O Centro - n.º 15 – 29.11.2006

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    O Centro - n.º 15 – 29.11.2006 - Presentation Transcript

    1. Inscreva-se em: Atelier de Pintura Iniciação em Artes Plásticas Conferências de Anatomia Artística Mais de 250 obras de arte em catálogo Visite-nos em www.aelima.com ou Rua Gil Vicente, 86-A – Coimbra Exposição de fotografia de João Igor e de pintura de Luís Sargento até 21 de Dezembro Telefone: 239 781 486 – Telemóvel: 917 766 093 DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O João Araújo, D.O. Livraria Minerva Galeria OSTEOPATA Figueira da Foz – Consultas à 6.ª feira Edições Minerva Coimbra Marcações pelo telefone: 965 096 849 Rua Joaquim Sotto Mayor, 120 - Lj. 3 Rua de Macau, 52 – Telefone: 239 716 204 Rua dos Gatos, 10 – Telefone: 239 826 259 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro email: livrariaminerva@mail.telepac.pt de plástico fechado (DE53742006MPC) Coimbra ANO I N.º 15 (II série) De 29 de Novembro a 12 de Dezembro de 2006 € 1 euro BISPO DE COIMBRA EM ENTREVISTA AO CENTRO (iva incluído) As mulheres não devem ser padres, tal como os homens não podem ser madres PÁG. 4 a 6 DEFENDEU CAVACO SILVA EM COIMBRA, AO INAUGURAR OBRAS DO POLIS Poluição rodoviária mata milhares É urgente requalificar de pessoas as nossas cidades PÁG. 3 SOBRETUDO POR CAUSA DO MAU ORDENAMENTO Coimbra exposta a vários riscos naturais PÁG. 2 PÁG. 3 ASSINE O “CENTRO” BAIXA DE COIMBRA LIVROS Assinantes E GANHE OBRA DE ARTE EM MARCHA A REABILITAÇÃO LIVRARIAS CADA VEZ MAIS do “Centro” AMPLAS E DINÂMICAS Apenas com 10% 1.300 Coimbra de desconto na compra habitantes estimula em 14 de livros PÁG. 2 e 3 hectares PÁG. 24 a leitura PÁG. 8 a 12
    2. 2 COIMBRA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 DEFENDEU CAVACO SILVA EM COIMBRA, AO INAUGURAR OBRAS DO POLIS É urgente requalificar as cidades O Presidente da República afirmou para as energias renováveis e reduzir a no passado domingo, em Coimbra, ser sua dependência energética do exterior, urgente avançar com a requalificação em especial do petróleo”. das cidades, frisando que a qualidade de “Temos de tirar mais partido dos nos- vida nestes espaços urbanos pode cons- sos recursos naturais e de apostar numa tituir “um factor de competitividade” de maior produção de energia a partir de Portugal no mundo global. fontes renováveis. Mas temos, igual- “Acredito que a qualidade de vida das mente de melhorar a eficiência no con- cidades portuguesas pode ser um impor- sumo de energia. É necessário apostar tante factor de competitividade de Por- numa maior eficiência energética nos tugal no quadro da globalização. É urgen- edifícios, na indústria e nos transpor- te avançar na requalificação das cidades tes”, sublinhou. portuguesas”, afirmou Aníbal Cavaco Pela importância das questões am- Silva, que presidiu à inauguração de três bientais e energéticas, Cavaco Silva dis- obras do programa Polis em Coimbra . se ter decidido que a próxima jornada Na sua perspectiva, “a melhoria da qua- do Roteiro para a Ciência será dedicada lidade de vida nas cidades deve constitu- às tecnologias limpas. ir um objectivo cimeiro da administração Ao intervir na sessão, o Presidente da central, local e dos cidadãos”. Câmara de Coimbra, Carlos Encarna- “As cidades, pelas suas capacidades ção, defendeu “uma mudança radical na e recursos, são decisivas para o desen- política das cidades” e a conclusão das O Bispo de Coimbra benzendo a nova ponte pedonal “Pedro e Inês” volvimento da nossa economia”, vincou obras previstas no âmbito do Polis, la- o Chefe de Estado. mentando ainda a escassez de progra- mas palavras de ordem como “Sim à inaugurado vai ser inserido na Rede de Classificando a intervenção Polis em mas para recuperar os centros das urbes. vida” e “Ajude aqueles que não se po- Cuidados Continuados Integrados, Aní- Coimbra como “um bom exemplo de O Ministro do Ambiente, Ordena- dem defender”. bal Cavaco Silva louvou esta forma, requalificação urbana”, Cavaco Silva mento do Território e do Desenvolvime- “especialmente meritória, de aproveita- observou, contudo, que “apesar dos es- nto Regional, Nunes Correia, afirmou, PRESIDENTE APELA mentos dos recursos” existentes no con- forços das últimas décadas nos domí- em resposta ao autarca social-democra- celho, assente na articulação entre a nios das infra-estruturas de transportes ta, que os programas Polis “nunca pre- Santa Casa da Misericórdia e as estrutu- AO DINAMISMO e de energia , dos equipamentos sociais tenderam resolver todos os problemas ras públicas do Serviço Nacional de DA SOCIEDADE CIVIL e da habitação”, Portugal está confron- das cidades”. Antes de Coimbra, o Presidente da Saúde. tado com “novos fenómenos de degra- “A maior responsabilidade na resolu- República, esteve em Arganil, onde “Por meio desta salutar articulação, a dação do ambiente urbano e, mais em ção desses problemas cabe ao poder apelou ao dinamismo da sociedade Misericórdia e o Estado consegue m geral, de perda da qualidade de vida nas local, às câmaras municipais. O Estado civil, considerando que quanto mais facilmente realizar aquilo que é o seu cidades”. tem um papel supletivo”, referiu o activa ela for, mais legitimidade tem objectivo comum: promover o bem- “À degradação do ambiente urbano membro do governo. para reclamar o apoio do Estado. -estar dos portugueses e contribuir para juntou-se o alargamento das periferias No âmbito do Polis de Coimbra, fo- “O país só tem a beneficiar com uma a melhoria da qualidade de vida dos das grandes e médias cidades portugue- ram inaugurados no domingo a Ponte sociedade civil forte e dinâmica. Quan- cidadãos, em especial dos mais carenci- sas e o surgimento de novos fenómenos Pedonal Pedro e Inês, o Centro de Inter- to maior dinamismo revelar, mais a ados, daqueles com maiores necessida- de exclusão social. Face a esta situação, pretação Ambiental e a entrada poente sociedade civil dispõe de legitimidade des de saúde, dos mais idosos em parti- é necessário agir com eficiência e deter- do Parque Verde do Mondego. par a reclamar o apoio do Estado. É cular”, salientou. minação”, defendeu. Após a travessia da ponte pedonal da justo ajudar aqueles que mais ajudam”, Para o Presidente da República, “a cria- No seu discurso, o Presidente da Re- margem esquerda para a direita, Cavaco frisou o Chefe de Estado. ção de unidades descentralizadas para pública preconizou também “uma nova Silva era esperado por centenas de po- O Presidente da República discursa- cuidados continuados responde, assim, atitude em matéria de energia nas cida- pulares, sendo visíveis na frente da mul- va na cerimónia de inauguração do aos desígnios de permitir a prestação des”, sublinhando que Portugal “enfren- tidão dois cartazes onde se liam os dize- Hospital de Cuidados Continuados Dr. desses cuidados em meio apropriado e ta um desafio crucial neste domínio: re- res “Despenalizar é aceitar o crime” e Fernando Valle, da Santa Casa da Mi- de fazê-lo mais próximo do local da resi- duzir as emissões de gases com efeito “Não à interrupção voluntária da gravi- sericórdia de Arganil. dência, das pessoas e do ambiente que é de estufa, cumprir as metas europeias dez”, tendo-se escutado também algu- Ao referir que o equipamento hoje mais familiar aos doentes”. Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros Propriedade: Audimprensa No sentido de proporcionar mais alguns desconto que proporcionamos aos assi- Se não quiser ter esse trabalho, bastará Nif: 501 863 109 benefícios aos assinantes deste jornal, o nantes do “Centro” assume especial sig- ligar para o 239 854 150 para fazer a sua “Centro” acaba de estabelecer um acordo nificado (isto é, só com o que poupa por assinatura, ou solicitá-la através do e-mail Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho com a livraria on line “livrosnet.com” (ver um filho fica pago o valor anual da assi- centro.jornal@gmail.com. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 rodapé na última página desta edição). natura). São apenas 20 euros por uma assinatura Para além do desconto de 10%, o assi- Mas este desconto não se cinge aos ma- anual – uma importância que certamente recu- Composição e montagem: Audimprensa – Rua da Sofia, 95, 3.º nante do “Centro” pode ainda fazer a enco- nuais escolares. Antes abrange todos os perará logo na primeira encomenda de livros. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 menda dos livros de forma muito cómoda, livros e produtos congéneres que estão à E, para além disso, como ao lado se indi- Fax: 239 854 154 sem sair de casa, e nada terá a pagar de cus- disposição na livraria on line “livrosnet”. ca, receberá ainda, de forma automática e e-mail: centro.jornal@gmail.com tos de envio dos livros encomendados. Aproveite esta oportunidade, se já é assi- completamente gratuita, uma valiosa obra Impressão: CIC - CORAZE Numa altura em que se aproxima o nante do “Centro”. de arte de Zé Penicheiro – trabalho original Oliveira de Azeméis início de um novo ano lectivo, e em que Caso ainda não seja, preencha o boletim simbolizando os seis distritos da Região Depósito legal n.º 250930/06 as famílias gastam, em média, 200 euros que publicamos na página seguinte e envie- Centro, especialmente concebido para este Tiragem: 10.000 exemplares em material escolar por cada filho, este o para a morada que se indica. jornal pelo consagrado artista.
    3. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 COIMBRA 3 AFIRMADO EM DEBATE DO CONSELHO DA CIDADE SOBRETUDO POR CAUSA DO MAU ORDENAMENTO Poluição rodoviária Coimbra exposta a vários mata milhares de pessoas riscos naturais - vai aumentar o estacionamento pago e a fiscalização Coimbra é uma cidade exposta a vários risco e no abandono das áreas rurais e dos A poluição provocada pelas emissões nida Central, com ou sem metro, fechar a riscos naturais, mas a maior parte deles pequenos espaços agrícolas”. dos escapes dos veículos automóveis mata rua da Sofia ao trânsito, e criar mais luga- resulta do mau ordenamento do território, Segundo o catedrático, as questões das milhares de pessoas todos os anos. Este o res de estacionamento pagos, em que as concluiu um debate realizado na passada inundações “resolvem-se facilmente” se alerta lançado por Massano Cardoso, Pro- duas primeiras horas teriam preço simbóli- quinta-feira, por iniciativa da Pró-Urbe. forem respeitados os leitos de cheias, man- vedor do Ambiente e Qualidade de Vida, co, e as restantes teriam custos substancial- Intervindo no debate “Incêndios, inun- tidos os espaços verdes na cidade, e limpas em debate promovido anteontem à noite mente mais elevados, para desincentivar o dações e outros riscos na cidade: que pre- as ruas e as sarjetas. (segunda-feira) pelo Conselho da Cidade estacionamento na área urbana. venção”, Alexandre Tavares afirmou que O problema dos incêndios é, para Lúcio de Coimbra, na Casa Municipal da Cul- O outro palestrante foi o Presidente da hoje se assiste “a um reflexo do que foi a Cunha, “uma questão muito difícil de re- tura. Câmara de Coimbra, que revelou que vão ocupação da cidade” a partir da década solver a curto e médio prazo”, apontando a Segundo Massano Cardoso, à medida ser, efectivamente criados, mais de mil de 70. falta de capacidade das autarquias e dos que a Ciência evolui mais se descobrem os lugares de estacionamento pagos e que a “De 1985 até 2000, a expressão do pequenos proprietários para limpar as terríveis malefícios da poluição do ar que fiscalização vai ser intensificada. espaço transformado, que era de 42 quiló- matas como um dos entraves à resolução respiramos, pelo que importa tomar medi- Relativamente à polémica supressão da metros quadrados, passou para 90 quiló- daquele flagelo. das para condicionar o trânsito automóvel Ecovia, Carlos Encarnação referiu que o metros quadrados, quebrando relações “A nova legislação sobre defesa da flo- nos centro urbanos. serviço vai continuar, só que em novos com o meio físico e provocando alterações resta é óptima, mas está desfasada do país A primeira intervenção coube a Álvaro moldes, com o recurso aos autocarros nor- em todo o concelho”, sublinhou o enge- real”, concluiu. Seco, professor da Faculdade de Ciências mais, ficando os pequenos actualmente nheiro geólogo, que criticou também as Por seu turno, o professor José Manuel da Universidade de Coimbra e especialista usados pela Ecovia para as carreiras com grandes movimentações de terras provoca- Mendes apelou a um maior envolvimento em transportes, que defendeu ser quase menos passageiros, nomeadamente as noc- das recentemente pela construção de duas dos cidadãos nas questões de segurança e escandaloso que existam milhares de luga- turnas. grandes superfícies na cidade, e a sua colo- defendeu a criação de uma estrutura de res de estacionamento na cidade de Carlos Encarnação referiu ainda a enor- cação “em locais não naturais”. protecção civil mais integrada, através de Coimbra, nomeadamente na zona central, me injustiça que constituem as avultadíssi- Para o geógrafo Lúcio Cunha, da Fa- “um sistema mais democratizado e orien- que são gratuitos, o que representa um con- mas “indemnizações compensatórias” culdade de Letras da UC, os principais pro- tado para a prevenção, em vez do socorro”. vite para que as pessoas tragam os carros pagas aos transportes colectivos de Lisboa blemas que se têm registado em Coimbra – “Não há desastres naturais, existem é para o centro urbano. e do Porto, enquanto os de Coimbra nada inundações, incêndios, aluimentos – “estão desastres políticos, morais e culturais”, Defendeu que é urgente rasgar a Ave- recebem. no crescimento da cidade para áreas de sublinhou o catedrático. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Assine o jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedido de assinatura através de: telefone 239 854 156 e ganhe valiosa obra de arte fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço de e-mail: centro.jornal@gmail.com Nesta campanha de lançamento do jornal praias magníficas até às serras verdejantes) e, importante vai acontecendo nesta Região, no “Centro” temos uma aliciante proposta para ainda, de gente hospitaleira e trabalhadora. País e no Mundo. Para além da obra de arte que desde já lhe os nossos leitores. Não perca, pois, a oportunidade de receber Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por oferecemos, estamos a preparar muitas outras De facto, basta subscreverem uma assina- já, GRATUITAMENTE, esta magnífica obra APENAS 20 EUROS! regalias para os nossos assinantes, pelo que os tura anual, por apenas 20 euros, para automa- de arte, que está reproduzida na primeira pági- Não perca esta campanha promocional, e 20 euros da assinatura serão um excelente ticamente ganharem uma valiosa obra de arte. na, mas que tem dimensões bem maiores do ASSINE JÁ o “Centro”. investimento. Trata-se de um belíssimo trabalho da auto- que aquelas que ali apresenta (mais exacta- Para tanto, basta cortar e preencher o O seu apoio é imprescindível para que o ria de Zé Penicheiro, expressamente concebi- mente 50 cm x 34 cm). cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, “Centro” cresça e se desenvolva, dando voz a do para o jornal “Centro”, com o cunho bem Para além desta oferta, passará a receber acompanhado do valor de 20 euros (de prefe- esta Região. característico deste artista plástico – um dos directamente em sua casa (ou no local que nos rência em cheque passado em nome de mais prestigiados pintores portugueses, com indicar), o jornal “Centro”, que o manterá AUDIMPRENSA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! reconhecimento mesmo a nível internacional, sempre bem informado sobre o que de mais Jornal “Centro” estando representado em colecções espalha- das por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o seu traço peculiar e a inconfundível utilização de Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um pro- Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. fundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis Nome: distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Morada: Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é representado por Localidade: Cód. Postal: Telefone: um elemento (remetendo para respectivo patri- mónio histórico, arquitectónico ou natural). Profissão: e-mail: A flor, assim composta desta forma tão ori- ginal, está a desabrochar, simbolizando o Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: crescente desenvolvimento desta Região Cen- tro de Portugal, tão rica de potencialidades, de Assinatura: História, de Cultura, de património arquitec- tónico, de deslumbrantes paisagens (desde as
    4. 4 ENTREVISTA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 As mulheres não devem ser padres, tal BISPO DE COIMBRA EM ENTREVISTA AO CENTRO Homem de uma invulgar simplicidade e simpatia que normalmente conduz o carro e aparece nos locais de forma discreta, D. Albino Cleto é o actual Bispo de Coimbra. Nasceu em Manteigas, em plena Serra da Estrela, em 1935. Foi ordenado padre em 1959 e colocado no Seminário de Almada, onde esteve 19 anos. Assume-se como beirão, embora tenha vivido quase meio século na capital. Foi na Universidade Clássica de Lisboa que se licenciou, em Filologia Românica. Em 1978 foi colocado como prior na Basílica da Estrela. Tornou-se bispo em 1983 e durante 15 anos foi Auxiliar do Cardeal Patriarca D. António Ribeiro. Nunca imaginou ser colocado em Coimbra, mas confessa que rapidamente se adaptou e gosta de aqui estar, tendo-se criado uma empatia natural. Na entrevista que nos concedeu nenhuma pergunta ficou sem resposta. Aqui fica o essencial dessa conversa informal. sou amigo, que obteve essa dispensa tam e entre si estão abertas generosa- mas a mãe nem precisa de pegar nele Jorge Castilho por ter vindo da Igreja Protestante. Por- mente à fecundidade – quer ela seja para dizer que a criança está doente, pois tanto não critico essa atitude, mas não física, com a geração de um filho, quer a mulher tem uma intuição que o homem CASAMENTO DE PADRES me abro à preocupação de termos mui- de outra ordem. nunca terá. Por isso, no campo da educa- E DE HOMOSSEUXUAIS tos padres, porque correríamos o risco ção cristã para a Fé, a mulher na Igreja é de estarmos a garantir a função, em vez O PAPEL DA MULHER decisiva como mãe, como catequista, Notícia recentes davam conta de de conseguirmos a paixão. Evidente- NA IGREJA como líder de aprendizagem. Já vejo que que o Papa iria convocar a Cúria para mente que o padre realiza funções, mas o homem, pela sua constituição psicoló- tratar do problema do celibato… não queremos que ela seja um funcioná- E quanto ao papel da Mulher no seio gica, está muito mais dotado, e as mulhe- Uma questão como a do celibato rio. Por isso é preferível termos menos da Igreja? res pedem-lho, para enfrentar situações nunca o Papa a resolveria apenas com padres, mas que sejam verdadeiramente Respeito a posição tomada pelo Papa discordantes. Infelizmente identificamos os cardeais da Cúria. O Papa quis dialo- apaixonados, que não discutam a nome- João Paulo II, que a considerou uma homem com força e mulher com senti- gar sobre questões atinentes, como, por ação para esta ou aquela terra, que não questão, para ele, definitivamente estu- mento. Está errado isso. exemplo, o pedido de dispensa de pa- tenham preocupações primariamente de dada. Respeito os motivos que ele adian- Contudo, nestes últimos tempos as dres que pensam seguir outro caminho, família. Por outro lado, hoje posso dizer tou. O facto de a Igreja, durante séculos mulheres têm vindo a conquistar lu- ou o reingresso de padres que, por viu- estas coisas mais à vontade, pois muitas e desde o seu início, ter ligado o sacerdó- gares em profissões que sempre fo- vez ou qualquer outro motivo, gostariam coisas que eu via fazer o meu velho cio apenas a homens, torna essa questão ram exclusivamente masculinas. Aliás, de ser reintegrados. É ainda o caso de prior, hoje são feitas por leigos na dioce- do âmbito teológico. No âmbito pastoral desde há séculos que as mulheres se muitos vindos de outras confissões cris- se e isso tranquiliza-me. Para concluir esta penso que a Igreja ainda vai caminhar entregam também à Religião, ingres- tãs. Aliás, em Outubro do ano passado, questão: queira Deus que haja muitos muito, confiando às Mulheres trabalhos sam em ordens, fazem votos… O que no Sínodo em que participei (e onde ha- padres e que eles sejam apaixonados; importantes, não só no campo da cate- é que entende que as impede de pode- via quase trezentos bispos de todo o mas se amanhã houver uma mudança na quização, da acção caritativa, como tam- rem exercer o munus sacerdotal? Mundo), o Papa ouviu uma posição legislação da Igreja, isso não me pertur- bém no campo da liturgia e até da admi- Olhe, quando raparigas me fazem que, tendo embora bastantes votos no ba nada. nistração dos sacramentos. Penso que a essa pergunta, eu respondo-lhes: “Sim, sentido de lhe pedir que a questão seja E o que pensa dos casamentos en- Igreja ainda irá confiar às mulheres tare- tu poderás ser padre quando eu puder reconsiderada, a maioria foi no sentido tre homossexuais? fas que agora ainda lhe estão vedadas. ser madre!...”