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Versão integral da edição n.º 151 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Portugal, 02.05.2006. …

Versão integral da edição n.º 151 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Portugal, 02.05.2006.
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  • 1. Nº151 TERÇA-FEIRA, 2 DE MAIO 2006 Edição Gratuita Ano XV Directora: Margarida Matos Entrevista Carlos Reis “Bolonha não é apenas uma reengenharia curricular, mas uma reengenharia de mentalidades” Carlos Reis é a partir de amanhã o novo reitor da Universidade Aberta (UA) e encara como principais objectivos do mandato a actualização do ensino à distância e a cooperação com países de língua portuguesa. Outro dos desafios que enfrenta é ajustar a UA a Bolonha, um processo para o qual nenhu- ma universidade portuguesa está preparada, segundo o catedrático. Em entrevista a A CABRA acusa ainda Governo e universidades de terem uma polí- tica de desqualificação das Humanidades Pág. 5 RUI VELINDRO Cidade Imprensa em crescimento Num curto espaço de tempo, Coimbra vê nascer três novos jornais. O “Jornal da Universidade” e o “Centro” já lançaram cada um dois números, enquanto o “No- vo Jornal” ainda aguarda para ver a luz do dia. Responsáveis dos jornais mais anti- gos saúdam os novos e consideram posi- tiva a concorrência Pág. 8 PÁGS. 10 E 11 -> Reportagem Mercado de droga Num momento em que os jardins da Academia têm chamado as atenções pelos piores motivos, A CABRA foi falar com alguns estudantes que traficam drogas leves. Muitas vezes não é per- ceptível a barreira que separa o consu- midor do traficante, condição essencial entre ser inocente ou culpado Cultura IndieLisboa em Coimbra Os filmes distinguidos no festival interna- cional de cinema independente IndieLis- boa vão ser exibidos no Teatro Académi- ´ EPOCA DE FOGOS co de Gil Vicente na próxima semana. É a primeira vez que a iniciativa sai da ca- pital, esperando–se da parte da organi- zação uma boa adesão PREOCUPA COIMBRA Pág. 15 SUMÁRIO Após os devastadores incêndios flo- Coimbra, considerado dos pontos de protecção civil, a polícia e a Direcção-- restais do Verão passado, A CABRA foi maior risco quanto aos fogos florestais. Geral dos Recursos Florestais. Destaque 2 Especial Queima _ tentar saber o que já foi e o que ainda Os responsáveis do sector apontam Apesar da crónica falta de limpeza das Opinião 4 Ciência 13 Ensino Superior 5 Desporto 14 está a ser feito no campo da prevenção. como principais problemas a escassez zonas e caminhos por parte dos propri- Cidade 8 Cultura 15 No Verão passado, arderam mais de de meios, a indefinição de tarefas e a etários, Coimbra é uma cidade segura, Nacional 9 Viagens 17 quatro mil hectares no distrito de falta de coordenação entre bombeiros, defendem os responsáveis Pág. 2 Tema 10 Artes Feitas 18 Internacional 12 PUBLICIDADE
  • 2. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 2 DESTAQUE - Prevenção de fogos Coimbra prepara–se para combater No Verão passado, arderam mais de quatro mil hectares no distrito de Coimbra A cidade espera a legislação do Serviço Nacional de Bombeiros. Os planos de prevenção aos incêndios devem ser cumpridos por todos os distritos nacionais, mas por enquanto a distribuição das tarefas não está definida Por Sandra Camelo, Ricardo Machado, Wnurinham Silva (texto) e Rui Velindro (fotografia) Por todo o país está a decorrer um missão e o modo como vão coordenar Outro dos problemas que a corpora- de bombeiros sapadores, desemprega- plano de prevenção contra os incêndios funções com os outros agentes, confor- ção de bombeiros enfrenta diz respeito dos, reclusos da penitenciária de Coim- florestais. Os bombeiros de Coimbra, me alega o chefe do Gabinete de Pro- às zonas de “sombra”, o nome dado às bra, e ainda jovens do Instituto Portu- em colaboração com a autarquia, pre- tecção Civil. Por outro lado, o coronel áreas que não conseguem ser vigiadas guês da Juventude que se disponibili- param–se para mais uma época de fo- garante que há uma transferência de através de meios fixos. Estas zonas têm zam para a prevenção de incêndios flo- gos que, de certa forma, pode vir a cargos, pois, por exemplo, “a vigilância de ser complementadas pela vigilância restais. atingir os patamares do ano passado. fixa era da responsabilidade da DGRF e, móvel que é efectuada com jipes, mo- Além destes, também colaboram na No entanto, “face ao pacote legislativo com a nova legislação, passa a fazer tas e bicicletas equipadas com rádios. vigia diária a GNR, a Polícia de Seguran- delineado, há uma certa indefinição so- parte da responsabilidade da GNR que Normalmente, este tipo de vigilância é ça Pública (PSP), a Policia Municipal, a bre as missões, sobre quem é que pra- ainda não tem meios para assumir esta feito pelos Serviços Municipais de Pro- DGRF, a guarda–florestal e ainda algu- tica estas acções” declarou o chefe do função. Logo, ainda está com a DGRF”. tecção Civil, juntamente com equipas mas empresas de celulose. A interven- Gabinete de Protecção Civil, coronel ção passa pela supressão dos combus- Carlos Alberto Gonçalves, que acres- Bombeiros Voluntários com novas instalações tíveis (limpeza do terreno à volta das centou ainda que este facto ocorre povoações), prevenção activa e detec- “porque foram estabelecidas novas mis- As novas instalações da Associação Hu- também de um veículo de combate a incên- ção do começo de fogos florestais. Co- sões ao SEPNA” (Serviço de Protecção manitária de Bombeiros Voluntários de dios urbanos para os Bombeiros Voluntá- mo tal, “requer a operação imediata dos da Natureza e do Ambiente). Coimbra vão ser construídas na via que li- rios. A viatura em questão está orçamenta- profissionais”, afirma o coronel Gonçal- De acordo com o militar, “Coimbra já gará a Avenida da Guarda Inglesa ao Cen- da em 90 mil euros e o presidente da Fun- ves. tem elaborado o plano anual, mas é ne- tro de Saúde de Santa Clara, junto àquele dação Bissaya Barreto, Viegas Nascimen- Há 10 anos que Coimbra tem o siste- cessário rever essa matéria porque a le- que será o novo edifício da Polícia Judiciá- to, assegurou pagar metade da verba. No ma de vigilância montado, o qual tem gislação ainda não saiu, para ver quem ria e ao Forum Coimbra. A notícia foi dada entanto, tem sido difícil juntar este montan- vindo a ser melhorado cada vez mais, assume que cargo”. Carlos Gonçalves pela autarquia durante as comemorações te, até porque o Ministério da Administra- defende o militar. A média da área ardi- afirma ainda que, desta forma, “há uma do 117º aniversário da corporação, no pas- ção Interna já esgotou a dotação financeira da é de cerca de 20 hectares por épo- confusão” devido à alteração de meto- sado dia 23 de Abril. de 2006 destinada a este tipo de equipa- ca, o que “é praticamente insignifican- dologias. “Não há uma coordenação das Além disso, foi também inaugurada uma mentos. te”, considera Gonçalves. acções, quer dos bombeiros, quer de exposição de 80 quadros de vários pinto- Actualmente, o corpo de bombeiros apre- equipas de protecção civil, da Guarda res, na principal sala do Hotel D. Luís, que senta 128 voluntários e uma escola de ca- Chuvas atrasam fogos deste ano Nacional Republicana (GNR), ou mesmo serão vendidos num jantar–leilão a realizar detes com 25 alunos. Nos últimos quatro O facto de em 2006 as chuvas se te- da própria Direcção–Geral dos Recursos no dia 12 de Maio. O objectivo consiste na anos, a corporação, juntamente com a Pro- rem prolongado até mais tarde é bené- Florestais” (DGRF), afirma. angariação de fundos destinados não só à tecção Civil aumentou em mais de um ter- fico, devido ao atraso de todo o proces- Porém, cada departamento tem ela- aquisição de materiais de protecção mas ço o número de elementos. so legislativo, que está dependente do borado aquilo que considera ser a sua Serviço Nacional dos Bombeiros.
