A CABRA – 172 – 06.11.2007
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A CABRA – 172 – 06.11.2007

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Versão integral da edição n.º 172 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Quinzenário. Portugal, 06.11.2007. ...

Versão integral da edição n.º 172 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Quinzenário. Portugal, 06.11.2007.
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A CABRA – 172 – 06.11.2007 A CABRA – 172 – 06.11.2007 Presentation Transcript

  • FMI:A TOCA A ASSOBIAR: QUEDA DO “Dó-dó-si-lá-ré, GIGANTE? ré-dó-dó- si-lá-dó” ARTES D.R. Pág.17|FEITAS INTERNACIONAL| Pág. 9 ANO XVII QUINZENAL GRATUITO Nº 172 TERÇA-FEIRA | 6 DE NOVEMBRO, 2007 Director: Helder Almeida ELEIÇÕES PARA A DG/AAC JÁ MEXEM ACADEMIA O actual presidente, Paulo Fernandes, garante que não se recandidata 3bÒdYSQcÅ_bWQ^YjQÌÈ_ Até ao momento, três projectos perfi- lam–se para a corrida à Direcção–Geral dente. Projecto U e Frente de Acção Estu- dantil asseguram avançar para a corrida apoio partidário. As eleições estão marcadas para 27 e TQ<QdQTQ da Associação Académica de Coimbra. mas ainda não têm nomes para nenhum 28 de Novembro e o início da campanha No rescaldo da Festa das Latas surgi- André Oliveira é, por enquanto, o único cargo. Todos os projectos garantem ser para 20. ram acusações contra os organizadores rosto conhecido que se candidata a presi- independentes e não ter qualquer tipo de ENS.SUPERIOR| Pág.6 do evento. O vice–presidente da Secção de Fado da AAC diz que a organização não disponibilizou as devidas condições aos grupos da casa e tratou com “despre- zo” alguns seccionistas. Nuno Ribeiro acusa ainda a Direcção Geral da AAC de fazer ameaças com cortes de verbas para a secção. O grupo autónomo “Imperial Tertúlia In Vino Veritas” também está descontente e elaborou uma queixa no Conselho Fiscal contra a organização da festa. ENS.SUPERIOR| Pág.6 >_dbYX_T_cWÎ^Y_cTQE3 Na Universidade de Coimbra há alunos que terminam as suas licenciaturas com classificações de excelência. Quando as médias se situam nos 18 valores, as opções são várias. A CABRA foi conhecer as oportunidades que se abrem para aqueles que iniciam o caminho com um lugar conquistado entre os melhores. TEMA | Págs.10 e 11 @bUSQbYUTQTU^Q Y^fUcdYWQÌÈ_SYU^dÒVYSQ Atrasos no pagamento das verbas, regi- me de exclusividade, falta de actualização das quantias de financiamento, vários são os problemas que atravessam os bolseiros de investigação científica. Subsi- diários reivindicam novo es- tatuto com mais garan- tias e condições la- borais. O álcool na vida académica As bebidas alcoólicas são cada vez mais o grande atractivo das comunidade estudantil. Os peritos alertam para um aumento do festas académicas. Só para a Festa das Latas deste ano foram risco de dependência. Por outro lado as próprias indústrias di- vendidos 55 mil litros de cerveja. reccionam várias campanhas publicitárias para os estudantes Na ressaca da maior recepção ao caloiro do País, A CABRA fa- universitários. lou com especialistas sobre os hábitos de consumo de álcool na DESTAQUE | Págs.2 e 3 CIÊNCIA| Pág.12
  • 2 A CABRA DESTAQUE 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 Os estudantes e o Álcool 5cdeTQ^dUcQdQcUS_`_c O álcool é cada vez mais uma imagem de marca das festas académicas em Coimbra. Participar na Latada não é apenas sinónimo de tradição mas também uma oportunidade para beber até ao limite, ou para além dele… Por Rui Antunes, Ana Bela Ferreira e João Picanço C hegou ao fim mais uma Festa ra o consumo excessivo. Em frente do perderam o controlo e viram a festa ter- no balão” a uma espécie de concurso para das Latas. Uma celebração dos palco a assistência dança de copo na mão minar mais cedo. O calor, causado pelo ver quem tem a maior taxa de alcoolémia. estudantes que tem como pon- e não é raro o artista que canta com o co- álcool, é combatido através dos banhos Sem se perceber muito bem quais as pon- tos altos o cortejo e as noites do po ao lado. Ou com o garrafão, como nas fontes que existem ao longo do per- tuações do “ranking” a brincadeira acaba parque. Ambos têm um atractivo comum: acontece no concerto de Leonel Nunes, curso. Enquanto que os mais corajosos com os ânimos exaltados entre os partici- o álcool. Os caloiros bebem como forma que afina as cordas vocais com terminam o cortejo com um mergulho pantes. de integração, parte da população de uma “boa pinga”. No fim nas águas do Mondego. Termina o cortejo e um tapete de álcool Coimbra vê a Latada como um expoen- da música do palco princi- Os próprios cânticos entoados pelos ca- derramado cobre todo o percurso. Valem te de boémia e os comerciantes ten- pal, segue–se a romaria loiros têm muitas vezes referências ao al- os serviços de limpeza camarária que tam fazer negócio com a sede dos às tendas dos dj’s on- coolismo. Beber muito, ou mais do que “apagam” os vestígios da euforia estudan- estudantes. Tudo gira à volta da be- de os núcleos fa- noutros cursos, é um factor de regozijo. til. bida. O consumo de álcool é justificado zem negócio “Ah g’anda caloiro, já viste como ele be- porque “se queres ser cá da malta tens com a be” ou “o meu caloiro é o melhor, bebe Depois da festa que beber esse copo até ao fim”, como ven- mais do que o teu” são frases que expri- O estado de embriaguez é, para alguns tantas vezes se ouve durante o ano, e em da de mem o orgulho dos “doutores” na capaci- estudantes, uma constante ao longo de especial, nestes dias festivos. bebidas dade de ingestão alcoólica dos toda a Festa das Latas. Como quase não A tradição manda que a primeira noite brancas. seus caloiros. existem tempos de descanso, durante es- das latas comece num qualquer restau- Todos os ex- Os episódios carica- tes dias, tudo acaba por se condensar nu- rante da cidade, no típico jantar de curso. cessos têm as tos provocados pe- ma grande ressaca final. Para trás ficam as garrafas vazias e inicia- suas consequências. lo consumo de Para trás ficam várias histórias: umas –se a peregrinação até ao local da Serena- No parque encontra- álcool são vão ser narradas com orgulho, outras pa- ta. Ao som das guitarradas o álcool já faz mos zonas que servem frequen- ra esquecer e ainda outras que o álcool efeito e dá coragem a alguns para chorar. de casa de banho impro- tes. não deixa lembrar mas que são contadas A noite prossegue, uns decibéis mais aci- visada, denunciadas pelo pelos amigos. ma, nos diversos convívios ao dispor dos forte odor que se faz sentir A boa disposição e a leveza, com que se estudantes. a poucos metros. O cheiro a encara esta semana de festa, mostram Sete noites, milhares de litros de cerve- urina é agravado pelo aroma que os estudantes encaram os abusos ja consumidos, visitas involuntárias à dos vómitos, característicos de com normalidade. No entanto, os tenda da Cruz Vermelha e barracas dos quem já atingiu o limite. especialistas consideram que os núcleos a abarrotar são alguns dos ingre- No final de cada noite, com o esva- excessos revelam indícios de dientes das noites do parque. O consumo ziar do recinto, vão ficando visíveis mi- comportamentos alcoóli- de álcool em excesso é uma constante no lhares de copos de plástico que serviram cos. recinto. Os incentivos não faltam nos bal- de recipiente à cerveja consumida. São a Relativamente ao cões da cerveja, desde os habituais última marca dos abusos cometidos pelos “Oh consumo de cerveja no “packs” até à oferta de um ingresso para participantes da festa. Marlene recinto, o concessionário um jogo de futebol. “2 ‘packs’ = bilhete não te apa- das bebidas, InTocha, recusou Académica – E. Amadora” podia ver–se Da Alta até ao Mondego, gues”, esganiça fornecer os dados. O responsá- em todos os postos de venda de senhas. de copo na mão uma estudante en- vel, Daniel Rocha, alega que, por ra- Uma passagem sóbria pelo parque tam- O ponto alto da Festa das Latas, o cor- quanto esbofeteia a zões de política empresarial, não bém traz vantagens: “10 batidos = 1 t- tejo, encheu mais uma vez a cidade de colega que cai inanimada desvendaa os níveis de consumo. Por sua –shirt”. Perdida entre o “Pão com Chouri- cor, ruído, lixo, “doutores” e caloiros ves- junto à ponte Santa Clara. vez, Basílio Dinis, assessor da Sociedade ço” e a “Tachadinha”, o quiosque do “Des- tidos a rigor. Uma alegre confusão reina Uns metros atrás uma equipa de Central de Cervejas, da qual faz parte a cobre Outros Prazeres” é o único local on- nas ruas que acolhem este desfile. O trân- enfermagem faz testes de álcool aos estu- “Sagres”, revela que foram vendidos 55 de se promove bebidas não alcoólicas. sito é cortado, à excepção das ambulân- dantes. O objectivo é desenvolver um es- mil litros de cerveja à concessionária da Os concertos são outro dos motores pa- cias que socorrem os participantes que tudo, mas os testados subvertem o “sopro Festa das Latas. FOTOS POR FÁBIO TEIXEIRA
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira DESTAQUE A CABRA 3 ?cbYcS_cT_S_^ce]_UhSUccYf_ Os estudantes que se uma certa tendência para o vício”, acres- ce que “existem alguns casos de estudantes certa quantidade por embriagam consecutivamente centa. alcoólicos que estão a ser tratados”. dia, não conseguem nas festas académicas correm Há escalas que ajudam os técnicos de funcionar física, psi- um perigo maior de “Estudos não combinam saúde a avaliar rapidamente se a pessoa es- cológica e socialmen- dependência, afirmam com bebida” tá ou não viciada no álcool. “Quando um in- te”, explica Irma especialistas Actualmente, é comum encontrar nos jo- divíduo, durante um ano, teve pelo menos Brito. vens dois padrões de consumo: o “binge drinking” e o consumo de fim–de–se- Helder Almeida mana. O praticante de “binge João Miranda drinking” bebe rapidamente para ficar bêbado. “São jo- Durante as festas académicas como a La- vens que habitualmente tada e a Queima das Fitas, muitos são os es- não bebem à refeição. tudantes que aproveitam o tempo de come- Mas nas festas, be- moração para abusar no consumo de ál- bem para ficarem cool. Quais são as consequências a que está embriagados o sujeito um estudante que se embriague to- mais rápido possí- dos os dias durante a festa? Será que corre vel, tomando mais riscos em vir a tornar–se um potencial grandes quanti- alcoólico? dades de álcool, Irma Brito é categórica: “o risco das pes- especialmente soas virem a tornar–se dependentes do ál- bebidas brancas”, cool é mais elevado”. A docente da Escola explica Irma Bri- Superior de Enfermagem de Coimbra e to. coordenadora do projecto “Antes Que Te O consumo de Queimes” (programa de prevenção e de es- fim–de–semana ca- tudo do alcoolismo nos estudantes do ensi- racteriza–se pela ingestão de no superior) afirma que esta é “uma ques- bebidas à sexta–feira e ao sábado. tão de saúde pública, pela elevada quanti- “Para estes jovens, o objectivo é dade que se bebe”. ficar totalmente embriagados. O Da mesma forma, Lídia Cabral, docente domingo é reservado para curar da Escola Superior de Saúde de Viseu e au- a bebedeira para na segunda tora do estudo “Alcoolismo Juvenil” não poderem ir estudar”, exempli- duvida que “um estudante que se embria- fica a docente da Escola Supe- gue todas as noites [numa Latada ou Quei- rior de Enfermagem de Coim- ma] tem fortes probabilidades de se vir a bra. Estes padrões são cada tornar um doente alcoólico”. vez mais detectados nos es- O psicólogo clínico Tiago Lopes não é, tudantes do ensino superior. 1cdbÏcVQcUcQ^Y]Q porém, tão peremptório a encontrar uma As consequências de uma bebedeira são um incidente social por causa da bebida, relação directa entre o abuso do álcool nas por vezes subestimadas. “Estudos não com- considera–se que essa pessoa tem proble- festividades e a dependência. “Se quem be- binam com bebida. Um estudante que con- mas relacionados com o álcool”, explica a be apenas o faz na altura das festas é um some acha que no dia seguinte estará bem. docente de Escola Superior de Enfermagem Para avaliarem os vários estados de bocado difícil dizer que essa acção seja um Está enganado. O cérebro leva mais de uma de Coimbra. embriaguez, os técnicos de saúde costu- factor de risco”, afirma. “Uma embriaguez semana para se recuperar do efeito do ál- As consequências do consumo excessivo mam utilizar uma escala a que chamam não faz a dependência. Mas se numa sema- cool”, refere Lídia Cabral no seu estudo so- de álcool podem ser graves. “As pessoas as “três fases animal”: na houver sete embriaguezes talvez haja bre alcoolismo juvenil. Irma Brito reconhe- que estejam viciadas, se não beberem uma Papagaio – é a fase @eRYSYTQTUUc`USYQ]U^dUTYbYWYTQ`QbQUcdeTQ^dUc da desinibição, na qual a pessoa se torna mais faladora e excitada Ofertas de pós–graduações e das marcas Sagres e Imperial) explica que tes publicitários sabem que o melhor grupo mestrados, desafios a tunas e os estudantes estão “no enfoque da empre- etário para fazer chegar a publicidade são os Leão – a pessoa torna–se mais agres- patrocínios de festas académi- sa, como consumidores dos produtos”, mas jovens”. siva, podendo agir, por ve- cas são algumas das formas de acrescenta que a empresa encontra no meio “Se as próprias cervejeiras financiam as zes, com violência. A pas- chegar ao público–alvo estudantil, “uma forma pedagógica de festas, é evidente que querem que as pes- sagem por esta fase tam- transmitir consciencialização para o consu- soas consumam bastante” acusa Irma Brito, bém depende do tempe- João Miranda mo responsável de bebidas alcoólicas”. docente da Escola Superior de Enfermagem ramento da pessoa que As formas de investimento são várias. de Coimbra. “Acabam por exercer alguma bebe: nem todos pas- O meio universitário é um pólo de aposta Sérgio Gomes refere o patrocínio da sua pressão por via da publicidade para que se sam por ela da publicidade por parte das empresas de marca a “eventos académicos: queimas das aumentem também os consumos”, acres- bebidas alcoólicas. fitas e recepções ao caloiro”. Outras campa- centa. Porco – é a fase da embria- Sérgio Gomes, gestor da marca Tagus, ad- nhas publicitárias são dirigidas especifica- Por seu lado, Nuno Pinto Magalhães de- guez completa, na qual a mite que “já vem sendo hábito da Tagus es- mente para o meio académico como desa- fende que as cervejeiras são muitas vezes in- pessoa já não tem tar associada a alguns eventos marcantes fios a tunas ou concursos em que os prémios justiçadas. Quando algo corre mal, “as cer- consciência do que para os estudantes”. atribuídos se referem à oferta de pós-gra- vejeiras ficam com o ónus do que negativo faz, vomitando, Também Nuno Pinto Magalhães, assessor duações e mestrados. acontece, quando na maioria das situações perdendo os senti- de administração da Sociedade Central de Lídia Cabral, docente da Escola Superior os problemas nem decorrem do consumo de dos, e podendo chegar Cervejas e Bebidas (empresa distribuidora de Saúde de Viseu, denuncia que “os agen- cerveja”. Com Helder Almeida ao coma alcoólico
