O Centro - n.º 13 – 02.11.2006

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Versão integral da edição n.º 13 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 02.11.2006.

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O Centro - n.º 13 – 02.11.2006

  1. 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO DEBATE NA RTP Carlos Carranca A miséria José d´Encarnação Paulo Nunes Silva de Salazar Renato Ávila e de Aristides Varela Pècurto PÁG. 19, 20 e 21 de Sousa | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro Mendes PÁGINAS 4 e 5 de plástico fechado (DE53742006MPC) ANO I N.º 13 (II série) De 2 a 14 de Novembro de 2006 € 1 euro (iva incluído) UM DOS AMBICIOSOS PROJECTOS DO NOVO RESPONSÁVEL PELO TURISMO DO CENTRO Mondego navegável de Coimbra à Figueira da Foz PÁGINA 7 APANHADA NAS REDES DE UM ARRASTÃO Tartaruga gigante trazida para Aveiro PÁGINA 3 ESTUDANTES DESFILARAM PELAS RUAS DE COIMBRA Muita uva e alguma lata PÁGINAS 12 e 13 ASSINE O “CENTRO” “ESTREPES” 150 ANOS DA FERROVIA E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes do “Centro” Livro Selo com 10% de José com de desconto d’Encarnação foto na compra será lançado de Varela de livros quarta-feira Pècurto PÁG. 2 e 3 PÁG. 6 PÁG. 14
  2. 2. 2 DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 EDITORIAL A grande pequenez de alguns portugueses nunca fora demitido, que recebera sempre o ven- recuperação…). Assim, para que Salazar se não bom senso facilmente chegará quando o ouve a cimento a que tinha direito e que, portanto, não apercebesse de que já não era quem mandava, relatar factos alegadamente históricos, ocorridos poderia ter morrido na miséria. continuaram a fazer com ele reuniões de um há séculos, em versões inéditas, a que mais ne- E mais: que não salvara 30 mil judeus, que isso Governo fictício, onde compareciam os que ti- nhum investigador conseguiu chegar. E com não era verdade. nham sido seus ministros. À sua volta teve, até à tamanha profusão de pormenores que alguns Segundo a versão de José Hermano Saraiva, hora da morte (em Julho de 1970), não só a sua seriam pouco credíveis até mesmo se ele os tives- Jorge Castilho os 30 mil judeus vieram para Portugal, de com- fiel governanta, D. Maria, mas os melhores médi- se testemunhado… jorge.castilho@zmail.pt boio, “por acordo feito com o governo espa- cos do País, e até alguns vindos do estrangeiro. Ao contrário do que alguns pequenos portu- nhol”!... Portanto (e independentemente de quais- gueses pensam (e não estou a falar de tamanhos, O programa que a RTP agora promove, inti- Mas a afirmação mais espantosa viria depois. quer posições de cariz ideológico) é ofensivo porque os homens não se medem aos côva- tulado “Os Grandes Portugueses”, está a pro- Passo a reproduzir, ipsis verbis, o que disse José para os milhares de portugueses que então vi- dos…) não basta contar estórias para se ser his- vocar natural polémica, atendendo às confusões Hermano Saraiva: viam miseravelmente, afirmar que Salazar mor- toriador, tal como não chega ter uma amiga cha- que suscita e aos resultados insólitos a que “Os vagões vinham selados. Levavam volfrâ- reu na miséria. mada Sofia para se ser filósofo… poderá conduzir. De facto, a “votação” pode mio e traziam refugiados. Essa campanha foi feita Provavelmente o que José Hermano Saraiva levar a um desfecho injusto, incorrecto e até pela Companhia de Caminhos de Ferro da Beira quis dizer é que Salazar não se aproveitou do UM EXEMPLO A REGISTAR mesmo perigoso em termos intelectuais, sociais Alta”. poder para enriquecimento pessoal – o que é ver- e políticos. Ou seja, para José Hermano Saraiva o acto dade, e constitui um dos aspectos positivos no A Igreja Católica é a entidade que maior Mas tem de reconhecer-se que possui o méri- de Aristides Sousa Mendes (que lhe valeu a ira balanço global da sua actividade política (onde o número de jornais regionais possui em Portugal. to de falar de portuguesas e de portugueses de e as represálias de Salazar) nunca existiu. A que avulta são os condenáveis instrumentos a E seguramente que não é a que mais se ressente outras épocas, que se destacaram, ao longo dos “verdade histórica” de José Hermano Saraiva é que recorreu para manter, durante quase meio da crise grave que afecta este sector, tão impor- séculos, nos mais variados sectores, muitos deles que, num acordo feito com o governo espa- século, uma ditadura férrea, obscurantista, de tante para o desenvolvimento das pequenas par- esquecidos, ausentes do ensino nas escolas e das nhol (que é como quem diz com o generalíssi- costas voltadas para a evolução do Mundo civili- celas que compõem a maior parte do País, mas conversas familiares, pelo que a maioria da popu- mo Franco, assumidamente apoiante de zado – “orgulhosamente só”, como ele próprio que raramente conseguem ter voz na imprensa lação portuguesa os não conhece. Hitler), o governo português trocava volfrâmio afirmava). dita nacional. Sobre o assunto publicamos (nas páginas 4 e por judeus, que eram conduzidos até Portugal Mas um historiador tem de ser rigoroso. Não Ninguém poderia, pois, criticar a Igreja Ca- 5) reportagem desenvolvida de um animado em vagões selados… pode insultar a memória, não pode deturpar si- tólica se esta quisesse tomar medidas para enfren- debate televisivo que a RTP transmitiu em direc- Mas as espantosas “revelações” de José tuações nem escamotear factos. tar a crise que afecta os seus jornais, sem se pre- to na passada semana. Hermano Saraiva não se ficariam por aqui. Um historiador não ocultaria ter sido, ele pró- ocupar com as dificuldades com que os outros Apesar disso, pareceu-me oportuno aqui alu- Mais adiante, quando se falava de Salazar, afir- prio, José Hermano Saraiva, Ministro da jornais se debatem. dir aos dois mais vivos momentos do referido mou que o conhecera pessoalmente, salientando: Educação do “Estado Novo”, e de, nessa quali- Mas sucedeu exactamente o contrário. O debate, quando se falou de duas figuras que, ine- “Foi um homem que teve na mão, durante 40 dade, ter ordenado, em 1969, a repressão aos Secretariado Diocesano das Comunicações quivocamente, e por razões bem diferentes, ocu- anos, a totalidade do poder e morreu na miséria”. estudantes de Coimbra apenas porque estes tive- Sociais – que imediatamente contou com o pam lugar de destaque na História de Portugal: A primeira parte da afirmação, embora peque ram a ousadia de pôr em causa o sistema de ensi- apoio do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto – Aristides de Sousa Mendes e António de Oliveira por defeito (porque foi durante mais de 40 anos), no da ditadura. decidiu trazer a Coimbra uma professora uni- Salazar. tem a virtude de confirmar a prepotência do dita- Ora José Hermano Saraiva não só agora ocul- versitária espanhola para um debate sobre o Foi Fernando Nobre (o Presidente da AMI - dor aos que sobre isso tivessem dúvidas (princi- tou esse facto, como já teve o desplante de, aqui futuro da Imprensa Regional. E convidou Assistência Médica Internacional) que revelou palmente aos mais jovens, que não viveram esses há uns anos, me negar que tivesse havido, na altu- todos os jornais regionais (todos os seus jorna- que a sua escolha era o cônsul português que se tempos difíceis). Mas a segunda parte da afirma- ra, repressão sobre os estudantes de Coimbra! listas e colaboradores, todos os estudantes, tornou famoso por, num gesto de enorme cora- ção é, no mínimo espantosa, já que Salazar mor- Mas, pior do que isso, um historiador não teria todos os interessados) a participar nesse deba- gem e humanidade, ter salvo muitos milhares de reu convencido de que ainda era Primeiro o desplante de macular a memória de Aristides te, de molde