O Centro - n.º 1 – 12.04.2006

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    O Centro - n.º 1 – 12.04.2006 - Presentation Transcript

    1. Assine este jornal e ganhe valiosa obra de arte PÁG. 3 DIRECTOR JORGE CASTILHO Doces conventuais ANO I N.º 1 (II série) De 12 a 25 de Abril de 2006 edição gratuita x 1 euro (IVA INCLUÍDO) JORNALISTA DE COIMBRA NA BBC De piloto da Força Aérea a arqueólogo subaquático PÁG. 4 e 5 MASSANO CARDOSO Ambiente responsável por maioria das doenças PÁG. 12 e 13
    2. 2 12 A 25 DE ABRIL 2006 ESTATUTO EDITORIAL EDITORIAL órgãos de comunicação social (e também Regresso 1. De acordo com o estipulado pela na chamada “blogosfera”), encontrará Lei de Imprensa, o “CENTRO” define- no “Centro” uma resenha do que de -se como uma publicação periódica in- mais relevante foi vindo a lume – e que formativa que privilegiará a informa- poderá ir digerindo sem pressas, ao rit- ção geral, sem abdicar da informação mo que melhor lhe aprouver. especializada nas áreas em que tal se justifique – e salvaguardando sempre cidade quinzenal. Queremos, assim, dar Quando se enfatiza a crise até à de- um cariz não doutrinário. mais tempo ao espaço e menos espaço pressão, se exploram as desgraças até à 2. O “CENTRO” obedecerá a crité- ao tempo. Ou seja, ocupar as páginas do saturação e se glosam os escândalos até rios de verdadeiro pluralismo, comple- jornal não com as notícias do dia-a-dia à exaustão, queremos demonstrar que é ta insenção e total apartidarismo, man- (tarefa que cabe, sobretudo, aos diários, possível produzir conteúdos jornalísti- tendo intransigente independência re- às estações de rádio e de televisão), mas cos de outra índole. lativamente a poderes ou grupos políti- antes com reportagens e entrevistas ori- Não significa isto que pretendamos cos, económicos, religiosos ou quais- Jorge Castilho ginais e com sínteses do que de mais im- ocultar a realidade sob grossas pincela- quer outros. portante se disse e se escreveu ao longo das cor-de-rosa. Desejamos, isso sim, e 3. O “CENTRO” pugnará pela digni- O jornal “Centro” inicia hoje uma no- da quinzena. sem recorrer a diáfanos disfarces, evi- ficação da profissão, obedecendo aos va série, uma nova vida. denciar que a paleta do quo- princípios éticos e deontológicos que a Criado por mim há alguns tidiano se não restringe à regem e comprometendo-se a respeitar, anos, viveu sempre ofuscado tristeza dos cinzentos e ne- sob a responsabilidade do seu Director, pelo seu “irmão” mais velho, o gros, em monocromia an- a legislação que lhe é aplicável. semanário “Jornal de Coim- gustiante, sulcada apenas 4. O “CENTRO” tem como objectivo bra”, que fundei em 1987 e se por escorrências de sangue. fundamental satisfazer o direito dos ci- publicou, sob minha direcção, Vamos tentar ser um espe- dadãos a serem informados, procuran- até 2004. lho da vida, mas reflectindo do que o conteúdo de cada uma das Por razões que me abstenho menos infelicidades e reve- suas edições se paute pela honestidade, de comentar, o “Jornal de lando mais coisas e mais pelo equilíbrio e pela possível objectivi- Coimbra” seguiu outro rumo... gentes interessantes – sem dade. Pois chegou a altura de recu- nunca fugir à denúncia do 5. O “CENTRO” procurará também perar o testemunho que ele que está errado, outrossim não descurar a função formativa que à sempre empunhou – e que de- ao elogio do que tiver méri- Imprensa compete, propondo-se veicu- masiado tempo deixei caído to. lar a cultura nas suas diversas formas e por terra... – e de retomar a promover o debate de ideias que consi- marcha inesperadamente inter- Contamos com o apoio dera salutar para o enriquecimento da rompida. dos leitores, razão de ser de opinião pública. Esse testemunho que reergo todos os nossos esforços. agora, foi sempre um símbolo Queremos conquistar um de liberdade, de independên- número crescente, única for- cia, de isenção – qualidades ma de manter e melhorar es- unanimemente reconhecidas te projecto, que nos tempos Director: Jorge Castilho ao “JC”. que correm é empreitada de (Carteira Profissional n.º 99) São esses atributos que o risco. “Centro” herda com legítimo Para concretizar tão am- Propriedade: AUDIMPRENSA orgulho, assumindo o compro- bicioso desiderato, investi- NIF: 501 863 109 misso de fazer deles a arga- remos toda a nossa capaci- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho massa que ligará as palavras e dade de trabalho, aliando a Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 as imagens com que se há-de experiência adquirida ao construir cada edição. Na última edição do JC, Zé Penicheiro desejava-nos boa longo de décadas com a ge- Composição e montagem: viagem e, premonitoriamente, breve regresso. A viagem foi nica de diversos jovens em AUDIMPRENSA - Rua da Sofia, 95, 3.º 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 Numa altura em que escas- atribulada... Mas estamos felizes por, finalmente, termos início da carreira, irmana- Fax: 239 854 154 seia o tempo para ler (e em que regressado! dos todos nós na paixão pe- e-mail: centro.jornal@gmail.com a leitura vai sendo atraiçoada lo jornalismo. Impressão: CIC - CORAZE por outros prazeres, menos en- Oliveira de Azeméis riquecedores mas mais apelativos...), pa- Destarte, o leitor, que não tem tempo Não se antevê fácil o percurso. Mas Tiragem: 10.000 exemplares receu avisado encetar esta nova fase do para se inteirar de tudo o que diariamen- também por isso é mais estimulante o “Centro” imprimindo-lhe uma periodi- te vai sendo divulgado pelos diversos desafio!
    3. 12 A 25 DE ABRIL 2006 OPINIÃO 3 APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! que vai na carta que segue dentro do jornal, e enviá-lo no sobrescrito que Assine o jornal “Centro” igualmente lhe remetemos (e que não carece de selo), acompanhado do valor de 20 euros (de preferência em cheque passado em nome de AUDIMPREN- e ganhe valiosa obra de arte SA). Para além da obra de arte que desde já lhe oferecemos, estamos a preparar muitas outras regalias para os nossos Nesta campanha de lançamento do qualidade artística a um profundo sim- trabalhadora. assinantes, pelo que os 20 euros da assi- jornal “Centro” temos uma aliciante bolismo. Não perca, pois, a oportunidade de natura serão um excelente investimen- proposta para os nossos leitores. De facto, o artista, para representar a receber, desde já, GRATUITAMENTE, to. De facto, basta subscreverem uma Região Centro, concebeu uma flor, com- esta magnífica obra de arte, que está re- O seu apoio é imprescindível para assinatura anual, por apenas 20 euros, posta pelos seis distritos que integram produzida na primeira página, mas que que o “Centro” cresça e se desenvolva, para automaticamente ganharem uma esta zona do País: Aveiro, Castelo Bran- tem dimensões bem maiores do que dando voz a esta Região. valiosa obra de arte. co, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. aquelas que ali apresenta (mais exacta- Trata-se de um belíssimo trabalho da Cada um destes distritos é represen- mente 50 cm x 34 cm). (No caso de não ter recebido a carta autoria de Zé Penicheiro, expressamen- tado por um elemento (remetendo para Para além desta oferta, passará a re- com o envelope RSF, basta dirigir-nos o te concebido para o jornal “Centro”, respectivo património histórico, arqui- ceber directamente em sua casa (ou no seu pedido através do telefone 239 854 com o cunho bem característico deste tectónico ou natural). local que nos indicar), o jornal “Cen- 150, pelo fax 239 854 154, ou para a se- artista plástico – um dos mais prestigia- A flor, assim composta desta forma tro”, que o manterá sempre bem infor- guinte morada: dos pintores portugueses, com reconhe- tão original, está a desabrochar, simbo- mado sobre o que de mais importante AUDIMPRENSA cimento mesmo a nível internacional, lizando o crescente desenvolvimento vai acontecendo nesta Região, no País e Jornal “Centro” estando representado em colecções es- desta Região Centro de Portugal, tão ri- no Mundo. Rua da Sofia, 95 - 3.º palhadas por vários pontos do Mundo. ca de potencialidades, de História, de Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, 3000-392 COIMBRA Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Cultura, de património arquitectónico, por APENAS 20 EUROS! seu traço peculiar e a inconfundível uti- de deslumbrantes paisagens (desde as Não perca esta campanha promocio- Poderá ainda enviar-nos o seu pedi- lização de uma invulgar paleta de co- praias magníficas até às serras verde- nal e ASSINE JÁ o “Centro”. do de assinatura para o e-mail: res, criou uma obra que alia grande jantes) e, ainda, de gente hospitaleira e Para tanto, basta preencher o cupão centro.jornal@gmail.com PRAÇA DA REPÚBLICA Outra vez... em liberdade Há coisas que não se discutem e uma delas é a liberdade – de pensar e agir, de Carlos Carranca Mário Martins noticiar e afirmar. Queremos que este Jornalista “Centro” vingue. Foi há 19 anos e por vezes parece que foi ontem... Naquela minúscula Sem subserviên- cias, pugnando – ao lado de outros Frátria sala da Rua Corpo de Deus, horas al- jornais que con- tas da madrugada, nascia o “Jornal de tinuam a esfor- Onde o lugar Coimbra”. Nem uma dúzia de pes- çar-se por che- que ficou para lá desse tempo de estar soas para ajudar a colar 20 mil etique- gar regular- mais além? tas até o sol romper. Uma “directa”, mente aos lei- claro. Não fosse terem já partido o tores – por Onde o brilhar Fernando e o Rui, quase jurava que ti- uma Região dessa estrela que há na riqueza do mar nha sido ontem. mais desen- de ninguém? volvida sob todos os as- Soltem de novo as amarras. Hoje, o Jorge volta a apostar num pectos. Rasguem o mar que há-de vir. novo jornal. Cá estou – com menos O tempo é das cigarras tempo, mas com tanto ou maior pra- Estar- (mulheres de branco a sorrir). zer do que então – a tentar ajudar. Por mos aqui amizade ao Jorge, por amor aos jor- s e r v e Soltem o céu das gargantas. nais, por Coimbra. também Soltem a terra da voz. para di- Esse poema que cantas zer aos és tu, sou eu, somos nós. Um jornal é um património colecti- que não gostam de vo. A riqueza de uma comunidade jornais que... têm mais um para ler, a (para uma composição musical também se mede pela circulação de partir de hoje. Em nome – também – de António Toscano) ideias, pelos espaços de liberdade. E da liberdade. estas páginas – nem poderia ser de Em cima a primeira edição outra maneira – serão sempre espaços do Jornal de Coimbra, de livre escrita. Por isso, o nascimento publicada a 30 de Setembro deste novo título é também um mo- de 1987 mento de afirmação da cidadania. Há gente que, se pudesse, mandava portas. Sentem-se membros de uma acabar com os jornais. Sei de alguns. casta superior, parece chegar-lhes o COIMBRA: R. Ferreira Borges, 42 – 2.º 239 822 419 POMBAL: Av. Heróis do Ultramar, 52 236 212 809 Até já os vi sorrir quando um título “Diário da República”. Ou nem isso. Edif. Avenida (junto ao hospital) ou outro se viu obrigado a fechar as Coitados deles. LEIRIA: C. Hospitalar de S. Francisco 244 819 300
    4. 4 ENTREVISTA GONÇALO CARVALHO 12 A 25 DE ABRIL 2006 JORNALISTA DE COIMBRA TRABALHA HÁ ANOS NA BBC (LONDRES) De piloto da Força Aérea a arqueólogo subaquático Tem 59 anos de vida intensa e diversificada. Foi jogador de rugby são. da Académica, piloto-aviador na Na altura em que frequenta esse guerra colonial em África, delegado curso, numa escola do centro da capi- de informação médica, tradutor, tal britânica, tem os primeiros contac- instrutor de mergulho e jornalista... tos com a Secção Portuguesa da BBC, Desde há vários anos trabalha em onde acaba por ingressar em finais de Londres, nos Serviços em língua 1979, assim iniciando a actividade portuguesa da BBC. Mas a sua grande jornalística. Para além disso, desen- paixão é a arqueologia submarina, volve trabalho, a partir de Londres, que poderá fazê-lo voltar a África... como correspondente dos jornais Aqui fica a síntese de uma informal “Comércio do Porto” e “Gazeta dos conversa com Gonçalo Carvalho. Desportos” e ainda da RTP (progra- ma Rotações). Avesso a rotinas, sempre insatisfei- Jorge Castilho to (e também por razões de ordem pessoal), decide procurar novos hori- zontes noutra capital europeia. Desta Gonçalo Carvalho nasceu em Faro, feita o destino é Bruxelas, e é na capi- mas veio para Coimbra com apenas 3 tal belga que continua a escrever para anos, uma vez que seu Pai, o Prof. jornais (incluindo algumas colabora- Herculano de Carvalho, veio leccio- ções para o Expresso), ao mesmo tem- nar na Universidade de Coimbra. po que faz trabalhos de tradução. Vol- Gonçalo é um dos 9 filhos desse pres- ta a Londres, retorna a Bruxelas, onde tigiado catedrático de Linguística da vive durante três anos, e acaba por re- Faculdade de Letras (falecido há cer- gressar a Portugal. ca de cinco anos). Aqui foi crescendo, Em Lisboa trabalha na Rádio Re- estudando, fazendo amigos, pratican- nascença durante cerca de 8 anos, a do desporto, com destaque para o fazer os noticiários da madrugada. rugby na equipa da Académica, tendo Mas volta a sentir-se inadaptado: sido também um dos fundadores do “Em Portugal sentia-me num bura- Clube de Rugby de Coimbra. Foi num co, onde me afundava de cada vez tempo em que a Académica era uma mais!”, confessa-nos. potência nacional nesta modalidade, Assim, decide partir novamente e Gonçalo de Carvalho integrou a Gonçalo Carvalho ao microfone da BBC (Londres) para Londres, voltando ao posto de equipa que participou no I Campeo- produtor-jornalista pertencente aos nato Nacional de Juniores (tendo co- quadros da BBC, fazendo programas mo treinador o professor José Brum). para os países africanos de expressão Em 1967 decidiu ingressar na Força portuguesa (função que ainda desem- Aérea, como voluntário. Estava-se em penha actualmente). plena guerra colonial e Gonçalo de Carvalho foi enviado para o Leste de MERGULHO NA HISTÓRIA Angola, onde esteve dois anos como piloto de T6 e Do27. A par com o jornalismo e com o gosto pela música, Gonçalo Carvalho INÍCIO DO JORNALISMO sente-se atraído pela História, pela EM LONDRES E BRUXELAS Arqueologia, pela investigação sub- marina. Em 1971 regressa a Coimbra e à vi- Em 1989 iniciara a descoberta do da civil, então como delegado de in- fundo dos mares, como praticante do formação médica na Zona Centro. clube de mergulho da BBC. Trata-se Mas essa actividade não o satisfaz de um clube filiado na BSAC (British e motivos de ordem pessoal levam-no Sub-Aqua Club), e um dos mais pres- a partir para Londres em 1978, onde, tigiados a nível mundial. Em Portu- depois de trabalhar num hotel em gal fez parte do grupo que deu ori- Notting Hill Gate, frequenta um cur- gem ao CNANS (Centro Nacional de so de direcção e produção de televi- Mergulho arqueológico no rio Arade Arqueologia Náutica e Subaquática), Congratulamo-nos com a abertura deste novo jornal Galerias Avenida Loja 001 R/C (C/ Gabinete de Estética) Marcações: Rua Visconde da Luz, 15 - Telef. 239 822 982 Telef. 239 833 593