  • 3. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA 3 Prevenção de fogos DESTAQUE os incêndios florestais “Como é de conhecimento geral, o ano de 2005 foi um ano de pandemónio devido às grandes proporções que os incêndios atingiram”, declara o coronel Gonçalves. Dados da DGRF indicam que até ao dia 8 de Setembro de 2005 arde- ram, em todo o país, 286.383 hectares de povoamentos e matos, registando- –se 32.553 ocorrências. O número de fogachos (fogos com menos de um hec- tare de área ardida) foi de 25.339. As zonas do Litoral Centro e Norte foram as áreas mais fustigadas. O distrito de Coimbra é um dos pon- tos do país considerados de maior risco em incêndios florestais. O coronel Car- los Gonçalves recorda que, “até ao dia 10 de Agosto, Coimbra era o distrito com menos área ardida em todo o país. Entre o dia 10 e 30 de Agosto passou a ser o distrito com maior área ardida, atingindo os 4.138 hectares”. Este ponto de situação “não deve ser considerado como uma falha na forma- ção e empenho dos bombeiros”, pois o militar considera que “nem sempre são as falhas da protecção civil, da prepara- ção da vigilância e da detecção dos fo- Para os responsáveis da protecção civil, “os meios nunca são suficientes” gos que causam os incêndios”. O coro- nel adianta ainda que “os dois grandes da que, “em cada incêndio que nasce ções têm de ser limpos até 100 metros No entanto. “isto não faz com que incêndios que ocorreram no ano passa- em Coimbra, imediatamente ocorrem e passam a ser da responsabilidade de Coimbra deixe de ser uma cidade segu- do foram importados, ou seja, vieram a ao local três viaturas e 15 homens, o cada câmara municipal. A limpeza des- ra”, frisa o coronel Gonçalves. As corpo- arder desde Cantanhede e Mealhada e que extingue à partida 90 por cento dos tas zonas custa cerca de 150 mil euros rações esperam ainda a aquisição de entraram em Coimbra às 21h30 de um incêndios”. Contudo, acrescenta que, e têm de ser limpas de três em três uma carrinha de caixa aberta, com kits domingo, com uma frente de 13 quiló- “se for uma zona de risco, em vez de anos. especializados para a primeira interven- metros”. O chefe do Gabinete de Pro- três viaturas, ocorrem logo seis veícu- A negligência, o desleixo, o vandalis- ção de combate aos incêndios, duas tecção Civil refere ainda a dificuldade los, dois de cada corporação (os Bom- mo, a piromania, e, acima de tudo, as moto–quatro igualmente equipadas de prever a situação, o que permitiu beiros Sapadores, Voluntários e de queimadas são outras das causas que com kits, uma viatura da protecção civil “que o fogo se propagasse durante a Brasfemes)”. contribuem para o constante acréscimo e mais oito bicicletas. Depois de Lisboa noite”. dos incêndios florestais. e Porto, a Câmara Municipal de Coimbra Além disso, Carlos Gonçalves conside- Falta de limpeza Questionado sobre os fundos econó- é das que mais gasta com os bombei- ra que a operação de protecção civil foi em área florestal micos e materiais, o chefe da protecção ros, com cerca de 140 operacionais. “exemplarmente desencadeada”. Ape- A questão da prevenção dos incên- civil declarou que “os meios nunca são Entre 2000 e 2005 arderam em Portu- sar das “circunstâncias únicas e espe- dios e da sua propagação tem vários suficientes, da mesma forma que os gal mais de um milhão de hectares, re- ciais que criaram a propagação do in- factores, entre os quais se encontram a meios humanos falham às vezes. O que gistando–se mais de 160 mil ocorrên- cêndio”, o coronel salienta que este “foi não preparação em matéria de limpeza dá mais trabalho para preparar estas cias. Face às condições adversas de se- rapidamente circunscrito”, mas não sem das zonas e caminhos. O que está de- acções de prevenção de fogos florestais ca que se têm verificado nos últimos antes arderem, por projecção de partí- terminado desde 2005 é que todas as é a obtenção de fundos para realizá- anos, e tendo em conta os números re- culas incandescentes, seis casas. pessoas que têm casa num espaço flo- –las.” Embora o coronel considere que velados, é importante que a prevenção Para que uma operação tenha êxito, é restal são obrigados a limpar a área os meios são suficientes, Coimbra não dos incêndios se realize em todas as necessário que os fogos sejam detecta- num raio de 50 metros. A respectiva possui um autotanque de grande porte, estações, visto que os fogos não se dos precocemente e combatidos o mais limpeza é da responsabilidade dos pro- viatura que transporta cerca de 30 mil combatem apenas no Verão, “previ- forte e rapidamente possível, explica prietários da casa ou do terreno. Os litros de água, o que torna difícil contro- nem–se durante todo o ano”, lembra Carlos Gonçalves. O militar destaca ain- aglomerados com mais de nove habita- lar um incêndio de grandes dimensões. Gonçalves. PUBLICIDADE
  • 4. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 4 OPINIÃO Editorial Propinas para quem? A euforia da novidade O colega Isaque Santos publicou no último número da Cabra bres quem financia o ensino dos ricos. Conclusão: mais justiça O Forum abriu. De repente, a cidade mudou-se um artigo em defesa das propinas, sugerindo que são legítimas fiscal? Não: cobrar o ES a todos, tornando-o ainda mais inaces- para o Planalto de Santa Clara, e com ela as filas e que deveríamos aceitá–las e lutar antes por um melhor siste- sível aos pobres! intermináveis de trânsito, em busca da novidade, ma de bolsas. É certo que uma coisa não implica logicamente a outra, mas repetindo um cenário semelhante ao de há um Note–se o economicismo do texto: desenvolvimento de voca- estrategicamente: que governo se daria ao trabalho de subir as ano, na Solum, na abertura do Dolce Vita. ções, realização pessoal, gosto desinteressado por uma maté- propinas e ao mesmo tempo subir na mesma medida as bolsas, Bem vistas as coisas, o Forum traz benefícios à ria - tretas! O estudante não passa de um “homo economicus”, para compensar a injustiça resultante? Teria de subi–las não só cidade: promove postos de trabalho, traz até nós de quem só se espera que “invista” em si mesmo como “capi- em quantia, para não prejudicar os bolseiros existentes, mas a Fnac (numa cidade de estudantes ávidos por tal” e não aspire a mais que vender–se caro no mercado de tra- também em número, para acorrer aos novos estudantes que livros e música) e, mais importante de tudo, dá balho. passaram a carenciados pelo aumento. Sendo pragmático, pa- vida à margem esquerda da cidade, completa- Mas independentemente desta crítica mais teórica, a argu- ra isso não subia as propinas. mente ignorada, à excepção das festas académi- mentação é criticável mesmo dentro da sua lógica mercantil. É No topo da escala social, a vida segue como sempre. No cas. Por outro lado, a aposta de ceder o comércio essa critica em termos estritos, os da mera “lógica de financia- meio, e ainda mais na difusa fronteira