A CABRA – 171 – 23.10.2007

Loading...

Flash Player 9 (or above) is needed to view presentations.
We have detected that you do not have it on your computer. To install it, go here.

0 comments

Post a comment

    Post a comment
    Embed Video
    Edit your comment Cancel

    Favorites, Groups & Events

    A CABRA – 171 – 23.10.2007 - Presentation Transcript

    1. @B?F54?B41B4@ PLANETA 1<571C?6B5B TERROR @B5CCº5C MEDIA| Pág. 15 Série Z à moda de Rodriguez ARTES FEITAS | Pág.16 ANO XVII Quinzenal Gratuito Nº 170 TERÇA-FEIRA | 23 DE OUTUBRO, 2007 Director: Helder Almeida DeT_Q`_cd_c`QbQ_ INCERTEZAS NO SISTEMA DE Y^ÒSY_TQ<QdQTQ EMPRÉSTIMOS PARA ESTUDANTES Na próxima quinta- –feira, quando a “ca- bra” der as doze bada- Entidades bancárias já disponibilizam crédito desde o início de Outubro ladas, vão ouvir–se os primeiros acor- Com a entrada em vigor do Novo Regime quem veja nos empréstimos apenas uma des na serenata. O Jurídico do Ensino Superior, no passado Nos EUA cinco milhões forma de o Estado cortar nas verbas da ac- acontecimento dia 10 de Outubro, entrou em funciona- de estudantes não ção social escolar e mais um passo para a marca o início das mento o sistema de empréstimos. O crédi- privatização do ensino. Nos Estados Uni- celebrações da to está disponível para todos os estudantes conseguiram pagar dos da América, onde se adoptou um siste- Festa das Latas. do superior e o valor pode chegar aos 25 os créditos ma semelhante, cinco milhões de estudan- Este ano as noi- mil euros, para licenciaturas de cinco anos. tes viram–se impossibilitados de pagar as tes do parque Estão também contemplados créditos para Para o Governo este é “um instrumento dívidas contraídas. realizam–se no alunos de pós-graduação, mestrado, crucial para o desenvolvimento de uma po- Queimódromo e doutoramento e programas erasmus. lítica de apoio à escolarização”. Mas há têm mais uma DESTAQUE | Págs. 2 e 3 noite musical. Pelo palco da Latada vão passar nomes como: Domingos Paciência “ O futebol português está cada vez mais fraco” Blasted Mechanism, Orishas, Gentleman, Quim Barreiros e The Gift, David Fonseca. SUPLEMENTO | CENTRAIS BU`_bdQWU]* 3Q^Sb_TQ=Q]Q Em Portugal, 1500 mulheres morrem de cancro da mama, o que equivale a qua- tro mulheres por dia. A uma semana do Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama, A Cabra foi ouvir falar na angústia e na força de três mulheres, que passaram pela doença. NACIONAL | Pág.9 DbQ^cVUbÏ^SYQcTUVYSXUYb_c `U\\_GYbU\\UccTQE3 Desde o ano passado que o número de processos de criminalidade informática em Coimbra duplicou. A falta de contro- lo do serviço wireless da e-U, possibilita que estas transgressões sejam cometi- das pela rede da universidade. A Polícia Judiciária confirma o envolvimento de estudantes. CÁTIA MONTEIRO CIENCIA | Pág.11
    2. 2 A CABRA DESTAQUE 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 Novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior - Sistema de empréstimos 9^cdbe]U^d_`QbQ_TUcU^f_\\fY]U^d__e S_]`b_]UdY]U^d_T_Vedeb_/ O sistema de empréstimos to, os estudantes do ensino superior que investir”. meira vez em 1965 nos Estados Unidos para alunos do superior já obedeçam a uma série de critérios. Por “O sistema de empréstimos pode até da América (EUA). O “Higher Education entrou em funcionamento. exemplo, os emprésti- funcionar no início, mas dificilmente da- Act” foi então aprovado pelo Congresso No entanto, existem dúvidas mos estão interditos rá um resultado favorável em relação à dos EUA. quanto à eficácia desta a cidadãos de na- necessidade em aumentar a frequência A falta de acção social e os elevados va- medida governamental cionalidade no ensino superior”, conclui. lores das propinas praticadas pelas uni- não portu- Em declarações anteriores feitas versidades obrigaram os estudantes a re- François Fernandes guesa, bem a A CABRA, o reitor da correr à banca para pagar os seus estu- como a alu- Universidade de Coimbra, dos. Os estudantes que assim o entendam nos que te- Francisco Seabra Santos, já Num país onde a média dos salários é já têm à disposição um sistema de em- nham na ban- tinha defendido que o sis- muito inferior às propinas praticadas préstimos bancários para financiamento ca dívidas su- tema de empréstimos por grande parte das instituições de En- dos estudos superiores. O crédito vai periores a cin- “não é uma boa sino Superior privadas, os problemas permitir financiar, total ou parcialmen- co mil euros. solução”. “Não acho não tardaram em chegar. te, os estudos incluindo cursos de espe- boa ideia que um Nos anos seguintes verificou–se com cialização tecnológica, licenciaturas e “Um siste- estudante acabe o grande frequência a impossibilidade por mestrados, assim como doutoramentos e m com pou- curso e comece a parte dos estudantes em pagar as dívidas pós–graduações. Os alunos que preten- co futuro” vida profissional contraídas. dam utilizar um dos programas de inter- O governo vê com uma carga O congresso, num primeiro momento, câmbio de estudantes ou de mobilidade no sistema de tão elevada para aumentou o número de anos de carência, internacional, como o Erasmus, também empréstimos pagar”, acrescen- mas mais tarde optou por retirar protec- podem recorrer a este novo sistema. bancários um tava Seabra ções sociais aos devedores e permitiu aos Os valores envolvidos podem variar “instrumento Santos. credores a possibilidade de se apropria- entre os 1000 e os cinco mil euros, por crucial para o Já o estudio- rem dos salários e de confiscarem as li- cada ano lectivo, estando o valor máximo desenvolvimen- so de políticas cenças profissionais. de empréstimo estipulado em 25 mil eu- to de uma polí- do Ensino Su- Actualmente nos Estados Unidos exis- ros para licenciaturas com cinco anos. O tica de apoio à perior, José tem cerca de cinco milhões de estudan- prazo de reembolso oscila entre os seis e escolarização Veiga tes impossibilitados de pagar as suas dí- os dez anos, com um período de carência da população vidas. correspondente ao seguinte à conclusão no patamar Em Portugal, a questão dos em- do curso. mais eleva- préstimos tem gerado diversas A grande novidade do sistema reside do do sis- opiniões, favoráveis e desfavorá- no facto de aos estudantes não ser exigi- tema de veis. do qualquer fiador, uma vez que cabe ao ensino”. No entanto, só quando os es- Fundo de Garantia Mútua cobrir 100 por No en- tudantes que agora pedem cento de cada empréstimo. Caso o estu- tanto crédito terminarem os seus dante cometa irregularidades durante o a s cursos e tiverem que começar reembolso, os bancos podem sempre re- reac- a pagar é que se vai ficar a correr ao fundo para reaver a quantia in- saber do sucesso deste sistema. vestida. Os créditos bancários têm uma taxa de ções juro fixa para o total do contrato, à qual n ã o Empréstimo em três passos: se acrescenta um “spread” (taxa que o têm si- banco utiliza para pagar os encargos com do as ILUSTRAÇÃO POR: JOSÉ MIGUEL PEREIRA Apresentar–se no balcão da os empréstimos) máximo de 1,5 por cen- mais fa- S i - instituição bancária com o to, que diminui consoante o aproveita- voráveis. mão, vê o comprovativo de matrícula, mento escolar do aluno. Esta percenta- O vice- sistema de crédito comprovativo de média e gem varia dependendo da instituição –reitor da Univer- como uma “forma de criar opor- registo criminal bancária. sidade de Coimbra, António Gomes Mar- tunidades para todos os estudantes inde- Santander–Totta, Banco Espírito San- tins, questiona o sucesso do sistema de pendentemente da respectiva situação to, Caixa Geral de Depósitos, Montepio empréstimos a longo prazo, invocando o económica”. Contudo, o especialista não Geral, Millenium BCP, e o Grupo Banco exemplo recente nos Estados Unidos on- vê com os bons olhos o curto período de Internacional do Funchal (BANIF), que de “houve uma enorme incidência de in- carência. “Os estudantes só deveriam co- Formalizar o pedido inclui o Banco Comercial dos Açores, capacidade em pagar empréstimos por meçar a pagar os empréstimos depois de foram os bancos que aderiram até ao parte dos estudantes recém-licenciados”. estabilizados profissionalmente, e de momento. Para António Gomes Martins, o estado acordo com o salário que recebam”. “De O novo modelo de crédito é indepen- português “olha para o Ensino Superior outro modo, não acredito que o novo sis- dente dos serviços de Acção Social Esco- como um prestador de serviços cujos tema seja bem sucedido”, conclui. lar, o que faz com que os alunos que pe- clientes têm que ser bem satisfeitos, e Aguardar cinco dias pela çam empréstimos possam continuar a para isso até se concedem empréstimos” O caso americano confirmação. usufruir de bolsas de estudo. e não “como algo estratégico para o de- O sistema de empréstimos bancários a Contudo, só poderão recorrer ao crédi- senvolvimento em que o estado deveria estudantes foi posto em prática pela pri-
    3. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira DESTAQUE A CABRA 3 1aeYS_^^_cS_ E3`bU`QbQ “ _cUcdeTQ^dUcTU3_Y]RbQ ” VITOR ALVES ^_f_cUcdQded_c François Fernandes Para se adaptar ao novo Regime Jurídi- co das Instituições do Ensino Superior (RJIES), a Universidade de Coimbra (UC) vê–se obrigada a proceder a uma reunião extraordinária dos estatutos numa as- sembleia criada para o efeito. No dia 10 de Outubro os senadores da UC aprovaram em senado o regulamento para a constituição da Assembleia Estatu- tária. Esta será constituída por 21 ele- mentos, que incluem o reitor, 12 profes- sores três estudantes e cinco elementos externos à universidade. Os membros que vão integrar a assem- bleia vão ser escolhidos através do voto da comunidade universitária. Entre 8 e 12 de Novembro vão ser apre- sentadas as listas concorrentes, que entram em campanha de 19 a 23 do mes- mo mês. Três dias depois, a 26, são reali- zadas as eleições. Só depois os membros eleitos vão poder escolher entre si os elementos externos, através de votação pelo método de Hondt. A Assembleia Estatutária terá, a partir desse momento, a tarefa de aprovar os novos estatutos da UC no prazo de oito A Academia de Coimbra foi a única do país a juntar-se à manifestação convocada pela CGTP-IN meses. O vice–presidente da DG/AAC, João Começou com palmas as palavras de ordem dos sindicalistas anos, também presente na manifesta- Pita, afirma que o papel dos alunos esco- e acabou com palmas, que, em rimas fortes, verberam contra o ção, as reclamações “são todas as que se lhidos para integrarem a comissão será a participação da Associação estado do país e contra Sócrates, o pri- possa imaginar. É o ensino que não é de tão maior “quanto a qualidade que eles Académica de Coimbra meiro–ministro. “Justiça social faz falta qualidade, que é caro”, afirma com con- demonstrarem e os argumentos que es- na manifestação da última a Portugal!”, “o país não se endireita vicção antes de concluir: “apoio os estu- grimirem junto dos professores”. com políticas de direita!”, “trabalho dantes”. Para João Pita o número de represen- quinta–feira, 18. Mas será que sim, desemprego não!”, “não à precarie- Envolvida num manto de 200 mil pes- tantes estudantis muito reduzido. O diri- quem aplaudia conhecia as dade, sim à estabilidade!” podia ouvir- soas, que enche as ruas que vão dos Oli- gente estudantil considera que “se estão a reivindicações estudantis? –se. vais até ao Pavilhão de Portugal, no Par- deixar de fora os estudantes”, o que pode É ao som de palmas que os cerca de que das Nações, onde decorre a Confe- mais tarde “complicar as possibilidades Reportagem por Helder Almeida duas centenas de estudantes se juntam rência Intergovernamental da União dos estudantes terem influência dentro aos milhares de trabalhadores de todo o Europeia, a Academia de Coimbra lança dos órgãos da universidade”. “Tenho mui- “ E h malta! Vamos fazer baru- país. A reacção não deixa de surpreen- as reclamações sobre o estado da educa- tas reservas se no futuro voltaremos a ter lho! Vamos lá malta jovem!”. der alguns dos alunos de Coimbra. ção no país: Processo de Bolonha novamente algum tipo de voz com peso O repto é lançado por um Questionada por que razão aplaude, (“abaixo!”), financiamento (“mais!”), eleitoral suficiente para fazer valer os homem alto, de bigode farfa- Brigite Teles, professora na Lousã, diz acção social (“não existe em Portugal!”). nossos direitos e os nossos interesses”, lhudo e bochechas rosadas de tinto que, que “os direitos dos estudantes também Do palco, montado mesmo atrás do alerta. a passo largo, se dirige com uma multi- estão a ser postos em causa”. Confessa, edifício onde decorre a cimeira, talvez Sobre os novos estatutos, uma vez que dão para a zona do metro dos Olivais, no entanto, não ter conhecimento das para os governantes e a Europa ouvirem “vêm já formatados pela especificidade do em Lisboa – o ponto de encontro da ma- reivindicações dos alunos. melhor o descontentamento popular, novo regime jurídico”, João Pita, prevê nifestação convocada pela CGTP–IN. Já Armando Dutra, 54 anos, professor Carvalho da Silva vai agradecendo aos que sejam “piores do que aqueles que vi- Os estudantes, que acabam de descer do ensino secundário nos Açores, mani- vários sindicatos, de norte a sul do país, goram neste momento”. O vice–presiden- dos autocarros, ainda adormecidos pela festante, crê “que têm que ver com me- a presença. Lembra também a compa- te da DG/AAC remete no entanto a res- viagem, são literalmente atropelados lhores condições de apoio, sobretudo rência da academia coimbrã na mani- ponsabilidade para o governo, a quem pela massa trabalhadora. A rua Cidade em matéria de acção social escolar, e festação: “aqui, connosco, os estudantes acusa de criar um regime que é “clara- de Bissau é um mar de gente. Bandeiras com a nova política europeia em termos de Coimbra!”. São muitos os que aplau- mente contra os estudantes e contra as verdes, amarelas, vermelhas, pretas agi- de educação que não parece a mais ade- dem. No fim, a satisfação estava espe- instituições”. tam o ar quente, pesado. Pelo ar ecoam quada”. Para o jurista Luís Matos, de 56 lhada no rosto dos dirigentes da AAC. Com Cláudia Teixeira PUBLICIDADE
