A CABRA – 170 – 9.10.2007

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Versão integral da edição n.º 170 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Quinzenário. Portugal, 09.10.2007.
Para consultar o jornal na web, visite http://www.acabra.net/
e-mail: acabra@gmail.com

Para além de poderem ser úteis para o público em geral, estes documentos destinam-se a apoio dos alunos que frequentam as unidades curriculares de “Arte e Técnicas de Titular”, “Laboratório de Imprensa I” e “Laboratório de Imprensa II”, leccionadas por Dinis Manuel Alves no Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt).

Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm ,
http://www.mediatico.com.pt/foto/index.htm , http://www.mediatico.com.pt/luanda/ ,
http://www.biblioteca2.fcpages.com/nimas/intro.html

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A CABRA – 170 – 9.10.2007

  1. 1. FADOS ENTREVISTA: LUíS DE MATOS Será que o espanhol Carlos CULTURA | Pág. 16 Saura percebeu a essência da canção nacional? ARTES FEITAS|Pág.24 ANO XVII Nº 170 TERÇA-FEIRA | 9 DE OUTUBRO, 2007 Director: Helder Almeida 3ØTYW_TQ`bQhU TRANSIÇÃO PARA BOLONHA U]]eTQ^ÌQ CAUSA DIFICULDADES NA UC Com o Processo de Bolonha não foram ape- nas os cursos que se Alunos queixam-se de não encontrarem resposta para muitas das questões colocadas tiveram de adaptar. Também o Código da Praxe teve de Várias faculdades da Universidade de ma mesmo que “a faculdade vive tem- sentarem-se no chão. Já a vice-reitora mudar. A realiza- Coimbra (UC) têm tido nas últimas pos conturbados e de grande polémica”. da UC assegura que “o cenário não é tão ção do cortejo da semanas várias dificuldades para Em Letras e em Economia a situação catastrófico como se diz” e justifica os Queima ao implementar o Processo de Bolonha. não é melhor e é frequente as salas problemas que existem por este ser um domingo, o Em Direito, o presidente do núcleo afir- estarem lotadas, obrigando os alunos a ano de transição. Pág.5 surgimento de novos títulos (como Novato, Candeeiro, Bolonhez ou Marquez) e a proibição do uso do colete pelas rapari- gas são algumas das novidades. ENS.SUPERIOR| Pág.6 AeQ^T_UUcUbQ]Qe^_c Alguns dos mais conceituados profes- sores da Universidade de Coimbra relembram os tempos de estudante. A CABRA foi ouvir as suas memórias, que se cruzam com momentos cruciais da história portuguesa. Os docentes nar- ram ainda estórias caricatas do seu per- curso estudantil. TEMA | Págs.12 e 13 |1cUUSÌÈ_ÎQ]Y^XQ cUWe^TQVQ]ÒYQ Em entrevista, Rui Cordeiro conta como Estudantes em alojamento precário foi estar presente no campeonato do mundo. O jogador de Râguebi da De casas de banho em roupeiros, a casas degradas e a senho- A uma semana da chegada dos estudantes que ingressam no académica fala ainda da saída da rios que vasculham os quartos dos inquilinos e controlam as ensino superior, na segunda fase, A CABRA foi conhecer selecção e do seu futuro na AAC. suas visitas, de tudo se encontra no mercado de arrendamen- algumas das histórias de quem já cá está a viver e deixa to em Coimbra. alguns conselhos a quem procura casa. Págs.2 e 3 DESPORTO | Pág.15
  2. 2. 2 A CABRA DESTAQUE 3ª feira, 9 de Outubro de 2007 Alojamento em Coimbra @QWQb`QbQ]Q]_bQb CLÁUDIA TEIXEIRA Apesar da perigosidade e de ser proibido por lei, em algumas casas ainda se encontram esquentadores em quartos de banho A uma semana da pedaços de cimento caiam na comida. Fios verificam–se nas casas da Alta. Esquenta- zes da situação para inflacionar a renda des- eléctricos cruzam–se desordenadamente dores em casas de banho ou quartos para regradamente. De um ano para o outro, Ma- chegada dos estudantes nas várias divisões, por cima das cabeças arrendar em vãos de escada não são um mi- ria viu a renda ser–lhe aumentada de 142 que ingressam no dos moradores. to, são uma realidade na cidade dos estu- para 170 euros. Ensino Superior, na segunda Apesar de tudo, os estudantes vivem lá de- dantes. Também o pagamento das despesas da ha- fase, A Cabra foi descobrir vido ao ambiente comunitário, ao “baixo Também a relação entre senhorios e estu- bitação flutua conforme a vontade do se- preço dos quartos” (cerca de 100 euros) e ao dantes se apresenta frequentemente como nhorio. Maria refere que quando arrendou o algumas das más condições tamanho da casa, que tem mais de quinze um problema. Não raras vezes, os proprie- espaço as contas da água e da luz estavam com que os estudantes divisões. Um dos moradores refere que já tários impõem cláusulas abusivas que res- incluídas no preço. Porém, se a estudante que já cá estão lidam por várias vezes foi pedido à senhoria para tringem as liberdades dos inquilinos. quiser ter um computador ou uma TV no realizar obras na casa. No entanto, a pro- Manuela Rocha, licenciada em Teatro, vi- quarto tem que pagar mais cinco euros. Mas Helder Almeida prietária tem recusado sempre. veu três anos num prédio na Praça da Repú- as despesas não param por aqui. Para utili- Emanuela Gomes Num cubículo de oito metros quadrados blica. A antiga estudante conta que a senho- zar a máquina de lavar a roupa são mais cin- João Miranda cabe uma cama, uma mesa–de–cabeceira, ria proibia a entrada de rapazes, mesmo pa- co euros. E se requerer recibo tem de pagar uma cadeira e uma secretária. Ao fundo da ra trabalhos de grupo. do seu bolso os cinco por cento de IVA. C asas de banho em roupeiros, fios cama fica um roupeiro embutido na parede. Maria (nome fictício) vive numa casa na Maria relata ainda que “houve uma altura eléctricos que se cruzam perigosa- À primeira vista tudo parece normal, tiran- Praça da República, com a senhoria. A estu- em que a senhoria queria impor horários mente com canos de água danifi- do a pequenez da divisão. Um olhar mais dante está também proibida de levar rapa- para ir à sala porque andávamos a ver mui- cados, contratos inválidos que só permitem atento, porém, encontra um termoacumula- zes a sua casa. Outra regra imposta não per- ta televisão”. “Também não podíamos jan- a entrada de familiares… Muitos estudantes dor fixado na parede junto do roupeiro. A mite que as inquilinas levem as chaves dos tar na sala para não estragar a mobília” diz deparam–se com esta realidade quando aparente normalidade desfaz–se quando o quartos para fora da habitação, o que pode Maria. procuram casa em Coimbra. Preços, acessi- inquilino abre uma das portas de correr do criar situações embaraçosas. A estudante Contudo, este tipo de regras não tem su- bilidades à faculdade e a pressão de ter que armário revelando uma casa–de–banho, conta que uma vez encontrou a senhoria porte legal. “As pessoas não podem ser proi- arrendar casa o mais rápido possível são al- pouco maior que uma cabine telefónica. dentro do quarto a revolver os seus objec- bidas de levar ninguém às suas casas”, ex- guns dos motivos que levam a que os estu- Lá dentro, um lavatório, uma sanita e um tos. plica o advogado António Marinho Pinto. dantes se sujeitem a viver em habitações chuveiro repartem o espaço exíguo. O ar- Devido à inexistência de contratos váli- “O senhorio ou confia na pessoa e arrenda sem condições e com senhorios autoritários. rendatário, que confessa não conseguir usar dos, os senhorios aproveitam–se muitas ve- ou não confia e não arrenda”, resume. “Isto deve ter caído hoje porque ainda on- aquela “divisão”, pretende mudar de quarto tem estivemos aí a limpar”. O estudante de brevemente. engenharia civil referia–se ao monte de pó e cimento espalhado pelo soalho gasto resul- Senhorios impõem tante da queda do reboco de uma das pare- cláusulas abusivas des da sua casa. Este é apenas um dos mui- Os responsáveis pelo Certificado de Habi- tos problemas que o edifício da Alta de tabilidade da Associação Académica de Coimbra enfrenta. Na cozinha, as marcas de Coimbra, Marco Veloso e Ana Teixeira, visi- ferrugem na parede denunciam o mau esta- tam dezenas de casas semanalmente. Con- do das canalizações. O tecto, com o reboco a tam que na globalidade o estado das casas soltar–se, obriga os moradores a “fazer ma- para arrendar em Coimbra não é mau. As labarismos com o tacho” para evitar que os piores condições e os preços mais elevados