com a base, parece–nos da cidade a grupos privados ameaça seriamente mento”, que vamos desenvolver. que o empobrecimento não é de todo compensado por um au- as pequenas lojas da Baixa, e não parece que Isaque Santos vê correctamente que a educação é uma mer- mento de bolsas. A título de exemplo (insuficiente), um artigo uma obra faraónica e algo misteriosa como a cadoria peculiar: não existe um só sistema de educação pura- de Elísio Estanque e João Arriscado Nunes na Revista Crítica de cobertura do espaço resolva o problema. mente privado no mundo. Quantos físicos teríamos ao preço Ciências Sociais de Outubro de 2003 estimava que 47 por cen- A aposta, no entanto, não deve partir só da real do seu curso? Portanto, a sociedade to dos estudantes da UC provinha das autarquia. Os pequenos comerciantes nunca se no seu todo, que beneficia em ter uma classes teoricamente mais desfavoreci- prepararam para a chegada das grandes superfí- população formada, deve financiá–la “Antes um punhado de das. Juntando a categoria híbrida dos cies e, desde 1993 (quando abriu o Coimbra através do Estado. Trabalhadores por Conta Própria, eram Shopping) que se multiplicam os trespasses. A Qual é então a justificação de haver 59 por cento. Segundo os SASUC, 20 não modernização de instalações e a recusa em propinas? É que, para além da vantagem estudantes pagar de por cento dos alunos têm bolsa. abrir ao sábado à tarde ou ao domingo (à social, haveria uma vantagem “privada” Existe já um organismo especializado excepção do Natal) conduz a uma situação de que os estudantes retirariam da “fruição menos que uma na difícil contabilidade das contribuições crise, colocando o pequeno comércio a fazer o directa do bem” Ensino Superior (ES), na sociais: o fisco. Se o fisco, com o seu papel de parente pobre no meio da guerra de forma de melhores remunerações futu- enormidade deles aparato humano e técnico, tem dificul- consumo entre a Amorim Imobiliária e a Multi- ras, que seria justo que pagassem. dades em fazer com que cada um pa- Development (um Portugal-Holanda dos centros Essa vantagem já é paga, na forma de gue o que é justo, não se vê como uma comerciais, numa altura em que se aproxima o futuros impostos mais altos. Qual é a pagar demais, ou nem miríade de serviços de acção social uni- Mundial). justiça de pagá–la uma segunda vez? versitária conseguiria melhor. Se o ob- Entretanto, e talvez aproveitando a euforia da Mas não nos apressemos. Alarguemos chegar à universidade” jectivo é, como Isaque Santos diz, a novidade, a cidade vê nascer três novos jornais, esta lógica. Não é “justo” que um estu- igualdade, é mais fácil subir os impostos todos diferentes: um gratuito, dirigido à comu- dante de Medicina pague o mesmo que nos escalões mais altos, e às empresas, nidade universitária; um pago, apresentando-se um estudante de Letras - propinas diferenciadas por curso se- que aumentar propinas e desenvolver depois um bizantino sis- como o renascer das cinzas do “Jornal de riam a solução. E porque não ir para além da Universidade, exi- tema de bolsas para compensar as desgraças. Antes um punha- Coimbra”, e uma publicação mais arrojada, que gindo por exemplo propinas altíssimas no Centro de Estudos Ju- do de estudantes pagar de menos que uma enormidade deles ainda aguarda data de lançamento. Três jornais diciários? Os juízes que de lá saem têm remunerações chorudas pagar demais, ou nem chegar à universidade. Mais vale um cri- que vêm em boa altura, uma vez que os actuais pela frente, e cremos que não lhes é cobrada qualquer propina. minoso livre que nove justos presos. (principalmente os diários) já se estavam a aco- Esperamos ver Isaque Santos na linha da frente dessa reivindi- É que ao obstáculo económico junta–se o cultural. Pierre modar. cação. Bourdieu mostrou há décadas como os filhos das classes altas Numa cidade que tem três cursos de comuni- As possibilidades são infinitas, e justamente por isso preve- têm mais hipóteses de ter notas altas e caber nos numerus cação social, não choca o surgimento de novos mos dificuldades práticas, pois (1) no plano individual, é impos- clausus. Mesmo um ES público e gratuito não acabaria com as títulos. No entanto, há uma questão fulcral: não sível prever a remuneração futura de cada estudante, (2) no desigualdades, mas atenuá–las–ia. O que os defensores das se faz um jornal só com jornalistas, tem de haver plano colectivo, as estratificações profissionais não têm fim e propinas defendem é que ao obstáculo do capital cultural se leitores. E será que há leitores para três novos (3) também elas mudam de forma imprevisível. junte o do capital económico. É uma reacção que se coaduna jornais? A pergunta fica no ar, assim como a dúvi- Subjaz a isto um raciocínio curioso: a propina seria uma for- com o facto de até as elites sentirem a corda ao pescoço, mas da de qual será o próximo sector em Coimbra, ma de diminuir as desigualdades sociais. A ideia é que nas con- há sempre quem na sua candura julgue tudo isto conciliável depois dos centros comerciais e da imprensa, a dições específicas portuguesas são os mais desfavorecidos a fi- com lenga–lengas de qualificação e choque tecnológicos. ser afectada com a euforia da novidade. João nanciar o grosso dos serviços públicos, ES incluído, ao qual to- José Reis, estudante de Sociologia da Universidade de Campos davia acede só uma minoria. Mais caricaturalmente: são os po- Coimbra Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Contribuinte nº500032173 Directora Margarida Matos Chefe de Redacção Vítor Aires Editores: Rui Velindro (Fotografia), Olga Telo Cordeiro (Ensino Superior), João Campos (Cidade), Rui Simões (Nacional/Internacional), Sandra Pereira (Ciência), Bruno Gonçalves (Desporto), Bruno Vicente (Cultura), Cláudio Vaz (Viagens) Secretária de Redacção Sandra Ferreira Secção de Jornalismo, Paginação Nuno Braga, Tiago Carvalho Webdesign ACABRA.NET Daniel Sequeira, João Pereira, Marco Fernandes, Tiago Gaspar Redacção Ana Beatriz Rodrigues, Ana Luísa Associação Académica de Coimbra, Silva, Ana Martins, Ana Rita Faria, André Ventura, Carina Ferreira, Catarina Frias, Daniel Boto, Eunice Oliveira, Gonçalo Ribeiro, Helder Almeida, Inês Rodrigues, Inês Subtil, Rua Padre António Vieira, Jens Meisel, Joana Gante, Joana Nunes, Liliana Figueira, Marisa Ferreira, Marisa Soares, Marta Costa, Martha Mendes, Patrícia Cardoso, Patrícia Costa, Paula Monteiro, Pedro 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Galinha, Rafael Pereira, Raquel Mesquita, Ricardo Machado, Rita Soares, Rui Antunes, Rui Pestana, Salvador Cerqueira, Sandra Camelo, Sandra Henriques, Sara Simões, Sérgio e-mail: acabra@gmail.com Miraldo, Sofia Piçarra, Sónia Nunes, Soraia Manuel Ramos, Suzana Marto, Tânia Ramalho, Wnurinham Silva Fotografia Ana Maria Oliveira, Carine Pimenta, Daniel Palos, Fausto Moreira, Freddy Miguel, João Madureira, Liliana Gonçalves, Martha Morais, Miguel Meneses, Rui Pestana, Simão Ribau Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Laura Cazaban, João Pedro Pereira, Kossaqui, Rafael Fernandes, Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Rui Maia, Tiago Almeida Colaboraram nesta edição Ana Raquel Melo, Carla Santos, Cláudia Sousa, João Oliveira, João Pimenta, Luísa Silva, Sandra Alves Publicidade Cláudio Vaz, Tiago Carvalho - 239821554; 96 32 333 08 Logotipo Omar Diogo Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