    4. 4 A CABRA OPINIAO 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 Editorial =Q^YVcUQVY^c Mais um passo *Nuno Braga , Aluno do 4ºano de Jornalismo para privatizar Há que ser muito céptico em relação a manifestações de estudantes, principalmente quando elas nunca são de es- nifestação a sério, com grupos sindicais organizados e já batidos nestas andanças. o ensino tudantes! Elaborando melhor, as “manifs” até podem ser promovi- Confesso que fiquei surpreendido com a magnitude e empenho dos que nela participaram. Gente de todas as das com as melhores das intenções e com o melhor dos idades e de todas as profissões que se juntaram para mos- Entrou em vigor este ano lectivo o sistema de em- motivos mas, no final das contas, quem aparece é um ou trar que não estão contentes com a sua situação actual. préstimos para os estudantes do ensino superior. Se- dois grupinhos de meninos que andam a Mas neste caso são mesmo os trabalha- gundo o Governo, esta medida não vai substituir a ac- brincar aos partidos e que procuram fi- dores mais fracos que participam nas ma- ção social escolar, mas é algo mais, que a aumenta e car com o protagonismo. nifs, não são os chefes de repartição, ou os complementa. Desde há muitos anos que as “manifs” “Os estudantes directores que dão a cara! São os traba- Por outro lado, o executivo garante que os estu- servem para isto porque, também há não vão às lhadores simples, humildes que realmen- dantes mais carenciados vão continuar a ser financia- muito tempo, os verdadeiros estudantes te precisam desses direitos, são os profes- dos a fundo perdido e para isso aumenta as verbas desistiram d’ “a luta”, como lhe chamam. manifs porque já sores que andam todos os anos de escola para a acção social escolar. Relativamente às propi- Os verdadeiros estudantes não vão a ma- em escola, enfermeiros que têm contratos nas, já uma grande fonte de receita das instituições, é nifs por várias razões e aqui só vou enu- perceberam que precários, entre outros. garantido que até 2009 se vão manter inalteradas. merar algumas delas: são sempre lixa- Ora, fazendo uma comparação com as Mas nestas boas intenções depressa se descobrem Não vão porque os verdadeiros estu- manifestações estudantis, observamos incongruências: dantes não se podem dar ao luxo de per- dos pelos meni- que não são os bolseiros que estão lá a pe- 1. empréstimos – até poderia ser uma medida posi- tiva se o País tivesse emprego para os seus licencia- der aulas, ou ficar com faltas a cadeiras importantes, porque os pais andam a pa- nos que querem dir por uma acção social melhor. Não são os mais necessitados que estão lá a pedir dos poderem pagar os empréstimos. Não nos pode- gar as propinas a custo e por isso não brincar à que se acabe com as propinas, são os “ou- mos esquecer que quem optar por um empréstimo te- querem desperdiçar o dinheiro deles (é tros”. rá que começar a saldar a dívida logo um ano após claro que se pode contrapor com o argu- política” O que é que isto significa? Que os “ou- terminar a licenciatura. Como sabemos, todos os mento de que os estudantes gastam di- tros” são altruístas? Não. anos milhares de licenciados ficam no desemprego, nheiro nos copos por isso têm dinheiro para pagar propi- Significa que há alguém a beneficiar em nome dos estu- por isso como conseguirá um estudante pagar o seu nas); dantes. Há alguém a fazer carreira à conta das manifs que empréstimo, que pode chegar aos 25 mil euros, es- Não vão porque já perceberam que são sempre lixados pode dizer que organizou! tando no desemprego? A isto, o ministro já respon- pelos meninos que querem brincar à política; Já estava na hora dos verdadeiros estudantes levarem “a deu: só quem tiver condições de pagar é que deve pe- Não vão porque aparecem sempre alguns agitadores que luta” a sério e impedirem que esses meninos usem o bom- dir apoio à banca. Esclarecedor. só querem criar desacatos e que tiram toda a credibilidade –nome da Associação Académica de Coimbra única e ex- 2. acção social escolar – o Orçamento de Estado pa- aos estudantes! clusivamente para seu próprio beneficio. ra 2008 consagra um aumento de 0,2 por cento para Dia 18 de Outubro houve uma manifestação em Lisboa. * Carta ao Director a acção social escolar no ensino superior. Mas, por Participei porque me interessava ver como seria uma ma- (Cartas ao director podem ser enviadas para a cabra@gmail.com) outro lado, corta nas verbas para as cantinas, resi- dências e serviços médicos. Aumenta–se num lado, corta–se no outro. 3. propinas – no ensino superior público paga–se, actualmente, quase mil euros só de propinas. Se até 2009 as propinas não aumentam, como garante Ma- riano Gago, o que acontecerá depois dessa data? As pistas parecem apontar todas num sentido: uma cada vez maior privatização do ensino superior. Uma privatização gradual, em que aos poucos os estudan- tes deixam de ser tratados como usufruidores de um bem público e passam a ser tratados como clientes. Os empréstimos são um passo nesse sentido. Perante isto, seria bom que os estudantes não se calassem e tivessem consciência do que isso representaria para o País. O ensino deve ser um direito, não um privilégio. Só assim um País se desenvolve. Mas quem pensa nisto em vésperas de mais uma grande festa académi- ca? Helder Almeida Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Director Helder Almeida Chefe de Redacção Rui Antunes Editores: Cátia Monteiro (Fotografia), François Fernandes (Ensino Superior), Salvador Cerqueira (Cidade), Raquel Carvalho (Nacional), Rui Antunes (Internacional), João Miranda (Ciência), Patrícia Costa (Desporto), Martha Mendes (Cultura), Ângela Monteiro (Media), Carla Santos (Viagens) Secretária de Redacção Adelaide Baptista Paginação François Fernandes, Rui Antunes, Salvador Cerqueira, Sofia Piçarra Redacção Ana Bela Ferreira, Ana Filipa Oliveira, Ana Margarida Gomes, Ana Raquel Melo, Cláudia Teixeira, Eunice Oliveira, Filipa Faria, Joana Gante, João Pimenta, Liliana Figueira, Marta Campos, Marta Costa, Secção de Jornalismo, Pedro Crisóstomo, Raquel Mesquita, Sandra Camelo, Sara Simões, Soraia Manuel Ramos,Tânia Ramalho, Wnurinham Silva Fotografia Carine Pimenta, Carolina Sá, Catarina Associação Académica de Coimbra, Silva, Cláudia Teixeira, Daniel Palos, Fábio Teixeira, Fausto Moreira, Filipa Faria, José Marques, Liliana Lago, Martha Morais, Mónica Pópulo, Tiago Lino Ilustração José Rua Padre António Vieira, Miguel Pereira, Rafael Antunes Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, André Tejo, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Fernando Oliveira, Laura Cazaban, Rafael 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Fernandes, Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Vitor André Mesquita Colaboraram nesta edição Alexandre Oliveira, Andreia Silva, Carolina de Sá, Catarina Domingos, e-mail: acabra@gmail.com Catarina Fonseca, Catarina Frias, Catarina Pinto, Emanuela Gomes, Filipa Craveiro, Jennifer Lopes, Jens Meisel, João Picanço, José Vasconcelos, Lídia Gomes, Marco Roque, Marta Oliveira, Paulo Lemos, Pedro Martins, Raquel Soares, Rita Matos, Saimon Morais, Tânia Mateus, Tiago Martins, Thiago Neves, Vânia Silva Publicidade Sofia Piçarra - 239821554; 913009117 Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
    5. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira ENSINO SUPERIOR A CABRA 5 Orçamento de Estado 08 FUbRQc`QbQ_U^cY^_ce`UbY_bSbUcSU] ]Qc`_eS_ RUI ANTUNES O vice–reitor António Gomes entidades descontam 7,5 por cento). Para Martins acusa o António Gomes Martins a medida “anula, só estado de “estrangular” por si, o aumento da estimativa registado es- as instituições de te ano”. Ensino Superior Ainda em relação ao acréscimo estipulado pelo orçamento, o ministro da Ciência, Tec- nologia e Ensino Superior, Mariano Gago, François Fernandes afirmou recentemente em Coimbra que “se- Milene Santos rá desigual para as instituições”. O ministro pretende que o financiamento se passe a De acordo com a proposta do Orçamento processar “em função da qualidade e de ou- de Estado (OE) para 2008, apresentada no tros parâmetros que foram acordados com passado dia 12 de Outubro pelo Governo, as as universidades e institutos politécnicos”. verbas destinadas aos gastos do Ministério Acerca desta questão, o vice–reitor acredita da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que se está a levar a cabo uma “politica de (MCTES) vão crescer 8,9 por cento relativa- estrangulamento do ensino superior ‘darwi- mente à estimativa de execução deste ano. niana’” a que só “as instituições mais fortes Deste modo, no próximo ano a despesa do podem resistir”. MCTES atinge o valor de 2.508,8 milhões de Por sua vez, os politécnicos viram a fatia euros. do orçamento que lhes era destinada dimi- Para o funcionamento das universidades o nuir para os 404,7 milhões de euros, ou se- governo destinou 1.153,3 milhões de euros, ja, menos 0,6 por cento. Na opinião do pre- mais três por cento relativamente ao ano sidente do Conselho Coordenador dos Insti- Instituições passam a descontar 11 por cento para o sistema de protecção social passado. No entanto, o vice–reitor da Uni- tutos Superiores Politécnicos (CCISP), Lu- versidade de Coimbra, António Gomes Mar- ciano de Almeida, “o orçamento não corres- Aumentar bolsas não é solução baixo graças aos serviços de acção social vão tins, considera esta verba insuficiente. “Em ponde às necessidades dos politécnicos , A Acção Social também viu o seu orça- ter que recorrer cada vez mais ao mercado”, 2007 o orçamento para o Ensino Superior tendo em conta o aumentode alunos”. Lu- mento subir para os 120,8 milhões de euros, conclui. sofreu um corte real de cerca de 15 por cen- ciano de Almeida considera que “a solução ou seja, mais 0,2 por cento. Para António Além disso, António Gomes Martins aler- to. Aumentar três pontos percentuais em de reservar uma parte do fundo global desti- Gomes Martins tal disponibilidade orça- ta para o facto de os limiares que determi- 2008 significa não só continuar com dificul- nado ao ensino superior para o saneamento mental revela–se mais uma vez insuficiente. nam a atribuição de bolsas se manterem dades como agravá–las”, afirma o vice–rei- financeiro de algumas universidades e poli- O vice–reitor reprova a opção do Governo inalterados. “ Continuamos com a situação tor. técnicos, acabou por condicionar o acrésci- de aumentar o número de bolsas em detri- inominável que é a bolsa do escalão máximo O OE contempla ainda que as universida- mo do orçamento para outras instituições”. mento das verbas destinadas ao funciona- só poder ser atribuída a uma família que só des, institutos politécnicos e todos os esta- O presidente do CCISP sugere que a lei do fi- mento dos serviços de acção social, o que tenha um salário mínimo de rendimento e belecimentos de ensino com autonomia ad- nanciamento seja alterada “para que as ins- “implica menos dinheiro para as cantinas, tenha pelo menos cinco membros”. A pro- ministrativa e financeira passem a descon- tituições possam ser financiadas de acordo residências e serviços médicos”. Consequen- posta orçamental está em discussão até 28 tar 11 por cento para o sistema de protecção com o seu plano de actividades e nível de re- temente, “os estudantes bolseiros que hoje de Novembro e entra em vigor a 1 de Janei- social da função pública (actualmente estas sultados e não com o orçamento histórico”. conseguem comprar serviços a um custo ro de 2008. >_fQcY^YSYQdYfQc`QbQQS_]e^YTQTUUbQc]ec Gabinete das Relações Erasmus na sociedade portuguesa. Cada túlias são um espaço de diálogo informal pessoas, “estudantes de Itália, Espanha, Internacionais mistura sessão das tertúlias é apresentada por uma onde, todas as quintas–feiras, os Erasmus Áustria e Alemanha que não teria conheci- diálogo informal e diversão pessoa ou grupo que discute ou demonstra “acabam por participar e conversar aberta- do se não fosse a festa”. Confessa ainda que para integrar Erasmus na vida um tema previamente determinado pelo mente”, acrescenta o coordenador das RI. este contacto com estudantes de diferentes académica gabinete das RI. O coordenador do Gabi- Na tentativa de contrariar os convívios países serviu para aprender “coisas não só nete das Relações Internacionais da que normalmente se realizam no English sobre a cidade de Coimbra, mas também DG/AAC, João Inglês, dá o exemplo da úl- Bar ou na Via Latina, o gabinete das Rela- sobre as cidades de cada um, trocámos Sandra Camelo tima sessão cujo tema foi a vida estudantil ções Internacionais tem organizado festas muitas experiências”. Wnurinham Silva e a tradição de Coimbra. “Não queremos “diferentes e maiores, para que os Erasmus Ao contrário das tertúlias, os convívios que eles vejam Coimbra só como um lugar possam ter um espaço suficiente para se não têm datas regulares, mas estão abertos A chegada de novos alunos Erasmus exi- de boémia e de escola, pois também preci- encontrarem e conviverem com todos os a todas as pessoas e “tendo em conta que é ge iniciativas que permitam conhecer a vi- sam de ter uma componente cultural da ci- estudantes da Universidade de Coimbra”, uma festa Erasmus, decidimos que seria da académica de Coimbra. É com este ob- dade”, explica João Inglês. “Os Erasmus esclarece João inglês. melhor eles não pagarem entrada”, afirma jectivo que o gabinete das Relações Inter- têm o hábito de se relacionarem com ou- Wilson Feitosa, um jovem estudante são- João Inglês. nacionais (RI) da Direcção–Geral da Asso- tros estudantes do país de origem, acaban- –tomense, chegou este ano a Coimbra e es- Iniciativa do gabinete das Relações In- ciação Académica de Coimbra (DG/AAC) do por não se integrar bem na sociedade tá a frequentar o primeiro ano de Direito. ternacionais da Direcção–Geral, os encon- está a organizar convívios e tertúlias dirigi- portuguesa e na vida académica de Coim- Esteve no último convívio realizado pela tros Erasmus têm “pés para andar”. Na das aos alunos Erasmus. bra”, explica. “Por isso, nós criámos estas DG/AAC e classifica a festa como “muito opinião de João Inglês “se a próxima DG Realizados quinzenalmente, os encon- reuniões para que eles fiquem a conhecer boa” e com “boa música”. Segundo o estu- for inteligente só tem de agarrar no projec- tros pretendem introduzir a comunidade também pessoas de outros países”. As ter- dante o convívio permitiu conhecer novas to e seguir em frente”.
    6. 6 A CABRA ENSINO SUPERIOR 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 1]Uc]Q\\Ò^WeQe]QfYTQÅ`QbdU FÁBIO TEIXEIRA Através das associações os estudantes mantêm-se unidos e partilham a cultura dos seus países de origem No momento da recepção de caloiros oriundos do mundo de língua portuguesa, A CABRA tentou perceber as diversas circunstâncias que se lhes deparam Por Patrícia Costa, Emanuela Gomes e Carla Santos realização de exames finais, con- Guineenses, referiu outra contrariedade, “o Mas é essencialmente através das activi- entrevistados é a saudade, sentimento con- A correr à bolsa de estudo e a expec- tativa da candidatura à universida- de são situações do conhecimento de todos aqueles que entram no ensino su- ministério da Guiné entrega as bolsas e os vistos, através da embaixada de Portugal. Mas depois as pessoas chegam aqui e são abandonadas”. dades culturais e desportivas que as associa- ções procuram integrar os seus estudantes no seio da comunidade. Por exemplo, os ti- morenses promulgam a interactividade com siderado por Teixeira de Pascoaes como o grande traço espiritual definidor da alma portuguesa. “São saudades de casa, da famí- lia e dos amigos que ficaram por lá”, rema- perior português. Por vezes, a angústia da É então no meio das adversidades que as a música ensaiada em tétum (dialecto); os tou Euclides de Cassamá. espera dos resultados pode ser sentida bem associações de estudantes de cada país são cabo–verdianos encontram–se para degus- longe da Universidade de Coimbra e até preponderantes, fazendo a integração da- tar pratos tradicionais como a “cachupa” ou mesmo de Portugal. Países como Cabo–Ver- queles que pela primeira vez atravessam a beber ponche e aguardente; a Associação Encontros de um outro de, Guiné–Bissau, São Tomé e Príncipe, An- ponte de Santa Clara, muitas vezes em direc- Guineense organiza, frequentemente, festas Português gola, Moçambique e Timor enviam, anual- ção às escadas monumentais. para reunir os associados; datas comemora- mente, estudantes com apenas um destino e tivas dos países de origem são celebradas em Timor: “10 anos 10 ideias”, um projecto um objectivo: tirar um curso superior em Difícil de entender Portugal. que inclui várias actividades. Portugal. Para quem chega, a cidade dos estudantes No decorrer da conversa, Bruno levantou Antónia Domingos, estudante de mestra- parece uma torre de babel . Na cacofonia do o véu sobre um mundo onde as aparências 27 Outubro: Assembleia–geral para do na faculdade de psicologia, chegou à “ci- bar da Associação Académica de Coimbra, o valem mais do que muitas evidências. O di- aprovar o projecto da nova direcção. dade do Mondego” com um filho nos braços presidente da Associação do Estudantes Ti- rigente recorda situações desagradáveis, e uma bagagem cheia de ilusões. No primei- morenses, Félix de Jesus, estagiário de Ciên- “nunca senti preconceito directo, mas sei de Início de Novembro: recepção dos ca- ro dia, a mãe solteira encontrou a “praxe cias da Educação, confessa que, no seu ano uma amiga que não foi atendida numa loja”. loiros – encontro e actividades desportivas. obrigatória” das matrículas, na Escola Supe- de ingresso, sentiu bastantes dificuldades Porém, Bruno admite que o preconceito é rior de Educação de Coimbra (ESEC). Pro- linguísticas. Da mesma maneira, muitos dos igualmente visível do outro lado. 12 Novembro: Dia Nacional de Juven- curar casa não foi fácil e muito menos en- seus conterrâneos sentem dificuldades de Com a aproximação do fim do curso surge tude timorense – conferência sobre o Mas- contrar um lugar para deixar o filho durante integração devido aos parcos conhecimentos a dúvida para o futuro próximo. Para Hector sacre de Sta. Cruz. as aulas. Sem conhecer ainda os direitos que da língua. Para tentar colmatar esta falha, os Costa, estudante de Sociologia, a resposta é tinha, dirigiu–se aos serviços da ESEC, mas estudantes guineenses organizam–se entre clara, “quero voltar como quadro altamente 14 Dezembro: Mini–conferência de a assistente social disse–lhe “que o menino si para dar explicações de português àqueles qualificado para ajudar o meu país a desen- um padre timorense convidado sobre ju- não podia andar na creche da universidade”. que chegam. Para alguns, os dialectos de volver–se”. Já o finalista guineense de medi- ventude e culturas. Antónia sentiu–se injustiçada pois veio, origem continuam a dominar as calorosas cina, Anaxor Casamiro, admite regressar pe- posteriormente, a “descobrir que todas as conversas dos estudantes. “O crioulo está lo menos para África. “ O meu objectivo é es- Cabo Verde: recepção ao caloiro. estudantes podem deixar os filhos no infan- entranhado no sangue, é um modo de vida”, pecializar–me e voltar para a Guiné–Bissau. tário”. afirmou o vice–presidente da Associação de Tenho o dever moral de voltar para o meu Guiné: recepção ao caloiro e formação Euclides de Cassamá, estudante de medi- Estudantes Cabo–verdianos e estudante de país”, enaltece. Para o cônsul de São Tomé e sobre a cidade, a história da universidade, cina e gestor da Associação de Estudantes Direito, Bruno Lassy. Príncipe, o maior desafio que se impõe aos etc.
