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O Centro - n.º 13 – 02.11.2006
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O Centro - n.º 13 – 02.11.2006

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Versão integral da edição n.º 13 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 02.11.2006. …

Versão integral da edição n.º 13 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 02.11.2006.

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http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
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  • 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO DEBATE NA RTP Carlos Carranca A miséria José d´Encarnação Paulo Nunes Silva de Salazar Renato Ávila e de Aristides Varela Pècurto PÁG. 19, 20 e 21 de Sousa | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro Mendes PÁGINAS 4 e 5 de plástico fechado (DE53742006MPC) ANO I N.º 13 (II série) De 2 a 14 de Novembro de 2006 € 1 euro (iva incluído) UM DOS AMBICIOSOS PROJECTOS DO NOVO RESPONSÁVEL PELO TURISMO DO CENTRO Mondego navegável de Coimbra à Figueira da Foz PÁGINA 7 APANHADA NAS REDES DE UM ARRASTÃO Tartaruga gigante trazida para Aveiro PÁGINA 3 ESTUDANTES DESFILARAM PELAS RUAS DE COIMBRA Muita uva e alguma lata PÁGINAS 12 e 13 ASSINE O “CENTRO” “ESTREPES” 150 ANOS DA FERROVIA E GANHE OBRA DE ARTE Assinantes do “Centro” Livro Selo com 10% de José com de desconto d’Encarnação foto na compra será lançado de Varela de livros quarta-feira Pècurto PÁG. 2 e 3 PÁG. 6 PÁG. 14
  • 2. 2 DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 EDITORIAL A grande pequenez de alguns portugueses nunca fora demitido, que recebera sempre o ven- recuperação…). Assim, para que Salazar se não bom senso facilmente chegará quando o ouve a cimento a que tinha direito e que, portanto, não apercebesse de que já não era quem mandava, relatar factos alegadamente históricos, ocorridos poderia ter morrido na miséria. continuaram a fazer com ele reuniões de um há séculos, em versões inéditas, a que mais ne- E mais: que não salvara 30 mil judeus, que isso Governo fictício, onde compareciam os que ti- nhum investigador conseguiu chegar. E com não era verdade. nham sido seus ministros. À sua volta teve, até à tamanha profusão de pormenores que alguns Segundo a versão de José Hermano Saraiva, hora da morte (em Julho de 1970), não só a sua seriam pouco credíveis até mesmo se ele os tives- Jorge Castilho os 30 mil judeus vieram para Portugal, de com- fiel governanta, D. Maria, mas os melhores médi- se testemunhado… jorge.castilho@zmail.pt boio, “por acordo feito com o governo espa- cos do País, e até alguns vindos do estrangeiro. Ao contrário do que alguns pequenos portu- nhol”!... Portanto (e independentemente de quais- gueses pensam (e não estou a falar de tamanhos, O programa que a RTP agora promove, inti- Mas a afirmação mais espantosa viria depois. quer posições de cariz ideológico) é ofensivo porque os homens não se medem aos côva- tulado “Os Grandes Portugueses”, está a pro- Passo a reproduzir, ipsis verbis, o que disse José para os milhares de portugueses que então vi- dos…) não basta contar estórias para se ser his- vocar natural polémica, atendendo às confusões Hermano Saraiva: viam miseravelmente, afirmar que Salazar mor- toriador, tal como não chega ter uma amiga cha- que suscita e aos resultados insólitos a que “Os vagões vinham selados. Levavam volfrâ- reu na miséria. mada Sofia para se ser filósofo… poderá conduzir. De facto, a “votação” pode mio e traziam refugiados. Essa campanha foi feita Provavelmente o que José Hermano Saraiva levar a um desfecho injusto, incorrecto e até pela Companhia de Caminhos de Ferro da Beira quis dizer é que Salazar não se aproveitou do UM EXEMPLO A REGISTAR mesmo perigoso em termos intelectuais, sociais Alta”. poder para enriquecimento pessoal – o que é ver- e políticos. Ou seja, para José Hermano Saraiva o acto dade, e constitui um dos aspectos positivos no A Igreja Católica é a entidade que maior Mas tem de reconhecer-se que possui o méri- de Aristides Sousa Mendes (que lhe valeu a ira balanço global da sua actividade política (onde o número de jornais regionais possui em Portugal. to de falar de portuguesas e de portugueses de e as represálias de Salazar) nunca existiu. A que avulta são os condenáveis instrumentos a E seguramente que não é a que mais se ressente outras épocas, que se destacaram, ao longo dos “verdade histórica” de José Hermano Saraiva é que recorreu para manter, durante quase meio da crise grave que afecta este sector, tão impor- séculos, nos mais variados sectores, muitos deles que, num acordo feito com o governo espa- século, uma ditadura férrea, obscurantista, de tante para o desenvolvimento das pequenas par- esquecidos, ausentes do ensino nas escolas e das nhol (que é como quem diz com o generalíssi- costas voltadas para a evolução do Mundo civili- celas que compõem a maior parte do País, mas conversas familiares, pelo que a maioria da popu- mo Franco, assumidamente apoiante de zado – “orgulhosamente só”, como ele próprio que raramente conseguem ter voz na imprensa lação portuguesa os não conhece. Hitler), o governo português trocava volfrâmio afirmava). dita nacional. Sobre o assunto publicamos (nas páginas 4 e por judeus, que eram conduzidos até Portugal Mas um historiador tem de ser rigoroso. Não Ninguém poderia, pois, criticar a Igreja Ca- 5) reportagem desenvolvida de um animado em vagões selados… pode insultar a memória, não pode deturpar si- tólica se esta quisesse tomar medidas para enfren- debate televisivo que a RTP transmitiu em direc- Mas as espantosas “revelações” de José tuações nem escamotear factos. tar a crise que afecta os seus jornais, sem se pre- to na passada semana. Hermano Saraiva não se ficariam por aqui. Um historiador não ocultaria ter sido, ele pró- ocupar com as dificuldades com que os outros Apesar disso, pareceu-me oportuno aqui alu- Mais adiante, quando se falava de Salazar, afir- prio, José Hermano Saraiva, Ministro da jornais se debatem. dir aos dois mais vivos momentos do referido mou que o conhecera pessoalmente, salientando: Educação do “Estado Novo”, e de, nessa quali- Mas sucedeu exactamente o contrário. O debate, quando se falou de duas figuras que, ine- “Foi um homem que teve na mão, durante 40 dade, ter ordenado, em 1969, a repressão aos Secretariado Diocesano das Comunicações quivocamente, e por razões bem diferentes, ocu- anos, a totalidade do poder e morreu na miséria”. estudantes de Coimbra apenas porque estes tive- Sociais – que imediatamente contou com o pam lugar de destaque na História de Portugal: A primeira parte da afirmação, embora peque ram a ousadia de pôr em causa o sistema de ensi- apoio do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto – Aristides de Sousa Mendes e António de Oliveira por defeito (porque foi durante mais de 40 anos), no da ditadura. decidiu trazer a Coimbra uma professora uni- Salazar. tem a virtude de confirmar a prepotência do dita- Ora José Hermano Saraiva não só agora ocul- versitária espanhola para um debate sobre o Foi Fernando Nobre (o Presidente da AMI - dor aos que sobre isso tivessem dúvidas (princi- tou esse facto, como já teve o desplante de, aqui futuro da Imprensa Regional. E convidou Assistência Médica Internacional) que revelou palmente aos mais jovens, que não viveram esses há uns anos, me negar que tivesse havido, na altu- todos os jornais regionais (todos os seus jorna- que a sua escolha era o cônsul português que se tempos difíceis). Mas a segunda parte da afirma- ra, repressão sobre os estudantes de Coimbra! listas e colaboradores, todos os estudantes, tornou famoso por, num gesto de enorme cora- ção é, no mínimo espantosa, já que Salazar mor- Mas, pior do que isso, um historiador não teria todos os interessados) a participar nesse deba- gem e humanidade, ter salvo muitos milhares de reu convencido de que ainda era Primeiro o desplante de macular a memória de Aristides te, de molde a que pudessem receber contribu- judeus dos campos de morte nazis (emitindo vis- Ministro – e, portanto, com as inerentes mordo- de Sousa Mendes, hoje reconhecido em todo o tos positivos, através do contacto com essa tos, em representação do governo português, mias. De facto, Salazar caiu de uma cadeira (em Mundo como uma das figuras que mais judeus especialista, para melhor enfrentar o presente e para que eles pudessem fugir, e assim ousando Agosto de 1968, no forte do Estoril onde passa- salvou do holocausto nazi. assegurar o futuro. contrariar as ordens recebidas de Salazar). va férias à beira-mar), tendo sofrido lesões cere- E, afinal, de macular também a própria Um exemplo muito meritório, que importa Elogiando a figura de Aristides de Sousa Mendes, brais. Foi operado, mas nunca mais viria a recu- memória de Salazar, afirmando que o ditador sublinhar. que considerou exemplar, o Presidente da AMI perar, entrando mesmo num estado de debilida- morreu na miséria (o que, a ter sucedido, signifi- Especialmente numa altura em que há por aí lastimou que, por causa da sua abnegada atitude, de física e perturbação mental que o inibia de caria que os seus apoiantes, entre os quais “meninos” que, bem ao contrário, procuram o diplomata tivesse sido penalizado pelo governo governar o País. Foi nessa altura que o então Saraiva, o teriam abandonado mal ele deixou de antes destruir os seus concorrentes, não raro uti- salazarista, acabando por morrer na miséria. Presidente da República, Américo Tomás, se viu ser poderoso…). lizando métodos pouco dignos, como forma de Perante esta escolha, logo José Hermano forçado a nomear Marcelo Caetano como José Hermano Saraiva pode ser um bom con- melhor reinar. Saraiva, outro dos convidados do programa, Primeiro Ministro. Mas, mesmo incapacitado, tador de estórias, um excelente ficcionista. Mas Uma demonstração de grandeza por parte da levantou a voz para dizer que a versão que tinha Salazar continuava a ser um homem muito temi- não é um historiador. Igreja Católica, em contraste com a enorme era muito diferente. Que Aristides Sousa Mendes do (não fosse ele ainda conseguir o milagre da Uma conclusão a que qualquer pessoa de pequenez dos tais “meninos”… Assinantes do “Centro” com 10% de desconto Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) na compra de livros No sentido de proporcionar mais em material escolar por cada filho, este Se não quiser ter esse trabalho, bastará Propriedade: Audimprensa alguns benefícios aos assinantes deste jor- desconto que proporcionamos aos assi- ligar para o 239 854 150 para fazer a sua Nif: 501 863 109 nal, o “Centro” acaba de estabelecer um nantes do “Centro” assume especial assinatura, ou solicitá-la através do e-mail Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho acordo com a livraria on line “livros- significado (isto é, só com o que poupa centro.jornal@gmail.com. net.com” (ver rodapé na última página por um filho fica pago o valor anual da São apenas 20 euros por uma assinatu- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 desta edição). assinatura). ra anual – uma importância que certamen- Para além do desconto de 10%, o assi- Mas este desconto não se cinge aos te recuperará logo na primeira encomenda Composição e montagem: Audimprensa - Rua da Sofia, 95, 3.º nante do “Centro” pode ainda fazer a manuais escolares. Antes abrange todos os de livros. 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 encomenda dos livros de forma muito livros e produtos congéneres que estão à E, para além disso, como ao lado se Fax: 239 854 154 cómoda, sem sair de casa, e nada terá a disposição na livraria on line “livrosnet”. indica, receberá ainda, de forma automáti- e-mail: centro.jornal@gmail.com pagar de custos de envio dos livros enco- Aproveite esta oportunidade, se já é as- ca e completamente gratuita, uma valiosa mendados. sinante do “Centro”. obra de arte de Zé Penicheiro – trabalho Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Numa altura em que se aproxima o Caso ainda não seja, preencha o boletim original simbolizando os seis distritos da início de um novo ano lectivo, e em que que publicamos na página seguinte e Região Centro, especialmente concebido Tiragem: 10.000 exemplares as famílias gastam, em média, 200 euros envie-o para a morada que se indica. para este jornal pelo consagrado artista.
  • 3. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 REPORTAGEM 3 Tartaruga gigante trazida para Aveiro APANHADA NAS REDES DE UM ARRASTÃO Uma tartaruga gigante foi há dias capturada tanas anteriores, vários ferimentos na cabeça e na borado com a SPVS na recuperação de uma tar- acidentalmente, pelas redes de um arrastão, ao carapaça e dificuldades respiratórias. taruga da mesma espécie, que foi depois liberta- largo da costa portuguesa. Segundo nos revelou o veterinário Salvador da com sucesso”. O mestre da embarcação deu conhecimento Mascarenhas, apesar de imediatamente submeti- Este especialista descreve depois as caracterís- do facto à Capitania do Porto de Aveiro, que de da a primeiros socorros, nomeadamente hidrata- ticas desta espécie: imediato contactou a Sociedade Portuguesa de ção, “o gigante quelónio estava muito debilitado “A tartaruga de couro é a maior de todas as Vida Selvagem (SPVS). e o seu único movimento era dos olhos, ao serem tartarugas, com comprimento médio em torno Assim se iniciou uma operação envolvendo tocados. Tinha metido muita água nos pulmões de 2 m para 1,5 m de largura e 700 kg de peso, diversas entidades, na tentativa de salvar a tar- enquanto esteve presa na rede do arrastão; estava embora já tenha sido encontrado um exemplar taruga. em apneia (parava de respirar) com dispneias com 900 kg. Tem uma carapaça negra, constituí- Em conjugação com o ICN (Instituto de (respiração acelerada, descontrolada) intercaladas, da de tecido macio. A carapaça não se liga ao Conservação da Natureza) e com a Capitania, que é típico destes animais quando têm dificulda- plastrão em ângulo, como nas outras tartarugas, pediu-se ao Mestre do arrastão que trouxesse des respiratórias”. mas sim em uma curva suave, dando ao animal o animal para o Porto de Aveiro, ao que este A tartaruga foi então transportada para o uma aparência semi-cilíndrica. Vive sempre em acedeu. Centro de Recuperação que a SPVS mantém em alto-mar, aproximando-se do litoral apenas para A tartaruga foi desembarcada em Aveiro Quiaios, onde fora entretanto montada uma pis- desova e alimenta-se preferencialmente de alfor- cerca das 17 horas, onde era aguardada por ele- cina GRE de tela resistente para acolher o animal recas”. Ao longo deste dois meses tem estado a ser mentos da SPVS, entre os quais o veterinário ferido. O transporte decorreu bem, e à chegada a acompanhado 24 horas por dia, graças a uma Salvador Mascarenhas (que é também colabora- Quiaios já ali se encontravam elementos dos “Baleia-piloto” abnegada equipa de voluntários, enquanto o dor do “Centro”). Na presença do comandante Bombeiros Municipais da Figueira da Foz, cuja continua a resistir acompanhamento científico está a receber cola- da Capitania, com o apoio da Polícia Marítima, ajuda tinha sido solicitada para ajudar a colocar a borações de especialistas de diversos pontos do dos marinheiros e do armador da embarcação, tartaruga na piscina. Entretanto, no mesmo Centro de Recu- Mundo. procedeu-se à cuidadosa remoção do animal para Infelizmente, porém, todo este esforço não peração da SPVS onde aconteceu o desgosto Daí que este seja um caso de sobrevivência uma viatura de transporte – uma carrinha de conduziu ao desfecho que se desejava, como nos com a tartaruga, continua a morar a esperança na único na Europa, até porque o tratamento muito caixa aberta devidamente preparada com col- diz Salvador Mascarenhas: recuperação da “baleia-piloto” bebé que ali se complexo tem conseguido vencer as diversas chões de água. “Apesar de todas as nossas tentativas para encontra a lutar pela vida desde finais de Agosto. complicações de saúde enfrentadas pelo bebé, Verificou-se então tratar-se de uma “tartaruga recuperar a tartaruga de couro, ela não resistiu às Como o “Centro” noticiou na anterior edição, que está a aumentar de peso e de tamanho de de couro preto”, com cerca de 2 metros de com- inúmeras lesões que apresentava e ao estado trata-se não de uma baleia mas de um golfinho forma bem visível. primento e 500 quilos de peso, o que tornou a muito debilitado em que se encontrava. Era uma que atinge grandes proporções, cerca de 7 metros Entretanto, a SPVS continua a necessitar de operação algo complicada. fêmea e estava cheia de ovas.” em adulto, daí esta designação popular. todo o tipo de apoios para desenvolver este notá- Ainda no local a tartaruga foi submetida a Um desgosto para as muitas pessoas envolvi- Apesar de ser um macho chamaram-lhe “Na- vel trabalho de recuperação. Quem quiser ajudar observação veterinária, verificando-se que apre- das nesta operação de salvamento, até porque, zaré”, por causa da zona onde deu à costa, muito pode contactar o telemóvel 913 241 188 ou o sentava ferimentos profundos ao nível das barba- como nos refere o veterinário, “já tínhamos cola- debilitado. telefone 239 945 057. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal “Centro” Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- manterá sempre bem informado sobre o de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às que de mais importante vai acontecendo centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- nesta Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para Não perca, pois, a oportunidade de re- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas out- automaticamente ganharem uma valiosa ceber já, GRATUITAMENTE, esta mag- Não perca esta campanha promocional, ras regalias para os nossos assinantes, pelo obra de arte. nífica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o excelente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de o “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista Para além desta oferta, passará a rece- preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. plástico – um dos mais prestigiados pinto- ber directamente em sua casa (ou no local de AUDIMPRENSA), para a seguinte res portugueses, com reconhecimento que nos indicar), o jornal “Centro”, que o morada: CONTAMOS CONSIGO! mesmo a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  • 4. 