a que pudessem receber contribu- judeus dos campos de morte nazis (emitindo vis- Ministro – e, portanto, com as inerentes mordo- de Sousa Mendes, hoje reconhecido em todo o tos positivos, através do contacto com essa tos, em representação do governo português, mias. De facto, Salazar caiu de uma cadeira (em Mundo como uma das figuras que mais judeus especialista, para melhor enfrentar o presente e para que eles pudessem fugir, e assim ousando Agosto de 1968, no forte do Estoril onde passa- salvou do holocausto nazi. assegurar o futuro. contrariar as ordens recebidas de Salazar). va férias à beira-mar), tendo sofrido lesões cere- E, afinal, de macular também a própria Um exemplo muito meritório, que importa Elogiando a figura de Aristides de Sousa Mendes, brais. Foi operado, mas nunca mais viria a recu- memória de Salazar, afirmando que o ditador sublinhar. que considerou exemplar, o Presidente da AMI perar, entrando mesmo num estado de debilida- morreu na miséria (o que, a ter sucedido, signifi- Especialmente numa altura em que há por aí lastimou que, por causa da sua abnegada atitude, de física e perturbação mental que o inibia de caria que os seus apoiantes, entre os quais “meninos” que, bem ao contrário, procuram o diplomata tivesse sido penalizado pelo governo governar o País. Foi nessa altura que o então Saraiva, o teriam abandonado mal ele deixou de antes destruir os seus concorrentes, não raro uti- salazarista, acabando por morrer na miséria. Presidente da República, Américo Tomás, se viu ser poderoso…). lizando métodos pouco dignos, como forma de Perante esta escolha, logo José Hermano forçado a nomear Marcelo Caetano como José Hermano Saraiva pode ser um bom con- melhor reinar. Saraiva, outro dos convidados do programa, Primeiro Ministro. Mas, mesmo incapacitado, tador de estórias, um excelente ficcionista. Mas Uma demonstração de grandeza por parte da levantou a voz para dizer que a versão que tinha Salazar continuava a ser um homem muito temi- não é um historiador. Igreja Católica, em contraste com a enorme era muito diferente. Que Aristides Sousa Mendes do (não fosse ele ainda conseguir o milagre da Uma conclusão a que qualquer pessoa de pequenez dos tais “meninos”… Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros No sentido de proporcionar mais em material escolar por cada filho, este Se não quiser ter esse trabalho, bastará Propriedade: Audimprensa alguns benefícios aos assinantes deste jor- desconto que proporcionamos aos assi- ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 nal, o “Centro” acaba de estabelecer um nantes do “Centro” assume especial assinatura, ou solicitá-la através do e-mail Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho acordo com a livraria on line “livros- significado (isto é, só com o que poupa centro.jornal@gmail.com. net.com” (ver rodapé na última página por um filho fica pago o valor anual da São apenas 20 euros por uma assinatu- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 desta edição). assinatura). ra anual – uma importância que certamen- Para além do desconto de 10%, o assi- Mas este desconto não se cinge aos te recuperará logo na primeira encomenda Composição e montagem: Audimprensa - Rua da Sofia, 95, 3.º nante do “Centro” pode ainda fazer a manuais escolares. Antes abrange todos os de livros. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 encomenda dos livros de forma muito livros e produtos congéneres que estão à E, para além disso, como ao lado se Fax: 239 854 154 cómoda, sem sair de casa, e nada terá a disposição na livraria on line “livrosnet”. indica, receberá ainda, de forma automáti- e-mail: centro.jornal@gmail.com pagar de custos de envio dos livros enco- Aproveite esta oportunidade, se já é as- ca e completamente gratuita, uma valiosa mendados. sinante do “Centro”. obra de arte de Zé Penicheiro – trabalho Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Numa altura em que se aproxima o Caso ainda não seja, preencha o boletim original simbolizando os seis distritos da início de um novo ano lectivo, e em que que publicamos na página seguinte e Região Centro, especialmente concebido Tiragem: 10.000 exemplares as famílias gastam, em média, 200 euros envie-o para a morada que se indica. para este jornal pelo consagrado artista.
  3. 3. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 REPORTAGEM 3 Tartaruga gigante trazida para Aveiro APANHADA NAS REDES DE UM ARRASTÃO Uma tartaruga gigante foi há dias capturada tanas anteriores, vários ferimentos na cabeça e na borado com a SPVS na recuperação de uma tar- acidentalmente, pelas redes de um arrastão, ao carapaça e dificuldades respiratórias. taruga da mesma espécie, que foi depois liberta- largo da costa portuguesa. Segundo nos revelou o veterinário Salvador da com sucesso”. O mestre da embarcação deu conhecimento Mascarenhas, apesar de imediatamente submeti- Este especialista descreve depois as caracterís- do facto à Capitania do Porto de Aveiro, que de da a primeiros socorros, nomeadamente hidrata- ticas desta espécie: imediato contactou a Sociedade Portuguesa de ção, “o gigante quelónio estava muito debilitado “A tartaruga de couro é a maior de todas as Vida Selvagem (SPVS). e o seu único movimento era dos olhos, ao serem tartarugas, com comprimento médio em torno Assim se iniciou uma operação envolvendo tocados. Tinha metido muita água nos pulmões de 2 m para 1,5 m de largura e 700 kg de peso, diversas entidades, na tentativa de salvar a tar- enquanto esteve presa na rede do arrastão; estava embora já tenha sido encontrado um exemplar taruga. em apneia (parava de respirar) com dispneias com 900 kg. Tem uma carapaça negra, constituí- Em conjugação com o ICN (Instituto de (respiração acelerada, descontrolada) intercaladas, da de tecido macio. A carapaça não se liga ao Conservação da Natureza) e com a Capitania, que é típico destes animais quando têm dificulda- plastrão em ângulo, como nas outras tartarugas, pediu-se ao Mestre do arrastão que trouxesse des respiratórias”. mas sim em uma curva suave, dando ao animal o animal para o Porto de Aveiro, ao que este A tartaruga foi então transportada para o uma aparência semi-cilíndrica. Vive sempre em acedeu. Centro de Recuperação que a SPVS mantém em alto-mar, aproximando-se do litoral apenas para A tartaruga foi desembarcada em Aveiro Quiaios, onde fora entretanto montada uma pis- desova e alimenta-se preferencialmente de alfor- cerca das 17 horas, onde era aguardada por ele- cina GRE de tela resistente para acolher o animal recas”. Ao longo deste dois meses tem estado a ser mentos da SPVS, entre os quais o veterinário ferido. O transporte decorreu bem, e à chegada a acompanhado 24 horas por dia, graças a uma Salvador Mascarenhas (que é também colabora- Quiaios já ali se encontravam elementos dos “Baleia-piloto” abnegada equipa de voluntários, enquanto o dor do “Centro”). Na presença do comandante Bombeiros Municipais da Figueira da Foz, cuja continua a resistir acompanhamento científico está a receber cola- da Capitania, com o apoio da Polícia Marítima, ajuda tinha sido solicitada para ajudar a colocar a borações de especialistas de diversos pontos do dos marinheiros e do armador da embarcação, tartaruga na piscina. Entretanto, no mesmo Centro de Recu- Mundo. procedeu-se à cuidadosa remoção do animal para Infelizmente, porém, todo este esforço não peração da SPVS onde aconteceu o desgosto Daí que este seja um caso de sobrevivência uma viatura de transporte – uma carrinha de conduziu ao desfecho que se desejava, como nos com a tartaruga, continua a morar a esperança na único na Europa, até porque o tratamento muito caixa aberta devidamente preparada com col- diz Salvador Mascarenhas: