradas caricaturas, chegou a altu- ra de debater a questão da tolerância APELO DE ASSOCIAÇÕES DE ESPECTADORES com serenidade e mais profundida- de”. MOSTRA REGIONAL Hoje diga não à televisão EM COIMBRA A Federação Ibérica de Telespectado- por causa das pessoas idosas e muito fere Nuno de Campos. res e Radiouviontes escolheu este ano a isoladas”, como salienta Nuno de Cam- Esta inicitiva ibérica é semelhante à Igualdade entre data de 10 de Maio como o “Dia sem Te- pos, Presidente da AC Media. proposta pela TV Turnoff Network, que levisão” para Portugal e Espanha. Em Espanha, o objectivo da campa- decorreu nos Estados Unidos entre 24 e homens e mulheres Aquele organismo (de que faz parte nha é alertar para o “telelixo”, enquan- 30 de Abril, “mas em vez de uma sema- a Associação Portuguesa de Consumi- to que em Portugal se pretende sobretu- na sem ver televisão, propõe-se apenas Vai realizar-se em Coimbra, no dores de Media – AC Media), espera, do sublinhar o facto de se ver televisão um dia”. O lema é “Um dia 10 sem ver próximo dia 18, uma Mostra Regional com esta iniciativa, chamar a atenção sem qualquer atitude crítica. “Não é televisão”, sugerindo-se que os habi- de Projectos destinados a promover a para a necessidade de se melhorar a uma acção contra as televisões, mas tuais telespectadores passem o tempo a igualdade entre homens e mulheres. qualidade da programação televisiva. A uma acção que pretende fazer reflectir fazer outras coisas, que provavelmente A iniciativa decorre no Auditório teledependência é outra das preocupa- sobre a necessidade de se criar um sen- acabarão por se revelar mais agradáveis da CCDRC (Comissão de Coordena- ções dos promotores, “principalmente tido crítico em relação à televisão” – re- e construtivas. ção e Desenvolvimento da Região Centro). CONFRARIA “PANELA AO LUME” Bem comer e bem fazer Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) A Confraria Gastronómica “Panela ao APPACDM de Coimbra (Associação Lume” promoveu, em Coimbra, mais Portuguesa de Pais e Amigos do Cida- Propriedade: AUDIMPRENSA um dos seus jantares intitulados “No As- dão Deficiente Mental). NIF: 501 863 109 tória, com história”. Presentes diversas figuras conhecidas Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho Trata-se de uma iniciativa que é aco- da cidade, nomeadamente alguns antigos Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 lhida no Hotel Astória, e que procura di- jogadores da Académica, que se uniram à Composição e montagem: vulgar, entre os membros da Confraria e volta das mesas, deliciando–se com uma AUDIMPRENSA - Rua da Sofia, 95, 3.º convidados, algumas das delícias gastro- sopa de nabo e uma vitela à moda de 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 nómicas das várias regiões do País, ao Guimarães, complementadas com vinhos Fax: 239 854 154 mesmo tempo que serve para angariar oferecidos pelas Caves Messias. e-mail: centro.jornal@gmail.com fundos destinados a apoiar uma institui- A Presidente da APPACDM, Helena Impressão: CIC - CORAZE ção. Albuquerque, agradeceu a iniciativa, re- Oliveira de Azeméis Desta feita o gesto de solidariedade – ferindo que a Associação presta apoio a Tiragem: 10.000 exemplares como o classificou o Presidente da Con- cerca de 800 deficientes na Região Cen- fraria, Gonçalo Reis Torgal – foi para a tro.
  • 3. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 COIMBRA 3 II CONGRESSO PELA CIDADE DE COIMBRA DIREITO E DEVER DE PARTICIPAÇÃO ACTIVA Contra o afastamento No domingo (dia 21), pelas 10h00, inicia.se o 3.º painel do Congresso, ver- sando “Governação e participação”, que entre cidadãos e eleitos é assim justificado pelos organizadores: “A reconhecida falência do sistema de governação, alicerçado exclusivamente Vai realizar-se nos próximos dias 20 A sessão de abertura, marcada para as participação do cidadão da saúde”, por na representatividade partidária, exige e 21 do corrente mês de Maio 10h00 do dia 20 (sábado) contará com a Pedro Ferreira (Professor da Faculdade que os cidadãos assumam verdadeira- o “II Congresso pela Cidade participação de José Reis, Professor da Fa- de Economia e Presidente do Observató- mente a importância do seu direito à in- de Coimbra”, subordinado ao culdade de Economia de Coimbra, que rio da Saúde). formação e ao reconhecimento da parti- tema “Mais Cidade, Melhor vai abordar o tema “O que é uma cidade? O segundo painel, com início às 17h00, cipação activa, bem como o seu dever de Cidadania”. Coimbra 2026”. Pelas 11h45 será a vez de versará o “Emprego: inovação e recur- exercer esse direito”. José Ferreira da Sil- Mendes Baptista, assessor do Secretário sos”. Segundo a organização, “perante a va (da Ordem dos Advogados e da Re- Joana Martins de Estado do Ambiente e Ordenamento alarmante crise de emprego que a Cidade pública do Direito) fará a introdução ao do Território, falar sobre “Coimbra: que de Coimbra atravessa, é urgente entender tema, e a moderação do debate que se Promovido pelo Conselho da Cidade ambições para o séc. XXI?”. os mecanismos que garantam uma reva- seguirá às seguintes intervenções: “Vo- de Coimbra, o Congresso decorre no audi- lorização cultural, social e económica e lu- luntariado e nova economia”, por Ro- tório da Faculdade de Economia (avenida RECONCILIAÇÃO DA URBE tar pela sua concretização em tempo útil”. que Amaro (do ISCTE); “Restaurar a de- Dias da Silva). São três as ideias estrutu- COM OS CIDADÃOS A introdução a esta temática, tal co- mocracia... de que forma?”, por Helso rantes que irão preencher o programa des- No primeiro painel, sobre “Ambiente e mo a moderação, vão estar a cargo de Ribeiro (da Universidade de tes dois dias: “Ambiente e qualidade de qualidade de vida urbana” (a iniciar pelas Pedro Hespanha (Professor da Faculda- Montpellier); “A Agenda 21 nas Câma- vida urbana”; “Emprego: inovação e re- 14,30 horas), “vai procurar reflectir-se, em de de Economia de Coimbra), anun- ras Municipais de S. João da Madeira e cursos”; e “Governação e participação”. torno de Coimbra, sobre ambiente, dese- ciando-se as seguintes intervenções: Santo Tirso”, por Pedro Santos (ES- Lurdes Cravo, Presidente do Concelho nho urbano, espaço público, cultura, saú- “Os desafios da inovação e o emprego”, BUCP); “O Orçamento participativo em da Cidade, explicou ao “Centro” que o te- de e desporto, na perspectiva da reconci- por António Figueiredo (Professor da Palmela”, por António Mestre e Luís ma escolhido para esta segunda edição liação da urbe com os cidadãos”. A intro- Faculdade de Economia do Porto); “As Guerreiro (CTOP – CMP). do Congresso se baseia nos “mecanismos dução ao tema e a moderação será feita indústrias tecnológicas em Coimbra”, A última sessão do Congresso inicia-se da democracia participativa”. Procura-se, por António Martins (da Comissão de por Teresa Mendes (Professora da Uni- pelas 14h00, com a apresentação e vota- assim, “fomentar uma cidadania mais ac- Coordenação e Desenvolvimento da versidade de Coimbra e Presidente do ção das propostas emanadas do Congres- tiva, antídoto contra a crescente distância Região Centro), estando previstas as se- Instituto Pedro Nunes); “Um caso de so, assim como das respectivas metas e entre cidadãos e eleitos” – sublinhou a guintes intervenções: “O espaço físico da inovação bem sucedido: a Critical Sof- calendarização. Presidente deste organismo, pioneiro no Cidade desde o Congresso de 2001”, por tware”, por Gonçalo Quadros (respon- Proceder-se-á depois à eleição dos ci- País, que agrega representantes de diver- António José Bandeirinha (Professor de sável por esta empresa que tem sede em dadãos conselheiros para o quadriénio sas instituições da chamada sociedade ci- Arquitectura da Universidade de Coim- Coimbra e que conquistou invulgar 2006-2010. vil. É o futuro da cidade que se perspecti- bra); “A Cultura em Coimbra – os desa- prestígio internacional, trabalhando Por último, pelas 16h30, a conferência vará nos dois dias de palestras, tendo co- fios do presente”, por João Gouveia Mon- mesmo para a NASA); “Criação de ne- de encerramento pelo cidadão José Dias, mo pano de fundo um padrão de apro- teiro (Pró-Reitor para a Cultura da Uni- gócios e inclusão social”, por José Fer- que foi assessor do anterior Presidente da fundamento da democracia. versidade de Coimbra); “Envolvimento e reira (da Central Business). República Jorge Sampaio. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! de AUDIMPRENSA), para a seguinte morada: Assine o jornal “Centro” Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3º 3000-390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: Nesta campanha de lançamento do nico ou natural). senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). - telefone 239 854 156 jornal “Centro” temos uma aliciante pro- A flor, assim composta desta forma tão Para além desta oferta, passará a rece- - fax 239 854 154 posta para os nossos leitores. original, está a desabrochar, simbolizan- ber directamente em sua casa (ou no local - ou para o seguinte endereço De facto, basta subscreverem uma assi- do o crescente desenvolvimento desta Re- que nos indicar), o jornal “Centro”, que o de e-mail: natura anual, por apenas 20 euros, para gião Centro de Portugal, tão rica de po- manterá sempre bem informado sobre o centro.jornal@gmail.com automaticamente ganharem uma valiosa tencialidades, de História, de Cultura, de que de mais importante vai acontecendo obra de arte. património arquitectónico, de deslum- nesta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que desde já Trata–se de um belíssimo trabalho da brantes paisagens (desde as praias mag- Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por lhe oferecemos, estamos a preparar mui- autoria de Zé Penicheiro, expressamente níficas até às serras verdejantes) e, ainda, APENAS 20 EUROS! tas outras regalias para os nossos assinan- concebido para o jornal “Centro”, com o de gente hospitaleira e trabalhadora. Não perca esta campanha promocio- tes, pelo que os 20 euros da assinatura se- cunho bem característico deste artista Não perca, pois, a oportunidade de re- nal, e ASSINE JÁ o “Centro”. rão um excelente investimento. plástico - um dos mais prestigiados pinto- ceber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Para tanto, basta cortar e preencher o O seu apoio é imprescindível para que res portugueses, com reconhecimento fica obra de arte, que está reproduzida na cupão que abaixo publicamos, e enviá–lo, o “Centro” cresça e se desenvolva, dando mesmo a nível internacional, estando re- primeira página, mas que tem dimensões acompanhado do valor de 20 euros (de voz a esta Região. presentado em colecções espalhadas por bem maiores do que aquelas que ali apre- preferência em cheque passado em nome CONTAMOS CONSIGO! vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o seu traço peculiar e a inconfundível utili- Desejo fazer uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). zação de uma invulgar paleta de cores, Para tal envio : cheque vale de correio no valor de 20 euros criou uma obra que alia grande qualida- de artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome Região Centro, concebeu uma flor, com- Morada posta pelos seis distritos que integram es- Localidade Cód. Postal Telefone ta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Profissão e-mail: Cada um destes distritos é representa- do por um elemento (remetendo para res- Desejo receber recibo na volta do correio N.º de Contribuinte pectivo património histórico, arquitectó- Assinatura
  • 4. 4 ENTREVISTA DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 UMA OFICINA COM MUITAS HISTÓRIAS PARA CONTAR A guitarra de Grácio Carlos Carranca Não há guitarra sem guitarreiro. Falar da guitarra portuguesa, em particular da guitarra de Coimbra, obriga-nos a nomear uma família oriunda de Coimbrão (curiosa coinci- dência de nome, já que é uma localida- de no concelho de Leiria) e que há já três gerações lhe dedica todo o seu ta- lento – a família Grácio. Foi Gilberto Grácio, símbolo da 3.ª geração, quem, numa tarde de cava- queira, na oficina das escadinhas da Ponte Nova (Cacém), contou como o avô João iniciou uma obra que veio a atingir a notoriedade com os filhos Joaquim e João Pedro, para além do Manuel, do Ulisses e do José. Gilberto Grácio mostra-me uma fo- tografia tirada nos finais do século XIX: “O primeiro da esquerda, senta- do com a guitarra na mão, é o meu avô, João Pedro Grácio”. João Pedro Grácio, por aquela data, deixa a sua terra e vai para a capital. Abre uma loja (oficina) de guitarras na Rua da Boavista, 118. Mais tarde, regressa a Coimbrão, mas como árvore transplantada. Já não era dali e, no ano de 1918, instala- -se definitivamente em Lisboa, defron- te da cadeia do Limoeiro, no Largo de S. Martinho. JOVEM DE COIMBRA COM GUITARRA ASSINADA POR CARLOS PAREDES “Naquela altura – diz-nos Gilberto Grácio – só se fabricava um tipo de guitarras, com uma ligeira variante no Porto, que apenas se distinguia na vo- luta em cabeça de animal ou humana. As guitarras do Porto e de Lisboa não eram, nesse tempo, definidas. Curiosamente, há muito pouco tem- po, uma rapariga, guitarrista de Coim- bra, trouxe à nossa oficina uma guitar- ra para eu arranjar e, qual não é o meu espanto, olho o rótulo da guitarra e era o rótulo do meu avô assinado pelo Carlos Paredes. Estava na presença da primeira guitarra feita pelo meu pai, em 1945”. Gilberto conta um dos episódios guardados na memória – o trabalho de seu pai na exploração do som da gui- tarra: “O meu pai trabalhou para o Ar- tur Paredes, ainda no Limoeiro. Quan- do o meu pai veio para o Cacém, o Ar- tur Paredes ficou cliente do meu tio Joaquim. No fim da vida, o Artur Pa- redes tinha seis guitarras – três feitas pelo pai e as restantes por mim”. Gilberto não perde a corda à guitar- ra e dedilha-a. “Como disse, o meu pai já trabalhava para o Artur Paredes na oficina do meu avô e, mais tarde, quando o meu tio resolve montar uma fábrica de cutelaria em Queluz e outra na Amadora (isto entre 45 e 50), o Ar- tur Paredes experimentou uma nova Gilberto Grácio dá forma a uma guitarra