  • 4 A CABRA OPINIAO 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 Editorial Carta ao Director A festa dos ilustres 1aeÎ]TQEd_`YQ *Ana Martins, Sócia da Associação Académica de Coimbra A Festa das Latas é uma importante fonte de receita para a Associação Académica de Coim- A Associação Académica de Coimbra (AAC) comemo- ção que assinala os 120 Anos da AAC ficou por mãos bra e para as suas secções. Uma boa organização rou, no último sábado, 120 anos de existência. As celebra- alheias. Não questionando, naturalmente, o trabalho do só traz mais–valias para toda a casa, tanto em ções, sob o lema Para além da Utopia, decorreram com autor do livro não posso deixar de me entristecer quando termos económicos como em termos de visibili- pompa e circunstância, esgotando a lotação do Teatro Aca- vejo que o livro dos 120 Anos é assinado por alguém alheio dade. démico Gil Vicente (TAGV). Era um momento solene: a di- à Associação e não pela própria AAC. Mas será que o lucro deve ser posto acima versa, irreverente e inovadoramente criativa Academia de Será que numa Academia tão criativa, unida e partici- de tudo? Não continua a Latada a ser principal- Coimbra mostrava as suas múltiplas facetas num espectá- pativa não se encontrava um único sócio capaz de elaborar mente uma festa de convívio entre os estudantes culo que, contando a História da AAC levava a palco os semelhante obra? Uma obra que realmente espelhasse, e também uma festa das secções? seus Organismos Autónomos e Secções. tanto quanto o pode fazer um livro, a diversidade e o po- Tanto a Latada como a Queima, de festas Depois de um elegante buffet no Bar da Associação tencial humano da AAC. Talvez desta forma os Organis- académicas já têm muito pouco. A começar pe- por onde circulavam solícitos empregados de tabuleiro em mos Autónomos citados no livro não tivessem tantas quei- los preços exagerados praticados pelas conces- punho oferecendo salgadinhos va- xas sobre os conteúdos intro- sões e que reflectem apenas uma preocupação: o riados aos presentes, aqueles que duzidos sobre eles e talvez não lucro de quem explora o espaço. por protocolo ou simples amor à Ca- houvesse omissões. Quem ti- Por outro lado, aqueles que podem fazer a di- sa tinham decidido assistir à gala “Precisa, a Academia, que ver oportunidade de folhear ferença da festa, os próprios estudantes, são ca- eram convidados a percorrer a bre- uma empresa lhe venha esta edição (o preço afugenta- da vez mais deixados para segundo plano. ve distância até ao TAGV por uma rá algumas pessoas) terá Como se explica as críticas que foram lan- passadeira vermelha debruada a to- dizer qual é a sua natureza oportunidade de reparar que çadas pela Secção de Fado à organização da fes- chas acesas. não há sequer referência ao ta das latas? Se não são os estudantes quem faz O que o público que assistiu e qual é o seu trabalho Grupo de Etnografia e Folclo- a festa, quem é? A produtora? As concessões? embevecido à Gala dos 120 Anos fi- diário? ” re da Academia de Coimbra Os VIP? cou sem saber foi que para este es- (GEFAC), fundado em 1966, Falando em VIP, foi curioso ver o funcio- pectáculo tão brilhantemente con- nas mais de 150 páginas do li- namento deste espaço (é de notar que a existên- cebido os intervenientes não foram vro. cia desta área não foi um exclusivo desta Latada, tidos nem achados. A concepção e produção da comemora- A grande pergunta é se teria sido tão difícil a AAC ter tendo já existido noutras edições). Um bar aber- ção foram entregues a uma empresa que decidiu o que se tomado nas suas mãos a organização das comemorações to, uma esplanada virada para o palco, dividida fazia e como e que o comunicou aos Organismos e Secções do seu 120º Aniversário, reunindo o potencial criativo e com vasos para a imprensa saber qual o lugar a que se dispuseram a participar no evento, não sobrando executor do conjunto das Secções e Org, Autónomos que a ocupar e não se misturar com os ilustres convi- espaço (nem tempo já que o único ensaio foi na véspera) caracterizam e lhe dão vida. Seria particularmente compli- dados da Academia. Um espaço com mais cadei- para críticas ou contributos. Resumidamente, a criativa e cado encontrar um grupo de sócios que se dispusesse a ras e mesas do que as que os media da casa ti- interventiva Academia de Coimbra fazia o que a empresa mostrar o que é, realmente,a Academia nas suas diversas nham no contentor em que faziam a cobertura… dizia sem piar. facetas desportivas e culturais? Precisa, a Academia, que Há depois a questão das credenciais. As Os participantes no espectáculo, tendo nítidamente uma empresa lhe venha dizer qual é a sua natureza e qual secções são quase obrigadas a pedir a credencial mais amor a esta Associação do que os responsáveis dos é o seu trabalho diário? Ou será que as comemorações do que dá acesso ao recinto para efectuarem o seu Corpos Gerentes pelas comemorações permitiram que o 120º Aniversário apenas espelham o profundo desinteres- trabalho como se de um favor se tratasse. E não espectáculo decorresse dentro dos limites da normalidade, se dos Corpos Gerentes pelas actividades das Secções e esqueçamos que a acabra.net, a RUC e a tentando que a AAC não saísse do seu 120º Aniversário en- Org. Autónomos que inclusivamente já levou a que o edifí- TV/AAC, fazem a cobertura mediática do evento xovalhada. cio fosse encerrado quando o CITAC apresentava um es- todas as noites, enquanto outros, os VIP e os No entanto, o resultado foi (além de uma História mal pectáculo? “amigos da Academia”, têm direito a um sem contada) uma exibição que ficou muito aquém das poten- Possivelmente é apenas a marca da passagem dos fim de convites. Era bom que se repensasse esta cialidades dos seus actores e, em muitos casos, não espe- tempos e a entrada declarada da AAC na sociedade de con- maneira de fazer “a festa dos estudantes”. lhando em nada o que é o trabalho diário das pessoas que sumo: para quê fazer um espectáculo quando o podemos A Latada traz ainda outra virtude: é nor- compõem estas partes da Academia que são, sem dúvida, o comprar já feito? Não ficaremos, assim, um pouco Aquém malmente aqui que a pré–campanha eleitoral que nos faz sentir saudade quando a deixamos. da Utopia? (Cartas ao Director podem ser enviadas para para a Direcção–Geral da AAC aquece e se ficam Por incrível que pareça, até a elaboração da publica- acabra@gmail.com) a conhecer os primeiros candidatos. Neste caso, autocolantes e um enorme outdoor assinalavam A CABRA ERROU o início da época da caça ao voto. Na última edição, nº 171, de 23 de Outubro, o artigo sobre a SOS Estudante da página 7 vinha erradamente assi- nado com o nome de Filipa Craveiro. Filipa Craveiro foi fonte e não redactora do artigo.À visada e aos leitores, pe Helder Almeida dimos desculpa pelo lapso. Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Director Helder Almeida Chefe de Redacção Rui Antunes Editores: Cátia Monteiro (Fotografia), François Fernandes (Ensino Superior), Salvador Cerqueira (Cidade), Raquel Carvalho (Nacional), Rui Antunes (Internacional), João Miranda (Ciência), Patrícia Costa (Desporto), Martha Mendes (Cultura), Ângela Monteiro (Media), Carla Santos (Viagens) Secretária de Redacção Adelaide Baptista Paginação Rui Antunes, Salvador Cerqueira, Sofia Piçarra Redacção Ana Bela Ferreira, Ana Filipa Oliveira, Ana Margarida Gomes, Cláudia Teixeira, Eunice Oliveira, Filipa Faria, Joana Gante, Liliana Figueira, Marco Roque, Marta Costa, Pedro Crisóstomo, Sandra Camelo, Soraia Manuel Secção de Jornalismo, Ramos,Tânia Mateus, Wnurinham Silva Fotografia Carine Pimenta, Carolina Sá, Catarina Silva, Cláudia Teixeira, Fábio Teixeira, Filipa Faria, Liliana Lago Ilustração José Associação Académica de Coimbra, Miguel Pereira, Rafael Antunes Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, André Tejo, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Fernando Oliveira, Laura Cazaban, Rafael Rua Padre António Vieira, Fernandes, Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Vitor André Mesquita Colaboraram nesta edição Alexandre Oliveira, Carine Anacleto, Carolina de Sá, Emanuela Gomes, 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Joana Gomes João Picanço, Pedro Martins, Rafael Pereira, Saimon Morais, Susana Ramos, Tiago Canoso, Vânia Silva Publicidade Sofia Piçarra - 239821554; 913009117 e-mail: acabra@gmail.com Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira ENSINO SUPERIOR A CABRA 5 3_bbYTQÅ47113ZÆS_]UÌ_e Até ao momento existe apenas mos e não ter apoios financeiros de partidos um rosto que se candidata à políticos. presidência da DG/AAC, o de André Oliveira admite pertencer à Juven- André Oliveira. Projecto U e tude Socialista mas afirma a total indepen- Frente de Acção Estudantil tam- dência da sua candidatura ao nível partidá- bém concorrem mas rio. Quanto a apoios económicos assegura ainda não têm candidato que são apenas os membros do projecto que o mantêm. Também Miguel Violante, do projecto U, Helder Almeida afiança que o grupo “não é financiado nem Saimon Morais apoiado por nenhum partido nem por ne- nhuma juventude partidária”. A 21 dias das eleições para a Direcção- Igualmente a FAE garante a independên- –Geral da Associação Académica de Coim- cia ao nível partidário e ideológico. “Reivin- bra (DG/AAC), existem já três projectos dis- dicamos aquilo que é o património ideológi- postos a concorrer: um grupo liderado por co do movimento estudantil, na luta pelo André Oliveira, estudante de Economia, a ensino público universal e pela democracia Frente de Acção Estudantil (FAE) e o pro- nas escolas”, refere João Reis. jecto U. O presidente da DG/AAC, Paulo Em termos de conteúdo programático, Fernandes, assegura que não se recandida- André Oliveira afirma que o projecto está ta. centrado em três pontos–chave: Processo Até agora, André Oliveira é o único rosto de Bolonha, acção social escolar e relaciona- conhecido para a presidência, os outros dois mento da DG/AAC com as secções e os nú- projectos ainda não definiram candidatos. cleos. As eleições estão marcadas para terça–feira, Do projecto U vem a garantia que “a luta 27, e quarta–feira, 28 de Novembro. Na ter- de rua, a luta de massas, é o único meio pa- ça–feira, 20, começa a campanha eleitoral. ra podermos combater a ofensiva que o en- Sob o slogan “Por Uma Academia de Cau- sino superior está a sofrer. Não vale a pena, sas”, o estudante de Economia candidata- neste momento, tentarmos sequer negociar –se pois garante que reuniu “um grupo de com um Governo que é completamente au- pessoas com uma visão comum para AAC”. ILUSTRAÇÃO POR JOSÉ MIGUEL PEREIRA tista, que não ouve os estudantes”, afirma Apesar de ter o apoio de alguns membros da Miguel Violante. actual direcção–geral, André Oliveira ga- logia, afirma não querer “lançar nomes para evitado as questões que são mais importan- Também a FAE advoga que a defesa dos rante que “o projecto não é de continuida- cargos, porque para já o essencial é discutir tes [para o ensino superior] e não se têm direitos dos alunos deve passar pela luta de de”. O candidato adianta ainda que Nuno os assuntos problemáticos do ensino supe- comprometido com a sua resolução”. rua. “Toda e qualquer política contra os es- Mendonça, actual presidente do Conselho rior e as soluções”. João Reis, também da FAE, explica que a tudantes só foi derrotada nas ruas, com luta Fiscal, é o escolhido para o cargo de presi- Também a FAE garante que vai avançar candidatura surge como contraponto à ac- e com manifestações”, afirma João Reis. dente da Mesa da Assembleia Magna. com uma candidatura à DG/AAC. “Acha- tual DG/AAC, uma vez que “esta acaba por Quanto a uma possível recandidatura do O projecto U surgiu no final de 2006, co- mos que é um acontecimento incontornável ocultar o papel intervencionista que deveria actual presidente da DG/AAC, Paulo Fer- mo forma de discutir “o estado do ensino para quem quer ter uma palavra a dizer so- ter na luta pelo direito dos estudantes”. nandes garante que não pensa nisso. “Quan- superior” e o “estado da Associação Acadé- bre o que é o movimento estudantil na Uni- do me candidatei o projecto era para um mica de Coimbra (AAC)”, refere Miguel Vio- versidade de Coimbra e no país”, justifica Paulo Fernandes garante que não ano”, assegura. O estudante pretende agora lante, aluno de Sociologia. Quanto a candi- Manuel Afonso. Segundo o aluno, “os gru- se recandidata terminar o curso de Ciências Farmacêuti- datos, João Nuno Silva, estudante de Socio- pos que têm participado nas eleições têm Todos os projectos garantem ser autóno- cas, do qual é finalista. 9^aeÎbYd_ÅAeUY]QTUquot; %`bUcdUcQcUbS_^SeÒT_UbUfUQT_ Vários erros processuais Nuno Mendonça. tinha sido criticada pelo CF de 2005, por se calhar atropelámos alguns procedi- atrasaram o inquérito que já Em 2005, a Queima das Fitas, devido a não ter tomado “as diligências necessárias mentos. Mas dentro do que conhecíamos tinha sido instaurado várias irregularidades, teve prejuízo. para evitar” o resultado final negativo. não atropelámos nada” afirma José Mal- há dois anos e meio Quando o relatório de contas da festa foi ta. apresentado, no final de 2005, o fiscal, na Ministério Público continua “Esse processo não deu para ser finali- Helder Almeida altura presidido por José Malta, decidiu a investigar fraudes zado, porque houve pequenas falhas pro- instaurar um inquérito aos comissários da José Malta, o presidente do CF de 2005, cessuais que poderiam pôr em cheque o O inquérito aberto pelo Conselho Fiscal queima. Um estudante foi suspenso de só- lembra que “houve negligências por parte bom–nome da AAC”, afirma Fernando (CF) de 2005 aos comissários da Queima cio da Associação Académica de Coimbra da comissão central, nomeadamente no Gomes. O estudante acrescenta que “há das Fitas, para apurar a existência de irre- (AAC) e outros três foram advertidos, já não cumprimento dos prazos, e na não pareceres dos advogados da AAC a dizer gularidades, está em vias de ser concluído no mandato de Fernando Gomes, em realização de contratos, o que também é para esperar, e não precipitarmos um pro- e tornado público. 2006. culpa da fiscalizadora que tinha de rectifi- cesso. E foi por isso que nunca foi termi- “Vamos tentar que a avaliação coincida No entanto, “vários erros processuais e car todos os contratos”. nado”, justifica Fernando Gomes. Contu- com o parecer relativo à Queima das Fitas de procedimento fizeram com que o in- Relativamente aos erros processuais do do, Nuno Mendonça acha que “o CF de 2007”, afirma o presidente do CF, Nuno quérito ficasse parado”, afirma Nuno inquérito, Nuno Mendonça afirma que 2006 poderia ter concluído o processo Mendonça. Segundo o dirigente, “o pro- Mendonça. Um novo processo, com o “foram cometidos pelo CF de José Malta e mais facilmente do que nós, e tinham con- cesso tem demorado pela dificuldade em mesmo nome, foi aberto em 2007. que não foram colmatados pelo fiscal de dições de o fazer”. reunir todas as pessoas envolvidas”. “Já No inquérito que vai ser apresentado, Fernando Gomes”. As fraudes na Queima das Fitas de 2005 passou muito tempo e todo o processo já vão ser conhecidas as sanções aplicadas à “Na altura, para sairmos com uma res- continuam, no entanto, a ser investigadas sofreu vários avanços e retrocessos”, diz Comissão Fiscalizadora da queima, que já posta e para esclarecermos os estudantes, pelo Ministério Público.