    5. 12 A 25 DE ABRIL 2006 ENTREVISTA GONÇALO CARVALHO 5 Base Aérea de S. Jacinto (1971) Em Angola, pilotando um “caça” Harvard T6 da Força Aérea Portuguesa tendo participado, com esse grupo, na la e empunhando metralhadoras. Em se todos nos conhecíamos. Hoje a ci- escavação arqueológica no Tejo, frente termos sociais, há hoje muitos proble- dade cresceu e grande parte da sua ao Forte de São Julião da Barra (al- mas étnicos, manifestações de racis- população é flutuante, pelo que é na- guns dos achados então feitos pude- mo que se têm vindo a acentuar. tural que a vivência seja outra”. ram ser apreciados no Pavilhão de Apesar disso, continuo a achar que Portugal na EXPO 98). Londres é o Centro do Mundo (por JÁ COM UM NETO Entrevista a Carlos Lopes Ao longo dos anos foi acumulando onde me movimento quase sempre de MAS ÁVIDO DO FUTURO experiências e qualificações. Fez in- bicicleta...). Londres tem uma enorme cursões submarinas em países tão di- riqueza histórica e cultural, espanto- Gonçalo Carvalho tem dois filhos ferentes como Malta (onde tirou um sos museus (onde permitem que se ti- (um licenciado em História, que lec- curso de instrutor de mergulho), rem fotografias, ao contrário do que ciona em Coimbra, outro que é licen- Egipto, Quénia, Tailândia, nas Caraí- sucede em Portugal...), excelentes bi- ciado em “gestão-marketing” e traba- bas – e também em Portugal, nomea- bliotecas e preciosos arquivos nacio- lha em Lisboa). damente em Quarteira e na foz do rio nais. E tem também, todos os dias, E também é já avô (do André, com Arade. Toda esta prática culminou uma infinidade de espectáculos muito cerca de três anos) – um avô babado com a obtenção dos graus de “BSAC diversos e outras manifestações cultu- (dizemos nós!), como denuncia o bri- Advanced Diver” e de “Open Water rais relevantes. A única dificuldade é lho nos olhos quando fala nesse seu De regresso à BBC Instructor”. a escolha!”. primeiro neto. Entretanto, à paixão pelo mergulho Mas estás muito longe de pensar juntou-se a da fotografia subaquática. COIMBRA MODIFICOU-SE em reforma. Bem pelo contrário, o que Paralelamente às descobertas que ia MAS ESTÁ MENOS SIMPÁTICA se lhe nota é uma intensa avidez pelo fazendo, surgiu o desejo de querer futuro, por novas paragens e novas “mergulhar” na História. Assim, ma- Quanto a Coimbra, Gonçalo Carva- actividades. triculou-se na Universidade Nova de lho também acha a cidade muito dife- Ele próprio o admite, confessando- Lisboa, onde tirou o curso de História, rente: nos: variante de Arqueologia, o que lhe deu “Já quase não reconheço a ‘minha’ “Neste momento estou a ‘tomar ba- bases para tirar melhor partido da pai- Coimbra! Acho que a cidade mudou lanço’ para me meter a fazer aqui em xão pela arqueologia subaquática. muito. Mas está menos simpática... É Londres um mestrado em Arqueolo- certo que algumas zonas estão mais gia Marítima (Maritime Archaeology) agradáveis, mas as áreas mais antigas e depois talvez gostasse de me mudar A fotografar no Mar Vermelho LONDRES MUDOU MUITO pioraram imenso, estão muito degra- para um país tropical. Por que não ir MAS É O CENTRO DO MUNDO dadas. E alguns arranjos foram infeli- viver, por exemplo, para Moçambi- zes. Dou, como exemplo, o da Igreja que?”. Gonçalo Carvalho passou em Lon- de Santa Cruz. Acho que ficou horrí- Um retorno à África que conheceu dres cerca de 16 anos da sua vida, pe- vel!”. na juventude. Agora já não para so- lo que se justifica questioná-lo sobre a Mas também reconhece que há mu- brevoar esse espantoso continente aos capital do Reino Unido. danças positivas: comandos de um avião de combate, “Está hoje muito mudada! Só para “A nova ponte – que nasceu Europa e mas antes para mergulhar, pacifica- dar um exemplo significativo: quando agora é Rainha Santa – é muito bonita, mente, nas águas do Oceano Índico, para cá vim os polícias na rua anda- embora com péssima sinalização”. nas suas pesquisas arqueológicas. vam desarmados, hoje é frequente vê- E remata: Um regresso ao futuro, em busca -los envergando coletes à prova de ba- “Quando eu vivia em Coimbra qua- do passado! Expedição no Mar Vermelho A arte e o bom gosto cruzam gerações Rua Ferreira Borges, 149 COIMBRA Escadas de São Tiago, 2
    6. 6 CITAÇÕES 12 A 25 DE ABRIL 2006 s lhe bastava estar munido de um pare- cer de um qualquer perito. Ele sabe que ninguém perdoava ao Partido Socialista que um seu ministro fosse o coveiro do Serviço Nacional de Saúde. no, das primeiras iniciativas que teve, tentou obter a substituição do procura- dor-geral. Julgue-se o que se quiser do dr. Souto Moura, mas nunca se fez tan- to, nunca o País teve tanta investigação no entanto, sustenta-nos a convicção de que não podemos abandonar o comba- te sem nos aniquilarmos a nós mesmos. Viver é lutar pela justiça, sabendo que a batalha está perdida à partida e que não i Não há défice, não há crise, não há de situações que estava habituado a podemos abandonar o combate.” ainda ruptura financeira que justifi- que não fossem investigadas”. O crente que sabe o que quer dizer a quem alterar o direito ao bem-estar e à Paula Teixeira da Cruz fé participa no mesmo combate pela saúde dos cidadãos, dando como falido (Revista “Focus”) justiça. Mas ousa entregar-se confiada- c um serviço que está entranhado no mo- mente ao Mistério último. A História do do de estar e de sentir do PS e da es- mundo é um processo que ainda não querda em geral. transitou em julgado, e o crente confia, Mais facilmente se mudam governan- EMIGRANTES sem ingenuidade e convivendo com a itações tes do que se alteram fundamentos e NO CANADÁ dúvida, em que o juízo definitivo será princípios de um colectivo como é este de salvação para todos. PS”. “Todo este episódio da expulsão de Na Sexta-Feira Santa histórica de há Reis Marques emigrantes ilegais portugueses do Ca- dois mil anos, Jesus, inocente e conde- POLÍTICA DE SAÚDE Médico - Membro da Comissão nadá é um triste retrato da nossa diplo- nado como blasfemo e subversivo, mor- Nacional do PS macia, do aparelho diplomático pro- reu a rezar esta pergunta infinita: “Meu “Houve uma medida que me pare- (DN - 09/04/06) priamente dito À actuação do MNE. Deus, meu Deus, porque me abando- ceu extremamente positiva, que foi a re- Nem vale a pena perder muito tempo naste?” Mas as suas últimas palavras forma dos cuidados de saúde primá- com este caso, tão evidente é o modo foram de esperança confiada no Misté- rios, com a criação das unidades de saú- atrapalhado e negligente como foi con- rio da Bondade radical: “Pai, entrego- de familiares. Isso, claro, se forem bem FREITAS DO AMARAL duzido. O melhor é esquecê-lo rapida- -me nas tuas mãos.” fiscalizadas e acompanhadas. Acho “SUICIDA” mente”. Anselmo Borges acertado que cada médico fique respon- José Pacheco Pereira Padre e professor de Filosofia sável por determinado número de “Freitas do Amaral está no Governo (“Sábado” - 6 a 12 de Abril/2006) (DN - 09/04/06) doentes. Já quanto à medicina hospita- como um suicida na ponte 25 de Abril. lar, não tenho visto grande coisa”. Já se sabe que José Sócrates só lhe vai Manuel Antunes dar o empurrão quando ninguém esti- UM NOVO A FRANÇA DOENTE? (“Visão”, de 6 a 12 de Abril/2006) ver a olhar, por isso os jornalistas de- PARADIGMA viam aceitar a missão patriótica de ig- norar o ministro dos Negócios Estran- A criação de postos de trabalho nu- geiros. Mas ele não deixa. ma economia de serviços é menos capi- MAIS FACILMENTE Perante uma crise que só aconteceu tal intensiva, ou melhor, o esforço de in- SE MUDAM nos jornais e nas televisões, vestiu o seu vestimento situa-se sobretudo a mon- GOVERNANTES... melhor sobretudo e foi para o Canadá tante, no aparelho educacional, que tem tentar entender uma coisa que já todaa de ser muito melhorado. Mas, entretan- “Sabemos das necessidades de refor- gente tinha percebido em Lisboa - que to, a valia da criação de novos postos de “A França, acusada pela direita de mas, do ultrapassar alguns estrangula- os canadianos têm uma generosa políti- trabalho nos serviços, ainda que não ser actualmente ‘o homem doente da mentos do sistema, da eliminação dos ca de imigração e que os portugueses muito qualificados, não é despicienda. Europa’, é, pelo contrário, um país que desperdícios, da contenção nas despe- ilegais tinham invocado um patético es- Em muitos casos – o que é muito rele- resiste. Um dos únicos na Europa onde, sas, do rigor da gestão, da racionalida- tatuto de refugiados para tentar conti- vante numa economia carecida de re- com grande vitalidade, uma maioria de de dos processos, mas o modelo é viá- nuar no País. cursos – exigirá investimentos por pos- assalariados rejeita uma globalização vel, serve a população, garante a não Quando chegou a Lisboa, Freitas do to de trabalho bastante inferiores à cria- selvagem que significa a tomada do po- discriminação na doença, permite o de- Amaral disse, com voz firme: “Quem ção de oportunidades de emprego no der pela finança. E que entrega os cida- senvolvimento profissional de qualida- não tem condições para se legalizar tem sector industrial mais “clássico”. dãos às empresas, enquanto o Estado de e por isso merece todas as chances de sair”. Quando partiu, falava como Pensar nos termos de um novo para- daí lava as suas mãos. Esta modificação possíveis. ministro dos Negócios Estrangeiros digma que melhor aproveite as poten- radical da relação entre os poderes pú- Eis senão quando o senhor ministro português; quando voltou, como se vê, cialidades que já temos não é uma pa- blicos e a sociedade (o fim do ‘Estado da Saúde vem a público dizer que em falava como minitro dos Negócios Es- naceia milagrosa que tudo resolva, mas protector’) é repugnante. finais de Setembro, na solidão do seu trangeiros canadiano. Vindo de quem representa, sem dúvida, uma perspecti- A solidariedade social constitui uma gabinete, pensou em alterar o financia- vem, não se esperava outra coisa”. va que não podemos desprezar na cons- característica fundamental da identida- mento do sistema e criar formas diver- Editorial da revista “Sábado” trução de nosso futuro colectivo.” de francesa. Uma solidariedade que o sas de acesso. Mais grave, até já tinha (6 a 12 de Abril de 2006) Rui Machete CPE (Contrato de Primeiro Emprego) um parecer de um perito constituciona- (DN - 09/04/06) contribui para liquidar. Daí, mais uma lista para esfarelar o argumento da vez, a contestação. E a revolta.” constitucionalidade. O segredar das suas cogitações numa altura destas não Ignacio Ramonet pode ser só inabilidade política, teme- JUSTIÇA É A SAÚDE SEXTA-FEIRA SANTA (Le Monde Diplomatique - Abril/2006) mos que seja um pré-anúncio de uma DO ESTADO “Quem nega Deus também é con- realidade próxima. Somos justos e por frontado com a pergunta dilacerante do isso acreditamos que não tem sido fácil “Eu não vivo bem num país com mal. E é necessário tomar a sério o ateu a sua vida à frente do Ministério da agentes fracos. E compreendo que um e a sua convicção. Ignacio Sotelo, o filó- MOURINHO Saúde e louvamos mesmo alguma cora- Governo fraco tenha de tornar frágeis sofo espanhol agnóstico, escreveu nu- E A LIBERDADE gem com que tem gerido alguns dos- as suas instituições. Mas a justiça é a ma troca de cartas com o teólogo Gon- siers complicados. Não podemos é dar saúde do Estado, o último reduto da zález Faus: “A vida é uma luta que, por “Mourinho provém de uma cultura de barato que o ministro não saiba que defesa de direitos e liberdades. Não muito que nos esforcemos, está perdida onde a imprensa e os jornalistas actuam perante o quadro de alienação de um posso deixar de fazer um juízo muito à partida - desapareceremos no nada e muitas vezes como verdadeiros chefes pilar mestre do nosso Estado social não negativo quando vejo que este Gover- os verdugos continuarão a dominar - e, de claque. Ele contou ao director de co- Óptica Médica Patrão Ramos, Lda. Membro do Diadouro Joalheiros Fax: 239 827 420 – Tel. 239 825 702 RUA FERREIRA BORGE, N.º 66 – TEL. FAX 239 82 41 61 – 3000-179 COIMBRA Rua Alexandre Herculano, 4 – 3000-019 COIMBRA
    7. 12 A 25 DE ABRIL 2006 CITAÇÕES 7 municação do Chelsea que uma vez, da ao ouro do Brasil. Os empresários outras situações, uma certa sensação de ainda em Portugal, conseguiu fazer são os novos bandeirantes. Uma via- ÁLCOOL E NICOTINA imunidade quanto ao perigo. Mas tinha com que um colunista fosse demitido gem mais importante para nós do que “A coisa reza assim: saem notícias de sempre presente a sombra imensa que por causa das críticas constantes que fa- para os angolanos. Antes de nós, já lá ti- que o Governo quer baixar a taxa de al- então pairava sobre o país, sobretudo zia ao FC Porto. Talvez seja isto que o ir- nham estado Lula da Silva e a nomen- coolemia permitida aos condutores e depois de voltar de Paris onde respira- rita no futebol inglês – a liberdade”. clatura chinesa. Para os angolanos, tan- proibir o fumo em restaurantes, bares e ra o ar livre dessa cidade que adoptei, e to se lhes dá, desde que os negócios se- discotecas, e começa a gritaria dos pro- que continuo a sentir como a minha se- Martin Samuel jam feitos em parceria. O dinheiro não dutores de vinho, dos distribuidores de gunda pátria. (The Times) tem pátria. bebidas e dos donos de bares e restau- Tentava não separar poesia e vida; e José Sócrates foi criticado por não ter rantes, ai jesus que nos querem arruinar, percorria os caminhos que ainda não tido uma palavra para com os direitos como é que um viciado em nicotina po- eram imaginários nem artificiais do humanos. Mas alguém tem dúvida de de, tadinho, aguentar duas horas senta- poeta que me servia de modelo – Fer- VISITA DE SÓCRATES que os interesses económicos prevale- do a comer sem puxar do cigarro e sem nando Pessoa, a cuja mesa do Martinho A ANGOLA cem sobre a liberdade e a democracia? baforar alegremente o prato do vizinho me sentava com o Rui Diniz, antes de Angola está a crescer mais de 20 por (que se não gosta fique em casa), como apanhar o barco para Cacilhas, cujos Já não existe a coutada do tempo co- cento ao ano. O desenvolvimento dos imaginar um bar sem aquele smog que cais percorríamos com o António Sena, lonial. países não é igual ao desenvolvimento se entranha na roupa e no cabelo (e olhos mais novo do que nós, com a sua má- “As bonitas palavras pronunciadas dos povos. Não haja ilusões”. e pulmões) e só sai a lavagens de 90 quina que incansavelmente fotografava durante a visita do primeiro-ministro Judite de Sousa graus, como querem que a gente ganhe o a Lisboa desse tempo com um olhar Sócrates não fazem esquecer que o po- (JN - 8 de Abril de 2006) nosso se não deixam a malta andar aí a pessoal inconfundível”. der político angolano não morre de acelerar pelas auto-estradas com três co- Nuno Júdice - Autobiografia amores por Portugal. A “visível ausên- pos de tintol no bucho mais um de aba- (Jornal de Letras - 30/03/06) cia de José Eduardo dos Santos na to- fado para digerir o cozido? mada de posse de Cavaco Silva” foi jus- PETRÓLEO PAGA Fernanda Câncio tamente lembrada por Helena Matos no O Governo português está a negociar (DN - 8 de Abril de 2006) Público há uma semana. E recorde-se com o seu homólogo angolano a possi- CENTENÁRIO ainda a maneira intolerável como Má- bilidade de os investimentos das em- DE BECKETT rio Soares foi tratado pela “nomenclatu- presas portuguesas em Angola serem ra” de Luanda. financiados, no âmbito da política de MÚSICA E ARMAS Por outro lado, antes de Portugal ter parcerias desejada pelos dois países, redescoberto Angola, outros já o fize- com petróleo angolano. “O segredo estará, talvez, em conta- ram. Os chineses estão ali em força, dis- O ministro das Obras Públicas e Tele- minar o produto, as melodias, as har- pondo de meios (financeiros, por exem- comunicações, Mário Lino, revelou ao monias, as canções, com um vírus que plo) que não estão ao nosso alcance. E CM, em Luanda, que “a ideia é permitir denuncie publicamente o ladrão inter- os brasileiros, que falam português, há que as obras efectuadas pelas empresas nauta, que o faça sofrer cólicas indizí- muito rivalizam com os empresários portuguesas sejam pagas em petróleo veis, que o deixe coberto de pústulas e portugueses em Angola. Já não existe pelo Estado angolano ao Estado portu- varizes, que o enlouqueça e desoriente para nós a coutada protegida do tempo guês, que, por sua vez, pagará aos em- impedindo-o de alcançar o prazer e a colonial”. presários envolvidos em euros”. felicidade enfim, obrigá-lo a pagar co- Francisco Sarsfield Cabral (Correio da Manhã) mo na velha prostituição desprotegida, (DN - 8 de Abril de 2006) como no tempo da sífilis e do cancro mole, enleando-o de culpa e autopuni- ção ao som das sirenes policiais. FERNANDO GIL Mas que, entretanto, esse ladrão seja “As reflexões de Fernando Gil inse- CONFIANÇA feliz. Como nós, por vezes, o somos...” rem–se, assumida ou implicitamente, Rui Reininho no grande movimento que, no interior 15 VEZES... (JN - 08/04/06) mesmo da Modernidade como «filoso- A visita de José Sócrates a Angola fia das luzes», ia desconstruindo o con- acabou com uma singela conferência de “Em tempo de celebração dos 100 ceito de evidência como efeito do puro imprensa, no Centro Cultural