  • 5. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA ENSINO SUPERIOR 5 Carlos Reis “ Nenhuma universidade portuguesa está preparada para Bolonha O professor catedrático, que toma posse amanhã como reitor da Universidade Aberta ” HELENA PAULINO co em Portugal descobriu o fascínio da ciência e da tecnologia. O governo aperce- beu–se da necessidade de pôr o país com o passo certo quanto ao desenvolvimento (UA), insurge–se contra a tecnológico relativamente a outros países e desqualificação das não tenho nada contra isso. Mas tenho humanidades. Apesar quando isso gera um novo poder que põe em causa a matriz cultural humanística que do novo cargo, o professor é parte da nossa memória. É redutora e continuará a leccionar culturalmente devastadora a política de na Faculdade de Letras desqualificar e até fazer risota em torno das Humanidades e isto tem que ver com o da Universidade de Coimbra facto de, também por culpa das universida- des, termos estado a formar licenciados Ana Raquel Melo para o desemprego. Inês Rodrigues O facto de ter feito o seu percurso Foi eleito reitor da UA a 5 de Abril. de formação académica em Coimbra Que projectos pensa concretizar no vai levá–lo a encarar o cargo de forma mandato? especial? É presunçoso e prematuro dizer que se Essa é uma questão curiosa. Estou na quer mudar tudo. O sentido de instituição Universidade de Coimbra (UC) mas não co- é pouco compatível com a drástica mudan- lado a Coimbra. Acho extremamente fecun- ça; é compatível, sim, com a reforma. do trabalhar noutros lugares. Fui director Pretendo ajustar a UA ao processo de da Biblioteca Nacional e professor visitante Bolonha, porque ela tem nesse aspecto um “A UC é extraordinariamente resistente à mudança; a inércia é a regra do jogo.” noutras universidades. O que eu aprendi potencial que as outras universidades pre- nesses anos foi incrível. Só tenho pena de senciais não têm. E construir um plano es- não vai às aulas. Provavelmente é porque facto de os graus académicos estarem a não ter podido activar esses conhecimen- tratégico para os próximos quatro anos: estes não lhes fazem falta. Não é porque as ser regidos por um ritmo mais intenso. tos aqui, porque nesse aspecto a UC é ex- uma universidade recente não se desenvol- propinas são baratas, porque já não são, Quer–se que no processo de Bolonha se traordinariamente resistente à mudança; a ve se não souber para onde quer ir. Tam- não é porque têm que trabalhar, porque cumpram três ciclos num lapso temporal de inércia é a regra do jogo. bém quero tentar resolver um problema hoje já poucos têm que trabalhar, provavel- oito anos. Mas há uma aceleração que nun- muito grave de instalações. Outro aspecto mente não vão porque a aula não interes- ca deve ser radical: a do nosso pensamen- Considera esta eleição como o cul- é apostar na cooperação, sobretudo com sa ou são preguiçosos ou o professor falta. to, e nisso não há nenhum computador que minar de uma longa carreira académi- os países de língua oficial portuguesa, da ajude. ca? língua e cultura portuguesa e em língua Refere frequentemente o conceito A vida é decidida por pequeninos acasos, portuguesa. Quero ainda acelerar a actua- “ensino à distância” no programa de Pensa que o Ensino Superior se tem incidentes que parecem não ter importân- lização da UA na metodologia de ensino à candidatura. Este tipo de ensino vai vindo a tornar elitista? cia alguma. De repente, há alguma coisa distância. suplantar o convencional? Na minha geração, quem ia para a uni- que vem e muda tudo. Portanto, não é o É, cada vez mais, uma alternativa impor- versidade era uma minoria que correspon- culminar nem o seu contrário, é uma eta- A UA está preparada para a declara- tante. Há 20 anos, o ensino à distância era dia à elite económica e social. Nas franjas pa. Depois, será o que for, desde que eu ção de Bolonha? a porta traseira de acesso ao ensino. Hoje disto, como era o meu caso, eram pessoas seja feliz, isso é o que me importa. Nenhuma universidade portuguesa está é, mais do que um modo de ser, um mode- com bolsas. Hoje há outras possibilidades, preparada. Bolonha coloca–se nos mesmos lo. É uma alternativa ao presencial mas, mas houve outros factores de perversão no Perfil termos que a integração de Portugal na por enquanto, é preferível estar numa aula sistema. Os estudantes das faculdades Carlos Reis nasceu nos Açores há 56 União Europeia. Não faz sentido saber se com os alunos. Os modos técnicos de se economicamente potentes, como medici- anos. Licenciou–se em Filologia Românica estamos de acordo com a integração, é lá chegar à distância são cada vez mais sofis- na, vêm de agregados familiares e estratos e doutorou–se em Literatura Portuguesa na que temos de funcionar. ticados e trabalham cada vez mais em tem- socio–económicos que lhes permitiram o Faculdade de Letras da Universidade de O processo não é apenas um caso de po real. Isso dá um potencial considerável acesso a escolas, explicações, livros, que Coimbra, onde é professor catedrático des- reengenharia curricular, mas de reenge- de hipóteses de trabalho. os outros não tiveram. Os que hoje estu- de 1990. Leccionou em várias universida- nharia de mentalidades. Existem em Portu- dam Línguas e Literaturas Modernas ou des estrangeiras. Coordena, desde 1992, a gal universidades a mais para a nossa si- Este ensino adequa–se mais às exi- História são alunos que muitas vezes não Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós tuação demográfica. gências da sociedade? puderam ou não tiveram nota para estudar e é director da revista “Queirosiana”. Foi di- Um dos aspectos importantes de Bolonha Permite trabalhar mais depressa; como outra coisa. rector da Biblioteca Nacional de Lisboa en- é a referência à responsabilização do estu- dizia Álvaro de Campos, “ser toda a gente tre 1998 e 2002. É doutor “honoris causa” dante. E não me pode ser indiferente o que em toda a parte”. Por muito que seja pos- Defendeu que as Humanidades es- pela Pontifícia Universidade Católica do Rio se está a passar nesta faculdade de Letras: sível acelerar o tempo, há um tempo hu- tão em crise. O sistema de ensino su- Grande do Sul. Foi eleito reitor da Universi- a consciência tranquila que os órgãos de mano de reflexão e sedimentação que de- perior contribui para essa situação? dade Aberta no passado dia 5 de Abril. gestão têm de que 40 por cento dos alunos ve ser preservado. Preocupo–me com o Contribui, na forma como o poder políti-