  3. 3. 9 de Outubro 2007, 3ª feira DESTAQUE A CABRA 3 1e]U^d_TQcVYcSQYjQÌÚUc @UbWe^dQbUc`_cdQ* _aeUÎUWQ/ ^È_UfYdQVeWQQ_cY]`_cd_c O meu senhorio comunicou–me que vai aumentar a renda este CLÁUDIA TEIXEIRA mês. Essa acção é legal? O negócio é lucrativo para Para a actualização da renda o senhorio tem que possuir uma avaliação da habi- os senhorios que, porém, tação por parte das Finanças, realizada continuam na maioria sem há menos de três anos, e determinação declarar os rendimentos do nível de conservação. A comunicação às finanças deve conter um conjunto de elementos previstos na lei (como minutas). No ca- Raquel Mesquita so do nível de conservação da habitação Vânia Silva ser avaliada em mau ou péssimo, não pode haver actualização da renda. O arrendamento de quartos com más condições de habitabilidade e a preços A minha casa encontra–se em elevados é um dos problemas que os estu- mau estado de conservação. O se- dantes do ensino superior enfrentam nhorio é obrigado a realizar quando mudam para uma nova cidade. obras? Marco Veloso e Ana Teixeira responsá- Se for atribuído um nível de conserva- veis pelo Certificados de Habitabilidade ção mau ou péssimo à habitação, o in- da Associação Académica de Coimbra quilino pode intimar o senhorio à reali- (AAC) consideram que a relação entre zação de obras. Se o senhorio não as preço e qualidade das habitações de realizar, o inquilino pode tomar a inicia- Coimbra é equilibrada. Embora reconhe- tiva de realização das obras, solicitando çam que na Alta da cidade “as casas têm à câmara municipal a realização de menos condições e a preços mais caros” os obras coercivas. estudantes justificam a escolha desta zona pela proximidade às faculdades. O meu senhorio proíbe a entrada Os Certificados de Habitabilidade pre- de conhecidos meus, na minha ha- tendem ser uma mais–valia para os estu- bitação. Está a agir legalmente? Algumas das habitações mais degradadas encontram-se na alta de Coimbra Não. Os arrendatários não podem ser dantes que procuram casa. As habitações são visitadas por elementos da Direcção- proibidos de levar pessoas a sua casa. celebrar contratos nem emitir recibos, alerta, ainda, que os arrendatários e hós- –Geral da AAC e são classificadas numa porque tal também não é, muitas vezes, pedes não podem ser submetidos a quais- escala que vai de “muito bom” a “mau”, O senhorio é obrigado a fornecer- valorizado pelos arrendatários, que até quer acções por parte dos senhorios que –me o recibo de renda? tendo em conta parâmetros como a di- podem incluir esse tipo de despesas nas “visem o controlo ou vigilância dos seus mensão da divisão, o estado de conserva- Sim. O senhorio é obrigado a fornecer declarações de IRS. Segundo o chefe da movimentos”. recibo descriminado ao inquilino e a ção dos móveis e da própria habitação e as Divisão de Justiça Tributária da Direcção Caso o local arrendado apresente pro- condições de segurança. Se um estudante mostrar–lhe, quando solicitado, os de Finanças de Coimbra, Jaime Devesa, blemas em termos de qualidade de habi- comprovantes relativos às parcelas co- constatar que as condições encontradas os senhorios, apesar das acções de fiscali- tabilidade ou de saúde pública os estu- não correspondem às descritas no Certifi- bradas. O senhorio encontra–se ainda zação, “fogem ao fisco com a maior des- dantes “podem contactar os serviços mu- obrigado a pagar as taxas de interme- cado de Habitabilidade, podem dirigir–se contracção”. nicipais, o delegado de saúde ou a delega- à secretaria da AAC e apresentar queixa. diação e de administração imobiliária. Célia Maia, da Associação Portuguesa ção distrital da Inspecção–Geral das Acti- Muitos proprietários insistem em não para a Defesa dos Consumidores (DECO) vidades Económicas. Por João Miranda 1dUb^QdYfQcQ_QbbU^TQ]U^d_`bYfQT_ CÁTIA MONTEIRO Quem vem estudar para gestão do seu espaço. giosas e teve conhecimento deste tipo de João Pedro Porto, estudante de Filoso- alojamento através de amigas. “Ter que Coimbra não tem fia, já passou por duas residências uni- pagar água e luz à parte não compensa, e necessariamente de optar versitárias e está agora num dos blocos no lar não tenho a preocupação com as pelo arrendamento da Residência Universitária João Jacin- refeições”, diz a estudante. privado. Residências, to. “Quando entrei na universidade, a Cláudia Gameiro refere ainda não existir minha primeira opção foi ir para uma re- imposições para morar no lar, nem mes- lares, cooperativas sidência”. Como ponto positivo, João Pe- mo religiosas. O ambiente é familiar e e repúblicas são algumas dro destaca o bom ambiente que se vive existe uma carta de princípios, que esta- das alternativas na residência. Quanto a regras, apesar de belece as regras de funcionamento den- não haver restrições para a hora de en- tro do lar. “Não podemos fazer tudo o Raquel Mesquita trada ou saída, é proibida a dormida de que queremos, não entram rapazes e Vânia Silva pessoas que não estejam inscritas na re- mesmo a entrada de pessoas estranhas é sidência. “Não podemos cá deixar dor- controlada”. Jacqueline Ferreira vive na República mir nenhuma rapariga”, frisou. Existem As cooperativas são outra das opções. das Marias do Loureiro. A estudante de ainda questões hierárquicas que têm que Quando há vagas a entrada faz–se por Estudos Artísticos conta que a república ser respeitadas. “O delegado é sempre o concurso. Para concorrer é exigido a tem um ambiente familiar e destaca, co- porta–voz da residência”, explica o estu- apresentação da declaração do IRS, com- mo ponto forte, a união. “ Identifico–me dante. provativo da matrícula e recibos do ven- com os ideais, vivemos todas em famí- Já Cláudia Gameiro está num lar cató- cimento do agregado familiar. lia”. Nas tradicionais repúblicas de estu- lico com cerca de 50 estudantes. A aluna A única restrição nas cooperativas diz dantes, todos os residentes são respon- de Jornalismo da Universidade de Coim- respeito ao barulho (entre a meia–noite sáveis pelas tomadas de decisão e pela bra sempre frequentou instituições reli- e as nove da manhã é exigido silêncio).