Portu- anos que passam sobre o nascimento de entendimento, deportando-a para as guês em Luanda. O primeiro–ministro SALAZAR ACTOR Samuel Beckett, cabe perguntar como margens de sombra que ela excluía co- não disse nada de novo mas pronun- foi possível concitar um tão amplo reco- mo condição da sua luminosidade onto- ciou a palavra confiança 15 vezes! E não “Lisboa era outro mundo, em que nhecimento do seu valor artístico (e lógica. Não por acaso, Fernando Gil, na o fez por falta de recursos linguísticos ouvia os discursos de Salazar com um uma aura pessoal de tão indiscutível sua aproximação fenomenológica da ou por estar muito cansado. Fê–lo por- misto de rejeição do personagem e de fascínio) quando o autor sempre reve- «evidência», a descreve sob a forma de que a viagem lhe correu bem, porque já fascínio pelo seu talento de actor, o que lou uma presença austera, exigente e to- «ostenção», em suma, de excesso de lu- não havia nada de novo para dizer e mais tarde pude explorar quando traba- talmente avessa à exposição mundana. minosidade. E desta «ofuscação» do evi- porque, de facto, a sua visita inpirou lhei no argumento dos Brandos costu- Talvez que uma das respostas possíveis dente, partilham – ao nível da intenção – confiança. mes, do Seixas Santos, e mais tarde ain- seja a extrema lucidez (e subtileza) com não apenas a percepção ou conceito, mas Não sei se inspirou confiança a tudo da quando escrevi Vésperas de sombra. que soube entretecer três níveis com- outro tipo de evidências, entre elas aque- e a todos, mas é certo que chegou a al- Embora o regime parecesse eterno, era plexos do entendimento da vida: uma la de que a profecia pode acolher.” guns que contam muito: ao MPLA, no possível experimentar a liberdade que cultura profunda e uma (ainda que apa- Eduardo Lourenço poder desde 1975, a José Eduardo dos nasce da afirmação da revolta, como rente) simplicidade no dizer, uma visão (Jornal de Letras - 30/03/06) Santos, aos empresários portugueses, quando estive no grupo que ocupou o trágica da vida e um sentido de humor aos jornalistas (não é exagerado nem Patriarcado, depois do fecho pela Pide sombrio (mas não agreste), a consciên- faccioso dizer que a viagem correu da cooperativa católica Pragma (o pa- cia da solidão essencial do homem e A CORRIDA AO OURO bem) e a muitos portugueses que segui- ram a visita. triarca era o Cerejeira, mas impediu que a polícia entrasse no espaço da Igreja uma imensa (mas contida) compaixão pela fragilidade do ser humano. “A viagem de Sócrates a Angola com Ricardo Costa para desalojar os católicos a que me um terço do PIB assemelhou-se à corri- (SIC Notícias) juntei) – o que me deu, aí e nalgumas CONTINUA >> Fátima * Endermologia * Maquilhagem * Unhas Gel * Manicure * Pedicure Cabeleireiros Feminino - Masculino * Depilação a Morno * Depilação eléctrica Gabinete de Estética * Limpeza de Pele * Foto Depilação * Massagens Rua Ferreira Borges 102-112 116 - 3000-179 COIMBRA R. 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    8. 8 CITAÇÕES 12 A 25 DE ABRIL 2006 Nascido numa sexta-feira santa, a 13 Diário de Notícias, emprestados da nossa Ferrero–Waldner. de Abril de 1906, numa localidade – Fox- galeria, figuravam no décor da redacção “Na Europa vivem 20 milhões de rock – a sul de Dublin, Beckett foi segu- de 1870, reconstituída para as filmagens, muçulmanos”, disse, negando a inevita- ramente influenciado pela formação pro- numa moradia de época, conhecida hoje bilidade de conflitos. “O Islão é parte in- testante da sua família, em termos da exi- como Casa dos Dias d’Água. tegrante dos dias modernos na Europa, gência e austeridade que adoptou em vi- Eça de Queirós (Ivo Canelas) e Ra- como o tem sido parte da sua História”, da, bem como na interrogação que não malho Ortigão (António Pedro Cer- lembrou. O Islão é, actualmente, a se- deixa de colocar ao lugar do divino no deira) conversam no gabinete do di- gunda maior religião na maioria dos paí- mundo dos homens. Ainda que a sua sus- rector Eduardo Coelho (Nicolau ses europeus. peita seja a de que esse divino não exista, Breyner) sobre a publicação do folhe- As relações com o Islão agravaram–se de facto, a não ser no obsessivo desejo do tim que sairia durante três meses nas depois dos ataques do 11 de Setembro homem de, por ele, se julgar protegido do páginas do Diário de Notícias, naque- em Nova Iorque, dos atentados em Ma- absurdo da vida (como se verá em À Es- le Verão quente em que se avizinhava drid e do assassinato do holandês Theo pera de Godot, 1952). a guerra franco–prussiana. van Gogh. Um certo «ascetismo» que pratica O filme não é uma adaptação da (Reuter’s) na vida e na obra não corresponde, junção dos folhetins que mais tarde porém, a uma obstinação para encon- dariam o livro, para desgosto público trar soluções de fácil acalmia, ou para dos autores, mas inspira–se na trama reclamar para si a possibilidade de re- e conta, sobretudo, o que se passou BUSH ADMITE solver as muitas perplexidades que entre Eça de Queirós e Ramalho Orti- UTILIZAR ARMA atormentam o homem”. gão durante a complexa preparação Maria Helena Serôdio de O Mistério da Estrada de Sintra. ATÓMICA (JL - 30/03/06) “Já fui director de várias coisas, mas nunca tinha sido de um jornal”, A administração de George W. brinca Nicolau Breyner com o DN. Bush admite lançar bombardeamen- (DN - 08/04/06) tos maciços contra o Irão, incluindo “Os portugueses vão ao psicólogo ou CRISTÃOS DEVEM nucleares, para destruir uma instala- ao psiquiatra quando estão à rasca ou PARTICIPAR MAIS ção suspeita de fabricar armas atómi- porque se querem conhecer melhor” cas, afirma a revista New Yorker na (Joana Amaral Dias, revista “Única”) NA VIDA POLÍTICA PRECONCEITO sua edição datada de 17 de Abril. CONTRA Segundo a revista, Bush e outros “Não é preciso fundar nenhum parti- responsáveis da Casa Branca conside- “Não falo da minha sexualidade nem do cristão” porque “religião é uma coi- MUÇULMANOS ram o presidente iraniano Mahmud da minha conta bancária para não cau- sa e política é outra” mas os cristãos Ahmadinejad como um Adolf Hitler sar invejas” “devem participar mais activamente na “O nível de preconceito e discrimina- em potencial. (Herman José, “jornal “24 Horas”) política”, disse à Agência ECCLESIA ção contra as comunidades muçulmanas «É o nome que eles utilizam», es- Tomás Oliveira Dias, Presidente da Co- na Europa continua perigosamente ele- creve o jornalista Seymour Hersh, au- missão Justiça e paz da diocese de Lei- vado, o que pode levar a um ciclo vicio- tor do artigo, citando um antigo alto “Que me dá a mim que uma criança ria-Fátima, organismo que realizou na so de isolamento, hostilidade e radicali- responsável dos serviços secretos nor- nasça em território espanhol ou portu- passada semana (6 de Abril) um coló- zação de jovens imigrantes – alertou na te-americanos. guês, desde que nasça bem, sãzinha e quio sobre «Cidadania Activa». Esta passada semana, em Viena, o observató- Um conselheiro do Pentágono afir- rodeada de todos os cuidados?” iniciativa contou a Presidente da Co- rio para o racismo da União Europeia. ma por seu turno, sob anonimato, que (António Mega Ferreira, “Visão”) missão Nacional Justiça e Paz, Manuela Os países europeus têm leis suficien- “a Casa Branca considera que a única Silva, que falou “das dificuldades da tes para promover a integração mas es- maneira de resolver o problema é alte- hora actual: globalização, crise econó- tas não estão bem implementadas e as rar a estrutura do poder no Irão, e is- “A ‘Judite’ tem de ser vista como a ar- mica, desemprego e a concorrência das verdadeiras questões são evitadas, criti- so quer dizer a guerra”. ma do povo contra os polvos, senão é economias do Oriente”. cou Beate Winkler, responsável pelo supérflua” Centro europeu de monitorização do ra- (Nuno Rogeiro, “Sábado”) cismo e xenofobia, num encontro de FOGUETE imãs europeus em Viena. O MISTÉRIO DA Os líderes muçulmanos europeus pre- DE LÁGRIMAS “Até 2009, os partidos vão receber do ESTRADA DE SINTRA sentes no encontro, organizado pela “Como são bonitas as mulheres que Estado tanto quanto Bill Gates vai in- Áustria durante a sua presidência da foram bonitas e nas quais a beleza vestir em Portugal: 64 milhões de eu- “Polícias de trânsito asseguravam na União Europeia, apoiaram o objectivo reaparece de súbito, num gesto, num ros” Rua D. Estefânia, em Lisboa, que as fil- da integração das suas comunidades e olhar, num movimento de boca, em (“Visão”) magens nocturnas não captavam sons do Islão na vida europeia. No entanto qualquer coisa difícil de definir que de tubos de escape no enredo do ro- alertaram que para isso é preciso tempo me atrai e enternece e onde a morte, mance policial português. Estamos no e criatividade. de tão presente, dá ideia de se tornar “Acabo de saber que Margarida Rebelo século XIX, com cavalos, fins-de-sema- Winkler não avançou dados estatísti- a combustão de vida de um foguete Pinto pretende impedri a publicação de na em Sintra, infidelidades certas e ou- cos mas afirmou que a sua agência vai de lágrimas”. uma tese sobra a sua obra. Uma tese? tros ingredientes queirosianos. publicar em breve dois relatórios sobre a António Lobo Antunes Uma tese inteira? Sobre a sua ‘obra’? A As filmagens continuavam até às “Islamofobia” na Europa. (“Visão” - 6 a 12 de Abril/2006) angústia invade-me”. quatro da manhã, mas a equipa ainda O encontro reuniu mais de cem imãs (Pedro Norton, “Visão”) parecia fresca. Vão apenas no quarto de toda a Europa para debater formas de dia de filmagens de O Mistério da Es- integrar melhor as suas comunidades na TELEGRÁFICAS trada de Sintra, do realizador Jorge vida europeia. “O Governo está a fazer uma verdadei- Paixão da Costa, a estrear em Outu- “Este é um momento crucial nas rela- ra ´revolução de papel´. Só falta passar bro, e ainda os esperam mais trinta e ções interculturais e inter–religiosas na “Não gosto da expressão primeira–da- para a realidade as medidas e mudan- tal dias de trabalho intenso. Europa”, lembrou a comissária europeia ma” ças anunciadas...” Dois retratos de antigos directores do para os Negócios Estrangeiros, Benita (Maria Cavaco Silva, revista “Flash!”) (José Carlos de Vasconcelos, “Visão”)
    9. 12 A 25 DE ABRIL 2006 MUNDO ANIMAL 9 Crónica de um país quadro com que deparámos. Alguns destes actos, pelo seu medi- atismo, foram rapidamente resolvidos pelas autoridades. Outros nem por que maltrata os animais isso. No caso de Condeixa, e porque a lei ou a burocracia vigente assim o dita, pasme-se, mas o senhor que prati- cou o acto desumano ainda detém os cachorros em parte incerta, apesar de já ter retirado os animais da sua mis- erável cela. Quem é que nos garante que não vai repetir a ignóbil façanha? No passado, ele terá sido avisado das más condições a que sujeitava os ani- Salvador mais e em pouco tempo terá retornado ao mesmo. Os vizinhos revoltam-se Mascarenhas * com a passividade do mundo perante estes factos e eles próprios sentem-se Nos últimos tempos temos assisti- ameaçados, raramente prestam algu- do, através da comunicação social, a ma declaração. uma série de denúncias de actos Estes actos deverão ser punidos de covardes e cruéis contra animais inde- forma exemplar para que não se repi- fesos. Por motivação fútil ou de alter- tam, para que se altere a ideia de que ação grave do foro patológico. Na zona se pode maltratar os animais impune- de Coimbra, todos se lembram ainda mente. do grupo de estudantes que se empen- Presos num tugúrio miserável, haram em atrair um cão que vadiava alguns cachorros experimentam, ainda pelas ruas, sem casa, para dentro de sem terem sequer mudado os dentes, a um apartamento na Av. Elísio de Mou- triste realidade deste país, onde, infe- ra, atraindo-o com comida, e levando- lizmente, se aceitam, por motivos cul- o de elevador e depois atirando-o pela turais os maus tratos aos animais. varanda, acabando por morrer em ago- Onde é normal pavonearem-se pelas nia depois de ter caído no tejadilho de auto-estradas os caçadores ufanos com um automóvel que se encontrava esta- os animais mortos dependurados nos cionado. Em Montemor-o-Velho, re- seus jipes. Onde a tourada é ainda centemente, alguns jovens dedicaram- estranhamente acarinhada e defendida -se a apanhar gatos domésticos, amis- pelas elites. E onde até, recentemente, tosos, que se deixam agarrar, atirando- se estreou um reality show, numa tele- -os depois das ameias do castelo, fil- visão nacional, um circo com animais, mando com os telemóveis o seu acto quando neste momento a tendência desumano para depois distribuírem dos países mais evoluídos é a de via sms, divulgando a sua acção. animais teriam já comido pelo menos chegou e foi identificado pela GNR de proibir circos com animais, coroando a Recebi nos últimos dias mais uma três colegas de cativeiro, o que con- Condeixa-a-Nova. Interpelei-o acerca actual posição da sociedade portugue- denúncia de maus-tratos a cães. Que segui identificar pelas ossadas que dos maus-tratos a que ele tem submeti- sa relativamente aos direitos dos ani- estariam num barracão num sítio de estavam dentro do comedouro. Estes do esses animais e a resposta dele foi mais. Eira Pedrinha, em Condeixa-a-Nova, e terão perecido devido à fome e à sede. que sabia que estavam mal mas que Os animais, silenciosos, sem a Lei a fui investigar o assunto. Quando Relatos dos vizinhos informaram-me não podia fazer mais. E quando lhe advogar de modo útil a sua causa, cheguei lá, deparei-me com o horrível que regularmente os animais morrem perguntei se sabia que se tinham ali- morrem de fome e de sede, sem nen- espectáculo de cinco cachorros encer- e o dono do barracão atira os corpos mentado dos corpos de outros cães, huma culpa do pecado dos homens. rados dentro de uma jaula cheia de para as proximidades, onde se vão porque ele não os tinha retirado quan- excrementos, sem luz, sem comida, desfazendo ao sol. Contactei a GNR, do morreram, disse que como estavam sem água, com recipientes imundos que acorreu ao local, bem como o mortos já não havia nada a fazer. E que * Médico Veterinário 1824 OMV que raramente terão visto água ou Médico Veterinário camarário, que me se soubesse que íamos lá teria posto comida. A mais terrível e macabra real- deram todo o apoio que a lei lhes per- um cadeado à entrada do barracão. As salvadorvet@sapo.pt idade foi constatar que os famintos mite. Entretanto o dono do \"canil\" respostas são tão chocantes como o www.vetcondeixa.pt AGIR com boa vontade mais uma vez a boa vontade da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares. A “AGIR pelos Animais” é uma orga- seus responsáveis e sócios. O auxílio desta Associação, é solicita- do por pessoas e entidades de vários lo- Nuno Pimenta ra Municipal de Vila Nova de Poiares, nização sem fins lucrativos existente cais do distrito de Coimbra, entre os deu, no passado mês de Dezembro, um desde 1995 e que se destaca, segundo quais, Cantanhede, Montemor–o–Velho, A Associação “AGIR pelos Animais” prazo máximo de 180 dias para que os Fernanda Maria, “pelo seu esforço e sa- Penacova, Condeixa, Miranda do Corvo, está a viver, para além dos problemas da cerca de 190 animais sejam retirados do crifício pessoal, continuando o seu traba- Cernache, Mealhada, Coimbra e Vila falta de meios materiais, uma situação local. Em resposta ao pedido da Autar- lho totalmente voluntário”. Alimentos, Nova de Poiares. muito problemática, nomeadamente no quia, a Associação AGIR pelos Animais, medicamentos, novos sócios e voluntá- Se deseja dar o seu contributo à Canil “Quinta da Moenda”, em Vila No- salienta que “está empenhada em obter rios são as grandes necessidades da “AGIR pelos Animais”, pode contactar va de Poiares. espaços alternativos a curto prazo, de AGIR pelos Animais, que vive com no- os responsáveis pela Associação, através Fernanda Maria, uma das responsá- modo a que grande parte dos animais tórias dificuldades financeiras e logísti- dos números de telefone: 239 403 057 e veis pela Associação, refere que a Câma- seja realojada.”, pelo que agora se espera cas, contando com a disponibilidade dos 96 545 0636.
