Jornal da Universidade de Coimbra – Junho 2006

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Versão integral da edição n.º 4 do mensário “Jornal da Universidade de Coimbra”, que se publicou em Coimbra. Director: Jorge Castilho. Foram publicados quatro números. Junho de 2006.

Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html

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Jornal da Universidade de Coimbra – Junho 2006

  1. 1. AFIRMA IRENE SILVEIRA ACADEMIA GENEROSA ARQUIVO DA UC ALGUMA APRENDER INVESTIGAÇÃO A BRINCAR NOVE SERVE INTERESSES NO HOSPITAL SÉCULOS CAMUFLADOS PEDIÁTRICO DE MEMÓRIA ESCRITA PAGINAS 4 e 5 PAGINA 16 PAGINA 7 DESTAQUES Immanuel Wallerstein doutorado Honoris Causa Número 4 14 Junho 2006 Futsal da AAC vence Liga Universitária 19 UC sitiada em Junho de 1969 23 e 24 DIRECTOR: JoRGE CASTILHO DIRECTORES-ADJUNTOS: DINIS MANUEL ALVES E MÁRIO MARTINS FCTUC VENCE PROJECTO PIONEIRO ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA Ventos A NÍVEL MUNDIAL de progresso na UC À espera da requalificação PAGINA 3 PAGINAS 20 e 21 É falso que a maioria AFIRMA AUTOR DE ESTUDO SOBRE ESTUDANTES DA UC defenda a violência PAGINAS 8 e 9 Cavaco Silva preside TRÊS UNIVERSIDADES REPRESENTAM IDEIAS DE NEGÓCIO a fim de curso na UC PAGINA 2
  2. 2. 2 Jornal da Universidade Junho 2006 NOTÍCIAS TRÊS UNIVERSIDADES APRESENTAM EM COIMBRA Cavaco Silva preside IDEIAS DE NEGÓCIO a fim de curso de empreendedorismo O Presidente da República preside no próximo dia presença de várias outras entidades que têm assumido 20 de Junho (terça-feira), às 16H30, no Auditório do papel de relevo no apoio e estímulo à inovação e em- Edifício Central da FCTUC (no Pólo II) à sessão de en- preendedorismo. cerramento do Curso de Empreendedorismo de Base A sessão de apresentação dos 15 planos de negócio, Tecnológica, um projecto promovido pelas Universi- que representam outras tantas oportunidades de negó- dades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior e pelo CEC cio promissoras, está marcada para as 14 horas, e todos (Conselho Empresarial do Centro) – Câmara de os interessados poderão contactar as várias equipas par- Comércio e Indústria do Centro. ticipantes no curso para aprofundar alguns aspectos dos O curso visa contribuir para a criação de novas em- conceitos de negócio desenvolvidos. Para as 16,30 horas presas de base tecnológica, estimulando a inovação está marcada a sessão de encerramento, em que usarão com base em tecnologias desenvolvidas nas unidades da palavra o Presidente do CEC, António Almeida Hen- de I&D das três Universidades da Região Centro, e irá riques, o Reitor da Universidade da Beira Interior, Manuel agora culminar, depois de um ano de trabalho, com a Santos Silva, a Reitora da Universidade de Aveiro, Maria apresentação dos resumos dos planos de negócio das Helena Nazaré, o Reitor da Universidade de Coimbra, Fer- 15 equipas envolvidas. nando Seabra Santos, e o Presidente da Republica, Aní- Para além de Cavaco Silva, a sessão contará com a bal Cavaco Silva. Sistema de “câmaras inteligentes” P edro Saraiva INOVAÇÃO E MAIS SEGURANÇA NAS AUTO-ESTRADAS PORTUGUESAS na Presidência da República está a ser testado na FCTUC Pedro Saraiva, Pró-Reitor da Universidade de Coimbra, acaba de ser nomeado como consultor da Presidência da República para a área do Ensino Superior. Um outro docente da Universidade de Coimbra, Manuel Antunes, da Faculdade de A Universidade de Coimbra está a testar dências por dia, a maior parte relativas a pe- imediatamente para elas alertando – desde Medicina, fora já escolhido por Cavaco Silva para a Brisa um sistema de câmaras de vi- didos de assistência, por avaria, mas tam- um veículo que pára na berma, até algum como consultor para a área da Saúde. gilância “inteligentes”, que detectam de for- bém por acidentes. que surja em contra-mão, passando pelos ma automática situações anómalas nas Em função do que é detectado, o centro faz acidentes. FICHA TÉCNICA auto-estradas. accionar os meios adequados – ou os bombei- O sistema deverá estar totalmente opera- A Brisa tem já mais de meio milhar de câ- ros e a emergência médica, ou a GNR ou as- cional até final do corrente ano e os seus re- Director: maras instaladas nas diversas auto-estradas sistência técnica para viaturas avariadas. sultados estão a ser tão positivos que já JORGE CASTILHO do País. De acordo com um Administrador A novidade do novo sistema, cujo protó- despertaram mesmo o interesse de uma con- daquela empresa concessionária de auto-es- tipo está a ser testado na FCTUC, é que de- cessionária de auto-estradas do Brasil, que Directores Adjuntos: tradas portuguesas, no respectivo centro de tecta automaticamente situações de risco, poderá vir a adquiri-lo para funcionar do ou- DINIS MANUEL ALVES controlo regista-se uma média de 450 inci- sem necessidade de intervenção humana, tro lado do Atlântico. Departamento de Engenharia Civil MÁRIO MARTINS Concepção e edição gráfica: estuda sinistralidade de Lisboa AUDIMPRENSA E-mail: jornal.universidade@gmail.com Telefone: 239 854 150 O Departamento de Engenharia Civil da FCTUC vai elabo- sas dos acidentes e se tomem medidas para as eliminar ou Fax: rar um estudo da sinistralidade na rede urbana rodoviária atenuar, adoptando depois essas medidas noutras zonas 239 854 154 da cidade de Lisboa, em parceria com o Laboratório do País, com vista a diminuir a sinistralidade rodoviária em Impressão Nacional de Engenharia Civil. Portugal. CORAZE - OLIVEIRA DE AZEMEIS O estudo propõe-se analisar as zonas onde se regista Espera-se que este estudo, que é financiado pela FCT maior número de acidentes, de molde a poder identificar as (Fundação para a Ciência e Tecnologia) possa dar importan- ISSN: 1646-4133 suas causas. Por isso foram escolhidas algumas zonas da te contributo para diminuir o elevadíssimo número de víti- Depósito Legal n.º 241489/06 área de Lisboa, para que se identifiquem as principais cau- mas de acidentes em Portugal.