  • 5. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 ENTREVISTA 5 O pai de Gilberto, João Pedro Grácio Junior, na respectiva oficina, na década de 40 guitarra feita pelo meu pai e comen- “Um dia fiz uma guitarra em mog- uma idade que é a da sabedoria. E eu Câmara de Oeiras com a Medalha de tou: ‘Eu julgava que o meu amigo João no para o Artur Paredes e o som dela então pensei: ‘Porque é que eu não Ouro e pela Câmara de Sintra com a estava a fazer guitarras de fanqueiro!’ não era tão agreste, era mais aveluda- hei-de produzir um som meu?’. Olhe, Medalha de Prata. A partir daí, a sua relação com o meu do. Ele tocou, gostou muito e disse- criei um instrumento para concerto, é Actualmente, para além da sua ve- pai passou a ser tão estreita ao ponto –me: ‘Aquilo é um sino. É boa para o guitolão”. lha oficina, dirige a Escola-Oficina de de pernoitar em minha casa, algumas me limpar os ouvidos!’”. Hoje, Gilberto Grácio vê reconheci- Paço de Arcos (com o apoio da Câma- vezes, para ir à caça com o meu pai. Olhando quase religiosamente para do todo o trabalho de uma vida. Agra- ra Municipal de Oeiras), onde os jo- Aliás, uma das armas de meu pai foi o a sua mesa de trabalho, afirma de se- ciado pelo Presidente Sampaio com a vens aprendem a arte da construção Artur Paredes quem lha vendeu”. guida, em tom de desabafo: “Sabe, há comenda da Ordem de Mérito, pela da guitarra. Gilberto Grácio continua desfiando o rosário de memórias... “A exigência de Artur Paredes quanto à guitarra era grande e ele queria uma escala mais afinada e um som mais evoluído. O meu pai disse- -lhe: ‘O senhor Paredes, lá no Banco (ele era funcionário bancário), veja lá se há um engenheiro que faça uma es- cala mais afinada!’. Só que a escala não pode ser feita por um “matemáti- co”: afina até ao quinto ponto, mas depois não afina [mostra-me um com- passo]. Tivemos que adaptar ferra- menta com bico de grafonola. Acertá- mos a escala. Ela teve que ser inventa- da. Ainda é segredo”. GUITARRA CONTRARIA REGRAS DA ACÚSTICA Aproveito a pausa do nosso amigo Grácio e avanço com uma provocação, afirmando que o Carlos Paredes dizia que a guitarra era um instrumento anárquico e anarquizante. “Pois é! – responde-me de pronto. Porque contraria todas as regras da acústica”. Olho a oficina e pergunto-lhe há quanto tempo trabalha ali. “Foi nos fins da década de 40... Chegámos a ser sete a trabalhar aqui. Eu comecei com 12 anos. Nasci em 34, a 12 de Maio, no mesmo dia e no mesmo ano do Ma- nuel Alegre. O meu pai faleceu em Maio de 67, com 62 anos, e eu deitei- -me às guitarras – fabricava violas, mas já conhecia todas as regras da guitarra”. Um pormenor: Foto de finais do séulo XIX: João Pedro Grácio, o avô de Gilberto, é o primeiro à esquerda, sentado
  • 6. 6 CITAÇÕES DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 esta liderança tem revelado insufi- tuais a denúncia pelo vice-presidente dem os supermercados portugueses... ciências importantes. É discutível a americano, a partir de um país euro- O dinamismo económico do nosso úni- eficácia do próprio líder quando fala peu (Lituânia) e a propósito da ques- co país vizinho mete-nos medo. para os portugueses, que parecem não tão energética, da “chantagem de Vla- Só que o perigo espanhol é o inverso: entender muito bem a mensagem de- dimir Putin”. se a economia espanhola perder força (e le. A agenda do partido tem sido mui- Mas a questão é inevitável e passa há sinais disso), Portugal será prejudi- to confusa. Há uma reflexão a fazer por interrogar por onde anda a diplo- cado. sobre as prioridades do CDS no com- macia internacional europeia e quem bate político. E já não há pachorra pa- pode acusar, questionar e negociar Francisco Sarsfield Cabral ra ver Ribeiro e Castro justificar siste- politicamente em nome da União. “Visão” de 04/05/06 maticamente as suas insuficiências de Num momento em que a ratificação afirmação externa com o funciona- do Tratado Constitucional passa por mento do próprio partido, queixando- tantas vicissitudes, importa esclarecer CORRUPÇÃO itações -se de mim e de Telmo Correia, ou la- mentando que Paulo Portas não tenha se os europeus não andam um pouco distraídos e se o estado do mundo não SEM CONTROLO emigrado. Esperaríamos que valori- obrigará a menos ingenuidade e a um zasse aqueles que dão a cara pelo par- renovado empenho na construção de “Nunca a lista de casos sob investi- tido todos os dias em vez de fazer o uma Europa com verdadeiro peso po- gação foi tão extensa, nem se falou O PESO DO ESTADO discurso de um presidente-Calimero. lítico. tanto de corrupção como agora. Em Portugal, país que, em rankings como O Estado absorve metade dos re- Pires de Lima Elisa Ferreira - eurodeputada os do Instituto do Banco Mundial ou cursos gerados e no entanto os servi- deputado do CDS/PP JN - 07/05/06 da ONG Transparência Internacional ços que presta são de fraca qualidade, Entrevista ao DN - 01/05/06 e Centro para a Integridade Pública, na saúde, na educação, na justiça. O insiste em posicionar-se na cauda da peso do Estado conduziu a uma carga União Europeia (a 15), o fenómeno fiscal que diminui a capacidade de MORALISMO D. ANTÓNIO propaga-se como uma infestação de competição das empresas, afecta o in- A verdade é que vivemos um mora- FERREIRA GOMES ratazanas de esgoto. Alimentado, ain- vestimento privado e penaliza as fa- lismo legal mais asfixiante e petulante da por cima, pelo tal sentimento de mílias. que qualquer teocracia da Antiguidade. Mas D. António Ferreira Gomes impunidade que vem da raridade de Além disso, a burocracia administrati- Os decretos ministeriais metem o nariz não se limitou a reflectir sobre alguns condenações em tribunal, sobretudo va, mais do que incentivar e propiciar o em tudo, do brinde do bolo-rei aos ga- desígnios fundamentais do Concílio no campo da chamada ‘grande cor- empreendedorismo, tem em geral uma lheteiros nos restaurantes, dos coletes Vaticano II. rupção’. atitude de desconfiança e desconsidera- retrorreflectores nos carros aos locais de Ousou tocar questões melindrosas. Quanto ao impacto do fenómeno ção perante a iniciativa privada. piquenique. Os menores detalhes da vi- A título de exemplo: dever-se-ia re- no País pode-se especular. Segundo da privada estão estatuídos em leis, có- flectir sobre a actual disciplina da Daniel Kaufmann, director do Institu- Proença de Carvalho digos, despachos. A grande parte dos Igreja no tocante à confissão auricular to do Banco Mundial, fez cálculos e DN 30 Abril 06 debates políticos da sociedade actual – “Santo Agostinho nunca se confes- concluiu que Portugal podia ter o ní- ocupa-se, não de problemas públicos, sou” – bem como repensar o processo vel de desenvolvimento da Finlândia mas da vida íntima. Num tempo que se da canonização dos santos; quanto à se melhorasse o seu índice de contro- julga livre de dogmas e censuras, o diplomacia eclesiástica, lembrando a lo da corrupção que, numa escala de 0 MÁRIO LINO grande tema de partidos, deputados, transparência do Evangelho – seja a a 100, se situava, em 2004, nos 86,7 “IBERISTA CONFESSO” portarias são os hábitos e costumes, o vossa palavra sim, sim, e não, não –, a pontos”. conforto e intimidade, os valores e norma desejável seria: “Tanta diplo- “Enquanto Espanha anda há meses opções. Não há paralelo na História pa- macia quanta seja necessária ou útil e Francisco Galope agitada pelos debates sobre os estatutos ra esta ditadura moral, nem sequer na tão pouca quanta seja possível”; a re- “Visão” de 04/05/06 de autonomia ou se o Estado se des- república florentina de Girolamo Savo- forma da Cúria “será baldada se não membra e se ‘rompe’ como nação, o mi- narola. Chegámos ao paroxismo de go- incluir o desaparecimento da função nistro das Obras Públicas, Transportes e vernos, baseados em maiorias ocasio- cardinalícia”; o que se passou no caso Comunicações de Portugal, Mário Lino, nais, se acharem com direito a redefinir do novo Estatuto da Opus Dei foi “um FALTOU “TOQUE” confessou-se em Santiago profunda- conceitos milenares, como casamento e dos factos mais graves da História da DE AUTOCRÍTICA mente ‘iberista’, convencido de que Es- família, vida e morte. Igreja” e dos mais infelizes. panha e Portugal têm pela frente um fu- Foi muito positivo, assim, que sobre turo comum porque a sua história tam- João César das Neves Anselmo Borges (Padre esta matéria Cavaco Silva tenha feito o bém é comum e a sua língua semelhan- DN - 01/05/06 e professor de Filosofia) (bom) discurso que fez, no 25 de Abril. te. (...) “Sou iberista confesso (...) Há DN - 07/05/06 A desiguladade e a exclusão são a nos- unidade histórica e cultural e a Ibéria é sa pior chaga, foi aí que Abril menos uma realidade que persegue tanto o chegou, e acredite-se ou não num Plano Governo espanhol como o português’.” POR ONDE Nacional de Inclusão é positivo tudo A DIPLOMACIA O PERIGO quanto o Prfesidente faça para a ‘curar’. Faro de Vigo EUROPEIA? ESPANHOL A sua intervenção, a que nem faltou 07/05/06 uma citação de um dos mais belos poe- Certamente que o problema ener- “Portugal foi a única nação ibérica mas de Ruy Belo, seria ainda melhor, gético está longe de ser apenas euro- que conseguiu ficar independente de aliás, se tivesse um ‘toque’ de autocríti- peu. Não é por acaso que o acesso às Madrid. Mas – diz-se – o que os espa- ca pela parte da responbsabilidade que A DISCUTÍVEL fontes de energia tem determinado nhóis não obtiveram no passado pela lhe cabe na actual situação, como pri- EFICÁCIA DO LÍDER grande parte da política internacional política e pela força militar, estão a al- meiro-ministro durante dez anos. americana, por mais criticável que a cançá-lo agora pela economia. As em- Um ano depois da eleição de Ribei- sua materialização seja; ainda durante presas espanholas compram as nossas José Carlos de Vasconcelos ro e Castro, é forçoso reconhecer que a semana, atingiu níveis pouco habi- empresas, os produtos espanhóis inva- “Visão” de 04/05/06 A DA FORNECEDORES DE: HOSPITAIS,CLÍNICAS, CÂMARAS, JORGE MENDES IRMÃO & C. , L ESCOLAS, HOTÉIS, FORÇAS ARMADAS, INFANTÁRIOS, MUSEUS, ETC. Atoalhados . Camisaria . Fardas . Malhas . Roupa Interior Praça do Comércio, 97 - 99 101 - 103 Telef. 239 824 284 Fax 239 841 709 3000 - 116 Coimbra
  • 7. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 COIMBRA 7 “plarq”: 25 anos a arquitectar EXPOSIÇÃO É HOJE INAUGURADA EM COIMBRA “Agostinho da Silva: pensamento e acção” Uma exposição que pretende retratar a vida e obra de Agosti- nho da Silva é inaugurada hoje (quarta-feira, dia 10), pelas 18h00, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra. O certame, que poderá ser visto até ao dia 4 de Junho, é uma forma do Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra se associar às come- morações do centenário do nas- cimento do filósofo. Recorde-se que Agostinho da Silva nasceu no Porto, em 1906, e Um dos mais prestigiados de avaliação de Imóveis, cons- bem como de apresentações faleceu em Lisboa, em 1994. gabinetes de arquitectura do tituem as principais activida- de trabalhos, a “plarq”, apoia- Doutorou-se em Filologia Clássi- País, com sede em Coimbra, des da empresa, a par com ou- da numa equipa interna de es- ca pela Faculdade de Letras do celebrou há dias 25 anos. Refe- tras tarefas multidisciplinares pecialistas em computação Porto e esteve ligado ao movi- tamento de Cultura da autarquia rimo-nos à “plarq”, que assi- o que vocaciona o gabinete gráfica, desenvolve e apresen- mento da Renascença Portugue- de Coimbra, que acrescenta: ta, hoje em dia, todos os seus sa. A partir de 1944 fixou-se no “Reflexão (1957), as Aproxi- projectos em 3 dimensões e Brasil, onde leccionou em várias mações (1960) e um Fernando realidade virtual. universidades, exercendo gran- Pessoa (1959), estudo pioneiro Na área da Arquitectura, a de influência nos meios culturais sobre este grande poeta da lín- Plarq tem uma vasta experiên- brasileiros, “sobretudo, através gua portuguesa, são algumas cia em diversas áreas progra- de uma original concepção de das suas obras que melhor di- máticas, como por exemplo a um messianismo ecuménico, ba- vulgam o seu pensamento. Re- recuperação e restauro de seado numa análise das obras do gressado a Portugal, ficaram imóveis, a hotelaria, centros Padre António Vieira e de Fer- famosas as suas charlas televi- de saúde, mercados, equipa- nando Pessoa, na linha de um sivas que permitiram uma me- mentos desportivos, indus- Quinto Império Universal e no lhor projecção do seu pensa- triais e comerciais. A outro ní- culto do Espírito Santo, de que mento junto do grande públi- vel de intervenção arquitectó- Portugal, o Brasil e as comunida- co, bem assim como alguns nica, no curriculum da plarq des de língua portuguesa seriam dos seus últimos livros, no- surgem os planos de ordena- a prefiguração” – como refere meadamente, Educação de mento de território – lotea- uma nota divulgada pelo Depar- Portugal (1989)”. mentos, planos de pormenor, nalou o seu primeiro quarto para a elaboração de estudos e planos de urbanização, entre de século de existência com uma sessão solene no auditó- projectos nas mais diversas áreas temáticas. outros. Trata-se, em suma, de uma Exposição original rio do campus da Fundação Bissaya Barreto, em que parti- Acompanhando os mais re- centes métodos de análise, es- empresa que prestigia Coim- bra – e que, por isso, bem jus- no Edifício Chiado ciparam diversas e destacadas tudo e representação gráfica, tifica esta referência. individualidades. Ali foi tam- “Coimbra... Memórias do melhores au- bém inaugurada uma exposi- Acervo Municipal” é o título da tores, dando ção que mostra alguns dos exposição que abre amanhã visibilidade principais projectos desenvol- (quinta-feira, dia 11) na Galeria a uma colec- vidos pela Plarq, em vários de Exposições Temporárias do ção cuja te- pontos do País e além-frontei- Edifício Chiado mática versa ras. Entre os mais recentes e A mostra reúne obras que, ao muito parti- emblemáticos, destaque-se o longo do último século, foram fi- cularmente a Estádio Cidade de Coimbra. cando dispersas por vários edifí- cidade de A “plarq – estudos de ar- cios municipais e que “nunca Coimbra e a quitectura e urbanismo, lda”, chegaram, até à data, a ser objec- sua vivência”. foi fundada em 1981 pelos to de estudo e de divulgação jun- A exposição (que vai ser inau- seus dois sócios-gerentes, ar- to do público”, como refere o De- gurada amanhã às 18h00) estará quitectos António José Mon- partamento de Cultura da autar- patente até 25 de Junho, de terça- teiro e António Crespo Osório. quia, que acrescenta: feira a sexta-feira, das 11 às A arquitectura, a engenharia, “Através de uma criteriosa se- 19h00; sábados, domingos e fe- o planeamento urbanístico, os lecção do acervo da Autarquia a riados, das 11 às 13 e das 14 às estudos de mercado e serviços mostra apresenta trabalhos dos 19h00.