    10. 10 REPORTAGEM LINGUAGEM GESTUAL 12 A 25 DE ABRIL 2006 Licenciatura inédita no País A Escola Superior de Educação LGP que permitam um enriquecimento DIDA ESTA PERSPECTIVA NA SOCIEDADE de Coimbra (ESEC) abriu este ano e um estudo aprofundado da LGP, sen- PORTUGUESA? uma nova licenciatura em Língua do que os ouvintes podem dar um enor- – Actualmente, a filosofia educativa Gestual Portuguesa (LGP), a primeira me contributo. do bilinguismo já se encontra bastante em Portugal a formar professores MAS, COMO FOI A RECEPTIVIDADE DA CO- disseminada na nossa sociedade. O de Língua Gestual. Para Madalena MUNIDADE SURDA À PROPOSTA DESTE NO- grande problema é que noventa e cinco Baptista, esta licenciatura vem VO CURSO? por cento das crianças surdas são filhas responder a uma crescente procura de – Quando pensaram que era uma de pais ouvintes e como tal estes não têm profissionais devidamente formados oportunidade para que todos os forma- conhecimentos de LGP. Para além disto, na área, bem como a uma exigência dores tivessem acesso à licenciatura, vi- também o diagnóstico da surdez é ainda social de igualdade de oportunidades ram este curso como uma forma de dig- muito demorado. Às vezes a surdez só é para todos os cidadãos. nificação da LGP e da sua profissão. No diagnosticada quando a criança já tem entanto, como expliquei anteriormente, um ano. Por outro lado, nem sempre é Rita Delille o curso só foi tardiamente aprovado e fácil para os pais aceitarem a surdez do não houve possibilidade de quarenta filho e procurarem que este tenha con- – Existem já dois cursos superiores de formadores entrarem já este ano no cur- tacto com outros adultos ou crianças sur- O QUE É QUE LEVOU À CRIAÇÃO DO CURSO intérpretes de LGP, uma licenciatura em so. Existe neste momento algum descon- das. DE LGP? Setúbal e um bacharelato na ESE do Por- tentamento em relação as contingências COMO É QUE ESTA LICENCIATURA PODE – Desde 1997 que sou responsável to. Contudo, este curso distingue-se por impostas pelo ministério (da ciência e AJUDAR NUMA MAIOR CONSCIENCIALIZA- por cursos livres de LGP aqui na ESEC e, ser a primeira licenciatura de professores tecnologia e ensino superior). ÇÃO DA COMUNIDADE OUVINTE NO QUE desde então, passaram por estes curso de LGP. COMO EXPLICA O PLANO CURRICULAR DO DIZ RESPEITO À SURDEZ E NUMA MAIOR mais de mil alunos, o que nos deu uma A QUEM SE DIRIGE ESTE CURSO? CURSO EM FUNÇÃO DAS ESPECIFICIDADES APROXIMAÇÃO ENTRE ESTA E A COMUNIDA- percepção da procura que esta licencia- – O curso tem duas vertentes, uma DA PRÓPRIA LG? DE SURDA? tura podia ter. Em termos gerais, a LGP para formar professores e outra para for- – O plano curricular do curso integra – As pessoas começam a interrogar-se começa a ter um grande reconhecimento mar intérpretes. Assim, é um curso que vertentes importantes para a formação pelo facto de existir uma licenciatura e há uma grande motivação para a sua pretende absorver tanto a comunidade de qualquer professor na área da psico- nesta área e automaticamente é dado um aprendizagem. surda como a ouvinte. Em termos práti- logia e da pedagogia. No que diz respei- peso maior e real ao assunto. Pelo facto Outro motivo que levou à criação do cos houve grande procura por parte das to à língua propriamente dita, tem uma de ser um curso também dirigido a ou- curso foi o facto de estarmos a receber na duas, embora actualmente apenas exis- vertente virada para a didáctica, linguís- vintes eles vão funcionar como desmul- ESEC muitos alunos surdos para os cur- tam dois alunos surdos a frequentar o tica e para as áreas da expressão corpo- tiplicadores do que vai aqui ser aprendi- so de professores e, tendo eles algumas curso. Isto porque o curso só foi aprova- ral, que é uma área essencial já que o uso do, o que vai permitir que se espalhe dificuldades no processo de aprendiza- do pelo ministério tardiamente e os 40 da LG pressupõe uma enorme expressi- uma consciência mais lúcida sobre o as- gem e os professores algumas dificulda- formadores de LGP que queriam tirar o vidade a nível facial e de todo o corpo. sunto. des no método de ensino, considerámos curso não tiveram oportunidade de fa- Contempla ainda aspectos relacionados Estes ouvintes podem contribuir para que este curso poderia dar uma resposta zer a prova específica. Neste momento com a cultura e identidade surda. um estudo linguístico da LGP e assim mais eficaz a esta procura de docência. está em negociação com o ministério da QUAL É A SUA POSIÇÃO PESSOAL, TAMBÉM formar uma maior consciência social à ALGUMAS PESSOAS PODEM ESTRANHAR ciência e tecnologia e ensino superior a ENQUANTO ESPECIALISTA NA ÁREA, QUAN- volta de um assunto que ainda esta pou- UMA LICENCIATURA DE CINCO ANOS EM entrada destes alunos no próximo ano. TO À NECESSIDADE DA CRIANÇA SURDA co explorado. Ainda há muitos cépticos LGP... Por parte da comunidade ouvinte a pro- ADOPTAR A LG COMO LÍNGUA MÃE? que acham que este curso não faz muito – O curso faz todo o sentido atenden- cura foi enorme com cerca de 270 candi- – A LG é a língua natural das crianças sentido, mas isso só demonstra que, por do ao reconhecimento, na própria cons- daturas. surdas. Deve-lhes ser dado um acesso parte dessas pessoas, não há a dignifica- tituição portuguesa, da LGP enquanto NÃO EXISTE UM CERTO RECEIO POR PARTE precoce a esta para que possam adquirir ção da LG como uma verdadeira língua. primeira língua de pleno estatuto, tão ri- DA COMUNIDADE SURDA DE QUE OS LICEN- espontaneamente a sua língua natural. ca e complexa como qualquer outra. CIADOS OUVINTES DESTE CURSO TIREM LU- Só assim estarão em igualdade de cir- E, como actualmente existe uma pro- GAR AOS FORMADORES SURDOS DE LGP? cunstâncias com as crianças ouvintes. Se Para além de um percurso acadé- posta de integração da LGP nos currícu- – Não se pretende que estes professo- for adoptado o método oralista, onde as mico permanentemente ligado às los escolares, torna-se importante a for- res de LGP vão tirar lugar aos formado- crianças surdas são “forçadas” a adoptar questões da surdez, com mestrado e mação de profissionais nesta área. res de LGP que se encontram a trabalhar a Língua portuguesa oral como primeira doutoramento nesta área, Madalena Neste sentido, como é necessário para nas Unidades de Apoio ao Aluno Surdo, língua, estas chegam aos doze anos com Baptista é actualmente Vice-Presi- o ensino de qualquer língua os professo- pois consideramos ser muito importante um nível de linguagem equivalente a dente do Conselho Directivo da Es- res possuírem uma licenciatura, isso para a criança surda o contacto com um crianças de quatro. Isto após um proces- cola Superior de Educação de Coim- também se justifica neste caso. modelo de professor surdo. Pretende-se, so muito moroso e penoso de aprendiza- bra (ESEC) e a responsável pela li- JÁ HÁ ALGUMA LICENCIATURA NESTA ÁREA sim, divulgar, expandir e efectuar cada gem. cenciatura em LGP. EM PORTUGAL? vez mais estudos linguísticos na área da EM TERMOS PRÁTICOS, COMO ESTÁ DIFUN- DICIONÁRIO DE SURDEZ Sindicato dos Bancários do Centro LÍNGUA GESTUAL – A Federação Mundial de Surdos publicou em 1993 um estudo sobre o status das línguas ges- LOJAS DE OPTICA tuais em diferentes países que começa com uma definição do que é a LG: “A LG é uma linguagem visual gestual baseada no uso das mãos, olhos, cara, boca e corpo. Um alfabeto manual pode ser utilizado juntamente com a LG. A LG representa a resposta das pessoas surdas à experiência da surdez profunda. (...) Ela proporciona às pessoas surdas a oportunidade de se expressarem e, desta forma, de desenvol- … porque só temos dois olhos verem o seu potencial por completo, possibilidade que a linguagem oral não lhes dá.” A LG não é internacional. Cada país tem a sua própria LG. Para além disto, a LG possui variantes étnicas, regio- Cuide do que é realmente importante nais e sociais (tal como o calão). Em Portugal, a CS possui também uma língua própria reconhecida a nível cons- titucional (artigo 79, alínea h) pela Comissão para o Reconhecimento e Protecção da Língua Gestual Portuguesa de 1997. Espaço Moderno Atendimento Personalizado Visite as Lojas de BILINGUISMO – É uma filosofia educativa que permite o acesso pela criança, o mais precocemente possível, a duas Facilidades de Pagamento Óptica dos SAMS: línguas: a LGP a língua portuguesa na modalidade oral. Para os especialistas, o ensino da língua oral deve ser Comparticipação Imdediata ensinada ao Surdo como língua estrangeira. Primeiro devem ser proporcionadas todas as experiências linguísti- Caldas da Rainha cas na primeira língua dos surdos, a língua gestual. Coimbra Figueira da Foz COMUNIDADE SURDA (CS) – Quando falamos da CS devemos compreender que, não só nem todas as pessoas sur- Guarda das a compõem, como há também ouvintes que a integram. A pertença à comunidade surda é determinada não Leiria por uma característica física, mas acima de tudo, por traços culturais e linguísticos, por sentimentos de pertença Viseu e identidade e, acima de tudo, pelo orgulho em ser Surdo.
    11. 12 A 25 DE ABRIL 2006 CRÓNICA DE VIAGENS 11 BRASIL Um mundo mágico feito de areia Rita Delille Atins é uma pequena aldeia de pescadores no estado do Maranhão. Uma das características do lugar é o facto de se situar exactamente onde o rio Preguiças se encontra com o mar. Mas, a verdadeira magia do pequeno povoado é ser a principal entrada no Parque Nacional dos Lençóis Mara- nhenses, uma extensão de dunas e lagoas com cerca de 270 km, um ver- dadeiro paraíso natural a perder de vista. Olhamos para trás, para a frente ou para qualquer um dos lados e vere- mos apenas lençóis brancos de areia e, ocasionalmente, pedaços de água As dunas brancas formam uma paisagem que se assemelha a um lençol extraordinariamente azul. São as lagoas que, infelizmente, não existem todo o ano. nunca secam, as restantes surgem chuvosa. As próprias dunas movem- numa média de 20 metros por ano. Há cerca de quatro lagoas que entre Maio e Outubro, a estação mais se a cada segundo ao sabor do vento, Embora a paisagem seja, aparente- mente, demasiado igual, é extra- ordinário pensar como nada per- manece na mesma. Nos Lençóis vivem comunidades de pescadores considerados nóma- das. Isto porque durante a época das chuvas, em que o rio fica cheio, moram em cabanas feitas de palha de buriti (uma espécie de palmeira) e vivem principalmente da pesca. Quando chega o Verão e tudo fica seco, os peixes quase desaparecem e estes pescadores rumam a outros sítios e dedicam-se à agricultura. O parque pode ser percorrido a pé com a ajuda de um guia – e esta experiência, será provavelmente única, quer pela beleza do lugar, pela paz que aqui se encontra, quer pela simpatia e simplicidade desconcer- Lagoa do Rancho – uma das que permanece com água durante o ano inteiro tante do “povo das areias”. 70 Anos Coimbra Rua Ferreira Borges 153 • Tel 239 822 950 Restaurante “A Sede” Praceta Mota Pinto – Apartado 9003 – 3001-301 Coimbra 239 483 793
    12. 12 SAÚDE ENTREVISTA 12 A 25 DE ABRIL 2006 MASSANO CARDOSO DIZ QUE O AMBIENTE É RESPONSÁVEL PELA MAIOR PARTE DAS PATOLOGIAS “Qualquer ser humano quer João Paulo Henriques as perspectivas não sejam animadoras e reconhecendo que grande parte da pa- Massano Cardoso assumiu o cargo tologia humana está relacionada com o de Provedor do Ambiente e Qualidade ambiente. “O comportamento assumi- de Vida de Coimbra, depois de Carlos do por cada um de nós é um contributo Encarnação ter sido eleito para o segun- importante para o aparecimento da do mandato como Presidente da Câma- maior parte das patologias. Depois, es- ra Municipal de Coimbra. O sucessor se mesmo contributo, no colectivo, po- de Helena Freitas garante que tem pre- de provocar alterações ambientais”, re- parado “um conjunto de iniciativas pa- força. ra avaliar o que se passa na cidade”, A nível mundial, as questões relacio- que vão desde a qualidade do ar até ao nadas com a saúde lideram a lista de tratamento dos esgotos sem esquecer a preocupações dos diferentes povos. poluição electromagnética. A realização de um questionário para avaliar o grau de satisfação e as preocu- “As pessoas querem saúde, pações ambientais da população de mas, muitas vezes, Coimbra vai permitir ao Provedor to- mar conhecimento concreto da realida- fazem todos os possíveis de e responder aos pedidos dos muníci- para não a ter” pes. Para já, Massano Cardoso, que pre- tende “amplificar e intensificar” as preocupações da população, tem a “Qualquer ser humano quer ser saudá- “percepção que os conimbricenses se vel”, conta Massano Cardoso, referindo, preocupam, de facto, com o meio am- contudo, que “as pessoas querem saúde, biente”, mas, acrescenta, “faltam os nú- mas, muitas vezes, fazem todos os pos- meros para ajudar a perceber se é real”. síveis para não a ter”. E dá exemplos: Segundo o Professor catedrático da “Os hábitos alimentares, os comporta- Faculdade de Medicina da Universida- mentos, as pessoas que fumam e não fa- de de Coimbra, o problema do ambien- zem exercício físico, as que se expõem a te é “muito complexo”, lamentando que determinados factores de poluição”. Massano Cardoso Gripe das aves provoca angústia do conhecimento A questão da gripe das aves anda na que poderá acontecer entram em an- ordem do dia e todos falam do assunto. gústia e sentem medo, provocados pe- Massano Cardoso recorda que “estas lo conhecimento”. Sentimentos que po- epidemias sempre existiram”, subli- dem ser bons, uma vez que “preparam nhando tratar–se de “uma fatalidade emocionalmente as pessoas para rece- biológica, que faz parte da evolução”. berem as instruções adequadas para Contrariamente ao que acontecia no poderem controlar as coisas”. passado, nos dias de hoje sabemos, de- A vida das populações não pode, se- vido aos conhecimentos científicos e gundo Massano Cardoso, ser afectada. epidemiológicos, prever “atempada- Ainda assim, considera fundamental mente o que poderá acontecer num fu- que se siga um conjunto de regras defi- turo mais ou menos distante”. nidas em devido tempo com o objecti- A ignorância deu lugar ao conheci- vo de minorar o problema. “As pessoas mento, o que faz com que o ser huma- terão de saber como andar nos trans- no “sinta um certo mal estar e fique portes, a quem se devem dirigir, os preocupado”. Questionado sobre a gra- princípios de higiene banais que todos vidade da gripe das aves, o epidemio- deveríamos cultivar, mas, agora, de logista está convencido que “as coisas forma mais reforçada, ter reserva de não são tão graves como se pinta”, des- alimentos, água e medicamentos para tacando que o problema surge porque duas semanas”. Regras simples e ba- “as pessoas quando se apercebem do nais, mas fundamentais.