  3. 3. Jornal da Universidade 3 Junho 2006 NOTÍCIAS V entos de progresso na UC FCTUC VENCE PROJECTO PIONEIRO A NÍVEL MUNDIAL A Faculdade de Ciências e Tecno- “Há uma implicação directa na in- logia da Universidade de Coimbra dústria nacional. Exportar estas novas (FCTUC) foi a vencedora da candida- torres metálicas, representa vitalida- tura a um projecto de investigação eu- de para a economia portuguesa”, sa- ropeu para o desenvolvimento das lienta o catedrático da FCTUC. torres metálicas mais resistentes do Outro aspecto, não menos impor- Mundo para os parques eólicos. tante, deste investimento, é a criação Trata-se do projecto “HISTWIN” (High de novos postos de trabalho. strength steel tower for wind turbines Na classe das Fontes de Energia - Torres eólicas em aço de alta resis- Renováveis, é na energia eólica que tência), que será realizado em parce- mais se tem apostado na Europa, du- ria com mais três Universidades euro- rante a última década. peias e com três empresas industriais, Segundo Luís Simões da Silva, “o uma siderurgia e uma resseguradora, objectivo principal deste projecto é o bem como a empresa Repower Por- desenvolvimento da próxima geração tugal SA que, para além de uma fábri- de torres eólicas metálicas que pos- ca de torres eólicas já em funciona- sam assegurar soluções competitivas mento, irá abrir em Portugal mais para turbinas eólicas com multi-me- duas unidades fabris – uma de pás e gaWatts de potência”. outra de componentes mecânicas. O investigador acrescenta que “ao Está na base do projecto a fabrica- longo destes três anos vai ser apli- ção das torres metálicas mais altas, cado aço de alta resistência (S460) mais resistentes, com durabilidade a torres eólicas, permitindo estrutu- superior e financeiramente mais aces- ras mais leves, mais fáceis de trans- síveis, aumentando, assim, significa- portar e, consequentemente, mais tivamente a potência dos aerogera- económicas”. dores a instalar. E conclui: O Contrato–Programa, recentemen- “Dado que as torres eólicas estão te assinado em Bruxelas, prevê o iní- sujeitas a acções dinâmicas cons- cio do projecto no próximo dia 1 de tantes, os problemas de fadiga e Julho, para um prazo total de execu- instabilidade põem problemas tec- ção de três anos, e que corresponde nológicos importantes, pelo que se a um orçamento global de 1.4 mi- prevê o desenvolvimento de liga- lhões de euros, dos quais 225 000 ções inovadoras para ultrapassar euros para a FCTUC. estes problemas. Uma das tarefas Para o Presidente do Departamen- específicas da FCTUC, em colabora- to de Engenharia Civil da FCTUC, Luís ção com a Repower Portugal, será o Simões da Silva, este projecto assu- ensaio, à escala real, dessas novas me uma extraordinária importância ligações e a instrumentação (em fun- “porque vai permitir que a indústria cionamento real e durante 2 anos) portuguesa se torne líder, a nível de uma torre eólica a construir em mundial, nesta área”. Portugal”. Energias alternativas para a UC ACORDO DE COOPERAÇÃO CELEBRADO COM A IBERDROLA A Universidade de Coimbra celebrou um sa espanhola Pina Moura, a intervenção Pina Moura salientou a necessidade de dias um desafio à Universidade de Coimbra protocolo com a Iberdrola, líder mundial da UC pode verificar-se, por exemplo, em garantir “recursos humanos altamente qua- para que crie um curso de pós-graduação na produção de energias alternativas, no acções de auditoria energética, em arma- lificados, quer para a construção destes em Energias Alternativas, a funcionar no sentido de que esta empresa espanhola zenagem de energia, “nomeadamente pon- projectos quer, posteriormente, para a concelho. Para justificar este pedido que venha a “alimentar” a UC com esse tipo derando projectos ligados ao hidrogénio” sua operação”. dirigiu ao Reitor, o autarca referiu que Mon- de energias. e a preparação de recursos humanos. temor-o-Velho vai beneficiar, no respecti- Em contrapartida, a UC, através dos seus De registar que a Iberdrola tem previs- MONTEMOR-O-VELHO vo Parque de Negócios, de um grande in- recursos humanos e técnicos, prestará co- tos investimentos na ordem dos 1.500 QUER PÓS-GRADUAÇÃO vestimento de capitais estrangeiros exac- laboração à Iberdrola em domínios muito milhões de euros em parques eólicos na tamente na área das energias alternati- diversos. Região Centro, para os quais prevê criar O Presidente da Câmara Municipal de vas, o que, sublinhou, seria excelente en- Como referiu o Administrador da ampre- cerca de 700 postos de trabalho. Montemor-o-Velho, Luís Leal, lançou há quadramento para o referido curso.
  4. 4. 4 Jornal da Universidade Junho 2006 E N T R E V I S TA “Alguma investigação serve LABORATÓRIO DE BROMATOLOGIA TRABALHA NA ÁREA DOS ALIMENTOS E DA ÁGUA _ IRENE SILVEIRA LAMENTA QUE AS OPORTUNIDADES NÃO SEJAM DADAS A QUEM MOSTRA RESULTADOS JOÃO PAULO HENRIQUES cesso de Bolonha vai “exigir maior acom- panhamento do professor e vai fazer a O mandato de dois anos (2004/2006) revolução necessária no Ensino”. de Irene Silveira à frente do Conselho Na Universidade, garante, “ensina-se Científico da Faculdade de Farmácia da ao mesmo tempo que se investiga e é Universidade de Coimbra terminou há esta a sua grande mais-valia”, remeten- pouco tempo, com o balanço a ser “po- do-se ao caso particular da Faculdade de sitivo”. “Estive um mandato, porque Farmácia para provar a afirmação. achei que era a minha obrigação. Após “Temos disciplinas de opção em que os deixar a Reitoria, concorri para que a alunos trabalham nos projectos de inves- Faculdade estabilizasse, uma vez que tigação em curso. No Laboratório de considero que tem grandes potencialida- Bromatologia, por exemplo, temos mui- des, mas que têm de ser mostradas”, su- tos alunos que ficam aos sábados até às blinha a Professora Catedrática. 20H00 ou mais”, confidencia, antes de A avaliação da Licenciatura pelo Conse- classificar de “muito gratificante ver o in- lho Nacional de Avaliação do Ensino Su- teresse dos jovens pela investigação”. perior (CNAVES), o relatório preliminar da Apesar de muitos falarem em “geração equipa de acreditação do curso da Licen- rasca”, Irene Silveira assume “a existên- ciatura em Ciências Farmacêuticas da Or- cia de muitos alunos empenhados, traba- dem dos Farmacêuticos (OF) e a definição lhadores e inovadores”, o que vai permi- do modelo de curso(s) no âmbito do Pro- tir que “o nosso país vá para a frente”, cesso de Bolonha foram alguns dos as- embora considere necessário que “Portu- pectos que propôs e conseguiu tratar gal tenha a capacidade de dar os meios com sucesso. A reformulação dos pontos necessários para que eles possam desen- críticos enunciados pela OF assumiu-se volver as suas capacidades”. A falta de como uma prioridade para a qual consi- apoio à investigação é apontada como dera “ter contribuído”. um problema grave e as dificuldades eco- “Por exemplo, os nossos farmacêuticos nómicas do país também não ajudam. não têm de fazer exame na Ordem. Para “No nosso caso concreto, vivemos mui- isso tive de implantar um novo modelo tas vezes com o metabolismo basal a nível de estágio, o que foi um grande desafio”, financeiro. A investigação na nossa área é refere a Professora Catedrática, que des- muito cara e, para além dos reagentes, taca ainda a intervenção ao “nível das es- das colunas, precisa de equipamentos ca- pecialidades do Doutoramento”. Segun- ríssimos que custam milhares de euros”, do Irene Silveira, a implantação do Pro- explica Irene Silveira, que, no entanto, não P rojecto fundamental para a saúde pública Os riscos alimentares e ambientais em saúde pública são um dos projectos em curso no Laboratório de Bromatologia. A avaliação qualitativa e quantitativa da exposição da população portuguesa a resíduos de pesticidas através da monotorização em fluidos biológicos e em alimentos integra os objectivos do projecto, que pretende ainda avaliar o teor de micotoxinas em alimentos portugueses e monotorizar o seu teor no soro e em urina com vista a conhecer o risco de exposição da população portuguesa. A avaliação do potencial de exposição da população portuguesa a fármacos antimicrobianos através da determinação dos seus resíduos em alimentos e águas e o desenvolvimento de uma estratégia clínica para aplicação em caso de intoxicação alimentar devido a agonistas adrenérgicos também figuram na lista, que pretende elaborar o estudo de fitoesterogénios e de fitosteróis no alimento e em fluidos biológicos e a sua relação com a prevenção do cancro e de doenças cardiovasculares. A nutrição e educação para a saúde é uma das metas.
