Jornal da Universidade de Coimbra – Abril 2006

Loading...

Flash Player 9 (or above) is needed to view presentations.
We have detected that you do not have it on your computer. To install it, go here.

0 comments

Post a comment

    Post a comment
    Embed Video
    Edit your comment Cancel

    Favorites, Groups & Events

    Jornal da Universidade de Coimbra – Abril 2006 - Presentation Transcript

    1. EXEMPLO SUCESSO DEDICAÇÃO PATRÍCIA SEMANA CASA AMENDOEIRA CULTURAL DO PESSOAL BRILHA ATRAIU 11 MIL PRESERVA NA GINÁSTICA PESSOAS TRADIÇÕES PAGINA 20 PAGINAS 12 e 13 PAGINA 6 DESTAQUES UC lidera em estudantes UC Número 2 estrangeiros 3 Abril 2006 Monstros Jornal na Biblioteca Geral 10 As Fans dão música 21 da Universidade DIRECTOR: JoRGE CASTILHO DIRECTORES-ADJUNTOS: DINIS MANUEL ALVES E MÁRIO MARTINS CONTUNDENTE ENTREVISTA DO NOVO PRESIDENTE DO I. I. I. “FCT desrespeita trabalho dos cientistas” - Estrutura da UC é única no País com 40 centros e 1.600 investigadores PAGINAS 4 e 5 ALERTA DO PRESIDENTE FERNANDO GONÇALVES “AAC está a rebentar pelas costuras!” PAGINA 7 REITOR DENUNCIA O “RANKING DO DISPARATE” Em Portugal há cerca de 1.800 licenciaturas com 825 designações PAGINA 16
    2. 2 Abril 2006 Jornal da Universidade I N I C I AT I VA S DE 27 A 29 DE ABRIL NA FACULDADE DE DIREITO COLÓQUIO PROMOVIDO Património Mundial de Origem Portuguesa PELA FACULDADE DE LETRAS tema de inédito Encontro Internacional “Turismo, Cultura Vai decorrer em Coimbra, no Auditório da Haroldo Carneiro e Recursos Faculdade de Direito da UC, entre os próxi- Humanos” mos dias 27 e 29 do corrente mês de Abril, o I Encontro Internacional sobre Património Vai efectuar-se no dia 20 de Abril, Mundial de Origem Portuguesa. A reunião é no Auditório da Reitoria da Univer- promovida pela Universidade de Coimbra, sidade de Coimbra, o I Colóquio “Tu- pelo Instituto Português do Património Arqui- rismo, Cultura e Recursos Humanos”, tectónico e pela Comissão Nacional da para o qual estão abertas inscrições. UNESCO, na sequência de uma proposta da A iniciativa propõe-se mostrar a Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS importância do turismo como factor apoiada pelo Centro do Património Mundial de desenvolvimento e demonstrar co- da UNESCO. mo é decisiva a qualificação dos re- O significado e a influência cultural do pa- cursos humanos para a promoção trimónio de origem portuguesa disperso pelo deste sector chave nas economias lo- mundo como resultado das grandes viagens cais, regionais e nacional. de descoberta, que propiciaram o contacto No colóquio serão debatidas algu- entre diferentes povos e civilizações, são lar- mas das preocupações e reflexões gamente reconhecidos. Não só a língua por- desenvolvidas, quer pela comunida- tuguesa conta hoje com 200 milhões de fa- de científica, quer por diversas insti- lantes, como a própria Lista do Património tuições e operadores turísticos no Mundial estabelecida pela UNESCO inclui, a sentido de promover o desenvolvi- par dos 13 bens localizados em Portugal, ou- mento turístico nacional. A Escola tros 21 de origem portuguesa, distribuídos Superior de Turismo e Hotelaria do por quinze países e três continentes. Existem, Diamantina é uma das cidades património mundial de origem portuguesa Estoril, a Região de Turismo do Cen- além destes, muitos outros bens com a tro, a Agência de Viagens Abreu, o mesma origem que, por condicionalismos di- O principal objectivo deste Encontro é o de ção e salvaguarda e ainda melhorar o acesso Instituto de Formação Turística, o Par- versos, ainda não puderam aceder àquela contribuir para a criação de uma rede de co- desses países à Lista do Património Mundial, que Natural de Montesinho e a Câ- Lista. Uma vez confirmado o seu carácter ex- operação internacional entre especialistas de através de Listas Indicativas e Candidaturas mara Municipal de Portel são algu- cepcional, os novos bens que venham a ser todos os países com património de origem devidamente fundamentadas. mas das entidades que estarão re- considerados Património Mundial poderão portuguesa, que permita articular diferentes Programa, ficha de inscrição, informação modos de gestão e de valorização dos sítios complementar e contactos podem ser consul- presentadas nas mesas-redondas. contribuir para reequilibrar a representativida- classificados, aprofundar práticas de protec- tados em http://www.uc.pt/whpo/home.html Procurar-se-á demonstrar a impor- de geográfica da Lista. tância da qualificação dos recursos FICHA TÉCNICA O peso das Mulheres humanos em áreas tão diversas, mas complementares, como o turismo, o Director: JORGE CASTILHO no funcionalismo da UC património cultural e natural, o lazer, o desporto, o termalismo, a museo- logia, entre muitas outras – áreas de Directores Adjuntos: FUNCIONÁRIOS DINIS MANUEL ALVES formação da recém-criada licenciatu- MÁRIO MARTINS ra em Turismo, Lazer e Património da 506 Concepção e edição gráfica: Faculdade de Letras da Universidade AUDIMPRENSA de Coimbra (FLUC), que promove o E-mail: Colóquio, em colaboração com o jornal.universidade@gmail.com Instituto de Estudos Geográficos da Telefone: 842 FLUC. 239 854 150 Na anterior edição do “Jornal da Universi- das fatias de homens e mulheres, os respec- Para inscrições ou informações adi- Fax: 239 854 154 dade” publicámos os gráficos corresponden- tivos números saíram errados (repetindo, por cionais estão disponíveis o número tes ao número de homens e mulheres que lamentável falha técnica, os números corres- de telefone 239 859 967 e o e-mail Impressão CORAZE - OLIVEIRA DE AZEMEIS compõem os corpos de Alunos, Docentes e pondentes aos Professores). Por isso repeti- tlp@fl.uc.pt. O preço da inscrição é ISSN: 1646-4133 Funcionários que integram a UC. Contudo, no mos hoje esse gráfico, com os números de- de 12,50 euros para estudantes e de que respeita aos Funcionários, apesar do grá- vidamente corrigidos (e pedindo desculpa 30 euros para o público em geral. Depósito Legal n.º 241489/06 fico estar correcto em termos da dimensão pelo involuntário erro).
    3. Abril 2006 E N T R E V I S TA Jornal da Universidade 3 DIRECTORA DA DIVISÃO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS, IMAGEM E COMUNICAÇÃO DESTACA SERVIÇO DE QUALIDADE E PERSONALIZADO “Queremos os nossos clientes satisfeitos” JOÃO PAULO HENRIQUES criados, sobretudo, pelas acessibilidades. lidade. Provenientes dos mais variados paí- “É um bocado difícil cá chegar, mas, ses do mundo, agradar a todos assume-se As estatísticas colocam a Universidade de quando tudo estiver a funcionar, as como um desafio constante. “Prestamos Coimbra (UC) na liderança dos estabeleci- pessoas vão gostar, já que se um serviço de qualidade e personalizado. mentos de ensino portugueses que rece- trata de um espaço simpático”, Para além do mais, avaliamos o grau de sa- Filomena bem o maior número de estudantes estran- acrescenta satisfeita com as Marques tisfação dos clientes com recurso a inquéri- geiros ao abrigo de programas de mobilida- condições físicas que tem de Carvalho tos e corrigimos os aspectos que os estu- de. A Divisão de Relações Internacionais, para desenvolver o seu dantes acham que devemos melhorar”, Imagem e Comunicação (DRIIC) estabelece trabalho. confidencia, reconhecendo, de pronto, que a ponte entre os alunos e a instituição, as- A falta de pessoal é “o nome e o prestígio da UC cativam mui- sumindo um papel fundamental no aconse- apontada, pela maioria tos estudantes”. lhamento e na integração num meio desco- das instituições, como “Os processos de mobilidade são nhecido. um problema de compli- complexos, porque são muito personali- Criada em 1986, a DRIIC tornou-se no pri- cada resolução. zados e temos essa preocupação. Que- meiro serviço do género a funcionar em remos que a pessoa fique satisfeita e universidades portuguesas. Segundo responder de acordo com as suas preo- Filomena Marques de Carvalho, escolhida cupações”, destaca a coordenadora da pelo Reitor Rui Alarcão para fundar o servi- DRIIC, que explica a existência de “ca- ço, “veio de encontro às necessidades de- nais muito simples de contacto, onde tectadas pela UC, que, desde cedo, teve a não há grandes formalismos e a eficiên- consciência que ou profissionalizava esta cia está presente”. área ou não conseguia estar no com- Os acordos com diversos países da boio europeu”. Europa e outros como, por exemplo, a Após 20 anos à frente dos des- China, o Japão, a Austrália, os Es- tinos da DRIIC, Filomena Marques tados Unidos e o Brasil permitem de Carvalho fala de um projecto que a mobilidade, ao nível de pro- de “grande envergadura, que gramas institucionais como é o abrange e serve toda a UC”, su- caso do Sócrates/Erasmus - só para blinhando tratar-se de um “de- falar do mais conhecido -, de estu- safio permanente lidar com pessoas de todo o mundo”. dantes portugueses e estrangeiros Sem perder o raciocínio, a se assuma como um dos aspectos directora destaca o contacto mais relevantes ao nível da troca de diário com o mais variado experiências do dia-a-dia universitá- tipo de situações, que são rio actual. sempre resolvidas com a Preocupada com os estudantes intenção de “deixar os nossos clientes, Ainda assim, a responsável pela DRIIC con- plorar. Há um trabalho importante a fazer. que optam por estudar fora do país de ori- neste caso os estudantes, satisfeitos”. sidera estar, até certo ponto, bem servida Se vier a ter as condições que necessito, gem durante um determinado período de A visão economicista da relação entre a de recursos humanos. “São os suficientes e vamos em frente”, realça a responsável, tempo, a UC disponibiliza todas as informa- DRIIC e os estudantes pode parecer deslo- adequados para as actividades desenvolvi- que prefere estar rodeada de “menos cola- ções on-line, em português e inglês, através cada do contexto em que se integra. das”, refere, antes de concluir o pensamen- boradores, mas bons e que trabalhem dos seguintes endereços: www.uc.pt (informa- Contudo, Filomena Marques de Carvalho to: “Agora, para desenvolver outras activi- bem”. ções gerais da UC), www.uc.pt/ects (informa- considera essencial a manutenção deste dades, que são necessárias e estão identi- Em 2006, a UC prevê receber 600 estu- ções sobre os cursos da UC) e www.uc.pt/sri tipo de envolvimento, uma vez que “a sa- ficadas, precisamos de ter mais gente. As dantes integrados em programas de mobi- (informações acerca da DRIIC). tisfação de quem servimos assume-se pessoas estão no limite da actividade e tra- como a nossa principal meta, razão pela balham muito e bem”. qual temos sempre a preocupação de pres- Actualmente, com 12 pessoas a trabalhar, Natural do Porto, Filomena Marques de P E R F I L tar um bom serviço aos nossos clientes”. a DRIIC acaba sempre por ter uma popula- Carvalho veio estudar para a Universidade Instalada no Colégio de São Jerónimo, ção móvel de funcionários, onde os estagi- de Coimbra em 1970. Licenciada em Filo- onde, depois da mudança de instalações, ários – “nesta altura, são três, mas é um logia Germânica pela Faculdade de Letras, funciona há poucas semanas, a DRIIC tem caso excepcional”, reconhece Filomena a responsável pela Divisão de Relações um horário de funcionamento entre segun- Marques de Carvalho – se integram sem Internacionais, Imagem e Comunicação da e sexta-feira, das 09H00 às 12h00 e das problemas, garantindo tratar-se de um ser- (DRIIC) esteve em Lisboa, onde teve fun- 14H00 às 17H30, disponibilizando o seguin- viço que se pode considerar como um ções de assessora de mais do que um mi- te horário de atendimento ao público: se- “exemplo de profissionalismo”. nistro. Entre as várias actividades exerci- gunda e quarta-feira, das 14H30 às 17H00, O desenvolvimento de novos projectos das encontram-se a de professora do En- e terça e sexta-feira, das 09H30 às 12H00. integra a lista de objectivos futuros da sino Secundário e de Relações Públicas. Filomena Marques de Carvalho não se DRIIC. “Estou a pensar na criação de um Em 1986, fundou e assumiu os destinos queixa das instalações, reconhecendo, no centro de mobilidade pós-graduados, onde do DRIIC da Universidade de Coimbra. entanto, a existência de alguns problemas considero existir um nicho de mercado a ex-
    4. 4 Abril 2006 Jornal da Universidade E N T R E V I S TA RUI FAUSTO LOURENÇO PRESIDE A INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO INTERDISCIIPLINAR Instituição única a nível nac - Estrutura engloba 40 Centros e 1.600 investigadores JOÂO PAULO HENRIQUES logo e junção de interesses, ideias e valores dos nossos centros de investigação científica. Assume-se um crítico em relação à forma JU – Há quantos anos existe? como o financiamento à investigação cientí- RFL – Tem cinco anos de existência. É uma fica é feito em Portugal e à excessiva buro- instituição leve e que se pretende posicionar cracia. Eleito Presidente para um mandato também numa óptica de não complicar. Sa- de dois anos do Instituto de Investigação bemos que as estruturas, muitas vezes, Interdisciplinar (III) da Universidade de Coim- quando atingem determinada dimensão, co- bra (UC), Rui Fausto Lourenço coloca os in- meçam a emaranhar-se em teias burocráti- vestigadores nacionais entre os melhores do cas, que acabam por retirar eficiência. A in- mundo. A falta de alternativa à Fundação tenção do Instituto é conseguir que isso não para a Ciência e Tecnologia (FCT) complica a aconteça e afirmar-se pela diferença nesta missão de quem, muitas vezes, é obrigado a matéria. escolher o estrangeiro para fazer carreira. JU – Qual é a importância da interdiscipli- Ainda assim, não duvida que a UC é uma re- naridade? ferência nacional e tem prestígio internacio- RFL – Uma das dificuldades que sobressai nal ao nível da investigação. quando falamos de conhecimento em geral é o cruzamento de saberes que é sempre Jornal da Universidade (JU) – Como funcio- potenciador do alcance daquilo que se faz a na o III? esse nível. Se nos isola- Rui Fausto Lourenço no seu ambiente de trabalho Rui Fausto Lourenço mos, temos uma visão (RFL) - É uma unidade A FCT preocupa-se com detalhes menos concreta e alar- à escala europeia teve um desenvolvimento RFL – As estruturas de apoio à investiga- orgânica da UC, o que inacreditáveis, que obrigam os gada dos desafios e súbito e permitiu que os nossos jovens cien- ção científica em Portugal começaram a lidar significa que tem um cientistas mais creditados a ocupar dos problemas e so- tistas fossem para o estrangeiro e que jo- com quantidades de informação para as estatuto equivalente um tempo incrível. No entanto, mos menos capazes de vens cientistas estrangeiros viessem para quais não estavam dimensionadas, nem pre- ao de uma Faculdade. não faz a menor avaliação científica os enfrentar e resolver. Portugal num número e escala que nunca paradas. Nos últimos anos, apesar da produ- Nesta altura, o Institu- e isto parece que é completamente JU – Portugal está antes tinha acontecido. tividade científica ter aumentado extraordi- to está voltado para a irrelevante. Em minha opinião, entre os primeiros no JU – Mas houve mais? nariamente, da qualidade dos investigadores área da investigação é um desrespeito pelo trabalho mundo da investigação? RFL – A globalização surgiu nessa altura ter melhorado muito e do reconhecimento científica, que se en- dos cientistas RFL – A investigação com uma dimensão acentuada e a comuni- internacional se ter solidificado, os melhores tende num conceito científica em Portugal cação de toda a informação científica tornou- cientistas portugueses são confrontados no mais largo, abarcando as ciências sociais e, atingiu uma dimensão que começou a poder se muito mais simples, leve e eficaz. Houve seu dia-a-dia com uma excessiva carga buro- em particular, as humanidades, que normal- comparar-se com os países mais desenvolvi- um pequeno boom da crática. mente são colocadas numa esfera diferente. dos. Evidentemente à nossa escala, porque investigação científica. Em Portugal, no domínio JU – Pode explicar? JU – Quantos centros de