    13. 12 A 25 DE ABRIL 2006 SAÚDE 13 ESCOLA DE SAÚDE DE COIMBRA ser saudável” Estudantesrastreio acções de repetem “As mudanças constantes em torno da saúde causam transtorno e apreen- PERFIL são e levantam problemas, mas isso faz parte da evolução”, reconhece o epide- Joana Martins miologista, antes de lembrar que “anti- gamente, as coisas para mudar demo- Partindo do êxito alcançado no ano ravam décadas, mas, agora, numa dé- passado, a Escola Superior de Tecnolo- cada é provável que mudem mais que gia da Saúde de Coimbra organizou a uma vez”. Massano Cardoso parte do segunda edição da Semana das Ciên- princípio que “as decisões políticas são cias Aplicadas na Saúde. A iniciativa, tomadas no sentido de melhorar, mas, que pertence à Associação de Estudan- por vezes, não vão ao encontro das ne- tes da Escola, tinha como objectivos cessidades de todos”. principais a realização de rastreios e de Docente das cadeiras de Introdução acções de sensibilização. à Saúde Comunitária e Epidemiologia Altino Cunha, membro da Associa- e Medicina Preventiva, mostra-se agra- ção de Estudantes da Escola, sublinha dado pelo facto da prevenção ter ganho que outro dos objectivos da iniciativa adeptos nas últimas décadas e se ter passava por dar a conhecer a Escola Su- tornado indispensável. Ainda assim, perior de Saúde, os seus cursos e o pró- não esconde que a estrutura dos cursos prio Instituto Politécnico. O jovem afir- de Medicina é sempre vista numa pers- ma que, em Coimbra, a Escola de Saúde pectiva curativa e com o pensamento é vista como parte integrante da Escola no tratamento das doenças, acrescen- de Enfermagem. Reitera por isso, a im- tando que “dentro da área da preven- portância de dar uma imagem da Esco- ção queremos evitar que as pessoas la como independente, de forma a esta adoeçam”. ganhar raízes na cidade. Assim se justi- As pessoas têm uma ideia errada do fica o facto de este evento não ser orga- stress, uma vez que o relacionam sem- nizado em conjunto com outras escolas. pre com coisas negativas. Esta é a opi- A Semana da Saúde, que o ano passa- nião de Massano Cardoso, que afirma Salvador Massano Cardoso nas- do recebeu cerca de 20 mil visitantes, que “o stress é bom e só é mau quando ceu há 55 anos, em Santa Comba contou este ano com um leque mais di- privilegiaram os meios de comunicação ultrapassa determinados valores, se Dão. Licenciado pela Faculdade de versificado de rastreios, nomeadamente social e o Canal de Universidades e Po- mantém durante muito tempo e com Medicina da Universidade de Coim- a nível da radiologia, e com palestras litécnicos que divulga em todas as esco- uma carga intensa”, referindo, ainda, bra (UC) em 1975, o actual Provedor que abordaram um maior número de las eventos organizados pelos estudan- que “os problemas relacionados com o do Ambiente e Qualidade de Vida temáticas. Tal como refere Altino Cu- tes. trabalho são as principais fontes de de Coimbra doutorou–se na área da nha, pretendeu-se “ir ao encontro das Análises Clínicas, Audiologia, Car- stress”. Higiene e Medicina Social. Profes- necessidades da comunidade, tentando diopneumologia, Farmácia, Fisiotera- Tendo sido, e continuando a ser, um sor catedrático de Epidemiologia e diversificar o leque de abrangência da pia, Radiologia e Saúde Ambiental são dos rostos visíveis da contestação à co- Medicina Preventiva da Faculdade iniciativa”. os sete cursos existentes na Escola, os -incineração, Massano Cardoso enten- de Medicina da UC, representou a Ao nível da gestão de recursos, o jo- quais estiveram representados em stan- de que “já há pouco para dizer”. A par- Câmara de Coimbra na Comissão vem estudante explica que esta foi com- ds de atendimento à comunidade. tir deste momento, trata-se de “uma Científica Independente (incumbi- plicada, na medida em que se trata de Este ano os estudantes tiveram me- decisão política” pelo que o Governo da pelo primeiro Governo de Antó- uma organização que conta com um or- nor adesão do que no ano anterior, fac- tem “toda a legitimidade para fazer o nio Guterres de acompanhar o pro- çamento de cerca de 30 mil euros. to a que não foi alheio o mau tempo que que entender”. Massano Cardoso diz cesso tendente ao tratamento do lixo Altino Cunha reafirma a importância se fez sentir durante o fim-de-semana, que “as responsabilidades têm de ser tóxico mediante queima em cimen- dos apoios e patrocínios. Contaram altura em que esperavam, como é habi- assumidas”, pedindo ao executivo de teiras) e foi deputado à Assembleia com a ajuda do Banco Totta, a nível fi- tual, receber um maior número de pes- José Sócrates para não esconder “os ris- da República pelo PSD. É presiden- nanceiro, do Instituto Politécnico de soas. Ainda assim, Altino Cunha consi- cos para as populações que vivem em te da Assembleia Municipal de San- Coimbra, da própria Escola e da Câma- dera bem sucedida a iniciativa e aponta redor dos locais onde vão ser queima- ta Comba Dão. ra Municipal, a nível logístico. Para a já uma terceira edição a realizar-se no dos os resíduos”. divulgação da iniciativa os estudantes próximo ano.
    14. 14 SAÚDE 12 A 25 DE ABRIL 2006 INVULGAR ÊXITO DE JOVEM EMPRESA NA ÁREA DA BIOMEDICINA NOVAS APOSTAS? – Para já, estamos a construir no Bio- Crioestaminal cresce cant – Parque de Transferência de Tecno- logia de Cantanhede, dois laboratórios, um dos quais se destina à criopreservação de células estaminais. No outro, serão prestados diversos serviços na área do e estende-se a Espanha diagnóstico médico e será feita investiga- ção com vista a alargar o leque de aplica- ções terapêuticas das células estaminais. A INVESTIGAÇÃO É, PORTANTO, UMA ÁREA ESTRATÉGICA PARA A CRIOESTAMINAL? – Claro. Neste momento, temos três novos projectos, desenvolvidos em parce- ria com entidades de referência do siste- ma científico e tecnológico nacional, como o Instituto de Medicina Molecular de Lis- boa e o Centro de Neurociências de Coim- bra. Em fase de candidatura, submetida à Agência de Inovação, está também um projecto, realizado em parceria com a Clí- nica Universitária de Genética da Univer- sidade de Coimbra, direccionado para o diagnóstico pré-natal, cujo propósito é de- tectar doenças no bebé ainda no útero da mãe. É um projecto de grande importân- cia, com que avançaremos mesmo que a candidatura não seja aprovada. Temos também submetido um projecto europeu, resultado de uma colaboração com o Prof. Rui Reis, da Universidade do Minho. Esta aposta na Investigação é e continuará a ser uma aposta estratégica para a Crioes- taminal, dada a formação dos seus res- A equipa da Crioestaminal Raúl Santos ponsáveis. Como tal, estamos a fazer no- vas apostas na perspectiva de continuar- A Crioestaminal é um empresa medidas que foram tomadas pelo actual APESAR DE TER NASCIDO HÁ PERTO DE TRÊS mos a crescer. inovadora, criada por um grupo executivo estão a ir no bom sentido, desig- ANOS, UMA NOVIDADE. de jovens, que rapidamente conquistou nadamente no que diz respeito à humani- – É uma entidade que está a desenvol- QUAIS SÃO AS METAS PARA ESTE ANO? grande êxito no País, de tal forma zação das instituições, à diminuição das ver uma área relativamente recente, a Bio- – Crescer. Desde que iniciámos a acti- que está já a preparar a expansão listas de espera e ao combate a alguns lob- medicina, na qual esperamos vir a ser vidade, em Junho de 2003, mais de 10 mil para Espanha, como revela Raúl Santos, bies e/ou interesses instalados no sector. uma referência. A Crioestaminal é pionei- pais já aderiram ao nosso serviço. É um seu Director-Geral, na entrevista Parece-me positivo que se faça frente a al- ra em Portugal no isolamento e criopre- indicador bastante positivo, que gostaría- que concedeu ao “Centro”. guns dos actores do mercado da saúde – servação de células estaminais do sangue mos de ver aumentado, este ano, entre 5 a que não gostaria de especificar – e que do cordão umbilical. O objectivo da nossa 10 por cento. Acreditamos, além disso, Paula Cardoso Almeida têm vindo a prejudicar os serviços presta- empresa de biotecnologia é posicionar-se que podemos incrementar as vendas, de- dos à comunidade. No entanto, avaliando na área da medicina preventiva, o que nos signadamente para o mercado espanhol. o sector no geral, creio que há sinais de levou a diversificar os nossos serviços pa- A internacionalização é outro dos nossos QUE RETRATO SE PODE FAZER, NESTE MO- melhoria a vários níveis. ra a área do diagnóstico clínico em que es- objectivos. Já estabelecemos contactos no MENTO, DA SAÚDE EM PORTUGAL? tamos a entrar actualmente. sentido de arranjar representantes no – A saúde não estará hoje tão doente NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ÁREA DA mercado espanhol, nomeadamente em como esteve até há algum tempo atrás. As SAÚDE, A CRIOESTAMINAL CONTINUA A SER, NESSE SENTIDO, QUAIS SÃO AS VOSSAS Madrid e Barcelona. TROPA DE SOUSA 1980 | 2005 Clínica Geral Medicina Estética Acupuntura 25 anos ao serviço da saúde VIRGÍLIO CARDOSO Ginecologia / Obstetrícia Laser Yag Vascular (Varizes) CRISTINA FERREIRA Coimbra GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA LUÍSA MARTINS Leiria Laser de Depilação definitiva Kromoterapia PEDRO SERRA Florais de Bach Laser de Luz Pulsada (Trat. Estética) PODOLOGISTA Endermologia (LPG) RENATA MARGALHO MARIA TERESA PAIS Psicologia Clínica Pressoterapia MEDICINA DENTÁRIA LUÍS MIGUEL PIRES TAC Tomografia Computorizada Ozonoterapia (Trat. por Ozono) TÂNIA SOUSA Terapia Ocupacional RM Ressonância Magnética ESTETICISTA Osteopatia Dermo Abrasão (Limpeza de Pele) MN Medicona Nuclear PAULO SOUSA NUNO CARVALHO Mesoterapia MASSAGISTA Hipnoterapeuta Implantes para Rugas (Biopolímeros) 239 487 130 — 239 487 139 FERNANDO KUNZ JOÃO CALHAU Tratamentos por Esteticista OPERADOR LASER Nutricionista O SEU NOVO ESPAÇO DE PUBLICIDADE Urbanização da Quinta das Lágrimas, lote 24 R/C Santa Clara, 3020-092 Coimbra Telf. 239 440 395-Fax. 239 440 396 Telm. 919 992 020 / 964 566 954 / 933 573 579
    15. 12 A 25 DE ABRIL 2006 SAÚDE REPORTAGEM 15 SISTEMA PIONEIRO NA EUROPA NOS HOSPITAIS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Circuito de medicamentos online Joana Martins O sistema engloba o historial clínico do doente, alergias a medicamentos, a te- Servir o doente com segurança, eficá- rapêutica que está a ser utilizada e todas cia, racionalidade e eficiência é o ponto as informações úteis ao seu tratamento. fulcral do Sistema de Gestão Integrada do Assim, a partir do momento em que o Circuito do Medicamento (SGICM), em doente dá entrada no hospital, toda e funcionamento nos Hospitais da Univer- qualquer acção que os profissionais de sidade de Coimbra (HUC) desde 2000. É saúde exerçam sobre ele fica registada no um sistema informático centrado no sistema. O médico, a partir do seu com- doente e no medicamento. putador, tem acesso às análises, à tera- O circuito interliga, dentro dos HUC, pêutica, etc, podendo mesmo fazer onli- todos os profissionais de saúde, em torno ne a carta de alta do doente. Existe, por dos interesses do doente. Sistema pioneiro isso, “uma racionalização de tempo e de e inovador, não só em Portugal como tam- recursos”, tal como afirma Odete Isabel. bém na Europa, o SGICM permite assegu- Registe–se, contudo, que está assegurada rar a prescrição, distribuição, administra- Odete Isabel, Directora dos Serviços Farmacêuticos dos HUC a confidencialidade destes dados, uma ção, facturação, selecção da molécula e do vez que eles só estão acessíveis aos pro- fornecedor, aquisição e armazenamento Falamos de um hospital que possui médico acede, pelo sistema, à ficha de fissionais de saúde obrigados a garantir do medicamento. 1600 camas, onde a média de doentes in- qualquer doente do hospital, podendo essa confidencialidade. A ideia partiu dos Serviços Farmacêuti- ternados por dia chega aos 1290. Desde a desta forma efectuar uma prescrição in- As vantagens que o sistema trouxe aos cos dos HUC, contou com a ajuda de ou- implementação deste sistema que passou formatizada. Assim, tem a possibilidade HUC são inegáveis, sobretudo do ponto tros serviços do hospital e a ferramenta foi a haver “maior agilização e um nível de de seleccionar as doses do medicamento de vista da racionalização de recursos e concretizada tecnologicamente pela Com- informação compatível com todas as ne- a ser administrado, os horários e a fre- dos erros de medicação. Por cada erro as- panhia Portuguesa de Computadores, cessidades do hospital”, sublinha Odete quência, informação que chega online à sim evitado, o hospital poupa em média Healthcare Solutions, em 1999. O circuito Isabel, Directora dos Serviços Farmacêuti- Farmácia do hospital. De uma forma cerca de 5 mil euros. Tal como refere o es- do medicamento está, hoje em dia, dispo- cos do hospital. Assim, o sistema assume abrangente, o SGIMC engloba o acesso às tudo do Journal of the American Medical nível em mais de 90% dos HUC, encon- especial importância na medida em que várias vertentes do circuito do medica- Association, a implementação da prescri- trando–se em fase de expansão para as veio reduzir as taxas de erros de medica- mento. “O sistema trouxe muitas vanta- ção online pode reduzir em cerca de 55% consultas externas. O que faz deste siste- ção. A interacção entre todos os profissio- gens”, refere Odete Isabel. Veio melhorar os erros com medicamentos. ma um projecto único é o facto de os siste- nais dos HUC, através do SGICM, veio di- a “qualidade da assistência medicamen- O sistema já está a ser instalado em ou- mas existentes em hospitais, mesmo a ní- minuir erros de transcrição, problemas de tosa aos doentes, eliminar erros com me- tros hospitais do país e Odete Isabel acre- vel europeu, funcionarem em termos de legibilidade, abreviaturas inadequadas, dicamentos” e proporcionou ainda uma dita que ele será “uma grande ajuda para departamentos e não numa lógica do hos- prescrições incompletas ou ambíguas. melhor “gestão dos recursos humanos e solucionar os graves problemas relaciona- pital como um conjunto. Através desta ferramenta de trabalho o matérias”, sublinha a Directora. dos com o uso racional do medicamento”. Propriedade e dir. técnica de Maria Isabel Correia Mesquita Rua José Martinho Simões, 2 - 4 • 3260-409 Figueiró dos Vinhos 3000 Coimbra – Tel. 239 823 744 – Fax 239 832 398 Telef. 236 552 312 – Fax 236 552 312 FARMÁCIA FERREIRA, UNIPESSOAL LDA Propriedade e Dir. Técnica Dr.ª Sílvia Esmeralda Rodrigues Cardoso Ferreira Av. Visconde d’Alverca, 45 • 3150-120 Condeixa-a-Nova Largo Tenente Ferreira Leite, 19-21 239 941 521 – 239 944 695 • Fax 239 945 938 3040 – 927 TAVEIRO – COIMBRA – tlf 239 981 267 CONSIGA OS MELHORES RESULTADOS ÉLITE C a b e l e i r e i r o s BB COM O CONSELHO DE ESPECIALISTAS O SEU NOVO • MARCAS PROFISSIONAIS L’OREAL – REVLON – SCHWARZKOPF • Cabeleireiro • Manicure – Pedicure – WELLA – LVM – IUNSEW ESPAÇO DE PUBLICIDADE • Extensões – Cristais CABELEIREIROS Artigos e acessórios de cabeleireiro para revenda UMA MAIS VALIA AO • Cabeleireiro A todos os nossos clientes A todos os nossos clientes que nos preferem a promessa • Estética que nos preferem a promessa de continuarmos a tratar da beleza dos vossos cabelos de continuarmos a tratar da beleza • Extensões dos vossos cabelos Célia • Miro • Cabeleiras – Postiços Miro – Aida – Sónia Aceitamos marcações através do telf 239 822 641 Aceitamos marcações Telf 239 829 268 Rua Ferreira Borges, Escadas de S. bartolomeu, 7 – 3000 COIMBRA Rua Adelino Veiga, 49-1º Dto – 3000 – 003 COIMBRA