. Elas ficam irritadíssi- de manter o celibato. Lamento-os. Respeito a situação Mas essa posição não é rígida, mas! Mas eu explico-lhes: “Aí estão E a sua opinião sobre o assunto? dessas pessoas que considero uma atendendo ao papel de igualdade que duas funções que nunca serão confundí- Sou nitidamente favorável à manu- excepção naquilo que é a norma da a mulher tem vindo a conquistar? veis. Agora pensa o que tu, como rapa- tenção do celibato, e explico por quê: Humanidade. E não gosto de lhe cha- Nós temos ainda uma carga muito riga, poderás fazer como Madre, que eu julgo que o que nós precisamos, antes mar casamento, embora reconheça nes- grande, vinda de séculos, que identifica nunca poderei fazer, porque Madre é de termos bastantes padres, é termos pa- te sentido que há países que aceitam igualdade com missão. Ora eu creio que Mãe. E eu garanto-te que tu gostarás dres verdadeiramente apaixonados. Eu essa situação a que eu chamo uma ami- igualdade deve ser na dignidade, no peso que um homem se assuma sempre como não critico outras confissões cristãs – e zade. Porque o conceito que eu tenho e na construção da família e do Mundo. Pai”. Agora a questão é que a Igreja mesmo na Igreja há um sector na região casamento pressupõe a diferença de Mas não significa necessariamente iden- identifique sacerdócio com paternidade. da Síria, Palestina e parte da Turquia, sexos. Não sou capaz de definir casa- tidade de tarefas. Deixe-me dar-lhe um Então eu digo-lhes: “Pergunta a Nosso onde os padres católicos são casados. mento a não ser como a união de pesso- exemplo: às vezes um pai pega no filho Senhor Jesus Cristo e aos teólogos se Como até em Lisboa há um, de quem as de sexo diferente que se complemen- bebé e não se apercebe que ele tem febre, isto tem mesmo de ser assim. João
    5. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 ENTREVISTA 5 como os homens não devem ser madres Paulo II disse que sim. Se daqui a ama- bispo muito simpático e eu dirige-me a rios em Portugal. Era responsável por liaridade – lá está, que sejam mais pais nhã a igreja identificar sacerdócio com ele, que me disse que estava ali a presi- um Seminário em Almada, quando ele e pastores do que funcionários. maternidade, então tu serás Madre sa- dir a uma peregrinação de alemães e se atingiu o auge: 173 alunos. Acompanhei cerdotisa, mas nunca Padre”. apresentou como Ratzinger. Ora o nome o decréscimo até bater no número míni- IGREJA EM PORTUGAL dele já era então muito falado. Passados mo: apenas 11 alunos. Mas ainda tive a POUCO AFECTADA PAPA NÃO É CONSERVADOR anos, fui recebido por ele, já então Car- alegria de ver crescer o número e, sobre- PELA CRISE deal para a Congregação da Fé, sempre tudo, mudar aquilo a que podemos cha- Não acha o actual Papa mais con- muito simpático, nunca inquisidor. mar a qualidade. É que os 20 que eu dei- Perante a crise generalizada que se servador do que João Paulo II? xei quando passei essa responsabilidade vive e o decréscimo dos católicos pra- Não, de maneira nenhuma!… SACERDOTES a outro padre, eram rapazes amadureci- ticantes, qual é a situação da Igreja Mas é essa a imagem que ele trans- FUNCIONÁRIOS dos, alguns dos quais com a tropa já Católica? mite… feita, vindos de liceus e universidades. Não temos sentido problemas, em Olhe que ela está a evoluir. Repare que, O sr. Bispo não receia que, com a E no Seminário de Coimbra? Portugal. Primeiramente porque, graças apesar do que recentemente se disse, de a crise de vocações a que se assiste, com No Seminário de Coimbra temos 26 a Deus, os cristãos têm consciência da Missa poder voltar ao missal anterior ao a falta de padres, haja jovens que (tal – um número que não é tranquilizante sua obrigação, sejam eles da cidade ou Concílio, o Papa acaba de ter um gesto como sucede noutras áreas, como no porque vêm de 5 Dioceses. Somos dos de aldeia. Hoje já não há a velha côn- que não leva a antever isso, ao nomear ensino), enveredem pelo sacerdócio que tem menos gente em Portugal. De grua, que se pedia uma vez por ano, mas como responsável por essa área o cardeal não por convicção mas por oportunis- qualquer modo o número está a crescer. há o contributo mensal de quem, sentin- brasileiro de São Paulo, que não defende mo, para tentarem assegurar o futuro? Mas deixe-me dizer-lhe que esta cri- do-se “sócio do clube”, sente-se tam- essa perspectiva. Também a nomeação do Não receio isso porque o crivo hoje se sacerdotal é tipicamente da Europa e bém membro de uma comunidade. E seu novo Secretário de Estado, mostra está muito mais apertado. Desde o cha- da América do Norte, do mundo ociden- assim contribui mensalmente, por vezes que o Papa quer janelas abertas. Não é mado pré-Seminário, que é o acompa- tal. Porque no mundo oriental e na semanalmente, para a sua comunidade. que o anterior as fechasse, mas este talvez nhamento do adolescente ou do jovem América Latina (com excepção do Bra- Em segundo lugar, porque continua tenha maior abertura. O que eu sinto é que antes de ingressar no Seminário, como sil) está a crescer imenso. funcionar muito o brio “de ter bem tra- este Papa é antes do mais um intelectual, depois, ao longo de pelo menos sete tado o nosso prior, porque gostamos nesse aspecto bastante diferente de João anos de Seminário, há um diálogo muito CRISE DE VOCAÇÕES MAIOR dele, não o queremos perder” – o que Paulo II, que também era um universitá- grande, quer quanto à motivação quer ENTRE AS MULHERES leva muita gente a ser generosa, às rio, mas um homem muito mais vivencial. quanto às capacidades do candidato. vezes até mais para o prior do que para Por isso, na sua maneira de intervir, este Por outro lado, os próprios candida- E o que se passa quanto às ordens a igreja paroquial. Papa pensa e repensa as coisas, e os seus tos, se porventura se deixassem fascinar religiosa femininas? Por último, se diminuem os párocos, gestos são a conta-gotas. No campo da por esse tipo de vida a que o povo chama Preocupa-me muito, a mim e a outros é maior o número de contribuintes para abertura às mulheres, o Papa tem de ter “uma vida limpinha”, estão bem consci- bispos, o decréscimo das vocações fe- uma mesma caixa. Isto tem equilibrado muita atenção a uma riqueza da Igreja que encializados de outras exigências e limi- mininas. Paradoxalmente, em Coimbra, as coisas. é a unidade. Ora, como ele é um apaixo- tações que de cada vez são maiores. O a congregação feminina que tem mais e Volta meia volta surgem casos de nado pelos caminhos ecuménicos e tenta, povo hoje é muito mais exigente do que melhores vocações é a das Carmelitas, pessoas que se queixam de que o a todo transe, a unidade com a Igreja em tempos idos. A situação económica provavelmente por ser a mais exigente, pároco não quis fazer o funeral de um Ortodoxa, o Papa encontra aí um obstácu- do padre, que é desafogada, já não é pela radicalidade da consagração. familiar, o baptizado do filho, por não lo, pois para os ortodoxos a hipótese de como a do antigo prior da aldeia, que era Mas congregações femininas têm se estar perante católicos praticantes. um sacerdócio feminino seria pior do que o único senhor que tinha carro e que não muito poucas candidatas, porque au- Não lhe parece que e Igreja deveria o assalto a Constantinopla. tinha que dar contas ao povo sobre os mentou o número de congregações. E ser mais tolerante? Mas se o Papa pensa e repensa, signi- dinheiros gastos ou a hora da missa. acontece um outro fenómeno: são muito Tolerante a Igreja deve ser. Agora não fica que a afirmação que ele fez recente- Hoje já não é assim. Quer a partir dos mais questionadas as raparigas na sua confundamos tolerância com laxismo. mente sobre o islamismo, e que levan- educadores, quer a partir dos próprios. decisão, do que os rapazes. A um rapaz Efectivamente, muitos dos serviços reli- tou esta onda mundial de protestos, foi há uma situação séria. que decida ingressar no Seminário, giosos que nos são pedidos, nós olha- bem pensada… Mas para esclarecer melhor o que dizem “Isso é lá contigo”. Uma rapariga mos para eles como actos sagrados, Não sei. Há quem o pense… Mas eu disse atrás, não significa que eu tenha que diga em sua casa, ou no seu grupo enquanto quem os pede por vezes vê admito que não, porque tenho verificado desprezo por qualquer funcionário. A de amigas, que quer ser freira, é terri- apenas neles um gesto tradicional, de que o Papa, quando está no meio univer- minha preocupação não é tanto pelos velmente cercada, tentando dissuadi-la. civilidade. Por exemplo, numa missa de sitário, quase se esquece de que é Papa. candidatos, mas antes com o povo. Voltando aos padres, o seu número funeral, verificamos muitas vezes que Pude verificá-lo durante breves minutos Porque o povo cristão não tolera ainda reduzido estará a provocar que se as pessoas não participam, pelo que no Sínodo dos Bispos, o ano passado. hoje um padre que seja meramente fun- quebre a ligação estreita que antiga- facilmente se conclui que não são prati- Durante três semanas, raro foi o dia em cionário, mas no fundo é isso que por mente existia entre eles e o povo… cantes, não estão ali por um acto de fé, que o Papa não esteve no Sínodo. vezes está a pedir. Quando diz “Que- Temos paróquias em Portugal com mas apenas por um acto protocolar que Habitualmente calado, sempre muito remos um padre, mesmo que seja casa- menos de cem habitantes, pelo que lhe a família do defunto gostou de fazer. atento aos textos e às afirmações. Mas do, o que o povo por vezes quer é os não daríamos um pároco, mesmo que o Outro exemplo: baptismos que nos houve um dia em que uma questão secun- serviços a horas – a missa todos os dias, tivéssemos. E entre 100 e 500 habitantes, são pedidos por famílias que não têm a dária, relacionada com a “Última Ceia, o funeral como o povo entende. Mas um número incontável. Mas, de facto, há mínima prática cristã. E outras situa- Primeira Missa ou não?”, o Papa tomou a depois de servido, corre-se o risco de o um empobrecimento de uma das maiores ções: casamentos que não têm funda- palavra, dizendo: “Não me ouçam como povo dizer: “Não gostamos deste riquezas culturais e religiosas de mento de estabilidade… Papa, vou falar-vos como professor!”. padre”. Portugal, que era a familiaridade entre o Mas isso não é uma atitude prepo- Ora eu estou convencido de que na pastor e os paroquianos. Hoje há casos tente e arbitrária da Igreja? Alemanha, o seu País, ele preparou muito NÚMERO DE SEMINARISTAS de um só padre que cuida de duas ou três Não! Para que, por exemplo, o casa- bem uma lição e fez uma citação… ESTÁ A AUMENTAR paróquias, ou então um grupo de padres mento seja efectivamente um sacramen- O sr. Bispo conheceu-o antes de ele que cuida de todo um concelho (por to, portanto um acto sagrado no qual o ser Papa? A verdade é que os seminários es- exemplo, o de Tábua, que tem 13 paró- próprio Deus garante que se comprome- Sim, estive com ele variadíssimas tão quase vazios… quias, está entregue a dois padres). te, supõe-se que nós também nos com- vezes, e sempre de passagem. Encon- Permita que o corrija: não têm os Interessante é que os paroquianos per- prometemos a fazer o acto como deve trei-me com ele quando estava com um altos números que tinham há 30 anos, guntam sempre: “Mas quem é o nosso?”. ser. Se eu tenho noivos que não se com- grupo de peregrinos portugueses na Ba- mas estão em lento crescimento. Aliás, Temos pedido aos padres que culti- prometem a ser generosos tendo filhos, sílica de São Paulo. Reparámos num eu acompanhei toda a crise dos seminá- vem os laços de proximidade e de fami- (Continua na página seguinte)
    6. 6 ENTREVISTA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Bispo de Coimbra em entrevista ao “Centro” (Continuado da página anterior) como ainda há pouco sucedeu com ou a serem fiéis a quem agora dizem Ciudad Rodrigo, em Espanha, sendo que sim, eu duvido muito que esteja a chamado a pronunciar-me. Promover fazer um acto como Deus o quer. cursos, dialogar com a senhora Ministra Quando eu baptizo uma criança cujos da Cultura, conversar com a Polícia pais me não garantem que a vão educar Judiciária sobre a segurança das igrejas cristãmente, tenho a sensação de que eu e dos seus conteúdos – eis algumas das próprio estou a faltar ao respeito a um minhas tarefas. acto religioso que, por natureza, é o ingresso na Igreja. POSIÇÃO SOBRE O ABORTO Por isso, o que eu lamento é que al- guns padres não saibam ser, delicada- Outro tema incontornável, pela mente, exigentes, e sejam, porventura, sua actualidade, é o do aborto. Qual é funcionários, apresentando simples- a posição do sr. D. Albino Cleto? mente a regra e condenando, sem mais, Fiel à vida! Portanto, não concordo a pessoa que vem pedir. O que se deve com a facilitação que a lei prevê, pelas fazer sempre é, com paciência e delica- razões que a Conferência Episcopal tem deza, explicar às pessoas a exigência de aduzido, e que são, fundamentalmente, uma acto sagrado. o princípio da dignidade do embrião Não lhe parece que há muitos cató- como vida humana. O conceito de pes- licos que encaram a confissão como soa é discutível, porque entra na área uma espécie de “lavandaria das al- jurídica, mas eu entendo que não pode mas”, onde vão regularmente redi- depender de qualquer conceito jurídico mir-se de actos condenáveis que pra- de pessoa o respeito que eu tenho obri- ticam no seu quotidiano? gação de ter por uma vida em embrião. Admito que haja alguns que o façam. Aquilo que tem sido publicado pela Mas eu costumo dizer que a confissão Conferência Episcopal, eu partilho não é limpar o pó do móvel, mas antes inteiramente. Acrescento apenas uma dar ao móvel um tónico para que ele coisa: faço isto não como um jogo que melhore. Se só limpo o pó do móvel, ele vamos ter para ver quem ganha, mas fica exactamente igual. Quando aplico como um serviço à vida em toda a sua um tónico, é para melhorar, para ama- amplitude. O que significa que, depois nhã ser mais forte. do referendo, seja o resultado qual for, eu sei que, como bispo, vou continuar com esta luta, que vai ser uma luta de décadas. Porque sinto, muito sincera- O FENÓMENO DAS SEITAS mente, a vida ferida e ameaçada. E A PRÁTICA CATÓLICA As seitas proliferam em Portugal e por esse mundo fora. Não terá isso a ver com o facto de a Igreja Católica PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO se não ter actualizado, a ida à missa É MANTER A IGREJA VIVA ocupado pouco com a formação, a co- temos o termómetro nos chamados ser encarada como um ritual de meçar pela instrução religiosa. Na seita, ofertórios nacionais, um dos quais, em Qual é a sua maior preocupação sacrifício, enquanto as sessões das sei- com meia dúzia de verdades o crente Maio, é sempre para a comunicação como Bispo de Coimbra? tas são uma festa (embora quase sem- considera-se esclarecido. social da Igreja. O resultado é mínimo! É uma preocupação que tenho parti- pre com um ingresso bem caro…), de Em contrapartida, em tudo o que é sen- lhado com padres e leigos, e que é esta: onde as pessoas saem mais alegres? timento, o povo é generoso: os seminá- construir, para que a Igreja, no futuro Estou de acordo. O fenómeno de mi- rios, porque lhes dão padres, as próximo, se mantenha viva e não A OPULÊNCIA DE FÁTIMA gração de católicos para as seitas (que Pregando a Igreja Católica a fruga- Missões, porque “coitadinhos dos preti- dependa das estruturas que estão a desa- felizmente em Portugal não é tão acen- lidade, a temperança, a modéstia, co- nhos”. Se pedir dinheiro ao povo para parecer. Daí a necessidade de formação tuado como no Brasil e outros países), mo se compreende que esteja a erigir construir a sua igreja ou capelinha, está na Fé, nomeadamente dos leigos. Por tem várias causas, algumas situadas na em Fátima uma basílica “faraónica? paga a construção, porque aí entra o isso temos uma escola de leigos e cur- igreja de onde saem, outras nas seitas Uma das condicionantes que a Igreja brio local. sos destinados a aprofundar a mensa- para onde vão. Mas, de facto, tenho de tem é o respeito pela vontade dos doa- gem cristã. reconhecer que a Igreja Católica, sobre- dores. Poderá dizer-me: “Mas os bispos Por outro lado, preocupa-me a prepa- tudo nos países onde é tradicionalmente têm a liberdade de a alterar”. Ora procu- ração de muitos desses leigos para cola- maioritária, tornou-se pesada. Há um ramos não o fazer. Portanto, compreen- borarem com os respectivos párocos na VALORIZAÇÃO rito que para ser universal está muito do que haja muita gente que em Fátima realização de tarefas de várias ordem: DO PATRIMÓNIO DA IGREJA marcado, as missas têm de ser iguais, dá boas ofertas com a condição de Entre outras responsabilidades, o da administração e também da celebra- porque o país era tradicionalmente fiel serem gastas em Fátima, porque se sr. D. Albino Cleto é responsável pelo ção da fé, sendo eles próprios a presidir não houve desenvolvimento e criativi- forem, por exemplo, para a Universi- património artístico da Igreja… a momentos de oração e a realizar actos dade litúrgica, fazem-se as coisas hoje dade Católica, já não dão. Nós respeita- Não! Sou coordenador de acções de sagrados, como presidir a funerais, pre- como se faziam há cem anos. Outro fac- mos isso, de maneira que os dinheiros valorização do património, porque cada parar baptismo e casamentos, celebrar o tor é que, com a idade, as pessoas con- que são para sustentação do clero, o diocese é absolutamente autónoma domingo quando não é possível o padre tinuam como anónimas. Entram na povo ainda hoje faz uma diferença quanto ao seu património, tal como estar presente. missa e saem da missa sem ninguém enorme. Por exemplo, se der o dinheiro cada paróquia o é. A minha intervenção E aqui já as mulheres têm também lhes dizer “Olá! Como é que se chama? para Santo António, ele não pode ser é a de coordenar esse trabalho nas vári- um importante papel. Aliás, enquanto Como está?”. Por outro lado, as seitas utilizado na festa de Nossa Senhora de as dioceses. Em muitas dioceses o os homens serão melhores na parte são mais flexíveis, as pessoas sentem-se Fátima. Daí que, na mentalidade portu- inventário está feito, em outras está em administrativa, para orientar obras, na mais acarinhadas. E também não posso guesa, há determinados sectores que curso. E já mesmo informatizado. parte da educação das crianças e jovens negar que há um factor que considero para nós são fundamentais, mas que no Por outro lado, às vezes há uma acho as mulheres com prioridade, pois positivo, mas que nos está a levar muita pensar do povo não têm grande peso. exposição, até no estrangeiro, que pede têm muito melhores qualidades para gente. Na Igreja Católica temo-nos pre- Um deles é a comunicação social. Nós algumas peças para uma exposição – esse efeito.