4 REPORTAGEM DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 OS “GRANDES PORTUGUESES” NUMA VISÃO ACTUAL A miséria de Aristides de Sousa Um dos temas que mais tem agitado o Pedro Pinto (jornalista na CNN), afir- nosso País nas últimas semanas tem sido o mou não fazer sentido comparar Luís Figo programa, promovido pela RTP, intitulado ao Infante D. Henrique. E criticou o facto “Os Grandes Portugueses”. A polémica, de em Portugal “se falar muito de futebol, aliás, marcou também a exibição do referido de política e pouco mais”. Disse que alguns programa em diversos outros países (a come- podem ser agora grandes desportistas, sem çar pelo Reino Unido, onde ele foi iniciado). que tal signifique que são grandes portu- Sobre o formato do programa e outros gueses. pormenores com ele relacionados podem os leitores consultar o respectivo sítio na Internet (aliás uma das oportunas suges- DE ZÉ TANGANHO tões das “Ideias Digitais” de Inês Amaral, A ARISTIDES SOUSA MENDES que publicamos na página 23). José Hermano Saraiva considerou que O que aqui vamos focar é o debate que “o programa é extremamente sério”, e que a RTP promoveu na passada semana, em “é um termómetro à cultura do povo por- directo do luxuoso Palácio de Queluz, con- tuguês”. Aproveitou para evocar “Zé duzido pela regressada Maria Elisa. Tanganho, que ganhou a Volta a Portugal a Nesse longo debate, que se prolongou cavalo”, e lembrou Santo António. por três horas, vários convidados em Fernando Nobre, o Presidente da AMI Queluz, outros na Universidade do Minho (Assistência Médica Internacional), lem- (em Braga) e na Universidade de Évora. brou que “a época que vivemos é muito A escritora Lídia Jorge sublinhou que se inquietante, senão mesmo angustiante”. E tratava de um programa de entretenimento, acrescentou que depois de ter percorrido o “um serão de tv e pouco mais”. Mundo, de ter estado em 140 países, sente O jornalista Mário Bettencourt “orgulho de ser português”. E justificou: Resendes entendeu que “alimenta a nossa “Somos um dos povos que mais influen- auto-estima colectiva lembrarmos grandes ciou a História da Humanidade”. portugueses”. Fernando Nobre revelou depois que a O humorista Ricardo Araújo Pereira sua escolha ia para Aristides de Sousa (“Gato Fedorento”), estranhou que mais de Mendes, o diplomata que salvou milhares 50 % das pessoas sugeridas sejam do séc. de judeus e que morreu na miséria, que teve XX, “que não nos correu lá muito bem. O de queimar os móveis da casa para se aque- séc. XVI, por exemplo, correu melhor”. cer no Inverno, que se manteve coerente Outra escritora, Isabel Alçada, lembrou até ao fim da vida. Defendeu que a casa em que normalmente as pessoas só assumem Cabanas de Viriato, que pertenceu ao côn- os valores da sua época, através do talento sul que ousou desobedecer a Salazar (e que de alguém que realizou determinado feito. por isso foi severamente penalizado) deve- Luís Reis Torgal, historiador e professor ria ser transformada em Museu da Me- da Faculdade de Letras da Universidade de mória, do Entendimento, do Ecumenismo. Coimbra, defendeu que a História “é mais José Hermano Saraiva imediatamente Aristides de Sousa Mendes uma interrogação do que uma solução”, discordou, exaltado: acrescentando ter grande dificuldade em “Não compreendo essa história de quei- entender que tal não era sinónimo de um depois do 25 de Abril de 1974 por ter medo aceitar este programa televisivo, que dá da mar os móveis! Venceu os seus vencimen- papel positivo. de ser preso, pois mesmo estudando numa História uma ideia de competição. tos de letra A até ao fim da vida. Nunca foi Já Isabel Alçada foi muito mais contun- Universidade estrangeira sabia que até entre Já o ensaísta Eduardo Lourenço consi- demitido. Eu conheço outra história total- dente, lembrando que antes do 25 de Abril os seus colegas portugueses havia os cha- derou que se tratava de “um exercício ido- mente oposta. Ninguém salvou 30 mil “tinha vergonha de viver neste País”, onde mados “bufos” (informadores a quem a látrico”, e mesmo “um jogo de sociedade”. judeus, Isso não é verdade!”. havia censura e repressão. PIDE, a polícia política salazarista, pagava Joana Amaral Dias disse entender que, Luís Reis Torgal imediatamente atalhou, Lídia Jorge voltou a referir que este inte- para que denunciassem tudo e todos que se neste programa, interessa mais o processo dizendo: resse por Salazar poderá estar relacionado criticassem a ditadura de Salazar). O médi- do que o resultado final. “A História é procura de documentos. com “uma faixa de saudosos do tempo em co lembrou também que um do seus doen- Toda esta reflexão que é feita pelo dr. José que Portugal era grande”, ao mesmo tempo tes estivera no Tarrafal, uma zona prisional Hermano Saraiva nunca a encontrei em que há muitos jovens que mitificam essa em Cabo Verde para onde eram deportados qualquer documento”. época porque a não viveram, não sentiram os presos políticos, alguns dos quais aí Mas José Hermano Saraiva faria depois os seus efeitos negativos. morreram, pois era um campo de tortura. uma afirmação ainda mais espantosa, na Joana Amaral Dias sustentou: “É bom E o Presidente da AMI fez um veemente tentativa de retirar mérito ao gesto abnega- que o Salazar apareça!”, acrescentando ser apelo: “Não vamos permitir que branquei- do de Aristides de Sousa Mendes: vantajoso para que se recordem os tempos em a História!”. “Os 30 mil refugiados vieram para de repressão, de falta de liberdade. Portugal por acordo feito com o governo Mário Bettencourt Resendes aproveitou espanhol. Os vagões vinham selados, leva- para comentar que “este programa era SARAIVA DEFENDE SALAZAR vam volfrâmio e traziam refugiados. Essa impensável no tempo de Salazar, ou então E DIZ QUE ELE MORREU campanha foi feita pela Companhia dos éramos presos à porta”. NA MISÉRIA Caminhos de Ferro da Beira Alta”! Reis Torgal referiu que não falta histori- Visivelmente irritado, José Hermano ografia sobre o chamado Estado Novo, Saraiva disse não poder ficar calado peran- mas que o interesse por Salazar não signifi- te o que estava a ouvir. E afirmou: ca apoio ao salazarismo. E salientou que, ao “Quando o Dr. Salazar foi para o poder A POLÉMICA Á VOLTA contrário do que sucede noutros países eu tinha 10 anos, quando ele morreu eu DA FIGURA DE SALAZAR Mas a mais acesa controvérsia do pro- com movimentos neo-nazis, não se pode tinha 50, Conheci-o pessoalmente. Foi um grama foi a que se gerou a propósito da falar de um neo-salazarismo em Portugal. homem que teve na mão, durante 40 anos, inclusão de Salazar na lista das sugestões Já Fernando Nobre não partilhou essa a totalidade do poder e morreu na miséria”. apresentada pela RTP (inclusão feita muito opinião, alertando para que “o salazarismo E continuou: depois de divulgada a lista inicial). pode voltar, mesmo que sob outra forma”. “Salazar foi o homem que fez de Lídia Jorge admitiu que Salazar teve E sublinhou ser indispensável contar aos Portugal um País plenamente independen- “uma importância enorme” em determina- mais novos o que acontecia nessa época. te”. Reis Torgal do período da nossa História, mas dando a Confessou que só viera para Portugal Olhando para o tecto do luxuoso salão
  • 5. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 REPORTAGEM 5 De Churchill Mendes e a de Salazar a Brell Este programa tem um formato do Palácio de Queluz, Saraiva comentou: criado em Inglaterra, onde foi exi- “Estamos numa sala que ele mandou res- bido pela primeira vez, pela BBC, taurar”. em 2002. O escolhido pelos britâ- E José Hermano Saraiva rematou: nicos viria a ser Winston Churchill, “Salazar foi o homem de maior nível Primeiro Ministro que teve acção moral que até hoje encontrei!”. Perante todos estes elogios ao ditador, a decisiva na vitória dos Aliados na própria Maria Elisa não se conteve, e per- II Guerra Mundial. guntou a José Hermano Saraiva: O programa foi depois adopta- “Este programa seria possível no tempo do em diversos outros países. de Salazar?”. Em França, a escolha recaiu so- Resposta de José Hermano Saraiva: bre outro protagonista da II Guer- “Não. Os factos dos anos 30 não eram possíveis em 2006. Salazar era um homem ra Mundial, resistente à ocupação do seu tempo”. alemã, e que posteriormente viria a Fernando Nobre reagiu, dizendo ser ser Presidente da República por vá- importante que se fale do salazarismo, que rios anos: Charles De Gaulle. se digam as verdades. Na Alemanha, apesar de Hitler Ricardo Araújo Pereira aproveitou para ter obtido número significativo de mais uma nota de humor, dizendo ser sua votos, ficou muito distante do ven- convicção de que um homem como Salazar, que nunca se sujeitou a eleições, cedor, o antigo chanceler Konrad gostasse de se ver agora a ser votado neste Adenauer. programa… Na África do Sul, a votação Joana Amaral Dias, muito contundente, dos telespectadores teve o desfe- sublinhou “o estado miserável em Salazar cho que se esperava: o eleito foi deixou este País”. E acrescentou: “Foi um Nelson Mandela, líder da luta dos piores portugueses que Portugal teve. contra o “appartheid”, que por Se ficar bem colocado tem de se reflectir”. Maria Elisa ouviu então alguns dos isso esteve preso mais de duas dé- jovens estudantes presentes na audiência. cadas, e que viria a ser Presidente Joana Viana, de 19 anos, estudante de jor- da República quando foi criado nalismo, disse que aquilo que a escola lhe naquele país um regime democrá- não ensinara sobre o salazarismo o apren- tico que pôs termo às prepotên- dera ela em casa, desde miúda, através dos cias da minoria branca racista. relatos do que sofrera seu tio, Sérgio Vilarigues, por ter ousado lutar pela liber- Já na Bélgica, curiosamente, o dade e contra o salazarismo. vencedor foi Jacques Brell, com- positor e cantor prematuramente António de Oliveira Salazar (retratado pelo pintor Henrique Medina) falecido que levou palavras de inconformismo a todo o Mundo, A HISTÓRIA DE PORTUGAL de simplificação nunca nos conduz à objec- do Estado Novo, tem de salientar o que é onde hoje as suas canções conti- E A ESTÓRIA DE SARAIVA Luís Reis Torgal voltou a usar da palavra tividade da História”. indesmentível: que houve um regime de nuam a ser apreciadas por gente para dizer que este programa da RTP é uma E continuou: censura, de polícia política, de falta de liber- brincadeira, que pode ser útil, mas também “O dr. Hermano Saraiva é um modelo dade, de guerra colonial”. de todas as idades. um pouco perigosa. de registo de comunicação. Agora não Sem conseguir disfarçar grande nervo- E acrescentou: vamos confundir o dr. Hermano Saraiva sismo, José Hermano Saraiva pediu a pala- TENDÊNCIAS “A História é uma ciência muito comple- com um historiador, com a História propri- vra para se dirigir a Reis Torgal: xa. Por isso não gosto de ouvir, às vezes, o amente dita. às vezes é perigoso utilizar “Queria dizer o seguinte: estamos intei- DOS VOTOS dr. José Hermano Saraiva, porque ele conta estórias como ele utiliza. ramente de acordo. O sr diz que não con- A votação para escolher os 100 a estória – com”e”, como agora se diz – Voltando à questão de Salazar: se o his- funde a História com José Hermano mais, dos quais dera depois eleito simplificando a História. E todo o processo toriador objectivamente analisar a realidade Saraiva, mas eu também não confundo a o “maior” entre “Os Grandes Por- História com o Prof. Reis Torgal”. Ricardo Araújo Pereira lançou mais uma tugueses” terminou anteontem piada, para amenizar o ambiente tenso, (terça-feira). dizendo estar em desacordo com o Prof. No dia do programa a que es- Fernando Rosas, que dias antes escrevera tamos a referir-nos – e segundo que aquele programa era uma fantochada. dados revelados por Maria Elisa – “Ora fantochadas são os programas que eu as tendências de voto eram as faço, pelo que não gostei da comparação”. seguintes: Eduardo Lourenço ainda voltou a Sa- lazar, dizendo: 69% votaram em portugueses “Não devemos fazer em 10 minutos o que já morreram, 86% em homens que ele fez durante 40 anos, que era julgar- (logo, 31 % em mortos e 14% em nos a nós de forma bastante severa”. mulheres). Maria Elisa disponibilizou-se para Os mais votados eram, nessa moderar um debate sobre Salazar e o sala- altura, políticos (33%), vultos da zarismo, se a RTP entender promovê-lo. Em suma, foram três horas de diálogo cultura (32%) e figuras do des- muito vivo, que tiveram o mérito de alertar para porto (10%). os riscos de um programa deste tipo ser mal Dos votantes, 69% eram homens compreendido, embora ele possa ter a virtude e a maioria dos votantes tinham ida- de trazer ao debate factos e figuras da nossa des compreendidas entre os 21 e os História que, de outra forma, continuariam a 30 anos. Eduardo Lourenço ser ignorados pela maioria dos portugueses.
  • 6. 6 COIMBRA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 “ESTREPES” É LANÇADO EM COIMBRA NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA Textos de José d’Encarnação em “livro de cordel” Vai ser lançado em Coimbra, na próxima Isso mesmo se verifica nos pequenos acima se refere, na próxima quarta-feira, dia 8, quarta-feira, mais um trabalho de José d’ Encar- comentários que vem publicando no jornal pelas 18,30 horas, no mini-auditório e galeria de nação, Professor Catedrático da Universidade “Centro” (e antes no “Jornal de Coimbra”, ao arte da “Invesvita”, no Largo dos Olivais de Coimbra, especialista em Pré-História e Ar- longo de vários anos), com o eloquente título (mesmo em frente à Igreja dos Olivais). queologia. “Pois…”. Uma oportunidade para que muitos dos fiéis Mas para além de prestigiado docente e Ora alguns desses deliciosos comentários leitores dos “Pois…” possam conhecer pessoal- investigador universitário (doutor “honoris foram agora reunidos em mais um número de mente o autor desses comentários e com ele dia- causa” pela Universidade francesa de Poitiers), uma original colecção de “livros de cordel”, sob logar. José d’Encarnação é também um cronista exí- o título de “Estrepes”. A apresentação será feita por Jorge Castilho, mio e um crítico de requintado humor. O lançamento do livrinho será feito, como Director do “Centro”. ORQUESTRA CLÁSSICA DO CENTRO NA IGREJA DE SANTA JUSTA Concerto de homenagem a Agostinho Almeida Santos Realizou-se na passada semana mais um lidades), o de António Almeida Santos, antigo “Concerto Prestígio”, no âmbito da iniciativa Presidente da Assembleia da República (que conjunta da Câmara Municipal de Coimbra e da esclareceu não ter ligação familiar ao homena- Orquestra Clássica do Centro para distinguir geado, apesar da coincidência de nomes, mas personalidades ou instituições de grande mérito. sentir por ele enorme admiração), de Linhares Desta feita o homenageado foi Agostinho Furtado, de Carlos Encarnação, Presidente da Almeida Santos, Professor Catedrático da Câmara Municipal de Coimbra, e de tantos ou- Faculdade de Medicina da Universidade de tros. Enternecedores foram também as palavras Coimbra e Director dos HUC (Hospitais da de Teresa Almeida Santos (a mais velha das qua- Universidade de Coimbra). tro filhas do homenageado, e sua continuadora O local do concerto foi a Igreja de Santa em termos profissionais) e de alguns dos seus Justa, onde compareceram largas dezenas de netos. pessoas para ouvir a Orquestra dirigida pelo Antes do concerto usaram ainda da palavra Maestro Virgílio Caseiro e, simultaneamente, se Mário Nunes, vereador da Cultura da Câmara associarem à homenagem prestada a Agostinho Municipal, que começou por agradecer ao Almeida Santos. Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, a abertura Antes do concerto propriamente dito foi exi- para ceder o espaço das igrejas para este tipo de bido um filme produzido pela Directora da iniciativas culturais; e que depois aludiu aos pre- Orquestra Clássica do Centro, Emília Martins, dicados do homenageado. com depoimentos de destacadas personalidades O elogio de Agostinho Almeida Santos este- fazendo rasgados elogios ao homenageado, ve a cargo de Fernando Regateiro, também ele quer enquanto cidadão exemplar, quer como Professor da Faculdade de Medicina e actual médico dedicado, professor competente e Presidente da Administração Regional de Saúde investigador pioneiro, com uma carreira bri- do Centro, que focou as diversas facetas que lhante que ultrapassou as fronteiras de Portugal tornam Agostinho Almeida Santos uma figura para se impor internacionalmente. ímpar. Entre os diversos depoimentos, destaque A actuação da Orquestra Clássica do Cen- para os do antigo Presidente da República tro atingiu elevado nível, bem de acordo com Ramalho Eanes (que apontou o Prof. Almeida a homenagem que o concerto pretendeu Santos como um homem de muitas e raras qua- prestar.
  • 7. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 ENTREVISTA 7 Mondego navegável de Coimbra UM DOS AMBICIOSOS PROJECTOS DO NOVO RESPONSÁVEL PELO TURISMO DO CENTRO à Figueira da Foz Tornar o Rio Mondego navegável, Quanto à ATCP, que abrange 6 distritos, representação, no mercado externo, de uma paradigma modificou-se, quer em relação pelo menos desde Coimbra não tem funções executivas, mas antes se marca nacional e regional, mas sem haver às exigências quer aos desafios que se colo- até à Figueira da Foz, é um dos preocupa em “desenvolver projectos de colisões”. cam ao sector”. promoção interna, reforçando a marca O segundo eixo da sua estratégia, segun- E acrescenta: ambiciosos projectos do novo ‘Centro de Portugal’, congregando organis- do nos revela, é reunir com parceiros públi- “Tem de se mudar o mapa das Regiões responsável pelo Turismo mos públicos e privados”. cos e privados – Instituto do Turismo de de Turismo, algumas das quais com gran- da Região Centro. Em entrevista des diferenças geográficas, enquanto há que concedeu ao nosso jornal, municípios que não integram nenhuma Pedro Machado afirma ser delas. O Turismo tem de reorganizar-se, possível transformar este sonho coexistindo Regiões grande com pequenas, criando instrumentos inter-municipais, em realidade, com o incremento aglutinando concelhos por marcas e produ- que tal poderá ter para o turismo, tos”. à semelhança do que sucedeu Dá o exemplo do Algarve, que é pensa- no Rio Douro. E entende que do como um todo (sol, mar e golfe), dizen- o empreendimento, embora do que a Região Centro está demasiado ousado, quase se poderá retalhada, impondo-se, por isso, reorgani- zá-la. auto-financiar, através da comercialização da areia CARTA GASTRONÓMICA proveniente do desassoreamento EM ELABORAÇÃO do rio. Quanto aos projectos em marcha, Pedro Jorge Castilho Machado refere-nos alguns: a “Carta Gas- tronómica do Centro”, elaborada pela Empossado há apenas dois meses como RTC, que pretende ser um documento de Presidente da Região de Turismo do consulta fácil, que refere onde se pode Centro (RTC), Pedro Machado tem já uma comer e o quê, onde ficar, que produtos se série de medidas programadas e diversos podem adquirir. Prevê-se que esteja con- projectos inovadores. Já a Agência Regional, que tem sede em Portugal, CCDRC (Comissão de Coorde- cluída no final do 1º semestre do próximo Para além de Presidente da RTC, Pedro Viseu, “será o instrumento mais forte de nação e Desenvolvimento Regional do ano. Machado é também o responsável Associa- promoção no mercado externo, associan- Centro), Câmaras Municipais – de molde a Incrementar as Rotas (de Wellington, de ção de Turismo Centro de Portugal (ATCP) do cinco Regiões de Turismo (Centro, analisar “os instrumentos comunitários que Inês de Castro, da linha dos castelos de e pela Agência Regional para a Promoção Serra da Estrela, Dão-Lafões, Luz-Aveiro sejam reprodutivos e reprodutores”. defesa do Mondego, entre outras) é outro Turística do Centro de Portugal. Três enti- e NorturTejo) e um conjunto de largas Pedro Machado diz-nos ser essencial dos projectos. dades distintas, com objectivos diversos, dezenas de associados privados” – entre não haver sobreposições no que concerne Mas a aposta de maior impacto será, sem mas confluindo para o mesmo propósito: os quais se contam, por exemplo, o Casino ao aproveitamento do novo Quadro dúvida, a de tornar o Mondego navegável, desenvolver o Turismo nesta vasta Região. da Figueira da Foz e a Fundação Bissaya Comunitário pelo menos desde Coimbra até à Figueira Na RTC (que engloba 24 municípios), a Barreto. da Foz, proporcionando cruzeiros, prática função é “salvaguardar a promoção da Pedro Machado salienta a importância NECESSÁRIO MUDAR MAPA de diversos desportos, centros de lazer. Região Centro no mercado interno, nome- desta Agência, “para disciplinar a participa- DAS REGIÕES DE TURISMO E Pedro Machado conclui, resumindo adamente através de uma ligação estreita ção portuguesa no mercado externo, para assim o seu plano de actividades: com hotéis, restaurantes e agências de via- ganhar uma marca única, criando o concei- Sublinha que o modelo de turismo de “Uma nova dinâmica e uma nova imagem gens. to de PORTUGAL”. E explicita: “Isto é, a hoje “é diferente do que era há dois anos, o à volta do Turismo do Centro e Portugal”.
