O Centro - n.º 2 – 28.04.2006

Loading...

Flash Player 9 (or above) is needed to view presentations.
We have detected that you do not have it on your computer. To install it, go here.

0 comments

Post a comment

    Post a comment
    Embed Video
    Edit your comment Cancel

    Favorites, Groups & Events

    O Centro - n.º 2 – 28.04.2006 - Presentation Transcript

    1. CAFÉ TURISMO Doçaria Conventual do Lorvão Largo de Alberto Leitão n.º 3 / 3360 - 191 PENACOVA / Telefones: 239 476 267 e 918 225 214 DIRECTOR JORGE CASTILHO ANO I N.º 2 (II série) De 26 de Abril a 09 de Maio de 2006 1 (IVA INCLUÍDO) CONSIDERA BOAVENTURA SOUSA SANTOS 25 de Abril em risco de se apagar PÁG. 3 MEMÓRIAS DA REVOLUÇÃO NA FIGUEIRA DA FOZ Armas uniram Jaime Gama e Dinis de Almeida — REVELA CORONEL GÓIS MOÇO PÁG. 4 e 5 NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Cavaco propõe compromisso civico PÁG. 2 AFIRMA MINISTRO ALERTA CRÓNICA DUX VETERANORUM DA SAÚDE PRESIDIU NOVO PRESIDENTE DE VIAGENS “A praxe 15 milhões Olivais Senegal: académica para nova só consegue património de Coimbra unidade sobreviver da humanidade é um modo de produção se tiver de origem de estar” de antibióticos apoios portuguesa PÁG. 8 e 9 PÁG. 11 PÁG. 20 e 21 PÁG. 23
    2. 2 DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 EDITORIAL Comemorações te enfadonhas. E também pouco se sentem estimu- lados pelas manifestações mais ou menos folclóricas das comemorações missor, especialmente numa altura de crise como a que vivemos. Importa, por isso, fazer uma nova revolução. Desta vez não pela calada ditas populares. da noite, mas antes em plena luz do é não só uma tentação, mas igualmen- Para eles (os que em 1974 não ti- dia. De todos os dias, usando as “ar- te uma obrigação. nham nascido ou eram ainda crian- mas” que a Democracia colocou ao al- Se mais não fora, para homenagear ças), a chamada “Revolução dos Cra- cance dos cidadãos, para com elas os militares que tanto arriscaram nu- vos” quase se reduz a uma sequência derrubar certos poderes mesquinhos e ma Revolução que o Mundo olhou de imagens desgarradas, a preto e alguns tiranetes que por aí pululam, com surpresa e considerou exemplar branco, que as televisões ciclicamente, com arrogância e impunidade. Jorge Castilho (derrubar um poderoso regime ditato- por esta época, vão buscar aos arqui- Para tal combate, fácil será mobili- rial por força de um movimento mili- vos, e onde aparecem uns indivíduos zar, de forma consequente, o generoso tar, sem derramamento de sangue, era mais ou menos cabeludos e barbudos, idealismo dos mais jovens. Ontem passaram 32 anos. coisa nunca vista). aos magotes, a proferirem inflamadas E para quem viveu de perto, inten- Mas também para deixar preito de frases, num linguajar estereotipado e E não haverá melhor forma de co- samente, esses extraordinários mo- reconhecimento a tantos outros Ho- cujo nexo não é hoje fácil de entender. memorar o 25 de Abril e de honrar os mentos de mudança (que começaram mens e Mulheres que ao longo de que lutaram para legar aos vindouros por tensas horas de angústia e depois quase meio século, corajosamente, lu- À Liberdade, como a outras coisas, uma sociedade mais justa e mais fra- se estenderam por dias de sucessivas taram pela Liberdade, arrostando com só se lhe reconhece o justo valor (que terna. explosões de inenarráveis sentimen- as consequências de tamanha ousadia é imenso!), quando dela se é privado. tos, por meses de vertiginosas trans- (alguns pagaram tal atrevimento com Não surpreende, por isso, que a **** formações e por conturbados anos de a própria vida, muitos outros com a maioria destes jovens pouco se identi- Foi muito gratificante a forma co- adaptação...) é quase irreprimível a prisão e represálias de diversa índo- fique com manifestações que classifi- mo o público acolheu a primeira edi- vontade de evocar o passado. le). cam de saudosistas, chegando a desa- ção do jornal “Centro”. De retornar a essa madrugada, e a bafar (como a muitos tenho ouvido...): Até nós chegaram mensagens de tudo quanto dela se gerou... Contudo, cada ano que passa, vai “Já não há pachorra para tanto 25 de desvanecedora simpatia, constituindo E deixar que a memória nos sirva sendo menor o número dos que ade- Abril!”. um estímulo para enfrentar as dificul- alguns dos episódios mais marcantes, rem às celebrações. A apreciação é injusta. dades e tentarmos fazer mais e me- permitindo-nos saborear pormenores Sobretudo aos mais jovens falta a Mas, infelizmente, compreensível. lhor. que o tempo não conseguiu ainda paciência para ouvir infindáveis e re- Não é com meras evocações do pas- Para todos quantos nos concedem o apagar. petitivos discursos em sessões muito sado que às novas gerações se alimen- seu apoio vai, muito sincera, a nossa Esse regresso a 25 de Abril de 1974 solenes, para eles compreensivelmen- ta a legítima avidez de um futuro pro- gratidão. Cavaco Silva propõe “compromisso cívico” O Presidente da República Cavaco possível identificar os problemas mais numa encruzilhada entre o passado e o Como crescem os milhares de crianças Silva escolheu o combate às desigual- graves e substituir o combate ideoló- futuro, continua a ser um país forte- portuguesas? Será que estamos a tra- dades sociais como tema central do gico por uma ordenação de priorida- mente marcado pelo dualismo do seu tar bem as novas gerações?”, questio- seu discurso de ontem (terça-feira) na des, metas e acções”. desenvolvimento”, lembrando as desi- nou. sessão solene do 25 de Abril, propon- “A elaboração do próximo Plano de gualdades entre o interior e o litoral e, Por outro lado, a par do papel do do um “compromisso cívico” alargado Acção Nacional para a Inclusão pode sobretudo, as desigualdades sociais. Estado, o Presidente da República para cumprir essa tarefa. ser aproveitada para uma mobilização “Muito progredimos na moderniza- lembrou que “não chega exigir mais “Quero propor um compromisso cí- geral, uma verdadeira campanha em ção da economia e na afirmação de no- medidas e mais dinheiro”. vico, um compromisso para a inclusão prol da inclusão social”, sugeriu. vos estilos de vida, mas ficámos muito “Concretizar essa ambição de justi- social, um compromisso que envolva Lembrando que, apesar de Portugal aquém na concretização dessa ambi- ça social, que não tem de ser remetida não só as forças políticas, mas que con- já ter conseguido concretizar o sonho ção de uma sociedade com maior jus- para o plano das utopias, passa por ca- gregue as instituições nacionais, as au- da Revolução de Abril de ter “um Por- tiça social”, lamentou, sublinhando da um de nós (Ó) Temos de romper tarquias, as organizações da sociedade tugal livre e mais próspero”, o país es- que Portugal é o país da União Euro- com o conformismo e o comodismo de civil, dos sindicatos às associações cívi- tá ainda longe de realizar o outro de- peia que apresenta maior desigualda- relegar para o Estado a única solução cas e às instituições de solidariedade”, sígnio determinado no 25 de Abril – de na distribuição dos rendimentos. do problema”, apelou. afirmou Cavaco Silva, no seu primeiro dia que Cavaco Silva considera ser a O Presidente da República deixou Na sua intervenção, Cavaco Silva discurso como chefe de Estado na ses- “data fundadora do regime democrá- ainda mensagens especiais a sectores começou por evocar a memória do 25 são solene do 25 de Abril. tico” – e que é “a aspiração de maior que considera mais frágeis, como os de Abril: “Há 32 anos, Portugal mar- Para o Presidente da República, “é justiça social”. idosos, as crianças vítimas de abusos e cou encontro com o futuro”. “Os portugueses esperam dos políti- as mulheres vítimas de violência do- O Presidente da República associou cos, que livre e democraticamente ele- méstica. as comemorações 25 de Abril de 1974, geram, que estejam à altura dessa exi- “É entre a população mais idosa “quando um povo sob o impulso de gência, que se empenhem em dar uma que encontramos as mais preocupan- um punhado de militares tomou nas nova esperança aos mais desfavoreci- tes situações de exclusão”, disse. mãos os seu próprio destino”, a outras Director: Jorge Castilho dos da nossa sociedade, que cooperem Por esse motivo, Cavaco Silva de- duas datas: ao 25 de Abril de 1975, (Carteira Profissional n.º 99) no sentido de mais facilmente poderem fende que “o esforço que o Estado tem quando se realizam as primeiras elei- Propriedade: AUDIMPRENSA superar as dificuldades e naturais di- vindo a realizar para atenuar os efei- ções livres, e a 25 de Abril de 1976, da- NIF: 501 863 109 vergências ideológicas”, apelou. tos deste quadro social tem de ser con- ta em que entrou em vigor a Constitui- Na única referência à situação do tinuado”. ção da República Portuguesa. Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho país no seu curto discurso de oito pá- “Não é moralmente legítimo pedir “São estas três datas hoje assinala- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 ginas, Cavaco Silva salientou que “a mais sacrifícios a quem viveu uma vi- das que conferem sentido de futuro e Composição e montagem: melhoria da justiça social, o combate à da inteira de privação”, alertou. de modernidade à nossa democracia”, AUDIMPRENSA - Rua da Sofia, 95, 3.º pobreza e à exclusão exigem que o Sobre as crianças, Cavaco Silva evo- afirmou. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 país volte a ganhar a batalha do inves- cou o célebre cartaz da Revolução em No final, o discurso de Cavaco Silva Fax: 239 854 154 timento, do crescimento económico, que uma criança coloca um cravo no foi aplaudido de pé pelas bancadas do e-mail: centro.jornal@gmail.com da criação de riqueza, sem que o so- cano de uma espingarda. PS, PSD e CDS-PP, enquanto PCP, BE e Impressão: CIC - CORAZE nho continuará adiado”. “A carga simbólica desse cartaz é Verdes permaneceram sentados sem Oliveira de Azeméis Cavaco Silva sublinhou que, 32 anos iniludível e vale a pena questionar- aplaudir a intervenção do Presidente da Tiragem: 10.000 exemplares após a revolução, “Portugal continua mos: como cresceu aquela criança? República.
    3. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 ENTREVISTA 3 BOAVENTURA SOUSA SANTOS CONSIDERA ERRADAS AS POLÍTICAS EDUCATIVAS SOBRE O DIA DA LIBERDADE “Existe o risco do 25 de Abril se apagar” JOÃO PAULO HENRIQUES vens aprendam como se conquistou es- te bem que hoje temos e aceitamos co- O 25 de Abril é falado por todos os mo normal”. O investigador não tem portugueses. Ainda assim, por diferen- dúvidas que são muitos os portugueses tes motivos. Para muitos, trata-se de que não conseguem dizer o nome de um feriado nacional e corresponde a uma das pessoas envolvidas no 25 de mais um dia sem trabalhar. Para outros, Abril de 1974. é muito mais do que isso, uma vez que Director do único centro do país de- significa o dia em que o país ganhou o dicado, especificamente, à documenta- direito à liberdade e teve acesso à de- ção sobre o 25 de Abril, o professor ca- mocracia. tedrático da Faculdade de Economia da Boaventura Sousa Santos, director do UC explica que “o Centro não se limita Centro de Estudos Sociais e do Centro a recolher documentação escrita como de Documentação 25 de Abril da Uni- já estivesse produzida, mas também versidade de Coimbra (UC), garante produz material”, acrescentando que que “existe o risco do 25 de Abril se tem “uma forte actividade pedagógica apagar com o passar dos anos e ser, ca- junto das escolas e das autarquias”. da vez mais, ignorada”. As razões para Uma das iniciativas inovadoras do tal esquecimento dos portugueses vão Centro de Documentação 25 de Abril muito além da falta de memória das ge- da UC, que se debate com a falta de es- rações mais novas. paço, trata-se do projecto da história “Há alguns sinais de que as nossas oral, em que são gravadas em vídeo en- autoridades políticas estão interessadas trevistas a militares e civis activos no em minimizar a data. Querem que período do 25 de Abril, que relatam a aconteça o mesmo que ao 5 de Outubro, sua perspectiva dos acontecimentos. que se transformou num feriado sem Alguns testemunhos (Costa Gomes, nenhuma vivência”, lamenta o investi- Vasco Gonçalves e Otelo de Saraiva de gador, que pensa que o 25 de Abril po- Carvalho) foram, entretanto, publica- de ser utilizado de acordo com a sua dos em livro. inspiração inicial que passou pela “fun- Apesar da concorrência ser forte, são dação da democracia em Portugal e muitos os documentos importantes que criação de condições para o exercício de fazem parte do espólio do centro uni- uma cidadania livre”. versitário, que garante a qualidade do As políticas educativas erradas em tratamento técnico e a isenção política. torno do Dia da Liberdade são aponta- Por exemplo, o plano de operações do das como grande contributo para a fal- 25 de Abril, documento usado por Ote- ta de memória colectiva dos portugue- lo Saraiva de Carvalho para liderar as ses. Boaventura Sousa Santos está operações, e as actas originais de reu- preocupado. Por isso, afirma que, nes- niões do Conselho de Ministros estão te momento, “não é o facto dos estu- em Coimbra. dantes das escolas não conhecerem o Melo Antunes, major culto, idealista 25 de Abril, mas o dos seus pais tão Boaventura Sousa Santos é o director do Centro de Documentação e ideólogo do Movimento das Forças pouco conhecerem e até muitos profes- 25 de Abril da Universidade de Coimbra Armadas, foi a figura que mais impres- sores”. sionou Boaventura Sousa Santos. “Era Segundo o director do Centro de Do- nal do plano de estudos o que fez com Leccionar o 25 de Abril a todos os jo- um homem muito erudito, tinha uma cumentação 25 de Abril da UC, institui- que, durante muito tempo, nunca se vens e em todas as escolas a diferentes cultura geral e política muito grande, ti- ção criada em 1984, “transformámos a chegasse a estudar o 25 de Abril e os níveis de complexidade é apontado co- nha uma compreensão profunda da so- data num tema de estudos sociais ou de que não tivessem essas disciplinas nun- mo o caminho a seguir, para que, afir- ciedade portuguesa e era um gosto falar história e, muitas vezes, colocado no fi- ca tiveram nenhuma informação”. ma Boaventura Sousa Santos, “os jo- com ele”, conclui o investigador. Civis apanhados de surpresa DVD inova 25 de Abril No dia 25 de Abril de 1974, Boa- do estava a barbear-me”, lembra, O último trabalho do Centro de Trata–se de um material inova- ventura Sousa Santos viveu os mes- acrescentando, de pronto, que “vi- Documentação 25 de Abril da Uni- dor que usa as melhores tecnologias mos sentimentos de milhares de ci- via, nessa altura muito perto da an- versidade de Coimbra é um DVD interactivas e em que o pessoal téc- vis portugueses, que não contavam tiga casa da PIDE [Polícia Interna- interactivo, feito em parceria com o nico e pedagógico do centro respon- com a revolução naquele dia. “Fui cional e de Defesa do Estado]”. Ministério da Educação, com o títu- de a 32 perguntas que os alunos das apanhado de surpresa”, confiden- Boaventura Sousa Santos saiu de lo “25 de Abril: 32 anos, 32 pergun- escolas básicas do Centro do país cia o investigador da Universidade casa e foi à Faculdade de Economia tas”. “É, talvez, o mais importante entenderam fazer. As respostas são de Coimbra, que recua, agora, 32 ver o que se tinha passado. Aí, deu de todos os que realizamos até ago- dadas com animação, podendo os anos para recordar a data. conta que estava uma revolução na ra”, assegura Boaventura Sousa jovens fazer jogos da glória, puzz- “Ouvi a notícia de manhã quan- rua. Santos. les, karaoke e escrever histórias.
