Jornal da Universidade de Coimbra – Junho 2006

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    Jornal da Universidade de Coimbra – Junho 2006 - Presentation Transcript

    1. AFIRMA IRENE SILVEIRA ACADEMIA GENEROSA ARQUIVO DA UC ALGUMA APRENDER INVESTIGAÇÃO A BRINCAR NOVE SERVE INTERESSES NO HOSPITAL SÉCULOS CAMUFLADOS PEDIÁTRICO DE MEMÓRIA ESCRITA PAGINAS 4 e 5 PAGINA 16 PAGINA 7 DESTAQUES Immanuel Wallerstein doutorado Honoris Causa Número 4 14 Junho 2006 Futsal da AAC vence Liga Universitária 19 UC sitiada em Junho de 1969 23 e 24 DIRECTOR: JoRGE CASTILHO DIRECTORES-ADJUNTOS: DINIS MANUEL ALVES E MÁRIO MARTINS FCTUC VENCE PROJECTO PIONEIRO ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA Ventos A NÍVEL MUNDIAL de progresso na UC À espera da requalificação PAGINA 3 PAGINAS 20 e 21 É falso que a maioria AFIRMA AUTOR DE ESTUDO SOBRE ESTUDANTES DA UC defenda a violência PAGINAS 8 e 9 Cavaco Silva preside TRÊS UNIVERSIDADES REPRESENTAM IDEIAS DE NEGÓCIO a fim de curso na UC PAGINA 2
    2. 2 Jornal da Universidade Junho 2006 NOTÍCIAS TRÊS UNIVERSIDADES APRESENTAM EM COIMBRA Cavaco Silva preside IDEIAS DE NEGÓCIO a fim de curso de empreendedorismo O Presidente da República preside no próximo dia presença de várias outras entidades que têm assumido 20 de Junho (terça-feira), às 16H30, no Auditório do papel de relevo no apoio e estímulo à inovação e em- Edifício Central da FCTUC (no Pólo II) à sessão de en- preendedorismo. cerramento do Curso de Empreendedorismo de Base A sessão de apresentação dos 15 planos de negócio, Tecnológica, um projecto promovido pelas Universi- que representam outras tantas oportunidades de negó- dades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior e pelo CEC cio promissoras, está marcada para as 14 horas, e todos (Conselho Empresarial do Centro) – Câmara de os interessados poderão contactar as várias equipas par- Comércio e Indústria do Centro. ticipantes no curso para aprofundar alguns aspectos dos O curso visa contribuir para a criação de novas em- conceitos de negócio desenvolvidos. Para as 16,30 horas presas de base tecnológica, estimulando a inovação está marcada a sessão de encerramento, em que usarão com base em tecnologias desenvolvidas nas unidades da palavra o Presidente do CEC, António Almeida Hen- de I&D das três Universidades da Região Centro, e irá riques, o Reitor da Universidade da Beira Interior, Manuel agora culminar, depois de um ano de trabalho, com a Santos Silva, a Reitora da Universidade de Aveiro, Maria apresentação dos resumos dos planos de negócio das Helena Nazaré, o Reitor da Universidade de Coimbra, Fer- 15 equipas envolvidas. nando Seabra Santos, e o Presidente da Republica, Aní- Para além de Cavaco Silva, a sessão contará com a bal Cavaco Silva. Sistema de “câmaras inteligentes” P edro Saraiva INOVAÇÃO E MAIS SEGURANÇA NAS AUTO-ESTRADAS PORTUGUESAS na Presidência da República está a ser testado na FCTUC Pedro Saraiva, Pró-Reitor da Universidade de Coimbra, acaba de ser nomeado como consultor da Presidência da República para a área do Ensino Superior. Um outro docente da Universidade de Coimbra, Manuel Antunes, da Faculdade de A Universidade de Coimbra está a testar dências por dia, a maior parte relativas a pe- imediatamente para elas alertando – desde Medicina, fora já escolhido por Cavaco Silva para a Brisa um sistema de câmaras de vi- didos de assistência, por avaria, mas tam- um veículo que pára na berma, até algum como consultor para a área da Saúde. gilância “inteligentes”, que detectam de for- bém por acidentes. que surja em contra-mão, passando pelos ma automática situações anómalas nas Em função do que é detectado, o centro faz acidentes. FICHA TÉCNICA auto-estradas. accionar os meios adequados – ou os bombei- O sistema deverá estar totalmente opera- A Brisa tem já mais de meio milhar de câ- ros e a emergência médica, ou a GNR ou as- cional até final do corrente ano e os seus re- Director: maras instaladas nas diversas auto-estradas sistência técnica para viaturas avariadas. sultados estão a ser tão positivos que já JORGE CASTILHO do País. De acordo com um Administrador A novidade do novo sistema, cujo protó- despertaram mesmo o interesse de uma con- daquela empresa concessionária de auto-es- tipo está a ser testado na FCTUC, é que de- cessionária de auto-estradas do Brasil, que Directores Adjuntos: tradas portuguesas, no respectivo centro de tecta automaticamente situações de risco, poderá vir a adquiri-lo para funcionar do ou- DINIS MANUEL ALVES controlo regista-se uma média de 450 inci- sem necessidade de intervenção humana, tro lado do Atlântico. Departamento de Engenharia Civil MÁRIO MARTINS Concepção e edição gráfica: estuda sinistralidade de Lisboa AUDIMPRENSA E-mail: jornal.universidade@gmail.com Telefone: 239 854 150 O Departamento de Engenharia Civil da FCTUC vai elabo- sas dos acidentes e se tomem medidas para as eliminar ou Fax: rar um estudo da sinistralidade na rede urbana rodoviária atenuar, adoptando depois essas medidas noutras zonas 239 854 154 da cidade de Lisboa, em parceria com o Laboratório do País, com vista a diminuir a sinistralidade rodoviária em Impressão Nacional de Engenharia Civil. Portugal. CORAZE - OLIVEIRA DE AZEMEIS O estudo propõe-se analisar as zonas onde se regista Espera-se que este estudo, que é financiado pela FCT maior número de acidentes, de molde a poder identificar as (Fundação para a Ciência e Tecnologia) possa dar importan- ISSN: 1646-4133 suas causas. Por isso foram escolhidas algumas zonas da te contributo para diminuir o elevadíssimo número de víti- Depósito Legal n.º 241489/06 área de Lisboa, para que se identifiquem as principais cau- mas de acidentes em Portugal.
    3. Jornal da Universidade 3 Junho 2006 NOTÍCIAS V entos de progresso na UC FCTUC VENCE PROJECTO PIONEIRO A NÍVEL MUNDIAL A Faculdade de Ciências e Tecno- “Há uma implicação directa na in- logia da Universidade de Coimbra dústria nacional. Exportar estas novas (FCTUC) foi a vencedora da candida- torres metálicas, representa vitalida- tura a um projecto de investigação eu- de para a economia portuguesa”, sa- ropeu para o desenvolvimento das lienta o catedrático da FCTUC. torres metálicas mais resistentes do Outro aspecto, não menos impor- Mundo para os parques eólicos. tante, deste investimento, é a criação Trata-se do projecto “HISTWIN” (High de novos postos de trabalho. strength steel tower for wind turbines Na classe das Fontes de Energia - Torres eólicas em aço de alta resis- Renováveis, é na energia eólica que tência), que será realizado em parce- mais se tem apostado na Europa, du- ria com mais três Universidades euro- rante a última década. peias e com três empresas industriais, Segundo Luís Simões da Silva, “o uma siderurgia e uma resseguradora, objectivo principal deste projecto é o bem como a empresa Repower Por- desenvolvimento da próxima geração tugal SA que, para além de uma fábri- de torres eólicas metálicas que pos- ca de torres eólicas já em funciona- sam assegurar soluções competitivas mento, irá abrir em Portugal mais para turbinas eólicas com multi-me- duas unidades fabris – uma de pás e gaWatts de potência”. outra de componentes mecânicas. O investigador acrescenta que “ao Está na base do projecto a fabrica- longo destes três anos vai ser apli- ção das torres metálicas mais altas, cado aço de alta resistência (S460) mais resistentes, com durabilidade a torres eólicas, permitindo estrutu- superior e financeiramente mais aces- ras mais leves, mais fáceis de trans- síveis, aumentando, assim, significa- portar e, consequentemente, mais tivamente a potência dos aerogera- económicas”. dores a instalar. E conclui: O Contrato–Programa, recentemen- “Dado que as torres eólicas estão te assinado em Bruxelas, prevê o iní- sujeitas a acções dinâmicas cons- cio do projecto no próximo dia 1 de tantes, os problemas de fadiga e Julho, para um prazo total de execu- instabilidade põem problemas tec- ção de três anos, e que corresponde nológicos importantes, pelo que se a um orçamento global de 1.4 mi- prevê o desenvolvimento de liga- lhões de euros, dos quais 225 000 ções inovadoras para ultrapassar euros para a FCTUC. estes problemas. Uma das tarefas Para o Presidente do Departamen- específicas da FCTUC, em colabora- to de Engenharia Civil da FCTUC, Luís ção com a Repower Portugal, será o Simões da Silva, este projecto assu- ensaio, à escala real, dessas novas me uma extraordinária importância ligações e a instrumentação (em fun- “porque vai permitir que a indústria cionamento real e durante 2 anos) portuguesa se torne líder, a nível de uma torre eólica a construir em mundial, nesta área”. Portugal”. Energias alternativas para a UC ACORDO DE COOPERAÇÃO CELEBRADO COM A IBERDROLA A Universidade de Coimbra celebrou um sa espanhola Pina Moura, a intervenção Pina Moura salientou a necessidade de dias um desafio à Universidade de Coimbra protocolo com a Iberdrola, líder mundial da UC pode verificar-se, por exemplo, em garantir “recursos humanos altamente qua- para que crie um curso de pós-graduação na produção de energias alternativas, no acções de auditoria energética, em arma- lificados, quer para a construção destes em Energias Alternativas, a funcionar no sentido de que esta empresa espanhola zenagem de energia, “nomeadamente pon- projectos quer, posteriormente, para a concelho. Para justificar este pedido que venha a “alimentar” a UC com esse tipo derando projectos ligados ao hidrogénio” sua operação”. dirigiu ao Reitor, o autarca referiu que Mon- de energias. e a preparação de recursos humanos. temor-o-Velho vai beneficiar, no respecti- Em contrapartida, a UC, através dos seus De registar que a Iberdrola tem previs- MONTEMOR-O-VELHO vo Parque de Negócios, de um grande in- recursos humanos e técnicos, prestará co- tos investimentos na ordem dos 1.500 QUER PÓS-GRADUAÇÃO vestimento de capitais estrangeiros exac- laboração à Iberdrola em domínios muito milhões de euros em parques eólicos na tamente na área das energias alternati- diversos. Região Centro, para os quais prevê criar O Presidente da Câmara Municipal de vas, o que, sublinhou, seria excelente en- Como referiu o Administrador da ampre- cerca de 700 postos de trabalho. Montemor-o-Velho, Luís Leal, lançou há quadramento para o referido curso.