  5. 5. Jornal da Universidade 5 Junho 2006 E N T R E V I S TA interesses camuflados” Maria Irene Oliveira Costa Bettencourt P E R F I L Noronha Silveira nasceu, em Leiria, há 61 anos. Em 1966, entrou na Universi- dade de Coimbra no curso de Medicina, mas por causa da cadeira de Anatomia – “na altura, recorria a mortos e não a modelos como actualmente” – transfe- riu-se, imediatamente, para Farmácia. Concluída a Licenciatura, fez o Douto- ramento já casada e mãe de um filho. Com dois netos e um filho de 40 anos, a Professora Catedrática começou a dar aulas em 1970 como monitora no tem- po do Ministro Veiga Simão. A Directora do Laboratório de Bromatologia leccio- na as cadeiras de Bromatologia e Análises Bromatológicas I, Controle de Medicamentos em Alimentos, Hidrologia e Análises Hidrológicas e Nutrição e Dietética. Exerceu, durante quase cinco anos, funções na Reitoria com o Reitor Fernando Rebelo. Na Fa- culdade de Farmácia foi, entre 2004 e 2006, Presidente do Con- selho Científico, onde antes tinha sido Presidente do Conselho Pedagógico e Vice-Presidente do Conselho Directivo. se deixa abater pelas contrariedades: “É saúde passa pela prevenção”. bom haver para fazer não aquilo que gos- Mais tarde, a ligação com a indústria taríamos, mas aquilo que vamos conse- alimentar e agro-alimentar impulsionou a guindo fazer e não podemos parar”. investigação deste tipo de questões e A Directora do Laboratório de Broma- proporcionou ter equipamento que, ga- tologia reconhece que “os espaços físi- rante Irene Silveira, “de outra maneira cos são importantes, mas ainda mais são nunca teríamos”. As ligações com a in- as pessoas”, acrescentando que “as dústria agro-alimentar e a área veteriná- novas instalações vão criar uma melhor ria ainda hoje se mantêm, assim como articulação entre as aulas e a investiga- com hospitais e algumas extensões de ção”. Para Irene Silveira, “alguma inves- saúde, reconhecendo que “as questões tigação em Portugal serve interesses relacionadas com a segurança alimentar mais ou menos camuflados e que resul- são cada vez mais valorizadas pelos con- tam”, revoltando-se por “as oportunida- sumidores”. des e os meios para trabalhar não serem “Hoje em dia, o controlo que se faz dos dados a quem mostra resultados”. alimentos _ quer os que se produzem em O Laboratório de Bromotalogia trabalha Portugal, quer os que importamos _ não há muitos anos na área dos alimentos e existe por problemas economicistas”, su- da água, tendo, entretanto, também exe- blinha a Professora Catedrática, exempli- cutado trabalhos com líquidos biológicos. ficando de pronto: “O avanço tecnológico conduziu à conta- “Sei que há laboratórios em Lisboa e minação e ao uso de substâncias quími- no Porto que estão sem pessoas e, até cas estranhas ao nosso organismo, que há pouco tempo, não tinham equipamen- proporcionaram maior quantidade de ali- to”, disse, manifestando ainda que “não mentos e essa foi a nossa principal área há razões para se estar tranquilo, porque de investigação”, assume, antes de lem- sabemos que o controlo não é efectuado brar que “a investigação no contexto da e a vigilância também não se faz”.
  6. 6. 6 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M “A Arte de Ler” premiou CONCURSO NO ÂMBITO DA VIII SEMANA CULTURAL DA UC estudantes de Paleografia Aspecto da cerimónia da entrega dos prémios Actuação do Coro Misto da Universidade de Coimbra JOANA MARTINS Mais de duas dezenas de estudantes con- portuguesa. O Reitor salientou ainda a dificul- O Reitor sublinhou ainda, nesta fase de correram ao prémio, entre os quais alguns dade dos pergaminhos decifrados pelos con- mudança, o facto de estar a ser feita a Foram entregues, no passado dia 25 de da Universidade de Salamanca. Foi assim correntes, “prova de conhecimento e de adaptação que resulta da “integração do Maio, os prémios referentes ao concurso conferido ao concurso uma “dimensão na- aprofundamento das matérias estudadas” e ensino superior no espaço europeu”. Numa “A Arte de Ler”, projecto inserido na VIII cional e internacional”, tal como salientou “aproveitamento da nossa História, recolhen- breve referência ao Processo de Bolonha, Semana Cultural da Universidade de Coim- Maria José Azevedo, Directora do Arquivo do ensinamentos deixados pelos antigos”. Seabra Santos teceu algumas considera- bra. da Universidade de Coimbra, instituição or- ções, sublinhando que a Universidade de O concurso, que teve este ano a sua ter- ganizadora do projecto, juntamente com a REITOR ABORDOU Coimbra “optou por fazer este processo ceira edição, passava por descodificar ma- Reitoria da Universidade. O principal objec- TRANSFORMAÇÕES NA UC com serenidade e calma, não precipitando nuscritos medievais e despertou, sobretu- tivo do concurso passa por “estimular o re- a reestruturação dos cursos”. Assim, salien- do, o interesse de estudantes de cursos de curso a fontes manuscritas e medievais”, Seabra Santos fez ainda referência às tou que, em Coimbra, “as reestruturações Paleografia. Luís Rêpas foi o primeiro clas- referiu Maria José Azevedo, sendo que as transformações que têm vindo a ocorrer na continuarão a garantir a qualidade das li- sificado no desafio, Aires Fernandes alcan- provas foram constituídas por um docu- Universidade de Coimbra, na medida em cenciaturas” e que a Universidade não ali- çou o segundo lugar e Francisco Ferraz, ex- mento do século XIV e outro do século XVI. que se tem vindo a notar uma tendência nhará em métodos que desprestigiem as -aequo com Duarte Freitas ocuparam a ter- Os prémios foram entregues pelo Reitor da no aumento de estudantes nas pós-gradu- instituições. ceira posição (todos da Universidade de Universidade de Coimbra, Seabra Santos, ações, mestrados e doutoramentos. Parale- A entrega dos prémios culminou com a Coimbra, com excepção de Francisco Fer- que aproveitou para referir a importância des- lamente está a verificar-se o decréscimo no actuação do Coro Misto da Universidade raz, da Universidade do Porto). te tipo de iniciativas no panorama da cultura número de alunos de graduação. de Coimbra.