    4. 4 REPORTAGEM 25 DE ABRIL DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 FIGUEIRA DA FOZ ESTEVE NO CENTRO DA REVOLUÇÃO DE ABRIL Dinis de Almeida e Jaime Gama unidos pela mesma causa Que ligação haverá entre a Revolu- ção de 25 de Abril de 1974, Dinis de Al- meida, o fogoso militar do RALIS e das “Chaimites”, e Jaime Gama, o tranquilo político que é hoje Presidente da As- sembleia da República? Poucos saberão esclarecer esta questão. Contudo, ela tem uma resposta simples: a Figueira da Foz. De facto, foi na Figueira da Foz que, nessa madrugada de há 32 anos, o aca- so juntou o então capitão Dinis de Al- meida com um jovem aspirante milicia- no chamado Jaime Gama. Quem nos faz esta revelação é o coro- nel Góis Moço, Presidente da Associa- ção 25 de Abril na Região Centro, e um dos capitães que integraram o Movi- mento que, de forma exemplar, derru- bou uma Ditadura de quase meio sécu- lo. REVOLUÇÃO TAMBÉM GERMINOU EM ANGOLA Góis Moço cumpria uma comissão de serviço militar em Angola, como ca- pitão, em 1973. Foi nesse ano que os jo- vens capitães reagiram à publicação de uma lei que os penalizava e prejudicava a sua progressão na carreira. Em Portugal e nas colónias (então chamadas “províncias ultramarinas”), onde as Forças Armadas portuguesas lutavam contra os movimentos inde- pendentistas, os militares começaram Coronel Góis Moço a reunir para debater a forma de reagir contra essa lei que consideravam in- res da sociedade portuguesa). uma reunião de grande importância to) e o RAP 3 (Regimento de Artilharia justa. em que participaram oficiais colocados Pesada). Mas a verdade é que essa reacção OPÇÃO PELA LUTA ARMADA em várias unidades da Região e dele- corporativa rapidamente foi evoluindo gados do Movimento vindos de Lis- DINIS DE ALMEIDA E JAIME GAMA para uma análise política da situação Góis Moço lembra que foi numa reu- boa. em que o País vivia, com muitos dos nião em Cascais que se resolveu fazer Os oficiais foram–se juntando no De acordo com os planos, logo que a militares a chegarem à conclusão de uma consulta aos delegados do Movi- Café Internacional (que então existia rádio transmitiu a canção “E depois do que importava pôr termo a um regime mento dos Capitães para decidir de que próximo da Estação Nova) e dali se- adeus”, de Paulo de Carvalho (sinal ditatorial que oprimia Portugal há dé- forma actuar: se reivindicando por es- guiram, em aparente passeio, até ao que o Movimento ia ser desencadeado), cadas. crito, ou se adoptando método mais ra- outro lado da ponte. E foi na penum- os oficiais revoltosos começaram a No caso concreto de Góis Moço, foi dical. E a verdade é que a maioria de- bra da margem esquerda do rio Mon- aprontar os soldados para avançar ru- em Agosto de 1973 que participou, num fendeu o recurso à acção armada, como dego, frente ao Estádio Universitário, mo aos objectivos previamente traça- hotel de Luanda, na primeira reunião única forma de alterar a situação que se que esse grupo de oficiais da Região dos. de capitães que debateram esta situa- vivia. Centro foram informados de que a E quando a rádio transmitiu para to- ção. Algum tempo depois, em Março de partir desse instante deveriam entrar do o País a canção de Zeca Afonso Em finais desse mês Góis Moço re- 1974, de forma inesperada, uma coluna em prevenção rigorosa, pois a acção “Grândola vila morena” (proibida pela gressou a Portugal, tendo sido colocado militar sai do quartel das Caldas da Rai- armada poderia acontecer a qualquer censura do regime vigente), ao início da na Escola Central de Sargentos, em nha em direcção a Lisboa, numa tentati- momento. Os militares regressaram às madrugada do dia 25 de Abril, os co- Águeda, mas continuando a tomar par- va de golpe mal articulada e que viria a suas unidades, começando a preparar- mandantes das unidades foram detidos te nos debates que os jovens capitães fo- ser anulada pelas forças do regime. -se, de forma discreta, para quando e as colunas militares começaram a ram fazendo, discretamente, por todo o Esse golpe falhado revelou-se, contu- chegasse a ordem de avançar. avançar. País, e onde ganhava cada vez mais do, de grande importância, não só por- Góis Moço conta que no dia 24 de No RAP 3 Dinis de Almeida começa- consistência a ideia arrojada de que era que serviu para analisar a forma como a Abril se deslocou a Águeda um emis- va a assumir protagonismo, tendo sido necessário mudar o regime. Ditadura a ele reagiu, mas também por- sário do Movimento com os planos da ele a deter o comandante, juntamente As reuniões eram feitas de forma que disseminou pelo País a ideia de que operação (que seria comandada desde com o então furriel miliciano Jorge Dias discreta, para não alertar as chefias a ansiada mudança começava a tomar Lisboa, como é sabido, por Otelo Sarai- (hoje um reputado fotógrafo na Figuei- fiéis ao regime e para iludir também o forma. va de Carvalho). ra da Foz) e o próprio Góis Moço, que tentacular aparelho da PIDE (a que Góis Moço e outros oficiais da Esco- ficou na unidade a assegurar o coman- Marcelo Caetano, ao suceder a Sala- REUNIÃO EM COIMBRA la de Sargentos deveriam dirigir-se à do, enquanto uma companhia saía para zar, mudara o nome para Direcção- NA MARGEM DO MONDEGO Figueira da Foz, onde estavam aquar- se juntar à do CICA. -Geral de Segurança, mas que conti- teladas duas unidades de grande im- Ora no CICA quem estava de oficial nuava a ser uma polícia política des- No início de Abril de 1974, em de- portância para o Movimento: o CICA 2 de dia era o aspirante miliciano Jaime pótica e infiltrada em todos os secto- terminada noite, decorreu em Coimbra (Centro de Instrução de Condução Au- Gama, que depressa aderiu ao Movi-
    5. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 REPORTAGEM 25 DE ABRIL 5 mento (vindo depois a ter papel impor- LIBERTAÇÃO DE PENICHE tante, já como civil, na construção da E AVANÇO PARA LISBOA Democracia, tendo sido Ministro de go- vernos do Partido Socialista e acabando Mas voltemos à madrugada do 25 de por chegar agora a Presidente da As- Abril, relatada por Góis Moço. sembleia da República, a segunda figu- Para a Figueira da Foz convergiram, ra na hierarquia do Estado democráti- de acordo com o plano de operações, co). uma companhia vinda de Aveiro e ou- Góis Moço, na informal conversa tra de Viseu. com o “Centro”, aproveita para subli- Juntamente com as duas companhias nhar a importância da adesão dos mili- da Figueira da Foz (uma do RAP e ou- cianos para o êxito do Movimento do 25 tra do CICA), formou–se o chamado de Abril. Agrupamento do Norte, que rumou ao Sul para vir a ter importante papel no pessoas se mantivessem em suas casas, desfecho vitorioso da Revolução. já que se temia que houvesse confron- A primeira missão desta coluna mili- tos com forças fiéis ao regime, o que po- tar era muito delicado: tomar o Forte de deria causar vítimas. Peniche, para libertar largas dezenas de A verdade é que, felizmente, essa deso- presos políticos ali encerrados pela po- bediência, que se traduziu em incontrolá- lícia política. veis manifestações de alegria por todo o E assim aconteceu, felizmente sem País, acabaria por ser um bom reforço pa- necessidade de uso da força, embora se ra o êxito dos militares revoltosos. tivessem vivido horas de grande tensão Alguns deles assumiram grande pro- (aliás, mais tarde os presos libertados tagonismo nos dias que se seguiram. viriam a relatar a angústia que sentiram Foi o caso de Dinis de Almeida, que no por não saber que tipo de golpe estava RALIS assumiu papel determinante, em marcha, pois alguns chegaram a te- nomeadamente num estranho contra- mer que fosse uma acção de forças da -golpe protagonizado por tropas para- ultra-direita). quedistas. Depois a coluna militar seguiu para Outros, depois de cumpridas as ar- Lisboa, onde viria a controlar a zona de riscadas missões (que exigiram muita Monsanto, de grande importância es- coragem, pois se a Revolução tivesse fa- tratégica. lhado muitos teriam morrido ou visto o seu futuro comprometido), regressaram ADESÃO POPULAR aos quartéis para prosseguir a sua car- reira, sem qualquer espécie de privilé- O que aconteceu de seguida, é bem gios. conhecido. Assim se fez uma Revolução exem- Por todo o País a população saiu à plar, que viria a proporcionar a Portu- rua, contrariando os apelos do Movi- gal o regime democrático em que hoje mento das Forças Armadas para que as vivemos. Vasco Lourenço crítico no Algarve, o tenente-coronel Vasco Lourenço referiu que a ideia surgiu de Abril, refere-se que ao longo de 30 anos de poder democrático “nem sempre es- alguns sócios da associação, que consi- tiveram na primeira linha das preocu- Vasco Lourenço, um dos mais desta- própria autonomia”, ironizou. deraram apropriado comemorar Abril pações dos vários responsáveis os valo- cados elementos do Movimento dos “Não sei o que é que lhes passou pe- no Algarve no ano em que passam 30 res que sempre os devem nortear”. Capitães e actual Presidente da Asso- la cabeça”, disse Vasco Lourenço, recor- anos de poder democrático, devido à “Pelo contrário, assumiram por ve- ciação 25 de Abril, classificou como dando que, durante vários anos, o pre- aprovação da Constituição pós-revolu- zes um papel determinante posições co- “deplorável e lamentável” o facto da sidente do Governo Regional da Madei- cionária, a 02 de Abril de 1976. mo a luta pelo poder, os interesses cor- Madeira não comemorar oficialmente a ra, Alberto João Jardim, enviou sempre Considerando que alguns dos desíg- porativos ou a corrupção, verdadeiro Revolução dos Cravos, considerando uma carta para a associação a saudar e nios da Revolução estão por cumprir, cancro da democracia”, lamenta a men- que foi a Revolução que criou condi- homenagear os capitães de Abril por- Vasco Lourenço referiu que ainda faz sagem. ções para a autonomia política do ar- que tinham possibilitado a autonomia. sentido lutar, lamentando que em maté- O documento censura ainda “a tenta- quipélago. Vasco Lourenço atribuiu o que se ria de justiça social se estejam “a verifi- tiva do poder económico controlar o Vasco Lourenço falou aos jornalistas passa este ano a “lutas pragmáticas e car alguns retrocessos”. poder político, a falta de democracia in- durante o jantar comemorativo do 25 conjunturais”, mas lamentou a não co- “Faz sentido lutar contra os que, em terna nos partidos políticos, elementos de Abril de 1974, promovido pela asso- memoração oficial, considerando-a “in- nome da segurança ou de outras coisas essenciais da democracia política, os ciação a que preside, que este ano de- compreensível e altamente condená- do género começam a pôr em causa al- egoísmos e as fraquezas humanas”. correu em Quarteira, Algarve. vel”. gumas liberdades, contra os que que- Apelando à democracia participati- “Quando se comemoram 30 anos das O jantar anual da associação decor- rem menos política e mais defesa dos va, pois “a cidadania não se compadece primeiras eleições para as autonomias, reu num salão do parque aquático direitos instalados, contra aqueles que com ausência, com abstenção, com nomeadamente para a autonomia da Aquashow, em Semino, próximo de nos querem atirar para novas guerras e alheamento”, a mensagem garante que Madeira, aparece o Governo Regional e Quarteira, com a presença de cerca de contra os que põem em causa os valores a participação cívica “deve ter perma- a Assembleia Regional a dizer que não 900 pessoas. de Abril”, enunciou. nentemente presente a memória do há que comemorar os 30 anos da sua Sobre as razões das comemorações Na mensagem da Associação 25 de passado, a razão de ser do 25 de Abril”.
    6. 6 CITAÇÕES DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 breviventes, reza a história. Mas conve- O percurso é circular e tem quase nhamos que a maioria se limitou a pas- sempre os suspeitos do costume: Go- sar pelo cargo, sem deixar, boa ou má, verno, sindicatos, patrões, ordens pro- GRIPE DAS AVES uma marca saliente. fissionais, associações e, claro, fica sem- (...) Ao contrário de alguns dos seus pre bem, para ilustrar, ouvir a famosa “Já não há pachorra para a gripe das antecessores, Sócrates não era ninguém, vox populi, transformada muitas vezes aves” - foi assim que começou, no jor- ou quase, antes de ser primeiro–minis- em padrão da vontade geral, errada- nal 24 Horas, na semana passada, uma tro. Chegou lá por uma, para ele, feliz mente. série de artigos assinados pela bióloga e sucessão de factos e acontecimentos fo- Os jornais, a televisão e a rádio estão escritora Clara Pinto Correia. Apesar ra da sua vontade. Estava a jeito, o que cada vez mais a ser apenas eco de de- das polémicas em que se envolveu nos já é um talento. Mas só depois de ter clarações de reacções e de contra–reac- últimos anos, Clara é reconhecidamen- iniciado as suas funções é que começou ções. O exemplo mais caricato é ser no- te uma cientista de mérito, professora a dar sinais do que queria e ao que vi- tícia o co–mentário de um comentador universitária, e tem um extenso traba- itações nha. Muito pouco, por enquanto. Não sobre o comentário do comentador de lho desenvolvido em Portugal e nos Es- se lhe conhece pensamento, nem hori- outro programa! Será isto jornalismo? tados Unidos. Ora, o que Clara afirma - zonte. Não parece ser de direita nem de Porque andamos todos atrás uns dos corroborando e desenvolvendo infor- esquerda. Fez questão de ser secretário- outros? Um jornal avança com um te- mações que já circulam na Internet há “A LÍNGUA –geral do PS, mas já se percebeu que ma, a rádio segue, a televisão completa, meses - é ba–sicamente o seguinte: a pa- não morre de amores pelo partido, o ou vice- -versa - a ordem pouco impor- ranóia generalizada sobre a gripe das É O QUE NOS UNE” qual, por sua vez, lhe paga com o mes- ta. É uma tarefa quase inglória desco- aves resulta de uma inteligente mani- mo carinho. brir algo diferente nos jornais, na rádio pulação da indústria farmacêutica, e tu- Domingo de Ramos, cidade de São (...) Mestre em escaramuças, não se e na televisão. Estamos todos quase do começa - e acaba - em Do–nald Paulo, meio–dia, um sol a pique, pau- lhe conhece talento para a grande bata- sempre à volta do mesmo. Rumsfeld, secretário de Estado da De- listas, de diversas idades, classes sociais lha. É abrasivo, eventualmente vingati- Para que serve uma autoridade regu- –fesa de George Bush, que é accionista e raças, fazem fila para comprar o bilhe- vo. Gosta de quem o corteja, detesta ser ladora ou lei para nos controlar quando da empresa que tem a patente do medi- te de acesso ao Museu da Língua Portu- contrariado”. já so–mos nós que nos policiamos, im- camento Tamiflu. A gripe das aves, diz guesa, recentemente inaugurado e ins- placavelmente, uns aos outros? Há qua- a bióloga, é uma “doença duvidosa” talado no edifício da estação da Luz. António Barreto se uma agenda obrigatória para todos que “não causou mais do que umas As grandes faixas afirmam perem- (Público, 16/04/06) os jornalistas. Quem controlar a dita cem mortes” - “morre mais gente com a ptoriamente que “a língua é o que nos agenda controla o que inevitavelmente gripe vulgar”. Clara não apenas denun- une”. Deve ser porque acreditam que será notícia. cia a presumível tramóia como é taxati- assim é que ali estão disciplinados, pa- Numa altura de crise económica e de va na afirmação: “Tudo isto (...) para cientes, alegres, gastando as horas de BISPO LAMENTA valores, será talvez altura de nós pró- combater uma pandemia que está há domingo e os reais do bolso, compran- TROCA DO GNT prios fazermos esta reflexão e conse- nove anos para acontecer e já se perce- do um picoli ou um guaraná que a fa- quentemente inverter o caminho. O pri- beu que não vai acontecer nunca.” mosa “economia paralela” põe à dispo- meiro a ter coragem de esquecer o (...) sição da fila, com rápido e eficaz senti- Não deixo de notar o grande silêncio monstro das audiências e das tiragens O que me incomoda é, uma vez mais, do de negócio. dos nossos canais televisivos e da co- pode ganhar a batalha! a forma como se pratica o jornalismo Também lá estou. Unida por maioria municação social escrita, no tocante à entre nós. Debaixo da agenda que as de razão. Curiosa e interessada mais Semana Santa, à excepção de dois ou João Adelino Faria instituições determinam, com pouca ainda, se possível, por ter lido de rajada três momentos litúrgicos focados. A lai- - jornalista da SIC imaginação, com pouca ousadia. Eu três autores lusófonos, fascinada com a cidade não é impeditiva da liberdade (DN) gostava de perceber se a Clara tem ra- riqueza que trazem à minha (nossa) lín- de informar, seja qual for o ângulo de zão ou não - e não é com crónicas que lá gua, que assim vai ganhando sons, visão. Já o sabemos. Magras alusões aos chego, é com jornalismo. Mas ninguém cheiros, formas, uma plástica riquíssi- acontecimentos e às palavras proferi- quer saber do assunto, e eu fico na mes- ma sem nunca perder a matricial gesta- das. ATESTADO ma. Ou melhor: fico a pensar que a Cla- ção: Nélida, Chico Buarque, Pepetela, Encontrei algumas do Cardeal–Pa- DE IMBECILIDADE ra, provavelmente, tem razão. E nesse Vozes do deserto, Budapest, Os Preda- triarca, do Bispo do Porto e, mais redu- caso, “nas tintas” para a gripe... dores. zidas ainda, do Arcebispo de Braga. (...) Não tiro conclusões. Mas o facto não A abertura do novo Casino Lisboa, Pedro Rolo Duarte Mas uma coisa observei: Estados po- me foi alheio. E a propósito: a TV Cabo, com o Parque Mayer a despencar e a (DN 19ABR06) derosos nunca deixaram de privilegiar num dos seus canais, fez referência a apodrecer, é uma pouca–vergonha e o “império da língua”, ou seja, sempre um exorcista, como um outro di*rio de um atestado de imbecilidade passado a utilizaram como grande prioridade a Lisboa ostentava grossa publicidade ao todos os lisboetas. Eu não duvido de língua, considerada um soft–power e, «exorcismo que cura a alma», com lu- que o senhor Stanley Ho tenha inunda- O FOOTING... também por isso, um investimento de gar e hor*rios definidos... É o que “está do a Câmara de Lisboa com muitos mi- enorme eficácia. Porque será então que a dar”... lhões de euros, que serão canalizados A mediatização da política pode e nós, Estado pouco poderoso, despreza- Lamento o desaparecimento do canal para as mais diversas actividades, algu- deve ser um instrumento essencial na mos este precioso instrumento? GNT da TV Cabo, por todas as razões e mas delas meritórias. A questão, contu- divulgação e compreensão das opções mais uma: o espaço deixado foi con- do, é outra. Existia um compromisso feitas pelo Governo, sobretudo quando Maria José Nogueira Pinto quistado pela IURD. E, no linguajar explícito entre quem há um par de anos essas escolhas impõem a todos nós ele- DN 21/04/06 brasileiro, já “deu” para ver o que se governava Lisboa (o inesquecível San- vados sacrifícios. Mas quantidade não pretende. Só nos faltava mais “esta”... tana) e os lisboetas - o casino iria ser significa qualidade. Por isso, não teria construído pela única e exclusiva razão sido melhor se, das 333 medidas anun- D. Januário Torgal Ferreira - de que não havia outra forma de finan- ciadas - que diabo de capicua -, nos fos- BARRETO RETRATA Bispo das Forças Armadas ciar a reconversão do Parque Mayer e sem apenas referidas aquelas que, no SÓCRATES (In http://castrense.ecclesia.pt) os avultados honorários do arquitecto futuro, nos irão trazer maiores benefí- Frank Gehry. Findo todo este tempo, cios? Gehry transformou–se no turista mais “Dei comigo, nesta semana de Pai- caro de Lisboa e as ruínas do Capitólio E, já agora, porque não explicar me- xão, a passar em revista as três décadas O PERCURSO contrastam agora com as luzes de néon lhor a todos nós as verdadeiras razões de democracia, olhando em particular do novo casino. É moralmente obsceno: desta pomposa ida a Angola, em lugar para o papel dos primeiros–ministros. CIRCULAR seria o mesmo que eu pedir ao meu de mostrar as imagens do footing do A primeira observação, inesperada, foi avôzinho para adiantar parte da heran- nosso Primeiro, nas quais, possivel- a de que se trata de uma profissão de Há quanto tempo não damos notí- ça de forma a tapar um buraco no telha- mente, só os seus familiares estarão in- risco. Ou antes, de cargo associado a cias? Há quanto tempo nós, jornalistas, do e acabar a gastar o dinheiro em de- teressados? uma curta esperança de vida. Dos ca- corremos quase obsessivamente, todos corações para a sala. torze que desempenharam estas fun- os dias, para escutar mais uma reacção Helena Sacadura Cabral ções, sete já morreram. Metade. Ainda sobre uma declaração feita por um mi- João Miguel Tavares (DN 21/04/06) por cima, relativamente novos. Dos êxi- nistro, político, advogado, juiz ou pro- (DN 21/04/06) tos ou fracassos deles, falecidos os so- curador?