    4. 4 Jornal da Universidade Junho 2006 E N T R E V I S TA “Alguma investigação serve LABORATÓRIO DE BROMATOLOGIA TRABALHA NA ÁREA DOS ALIMENTOS E DA ÁGUA _ IRENE SILVEIRA LAMENTA QUE AS OPORTUNIDADES NÃO SEJAM DADAS A QUEM MOSTRA RESULTADOS JOÃO PAULO HENRIQUES cesso de Bolonha vai “exigir maior acom- panhamento do professor e vai fazer a O mandato de dois anos (2004/2006) revolução necessária no Ensino”. de Irene Silveira à frente do Conselho Na Universidade, garante, “ensina-se Científico da Faculdade de Farmácia da ao mesmo tempo que se investiga e é Universidade de Coimbra terminou há esta a sua grande mais-valia”, remeten- pouco tempo, com o balanço a ser “po- do-se ao caso particular da Faculdade de sitivo”. “Estive um mandato, porque Farmácia para provar a afirmação. achei que era a minha obrigação. Após “Temos disciplinas de opção em que os deixar a Reitoria, concorri para que a alunos trabalham nos projectos de inves- Faculdade estabilizasse, uma vez que tigação em curso. No Laboratório de considero que tem grandes potencialida- Bromatologia, por exemplo, temos mui- des, mas que têm de ser mostradas”, su- tos alunos que ficam aos sábados até às blinha a Professora Catedrática. 20H00 ou mais”, confidencia, antes de A avaliação da Licenciatura pelo Conse- classificar de “muito gratificante ver o in- lho Nacional de Avaliação do Ensino Su- teresse dos jovens pela investigação”. perior (CNAVES), o relatório preliminar da Apesar de muitos falarem em “geração equipa de acreditação do curso da Licen- rasca”, Irene Silveira assume “a existên- ciatura em Ciências Farmacêuticas da Or- cia de muitos alunos empenhados, traba- dem dos Farmacêuticos (OF) e a definição lhadores e inovadores”, o que vai permi- do modelo de curso(s) no âmbito do Pro- tir que “o nosso país vá para a frente”, cesso de Bolonha foram alguns dos as- embora considere necessário que “Portu- pectos que propôs e conseguiu tratar gal tenha a capacidade de dar os meios com sucesso. A reformulação dos pontos necessários para que eles possam desen- críticos enunciados pela OF assumiu-se volver as suas capacidades”. A falta de como uma prioridade para a qual consi- apoio à investigação é apontada como dera “ter contribuído”. um problema grave e as dificuldades eco- “Por exemplo, os nossos farmacêuticos nómicas do país também não ajudam. não têm de fazer exame na Ordem. Para “No nosso caso concreto, vivemos mui- isso tive de implantar um novo modelo tas vezes com o metabolismo basal a nível de estágio, o que foi um grande desafio”, financeiro. A investigação na nossa área é refere a Professora Catedrática, que des- muito cara e, para além dos reagentes, taca ainda a intervenção ao “nível das es- das colunas, precisa de equipamentos ca- pecialidades do Doutoramento”. Segun- ríssimos que custam milhares de euros”, do Irene Silveira, a implantação do Pro- explica Irene Silveira, que, no entanto, não P rojecto fundamental para a saúde pública Os riscos alimentares e ambientais em saúde pública são um dos projectos em curso no Laboratório de Bromatologia. A avaliação qualitativa e quantitativa da exposição da população portuguesa a resíduos de pesticidas através da monotorização em fluidos biológicos e em alimentos integra os objectivos do projecto, que pretende ainda avaliar o teor de micotoxinas em alimentos portugueses e monotorizar o seu teor no soro e em urina com vista a conhecer o risco de exposição da população portuguesa. A avaliação do potencial de exposição da população portuguesa a fármacos antimicrobianos através da determinação dos seus resíduos em alimentos e águas e o desenvolvimento de uma estratégia clínica para aplicação em caso de intoxicação alimentar devido a agonistas adrenérgicos também figuram na lista, que pretende elaborar o estudo de fitoesterogénios e de fitosteróis no alimento e em fluidos biológicos e a sua relação com a prevenção do cancro e de doenças cardiovasculares. A nutrição e educação para a saúde é uma das metas.
    5. Jornal da Universidade 5 Junho 2006 E N T R E V I S TA interesses camuflados” Maria Irene Oliveira Costa Bettencourt P E R F I L Noronha Silveira nasceu, em Leiria, há 61 anos. Em 1966, entrou na Universi- dade de Coimbra no curso de Medicina, mas por causa da cadeira de Anatomia – “na altura, recorria a mortos e não a modelos como actualmente” – transfe- riu-se, imediatamente, para Farmácia. Concluída a Licenciatura, fez o Douto- ramento já casada e mãe de um filho. Com dois netos e um filho de 40 anos, a Professora Catedrática começou a dar aulas em 1970 como monitora no tem- po do Ministro Veiga Simão. A Directora do Laboratório de Bromatologia leccio- na as cadeiras de Bromatologia e Análises Bromatológicas I, Controle de Medicamentos em Alimentos, Hidrologia e Análises Hidrológicas e Nutrição e Dietética. Exerceu, durante quase cinco anos, funções na Reitoria com o Reitor Fernando Rebelo. Na Fa- culdade de Farmácia foi, entre 2004 e 2006, Presidente do Con- selho Científico, onde antes tinha sido Presidente do Conselho Pedagógico e Vice-Presidente do Conselho Directivo. se deixa abater pelas contrariedades: “É saúde passa pela prevenção”. bom haver para fazer não aquilo que gos- Mais tarde, a ligação com a indústria taríamos, mas aquilo que vamos conse- alimentar e agro-alimentar impulsionou a guindo fazer e não podemos parar”. investigação deste tipo de questões e A Directora do Laboratório de Broma- proporcionou ter equipamento que, ga- tologia reconhece que “os espaços físi- rante Irene Silveira, “de outra maneira cos são importantes, mas ainda mais são nunca teríamos”. As ligações com a in- as pessoas”, acrescentando que “as dústria agro-alimentar e a área veteriná- novas instalações vão criar uma melhor ria ainda hoje se mantêm, assim como articulação entre as aulas e a investiga- com hospitais e algumas extensões de ção”. Para Irene Silveira, “alguma inves- saúde, reconhecendo que “as questões tigação em Portugal serve interesses relacionadas com a segurança alimentar mais ou menos camuflados e que resul- são cada vez mais valorizadas pelos con- tam”, revoltando-se por “as oportunida- sumidores”. des e os meios para trabalhar não serem “Hoje em dia, o controlo que se faz dos dados a quem mostra resultados”. alimentos _ quer os que se produzem em O Laboratório de Bromotalogia trabalha Portugal, quer os que importamos _ não há muitos anos na área dos alimentos e existe por problemas economicistas”, su- da água, tendo, entretanto, também exe- blinha a Professora Catedrática, exempli- cutado trabalhos com líquidos biológicos. ficando de pronto: “O avanço tecnológico conduziu à conta- “Sei que há laboratórios em Lisboa e minação e ao uso de substâncias quími- no Porto que estão sem pessoas e, até cas estranhas ao nosso organismo, que há pouco tempo, não tinham equipamen- proporcionaram maior quantidade de ali- to”, disse, manifestando ainda que “não mentos e essa foi a nossa principal área há razões para se estar tranquilo, porque de investigação”, assume, antes de lem- sabemos que o controlo não é efectuado brar que “a investigação no contexto da e a vigilância também não se faz”.
    6. 6 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M “A Arte de Ler” premiou CONCURSO NO ÂMBITO DA VIII SEMANA CULTURAL DA UC estudantes de Paleografia Aspecto da cerimónia da entrega dos prémios Actuação do Coro Misto da Universidade de Coimbra JOANA MARTINS Mais de duas dezenas de estudantes con- portuguesa. O Reitor salientou ainda a dificul- O Reitor sublinhou ainda, nesta fase de correram ao prémio, entre os quais alguns dade dos pergaminhos decifrados pelos con- mudança, o facto de estar a ser feita a Foram entregues, no passado dia 25 de da Universidade de Salamanca. Foi assim correntes, “prova de conhecimento e de adaptação que resulta da “integração do Maio, os prémios referentes ao concurso conferido ao concurso uma “dimensão na- aprofundamento das matérias estudadas” e ensino superior no espaço europeu”. Numa “A Arte de Ler”, projecto inserido na VIII cional e internacional”, tal como salientou “aproveitamento da nossa História, recolhen- breve referência ao Processo de Bolonha, Semana Cultural da Universidade de Coim- Maria José Azevedo, Directora do Arquivo do ensinamentos deixados pelos antigos”. Seabra Santos teceu algumas considera- bra. da Universidade de Coimbra, instituição or- ções, sublinhando que a Universidade de O concurso, que teve este ano a sua ter- ganizadora do projecto, juntamente com a REITOR ABORDOU Coimbra “optou por fazer este processo ceira edição, passava por descodificar ma- Reitoria da Universidade. O principal objec- TRANSFORMAÇÕES NA UC com serenidade e calma, não precipitando nuscritos medievais e despertou, sobretu- tivo do concurso passa por “estimular o re- a reestruturação dos cursos”. Assim, salien- do, o interesse de estudantes de cursos de curso a fontes manuscritas e medievais”, Seabra Santos fez ainda referência às tou que, em Coimbra, “as reestruturações Paleografia. Luís Rêpas foi o primeiro clas- referiu Maria José Azevedo, sendo que as transformações que têm vindo a ocorrer na continuarão a garantir a qualidade das li- sificado no desafio, Aires Fernandes alcan- provas foram constituídas por um docu- Universidade de Coimbra, na medida em cenciaturas” e que a Universidade não ali- çou o segundo lugar e Francisco Ferraz, ex- mento do século XIV e outro do século XVI. que se tem vindo a notar uma tendência nhará em métodos que desprestigiem as -aequo com Duarte Freitas ocuparam a ter- Os prémios foram entregues pelo Reitor da no aumento de estudantes nas pós-gradu- instituições. ceira posição (todos da Universidade de Universidade de Coimbra, Seabra Santos, ações, mestrados e doutoramentos. Parale- A entrega dos prémios culminou com a Coimbra, com excepção de Francisco Fer- que aproveitou para referir a importância des- lamente está a verificar-se o decréscimo no actuação do Coro Misto da Universidade raz, da Universidade do Porto). te tipo de iniciativas no panorama da cultura número de alunos de graduação. de Coimbra.
    7. Jornal da Universidade 7 Junho 2006 R E P O R TA G E M ARQUIVO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Nove séculos de memória escrita JOANA MARTINS Nos últimos três anos, milhares de do- cumentos foram tratados e acondiciona- O Arquivo da Universidade de Coimbra dos em capas. A humidade, temperatura guarda documentos que datam desde o e luminosidade são condições que de- século XII até aos dias de hoje. Compila- vem ser tidas em conta quando se trata ção valiosa de escritos e documentação, da protecção dos documentos, de forma o Arquivo é alvo de uma grande procura a evitar a sua degradação. No entanto, da parte de estudantes, investigadores e tal como refere a Directora do Arquivo, é leitores de todo o mundo. Maria José preciso algum esforço e sacrifício, na me- Azevedo Santos é Directora do Arquivo dida em que a equipa que com ela traba- da Universidade desde 2003 e é também lha é constituída por apenas 15 funcioná- a primeira mulher a desempenhar um rios. cargo de Direcção nesta instituição. Maria José Azevedo trabalhou desde No que respeita à quantidade e à qua- sempre com documentação. Historiadora lidade o Arquivo da Universidade de Coim- Medievalista, a Directora do Arquivo foi bra encontra-se “entre os maiores e os aluna de vários dos Directores daquela mais importantes a nível europeu e até instituição e reconhece que existe uma mundial”, salienta a Directora da institui- tradição, no seu crescimento como uni- ção ao “Jornal da Universidade”. Com versitária, ligada ao documento, afirman- uma média de um milhar de leitores por do todo o seu respeito e reconhecimento ano, o Arquivo esgota muitas vezes a ca- pelo valor dos que a antecederam. pacidade da sua sala de leitura, que pode Segundo Maria José Azevedo, “arquivar receber apenas 18 pessoas. A documenta- é um acto cultural de inteligência e civis- ção contida no Arquivo está, de uma ma- mo”. Arquivar significa “recolher a memó- neira geral, acessível ao público. Existem ria”. Assim, tal como sublinha a Directora apenas algumas restrições, nomeadamen- do Arquivo, na medida em que a memó- te no que respeita a um núcleo do ria é de todos, cada cidadão tem “uma Instituto de Medicina Legal, constituído responsabilidade relativamente ao patri- por documentos dos séculos XIX e XX. mónio escrito”.