recuperação da “baleia-piloto” bebé que ali se complexo tem conseguido vencer as diversas chões de água. “Apesar de todas as nossas tentativas para encontra a lutar pela vida desde finais de Agosto. complicações de saúde enfrentadas pelo bebé, Verificou-se então tratar-se de uma “tartaruga recuperar a tartaruga de couro, ela não resistiu às Como o “Centro” noticiou na anterior edição, que está a aumentar de peso e de tamanho de de couro preto”, com cerca de 2 metros de com- inúmeras lesões que apresentava e ao estado trata-se não de uma baleia mas de um golfinho forma bem visível. primento e 500 quilos de peso, o que tornou a muito debilitado em que se encontrava. Era uma que atinge grandes proporções, cerca de 7 metros Entretanto, a SPVS continua a necessitar de operação algo complicada. fêmea e estava cheia de ovas.” em adulto, daí esta designação popular. todo o tipo de apoios para desenvolver este notá- Ainda no local a tartaruga foi submetida a Um desgosto para as muitas pessoas envolvi- Apesar de ser um macho chamaram-lhe “Na- vel trabalho de recuperação. Quem quiser ajudar observação veterinária, verificando-se que apre- das nesta operação de salvamento, até porque, zaré”, por causa da zona onde deu à costa, muito pode contactar o telemóvel 913 241 188 ou o sentava ferimentos profundos ao nível das barba- como nos refere o veterinário, “já tínhamos cola- debilitado. telefone 239 945 057. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal “Centro” Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- manterá sempre bem informado sobre o de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às que de mais importante vai acontecendo centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- nesta Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para Não perca, pois, a oportunidade de re- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas out- automaticamente ganharem uma valiosa ceber já, GRATUITAMENTE, esta mag- Não perca esta campanha promocional, ras regalias para os nossos assinantes, pelo obra de arte. nífica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o excelente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de o “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista Para além desta oferta, passará a rece- preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. plástico – um dos mais prestigiados pinto- ber directamente em sua casa (ou no local de AUDIMPRENSA), para a seguinte res portugueses, com reconhecimento que nos indicar), o jornal “Centro”, que o morada: CONTAMOS CONSIGO! mesmo a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  4. 4. 4 REPORTAGEM DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 OS “GRANDES PORTUGUESES” NUMA VISÃO ACTUAL A miséria de Aristides de Sousa Um dos temas que mais tem agitado o Pedro Pinto (jornalista na CNN), afir- nosso País nas últimas semanas tem sido o mou não fazer sentido comparar Luís Figo programa, promovido pela RTP, intitulado ao Infante D. Henrique. E criticou o facto “Os Grandes Portugueses”. A polémica, de em Portugal “se falar muito de futebol, aliás, marcou também a exibição do referido de política e pouco mais”. Disse que alguns programa em diversos outros países (a come- podem ser agora grandes desportistas, sem çar pelo Reino Unido, onde ele foi iniciado). que tal signifique que são grandes portu- Sobre o formato do programa e outros gueses. pormenores com ele relacionados podem os leitores consultar o respectivo sítio na Internet (aliás uma das oportunas suges- DE ZÉ TANGANHO tões das “Ideias Digitais” de Inês Amaral, A ARISTIDES SOUSA MENDES que publicamos na página 23). José Hermano Saraiva considerou que O que aqui vamos focar é o debate que “o programa é extremamente sério”, e que a RTP promoveu na passada semana, em “é um termómetro à cultura do povo por- directo do luxuoso Palácio de Queluz, con- tuguês”. Aproveitou para evocar “Zé duzido pela regressada Maria Elisa. Tanganho, que ganhou a Volta a Portugal a Nesse longo debate, que se prolongou cavalo”, e lembrou Santo António. por três horas, vários convidados em Fernando Nobre, o Presidente da AMI Queluz, outros na Universidade do Minho (Assistência Médica Internacional), lem- (em Braga) e na Universidade de Évora. brou que “a época que vivemos é muito A escritora Lídia Jorge sublinhou que se inquietante, senão mesmo angustiante”. E tratava de um programa de entretenimento, acrescentou que depois de ter percorrido o “um serão de tv e pouco mais”. Mundo, de ter estado em 140 países, sente O jornalista Mário Bettencourt “orgulho de ser português”. E justificou: Resendes entendeu que “alimenta a nossa “Somos um dos povos que mais influen- auto-estima colectiva lembrarmos grandes ciou a História da Humanidade”. portugueses”. Fernando Nobre revelou depois que a O humorista Ricardo Araújo Pereira sua escolha ia para Aristides de Sousa (“Gato Fedorento”), estranhou que mais de Mendes, o diplomata que salvou milhares 50 % das pessoas sugeridas sejam do séc. de judeus e que morreu na miséria, que teve XX, “que não nos correu lá muito bem. O de queimar os móveis da casa para se aque- séc. XVI, por exemplo, correu melhor”. cer no Inverno, que se manteve coerente Outra escritora, Isabel Alçada, lembrou até ao fim da vida. Defendeu que a casa em que normalmente as pessoas só assumem Cabanas de Viriato, que pertenceu ao côn- os valores da sua época, através do talento sul que ousou desobedecer a Salazar (e que de alguém que realizou determinado feito. por isso foi severamente penalizado) deve- Luís Reis Torgal, historiador e professor ria ser transformada em Museu da Me- da Faculdade de Letras da Universidade de mória, do Entendimento, do Ecumenismo. Coimbra, defendeu que a História “é mais José Hermano Saraiva imediatamente Aristides de Sousa Mendes uma interrogação do que uma solução”, discordou, exaltado: acrescentando ter grande dificuldade em “Não compreendo essa história de quei- entender que tal não era sinónimo de um depois do 25 de Abril de 1974 por ter medo aceitar este programa televisivo, que dá da mar os móveis! Venceu os seus vencimen- papel positivo. de ser preso, pois mesmo estudando numa História uma ideia de competição. tos de letra A até ao fim da vida. Nunca foi Já Isabel Alçada foi muito mais contun- Universidade estrangeira sabia que até entre Já o ensaísta Eduardo Lourenço consi- demitido. Eu conheço outra história total- dente, lembrando que antes do 25 de Abril os seus colegas portugueses havia os cha- derou que se tratava de “um exercício ido- mente oposta. Ninguém salvou 30 mil “tinha vergonha de viver neste País”, onde mados “bufos” (informadores a quem a látrico”, e mesmo “um jogo de sociedade”. judeus, Isso não é verdade!”. havia censura e repressão. PIDE, a polícia política salazarista, pagava Joana Amaral Dias disse entender que, Luís Reis Torgal imediatamente atalhou, Lídia Jorge voltou a referir que este inte- para que denunciassem tudo e todos que se neste programa, interessa mais o processo dizendo: resse por Salazar poderá estar relacionado criticassem a ditadura de Salazar). O médi- do que o resultado final. “A História é procura de documentos. com “uma faixa de saudosos do tempo em co lembrou também que um do seus doen- Toda esta reflexão que é feita pelo dr. José que Portugal era grande”, ao mesmo tempo tes estivera no Tarrafal, uma zona prisional Hermano Saraiva nunca a encontrei em que há muitos jovens que mitificam essa em Cabo Verde para onde eram deportados qualquer documento”. época porque a não viveram, não sentiram os presos políticos, alguns dos quais aí Mas José Hermano Saraiva faria depois os seus efeitos negativos. morreram, pois era um campo de tortura. uma afirmação ainda mais espantosa, na Joana Amaral Dias sustentou: “É bom E o Presidente da AMI fez um veemente tentativa de retirar mérito ao gesto abnega- que o Salazar apareça!”, acrescentando ser apelo: “Não vamos permitir que branquei- do de Aristides de Sousa Mendes: vantajoso para que se recordem os tempos em a História!”