  • 6 A CABRA ENSINO SUPERIOR 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 CUSÌÚUcSbYdYSQ] BUQRUbdebQ T_ RQbT_D17FcØ _bWQ^YjQÌÈ_TQ<QdQTQ U]4UjU]Rb_ GUILHERME PRADO Tiago Canoso Latada contribui para Joana Mendes deterioração de relações entre seccionistas e DG/AAC. O concurso que atribuía um novo conces- Vice–presidente da secção de sionário ao bar do Teatro Académico Gil Fado pede demissão de Vicente (TAGV) foi anulado na passada Paulo Fernandes sexta–feira, 2, devido “a irregularidades processuais”, garante o director. Depois da Rui Antunes queixa efectuada à reitoria da Universidade de Coimbra (UC) pelo antigo explorador do Desde a simples falha de Internet no espaço, a empresa Assimetrias, o concurso recinto até denúncias de “falta de res- de Junho passado foi anulado e vai decor- peito”, são várias as acusações que rer ainda este mês. A reabertura do café es- membros de grupos da Associação Aca- tá prevista para Dezembro. démica de Coimbra (AAC) fazem à orga- A concessão do café Teatro à Assimetrias nização da Festa das Latas. O descon- acabou no passado mês de Julho. A reaber- tentamento levou a Imperial Tertúlia In tura estava prevista para o início do mês de Vino Veritas a elaborar uma queixa for- Setembro já sob nova gerência, mas, até mal contra a organização. Por outro la- hoje, o bar permaneceu encerrado. do, o vice–presidente da secção de Fado O director do TAGV, Manuel Portela, ex- pede a demissão do presidente da Direc- plica que o atraso na reabertura se deve, ção–Geral da AAC (DG/AAC), Paulo por um lado, a “alterações necessárias por Fernandes. motivos da nova legislação relativa ao fun- “Aconteceram várias coisas lamentá- cionamento dos equipamentos desta natu- veis no recinto”, aponta Nuno Ribeiro, reza” e, por outro, a “irregularidades for- vice–presidente da Secção de Fado da In Vino Veritas: “Já chega. Vamos apresentar uma queixa no Conselho Fiscal mais” no concurso lançado em Junho. AAC (SF/AAC). O estudante diz que a Com o intuito de continuar a gerir o Café secção se sente prejudicada pela forma TV/AAC faz parte das secções que se ameaçam–nos e dizem que não nos dão Teatro do TAGV, a Assimetrias voltou a como foi tratada no recinto. “Meteram- queixam da deficiência logística. A pre- verbas, discriminam–nos”, acusa o sec- candidatar–se à concessão, mas ainda du- –nos numa tenda toda enlameada, não sidente da TV/AAC, Ana Mesquita, re- cionista. O vice–presidente da SF/AAC rante o mês de Setembro a empresa fez nos deram um espaço para ensaiar e os corda situações caricatas que se passa- “fala em facada no coração” e diz que foi uma “reclamação à reitoria da UC, porque nossos instrumentos ficaram poisados ram no recinto. “Tínhamos apenas duas “informado que a DG/AAC estava a houve irregularidades durante o concurso”, na gravilha”, recorda o também tesou- cadeiras, num contentor que partilhava- ponderar não apoiar o Festuna”. acusa o porta–voz da ‘Assimetrias’, Miguel reiro da Comissão Executiva do Conse- –mos com outra secção”, conta. O dirigente associativo não poupa crí- Silva. “Todos os pontos do concurso, desde lho Cultural. Para além disso, Nuno Ri- A estudante fala ainda de promessas ticas ao presidente da DG/AAC. “Esse prazos a cadernos de encargos, não esta- beiro queixa–se que quando pediam au- de resolução dos problemas logísticos senhor fala para nós como um bando de vam de acordo com a lei”, afirma . xílio aos “senhores responsáveis pela que não foram cumpridas: “disseram- miúdos que anda aqui há dois dias, mas Por seu turno, o director do TAGV apon- Festa das Latas eles ignoravam–nos, ou –nos que nos colocariam Internet RDIS não nos esqueçamos que quem anda ta como irregular “alguns dos elementos respondiam–nos mal”. “Uma falta de e ‘mobília nova’ e isso não aconteceu”. aqui há dois dias é o senhor Paulo Fer- constantes do texto do concurso que não respeito inacreditável”, acusa. Neste sentido, revela que existiu “difi- nandes”, ironiza. Nuno Ribeiro vai mais estavam inteiramente de acordo com aqui- Também o grupo autónomo da AAC, culdade de comunicação” com os orga- longe e exige que “depois do tratamento lo que está estabelecido no código do pro- In Vino Veritas, tem razões de queixa da nizadores e que sempre que tentava ob- que ele anda a dar a diversos seccionis- cesso administrativo”, aclara o director. organização da Latada. Paulo Eiras, ter esclarecimentos apenas obtinha tas devia demitir–se”. A vencedora do primeiro concurso foi “a membro da tertúlia, garante que o seu “não–respostas”. Confrontado com as acusações, o pre- empresa proprietária do bar Shmoo”, refe- grupo foi tratado de forma insultuosa. sidente da DG/AAC, Paulo Fernandes li- re Miguel Silva da Assimetrias. O director “Todos os anos esta situação tem vindo As ameaças e o pedido de mitou–se a dizer: “não respondo a críti- do TAGV, Manuel Portela, no entanto, sub- a piorar de uma forma cada vez mais es- demissão cas nem acusações. Quando há proble- linha que “o resultado não foi homologado túpida”, denuncia. O estudante acusa a As situações que se passaram no re- mas quero falar directamente com as pois o concurso não estava concluído”. Até organização de querer colocar o grupo a cinto da Festa das Latas vieram deterio- secções para que haja harmonia dentro ao fecho desta edição, e depois de várias tocar às sete da manhã e de se resignar rar as relações entre a Secção de Fado e da grande casa que é a AAC”. Quanto às tentativas, não foi possível obter qualquer perante os “insultos vindos dos respon- a DG/AAC. Nuno Ribeiro diz que não há situações no recinto, Paulo Fernandes declaração da empresa proprietária do bar sáveis da produção”. Paulo Eiras garan- liberdade para críticas. “Anda aí aquele remeteu todas as explicações para o Shmoo.O director do TAVG, espera, no en- te que a tertúlia vai tomar medidas: “Já espírito que ninguém pode dizer mal de coordenador da Festa das Latas. A CA- tanto, que esta situação não se arraste por chega. Vamos apresentar uma queixa ninguém, porque os senhores da Direc- BRA tentou contactar Ricardo Duarte, muito mais tempo, já que o bar fechado formal no Conselho Fiscal”. ção–Geral são intocáveis, ninguém pode mas tal não foi possível até ao fecho des- “traz prejuízos directos a todos os especta- Sem tecer acusações tão graves, a criticar nada do que façam, porque ta edição. dores da nossa programação”. PUBLICIDADE
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira CIDADE A CABRA 7 Ensino secundário em Coimbra BQ^[Y^WcQ]RÒWe_c ANA BELA FERREIRA Os critérios aplicados na elaboração dos rankings é uma das críticas feitas por professores da escola secundária D. Maria Salvador Cerqueira A presidente da melhor escola pública de Portugal e a socióloga Ana Maria Seixas con- cordam que a publicação dos rankings tem pouca utilidade e que a elaboração das listas deveria ser feita considerando outros crité- rios para além dos exames nacionais. De acordo com a lista publicada pelo Jor- nal de Notícias, estipulada através dos resul- tados obtidos pelos alunos internos da esco- la nos exames nacionais às oito disciplinas com maior número de inscritos, a Escola Se- cundária Infanta D. Maria (ESIDM) con- quista a oitava posição. Já a Cooperativa de Ensino de Coimbra ficou no antepenúltimo posto, entre um total de 608 escolas. A presidente do executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria afirma ser “um risco publicar estes rankings” Embora a presidente do conselho executi- vo da ESIDM, Maria do Rosário Gama, ex- vez, a Cooperativa de Ensino de Coimbra car estes rankings a bruto, uma vez que não instabilidade na posição das escolas”. Entre presse assertivamente que “não há segre- optou por não prestar declarações. são só as notas que fazem a escola”. A pro- as causas está o grau de dificuldade dos exa- dos” para que o estabelecimento de ensino Ana Maria Seixas, docente da Faculdade fessora do ensino secundário entende que “a mes nacionais, que varia em cada ano. Ana seja a melhor escola secundária pública do de Psicologia e Ciências da Educação da instituição deve ser valorizada pela aposta Luísa Baptista exemplifica com o último País, a psicóloga da escola arrisca avançar os Universidade de Coimbra (FPCE), salienta que faz na formação para a cidadania e pelo exame nacional de matemática do 12º ano, eventuais motivos. Conceição Rijo, respon- que as principais causas para um resultado seu projecto educativo”. A anterior presi- que os docentes da disciplina consideraram sável pelos Serviços de Psicologia e Orienta- global positivo nas provas nacionais são “a dente do executivo da ESIDM, Ana Luísa “bastante mais fácil”. ção da ESIDM, há 18 anos, acredita que o qualidade do ensino e o tipo de população Baptista, também critica as matrizes utiliza- Os professores queixam–se também que o sucesso nos exames nacionais se deve “à exi- que compõe a comunidade escolar”. Na es- das na formulação dos rankings, defenden- resultado obtido nas provas nacionais não gência dos alunos consigo próprios e às cola Infanta D. Maria, que obteve uma mé- do que “é difícil encontrar critérios que pos- espelha somente o trabalho da escola, uma grandes expectativas que têm em relação ao dia geral de 134,62 pontos, Conceição Rijo sam dar uma visão da realidade que temos”. vez que os alunos podem recorrer a explica- curso superior que querem seguir”. Por sua explica que há um corpo docente estável, “É impossível comparar esta escola com ou- ções, o que Conceição Rijo encara como não uma “característica do ensino em Coimbra”. tra com características completamente dife- sendo necessárias. A psicóloga argumenta Escolas Públicas de A psicóloga da escola esclarece ainda que rentes. É incomparável”, conclui. que “não deveriam existir, porque as aulas “os alunos habitam predominantemente nu- A docente da FPCE concorda com a opi- deviam ser suficientes”. Coimbra no Ranking ma zona nobre da cidade [Solum] e a grande nião das professoras da escola secundária: A posição do presidente da Escola Secun- Nacional “a publicação dos rankings tem mais efeitos maioria dos pais são de quadros superiores, dária D. Dinis, Augusto Nogueira, é mais po- 8º - Infanta D. Maria 134,62 nomeadamente professores universitários e perversos do que benéficos”. Para além dis- sitiva perante a elaboração de rankings. 23º - José Falcão 121,70 médicos”. Deste modo, a maioria da comu- so “a associação que é feita entre as escolas Apesar de ainda não ter analisado os núme- 76º - Quinta das Flores 111,45 nidade estudantil da escola é originária das melhor classificadas e uma suposta qualida- ros deste ano, o presidente da escola pública 99º - Avelar Brotero 108,80 classes média e média–alta. de de ensino é demasiado simplista”, refere. de Coimbra pior classificada, assume que 248º - D. Duarte 100,57 A socióloga acrescenta ainda que “é questio- “normalmente a listagem final supera as ex- 283º - Jaime Cortesão 98,84 Há rankings e rankings nável a avaliação das escolas através desta pectativas dos professores”. 306º - D. Dinis 98,0 Rosário Gama considera “um risco publi- listagem. Desde 2001 tem havido grande Com Adérito Esteves 3 3 O que há de melhor e de O que mais o encanta O que pensa do acesso à respostas 1 2 pior em Coimbra? na cidade? cultura em Coimbra? de... O pior é a oferta cultural Fazem–se erros graves ao que está francamente estagna- Gosto muito da arquitectu- não apoiar a cultura, principal- da, aliás não se consegue se- ra da cidade, sobretudo na mente para os mais jovens e em quer vislumbrar uma política cultural por parte velha que é muito equilibrada do não se ter espaços onde as pes- parte do executivo. O Teatro Académico de ponto de vista arquitectónico e que, de al- soas possam criar, ensaiar, pintar. Temos Gil Vicente tem feito um trabalho incrível e gum modo, tem sido preservada. É uma muito público para bastantes coisas e não a Direcção Regional de Cultura do Centro cidade calma, tranquila. No entanto, sinto temos modo de o cativar. E a universidade, também tem feito o que pode, isto são coi- pena da grande dificuldade que há para se por um lado é uma coisa fundamental e sas positivas. O melhor, a localização geo- levar projectos para a frente na cidade. uma das mais interessantes em Coimbra, gráfica que é francamente positiva, a meio Coimbra é o local onde sempre vivi, onde por outro, acaba por ser um grande proble- caminho entre Lisboa e o Porto, e o facto tenho os meus amigos e isso acaba por ser ma. Faz falta um plano cultural digno desse Paulo Furtado de ter muitos locais engraçados para se es- uma parte afectiva que me mantém ligado nome para a cidade, é uma grande falha e se tar. Tem o Jardim Botânico, tem muitas à cidade. este panorama não se alterar, vamos pagar Legendary Tiger Man esplanadas escondidas, há muitos locais uma factura muito cara daqui a uns anos. tranquilos onde é bom estar em Coimbra. Por Ângela Monteiro
  • 8 A CABRA NACIONAL 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 Eutanásia E]VY]TUfYTQ]QYc`bØhY]_ FILIPA MORENO A queda dos valores tradicionais e o aumento da pobreza e da exclusão social fazem com que os idosos portugueses pensem cada vez mais na morte Raquel Carvalho Sarah Halls Quase 50 por cento dos idosos aprovam a legalização da eutanásia e mais de 60 por cento têm pensamentos frequentes sobre a morte e o processo de morrer. Os dados são revelados por um inquérito realizado a 810 pessoas com mais de 65 anos e sem doenças crónicas ou terminais, institucio- nalizadas em lares e residências de tercei- ra idade de todo o País. Além de 47 por cento dos idosos serem favoráveis à legalização da eutanásia, inde- pendentemente de a desejarem para si; cerca de 40 por cento são a favor da práti- ca da eutanásia, conclui o projecto de in- vestigação desenvolvido pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Actualmente, assiste–se a uma crescente hospitalização da morte, o que traz novos desafios à sociedade e ao serviço de saúde Medicina da Universidade do Porto (FMUP). “Os resultados são ainda mais Rui Nunes defende que se deve dar “ um rio reverter as prioridades da política de Paula Martinho. surpreendentes se analisados por regiões. salto qualitativo na sociedade, providen- saúde”. Assim, a eutanásia é ainda uma questão O Alentejo chega a 72 por cento de respon- ciando a essas pessoas condições para que de contornos pouco definidos em Portugal, dentes favoráveis à legalização da eutaná- a sua vida valha a pena ser vivida”. Testamento vital havendo uma confusão da sociedade em sia e Lisboa e Vale do Tejo a 61 por cento”, Outra questão importante é o “reforço geral em torno das problemáticas do final revela o coordenador do estudo, Rui Nu- Medidas para prevenir pedidos da autodeterminação das pessoas em fim da vida. nes. de eutanásia de vida, pois parte dos pedidos de eutaná- “O envelhecimento avassalador da socie- “Uma responsabilização acrescida da fa- sia não tem a ver com o sofrimento, mas dade, a descaracterização do papel da fa- mília no que diz respeito ao cuidado das com a perspectiva de sofrimento, sobretu- Eutanásia na Europa mília e a falta de apoio por parte do Estado pessoas idosas e, por outro lado, o reforço do com aquilo a que nós chamamos de dis- Em Portugal, a eutanásia e o suicídio as- aos núcleos familiares fazem com que as do papel do Estado no sentido de inferir tanásia”, alerta Rui Nunes. “A ética e a lei sistido são ilegais. Contudo, existem países pessoas sejam excluídas da sociedade e re- condições para que os familiares tomem já permitem que o doente recuse determi- europeus que já legalizaram estas práticas, metidas para hospitais e lares”, explica Rui conta dos idosos” são algumas das medi- nado tratamento”, lembra o professor da nomeadamente: Nunes. O presidente da Associação Portu- das apontadas pelo presidente da APB. FMUP. Holanda- o primeiro país da Europa a guesa de Bioética (APB) considera ainda Além disso, considera ser necessário a Contudo, “é ainda necessário reforçar a legalizar a eutanásia e o suicídio assistido que “a falta de influência da vida espiri- “implementação genuína de condições que autodeterminação das pessoas e isso pode (2002), no caso de um paciente com doen- tual, como acontece sobretudo no sul de façam com que as pessoas não tenham do- ser maximizado através da legalização do ça incurável, em que não haja esperança de Portugal, contribui para um resultado per- res nem sofrimento no fim da vida”. Para testamento vital”. Este é uma directiva an- recuperação e com o consentimento do feitamente vertiginoso, sendo que dois ter- tal, Rui Nunes defende a “implementação tecipada de vontade, equivalente ao con- mesmo. Em Março de 2007, a eutanásia foi ços da população desta região é favorável à do Plano Nacional de Luta Contra a Dor, ceito inglês de ‘living will’, no qual uma aprovada em crianças com menos de 12 legalização da eutanásia”. que em Portugal ainda é uma miragem, e a pessoa pode definir previamente se deseja anos. Para além da falta de convicções religio- criação de uma verdadeira rede de cuida- receber determinados cuidados médicos Bélgica- seguiu os passos da Holanda e sas, “o sofrimento psicológico, muito mais dos paliativos, que também não existe no numa situação clínica em que não tenha legalizou também em 2002 a eutanásia e o que a dor física, ainda que essa seja impor- nosso País”. capacidade física ou intelectual para o fa- suicídio assistido. Actualmente, discute–se tante, a exclusão, o abandono, a sensação O professor da FMUP considera que es- zer. O testamento vital ainda não é legal a possibilidade de eutanásia em menores de isolamento, devido à falta de família e tas medidas ainda não foram tomadas, em Portugal, mas já está previsto na Con- de 18 anos. redes sociais de apoio, são as principais “porque as pessoas da terceira idade não venção sobre os Direitos do Homem e a Suíça- a eutanásia é ilegal, mas o suicí- circunstâncias que levam uma pessoa a pe- têm poder reivindicativo, estão segregados Biomedicina. dio assistido foi legalizado. O país dá aces- dir a eutanásia”, considera Rui Nunes. nos lares e não têm quem fale por eles. E o A este respeito, a presidente do Conse- so a instalações privadas de suicídio assis- Portanto, “os pedidos genuínos de eutaná- que está escondido não interessa ao poder lho Nacional de Ética para as Ciências da tido e abre as portas aos estrangeiros que sia são residuais”, conclui o professor da político”. Vida, Paula Martinho da Silva, considera desejem efectuar esta prática, através da FMUP. Rui Nunes apela ao amadurecimento da que se deve começar “por discutir e pôr em ONG Dignitas. Além disso, a lei suíça é a Também o Padre Vítor Feytor Pinto afir- sociedade e sublinha que “muitas das me- prática o consentimento informado e isso única que permite o suicídio assistido de mou no debate sobre “Decisões Terapêuti- didas que defendemos não são muito dis- extravasa a eutanásia”. Sublinha ainda que pessoas com doenças mentais. cas em Fim de Vida”, realizado no dia 27 pendiosas, existe apenas um custo inicial as pessoas devem estar devidamente infor- Reino Unido- em 1999, o governo re- de Outubro, nos Hospitais da Universida- de investimento”. De acordo com o presi- madas, em condições para tomar a decisão jeitou o projecto de lei para o suicídio assis- de de Coimbra, que “as pessoas por quere- dente da APB, existem poucas unidades de e conscientes das consequências desse ac- tido, mas introduziu ‘living wills’ (testa- rem morrer não quer dizer que queiram a cuidados paliativos em Portugal, simples- to. “Só depois de estar isto em prática é mentos vitais). O médico pode ser conde- eutanásia. O que querem dizer é que lhes mente porque “não houve uma visão estru- que estamos preparados para uma verda- nado se não respeitar o desejo do paciente. dêem outro tipo de vida”. Nesse sentido, tural”, defendendo, assim, que “é necessá- deira discussão sobre eutanásia”, afirma
