Cargo n.º 163 – Dezembro 2005

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    Cargo n.º 163 – Dezembro 2005 - Presentation Transcript

    1. DEZEMBRO 2005 1
    2. 2 DEZEMBRO 2005
    3. Editorial DIRECTOR Luís Filipe Duarte CHEFE DE REDACÇÃO Fazer contas - parte II Anabela Tanganhito REDACÇÃO O País conheceu este mês mais uma versão do TGV, Comboio Adriano Mendes, António Gumerzindo, João de Alta Velocidade. Ficou a saber-se que, nos próximos anos, não Cerqueira haverá cinco, mas duas ligações: O Lisboa-Madrid, porque nos COLABORADORES ESPECIAIS A. Figueiredo Sequeira José Augusto liga à rede internacional ferroviária, e o Lisboa-Porto, que pre- Felício, J. Martins Pereira Coutinho, Vitor tende formar uma grande metrópole por aproximação temporal Caldeirinha das duas maiores cidades. EDITOR FOTOGRÁFICO Vasco Pereira Desde logo, cabe dizer neste espaço, e é apenas e tão só uma MARKETING / PUBLICIDADE opinião, que se entende a prioridade de construção do Lisboa- Susana Rebocho Madrid, sobretudo por tal permitir, às mercadorias, circularem ADMINISTRAÇÃO E REDACÇÃO Ed. Rocha do C. d'Óbidos, 1º, sala A em bitola europeia, que é sem dúvida importante factor de com- Cais de Alcântara - 1350-352 Lisboa petitividade para chegarmos sem rupturas ao centro da Europa, Tel. 213 973 968 - Fax 213 973 984 fica por se perceber a razão da linha Lisboa-Porto em Alta Veloci- www.cargoedicoes.pt e.mail:cargo@cargoedicoes.pt dade, isto é mais de 300 km/hora. PROPRIEDADE Os custos estimados de 4,7 mil milhões de euros desta liga- Luís Filipe Duarte ção são mitigados, a julgar pelos estudos da Católica, do ISCTE D.G.C.S. nº 118538 e de um sindicato bancário, pela exploração comercial lucrati- EDITORA CARGO Edições, Lda va, embora os lucros que permitam amortizar o investimento. Ed. Rocha do C. d'Óbidos, 1º, sala A Em momento de reconhecido aperto financeiro, não seria Cais de Alcântara - 1350-352 Lisboa bem mais avisado fazer o Lisboa-Porto numa nova linha, em Tel. 213 973 968 - Fax 213 973 984 IMPRESSÃO E ACABAMENTO bitola europeia, é certo, para precaver o futuro, mas nela fazer Óptima Tipográfica circular os agora esquecidos Alfas Pendulares, que atingem a Casais da Serra 2665-305 Milharado módica velocidade de 225 km/hora, capazes, pelas contas, de ASSINATURA ANUAL Portugal - 25 EUR fazer o Lisboa-Porto em pouco mais de hora e meia? Estrangeiro - 30 EUR A verdade é que a velocidade média de exploração ferroviá- Depósito legal nº 6196692 ria não ultrapassa, na Europa, os 200 km/hora. PERIODICIDADE - Mensal TIRAGEM - 8.000 exempl. O director Índice ANO XV • Nº 163 • DEZEMBRO 2005 MARÍTIMO RODOFERROVIÁRIO & LOGÍSTICA Movimento do porto de Sines Transporte intermodal é o futuro .............. 22 aumenta mês a mês .................................... 4 Marco Polo é a esperança Claude Bouyssiere, Liscont: Lisboa é o do transporte ferroviário .......................... 24 porto que melhor serve a região .................. 8 Naveiro encabeça projecto contemplado .. 25 Eurocrane relança actividade de Vencedores T&N distinguidos no Porto .... 26 equipamentos de elevação pesados ............ 10 Portugal vai ter manual A Cidade e a Vila de segurança rodoviária ............................. 27 por Vítor Caldeirinha .................................... 14 Anúncio do TGV não avança Porto de Aveiro: ligação ferroviária alguns aspectos essenciais ....................... 28 já pode arrancar ............................................. 15 Transporte português penalizado ............ 30 Portos a ganhar 5,9% @ Rodoferroviário & logística .................. 31 desde o início do ano ........................................ 15 "Corporate governance" e teoria AÉREO institucional: O caso dos portos Novo Aeroporto de Lisboa na Ota por Prof. J. Augusto Felício .......................... 16 é escândalo nacional Faleceu Barbosa Henriques ..................... 20 por J. Martins Pereira Coutinho .................. 32 @ Marítimo ................................................. 21 @ Aéreo ...................................................... 34 DEZEMBRO 2005 3
    4. Lídia Sequeira Movimento do porto de Sines aumenta mês a mês No final de Novembro o crescimento do porto de Sines estava estimado nos 9%, sendo previsível que em 2005, pela primeira vez desde 1988, obtenha resultados líquidos positivos. ídia Sequeira, presidente do dia Sequeira acompanha nos estudos plenamente estes concursos que fize- L porto de Sines, faz um balan- ço positivo destes pouco mais de seis meses que leva à fren- te da estrutura. A actividade económi- ca do porto cresceu, aguardando-se um desde 1998 e que teve agora o pontapé de arranque. Tudo a par com «uma análise criteriosa como qualquer em- presa tem que fazer por cada uma das áreas de negócio», revisão que incluiu mos agora para a construção dos edifí- cios. Isto será o âmago desses investi- mentos. Em termos do nosso porto de recreio, decidimos não fazer a respec- tiva concessão, mas sim construir um crescimento do volume global de mer- os contratos de forma a acautelar que edifício para dar dignidade ao apoio cadorias movimentadas no porto na or- os interesses e as receitas do porto de aos navegadores que o demandam, dem dos 9%, depois de um primeiro Sines sejam devidamente compensa- para substituir o conjunto de barra- trimestre algo modesto. Além disso, dores relativamente à actividade que cões que hoje lhe dão apoio. O porto como referimos na abertura desta peça, presta. que não tem condições para ser uma pela primeira vez desde 1998 o porto CARGO: Quais os investimentos grande marina, por não dispôr de área de Sines irá ter resultados líquidos po- já planeados para fazer face ao previ- de expansão, e ter a capacidade limi- sitivos. Mas, para além do crescimen- sível aumento da actividade do por- tada a 280 embarcações. to normal da actividade, as perspecti- to? Vamos simultaneamente construir vas de futuro deixam Lídia Sequeira Lídia Sequeira: Já adjudicámos uma rampa de varadouro junto ao por- francamente optimista, seja quanto ao um estudo ao LNEC, Laboratório Na- to de serviços para permitir o apoio a terminal petrolífero, seja no que se re- cional de Engenharia Civil, para po- uma pequena indústria de reparação fere ao terminal de contentores, base- dermos planear o crescimento do mo- naval dentro do porto. Vamos fazer ada na comparação do crescimento dos lhe leste, afecto ao terminal de conten- esse investimento em 2006, e traba- movimentos, sobretudo a partir de Se- tores. Aí, como sempre, esperamos que lhos de manutenção e recuperação no tembro passado, quando começa a ha- o desenvolvimento da obra tem que ser molhe leste. Também na área de se- ver um crescimento de mês para mês. acompanhado pelo crescimento do in- gurança, muito sensível neste porto, Sines aguarda a vinda de cada vez mais vestimento do operador em termos do já temos planos. Neste pormenor, a navios com grande dimensão. Além próprio terminal. APS segue os contratos com todo o ri- disso, Dezembro marca o arranque da Vamos avançar com o nosso pólo A gor e com isso poupámos centenas de zona de actividades logísticas, que Lí- da ZAL, consolidando e concretizando milhares de euros com uma análise mi- 4 DEZEMBRO 2005
    5. nuciosa, contrato a contrato, daquilo tiva e o nosso des- que se adjudica. Vamos fazer um es- conforto pela dimi- forço de investimento significativo nuta movimentação para a implementação de um sistema de carga no termi- de supervisão portuária em toda a área nal. Nessa altura, o sob domínio da administração do por- terminal estava com to de Sines. E vamos naturalmente uma média anual de garantir a concretização dos sistemas contentores que era de informação que estão neste momen- da ordem dos pouco to a funcionar. Considero-a uma área mais dos 30 mil da maior importância, tão importan- TEUS, quando esta- te como as infraestruturas para que o va previsto ter 10 porto funcione. Estes são os investi- vezes isso. mentos que temos considerados para Essas expectati- o nosso orçamento do próximo ano e vas já foram altera- Dona de um currículo a todos os títulos invejável, sem- que vão gerar toda a qualidade para das? pre ligado ao transporte, de que aqui apresentamos ape- que este porto seja um porto moderno Neste momento, nas um resumo, Maria Lídia Ferreira Sequeira, presiden- destinado a atingir aquilo que nós di- a expectativa é que te do CA do porto de Sines, é licenciada em Economia zemos ser um desígnio nacional. E os já chegaremos ao fi- (ISCEF), tendo iniciado funções profissionais em 1972, investimentos são fulcrais. nal do ano provavel- quando ingressou na Direcção-Geral de Transportes Ter- A administração do porto esteve mente ultrapassan- restres como Técnica Superior de 2ª classe. De 1977 a há pouco tempo em Antuérpia. Sei do os 50 mil. Prati- 1984 foi coordenadora da equipa para a Planificação e que a PSA está a investir forte em An- camente todos os Implementação das Redes de Transporte Escolar, em tuérpia e também noutros terminais. meses temos tido 1984-85 coordenadora do Grupo de Trabalho para a Re- Qual foi a receptividade que notou em mais um serviço visão do Sistema Fiscal no Sector dos Transportes, de relação ao Terminal XXI? anunciado no termi- 1985 a 1990 chefe de Divisão de Relações Internacio- A reunião em Antuérpia não foi nal de contentores, o nais, de 1990 a 1992 directora do Gabinete de Estudos e uma reunião de cortesia. Como qual- que nos parece posi- Planeamento da D.G.T.T., de 1992-96 subdirectora-ge- quer reunião de trabalho, naturalmen- tivo. ral de Transportes Terrestres. Entre 1997 e 2000 geriu a te que não havia apenas pontos de vis- Agora é impor- Intervenção Operacional dos Transportes (QCA II), sen- ta convergentes, o que torna estas reu- tante dar um passo do igualmente coordenadora sectorial dos Transportes niões mais complicadas. Foi uma reu- em frente, que é para o Fundo de Coesão, após o que, desde 2004 e até à nião clarificadora em termos da posi- avançar com a fase sua nomeação para o porto de Sines, foi gestora de Eixo ção do estado português, que estava B por parte do con- Prioritário do Programa Operacional Ciência e Inovação representado pela secretária de Esta- cessionário, como 2010. Outras funções igualmente relevantes preenchem do, Ana Paula Vitorino, uma reunião está contratualmen- o seu currículo, sempre ligadas ao financiamento e pla- muito positiva porque ficaram clarifi- te previsto. Da nos- neamento da actividade transportadora, de que se des- cadas as posições de ambas as partes. sa parte, não preci- tacam diversas coordenações e chefias de delegações Ficou também muito claro que existe saremos de aumen- nacionais junto dos organismos comunitários. um real interesse no desenvolvimen- tar já o molhe mas to no terminal de contentores do porto isso não impede que tenhamos inicia- que vem de trás e que tem que ter con- de Sines. Inclusivamente, foi transmi- do os estudos técnicos para que possa- tinuidade. tida essa preocupação que existe do mos rapidamente proceder a esse in- Referiu novos serviços. O que há alargamento do nosso hinterland. vestimento assim que haja um cresci- de novas linhas? O porto de Sines é um porto que mento da plataforma. A MSC neste momento é o único tem acessibilidades ferroviárias junto Por outras palavras, apesar de não operador. Neste momento, há três ser- dos seus terminais, com excepção do ter sido uma reunião fácil, a resposta viços mas julgo que não é segredo para terminal petroleiro, que tem outro tipo da PSA terá sido satisfatória? ninguém que vai ter agora início uma de modo de transporte que não seja a As coisas têm evoluído e estão a nova linha que liga directamente o por- acessibilidade ferroviária. Mas tem evoluir no sentido positivo. Embora to de Luanda ao porto de Sines. Seria alguns problemas de acesso rápido à ainda não satisfatoriamente mas no interessante ter outras linhas. fronteira, que é indispensável para a sentido positivo. Naturalmente que ao Há que ter em conta que vai ser conquista do hinterland da Estrema- operador do terminal lhe interessa determinante a localização de um cen- dura espanhola e de, porque não dizê- mais linhas. É a única forma de sobre- tro brasileiro de distribuição em Por- lo, numa segunda fase, Madrid. Essa vivência de qualquer terminal. É um tugal. A informação que nós temos é é a nossa perspectiva e é a nossa con- interesse de desenvolvimento. Não há que virá em breve uma equipa de em- vicção. Para isso, a secretária de Esta- nada melhor do que as coisas estarem presários ao nosso país e que visitará do também sublinhou os investimen- clarificadas. Às vezes, pode não se di- três portos. Um deles será Sines. O trá- tos que estão previstos em sede do Or- zer exactamente o que a outra parte fego com o Brasil vai depender disso, çamento de Estado para o próximo ano está à espera de ouvir, mas numa pers- mas da nossa parte tem que haver uma no que respeita às acessibilidades ro- pectiva realista, as pessoas sabem que análise do negócio em termos de pers- doviárias de uma forma mais directa e quando se está a trabalhar continua- pectivas de futuro. Essa análise tem mais rápida a Évora e a Elvas. Ficou damente no sentido de consolidar um que ter sempre uma visão de recupe- também sublinhada a nossa expecta- projecto que no fundo é um projecto ração de investimento. Nunca M DEZEMBRO 2005 5
    6. M podemos raciocinar a prazo sem pre algum transporte. que nos comparam dizem que somos ser com base em valores rigorosos. Os Há zonas que ou não têm gasoduto bons a nível da carga e menos bons a próprios tarifários dos portos têm des- ou não têm caminho-de-ferro e têm que nível de passageiros. contos de quantidade. Não podemos ser servidas de outro modo, que só pode Qual o papel que antevê para o admitir que se estará a custo zero quan- ser a rodovia, embora eu pense que um porto de Sines em termos de ordena- do quiserem investir em Portugal. Te- porto hoje em dia não pode sobreviver mento futuro do nosso mapa de mo- mos um período de carência com a PSA, sem caminho-de-ferro junto dos seus vimentação de mercadorias? e naturalmente que em termos de ins- terminais. Vamos ter aqui uma verdadeira talação de novos operadores acontece- Gostaria que me falasse sobre revolução em termos de transportes. rá a mesma coisa. uma coisa exemplar que se está a fa- Somos um país de excessos. Às vezes Numa questão de concorrência, não zer aqui em Sines e que é única no somos muito temerários, outras vezes podemos fazer condições muito dife- resto do país: três entidades junta- somos aventureiros e avançamos para rentes de uns em relação aos outros, ram-se, ainda que apenas informal- grandes empreendimentos, como pois estaríamos a viciar as normas da mente, porque pelo que julgo saber a quando fizemos este porto. Este porto concorrência. empresa nunca foi formalmente cria- foi feito por visionários. Tiveram uma Sines tem sido acusado de rece- da mas está a funcionar. perspectiva há mais de 30 anos atrás. ber grandes investimentos sem que Há uma empresa que é a Luís Si- É um porto que está extremamente tal se justifique, em comparação com mões, uma empresa logística, que está bem ordenado. Foi uma visão de futu- outros portos. Partilha essa opinião? a organizar o transporte rodoviário. ro que naquela altura era impensável. Isso não é verdade, e posso provar. Acho fabuloso, é uma operação que Vamos ter aqui uma grande movi- Nesse aspecto, como tenho acompa- está a correr muito bem. mentação de produtos petrolíferos. O nhado há muitos anos os investimen- Há um operador logístico que se primeiro cais está desactivado desde tos todos, posso provar que não é ver- responsabiliza pelo transporte, pela que sofreu danos profundos, aquando dade. Sines é o único porto de que te- saída de um contentor e pela sua colo- do temporal de 1978. Mas já estamos nho conhecimento que tem um verda- cação num determinado local. Vem de a encarar a possibilidade de recupe- deiro processo de investimento em par- comboio, mas como operador logístico rar esse posto de atracação, o denomi- ceria público-privado. ele pode entender que há um determi- nado posto 1, que tem fundos de cerca Nos outros portos, mesmo os que nado contentor que pode vir de camião. de 50 metros, capazes de receberem fizeram investimentos recentes, como Ele tem verdadeiramente a função de os maiores navios do mundo de trans- o caso de Setúbal, houve um investi- operador logístico, está a organizar o porte de combustíveis. mento público seguido de uma conces- transporte. E é a prova acabada de que De onde espera obter os neces- são. Em Sines, houve uma obra marí- os contentores não morrem nos por- sários fundos para os investimentos tima que teve