. “Os 30 mil refugiados vieram para de repressão, de falta de liberdade. Portugal por acordo feito com o governo Mário Bettencourt Resendes aproveitou espanhol. Os vagões vinham selados, leva- para comentar que “este programa era SARAIVA DEFENDE SALAZAR vam volfrâmio e traziam refugiados. Essa impensável no tempo de Salazar, ou então E DIZ QUE ELE MORREU campanha foi feita pela Companhia dos éramos presos à porta”. NA MISÉRIA Caminhos de Ferro da Beira Alta”! Reis Torgal referiu que não falta histori- Visivelmente irritado, José Hermano ografia sobre o chamado Estado Novo, Saraiva disse não poder ficar calado peran- mas que o interesse por Salazar não signifi- te o que estava a ouvir. E afirmou: ca apoio ao salazarismo. E salientou que, ao “Quando o Dr. Salazar foi para o poder A POLÉMICA Á VOLTA contrário do que sucede noutros países eu tinha 10 anos, quando ele morreu eu DA FIGURA DE SALAZAR Mas a mais acesa controvérsia do pro- com movimentos neo-nazis, não se pode tinha 50, Conheci-o pessoalmente. Foi um grama foi a que se gerou a propósito da falar de um neo-salazarismo em Portugal. homem que teve na mão, durante 40 anos, inclusão de Salazar na lista das sugestões Já Fernando Nobre não partilhou essa a totalidade do poder e morreu na miséria”. apresentada pela RTP (inclusão feita muito opinião, alertando para que “o salazarismo E continuou: depois de divulgada a lista inicial). pode voltar, mesmo que sob outra forma”. “Salazar foi o homem que fez de Lídia Jorge admitiu que Salazar teve E sublinhou ser indispensável contar aos Portugal um País plenamente independen- “uma importância enorme” em determina- mais novos o que acontecia nessa época. te”. Reis Torgal do período da nossa História, mas dando a Confessou que só viera para Portugal Olhando para o tecto do luxuoso salão
  5. 5. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 REPORTAGEM 5 De Churchill Mendes e a de Salazar a Brell Este programa tem um formato do Palácio de Queluz, Saraiva comentou: criado em Inglaterra, onde foi exi- “Estamos numa sala que ele mandou res- bido pela primeira vez, pela BBC, taurar”. em 2002. O escolhido pelos britâ- E José Hermano Saraiva rematou: nicos viria a ser Winston Churchill, “Salazar foi o homem de maior nível Primeiro Ministro que teve acção moral que até hoje encontrei!”. Perante todos estes elogios ao ditador, a decisiva na vitória dos Aliados na própria Maria Elisa não se conteve, e per- II Guerra Mundial. guntou a José Hermano Saraiva: O programa foi depois adopta- “Este programa seria possível no tempo do em diversos outros países. de Salazar?”. Em França, a escolha recaiu so- Resposta de José Hermano Saraiva: bre outro protagonista da II Guer- “Não. Os factos dos anos 30 não eram possíveis em 2006. Salazar era um homem ra Mundial, resistente à ocupação do seu tempo”. alemã, e que posteriormente viria a Fernando Nobre reagiu, dizendo ser ser Presidente da República por vá- importante que se fale do salazarismo, que rios anos: Charles De Gaulle. se digam as verdades. Na Alemanha, apesar de Hitler Ricardo Araújo Pereira aproveitou para ter obtido número significativo de mais uma nota de humor, dizendo ser sua votos, ficou muito distante do ven- convicção de que um homem como Salazar, que nunca se sujeitou a eleições, cedor, o antigo chanceler Konrad gostasse de se ver agora a ser votado neste Adenauer. programa… Na África do Sul, a votação Joana Amaral Dias, muito contundente, dos telespectadores teve o desfe- sublinhou “o estado miserável em Salazar cho que se esperava: o eleito foi deixou este País”. E acrescentou: “Foi um Nelson Mandela, líder da luta dos piores portugueses que Portugal teve. contra o “appartheid”, que por Se ficar bem colocado tem de se reflectir”. Maria Elisa ouviu então alguns dos isso esteve preso mais de duas dé- jovens estudantes presentes na audiência. cadas, e que viria a ser Presidente Joana Viana, de 19 anos, estudante de jor- da República quando foi criado nalismo, disse que aquilo que a escola lhe naquele país um regime democrá- não ensinara sobre o salazarismo o apren- tico que pôs termo às prepotên- dera ela em casa, desde miúda, através dos cias da minoria branca racista. relatos do que sofrera seu tio, Sérgio Vilarigues, por ter ousado lutar pela liber- Já na Bélgica, curiosamente, o dade e contra o salazarismo. vencedor foi Jacques Brell, com- positor e cantor prematuramente António de Oliveira Salazar (retratado pelo pintor Henrique Medina) falecido que levou palavras de inconformismo a todo o Mundo, A HISTÓRIA DE PORTUGAL de simplificação nunca nos conduz à objec- do Estado Novo, tem de salientar o que é onde hoje as suas canções conti- E A ESTÓRIA DE SARAIVA Luís Reis Torgal voltou a usar da palavra tividade da História”. indesmentível: que houve um regime de nuam a ser apreciadas por gente para dizer que este programa da RTP é uma E continuou: censura, de polícia política, de falta de liber- brincadeira, que pode ser útil, mas também “O dr. Hermano Saraiva é um modelo dade, de guerra colonial”. de todas as idades. um pouco perigosa. de registo de comunicação. Agora não Sem conseguir disfarçar grande nervo- E acrescentou: vamos confundir o dr. Hermano Saraiva sismo, José Hermano Saraiva pediu a pala- TENDÊNCIAS “A História é uma ciência muito comple- com um historiador, com a História propri- vra para se dirigir a Reis Torgal: xa. Por isso não gosto de ouvir, às vezes, o amente dita. às vezes é perigoso utilizar “Queria dizer o seguinte: estamos intei- DOS VOTOS dr. José Hermano Saraiva, porque ele conta estórias como ele utiliza. ramente de acordo. O sr diz que não con- A votação para escolher os 100 a estória – com”e”, como agora se diz – Voltando à questão de Salazar: se o his- funde a História com José Hermano mais, dos quais dera depois eleito simplificando a História. E todo o processo toriador objectivamente analisar a realidade Saraiva, mas eu também não confundo a o “maior” entre “Os Grandes Por- História com o Prof. Reis Torgal”. Ricardo Araújo Pereira lançou mais uma tugueses” terminou anteontem piada, para amenizar o ambiente tenso, (terça-feira). dizendo estar em desacordo com o Prof. No dia do programa a que es- Fernando Rosas, que dias antes escrevera tamos a referir-nos – e segundo que aquele programa era uma fantochada. dados revelados por Maria Elisa – “Ora fantochadas são os programas que eu as tendências de voto eram as faço, pelo que não gostei da comparação”. seguintes: Eduardo Lourenço ainda voltou a Sa- lazar, dizendo: 69% votaram em portugueses “Não devemos fazer em 10 minutos o que já morreram, 86% em homens que ele fez durante 40 anos, que era julgar- (logo, 31 % em mortos e 14% em nos a nós de forma bastante severa”. mulheres). Maria Elisa disponibilizou-se para Os mais votados eram, nessa moderar um debate sobre Salazar e o sala- altura, políticos (33%), vultos da zarismo, se a RTP entender promovê-lo. Em suma, foram três horas de diálogo cultura (32%) e figuras do des- muito vivo, que tiveram o mérito de alertar para porto (10%). os riscos de um programa deste tipo ser mal Dos votantes, 69% eram homens compreendido, embora ele possa ter a virtude e a maioria dos votantes tinham ida- de trazer ao debate factos e figuras da nossa des compreendidas entre os 21 e os História que, de outra forma, continuariam a 30 anos. Eduardo Lourenço ser ignorados pela maioria dos portugueses.