    7. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 CITAÇÕES 7 AUTOFAGIA duas origens: por um lado, o declínio líder do partido conservador UMP da a coligação que encabeçava. E tinha MEDIÁTICA demográfico dos “indígenas europeus” (União para um Movimento Popular). toda a razão. (presumo que se pudesse dizer, dos “brancos”...), que evolui em paralelo Ana Navarro Pedro, Paris Vasco Graça Moura O programa da manhã seguinte vol- com o crescente afluxo de pessoas (Público, 16/04/06) (DN 19ABR06) tou à carga, com um especial “a tragé- oriundas de outras paragens ao conti- dia da TVI”. Mas a pièce de résistance nente europeu (genericamente designa- veio na terça, com a transmissão inte- dos por “imigrantes”); por outro, a que- gral da missa de corpo presente e da- bra acentuada do espírito religioso dos VILLEPIN quela espécie de funeral de autógrafos europeus autóctones, de par com a pro- FOI LIXADO TELEGRÁFICAS que levou milhares a Runa. Raras vezes funda religiosidade que marca essas co- se terá assistido a um tão acabado munidades imigrantes, designadamen- exemplo de autofagia mediática e de te as muçulmanas. O desastrado Villepin foi lixado mui- “Numa altura em que a palavra de canibalismo sentimental como nesta ex- Este é o verdadeiro dilema da Igreja to à puridade pelo inenarrável Chirac e ordem é reformar o sistema, os deputa- ponenciação do impacto de uma morte de Bento XVI: encontrar, do ponto de não teve nada de solidamente implan- dos põem em causa o Parlamento com “da casa”. É certo que, no seu afã de vista doutrinário e pastoral, o ponto de tado no sítio que o levasse a pedir a de- leviandade caricata”. evidenciar ser sempre possível descer equilíbrio entre a tolerância perante as missão. É certo que, não obstante as Emídio Rangel (Correio da Ma- mais baixo, a TV portuguesa tem de- demais religiões (o diálogo ecuménico suas fascinações napoleónicas, Villepin nhã, 15/04/06) monstrado que a náusea de ontem é a no próprio espaço europeu) e ao mes- não podia, à imagem de Bonaparte, normalidade de hoje. E que se pode mo tempo combater a “a–religiosida- mandar disparar umas salvas de ca- “Um optimista pode ser um pessi- sempre argumentar ser anacrónico eli- de” e o relativismo de valores nas socie- nhão contra a populaça apinhada nas mista mal informado”. tismo defender que o que vale para dades europeus, uma tarefa a que o pre- Tulherias. Mas, com Chirac e o seu pri- Raul Solnado Amália não se aplica a um actor es- decessor do actual Papa chamou “a ree- meiro–ministro, a autoridade do Estado (“Prós e Contras”, RTP 1, 17/04/06) treante de novela adolescente. Ou até vangelização da Europa”. escusava bem de ficar reduzida a uns dizer (como já se disse), que a “culpa” ridículos disparos de pólvora seca. A “Se os recursos científicos e técnicos, reside na família e no padre, que autori- António Vitorino França afunda–se em desprestígio. económicos e financeiros fossem colo- zaram as câmaras no templo. Como (DN 21/04/06) Oxalá não arraste consigo a Europa. cados ao serviço de todos, este mundo quem diz: a natureza da TV é mostrar, Em Itália, o execrável Berlusconi não entrava, de facto, em processo de res- explorar, devassar, vender. Ai de quem era afinal tão execrável como isso para surreição, abria as portas do paraíso, não lhe souber resistir. Ai de quem não nada menos de metade do eleitorado. Ia donde nos expulsamos todos os dias de seguir o exemplo da Junta de Freguesia FRANÇA: MULHER ganhando as eleições contra a criatura mil maneiras”. de Runa, que interditou a tomada de NA PRESIDÊNCIA? mais enfadonha e inoperante que existe Frei Bento Domingues imagens no cemitério. Ai de quem não hoje à face da Terra, o sr. Prodi. Mas, ao (Público, 16/04/06) saiba reconhecer limites e impô–los. E que tudo indica, este ganhou e vai for- ai de quem ainda acredite no bom sen- “Pela primeira vez na História de mar governo. Simplesmente esse gover- “Se a riqueza de um País se avaliasse so e na auto–regulação. França, as sondagens dizem que uma no vai fazer tudo menos governar. Não pelas viagens ao Brasil, Cuba, Repúbli- mulher tem hipóteses de ser eleita Pre- apenas pela dimensão da oposição de ca Dominicana, então Portugal estaria Fernanda Câncio sidente da República, dentro de um centro–direita e de direita. Mas tam- muito melhor posicionado nos rankin- (DN 22ABR06) ano. No mundo machista da política bém, e sobretudo, pela instabilidade na- gs internacionais”. francesa, a popularidade da socialista tural da nova coligação, autêntico saco Judite de Sousa Ségolène Royal na corrida ao Eliseu é de gatos em que nenhum entendimento (Jornal de Notícias, 15/04/06) uma verdadeira revolução. pela positiva será possível. Quando, no “REEVANGELIZAÇÃO Os inquéritos de opinião entecipam último debate, Prodi afirmou que Ber- DA EUROPA” já uma segunda volta em jeito de duelo lusconi se agarrava aos números como “Os jornais portugueses hoje não re- entre as duas vedetas políticas do mo- um bêbedo se agarra a um lampião, flectem a realidade portuguesa” Com efeito, os desafios que hoje se mento. ‘Ségo contra Sarko’, ou seja, Ni- Berlusconi retorquiu que, por sua vez, Baptista Bastos colocam aos valores da Europa são de colas Sarkozy, o ministro do Interior, e Prodi estava no papel de idiota útil da- (Herman SIC 23/04/06) LENDO O LE MONDE DIPLOMATIQUE, JUNTO AO MONDEGO... Tudo isto me parece um pouco sinis- nistro dos Negócios Estrangeiros, sem- a laser ou jacto de tinta, e depois prosai- que há mais? tro, mas encaixa muito bem. Os artigos pre com o mesmo ar enfadado, com a camente copiadas. Algures ainda de- Quando vamos a uma livraria “uni- sobre a defunta lei do CPE, a começar arrogância da pequena nobreza rural vem ser feitas em tipo de chumbo, aper- versitária”, o que é que encontramos? pelo editorial de Ramonet, dão o tom às perante um mundo que não fosse galo- tado nas caixas a cordel, e com os filetes Um deserto. Os livros estrangeiros são aguas. À minha volta fala–se brasileiro, –franco–francês, agora passado para o para ocupar espaço. Província pura, o praticamente inexistentes, com ex- língua dos empregados de restaurante “inimigo”, que ele mais que tudo des- que em si não é mal nenhum, não fosse cepção do Stiglitz e outros livros de eco- em Portugal, produto da globalização. prezava. Apanhado na sua própria me- ser esta a terra da “Lusa Atenas”. nomia básicos, para dar a impressão de À minha frente, umas jovens senhoras, dicina, com a esquerda alter–mundialis- ser uma livraria moderna e “cosmopoli- de grandes anéis de casadas, uma das ta do Le Monde Deplomatique a agitar José Pacheco Pereira ta”. Não se trata de dizer que só o que quais é dona de uma boutique, mos- a tricolor. (blog “abrupto”, 10.04.2006) não está em português é que é bom, tram umas às outras um produto novo: Coimbra por trás. Sempre achei que mas antes que aquilo que se escreve uns colares gigantescos de madeira, devia haver algo de muito errado numa noutras línguas é muito mais (e melhor) iguais a milhares de outros, mas com cidade em que os estudantes gostam de UM DOS MUITOS do que aquilo que é possível traduzir uns “elefantezinhos” e uns “coraçõezi- andar vestidos à padre. Passam alguns, COMENTÁRIOS: para a língua materna. nhos” dependurados (elas falam em di- negros e poeirentos. Uma cidade cujas O retrato das livrarias em Portugal minutivos). “São bons para a tua loja”. livrarias na baixa são inimagináveis de é a revelação de um país que vive ape- Susto e pavor. provincianas, escuras, mal abastecidas, O que escreveu sobre Coimbra (e es- nas consigo próprio, culpando–se de tu- Ramonet fala em aumentativos. Ele quase sem livros estrangeiros. Apenas o pecificamente sobre as livrarias em do e, na ausência de “concorrência” ou acha que a França, sua sociedade, sua Direito é rei e senhor, tudo o resto leva à Coimbra) podia ser também a descrição comparação, se acha natural e parado- economia, e sua cultura são gloriosas e pergunta: como pode uma cidade uni- de Lisboa. Claro que há mais livrarias e xalmente o melhor. O retrato do provin- que agora a “direita” e o “liberalismo” a versitária ter livrarias assim? Tudo tris- claro que existem pérolas esquecidas na cianismo luso é também esta incapaci- rebaixam no seu valor. Toda esta con- te, baço, esquecido da “modernidade” baixa, habitadas por senhores nobres dade de nos medirmos realisticamente versa de “declínio” e “crise” da França é como agora se diz. Mal por mal, prefiro que parecem esquecidos do tempo que com o resto do mundo, e o panorama uma cedência ao “inimigo”, diz Ramo- ver as notícias necrológicas ainda cola- passa lá fora (o que talvez seja a razão das nossas livrarias é um espelho disso net, ou seja ao imperialismo americano das nas paredes como nas aldeias e vi- de tanto prazer quando os visitamos), mesmo. e o liberalismo económico anglo–saxó- las do Norte. É certo que me parecem mas na realidade, tirando estas livrarias nico. Pobre Villepin, que eu conheci Mi- ser feitas já em computador e impressas e alfarrabistas que vivem do hábito, o João Lopes
    8. 8 ENTREVISTA DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 JOÃO LUÍS JESUS LEMBRA QUE A TRADIÇÃO ACADÉMICA NÃO SE RESUME À CHEGADA DOS CALOIROS “A praxe é um modo de estar” Foi na Sala Sr. Xico, no primeiro piso assistir às aulas, em conciliar horários, da sede da Associação Académica sendo uma questão que a própria uni- de Coimbra, que João Luís Jesus rece- versidade deve equacionar. Em relação beu o jornal Centro, depois de aceite aos colegas, não me parece que exista o repto para conversar sobre as tradi- qualquer sentimento de exclusão, bem ções académicas de um forma geral. pelo contrário, uma vez que é frequente O Dux Veteranorum aponta a praxe facultarem os apontamentos e darem como uma forma de estar e de sentir todo o tipo de apoio aos trabalhadores. a universidade e espera que toda a cidade de Coimbra diga “presente” SEM MARGEM PARA ERROS na Queima das Fitas 2006 A Queima das Fitas 2005 ficou en- António José Ferreira (texto) sombrada por alguns problemas... Nuno Cardoso (fotos) Houve alguns problemas, azares com alguns negócios, algumas decisões COMO DEFINE A PRAXE? que se vieram a revelar pouco acertadas A praxe académica é fundamental- e, de facto, as coisas não aconteceram mente um modo de estar, que deve ser como estava inicialmente previsto. Há o mais digno possível. É uma cultura riscos que é necessário enfrentar e se te- própria dos estudantes e de uma comu- mos tido sempre a sorte de as coisas nidade. Internamente existem relações correrem bem, no ano passado tivemos entre os diferentes estudantes, de acor- azar. O fundamental é aprendermos do com o número de matrículas e, por com os erros, para que não se repitam. exemplo, se já usaram insígnias pes- E este ano estamos a ter uma postura de soais ou não. Mas o principal é ter em acordo com esse pressuposto, estabele- conta que a praxe e o seguir a tradição cendo margens de risco bem menores académica é um modo de estar e uma para as decisões que tomamos. Por integração dentro de uma comunidade exemplo, se no ano passado essa mar- com tradições e com uma identidade e gem de risco era de quarenta por cento, uma mística muito próprias, numa ins- este ano não ultrapassa os vinte. Não tituição que tem mais de 700 anos de podemos sujeitar-nos a ter um único história. Não é só a brincadeira por azar, pois há dívidas do ano passado brincadeira com o “caloiro”, o que para que vão ser pagas com a Queima deste mim não chega sequer a dez por cento ano. É esse o compromisso. do que é a praxe, mas é toda a envol- vência da academia coimbrã: a Queima DE QUE FORMA ESSES PROBLEMAS CONDI- das Fitas, o fado, o cortejo, o comprar o CIONARAM A ORGANIZAÇÃO DESTE ANO? nabo na Latada, a cerimónia de imposi- Não houve restrições orçamentais, ção de insígnias na pasta, etc, etc. Tudo O Dux Veteranorum da Academia de Coimbra espera que toda a cidade se até porque é impossível realizar dinhei- isto não tem nada a ver com caloiros e é envolva em torno da Queima das Fitas de 2006 ro se não houver investimento. A Quei- uma parte muito vistosa e bonita das ma foi organizada nos mesmos moldes tradições. Felizmente que os estudantes a pagar com a mesma moeda por algo e não foi pelos maus resultados do ano ainda têm muito orgulho em todos es- que lhe fizeram. O espírito da praxe não TEM HAVIDO EVOLUÇÃO NA PRAXE? passado que esta organização ficou tes aspectos. Por exemplo, no último deve ser esse. Há regras e tem de haver Há uma evolução natural. Há coisas condicionada em termos de grupos ou ano, em usarem as fitas assinadas pela essa sensibilidade por parte de quem que se faziam há 40 anos e que neste actividades. Pelo contrário, a Queima família, pelos amigos, pelos professo- está a “praxar”. momento estão banidas. Por exemplo o procura sempre melhorar de um ano res, etc, de acordo com as regras estabe- “canelão”, que era extremamente vio- para o outro e esta foi pensada para ser lecidas. Tudo isto é praxe e tradição e HÁ RELATOS DE ALGUNS ABUSOS NO ACTO lento. As tradições devem manter os uma boa Queima, independentemente pensar–se que elas se resumem ao iní- DE “PRAXAR”, QUE FOGEM A ESSE ESPÍRITO mesmos princípios, de modo a que não do problema financeiro que vem do ano cio do ano, com a recepção aos caloiros, A QUE SE REFERE. A QUEM DEVE PERTEN- se perca a identidade, mas devem adap- anterior. Portanto não é por falta de in- considero que se trata de uma visão CER A “FISCALIZAÇÃO” DA PRAXE? AO tar-se à evolução natural da sociedade, vestimento que esta Queima pode ser, muito redutora, pelo menos no que CONSELHO DE VETERANOS? até porque a prática da tradição é feita de forma alguma, criticada. concerne à Universidade de Coimbra. A praxe auto fiscaliza-se, no sentido por gerações diferentes, que vão mu- em que a hierarquia que está acima po- dando de acordo com a sua formação QUE MOMENTOS ESPERA QUE SEJAM OS EM RELAÇÃO AOS “CALOIROS”, A PRAXE É de interferir com a de baixo, anulando ao longo dos tempos. MAIS ALTOS DA QUEIMA? SOBRETUDO UMA FORMA DE INTEGRAÇÃO ordens ou acções delineadas pelas hie- Na primeira noite vamos ter a Mela- NA UNIVERSIDADE E NA ACADEMIA? rarquias inferiores. Isso permite um au- TODOS OS ESTUDANTES DEVEM OBEDECER nie C. Espero que dê um grande concer- É uma forma de integração e deve to controle entre os estudantes das di- À PRAXE ACADÉMICA E VIVER AS TRADI- to e que o pessoal adira, não só os estu- ser só isso. O “caloiro” está na hierar- versas hierarquias. Por exemplo, se um ÇÕES E COSTUMES ACADÉMICOS, MAS A dantes mas a cidade de uma forma ge- quia mais baixa da praxe, mas também “quintanista” ou “quartanista” for a REALIDADE É QUE, POR VEZES, OS TRABA- ral. Mas o momento alto, para não va- tem alguns direitos em termos praxísti- passar na rua e vir um “semiputo” a fa- LHADORES-ESTUDANTES SE SENTEM UM riar, será quase de certeza o cortejo dos cos. E há algo que nunca se deve esque- zer asneiras numa brincadeira com um POUCO DESENQUADRADOS DE TODO ESTE “quartanistas”, no dia 9 de Maio. É cer: é que independentemente de ser a “caloiro”, pode dizer-lhe para parar e PROCESSO... sempre o momento mais importante da “besta”, segundo a praxe, o “caloiro” dizer ao “caloiro” que só faz se quiser e Isso terá que ser a própria pessoa a Queima, dê lá por onde der. Espero que não deixa de ser um colega e um estu- que pode ir embora. E o “semiputo” le- sentir e decidir. Independentemente do esteja assim um “tempinho” como o de dante do ensino superior. E o objectivo va “nas orelhas”, para aprender a fazer tipo de vínculo que tem, o trabalhador- hoje, com a chamada “chuvinha molha- deve ser integrá-lo numa comunidade, as coisas bem feitas. Há portanto uma -estudante é estudante e portanto igual -tolos”, que cai sempre muito bem no num espírito, e não afastá-lo. Ou seja, auto-regulação. Ao Conselho de Vetera- aos outros. Para a praxe não interessa se dia do cortejo porque nos poupa muitos deve-se brincar com ele mas de modo nos compete fazer com que as normas é trabalhador ou não, pois tem tal e problemas e diminui o risco de incên- que ele também se esteja a divertir. Por- sejam bem conhecidas por todos, de qual os mesmos direitos que os outros e dio nos carros. que se assim não acontecer, deixa de ser modo a que toda a gente conheça as re- ninguém questiona essa situação. Se ca- praxe e passa a ser mais um “ressabian- gras e as aplique e faça aplicar devida- lhar não se sente de facto tão enquadra- O CORTEJO É SEMPRE UM MOMENTO DE ço” de quem o está a “praxar”, se calhar mente. do, mas pelas dificuldades que tem em ALGUMA CRÍTICA SOCIAL. NUM MOMENTO