    7. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 OPINIÃO 7 É um facto que ninguém tem as mãos propósito de eliminar alunos e docentes O INFERIOR ENSINO SUPERIOR limpas nem está em condições de atirar do ensino superior iraquianos de forma (…) As escassas informações ontem a primeira pedra... mas o PS esteve a impedir o desenvolvimento daquele tornadas públicas sobre os resultados da sempre acantonado em modelos anacró- povo e impor o predomínio da indústria avaliação realizada pela ENQA (sigla nicos. Sócrates, que representa o PS militar sem qualquer oposição ou obstá- que dá por identificada, a Rede Europeia itações modernizado a lutar por um país de pro- culo mobilizador da opinião pública na para a Garantia da Qualidade no Ensino gresso, é também uma esperança de defesa da paz e que justifica os assassi- Superior) despertam-me imensa curiosi- mudança e revitalização do sector co- natos dos universitários como forma de dade para ler o documento integral. Não municacional. Mas os rumores... são os intimidar perante tal postura. posso crer que a síntese das conclusões mau presságio. Obrigar os operadores (…) Esta denúncia foi negada por divulgadas corresponda à substância do de televisão a manter as grelhas de pro- alguns dos órgãos de comunicação so- trabalho levado a cabo pelos peritos gramação a 48 horas da sua emissão é cial do mundo ocidental. Contudo, em internacionais. A serem apenas estas, um absurdo, um anacronismo e um 23 de Maio do presente ano, o Professor estaríamos mais uma vez, sob o manto atentado aos interesses dos espectado- Jasim Fiadh al-Shammari do Departa- daquele adágio que parece ser um cartão CÓDIGO DE SILÊNCIO res, ainda que tudo apareça sob o res- mento de Psicologia da Faculdade de de certificado que tanto reconforta os (…) guardo do argumento esfarrapado de Letras da Universidade Al- Mustansi- portugueses “o que é internacional, é Na tropa como na bola e no seminário, que “é preciso avisar o público das alte- riya, em Bagdad foi assassinado na pro- bom”. Exactamente, o contrário do slo- enfim em sítios onde os homens tinham rações da programação com 48 horas de ximidade do campus universitário, sem gan que os produtores industriais e umas certas cumplicidades e davam as antecedência”. (…) desencadear uma pesquisa policial sis- comerciais portugueses fazem defesa de vidas uns pelos outros, estabelecia-se um Emídio Rangel tematizada. honra:”o que é português, é bom”. código de silêncio em que nenhum bufa- CM 25/11/06 (…) A guerra preventiva é uma das Tudo somado, a grande conclusão é es- va o companheiro, amigo camarada e mais ignóbeis formas de guerra. ta Dez anos de avaliação nacional das palhaço. O FARDO DAS FARDAS Nuno Grande diferentes unidades de ensino superior e Até na mafia ou no supremo havia, e (…) Não vale a pena discutir mais (médico e professor universitário) de centenas de cursos realizadas pelas há ah!, um código de honra em que sobre se foi “passeio” de amigos e ca- JN 23/11/06 diversas CAEs (Comissões de Avaliação bufar era pior do que trair. Assim se maradas, ou “manifestação ilegal”. Externa), nomeadas pela CNAVES – o fizeram grandes scorceses, puzzos e tí- Não vale a pena zangarmo-nos mais MORTE NAS ESTRADAS Conselho Nacional de Avaliação do tulos nacionais mais de metade do jazz, com a questão de confundir as fardas (…) Ao longo do séc. XX as estradas Ensino Superior, pouco ou nada acrescen- do rock e da construção civil se erigiu à (símbolo da especificidade militar) com europeias fizeram mais de vinte e cinco taram à qualidade do ensino. Mas seria volta de princípios tão firmes como os as reivindicações (sinal daquilo que, no milhões de mortos. Uma verdadeira car- necessário uma comissão internacional de de um aperto de mão. Qualquer gaja domínio militar, se aproxima da esfera nificina para a qual Portugal contribuiu peritos para chegar a esta conclusão? minimamente inteligente, e olhem que civil, da segurança social às retribuições). generosamente. Sem discutir o conteúdo de muitos dos elas não nos ficam atrás por gosto, co- Não vale sequer a pena olhar para E se é verdade que a sinistralidade mil e quinhentos relatórios de avaliação so- nhece o valor do silêncio, em cada trás. tem muitas causas, não duvido que, no bre outros tantos cursos de instituições pú- amante, em cada esquina. O que importa é ver, com muita cla- conjunto, reproduzem práticas e atitu- blicas e privadas, não bastaria uma súmula Quando a diáspora inclemente nos reza e realismo, o que poderão ser as des que dizem muito sobre a nossa cul- de alguns, para extrair essa conclusão? obrigou a emigrar, porque éramos po- nossas forças armadas, num país sem tura cívica, o exercício dos nossos direi- Nesse espaço de dez anos há cursos bres, desditosos ou politicamente incor- guerras, sem meios, com ameaças não tos de cidadania e sobre a nossa relação que foram repetidamente avaliados. rectos, houve os que fizeram pela vida, convencionais e prioridades de desen- com os outros. Não é por acaso que a Algumas comissões deixavam de forma nos seus desgraçados factos caros por volvimento civil, que não passam pela sinistralidade rodoviária acompanha de bem patente a fraca evolução entre a pri- medida, nos seus poemas estrangeira- compra de equipamento bélico. perto o desenvolvimento social e cultu- meira e segunda avaliação. E, sobretudo, dos por encomenda, nos seus tiques Cada governo fica, nesta área, prisio- ral de cada país. registavam, por outras palavras, “a passi- politiqueiros de serviço, nas nossas neiro de opções que foram tomadas a Por tudo isto, julgo que a redução da vidade dos vários governos” na avalia- prostituições travestidas de charmes e prazo, por outros, e que originam laços morte na estrada não é vitória de um ção que ao ministério da tutela teria de vícios. (…) nem sempre desejados, mas que devem governo, de uma polícia, de uma insti- competir quanto à tomada de medidas e Rui Reininho ser cumpridos. tuição. Mas uma vitória de todos. De exigência pelo seu cumprimento. Vários JN 25/11/06 Cada governo que se constituiu de- pais, de professores, dos vários agentes aspectos não eram competência das pois das guerras de África, sabe que pre- culturais e formadores. E também do CAEs, mas de equipas de fiscalização, UMA TV ANACRÓNICA cisa de reformar o sistema de forças, a Governo e das Polícias. porventura, nunca accionadas. Por outro Os rumores sobre o conteúdo do sua doutrina e as suas armas, mas tam- Talvez nunca houvesse uma guerra lado, sempre os vários governos se recu- anteprojecto de proposta de Lei da Te- bém conhece a necessidade de, num onde fosse tão necessária a participação saram a aplicar as sanções que obvia- levisão, que já tem a bênção do PSD, meio que necessita de tranquilidade, não de todos. E deve ser a única que não mente deveriam ser executadas. (…) não auguram nada de bom. Parece uma criar revoluções, quebras bruscas, ou tem oposição interna. A não ser nós pró- Paquete de Oliveira maldição dos governos socialistas que projectos que seriam óptimos, em teoria, prios, enquanto condutores. A começar (sociólogo e professor universitário) ao longo destes anos de Democracia mas difíceis de aplicar, na prática. logo na atitude perante as histórias trá- JN 23/11/06 dificilmente conseguiram acertar o Não é diferente com a actual equipa. gicas que se contam. É sempre a irres- passo com as experiências comunica- (…) ponsabilidade dos outros, a inconsciên- COISAS FIXES cionais mais bem sucedidas na Europa e Nuno Rogeiro cia dos outros, a bebedeira dos outros. (…) Estavas numa manifestação de nos EUA. JN 24/11/06 Se conseguirmos dar um passo em fren- estudantes e nos ombros de uns amigos, O PS resistiu até ao limite ao apareci- te e percebermos de forma definitiva segurando um cartaz que dizia: “Queremos mento de novas estações de rádio e A IGNÓBIL GUERRA que não são os outros, mas somos nós, a tipo coisas fixes.” Quero dizer-te, miúdo quando a situação se tornou insustentá- PREVENTIVA coisa muda de figura. com ar esperto, que é a coisa mais inteli- vel lá aceitou a criação de rádios locais, A noção de guerra preventiva, desen- Ganharemos a consciência que neste gente (aliás, a única) que veio dessas mani- sem a dimensão necessária para servi- volvida pela Administração Norte- esforço não existem inocentes e não festações. Espero que sigas por aí: que rem com qualidade os seus públicos. -Americana para justificar a invasão do entregaremos aos outros a nossa própria queiras trabalhar muito e bem, a coisa fixe O PS evitou até onde pôde a quebra Iraque. teve a anuência dos países que responsabilidade na prevenção e con- que mais tipo de coisas fixes te pode trazer. do monopólio do Estado na televisão e se reuniram nos Açores para apoiar e trolo dos nossos quotidianos para que a Espero que continues na onda do a abertura de novas estações de televi- justificar essa decisão. estrada não seja o primeiro passo para a “queremos”, no sentido mais fixe que são no País. O PS foi ‘pivô’ de quase (…) brutalidade e o sofrimento. tem: as coisas chegam-nos porque todas as estratégias de ‘regulamenta- Em Junho do ano corrente a revista Na luta contra a sinistralidade rodovi- “queremos” fazê-las, nunca nos são da- ção’ de conteúdos nos meios de Co- Science revelava que há uma lista de ária não há inocentes. Vamos ser todos, das. De ti só me desagradou que esti- municação Social e de tentativas de investigadores universitários iraquianos mas todos, a responder moral e civica- vesses aos ombros de colegas. Permite- controlo, sob as capas mais diversas, condenados a serem clandestinamente mente se para o próximo ano o número me um conselho: vai sempre por teu pé. dos órgãos do Estado. O passado do PS executados pela circunstância de serem de mortos voltar a ultrapassar o milhar. Se for preciso, manifesta-te por isso. na área da Comunicação Social não é iraquianos e universitários. Francisco Moita Flores Ferreira Fernandes recomendável. Estas execuções inscrevem-se no CM 20/11/06 CM 24/11/06
    8. 8 LIVROS DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 NUM PAÍS COM POUCOS LEITORES SAEM 14 MIL TÍTULOS POR ANO Editam-se em Portugal mais de mil títulos por mês A falta de estatísticas sobre o merca- publicar um livro que já saiu há cinco do livreiro português é um dos proble- anos”, constatou Carlos Ferreira, subli- mas que os editores enfrentam actual- nhando que actualmente os editores mente, afirmou à agência Lusa Mário funcionam “de forma impressionista”. Moura, presidente do segundo Con- “É preciso ter uma ideia precisa do gresso de Editores que decorreu há dias sector para se saber o que se vai editar”, em Lisboa. rematou. Mário Moura referiu que se está a edi- O presidente da UEP recordou ainda tar em Portugal sem haver qualquer dado que a ministra da Cultura, Isabel Pires estatístico credível sobre o mercado. de Lima, já assumiu publicamente o “Há oito anos que não temos dados compromisso de reunir dados sobre o estatísticos sobre o sector. sector, numa parceria com o INE, a Baseamo-nos apenas em palpites e UEP, a Associação Portuguesa de Edi- conversas”, lamentou Mário Moura, tores e Livreiros (APEL) e o Instituto também editor da Pergaminho. Português do Livro e das Bibliotecas O presidente da União de Editores (IPLB). Portugueses (UEP), Carlos da Veiga A falta de formação dos livreiros, a Ferreira, também referiu à agência Lusa ausência de apoios do Governo, a o mesmo problema: “Há falta de estatís- ausência de espaço nas livrarias que ticas em Portugal que nos permitam tra- responda à quantidade de novos livros balhar”. que são editados, assim como a questão Referindo que se editam em média da lei do preço fixo, que já tem dez cerca de 14 mil novos títulos por ano – o anos, foram outros problemas aponta- que dá mais de mil livros por mês –, o dos pelos dois responsáveis. responsável da UEP afirmou que esses O segundo Congresso de Editores, dados estatísticos permitiriam conhecer, que decorreu na Fundação Calouste por exemplo, “o estado da concorrência”. Gulbenkian, foi dedicado ao “livro e o “A falta de informação é tão grave futuro”, e contou com a participação de que corremos o risco de um editor cerca de 70 editores portugueses. ACABA DE SER LANÇA NA GALIZA “Oficina do Livro” Autores portugueses em antologia multilingue muda de donos Poemas de autores portugueses fo- Fiama Hasse Pais Brandão e Nuno Jú- ternacional de Tradução e Poética, A editora Oficina dos Livros, que tem ram publicados numa antologia multi- dice. Antonio Dominguez Rey, referiu que a um volume de negócios de 10 milhões lingue agora editada na Galiza e que Miguel Anxo Fernán-Vello, director obra tem “mais de 500 páginas nas de euros, acaba de ver adquiridos 75 contempla as cinco línguas e tradições da editora, destacou na cerimónia de cinco línguas iberoamericanas”, sendo por cento do seu capital pela empresa poéticas ibéricas, a par da poesia criada apresentação o facto de ser esta “a pri- 46 os autores galegos, portugueses e portuguesa Explorer Investments. na América latina em castelhano e em meira vez que se publica uma antologia brasileiros antologiados. Em comunicado, a editora e distribu- português. multilingue com as cinco línguas ibéri- Justificando o título da antologia, idora anunciou que a Explorer Invest- A obra, intitulada “El otro medio cas em pé de igualdade com o castelha- explicou que os autores da primeira ments, uma sociedade gestora de fun- siglo (1950-2000). Antologia incomple- no e o português-brasileiro” da América metade do século XX “são mais conhe- dos, adquiriu 75 por cento do capital, ta de poesia iberoamericana”, tem chan- Latina. cidos” e entre 1950 e 2000 há muitos ficando os restantes 25 por cento nas cela da editora galega Espiral Maior e A antologia, assinalou, reproduz “um que “merecem sê-lo”. mãos de António Lobato Faria, que foi apresentada na passada semana em panorama simultaneamente completo e Entre os poetas brasileiros seleccio- mantém a direcção da Oficina do Livro. Santiago de Compostela. incompleto”, com a novidade de “repre- nados figuram Affonso Ávila, Ferreira A Oficina do Livro, responsável pelas Trata-se de uma iniciativa da Asso- sentar todos os territórios de poéticas ibé- Gullar, Augusto de Campos, Adélia chancelas Casa das Letras, Oficina do ciación de Amigos da Universidade ricas – o basco, o catalão, o galego, o por- Prado, Wally Salomão, António Cícero Livro e Estrela Polar, edita autores como Libre Iberoamericana na Galiza (AULI- tuguês e o castelhano –, conjuntamente e Alexei Bueno. Miguel Sousa Tavares, Margarida Rebelo GA) inserida no âmbito do VII Semi- com os poetas ibero-americanos de ex- Autores de língua castelhana antolo- Pinto, Gunter Grass e Herman Hesse. nário de Tradução e Poética que decor- pressão portuguesa e castelhana” de paí- giados foram, de Espanha, José Ángel Além de deter agora a maioria do reu em Rianxo (Corunha). ses como a Argentina, Cuba, Venezuela, Valente, Cláudio Rodriguez e Arturo capital da editora, a Explorer Invest- Os autores portugueses selecciona- Uruguai, Colômbia, México, Nicarágua, Maccanti, e, da América Latina, Juan ments adquiriu participações em dife- dos para a obra foram Carlos de Oli- Chile, Honduras, Costa Rica e Equador. Gelman, Olga Orozco e Roberto Juar- rentes sectores, como a Alfasom, na veira, Eugénio de Andrade, Mário Ce- É uma publicação “rica, não apenas roz, entre muitos outros. área de comunicação audiovisual, e a sariny, António Ramos Rosa, Alexandre na quantidade de poemas e textos de Da língua catalã, dois dos representa- rede de ginásios Holmes Place. O’Neill, David Mourão-Ferreira, Fer- expressão poética que incorpora, mas dos são Josep M. Llompart e Pere Gim- Os novos accionistas, em parceria nando Guimarães, Ana Hatherly, Fer- também pelos ensaios e estudos que os ferrer, do basco Juan Maria Lekuona e com a actual gestão, “apostam no surgi- nando Echevarría, Herberto Hélder, acompanham”, realçou. Koldo Aguirre e do galego Manuel Ma- mento de novas oportunidades de negó- Albano Martins, António Osório, Ruy Por seu lado, o presidente da AULI- ria, Uxío Novoneira e Xosé Luís Mén- cio num sector em crescimento e trans- Belo, Pedro Tamen, Casimiro de Brito, GA e director do VII Seminário In- dez Ferrin. formação”, refere ainda o comunicado.