  4. 4. 4 A CABRA OPINIAO 3ª feira, 9 de Outubro de 2007 Editorial 2__^XQ^QE^YfUbcYTQTU Licenciados TU3_Y]RbQ na transição *João Pita, vice-presidente da DG/AAC e João Pena, coordenador do Pelouro da Pedagogia/Ligação aos Órgãos da DG/AAC Há um ano A CABRA dava notícia da preocu- O Processo de Bolonha pressupõe uma revolução do tem que ser no mínimo igual a metade das horas lecti- pação dos estudantes quanto à implementação paradigma de ensino, fundamentalmente no que diz vas. Por um lado, existe a sensação de que os estudan- do Processo de Bolonha. As dúvidas eram respeito à pedagogia. Reivindica a profunda alteração tes não aparecem durante as aulas guardando as dúvi- muitas e falava-se de uma falta de informação dos métodos de ensino, dos sistemas de avaliação, no das para a véspera dos exames; por outro lado, ainda se generalizada. Da parte da reitoria admitia-se sentido de uma maior responsabilização e autonomia assiste a falta de informação e de disponibilidade de do- que os erros iam ocorrer mas garantia-se que “a dos alunos e professores. centes em cumprir o seu horário, muitas vezes fruto da vontade e a formação dos estudantes seria Até há bem pouco tempo, a componente científica era desmotivação de não terem alunos durante semanas assegurada”. a que primeiramente interessava para a carreira de um consecutivas. Um ano decorreu e Bolonha passou a vigorar docente. A progressão deste dependia quase em exclu- São estes, a par de muitos outros, os desafios e os obs- em todos os cursos da Universidade de sivo da capacidade de investigação científica e da inves- táculos que a universidade enfrenta nestes primeiros Coimbra. Das várias faculdades chegam notícias tigação realizada, mesmo nas provas meses de funcionamento dos novos que não entusiasmam: serviços administrativos com carácter pedagógico, como a agre- cursos. sem resposta para as muitas dúvidas dos gação. Pouco ou nada se investia do Não esqueçamos que todas as trans- alunos; estudantes impedidos de, no acto da ponto de vista temporal e financeiro na “ O Processo formações se processam num contexto matrícula, se inscreverem às cadeiras que têm formação pedagógica de professores de desinvestimento governamental em atraso; turmas de vários anos a frequentar para o ensino superior. de Bolonha acentuado, para o sector do ensino su- as mesmas disciplinas; sobreposição de cadeiras Bolonha altera radicalmente esta si- perior. Uma transformação que foi no horário; salas lotadas com os alunos a tuação. Juntando a este facto as leis re- vai tornar premeditadamente adiada – e bem - sentarem-se no chão; alunos obrigados a aced- centemente publicadas, e ainda em re- mais claro para uma melhor implementação, não “ gulamentação sobre a avaliação e a está, assim, imune a problemas e a um Os estudantes Agência de Avaliação e Acreditação, fi- para todos a arranque com alguns solavancos. ca contemplado a avaliação pedagógica Com a perspectiva de que é fulcral mereciam ser tratados como pedra central do desempenho do diferença en- analisar e intervir ao longo deste pri- docente. Resta à nossa Universidade meiro ano de implementação de Bolo- de uma forma mais recuperar o tempo perdido. tre o bom nha, e não apenas criticar, a AAC vai condigna pela UC A uma Universidade de excelência a apresentar durante o mês de Outubro ” er a um segundo ciclo para concluir a formação; equivalências entre cadeiras que não têm que ver umas com as outras... A lista é extensa. nível europeu exige–se um rigoroso controle de qualidade científica e peda- gógica dos seus docentes. Os estudan- tes são o fim último da existência de universidades e sem eles a investigação e o mau pedagogo.” o Observatório do Processo de Bolo- nha da AAC que vai monitorizar e ana- lisar parâmetros concretos de questões pedagógicas, de avaliação e do esforço do estudante. A reitoria diz que “o cenário não é tão cata- como a conhecemos não existiria. O Este observatório tem como objecti- strófico como se afirma” e que “este ano é de Processo de Bolonha vai tornar mais vo verificar a desejada e pretendida transição”. A verdade é que os estudantes que claro para todos a diferença entre o bom e o mau peda- implementação de novos métodos de ensino na Univer- apanharam o processo estão a ser prejudicados gogo, entre o professor dedicado e os restantes. Quando sidade e aferir a relação esforço teórico/esforço na prá- e vão sair prejudicados, quando se garantiu que se exige dos alunos um maior trabalho tenhamos a tica, para o estudante, que o sistema de créditos ECTS, nunca o seriam. Na maior parte dos casos, consciência colectiva para perceber que muito desta para cada cadeira e em cada curso, pretende tornar con- Bolonha correspondeu apenas a um encurtar da mudança depende dos docentes. sequente. Sem a participação construtiva da comunida- licenciatura, de quatro para três anos, fazendo A Universidade de Coimbra tem hoje inúmeros desa- de estudantil neste esforço de equilibrar e tornar mais uma mistura de cadeiras de um e outro ano, fios a cumprir. Desde logo, no que diz respeito à melho- eficiente a implementação do Processo de Bolonha, es- com critérios pedagógicos duvidosos. É assim ria do acompanhamento não–presencial (tutoriado) te dificilmente se materializará em melhorias no ensino que um aluno que tenha apanhado a reforma a que se torna impraticável com base nos actuais rácios da Universidade de Coimbra. meio do curso sai licenciado por Bolonha. Todos professor/estudante recomendados pelo Observatório Falamos de uma participação, é importante repeti–lo, sabem que é um ano de transição mas os estu- da Ciência e do Ensino Superior que contemplam valo- que é dificultada pela degradação da representação de dantes mereciam ser tratados de uma forma res até aos 1/30 (um professor para 30 alunos). Contu- estudantes nas estruturas de governo da Universidade, mais condigna pela instituição que os recebeu e do, não podemos fazer uma efectiva mudança dos hábi- fruto da aprovação do novo Regime Jurídico para as que há partida lhes garantiu uma formação de tos instituídos sem uma maior proximidade e acompa- Instituições de Ensino Superior, pelo Governo e pela qualidade. nhamento entre alunos e docentes. Assembleia da República. Conhecem–se hoje as fragilidades do funcionamento É, ainda assim, uma responsabilidade que os estudan- Helder Almeida do horário de atendimento dos docentes, que por lei tes devem assumir e que a AAC assume. Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Director Helder Almeida Chefe de Redacção Rui Antunes Editores: Cátia Monteiro (Fotografia), François Fernandes (Ensino Superior), Raquel Carvalho (Nacional), Rui Antunes (Internacional), João Miranda (Ciência), Patrícia Costa (Desporto), Martha Mendes (Cultura), Ângela Monteiro (Media), Carla Santos (Viagens) Secretária de Redacção Adelaide Baptista Paginação François Fernandes, Rui Antunes, Salvador Cerqueira, Sofia Piçarra Redacção Ana Bela Ferreira, Ana Filipa Oliveira, Ana Margarida Gomes, Ana Raquel Melo, Cláudia Teixeira, Diana do Mar, Eunice Oliveira, Filipa Faria, Joana Gante, João Pimenta, Liliana Figueira, Marta Campos, Marta Costa, Pedro Secção de Jornalismo, Crisóstomo, Raquel Mesquita, Sandra Camelo, Sara Simões, Soraia Manuel Ramos,Tânia Ramalho, Wnurinham Silva Fotografia Carine Pimenta, Carolina Sá, Catarina Silva, Associação Académica de Coimbra, Cláudia Teixeira, Daniel Palos, Fábio Teixeira, Fausto Moreira, Filipa Faria, José Marques, Liliana Lago, Martha Morais, Mónica Pópulo, Tiago Lino Ilustração José Miguel Rua Padre António Vieira, Pereira, Rafael Antunes Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, André Tejo, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Fernando Oliveira, Laura CazabanRafael Fernandes, 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Vitor André Mesquita Colaboraram nesta edição Alexandre Oliveira, Carla São Miguel, Carolina Sá, Cátia Sousa Catarina Domingos, e-mail: acabra@gmail.com Catarina Fonseca, Diana Silva, Emanuela Gomes, Jennifer Lopes, Marco Roque, Nuno Braga, Pedro Cunha, Rita Matos, Saimon Morais, Sarah Halls, Susana Ramos, Tânia Mateus, Vânia Silva Publicidade Sofia Piçarra - 239821554; 913009117 Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
  5. 5. 9 de Outubro de 2007, 3ª feira ENSINO SUPERIOR A CABRA 5 Processo de Bolonha _f_Q^_^_fQcVQXQc D. R. A impossibilidade de uma avaliação contínua e o excesso de alunos são alguns dos problemas detectados na transição para Bolonha Pedro Cunha Adelaide Ferreira Cláudia Teixeira À excepção dos cursos de Informática e de Psicologia, onde o Processo de Bolonha já vigorou durante o ano passado, foi no actual ano lectivo que o novo sistema se generali- zou pela Universidade de Coimbra (UC). A transição não tem sido fácil e várias são as complicações que os alunos enfrentam. Direito foi um dos cursos mais problemá- ticos. O presidente do Núcleo de Estudantes de Direito (NED/AAC), Tiago Lavoura, che- ga mesmo a afirmar que “a faculdade vive tempos conturbados e de grande polémica”. O dirigente associativo explica que “o esta- do da situação dos serviços administrativos centrais e da faculdade é caótico, havendo uma total descoordenação entre si”. Os alunos não encontram resposta para Uma vez mais o Processo de Bolonha é alvo de fortes críticas da parte dos estudantes muitas das questões colocadas, queixando- –se da “falta de decisão por parte dos ór- bilidade dos discentes terem que fazer “du- pondentes, “há turmas de vários anos a fre- a formação completa”. O curso de Sociolo- gãos competentes”, denuncia Tiago Lavou- rante dois anos aquilo que deveria ser feito quentar as mesmas cadeiras, tornando as gia dá a oportunidade aos alunos de acaba- ra. Uma das principais reclamações prende- em apenas um”. turmas muito numerosas, dificultando a rem a licenciatura pelo plano antigo de en- –se com o facto de os estudantes se verem aprendizagem em termos de experiência sino, mas o dirigente associativo denuncia impedidos, no acto de matrícula, de se ins- Salas lotadas prática”, afirma o dirigente associativo. Co- que “quem opte por acabar o curso pelo pla- creverem às cadeiras que têm em atraso por indignam estudantes mo consequência é frequente as salas esta- no antigo acaba por sair prejudicado, limi- ultrapassarem os créditos que lhes são per- O presidente do Núcleo de Estudantes da rem constantemente lotadas, o que obriga tando–se apenas a fazer exames ou fre- mitidos fazer num ano lectivo. A conjuntura Faculdade de Letras da UC, Nuno Almeida, os alunos muitas vezes a sentarem–se no quências já que não serão leccionadas as complica–se no caso dos alunos do quarto fala de várias anomalias na implementação chão. respectivas cadeiras”. Os Menores (cadeira ano, uma vez que “foi determinado que o do Processo de Bolonha. “Os atrasos na ela- O mesmo problema repete–se na Faculda- complementar que pertence a uma licencia- aluno só poderia fazer a inscrição a 60 cré- boração da tabela final de equivalências le- de de Economia da Universidade de Coim- tura diferente daquela que se frequenta), ditos, apesar de no quarto ano da licenciatu- varam a atrasos significativos no processo bra (FEUC). O presidente do Núcleo de Es- visto como uma mais–valia do Processo de ra o valor global de créditos das disciplinas de matrículas”, explica. Devido ao facto das tudantes de Economia, Alexandre Leal, Bolonha, não vão funcionar este ano lectivo obrigatórias ser de 66 créditos”, alerta Tia- equivalências das unidades curriculares do alerta para o “número elevado de discipli- na FEUC. Consequentemente, “quem está go Lavoura. O presidente do NED/AAC plano anterior terem sido dadas a novas nas opcionais disponível para escolha, que no plano de transição e que passe automati- mostra–se indignado ao equacionar a possi- unidades curriculares de anos não corres- fez com que não fosse possível prever as ins- camente para Bolonha não terá acesso aos crições nessas mesmas disciplinas”. Isto le- mesmos”, afirma Miguel Violante. A sobre- Bolonha noutras Universidades va a que haja demasiados estudantes inscri- posição de cadeiras no horário faz com que tos nas cadeiras, originando, mais uma vez, haja alunos com duas aulas a decorrer em dificuldades em praticar o regime de avalia- simultâneo, não reunindo portanto condi- Foi no actual ano lectivo que Bolonha chegou a todo o País. A Universidade de Coim- ção contínua, subjacente ao Processo de Bo- ções para aceder a avaliação contínua. Os bra tem enfrentado algumas dificuldades na transição para este plano, mas não é um lonha. No entanto, o dirigente associativo estudantes com cadeiras sobrepostas vêem- caso isolado. Na Universidade da Beira Interior a adaptação para o Processo de Bolo- salienta “a adesão muito positiva dos estu- –se obrigados a seguir um regime de avalia- nha foi “acima de tudo confusa”, conta o presidente da Associação Académica da Uni- dantes à necessidade de uma maior presen- ção final. Esta é uma realidade vivida nas versidade da Beira Interior, Fernando Jesus. O dirigente associativo explica que esta ça nas aulas, bem como a um regime de ava- diferentes faculdades e departamentos da realidade deve–se ao facto de haver uma reestruturação feita “em cima do joelho”, on- liação contínua que prevê um peso cada vez UC. de os cursos foram basicamente “comprimidos de 5 para 3 anos, retirando–se apenas menor do exame final”. A reitoria, no entanto desdramatiza a si- algumas cadeiras consideradas menos importantes”, denuncia. Fernando Jesus afir- O curso de Sociologia, da FEUC apresenta tuação. Segundo a vice–reitora, Cristina ma que “os cursos que mais problemas apresentaram na transição para Bolonha fo- igualmente várias complicações. O presi- Robalo Cordeiro, “o cenário não é tão catas- ram os da área das engenharias, em que o facto de os mestrados não serem integra- dente do Núcleo de Estudantes da Sociolo- trófico como se diz”, e justifica os proble- dos, foi