  • 8. 8 MUNDO ANIMAL DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 Parvovirose canina: Lardy, Max e Chica um drama anual traído qua- Todos os anos, as Clínicas ra contrariarem as infecções se todos os Veterinárias são inundadas, oportunistas de bactérias que líquidos do principalmente pela altura do se aproveitam do organismo seu frágil Verão, por dezenas de cachor- combalido pela doença. Nal- organismo ros desidratados, com vómitos, guns casos é necessário mesmo juvenil. profusa diarreia hemorrágica e uma transfusão de sangue pa- Hoje estou profundamente magros e de- ra compensar as perdas do ani- Salvador Mascarenhas * de preven- primidos. O diagnóstico faz-se mal pelos vómitos e dejecções ção na clí- pelos sintomas e também pela hemorrágicas. “Lardy” é um amigalhaço. nica e a mi- análise do sangue; mas tam- Pela nossa experiência te- Chamei-o e ele piscou-me o olho nha noite bém quase que “adivinhamos” mos observado que animais que tem a malha negra. Ele é to- avança cal- só pelo cheiro fétido das fezes muito jovens (até dois meses do branco, tem uma malha ne- ma com a hemorrágicas: Parvovirose Ca- de vida) e ainda sem nenhuma gra em cima do olho esquerdo e música da nina. Doença provocada por vacinação, têm um prognósti- é um bull terrier. Está deitado de Rádio Uni- vírus (parvovírus) muito resis- co muito reservado. Não só lado, em cima de uma manta versidade tente, sendo um vírus muito devido à maior destruição da confortável e no calor que o ar em fundo. Um manual da Bri- animais, à natureza e à sua con- pequeno (parvo em latim = pe- mucosa gastrointestinal, mas condicionado debita para a sala tish Small Animal Veterinary servação. Por aqui, eu e os meus queno), comparado com os ou- também porque nessa idade Association (BSAVA) enche-me colegas ainda somos “loucos” tros vírus. Este parvovírus ata- outras células do corpo ainda a retina quando não estou a tra- (como diz o nosso amigo biólo- ca os cachorros e infecta os são alvo para o parvovírus, tar dos internados ou não res- go) e nos disponibilizamos para seus intestinos e outros órgãos causando imunodeficiência e pondo a algum telefonema de ir de madrugada, domingo, sá- em que as células se encontram miocardites, além septicemia, um dono aflito. “Wildlife Ca- bado, feriado, dia de Natal, a em rápida multiplicação. Algu- problemas relacionados com a sualties” é o título, e essa leitura tentar salvar algum animal sel- mas outras doenças podem mi- coagulação do sangue dentro leva-me numa viagem pelo tem- vagem e, como se diz aqui, “sem metizar os sintomas da parvo- dos vasos e dificuldades respi- po em que eu era estudante. En- dono”. Traz tristeza lembrar que virose tal como a Coronaviro- ratórias agudas. Nesses casos trei com o sonho de ser um está intrínseca na cultura portu- se, o Parasitismo Intestinal, e a doença, infelizmente, poderá “zoovet”, que se revelou impos- guesa a tolerância aos atentados outras, que deverão ser dife- evoluir mesmo para a morte sível pela escassez de lugares no ao ambiente e à vida animal. É renciadas pelo Médico Veteri- do animal, devido ao colapso de internamentos. O soro entra- mercado nessa especialidade, e pena que a sociedade civil não nário. circulatório e falência de vá- -lhe pela veia radial e dá-lhe vi- por conseguinte fui por outros tenha a consciência da necessi- O vírus destrói as células rios órgãos. da. Chamo-o de novo e ele pis- caminhos, que confesso, me rea- dade de preservarmos a nature- que revestem a mucosa dos in- Sabe-se que a incidência da ca-me o olho outra vez. Não re- lizam também. Nessa altura era testinos e causa vómito e diar- doença decresce muito signifi- sisto e abandono o computador a Escola Superior de Medicina reia muito intensas que na cativamente com a vacinação. que se encontra a poucos metros Veterinária, mas alguns senho- maior parte das vezes é san- Por isso, a única prevenção da sua jaula inox. Abro a porta e res devem ter achado que “Esco- guinolenta. Um grande núme- eficaz consiste na vacinação e passo-lhe a mão pelo pêlo. Aba- la” era pouco digno. Eu habi- ro de partículas virais são li- cuidados higio-sanitários cor- na a cauda e faço-lhe festinhas tuei-me a dizer que ia à “Escola” bertadas nas fezes dos cães in- rectos com os cachorros, não na cabeça possante, sem tocar na e mesmo com a mudança para fectados e podem infectar ou- permitindo que entrem em enorme ferida que ele tem no “Faculdade”, continuei a dizer tros cachorros, especialmente contacto com as secreções lombo. Encosto a minha cabeça “Escola”, o que causava algum os que não foram vacinados e/ou dejecções de outros cães na dele e faz um som de mimo. prurido nalguns colegas mais ou que ainda não completa- na rua, enquanto não tiverem O “Lardy” povoa a sala com o pedantes (Os Senhores Douto- ram o seu esquema vacinal. O completado a sua primo vaci- “Max” que é um cachorro dál- res). Surpreendeu-me alegre- za e do respeito pelas outras vi- período de incubação da nação (que consiste em três ou mata a recuperar de uma diar- mente o preâmbulo do livro com das. “Lardy” pisca-me olho, doença é de 6 a 10 dias e o ani- quatro vacinações seguidas reia hemorrágica e já abana a o seguinte: “...veterinary sur- “Max” abana a cauda e a “Chi- mal infectado começa a liber- com o espaço de 2 a 4 semanas cauda quando me aproximo de- geons in the UK have a long ca” por essas alturas já ronrona tar o vírus antes de manifestar entre cada uma). Importante le. A gatinha “Chica” ainda está standing policy of treating wil- com as minhas carícias. A noite a doença; 3 a 5 dias depois de também é lavar as mãos, prostrada e o soro começa a re- dlife casualties gratis...”, o que ainda é uma criança. ser infectado. Por isso um ani- quando voltamos da rua, an- por-lhe a elasticidade à pele, de- revela logo à partida a postura mal ainda sem sintomas pode tes de fazermos festas ao nos- pois de uma diarreia lhe ter ex- de um povo relativamente aos * Médico Veterinário estar a infectar os outros ca- so cachorro, e já agora, troque- chorros e mesmo depois de re- mos os sapatos por umas chi- cuperar da doença vai libertar nelas, porque podemos estar a Ainda o lamentável seus iguais e ainda não foram levados (e abatidos) pela edili- o vírus durante cerca de 7 dias para o seu meio ambiente. trazer alguns vírus nas suas solas. O Parvovírus é muito dade. Sabe-se que algumas raças resistente e estável no ambien- caso de Eira Pedrinha Os cães dentro do canil pre- são mais predispostas à Parvo- te, mas pode ser destruído por cisam de quem os alimente e virose canina, nomeadamente uma solução composta por 1 tros, que assim tenta- estime. Quem adoptar qual- o Rottweiler, o Doberman, o parte de lixívia diluída por 30 vam sobreviver. quer um deles, terá um amigo Pit Bull, o Labrador e o Pastor partes de água. De uma das pessoas fiel e reconhecido para a vida. Alemão. Quantos mais cachorros fo- que denunciou esta Se não tivesse sido salva, a O tratamento dos cachorros rem vacinados, menos cães desumana situação re- Rosinha não teria muito mais afectados consiste, essencial- irão adoecer e portanto menos cebemos uma enterne- para contar. Agora é alimenta- mente, no combate à desidra- irão transmitir a doença. Se to- cedora imagem acom- da e acarinhada por alguém tação através de administração dos os donos fossem responsá- panhada do texto que que tenta fazer-lhe esquecer a de líquidos com electrólitos, veis com os seus cachorros va- a seguir transcreve- maldade humana. glicose e outros nutrientes por cinando-os, a endemia seria Há um mês foi aqui referido mos: Vamos tentar repetir a histó- via endovenosa (soro), dando facilmente controlada e este pelo veterinário Salvador St. “Esta é a Rosinha. Uma ca- ria com os outros sobreviven- tempo ao organismo de criar drama anual não aconteceria. Aubyn Mascarenhas o lamen- dela sobrevivente do terrível tes. defesas para expulsar o vírus Sejamos donos responsáveis. tável caso de um canil em Eira caso de Eira Pedrinha, Condei- Contamos convosco para agressor. Além disso são utili- Pedrinha (Condeixa), onde xa. Foi abandonada pelo “do- ajudar a passar a palavra. Bem zados medicamentos para con- Salvador St. Aubyn Mascarenhas muitos cães se encontravam fe- no” fora do canil onde ainda se hajam”. trolarem os vómitos e também Médico Veterinário chados e abandonados, de tal encontram outros cães que, O apelo aqui fica, esperando para aumentarem a protecção forma que os que iam morren- apesar de tudo, tiveram a sorte que encontre eco junto de al- da mucosa intestinal que se en- salvadorvet@sapo.pt do eram devorados pelos ou- de escapar ao pesadelo dos guns dos leitores do “Centro”. contra lesada e antibióticos pa- www.vetcondeixa.pt
  • 9. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 OPINIÃO 9 PRAÇA DA REPÚBLICA A nossa rica pobreza rentabilidade e competitividade, das fa- lências fraudulentas e dos despedimen- tos colectivos, das empresas fantasmas e fugitivas... to–estima e a capacidade de reacção po- Quando um empresário recruta um sitiva na busca individual de soluções. trabalhador não compra um escravo Em toda a complexidade do fenóme- nem dá esmola a um indigente. Cele- no, temos de colocar em primazia o fac- bra, isso sim, um contrato com um ho- tor educativo. Em que medida a escola, mem livre num país democrático em Carlos Carranca entendida “latu senso” (instituição, en- que cada parte se obriga a cumprir não Renato Ávila volvimento sócio–cultural, media...) tem só um determinado número de cláusu- investido, como lhe compete, na educa- las de natureza económica ao nível da Fernando O senhor Presidente da República centrou o seu discurso do “25 de Abril” no magno problema da exclusão social a ção para a cidadania? Não estaremos a formar seres egoístas, interesseiros e sem convicções cívicas e de moral humanis- qualidade das prestações mas, sobretu- do, ao nível das expectativas as quais, para ambas as partes, é mister se criem Valle qual atinge largas franjas da sociedade portuguesa. Fê-lo em momento altamente crucial ta? Precisamos urgentemente de opor uma escola de valores a essa escola de no sentido duma gestão séria, eficiente e projectada no futuro e duma sadia cultura de empresa, de estabilidade e no país da nossa vida colectiva onde as desigual- mercadores que grassa por aí e que torna excelência, pelo zelo e qualidade das dades se acentuam e as dificuldades eco- esta pobre humanidade mais impessoal, prestações laborais e participação insti- nómicas batem à porta de um número mais vítima dessa duro, gélido e selváti- tucional e afectiva dos trabalhadores na vertiginosamente acrescido de lares por- co liberalismo materialista e hedonista. vida daquela. A empresa não é tão so- do Maio tugueses. É caso para perguntarmos porque existe tanta exclusão social. A primeira Seguidamente, as políticas socio-eco- nómicas. Quando vemos um estado abú- lico e conivente num quadro sistemático mente um instrumento para o empresá- rio obter lucros, mas uma instituição propiciadora dum bem inestimável de explicação que nos surge é, naturalmen- de distorções retributivas – fechando os progresso, segurança, dignificação e in- te, económica. olhos às escandalosas autopromoções serção e social – o trabalho. Há que Quanto a nós, o problema mergulha dos quadro superiores das empresas e atender com sensato equilíbrio às duas bem mais fundo e tem muito mais a ver aos assaltos de chorudas reformas às cai- faces da moeda. Muitas empresas de- com a natureza das relações que se foram xas de pensões, às escandalosas e obscu- caíram, faliram e ficaram a dever a este estabelecendo inter–pessoas e inter–gru- ras manifestações de riqueza de alguns mundo e ao outro, ao estado, porque pos, propiciadas e fomentadas pela crise cidadãos... e regateando as migalhas com marginalizaram os seus trabalhadores. de valores ora emergente na sociedade que acena aos mais desprotegidos, he- Vivemos uma grave crise económica e portuguesa, a fragilização dos laços fa- mos de concluir que ainda estamos mui- social. O receituário que os eminentíssi- miliares e da ancestral cultura da solida- to longe dum verdadeiro estado social. mos especialistas vão aduzindo fica–se riedade. As políticas laborais surgem, obvia- pela rama. Aliviar linearmente o estado e De pouco valerão as ajudas pecuniá- mente, no centro de todo o processo. A as empresas dos seus excedentes, flexibi- rias se nada for alterado no âmbito das questão do desemprego, quanto a nós, lizar unilateralmente o vínculo laboral, relações, na apologia e adopção de novos começa por ser filosófica. deixar em roda livre as empresas de e tradicionais valores de cívica humani- É que ainda não houve um poder que comportamento duvidoso... são mezi- dade e na relevância duma cultura hu- conseguisse colocar no mesmo plano de nhas míopes e muito discutíveis. manizada de atenção pelo próximo. importância cívica, económica e jurídica Ou atacamo-la com seriedade, rigor e Por outro lado, o fenómeno da exclu- as prerrogativas empresariais e as labo- parcimoniosa humanidade ou continua- são, para além dos factores exógenos ao rais. remos ad aeternum com a rica pobreza excluído, vulgarmente entendidos como Esta crónica e inconsequente subalter- de uns poucos escandalosamente abor- sociológicos, tem muito a ver com ques- nização das segundas pelas primeiras é a nalados num miserável país de excluí- tões pessoais entre as quais avulta a au- causa profunda de toda essa polémica da dos. POIS... Lá fui, pois, atestar! Então se esta- va ali a dois passos!... A fila na bomba, imensa. Só prati- poupámos 500 euros, já viste?». E tu- do numa admiração! Claro: os meus padrinhos têm o grande supermerca- camente carros com matrícula portu- do ao lado de casa, mas há o mesmo guesa. A companhia vendedora do do lado de lá, com preços muito mais Vem ao nosso encontro combustível era, por mero acaso, por- baixos... não hesitam! E já têm amigos o velho caminheiro. tuguesa também, mas, ali, vendia que trabalham cá e compraram casa muito mais barato do que do lado de lá: compensa! O rio Alva debrua-lhe o passeio. cá. Ayamonte, sexta-feira, 21 de Abril À sua volta a sombra de um poema Pelas ruas e nas lojas, portugue- passado: um mar de portugueses às José d’ Encarnação – serras em cantilena ses... E comentários: «Olha, com isto compras! ecoam o credo antigo ouvido em comunhão na voz daquele amigo da serra do Marão. CARTA ABERTA A VARELA PÈCURTO tes, Tomar e outros locais onde foram fi- cando restos e testemunhos desse tempo. Vem ao nosso encontro o velho caminheiro. Memórias alentejanas Na construção do próprio Convento de Avis, bem como em muitas casas e herdades senhoriais aparecidas no conce- Só ele é daqui lho no decurso da Segunda Dinastia, foi e é de longe. Li e reli o seu texto saudoso sobre a 1966), é difícil concluir tal asserção – mas aliás usada muita pedra do piso da estra- Poeta-monge ponte do Ervedal e gostaria de lhe acres- que é muito semelhante, isso não tem dú- da romana, que assim viu o seu fim que o chão duro centar alguns esclarecimentos. vida! apressado, primeiro pela instalação da nomeou sorri A velha ponte de madeira deveu a sua As “passadeiras” a que se refere, eram respectiva Ordem e mais tarde da dinas- à luz feliz dos seus mil anos. construção ao interesse do Doutor Antu- as antigas pedras de caminho pedonal tia de Avis (em cuja vigência muitos no- nes Varela (ministro da Justiça nos idos que os romanos usavam para atravessar bres, que acompanhavam o rei nas suas Vem ao nosso encontro de 50 e 60, e recentemente falecido) junto as linhas de água, pois por ali passava a estadias de repouso na região, ali adqui- o velho caminheiro. de quem de direito, para assim facilitar a antiga estrada que desde o século I ia de riram propriedades e construíram gran- travessia para Figueira-e-Barros e para as Sevilha a Coimbra, atravessando o que des casas rústicas). É o futuro! herdades circundantes ao norte da ribei- são hoje os campos e povoados de Juro- Com toda a cordialidade Deixemo-lo passar. ra. Se foi inspiração ou experiência para a menha, Ervedal, Poço das Grandezas e Ele vai chegar primeiro. futura ponte sobre o Tejo (inaugurada em Monte do Chafariz (em Benavila), Abran- Manuel Grilo