  • 6. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 6 ENSINO SUPERIOR Avaliação internacional a 10 instituições arranca já este mês PAULA MONTEIRO A Organização de Cooperação carem os pontos fracos e os pontos for- e Desenvolvimento Económico tes, e assim nos apontarem novos cami- (OCDE) vai analisar o ensino nhos” afirma ainda. A vice–reitora para o acompanhamento superior português e de avaliação de cursos garante que o pro- compará–lo com o sistema cesso avaliativo não está vinculado à De- europeu claração de Bolonha, apesar de coincidir com a implementação deste último. No entanto, vê uma relação entre os dois Helder Almeida processos, “na medida em que é imple- Joana Nunes mentada uma cultura da avaliação a todos os níveis: pedagógica, do sistema e da A Universidade de Coimbra (UC) é uma gestão da avaliação”. das 10 instituições seleccionadas pelo Mi- O director–geral do Ensino Superior, An- nistério da Ciência, Tecnologia e Ensino tónio Morão Dias, destaca a transparência Superior (MCTES) para ser avaliada inter- de todo o processo. “É um projecto com- nacionalmente. Trata–se de uma análise pletamente independente do poder políti- extensiva que tem como um dos princi- co”, assegura, “uma vez que as entidades pais objectivos aconselhar e orientar a responsáveis são estrangeiras e gozam de reorganização e racionalização do sistema toda a credibilidade”. Segundo o mesmo, de ensino à luz das melhores práticas eu- “o MCTES e a Direcção Geral do Ensino ropeias. Superior apenas intervêm financeiramen- “É um processo que pode trazer muitos te, prestando apoio logístico à equipa de benefícios”, afirma a vice–reitora Cristina peritos”. Robalo Cordeiro, que assegura que “esta O concurso de avaliação do ensino por- avaliação pode trazer contributos muito A Universidade de Coimbra é uma das escolhidas para ser sujeita a avaliação internacional tuguês aberto pelo MCTES teve 42 candi- importantes ou para a continuação do tra- daturas. Mas o júri apenas seleccionou 10 balho que a UC actualmente desenvolve qualidade das universidades e dos politéc- em Lisboa, no mês de Dezembro. instituições, tendo como base o acordo ou para uma eventual mudança”. nicos. A visita vai incluir ainda um conjun- estabelecido em Novembro de 2005 entre A acção foi solicitada pelo Governo por- to de várias entrevistas e contactos insti- Descobrir a vocação da UC o Governo português e a AEU. tuguês à OCDE e será conduzida pela As- tucionais, de forma a garantir a indepen- Cristina Robalo Cordeiro defende que o Para além da UC, também as universi- sociação Europeia das Universidades dência da avaliação. relatório final “não deve ter apenas uso dades de Évora, Fernando Pessoa, Lusó- (AEU), em conjunto com a Rede Europeia No final do processo vai ser produzido interno, mas deve ser discutido nas facul- fona e Algarve foram escolhidas. Os Insti- para a Garantia da Qualidade no Ensino um relatório concludente que deverá in- dades, com os estudantes”. A vice–reitora tutos Politécnicos de Bragança, Porto e Superior. cluir elementos sobre os mecanismos de pensa “ser necessário examinar a qualida- Leiria, a Academia Militar e a Escola Supe- Durante a segunda quinzena de Maio, governação, as regras de acesso, a auto- de do serviço que é prestado pela institui- rior de Hotelaria e Turismo do Estoril en- uma equipa de peritos europeus, america- nomia institucional, os recursos financei- ção, saber qual a verdadeira vocação da cerram o grupo. nos e canadianos vai visitar Portugal. O ros, a internacionalização e outras políti- UC, se é o ensino, a investigação ou am- O processo de avaliação, que vai estar propósito do grupo de avaliadores, que foi cas relevantes relacionadas com o ensino. bas, perceber o tipo de relação que se es- concluído até final de 2006, engloba tam- seleccionado pela AEU, em conjunto com O documento vai ser então tornado públi- tabelece com o mundo empresarial e que bém a análise das actividades conduzidas a Associação Europeia de Instituições de co, após discussão e aprovação no Comi- género de preocupações sociais existem”. durante os últimos anos pelo Conselho Ensino Superior, é fazer um diagnóstico à té de Educação da OCDE, que se realiza “Esta pode ser uma forma de nos identifi- Nacional de Avaliação do Ensino Superior. Ambiente em destaque no auditório da reitoria Estudantes e Grupo de tudes ambientais e à sua repercussão no ticas, discutindo a possibilidade de inclusão Ciências Farmacêuticas, no binómio saú- Reflexão e Acção Ambiental planeta. de disciplinas no curso, como áreas opcio- de/ambiente”. da Universidade promovem A iniciativa, organizada pelo Eqofar (Es- nais de estudo ligadas ao plano ambiental. A fundadora do Eqofar salienta ainda tudantes de Química Orgânica da Faculda- Vai ser ainda apresentado o filme “A ter- que é prioritário “cuidar hoje do futuro das amanhã um Seminário de de Farmácia) em parceria com o Grau ra, um planeta aterrador”, um trabalho rea- próximas gerações de forma regrada e de Saúde, Ambiente e (Grupo de Reflexão e Acção Ambiental da lizado por alunos estagiários do departa- conscienciosa”, tendo em vista o desenvol- Desenvolvimento Sustentável Universidade) e com o NEF (Núcleo de Es- mento de Ciências da Terra. De seguida vai vimento sustentável. O Eqofar aproveita tudantes de Farmácia), realiza–se amanhã, discutir–se a política ambiental da Faculda- também para dar a conhecer o seu traba- dia 3, no Auditório da Reitoria da Universi- de de Farmácia da Universidade de Coim- lho e a forma como vem sendo desenvolvi- Sandra Alves dade de Coimbra, entre as 9 e as 18 horas. bra (FFUC) para os próximos tempos e di- do a título extra curricular, de forma volun- Eunice Oliveira O seminário tem como objectivo fulcral a versos temas polémicos relacionados com tária, na área da química orgânica. consolidação de parâmetros ambientais, o ambiente. Embora ainda haja poucas inscrições por Com o Seminário de Saúde, Ambiente e saúde ambiental e perspectivas futuras. De acordo com a presidente da comissão parte dos alunos da FFUC, Maria José Mo- Desenvolvimento Sustentável pretende–se O programa inclui um conjunto de sete organizadora do seminário, Maria José Mo- reno espera “uma adesão massiva por par- sensibilizar a sociedade para as questões conferências, apresentação de painéis e reno, o evento “procura ainda alertar, den- te de participantes externos à faculdade e do ambiente, nomeadamente para o seu uma mesa redonda. Um dos painéis vai de- tro da faculdade de Farmácia, para a ne- à cidade de Coimbra, já que o seminário peso em termos de saúde. A intenção é as- bater propostas de alterações curriculares cessidade de um maior empenhamento e conta com a participação de oradores de sim conduzir à consciencialização das ati- no plano de estudos de Ciências Farmacêu- trabalho, por parte da licenciatura em qualidade”.