    8. 8 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M Contributo para o movi ELÍSIO ESTANQUE E RUI BEBIANO DIVULGAM ESTUDO SOBRE OS UNIVERSITÁRIOS DE COIMBRA JOÃO PAULO HENRIQUES colóquio internacional “Movimento Estu- Coimbra (UC), os resultados de um estu- Elísio Estanque garantiu que “é falso dantil – Dilemas e Perspectivas”, que de- do que abrangeu 2.830 alunos da UC e que um terço dos inquiridos concorde O sociólogo Elísio Estanque e o histo- correu, em Maio, no auditório da Facul- foi realizado ao longo de 2005 e 2006. com a prática de actos de violência fí- riador Rui Bebiano divulgaram, durante o dade de Economia da Universidade de O colóquio integrou-se no projecto de sica ou simbólica”, porque o inquérito F altam causas mobilizadoras investigação “Culturas Juvenis – Diferen- apenas permitia assinalar no máximo ça, Indiferença e Novos Desafios Demo- três afirmações de um conjunto de cráticos”, que está a ser desenvolvido no oito, não contemplando respostas de Centro de Estudos Sociais (CES) sob orien- sim ou não. Os dados revelados corres- tação dos dois investigadores da UC. Um pondem a “quadros do software”, que As diferenças entre os anos 60 e os dias de hoje são enormes, razão pela estudo que revelou, entre outros aspec- vão ser alvo de uma “análise multivaria- qual estabelecer comparações se afigura como algo extremamente complicado. tos, que as populações estão menos par- da” e só depois haverá conclusões a A reflexão em torno de algumas ideias feitas relativamente ao passado é uma ticipativas nas instituições. retirar. das metas do estudo de Elísio Estanque e Rui Bebiano. As diferentes análises das respostas O estudo tem a importância de trazer “Nos anos 60, a Universidade de Coimbra tinha menos estudantes e as sobre as praxes académicas geraram polé- uma informação mais sistemática e con- condições eram muito diferentes”, explica o sociólogo, ressalvando que “as mica, razão pela qual Elísio Estanque consi- sistente, que os investigadores esperam condições eram tão adversas que era mais fácil unir as pessoas em torno de derou terem sido feitas “interpretações poder contribuir para reactualizar o co- um objectivo como acabar com a guerra colonial, democratizar a Universidade, abusivas e precipitadas”. Segundo o inqué- nhecimento histórico e sociológico exis- mudar o regime e conquistar a democracia”. rito, as praxes académicas devem repudiar tente sobre a temática do movimento es- Nos dias de hoje, as causas são mais difíceis de encontrar e ainda é mais qualquer forma de violência física ou sim- tudantil e não só, uma vez que também complicado encontrar objectivos comuns a todos. “Os estudantes são em maior bólica e respeitar quem não quiser aderir, tem como preocupação de fundo a ques- número, o que cria maior diversidade e faltam causas que sejam motivadoras revelando ainda que devem ser revistas de tão do associativismo e da participação e mobilizadoras da massa dos estudantes”, conclui. modo a receber melhor os novos alunos. cívica.
    9. Jornal da Universidade 9 Junho 2006 R E P O R TA G E M mento estudantil CARÁCTER REGIONAL DA UNIVERSIDADE Alunos com família no concelho de Coimbra: 20,1% Alunos com família no resto do distrito: 15,2% Alunos com família no resto da região Centro: 35% PROFISSÕES DOS PAIS Filhos de profissionais não qualificados: 30,5% Filhos de quadros dirigentes ou intermédios: 23,5% Filhos de empregadores: 21,1% Filhos de trabalhadores por conta própria: 14,6% ONDE VIVEM No centro histórico de Coimbra: 22,1% Em outros bairros dentro da cidade: 55,8% Periferia: 10,8% COM QUEM MORAM Com colegas em apartamentos arrendados: 29,7% Com os pais: 24,7% Em quartos arrendados A Universidade e o movimento estu- ria dos estudantes relativamente aos ór- As preocupações com doenças, nomea- a particulares: 23,5% dantil é um campo social importante gãos dirigentes da Associação Académica damente com a SIDA, a pobreza e a fome Em residências para o estudo de Rui Bebiano e Elísio de Coimbra (AAC) é um dado importante. figuram no topo das escolhas dos univer- universitárias: 9,6% Estanque. Ainda assim, a reflexão e a Apesar de não ser propriamente uma no- sitários, que se manifestaram ainda preo- Em apartamentos análise que pretendem fazer não se fica vidade _ basta olhar para os resultados cupados com as questões do ensino e o próprios ou dos pais por aqui. Enquanto cidadãos e cientis- das participações nas eleições _, Elísio acesso ao emprego. A necessidade de maior (mas independentes): 8,8% Em casa de outros tas sociais, estão preocupados com o Estanque sublinhou que “o estudo tinha investimento em estágios e a maior articu- familiares: 2,4% facto de “todo um conjunto de sinais uma série de perguntas em que quería- lação entre a UC e o mercado do emprego Em repúblicas: 1,1% revelar um certo afastamento e indife- mos saber se a AAC é uma organização são apontadas como prioridades. CONSIDERAM QUE A PRAXE ACADÉMICA... rença da população relativamente às elitista e que promove, sobretudo, o instituições”. acesso à política, o que mereceu cerca de Os investigadores pretendem que o 48 por cento de concordância”. projecto contribua para conhecer as no- A distância dos universitários relativa- Deve manter-se como está ...................................................................................... 5% vas dimensões do que foram as experiên- mente a instituições da vida pública e de- Deve ser revista no sentido da não discriminação entre homens e mulheres .... 18% cias dos movimentos estudantis dos anos mocrática, como é o caso dos partidos 60 e conhecer melhor a forma como essa políticos, foi outra das conclusões. Os es- Deve ser revista de forma a receber melhor os novos alunos ............................ 52% influência no contexto da UC é ainda sig- tudantes dão fraca importância aos parti- Deve ser completamente abolida, pois é uma violência........................................ 3% nificativa enquanto factor de construção dos e às repúblicas estudantis, que são Deve ser limitada aos cerimoniais académicos ...................................................... 8% e estruturação da identidade colectiva significativas em Coimbra do ponto de dos estudantes de Coimbra, que tem uma vista cultural, embora reconheçam, por Deve ser rigorosamente aplicada de acordo com o Código da Praxe ................ 28% tradição muito forte. exemplo, muita importância à UC e às Deve repudiar qualquer forma de violência física ou simbólica .......................... 68% A tendência de distanciamento da maio- Nações Unidas. Deve ser facultativa e respeitar quem não quiser aderir .................................... 72%
    10. Kaaksburg, a “bomba” que 10 Jornal da Universidade Junho 2006 DISCURSO DOS MEDIA DINIS MANUEL ALVES * tível deverá começar nas próximas ho- ras. O navio poderá já não ter salvação. 3 de Janeiro de 1999. O Kaaksburg Um exagero se comparado com as de- encalha ao largo da Figueira da Foz. As clarações do responsável pela Pro- primeiras informações alertavam para a tecção Civil, na peça subsequente: A possibilidade de uma catástrofe ecoló- preocupação que temos neste momen- gica naquela praia. Como tal se não to, enquanto Serviço Municipal de veio a verificar, a âncora que permitiu Protecção Civil é o gasóleo que ainda manter o assunto em antena durante permanece dentro do navio que, não mais algum tempo, com muitos direc- sendo um risco enormíssimo, é um tos à mistura, fundeou na mais que risco que existe. Num segundo excerto, certa impossibilidade do barco vir a ser inserido na mesma peça, diz Lídio removido do local em que se encontra- Lopes: (…) Para além do gasóleo e va, causando assim graves incómodos desse derrame possível ... do risco numa cidade interessada em apostar que existe, embora com pouca proba- cada vez mais no turismo de Verão. Os bilidade. dois alarmes foram soando em conjun- E Andrade Monteiro, comandante da to nas páginas da imprensa, nos recep- Capitania do Porto da Figueira da Foz, tores de rádio e nos televisores. No 24 afirma que a trasfega não envolve pe- Horas (RTP1) de dia 3 de Janeiro [1999] R rigo. Passado o perigo da maré negra, já se faziam referências ao perigo, que o alarmismo transfere-se para a opera- residia agora no combustível do navio. ção de trasfega, também para a forte, O Público de dia 4 titulava Derrame fortíssima? probabilidade do Kaaksburg de combustível iminente; o diário 24 vir a morrer na praia, ingloriamente es- horas avisava, na primeira página: Po- facelado. luição ameaça porto da Figueira da Dia 5, no Primeiro Jornal, Baganha Foz. Nas interiores, o mesmo tom: Pe- Fernandes, do Serviço Anti-Poluição da rigo ecológico na Figueira da Foz. O DN Direcção Geral da Marinha , considera- também assustava, a páginas 23: va que se estava perante uma situação Derrame ameaça a Figueira. Mas a pri- não muito preocupante, na medida em meira página assustava mais ainda: que temos 36 mil litros de gasóleo, “Bomba” ao largo da Figueira, assim que é uma quantidade relativamente rezava o título. No subtítulo podia ler- pequena (…). se Carga de petroleiro avariado pode Depoimento em sintonia com o vei- derramar e causar prejuízos graves. culado pelo JN do mesmo dia 5 (Des- Na rádio, no dia 4, às 9h, a TSF con- mantelamento do navio parece vir a ser siderava que o perigo de derrame era a solução), e na boca do mesmo Ba- iminente. Às 9h30 falava-se em risco ganha Fernandes. Neste artigo, aquele de maré negra, risco anulado no infor- responsável garantia que as preocupa- mativo das 13h. A Antena 1 dissipara o ções ambientais são “poucas”, por se risco às 12h, apesar das preocupações tratar de “uma pequena quantidade de referidas às 17h. Às 12h, a Renascença combustível” e, também, porque a em- lembrava que as 26 toneladas de com- presa que vai proceder à remoção é bustível retidas nos tanques do navio “conhecida e de confiança”. encalhado ao largo da Figueira da Foz No mesmo dia, o DN avançava com são a grande preocupação da Pro- informação diferente, surpreendente- tecção Civil, também dos ambientalis- mente vinda do mesmo responsável. tas. Baganha disse ao DN que “os riscos, No Telejornal (RTP1, 20h) de dia 4, o apesar de calculados”, poderiam au- pivot informava: (…) Nos seus tanques mentar, caso se viessem a concretizar encontram-se 36 toneladas de com- “as condições desfavoráveis do mar”. bustível, o que está a constituir um Afirmações que sustentavam o título forte motivo de preocupação para as Trasfega preocupa Marinha. autoridades marítimas portuguesas. Es- No dia 5 (7h, 8h30), a Renascença ta afirmação não era suportada por também se referia à trasfega como qualquer declaração, no mesmo senti- operação de alto risco. do, feita pelas autoridades marítimas. O Directo XXI de dia 5 suavizava o No sumário do Directo XXI (TVI, 21h), alarmismo do dia anterior: Já começou o pivot avançava: Navio encalhado a operação de trasfega. A Protecção com 36 toneladas de combustível pode Civil diz que o risco é mínimo, mas os provocar um desastre ecológico na bombeiros estão de prevenção máxima Figueira da Foz. A trasfega do combus- no local.