  7. 7. Jornal da Universidade 7 Junho 2006 R E P O R TA G E M ARQUIVO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Nove séculos de memória escrita JOANA MARTINS Nos últimos três anos, milhares de do- cumentos foram tratados e acondiciona- O Arquivo da Universidade de Coimbra dos em capas. A humidade, temperatura guarda documentos que datam desde o e luminosidade são condições que de- século XII até aos dias de hoje. Compila- vem ser tidas em conta quando se trata ção valiosa de escritos e documentação, da protecção dos documentos, de forma o Arquivo é alvo de uma grande procura a evitar a sua degradação. No entanto, da parte de estudantes, investigadores e tal como refere a Directora do Arquivo, é leitores de todo o mundo. Maria José preciso algum esforço e sacrifício, na me- Azevedo Santos é Directora do Arquivo dida em que a equipa que com ela traba- da Universidade desde 2003 e é também lha é constituída por apenas 15 funcioná- a primeira mulher a desempenhar um rios. cargo de Direcção nesta instituição. Maria José Azevedo trabalhou desde No que respeita à quantidade e à qua- sempre com documentação. Historiadora lidade o Arquivo da Universidade de Coim- Medievalista, a Directora do Arquivo foi bra encontra-se “entre os maiores e os aluna de vários dos Directores daquela mais importantes a nível europeu e até instituição e reconhece que existe uma mundial”, salienta a Directora da institui- tradição, no seu crescimento como uni- ção ao “Jornal da Universidade”. Com versitária, ligada ao documento, afirman- uma média de um milhar de leitores por do todo o seu respeito e reconhecimento ano, o Arquivo esgota muitas vezes a ca- pelo valor dos que a antecederam. pacidade da sua sala de leitura, que pode Segundo Maria José Azevedo, “arquivar receber apenas 18 pessoas. A documenta- é um acto cultural de inteligência e civis- ção contida no Arquivo está, de uma ma- mo”. Arquivar significa “recolher a memó- neira geral, acessível ao público. Existem ria”. Assim, tal como sublinha a Directora apenas algumas restrições, nomeadamen- do Arquivo, na medida em que a memó- te no que respeita a um núcleo do ria é de todos, cada cidadão tem “uma Instituto de Medicina Legal, constituído responsabilidade relativamente ao patri- por documentos dos séculos XIX e XX. mónio escrito”.
  8. 8. 8 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M Contributo para o movi ELÍSIO ESTANQUE E RUI BEBIANO DIVULGAM ESTUDO SOBRE OS UNIVERSITÁRIOS DE COIMBRA JOÃO PAULO HENRIQUES colóquio internacional “Movimento Estu- Coimbra (UC), os resultados de um estu- Elísio Estanque garantiu que “é falso dantil – Dilemas e Perspectivas”, que de- do que abrangeu 2.830 alunos da UC e que um terço dos inquiridos concorde O sociólogo Elísio Estanque e o histo- correu, em Maio, no auditório da Facul- foi realizado ao longo de 2005 e 2006. com a prática de actos de violência fí- riador Rui Bebiano divulgaram, durante o dade de Economia da Universidade de O colóquio integrou-se no projecto de sica ou simbólica”, porque o inquérito F altam causas mobilizadoras investigação “Culturas Juvenis – Diferen- apenas permitia assinalar no máximo ça, Indiferença e Novos Desafios Demo- três afirmações de um conjunto de cráticos”, que está a ser desenvolvido no oito, não contemplando respostas de Centro de Estudos Sociais (CES) sob orien- sim ou não. Os dados revelados corres- tação dos dois investigadores da UC. Um pondem a “quadros do software”, que As diferenças entre os anos 60 e os dias de hoje são enormes, razão pela estudo que revelou, entre outros aspec- vão ser alvo de uma “análise multivaria- qual estabelecer comparações se afigura como algo extremamente complicado. tos, que as populações estão menos par- da” e só depois haverá conclusões a A reflexão em torno de algumas ideias feitas relativamente ao passado é uma ticipativas nas instituições. retirar. das metas do estudo de Elísio Estanque e Rui Bebiano. As diferentes análises das respostas O estudo tem a importância de trazer “Nos anos 60, a Universidade de Coimbra tinha menos estudantes e as sobre as praxes académicas geraram polé- uma informação mais sistemática e con- condições eram muito diferentes”, explica o sociólogo, ressalvando que “as mica, razão pela qual Elísio Estanque consi- sistente, que os investigadores esperam condições eram tão adversas que era mais fácil unir as pessoas em torno de derou terem sido feitas “interpretações poder contribuir para reactualizar o co- um objectivo como acabar com a guerra colonial, democratizar a Universidade, abusivas e precipitadas”. Segundo o inqué- nhecimento histórico e sociológico exis- mudar o regime e conquistar a democracia”. rito, as praxes académicas devem repudiar tente sobre a temática do movimento es- Nos dias de hoje, as causas são mais difíceis de encontrar e ainda é mais qualquer forma de violência física ou sim- tudantil e não só, uma vez que também complicado encontrar objectivos comuns a todos. “Os estudantes são em maior bólica e respeitar quem não quiser aderir, tem como preocupação de fundo a ques- número, o que cria maior diversidade e faltam causas que sejam motivadoras revelando ainda que devem ser revistas de tão do associativismo e da participação e mobilizadoras da massa dos estudantes”, conclui. modo a receber melhor os novos alunos. cívica.
  9. 9. Jornal da Universidade 9 Junho 2006 R E P O R TA G E M mento estudantil CARÁCTER REGIONAL DA UNIVERSIDADE Alunos com família no concelho de Coimbra: 20,1% Alunos com família no resto do distrito: 15,2% Alunos com família no resto da região Centro: 35% PROFISSÕES DOS PAIS Filhos de profissionais não qualificados: 30,5% Filhos de quadros dirigentes ou intermédios: 23,5% Filhos de empregadores: 21,1% Filhos de trabalhadores por conta própria: 14,6% ONDE VIVEM No centro histórico de Coimbra: 22,1% Em outros bairros dentro da cidade: 55,8% Periferia: 10,8% COM QUEM MORAM Com colegas em apartamentos arrendados: 29,7% Com os pais: 24,7% Em quartos arrendados A Universidade e o movimento estu- ria dos estudantes relativamente aos ór- As preocupações com doenças, nomea- a particulares: 23,5% dantil é um campo social importante gãos dirigentes da Associação Académica damente com a SIDA, a pobreza e a fome Em residências para o estudo de Rui Bebiano e Elísio de Coimbra (AAC) é um dado importante. figuram no topo das escolhas dos univer- universitárias: 9,6% Estanque. Ainda assim, a reflexão e a Apesar de não ser propriamente uma no- sitários, que se manifestaram ainda preo- Em apartamentos análise que pretendem fazer não se fica vidade _ basta olhar para os resultados cupados com as questões do ensino e o próprios ou dos pais por aqui. Enquanto cidadãos e cientis- das participações nas eleições _, Elísio acesso ao emprego. A necessidade de maior (mas independentes): 8,8% Em casa de outros tas sociais, estão preocupados com o Estanque sublinhou que “o estudo tinha investimento em estágios e a maior articu- familiares: 2,4% facto de “todo um conjunto de sinais uma série de perguntas em que quería- lação entre a UC e o mercado do emprego Em repúblicas: 1,1% revelar um certo afastamento e indife- mos saber se a AAC é uma organização são apontadas como prioridades. CONSIDERAM QUE A PRAXE ACADÉMICA... rença da população relativamente às elitista e que promove, sobretudo, o instituições”. acesso à política, o que mereceu cerca de Os investigadores pretendem que o 48 por cento de concordância”. projecto contribua para conhecer as no- A distância dos universitários relativa- Deve manter-se como está ...................................................................................... 