investigação o in- tudo tem de ser ponderado pela população Os laboratórios inter- da investigação científica, temos RFL – Resulta de exi- tegram? do país e pelas pessoas envolvidas na acti- nacionalizaram-se pro- apenas uma instituição do Estado gências de toda a or- RFL – É uma instituição única a nível naci- vidade. Começámos a ter um nível compatí- gressivamente e atingi- que serve de entidade financiadora. dem, mas, em particu- onal, uma vez que engloba 40 centros avali- vel ou semelhante ao dos países mais de- ram dimensões que Não há alternativas. Se calhar, lar, de exigências de ados pela FCT. Nos 40 centros, trabalham senvolvidos a partir dos anos 80. permitiram competir e, era bom que este monopólio controlo administrati- cerca de 1600 investigadores. É uma estrutu- JU – Há justificações para que tal tenha em alguns domínios, deixasse de existir vo/financeiro por parte ra que tem uma dimensão que lhe confere acontecido? estar bem posiciona- das entidades financia- particularidades especiais, porque resulta de RFL – Nessa altura começaram a formar-se dos. Os equipamentos disponíveis eram, em doras do país. Infelizmente, em Portugal, uma força de trabalho na área da produção investigadores em maior número e houve al- alguns casos, de excelente qualidade e a ci- existe uma única instituição pública – a FCT científica. gumas apostas como o Programa Ciência, ência em Portugal estava melhor do que –, que serve de entidade financiadora da ci- JU – Serve como factor de união? que permitiu equipar os nossos laboratórios nunca. ência e se preocupa fundamentalmente com RFL – Coimbra tem, nesta altura, uma pro- e ter condições para trabalhar. A mobilidade JU – Os problemas também apareceram? as questões da gestão financeira. jecção reconhecida a nível internacional em JU – Devia ter cuidado com outros aspec- muitas áreas da ciência e da produção do tos? saber em geral. O Instituto afirma-se como “BOLONHA NÃO É PARA MARCAR PASSO” RFL – Não faz a avaliação dos resultados elemento aglutinador, que pretende aprovei- do investimento, porque não é possível fazer tar sinergias no sentido de articulação das JU – O que pensa do Processo de Bolonha? uma avaliação financeira se não se avalia o várias áreas do saber. É uma missão que RFL – A declaração de Bolonha foi feita, principalmente, com o objectivo de potenciar resultado da produtividade científica. Existe queremos levar muito a sério. a mobilidade, articular níveis de formação entre os diferentes países da Europa e uma obsessão absoluta com o formalismo do JU – Que papel pode desempenhar o III? permitir que as pessoas possam circular, apresentando-se nos diferentes países como tratamento administrativo/financeiro dos RFL – Pode apresentar-se como uma voz e pessoas habilitadas para o desempenho de determinada tarefa. projectos. As auditorias às contas sucedem- uma força junto de quem define as políticas JU – É uma oportunidade? se, mas não são feitas verdadeiras avalia- de investigação científica em Portugal. É ne- RFL – A necessidade de olhar para as coisas, pensar nelas e tentar reestruturar em ções da produção científica. cessário dinamizar o Instituto no sentido em moldes diferentes é uma oportunidade que não se pode perder. É um desafio grande JU – Pode dar exemplos? que os centros têm de estar mais próximos que implica muito empenho dos diferentes agentes e que não pode ser feito à pressa. RFL – O Estado faz um contrato com uma da direcção. Precisamos de promover o diá- Tem de ser pensado, mas tem de ser feito e não podemos ficar a marcar passo. Bolonha empresa de construção civil para construir logo e vamos fazer um grande investimento não foi feito para marcar passo, mas para avançar serenamente. uma ponte. Financia o projecto e a empresa, nessa área. Queremos ser um fórum de diá- no final, apresenta um relatório com os do-
    5. Abril 2006 E N T R E V I S TA Jornal da Universidade 5 Rui Fausto Lourenço, que nasceu em P E R F I L Coimbra, no dia 7 de Janeiro de 1961, ti- ional rou a licenciatura em Química (ramo científico), em 1984. Quatro anos mais tarde, concluiu o doutoramento em Ciên- cias (especialidade Química – Estrutura Molecular). Professor associado, com agregação a partir de 2004, em Química, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da cumentos comprovativos das despesas. Des- bém não posso dizer que o investimento na Universidade de Coimbra (FCTUC), assu- de o momento que a empresa apresente fac- ciência é suficiente. Não é. Era preciso mais miu este ano as funções de Presidente turas com os carimbos todos, eventuais au- e aplicar melhor o dinheiro. Não é possível do Instituto de Investigação Interdiscipli- ditorias que o Estado fizesse diriam que tu- investir bem o dinheiro quando não se faz a nar (foi empossado no passado dia 2 de do estava bem e não ia verificar se a ponte avaliação rigorosa da produção científica. Março) e de senador. Com diversos car- estava lá ou não. Haver ponte ou não era ir- JU – Uma parte dos investigadores portu- gos ao nível da FCTUC e da Universidade, relevante. O que interessava era que as fac- gueses tem de ir para o estrangeiro? é membro de vários organismos internacionais e nacionais ligados turas tivessem os carimbos. RFL – Hoje em dia, é uma realidade cres- à Química e efectuou estágios no Canadá, Brasil e Roménia. JU – É o que está a acontecer com a inves- cente. Continuamos a formar pessoas de ele- Recebeu o prémio “Estímulo à Excelência” da Fundação para a tigação científica em Portugal? vadíssima craveira e não temos lugar para Ciência e Tecnologia em 2004/2005 e foi distinguido pela Royal RFL – Hoje em dia, a lhes oferecer nos nos- Society of Chemistry Journals Grant for International Authors em FCT preocupa-se com Perdemos parte dos nossos melhores sos centros de investi- detalhes inacreditá- jovens cientistas porque não somos gação e nas nossas 2002. Com cerca de duas centenas de artigos publicados em veis, que obrigam os capazes de fornecer um emprego universidades. O mer- revistas conceituadas e livros da especialidade, assume o papel de cientistas mais credita- estável (...) e não somos capazes cado da produção ci- investigador responsável em vários projectos de investigação. dos, que são quem, de segurar os estrangeiros porque entífica é, em Portugal, por norma, dirigem os não temos condições mínimas ainda o mercado das dia-a-dia. Foi com alguma surpresa que ouvi RFL – Nesta altura, a UC é uma referên- projectos, a ocupar um de estabilidade para oferecer. universidades e dos la- o Primeiro-Ministro fazer, recentemente, um cia a nível nacional nas várias áreas do tempo incrível. No en- É preciso uma aposta séria e firme boratórios do Estado. discurso a estimular a internacionalização saber e é, em termos de prestígio interna- tanto, não faz a menor na carreira de investigador JU – O que se devia das nossas universidades e centros de in- cional, a instituição portuguesa que tem avaliação científica e fazer para segurar os vestigação, o que demonstra uma total igno- mais créditos a este nível. O quadro de in- isto parece que é completamente irrelevan- investigadores? rância em relação à nossa realidade concre- vestigadores que dispomos é altamente te. Em minha opinião, é um desrespeito pelo RFL – Era preciso avançar com uma carrei- ta. A internacionalização existe. Temos é de qualificado e está à altura das exigências trabalho dos cientistas. ra de investigação privilegiada, que fosse reter as pessoas e ainda não fomos capazes que cada vez mais são feitas. Temos ao JU – Quais são os detalhes inacreditáveis avaliada, mas que permitisse criar alguma de dar esse passo. nosso dispor bases de dados internacio- a que se refere? estabilidade, aproveitando os recursos que JU – Está preocupado com a falta de inves- nais que permitem estabelecer rankings RFL – Não faz sentido que uma auditoria formamos e mandamos formar no estrangei- timento na investigação? nas várias áreas do saber e temos áreas analise um projecto onde foram produzidos ro. Temos de ser capazes de importar e RFL – Entendo que numa altura em que onde Portugal está bem colocado e a UC 50 e tal artigos em dois anos em revistas in- aproveitar os melhores temos todas as condi- assume papel destacado. ternacionais prestigiadas e a única preocu- que nos queiram procu- Foi com alguma surpresa que ouvi ções para subir no JU – Se mandasse, o que mudava no in- pação que o auditor tem é saber onde está rar. Devemos apostar o Primeiro-Ministro fazer um discurso ranking dos países vestimento na investigação? um rato de computador que teria sido ad- numa política em que a estimular a internacionalização mais desenvolvidos RFL – Era mais selectivo e tinha muito cui- quirido a mais e não constava na proposta deixemos de ser emi- das nossas universidades e centros ao nível da investiga- dado na avaliação. Quem deu provas que é inicial do projecto. É a situação em que vive- grantes da ciência e pas- de investigação, o que demonstra ção científica e em capaz de fazer bem tem de ter dinheiro para mos. semos a ser um país de uma total ignorância em relação que o país precisa de continuar a fazer bem. Apostaria nos jovens. JU – Tem um discurso bastante crítico em imigração. à nossa realidade concreta. um grande investi- Sei que investir em pessoas que ainda não relação à FCT? JU – Como é que se A internacionalização existe. Temos mento na tecnologia, deram provas é capital de risco, mas é ca- RFL – Em Portugal, no domínio da investi- pode fazer isso? é de reter as pessoas e ainda não há recursos que estão pital de risco indispensável e os jovens teri- gação científica, temos apenas uma institui- RFL – Perdemos parte fomos capazes de dar esse passo a ser mal gastos por am de ter oportunidades e financiamento ção do Estado que serve de entidade finan- dos nossos melhores jo- quem faz a gestão ci- específico. Revia ainda o financiamento plu- ciadora. Não há alternativas. Se calhar, era vens cientistas porque não somos capazes entífica em Portugal. rianual das unidades de investigação, que, bom que este monopólio deixasse de exis- de fornecer um emprego estável ainda que JU – A investigação na UC está no bom ca- hoje em dia, permite apenas cobrir as des- tir. Não estou a propor a divisão da FCT rigorosamente avaliado e não somos capa- minho? pesas correntes. numa maioria de pequenas ou médias insti- zes de segurar os estrangeiros porque não tuições, mas estou convencido que ter o mo- temos condições mínimas de estabilidade nopólio da direcção das políticas científicas para oferecer. É preciso uma aposta séria e “PLANO TECNOLÓGICO NÃO PODE SER SÓ SHOW-OFF” não é nada bom. firme na carreira de investigador. JU – Faz-se investigação de qualidade em JU – A política científica não existe em JU – Não acredita no Plano Tecnológico? Portugal? Portugal? RFL – Ainda não vi nada. Vi uma visita de um ilustre homem da informática, Bill Gates, RFL – Apesar das dificuldades de natureza RFL – Grande parte das políticas ou pseu- que se for bem aproveitada pode dar alguns frutos. O Plano Tecnológico não pode ser burocrática, estamos a competir com os me- do-políticas científicas são desarticuladas, só show-off, não pode ser só aparecer na televisão a dizer que vamos contribuir para lhores em bastantes áreas do saber. Tam- não têm estratégia, não se cumprem prazos, o aumento da internacionalização das nossas universidades, não pode ser só afirmar os regulamentos são incompreensíveis ou que vamos importar instituições de prestígio para cá para aprender com elas. Grande parte das políticas mudados a meio do percurso. Assim é muito JU – O que falta fazer para se poder falar em Plano Tecnológico? ou pseudo-políticas científicas são difícil para quem faz investigação, porque RFL – A verdadeira revolução tecnológica faz-se criando condições para que os nossos desarticuladas, não têm estratégia, para ter uma produção equiparada aos paí- melhores cientistas não precisem dedicar 70 por cento do seu tempo a responder a não se cumprem prazos, os ses onde estas coisas já foram resolvidas é perguntas inacreditáveis que são feitas por quem faz a gestão da política científica em regulamentos são incompreensíveis preciso gastar muito mais tempo. Portugal. Quando tivermos tempo para investigar, um bom corpo de funcionários que ou mudados a meio do percurso. JU – O intercâmbio entre cientistas existe nos auxilie nas tarefas que não nos deveriam competir e estruturas leves, teremos um Assim é muito difícil... em Portugal? verdadeiro Plano Tecnológico. RFL – Esse intercâmbio faz parte do nosso
    6. 6 Abril 2006 Jornal da Universidade R E P O R TA G E M CASA DO PESSOAL DA UC COM INTENSA ACTIVIDADE Projecto de Lar Grupo Folclórico reconstitui para os mais idosos A Casa do Pessoal está a trabalhar pa- memória de Coimbra ra a criação de um Lar para a terceira ida- de. Uma estrutura que deverá ter capaci- dade para 25 pessoas e que poderá ficar instalada no Pólo II. O projecto tem como objectivo central responder às “carências dos sócios”, explica Maurício Lebreiro, Presidente da Casa do Pessoal da Univer- sidade de Coimbra, recordando que mes- mo depois de aposentados os funcioná- rios da Universidade continuam como as- sociados. Para o Presidente da instituição, “o fu- turo da Casa do Pessoal passa essencial- mente pela vertente social”. A primeira ideia consistia na “instalação de um Lar em conjunto com um infantário”, mas o espaço encontrado não possibilita essa solução. O Lar será destinado “prioritariamente a sócios da Casa do Pessoal” e depois a familiares, caso ainda exista disponibili- dade. A ideia surge depois da tentativa de criar um Centro de Dia, que acabou por ter pouca receptividade por arte dos associados. “O projecto já existe”, acrescenta Mau- rício Lebreiro, estando agora a ser realiza- do o estudo económico para determinar a viabilidade financeira da estrutura. Um trabalho que o Presidente da Casa do Imagens da actuação do Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da UC durante a recente Semana Cultural da Universidade Pessoal não se cansa de recordar que NELSON MATEUS tudantes. “O povo cantava as suas melodias, te”, mas que se situava próximo do Largo D. está a ser desenvolvido em estreita cola- os estudante cantavam as deles”, resume. E Dinis, onde o grupo folclórico tem anualmen- boração com a Reitoria. Nasceu na Universidade mas dedica-se, são as melodias do povo que o grupo folcló- te recriado a antiga feira. É, aliás, na complementaridade entre sobretudo, à outra Coimbra, a dos Futricas e rico tem vindo a tentar recuperar. Preci- As fogueiras de S. João são outra tradição os vários organismos que existem dentro das Tricanas, as pessoas que sempre viram samente um exemplo desse trabalho foi apre- que o grupo recuperou. Já nos anos 80 co- da Universidade que Maurício Lebreiro encontra a razão de existir da instituição os jovens chegarem à cidade ainda moços e sentado durante a recente Semana Cultural meçaram a ser feitas as fogueiras “à moda a que preside. “Somos uma forma de co- de cá saírem já doutores. É nessas tradições da Universidade de Coimbra, em que o gru- antiga”, precisa Manuel Dias. Tudo em torno laborar para responder às necessidades” que o Grupo Folclórico da Casa do Pessoal po organizou um Serão de Arte Popular que a um “Palanque” em que a música dá o mo- que surgem no seio da comunidade uni- da Universidade de Coimbra tem trabalhado. incluiu uma Serenata Futrica com canções do te para a festa. Nos últimos anos o grupo versitária. É extenso o leque dos projectos que se início do século XX. não tem conseguido fazer as fogueiras na desenvolvem na Casa do Pessoal, mas o O trabalho do grupo tem passado pela Alta da cidade e tem colaborado na recriação grupo folclórico tem vindo assumir particular pesquisa e divulgação das tradições popula- da tradição no Bairro de Celas. CASA DE TODO O PESSOAL visibilidade. Já com mais de 20 anos de exis- res, a partir de finais do século XVIII, em par- Com as antigas melodias a dar o mote para A ideia de que a Casa do Pessoal é a tência, o