  • 10. 10 QUEIMA DAS FITAS DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 A “Queima” invadiu Coimbra Em Maio Coimbra é, sobretudo, - para além do incómodo sentido pe- Mas mais do que a música, ali con- foi bafejado pelo bom tempo. “Queima das Fitas”. los que conseguiram lá entrar. Prova- tinua a imperar o álcool – e talvez ain- A abrir, como de costume, alguns anti- Não por acaso, a “Lusa Atenas” po- velmente, será altura de encontrar um da outras substâncias menos reco- gos alunos, “velhos doutores” a matar de continuar a intitular-se “Cidade espaço alternativo para esta cerimó- mendáveis, a fazer fé nos relatos de saudades. Universitária”, já que se mantém nia. quem ali andou todos os dias. Depois o infindável desfile de cerca de aquela onde os estudantes represen- Depois deste domingo de pendor Sarau, Baile de Gala, Garraiada – 90 carros alegóricos, em quantidade que tam uma maior percentagem da po- mais religioso, seguiram-se uns dias cumpriram-se a preceito. vai aumentando a cada ano que passa. pulação. de preparação para os festejos pagãos. Um festival de cor e alegria, que não Este ano essa realidade permanece A Serenata na Sé Velha voltou a ser CERVEJA IMPEROU raro subiu aos excessos, especialmente no evidente, e ficou ontem bem demons- “monumental”, com o Largo e ruas NO CORTEJO que respeita ao consumo de bebidas al- trada no cortejo que desfilou desde a que para ele convergem totalmente coólicas. velha Universidade (com os seus 716 cheias de estudantes trajando capa e Regressando ao “prato mais forte” A cerveja aí ganhou, por larga vanta- anos é uma das mais antigas do Mun- batina. da “Queima das Fitas” de Coimbra - gem, e não foram poucos os que tiveram do) até à Baixa, ao longo de muitas e Apesar disso, muitos outros opta- que é sempre o Cortejo, e que ontem de “desertar” do desfile e ser transporta- muitas horas. ram por prescindir da serenata e can- tarem eles próprios noutros locais da BÊNÇÃO DAS PASTAS cidade, especialmente na Praça da Re- E SERENATA Mas voltemos um pouco atrás, ao pública e restaurantes da Baixa. As noites têm sido, sobretudo, mar- cadas pelos espectáculos na Praça da AUTO -LUZ E LECTRICISTA A UTO primeiro grande momento da Queima Canção (não por acaso começaram das Fitas, que é sempre a Bênção das Pastas. A Sé Nova voltou a mostrar-se por lhe chamara “Queimódromo”), com uma abertura internacional de António Afonso Barbosa 66 anos de actividade ao serviço do automobilismo muito exígua para tantos estudantes e Melanie C., seguida de muitos outros seus familiares, sendo elevado o nú- grupos portugueses, de géneros bem SERVIÇO PERMANENTE - 912 332 204 / 239 823 436 / 239 712 864 mero dos que tiveram de ficar cá fora diversos. Morada: Terreiro da Erva 1-A 3000-355 COIMBRA
  • 11. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 QUEIMA DAS FITAS 11 dos aos Hospitais para receber tratamen- CRIATIVIDADE cortejos da Queima, praticamente desapa- mais não seja nas memórias que conse- to adequado. TAMBÉM EM CRISE receu. guirem conservar-se - isto é, as que o Já lá vai o tempo em que o vinho, espe- No avanço do desfile era patente algu- *lcool não dissipou... cialmente o espumante, era quem reina- O cortejo da Queima vai crescendo, ma desorganização. Mas mais eloquentes do que as pala- va... mas a criatividade não acompanha esse E até mesmo as canções e refrões mais vras, aqui ficam as imagens do cortejo, a Também como já vai sendo um inde- movimento. tradicionais estão em vias de extinção. que assistiram milhares de pessoas, que sejável hábito, não foram só fitas a ar- Ontem voltou a verificar-se falta de ins- Como exemplo, nos dois carros que aguentaram muitas horas a fio ao longo der nesta “Queima”. As flores de papel piração, nem tanto na construção dos car- abriam o desfile (um de Medicina e outro dos passeios para ver passar os carros co- de alguns carros foram consumidas por ros (alguns dos quais foram bem concebi- de Direito) entoava-se exactamente a loridos e respectivos ocupantes quase chamas ateadas involuntariamente ou dos), mas especialmente nos cartazes que mesma frase: “Coimbra é minha, Coim- todos bem bebidos. lançadas por indivíduos sem escrúpu- os complementam. bra é minha e há-de ser!”. los. A crítica social, que era apanágio destes E não temos dúvidas que será, quanto CONTINUA NAS PÁGINAS SEGUINTES >> Especialidades Cantinho dos Reis restaurante - snack bar em GRELHADOS Aberto das 09 às 24H Terreiro da Erva, 16 3000-153 Coimra Tlm. 969083192 Tel. 239824116 O Restaurante “Cantinho dos Reis” deseja a este novo jornal e ao Dr. Castilho, os maiores êxitos jornalísticos
  • 12. 12 QUEIMA DAS FITAS DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006
  • 13. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 QUEIMA DAS FITAS 13 TROPA DE SOUSA Clínica Geral Medicina Estética Acupuntura VIRGÍLIO CARDOSO Ginecologia / Obstetrícia Laser Yag Vascular (Varizes) CRISTINA FERREIRA GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA LUÍSA MARTINS Laser de Depilação definitiva Kromoterapia PEDRO SERRA Florais de Bach Laser de Luz Pulsada (Trat. Estética) PODOLOGISTA Endermologia (LPG) RENATA MARGALHO MARIA TERESA PAIS Psicologia Clínica Pressoterapia MEDICINA DENTÁRIA LUÍS MIGUEL PIRES Ozonoterapia (Trat. por Ozono) TÂNIA SOUSA Terapia Ocupacional ESTETICISTA Osteopatia Dermo Abrasão (Limpeza de Pele) Mesoterapia PAULO SOUSA NUNO CARVALHO SAPATARIA PAIVA, LDA Te l s : 2 3 9 8 2 4 1 6 6 F a x : 2 3 9 8 2 5 8 3 3 MASSAGISTA Hipnoterapeuta Implantes para Rugas (Biopolímeros) FERNANDO KUNZ JOÃO CALHAU ARA Tratamentos por Esteticista OPERADOR LASER Nutricionista Loja LojaHUSH PUPPIES Rua Eduardo Coelho,51/55 Rua Eduardo Coelho, 44/48 Urbanização da Quinta das Lágrimas, lote 24 R/C Santa Clara, 3020-092 Coimbra Telf. 239 440 395-Fax. 239 440 396 Telm. 919 992 020 / 964 566 954 / 933 573 579
  • 14. 14 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 Postal de Coimbra Mário Martins dedicado a JPP Valeu a pena Aí está a Queima das Fitas em ambiente de alegria. Já houve tempos em que não foi assim. Depois do 25 de Abril, a “nomenclatura” que se instalou no poder decretou que as tradições académicas eram fascistas. E o fado também. Os sons de Coimbra afastados da rádio. Tempos de luta. Vestir a capa-e-batina era meio caminho andado para a agressão cobarde, numa qualquer esquina da Alta. Ou para, ao entrar na sala de aula, ouvir exclamar que “hoje, temos um corvo cá dentro”. No dia 10 de Abril, José Pacheco Pe- Entre outras coisas, revelou-nos esta Em homenagem à capacidade obser- Ou ver o carro do cortejo incendiado reira (JPP) esteve em Coimbra e escre- preciosidade: “Sempre achei que devia vadora de JPP, publica-se uma imagem ao chegar à Praça. veu no seu blog um texto intitulado haver algo de muito errado numa cida- captada sexta-feira ao fim da tarde na “Lendo o ‘Le Monde Diplomatique’, junto de em que os estudantes gostam de an- Feira do Livro. As primeiras serenatas foram ao Mondego, num dia cinzento, ao lado do dar vestidos à padre. Passam alguns, ne- Sem mais palavras. barco ‘Basófias’”. Só. gros e poeirentos”. Espero que goste. manifestações de resistência. Apesar das garrafas de vidro lançadas para o meio da multidão. Estar ali era fundamental. MENSAGEM ENVIADA PARA O BLOG Cantava-se (gritava-se!), a uma só voz, a parte final da “Trova do vento que passa”. ACM cá e lá: lamentar não é suficiente Coimbra, amordaçada no seu mais profundo sentir, saiu à rua e fez da Semana Académica de 1979 e da Queima das Fitas de 1980 dois momentos grandiosos – únicos. No blog com o mesmo nome desta carecerem de fundamento racional. Quando Como já tinha sucedido, aliás, página, recebemos a seguinte men- o nosso objectivo é conhecer com seriedade, com o regresso do fado à escadaria sagem: não nos podemos ficar no nível declarativo, da Sé Velha em 1978, pelas mãos “Um filósofo defendeu um dia que todo o devemos antes pesquisar, destrinçar e aí sim, de Pinho Brojo e António Portugal, argumentador que se preze deve problemati- manifestar. Os acemistas agradecemos pro- dois socialistas corajosos. zar em torno de três momentos: investigação, fundamente que assim seja feito. análise e divulgação. Deixando de lado a di- Graciano Marques Hoje a tradição percorre o caminho vulgação (da qual somos exemplo aqui), a in- (Secretário-Geral da ACM de Coimbra)” natural do que está enraizado vestigação e análise podem ser entendidas co- no coração da comunidade. mo a capacidade de indagar, decompor e ex- Alegro-me com a alegria da festa, plicar a realidade que nos circunda, para se emociono-me com a felicidade poderem expor conclusões ou hipóteses com dos jovens e de quem os acompanha. algum rigor. Lamentar uma situação não é Sinto uma grande paz interior, suficiente. misturada com algum orgulho Quando se divulga com espanto que uma por ter participado nessas lutas. medalha foi conquistada pelo judoca conim- bricense João Neto – que nasceu, reside, estu- (Ainda na semana passada, da e treina em Coimbra – em representação Na última edição publiquei uma tória, nos registos oficiais, é uma me- na Sé Nova, o Eduardo Nunes da ACM de uma cidade que não a sua (na breve nota sobre o facto do judoca co- dalha de ouro conquistada por um em- disse ter encontrado nos arquivos qual está inscrito), convém investigar e ana- nimbricense João Neto (medalha de blema do Ribatejo. E este facto nada uma foto de 1979, do “Baile de Gala” lisar as causas que terão levado a tão bizarra ouro na “Taça do Mundo”) estar inscri- acrescenta ao prestígio do desporto de no Pavilhão dos Olivais. circunstância. to na ACM de Torres Novas, no distri- Coimbra. Prometeu guardá-la, prometi Por que razão é preciso investigar, anali- to de Santarém. A informação é correc- Quanto aos motivos da situação do ir buscá-la um dia destes...). sar e só depois divulgar? Certamente porque ta. atleta, quem melhor do que a ACM pa- já na Antiguidade os gregos sabiam que há Terminei o texto (reproduzido ao la- ra os explicar? É pena que não o tenha Não voltei a usar capa-e-batina uma grande diferença entre ter opiniões e do) com um simples comentário: “O feito. Mas o jornal estará sempre aber- depois de 1980. possuir conhecimento. Podemos ter opiniões meu lamento”. to ao esclarecimento. Como se escre- Mas continua guardada, correctas simplesmente por sorte, ou então Como não devo ter sido claro, de- veu no n.º 1 do “Centro”, estas pági- pronta a vestir. por fé, mas elas não constituem “saber”, por senvolvo a ideia: o que fica para a his- nas são espaços de liberdade.
  • 15. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 DESPORTO 15 ACADÉMICA GARANTE MANUTENÇÃO PERTO DO FIM Objectivo cumprido Foi assim que o artista plástico Victor Costa viu a permanência da Académica na I Liga e a descida do Vitória de Guimarães. Contas anti- gas... técnica, levariam a crer que a época se- ria tranquila. No entanto, nem os go- los de Marcel, contratado no defeso e posteriormente emprestado ao Benfica na reabertura do mercado, permitiram Houve festa no Estádio Cidade concluído a prova no 14.º posto, o ob- José Eduardo Simões, afirmou aquan- aos academistas respirar livremente. de Coimbra! Apesar de ter acabado jectivo foi cumprido, não obstante o do da apresentação do plantel O técnico Nelo Vingada justificou a época em “aflição”, a Académica discurso dos responsáveis academis- 2005/2006: “Ambição e capacidade de os sobressaltos deste final de campeo- garantiu a manutenção na 1.ª Liga tas no defeso apontar para mais altos trabalho existem e, com inteligência, nato com as lesões que assolaram o e foi vitoriada pela comunidade voos. vamos até onde eles quiserem. O ob- plantel ao longo da prova, uma vez estudantil e pelos conimbricenses A notável ponta final que a Acadé- jectivo é fazer bastante melhor do que que jogadores como Paulo Adriano, em geral mica realizou na época transacta, ao na segunda volta da época passada”. Dionattan, Nuno Luís e Danilo estive- cumprir 12 jogos sem conhecer o sabor A continuidade das pedras mais in- ram muito tempo impedidos de dar o Bruno Garrido amargo da derrota, transformou, de fluentes, em especial do promissor seu contributo à equipa. Com o final alguma maneira, o habitual discurso e central José Castro, muitíssimo cobiça- da temporada, encerrou-se o ciclo de Como já vem sendo hábito, a luta os horizontes dos responsáveis pelo do e que vai agora representar o Atlé- Vingada na AAC, sendo Manuel Ma- foi até à última jornada. Depois de ter futebol da AAC-OAF. O presidente, tico de Madrid, bem como da equipa chado o provável sucessor. FÁBIO PEREIRA FRISA QUE O UNIÃO NUNCA DESISTIU conhecidos por dedicar grande carinho às equipas do clube, de todos os escalões. Futebol durante “Merecíamos a manutenção” No entender de Fábio Pereira, no entanto, esse apoio “arrefeceu um pouco, pois já a Queima não se vê tanta gente no pelado da Arre- António José Ferreira gaça a assistir aos jogos. Nos seniores No jogo que carimbou a permanência também não, neste caso porque a maior da Académica, foram cerca de 26 mil os O União de Coimbra desceu à 3.ª Divi- parte da massa associativa do clube é ido- espectadores que se deslocaram ao Está- são Nacional. Ao cabo de uma época des- sa e torna-se muito difícil assistir aos jo- dio Cidade de Coimbra. E muitos foram gastante, ao longo da qual os conhecidos gos em Taveiro”. aqueles que assistiram à partida trajados problemas financeiros que afectam o clu- Sobre o futuro imediato, ainda não tem a rigor, incentivando a equipa do princí- be acabaram por chegar à equipa sénior, quaisquer novidades, até porque o União pio ao fim. os comandados de António Cortesão não passa por reajustamentos a nível directi- O ambiente foi de grande emoção, cul- atingiram a manutenção, principal objec- vo, mas confessa que tem “ambições bas- minado com o golo do empate, apontado tivo estabelecido para a temporada que tante elevadas” e que quer “singrar no fu- por Joeano. No final, estudantes e não es- agora finda. tebol”. A médio prazo espera que o seu tudantes abandonaram o recinto com um Em conversa com o “Centro”, Fábio futuro passe “por clubes de maior dimen- sorriso de “orelha a orelha”. Afinal a Pereira não escondeu a frustração pela são e que lutem por objectivos diferen- Briosa tinha conseguido a manutenção. descida de divisão, mas começou por en- tes”, não querendo isto dizer que “des- fatizar que “no plano pessoal acabou por considere o União, bem pelo contrário, correr bem porque joguei em posições que ‘desconhecia’, mas que agora tive mas quero algo mais para a minha carrei- ra, se possível jogar em divisões mais ele- Naval também oportunidade de experimentar e de saber que sou capaz de as ‘fazer’ sem proble- vadas”. A 1.ª Liga e a selecção nacional são metas que não coloca de lado, embo- festejou mas. Além disso, esta época serviu tam- até à penúltima jornada”. ra saiba ter de “lutar e batalhar muito”. bém para ganhar experiência no futebol Em termos colectivos reconhece que o A concluir, Fábio Pereira desejou que o Assim como a Académica, também a sénior, até porque a 2.ª Divisão tem joga- desfecho “foi frustrante porque descemos União consiga levar por diante o projecto Naval 1.º de Maio sofreu até à última pa- dores que já passaram no principal esca- de divisão e isso não agrada a ninguém. de requalificação da Arregaça, obra que ra permanecer na 1.ª Liga, com a curiosi- lão do futebol português e jogar contra Bem merecíamos a manutenção porque considera “importantíssima” e sem a dade de o golo da tranquilidade ter sido eles foi muito importante”. depois de sete meses sem receber penso qual não “há futuro para o clube. O apontado quase em simultâneo com o Para o êxito pessoal que constituiu a que era um prémio mais do que justo pa- União precisa de ultrapassar os graves dos “estudantes”. Depois de um cam- “estreia” nos seniores, o jovem unionista ra este grupo de trabalho, que sempre problemas financeiros e com esta obra peonato sofrido, a sobrevivência foi ca- lembra e agradece “o apoio que tive dos deu o máximo e lutou até aos limites pa- poderá saldar as dívidas que tem com as rimbada em Penafiel, com um triunfo colegas mais experientes, em todos os as- ra conseguir o que todos queríamos, que várias entidades e depois, então sim, ter por 0-1. No primeiro ano entre os “gran- pectos. É um grupo bastante bom e que era não levar o União de volta à 3.ª Divi- os apoios e patrocínios que sempre teve des”, a turma figueirense alcançou o teve no bom espírito o mais importante são”. para levar o clube para a frente, como to- principal desiderato: consolidar o seu es- para, apesar de tudo, conseguirmos lutar Os adeptos do União sempre foram dos esperamos”. tatuto de equipa da 1ª Liga.