    11. 11 só rebentou nos media Jornal da Universidade Junho 2006 DISCURSO DOS MEDIA Os media começavam a desencalhar Jornal lembrando que o cargueiro conti- do assunto. A operação de trasfega ter- nuava à espera de ser rebocado. No dia minou no dia 6, facto reportado pela seguinte, na mesma estação, mas no RTP1 (Jornal da Tarde e Telejornal, 13h e Jornal da Noite, informava-se da impos- 20h), pela TVI (TVI Jornal, 2.ª ed., 13h sibilidade de rebocamento do navio, 30), pela RTP2 (Jornal 2, 22h), pelas rá- tendo este, em consequência, que ser dios, aqui ainda no dia 7. desmantelado. A SIC despedira-se do Kaaksburg logo Chegado Março, lembrou a Renas- no dia 5 (Último Jornal), quebrando cença, às 12h de dia 12, que o caso con- assim uma promessa feita por Rodrigo tinuava por resolver. Cinco dias mais Guedes de Carvalho, no Primeiro Jornal. tarde, era o País Regiões Coimbra (RTP1) A operação de trasfega iniciara-se pou- a pontuar o mesmo. Dia 22, neste mes- cos minutos antes de um directo efectu- mo informativo regional consolidou-se a ado pela estação, levaria mais ou menos tese do desmantelamento. 24 horas. O pivot despede-se do repór- O Primeiro Jornal de 1 de Abril relem- ter que efectuara o directo, dizendo: brou aos telespectadores a teimosia do Que é como quem diz… 24 horas, ama- Kaaksburg, ou a impotência do Homem nhã, por esta altura do Primeiro Jornal, em conseguir libertar-se do pesadelo. A aqui estaremos para saber se de facto a 9, nova notícia no País Regiões Coimbra, operação correu pelo melhor, como to- desta feita provocada por posição da dos desejam. autarquia figueirense, que ameaçava A trasfega correu bem, não houve processar o Estado português por mor qualquer problema, figueirenses e portu- dos prejuízos causados pela mais que gueses quase poderiam dormir em paz inevitável operação de desmantelamen- não fosse outro problema delicado: pôr to. A mesma informação, três dias de- o barco a navegar de novo. O Público de pois, mas no regional emitido para todo dia 5, que suavizara os riscos de catás- o território, o País País. trofe ecológica, não era peremptório a A 19 de Abril procedeu-se à última ten- dizer que o navio tinha que ser desman- tativa de remoção do navio, operação telado (“Kaaksburg’ permanece encalha- de mau sucesso, que se prolongou por do na Figueira da Foz - Empresa espa- três dias (a 19 na Renascença, 14h; SIC, nhola retira combustível”). Último Jornal; RTP1, País Regiões Coim- No Telejornal de dia 5 vaticinava-se bra; a 20 na SIC, Primeiro Jornal e Último desfecho diferente:(…) Quanto ao desti- Jornal; RTP1, País Regiões Coimbra; na no do barco, o mais certo é ser desman- Renascença e na TSF, em vários informa- telado em plena praia. A mesma conjec- tivos; a 21 na RTP1, País Regiões tura na 1.ª edição do TVI Jornal de 5 de Coimbra). Janeiro. Os jornalistas autores do vaticí- A odisseia terminaria a 16 de Maio de nio declaravam em conformidade com 1999. O Homem vencera o ferro, tam- títulos da imprensa daquela manhã: A bém os elementos, o lenço branco foi solução vai ser desmantelar o navio, lia- agitado apenas pela RTP1, RTP2 e se no 24 horas. Desmantelamento do Antena 1. Às 8h de 7 de Maio, a Antena navio parece vir a ser a solução, lia-se 1 informava que o Kaaksburg já ia mar no JN. alto fora, rumo a Vigo. No dia 6, o Público também aventava Não houve maré negra, não houve ca- a hipótese: Navio encalhado pode vir a tástrofe ecológica, a bomba ao largo da ser desmantelado na praia da Cova- Figueira não rebentou, a operação de Gala, lia-se, a subtítulo do artigo intitula- trasfega do combustível decorreu sem do Trasfega do combustível deve termi- mácula. O navio não teve que ser des- nar hoje. No dia 7 também a Renas- mantelado. cença entrou no coro do desmantela- mento. O repouso do cargueiro passou a ser * in “Mimetismos e determinação da agen- sobressaltado só de longe a longe, a da noticiosa televisiva _ A agenda-montra de partir de então. Dia 12, a TSF adiantava outras agendas”, 495-497, Dinis Manuel Alves, Abril 2005. que o material necessário para retirar o (Dissertação de Doutoramento na área de barco encalhado deveria chegar nesse Ciências da Comunicação, especialidade de mesmo dia, ou a 13 de Janeiro. Discurso dos Media, apresentada à Facul- Dia 15, Jornal da Tarde e Telejornal dade de Letras da Universidade de Coimbra, (RTP1) davam conta da continuação dos sob a orientação do Prof. Doutor Francisco trabalhos para a remoção do navio. Dia Rui Cádima e a co-orientação da Prof. Dou- 19 a SIC reapareceu, com o Primeiro tora Isabel Nobre Vargues).
    12. 12 Jornal da Universidade Junho 2006 F E S TA DA MÚSICA Oito horas de música variada em festa of INICIATIVA DA ALLIANCE FRANÇAISE COM A COLABORAÇÃO DA UC Vai decorrer em Coimbra, no próximo dia 21 Coimbra, integram a parceria a Câmara Mu- de Junho (quarta-feira), a 1.ª Festa da Música, nicipal de Coimbra, o Conservatório de Músi- organizada pela Alliance Française em parce- ca de Coimbra, o Conservatório Regional de ria com diversas entidades, entre as quais a Coimbra, o Instituto Superior de Engenharia Universidade de Coimbra. de Coimbra, a Escola Superior de Educação Trata-se de uma “maratona musical” que se de Coimbra, diversos órgãos de comunicação inicia às 16 horas e se prolonga até à meia- social (para além do “Jornal da Universida- noite, com a actuação de diversos grupos dos de”, a Rádio Universidade de Coimbra, a TV5 mais variados géneros, numa oferta à cidade. Monde, a RDP, a ESEC-TV, o jornal “Centro”, De facto, esta invulgar manifestação artísti- o “Diário As Beitras”, o “Diário de Coimbra”) ca decorre ao ar livre (junto à sede da Allian- e ainda várias empresas (a FNAC, a Dan Cake, ce Française de Coimbra, na Rua Pinheiro cafés FEB e Águas do Luso). Chagas), durante oito horas, e é gratuita, a ela podendo assistir todos os interessados. 25 ANOS A PROMOVER Embora seja a primeira vez que esta “Festa O Pró-Reitor Gouveia Monteiro usando da palavra na apresentação da Festa da Música A MÚSICA E INTERCÂMBIOS da Música” se efectua em Coimbra, em Fran- sejem actuar, e que mistura todos os géneros programa provisório desta 1.ª Festa da Músi- CULTURAIS ça ela celebra este ano a 25ª edição, e ao musicais, músicas de todo o mundo e dirige- ca de Coimbra, pelo qual se nota a adesão a longo do último quarto de século tem vindo se a todos os públicos. Tem como objectivo esta iniciativa de muitos grupos da cidade, de Como acima se refere, a Festa da Música a realizar-se em diversos outros países e tam- popularizar a prática musical e familiarizar o géneros muito diversos, desde a chamada mú- comemora no próximo dia 21 o seu 25º ani- bém em Portugal, mas noutras cidades. público para todas as expressões musicais”. sica popular até à designada música clássica. versário. Isso mesmo referiu ao “Jornal da Universi- Isso mesmo se pode confirmar na listagem dos Foi lançada em França em 1982 e esten- dade” Alain Didier (Delegado-Geral das Allian- UMA PARTICIPAÇÃO grupos participantes (que se publica em caixa). deu-se a outros países da Europa em 1985, ces Françaises em Portugal), que esclareceu: MUITO VARIADA Mas variado é também o conjunto das enti- no âmbito do Ano europeu da Música. “Não é um festival. É uma grande manifes- dades que se aliaram à Alliance Française de A partir de 1995, diversos organismos pú- tação popular, gratuita, aberta a todos os par- Alain Didier (que é também o Director da Coimbra para esta curiosa manifestação cultural. blicos e privados juntaram-se para co-organi- ticipantes, amadores ou profissionais, que de- Alliance Française de Coimbra), revelou-nos o Para além da Reitoria da Universidade de zar uma Festa Europeia da Música em cada
    13. Jornal da Universidade 13 Junho 2006 F E S TA DA MÚSICA erecida a Coimbra dia 21 de Junho, “para testemunhar, através 2 - A Festa europeia da Música é uma de um evento comum, a sua vontade de fa- celebração da música viva destinada a re- vorecer um melhor conhecimento das reali- alçar a amplitude e a diversidade das prá- dades artísticas actuais dos seus países, e ticas musicais, de todos os géneros de desenvolver intercâmbios, no domínio musi- música. cal, entre os países da União Europeia e com 3 - A Festa europeia da Música é um apelo os países da Grande Europa”. à participação espontânea e gratuita que se Esta circunstância é sublinhada pelos ele- dirige tanto aos individuos ou conjuntos mentos responsáveis pela coordenação inter- que praticam canto ou um instrumento de nacional da Festa da Música, que trabalha música como às instituições musicais, para em Paris (mas cuja actividade pode ser con- que tanto os amadores como os músicos sultada no sítio www.fetedelamusique.cultu- profissionais se possam exprimir. re.fr), que acrescentam: 4 - Todos os concertos são gratuitos para “Este evento apresenta-se sob a forma de o público. grandes manifestações locais em cada um 5 - A Festa europeia da Música é maiorita- dos países ou em cada uma das colectivida- riamente uma festa ao ar livre que decorre des parceiras, e tem como objectivo favore- nas ruas, nas praças, nos jardins públicos, cer os encontros multilaterais entre músicos nos pátios... Locais fechados podem também europeus. A Festa europeia da Música tem associar-se se aplicarem a regra do acesso por vocação reforçar a cooperação europeia gratuito ao público. A Festa europeia da com o apoio de parceiros interessados, tor- Música é a ocasião de ocupar ou abrir excep- nar visíveis as colaborações entre os parcei- cionalmente ao público locais que tradicio- ros, e deseja assim contribuir para o desen- nalmente não são locais de concertos: mu- volvimento de uma Europa Cultural”. seus, hospitais, edifícios públicos... 6 - A Festa europeia da Música é um dia DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS excepcional para todas as músicas e para todos os públicos. Os co-organizadores com- Com o espírito atrás mencionado, a Festa da prometem-se a promover, neste âmbito, a Música apoia-se mesmo numa Declaração de prática musical e a música viva, sem espírito Princípios, aprovada em 1997 numa reunião nem fins lucrativos. internacional, em Budapeste, e que inclui os 7 - Os co-organizadores comprometem-se seguintes pontos: a respeitar o espírito e os princípios fundado- “1 - A Festa europeia da Música decorre, res da Festa europeia da Música tais como todos os anos, no dia 21 de Junho, dia do enunciados nesta carta”. M úsica sem parar até à meia noite Solstício de Verão. Como se refere no texto principal, a Professores de Educação Musical do En- Festa da Música decorre no próximo sino Básico- ESEC dia 21 (quarta-feira), das 16 às 24 ho- - Alunos do 3º ano da Licenciatura em ras, em plena rua (que será cortada ao Professores de Educação Musical do trânsito) junto à sede da Alliance Fran- Ensino Básico- ESEC çaise (na Rua Pinheiro Chagas, n.º 60, - Coro Misto da Universidade de Coim- por trás da Escola Secundária de José bra Falcão). - Canto - Conservatório de Música de O programa provisório inclui a partici- Coimbra pação dos seguintes grupos (a que - Associação Cultural Coimbra Menina e podem vir a juntar-se vários outros): Moça com o seu Grupo de Fados «Guitar- - Grupo de Flautas e Danças Regionais ras de Coimbra» - ISEC do Externato de João XXIII - Instrumentos de Arco - Conservatório - Orquestra da Escola de Música do de Música de Coimbra Colégio de São Teotónio - Percussões - Conservatório de Músi- - Coro infantil - Conservatório de Músi- ca de Coimbra ca de Coimbra - Conjunto de saxofones - Conservató- - Orquestra de Cordas do Conserva- rio de Música de Coimbra tório Regional de Coimbra - Quinteto de Metais - Conservatório - Coro dos Pequenos Cantores de Coim- de Música de Coimbra bra - Conjunto de Clarinetas - Conservató- - Conjunto de Cordas dirigido pelo Ma- rio de Música de Coimbra estro João Ventura - Orquestra de Sopros - Conservatório - Escola de Guitarra do Instituto Su- de Música de Coimbra perior de Engenharia de Coimbra (ISEC) - Flauta Transversal - Conservatório de - Sociedade Filarmónica de Vila Nova Música de Coimbra de Anços - Cordas Dedilhadas - Conservatório - Alunos do 1º ano da Licenciatura em de Música de Coimbra