grupo tem conseguido, pouco a ticular no que diz respeito às danças e can- a festa, Manuel Dias sublinha que as foguei- associação dos funcionários não docen- pouco, recriar várias das mais antigas tradi- tares, mas também aos trajes. Consequência ras são um momento sempre muito aguarda- tes da Universidade é rejeitada pelo Pre- ções da cidade, ajudando Coimbra a reen- natural dessa investigação é o empenho em do. “As pessoas gostam de cantar danças po- sidente da instituição. “Num universo de contrar-se com o seu próprio passado. recriar as tradições que marcavam os princi- pulares de roda, características das fogueiras mais de três mil sócios, mais de dois mil “O grupo tem-se dedicado a recuperar a pais momentos da vida da população da ci- de S. João de Coimbra”, acrescenta. são docentes”, explica. Reconhece, no en- vertente popular de Coimbra” – explica Ma- dade e dos arredores. É por isso que nos úl- Na quinta-feira da Espiga o grupo tem ha- tanto, que “na generalidade dos docen- nuel Dias, responsável do grupo e Vice-Pre- timos anos têm sido revitalizadas várias fes- bitualmente feito a reposição dessa festa tra- tes existe uma adesão afectiva e talvez sidente da Casa do Pessoal. Um trabalho tas perdidas no esquecimento. dicional no Largo da Sé Nova, com a distri- menos próxima do que acontece com os que procura remediar o grande peso da Uni- buição do pão que se deve guardar ao longo restantes funcionários”. versidade que fez que “com os anos a ver- DOS LÁZAROS ÀS JANEIRAS de todo o ano, e ainda com uma merenda O distanciamento dos professores é jus- tente estudantil tenha apagado a vertente no fim da missa. Este ano, o grupo folclóri- tificado quer pelo pouco tempo livre, quer popular”, considera Manuel Dias. A próxima reconstituição que se poderá co muda de local e vai estar junto à Igreja pelas possibilidades económicas. Isto por- O Vice-Presidente da Casa do Pessoal não ver é a da Feira dos Lázaros que decorre no de Santa Cruz a recriar a mesma festa. que um dos pontos de encontro dos só- esconde o incómodo pelo que será a confu- O amplo trabalho de revitalização das tra- cios é o refeitório e o bar da Casa do Pes- dia 2 do corrente mês de Abril (domingo), soal, que oferecem preços muito acessí- são entre as tradições de Coimbra e as tra- das 10 às 18 horas, no Largo D. Dinis. A festa dições de Coimbra tem passado também pe- veis. Os sócios têm, aliás, igualmente aces- dições dos estudantes. É o caso do que é desenrolava-se em torno do antigo Hospital la ida à Romaria do Espírito Santo, que se rea- so a apoio médico com consultas gratui- frequentemente classificado como “Canção e “era uma feira para a juventude”, explica liza em Santo António dos Olivais, e por can- tas de clínica geral, estando a ser estabe- de Coimbra”. Segundo Manuel Dias, “a Can- Manuel Dias, em que os brinquedos e a do- tar as Janeiras. Tudo formas de mostrar às lecidos protocolos com vários médicos pa- ção de Coimbra é a canção das fogueiras çaria estavam entre os elementos centrais. De- novas gerações o vasto património de tradi- ra consultas de especialidade. que o povo cantava” e não a canção dos es- corria “no largo do Castelo, que já não exis- ções populares que Coimbra possui.
    7. Abril 2006 E N T R E V I S TA Jornal da Universidade 7 PRESIDENTE DA DIRECÇÃO-GERAL REVELA QUE HÁ PROJECTO DE REMODELAÇÃO DA SEDE E ADMITE CONSTRUÇÃO DE NOVO EDIFÍCIO NO PÓLO II AAC a “rebentar pelas costuras” – Fernando Gonçalves quer sair com todos os litígios resolvidos JOÃO PAULO HENRIQUES Apesar de defender uma participação e co- munhão de valores em projectos europeus de A Associação Académica de Coimbra (AAC), ideias, culturas e pessoas, a AAC considera a mais antiga, a maior e a mais prestigiada que “não basta dizer que queremos ser euro- associação de estudantes do País, está a peus, temos de ter condições para o ser”. “rebentar pelas costuras”. O edifício-sede é Segundo o líder estudantil, “o Estado não tem pequeno para acolher toda a actividade da uma estratégia de desenvolvimento no sector AAC, o que obriga a ter secções espalhadas da Educação e do Ensino Superior a médio ou pelo Estádio Universitário e outras que não longo prazo”. As críticas estendem-se ao têm sítio para desenvolver as suas activida- Governo e às Universidades, uma vez que con- des. Fernando Gonçalves, o reeleito Presi- sidera estar a assistir-se a “uma preocupante dente da AAC, refere a necessidade de cria- passividade” na abordagem ao Processo de ção de espaços polivalentes, que permitam Bolonha. às secções culturais ter os ensaios e as actu- A formação das pessoas – “a nossa grande ações, mas também espaços que proporcio- potencialidade” – poder estar em causa assus- nassem melhor prática desportiva, afigura-se ta Fernando Gonçalves, que entende que se como fundamental para o futuro da activida- não houver uma inversão rápida da “lógica de de da AAC. passividade”, corre “um sério risco”. Para in- A solução podia passar pela construção de verter este quadro, que considera de aparente um novo edifício? letargia, a AAC tem realizado acções de luta e Fernando Gonçalves explica que “há um reuniões com eurodeputados, deputados e projecto de remodelação da actual sede, que grupos parlamentares da Assembleia da pode vir a ajudar muito a AAC através de cri- República, assumindo, ainda, “uma postura in- ação de espaços polivalentes”. terventiva nas reuniões que tem solicitado ao “Estádio Universitário está a cair”, afirma Fernando Gonçalves O líder dos estudantes conimbricenses Ministro da Ciência e Tecnologia e ao Secre- acrescenta ter em mente, a curto prazo, a cri- tos, choca o líder estudantil, que já assis- O PROCESSO DE BOLONHA tário de Estado e dentro dos órgãos de gestão ação de um edifício no Pólo II, que podia tiu a “situações inacreditáveis”. da Universidade”. “ajudar muito no desenvolvimento da activi- “A cidade viveu muito da exploração O Presidente da Direcção-Geral da AAC faz A concretização de algumas das propostas dade cultural e desportiva e de intervenção dos estudantes, oferecendo, muitas ve- questão de sublinhar que os estudantes da que os estudantes fizeram relativamente ao da Academia”. zes, quartos em condições pouco dignas Universidade de Coimbra estão preocupados acompanhamento do processo de Bolonha Até ao final do mandato, Fernando Gon- e a preços exorbitantes. Há uma grande com o Processo de Bolonha, que consideram na Universidade de Coimbra (UC), a existência çalves, que cumpre o segundo ano como exploração dos inquilinos. Algumas “uma incógnita que se está a tornar cada vez de uma calendarização de aplicação, a criação Presidente e não se vai recandidatar ao car- casas são oferecidas com quartos por mais negativa pela forma como Portugal se de uma comissão ad-hoc e a realização de re- go, pretende “garantir a estabilidade finan- baixo de vãos de escada, que não têm está a adaptar”. Fernando Gonçalves diz que latórios em todas as Faculdades para conhe- ceira da AAC, deixar resolvidos todos os lití- acesso a casa de banho e qualquer con- falta discussão sobre a integração dos portu- cer como está a decorrer o processo de apli- gios jurídicos pendentes e saldar as dívidas dição para uma pessoa poder viver”, la- gueses numa área europeia do Ensino cação, foram iniciativas que os estudantes to- anteriores”. O estudante de Direito, a quem menta Fernando Gonçalves, que faz Superior, acrescentando que a qualificação e a maram em prol de “uma Universidade mais faltam quatro cadeiras para terminar o curso, questão de lembrar: “Temos tentado com- formação dos portugueses, que devia ser “um informada e consciente, porque, ao entrar no quer dedicar-se, nos próximos anos, a estu- bater esta situação e esperamos que seja desígnio nacional”, está a passar “ao lado da projecto comum de Ensino Superior, não de- dar Direito e à profissão de advogado que é alterada, já que os estudantes são a vida discussão pública e de qualquer estratégia”. vemos continuar fechados no nosso canto”. o que gostava de ser. de Coimbra e não deviam merecer o tra- tamento de exploração, que, muitas ve- SENHORIOS EXPLORAM zes, recebem”. Fernando Gonçalves nasceu em Viseu há P E R F I L ESTUDANTES A falta de instalações desportivas acaba 24 anos. O finalista do curso de Direito in- por significar um problema complicado de tegrou o Conselho Directivo da Faculdade Abordando outro tema, Fernando Gon- ultrapassar, tendo em conta os 6000 des- de Direito da Universidade de Coimbra e çalves refere que a AAC disponibiliza um portistas que representam a AAC. “Temos foi fundador do Núcleo de Estudantes de certificado de habitabilidade a quem vem um Estádio Universitário que está a cair, Direito, a que presidiu durante dois anos. estudar para Coimbra. Um grupo de estu- ainda não conseguimos acabar as obras Actualmente exerce os cargos de represen- dantes voluntários corre a cidade, tenta do Campo de Santa Cruz e não existem tante dos estudantes das universidades fazer face aos pedidos de vistoria e infor- muitas instalações desportivas ao serviço públicas portuguesas no Conselho Nacio- ma os caloiros dos quartos disponíveis, da cidade de Coimbra”, refere o Pre- nal de Avaliação do Ensino Superior e de dos preços e das localizações. Trata-se de sidente da Direcção Geral da AAC, que Presidente do Conselho Fiscal da Fede- “um serviço de extraordinária utilidade”, destaca ainda, entre os problemas de ur- ração Académica de Desporto Universi- que, para Fernando Gonçalves, “minora as gente resolução, a falta de residências uni- tário. ‘Guterres’, alcunha atribuída pelos dificuldades de quem tem de procurar ca- versitárias: “Temos mil camas para mais doutores no antigo Pratas, devido às semelhanças físicas com o an- sa”. A exploração a que os estudantes des- de uma dezena de milhar de estudantes tigo Primeiro-Ministro, é militante da Juventude Socialista. locados estiveram, desde sempre, sujei- deslocados”.
    8. 8 Abril 2006 Jornal da Universidade R E P O R TA G E M TEUC E CITAC – DOIS GRUPOS MARCANTES NA ACADEMIA DE COIMBRA Em busca do elixir da ete PAULA CARDOSO ALMEIDA Mónica Martins frequentou o curso de for- mação teatral há dois anos. Joana Maia fê-lo há apenas um ano. As duas estudantes uni- versitárias integram as Direcções do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra) e do CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra). Separa-as um corredor. Une-as a paixão pelo teatro e o desprendimento com que prescindem do seu tempo a favor dos palcos. A única porta de entrada para estes dois organismos autónomos da Associação Aca- démica de Coimbra é a frequência nos cur- sos de iniciação teatral que, bianualmente e alternadamente, cada um deles organiza. “É uma forma de dar continuidade ao grupo”, sublinha Mónica Martins, elemento da Direcção do TEUC. Este ano cabe ao TEUC assegurar a reno- vação. Mas o CITAC começou já a delinear o curso de iniciação teatral do próximo ano. A Confraternização de antigos membros do CITAC formação é primordial para cada um destes organismos. É a melhor ferramenta para im- existe também quem veja nesta arte uma estudante. “É preciso rentabilizar o tempo. sagarrar. Custa muito tomar essa decisão.” buir os novos elementos num sentimento formação paralela muito boa. Serão várias e Há quem consiga fazer isso e há quem não Mónica sabe isso muito bem. Faltam apenas de coesão. difíceis de enumerar as motivações de cada consiga”, explica Mónica Martins, 24 anos, alguns meses para concluir a licenciatura. Soa a anúncio publicitário: “Procura-se um. finalista de Matemática. Quer arranjar um estágio em Coimbra. “Por novas pessoas, com novas ideias, mentali- Em Abril, o TEUC apresenta o “exercício causa do TEUC”, explica. Cotovelos em cima dades e projectos, que se juntem aos ele- final”, altura em que cairá o pano sobre o A IMPORTÂNCIA da mesa, mão na testa, tristeza no olhar. mentos mais antigos num acto de perma- curso de formação. “Antígona”, de Sófocles, DA FORMAÇÃO “Torna-se viciante”, suspira. nente renovação e dinamismo.” Mas não é foi o clássico escolhido. Após a estreia, os Mónica Martins receia mal-entendidos e publicidade. Lembra apenas aquilo que até 20 novos elementos são votados em as- Os subsídios atribuídos aos dois grupos explica de novo: “Os estudantes que são de os próprios “teuquianos” e “citaquianos” sembleia-geral e aprovados, ou não, como de teatro (designadamente pelo Ministério fora da cidade passam mais tempo aqui do por vezes esquecem: que são estudantes sócios efectivos. da Cultura, Reitoria, Fundação Gulbenkian e que com a família. Trabalhamos em conjun- universitários e que estão ali de passagem. A disponibilidade para se entregarem, físi- outros) são totalmente investidos na forma- to, zangamo-nos, mas, no final, assistimos Mas o que os traz até cá? Há quem che- ca e psicologicamente, é fundamental. Os ção. Trazem-se sempre os melhores. “Acon- ao fruto do nosso trabalho.” gue sem nunca ter sentido o “nervoso miu- ensaios decorrem das 20,30 horas até à tece, muitas vezes, trabalharmos com pes- Carla Fino é um desses antigos sócios que dinho” de pisar um palco. Outros mantive- meia-noite. Um compromisso pesado para soas que já passaram por cá”. Mónica sorri, regressa sempre que pode. O gosto pelo te- ram adormecido o culto pelo teatro. Mas quem quer cumprir também os deveres de orgulhosa. Nicolau Lima Antunes, mais co- atro e a vontade de aprender mais fizeram nhecido por Nicolau dos Mares, é um des- com que se inscrevesse, há 13 anos, no ses casos. Iniciou, há 15 anos, o seu percur- curso de formação. Desde aí que assumiu a so teatral no CITAC e no TEUC. Este ano foi responsabilidade de dar continuidade à convidado a integrar o grupo de formadores História do grupo, que, com o passar do do curso de iniciação e a realizar um tempo, “deixa de ser apenas o sítio onde workshop sobre a “preparação do actor”. Um vamos fazendo umas peças e arranjamos outro “filho pródigo”, Manuel Sardinha, re- amigos fixes, para passar a ser visto como gressou, em 2004, para encenar “Rino- algo com uma identidade própria e indepen- cerontes”, peça alicerçada n’ “O Rinoce- dente das pessoas que no momento ali tra- ronte” de Ionesco. balham.” Muitos, como Manuel Sardinha e Nicolau Já lá vão cinco anos desde que esta pro- dos Mares, redescobrem a sua vocação. fessora de Biologia deixou a Universidade, Mónica conta um episódio recente em que mas preservou o cordão umbilical que a liga uma aluna de Medicina congelou a matrícu- ao teatro universitário. Integrou a direcção la para estudar teatro. Mas, depois, há a do TEUC durante três anos e foi Presidente pressão dos pais. A grande maioria opta por da mesa da Assembleia-Geral durante dois. terminar o curso para enveredar, posterior- Para trás ficaram “muitas horas de trabalho, mente, e à sua custa, pelo mundo do tea- que implicaram noites de sono mais curtas, tro. fins-de-semana sem sair de Coimbra. Mas Todos acabam por voltar. “O TEUC é uma nada de que me arrependa…” “O Teatro Ambulante” de Chopalovitch, pelo TEUC espécie de segunda casa. Custa muito a de- Não deve haver, na já longa existência