  • 7. 2 MAIO DE 2006- A CABRA ENSINO SUPERIOR 7 OCDE sugere propinas mais altas para Portugal RUI VELINDRO Num estudo sobre a economia pagassem uma taxa, depois de se licen- portuguesa, a OCDE defende ciarem, quando já tivessem emprego. Lo- que o ensino superior é elitista pes da Silva chama a atenção para o fac- to do presente relatório não corresponder e propõe o aumento de bolsas e à análise ao sistema de ensino superior empréstimos português que foi encomendada pelo Mi- nistério da Ciência, Tecnologia e do Ensi- no Superior. Desta forma, o presidente do Ana Beatriz Rodrigues CRUP considera prematuro tirar ilações do que foi publicitado. A Organização para a Cooperação e De- senvolvimento Económico (OCDE) classi- Insucesso também preocupa OC- ficou, num relatório que apresentou a 20 DE de Abril, como injusta e ineficaz a actual Outro dos pontos que, segundo a orga- Lei de Bases do Financiamento do Ensino nização, deve merecer muita atenção das Superior Português. políticas públicas prende–se com as ele- Segundo o mesmo estudo, o actual sis- vadas taxas de insucesso e abandono es- tema beneficia os mais ricos, destacando colares. Para a OCDE, a solução para o que “as propinas nas instituições públicas problema passa pela diversificação das são relativamente baixas, enquanto as ofertas educativas e pelo aumento da contrapartidas salariais para os detento- qualidade de ensino. Desenvolver uma res de um diploma são altas”. maior capacidade científica, de autono- Para resolver a situação, a OCDE pro- O aumento das propinas não é uma solução consensual mia e prestação de contas por parte das põe o aumento das propinas, a par de um instituições, a par de um sistema de acre- sistema de empréstimos e bolsas para os des, com vista a melhorar as condições aquilo que a OCDE diz é completamente ditação, são passos essenciais para a me- mais necessitados, visto que actualmente de ensino. falacioso”. O dirigente associativo afirma lhoria do ensino superior. apenas cerca de um quarto dos alunos re- De acordo com o reitor da Universidade que o estudo parte de um pressuposto A racionalização da oferta, englobando cebem ajuda monetária. de Coimbra (UC), Seabra Santos, é ne- errado, que conduz cada vez mais a uma a fusão e encerramento de instituições, o O estudo defende ainda que os recur- cessário “reflectir maduramente sobre a elitização do ensino, na medida em que fecho de cursos com poucos alunos e sos adicionais permitiriam aumentar a questão”, pois “algumas considerações “só os estudantes que têm dinheiro é que uma reestruturação das formações são qualidade do pessoal docente e da inves- merecem reparo”. O reitor sublinha, con- já estão no ensino superior, por isso va- mais algumas das medidas propostas. tigação. Os peritos da OCDE crêem que, tudo, que a OCDE “detém credibilidade, mos exigir mais desses estudantes”. A organização internacional está con- se os estudantes pagassem propinas mais já que é uma instituição preocupada com Já o presidente do Conselho de Reitores victa que as medidas ajudariam Portugal altas, passariam a estar mais atentos à questões de igualdade e acesso universal das Universidades Portuguesas (CRUP), a ter um sistema de ensino mais justo e qualidade e às matérias oferecidas, po- ao estudo e ao ensino superior”. José Lopes da Silva, afirma que “este es- eficiente, tendo como base objectivos dendo, desta forma, exercer uma maior Para o presidente da Direcção–Geral da tudo não constitui qualquer novidade no que se prendem com um apoio mais am- pressão sobre as instituições para que es- Associação Académica de Coimbra que respeita a propinas”, defendendo, po- plo do Estado aos mais necessitados e na tas dessem respostas às suas necessida- (DG/AAC), Fernando Gonçalves, “tudo rém, que seria preferível que os alunos redução da taxa de insucesso escolar. Aprendizagem e ensino em debate “Cérebros” africanos ficam em Portugal Raquel Mesquita A utilidade de instrumentos de avalia- Olga Telo Cordeiro bolsas pretenderem ser um estímulo ao de- ção, como testes neuropsicológicos, re- senvolvimento do país de origem. O gover- O VIII Congresso Internacional e Multi- centemente adaptados à população esco- Ao contrário das expectativas, as bolsas nante revelou que já em finais de Julho o disciplinar vai reunir quinta e sexta–feira, lar portuguesa, e necessários para o co- de estudo atribuídas pelo Governo portu- sistema de candidaturas a bolsas vai ser al- 4 e 5 de Maio, no Auditório da Reitoria da nhecimento de função cognitiva, é outro guês a estudantes de Países Africanos de terado, visto que o problema já está sinali- Universidade de Coimbra, investigadores dos temas a ser discutido. Língua Oficial Portuguesa têm como efeito a zado. nacionais e estrangeiros, para uma dis- De maneira a orientar a melhoria do en- sua fixação em Portugal, não levando ao de- O Instituto de Apoio ao Desenvolvimento cussão sobre práticas de ensino e melho- sino e da aprendizagem, o evento vai pro- senvolvimento dos países de onde provêm. (IPAD) pretende privilegiar a partir de agora ria da aprendizagem. curar discutir as dificuldades de aprendi- Esta é a principal conclusão de um relatório bolsas de mestrados e doutoramentos, em O evento, dedicado ao tema “Aprendiza- zagem e os comportamentos desviantes. da Organização do Comércio e Desenvolvi- detrimento das licenciaturas e seleccionar gens Escolares e Funções Cognitivas - De- O evento, que vai contar com a presen- mento Económico (OCDE), que avalia as po- bolseiros directamente em instituições afri- senvolvimento, Avaliação e Intervenções”, ça de especialistas de diferentes áreas líticas de cooperação em Portugal. canas, atribuindo as bolsas a estudantes é promovido pelo Centro de Psicopedago- disciplinares como Psicologia, Ciências da De acordo com o Comité de Ajuda ao De- com regresso garantido. O organismo que gia (unidade de investigação da Fundação Educação, Genética, Medicina, Neurociên- senvolvimento da organização internacional, integra o Ministério dos Negócios Estrangei- para a Ciência e a Tecnologia), em colabo- cias, Filosofia, Física, Matemática e Eco- Portugal deve repensar o que considera ser ros admite a falta de pessoal com formação ração com o Serviço de Avaliação Psicoló- nomia, pretende apresentar práticas pe- “questionáveis benefícios” destes apoios fi- em cooperação, o que constitui outra das gica da Universidade de Coimbra. dagógicas e analisar estratégias nos dife- nanceiros. críticas patentes no relatório, divulgado no A partir de modelos teóricos e resulta- rentes níveis escolares. Em declarações ao jornal “Público” o se- dia 27 de Abril. dos de investigação empírica relativos às O evento vai ainda procurar compreen- cretário de estado dos Negócios Estrangei- Neste ano lectivo, o IPAD atribuiu a estu- aprendizagens escolares, o evento vai der os efeitos dos medicamentos nas fun- ros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, dantes de cinco países africanos lusófonos procurar reflectir sobre o papel do ensino, ções cognitivas e o desenvolvimento de admite que muitos estudantes africanos 55 bolsas para licenciados, 57 para mestra- dos valores na educação e da aquisição de testes cognitivos para avaliar o início de acabam por ficar no nosso país depois de dos e pós-graduações e 23 para cursos de conhecimentos. problemas de cognição nos adultos. terminar as suas formações, apesar de as doutoramento.