    9. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 LIVROS 9 LIVRARIAS CADA VEZ MAIS AMPLAS E DINÂMICAS Coimbra convida à leitura Longe vai o tempo em que dade, lêem a contracapa de um livro ou pessoas pela oferta variada, mas também bra que surgiu a ideia de oferecer café as livrarias eram um local de mera mesmo o seu interior. pelos momentos de conforto, pausa e aos clientes – de notar que o café, aqui, aquisição de livros. O habitual É o caso, por exemplo, da Livraria descontracção que proporcionam. Aliás, é mesmo gratuito –, convidando-os a conceito de livraria tem vindo Almedina, no Estádio Cidade de Coim- poder-se-á afirmar que o novo conceito sentarem-se e, confortavelmente, con- a modificar-se gradualmente, bra, da FNAC (Fórum Coimbra) ou da de livraria surge precisamente neste con- sultarem obras do seu interesse. Foi fruto da emergência de uma nova Bertrand (Dolce Vita). O objectivo é texto, ou seja, da necessidade de evasão também esta a primeira livraria de Coim- tendência, onde as livrarias “fugir ao conceito tradicional de livraria” ao stress quotidiano e de aliciar as pesso- bra a começar com tertúlias. Romance, e “criar um espaço onde as pessoas se as para a leitura, numa era em que a ima- poesia, ficção, ciências sociais e huma- se alargam para dar origem sintam bem”, como nos afirma Eva gem e a televisão predominam. nas, arte e temas da actualidade são dis- a espaços mais agradáveis, Moutinho, gerente da Almedina. Para Tânia, 23 anos, conhece a Almedina cutidos regularmente desde há cinco lúdicos e pedagógicos. ela, “a cafetaria é mais um motivo para do Estádio Cidade de Coimbra há pouco anos. Além disto, fazem-se sessões de O cliente-leitor tem, assim, as pessoas virem à loja” e é também tempo e já o considera muito bom. “É leitura pedagógicas com as Escolas a oportunidade não só “uma forma de as cativar”. “Tanto acon- fantástico”, exclama, acrescentando que (existe, inclusive, na livraria, um espaço de comprar uma obra, tece as pessoas virem tomar um café aca- tenciona voltar “para ler e tomar café”. infantil para as crianças), lançamentos mas também de a desfolhar bando por levar um livro, como o contrá- Como estudante de Arquitectura, mos- de livros, palestras e conferências, onde calmamente no local de venda, rio, virem comprar um livro e aproveita- tra-se impressionada com o aproveita- se debatem temas que “são preocupação e de participar noutras actividades rem para tomar um café”, continua. No mento do espaço. Por sua vez, André da cidade”, como refere Isabel Garcia, de âmbito cultural nele promovidas. topo das vendas estão, no entanto, os Serrão, funcionário da loja, parece ser gestora da livraria. “Interessa-nos que a Coimbra viu nascer, num curto livros, como nos garante André Serrão, da mesma opinião, quando afirma, satis- cidade venha até nós”, continua, “por- espaço de tempo, vários espaços funcionário da loja, ou não fosse a feito, que gosta de ali trabalhar e que “a que é com as pessoas que uma livraria como estes, de grandes dimensões, Almedina uma livraria por excelência. modernização é um estímulo”. se mantém viva”. onde se alia o prazer de tomar Além da cafetaria, a Almedina dispõe Mas toda esta dinâmica cultural não é Há também que “manter viva a cultu- um café ao de ler um livro. de um auditório onde se realizam apre- apenas privilégio das novas livrarias, ra, partilhar experiências e conhecimen- A iniciativa, porém, parece sentações de obras, exposições de pin- que se enquadram no conceito de “gran- tos”, conclui. E porque o leque de alter- não ser nova nem ser exclusiva tura, ciclos de conferências ou eventos de dimensão”. Existem livrarias, como nativas culturais da livraria é vasto, para crianças. A título de exemplo, os a Minerva Coimbra, situada na Rua de importa ainda fazer referência às ses- das grandes superfícies livreiras. museus foram tema de discussão neste Macau (Bairro de Norton de Matos), sões de música ao vivo e às exposições espaço até bem pouco tempo e agora que, num espaço bem mais reduzido, de pintura e escultura. Flávia Diniz fala-se sobre arquitectura. De recordar conseguem ser tão polivalentes e dili- Relativamente à recente abertura de também o forte pilar jurídico sobre o gentes quanto as outras. novas livrarias de grandes dimensões Ler um livro num café ou tomar café qual sempre assentou esta livraria, e ao em Coimbra, Isabel Garcia considera numa livraria? Eis um dilema com que qual dedica um espaço considerável. que é uma mais-valia para todos: “A qualquer amante das letras certamente Procura-se, desta forma, abordar diver- cidade só tem a ganhar com isso”, afir- TAMBÉM AS LIVRARIAS NÃO já se confrontou. Isto, porque, hoje em sos tipos de públicos, não subestiman- ma, acrescentando que ninguém fica a SE MEDEM PELO TAMANHO dia, já existem livrarias com cafetaria, do, no entanto, o atendimento persona- Em algumas livrarias mais tradicio- perder porque “como editores, também um espaço onde as pessoas podem sen- lizado, como ressalva a gerente. nais, que gozam de uma área menor, podemos pôr lá os nossos livros” e tar-se e tomar um café, ao mesmo São espaços inovadores que exploram existe também lugar para a criatividade “todos temos os nossos públicos e fre- tempo que se colocam a par da actuali- as várias vertentes da cultura, atraindo as e a proactividade. Foi na Minerva Coim- quentadores habituais”. AUTOR É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA PRESENTE EM COIMBRA DESDE 1970 Livro sobre robôs industriais lançado nos Estados Unidos e na Europa Um manual académico sobre progra- agência Lusa o físico Carlos Fiolhais, que Livraria Bertrand mação de robôs industriais, da autoria do interveio na sessão de lançamento em Remonta a 1970 a presença da Li- Dolce Vita e no Forum Coimbra. Há docente de Coimbra Norberto Pires, com Coimbra, a par com o Autor e Joana Teles vraria Bertrand em Coimbra, contando, a assinalar o facto da loja localizada inúmeras aplicações na indústria e outras (Matemática), Luís Menezes (vice-presi- actualmente, com cerca de 30 colabora- no centro comercial Dolce Vita tra- ainda em fase laboratorial, é apresentado dente do Conselho Científico da Facul- dores nas suas quatro livrarias. Em zer para esta cidade um conceito di- depois de amanhã (dia 1 Dezembro), na dade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), Outubro desse ano, esta centenária rede ferente: a Mega Store, onde, para Universidade de Estugarda (Alemanha). e Fernando Guerra (Pró-Reitor da UC). livreira inaugura a sua primeira livraria além do comércio livreiro, recupera O autor é o responsável pelo Laborató- O professor da FCTUC apresenta tam- nesta cidade, num dos seus locais de a tradição das tertúlias, onde nomes rio de Robótica Industrial do Departa- bém, entre outros, sistemas de controlo de eleição: o Largo da Portagem. como Alexandre Herculano ou Eça mento de Engenharia Mecânica da Univer- robôs pela voz ou através de um PDA ou No entanto, com o surgimento na de Queirós outrora pontificaram, sidade de Coimbra, e a obra (escrita em de canetas digitais, que ainda se encon- urbe conimbricense das grandes su- com a existência de um café, assim inglês), intitula-se “Industrial Robots Pro- tram em fase laboratorial. perfícies, facultando a criação de como de um auditório. gramming – Building Applications for the “Os exemplos estão todos documenta- centros comerciais capazes de gerar Sob o lema “desde 1732 que o Factories of the Future” (Programação de dos. O livro encontra-se associado a um grandes fluxos de público, dá-se uma convidamos a ler”, a Livraria Ber- Robôs Industriais – Construir Aplicações sítio na web com o software que usamos e forte aposta, como forma de acompa- trand é uma das principais referên- par a as Fábricas do Futuro). Já à venda, que pode ser descarregado”, disse ainda o nhamento do desenvolvimento das cias em redes livreiras cuja história desde Outubro, na América e em alguns engenheiro físico, ao frisar que a obra “é cidades onde se encontra, com a se confunde com a das próprias livra- países da Europa, onde foi publicado pela utilizável em qualquer parte do mundo e abertura, no final da década de 90, da rias em Portugal. editora internacional de obras científicas vai manter-se actualizada”. loja situada no CoimbraShopping. Para a Livraria Bertrand, Coimbra Springer, o livro foi lançado na passada se- Segundo Carlos Fiolhais – galardoado Na sequência desta sua política é uma cidade e região de enorme im- mana em Coimbra, na Livraria Almedina- recentemente com o Prémio Rómulo de comercial, recentemente, em 2005 e portância e, por esse facto, onde pre- Estádio. Carvalho, instituído este ano pela Uni- 2006, reforçou a sua presença e visi- tende cimentar a sua presença e re- “É um livro de ponta, de um cientista versidade de Évora – o livro “tem interes- bilidade em Coimbra, investindo no forçar a sua imagem. que trabalha com a indústria”, disse à se e amplitude e público internacional”.
    10. 10 LIVROS DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Lançado primeiro livro de poesia de Manuel dos Santos Manuel dos Santos acaba de lançar o seu primeiro livro de poesias, intitulado “Algumas coisas com importância”, e editado pela MinervaCoimbra. A apresentação, que decorreu no anfiteatro da Escola Superior Agrária de Coimbra, esteve a cargo de Alfredo Maia, Presidente do Sindicato dos Jornalistas, que aludiu à obra no sse- guintes termos: “Este «Algumas coisas com impor- tância» interpela-nos acerca do modo como cada um de nós rege os seus dias nessa marcha do tempo – incessante, complexa, armadilhada com contradi- ções, animada por avanços e conquistas e angustiada por retrocessos”. De acordo com Alfredo Maia, Ma- nuel dos Santos faz do seu livro “um manifesto de exortação e de resistên- cia”, levando os leitores ao ‘questiona- deliberada com certos modos de pensar Pedrinha, Condeixa-a-Nova. Possui o mento’ e ao “combate, aqui e ali polvi- e de fazer poesia”, na qual o poeta mer- curso de Regente Agrícola pela Escola lhado com estrofes de esperança e de gulha, lançando mão de metáforas e Agrícola de Coimbra e a licenciatura amizade”, sempre “animado pela con- repudiando “a inutilidade ofensiva da em Biologia pela Universidade de vicção de que cada um de nós tem o palavra que não germina, que não pro- Coimbra. Foi técnico do Ministério dever irrenunciável de sonhar, de pro- duz, que não transforma, mas que ludi- da Agricultura até 1989 e, desde por, de agir, de resistir”. bria, que atraiçoa”. então, tem sido responsável pelo A escrita de Manuel dos Santos suge- Manuel Ferreira dos Santos nasceu Instituto da Conservação da Natu- re, segundo Alfredo Maia, uma “rotura em Coimbra em 1950 e reside em Eira reza na região Centro. CONFESSA O ESCRITOR NO MÉXICO Lobo Antunes incapaz de falar da guerra de Angola O escritor português António Lobo ros 350, na feira Internacional do Livro forte porque vivemos juntos os momen- mortos, penso que não tenho esse direi- Antunes confessou, na passada sexta- de Guadalajara (FIL), no México. tos mais horríveis das nossas vidas. Isto to. Mas, evidentemente, que isso mudou feira, que nunca fez um livro sobre a “Eu todos os meses almoço com os deu-nos uma ligação muito forte”, asse- muito em mim”, acrescentou. guerra que viveu de perto em Angola, oficiais da companhia. Somos poucos, gurou o escritor. Assinala que tem prazer na leitura, vivência que o marcou para sempre mas quatro, e nunca falamos da guerra. Lobo Antunes estudou Medicina e não acontecendo o mesmo com a escri- de que é incapaz de falar. Falamos de outras coisas mas não por tradição familiar optou pela Psi- ta, a actividade pela qual foi reconheci- “O mais importante da guerra para disso”, assinalou Lobo Antunes. quiatria, profissão que compatibilizou do internacionalmente. mim, e para além de continuar com os “Ainda hoje, quando estou com eles - com a escrita. Em Fevereiro de 1961, “A primeira parte dos livros é muito meus mortos no meu sangue (…) foi a os soldados, os oficiais, os sargentos - começou a guerra da independência de difícil e nunca se está seguro do que se descoberta da camaradagem”, confes- existe entre nós uma ligação tão forte Angola e o escritor foi chamado para o está a fazer. Fica-se cheio de dúvidas. sou, numa conferência de imprensa o que nada pode destruir. Não é amizade, Exército português como médico de Ficaria encantado de estar cheio de escritor que está a participar, com out- não é amor, é uma coisa muito mais campanha. Naquela guerra, ficou ferido luminosas certezas mas não o estou. Es- com gravidade e regressou a Lisboa. tou cheio de dúvidas”, assegura. Já curado dedicou-se à Psiquiatria, “Creio que a única coisa que aprendi profissão que só durante uma curta eta- com os anos é que tudo o que a vida te pa da sua vida considerou interessante e dá é um certo conhecimento dela, que que abandonou em 1986 para dedicar-se chega sempre demasiado tarde. E escre- plenamente à Literatura. ver e viver necessita de toda uma vida “A primeira vez que entrei num hospi- para aprendê-lo. Eu ainda estou a apren- tal psiquiátrico tinha a impressão de estar der uma coisa e outra”, acrescenta. num filme de Fellini e na casa da minha A sua trajectória literária foi reconheci- avó”, declarou o escritor português. da com numerosas distinções como os Sobre a guerra assinalou que “não há prémios Rosália de Castro, concedido em ninguém que tenha passado por uma e 1998 pelo Círculo de Escritores Pen Club que volte igual. (É) o absurdo, a injusti- da Galiza, o Grande Prémio de Romance ça, ninguém ganha a guerra, todos per- outorgado em Junho de 2000 pela As- dem, todos”. Considera que dos conflitos sociação Portuguesa de Escritores pela bélicos “é impossível falar devido à cru- “Exortação aos Crocodilos” e Prémio de eza das experiências que neles se vive”. Literatura Europeia do Estado Austríaco “Jamais fiz um livro sobre a guerra. 2000. Os seus romances foram traduzi- Poderia fazer-se um ensaio, um docu- dos para numerosos idiomas, inclusive mento mas, por respeito para com os o coreano.
    11. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 LIVROS 11 TRADUZIDO POR AGOSTINHO ALMEIDA SANTOS Alerta preocupante em lançamento de livro sobre contracepção Albino Aroso, médico que já foi Secre- importância científica da obra de um tário de Estado da Saúde, deixou há dias, colega que conhece há muitos anos e em Coimbra, um preocupante alerta rela- muito preza, e que constitui um traba- tivamente ao decréscimo da natalidade. lho de referência para a aprendizagem Sublinhando que “uma mulher que universitária e para o ensino pós-uni- tenha um filho é uma heroína” e que “o versitário. Lembrou que a medicina da nascimento de uma criança num país da reprodução é um dos aspectos da Saúde Europa é um enorme benefício para da Mulher, sector pelo qual ele muito se esse País e para a Europa”, o especialis- tem batido. Manifestou também grande ta referiu que se os índices de natalida- preocupação pelo declínio demográfico de continuarem a baixar ao ritmo a que a que se está a assistir em Portugal, e se vem assistindo, dentro de dois sécu- sublinhou que em França, apesar da los a população europeia terá pratica- população estar mais esclarecida do que mente desaparecido. em Portugal sobre os métodos de con- Este alerta foi deixado na interven- tracepção, a taxa de natalidade está a ção que fez na Biblioteca Joanina da aumentar, o que significa que necessá- Universidade de Coimbra, ao apresen- rio é que os cidadãos sejam mais con- tar um livro intitulado “Contracepção”, scientes e tenham condições adequadas da autoria do especialista francês David para inverter essa tendência. Serfaty, editado pela Fundação Calous- A encerrar a cerimónia (que contou te Gulbenkian e traduzido por Agos- ainda com a interpretação de algumas tinho Almeida Santos, catedrático da peças musicais por elementos da Faculdade de Medicina e Director dos Orquestra Clássica do Centro), o Reitor Hospitais da Universidade de Coimbra. da Universidade, Fernando Seabra San- Ao usar da palavra, Agostinho Al- tos, disse da sua satisfação por ali estar a meida Santos lembrou que há 42 anos decorrer o lançamento de uma obra de se vem empenhando na investigação e grande actualidade e importância. na prática de novos métodos para con- Sublinhou que o poder hoje deverá seguir o nascimento de crianças, pelo ser o do conhecimento e da sabedoria, que poderia parecer estranho aparecer congratulando-se com o facto de em agora como tradutor de uma obra sobre Coimbra, no cimo da colina, não haver contracepção. Contudo, aceitou o con- uma catedral, um castelo, um palácio, vite da Gulbenkian por reconhecer a mas sim uma Universidade.
    12. 12 LIVROS DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 REABILITANDO A LITERATURA DE CORDEL Editora “Apenas” com 200 títulos em 16 colecções Existe em Portugal uma editora Também acontece haver patrocinado- invulgar, ou mesmo única, que surgiu res para algumas obras – patrocínio esse quase por brincadeira para se transfor- que se traduz, normalmente, pela aqui- mar numa coisa muito a sério. sição de determinado número de exem- Chama-se “Apenas” e a sua criadora é plares. Fernanda Frazão, que depois de ter traba- lhado muitos anos na área da edição “Estrepes” (nomeadamente na Dom Quixote), se apercebeu de que havia muitos autores de José d’Encarnação cujos trabalhos não eram acolhidos pelas A edição mais recente foi o livro de editoras, por serem pouco conhecidos, comentários intitulado “Estrepes”, da pelos temas abordados não serem muito autoria de José d’Encarnação, que tem vendáveis – enfim, por razões diversas já outras obras editadas pela “Apenas” que os impediam de editar as obras, já que – como “Sintra, a sedução e o misté- também não tinham meios para o fazer. rio…”, na colecção “ora e outrora”, Fernanda Frazão pensou que talvez “Pelas veredas da História… em São houvesse uma forma de concretizar as Brás de Alportel” e “Cecília Marina, aspirações dos autores de muitos desses Ossonobense”, na colecção “ofiusa”. trabalhos a que reconhecia mérito: rea- E é ainda ela que procede à respecti- A verdade é que, como nos confessa Quanto a “Estrepes”, inclui uma bilitar os chamados “livros de cordel”. va distribuição, de forma directa. a própria Fernanda Frazão, o que princi- selecção dos comentários que José E avançou com a experiência. Um amigo engenheiro engendrou-lhe piou quase a brincar foi crescendo de d’Encarnação (Professor da Faculdade Ela própria pagina os livrinhos, que um escaparate adequado para pendurar forma surpreendente, de tal modo que, de Letras da Universidade de Coimbra e são impressos sem luxos, com uma capa os livrinhos, e eis que eles começaram a em poucos anos, a “Apenas” editou já reputado arqueólogo), publicou sob o de papel pardo. ser colocados em livrarias de Lisboa, pri- cerca de duas centenas de obras de di- título genérico de “Pois” numa secção E é também ela que, quase sem aju- meiro, e depois, perante o êxito alcança- versos géneros, distribuídas por 16 regular que manteve no “Jornal de das, agrupa as páginas e as ata com o do, em muitos outros pontos do País. colecções! Coimbra”, e que agora prossegue no tradicional cordel, um a um. Hoje estão em cidades de Norte a Sul. Por exemplo, a colecção “ora e ou- jornal “Centro”. Uma secção com leito- BERTRAND trora – curiosidades da cultura portu- res fiéis, já que em comentários muito guesa” (dirigida por Margarida Leme), curtos, sobre cenas do quotidiano, José já tem quase duas dezenas de títulos, d’Encarnação consegue fazer uma inte- de autores como Sousa Viterbo até ligente e mordaz crítica social, denunci- Júlio Dantas, passando por Alberto ando situações anómalas, mas também LIVREIROS Pimentel. fazendo pedagogia. O preço dos livros varia em função Quem quiser saber mais sobre a edi- do número de páginas. Alguns deles tora “Apenas” pode procurar na internet custam apenas 2 euros! em www.apenas-livros.com. Manuel Alegre apresentou biografia de D. Duarte O poeta e deputado socialista Manuel rendo sobre a questão, que não defende, Alegre apresentou, na passada semana, “iria votar pela continuação da Re- Todos os livros “sem complexos”, uma biografia de D. pública”. Duarte, pretendente ao trono, por haver O ex-candidato presidencial, que teve nacionais e estrangeiros valores que partilham e que “estão acima um avô monárquico e outro que foi chefe da monarquia ou da república”, como da Carbonária e fundador da República, patriotismo. defendeu a importância dos valores como “Há ideias expressas por D. Duarte com forma “de afirmar Portugal” na União as quais concordo. Portugal precisa de por- Europeia e no mundo. tugueses patriotas”, afirmou Manuel Na Europa, Portugal deve lutar “sem Alegre, republicano, momentos antes de arrogância nem subserviência”, contra “o apresentar o livro “D. Duarte a Democracia défice democrático e social, por uma EM COIMBRA: – uma biografia portuguesa”, no Cine- maior responsabilização dos parlamentos Teatro Gymnasio, no Chiado, em Lisboa. nacionais” e fez a defesa do Estado para Largo da Portagem, 9 – Telef. 239 823 014 Para Manuel Alegre, a defesa dos “va- “diminuir assimetrias e desigualdade s”. lores da identidade portuguesa num D. Duarte Pio defendeu também os mundo global”, as “liberdades nacionais, a valores da identidade e “uma nação soli- CoimbraShopping, Loja 0.117 – Telef. 239 401 933 justiça social são preocupações que dária” com os países africanos e Timor- devem unir os portugueses, quer sejam Leste. monárquicos ou republicanos”. O pretendente ao trono questionou Embora existam valores que o unem a ainda se valerá a pena, no quadro da União Dolce Vita Coimbra, Loja 209 – Telef. 239 716 007 D. Duarte, há uma divergência muito real: Europeia, uma “dissolução” de valores Forum Coimbra, Loja 0.35 – Telef. 239 445 324 Manuel Alegre vão vê motivos para se “em troca de magros benefícios económi- mudar de regime e, num hipotético refe- cos”.