  • 16. 16 DESPORTO DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 NORBERTO CANHA CONTRARIA A IDEIA DE QUE A ACM É UMA INSTITUIÇÃO RICA “É uma instituição pobre mas bem governada” Pelo edifício-sede da ACM (Associa- que designámos por ‘Centro das Três ção Cristã da Mocidade) de Coimbra Idades’. Hoje as gerações estão separa- passam semanalmente mais de um das, parecendo haver um muro entre milhar de pessoas! Norberto Canha elas. Dou este exemplo: noutros tem- e Graciano Marques, respectivamente pos, quando um professor universitário Presidente e Secretário-Geral da se jubilava, mantinha sempre o seu ga- associação, falaram ao “Centro” sobre binete para poder trabalhar. Hoje, as toda esta actividade e da “máquina” pessoas quando se reformam ficam sem organizativa em que assenta poder transmitir alguma coisa que ain- da não tiveram oportunidade de trans- António José Ferreira mitir. O Centro que gostaríamos de edi- ficar reforçaria o convívio entre gera- Norberto Canha preside à Direcção ções, que já existe na sede actual, e en- da ACM desde 1991. Durante este pe- volveria três vertentes: permitiria que ríodo, bem como em toda a história da cada uma das pessoas idosas tivesse o instituição, orgulha-se de poder afir- seu apartamento, a preço simbólico mar que “nunca houve grandes pro- uma vez que, por morte, reverteria a fa- blemas. É com grande alegria que po- vor da própria instituição; teria um demos dizer que nunca nos constou ‘criançário’, onde os pais deixariam os que houvesse cá qualquer drogado”. filhos para poderem tratar dos mais va- Esta constatação e a verificação de que, riados assuntos, nem que fosse para embora “com necessidade de modifi- irem ao cinema; finalmente, um com- car alguma coisa”, os princípios que le- plexo desportivo, cujas instalações po- varam ao nascimento do Movimento deriam ser utilizadas pelos mais idosos, Acemista “são imutáveis”, defende pelas crianças e por todas as secções da que “as ACMs ou instituições seme- ACM”. lhantes deveriam estar mais difundi- Norberto Canha passou depois a pa- das pelo país. A problemática da ju- lavra a Graciano Marques (cujo depoi- ventude não se resolve com encontros Graciano Marques e Norberto Canha falam sobre a ACM Coimbra mento publicamos ao lado), não sem fugazes de pessoas, grande parte delas antes o definir como “um exemplo de sábias, mas que não têm a experiência um pouco a ideia de que a ACM é uma mental dos políticos”. profissionalismo, isenção, lealdade, em- de lidar com as crianças e com os ado- instituição rica e nós também não temos Definindo o edifício-sede da ACM penhamento e amor à ACM. É uma fi- lescentes”. Em concreto sobre o mode- muito jeito para andar com a pasta das como “um ponto de encontro”, onde a gura marcante do desporto de Coimbra lo utilizado pela ACM Coimbra, que esmolas a pedir. Mas a ACM não é rica! cultura e o desporto contribuem para a e que deve ser tomado como referência considera o mais adequado, Norberto É uma instituição pobre mas bem go- formação integral das centenas de jo- entre dirigentes, jornalistas e leitores, Canha conta que “damos grande liber- vernada e que faz todos os possíveis pa- vens envolvidos, dá conta de um dos que apreciam mais o estrondo da notí- dade a cada uma das secções. Quase só ra ser auto-suficiente e para não estar principais sonhos que deseja ver con- cia e da mentira do que a verdade dos intervimos na apresentação de contas, dependente da versatilidade comporta- cretizado: “Gostaríamos de construir o factos e de quem trabalha sem eco”. de modo a cumprirmos tudo o que es- tá determinado em termos legais, mas em tudo o resto damos total liberdade MAIS DE 1.000 UTENTE POR SEMANA Lucas Pires. Pelo dirigismo da ACM de actuação, desde que dentro daque- passaram igualmente figuras bem co- les princípios que defendem a educa- ção da juventude no respeito por todas Em prol dos jovens nhecidas da cidade e do país, casos de Assis Pacheco, Miranda Veloso, Ramos as religiões e por todos os cidadãos. A de Carvalho, Horácio Pinto, António não ser assim, isto transformava–se O Movimento Acemista existe hoje ção do actual edifício sede, projectado Portugal, Agostinho Caeiro, António numa ‘fábrica’ de empregos e a sobre- em 90 países e tem cerca de 24 milhões por Raul Lino), como Associação Cristã Santos Monteiro, Armando Alves Mi- vivência da instituição estaria em cau- de associados. Teve origem em Londres, de Estudantes, e finalmente com a de- guel, Juvenal Marques, Maria da Con- sa”. A talhe de foice, o Presidente da nas primeiras décadas do século XIX, signação de Associação Cristã da Moci- ceição Lobato Guimarães, Augusto Ma- ACM avança que “alguma legislação em plena Industrialização, pretendendo dade, filiada nas Associações Nacional e rini Castanheira, Caseiro Alves, Levy que vai surgindo e que impõe determi- dar resposta aos problemas socio–eco- Mundial das ACMs . Abrantes, António Fernandes Cardoso e nadas regras, serve provavelmente nómicos e culturais decorrentes daquele Ao longo de mais de 90 anos de his- Jorge Anjinho (todos eles já falecidos). mais para colocar professores de Edu- processo renovador e à galopante de- tória, foram muitas as personalidades Actualmente a ACM de Coimbra é cação Física acabados de formar do gradação da juventude. Com base nos que passaram pela ACM Coimbra. En- presidida por Norberto Canha e tem que propriamente para atender às difi- valores transmitidos pela Bíblia, George tre outras, figuram no quadro de honra cerca de 2000 associados. Pelo edifício culdades das instituições, que são co- Williams deitou mãos à obra e fundou a da colectividade os nomes de Almeida sede, renovado na sequência do incên- muns”. YMCA - ACM, em 1844, sendo um dos Santos, Veiga Simão, Carlos Gonsalves, dio de que foi alvo em 1997, oferecen- Sobre as dificuldade próprias de principais impulsionadores da Confe- Escobar, Alberto Gomes, Carlos Fausti- do agora mais e melhores condições manter a “porta aberta” com tão inten- rência de Paris, fundamental para a con- no, José Cid, José Carvalho, Aniceto Si- de trabalho, passam semanalmente sa actividade, Norberto Canha lembra solidação do movimento acemista em mões, Arnaldo Abrantes, Joaquim Melo, mais de um milhar de pessoas, entu- que instituições como a ACM “só po- todo o mundo e da luta em prol dos jo- Juciano Seruca, Aurélio Quintanilha, siastas de todas as modalidades e dis- dem funcionar se não tiverem encargos vens e da dignidade humana. Jorge de Brito, Antero de Seabra, Antó- ciplinas oferecidas pela ACM: aikido, adicionais. De outra forma não é possí- Este movimento chegou anos depois nio Paulo Menano, Octávio Rêgo Costa, ballet, capoeira, damas, danças de sa- vel. Não recebemos nada do Governo e a Portugal, primeiro ao Porto, em 1894, José Carlos Moreira, Armindo Abreu lão, ginástica, grupo coral, heróis da a Câmara dá um quantitativo quase depois a Lisboa, em 1898. Em Coimbra Brandão, Belisário Pimenta, Vitorino música, hidroginástica, iniciação mu- desprezível para o funcionamento das surgiu em 1914, como Federação de Nemésio, Maximino Correia, António sical, judo, jujitsu, karaté, kendo, nata- secções, embora eu reconheça que não Académicos, mais tarde, em 1918 (data a de Sousa, João Farinha, Umberto de ção, pesca, tai-chi, ténis de mesa, tem- pode dar mais. Na cidade institui-se que correspondeu também a inaugura- Araújo, Vítor de Matos, Mota Pinto e -chi-tessen e voleibol
  • 17. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 DESPORTO 17 GRACIANO MARQUES É SECRETÁRIO-GERAL DESDE 1973 João Pedro Música Já temos nível para participar em pro- vas distritais e nacionais, obtendo Aprendemos “O que me trouxe muitas coisas classificações dignas de referência. Prevejo continuação da evolução e a formação de excelentes atletas. No foi o desporto” que toca à ACM, penso que um aspec- to muito positivo é o relacionamento atleta-atleta e atleta-treinador. Estes elos promovem o bom ambiente, uma Graciano Marques está ligado à posta dos departamentos, e com grande maior motivação, gosto pela modali- ACM há mais de 50 anos. “O que me entusiasmo e puro amadorismo dão vi- dade e espírito de entreajuda. Os no- trouxe para cá foi o desporto”, contou da ao trabalho que procuram desenvol- vos atletas são sempre recebidos de ao “Centro”, explicando que “durante ver”. A já aludida autonomia das sec- forma calorosa. Aconselho vivamente algum tempo havia a ideia de que a en- ções, que acontece principalmente nas esta modalidade e a virem-nos conhe- tão ACE, por se tratar de uma associa- que se dedicam ao campo desportivo, cer na ACM”. ção cristã, não deveria entrar em com- obriga a que a “máquina” da ACM es- petições desportivas. Por isso criámos o teja bem montada e oleada: “Todos os Grupo Desportivo Salatinas, até que se frequentadores da ACM são sócios da “Vim para a ACM porque a minha Rafael Pedra Ténis de Mesa chegou à conclusão de que a ACE tam- colectividade, individuais, familiares avó queria que um dos netos aprendes- bém poderia ter desporto e fomos inte- ou colectivos e além disso pagam uma se música e tocasse um instrumento. Muito simpáticos grados na associação. Depois ajudei na mensalidade referente à modalidade Quando entrei gostei e continuei. Toco transição da ACE para ACM e no final que frequentam. Nas modalidades des- flauta, xilofone e cavaquinho. O am- dos anos 50 colaborei na organização portivas, essa mensalidade reverte a fa- biente aqui é giro porque convivemos dos Torneios da Primavera, que consti- vor da respectiva secção, que faz toda a todos uns com os outros. Alguns ami- tuíram a primeira grande ‘pedrada no gestão, prestando depois contas à gos já conhecia da escola e outros co- charco’ no desporto conimbricense”. ACM. Nas secções não-federadas, as nheci aqui. A importância da ACM pa- Secretário-geral desde 1973, Gracia- contas são geridas directamente pela ra nós? Essa pergunta já é mais difícil no Marques tem um conhecimento pro- ACM em colaboração com o director de de responder. Mas vou tentar. É impor- fundo sobre a colectividade e explica departamento”. tante porque aprendemos muitas coisas que “a associação engloba diversos de- A intensa actividade da ACM passa e a tocar os instrumentos de que gosta- partamentos, divididos em secções no pelo edifício-sede, antigo mas alvo de mos”. caso do desporto federado. Cada um frequentes remodelações: “Depois do dos departamentos tem um represen- incêndio de 1997 fizemos grandes obras tante da Direcção da ACM e depois de reparação e, pontualmente, vai so- Eduardo Silva Judo “Comecei aos 12 anos de idade, já agregam outros elementos. As secções frendo pequenos melhoramentos. Era um pouco tarde, mas ainda fui a tem- são nomeadas pela Direcção, por pro- impossível manter-se tal como estava”. Gosto do Judo po. Obtive bons resultados e, ainda na Madeira, participei no Centro de Trei- no de Alto Rendimento. Entretanto MEDALHA DE OURO DE JOÃO NETO É MOTIVO DE ORGULHO vim estudar Direito para Coimbra e na ACM foram muito simpáticos em Ouro da casa me acolherem. É positivo para as duas partes, porque eles aumentam o nível de treino e eu tenho a possibili- dade de treinar. O ambiente é muito agradável. Conjuga várias modalida- des e há um bom entendimento entre todos”. “Eu gosto do Judo. É um desporto individual, mas sempre que lutamos te- Carmen Cavalcanti Aikido mos o apoio de toda a gente. Ando cá há muito tempo e cada vez gosto mais. Ambiente Há bastantes torneios e eu gosto muito de competir. A ACM é um clube muito muito bom bom. Tem atletas importantes, a Ana Sousa, o João Neto e outros, e já teve muitos êxitos. Fiquei muito contente com a medalha de ouro do João Neto e quando o vi dei-lhe logo os parabéns. Para a ACM também foi muito bom”. Helena Lemos Ginástica Espírito de entreajuda Com a relativa importância que têm, minação de uma pessoa, é perfeitamen- “O Aikido é uma óptima disciplina. em muitos casos, os resultados despor- te possível associar a prática desportiva Como não há competição e o combate é tivos são no entanto um espelho do tra- de alto nível com a actividade escolar. E ‘contra’ nós próprios, pode-se começar balho realizado e motivo de orgulho o João Neto está quase a concluir o cur- em qualquer idade. Para o indivíduo é para aqueles que a ele se dedicaram. so de Farmácia. Temos a satisfação de uma arte marcial importante porque Nesse contexto, a medalha de ouro ga- ter aqui muitos indivíduos que são es- envolve a disciplina e o alívio do stress. nha por João Neto, na Taça do Mundo tudantes universitários e tenho a certe- Em relação à ACM o que me parece de Judo, foi motivo de júbilo para todos za que quando forem para a vida pro- mais importante salientar é o ambiente os acemistas. Convidado a pronunciar- fissional serão melhores profissionais que se vive, que possibilita uma maior -se sobre este feito, Norberto Canha que os outros, porque se habituaram a concentração, fundamental no caso do afirmou não gostar de “particularizar conviver, a lidar com as pessoas, a res- Aikido. É um espaço que alia a activi- nada nem ninguém”, mas adiantou que peitar e a conquistar, pela sua conduta, dade desportiva com lugares de conví- a medalha do João Neto “serve como o respeito de todos. E esta é a parte “Pratico ginástica na ACM há 5 vio e que proporciona um ambiente exemplo. Quando há querer e há deter- mais importante”. anos e tenho notado grande evolução. realmente muito bom”.