5% vas dimensões do que foram as experiên- mente a instituições da vida pública e de- Deve ser revista no sentido da não discriminação entre homens e mulheres .... 18% cias dos movimentos estudantis dos anos mocrática, como é o caso dos partidos 60 e conhecer melhor a forma como essa políticos, foi outra das conclusões. Os es- Deve ser revista de forma a receber melhor os novos alunos ............................ 52% influência no contexto da UC é ainda sig- tudantes dão fraca importância aos parti- Deve ser completamente abolida, pois é uma violência........................................ 3% nificativa enquanto factor de construção dos e às repúblicas estudantis, que são Deve ser limitada aos cerimoniais académicos ...................................................... 8% e estruturação da identidade colectiva significativas em Coimbra do ponto de dos estudantes de Coimbra, que tem uma vista cultural, embora reconheçam, por Deve ser rigorosamente aplicada de acordo com o Código da Praxe ................ 28% tradição muito forte. exemplo, muita importância à UC e às Deve repudiar qualquer forma de violência física ou simbólica .......................... 68% A tendência de distanciamento da maio- Nações Unidas. Deve ser facultativa e respeitar quem não quiser aderir .................................... 72%
  10. 10. Kaaksburg, a “bomba” que 10 Jornal da Universidade Junho 2006 DISCURSO DOS MEDIA DINIS MANUEL ALVES * tível deverá começar nas próximas ho- ras. O navio poderá já não ter salvação. 3 de Janeiro de 1999. O Kaaksburg Um exagero se comparado com as de- encalha ao largo da Figueira da Foz. As clarações do responsável pela Pro- primeiras informações alertavam para a tecção Civil, na peça subsequente: A possibilidade de uma catástrofe ecoló- preocupação que temos neste momen- gica naquela praia. Como tal se não to, enquanto Serviço Municipal de veio a verificar, a âncora que permitiu Protecção Civil é o gasóleo que ainda manter o assunto em antena durante permanece dentro do navio que, não mais algum tempo, com muitos direc- sendo um risco enormíssimo, é um tos à mistura, fundeou na mais que risco que existe. Num segundo excerto, certa impossibilidade do barco vir a ser inserido na mesma peça, diz Lídio removido do local em que se encontra- Lopes: (…) Para além do gasóleo e va, causando assim graves incómodos desse derrame possível ... do risco numa cidade interessada em apostar que existe, embora com pouca proba- cada vez mais no turismo de Verão. Os bilidade. dois alarmes foram soando em conjun- E Andrade Monteiro, comandante da to nas páginas da imprensa, nos recep- Capitania do Porto da Figueira da Foz, tores de rádio e nos televisores. No 24 afirma que a trasfega não envolve pe- Horas (RTP1) de dia 3 de Janeiro [1999] R rigo. Passado o perigo da maré negra, já se faziam referências ao perigo, que o alarmismo transfere-se para a opera- residia agora no combustível do navio. ção de trasfega, também para a forte, O Público de dia 4 titulava Derrame fortíssima? probabilidade do Kaaksburg de combustível iminente; o diário 24 vir a morrer na praia, ingloriamente es- horas avisava, na primeira página: Po- facelado. luição ameaça porto da Figueira da Dia 5, no Primeiro Jornal, Baganha Foz. Nas interiores, o mesmo tom: Pe- Fernandes, do Serviço Anti-Poluição da rigo ecológico na Figueira da Foz. O DN Direcção Geral da Marinha , considera- também assustava, a páginas 23: va que se estava perante uma situação Derrame ameaça a Figueira. Mas a pri- não muito preocupante, na medida em meira página assustava mais ainda: que temos 36 mil litros de gasóleo, “Bomba” ao largo da Figueira, assim que é uma quantidade relativamente rezava o título. No subtítulo podia ler- pequena (…). se Carga de petroleiro avariado pode Depoimento em sintonia com o vei- derramar e causar prejuízos graves. culado pelo JN do mesmo dia 5 (Des- Na rádio, no dia 4, às 9h, a TSF con- mantelamento do navio parece vir a ser siderava que o perigo de derrame era a solução), e na boca do mesmo Ba- iminente. Às 9h30 falava-se em risco ganha Fernandes. Neste artigo, aquele de maré negra, risco anulado no infor- responsável garantia que as preocupa- mativo das 13h. A Antena 1 dissipara o ções ambientais são “poucas”, por se risco às 12h, apesar das preocupações tratar de “uma pequena quantidade de referidas às 17h. Às 12h, a Renascença combustível” e, também, porque a em- lembrava que as 26 toneladas de com- presa que vai proceder à remoção é bustível retidas nos tanques do navio “conhecida e de confiança”. encalhado ao largo da Figueira da Foz No mesmo dia, o DN avançava com são a grande preocupação da Pro- informação diferente, surpreendente- tecção Civil, também dos ambientalis- mente vinda do mesmo responsável. tas. Baganha disse ao DN que “os riscos, No Telejornal (RTP1, 20h) de dia 4, o apesar de calculados”, poderiam au- pivot informava: (…) Nos seus tanques mentar, caso se viessem a concretizar encontram-se 36 toneladas de com- “as condições desfavoráveis do mar”. bustível, o que está a constituir um Afirmações que sustentavam o título forte motivo de preocupação para as Trasfega preocupa Marinha. autoridades marítimas portuguesas. Es- No dia 5 (7h, 8h30), a Renascença ta afirmação não era suportada por também se referia à trasfega como qualquer declaração, no mesmo senti- operação de alto risco. do, feita pelas autoridades marítimas. O Directo XXI de dia 5 suavizava o No sumário do Directo XXI (TVI, 21h), alarmismo do dia anterior: Já começou o pivot avançava: Navio encalhado a operação de trasfega. A Protecção com 36 toneladas de combustível pode Civil diz que o risco é mínimo, mas os provocar um desastre ecológico na bombeiros estão de prevenção máxima Figueira da Foz. A trasfega do combus- no local.