fundos comunitários e a tos, têm que ser levados para qualquer programados? parte nacional foi quase toda ela dis- lado. É preciso ter uma visão integra- Os investimentos têm que ser pú- pendida pelo próprio porto de Sines. A da de todo o sistema de transporte e blicos e privados. Falamos de investi- obra marítima teve um investimento temos que garantir que o contentor que mentos públicos mas os privados tam- público e a obra portuária um investi- saia de uma fábrica num sítio A vá uti- bém têm que investir. Não podemos mento privado. É um verdadeiro in- lizando um modo de transporte rodo- ficar adormecidos e temos que criar as vestimento de parceria público-priva- viário ou ferroviário, consoante a sua condições para vencer a nossa perife- do, e espero vá continuar a sê-lo. localização, até um porto B. Desse por- ria. E isso passa muito pelas acessibi- Referiu-se que a PSA tinha bene- to B vai até outro porto C e aí apanha lidades, sobretudo no transporte de ficiado de uma 'side letter' segundo a outro modo de transporte que o deslo- longa distância ou seja, portos, liga- qual até 2006 mais nenhum porto te- ca até ao destino final D. É absoluta- ção dos portos com o hinterland e a par- ria direito a investimentos para não mente essencial perceber que os por- tir daí ter uma visão integradora des- "secar" o porto de Sines... tos devem estar conectados entre si e ta economia. E nos portos temos uma Mas isso não tem a ver com inves- também com os outros modos de trans- grande vantagem, não temos que pe- timento público. Essa mesma side porte. A operação está a correr muito dir autorização aos espanhóis. Aí não letter consagrava as obras nos termi- bem. somos parceiros. nais, quer de Setúbal, quer de Lisboa. Que contactos têm sido mantidos Temos que ver as parcerias que se E como estamos quase em 2006, esse com a MSC, até este momento o úni- fazem porque nós temos a mania de problema já não se coloca. co armador a utilizar o Terminal XXI? apostar nalgumas coisas que são erra- Qual a importância que atribui às Tive a oportunidade de estar em das. Por exemplo, acho um absurdo as acessibilidades ferroviárias ao porto? Genebra com o presidente da MSC, alianças entre os portos portugueses e Naturalmente que a maioria do acompanhada pelo director da MSC os portos espanhóis. Não tenho qual- movimento tem que ser ferroviário. Portugal, e a convicção com que fiquei quer perspectiva de concorrência dos Depois, pode haver determinadas des- é que a MSC está satisfeita com a nos- portos portugueses. Os nossos concor- locações para zonas não servidas pela sa prestação de serviços. E os nossos rentes são os portos espanhóis. ferrovia, como é o caso do gás natural. caminhos-de-ferro, ao contrário do que Temos que ter uma boa relação com Há sempre tráfegos que não são servi- gostamos de dizer porque faz parte da os espanhóis nos processos em que so- dos, cuja distância final não justifica o nossa maneira de ser dizer mal de tudo mos parceiros. Mas há aspectos em que caminho-de-ferro. E isto em qualquer o que é nosso, são muito bons. não somos. Nos negócios em que não dos nossos terminais, quer no de gás A prestação do transporte ferrovi- somos parceiros, temos que assumir natural, quer no de contentores. Por ário de mercadorias em Portugal é das isso, e agir em conformidade. I isso, a prova é que tem que existir sem- melhores da Europa. Os indicadores 6 DEZEMBRO 2005
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    8. Depois de, faz agora sensivelmente um ano, a Liscont ter sido ameaçada de despejo pelo então Executivo, a que é a mais antiga concessionária de terminais portuários em Portugal tem vindo a investir no cais de Alcântara, sem se preocupar com os que vaticinam o encerramento Claude Bouyssiere, Liscont, não teme os portos de Setúbal ou Sines Lisboa é o que melhor serve ão é fácil obter de Claude porte exclusivamente rodoviário específicos que foi possível captar N Bouyssiere, o presidente do Conselho de Administração da Liscont , uma entrevista como a que aqui passamos. Se há homem que cultive o low profile, por uma solução multimodal (fer- rovia + rodovia). Através desta alteração, pre- tende-se antes de mais racionalizar e optimizar o encaminhamento dos noutras regiões mais afastadas, desde a de Madrid até ao País Vas- co e a Aragão, nas quais o ônus da distância é ultrapassado pela van- tagem de escalarem em Lisboa li- Claude, como todos o conhecem, é fluxos de tráfego existentes, privi- nhas que oferecem ligações direc- um deles. Há mais de vinte anos em legiando o modo ferroviário para a tas regulares, para destinos mal Portugal, sempre dedicado aos ne- maior parte do percurso e limitan- servidos pelos portos espanhóis. gócios portuários, o nosso interlo- do o mais possível o modo rodoviá- cutor é hoje uma pessoa perfeita- rio ao transporte de proximidade. Como é composta a estrutura hu- mente integrada no país, que já A implementação desta nova fi- mana que a Liscont deslocou nesta adoptou e onde constituiu família. losofia, contribui para uma maior operação? Qual o peso accionista da A França que o viu nascer ainda o fluidez do acesso rodoviário ao Ter- Liscont na empresa formada em Ba- trai pelo sotaque da língua, mas minal de Alcântara e permite uma dajoz? esse é o único traço que nos permi- maior eficiência a nível económico, A Liscont tem ao seu serviço em te constatar que se trata de alguém o que facilitará a captação de novos Elvas uma equipa de três profissio- que não viveu sempre aqui. tráfegos. nais, recrutados localmente, que ga- Na primeirra grande entrevis- rantem um alto nível de qualidade ta que concede, Claude Bouyssiere Até que ponto (geográfico) é que no funcionamento do terminal de revela o que espera para a empre- a Liscont pretende entrar em Espa- contentores. Em Badajoz, a Liscont sa que administra, dona do primei- nha, na procura de novos clientes criou, há já dois anos, com outra em- ro lugar na movimentação de con- para o seu terminal? presa do Grupo Tertir, a Transitex - tentores. O Porto de Lisboa é a principal Trânsitos de Extremadura , S.A., porta atlântica da Península Ibéri- um transitário que se dedica à di- CARGO: O terminal multimodal de ca, servindo não só o mercado naci- vulgação no mercado espanhol das Elvas já está em actividade. Quais têm onal como também uma fatia cres- valências do Porto de Lisboa, e à sido os níveis de crescimento do trá- cente do mercado espanhol. oferta de soluções logísticas, com fego? Correspondem às expectati- Ao longo dos últimos doze anos, base nas linhas dos armadores que vas? Qual a perspectiva de cresci- a Liscont alargou de forma progres- nele escalam. O forte crescimento mento da sua zona de influência do siva e sustentada o "hinterland" do dos negócios levou à abertura de dois tráfego, agora que o comboio já o ser- Porto de Lisboa às zonas fronteiri- escritórios adicionais, um em Sevi- ve? ças da Galiza e das províncias de lha e o outro em Vigo. Com a entrada em funciona- Estremadura e Andaluzia, estan- mento, no fim do mês de Julho, do do agora a estender a sua oferta de Como tem sido a resposta da CP, terminal de contentores de Elvas, serviços à província de Castela - tanto em termo de disponibilidade de substituiu-se o esquema de trans- Leão. Isto para além de tráfegos material circulante como cumprimen- 8 DEZEMBRO 2005
    9. to de horários? Com a implemen- A resposta operacional da C.P. tação do novo siste- tem sido plenamente satisfatória. ma de gestão do par- O material circulante necessário foi que e o correspon- sempre posto atempadamente à dente aumento de ca- nossa disposição, e os horários tem pacidade e com a en- sido cumpridos. trada em vigor de um Pela sua prestação, a C.P. deu novo esquema de um contributo decisivo para o êxito compensações pelos do projecto na sua fase de arran- atrasos na carga / Claude Bouyssiere: o aumento de capacidade do termi- que, estando-se já a entrar em ve- descarga dos cami- nal de Alcântara permitir-lhe-á responder com qualida- locidade de cruzeiro. ões, criaram-se as de às solicitações do mercado, até um volume anual condições para evitar de 320.000 TEU's, que se prevê atingir em 2009. Leixões, Vigo e agora Elvas. Qual a repetição de situa- será a próxima "aproximação" a Es- ções idênticas à que ocorreu em ca, através do Porto de Lisboa. panha? Agosto de 2003. O objectivo, na primeira fase em Até que ponto existem sinergias curso, é fomentar uma presença co- Em que aspecto, para além das entre a Liscont e o TCL, tendo em con- mercial junto dos operadores eco- deficientes acessibilidades terrestres, ta que têm uma base accionista co- nómicos de todas as províncias es- o terminal da Liscont deveria sofrer mum? panholas fronteiriças e, numa se- obras de modernização? Para além da reflexão conjunta gunda, de estender a rede às de- Não há constrangimento ao face aos problemas do sector, que a mais províncias onde sejam identi- acesso terrestre ao Terminal de Al- existência de um accionista maio- ficadas oportunidades de negócio cântara. O atravessamento por via ritário comum permite, e a coorde- que justifiquem o investimento. ferroviária da Avenida 24 de Julho nação de esforços para resolvê-los, processa-se quase exclusivamente cada terminal explora o seu merca- O terminal da Liscont será ampli- durante a noite, em alturas em que do próprio. ado, conforme garantiu já publica- só interfere de forma mínima com mente o presidente da APL. Quanto o tráfego automóvel. Quanto ao trá- E entre a Liscont e a Sotagus? tempo acha que poderá ainda operar, fego rodoviário processa-se agora O que foi dito acerca das siner- sem ocasionar perdas de competiti- pela Avenida Brasília, hoje em dia gias com o TCL aplica-se também vidade e de operacionalidade, antes ligada directamente à CRIL, pelo ao relacionamento com a Sotagus. de se iniciarem essas obras? que deixou de ter qualquer impac- Devido à proximidade dos termi- to negativo sobre a circulação den- nais de Alcântara e de Sta. Apoló- 8. Em que aspectos deveria inci- tro da cidade. O principal obstácu- nia, há naturalmente entre eles dir a ampliação física do terminal? Não lo ao crescimento do terminal de uma maior coordenação de esforços teme a ocorrência de novos bloque- Alcântara é a exiguidade do seu ter- na área técnica. Por outro lado, o ios, como os protagonizados no ve- rapleno. O alargamento da área da serviço intermodal da Liscont en- rão do ano passado pelos transpor- concessão, com a integração nesta caminha para a Sotagus uma par- tadores rodoviários? de zonas actualmente sem utiliza- te substancial do fluxo de tráfego Com o acabamento, no primei- ção ou sub-utilizadas, juntamente espanhol que consegue captar, pois ro trimestre de 2006, das obras de com a realização dos investimentos para um determinado número de reforço do pavimento, e a instala- em obras infra-estruturais e em destinos e/ou origens, as rotas as- ção até ao fim do Verão desse ano equipamentos de movimentação, seguradas pelos armadores que es- de mais dois pórticos de parque, o tornados necessários pelo aumen- calam o terminal de Sta. Apolónia aumento de capacidade do termi- to do tráfego, permitirão ultrapas- permitem oferecer aos clientes so- nal de Alcântara permitir-lhe-á sar este constrangimento. luções logísticas mais adequadas. responder com qualidade às solici- tações do mercado, até um volume Como encara a instalação, em Lis- Até que ponto é que Sines, numa anual de 320.000 TEU's, que se boa, de um centro de distribuição eu- primeira análise, e Setúbal, poderão prevê atingir em 2009. ropeia para os produtos originários constituir-se rivais e concorrentes da A atitude a que se refere, toma- do Brasil, já anunciada pelo Executi- Liscont? da por alguns transportadores à vo brasileiro? O porto de Lisboa é o que me- revelia dos acordos existentes, afec- Existe já entre o Brasil e Portu- lhor serve a e continuará a servir a tou a Liscont, não no ano passado, gal um fluxo de tráfego significati- principal área económica e popula- mas no Verão de 2003, altura em vo. Encaramos naturalmente com cional do País, que é a região de Lis- que, devido a vários factores fora grande satisfação um projecto de boa e do Vale do Tejo. Face a qual- do nosso controlo, o terminal de Al- cuja concretização poderá resultar quer outra alternativa, apresenta cântara foi confrontado com um um aumento das trocas comerciais incomparáveis vantagens a nível grave congestionamento. entre esse País e a Península Ibéri- económico e ambiental. I DEZEMBRO 2005 9
    10. Alvos preferenciais: portos e estaleiros navais Eurocrane relança actividade de equipamentos de elevação pesados Em tempos existiu em Portugal uma empresa dedicada à construção de grandes equipamentos de elevação, fabricante dos pórticos de contentores da Liscont, que chegou a deter o recorde do maior pórtico do mundo, capaz de elevar uma carga de 1200 toneladas, montado nos EUA. Após o encerramento da MAGUE em Dezembro de 2000, alguns dos seus quadros resolveram continuar a tradição na Eurocrane ncabeçada por Nunes de Al- gue para chefiar o Concurso para o de navios porta-contentores. E meida, até 1997 director de engenharia da Mague, a Eu- rocrane tem vindo a mere- cer, por diversas ocasiões, a confi- fornecimento do equipamento de Elevação pesado dos estaleiros Na- vais de Filadélfia, Pensilvânia, USA, que a Kvaerner, Noruega, ti- Depois de diversas reuniões em Warnemünde, Alemanha de Leste, e em Filadélfia, o fornecimento, num valor superior a 25 milhões de ança da reputada construtora ir- nha acabado de comprar, para aí dólares, foi adjudicado à Mague em landesa Liebherr Container Cra- instalar um estaleiro de construção Maio de 1998. A Mague encomen- nes, para a delica- da de imediato à JNA da tarefa de mon- a elaboração do projec- tagem de pórticos em diversos portos Eurocrane ganhou to técnico das três má- quinas: Pórtico Gigan- europeus, e tam- te de 124 m de vão e bém em Portugal, concurso da nova grua 660 ton de capacidade como foi o caso do de elevação e dois terceiro pórtico da Liscont, em 2002. Ship to Shore da Sotagus guindastes de 30 ton a 32 m e a respectiva co- A história re- A Eurocrane acaba de ganhar o concurso internacional para ordenação técnica de monta a cerca de o fornecimento de uma grua ship-to-shore para o terminal lisbo- todo o projecto, inclu- uma década atrás, eta da Sotagus, em concorrência com fornecedores chineses, que indo a montagem. Ain- quando, num pro- dominam mais de 50% do mercado mundial. Trata-se de uma da em Maio de 98 é cri- cesso clássico de grua Panamax, que assim se vem juntar, na carteira de realiza- ada a empresa Nunes downsizing, Nu- ções da empresa, à renovação tecnológica dos quatro pórticos de de Almeida, Engenha- nes de Almeida é parque do TCL, Terminais de Contentores de Leixões, obra que ria e Projectos - JNA - d i s p e n s a d o d a orçou em cerca de 1,5 milhões de euros e do fornecimento de três para dar seguimento Mague em 31 de novos pórticos de parque para o mesmo cliente, que atingiram a às encomendas da Ma- D e z e m b r o d e soma de três milhões de euros. O sucesso dos fornecimentos an- gue. 1997. Era nessa teriores coloca a Eurocrane em boa posição para o fornecimento As máquinas de altura o Director de um novo pórtico de contentores de cais, também Panamax, que a JNA teve res- de Engenharia da para o TCL, alvo de concurso internacional a decorrer actual- ponsabilidades, não só Mague, Equipa- mente. no projecto mas tam- mentos de Eleva- Já a meados deste mês de Dezembro a Eurocrane ganhou o bém em grande parte ção. recondicionamento mecânico de dois guindastes da Socarpor no dos fabricos dos com- Em 5 de Janei- terminal sul do porto de Aveiro, obra orçada em 100 mil euros ponentes mecânicos, ro de 1998 (cinco com um prazo de execução de quatro meses. de engenharia total- dias após ter sido Com base no reconhecimento nacional das suas capacidades, mente portuguesa, fo- dispensado) é con- a Eurocrane prepara-se para a sua expansão tendo em conta o ram inauguradas em vidado pela Ma- mercado global. Filadélfia em fins de 10 DEZEMBRO 2005