uma fonte de preocupação devido à acreditação da Ordem dos Engenheiros”. gia, Miguel Violante, explica que “a introdu- mas vividos em algumas faculdades com o O presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro, Luís Ricardo Fer- ção do primeiro ciclo de três anos faz com facto deste ser “um ano de transição”. “Exis- reira, conta que “a adequação dos planos de estudo ao novo paradigma de ensino- que os estudantes tenham de aceder a um tem comissões de acompanhamento do pro- –aprendizagem foi feita de forma cuidada por cada comissão de curso, envolvendo os segundo ciclo para concluir a sua forma- cesso em cada uma das faculdades para ten- alunos nesta discussão”. O presidente defende que “o incremento de avaliação contí- ção”. Tendo em conta que um mestrado de tar remediar aquilo que for possível e criar nua, como método preferencial de auscultação e monitorização do aproveitamento segundo ciclo tem propinas com valores va- novas condições”, afirma Robalo Cordeiro. dos alunos de cada curso, é uma prioridade há muito assumida”. Luís Ricardo Ferrei- riantes, atingindo no máximo os 3000 eu- Apesar de tudo a vice–reitora considera que ra afirma ainda que no que diz respeito à transição curricular, “os serviços académi- ros, o presidente conclui que “um estudante “de uma maneira geral as coisas estão a cor- cos e administrativos corresponderam razoavelmente”. tem que pagar ainda mais para poder obter rer razoavelmente”.
  6. 6. 6 A CABRA ENSINO SUPERIOR 3ª feira, 9 de Outubro de 2007 =eTQ]cU _c dU]`_c C_eÌÈ_`QbSYQ ]eTQcU _ SØTYW_ `QbQ`b_RU]Q O novo código da praxe FÁBIO TEIXEIRA ]QY_b está em vigor desde o dia 7 de Setembro e traz Soraia Manuel Ramos mudanças que o adequam ao Processo de Bolonha A moção que regulamenta a figura do Catarina Domingos estudante a tempo parcial foi aprovada Catarina Fonseca a 12 de Setembro, pelo Senado da Uni- versidade de Coimbra (UC). O novo re- A reestruturação curricular que o Proces- gime permite a todos os alunos inscre- so de Bolonha impôs trouxe também impli- verem–se apenas em algumas cadeiras cações nas normas praxísticas da academia (as quais correspondam no máximo a de Coimbra. As alterações mais significati- metade dos créditos que o regime de es- vas verificam–se na hierarquia, no calendá- tudantes a tempo integral comporta). rio dos eventos académicos, no modo de Outra das novidades da moção apro- agir das trupes e no traje feminino. vada visa permitir aos alunos o requeri- O Dux Veteranorum, João Luís Jesus, es- mento do estatuto de Estudante a Tem- clarece que os princípios orientadores para po Parcial de uma forma retroactiva, a elaboração do novo código da praxe pas- para os dois últimos anos lectivos. To- saram por “manter inalterada a identidade davia, de acordo com a moção do Esta- tradicional da Universidade de Coimbra do, esta só pode ser aplicada aos estu- (UC) e todo o seu significado”, acrescentan- dantes que “em cada um dos últimos do ainda que “tudo o que existe na praxe dois anos lectivos não tenham obtido tem que ter raízes no passado”. aproveitamento a mais de metade do Com a redução do número de anos das li- número de créditos”. cenciaturas e a criação do segundo ciclo, tí- “Esta pode ser a solução ideal para fu- Proibição do colete feminino é a alteração mais polémica do novo código da praxe tulos como “quartanista” e “quintanista” gir às prescrições”, confessa Ana Silva. desaparecem, enquanto que as categorias segundo ciclo, não estão em condições de estar interdita, depois de, na edição do có- A estudante, que trabalha em part–ti- “caloiro”, “semi–puto”, “puto” e “veterano” terminar o curso. Por último, aparece o es- digo de 2001, o seu uso ter sido facultativo. me, não pode ir a todas as aulas e reve- se mantêm. Agora, os estudantes do pri- tatuto de “veterano”, para os estudantes “Não foi uma proibição ao acaso”, justifica la que vai a passar a dedicar–se “em meiro ciclo que tenham o mesmo número nacionais que tenham um número de ma- o presidente do Conselho de Veteranos. “O pleno a apenas três ou quatro cadeiras”. de matrículas que a duração do curso que trículas igual ou superior ao total previsto colete era opcional e não obrigatório como Para aderir ao novo regime Ana Silva frequentam, passam a ser designados “can- incluindo o segundo ciclo e que tenham as lojas quiseram mostrar, impingindo a está a preparar o requerimento ao Rei- deeiros”. Segue–se a categoria de “bacha- usado insígnias pessoais. peça. Optou–se pela uniformização”. tor, que tem como limite de entrega o rel” que se atribui aos alunos que tenham Verificam–se igualmente alterações no A polémica gerada em torno desta decisão próximo dia 31. mais matrículas do que as necessárias para calendário dos eventos tradicionais que re- tem sido grande e admite–se a hipótese de O regime é uma hipótese legal, con- completar o primeiro ciclo. “Novato” é o es- sultam da nova hierarquia. Desde a Latada apresentar abaixos–assinados ou moções. templada também na lei de financia- tudante que se matricula pela primeira vez até à Queima das Fitas usa–se o grelo na “Há a possibilidade de fazer circular um mento, quando se refere o número má- no segundo ciclo e que não possui nenhu- pasta (candeeiro grelado), a partir do Cor- abaixo–assinado não só na Faculdade de ximo de matrículas que um estudante ma matrícula na UC. Os alunos que estão tejo da Queima usam–se as fitas durante Psicologia, mas também nas outras facul- pode ter sem prescrever. Como cada inscritos pela primeira vez no segundo ciclo três semanas (candeeiro fitado). “Foi tudo dades, mas não é nada oficial”, revela Ale- ano lectivo de um aluno a tempo parcial e que não são “Novatos” adquirem o título condensado num ano”, sintetiza o Dux. xandre Almeida, do Núcleo de Estudantes equivale a meia matrícula esta pode ser de “bolognez”. Criou–se também o grau de “Só existem dois eventos vocacionados pa- de Psicologia e Ciências da Educação. vista como uma solução alternativa pa- “marquez” para os estudantes que, por te- ra os grelados (Queima do Grelo e o Corte- O membro do Conselho de Veteranos, Vitor ra evitar a prescrição. rem sido caloiros estrangeiros ou novatos, jo), os outros são para fitados. Se o Cortejo Ferreira, confidencia que “o único ponto a Rui Santos, um aluno de Economia não podem passar à categoria de veteranos. continuasse a meio da Queima metade das ser votado por unanimidade foi o da proibi- em risco de prescrever, que fez a época Ou aqueles que, tendo duas matrículas no cerimónias tradicionais não se realizariam ção do colete feminino”, acrescentando que de especial de exames em Setembro, e haveria um acumular de actividades”, “quando um ponto é aclamado por unani- considera que “o regime de prescrições continua. Assim, o Cortejo vai ser antecipa- midade é muito difícil haver revisão”. é injusto e peca pela falta de informa- Das “investidas” à praxe do para domingo, o que para a comunidade ção”. No entanto, compreende que “não