  6. 6. 6 COIMBRA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 “ESTREPES” É LANÇADO EM COIMBRA NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA Textos de José d’Encarnação em “livro de cordel” Vai ser lançado em Coimbra, na próxima Isso mesmo se verifica nos pequenos acima se refere, na próxima quarta-feira, dia 8, quarta-feira, mais um trabalho de José d’ Encar- comentários que vem publicando no jornal pelas 18,30 horas, no mini-auditório e galeria de nação, Professor Catedrático da Universidade “Centro” (e antes no “Jornal de Coimbra”, ao arte da “Invesvita”, no Largo dos Olivais de Coimbra, especialista em Pré-História e Ar- longo de vários anos), com o eloquente título (mesmo em frente à Igreja dos Olivais). queologia. “Pois…”. Uma oportunidade para que muitos dos fiéis Mas para além de prestigiado docente e Ora alguns desses deliciosos comentários leitores dos “Pois…” possam conhecer pessoal- investigador universitário (doutor “honoris foram agora reunidos em mais um número de mente o autor desses comentários e com ele dia- causa” pela Universidade francesa de Poitiers), uma original colecção de “livros de cordel”, sob logar. José d’Encarnação é também um cronista exí- o título de “Estrepes”. A apresentação será feita por Jorge Castilho, mio e um crítico de requintado humor. O lançamento do livrinho será feito, como Director do “Centro”. ORQUESTRA CLÁSSICA DO CENTRO NA IGREJA DE SANTA JUSTA Concerto de homenagem a Agostinho Almeida Santos Realizou-se na passada semana mais um lidades), o de António Almeida Santos, antigo “Concerto Prestígio”, no âmbito da iniciativa Presidente da Assembleia da República (que conjunta da Câmara Municipal de Coimbra e da esclareceu não ter ligação familiar ao homena- Orquestra Clássica do Centro para distinguir geado, apesar da coincidência de nomes, mas personalidades ou instituições de grande mérito. sentir por ele enorme admiração), de Linhares Desta feita o homenageado foi Agostinho Furtado, de Carlos Encarnação, Presidente da Almeida Santos, Professor Catedrático da Câmara Municipal de Coimbra, e de tantos ou- Faculdade de Medicina da Universidade de tros. Enternecedores foram também as palavras Coimbra e Director dos HUC (Hospitais da de Teresa Almeida Santos (a mais velha das qua- Universidade de Coimbra). tro filhas do homenageado, e sua continuadora O local do concerto foi a Igreja de Santa em termos profissionais) e de alguns dos seus Justa, onde compareceram largas dezenas de netos. pessoas para ouvir a Orquestra dirigida pelo Antes do concerto usaram ainda da palavra Maestro Virgílio Caseiro e, simultaneamente, se Mário Nunes, vereador da Cultura da Câmara associarem à homenagem prestada a Agostinho Municipal, que começou por agradecer ao Almeida Santos. Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, a abertura Antes do concerto propriamente dito foi exi- para ceder o espaço das igrejas para este tipo de bido um filme produzido pela Directora da iniciativas culturais; e que depois aludiu aos pre- Orquestra Clássica do Centro, Emília Martins, dicados do homenageado. com depoimentos de destacadas personalidades O elogio de Agostinho Almeida Santos este- fazendo rasgados elogios ao homenageado, ve a cargo de Fernando Regateiro, também ele quer enquanto cidadão exemplar, quer como Professor da Faculdade de Medicina e actual médico dedicado, professor competente e Presidente da Administração Regional de Saúde investigador pioneiro, com uma carreira bri- do Centro, que focou as diversas facetas que lhante que ultrapassou as fronteiras de Portugal tornam Agostinho Almeida Santos uma figura para se impor internacionalmente. ímpar. Entre os diversos depoimentos, destaque A actuação da Orquestra Clássica do Cen- para os do antigo Presidente da República tro atingiu elevado nível, bem de acordo com Ramalho Eanes (que apontou o Prof. Almeida a homenagem que o concerto pretendeu Santos como um homem de muitas e raras qua- prestar.