  • 18. 18 DESPORTO DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 BASEBOL NA B JÁ É UMA REALIDADE ga “o exemplo do rugby, que se tem re- velado como óptimo modelo desporti- vo. Vamos tentar divulgar o basebol o Os 12 magníficos mais possível, sobretudo através das no- vas tecnologias”. Nesse sentido, a pági- na da Agrária Basebol é já uma realida- de, em www.agrariabasebol.com.sa- po.pt, contendo, entre outros motivos de interesse, vídeos dos treinos efectuados durante a semana. Outras formas de di- vulgação da modalidade junto da comu- nidade do IPC, prossegue o Presidente do Núcleo de Basebol, poderão ser “a distribuição de uma Newsletter com in- formações do núcleo e da própria moda- lidade e, porventura, a realização de ac- ções de formação e palestras sobre base- bol”. A “luz verde” da Associação de Estu- dantes da ESAC foi decisiva para o nas- cimento do basebol na Escola Agrária. No futuro, de modo a que o Núcleo de Basebol possa crescer e implantar–se de- finitivamente, outro tipo de contributos serão fundamentais. Para Romeu Gerar- do, no entanto, e porque “estamos ainda no início, a questão dos apoios ainda não foi abordada por esta Direcção. Mas po- demos adiantar que o primeiro grande apoio vem do Japão, fruto da ajuda do Prof. Kikuchi (docente da ESAC). Atra- vés dele conseguimos o contacto de uma No segundo treino, o grupo de trabalho apresentou seis caras novas empresa japonesa, que nos vai facultar algum material desportivo”. A Escola Superior Agrária de Coimbra “Centro” assistiu, o grupo aumentou, (ESAC) abalançou-se ao basebol. pois apresentaram-se seis caras novas: TREINOS ÀS QUARTAS E QUINTAS–FEIRAS No primeiro treino, realizado há cerca Miguel Lourenço, André Almeida, Pedro A PARTIR DAS 17H45 de duas semanas, estiveram presentes Palos, Luís Santos, Dina Cardoso e C. Me- doze elementos ligados ao novo landa. Venham mais doze Núcleo de Basebol Romeu Gerardo, Presidente da Agrá- ria Basebol, explicou ao nosso jornal que Romeu Gerardo é o Presidente do António José Ferreira “o campo relvado da Escola Superior Núcleo de Basebol da ESAC, coadju- Agrária de Coimbra oferece óptimas con- vado por Fernanda Gerardo (Vice- Eram 18h20 do dia 27 de Abril de 2006 dições para a prática do basebol. Houve -Presidente), Elisabete Pinheiro (1.º quando a Agrária Basebol deu a “tacada” uma proposta para a prática desta nova Secretário) e Lara Ferreira (Tesourei- de saída. Romeu Gerardo (Presidente), modalidade e, através da Associação de ra). O comando técnico está a cargo Fernanda Vieira (Vice-Presidente), Elisa- Estudantes, foi possível proporcioná-la do Prof. Filipe Jorge (dinamizador da bete Pinheiro (1.º Secretário), Lara Ferrei- aos alunos da ESAC e demais comuni- modalidade nas escolas EB 2,3 da ra (Tesoureira), Sérgio Medeiros (Treina- dade do Instituto Politécnico de Coim- Lousã e EB 2,3 de Ferrer Correia – Mi- Romeu Gerardo dor), Filipe Jorge (Professor de Educação bra (IPC)”. A recepção ao basebol, prati- randa do Corvo) e Sérgio Medeiros Física); Ana Correia, Patrícia Cortês, Pa- camente desconhecido no nosso país, foi (introdutor do basebol na cidade de da ESAC. trícia Jordão, João Ramos, Pedro Azedo e “bastante positiva. Apesar de no primei- Coimbra e antigo treinador do Nú- O objectivo dos dirigentes da Agrária Marco Breda (Alunos) – foram estes os ro treino terem aparecido apenas seis cleo de Basebol da Associação Acadé- Basebol é constituir uma equipa sé- “doze magníficos” que estiveram presen- alunos, podemos dar-nos por muito sa- mica de Coimbra), responsáveis pe- nior masculina e outra feminina, a mé- tes no primeiro treino e que ficam directa- tisfeitos pois este projecto é a médio ou las sessões de treino, agendadas para dio prazo, pelo que se mantêm abertas mente ligados ao “arranque” do basebol longo prazo”, frisa Romeu Gerardo, que as quartas e quintas-feiras, entre as as inscrições a todos aqueles que quei- na Escola Superior Agrária de Coimbra espera que esta modalidade “se mante- 17h45 e as 19h15, no campo relvado ram iniciar-se na modalidade. (ESAC). No segundo treino, a que o nha na ESAC por muito tempo” e que si- JUNIORES FEMININOS DO OLIVAIS DISPUTAM “FINAL 4” Venha a Taça António José Ferreira ção de Basquetebol de Vila Real, em par- ceria com a Federação Portuguesa de Dez jogos, dez vitórias! Foi este o saldo Basquetebol, e vai ter por palco o Pavi- da participação da equipa de Juniores Fe- lhão Municipal de Alijó, de acordo com o mininos do Olivais na zona norte da Taça seguinte calendário: sábado, Oli- seguintes resultados: o CAB venceu o guinte comitiva, naturalmente entre ou- Nacional, que lhe garantiu o primeiro lu- vais/União Micaelense (15h00) e CAB “Distrital” da Associação de Basquetebol tros dirigentes e simpatizantes da equipa gar na série e o consequente apuramento Madeira/Zona Alta (17h00); domingo, 3.º da Madeira, ao passo que o Zona Alta e do clube: Ângela Peça, Rita Gonçalves para a fase final nacional, agendada para e 4.º lugares (09h30) e Final (11h30). (Torres Novas) se classificou em terceiro (capitã), Marta Sousa, Elisa Silva, Joana o próximo fim-de-semana. A expectativa O União Micaelense, adversário do lugar na Campeonato Distrital da Asso- Costa, Sara Albuquerque, Paula Santos, é elevada, a motivação também, tanto Olivais na meia-final, viaja dos Açores, ciação de Basquetebol de Santarém e, de- Filipa Freitas, Teresa Maia, Andreia Perei- mais que, neste escalão, é a primeira vez onde conquistou o primeiro lugar no pois, em primeiro na zona sul da Taça ra, Patrícia Leal e Patrícia Jesus (jogado- que o clube vai estar presente num mo- Campeonato Distrital da Associação de Nacional. ras); Bruno Santos (treinador); João Paulo mento de grande decisão. Basquetebol de S. Miguel. Os outros dois Para “atacar” a conquista da Taça Na- (seccionista); Carlos Gonçalves (director); A “Final 4” é organizada pela Associa- contendores chegam à “Final 4” fruto dos cional, o Olivais vai fazer deslocar a se- Paulo Cortesão (fisioterapeuta).
  • 19. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 DESPORTO 19 JUNIORES DO U. COIMBRA A UM PONTA DA SUBIDA REMO Nas águas Proibido perder do Mondego Com organização da Associação de Remo da Beira Litoral e da Associação Académica de Coimbra, disputou-se na passado sábado, em Coimbra, a final do Torneio de Escolas 2005/2006. No primeiro lugar de cada prova clas- sificaram–se os seguintes atletas: Escalão Primeiro plano: Costa (Delegado), Ivo, Vasco, Alex, Yannick, Moita, Luís Pedro, Felício e Diogo; Segundo plano: O Feminino - Maria Monteiro (Galitos); Rui Carlos (Treinador), Miro (Massagista), Luxo, Romeu Matoso, André, Celso, João Miguel, Breda, Pisco, João Escalão 1 Feminino - Inês Silva (Ginásio Pedro, João Guilherme (Capitão), Miguel Valença e Borges (Seccionista) Figueirense); Escalão 1 Masculino - João Velhinho (Galitos); Escalão 2 Feminino - O empate em Santo Tirso, no próximo transmitiram uns aos outros. E pouco de- bola e insistiu, não tendo a “ratice” de se Patrícia Baptista (Ginásio Figueirense); sábado, garante a subida de divisão pois foi a explosão de alegria. Numa joga- deixar cair. O árbitro deixou jogar. Pouco Escalão 2 Masculino - André Gonçalves aos Juniores do União de Coimbra. da de insistência pelo lado direito, Celso depois, já o jogo tinha seguido para o la- (Académica de Coimbra); Escalão 2 Mas- O grupo de trabalho acredita fez um centro de “morte” que a cabeça de do contrário do campo, o unionista rece- culino - João Santos (Colectividade Po- na conquista daquele objectivo Vasco transformou em golo. Logo a se- beu ordem de expulsão, por protestos pular de Cacia); Escalão 3 Masculino - guir, pela esquerda, depois de “fugir” a que terá dirigido ao árbitro auxiliar (pro- Diogo Maia (Académica de Coimbra); António José Ferreira três adversários, Yannick optou pelo re- testos que manteve já depois de ter aban- Escalão 3 Masculino - José Machado e mate quando podia ter solicitado Vasco, donado as quatro linhas). O União já vi- António Silva (Naval); Escalão 4 Femini- Só falta um ponto! Com nove pontos, sozinho em frente à baliza, desperdiçan- nha perdendo o controlo do jogo e a par- no - Liliana Serôdio (Académica de fruto de três vitórias caseiras sobre o do assim a oportunidade de “matar” o jo- tir daqui o comando das operações per- Coimbra); Escalão 4 Masculino - Diogo Maia, o Tirsense e o Penafiel, o União de go. O pior veio depois, perto dos “noven- tenceu totalmente ao Maia, que acabou Tomé (Académica de Coimbra). Coimbra está a um passo de regressar à 1.ª ta”, com o mesmo protagonista: Yannick. por chegar ao triunfo já nos “descontos”, Divisão do Campeonato Nacional de Ju- Numa iniciativa individual foi “carrega- através de um remate de fora da área trai- niores, bastando um empate na desloca- do” duas vezes mas manteve a posse da çoeiro para o guarda–redes Miguel. VOLEIBOL ção a Santo Tirso (sábado, às 16h00). À partida para a última jornada, um dos ce- nários possíveis é Maia e União ficarem CAPITÃO JOÃO GUILHERME ACREDITA Curso com o mesmo número de pontos (9), pelo de árbitros que mesmo em caso de derrota o grupo de trabalho liderado por Rui Carlos pode- rá atingir aquele desiderato, embora neste “Vamos para ganhar” A Associação de Voleibol de Coimbra caso dependente do “goal-average”. No final do jogo o “Centro” ouviu o campo”, refor- vai levar a efeito mais um curso de árbi- Já no passado sábado, frente ao Maia, “capitão” João Guilherme, que se mos- ça que “vamos tros estagiários. o empate teria sido suficiente para que os trou desapontado pelo facto de a equi- jogar para ga- Com prelecção de António Sobral, Ce- jovens da Arregaça fizessem a festa. Que pa ter deixado fugir a subida tão perto nhar, porque sário Rama e Fernando Rodrigues, esta esteve bem perto de acontecer. Num jogo do fim. Mas, ao mesmo tempo, confian- as equipas que acção de formação vai decorrer no Colé- a que o “Centro” assistiu, no “sintético” te de que o objectivo será alcançado em jogam para o gio de Cernache, nos próximos dias 13, do campo de treinos do Complexo Des- Santo Tirso. Sobre a partida da Maia re- empate per- 14, 20 e 21 de Maio, e incidirá sobre os se- portivo da Maia, o União teve o “pássa- conheceu que “foi um jogo difícil, como dem quase guintes temas: organização e regulamen- ro” na mão até bem perto do derradeiro todos os outros. O Maia entrou com ‘tu- sempre”. tação da Federação Portuguesa de Volei- apito, mas nos últimos minutos não foi do’, porque para eles só a vitória inte- A subida ao bol; evolução histórica do jogo e das re- capaz de suster o ímpeto dos maiatos, a ressava, e nós tentámos acalmar o jogo escalão máxi- gras; técnica de arbitragem; elementos quem só a vitória interessava para se nos primeiros minutos para depois par- mo do futebol júnior é apontada por técnico/tácticos do voleibol; regras ofi- manterem na “corrida”. tirmos para o contra-ataque”. Também João Guilherme como “extremamente ciais; função do árbitro; prática. Como convinha, a equipa de Coimbra para João Guilherme a expulsão de importante, tanto para o clube como Podem candidatar-se os indivíduos procurou imprimir ao jogo uma toada Yannick “foi o momento do jogo. A par- para os jogadores. Para o clube porque que preencham os seguintes requisitos: morna, fria mesmo em alguns momen- tir daí eles meteram mais homens na ganha estatuto e visibilidade e para os tenham 18 anos completos, ou 16 anos in- tos. O “nulo” registado ao intervalo justi- frente e nós, infelizmente, não tivemos jogadores porque vêem o esforço re- completos, se devidamente autorizados ficava a estratégia delineada, mantendo- a ‘estrelinha da sorte’, que é sempre compensado e, para o ano, têm a possi- pelos pais ou representante legal, à data -se o cariz dos acontecimentos no regres- precisa, para aguentarmos o resultado e bilidade de jogar numa competição da realização do curso; possuam, pelo so dos balneários. Os donos da casa “fa- sofremos o golo no último minuto”. mais elevada. E para quem gosta de menos, a escolaridade obrigatória; pos- ziam pela vida”, tentando “acelerar” o A decisão ficou assim para a última praticar futebol, isso é importante”. suam a necessária aptidão psicossomáti- ritmo de jogo e chegaram à vantagem jornada. O “capitão” do União crê que Além de tudo, a subida de divisão seria ca; tenham bom comportamento moral, sensivelmente a meio do segundo tempo. “a equipa vai viver esta semana nor- “um bom prémio e teria muito mais va- civil e desportivo. O União “tremeu”, passou por momen- malmente, como todos as outras, a tra- lor, devido às dificuldades que o União Os candidatos terão de proceder ao tos de desorientação, mas, muito tranqui- balhar e a pensar unicamente na vitória atravessa. Não tendo as condições de preenchimento da respectiva ficha de ins- lo, o treinador Rui Carlos introduziu alte- em Santo Tirso, que nos vai dar a possi- trabalho que todos desejávamos, uma crição, acompanhada de duas fotografias rações no “miolo” do terreno, com a en- bilidade de subir á 1.ª Divisão”. Não se eventual subida só vinha realçar a qua- actualizadas. Mais informações poderão trada de Celso, e conseguiu serenar ao mostrando intimidado por jogar fora lidade, a motivação e a união de todo o ser adquiridas através do telefone 239 ânimos dentro do campo. “Só falta um de casa, porque “temos capacidade pa- grupo de trabalho, incluindo treinador 717 011, do e-mail avcoimbra@sapo.pt ou golo. Vamos acreditar”, insistiu calma- ra nos adaptarmos a qualquer tipo de e dirigentes”, concluiu João Guilherme. ainda do sítio da internet www.avcoim- mente, mensagem que os jogadores bra.org.