    9. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 ENTREVISTA 9 EM QUE A COMUNIDADE ESTUDANTIL VOL- a imaginação ande cada vez a ficar mais das pelos conimbricenses em geral, pa- sam um pouco, nomeadamente quan- TA A ESTAR NA RUA, COM NOVAS LUTAS, O fraca. Tem havido sátira, é certo, mas ra o que contribuem os preços, que não do com os copos pensam que podem QUE ESPERA EM RELAÇÃO A ESSE ASPECTO? não de uma forma tão acutilante como estão demasiado “puxados”. Pagar 16 fazer tudo e não podem, mas se por- O primeiro cortejo realizou-se em antigamente. euros para a ouvir a Melanie C e 15 em ventura decidíssemos não realizar a 1899, no Centenário da Sebenta, preci- todos os outros dias, com boas bandas, Queima, toda a cidade ia sentir a falta samente com o objectivo de sátira à so- FESTA DA CIDADE parece-me francamente acessível. De- desta festa. Que é de todos! E toda a ciedade. Esse é, desde o início, um dos pois há toda a animação das tendas do cidade ia pedir, em clamor, para que objectivos primários do cortejo, e que se A QUEIMA DAS FITAS É UMA FESTA DE TO- parque, com um espírito e uma mística realizássemos a Queima. Ou seja, os manteve durante o período da censura, DA A CIDADE DE COIMBRA? muito próprios, e onde todos são bem- estudantes fazem umas “maluquices” no qual as coisas tinham de ser escritas A Queima é uma festa de estudantes -vindos. que por vezes causam algumas dores de uma forma muito especial. Todos os e para estudantes, mas também para to- de cabeça aos “futricas”, que não gos- anos, todos os carros levam alusões sa- da a cidade de Coimbra. A prova disso ACTUALMENTE COMO SE PROCESSAM AS tam de certos abusos, mas se os estu- tíricas, normalmente direccionadas à é que as actividades desportivas e cul- RELAÇÕES ENTRE ESTUDANTES E “FUTRI- dantes param de fazer isso a cidade es- sua faculdade ou área de acção. E este turais, que já começaram, envolvem to- CAS”? tranha e quase que pede para voltarem cortejo não vai certamente fugir à regra da a cidade. As noites do parque tam- É uma relação de amor-ódio. É ver- ao “estado normal” e à animação que embora, infelizmente, nos últimos anos bém são normalmente muito frequenta- dade que por vezes os estudantes abu- lhes é característica. ACTUAL DUX VETERANORUM VAI EM SEIS ANOS DE MANDATO Capa A sucessão tranquila e batina João Luís Jesus, finalista do curso de Actualmente é muito raro ver um es- Engenharia Electrotécnica e Computa- tudante usar a capa e batina todos os dores, foi eleito Dux Veteranorum em dias... 2000. Ao cabo de seis anos de mandato O uso generalizado da capa e batina e a par com o desejo de concluir o cur- limita–se a três/quatro ocasiões duran- so, confessa que “a sucessão já está a te o ano e, de facto, são poucos os estu- ser pensada há algum tempo”, subli- dantes que a usam mais regularmente. nhando que as “pessoas não se devem Regra geral usam no início do ano, na agarrar aos lugares, até porque cada Latada, na Queima e depois também geração de estudantes acrescenta algo em acontecimentos pontuais, como por de novo e faz evoluir a praxe”. Além exemplo eleições. Digamos que é um disso, reforçando a ideia de que a su- uso sazonal. Houve uma massificação cessão poderá justificar-se dentro de muito grande do uso da capa e batina, um breve período, João Luís Jesus con- quase toda a gente tem, mas são pou- sidera estarem cumpridos alguns dos cos os que a usam regularmente. objectivos a que se propôs, entre os quais “a revisão da praxe e a melhoria QUAL A OPINIÃO DO DUX VETERANORUM da imagem do Conselho de Veteranos SOBRE ESTA QUESTÃO? junto dos estudantes, de modo a não É mais uma questão que se enquadra parecerem aqueles ‘gajos’ maus que no que disse no início, que a praxe é perseguem os estudantes, mas antes e uma maneira de estar. Não se pode unicamente estudantes veteranos que obrigar ninguém a usar capa e batina. percebem algo mais sobre a praxe e aju- Os estudantes é que têm de se sentir dam a fazer cumpri-la”. bem e ter orgulho em usá-la. Mas já as- sisti várias vezes aparecer alguém de capa e batina num dia “normal” e o JOÃO LUÍS JESUS EXPLICA ALGUNS CONCEITOS pessoal “olhar de lado” e perguntar o que aconteceu para estar assim vestido. Ou seja, tem que haver sempre um Veterano é diferente de cábula motivo especial para se usar a capa e batina e são muito poucos os que a usam porque se sentem bem e gostam de usar. É uma questão de os estudan- Para melhor compreensão desta entre- Forma como o Conselho de Veteranos tes entrarem no espírito do que é a pra- vista e da forma como, na prática, se pro- se enquadra na Queima das Fitas: “O xe e da identidade própria da academia cessam as relações das diversas hierar- Conselho de Veteranos é uma das entida- de Coimbra. quias de estudantes da Universidade de des supervisoras da Queima das Fitas e Coimbra com as tradições académicas, so- tem sempre um elemento na Comissão licitámos ao Dux Veteranorum a definição Organizadora, que é por inerência o Dux de alguns dos conceitos mais importantes. Veteranorum”. Dux Veteranorum: “O Dux Veterano- O que é um veterano?: “Ao contrário rum, ou chefe dos veteranos, traduzindo do que regra geral se pensa, que os vete- do latim, é um veterano eleito pelos ou- ranos são os cábulas que andam por aqui tros veteranos numa reunião convocada há muitos anos sem fazer nenhum, um es- para o efeito. Não é necessariamente o tudante para atingir o estatuto de vetera- aluno mais velho da Universidade, e nes- no tem de estar obrigatoriamente no final te caso concreto eu não sou o aluno mais do curso e ter mais matrículas do que as velho, mas aquele que entre os candidatos necessárias para o concluir. Portanto não obtém a maioria absoluta dos votos na basta ter mais do que as matrículas nor- reunião de eleição”. mais do curso para ser considerado vete- Conselho de Veteranos (ou Magnum rano. Por exemplo, um aluno que tenha Concilium Veteranorum): “O Conselho 10 matrículas mas que esteja no primeiro de Veteranos é uma reunião de veteranos, ano, não é veterano. Ou seja, como manda presidida pelo Dux Veteranorum, que de- a praxe, todo e qualquer veterano ou está libera sobre todas as questões que tenham no último ou no penúltimo ano, portanto a ver com a tradição académica dos estu- quase a acabar, e já usou insígnias pes- dantes da Universidade de Coimbra”. soais”.
    10. 10 CULTURA DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 CONGRESSO INTERNACIONAL NA QUINTA DAS LÁGRIMAS O jardim medieval Vai decorrer na Quinta das Lágrimas, um Jardim Medieval, contíguo ao Jar- em Coimbra, nos próximos dias 1 e 2 de dim Românico ali existente. Maio, um Congresso Internacional sub- “É necessário enaltecer a importân- ordinado ao tema “O Jardim Medieval cia deste duplo evento, tanto que mais e as suas interpretações românticas”. que a Universidade de Coimbra está a Nos dois dias anteriores (29 e 30 de fazer um grande esforço para passar a Abril), aquele histórico local acolherá integrar a lista de Património Mundial também a Assembleia Geral do ICO- da UNESCO” – sublinhou Cristina MOS (Comité Científico da UNESCO Castel-Branco, acrescentando: para a defesa e estudo de Parques, Jar- “É nossa intenção aproveitar também o dins e Sítios Históricos). congresso para lançar uma iniciativa a Trata-se da primeira vez que o ICO- nível nacional para a defesa do rico MOS reúne em Portugal, ficando isso a património de jardins medievais e dever-se à Prof.ª Cristina Castel-Branco, românticos espalhados por todo o Presidente da Associação Portuguesa país”. de Jardins e Sítios Históricos (APJSH), Esta iniciativa da APJSH conta com a que apresentou proposta nesse sentido colaboração da ICOMOS e da Fundação aprovada pelo ICOMOS em Bruxelas, Inês de Castro, e tem o apoio da Univer- em Fevereiro do ano passado. sidade de Coimbra, da Câmara Munici- Registe-se que na ocasião vai ser pal de Coimbra e de diversas outras en- inaugurado, na Quinta das Lágrimas, Cristina Castel-Branco tidades. vel, há também os que pretendem, atra- ser uma oração. Afinal há tantas formas Dia da Mãe a 7 de Maio vés de vesgas leis humanas, relativizar o primeiro de todos os direitos do ser humano. de demonstrarmos às nossas mães co- mo lhes estamos gratos pelo facto de, um dia, numa primavera de ontem ou Celebra–se no primeiro domingo de das mais significativas, e que não per- Por isso, neste tempo em que este de há muitos anos, terem acolhido no Maio (dia 7), o Dia da Mãe. deu ainda de todo a intenção que lhe dom é tantas vezes e de tantos modos seu ventre maternal o dom que se fez Para assinalar a efeméri- deu origem, é a que se prende posto em causa, celebrar o Dia da Mãe vida cada um de nós. de, a Medalhística com o chamado Dia da é também ocasião oportuna para que A presente medalha, obra do escultor Lusatenas acaba Mãe que, em alguns cada um de nós faça uma verdadeira re- Jorge Coelho, editada pela Medalhística de editar uma países de matriz cris- flexão não só sobre o que representa pa- Lusatenas, pretende contribuir para bela obra de tã, continua a ser ra si a própria vida mas igualmente so- que a celebração do Dia da Mãe tenha arte, da au- celebrado a 8 de bre a forma como tem sabido defender este sentido de agradecimento. Bem- toria do Dezembro, fes- e promover este direito fundamental e –hajam as nossas mães!”. escultor ta litúrgica da inalienável de todo o homem. A J o r g e Imaculada reflexão não pode deixar Coelho. Conceição, e de nos levar de regres- Trata- que, entre so ao colo das nos- –se de nós, foi trans- sas mães, aos u m a ferido para o seus beijos ca- medalha primeiro do- rinhosos e à de bron- mingo de ternura con- ze, que Maio. templativa vem acom- Em Dezembro de cada panhada de ou em Maio, é uma delas um texto alusi- sempre um dia cheio sobre o vo à data, escrito de calor humano, de mistério pelo padre A. Jesus recordações bonitas e de da vida Ramos, Professor de His- muita ternura. De facto, todos que lhes tória da Igreja. aproveitamos este dia para, de um mo- foi ofereci- É esse texto que a seguir reproduzi- do ou de outro, manifestarmos às nos- do na dádi- mos, com a devida vénia: sas mães o nosso reconhecimento por va de cada fi- “Instituíram–se, no nosso tempo, as nos terem o mais precioso e sagrado de lho. mais variadas celebrações, para come- todos os dons: a vida. Neste regres- morar, num dia próprio, pessoas e A vida humana está hoje em debate, so estará sempre acontecimentos. A muitas delas andam sendo tema de congressos, de discus- presente um gesto de ligados objectivos comerciais, o que não sões, de abordagens diversas. E se é agradecimento. Pode ser deixa de empobrecer o seu significado. verdade que se levantam muitas vozes uma flor. Pode ser um beijo. De todas essas comemorações, uma para defender este valor incomensurá- Pode ser uma pequena prenda. Pode Diadouro Joalheiros S P L Sá Pereira do Lago CORRETORES DE SEGUROS 76 Anos de Actividade Seguradora AV. FERNÃO DE MAGALHÃES, 136 • 2.º SALA Q 3000-171 COIMBRA Patrão Ramos, Lda. TELEF. 239 851 810 – FAX 239 833 010 RUA FERREIRA BORGES, N.º 66 – TEL. FAX 239 82 41 61 – 3000-179 COIMBRA
    11. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 SAÚDE 11 MINISTRO DA SAÚDE NA LABESFAL 15 milhões para nova unidade de produção de antibióticos Joana Martins Numa cerimónia presidida pelo Mi- nistro da Saúde, António Correia de Campos, no passado dia 12 de Abril, foi lançada a primeira pedra para a edifica- ção da nova unidade de produção de cefalosporinas, antibióticos injectáveis, da Labesfal-Fresenius Kabi. O grupo alemão, que comprou o laboratório por- tuguês há cerca de um ano, dá assim início à construção de um projecto, em Santiago de Besteiros, concelho de Ton- dela, que se prevê estar em pleno fun- cionamento em Abril de 2007. O investimento no projecto ronda os 15 milhões de euros e afigura-se de grande importância na medida em que a actual unidade de produção de anti- bióticos da Labesfal já atingiu o seu li- mite em termos de capacidade produti- va, tal como referiu o Administrador da empresa, Jorge Amaral. Pautada por uma concepção modular, a nova unida- de, com cerca de 4.500 metros quadra- dos de área, divide-se em três pisos que englobam a produção, armazém e ser- viços, os equipamentos e o controle de qualidade. O Ministro Correia de Campos no uso da palavra O Presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carlos Marta, reitera a im- dade, que irá criar cerca de 50 novos justifica a confiança no aumento da pro- de de produção, a nova unidade pre- portância deste investimento, “sinal po- postos de trabalho, prevê, em cerca de dução, cerca de 85 milhões de euros no tende exportar, numa primeira fase, sitivo para a economia do concelho, da quatro anos, estar a produzir em três final de 2006, e consequente disparo do cerca de 80% da sua produção, aumen- região e do país”. De facto a nova uni- turnos, sete dias por semana. Assim se volume de vendas a partir de 2007, al- tando em 10% este volume em cerca de tura em que entrará em funcionamento quatro anos. a nova unidade. O Presidente da Labesfal-Fresenius Durante a sua intervenção, o Minis- Kabi reafirmou, no entanto, o papel vi- tro da Saúde sublinhou a importância tal do Infarmed como parceiro neste do investimento feito pela Fresenius processo de internacionalização. Brás Kabi no interior do país, no âmbito da de Castro sublinhou que, na medida em criação de novas oportunidades de de- que o registo dos produtos em outros senvolvimento. Correia de Campos re- países é fundamental para o alarga- feriu ainda que este tipo de investimen- mento do mercado internacional, “o In- tos têm um “efeito agregador de outras farmed tem que ser obrigatoriamente actividades” e reiterou o facto de ser es- um parceiro activo”. O Presidente do te tipo de empresas “a melhor vacina laboratório foi mais longe e reforçou a contra a deslocalização”. aposta na defesa de Portugal como “Es- tado membro de referência para os re- INTERNACIONALIZAÇÃO gistos internacionais”. O Ministro da Saúde relembrou a O abastecimento do mercado mun- intenção de ultrapassar os 300 mi- dial é um dos objectivos da Fresenius lhões de euros no que diz respeito às Kabi. Tal como referiu o Presidente do exportações de medicamentos, subli- laboratório, Francisco Braz de Castro, nhando que “se toda a indústria far- “a internacionalização não é uma macêutica fosse como a Fresenius Ka- opção” mas sim “uma necessidade vi- bi, provavelmente passaríamos para o tal”. Assim, no que respeita à capacida- triplo”. Farmácia Figueiredo directora técnica: Capitolina Maria de Figueiredo F. Pinho Propriedade e dir. técnica de Maria Isabel Correia Mesquita Rua da Sofia, 107 • 300-390 Coimbra telefone: 239822837 – fax: 239842934 3000 Coimbra – Tel. 239 823 744 – Fax 239 832 398
    12. 12 SAÚDE DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 PRÉMIO PARA OS HUC APOIO A UM MILHÃO DE PORTUGUESES Odete Isabel Contra distinguida o alcoolismo como Figura do Ano A Associação dos Alcoólicos Anóni- mos (AA), que ajuda um milhar de por- quentam os grupos de ajuda continuam a denominar-se alcoólicos que se devem tugueses a parar de beber, tem vindo a manter afastados da bebida. receber cada vez mais pedidos de auxílio “Conhecemos casos de pessoas que fa- de jovens e mulheres. zem desintoxicações, mas depois voltam “Há cada vez mais gente nova e come- a beber e aqui conseguimos parar de be- ça a haver uma pequena desmistificação ber”, contou à Lusa uma associada que em relação às mulheres”, afirmou à agên- deixou de beber há sete anos e meio, cia Lusa o secretário-geral da associação. adiantando que “o único requisito para Frisou, contudo: “O nosso único foco é ser membro é o desejo de parar de be- a recuperação da pessoa que está perdida ber”. e que só tem um pano escuro à sua fren- “O que digo aos que chegam aos AA te. Dizemos-lhe que há solução através desesperados é que sou alcoólica, tam- da manutenção da abstenção”. bém tenho um passado de sofrimento e O secretário-geral falava no intervalo que aqui resultou”, continuou. da conferência anual dos Alcoólicos Anó- O testemunho de pessoas que se abs- nimos que decorreu no Bombarral e que têm de beber é considerado credível pe- reuniu representantes dos 83 grupos los alcoólicos em recuperação que fre- existentes no país. quentam os encontros de grupo. Sónia Oliveira, vice–presidente dos “Gera-se uma dinâmica de partilha e é AA, disse também que “cada vez há mais assim que se deixa de beber”, disse. gente nova” na associação, sustentando Segundo o secretário-geral, os AA não que “há novas formas de beber, bebe–se se envolvem em quaisquer outras causas. de forma muito intensa para atingir um “Não tomamos posição sobre políticas efeito”. como a taxa de alcoolemia ou sobre a Quanto às mulheres, tem aumentado partir de que idade é que as pessoas de- Odete Isabel foi, no passado dia 20 Tal como confessou ao “Centro”, a o número das que pedem auxílio porque vem começar a beber, só nos interessa a de Abril, distinguida como Figura do Directora dos Serviços Farmacêuticos “há uma melhor aceitação e já lhes é per- recuperação dos alcoólicos”, salientou. Ano 2006, prémio atribuído pela re- considera que “a Farmácia Hospitalar mitido ter esta doença”, adiantou a vice- Em relação aos frequentadores das vista “Farmácia Distribuição”. é uma vertente da actividade farma- -presidente. reuniões de grupo, a associação estima Directora dos Serviços Farmacêuti- cêutica que tem sido muito esqueci- Os grupos funcionam de forma dis- que 50 por cento não são regulares demo- cos dos Hospitais da Universidade de da”. Assim, Odete Isabel partilha a persa pelo país onde aplicam uma tera- rando anos até se manterem fixos, 25 por Coimbra (HUC) desde 1995, Odete importância da distinção que recebeu pia que designam de “programa de vi- cento entram em recuperação permanen- Isabel (sobre cujos serviços publicá- com “a equipa de trabalho que a da” e que cujo objectivo é manter os al- te e os restantes 25 por cento nunca mais mos reportagem na anterior edição) acompanha nos HUC, com todos os coólicos afastados da bebida para o resto voltam aos grupos. diz ter “recebido orgulhosamente o farmacêuticos hospitalares portugue- da vida. Os interessados em participar nos gru- prémio, enquanto farmacêutica hos- ses e com a família e amigos”, que a Considerando o alcoolismo uma pos podem ligar 217 162 969 ou consultar pitalar”. apoiaram desde sempre. doença crónica e irreversível, os que fre- o site www.aaportugal.org. Restaurante “A Sede” Praceta Mota Pinto – Apartado 9003 – 3001-301 Coimbra 239 483 793
    13. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 PUBLICIDADE 13