  • 8. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 8 CIDADE Mais jornais em Coimbra Três novos títulos chegam às bancas RAQUEL MESQUITA “Jornal da Universidade” e “Centro” já lançaram dois números. “Novo Jornal” ainda não tem data de lançamento João Campos Sofia Piçarra Soraia Manuel Ramos A imprensa regional em Coimbra está em crescimento, com o aparecimento de três jornais. Ao “Jornal da Universi- dade”, lançado a 1 de Março, e ao “Cen- tro”, com o primeiro número a 12 de Abril, junta–se o “Novo Jornal”, que aguarda uma data definitiva para publi- cação (ver caixa). As questões do mer- cado e da concorrência são aspectos sublinhados pelos responsáveis dos ór- gãos de comunicação da cidade. No entender do professor da Faculda- de de Letras da Universidade de Coim- bra (FLUC), Carlos Camponez, “para o cidadão comum é sempre positivo haver novos jornais, porque a escolha é alar- gada a novos conteúdos”. A ideia é partilhada pelos membros “Jornal da Universidade” e “Centro” já viram a luz do dia, “Novo Jornal” aguarda data de lançamento dos diários regionais. “O aparecimento de novos jornais não deve preocupar Colmatar lacunas A independência reflecte–se na perio- gos e gratuitos, mas é a favor dos pri- aqueles que já existem”, refere o direc- Jorge Castilho justifica a fundação do dicidade, “que poderia ser semanal pela meiros, “porque há um compromisso tor adjunto do “Diário As Beiras”, Soares “Centro” com a necessidade de ocupar quantidade de acontecimentos na uni- entre quem faz os jornais e quem os Rebelo, acrescentando que “deve ser “um espaço deixado em branco pelo versidade, mas teria custos quatro ve- compra e não com os anunciantes”. No um estímulo para que se faça mais e ‘Jornal de Coimbra’ (JC), que muitas zes maiores do que um jornal mensal”, entanto, Jorge Castilho compreende a melhor”. O director do “Diário de Coim- pessoas sentiram não ser ocupado por que é distribuído gratuitamente. gratuitidade do “Jornal da Universida- bra”, Adriano Lucas, entende que “a outros jornais”. O director ambiciona Sendo um jornal pago, as leis do mer- de”, uma vez que é dirigido “a um públi- pressão da concorrência é benéfica e le- “um máximo de rigor para reconquistar cado vão ditar a regularidade do “Cen- co–alvo, os estudantes universitários, va–nos a novas iniciativas”. a confiança que o JC tinha conseguido”. tro”, actualmente quinzenal. O director que não têm muito dinheiro para com- O docente da FLUC afirma que “um A aposta na juventude é a lógica dos acredita haver espaço para jornais pa- prar jornais”. dos mercados dos media que ainda po- dois projectos dirigidos por Castilho, ao de crescer é o regional”. No entanto, considerar que “a formação actual é de- Informação para além da câmara e da universidade Carlos Camponez considera que “o cres- masiado virada para a parte teórica”. A cimento da imprensa em Coimbra é um questão do ensino é também importan- Para além dos dois jornais já lançados, fine a sua imagem com “uma paginação espaço muito reduzido, com dois jornais te para Soares Rebelo, até porque está previsto o lançamento de um terceiro moderna, alegre e inovadora, com grandes regionais diários e forte implementação defende que “Coimbra tem de justificar novo título. Editado pela empresa Socieda- espaços dedicados à fotografia e à infogra- da imprensa diária nacional”. O director a existência de um curso de Jornalismo de Aberta e liderado pelo actual director da fia”. do “Centro” e do “Jornal da Universida- e não pode estar a formar massa cin- Rádio Beira Litoral, Fernando Moura, o “No- A equipa editorial e comercial ainda se de”, Jorge Castilho, admite que “é uma zenta para a deixar ir embora”, numa ci- vo Jornal” pretende divulgar “factos, opi- encontra em constituição mas vai integrar aposta muito arriscada lançar um jor- dade com “responsabilidades acrescidas niões e ideias inovadoras e rege–se por cri- quadros jovens e profissionais com expe- nal”, mas afirma que “só a prática pode- sobre outros distritos do país”, no en- térios jornalísticos de rigor e isenção”, de riência jornalística e publicitária. Quanto às rá dizer se os projectos terão viabilida- tender do director adjunto do “Diário As acordo com a nota de imprensa divulgada. editorias em que o jornal se divide, consti- de”. Beiras”. Tendo como mote publicar “tudo o que se tuem, também, novidade, com páginas de- Apesar das dificuldades em criar um Sobre os jornais que lidera, Jorge Cas- sabe e ainda não se escreveu”, o novo ór- dicadas a festas, noites, dinheiro, empre- novo órgão, Jorge Castilho defende: tilho qualifica–os como “dois projectos gão promete “apresentar a cidade para sas, saúde, ensino, justiça, política, Inter- “Não nos podemos acomodar e há que completamente distintos”. Apesar de além da câmara e da universidade”. O pri- net, casas e carros. ser criativo e enfrentar as dificuldades proposto pela reitoria, o “Jornal da Uni- meiro jornal regional a dispor de um Prove- Segundo o futuro director da publicação, com a diversidade”. O director de dois versidade” é absolutamente autónomo dor do Leitor conta, ao nível da opinião, com Fernando Moura, a data de lançamento ain- dos novos jornais pretende combater a desta, que “aceitou a total independên- personalidades da região nas gerações de da não está definida, mas vai contar com a ideia de um “meio controlado, que ser- cia editorial do jornal”. O director refor- 70 e 80. edição antecipada de um número zero e ve de instrumento a interesses econó- ça: “No dia em que sentir alguma pres- Na nota de imprensa, o “Novo Jornal” de- uma campanha de promoção. micos e políticos”. são, deixarei de encabeçar o projecto”.