    7. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira PAGINA A CABRA 7 A Academia em imagens C?C5cdeTQ^dU “ ?TYQ]QYcdbYcdU`QbQQ1SQTU]YQ” BRUNO COSTA-ARQUIVO. “Olá, precisas de ajuda?” Há dez anos no activo, a linha SOS Estu- dante, tem vindo a dar apoio a um vasto le- que de pessoas que ligam em busca de uma palavra amiga. A iniciativa partiu de Paulo David Carvalho, que se apercebeu da gran- de quantidade de estudantes que não se conseguiam integrar na faculdade. E quan- do uma conhecida se suicidou, Paulo teve necessidade de fazer algo. Assim surgiu a linha de apoio, a 17 de Abril de 1997. Presentemente, a secção conta com a ajuda de 30 pessoas, todas estudantes, que trabalham em regime anónimo e voluntá- rio. O recrutamento é feito em Outubro e Março. Durante cerca de um mês são abor- dadas as formas de comunicar e temas co- mo o suicídio ou a sexualidade. A finalidade da linha é garantir um espa- ço onde as pessoas possam ser escutadas independentemente do tema abordado. “Somos como que um espelho daquilo que as pessoas nos dizem, não fazemos qual- quer tipo de juízos de valor nem damos conselhos. Tentamos apenas que quem liga reflicta sobre aquilo que nos diz”, refere a presidente da secção, Filipa Craveiro. Segundo as estatísticas de 2006, foi rece- bido um total de 926 chamadas, sendo que cerca de 680 foram realizadas por pessoas \" $ Para o dia 20 deste mês estava marcada uma reunião extraordinária do senado universitá- do sexo masculino. O número de chamadas rio, no Pólo II. Discutia–se então o valor da propina na Universidade de Coimbra. De forma a foi ligeiramente maior nos meses de Janei- impedir a votação da propina máxima (880 euros), os estudantes tentaram entrar no edifício ro e Junho, pois “é na altura dos exames ?edeRb_ onde decorria o senado, tendo sido agredidos pelas forças policiais, chamadas pelo reitor Sea- que os estudantes ligam mais”, afirma a bra Santos. Um estudante é ainda detido. O presidente da DG/AAC da altura, Miguel Duarte, presidente da secção. classifica aquele dia como “o mais triste para a Academia de Coimbra após o 25 de Abril”. Contudo, Filipa Craveiro salvaguarda que os telefonemas dos estudantes são 1SQTU]YQfUcdUcUTUWQ\\Q`QbQS_]U]_bQb!\" Q^_c uma minoria”. “A média de idades de quem liga é de 35 anos”, diz Filipa Craveiro, o que comprova que a acção desta secção extra- As festividades culminam com A gala vai contar com um misto de coreo- para deixar um testemunho para o futuro”. vasa o universo estudantil. a apresentação de um grafias musicais, teatro, desporto e um es- Na gala espera–se a presença de parte da O número de atendimento disponível pa- livro dedicado à AAC e uma pectáculo multimédia “que pretende retra- comissão de honra, que é composta por 130 ra apoio é o 808200204 ou o 969554545, gala no teatro académico tar a AAC e os vários contextos que a envol- personalidades ligadas à história da Acade- funcionando entre as 20 horas e a uma da verem desde a fundação até aos dias de ho- mia, desde ex–dirigentes associativos, anti- madrugada, excepto no período das férias je”, sublinha o coordenador das festivida- gos reitores, vencedores do prémio Salgado escolares. O SOS estudante pode ainda ser Rita Matos des, Joel Vasconcelos. O espectáculo vai ser Zenha a nomes ligados ao poder actual co- contactado por correio electrónico, através o culminar das comemorações da Academia mo José Sócrates, Cavaco Silva ou Durão do endereço estudante.sos@gmail.com. A Associação Académica de Coimbra que tiveram início a 24 de Março. Barroso. No final da gala vão ainda ser can- Por Adelaide Baptista e (AAC) celebra a 3 de Novembro, no Teatro Joel Vasconcelos salienta que as come- tados, nos jardins da AAC, os parabéns à Filipa Craveiro Académico de Gil Vicente 120 anos, numa morações contribuíram para que houvesse Academia, seguindo-se um convívio no Clu- gala aberta a todos os estudantes da Uni- “um projecto comum da AAC em que todas be de Rugby. Nota editorial: Ao longo de oito edições versidade de Coimbra. Na preparação do as suas estruturas trabalhassem para o Também no mesmo sítio e no mesmo dia A CABRA manteve esta página dedica- espectáculo estão envolvidas diversas sec- mesmo”. O coordenador do espectáculo re- é apresentado um livro com fotografias e da à história e às secções da casa. Ter- ções culturais e desportivas e organismos fere ainda “que as comemorações não servi- textos dedicados à AAC, da autoria de Ra- mina aqui a homenagem aos 120 anos autónomos ligados à AAC. ram só para evocar o passado mas também fael Marques. da AAC. PUBLICIDADE
    8. 8 A CABRA CIDADE 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 5cdeTQ^dUcY]`e\\cY_^Q]^UWØSY_TQ^_YdU LILIANA LAGO Quando as aulas acabam, o ritmo acelera e a diversão é o objectivo comum dos estudantes. Empresários da noite falam da importância estudantil no negócio Salvador Cerqueira Saimon Morais Marco Roque “A noite de Coimbra foi sempre a noite dos estudantes”, afirma o professor Amadeu Carvalho Homem, aluno da Universidade de Coimbra na década de 60. A opinião é parti- lhada pelos comerciantes que trabalham du- rante a noite. O gerente do café Couraça, Fausto Cor- reia, crê que cerca de “99 por cento” dos clientes são estudantes e que sem a presença da comunidade estudantil, o conhecido café da Alta “provavelmente não estaria aberto”. A presença dos estudantes nos espaços de convívio nocturno são uma constante em de Coimbra O investigador do Centro de Estudos So- ciais, Elísio Estanque, explica que “a pre- lho Homem, “as noitadas tinham de ser fei- mas adverte que “essas situações não podem Perante a situação utópica de não existir a sença dos estudantes é tão significativa na tas no espaço das repúblicas. As tertúlias de- ser controladas pelos gerentes”. universidade em Coimbra, a maioria dos cidade que os modelos de consumo de deter- corriam também em certos cafés da Praça da Quando os “morcegos” ultrapassam o li- empresários inquiridos, com estabelecimen- minadas actividades sociais possuem os República e na Baixa, onde havia uma ou mite e a diversão se torna preocupação, o tos nas zonas da Alta, Praça da República, contornos que têm”. outra tasca que encerrava mais tarde”. Ac- Instituto Nacional de Emergência Médica avenida Sá da Bandeira e Baixa, conclui que A “estudantada”, termo utilizado por al- tualmente, Estanque considera que “real- (INEM) é chamado a intervir. O consumo de não seria possível manter o negócio. Mário guns dos empresários, desempenha grande mente a crítica e preocupação sociais dos es- álcool em excesso e as eventuais quedas são Coimbra, encarregado de balcão do café influência na criação de empresas, no perío- tudantes se está a perder, o que aconteceu os principais casos que o INEM socorre na Cartola, afirma mesmo que Coimbra seria do de funcionamento e até nos preços prati- graças ao acesso menos restrito à universi- cidade dos estudantes. A delegada regional “uma aldeia com muita casa”. cados. Rute Marinho, secretária da direcção dade e à perspectiva instrumentista que os do instituto, Regina Pimentel, refere que “a da Associação Comercial e Indústrial de jovens têm relativamente aos cursos”. rotina da equipa só é abalada nos dias de Quando a fome aperta à noite Coimbra (ACIC), confirma que “a ausência O encontro dos estudantes de Coimbra em festa. No dia do cortejo da Queima das Fitas, da massa estudantil influencia a restauração espaços nocturnos deriva, de acordo com o por exemplo, atendemos mais de 200 cha- Com cerca de 60 anos, a padaria Mimosa da cidade, como o período de encerramento, sociólogo, do facto de “haver uma crise de madas, mas é normal no dia do desfile”. tem uma forma peculiar de lidar com os que coincide com a época de férias lectivas”. identidade em geral e de o indivíduo preci- Os convívios académicos alteram também noctívagos. “Temos a porta fechada durante O relações públicas da discoteca Vinyl, Hu- sar de se sentir integrado. A ilusão de parti- o ritmo do trabalho da empresa responsável a noite, mas foi–se criando o hábito de bater go Simões, revela que nos dias úteis a pro- lha e de vivência colectiva, essa experiência pela limpeza da cidade, ERSUC (Resíduos à porta e ser atendido, a qualquer hora”, re- gramação do espaço “é confinada aos estu- de comunhão, ocorre sobretudo em momen- Sólidos do Centro, S. A.). Para o rasto de li- fere o sócio–gerente, Adérito Jordão. Se- dantes, com as noites temáticas das terças e tos de exaltação”. xo deixado pelos estudantes após serenatas gundo o responsável, o estabelecimento faz quintas–feiras”. No fim–de–semana, a vida Os distúrbios normalmente associados ao e convívios, a empresa possui já uma estra- sucesso também por “praticar preços acessí- nocturna é habitada pelos naturais de Coim- convívio da noite devem–se essencialmente tégia. O responsável pela empresa, Sílvio veis às bolsas dos estudantes” e por manter bra, que Hugo Simões classifica como “um ao barulho. Situações de vandalismo ou vio- Ramos, esclarece que “assim que se iniciam com eles uma boa relação. A solução para público–alvo completamente diferente”. lência são pouco frequentes. O gerente do as aulas, a quantidade de material utilizado qualquer distúrbio que surja é “chamar a A noite que há cinquenta anos atrás era Bar da Associação Académica de Coimbra aumenta substancialmente. Quando há fes- atenção na altura, até porque às vezes, de passada em locais selectos expandiu–se. An- (BAAC), Tomás Ramalho, admite que “nun- tas, temos sempre uma estrutura preparada, manhã, isto está um pandemónio”, afirma tigamente, como recorda o professor Carva- ca houve um distúrbio sequer no BAAC”, reforçando o número de trabalhadores”. Jordão. 3 respostas de... 1 A população de Coimbra está disponível para aju- dar a comunidade? Há muita gente disponível pa- ra ajudar e a prova disso é o grande núme- ro de grupos de voluntariado que existem. Só no Centro Universitário Manuel da 2 Quais os projectos que têm especial adesão por parte dos jovens? Os jovens participam bastante, talvez pela realidade de Coimbra envolver muito 3 De que modo é que o CUMN se distingue de outras equipas de vo- luntariado? Não tem de se distinguir totalmente. Nóbrega (CUMN) há quatro, no Justiça e crianças, como a casa dos órfãos ou a casa Creio que oferece uma motivação para o Paz há muitos mais e na própria Associa- de infância. Muitos também ajudam no fazer com um sentido de missão de defen- ção Académica existe um grupo de volun- hospital. Creio que muitos voluntários der o cristianismo ou os valores cristãos. tariado. Exemplo disso é o Banco Alimen- vão ao hospital pela dimensão que ele tem Oferece um espaço e experiências. Não é tar que também tem tido bastantes volun- na região. Além disto, nos últimos anos que sejamos melhores ou muito diferen- Filipe Martins tários. tem nascido uma vontade crescente de, tes que outros grupos. O CUMN é mais no Verão, irem para África. um espaço aberto e de acolhimento em Presidente do Centro Universitário Manuel da Nóbrega Coimbra, com grupos diversos onde as Por Salvador Cerqueira e Eunice Oliveira pessoas se podem integrar.
    9. NACIONAL 23 de Outubro de 2007, 3ª feira A CABRA 9 “ 1`UdUSYQ]UWbYdQbz^È_dU^X_]Q]Q{ UbQe]QT_bX_bb_b_cQ ” CÁTIA MONTEIRO Em Portugal, duas em cada dez mulheres sofrem de cancro da mama. A Cabra recolheu testemunhos de quem já passou pela doença Reportagem por Raquel Carvalho Catarina Frias Ana Raquel Melo Catarina Pinto “ P odem perguntar se quando me olho ao espelho gosto de ver. Não, claro que não. Mas já aprendi a amar também aquele lado”, diz Maria Anunciação, educadora de infância, 54 anos. “Aquele lado” é diferente do que foi um dia, ali já não está um seio, mas uma cicatriz que rasga a pele, marca vi- va da existência de um cancro da mama. Foi há 2 anos. O dia corria ligeiro. Nada fazia prever que aquele fosse um dia dife- rente de tantos outros, até que Maria Anun- ciação entrou no banho e, naquele curto es- paço de tempo, sozinha com a água a jorrar pelo corpo, descobre algo de anormal. Atra- vés da palpação, percebeu que tinha um nó- A 30 de Outubro celebra-se o Dia Nacional de Prevençaão do Cancro da Mama dulo na mama. Assim, nasceu a dúvida e a angústia. “Fui logo ao centro de saúde, onde confessa São, como é tratada pelos amigos. São passou pela dor com o apoio do filho, a ter a doença”, afirma. Contudo, Ilda passa me reencaminharam para o laboratório. Aí, Do período da “quimio”, a educadora de “foi o elo mais forte da minha doença, um agora por uma fase estável. Ao longo do tive a confirmação de que era maligno”. infância recorda a frase que ouvia frequen- soldado discreto mas presente”, relembra. tempo, “fui–me abaixo mas levantei–me, O cancro da mama, tal como outros can- temente: “a quimioterapia é um medica- No entanto, recorreu também à ajuda de chorei, ri, enfim...acho que consegui”, con- cros, é traiçoeiro, manhoso, desenvolve–se mento cego, surdo e mudo”, porque mata uma psicóloga. “Ela obrigava–me a pôr tudo fessa. Da doença retirou uma forma mais in- dentro do corpo, de mansinho, em silêncio. células boas e más. Mata aleatoriamente. cá para fora. O medo da dor, porque tem–se tensa de viver a vida, “comecei a querer vi- Segundo a ginecologista, Teresa Rebelo, “o medo de tudo, de um mundo que é subita- ver mais rápido, a dar mais valor às coisas e cancro da mama pode passar despercebido Depois da quimioterapia mente diferente, que cai em cima de nós”, a sentir mais”, conclui Ilda Henriques. durante muito tempo, porque é uma doença Após o tratamento, Maria Anunciação su- recorda. “Passamos a estar resumidos a um O cancro da mama alterou–lhes o corpo, indolor nas fases iniciais e só é detectável fa- jeitou–se a uma mastectomização radical de grande cancro que está na nossa cabeça, nos os sentimentos, o olhar sobre as coisas, a vi- zendo alguns exames de rastreio”. Portanto, um seio. “Na altura, não estava preocupada nossos olhos, nos nossos ouvidos, tudo é da. “Agora gosto muito mais de mim”, diz o auto–exame da mama, a ida regular ao gi- com o lado estético. A única coisa que me cancro”, era este o mundo de São naquela São com a força de alguém que não ficou necologista, a mamografia e a ecografia ma- preocupava era a erradicação total do mal”, fase da doença. A ginecologista, Cristina preso ao passado. Lá atrás, ficou a ideia de mária são cuidados essenciais para que