estudantil “foi o maior choque”, revela João Balanço final há espaço nem condições para todos na Até ao século XVIII as praxes eram co- Universidade de Coimbra”. No que toca Luís. É de assinalar a criação de um quarto A discussão do documento começou em nhecidas como “investidas” e eram ao novo regime considera que “a ideia é período de praxe, que vai desde o Cortejo Outubro de 2006 e prolongou–se durante marcadas pela violência para com os ca- boa, pouco original, mas possivelmente até à Bênção das Pastas, que se realiza três dez meses. O Conselho esteve aberto a su- loiros, na altura chamados “novatos”. a única solução para quem não quer a quatro semanas depois. gestões, mas, segundo João Luís Jesus, Por isso, o rei D. João V proibiu qual- prescrever”. O modo de agir das trupes vai agora obe- houve muito poucas. Para o processo foi quer ritual praxístico. Já no século XIX, Por parte da universidade, a vice–rei- decer a uma maior regulamentação, dado criada uma Comissão constituída por nove deixa de se falar em “investidas” e pas- tora Cristina Robalo Cordeiro defende que é obrigatório o preenchimento de um pessoas: veteranos, antigos estudantes e sam–se a usar os termos “caçoadas”. que este é um regime vantajoso porque documento, denominado “Sanctionatis Do- “pessoas com diferentes ideias sobre a pra- Durante a I República a praxe quase de- “permite aos alunos ter menos cadei- cumentum”, que permitirá uma maior res- xe”. Esta Comissão apresentou propostas sapareceu. As práticas renascem em ras, menos carga horária e pagar ape- ponsabilização dos infractores. “Aprovei- ao Conselho de Veteranos, constituído por 1919 e voltam a ser abolidas em 1969 nas 70 por cento da propina ou o valor tou–se a revisão do código para acrescentar 55 pessoas votou o documento final a 26 de com a crise académica. Com o 25 de da propina mínima”. algumas coisas, de modo a possibilitar um Julho de 2007. Abril, a praxe é retomada e o código que A vice–reitora da UC, salienta ainda maior controlo”, explica o Dux. O Conselho de Veteranos mostra–se ain- havia sido lançado em 1957 foi sendo que esta nova figura de estudante a da disponível para esclarecer qualquer tipo actualizado. Uma revisão mais profun- tempo parcial “torna os alunos mais O colete proibido de dúvidas. da levou à edição do código de 1993.As responsáveis e conscientes das suas Outra das novidades apresentadas é a O Dux revela estar satisfeito com o resul- duas últimas revisões datam de 2001 e possibilidades e do contexto em que es- proibição do uso do colete no traje femini- tado final, “acho que se conseguiu fazer al- 2007. tão a estudar”. no. A peça de vestuário académico passa a go de positivo e que vai revitalizar a praxe”.
  7. 7. 9 de Outubro de 2007, 3ª feira PAGINA A CABRA 7 ?`bY^SÒ`Y_T_VY] CUSÌÈ_TU6edUR_ D.R. A verdadeira “Briosa” “Briosa” desde o “Tempo de Coimbra”, uma honrada crónica de António Cabral sobre a vida coimbrã. A mais antiga Secção Desportiva da Associação Académica de Coimbra (AAC) foi fundada a 11 de Novembro de 1887. A Académica jogou no campo da Ínsua dos Bentos, mas fez-se no Santa Cruz. O está- dio foi obra do trabalho de cooperação estudantil. Só no primeiro encontro oficial, na época 1922/23, é que os estudantes venceram. 3-0 foi o resultado ante o Moderno, para o Campeonato de Coimbra. O símbolo máximo da sintonia existente entre a Universidade de Coimbra e o desporto académico deu-se em 68/69, quando os estudantes envergaram faixas de contestação ao regime político vigente, na final do Jamor. A AAC perdeu o jogo por 2-1 contra o Benfica, mas a situação ficou distintamente marcada. Mas, antes disso, o palmarés da Académica conta com uma Taça de Portugal, conquis- tada em 1939 precisamente ao clube da Luz, por 4-3. Como um dos “históricos” do futebol nacional, a “equipa do Mondego” obteve um segundo lugar no Campeonato Nacional em 66/67. Foi campeã da II Divisão Nacional em 48/49, 72/73 e pas- ?edeRb_ sou, memoravelmente, pelos quartos-de- Até 1992 a frequência no ensino superior custava apenas 1200$00 (5.99€). final da Taça das Taças, em 69/70. Contudo, o último governo de Cavaco Silva decidiu aumentar o montante para Contudo, em 1974, a Academia cessou o uma média nacional de 55.000$00 (274.34€), prevendo uma atualização pro- futebol profissional, devido ao luto !))quot; gressiva. “Make love not propinas”, “O meu pai não paga” ou “não Pagamos!” foram algumas das palavras do descontentamento da Academia. académico decretado pela DG/AAC. Surgiu, entretanto, o Clube Académico de Coimbra (CAC) que, apesar de nome e sím- bolo diferentes, alcançou a notoriedade da História extinta Académica, na 1ª Divisão. Em 1984 foi criado o Organismo Autónomo de 113*XÆ$Q^_c^QBeQ@QTbU1^dØ^Y_FYUYbQ Futebol, a Académica/OAF, numa tentati- va de reaproximação à casa-mãe, desta vez já com o mesmo nome e símbolo. Considerado um emblema molido”, explica o arquitecto José António nifica obra de arquitectura que é o edifício Presentemente, a Secção de Futebol da Bandeirinha. está hoje escondida por uma grande polui- AAC milita na 1ª Divisão de Honra da da cidade, o edifício da Optou–se por construir um edifício admi- ção visual”. O edifício tem sido alterado “de Associação de Futebol de Coimbra. O AAC tem vindo a deteriorar- nistrativo e cultural – o edifício das secções forma quase irreversível devido às peque- plantel joga no Estádio Universitário, mas se, perdendo muitas das - , e o Estádio Universitário de Coimbra pa- nas obras de transformação que foram des- espera voltar, em 2009, aos campos do suas características iniciais ra abrigar as secções desportivas. Na opi- truindo o espaço”. Segundo o arquitecto, Santa Cruz. nião do arquitecto, o complexo da AAC, “alterar o edifício da maneira como se alte- O guarda-redes e vice-presidente da Adelaide Baptista constituído pelas cantinas, pelo Teatro Aca- rou equivale a mexer numa construção me- secção, Pedro Bento, defende que se “man- démico Gil Vicente (TAGV) e pelo edifício dieval ”. tém os princípios básicos que vigoravam O edifício da Associação Académica de das secções, é um “projecto muito inteli- Quanto à ideia que existe de que o edifício antes da separação”. Segundo o guardião, Coimbra (AAC) nasceu em 1961 pelas mãos gente pois cria módulos que têm alguma da AAC tem a marca da escola alemã “a comunidade estudantil desconhece dos arquitectos Alberto Pessoa e João Abel maleabilidade, tem um rigor e qualidade de Bauhaus, Bandeirinha afirma que “apenas muitas vezes a secção de futebol, pelo Manta. A ideia surgiu em 1954 “na sequên- acabamentos excepcional para a época, ha- de forma muito remota é que se poderia di- mediatismodo OAF”, lamenta. cia das obras da alta universitária, pois era vendo uma simbiose perfeita entre a arqui- zer que a construção é daquele movimento. necessário reinstalar a AAC cujo edifício- tectura e as artes plásticas presente nos pai- No entanto, o arquitecto sublinha que esta Por Patrícia Costa –sede, o Palácio dos Grilos, tinha sido de- néis de azulejos e no jardim”. obra “se estivesse em bom estado seria re- Porém, Bandeirinha admite que “a mag- conhecida em todo o mundo”. PUBLICIDADE