  11. 11. 11 só rebentou nos media Jornal da Universidade Junho 2006 DISCURSO DOS MEDIA Os media começavam a desencalhar Jornal lembrando que o cargueiro conti- do assunto. A operação de trasfega ter- nuava à espera de ser rebocado. No dia minou no dia 6, facto reportado pela seguinte, na mesma estação, mas no RTP1 (Jornal da Tarde e Telejornal, 13h e Jornal da Noite, informava-se da impos- 20h), pela TVI (TVI Jornal, 2.ª ed., 13h sibilidade de rebocamento do navio, 30), pela RTP2 (Jornal 2, 22h), pelas rá- tendo este, em consequência, que ser dios, aqui ainda no dia 7. desmantelado. A SIC despedira-se do Kaaksburg logo Chegado Março, lembrou a Renas- no dia 5 (Último Jornal), quebrando cença, às 12h de dia 12, que o caso con- assim uma promessa feita por Rodrigo tinuava por resolver. Cinco dias mais Guedes de Carvalho, no Primeiro Jornal. tarde, era o País Regiões Coimbra (RTP1) A operação de trasfega iniciara-se pou- a pontuar o mesmo. Dia 22, neste mes- cos minutos antes de um directo efectu- mo informativo regional consolidou-se a ado pela estação, levaria mais ou menos tese do desmantelamento. 24 horas. O pivot despede-se do repór- O Primeiro Jornal de 1 de Abril relem- ter que efectuara o directo, dizendo: brou aos telespectadores a teimosia do Que é como quem diz… 24 horas, ama- Kaaksburg, ou a impotência do Homem nhã, por esta altura do Primeiro Jornal, em conseguir libertar-se do pesadelo. A aqui estaremos para saber se de facto a 9, nova notícia no País Regiões Coimbra, operação correu pelo melhor, como to- desta feita provocada por posição da dos desejam. autarquia figueirense, que ameaçava A trasfega correu bem, não houve processar o Estado português por mor qualquer problema, figueirenses e portu- dos prejuízos causados pela mais que gueses quase poderiam dormir em paz inevitável operação de desmantelamen- não fosse outro problema delicado: pôr to. A mesma informação, três dias de- o barco a navegar de novo. O Público de pois, mas no regional emitido para todo dia 5, que suavizara os riscos de catás- o território, o País País. trofe ecológica, não era peremptório a A 19 de Abril procedeu-se à última ten- dizer que o navio tinha que ser desman- tativa de remoção do navio, operação telado (“Kaaksburg’ permanece encalha- de mau sucesso, que se prolongou por do na Figueira da Foz - Empresa espa- três dias (a 19 na Renascença, 14h; SIC, nhola retira combustível”). Último Jornal; RTP1, País Regiões Coim- No Telejornal de dia 5 vaticinava-se bra; a 20 na SIC, Primeiro Jornal e Último desfecho diferente:(…) Quanto ao desti- Jornal; RTP1, País Regiões Coimbra; na no do barco, o mais certo é ser desman- Renascença e na TSF, em vários informa- telado em plena praia. A mesma conjec- tivos; a 21 na RTP1, País Regiões tura na 1.ª edição do TVI Jornal de 5 de Coimbra). Janeiro. Os jornalistas autores do vaticí- A odisseia terminaria a 16 de Maio de nio declaravam em conformidade com 1999. O Homem vencera o ferro, tam- títulos da imprensa daquela manhã: A bém os elementos, o lenço branco foi solução vai ser desmantelar o navio, lia- agitado apenas pela RTP1, RTP2 e se no 24 horas. Desmantelamento do Antena 1. Às 8h de 7 de Maio, a Antena navio parece vir a ser a solução, lia-se 1 informava que o Kaaksburg já ia mar no JN. alto fora, rumo a Vigo. No dia 6, o Público também aventava Não houve maré negra, não houve ca- a hipótese: Navio encalhado pode vir a tástrofe ecológica, a bomba ao largo da ser desmantelado na praia da Cova- Figueira não rebentou, a operação de Gala, lia-se, a subtítulo do artigo intitula- trasfega do combustível decorreu sem do Trasfega do combustível deve termi- mácula. O navio não teve que ser des- nar hoje. No dia 7 também a Renas- mantelado. cença entrou no coro do desmantela- mento. O repouso do cargueiro passou a ser * in “Mimetismos e determinação da agen- sobressaltado só de longe a longe, a da noticiosa televisiva _ A agenda-montra de partir de então. Dia 12, a TSF adiantava outras agendas”, 495-497, Dinis Manuel Alves, Abril 2005. que o material necessário para retirar o (Dissertação de Doutoramento na área de barco encalhado deveria chegar nesse Ciências da Comunicação, especialidade de mesmo dia, ou a 13 de Janeiro. Discurso dos Media, apresentada à Facul- Dia 15, Jornal da Tarde e Telejornal dade de Letras da Universidade de Coimbra, (RTP1) davam conta da continuação dos sob a orientação do Prof. Doutor Francisco trabalhos para a remoção do navio. Dia Rui Cádima e a co-orientação da Prof. Dou- 19 a SIC reapareceu, com o Primeiro tora Isabel Nobre Vargues).
  12. 12. 12 Jornal da Universidade Junho 2006 F E S TA DA MÚSICA Oito horas de música variada em festa of INICIATIVA DA ALLIANCE FRANÇAISE COM A COLABORAÇÃO DA UC Vai decorrer em Coimbra, no próximo dia 21 Coimbra, integram a parceria a Câmara Mu- de Junho (quarta-feira), a 1.ª Festa da Música, nicipal de Coimbra, o Conservatório de Músi- organizada pela Alliance Française em parce- ca de Coimbra, o Conservatório Regional de ria com diversas entidades, entre as quais a Coimbra, o Instituto Superior de Engenharia Universidade de Coimbra. de Coimbra, a Escola Superior de Educação Trata-se de uma “maratona musical” que se de Coimbra, diversos órgãos de comunicação inicia às 16 horas e se prolonga até à meia- social (para além do “Jornal da Universida- noite, com a actuação de diversos grupos dos de”, a Rádio Universidade de Coimbra, a TV5 mais variados géneros, numa oferta à cidade. Monde, a RDP, a ESEC-TV, o jornal “Centro”, De facto, esta invulgar manifestação artísti- o “Diário As Beitras”, o “Diário de Coimbra”) ca decorre ao ar livre (junto à sede da Allian- e ainda várias empresas (a FNAC, a Dan Cake, ce Française de Coimbra, na Rua Pinheiro cafés FEB e Águas do Luso). Chagas), durante oito horas, e é gratuita, a ela podendo assistir todos os interessados. 25 ANOS A PROMOVER Embora seja a primeira vez que esta “Festa O Pró-Reitor Gouveia Monteiro usando da palavra na apresentação da Festa da Música A MÚSICA E INTERCÂMBIOS da Música” se efectua em Coimbra, em Fran- sejem actuar, e que mistura todos os géneros programa provisório desta 1.ª Festa da Músi- CULTURAIS ça ela celebra este ano a 25ª edição, e ao musicais, músicas de todo o mundo e dirige- ca de Coimbra, pelo qual se nota a adesão a longo do último quarto de século tem vindo se a todos os públicos. Tem como objectivo esta iniciativa de muitos grupos da cidade, de Como acima se refere, a Festa da Música a realizar-se em diversos outros países e tam- popularizar a prática musical e familiarizar o géneros muito diversos, desde a chamada mú- comemora no próximo dia 21 o seu 25º ani- bém em Portugal, mas noutras cidades. público para todas as expressões musicais”. sica popular até à designada música clássica. versário. Isso mesmo referiu ao “Jornal da Universi- Isso mesmo se pode confirmar na listagem dos Foi lançada em França em 1982 e esten- dade” Alain Didier (Delegado-Geral das Allian- UMA PARTICIPAÇÃO grupos participantes (que se publica em caixa). deu-se a outros países da Europa em 1985, ces Françaises em Portugal), que esclareceu: MUITO VARIADA Mas variado é também o conjunto das enti- no âmbito do Ano europeu da Música. “Não é um festival. É uma grande manifes- dades que se aliaram à Alliance Française de A partir de 1995, diversos organismos pú- tação popular, gratuita, aberta a todos os par- Alain Didier (que é também o Director da Coimbra para esta curiosa manifestação cultural. blicos e privados juntaram-se para co-organi- ticipantes, amadores ou profissionais, que de- Alliance Française de Coimbra), revelou-nos o Para além da Reitoria da Universidade de zar uma Festa Europeia da Música em cada