  • 20. 20 INFORMAÇÃO EMPRESARIAL DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 PREVISTOS 300 EVENTOS CULTURAIS POR ANO Fnac abre loja em Coimbra Abriu no recém-inaugurado Fo- eventos por ano. rum Coimbra uma loja FNAC, em ce- Na festa de abertura da loja estive- rimónia apadrinhada pelo escritor ram, entre outras entidades, o Presi- Mário Cláudio e pelo fadista Cama- dente da Câmara Municipal, Carlos né. Encarnação, e o Presidente da As- Trata-se da nona loja em Portugal sembleia Municipal, Manuel Porto, do grupo francês, e uma das cerca de com a curiosidade de este último ali centena e meia instaladas neste novo ter reencontrado o seu colega de cur- novo megacentro comercial, que tem so Mário Cláudio (que se licenciou atraído multidões nos primeiros dias em Coimbra, pela Faculdade de Di- de funcionamento. reito). No espaço café da nova megaloja Na festa recordaram-se episódios (tem uma área de 1834 m2), está pa- desses tempos de estudantes e ou- tente uma exposição de fotos de viu-se Camané cantar o fado como só George Rodger sobre a II Guerra ele sabe. Em informal conversa com o Mundial. “Centro”, Camané confessou-nos Os responsáveis da FNAC anun- apreciar muito a canção coimbrã e re- ciaram que ali vão decorrer regular- velou que está mesmo entusiasmado mente concertos gratuitos e outras com alguns poemas de Edmundo iniciativas culturais, estando previs- Bettencourt que se propõe vir a gra- tos para o local de três centenas de var em disco. EmCasa cria novos serviços de apoio criação destes novos serviços, sobretu- do no que respeita ao acompanhamen- to de idosos, foi o facto de as institui- Joana Martins acompanhamentos em quaisquer deslo- ções estarem “lotadas e sem capacidade cações, prestação de cuidados ao domi- de resposta”. Assim se justifica o facto Acompanhamento de crianças e ido- cílio, higiene diária, ajuda nas tarefas de os serviços a idosos, juntamente com sos, serviços de lavandaria e aluguer de domésticas e aluguer de equipamentos, as actividades domésticas, serem os equipamentos são os novos serviços tais como cadeiras de rodas, camas e mais procurados, afirma Borges Duarte. que a empresa EmCasa – Serviços de muletas. Os novos serviços da empresa Com cerca de uma centena de clien- Apoio Domésticos e Empresarial, apre- passam também pelo acompanhamento tes, a empresa, com sede em Coimbra, sentou no passado dia 28 de Abril. O de crianças, até aos 12 anos. Proporcio- planeia agora a criação de um franchi- projecto, que nasceu há dois anos, vê na assim aos pais os serviços de profis- sing com uma delegação em cada capi- agora expandidas as suas áreas de ac- sionais que cuidam dos filhos, na pró- tal de distrito. Tenciona ainda alargar a tuação, que já incluíam serviços domés- pria casa, 24 horas por dia. frota automóvel, de forma a responder ticos e de refeições, assim como activi- A EmCasa presta agora serviços, no Tal como refere Borges Duarte, res- mais prontamente às requisições de ser- dades empresariais. que respeita aos utentes mais idosos, de ponsável da EmCasa, o que levou à viços. Mobiliário português conquista Espanha gueses foram distinguidos pelo seu de- sempenho, numa cerimónia destinada a premiar quem mais se destacou no sector Empresas de móveis da Região Centro Catarino Mobiliário. Prémio semelhante Mobis Fabricante de Estofos na óptica de do mobiliário na Península Ibérica du- de Portugal acabam de ser distinguidas, foi ainda atribuído à Antarte. Empresa, Colchões e Empresário Indús- rante 2005. em Espanha, com os prestigiados pré- Na sexta edição dos citados prémios, tria, respectivamente. Em cada uma das O mobiliário português conquista as- mios “Mobis”. o júri deliberou distinguir estas empre- categorias registou-se mais de um vence- sim, pela qualidade, os mercados inter- Numa noite mágica, em Madrid, com sas tendo em conta critérios como a dor. À Aquinos juntou-se ainda a Anaric nacionais, sendo de sublinhar que o sec- apresentação do ilusionista Luís de Ma- existência ou não de marca própria, a e a Induflex; para além da Climax foi ain- tor exporta mais de metade (51,6 por cen- tos, decorreu a cerimónia de entrega dos percentagem de produtos nacionais da premiada a Futurocol e os empresá- to) do que produz, contribuindo para o referidos galardões, em que participou vendidos, a existência de certificados rios Joaquim Louro Pereira e Rui Mouti- equilíbrio da balança comercial portu- também o Secretário de Estado do Co- de qualidade e de gabinetes de decora- nho foram igualmente distinguidos com guesa. mércio, Serviços e Defesa do Consumi- ção e ainda a produtividade. Do conce- o Mobis Empresário de Indústria. Isso mesmo foi sublinhado por Fer- dor, Fernando Serrasqueiro. lho de Cantanhede encontravam-se A Brasão, com uma unidade fabril em nando Serrasqueiro, que destacou o facto Manuel Gonçalves, Administrador ainda entre os finalistas Luís Salgado Mira, recebeu o Prémio Mobis na catego- de Espanha ser já o segundo mercado de das lojas “O Móvel”, de Condeixa, e (Empresário de Indústria) e a Stoffus ria de Fabricante de Mobiliário Clássico. destino das nossas exportações de mobi- “Tendências”, de Pombal, foi distinguido (nas categorias de Fabricante de Estofo Esta é a primeira vez que a empresa de liário, tendo vindo a crescer nos últimos pela terceira vez com o prémio “Mobis – óptica de Produto e de Empresa). Mira recebe o Prémio Mobis, desta feita anos. E acrescentou: “Trata-se de um sec- Empresário de Comércio”. Recebeu Do concelho de Tábua, a Aquinos, a ex aequo com a Ambitat Móveis e a tor que representa cerca de 2,6 por cento igualmente o “Mobis Loja” pela “O Mó- Climax (que tem uma unidade fabril em Atrium. das exportações portuguesas, e fá-lo dan- vel” de Condeixa, ex aequo com outra Tábua e a sede em Sintra) e o empresário No total, cerca de cinco dezenas de do corpo a uma imagem qualificada e prestigiada empresa da Região Centro: a Carlos Aquino foram premiados com o empresas e homens de negócios portu- moderna de Portugal”.
  • 21. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 APONTAMENTO 21 A propósito de uma frase mas, nunca mais repetidas desde que vivia em Coimbra e três desses elementos messa colectiva de 1950. Tem impresso o partiu para o Norte, onde continuou acti- eram médicos. Alguns contruíram tele- nome de Coimbra. vo. -objectivas ou alteraram 2) Reprodução de um documento vin- O Grupo Câmara viveu de as suas má- do da Sociedade Fluminense, Brasil, cele- boas vontades - quinas. Todos brando e agradecendo a remessa enviada que muitas vezes imprimiam pelo Grupo Câmara, constituída por foto- Varela Pècurto eram sacrifício. as suas am- grafias de Coimbra e do País. Reprodu- Reuniu e delibe- pliações e ção de mais um diploma austríaco – onde Ao longo das últimas décadas Coim- rou em cafés da tão bem co- se pode ver a palavra Coimbra. bra tem sido brindada com numerosos cidade e quando mo o melhor 3) Capa do catálogo da IV Exposição eventos relacionados com fotografia, teve sede os pri- impressor Internacional – 1959 – comemorativa do mais do que em qualquer outra localida- meiros móveis fo- profissional. X aniversário do Grupo Câmara. Além de de do País. ram caixotes, de Eram tão Coimbra, esteve em Évora, Aveiro, Cal- Uns com mais impacto, mas todos a madeira exótica, bons teóri- das da Rainha e Porto. garantir certezas. diga-se, porque cos como Por tudo isto que descrevo ao correr da Exposições de iniciados e dos que já agora são de cartão práticos. pena e pelo muito que falta referir, o se- têm créditos firmados, conferências, de- reciclado. Mas foi Deste sa- nhor Presidente pode ter a certeza de que bates, projecções e programas destinados crescendo e tornou- ber e do Coimbra foi colocada não só no mapa da aos mais jovens, são puras demostrações -se maior. p re s t í g i o fotografia em Portugal mas também no de vitalidade e actualização só possíveis No seguimento conse- Mundo, há mais de 50 anos. porque também são continuidade bem do Grémio Portu- quente Apreciei e louvo (se mo permite) a in- apoida. Salientem-se os Encontros de Fo- guês de Fotografia, Coimbra tenção da frase. Ao contrário de V. Exª, tografia, a Casa da Cultura, livrarias, ga- Lisboa (aqui grémio colheu que gosta de fotografia e colabora em lerias a disponibilizarema as salas, tal co- é sinónimo de grupo boa parte. programas sérios que a dignificam, nem mo alguns hotéis e mais recentemente em de carolas), que foi o Como todos os Presidentes que tiveram assento restaurantes “serve-se arte à mesa”. pioneiro das exposi- curiosi- na nossa Câmara se comportaram digna- No Museu da Física, que já nos habi- ções internacionais, o dade refi- mente. tuou a iniciativas que muito o prestigiam, Grupo Câmara ini- ra–se que Lembro aqui o excesso de um deles. esteve uma exposição intitulada “Passa- ciou-se com exposi- alguns Houve um ano em que a exposição te- do ao Espelho”, orientada pelo Prof. An- ções nacionais, depois sócios ve lugar no Salão Nobre da Câmara, tónio Pedro Vicente e Dr. Alixandre Ra- luso-espanholas, luso- chegara- Foi combinado a exposição estar aber- mires, de reconhecida competência. –hispano–brasileiras e ma a re- ta sábados e domingos, porque havia Para perpetuar as características pouco por fim internacionais. ceber cor- quem aproveitasse o fim-de-semana para comuns da exposição, publicaram um ca- Publicou um bole- respondência do estrangeiro, em cujos os a visitar. tálogo que foi apresentado na Anfiteatro tim, simples folha A4 que acabou por ser endereços constava apenas Pois chegado o primeiro domingo, o do Museu. O Presidente da Câmara Mu- uma espécie de revista, capa com gravu- o nome do destinatário e a Presidente or- nicipal esteve presente e na sua interven- ra, conselhos e artigos técnicos, mais gra- palavra Coimbra. denou ção disse que encarou a exposição e o ca- vuras, resultados e calendários de exposi- As encomendas nem que fe- tálogo como um passo para colocar ções, etc, etc. sempre circularam livre- chassem Coimbra no O Grupo Câma- mente, sendo censuradas, a porta. mapa da fo- ra formava com o especialmente as vindas Ante o tografia em Foto-Club 6x6 de dos países com governos nosso Portugal. Lisboa e a Associa- comunistas. protesto, Estou ção Fotográfica do Dávamos muito que fa- mandou absuluta- Porto o trio que ga- zer aos correios e as exi- reabri-la. mente certo rantia a projecção gências que a Alfândega Mas man- de que a das respectivas ci- do Porto nos tentou im- dou tam- frase, dita dades e do país em por só terminaram quan- bém vir convicta- todo o Mundo, acu- do, recorrendo a “cu- um enge- mente, é mulando destin- nhas”, o Grupo Câmara nheiro dos honesta. ções tão honrosas pediu a abertura de uma Serviços Mas o que Portugal pas- alfândega em Coimbra. Municipa- senhor Pre- sou a ser considera- Em 1958 mais de 30 lizados pa- sidente é do nação de 1.º pla- países estiveram repre- ra verificar novo e, no na fotografia. sentados em Coimbra. as caracte- portanto, Este contagiante No ano seguinte foram rísticas das quando sucesso deu origem recebidas 1453 fotogra- lâmpadas Coimbra a vários núcleos de- fias para serem subme- dos lustres foi de facto dicados à fotogra- tidas a um júri que actuava segundo do Salão, pa- colocada no fia, uns puros asso- as recomendações da The Photographic ra depois contabilizar a luz gasta durante tal mapa, o ciações, como a As- Society of America. o tempo de abertura da exposição... e menino que sociação de Évora; Assim se proporcionava a Combra e a apresentar-nos a conta... era então outros eram agre- quem vinha propositadamente de longe, Que os continuadores do Grupo Câ- Carlos En- gados a clubes, co- oportunidade de serem vistos excepcio- mara não faltem no futuro, como não fal- carnaçao mo o Galitos de nais lotes de fotografias, artisticas em taram até hoje e com excelentes iniciati- não tinha Aveiro, Bancos, Te- grande formato e variadíssimo aspecto vas, como a exposição no Museu da Físi- idade para lecomunicações, gráfico, a que não era estranho o facto ca. se interes- Companhia Nacio- desses autores viverem espalhados pelos Com um feliz argumento, termino in- sar por es- nal de Navegação 5 continentes. formando, com inexcedível satisfação, e tas questões de que continuou desligado de Lisboa, Companhia União Fabril do Mas sem subsídios e com receitas fra- em primeira mão, que o Museu de Arte depois da sua formatura. Iniciou uma ac- Barreiro, câmaras municipais, bombeiros, cas, não foi possível sobreviver. Contemporânea de Lisboa (Museu do tividade absorvente, bem diferente, que escolas e uma série infindável de comis- Nas 3 gravuras que se publicam te- Chiado), procede nesta data à recolha de muito lhe enriqueceu o currículo político. sões de festas, etc.faziam parte desta lon- mos: fotografias do grupo de fotógrafos que Seu pai, esse sim, nessa época lidou mui- ga lista. 1) Capa de um dos primeiros boletins pôs Coimbra no mapa mundial da foto- to com fotografias de Coimbra em expo- Cm associados em todo o País, ilhas e do Grupo Câmara, reproduzindo um di- grafia há 50 anos, destinadas a integra- sições e muitas promoveu com outros te- Angola, o conjunto que mais se destacava ploma austríaco, prémio atribuído à re- rem a colecção deste Museu.