  8. 8. 8 A CABRA CIDADE 3ª feira, 9 de Outubro de 2007 BU3_^XUSUb3_Y]RbQ Dinamizar a actividade turística de Coimbra a nível nacional e internacional é NUNO BRAGA 3 respostas de... o objectivo da recentemente criada Turismo Coimbra – Empresa Municipal Carlos Encarnação Presidente da C. M. de Coimbra Nuno Braga 1 Liliana Figueira O que é que Coimbra Ângela Monteiro tem de melhor e de pior? A Turismo Coimbra – Empresa Muni- De melhor, uma quali- cipal (TC) resultou da necessidade de fa- dade de vida acima da mé- cilitar a criação de parcerias com priva- dia, do ponto de vista geral. Penso que tem índices de qualidade de vida muito dos de modo a fomentar a realização de superiores em relação à maior parte eventos culturais na cidade dos estu- das cidades. De pior, um grande desre- dantes, que envolvam tanto o município gulamento em várias áreas da cidade, como entidades privadas. uma grande confusão, como em Santa Apesar de já haver empresas interessa- Clara e S. Martinho do Bispo. Há vários desregulamentos do ponto de vista ur- das na iniciativa, o presidente da Câma- banístico, na cidade. ra Municipal de Coimbra, Carlos Encar- 2 nação, não adianta nomes, remetendo Consegue imaginar a Luís Alcoforado pretende redefinir a imagem de Coimbra no estrangeiro cidade sem a para a TC, fundada em Fevereiro passa- Universidade? do, a tarefa de captar os investimentos e de de Coimbra”. O “circuito dos presépios” é a primei- Dificilmente. A História definir os projectos a realizar. Para tal, A remodelação do convento de S. Fran- ra de uma série de actividades, a cargo da cidade e da universidade está prevista uma revisão dos estatutos cisco, futuro centro de congressos, e o da TC que, em Dezembro, vai levar os estão interligadas, “a marca com vista a possibilitar a entrada de ca- Coimbra” está tão ligada a aumento do número de visitas guiadas, turistas e os conimbricenses a conhece- uma coisa e a outra que é difícil prever pitais privados, que encontram no po- por dia, à Universidade de Coimbra rem o património da cidade. a sua dissolução. Tenho dito muito ve- tencial turístico de Coimbra uma opor- (UC) são outras das prioridades assumi- Também o fado, a guitarra e os mitos zes que, no fundo, Coimbra é o resulta- tunidade de investimento. Carlos En- das pela empresa. O presidente avança femininos, Rainha Santa Isabel e Inês do concreto de duas irmãs siamesas, ci- carnação confirma que “nesta altura, a ainda que a reitoria “espera fechar o ano de Castro, são peças fundamentais da dade e universidade, ligadas por um co- empresa é unicamente pública mas o ração comum. Se uma morrer, a outra com 180 mil entradas pagas na Univer- cultura de Coimbra que a TC pretende também morre. objectivo é que se transforme breve- sidade”, sem contar com os convites da revalorizar. 3 mente numa empresa de capitais públi- comunidade académica e os participan- Luís Alcoforado salienta a necessidade Um café, um bom lugar cos com a participação de capitais priva- tes nos congressos organizados pela UC. de investir na publicidade além frontei- para ler e uma rua de dos”. eleição em Coimbra. “Temos números muito interessantes ras. Assim, no primeiro trimestre de O melhor café da cida- Uma das apostas fortes da TC é a cria- que estão ao nível de qualquer museu 2008, a Turismo Coimbra – Empresa ção de um sítio informativo sobre a ci- de é aquele onde vou todos nacional”, conclui. Municipal vai apostar fortemente no os sábados de manhã, dade e os locais de maior interesse. O Tendo em conta que Coimbra é uma mercado espanhol, com especial inci- presidente da empresa municipal de tu- quando posso, um barzinho cidade cujas características estão suba- dência na televisão. junto ao rio no Parque Dr. rismo, Luís Alcoforado, classifica o por- proveitadas, há que começar a “marcar Alcoforado remata: “mais importante tal como “uma espécie de posto de turis- Manuel Braga. Lá posso estar sossega- encontro com a História, a cultura e a que dizer que Coimbra é a cidade do co- do, sozinho, a ler os jornais. A rua de mo virtual para que as pessoas, em qual- arte da cidade”, criando “alguns eventos nhecimento, devia ser que Coimbra é a quer ponto do mundo, possam preparar eleição será certamente na Baixa, as de realização temporal fixa na época cidade onde o conhecimento está ao al- ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges. as suas visitas antes de chegarem à cida- baixa”, sublinha Alcoforado. cance de todos”. Martha Mendes =_^TUW_ÅUc`UbQTUTUcQcc_bUQ]U^d_ Perante a acumulação problema, Renato Ladeiro, da Odabarca gue “perceber o porquê desta demora”, afirma que, nesse cenário, “a câmara Animação Turística, afirma que “o pro- mas adianta que “o concurso vai ser fei- pode tomar as providências todas, mas de areia no leito blema persiste há 10 anos”. Ladeiro to este ano para a obra ser executada o desassoreamento do rio ainda não foi do rio Mondego, constata que, “se a ponte Rainha Santa em 2008”. feito. As consequências podem surgir e prevêem–se Isabel não existisse, o assoreamento A autarquia impõe algumas condições apenas serem minoradas”. consequências e não seria um problema porque a areia à entidade que ficar encarregue pelo de- João Rebelo garante que “a Câmara su- seria arrastada”. sassoreamento do Mondego: “a extrac- geriu ao INAG a futura venda da areia adiam–se soluções para O vice–presidente da Câmara Munici- ção deve ser feita sob a água do rio e não extraída e a aplicação do dinheiro na re- manter a navegabilidade pal de Coimbra (CMC), João Rebelo, apenas com um pequeno curso de qualificação dos paredões”. No entanto, atribui a responsabilidade ao Instituto água”, porque isso “privaria a cidade de o vice–presidente lamenta que “não se- Filipa Faria da Água (INAG) por “nunca ter intervi- Coimbra de um verão com desportos ja essa a ideia do instituto”. do como devia, e não ter feito o desasso- náuticos e navegação turística”. O Instituto da Água, aquando contacta- O Mondego é cada vez mais um rio de reamento do rio nos pontos mais signi- Renato Ladeiro alerta que “no Inver- do por A CABRA, remeteu a responsabi- areia. As consequências são várias e vão ficativos”. no o caudal do Mondego é elevado e a lidade do projecto de desassoreamento desde a redução do percurso náutico do João Rebelo revela que a única coisa corrente tem mais força e, devido à acu- à Comissão de Coordenação e Desen- Basófias às inundações num Inverno que a CMC pode fazer “é exercer pres- mulação de areia, há tendência para o volvimento Regional do Centro, da qual chuvoso. são sobre o INAG para resolver essa rio encher”. O nível das águas sobe e os não obtivemos qualquer resposta até ao Entre as causas apontadas para este questão”. O vice–presidente não conse- estragos são uma possibilidade. Rebelo fecho da edição.