  13. 13. Jornal da Universidade 13 Junho 2006 F E S TA DA MÚSICA erecida a Coimbra dia 21 de Junho, “para testemunhar, através 2 - A Festa europeia da Música é uma de um evento comum, a sua vontade de fa- celebração da música viva destinada a re- vorecer um melhor conhecimento das reali- alçar a amplitude e a diversidade das prá- dades artísticas actuais dos seus países, e ticas musicais, de todos os géneros de desenvolver intercâmbios, no domínio musi- música. cal, entre os países da União Europeia e com 3 - A Festa europeia da Música é um apelo os países da Grande Europa”. à participação espontânea e gratuita que se Esta circunstância é sublinhada pelos ele- dirige tanto aos individuos ou conjuntos mentos responsáveis pela coordenação inter- que praticam canto ou um instrumento de nacional da Festa da Música, que trabalha música como às instituições musicais, para em Paris (mas cuja actividade pode ser con- que tanto os amadores como os músicos sultada no sítio www.fetedelamusique.cultu- profissionais se possam exprimir. re.fr), que acrescentam: 4 - Todos os concertos são gratuitos para “Este evento apresenta-se sob a forma de o público. grandes manifestações locais em cada um 5 - A Festa europeia da Música é maiorita- dos países ou em cada uma das colectivida- riamente uma festa ao ar livre que decorre des parceiras, e tem como objectivo favore- nas ruas, nas praças, nos jardins públicos, cer os encontros multilaterais entre músicos nos pátios... Locais fechados podem também europeus. A Festa europeia da Música tem associar-se se aplicarem a regra do acesso por vocação reforçar a cooperação europeia gratuito ao público. A Festa europeia da com o apoio de parceiros interessados, tor- Música é a ocasião de ocupar ou abrir excep- nar visíveis as colaborações entre os parcei- cionalmente ao público locais que tradicio- ros, e deseja assim contribuir para o desen- nalmente não são locais de concertos: mu- volvimento de uma Europa Cultural”. seus, hospitais, edifícios públicos... 6 - A Festa europeia da Música é um dia DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS excepcional para todas as músicas e para todos os públicos. Os co-organizadores com- Com o espírito atrás mencionado, a Festa da prometem-se a promover, neste âmbito, a Música apoia-se mesmo numa Declaração de prática musical e a música viva, sem espírito Princípios, aprovada em 1997 numa reunião nem fins lucrativos. internacional, em Budapeste, e que inclui os 7 - Os co-organizadores comprometem-se seguintes pontos: a respeitar o espírito e os princípios fundado- “1 - A Festa europeia da Música decorre, res da Festa europeia da Música tais como todos os anos, no dia 21 de Junho, dia do enunciados nesta carta”. M úsica sem parar até à meia noite Solstício de Verão. Como se refere no texto principal, a Professores de Educação Musical do En- Festa da Música decorre no próximo sino Básico- ESEC dia 21 (quarta-feira), das 16 às 24 ho- - Alunos do 3º ano da Licenciatura em ras, em plena rua (que será cortada ao Professores de Educação Musical do trânsito) junto à sede da Alliance Fran- Ensino Básico- ESEC çaise (na Rua Pinheiro Chagas, n.º 60, - Coro Misto da Universidade de Coim- por trás da Escola Secundária de José bra Falcão). - Canto - Conservatório de Música de O programa provisório inclui a partici- Coimbra pação dos seguintes grupos (a que - Associação Cultural Coimbra Menina e podem vir a juntar-se vários outros): Moça com o seu Grupo de Fados «Guitar- - Grupo de Flautas e Danças Regionais ras de Coimbra» - ISEC do Externato de João XXIII - Instrumentos de Arco - Conservatório - Orquestra da Escola de Música do de Música de Coimbra Colégio de São Teotónio - Percussões - Conservatório de Músi- - Coro infantil - Conservatório de Músi- ca de Coimbra ca de Coimbra - Conjunto de saxofones - Conservató- - Orquestra de Cordas do Conserva- rio de Música de Coimbra tório Regional de Coimbra - Quinteto de Metais - Conservatório - Coro dos Pequenos Cantores de Coim- de Música de Coimbra bra - Conjunto de Clarinetas - Conservató- - Conjunto de Cordas dirigido pelo Ma- rio de Música de Coimbra estro João Ventura - Orquestra de Sopros - Conservatório - Escola de Guitarra do Instituto Su- de Música de Coimbra perior de Engenharia de Coimbra (ISEC) - Flauta Transversal - Conservatório de - Sociedade Filarmónica de Vila Nova Música de Coimbra de Anços - Cordas Dedilhadas - Conservatório - Alunos do 1º ano da Licenciatura em de Música de Coimbra
  14. 14. 14 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M Immanuel Wallerstein fala do papel futuro dos EUA SOCIÓLOGO NORTE-AMERICANO DOUTORADO HONORIS CAUSA PELA FEUC O sociólogo norte-americano tigos), alguns traduzidos em mais de duas Immanuel Wallerstein dezenas de línguas – destacam-se os volu- mes sobre o “Modern World-System” e a foi distinguido com o doutoramento “Capitalist World-Economy” que revelam a Honoris Causa pela FEUC sua mais original inovação teórica e episte- (Faculdade de Economia da mológica. Universidade de Coimbra) no Ocupou diversos cargos internacionais, passado dia 11 de Junho. E no dia como o de Presidente da Associação Inter- seguinte proferiu, na referida nacional de Sociologia. Como sinal da sua proeminente actividade académica e inte- Faculdade, uma conferência sobre lectual, várias universidades, espalhadas o papel dos Estados Unidos da por todo o mundo, já lhe outorgaram o América do Norte no futuro. grau de doutor “honoris causa”. A sua relação directa com Portugal foi, Immanuel Wallerstein (professor jubila- num primeiro momento, resultado de in- do da Universidade Estadual de Nova vestigações sobre a história económica em Iorque e Investigador Senior da Univer- que fez referência ao trabalho de Vitorino sidade de Yale) recebeu esta distinção da Magalhães Godinho e, num segundo mo- Universidade de Coimbra pelo sua activi- mento, no plano das referências sobre a dade na área da sociologia mas também economia colonial africana e os movimen- pela interdisciplinaridade da sua obra ci- tos de libertação nacional das várias coló- entífica, na qual aborda perspectivas his- nias portuguesas. tóricas, políticas, económicas e, nos últi- Já no início dos anos 80, a sua relação mos anos, filosóficas. com o país fundou-se na relação de coope- A cerimónia iniciou-se, como é tra- ração que estabeleceu com docentes e in- dicional, com a saída do Cortejo da Bi- vestigadores da Faculdade de Economia da blioteca Joanina até à Sala Grande doa Universidade de Coimbra, e em particular, Actos (Sala dos Capelos), onde Immanuel com o Centro de Estudos Sociais (CES), do Wallerstein recebeu as insígnias doutorais. qual é investigador associado. Foi apresentante Boaventura Sousa Santos, Immanuel Wallerstein já com as insígnias doutorais concedidas pela UC estando o elogio do novo Doutor a cargo de Carlos Fortuna. Como é da praxe, foi da ao tema “A Post-American World: The Columbia (Nova Iorque), como professor EXPOSIÇÃO também feito o elogio do apresentante, Coming Decades”. e investigador da África colonial e pós-co- BIBLIOGRÁFICA desta feita por João Arriscado Nunes. Nesta conferência (que contou com os lonial de meados do século passado. A No final da cerimónia, o cortejo dirigiu-se apoios da Fundação para a Ciência e a Tec- sua visão cosmopolita e progressista en- Como complemento desta conferência, à Sala do Senado, onde Immanuel Wallers- nologia e da Fundação Calouste Gulben- contra-se, hoje, consagrada no epíteto de pode ser visitada na Biblioteca da FEUC. tein recebeu o diploma de Doutor pela kian), abordou as relações internacionais e “fundador” da escola do sistema-mundo, até ao dia 16 de Junho, uma exposição bi- Faculdade de Economia da Universidade especificamente o papel que os Estados perspectiva holística da economia e da bliográfica relativa à obra de Immanuel de Coimbra (FEUC). Unidos e outras nações podem vir a desem- sociedade capitalista, interpretadas ao Wallerstein. penhar no mundo nas próximas décadas. sabor de longos ciclos histórico-tempora- A mostra engloba dezenas de trabalhos PAPEL DOS ESTADOS UNIDOS is e amplas escalas geográficas, que cul- de Wallerstein, alguns da referida Biblio- EM CONFERÊNCIA NA FEUC QUEM É tivou na esteira de famosos intelectuais, teca, outros pertencentes a bibliotecas de IMMANUEL WALLERSTEIN politólogos e historiadores como Fernand outros Departamentos da UC e ainda a No dia seguinte (segunda-feira, dia 12), Braudel. colecções particulares. A exposição foi or- Immanuel Wallerstein proferiu uma confe- Immanuel Wallerstein começou a sua Da vasta obra de Immanuel Wallerstein – ganizada por Álvaro Garrido e Rosário rência na Sala Keynes da FEUC, subordina- carreira académica na Universidade de que agrega centenas de títulos (livros e ar- Pericão. mmanuel Wallerstein ladeado por alguns dos participantes na cerimónia presidida pelo Reitor Immanuel Wallerstein ladeado por Boaventura Sousa Santos, seu apresentante