a revela. Ao nível cirúrgico a operação correu Frutuoso, também salienta a importância “mulher invencível”, de “super mu- doença seja detectada precocemente, o que bem, no entanto, Maria teve que enfrentar a do apoio psicológico, “o acompanhamento lher”…Maria Anunciação ganhou, assim, aumenta as probabilidades de cura. perda da mama. “Apetecia–me gritar e dizer deve ser feito durante e após o tratamento”. uma nova forma de vida, situada na frontei- Os cuidados referidos foram todos deixa- a toda a gente ‘não tenho mama’, era assim A fragilidade decorrente da doença advém ra entre os limites impostos pela doença e dos de lado por Silvina Santa Rajado, refor- uma dor horrorosa”. da ausência, que se reflecte no lado mais ín- um infinito que aprendeu a conquistar. mada, 73 anos. “Fiz a primeira mamografia Desde a mastectomização, a reconstrução timo de uma mulher. Da ausência de uma aos 64 anos, até aí não ligava a mamogra- mamária era uma prioridade para Maria, mama, com a qual São tem aprendido a li- fias”, confessa. Nessa altura, foram–lhe contudo, o seu desejo nunca se concretizou. dar. Contudo, “é uma perda que ainda me Associações que ajudam diagnosticados nódulos no seio, mas só há A notícia que se seguiu fê–la abandonar a dói, quando ponho um decote e não posso dois anos os exames revelaram um tumor ideia. São tinha novamente cancro. Desco- pô–lo mais profundo porque se nota”. A Associação Portuguesa de Apoio à maligno. “Depois do resultado da biopsia briu-o no seu local de trabalho. Ali mesmo, Ilda Henriques, 48 anos, também sente Mulher (APAM) com cancro da mama e o disseram–me que tinha de ser operada, ti- explodiu para o mundo. Nesse dia, “eu cho- essa ausência, “ sou uma mulher vaidosa, Movimento Vencer e Viver são algumas nha de fazer radioterapia, mas não seria ne- rei a minha humanidade. Não tive vergonha sempre gostei de usar decote e, de repente, das instituições que prestam auxílio às ví- cessário tirar o peito”. Apesar dos ecos nega- de mostrar a minha humanidade, estava vejo que não posso usar. É claro que faz fal- timas da doença. tivos da palavra cancro, Silvina fala de “sor- triste, estava inconsolável, sentia–me mise- ta”. Esta ausência reflecte–se inevitavel- Apoio a nível hospitalar e domiciliário, te”. A “sorte” de não ter que lidar com a au- rável”, lembra. mente na vida afectiva e sexual da mulher. grupos de apoio e uma linha telefónica sência de uma mama. A “sorte” de não ter Desta vez, São sentiu a doença de uma Nesse sentido, o apoio do marido foi funda- são algumas das funções desempenhadas que se submeter ao doloroso tratamento da forma diferente, já sabia por aquilo que teria mental, “ele quis logo ver a cicatriz, passa a pelo Movimento Vencer e Viver, consti- quimioterapia. de passar novamente. A recuperação foi me- mão no peito como se tivesse mama”. tuído exclusivamente por voluntários. Maria Anunciação não teve essa mesma nos difícil, contudo a dor continuou a ser Por sua vez, a APAM inclui apenas pro- sorte. Com a quimioterapia “perdi o sabor, o imensa. Uma dor que se reflectia em tudo à A vida com a doença fissionais de saúde, que prestam serviços cheiro, a visão ficou afectada, o cabelo, o as- sua volta. Uma dor que expressava nos qua- Ilda convive com o cancro desde 1999, “eu na área da medicina, da enfermagem e da pecto, as unhas ficaram negras, a pele esca- dros que sempre gostou de pintar. Uma dor tinha cancro da mama, eu tenho, porque psicologia, entre outras. mou, ficamos com um aspecto miserável”, difícil de suportar sem apoio psicológico. não há cura para o cancro, a gente continua
    10. 10 A CABRA INTERNACIONAL 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 @_\\Ø^YQU]UcdQT_;QSji^c[Y @_baeU]eTQ] _c`QÒcUcTU ^_]U/ D.R. Gémeos conseguiram colocar a Polónia no centro das atenções. Especialistas Ana Margarida Gomes consideram que a imagem do Jennifer Lopes país saiu danificada Muitos foram os países que, nos últimos 40 anos, viram o seu nome alterado. Entre Rui Antunes as principais razões que levaram a essa Catarina Domingos mudança, destacam–se as de natureza po- Catarina Fonseca lítica e cultural. Miguel Monjardino, pro- fessor do Instituto de Estudos Políticos da Há 35 anos os gémeos Kaczynski torna- Universidade Católica, refere que “a dife- vam–se conhecidos no grande ecrã através rente ordem política instaurada nos terri- da participação em “Os dois que roubaram tórios é, habitualmente, a razão que leva à a Lua”. Hoje, o filme é outro. Lech e Jaros- adopção de uma nova nomenclatura pela law voltam a ser protagonistas, mas, desta maioria dos países”. vez, na cena política polaca e europeia. Um dos casos que se insere na categoria Derrotado nas legislativas de domingo dos países que viram o seu nome alterado Jaroslaw vai deixar de ser primeiro-min- por razões políticas é o do Zimbabué. Em istro, mas impõe–se uma certeza: a de que 1963, a Federação da África Central desfez- o apelido Kaczynski vai continuar a estar –se. Dela faziam parte a Niassalândia, que presente no poder político do país. com a independência adoptou o nome de Para além do aspecto físico, os gémeos Malawi, a Rodésia do Norte, que passou a têm também linhas ideológicas comuns. chamar–se Zâmbia, e a Rodésia do Sul. Es- Ambos pertencem ao Partido Lei e Justiça ta última só em 1980, com o fim da guerra (PiS) e nos últimos dois anos têm levado a colonial, conquistou a sua independência, cabo uma governação conjunta. Lech, elei- tomando o nome de Zimbabué. Segundo to presidente em 2005, nomeou o irmão Apesar da derrota de Jaroslaw os polacos vão continuar com um Kaczynski no poder Miguel Monjardino, “a mudança de poder Jaroslaw para primeiro–ministro depois da gerou a mudança de nome, dando assim a obscura demissão do então chefe de Gover- Porém, são outras as políticas que ser- Meirelles, “mórbidos”. A especialista recor- entender que o país que aparece é diferen- no, Kazimierz Marcinkiewicz. vem de bandeira aos gémeos, como o forta- da o último Conselho Europeu onde os di- te do ponto de vista político”. “Populistas, de extrema–direita, com um lecimento da economia, através da redução plomatas polacos disseram que se Alema- Outro caso de relevo é o do Myanmar discurso nacionalista”, é assim que a espe- do défice e do desemprego, e o combate à nha não tivesse morto 30 milhões de ju- que, até Junho de 1989, era denominado cialista em assuntos europeus, Isabel Mei- corrupção. José Goulão fala numa “grande deus, hoje a Polónia teria uma população pelas autoridades desse país de Birmânia. relles, define os líderes polacos. Já José capacidade de intervenção relativamente idêntica. António Gama Mendes, docente de Goulão, jornalista perito em política inter- às políticas económicas mundiais”. No en- A impopularidade polaca ultrapassa as Geografia Política da Faculdade de Letras nacional, classifica os Kaczynski como tanto, atenta que os Kaczynski “defendem fronteiras comunitárias. A Rússia é um dos da Universidade de Coimbra, afirma que “a “uma versão actualizada daquilo que foi o um capitalismo selvagem, um crescimento rivais por excelência dos Kaczynski, que mudança de estatuto político levou à alte- ciclo de Lech Walesa [primeiro líder do pe- económico a todo o custo, sem atender aos têm impedido um acordo entre os 27 e o ração do nome Birmânia, designação que ríodo pós–comunista] ”. João Carlos Barra- problemas sociais que possam ser criados”. executivo de Putin. A Cimeira UE–Rússia lhe foi atribuída durante a colonização in- das, comentador de política internacional que se realiza em Mafra, na próxima sexta- glesa, para Myanmar.” Esta modificação, da TSF, recorda que os irmãos “vêm dos “Polónia non grata” dificulta –feira, 26, pode mesmo estar condenada ao que reflecte um posicionamento político círculos mais conservadores da direita”. estabilidade europeia fracasso devido à intransigência polaca. particular, é, ainda hoje, contestada por ter “Tiveram um contributo para um carácter As relações entre a Polónia e a União Eu- José Goulão considera que quando é ne- sido imposta por um regime militar não ainda mais xenófobo da política na Poló- ropeia (UE) deterioraram–se com a chega- cessária unanimidade os gémeos “podem eleito. nia”, acrescenta. da ao poder do presidente Lech Kaczynski. ser um grande problema”. Porém deixa o A República Democrática do Congo viu A tendência para a xenofobia não é a úni- Nos últimos tempos a Polónia chegou a aviso que a era Kaczynski não vai durar pa- também o seu nome alterado por diversas ca das linhas controversas, já que os irmãos ameaçar boicotar algumas medidas euro- ra sempre. “A Europa não pode ser drama- vezes. Congo, no início, toma a designação pretendem eliminar a herança comunista e peias, inclusivamente o novo Tratado Re- ticamente afectada por uma ‘passagem pro- de Zaire em 1971, devido à política de “afri- desenvolver uma “revolução moral” de ín- formador. visória’”, preconiza Goulão. canização” que proibia nomes ocidentais e dole conservadora. José Goulão afirma que “São pelos interesses da Polónia e contra cristãos. Em 1997, o nome muda para Re- os gémeos “são contra direitos sociais ad- a União Europeia”. Isabel Meirelles sinteti- pública Democrática do Congo. Gama quiridos como o aborto”. Também João za desta forma a postura dos gémeos face à A palavra de Durão Mendes aponta estas mudanças como von- Carlos Barradas lembra que a Polónia se comunidade. José Goulão partilha da opi- O presidente da Comissão Europeia, tade de reforço da identidade nacional. recusou a participar no dia europeu contra nião, classificando o partido do Governo Durão Barroso, defende a Polónia dizen- Os casos anteriormente referidos são de a pena de morte. O comentador recorda como “autoritário e eurocéptico, o que po- do que “no que diz respeito aos direitos países que, após conquistarem a sua inde- ainda “as campanhas contra homossexuais de criar problemas na integração plena da fundamentais é um país que, até hoje, pendência, adoptaram novos nomes. No na função pública por parte do executivo de Polónia na UE”. O jornalista acrescenta que tem vindo a cumprir todos os seus com- entanto, o docente refere que “outros há Jaroslaw Kaczynski”. os Kaczynski “são claramente desconfiados promissos”. Barroso remete até para os que se formaram mantendo o nome que A maioria da população corrobora as me- acerca do Tratado Constitucional e dos for- indicadores do eurobarómetro que dizem lhes era atribuído enquanto regiões não au- didas do poder bicéfalo. José Goulão expli- matos de funcionamento da UE”. que “a opinião pública na Polónia é uma tónomas”. Entre esses têm–se como exem- ca que “a essência conservadora polaca é No seio da UE, a Polónia vai cultivando das mais pró–europeias”. plos Timor–Leste e a Bielorússia, dois paí- fruto de uma realidade que se caracteriza disputas particulares. A Alemanha é um Quanto às posições xenófobas assumi- ses que mantiveram a designação pela qual por uma população obrigada à hierarquia dos países mais hostilizados pelos gémeos. das pelos líderes polacos Barroso é pe- eram conhecidos antes da independência. católica”. O jornalista acrescenta que “a Po- Apesar da tentativa de Angela Merkel de remptório ao afirmar: “houve declara- Miguel Monjardino conclui que “a prin- lónia é o país onde mais se verifica uma as- apaziguar os ânimos, a Polónia tem vindo a ções infelizes de alguns responsáveis po- cipal razão para as mudanças de nome dos sociação política e social à Igreja Católica, defender um menor peso dos germânicos líticos que obviamente não podemos diversos países é a vontade de afirmação com forte influência nas massas conserva- nas instituições comunitárias. Os argumen- subscrever”. dos regimes que neles estiveram em vi- doras”. tos utilizados são, no entender de Isabel gor”.
    11. Ce`\\U]U^d_1312B1 UT^Ÿ!'! (Bilh ete G : eral 33 e uros)
    12. 2 A CABRA SUPLEMENTO 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 PATRÍCIA COSTA Sete noites com muita lata A Festa das Latas muda–se este ano para o Queimódromo e tem mais um dia no programa. Paralelamente às noites do parque realizam–se ainda várias actividades desportivas e culturais. Por Helder Almeida, Lídia Gomes, Tiago Martins e Marta Oliveira Q uando se pensa na Festa e que as pessoas se sintam mais próxi- as festas académicas se adaptaram àquilo das Latas a ideia vai em mas”, justifica o Coordenador Geral da que teria que ser. É a festa do estudante e A história das latas primeiro lugar para as festa. Ricardo Duarte assegura ainda que este deve ser privilegiado, mas tem que noites do parque e para os a área vai ter uma capacidade máxima de haver uma maior aproximação à cidade, Com o objectivo de celebrar o início do concertos. Na verdade, es- 40 mil pessoas. nem que seja no fim–de–semana”, defen- ano lectivo e dar as boas vindas aos no- ta é a vertente mais publi- Este ano a Latada não termina, como de Ricardo Duarte. vos estudantes que chegam à cidade, a citada e a que interessa tem sido habitual, na terça–feira. Devido Mas a Latada não é só as noites do par- Festa das Latas é uma das mais caracte- mais ao estudante, que este ano pode ao feriado de 1 de Novembro, a festa con- que. Para além dos concertos, existe um rísticas festas académicas de Coimbra. contar com mais uma noite de convívio ta com mais um dia. “Queríamos marcar programa cultural e desportivo, no qual Mas nem sempre foi assim. Com ori- num espaço diferente dos anos anterio- uma diferença, pensando também que é a os estudantes podem participar. Para ho- gens no século XIX, a Latada realizava- res. Latada no ano em que a Associação Aca- je está marcado o tradicional peddy tas- –se em Maio, quando os estudantes co- A realização da festa no Queimódromo démica comemora 120 anos, e pensámos cas e para amanhã a serenata, que se rea- memoravam efusivamente o término é uma das novidades. Segundo o Coorde- apostar na quarta–feira”, afirma Ricardo liza no largo da Sé Nova, seguida de um das actividades escolares, utilizando la- nador Geral da Festa das Latas 2007, Ri- Duarte. A aposta reflecte–se também nas convívio nas Químicas. Para a tarde do tas e outros objectos igualmente ruido- cardo Duarte, a mudança de espaço deve- bandas que actuam nessa noite, todas in- cortejo, terça–feira, está programado um sos. É apenas a partir dos anos 50/60 –se, em primeiro lugar à segurança que o ternacionais, e no preço mais elevado dos concurso de fotografia. Em Novembro es- que a Festa das Latas ganha o formato Queimódromo proporciona. “Notou–se bilhetes, que para estudantes fica em 15 tá ainda prevista uma homenagem à can- que hoje conhecemos, com a Cerimónia uma crescente afluência de pessoas ao euros. ção de Coimbra e a Adolfo Rocha, médico da Imposição de Insígnias, compra do recinto da Latada e o espaço do Estádio e escritor mais conhecido por Miguel nabo e o seu ponto alto, o Cortejo, onde Universitário já tinha a sua degradação Para além das noites, a cultura e o Torga. os caloiros desfilam com as suas curio- natural”, refere. Por outro lado, o facto de desporto Do programa desportivo faz parte uma sas indumentárias e as mensagens satí- o anterior local não possibilitar um es- Os preços cada vez mais elevados das actividade de parapente, a 10 de Novem- ricas normalmente referentes à realida- coamento rápido das pessoas em caso de festas académicas coimbrãs e os objecti- bro, um “campo montanha”, que decorre de académica ou política do país. emergência foi também preponderante. vos cada vez mais centrados no lucro, le- de 16 a 18 de Novembro, e um raide urba- Inicialmente, cada Faculdade tinha o Relativamente à disposição do recinto, vam muitos a comparar a Latada e a no a realizar no Pólo I, a 21 de Novembro, seu próprio cortejo, realizado em dias a maior parte está reservada para a tenda Queima a um qualquer festival de Verão. e no Pólo II, a 22. diferentes. Com o aumento exponencial dos concertos, que vai estar acoplada ao Uma ideia que é rejeitada pelo também Ruben Olival, coordenador do progra- do número de alunos, a partir de 1979, palco. Perpendicularmente à tenda prin- vice–presidente da Direcção–Geral da ma cultural, e Bruno Leal, coordenador e com restabelecimento das tradições cipal situa–se a tenda dos núcleos, onde AAC. “É redutor demais chamar à Festa do programa desportivo, esperam uma académicas, optou–se por juntar todos estão as concessões de bebidas e um es- das Latas um festival de Verão, uma vez boa adesão aos projectos, apesar de reco- os alunos nas mesmas festividades. paço para a restauração. Apesar da Lata- que há um aspecto único aqui, que são as nhecerem que os estudantes se mostram A Latada destaca–se também pela acti- da se realizar no mesmo local das noites barracas dos núcleos, o que acaba por di- mais interessados nas noites do parque va participação dos núcleos, o que lhe da Queima das Fitas, o espaço vai ser me- ferenciar a Latada de qualquer festival ou do que nas outras actividades realizadas confere um carácter mais familiar do nor, “de forma a que seja mais acolhedor mesmo da Queima das Fitas”. “Acho que durante este período. que a própria Queima das Fitas. L.G.