  7. 7. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 ENTREVISTA 7 Mondego navegável de Coimbra UM DOS AMBICIOSOS PROJECTOS DO NOVO RESPONSÁVEL PELO TURISMO DO CENTRO à Figueira da Foz Tornar o Rio Mondego navegável, Quanto à ATCP, que abrange 6 distritos, representação, no mercado externo, de uma paradigma modificou-se, quer em relação pelo menos desde Coimbra não tem funções executivas, mas antes se marca nacional e regional, mas sem haver às exigências quer aos desafios que se colo- até à Figueira da Foz, é um dos preocupa em “desenvolver projectos de colisões”. cam ao sector”. promoção interna, reforçando a marca O segundo eixo da sua estratégia, segun- E acrescenta: ambiciosos projectos do novo ‘Centro de Portugal’, congregando organis- do nos revela, é reunir com parceiros públi- “Tem de se mudar o mapa das Regiões responsável pelo Turismo mos públicos e privados”. cos e privados – Instituto do Turismo de de Turismo, algumas das quais com gran- da Região Centro. Em entrevista des diferenças geográficas, enquanto há que concedeu ao nosso jornal, municípios que não integram nenhuma Pedro Machado afirma ser delas. O Turismo tem de reorganizar-se, possível transformar este sonho coexistindo Regiões grande com pequenas, criando instrumentos inter-municipais, em realidade, com o incremento aglutinando concelhos por marcas e produ- que tal poderá ter para o turismo, tos”. à semelhança do que sucedeu Dá o exemplo do Algarve, que é pensa- no Rio Douro. E entende que do como um todo (sol, mar e golfe), dizen- o empreendimento, embora do que a Região Centro está demasiado ousado, quase se poderá retalhada, impondo-se, por isso, reorgani- zá-la. auto-financiar, através da comercialização da areia CARTA GASTRONÓMICA proveniente do desassoreamento EM ELABORAÇÃO do rio. Quanto aos projectos em marcha, Pedro Jorge Castilho Machado refere-nos alguns: a “Carta Gas- tronómica do Centro”, elaborada pela Empossado há apenas dois meses como RTC, que pretende ser um documento de Presidente da Região de Turismo do consulta fácil, que refere onde se pode Centro (RTC), Pedro Machado tem já uma comer e o quê, onde ficar, que produtos se série de medidas programadas e diversos podem adquirir. Prevê-se que esteja con- projectos inovadores. Já a Agência Regional, que tem sede em Portugal, CCDRC (Comissão de Coorde- cluída no final do 1º semestre do próximo Para além de Presidente da RTC, Pedro Viseu, “será o instrumento mais forte de nação e Desenvolvimento Regional do ano. Machado é também o responsável Associa- promoção no mercado externo, associan- Centro), Câmaras Municipais – de molde a Incrementar as Rotas (de Wellington, de ção de Turismo Centro de Portugal (ATCP) do cinco Regiões de Turismo (Centro, analisar “os instrumentos comunitários que Inês de Castro, da linha dos castelos de e pela Agência Regional para a Promoção Serra da Estrela, Dão-Lafões, Luz-Aveiro sejam reprodutivos e reprodutores”. defesa do Mondego, entre outras) é outro Turística do Centro de Portugal. Três enti- e NorturTejo) e um conjunto de largas Pedro Machado diz-nos ser essencial dos projectos. dades distintas, com objectivos diversos, dezenas de associados privados” – entre não haver sobreposições no que concerne Mas a aposta de maior impacto será, sem mas confluindo para o mesmo propósito: os quais se contam, por exemplo, o Casino ao aproveitamento do novo Quadro dúvida, a de tornar o Mondego navegável, desenvolver o Turismo nesta vasta Região. da Figueira da Foz e a Fundação Bissaya Comunitário pelo menos desde Coimbra até à Figueira Na RTC (que engloba 24 municípios), a Barreto. da Foz, proporcionando cruzeiros, prática função é “salvaguardar a promoção da Pedro Machado salienta a importância NECESSÁRIO MUDAR MAPA de diversos desportos, centros de lazer. Região Centro no mercado interno, nome- desta Agência, “para disciplinar a participa- DAS REGIÕES DE TURISMO E Pedro Machado conclui, resumindo adamente através de uma ligação estreita ção portuguesa no mercado externo, para assim o seu plano de actividades: com hotéis, restaurantes e agências de via- ganhar uma marca única, criando o concei- Sublinha que o modelo de turismo de “Uma nova dinâmica e uma nova imagem gens. to de PORTUGAL”. E explicita: “Isto é, a hoje “é diferente do que era há dois anos, o à volta do Turismo do Centro e Portugal”.
  8. 8. 8 HISTÓRIA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 A importância histórica do antigo Maria Judite de C. Ribeiro Seabra(2) Foi há 170 anos que o primeiro liceu de Coimbra foi criado pelo Decreto de 17 de Novembro de 1836. Este liceu era um dos 18 então criados mas foi o primeiro a ser instalado. Por Portaria de 17 de Setembro de 1839, confirmava-se a sua instalação pro- visória nos antigos gerais do Colégio das Artes, situados no primeiro pavimento deste edifício e constituía uma secção da Universidade. Esta singularidade distinguia o Liceu Nacional de Coimbra dos demais liceus, porque o reitor da Universidade foi também reitor do Liceu até 1880, ano em que se tornou autónomo administrativa- mente. Os seus professores incorporavam- se no «grande Estabelecimento Universitá- rio» visto que o corpo docente do Liceu Nacional de Coimbra era constituído à par- tida por alguns professores do extinto Colégio das Artes e por professores univer- sitários, gozando das honras e prerrogativas dos Lentes, conforme a Portaria de 10 de Outubro de 1840, que reproduzia em parte Um intervalo de aulas no antigo Liceu José Falcão instalado no edifício dos Padres Bentos legislação anterior. Esta equiparação permi- tia-lhes ter assento na Sala dos Capelos com dos serviços do Liceu para o edifício do Liceu Nacional de Coimbra passou a denomi- próprio regimento do Liceu visto que o o corpo docente de todas as faculdades, Colégio de São Bento, indo ocupar o espa- nar-se Liceu Nacional Central. Na qualidade Decreto que criava os liceus dava o primei- revestindo-se das insígnias doutorais. Era ço do referido colégio particular de de Liceu de primeira categoria, o Liceu de ro passo para a descentralização pedagógi- mesmo habitual os professores das cadeiras Humanidades, que, entretanto, se extingui- Coimbra teve sempre um elenco disciplinar ca do ensino secundário. de História e de Oratória do Liceu pronun- ra. Desde o início desse mês começaram ali adequado a essa classificação e até se diferen- Com a reforma de 20 de Setembro de ciarem, em anos alternados naquela sala, o a fazer-se exames de instrução primária que ciava dos demais liceus da sua classe pelo facto 1844, de Costa Cabral, o elenco disciplinar elogio do monarca numa oração latina no habilitavam a matrícula no Liceu, cujo júri de logo no seu início as cadeiras do Liceu do Liceu Nacional de Coimbra estava em dia do seu aniversário, em presença de todo era constituído por professores do seu cujas matérias se lessem na Universidade conformidade com os outros liceus. o corpo docente das diversas faculdades. corpo docente. No ano lectivo de 1870- serem substituídas pelas cadeiras análogas que Algumas das cadeiras ministradas na Uni- Neste e noutros actos solenes ocupavam o -1871, o Liceu Nacional de Coimbra ini- nela se regiam, podendo os alunos matricular- versidade passaram a ser professadas no seu devido lugar na referida sala e participa- ciou ali as suas aulas. -se e aprender na Universidade as doutrinas Liceu como foi o caso de Filosofia Ra- vam com outras forças vivas da cidade nas Desde a sua mudança nos finais do ano dessas cadeiras, tendo neste caso o estatuto de cional e Moral e Princípios de Direito felicitações de Coimbra, quando o rei era lectivo de 1870 para o edifício do Colégio estudantes obrigados. Natural, mas a cadeira de Aritmética e recebido nos