  15. 15. Jornal da Universidade 15 Junho 2006 NOTÍCIAS ADERENTES TÊM DIVERSOS BENEFÍCIOS Está a ser criada Rede CURSO DE 5 ANOS PODE SER FEITO EM 4 FCTUC cria “Via Rápida” de Antigos Estudantes da UC para os melhores alunos Começou a ser construída, no corrente mês de diversos; participação em eventos culturais, des- A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Junho, uma Rede de Antigos Estudantes da portivos e sociais. Coimbra (FCTUC) acaba de criar a Via Rápida para os melhores Universidade de Coimbra. Apesar de estar no iní- Como se depreende, este conceito de antigo es- alunos. cio, conta já com mais de uma centena de ade- tudante não é equivalente ao de “estudante anti- Esta medida, pioneira no país, permite aos estudantes com sões. go”, isto é, mesmo os que agora acabaram o res- melhor aproveitamento a conclusão em apenas 4 anos de um Esta iniciativa visa, segundo fonte da Reitoria, pectivo curso podem já integrar a rede. Como re- curso com a duração normal de 5 anos. “reforçar os laços entre a Universidade e todos os ferem os seus responsáveis, “a Rede está aberta A Via Rápida, aprovada por alunos e professores, avança já seus Antigos Estudantes, e promover a comunica- a todos quantos foram estudantes da no próximo ano lectivo (2006 / 2007) para os novos ção e troca de experiências permanentes, ao nível Universidade de Coimbra, através de qualquer estudantes e pretende, de acordo com o Presidente do académico, profissional e social”. uma das suas Faculdades, ou para os que preten- Conselho Directivo da FCTUC, João Gabriel Silva, “atrair os Ao antigos estudantes da UC que aderirem a dem manter uma ligação estreita à Universidade”. melhores alunos para a Faculdade de Ciências e Tecnologia, esta Rede podem usufruir de uma série de servi- Os interessados em aderir a esta nova Rede criando condições para que possam concluir o seu curso um ços, entre os quais: acesso a informação sobre a podem proceder ao respectivo registo electrónico ano mais cedo”. Universidade de Coimbra; oportunidades de for- através do endereço www.uc.pt/encontros. João Gabriel Silva defende que “uma escola de excelência mação adicional; recrutamento e gestão de carrei- Quaisquer informações adicionais poderão ser como a FCTUC deve premiar os bons alunos, promovendo a ra; acesso à Rede de Especialistas da solicitadas através do telefone 239 853 123 ou do diferenciação positiva”. E conclui: UC edita “newsletter” electrónica Universidade de Coimbra; benefícios e descontos telemóvel 96 44 53 222. “Este estímulo é decisivo para a vida académica do aluno que, ao finalizar o seu curso mais cedo, pode prosseguir mais rapidamente para um mestrado ou doutoramento”. Assumindo-se como uma escola europeia de investigação, a FCTUC pretende, também, neste contexto de excelência, atrair O Gabinete de Comunicação e Identidade (GCI) Universidade” teve acesso). É também feito um mais estudantes estrangeiros, assegurando uma escola da UC está a criar uma “newsletter” electrónica, apelo aos membros da Comunidade Universitária atractiva. com periodicidade mensal, e de que foi já elabo- no sentido de colaborarem. A FCTUC está na primeira linha da inovação e investigação, rada uma edição experimental. Os contributos, para que possam ser incluídos encontrando-se envolvida em projectos de investigação A primeira edição completa da “newsletter” no primeiro número da “newsletter”, a editar em científica cujo financiamento ascende a 32 milhões de euros. será distribuída no próximo mês de Julho a cerca Julho, deverão ser enviados até ao próximo dia De assinalar que 12 dos seus Centros de Investigação foram de 2 mil elementos da UC cujos endereços de e- 26 de Junho para noticias@ci.uc.pt, ou contactan- classificados com Excelente ou Muito Bom pela Fundação para mail são conhecidos pelo GCI (como é referido no do a dr.ª Marta Rio Torto através do telefone 239 a Ciência e Tecnologia. citado número experimental a que o “Jornal da 859 819. AINDA A PROPÓSITO DO CORTEJO DA QUEIMA DAS FITAS Carta aberta aos estudantes da UC Caros colegas: pessoas para situações como a da Vanessa, fizeram com Venho, por este meio, expressar a minha profunda que os vidros das garrafas se fossem amontoando nas tristeza e revolta perante situações que não me deixam ruas. Será que ninguém se apercebe que quando se indiferente e prestar homenagem a uma grande amiga e deixa uma garrafa de vidro no chão ela pode partir-se e O i i o lutadora: a Vanessa. magoar alguém (como, aliás, aconteceu)? Para pessoas Os tempos mudam, mas nem tudo evolui na mesma que têm a sua mobilidade condicionada, como no caso p n ã medida. Há alguns meses que tenho lidado diariamente da Vanessa, a situação é ainda pior. Ela não furou as com uma rapariga bonita, simpática e deficiente neuro- rodas da cadeira que usa para se deslocar, mas… E se muscular. furasse? Estariam a privar uma colega de participar num Durante todo este tempo, tenho reparado em porme- momento tão importante da sua vida, não só académi- nores que, para mim, passavam despercebidos. A maior ca como também pessoal! parte das ruas têm os passeios desnivelados, as lojas e Em cortejos futuros, a organização não deveria ter espaços públicos não têm acessos, os autocarros não mais atenção para estes aspectos que pouco dignificam estão adaptados de forma a que ela conheça melhor a os estudantes e a universidade? Por que razão não se cidade que a acolheu, a Faculdade onde estuda não tem colocam mais contentores ao longo do trajecto do cor- rampa de acesso, apesar de já estar prometida... Só que, tejo? Por que razão não hão-de as pessoas colocar as tal como em muitos outros casos, também neste a obra garrafas em locais próprios ou juntá-las em vez de as ati- tem-se ficado pela promessa. rarem para qualquer lado? Para além de mostrarem bom Mas, tudo isto para dizer que ambas participámos no senso e boa educação, estariam a ajudar pessoas que, cortejo da Queima das Fitas e o cenário que nos era como a Vanessa, estão limitadas e que, por desleixo de apresentado era ambivalente. Por um lado, era bonito e alguns, se podem ver privadas de participar naquilo que espectacular, onde alunos e pais de alunos demonstra- tanto anseiam. vam o seu sentimento de felicidade. Afinal, a Queima Depois da festa, penso que chegou o momento de re- das Fitas é uma festa. Mas, ao mesmo tempo, era tam- flectir. Mudam-se os tempos, mudem-se as atitudes. bém um cenário desolador. A falta de bom senso, a falta Cristina Castro de educação cívica e a falta de atenção por parte das (aluna do 1.º ano da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC)

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