    13. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira SUPLEMENTO A CABRA 3 ¥^_YdU^_`QbaeU Por Paulo Lemos, Tiago Martins e João Picanço 25 30 Quinta-feira Tal como manda a tradição, a Latada de 2007 abre com a típica actuação das tu- nas académicas de Coimbra, no Sarau Académico. O espectáculo inicia–se à meia–noite e as guitarradas dos estu- 28 Domingo 29 Segunda-feira Terça-feira A noite grande da Festa das Latas abre com os promissores Daphakz, que ac- tuam antes do aclamado rei da Música Popular Alternativa. De Leonel Nunes espera–se um espectáculo memorável, dantes dão as boas vindas aos caloiros. ao som de êxitos como “Porque não A noite abre com o punk–rock de The Para o quinto dia da Festa das Latas, os tem talo o nabo” e “Um pepino entre Cynicals, vencedores do último festival estudantes contam com a actuação do os tomates”. O ponto alto da noite está de bandas de garagem de Corroios, cantor popular português José Cid e Big 26 reservado para a já habitual perfor- abrindo assim as odes aos Squeeze Band, membro original da mítica banda mance de Quim Barreiros que prome- Theeze Pleeze. A banda de Cantanhede Quarteto 1111 e autor de célebres can- te levar à loucura milhares de estudan- tem um novo álbum, e quer mostrar–se ções como “Como o Macaco Gosta da tes, sedentos de um bom pé de dança. em forma na Latada. A noite prossegue Banana” e “Mosca Superstar”. Confir- A noite termina ao som da original Or- com os cabeças de cartaz Blasted Me- ma–se a presença dos consagrados Xu- xestra Pitagórica, conhecida pelo seu chanism, que retornam à cidade dos es- tos & Pontapés, que continuam a pro- carácter satírico e bem–humorado. tudantes depois de um excelente concer- mover o seu último CD, “Mundo ao Con- to na última Queima das Fitas, que to- trário”. A tuna Fan–Farra Académica de Sexta-feira 31 dos os presentes esperam ver repetido. Coimbra, que comemora o seu vigésimo A noite só termina com a actuação de In aniversário, encerra a noite. A segunda noite das latas abre com a Vino Veritas. banda de Alcobaça, The Gift. O conjunto liderado por Sónia Tavares tem uma fas- quia elevada devido à excelente actua- ção na Queima do ano passado. A noite prossegue com o ex–Si- lence 4 David Fonseca, a apre- sentar na Latada o novo ál- Quarta bum intitulado «Dreams in Para o último Colour», cujo single «Su- dia da Latada, perstars II» se tornou um a representa- hit logo na primeira sema- ção do hip- na. A noite não fica com- –hop cubano pleta sem a actuação da está a cargo dos Tuna de Medicina. Orishas, que apresentam o último álbum, 27 “Antidiótico”. A estrear nos pal- cos das festas estudantis co- nimbricenses vai estar o can- tor alemão de reggae Gentle- Sábado man. A noite fica completa Pedro Khima, celebrizado pelas com a música novelas da TVI, é o primeiro a pisar jamaicana de o palco. Seguem–se os Chauffeur Na- Gary Nesta varrus, grupo lisboeta de pop blues. Pine, actual Num outro registo, mais quente e dan- cantor da çável, os Irmãos Verdades prometem banda The contagiar com o seu kizomba a audiên- Wailers e voz do cia. Após o concerto da banda angolana, hit mundial “Love actuam os Papas da Língua, conjunto bra- Generation”, de Bob sileiro de Léo Herken, Fernando, Zé Na- Sinclair. A Festa das tálio e Serginho Moah, cujo novo projecto Latas termina ao som “Ao Vivo” tem feito grande sucesso, sendo das vozes femininas da já disco de ouro. A conhecida Estudantina ILUSTRAÇÃO POR JOSÉ MIGUEL PEREIRA tuna As Fans. fecha a noite.
    14. Suplemento inteiramente financiado pela Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra e distribuído com a edição nº171 d’ A CABRA
    15. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira CIENCIA A CABRA 11 Tubo de GYbU\\UccTQE3Å]QbWU]T_c\\Y]YdUc Ensaio O acesso à internet ILUSTRAÇÃO POR RAFAEL ANTUNES complementa a pesquisa Informática serve académica. Mas a ausência de controlo no tráfego e nas a comunidade restrições de transferências possibilita muitas vezes abusos puníveis por lei Nome Laboratório de Informática e Sistemas (LIS) do Instituto Pedro Nunes (IPN) Filipa Faria João Miranda Local Sofia Piçarra Rua Pedro Nunes, em Coimbra “Do ano passado para este, duplicou o Data de criação número de processos de criminalidade in- O IPN nasceu em 1991, o LIS foi criado formática na área de intervenção da Polí- pouco tempo depois cia Judiciária (PJ) de Coimbra”. A afirma- ção pertence a António Gonçalves, inspec- Responsável tor–chefe da PJ da área de Coimbra, que Mário Zenha Rela sublinha faltarem ainda os dados do últi- mo trimestre de 2007. Colaboradores A responsabilidade no aumento é atri- Pessoas do quadro do IPN, docentes do buída essencialmente aos estudantes uni- Departamento de Engenharia Informática versitários. O inspector–chefe aponta que da FCTUC, estudantes das áreas da Enge- durante as férias do Verão “ocorrem me- nharia Informática e Electrotécnica e re- nos casos na zona de Coimbra, porque é ressalva que, até à data, o CIUC “não rece- tónio Marinho e Pinto “é crime tudo o que cém–licenciados. quando os estudantes estão de férias”. beu nenhuma queixa formal relativamente se traduza na utilização de obras de tercei- O facto de existir um tráfego ilimitado a transferências ilegais de dados através ros sem a devida autorização”, e pode ser Área de trabalho através da rede e-U permite aos estudan- da rede Wireless da UC”. punível com pena de prisão até três anos. Maioritariamente nas áreas de informáti- tes realizarem transferências de ficheiros No entanto, para o causídico, “seria total- ca e de sistemas de informação, redes e co- sem qualquer controlo por parte do Centro Entre a liberdade e o abuso mente aberrante nas sociedades actuais municações, segurança e trabalhos multi- de Informática da Universidade de Coim- O inspector–chefe da PJ de Coimbra tentar punir pessoas por realizarem trans- média. bra (CIUC), o gestor do serviço. aponta que, nos casos de transferências ferências de ficheiros para uso próprio”. A Mário Bernardes, responsável pelo ilegais ou abusivas, “a UC não é lesada prática é tão corrente que a sua penaliza- Projectos desenvolvidos CIUC, confirma que “não existem restri- uma vez que tem um tráfego praticamente ção equivaleria a “criminalizar toda a so- Um exemplo de um projecto em curso, já ções de tráfego nem controlo das transfe- ilimitado, logo, que nunca se ultrapassa”. ciedade portuguesa”. de longa data, é o CIFICAT, que consiste rências realizadas via wireless”, mas res- Nestas situações, está muitas vezes em A questão altera–se quando está em num sistema para várias entidades fiscais e salva que “os utilizadores são responsáveis causa o acesso com o propósito de fazer causa a “exploração comercial, ou uma uti- de segurança, com o intuito de colaborar no pelo uso que fazem dos recursos disponi- downloads de fi- lização abusiva, o patrulhamento da orla marítima. bilizados”. cheiros com direi- que constitui inega- Criação de websites em plataformas open Actualmente, os estudantes da UC po- tos reservados, o velmente crime”, no source. dem aceder à internet através de duas re- que pode consti- entender de Mari- Planeamento e projecto das redes dos tri- des. A guest e-U, onde “o utilizador se au- tuir crime de nho e Pinto. bunais nacionais e de hospitais. tentica através do browser e que não é en- usurpação e, aler- Segundo o advoga- criptada, pelo que qualquer pessoa pode ta António Gon- do, para além da cri- Financiamento ver ao que se está a aceder”, explica Gui- çalves, “é da intei- minalidade, “esta- Os projectos são co–financiados com fun- lherme Morais, presidente do Núcleo de ra responsabili- mos também peran- dos europeus e nacionais. Estudantes de Engenharia Informática da dade do utiliza- te responsabilidade Associação Académica de Coimbra. Nesta dor”. O coorde- civil”. Expectativas para o futuro rede, apenas se podem usar os protocolos nador do CIUC António Gonçal- Colaborar cada vez mais na transferência http, https, pop3, smtp e ssh. afirma que a enti- ves admite que, por de tecnologia entre a UC e as empresas. Outra opção é a rede e-U, que atribui dade “monitoriza ser “um crime con- “um IP único a cada usuário, sem restri- a utilização da re- temporâneo”, e de Contactos ções de protocolos” esclarece ainda o estu- de com o objecti- INFOGRAFIA POR JOÃO MIRANDA pequena criminali- Telefone: 239 700 900 dante. A e-U permite a utilização de todo o vo de gerir a mes- dade, não existem E–mail: lis@ipn.pt tipo de programas, como torrents, emule, ma”, no sentido de “avaliar o desempenho ainda grandes condenações. A prisão efec- mirc e jogos online, entre outros. e não o controlo das transferências realiza- tiva é substituída pela sanção monetária, Por Pedro Martins Para 2008, está prevista uma evolução das”. apreensão de todo o material informático na rede sem fios da e-U no sentido de se O inspector–chefe garante que a PJ “tem ou cumprimento de serviço comunitário, o uniformizar com as congéneres europeias. conhecimento de muitos casos com estu- que, na visão do inspector–chefe, “surte Mas, em princípio, as normas de utilização dantes universitários”, mas que estes se mais efeito na desincentivação dos jovens vão manter–se. O responsável do CIUC referem, principalmente, a acessos ilegíti- para esta prática”. De 1 Out. a 30 Nov. Das 9h30 às 16h afirma que os utentes beneficiam de uma mos a redes de outrem, o que estabelece António Marinho e Pinto corrobora que Neste Outono… vamos abraçar as Árvo- res?!! – Jardim Botânico de Coimbra velocidade confortável no tráfego, situação um outro crime. “as penas pecuniárias são elemento dis- 24 de Out. 9h - Workshop: “Metodologia que só é sustentável “enquanto não houver A protecção dos direitos de autor com- suasor suficiente para evitar estes crimes”, do Ensino da Medicina Geral e Familiar” – um aproveitamento abusivo” porque “há pete ao próprio autor da obra ou ao titular mas adverte que “a ausência de penas apli- Auditório do Ibili FMUC que ter em conta que a largura de banda e dos mesmos. Quando estes são violados cadas torna quase convidativa a prática 25 e 26 de Out. Conferência: “A ciência terá limites?” - Auditório 2 da Fundação a capacidade de processamento dos equi- cabe ao lesado apresentar queixa no Mi- deste delito”. Calouste Gulbenkian pamentos não são ilimitadas”. Contudo, nistério Público. Segundo o advogado An- com Thiago Neves
    16. 12 A CABRA DESPORTO 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 1QbRYdbQWU]Î_]Q\\T_VedUR_\\`_bdeWeÏc “ Com o seu sotaque nortenho, o treinador da Académica/OAF, Domingos Paciência falou da experiência enquanto jogador, mas sobretudo do cargo que ocupa actualmente O futebol português está de novo a ser alvo de críticas por culpa das deci- Por Patrícia Costa e José Vasconcelos ” CÁTIA MONTEIRO sões arbitrais? Sim. Chegámos a uma altura em que trei- nadores e dirigentes entram no mesmo dia- pasão, que é criticar os árbitros. Não ponho em causa a honestidade dos árbitros nem di- go que as decisões são tomadas com o pen- samento de prejudicar alguma equipa, mas o que é certo é que os erros existem. É o mal do futebol português, porque as coisas em termos de arbitragem podiam ser mais equi- libradas e muito mais organizadas. Os árbi- tros poderiam tentar chegar a um acordo e perceber os erros que cometem, para ter uma voz muito mais activa. Pensa que é tempo do futebol se abrir aos meios tecnológicos, capazes de esclarecer situações duvidosas? O futebol já evoluiu muito. Temos cons- ciência de que não assistimos a tão bons es- pectáculos como antigamente. Agora, há uma coisa: quanto mais evolução houver no futebol, menos beleza vai haver em termos de espectáculo. Vai haver situações faladas à volta do futebol, porque no dia em que se “Hoje sou da Académica e no futuro serei da Académica porque sinto que este é um clube diferente” decidir o problema do golo, se a bola entrou ou não entrou, não haverá discussão nem Ainda não repetiu um “onze” no em que elas são quebradas é natural que eu jogador? tanta matéria para os jornais. campeonato, desde que está no co- não fique satisfeito. Aconteceram situações Coisas muito boas e alguma saudade da- mando técnico da Académica… que não foram do meu agrado. Há bem pou- quilo que fiz e que eu hoje vejo poucos fazer As equipas “pequenas” são prejudi- Se calhar nem vou repetir, porque joga- co tempo, na União de Leiria, a direcção (risos). cadas quando defrontam os grandes mos contra várias equipas com característi- chegou ao ponto de mandar cinco ou seis jo- do futebol português? cas diferentes. Além do interesse do resulta- gadores embora. Afinal a culpa não era do Pode contar–nos a melhor e a pior Dificilmente são beneficiadas. Os jornais do há a estratégia, e há determinados joga- treinador. situação enquanto jogador? têm de vender e é normal que os benefícios dores que são importantes para aquele mo- É complicado. Fui muitas vezes campeão e os erros contra os grandes sejam muito mento. Depois há lesões, situações de joga- No seu caso, juventude convive com nacional, também melhor marcador do mais analisados do que contra as equipas dores que estão menos confiantes… ambição? campeonato. Aliás, ser o último melhor pequenas. Muitas vezes passam ao lado, ou- Sim. Fui criado numa escola onde fui trei- marcador português é um orgulho, pois es- tras nem passam na televisão, e portanto, Quer enviar alguma mensagem aos nado para ganhar e portanto tenho que ser tamos a falar de há mais de 10 anos. Tam- nem há assunto para debater durante três adeptos da Académica? ambicioso. Fui assim enquanto jogador e bém o é, ser o melhor marcador da superta- ou quatro dias. Para mim eles foram uma surpresa, por- também o serei como treinador. Infelizmen- ça Cândido de Oliveira de toda a história. que um jogo com o Paços de Ferreira ter cin- te essa ambição terminará um dia, mas en- Das piores talvez as lesões, ou aquela situa- Quando entrou, a Académica tinha co ou seis mil pessoas, com as coisas a não quanto sentir que posso e que tenho quali- ção em que, num jogo, um treinador me me- apenas dois golos marcados nos 4 jo- correrem bem naquele momento, é sinal de dade vou acreditando no meu trabalho. teu a 10 minutos do fim e me tirou a cinco. gos disputados. A partir de Janeiro, que gostam da Académica. Quero que conti- Servem para crescermos e sabermos que às será uma equipa à “Domingos”, mais nuem a apoiar e a acreditar numa equipa Tem que se ter “paciência” para o vezes as coisas não são como queremos. atacante? mais forte e mais consistente. Hoje sou da futebol? As pessoas da Académica já têm consciên- Académica e no futuro serei da Académica, Tem que se ter muita paciência para o fu- Tácticas de Domingo(s) cia daquilo que é necessário e do que a equi- porque realmente sinto que este é um clube tebol que é apresentado hoje nos estádios Melhor jogador de sempre: Ma- pa precisa. Vamos tentar trabalhar no senti- diferente, que tem pessoas que gostam de portugueses. Se eu fosse espectador e visse radona do de melhorarmos e fazermos com que se- uma forma muito especial do clube. Espero jogos como tem acontecido esta época, per- Melhor jogador actual: Cristiano ja bem reforçada. Queremos marcar mais e ainda trazer mais público ao estádio, o que dia a paciência e deixava de ver futebol, por- Ronaldo sofrer o menos possível. E se vierem refor- era sinal de que as coisas estavam bem enca- que os espectáculos são de má qualidade e Melhor treinador actual: Van ços, mesmo reforços, vamos ter uma equipa minhadas e estávamos a cativar com o que por todos os motivos. Talvez esteja na estru- Gaal muito melhor e ganhar mais vezes. estamos a fazer. turação do futebol português porque as pes- Passagem por Leiria: cresci soas que lá estão deviam ter mais qualidade Um campeonato: espanhol Pode desvendar a sua estratégia? Na União de Leiria queixava–se dos e o critério de escolha devia ser mais rigoro- A selecção qualifica–se: mal era A estratégia depende da situação. Nunca problemas disciplinares dos jogado- so. Outras vezes aparece um jogador a des- O campeão 2007/08: FC Porto pode ser a mesma. Dentro do futebol exis- res. Foi, aliás por isso que saiu do clu- pontar e é vendido por 25 ou 30 milhões de Um local de Coimbra: a zona do tem os nossos princípios de jogo, modelos, be. Domingos combina com ordem? euros no final do ano. E o futebol português estádio sistemas e estratégias. Portanto, perante o Se é uma profissão paga, temos que ser o é cada vez mais fraco. Fora dos relvados: Família, conví- adversário devemos procurar a melhor es- mais profissionais possível. Tem que haver vio com os amigos e desfrutar ao má- tratégia para ganhar. regras, organização, e a partir do momento O que recorda do tempo em que foi ximo cada momento