    9. Abril 2006 R E P O R TA G E M Jornal da Universidade 9 rna juventude dos dois organismos autónomos, quem se sigo. Não esperamos nunca que elas fi- arrependa de por ali ter passado. Exige-se o quem.” mesmo a cada um dos sócios: que contri- Recorda, sem nostalgia, o tempo em que bua para a concretização das actividades e fez a formação. “Assumi os dois compromis- que assegure o funcionamento interno, inte- sos: a Universidade e o curso de iniciação grando os corpos dirigentes ou colaborando teatral.” Mas não foi fácil. Aliás, não é tare- com estes no trabalho de expediente, plane- fa simples para um estudante conciliar o es- amento de actividade, organização dos ar- tudo e as aulas com a disponibilidade que quivos, arrumação ou limpeza. O tempo é o os dois organismos exigem dos seus sócios. que de mais precioso podem oferecer a uma “Nalguns casos, promove o insucesso esco- “casa” que os acolhe e proporciona experi- lar.” ências únicas. Confessa que falta ao CITAC a organiza- ção do TEUC. Sorri. Considera que a desor- ENTRE A IRREVERÊNCIA ganização faz parte da traça dos “citaquia- E O TER DE PARTIR nos”. Conta que há gente, cerca de uma dúzia, que aparece sempre para as reuni- O fascínio de Joana Maia pelo mundo do ões. Depois, existem os “satélites”, que por CITAC começou muito cedo. Teria 15 anos ali passam de vez em quando. quando assistiu à primeira peça e, desde Os valores de esquerda regeram, desde logo, se sentiu atraída pela linha irreverente sempre, o grupo. Há algumas décadas atrás, e experimental daquele grupo. as linhas mestras eram claras. Hoje estão Pormenor de um espectáculo do CITAC A mãe fez parte do TEUC, mas a filha viria um pouco mais diluídas, mas o CITAC conti- a integrar o “rival”: o CITAC nasceu pelas nua a assumir-se como uma escola demo- “Singapura”, com texto e encenação de missão é sempre a mesma: experimentar. O mãos de alguns “dissidentes” do TEUC, de crática e de cidadania, a fazer lembrar os Paulo Castro, apresentava, num teatro cru, único receio é que a instituição, que este alguns elementos que estavam desconten- tempos em que os seus membros desempe- violento, naturalista e com algum cariz sexu- ano assinala meio século de vida, não con- tes com a vertente clássica e ambicionavam nhavam um importante papel em Assem- al, a desumanização do Homem na socieda- siga assegurar a sua continuidade. fazer-se ao palco do teatro experimental. bleias Magnas e manifestações estudantis. de moderna. Para o festival de Casablanca “Se há uns anos era uma mais valia pas- “Faz parte da minha vida, mas não quero Irreverência que lhe valeu o encerramento estavam agendadas duas apresentações: sar mais um ano em Coimbra para se dedi- fazer do teatro vida. Quando sair, levo esta pela PIDE durante quatro longos anos, até “Na primeira, a sala esvaziou-se; na segun- car ao CITAC, hoje isso não acontece. São experiência comigo”. Com um ar descontra- 1974. da, fomos contactados pela organização poucos os que estão dispostos a tomar ído, Joana Maia, 22 anos, natural de Longe vão esses tempos. Continua, contu- para reajustar o espectáculo.” Joana conta conta do grupo”, lamenta Joana, que, tal co- Coimbra, quase licenciada em Psicologia, do, a inquietar. No ano passado, no Festival que sentiu a excitação dos anos 70. mo muitos outros “citaquianos”, está tam- fala já com algum distanciamento. Internacional de Teatro Universitário, que “Percebi a bomba que o CITAC deve ter sido bém de saída. Aceita com naturalidade que tenha de decorreu em Casablanca, Marrocos, o CITAC naquele tempo.” O Círculo espera lançar, até ao final deste abandonar o grupo: “Sentimo-nos felizes foi aconselhado pela organização a “reajus- Neste momento, o CITAC está a preparar ano, um livro que reúna memórias e peda- por dar algo para as pessoas levarem con- tar o carácter pornográfico” da sua peça. um espectáculo na área do Novo Circo. A ços da sua vida. HISTÓRIA TEUC CITAC A primeira apresentação pública do TEUC aconteceu há quase 68 anos (a 27 de Julho O CITAC assinala, este ano, meio século de vida. No entanto, “não é algo que se de 1938). O perfil do grupo não ficaria completo sem referir o nome daquele que foi possa medir por anos ou que se deixe encerrar por números, mas existe nas fotogra- um dos fundadores e seu director artístico durante três décadas: Paulo Quintela, cate- fias, nas palavras decoradas e tantas vezes proferidas, nos figurinos habitados, nos car- drático da Faculdade de Letras, que exerceu ali um autêntico magistério cultural. Os di- tazes e nos mundos de cenário” – como se lerá no livro que vai ser publicado. fíceis anos 40, 50 e 60 foram marcados pelas suas encenações, designadamente de O desejo de criar um novo grupo de teatro de estudantes da Universidade de textos do “pai” do teatro português, Gil Vicente; autores do teatro clássico grego Coimbra surgiu em 1954, mas a primeira aparição do CITAC viria a ser feita apenas a (Eurípides, Sófocles e Ésquilo); e clássicos do teatro mundial, como Molière, Goethe e 13 de Maio de 1956, com a “Nau Catrineta”, de Almeida Garrett. Orgulham-se de resis- Calderón de La Barca. tir a moldes pré-concebidos e de fazerem uma selecção eclética de textos. Após o 25 de Abril, peças como “Portugal com P de Povo”, “Arraia Miúda” e “A Por ali passaram nomes como António Pedro, Carlos Oviedo, Carlos Avillez, Vítor Excepção e a Regra”, levaram à cena escritores polémicos como Brecht e Dário Fo e Garcia, Ricardo Salvat e, mais recentemente, Andrezj Kowalski, Carlos Curto e Paulo deram início a um novo ciclo: ao teatro de intervenção social. Castro. Os anos 80 seriam dedicados ao experimentalismo. “Índia Song”, de Marguerite Destaque, no seu longo currículo, para as adaptações de obras como “Manufactura Duras, viria a ser um espectáculo muito bem recebido na década de 90, enquanto Universal de Autómatos”, de Karel Chapek; “Tartufo”, de Molière; “Bodas de Sangue”, que a apresentação de “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare, encena- de Garcia Lorca; “Fausto”, de Goethe; “O Processo”, de Kafka; “O Arranca Corações”, da por António Mercado, assinalaria a entrada no século XXI, esgotando todas as de Boris Vian; e “Macbeth”, de Shakespeare. Paralelamente, desenvolvem ainda os sessões. Círculos de Poesia em Noites de Lua Cheia e performances de rua.
    10. 10 Abril 2006 Jornal da Universidade C U LT U R A EXPOSIÇÃO A NÃO PERDER NA BIBLIOTECA-GERAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Os monstros do nosso imaginário António Maia do Amaral PAULA CARDOSO ALMEIDA turalistas Conrad Gesner, Ambroise Paré, entidades marinhas, devido, sobretudo, ao sibilidade, até agora impossibilitada pelo Cavazzi e Ulisses Aldovandri, que deixaram facto da Igreja ter excluído, da arte religiosa, facto de o espaço estar em obras. Entre- Dragões, sereias monstruosas, golfinhos ma- um legado de admiráveis volumes ilustrados estas figuras. No século XIX, os monstros ma- tanto, a estrutura estará encerrada até ao lévolos, lulas gigantes e serpentes marinhas com gravuras em madeira. rinhos dão lugar aos dragões, mas, nos dois dia 17 de Abril, altura em que Maia Amaral são alguns dos seres (sobre)naturais que po- Os mitos medievais povoaram o mar de séculos seguintes, o cinema (sobretudo o ja- (licenciado em História e Arqueologia e dem ser admirados em “O mar é sempre te- monstros, mas já antes, na civilização clás- ponês), a banda desenhada e os desenhos pós-graduado em Ciências Documentais) nebroso”, uma exposição de livros, dedica- sica, se encontram referências a estes se- animados viriam a colocar todas estas bestas acredita poder estar em condições de dar o dos à temática dos monstros marinhos, do res maléficos. Nessa época, o aparecimen- no imaginário infantil. merecido relevo aos “seus” monstros anti- acervo da Biblioteca Geral da Universidade to de monstros marinhos representava um É esta história, este “amor dos monstros”, gos e modernos. de Coimbra (BGUC). castigo enviado pelos deuses. Daí resultou que a exposição calcorreia. Mas, por enquan- “Era importante que pudéssemos dar outro A mostra – ideia de Carlos Fiolhais, Director uma infinidade de lendas – da morte de to, permanece, de alguma forma, escondida enquadramento a estas obras. Talvez desdo- da Biblioteca, para a recente Semana Cultural Hipólito por um monstro marinho ao sal- na Sala São Pedro da BGUC – construída, na brar em painéis várias páginas, para que os da Universidade de Coimbra – traz ao olhar vamento de Adrómeda, feito por Perseu, década de 50, para conservar o espólio da bi- livros possam ser mostrados em maior pro- do visitante quase todos os “clássicos da es- das garras de um malvado animal dos blioteca do Colégio de S. Pedro. fundidade”, adianta ainda o Director-Adjunto pecialidade”, destacando-se cinco “valiosas mares. António Maia do Amaral, recentemente da BGUC, sublinhando o valor incalculável raridades” do século XVI, a que só falta o li- O Adamastor foi, em Portugal, o monstro empossado Director-Adjunto da Biblioteca daquele acervo bibliográfico. “Muitos destes vro dos peixes estranhos do francês Pierre mais conhecido dos Descobrimentos. Os sé- Geral, espera que, depois da Páscoa, a exemplares só nós e a Biblioteca Nacional é Belon. Sobressai, todavia, o trabalho dos na- culos seguintes viriam a desvalorizar estas mostra bibliográfica possa ganhar outra vi- que os temos.”
    11. Abril 2006 ACADEMIA Jornal da Universidade 11 QUEIMA DAS FITAS ESTÁ À PORTA Contenção nas despesas mas não na qualidade JOANA MARTINS áreas da cultura, des- porto e actividades tradicionais. Um cartaz “informático” A cerca de um mês do início da Queima Por seu turno, Da- Uma serenata vista de dentro de uma casa é a ideia principal do cartaz da das Fitas de Coimbra niel Rocha, Secretário- Queima das Fitas deste ano. Laurentino Reis, o autor, é estudante do segundo (decorrerá de 5 a 12 -Geral da Comissão ano de Engenharia Informática em de Maio), a Comissão da Queima das Fitas Coimbra. Mas foi do trabalho que faz responsável pela or- 2006, afirma-nos que desde 1999, na área de Design e ganização da maior ainda não há bandas Desenho Gráfico, e do gosto por esta festa de estudantes confirmadas para ac- área, que surgiu a vontade de concor- Ricardo Duarte Daniel Rocha do ano não tem mãos tuar na festa dos estu- rer com uma obra sua. a medir. Apesar de o essencial já estar resol- dantes, mas estão já a ser ponderadas várias Entre os 32 projectos concorren- vido, houve alguns atrasos devido às contin- hipóteses, entre grupos nacionais e estrangei- tes, o júri viria a escolher o de Lau- gências resultantes dos prejuízos provenientes ros, de forma a “fazer o melhor cartaz possível”. rentino Reis. deste evento no ano passado. Uma das grandes apostas deste ano é de- Segundo ele próprio confessou A Comissão assume que esteve desde sem- volver ao já tradicional Chá Dançante, a impor- ao “Jornal da Universidade”, a ideia pre ciente da sua responsabilidade em assumir tância de outros tempos. Para que tal aconte- para a proposta de cartaz que elabo- todos os compromissos de Queimas das Fitas ça, os estudantes ponderam contratar artistas rou surgiu numa tarde em que passa- realizadas em anos anteriores. É nesta medida prestigiados para actuar no evento, cativando va pela Rua da Matemática. E em que estão a ser definidas prioridades no que desta forma um maior número de pessoas. apenas uma semana Laurentino con- respeita aos investimentos. Assim, como salien- O Presidente da Comissão sublinha a res- cebeu e criou o cartaz que este ano ta o Presidente da Comissão da Queima das ponsabilidade que cabe aos organizadores ilustra a Queima das Fitas. Janelas e Fitas, Ricardo Duarte, em declarações ao “jornal desta “festa dotada de história e tradição na candeeiros típicos, ao som da serena- da Universidade”, “é importante investir em coi- cidade de Coimbra”. No entanto, mostra-se ta, desenham-se pelas ruas de Coim- sas relevantes e cortar nos acessórios”. O estu- bastante optimista e promete novidades – a bra, anunciando a chegada da festa estudantil mais esperada do ano. dante reitera que não serão descuradas as serem anunciadas nos próximos dias.
    12. 12 Abril 2006 Jornal da Universidade S E M A N A C U LT U R A L SEMANA CULTURAL OFUSCADA POR SE REALIZAR FORA DE LISBOA OU PORTO “Um grande festival de cultura” com cer NELSON MATEUS para as pessoas deixarem de fazer coisas”. Resultados possíveis graças a patrocínios re- colhidos, que cobriram cerca de 60 por cento “Francamente positivo!” – eis como é defi- do orçamento. nido, pela organização, o balanço da VIII A qualidade é outro ponto que merece o Semana Cultural da Universidade de Coimbra. sublinhado do Pró-Reitor para a Cultura. Nu- Uma “semana” que se prolongou por 11 dias ma programação muito variada, destaca o e cerca de 90 eventos. “Se antes da Semana concerto de aniversário da Universidade de Cultural me tivessem perguntado se queria ter Coimbra pela Orquestra Sinfónica ARTAVE, este resultado, diria logo que sim” – sintetiza um projecto com um conjunto de jovens mú- João Gouveia Monteiro, Pró-Reitor para a Cul- sicos que representou também “um estímulo” tura e responsável pela organização. para novas iniciativas em Coimbra. Pela rari- Esta Semana Cultural terá, na opinião dos dade que representa, merece também refe- promotores, conseguido afirmar-se como “um rência o concerto de música iraniana que de- grande festival da cidade, um grande festival correu no Teatro Académico de Gil Vicente. “O cultural”. João Gouveia Monteiro recorda que regresso aos grandes espectáculos do GEFAC é habitual “ver a cidade dividida”, mas desta que foi estimulado pela Semana Cultural” vez foi possível vê-la “unida em torno de um fecha a lista de destaques de João Gouveia objectivo positivo”. Maria Helena Rocha Pereira a receber o Prémio Universidade de Coimbra Monteiro. O Pró-Reitor considera que o mar, tema da Semana Cultural, funcionou como “um in- da Foz é, aliás, um dos que o Pró-Reitor para finais da organização, que estima que cerca centivo à criatividade”, tendo também sido a Cultura destaca no conjunto das iniciativas de 11 mil pessoas tenham assistido e partici- PRESOS NA SOMBRA um forte mobilizador, já que “abrange áreas da Semana Cultural. pado nas várias iniciativas. “Se esta Semana Cultural tivesse tido lugar científicas muito variadas”. Pela primeira vez, Outra das inovações deste ano foi estender Sem problemas parecem sair as finanças da em Lisboa ou no Porto teria sido muito mais a Semana estendeu-se para lá da cidade de a Semana por 11 dias. Uma alteração que Universidade depois da Semana Cultural. O falada na televisão, na rádio e nos jornais e Coimbra, o que demonstra que este pode “permitiu descongestionar o programa”, pos- responsável pela organização destaca que a teria sido considerada um grande evento cul- ser um acontecimento “do conjunto da Re- sibilitando que “as mesmas pessoas estives- iniciativa decorreu “sem esforço financeiro tural”. Esta ideia é o ponto de partida para gião Centro”. O programa levado a cabo no sem em mais eventos”, salienta João Gouveia para a Universidade de Coimbra”, o que vem um dos principais lamentos do Pró-Reitor. Centro de Artes e Espectáculos da Figueira Monteiro. Um facto com reflexo nos números demonstrar que “o dinheiro não é desculpa João Gouveia Monteiro sente que “a visibilida- Prémio Bluepharma/Universidade de Coimbra Maria Francelina Lopes recebeu o Pré- co de Coimbra desde 1996, e membro mio Bluepharma/Universidade de Coim- de várias instituições nacionais e es- bra, pelo seu trabalho sobre a cirurgia trangeiras, que se dedicam a estudos ci- da atrésia de esófago, desenvolvido na rúrgicos e de pediatria. Universidade de Coimbra. Este prémio é o resultado de um pro- A atrésia do esófago é uma malfor- tocolo estabelecido entre a Bluepharma mação congénita complexa que, apesar e a UC, distinguindo anualmente um tra- de ter uma incidência relativamente ra- balho de doutoramento apresentado em ra (um caso por cada quatro mil nados universidades portuguesas, incidindo vivos), tem enormes consequências em investigação na área das ciências da económicas, sociais e na saúde públi- saúde. ca. O prémio consiste na publicação do Na prática, significa que o esófago trabalho, em edição exclusiva, e na atri- não fica completamente formado, impe- buição de um patrocínio no valor de dindo a ligação normal ao estômago. 2.500 euros para participação num con- A premiada é assistente graduada de Irene Silveira, Maria Francelina Lopes e Paulo Barradas Rebelo, Presidente gresso científico internacional à escolha cirurgia pediátrica do Hospital Pediátri- da Bluepharma do premiado. Rua Castro Matoso, n.º 12 A, 3000 – 104 Coimbra Telefone: 239 851 440 Fax: 239 851 449 e-mail: srcoimbra@ordemfarmaceuticos.pt).