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira INTERNACIONAL A CABRA 9 6=9^QYTQTUTQbUV_b]Q ?^_f_ dbQdQT_ Ueb_`Ue U] !% A organização está à procura de um novo lugar na `QQfbQcU!% regulamentação da economia mundial. Especialistas VbQcUc defendem que o Fundo Lisboa: A assinatura do documento es- necessita de mudanças tá agendada para estruturais 13 de Dezembro deste ano, no Mos- Rui Antunes teiro dos Jeróni- Ana Bela Ferreira mos. Quinze: Vai ser o número mínimo de O mundo está em mudança. A era da glo- Estados–membros para qualquer tomada balização tem vindo a pôr em causa organi- de decisão no Conselho de Ministros, sendo zações como o Fundo Monetário Interna- que devem equivaler a 65% da população cional (FMI). Com 61 anos e a precisar de total da UE. reforma, a instituição tem, desde 1 de No- Unanimidade: Deixa de existir em pelo vembro, um novo director–geral. menos 40 domínios, sendo ainda necessá- “Há uma cada vez mais clara crise de ria em questões relativas à soberania nacio- identidade do FMI”, alerta o coordenador nal. científico do Centro de Estudos de Econo- Co–decisão: Para se aprovar uma deci- mia Europeia e Internacional, Manuel Far- são, Conselho e Parlamento Europeu de- to. O especialista considera que o Fundo vem estar em sintonia. “perdeu o pé em relação aos seus objecti- 2009: Ano da entrada em vigor do Novo vos iniciais e hoje não tem condições para Tratado. enfrentar novas situações e criar a sua pró- Itália: Romano Prodi ILUSTRAÇÃO POR RAFAEL ANTUNES pria agenda”. exigiu mais dois deputa- Os especialistas são unânimes ao consi- dos para os transalpi- derarem que o FMI está a perder influên- importância de organizações como o G-8 mundial. “Uma nova instituição com uma nos, mas acabou por cia na economia global. O subdirector do ou a própria União Europeia, veio reduzir outra representatividade, uma agenda con- aceitar o novo tratado Diário Económico, Bruno Proença, aponta o espaço do Fundo”. creta, uma clara definição de funções, uma com apenas mais um que a organização vive “uma crise existen- O especialista confessa que não acredita nova identidade. Há lugar para isso, mas membro no hemiciclo. cial porque foi pensada para um mundo na reforma do organismo defendendo pode não ser o FMI”, conclui. Constituição: O termo foi abolido, jun- que já não existe, em que a Europa e os “uma refundação ou mesmo desmantela- tamente com o desejo de criar um hino ou EUA eram motores da economia”. mento do FMI”. Também Bruno Proença O Fundo do mundo uma bandeira, de forma a afastar o fantas- Além disso, Manuel Farto acredita que considera que “o Fundo tem que encontrar ma do federalismo. “a perda de peso está relacionada com o o seu papel na economia globalizada, essa O Fundo Monetário Internacional foi Polónia: Lech Kaczinski aceitou os descrédito da instituição, que se deixou co- é a maior reforma”. Mas afirma que “en- criado em 1945, como resultado das Con- pressupostos do novo tratado com a garan- notar com as políticas implementadas pe- quanto o órgão estiver preocupado com a ferências de Bretton Woods. Para Bruno tia de que os princípios de Ioanina serão los países desenvolvidos”. O facto do FMI orgânica interna, não vai conseguir con- Proença a organização divide–se em três cumpridos. ser relativamente insensível aos problemas cretizá–la”. eixos fundamentais. Primeiro, está rela- Presidente do Conselho: Figura elei- sociais decorrentes das suas intervenções é Por outro lado, Sarsfield Cabral acredita cionado com a cooperação entre os 185 ta pelos membros do Conselho Europeu outra das falhas apontadas por Farto. O que a instituição tem futuro sem necessitar membros no sentido de se encontrar es- que terá um mandato de dois anos e meio. também docente da Universidade Técnica de uma mudança radical. Até porque, “não tabilidade monetária e nas taxas de câm- Referendo: O novo documento apenas de Lisboa diz que a imagem do Fundo se será positivo implementar reformas muito bio. Segundo, procura promover o cresci- tem de ser, obrigatoriamente, aprovado por deteriorou em situações de crise. “É evi- profundas porque ainda não se conhece o mento económico e o desenvolvimento. via referendária na Irlanda, pois esta é uma dente que o FMI se comportou muitíssimo que se passa nos mercados financeiros”, Terceiro – e este é o ponto que costuma exigência constitucional. mal relativamente às políticas que propôs defende o jornalista. trazer o FMI para as primeiras páginas Novo cargo: Passa a existir um Alto Re- para países como a Argentina”, acusa. Em Abril do próximo ano, têm que estar dos jornais – dá assistência temporária presentante da UE para a Política Externa e Já Francisco Sarsfield Cabral, comenta- concluídas as propostas de reforma. Para aos países com graves desequilíbrios nas de Segurança que terá como função organi- dor de assuntos económicos, considera esta tarefa, o Fundo conta com um novo suas balanças externas e que já não são zar a diplomacia dos 27 Estados–membros. que “o FMI foi criticado por razões injus- director–geral. Dominique Strauss–Kahn capazes de responder pelos seus compro- Eurodeputados: Limitação do número tas”, referindo–se à crise da Argentina, em tomou posse na passada quinta–feira e, se- missos. de deputados no Parlamento Europeu para 2000. “O Fundo não tem feito asneiras, gundo Manuel Farto, deve “continuar a ló- Ainda assim, a organização sempre foi um total de 751, passando Portugal dos ac- mas precisa de ser actualizado às novas gica dos últimos dez anos, assente em pe- alvo de controvérsia na comunidade in- tuais 24 para 22. circunstâncias”, concretiza. O director de quenas reformas que não vão produzir ternacional. Já três décadas antes de Hu- Direitos Humanos: O tratado torna informação da Rádio Renascença lembra grandes resultados”. Mais prudente, Bruno go Chavez animar os media com a amea- obrigatório o reconhecimento da Carta dos os dois casos em que o FMI emprestou di- Proença ressalva que “vai ser preciso espe- ça de retirar a Venezuela do Fundo, o mú- Direitos Fundamentais. nheiro a Portugal. “As coisas foram duras, rar algum tempo para perceber se vai mu- sico José Mário Branco usava o FMI co- Clima: O combate às mas correram bem, foram casos de suces- dar alguma coisa”. O subdirector do Diário mo título de uma obra. Apesar de a músi- mudanças climáticas so”, recorda. Económico acredita que o seu “grande de- ca não ter como objectivo principal a crí- e a criação de um safio é resolver o problema de relevância e tica à organização, o nome da música não mercado energético Um novo director, as reformas legitimidade do FMI na economia mun- foi escolhido inocentemente. Hoje, a comum passam a ser de sempre dial”. ideia que José Mário Branco tem da ins- políticas fundamentais O futuro do Fundo Monetário Interna- No entanto, para Manuel Farto, o novo tituição é marcadamente política e per- da UE cional passa pela necessidade de se refor- director não vai resolver os velhos proble- manece inalterada. “O FMI é um instru- Cláusula de Saída: O tratado permite mar. Com as mudanças que a economia mas. “Não parece que seja uma desgraça o mento do capital internacional para do- o abandono de um Estado–membro, desde global tem vindo a sofrer, o papel do FMI desmantelamento do FMI”, preconiza o es- minar e sacar o mais que puder aos países que o negoceie com os restantes países está cada vez menos claro. Segundo Ma- pecialista. Contudo, acredita que existe es- pobres, enterrá–los em dívidas e dar cabo nuel Farto, “o desenvolvimento e crescente paço para um órgão que regule a economia das economias do hemisfério sul”, acusa. Por Carine Anacleto
  • 10 A CABRA TEMA 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 Um futuro acima da média Na Universidade de Coimbra (UC), poucos são aqueles que se podem orgulhar de acabar as suas licenciaturas com classificações de excelência. Com 18 valores de média, quais serão as portas que se abrem? São estes e outros percursos que A CABRA foi tentar descobrir entre aqueles que já pouco sabem sobre o significado de fasquia. Por Tânia Mateus, Rafael Pereira e Sofia Piçarra “ T erminei o curso com uma o apelo para ingressar no mercado de tra- média interessante”. É balho. desta forma que David Filipe Martins, 24 anos, licenciado em Palma, licenciado em En- medicina, optou por fazer as duas. Foi de- genharia Informática pela pois do trabalho e da hora do jantar que Faculdade de Ciência e marcámos encontro com o médico/estu- Tecnologia da Universidade de Coimbra dante no bar do Instituto Justiça e Paz, lu- brinca com os 18 valores com que concluiu gar que frequenta habitualmente para es- a licenciatura. David recebeu–nos na sua reencontrar colegas e amigos. Mesmo com tudan- segunda casa, às vezes primeira. Um frigo- o doutoramento à vista, o aluno não quis te, que rífico, uma tostadeira, uma cafeteira e uma saltar o mestrado, ao mesmo tempo que praticava na- árvore de natal confirmam o ambiente fa- trabalha em regime de internato médico no tação, tocava piano miliar do espaço. Estamos no laboratório Centro de Saúde da Lousã. O mestrado em no Conservatório de de comunicações informáticas, onde o alu- patologia experimental “foi uma questão de Música, e foi animador no começou a trabalhar logo no primeiro oportunidade”, justifica. “Pareceu–me a no Centro Universitário Manuel da Nó- ano. Com apenas 21 anos, opção correcta por- brega, tentou sempre “conciliar a vida so- enquanto estudante”. “ o estudante conimbricense que adquiri uma sé- cial com um pouco de estudo e trabalho”. Unânime é também a ideia de que um iniciou o doutoramento As médias ele- rie de conhecimen- bom profissional não é apenas resultado de imediatamente após aca- vadas abrem várias tos práticos e tam- Tempo para os livros, mas também uma elevada classificação final de licencia- bar o primeiro ciclo de En- portas aos bém ao nível da in- para o resto tura, mas também alguém preparado para genharia Informática no vestigação” acres- Os tempos eram outros, mas Pedro Sarai- ser cidadão. O professor lamenta que “hoje ano lectivo de 2006/07. estudantes no final centa o aluno, que va, 43 anos, confirma a eficácia do método: em dia haja menos alunos envolvidos em do curso ” “Tive que me autopro- aproveitou também “para estudar e para me divertir tive sem- actividades extra curriculares do que na dé- pôr, houve um processo de para reforçar co- pre horários equilibrados”. Desde 1972 que cada de oitenta” porque considera que estas negociação e uma votação no conselho nhecimentos teóricos do curso. ninguém bate os 18 valores do agora vice- são “um investimento compatível com um científico. Não foi fácil”, comenta David Em Outubro do ano passado, Filipe con- –reitor da UC no curso de Engenharia Quí- bom aproveitamento escolar”. Palma, explicando que as reticências se de- cluiu a licenciatura com média de 18. Ques- mica. A procura de bons resultados não im- Luís Vale é hoje professor na instituição veram ao facto de ter uma licenciatura do tionado sobre as razões para o sucesso aca- plica uma dedicação incondicional ao curso onde se formou em Direito. Apesar de não regime de Bolonha, de apenas três anos. No démico, o médico não encontra fórmulas como o senso comum poderia levar a acre- ter participado activamente nas secções da entanto, reconhece que o facto de colaborar mágicas. “O meu percurso foi idêntico ao ditar. Associação Académica de Coimbra enquan- no laboratório desde o primeiro ano e as da maioria das pessoas”, assegura. O mes- A ideia que transparece em todos os in- to estudante, o docente reconhece que “é notas não foram ignorados. trando garante mesmo que nunca sentiu a tervenientes é a de que a sua garra não é só salutar o envolvimento cívico que isso sig- As médias elevadas permitem que se competitividade dos colegas. O grupo de aplicada nos estudos, mas é também utili- nifica” e que tal faz parte da forma como abram várias portas aos estudantes no final amigos “para a borga e para o trabalho” zada para conseguir ter tempo para tudo. entende a participação na sociedade. O pro- do curso. Por um lado, continuar o percur- ajudava a preparar apontamentos, que to- Nesta questão, Pedro Saraiva é perem- fessor garante que, apesar do muito traba- so académico, procurando uma formação dos partilhavam, porque “desbravar as coi- ptório e é com orgulho que fala do seu per- lho que envolveu o curso, o tempo chegou mais específica através do mestrado ou do sas em conjunto ajuda sempre”, afirma . curso: “fui um candidato, frustrado, à pre- para “ver cinema, teatro, ler centenas de li- doutoramento, ou seguir a via da investiga- Talvez por isso, arrisca que o segredo está sidência da Associação Académica, fui or- vros, ouvir as oratórias e as sinfonias para ção ou docência. Por outro, existe também no trabalho em equipa e na organização. O feonista durante sete anos, fiz muitas coisas as quais dificilmente se tem tempo ao longo