seus Paços do Concelho. de S. Bento que o Liceu Nacional de A cadeira de Moral Universal foi substituí- Geometria com aplicação às Artes e Pri- A exiguidade do espaço que lhe fora des- Coimbra ia caminhando a passos largos da pelas cadeiras de Ideologia, Gramática meiras Noções de Álgebra, que não existia tinado no antigo Colégio das Artes e a para a sua autonomia. Em 17 de Novembro Geral e Lógica e pela de Direito Natural da no Liceu, era suprida, segundo este decreto, transferência de doentes do Hospital da de 1880 foi dada «plena e inteira posse» ao Universidade. A cadeira de Aritmética, Álge- pela sua congénere da Faculdade de Universidade para o mesmo edifício moti- reitor do Liceu, Luís da Costa Almeida, bra, Geometria, Trigonometria e Desenho Matemática. De resto mantinham-se todas vou os responsáveis pelo Liceu a procurar nomeado por Decreto de 12 de Novembro foi suprida pela primeira cadeira da as cadeiras instituídas pela reforma de instalações alternativas, mas foi difícil desse mesmo ano, ficando revestido de toda Faculdade de Matemática; a de Princípios de Passos Manuel e acrescentava-se mais tarde encontrar em Coimbra um edifício desocu- a autoridade deveres e obrigações. O Liceu Física, Química e de Mecânica aplicados às a cadeira extracurricular de Música, intro- pado onde esta instituição de ensino se Nacional de Coimbra passava a emancipar- Artes e Ofícios e a de Princípios de História duzida no ano lectivo de 1850-1851. pudesse instalar com a dignidade necessária. -se da Reitoria da Universidade. Natural dos Três Reinos da Natureza foram O currículo, segundo a reforma de Costa Em 1863, o Conselho Escolar da Professores e alunos usaram até esta substituídas pelas correspondentes da Cabral, já se apresentava estruturado confor- Faculdade de Medicina aprovou o projecto data o mesmo traje académico dos profes- Faculdade de Filosofia. Para além destas, me as horas de duração das aulas e segundo o de reconstrução do Hospital, pelo que se sores e alunos da Universidade mas, por regiam-se ainda as cadeiras de Gramática período do dia em que eram ministradas. previa a quase total ocupação do edifício conselho escolar de 8 de Novembro de Portuguesa e Latina, Geografia, Cronologia Todas tinham a duração de 2 horas. As aulas do Colégio das Artes. Tornava-se urgente a 1880, dia solene da abertura das aulas do e História, Oratória, Poética e Literatura iniciavam-se às 8 horas da manhã e termina- mudança de instalações do Liceu. O edifí- Liceu, decidiu-se que tanto os professores Clássica, Língua Francesa e Inglesa, Língua vam no máximo às 17 horas. Respeitava-se o cio do Colégio de S. Bento poderia ser uma como os alunos deste estabelecimento de Grega e Língua Hebraica, seguindo a tradi- intervalo do almoço entre as 12 e as 15 horas. alternativa mas estava arrendado a longo ensino podiam usar indiferentemente bati- ção herdada dos «estudos menores» que A uniformização do currículo foi-se proces- prazo, funcionando aí o colégio particular na ou vestuário à paisana. faziam parte do plano de estudos do Colégio sando a muito custo. A estrutura curricular do de S. Bento. Mas, inesperadamente, o O mobiliário do Liceu também testemu- das Artes. A cadeira de Língua Alemã come- Liceu de Coimbra foi sofrendo alterações de arrendamento cessou por acordo com o nha esta forte ligação entre o Liceu e a çou a professar-se no ano de 1840. acordo com a sucessão de reformas. Em inquilino e o edifício foi desocupado em Universidade. Em 1897, ainda havia no edi- Este currículo era constituído por disci- 1895, segundo a reforma de Jaime Moniz, o 1869. Tornou-se, assim, possível a instala- fício do Colégio de S. Bento as antigas cáte- plinas independentes umas das outras sem currículo do curso geral do Liceu compreen- ção do Liceu naquele edifício. Procedeu-se dras que entretanto iam sendo retiradas. estrutura lógica, quer em relação aos conte- dia os cinco primeiros anos e era constituído então a obras de adaptação para responder Em 4 de Novembro desse mesmo ano, údos, quer em relação aos níveis etários a pelas disciplinas de Língua e Literatura ao movimento escolar, ao serviço de exa- alguns professores pediam que fossem que eram destinados. A sua distribuição Portuguesa, Língua Latina, Língua Francesa, mes e à manutenção da polícia, indispensá- colocadas nas salas as que tinham sido des- horária, os programas, os métodos, a disci- Língua Inglesa, Língua Alemã, Geografia, vel neste estabelecimento de ensino. locadas para darem lugar aos estrados altos. plina escolar e as condições de admissão História, Matemática, Física, Química e Em Junho de 1870 começou a mudança A partir de 4 de Novembro de 1880, o eram aspectos especiais geridos segundo o História Natural e a disciplina de Desenho. O
  9. 9. HISTÓRIA 9 Liceu Central de José Falcão DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 (1) curso complementar constava do sexto e séti- dos metodólogos deste Liceu, encetou uma nota enviada ao Liceu pedindo cabimento de da população escolar. A limitação imposta do mo anos e tinha um elenco disciplinar consti- luta notável no sentido de melhorar as insta- despesa para a nomeação do cargo de reitor número de estudantes tornou necessária a cri- tuído pelas disciplinas de Língua e Literatura lações e prover o Liceu com o material do professor José Custódio de Morais (o ter- ação de um novo liceu. Assim nasceu o Liceu Portuguesa, Língua Latina, Língua Alemã, necessário à sua dignificação e consequente- ceiro professor mais votado pelo conselho Júlio Henriques, criado por Decreto de 21 de Geografia, História, Matemática, Física, mente do seu ensino. A sua experiência polí- escolar). Sinais dos tempos! Na sua despedi- Setembro de 1928, que se instalou numa das Química e História Natural, e Filosofia. tica como parlamentar e pedagógica como da como reitor, Dias Pereira invocou a unida- alas do edifício de S. Bento até à construção A inovação desta reforma traduzia-se na metodólogo granjeou-lhe conhecimentos de moral que o Liceu constituiu durante os de um novo edifício. Construídas as novas distribuição orgânica das disciplinas, decor- que pôs ao serviço da instituição que dirigia. sete anos do seu mandato e o facto de ter instalações para o funcionamento do Liceu rente da implementação do regime de clas- Mobilizou a sociedade coimbrã em defesa sido eleito em 1919 por treze votos e sair Normal Júlio Henriques, na Avenida Afonso ses, em que cada uma delas contribuía com a das causas que defendia e projectou o Liceu depois de ter sido eleito por unanimidade. Henriques, os problemas de espaço com que sua especificidade, articulando-se umas com Central de Coimbra (designação que passou O Liceu Central de Coimbra, que desde o Liceu Central de José Falcão se debatia fica- as outras para proporcionar um conjunto a ter desde o ano de 1895) para um lugar 1914 elegeu para seu patrono o matemático riam resolvidos, o que não aconteceu pelo global de saberes, de modo a formar simulta- cimeiro entre os liceus portugueses, tanto no universitário e republicano José Falcão, pas- facto de as divisões ocupadas por aquele liceu neamente um todo uno e complementar que que diz respeito às instalações de apoio peda- sou a designar-se desde então por Liceu deverem ser restituídas à Faculdade de proporcionava o desenvolvimento das facul- gógico como à dinâmica científico-pedagógi- Central de José Falcão. Este foi o único Ciências, uma velha questão que tanta tinta dades mentais e, consequentemente, a for- ca que imprimiu a este estabelecimento de Liceu existente em Coimbra até à criação do fez correr na imprensa local. Entretanto, pela mação integral do educando. Conciliava-se ensino. Mas o seu desempenho como diri- Liceu