    11. 2000 depois de sujeitas com suces- so a ensaios de carga e de desempe- nho. Primeiro concurso em 2001 Findo este projecto para Fila- délfia a JNA procura manter-se em actividade. Concorre ao forneci- mento de uma ponte rolante pesa- da para a EDP, destinada à central de VENDA NOVA II. Fica em pri- meiro lugar, à frente da Tegopi e Nunes de Almeida, administrador da Eurocrane, tem encontrado a maior receptivi- da Mague, mas argumentando fal- dade junto dos operadores portuários nacionais e de fabricantes internacionais ta de credibilidade da JNA devida à sua dimensão, a EDP decide en- em 1998 a JNA admitiu Engenhei- cista, serralheiros, mecânicos e comendar a ponte à Tegopi. ros recém formados que deram montadores. Em consequência desta dificul- muito bons resultado nos projectos dade a JNA procura uma solução para Filadélfia. Neste momento es- Reconhecimento internacional que permita manter a actividade tão a iniciar o processo de alarga- chega em 2002 de engenharia no domínio dos equi- mento de quadros com o recurso a Em Outubro de 2002 a Eurocra- pamentos de elevação pesados. J. jovens engenheiros. Para além do ne obtém, também em concurso in- Nunes de Almeida associa-se aos seu quadro de engenharia, a Euro- ternacional, a realização para a Li- donos da Certisata e da Metalutejo crane tem uma equipa permanen- ebherr Container Cranes (Irlanda), a fim de criar uma empresa com ca- te de campo constituída por electri- da montagem do novo Pórtico M pacidades no Projecto (JNA), na construção mecânica (Cer- tisata) e na construção metáli- ca (Metalutejo). A Eurocrane é fundada em Março de 2002 e concorre ime- diatamente, com sucesso, à re- novação tecnológica de 4 pórti- cos de Parque no terminal Nor- te do porto de Leixões, explora- do pela TCL (Terminal de Con- tentores de Leixões). Este for- necimento de cerca de 1,5 mi- lhões de euros coloca a Eurocra- ne em boa posição no concurso de fornecimento internacional de três novos pórticos de par- que para o mesmo cliente. A encomenda, no valor de mais de 3 milhões de euros, é adjudicada à Eurocrane que, as- sim, produz as primeiras má- quinas com a sua marca. Estas máquinas estão em serviço constante e intensivo nos termi- nais da TCL, desde o início de 2004 . Uma equipa com provas dadas A Eurocrane dispõe de uma equipa de Engenheiros Mecâ- nicos, a maioria dos quais com largos anos de experiência ao serviço da Mague. Além disso, DEZEMBRO 2005 11
    12. M STS (Ship to Shore) para a Lis- componentes internacionais, desig- vamente às compras nos mercados cont, trabalho que orçou em cerca nadamente na exportação de má- locais (gruas de montagem, etc.). de meio milhão de euros. Em Mar- quinas novas. Para além da Finlândia onde o Es- ço de 2003 a Liebherr confia à Eu- O programa da Eurocrane para tado funciona, foi impossível resol- rocrane a montagem em Helsín- o seu desenvolvimento apoiar-se-á ver o problema, até agora, na Irlan- quia de mais um pórtico de conten- no desenvolvimento de projectos no da e no Reino Unido. Pensamos que tores STS. Segue-se a montagem domínio da contentorização: pórti- deveríamos ser apoiados pelos nos- de um outro STS em Dublin e dois cos de cais (STS), pórticos de par- sos serviços do IVA na resolução pórticos de parque em Widness, que sobre carril (RMG) e pórticos destes problemas que podem signi- Reino Unido. Neste momento con- de parque sobre pneus (RTG) e ficar a liquidação do lucro potenci- corre para a montagem de mais também no domínio dos guindas- al. Ou então permitirem que consi- dois pórticos STS para Gãvle, na tes polivalentes de lança com du- deremos esses valores nas nossas Suécia. pla articulação, domínio em que al- declarações de IV A. A Eurocrane procura manter a guns dos seus quadros se tomaram O desenvolvimento da nossa ac- actividade de fornecimento de má- especialistas a nível internacional tividade requer deslocações cons- quinas novas com a sua marca con- com os fornecimentos da Mague tantes e a presença nas feiras da correndo em concurso internacio- para Portugal (Aveiro, Funchal e especialidade que se realizam em nal para o fornecimento de um novo Setúbal - Sapec), França (Bordéus, vários países do mundo. O apoio à pórtico STS Panamax para a TCL Rouen, Sete) e Brasil (Porto Ale- promoção das nossas actividades e o "upgrading" para Panamax de gre). no estrangeiro seria bem-vindo. um pórtico STS existente no porto Já em fim de entrevista, o direc- de Leixões, concurso que poderá ser Nunes de Almeida: Apoios à tor geral da construtora nacional de decidido ainda no decurso deste actividade são inexistentes gruas e pórticos refere que «o patri- mês de Dezembro. Nunes de Almeida refere-nos mónio tecnológico da Eurocrane, a Para além das actividades de que «até ao presente a Eurocrane confiança alcançada com os forneci- concepção e fornecimento de má- não pediu nem tem apoios exterio- mentos realizados e a massa crítica quinas novas a Eurocrane presta res à sua actividade. Há alguns do- adquirida com a encomenda do novo serviços de manutenção e de apoio mínios em que a Eurocrane, para pórtico de contentores de cais Pana- técnico nos Portos de Lisboa, Lei- poder manter com sucesso as suas max para a Sotagus e a eventual en- xões, Setúbal e Aveiro. actividades, necessita e julga-se comenda de um segundo, até ao fim com direito a apoios logísticos de de 2005, (ver caixa na página 10) Experiência de mais que cito alguns exemplos: quando permitem à Eurocrane expandir as de três décadas actua no estrangeiro, as segurado- suas actividades tendo como objec- Apoiada na experiência de mais ras nacionais recusam-se a efectu- tivo o mercado global com máquinas de trinta anos de engenharia de ar as indispensáveis coberturas de tipo, actualizadas e eficazes e com- equipamentos portuários e de Es- risco, por exemplo, em actividades petitivas no domínio dos equipa- taleiro Naval dos seus quadros téc- de montagem. mentos portuários e de estaleiro na- nicos e nos sucessos alcançados na Este tipo de actividade, com pa- val fazendo renascer a actividade sua curta história, a Eurocrane gamentos avultados à cabeça, exi- portuguesa de exportação neste considera reunidas as condições ge a emissão constante de garanti- campo específico». O único estorvo é para um renascimento da indústria as bancárias cujo volume acumu- a falta de apoio logístico da parte dos portuguesa de equipamentos de lado pela sobreposição dos respec- organismos estatais em áreas exte- elevação pesados procurando redi- tivos períodos de vida, conduz a for- riores à actividade técnica. Designa- mensionar-se e reorganizar-se a te dependência bancária». damente nas áreas financeira e de fim de não só permitir ao país subs- O nosso interlocutor explica que promoção, esse apoio é indispensá- tituir importações, como no caso «quando a Eurocrane realiza tra- vel para o sucesso da internaciona- dos fornecimentos acima referidos, balhos no estrangeiro tem o direito lização, já encetada, das actividades mas também aumentar as suas de receber o retorno do IV A relati- da Eurocrane. I QUINTA DO SIMÃO - VARIANTE AVEIPORT P.O.BOX 751 - ESGUEIRA 3801 - 801 AVEIRO AVEIRO PHONES: 234 303 310 TELEFAX: 234 303 311 OPERADORES PORTUÁRIOS E-MAIL: aveiport@mail.telepac.pt 12 DEZEMBRO 2005
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    14. A CIDADE E A VILA H á muitos anos que todos temos vindo a verificar que o da vila já não conseguem fazer melhor. sistema portuário nacional não acompanha o ritmo de Os patrões gostavam de expandir, mas em redor os mora- crescimento do sistema portuário espanhol. dores não querem sair. Assim, limitam-se assim a fazer algu- Enquanto o sistema nacional não tem aumentado mas pinturas, renovam os balcões e já criaram "mezzanines" o seu nível de actividade, os portos do país vizinho tem vindo a para aumento da capacidade, mas o ar tornou-se irrespirável. incrementar o seu movimento, muitas vezes, a ritmos de dois Pouco adiantaram. dígitos. Os clientes fiéis nem sabem porque ficam. Talvez por aver- Tal contraste não pode ficar a dever-se apenas às diferen- são à novidade, por possuírem parcos recursos ou porque nun- ças de ritmos de crescimento das economias, que só se distan- ca experimentaram abrir os horizontes. ciaram mais nos últimos anos. Em minha opinião, vários outros Em contrapartida, na cidade os restaurantes das docas são factores devem concorrer para manter este largos de espaço, o moderno mobiliário e as cenário vicioso que nenhum de nós, profissi- esplanadas possuem ricas cores, as vistas onais do sector, conseguiu alterar nos últimos são panorâmicas. Toda a região ali vai, des- 15 anos. de a alta sociedade, à miudagem e aos estra- - muitas das cargas nacionais parecem O conceito de tos mais pobres. preferir os portos espanhóis por questões de terminal dedicado Na cidade, só se pensa em construir mais, economias de escala dos grandes navios in- em especializar por conceito, em novas emen- tercontinentais que os escalam; outras dizem consiste em tas, em ajardinar os espaços, criar mais estaci- que é devido ao regime mais favorável do tra- onamento, revitalizar mais áreas ribeirinhas. A tamento do IVA; outras cargas preferem a ro- afectar todo ou concorrência é incentivada e os concursos para dovia no tráfego com a Europa, por ser mais partes de um os novos espaços ficam cheios de interessa- barata, flexível e rápida, etc.; os armadores dos. Criavam-se alianças quando necessário escalam os portos espanhóis porque estes terminal, ou ao negócio. Logo que são construídos, os em- têm mais capacidade, melhores condições apenas das preendimentos rapidamente começam a atrais operacionais, mais economias de escala, etc. clientes. A própria cidade contribui financeira- Esta conversa já é velha e este ciclo vicio- capacidades deste, mente para a expansão da actividade. so tem mantido quase estagnados os nossos Na vila, depois de muitos anos, as autori- portos, concorrendo uns pelas cargas dos à operação dades perceberam que aqueles dois cafés não outros, com pouco de novo. exclusiva de linhas chegavam para a procura e investiram dinhei- A propósito deste problema aparentemen- ro público na criação de novas infraestrutu- te sem solução, lembrei-me duma alegoria que de um só cliente ras, acessos, estacionamentos e ajardinaram pode ajudar a compreender a minha opinião ou alianças de dois novos grandes espaços à saída da vila, junto ao mar, onde pretendiam ver construí- sobre a situação: A cidade e a vila: clientes dos dois novos restaurantes. Imaginemos uma cidade e uma vila próxi- Mas de nada valeu. É que os cafés exis- mas uma da outra. A cidade dispõe de uma tentes defenderam o seu negócio. Preferiam forte e grande oferta de restauração e comér- não ter concorrência. Parecia arriscado e não cio nas suas docas, um empreendimento que era a solução perfeita. Ali na baixa da vila es- atrai muitos clientes de toda a região, incluin- tavam melhor. Com um pouco de insistência, do habitantes da vila adjacente. um dia, poderiam empurrar os moradores em Ciente do seu potencial, a cidade está redor e melhorar os serviços. constantemente a alargar a sua área de res- Lá ficaram os investimentos públicos por tauração e serviços, duplicando a oferta nos ocupar e as pessoas continuaram a sua vida segmentos de qualidade e nos segmentos de diária normal, sem alternativas de cafés ou "fast-food", oferecendo serviços complemen- restaurantes modernos. Sentia-se bem a for- tares de valor acrescentado, cinemas, par- Vítor Caldeirinha* ça dos comerciantes da baixa. que de diversões. Perspectiva até vir a captar Passados 15 anos, a cidade tinha triplica- clientes a cidades mais distantes. A vila têm do a sua actividade, aumentado as zonas de apenas dois pequenos velhos cafés, com pouco espaço, os lazer. Na vila, tudo estava igual. Continuavam as pinturas anu- quais por vezes também servem refeições e que continuam a ais das paredes dos cafés, as cadeiras e as mesas amontoa- não ser suficientes para sustentar as necessidades locais, uma vam-se e era necessário levantar muitas pessoas para sair de vez que a vila já dispõe de um conjunto populacional razoável e uma mesa. superior a muitas freguesias da cidade. Compreender este enquadramento nacional, comparativa- A falta de espaço e de investimento, não permite uma oferta mente aos portos do nosso vizinho, poderá ajudar a todos na moderna, com a qualidade actualmente exigível, o que ainda é busca de uma solução. Senão, a vila poderá caminhar para um agravado com as dificuldades em encontrar mão-de-obra ade- simples dormitório da cidade, sem actividade produtiva. Ou en- quada. tão, talvez os empresários da cidade queiram expandir para a Os habitantes da vila menos exigentes, ou sem posses para vila.. Muitas vezes é o que acontece. Vamos ver. I irem à cidade, amontoam-se nos cafés da vila onde esperam vitorcaldeirinha@netvisao.pt tempo para ser servidos. Os mais jovens preferem as docas da * Docente de Marketing Portuário na Pós-Graduação do ISEG cidade. Por muito que se esforcem, os empregados dos cafés Gestão do Transporte Marítimo e Gestão Portuária 14 DEZEMBRO 2005
    15. Porto de Aveiro: ligação ferroviária já pode arrancar Governo acaba de emitir a Recorde-se que Ana Paula Vitori- nha, nomeadamente a Madrid, Burgos O Declaração de Impacte Am- biental (DIA) favorável ao projecto da ligação ferroviá- ria ao Porto de Aveiro - Plataforma Multimodal de Cacia, na sequência da no ainda recentemente voltou a mani- festar o empenho do governo nesta im- portante obra, indicando que a aber- tura do concurso pode ocorrer já em Janeiro. ou Valladolid. Para estas cidades, o porto de Aveiro é «a estrutura portuá- ria mais próxima» - sublinha José Luís Cacho. O projecto envolve a construção de assinatura, no passado dia 30 de No- A ligação ferroviária foi incluída uma plataforma multimodal de mer- vembro, pelo Secretário de Estado do pelo Governo no Programa de Investi- cadorias, em Cacia, a ligação ferroviá- Ambiente, Humberto Rosa. mentos em Infra-estruturas Prioritá- ria do porto de Aveiro à linha do Norte «A partir de agora, encontram-se rias. e construção das ligações ferroviárias reunidos todos os pressupostos para a aos várias terminais da área portuá- obra avançar, na linha do que tem vin- Ligação pode funcionar em 2008 ria. do a ser defendido pelo governo, atra- Aguarda-se agora que a REFER Com um investimento de 68,5 mi- vés da Secretária de Estado dos Trans- proceda ao lançamento do concurso lhões de euros (56,5 milhões para a portes» refere José Luís Cacho, presi- para a execução da obra. Se os planos ligação ferroviária e 12 milhões para dente da APA, considerando ter-se tra- forem cumpridos, a ligação ferroviá- a plataforma multimodal), a estrutu- tado de mais uma etapa superada ria pode estar a funcionar em 2008, e a ra de financiamento recebe uma com- rumo à viabilização de um projecto que partir dessa data começar a sentir os participação em 50 por cento do Fun- a APA e a região de Aveiro acalentam efeitos do alargamento da área de in- do de Coesão e 50% do PIDDAC e RE- há muitos anos . fluência do porto de Aveiro até Espa- FER. I Portos a ganhar 5,9% desde o início do ano Nos primeiros nove meses deste ano, o movimen- to total de mercadorias nos portos traduziu-se em 47.013 mil toneladas (+5,9%), repartidas por 8.694 mil toneladas de mercadorias em tráfego nacional e 38.319 mil toneladas em tráfego internacional, re- gistando-se, face ao período homólogo, variações de +15,4% e +4,0%, respectivamente, revela o INE, Ins- tituto Nacional de Estatística. O tráfego internacional foi responsável por 88,5% do total das mercadorias descarregadas e 62,5% das mercadorias carregadas. De Janeiro a Setembro de 2005, entraram nos portos do Continente e da Região Autónoma da Ma- deira 9.042 navios, uma variação homóloga de 1,7%. A sua dimensão, em termos de arqueação bruta total (GT), situou-se em cerca de 92,4 milhões (+6,4% face ao mesmo período de 2004). Quanto à ferrovia, regista-se um crescimento de 1,1% face ao período homólogo, tendo o correspon- dente volume de transporte registado cerca de 1.688 milhões de toneladas-km. O transporte pesado de mercadorias por modo fer- roviário (“vagão completo”) atingiu cerca de 7.246 milhares de toneladas. I DEZEMBRO 2005 15