    13. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 PUBLICIDADE 13
    14. 14 DESPORTO DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 JOÃO PEDRO GONÇALVES FALA DO TRABALHO REALIZADO COM JOVENS BASQUETEBOLISTAS Formar Passo a Passo João Pedro Gonçalves é um pação activa e empenhada no processo apenas com observações de jogos ou dos treinadores responsáveis de ensino, que lhes permita alcançar um treinos e contactos com os treinadores pelo Programa Passo a Passo, melhor nível de jogo. Pretendemos, tam- dos clubes. romovido pela direcção técnica bém, contribuir para a definição dos con- É recorrente o “divórcio” entre as da Associação de Basquetebol teúdos essenciais a abordar nestes esca- selecções distritais (e neste caso o “Pas- de Coimbra e dirigido a atletas, lões, bem como para a reflexão sobre os so a Passo”) e os treinadores/coorde- de ambos os sexos, nascidos modelos e estratégias de treino. nadores dos clubes. Este ano como Descreva sucintamente o trabalho estão as coisas neste aspecto? No seu em 1993 e 1994. Em conversa a realizar e em que principais aspec- entender a que se deve este “divór- com o “Centro” deu conta tos técnico/tácticos incide. cio”? Tendo como certo que uma das principais linhas orientadoras Partindo da definição de objectivos a maior aproximação entre todos os do trabalho que está a ser alcançar em cada momento do jogo treinadores seria benéfica para a desenvolvido (marcar pontos, por exemplo) procura- modalidade, o que vai fazer a As- mos que os jogadores identifiquem as táctico e treino teórico, qual destes é sociação/equipa técnica distrital para António José Ferreira soluções mais eficazes, dentro do leque mais privilegiado nas sessões do quebrar esse afastamento? de soluções possíveis, num processo Passo a Passo? Acho que caímos num erro ao generali- Quais os principais objectivos ge- pedagógico de descoberta orientado pelo É difícil apontar de uma forma sim- zar uma questão como esta. Durante os rais a perseguir com o Programa Pas- treinador. Esta orientação é feita dando ples o que é mais privilegiado no nosso anos de experiência como seleccionador so a Passo? pistas que identifiquem os elementos que trabalho. Damos grande relevo ao treino tenho vivido as mais diversas situações: O Programa Passo a Passo é uma das o atleta deve ter em conta quando toma da táctica individual, ou seja da leitura treinadores que me pedem para filmar trei- vertentes do trabalho do Centro de uma decisão. Assim, trabalhamos os ele- das situações e da tomada de decisão. nos, treinadores que nos dão relatórios Aperfeiçoamento Técnico Distrital mentos da técnica individual e da táctica Mas não faria sentido trabalhar esta individuais dos seus jogadores, e treinado- (CATD). O trabalho é orientado para os individual em exercícios com estruturas componente do treino se não fossem res ausentes. Depende das pessoas. Mas atletas com maior potencial dos escalões próximas com a estrutura do jogo. Todos trabalhados os argumentos técnicos que devo dizer que este ano a colaboração com de Iniciados (Sub-14), como comple- os elementos que nos propomos traba- dão resposta à situação proposta. Tam- a esmagadora maioria dos treinadores tem mento do trabalho dos clubes e das selec- lhar, como o drible, o passe, as fintas, o bém o treino teórico está presente ao sido muito boa. É claro que não podemos ções dos respectivos escalões. Acre- movimento sem bola, são escolhidos e contextualizar todas as situações traba- obrigar os treinadores a estarem sempre ditamos que é fundamental orientar a trabalhados com base em duas grandes lhadas. Sem que este tenha nenhum presentes. Gostávamos, mas sabemos que formação dos atletas para os conteúdos ideias: criar vantagem (quer seja em dri- exercício específico, o treino físico é não é possível. O que verifico é que há da táctica individual, apostando no treino ble ou passe, com ou sem bola); saber para nós imprescindível. Não com o pouca disponibilidade para dar mais ao do processo de tomada de decisão. A aproveitar a vantagem criada (trabalho objectivo de ganhos imediatos da forma basquetebol em várias áreas do nosso tra- ideia chave que procuramos apresentar é de finalização). física, mas com o objectivo de criar um balho como treinadores. Se verificar-mos a de “jogo inteligente”. Assim, propomo- Tendo como válida a divisão entre padrão de exigência fundamental para o número de treinadores que vão às acções nos estimular os atletas para uma partici- treino físico, treino técnico, treino os atletas atingirem o alto nível. Os de formação, ou quantas reuniões técnicas exercícios são construídos de forma a são feitas dentro do clube, percebemos serem executados sempre com a máxi- que o problema não é com as selecções. É SESSÃO DE TREINO DECORREU NO COLÉGIO S. TEOTÓNIO ma intensidade. Apenas o treino da tác- maior do que isso. O que me parece é que, tica colectiva é deixado para o trabalho quer seja por motivos profissionais, fami- Trinta e três atletas envolvidos das selecções. liares ou outros, o basquetebol não é mui- A segunda sessão do “Passo a Pas- João Lourenço e Filipe Rama lidera- Como se processa a ligação deste tas vezes a prioridade. Mas como já disse so”, versão 2006/2007, decorreu no ram a sessão de treino do conjunto fe- programa com as selecções distritais? gostaríamos de ter todos sempre presentes. passado dia 18 de Novembro no pavi- minino, com a presença de Carolina Ambos os núcleos fazem parte do As nossas portas estão sempre abertas. lhão do Colégio S. Teotónio. O grupo Leite e Ana Margarida Santos (Acadé- trabalho realizado pelo CATD e, assim Parece-me que a reunião com os treinado- masculino trabalhou sob as “ordens” de mica); Daniela Fernandes e Mariana sendo, partem de um corpo de princí- res, onde apresentámos o nosso trabalho e João Pedro Gonçalves e Leonor Silva e Argel (Infante de Montemor); Vânia pios e filosofia de trabalho comuns. No fornecemos o documento orientador do contou com a participação dos seguin- Filipe (Lousanense); Andreia Diniz, entanto, enquanto no “Passo a Passo” é nosso trabalho, abriu portas pois foi muito tes atletas: Filipe Amaro, Pedro Fidalgo, Francisca Silva, Jéssica Almeida, Joana privilegiada a táctica individual, no participada. As nossas acções do “Passo e Guilherme Silva e Manuel Costa (Aca- Almeida e Maria Correia (Olivais); contexto das selecções é privilegiada a Passo” são abertas, onde também fornece- démica); André Ferreira (Cantanhede); Bruna Cunha e Francisca Lima (PT); táctica colectiva, através de um trabalho mos os planos de treino e, no final, esta- Gonçalo Neto, Ricardo Neto, Gonçalo Diana Olivença, Filipa Belo, Beatriz orientado para a equipa. Por outro lado, mos disponíveis a conversar sobre os mes- Argel e Pedro Nunes (Ginásio); André Rodrigues e Susana Moreira (Sporting como o primeiro contacto com os atle- mos. Esta proximidade também é visível Godinho, André Rei, Pedro Lopes, João Figueirense). tas é feito no “Passo a Passo”, este nas convocatórias, onde a maioria dos Dionísio e João David Costa (Olivais); A próxima acção está agendada para acaba também por ser um momento de jogadores foram indicados pelos seus trei- Gustavo Martins e Jaime Fernandes o dia 20 de Janeiro, igualmente no Co- avaliação do seu trabalho, permitindo- nadores. As portas para a colaboração (PT); Diogo Cardoso (Poiares). légio S. Teotónio. nos escolher os atletas para as selecções estarão sempre abertas. Acredito que todos com mais certezas do que seria possível ganhamos com isso.
    15. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 DESPORTO 15 PORTUGAL-CAZAQUISTÃO NO ESTÁDIO CIDADE DE COIMBRA Casa Cheia FUTEBOL – VETERANOS U. Coimbra derrotou bancários Caixa Geral Depósitos, 0 Reis, Jorge Conceição, Zé Manel, Alexandre Costa, Ermindo Dias, Paulo Tomás, Paulo Carvalho, Carlos Mes- quita, Miguel, Paulo Henriques e Hugo Sousa. Jogaram ainda: Rui Fonseca e Pe- dro Grama. Treinador: João Morais. União de Coimbra, 1 Pedro, Carlos Manuel, Xico Sousa, Vítor Oliveira, Monteiro, Fernandes, No relvado do Complexo Desportivo apostaram numa forte defensiva, não primeiro de uma clara oportunidade de Pinto, Amado, Toninho, Trindade e do Luso a equipa de futebol da CGD e dando espaço de manobra aos jogadores golo. Murta. as velhas guardas do U. Coimbra mais criativos. Assim, apesar do maior O segundo tempo manteve as mes- Jogaram ainda: Miranda, Pedro realizaram um convívio desportivo que domínio de jogo, os pupilos de Re- mas características mas a partida Maria, Capim e Marcelino. se saldou pela vitória dos veteranos gêncio não conseguiam criar perigo tornou-se mais aberta, com mais espa- Treinador: Fernando Regêncio. unionistas pela margem mínima. Sur- para as redes contrárias. ços e as oportunidades de golo aumen- preendidos pelo “Verão de S. Martinho” O jogo foi muito repartido na zona do taram. E foi num lance com a defesa da Complexo Desportivo do Luso. as duas formações “suaram as estopin- meio-campo, já que as defesas, exi- CGD adiantada que Pinto surgiu isolado Árbitro: Ramiro Santiago. has” ao longo da partida, mas conse- bindo-se em bom nível, não davam hi- para fazer o único golo da partida. Auxiliares: Novais e Carlos. guiram realizar exibições de bom nível. póteses aos homens mais adiantados no A reacção “bancária” não se fez Ao intervalo: 0-0. Conhecedores do tipo de futebol terreno. As situações de golo rarearam e esperar mas Miranda, em duas ocasiões, Marcador: Pinto. praticado pelos unionistas, os bancários foi até a equipa da CGD a beneficiar evitou a igualdade.
    16. 16 A PÁGINA DO MÁRIO www.apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Mário Martins NEGÓCIOS (MAS NÃO DE DROGA) Emblemas diferentes à mesma mesa: dois da Académica, dois do União e Há coisas que não entendo. um do Instituto D. João V (futsal) Logo a seguir ao “25 de Abril”, o gras, para uma agressão dentro da área e com a bola em bacalhau tornou-se num produto proibi- UM “DERBY” (MESMO) A SÉRIO jogo. Peixinho não desperdiça o castigo e faz o 2-0. do. Não estava à venda. A minha equipa venceu hoje o U. Coimbra, por 3-1, no Quem pensava que o jogo tinha acabado ali, enganou- Lembro-me de, quando era árbitro, Campo da Pedrulha. Foi um “derby” com todos os ingre- -se. Logo a seguir, num lance rápido, o U. Coimbra reduz aproveitar as idas à Madeira para com- dientes: emoção, penaltis, expulsões e muitos golos. para 2-1. Continuava a emoção. prar bacalhau. Lá havia, aqui não. A 1.ª parte decorreu em toada de bola cá-bola lá, com as Apesar de jogar com menos um elemento, o U. Coimbra Mas mesmo no Funchal, não era fácil equipas a jogarem com muitos cuidados. Como a bola não se entregou, mas o desafio entrou numa fase de ascen- adquirir uns quilos do “fiel amigo”. À andava sempre longe das balizas, as oportunidades de golo dente da Académica. E surgiu o 3-1, na sequência de uma sexta-feira, os comerciantes retiravam o não surgiam. jogada individual, muito rápida, por Rodolfo, que tinha aca- produto das montras, para evitar vendê- Estava o jogo nesta “pasmaceira” quando Peixinho bado de entrar. lo aos “continentais”. decidiu animar as coisas. No flanco esquerdo, já no enfia- Estava feito o resultado – um resultado de acordo com “Não vendemos bacalhau a cuba- mento da grande área, recebeu a bola, ladeou um adversá- aquilo que se passou em campo. nos!”, ouvi eu no Funchal. Mas nós rio, entrou na área, fintou outro, rematou e... golaço! Uma referência para o árbitro: conseguiu que, durante sempre conseguíamos comprar uns qui- Até ao intervalo, o jogo voltou à toada morna, sem lan- os 80 minutos, os massagistas não andassem a entrar e a litos, porque havia amigos que nos ces de especial interesse. As maiores emoções estavam sair do campo, como se vê (em Portugal...) em quase todos acompanhavam às lojas. guardadas para depois do descanso. Aí sim, houve “derby” os jogos. Os jogadores ficavam caídos, ele chegava perto, Cá em Coimbra, arranjava-se baca- a sério. dizia-lhes qualquer coisa, batia-lhes com a mão nas costas lhau – quase clandestinamente – num Pouco depois do recomeço, o árbitro assinalou “penal- e – milagre! – os jovens punham-se em pé, completamente 2.º andar de Montarroio, que era onde a ty” contra a Académica por mão na bola (voluntária? invo- recuperados. minha mãe ia comprá-lo. Numa casa luntária?... eu estava longe...) dentro da área. Na marcação Nota final para referir que, ao almoço, o grupo habitual particular! do castigo, o guarda-redes Francisco defendeu o remate e juntou jovens que, momentos antes, tinham jogado com **** o resultado manteve-se em 1-0. emblemas diferentes. Já foram todos da “minha equipa”, Mais tarde, nos anos 80, quis com- Pouco depois, um lance inesperado: o guarda-redes do agora uns estão de um lado, outros de outro. Mas não é por prar um automóvel. Esperei, esperei. A U. Coimbra bloca o esférico, prepara-se para chutar para a isso que se quebra um hábito de oito anos (!): almoçarmos minha vez nunca mais chegava. frente, é agarrado por um jogador da Académica, solta-se juntos no final dos jogos. E esta é a melhor parte dos cam- Um dia, entrei no “stand” mal dis- e dá uma cotovelada no adversário. O árbitro não hesita: peonatos. posto. (Por vezes fico mal disposto e explusão do unionista e “penalty”. É o que dizem as re- (publicado no blogue em 26 de Novembro) nessas ocasiões sou difícil de aturar...). O proprietário, vendo o meu estado de espírito, disse-me que ele nada podia ra e disse que não estava interessado. num desses telefonemas, tendo dito a Até nem foi incómodo, porque o fazer e aconselhou-me a ir falar com o Ou seja, fiz-lhes perder algumas horas, razão do contacto, a voz do outro lado automóvel estava estacionado lá perto. vendedor, numa terra nos arredores de porque eu não queria – nunca mais me respondeu o seguinte: *** Coimbra. quero – um carro daquela marca. Foi a – Não damos preços por telefone. Hoje tenho um jantar de amigos e Lá fui. E o vendedor não foi de meias minha “vingançazinha do chinês”). Sinceramente, não compreendo. Até comprometi-me a levar um bolo. palavras: eu só teria o automóvel se lhe *** parece que – em vez de um automóvel – Como é natural, não vou à tal paste- desse 50 ou 60 contos. Era a altura das Ali por 1983/1984, quando nasceu a eu estava a tentar comprar um estupefa- laria. Podiam não ter trocos e era um importações contigentadas e, pelo que minha filha, não havia bananas! Con- ciente qualquer. sarilho. percebi, o mercado funcionava assim. seguir comprá-las era um feito quase (publicado no blogue (publicado no blogue Não aceitei a proposta do vendedor. sobrehumano. Mas o médico dizia-nos em 25 de Novembro) em 27 de Novembro) Um dia, um amigo informou-me que quera importante dar bananas moídas à os carros da tal marca tinham chegado e criança. Havia que encontrá-las! BENTES: O “RATO ATÓMICO” estavam “escondidos” em determinado Um dia, a minha mulher descobriu NEGÓCIOS lugar. Era sexta-feira. Fui ao tal sítio e que uma pequena loja, na zona do Tea- (MAS NÃO DE DROGA) – II comprovei que havia carros iguaizinhos tro Avenida, vendia-as ao fim-de-sema- Ontem, quando me dirigia para o ao que eu queria comprar. na, desde que os clientes lá comprassem Académica-Beira Mar, entrei numa pas- Voltei ao “stand” e disse ao proprie- outros géneros. telaria ao lado da passagem-de-nível do tário que, se havia carros, era chegada a *** Calhabé. altura de um ser para mim. Ao preço de Estas são algumas das “estórias” que Pedi que me trocassem uma nota de 5 tabela. E acrescentei que não saía dali já vivi com o sector comercial, o que me euros, em moedas, para poder comprar até ter o carro, ele se quisesse que cha- leva a dizer – quando confrontado com tabaco na máquina existente no estabe- masse a polícia. Eram umas 4 da tarde, situações anómalas – que é capaz de ser lecimento. lá para as 7 da noite venderam-me o parecido com a compra e venda de droga. O funcionário que estava na caixa foi carro. Ao preço justo. (Hoje em dia, comprar moedas de peremptório: (Nunca mais comprei um automóvel colecção num banco que eu cá sei é quase – Nós não trocamos dinheiro para daquela marca. Aqui há uns cinco anos, o mesmo. Vou lá e não têm moedas, ainda comprar tabaco. telefonaram-me do tal “stand” para não chegaram. Passadas semanas, volto Saí, depois de um comentário “en casa, a perguntar se estava interessado lá e ... já chegaram e já acabaram!). passant”. num determinado modelo. Marquei uma Agora, estou para comprar um auto- *** visita ao stand, fui, pedi catálogos, pre- móvel. Escolhida a marca e o modelo, No final do jogo, tinha de comprar ços, as informações mais detalhadas que tratei de encontrar as melhores condi- pão para levar para casa. era possível e... saí. Telefonaram- -me ções para o negócio. Visitei alguns con- Como é óbvio, passei ao lado da tal António Romão decidiu hoje prestar uma, duas, três vezes, a perguntar se já cessionários e telefonei a outros. pastelaria e fui comprá-lo à padaria da um “Tributo ao Professor Bentes” no tinha decidido. Cansei-me da brincadei- Qual não é o meu espanto quando Fonte da Cheira. blogue “Denúncias e Opiniões”.