  9. 9. 9 de Outubro de 2007, 3ª feira NACIONAL A CABRA 9 @_bdeW0quot; *]QYcdUS^__WYQ]U^_cReb_SbQSYQ CAROLINA SÁ Portugal na fila da frente dos serviços públicos digitais Plano Tecnológico básicas da população e investir na capaci- este fim. O serviço online de emprego (Ne- vigilância sobre a nossa actividade e sobre tação dos serviços públicos”, conclui a temprego), que conta com mais de 400 mil a nossa esfera privada”. O sociólogo afirma português possibilita uma doutoranda em “Governação, Conheci- currículos online; a compra do selo para o ainda que “a componente electrónica não é participação mais activa mento e Inovação”. automóvel; e a Empresa na Hora, são ou- um fim em si mesmo, mas um meio”, aler- dos cidadãos através Uma das empresas que mais coopera tros projectos que registam grande adesão. tando para “a necessidade de medidas de serviços públicos com o sector público português é a Critical Além disso, as estratégias de governação complementares, que devem ser articula- Sotfware, cujo “volume de negócios tem electrónica têm contribuído para uma das com a disponibilização de meios infor- via electrónica vindo a crescer cerca de 100 por cento nes- maior transparência dos processos políti- máticos de forma a colmatar a infoexclu- sa área”, afirma o “Business Development cos e uma participação mais activa dos ci- são”. Raquel Carvalho Manager”, Filipe Freitas. A empresa pre- dadãos. Empresas como a Critical Softwa- Tendo em conta as limitações ainda exis- Ana Raquel Melo tende tornar o serviço público mais efi- re estão a trabalhar na perspectiva de dar tentes, Graça Simões da Agência para a So- Joana Mendes ciente e mais próximo dos cidadãos portu- mobilidade aos processos eleitorais, per- ciedade do Conhecimento, afirma que gueses, operando em áreas como a admi- mitindo que uma pessoa vote em qualquer “uma das prioridades é adequar todos os Portugal é o terceiro melhor país europeu nistração interna, a justiça ou a segurança lugar. “O voto electrónico é uma forma de sites da administração pública central aos na disponibilidade de serviços públicos social. Além disso, “a Critical Software vi- simplificar a vida e de combater a absten- cidadãos com necessidades especiais e ido- online (ver gráfico) e o quarto a nível de sa ultrapassar o espaço português, desen- ção eleitoral”, considera a socióloga Fáti- sos, até ao final deste ano”. Nesse sentido, sofisticação. Este é o resultado de um estu- volvendo plataformas que permitem facili- ma Fonseca. “o governo português pretende apostar do promovido pela Comissão Europeia, tar a comunicação entre os Estados euro- Por outro lado, o investigador do Centro numa massificação da utilização de com- que analisou os serviços públicos online peus”, acrescenta Filipe Freitas. de Estudos Sociais, Elísio Estanque, con- putadores e da Internet de banda larga, oferecidos pelos 27 Estados–membros da Ainda ao nível da relação entre os Esta- corda que “ os meios electrónicos podem bem como na aquisição de competências União Europeia. dos, o Gabinete do Coordenador da Estra- ser úteis para possibilitar uma maior básicas em Tecnologias da Informação e A publicação do Diário da República na tégia de Lisboa e do Plano Tecnológico re- transparência e mobilização dos cida- Comunicação pela população”, acrescenta Internet a custo zero, o Portal do Cidadão fere o Passaporte Electrónico como “um dãos”, mas lembra que “esses meios po- o gabinete do Coordenador do Plano Tec- e o Portal da Empresa são alguns dos pro- exemplo inovador numa nova lógica de dem ter implicações ao nível de uma maior nológico. jectos de maior impacto junto da popula- reorganização dos serviços públicos”. ção e que explicam os resultados obtidos por Portugal. Serviço público aproxima–se Segundo o membro da Agência para a So- dos cidadãos ciedade do Conhecimento, Graça Simões, A disponibilização de serviços públicos INFOGRAFI A: RUI ANTUNES /FONTE:COMISSÃO EUROPEIA o Portal da Empresa é “uma das iniciativas online tem contribuído não só para uma mais inovadoras a nível nacional e interna- maior aproximação entre os Estados, mas cional, dada a possibilidade de criar uma também entre o cidadão e o seu governo. empresa online, com custos e burocracia De acordo com o Gabinete do Coordena- mais reduzidos”. Por sua vez, a socióloga dor do Plano Tecnológico, “o relaciona- Fátima Fonseca sublinha a importância do mento dos cidadãos e também das empre- Portal do Cidadão, porque “a organização sas com a administração pública tem vindo dos serviços é feita em função das necessi- a mudar”. Exemplo disso é que em 2007, dades das pessoas e não em função da es- pela primeira vez, o número de declara- trutura orgânica da administração públi- ções fiscais electrónicas ultrapassou as que ca”. Esta é precisamente a base do governo foram entregues em papel, cerca de 3 mi- electrónico: “identificar as necessidades lhões de pessoas usaram a Internet para

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