    13. Abril 2006 S E M A N A C U LT U R A L Jornal da Universidade 13 “Semana” ainda ca de 11 mil participantes passa ao lado dos professores âmbito nacional. Um investimento, porém, sem a resposta esperada por parte dos meios de comunicação social, já que não conseguiu ter “a atenção nacional que merecia”, defen- de. Assume igualmente erros de programação que ajudaram à escassa presença de público em alguns eventos. O cancelamento da conferência que deve- ria ter sido proferida por Mário Soares é ou- tra pedra no sapato de João Gouveia Mon- teiro, isto porque a presença tinha sido “con- firmada e reconfirmada já depois das elei- ções presidenciais”, mas poucos dias antes Mário Soares acabou por cancelar a visita a Coimbra. A fraca participação dos professores na Semana Cultural é, para João Gouveia MINISTÉRIO DA CULTURA Monteiro, uma das notas mais negativas NA PRÓXIMA “SEMANA” da edição deste ano. O Pró-Reitor diz Um dos momentos altos da Semana Cultural foi o espectáculo “Tanto Mar”, que encheu o Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz que não quer polémicas mas não escon- Se este ano o Ministério da Defesa e dos de o desalento por “um certo alheamen- Assuntos do Mar foi o parceiro da Universida- to em relação à vida cultural da cidade” de na Semana Cultural, os organizadores pre- por parte dos colegas. “É reduzida a per- tendem que em 2007 o programa seja desen- centagem de docentes que participa nos volvido em estreita colaboração com o Minis- espectáculos”, comenta. tério da Cultura. “Nunca tivemos e, por isso, “Os docentes universitários têm uma vamos tentar pela primeira vez ter uma gran- certa dificuldade em se mobilizarem e em de parceria com o Ministério da Cultura”, su- mobilizar os seus alunos para actividades blinha João Gouveia Monteiro, perspectivando extra-curriculares”, prossegue João Gou- o programa do próximo ano. veia Monteiro. Considera também que “os O Ministério, a par das várias Faculdades, é professores universitários deviam pensar uma das entidades com que a organização que não é o fim do mundo, de vez em quando mobilizar-se, a si e aos alunos, pa- está a trabalhar para a escolha do tema da IX ra actividades científicas relevantes”. Semana Cultural. Um processo que deverá fi- O Pró-Reitor diz não perceber que “se car concluído durante o mês de Abril, altura um curso organiza um colóquio internaci- “Os Descobrimentos Portugueses e o Mar”: cultura com alegria em que o tema será apresentado às várias en- onal com as grandes cabeças daquela de nacional da Semana Cultural é ainda limi- Sem soluções para o problema, o Pró-Rei- tidades que organizam os vários espectáculos área, por que é que em vez de dar uma tada”, o que naturalmente faz com que o tor salienta o esforço que foi feito para publi- e outros eventos que preenchem o programa aula os docentes e os alunos não vão par- evento tenha relevo apenas a “nível regional”. citar o programa na televisão e em jornais de da Semana Cultural. ticipar nesse evento?”. Uma escolha, aliás, que entende que poderia trazer maiores benefícios científicos. Inconformado com a REALIZAÇÕES CULTURAIS E CIENTÍFICAS EXTRA-ESCOLARES participação, ou a falta dela, dos colegas Mais de 700 iniciativas por ano na Semana Cultural, afirma ainda que “há um certo fundamentalismo de alguns do- centes que, sem querer, estão a impedir “No total, a Universidade de Coimbra or- Portugal, ou instituição de qualquer outro importância da implementação do chamado os alunos de participar nesses eventos”. ganiza e realiza por ano mais de setecentas tipo, com uma tal capacidade de produção Suplemento ao Diploma, como forma de va- Na análise global que faz, João Gouveia iniciativas culturais e científicas extra-escola- cultural. Os seus membros, docentes, estu- lorização das actividades de formação extra- Monteiro salienta ainda que “o público res” afirmou o Reitor na sessão solene co- dantes e funcionários, que são os principais curricular dos nossos estudantes e como que responde é sobretudo da cidade e da memorativa dos 716 anos da UC. E acres- agentes desta dinâmica, são também, natu- factor de atracção e valorização relativa da comunidade estudantil”. “O docente uni- centou: ralmente, os principais beneficiários. Estes Universidade de Coimbra no contexto do versitário vai às iniciativas científicas da “ Não conheço outra Universidade em números permitem igualmente perceber a Ensino Superior em Portugal”. sua área e ponto final”, remata.
    14. 14 Abril 2006 Jornal da Universidade OPINIÃO Promoção cultural e dignidade humana JOÃO LAVRADOR (*) mília quer na comunidade civil; e fi- para que, mesmo no meio de anti- nada cultura, e a edificação do nalmente, no decorrer do tempo, nomias e contradições, se desen- Reino não pode deixar de servir-se Neste primeiro artigo, dado que exprime, comunica aos outros e volva harmónica e integralmente a de elementos da cultura e das cul- estamos perante um órgão de co- conserva nas suas obras para que pessoa. turas humanas” (n.º 20). municação no âmbito da cultura sejam de proveito a muitos e até à A Igreja tem consciência de que, O caminho da Igreja é o homem. universitária, vou reflectir sobre a inteira humanidade, as suas gran- pelo facto de ser formada por mu- A sua tarefa é servir o bem do verdadeira promoção da cultura des experiências espirituais e as lheres e homens, está inserida na homem. Para isso, entre as diver- para que esta esteja sempre ao ser- suas aspirações» (GS 53). Daqui se cultura humana, mas, pelo facto de sas realidades que implicam pro- viço da dignidade humana. depreende que a Igreja reconheça a ser portadora de uma verdade li- fundamente nas condições de vida A verdadeira promoção da cultu- íntima relação entre a cultura e o bertadora, tem capacidade de puri- do ser humano, a cultura é uma ra mereceu do Concílio Vaticano II o ser humano. Ela é do homem e ficar a cultura de todos os obstácu- das mais importantes. Necessa- lugar de tratamento junto dos pro- para o homem. Da sua verdadeira los à dignidade humana e elevá-la riamente, a Igreja deve estar aí pre- blemas mais urgentes que têm ne- promoção depende a realização hu- de modo a que esta se oriente para sente para oferecer o melhor que Cónego João Lavrador cessidade de ser iluminados pela mana. a perfeição integral do ser humano, tem, isto é, o Mistério do Verbo En- realidade da Revelação cristã. É certo que as condições de vida para o bem da comunidade e de cultura para anunciar a sua mensa- carnado para que à Sua luz o Mis- Começa o texto conciliar por dizer do homem moderno sofreram toda a sociedade. Por isso, é dever gem de salvação. Paulo VI, na tério de Homem se possa descobrir que por «cultura se entendem to- transformações culturais tão pro- da Igreja estar presente onde se faz “Evangelii Nuntiandi”, referia-o des- (cfr. GS 22). das as coisas pelas quais o homem fundas que podemos afirmar que a promoção da cultura através do te modo: “O Evangelho, e conse- Tal como o ensina o Concílio apura e desenvolve as múltiplas ca- estamos numa nova fase da histó- estudo, o avanço das ciências e das quentemente a evangelização, não Vaticano II, a Igreja realiza esta ta- pacidades do seu espírito e do seu ria da humanidade. São tantos os letras, a dignificação dos meios de se identificam por certo com a cul- refa em permanente diálogo com corpo; se esforça por dominar, pelo meios científicos e técnicos de que comunicação social, o debate cultu- tura, e são independentes em rela- os intervenientes da cultura. estudo e pelo trabalho, o próprio o homem dispõe para o progresso ral, favorecendo o encontro e diálo- ção a todas as culturas. E, no en- mundo; torna mais humana, com o e difusão da cultura que importa go entre culturas no pleno respeito tanto, o Reino que o Evangelho progresso dos costumes e das ins- orientá-los devidamente no sentido pela identidade de cada uma delas. anuncia é vivido por homens pro- (*) – Coordenador Diocesano tituições, a vida social, quer na fa- do bem da comunidade humana Mas, a Igreja precisa também da fundamente ligados a uma determi- da Pastoral do Ensino Superior Língua portuguesa é passaporte JOANA FONSECA (*) criação artística, para além da projecção do documen- tário “S.Vicente e a riqueza dos seus fundos mari- No âmbito da Semana Cultural da UC, decorreu a nhos”. Festa de Sons, Saberes e Sabores, sobretudo centrada Moçambique participou com ateliers de pintura e de numa tenda onde os estudantes dos PALOP procura- música, nomeadamente um tocador de Timbila. ram mostrar algumas das realidades de cada um dos Angola apresentou o livro “Cabinda e as suas cons- países que compõem esta vastíssima comunidade em truções” e divulgou música tradicional. que a língua portuguesa é passaporte. A Guiné-Bissau manteve também um atelier de mú- Foi no presente mês de Março que decorreu a sica, com um tocador de Korá. Semana Cultural da Universidade de Coimbra. Esta 8ª Portugal mostrou um atelier de expressão dramática, edição marcou entre os dias 1 e 11 deste mês. E trou- para além de animação de rua, com hip-hop Sickscore. xe a bordo tudo o que de Mar a Mar se ordenou, Para além disso admirou-se o artesanato e prova- desde sempre. ram-se sabores africanos. A tenda transformou-se num pequeno universo dom Paralelamente, expuseram-se ideias e debateram-se aspectos variados dos países ali representados. “Os problemas no âmbito do Forum dos estudantes da contos da tartaruga”, ateliers de pintura e dança, pro- CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). jecção do documentário “ São Tomé e Príncipe: um Destaque merece ainda um sarau no Centro Cultural jardim subaquático”, “As conversas sobre o Mar”. O D. Dinis e o convívio registado em muitas fotografias, Brasil apresentou a narrativa de um mito, a lenda de para mais tarde recordar… Yemanja, exercícios de capoeira e um Mapa Etno mu- sical. Cabo Verde mostrou teatro e outros aspectos de (*) – Estudante A Ordem dos Enfermeiros saúda a Universidade de Coimbra pela viabilização de um espaço regular de informação, aberto à intervenção externa. O Presidente do Conselho Directivo Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros Enf.º Amílcar de Carvalho “A ENFERMAGEM PELA SAÚDE COM AS PESSOAS” Contactos da Ordem dos Enfermeiros – Secção Regional do Centro: Av. Bissaya Barreto n.º 191 c/v 3000-076 Coimbra Tel.: 239 487 810 Fax: 239 487 819 srcentro@ordemenfermeiros.pt Site: http://src.ordemenfermeiros.pt
    15. Abril 2006 OPINIÃO Jornal da Universidade 15 “SÓ OS HOMENS CHAMARIAM TERRA AO PLANETA ÁGUA” Um projecto para viver melhor PEDRO REDOL (*) Durante a VIII Semana Cultural da Univer- sidade de Coimbra e no âmbito do projecto conjunto do Conselho da Cidade de Coimbra e do Museu Nacional de Machado de Castro, denominado “Planeta Água”, tiveram lugar diversas actividades que procuraram chamar a atenção para a importância da água na vida como um todo. A água está presente em todo o dispositivo biológico e emocional de sobrevivência de que somos depositários. Como tal, da sua adequada gestão depende a nossa sobrevivência. As actividades do projecto “Planeta Água” iniciaram-se no dia 3 de Março com uma ex- posição fotográfica de Paulo Magalhães, na galeria do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, dando assim primazia a uma abor- dagem intuitiva e eminentemente poética do tema. Após uma visita à exposição, comenta- Paulo Magalhães da pelo Autor, seguiram-se as intervenções de Alexandre Leite, engenheiro de minas e das Águas de Coimbra, S. A. Avançou para a dável convívio. A tarde foi ocupada com uma jectivo a perseguir por todos. Neste sentido, docente da Universidade do Porto, e Lapa dos Esteios, na Quinta das Canas, esse visita ao Paul do Taipal, paisagem cujo ecos- a demonstração pretendida com o projecto Francisco Ferreira, engenheiro do ambiente e lugar imortalizado por António Feliciano de sistema e sua protecção foram dados a co- implicou competências cívicas, artísticas, em- docente da Universidade Nova de Lisboa. As Castilho, onde Manuel Rocha prendeu a aten- nhecer por Manuel dos Santos. Pela mão de presariais e institucionais, representadas tan- conferências, versando aspectos de gestão ção da audiência com música e poesia. Sónia Pinto, foram ainda visitados a estação to na sua organização, através do Conselho de recursos hídricos, deram lugar a um ani- Seguiu-se o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, arqueológica de Santa Olaia e o Ecomuseu da Cidade de Coimbra e do Museu Nacional mado debate no auditório do CAPC. resgatado em anos recentes às águas do do Sal da Figueira da Foz, iluminado pelas de Machado de Castro, como no apoio à sua No dia de 5 Março, realizou-se um passeio Mondego. Ali, Artur Côrte-Real e Lígia Gam- cores de um nostálgico e tranquilo final de concretização, através das Águas de Coimbra, ao longo do rio Mondego que ofereceu opor- bini tiveram oportunidade de conduzir o gru- tarde. do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, da tunidades de entendimento e fruição da pai- po através do que hoje é possível conhecer As actividades realizadas no âmbito do Associação do Porto de Aveiro e das Câmaras sagem, mais e menos humanizada, e do ele- de um complexo arquitectónico invulgarmen- projecto “Planeta Água” permitiram sensibili- Municipais de Montemor-o-Novo e Figueira mento água enquanto fonte de vida e subsis- te rico, sucessivamente repensado em função zar todos aqueles que nelas participaram pa- da Foz. tência. A jornada, que contou com a presen- das cheias sazonais. Um almoço oferecido ra a importância de encarar a satisfação de ça de mais de cinquenta participantes, ini- pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho necessidades elementares, que são a um (*) - Director do Museu Nacional ciou-se no Laboratório de Qualidade de Água proporcionou momentos de descanso e agra- tempo biológicas e emocionais, como um ob- de Machado de Castro U nivers@ As Marias de Évora Esta iniciativa tem a coordenação científica de sete grupos portugueses e um espanhol clui um encontro científico com investigado- Entre os 832 estudantes que ingressaram das Universidades de Coimbra e de Sala- (levando à cena, entre outras, peças de Italo res e empresários que apresentam os mais na Universidade de Évora no ano lectivo manca, e na respectiva organização colabo- Calvino, Tchekov e Boris Vian). recentes resultados da sua actividade. 2005/2006, 61,5% são do sexo feminino, e ram ainda o Centro de Estudos Ibéricos, a Mais informações poderão ser obtidas atra- Na edição deste ano participam diversas entre elas Maria é o nome mais comum. Ordem dos Médicos, a Ordem dos Farma- vés do telemóvel 918 363 617. ligas de futebol robótico - robots médios, ro- Destes novos alunos, cerca de 60% têm cêuticos, a Ordem dos Enfermeiros, a Escola bots pequenos e o RoboCup Júnior - e robots menos de 20 anos e 6,6% não têm naciona- Superior de Saúde da Guarda e a Associação de dança e de busca e salvamento. Pela pri- lidade portuguesa. Nacional Farmácias. Festival de Robótica meira vez, participam equipas de outros paí- Informações podem ser pedidas para o te- lefone 271 220 212. em Guimarães ses (Espanha e Irão estão confirmados), que Vai decorrer em Guimarães, de 28 de Abril desta forma se preparam para o RoboCup' Conferência na Guarda a 1 de Maio, um Festival Nacional de Ro- 2006 (campeonato do mundo de robótica) No dia 7 de Abril, sexta-feira, vai realizar-se bótica, organizado pela UM (Universidade do que se realiza, em Junho deste ano, em na cidade da Guarda uma conferência subor- Mostra de Teatro Minho). Para alojar os muitos estudantes ori- Bremen, na Alemanha. dinada ao tema \"Gripe e Doenças Emergen- Universitário em Aveiro undos de vários pontos do país, a UM vai Um dos convidados do encontro é Claude tes\". Será tratado o problema da gripe e das De 17 a 24 de Abril o GRETUA [GRupo Ex- \"transformar\" um pavilhão multiusos em Nicollier, astronauta da estação espacial eu- viroses e as novas doenças deste século. perimental de Teatro da Universidade de “hotel”. A organização assegurou ainda refei- ropeia, que detém actualmente o recorde eu- Trata-se da primeira sessão do II Ciclo de Aveiro] organiza a segunda edição da sua ções quentes no restaurante local, que esta- ropeu do número de viagens ao espaço (uma Conferências “Saúde Sem Fronteiras” e de- Mostra de Teatro Universitário de Aveiro – a rá aberto 24 horas por dia durante o evento. delas na missão de reparação do telescópio correrá na Sala da Assembleia Municipal da salta!06’. À semelhança de anteriores edições, em espacial Hubble), e que virá falar sobre ro- Guarda, das 9,30 h às 12,30 h. O programa da Mostra inclui a participação Braga e Guimarães, o festival de Robótica in- bots no espaço.