  • 22. 22 MÚSICA DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 Distorções “Sunlight Makes Me Paranoid”, do qual se destacam “Tonight Let’s Dance” e o tema que dá nome ao álbum. Em 2006, vê a luz do dia o há já muito aguardado segundo longa duração, “The Black Magic Show”, que em nada belisca as expectativas criadas em redor José Miguel Nora do novo trabalho dos Elefant, mostran- do que a banda está sólida e que a con- sistência deste disco, não é obra do aca- Depois de na quinzena passada ter so, sendo difícil de identificar o melhor escrito sobre um registo discográfico e o pior deste registo, dada a homoge- marcadamente dançável, nesta vou neidade qualitativa do mesmo. Há te- destacar o novíssimo registo discográfi- mas mais calmos como “My Apology”, co dos norte-americanos Elefant de Die- mas, também, há lugar para temas mais go Garcia, “The Black Magic Show”. “agressivos” como “Uh Oh Hello”, ou Para muitos, os Elefant não passam mesmo “Lolita”, que serviu de single de uns ilustres desconhecidos, mas, de apresentação. É um disco que reco- os cd’s pretendidos na internet, nomea- da ou morto. “Let’s Rock N´Roll”. quanto a mim, estamos perante um dos mendo a todos. damente via Amazon (www.ama- mais promissores projectos do rock ac- zon.co.uk ou www.amazon.com). PARA SABER MAIS: tual. Formados em 2002 em Nova Ior- ***** que pela mão do “frontman” Diego Um dos problemas com que se vão ***** www.elefantweb.com Garcia (que sempre ambicionou ter deparar todos os que lêem este espaço Na passada sexta-feira, dia 5 de www.theblackmagicshow.com uma carreira no mundo da música), será a dificuldade em encontrar muitos Maio, estive a pôr discos numa das ten- ou juntamente com o guitarrista Mod, o dos discos sobre os quais vos escrevo, das das “Noites do Parque da Queima “Sunlight Makes Me Paranoid” baixista Jeff Berrall e o baterista Kevin mas, na grande maioria dos casos, a das Fitas 2006” e, graças ao apoio de to- (Kemado) McAdams, foi no ano de 2003, que con- única solução será o recurso às discote- dos os que ali se encontravam, foi uma “The Black Magic Show”(Kemado) seguiram o seu primeiro contrato disco- cas virtuais, não só as que disponibili- noite memorável, que jamais esquece- gráfico com a independente Kemado. zam os mesmos em formato digital – re- rei. É por noites como esta que não se Meses depois, chega aos escaparates comendo o “iTunes” – ou encomendar pode dizer que o rock está fora de mo- josemiguelnora@gmail.com THE CYNICALS O rock também pode ser cínico A partir de hoje o “Centro” dá zem no seu sítio na Internet “juntaram-se uma maqueta já gravada e que ficou no a conhecer bandas e grupos da região para preencher a lacuna do rock britânico, 13.º lugar no “Top das Maquetas de 2005” de Coimbra, dos mais variados estilos ao invés do americanizado das bandas vi- do programa “Santos da Casa”, da RUC, e registos. Começamos pelos Cynicals zinhas”. preparam-se agora para “dar um pulo” Com um som que tem como influência até ao outro lado da fronteira, para a par- Nuno Cardoso principal o rock britânico da década de 60, ticipação num concurso de bandas na Co- sendo a versão da música “I Feel Fine”, runha. O rock pode ser melódico, pode ser ás- dos Beatles, o exemplo mais notório, mas Estes são os seis Cynicals: Jmacias pero, pode ser independente, pode ser FM também com a onda revivalista “pós- (voz), Jrebola (guitarra), Du’Arte (tecla- e, pelos vistos, também pode ser “Cynico”. -punk” que se vive desde inicio da déca- dos), Pedro Pita (baixo), Joana Rebola (co- Os Cynicals são mais uma da recente da. Letras com um tom satírico e cínico fa- ros e pandeireta) e Ricardo Cardoso (bate- fornada de bandas que apareceram nos zem retratos do dia a dia, de amores de- ria). últimos anos na cidade, formados em Ou- sencontrados, de tudo o que influencia a Os Cynicals podem ser visitados na tubro 2004 com elementos oriundos de vida de um jovem adulto. Já com uma web em thecynicals.com.sapo.pt e no sí- vários projectos que, pelos mais variados mão cheia de concertos, tanto em Coim- tio do myspace www.myspace.com/so- motivos, não viram a luz do dia. Como di- bra como noutros pontos do país, com muchadoaboutnothing.
  • 23. DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 INTERNET 23 tores, cultura e desporto, e foge ao recorrente sensa- activistas de mais de 20 nacionalidades diferentes cionalismo. O site disponibiliza algumas funciona- que navegam nos mares do mundo em dois navios. lidades muito interessantes como o destaque das Histórias de vida de gente dedicada a uma causa palavras mais recorrentes nas notícias do momento, para ler num blog que apresenta vários links, como a possibilidade de consultar notícias através do te- um que pretende cativar os utilizadores para se tor- lemóvel ou através dos feeds RSS (listas de actuali- narem activistas ou até uma ligação para a Univer- Inês Amaral zação de conteúdos de sites a que se pode aceder sidade dos Açores. Docente do Instituto Superior Miguel Torga sem ter de navegar nestes). De “destakar” ainda os dossiers especiais de temas quentes da actualidade. Links relacionados: www.greenpeace.org Greenpeace Links relacionados: http://quiosque.aeiou.pt http://oceans.greenpeace.org/en NEOPETS Quiosque - indexador de notícias do portal site da campanha “Defending Our Oceans” da AEIOU Greenpeace www.onlinenewspapers.com Online Newspapers - directório de jornais mun- endereço: dial http://weblog.greenpeace.org/oceandefenders www.newseum.org/todaysfrontpages categoria: activismo, ambiente Today’s Front Pages - manchetes 475 jornais de 44 países TIO endereço: www.destakes.com categoria: informação LIVRO AMARELO NA NET No ciberespaço, à espera de um dono, moram ani- mais de estimação virtuais para todos os gostos e fei- tios: verdes, amarelos, azuis e vermelhos, tímidos, sim- páticos, birrentos, meigos... A comunidade Neopets al- berga mais de 53 espécies diferentes de pets para se- rem adoptados. Este é um popular jogo de simulação onde os donos (os neopianos) têm de interagir e tratar O projecto TIO – Terceira Idade Online foi criado dos seus neopets. Em troca, recebem pontos. A ideia foi em 1999, no âmbito do Ano Internacional das Pes- de Adam Powell e Donna Williams, que depressa ven- soas Idosas. O objectivo é fomentar a utilização das deram a Neopets a Doug Dohring. Actualmente, o site novas tecnologias na terceira idade, no sentido de conta com mais de 70 milhões de utilizadores regista- promover qualidade de vida. dos. O Livro Amarelo na Net é um portal para os con- Neste espaço, com informações e conteúdos total- Nesta “loja” de animais, os utilizadores que qui- sumidores portugueses. O objectivo é “contribuir mente dedicados a um público-alvo “sénior”, é tam- serem adoptar um neopet podem escolher a raça, para elevar a qualidade da prestação de serviços e bém possível trocar experiências, colocar dúvidas, di- cor, passatempos preferidos e a personalidade. A dos produtos e artigos comercializados ao dispor vulgar trabalhos, promover actividades. Este espaço, atenção e os cuidados a prestar a um animal de es- do cidadão consumidor em Portugal”. para além de se dirigir à terceira idade, tem também timação desta comunidade implicam jogar jogos co- Este espaço pretende um espaço de partilha e, conteúdos dedicados a familiares e profissionais que mo quebra-cabeças, passear em lugares como o por isso, um verdadeiro repositório de más expe- lidam com idosos. “mundo das fadas” ou a “ilha dos mistério”, fre- riências de consumidores com o intuito de denun- quentar restaurantes diversos com ementas apetito- ciar e alertar para a qualidade de serviços e produ- endereço: www.projectotio.net sas. Neste mundo virtual, tudo se paga com neo- tos à venda em Portugal. O site ainda está a dar os categoria: sociedade, tecnologia pontos. Os utilizadores que não tiverem moedas primeiros passos. neopianas suficientes podem contar com a ajuda ca- QUEIMA DAS FITAS 2006 ridosa da Fada da Sopa, a responsável pela “Cozi- Links relacionados: www.queixas.co.pt nha do Sopão” – a sopa dos pobres da Neopets. Queixas, o portal do consumidor endereço: www.neopets.com endereço: www.livroamarelo.net categoria: comunidades virtuais categoria: serviços DESTAKES DEFENDING OUR OCEANS A Queima das Fitas da cidade de Coimbra che- gou à rede. Aqui é possível consultar o programa, que se estende muito para além das tradicionais “Noites do Parque” com eventos desportivos a de- correrem até 22 de Maio. As “Noites do Parque”, o Baile de Gala e o Chá Dançante, informações sobre os bilhetes e patroci- O Destakes é um agregador de notícias portu- Uma das principais missões da organização am- nadores, fotografias, o cartaz, o histórico da Quei- guês que permite reunir num só site o que está em biental internacional Greenpeace é proteger os ma das Fitas coimbrã são conteúdos à disposição destaque nos media. É um projecto útil e interessan- oceanos. Neste sentido, equipas de activistas pas- dos cibernautas neste espaço online. te, semelhante a um serviço de clipping. As fontes sam meses no mar com o objectivo de chamar a de informação seleccionadas são os única e exclusi- atenção para problemas como a poluição dos ocea- Links relacionados: www.aac.uc.pt vamente órgãos de comunicação social portugue- nos e as espécies em vias de extinção. O weblog De- Associação Académica de Coimbra ses. fending Our Oceans permite acompanhar o traba- Este indexador categoriza a informação em gru- lho dessas equipas. endereço: www.queimadasfitas.org pos temáticos – imprensa, negócios, tecnologia, mo- O weblog é um verdadeiro diário de bordo dos categoria: lazer, universidades
  • 24. 24 TELEVISÃO DE 10 A 24 DE MAIO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO arrepender-se pela sua ingenuidade e torna-se fundamental que o apresenta- ignorância, ao ter sentido simpatia pelo dor faça cumprir as suas regras. Não só homem mais odiado do século XX. o regulamento, mas os objectivos. Na O documentário foi realizado, inten- história da televisão portuguesa, vários cionalmente, de uma forma minimalis- apresentadores se destacaram. Um de- ta. Os autores do filme renunciaram a les, Artur Agostinho, nos primitivos qualquer recurso espectacular. No filme tempos em que quase tudo era em di- Francisco Amaral não são mostradas nem imagens de ar- recto, teve de resistir a teimosias de par- Docente da ESEC quivo, nem encenações. Não há música ticipantes que tanto insistiam na exis- ou sequer movimentos de câmara. tência de um instrumento musical cha- Ângulo A obra, filmada apenas com uma câ- mado jaxofone, como barafustavam (e mara e com som captado por um único de que maneira) perante o facto de um microfone, consiste “apenas” numa lon- livro (vejam lá, um livro!) como Os Lu- ga entrevista com Junge e em alguns Um antes e outro depois. síadas, ter mais do que quatro cantos primeiros planos da entrevistada olhan- Estes são exemplos bem concretos como todos os outros... morto do para si mesma durante uma projec- ção das primeiras conversas. O filme não faz revelações históricas, mas sim uma visão única da atmosfera de que nem os concursos, em televi- são, são inocentes. A sua actual desig- nação de game-show, já diz alguma coi- sa sobre o assunto. Do ponto de vista Actualmente, este trabalho está en- tregue, imaginem porquê, a actores de revista no desemprego ou a figuras inó- cuas, sem carisma, próximas, quer física Sem recorrermos ao cabo, em Portu- da cúpula do governo alemão no da implicação emotiva, existe pouca quer comportamental, do suposto es- gal ficamo–nos por quatro canais de te- bunker de Hitler. Sobretudo, nos dias fi- diferença entre o suspense que provo- pectador médio de televisão. levisão distribuídos por via aérea. É na nais. ca, por exemplo, ver se o concorrente 2:, da RTP, que se encontram habitual- Trata-se de uma avassaladora descri- sabe ou não o preço de um produto e o mente alternativas ao mainstream tele- ção, num monólogo que se poderia que provoca ver se sabe ou não a capi- visivo nacional. Embora com alguma imaginar enfadonho, mas que agarra o tal de um país ou a data de um aconte- deriva horária, já que não cumpre as espectador de forma irresistível. O tom, cimento histórico. No entanto, do pon- horas previamente anunciadas, e, ulti- muitas vezes quase à beira do transe, to de vista ideológico, a diferença é mamente, com inconsistências notórias sente-se verdadeiro. Através da voz e grande. Ao premiar monetariamente o quanto ao rumo do canal, é de facto na da expressão daquela mulher, vemos conhecimento do preço dos produtos, 2: que é ainda possível ver algo para tudo o que não nos é mostrado. No mo- está-se a potencializar o consumo co- além do mais do mesmo que chega a ca- mento em que Traudl Junge, exausta, mo valor. Isto é, passa-se da transfe- sa dos pobrezinhos que pede para fazer um intervalo, os reali- rência emotiva à ideológica. Quer di- não têm acesso à televi- zadores optam por contar de forma es- zer, a partir do aparentemente neutro são por cabo. crita, sobre écran negro, a vida da “se- entretenimento dos concursos, ofere- cretária de Hitler” depois da guerra. O ce-se uma visão do mundo, são enalte- “Todo o jogo é a representação mais ou espectador aproveita também para re- cidos alguns valores, defende-se uma menos afastada da perda de si mesmo para cuperar. maneira de compreender a vida e as ganhar mais, para ser mais.“ (P. Babin) “Ângulo morto”, na 2:, foi mais um relações humanas. Talvez assim possamos compreender exemplo da absoluta necessidade de Para além da mecânica do concurso, melhor. um canal público alternativo. Quem sabe ... sabe Foi este o título do primeiro concurso de êxito na televisão portuguesa. Numa época em que ter um televisor em casa era quase um luxo, os telespectadores Num destes sábados à noite, daquela eram frequentemente “televizinhos”. forma inesperada com que se encon- Gente que passava o serão em casa do tram as coisas na 2:, “Ângulo morto – a vizinho que tinha receptor. Secretária de Hitler”, um documentário Muitos cafés e associações recreati- austríaco de André Heller e Othmar vas também optaram pela aquisição do Schmieder, irrompeu com a força não só fascinante aparelho, o que levava a que do tema, mas também da forma. nas noites com programas de sucesso Traudl Junge, a última secretária de esses recintos se enchessem. Invariavel- Adolf Hitler, é o centro do filme. A sua mente, nas noites de concurso, o inte- cara, a sua voz, são os únicos elementos resse era redobrado. concretos do filme. Junge trabalhou pa- Nesses primórdios da televisão em ra o ditador desde 1942 e cumpriu tare- Portugal, Coimbra esteve bem repre- fas como a redacção de seu testamento, sentada nos concursos. Pelo menos dois pouco antes dele se suicidar no bunker conimbricences foram longe nas com- de Berlim, quando os alemães deram a petições em que entraram. Um funcio- guerra como perdida. nário de uma conhecida farmácia e um A capacidade de observação de Jun- professor metodólogo de Ciências no ge é enorme, já que através do que con- Liceu D. João III, o Dr. Guilherme Pi- ta oferece uma imagem de Hitler que mentel, tornaram-se figuras de desta- não é monstruosa, mas que o diminui que ao responder acertadamente às per- drasticamente, já que o apresenta como guntas que lhes foram sendo colocadas. “um pequeno burguês, quase idiota e Num tempo em que o analfabetismo banal na sua maldade”. reinava, estes concursos acabavam por Heller e Schmieder filmaram dez ho- ser formas de transmitir conhecimen- ras de conversas com Junge, sendo que tos. Os prémios estavam longe “destes uma hora e meia estão no filme, pen- magníficos automóveis”, que mais tar- sando colocar o resto à disposição dos de haviam de surgir. Ficavam-se pelos historiadores. No início, ainda conside- prosaicos, mas apetecidos, televisores raram a ideia de publicar a totalidade “Shaublorenz”, umas batedeiras eléctri- da entrevista na Internet, mas desisti- cas e outras tantas máquinas de bar- ram para evitar que grupos de extrema bear. direita se apoderassem do material. Seja com que prémios for, os concur- O que Junge viu e ouviu durante o sos continuam a exercer um grande fas- seu trabalho com Hitler, convertê-la-ia, cínio sobre o público. A RTP, com fre- mais tarde, numa determinada oponen- quência, chega a embrulhar o Telejornal te ao nacional-socialismo, levando-a a da hora do jantar, com dois concursos.