    14. 14 OPINIÃO DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 BRINCAR COM O FOGO Apesar de tanta calamidade, o átomo sem um mínimo de senso, de escrúpu- mais propriamente a Europa e toda a continua um brinquedo nas mãos de los. bacia mediterrânica, refém da chan- irresposáveis, arma de chantagem na O que está a passar-se no Irão é tagem dum poder marginal e insen- antecâmara da tragédia. extremamente perigoso, não propria- sato. A posse do segredo nuclear, passaporte mente por mais uma porta de acesso ao Chegou, pois, o momento de todas as para a entrada no clube dos poderosos deste risco atómico mas porque quem a fran- nações se unirem e fazerem valer a força mundo, tornou-se numa ostensiva vaidade, queia dela se serve para fazer a guerra da razão contra a razão e a irracionali- Renato Ávila mesmo que os cidadãos desses países, em nome dum deus tendenciosamente dade da força. É tempo de, urgente- imersos em crónico obscurantismo, mor- desvirtuado, dum fanatismo politica- mente, os poderosos do clube nuclear ram de doença e de fome. mente exacerbado. assumirem definitivamente e em pleni- Chernobyl agiganta-se como um dos Ainda se o controlo da força estivesse Qualquer acto bélico sobre tal barril tude as suas responsabilidades. maiores desastres nucleares da história. nas mãos do poder democrático, na de pólvora poderá tornar-se num Já bastaram os medos e os perigos Tal como em Hioshima e Nagasaki, vontade livre e esclarecida do povo desastre de incomensuráveis pro- das décadas de guerra fria. volvidos que são vinte anos, ainda hoje sofredor..., mas não. Cada vez mais os porções. Permitir o avanço incontrola- Para quem ainda tenha dúvidas, aí se morre pelo efeito das radiações dum aventureiros demagogos usurpam e, a do do processo, em clara e acelerada estão os dolorosos testemunhos da ambiente altamente contaminado. seu bel prazer, controlam essa vontade gestação, é colocar a humanidade, Ucrânia e do Japão. ponto . por . ponto Sertório Pinho Martins rotos. E o crescimento económico dos dois países aí está a explicar como vai subterrânea e mais cega do que alguma vez foi, porque os tempos são antes de ser o nosso futuro esquelético: 3,4% tudo tempos de sobrevivência e a ética para Espanha, e as nossas ainda duvi- foi varrida para debaixo dos tapetes da ...já cá estão dosas e magras décimas (OCDE, FMI, UE e Banco de Portugal dixit) a merecer um honroso 4º lugar... a partir do fim da tabela elaborada por quem sabe do que complacência adormecida e conforma- da, que suga a nossa agrura diária já tão ensopada nos crudes das ramas petro- líferas em escalada vertiginosa e nas fala (enquanto por cá há muito boa condições de vida em queda acelerada outra vez! gente que só fala do que não sabe e não pára de enterrar impunemente as botas no charco), orgulhosamente e apenas antecedidos pela Guiné Equatorial, e propícia à venda de almas ao primeiro diabo que apareça na esquina da sorte. Se tudo isto entrou na equação de (re)abertura das páginas do teu Centro, Desde os tempos em que me cruzei qualquer preço nas capas e páginas Seichelles e Zimbabué. Comentários vamos a eles, que já cá estão outra vez... com o Jorge Castilho, sem outro ímpares, métodos refinados de calar para quê, se são tudo artistas portugue- e vieram para ficar! propósito que não fosse levarmos a opiniões, e todo um ror de novos ses? cruz ao calvário do serviço militar obri- mecanismos e instrumentos de mexer Por isso a pergunta de mim-para- gatório, aí pelos finais dos anos 60, dele na comunicação, que vais ter de equa- com-mim: QUE RUMO, Jorge? Numa guardei sempre uma imagem de serenidade e de caminhante sem pres- sas nem atropelos desgrenhados, escol- cionar com muita ponderação e o olhar posto já no fim da década - e nem me atrevo a desenhar horizonte mais dila- nova Babel de todos a escrever sobre tudo o que possa cativar leitores, inde- pendentemente da qualidade da men- POIS... hendo com critério e convicção os tado, porque até lá muitas iniciativas e sagem ou da falta de ética do chega- temas das suas intervenções. A par- boas ideias irão morrer pelo caminho, para-lá, para onde vamos de novo con- agem editorial a que se remeteu, sem- quase todas de inacção ditada por tigo neste renascer que estou seguro pre se me afigurou como um stop-and- regras inexoráveis dos desertos de au- ponderaste maduramente? A partir go (legítima 'contagem de protecção'?) diência ou do suporte económico em daqui, cada passo mal-dado ou pisa- até reganhar fôlego e sentir reacesa a que cada um se aventura. dela a doer, terá um impacto diferente vontade de nova incursão pelo univer- E este teu reaparecimento acontece de há três ou quatro anos atrás. Andam so da comunicação social, vontade à numa fase extremamente ingrata da (andamos!) todos mais escaldados e a qual não resistiu pela simples razão de vida portuguesa - e para as bandas da espreitar por cima do ombro, ninguém José d’ Encarnação que é parte da razão do seu respirar, e comunicação social basta olhar para o arrisca abrir caminho sobre esqueletos que (mais uma vez e ele que me perdoe que tem acontecido com as mudanças mal enterrados, cada eunuco deste ou a ousadia) lhe há-de levar couro e cabe- de mão (e de trincheira) de uma Luso- daquele grupo lutará com fanatismo Há três anos que sou tutor. A lo, e trazer em compensação mais uma mundo, com os títulos do e para o Gru- pelo imperador que lhe garantir cama- meu cargo, desde os primeiros pas- quantidade de rugas à pala do tenho- po Cofina, com a discrição dos resulta- mesa-e-roupa-lavada. Estamos no sos na Faculdade, um grupo de que-dizer-o-que-me-vai-na-alma. E é dos da Impresa, com a explosão dos jor- mundo real e autofágico da information cinco estudantes com quem deve- desta fibra que não são feitas as harpias nais gratuitos, com a morte súbita de is power, onde já não há gestos de soli- ria reunir, trocar impressões, orien- e pitonisas da nossa classe jornalística, publicações ainda há pouco flores- dariedade, acredita! tar - ser, enfim, o elo privilegiado cada vez mais subjugada ao poder centes, com a novíssima ditadura do Assumir uma linha de rumo, hoje, de ligação entre a Escola e o estu- político e ainda mais ao poder económi- telemóvel e das guerras pelo controlo terá de significar coerência no passo, dante. co. Com raras excepções! do seu universo de conversantes, com o independência no gesto e persistência Pedi números de telefone, con- E a minha grande dúvida, Jorge, percurso solitário de um Jornal do Fun- no calor da mensagem - e isso sai do tactos de correio electrónico e par- deste regresso a um espírito/conceito dão e outros igualmente emblemáticos, bolso e do coiro. Porque de outro modo, ti, decidido e cheio de entusiasmo, de opinião criticamente isenta, que vi com as profundas alterações geradas nem com a 'vinda do Marquês cá na aventura das novas pedagogias. acarinhar e cultivar sob o título Jornal pelo exponencial salto tecnológico da abaixo' a coisa vai melhorar: os donos Consegui reunião e meia, num de Coimbra, tem a ver com o turbilhão Net e de toda a gama de recursos asso- da comunicação social já cá estão outra ano, travámos conhecimento. de mudanças que entretanto ocorreram ciados às redes de comunicação hoje ao vez, e aprenderam na pele a lição de um Teoricamente, eu era tutor para e com a capacidade de que o Centro se alcance de utentes dos 8 aos 80... sem passado recente, tendo entretanto apa- os quatro (ou cinco...) anos da li- consiga encaixar sem dor numa reali- sair do calor do sofá. E, but not the least, gado todas as pistas que pudessem per- cenciatura. Nunca mais me procu- dade nova da comunicação social por- aí está, sem máscara nem pretexto, a mitir-nos os passos de regresso. Nada é raram. tuguesa: fusões a granel, piruetas de invasão da armada espanhola, que ou será como dantes, quando resolveste O ano passado, novo grupo. Fui linhas editoriais, vasculhar assustador varre não só a comunicação social, co- parar para pensar: essa água não informado, Esperei. Ninguém me nas vidas privadas, rodopio de gestores mo a banca, a energia, a construção, o voltará a correr debaixo das pontes do apareceu. à luz de interesses partidários e de turismo, os seguros, as águas (o ouro do teu Mondego, e o romantismo quixo- Este ano... nada sei! novos grupos económicos dominantes, século XXI), os campos agrícolas, e o tesco já só sobrevive nos jogos florais ganhos de audiência à custa de n'im- mais que Deus queira e que a gente se das sociedades recreativas. Prepara-te porte quoi, gente disposta a aparecer a agache até nos verem os fundilhos para outra luta mais sofisticada, mais
    15. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 CULTURA 15 ALMADA NEGREIROS E GIGANTONES MULTIMEDIA... Teatro Anónimo - de Coimbra para o Futuro Definem–se, acima de tudo, como um grupo que recusa preconceitos e que procura furar barreiras artísticas exis- tentes. Para além do teatro de sala, o Teatro Anónimo aposta em fazer emergir um teatro de rua onde se cru- zam imagens do tradicional com uma visão futurista e pós–moderna do mundo. Rita Delille Ser surpreendido por dois giganto- nes multimédia ou por um careto trans- montano que recita Almada Negreiros são situações aparentemente impossí- veis mas que podem acontecer se o Tea- tro Anónimo (TA) sair à rua. O grupo nasceu em Coimbra no ano de 2001 e a sua actividade tem–se de- senrolado entre esta cidade, Figueira da Foz e Aveiro, tanto na rua como em sa- la. No que diz respeito ao teatro de rua, Marco Pedrosa, actor e membro da Di- recção, considera existir “um défice de teatro de rua de qualidade, bem traba- lhado e que fuja aos cânones tradicio- nais do que se considera que é a anima- ção de rua”. “Existe pouco teatro de rua e o que tem sido feito está mais ligado que estão teatralizadas, encenadas à trás e é isso que nos faz situar no pre- O cruzamento do tradicional com às artes circenses”, completa. partida”, explica o actor. sente”, defende. Esta tentativa de “futu- novas linguagens, nomeadamente a Uma das características que distin- Embora o teatro na rua viva muito da rizar” aspectos e imagens mais tradicio- multimédia, é, aliás, uma dos pontos gue o teatro de rua do teatro de sala é interacção com o público, esta é uma nais está, aliás, presente em quase todos em que o TA está cada vez mais a apos- que, o primeiro, permite uma interac- questão que Marco Pedrosa considera os espectáculos do TA. tar. “Neste momento estamos a desen- ção maior com o público, jogando ainda delicada. “Temos que saber até onde é Quanto a uma eventual função social volver um trabalho mais profundo e que podemos ir, até onde é que pode- do teatro que vá para lá do puro entre- transdisciplinar ligado às novas tecno- mos tocar no público. Normalmente tenimento, Marco Pedrosa considera logias e que vá para além da concepção não existe uma interacção directa, não que “o acto crítico que depositamos no mais clássica de teatro”. tocamos nas pessoas porque há uma teatro, o facto de nos manifestarmos e Marco Pedrosa diz que, mais do que barreira muito complicada de quebrar”. darmos a nossa opinião é, sem dúvida, uma vontade deliberada de ousar, exis- O dirigente do grupo explica ainda que uma forma cultural de intervenção so- te “uma intenção natural que vem das “os actores no teatro de rua estão muito cial. A criação artística permite–nos dar pessoas que constituem o TA de furar mais desprotegidos do que numa sala opiniões, recorrendo a autores com barreiras artísticas. E isto é tão normal onde há uma bancada e um palco. Há quem partilhamos perspectivas e com como a própria vida. É querer conhecer um distanciamento físico, há bastidores quem há uma identificação”. mais coisas, querer ir mais longe. Mas, onde os actores se podem refugiar caso achamos que isto só é possível conhe- algo corra mal, caso haja uma falha téc- DOIS ESPECTÁCULOS cendo e trabalhando sobre as formas nica”. EM CARTEIRA mais clássicas e convencionais”. Embora não considere o teatro de rua Para além destes dois espectáculos, o mais democrático que o teatro em sala, Neste momento, o grupo tem dois es- grupo criou, em 2002, um projecto ba- Marco Pedrosa admite que “uma das pectáculos de rua em carteira, o “Série seado em textos e personagens de Al- mais–valias e um dos aspectos mais im- B” e o “Liquidação Total”. Este último mada Negreiros. O projecto divide–se portantes do nosso trabalho de rua é foi estreado em Coimbra na altura do em três fases. A primeira consiste numa que conseguimos chegar a um público Euro 2004 e teve, nesse mesmo ano, peça que já foi levada às ruas de Coim- que provavelmente não iria ao teatro de apresentação na Figueira da Foz. “É um bra e Figueira da Foz, chamada “A Face sala”. espectáculo kitsch, de ambiente kitsch. do Caos”. “Esta peça consiste na criação Numa perspectiva mais abrangente É uma homenagem ao imaginário do ci- de um personagem popular, o careto sobre toda a criação artística do TA, o nema mudo, a Buster Keaten e a Char- transmontano, a recitar o Manifesto (fu- actor confessa que o grupo não preten- lie Chaplin.”. turista) Anti–Dantas, de Almada Ne- de desenvolver uma única linha de ac- O “Série B” é um espectáculo consti- greiros”. tuação, mas explica que “uma coisa im- tuído por dois gigantones multimédia, A segunda fase trata–se de uma peça portante na nossa forma de fazer teatro aos quais a cabeça foi substituída por em sala, “Amor Plutónico”, “cuja base é a perspectiva que temos do que é o um ecrã que contém diversos conteú- assenta em duas personagens de Alma- tradicional, do que já está enraizado na dos audiovisuais. da Negreiros, o pierrot e o arlequim, e sociedade portuguesa. Olhamos de Para Marco Pedrosa, “o que é interes- numa concepção transcendental do uma forma muito futurista para o que sante é esta junção do gigantone, que é amor”. A terceira fase, ainda em prepa- com o efeito surpresa e com o inespera- está atrás”. “Ao olhar para trás estamos já um elemento tradicional na nossa ração, é a “Milionésima Conferência do. “Criamos situações urbanas que po- a olhar para a frente e ao olhar para a cultura, com uma nova linguagem, a Futurista”, uma peça também baseada deriam ser normais mas não o são por- frente também estamos a olhar para das novas tecnologias”. em textos do mesmo autor português.
    16. 16 OPINIÃO DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 O chamamento dos fogos capacidade técnica de muitos bombeiros, ses alguma vez leram a Ilíada ou a Odis- rece. O problema dos incêndios é de tal sobretudo dos voluntários); 3.º) o que in- seia, de Homero. Mas é um facto que, co- forma grave que o direito se auto-reve- fluenciou decisivamente a sua decisão de mo Aquiles diante do Rei de Tróia, após o la diferente, quando alguém afirma a virem para Portugal foi a consciência que assassinato de Heitor, salvaram a existên- sua impotência diante de um mundo tiveram do sofrimento das populações. cia humana e deram início a um tempo em extinção. O direito que protege as Foi a aflição, por natureza excessiva, de clemência. Foi imitando Ulisses que florestas é o mesmo que previne a prá- das pessoas que os encorajou a conside- percorreram, também agora apenas de tica de crimes e pune os criminosos. Co- João Caetano rarem os seus deveres para com quem passagem por Portugal, o caminho de re- mo explicar então que o interior do país necessitava de ajuda, antes dos seus di- gresso a casa. se vá progressivamente desertificando Durante a vaga de incêndios que asso- reitos. Ninguém os ouviu invocar, por Por que o fizeram? O que lhes deu e a generalidade das pessoas prejudica- lou Portugal no Verão de 2005, ficou céle- exemplo, o direito ao bem-estar indivi- asas? das pelo fogo se sinta insegura? Em bre o caso dos três bombeiros franceses dual, nem o direito de circularem e de O que se afigura hoje correcto politica- Agosto de 2005, o fogo abeirou-se peri- que, após terem tido conhecimento, pelos serem acolhidos livremente por uma mente para vencer a ameaça dos fogos é gosamente da cidade de Coimbra, o meios de comunicação social, da gravida- corporação portuguesa de bombeiros. O aumentar o nível de exigência. Assente que nunca antes se tinha visto. Quem se de da situação portuguesa, se propuse- que os mobilizou está bem presente nas em claros fundamentos político-jurídicos, pode esquecer? ram ajudar os bombeiros portugueses, à palavras de um dos bombeiros: “Hoje os a cooperação europeia tem-se intensifica- Não há dois direitos – esse é o tempo conta das suas férias e, eventualmente, fogos são em Portugal, amanhã serão em do, designadamente com a criação de das ditaduras: dos presos comuns e dos suportando os gastos de deslocação, des- França; eu já vivi essa experiência trági- mecanismos de apoio técnico e financeiro presos políticos; da água nas cidades e da de que as autoridades portuguesas finan- ca”. aos Estados. Também o poder político seca nos campos; da existência, em suma, ciassem as suas despesas em território Tudo se processou, conforme o direito, português se tem pronunciado sobre a de “dois pesos e duas medidas”. Quando nacional e promovessem a sua integração através do Estado português, que é a en- questão, ao longo dos anos, tendo já pro- o direito falha, falha como um todo, e o numa força de intervenção. Por razões tidade político-jurídica que, através do cedido, por diversas vezes, a correcções corpo político sofre como um todo. que nunca chegaram a ser totalmente es- Governo, controla as actividades de pro- de percurso e a mudanças de rumo, que O que se passa, afinal? As “escolhas clarecidas, só muito tardiamente os bom- tecção civil em território português. A não se resumem ao aumento dos meios certas” podem ser iludidas por meca- beiros chegaram a Portugal, e a satisfação verdade é que a pequena ajuda chegou, humanos e materiais afectos ao combate nismos de diversos tipos, tanto naturais que tiveram, em termos profissionais, só numa situação em que o sofrimento das no terreno. Porém, todos os esforços se re- como ideológicos ou políticos, de tipo foi parcial. vítimas ultrapassava manifestamente a velaram até agora insuficientes. oportunista, baseados no egoísmo e não Para lá do que é acessório, há aqui fac- capacidade de intervenção das forças No ano passado, o Ministro da Ad- na solidariedade. O que os bombeiros tos de inegável alcance político e jurídico: controladas pelo Estado. E chegou – note- ministração Interna, António Costa, franceses nos mostraram é que a solida- 1.º) os bombeiros falaram verdade, quan- -se bem – como possibilidade dada pela veio reclamar uma diferente sensibili- riedade é uma necessidade material dos do mostraram interesse em ajudar as po- separação de facto existente entre portu- dade dos juízes na aplicação de medi- seres humanos, não um mero recurso pulações afectadas pela catástrofe; 2.