  • 8. 8 HISTÓRIA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 A importância histórica do antigo Maria Judite de C. Ribeiro Seabra(2) Foi há 170 anos que o primeiro liceu de Coimbra foi criado pelo Decreto de 17 de Novembro de 1836. Este liceu era um dos 18 então criados mas foi o primeiro a ser instalado. Por Portaria de 17 de Setembro de 1839, confirmava-se a sua instalação pro- visória nos antigos gerais do Colégio das Artes, situados no primeiro pavimento deste edifício e constituía uma secção da Universidade. Esta singularidade distinguia o Liceu Nacional de Coimbra dos demais liceus, porque o reitor da Universidade foi também reitor do Liceu até 1880, ano em que se tornou autónomo administrativa- mente. Os seus professores incorporavam- se no «grande Estabelecimento Universitá- rio» visto que o corpo docente do Liceu Nacional de Coimbra era constituído à par- tida por alguns professores do extinto Colégio das Artes e por professores univer- sitários, gozando das honras e prerrogativas dos Lentes, conforme a Portaria de 10 de Outubro de 1840, que reproduzia em parte Um intervalo de aulas no antigo Liceu José Falcão instalado no edifício dos Padres Bentos legislação anterior. Esta equiparação permi- tia-lhes ter assento na Sala dos Capelos com dos serviços do Liceu para o edifício do Liceu Nacional de Coimbra passou a denomi- próprio regimento do Liceu visto que o o corpo docente de todas as faculdades, Colégio de São Bento, indo ocupar o espa- nar-se Liceu Nacional Central. Na qualidade Decreto que criava os liceus dava o primei- revestindo-se das insígnias doutorais. Era ço do referido colégio particular de de Liceu de primeira categoria, o Liceu de ro passo para a descentralização pedagógi- mesmo habitual os professores das cadeiras Humanidades, que, entretanto, se extingui- Coimbra teve sempre um elenco disciplinar ca do ensino secundário. de História e de Oratória do Liceu pronun- ra. Desde o início desse mês começaram ali adequado a essa classificação e até se diferen- Com a reforma de 20 de Setembro de ciarem, em anos alternados naquela sala, o a fazer-se exames de instrução primária que ciava dos demais liceus da sua classe pelo facto 1844, de Costa Cabral, o elenco disciplinar elogio do monarca numa oração latina no habilitavam a matrícula no Liceu, cujo júri de logo no seu início as cadeiras do Liceu do Liceu Nacional de Coimbra estava em dia do seu aniversário, em presença de todo era constituído por professores do seu cujas matérias se lessem na Universidade conformidade com os outros liceus. o corpo docente das diversas faculdades. corpo docente. No ano lectivo de 1870- serem substituídas pelas cadeiras análogas que Algumas das cadeiras ministradas na Uni- Neste e noutros actos solenes ocupavam o -1871, o Liceu Nacional de Coimbra ini- nela se regiam, podendo os alunos matricular- versidade passaram a ser professadas no seu devido lugar na referida sala e participa- ciou ali as suas aulas. -se e aprender na Universidade as doutrinas Liceu como foi o caso de Filosofia Ra- vam com outras forças vivas da cidade nas Desde a sua mudança nos finais do ano dessas cadeiras, tendo neste caso o estatuto de cional e Moral e Princípios de Direito felicitações de Coimbra, quando o rei era lectivo de 1870 para o edifício do Colégio estudantes obrigados. Natural, mas a cadeira de Aritmética e recebido nos seus Paços do Concelho. de S. Bento que o Liceu Nacional de A cadeira de Moral Universal foi substituí- Geometria com aplicação às Artes e Pri- A exiguidade do espaço que lhe fora des- Coimbra ia caminhando a passos largos da pelas cadeiras de Ideologia, Gramática meiras Noções de Álgebra, que não existia tinado no antigo Colégio das Artes e a para a sua autonomia. Em 17 de Novembro Geral e Lógica e pela de Direito Natural da no Liceu, era suprida, segundo este decreto, transferência de doentes do Hospital da de 1880 foi dada «plena e inteira posse» ao Universidade. A cadeira de Aritmética, Álge- pela sua congénere da Faculdade de Universidade para o mesmo edifício moti- reitor do Liceu, Luís da Costa Almeida, bra, Geometria, Trigonometria e Desenho Matemática. De resto mantinham-se todas vou os responsáveis pelo Liceu a procurar nomeado por Decreto de 12 de Novembro foi suprida pela primeira cadeira da as cadeiras instituídas pela reforma de instalações alternativas, mas foi difícil desse mesmo ano, ficando revestido de toda Faculdade de Matemática; a de Princípios de Passos Manuel e acrescentava-se mais tarde encontrar em Coimbra um edifício desocu- a autoridade deveres e obrigações. O Liceu Física, Química e de Mecânica aplicados às a cadeira extracurricular de Música, intro- pado onde esta instituição de ensino se Nacional de Coimbra passava a emancipar- Artes e Ofícios e a de Princípios de História duzida no ano lectivo de 1850-1851. pudesse instalar com a dignidade necessária. -se da Reitoria da Universidade. Natural dos Três Reinos da Natureza foram O currículo, segundo a reforma de Costa Em 1863, o Conselho Escolar da Professores e alunos usaram até esta substituídas pelas correspondentes da Cabral, já se apresentava estruturado confor- Faculdade de Medicina aprovou o projecto data o mesmo traje académico dos profes- Faculdade de Filosofia. Para além destas, me as horas de duração das aulas e segundo o de reconstrução do Hospital, pelo que se sores e alunos da Universidade mas, por regiam-se ainda as cadeiras de Gramática período do dia em que eram ministradas. previa a quase total ocupação do edifício conselho escolar de 8 de Novembro de Portuguesa e Latina, Geografia, Cronologia Todas tinham a duração de 2 horas. As aulas do Colégio das Artes. Tornava-se urgente a 1880, dia solene da abertura das aulas do e História, Oratória, Poética e Literatura iniciavam-se às 8 horas da manhã e termina- mudança de instalações do Liceu. O edifí- Liceu, decidiu-se que tanto os professores Clássica, Língua Francesa e Inglesa, Língua vam no máximo às 17 horas. Respeitava-se o cio do Colégio de S. Bento poderia ser uma como os alunos deste estabelecimento de Grega e Língua Hebraica, seguindo a tradi- intervalo do almoço entre as 12 e as 15 horas. alternativa mas estava arrendado a longo ensino podiam usar indiferentemente bati- ção herdada dos «estudos menores» que A uniformização do currículo foi-se proces- prazo, funcionando aí o colégio particular na ou vestuário à paisana. faziam parte do plano de estudos do Colégio sando a muito custo. A estrutura curricular do de S. Bento. Mas, inesperadamente, o O mobiliário do Liceu também testemu- das Artes. A cadeira de Língua Alemã come- Liceu de Coimbra foi sofrendo alterações de arrendamento cessou por acordo com o nha esta forte ligação entre o Liceu e a çou a professar-se no ano de 1840. acordo com a sucessão de reformas. Em inquilino e o edifício foi desocupado em Universidade. Em 1897, ainda havia no edi- Este currículo era constituído por disci- 1895, segundo a reforma de Jaime Moniz, o 1869. Tornou-se, assim, possível a instala- fício do Colégio de S. Bento as antigas cáte- plinas independentes umas das outras sem currículo do curso geral do Liceu compreen- ção do Liceu naquele edifício. Procedeu-se dras que entretanto iam sendo retiradas. estrutura lógica, quer em relação aos conte- dia os cinco primeiros anos e era constituído então a obras de adaptação para responder Em 4 de Novembro desse mesmo ano, údos, quer em relação aos níveis etários a pelas disciplinas de Língua e Literatura ao movimento escolar, ao serviço de exa- alguns professores pediam que fossem que eram destinados. A sua distribuição Portuguesa, Língua Latina, Língua Francesa, mes e à manutenção da polícia, indispensá- colocadas nas salas as que tinham sido des- horária, os programas, os métodos, a disci- Língua Inglesa, Língua Alemã, Geografia, vel neste estabelecimento de ensino. locadas para darem lugar aos estrados altos. plina escolar e as condições de admissão História, Matemática, Física, Química e Em Junho de 1870 começou a mudança A partir de 4 de Novembro de 1880, o eram aspectos especiais geridos segundo o História Natural e a disciplina de Desenho. O
  • 9. HISTÓRIA 9 Liceu Central de José Falcão DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 (1) curso complementar constava do sexto e séti- dos metodólogos deste Liceu, encetou uma nota enviada ao Liceu pedindo cabimento de da população escolar. A limitação imposta do mo anos e tinha um elenco disciplinar consti- luta notável no sentido de melhorar as insta- despesa para a nomeação do cargo de reitor número de estudantes tornou necessária a cri- tuído pelas disciplinas de Língua e Literatura lações e prover o Liceu com o material do professor José Custódio de Morais (o ter- ação de um novo liceu. Assim nasceu o Liceu Portuguesa, Língua Latina, Língua Alemã, necessário à sua dignificação e consequente- ceiro professor mais votado pelo conselho Júlio Henriques, criado por Decreto de 21 de Geografia, História, Matemática, Física, mente do seu ensino. A sua experiência polí- escolar). Sinais dos tempos! Na sua despedi- Setembro de 1928, que se instalou numa das Química e História Natural, e Filosofia. tica como parlamentar e pedagógica como da como reitor, Dias Pereira invocou a unida- alas do edifício de S. Bento até à construção A inovação desta reforma traduzia-se na metodólogo granjeou-lhe conhecimentos de moral que o Liceu constituiu durante os de um novo edifício. Construídas as novas distribuição orgânica das disciplinas, decor- que pôs ao serviço da instituição que dirigia. sete anos do seu mandato e o facto de ter instalações para o funcionamento do Liceu rente da implementação do regime de clas- Mobilizou a sociedade coimbrã em defesa sido eleito em 1919 por treze votos e sair Normal Júlio Henriques, na Avenida Afonso ses, em que cada uma delas contribuía com a das causas que defendia e projectou o Liceu depois de ter sido eleito por unanimidade. Henriques, os problemas de espaço com que sua especificidade, articulando-se umas com Central de Coimbra (designação que passou O Liceu Central de Coimbra, que desde o Liceu Central de José Falcão se debatia fica- as outras para proporcionar um conjunto a ter desde o ano de 1895) para um lugar 1914 elegeu para seu patrono o matemático riam resolvidos, o que não aconteceu pelo global de saberes, de modo a formar simulta- cimeiro entre os liceus portugueses, tanto no universitário e republicano José Falcão, pas- facto de as divisões ocupadas por aquele liceu neamente um todo uno e complementar que que diz respeito às instalações de apoio peda- sou a designar-se desde então por Liceu deverem ser restituídas à Faculdade de proporcionava o desenvolvimento das facul- gógico como à dinâmica científico-pedagógi- Central de José Falcão. Este foi o único Ciências, uma velha questão que tanta tinta dades mentais e, consequentemente, a for- ca que imprimiu a este estabelecimento de Liceu existente em Coimbra até à criação do fez correr na imprensa local. Entretanto, pela mação integral do educando. Conciliava-se ensino. Mas o seu desempenho como diri- Liceu Feminino Infanta D. Maria, criado em nova reforma do ensino liceal foram fundi- assim, a diversidade disciplinar com a unida- gente do Liceu terminou passados sete anos 1918. Até esta data, o liceu masculino pro- dos os liceus Júlio Henriques e o Liceu de de pedagógica em que as actividades eram com a mudança de regime, por força da legis- porcionou o acesso à frequência feminina José Falcão num só com a designação de “solidárias”. Atendiam-se os direitos da lação em vigor que determinava que se pro- desde as últimas décadas do século XIX. Liceu D. João III, sendo seu reitor Alberto Sá idade, as fases e capacidade psíquica do edu- cedesse à eleição de um novo titular. A vota- Tímida de início, a frequência da mulher de Oliveira. Instalava-se definitivamente no cando, fraccionando o estudo anual pelas dis- ção dos professores em lista tríplice, como neste Liceu começou a ser mais notória edifício destinado ao Liceu Normal Júlio ciplinas convenientes, e procurava-se concili- determinavam as disposições regulamenta- depois da implantação da República. O Henriques, na Avenida Afonso Henriques, ar os estudos humanísticos indispensáveis res, deu a vitória a Dias Pereira com larga aumento da população escolar feminina em 1936, ficando no edifício de S. Bento uma para a sua formação moral e intelectual com margem de votos relativamente aos profes- levou as entidades governamentais a criar secção deste Liceu. a componente científica e utilitária, no senti- sores que tinham ficado em segundo e tercei- uma secção feminina no Liceu Central de A construção feita pela Junta das do de alcançar o fim supremo da educação: a ro lugar. Apreciado e estimado pelos seus José Falcão, sediada na Avenida Sá da Construções para o Ensino Técnico e Se- formação integral do homem. colegas, estes realçavam a sua acção como Bandeira, que viria dar origem ao Liceu cundário foi projectada em 1930 pelo Este sistema de ensino liceal teve uma dirigente do Liceu. António Tomé, o segun- Feminino Infanta D. Maria. Arquitecto Carlos Chambers Ramos e sua aceitação generalizada pelas expectativas de do professor mais votado, referia o desempe- A atracção da população rural pelos gran- equipa, tendo em conta as condições exigi- mudança que criou mas, apesar disso, foi nho deste reitor nestes termos: «teve um des centros urbanos em busca de condições das de orientação e iluminação e a sua situ- alvo de críticas por parte de algumas corren- relêvo tão extraordinário, que conseguiu de vida mais favoráveis conduziu a uma ação relativamente a desníveis, drenagens, tes de opinião. O curso complementar único transformar completamente o velho Liceu mobilidade geográfica que veio provocar um facilidade de esgotos das águas pluviais e com destaque para as habilitações literárias de José Falcão». Sílvio Pélico, referindo-se à desequilíbrio numérico dos efectivos escola- outros factores essenciais ao bom aprovei- em detrimento das técnicas, ao contrário do tamento do terreno, sem prejuízo das con- que se passava na Europa, foi muito critica- dições pedagógicas e higiénicas a que devia do. Depois de uma sondagem de opinião obedecer um edifício desta natureza. encomendada pelo Governo, determinou-se O edifício compunha-se de dois corpos: produzir um novo plano de estudos que um destinado aos serviços administrativos, vinha facilitar mais a vida aos professores e às salas de aula, aos laboratórios, gabinetes aos alunos. A reforma de 1905, da autoria de e restantes serviços. O outro à instalação da Eduardo Coelho, revogou o sistema anterior cantina, médico escolar, balneários e educa- do curso complementar único substituindo- ção física. Do lado nascente ficavam insta- -o pelo curso de Letras ou Humanidades e lados os campos de jogos e a esplanada da pelo curso de Ciências. O plano de estudos ginástica. Entre os dois corpos havia um resultante desta reforma foi aceite na sua edifício destinado primitivamente à resi- generalidade, mantendo-se até aos nossos dência do reitor e onde deviam ficar insta- dias com muitas semelhanças. lados os serviços da Mocidade Portuguesa, O Liceu de Coimbra teve um papel muito Associação Escolar e outros. importante na formação de professores. O corpo principal do edifício tinha três Nele se faziam exames de habilitação para o pavimentos. No primeiro instalaram-se os professorado e se nomeavam júris para os serviços administrativos; no segundo e ter- concursos dos candidatos ao magistério de ceiro as salas de aula e os laboratórios. A ala instrução primária e secundária. Na viragem poente do segundo pavimento foi atribuída do século XIX para o século XX, continuou ao primeiro ciclo; a ala nascente ao segun- a ter uma função de formação e selecção de do ciclo e parte do terceiro pavimento des- professores. Nele faziam a prática pedagógi- tinava-se ao terceiro ciclo. ca os alunos do 4.º ano do Curso de Num momento em que a ideologia polí- Habilitação para o Magistério Secundário e tica estadonovista ainda se não tinha afir- mais tarde da Escola Normal Superior. mado e se preocupava em desenvolver o Alguns dos seus professores eram metodólo- ritmo das construções escolares, as condi- gos e nessas funções exerciam nesta Escola a ções políticas foram favoráveis à constru- docência. Dada a sua vocação de instituição O edifício construído há exactamente 70 anos, onde funcionou o Liceu D. João III ção deste edifício segundo linhas arquitec- formadora, os responsáveis pela sua direcção que a partir de 1974 recuperou o nome de José Falcão tónicas que nada tinham a ver com a filoso- consideravam que este Liceu devia ser uma fia do poder político vigente. escola modelo, onde os futuros professores luta que o mesmo reitor travou no dia-a-dia res do liceu masculino, o Liceu Central de A Escola Secundária José Falcão, suce- pudessem ter todos os elementos necessários para desenvolver o Liceu material e pedago- José Falcão. Face a esta evolução demográfi- dânea deste Liceu, comemorou durante es- à sua completa formação profissional, daí gicamente, invocou «a profunda e benéfica ca nos grandes centros escolares como te ano lectivo, para além da criação do pri- que se travasse uma luta persistente para que transformação» verificada durante o seu Lisboa, Porto e Coimbra, o Governo decre- meiro Liceu de Coimbra, os 70 anos da ins- as condições materiais fossem proporcionais mandato. Mas, apesar do voto de agradeci- tou em 21 de Setembro de 1928 medidas no talação do Liceu neste edifício. ao valor dos seus professores e se não deslus- mento e louvor por parte dos professores do sentido de obviar a aglomeração escolar nes- trasse a tradição do ensino secundário em Liceu a Dias Pereira e das promessas deste tes centros. As lotações para os diferentes (1) Este artigo insere-se no âmbito da nossa investigação Coimbra que já vinha do Real Colégio das para tudo fazer pelo ensino e pelo liceu liceus do país seriam fixadas, reorganizar-se- para a dissertação de doutoramento sob o título Os Artes, dirigido por André de Gouveia a «quanto em suas forças caiba», o mesmo iam os respectivos quadros, medidas que pro- Liceus na Sociedade Coimbrã, apresentada à Uni- versidade de Lisboa em 1999 e em preparação para quem Montaigne chamava le plus grand princi- comunicava em sessão do conselho escolar vocaram algumas dificuldades. No Liceu de próxima publicação. pal de France. Neste sentido o reitor Dias de 3 de Julho de 1926, que não continuaria Coimbra as dificuldades eram somente relati- (2) Doutorada em História e Filosofia da Educação. Pro- Pereira, eleito em 1919, que foi também um no exercício do cargo em virtude de uma vas ao espaço que não comportava tão eleva- fessora da ESEC.