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira TEMA A CABRA 11 ajudar–me depois, especialmente quase licenciada em Gestão, com uma mé- na fase de conseguir o estágio”, dia de 18 valores, aceitou sem hesitar o Adriana Miranda considera. Ainda durante o convite que, ainda em Janeiro, recebeu pa- Gestão curso, em 2006, Pedro ra ingressar numa empresa multinacional É analyst numa firma foi convidado a de consultoria e auditoria, a Deloitte. O multinacional de consul- realizar o está- facto de se ter mudado para Lisboa e de ter toria e auditoria. Está a gio na área isenção de horários não retira o ânimo com concluir a licenciatura. Pensa ficar na de enge- que a estudante fala da futura carreira. empresa durante alguns anos a nharia Adriana é nitidamente um caso de realiza- construir uma carreira sólida e, quem d e ção profissional, chegando a projectar o fu- sabe, “atingir o cargo de Partner”. sof- turo ligado à Deloitte porque, como refere, a empresa tem excelentes perspectivas de progressão na carreira. Só as palavras de Adriana podem reflectir o entusiasmo: “Es- David Palma tou a adorar o que faço”. Eng.Informática O engenheiro de software, Pedro Gon- Actualmente tira o çalves, partilha da vontade de evoluir na doutoramento e desen- empresa onde começou a carreira pro- volve projectos de investi- fissional. Para já, a preocupação prin- gação no laboratório de comunicações cipal é “trabalhar bem e ser bem su- informáticas. No futuro, pretende estu- cedido”, mas a estagnação pode dar fora, “para abrir horizontes”, mas conduzir a outras opções. “Não po- com a intenção de regressar. nho de parte a hipótese de vir a ser professor ou investigador”, adian- ta Pedro. Esta é, aliás, outra das opções Filipe Martins que surge depois de concluída uma Medicina licenciatura. Com o objectivo de Trabalha em regime de resgatar conhecimento, a UC convi- internato médico no da alguns dos seus alunos a integra- Centro de Saúde da Lousã rem as equipas de investigadores. enquanto faz o mestrado em patologia Exemplo disso é o vice–reitor Pedro experimental. Está a aguardar a lista de Saraiva. Depois de concluído o curso vagas para escolher a especialidade que de Engenharia Química, o docente vai iniciar em Janeiro. recorda que abraçou de imediato “uma carreira académica nas suas múltiplas vertentes: investigação, do- cência e de contributo para a mudança Pedro Gonçalves da sociedade”. Nessa altura, prestou pro- Eng.Informática vas de aptidão científica e pedagógica com É engenheiro de software vínculo à UC, mas sempre com a condição na empresa onde esta- tware de sair do País para efectuar o doutora- giou. Para já, preocupa-se numa em- mento no MIT (Massachusetts Institute of em ser bem sucedido para evoluir na presa de um Technology). Pedro Saraiva conta com sau- carreira. Mantém como opção contin- professor, onde dosismo os quatro anos que esteve emigra- uar os estudos, até mesmo noutra área, ou tentar a carreira de investigador. acabou por ficar em- do nos EUA, onde nasceram as suas filhas, da vida”. pregado após a licenciatura. Apesar da pro- onde teve uma nova experiência de vida e As muitas actividades não impediram o an- posta para manter o vínculo à instituição onde se dedicou por inteiro ao trabalho. tigo estudante da UC de se licenciar, em de ensino nunca ter surgido, confessa: Luís Vale viu igualmente reconhecidos 2002, com a média de 18 valores. Este foi o “sempre pensei que quando acabasse o os seus créditos ao ter sido convidado para Pedro Saraiva culminar daquele que parecia já ser um ca- curso, um professor ou alguém ligado à fa- monitor da Faculdade de Direito da Uni- Eng.Química minho predestinado pela tradição familiar. culdade me convidasse para continuar a versidade de Coimbra imediatamente após É vice-reitor da UC e pro- “Não resisti a entrar na narrativa mitifica- carreira como investigador”. Hoje, Pedro se ter licenciado. A aposta provou–se acer- fessor. Envolvido em ini- da que vem de antanho, e passa pelos tetra- olha para trás e afirma que ainda pensaria tada e hoje é assistente de várias cadeiras, ciativas de empreendoris- –avôs, trisavôs, etc., até aos pais”, conta seriamente em aceitar o convite, no entan- mantendo a vontade de continuar o traba- mo e criação de spin offs e empresas na Luís Vale. to, também reconhece a importância em lho na faculdade. área da biotecnologia, aproveita as Apesar da aparente descontração com adquirir experiência numa empresa. No Departamento de Engenharia Infor- pausas sabáticas para aprofundar con- que descrevem o seu percurso académico, hecimentos na sua área de formação. mática (DEI), David Palma integra um pro- as notas elevadas no ensino superior não Depois do curso, um futuro de jecto de investigação no laboratório de co- estão isentas de sacrifício. Pedro Gonçalves oportunidades? municações informáticas na área de redes, admite que abdicou de muitas actividades Quando surge a altura de ingressar no para além do doutoramento. À semelhança paralelas para concluir a licenciatura em mercado de trabalho, os estudantes com de Pedro Saraiva, também ele ponderou Luís Vale Engenharia Informática com a classifica- classificações mais elevadas acabam por continuar a formação fora de Portugal. Direito ção final de 18 valores. “Dediquei–me a ter uma posição privilegiada em relação “Estive para ir para a Suécia fazer mestra- É docente na Faculdade de cem por cento ao curso”, confirma o enge- aos colegas. As empresas procuram captar do, mas não me foi atribuída bolsa e, dessa Direito da UC e, ao mesmo nheiro, que deixou de jogar futebol tantas novos valores, e fazem recrutamento entre forma, não tive hipótese”, lamenta o estu- tempo, tira o mestrado na vezes quantas desejava para poder fazer to- os melhores alunos. A situação também fa- dante. David vai continuar a investigação área de jurídico- políticas. Gostaria de dos os trabalhos que lhe eram exigidos. O vorece a instituição de ensino, que conse- no DEI, a par do doutoramento e de outras continuar a trabalhar na faculdade, tom nas palavras de Pedro Gonçalves não gue assim manter uma posição destacada à inúmeras actividades: “volley, ginásio, na- mas não descarta a hipótese de realizar evidencia qualquer arrependimento. “A entrada das bolsas de emprego. morada, sair à noite. Enfim, tudo normal, o estágio de advocacia. forma como me dediquei ao curso veio a Adriana Miranda é um desses casos. A afinal não sou aquele marrão...”.
  • 12 A CABRA CIENCIA 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 |8ÆQdbQc_c^_`QWQ]U^d_TUR_cQc Tubo de Ensaio HUGO MENEZES Os investigadores bolseiros exigem, há muito, melhores condições de trabalho. No Reino da A solução pode estar num novo estatuto Biodiversidade João Miranda Sofia Piçarra Nome “Precariedade, insegurança financeira, Museu Zoológico da Universidade de falta de perspectivas e possibilidade de pla- Coimbra neamento de futuro”. É desta forma que o presidente da Associação de Bolseiros de In- Local vestigação Científica (ABIC), André Levy, Edifício Colégio de Jesus na Universi- caracteriza a situação que atravessam os dade de Coimbra bolseiros. As condições afectam sobretudo jovens investigadores e técnicos, e desincen- Data de Criação tiva novos profissionais de optarem pela O museu foi criado em 1775 carreira científica. Entre os motivos que contribuem para a Responsável indignação da ABIC, estão as várias exigên- Professora Dra. Maria da Graça Pratas cias a que os bolseiros estão sujeitos ao abri- do Vale go do actual estatuto de bolseiro investiga- “As bolsas de investigação não são actualizadas há vários anos” dor (ver caixa). O regime de dedicação ex- Colaboradores clusiva é alvo de críticas, uma vez que obri- desconto para a segurança social, pago pelo abaixo assinado com cerca de três mil assi- Dra. Maria Teresa Baptista e Dr. José ga os bolseiros a não exercerem qualquer investigador, que é mais tarde reembolsado. naturas no Ministério da Ciência, Tecnolo- Augusto Reis outra função remunerada, salvo pequenas Este é aliás, outro ponto que os bolseiros gia e Ensino Superior. No entanto, Hugo excepções. Para além desta impossibilidade, reprovam, uma vez que o desconto para a Dias adianta que “provavelmente não have- Área de Trabalho os investigadores que beneficiam deste segurança social se efectua através de um rá abertura para negociar esta proposta”. Ensino, investigação e divulgação na apoio financeiro, são trabalhadores a recibo seguro social voluntário. Este regime não O investigador bolseiro Alfredo Campos área da zoologia verde e não possuem contrato de trabalho, obriga o trabalhador a fazer descontos, mas reitera a necessidade de condições mais fa- não sendo reconhecidos como funcionários também não consagra o direito a regalias so- voráveis ao desenvolvimento do trabalho de Projectos Desenvolvidos da instituição onde praticam a actividade. ciais no que diz respeito a saúde, reforma, investigação. “Não somos considerados tra- Informatização da documentação asso- Paralelamente a estas questões, os investi- subsídio de desemprego e férias. balhadores de pleno direito e não temos ciada ao espólio do museu, para além da gadores apontam ainda falhas nos paga- contrato de trabalho nem uma série de direi- divulgação de temas na área da zoologia mentos de bolsas. Estas podem ser atribuí- Um novo estatuto, antigas exigências tos”, o que torna “a precariedade laboral nu- ao público escolar e de diversos círculos das directamente pela Fundação para a No entender do membro do núcleo da ma das questões mais graves para os bolsei- didácticos Ciência e Tecnologia (FCT) aos cientistas, ou ABIC de Coimbra, Hugo Dias, a segurança ros hoje em dia”. entregues a projectos que depois fazem a social dos investigadores está limitada. O O investigador denuncia ainda a falta de Financiamento sua distribuição. Nestes casos, encontram- bolseiro considera que “o estatuto consagra actualização das bolsas e de subsídio de de- O orçamento é totalmente atribuído pe- –se “bolseiros que, sistematicamente, todos a bolsa como uma figura predominante do semprego, que aumentam a insegurança dos la Faculdade das Ciências e Tecnologias os anos, têm atrasos de vários meses no pa- financiamento”, e que “é fundamental dimi- bolseiros: “quando o projecto em que estou da Universidade de Coimbra gamento de bolsas, às vezes de três e quatro nuir a sua proliferação”, no sentido de inves- envolvido terminar, como não tenho subsí- meses, cinco em algumas situações” denun- tir “num quadro de contratos de trabalho”. dio de desemprego, tenho que encontrar Expectativas para o Futuro cia André Levy. No entanto, ressalva que “os “Este é o cerne da proposta de alteração da imediatamente outro trabalho, porque não Desenvolver mais acções em parceria pagamentos são regulares quando os inves- ABIC” adianta. me posso dar ao luxo de esperar um mês ou com personagens ligadas à investigação tigadores recebem directamente da FCT”. A associação prepara há vários meses um dois para que abra outro projecto”. científica à cultura e à sociedade em geral Apesar disso, em ambas as situações se documento alternativo ao actual estatuto, Contactada pel’ A CABRA, a FCT não res- verificam atrasos na liquidação de subsídios para responder a uma abertura da FCT a pondeu até ao fecho da edição. Contactos de alimentação e deslocação, bem como no discutir o tema. Em Junho foi entregue um Com Pedro Martins Telefone: 239491650 E–mail: museuzoo@ci.uc.pt Site: http://www.uc.pt/museuzoo Estatuto do bolseiro investigador As actividades de natureza científica, quatro quando se trata de doutoramento. mente o financiamento” de que benefi- tecnológica e formativa estão abrangidas O contrato de bolsa não estabelece os cia, bem como “obter da entidade acolhe- por um regime de bolsas, atribuídas por investigadores como funcionários da en- dora o apoio técnico e logístico necessá- Por Adelaide Baptista entidades públicas ou privadas. Os in- tidade a que se vinculam. Apesar disso, rio à prossecução do plano de trabalhos”. vestigadores podem solicitar o financia- existe uma relação de dedicação exclusi- Estão também previstos um período de mento para projectos de desenvolvimen- va nas funções do bolseiro, a quem “não descanso e o direito de suspender a acti- to, experimentação ou transferência de é permitido o exercício de qualquer outra vidade por motivo de doença, materni- saber, em qualquer área. função ou actividade remunerada”. Esta dade, paternidade e assistência à família. 8 e 9 de Nov. WORKSHOP “Fire Design of O estatuto do investigador bolseiro de- exigência prevê, no entanto, algumas ex- No entanto, ainda que o bolseiro esteja Concrete Structures” - Departamento de termina que “é proibido o recurso a bol- cepções, como a docência. Inclui ainda as abrangido pela lei geral aplicável aos tra- Engenharia Civil, FCTUC seiros de investigação para satisfação de ajudas de custo e despesas de desloca- balhadores da Administração Pública, o A partir de 3 De Nov. “Sábados no Museu” – Museu da Ciência necessidades permanentes dos serviços”, ção. acesso à segurança social processa–se 14 de Nov. Conferência “Cogumelos silves- e que para investigações de mestrado, as O estatuto de bolseiro define como di- através de um regime próprio, o de segu- tres: relevância ecológica e gastronómica” - bolsas não podem exceder os dois anos, reitos do subsidiado “receber pontual- ro social de voluntário. Anfiteatro do Departamento de Botânica
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira DESPORTO A CABRA 13 Voleibol masculino ?T_SUdbQW_TQfYdØbYQ PATRÍCIA COSTA A boa disposição reinou até casa. “Já não me lembrava de duas vitórias”, diz Zuza Uma viagem com a comitiva da equipa. O ambiente está diferente, mas os noite. Na mesa de marcador, os elementos, ex- academista no confronto “velhos” tratam de integrar os novatos. O lí- pectantes, mudam os pontos. Américo For- ante a congénere bero da AAC, André Conde, com a sua boa Começa o jogo… te, um deles, pára quando vê o filho e capi- Académica de Espinho disposição, fala do “joelho técnico” e afirma- A Académica tomou a dianteira na partida tão da AAC, Gonçalo Forte, cair no chão. –se como animador. “Tenho a mania que e guiou a vantagem até ao final do primeiro Procura manter–se imparcial roendo mais sou polifónico, falo as línguas todas”, brinca. período, vencendo por 24-21. Os gritos de um pouco das unhas. Os jogadores com as Reportagem por Patrícia Costa incentivo, “virooou” e “ooohhpa”, estimula- mãos nas ancas também esperam. O spray À procura da Nave vam o ritmo da partida. São poucas as pal- milagroso “salva” o capitão. Com o sinal do A saída para Espinho é às 15 ho- São 16h34. Estamos na entrada de Espi- mas e os assobios, mas entoados em unísso- árbitro, em posição altiva, recomeça a parti- “ ras de sábado [3] no Estádio Universitário”. Foram estas nho e a questão coloca–se: “Alguém sabe o caminho para a Nave?”. O jogador 18, Gon- no, espalhavam animação pelo pavilhão. Mas nem tudo corria bem. Nuno Tiago, da. Nos dois últimos “blocos”, a Académica as palavras de ordem dadas çalo Baptista, ganha o estatuto de co–piloto, apelidado de “caroço”, chora com dores no foi novamente superior e vencedora. No fim pelo vice–presidente da Secção de Voleibol prontamente perdido com o aparecimento ombro direito. Leal, que acumula a função do jogo, os sorrisos semblantes transpiram a da Associação Académica de Coimbra da indicação do gimnodesportivo em placas! de massagista com a de presidente, acalma a vitória. Um abraço colectivo dos jogadores e (AAC). Américo Forte marcava assim o en- O cada vez mais irreconhecível autocarro da dor com as mãos, tidas pelos jogadores co- equipa técnica saúda o público que viajou 91 contro da comitiva para mais uma partida. AAC, desbotado em cor, ainda provoca pas- mo “miraculosas”. O jogador enxuga as lá- quilómetros para ver a Briosa vencer. Quando cheguei, não estava lá ninguém, o mo aos poucos transeuntes que vagueiam grimas com o suor do esforço. que me deixou assustada por largos momen- pela adormecida cidade. Os suplentes brincam entre eles com a bo- O regozijo do triunfo tos. Mas logo apareceram elementos do O complexo desportivo que habitualmen- la. Os treinadores reclamam contra as deci- “Finalmente” confessa Forte, respirando plantel, que me arrastaram, não para o local te acolhe o Sporting de Espinho apresenta- sões dos árbitros. A advogada e ex–jogadora fundo e apertando–me a mão. Já o técnico combinado, mas para o local comum de reu- –se bastante verdejante para a estação vi- do Clube de Voleibol de Oeiras, Joana Flo- recorda que “a equipa foi totalmente rees- nião: o café “Pinto de Ouro”, em Santa Cla- gente. O espaço interior é ladeado por pare- res, concorda: “o árbitro está a sofrer pres- truturada. Servimo–nos com jogadores da ra. Em busca da segunda vitória na A2, os des brancas e por ferro, parecendo e funcio- são por ter o público tão perto. Eles não po- casa, mas continuamos a trabalhar.” Segun- nervos eram disfarçados em cada gole de be- nando como uma ala da nave principal. dem olhar para trás”. do Carlos Marques, os voos são outros. “Pa- bida. “O encontro não é no café!”, reclama o Antes da entrada no balneário, conso- Principia o segundo set. Yuri espreita co- ra já não assumimos a subida. Com a equipa técnico academista, Carlos Marques. mem–se bebidas gaseificadas, chocolates e mo que um felino por cima do ombro de Vi- do ano passado era a nossa obrigação, mas As 15 horas passavam. O quarto de hora todos os demais aperitivos compostos por tinho, de forma a adivinhar a estratégia do com a deste ano, totalmente renovada, não”, académico duplica. Saímos então. No auto- altas doses de açúcar. adversário. O treinador, Carlos, masca a lamenta. carro, são diversas as maneiras de passar o As bancadas estão junto ao recinto. Salta à pastilha e contorce-¯se à medida de cada jo- A boa disposição reinou até casa. “Já não tempo. Ao sabor de música ou da leitura de vista algumas semelhanças com Coimbra, gada. Cerra os dentes, fricciona os lábios, fe- me lembrava de duas vitórias”, diz Zuza, o revistas, os atletas vão discutindo alguns te- desde os poucos patrocínios até ao reduzido cha os olhos vivendo cada jogada como se jogador mais antigo da secção. No regresso, mas. Entre a estreia de “Corrupção” e as noi- número de adeptos. São sete os da Académi- fosse um interveniente directo. Com um jo- comeu–se, dormiu–se, jogou–se PES, leu- tes fatídicas, tidas por eles como a “haltero- ca de Coimbra, dois os da Académica local. go mais equilibrado, a Académica de Espi- –se, mas a grande discussão encerrou–se no copia”, cruzam–se palavras. O novo presi- Por momentos, o pavilhão foi nosso. Fábio nho leva a melhor, vencendo por 18-25, desporto rei. Comentava–se o Paços de Fer- dente da secção, Manuel Leal, deambula pe- Simões, Yuri Teixeira, Nuno Tiago, Gonçalo igualando portanto a partida. reira–Benfica, a disputar. Acabou tudo no lo corredor ao mesmo tempo que pergunta Forte, Nuno Zuzarte, João Veríssimo, João “Vá lá pessoal, vira já”, clama um adepto, jantar, com o som “Lonely” de Akon, no te- quem janta e antevê a noite que os espera. Gonçalo, Carlos Marques, André Conde, Vi- seguindo–se um abraço conjunto dos acade- lemóvel do Leal. E bateram–se as últimas O grupo de 16 pessoas “praxa” os caloiros tinho e Gonçalo Baptista são os briosos da mistas. “AAC!”, gritam. palmas do dia. O próximo jogo é sábado!