    16. 16 SAÚDE 12 A 25 DE ABRIL 2006 CLÍNICA MATRIX: DIFERENTE ESPAÇO DE SAÚDE EM COIMBRA Medicinas ocidental e oriental aliadas no combate à doença \"Matrix\" – Clínica de Saúde, Estética a mesoterapia. E relação a esta última e Acupunctura – é este o nome de um terapêutica, Tropa de Sousa sublinha centro médico e de bem-estar, aberto que \"é utilizada, quer do ponto de há cerca de dois anos em Coimbra. vista estético, quer seja do ponto de Este espaço não pretende ser mais do vista da reumatologia\". Na estética é que uma simples clínica médica, antes usada em situações de emagrecimen- um local mais abrangente, onde se to, celulites, controlo de peso; e no pode encontrar uma série de especiali- campo físico \"complementa terapias, dades, no sentido da melhoria da tratamentos que são feitos a pessoas qualidade de vida das pessoas. Em que não podem tomar anti-infla- declarações ao “Centro”, Tropa de matórios por via oral\". Sousa, Director Clínico da \"Matrix\", Na estética, a \"Matrix\" disponibi- disse tratar-se de um \"centro médico liza, para além de duas esteticistas e onde existe uma estreita e intima dois médicos creditados, o laser colaboração entre a medicina ociden- \"IPLS\" ou \"luz pulsada\", utilizado no tal e a oriental\" – o mesmo será dizer, tratamento de patologias como a entre a medicina dita convencional e a psoríase, lesões vasculares ou mesmo alternativa. em depilações. A \"Matrix\" visa proporcionar a cada Tropa de Sousa realça que o \"IPLS cliente uma solução personalizada, não é bem um laser, funciona com a assente em diferentes métodos tera- mesma filosofia dos lasers e obtém pêuticos, adequados a cada caso, cujo resultados semelhantes, mas sem os objectivo é \"promover o bem-estar da efeitos secundários deste, ou seja, pessoa a nível físico e psíquico\". Meios despigmentação e queimaduras\". O como \"a medicina convencional, acu- IPLS, apesar de não ser tão específico punctura, mesoterapia, osteopatia e como o laser, \"oferece maior margem tratamentos de estética vão aliar-se no de segurança, funcionando em mais bem-estar, por dentro e por fora da Tropa de Sousa, director clínico da \"Matrix\" frentes\", realça. A correcção de rugas - pessoa\", refere Tropa de Sousa, acres- através de implantes, \"bottox\", \"pee- centando: \"A mais-valia da clínica é ter realizados os mais avançados trata- energética, uma vez que muitas lings\" químicos com ácidos, dermo- num único sítio reunidas as duas mentos estéticos com especialistas. De patologias se ficam a dever a uma má abrasão ou tratamentos médicos de medicinas e uma outra vertente que é acordo com Tropa de Sousa, médico distribuição da energia a nível corpo- rosto e corpo, a remoção de varizes e a estética\". que se dedica à acupunctura há 24 ral\". As duas medicinas \"complemen- a correcção de pequenas anomalias Na área da medicina convencional, anos, \"especificamente 50 % do que tam-se e muitas vezes a solução pode físicas, desde que não implique anes- a \"Matrix\" disponibiliza especiali- aqui faço está subjacente à acupunc- residir na medicina convencional, nas tesia, são outras competências dis- dades como clínica geral, ginecologia, tura\". A grande vantagem é que com outras técnicas terapêuticas, ou numa poníveis na clínica. dermatologia, nutricionismo, cirurgia \"a acupunctura consigo prescindir conjugação de ambas\". A \"Matrix\" conta com uma equipa geral (pequena cirurgia no campo da muitas vezes do uso de medicamentos Para além da acupunctura, a de pessoal devidamente qualificado estética) e ainda laboratório de análi- e também muitas dos doentes que \"Matrix\" disponibiliza ainda outras em todas as áreas acima referidas. As ses clínicas com recolhas diárias. aqui vêm já passaram por muitos especialidades orientais como: a os- consultas e tratamentos funcionam Contudo, o leque de opções dis- médicos sem resultados práticos e teopatia, a massagem \"reiki\" (que entre as 8 horas da manhã e a meia- ponibilizado pela clínica vai mais chegam aqui e ficam bem\", sublinha. envolve a estimulação das correntes -noite, sempre por marcação. além, para as medicinas orientais. A E continua: \"O papel da acupunc- sinergéticas das pessoas), a cromote- Para os interessados, a clínica valência médica de acupunctura, que tura tem duas vertentes: uma física, no rapia, a ozonoterapia (terapêutica \"Matrix\" fica situada na Urbanização pode ser conjugada com mesoterapia e alívio de sintomas de patologias como usada em situações de artroses, inter- Quinta das Lágrimas, lote 24, r/c, em osteopatia, é outro dos pontos fortes reumatismo, artrose, dor ciática e venção sobre hérnias discais, celulite e Santa Clara, com o telefone 934 466 deste espaço, onde também podem ser osteoarticular, por exemplo, e outra mesmo no controlo da fibromialgia) e 644. FARMÁCIA M. NAZARÉ Elisa Maria Carvalho Rasteiro da Silva Propriedade e Direcção Técnica: Leonor M.ª Gaspar C. M. A. Coragem A sua Farmácia das 9h - 20h Rua Carlos Seixas, 102 – 3030-177 Coimbra Telef. 239 822 605 – Av. João das Reagras, 132 – 3040-256 COIMBRA Farmácia Figueiredo directora técnica: Capitolina Maria de Figueiredo F. Pinho Rua da Sofia, 107 • 300-390 Coimbra DIRECTORA TÉCNICA: Dr.ª Maria Ascensão Nazareth telefone: 239822837 – fax: 239842934 Rua Ferreira Borges, 135-139 – 3000-180 Coimbra – Tel. 239 822 605
    17. 12 A 25 DE ABRIL 2006 APONTAMENTO 17 Origem da Ponte 25 de Abril? rizado romper a clausura do Carmelo gueiros mal se viam. Só os choupos Ao sair da água, ignorando as silvas de Coimbra para fotografar com vista à mais velhos sobressaíam naquele “mar” que o picavam e rasgavam o corpo, an- edição de um livro que se vende na insólito, raramente visto. te o pasmo geral, carregava ainda ao portaria do convento. Nele se mostra Na margem direita surgiu um traba- ombro o alforge com o “avio”, onde um pouco da vida de recolhimento e lhador disposto a arriscar a travessia nem a almotolia e a “corna” das azeito- Varela Pècurto devoção do Carmelo, a que pertenceu a para evitar percorrer uns quantos qui- nas faltavam. Repórter fotográfico Irmã Lúcia, cuja memória a Câmara lómetros até à ponte a montante, que Nada de semelhante se repetiu nem Municipal de Coimbra homenageou, lhe permitiria não correr perigo. Calcu- repetirá porque as “passadeiras” já não dando o seu nome a uma artéria da ci- lando a posição das “passadeiras”, por- existem. A Ribeira até perdeu “persona- Quem percorrer a estrada entre Avis e dade). que as não via, iniciou o avanço, no que lidade” porque foi absorvida pela Barra- Casa Branca, outrora lamacenta e hoje Durante o Inverno não deixava de ir foi bem sucedido até ultrapassar meta- gem do Maranhão. No local está uma alcatroada, a meio da distância entre es- à Ribeira para ver as cheias, prática que de da distância que o separava da outra ponte metálica que, antes, foi de madei- tas duas localidades, surge-lhe, primei- continuei em Coimbra. Aqui, sempre margem, onde um grupo de adultos e ra, mas de composição igual, um protó- ro, uma dessas altas chaminés das in- que podia deslocava-me até ao Rio, não alguns garotos seguiam o desenrolar da tipo da que já foi chamada “Salazar” e dústrias, a lembrar a grande actividade que ali exisitiu – lagares de azeite, vinho e uma fábrica de moagem. Depois vê-se a frondosa e altaneira copa de um pi- nheiro manso que meu Pai mandou plantar para fazer jus ao nome da Quin- ta (do Pinheiro). Respirando bons ares e alimentado com o que agora chamam de produtos biológicos, fui crescendo saudável na- quele ambiente que mantinha um certo bucolismo. Com a chegada da obrigatoriedade escolar, conhecendo as primeiras letras, ensinadas por minha Mãe, mudei-me para Ervedal, uns 4 km mais a norte. Aqui vivi as peripécias comuns a todas as crianças. Algumas delas evidenciaram-se, de que são exemplo as escapadelas à aper- tada vigilância de minha Avó Angélica. Iludi-la para ir até à Ribeira Grande era muito emocionante para mim O nome deste curso de água ainda hoje é controverso porque, grande, só no Inverno. Por este motivo e outros, a maioria chama-lhe Ribeira de Avis – coerentemente, diga-se, pois já em 1512, no foral manuelino, assim foi baptizada. Com este ou outro nome, no meu tempo de faz de conta pouco me devia importar. O que desejava mais do que Pode ter sido esta ponte a que serviu de teste à que hoje tem o nome de 25 de Abril em Lisboa tudo nos dias em que o calor apertava era nadar. Deliciava-me também com os como o meu vizinho Torga, “a ver cor- patética cena, que mais parecia ficção. agora é “25 de Abril”. estranhos odores ribeirinhos que me ro- rer, serenas, as águas do Mondego”, Entontecido pelo movimento das Terá sido ali que a primeira grande deavam de mistura com a fragrância mas sim as vastas áreas inundadas, os águas, deu um passo errado, deitando ponte de Lisboa foi ensaiada? Consta das flores silvestres das margens. remoinhos (1) e os garotos à “pesca” das todo o esforço e coragem a perder. E lá que sim. (Ainda hoje as recordações desse laranjas. foi arrastado pelo turbilhão barrento. passado estão bem vivas na minha me- Voltemos à minha Ribeira. Para sorte sua, de entre os angustia- mória, contrariamente às relativas ao Certo dia de grande cheia, assisti a dos que presenciavam a cena, vários ho- (1) Actualmente as cheias do Mondego período da minha vida profissional. Es- um episódio que muito me impressio- mens se destacaram em rápida acção de são raras, desde que se construíram as bar- tes dias foram tão preenchidos, que, nou e memorizei ao pormenor, já lá vão socorro. Correndo ao longo da margem ragens da Raiva, Aguieira e Fronhas. Mas não raro, trabalhava 24 horas seguidas. mais de setenta anos. mais livre de infestantes, estenderam ao às vezes ainda há percalços, como sucedeu há Ainda assim, lembro-me bem das qua- Sempre que a água não corresse mais infeliz um galho comprido quando ele dias, quando o Mondego “devorou” uma boa tro vezes em que corri perigo de vida alta do que as “passadeiras” (pedras se aproximou o suficiente para o alcan- parcela do chamado Parque Verde, na mar- nas reportagens para a RTP e em outras com cerca de um metro de altura, corte çar, pois, como lhe foi possível, tinha na- gem direita. ocasiões, pois fotografava para quatro tosco, colocadas a intervalos de um pas- dado na tentativa de chegar a terra. jornais diários e três desportivos. Re- so), era fácil atravessar o caudal. Esta comunhão de esforços – do aci- (Esta crónica é uma adaptação do cordo também a espiritualidade que vi- Mas naquele dia a poesia dos campos dentado e dos salvadores – teve o êxito excerto do livro intitulado “Ervedal”, vi durante a tarde em que me foi auto- marginais desaparecera e os esguios sal- que todos desejavam. da autoria de Varela Pècurto)
    18. 18 MEMÓRIAS 12 A 25 DE ABRIL 2006 ATRÁS DA CÂMARA FOTOGRÁFICA... Tratou-se de um “acidente” numa fá- quer no resultado. O “saber fazer” deu lu- brica de celulose, cujas causas e dimensão gar ao “fazer saber”; este substituiu aque- Uma imagem, real os responsáveis minimizavam junto do jornalista João Bravo, que os visitou. Explicações concretas só surgiram quan- do este meu camarada chamou um admi- le, em vez de darem as mãos com vanta- gem para todos, das várias gerações de jornalistas em todos os meios de comuni- cação social. Perdeu-se aquele “romantis- mil sentimentos nistrador a uma janela para lhe mostrar que uma equipa de reportagem estava a sobrevoar e a fotografar aquele território, a fim de se conhecer a origem, gravidade mo” inerente ao modo de fazer jornalis- mo, substituindo-se pelo pragmatismo da “ditadura gráfica” (mas não apenas isso), que impõe fotos ao alto quando as melho- de Águeda, já noite dentro, por carência e extensão do problema – o jornal atacava res imagens são ao baixo (ou vice-versa) e de meios de envio das imagens e para em duas frentes. de padrões ou critérios gráficos e edito- economia de tempo. A partir daqui tudo se alterou e as jus- riais de interesse duvidoso para o leitor. O tema era forte, fortíssimo mesmo e o tificações apareceram em catadupa, pois Isto acontece devido à inexperiência de Jorge Castilho tinha feito sentir ao direc- entenderam que seria bem pior o silêncio, alguns, certamente bem formados teori- tor que a coisa não seria assim tão fácil quando o jornal estava em campo até camente, mas aos quais falta a tarimba àquela hora. Aproveitou para salientar os com meios aéreos! que só o tempo e a designada osmose re- Manuel Correia parcos meios existentes na redacção, re- Depois do trabalho feito, instalou-se dactorial proporcionam. Fotojornalista do JN matando: “E agora como é que vamos, em nós um espírito de “dever cumprido” Tudo mudou, naturalmente. O fotojor- nalismo evoluiu imenso, graças, sobretu- do, ao acelerado desenvolvimento tecno- lógico, o que obrigou os fotojornalistas a adaptarem-se às recentes técnicas e às no- vas realidades sociais, designadamente no recurso à formação. Mas não está a aproveitar-se essas melhorias. Salvo algu- mas excepções, o “fotojornalismo de cau- sas” de interesse público está arredado das páginas dos jornais. Paradoxalmente, a nossa actividade é mais restritiva na qualidade, quando os campos de acção foram alargados. Tentando chegar a “tu- do”, porque hoje é mais difícil distinguir o que é importante para ser notícia ou re- portagem, a tendência é para a banaliza- ção do fotojornalismo, aproximando-o da simples ilustração e pouco mais - na gíria chamamos “tapar buracos”. Reflecte–se pouco acerca da profissão que, em função do seu estatuto de “infor- mar, contextualizar, oferecer conhecimen- to, formar, esclarecer ou marcar pontos de vista, ‘opinar’ através de fotografias de Foi há quase 22 anos o que aconteceu o sem meios, fazer o trabalho na Figueira?”. e de orgulho pelo desempenho desta acontecimentos e da cobertura de assun- que relato nesta pequena história. É uma Respondeu-lhe o Sérgio de Andrade, com exemplar reportagem em que o interesse tos de [real] interesse jornalístico”, surge- das muitas do rol da minha vida profis- a autoridade nossa conhecida: “Vão de público era por demais evidente. Isto, –nos hoje mais fútil que útil do que há sional como fotojornalista, mas tem um avião, de helicóptero ou de foguetão! – sim, era jornalismo! uma vintena de anos. Basta atentar nos sabor especial que me faz lembrar dela quero lá saber! Mas vão!”. À noite, fui contactado pelo nosso pilo- suplementos de fim-de-semana, cada vez frequentemente. O coordenador da redacção de Coim- to que, algo preocupado, pedia–me que mais “cor-de-rosa”, profusamente ilustra- Estávamos no início do Verão de 1984, bra tomou uma atitude. “Pois bem! Va- não saíssem as fotos no jornal, devido a dos com fotografias do jet-set de copo na um ano daqueles em que ainda não se fa- mos de avião para a Figueira, como man- pressões que tinha recebido duma entida- mão, páginas essas que um camarada de lava em silly season embora a falta de no- dou o director!”. de que lhe assegurava umas quantas ho- lides jura-me a pés juntos, serem essen- tícias nas redacções fosse um flagelo à Seguiu o jornalista João Bravo (já fale- ras de voo na vigilância contra os fogos ciais para a sobrevivência dos jornais. Se- época. cido) por via terrestre, enquanto Jorge florestais, contribuindo para manter o seu rá o triunfo deste fotojornalismo light? A meio da tarde, o telefone tocou na Castilho e eu iríamos de avião até à costa brevet de pilotagem. Claro que tal era im- Sim. Sinto a nostalgia do tempo em antiga redacção da Avenida Fernão de atlântica, na mira da grande reportagem possível e o caso foi a “manchete” do jor- que trabalhávamos fotojornalismo “pu- Magalhães, onde os jornalistas estavam sobre a “maré negra”. Contactado o Aeró- nal de 5 de Julho de 1984 e não consta que ro e duro” apesar das enormes dificulda- preparados para o que desse e viesse. dromo de Cernache disseram que nos a ameaça do corte nas horas de voo do pi- des logísticas de toda a ordem, a pensar Atendi a chamada e era o director do aprontavam um avião se conseguíssemos «JN», Sérgio de Andrade. Imaginei que um piloto para o tripular. Descobrimos algo de grave se passasse, por ser o pró- que o nosso aeronauta estava a enfeitar o prio a ligar e passei o auscultador ao coor- altar da Igreja do Carmo e tivemos de o denador Jorge Castilho. Terminado o tele- desviar dos afazeres religiosos para nos ir fonema, o caso foi comunicado a todos os transportar até à orla marítima figueiren- elementos da redacção – como era hábito se. salutar, aliás. Havia uma informação, se- Lá descolámos no pequeno Cessna, ru- gundo a qual uma “maré negra” avança- mo à costa e, ao sobrevoar a zona da Lei- va sobre a Figueira da Foz, às portas da rosa, constatámos uma verdadeira tragé- Praia da Claridade, onde estava a iniciar- dia: grandes vagas sucessivas de fuel em- -se a época balnear. batiam violentamente nas ondas de espu- Os meios disponíveis eram (são sem- ma branca do mar, na área de rebentação, pre...) escassos; apenas havia uma carri- elevando a mancha negra, espessa e vis- nha Toyota Corola para transporte e dis- cosa a alguns metros de altura. tribuição de jornais. Ainda não existiam o Do nosso ângulo de observação privi- IP3 nem a A14 e, ir à Figueira da Foz, não legiado, a uma centena de metros de alti- era coisa para pouco tempo, tomando a tude, fomos colhendo imagens com a ve- EN-111. Por outro lado, o envio de fotos, lhinha câmara fotográfica “Canon ftb”. loto se concretizasse. nos leitores – e só neles. Há muito tempo se as houvesse interessantes, obrigaria a Ao longo de cerca de dez quilómetros de Vai longe esse tempo e a forma como que não ouço da boca de alguém, ex- dividir a distância Coimbra-Porto a meio, extensão, um espectáculo chocante que o alguns entendem actualmente o fotojor- pressões como esta: “Você e o seu jornal com um motorista da sede do meu diário, «JN» plasmou na sua primeira página do nalismo e o jornalismo lato sensu. É qua- mudaram a minha vida, que estava de com o qual me encontraria para os lados dia seguinte. se tudo diferente, quer no modo de actuar rastos”.