º) ti- gueses e franceses, e não para uma pes- das de coacção aos incendiários. O seu moral, religioso ou cívico baseado em nham bons conhecimentos técnicos de soa em concreto, mas para uma plurali- comportamento suscitou a reprovação convicções discutíveis. Numa visão cer- combate aos fogos florestais, pondo em dade de rostos desconhecidos, o que nor- dos partidos da oposição, que entende- teira das coisas, perceberam o que é es- causa o argumento de que não seriam ne- malmente só acontece em situações extre- ram as palavras do Ministro como uma sencial à existência humana. cessárias mais forças terrestres (em Portu- mas de guerra ou de opressão. intromissão inusitada do poder executi- O que percebemos nós sobre o que se gal, existe um problema grave de falta de Não sabemos se os bombeiros france- vo em relação aos tribunais. Não me pa- passa à nossa volta? MÚSICA Distorções sempre ouvir um pouco do que vai con- mas que se destaca, sobretudo, pela tagiando nas pistas de dança, porque, criatividade, o que vai escasseando no apesar de gostarmos claramente de um monótono e pouco criativo mundo da determinado estilo de música, não de- música de dança. Para todos aqueles vemos deixar, nunca, de que esperavam que este “Sexor” não ouvir o que se passa à nos- fosse mais do que um “greatest hits” da sa volta, sob pena de nos sua carreira, Tiga apesar de ter incluído tornarmos uma espécie de duas “covers” interessantes – “Down in “Robinson Crusoe musi- It” dos Nine Inch Nails, e “Burning cal”, e de facto os registos Down The House” dos Talking Heads que mais me agradaram –, cativa-nos sobretudo com temas co- nos últimos tempos foram mo: “(Far From) Home”, “Pleasure José Miguel Nora os que conjugam as bati- From The Bass” (já editado em 2004), e das e riff´s das guitarras. o excelente “You Gonna Want Me”, com Bem Vindos! Hoje vou escrever-vos a participação especial de Jake Shears, de um dos discos que mais vocalista dos Scissor Sisters, e que tem Olá a todos, cerca de cinco anos de- gostei de ouvir nos últimos usufruído de algum “airplay” nas nos- pois, estou de volta à escrita sobre as li- tempos, o novíssimo “Se- sas rádios. des musicais, agora sob o título de “Dis- xor” de Tiga, este canadia- Para quem quiser ver ao vivo este fe- torções”. Neste espaço proponho contar no é, sem dúvida, uma das nómeno das pistas de dança, o dia 20 de não só estórias da música, discos que referências do “djing” ac- Junho no “Lux”( Lisboa) é uma excelen- compro, concertos que assisto ou mes- tual, que, apesar dos seus te oportunidade. mo algo sobre o qual me apeteça escre- 16 anos de carreira, no Fico a aguardar pelos vossas mensa- ver, mas havendo sempre com um de- qual remisturou um pouco gens, críticas, inquietudes ou ideias. nominador comum, a música. de tudo, apenas agora edi- PARA SABER MAIS: Desenganem-se os que esperavam ta seu primeiro longa du- - www.tiga.ca um monólogo, pois conto com a inte- ração. Este dj da cena mu- ou ractividade de todos os que semanal- sam desfazer dúvidas, equívocos, etc. sical de Montreal, acaba de nos sur- - “Sexor” (Different) mente me lêem, via e-mail, propondo Sendo um coleccionador e compra- preender com um registo discográfico - “In The Mix´05 - Mixed by Tiga and assuntos ou dando ideias que gostavam dor assíduo de discos, apesar de clara- marcadamente “electroclash”, onde se Ajax”(Central Station) de ver discutidas neste fórum musical, mente direccionado para as sonorida- cruzam, também, o house, o techno, e para que, sempre que possível, se pos- des marcadamente mais rock, tento ainda alguma sonoridade mais pop, josemiguelnora@gmail.com
    17. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 17 CRÓNICA DE UM TEMPO DOIDO... Segurança, códigos Mário Martins e “passwords” Esta página é a primeira que é também um blog, permitindo uma interactividade Por tudo e por nada, as novas permanente com os leitores. tecnologias exigem-nos um esforço Se quiser comentar de memória. Começa a ser cansativo. qualquer assunto, dirija-se a www.apaginadomario.blogspot.com Se desligou o telemóvel para não ser e deixe a sua opinião. acordado com um hipotético telefonema Pode também utilizar o endereço durante a noite, de manhã vê-se obrigado apaginadomario@gmail.com a inserir o código. É o primeiro de uma Assim, os textos desta página série de números bem guardados na estarão disponíveis na internet memoria, já que é desaconselhável es-¯¯2 e os comentários lá inseridos crevê-los por razões de segurança. poderão aqui ser publicados. Há quem precise de outro código para ligar a ignição do automóvel; felizmente não são muitos. Mas se vai para entrar no Amigos café e repara que não traz dinheiro, a solução é ir ao multibanco mesmo ao no blog lado e levantar umas notas. Outro código. De vez em quando a passagem pelo O aparecimento desta página susci- posto de abastecimento de combustíveis tou três comentários no blog. Mas, afi- é indispensável. Depósito cheio, cartão nal, mais do que comentários foram ex- de crédito na mão e... outro código! pressões de amizade. Ainda não são 9h00 e já a memória Dois anónimos aproveitaram para teve de recordar três códigos – diferentes, convém igualmente ter memorizado: o (outro número que convém ter sempre recordar experiências do trabalho no pois claro, por razões de segurança. número do bilhete de identidade, o do por perto) e marque uma consulta com “Diário As Beiras”. Chega ao escritório, abre a porta e, rap- cartão de contribuinte e, já agora, o o seu médico de família. Vão pedir-lhe Um deles escreveu que “Parece que idamente, deve desligar o alarme. número de contribuinte da empresa para o número de utente, mas não sentirá foi ontem, mas já lá vão 10 anos. Dez Adivinharam! Outro código. E vão qua- a qual trabalha, porque volta e meia é quaisquer dificuldades em satisfazer a anos!!!... Não são 10 dias, 10 meses nem tro. preciso pedir um recibo de uma compra. pretensão: abre a carteira, procura o 10 semanas. Pois não! São 10 anos!...”. Para consultar o correio electrónico, o Números e mais números. cartão entre muitos outros e dita o Outro deixou uma exlamação: “Ai que computador pede-lhe uma \"password\". Com um bocado de sorte, se gosta de número a quem o está a atender. Fica saudades”. Uma, claro, por cada conta de correio – e apostar no totoloto, ainda é capaz de marcada. O terceiro comentador, identificado, convém que sejam diferentes, ainda e memorizar a chave preferida: uma Chegado à consulta, explique a situ- exprimiu-se assim: “Boa sorte, meu sempre por razões de segurança. Há um sequência de seis algarismos, pelo ação com todos os pormenores. Depois amigo... que o mesmo é dizer bons ven- ou outro \"site\" que, para deixar consultá- menos. E no euromilhões a mesma coisa, faça só uma pergunta: \"Ó sôtor, não há tos. Vemo-nos aqui e ao Centro. Sem- lo, obriga a registo e – adivinharam, outra embora aqui só sejam necessários cinco um medicamento que me livre destes pre!” (Maló de Abreu). vez!... – a inserir \"username\" e \"pass- algarismos. Para registar a aposta tem números todos, códigos, nomes de uti- Um abraço a todos. word\". Rapidamente o número destas duas opções: ou num posto tradicional lizador e 'passwords'?\". Atenção, porém: atinge o dos códigos. ou... na internet. Neste último caso, quando questionar o médico convém que Imagine, agora, que tem um pagamen- to qualquer para efectuar. Não, não pre- porém, deve estar registado no portal da Santa Casa. Adivinhou: é indispensável o faça com a maior tranquilidade, sem sinais de desespero, caso contrário ele é Momento cisa de voltar ao multibanco. Abre a pági- na do seu banco e prepara-se para pagar ter um nome de utilizador e um código com, pelo menos, oito algarismos e letras! capaz de lhe sugerir a ida a uma consulta de especialidade – a de psiquiatria, claro. único pela internet: entidade, referência, mon- Se no final desta odisseia se sentir Bem vistas as coisas, essa é capaz de Na primeira quinta-feira de Maio, tante e... \"password\" e código pessoal. adoentado, o que é perfeitamente natu- ser mesmo a melhor solução. Com tantos quase-quase em tempo de Queima das Na lista de números indispensáveis ral, há uma solução fácil: pegue no tele- números, códigos e \"passwords\", o Fitas, à uma hora, dois minutos e três pode juntar outros que, de tão solicitados, fone, ligue para o Centro de Saúde mundo está a ficar maluco. segundos, o tempo e a data serão estes: 01:02:03 04/05/06. A MINHA EQUIPA Esta sequência numérica não irá re- petir-se tão cedo... Derrota na Lousã ACM cá e lá Os juvenis do Vigor perderam sábado na Lousã, por 4-2, num jogo que teve das O judoca João Ne- piores arbitragens que vi até hoje. Tão to estuda e treina em má só a de José Pratas num U. Leiria- Coimbra. Recente- -Académica, que me levou a escrever mente conquistou a que “até o castelo corou de vergonha”. única medalha de ouro Na imagem, o golo do empate do Vigor portuguesa na Taça do Mundo dispu- (2-2), já depois de vários “amarelos” e de tada em Lisboa. Compro o “Diário de um penalty surrealista. Assim, o título Notícias” e o “Record” e leio em am- distrital deve ir a caminho da Figueira bos o segunte: “João Neto da ACM da Foz. (Torres Novas)”. Telefono para a Fede- PS – Também no sábado, o FC Porto ração Portuguesa de Judo e confirmo o sagrou-se campeão nacional sénior, com que já suspeitava: o atleta não está ins- um penalty-fantasma e um final de jogo crito em Coimbra. terceiro-mundista. Pobre futebol. O meu lamento.
    18. 18 DESPORTO DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 ATLETA CONIMBRICENSE RODOLFO VARELA BRILHA DE “ÁGUIA” AO PEITO “O Benfica tem enorme prestígio” anos, confessa que ficou “muito fe- próprio clube, com as condições que liz”com a proposta do Benfica, no- oferece e os treinadores que propõe. meadamente por ver “o trabalho re- E possibilitar-me-ia prosseguir os es- conhecido e apreciado. O Benfica tudos e conciliá-los com a prática do tem enorme prestígio e é sempre atletismo. Quando acabar a minha bom receber um convite de um clube ‘carreira’ de atleta tenho que viver tão grande. Isto sem menosprezar a de alguma coisa e, por isso, os estu- Académica, que é igualmente uma dos são essenciais”. grande instituição e que sempre me Olhando para o futuro, não põe de deu todo o apoio”. Ao entusiasmo lado a possibilidade de atingir um pessoal correspondeu o de toda a fa- patamar bem alto no panorama do mília, que acolheu a ideia “de braços atletismo português, no clube e na abertos. Até o meu pai, que é um selecção nacional. E promete conti- sportinguista ferrenho, ficou bastan- nuar a “treinar com vontade e empe- te satisfeito com a possibilidade que nho para conseguir atingir esse ob- me surgiu”. jectivo”, contando para já, até que O dia-a-dia de Rodolfo Varela não novo “salto” seja dado com a mu- mudou muito, uma vez que conti- dança para Lisboa, com todo o apoio nuou a morar, a estudar e a treinar “do Prof. Hugo Simões. Quando sur- em Coimbra. Brevemente, no entan- giu a hipótese de representar o Ben- to, em paralelo com o ingresso na fica abriu-se a possibilidade de mu- Universidade, haverá a possibilida- dar de treinador, mas como o Prof. de de integrar os quadros do Benfica me acompanhava desde o início até à de uma forma mais efectiva: “Seria minha participação no Campeonato bom, sobretudo porque passando a da Europa, pedi para continuar com residir em Lisboa poderia treinar no ele, o que veio a acontecer”. tos importantes e marcantes: em 2003, PERFIL ainda ao serviço da AAC, participou no Festival Olímpico da Juventude Rodolfo Varela nasceu em Coimbra Europeia, em Paris, classificando-se há 19 anos. Frequenta o 12.º ano, no em 13º lugar; em 2005, já com a Colégio de S. Martinho, pretendendo “águia” ao peito, competiu na Taça continuar a conciliar os estudos com a dos Clubes Europeus, disputada na Rodolfo Varela prática desportiva. Começou a praticar Suiça, obtendo o 2.º lugar nos 400 m atletismo na Associação Académica de Barreiras e o 3.º nos 4x400; ainda em António José Ferreira que então representava. Coimbra, em 1999, de onde transitou 2005 ajudou a bater o record nacional O primeiro contacto com a moda- há cerca de dois para o Benfica, actual de 4x400 em pista coberta, que ainda Apesar de viver em Coimbra, Ro- lidade deu-se “aos 13 anos, num clube. Treina em Coimbra, sob a detém, e foi líder do Ranking Nacio- dolfo Varela é uma das esperanças do Campo de Férias onde a prática des- orientação do Prof. Hugo Simões, ha- nal dos 400 m, tanto em pista coberta atletismo do Benfica. A possibilidade portiva era essencial, em torno de bitualmente com mais dois atletas como em ar livre. de “dar o salto” surgiu em 2004, altu- vários desportos, entre os quais o “encarnados” em idênticas circuns- Já foi por diversas vezes chamado à ra em que chegou o convite “encar- atletismo. Surgiu depois a possibili- tâncias, Pedro Fonseca (400 m e 4x400 selecção nacional de atletismo, para nado”, acolhido naturalmente com dade de participar nos Jogos de m barreiras) e Ricardo Monteiro (lan- provas e estágios, esperando conti- enorme alegria e total apoio da famí- Coimbra e, mais tarde, o convite pa- çamento do peso e do martelo). No seu nuar a merecer a confiança dos res- lia e dos responsáveis pela Associa- ra ingressar na Académica, onde es- palmarés conta já com alguns momen- ponsáveis máximos da modalidade. ção Académica de Coimbra, clube tive quatro épocas”. Há cerca de dois Alto rendimento Académica derrotada em Montemor-o-Velho sem dó mas com Paixão Montemor-o-Velho vai ter a partir de e os 22 anos poderem aceder à prática Mário Martins Estavam as coisas neste pé quando Setembro dois edifícios disponibilizados desportiva, indo ao encontro de várias fe- O Sporting de Braga derrotou anteon- Bruno Paixão, um árbitro com altos e bai- pela Câmara Municipal local para atletas derações, aproveitando as potencialida- tem à noite, sem dó nem piedade, a Aca- xos (mais baixos do que altos, é verdade), de alto rendimento. des de Montemor-o-Velho, junto ao Rio démica por 3-0, no Estádio Cidade de decidiu a questão do vencedor. Joeano, “Apostámos num parceiro estratégico, Mondego, aliando estudos universitários Coimbra. Frechaut, de cabeça, e João To- mais uma vez ele e mais uma vez em ve- a Universidade de Coimbra (UC), que e prática desportiva”, salientou o Reitor más, que bisou com os pés, apontaram os locidade, capta a bola, foge a um e a ou- tem vindo a colaborar em múltiplos as- da UC, Seabra Santos. golos. tro, prepara-se para entrar na área e é car- pectos com o nosso concelho, e num alia- Mário Santos, Presidente da FPC e si- A Briosa até começou bem, mas aos 21 regado pelas costas. Sem discussão possí- do, a Federação Portuguesa de Canoa- multaneamente estudante do universo minutos os bracarenses adiantaram-se no vel. Toda a gente viu menos o árbitro, o gem (FPC), pois Montemor-o-Velho, sem de 22 mil da “Cidade dos Estudantes”, marcador. Nada tinham feito para justifi- lance prosseguiu e o Sp. Braga marcou: 2- bairrismos exagerados, pode triunfar co- enalteceu as virtudes da iniciativa, desta- car a vantagem, mas o futebol é assim. 0, estava “terminado” o jogo e ainda fal- mo espaço privilegiado para os desportos cando “o salto qualitativo nas carreiras Depois, então sim, o Sp. Braga mos- tava mais de meia hora para jogar. praticados no rio: a canoagem, a natação e académicas e desportivas dos jovens”. trou que é de outro campeonato e contro- Até final, João Tomás marcou um golo o triatlo”, afirmou o Presidente Luís Leal. Vicente de Moura, presidente do Co- lou com grande à-vontade até ao interva- quase impossível, mas de grande catego- O protocolo assinado pela autarquia, a mité Olímpico de Portugal, valorizou a lo a (ténue) reacção da Académica. ria. Luís Filipe (outro ex-Académica) UC e a FPC, prevê a construção de uma importância de Montemor-o-Velho para a Reatado o encontro, a Briosa surgiu também jogou muito bem. residência universitária, vocacionada pa- prática destas modalidades e elogiou o determinada. Tentava, tentava, mas não Sem categoria anda o futebol portu- ra atletas de alto rendimento. poder autárquico no apoio deste tipo de conseguia acertar com a baliza contrária. guês, com os erros de arbitragem a suce- “Em muitos países já é uma tradição. iniciativas, pois “o desenvolvimento do Mostrava grande vontade e - quem sabe? derem-se, qual deles o mais escandaloso. Em Portugal é um projecto novo e visa país desportivo deve-se às autarquias lo- - poderia conseguir engendrar um lance Os responsáveis (da Liga e dos árbitros) criar as condições para jovens entre os 18 cais”. mais inspirado e empatar o jogo. bem podem limpar as mãos à parede.