    16. "CORPORATE GOVERNANCE" E TEORIA INSTITUCIONAL: O CASO DOS PORTOS uito embora o Governo conceda cada vez maior au- Para assegurar o desenvolvimento das organizações pú- M tonomia às organizações públicas, por exemplo, sob a forma de empresa pública, instituto público ou sociedade anónima, vem crescentemente acentu- ando a sua exigência de controlo. Está-se no campo do com- portamento organizacional, no âmbito do qual decorrem as blicas torna-se necessário conjugar, entre outros, o contexto organizacional2, a orientação e acção do Governo e o perfil dos gestores. Trata-se de avaliar o modelo de "corporate governance", ou de governo das sociedades, aplicado às orga- nizações públicas. Os portos são organizações do Estado e por fontes de controlo, e que se enquadra na teoria institucional essa razão muito do que aí ocorre prende-se com a opção quan- (DiMaggio & Powell, 1983; Greenwood & Hinnings, 1996; to ao modelo de governo aplicado. A sua relevância decorre da Seo & Creed, 2002)1. Decorre daí que as organizações públi- crescente necessidade em assegurar condições de competitivi- cas adoptam estruturas, estratégias e processos semelhan- dade. A concorrência e competição internacionais exigem efi- tes ao do contexto institucional prevalecente, visando aumen- ciência e eficácia aos portos, que além dos recursos físicos e tar a sua legitimidade por efeito do seu comportamento infra-estruturas têm de garantir cada vez mais a qualidade do (Sherer & Lee, 2002). serviço prestado o que, além de ter de dispor de pessoal com Porque ocorrem as reformas públicas? - Para aumentar o elevadas aptidões, exige que o modelo seja adequado, em aten- desempenho organizacional e melhorar a eficiência e a racio- ção ao contexto organizacional -mercado e demais agentes com nalidade das organizações públicas interesses no porto - ao proprietário, neste (Cabrero, 2005). De acordo com a teoria ins- caso o Estado e respectivo Governo, e à equi- titucional algumas organizações com pres- pe de administração. tígio têm legitimidade para actuarem como O comportamento organizacional e o inovadoras, experimentando novas formas, Como compatibilizar contexto organizacional têm a ver com o estruturas e estratégias muitas vezes não os interesses do governo da "sociedade" portuária, razão legitimadas (Palma, et al., 2005). porque faz sentido reflectir o modelo de Este ponto de vista, observado na pers- Estado e as acções "corporate governance" dos portos. pectiva dos sectores emergentes ou madu- Este assunto ganha importância, em ros, conduz a admitir que em sectores insti- do Governo com o especial nas sociedades evoluídas, por exi- tucionais emergentes o comportamento ino- desempenho dos gência em garantir desempenhos eleva- vador é mais acentuado em contextos me- dos, decorrentes da competição entre por- nos institucionalizados, pelo facto das or- portos? Como lidar tos, da intensidade dos tráfegos interna- ganizações liderantes serem menos prepon- com os diversos cionais e de serem em maior número os derantes e por os mecanismos de pressão portos ao dispor dos armadores, com ser- sobre as organizações serem fracos. Ao pas- interesses que viços de grande qualidade, massa crítica so que em sectores maduros o comportamen- e economia de escala. to inovador está associado ao facto do con- O modelo das sociedades afecta o de- texto institucional existente ser forte, o que sempenho, logo as deficiências do siste- se reflecte na recombinação dos elementos ma adoptado têm consequências, estan- conhecidos e de alta estabilidade do contex- do em questão saber de que forma e em to devido ao facto das estratégias alternati- que medida. Verifica-se, por outro lado, vas serem mais fáceis de aplicar e mais que o Governo tem interesses próprios performantes. que reflecte na equipe de gestão, através Verifica-se, portanto, que num sector em de orientações e instruções directas aos forte crescimento a capacidade inovadora gestores, de forma adversa. Pergunta-se, marca a diferença na evolução da organiza- então, como compatibilizar os interesses ção e funciona como impulsor, além do mais Augusto Felício* do Estado e as acções do Governo com o por não encontrar resistências próprias de desempenho dos portos? Como lidar com uma actividade madura ou por acumulação os diversos interesses que confluem no de experiência. Ou seja, neste caso a experi- porto? ência na administração pública pode funcionar como siste- Nestes casos, trata-se de avaliar as dificuldades decor- ma de controlo e de entrave às alterações, por efeito da esta- rentes da separação entre a propriedade das infra-estrutu- bilidade burocrática e das resistências organizacionais, em ras e os agentes que realizam o controlo (os gestores), tidos resultado das interligações existentes, dos poderes catalizados como características centrais da economia de mercado no tempo e da perspectiva de mudança. (Walkner, 2004; Learmount, 2002), o que tem a ver com a Nos sectores maduros são as organizações instaladas quem teoria da agência ou com a confluência de propósitos e acções dispõe de condições para impulsionar a inovação, desde que o entre proprietário e agente (gestores) tratado na teoria do contexto seja favorável e disponha de gestores propensos à "stewardship" ou na teoria do "trusteeship". acção estratégica, situação que se demonstra difícil. Tantas vezes verifica-se serem as condições desfavoráveis aquelas que Pontos de vista sobre o governo das sociedades acabam por servir de impulsor à inovação, no quadro do prin- O modelo de governo das sociedades é tema hoje em dia cípio de quanto pior melhor, para desenvolver. muito analisado pelas implicações que tem no desempenho 16 DEZEMBRO 2005
    17. das organizações, tanto maiores quanto cresce o nível de com- (Freeman, 1984), em que os detentores de interesses também petitividade3. A discussão centra-se no facto do proprietário assumem riscos de funcionamento da empresa, devendo parti- e do agente (gestores/administradores) terem interesses di- cipar no sistema de governo - trabalhadores, fornecedores, cli- ferentes na forma de conduzir a organização. Trata-se de con- entes, comunidade. trato estabelecido entre as partes com vista a garantir o de- Por sua vez, com base na dispersão ou concentração do capi- sempenho e outros objectivos. Contudo, o proprietário em tal evidenciam-se dois sistemas de controlo (Lane, 2003): (1) o geral, consoante dispõe de poder concentrado ou disperso, sistema de controlo interno, associado à menor dispersão do ca- exerce a sua acção de forma diferente. Na organização públi- pital, reflectido no conselho de administração; (2) o sistema de ca a propriedade está concentrada, logo a acção exercida so- controlo externo, associado a situações de maior dispersão do bre o agente (gestores) é determinada. A acção de controlo é capital, reflectido por exemplo em OPA's ou "takeovers". realizada pelos gestores o que faz com que estes procurem No caso das empresas públicas tem importância o sistema tirar partido desse conhecimento específico e influenciar a de controlo interno por ser aquele que concentra os direitos de organização em seu benefício a par do proprietário, razão da propriedade - não dispersão do capital - situação que se identifi- importância do modelo de "corporate governance". ca com a posição que o Estado correntemente detém nas empre- O problema do governo das sociedades verifica-se, então, sas. Por isso, ganha relevo, no âmbito do "corporate governance", sempre que um investidor externo pretende que o controlo por um lado, a análise da teoria da agência, na medida em que seja exercido de forma diferente do realizado pelo gestor, am- poderá ocorrer conflito entre o Estado (proprietário) e os gesto- pliado quando se verifica a dispersão dos investidores (Becht res (agentes), por exemplo nos casos em que o Governo detenha et al., 2003). Este ponto de vista centrado na teoria da agên- posição relevante em empresa de referência na qual deseje asse- cia liga-se claramente com aquele expresso pela teoria insti- gurar a posição preponderante da equipa de gestão, entre- M tucional associada a novas formas, estruturas e estratégias visando a eficiência e eficácia da organiza- ção. Uma e outra, ainda que com perspectivas diferentes contribu- em para alcançar os objectivos e assegurar o desempenho. A teoria da agência centra o go- Navigomes o motor do desenvolvimento verno das sociedades na diferente perspectiva do proprietário (acci- do Porto de Setúbal nas últimas décadas onista ou principal) e do controlador (gestor ou agente). Embora o gestor desempenhe o M papel de recurso especializado, im- portante na obtenção do retorno do investimento realizado, o proprie- tário ou principal necessita que seja implementado um sistema de governo que lhe assegure que não seja expropriado do seu capital ou que não seja mal aplicado pelo ges- tor ou agente. Verifica-se, por isso, que 'náo há diferenças significati- vas entre o governo das socieda- des e o governo de qualquer outro tipo de contrato, como contributo principal da teoria da agência' (Paterson, 2001). A literatura apresenta, no es- sencial, dois modelos de governo de sociedades: (1) o modelo anglo- americano, centrado na dispersão dos proprietários (accionistas); (2) o modelo europeu continental e ja- ponês, centrado na concentração accionista e na responsabilidade social por decorrência dos diversos interesses que se concentram na organização (stakeholders). Os modelos de governo das so- ciedades podem também classifi- car-se: a) de base económica (Berle & Means, 1932), centrados na pre- ocupação em defender a maximi- zação da função de utilidade dos accionistas, visando o máximo de retorno; b) de base organizacional DEZEMBRO 2005 17
    18. M tanto defendendo os seus próprios interesses, para assegu- riscos decorrentes da relação de agência, considera-se rar objectivos económicos. (Walkner, 2004): i) a estrutura de incentivo aos gestores e Na prática, verifica-se que o Governo, em geral, não se dis- procedimentos de controlo interno; ii) o conselho de adminis- põe a grandes negocições perante conflitos de agência quando tração e comissão de auditoria; iii) a facilitação do controlo tem a possibilidade de alterar a equipa de gestão de acordo dos accionistas. Destes mecanismos de controlo destaca-se, com a sua vontade, verificando-se que não são razões de de- em geral, a estrutura de incentivo aos gestores com base na sempenho, em regra, aqueles que o inibem de o fazer. Logo, sua remuneração directa e na parte indirecta derivada dos esta perspectiva só em situações muito especiais tem sentido. resultados obtidos ou desempenho em geral. Para o efeito Ganha relevo, por outro lado, a análise da teoria do são estabelecidas condições com parâmetros de referência "stewardship4", pelo facto do Governo deter na empresa equi- que se reflectem nos prémios ou remuneração a auferir, sob a pa de gestão onde prevalece um gestor que assegura e defen- forma de contrato. Neste caso, muitas empresas dispõem de de os interesses da organização, por vezes contra os seus pró- comissão de remunerações independente. O princípio assen- prios interesses, prejudicando-se mesmo. Isto acontece pelo ta na lógica do maior empenho a favor do proprietário ou da facto do gestor (steward) reconhecer vantagens, por exemplo organização desde que os gestores tenham motivos e razões de prestígio ou outras pelo exercício do seu cargo de gestor. objectivas para defender o interesse da empresa. Diversos Coloca, assim, à frente dos seus próprios interesses mo- mecanismos de controlo interno decorrem hoje em dia da pró- netários, que muitas vezes sacrifica, o reconhecimento feito pria legislação e de normas de responsabilidade social. por terceiros, comunidade empresarial ou outra, pela sua Por aqui se observa a diversidade de situações, e outras, atitude e comportamento em defesa da empresa que gere. que podem ocorrer no campo da articulação dos interesses Com a teoria do "stewardship" os gestores tendem a estar envolvendo o proprietário, os gestores e os "stakeholders", mais motivados para agir na defesa dos interesses da empre- razão porque não há um entendimento sobre o conceito de sa que no seu próprio interesse, por estarem mais interessa- "corporate governance", mas diferentes pontos de vista, con- dos em garantir a continuidade e o sucesso da empresa na soante a perspectiva. Assim, governo das sociedades com- perspectiva de longo prazo, podendo contrastar com os inte- preende o conjunto complexo de restrições que determinam o resses de curto prazo dos accionistas. processo de negociação 'ex-post' dos quase - rendimentos, en- O Governo pode ter interesses diversos e actuar ao invés tendidos estes pela diferença entre o que duas partes geram dos interesses da empresa e neste caso a posição do gestor juntas e o que conseguem obter no mercado (Zingales, 1998). (steward) pode determinar alterações por parte do proprie- Governo das sociedades refere-se ao sistema pelo qual as tário (Estado) e levar o Governo a atitude uníssona. No caso empresas são dirigidas e controladas (Relatório Cadbury, 1992). do gestor estar em consonância com a atitude do proprietário Governo das sociedades refere-se aos meios internos pe- qualquer que seja, mesmo em desfavor da organização, não los quais as sociedades são operadas e controladas, devendo se enquadra na teoria do "stewardship". um 'bom' sistema de governo ajudar a assegurar que as socie- Ainda, por outro lado, também deverá referenciar-se a dades utilizam o seu capital eficientemente (OCDE, 2004). teoria do "trusteeship", que em vez do gestor considera a equi- Governo das sociedades compreende o sistema de regras pa de gestão como agente defensor dos interesses da empre- e condutas relativo ao exercício da direcção e do controlo das sa, mesmo com sacrifício dos sues interesses pessoais. sociedades emitentes de acções admitidas à negociação em Noutra perspectiva, um outro ponto de vista no campo do mercado regulamentado (CMVM, 2001). governo das sociedades aponta no sentido de considerar que Governo das sociedades compreende a combinação de leis, o problema da agência não tem sentido, porque tanto o pro- regulamentos, procedimentos, práticas voluntárias e regras prietário como o agente têm interesses semelhantes a prazo implícitas que permitem à sociedade atrair capital financei- em defender a empresa ou corporação e assegurar os mais ro e humano, ter desempenho eficiente e maximizar o valor elevados desempenhos. Assim sendo, a questão coloca-se no de longo prazo para os accionistas enquanto respeita os inte- conflito de interesses entre os accionistas ou proprietários resses dos stakeholders e a sociedade (Iskander & Chamlou, dominantes e os accionistas minoritários, porquanto está em 2000). causa a distribuição não igualitária dos resultados. "Corporate governance" refere-se à relação entre Trata-se do accionista maioritário através de mecanis- shareholders, o board of directors e os managers na determi- mos de domínio exercer a sua prerrogativa de expropriação nação da direcção estratégica e do desempenho da empresa dos accionistas minoritários, envolvendo, por exemplo, direi- (Wheelen & Hunger, 2004). tos de voto preferenciais. La Porta et al. (1998) referem que Governo das sociedades entende-se segundo o papel atri- em grandes empresas de economias mais desenvolvidas a buído aos accionistas e atribuído aos stakeholders com base existência de accionistas dominantes e activos no governo na compreensão da empresa (Paterson, 1997). das sociedades centra o problema da agência na expropria- Governo das sociedades refere-se à forma pela qual os ção dos accionistas minoritários pelos accionistas maioritá- fornecedores de financiamento às empresas se asseguram rios ou dominantes. da obtenção de retorno do seu investimento (Shleifer & Os mesmos autores (ibid., 1999) referem que a expropria- Vishny, 1996). ção dos resultados por parte dos accionistas dominantes pode Governo das sociedades compreende o papel dos accio- ser moderada pelos custos inerentes que podem ocorrer atra- nistas e de outros agentes, bem como, todas as regras e acor- vés de salários, preços de transferência, empréstimos pesso- dos que estruturam o exercício de controlo sobre os activos da ais subsidiados, transacções de bens e no limite roubos. empresa e o padrão de interacção entre diferentes Uma análise mais detalhada conduz a verificar situações 'stakeholders' dentro da empresa (Lane, 2003). em que o Governo detém situações de propriedade pública - Governo das sociedades refere-se ao sistema de leis, re- privada nas quais faz exercer o seu direito de voto privilegiado gras e factores que controlam as operações de uma empresa, ou de veto, impondo orientações ou regras diversas dos interes- compreendendo o conjunto de estruturas que delimitam as ses dos accionistas privados, tema este do maior relevo. Trata- fronteiras das operações da empresa, em que se incluem os se de avaliar um tipo de modelo de "corporate governance". gestores, trabalhadores e investidores e os retornos que ob- No mecanismo de controlo interno, para minimizar os têm e as restrições em que operam (Gillan & Starks, 2003). 18 DEZEMBRO 2005