    19. 12 A 25 DE ABRIL 2006 apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 19 ACADÉMICA-NAVAL AO VIVO MAS À DISTÂNCIA “Dispensado” Joeano Mário Martins marcou duas vezes Esta página é experimental em todos os sentidos. Começa pelo suporte físico: pode lê-la aqui ou na internet. Depois, o Hoje em dia, pode acompanhar conteúdo não está pré-formatado; tanto se os jogos da Académica em directo pode falar de Desporto (como é o caso des- em qualquer ponto do planeta. ta semana) como de Política, da cidade co- Basta que tenha um computador mo da região, das novas tecnologias como e uma ligação à internet. da Comunicação Social. De uma área só Foi assim que “vi” ou de várias ao mesmo tempo, porque o polémico Académica-Naval. a vida também não é compartimentada. Por outro lado, este espaço assume-se Faltava um quarto de hora. Liguei o como interactivo; através do blog ou de computador, fui à procura da Rádio Uni- tidos... Já se estava à espera! Saulo com- e-mail, aceita a colaboração dos leitores. versidade de Coimbra (www.ruc. pt) e a pletamente sozinho”, escreve-se no blog. Finalmente, e como o próprio nome indica, emissão on-line lá estava, com excelente E logo o coentário: “Incrível... segundo esta é também uma página pessoal. Se ela qualidade. Depois procurei a página dos jogo consecutivo em que não se conse- conseguir ser “a minha página” de muitos “Pardalitos do Choupal” (http://pardali- gue segurar uma vantagem!”. Na RUC leitores, o objectivo estará cumprido. tosdochoupal.blogspot.com) e o comen- os comentários são semelhantes. Mas tário do jogo em directo era prometido. vão mais além: “Pedro Roma tirava (de- Não precisava de mais nada para “ver” o fendia) à vontade”. Opiniões. Latapy vai jogo. E assim foi. O jogo arrasta-se e chega o período de Os relatos da RUC têm piada, espírito académico, irreverência coimbrã. Por ve- compensação: irão jogar-se mais 4 minu- tos. Entretanto, a Académica já tinha no- ao “Mundial” zes, até em excesso. Já não os sintonizava ve (Andrade expulso aos 87). E acabará Tem 37 anos e desde a época passada, mas desta feita as mesmo com oito jogadores em campo, tudo indica que coisas estiveram equilibradas, com o re- depois da expulsão de Joeano aos 93. O será o jogador lato de João Quaresma (apresentado co- noite, na televisão). Logo a seguir, cartão técnico Nelo Vingada também já tinha si- mais velho a dis- mo “mago da comunicação social”) e as amarelo para o guarda-redes da Acadé- do expulso nessa altura. putar o “Mun- intervenções do repórter de pista José mica, por “queimar tempo”. E os comen- No blog: “Final muito triste no Estádio dial” da Alema- Carlos Barreto. Vale a pena ouvi-los, sa- tários: “Comportamento completamente Cidade de Coimbra. (...) Cartão amarelo nha, dentro de bem do que falam. Dou apenas um idiota” (RUC); “Começamos cedo” a N’Doye por protestos. Está tudo de ca- dois meses. Rus- exemplo: ainda antes do jogo começar, (blog). Hugo Alcântara também não es- beça perdida! (...) Remate de Joeano... ia sel Latapy, de um eles disse que “os adeptos vão perce- capa às críticas: “Não teria sido melhor ser golo! Desviado para canto! Cartão Trinidad e Toba- ber que a Académica queria ir buscar Li- pagar o que José António queria? Hugo vermelho a Joano! Era canto e o árbitro go, começou na Académica a aventu- to e não Fernando ao Moreirense”. E não Alcântara tem feito uma época péssima!” marcou pontapé de baliza... e expulsou ra europeia. Bom jogador, prosseguiu é verdade que o “navalista” Lito foi mes- (RUC). Joeano! (...) Tá tudo perdido! Grande a carreira no Boavista e FC Porto. De- mo um dos melhores em campo, en- A Académica estava a vencer mas a confusão... Já entram pessoas dentro do pois, o salto para a Escócia, onde de- quanto o “académico” Fernando nada Naval dominava. “Eu não quero dizer is- tartan. Grande confusão no estádio! Há fendeu as cores do Hibernian, Glas- fez digno de registo?! to... Mas só dá Naval”, leio no blog. “Ca- muitas pessoas a quererem invadir o rel- gow Rangers e Dundee United. Ago- Começa o jogo. Joeano marcou aos 4 da cruzamento da Naval parece um pe- vado, com o ‘banco’ da Académica todo ra, ainda no futebol escocês, está no minutos, de cabeça, após cruzamento de nalty”, ouço na rádio. expulso! É uma verdadeira vergonha! O Falkri, onde é jogador-treinador. N’Doye, e logo o homem da pista pediu: Chega o intervalo. “A Académica, se árbitro acaba o jogo! Que revolta!”. “Por favor, prof. Nelo Vingada, não tire o está a vencer por 2-1, tem de agradecer “A Naval fez um bom jogo e não tem Joeano”. Percebeu-se a ironia. O brasilei- ro continuou em campo e aos 27 minutos ao Joeano, pois a equipa tem estado mui- to nervosa! Luciano e Fernando estão nada a ver [com isto]”, comenta a RUC. Mas parece que o árbitro não esteve nada TVI: marcou outra vez (2-0): lançamento lon- go de Zé Castro para Filipe Teixeira, cru- muito desinspirados, Hugo Alcântara desconcentrado e a Académica terá de bem. “O primeiro cartão a Nuno Piloto é injusto. O vermelho a Andrade é dispa- bom e mau zamento e novo tento de cabeça. E veio o acalmar para conseguir matar o jogo na rate”, sentencia a rádio. E sendo assim, a comentário mordaz: “O Benfica teve um 2.ª parte” é a síntese do blog. A RUC já Académica – que já sentia dificuldades erro de casting”. Aliás, minutos antes, o tocara nesse aspecto: “Irritante é a atitu- frente à Naval desde o início do jogo – tema já tinha sido aflorado: “O Marcel foi de do Luciano e do Fernando; perdem a viu-se metida num colete de forças bem com o Benfica a Barcelona para ver se ar- bola e não fazem nada para a recuperar”. maior na parte final do desafio. ranjava uma camisola, mas parece que O blog conseguira publicar 44 linhas de Concluído o desafio, no blog regista- não teve sorte...”. relato e já registava 19 comentários de vam-se 54 linhas de relato e 42 comentá- Entratanto, na página dos “Pardali- utilizadores! rios. Ou seja: muita gente ligada, desta Gosto do futebol em directo na tos”, as jogadas eram descritas minuto a Começa a 2.ª parte. “A Académica es- forma, ao que se passava no “Cidade de TVI. Aliás, para mim, a TVI serve pa- minuto e alguns comentários de ciber- tá melhor, mais concentrada, mais tran- Coimbra”. Mas delicioso, delicioso mes- ra isso mesmo: para ver a bola – só nautas iam surgindo. Numa coisa, am- quila, depois de uma 1.ª parte muito mo, foi o comentário da RUC quando quando há futebol é que carrego no bos estavam de acordo (os “Pardalitos” e cinzenta”, resume a RUC. Mas é por um espectador saltou a vedação: “É uma “4” do telecomando. As transmissões a RUC): o resultado da Académica era pouco tempo. Nuno Piloto é expulso partida de futebol interactiva, há um es- são dinâmicas, o João Querido Manha bem melhor do que a exibição. “Incrível, aos 53 minutos. No blog, um utilizador pectador no tartan”. continua em grande. Mas nem tudo 100% de eficácia para o ataque da Acadé- informa: “É a primeira expulsão da car- Foi uma tarde bem passada, longe do são rosas, percebi esta semana. Por mica. Agora não se esqueçam de fazer a reira, incluindo os escalões de forma- estádio, a “ver” a Académica jogar. causa do Académica-Naval, decidi mesma borrada da semana passada...”, ção!”. Fica-se a saber mais. A Naval ver o “Domingo Desportivo” deles ditava João Lemos, o repórter-pardalito pressiona. “Que sufoco, meu Deus!”, PS – Se quiser ver os golos, em vídeo, vá a e... nunca mais! Começou era quase 1 no estádio, para o Nuno que, doente em escreve o blog. “Estou com muito mau http://futebol.sapo.pt. Única condição: da manhã de segunda-feira, à 1h20 casa e impedido de sair, colocava on-line pressentimento. A Académica deixou aceder através de uma ligação internet do iniciaram a análise do Sporting-FC as informações que lhe chegavam, sem- de jogar futebol depois da expulsão”, grupo PT. (Segunda-feira. Acabo de ver meia Porto que terminara há mais de 26 pre no mesmo minuto. É assim a “rede”. diz João Quaresma. dúzia de vezes o lance do 1.º golo da Naval. É horas(!!!). Já passava da 1h30 quando Veio o golo da Naval (2-1, por Lito, aos Adivinhava-se o golo figueirense. Que difícil tirar uma conclusão, mas parece que o mostraram os quatro golos do Calha- 33) que deixou muitas dúvidas tanto na surgiu aos 66 minutos: 2-2. “Golo da Na- defesa-direito da Académica, lá do outro lado, bé. Só os golos. Não volto a ficar acor- rádio como no blog. (E também a mim, à val, com Alcântara e Dani muito mal ba- coloca em jogo Lito. Parece...) dado.
    20. 20 DESPORTO 12 A 25 DE ABRIL 2006 DUAS DÉCADAS DE APOIO INCONDICIONAL À ACADÉMICA com a subida de divisão que as pes- soas se começaram a interessar mais “Mancha Negra”: pelo clube da sua cidade e a compare- cer em maior número nos jogos. Conhecida como uma claque que não cessa o apoio à sua equipa duran- te todo o jogo, as vozes da “Mancha” uma claque sem mácula erguem-se no início da partida e não se calam perante resultados desfavo- ráveis. O apoio é incondicional. Pedro Ferrão exerce a função de speaker e, tam e sofrem pelo seu clube. em jogo, é ele quem dá o mote para “A Mancha Negra não procura músicas de apoio e frases de incentivo apóstolos”, sublinha o Vice-Presidente, à equipa. Ferrão considera que “é cada mas antes abre as portas da claque a vez mais complicado puxar pelos todos aqueles que sentem a Académi- adeptos, sobretudo nos jogos em ca- ca. A divulgação é feita através da im- sa”. O ‘speaker’ da Mancha Negra re- prensa e dos jogos, sobretudo em iní- força que o espírito da claque é muito cio e final de época, e também junto diferente nos jogos em Coimbra e nos das escolas secundárias. Pedro Ferrão, jogos fora, pois nestes últimos os líder da bancada da Mancha, refere adeptos parecem aderir com maior fa- que são muito poucos os estudantes de cilidade aos incentivos gritados por Coimbra, originários de outros pontos Ferrão durante todo o jogo. do país, que fazem parte da claque. Os Com um CD lançado e um livro já apoiantes da Briosa são, sobretudo, editado, em comemoração dos 20 anos oriundos de Coimbra e pertencem a da claque, a Mancha Negra soma e se- escalões etários muito diversos. gue, tanto nos adeptos que se lhe vão O boom de adeptos da Mancha Ne- juntando, como no número cada vez gra deu-se quando a Académica subiu maior de pessoas que comparece aos à I Liga, há cerca de três anos. Passa- jogos da Briosa. Criam as músicas de ram a barreira dos mil sócios e aumen- apoio ao clube em conjunto, durante taram o número de adeptos em campo as viagens rumo aos jogos da Acadé- a torcer pela Briosa. O Presidente da mica, e partilham, mais do que a pai- Joana Martins xo preço, os quais a “Mancha” se en- claque afirma que “Coimbra é madras- xão pelo futebol, a essência do clube carrega de taxar e vender, como forma ta em relação à Académica” e que foi que os uniu. Vinte e um anos após ter sido criada, de reverterem a seu favor os lucros ge- a claque da Associação Académica de rados. Para além desta fonte de apoio, Coimbra (AAC) continua a gritar pela a claque apenas retira alguns dividen- Briosa com a garra de adeptos fervoro- dos da venda de merchandising da sos que vivem o futebol moderno com Briosa (cachecóis, camisolas, etc). paixão e emoção. A Mancha Negra é Com 2.041 sócios inscritos, dos um hobby levado pelos seus adeptos quais cerca de mil são pagantes, a com toda a seriedade. Definem-se co- Mancha Negra junta em média, num mo uma claque não mercantilista, já jogo de futebol, perto de 500 adeptos que todos os lucros que obtêm são nos desafios em casa e cerca de 100 aplicados em prol do clube, tal como nos jogos que se realizam fora. João refere Tiago “Carraça”, Presidente da Pais, Vice-Presidente da claque, escla- “Mancha”. rece que a Mancha Negra “não funcio- A claque conta com algum apoio por na só em dias de jogo”. parte da TBZ, empresa gestora do Es- Pelo contrário, a rotina e o trabalho tádio Cidade de Coimbra. Assim, em desenvolvido pela claque no dia-a-dia cada jornada, a empresa disponibiliza têm o seu reflexo durante o desafio determinado número de bilhetes a bai- em que os adeptos, em uníssono, gri- A MINHA EQUIPA Mário Martins acompanhada e acarinhada, a rapaziada tem feito a nível Vitória natural em casa Simpatizo com vários clu- bes e até sou sócio de uma mão-cheia deles. Mas equipas desportivo uma época interes- sante: venceu a Série B, está a disputar a Fase Final do cam- – aquilo que considero verda- peonato distrital. E tudo ainda deiras paixões – só tenho duas. pode acontecer... Uma é antiga: a selecção na- Começaram por perder na cional. A outra é mais recente: Figueira da Foz, com a Naval a equipa onde joga o meu fi- (0-1), empataram em Fala com lho. o Marialvas (3-3), foram per- Nos últimos oito anos, só der a Touriz (0-1) e venceram por duas vezes é que não vi jo- com facilidade o Esperança (3- gar esta última, porque me en- -2) no último sábado. As duas contrava fora de Portugal. Sá- derrotas e o empate poderiam bado ou domingo, seja dia de ter sido vitórias e faltam ainda chuva ou sol, o jogo perto ou seis jogos. Por isso, tudo ainda longe, de manhã ou tarde, faço é possível. os possíveis e impossíveis por Darei conta do que for suce- não perder um jogo. E lá estou. dendo. Pelo jogo... e pelo que se segue Quanto à paixão antiga, já (mas isso são contas para ou- está tudo tratado: no dia 11 de tra ocasião). Junho, se Deus quiser, lá esta- Esta época, a minha equipa rei com o Manuel Arnaut em veste de verde-e-branco: os ju- Colónia, para o Portugal-An- venis do Vigor (na foto). Bem gola. Às 21h00 em ponto.