    16. 16 Abril 2006 Jornal da Universidade ANIVERSÁRIO DA UNIVERSIDADE “RANKING DO DISPARATE” Portugal tem cerca de 1.800 cursos d A mesa que presidiu à sessão solene comemorativa dos 716 anos da Universidade de Coimbra: João Carlos Marques, Cristina Robalo Cordeiro (Vice-Reitores), o Secretário de Estado Lobo Antunes, o Reitor Seabra Santos, Avelãs Nunes e Gomes Martins (Vice-Reitores) e Carlos Luzio Vaz (Secretário Geral da UC) Aludindo ao controverso Processo de Bo- vernamentais afirmado não querer invadir cursos, com 29 designações diferentes, Engenharia possa decidir que os seus es- lonha, na sessão solene comemorativa a esfera da autonomia universitária. Ora, surge a palavra “informática”. Mas a cam- tudantes não precisem de saber matemá- dos 716 anos da UC, o Reitor Seabra San- em vários dos Países europeus com os peã absoluta deste ranking do disparate tica à entrada. Mas em Portugal, é. Não tos afirmou, a dado passo da sua inter- quais nos gostamos de comparar, a auto- é a palavra gestão, que aparece em 87 se trata de uma questão de geografia ou venção: nomia universitária não se considera be- cursos com 46 designações diferentes. de ideologia, nem é ajuizado esperar que ”Após vários anos de avanços e de re- liscada com a existência de sistemas es- No total, existem em Portugal cerca de as instituições, postas em concorrência cuos, de inflexões de política ao sabor de truturados e regulados. Da centralizadora 1800 cursos de licenciatura, com 825 de- num quadro de diminuição da procura, Ministros e de Governos, de calendariza- França ao ultra-liberal Reino Unido, do signações distintas”. sejam capazes de se auto-regular. Se ções para 2010 e de antecipações preci- norte europeu de cultura social-democra- esses mecanismos de regulação existem pitadas, a reestruturação dos cursos com ta à Itália de Berllusconi não é possível, ENSINO SUPERIOR em todos esses países não é porque as vista à integração de Portugal no Espaço na prática, que cada instituição invente PORTUGUÊS É escolas tenham decidido, autonomamen- Europeu de Ensino Superior está agora a um nome diferente para cursos cujo con- DOS MENOS REGULADOS te, aplicá-los, mas apenas porque os res- entrar, sem dúvida, na sua fase decisiva. teúdo nuclear está, no essencial, padroni- pectivos Governos entendem que não Creio que a maior dificuldade do proces- zado. Mas em Portugal, é. Nas nossas O Reitor disse depois: podem deixar à mercê das instituições so reside na necessidade que todos sen- instituições de ensino superior existem “Em países muito maiores do que o decisões que têm que ser tomadas a timos, eventualmente com distintas sen- 39 cursos de graduação, com 17 designa- nosso e ainda por cima regionalizados, outro nível. E nenhuma dessas escolas sibilidades e opiniões sobre a evolução ções diferentes, que incluem a palavra como a Alemanha, ou a Espanha não é em nenhum desses Países sente que a no concreto, de tentar aproveitar a oca- “Design”; em 44 outros cursos, com 20 possível que um mesmo curso tenha du- sua autonomia está a ser posta em sião para introduzir as reformas estrutu- designações diferentes, aparecem as pa- rações diferentes em Escolas diferentes. causa. rais que há muito deveriam ter sido con- lavras “ambiente” ou “ambiental”; em 60 Ou que, por exemplo, uma Escola de Não é, pois, de falta de autonomia que cretizadas. A oportunidade é de ouro mas temo que o país não a esteja a aproveitar”. E continuou: “É, com efeito, sobre um sistema sub- regulado, com carências evidentes de de- finições estruturais fundamentais, que es- tamos a trabalhar. Penso não haver dúvi- das de que a sub-regulação do sistema favorece, a concorrência desqualificada e a consequente diminuição da qualidade. É lícito, pois, perguntar com que direito está o país a induzir em erro as famílias que trazem os seus filhos a estudar em instituições que não serão capazes de lhes proporcionar uma formação adequa- da. Porque não se encerram cursos cujas avaliações já provaram a sua deficientís- sima qualidade? A que altar está o país a emular a formação dos seus jovens? Quando questionado sobre a razão da sub-regula- ção do sistema têm os responsáveis go- Aspecto parcial do Auditório da Reitoria durante a sessão solene comemorativa dos 716 anos da Universidade de Coimbra
    17. Abril 2006 ANIVERSÁRIO DA UNIVERSIDADE Jornal da Universidade 17 e licenciatura com 825 designações! o nosso sistema padece, mas sim, como ção por despacho ministerial e publicação é óbvio, de falta de regulação, ou seja, em DR se concretize num tempo que me de falta de Estado. O Ensino Superior parece cada vez mais impraticável”. português é dos menos regulados (para não dizer o menos regulado) de toda a TRÊS SUGESTÕES Europa e é com este diagnóstico que é AO GOVERNO necessário agir. Não escondo a esperan- Mais adiante, Seabra Santos disse: ça que todos depositamos nos resultados “Em jeito de balanço do último ano, que da avaliação global do sistema, recente- é um pouco o que temos o hábito de fazer mente encomendada pelo Governo à quando festejamos um aniversário, lem- OCDE, com a convicção de que existe brei-me ainda de verificar o desfecho de vontade e capacidade para levar à práti- uma espécie de Caderno de Encargos em ca as suas conclusões” 10 pontos de essencial e urgente tratamen- to que apresentei, há exactamente um ano, O TRABALHO DO MINISTRO… ao então futuro governo, do qual só se co- Seabra Santos prosseguiu: nhecia ainda o Primeiro-Ministro. É-me gra- “Ultrapassando aquilo que seria razoá- to constatar ter havido um tratamento sé- vel esperar que conseguisse fazer, o rio de dois deles e uma abordagem parci- CRUP apresentou ao Governo, para valer al de outros quatro. O extenso processo de para todo o sistema de ensino superior avaliação entretanto lançado, pode contri- (público e privado, universitário e politéc- buir para aumentar este número. nico), uma proposta concreta sobre a re- Animado com o êxito alcançado, parci- gulação-base do sistema. Ficando, embo- al mas ainda assim positivo, atrevo-me a ra, bastante aquém dos quatro pontos deixar mais três objectivos que deveriam que venho defendendo, limitação do nú- merecer a atenção do governo: mero de designações para cerca de 100; 1º - Incluir o papel e a responsabilida- relação biunívoca entre designação e de do Estado no objecto da avaliação do conteúdo; critério universal de acesso sistema de ensino superior encomendado para uma mesma designação e duração à OCDE. Não se trata de uma avaliação universal para uma mesma designação; política, porque essa compete aos cida- tratava-se de uma tentativa séria de dãos que a fazem regularmente numa so- alertar para a necessidade de aproveitar ciedade democrática, mas da avaliação o momento em que todo o sistema tem técnica do agente a quem compete a de- que ser revisto para introduzir as altera- finição do quadro técnico de funciona- ções estruturais fundamentais. Em res- O Reitor Seabra Santos alertou para “o ranking do disparate” mento do sistema; posta, o Senhor Ministro diz que “os me- 2º - Recuar na intenção de aplicar às canismos de auto-regulação ensaiados nos casos em que se chegue à conclusão aprovou em 11 de Janeiro um calendário Receitas Próprias das Universidades a ca- merecem todo o aplauso”, faz notar que de que é necessário reagulhar e que uma de concretização das várias etapas ne- tivação geral decidida para a administra- o documento “se cinge apenas à nomen- parte substancial do trabalho não terá cessárias, a cumprir até 31 de Outubro ção pública. Do ponto de vista técnico, clatura e não aos próprios cursos” e soli- servido para nada. de 2006. O que o país espera da esta cativação é um desastre a médio cita informação sobre “a reflexão que cer- Seja, ou não, acertada esta atitude, e Universidade de Coimbra é que aja sem prazo e do ponto de vista político é uma tamente o CRUP elaborará sobre essa eu estou em crer que não é, sabemos precipitação, fiel aos princípios de quali- violação flagrante do princípio de autono- matéria” ou, descodificando, e seja toma- agora com que contar”. dade e seriedade que devem nortear mia, consagrado na Lei 108/88, que se diz da a ironia não como desconsideração uma instituição universitária de referên- tão ciosamente respeitar. mas, apenas, como reforço de argumen- CRUP TOMOU cia. A meta de 2007 é, pois, adequada. 3º - Gerir de uma forma objectiva e tação, agradece às Universidades que te- Dito isto, entendo que, pelo menos em transparente o acesso das Universidades DECISÃO ACERTADA” nham feito parte do seu trabalho e pede- teoria, podem ser admitidas excepções a projectos de desenvolvimento do siste- lhes que, já agora, façam também o O Reitor afirmou de seguida: sem pôr em causa o princípio geral, ma científico e tecnológico nacional (exem- resto. “Consciente do enorme volume de tra- desde que cumpram, cumulativamente, plo dos protocolos com a Microsoft e É este o traço dominante do nosso siste- balho que as Universidades têm pela as seguintes condições: a existência de com o MIT), evitando a suspeição de que ma, que uma vez mais encontramos quan- frente e da tremenda responsabilidade um consenso nacional entre as institui- se trata apenas de operações mediáticas do, Governo e Assembleia da República, de reestruturar a totalidade dos seus ções de referência quanto aos elemen- inconsequentes na substância ou de que aprovam legislação de enquadramento do cursos de licenciatura e de mestrado, tos fundamentais da reestruturação; a já têm, à partida, parceiros definidos”. processo de Bolonha atribuindo às insti- ainda por cima sem indicações da tutela capacidade de preparar com seriedade E sublinhou: tuições a responsabilidade de definir con- quanto a designações, duração, critérios um dossier completo de reestruturação, “Manter-nos-emos atentos ao processo ceitos que deveriam estar na esfera da re- de acesso ou financiamento, o CRUP de acordo com as exigências substanti- de Bolonha e à evolução do Ensino Supe- gulação. O resultado vai ser o de alguns tomou, atempadamente, a decisão acer- vas e formais da legislação. rior em Portugal e no mundo, que não anos de desnecessária confusão, de vá- tada de recomendar a entrada em vigor Ainda assim, para que isto seja possível podem deixar de influenciar as nossas rios milhões de horas de trabalho retira- generalizada do processo de Bolonha é necessário que o percurso legal de pro- próprias opções de desenvolvimento, ali- das às tarefas fundamentais do ensi- apenas no ano lectivo 2007/2008. No mulgação e publicação da regulamentação, cerçada numa vontade de afirmação da no/aprendizagem e da investigação, de mesmo sentido se pronunciou o Senado de auscultação do CRUP, CCISP e APESP Universidade de Coimbra nos planos na- muita expectativa e de alguma frustração da nossa Universidade, que igualmente sobre as normas técnicas, da sua aprova- cional e internacional”.
    18. 18 Abril 2006 Jornal da Universidade ANIVERSÁRIO DA UNIVERSIDADE REITOR FEZ BALANÇO DA ACTIVIDADE DESENVOLVIDA PELA UC Um ano repleto de inovações Na intervenção que fez na sessão solene de celebração dos 716 anos da Universidade, o Reitor aludiu a diversas medidas inovadoras tomadas no seio da UC ao longo do último ano, bem como a importantes parcerias. Destacamos algumas INTEGRAÇÃO DA ESCOLA ropeia do trabalho que vimos efectuando SUPERIOR DE ENFERMAGEM ao nível da transferência do saber, do gran- de potencial de inovação concentrado na Aprovação, pelo Senado, da abertura de Universidade de Coimbra e sobretudo, do contactos formais com a Escola Superior impacto que ela pode ter para o desenvol- de Enfermagem de Coimbra, com vista à vimento económico e social da região em sua integração como Unidade Orgânica da que se insere”. Universidade de Coimbra. “Uma Universi- dade decidida a apostar nas ciências da FUTURO COMPATÍVEL saúde e da vida complementa-se nas suas COM PASSADO valências com uma área científica em fran- ca evolução, num percurso semelhante ao Após aludir às acções acima referidas, o UC: mais de 700 anos voltados para o futuro Reitor deixou um desafio para o futuro da que está a ser seguido em inúmeras uni- versidades de prestígio, tanto no estrangei- BIOCANT E ITC para criação de um Centro de Excelência em Universidade: ro como em Portugal” – sublinhou Seabra “Health Care and Medical Solutions”, com “Não só ao nível da infra-estruturação Santos. A inauguração em Cantanhede, em Julho vista a congregar empresas de TIC’s (Criti- física da Universidade, cujos notáveis de- de 2005, do BIOCANT – Parque de Inovação cal,), unidades de investigação (CNC, HUMTEC, senvolvimentos se ficam hoje por esta COLÉGIO DAS ARTES em Biotecnologia, liderado pelo CNC – IBILI, etc) e utilizadores finais (HUC, IPO, breve referência, mas também no que diz Centro de Neurociências e Biologia Celular CHC, etc) “para aproveitar o enorme poten- respeito ao lançamento de projectos de Aprovação, pelo Senado, da constituição da Universidade de Coimbra numa parceria cial de que dispomos na área da saúde ao alcance estratégico evidente que visam a de uma nova Unidade Orgânica designada em que também participa a Universidade serviço do desenvolvimento económico e consolidação da Universidade de Coimbra Colégio das Artes, com vista ao desenvolvi- de Aveiro; e a criação, em Dezembro, do social da região, dando corpo a um concei- como centro de saber e a preparam para mento da investigação e do ensino pós-gra- ITC – Instituto de Tecnologia da Construção, to tanta vezes invocado de forma tão incon- uma nova fase de desenvolvimento e duado em domínio de interacção entre as entre a Universidade de Coimbra e um con- sequente – Coimbra, cidade da saúde”. prosperidade cultural e científica, os pró- diversas formas artísticas. junto de cerca de cinquenta instituições e ximos anos, e o que soubermos fazer empresas ligadas à indústria da construção REDE EUROPEIA DE com eles, vão ser determinantes. Ou nos PATRIMÓNIO CULTURAL civil e das obras públicas. “Representam DESENVOLVIMENTO REGIONAL remetemos à pacatez da nossa província, DA HUMANIDADE duas iniciativas de uma mesma estratégia fácil mas demissionário, ou nos abalança- de abertura ao meio, de capacidade de in- Recente aprovação, na primeira fase de mos para novos e ambiciosos desafios, Apresentação pública do início do pro- tervenção e de assumpção de responsabili- avaliação pela UE, de uma candidatura da reocupando, à custa de muito trabalho, o cesso de preparação da candidatura da dades no domínio da transferência de tec- Universidade de Coimbra para incorporar lugar a que temos direito no contexto das Universidade de Coimbra a Património nologia e da inovação”. uma Rede Europeia de Desenvolvimento Universidades europeias. A minha opção Cultural da Humanidade, “intenção que Regional que visa reforçar as unidades de é conhecida: dar a esta Universidade um não se limita a uma mera pretensão con- TRIBUNAL UNIVERSITÁRIO transferência de conhecimento de Universi- futuro compatível com o seu passado. templativa, antes significa um desejo de JUDICIAL EUROPEU dades, dotando-as de ferramentas e de re- Juntamente com todos quantos me acom- transformação do espaço físico, valorização cursos que facilitem a sua aproximação a panham nesta aventura, tenho trabalha- do património intangível e uma profunda Assinatura com o Ministro da Justiça (em PME inovadoras, e mecanismo de coopera- do afincadamente por isso. Penso que determinação na mudança das mentalida- Janeiro de 2006) de Protocolo que visa a ção. “O que esta aprovação tem de notá- estamos à medida deste desejo e desta des e atitudes, exigida pelos que a vivem criação de um Tribunal Universitário Judicial vel é o reconhecimento pela União Eu- ambição”. quotidianamente e por aqueles que, mes- Europeu, “que será um tribunal-âncora para mo estando longe, sentem a Universidade o ensino do Direito e formação de profissi- de Coimbra como um legado comum da Humanidade”. onais do foro, para a observação da Justiça e para a procura de experiências tendentes Docentes da UC MUSEU DA CIÊNCIA a contribuir para a melhoria dos serviços ju- diciais em Portugal, em mais uma iniciativa conquistam 60 prémios inovadora de aproximação entre a Univer- No último ano, professores e investigado- impossibilidade absoluta de os referir a Projecto de constituição do Museu da sidade e sociedade”. res da Universidade de Coimbra conquistaram todos, como seria seu merecimento, a con- Ciência, cuja abertura ao público da pré-fi- 60 prémios de reconhecimento do mérito, decoração pelo Senhor Presidente da guração poderá ser formalmente anuncia- CENTRO DE EXCELÊNCIA entre eles 14 Prémios de Estímulo à Ex- República, do Doutor Jorge dos Santos da no decurso deste ano e que se insere EM MEDICINA celência da FCT (Fundação da Ciência e Tecno- Veiga como Grande Oficial da Ordem Militar “na mesma linha de valorização do patri- logia), e sete Prémios Gulbenkian de Estímulo de Sant’Iago da Espada, em cerimónia rea- mónio como sinal de respeito pelo nosso Aprovada uma pré-candidatura (em Feve- à Investigação. lizada na Biblioteca Joanina e integrada nas passado mas também como critério de fu- reiro de 2006), dinamizada pela Reitoria e A afirmação foi feita pelo Reitor na ses- comemorações do 20º aniversário do Gru- turo e de desenvolvimento, valorizando os formalizada através do IPN (Instituto Pedro são solene comemorativa dos 716 anos da po de Coimbra, que ele tão sabiamente aju- aspectos em que a Universidade de Coim- Nunes), à ADI – Agência de Desenvolvimen- UC, tendo Seabra Santos destacado “por dou a construir”. bra é única” to, envolvendo cerca de 1 milhão de euros,