    19. Governo das sociedades refere-se aos papeis e comporta- Período: 1907 - 1933 (Porto de Lisboa - PL) mentos (melhorias dos processos de decisão) e não à proble- mática do poder (monitorização dos gestores). Neste sentido, Conselho de Administração Pound (2000), argumenta que o problema central das socie- Presidente dades deverá centrar-se em assegurar que as decisões sejam tomadas eficazmente e não na discussão acerca do poder e Exploração sua distribuição. Oper. Marítimas Adm/Técnicos Governo das sociedades refere-se à relação entre "stakeholders" utilizada na construção e controlo da direc- Período: 1934 - 1947 (Adm Geral do Porto de Lisboa - AGPL) ção estratégica e desempenho da organização (Hitt, Irlander & Hoskisson, 2003). Cons. de Administração Conselho Governo das sociedades refere-se ao problema que envol- Presidente Consultivo ve um agente, o CEO da empresa e múltiplos principais, ac- cionistas, credores, fornecedores, clientes, empregados e ou- tras partes com as quais o CEO estabelece negócios em nome Adm. Geral Director do Porto da empresa (Becht et al., 2003). Hilb (2005) avança o seu ponto de vista pretendendo de- terminar uma estrutura do que designa por novo "corporate Período: 1948 - 1986 (Adm Geral do Porto de Lisboa - AGPL) governance" integrado, baseado no princípio KISS invertido: Empresa pública em 1982 situational, strategic, integrated, keep it controlled. Ou seja, Cons. de Administração Conselho refere que a estrutura de governo compreende aquelas qua- Presidente Consultivo tro dimensões ao redor das quais e de forma integrada se constrói o modelo5. Comissão Técnica Em suma, nos diferentes conceitos de governo das socie- dades percebe-se a influência consoante as perspectivas em que se aborda, tornando-se claro envolver accionistas ou pro- Director prietários, gestores ou agentes e outros interessados no de- Geral do Porto sempenho da empresa, externos e internos, e que a fórmula encontrada que conjugue o exercício do poder, o sistema de Período: 1987 - 1997 (Administ. do Porto de Lisboa - APL) controlo, os interesses económicos e sociais e a interacção Instituto Público em 1987 entre proprietários, a par de regras, normas, valores e cultu- ras determinam, em cada caso concreto, o modelo de Cons. de Administração Conselho Presidente Consultivo "corporate governance". No essencial o governo das sociedades envolve o conjunto de mecanismos através dos quais se materializa a gestão e o Conselho Fiscal controlo das sociedades de capital aberto, onde se incluem instrumentos que permitem avaliar e responsabilizar os ges- tores da sociedade pela sua gestão e desempenho. Trata-se Período: 1998 - 2003 (Administração do Porto de Lisboa SA- APL) de adoptar mecanismos tendentes à minimização da assime- Sociedade anónima em 1998 tria de informação existente entre sociedades e os diversos agentes envolvidos, com destaque para os accionistas, credo- Assembleia Geral res, fornecedores e empregados. Daí que os principais instru- mentos utilizados pelos diferentes modelos se baseiem na configuração dos órgãos de administração e no papel do mer- Comissão cado como mecanismos de controlo. Neste âmbito, relevam- Coordenação do Porto se as alternativas de modelo que abarquem o proprietário público, cujo poder é exercido através do Governo. Cons. de Administração O governo do porto Exposta teoria sobre o governo das sociedades em geral, Conselho Fiscal com evidencia para o proprietário especial que é o Estado, cuja acção é exercida através do Governo e das estruturas administrativas públicas, coloca-se a questão de saber como privadas ou públicas - claramente orientado para o gover-no observar os portos. Tanto mais importante por se tratarem das sociedades públicas com base em teoria suportada nas de infra-estruturas da maior importâncisa nacional, em ter- organizações privadas, crê-se ser este um tema da maior im- mos económicos e sociais, nas quais operam muitas entida- portância e oportunidade, tanto mais quanto o Estado des públicas e privadas e dos quais decorrem vantagens com- tem realizado a 'privatização' dos portos, mantendo, no petitivas para o país. entanto, interesses concretos. Daí que a relação de poderes Muito se tem tratado de saber qual o modelo adequado estabelecidos e de interesses diversos tem actualidade e exi- para os portos nacionais, que o mesmo é dizer da necessidade ge reflexão de forma mais alargada. Ao caso o tema do em discorrer o que se entende por modelo portuário nacional. "corporate governance" alarga os pontos de observação e dis- Neste caso, muitos alargam o conceito e referem o modelo cussão, embora não sejam agora desenvolvidos. marítimo-portuário, por não se entender a necessidade dos Que modelo de "corporate governance" será adequado ao portos sem tratar conjuntamente o transporte marítimo. São, caso concreto dos portos portugueses? Será adequado um no entanto, questões diferentes. modelo para todos os portos ou distintos modelos, consoante Neste quadro em que se trata do governo das sociedades - os casos? O modelo deverá tratar todos os portos de forma M DEZEMBRO 2005 19
    20. Com.te Barbosa Henriques - 1920-2005 a vida profissional como administrador ção do CPC. A capacidade de trabalho, da Sacor Marítima, empresa que diri- a competência, a verticalidade, a volun- giu com reconhecida competência. tariedade e a integridade de carácter Apesar de reformado há cerca 20 do Comandante Barbosa Henriques anos, continuou tão ou mais activo do imediatamente cativaram a minha ad- que antes, intervindo em todos os fóruns miração e respeito. Tenho para com ele onde lhe era possível defender o mar e uma enorme dívida de gratidão, pelo o transporte marítimo. Sempre incon- muito que me ensinou, em questões téc- formado, trabalhou muito e bem na So- nicas mas também pelo exemplo de co- ciedade de Geografia de Lisboa (onde ragem e de frontalidade perante a vida. dirigiu a Secção de Transportes), em Habitualmente só olhava para trás para Após longa luta com a doença súbi- vários jornais e revistas da especiali- reflectir sobre as coisas que corriam ta que o acometeu em vésperas do Na- dade (com artigos de opinião sempre menos bem, estava sempre virado para tal de 2004, faleceu no passado dia 22 lúcidos, frontais e directos, também na o futuro; quando mais recentemente o de Novembro o Capitão da Marinha CARGO, onde foi orador num dos habi- visitava na casa de repouso onde esta- Mercante Arlindo Barbosa Henriques, tuais colóquios) e no CPC, onde era um va internado, manifestou sempre inte- figura emblemática do Conselho Por- Consultor sempre presente e inexcedí- resse pelos temas mais actuais do sec- tuguês de Carregadores (CPC) e bem vel. tor e partilhou comigo reflexões de luci- conhecido de todos os que acompanham Contam-me que quando foi convi- dez e profundidade admiráveis. e defendem o transporte marítimo e a dado para consultor do CPC aceitou de De baixa estatura física, sabia ser marinha de comércio nacional. imediato, sem saber sequer quais as simples e no entanto enorme enquanto Nascido a 3 de Outubro de 1920, condições financeiras que lhe eram ofe- Homem. Deixou marca indelével na dedicou apaixonadamente toda a sua recidas, o que é ilustrativo da sua for- Marinha Mercante nacional e na me- vida ao mar e ao transporte marítimo. ma de estar na vida. mória de todos os que, como eu, tive- Distinguiu-se no comando dos maiores Só tive o prazer de o conhecer quan- ram a fortuna de com ele privar. I navios-tanque da Soponata e terminou do há 12 anos iniciei funções na Direc- Carlos Umbelino integrada ou diferentemente? bém entre os próprios accionistas, nomeadamente os aqueles M Palma et al. (2005) no trabalho desenvolvido sobre o estudo com muitos direitos de voto ou dominantes e os que detém pou- da Administração do Porto de Lisboa (APL) consideram a his- cos direitos de votos ou miniritários entre os quais se estabele- tória do porto ao longo do tempo e para o efeito distinguem cem relações de 'expropriação'. Trata-se de confrontar as teori- cinco períodos temporais: 1907-1933; 1934-1947; 1948-1986; as da agência, stewardship e trusteeship. No quadro das orga- 1987-1997; 1998-2003. Muito embora a realidade de cada por- nizações públicas alargam-se os pontos de vista à teoria to seja distinta há certamente coincidência quanto ao modelo intitucional. de "corporate governance" adotados formalmente nos seus as- É da maior importância considerar os conceitos de pectos essenciais. É co referência a estes modelos que se apre- "corporate governance" alargado às organizações públicas, das sentam apenas as estruturas formais. Possibilita realizar uma quais se destacam os portos. O modelo de "corporate primeira avaliação. governance" do porto ou do sistema poortuário nacional é ava- liação que deverá ser considerada visando a solução mais ade- Conclusões quada ao interesse nacional, conjugando os múltiplos interes- A determinação do modelo de "corporate governance" é da sados privados e o interesse público, por form a encontrar a maior importância, não sendo universal, pois em cada caso fórmula que optimize o desempenho, a eficiência e a eficácia e a adequa-se o seu modelo. Caracteriza o modelo as relações de estabilizar a equipa de gestão como factor de vantagem poder estabelecidas entre os accionistas (principais), os gesto- competititiva para os portos nacionais. I res (agentes) e os diversos interessados na empresa jaufeli@iseg.utl.pt (stakeholders) no quadro da responsabilidade social das orga- * - Doutor em gestão e professor do Instituto Superior de nizações. As relações de interesse e de poder realizam-se tam- Economia e Gestão (ISEG/UTL). 1 - A teoria institucional refere-se a um corpo teórico estruturado com vista a analisar as mudanças nas organizações públicas e a compreender os mecanismos que asseguram o seu desenvolvimento. A teoria institucional 2 - A teoria institucional, segundo diferentes autores, e.g. Palma et al. (2005), não tem tratado da perspectiva do contexto organizacional mas sobretudo do comportamento organizacional, sendo este um campo a explorar. 3 - O modelo de governo das sociedades ganhou de um momento para o outro importância pelas piores razões relacionadas com fraudes e falências de grandes sociedades. 4 - Um gestor é um steward dos activos de uma empresa (teoria do stewardship) não constituindo problema a separação entre propriedade e controlo, constituindo para a empresa vantagem a concentração das funções de presidente do órgão de administração e do órgão executivo (Learmount, 2002). A teoria do "stewardship" defende, portanto, que os gestores tendem a actuar mais no interesse da organização, por a considerarem uma extensão de si próprios mais que do seu próprio interesse. Os gestores valorizam assim mais os aspectos de auto-reconhecimento, prestígio, realização profissional, responsabilidade, altruísmo, crenças, respeito pela autoridade e motivação intrínseca pela satisfação na realização das suas tarefas. 5 - Na dimensão situacional o nível do contexto normativo externo da prática do "corporate governance" (CG) difer com o nacional, o industrial e a cultura organizacional. Ao nível do contexto interno, muitas empresas têm um nível diferente de desenvolvimento, propriedade e composição (makeup): a dimensão, o nível de desenvolvimento e complexidade da empresa, o grau de internacionalização e as ambições do 'board'. Na dimensão estratégica os quatro factores principais de sucesso no CG são a equipa do 'board' (board team) ser bem diversificafda, a cultura crítica e de confiança, as estruturas e processos do 'board' e as medidas de sucesso do 'board' (success measures) em ligação com os valores dos accionistas e dos 'stakeholders'. Na dimensão de gestão do 'board' integrada deverá considerar-se o recrutamento, avaliação, remuneração e desenvolvimento dos membros de supervisão e gestão. Na dimensão de controlo refere-se o 'auditing', o risco de gestão, as comunicações interna e externa e as funções de 'feed-back' do 'boadr'. 20 DEZEMBRO 2005
    21. m@rítimo m@rítimo m@rítimo m@rítimo m@rítimo m@rítimo m@rítimo m@rítimo Apesar do panorama ter melhorado desde o ano 2000, à marinha mercante mundial faltam ainda 10.000 oficiais qualificados, revela o quarto relatório sobre recursos humanos da BIMCO/ISF. Nas conclu- sões recentemente publicadas, a nível mundial há 466.000 oficiais da marinha mercante em actividade, contra os 476.000 da procura. O relatório revela que a melhoria do panorama empregador dos últimos cin- co anos se fica a dever, em grande parte, aos “for- necimentos” do sub-continente indiano e do Extre- mo Oriente, o que reflecte uma melhoria dos níveis de formação adoptados nessas regiões, que já não se limitam a fornecer apenas os níveis hierárquicos mais baixos das tripulações. O mesmo relatório refere que a procura irá manter- se superior à oferta devido ao contínuo aumento do número e tamanho de navios, a exigirem a continu- ação do aumento dos níveis de recrutamento e for- mação. A “K” Line passa a estar esta- atingindo os 49 milhões de euros em ro a Novembro deste ano, o que repre- belecida em Portugal através de acor- 30 de Setembro de 2005. senta um acréscimo de 3,1 por cento do de joint venture com o agente local, Reflectindo os investimentos feitos em relação ao mesmo período do ano a Garland Laidley, a partir de 1 Janei- pelo grupo, os resultados operacionais passado. Pela positiva destacam-se os ro, uma estratégia que é também ex- (EBIT) diminuíram 23%, passando de granéis líquidos, com um incremento tensiva aos seus agentes na Dinamar- 1,7 milhões de euros para 1,3 milhões de 56 por cento, essencialmente devi- ca, Noruega, Suécia, Espanha e Tur- de euros. O EBITDA teve um cresci- do à movimentação de fuelóleo para quia, países em que os respectivos vo- mento marginal de 0,7% face ao mes- alimentação da central termoeléctri- lumes de carga registaram significati- mo período de 2004, ao ter passado de ca de Setúbal. vas subidas ou revelaram potencial de 2,18 milhões de euros para 2,19 mi- No mesmo período, os granéis sóli- crescimento. lhões de euros em 30 de Setembro de dos apresentaram um acréscimo em A rede própria da “K” Line vai re- 2005. No mesmo período, a margem relação a 2004 (mais quatro por cen- forçar a expansão na Europa, Medi- bruta cresceu 36,2% ou 3,6 milhões de to). Por outro lado, a dimensão média terrâneo, Norte de África e Mar Ne- euros passando de 10 milhões de eu- dos navios que escalaram o porto de gro, áreas que cobrem 16 países. A “K” ros para 13,6 milhões de euros. Setúbal tem vindo a aumentar, assim Line montou igualmente uma rede de como o volume médio de mercadorias agentes em outros 19 países das refe- A OOCL aproveitou a quadra movimentado por cada navio. ridas regiões mundiais. festiva para reunir colaboradores e amigos num hotel da capital numa fes- A Liscont já recebeu mais dois Joaquim Azeredo, quadro ta natalícia, que constituiu pretexto pórticos de parque para o terminal de do grupo Garland Laidley, é o novo pre- para apresentação pública da equipa Alcântara, completando assim a enco- sidente da Agepor, a associação das portuguesa, encabeçada por José Lino menda de cinco unidades efectuada agências de navegação, sucedendo no Dores. A assestar a importância que a junto do prestigiado fornecedor cargo a Bruno Bobone. As eleições re- OOCL atribui à delegação portugue- Kalmar. A notícia foi conhecida no de- gistaram uma afluência que deixa o sa, que recentemente passou a fazer correr do já habitual convívio de Natal novo presidente em confortável posi- parte da OOCL, deixando cair a desig- com que o grupo do Comendador Ro- ção para exercer o seu mandato com nação Marítima do Oriente, deslocou- drigo Leite todos os anos brinda os cli- uma legitimidade inquestionável. Jo- se a Portugal a equipa que, em diver- entes e colaboradores, no emblemáti- aquim Azeredo é um dos impulsiona- sas partes do mundo, leva por diante a co edifício da Rocha de Conde de Óbi- dores do projecto Sea-road, de trans- estratégia do armador asiático. dos. porte ro-ro entre Portugal, Reino Uni- A comitiva foi chefiada por Chris do e Bélgica, que vai arrancar nos pri- Holt, general manager e director de O edifício da Escola Náutica meiros meses do novo ano, a partir do marketing, e integrava mais cinco ele- Infante D. Henrique, em Paço de Ar- porto de Leixões. mentos: Neil Stringer, Mark Philips, cos, foi o escolhido para a instalação Simon Wang, Derek O'Galligan, e Nick do futuro Centro de Controlo Primá- O Grupo Orey obteve, no pe- Aldren, este último responsável pelo rio (CCP) do Sistema de Controlo de ríodo de Janeiro a Setembro, 848 mi- comércio da China com a Península Tráfego Marítimo (VTS). Este sistema, lhares de euros de lucros, o que signi- Ibérica. Como referimos na passada cuja execução e implementação deve- ficou um aumento de 3,3% nos resul- edição, a OOCL passou a integrar os rá estar concluída em 2007, será res- tados líquidos em relação ao período seus ex-agentes na Península, dispon- ponsável pela monitorização, controlo homólogo de 2004. O grupo registou do de escritórios em Lisboa, Porto, Bil- e fiscalização de toda a navegação ao uma subida de 18,7% nas suas vendas, bau, Barcelona, Vigo e Madrid. longo da costa portuguesa. A lista de mais 7,7 milhões de euros que nos pri- O porto de Setúbal movimentou fornecedores engloba empresas como meiros nove meses do ano passado, 6.185 milhares de toneladas de Janei- a EADS, a Siemens, a TD e a CASE. DEZEMBRO 2005 21