    17. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 www.apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 17 Ao encontrar o texto, foram muitas rio dos 86 anos da Tomada da Bastilha, para as revistas sociais: a todos serve o há mais gente que se vai habituando a as imagens (talvez melhor, as sensa- a homenagem nacional a Luiz Goes e a mesmo prato, e todos se servem do passar por aqui. ções) que percorreram a minha mente. festa dos 25 anos da Associação dos mesmo prato. No fim, os consumidores Ainda bem. Este é um espaço de en- O prof. Bentes foi o meu professor Antigos Orfeonistas da Universidade de aplaudem. Mesmo quando as três partes contro. primário, da 1.ª à 4.ª classe, na Escola Coimbra. sabem que há algo de podre nesta rela- (publicado no blogue de S. Bartolomeu, ali a dois passos da O programa, apresentado por Sansão ção ocasional, feita de traições, conspi- em 20 de Novembro) casa onde nasci e onde vivia, na Rua Coelho, começa às 19H00, com um rações, romances e muita areia atirada das Padeiras. “Coimbra de honra”. para os olhos de todos. Mas o povo gos- ÁRBITROS VÊEM MAL Soube que ele era alguém importante À meia-noite, o Teatro dos Estu- ta – e isso é que interessa, não é?” no desporto porque um colega de sala dantes da Universidade de Coimbra (Pedro Rolo Duarte, hoje, no “Diário de Ontem, o FC Porto marcou um golo de aula levava o pão para comer no (TEUC) subirá ao palco para o tributo a Notícias”) irregular à Académica e o árbitro vali- intervalo embrulhado numa bolsa que Luiz Goes, numa homenagem que inte- (publicado no blogue dou-o. tinha bordado o emblema da Briosa e as gra a actuação de Jorge Tuna e a sua em 22 de Novembro) Hoje, o defesa do Sporting derrubou palavras “Bentes rato atómico”. Lá em guitarra, acompanhado por Durval o jogador do Marítimo fora da área e o casa, a família disse-me que ele tinha Moreirinhas, à viola, e pela voz de árbitro assinalou grande penalidade. (publicado no blogue CAPA sido um grande jogador. Carlos Carranca. Ajudou-me ainda a preparar o Depois da uma da manhã será canta- em 19 de Novembro) “exame de admissão”, nas explicações da a “Balada da despedida”. colectivas que decorriam depois das *** RECORDE aulas na própria escola. Outros tem- Identifico a voz tonitruante de Goes pos... desde muito novo. Comecei a ouvi-lo 17 minutos: o tempo que os comenta- Foi com ele, também, que entrei pela na rádio, nos discos de 78 rotações que dores da SportTV demoraram a ver que primeira vez no Campo de Santa Cruz, o dr. Providência ofereceu ao meu pai, o 1.º golo do FC Porto foi obtido em num fim de tarde, para ver o treino dos na fita gravada do Coelho e depois em fora-de-jogo!!! juvenis, que ele orientava. Em 1964? cassetes. Deve ser recorde mundial. Em 1965? Mas não o conhecia pessoalmente. (E nunca viram que, nesse mesmo Mais tarde, fomos “colegas de ofí- Há uma meia dúzia de anos, por lance, Litos foi impedido de disputar a cio” e encontrámo-nos várias vezes na intermédio do comum amigo Carlos bola, porque é agarrado pelo braço!!!) Delegação Escolar de Coimbra, que Carranca, fiquei a conhecer a pessoa de (publicado no blogue funcionava na escola primária da Ave- quem só reconhecia a voz. em 18 de Novembro) nida Sá da Bandeira, ao lado da Ma- Temo-nos encontrado algumas vezes. nutenção Militar. Era lá que trabalhava. Permitam-me o desabafo: é uma pessoa SARAMAGO Um dia, pedi-lhe uma entrevista. espectacular (um tipo porreiro!), que – Opiniões de José Saramago, em Recusou, recusou... até que aceitou. apesar de viver a 200 quilómetros – ama entrevista hoje publicada no “Sol”: Marcado o encontro, disse-lhe que mais Coimbra do que muitos que cá “Espero que o comunismo venha a era para o “O Jogo”. vivem. ter uma segunda oportunidade e que – É um jornal novo?, perguntou. Luiz Goes é um dos meus ídolos. São capas destas que ajudam a ven- não cometa os mesmos erros e crimes”. – É. É um jornal diário desportivo, (publicado no blogue der uma publicação. “Nunca houve comunismo no mun- respondi. em 23 de Novembro) Está bem feita. Tem classe. do”. – Diário???! E há notícias para fazer (publicado no blogue [Em Cuba o regime não é comunis- um jornal desportivo todos os dias?!..., em 20 de Novembro) ta?] “Não. É um regime que estaria no A PRIMEIRA CASA comentou. caminho do comunismo mas...”. Foi aí por 1986 ou 1987. Era o início DE DESPORTO DE COIMBRA [O regime soviético não foi comu- do jornalismo desportivo diário em nista?] “Não, que ideia! Era o chamado MUDANÇAS NO BLOGUE Portugal. Hoje é o que se sabe. Este blogue surgiu em Abril passado. capitalismo do Estado”. (Tenho de ir à procura da entrevista, Em meados de Setembro juntei-lhe [Não houve nenhum regime comu- nunca guardei os meus trabalhos, por um contador de visitas. nista?] “Não”. vezes aparecem uns por aqui, outros Hoje apareceu o relógio. Não gosto deste homem. por ali...) O blogue é um meio de comunica- (publicado no blogue Homem simples e bom, o professor ção, mas é também uma forma de me ir em 18 de Novembro) Bentes é das pessoas a quem devo algo aperfeiçoando, para que não fique infor- do que sou. maticamente analfabeto... (Outro é o padre Nunes Pereira que, Qualquer dia vou tentar que o blogue TRAPALHADAS se fosse vivo, faria 100 anos no próximo seja mais agradável graficamente, tentar A vida política portuguesa ganhou dia 3 de Dezembro. Vou tentar não me aprender a mexer no layout (as cores, as um conceito novo aquando da passa- esquecer dele nessa data.) colunas, a arrumação do espaço, etc). gem de Santana Lopes pelo Governo: a (publicado no blogue E vou começar a tentar cumprir aque- trapalhada. em 24 de Novembro) Os corpos gerentes da Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Coimbra le que foi o objectivo primeiro: colec- E o conceito parece ter pegado de raiz. reuniram-se ontem em jantar. cionar as memórias de uma vida de 33 O actual Governo já conta algumas, a GOES: A VOZ DE COIMBRA A conversa foi variada. Recordou-se, (neste momento...) anos de jornalismo. mais famosa das quais talvez seja a por exemplo, que a ACM foi o primeiro (Está para breve o início da publicação daquele ministro que anunciou, solene- Luiz Goes é homenageado no sábado ginásio de Coimbra e que foi ali que desses textos.) mente, que a crise tinha acabado. O Casino Estoril é o cenário da gala modalidades como o basquetebol e o Surpreende-me que os comentários Hoje, outra trapalhada: em entrevista que junta a comemoração do aniversá- voleibol, entre outras, deram os primei- sejam escassos – pensava que haveria ao “Diário de Notícias”, o secretário de ros passos na cidade. mais. Mesmo assim, alguns dos comen- Estado do Tesouro e Finanças, Carlos “A primeira Casa de Desporto de tários que me chegam não aparecem no Costa Pina, afirma que não exclui a pos- Coimbra” pode ser um “slogan” a apro- blogue: vão direitinhos para o caixote sibilidade de acabar com os certificados veitar. do lixo, porque aqui não escrevem de aforro (publicado no blogue cobardes, nem se publicam insultos. Ao princípio da tarde, o Ministério em 21 de Novembro) Mas já que estou a escrever sobre o das Finanças esclarece, em comunica- blogue, deixem que vos informe que do, que não tem intenção de eliminar ontem foi o dia com maior número de este produto de poupança. visitas comprovadas. Quando será a próxima... trapalhada? CITAÇÃO “Pedro Santana Lopes está para o jor- Muitas destas visitas, penso eu, são (publicado no blogue nalismo político como Elsa Raposo está de elementos da “minha equipa”. Mas em 17 de Novembro) Com Luiz Goes e José Belo na “taberna” de “A Democrática”
    18. 18 CULTURA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 LANÇADO MAIS UM NÚMERO DA REVISTA “Media & Jornalismo” aborda História da Imprensa As Edições MinervaCoimbra acabam Cabrera analisa as alterações na profissão segundo as linhas ideológicas, os conteú- de lançar o número 9 da Media & Jor- que se avolumaram nos finais dos anos dos e os seus colaboradores. nalismo, Revista do Centro de Inves- sessenta. Joaquim Cardoso Gomes no artigo tigação Media e Jornalismo, desta vez su- No artigo “Anos 60: um período de “Álvaro Salvação Barreto: oficial e cen- bordinada ao tema “O jornalismo e a viragem no jornalismo português” Carla sor do salazarismo”, é uma biografia do História”. Baptista e Fernando Correia apresentam tenente-coronel de artilharia que foi Este número de Media & Jornalismo é alguns resultados de uma investigação, responsável pela edificação da máquina especialmente dedicado à História da Im- intitulada “Memórias do Jornalismo”, que da censura em Portugal. A acção deste prensa. Trata-se de uma área de saber que consistiu na recolha e tratamento de teste- militar faz-se sentir entre o 1928 até tem sido pouca valorizada, tanto na in- munhos orais de profissionais – jornalistas 1944. Rogério Santos em “O jornalismo vestigação histórica, como nas diversas e tipógrafos. Os contributos das entrevis- na transição do século XIX para o XX. abordagens que os estudos de Comuni- tas são analisados em função dos percur- O caso do diário Novidades (1885-1913)”, cação têm vindo a privilegiar. Ainda as- sos profissionais e do contexto histórico apresenta a primeira série deste periódico to a CBS manteve, pela primeira vez na sim, mais recentemente diversos estudos em que ocorreram. segundo três eixos de análise: linha ide- história das transmissões televisivas, um ao nível de Pós-graduações, Mestrados e Em “Revistas políticas no Estado ológica; secções e géneros jornalísticos os acontecimento no ar durante quatro dias, Doutoramentos têm contribuído para um Novo: uma primeira aproximação his- jornalistas e a sua actividade profissional. com vários directos, apesar das restrições conhecimento mais detalhado dos jornais, tórica ao problema”, Álvaro Matos parte Esta secção do número 9 dedicada à tecnológicas que se colocavam nos anos dos jornalistas, das leis da Imprensa e do de uma selecção de seis revistas publi- História da Imprensa, fecha com uma sessenta. jornalismo do século XIX e XX. cadas durante o Estado Novo. Num entrevista a Peter M. Herford conduzida Fora do tema deste número apresenta- Nesse sentido, Ana Cabrera, Doutorada primeiro grupo as revistas são claramente por Eduardo Cintra Torres, investigador e se um estudo de Hermenegildo Borges em História Política e Institucional políticas como é o caso do “Integralismo crítico de televisão. A sua leitura oferece sobre a “Publicidade erótica e a sua prob- Contemporânea, organizou este número, Lusitano”, “Tempo Presente” e o “Tempo um enorme manancial de informação não lemática regulação”. Neste trabalho o justamente com o duplo objectivo de dar a e o Modo”; num segundo conjunto a só sobre o seu percurso profissional que autor analisa o enquadramento jurídico do conhecer, valorizar e estimular a investi- selecção recaiu em revistas literárias e contempla mais de 30 anos, como também assunto e problematiza se deve ou não exi- gação na área da história dos media e do económicas, que naturalmente não deixam acerca da cobertura de acontecimentos stir uma maior regulamentação sobre estas jornalismo. de ser políticas, como é o caso de “O que mudaram a televisão americana como matérias, disponibilizando argumentos a Em “Os jornalistas no marcelismo – Ocidente” a “Vértice” e a “Revista de foi o caso do assassínio do Presidente favor e contra e propondo uma hipótese de dinâmicas sociais e reivindicativas”, Ana Economia”. Cada revista é apresentada Kennedy. A propósito deste acontecimen- resposta. ENCERRA AMANHÃ NO MUSEU DA FÍSICA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Brinquedo científico em exposição Uma curiosa exposição intitulada da Física que fazem, por exemplo, com lei de reflexão da luz. Um “palhaço “Brinquedos?... Física!”, oode ainda ser que o “iô-iô” balance ou que o pião rode sobe e desce” recorre ao mesmo meca- apreciada até amanhã (quinta-feira, dia sem cair. nismo do “iô-iô”, baseado no princípio 30), no Museu da Física da Universi- A exposição inclui uma dezena de de conservação da energia mecânica, dade de Coimbra. brinquedos gigantes, réplicas de alguns enquanto a “tartaruga leva a bola” Ali se podem observar brinquedos já existentes no mercado, e ainda cerca exemplifica o conceito das forças de que recorrem aos mesmos princípios de duas dezenas de objectos lúdicos de atrito, com a bola em cima do animal a “São afinal as mesmas leis que defi- dos mecanismos que fazem mover os pequenas dimensões, como iô-iôs e girar em sentido contrário ao das bolas nem a evolução do universo em que aviões a jacto e foguetões ou as leis que caleidoscópios, entre outros. que fazem de patas. vivemos que explicam o funcionamento explicam o funcionamento dos periscó- Ao espreitar no periscópio, o visitan- O pássaro que bebe horas a fio, o daqueles brinquedos que entretêm uma pios usados nos submarinos. te da exposição – que não se destina só boneco “sempre em pé”, a ave equilibris- criança (ou um adulto) horas sem fim”, “Brincar é uma coisa séria” – eis o a crianças mas a “todos aqueles que têm ta, o elefante na rampa – eis outros dos refere um folheto editado para este ori- mote desta exposição de brinquedos curiosidade” – pode ler um pequeno brinquedos que demonstram, de forma ginal certame que bem merece uma científicos que pretende explicar as leis texto que acompanha o aparelho sobre a acessível, as leis básicas da Física. visita. NA GALERIA MINERVACOIMBRA Exposição de pintura Exposição de pintura de Lena Gal na Galeria Almedina “Coimbra, capital da pintura” é o te- Na Galeria Minerva está patente ao mara Municipal de Lisboa. Foi convida- ma genérico de uma exposição que foi público, até ao próximo dia 5 de De- da para apoiar acções pedagógicas sobre ontem à tarde inaugurada na Galeria zembro, uma exposição de Pintura de a Arte, no Liceu Durfee, na Bishop Almedina (Chiado), numa iniciativa Lena Gal. Lena Gal nasceu em S. Conrelly High School, na University of do Clube da Comunicação Social. Miguel, Açores e participou em nume- South Carolina, Spartanburg, e na Tau- Trata-se de uma exposição co- rosas actividades pedagógicas das quais ton High Scholl, ambas nos EUA. lectiva, em que, segundo a organiza- salienta a animação em expressão plás- Tem já no seu currículo várias expo- ção, “estão representados os nomes tica em escolas do ensino básico e ateli- sições individuais e colectivas, quer em mais consagrados das artes plásticas ers de tempo livre. Portugal quer no estrangeiro. em Portugal”. Foi monitora no programa “Artes e A mostra pode ser visitada, de segun- O certame poderá ser visitado até Ofícios”, no Projecto Sócio-Educativo da a sábado, das 10 às 13 e das 14.30 às próximo dia 15 de Dezembro. do Departamento de Educação da Câ- 20 horas.