  • 14 A CABRA CULTURA 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 2UQQT_b]USYTQTUc`UbdQQTQ^ÌQb Cultura por ca A história é secular, mas conti- nua a correr o mundo. Mais de cem anos depois da estreia, “A 7 Recital de canto e Piano Interpretado pela soprano Raquel Bela Adormecida” chega a Luís, com José Brandão ao piano Coimbra pela primeira vez Teatro da Cerca de São Bernardo 21h30; 5€ Pedro Crisóstomo Carolina de Sá Conferência “A arquitectura como obra de arte to- O Teatro Académico de Gil Vicente tal: decoração e arquitectura” (TAGV) acolhe, quarta–feira, 21, o espectá- Por Domingos Tavares culo de bailado clássico “A Bela Adormeci- No âmbito do ciclo de conferências “A da”, pelo Ballet Estatal da Ópera de Bashkir. cultura na arquitectura e a arquitectu- O espectáculo inicia em Coimbra a digres- ra como cultura” são que vai correr Portugal até ao fim do Departamento de Arquitectura da UC; mês. Depois de “O Lago dos Cisnes” e “Que- 18H bra–Nozes”, a cidade dos estudantes recebe “Uma ilha na Rua” 8 a criação artística que completa a trilogia do Teatro e música compositor russo Piotr Tchaikovsky. Uma peça “musicada” inte- Bailarinos de alta escola dão corpo a me- grada no ciclo “Blake no lodias clássicas e interpretam, em quatro TAGV”, para as comemorações dos 250 actos, a história intemporal da Bela Ador- anos do nascimento de William Blake. ILUSTRAÇÃO POR RAFAEL ANTUNES mecida. Na peça de Tchaikovsky, Aurora pi- TAGV ca–se num fuso de uma roca e permanece uma forma de arte transversal. “O bailado à entrada de escolas estrangeiras e de reco- Dia 8 às 21h30; dia 9 às 15h e às 21h30; adormecida durante um século, até que um clássico é muito popular. É um género mui- nhecimento internacional em Portugal. dia 10 às 21h30. beijo do príncipe encantado a desperta. O to familiar”, explica o director do TAGV, Neste campo, as companhias russas são 10€ (Bilhete normal); 8€ (estudante) clássico de ballet alia um conto francês do Manuel Portela. O produtor do espectáculo, uma referência de qualidade o que torna os século XVIII à composição russa do século Carlos Maia, considera que os clássicos rus- seus espectáculos “muito caros”, refere o XIX e conjuga os tradicionais passos de bai- sos estão “vocacionados para o grande pú- produtor de “A Bela Adormecida”. De acor- 10 Apresentação do álbum “Canções Prometidas” lado com normas técnicas e estilísticas da blico, pois são muito apelativos e sempre do com Manuel Portela, a vinda do Ballet UHF escola de Bashkir. actuais”. Estatal da Ópera de Bashkir a Coimbra tra- Concerto S. Petersburgo conheceu a lendária “A Be- Segundo Manuel Portela, existe “alguma duz “a preocupação do TAGV em ter uma FNAC; 22H la Adormecida” em 1890. Desde então, as apetência natural do público para este tipo programação regular de dança”, quer a nível Até “Formidável Académica” sucessivas recriações da obra têm–se basea- de bailado”. No entanto, o director do TAGV do estilo clássico, quer a nível de produção do na coreografia original de Mario Petipa. afirma que “em Portugal ainda há muito contemporânea. O director do teatro acadé- 10 Exposição de Fotografia O espectáculo que chega a Coimbra pela pouca formação para a dança”, o que acaba mico lamenta, todavia, não poder acolher Casa da Cultura Segunda a Sexta–feira das 9H às 19h30 mão da companhia de Bashkir conserva a li- por fazer com que o ballet desapareça “dos espectáculos nacionais e contemporâneos Sábado das 14H às 18h30 nha estrutural clássica do “Ballet Sympho- interesses artísticos das pessoas”. Ainda as- em maior número: “se a câmara fosse sensí- nique”, mantendo o estilo coreográfico tra- sim, o País tem beneficiado do “influxo de vel à situação e se tivéssemos um orçamen- A partir de “Auto da Índia” dicional. artistas de Leste, que vão fazendo tournées to que nos permitisse, poderíamos ter con- Peça de teatro produzi- 12 “A Bela Adormecida” evidencia em palco em cidades de média dimensão, como dições para conseguir uma programação de da pela companhia Es- a dicotomia entre o bem e o mal, numa sim- Coimbra”, esclarece. dança melhor”. Manuel Portela admite que cola da Noite, com tex- biose entre música e linguagem de movi- O próprio Ministério da Cultura confere à “de todas as áreas do TAGV, a dança é aque- tos de Gil Vicente. mentos abstracta, que faz do ballet russo dança “relevância cultural”, abrindo espaço la em que é preciso investir mais”. Até dia 7 de Dezembro os actores da Escola vestem a pele das personagens vicentinas, dando–lhes 1RcdbQSSY_^Yc]_^_@QfYXÈ_3U^db_TU@_bdeWQ novas vidas. 11H e 15H ; 3€ Coimbra recebe uma mostra Quatro Vintes” – Ângelo de Sousa, Ar- “algumas das características da escultu- Até Workshop do Ateneu de de escultura nacional mando Alves, Jorge Pinheiro e José Ro- ra que se fazia lá fora foram assimiladas Coimbra 14 Formação técnica de sonoplastia e contemporânea. As obras drigues –grupo portuense formado na pelos artistas portugueses nesta altura”. marcam um período de década de 60. Na mostra grande parte das peças es- luminotécnica O vereador da Cultura da Câmara tão no chão o que é “uma revolução Teatro da Cerca de São Bernardo transição na arte Municipal de Coimbra, Mário Nunes, muito importante na escultura, porque Formação dada pela Associação de escultórica portuguesa Técnicos do Som Profissional afirma que “esta exposição é das melho- se estabelece uma relação entre o espec- De 12 a 14 Alexandre Oliveira res que já passaram pela cidade, tem tador e a obra de arte que se aproxima Vânia Silva uma linguagem artística diferente e há da relação com os objectos do mundo”, “Cogumelos silvestres e relevân- uma dramática alteração do paradigma explica Ricardo Nicolau. O adjunto do cia ecológica e gastronómica” Serralves marca presença em Coim- que acontecia nos anos 60/70”. director considera a exposição “revolu- Palestra por Maria Teresa Gonçalves bra, até ao início de 2008, com uma ex- A época de 60/70 foi marcada por cionária na medida em que aproxima a A relação entre as pessoas e as plantas posição no Pavilhão Centro de Portugal. uma alteração radical dos paradigmas experiência artística da experiência do documentada num ciclo de debates Desta vez a exposição Serralves traz à artísticos em todo o mundo. As mudan- quotidiano”. Anfiteatro do Departamento de Botâ- cidade escultura abstracta das décadas ças plásticas tiveram um grande impac- Até agora os principais visitantes da nica da Universidade de Coimbra de 1960 e 1970. to em Portugal, na medida em que cor- mostra têm sido estudantes de arqui- 18H Na exposição estão representadas responderam a uma emigração massiva tectura, arquitectos, engenheiros e pro- obras de alguns dos mais importantes de artistas portugueses. fessores universitários. A exposição vai nomes das artes plásticas contemporâ- O adjunto do director do Museu de estar no pavilhão do Parque Verde do Por Carla Santos neas, entre os quais se destacam “Os Serralves, Ricardo Nicolau, afirma que Mondego até 6 de Janeiro de 2008.