    17. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira CULTURA A CABRA 13 Cultura por ca 3_Y]RbQbUSURUSYbS_^_dUQdb_ D.R. Circo Ribatejano estreia forma polivalente para serem interpreta- no próximo sábado, 27, das em vários tipos de espaço”, esclarece no Teatro Académico de o director do TAGV. Assim sendo, no ca- 23 Fernando Pessoa: o que há de Gil Vicente (TAGV) com um so de Ferloscardo, “não foi necessária novo nas novas edições? uma mudança especial por causa da área conceito inovador da arte Comunidade de Leitores, conversas sobre do teatro, pois o espectáculo tem as suas literatura próprias estruturas que vão ser implanta- Livraria Almedina Estádio; 21H Raquel Soares das no palco”, conclui Portela. Andreia Silva Criada em 2004 na cidade de Santa- 24 “Parede de Segredos”, Teatro rém, a companhia Ferloscardo teve no TAGV; 21h30 O TAGV vai acolher, ainda esta semana, malabarismo o ponto de partida. Desde 10€ (bilhete normal) 8€ (Estudante/Sénior) um novo modelo de circo. A dupla Ferlos- aí, “houve uma vontade de transformar cardo, nascida de uma parceria entre Fer- toda a experiência adquirida ao longo dos 25 Apresentação da “O Mal” nando Romão e Carlos Oliveira, pretende anos, muito prática e autodidacta”. A du- Revista de Arte e Ideias transmitir uma nova perspectiva do uni- pla procurou criar “um espectáculo com FNAC; 21h30 verso circense. Os artistas procuram uma linguagem própria”, revela Fernan- construir “um aparato cénico, com uma do Romão. 26 “Paz, Pão, Habitação... As Ope- rações SAAL”, Documentário dramaturgia própria, que se afasta da es- tética rígida do circo tradicional”, explica O artista circense refere ainda que “o espectáculo é em parte a resposta a toda a TAGV; 21h30 Fernando Romão. origem do nosso trabalho, muito rudi- Tendo apostado neste conceito inova- mentar, com uma grande pobreza de re- 27 Quarteto de Cordas e Acordeão dor o director do TAGV, Manuel Portela, cursos”. Para a Ferloscardo, Coimbra re- No âmbito do XV Festival de Músi- garante que é importante “enquanto tea- velou–se numa oportunidade de mostrar ca de Coimbra tro universitário, mostrar novos espectá- o seu trabalho: “queríamos muito ser os Auditório da Casa Municipal da Cultura culos e novas experiências relacionadas únicos em palco até que surgiu esta hipó- 21h30; Entrada Gratuita com todas as disciplinas artísticas”. tese”. O espectáculo do “novo circo” é já co- A companhia espera alcançar uma nova 3 Gala Comemorativa dos nhecido na Europa, em países como Es- dimensão junto da comunidade académi- 120 Anos da AAC panha, Itália e França. Segundo Manuel ca, uma vez que “a área do circo estimula TAGV; 21h30 Portela, França tem mesmo “uma tradi- a curiosidade do público jovem; estamos O evento está incluído no pro- ção muito forte nesta prática artística”. à espera de ser recebidos por um público grama oficial da Comemoração dos 120 Pouco difundido em Portugal, o “novo estudantil e universitário”, revela Romão. Anos de uma das mais emblemáticas asso- circo” tem ganho cada vez mais projec- Manuel Portela considera que Ferlos- ciações de estudantes portuguesas – a As- ção. “Muitos destes grupos internacionais cardo é um espectáculo para todas as ida- sociação Académica de Coimbra têm passado pelas salas portuguesas”, o des, não tendo “um público específico co- Entrada Livre que tem influenciado a criação recente de mo destinatário”. Desta forma, o director colectivos nacionais nesta área. do Teatro Académico espera “uma boa 4 “A Vida é Bela”, Cinema Estas encenações “são concebidas de plateia”. Ciclo de Cinema Italiano Casa Municipal da Cultura; 15H Até “Water Dreams” exposição–instalação 3_Y]RbQQ_cQR_bTUC1< 4 De Angel Orensanz Museu da Água De terça–feira a domingo, das 10H às 13H e das 14H às 18H Um baixo, uma bateria, uma guitarra e uma voz fadista juntam–se num O projecto musical integra José Pei- xoto na guitarra clássica, Fernando Jú- dice no baixo, Vicky na bateria e Ana música que toca o horizonte do fado. O nome do projecto está ligado às raí- zes nacionais. O objectivo dos membros encontro de ritmos variados. Sofia Varela na voz. Segundo José Pei- da banda era que, de alguma maneira, o “Na Estrada Real”, Teatro O resultado é xoto, a preferência por uma voz femini- nome do grupo pudesse sintetizar a si- Companhia Escola da Noite uma nova sonoridade na, deve–se ao facto da banda reconhe- tuação geográfica e cultural de Portugal. Em palco na Oficina Municipal do Teatro cer que seria “interessante ter uma pes- “Achámos que SAL era o nome indicado O espectáculo insere–se no ciclo dedicado soa vinda do fado, que não o cantasse porque sintetizava este novo conceito e a Anton Tchékhov, que a companhia man- Alexandre Oliveira mas que fosse uma mais valia para este a relação com o mar e o oceano”, expli- tém desde o início do ano. A peça tem como Vânia Silva tipo de canto que só existe aqui em Por- ca José Peixoto. tema central a miséria russa presenciada tugal”. A escolha da vocalista Ana Sofia Em digressão desde 5 de Outubro, pelo dramaturgo O Teatro Académico de Gil Vicente Varela – há mais de uma década consi- SAL já visitou algumas das maiores ci- De terça–feira a sábado às 21h30, aos do- (TAGV) leva a palco, quarta–feira, 31, o derada a voz mais aclamada do chama- dades do país. Segundo o guitarrista a mingos às 16H grupo SAL. A banda que se estreou no do novo fado – não foi aleatória. “Ela experiência “está a correr bem, a nível Bilhetes entre os 6€ e os 10€ início do ano na Casa da Música, no transporta muitas das coisas que nós artístico estamos muito satisfeitos, os Porto, insere–se num projecto musical queríamos para a nossa música”, frisa concertos têm sido muito positivos”. Até Exposição de que entrelaça diferentes culturas, desde Fernando Júdice. O grupo aguarda com muita expecta- Noronha da Costa a costa de África, à costa brasileira e às Apesar do repertório musical da ban- tiva a vinda a Coimbra, “uma cidade pri- 17 14H às 20H Pintura Galeria Sete De segunda a sexta–fei- ra das 11H às 13H e das terras lusitanas. Com referências à Península Ibérica, a África, e ao continente sul–americano, a preocupação principal da banda “é fazer da se aproximar do fado, José Peixoto e Fernando Júdice negam a ideia de SAL ser uma banda fadista. “O fado pode es- tar presente neste tipo de música mas vilegiada onde a classe estudantil é por natureza curiosa”, acredita Fernando Júdice. Para o futuro espera–se mais SAL: “a música original que agrade e satisfaça e no seu conteúdo não podemos dizer que nossa vontade é trabalhar mais na mú- Aos sábados das 15H às 20H que, de alguma maneira, visite os locais é isso que fazemos”, conclui a banda. No sica, e estamos nesse processo. Fazer Por André Amador onde a língua portuguesa se estabele- entanto, o grupo tem como característi- coisas novas e trabalhar é o mais impor- ceu”, frisa o guitarrista, José Peixoto. ca incontornável a produção de uma tante”, remata o baixista.
    18. 14 A CABRA CULTURA 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 Alfarrabistas de Coimbra CÁTIA MONTEIRO Livros técnicos, de ficção, colecções. Quem entra num alfarrabista encontra um pouco de tudo entre os livros espalhados pelos cantos ?cX_]U^cT_c\\Yfb_ccU]dU]`_ Alojam–se em estabelecimentos antigos como os livros que vendem. Cada vez em menor número, cultos e interessados, são assim os alfarrabistas da cidade do conhecimento Reportagem por Pedro Crisóstomo, Martha Mendes e Carolina de Sá S ão poucas as livrarias alfarrabistas temente da edição, temática ou do verdadei- Miguel vende ao lado do vizinho Justino Al- uma antiguidade: aros geometricamente cir- em Coimbra. Apenas três ou quatro ro valor. É um trabalho amador aquele que faiate. O edifício está parado no tempo, mas culares e cor de bronze. estabelecimentos nas zonas antigas Cláudio faz juntamente com o irmão, Ricar- o livreiro soube actualizar–se. Apesar do aspecto clássico, Brígida man- da cidade – a Baixa ou a Alta. As es- do Martins, dono de outro estabelecimento Ao contrário dos outros alfarrabistas, Mi- tém–se a par da actualidade. Discute a Aca- tantes estão cheias de livros usados. Quando alfarrabista no Arco da Almedina. Cláudio é guel tem a casa meticulosamente organiza- demia, o Processo de Bolonha e a Internet. as prateleiras deixam de ser suficientes para amador porque não é profissional e porque é da: parece mais uma biblioteca do que uma Percebe–se que é um homem culto. Tem o tantas estórias, os montes de livros come- apaixonado pelo que faz. loja de livros usados. As obras distribuem- antigo 5º ano do liceu e garante que conhe- çam a crescer pelo chão e pelas escadas dos Ricardo, no entanto, foi–se profissionali- –se pelas estantes por temas e por ordem al- ce bem a maioria dos livros que vende. prédios, com um ar tão antigo como os vol- zando ao longo dos 23 anos que tem dedica- fabética. Em comum com os outros alfarra- Sérgio Brígida era funcionário público. umes que albergam. Páginas sublinhadas, do ao negócio. Na sua loja há obras para um bistas tem o facto de culpar a Internet pela Esteve seis anos na antiga Lourenço Mar- escritas e rasgadas. Folhas amareladas pelos euro e obras “sem valor”, sublinha Ricardo crise no negócio. No entanto, é o único que ques, actual Maputo, capital de Moçambi- anos. O cheiro a papel velho. São estes os in- Martins, que já chegou a vender um livro tem base de dados informatizada e que afir- que, onde trabalhou na universidade aberta gredientes dos livros que através das suas por mil euros. Agora “o negócio vai mal”, ma conseguir viver somente do comércio no início de 60. O contacto com os estudan- páginas mil vezes folheadas contam estórias mas apesar de nem sempre compensar dos livros em segunda–mão. tes, o ensino e a biblioteca universitária, on- de todos os tempos. financeiramente, o livreiro reconhece que Ao percorrer a livraria salta à vista um de exercia funções, despertaram–lhe o inte- Actualmente são raros os que conseguem este ofício o tem enriquecido culturalmente. mostrador fechado a cadeado, onde se vê resse pelos livros. Quando regressou a Por- sobreviver apenas com a venda de alfarrá- O alfarrabista tem aprendido muito atra- um livro aberto. A primeira página tem uma tugal iniciou–se na venda alfarrabista. bios. O que Coimbra tem para oferecer hoje vés da profissão. “À medida que vou contac- dedicatória ilegível do autor. A obra custa No início o negócio dos livros conciliava- são lojinhas deterioradas que “enganam” tando com os livros vou sabendo mais”, con- 400 euros. Ao lado repousa uma edição de –se com serviços de procuradoria prestados quem as vê de fora. Disfarçadas pelos expo- fessa Ricardo, que lamenta o fim das tertú- 1941 do “Fado”, de José Régio. aos estudantes. Depois, com a chegada dos sitores de lembranças para os turistas, estas lias em Coimbra: “dantes havia os estudan- Deixou uma carreira como engenheiro computadores, os préstimos estudantis dei- pequenas bibliotecas escondem um mundo tes e professores passavam por aqui e tro- geólogo pela bibliofilia porque esta é uma xaram de ser necessários. Brígida dedicou- de obras diversas. Nas estantes estão livros cavam ideias sobre os livros e as matérias. actividade que incentiva. “Conhecemos pes- –se por inteiro aos livros antigos, obras sem em várias línguas: inglês, francês, italiano. O Aqui, no meu espaço”, refere orgulhoso. soas interessantes e sou, acima de tudo, tempo nem época que lhe dá prazer passar acesso dos comerciantes às obras dá–se Nesses tempos, Ricardo ia bebendo o saber apaixonado pelos livros”, conclui. de mão em mão. sempre da mesma forma: “as pessoas que partilhado pelos que vinham da universida- Não se arrepende. “Gosto imenso de livros querem vender ligam e nós vamos a casa ver de até à Baixa. Hoje, quem conversa com ele Da Baixa à Alta e as obras antigas então… São tudo para as bibliotecas”, explica Cláudio Martins, pressente cultura e traquejo por detrás do Entre o Departamento de Química e a Bi- mim”. Lamenta, contudo, que o negócio se proprietário de uma livraria alfarrabista na homem simples, afável, de sorriso largo. blioteca Geral, na Alta de Coimbra, está a ca- tenha deteriorado tanto. O homem que che- Visconde da Luz. Depois seleccionam os li- sa Sérgio Brígida, de portas abertas há 36 gou a vender um alfarrábio do século XVI vros “de acordo com o mercado”. A casa do fim da rua anos. Hoje com 71 anos, Brígida é um ho- admite derrotado: “já quase ninguém procu- É também de acordo com o mercado que Ao fim da Ferreira Borges, situa–se a li- mem de cabelo totalmente grisalho, tão ra livros, tudo tem o seu tempo”. Tudo, à ex- se definem os preços. Na loja de Cláudio to- vraria alfarrabista Miguel de Carvalho. No branco como a camisa que veste. Sobre o na- cepção das obras atrás do homem que desa- das as obras custam três euros, independen- primeiro piso de um prédio de traça antiga, riz tem uns óculos que são, em si mesmo, bafa nostálgico. Essas são intemporais.