    21. 12 A 25 DE ABRIL 2006 DESPORTO 21 EM COIMBRA, DE 14 A 20 DE JUNHO Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática Entre os dias 14 e 24 do próximo mês nato do Mundo está marcada para a lidades que estarão na rua. de Junho vai decorrer em Coimbra o XX noite de 14 de Junho. A Aministração Regional de Saúde Campeonato do Mundo de Ginástica Este Campeonato Mundial é organi- do Centro colabora nestas actividades Acrobática e a 4.ª Competição Interna- zado pela Federação Internacional de através de um conjunto de técnicos e cional por Grupos de Idade. Ginástica, com o apoio da Associação equipamento que vão proceder à reali- Trata–se de uma realização de gran- Académica de Coimbra. zação de diversos rastreios. de importância para a promoção da gi- nástica e para a divulgação de Coimbra GINÁSTICA NA RUA VOLUNTÁRIOS a nível internacional. O Campeonato contará com cerca de Durante o Campeonato do Mundo Para um projecto desta envergadura 800 participantes repesentando 30 paí- vão decorrer, em diversos locais de correr da melhor forma é indispensável ses, que irão mostrando as suas capaci- Coimbra, acções de sensibilização para o contributo dos Voluntários. Por isso a dades ao longo das 14 sessões marcadas a ginástica, com demonstrações de fit- organização apela a todos quantos quei- para os oito dias da competição, que se ness e formação para os que queiram ram exercer essa meritória actividade, espera venha a ser presenciada por cer- experimentar ginástica de lazer. Body podendo inscrever–se no site do Institu- ca de 30 mil pessoas. Combat, Aeróbica, Body Balance, Ma- to Português da Juventude: A cerimónia de abertura do Campeo- nutenção e Step são algumas das moda- www.voluntariadojovem.pt OPINIÃO A actualidade de um Congresso micos, mantêm uma impressionante ac- meada, salvo erro, pelo reitor Rui Alar- zer. E os resultados que os “miúdos” tualidade. Lamentavelmente, talvez. Se cão. Mas não seria boa altura para repe- da Briosa, apesar de tudo isto, têm al- assim não fosse, era sinal de que a Brio- garmos a questão? cançado, não podem deixar de ser um sa tinha atingido um estádio superior Uma segunda conclusão reporta–se incentivo especial a que se faça. de desenvolvimento. ao investimento prioritário na forma- A terceira e última conclusão está João Mesquita Retenho, apenas, três das 13 princi- ção de jogadores. Tenho dificuldade intimamente ligada, ainda que não só, Jornalista pais conclusões do Congresso – confor- em avaliar o esforço feito neste domí- a esta segunda. Prende-se ela com a me relatório entregue à direcção da ins- nio – lá estão, outra vez, as deficiên- criação da chamada Academia “Brio- Terminou 2005 sem que ninguém ti- tituição pela comissão executiva. Não cias na circulação de informação... E sa XXI”. Durante a pretérita campa- vesse reparado, ou querido reparar, que porque a maioria das restantes não se reconheço que a integração na equipa nha eleitoral, não houve quem não a se passou uma década sobre o Congres- conserve, igualmente, actual. Mas por- principal de atletas como Pedro Roma, considerasse absolutamente prioritá- so da Académica, realizado a 1 de Abril que o espaço é limitado e há priorida- Eduardo, Zé Castro, Nuno Piloto, Sar- ria. O presidente eleito, José Eduardo de 1995, no auditório da Reitoria da des que devem ser claras. mento, Vítor Vinha e Rui Miguel – to- Simões, afirmou que contava tê-la a Universidade de Coimbra. A primeira dessas conclusões, não dos formados na Briosa – alguma coi- funcionar em Fevereiro de 2005. Sei Tive a honra de fazer parte da comis- por acaso o ponto 1 do documento, res- sa há-de traduzir. Mas creio que ne- que o objectivo final não é fácil de são executiva desse Congresso, presidi- peita à regulamentação do estatuto do nhum académico se sente confortável atingir e sei, também, que os traba- da por essa grande figura humana que atleta-estudante. Francamente – o que com a impressionante quantidade de lhos têm sido prejudicados por alguns deu pelo nome de Paulo Cardoso e que também não deixa de ser revelador de jogadores estrangeiros que integram o actos de vandalismo vindos do exte- integrou, igualmente, o também já fale- deficiências na política de comunicação grupo. Se a isto adicionarmos, para rior. Mas, do meu ponto de vista, é cido Jorge Anjinho, Vítor Campos, Fre- – não sei em que pé se encontra o assun- não irmos mais longe, as deficientes bom que não se perca a ideia de que a derico Valido, Luís Agostinho – esse to. Sei, apenas, que a própria comissão condições de treino proporcionadas Academia é cada vez mais necessária. mesmo, o actual director desportivo da executiva do Congresso elaborou um aos nossos escalões jovens, o constan- Por tudo quanto atrás fica dito e pelo Briosa – e Fernando Pompeu. Congres- primeiro projecto sobre a matéria, o te saltitar de campo para campo a que que a concorrência, cada vez mais fe- so que nasceu de uma proposta da Ca- qual foi, posteriormente, adaptado pela estes são sujeitos em dia de jogo em roz, todos os dias se encarrega de nos sa da Académica em Lisboa e do parti- direcção liderada por Campos Coroa. casa (?) e problemas como os relativos recordar. cular empenho posto na sua realização Como sei das resistências desde sempre à inscrição de Sarmento ou como os (*) - adaptação de um texto pelo embaixador José Fernandes Fafe. colocadas pelos representantes dos pro- que levaram à perda de pontos num publicado na edição de Dezembro Se agora invoco a data é porque julgo fessores no Senado universitário, a co- encontro de iniciados, por falta de po- do jornal “Tertúlia Académica”, que as conclusões da assembleia, que meçar pelo responsável de uma comis- liciamento, então certamente concor- editado pela Casa da Académica reuniu mais de meio milhar de acadé- são de trabalho que chegou a ser no- daremos que muito está, ainda, por fa- em Lisboa
    22. 22 INTERNET 12 A 25 DE ABRIL 2006 IDEIAS DIGITAIS MOVIMENTO 560 Nesta cidade especialmente nado é também co–autor do feita para crianças, há bairros, livro “Weblogs: Diário de uma escola, um parlamento, Bordo”. um parque de jogos, uma bi- blioteca, um zoológico, uma Links relacionados: Inês Amaral estação de correios e muita di- http://www.publico.pt/ (docente do Instituto Superior Miguel Torga) versão. jornal Público Os utilizadores participam O Movimento 560 é um pro- activamente na comunidade, endereço: POSTCROSSING ERVILHA COR DE ROSA jecto na Web coordenado por assumindo responsabilidades http://ciberjornalismo.com/ um grupo de jovens indepen- ao nível político, social e pro- pontomedia/ dentes com o objectivo de valo- fissional. Como no mundo categorias: rizar os produtos de origem real, os cidadãos da Cidade da media, tecnologia portuguesa. E como? Explican- Malta têm direitos e deveres. do aos consumidores como O site é indicado para crianças DIAS DE COIMBRA identificar produtos nacionais dos 6 aos 14 anos e é visitado através do código de barras e por jovens utilizadores de lín- dos rótulos. Exemplo: os códi- gua portuguesa espalhados O Postcrossing é um fenóme- O weblog da artista Rosa gos que começam com a se- pelo mundo. no de sucesso mundial, que uti- Pomar é um espaço de culto de quência númerica “560” indi- liza a tecnologia para criar uma mães e amantes de “handcraf- cam produtos portugueses. Links relacionados: rede de troca de postais via cor- ted”. A Ervilha Cor de Rosa http://www.aveiro-digital.pt/ reio tradicional. Este projecto é chama-se assim por causa da O grupo quer alertar os Aveiro Digital português: nasceu em Braga e o filha da autora: “estando ainda consumidores para o facto de seu autor é Paulo Magalhães – a Elvira na minha barriga, a que ao comprarem produtos endereço: O site Dias de Coimbra um estudante de Engenharia de Lúcia (surpreendida com a es- estrangeiros, em detrimento http://www.cidadedamalta.pt reúne fotografias de pessoas Sistemas e Informática da Uni- colha do nome) previu que na da produção nacional, estão a categoria: de Coimbra, da autoria de versidade do Minho. A ideia brincadeira lhe chamariam Er- lesar a economia portuguesa. educação, infantil António Costa Pinto e Dinis surgiu por influência de outros vilha”. Online desde 2001, o Os mentores do projecto – Manuel Alves. O projecto sites como o Bookcrossing weblog mistura posts sobre a três jovens universitários das nasceu em Janeiro de 2000 (www.bookcrossing.com) e o vida da sua autora com ilustra- áreas de Engenharia Informá- PONTO MEDIA porque os autores conside- 1000journals (www.1000jour- ções e bonecos de pano criados tica e Gestão, assumem que o ram que há “espaço para ou- nals.com). pela própria. site tem um importante papel tros olhares, para a gente sem na sociedade civil e garantem estória publicável, para a Este é um sistema simples A Ervilha Cor de Rosa sur- que o Movimento 560 se vai gente cuja estória de vida é que utiliza a Internet como pla- giu da necessidade de alargar manter activo. Em tempos de não ter estória para contar. taforma de comunicação no o primeiro blog da autora: crise, a mensagem vai passan- Gente que faz Coimbra tam- mundo real. Cada utilizador um diário de viagem feito a do. A ideia não é apelar ao bém, se calhar mais que os que se inscreve adquire o direi- partir de Nova Iorque. Hoje, sentimento nacionalista, mas outros que açambarcam as to a enviar um ou vários postais é uma espécie de ponto de incentivar os consumidores a manchetes e nem gostam de para outros membros da comu- encontro de pessoas que par- uma atitude mais responsável Um dos mais antigos web- deixar as breves para os de- nidade. O país de origem é sem- tilham os mesmos interesses perante os produtos e marcas logs portugueses, o Ponto mais”. pre diferente do destinatário, o de Rosa Pomar. E foi o gran- de origem portuguesa. Media é uma referência na O projecto resultou em mi- que faz com que os postais, lite- de impulsionador para uma blogosfera portuguesa e in- lhares de fotografias, que es- ralmente, corram o mundo. nova vertente profissional da Links relacionados: dispensável para os mais tiveram já em exposição. A Quando o destinatário recebe autora: criação de bonecos de http://560.adamastor.org/forum/ atentos ao universo dos me- primeira série de exposições um postal deve registá-lo no si- pano “handmade” e origi- Fórum do Movimento 560 dia. Da responsabilidade do intitula-se Dias de Coimbra e te e, assim, a aplicação segue o nais. As imagens começaram jornalista e docente da Uni- na galeria do site as fotogra- seu percurso e apresenta taxas a surgir no weblog mostran- endereço: versidade de Coimbra Antó- fias estão divididas em vários de sucesso e mapas estatísticos. do os bonecos que a “blog- http://560.adamastor.org/ nio Granado, este espaço tópicos, retratando as gentes A comunidade já tem mais de ger” fazia para a filha. E rapi- categoria: apresenta de segunda a sex- do concelho: “do Trabalho”, 15 mil membros, de 158 países, damente os “posts” (entra- sociedade ta–feira pistas e ligações “pa- “do “Remanso”, “da Folia”, e já trocou mais de 88 mil pos- das) iam ficando inundados ra artigos interessantes e para “da Dor”, “e do Amor”, “em tais. Na lista de “postcrossers”, de comentários. Havia quem estórias de jornalismo e jor- Coimbra”. Algumas das ima- os primeiros lugares pertencem encoraja-se e quem quisesse nalistas”. Ao sábado, as me- gens são acompanhadas com CIDADE DA MALTA aos portugueses, norte-ameri- comprar. De todo a parte do lhores entradas da semana poemas de Isabel Cristina Pi- canos, britânicos, finlandeses e mundo. E a partir daí surgiu são publicadas numa coluna res, José António Franco, Ma- alemães. Estados Unidos, Ale- a loja virtual e, mais recente- na secção de Media do jornal nuel Alegre e Vasco Pereira manha, Finlândia e Portugal en- mente, um espaço temporá- “Público”. da Costa. Os textos introdu- cabeçam a lista dos países com rio de venda ao público (em tórios são da autoria de Antó- mais postais enviados. Lisboa) com outras duas ar- O Ponto Media apresenta nio Pedro Pita, Madalena tistas e “bloggers” – Ana Ven- uma análise pessoal da actua- Alarcão e Teresa Alegre Por- Links relacionados: tura (http://papeisportodo- lidade mediática e incide so- tugal. Deste projecto fazem http://forum.postcrossing.com/ lado.blogspot.com/) e Hilda bre jornalismo, tecnologia e o parte ainda mais três sites on- Fórum oficial do site Postcros- Portela (http://planetahil- ensino da Comunicação. Nu- de se apresentam as restantes sing da.blogspot.com). A Cidade da Malta é um site ma lógica típica de interacti- exposições. http://www.postcrossing.at educativo e divertido para os vidade, António Granado re- Fórum de discussão não oficial Links relacionados: mais novos. E, antes de tudo, mete os seus leitores para Links relacionados: de “postcrossers” http://homepage.mac.com/ uma página web segura para links com pistas e referências http://www.pontom.pt/redor http://www.flickr.com/groups/ rosapomar/dolls/index.html as crianças. a assuntos relativos à temáti- “Ao redor de Coimbra” postcrossing Rosa Pomar bonecos de autor Este espaço foi criado no ca do seu weblog. O “sumo” http://www.pontom.pt/mercado Grupo para colocar as fotogra- http://www.flickr.com/groups/ âmbito do projecto “Aveiro Di- da informação está no “post”, “Mercado D. Pedro V” fias dos postais trocados rosa_hilda_ana/ gital” – em 1999, e é a primeira quem quiser saber mais terá http://www.pontom.pt/redor2 imagens do espaço comercial comunidade virtual infantil de seguir o link. O blog foi “Ao Redor de Coimbra II” endereço: temporário portuguesa. distinguido em 2004 como o www.postcrossing.com Num cenário futurista, a “Melhor blogue jornalístico endereço: categoria: endereço: criatividade e o espírito crítico em língua portuguesa”, atri- http://www.pontom.pt/ comunidades virtuais http://ervilhas.weblog.com.pt são estimulados através de ac- buído por um júri no âmbito diasdecoimbra/ categoria: tividades didácticas, cursos e do Deutsche Welle Interna- categorias: blogs passatempos. tional Weblog Awards. Gra- fotografia, Coimbra
    23. 12 A 25 DE ABRIL 2006 PUBLICIDADE 23 Sopra uma boa nova, por Portugal. Aliámos a experiência e solidez de um grupo internacional, líder na sua área, ao maior e mais moderno complexo industrial farmacêutico português. Escolhemos Portugal para ser o centro mundial de desenvolvimento e produção de medicamentos injectáveis da Fresenius Kabi. Apostámos na qualidade, competência e formação dos nossos profissionais. Acreditámos no seu apoio. Em Portugal, com portugueses, para o mundo.
    24. 24 TELEVISÃO 12 A 25 DE ABRIL 2006 PÚBLICA FRACÇÃO “Directos” indeferidos gerir muito bem esta exposição excessiva. Repetições. guesa, saberemos antecipadamente tudo o que vai Muitas repetições, de um, dois, três, quatro, cinco ou acontecer. Existem verdadeiras planificações para tra- Francisco Amaral mesmo seis pontos-de-vista diferentes. Câmara lenta. tar uma realidade que supostamente seria imprevisí- Docente da ESEC Frenesim na utilização das câmaras ao ponto de lhes vel. Seria legítimo se fossem defesas estratégicas para perder o controlo. Pormenores. Muitos pormenores. garantir a fluidez da narrativa. Mas não. São autênti- cos estereótipos que se repetem e retiram alma ao pro- Aquilo que se vê na televisão são produtos. Tudo é Se é certo que a televisão é um meio propício aos duto. produzido com o objectivo de ser recebido pelo teles- grandes planos, por outro lado o futebol é um despor- pectador da maneira mais próxima ao que foi previa- to colectivo e a televisão vai-se encarregando de gerar E se a verdadeira alma do futebol são os golos, até mente pensado. Sejam programas de entretenimento (e gerir?) um jogo de individualidades que, depois, eles estão em perigo, tal a necessidade (e incapacida- ou de informação, nada se passa ao acaso. Desde logo sabiamente aproveita para outros produtos. de) de cumprir regras que não se encaixam no jogo porque a televisão é um meio caro, o mais caro dos das imprevisibilidades. A lição do “golo perdido” de chamados meios de comunicação, mas também por- Assim sendo, não há quase imprevisibilidade algu- Portugal frente à Holanda, no Europeu de 2004, ain- que tem um valor intrínseco, directamente relaciona- ma. Se aprendermos a ver futebol na televisão portu- da não foi completamente assimilada. do com o impacto junto do público. Para o comum dos telespectadores, a ideia da tele- visão ser umas vezes uma representação da realidade, outras (muitas), a construção de uma outra realidade, é uma ideia difícil de aceitar. Os espectadores não têm acesso ao essencial da criação televisiva. O mais a que podem aspirar será aos vulgarizados “making–of”, transformados, também eles, em novos produtos que se destinam a promover o produto base a que se refe- rem. Isto é, não há volta a dar. A televisão é, tal como o cinema, pura manipulação, só que, luta desespera- damente para não o parecer. Para além das diferenças de linguagem a que a es- cala dos écrans obriga, a televisão possui uma arma poderosa em confronto com o cinema: o directo. E é precisamente no directo que se baseia a convicção de que a televisão é verdadeira e o cinema são “estórias”. É verdade que o público está longe dos primórdios da televisão e já não acredita na veracidade do “direc- to” de uma forma tão inocente. Só que, os processos de realizar “directos” em televisão continuam (e con- tinuarão) desconhecidos. Por isso, o fascínio, a atrac- ção, que as estações sabem muito bem explorar ao co- locar no topo do écran a palavra “directo”. “Directo” é a palavra-chave, por exemplo, para as transmissões desportivas. O futebol, em particular, que estendeu a sua área de negócios à televisão, vive intensamente da imprevisibilidade. É a essência do jo- go e, devia ser, o objectivo das transmissões. Do cam- peonato português, da SuperLiga como lhe resolve- ram chamar os markteers da bola, ou do “Brasileiri- nho”, como talvez fosse mais adequado à realidade, não se pode esperar essa imprevisibilidade. Realizar uma transmissão de um jogo de futebol é uma tarefa complicada. Nos tempos que correm, o número de câmaras é consideravelmente vasto e as possibilidades técnicas permitem uma série muito grande de opções. Ora talvez por que a maioria dos jogos é de baixa qualidade, as realizações “à portu- guesa” especializaram-se em autênticos exercícios de malabarismo. Os jogos são monótonos? Os jogadores passam mais tempo no chão do que em pé? Então, há que salvar o espectáculo. É necessário criar uma outra realidade, manter o espectador atento, convencê-lo de que valer a pena ver e, claro, pagar para ver. Ingre- dientes para o falso doce? Variados. Grandes planos obsessivos de tudo o que rebola no chão agarrado a uma perna. Pormenores de esgares de dor simulada. Longos planos dos treinadores, que passaram a saber

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