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira MEDIA A CABRA 15 :_b^QYc]_`QbQd_T_c_cW_cd_c i Crónica Humanos Virtuais FRANCISCA BICHO Num mercado dominado e Máquinas pelos media generalistas, sobrevivem publicações Humanas especializadas, destinadas a públicos próprios Vivemos numa sociedade do espectáculo. As relações sociais entre as pessoas são me- Ângela Monteiro diatizadas por conjuntos mais ou menos es- Vânia Silva truturados de imagens. Elas invadem–nos diariamente, propulsionadas pelos media Numa altura em que se sente uma crise, de todos os tipos, levando–nos a (re)formar não só no jornalismo, mas também a nível o nosso modo de ver o mundo e a condicio- da publicidade, continuam a existir em Por- nar o nosso desejo. E nos pouco momentos tugal revistas destinadas a públicos especí- de lucidez que ainda ousamos ter formula- ficos. As temáticas que tratam são variadas, mos uma questão fundamental obrigados desde a arquitectura à música, passando pela visualização da barbárie quotidiana: o pela informática e automóveis. que é (um) ser humano, o que nos torna Em Novembro de 1984 nasce um jornal (in)distinguíveis dos outros não humanos especificamente ligado à música – “BLITZ”, com quem nos relacionamos? que em Junho de 2006 muda de formato Variadas são as respostas, da inteligência tornando–se uma revista. “Sentimos que à cultura. Cedemos ao fascínio das nossas faltava em Portugal uma publicação deste construções que nos dão, acreditamos, a género”, justifica o director da “BLITZ”, medida da nossa diferença. Mas essas solu- Miguel Francisco Menezes. Com este novo ções, dos computadores aos telefones celu- modelo, a revista chega “a um público mui- lares, passando pelo expoente máximo da to mais amplo e permite–nos contornar al- globalização que é a Internet, mais não fize- guns obstáculos” visto que, enquanto “jor- A especialização da imprensa é sinónimo da existência de diferentes públicos ram do que afastarem–nos dos que estão nal semanal sentia–se muito mais a con- perto e aproximarem–nos dos que estão corrência”, remata. Na revista “BLITZ” a redacção é compos- Por outro lado, João Martins, pensa que a longe. É em 1995 que é criada uma publicação ta por jornalistas de música, alguns dos crise não está directamente relacionada Entre nós e os outros há uma barreira de dirigida aos amantes de computadores. A quais transitaram do jornal, a publicação com as vendas. Para o director das revistas nada e no entanto os espaços comunicacio- “EXAME INFORMÁTICA” é actualmente a conta ainda com a participação de colabo- “PRODUÇÃO AUDIO” e “PRODUÇÃO nais estão cheios de silêncios, tornando es- revista da especialidade mais vendida em radores. Também a redacção da revista PROFISSIONAL”, “existem poucas pessoas te peso do nosso não–ser insustentável. So- Portugal e “destina–se a ajudar a utilizar o “EXAME INFORMÁTICA” é constituída com as qualificações necessárias, e com al- mos cada vez mais seres (de)mentes, va- computador, dar dicas, técnicas e explicar por jornalistas, “não se pense que [a publi- gum grau de experiência para ingressar no zio(a)s. Tornámo–nos humanos virtuais. como se utiliza o software” explica o chefe cação] é escrita por técnicos de informática, meio”. “Às vezes é difícil ter uma carreira Para preencher este nosso vazio criamos de redacção, Sérgio Magno. “Funciona tam- são jornalistas que ao longo do tempo vão coerente onde se acumule a experiência ne- “gadgets” sofisticados que nos permitam bém como um guia de compras, uma gran- tendo formação na área”, explica Sérgio cessária num meio especializado”conclui. sentir (ainda) vivos. A procura do “iPhone” de parte da revista são testes de hardware, Magno. no seu primeiro dia diz tudo sobre o mito software e conselhos”, acrescenta. Tendo em conta a especificidade do pú- do século XXI tecnológico, redentor. Al- Para um público maioritariamente mas- blico destas revistas, a publicidade foca os Tudo a “NU” guns interagem e criam uma falsa ilusão culino, as revistas sobre automóveis apare- interesses desses leitores e promove produ- Também na Universidade de Coimbra comunicacional. Jogos de computadores cem em 1989, ano em que surge a “AUTO- tos com elas relacionados. Sérgio Magno existe uma revista especializada. A “NU” como os Sims, são um exemplo disso: a sur- MOTOR”. O director, António de Sousa Pe- diz que “na ‘EXAME INFORMÁTICA’ pu- foi criada em Abril de 2002 pelas mãos presa desaparece rapidamente e cede o lu- reira, afirma que, na altura, “o projecto blicitam sobretudo fabricantes de compu- dos alunos do Departamento de Arqui- gar à monotonia dos comportamentos que apareceu mais como uma oportunidade, tadores, produtoras de software mas, como tectura da Faculdade de Ciências e Tec- não surpreendem. Neste mundo de (au- visto que, o mercado não estava esgotado é uma revista que vende bastante, há tam- nologia da Universidade de Coimbra (FC- to)reclusão, como tornar a nossa necessi- para fazer uma revista diferente”. Seis anos bém muita publicidade generalista”. João TUC) com a “ambição de contribuir para dade de consolo possível de satisfazer? mais tarde, nasce “EXPOMOTOR”, do gru- Martins explica que “ao ter uma circulação o aumento da produção teórica sobre ar- Criando novos “gadgets” com emoções e se- po “Edições JPM, Lda” como uma tentativa controlada (devido ao grande número de quitectura que se sentia, e sente, escassa dentos de as partilhar connosco. Fabrican- em Portugal”, explica o director da revis- de colmatar “uma lacuna neste tipo de pu- assinantes), a “PRODUÇÃO AUDIO” ga- do máquinas humanas. ta, João Crisóstomo. Desde a sua criação, blicações com a divulgação de automóveis e rante à partida uma audiência ao anuncian- Existe hoje uma área conhecida por a “NU” pretendeu ser “um motor de di- veículos usados para venda”, explica o ad- te”. Acrescenta ainda que “este tipo de re- “Affective Computing” que se dedica a isso. vulgação de informação arquitectónica e ministrador do grupo, Luís Menezes. vistas depende a 100 por cento da publici- uma alavanca impulsionadora da crítica Ir à Wikipedia e procurar por este termo dade pois, embora exista uma circulação dos temas relacionados com a arquitectu- pode servir de porta de entrada para este Uma organização particular em banca os lucros dessa actividade são ir- ra”, acrescenta. admirável mundo novo das interacções en- O conteúdo especializado deste tipo de relevantes”. Totalmente produzida pelos alunos do tre humanos virtuais e máquinas humanas. revistas leva a que as redacções sejam cons- Departamento de Arquitectura da FC- “Kismet” do “MIT Media Lab” ou o “iCat” tituídas não só por jornalistas, mas também Uma crise “diferente” TUC, a revista conta com a participação da Philips são protótipos dos “gadget” do por colaboradores da área. No entanto, o De acordo com um estudo realizado pela de arquitectos e académicos de todo o futuro, que muito em breve vamos poder director das revistas “PRODUÇÃO AUDIO” Associação Portuguesa para o Controlo de mundo e esteve já presente em eventos ter. Onde isto nos vai levar não sabemos. e “PRODUÇÂO PROFISSIONAL”, João Tiragem e Circulação, na maioria das revis- internacionais, como a Bienal de Arqui- Sabemos apenas que a era dos “Tama- Martins, ressalva que “embora qualquer tas do género, as tiragens diminuíram ao tectura de Veneza, em 2004.Para o futu- gotchi” terminou. pessoa possa trabalhar numa revista espe- longo do ano 2006, reflectindo a crise que ro “o objectivo principal será sempre che- cializada, chega a um ponto em que se can- se sente na área. “Tem havido algumas os- gar a um cada vez maior número de pes- Por Ernesto Costa sa se o tema não é do seu interesse”. João cilações no último ano, mas nada que se soas”, afirma João Crisóstomo. O director Martins acrescenta ainda que “se não se possa comparar com os meios de comuni- da “NU” compromete–se ainda a tentar Nota Editorial: A partir desta edição, tem gosto, não se é capaz de aprofundar a cação mais generalistas que têm sido mais “gerar maiores dinâmicas como a organi- o professor da FCTUC, Ernesto Costa, investigação que é preciso fazer sobre os te- penalizados” afirma, no entanto, Luís Me- zação de debates, conferências e exposi- passa a colaborar mensalmente com a ções”. mas”. nezes. página de Media
  • 16 A CABRA ARTES FEITAS 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 |BUcYTU^d5fY#5hdY^ÌÈ_BeccU=eSQXi O outro planeta terror Vamos começar pela parte positiva: é melhor que “Resident Evil: Apocalypse”. Mas a melhoria não foi Estávamos em 2002. Vindo do Reino Unido es- assim tanta. Basicamente ela prende–se com a subs- treou em todo o mundo “28 Days Later” de Danny tituição de Alexander Witt por Russell Mulcahy (o Boyle, um filme que de certo modo veio ressuscitar mítico realizador de “Highlander”, que não repetiu as um género que estava em hibernação há algumas dé- trapalhadas à la “MTV” de Witt) e com a contratação cadas: o terror zombie. de Eugenio Caballero, o criativo vencedor de um Ós- Descendente directo dos clássicos de Romero, este car pela direcção artística de “ O Labirinto do Fauno”. filme britânico era intenso e perturbador. No mesmo Caballero é magnífico na criação de um cenário pós- ano, mas vindo do outro lado do planeta, chegou–nos –apocalíptico credível e de encher o olho. Um verda- 2|5 “Resident Evil” de Paul W. S. Anderson, a barulhenta adaptação de um videojogo de culto. Embora o con- ceito das duas películas fosse muito semelhante (um vírus que transforma as pessoas em devoradores de deiro desperdício de talento em comparação com o resto do filme. “Resident Evil : Exticton” pode ser basicamente descrito como um “Mad–Max” disfarçado de filme de cérebros e ameaça a humanidade), o filme de Paul zombies, com muita acção desmiolada, tiros, e uma Anderson era claramente direccionado para a acção Milla Jovovich de botas altas. O argumento, esse, tem sem–cérebro, deixando a tensão e a profundidade pa- a espessura de uma folha de papel higiénico e a sub- ra o parente inglês. tileza de um jantar de curso por altura de uma festa CINEMA Cinco anos depois, e no mesmo ano em que curio- académica. Felizmente que, para bem da nossa sani- samente chega às salas a primeira sequela de “28 dade mental, são só 90 minutos. Caso contrário, tam- Days Later”, chega–nos também a segunda sequela bém daríamos por nós a ter que chamar o INEM. de “Resident Evil”, com o subtítulo de “Extinction”. François Fernandes |BUcSeU4Qg^GUb^Ub8Ubj_W O coração das Trevas adaptadas a um cinema mais dinâmico e moderno. É pena, pois nunca seria demais tentar recriar cenas Após o seu avião cair em território inimigo, em com a beleza da “overture” de “Kaspar Hauser”. plena guerra do Vietname, o tenente Dieter olha em Para completar o retrato está Carl Dieter, o avia- volta para apenas encontrar selva. Ela rodeia-o por dor que no Laos, terá de sacrificar toda a sua huma- todos os lados: vegetação luxuriante e selvagem… nidade para fugir a um campo de prisioneiros para bela, mas mortal. Quando ele a vê, sabe que está pe- onde é levado, e sobreviver, sem meios, na selva. rante o maior adversário que alguma vez o Homem Christian Bale constrói a sua personagem de forma enfrentou: a Natureza. exemplar, conseguindo personificar todo o martírio 4|5 Esta imagem é uma reminiscência de “Aguirre, físico e psicológico que Dieter sofreu; Bale emagre- The Wrath of God”, um clássico que influenciou to- ceu diversos quilos, comeu lagartas e serpentes e te- da uma geração de cineastas e acaba por estar na ori- ve o seu corpo coberto de sanguessugas. Tudo isso, gem de filmes como “Apocalypse Now”. Há dois enquanto mantinha um ar tresloucado e face de de- grandes motivos para mergulhar no negro universo salento. Não admira que Herzog o tenha escolhido de Werner Herzog (um dos mais proeminentes ci- como “sucessor” de Klaus Kinski. neastas alemães): o tratamento lírico das paisagens “Rescue Dawn” é a oportunidade perfeita para re- que filma e o retrato da natureza humana na sua lu- cuperar um dos maiores cineastas de sempre. É uma ta com o meio que a rodeia. pujante história sobre a sobrevivência e uma cruel CINEMA As imagens assombrosas da enorme selva do Laos, viagem ao coração das trevas, com um lirismo audio- acompanhadas pelo som da música erudita de Klaus visual digno do adjectivo “poético”. Badelt, traduzem–se em momentos inesquecíveis para o espectador. Infelizmente, são cenas curtas, Rui Craveirinha 7eUbbQTQc3QRbQc 6bQ^Ì_Yc BeY 6Ub^Q^T_ CQbQ =QYcSbÒdYSQcU]QSQRbQ^Ud 6Ub^Q^TUc 3bQfUYbY^XQ ?YfUYbQ 7QfÈ_ ?ccUYccY^QYcTQej 1 _edbQ]QbWU] BUcSeU4Qg^ 1 9^fQcÈ_ BUcYTU^d5fY# A evitar Fraco Podia ser pior Vale o bilhete A Cabra aconselha A Cabra d’Ouro
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira ARTES FEITAS A CABRA 17 OUVIR LER 1cc_RYU]^e^SQcUfYe e]?ed_^_QccY] ¦VbYSQ]Y^XQdeQUTUUc 4|5 “De quantas verdades se faz uma mentira?” esta é a questão que fica no ar nas primeiras páginas do mais recente livro do escritor angolano José Eduardo Agua- lusa.. Numa solarenga manhã de Luanda um grupo de quatro pessoas deixa a ca- 4QfYT6_^cUSQ pital angolana em busca de uma história. Laurentina, uma das personagens prin- cipais, descobre que o seu pai biológico – Faustino Manso – morreu em África, e 4bUQ]cY^3__b vai procurar a verdadeira narrativa da sua vida. Sete mulheres e 18 filhos espalha- dos algures por Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique, é a conta feita. E^YfUbcQ As personagens perdem–se na viagem e vão deixando que as paisagens africanas 2007 se entranhem na pele de tal forma que, no virar de cada página é possível sentir um bafo quente, característico daquelas paragens. Pela mão de Agualusa, o real deixa de fazer sentido e o oniríco parece realidade. A moda do assobio veio para ficar. No Verão celebrizou- Somos catapultados para mundos que se encadeiam dentro de um só mundo, o da –se o de “Young Folks”, dos Peter, Bjorn and Jonh – ban- África Austral. E debaixo do pó, calor e música, várias temáticas vão sendo explo- da–sonora de uma operadora de telemóveis de tons cor- :_cÎ5TeQbT_ radas. Agualusa faz questão de deixar à flor da pele problemas de identidade da –de–laranja. Agora, aos primeiros dias de Outuno, o asso- 1WeQecQ chamada geração crioula. Uma geração que não se identifica com o país de origem bio é outro. Único, cativante, viciante, inapagável. É o som 1c=eXUbUcT_=Ue@QY dos seus pais, mas há–de sentir–se sempre diferente na sociedade portuguesa. Não inicial de “Superstars II”, primeiro ‘single’ do novo álbum sabem de onde são nem para onde vão. Dói fundo essa certa dose de indefinição e de David Fonseca. 4_]AeYh_dUquot; ' a recordação de situações xenófobas. Debaixo de um sol duro, duas viagens para- Explicação prévia número um: A expressão ‘aos primei- lelas começam a desenhar–se. O narrador/ autor antecede as personagens no espaço, tempo, sons e sabores. ros dias de Outuno’ é enganadora. Nem tem estado tempo Esse aspecto traz singularidade à narrativa mas também cria uma certa confusão inicial ao leitor mais despro- outonal, nem “Dreams in Colour” é um disco castanho. Na vido e desatento. verdade, o novo álbum de David Fonseca é – junto com “O A África do escritor é dilacerada pela história, mas optimista, onde o progresso vai penetrando a pouco e Jardim” do ex–Toranja Tiago Bettencourt – um rebuçado pouco. Não é um retrato habitual, antes cru e verdadeiro, onde a magia não deixa de estar presente em cada pop, refrescante e primaveril, que tem oferecido novas co- acontecimento. res aos dias soalheiros deste início de estação. As mulheres de Faustino Manso são também elas retratos de mulheres do continente negro, que se deixa- Explicação prévia número dois: O assobio de Superstars ram seduzir pelo homem que “amava mulheres”.“As mulheres do meu pai” é uma obra assumidamente cine- II não é apenas viciante, é também o perfeito antídoto pa- matográfica, quase classificável como livro de viagens sem mapas, apenas intuição. Carla Santos ra aquelas alturas em que se infiltra uma música irritante na nossa cabeça. Incomodados com a última da Beyoncé? Ora toca a assobiar: ‘dó–dó–si–lá–ré, ré–dó–dó–si–lá- VER –dó’. Explicação prévia número três: Chega de explicações prévias. Vamos falar de “Dreams in Colour”. Pois bem, o terceiro disco a solo do ex–vocalista dos Silence 4 é uma obra pop de uma mestria comprovada, que, sem ficar para a história da humanidade, entretém muito bem. No novo 1]_b9^dU]`_bQ 4|5 disco, o senhor Fonseca dedica–se ao desafio de fugir às suas baladas mais cinzentas (esqueçam “The 80’s”, que é Vamos morrer. Todos sabemos que a vida é finita e que, apesar de todos os de outro campeonato). E safa–se muito bem. Que é como progressos da medicina, existem ainda doenças fatais ao ser humano. E se pu- quem diz ‘prueba superada!’, já que Dreams in Colour é o déssemos viver eternamente? Até onde iríamos para poder ter tal privilégio? álbum mais colorido, luminoso e – talvez mesmo – eufóri- “The Fountain” é uma história de amor, de sofrimento, que tem na morte a co da carreira do leiriense. esperança de uma renovação. Ao longo de 11 faixas e quase quarenta minutos de músi- Rachel Weisz é Izzi, esposa de Tom Creo (Hugh Jackman), vítima de uma ca, há de tudo. Assobios, palmas, coros, magia pop. Ou- doença terminal que rapidamente se desenvolve, sem perspectivas de cura ou vem–se influências electrónicas mais destravadas, as bala- tratamento possível. Tom é cientista e procura incessantemente uma solução das mais inocentes (poucas), e muita música contagiante. que permita reverter a iminência da morte da mulher, enquanto sente uma Desde “4th chance” a “Dreams in colour” há mais de um perda emocional enorme a apoderar–se de si. punhado de boas canções. Mas algumas destacam–se das Izzi é escritora e escreve uma história paralela à realidade acerca de um con- demais. Começando pela tal “Superstars II”, ouçam–se 4QbbU^1b_^_Vc[i quistador espanhol que se vê tentado a procurar a vida eterna por amor à Rai- ainda “I see the world through you” (a balada que não can- DXU6_e^dQY^ nha Isabel. Ao aperceber–se do seu estado terminal, Izzi pede a Tom que es- sa), “Kiss me, oh kiss me” (deliciosa), “Silent void” (nervo- creva o último capítulo do seu livro. O paralelismo é por demais evidente na quot; ' sa) e “This wind, temptation” (intensíssima). procura pela eternidade, pela vida. Uma procura guiada pelo amor. É este pa- Fechem com “This raging light” (também tem assobio). ralelismo que nos guia e permite perceber e tirar as nossas próprias mensagens e conclusões acerca da E tenham um bom Outono. vida e da morte. Rui Marques Simões “The Fountain” é um filme bem conseguido, com efeitos visuais deliciosos e com uma fotografia lindís- sima. Ao longo da película somos bombardeados com simetrias estonteantes e contrastes luminosos ab- 4|5 solutamente incríveis. Aliás, a luz e a escuridão são a chave estética do filme. Contudo, por vezes o plano do imaginário torna–se demasiado abstracto, tornando a compreensão TYc`_^ÒfUYc^Q* complicada e pouco concreta… Sem conseguirem arrebatar o espectador, as interpretações de Hugh Jackman e Rachel Weisz são boas, com destaque para o visual “camaleão” de Jackman. Os extras têm uma mão–cheia de documentários in- teressantes e uma curiosa “entrevista mútua” entre Weisz e Jackman, na qual abordam a temática da pe- lícula. Sem ser um filme extraordinário, The Fountain vale pela mensagem e sobretudo pela sua imagem, vi- sualmente arrebatadora… André Tejo