    22. Em 2020, o transporte intermodal irá ser a escolha natural para o transporte de mercadorias na Europa Transporte intermodal é o futuro EIRAC, European Inter- os financeiros do 7º Programa de alto nível no Hotel Metrópole de O modal Research Advisory Council composto por mais de 50 CEO's e Managing Directors dos mais importantes Pesquisa de 7 mil milhões de eu- ros. Esse plano será apresentado daqui a um ano e meio. Wando Boevé, Membro do Con- Bruxelas, a 3 de Maio de 2005. CEOs e Managing Directors com capacidade de decisão de toda a Europa criaram este grupo con- players no Mercado dos transpor- selho de Administração da ECT sultivo de aconselhamento para a tes, divulgou o seu relatório após (Europe Container Terminals), en- Comissão Europeia. O EIRAC tem seis meses de intensa reflexão e de- quanto Presidente do Conselho um equilíbrio entre grandes accio- liberação. Plenário do EIRAC, e Benoît Pas- nistas de todos os sectores da in- Em 2020, o sistema europeu in- sard, Vice Presidente de Marketing dústria intermodal: operadores in- termodal de transportes, incluindo e Comunicação da KALMAR In- termodais de ferrovia e rodovia, transportes combinados e multi- dustries, comentaram o relatório a operadores de terminais, integra- modais, irá corresponder a 40% do dois dos Comissários sublinhando dores logísticos de carga, operado- transporte de mercadorias, sendo a complexidade e interdependência res de transporte marítimo de cur- integrado e transportado em qual- de elementos que têm que ser con- ta distância, portos, e fornecedores quer tipo de contentor ou unidade siderados e equilibrados. de equipamentos ICT. Foram de carga ao longo da cadeia logísti- A iniciativa do EIRAC é facili- igualmente convidados alguns aca- ca, enquanto o transporte de car- tada por um grupo seleccionado de démicos. A missão do EIRAC é de- ga, mesmo em grandes volumes, terminar a visão, alcance e conteú- será mais unificado. do do Strategic Intermodal Resear- O transporte intermodal será Em 2020 o sistema europeu ch Agenda 2020 como um impor- uma indústria com a sua identida- intermodal de transportes, tante passo para a criação de uma de própria, a sua própria estraté- incluindo transportes estratégia de pesquisa intermodal gia e a sua própria voz. O uso con- coordenada para a Europa. O EI- sistente de transporte intermodal combinados e multimodais, RAC irá centrar-se na obtenção de irá permitir à Europa fazer face ao irá corresponder a 40% do interoperabilidade entre modos de aumento da procura de transpor- transporte de mercadorias, transporte com vista à criação de tes e serviços associados, a um me- um único sistema logístico europeu nor prejuízo do ambiente e a um sendo integrado e em linha com os objectivos estabe- aumento de competitividade. transportado em qualquer lecidos pelo Livro Branco da Políti- Estes são os resultados da fase ca Comum de Transportes. Partin- "visionária" do EIRAC baseados no tipo de contentor ou do dessa estratégia, o EIRAC irá Livro Branco da União Europeia, a unidade de carga igualmente estabelecer um cenário Política Comum de Transportes, e de negócios para implementação. a experiência profissional dos seus profissionais (AMRIE, CON- membros. NEKT, EIA, METTLE), enquanto EIRAC apresentou o O próximo passo da sua missão o projecto de gestão é liderado pela "Strategic Intermodal é tomar contacto com os grupos con- Consorzio TRAIN. Estas organiza- Research Agenda 2020" sultivos semelhantes que existem ções formam a CAESAR, um con- (SIRA) para outros modos de transporte sórcio de parceria que opera sob o O documento identifica os mais para negociar questões de intero- 6º Framework Programme e é fi- importantes objectos de pesquisa perabilidade, e para desenvolver nanciado pela Comissão Europeia. que irão colocar a intermodalidade diálogo com um "grupo espelho" no centro do sistema europeu de constituído por representantes dos EIRAC foi lançado em 2005 transportes. estados membro. O European Intermodal Rese- O SIRA é um documento inicial O objectivo é propor um plano arch Advisory Council (EIRAC), que irá ser desenvolvido benefici- de negócios prometedor mas ao composto por mais de 50 importan- ando das contribuições propostas mesmo tempo realista e exequível tes players do sector dos transpor- por outros players na indústria in- de modo a permitir à Comissão Eu- tes intermodais foi lançado num termodal. Será acompanhado por ropeia fazer o melhor uso dos mei- encontro de mesa redonda ao mais um Anexo Técnico, que irá detalhar 22 DEZEMBRO 2005
    23. os temas da pesquisa e determinar transporte de mercadorias na Eu- do integrado e transportado em as contribuições esperadas que ropa. Em 2020 o sistema europeu qualquer tipo de contentor ou uni- cada um deles irá trazer para me- intermodal de transportes, incluin- dade de carga ao longo da cadeia lhorar as características do trans- do transportes combinados e mul- logística, enquanto o transporte de porte intermodal ao longo do perío- timodais, irá corresponder a 40% carga, mesmo em grandes volumes, do até 2020. do transporte de mercadorias, sen- será mais unificado. I Panorama de negócio A Indústria Intermodal tem a visão para permitir à Europa fazer face ao crescimento, a reduzir o pre- juízo do ambiente e para aumentar a competitividade da União Euro- peia. Se a capacidade do transpor- te intermodal não crescer o sufici- ente, estes 3 objectivos não serão atingidos. Esta visão é acompanha- da, no SIRA, pela definição de um panorama do negócio em 2020. Objectivos estratégicos A indústria intermodal enfren- ta desafios específicos de interope- rabilidade, logística, segurança, so- cio-económico e educação. O SIRA responde a todos estes desafios. O objectivo é desenvolver o transpor- te intermodal como parte impor- tante de um sistema de transpor- tes sustentável. O transporte inter- modal torna-se, então, num servi- ço de alta qualidade, fiável, dispo- nível, acessível, seguro, sustentá- vel e responsável. Importância do SIRA para os accionistas O SIRA foi desenvolvido pelo (EIRAC), uma iniciativa da indús- tria intermodal europeia, a Comis- são Europeia e os estados membros da EU. Inclui referências a pesqui- sa para accionistas privados na in- dústria bem como a pesquisa con- junta. Através do SIRA, o EIRAC es- tabelece claramente o desafio para todos os accionistas envolvidos na indústria intermodal, quer sejam a indústria, prestadores de serviços, universidades, estados membro ou a Comissão Europeia. Isto requer não apenas compromisso financei- ro, mas também investimento em recursos humanos. Visão do transporte intermodal em 2020 Em 2020, o transporte intermo- dal irá ser a escolha natural para o DEZEMBRO 2005 23
    24. A extensão do programa europeu Marco Polo, cuja terceira versão recebe candidaturas até 30 de Janeiro, é a grande esperança do desenvolvimento do transporte ferroviário, ao financiar a transferência de cargas para o transporte combinado. Mas já se prepara o marco Polo II, que terá que obter verbas mais significativas que a edição I que agora chega ao fim Marco Polo é a esperança do transporte ferroviário aumento previsto do O transporte de mercadorias é de mais de 60% na União Europeia até 2013, e pre- vê-se que duplique no caso dos 10 novos Estados-membros até 2020, segundo dados da Comissão Euro- peia. Este organismo aponta como resultado o congestionamento do tráfego, a degradação do ambien- te, os acidentes e o risco de perda de competitividade da indústria europeia, que precisa de assentar em sistemas de transporte rentá- veis e fiáveis para a gestão das suas O Marco Polo II vai ter a verba substancialmente aumentada, mas o seu âmbito cadeias de abastecimento. extravasa os países da União Europeia O transporte rodoviário de mer- cadorias, que exerce uma verdadei- Torna-se óbvio, no quadro tra- para o mercado, cujo objectivo é ra ditadura em matéria de movi- çado, a inevitabilidade de um mai- desviar o tráfego de mercadorias do mentação de mercadorias, é deten- or recurso à intermodalidade, por modo rodoviário para modos mais tor de dois grandes 'handicaps' - um forma a esbater ou reduzir de for- respeitadores do ambiente: o Pro- deles é o espaço que ocupa, sobre- ma sensível a excessiva utilização grama Marco Polo (2003 - 2006), tudo nos congestionados eixos da do camião em regime unimodal, criado pelo Regulamento (CE) n.º chamada banana europeia; o outro, concretamente. A intermodalidade 1382/2003 do Conselho e do Parla- o facto de ser totalmente dependen- faz um maior aproveitamento das mento Europeu e dotado de um or- te dos combustíveis fósseis, o que infra-estruturas e serviços existen- çamento de 100 milhões de euros. torna o sistema de transporte vul- tes, integrando na cadeia logística Concretamente, este programa nerável às mudanças de padrões o transporte marítimo de curta dis- procura desviar o aumento médio globais de abastecimento, apesar tância, o transporte ferroviário e a anual de transporte rodoviário in- dos grandes avanços tecnológicos navegação interior. Não é preciso ternacional de mercadorias para o em prol da utilização de motores esperar que estejam criadas as ne- transporte marítimo de curta dis- cada vez mais 'poupados' em ter- cessárias infra-estruturas de rede tância, o transporte ferroviário e a mos de emissões . Os combustíveis em grande escala para se dispor de navegação interior. fósseis dão uma importante contri- um melhor sistema de transporte: buição para a formação de CO2. a intermodalidade oferece, já hoje, Marco Polo II vai dispor Um sistema de transporte mais efi- uma opção política para se evitar o de novos financiamentos ciente do ponto de vista energético colapso do sistema de transporte Ainda antes de terminado o é, pois, do interesse da União, quer rodoviário de mercadorias. Marco Polo I, que recebe propostas em termos de um melhor desempe- De natureza prática, a política até ao próximo dia 30 de Janeiro, a nho ambiental, quer de uma econo- europeia de intermodalidade con- Comissão resolveu propor o redi- mia de transportes mais sólida. ta já com um programa orientado mensionamento do programa. Res- 24 DEZEMBRO 2005
    25. pondendo aos grandes desafios, propôs com a União Europeia. novas perspectivas financeiras (2007- Naveiro encabeça Esta verba será supostamente 2013) que dêem ainda mais consistência suficiente para retirar mais de 140 a um programa "Marco Polo II" renova- um dos projectos mil milhões de toneladas-quilóme- do e adaptado. Partindo dos mecanismos contemplados tro de mercadorias da estrada (o que deram provas no actual programa, a equivalente a 7 milhões de trajec- Comissão propõe dois novos tipos de ac- Dos 12 projectos aprova- tos por camião num percurso de ção: as auto-estradas marítimas e as me- dos na segunda chamada do 1000 km) e reduzirá as emissões de didas destinadas a evitar o tráfego. Es- Marco Polo, seleccionados CO2 em 8400 milhões de kg. tas acções deverão conduzir a uma efec- num total de 62 candidatos, um Como grande novidade, ressal- tiva redução do tráfego rodoviário inter- deles é encabeçado por uma ta a já referida valorização do papel nacional de mercadorias, uma aspiração empresa portuguesa, a das Auto-estradas marítimas, con- tanto dos cidadãos como dos transporta- Naveiro Transportes Maríti- siderando a Comissão que faz todo dores industriais. Marco Polo II alarga mos, SA, que concorreu em o sentido a sua existência, por exem- também o âmbito do programa a todos parceria com duas firmas fran- plo, em percursos que unam a Es- os vizinhos da UE. Sublinha o papel do cesas: a Paris Port Services panha e a França, para se evitar a (PPS) e a IRDS In-ternational transporte de mercadorias e esclarece o já hoje congestionadíssima passa- Rail Road River Distributions âmbito de algumas medidas de infra-es- gem dos Pirinéus, ou entre Espanha Services. truturas. e Itália. Por outro lado, a componen- Trata-se de um projecto de te determinante do financiamento short sea shipping que rece- Mais países contemplados beu o nome de baptismo não se fica, como até aqui, pelas to- Através de avaliação independente, a IBERLIM, de transporte de pro- neladas/quilómetro (TKM), consi- Comissão propõe um pacote orçamental dutos siderúrgicos de alta qua- derando igualmente elegível a cu- global de 740 milhões de euros para 2007 lidade e madeira, entre os por- bicagem, por forma a estender o - 2013, ou seja, cerca de 106 milhões de tos de Setúbal, Sevilha, Figuei- programa a outro tipo de produtos euros/ano, contra os 100 milhões de eu- ra da Foz e Ribadeo, através de que, embora não tendo peso signifi- ros que o programa obtivera no período transporte flúvio-marítimo. Foi cativo, acabam por ser responsáveis que medeia entre 2003 e 2006, destinado contemplado com 1,6 milhões por significativos congestionamen- aos 25 Estados-membros, sendo igual- de euros. tos. É disso exemplo o transporte de mente alargado aos países que confinam flores ou de vestuário. I DEZEMBRO 2005 25
    26. Prémios Transportes & Negócios Vencedores distinguidos no Portoelo quarto ano consecutivo, a A entrega dos prémios aos vence- P Maersk Sealand e a Lufthan- sa Cargo arrebataram os Pré- mios de Carga T&N 2005 des- tinados ao Melhor Armador Global e à Melhor Companhia Aérea Global, Os vencedores 2005 Melhor Companhia Aérea Glo- bal - Lufthansa Cargo; Melhor Com- panhia Aérea para a Europa - TAP Cargo; Melhor Companhia Aérea dores esteve a cargo de Henrique Car- doso (Apat), Alves Vieira (Apat), Rui Alves (ANA - Aeroporto Francisco Sá Carneiro), Joaquim Coelho (Comuni- dade Portuária de Lisboa), Belmar da respectivamente. para as Américas - British Airways Costa (Agepor), João Pedro Araújo (Co- A entrega dos Prémios de Carga World Cargo; Melhor Companhia munidade Portuária de Leixões), T&N - 2005 foi o ponto alto de um Jan- Aérea para o Oriente - Lufthansa Brogueira Dias (APDL), Luís Marques tar de Natal antecipado que reuniu no Cargo; Melhor Companhia Aérea (APA) e Pereira Coutinho. Porto mais de seis dezenas de profis- para África - TAP Cargo; Melhor Este ano, o Jantar de Encerramen- sionais da indústria de carga nacio- Integrator - FedEx; Melhor Agente to teve o patrocínio da Apat, ANA - nal. de Carga Aérea - DHL Danzas Air & Aeroporto Francisco Sá Carneiro, Este ano, estavam em disputa 20 Ocean; Melhor Agente de Handling IPTM, Comunidade Portuária de Lei- prémios (mais um do que na edição - Portway; Melhor Companhia de xões e Comunidade Portuária de Lis- transacta), tendo o número de votos Serviço Expresso Aéreo - FedEx. boa. recepcionados praticamente duplica- Melhor Armador Global - Ma- A próxima Festa de Consagração do. Para Fernando Gonçalves, direc- ersk Sealand; Melhor Armador de dos vencedores dos Prémios de Carga tor do T&N, «é um sinal de que cada Cabotagem Nacional - Portline; Me- T&N - 2006 realizar-se-á a 30 de No- vez mais profissionais do sector se pre- lhor Armador de Short Sea Ship- vembro do próximo ano, no local do cos- dispõem a valorizar os melhores de ping - OPDR; Melhor Armador Por- tume mas, segundo Fernando Gonçal- tugal-Ásia - Evergreen; Melhor Ar- entre eles, e também sinal de que um ves, com um programa ainda mais mador Portugal-África - NDS; Me- número crescente de empresas se em- alargado. lhor Armador Portugal-América penha na promoção dos prémios e, na Pelo segundo ano consecutivo, a do Norte - Hapag-Lloyd; Melhor Ar- conquista dos mesmos». festa dos prémios de carga T&N anga- mador Portugal-América Latina - Várias empresas repetiram os tri- Hamburg-Sud; Melhor Operador de riou fundos para o "Coração da Cida- unfos alcançados em edições anterio- Terminal de Carga Geral - TCGL; de", instituição que apoia os sem-abri- res, mas várias outras inscreveram Melhor Operador de Terminal de go e necessitados do Grande Porto. pela primeira vez o seu nome na gale- Contentores - TCL; Melhor Tran- Com a ajuda de patrocinadores, convi- ria dos vencedores. A Lufthansa Car- sitário de Carga Marítima - Kühne dados e participantes foram angaria- go, a TAP Cargo e a FedEx - Rangel + Nagel; Melhor Agente de Nave- dos 950,80 euros, que o T&N entregou Expresso foram as únicas companhi- gação - Garland Navegação. àquela associação, para ajudar ao fi- as a garantirem mais de um troféu. nanciamento das suas acções sociais.I 26 DEZEMBRO 2005