  • 10. 10 OPINIÃO DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 bem sabia que dos seus fiéis não adviriam Paulo Novais (Lusa) entraves e que a escolha de Santana com- praria o entusiasmo dos seus adversários no partido. E, para as ambições que então guardava para um futuro incerto, também Santana se afigurava a melhor escolha, por- que não lhe ensombrava os amanhãs. itações Este, porém, em quatro escassos meses, excedeu as piores expectativas. Não me refiro já aos contributos que deu para o anedotário do pós-25 de Abril, mas sim ao vertiginoso carnaval de improvisos, levian- dades, demagogias, vitimizações obsessivas, faltas de sentido de Estado, descoordena- ções, mancebias entre Estado e partido, contradições e “trapalhadas” (tantas e tais, que esta palavra instalou-se e desperta tão pavlovianamente os receios populares que SOCIEDADES DIFERENTES já não é fácil fazer oposição sem ela). Só Para perceber uma sociedade, talvez que o povo não gostou do populismo e ele mais importante do que saber como é que foi fragorosamente derrotado nas urnas. nela se vive é saber como é que nela se Nuno Brederode Santos morre e se tratam os mortos. DN 29/10/06 Um dos temas mais em foco nos últimos dias foram as inundações. Na imagem vê-se O antropólogo L.-V. Thomas, especialis- o resultado da chuva em Torre de Vilela (Coimbra) ta nestas questões, apresentou esquemati- duas decisões de menor importância. Pas- contas para chegar à conclusão de que nem camente as diferenças entre a civilização DESASTROSAS sariam mais ou menos despercebidas numa o ordenado mínimo chegaria para comprar negro-africana tradicional e a civilização CONTRADIÇÕES conjuntura económica favorável. Mas, no um cinto em exposição…Mas pronto, a ocidental no que se refere à morte. Na mesma semana, toma-se conheci- momento em que se anunciam com o gente olha para aquilo e, por momentos, Essa diferença assenta no tipo de socie- mento que o Governo concede à Banca um Orçamento de Estado medidas mais drásti- tem-se quase a impressão de que Portugal é dade ou civilização. Enquanto na sociedade perdão fiscal por cobranças não efectuadas, cas e se pede/exige ao povo mais sacrifí- um país-e não, como diria o Eça, apenas negro-africana predominam a acumulação que os Partidos Políticos com assento na cios, é uma insensatez agravar as dificulda- “um sítio”. dos homens, uma economia de subsistência AR não cumpriram com a lei quanto às des que se sentem em todo o lado em áreas Alice Vieira com o primado do valor de uso, a riqueza contas das campanhas eleitorais, que o de uma enorme delicadeza, como é, por JN 29/10/06 de sinais e símbolos, a preocupação com as aumento da electricidade anda envolvido exemplo o internamento hospitalar. relações pessoais, o espírito comunitário, o em “trapalhadas”, que as SCUT da faixa Emídio Rangel papel do mito e do tempo repetitivo, na litoral norte também vão perder o seu esta- CM 21/10/06 sociedade ocidental o que predomina é a do de graça, que os benefícios dos cidadã- O PGR NÃO MANDA NADA os com deficiência foram alterados. E O PGR não manda nada ou manda acumulação dos bens, a riqueza em objectos muito pouco. Não há democracia que valha e técnicas, uma economia com o primado como se tudo isto não bastasse para des- para justificar esta insensatez. O BANQUEIRO DOS POBRES do valor de troca e da sociedade de consu- mantelar um capital de resguardo do Muhammad Yunus, conhecido como o Governo na exigência dos “sacrifícios “banqueiro dos pobres”, sempre disse que O chumbo do nome de Gomes Dias mo, a tanatocracia burocrática ou tecnocrá- para vice-procurador-geral pelo Conselho tica, a exaltação do individualismo, o papel pátrios”, as explicações que, publicamente, nunca deu, dá ou dará esmola a qualquer são aduzidas para estas situações são desas- pedinte que lhe estenda a mão. Mas fundou Superior do Ministério Público, proposto da ciência, da técnica, do tempo explosivo. pelo procurador-geral da República, Pinto Nesta visão, compreende-se que o signi- trosas. um sistema de luta contra a pobreza, de É admissível fazer crer ao grande públi- redução das desigualdades e de desenvolvi- Monteiro, vem demonstrar que, em ques- ficado do Homem também será distinto. tões essenciais, o PGR tem um mero poder Se, na sociedade negro-africana, o Homem co que a Banca, um dos sectores de activi- mento social, seguindo o princípio oriental dades mais profissionalizados deste país, de que “mais vale dar a cana que o peixe” e simbólico. Esta embaraçosa situação, de se encontra no centro, sendo altamente revés e de fragilidade, em que o CSMP socializado, e os velhos são valorizados, até desconhecia obrigações fiscais a que estava a lógica de que “quem mais precisa de capi- sujeita? E desde quando, e para quem, é tal para mudar a sua vida são os mais colocou publicamente Pinto Monteiro, porque representam a tradição e a sabedo- espelha uma triste realidade: o PGR não ria, na sociedade ocidental, o Homem apa- que o desconhecimento da Lei dispensa o pobres”. cumprimento da mesma? Colhe, porventu- Yunus e o Banco Grameen contribuíram manda nada ou manda muito pouco. rece sobretudo como produto, mercadoria, Os poderes invisíveis, que são exercidos inserido no círculo da produção-consumo, ra, como explicação razoável que os parti- para uma mudança favorável na vida de dos que fizeram e aprovaram a Lei não tin- milhões de pessoas em todo o mundo. com a cumplicidade daqueles que estão altamente individualizado e alienado, e os interessados em enfraquecer o seu poder, velhos são desvalorizados e abandonados. ham consciência e discernimento das impli- Conseguiram focar a sociedade no direito cações mais minuciosas e de difícil aplica- que cada indivíduo – independentemente colocando-lhe minas e armadilhas no cami- Padre Anselmo Borges ção? A bandeira eleitoral das SCUT excluía do sexo, da cultura e do estrato social – tem nho, já deram internamente um sinal de DN 29/10/06 poder e de força. E aqui não há democracia o Norte do país? de viver uma vida decente, pelo seu próprio A notícia destes factos já de si tem efei- esforço. que valha para justificar esta insensatez dos A TERRA MOVE-SE tos negativos. As explicações dadas à opini- Luís Portela membros do CSMP. Trata-se de um cargo Chuvas torrenciais, estradas alagadas, JN 25/10/06 da inteira confiança pessoal do PGR, que é casas a ruir, trememos não ainda pelo que ão pública revestiram para além de aspectos caricatos, um resultado deveras pernicioso. vital para o bom exercício das suas funções. já acontece mas pelo que, suspeitamos, vai A lei que confere esta competência aos vir. Traquilizam-nos os homens das meteo- A transparência é uma exigência da membros do CSMP está errada. Imagine-se EM NOME DOS RICOS democracia. Mas essa transparência não Abro o jornal e dou de caras com uma rologias que andam sempre no melhor dos estranha notícia. Normalmente Portugal é uma lei que impusesse ao primeiro-minis- mundos: “É da época...” Mas nós ouvimo- acaba nas leis que a prometem. Comprova- -se, sobretudo, nos actos. sempre apontado como pobrezinho, mais tro os nomes dos seus ministros e do seu -los como os passageiros do Titanic, des- ou menos terceiro mundo, coisa que, para gabinete! confiados, ouviam a orquestra de violinos. A transparência é condição para o fun- cionamento de uma democracia mediática. lá de Badajoz , ninguém conhece. O actual PGR merecia um voto de con- Há muitos, muitos anos, Galileu Galilei Mas desta vez Portugal aparecia mencio- fiança dos membros do CSMP. Os motivos tinha fisgada a mania de que a Terra girava Não se trata de esconder os factos. É pre- ciso é explicá-los de outra maneira. nado, em meia dúzia de linhas, ao lado-ima- invocados para vetarem o nome de Gomes à volta do Sol. A Santa Inquisição, apontan- gine-se!-dos Estados Unidos. Tudo porque, Dias (desconhecimento da actual realidade do-lhe a fogueira, quis que ele abjurasse Convincentemente. Sem espalhar a descon- fiança que cai sobre tudo e todos. garantia a notícia, um estudo afirmava que dos tribunais, posições políticas conserva- essa ideia absurda. E ele abjurou, para sal- a Avenida da Liberdade, em Lisboa, estava doras e passagem pela direcção da Polícia var a pele. Mas tendo-o feito, murmurou: Paquete de Oliveira JN 26/10/06 no ranking das cidades com o comércio Judiciária) são medíocres, mesquinhos e “Eppur si muove” – e, no entanto, [a Terra] mais caro do mundo, ao lado de lugares nada credíveis. O ‘homem’ que nos cerca, move-se... Tempos passaram e até a Igreja míticos como, por exemplo, a 5ª Avenida aos milhares, que prospera e se reproduz deu razão a Galileu, ou melhor, à Terra. em Nova Iorque. no silêncio e nas sombras, é o medíocre. Depois, desleixámo-nos. E a Terra move- Pinto Monteiro só tem uma forma de JOGO PERIGOSO O Governo, no espaço de uma semana, Bem, ao lado, ao lado, exactamente ao -se, para nos acordar. cometeu dois erros graves e potencialmen- lado não era, mas pelo menos estava na combater este homem e esta mentalidade: é Ferreira Fernandes te comprometedores da boa estratégia que mesma lista, num honrosíssimo 35º lugar. exercer de facto os seus poderes, como CM 26/10/06 desenhou para controlar o défice e moder- E na verdade basta percorrer a Avenida disse no discurso de posse, insistindo na nizar Portugal. Um refere-se à taxa de cinco da Liberdade (ou muito simplesmente “A escolha de Gomes Dias. Se recuar dará pro- euros de internamento hospitalar e o outro Avenida”, como diz qualquer alfacinha que vas de fraqueza, agrava a desconfiança gera- da sobre si e ficará para sempre nas mãos do O REPETENTE Ao fazer as malas para Bruxelas, Durão ao aumento de 16% das tarifas de electrici- se preze) para o nosso nariz bater no vidro Barroso escolheu Santana Lopes. Creio dade. Em boa hora, em relação ao aumen- das montras de lojas com os nomes mais Sindicato dos Magistrados do Ministério que, numa futura prestação de contas, ele o to brutal da electricidade, o Governo corri- sonantes da moda. Claro que a grande maio- Público que, face aos rumores públicos, desmentirá, alegando que a sua sucessão foi giu a decisão (passou de 16% para 6%) e ria limita-se mesmo só a bater com o nariz influenciou e condicionou a votação secre- modelarmente institucional. Mas terá de atenuou os efeitos desastrados do anúncio no vidro, pois o que se encontra para lá ta. O Ministério Público não perdoa o facto esperar – um esperar de espera e de espe- dessa medida. Quanto à taxa de interna- dele está tão longe das nossas pobres bol- de o novo PGR vir de fora desta corpora- rança – que a memória colectiva faça as mento hospitalar, não há notícias de sas como a lua ou marte.Aqui há dias lem- ção. Só o pior cego é que não vê. malas também. Porque, certo que estava do mudança e parece ser um facto consumado. bro-me de ter parado diante da Vuitton, ao Rui Rangel seu poder de ainda primeiro-ministro, ele Aparentemente, mas só aparentemente, são lado de um casal que fazia contas e mais CM 22/10/06
  • 11. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 OPINIÃO 11 ENTRE RÚSSIA E CHINA dessa campanha devem ser cuidadosamen- verno, venerando-o e aproveitando a onda, tir sobre homens baby-sitters ou acerca da Quando recentemente se discutiu no te levados em linha de conta para que não mais o governo se afasta do partido, que “invasão” da cozinha pelos senhores. E que a Parlamento Europeu a viabilidade de um se repitam desta feita. constitui quase um empecilho com as suas paridade só existirá se for de dois sentidos. futuro alargamento da União Europeia à Desde logo a constatação de facto de exigências, as suas discussões e as suas Dando exemplos de casais onde ambos Turquia, não foram poucos os que recorda- que estamos perante uma proposta mode- tendências. Foi assim com Cavaco, cansado os elementos têm projecção, JAS explica ram quanto a Europa está culturalmente rada, cuja defesa não pode ser feita com de um PSD enredado na malha dos seus que, hoje em dia, “as mulheres de homens bastante mais próxima em relação à Rússia base em argumentos absolutos. Estando baronatos; foi assim com Guterres, cansa- públicos” têm “uma existência autónoma” do que à Turquia, na filosofia, na teoria polí- em presença de dois direitos fundamentais do das disputas por cargos e do “pântano” - descobriu a pólvora! - que lhes permite tica, na literatura ou na música; mesmo no (um o direito da mulher a decidir da procria- que ele reconhecia melhor em sua própria “fazer afirmações que não são necessaria- momento em que o turco Orhan Pamuk é ção, outro o direito à vida do feto), a con- casa. Com Sócrates e com este congresso mente concordantes com as dos maridos galardoado com o Nobel da Literatura, qual- cordância prática destes direitos naquilo em que se aproxima, disciplinado antecipada- ou namorados”. Ó audácia! Qual arrojo! quer cidadão europeu conhece melhor a que eles possam colidir tem que ser encon- mente pela eleição pacífica do líder, ainda é JAS afirma mesmo que em nenhum dos obra de quatro ou cinco nomes grandes da trada numa base razoável, em linha com o cedo para baronatos e para pântanos. Mas, casos citados as mulheres se “assumem literatura russa do que a do recém-galardoa- que são as soluções definidas na generalida- salvo erro, estamos a meio do ciclo; e, na publicamente como as ‘senhoras de’”. do. As tradições comuns judaico-cristãs vol- de dos ordenamentos do nosso espaço verdade, Sócrates tem uma vantagem sobre Contudo, o autor - ainda que atire com a taram ao de cima com tanta rapidez que a político- -cultural e nunca com base na afir- Guterres – não só não precisou da rábula eventualidade de os homens se tornarem Rússia passou subitamente a ser vista pelos mação de um direito absoluto à disposição do “no jobs for the boys” (escolheu quem quis, “apêndices dispensáveis” (!), assume-o por europeus como um país amigo e alinhado, do corpo que acabaria por justificar não porque tinha o mandato, a maioria e o par- elas. As referências de JAS às “senhoras” com mais ou menos detalhe, pelos mesmos apenas soluções equilibradas como a pro- tido penhorado) como teve a sorte de se são, de facto, enquanto “mulheres” ou princípios, objectivos e práticas. Sinal de um posta mas antes soluções extremas. livrar da tralha soarista sem ter de se “namoradas” de. Eles nunca são os home- tempo como o actual, marcado pela violên- Soluções essas que não só não encontram esforçar ou de sofrer o desgaste. Aliás, ns de “mulheres públicas”, evidentemente. cia total, sem interlocutores claros, sem pre- acolhimento na generalidade das legis- Sócrates não desceu um único ponto Joana Amaral Dias visibilidade e sem hipótese de diálogo, tor- lações vigentes como se traduziriam no depois da derrota de Soares nas presidenciais. DN 30/10/06 nando-nos quase confortável a tensão entre sacrifício absoluto de um direito perante o Pelo contrário, a sua influência cresceu. os dois grandes blocos tradicionais da “guer- outro fora do nosso quadro constitucional. Francisco José Viegas A CRISE DO SUCESSO ra fria” e os seus mecanismos e comporta- António Vitorino JN 30/10/06 Começa a nascer na sociedade portugue- mentos expectáveis de mútua dissuasão. DN 26/OUT/06 sa uma contestação forte e perigosa ao 25 Economicamente, a globalização trouxe AS CONTAS ÍMPAR de Abril. também ameaças inusitadas. A tradicional DA DEMOCRACIA O texto de José António Saraiva, na últi- Ela pode ser descrita mais ou menos da dominação mundial partilhada, em termos O financiamento da política em geral, e ma edição do jornal Sol, representa eximia- seguinte forma: “A geração que fez a rev- produtivos e comerciais, pelos Estados dos partidos em particular, constitui um mente o perfil do neomachismo. O director olução governou-se com ela; conquistou Unidos, Japão e Europa, viu-se subitamente dos aspectos mais tristes da democracia. da publicação pretende, supostamente, direitos, arranjou posições seguras, empre- abalada pela entrada em cena de novos blocos No princípio, se bem se lembram, havia demonstrar que esse ismo é do passado e gos bem remunerados, apoios do Estado. de dimensão e comportamento imprevisíveis, militância. A contestação, tal como a festa, que a paridade ganha terreno. Mas acaba por Agora quem sofre são os seus filhos, na representando a China a ameaça mais forte. O fazia-se na rua e era feita pelos cidadãos, simbolizar a voz dos que, perante o discurso casa dos 20 ou 30 anos, que, mesmo com seu gigantismo demográfico, geográfico e então mobilizados e mobilizáveis por cau- estafado, anacrónico e prepotente da superi- cursos superiores, não conseguem carreira político, a opacidade do seu mercado e regras sas, pessoas e siglas, julgo que por esta oridade dos homens, dão lustre às suas estável e andam no desemprego, a recibo internas, a cumplicidade e falta de clareza ordem. Era o tempo dos desfiles multitudi- palavras, para que tudo continue na mesma. verde ou trabalho temporário.” entre as actividades empresariais e o Estado, o nários, dos grandes comícios, das campa- JAS disserta sobre “as profissões que tro- Primeiro temos de verificar se a crítica se incumprimento de regras mínimas sociais, nhas através do Portugal profundo, das ses- caram de sexo” – as engenharias – como se as baseia em factos reais. A resposta é clara- ambientais e de respeito pela propriedade sões de esclarecimento nos cineteatros da profissões fossem sexuadas, e sobre a mente negativa. A geração anterior, quando intelectual, a sua agressividade estratégica na província. Era o tempo dos cânticos, das “invasão das universidades por raparigas”, era jovem, sofreu muito mais que esta. Não é penetração dos mercados externos, tudo isto bandeiras e das palavras de ordem que se como se as “raparigas” tomassem de assalto justo acusar assim quem tanto fez pelo País. se combinou para que as atenções da Europa cantavam, se agitavam e se gritavam numa aquilo que é, por direito, dos “rapazes”. João César das Neves se voltassem para esse grande gigante do generalizada percepção da importância his- Escusado será dizer que não lhe ocorre reflec- DN 30/10/06 Extremo Oriente que, com a entrada na tórica de cada acto, de cada dia. Organização Mundial do Comércio em 2004, A televisão era a preto e branco, os passou a poder penetrar livremente os merca- debates duravam horas, ninguém exigia que dos mundial e europeu e a configurar um pico um conceito, uma teoria, um pensamento adicional de preocupação. fosse debitado em 55 segundos, os pivots Elisa Ferreira davam tempo, talvez porque, também eles, JN 29/10/06 achavam que se estava a fazer História. Não sei ao certo quando tudo se transfor- O NOSSO LUGAR NO MUNDO mou. Quando a militância se foi diluindo O título no The New York Times dizia: numa razoável dúvida sobre a utilidade das “Língua negligenciada é finalmente coloca- coisas, se entrou numa espécie de gestão polí- da num pedestal.” Por baixo, o texto infor- tica corrente, se proclamou a agonia das ideo- mava da existência de um idioma que mais logias. E, sobretudo, quando os partidos per- de 230 milhões de pessoas têm como lín- deram o poder de convocatória e puseram gua-mãe; uma língua mais falada do que “o em causa a sua própria função representativa. francês, o alemão, o italiano ou o japonês”, Maria José Nogueira Pinto mas em relação à qual o mundo tende a DN 26/OUT/06 fazer “vista grossa” (tradução livre de over- looked: aportuguesemos!). A FORÇA HABITUAL “Língua negligenciada?” 230 milhões de pessoas? Alguém adivinha? Sim, pois: o DO DESTINO português. De repente cá estamos o próximo con- O jornal referia ainda a relação estranha- gresso do Partido Socialista corresponderá mente difícil entre Portugal e o Brasil, lem- à canonização de José Sócrates no governo. brava alguns esforços da Comunidade de Não vale a pena erguer a voz com escânda- Países de Língua Portuguesa e destacava a lo e escarninho. Episódios semelhantes entrada, recente e significativa, de Timor- ocorreram na história recente, com Cavaco -Leste para essa comunidade de Estados e com Guterres - e significam antes de mais que têm a língua de Camões, Vieira, Pessoa, a genuína alegria pela manutenção do Rosa e Drummond como língua oficial. poder. Quando se chega a uma circunstân- Tudo isto, a pretexto da abertura do Museu cia destas, há quem compreenda que a na- da Língua Portuguesa em São Paulo – ao tureza dos ciclos políticos tem qualquer que parece, o museu mais visitado do Brasil coisa de repetitivo e de trágico; repetitivo por estes dias. porque os factos não podem negar-se, trági- Jacinto Lucas Pires co porque não dependem da vontade dos DN 26/OUT/06 actores mas sobretudo das circunstâncias. Tirando Manuel Alegre, que cada vez tem menos a ver com este PS desde que REFERENDO afrontou as indicações do partido para as Sou dos que pensam que mais do que a presidenciais, ninguém está em condições opinião pessoal expressa há oito anos pelo de pôr em causa o abençoado ganha-pão então primeiro-ministro António Guterres, do poder. Mesmo com Manuel Alegre, o que pesou decisivamente no resultado do estamos para ver. Mas é nestas alturas que referendo foi o tipo de campanha que o se observa sempre o mesmo fenómeno campo do “sim” levou a cabo. Os erros quanto mais o partido se aproxima do go-
  • 12. 12 REPORTAGEM DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 CUMPRIU-SE A TRADIÇÃO DA ACADEMIA Cortejo com Decorreu anteontem (terça- descansar das várias noites a oportunidade para distribuir feira), em Coimbra, o tradicio- perdidas nos espectáculos e cerca de 15 mil panfletos pelos nal cortejo da “Latada”. nas confraternizações que futricas (não estudantes) que Antes, e como é uso há mui- fizeram parte da festa. assistiram ao desfile. tas décadas, pela manhã muitos Certo é que a alegria de mui- O panfleto criticava a situação estudantes foram ao Mercado tos milhares de estudantes e que se vive no ensino superior, D. Pedro V roubar os nabos. os trajes multicores enverga- classificada como “preocupan- O cortejo começou muito dos pelos caloiros dos vários te”, e incluía caricaturas sobre mais tarde do que o previsto, cursos, contrastaram com o “O Sonho” de que “Portugal vai cerca das 17 horas, provavel- cinzento triste do dia. ser um país de Ciência e mente porque muitos dos A Direcção-Geral da Asso- Inovação”, enquanto no reverso estudantes estavam ainda a ciação Académica aproveitou do panfleto, “A Realidade”, os
  • 13. REPORTAGEM 13 alguma “lata” DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 DE COIMBRA Fotos: Pedro Ramos diplomados são encaminhados cupação com o actual estado Envergando os mais diver- para o desemprego. do Ensino Superior em Portu- sos trajes (alguns muito redu- Nas caricaturas, da autoria gal”, disse aos jornalistas o zidos e simbólicos), os jovens de Luís Costa, era feita alusão Presidente da Direcção-Geral aludiam a temas meritórios, ao Pólo VII da Universidade da AAC, Fernando Gonçalves. como a defesa da natureza ou (actualmente encontra-se em Para os milhares de estudan- a crítica ao atraso de um pro- construção o terceiro) e teci- tes que desfilaram até à Baixa jecto há muito prometido à das algumas críticas ao Reitor, de Coimbra, o cortejo, ponto região: o metropolitano ligeiro a o Processo de Bolonha e aos alto da “Festa das Latas”, ser- de superfície. cortes orçamentais. viu para divertimento (não raro Enfim, um cortejo muito ani- “Quisemos passar à popula- com excessos alcoólicos) e mado, com menos latas mas ção uma mensagem de preo- para alguma crítica irreverente. com mais “lata”.