    19. 23 de Outubro de 2007, 3ª feira MEDIA A CABRA 15 @b_fUT_bTQB4@TU^e^SYQ CU]Q^ÆbY_ WbQdeYd_UcdbUYQ dU^dQdYfQcTUSU^cebQQ_`b_WbQ]Q ^QcUhdQ Soraia Manuel Ramos RUI ANTUNES José Nuno Martins, provedor do ouvinte da RDP, acusa O primeiro semanário gratuito em Por- a direcção de programação tugal pretende fechar a semana e abrir o de “não estar disponível fim–de–semana. A primeira edição do para receber a crítica, “SEXTA” chega ao público de todo o país só os aplausos” no fim desta semana. O novo jornal resulta de uma parceria Liliana Figueira entre o generalista “PÚBLICO” e o des- Tânia Mateus portivo “A BOLA” e, de acordo com o di- Jens Meisel rector–adjunto do “SEXTA”, Luís Fran- cisco, “a aliança é perfeita, por questões estratégicas, já que será um jornal mais “Tenho tido problemas relacionais de popular do que o “PÚBLICO” e com con- natureza absolutamente grave devido a teúdos que “A BOLA” não traz.” um mau estar constante, levando a que, O principal objectivo da publicação é nesta altura, esteja numa situação de não “ser popular e não ‘popularucho’, acres- diálogo com o director de programação da centa. RDP, Rui Pêgo”. A afirmação parte do pro- O responsável pelo “SEXTA” adianta vedor do ouvinte, José Nuno Martins, que o semanário terá “características ma- quando questionado sobre a relação entre gazinescas, leve sem ser breve, atraente a figura do provedor e os directores da es- sem ser cor–de–rosa, interessante sem tação pública. Contactado pel’A CABRA, ser profundo, sério sem ser chato e sem Rui Pêgo não quis prestar quaisquer decla- precisar de levar tudo a sério”. rações. Com uma tiragem de 350 mil exempla- Em entrevista, José Nuno Martins reve- res, a maior em Portugal, o “SEXTA” vai la que desde o segundo programa, “Em no- Insatisfação leva o provedor do ouvinte da RDP a não renovar mandato em Abril ser distribuído, a partir do dia 26, nas zo- me do ouvinte”, houve “tentativas de es- nas da Grande Lisboa e do Grande Porto conder o espaço do provedor, colocando-o jornalista reafirmou ao jornal “PÚBLICO”, gestões ou os aplausos do público, e avalia- (uma rede idêntica à dos outros jornais em horários que não são consentâneos do passado dia 7 de Outubro, a existência da a pertinência, o provedor remete–as gratuitos), nos hipermercados Modelo e com a importância da sua acção”. José Nu- de pressões políticas nos critérios edito- para os responsáveis de conteúdos. Além Continente e também como encarte nos no Martins acusa a direcção de programa- riais. A primeira denúncia remonta a de pedidos de esclarecimento, o provedor dois jornais que lhe dão origem. ção da RDP de “tentativas de modificação 2004, quando a administração da RTP no- envia relatórios da sua actividade e solici- Luís Francisco, ex-jornalista do e de censura constante [relativamente] às meou Rosa Veloso para correspondente tações para reunir com os dirigentes, isto “PÚBLICO”, defende que “o ‘SEXTA’ decisões que o provedor tomou e da forma em Madrid, apesar de a jornalista estar no é, “recados para dentro” nas palavras do acrescenta informação à ‘A BOLA’ e tam- como indagou acerca das reclamações dos quarto lugar na lista do concurso para o provedor do telespectador. bém ao ‘PÚBLICO’, porque será um con- ouvintes”. A CABRA tentou contactar a ad- cargo. De acordo com Paquete de Oliveira “a fi- ceito diferente”. ministração do grupo RTP no entanto, tal Ao contrário das alegadas pressões de gura do provedor carece de eficácia em O novo título, de 32 páginas, é descrito não foi possível até ao fecho desta edição. que fala José Nuno Martins, o provedor do termos práticos”, visto que as recomenda- pela detentora do “PÚBLICO”, a Sonae- Os estatutos do provedor do serviço pú- telespectador, José Manuel Paquete de ções que apresenta aos directores “não com, como “um projecto inovador, que blico de rádio e televisão, formalizados em Oliveira garante: “não recebi nem aguen- têm uma força vinculativa”. Quanto muito, está a gerar grande expectativa” e vai par- Fevereiro de 2006 pela lei portuguesa, taria nenhuma pressão quer da direcção podem funcionar como “uma tentativa de tilhar recursos humanos e logísticos dos conferem “independência [ao provedor] de informação, quer da de programação”. promover a auto–regulação”, observa. dois diários. No entanto, Luís Francisco face aos órgãos e estruturas da concessio- Paquete de Oliveira não é tão incisivo nas Em Abril do próximo ano cessa o pri- garante que “o ‘SEXTA’ vai contar com nária e respectivos operadores”. Apesar considerações que tece. Acerca das rela- meiro mandato dos dois provedores. Pa- uma redacção independente, que todos os deste pressuposto, José Nuno Martins de- ções que mantém, a título profissional, quete de Oliveira e José Nuno Martins de- textos vão ser escritos em exclusivo e não nuncia que “a própria administração da com as direcções de programação e de in- monstraram não querer continuar a de- serão reaproveitados”. RTP tentou reconfigurar as competências formação da RTP, o sociólogo considera- sempenhar o cargo. Enquanto o provedor Por parte do desportivo “A BOLA”, da do provedor do ouvinte dizendo que eu es- –as “boas e cordiais”, embora “o papel do do ouvinte não se mostra disponível para Sociedade Vicra Desportiva, João Bonzi- tava a agir fora das minhas competências, provedor seja, por natureza, conflitual”. um segundo mandato, o do telespectador nho adianta que, no “SEXTA”,“o desporto que não são definidas pela administração Sublinha ainda: “em relação às minhas po- pensa que “será melhor abrir caminho pa- terá um peso superior, porque é um tema mas sim pela lei”. Nuno Martins acrescen- sições, e às determinações dos directores, ra que a experiência seja realizada por ou- que interessa às pessoas”. No entanto, o ta ainda que “desde 15 de Maio que a ad- terei discordâncias, mas cada um no seu tra pessoa, enriquecendo uma função útil director do novo jornal explica que “será ministração da RTP não se encontra com lugar”. para a televisão, para a cidadania e para a um semanário generalista”. os provedores”. Por outro lado, o director de informação democracia”. Sob a máxima “A primeira página do No entanto, José Nuno Martins ressalva da RTP, António Luís Marinho, não con- Do ponto de vista dos resultados alcan- fim–de–semana”, a publicidade, do novo que “da parte da informação, da técnica e firmou nem desmentiu a conflitualidade çados até agora, Paquete de Oliveira conta jornal já está na imprensa, nos “outdoors” das áreas de multimédia” tem encontrado entre papéis: “não há nenhuma divergên- que “muitos telespectadores escrevem a e na Internet desde o dia 12, com dois tí- sempre uma grande receptividade. cia de interesses, mas é evidente que quan- dizer que acham que a esta altura já devia tulos misturados do “PÚBLICO” e d’“A do há críticas há sempre um conflito po- ter conseguido operar muito mais modifi- BOLA”, que juntos não são verosímeis. Luís Marinho não confirma tencial ”. Luís Marinho avalia a figura do cações”. Aliás, o provedor é o próprio a O projecto representa um investimento nem desmente conflitos provedor como sendo útil na percepção de concordar que “há algumas rectificações a superior a dois milhões de euros no pri- Estas declarações surgem na mesma al- erros, o que “ajuda sempre a melhorar”. fazer sobretudo naquilo que se pode men- meiro ano. A nova publicação vai ser geri- tura em que o pivô da RTP, José Rodrigues cionar como obrigações de serviço públi- da por uma entidade jurídica participada dos Santos, responde a um inquérito ac- “Eficácia discutível” co”. Com Helder Almeida e de igual forma pelos dois diários. cionado pela administração da empresa. O Depois de recolhidas as críticas, as su- Ângela Monteiro Com Ângela Monteiro
    20. 16 A CABRA ARTES FEITAS 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 |E]QjQbT_SQbQÌQc:eTT1`Qd_g co comportamental que joga facilmente com a lógi- Casal Instantâneo ca humana. O “pai” de “Virgem aos 40 anos”, Judd Apatow, es- As promessas expectáveis de algumas gargalhadas tá de regresso com mais uma comédia escrita e rea- são cumpridas, sem esquecer, no entanto, o lado lizada por si. Alison (Katherine Heigl) vê os seus de- mais sério de toda a situação que Alison e Ben cria- sejos realizados quando é promovida a pivot na es- ram, de todas as dúvidas e decisões mal tomadas tação de televisão onde trabalha. Decide comemorar com que aquele “casal instantâneo” vai lidando. bebendo uns copos (a mais) numa discoteca, onde Mas nem tudo está a favor de Apatow. Por mais trava conhecimento com Ben (Seth Rogen), um jo- longo que o filme seja (afinal dispõe de 130 minu- vem redondo (em todos os sentidos) cuja única ocu- tos) carece de um maior aprofundamento de situa- ções e personagens e isso demonstra, talvez, algum 3|5 pação é ficar “mocado” com os amigos. Terminam a noite com um preservativo “esquecido”, o que dá receio em não conseguir suportar narrativas parale- início a uns longos 9 meses de peripécias. Juntos las com firmeza. No fundo, falta–lhe arrojo suficien- por uma criança ainda por nascer, tudo terão de fa- te para ascender a outra categoria, que é o Cinema. zer para chegar a uma decisão final: a de abraçar a Ainda assim, este filme sobrevive graças a um maturidade ou a de continuar a viver uma adoles- guião de se lhe tirar o chapéu e aos actores que tão cência extemporânea. bem souberam interpretá–lo. A simplicidade da narrativa é um dos pontos altos Cláudia Morais deste filme. As situações cómicas surgem com flui- CINEMA dez, enquadrando o bom desempenho dos actores. O segredo da película está na forma natural como se debruça sobre o quotidiano, sem nunca forçar um “gag” ou uma piada. É um verdadeiro estudo cómi- |@\\Q^UdQDUbb_bB_RUbdB_TbYWeUj a plateia com cenas que tem tanto de fantástico co- Planeta Rodriguez mo de cómico. Uma ex–dançarina que tem uma Os mais atentos saberão que este filme, realizado metralhadora em vez de uma perna, ou uma anes- por Robert Rodriguez é uma das metades de Grin- tesista que ataca os zombies com as suas injecções dhouse que envolveu também Quentin Tarantino e de trabalho. Ideias que se atropelam, e que nos le- o seu À Prova de Morte. Trata–se de uma homena- vam a querer rever o filme. gem aos filmes rascos que passavam em sessão du- Aviso: Os riscos e os saltos na fita fazem parte da pla nos anos 60 nos EUA, e é nesse contexto que te- caracterização deste género cinematográfico, são mos de encarar este filme. por isso propositados e não erros de projecção. Sei Um acidente liberta um gás tóxico que transfor- que têm aparecido algumas queixas quanto a isso, como já tinha acontecido com À Prova de Morte... 5|5 ma comuns mortais em zombies que por sua vez se alimentam de humanos transformando–os em mais zombies, enquanto acompanhamos a luta pe- Rafael Fernandes la sobrevivência de um conjunto heterogéneo de personagens. Mas a ideia de Rodriguez é ser o mais fiel possí- vel na recriação do cinema Grindhouse: filmes vio- lentos, com muito sangue, acção e muitas “gajas boas”. Mais que Tarantino, Rodriguez consegue ser CINEMA genial na maneira como aproveita este exercício para levar ao limite o seu potencial imaginativo, e explorar um conjunto de ideias que apenas funcio- nariam num projecto como este, pondo em delírio 7eUbbQTQc3QRbQc BeY 3\\ÆeTYQ 6bQ^Ì_Yc BQVQU\\ =QYcSbÒdYSQcU]QSQRbQ^Ud 3bQfUYbY^XQ =_bQYc 6Ub^Q^TUc 6Ub^Q^TUc E]QjQbT_SQbQÌQc @\\Q^UdQDUbb_b 9^fYcÒfU\\ 8_bQTU`_^dQ 6QT_c A evitar Fraco Podia ser pior Vale o bilhete A Cabra aconselha A Cabra d’Ouro
    21. 23 de Outubro 2007, 3ª feira ARTES FEITAS A CABRA 17 OUVIR LER ? _Yd_U_YdU^dQTU1^Wec1^TbUg E]QV_\\XQU]RbQ^S_ 2|5 “O velho está sentado na beira da cama estreita, mãos abertas fincadas nos joe- <YQbc lhos, cabeça baixa, olhos fincados no chão”, assim começa a narrativa de Viagens no Scriptorium. O velho chama–se Mr. Blank. Não sabe quem é, nem o que foi. <YQbc Criaturas estranhas povoam a sua imaginação e um enorme sentimento de culpa toma–lhe conta do coração. Não tem memória, salvo raras recordações de infân- =edUBUS_bTc cia. E vê–se ali, sozinho, num quarto, rodeado por um sem número de fotografias e folhas dactilografadas. À medida que avançamos no livro, ouvimos falar em “tratamento”, “relatórios”, “missões”, “confederação”, “primitivos”…peças de um puzzle habilmente recortado por Paul Auster. O leitor e também Mr. Blank caminham lado a lado em busca de respostas. Porém, as dúvidas permanecem e adensam–se. Os Liars não são uma daquelas bandas que dão es- Paul Auster não nos revela em momento algum quem é, afinal, Mr Blank. A nós paço à criação de expectativas. O percurso musical resta–nos suspeitar…Talvez Mr. Blank seja um alter ego de Paul Auster. E o quar- deste trio Nova–Iorquino, desde há já vários anos ra- to, cujo tecto é comparado a uma folha em branco, represente a mente do autor. dicado em Berlim, foi sempre marcado por uma capa- @Qe\\1ecdUb Por sua vez, as personagens que visitam Mr. Blank ao longo da narrativa e que vêm cidade ímpar em ser imprevisível. A prová–lo estão os agora quatro registos de originais que a banda já FYQWU^c^_CSbY`d_bYe] de outros livros de Auster (como d’ A Trilogia de Nova Iorque ou d’ A Noite do Orá- 1cQ5TYd_bUc\" ' culo) são, sem dúvida, alguns dos seres que habitam o universo criativo do escritor editou desde a sua formação em 2001 (escassos me- e argumentista americano. Assim, no final da obra, percebemos que este livro não ses antes da edição do álbum de estreia), cada um de- é só um livro, é um livro dentro de outro livro. Depois de As Loucuras de Brooklyn (2006), Viagens no Scrip- les com uma abordagem completamente diferente torium representa o regresso de Paul Auster a um universo metafísico, de reflexão sobre o processo criativo da daquilo a que podemos definir como corrente estéti- escrita. E talvez seja também um pouco mais do que isso. Esta obra encerra uma metáfora sobre os EUA, quan- ca da banda. do fala de uma “confederação”, que forja um inimigo comum a fim de desencadear uma guerra. Mais uma vez, Como já é habitual, o grande público tomou conhe- Paul Auster revela de forma subtil a sua posição relativamente à política norte–americana. cimento dos onze temas que compõem este álbum No entanto, Viagens no Scriptorium é, sobretudo, uma divagação sobre o processo criativo, a imaginação e a homónimo largas semanas antes da data de lança- interpenetração entre o universo ficcional e a realidade. mento oficial, mercê de uma fuga editorial que permi- Apesar da habitual escrita simples e desconcertante, este é um livro difícil de digerir, que pode suscitar ao tiu que em alguns dias milhares de cópias fossem des- leitor a seguinte dúvida: “Quando é que este absurdo acaba?”, à qual Paul Auster responde: “Não vai acabar carregadas via internet. E desde logo, as reacções não nunca”. Raquel Carvalho se fizeram esperar: onde alguns viram desinspiração (especialmente pelo facto de a banda explorar neste último registo o formato canção como nunca antes havia feito); outros viram um álbum que estica o con- VER ceito de eclético a um nível quase sem precedentes, sem, no entanto, alguma vez roçar a incoerência. O 3|5 que nos deixa a braços com uma quase–certeza: os Liars são mesmo uma das melhores bandas da actua- lidade e têm uma facilidade extrema em prová–lo. |@bUSYc_TUVQ\\QbS_]Q\\WeÎ]`_b “Liars” traz–nos os momentos mais bem consegui- dos da carreira conjunta de Angus Andrew, Aaron SQecQTUe]VQd_ Hemphill e Julian Gross, espalhados por sonoridades que podem ir do rock mais extremo (“plaster casts os Estados Unidos, 1961. Uma ainda jovem organização secreta prepara a operação everything”, o tema que abre o álbum), à “pop” mais que pretende remover Fidel Castro do poder: a invasão da Baía dos Porcos, em Cu- doce e adolescente (protection, muito possivelmente ba. Mas algo corre mal. Um informador dentro da CIA passou a informação para o os melhores quatro minutos e meio de música alguma outro lado da cortina de ferro... vez compostos pela banda) sempre com uma ponde- É este o ponto de partida para um filme de espiões à maneira antiga. Não há per- ração inteligente entro o “lo–fi” típico, quase ineren- seguições de automóveis, nem violentas lutas corpo–a–corpo e é curioso que seja te à banda e o cuidado semi–redundante que habi- Matt Damon a protagonizar tanto a versão mais cerebral aqui presente, como o es- tualmente se emprega na criação de canções pop. pião mais moderno e musculado que perde a memória no Mediterrâneo. Damon O mais espantoso de tudo acerca deste registo será, interpreta aqui Edward Wilson, personagem baseada num dos fundadores da CIA, no entanto, a forma quase imediata com que nos e é mesmo um dos pontos fortes do filme. Frio, distante e fechado sobre si mesmo, apercebemos da imagem de marca da banda, pese um registo de contenção que é menos apreciado que o over–acting, mas mais esti- embora a longa distância que separa este álbum dos mulante de seguir e que confirma a maturidade do actor. Também interessante de três anteriores. E é aqui que ficamos com a certeza B_RUbdTU>Yb_ seguir é a narrativa, construída pelo (aqui) realizador Robert DeNiro de forma que os Liars pertencem mesmo àquele clube restrito não–linear, obrigando o espectador a estar atento a todos os pormenores e man- ?R_]`Qcd_b de artistas incapazes de produzir um álbum abaixo de tendo a tensão esticada durante todo o filme. genial. \" ' Justamente, este trabalho foi galardoado no Festival de Berlim deste ano com o Emanuel Boltelho prémio para melhor elenco. De facto, a juntar à grande performance de Matt Da- mon temos William Hurt, John Turturro, Alec Baldwin, Michael Gambon, e o próprio DeNiro. De fora desta 5|5 lista fica Angelina Jolie pois é claramente o elemento fraco da película, raramente alcançando a linguagem cor- poral necessária que a personagem lhe exige. Ainda merecedora de destaque é a banda sonora, subtil e rara- mente se sobrepondo à composição visual, apenas pontuando a vida de Edward Wilson desde os tempos de TYc`_^ÒfUYc^Q* universidade, quando é recrutado para o FBI, até às semanas seguintes ao fiasco da Baía dos Porcos. Cerebral e sem medo de assumir um ritmo que nada tem a ver com os filmes de espionagem actuais, O Bom 1bdYW_c Pastor levou cerca de 120 mil portugueses às salas de cinema e chega agora ao mercado DVD numa edição que deixa muito a desejar, motivo que leva à baixa classificação aqui atribuída. Cerca de uma dezena de cenas cor- tadas e o já habitual trailer, são os extras com que nos brinda a Lusomundo, além da redundância de chamar “interactivos” aos menus do DVD e também os apresentar como uma “opção especial”. Fernando Oliveira