Feminino Infanta D. Maria, criado em nova reforma do ensino liceal foram fundi- assim, a diversidade disciplinar com a unida- gente do Liceu terminou passados sete anos 1918. Até esta data, o liceu masculino pro- dos os liceus Júlio Henriques e o Liceu de de pedagógica em que as actividades eram com a mudança de regime, por força da legis- porcionou o acesso à frequência feminina José Falcão num só com a designação de “solidárias”. Atendiam-se os direitos da lação em vigor que determinava que se pro- desde as últimas décadas do século XIX. Liceu D. João III, sendo seu reitor Alberto Sá idade, as fases e capacidade psíquica do edu- cedesse à eleição de um novo titular. A vota- Tímida de início, a frequência da mulher de Oliveira. Instalava-se definitivamente no cando, fraccionando o estudo anual pelas dis- ção dos professores em lista tríplice, como neste Liceu começou a ser mais notória edifício destinado ao Liceu Normal Júlio ciplinas convenientes, e procurava-se concili- determinavam as disposições regulamenta- depois da implantação da República. O Henriques, na Avenida Afonso Henriques, ar os estudos humanísticos indispensáveis res, deu a vitória a Dias Pereira com larga aumento da população escolar feminina em 1936, ficando no edifício de S. Bento uma para a sua formação moral e intelectual com margem de votos relativamente aos profes- levou as entidades governamentais a criar secção deste Liceu. a componente científica e utilitária, no senti- sores que tinham ficado em segundo e tercei- uma secção feminina no Liceu Central de A construção feita pela Junta das do de alcançar o fim supremo da educação: a ro lugar. Apreciado e estimado pelos seus José Falcão, sediada na Avenida Sá da Construções para o Ensino Técnico e Se- formação integral do homem. colegas, estes realçavam a sua acção como Bandeira, que viria dar origem ao Liceu cundário foi projectada em 1930 pelo Este sistema de ensino liceal teve uma dirigente do Liceu. António Tomé, o segun- Feminino Infanta D. Maria. Arquitecto Carlos Chambers Ramos e sua aceitação generalizada pelas expectativas de do professor mais votado, referia o desempe- A atracção da população rural pelos gran- equipa, tendo em conta as condições exigi- mudança que criou mas, apesar disso, foi nho deste reitor nestes termos: «teve um des centros urbanos em busca de condições das de orientação e iluminação e a sua situ- alvo de críticas por parte de algumas corren- relêvo tão extraordinário, que conseguiu de vida mais favoráveis conduziu a uma ação relativamente a desníveis, drenagens, tes de opinião. O curso complementar único transformar completamente o velho Liceu mobilidade geográfica que veio provocar um facilidade de esgotos das águas pluviais e com destaque para as habilitações literárias de José Falcão». Sílvio Pélico, referindo-se à desequilíbrio numérico dos efectivos escola- outros factores essenciais ao bom aprovei- em detrimento das técnicas, ao contrário do tamento do terreno, sem prejuízo das con- que se passava na Europa, foi muito critica- dições pedagógicas e higiénicas a que devia do. Depois de uma sondagem de opinião obedecer um edifício desta natureza. encomendada pelo Governo, determinou-se O edifício compunha-se de dois corpos: produzir um novo plano de estudos que um destinado aos serviços administrativos, vinha facilitar mais a vida aos professores e às salas de aula, aos laboratórios, gabinetes aos alunos. A reforma de 1905, da autoria de e restantes serviços. O outro à instalação da Eduardo Coelho, revogou o sistema anterior cantina, médico escolar, balneários e educa- do curso complementar único substituindo- ção física. Do lado nascente ficavam insta- -o pelo curso de Letras ou Humanidades e lados os campos de jogos e a esplanada da pelo curso de Ciências. O plano de estudos ginástica. Entre os dois corpos havia um resultante desta reforma foi aceite na sua edifício destinado primitivamente à resi- generalidade, mantendo-se até aos nossos dência do reitor e onde deviam ficar insta- dias com muitas semelhanças. lados os serviços da Mocidade Portuguesa, O Liceu de Coimbra teve um papel muito Associação Escolar e outros. importante na formação de professores. O corpo principal do edifício tinha três Nele se faziam exames de habilitação para o pavimentos. No primeiro instalaram-se os professorado e se nomeavam júris para os serviços administrativos; no segundo e ter- concursos dos candidatos ao magistério de ceiro as salas de aula e os laboratórios. A ala instrução primária e secundária. Na viragem poente do segundo pavimento foi atribuída do século XIX para o século XX, continuou ao primeiro ciclo; a ala nascente ao segun- a ter uma função de formação e selecção de do ciclo e parte do terceiro pavimento des- professores. Nele faziam a prática pedagógi- tinava-se ao terceiro ciclo. ca os alunos do 4.º ano do Curso de Num momento em que a ideologia polí- Habilitação para o Magistério Secundário e tica estadonovista ainda se não tinha afir- mais tarde da Escola Normal Superior. mado e se preocupava em desenvolver o Alguns dos seus professores eram metodólo- ritmo das construções escolares, as condi- gos e nessas funções exerciam nesta Escola a ções políticas foram favoráveis à constru- docência. Dada a sua vocação de instituição O edifício construído há exactamente 70 anos, onde funcionou o Liceu D. João III ção deste edifício segundo linhas arquitec- formadora, os responsáveis pela sua direcção que a partir de 1974 recuperou o nome de José Falcão tónicas que nada tinham a ver com a filoso- consideravam que este Liceu devia ser uma fia do poder político vigente. escola modelo, onde os futuros professores luta que o mesmo reitor travou no dia-a-dia res do liceu masculino, o Liceu Central de A Escola Secundária José Falcão, suce- pudessem ter todos os elementos necessários para desenvolver o Liceu material e pedago- José Falcão. Face a esta evolução demográfi- dânea deste Liceu, comemorou durante es- à sua completa formação profissional, daí gicamente, invocou «a profunda e benéfica ca nos grandes centros escolares como te ano lectivo, para além da criação do pri- que se travasse uma luta persistente para que transformação» verificada durante o seu Lisboa, Porto e Coimbra, o Governo decre- meiro Liceu de Coimbra, os 70 anos da ins- as condições materiais fossem proporcionais mandato. Mas, apesar do voto de agradeci- tou em 21 de Setembro de 1928 medidas no talação do Liceu neste edifício. ao valor dos seus professores e se não deslus- mento e louvor por parte dos professores do sentido de obviar a aglomeração escolar nes- trasse a tradição do ensino secundário em Liceu a Dias Pereira e das promessas deste tes centros. As lotações para os diferentes (1) Este artigo insere-se no âmbito da nossa investigação Coimbra que já vinha do Real Colégio das para tudo fazer pelo ensino e pelo liceu liceus do país seriam fixadas, reorganizar-se- para a dissertação de doutoramento sob o título Os Artes, dirigido por André de Gouveia a «quanto em suas forças caiba», o mesmo iam os respectivos quadros, medidas que pro- Liceus na Sociedade Coimbrã, apresentada à Uni- versidade de Lisboa em 1999 e em preparação para quem Montaigne chamava le plus grand princi- comunicava em sessão do conselho escolar vocaram algumas dificuldades. No Liceu de próxima publicação. pal de France. Neste sentido o reitor Dias de 3 de Julho de 1926, que não continuaria Coimbra as dificuldades eram somente relati- (2) Doutorada em História e Filosofia da Educação. Pro- Pereira, eleito em 1919, que foi também um no exercício do cargo em virtude de uma vas ao espaço que não comportava tão eleva- fessora da ESEC.
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