  • 14. 14 COIMBRA DE 1 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 EMISSÃO COMEMORATIVA DOS 150 ANOS DOS CAMINHOS DE FERRO Foto de Varela Pècurto em selo dos CTT Que Varela Pècurto, colaborador do jornal primeira página) foi por ele recolhida nos anos das e calendários, para além de ter vendido mui- “Centro”, é um dos mais reputados fotógrafos 70 ou 80, perto do Buçaco. Na foto original, tas centenas para entusiastas de comboios de portugueses, não será novidade, tantos têm sido aliás, via-se a serra em fundo, tendo sido apro- todo o País e do estrangeiro. Mas esta é a pri- os prémios por ele conquistados, mesmo nos veitada para o selo apenas a ampliação do com- meira vez que uma foto de Varela Pècurto é uti- mais prestigiados concursos internacionais, ao boio, no belíssimo enquadramento conseguido lizada como motivo para um selo de correio. longo de muitos anos de actividade profissional. pela sensibilidade de Varela Pècurto. Um testemunho deste artista invulgar que Ao seu valioso curriculum junta-se agora o O nosso colaborador contou-nos também fica para a posteridade, no que constitui uma facto de uma fotografia de que é autor ter sido que, durante muitos anos, um dos seus passa- escolha muito feliz e uma homenagem muito utilizada pelos CTT para um selo da emissão tempos predilectos era exactamente dar passei- justa. comemorativa dos 150 anos dos caminhos de os de comboio aos domingos, sobretudo na Registe-se, como curiosidade, que também ferro em Portugal (que se completaram exacta- Região Centro, neles recolhendo imagens muito no último número do “Boletim Salesiano”, mente no passado sábado). variadas. agora editado, vem reproduzida uma imagem Segundo nos revelou Varela Pècurto, a ima- Algumas dessas imagens já antes haviam de Varela Pècurto, feita em Évora, sua terra gem utilizada para o selo (que reproduzimos na sido utilizadas pela CP para a ilustração de agen- natal. CONFERÊNCIA POR PROFESSORA SÉTIMA EDIÇÃO AINDA COM MAIOR ÊXITO EM COIMBRA DE SALAMANCA O futuro Mais de 2 mil espectadores da Imprensa Regional na Festa do Cinema Francês “Imprensa Regional: que futuro?” – eis Mais de 2 mil espectadores assistiram aos 15 o título da conferência que vai ser proferi- filmes integrados na 7.ª Festa do Cinema da em Coimbra, na próxima quarta-feira, Francês, que em Coimbra decorreu, durante por Ana Tamarit Rodríguez, professora seis dias (de 16 a 21 de Outubro) no Teatro catedrática da Universidade Pontifícia de Académico de Gil Vicente. Salamanca. Uma autêntica maratona de bom cinema, de Trata-se de uma iniciativa do Secreta- todos os géneros e para todas as idades (incluin- riado Diocesano das Comunicações So- do para crianças). ciais, e decorrerá no Instituto Justiça e Paz Esta sétima edição registou êxito ainda supe- (Couraça de Lisboa), a partir das 17,30 rior às anteriores. Iniciou-se com o filme “Qui horas. A participação é gratuita, mas o m’aime me suive”, que contou com a presença número de lugares limitado, pelo que os do realizador Benoît Cohen e com a protago- interessados deverão fazer a respectiva nista do filme, a actriz Eléonore Pourriat. inscrição através do e-mail imprensaregi- No final da projecção do filme foi servido onal@gmail.com. um beberete ao público presente, que assim Como à conferência se seguirá um de- teve ocasião de dialogar com o realizador e a bate, que se deseja alargado e informal, actriz, sendo muitas as pessoas que lhes fizeram está previsto que o encontro com a espe- perguntas e com eles quiseram tirar fotografias, cialista espanhola possa prosseguir depois ao que eles se prestaram de forma muito sim- do jantar. ples e simpática, sem quaisquer complexos de Os interessados poderão jantar no pró- vedetismo. prio Instituto (onde as refeições têm preço O realizador, aliás, fez questão de salientar acessível). que iniciara a sua carreira com uma curta-metra- Entre os temas propostos pela organi- gem que foi exibida no Festival de Cinema da zação contam-se os seguintes: “Imprensa Figueira da Foz. de segunda categoria? Condenada no A semana prosseguiu com a projecção de 2 Promovida há 7 anos consecutivos pelo Festa do Cinema Francês tornou-se um evento mundo globalizado? ‘Jornalismo de proxi- a 3 filmes por dia, sendo de salientar a sessão Instituto Franco-Português de Lisboa e pela cultural marcante em Coimbra, pelo que os midade’: um valor? Ajuda no desenvolvi- especial para as escolas da região, com um filme Alliance Française de Coimbra, com a colabora- organizadores começaram já a preparar a edição mento das comunidades?”. de animação que foi presenciado por cerca de ção de alguns parceiros locais e nacionais, a do próximo ano. Enfim, uma boa oportunidade para dis- 600 adolescentes, num ambiente muito especi- cutir questões essenciais para uma área da al, marcado ainda por um pequeno mas anima- VER BONS FILMES SEM PAGAR comunicação social cuja importância rara- do diálogo do Director da Alliance Française de mente é reconhecida pelos poderes públi- Coimbra, Alain Didier, que conseguiu pôr estas “Cinemania” na Casa da Cultura cos e privados. centenas de adolescentes a falar francês em uníssono. Na Casa da Cultura de Coimbra prossegue dia 18: “Morte em Veneza”, de Luchino a iniciativa designada por “Cinemania”, com a Visconti; dia 25: “Amarcord”, de Federico exibição gratuita de bons filmes nas tardes de Fellini. NA GALERIA DO CHIADO sábado (normalmente com início às 15 horas). Para Dezembro está previsto um ciclo inti- Exposição de pintura de António Ferraz O mês de Outubro foi dedicado ao cinema tulado “Filmes para Dias de Neve”, com as português. seguintes obras: dia 2: “O Doutor Jivago”, de Na Galeria de Exposições Temporárias do para uma afirmação plena da arte como parte Em Novembro será a vez de um Ciclo de David Lean; dia 9: “Shine - Simplesmente Edifício Chiado foi inaugurada uma exposição integrante do universo humano. Analisando o Cinema Italiano, com o seguinte programa: Genial”, de Scott Hicks; dia 16: “A Marcha de pintura de António Ferraz, que pode ser apre- seu percurso, já longo e semeado de êxitos, pode dia 4: “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni; dia dos Pinguins”, de Luc Jacquet; dia 30: “A ciada até ao dia 10 de Dezembro. dizer-se que António Ferraz associou a formação 11: “Cinema Paraíso” de Giuseppe Tornatore; Idade do Gelo”, de Chris Wedge. Sobre o certame, refere o Departamento da recebida no curso obtido na École National Cultura da Câmara Municipal de Coimbra: Supérieur d`Architecture et d’Artes Visuels, La “António Ferraz é um consagrado valor das Cambre, Bruxelas, à aprendizagem provinda de artes plásticas e portador de um apreciável currí- João Paisana, Manuel Granjeio Crespo, Jo Exposição de pintura de Armando Alves Martins culo na área em referência que, tendo aceite o Delahaut e Waldemar da Costa, bem como à Uma exposição de pintura da autoria do riques, 39). O certame, que estará patente até convite formulado pelo Município de Coimbra, equipa que protagonizou com António Paisana arquitecto Armando Alves Martins pode ser ao dia 18 do corrente mês de Novembro, fun- permite que a sua obra contribua para um enri- e, ainda, ao grupo de iniciadores do CAPC – vista no “Clube Médico”, instalado na Ordem ciona das 12 às 23 horas, de segunda-feira a quecimento dos visitantes do Museu da Cidade e Círculo de Artes Plásticas de Coimbra”. dos Médicos, em Coimbra (Av. Afonso Hen- sábado.
  • 15. DE 1 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 DESPORTO 15 FUTEBOL – ACADÉMICA/OAF Manuel Machado ainda procura soluções Tiago Almeida momento, com as constantes alterações no que em todos os jogos na condição de visi- “onze”, ora em virtude das lesões e dos tante, Machado apostou sempre em três Não apenas esta época, mas também castigos que vão surgindo, ora em prol da médios de características mais defensivas e nos anteriores clubes por onde passou, metodologia já citada. Quanto ao esquema numa frente de ataque, ora aberta com elas Manuel Machado deu já a entender que táctico preferencial, o vaivém de opções ora disposta em losango. Se no Bonfim, no não é técnico de um só “onze”. O técnico mantém-se. Disputadas oito partidas, qua- Bessa e em Paços, o empate somado não da Briosa prefere, na leitura que faz do tro em Coimbra e outras tantas fora de foi um mau resultado para os estudantes, já jogo, moldar sempre a sua equipa consoan- casa, a Académica continua sem ter uma ao quarto jogo, com essas mesmas caracte- te as características do adversário e só com equipa e um sistema-tipo. A última derro- rísticas, a Académica perdeu, frente a uma a equipa planeada para conter o futebol do ta, averbada Sábado, dia 28, em Leiria, veio União de Leiria que nem sequer esteve par- mesmo, parte para uma mais à sua ima- não só clarificar essa ideia, como até por ticularmente inspirada. Uma Briosa consis- gem. Assim tem acontecido na Liga, até ao em causa os automatismos da equipa. É tente procura-se… 1.ª Jornada: Vitória de Setúbal – 1; Académica – 1 (4x5x1) 2.ª Jornada: Académica – 1; Naval – 2 (4x2x3x1) O primeiro teste Desastre defensivo Estevez Gelson Hélder Barbosa Miguel Pedro Estevez Filipe Teixeira Hélder Barbosa Brum Pavlovic Alexandre Brum Alexandre Lino Medeiros Litos Nuno Piloto Lino Medeiros Danilo Nuno Piloto Pedro Roma Pedro Roma 3.ª Jornada: Académica – 1; Belenenses – 1 (4x2x3x1) 4.ª Jornada: Boavista – 2; Académica – 2 (4x3x3) Infeliz na hora do remate Com sabor a derrota Gyano Dame Hélder Barbosa Miguel Pedro Filipe Teixeira Miguel Pedro Gelson Brum Pavlovic Alexandre Brum Pavlovic Lino Medeiros Litos Sonkaya Lino Medeiros Litos Sonkaya Pedro Roma Pedro Roma 5.ª Jornada: Académica – 1; Nacional – 3 (4x2x3x1) 6.ª Jornada: Paços de Ferreira – 1; Académica – 1 (4x3x1x2) Segunda expulsão de Litos Empate consentido no final Gelson Gelson Gyano Filipe Teixeira Dame Miguel Pedro Miguel Pedro Brum Pavlovic Brum Pavlovic Alexandre Lino Medeiros Litos Sonkaya Lino Kaká Danilo Sonkaya Pedro Roma Pedro Roma 7.ª Jornada: Académica – 2; Desp. das Aves – 0 (4x2x3x1) 8.ª Jornada: União de Leiria – 2; Académica – 0 (4x3x1x2) Vencer sem convencer Infantil e pouco corajosa Gyano Hélder Barbosa Dame Dionattan Dame Miguel Pedro Miguel Pedro Brum Alexandre Brum Pavlovic Alexandre Vítor Vinha Kaká Danilo Nuno Luís Lino Kaká Danilo Nuno Luís Pedro Roma Pedro Roma
  • 16. 16 DESPORTO DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 EURO 2004 Liga promete castigo Responsável revela o segredo para declarações impróprias da segurança A recusa de adeptos violentos foi a principal A Comissão Disciplinar (CD) da Liga “A CD, sem prejuízo da liberdade de ser “proibido exprimir publicamente juízos razão do sucesso da segurança no Euro 2004, Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) expressão, em particular a que permite a ou afirmações lesivos da reputação de pes- disse no passado domingo, em Faro o coorde- prometeu anteontem (terça-feira), em comu- legítima manifestação do direito à crítica no soas singulares ou colectivas ou dos órgãos nador nacional de segurança pública daquele nicado, sancionar os emissores de declarações âmbito das competições profissionais, pro- intervenientes nas competições, bem acontecimento desportivo, superintendente públicas que agridam as relações entre os moverá, por sua iniciativa a averiguação e como das demais estruturas desportivas, Guedes da Silva. agentes desportivos. eventual sanção de práticas que traduzam assim como fazer comunicados, conceder Falando durante o segundo dia da I Con- Lembrando que essas declarações se gene- ilícito disciplinar”, refere o comunicado entrevistas ou fornecer a terceiros notícias ferência Euro-Atlântica, o membro da PSP sus- ralizaram no passado “sem reprovação”, a divulgado. ou informações que digam respeito a fac- tentou que, do ponto de vista da segurança, o CD da LPFP apela a todos para que adoptem A CD da LPFP recorda ainda um conjun- tos que sejam objecto de investigação em sucesso do Europeu de futebol ocorreu ainda “condutas respeitadoras dos direitos de per- to de normas estatutárias e regulamentares a processo disciplinar”. antes do evento e se deveu à “filtragem de sonalidade, dos princípios ético-desportivos que os agentes desportivos estão sujeitos. São ainda recordadas as sanções previs- adeptos inconvenientes”, devido à colaboração da lealdade, da verdade e da rectidão”. “Devem manter conduta conforme aos tas para “os clubes que desrespeitarem ou entre as autoridades portuguesas e de outros A solicitação da Liga surge depois de uma princípios desportivos de lealdade, probidade, usarem expressões, desenhos, escritos ou países europeus. semana preenchida com trocas de palavras verdade e rectidão em tudo o que diga respei- gestos injuriosos, difamatórios ou grossei- “Foi por isso que não fomos invadidos de mais acesas entre dirigentes do FC Porto e do to às relações de natureza desportiva, econó- ros” e para as declarações que põem em adeptos indesejáveis, como aconteceu com o Benfica, antes do “clássico” do Dragão mica e social”. causa a “imparcialidade ou competência Europeu de 2000, na Bélgica e Holanda”, disse, ganho pelos portistas (3-2). A Disciplina da Liga lembra também técnica” dos árbitros. elogiando o trabalho de coordenação com out- ras polícias, com o envio de delegações aos país- es de origem de adeptos e a existência de ofici- ais de ligação. Devido a esse trabalho conjunto, BASEBOL disse, foi possível “filtrar” o envio de elementos potencialmente perigosos, que classificou como “classe C de adeptos”, o que acabou por facili- Académica vence Liga Ibéria tar o trabalho das autoridades portuguesas, nomeadamente da Comissão de Coordenação e Planeamento, presidida por Guedes da Silva. desforrando-se Recordou que, na altura da organização do Euro, as várias forças de segurança não tinham dos Tigres de Loulé qualquer coordenação, pelo que, a esse nível, “tudo teve que começar do zero”. A Académica de Coimbra venceu Para o Presidente da Secção de Basebol da Académica, José Dias, esta “Nem sequer tínhamos um sistema de no passado domingo (dia 29 de vitória tem um sabor especial, por ser contra o “velho rival”, mas sobre- comunicações uniforme, também aqui estáva- Outubro) pela segunda vez conse- tudo porque é uma “pequena vingança sobre os Tigres de Loulé, depois mos, literalmente, a partir do zero”, disse, cutiva a Liga Ibérica de Basebol ao da derrota na final do campeonato nacional”. observando que a comissão a que presidiu “não bater (3-2) os Tigres de Loulé, em extra O jogo de domingo foi, segundo José Dias, “muito fechado” e seguiu- fez nada de novo, mas sistematizou o que já era “innings”, vingando a derrota na final do se a encontros “com duas boas equipas espanholas”, que “obrigaram a conhecido”. campeonato nacional, na cidade desportiva de dosear o esforço e a guardar alguns trunfos para a final”. Um dos segredos do sucesso foi, disse, Abrantes. A Académica de Coimbra também dominou nos prémios individuais, “estar preparado para o imprevisto para não ter No final dos 9 “innings” regulamentares a final com o melhor lançador (Edward Tomas Jeffery) e o jogador mais valio- que se improvisar”, o que “só se consegue com estava empatada a dois, tendo a Académica aproveitado so da Liga Ibérica (Iam Young). Apenas o prémio de melhor batedor muito treino”. a fase de ataque do desempate, no 10.º “inning” da partida, escapou aos “estudantes”, tendo sido atribuído a Carlos Millán Bandes, A elevada capacidade de reacção das autori- para apontar o ponto decisivo e que ditou o vencedor da com- do Halcones de Vigo, clube que conquistou o terceiro lugar na Liga ao dades aos conflitos, latentes ou manifestos, a petição. bater os Toros de Madrid, por expressivos 17-6. flexibilidade, a mobilidade e a visibilidade “não ostensiva” das forças policiais também foram factores apontados como preponderantes para a não existência de problemas de maior durante BASQUETEBOL o mês de Junho de 2004. Futuro Presidente da Liga aposta na promoção JOGOS DA I LIGA DE FUTEBOL As audiências televisivas e o público nos apagar fogos e a pagar dívidas anteriores”. Entre outros objectivos do futuro elenco da Setúbal - FC Porto pavilhões, factores que permitirão “atrair “As dificuldades foram ainda agravadas pelo LCB figura, por exemplo, a revisão dos regula- mais investidores”, são os desafios prioritá- facto de o Governo anterior ter acabado com mentos que definem e regulam a admissão dos começa mais tarde rios de Paulo Mamede, líder da única lista os subsídios de deslocação. Também pagámos candidatos ao campeonato profissional. candidata às eleições à Liga de Clubes de os custos da ‘continentalidade’”, ironizou, satis- Apesar de não querer ainda especificar que O jogo Vitória de Setúbal-FC Porto, que en- Basquetebol (LCB), que decorrem amanhã feito, porém, pelo resultado final do mandato género de alterações poderão ser operadas no cerra a nona jornada da Liga portuguesa de (sexta- feira, dia 3). que agora termina. futuro próximo, Paulo Mamede adiantou que futebol na próxima segunda-feira (dia 6 de No- Membro da actual Comissão Directiva, pre- Depois dos dois primeiros anos, Paulo os novos critérios poderão ficar definidos já vembro), foi atrasado 45 minutos e terá início às sidida por José Castel-Branco, Paulo Mamede Mamede diz que a LCB “alcançou a estabiliza- para a próxima época desportiva. 21:15, a pedido do clube sadino. frisou à Agência Lusa que, superado o “estado ção financeira e recuperou a credibilidade”, duas O único candidato às eleições de sexta-feira A Liga Portuguesa de Futebol Profissional de caos e agonia”, o novo elenco apostará na vitórias que permitirão ao futuro elenco investir insistiu em adiar para mais tarde novidades (LPFP) acedeu ao pedido feito pelo Vitória de Setúbal depois da concordância expressa do promoção, para oferecer “ainda mais visibilida- em novas formas para conquistar adeptos. sobre o tema, mas uma das alterações poderá FC Porto, líder do campeonato. de ao campeonato profissional”. Neste sentido, Paulo Mamede destaca o incidir na redução do orçamento mínimo de Assim, o programa da próxima jornada (a “Sempre foi premissa desta comissão poten- acordo conseguido com a RTP, que transmitirá 300.000 para uma verba a rondar os 200.000 nona) é o seguinte: ciar e promover os aspectos positivos da moda- esta época um total de 25 jogos, “todos os euros, números já abordados em finais de lidade. Vamos continuar a tentar captar o inte- domingos e sempre às 17:00, com o intuito de Agosto, quando a LCB apresentou os moldes resse do público, pois a LCB, como todas as fidelizar o público”. A este pacote juntar-se-ão para um campeonato que viria a ser redefinido Sexta-feira (03 Nov): Belenenses – União de Leiria, 20:30 (SPORT TV) ligas profissionais, estão permanentemente inte- mais 35 jogos transmitidos pelo canal codifica- depois da desistência da Oliveirense. Sábado (04 Nov): Boavista – Desportivo das Aves, 19:15 (SPORT TV) ressadas em reunir condições para gerar negóci- do SportTV. “Queremos criar condições para alargar o os”, destacou o candidato. “Estamos e continuaremos a criar condições número de candidatos ao campeonato já na Domingo (05 Nov): Naval 1º de Maio - Marítimo, 16:00 Pronto para dirigir os destinos da LCB no para conseguir mais audiências televisivas. Por próxima temporada. Passar a disputar uma Académica – Estrela da Amadora, 16:00 Nacional – Paços de Ferreira, 16:00 triénio 2007/2010, Paulo Mamede congratu- consequência, reforçar a presença de público prova com dez clubes é aceitável. Chegar aos Benfica - Beira-Mar, 19:45 (SPORTTV) la-se por ter pertencido a uma comissão que nos pavilhões. Só assim conseguiremos atrair 12 seria muito bom”, reconhece Paulo “dedicou os dois primeiros anos de gestão a mais investidores”, explicou. Mamede. Segunda-feira (06 Nov): Sporting – Sporting de Braga, 19:45 (TVI) Vitória de Setúbal – FC Porto, 21:15 (SPOR TV)