  • 18 A CABRA VIAGENS 3ª feira, 6 de Novembro de 2007 FYQ BUQ fQbQ^TY] T_ ^_bdU No Alto Douro as fachadas Freitas, há mais uma casa importante para a –de–Galo fazem as delícias dos que por lá concebido a mando de D. Pedro, abade de das casas senhoris e as janelas população local. A habitação do antigo mari- passam. Estes doces são pastéis, em forma Mouçós. Este local alberga ainda hoje a sua enfeitadas são o espelho de nheiro Carvalho Araújo é composta pelas de crista–de–galo, recheados com doce de sepultura. Também ali jaz Domingos Bote- uma cidade nortenha tradicionais janelas com varandas, que é ovos misturado com amêndoas. lho da Fonseca que, em 1692, mandou re- Texto e foto por Filipa Faria possível ver por toda a cidade. Vila Real não Ao subir as ruas estreitas do comércio en- vestir de azulejos e talha dourada o tecto da deixou de prestar homenagem ao homem do contramos a Igreja dos Clérigos de Vila Real, capela, a sua principal característica. mar no primeiro centenário da sua morte de estilo barroco. A obra foi projectada pelo O viajante não pode sair da cidade sem Na Serra do Marão, entre a aldeia de Bisa- com uma placa comemorativa nesse mesmo mesmo arquitecto que desenhou a torre dos passar, mais uma vez, pela avenida António lhães e o Solar de Mateus, encontra–se a pa- local. Clérigos do Porto, Nicolau Nasoni. Araújo. À saída despede–se dos jardins e cata cidade de Vila Real. Numa manhã de Chega a hora do lanche e a fome aperta. Poucos metros acima, a Igreja de São Pe- das varandas que existem naquela rua e Sábado, as esplanadas do centro histórico Na Rua da Misericórdia, a Casa Lapão é a es- dro foi construída no local onde já existia mostram um pouco do que se pode encon- enchem–se de pessoas que aproveitam para pecialista na doçaria tradicional, as Cristas- outra dedicada a São Nicolau. O espaço foi trar por toda a cidade. tomar o pequeno–almoço ou apenas o pri- meiro café do dia. Um ambiente ideal para passear e conhecer Vila Real e os seus mo- numentos. O ponto de partida é o posto de turismo que, só por si, merece o olhar atento do via- jante. A fachada do edifício, na principal avenida da cidade, é a da casa onde viveu a família dos Marqueses de Vila Real. Da ori- ginal Casa dos Marqueses, hoje, só restam as ameias e a janela de estilo manuelino. Continuando pela avenida António Araújo encontramos a Sé Catedral, um dos mais prestigiados monumentos da cidade. A anti- ga igreja do convento São Domingos foi con- sagrada Sé de Vila Real em 1924. No fim da avenida existe um espaço am- plo, o Largo da Câmara Municipal, onde se encontra a Casa Diogo Cão. Segundo a tradi- ção, ali nasceu, em data desconhecida, o na- vegador português que descobriu a costa su- doeste africana. Perto dos paços do concelho, no Largo dos Agenda internacional 6UcdQTQ3QcdQ^XQQ^Y]Q6e^TÈ_ FQbYUTQTUU]>_fU]Rb_ No próximo fim–de–semana, a pequena aldeia do Açor, na serra da Maúnça no Fundão, acolhe a sétima Festa da Castanha, também conhecida como a Festa de Ar- O bom tempo proporcionado pelo verão de São Martinho pode ser o mote para a progra- tes e Sabores da Maúnça. mação de uma viagem. Ficam aqui sugestões que pelo mundo fora fazem jus ao exotismo A mostra gastronómica tem como principal atractivo cerca de duas dezenas de descrito nos guias turísticos. Dê um salto à Tailândia onde, para além de apreciar uma pi- tasquinhas que, partindo de receitas ancestrais, vão cozinhar os tradicionais mara- toresca cultura, poderá ainda assistir à cerimónia ‘Loi Krathong’, realizada a 11 de No- nho, chanfana, enchidos fumados e feijão com couves que vão deliciar os visitantes. vembro por todo o país. Contudo, o melhor local para visualizar o evento é a cidade de As sobremesas à base de castanha, o arroz–doce e os queijos de cabra e de ovelha Sukhothai, situada na província do norte tailandês. Em plena lua cheia, milhões de peque- também não vão faltar. Para acompanhar as iguarias da gastronomia portuguesa, a nos barcos feitos de flores e repletos de velas, desfilam nos rios iluminados pelo fogo de ar- aldeia coloca à disposição uma panóplia de licores e aguardentes artesanais tais co- tifício. Um espectáculo “sui generis” a não perder. mo o licor de castanha, maçã e aguardente de medronho e mel. Os habitantes de Se preferir algo mais excêntrico, sugerimos uma visita ao Peru. A localidade de Puno vai Açor abrem as portas de suas casas a quem quiser provar os saborosos petiscos. A acolher um festival de celebração da libertação da cidade aos Espanhóis no séc. XIX. É tam- organização do evento assegura que quanto à sua confecção, “tudo é possível, uma bém feita uma homenagem aos espíritos do Lago Titicaca, apelidado ‘La Diablada’. Du- vez que os habitantes vão experimentando diferentes ingredientes e criam novos sa- rante uma semana, visitantes e autóctones bebem e dançam junto ao lago. O ponto alto é bores”. celebrado através de uma grande parada em que todos os participantes se vestem de mons- Além da mostra gastronómica, o fim–de–semana será preenchido com actuações tros e diabos, onde o vermelho predomina. de grupos de bombos, por grupos de cantares locais e por um passeio pedestre. O Na arenosa Tunísia realiza–se o ‘Oasis Festival’ em Tozeur. É caracterizado pelas corridas certame tem vindo a conquistar a atenção e o estômago dos visitantes. A organiza- de camelos, danças tradicionais, actuações musicais e outros eventos folclóricos. Uma cons- ção espera que a edição deste ano ultrapasse os três mil participantes que a mostra tante do festival são os mercados onde é vendido tudo o que se possa imaginar. O ‘Oasis Fes- registou no ano passado. tival’ é a celebração das comunidades do deserto e da sua extraordinária paisagem. Susana Ramos Virginie Bastos e Emanuela Gomes PUBLICIDADE
  • 6 de Novembro de 2007, 3ª feira PENULTIMA A CABRA 19 eLes Eu Tenho vivido dias difíceis. É tamanha a tristeza, que quase não saio de casa. Há dias, <QdQc]QdbQV_^QcUS_UdUc do. Este ritual iniciático faz de um estudan- te, um melhor estudante. Sublime. Também me agrada, nesta Parade dos Pe- quenitos, o facto de todos estarem mascara- dos. Há quem se disfarce de estudante. Ou- tros há, que se mascaram não se sabe bem de quê, e depois temos as matrafonas. É ver- dade. Não há no país uma tão grande apro- daquela melodia única. O Homem, quando assim o entende, é capaz das mais admirá- veis façanhas. Uma guita, uma palete de la- tas vazias e os tornozelos virgens de um es- tudante de primeiro ano, e atingimos o céu. Os terríveis Caretos de Podence, com os seus badalos endiabrados, ficam aquém desta manifestação sonora. ITÁLIA Em Castelbuono, Sicília, a re- colha do lixo é feita por seis burros. Os animais contribuem, assim, para que o mundo seja mais limpo, pois substituem os “poluentes” camiões da recolha de li- xo, justifica o presidente da câmara lo- cal. A equipa de asnos ajuda 10 mil habi- tantes a manterem a cidade limpa. a vizinha do 42 comentava com uma amiga: ximação ao Carnaval de Torres Vedras. Ra- Mas nem tudo correu bem. Os coletes fe- - Aquele rapaz anda tão abatido! Nem pa- pazes viris, de barba farta, confundidos na mininos ensombraram a Latada. Estávamos UNIÃO EUROPEIA Para todos aque- rece o mesmo! - Era de mim que elas fala- rua com as suas primas mais velhas… Ainda prestes a passar despercebidos. Quase nem les que gostam de expressar as suas emo- vam. Era eu, o tal rapaz. por cima, não parecem mostrar qualquer houve críticas ao Governo. Ia ser diversão ções com o característico grito de Tarzan, A amargura é imensa. Não me conformo. embaraço. Conhecem melhor forma de dar pura, como acontece há anos. As senhoras chegou uma boa notícia. No espaço euro- A Latada chegou ao fim! A semana passou início à vida universitária? não percebem que a pressão das lojas é peu ele pode ser usado sem restrições. tão depressa, que não consegui aproveitar E as latas? Sem elas não há Latada. São enorme? Após uma década em batalha judicial fi- ao máximo. Estou mesmo enfadado! imensos os alunos do primeiro ano que as cou decidido que o som símbolo do rei da O que me deixa mais saudade é a movi- arrastam pelas ruas da cidade. Já sinto falta Crónica de Vítor André Mesquita selva não cumpre os requisitos para mar- mentação nas ruas. Alunos mais velhos con- ca registada. Os grandes perdedores são versam com alunos do primeiro ano e ofere- os netos do criador da personagem, cem autênticas lições de sabedoria aos peti- Edgar Rice Burroughs. zes. São frequentes os relatos sobre as maio- res bebedeiras da academia. Tudo regado ÁUSTRIA Viena recebeu a primeira com avisados conselhos, sobre como aguen- feira de divórcios do mundo. “Novo Co- tar quinze copos de vinho tinto de uma as- meço” ofereceu aos visitantes conselhos sentada, sem pingar a camisa do traje. Isto, especializados para os que precisam ou depois dos cinco garrafões empinados du- desejam divorciar–se. Dicas para encon- rante o jantar. E do exemplo de civismo da- trar um novo amor e testes de paternida- do, de vinte em vinte minutos, sob a forma de foram outras das atracções da feira. de urina, pelas paredes e portas da cidade. Ao pensar no cortejo também fico nostál- REINO UNIDO Com o aproximar da gico. O percurso é conhecido e o objectivo época natalícia começam a chegar às lojas também. A comunidade estudantil sai do os “presentes ideais”. A última moda são largo D. Dinis e dirige–se, pelo trilho do cos- os peluches com formas de vírus e bacté- tume, até ao Mondego. O rio, nesse dia, fun- rias. Neste Natal oferecer a um amigo a ciona como uma grande pia baptismal. É bactéria de salmonela, o vírus da gripe, da que um penico, cheio de uma água enrique- ébola ou da raiva pode ser um motivo de cida com coliformes e estreptococos fecais, alegria. despejado pela cabeça de um estudante, va- Ana Bela Ferreira le mais do que noitadas sucessivas de estu- ILUSTRAÇÃO POR JOSÉ MIGUEL PEREIRA tU CONFISSÕES| MANUEL PIRES DA ROCHA* |45 anos | Director do Conservatório de Música de Coimbra JOÃO MIRANDA Sou músico de formação, mas o meu destino acabou por ser um bocado mis- to. Digamos que sou um especialista em generalidades. Nasci em Coimbra e fui criado cá. A única herança que poderei ter vem da minha mãe, que quando eu era pequeno cantava no tanque, como todas mães cantavam no tanque. Grande parte daquilo que sou como pessoa e como profissional fundei-o no ambiente da escola de música onde aprendi os clássicos e o ambiente no GEFAC onde aprendi a música popular. Passei pela Associação como estu- dante não universitário. A Brigada foi um grupo que me apanhou quando eu tinha catorze anos. Tinha vindo de uma campanha de alfabetização quando ainda não era do grupo. E onde pela primeira vez contactei com aquilo que é deveras um puto de esquerda, que achava que a classe trabalhadora é qualquer coisa de poético. E só a apanhar va- gem é que eu reparei que a poesia da terra era bem mais dura e que fazia calos nas mãos. Na Brigada fiz um percurso diferente, o percurso de levar a música do povo ao povo, ao povo ele mesmo. Estive sempre ligado a movimentos políticos. Os meus pais participavam no MDP/CDE, portanto lembro–me perfeitamente de haver folhetos clandestinos na minha casa. Gostei de ter vi- vido a Revolução de Abril. Lembro–me de estar à espera da PIDE e de lhes atirar pedras. Sou músico quando tenho o violino nas mãos, sou actor quando tenho que desempenhar outros papéis e sou professor. Mas o que sou sobretudo é cidadão. Aprendi a ver que o ser músico é uma função pura e simples, é muito pouco aquela fantasia do artista que é algo que está acima dos homens. Não tenho a ideia de que um músico seja alguém que tenha um privilégio que qualquer um não tenha. Se pudesse ser um instrumento, pedia para ser um violoncelo. Tento passar à minha filha os meus valores, mas estes não têm a ver com os sinais da minha existência. Tenho sons do meu tempo. Penso que o que é importante nisto não é a preservação, é a reinvenção. E a arte é em si mesmo um exercício de reinvenção. Gostava de ser outras coisas. Gostava de ser arqueólogo, gostava de ser actor. Gostava mui- to de ser realizador de documentários. Vou continuar na música. Não é a minha vida que é interessante, o tempo em que vi- vi é que é interessante. No meu caso vou andando. Entrevista por João Miranda e Vânia Silva * Participou recentemente no filme “Fados” de Carlos Saura
  • Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Mais informação disponível em: Redacção: Secção de Jornalismo, Associação Académica de Coimbra, Concepção/Produção: Rua Padre António Vieira, Secção de Jornalismo da 3000 Coimbra Telf: 239 82 15 54 Fax: 239 82 15 54 Associação Académica de Coimbra e-mail: acabra@gmail.com PUBLICIDADE Cartoon por José Miguel Pereira Notas sobre arte... PUBLICIDADE PUBLICIDADE Força e espiritualidade| Figueiroa Acrílico, tempera ou óleo sobre cartão, 2007 Enquanto profissional assina sempre Figueiroa. Nem sequer quer dar a conhecer os seus outros nomes. Nascido a 14 de Fevereiro de 1972 em Dakota do Sul (EUA), é um membro da tribo Sioux. Apesar das origens índias foi cedo para o Brasil, on- de cresceu. Com 12 anos já fazia caricaturas políticas, que vendia na escola. Figueiroa pinta em público, para levar a arte à rua: “muitos artistas plásticos es- condem–se atrás das portas do atelier”, condena. Gosta de todas as tintas, mas elege o óleo e o acrílico como materiais de prefe- rência. Porque “o óleo é romântico”, justifica. Como pintores de eleição escolhe Delacroix, Miguel Ângelo e Van Gogh. Ao lon- go da sua carreira, Figueiroa tem procurado criar obras que representem “a força e espiritualidade que existe em cada um de nós”. A “Morte e Santo Sudário” (em cima) é uma obra recente do autor. A peça é de acrílico e tempera sobre cartão e o artista usou o próprio corpo para pintar o qua- dro. Segundo o artista a criação representa “os crimes das pessoas”. O vermelho é o sangue derramado. A figura humana é “o homem de colarinho branco que abafa a podridão”. A obra faz parte da exposição Cross Art Away, prestes a chegar a Coimbra. O ar- tista mostra agora na cidade dos estudantes, depois de já ter exposto em galerias e museus nos EUA, Brasil, Argentina. Figueiroa deu aulas nos seus três ateliers no Brasil (Recife), até ao dia em que decidiu vir para a Europa atrás da sua “prioridade”: a pintura. Mais obras do artista podem ser vistas no sítio crossartaway.zoing.pt. Por Martha Mendes e Alexandre Oliveira