    27. Primeiros auditores de segurança rodoviária já em finais de Fevereiro Portugal vai ter manual de segurança rodoviária ortugal vai a passar a dispor, a P breve trecho, de um Manual de Auditorias de Segurança Rodo- viária, em consonância com a vontade da Comissão Europeia de pro- mover a generalização a todo o territó- rio comunitário da prática de realiza- ção de Auditorias de Segurança Rodo- viária. O referido Manual substituirá as listas de verificação internacionais correntemente utilizadas nas Audito- rias Rodoviárias, reduzindo, assim, a margem de questionabilidade de con- clusões das inspecções e, portanto, am- pliando o carácter vinculativo dos cor- respondentes pareceres de Auditoria. Entretanto, teve início o I Curso de O primeiro curso de auditores de segurança rodoviária está a ser frequentado por 27 alunos Formação de Auditores, Promovido pelo CRP - Centro Rodoviário Portu- tradas de Portugal, salientou «a opor- ção de 36 docentes, entre os quais se guês e pela AEC - Asociación Española tunidade e grande interesse do curso». distinguem nomes como Teles Fortes de la Carretera, curso esse que será Outro orador, Prof. H. Machado Jor- (SOMAGUE), Álvaro Seco (Universi- submetido a acreditação pela Ordem ge, coordenador do curso, considera dade de Coimbra), Jorge Santos (Uni- dos Engenheiros, visando preparar e que «o auditor de segurança rodoviá- versidade do Minho) e Sandro Rossi permitir a certificação dos primeiros ria será, num futuro próximo, uma ca- (Universidade Politécnica de Madrid), 27 técnicos, que ficarão capacitados tegoria profissional, com estatuto pró- este, um dos mais credenciados espe- para o exercício de funções de audito- prio e não apenas uma competência cialistas de projectos rodoviários em ria de projectos e de estradas em ope- profissional». Espanha. ração. Com uma carga horária de 120 ho- Os futuros auditores estarão aptos A vasta maioria dos 27 futuros au- ras, e terminando a 25 de Fevereiro de a avaliar projectos e inspeccionar obras ditores dispõem já de apreciável currí- 2006, o curso está organizado em três e se solicitados, a emitir pareceres no culo profissional, o que comprova o re- módulos, e destina-se a licenciados em quadro do apuramento de responsabi- conhecimento da necessidade de regu- Engenharia, Engenheiros Técnicos e lidades em caso de acidente. Traba- lamentação do exercício da actividade outras licenciaturas de pendor técni- lhando em regime de consultoria, po- de Auditoria de Segurança Rodoviá- co. Coordenado pelo citado H. Macha- derão agregar-se a Associações exis- ria. Na Sessão de Abertura do curso, do Jorge, membro da Comissão Exe- tentes, ou mesmo criar uma Associa- António Laranjo, que preside às Es- cutiva do CRP, conta com a participa- ção específica. I DOIS PILARES DE APOIO À SUA ACTIVIDADE CONTENDO INFORMAÇÃO ÚTIL, NA ESPECIALIZAÇÃO Contém mais de 5000 De A a Z, contém abreviaturas e Pedidos a: Listagem de Produtos e definições relaciona- Albano T. do Carmo Serviços, Tabelas R. Rebelo da Silva, 12 das com a Navegação, diversas, na especiali- 2795-868 Queijas (Portugal) Seguros, Comércio zação e relacionadas Tel/Fax: +351 21 4186400 Interna-cional e com Portos e todos os E-mail: albcarmo@netcabo.pt outras modos de transporte DEZEMBRO 2005 27
    28. Em cerimónia cheia de simbolismo, o Governo anunciou a nova versão do TGV, que agora se ficará pelas linhas Lisboa-Madrid (2h45m) e Lisboa-Porto (1h15m). A linha do Norte não será utilizada, ao contrário da versão anterior apresentada há cerca de nove meses Anúncio do TGV não avança alguns aspectos essenciais Governo anunciou a constru- O ção das duas principais li- nhas do projecto do comboio de alta velocidade - Lisboa/ Porto e Lisboa/Madrid, com os traba- lhos a arrancar já em 2008. O investimento total chega aos 7,7 mil milhões de euros, se contabilizada a terceira ponte sobre o Tejo, entre Chelas e o Barreiro que, muito previsi- velmente, será a solução para a linha Lisboa-Madrid, e ainda mais provavel- mente, pois nada ainda foi avançado nesse sentido, o Lisboa-Porto, para ul- trapassar as limitações espaciais da margem norte do Tejo junto a Lisboa. O projecto irá gerar um cash-flow ope- Os custos agora apresentados serão forçosamente revistos quando se dese- racional que permite cobrir 38 por cen- nharem as entradas em Lisboa e Porto e as respectivas estações to do investimento, a UE contribuirá com 22 por cento, e o Estado assumirá os restantes 40 por cento do investimen- O primeiro, apresentado por um dos forte componente na cobrança adicio- to. O projecto de alta velocidade ferrovi- seus autores, João Confraria, datado a nal de impostos indirectos, nomeada- ária vai criar 100 mil empregos no pico preços de 2005 e incorporando já uma mente IVA, num valor de pouco mais da fase da construção das ligações, en- taxa de actualização anual de 5%, de- de mil milhões de euros. tre 2010 e 2012. fende que o projecto ferroviário de Alta Para os 20 ou 30 anos seguintes de As principais decisões, como é a do Velocidade irá gerar riqueza acrescida exploração do sistema de Alta Veloci- traçado da via em Lisboa (no Oriente ou (impacto no VAB – Valor Acrescentado dade, o estudo da Católica sustenta que em nova estação?), mas também a en- Bruto) no valor de 5,004 mil milhões de os ganhos de eficiência deverão ser su- trada no Porto, apenas serão conhecidas euros, a valores de 2005, no conjunto da periores, além de não contabilizarem o no final do segundo semestre de 2006, economia nacional, durante os 10 anos efeito, considerado significativo, do trá- quando o Governo apresentar o projec- a partir do arranque da operação, rela- fego induzido. Os impostos directos adi- to em Bruxelas para negociar a atribui- tivos às linhas Lisboa/ Porto e Lisboa/ cionais gerados pela Alta Velocidade ção de apoios comunitários. Madrid (até à fronteira), ou seja, entre deverão ascender a 497 milhões de eu- 2014 e 2023. ros, durante o período referido. Estudos de técnicos da Católica Deste valor de riqueza acrescida Quanto aos envolvidos, a identifica- e do ISCTE ressaltam para a economia nacional, o sector que ção sugere que, além da indústria da impactos do projecto deverá sair mais beneficiado é o da cons- construção civil, com especial incidência Da cerimónia brilhante da apresen- trução civil, com um total de 1,881 mil no sector cimenteiro, outros sectores de tação pública do traçado, a que ocorre- milhões de euros de impacto no respec- actividade poderão ganhar com a cons- ram, para além do 1º ministro, o minis- tivo VAB no período em causa. Verifi- trução deste projecto: a prestação de ser- tro da tutela e o das Finanças, é lícito car-se-á um impacto directo no PIB adi- viços a empresas, serviços imobiliários, salientar aqui as principais conclusões cional de 5,923 milhões de euros, duran- serviços financeiros, indústria de mine- de dois dos estudos económicos ali di- te os referidos 10 anos. Estas estimati- rais não metálicos e a área de produção vulgados: um da Universidade Católi- vas, que o orador considerou pecarem de máquinas e equipamentos. ca e outro do ISCTE. claramente por defeito, têm a sua mais Segundo Manuel Leite Monteiro, ou- 28 DEZEMBRO 2005
    29. tro dos autores do estudo da Universi- sublinhando que a apresentação dos dade Católica sobre o impacto económi- estudos de viabilidade do investimen- co deste projecto, o efeito acumulado do to do TGV traz transparência «e só a projecto no PIB nacional deverá oscilar entre 1,133 e 1,195 mil milhões de eu- Os números transparência gera confiança». «É um projecto estratégico» para o país, «de- ros, entre 2014 e 2023. De acordo com este especialista, es- tas projecções são as que acrescem re- do TGV sistir deste projecto seria desistir do futuro», retomando as palavras profe- ridas por Mário Lino na abertura dos lativamente aos valores que se obser- trabalhos. variam no PIB se a implementação da versão 2005 O ministro das Obras Públicas rede de alta velocidade não ocorresse. Transportes e Comunicações defendeu Outro estudo divulgado refere que «a que o facto de Portugal viver um perío- participação nacional no projecto ferro- do de dificuldades económicas não jus- Custo total: 7,7 mil milhões viário de Alta Velocidade tem potenci- tifica a interrupção do desenvolvimen- al para chegar aos 60%, ou ser mesmo to do projecto de alta velocidade ferro- superior, em relação ao valor global (7,7 viária: «Tal interrupção só agravaria o Lisboa-Porto - 4,7 mil milhões mil milhões de euros), com as maiores atraso de Portugal em matéria de mo- hipóteses de participação de empresas Lisboa-Madrid - 2,4 mil milhões dernidade e competitividade no espaço nacionais no projecto a recaírem no sec- Ponte Chelas Barreiro: ibérico e comunitário, perdendo, simul- tor da obra civil, onde essa probabili- 600 milhões taneamente uma oportunidade única dade pode ultrapassar os 90%. Este es- para desenvolver a inovação, a tecnolo- tudo, apresentado por Ferreira Dias, gia e a coesão social e territorial do do IN-ALT Global, um gabinete de es- Material circulante : País» Quanto às prioridades eleitas, tudos do ISCTE, refere igualmente 480 milhões são as que «apresentam níveis de sus- uma participação nacional elevada no tentabilidade económica e financeira sector ferroviário, no fornecimento de que também justificam avançar, desde equipamentos e serviços à rede de Alta Custo estimado do bilhete: já, com a sua concretização, além de se- Velocidade, nomeadamente no que res- rem determinantes para viabilizar de- Lisboa-Porto - 40 euros peita aos sistemas de sinalização e te- senvolvimento subsequente das restan- lecomunicações e de construção de ins- Lisboa-Madrid - 100 euros tes ligações». Mário Lino espera «uma talações. Para Ferreira Dias, as pro- ampla participação nacional nas acti- babilidades de participação de empre- vidades relativas à obra», na ordem dos sas lusas descem vertiginosamente, Perspectivas financeiras 60 por cento do investimento, «às es- como é óbvio, no material circulante, pecialidades ferroviárias, telecomuni- onde as hipóteses surgem classificadas O consórcio constituído pelos ban- cações e tecnologias de informação e como médias, baixas ou mesmo nulas. cos Finantia, DEPFA e Goldman comunicação, bem como ao nível dos O especialista do ISCTE não deixou Sachs Internacional considera que interiores dos comboios». de apontar as áreas da formação, inves- Concluída a construção e os forne- as linhas Lisboa-Madrid e Lisboa- tigação & desenvolvimento (I&D), es- cimentos, o ministro espera também trutura da rede, organização, materi- Porto serão auto-sustentáveis ao uma incorporação nacional nos própri- ais de construção e logística, como aque- longo do período de exploração, os serviços e em todas as inerentes acti- las em que as empresas portuguesas mas só a segunda irá gerar um re- vidades empresariais, na gestão da cir- têm de recuperar mais terreno, salien- sultado positivo desde o início. culação, manutenção das infra-estrutu- tando que a Alta Velocidade é o grande ras e oficinas de material circulante. Aquele sindicato bancário defende desafio que vai acelerar a reestrutura- Mário Lino acredita que o aumen- ção do sector e reforçar a competitivi- que a linha Lisboa-Porto virá a ge- to da procura neste sector induzirá um dade das empresas nacionais de cons- rar um EBITDA (resultado antes de aumento da actividade económica li- trução civil. O efeito multiplicador do impostos, juros e amortizações) po- gada aos fornecimentos a esta aérea, projecto de Alta Velocidade na econo- sitivo ao longo de todo o período. nos sectores industriais e de serviços. mia portuguesa também se vai sentir Ana Paula Vitorino, secretária de O EBITDA gerado vai ultrapassar os na vertente de exploração. Estado dos Transportes, também inter- 100 milhões em 2018, ou seja, três veio na sessão, revelando, entre outros José Sócrates: «Não decidir é anos após o início da exploração da aspectos, que o Governo vai criar uma rendermo-nos ao atraso» linha Lisboa-Porto. Esta linha vai ter comissão de acompanhamento para Numa jornada que se prolongou por 313 quilómetros e servirá apenas monitorizar o projecto de Alta Velocida- todo o dia, como já sucedera dias antes de através de um organismo que con- aquando do anúncio da decisão sobre o comboios de passageiros. A linha tará com representantes de três mi- novo aeroporto internacional de Lis- Lisboa-Madrid, que terá 207 quiló- nistérios: Obras Públicas, Transportes boa, o programa foi encerrado pelo pri- metros, estará preparada para trans- e Comunicações, das Finanças e do meiro-ministro, José Sócrates. Para o porte misto (passageiros e carga), Ambiente, Ordenamento do Território chefe do Executivo, o projecto de alta só a partir de 2019 vai gerar um Desenvolvimento Regional. A gover- velocidade ferroviária é «prioritário» nante concretizou ainda que esta mes- para o país e os custos de não o concre- EBITDA positivo. ma comissão será «apoiada por um pa- tizar seriam «rendermo-nos ao atraso» inel de especialistas». I DEZEMBRO 2005 29
    30. rodoferrovi@rio & logístic@ rodoferrovi@rio & logístic@ rodoferrovi@rio & logístic@ As entidades prestadoras de serviços de transporte ro- doviário, nas quais se incluem as empresas transpor- tadoras de mercadorias, estarão sujeitas à disponibili- zação, a quem o solicite, do livro de reclamações, já a partir do próximo dia 1 de Janeiro de 2006. Para uma informação mais pormenorizada e fundamentada, a AN- TRAM sugere aos Associados e transportadores rodo- viários de mercadorias em geral a consulta atenta do decreto-lei n.º156/2005, disponibilizado no website da ANTRAM desde 20 de Setembro passado. A associa- ção foi informada desta obrigatoriedade, enquadrada pela alínea b) do Anexo I do decreto-lei n.º156/2005, por fonte da DGTTF. O grupo de alto nível O 8º Ciclo de Seminári- Transporte rodoviário criado no ano passado pela Comis- os do Transportes & Negócios já são Europeia, com o fito de fazer o tem agenda para 2006. português penalizado, diagnóstico das ligações de trans- O primeiro seminário, como porte entre os novos países da sempre dedicado ao Transporte segundo a ANTRAM União e os seus 26 países vizinhos Marítimo, realizar-se-á a 30 de recomendou um mix de projectos Março. Depois, a 1 de Junho, será a A ANTRAM considera que infrastruturais e simplificação de vez do Seminário de Transporte Portugal fica prejudicado segun- procedimentos para estimular os Rodoviário. O Seminário de Trans- do a nova regra dos tempos de fluxos de tráfego entre os países porte Ferroviário decorrerá a 28 de repouso. Para aquela associa- através de cinco grandes eixos Setembro, e a 26 de Outubro have- ção, o compromisso Europeu a transnacionais. Este grupo é enca- rá o Seminário de Transporte Aé- que recentemente se chegou em beçado por Loyola de Palacio, e in- reo. Este ano, o 7º Ciclo de Seminá- Bruxelas sobre os termos da re- tegra membros de 53 países e três rios do do jornal de Fernando Gon- visão da regulamentação social instituições financeiras. çalves, subordinado ao tema gené- em vigor, que prevê que a partir Entre as medidas propostas rico "Para um Desenvolvimento de 2007 seja obrigatório um pe- para esbater as dificuldades cria- Sustentável", reuniu no Porto, no ríodo mínimo de repouso de 45 das pelos graves congestionamen- computo das quatro sessões, mais horas seguidas, por cada duas tos de tráfego, e facilitar a coopera- de meia centena de oradores, naci- semanas, e redução de 74 para ção e comunicação entre as autori- onais e estrangeiros, e mais de 600 56 as horas semanais de condu- dades nos diferentes países, o gru- participantes. ção. A ANTRAM alega que tal po aponta a segurança marítima e significa mais uma penalização a protecção ambiental, interopera- As medidas transitóri- para os nossos operadores, a bilidade ferroviária, extensão do as para agilizar o processo de emis- acrescer às já impostas pela sua sistema europeu de rádio-navega- são do certificado de matrícula situação geográfica periférica. ção (GALILEO), bem como a exten- adoptadas pelo Governo merecem A redução da flexibilidade na são da política de Céu Único que vi- críticas da ANTRAM. Segundo organização dos tempos de tra- gora já na Europa comunitária aos esta associação, que congrega os balho dos motoristas, quer ao ní- países vizinhos. As estimativas de transportadores rodoviários públi- vel do repouso diário quer ao ní- investimento necessário rondam os cos de mercadorias, as dificuldades vel das pausas no decurso de 45 mil milhões de euros, dos quais de implementação do Documento uma semana de trabalho vai tor- 35 mil milhões deverão ser obtidos Único Automóvel que vem substi- nar mais difícil o regresso dos até 2020 a partir dos orçamentos tuir o livrete e o registo de proprie- motoristas a casa e dificultar a dos países a que respeitam, e o res- dade continuam a ter repercussões gestão competitiva dos serviços tante financiado por instituições e negativas para o Sector na sequên- pelas empresas de transporte. complementado pela União Euro- cia da transposição apressada para No que se refere à data de entra- peia. o direito interno da directiva comu- da em vigor do tacógrafo digital, Loyola de Palacio e Jacques nitária n.º1999/37/CE, processo ficou acordado, sem derrogações, Barrot apresentaram os resultados que não acautelou as situações ope- o 21º dia posterior à publicação, deste grupo de trabalho em Mar- racionais das empresas transpor- em jornal oficial, do diploma de rakech, a15 e 16 deste mês de De- tadoras nem tão pouco clarificou a tradução do Regulamento para zembro, por ocasião da reunião dos articulação de competências entre as 25 línguas, o que se prevê pos- ministros de transportes da região a Direcção Geral de Viação (DGV) sa acontecer em finais do 1º tri- mediterrânica que teve lugar na- e a Direcção Geral de Registos e No- mestre do próximo ano. I quela cidade marroquina. tariado (DGRN). 30 DEZEMBRO 2005