  • 17. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 www.apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 17 nha e Inglaterra) e determinou qual a equi- impressão: dá gosto ver (e ouvir) o futebol pa mais indisciplinada. na TVI. O título foi atribuído... à Académica. (publicado no blogue em 27 de Outubro) (publicado no blogue em 30 de Outubro) CLÁSSICO SÓCRATES SEM GRAÇA Era inevitável. O primeiro sinal foi dado nas eleições Mário Martins CAMPEÃ autárquicas do ano passado, com a clara IBÉRICA derrota do Partido Socialista. DESABAFO Vieram depois as eleições presidenciais e Depois de ter perdido o campeo- “Não sei se alguém teve oportunidade o naufrágio de Mário Soares, o candidato de observar a reportagem que acaba de nato nacional, a Académica conseguiu oficial dos socialistas. este fim-de-semana o título ibérico. passar na TVI, relativa ao Varzim. Seguiram-se as medidas de combate ao Sob o título “Alunos-jogadores: cada vez Parabéns! défice, todas elas no mesmo sentido: fazer (publicado no blogue em 30 de Outubro) mais”, foram apresentados jogadores uni- “apertar o cinto” aos que menos têm. versitários do Varzim, um deles já a fre- Surge agora a proposta de Orçamento Não estive com grande atenção, mas pa- quentar o Mestrado. de Estado para 2007 e vê-se que o receu-me que o FC Porto-Benfica, de Foi referida a aposta na formação dos Governo, tão decidido nas palavras, não ontem à noite, foi um grande jogo. Quer-me parecer que haveria duas mais jovens e o prémio associado aos bons tem força para fazer parar a despesa do sec- Aliás, tanto nestes tempos de “Apito “horas boas”: as 13h00 e as 20h00. O horá- resultados escolares: a possibilidade de trei- tor que ele próprio gere. Ou seja: o cidadão Dourado” como em qualquer outra altura, rio dos telejornais. narem com os mais velhos. que gaste menos, porque o Estado vai gas- o 3-2 nas Antas é sempre um bom resulta- (publicado no blogue em 19 de Outubro) Fiquei dividido, não sei se core de vergo- tar ainda mais. do para qualquer equipa. nha, se espume de raiva e indignação. En- Ao mesmo tempo, sucedem-se as “tra- O que posso garantir é que, na Casa dos ANEDOTA quanto nos deixamos arrastar para o esgo- palhadas” ao melhor estilo do Governo Frangos de Oliveira do Hospital, na Catraia A minha amiga Fátima acaba de me to, outros vão paulatinamente fazendo anterior: é o ministro que decreta o fim da de S. Paio, a canja estava uma delícia. enviar uma mensagem, que ela classifica aquilo que sempre foi nosso”. crise, o secretário de Estado que culpa os E posso garantir ainda outra coisa: quan- como “uma das melhores anedotas femi- (Rogério Puga Leal, professor universitá- consumidores do aumento do preço da do o Benfica fez o 2-2 o restaurante levan- nistas de sempre”. rio, residente em Lisboa, sócio da Académica) electricidade, as contas erradas no orça- tou-se, a aplaudir. Todos os outros golos Ei-la: (publicado no blogue em 30 de Outubro) mento do próprio gabinete do primeiro- passaram quase despercebidos. Fascinado com as tarefas domésticas, o ministro. Para já não falar da “bronca” com (publicado no blogue em 29 de Outubro) meu marido resolveu lavar uma camisola dele. os exames de acesso à Universidade, dos Um bom bocado depois de ter chegado escândalos na instituição militar e das pro- ao pé da máquina de lavar, gritou-me de lá: TÍTULO DESNECESSÁRIO messas não cumpridas (taxas moderadoras - Que programa de lavagem é que devo AS HORAS DO RIVOLI na Saúde e portagens nas SCUTs, entre usar na máquina? outras). Um fartote! - Isso depende - respondi-lhe. - O que é Era inevitável: acabou o estado de graça que diz na camisola? de José Sócrates. Ele gritou outra vez, muito feliz com a Começou a contagem decrescente. resposta: (publicado no blogue em 24 de Outubro) - Mantorras! E ainda falam das loiras... (publicado no blogue em 30 de Outubro) DIA DIFERENTE Hoje era testemunha num julgamento. Passei o dia no tribunal, das 9 às 17. Tenho ONDE É QUE JÁ VIMOS de voltar no dia 22. Um grupo de cidadãos resolveu entrin- Como tinha em mãos um trabalho cheirar-se, durante alguns dias, dentro do DISTO?... urgente, para entregar ainda hoje ou ama- Teatro Rivoli, no Porto. nhã de manhã, cheguei à Redacção por Hoje, às 6 da manhã, a PSP terminou volta das 18h30 e... cá estou. com a ocupação, desalojou os manifestan- Fui fazendo o que tinha a fazer e, ao tes e levou-os para a esquadra. Amanhã mesmo tempo, fui acompanhando na tele- comparecerão em tribunal. visão pequenina, a preto e branco, o Beira Há pouco, na TSF, um desses cidadãos Mar-Sporting; uma olhadela agora, outra entrincheirados lamentava o facto da polí- depois, as repetições dos golos. cia ter acabado com o protesto a uma hora O jornal “Record” analisou os campeo- O jogo acabou agora mesmo. Resultado: em que não havia ninguém para ver. natos de futebol em seis países europeus 3-3. Emocionante. Tentemos adivinhar qual seria a “melhor (Portugal, Espanha, Itália, França, Alema- E decidi vir aqui ao blog para deixar uma hora” para o referido entrincheirado... (publicado no blogue em 29 de Outubro) Esquecimento? Em dia de chuva, é útil recordar como se encontra o rio... E, já agora, fazer uma pergunta: quem é responsável por uma situação destas? (publicado no blogue em 25 de Outubro)
  • 18. 18 CULTURA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 VIAGENS PELO BRASIL DO ANTIGO REITOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Fernando Rebelo lança livro de crónicas As Edições MinervaCoimbra promoveram miúdo dos dois países ao longo de cinco sécu- na passada semana a apresentação do livro los, e que se volta hoje para o futuro perscru- “Viagens pelo Brasil. Impressões de um tando os caminhos da história universal e da Geógrafo. Memórias de um Reitor”, da autoria história dos povos de língua portuguesa, com a de Fernando Rebelo (antigo Reitor da consciência crescente da importância da nossa Universidade de Coimbra, de cuja Faculdade de cultura comum para a humanidade que aí vem Letras é professor). chegando, dia após dia”. A apresentação esteve a cargo de António Também o título, referiu o professor de Barbosa de Melo, docente da Faculdade de Direito, “exprime de modo feliz e rigoroso o Direito da Universidade de Coimbra. conteúdo significativo do livro”. Reúne cróni- Como diz no prefácio o Prof. Edivaldo cas com as quais o autor foi reconstituindo Machado Boaventura, este “é um livro de uma viagem cultural através da maior parte dos demonstrada simpatia pelas coisas brasileiras, Estados Federativos do Brasil, desde São Paulo, escrito pelas ressonâncias da descoberta pes- estados do Nordeste e Norte, Distrito Federal soal do Brasil com a pena da admiração intelec- e Estados do Centro até ao Sul. “O percurso tual”, concluindo “os achados do professor seguido na obra define o itinerário de uma Rebelo … são tanto geografia como poesia”. viagem imaginária, como nos diz o autor, Segundo Barbosa de Melo, “a sensibilidade reconstruída a partir de nove viagens reais que, cultural do autor converteu um livro de viagens entre 1996 e 2005, em férias ou ao serviço da Barbosa de Melo apresentando o livro de Fernando Rebelo num notável exercício de sentimentos e de Universidade, realizou por todas as terras de expressões da fraternidade luso-brasileira, que que nos fala. É seu desejo confesso «mostrar sete partidas do mundo, ora conversador e orário de Portugal (afinal um antigo camarada pouco ou nada têm a ver com a tradicional um Brasil que o encantou e que é pouco con- aventureiro (José do Dão, em Olinda), ora per- de armas do autor), ora naturais de Coimbra retórica jogada nos tabuleiros da política ou da hecido em Portugal», sem deixar de referir por- sonalidade das histórias de Portugal e do Brasil (como o proprietário de campos de arroz em diplomacia”. Trata-se antes de “uma frater- menores observados nos 16 estados que foi (como José Bonifácio de Andrada e Silva), ora Pelotas ou a empregada de joalharia no Rio de nidade que é laço entre pessoas de carne e osso, visitando”. motorista e cicerone ou guia (que nos aparece Janeiro), ora guia poliglota (como o da viagem que assenta na mútua compreensão humana, Barbosa de Melo sublinhou ainda que “o sob vários tipos e em muitas cidades), ora poeta pelo rio Amazonas), ora o motorista, ora o que se reforça por uma riquíssima história tema permanente é o homem brasileiro, que e artista (como Vinícius, Jobim, o bar, o cafez- eclesiástico ilustre de origem portuguesa (como comum, partilhada pelas elites e pelo povo «fala o português com açúcar», que veio das inho e a “garota de Ipanema”), ora cônsul hon- o Bispo de Belém do Pará)”. EDITADO PELA MINERVA Noémia Novais publica obra sobre João Chagas Da autoria de Noémia Malva Novais, acaba importa salientar “a qualidade e originalidade do de ser lançada, pelas Edições MinervaCoimbra, trabalho de investigação realizado pela autora”. a obra intitulada “João Chagas. A diplomacia e Em “João Chagas. A diplomacia e a guerra a guerra (1914-1918)”. (1914-1918)” Noémia Malva Novais aborda a Integrado na Colecção Minerva História, problemática da participação de Portugal na dirigida por Luís Reis Torgal, o trabalho (que Guerra que assolou a Europa entre 1914 e é a dissertação de mestrado da autora, orien- 1918, bem como na Conferência da Paz que, tada por Amadeu Carvalho Homem), foi entre Janeiro e Junho de 1919, decorreu em distinguido com a 1.ª Menção Especial do Paris. Prémio Aristides Sousa Mendes atribuído A obra apresenta as teses intervencionista e pela Associação Sindical dos Diplomatas Por- anti-intervencionista que se defrontaram na tugueses. hora de decidir sobre a ida de Portugal à guerra, Na sessão de lançamento, que decorreu na clarificando que para os “guerristas” estavam livraria-galeria da MinervaCoimbra (no Bairro fundamentalmente em causa a sobrevivência da Norton de Matos) começou por usar da palavra Nação, o reforço do prestígio internacional da o orientador do trabalho, Carvalho Homem, República, a ameaça espanhola e a defesa do que enalteceu a qualidade da dissertação. Falou património colonial português – há muito depois o Director da colecção, Reis Torgal, que Noémia Novais, Luís Reis Torgal, António Reis, Carvalho Homem e Isabel Garcia ameaçado, especialmente pela avidez da igualmente teceu elogios ao livro e manifestou a Inglaterra e da Alemanha. João Chagas assume- esperança de que a figura de João Chagas venha pela personagem histórica escolhida que ainda tante pela complexidade da problemática se, neste contexto, como um dos defensores a merecer novos trabalhos de investigação. A não foi até hoje objecto de uma verdadeira histórica abordada. “A participação de Portugal mais radicais da participação portuguesa na apresentação foi feita por António Reis, profes- investigação académica historiográfica”, justifi- na Grande Guerra suscitou nos últimos quinze Primeira Guerra Mundial – o seu motor de sor da Faculdade de Ciências Sociais e cou, adiantando que “este é o primeiro sólido anos, um bom número de interrogações da arranque –, pelo que, no momento da partilha Humanas da Universidade Nova de Lisboa, contributo da historiografia portuguesa con- parte da historiografia contemporânea e, feliz- dos benefícios entre os participantes no confli- para quem esta é uma obra importante para a temporânea para o estudo da personalidade de mente, continua a suscitar”, afirmou ainda to, sobrevive, através dele, a memória de um historiografia e para a cultura portuguesas, por João Chagas”. António Reis. “É um tema chave, um tema Portugal injustiçado, porém, em certa medida, três razões fundamentais. “Em primeiro lugar, Em segundo lugar esta é uma obra impor- grande, para a nossa historiografia”. Finalmente, co-responsável por essa injustiça.
  • 19. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 EDUCAÇÃO 19 Reflexões a propósito da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) ceptuais propostas no âmbito da TLEBS, as palavras se combinam para formar frases rios de natureza sintáctica (o sujeito é o con- aliviando, consequentemente, muitas an- correctas até aos significados que elas vei- trolador da concordância verbal, sendo sub- gústias que entretanto se enraizaram na culam (os quais, muitas vezes, nem são stituível, nos casos de sujeito de 3.ª pessoa, mente de inúmeros professores do ensino explicitados nos enunciados, mas inferíveis pela forma nominativa do pronome pessoal básico e secundário, porventura devido a com base no que é discursivamente mani- “ele(s)/ela(s)”; etc.), o processo de identifica- um infundado alarmismo. festado); desde a selecção de palavras e de ção do constituinte que desempenha esta Paulo Nunes É que a TLEBS constitui uma sistemati- estruturas sintácticas em função da situação função sintáctica é universalmente aplicável da Silva zação de conceitos e designações não ape- em que os falantes se encontram até aos às frases do português. A concepção propos- nas útil mas indispensável aos professores mecanismos cognitivos que a interpretação ta na TLEBS é, portanto, mais rigorosa e Decorreu na quinta-feira passada (dia 26 de de Língua Portuguesa. Certamente todos de uma frase envolve. mais adequada ao objecto de análise. Outubro), uma Oficina de Gramática sobre concordamos que ela poderá ser melhora- A investigação em Linguística conheceu Quanto ao predicado, observa-se tradicio- Terminologia Linguística para os Ensinos Bá- da: há conceitos que deverão ser nela inte- um desenvolvimento exponencial ao longo nalmente alguma oscilação na identificação sico e Secundário (TLEBS), na delegação de grados; há definições que constam na ver- das últimas décadas do século XX, e temos do(s) constituinte(s) que desempenha(m) Coimbra da Universidade Aberta. O evento são actual e que deverão ser reformuladas, hoje à nossa disposição um conjunto essa função, aparentemente dependendo do consistiu em quatro sessões de trabalho, que com o objectivo de introduzir ainda mais impressionante de conhecimentos acerca professor e da instituição em que obteve a se prolongaram ao longo de todo o dia, dedi- rigor, ainda mais coerência interna e menos das línguas que não tínhamos há trinta sua formação académica, ou mesmo da esco- cadas aos seguintes subdomínios: classes de ambiguidade; há velhas designações que anos. Seria sensato manter os programas de la em que lecciona: ora se considera que o palavras, sintaxe e semântica frásica. Estas ses- poderão ser mantidas, dado o peso da tra- Língua Portuguesa do ensino básico e predicado é composto por todo o grupo ver- sões foram dirigidas por três docentes da dição gramatical e lectiva. Colocar a ques- secundário impermeáveis a esta torrente de bal, ora se considera que o predicado com- Faculdade de Letras da Universidade de tão desta forma equivale a admitir que se conhecimentos renovados? porta unicamente a forma verbal (simples ou Coimbra (Doutora Ana Cristina Macário Lo- trata de um instrumento de trabalho válido São múltiplos os exemplos que, de composta). A TLEBS introduz mais rigor e pes, Doutora Isabel Pereira e Doutora Cristina e credível, mas que deve ser objecto de per- modo sintomático, permitem evidenciar as simplicidade na análise, ao postular que o Martins) e por mim, enquanto docente da manente reflexão e, eventualmente, de vantagens de conceitos introduzidos ou predicado é constituído pelo grupo verbal Universidade Aberta. reformulação periódica. É esta a forma reformulados na TLEBS. Selecciono ape- (forma verbal + complementos) e pelos seus A actualidade do tema abordado e o ele- mais correcta de abordar a sistematização nas dois, que foram abordados ao longo modificadores. Neste caso, a concepção pro- vado interesse que suscita ficaram ampla- de conteúdos que constitui a TLEBS. das sessões da referida Oficina de posta na TLEBS permite evitar uma indese- mente demonstrados pela grande participa- Não é hoje fonte de qualquer polémica Gramática, e que povoam o quotidiano de jável ambiguidade. ção de professores de Língua Portuguesa. afirmar que as línguas naturais mudam com qualquer professor de Língua Portuguesa: o A sistematização de conteúdos que Dadas as limitações do espaço onde decor- o tempo, que todas as línguas estão em sujeito e o predicado. constitui a TLEBS é um passo em frente reu o evento e tendo em conta razões de contínua e perpétua mudança. O mesmo se A definição tradicional mais comum do no caminho certo. Mas é verdade que ela ordem pedagógica (que aconselham a que passa com a actividade científica, em qual- constituinte que desempenha a função sin- consiste numa listagem de conceitos elabo- estas sessões de trabalho não integrem um quer área do conhecimento. Ora, também táctica de sujeito é de natureza nocional: o rada por especialistas em língua portuguesa número excessivo de participantes), muitas os modelos descritivos das línguas naturais sujeito é o agente da acção referida na frase. e para especialistas em língua portuguesa. inscrições tiveram de ser recusadas. Tal têm evoluído no sentido de permitirem Sendo adequada à maior parte das frases Deste modo, perante a TLEBS, como constatação, aliada ao sentido de serviço descrever e explicar, de forma mais adequa- produzidas em português, não é, todavia, perante os manuais da sua disciplina ou público que deve animar os docentes de da e revelando crescente rigor, os fenóme- aplicável a todas. Em frases como “a Ana qualquer outro material de trabalho, os pro- qualquer nível de ensino, alerta-nos para a nos que as caracterizam. Tais fenómenos apanhou uma grande chuvada”, o sujeito não fessores do ensino básico e secundário necessidade de serem desenvolvidas mais são tanto mais complexos quanto envol- constitui o agente da acção, ficando demons- devem manter o seu olhar crítico e o seu acções deste tipo, que sirvam diversos pro- vem dimensões muito diversificadas das trado, com um exemplo prosaico, que a defi- bom senso, filtrando os conceitos e respec- pósitos. O mais importante desses objecti- línguas e do seu uso: desde os sons que são nição tradicionalmente proposta carece de tivas definições de modo a serem adequada vos consiste em explicitar e justificar as usados para comunicar até à estrutura rigor, uma vez que há contra-exemplos que e eficazmente leccionados aos alunos con- principais alterações terminológicas e con- interna das palavras; desde os modos como escapam àquela definição. Baseado em crité- cretos com quem trabalham. Ministra admite necessidade de melhorar aulas de substituição A Ministra da Educação, Maria de Lurdes Esta tónica foi também salientada pelos acesso ao ensino superior em cada uma das dis- Rodrigues, admitiu (na passada segunda-feira) cerca de mil alunos que organizaram o protesto ciplinas, independentemente das reformas cur- que algumas aulas de substituição são encaradas à chegada da ministra a Vila do Conde, onde foi riculares que os abranjam, um total de três. como “meros espaços para jogos”, mas mos- ratificar as cartas educativas de quatro dezenas A Ministra garantiu que nenhum aluno fica- trou-se indisponível para acabar com estes tem- de municípios. rá prejudicado “porque os exames incidirão pos lectivos. Maria de Lurdes Rodrigues recebeu, no final, apenas sobre tudo aquilo que é comum nos No entanto, a Ministra da Educação, que um delegação dos alunos em protesto. vários programas, nas várias reformas em nesse dia foi vaiada em Vila do Conde por mil Cátia de Sousa, aluna da Escola Secundária curso”. alunos que contestavam as aulas de substituição, José Régio, queixou-se à Lusa que as aulas de “Todos alunos ficam assim com igualdade garantiu que vai exigir a sua melhoria qualitativa. substituição “não têm qualquer utilidade prática, de oportunidades”, assegurou. Na avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, limitando-se a pôr os alunos fechados 90 minu- O despacho sobre os exames únicos já foi o insucesso no Secundário, da ordem dos 50 tos dentro de uma sala”. enviado para publicação no Diário da Re- por cento, implica realização de aulas de substi- Também em declarações à Lusa, Daniel pública. tuição. Seabra, da Escola Secundária Afonso Sanches, Nas suas declarações, Maria de Lurdes “Mas essas aulas têm de ser qualidade, per- considerou que as aulas de substituição “não Rodrigues desvalorizou os protestos que ultima- mitindo aos alunos tirar todo o partido delas e são a melhor maneira para estimular o aluno mente marcam as suas visitas a diversos pontos assim melhorarem os seus resultados escola- para a vida escolar”. do país, considerando “normal” que as pessoas res”, advertiu, prometendo “fazer um trabalho” O que é preciso, na sua perspectiva, é “incen- se manifestem. de afinação desses tempos lectivos com os con- tivar a assiduidade, pontualidade, criatividade e Maria de Lurdes Rodrigues “Vivemos num país democrático e é normal selhos executivos das escolas. forma de estudar”. que as pessoas manifestem a sua insatisfação”, Maria de Lurdes Rodrigues admitiu, do con- O aluno queixou-se igualmente da alega- questão que a ministra disse estar em vias de afirmou, declarando-se disponível para conhe- tacto com diversos alunos, que em alguns casos, da “discriminação” de candidatos ao ensino solução. cer os motivos da insatisfação e se eles “corres- as aulas de substituição seriam encaradas como superior, cujas matérias não estão abrangi- Maria de Lurdes Rodrigues explicou que no pondem a problemas reais e concretos” para, “meros espaços para jogos ou entretenimento”. dos pela última reforma curricular, uma próximo ano lectivo haverá um exame único de nesse caso, “procurar a solução”.