    19. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 OPINIÃO 19 A PROPÓSITO DE “COIMBRA À GUITARRA” DE CARLOS CARRANCA Trovador, peregrino, viajante «A língua não corresponde a um pen- Paredes vem do fundo do tempo e de um samento, é o próprio pensamento» – dis- lugar tão mítico como real. Vem e acres- se Heidegger. Da mesma maneira, pode- centa Coimbra de fora; também a guitar- ríamos afirmar que o modo de tocar gui- ra de um João Bagão empresta à cidade tarra, mais do que uma técnica, necessá- o fraseado do mar da sua terra natal, e a ria todavia, é um estado de alma, e alma voz de um Luiz Goes, acorda Coimbra portuguesa, apesar do nosso instrumen- quando esta parece não querer acordar. E to, em forma de coração, descender do neste acordar de Coimbra, a que muitos cistro inglês! Ao que parece, só aqui já se têm referido, está incubada uma poderia ter vida. Instrumento musical outra problemática mais profunda que é imigrante, naturalizado português, trans- da memória de Coimbra, e da qual fala- formado completamente, criámo-lo à remos, ao de leve, em seguida. nossa sensibilidade, e hoje não se lem- Mas convenhamos que terá de haver bra do país de origem! Que melhor aco- sempre academia e académicos, os anos lhimento poderá haver? intocáveis da mocidade, quando senti- “Coimbra à Guitarra” é o mais recen- mos, sem pensar, o cheiro das tílias que te livro de Carlos Carranca. E o poeta vem do Botânico, o luar medievo das de quem falamos hoje é um portador da ruas de Coimbra, os rouxinóis nos sal- poesia plasmada na sua palavra e no seu gueiros que hoje são mais reais porque gesto, onde quer que se encontre, onde existem só quase na memória que nos quer que vá; um trovador, um peregri- corta latejante. no, um viajante. E ainda a propósito do que é ou não é Poderíamos dizer, no caso de Carlos real, diga-se que todo o sonho, no seu Carranca, se antes da cidade dos estu- mundo, para os verdadeiros sonhadores dantes à guitarra, não haveria, secreta- é tão real como uma estrada de asfalto mente, uma “Lousã à guitarra”... para os olhos que a vêem. A fantasia, o A imagem não é descabida, pois as acto morno, o desalento, esses é que são impressões poéticas, são-no não só pela as manchas doentias da vida, enquanto ainda incompreensível alquimia do que pelo sonho «uma constante da inteiro acto criador, como por esse vida», como lhe chamou Gedeão, o mágico espírito de lugar, que bem o mundo pula e avança. sabia o filósofo português José Marinho. E o fadista de Lisboa, Vicente da Os lugares eternamente recriados. Câmara, que nos canta: «Guitarra, mi- O poeta viu, sentiu e registou Coim- nha guitarra,/ Conforme o teu som des- bra. E quanto à indelével fixação dos garras/ Em riso, dor ou saudade,/ Atra- acordes do vento da serra, dos acordes do vés das tuas cordas/ Nas minhas mãos estranho silêncio que bem pode ser a encaminharia Carlos Carranca em os portugueses a cantam, na saturnina tu acordas/ Diversa realidade». génese da palavra poética em todo o seu direcção a Coimbra, que, para o poeta, ironia de quem contempla como vãos É curioso lermos que é a guitarra que fulgor? Também Pascoaes ouviu o Marão só poderia ser acompanhada à guitarra, todos os artifícios da razão. Sabem, sem acorda em nós a realidade que interior- antes do cantar das tricanas do Mondego; e não por outro instrumento. Ritual lusi- jamais terem pensado nisso, que só a mente possa existir. Ora, é toda uma também Régio ouviu as guitarras dos tano por excelência, altar céltico no dor, a extrema dor da identificação do realidade académica, futrica e mítica, marinheiros de Vila do Conde antes que panteísmo da terra; dessa terra, sem mal do mundo, dele nos liberta». que Carlos Carranca nos oferece no seu tivesse escutado a de Artur Paredes; e o lucro, hoje escassa e que já quase não Estas palavras encaminham-nos agora livro, ainda que o autor nos dê também próprio Pessoa, nas redondezas do Teatro existe, e das águas cadentes e cristalinas a outro ritual. Uma complementaridade uma guitarra ideal, isto é, uma linha de de S. Carlos, imaginava a aldeia ideal que sem pagar imposto. tão estranha como real, uma sensibilida- força lusíada que caracteriza Coimbra. nunca teve, e escrevia: «O sino da minha Não é de todo necessário, para sentir de coimbrã. Aqui nos deteremos no livro (Continua na próxima edição) aldeia/dolente na tarde calma/cada tua a guitarra de Coimbra ou Coimbra à de Carlos Carranca, talvez compreen- badalada/ soa dentro da minha alma». guitarra, penetrar num outro espaço dendo melhor que a guitarra de Carlos Eduardo Aroso Estrepes... O título “Coimbra à Guitarra” tanto ritualístico que poderia ser as águas do pode querer dizer que é a cidade, qual Tejo beijando as colinas de Lisboa de vulto feminino, que, cantando, é acom- ressaibos de guitarras mouriscas, ou os panhada pelo instrumento de cordas, ou antigos salões das modinhas luso-brasi- a própria cidade que dedilha a guitarra. leiras. Mas pelo facto da guitarra ter as Seja como for, não me é difícil ver, suas origens nas zonas marítimas, no antes de mais, uma “Lousã à guitarra”, zarpar e no atracar dos barcos, nas uma guitarra rústica, a Lousã em meni- ondulações da incerteza, talvez isso nos O mais recente livro no do Carlos Carranca. Pese embora o ajude a uma exegese mais conveniente de José d’Encarnação porte hierático e extenso da serra, esta é, da Guitarra do Mondego. tal como a guitarra, uma figura femini- Paulo Alexandre Esteves Borges em na de formas arredondadas, que nos «Do finistérreo pensar», referindo-se ao Editado pela “Apenas” dedilha os sentimentos pela surpresa e fado, na equivalente guitarra, diz-nos pelo sedutor apelo. que «O trágico perdura. A irracional Pedidos a Apesar de tudo isto, ainda que as cisão entre o indivíduo e o Absoluto, apenaslivros@oninetspeed.pt imagens originais permaneçam, o ho- que faz com que relativamente haja ou mem aventureiro, o poeta na demanda Destino, Fatum a impessoal Moira que jornal “Centro” da ilha ideal, move-se inevitavelmente. os gregos sabiam superior aos próprios Telef. 239 854 150 E o destino, o fatum latino ou o maktub, deuses –, desafia todo o dogma religio- Preço: 4,20 euros herança árabe que também nos cabe, so e as derivadas metafísicas. Por isso
    20. 20 OPINIÃO DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 – Desculpe, tem a portinhola… camisa, ela irá levar a mal. Fica ofen- FILATELICAMENTE POIS... – Sim? E depois? Tem alguma coisa com isso? dida. Se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não Ficara danado o senhor. Bem posto, fazer má figura. Mas ela fica zangada casaco de marca, gravata italiana... comigo só porque eu vi a nódoa, sabe E lembrei-me da frase do professor que eu sei que tem a nódoa e porque de Filosofia: assumi perante ela que sei que tem a José «Se eu, num ambiente formal, disser nódoa e que sei que ela sabe que eu João Paulo d’Encarnação Simões a uma pessoa que tem uma nódoa na sei». D. LUIZ I Ser ou não ser… Notário preclaro legislador português, conscien- vistas na alínea f), não poderão as out- 1862-1864 te das pesadas cargas que incidem sobre ras ser delegadas em qualquer Ajudante os ombros dos frágeis notários do país, do Cartório. Impressão resolveu aliviar o seu fardo e conferir Assim o disse e outorgou. Maria Margarida poderes para certificar documentos, em relevo Loureiro Cardoso como se notário fosse, aos doutos Pre- Nós, Notários, dispensamos a inter- (Ainda) Notária sidentes de Junta, aos sábios operadores venção de testemunhas dado haver em Vila Nova de Poiares dos CTT e aos profissionais mais inde- urgência na feitura deste acto e dificul- “Quando se coloca o carimbo de um pendentes que actuam no mercado. dade em as obter. tabelião em um documento, além da fé Que, porém, continua pesado o fardo Este acto foi lido ao outorgante e ao pública de que este documento é legítimo notarial, o qual terá forçosamente que mesmo explicado o seu conteúdo em e verdadeiro, agrega-se a responsabili- ser mais partilhado por outras entidades voz alta e na presença simultânea de dade do tabelião. Funciona como um idóneas, a fim de aliviar os seus frágeis todos.” seguro, se não for verdade o que o carim- trabalhadores, tão bem quistos do Como dizia a minha avó, “guarda o bo afirma ser, o tabelião indemniza”. Poder. que não presta, acharás o que te é preci- Que, nestes termos, usando da facul- so”. Pensei: “Aí está – vamos levar isto Com esta convicção escolhi há quase dade idêntica à dos Presidentes de com um sorriso (amarelo) nos lábios, 30 anos ser Notária. Junta, de delegar poderes, delega: com sentido de humor!... É um bom Hoje sinto o vazio e a frustração de Nos TLP, Telecel, TMN e Optimus, mote para vencer esta mágoa, esta des- Os selos deste monarca foram ter exercido uma profissão que se teima poderes para certificar documentos quer motivação que me silenciou desde o dia desenhados por Francisco Borja de a todo o custo fazer crer que é inútil, é autênticos, quer autenticados ou parti- em que tive de fazer a penosa opção de Freire, que também abriu os cun- toda uma vida de trabalho, sacrifício e culares; deixar de ser Notária, o que está para hos, e impressos um a um em folhas empenhamento que fica sem sentido. Nos Centros de “Tricot” toda a maça- muito, muito breve, decisão, aliás da de vinte e quatro exemplares, dis- Esse sabor amargo nada nem nin- dora “formalidade” – disse formalidade – qual não me arrependo, só sinto revolta postos regularmente e não dentea- guém vai conseguir adoçar! de constituir empresas, dissolvê-las, por ter sido obrigada e empurrada para dos. O papel é liso, fino, médio e Procurava há dias numa disquete fundi-las, cindi-las transformá-las, alterá- esta escolha! espesso. Foi este o último trabalho onde guardo actos menos comuns, uma las e tudo o mais com elas relacionado; Esta premonitória “escritura”, que do artista, autor de todos os selos escritura de “Reversão de parcela de Nas Lojas do “Povo” ou do “Cida- então circulou pela classe – de tão sau- até aqui emitidos. De notar que este terreno a favor do Município”, quando dão”, os de fazer justificações, servi- dosa memória – e que agora divulgo, gravador de moedas, respeitou sem- me deparei com esta “escritura” que a dões, doações e todo o tipo de reconhe- não podia estar mais actual (no sentido, pre a regra da numismática nos seus seguir transcrevo, de que já nem me cimentos; porque na forma já foi ultrapassada por selos, de virar a efígie do monarca lembrava haver guardado, pois em seis Nas Juntas de Freguesia, PSP e GNR, outras desformalizações…). Os factos para o lado contrário ao do seu ante- anos tanta água correu debaixo da poderes para fazer procurações e termos são por demais evidentes para que eu cessor. Em qualquer catálogo de se- ponte… de autenticação, sem esquecer as parti- me escuse a salientá-los a qualquer lei- los, podemos observar isso. lhas e os testamentos; tor mais distraído. Também não é tempo Foram utilizados dois cunhos de Nas Agências de Contribuintes – de fazer mais análises, muito menos cinco reis castanho, para uma tira- Trespasses e Cessões de Exploração de balanços das opções governamentais “LEGADOS EM SUBSTITUIÇÃO gem de 18 621 600 selos, um cunho estabelecimento comercial; nesta matéria, se calhar até foram as que DA LEGÍTIMA com o de dez reis amarelo laranja No dia vinte de Outubro de dois mil, Nos Bancos – todas as escrituras de a União Europeia ditou, as que a evolu- para uma tiragem de 2 192 400 perante nós, Notários da Comarca do compra e venda com hipoteca ou ção da vida jurídica impôs… selos, sete cunhos, com o vinte cin- Porto e arredores, compareceu como mesmo sem ela. Mas não posso evitar, não eu que tan- co reis carmim rosa para uma tira- outorgante: Que, atendendo ao facto de nesta tas vezes ousei pôr o dedo na ferida, dar gem de 32 833 200 selos, um cunho DR. ÁLVARO MENDES DA COS- coisa da Nota, ter como seus únicos a cara e dar voz aos lamentos, às preo- com cinquenta reis verde azul, para TA, bem casado, natural de Alavarenga, sucessores forçados, os futuros Notá- cupações, aos anseios de uma pequena uma tiragem de 411 600 selos e um Arouca, residente nesta cidade, em rios que tiverem a coragem de abraçar classe de trezentos e poucos notários cunho com o cem reis lilás para local fino, nos Pinhais da Foz. esta profissão, lega-lhes em substitui- que sempre esteve dividida e oprimida! uma tiragem de 451 200 selos. Verificamos a sua identidade por o ção da sua legítima, o direito de: Não posso, não quero, nem devo calar o Os cunhos de cinco reis, identifi- conhecermos de gingeira. a)- Abrir diariamente o correio; meu legítimo testemunho nestas derra- cam-se pelo afastamento do “5” em O outorgante declarou: b)- Abrir e ler diariamente o Diário deiras palavras como Notária, pelo relação a “reis” e os de vinte cinco Que durante anos e anos a fio nota- da República; Serviço Público que defendi, que exerci reis identificam-se por diferenças riou de acordo com as leis do Reino e as c)- Ler atentamente as circulares da com paixão, que prestei com o máximo no entrançado da burilagem. circulares da D.G. Direcção Geral; sentido de dever, de isenção, de hones- (Baseado em selos de Portugal Fez partilhas, locações, vendas, hipo- d)- Fazer rectificações e uma ou tidade, como não posso, não quero, nem Álbum 1 (1853/1910) tecas, permutas, propriedades horizon- outra convenção antenupcial; devo esquecer todos os colegas que de Carlos Kulberg) tais; e)- Devolver os emolumentos recla- exerceram esta profissão com a mesma Constituiu sociedades, alterou-as, mados pelos que têm direitos às isen- dignidade e dimensão – a quem presto a [São estes os primeiros selos de aumentou-lhes o capital, dissolveu-as, ções; e minha homenagem – e todos os utentes D. Luiz I. Outras séries se seguirão, fundiu-as, cindiu-as, etc, etc; f)- Abrir e fechar diariamente a porta que me dignificaram, me distinguiram com novas taxas e novas cores. São Certificou e declarou a conformida- do Cartório às 9 e 17 horas, respectiva- com a sua escolha, e me ajudaram a extensas. Por isso, continuarei nos de dos escritos com o original, valendo mente. crescer como Profissional e como Ser próximos números a falar da parte como lei a sua palavra. Declarou ainda o outorgante: Humano - a quem deixo o meu muito filatélica deste monarca e, no últi- Que neste ano da graça de dois mil, o Que, com excepção das funções pre- sentido OBRIGADO! mo artigo, a sua biografia].
    21. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 OPINIÃO 21 Recriar a Escola defesa cerrada das suas mais emblemá- O ensino público naufraga porque hoje, o professor, na escola é, grosso ticas conquistas consignadas no diploma deixa agitar as águas sem saber marear modo, um mero agente de informação. vigente. Um braço de ferro num diálogo .Para não gastar. No nosso modesto entender, ao abri- de surdos. Com a escola à distância. Temos de construir uma escola de rem-se novas perspectivas, a função Enquanto o Ministério da Educação a projecto na qual a informação não seja docente fica muito mais enriquecida conceber como um lugar onde um grupo o mais importante mas apenas e tão com diferentes e mais aliciantes propos- orçamentado de professores dá aulas a somente uma parte do processo. tas de trabalho. Renato Ávila um universo elasticamente calculado de Sabemos quão estafada anda esta pala- Os professores deveriam assumir alunos; enquanto os professores enten- vra projecto. Todavia, ela encerra em si desde logo a condução do processo com Muito complicados têm sido estes derem a escola como um local onde se o segredo duma nova escola necessaria- a apresentação de propostas inovadoras. últimos dias. Para os professores e para dá um rigoroso número de aulas a horas mente paradigmática e determinante no É demasiado redutor para educadores a escola. Sob a capa duma simples rei- certas para obter vencimento e seguir sistema educativo. centrar a discussão apenas ao nível das vindicação – que está profundamente uma carreira, não vamos a lado algum. Essa escola requer saber, audácia, de- relações laborais. banalizada – escancarou-se perante os Continuamos e assim continuaremos dicação e recursos. Saber para conceber A hora é de mudança. Urge recriar a nossos olhos e o nosso entendimento agarrados a uma escolástica de primas e e desenvolver, audácia para ultrapassar escola e isso compete, fundamental- um quadro degradante da escola e do matinas onde se debita e credita pura e práticas anquilosadas de séculos e modi- mente, aos docentes. De modo algum sistema que a enforma. simplesmente a informação. O resto, o ficar estratégias e atitudes, dedicação e podem delegar em outrem esse papel A A discussão e aprovação do estatuto da principal, fica por fazer. empenho para dispor da vontade e do demagogia de todos ao molho não favo- carreira docente, a concepção e organiza- Esta é a escola das substituições, da tempo na prossecução duma causa, rece a transformação que se deseja. ção da estrutura escolar e das escolas em indisciplina, do desinteresse, do insuces- recursos humanos e materiais (espaciais, Numa escola de competências, os furos si mesmas, do seu funcionamento, das so formativo e educativo... do abandono. equipamentos...) adequados para con- e as substituições, os horários de hora e condições e factores de disciplina e segu- Será, porventura a mais fácil de gerir, a cretizar com sucesso os projectos. meia, as aulas de débito de matéria... rança... estão, como nunca, em causa. mais barata, a que menos quebra-cabe- Ao pensar na reclassificação dos pro- serão anacronismos. Todos os alunos têm, Nem queremos pensar na aparente e ças dá em termos de organização e exi- fessores com horário zero com vista a fundamentalmente, projectos de enrique- sibilada manipulação dos educandos gência pedagógica. Não é, de certeza, a novas e diferenciadas carreiras dentro cimento pessoal para desenvolver. Nesta por parte dos professores quando nas que o país urgentemente precisa. do sistema, o Ministério deu um primei- escola o empenhamento de cada um é fac- suas escolas recebem a Ministra com Isto não aparece sobre a mesa de ro sinal de abertura para esta problemá- tor de disciplina e de sucesso. apupos ou se associam às manifestações negociações porque não está nos limita- tica. Compete aos Sindicatos, em vez A uma escola de sapiência é mister frente ao Ministério da Educação. dos horizontes do sistema onde os duma atitude hostil que parece querer que se sobreponha uma escola de com- Francamente, não acreditamos! É que números falam mais alto, nem na men- aflorar, com espírito de abertura, bem petências. tal promiscuidade se afiguraria alta- talidade da maioria dos professores por- meditar no assunto. É que, tal como está Impõe-se, pois, que recriemos a escola. mente perniciosa na preservação do res- que a carreira não é motivante e a cons- peito pela hierarquia, essencial ao bom trução duma escola diferente requer, funcionamento das instituições e, con- sem dúvida, muito mais trabalho e dedi- cretamente, na manutenção das condi- cação. ções de disciplina. O ensino privado navega excelente- Também entendemos que a discussão mente nestas águas. Criou um paradig- do estatuto da carreira docente se tem ma assente no facilidade de recrutamen- revelado um negócio desintegrado das to de docentes, na eficácia face ao siste- realidades e das necessidades da escola. ma oficial de avaliação e na resposta Por um lado, o Ministério com o OGE adequada às necessidades dos que na mão; pelo outro, os Sindicatos na podem pagar e.. factura. Para ganhar. O LEITOR a ESCREVER Certificados de Aforro Esta medida do Fisco lembrou-me pósitos a Prazo. Conclusão: foram apa- uma história antiga, de quase 40 anos, nhados os chicuespertos, mas pagaram quando entrei para o Banco. todos. Os grandes devedores, nem tive- Existia um financiamento, de carác- ram nada a ver com isto. ter social, em que o Banco disponibili- Com os Certificados de Aforro, a his- zava 6 meses de ordenado, sem juros, a tória é semelhante: cerca de 1.500 pagar em 2 anos, para que o seu empre- devedores do Fisco investiram em gado fizesse frente a despesas com o seu Certificados de Aforro. agregado familiar: mudança de casa, Tudo indica, perante tal investimen- compra de fogão ou frigorífico, mobí- to, que nada tenham a ver com grandes lias novas, doenças inesperadas, etc. devedores. Uma série de colegas meus aprovei- Mas a central de informação funcio- tou essa facilidade para constituir um na e o povinho bate palmas. Depósito a Prazo, no próprio Banco. Enquanto isso, os grandes devedores Estamos a falar de uma época em continuam a dever e o Estado mantém o que um belíssimo andar, em Benfica, seu nível de despesa. custava 80 contos; em que o máximo Até parece que está tudo bem. dos máximos, um BMW 2002 ti, tam- Desta vez, quando os vampiros des- bém andava pelos 80 contos. ceram na calçada, já não terão sangue Claro que, face aos abusos, o Banco fresco nem manada para sugar. acabou com essa medida para todos, começando por congelar os tais De- Rui Lucas