    14. 14 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M Immanuel Wallerstein fala do papel futuro dos EUA SOCIÓLOGO NORTE-AMERICANO DOUTORADO HONORIS CAUSA PELA FEUC O sociólogo norte-americano tigos), alguns traduzidos em mais de duas Immanuel Wallerstein dezenas de línguas – destacam-se os volu- mes sobre o “Modern World-System” e a foi distinguido com o doutoramento “Capitalist World-Economy” que revelam a Honoris Causa pela FEUC sua mais original inovação teórica e episte- (Faculdade de Economia da mológica. Universidade de Coimbra) no Ocupou diversos cargos internacionais, passado dia 11 de Junho. E no dia como o de Presidente da Associação Inter- seguinte proferiu, na referida nacional de Sociologia. Como sinal da sua proeminente actividade académica e inte- Faculdade, uma conferência sobre lectual, várias universidades, espalhadas o papel dos Estados Unidos da por todo o mundo, já lhe outorgaram o América do Norte no futuro. grau de doutor “honoris causa”. A sua relação directa com Portugal foi, Immanuel Wallerstein (professor jubila- num primeiro momento, resultado de in- do da Universidade Estadual de Nova vestigações sobre a história económica em Iorque e Investigador Senior da Univer- que fez referência ao trabalho de Vitorino sidade de Yale) recebeu esta distinção da Magalhães Godinho e, num segundo mo- Universidade de Coimbra pelo sua activi- mento, no plano das referências sobre a dade na área da sociologia mas também economia colonial africana e os movimen- pela interdisciplinaridade da sua obra ci- tos de libertação nacional das várias coló- entífica, na qual aborda perspectivas his- nias portuguesas. tóricas, políticas, económicas e, nos últi- Já no início dos anos 80, a sua relação mos anos, filosóficas. com o país fundou-se na relação de coope- A cerimónia iniciou-se, como é tra- ração que estabeleceu com docentes e in- dicional, com a saída do Cortejo da Bi- vestigadores da Faculdade de Economia da blioteca Joanina até à Sala Grande doa Universidade de Coimbra, e em particular, Actos (Sala dos Capelos), onde Immanuel com o Centro de Estudos Sociais (CES), do Wallerstein recebeu as insígnias doutorais. qual é investigador associado. Foi apresentante Boaventura Sousa Santos, Immanuel Wallerstein já com as insígnias doutorais concedidas pela UC estando o elogio do novo Doutor a cargo de Carlos Fortuna. Como é da praxe, foi da ao tema “A Post-American World: The Columbia (Nova Iorque), como professor EXPOSIÇÃO também feito o elogio do apresentante, Coming Decades”. e investigador da África colonial e pós-co- BIBLIOGRÁFICA desta feita por João Arriscado Nunes. Nesta conferência (que contou com os lonial de meados do século passado. A No final da cerimónia, o cortejo dirigiu-se apoios da Fundação para a Ciência e a Tec- sua visão cosmopolita e progressista en- Como complemento desta conferência, à Sala do Senado, onde Immanuel Wallers- nologia e da Fundação Calouste Gulben- contra-se, hoje, consagrada no epíteto de pode ser visitada na Biblioteca da FEUC. tein recebeu o diploma de Doutor pela kian), abordou as relações internacionais e “fundador” da escola do sistema-mundo, até ao dia 16 de Junho, uma exposição bi- Faculdade de Economia da Universidade especificamente o papel que os Estados perspectiva holística da economia e da bliográfica relativa à obra de Immanuel de Coimbra (FEUC). Unidos e outras nações podem vir a desem- sociedade capitalista, interpretadas ao Wallerstein. penhar no mundo nas próximas décadas. sabor de longos ciclos histórico-tempora- A mostra engloba dezenas de trabalhos PAPEL DOS ESTADOS UNIDOS is e amplas escalas geográficas, que cul- de Wallerstein, alguns da referida Biblio- EM CONFERÊNCIA NA FEUC QUEM É tivou na esteira de famosos intelectuais, teca, outros pertencentes a bibliotecas de IMMANUEL WALLERSTEIN politólogos e historiadores como Fernand outros Departamentos da UC e ainda a No dia seguinte (segunda-feira, dia 12), Braudel. colecções particulares. A exposição foi or- Immanuel Wallerstein proferiu uma confe- Immanuel Wallerstein começou a sua Da vasta obra de Immanuel Wallerstein – ganizada por Álvaro Garrido e Rosário rência na Sala Keynes da FEUC, subordina- carreira académica na Universidade de que agrega centenas de títulos (livros e ar- Pericão. mmanuel Wallerstein ladeado por alguns dos participantes na cerimónia presidida pelo Reitor Immanuel Wallerstein ladeado por Boaventura Sousa Santos, seu apresentante
    15. Jornal da Universidade 15 Junho 2006 NOTÍCIAS ADERENTES TÊM DIVERSOS BENEFÍCIOS Está a ser criada Rede CURSO DE 5 ANOS PODE SER FEITO EM 4 FCTUC cria “Via Rápida” de Antigos Estudantes da UC para os melhores alunos Começou a ser construída, no corrente mês de diversos; participação em eventos culturais, des- A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Junho, uma Rede de Antigos Estudantes da portivos e sociais. Coimbra (FCTUC) acaba de criar a Via Rápida para os melhores Universidade de Coimbra. Apesar de estar no iní- Como se depreende, este conceito de antigo es- alunos. cio, conta já com mais de uma centena de ade- tudante não é equivalente ao de “estudante anti- Esta medida, pioneira no país, permite aos estudantes com sões. go”, isto é, mesmo os que agora acabaram o res- melhor aproveitamento a conclusão em apenas 4 anos de um Esta iniciativa visa, segundo fonte da Reitoria, pectivo curso podem já integrar a rede. Como re- curso com a duração normal de 5 anos. “reforçar os laços entre a Universidade e todos os ferem os seus responsáveis, “a Rede está aberta A Via Rápida, aprovada por alunos e professores, avança já seus Antigos Estudantes, e promover a comunica- a todos quantos foram estudantes da no próximo ano lectivo (2006 / 2007) para os novos ção e troca de experiências permanentes, ao nível Universidade de Coimbra, através de qualquer estudantes e pretende, de acordo com o Presidente do académico, profissional e social”. uma das suas Faculdades, ou para os que preten- Conselho Directivo da FCTUC, João Gabriel Silva, “atrair os Ao antigos estudantes da UC que aderirem a dem manter uma ligação estreita à Universidade”. melhores alunos para a Faculdade de Ciências e Tecnologia, esta Rede podem usufruir de uma série de servi- Os interessados em aderir a esta nova Rede criando condições para que possam concluir o seu curso um ços, entre os quais: acesso a informação sobre a podem proceder ao respectivo registo electrónico ano mais cedo”. Universidade de Coimbra; oportunidades de for- através do endereço www.uc.pt/encontros. João Gabriel Silva defende que “uma escola de excelência mação adicional; recrutamento e gestão de carrei- Quaisquer informações adicionais poderão ser como a FCTUC deve premiar os bons alunos, promovendo a ra; acesso à Rede de Especialistas da solicitadas através do telefone 239 853 123 ou do diferenciação positiva”. E conclui: UC edita “newsletter” electrónica Universidade de Coimbra; benefícios e descontos telemóvel 96 44 53 222. “Este estímulo é decisivo para a vida académica do aluno que, ao finalizar o seu curso mais cedo, pode prosseguir mais rapidamente para um mestrado ou doutoramento”. Assumindo-se como uma escola europeia de investigação, a FCTUC pretende, também, neste contexto de excelência, atrair O Gabinete de Comunicação e Identidade (GCI) Universidade” teve acesso). É também feito um mais estudantes estrangeiros, assegurando uma escola da UC está a criar uma “newsletter” electrónica, apelo aos membros da Comunidade Universitária atractiva. com periodicidade mensal, e de que foi já elabo- no sentido de colaborarem. A FCTUC está na primeira linha da inovação e investigação, rada uma edição experimental. Os contributos, para que possam ser incluídos encontrando-se envolvida em projectos de investigação A primeira edição completa da “newsletter” no primeiro número da “newsletter”, a editar em científica cujo financiamento ascende a 32 milhões de euros. será distribuída no próximo mês de Julho a cerca Julho, deverão ser enviados até ao próximo dia De assinalar que 12 dos seus Centros de Investigação foram de 2 mil elementos da UC cujos endereços de e- 26 de Junho para noticias@ci.uc.pt, ou contactan- classificados com Excelente ou Muito Bom pela Fundação para mail são conhecidos pelo GCI (como é referido no do a dr.ª Marta Rio Torto através do telefone 239 a Ciência e Tecnologia. citado número experimental a que o “Jornal da 859 819. AINDA A PROPÓSITO DO CORTEJO DA QUEIMA DAS FITAS Carta aberta aos estudantes da UC Caros colegas: pessoas para situações como a da Vanessa, fizeram com Venho, por este meio, expressar a minha profunda que os vidros das garrafas se fossem amontoando nas tristeza e revolta perante situações que não me deixam ruas. Será que ninguém se apercebe que quando se indiferente e prestar homenagem a uma grande amiga e deixa uma garrafa de vidro no chão ela pode partir-se e O i i o lutadora: a Vanessa. magoar alguém (como, aliás, aconteceu)? Para pessoas Os tempos mudam, mas nem tudo evolui na mesma que têm a sua mobilidade condicionada, como no caso p n ã medida. Há alguns meses que tenho lidado diariamente da Vanessa, a situação é ainda pior. Ela não furou as com uma rapariga bonita, simpática e deficiente neuro- rodas da cadeira que usa para se deslocar, mas… E se muscular. furasse? Estariam a privar uma colega de participar num Durante todo este tempo, tenho reparado em porme- momento tão importante da sua vida, não só académi- nores que, para mim, passavam despercebidos. A maior ca como também pessoal! parte das ruas têm os passeios desnivelados, as lojas e Em cortejos futuros, a organização não deveria ter espaços públicos não têm acessos, os autocarros não mais atenção para estes aspectos que pouco dignificam estão adaptados de forma a que ela conheça melhor a os estudantes e a universidade? Por que razão não se cidade que a acolheu, a Faculdade onde estuda não tem colocam mais contentores ao longo do trajecto do cor- rampa de acesso, apesar de já estar prometida... Só que, tejo? Por que razão não hão-de as pessoas colocar as tal como em muitos outros casos, também neste a obra garrafas em locais próprios ou juntá-las em vez de as ati- tem-se ficado pela promessa. rarem para qualquer lado? Para além de mostrarem bom Mas, tudo isto para dizer que ambas participámos no senso e boa educação, estariam a ajudar pessoas que, cortejo da Queima das Fitas e o cenário que nos era como a Vanessa, estão limitadas e que, por desleixo de apresentado era ambivalente. Por um lado, era bonito e alguns, se podem ver privadas de participar naquilo que espectacular, onde alunos e pais de alunos demonstra- tanto anseiam. vam o seu sentimento de felicidade. Afinal, a Queima Depois da festa, penso que chegou o momento de re- das Fitas é uma festa. Mas, ao mesmo tempo, era tam- flectir. Mudam-se os tempos, mudem-se as atitudes. bém um cenário desolador. A falta de bom senso, a falta Cristina Castro de educação cívica e a falta de atenção por parte das (aluna do 1.º ano da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC)
    16. 16 Jornal da Universidade Junho 2006 ACADEMIA Aprender a Brincar PROJECTO LEVA MATEMÁTICA AO HOSPITAL PEDIÁTRICO Oo de des bjectivo pelas c envolver o go iência sto interna s nas criança das s génese esteve na “Apren do projecto lançad der a B o pelo rinca de Mat Depart r”, emática amen e cujo da FCT to b UC é extre alanço mamen positivo te ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA sessões, o balanço é apontado como fran- dor para a maioria das pessoas, sobretu- encontram os doentes nem sempre é camente positivo. do crianças, e nem sempre atitudes pura- acompanhada por uma diminuição das Sílvia Barbeiro e Adérito Araújo, do De- De acordo com os responsáveis, “a hos- mente farmacológicas são suficientes pa- suas capacidades intelectuais”, este pro- partamento de Matemática da FCTUC e pitalização é, na maioria dos casos, um ra suprimir esse desconforto”. Tendo pre- jecto visa “promover parcerias com vári- dois dos principais mentores do projecto momento agressivo, doloroso e assusta- sente que “a debilidade física em que se as instituições de ensino e associações “Aprender a Brincar”, acederam a falar ao de estudantes, no sentido de serem de- “Jornal da Universidade” com o objectivo senvolvidas actividades que estimulem o de dar a conhecer mais pormenores so- gosto pela ciência nas crianças interna- bre as acções que visaram levar a Mate- das no Hospital Pediátrico de Coimbra e, mática às crianças internadas no Hospital em especial, nas que frequentam a esco- Pediátrico de Coimbra. la aí instalada. Em termos mais concre- Trata-se de um projecto financiado pela tos, é objectivo deste projecto promover Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), actividades semanais dinamizadas por através do Programa Ciência Viva, e que alunos dos Departamentos de Matemáti- conta com o envolvimento de diversas enti- ca e de Física da FCTUC e acompanhadas dades: Hospital Pediátrico de Coimbra, De- pelos educadores e enfermeiros do Hos- partamento de Matemática da Faculdade de pital. Pretende-se também que estas acti- Ciências e Tecnologia da Universidade de vidades possam ser continuadas na au- Coimbra, Associação Portuguesa de Estu- sência dos alunos universitários envolvi- dantes de Física, Agrupamento de Escolas dos no projecto”. Martim de Freitas, Núcleo de Estudantes de Do programa de acção constam diver- Matemática e Engenharia Geográfica da As- sas actividades que “exploram áreas da sociação Académica de Coimbra e Núcleo de Matemática e da Física, das quais se des- Estudantes do Departamento de Física da tacam jogos de estratégia, teoria dos gra- Associação Académica de Coimbra. Conta fos, paridade, divisibilidade, grandes nú- ainda com a participação de alunos dos De- meros, óptica, astronomia, electricidade, 'partamentos de Física e Matemática, em re- electromagnetismo, mecânica clássica e, gime de voluntariado. Após uma dezena de entre outros, termodinâmica“.