  • 20. 20 OPINIÃO DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 FILATELICAMENTE POIS... A inquilina explicava ao senhorio: barriga, a frase daquele professor de Fi- losofia: – Sr. Antunes, eu… – Engenheiro, se faz favor! «Somos pobres, mas vivemos como os – Ah! Desculpe! Senhor Engenheiro, alemães e os franceses. Somos ignorantes eu… e culturalmente miseráveis, mas somos João Paulo doutores e engenheiros. Fazemos mal- Simões José Recordei, quando a Ana Júlia me con- abarismos e contorcionismos financeiros, d’Encarnação tou desta cena do senhorio com o rei na mas vamos passar férias a Fortaleza». D. Pedro V Entre 1855 e 1856, circularam em Portugal, selos de D. Pedro V, cabelos lisos – impressão em relevo. Foram impressos um a um, dispostos irregu- larmente em folhas de vinte e quatro exemplares Pão de Açúcar um pouco amargo não denteado, utilizando papel liso mas de várias espessuras – fino, médio e espesso. O cunho destes selos foi também desenhado por Francisco Borja Freire, o mesmo autor dos cunhos de D. Maria II. Esta emissão só circulou catorze meses, embo- ra tenham sido feitos vários cunhos para cada selo. 1956 – 1958 – Ao que parece, não para retratar o soberano com cabelos anelados, mas sim, para rectificar o seu penteado, que indevidamente apare- ceu na emissão anterior, com risco posto à direita, foram postos em circulação novos selos, após a Varela Pècurto aclamação do monarca. Foram também impressos um a um, e dispos- tos irregularmente em folhas de vinte e quatro exemplares não denteados. Utilizou-se papel liso, Cheio de potencialidades, o imenso país fino, médio e espesso com cunhos de burilagem que é o Brasil prossegue no caminho do simples, dupla e quatro cunhos para os selos de 25 futuro, certo de que tem garantido um reis rosa. Foram reimpressos em 1864, 1885 e 1905. lugar ainda mais proeminente do que já Baseado num texto de Carlos Kullberg “Selos de Portugal vol. 1 (1853/1910)” hoje ocupa. Desta terra que tanto suor por- tuguês regou, se diz que está separada de D. Pedro V “O Esperançoso”, 30º rei de Portugal pelo Atlântico, o tal que já foi cha- Portugal, nasceu em Lisboa no real Paço das mado Mar Português. Puro engano, porque Necessidades a 16 de Setembro de 1837, onde tam- bém faleceu a 11 de Novembro de 1861. Era Filho não separa, antes une. Basta atentar nos de D. Maria II e de seu marido D. Fernando. empreendimentos e fluxos turísticos portu- Chamava-se D. Pedro de Alcântara Maria Fernando gueses, hoje intensos como nunca. Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António A complexa sociedade brasileira, actual- Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio. Educado primorosamente, assim como os seus mente uma mistura de raças das quais ape- irmãos, pelos melhores professores de Lisboa, e nas uma é indígena, debate-se, entre outros, principalmente por sua mãe, que teve sempre a jus- com o problema que é o elevado índice de tíssima reputação de boa educadora, revelou desde muito novo, as qualidades que o ornavam, a sua criminalidade. Apesar disso, a vida não notável inteligência, a sua tendência para um perse- pára, graças às enormes riquezas naturais verante estudo e as mais nobres e mais elevadas que possui, o que não evita situações desa- qualidades de espírito e de coração. Foi jurado e gradáveis a muitos dos que o visitam. reconhecido príncipe real e herdeiro da coroa pelas cortes gerais de 26 de Janeiro de 1838. Nas grandes cidades – S. Paulo, por Após a morte de sua mãe, ficou seu pai como exemplo, tem o dobro da população de regente até que D. Pedro atingisse a maioridade para Portugal – as favelas são viveiros dos que poder governar os destinos de Portugal. Empre- nascem, crescem e vivem à custa dos assal- endeu com seu irmão D. Luís, uma viagem de ins- trução e recreio pela Europa. tos e outros crimes. É a sua profissão. A bordo do Mindelo, partiram de Lisboa rumo Andei por terras de Vera Cruz como a Londres, passando pela Bélgica, Holanda, Prússia, fotógrafo integrado num grupo de antigos Áustria, França e Saxe-Coburgo-Gotha, voltando a estudantes, passeio organizado pela respec- Londres, donde regressaram a Lisboa. Completados os 18 anos a 16 de Setembro, tiva Associação, então dirigida pelo malo- prestou juramento em sessão solene nas cortes. grado dr. Teixeira Santos. Grandes festas foram realizadas em Lisboa para Graças ao prestígio universitário deste solenizar o novo rei que grandes infortúnios come- grupo, as visitas foram muitas, dando-nos çaram desde logo a assinalar o seu reinado. A cólera, a febre-amarela que fizeram várias víti- oportunidade de vermos o que é normal mas, assolaram a capital. D. Pedro, apesar dos con- para qualquer turista e muito mais do que a selhos dos seus homens mais chegados, não se ini- estes está vedado. biu de ir aos hospitais visitar os enfermos e sentar- se mesmo ao pé deles. Foi por isso adorado pelo Todos foram avisados de que na rua povo que lhe chamou o rei santo. nada de bom vestuário nem relógios caros, Em 1858, casou com a princesa de Hohen- ouro, prata ou jóias. Quanto ao dinheiro, zollern-Sigmaringen, D. Estefânia Josefina levar pouco no bolso, o chamado “dinhei- pagou com uma nota de que recebeu troco dos ladrões topou o meu gesto e, apontan- Frederica Guilhermina Antónia, segunda filha do príncipe soberano do ro do ladrão”, porque no caso de assalto em outras notas e moedas que meteu num do-me, exclamou: “Este cara avisou!”. Hohenzollern-Sigmaringen, Carlos António não convém dar uma nega ao assaltante, bolso das calças que lhe chegava ao joelho. Ante a iminência de ser violentamente Joaquim e de sua mulher D. Josefina Frederica. O especialmente se for jovem, porque então Quando se juntou a nós, o dinheiro do agredido, corri para o grupo e, alertando carácter da jovem rainha, estava em harmonia com tudo pode acontecer, até a morte. troco tinha sumido. para o que se passava, refugiei-me bem no D. Pedro V. Passeavam-se pelas serras de braço dado, bem Mesmo com estas recomendações, – Por ser experiente, um dos médicos meio dele. Como dois abutres, os ladrões como pela cidade o que incutia no povo um sinal alguns foram vítimas, embora com danos que tinha família no Brasil guardava o não mais deixaram de nos perseguir. de amor no casamento do seu rei e amor no trono. ligeiros. dinheiro num bolso feito nas cuecas. Junto do teleférico, lá estavam eles à Em1858, D. Pedro funda em Lisboa os altos – Á entrada de uma penitenciária transfor- Nunca foi roubado, mas cada vez que saía minha espera. estudos literários que não existiam em Portugal, e que depois da morte dele pouco desenvolvimento mada em mercado de artesanato – cada cela de uma retrete, a que recorria para tirar o Simulando que não descia, saltei no últi- tiveram. Em 1859, morre sua esposa. Ficou destro- uma loja nos pisos mais acessíveis – houve dinheiro do tal bolso, era alvo das chama- mo instante, deixando-os na plataforma. çado. Mas mesmo com tão grande desgosto, escre- quem ficasse sem um bom relógio ao auxiliar das piadas académicas. Suspirei de alívio, enquanto admirava a veu vários estudos filosóficos, dedica-se à esgrima, a esposa a descer do autocarro, estendendo- – Também tive a minha aventura desa- paisagem do lado contrário à que já vira música, tocando muito bem piano, bom atirador e exímio desenhador. Fazia caricaturas com grande lhe a mão esquerda. Roubado de sopetão, res- gradável quando vi um dos elementos do durante a subida. facilidade. visitava frequentemente Alexandre tou ao lesado um hematoma provocado pela grupo entre dois indivíduos, sendo evidente Foi um desassossego a minha visita ao Herculano que, a propósito deste, escreveu Bolhão pulseira extensível ao quebrar-se. tratar-se de um assalto. Passei por ele e dei- Pão de Açúcar. Pato: “Foi a primeira vez que vi Alexandre Herculano chorar como uma criança” (Memórias – Um outro companheiro teve necessi- lhe um beliscão que o alertou e fez dar um Mas valeu a pena, apesar de um pouco II) aquando da morte de D. Pedro V. dade de comprar um medicamento que salto, pondo-se de imediato no grupo. Um amargo. (Baseado em www.arqnet.pt/dicionario/pedrov.html)
  • 21. OPINIÃO 21 O arrocho DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 PRAÇA DA REPÚBLICA Não brinquem connosco! Por favor! quem manda mais. Para arrecadar a massa. O cidadão votou em massa por um Para usufruir da massa. futuro melhor. O cidadão jamais deixará de Por ali, as calças parecem não ter cinto Carlos Carranca acreditar na estafada teoria dos sacrifícios nem as camisas colarinhos. Não há arro- para equilibrar as contas do Estado e con- cho. Por ali o défice e a crise serão, porven- “SEI IMENSAMENTE NADA tinuará estoicamente a apertar o cinto. Por tura, mera ficção. SOBRE O UNIVERSO… Último portas travessas, aumenta a cobrança na Nos esquemas políticos do poder cen- MAS SEI” bomba da gasolina, à porta do hospital, no tral e local ninguém mexe. Nem menos um Renato Ávila recibo de vencimento... deputado, um presidente de câmara. A livro O cidadão continuará impávido e sereno crónica galeria de assessores. Nem menos O défice. Sempre o défice! a acreditar, a pagar e a votar. um tostão para as máquinas partidárias, E, em nome do défice, aperta-se o cinto. É mister que assim seja. A bem da Na- para os protocolos. Por ali não se levanta o de Carlos Puxam-se os colarinhos. ção. espectro dos despedimentos. Ao contribuinte. Ao cidadão. Ao vivente. O vivente permanecerá na corda bamba Foi por isso que aquele “Prós e Contras” Ao contribuinte foi prometido que não a adiar sine die essenciais projectos de vida sobre a lei das finanças locais nos deixou a aumentavam os impostos. Entraram pela e a fazer prodígios de equilibrismo para amarga sensação de que Portugal mais não Couceiro porta do cavalo. Sintomáticas alterações comer três vezes por dia, andar decente- é do que uma marginal manta de portugale- nos escalões de IRS, taxas daqui e dali, sub- mente vestido e a dormir debaixo de telha. cos nas mãos duns patuscos e emproados tracções de benefícios fiscais, novas porta- Nos mercados, mercadinhos e mercadões alcaides onde os cidadãos só servem para gens... e a receita contributiva vai aumen- não há fiados nem tostões. Os bancos brincar aos votos, bater palmas e... pagar a tando. Não pagamos mais impostos Não cobram e arrestam sem contemplações. crise. senhor! Apenas umas subtis e autocráticas Na galáxia do poder, o discurso subiu de Não seria democraticamente útil que por alterações às regras do jogo! tom. Pretende-se essencialmente saber ali houvesse também um exemplar arrocho? Para dizer de minha justiça seja o que for deste conjunto de versos livres direi, como o autor: sei imensamente nada. Arriscando, despudoradamente, citar-me, O LEITOR A ESCREVER direi que vivemos num tempo em que os discursos soam a oco. Vivemos num tempo de múltiplas palavras sem sentido, usadas nos comér- CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE COIMBRA cios diários dos interesses; palavras que se usam e deitam fora; palavras sem peso específico; sem leveza; sem valor. A propósito das necessidades Ao entrarmos numa obra poética - pelo contrário - penetramos na vida que se afasta da razão sem a dispensar e se dos taxistas do Estádio aproxima da sensibilidade. A poesia, tenta pela palavra, libertar-nos do ruído que aprisiona e, em função do outro, Sr. Presidente, nem todas as manifestações a si, Será que os “bons portugueses”, concretamente Permitam-me os leitores manifestar-lhes que, libertá-lo, religando-o à palavra perdida. serão de ordem política ou financeira. conimbricenses, opor-se-iam a que se construísse um para mim, jamais um saquinho de compras será No aperfeiçoamento do Mundo. A pala- Sou apenas movida por assunto da alçada da WC condigno aos Senhores taxistas que por tantos prioritário face ao respeito mútuo entre todos nós… vra poética é obra de engenharia: fazer dignidade humana, cujos requisitos sociais, políticos anos sedimentam seus veículos na Praça 25 de (É que, para quem desconhece, nos meandros pontes, unir o que está separado, aproxi- ou económicos têm aqui intervenção. Abril, junto ao Estádio Municipal de Coimbra? deste Estádio recém-construído foi construído, há mar congregando. Acredito que, qualquer Estádio Municipal Isto evitaria simplesmente, excelentíssimo sen- pouco mais de um ano, um dos maiores centros Neste livro encontramos uma perma- deste país, incluindo o da sua cidade, mexeu com hor presidente, que estes excelentíssimos senhores comerciais deste país.) nente busca de harmonia onde as ques- alguns milhares de tostões que todos nós “bons por- taxistas não fossem humilhantemente conduzidos a tões que têm guiado o Homem nos seus tugueses” ajudámos a ganhar. urinar em plena via pública, 365 dias /ano. Joana Rodrigues caminhos, permanecem. Eis a minha modesta reflexão, surgida apenas É de facto uma questão de prioridades, não Estudante comunicação social Frágeis, não resistimos ao tempo: de uma atitude cívica atenta: será? “Passo... mas resisto/e embora resistin- do... sempre passo/pois a vida não é mais do que isto!” A dúvida permanece, angustia e deixa-nos sem saber se o Homem mor- O que se aprende no autocarro reu, ou não, pregado numa cruz; se res- suscitou. Mas a cruz existe!... O autor fala-nos do tempo com mai- Sou um utente diário dos SMTUC, isto é, doentes, deficientes, velhos, etc. e, com os seus sacos horio da casa que elas habitam, o que não lhes dá úscula, mas do que nos quer falar é do transportes colectivos de Coimbra. de compras, preencheram os lugares destinados a problemas de renda de casa. Templo. Fala-nos das coisas simples da Aviso, desde já, que não tenho grandes motivos quatro passageiros. Para comer, os Serviços Sociais da vida: do regador ferrugento/que foi dei- para reparos... As minorias, que ainda não as tinham debaixo Universidade dão-lhes as senhas necessárias, que tado fora/e nunca mais foi visto. Um utente dos colectivos goza do privilégio de de olho, também passaram a fixá-las. elas aproveitam quando não têm melhor opção. E se há justiça no que vejo (interro- estar sempre actualizado, não só sobre o que se Perfeitamente à vontade, as miúdas traçaram a Como são estudantes utilizam os mesmos trans- gar-se-á o poeta ) porque é que uma passa em Coimbra, mas também sobre o pulsar do perna daquela maneira que eu gosto de ver e, entre portes que eu, mas quase de borla. pequena nuvem / esconde o sol / nasci- pessoal em relação a quem nos (des)governa. toques de telemóvel, conversaram de maneira a todo Mas não é tudo. do atrás de uma alta montanha...” ? E Provavelmente os jornalistas e os políticos, que o autocarro ouvir. Como têm feito os tais ‘biscates’, estão desem- sabe, também, que a poesia é brasa /que têm um olfacto demasiado apurado e uma carteira Eram as duas estudantes da Universidade de pregadas e recebem o subsídio a que têm direito. ainda arde/sobre fogueira fria ... demasiado cheia, desconhecem o pulsar do pessoal... Coimbra, bolseiras do seu país e já cá estão há 5 Uma delas vinha de uma entrevista para recep- O poeta, todos os poetas, são doentes Conto-vos um episódio de hoje. anos. cionista de um Hotel. da infância. Procuram-na, reinventam- Numa paragem entram duas jovens, 24/25 Pela conversa, nenhuma deve ter passado do 1.º Mas ela irá recusar porque só lhe pagam 540 na, mitificam-na, eternizam-na. anos, com as suas pastas universitárias, com um ano. euros e não lhe dão o fim-de-semana. Nos versos deste poeta há um jardim de aspecto muito melhor que excelente, com umas O país delas paga-lhes a Bolsa com grande Para isso, prefere receber os 350 euros sem fazer criança a procurar por mim e há, tam- roupas de tarar, enfim como diz o pessoal BOAS atraso, o que as obriga a fazer uns biscates de vez nada. bém, os valores morais que fizeram o COMÓ MILHO o que fez com que a maioria em quando. Quando estou a dizer ‘biscates’, estou O que a malta aprende num autocarro... Ocidente. Mas o que fica é a interroga- dos passageiros não as largasse de vista. a falar de trabalho em restaurantes, stands, etc. ção deixada pela Mãe: As duas ocuparam os lugares destinados a O país delas também terá um acordo com o sen- Um leitor assíduo do “CENTRO” - Carlitos, onde estás? -