    31. DEZEMBRO 2005 31
    32. NOVO AEROPORTO DE LISBOA NA OTA É ESCÂNDALO NACIONAL itando Robert Aaronson, começamos por pergun- pela Ota contra a vontade expressa, publicamente, dos Por- C tar: "Pode alguém prever com exactidão como a aviação irá progredir?" É óbvio que a resposta é negativa. No entanto, em Portugal, parece haver um ministro dos Transportes e Obras Públicas que, apesar de não saber de aviação comercial, já sabe qual vai ser o tugueses e de todos os agentes económicos e companhias de aviação. E a estranheza e as dúvidas aumentam quando o primeiro-ministro anuncia a localização do novo aeroporto como um facto consumado, o que, lamentavelmente, indi- cia que não aceita outras opiniões nem discussões sobre um crescimento do transporte aéreo interna- assunto que devia ser amplamente discu- cional nas próximas décadas, apesar de tido, a nível nacional. E por isso, além de se preverem situações negativas para a leviana, é uma decisão irresponsável do aviação devido ao terrorismo internacio- primeiro-ministro José Sócrates. nal. É, possivelmente, um sobredotado Deu -se a construção Ainda nos lembramos quando era mi- que a indústria e os fabricantes de aviões nistro do governo de António Guterres e ainda não descobriram... Ou então, tal- do novo aeroporto obrigou Portugal a endividar-se em cen- vez seja um fenómeno, dado que mesmo como um acto tenas de milhões de contos com a constru- visionários, como Orville e Wilburg ção de dez novos estádios de futebol para Wright, jamais conseguiram vaticinar o consumado, ou seja, o Euro-2004, quando a UEFA apenas exi- extraordinário desenvolvimento que a sem haver previamente gia seis estádios! Por isso, hoje, alguns de- aviação teve ao longo do século XX. les são inúteis e estão a degradar-se por Tudo isto vem a propósito da leviana um profundo debate não serem utilizados. No entanto, vão con- decisão que o Governo socialista tomou, público sobre o tinuar a ser pagos à Banca pelas Câma- ao anunciar recentemente a construção do Novo Aeroporto de Lisboa na Ota, em projecto e a localização ras Municipais com outras loucuras como buintes. São estas e o dinheiro dos contri- vez de Rio Frio. Como é do conhecimento do aeroporto. É uma no caso das SCUTs, cometidas por gover- público, a Força Aérea, desde 1960, dei- nantes socialistas que custam muito caro xou de operar na Base Aérea da Ota por- situação e um tipo de aos portugueses listas que custam muito que era um perigo em termos de navega- actuação semelhantes caro aos Portugueses. ção aérea, ou seja, havia o risco de haver No caso do novo aeroporto na Ota, a acidentes aéreos. E isso era devido à oro- àquilo que é praticado situação torna-se ainda mais grave. De grafia dos terrenos, à serra de Montejun- em países onde a facto, além de ser um embuste e um crime to, ao nevoeiro intenso e frequente e à bai- aeroportuário e estratégico, é também xa cota dos terrenos - apenas 41 metros democracia não é uma afronta à soberania nacional, dado acima do nível do mar, quando no Aero- respeitada, nem que apenas serve os interesses estratégi- porto da Portela é de 114 metros - que cos de Espanha, que sempre almejou fa- causavam problemas nas descolagens e praticada pelos zer de Madrid a capital da Península Luso- aterragens. governantes... Espanhola. Na verdade, como temos es- Perante esta situação de inseguran- crito repetidamente, se o novo aeroporto ça aérea, a Força Aérea mudou-se para a fosse construído em Rio Frio, em vez da Base Aérea de Monte Real, quando fica- Ota, a Espanha jamais ousaria construir ram prontas as instalações para receber um mega aeroporto em Badajoz. E vai fazê- os primeiros aviões a jacto. Depois, a Base lo porque sabe que o aeroporto na Ota lhe Aérea da Ota foi desactivada e, desde en- permite conquistar mais negócios e explo- tão, ficou inoperacional por ser um risco rar o turismo e tráfego aéreo no centro e permanente para a aviação militar. Es- sul do nosso País, aumentando, assim, o tranhamente, passados 45 anos, a Ota é seu domínio económico e estratégico so- escolhida por um Governo socialista para J. Martins Pereira bre Portugal. a construção de um aeroporto civil inter- Coutinho* Aproveitando a ignorância estratégi- nacional! Ou seja, o que era um perigo ca do Governo, os espanhóis também já para os aviões e pilotos militares, deixou compraram milhares de hectares de ter- de o ser para os aviões e pilotos civis e respectivos passagei- reno no Alqueva para cultivarem algodão e citrinos, apa- ros, assim como para as populações que vivem nos vários rentemente com o apoio de subsídios nacionais... E a exi- concelhos que circundam a Ota. gência espanhola do TGV Lisboa-Badajoz- Madrid, é tam- É, de facto, uma situação que envolve algum mistério e bém outro exemplo da estratégia hegemónica castelhana... que gostaríamos de ver investigada por entidades totalmente É isto que o primeiro-ministro José Sócrates menosprezou independentes do Governo, de modo a esclarecer, com ver- e não quis ou não soube analisar antes de ter erradamente dade, as razões que levaram o primeiro-ministro a optar optado pela Ota. Por isso cometeu um grave erro estratégi- 32 DEZEMBRO 2005
    33. co, para não dizermos um crime de lesa-Pátria, que podia ser evitado se, entre outras coisas, tivesse cultura estraté- gica e conhecimentos sobre geopolítica. Por outro lado, tornou-se muito duvidosa e estranha a pressa do Governo para anunciar, na Gare Marítima de Alcântara, a construção do novo aeroporto na Ota. E isto porque há projectos mais prioritários e porque não cumpriu o seu dever democrático de discutir previamente o respecti- vo projecto na Assembleia da República; com as companhi- as de aviação; com as associações de hotelaria, de viagens e turismo; com os agentes transitários e as empresas de car- ga expressa; com as associações empresariais e industriais; Porque não aceita José Sócrates outras alternativas e o repto com as grandes empresas exportadoras e importadoras; com da C.M. de Lisboa para fazer um referendo sobre o Aeroporto os pilotos da aviação comercial; com a Câmara Municipal da Portela e a localização do Novo Aeroporto de Lisboa? de Lisboa, dona dos terrenos da Portela; com as Alfândegas e outros organismos oficiais; etc.. Aeroporto da Portela são da Câmara Municipal de Lisboa, É isto, aliás, o que acontece em qualquer país democrá- que nem sequer foi previamente consultada ou informada tico. E o último exemplo desta prática democrática é dado sobre a decisão do Governo, apesar de tanto falar em ética e pela BAA, entidade aeroportuária da Inglaterra, quando em democracia... anunciou que o Terminal 2 do Aeroporto de Heathrow seria Além de todas as injustificadas desculpas que o Gover- totalmente transformado num edifício moderno. De facto, a no inventou para não construir o novo aeroporto em Rio BAA preocupou-se em "prometer que nada será decidido, Frio, o ministro Mário Lino lembrou-se recentemente de quanto à nova construção, sem que os projectos sejam am- adicionar mais um argumento destituído de qualquer fun- plamente discutidos pelas companhias aéreas que operam damento válido e credível. Na verdade, na poltrona da sua no terminal, envolvendo também outros operadores de ser- arrogância, o senhor ministro afirmou "não poder ressusci- viço aeroportuário e as entidades governamentais, que es- tar a opção Rio Frio, sob pena de levar à recusa de financia- tejam relacionadas com a infra-estrutura." E isto quando mento comunitário." É, no mínimo, mais uma afirmação não está em causa um novo aeroporto, mas apenas um novo caricata, para não dizermos ridícula e absurda. Terminal de passageiros! Lamentavelmente, o primeiro- E isto porque o ministro Mário Lino se não sabe devia ministro de Portugal demonstrou não ter essa cultura de- saber que a União Europeia só se pronuncia sobre financia- mocrática. E por isso deu a construção do novo aeroporto mentos depois de ter em seu poder os respectivos projectos, como um acto consumado, ou seja, sem haver previamente devidamente preparados e fundamentados. Em Bruxelas um profundo debate público sobre o projecto e a localização exigem-se factos concretos e baseados em números verda- do aeroporto. É uma situação e um tipo de actuação seme- deiros e não fictícios... E como certamente o senhor minis- lhantes àquilo que é praticado em países onde a democracia tro não desconhece, o seu Governo ainda não apresentou na não é respeitada, nem praticada pelos governantes... Comissão Europeia qualquer projecto sobre a construção Por outro lado, que saibamos, o primeiro-ministro José do novo aeroporto na Ota, mas apenas estudos para serem Sócrates nunca visitou os terrenos aeroportuários da Ota. subsidiados. Sendo assim, foi uma decisão de gabinete e baseada apenas Por isso, um ministro responsável não deve dizer publi- em estudos encomendados pelo seu Governo, para serem a camente que a Comissão Europeia não vai aprovar o finan- favor da Ota! Ou seja, esqueceu e desprezou intencional- ciamento - que representa apenas 11% do valor das obras - mente todos os outros estudos que recomendam Rio Frio, se o novo aeroporto for construído em Rio Frio! É, por isso, desde 1969! Além disso, também se esqueceu que a constru- mais uma afirmação inaceitável e uma grave falta à verda- ção de um novo aeroporto é paga com o dinheiro de todos os de, que não dignifica o ministro. Assim, fica demonstrado contribuintes. Logo, é um assunto de interesse nacional e que não é pela recusa de fundos comunitários que o novo não apenas de um Governo, seja ele qual for. Para além aeroporto não será construído em Rio Frio, mas talvez por deste facto, a localização de um novo aeroporto é, em termos outras razões obscuras, que desprezam o interesse nacio- estratégicos e económicos, ainda mais importante que o pró- nal e promovem a especulação imobiliária... prio aeroporto! Entretanto, perante a falta de transparência e as duras E isto acontece porque a escolha da sua localização deve críticas da população e de todos os agentes e operadores ter em conta o sistema de transportes e de logística do País, económicos sobre a localização do novo aeroporto na Ota, para facilitar a intermodalidade; deve ter em conta o equilí- porque não aceita o primeiro-ministro José Sócrates outras brio aeroportuário entre o Norte e o Sul; deve ter em conta a alternativas e o repto da Câmara Municipal de Lisboa, para tão badalada competitividade das empresas, quer sejam fazer um referendo sobre o Aeroporto da Portela e a locali- hoteleiras, de turismo ou de exportação; deve ter em conta o zação do Novo Aeroporto de Lisboa? Se porventura recusar desenvolvimento económico e turístico da cidade de Lisboa tais sugestões, as dúvidas, ou suspeitas, irão aumentar e os e da sua Área Metropolitana, da qual a Ota não faz parte; Portugueses terão ainda mais razões para porem em causa etc.. Talvez por isso, ou por ignorância, o ministro Mário a sua actuação neste nebuloso processo do Novo Aeroporto Lino ousou afirmar que o novo aeroporto será um aeroporto de Lisboa, que será um escândalo nacional, ou até interna- nacional e não de Lisboa! Além de ser uma afirmação gra- cional, se for construído na Ota e não em Rio Frio... tuita e irresponsável, foi a primeira vez que um governante teve a insensatez de dizer, publicamente, que a capital de Portugal vai deixar de ter um aeroporto! E isto é ainda mais mpcoutinho@clix.pt grave quando se sabe que a maior parte dos terrenos do * Especialista de Carga Aérea DEZEMBRO 2005 33
    34. @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @éreo @ére A Lufthansa Cargo passou a incluir a cidade chi- nesa de Chengdu nos seus destinos desde o dia 18 de Dezembro. Com cerca de três milhões de habitantes, esta metrópole está situada na provín- cia meridional de Szechwan, centro das indústrias químicas e de electrónica. O serviço efectua-se em conjunto com a sua ‘partner’ Air China Cargo, com- panhia que passa a oferecer três serviços adicio- nais entre a China e a Alemanha, com dois deles a fazerem escala em Chengdu, usando cargueiros Boeing 747. Esta cidade junta-se assim a Hong Kong, Beijing, Shanghai e Guangzhou na lista das cidades chinesas servidas pela Lufthansa Cargo. A DHL Express e Air France- A mesma DHL Express anunciou, beu o primeiro Airbus A380 saído das KLM subscreveram um contrato de pouco após, a abertura de dez novos linhas de produção comercial do cons- três anos que cobre todas as entregas serviços semanais entre Hong Kong e trutor europeu. Esta companhia asiá- expresso na União Europeia. Concre- o EUA, culminando uma série de ini- tica é, aliás, a que maior número des- tamente, a DHL Express entregará ciativas que visam fortalecer o service tas aeronaves encomendou, num total todos os envios com destinos europeus oferecido pela multinacional para a de 45. Mas não se pense que a vitória e todos os documentos internos para região chinesa. O serviço será operado está garantida para os construtores do as duas companhias aéreas. A KLM e pela Transmile, que colocará a fasquia Airbus: na semana passada a Emirates DHL Express já detinham um relacio- dos voos semanais entre as duas regi- também foi às compras na Boeing, e os namento preferencial na Holanda, o ões em mais de uma centena. Nos Es- números são esmagadores. A enco- que contribuiu decisivamente para o tados Unidos os envios são consolida- menda que seguiu para os EUA con- alargamento do negócio à nova parcei- dos no hub da DHL de Wilmington OH, templa 42 Boeing 777, incluindo oito ra da companhia do cisne. Para a DHL bem como no aeroporto central de Los cargueiros, mais 24 Boeing 777-300ER Express, este contrato reforça a já sig- Angeles. versão passageiros, e outros 10 Boeing nificativa quota de mercado na indús- 777-200LR, na que fica a constituir a tria do transporte aéreo expresso. A TAP já avançou com a decisão maior encomenda de sempre do cons- de modernizar a trutor norte-americano. frota por aquisição de 10 Airbus A350 A Varig viu os seus credores e sete Airbus A330- votaram a favor do plano de recupe- 200. Estes aviões ração da empresa, que prevê a con- de nova geração versão de créditos em acções e a me- destinam-se a lhoria de geração de tesouraria, mas substituir os qua- não detalha novos «apports» de capi- tro A340 e seis tal. O novo plano de recuperação está A310 com que voa baseado na criação de FIPs (fundos actualmente. Os de investimento e participações). Será A330 entrarão ao constituído um FIP controlo com o serviço nas rotas «aportt» de todas as acções das deve- intercontinentais a doras, tendo como administrador um partir de 2007, en- banco comercial de primeira linha e quanto que as en- um gestor escolhido de comum acor- tregas dos A350 te- do pelos representantes das três clas- rão início a partir ses credoras. de 2013. Toda a fro- O FIP controlo terá uma participa- ta da TAP é com- ção de cada FIP-crédito constituído. Os posta por aviões FIPs crédito serão criados e regulados Airbus, tendo a por credores que decidirem participar companhia sido re- na estrutura convertendo seus crédi- centemente distin- tos actuais. O plano também prevê que guida com o prémio a Varig trabalhe com uma frota de 75 de excelência ope- aviões até ao final de 2006. racional dos seus As três classes de credores rejeita- A310. ram o negócio de compra do controlo da Varig por parte do grupo Docas In- Emirates, vestimentos de Nelson Tanure, pelo a companhia aérea que a TAP mantém-se na corrida ao do Dubai, já rece- controlo da Varig. 34 DEZEMBRO 2005
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