    19. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 DESPORTO 19 ANDRÉ HENRIQUES E RICARDO CARVALHO SONHAM COM O CAMPEONATO DO MUNDO Só faltam os apoios... André Henriques e Ricardo Carvalho, outros caminhos, da venda de canetas do Sport Club Conimbricense, estão encomendadas para o efeito. seleccionados para o Campeonato do Mundo de Karate Shukokai. Os dois Não é todos os dias... karatecas de Coimbra procuram agora os necessários apoios para custear a Em conversa com o “Centro”, ambos os inscrição, já confirmada, bem como as karatecas do Sport Conimbricense de- restantes despesas inerentes à partici- ram conta da enorme alegria que senti- pação no Mundial ram quando viram os respectivos no- mes na lista de convocados para o António José Ferreira Mundial. “Não é todos os dias que so- mos seleccionados para um evento com A Associação Portuguesa de Karate esta importância”, frisou André Henri- Shukokai (APKS) é caso raro no pano- ques, para quem “vai ser muito bom rama das modalidades de combate, participar no Campeonato do Mundo”. custeando na totalidade a participação Ricardo Carvalho não podia estar mais dos seu atletas em provas internacio- de acordo. “Fiquei muito contente”, nais. Estão nestas circunstâncias os ka- confessou, lembrando que “se trata de ratecas Ema Lopes, Miguel Silva e Car- uma prova que requer mais prepara- los Marques, do Sport Club Conimbri- ção”. cense, seleccionados para o Campeona- A concluir, foram unânimes ao conside- to do Mundo Finlândia 2006, a disputar rar que “há mais modalidades para nos próximos dias 8 e 9 de Junho. além do futebol” e que, neste caso con- Apesar desta prática corrente, este ano creto, “a Câmara Municipal bem podia a APKS custeia apenas a participação dar uma ajuda”, mostrando–se convic- dos atletas mais velhos, critério defini- Ricardo Carvalho e André Henriques estão com um pé no Campeonato do Mundo tos de que encontrarão os apoios para do para dar resposta à insuficiência de concretizarem o sonho que agora, mais verbas em carteira. Assim, igualmente torne realidade o sonho de participa- envolvimento dos pais e, obviamente, do que nunca, lhes comanda a vida. seleccionados e já com a inscrição con- rem num Campeonato do Mundo. A dos próprios atletas, procurando as in- Afinal, neste momento, são pouco mais firmada, André Henriques (14 anos) e Direcção do Sport Conimbricense e a dispensáveis verbas através da angaria- de 1.600 euros que separam cada um Ricardo Carvalho (15 anos) procuram Secção de Karate do clube deitaram ção de publicidade, do contacto com deles do Mundial da Finlândia. agora os apoios necessários para que se desde logo mãos à obra, com o natural empresas e entidades oficiais, e, entre Tem a palavra a cidade de Coimbra... NUNO DELGADO COLOCOU PONTO FINAL NA CARREIRA Um verdadeiro exemplo porta entreaberta de um pequeno giná- mas sim aquilo que cada um está dis- sucesso e o fracasso. Características que sio, vimos um atleta a trabalhar “no posto a ‘dar’ para atingir os objectivos lhe permitem ser apontado como um duro”, com notória vontade e muito a que se propôs”, concluí, “desarman- grande exemplo, mesmo em momentos empenhamento. Era o Nuno Delgado! do-os” por completo. singelos como o que acima relatei. Depois de alguns instantes a vê-lo em Lição percebida! E com aula prática É assim o desporto, desde que bem acção, aperfeiçoando técnicas funda- devidamente documentada, in loco, enquadrado e devidamente apoiado. mentais para a modalidade que o guin- por um dos nomes maiores do despor- Este jornal “Centro” tem essa perspec- António José Ferreira dou ao sucesso, o Judo, aproveitei para to português, que há bem pouco tem- tiva e, por isso, procurará, em cada Há anos desloquei-me com a minha dar um dos habituais “sermões”, da- po, em 2000, havia conquistado uma edição, dedicar uma página ao despor- equipa de Iniciados (de basquetebol do queles que a “rapaziada” começa por medalha de bronze no Jogos Olímpicos to juvenil, das diversas modalidades, Galitos de Aveiro) ao “velhinho” com- “engelhar o nariz” mas acaba depois de Sidney. com o intuito de dar a conhecer e in- plexo desportivo do Sport Algés e Da- por perceber a mensagem e retirar as Recentemente, Nuno Delgado deci- centivar todos aqueles que, tal como o fundo, entretanto remodelado. Mal en- devidas ilações. “Estão a ver?”, ques- diu colocar um ponto final na sua car- Nuno Delgado, estabelecem objecti- trámos e começámos a percorrer os cor- tionei-os, começando a recolher as res- reira. E neste momento, sem esquecer o vos e lutam para os alcançar. E a meda- redores de acesso ao pavilhão, marca- postas através dos olhares arrependi- brilhante palmarés que granjeou ao lon- lha de ouro recentemente conquistada dos pelo passar dos anos, logo surgi- dos por terem “deitado abaixo” as ins- go de anos de dedicação ao Judo, im- por João Neto, do ACM, na Taça do ram alguns comentários dos jogadores, talações do Algés, “fábrica” de verda- porta destacar, sobretudo, todas as ca- Mundo de Judo, é a melhor prova de próprios da idade e de esperarem, tal- deiros campeões em diversas modali- racterísticas humanas que marcaram o que, na região de Coimbra, também há vez, encontrar instalações melhores e dades. “O mais importante não é se o seu relacionamento com todos os que o enormes exemplos de dedicação ao mais recentes. De repente, através da espaço é bonito ou feio, novo ou velho, rodearam e a forma como lidou com o desporto. Académica dispensou Luciano quer profissional um comportamento desportivo e social exemplares”. Contudo, o mesmo comunicado da Direcção da Académica apelava à tole- A Académica rescindiu na passada Há algum tempo ter-se-á envolvido das 7 horas da manhã, num dia em que rância dos adeptos da “Briosa” para semana o contrato com o avançado bra- em desacatos na Mealhada, que motiva- a Académica tinha treino. com Adriano, lembrando o importante sileiro Luciano. ram uma queixa contra ele no posto da A rescisão foi feita por mútuo acordo. contributo que este futebolista deu, na O atleta, de 26 anos, tinha contrato GNR daquela localidade. Em comunicado divulgado pelo clu- época anterior, para a manutenção do até 2008, mas terá levantado ao clube Mais recentemente, terá sido visto a be sublinha-se que “ser atleta da Acadé- clube na I Liga e desejando-lhe êxito na problemas de natureza disciplinar. sair de uma discoteca de Coimbra cerca mica e estar em Coimbra exige de qual- sua carreira desportiva.
    20. 20 DESPORTO DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 CARLOS ÂNGELO ASSUMIU O COMANDO DO OLIVAIS HÁ POUCO MAIS DE UM MÊS “Só conseguimos sobreviver com apoios” Carlos Ângelo tomou o leme do nos no nosso pavilhão. E aqui poderia Olivais Futebol Clube há pouco haver um apoio não monetário do po- mais de um mês. Conhece bem der local, na cedência dos pavilhões os problemas da colectividade, das escolas depois do horário escolar, uma vez que fez parte das duas o que já acontece em algumas cidades. anteriores Direcções, e espera Esta dificuldade não é só nossa, nem receber os apoios necessários para do basquetebol, e seria bom para to- levar a nau a bom porto e lançar dos os agentes desportivos que se rea- novos projectos vitais para o cresci- lizassem protocolos entre a Câmara e mento do Olivais. “A construção as escolas, para que esta cedência fos- de um novo pavilhão criará mais se concretizada. E o Concelho de espaços de treino e melhores condi- Coimbra, felizmente, tem pavilhões ções desportivas para os nossos em quase todas as escolas. atletas”, afirmou EM QUE PONTO ESTÁ A QUESTÃO DO NO- António José Ferreira VO PAVILHÃO? ESPERA NOVOS DESEN- VOLVIMENTOS PARA BREVE? ASSUMIU A PRESIDÊNCIA MESMO CO- Aguardamos com serenidade que NHECENDO A REALIDADE FINANCEIRA seja feita a cedência dos terrenos ao DO CLUBE. TRATA-SE DE UM DESAFIO AR- Olivais, conforme comunicação já fei- ROJADO... ta pelo Sr. Presidente Dr. Carlos En- A minha candidatura saiu de um carnação. Só depois poderemos de- grupo de trabalho formado por al- sencadear todo o processo para a guns elementos da anterior Direcção. construção do novo pavilhão. Fizemos a análise da situação do clu- be e começámos a elaborar a estraté- QUE IMPORTÂNCIA REAL TEM PARA O gia para o nosso mandato. Foi uma O LIVAIS A CONCRETIZAÇÃO DESSA decisão consciente, não só minha mas OBRA? de todos os elementos da Direcção. A construção do pavilhão permite Entre outros projectos, Carlos Ângelo espera lançar a primeira pedra para adaptá-lo à realidade do Clube e a to- SUCINTAMENTE, QUAL A REALIDADE a construção de um novo pavilhão das as exigências do desporto actual. FINANCEIRA DO CLUBE E QUE PASSOS E criará mais espaços de treino e me- PENSA A SUA DIRECÇÃO DAR PARA EQUI- área de actividade criada pela Direc- e conseguir a sétima presença na “Fi- lhores condições desportivas para os LIBRAR AS CONTAS? ção cessante, a Natação. Terão todo o nal 4” da Taça de Portugal. nossos atletas. Um clube que tem os apoios das apoio desta Direcção e vamos envol- empresas e das entidades públicas lo- vê-las mais nos eventos do clube. E OS APOIOS SÃO INDISPENSÁVEIS. SENTE A DESIGNAÇÃO DE “CLUBE DE BAIRRO” cais como principal fonte de receita iremos organizar outros eventos, para QUE O CLUBE TEM OS QUE REALMENTE CONTINUA A “ENCAIXAR” NO ACTUAL está sempre dependente dos orçamen- mobilizar ainda mais pessoas pelas MERECE, ATENDENDO AO TRABALHO QUE OLIVAIS? tos. Quando a economia está em baixa causas no nosso Olivais. DESENVOLVE NA FORMAÇÃO? O Olivais, fundado em 1935, come- é claro que os apoios acompanham es- O nosso clube só consegue sobrevi- çou por ser um típico “clube de bair- sa tendência. Estamos a ser muitos ri- CONCRETAMENTE SOBRE AS VERTENTES ver com apoios, que são dados de ro” mas, durante estes 71 anos, as su- gorosos com as despesas e vamos ten- FORMATIVA E COMPETITIVA, O QUE PRE- duas maneiras. A monetária, através cessivas direcções conseguiram tornar tar criar outro tipo de receitas. TENDE ESTA de patrocínios, é a que se contabiliza, o clube reconhecido a nível nacional e Direcção do trabalho a realizar com mas há outros apoios que nos podem internacional. Actualmente, grande DE UMA FORMA GERAL, QUE PROJECTOS as diversas equipas de basquetebol? fazer poupar algum dinheiro, como parte dos nossos atletas da formação VAI A SUA DIRECÇÃO LANÇAR E PROCU- A formação continuará a ser a nos- cedência de transportes e bens mate- não é da freguesia de Santo António RAR CONCRETIZAR? sa bandeira! Queremos ter todos os riais para apoio aos atletas (lanches, dos Olivais e há directores e seccionis- Queremos um pavilhão novo mas a escalões no feminino e no masculino, água, bolas, etc). Felizmente temos tas que não residem nem nasceram na nossa realidade passa pelo actual não para podermos ter nas equipas senio- apoio de algumas empresas, da Câ- freguesia, o que se reflecte nos asso- o podemos deixar degradar mais. res cada vez mais atletas formados no mara de Coimbra e da Junta de Fre- ciados e simpatizantes, tornando o Queremos torná-lo mais confortável, Olivais. Queremos continuar a melho- guesia dos Olivais, sem esquecer os Olivais num clube do concelho de principalmente para aqueles que o rar os resultados desportivos que, nos pais dos atletas, que dão um contribu- Coimbra. Mas com as suas raízes de frequentam todos os dias, sócios, atle- últimos anos, têm sido os melhores do to muito importante, principalmente “clube de bairro” e de gente que rece- tas, colaboradores e todas as pessoas Olivais. E vamos continuar atentos no transporte para os jogos fora. Para be bem quem quer trabalhar para o em geral que fazem do Olivais um aos atletas que queiram ser treinado- a formação precisamos de mais apoios clube. Foi isto que eu senti quando ponto de encontro. E vamos continuar res ou monitores de Minibasquete, pa- no transporte, principalmente do Mi- cheguei ao Olivais. a organizar os eventos que já fazem ra reforçarmos o nosso quadro técni- nibasquete. Devido à idade dos atle- parte da vida do Olivais: Gala, Tor- co. As equipas seniores terão todo o tas, dos 6 aos 10 anos, começa a ser ca- ALGUMA QUESTÃO QUE NÃO TENHAMOS neio Internacional de Minibasquete nosso apoio. A equipa masculina ain- da vez mais complicado, agora com o COLOCADO, MAS QUE JULGUE INTERES- Dr. Valdemar Pinho, Basquetebol para da está em actividade e soma vitórias problema das “cadeirinhas”. Nas ou- SANTE ABORDAR? Todos, Encontro de Gerações, Campo em todos os jogos realizados, feito no- tras equipas a dificuldade incide nas Apenas realçar o apoio que a famí- de Férias, Torneios em Homenagem tável e que nos dá grande esperança deslocações para fora do distrito. lia olivanense e os pais dos atletas têm aos nossos Atletas, Jantar de Natal e em relação à subida de divisão. Em re- Também devido ao número de equi- dado às nossas equipas, tanto em casa Fim de Ano. A dinâmica do clube é vi- lação aos Seniores Femininos, quere- pas que temos e porque a maioria dos como fora, mesmo nos momentos sível também pelas actividades já de- mos uma equipa competitiva para fa- atletas só pode treinar depois das mais difíceis. Isso ficou bem vincado senvolvidas pelas secções de Ginásti- zer um campeonato tranquilo e, se 18h30, temos de alugar espaços por- no apoio dado à equipa sénior femini- ca, Campismo e Karate, e pela nova possível, chegar aos lugares cimeiros que não podemos fazer todos os trei- na. A todos, o meu muito obrigado.
    21. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 DESPORTO 21 SENIORES MASCULINOS AINDA NÃO CONHECEM O SABOR DA DERROTA A um passo da subida A.J.F. Falcão são as “oficinas” de trabalho. Numa altura em que a presente Apesar de passar por um período época se aproxima do fim, os olha- de menor poderio financeiro, afinal res dos olivanenses viram-se sobre- condizente com o panorama des- tudo para os Seniores Masculinos, portivo da região, o Olivais conti- ainda invictos e bem colocados para nua a ser, no basquetebol, um dos regressarem ao Campeonato Nacio- clubes portugueses com mais equi- nal 1, e para os Juniores Femininos, pas e atletas. Com excepção dos Ju- igualmente sem qualquer derrota niores A, escalão difícil atendendo à na corrida pela conquista da Taça idade dos jogadores e aos compro- Nacional. Também envolvidos em missos escolares que entretanto as- provas nacionais estão Iniciados Fe- sumem, o clube apresenta-se em to- mininos (Torneio Nacional) e Junio- das as “frentes”, com cerca de duas res B, Cadetes Femininos, Cadetes centenas de praticantes repartidos Masculinos e Iniciados Masculinos por 10 equipas, entre as quais o Mi- (Torneio Inter-Associações). nibasquete. Toda esta “máquina”, Actualmente com cerca de 1300 para além dos Directores, movi- associados, o Olivais tem ainda em menta 16 treinadores, 3 Animadores actividade as secções de Karate, de Minibasquete, 10 Seccionistas e 3 Campismo, Ginástica e Natação, as Fisioterapeutas. Os pavilhões do Liderada por Miguel Barbosa, a equipa sénior do Olivais está bem co- duas últimas viradas para a verten- Olivais e da Escola Secundária José locada para subir de divisão te da manutenção. CARLOS GONÇALVES LANÇA APELO ÀS ENTIDADES OFICIAIS “Apoiem o Olivais!” A.J.F. do meu. O Presidente Carlos Ângelo foi meu Tesoureiro no primeiro mandato e Carlos Gonçalves esteve quatro anos Vice-Presidente no segundo e há algu- no comando directivo do Olivais. Na ho- mas cumplicidades e objectivos co- ra de passar o testemunho, há pouco muns”. De todos os projectos já pensa- mais de um mês, sentiu que “foi alcança- dos pela sua Direcção, elege o do novo do o principal objectivo, de colocar o clu- pavilhão como o mais importante, ape- be no local que merece, pelo seu trabalho lando “às entidades oficiais e empresas ao longo de 71 anos ao serviço da juven- para que apoiem o Olivais e vão ver, in tude, do desporto e de Coimbra. Conse- loco, o trabalho que desenvolve”. guimos, com base numa forte equipa di- Carlos Gonçalves confessa que “o Oli- rectiva e no trabalho de todos, promover vais marcou muito a minha vida pes- muitas iniciativas que hoje marcam, de soal” e agradece “a todos o apoio dado certa forma, o panorama desportivo da ao longo destes anos”. A ligação ao clu- cidade”. Mais não foi feito, lembra o an- be mantém–se, uma vez que foi eleito terior presidente do Olivais, devido “às Presidente do Conselho Fiscal, nas últi- constantes dificuldades financeiras”. mas eleições, e que, até Junho, continua Mesmo assim, realça que “os nossos trei- como Director do “Jornal do Olivais nadores foram espectaculares, ao com- Coimbra”. Entretanto apresta-se para se preender essas dificuldades”; e destaca o abalançar a um novo projecto, para o trabalho feito, através do qual “conse- qual já tem a devida autorização da ac- guimos os melhores resultados na for- tual Direcção, e que consiste em escrever mação dos últimos anos”. a história do clube: “As gerações mais O processo de transição para a actual velhas, pelo ciclo natural da vida, vão Direcção “foi muito simples e transpa- desaparecendo e não fica nada das suas rente”, até porque “dos 18 elementos do histórias e vivências. É isso que pretendo actual elenco directivo, 11 transitaram imortalizar”. O anterior presidente do Olivais, Carlos Gonçalves, mantém a ligação ao clube A DA FORNECEDORES DE: HOSPITAIS,CLÍNICAS, CÂMARAS, JORGE MENDES IRMÃO & C. , L ESCOLAS, HOTÉIS, FORÇAS ARMADAS, INFANTÁRIOS, MUSEUS, ETC. Atoalhados . Camisaria . Fardas . Malhas . Roupa Interior Praça do Comércio, 97 - 99 101 - 103 Telef. 239 824 284 Fax 239 841 709 3000 - 116 Coimbra
    22. 22 INTERNET DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 IDEIAS DIGITAIS Francisco Chronicle são os meçou há alguns anos, está a No terceiro andar esquerdo do clientes mais recentes deste ser- ter como resultado a formação número 24 da Rua da Judiaria viço, que conta com mais de de uma verdadeira rede de aprendi a falar e a andar. (...) seis mil blogs registados. académicos portugueses espa- Por tudo isto, o nome deste O conceito do Blogburst é lhados pelos quatro cantos do blog era inevitável. A intersec- inovador e remete para uma mundo e inseridos nas melho- ção perfeita entre a memória, a Inês Amaral inevitável lógica de comple- res universidades. Muitas des- coincidência e o destino.» Um (docente do Instituto Superior Miguel Torga) mentaridade entre novos media tas pessoas reconhecem o espaço a seguir. e media tradicionais. Os we- apoio que lhes foi dado e estão blogs assumem-se como uma dispostas e interessadas em Links relacionados: SITES MAIS ÚTEIS camente divididos...). revolução no acesso à difusão manter a ligação a Portugal, http://ruadajudiaria.com/bio.php O lema do Bookcrossing é na Internet por parte do cidadão partilhando todo o conheci- Nota biográfica de Nuno “read, register and release”. A comum. Se por um lado os jor- mento que até ao momento ad- Guerreiro Josué ideia de ler e libertar faz com os nais vão conseguir “estar em ci- quiriram. O Papaformigas.com endereço: livros registados pelos mem- ma” dos temas do momento no é apenas uma ferramenta que http://ruadajudiaria.com bros desta comunidade andem Ciberespaço, torna-se evidente tenta servir de interface desta categorias: blogs em viagem permanente. Seja que os bloggers vão passar a ter rede. Este site é gratuito e foi porque são libertados nalgum um papel mais mediático. Os desenhado para ser o mais fun- PORTAL DOS CATRAIOS sítio, ou porque fazem parte de weblogs, e os seus autores, são cional e simples possível», ex- Não é novo, mas foi renova- bookrings (livro emprestado a actualmente novos actores so- plica o autor do site nas FAQ do. O Sites mais úteis é um di- um conjunto de pessoas, mas ciais intervenientes na socieda- (Frequently Asked Questions - rectório de sites de referência na que depois regressa ao seu do- de. E a relevância que a socieda- perguntas mais frequentes). Internet portuguesa. Os critérios no), bookboxes (caixas com um de lhes atribui está directamen- Links relacionados: para um site ser referenciado determinado número de livros, te relacionada com a representa- www.cienciahoje.pt com “mais útil” centram-se nes- enviadas por correio a um con- ção que têm nos media. É a na- site Ciência Hoje tes tópicos: «ser um site portu- junto de utilizadores que po- tural evolução do chamado “ci- endereço: guês; estar escrito em português; dem retirar da caixa livros, des- dadão-jornalista”. www.papaformigas.com