  • 22. 22 MÚSICA DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 Distorções Outro dos concertos a que assisti, na semana passada, foi o dos escoceses Uik Project e os Hiena. Todas as bandas abdicaram dos seus direitos de autor, rever- ENCONTROS INTERNACIONAIS DE JAZZ DE COIMBRA “Jazz Camera Obscura, no Teatro Académico de tendo as receitas da venda deste disco para Gil Vicente. Conhecia muito pouco da sua o Serviço de Pediatria do IPO de Lisboa. É ao Centro” obra, excepção feita à primeira música do um autêntico 2 em 1, porque ao mesmo novo disco (”Let´s Get Out Of This tempo que estamos a contribuir para uma Country”, que tinha comprado uns dias boa causa, estamos, também, a comprar um começa hoje antes no Itunes), “Lloyd, I´m Ready To Be disco que reúne a nova geração da música José Miguel Nora Heartbroken”, que é uma clara homena- portuguesa. josemiguelnora@gmail.com gem a Lloyd Cole. Apesar de o som ter vindo a melhorar com o decorrer do con- certo e o sotaque escocês da vocalista Inicia-se hoje (quinta-feira, dia 2 de Na semana passada fui à festa dos 25 Tracyanne Campbell, a fazer lembrar Alex Novembro) a segunda parte da IV edição anos do GNR, no Coliseu do Porto, com- Ferguson, tornar impossível a percepção de do “Jazz ao Centro - Encontros In- pletamente lotado de fãs, que se mostraram muitas das suas palavras, gostei muita da ternacionais de Jaz de Coimbra”. conhecedores das músicas de cor e saltea- prestação desta banda, que deambula pelos Numa organização do Departamento do. Estava uma atmosfera verdadeiramente caminhos do denominado “indie rock”. de Cultura da Câmara Municipal de fantástica, criando-se um atractivo adicio- Fiquei com a ideia de que não esperavam Coimbra e do JACC (Jazz ao Centro nal ao espectáculo, e que irá, certamente, uma recepção tão boa por parte do público Clube), prolonga-se até depois de ama- faltar na actuação do Coliseu dos Recreios nesta primeira visita a Portugal, mas isso nhã (sábado), com espectáculos no em Lisboa. Começou com uma versão de não serviu para os perturbar, foi sim uma TAGV (Teatro Académico de Gil “Portugal na CEE” pelo Legendary Tiger motivação extra para a excelente actuação Vicente). Man, que depois voltou ao palco para que deram. Um concerto por noite foi o modelo acompanhar a banda em “Hardcore (1.º Por fim gostava de vos apresentar uma adoptado, com uma selecção de músicos escalão). Outra das convidadas foi Sónia nova colectânea de música portuguesa, inti- de grande qualidade. Assim, hoje será a vez de um quinteto Tavares dos The Gift, que entoou “Valsa tulada “Acorda!”. Para muitos de vós, será PARA SABER MAIS: “que alia competência e irreverência” dos Detectives” e “Asas (Eléctricas). Foi apenas mais uma, mas, de facto, não o é, e (como refere a organização). Trata-se de uma festa em que nada faltou desde os pode mesmo ser a primeira de muitas do - http:// www.gnr-gruponovorock.com/ o Bloco de Notas, de Mário Santos. parabéns a Reininho e companhia, até uma género, porque é um disco em que as faixas - http:// www.camera-obscura.net/ Amanhã (sexta-feira, dia 3), um concerto passadeira à Rolling Stones, não esquecen- estão em formato “mp3”, reunindo 60 - http:// www.cobradiscos.org/ muito especial, marcado pelo reatar de do os magníficos ecrãs, que fazem lembrar bandas da nova cena musical portuguesa, - http:// www.discoacorda.com/ecard/ uma antiga colaboração entre o pianista a “Licks Tour”. Foi uma grande festa. num total de 120 temas e com 8 horas de - Camera Obscura – “Let´s Get Out Of alemão Joachim Kühn e o baterista fran- Pessoalmente gosto mais destas celebra- duração. A selecção das mesmas pertence a This Country” (Elefant) cês Daniel Humair, agora acompanhados ções em recintos mais pequenos, dado o Henrique Amaro, destacando-se nomes - Camera Obscura – “Underachievers por um original do contrabaixo, Bruno carácter mais intimista e de maior proximi- como: Old Jerusalem, Linda Martini, Please Try Harder” (Elefant) Chevillon. Antes, pelas 15h00, e também dade entre público e artistas. Vicious5, Dead Combo, Houdini Blues, 1 - Vários – “Acorda!” (Cobra Discos) no TAGV, uma sessão com intuitos pedagógicos e uma oportunidade para o Wordsong-Pessoa público conhecer as ideias de um grande AMANHÃ (SEXTA-FEIRA) NA FNAC (COIMBRA) músico português - o “concerto conver- sado” com o pianista João Paulo Esteves da Silva. A encerrar o evento, no sábado (dia 4) uma estreia absoluta no nosso país: o Quarteto com que o guitarrista húngaro Gábor Gadó se tem notabilizado no lado ocidental da Europa. Referem os organizadores: “Além da aposta fortemente vincada no jazz europeu, a segunda parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra pretende incentivar a produção nacional convidando dois grupos portu- gueses. No caso do Quinteto de Mário Santos, a organização foi ainda mais longe, desafiando este músico para a gra- vação ao vivo e posterior edição discográ- fica do concerto. Tal não deixará de moti- var a forte adesão do público, que pode- rá escutar novas composições e comun- gar de um momento histórico. Para o Salão Brazil, espaço bastante requisitado na primeira parte da edição de 2006 dos Encontros, uma aposta “à medida”, tendo em conta as motivações que conduzem o projecto “O Lugar da Desordem” de Paulo Curado, aqui acompanhado por Salero na bateria e por Ken Filiano, um contrabaixista bem conhecido do público deste festival. Uma música viva, sustentada na improvi- Amanhã (sexta-feira, dia 3) pelas 22 ho- balho dedicado ao poeta Al Berto, os Livro, prefaciado por Richard Zenith, com sação e na empatia criada com a audiên- ras, na FNAC Coimbra, Wordsong-Pessoa, Wordsong viram-se agora para o universo versões originais de alguns textos do poeta, cia, descontraída por natureza mas não ao vivo. pessoano. Na sua essência, Wordsong- e de um DADV (novo formato de dupla menos exigente. Wordsong é um projecto multimédia em Pessoa é um projecto transdisciplinar que leitura) composto por um DVD com 12 Como tem vindo a acontecer até aqui, que Pedro d’Orey (Mler If Dada), combina a música e o vídeo em torno das videoclips e CD com 16 poemas ... can- os Encontros continuam a trazer a públi- Alexandre Cortez (Rádio Macau), Nuno palavras de Fernando Pessoa. A linguagem ções. co as mais recentes imagens do acervo Grácio, Filipe Valentim (Rádio Macau) e musical inovadora, interpretando as pala- A partir da segunda metade de Outubro, fotográfico do JACC, através de exposi- alguns artistas convidados transformam, vras do poeta com total liberdade criativa, os Wordsong levam o seu novo espectácu- ções a realizar durante a iniciativa, no manipulam, desconstroem e reconstroem recriando imagens e manipulando lingua- lo Pessoa a várias salas do país. Em TAGV, Salão Brazil e Livraria XM, com- em experiências sonoras de formato meló- gens, transpõe para este trabalho uma visão Coimbra, são recebidos em exclusivo pela plementadas com o resultado do progra- dico-electrónico a poesia de autores portu- única do imaginário induzido pela poesia Fnac. ma de voluntariado promovido na pri- gueses. de Pessoa. meira parte do festival”. Tendo-se iniciado em 2003, com um tra- O resultado final surge na forma de um www.myspace.com/wordsongpessoa
  • 23. DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 INTERNET 23 IDEIAS DIGITAIS obter comprovativos do seu rendimento e denunciar o membro e/ou venda de bens. Actualmente, este universo contrato de arrendamento. Técnicos e instituições ligados virtual é um mundo de negócios. As empresas da vida real a estes processos têm uma área reservada, que implica a começam a entrar também no jogo e até a agência de notí- validação do registo. Algumas funcionalidades do portal cias Reuters abriu uma delegação no Second Life. Este vão ficar disponíveis assim que o diploma seja publicado mundo conta já com mais de um milhão de “residentes”. no Diário da República. Numa primeira fase, o Portal da Inês Amaral Habitação será um apoio à implementação do novo regime Links relacionados: Docente do Instituto de arrendamento urbano. Progressivamente serão disponi- http://secondlife.reuters.com/ – Reuters Second Life Superior Miguel Torga bilizados outros serviços. News Center http://lindenlab.com/ – Linden Lab Portal da Habitação endereço: http://www.portaldahabitacao.pt | categoria: Second Life PODCOMER serviços endereço: http://secondlife.com/ | categoria: jogos GRANDES PORTUGUESES CIBERJUNTA «Aqui, além de ver as imagens e ler as receitas, podem ouvi-las. Que utilidade tem isso? Coloquem as receitas no seu leitor de MP3 e vão para a cozinha! Podem parar a emissão à vontade ou repetir e não ficam com papel espa- O programa da RTP Grandes Portugueses está a origi- O Ciberjunta é o primeiro jornal português dedicado às lhado por todo lado», lê-se na primeira página. O Podcomer nar alguma polémica. O propósito é eleger o maior portu- juntas de freguesia portuguesas. O site permite ainda às apresenta receitas culinárias em formato podcast. Este guês de sempre. Após uma primeira fase de votação vão autarquias ter uma página por 12 euros mensais, com ser- espaço está nomeado na categoria de melhor blog nos Best ser apurados 100 nomes, que serão posteriormente reduzi- viços gratuitos de assessoria de imprensa e web design. of the Blogs Awards (BOB) 2006 e é uma inovação na dos a dez. A terceira etapa do programa será a eleição do Este jornal sobre o Poder Local apresenta notícias actu- Internet portuguesa. Os conteúdos são completos e diver- nome mais votado pelos telespectadores do programa. alizadas, reportagens, breves, links para os endereços elec- sificados: de dicas a instrumentos de culinária, pesos e O espaço na Internet dos Grandes Portugueses permite trónicos de câmaras municipais e outras instituições e ser- medidas, pirâmide alimentar, sugestões de acompanhamen- ao utilizador votar, conhecer a filosofia do formato e nave- viços nacionais e internacionais, uma revista de imprensa tos, temperos e condimentos e um glossário. gar por algumas sugestões apresentadas pela RTP. O progra- sobre a temática, legislação e outros pontos de interesse. As categorias do site são variadas e complementadas ma extravasa o pequeno ecrã e o site permite saber quais são com outras áreas. O Podcomer potencia as novas tecnolo- as várias etapas, como um road show que vai visitar escolas Ciberjunta gias e permite a subscrição (através de agregadores) do espalhadas pelo país até Março de 2007. A polémica está lan- endereço: http://www.ciberjunta.com/ | categoria: ser- podcast e de rss. O acesso a algumas áreas do site implica çada e este site é também um espaço de debate, que permi- viços o registo do utilizador, que depois de validado permite per- te discutir os Grandes Portugueses – sejam possíveis nomes sonalizar a página. ou até mesmo a filosofia e pertinência do programa. HISTORY MATTERS Links relacionados: Grandes Portugueses www.thebobs.com – BOB Awards endereço: http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/gran- desportugueses/ | categoria: entretenimento Podcomer endereço: http://www.podcomer.com/ categoria: culinária SECOND LIFE PORTAL DA HABITAÇÃO O History Matters é uma iniciativa inédita e pretende documentar a vida quotidiana dos britânicos no século XXI. O projecto está a ser desenvolvido por historiadores da Grã-Bretanha e tem com ambição ser um documento histórico e antropológico sobre a forma de vida do O projecto Second Life é um mundo virtual, com ambi- Homem inglês do século XXI, potenciando-se como uma entes em 3D onde os utilizadores podem interagir e viver herança social e cultural para gerações futuras. em sociedade. O Second Life foi desenvolvido pelo Linden Os organizadores contam com a colaboração de volun- O Portal da Habitação é uma iniciativa do Instituto Lab e assume-se como um universo paralelo. Aqui os utili- tários e têm registado opiniões de membros de comunida- Nacional da Habitação que permite consultar online a zadores podem viver vidas paralelas, criar uma segunda des diversas. A ideia é colocar os britânicos a relatar as suas legislação e simular rendas. O portal vai igualmente permi- identidade desenhando a sua personalidade e aparência, experiências diárias online. David Cannadine, director do tir que senhorios e arrendatários solicitem o processo de interagir com outras pessoas, comprar propriedades, esco- Instituto de Pesquisa Histórica da Universidade de actualização das rendas, enviando via rede o Modelo Único lher onde quer viver e trabalhar. Londres, explicou à agência France Press a inovação e a Simplificado. O conceito é semelhante aos jogos SimCity e The Sims, importância desta ferramenta mas sublinhou que «o mara- Este espaço vai ainda permitir aos senhorios e inquili- mas extrapola o ambiente virtual e movimenta diariamen- vilhoso destes registos é que nós ainda não sabemos o que nos pedir avaliações fiscais dos imóveis e requerer a deter- te cerca de 280 mil euros – moeda real. As transacções são irá interessar no futuro». minação do Coeficiente da Conservação. Os proprietários feitas através de compra e venda de bens e serviços pelos vão também ter possibilidade de obter a declaração de ren- utilizadores do Second Life. A moeda é o dólar Linden que History Matters dimentos do arrendatário e informar sobre aumentos de se converte em dólares verdadeiros, e que pode ser com- endereço: http://www.historymatters.org.uk | catego- renda. Os inquilinos vão poder solicitar subsídio de renda, prada online ou ganha através do salário virtual de cada ria: blogs, história
  • 24. 24 T E L E V I S ÃO DE 2 A 14 DE NOVEMBRO DE 2006 PÚBLICA FRACÇÃO O PÂNICO PERANTE Agustina Bessa Luís à conversa com Maria OS AUDÍMETROS João Seixas para depois da meia-noite. Há uma sensação de que a RTP persiste na ideia, errada, de pretender fazer tudo para DOCUMENTÁRIOS PAGOS ... todos. Se foi sempre muito difícil consegui- MAS NÃO TRANSMITIDOS -lo, no actual estado da oferta televisiva torna- se uma tarefa que, para além de inútil, é o A RTP financia, através do Instituto do Francisco Amaral contrário de serviço público. Este só pode Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM), franciscoamaral@gmail.com construir-se numa convicção firme de servir a realização de inúmeros documentários o público e não de se servir do público. que não chegam a ir para o ar. Os produto- A RTP receia o público. Não acredita res e realizadores lamentam que os que são O PREÇO CERTO EM EUROS que consiga passar uma tarde de domingo transmitidos passem em maus horários e Trezentos e oito milhões. É este o valor sem o recurso à futilidade (ainda por cima sem qualquer divulgação. em euros que RTP e RDP juntas vão custar em repetição da noite de sábado!). Não Em troca dos 15% de financiamento ga- em 2007. Mais do que custará o funciona- porque se trata de entretenimento, mas rantidos pela estação pública aos projectos, mento da SIC e da TVI juntas. O financia- porque existe um evidente vazio de ideias a RTP torna-se o único canal com direitos mento será garantido por uma taxa incluída (e até emoções) no programa “Dança de exibição dos filmes durante três anos, na factura da electricidade. Isto quer dizer Comigo”. Há apenas “luz, cor, música” e mas alguns acabam por nunca chegar ao que todos vamos pagar mais pela Televisão público. A produtora Filmes do Tejo veio a e Rádio públicas. público afirmar que «... parece que têm ver- Estará errado? Para Pinto Balsemão está. gonha daquilo em que participam. O que A medida “vem contribuir para agravar a frusta é terem lá filmes que já pagaram e concorrência desleal da RTP”. É bom lem- preferirem passar repetições de documen- brar que foi tornado público que o lucro da tários sobre a vida animal». Impresa pode recuar 47,1%. Contudo, pode haver razões para algum O bom senso manda que se diga, “espe- optimismo com a 2:. O segundo canal asso- ramos que não seja errado”. ciou-se ao festival de documentários O que é necessário saber é o que se fi- DocLisboa e, este ano, pela primeira vez, há nancia quando se financia a RTP. Financia- um prémio para a secção de competição Investigações, onde são mostrados filmes Ora na verdade, quem não desiste de com temas ligados à actualidade política e lutar com todas as armas, mesmo as mais uma estafada “boa disposição” que é idên- social. Na semana anterior ao festival, a es- ignóbeis, é a TVI. E a luta é a de sempre. tica à de quem tem casa remediada e sonha tação transmitiu cinco documentários sobre Audiências, share, publicidade, dinheiro. com as fotos do El mueble! grandes figuras da cultura portuguesa. “Canta por mim” é abjecto. Cobarde. Em horário nobre, ao domingo à noite, Lamenta-se que só se tenha apostado em bi- Abusivo. Manipulador. regressaram os Gatos Fedorentos que tra- ografias de personalidades, não se abrindo Todos os casos “especiais”, para serem zem para o écran o humor inteligente do horizontes a outro tipo de linguagens. credores da anunciada solidariedade, têm quotidiano de uma nova geração. Grande que mostrar as suas “especificidades” (a façanha a da RTP! É uma espécie de gato NÃO CANTES POR MIM maior parte dos casos deficiências físicas) escondido com o rabo de fora. Não vão as em palco, agradecidos, ao lado das ditas audiências, instáveis como se sabe, alvora- Fora do serviço público, quem quiser “celebridades”. Um aproveitamento sem çadas, partir para outras ondas, antes que se que os compre. Mesmo assim, há quem de- pudor, qual exposição do “Homem-elefan- faça tarde (no sentido literal) aplica-se a tác- fenda, justamente, que as empresas priva- te” ou do Gigante moçambicano que se ar- tica do filme “agarra públicos” e deixa-se das de televisão gerem um bem público (a rastava pelas feiras há um bom par de déca- frequência) que lhe foi atribuído pelo das. A intenção é a mesma: fazer dinheiro. Estado e não podem fazer tudo o que bem Só que agora a produção televisiva conse- entenderem. O problema está nas limita- gue transformar em “glamour” a desgraça ções da Entidade Reguladora, começando alheia. logo pelas inúmeras disposições legais que, Eis a televisão como instrumento de como quase tudo em Portugal, lhe atrasam alienação em plena laboração! as intervenções. E não é por causa de se estar a jogar Na TVI está a decorrer um concurso-es- com as emoções. É verdade que a razão se o Preço Certo em Euros? Três concur- sos diários à semana na RTP1 que limitam a diversidade da grelha? As costas voltadas à produção cultural, às artes, ao espectácu- lo, à nossa história, no canal de maior au- diência do serviço público? Telejornais a maior parte das vezes sem novidade nem pectáculo que, segundo aquela estação, não basta para resolver os principais pro- frontalidade, submissos ao jornalismo sen- junta entretenimento com solidariedade. blemas da existência. No entanto, seguindo tado e à notícia em segunda mão, à actuali- “Glamour com as nossas celebridades”, o conselho de Kierkegaard, quando ouvi- dade trágica e ao futebol, às agências de co- acrescentam. mos cantos de sereia e se fica enfeitiçado municação, aos porta-vozes oficiais, aos ga- Cada “celebridade” está a “concorrer e a por eles, a única forma de quebrar o feitiço binetes ministeriais, à conferência de im- defender um caso de solidariedade. Um consiste em cantar aquela música de trás prensa e ao pseudo-acontecimento ? O que caso de alguém especial, corajoso e empe- para a frente. Dar a volta à situação. se financia, afinal, quando se financia a nhado, que apesar de todas as dificuldades Raciocinar a partir das emoções. Não can- RTP1? não desiste de lutar”. tem por mim!

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