    19. Abril 2006 A G E N D A C U LT U R A L Jornal da Universidade 19 Para informações mais detalhadas consultar a Em Abril “culturas mil”... “Agenda Cultural da Universidade de Coimbra” na Internet, no sítio www.uc.pt/agendacultural A agenda de acontecimentos culturais de Abril ARTES VISUAIS - 5 e 26 de Abril – palestras - - 11h00, Faculdade de Letras (Sala 14h30, Departamento de Física (Sala Providência e Costa): “Religion und é muito vasta e diversificada, – Até 2 de Abril: expo blues - de Conferências - 3º andar): “Desafio Sprache in deutschen Gedichten zum com realizações para todos os gostos. da Física para o século XXI” . Erdbeben von Lissabon”, por Ulrich 14h00-01h00, TAGV (Sala Branca): A seguir se mencionam, agrupados por áreas, Exposição Retrospectiva da 1ª, 2ª e Conjunto de palestras que se desti- Löffler. Org: CIEG alguns dos acontecimentos mais significativos 3ª edição do Coimbra em Blues – na aos estudantes da FCTUC e a to- Festival Internacional de Blues de do o público interessado. 5 de Abril: - 21h30, Ordem dos Médicos (Av. Coimbra. Produção: TAGV. Fotogra- “Redes Ópticas de Telecomunicações Af. Henriques): “Ciência, Arte e His- ARTES DA CENA, – 19 de Abril (quarta-feira) - MÚSI- fias de Miguel Silva, Nuno Patinho e de Última Geração”, por Manuel Mo- tória”. Org: Grupo de História e So- SOM E IMAGEM CA - 21h30, Café Santa Cruz: “Serão Pedro Medeiros. ta (CHIPIDEA); 26 de Abril: “Energia ciologia da Ciência do CEIs20 e Con- Mozartiano”, com o Quinteto de Cor- Nuclear e Resíduos Radioactivos”, selho Distrital da Ordem dos Médicos. – 1 de Abril (sábado), 22 horas, no das da Orquestra Clássica do Centro, – Até 6 de Abril: expo 3 is - TAGV (Café-Teatro): Um Olhar sobre a in- por Carlos Varandas (CFN/IST) Café Santa Cruz: espectáculo com os dirigido pelo Maestro Virgílio Casei- - 7 de Abril (sexta-feira) – CON- - 21 de Abril (sexta-feira) - COLÓ- grupos “Quarto Crescente” e “Can- ro. Org: CIEG, em colaboração com o vestigação na Universidade de Coim- FERÊNCIAS: QUIO - 15h30, Museu Mineralógico e ção de Coimbra”, integrado na X edi- Instituto de Estudos Alemães (FLUC), bra. Org: Instituto de Investigação In- 11h00, Faculdade de Letras (Anf. Geológico (sala Carlos Ribeiro): “Pa- ção do Mês do Fado (organização com o apoio da Reitoria da U.C. terdisciplinar. Horário: seg a sex 10h00- V): “Deutsch und die europäischen trimónio Geológico - a importância da Secção de Fado da AAC). – 20 de Abril (quinta-feira) - CINE- 01h00; sáb e dom 14h00-01h00. Sprachen angesichts der Globalisie- da preservação”, com Galopim de – 5 de Abril (quarta-feira), 22 ho- MA E MÚSICA - 14h00. Faculdade de – 1 a 30 de Abril: ARTES PLÁS- rung”, por Manfred Schröder, res- Carvalho e Maria Helena Henriques. ras, no Café Santa Cruz: homenagem Letras (Anf. V): “Evocação Mozartia- TICAS - Círculo de Artes Plásticas ponsável pelas Relações Internacio- Org: Núcleo de Estudantes de Geo- a Mestre Gilberto Grácio, seguida da na”, com intervenções de membros do (Jardim da Sereia): Exposição “Army nais da Direcção do Verein Deutscher ciências. tradicional “Noite das Guitarradas”, Instituto de Estudos Alemães (FLUC), of Me”, de Jorge Abade. Horário: de 3.ª a Sábado, das 14h00 às 19h00. Sprache [Associação da Língua Alemã]. integrada na X edição do Mês do Fado. visionamento de um filme e audição - 26 de Abril (quarta-feira) - CON- – 20 a 27 de Abril: expo documen- 11h30, Faculdade de Letras (Anf. – 6 de Abril (quinta-feira) – DANÇA de trechos musicais seleccionados. FERÊNCIAS - 16h00, Faculdade de tal - Faculdade de Letras (Átrio): Ex- VI): “Aspectos da Poesia Electrónica - TAGV, 21h30: “O Amor ao Canto do Org: IEA, em colaboração com o CIEG. Letras (Sala 10): Ciclo “Portugal- posição documental “Mozart-Spuren no Brasil”, por Jorge Luiz Antonio, Bar Vestido de Negro”, pela Com- – 21 de Abril a 2 de Maio – CINE- Alemanha: Memórias e Imaginários in Wien”, em colaboração com a Em- por iniciativa do Mestrado em Es- panhia Olga Roriz (com direcção e MA - TAGV: Caminhos do Cinema Por- (Séculos XIX e XX)”. Com António baixada da Áustria. tudos Anglo-Americanos e da disci- selecção musical de Olga Roriz). In- tuguês XIII. Org: Centro de Estudos Sousa Ribeiro, Ana Isabel Boura e térpretes: Catarina Câmara, Maria plina Literatura e Media na Era Digi- Cinematográficos da AAC Teresa Mingocho. Org: CIEG Cerveira, Paulina Santos, Félix Loza- LITERATURA tal, no âmbito do ciclo de conferên- – 27 de Abril (quinta-feira) – MÚ- no, Pedro Santiago Cal e Rui Pinto. cias “Literatura e Novas Tecnologias”. SICA - 19h00, TAGV: Recital de voz e - 26, 27, 28 e 29 de Abril – Au- – 7 de Abril (sexta-feira) – MÚSICA piano, com Ana Ester Neves e João - 4 de Abril (terça-feira) - 18h00, - 10h00, Faculdade de Direito ditório da Reitoria: Colóquio interna- - TAGV, 21h30: concerto pelos “Fin- Paulo Santos, que interpretarão can- TAGV (Café-Teatro): “Sidónio e (Auditório): “A REN e a RAN: que cional “O artista como intelectual. gertips”. Digressão promocional de apre- ções de F. Lopes-Graça sobre textos Sidonismo”. Apresentação da obra de transformação?”. Org: FDUC, Centro No centenário de Fernando Lopes- sentação do novo disco “Catharsis”. de Eugénio de Andrade e poetas de Armando Malheiro da Silva, seguida de Estudos de Ordenamento, Urba- Graça” (ver notícia noutro local desta – 8 de Abril (sábado) – MÚSICA E Coimbra. de mesa-redonda com a participação nismo e Ambiente e Núcleos Urba- edição). DANÇA - 21h30, TAGV: Músicas e – 27 de Abril – TEATRO - 21h30, de Ernesto Castro Leal, Amadeu Car- nos de Pesquisa e Intervenção. danças Tradicionais São-Tomenses. Teatro de Bolso do TEUC (AAC): “An- valho Homem e Victor Neto. Org: Im- -27 de Abril (quinta-feira) – CON- Com a participação do Grupo Cul- tígona”. Sob a encenação de Andrzej prensa da Universidade de Coimbra. - 12 de Abril (quarta-feira) – CON- FERÊNCIA - 16h00, Faculdade de Le- tural da Associação dos Estudantes Kowalski, um TEUC renovado volta a - 20 de Abril (quinta-feira) - 18h00, FERÊNCIA - Centro de Estudos So- tras (Anf. V): “A Tradução para Edi- de S. T. P. em Coimbra, Grupo Bu- abrir as portas do Teatro de Bolso TAGV (Café-Teatro): “Escrileituras”. ciais, 17h00-19h00: “Estranheza en- ção. Uma Perspectiva Pessoal”, por lauê 5 de Novembro e Grupo de di- com esta peça que marca o fim de Manuel António Pina lê “Winnie-the- tre mundos: o mundo da escola e o Jorge Pinho (Universidade do Porto). vulgação da Cultura da Ilha do Prín- um Curso de Iniciação e o início de Pooh”, de A. A. Milne. mundo da vida”, por Sofia Marques Org: CIEG cipe. Organização da Associação de um novo TEUC. da Silva (Ciências da Educação, Estudantes de STP em Coimbra. – 28 de Abril (sexta-feira) MÚSICA: CIÊNCIA CIIE/UP). Integrada no I Ciclo Anual - 27, 28 e 29 de Abril - Auditório – 17 e 18 de Abril (segunda-feira e - 19h00, TAGV: Concerto pelo Quar- “Jovens Cientistas Sociais” 2005- da Faculdade de Direito - Encontro terça-feira) - PERFORMANCE - 23h30, teto Capella com Miguel Borges Coe- - 4 de Abril (terça-feira) - Departa- 2006, que visa dar maior visibilida- Internacional “Património Mundial TAGV (Café-Teatro): “GAL: farpas pa- lho – Orquestra Gulbenkian. Obras mento de Matemática – Colóquio: de ao trabalho de investigação nas de Origem Portuguesa” (ver notícia ra um país sem lobbies”, pela BUH! de F. Lopes-Graça, Schostakowitsch “Neuronal Calcium Signaling”, por ciências sociais e humanas por parte noutro local desta edição). Associação Cultural. GAL é uma leitu- e Joly Braga Santos. Steve Cox (Computational and Applied de jovens cientistas sociais de gran- ra comentada d’ “As Farpas” de Eça - 21h30, TAGV: Bernardo Sassetti Math., Rice University). Org: CMUC - de qualidade. Org: CES-UC. Coorde- - 28 de Abril (sexta-feira) CON- de Queirós e Ramalho Ortigão que, (piano), Rui Rosa (clarinete), Yuri Da- http://www.mat.uc.pt/~cmuc/index.php nação científica de Filipe Carreira da FERÊNCIA - 14h30, Arquivo da Uni- por volta de 1871, escreviam e edita- niel (contrabaixo), José Salgueiro (per- Silva e Marta Araújo. versidade de Coimbra (Sala D. João vam uns livretos mensais, dando cussão). Apresentação da banda so- - 4 de Abril (terça-feira): conferên- III): “A documentação Pontifícia na conta da vida do país. Interpretação: nora original do filme “Alice”, de Mar- cias na Faculdade de Letras: - 19 de Abril (quarta-feira) CON- Idade Média”, por José Marques Ricardo Seiça. co Martins, da autoria de Bernardo - 11h00 (Anf. IV) - “Wieviel Klassik FERÊNCIA – 11h30, Faculdade de Le- (FLUP). Org: Arquivo da Universida- – 18 de Abril (terça-feira) - TEATRO - Sassetti. braucht Europa?”, por Gerhard Lauer tras (Sala 13): “1756! German Reac- de de Coimbra e Instituto de Paleo- 21h30, TAGV: “A Partilha”. Elenco: – 29 de Abril (sábado) - MÚSICA - (Universidade de Göttingen). tions to the Lisbon Earthquake – His- grafia e Diplomática da FLUC. Teresa Guilherme, Rita Salema, Cristina 19h00, TAGV: Recital de piano por An- - 15h30 (Anf. V): “Die Erfindung tory and Tendencies”, por Ulrich Löffler - 29 de Abril (sábado) – CONFE- Cavalinhos, Patrícia Tavares. O drama e tónio Rosado. einer kleinen Literatur. Kafka und die (Univ. de Göttingen). Org: CIEG, em RÊNCIA-DEBATE - 11h00 – 19h00, Pa- a comédia alternam-se para narrar, de – 29 e 30 de Abril - FOLCLORE - jiddische Literatur”, por Gerhard Lauer colaboração com o Centro de Histó- lácio de S. Marcos “História do OAC forma terna, bem-humorada e emocio- 20h00, Jardim da Sereia: XIV ENEF (Univ. Göttingen). Org: CIEG, em co- ria da Sociedade e da Cultura (CHSC). vs história e contexto social portu- nante, o relacionamento de quatro (Encontro Nacional de Etnografia e laboração com o Instituto de Estudos guês ao longo dos últimos 125 irmãs. Autor: M. Falabella. Encenação: Folclore). Org: Secção de Fado da Alemães, no âmbito do Programa - 20 de Abril (quinta-feira) – CON- anos”. Org: Orfeon Académico de M. Falabella e J. Monchique. AAC. Sócrates/Erasmus. FERÊNCIAS: Coimbra.
    20. 20 Abril 2006 Jornal da Universidade DESPORTO PATRÍCIA AMENDOEIRA É EXEMPLO DE DEDICAÇÃO BÁRBARA GASPAR À MODALIDADE QUE PRATICA DESDE OS 6 ANOS ATLETA Treinadora amiga Em prol da ginástica Todos os dias, reconhecimento da cidade e das “A Patrícia é boa professora. Às vezes manda-nos fazer preparação física mas nós sabemos que é para nosso bem. Outras vezes grita, mas é nossa amiga. Gosto muito da Ginástica, mais de acrobática, e ao fim da tarde, entidades públicas e privadas “é gosto muito de participar nas provas. Divirto-me muito e tenho gratificante. É bom que haja essa feito muitos amigos. E a Patrícia também é muito minha amiga e o Pavilhão n.º 2 visibilidade, que sejamos reconhe- queria que continuasse a ser nossa treinadora”. do Estádio Universitário cidos e que não sejamos só nós a de Coimbra transborda pensar que estamos a fazer um de alegria bom trabalho. Tudo isto tem mui- FRANCISCO PINTO e entusiasmo to a ver com os eventos que te- TREINADOR com a chegada de mos trazido para a cidade de dezenas de praticantes Coimbra, em especial desde 2001, Brio e profissionalismo e que tornam mais conhecida a das classes de Ginástica “A Patrícia está na Secção há cerca de Ginástica da Académica. Neste da Associação seis e tem desenvolvido o seu trabalho momento voltamos a estar com Académica de Coimbra. uma enorme ‘máquina’ montada, com muito brio e profissionalismo. Com o trabalho dela e de Esta é, conforme para o Campeonato do Mundo todas as pessoas da Secção temos conseguido evoluir bastante. confessou que vai decorrer em Coimbra no Como treinadora tem realizado igualmente um trabalho ao “Jornal da próximo mês de Junho”. gratificante e que se tem reflectido nos bons resultados que Não é tarefa fácil aliar as fun- estamos a conseguir na Ginástica da Académica”. Universidade”, ções de treinadora e de dirigente, uma das maiores tanto mais numa Secção com compensações EVA FONTES intensa actividade e que “requer recebidas por muito empenho, muito tempo e ATLETA Patrícia Amendoeira, motiva algumas ‘dores de cabeça’. dirigente e treinadora Estão sempre a surgir problemas, Ajuda-nos sempre da Secção, a primeira mas é um trabalho que tem de ser “A Patrícia é boa treinadora e ajuda- entrevistada feito e é em prol da Ginástica que Patrícia Amendoeira é um dos rostos do nos sempre muito para aprendermos as o desenvolvemos. O enorme gos- da área do Desporto sucesso da Ginástica da AAC coisas. Quando pensa que já conseguimos fazer, deixa-nos tentar to pela modalidade é que nos faz sozinhos. É nossa amiga. Já ando na Ginástica desde os três anos ANTÓNIO JOSÉ FERREIRA ultrapassar os momentos menos bons. São s gosto muito, muito. Já fiz muitos amigos este ano e também compensados, depois, com as imensas alegrias que tenho muitos que já eram do ano passado, do outro grupo”. A paixão pela modalidade começou bem cedo: “O vamos vivendo”. meu pai contava que desde os 6 anitos eu dizia que queria ser treinadora de Ginástica. Ficava vidrada na PARA QUANDO O “NOVO” ESTÁDIO? JOÃO DANIEL televisão com qualquer modalidade desportiva e nos Autodisciplina, persistência, empenhamento, treino in- ATLETA Jogos Olímpicos, por exemplo, fascinavam-me bastante dividual são alguns dos pressupostos essenciais no dia- a Patinagem e a Ginástica. A dada altura deixei de -a-dia de um ginasta. Mas que, por si só, dificilmente Conselhos úteis praticar, porque a minha irmã enveredou pela conduzem ao sucesso se não forem aliados a um competição e os meus pais não conseguiam manter as conjunto mínimo de equipamentos e condições de “A Patrícia é uma boa treinadora. duas. Mas a treinadora pediu-me para dar uma ajuda e, trabalho. A este nível, “claro que gostaríamos de ter Ensina bem e quando algum menino por isso, desde os 13 anos que sou monitora”. não consegue fazer as coisas ela vai sempre ajudar. E está sempre mais. Mas para colocar onde? O espaço que está Mais tarde, já em Coimbra, depois de concluído o reservado à Ginástica esgotou por completo! E