    22. 18 A CABRA VIAGENS 3ª feira, 23 de Outubro de 2007 >_]QbTQ>QjQbÎ A Cabra foi despedir–se cano para respirar fica visível. A módica quantia de oitenta e cinco cên- Cheira a mar, férias, colónias balneares e do calor onde modos de vida À distância de uma subida, a partir do fa- timos permite uma descida panorâmica baldes e ancinhos na areia. e lendas continuam rol, está o Sítio, área de peregrinação de das lendas do Sítio, para a realidade das Poucos são os resistentes banhistas de a resistir na praia. Nossa Senhora da Nazaré desde o século praias do centro da vila, através do ascen- Outubro. Quem ali se mantém é o peixe, Texto e foto por Carla Santos XII. A lenda conta que D.Fuas Roupinho sor fundado em 1889. aberto e curtido ao sol em estruturas de terá perseguido um veado naquele local em Na vila as casas organizam–se em cama- madeira, muito organizadas, no meio da dia de nevoeiro. O alcaide não reparou que das mais ou menos planas atrás do ainda praia. As gaivotas voam para terra, mas os Tudo começa numa ponta de terra que a caça terá saltado para o precipicío, mas o extenso areal. Ali moram pescadores, as tí- pescadores continuam nos pequenos bar- invade o mar. Inadvertidamente, o geomé- seu cavalo foi impedido pela santa de cair. picas senhoras das sete saias (algumas cos no mar. Ainda não é hora de regressar. trico Farol da Nazaré mistura–se com a ro- O povo diz que as marcas da travagem re- muito gastas), comerciantes, donos de Na tela de quem pintou Portugal, a Naza- cha do planalto onde está fundado. A pedra pentina do cavalo ainda estão no local on- pensões, miúdos da praia de cabelo quei- ré é o imenso barco e o areal da praia, a re- das paredes, que reveste o edifício, vai per- de foi erguido a Ermida da Memória. mado pelo sol. de lançada ao oceano. dendo a sua cor original.E camufla–se ago- ra de verde escuro, trazido pelo sal do mar. Um estreito caminho desenha–se do la- do direito da estrutura e serpenteia até à parte de trás. De um lado vê–se a Praia do Norte, quase deserta, do outro o extenso areal das outras praias da Nazaré. À nossa frente, a infinitude do mar abre os braços e estende–os para lá do que a vista alcança. Pequenos barcos pesqueiros parecem pon- tos no horizonte enevoado do alto mar. No topo do cabo do farol também se pesca “o que vai aparecendo”, é o que explica um adepto da modalidade, de pele bastante curtida pelo sol, que quase se confunde com a rocha onde está sentado. Perto dali, rochedos mal recortados e en- crustados no mar albergam grandes coló- nias de molusculos. De fato e parafernália de mergulho, são vários os que tentam a sua sorte na apanha de percebes. Deixam- –se navegar ao sabor das ondas, perto dos rochedos, e quando mergulham apenas o 3_^ce\\dQc`QbQaeU]fQYTUfYQWU] Viagens num minuto BQaeU\\BQ\\XQF_SQ\\YcdQT_cGbQiWe^^ Qual a melhor viagem que já fez? Fiz duas viagens que tiveram significado para mim. Uma foi a Macau, que foi o sítio mais Antes da chegada ao aeroporto para uma longa viagem, ao outro lado do globo ou desti- longe onde fui. É um sítio maravilhoso e que gostava de rever. A outra foi a que fiz a Ber- no tropical, uma consulta de medicina do viajante nos Hospitais da Universidade de Coim- lim com o intuito de ver três concertos do Tom Waits. Achei que nunca iria conseguir ver bra (HUC) é quase obrigatória. o Tom Waits tocar e portanto foi um marco na minha vida em termos musicais. Malária, Febre Tifóide, Febre Amarela, são algumas das doenças tropicais mais frequen- Quando viaja prefere conhecer ou relaxar? tes e manifestam–se geralmente sob a forma de febres ou diarreia, por isso há que estar Muitas vezes vou unicamente para relaxar e, ao mesmo tempo, viver a vida da cidade. prevenido antes da viagem. Geralmente deixo–me ir sem grandes planos. Ao longo dos dias em que estou nesses locais Consoante o destino é feito um tipo de programa de vacinação diferente. A vacina da Fe- acabo por fazer os programas consoante a disposição. No fundo dou mais valor ao impre- bre Amarela é a mais utilizada por abranger uma área mais ampla, da África Subsariana à visto. E os sítios onde vou parar, nem que seja por acaso, têm mais interesse para mim. América do Sul. Mas não é a única: também as vacinas da Hepatite A e Hepatite B se tor- Associa a música às viagens? nam quase indispensáveis. Para quem pretende viajar para países onde a diferença de fu- Temos sempre uma banda sonora para a vida, há sempre músicas que nos acompanham, so horário é superior a três horas, o “Jet Lag” também se vai manifestar. que se referem a determinados momentos e que acabam por nos acompanhar como sendo Os sintomas vão desde dores de cabeça e mal–estar a redução das capacidades psico- uma banda sonora. Nem que seja só na nossa cabeça, como recordação. –motoras, e podem ser atenuados através da adopção do estilo de vida do país para onde Qual a viagem que falta fazer? se viaja. O Expresso do Oriente ou então, algo que esteja mais ao meu alcance, uma viagem a Isso implica adoptar os horários locais de sono e refeição, mas também frequentar locais Moscovo e São Petersburgo, pela imponência dos locais. luminosos porque a “luz solar funciona como despertador e evita a sonolência diurna”, Para onde é a próxima viagem? aconselha o médico dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Saraiva da Cunha. Paris, para o lançamento do novo álbum dos Wraygunn no fim de Novembro. Ângela Monteiro Eunice Oliveira PUBLICIDADE
    23. PENULTIMA 23 de Outubro de 2007, 3ª feira A CABRA 19 AeY^jU]Y^ed_c^Qc eLes Eu Nesse dia tinha jantado a correr. Acho que engoli duas batatas fritas sem as ter masti- ]È_cT_c`bYfQT_c realmente com o dia–a–dia da comunidade. Há, por exemplo, uma instituição que vive dias terríveis e que está completamente ar- redada das moções apresentadas e discuti- das em «sede de Assembleia Magna». Refi- ro–me, claro está, ao “Quarto de Hora Aca- ção: Proponho a venda do “Quarto de Hora Académico” a uma marca de refrigerantes. Quero profissionais na promoção destes quinze minutos. Quero reduzir níveis de an- siedade. Assim, logo que termine a aula, o aluno ALEMANHA “Ficou constatado que o senhor foi o culpado pelo desapareci- mento do rolo” é o que diz a carta de de- missão. O senhor é Jochen Lorenz, mo- torista de autocarro alemão, e tirou, sem pedir, um rolo de papel higiénico da ga- ragem da empresa onde trabalhava. A diarreia e a indisposição que sentia leva- gado devidamente. Empurrei cada garfada démico”. receberá uma lata de 33cl do respectivo lí- ram o motorista a pegar num rolo para o com sucessivos copos de água. E, com a Ninguém o respeita. Ninguém lhe dá va- quido, e poderá bebericá–lo até ao fim dos caso de piorar. O “ladrão” foi apanhado pressa, deixei cair gordura nas calças. Tudo lor. Mas o seu regresso em força assumiria quinze minutos. Um contrato bem esgalha- pelas câmaras de vigilância e demitido isto, para não chegar atrasado a mais uma muito mais importância, do que o próprio do poderá, eventualmente, fazer com que o porque a quantidade de papel higiénico é Assembleia Magna na Cantina dos Grelha- Processo de Bolonha. É que, quase não há refrigerante se faça acompanhar de um que- controlada pela empresa. dos. tempo para trocar de sala, entre uma aula e que de laranja, para aconchegar o estômago. Confesso que estava expectante. Com o outra. E todos os dias vejo estudantes esba- É óbvio que, para a coisa entrar nos eixos, REINO UNIDO “You’re Beautiful” é novo ano lectivo a entrar em velocidade de foridos nos corredores. Nestas condições teremos todos que discutir se a bebida deve um tema que os ouvintes da rádio Essex cruzeiro, queria ver e ouvir os meus repre- perde o professor, perde o aluno, perde a trazer palhinha, ou não. Mas para isso, con- FM não vão ouvir tão cedo. O cantor Ja- sentantes. Estava “em pulgas” para saber se instituição de ensino, e, como o leitor já terá voque–se outra Assembleia Magna. mes Blunt foi banido desta rádio inglesa era desta que as propinas iam à vida. Mas descortinado, perdemos todos. porque, segundo o seu programador, os não. Nada disso aconteceu. Portanto, apresento desde já a minha mo- Por Vítor André Mesquita ouvintes precisam de descansar da voz Mal me acerquei do edifício, constatei de do artista. Esta é a resposta da Essex FM imediato que alguma coisa iria correr mal. às pressões da indústria musical que for- Em primeiro lugar, porque os acessos estão çam as rádios a passar algumas músicas uma miséria. Dirigi–me às cantinas e optei de forma incessante. por fazê–lo atravessando o edifício da Asso- ciação. À saída deparei–me com um jardim CAMBODJA Uma vaca supostamen- em destroços. O que me fez alguma confu- te responsável por provocar vários aci- são. Estaria eu a caminho de uma Assem- dentes e seis mortes foi finalmente “deti- bleia Magna, não de estudantes, mas de pra- da”. O animal com 1,5 metros de altura e ticantes de paintball? peso desconhecido, estava parado no Outro facto que me surpreendeu foi a fra- meio de um cruzamento quando um mo- ca afluência. A hora de almoço desse dia ha- torista chocou contra ela, tendo morte via trazido mais gente às cantinas, do que a imediata. O facto da vaca andar solta e as que estava presente na reunião das reu- estradas não serem iluminadas são as niões. É certo que chegar aos Grelhados não principais razões dos acidentes. é fácil, mas, quanto a mim, as razões para ta- manha escassez de estudantes são outras. Faltam temas fracturantes. Que mexam ILUSTRAÇÃO POR RAFAEL ANTUNES Ana Bela Ferreira tU CONFISSÕES|RUI DAMASCENO*|50 anos| Actor e tipógrafo Sou tipógrafo de dia e actor à noite. Gosto das duas coisas, embora me reveja mais na profissão da noite. Sou um actor amador na verdadeira essência da palavra, amo o que faço. Dá–me muito prazer pisar o tabelado, a proximidade com o público, a inten- sidade das palmas. Já representei para quatro pessoas. Nesse dia, vi que era realmente disto que eu gostava, dar o que tinha naquele momento, sem me interessar se estava a actuar para 4, 30 ou 200 pessoas. Represento para o público e para prazer pes- soal. No fundo, o teatro é uma conversa com as pessoas, uma montra da vida, do que somos e queremos ser, uma espécie de esquizofrenia controlada. Comecei a re- presentar no CITAC, fui para a Bonifrates, passei por um grupo profissional em Lisboa, pela Escola da Noite... Já fiz dois ou três filmes e uma telenovela. Jurei para nunca mais. Gostava de protagonizar um grande filme. Também ambiciono fazer um tex- to na base da provocação, agitar o público. Perguntar às pessoas “mas que raio de vida é a nossa?”. Aliás, o teatro só tem sentido assim. A tipografia é um legado familiar. Os meus pais eram tipógrafos. É uma herança que me encanta verdadeiramente. É algo físico, uma paixão pelo cheiro do que me é mais querido, os tipos, o chumbo, o componedor, o prelo, a máquina tipo- gráfica... Nunca me desfiz de nenhum tipo da minha tipografia. Nasci e cresci em Coimbra. Tive uma infância normal, como todos os putos, andei à pancada, corri a Sé Velha e a Alta... Coimbra cresceu muito. Tornou–se uma cidade de betão. A nível cul- tural tinha muito mais interesse antes do 25 de Abril, e imediatamente a seguir. Agora é um marasmo, as pessoas já não tra- balham para a cidade, por isso, tenho uma certa nostalgia do que passou. Quando trabalhava antes do 25 de Abril levava uns calduços de vez em quando, depois do 25 de Abril levava uns calduços, mas refilava. Sou um pai galinha, tenho seis filhos de quem gosto muito, e a quem azucrino muito a cabeça. Quero é que os meus filhos sejam felizes. Faço a comida ao fim de se- mana, gosto de beber uns copos, de chatear as pessoas, dar–lhes cabo da cabeça. Sou um grande bandido, sou terrível. Pa- ra além do teatro, a arte mais interessante é a arte de educar. Não sou um educador, mas sinto que é um dom que as pes- soas deviam cultivar. E não é preciso dizer mais nada. Entrevista por Ângela Monteiro e Sofia Piçarra *Actualmente em cena com a peça “O senhor Ibrahim e as flores do Corão”, no Teatro Estúdio da Bonifrates
    24. Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Mais informação disponível em: Redacção: Secção de Jornalismo, Associação Académica de Coimbra, Concepção/Produção: Rua Padre António Vieira, Secção de Jornalismo da 3000 Coimbra Telf: 239 82 15 54 Fax: 239 82 15 54 Associação Académica de Coimbra e-mail: acabra@gmail.com PUBLICIDADE Cartoon por José Miguel Pereira Notas sobre arte... PUBLICIDADE PUBLICIDADE Fragmentos de Mundo| José Maria Pimentel Fotografia, grayscale, 2000 José Maria Pimentel nasceu em Coja a 25 de Agosto de 1953. Estudou fotogra- fia em Paris, no Centre d´Enseignement et Perfectionnement Photographique Professionnel. A revolução de 25 de Abril de 1974 permitiu ao fotógrafo voltar a Portugal e deixar a sua marca na arte nacional, com exposições pelo país. O artista partilha a sua paixão pela fotografia com a pintura e a escultura. De 1 de Maio a 18 de Julho de 2000, José Maria lançou–se numa aventura. Como fotógrafo e navegador da única equipa portuguesa participante num ra- li para carros clássicos, dá a volta ao mundo em 80 dias num Bentley. “Sair de casa e ver o mundo noutras perspectivas”, era o seu objectivo principal. Com o trabalho feito nesta viagem, José Pimentel foi premiado pe- la revista “Visão”, em 2002 e 2003. Esta fotografia sintetiza as precariedades vividas em Kashgar, na China, onde tudo o que é dispensável é lançado pela janela. O fotógrafo passeava pelas ruas da cidade, quando se deparou com este cená- rio. O que é visível no chão é resultado da falta de saneamento: “Kashgar é uma cidade com influências muçulmanas, onde a higiene é passada para ter- ceiro plano”, relata o artista. Esta é uma fotografia real, sem máscaras nem mentiras. Quem observa o mo- mento captado pela máquina não fica indiferente ao à–vontade da criança com a precariedade. “Volta ao mundo – imagem de 80 dias”, segue quinta–feira, 25, para o Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. Por Alexandre Oliveira Vânia Silva

    + Instituto Superior Miguel TorgaInstituto Superior Miguel Torga, 2 years ago

    custom

    1699 views, 0 favs, 0 embeds more stats

    Versão integral da edição n.º 171 do jornal uni more

    More info about this document

    © All Rights Reserved

    Go to text version

    • Total Views 1699
      • 1699 on SlideShare
      • 0 from embeds
    • Comments 0
    • Favorites 0
    • Downloads 1
    Most viewed embeds

    more

    All embeds

    less

    Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
    Flag as inappropriate

    Select your reason for flagging this presentation as inappropriate. If needed, use the feedback form to let us know more details.

    Cancel
    File a copyright complaint
    Having problems? Go to our helpdesk?

    Categories