    17. Jornal da Universidade 17 Junho 2006 Fim às divergências DESPORTO AAC E OAF ASSINAM PROTOCOLO DE ENTENDIMENTO O entendimento que se impunha! Com mediação de Seabra Santos, Reitor da Universidade de Coimbra, e perante re- presentantes de várias secções desporti- vas, os Presidentes da Associação Acadé- mica de Coimbra e do Organismo Autó- nomo de Futebol, respectivamente Fer- nando Gonçalves e José Eduardo Simões, assinaram um protocolo que põe termo aos problemas do passado e abre pers- pectivas de maior proximidade e trabalho conjunto no futuro. O acordo assinado pretende uma maior regulação na relação entre as duas insti- tuições da cidade de Coimbra. Ultrapas- sadas de vez estão questões que se prendiam com dívidas antigas, havendo a promessa de que todos os pagamentos passarão a ser feitos a tempo e horas, de modo a que o normal funcionamento das Cerimónia de assinatura do protocolo secções não seja posto em causa, e com a utilização do emblema, definitivamente de concentração de jogos das camadas que a nova sala de jogos, no Estádio encerra as divergências do passado e que utilizado por ambas as partes, pondo-se jovens no Estádio Universitário. Cidade de Coimbra, aguarda aval camará- lança bases de entendimento para uma termo à multiplicidade de símbolos que Uma nova forma de cálculo nos valores rio, prevendo-se que a inauguração possa cooperação mais frutífera no futuro, da chegou a verificar-se. A utilização conjun- do Bingo, mais clara e objectiva, é outro coincidir com o início da nova época des- qual todos terão a tirar o maior partido, ta de espaços desportivos está igualmen- dos pontos do protocolo. portiva. as instituições envolvidas e a própria ci- te prevista, aventando-se a possibilidade Em relação ao Bingo, registe-se ainda Trata-se, em suma, de um acordo que dade. Montemor-o-Velho dá bom exemplo PROTOCOLO COM A UC DISPONIBILIZA RESIDÊNCIA PARA ESTUDANTES-ATLETAS de aliança entre estudos e desporto O Presidente da Câmara Municipal de O Presidente do executivo municipal de Montemor-o-Velho e para o respectivo Montemor-o-Velho, Luís Leal, prometeu montemorense revelou ter tido a promes- Presidente, aproveitando para referir que que já no próximo mês de Setembro a sa do Governo, através do Secretário de o desenvolvimento do desporto no nosso autarquia vai disponibilizar duas residên- Estado Laurentino Dias, de que o Centro Pais se fica a dever, em boa parte, às au- cias para albergar estudantes universitá- Náutico local será considerado como um tarquias locais. rios que sejam, simultaneamente, atletas dos empreendimentos prioritários no pró- Por seu turno, o Reitor da Universidade de alto rendimento na canoagem. ximo Quadro Comunitário, esperando-se de Coimbra, Seabra Santos, considerou A promessa foi feita no passado dia 21 que em 2008 o complexo esteja total- também que o protocolo se revestia de de Maio, na cerimónia de assinatura de mente construído. grande interesse e pioneirismo, facilitan- um protocolo entre a referida autarquia, a O Presidente da FPC, Mário Miguel do uma evolução qualitativa nas carreiras Universidade de Coimbra (UC) e a Santos, considerou este protocolo como académicas e desportivas dos jovens es- Federação Portuguesa de Canoagem sendo de grande importância para o de- tudantes e atletas. Seabra Santos lem- (FPC). senvolvimento da canoagem no nosso brou haver muitos e bons exemplos nou- Luís Leal classificou a UC como parcei- País. tros países, que aqui se devem seguir, fa- ro estratégico e considerou a FPC como Também o Presidente do Comité cilitando o acesso dos estudantes à com- aliada, tendo desafiado outras organiza- Olímpico Português (COP), Vicente de petição de alto nível. ções desportivas a aderirem a este pro- Moura, elogiou o Centro Náutico de Mon- O complexo que a Câmara Municipal de jecto que pretende transformar o Centro temor-o-Velho e realçou a sua importân- Montemor-o-Velho vai disponibilizar já a Náutico de Montemor-o-Velho numa es- cia para o desenvolvimento dos despor- partir de Setembro, engloba as duas uni- trutura de excelência, única a nível nacio- tos aquáticos, sublinhando depois o sig- dades residenciais, onde os estudantes nal. Luís Leal nificado do protocolo, já que aliava o têm condições para aliar as suas activida- O repto foi lançado, nomeadamente, às condições que Montemor-o-Velho pode desporto de alto rendimento ao ensino des escolares com o treino desportivo. O federações de natação, de remo e de tria- proporcionar como local privilegiado para universitário. Teve ainda palavras de complexo permitirá igualmente albergar tlo, sublinhando Luís Leal as excelentes a prática de desportos náuticos. muita simpatia para a Câmara Municipal estudantes estrangeiros.
    18. pagina18-19.qxp 22-06-2006 0:54 Page 1 “O êxito deve-se às a 18 Jornal da Universidade Junho 2006 DESPORTO PEDRO REBELO APONTA RESPONSÁVEIS PELA CONQUISTA DA TAÇA NACIONAL DE CADETES EM BASQUETEBOL lavras de Pedro Rebelo, treinador da estas ‘miúdas’ foram espectaculares a equipa de Cadetes Femininos da AAC que todos os níveis”. recentemente venceu a Taça Nacional da Uma caminhada vitoriosa tem sempre Depois de vários anos categoria. “O meu receio”, prossegue, vários obreiros e Pedro Rebelo não es- no basquetebol sénior, “prendia-se com o facto de ir treinar me- quece todos aqueles que contribuíram pa- o gosto pela modalidade ninas dos 13 aos 15 anos, cada uma com ra a conquista da Taça Nacional: “Quero levou Pedro Rebelo a sua maneira de ser, e isso preocupava- agradecer às atletas juniores, que nos a aceitar o desafio -me pois tinha receio de ser um pouco ajudaram treinando com assiduidade com agressivo na maneira de querer as coisas a nossa equipa. São elas Inês Rebelo, Te- de treinar uma equipa de e elas ficarem melindradas. Além disso, o resa Barbosa, Liliana Almeida, Luísa Nora, formação. O resultado está plantel era muito escasso pois no princí- Mafalda, Ana Coimbra, Joana Serôdio e à vista, com a conquista pio tínhamos apenas três ‘miúdas’ de se- mais uma ou outra que de vez em quan- da Taça Nacional pela gundo ano e quatro de primeiro. Depois do apareciam e nos permitiam fazer uns equipa de Cadetes juntaram-se duas Iniciadas e lá começá- treinos mais ‘puchadinhos’. Sem esque- Femininos da Associação mos a nossa longa caminhada, acabando cer as ajudas do Presidente, dos Direc- com onze atletas inscritas neste escalão”. tores e Seccionistas, nomeadamente Edu- Académica No entender de Pedro Rebelo “o êxito ardo Seixas, João Horácio, Carmo Rebelo de Coimbra (AAC) deveu-se a muito trabalho por parte das e Fátima Coimbra. Uma palavra final para atletas, que tiveram uma percentagem de o João Medeiros, que nos ajudou a fazer presenças nos treinos muito perto dos com que a verdade desportiva falasse ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA cem por cento e assimilaram a maneira mais alto, e a todos aqueles que com pão, Pedro Rebelo de jogar que lhes incuti, baseada numa carne e outras ‘ajudazitas’ nos deixaram “Quando fui convidado para treinar grande entreajuda em todos os sectores, sobretudo nas adversidades. Foi por tudo ir até onde fomos. Espero que este êxito esta equipa fiquei um pouco apreensivo, defender muito bem, todas ao ressalto e isto que ao longo de quase 40 jogos só faça com que as entidades olhem mais pois vinha de um ciclo a treinar seniores depois uma arma muito forte que era o perdemos dois no Campeonato Regional para os nossos jovens, pois temos maté- masculinos na AAC e no Olivais“. São pa- contra-ataque. E nunca baixar os braços, e outros dois na Taça Nacional. Em suma, ria-prima mas não temos apoios quase Banho de glória ESTUDANTES FESTEJARAM CONQUISTA DA TAÇA A conquista da Taça Nacional foi festejada pelas “estudantes” de forma “sui generis“, com direito a banho nas águas de Viana do Castelo. Está de parabéns todo o grupo de trabalho que trouxe a Taça para Coimbra: Soraia Seixas, Filipa João, Rita Canas, Raquel Filipe, Filipa Grade, Inês Cunha, Patrícia Fidalgo, Sara Filipe, Joana Neves, Sofia Carolina e Rita Bigotte (atletas); Pedro Rebelo (treinador); Carmo Rebelo (dirigente); Eduardo Seixas e João Horácio (seccionistas).
    19. pagina18-19.qxp 22-06-2006 0:54 Page 2 19 atletas” Jornal da Universidade Junho 2006 Época vitoriosa AAC CONQUISTOU LIGA UNIVERSITÁRIA DE FUTSAL dos de Pedro Bastos passearam superi- oridade, tendo apenas sido batidos em duas ocasiões, somando no total quinze vitórias. No início da temporada, o ob- jectivo passava por “chegar à segunda nenhuns. A Câmara Municipal de Coimbra não está à frente de qualquer equipa sé- fase”, segundo o técnico academista. Na foi excepção, ajudando-nos com o tran- nior. Respondeu que “apenas fiz o que opinião deste, “o triunfo no campeonato sporte nos jogos da Taça Nacional”. gosto, que é estar ligado ao basquetebol, foi mais que merecido, pois a carreira A terminar, registámos o exemplo de desde os Minis aos Seniores. O trabalho que realizámos não deixou dúvidas a Pedro Rebelo por ter aceite treinar uma tem que ser feito com gosto e seriedade ninguém que fomos a melhor equipa”. A equipa de formação numa altura em que e é isso que me traz aqui”. boa performance da AAC permitiu-lhe galgar os obstáculos necessários para que “a vitória no ‘play-off’ e a conse- SORAIA SEIXAS CAPITANEOU EQUIPA DA ACADÉMICA “Conseguimos um feito histórico” quente passagem à Final Four” se tor- nassem também uma meta a atingir. A vitória nas meias-finais, por 4-3, ante a No entender de Pedro Bastos o triunfo no campeonato foi merecido UBI, abriu caminho para a final, na qual a AAC se superiorizou à UM (2-1), após A “capitã” Soraia Seixas foi a porta-voz A equipa sénior de futsal univer- prolongamento. do grupo de trabalho para “explicar” ao sitário da AAC conquistou, recen- De seguida, a Briosa vai jogar à Sér- Jornal da Universidade o êxito obtido na temente, a Liga Universitária de via, onde defrontará equipas vencedo- Taça Nacional. “Contrariamente a todas as ras das competições dos seus países. Futsal, depois de ter levado de expectativas“, adianta, “a época teve um A expectativa para esta prova é a me- vencida a “Final Four” disputada lhor, como sublinha Pedro Bastos: “Não balanço muito positivo. Inicialmente poucos acreditavam que pudéssemos chegar tão em Vila Real. Segue-se, agora, conheço a qualidade dos adversários longe, mas com esforço e muito trabalho, uma competição na Sérvia, entre mas a nossa mentalidade não se alte- aliados a um grande espírito de equipa, os vencedores de vários países ra, é sempre entrar em qualquer jogo tudo foi possível“. para ganhar”. Não seria possível atin- O segundo lugar na zona norte da Taça BRUNO GARRIDO gir esta fase se não fosse a “união do Nacional garantiu o apuramento para a “Final grupo”, que, para o treinador da AAC, 4”, momento das grandes decisões. “O mais A temporada correu de feição. Ao foi o segredo da excelente temporada difícil estava conseguido“, lembra a “capitã” longo das dezoito partidas, os comanda- realizada. da Académica, para quem “o facto de termos chegado à fase final já era motivo de orgulho e já superava todas as expectativas. Mas o Soraia Seixas nosso objectivo foi sempre vencer a Taça Nacional e foi para isso que lutámos, tendo que “se chegámos onde chegámos, não o sido o nosso acreditar, dedicação e empenho devemos exclusivamente a nós. A união e o factores preponderantes nessa luta“. No jogo espírito de equipa, a dedicação e o trabalho decisivo, depois de ultrapassada a Quinta foram factores decisivos, mas nada teríamos dos Lombos (47-34), as “estudantes” leva- conseguido sem o apoio incondicional e a ram a melhor sobre a Escola Limiana (57-53) colaboração extrema, não só do treinador, num jogo onde “o nervosismo de estarmos Pedro Rebelo, com quem muito aprende- na final e o cansaço apoderaram-se de nós e mos e a quem devemos a posição obtida, não iniciámos a partida da melhor maneira. mas também do próprio organismo da No entanto, nunca duvidando das nossas ca- Académica, da directora Carmo Rebelo e Futebol e Matemática O grupo de trabalho da AAC venceu a Liga de Futsal Universitário pacidades e sem nunca desistirmos, demos dos seccionistas João Horácio e Eduardo a volta, e após um desafio bastante equilibra- Seixas, bem como familiares e amigos que do e sofrido tornámo-nos, meritoriamente, foram presença assídua ao longo de todas nas novas detentoras da Taça Nacional. Con- as competições. Em nome da equipa, só seguimos assim um feito histórico, na medi- tenho a agradecer a essas pessoas que O Departamento de Matemática da Facul- com a sessão “A Matemática e o Futebol” pe- da em que inscrevemos pela primeira vez o sempre acreditaram em nós e desde o iní- dade de Ciências e Tecnologia da Universi- los professores Ana Almeida e Filipe Oliveira. nome da AAC numa das mais importantes cio souberam do nosso valor e nos conside- dade de Coimbra (FCTUC), vai promover no Segundo os organizadores desta curiosa competições do basquetebol feminino portu- raram capazes de um feito a este nível. A dia 17 de Junho (sábado) uma iniciativa inti- iniciativa, durante a sessão vão ser propos- guês“. A conquista do ceptro foi festejada de todos o nosso sincero agradecimento“. tulada \"A Matemática e o Futebol\". tos vários exercícios aos estudantes. Por forma pouco habitual pois “como prometido, A terminar, um lamento deixado pela “ca- Esta actividade surge no âmbito do projec- exemplo: após a cerimónia de entrega da Taça, rumá- pitã” de equipa das “estudantes”: “Depois to “Actividades Matemáticas”, a decorrer no “Quantos jogadores, no mínimo, terão de mos para a praia onde, ainda com o equipa- de uma época de méritos e inquestionavel- primeiro piso do Departamento de Matemá- participar no Campeonato do Mundo para mento de jogo, mergulhámos todas de mãos mente positiva, apenas é de lamentar o tica da UC. termos a certeza absoluta que estão presen- dadas no mar. O enorme contentamento que facto de só termos uma atleta na selecção Destinada a jovens dos 10 aos 15 anos, tes pelo menos dois, cujos nomes tenham as nos invadia fez esquecer a água gelada, o frio distrital. Apesar do respeito pela opção, tal seus pais e professores, “A Matemática e o mesmas primeira e última iniciais?”. e o vento“. não pode deixar de provocar uma certa tris- Futebol” inicia-se às 14 horas com a trans- Não sabe responder? Parece-lhe complica- Soraia Seixas aproveitou a conversa com teza e mágoa, pois só demonstra que nem missão do jogo de futebol Portugal – Irão, do? Vá assistir a esta sessão e certamente o “Jornal da Universidade” para dar conta todos reconheceram o nosso valor“. em ecrã gigante, prosseguindo, às 16 horas, modificará essa ideia…
    20. “Os projectos são fun 20 Jornal da Universidade Junho 2006 E N T R E V I S TA JOAQUIM DINIZ VIEIRA FALA DA REQUALIFICAÇÃO DO ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO Cerca de 16 milhões de euros. Neste momento, em que ponto estão as tem, também, que ser aberto a parcerias Sem IVA. Foi esta a verba esti- coisas? com a Câmara e a outro tipo de investimen- Na elaboração deste relatório (do plano tos que sustentem um valor deste género, mada, em 2004, aquando da ela- de desenvolvimento do EUC) foram traça- além do auto-financiamento. A Universidade boração de um estudo detalhado das as grandes linhas de intervenção. participaria com um investimento na ordem com vista à requalificação do Temos intervenções a nível das edificações, dos 10% do valor total da intervenção e ad- Estádio Universitário de Coimbra a nível das áreas funcionais exteriores e mite-se que os parceiros públicos e privados (EUC), fundamental para propor- este plano de desenvolvimento tem em si possam ter uma participação de cerca de cionar melhores condições a cen- toda a intenção de levar por diante esse 15%. A Câmara Municipal de Coimbra tem tipo de intervenções. Mas para o fazer, era manifestado por diversas ocasiões o seu em- tenas de utilizadores, universitá- necessário que algo se concretizasse num penho no co-financiamento do projecto. Os rios e conimbricenses em geral. documento que reunisse todas as inten- restantes 75%, necessariamente, têm que ter Dois anos volvidos, numa altura ções que estavam neste plano, que surge origem em programas de financiamento do em que muitos passos já foram coma forma de um plano de ordenamento, Estado, através do Ministério, do IDP e de dados, o “Jornal da que deve ser agora entregue pela equipa verbas do PIDAC ou outras a que o EUC e a Universidade” conversou com de projectistas. própria Universidade se possam candidatar. Joaquim Diniz Vieira, Director do Estamos a falar de um valor que, na altura, Quais as intervenções de fundo que serão se estimava, em cerca de 16 milhões de EUC e membro da Comissão para levadas a cabo? euros, sem IVA. o Plano de Desenvolvimento da- Requalificados e conservados serão os pa- quele complexo desportivo vilhões 1 e 3, ao passo que o pavilhão 2, o Para quando se prevê que Coimbra possa mini-pavilhão e a antiga piscina serão demo- usufruir desta infra-estrutura, já requalificada? ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA E BRUNO GARRIDO lidos. Vão também surgir novas edificações, Em 2004 a nossa previsão apontava para como o Centro Aquático que será erigido no cinco anos, mas é evidente que estas situa- Quando se ouviu falar, pela primeira vez, local onde agora se situa o mini-pavilhão. Na ções dependem sempre das verbas. Para na requalificação do Estádio Universitário Joaquim Diniz Vieira zona sul do EUC será construído um novo nós os projectos são fundamentais, porque (EUC)? pavilhão, que funcionará como Complexo se eles ainda não existem quando se conse- Estou à frente do EUC desde Novembro de Cabrita (membro do Conselho Desportivo da Desportivo. Existirá também uma requalifica- guem as verbas as coisas acabam por se 2003 e logo nessa altura, quando surgiu o AAC). Esta nomeação teve autorização da ção dos campos de ténis, sendo que dois fazer de forma atabalhoada. Por isso, a convite para assumir o cargo, a Reitoria ma- Ministra da Ciência e do Ensino Superior da deles passarão a ser cobertos. Existe tam- nossa grande aposta foi termos projectos já nifestou a intenção de proceder à requalifica- altura. bém uma interacção deste plano com o pro- elaborados. E nesse sentido estão a ser ela- ção do Estádio, como objectivo a desenvol- grama Polis, que define a construção de uma borados três projectos: de requalificação da ver a curto prazo. Isso veio a verificar-se logo Já nessa altura havia, então, a convicção via que passará entre o pavilhão 1 e o edifí- tribuna, que era dos edifícios mais degrada- de seguida, com a constituição de uma Co- de que uma obra destas seria vital para este cio situado em frente a este. dos do EUC. É um espaço central e de servi- missão para o Plano de Desenvolvimento do espaço? ços e que comporta uma série de balneários EUC, formada por António Gomes Martins Exactamente. Já existia alguma degrada- Uma obra desta magnitude envolve verbas que estão extremamente degradados; do (Vice-Reitor, coordenador), Raimundo Men- ção e para que este espaço pudesse ser ape- assinaláveis. De onde virá o financiamento Centro Aquático; e de requalificação dos cor- des da Silva (Pró-Reitor), João Roquette (Pre- tecível, não só para a prática do desporto para que se concretize? tes de Ténis. São três projectos muito impor- sidente do Estádio Universitário de Lisboa), universitário mas para o público em geral, Esse era um dos pontos que nos preocu- tantes, não só porque são estruturantes, no Joaquim Diniz Vieira (Director do Estádio Uni- uma vez que este é um espaço aberto à ci- pava quando formámos a comissão. caso da tribuna, mas também pela oferta versitário de Coimbra), Ricardo Lino (mem- dade, teríamos que dar condições e daí esta Contamos com financiamentos provenientes que o Centro Aquático, por exemplo, pode bro da Direcção-Geral da AAC) e Eduardo necessidade de requalificação. do Ministério, mas este tipo de intervenção proporcionar. DOMINIC CROSS FOI PORTA-VOZ DO CONSELHO DESPORTIVO “Obra de grande importância” Em representação do Conselho Desportivo que a sua “requalificação será importante Com esperança de que a requalificação da AAC (CD), órgão que superintende a acti- para as diversas modalidades, para que pos- do EUC seja uma realidade, a breve vidade das secções desportivas, Dominic sam melhorar a sua prática desportiva e ter prazo, o representante do CD sabe que Cross afirmou ao “Jornal da Universidade” outras condições que de momento não dis- “não é por falta de empenho que a obra que “a requalificação do EUC é uma obra de põem“. Dominic Cross deu conta de proble- não avança, no entanto a reitoria tem tam- grande importância, pois este encontra-se mas presentes com que o CD se depara, al- bém em mãos outras obras de monta, num estado bastante degradado. A requalifi- guns “bastante complicados. Por exemplo, como a criação do Pólo de Saúde e de cação está nas mãos da Reitoria, que, ao quando chove o ringue do pavilhão nº1 fica uma Faculdade de Desporto e Educa- que sei, está bastante empenhada na obra“. molhado, o que dificulta a prática da patina- ção Física. Depois destas obras con- Grande parte das secções da Associação gem. E mesmo os balneários estão em con- cluídas, penso que o processo avança- Dominic Cross Académica de Coimbra utilizam o EUC, pelo dições lamentáveis“. rá“, concluiu.