    22. 22 MÚSICA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Distorções e conimbricense, The Legendary Tiger Man, apesar de pouco conhecedor da sua obra, decidi comprar este disco logo Para o fim, fica a sugestão de dois dos discos que mais ouvi nas últimas semanas, o primeiro pertence aos Sparklehorse, à saída, e, as expectativas não saíram “Dreamt for Light Years In The Belly of a goradas. As primeiras músicas a entra- Mountain”, que adorei ver ao vivo no rem no ouvido são a “cover” de “Route Festival Para Gente Sentada, e ainda 66” e “Honey You´re Too Much”, mas “Home” de Thomas Schumacher, que re- quer a primeira faixa do disco, “So- centemente esteve no Lux (Lisboa) e que José Miguel Nora meone Burned Down This Town”, quer começou a fazer parte dos meus “dj-sets”. josemiguelnora@gmail.com a seguinte, “The Whole World´s Got The Eyes On You”, mostram um Paulo PARA SABER MAIS: Está aí a época natalícia e com isso Furtado ao seu melhor nível, mas, surge no mercado uma imensidão de ainda, com uma enorme margem de - http://www.legendarytigerman.com/ colectâneas de “Grea- progressão, e, ao - http://www.x-wiferocks.com/ test Hits” das mais mesmo tempo, Mas, muitos foram os discos portu- - http://www.loto.cc/ diversas bandas, co- coerente com a gueses de que gostei no ano que está a - http://www.myspace.com/orangotang/ mo sejam os U2, os sua atitude, quer terminar, a começar pelo “Side Effects” - http://orangotang.hi5.com/ Beatles, etc. e, ten- seja com os Wray- dos X-Wife, e acabando em “Beat Riot” - http://www.sparklehorse.com/ tando alargar o le- gunn, quer mes- dos Loto, mas não esquecendo a agra- - http://www.thomasschumacher.com/ que de escolhas pa- mo com os Tédio dável surpresa que foi “Propaganda” - The Legendary Tiger Man – “Fuck ra as compras de Boys. Se tivesse dos Orangotang. Os Orangotang são The Christmas, I Got The Blues” (Nor- Natal, hoje vou es- que eleger o mel- uma banda de Mondim de Basto, que tesul) crever sobre alguns hor disco portu- comecei a ouvir com alguma insistência - The Legendary Tiger Man – “Mas- dos melhores dis- guês de 2006 se- via Best Rock Fm, sobretudo o tema querade” (Nortesul) cos feitos em Por- ria, certamente, “Só”, mas, após comprar o “Propa- - X-Wife – “Side Effects” (Nortesul) tugal durante o ano este “Masquera- ganda” tive a certeza de que não se tra- - Loto – “Beat Riot” (Som Livre) de 2006, numa cla- de”, que conta com tava daquelas bandas que só têm um - Orangotang – “Propaganda” (No Rec) ra antecipação do inevitável balanço de a colaborações dos Dead Combo, de Dj tema interessante, mas sim um conjunto - Sparklehorse – “Dreamt for Light 2006 que surgirá lá mais para a frente. Nell Assassin (Micro, Bullet), João de bons temas a ouvir vezes sem conta Years In The Belly of a Mountain” (Par- O primeiro destaque cabe a “Mas- Doce (Wraygunn) e de Mário Barreiros até à exaustão como: “Lâmpada Azul” e lophone) querade” da autoria do”one man band” como produtor e músico. “Prazer”. - Thomas Schumacher – “Home” (Bush) A Hora do Vinyl “Íntima Fracção” HOJE À NOITE, NA FNAC COIMBRA CURTA-METRAGEM DE PAULO ABRANTES no Festival de Zagreb “A Hora do Vinyl” é o tema da sessão que decorre hoje (quarta-feira, dia 29) na Fnac Coimbra, a partir das 21h30. A girar desde 1948, o disco de vinyl foi A curta-metragem vídeo “Intima o suporte de reprodução áudio mais utiliza- Fracção”, da autoria de Paulo Abrantes, do até ao advento do disco compacto no foi um dos 10 filmes seleccionados pelo final dos anos 1980. Numa altura em que o Festival Black & White para a sua CD perde terreno para os novos media extensão ao One Take Film Festival digitais, cresce também o culto em torno 2006, que decorreu em Zagreb – Croá- do coleccionismo do vinyl. À volta de uma cia, de 17 a 19 do corrente mês. Este mesa redonda, Afonso Macedo (dj cosa vídeo, que foi visionado no Theatre nostra), Paulo Fernando (compact records) Gric, é inspirado no programa de rádio e Rui Ferreira (subotnick / lux records) dis- “Íntima Fracção”, da autoria de Fran- cutem o passado, o presente e o futuro do cisco Amaral. Segundo as palavras vinyl. Numa conversa informal, irá falar-se deste criador e locutor do mais antigo de rituais e da pertinência deste revivalis- programa da rádio portuguesa, “o vídeo mo, questionando o espaço hoje reservado recorre a fotos feitas pelo Paulo a este objecto nas lojas e no meio editorial, Abrantes nos estúdios da TSF em bem como as suas vantagens perante out- Coimbra, algures no ano de 1990, acres- bruma, ofereceu-me a paz e o conforto ros suportes. A sessão será moderada por cidas de muitas outras que, segundo o de me reconhecer não sozinho. Devo Nuno Gomes (Fnac Coimbra). Paulo, prolongam nas imagens a emo- acrescentar que o Paulo Abrantes ao ção construída pelos sons da IF”. longo de todos estes anos de Íntima E Francisco Amaral acrescenta: Fracção, teve acesso apenas duas vezes AMANHÃ, NA FNAC COIMBRA Música ao vivo até de madrugada ”Este vídeo comoveu-me, que é a ao estúdio onde se realizava a IF: uma maneira eufemista de dizer que me fez na RDP, em 1989, outra na TSF, em chorar. O trabalho de imagem que se 1990. Toda a experiência que o Paulo Coimbra recebe amanhã (quinta--feira, dia 30), pela primeira vez um “dia e desenrola sobre pouco mais de 3 minu- adquiriu sobre a IF foi, assim, sonora. O noite aderente”. tos de sons da IF, é uma visualização que me comoveu (conjecturo! ...) terá Trata-se de uma iniciativa que a FNAC organiza duas vezes por ano: um dia fragmentada, intensa, mas que toca no sido o retrato fiel da ambiência de reco- com descontos especiais e espectáculos ao vivo em todas as suas lojas. Assm, que posso chamar a “alma da Íntima lhimento e isolamento que sempre vivi amanhã, entre as 10 e as 3 horas da manhã, são muitas as propostas de animação Fracção” – ou será o coração? A ligação no estúdio, cruzada com os grandes cultural na Fnac Coimbra. entre o estúdio e as paisagens sonoras, voos sonoros que de lá partem.” A estreia desta iniciativa conta com um cartaz de luxo. O grupo Verdes Anos finalmente transformadas em imagens apresenta fados e guitarradas durante a tarde. Ao início da noite, é a vez do pre- (destino sempre procurado desde a edi- MAIS INFORMAÇÕES EM: miado escritor Gonçalo M. Tavares dar a palavra a mais uma personagem da ção 1 da IF), podia ter sido feita por h t t p : / / w w w. o n e t a k e f i l m f e s t i - sua colecção “Bairro”. A Brigada Victor Jara chega às 23 horas para servir a mim. Mas não foi! O facto da sensibili- val.com/program.html Ceia Louca. As honras de encerramento do dia cabem a Armando Teixeira que dade do Paulo Abrantes ter encontrado www.artes.ucp.pt/b&w revela A Grande Mentira, o último registo do projecto Balla. os caminhos, tantas vezes cobertos de http://intima.blogspot.com/
    23. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS e construir ambientes de lazer em casa. O principal trunfo do site é a inclusão do vídeo, associado à pos- EUROPEAN CITIZEN’S INITIATIVE sibilidade de votação das peças, comentar e responder a desafios lançados pela apresentadora. Yahoo Food Inês Amaral endereço: http://food.yahoo.com/ | Docente do Instituto categoria: culinária Superior Miguel Torga HEMEROTECA DO EL MUNDO BOLÍVIA, DIÁRIO DE LUTA A European Citizen’s Initiative é um movimento da sociedade civil europeia que tem como objectivo que os cidadãos europeus possam propor sugestões e alte- rações à legislação europeia. A proposta tem como objectivo dar voz aos cidadãos numa Europa a 25 onde as instituições têm um poder cada vez mais incontestável. A campanha está em fase de angariação de assinaturas e de divulgação. No site da European Citizen’s Initiative é possível consultar os objectivos do movimento, os eventos da campanha, as Os diários de Ernesto Guevara de la Serna, o revo- O jornal espanhol El Mundo abriu o seu arquivo na organizações patrocinadoras e aceder ao formulário lucionário argentino conhecido por Che Guevara, es- Internet. Os utilizadores podem consultar na He- para assinara petição. O mote está lançado: «Nós, abai- tão disponíveis na rede. Os textos foram escritos du- meroteca todos os textos publicados no jornal impres- xo-assinados, queremos que a União Europeia dê força rante os seus tempos de guerrelheiro na Bolívia e onli- so de 1994 a 2006, ou aceder aos arquivos da edição legal à Iniciativa dos Cidadãos Europeus, que prevê que ne está o dia-a-dia do “comandante Che”. O projecto online – disponíveis a partir de 2002. um milhão de cidadãos Europeus possa propôr à é uma parceria entre o Centro de Estudos Che Gueva- A possibilidade de gratuitamente aceder aos arqui- Comissão Europeia alterações da legislação europeia». ra e o portal Cuba Sí. vos de um dos maiores diários europeus é uma novi- O diário online reproduz os dias de luta na Bolívia dade no novo contexto jornalístico online, onde os European Citizen’s Initiative descritos pelo próprio Che Guevara e disponibiliza serviços para assinantes são cada vez mais uma cons- endereço: http://www.citizens-initiative.eu/ ainda os cadernos e testemunhos de outros combaten- tante. A nova política do El Mundo já provocou alte- categoria: cidadania tes, documentos da guerilha, biografias, mapas, recor- rações, nomeadamente no concorrente El País. Este tes da imprensa boliviana, infografias, os discursos do diário espanhol lançou recentemente uma nova página comandante, uma galeria de fotografias. Online desde na web com um novo layout, conteúdos dinâmicos e OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA 7 de Novembro – exactamente 40 anos depois das pri- interactivos e mais informação de acesso gratuito. meiras anotações do guerrelheiro – este site é um vali- Sinais dos tempos. Ou talvez não. oso e histórico documento multimédia interactivo. Link relacionado: Links relacionados: http://www.elpais.com - site renovado do jornal El País http://cheguevara.cubasi.cu/ – Centro de Estudos Che Guevara Hemeroteca do El Mundo http://www.cubasi.cu/ – Portal Cuba Sí endereço: http://www.elmundo.es/hemeroteca/ categoria: informação Bolívia, Diário De Luta endereço: http://www.diariochebolivia.cubasi.cu/ categoria: história JK ROWLING O site do Observatório da Imprensa está na rede pa- YAHOO FOOD ra promover o debate sobre os conteúdos dos media. Depois de uma fase testes, o site está finalmente dis- ponível e conta com uma área destinada a debates pro- postos por cidadãos comuns. Em destaque uma área sobre jornalismo e cinema. Trata-se de uma excelente compilação com links interessantes, elaborada pelo jornalista Joaquim Vieira – actual presidente da Di- recção do Observatório da Imprensa. Para consultar também há uma secção de Clipping sobre a imprensa nos weblogs nacionais, uma área com O novo site da escritora JK Rowling, autora dos famo- notas interessantes, espaços dedicados a debates e anún- sos livros de Harry Potter, é um espaço de interactivida- cio de eventos, um arquivo (ainda em construção) de de e animação que permite aos utilizadores navegar por periódicos portugueses, links úteis e um jornal do incrí- um mundo de mistério. Nesta página dinâmica, a ficção vel que apresenta um levantamento do que de mais ina- Numa altura em que o Google vence a declarada e a realidade confundem-se. O universo de Harry Potter creditável foi publicado. Nesta última secção encontram- guerra na web, o Yahoo tenta resistir. Recentemente é, afinal, o da própria escritora. O espaço tem um design se “pérolas” publicadas em jornais portugueses como «O lançou um site dedicado a comida e esta nova aposta apelativo e eficaz. Para além do site estar traduzido em suicídio precede algumas vezes a fuga». Criado em é um interessante espaço de passagem. O Yahoo Food várias línguas, há ainda uma versão que foi construída 1994, o Observatório da Imprensa é uma associação pri- inclui várias áreas como receitas, restaurantes, vídeos com base em regras de usabilidade e que permitem o vada sem fins lucrativos, constituída por um grupo de tutorais e entrevistas a celebridades norte-americanas. acesso a cidadãos com necessidades especiais. profissionais ligados à actividade jornalística A estrela da companhia é a prendada apresentadora de televisão Martha Stewart, que apresenta receitas JK Rowling Observatório da Imprensa práticas para o dia-a-dia, ideias para pratos mais sofis- endereço: http://www.jkrowling.com/ endereço: http://observatoriodaimprensa.pt/| ticados e dicas variadas para fazer refeições diferentes categoria: juvenil categoria: jornalismo
    24. 24 T E L E V I S ÃO DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO estas obrigações, nem que sejam os servi- ços mínimos, aos operadores privados. derivas. Veja-se o caso extremo da Dois, que não dispensa no seu prime-time, após a que as estações de televisão ficam obri- gadas para, a partir daí, não poderem Ora o que é peregrino é considerar sequer o Jornal das 22, de um bloco de séries fazer qualquer alteração à sua programa- possível que as coisas se venham a passar norte-americanas a que resolveram cha- ção. 48 horas! como a proposta de lei apregoa. Depois mar de “culto” para assim se justificarem. Dois dias! Para quê? de quinze anos de televisão privada, em Ainda no colóquio sobre “Cultura e Em Espanha, desde 1999 que a progra- que supostamente a actividade das esta- Comunicação”, o mesmo ministro refe- mação diária dos canais televisivos tem Francisco Amaral ções de televisão devia ter sido analisada riu-se à inclusão, na nova lei, da educa- que ser divulgada com 11 (onze) dias de franciscoamaral@gmail.com à luz do cumprimento, ou não, dos seus ção para os media. Será o serviço público antecedência. Dois dias não servem para compromissos em função do bem que lhe a ter a seu cargo esta função. Nada de nada, a não ser para dar a ideia de que se O ministro dos Assuntos Parlamenta- tinha sido entregue, das duas uma, ou a mais correcto, embora muito tardio. O está a evitar a contra-programação. res, Augusto Santos Silva, esteve em intenção é boa, mas inocente, ou é fortís- problema, enorme, está em saber como se Em dois dias não há quase tempo para Coimbra no colóquio “Cultura e Comu- sima demagogia. poderá fazer, hoje, os diários corrigirem a sua informação... nicação”. Ninguém acredita “educação para os Como é que os leitores das revistas de te- O que afirmou o senhor ministro de re- que o actual “Estado media” sem beliscar levisão e dos semanários e seus suple- levante? Que “a lei da televisão deve de direito” em que os canais privados mentos terão dessa maneira acesso rigo- prescrever e densificar obrigações cultu- vivemos, consiga de televisão e o pró- roso às grelhas de programação dos ca- rais”. Esta lei da televisão será a futura lei impor seja o que for prio serviço público. nais? Não terão. da televisão. Essa mesma que agora foi às estações privadas Anunciou ainda o Francisco Rui Cádima interrogou, a anunciada e já foi tratada pelos operado- de televisão. E quan- ministro que a con- propósito: “Que ética de antena, que res- res privados da forma que se esperava: do falo em impor, tra-programação vai ponsabilidade social, que coerência e prescrevam o que quiserem que esse me- falo em regras. Regras que têm a ver com acabar. Mas não vai. Da forma como é consistência se pode reconhecer a um dicamento não tomamos. o respeito pelo público. A actividade pri- proposto o combate à contra-programa- canal que anuncia o que mexe e remexe José Eduardo Moniz, director-geral da vada, seja qual for, não pode servir-se do ção, tudo, ou quase tudo, ficará na nas suas grelhas com dois dias de antece- TVI já veio garantir ser “contra tudo o público a todo o custo. Um restaurante mesma. dência face ao horário de emissão? Há que interfira com a liberdade do jornalis- que tenha géneros alimentícios em mau Parece que finalmente a situação, es- que ser rigoroso também nesta matéria. E mo e a liberdade da programação, bem estado, não pode continuar de porta aber- candalosa, mereceu a atenção do poder. sobretudo há que respeitar o público. como a cedência a lobbies que se revelem ta. O problema é que, habitualmente, ne- Mereceu, mas o fundamental foi garantir Autorizar contra-programação até 48 autênticos parasitas da televisão”. Ao es- nhum espectador aparece nas urgências que se passe a ideia de que “agora isto vai horas antes da emissão, na prática, redun- tilo bem português do “vocês sabem de hospitalares depois de uma ingestão de acabar”... desde que não acabe. Assim, da numa autorização da contra-progra- quem é que eu estou a falar”, Moniz maus produtos televisivos e torna-se veja-se que estão desde logo garantidas mação e na manutenção da ‘selva televi- deixa no ar a ideia de que os parasitas da muito difícil comprovar que eles eram as “situações excepcionais que impli- siva’ que prolifera por aí sem qualquer in- televisão serão, eventualmente, os produ- nocivos à saúde. quem um prolongamento do telejornal”. tervenção da ERC nessa matéria em par- tores de conteúdos culturais. Nada que O ministro Santos Silva recordou Como não deve haver país europeu ticular.” não soubéssemos que ele assim o imagi- ainda que a “lei portuguesa e a directiva algum que consiga prolongar tanto os te- Como José Eduardo Moniz já anteci- nasse. europeia, são claras”, ao impor a difusão lejornais como o nosso, as circunstâncias pou, esta disposição vai ser considerada De alguma forma, esta ideia defendida de obras criativas em língua portuguesa, excepcionais vão passar a acontecer uma ingerência, um crime contra a liber- pelo ministro Santos Silva não deixa de bem como de produção europeia. Claras! todos os dias. Para além disto, verifica- dade de programação. Pois então aguar- ser uma ideia “peregrina”. Ele considera Como se também aqui, o ser claro fosse mos que as multas a aplicar, no contexto demos para ver a força que este governo, que há “obrigações evidentes” no serviço sinónimo de coisa a cumprir! Ainda por televisivo, são apenas simbólicas: de tão musculado para uns, conseguirá ter público de televisão, mas quer estender cima, nesta matéria, os canais estatais que 7500 a 35000 euros. para defrontar os “adamastores da comu- deviam dar o exemplo, fazem perigosas Mas o mais espantoso é a antecedência nicação portuguesa”. EM MARCHA A REABILITAÇÃO DA BAIXA DE COIMBRA Apenas 1.300 habitantes em 14 hectares da cidade A Baixa de Coimbra é a zona conside- como zona prioritária: “Porque é a zona João Paulo Craveiro recordou o posi- “Temos que ter projectos de altíssima rada prioritária pela Câmara Municipal que está mais degradada e porque é aque- cionamento estratégico da Baixa na dinâ- qualidade e, por outro lado, temos que no âmbito da reabilitação urbana em la onde é mais importante a renovação e mica da cidade e revelou que a área a ser conseguir que a intervenção se faça sem curso. Isso mesmo foi afirmado pelo colocação de pessoas”, afirmou. intervencionada tem cerca de 14 hectares vir a originar custos de manutenção de tal Vice-Presidente da autarquia, João Re- Num documento elaborado pela autar- e uma população de 1.300 habitantes. ordem que o projecto não tenha sustenta- belo, no decorrer de um debate que de- quia foram identificadas 8 subzonas prio- O Presidente da SRU salientou a ne- bilidade económica”, referiu ainda João correu na passada semana na Livraria ritárias, das quais a primeira corresponde cessidade da “criação de condições de Paulo Craveiro. Minerva. à área de atravessamento do eléctrico rá- atractividade de acordo com padrões de “Coimbra, como cidade histórica que A sessão contou ainda com a presença pido de superfície. “Sendo algo que modernidade e conforto”, referindo que a é, não pode continuar a ‘dar-se ao luxo’ de João Paulo Craveiro (Presidente da desde há 20 anos se falava na cidade, dei- reconstrução dos edifícios “deverá pre- de ter o centro histórico e a baixa, nome- Sociedade de Reabilitação Urbana xou de haver naquela área investimento servar a forma arquitectónica, mantendo adamente, naquele estado. Temos que Coimbra Viva) e de Rui Mealha, arqui- na manutenção e conservação do edifica- o exterior das edificações e renovando o criar condições para atrair novos morado- tecto responsável pela solução urbanísti- do”, referiu João Rebelo, pelo que é uma interior”. Deverá ainda ser dada atenção res que gostem de lá viver e para tal tere- ca da 1ª unidade de intervenção de recu- zona que “está em profunda degradação e especial ao estacionamento para residen- mos que garantir actividades âncora. peração da Baixa de Coimbra. João ruína”, sendo necessário, “por razões de tes. A manutenção e incremento de activi- Garantir vida intensa quer durante o dia, Rebelo justificou as razões que levaram a segurança, demolir devido ao risco evi- dades económicas estratégicas é outra com as lojas abertas, quer durante o fim que a Câmara tivesse escolhido a Baixa dente”. das preocupações. da tarde e a noite”, defendeu.

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