não tem pronta para quando algum menino se aleijar ir logo socorrê-lo. É curso de Educação Física, a oportunidade surgiu quando algumas condições essenciais para o desenvolvimento nossa amiga, brinca muito connosco e nas competições dá-nos “um colega me disse que estava vago um lugar de de um trabalho cada vez melhor. No Inverno o frio é conselhos para obtermos bons resultados”. treinador. Recebi o convite e nem hesitei. Aceitei, intenso e há ‘miúdos’ que começam a faltar, porque os mesmo sem conhecer a realidade da Secção. Na altura pais entendem que não estão reunidas as condições de CARLA COUCEIRO foi-me atribuída uma classe de 4/5 anos, com cinco treino ideais; e no Verão é extremamente quente. Já TREINADORA meninos. Neste momento temos três classes destas solicitámos alguns melhoramentos, mas que até ao idades, cada uma com 12 meninos, e com outros em momento não foram concretizados”. lista de espera. Houve grande evolução em termos do Mas... já está em estudo a remodelação do Estádio Boa gestora número de ‘miúdos’ a praticar Ginástica e fico muito Universitário de Coimbra. “Para quando? Para quando?”, “Começou como treinadora das satisfeita com isso, como treinadora e como dirigente”. perguntou Patrícia Amendoeira, dando conta que “não classes de miúdos de 4 anos e, aos O trabalho desenvolvido ao longo dos anos e os tenho muitos conhecimentos em relação ao que vai ser poucos, foi convidada para integrar a Direcção, em diversos resultados obtidos fazem da Secção de Ginástica da feito. Mas espero que resulte em óptimas condições cargos. Foi evoluindo até que chegou à presidência, onde de- AAC um caso de sucesso no panorama desportivo para a prática das modalidades. Julgo que os senvolveu um trabalho excelente. É uma pessoa muito or- distrital. Reconhece que se trata de um percurso que responsáveis pelas secções deviam ser consultados, o ganizada e conseguiu gerir muito bem todo o nosso tra- tem muito do seu envolvimento e cunho pessoal, mas que ainda não foi feito, mas garantiram--nos que vai balho. Faz tudo com muito gosto e dá sempre o seu melhor faz questão de frisar que “não fui só eu o ‘motor’ deste acontecer. Estamos a aguardar. Nós é que aqui tra- para que as coisas corram bem. Excelente trabalho também salto quantitativo e qualitativo, que se deve balhamos todos os dias, passamos aqui muitas horas, como treinadora, especialmente na área dos trampolins, pre- fundamentalmente ao excelente conjunto de técnicos e sem dúvida que poderíamos dar algumas sugestões parando muito bem os atletas para integrarem as classes que temos e ao bom trabalho de grupo realizado”. O para que este espaço seja rentabilizado ao máximo”. superiores”.
    21. Abril 2006 GRUPOS DA ACADEMIA Jornal da Universidade 21 As Fans: entre a música e o futebol cionais e internacionais, já arrecadaram diver- sos prémios: Melhor Tuna, Tuna Mais Tuna, Melhor Solista, Melhor Instrumental e Men- ção Honrosa. Para além dos aspectos ligados à qualida- de musical, As Fans transportam uma ima- gem de jovialidade e boa disposição que na- turalmente contagia quem as ouve. Foram, precisamente, o gosto, a vontade e a motivação que as levaram a embarcar num arrojado projecto que traduziu um sonho an- tigo: a gravação do primeiro CD de originais. \"Sonho a Preto e Branco\" – repertório que conta e canta Coimbra, suas Gentes e Tradi- ções, com edição de 1998. Em 2004 realiza- ram o \"I Tunalidades – Festival Internacional de Tunas Femininas de Coimbra\", integrado no Programa Cultural da Queima das Fitas. Ao fim de 17 anos de existência, as portas continuam abertas: \"Quem estiver interessa- do em juntar-se a nós que apareça nos en- saios\", afirma Rita Amaral, uma das respon- sáveis da tuna. Tudo começou em 1989, na sede da Fa- continuam a considerar-se como \"um peque- co-organizado o \"Canto da Sereia – Encontro Direcção: lange de Apoio Negro (FANS), uma claque de no grupo de amigas que assumem, com par- Internacional de Tunas Femininas\", em parce- Rita Amaral apoio à Académica/Organismo Autónomo de ticular empenho e prazer, o espírito e a irre- ria com as \"Mondeguinas\", até 2003. Maria Inês Cunha Futebol... verência tão próprios da Academia coimbrã\". Ao longo dos anos, têm corrido o país de Ana Isabel Lopes Duas amigas, alunas da Faculdade de Apesar da ligação umbilical ao futebol, Norte a Sul, tendo até actuado já nos arqui- Ensaios: Letras, resolvem intervir mais activamente no nem por isso encaram a actividade musical pélagos dos Açores e da Madeira. Em 2000, Segunda-feira e quarta-feira meio académico e fundam a primeira tuna fe- com menos entusiasmo. Têm brio no traba- cruzaram fronteiras em direcção a Hannover Hora: minina da história da Universidade de Coim- lho desenvolvido e encaram o futuro com (Alemanha), para participarem nas Comemo- 21h30 bra – a segunda de Portugal. Convidam mais constante preocupação de qualidade, que rações do Dia de Portugal, na Expo-2000. Um Local: quatro amigas e surgiram \"AS Fans dos pretendem sempre crescente. ano depois encontravam-se em Itália. Rua Alexandre Herculano, 35 FANS\". Desde o início fazem questão de ser pre- Também têm animado arraiais e romarias, Contactos: O grupo foi crescendo e o nome simplifi- sença habitual nas actividades de índole mu- jantares e recepções oficiais, espectáculos de 963 379 394 cou-se: As Fans. Só. sical da AAC, nomeadamente nos saraus e solidariedade e – claro – têm colaborado em asfans@hotmail.com Actualmente são 30 alunas dos mais varia- encontros de tunas realizados por ocasião iniciativas ligadas à Académica/OAF. http://fans.no.sapo.pt/ dos cursos da Universidade de Coimbra que das \"Latadas\" e \"Queima das Fitas\", tendo Presença assídua em festivais de tunas, na- NA QUINTA-FEIRA, DIA 6 Festival de Tunas Mistas mostra-se nas ruas da cidade Cinco grupos – de Coimbra, Lisboa, Alma- das”, organizado pela Tuna Mista da Faculda- ruas da cidade, numa “passeata mista” que Velha, Arco de Almedina, ruas Ferreira Bor- da, Beja e Viseu – participam na próxima de de Ciências e Tecnologia da UC. principia às 16h00. ges e Visconde da Luz, Praça Oito de Maio, quinta-feira, 6 de Abril, no IV Festival de O Festival principia às 21h30, no Largo D. O percurso que as cinco Tunas vão rea- Avenida Sá da Bandeira e Escadas Monu- Tunas Mistas de Coimbra, o “Oito Badala- Dinis. Antes, porém, as tunas desfilam pelas lizar é o seguinte: Largo da Sé Nova, Sé mentais. CURSOS NO ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO DURANTE O MÊS DE ABRIL Do ténis aos socorros a náufragos Para o corrente mês de Abril, – Curso Breve de Iniciação ao Canyoning cialização, limitado a 30 participantes. Ne- munidade universitária. Inscrição a realizar o Estádio Universitário (de 6 a 9 de Abril). Aberto à comunidade uni- cessita de pré-inscrição (15 ) a realizar na na Sala dos Estudantes do Pavilhão II do versitária. Inscrição a realizar na Sala dos Sala dos Estudantes do Pavilhão II do Es- Estádio Universitário de Coimbra. de Coimbra vai acolher, Estudantes do Pavilhão II, do Estádio Uni- tádio Universitário de Coimbra. para além de muitas versitário de Coimbra. Todos estes cursos são organizados pela outras actividades, – Curso breve de Ténis, dia 16 de Abril, FCDEF-UC (Faculdade de Ciências do Des- os cursos que ao lado – 1.º Curso de Socorros a Náufragos, dia das 14.00 h – 18.00 h, no Estádio Univer- porto e Educação Física da Universidade de se referem 23 de Abril. Trata-se de um curso de espe- sitário de Coimbra (Pavilhão 2). Aberto à co- Coimbra).
    22. 22 C Abril 2006 Jornal da Universidade UNIVERSIDADE BOAS SUGESTÕES PARA AS FÉRIAS DA PÁSCOA Muitas iniciativas para crianças e jovens Durante o corrente mês de Abril vão efe- organizada pelo Serviço de Cirurgia daquele BRINCAR NO MUSEU em http://www1.fis.uc.pt/museu/index.htm. ctuar-se em Coimbra diversas iniciativas Hospital, Departamento de Matemática da ANTROPOLÓGICO No Museu Mineralógico e Geológico está voltadas para a infância e juventude. FCTUC, Núcleo de Estudante de Matemática e “É o som presente desse mar futuro” – eis o “Chalé Pedrosa”, local cenografado onde Assim, no Museu Botânico decorrem ate- Engenharia Geográfica da AAC e alunos do a designação do ateliê para proporcionar às se representa uma recriação da vida na liês sob o tema \"A brincar também se Departamento de Física que integram a As- crianças um espaço de educação não for- Idade da Pedra, que tem como público-alvo aprende\". Durante as férias da Páscoa, para sociação Physis da AAC. mal. Dura 90 minutos e destina-se a crian- a primeira infância. crianças dos 4 aos 12 anos, “À descoberta Mais informações em http://www.mat.uc.pt/ ças dos 5 aos 10 anos (preço: 1 Euro/crian- No Museu Zoológico decorre um ateliê dos ovos da Páscoa”, ou “Como nasce uma actividades/ ça). De segunda-feira a sexta-feira, às 10h, didáctico intitulado “Era uma vez uma planta”. Marcações pelo telefone 239 855 às 12h, às 14.30h e às 17h. Contacto: fábula”, para crianças dos 6 aos 10 anos, à 220 ou fax 239 855 211. Informações em OLIMPÍADAS DE FÍSICA Telefone 239 829 051/2; Fax: 239 823 491; quarta.feira, das 14h00 às 16h00 (com www.uc.pt/botanica/museu.htm. E QUÍMICA e-mail: miranda@antrop.uc.pt marcação prévia). Visitas escolares também No Jardim Botânico haverá visitas-ateliê com marcação prévia (informações pelo com o tema “Vamos abraçar as Árvores?!!”. A Nos dias 21 e 22 de Abril, no Depar- telefone 239 491 650, fax 239 826 798, e- visita do dia 22 celebrará o Dia Mundial da tamento de Física da FCTUC, decorrem acções EXPOSIÇÕES NOS MUSEUS mail musezoo@ci.uc.pt). Dias úteis, das Terra. Destina-se a alunos 1º ciclo e inclui a de preparação para as Olimpíadas Interna- No Museu da Física estão em curso as se- 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00. elaboração de um pequeno herbário, um tra- cionais de Física. guintes acções: “Museu dos Pequenitos”, Encerra aos fins-de-semana e feriados. balho com materiais, informações e curiosi- Também no Departamento de Química da para crianças dos 6 aos 9 anos (grupos de Geral = 4 Euros, Estudante = 3 Euros, dades “colhidas” durante o percurso no jar- FCTUC se efectua, no dia 22, uma sessão das 20 elementos: 25 Euros); “Estórias da Sénior = 2 Euros, Crianças até 6 anos = 2 dim. Marcação prévia, até 13 de Abril, para Olimpíadas de Química Júnior. Informações História em imagens de encantar”, dos 6 Euros (em grupo escolar), gratuito (em telef. 239 855 233/ fax: 239 855 211. pelo telefone 239 854 463 ou em http:// aos 12 anos (20 elementos: 25 Euros); Ainda no Museu Botânico prosseguem grupo familiar). www.qui.uc.pt/. “Toca a experimentar”, dos 12 aos 15 anos as oficinas “Ciência no Museu”, de se- (20 elementos: 25 Euros); “Visita Geral gunda-feira a sexta-feira (excepto feriados orientada”, para alunos do 3º Ciclo do e férias lectivas). Marcações pelo telefone CONSTRUIR UM RÁDIO Básico e do Secundário (20 elementos: 25 VISITA AO OBSERVATÓRIO 239 855 220. Durante este mês de Abril o Departamento Euros); “Óptica no Museu”, para grupos do Por último, registe-se a possibilidade de de Física da FCTUC prossegue a acção desig- Ensino Secundário (20 elementos: 30 ir até ao Observatório Astronómico, com nada “Com as mãos na massa”, com esta Euros); “Oriente-se!” para grupos do Ensino visitas de estudo ao Espectroheliografo às APRENDER A BRINCAR proposta aliciante: \"Constrói o teu próprio Secundário – Exposição interactiva, com terças-feiras, quarta-feiras e quinta-feiras, Dia 20 de Abril, no Hospital Pediátrico de rádio\". Destina-se aos alunos do 12.º ano e réplicas de instrumentos (20 elementos: 30 com início às 14,15 horas. Necessita de Coimbra, decorrerão actividades matemáticas as inscrições deverão ser feitas para Sandra Euros). Marcações: De segunda-feira a marcação précia (telefones 239 802 370/5) para distrair as crianças ali internadas. Costa, telefone 239 410 104; 966 140 614, ou sexta-feira, das 10h00 às 19h30; pelos e 35 é o número máximo de alunos por A acção intitula-se “Aprender a brincar” e é para o e-mail: scosta@teor.fis.uc.pt. telefones 239 410 602/672. Mais informações grupo. I nformação C omercial “Natural +” a cuidar da saúde Com modernas instalações, recen- Farmácia Universal, igualmente insta- te, pelo que prefiro ser eu a fazê-lo, temente remodeladas, na Rua da So- lada na Baixa de Coimbra. acompanhada por uma equipa de fia, em Coimbra, a “Natural +” é um Isabel Mesquita justifica assim a farmacêuticos”, afirma Isabel espaço onde prevalece a preocupa- criação da “Natural +”: Mesquita. ção de cuidar da saúde dos clientes, “Na Farmácia Universal já tinha A “Natural +” resulta, pois, de levar através de uma vasta e variada gama medicamentos homeopáticos e pro- à prática um conceito de espaço de de produtos e serviços que proporci- dutos naturais, tendo sido das pri- saúde, onde os clientes encontram, ona. meiras a especializar-se nesta verten- na aquisição de produtos naturais ou Assim a “Natural +” é uma das pi- te. Mas como não havia espaço para de medicamentos de venda livre, “a oneiras na venda de medicamentos expandir a farmácia neste sector, de- mesma qualidade e confiança que já não sujeitos a receita médica (MNSRM), cidi abrir esta loja na Rua da Sofia”. conhecem da farmácia”, como subli- para além de comercializar produtos Isabel Mesquita considera, pela ex- nha Isabel Mesquita. de homeopatia e de fitoterapia, pro- periência adquirida ao longo de vá- Na “Natural +” o público encontra, dutos naturais feitos à base de plan- rios anos, que “estas duas áreas, a por isso, “mais serviços e uma opção tas. Tem ainda ao dispor do público dos medicamentos tradicionais da A remodelação da “Natural +”, que que trabalho na farmácia da família de produtos mais alargada do que a prestigiadas marcas de dermocosmé- farmácia e a dos produtos naturais, se tornou em espaço ainda mais desde 1991” – refere Isabel Mesquita, disponível na farmácia”. tica e diversos acessórios ortopédicos. não estão muito separadas”. E expli- agradável, decorre também das alte- acrescentando achar oportuno aliar Aliás, a opção pelo nome da loja, A “Natural +” abriu ao público em ca: “Muitas pessoas que procuram rações verificadas na legislação, que essa experiência à que adquiriu no “Natural +”, pretendeu simbolizar 1995, no mesmo espaço da Rua da os produtos tradicionais de farmácia permite a venda, fora das farmácias, sector dos produtos naturais. que se trata de um espaço com mais Sofia que hoje ocupa, como loja de também são adeptas do uso de cer- de diversos medicamentos que não “A lei não exige o aconselhamen- opções para o cliente, com um natu- produtos naturais. A sua proprietária tos produtos naturais, como preven- carecem de receita. to farmacêutico nos medicamentos ral acompanhamento por parte de é a farmacêutica Isabel Mesquita, ção, como terapêutica e até na ali- “A farmácia e os medicamentos de venda livre, mas eu entendo que quem sabe, de molde a garantir sa- que é também sócia-gerente da mentação”. são uma área que domino bem, já o conselho técnico é muito importan- tisfação e assegurar qualidade.
    23. Abril 2006 PUBLICIDADE Jornal da Universidade 23
    24. Ima gens Abril 2006 24 Jornal da Universidade Ú LT I M A Céu de Coimbra 12 de Março 2006, 06:48 Fotos de Dinis Manuel Alves

    + Instituto Superior Miguel TorgaInstituto Superior Miguel Torga, 2 years ago

    custom

    1970 views, 0 favs, 0 embeds more stats

    Versão integral da edição n.º 2 do mensário more

    More info about this document

    © All Rights Reserved

    Go to text version

    • Total Views 1970
      • 1970 on SlideShare
      • 0 from embeds
    • Comments 0
    • Favorites 0
    • Downloads 14
    Most viewed embeds

    more

    All embeds

    less

    Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
    Flag as inappropriate

    Select your reason for flagging this presentation as inappropriate. If needed, use the feedback form to let us know more details.

    Cancel
    File a copyright complaint
    Having problems? Go to our helpdesk?

    Categories