    21. 21 damentais” Memórias do Estádio Jornal da Universidade Junho 2006 E N T R E V I S TA Ao longo de mais da quatro décadas de actividade, o Estádio Universitário de Coimbra serviu de “oficina” de trabalho a sucessivas gerações de atletas, de mais de vinte modalidades, e foi palco de distintos êxitos e variadas emoções. Para complemento do trabalho que apresentamos sobre a remodelação daque- le espaço de formação de desportistas e cidadãos, o Jornal da Universidade ouviu dois antigos praticantes, dos tempos em que Coimbra falava mais alto no panorama desportivo nacional, para quem o Estádio Universitário continua a ser uma enorme referência. FRANCISCO ANDRADE - FUTEBOL “Parte de mim próprio” uma grande amizade entre todos, de tal forma que muitas vezes esperávamos uns pelos outros no final dos treinos. E muitas vezes fazíamos aqueles almoços, de tertúlia, entre todas as modalidades. O Estádio Universitário, na altura, unia todas as secções da AAC e toda a juven- tude que praticava desporto. Hoje, infe- lizmente, parece-me que essa vertente Marcas do tempo MAIS DE 40 ANOS DE ACTIVIDADE não está tão enraizada como antiga- mente. Fiquei muito satisfeito quando Francisco Andrade numa das manifestações culturais da Associação Académica, o Sr. Secretário “O Estádio Universitário marcou muita de Estado se prontificou e garantiu que O Estádio Universitário de Coimbra (EUC) universitárias e federadas, os treinos das coisa na minha vida! Primeiro como jo- aquela área ia ser recuperada. Espero foi inaugurado em 1963, inserido num Pro- Secções Desportivas da AAC, actividades de gador de futebol da Associação Aca- que isso seja uma realidade e que o grama de Desenvolvimento do Desporto Formação e Animação Desportiva démica de Coimbra, onde durante mui- Estádio Universitário seja adaptado às Universitário, em que assumiu especial im- Universitária (alunos, docentes e funcioná- tos anos utilizei aquele estádio e onde realidades do presente. Tem condições portância a construção dos Estádios Uni- rios). Este pavilhão dispõe de um espaço inclusivamente tive uma lesão que me como poucos sítios em Portugal para se versitários de Lisboa, Porto e Coimbra. para o público (500 lugares sentados) e de afastaria do futebol. Mais tarde, como poder fazer uma parque desportivo com O EUC depende da Reitoria e está situado um recinto desportivo polivalente, com 61m treinador, aquele campo tornou a ser todas as exigências actuais e não pode, na margem esquerda do rio Mondego, a x 28m, em soalho envernizado. Funciona uma parte de mim próprio. Pisei muitas de maneira nenhuma, continuar a ser cerca de 500 metros do centro da cidade ainda no EUC uma pista de velocidade de vezes aquela relva e muitas vezes lá desprezado ano após ano. Não pode- (Largo da Portagem). Com localização privile- Radiomodelismo. treinei, à chuva, ao vento, ao sol. Mui- mos continuar a assistir à contínua de- giada, o EUC, implantado numa área de 5 O EUC possui um Restaurante Univer- tos e muitos estudantes e jogadores da gradação, que é uma realidade no dia- hectares, serve a actividade desportiva orien- sitário com funcionamento dependente Académica comigo por ali passaram. Ali a-dia. Espero que aquelas palavras, que tada e promovida pela Associação Aca- dos Serviços Sociais e uma Sala de Mus- treinavam também praticamente todas nos deixaram a todos com muita espe- démica de Coimbra, o ensino e a investiga- culação e de Treino Cardio-Vascular. En- as secções da Académica e criava-se rança, sejam realmente para cumprir“. ção no âmbito da Faculdade de Ciências do contra-se já em funcionamento um novo CARMO REBELO - BASQUETEBOL Desporto e Educação Física da Universidade sistema de video-vigilância, que permite de Coimbra, Escolas do Ensino Básico e oferecer maior segurança em zonas perifé- “União espectacular” Secundário e outras entidades institucionais, ricas do Estádio Universitário, e nos espa- estando também à disposição da comunida- ços desportivos descobertos, particular- de local. Além das áreas administrativas e ofi- mente no Inverno. cinas, inerentes ao seu funcionamento, o EUC A cabo de mais de 40 anos de activida- possui um auditório com 90 lugares, 2 cam- de, toda a área de actividade do EUC está internacional, ganhando muitos títulos pos relvados, uma pista de atletismo (500 naturalmente degradada, apesar dos me- para a Associação Académica e para metros), 1 campo de futebol (solo semiesta- lhoramentos que ao longo dos tempos fo- Coimbra, com aquele pavilhão sempre bilizado), várias áreas de recreação, 9 cam- ram sendo introduzidos. Daí que, natural- cheio de pessoas entusiastas. Além dis- pos de ténis, um campo polivalente desco- mente, o anúncio de breve remodelação so as secções funcionavam como uma berto, com iluminação, uma parede de esca- feito em Janeiro passado pelo Secretário família e todos víamos os jogos uns lada, dois pavilhões com várias áreas despor- de Estado da Juventude e Desportos tenha dos outros. Começávamos ao sábado tivas para Basquetebol, Andebol, Hóquei em caído como “sopa no mel” na comunidade de manhã e acabávamos ao domingo à Patins, Voleibol, Badminton, Futebol de estudantil, em particular, e nos conimbri- noite, vendo e apoiando o futebol, o at- Salão, Ginástica Desportiva e Rítmica, Judo, censes, de uma forma geral. Seis meses letismo, o andebol, o voleibol, o rugby, Karate, Culturismo, Halterofilia, Luta, Tiro com volvidos, o Jornal da Universidade procu- Carmo Rebelo o esgrima, etc. Era uma união especta- Arco, Esgrima, Boxe, etc. O novo Pavilhão rou conferir junto de Laurentino Dias o cular entre todos. Talvez por isso eu Gimnodesportivo (Pavilhão III), serve o ensi- ponto da situação em relação à boa nova “Desportivamente, o Estádio Univer- gostasse que aquele complexo voltasse no (Faculdade de Ciências do Desporto e então avançada. Sem êxito, apesar das di- sitário foi onde vivi os maiores tempos a trazer para Coimbra e para a AAC Educação Física), as competições escolares, versas tentativas. de glória, tanto a nível nacional como tudo o que outrora me deu a mim“.
    22. 22 Jornal da Universidade Junho 2006 R E P O R TA G E M Biblioteca Geral da UC COMPLETOU AGORA MEIO SÉCULO precisa de mais espaço O edifício da Biblioteca Geral da se aproveitasse o espaço da actual Peni- Universidade de Coimbra completou ago- tenciária de Coimbra para ali instalar uma ra meio século de existência. Trata-se de “Casa do Conhecimento”, que incluiria a uma das maiores bibliotecas portuguesas Biblioteca Geral da Universidade e a e a maior biblioteca universitária do País, Biblioteca Municipal de Coimbra (curiosa- albergando actualmente mais de um mi- mente duas das poucas bibliotecas por- lhão de livros e outros documentos. En- tuguesas que beneficiam do chamado tre eles algumas preciosidades, como “depósito legal”, isto é, a lei determina uma primeira edição de “Os Lusíadas”, que obrigatoriamente lhes sejam remeti- as “Tábuas da Índia de D. João de Cas- dos exemplares de tudo quanto se edita tro”, grande parte dos manuscritos de Al- em Portugal, desde os livros até aos meida Garrett e a biblioteca pessoal de jornais e revistas). Oliveira Martins. A exposição comemorativa do meio sé- Para assinalar a efeméride, foi aberta culo do edifício (que pode ser visitada até uma exposição no exacto dia em que a ao dia 15 do próximo mês de Julho), inclui Biblioteca foi inaugurada há 50 anos: 29 plantas e alçados da autoria do arquitecto de Maio. Alberto José Pessoa, fotografias e outros Na oportunidade, o actual Director da documentos alusivos à Biblioteca. Nova livraria-loja da UC Biblioteca, Carlos Fiolhais, sublinhou que ela continua a ser um espaço de excelên- cia no que concerne ao respectivo es- pólio, mas deixa muito a desejar no que Foi inaugurada, no início do corrente mês de Junho, uma fundas obras de melhoramento. Assim, este novo espaço toca à funcionalidade. nova Livraria-Loja da Universidade de Coimbra. Está localizada proporciona melhores condições de atendimento aos utentes, Por isso Carlos Fiolhais defendeu que no átrio da Biblioteca Geral da UC, que foi objecto de pro- que beneficiam ainda de uma área de exposição mais alargada. FOI A PRIMEIRA EDIFICAÇÃO EM PORTUGAL EXPRESSAMENTE PARA O ENSINO MÉDICO Assinalados 50 anos da construção da Faculdade de Medicina de Coimbra O Conselho Directivo da Faculdade de cordar a importância daquela construção Medicina da Universidade de Coimbra pro- para a Medicina Portuguesa, destacando moveu, no dia 5 de Junho, uma série de ini- diversos aspectos do ensino e da investi- ciativas destinadas a assinalar os 50 anos gação que ali se praticaram ao longo de do edifício onde a Faculdade funciona, e mais de meio século. que foi o primeiro, em Portugal, construído Foi ainda inaugurada uma exposição, que de raiz expressamente para o Ensino Médico. inclui documentos muito interessantes, O programa incluiu uma comunicação in- como fotografias da Rua Larga antes e de- titulada “O Edifício da Faculdade de Me- pois da construção do edifício e reprodu- dicina - Arte, Política e Cidade”, por Nuno ções de notícias alusivas à respectiva inau- Rosmaninho, docente do Departamento de guração oficial, a 29 de Maio de 1956. Línguas e Culturas da Universidade de Na cerimónia estiveram presentes o actual Aveiro, que aludiu à história daquela cons- Presidente do Conselho Directivo da trução e ao respectivo enquadramento nos Faculdade de Medicina, Francisco Castro e aspectos citados. Sousa, e diversas outras entidades, tendo a Depois deste olhar para o passado de ela presidido o Reitor da UC, Fernando um edifício muito marcante para o ensino Seabra Santos, que enalteceu o papel de- da Medicina, não só em Coimbra mas em sempenhado pela Faculdade de Medicina todo o País e mesmo em termos interna- ao longo deste meio século e mostrou o cionais, foi a vez de se abordar o futuro. seu optimismo relativamente ao futuro do De facto, é sabido que dentro em breve a ensino da Medicina em Coimbra. O Reitor Faculdade de Medicina passará para novas teve ainda um comentário bem humorado, instalações que estão a ser construídas no revelando que aquele edifício e ele próprio chamado Pólo das Ciências da Saúde Santos Rosa, Vice-Presidente do Conselho Este projecto, que deverá estar patente no têm exactamente a mesma idade, mas que (Pólo III), junto aos Hospitais da Directivo da Faculdade de Medicina, apre- edifício da Rua Larga aquando da transfe- a Faculdade de Medicina “está melhor con- Universidade de Coimbra. Assim, Manuel sentou um “projecto de memória futura”. rência para o Pólo III, terá por intuito re- servada”.
    23. Jornal da Universidade 23 Junho 2006 HISTÓRIA Universidade de Coimbra sitiada EM JUNHO DE 1969 Ãlberto Martins falando na sessão de 17 de Abril de 1969 Américo Tomás acede a deixar falar o Presidente da AAC, mas minutos depois abandona a sala A 17 de Abril de 1969 era inaugurado o edifício da Matemática da Universidade de Coimbra. O então Presidente da AAC, Alberto Martins (actual líder da bancada socialis- ta na Assembleia da República), apesar de ver rejeitado, dias antes, o pedido ao Reitor para intervir na sessão, ousou le- vantar-se e pedir a palavra. O Presidente da República, Américo To- más, levantou-se, perplexo com a ousa- dia do Presidente da AAC, e depois de sepulcral silêncio que durou largos se- gundos, balbuciou: “Está bem. Mas antes fala o sr. Ministro…”. Mal o Ministro acabou o discurso, o Chefe do Estado abandonou a sala, fugin- do ao que prometera, e sendo por isso vaiado pelos estudantes – coisa nunca antes vista!... Os estudantes da UC fizeram a sua pró- pria cerimónia inaugural, manifestando a discordância com a política do Governo de então (que tinha como Ministro da Aspecto da Assembleia Magna nos Jardins da AAC com a participação de milhares de estudantes Educação o historiador, e posteriormente apresentador de televisão, José Hermano dois objectivos: destroçar, pela força, os estrangeiros deram grande destaque a Saraiva). piquetes de greve feitos pelos estudan- esse movimento que acabaria por forçar Nesse mesmo dia a PIDE (polícia políti- tes; e escoltar os alunos que decidiram Marcelo Caetano a substituir o Ministro ca) prendia os dirigentes da AAC. “furar” a greve geral (uma percentagem da Educação e a permitir reformas no Em sinal de protesto contra as medidas muito reduzida). sector. Apesar disso, os líderes estudan- repressivas do regime, a Academia de Coim- Assim se agudizou o processo que fi- tis, depois da prisão, foram forçados a in- bra (então composta por cerca de 8 mil cou conhecido como “Crise Académica de terromper os seus cursos e a ingressar alunos) decidiu, em Assembleia Magna 69”, com o movimento estudantil de nas Forças Armadas, e espalhados por em que participaram mais de 5 mil estu- Coimbra a assumir tamanhas proporções vários quartéis do País. Aí encetaram um dantes, fazer greve geral aos exames. que foi impossível o regime abafar o que trabalho de sensibilização e politização O Governo tentou boicotar essa greve, estava a passar-se, pese embora as vio- de muitos dos militares do quadro, pelo e no dia 1 de Junho de 1969 (data do iní- lentas cargas policiais que se repetiram que, desta forma, tiveram importante con- cio dos exames nas diversas Faculdades) contra os estudantes – e de que a própria tributo para o Movimento das Forças Ar- a cidade de Coimbra foi invadida por população não raro foi também vítima. A madas que viria a depor o regime cinco grandes contingentes de forças especiais censura prévia impedia as notícias nos anos mais tarde, a 25 de Abril de 1974, da GNR (em viaturas militares e a cavalo) órgãos de comunicação social nacionais, através de um golpe militar que devolve- e pela “Polícia de Choque” da PSP, que que tentavam dar conta da situação nas ria a Liberdade ao País, que de então pa- Coimbra em estado de sitio no dia 1 de Junho cercaram toda a zona da Universidade com entrelinhas… Mas as rádios e os jornais ra cá vive em Democracia. de 1969, data do início dos exames na UC
    24. Ima gem histórica 24 Jornal da Universidade Junho 2006 Ú LT I M A A 1 de Junho de 1969 era este o aspecto das Escadas Monumentais. As razões podem ler-se na página anterior A Ordem dos Enfermeiros saúda a Universidade de Coimbra pela viabilização de um espaço regular de informação, aberto à intervenção externa. O Presidente do Conselho Directivo Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros Enf.º Amílcar de Carvalho “A ENFERMAGEM PELA SAÚDE COM AS PESSOAS” Contactos da Ordem dos Enfermeiros – Secção Regional do Centro: Av. Bissaya Barreto n.º 191 c/v 3000-076 Coimbra Tel.: 239 487 810 Fax: 239 487 819 srcentro@ordemenfermeiros.pt Site: http://src.ordemenfermeiros.pt

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