ter conteúdos originais, úteis, in- de que reponha o mesmo nú- Os autores de weblogs inte- categoria: ciência O Portal dos Catraios é um teressantes e gratuitos; ter prefe- mero), bookrays (livro que é ressados devem inscrever-se na site de referência para crianças, rencialmente domínio próprio; e emprestado e que vai seguindo agência. O procedimento é sim- RUA DA JUDIARIA pais e professores. O projecto estar claramente identificado viagem continuamente, sem ples: a Blogburst faz uma ava- tem como objectivo promover quem é o autor do site e quais os nunca mais regressar ao dono) liação prévia dos conteúdos e, a comunicação entre as escolas seus contactos». ou são oferecidos num acto de mediante aprovação, o endere- do 1º Ciclo do Ensino Básico e O Sites mais úteis está organi- RABCK (“Random Act of ço do blog é incluído numa lista de Educação de Infância, dina- zado por temas e apresenta sites BookCrossing Kindness”). que é apresentada aos clientes. mizando uma comunidade que disponibilizam informações Os primeiros meses de exis- Links relacionados: que reforce o papel das escolas e serviços úteis aos cibernautas tência do Bookcrossing regista- www.burstblog.com e dos jardins de infância na for- nacionais. Este directório assu- vam uma média de trocas de Blog oficial da Blogburst mação de crianças para a So- me–se como um óptimo ponto cerca de 100 livros por mês. En- endereço: ciedade da Informação. de partida para navegar na In- tretanto, os media tradicionais www.blogburst.com O weblog Rua da Judiaria é O site está organizado em ternet portuguesa e uma alterna- descobriram o fenómeno e de- categoria: media, blogs mantido por Nuno Guerreiro quatro áreas: “Miúdos” – tiva aos directórios nacionais ram-lhe o impulso necessário. Josué desde Outubro de 2003, ambiente lúdico-didáctico que adicionam quase automati- Actualmente, o site regista 460 PAPAFORMIGAS inicialmente a partir de Los composto por jogos educati- camente sites às suas bases de mil membros e quase três mi- Angeles e agora de Nova Ior- vos, histórias interactivas, dados sem avaliação prévia, ve- lhões de livros registados. A co- que. O blog nasceu assim: passatempos, notícias, acti- rificação da categorização ou munidade Bookcrossing divi- “Sem declarações de princípios vidades de trabalhos ma- dos conteúdos. de-se ainda em tribos geográfi- ou frases grandiloquentes, aqui nuais e magia, dicas para endereço: cas e de interesses, tendo estas se franqueiam as portas da Rua construir e publicar páginas www.sitesmaisuteis.pt como base os fóruns do site. Os da Judiaria. Sejam, pois, bem- web; “Professores” – espaço categoria: directórios bookcrossers portugueses têm vindos! Shalom!” Este é um de troca e partilha de ideias como ponto de encontro o fó- blog sobre judaísmo mas que e experiências, materiais de BOOKCROSSING rum em português e, ocasional não se restringe apenas ao ju- apoio e de legislação; “Pa- e geograficamente, promovem O Papaformigas é um motor daísmo. O seu autor é um ju- pás&Mamãs” – nesta área é encontros no mundo offline. A de busca de cientistas portugue- deu jornalista, correspondente disponibilizada informação comunidade portuguesa conta- ses e foi desenvolvido em Los de algumas publicações portu- que permita aos pais ajudar biliza cerca de 6400 membros. Angeles por Tiago Carvalho, guesas nos Estados Unidos. Ao os filhos no contexto da es- Links relacionados: que se encontra a fazer o douto- peito, traz a Estrela de David cola; e “Escolas” – aqui são www.bookcrossing.com ramento em Neurocências na que lhe foi oferecida pela avó apresentados conteúdos de forum/19 - Fórum de discussão de Universidade da Califórnia. no dia em que fez 13 anos. No divulgação e promoção dos língua portuguesa do site Book- Com uma interface muito blog preenche os posts com te- estabelecimentos de ensino. crossing simples e intuitiva, este site foi mas da actualidade, poesia e li- Os vários ambientes têm o O Bookcrossing foi criado pe- http://bookcrossing.com.sapo.pt/- desenvolvido para pessoas que teratura e assuntos que dizem propósito de filtrar os con- lo norte-americano Ron Hom- Página dos bookcrossers portu- estão interessadas em contribuir respeito ao judaísmo. teúdos do site, estando orga- baker, em Março de 2001. Este si- gueses e partilhar experiências científi- A origem do nome do we- nizados de acordo com o pú- te tem como objectivo incentivar endereço: cas. Qualquer pessoa que traba- blog, ao contrário do que se blico-alvo de cada uma. O as pessoas a libertarem os seus www.bookcrossing.com lhe em ciência se pode inscrever, possa pensar, tem uma explica- portal disponibiliza aos seus livros pelo mundo. Hombaker é categoria: preenchendo um formulário ção muito mais simples. Expli- visitantes (em cada uma das dono de uma empresa de sof- comunidades virtuais detalhado. A informação intro- ca o autor: «A Rua da Judiaria áreas temáticas) ferramentas tware e criou esta plataforma duzida fica depois disponível existia há muito na minha geo- colaborativas síncronas e as- que oferece várias funcionalida- BLOGBURST no site podendo ser pesquisada, grafia de afectos. Muito antes síncronas – como chat e fó- des (gratuitas) aos utilizadores o que permite e incentiva a tro- do blog. Muito antes de se so- rum de discussão, respecti- desta comunidade de leitura e Blogburst é o nome da primei- ca de informações e contactos nhar que blogs um dia existi- vamente –, newsletters (uma de partilha: gestão de uma es- ra agência de blogs, criada com entre pessoas da mesma área riam. Por coincidência, ou par- para os “miúdos” e outra tante pessoal de livros, interac- o propósito de gerir as relações científica, mesmo que geografi- tida pregada pelo destino, a para os “graúdos”), galeria ção em fóruns, serviço de men- entre weblogs e os media. Este camente díspares. rua da minha infância chama- de trabalhos, sondagens, sagens privadas, recomendações serviço reúne, analisa e aprova «Apesar de ainda haver mui- va-se Judiaria – uma pequena e agenda e outros conteúdos e críticas de livros, diversas lista- o conteúdo de blogs registados to para fazer, a verdade é que quase escondida rua de Alma- informativos. gens (dos livros mais viajados, e serve de intermediário entre Portugal está a fazer um investi- da, atrás da velha loja Singer e dos preferidos dos membros, os autores e as publicações que mento considerável na forma- a dois passos do antigo edifício endereço: dos que foram libertados recen- os pretendam publicar. Os jor- ção avançada de recursos hu- da Câmara e da Sociedade Re- www.catraios.ipb.pt temente, dos membros geografi- nais Washington Post e San manos. Este esforço, que já co- creativa Incrível Almadense. categoria: educação, infantil
    23. DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 CRÓNICA DE VIAGENS 23 GORÉE, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE DE ORIGEM PORTUGUESA Terra de Coco Chanel, Vanessa Paradis, Naomi Campbel Terreiro aonde Bush enclausurou os habitantes de Gorée, para uma visita mais “segura” e mulheres virgens se trocavam por um Mr. Bush antes de entrarem para o barco. barril de rum, enquanto as crianças po- A World Heritage Portuguese Origin diam ser vendidas em troca de espelhos. (WHPO) diz-nos que a arquitectura de Lula da Silva passou por lá em Abril do Gorée se caracteriza “pelo contraste entre ano passado, na companhia do seu Minis- os sombrios edifícios que albergavam as tro da Cultura, Gilberto Gil. O cantor, re- celas dos escravos e as elegantes casas dos zam os registos noticiosos, fez um discur- comerciantes negreiros. Assume-se na ac- so emocionado em francês e cantou La tualidade como um santuário para a refle- Lune de Gorée, composta pelo poeta José xão sobre a exploração esclavagista do ser Carlos Capinam. humano”. Lula também se emocionou. Pediu per- Fica bem à WHPO dizer isto. Não há dão aos africanos pela escravidão ocorri- tempo nem sossego para reflexão, as Nao- da no Brasil:”Não tenho nenhuma res- mi Campbel, Coco Chanel, Vanessa Para- ponsabilidade pelo que aconteceu nos sé- dis e colegas do business não deixam. É culos 16, 17 e 18. Mas penso que é uma assim que as jovens vendedoras senegale- boa política dizer ao povo do Senegal e de sas de Gorée se apresentam aos turistas. O África: perdão pelo que fizemos.” O presi- truque funciona. Se não desse certo não o dente do Senegal, Abdoulaye Wade elo- estava a escrever aqui, já me teria esqueci- giou o presidente brasileiro e disse:”Con- do. sidere-se um africano”. Mudam de nome artístico como quem Coco Chanel (de óculos), com a filha e Vanessa Paradis (ou será Jane Birkin?) Rodrigue Manga, o nosso guia, lembra muda de camisa. A Vanessa Paradis à nos- as boas recordações da passagem de Lula sa chegada já era Melanie C. na descida Por Dinis Manuel Alves (texto e fotos) XV e XIX, um dos maiores centros de pela ilha, e as muito más de Bush filho. Os do morro. Vendem-nos tudo e também fa- comércio de escravos de África. Funda- habitantes da ilha foram encafuados no zem trancinhas. O Senegal fica a quatro horas da Porte- do pelos portugueses, mais tarde toma- terreiro que serve de campo de futebol, Para uma conversa entre colegas apre- la de Sacavém. Antes de rumar ao destino do e administrado sucessivamente por com os seguranças yankees oferecendo- sentámo-nos a Coco Chanel como Yves escolhido para um merecido remanso holandeses, ingleses e franceses, a ilha -lhes bolachas. Os jornalistas senegaleses Saint-Laurent. Fala mais ou menos portu- (por exemplo, Saly Portudal), aconselha- foi considerada, em 1978, Património boicotaram a cobertura noticiosa por te- guês, vem alguns verões a Portimão, tra- mos um dia em Dakar, repartido entre a da Humanidade. rem sido impedidos de viajar no mesmo balhar num restaurante e entrançar cabe- cidade e Gorée. Actualmente vivem cerca de 1.200 pes- ferry que os seus confrades dos EUA. E los veraneantes. Comece pela ilha, a poucos minutos da soas na ilha, que alberga um museu sobre também houve governantes senegaleses Não lhe comprámos nada, mas tive- capital, viagem de ferry-boat. a escravatura. No museu existem os regis- que se deixaram ficar pelo cais de Dakar, mos que deixar uns milhares de “cefas” A Ilha de Gorée foi, entre os séculos tos de que homens com mais de 60 quilos recusando ser revistados pelas tropas de (franco CFA) para a sua pequenita. Ilha de Gorée Ir a Gorée e não fazer trancinhas... da!
    24. 24 TELEVISÃO DE 26 DE ABRIL A 09 DE MAIO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO **** Não obstante ter uma carreira curta, nhal? Não sei porque terá poupado a Ainda na TVI, os noticiários conti- o jovem actor/modelo em quem quise- Irmã Lúcia. nuam a ser concebidos como um es- ram colocar o peso de um James Dean É por coisas assim que dou razão ao pectáculo. São elaborados mais como à portuguesa, merecia mais respeito. “gato fedorento” Ricardo Araújo Pe- entretenimento do que como informa- reira: “ A televisão portuguesa é má. ção. Ou, pelo menos, para informar **** Estou à vontade para o dizer. Se não através do entretenimento. Não é a fosse assim, eu não teria lá emprego.” Francisco Amaral única estação a fazê–lo, e, hoje, nem Os canais da SIC no cabo, vivem en- Docente da ESEC tre produtos comprados no estrangei- **** ro e as produções nacionais de baixo Com a saída do écran de Manuela custo. Conversas, debates, “más-lín- A TVCabo continua a “dar cabo” da Moura Guedes, a TVI viu-se na neces- guas”. Em alguns casos o resultado é paciência dos consumidores. Como já sidade de modificar a sua forma de bom para o dispositivo montado. Ce- não bastavam as avarias, as boxes a apresentar as notícias. Não era tarefa nário mais ou menos minimalista, uma bloquear, as confusões com as contas e fácil substituir a “ 1.ª dama “ – e enten- mesa e à volta quatro ou cinco “co- outras de tantas queixas, sem mais dam esta designação da forma que mentadores”. Gente que comenta qua- nem menos, tirou o canal brasileiro mais vos aprouver: a vedeta da infor- se tudo. Se no “Eixo do Mal” (SIC-No- mação na TVI ou a esposa do Sr. Direc- tícias), o equilíbrio é conseguido, nou- tor. Com as alterações, vindo de editor tros casos a situação é inversa. Na SIC- de Sociedade, passou a apresentar o -Mulher há um “Elas sobre eles” (e Jornal da Uma, Pedro Carvalhas. também um “Eles sobre elas” ...), onde as/os convivas se sentem compelidos a enroscarem-se nuns cubos descon- O jornalista teve uma ascensão ve- fortáveis, sobre fundo de panos ne- loz na estação de Queluz. Há seis anos se saberia muito bem como fazer se gros que dá um ar lúgubre ao ambien- era repórter na Zona Centro. Passou a não fosse assim. A guerra das audiên- te. Talvez por isso, as conversas são coordenar a delegação em Coimbra da cias, que invadiu todos os gabinetes frouxas e não raras vezes arrastam–se TVI, através de uma empresa produto- de direcção dos canais televisivos, para cumprir horário. ra de vídeo, transferindo-se depois pa- mesmo os mais insuspeitos (veja–se o A SIC-Comédia também tem a sua ra a sede da 4, onde foi desempenhar recente lento resvalar da 2:), obrigou a conversa alargada. “Um prazer dos funções de editor. aceitar a ideia de que só o espectáculo diabos”. Segundo a SIC, “Serviço pú- activa os mecanismos do inconscien- blico. Um programa de crítica gratui- GNT e substitui-o por outro, também te. Ora este é formado por forças anta- ta, crescente e descontrolada, ao vivo e brasileiro, a TV Record. Um recorde Pedro Carvalhas é um jornalista de gónicas. Apenas no conflito o incons- em directo.” Já pude verificar o des- de banalidades e mau gosto. Lá foi o Coimbra. Ainda adolescente, começou ciente pode reconhecer-se a si mesmo. controlo. Em edição recente, Fernando Jô, a Marília e tanta coisa boa para o li- a trabalhar na RDP-Centro, onde fez As catástrofes, os acidentes, os atenta- Alvim, um eterno vendedor de produ- xo. Em troca recebemos um perfeito um pouco de tudo. Fixando-se final- dos, as mortes, as lutas, as ameaças, tos comunicacionais para juvenis, de- postal terceiro-mundista. mente na informação, em seis anos a activam a nossa dimensão interna fendeu a TVI no caso da transmissão O universo da PT está a precisar de sua carreira deu uma volta completa. mais reprimida. O mal em conflito do funeral do actor Francisco Adam. um reforço da resistência militante Primeiro trabalhou no projecto televi- com o bem, a morte com a vida, o de- Afinal, segundo ele, por que não te- dos consumidores. Há 32 anos, em sivo que Coimbra (mais uma vez) dei- sencanto com a esperança. A presença riam direito a fazê-lo, se os outros ca- Abril, deve ter-se sonhado com o fim xou cair – TV Saúde. Depois, abando- do mal nos noticiários, segue a mes- nais transmitiram o funeral de Cu- de todas as arrogâncias... nou o seu amor mais antigo – a Rádio. ma lógica que exige a presença do Fixou-se na TVI, ainda em Coimbra, “mau da fita” em qualquer narrativa tendo contribuído fortemente para a que se preze. elevada percentagem de notícias pro- TROPA DE SOUSA Clínica Geral duzidas na zona centro. De facto, re- **** Medicina Estética centemente, o Sindicato dos Jornalistas Acupuntura reconheceu que cerca de um terço das Quando a informação invade o es- notícias da TVI são aqui feitas. É mui- paço da programação normal, num ca- VIRGÍLIO CARDOSO to. nal que não seja de notícias, entra–se Ginecologia / Obstetrícia no campo da excepção. Foi o que acon- Laser Yag Vascular (Varizes) CRISTINA FERREIRA GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA LUÍSA MARTINS Já licenciado em Comunicação So- teceu com o lamentável aproveitamen- Laser de Depilação definitiva Kromoterapia cial pela ESEC (Escola Superior de to do funeral do jovem actor da teleno- PEDRO SERRA Florais de Bach Educação de Coimbra), arriscou tudo e vela “Morangos com Açúcar”. Vítima Laser de Luz Pulsada (Trat. Estética) PODOLOGISTA abandonou a cidade, respondendo à de acidente de viação, a TVI montou RENATA MARGALHO Endermologia (LPG) chamada para novos desafios. Fez rapidamente uma operação de cober- MARIA TERESA PAIS Psicologia Clínica bem. Na Comunicação Social (tam- tura do acontecimento. Em grande es- Pressoterapia MEDICINA DENTÁRIA LUÍS MIGUEL PIRES bém?), Coimbra continua a ser como cala. Meticulosamente. A transmissão Ozonoterapia (Trat. por Ozono) TÂNIA SOUSA Terapia Ocupacional um clube pequenino de onde os joga- do funeral foi interrompida por blocos ESTETICISTA Osteopatia dores sonham sair para integrar o publicitários cheios de produtos desti- Dermo Abrasão (Limpeza de Pele) plantel de um grande. nados à faixa etária que consome PAULO SOUSA NUNO CARVALHO Mesoterapia aquela novela. Isto é possível, faz-se. MASSAGISTA Hipnoterapeuta A presença diária nos écrans à hora As centrais de colocação de publicida- Implantes para Rugas (Biopolímeros) do almoço, tem um par de meses. Pe- de na TV são avisadas e aproveitam. FERNANDO KUNZ JOÃO CALHAU Tratamentos por Esteticista OPERADOR LASER Nutricionista dro Carvalhas surge seguro, tranquilo, A TVI chegou ao ponto de tentar sem esgares nem exageros que fizeram transmitir, ou pelo menos gravar, den- escola naquela estação. Numa apre- tro do cemitério. Valeu a ponderação Urbanização da Quinta das Lágrimas, lote 24 R/C Santa Clara, 3020-092 Coimbra sentação a dois, o pivô de Coimbra do Presidente da Junta de Freguesia, Telf. 239 440 395-Fax. 239 440 396 dispensava bem a companhia. que o impediu ! Telm. 919 992 020 / 964 566 954 / 933 573 579

    + Instituto Superior Miguel TorgaInstituto Superior Miguel Torga, 2 years ago

    custom

    1420 views, 0 favs, 0 embeds more stats

    Versão integral da edição n.º 2 do quinzenário more

    More info about this document

    © All Rights Reserved

    Go to text version

    • Total Views 1420
      • 1420 on SlideShare
      • 0 from embeds
    • Comments 0
    • Favorites 0
    • Downloads 4
    Most viewed embeds

    more

    All embeds

    less

    Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
    Flag as inappropriate

    Select your reason for flagging this presentation as inappropriate. If needed, use the feedback form to let us know more details.

    Cancel
    File a copyright complaint
    Having problems? Go to our helpdesk?

    Categories