  • 9. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA NACIONAL 9 PP e PSD escolhem líderes Nota do editor Eleições nos partidos de direita realizam–se este fim–de–semana À direita, nada RUI VELINDRO de novo Cinco candidatos disputam a ‘Dejà vu’: os militantes do Partido So- direcção do PP num congresso cial Democrata (PSD) e do Partido Po- extraordinário, marcado pela pular (PP) escolhem, no próximo fim- –de–semana, o seu novo presidente. ausência de nomes ilustres na A situação não é nova e o observador oposição a Ribeiro e Castro. mais desatento pode questionar: “en- No PSD, o cenário é idêntico, tão, mas, outra vez?!”. De facto, foi há pouco mais de um ano que PSD e PP com as “grandes figuras” a recrutaram, respectivamente, Luís Mar- optarem por não desafiar ques Mendes e José Ribeiro e Castro Marques Mendes para a sua liderança. E, por exemplo, os sociais–democratas já somaram cinco presidentes diferentes desde que Cava- Rui Antunes co Silva deixou de o ser, em 1995. Para Sofia Piçarra lembrar e meditar ficam os nomes: Fer- nando Nogueira (1995 a 1996), Marce- As duas principais forças partidárias lo Rebelo de Sousa (1996 a 1999), Du- da direita portuguesa vão a votos nos rão Barroso (1999 a 2004), Pedro San- próximos dias. Ribeiro e Castro, do Par- tana Lopes (2004 e 2005) e Luís Mar- tido Popular (CDS/PP), e Marques Men- ques Mendes. des, do Partido Social Democrata (PSD), É verdade que desta vez são as bem- defendem a liderança num clima de ins- –vindas eleições directas (em que, de- tabilidade partidária provocado pelas mocraticamente, cada militante tem di- críticas dos opositores. reito a um voto) que dão azo a novos No XXI Congresso do Partido Popular, escrutínios nos dois principais partidos que se realiza nos dias 6 e 7 de Maio, na Apesar da existência de adversários, os actuais líderes de PP e PSD devem ser re-eleitos da direita nacional. Mas não é menos Batalha, são cinco os candidatos que verdade que as sucessivas eleições são disputam a presidência do partido. Ri- com o país real”. Já Herculano Gonçal- país. igualmente fruto da falta de pulso na beiro e Castro aposta numa moção com ves pretende, acima de tudo, “devolver Apenas o presidente do PSD, Luís sua liderança, quando cada estrutura o nome “2009”, o mesmo que utilizou o CDS aos militantes, debater ideias e Marques Mendes, e o líder dos Trabalha- tenta, simplesmente, puxar para o seu no documento que lhe garantiu a vitória alterar os órgãos nacionais do partido”. dores Social–Democratas (TSD), Alberto lado e assaltar o poder. há cerca de um ano. O secretário–geral Ambos acreditam no sucesso das pro- Pereira Coelho, vão a escrutínio. Com o No PSD, os últimos 10 anos foram de do PP, Martim Borges de Freitas, apoia a postas no congresso e destacam a ur- lema de campanha “Credibilidade para alternância entre nomes fortes (Marce- proposta do actual líder, e assume como gência em unificar os militantes. Vencer”, Marques Mendes tem por ob- lo), nomes para queimar (Nogueira), objectivo da equipa “fazer com que o “Fazer Futuro” é o título da moção jectivo a revalidação do cargo e a pre- nomes para queimar que tiveram sorte partido se prepare melhor, de forma a subscrita pelo presidente da Juventude paração do partido para os confrontos com as circunstâncias (Durão), e um enfrentar a ronda eleitoral de 2009”, Popular, João Almeida, cujo objectivo eleitorais de 2009. O líder laranja conta autêntico ‘case–study’ (Santana). Ago- ano de eleições europeias, legislativas e declarado é contribuir para o enriqueci- com a presença de vários notáveis do ra, Marques Mendes, com a vitória se- autárquicas. mento do congresso e, ao mesmo tem- PSD na sua Comissão de Honra, presidi- guríssima, vai tentar mostrar que é um A oposição a Ribeiro e Castro desen- po, “aumentar a ambição do partido e a da por Francisco Pinto Balsemão. líder capaz de fazer a oposição que não volve–se em quatro frentes distintas. O convicção de que estaremos preparados Enquanto isso, Pereira Coelho culpa o fez no primeiro ano de mandato. E, já vice–presidente da concelhia nacional para o combate eleitoral de 2009”. No partido por não ter as mesmas condi- agora, tentar subir além dos frágeis 31 democrata–cristã, Paulo Miranda, enca- entanto, para o jovem candidato, “o im- ções que o outro candidato, a quem di- por cento que as últimas sondagens beça a moção “Um CDS para todos” e portante não é a liderança mas sim o rige duras críticas, considerando-o “in- dão a um PSD que não consegue capi- acusa o presidente de “falta de lideran- debate de ideias”. competente a vários níveis”. O candida- talizar as medidas impopulares do exe- ça”, considerando-o “um mau gestor A reunião promete ser agitada pelas to pretende “devolver os destinos do cutivo socialista... sem carisma”. O candidato promete divergências entre os apoiantes do líder PSD às bases” e acusa: “Há muitas pes- Enquanto isso, incapaz de pensar em uma revisão de estatutos imediata e e os que o acusam de “autismo” face soas no partido que não querem que es- oposição, o PP permanece, tão só, con- mostra–se confiante quando afirma: aos militantes. O congresso democrata- ta candidatura avance”. No entanto, centrado na turbulência interna. Os de- “Tenho a certeza que vou ganhar”. –cristão conta com a influente presença mostra–se confiante e afirma que, “a mocratas–cristãos ainda não consegui- Hélder Cravo e Herculano Gonçalves, de Telmo Correia, que já admitiu fazer partir do momento que sou candidato, ram superar a perda de Paulo Portas, líderes das distritais de Évora e Santa- frente a Ribeiro e Castro, apesar de não já sou vencedor”. depois do fracasso eleitoral de 20 de rém, respectivamente, também ambi- se assumir como candidato. As eleições directas decidem quem vai Fevereiro de 2005. Ribeiro e Castro cionam a direcção dos populares. Ape- fazer o discurso de encerramento do continua a ser o “bode expiatório” para sar de distintas, as moções dos candida- Eleições directas precedem XXIX Congresso Nacional na qualidade todos os problemas, sem que nenhum tos oriundos dos órgãos regionais de- congresso laranja de presidente do PSD. A reunião de mi- “notável” do partido queira arriscar ser fendem a importância de reestruturar e Pela primeira vez na sua história, o litantes realiza–se na Póvoa do Varzim, a próxima vítima... Ante isso, só dois ou descentralizar o partido. Para Cravo, é Partido Social Democrata escolhe atra- nos dias 19, 20 e 21, onde vão ser elei- três desconhecidos e um júnior aceita- necessário renovar o PP, que “não pode vés de eleições directas quem vai ficar à tos outros órgãos nacionais, nomeada- ram fazer o “frete” da oposição interna. ser dirigido exclusivamente por pessoas frente da direcção. A votação realiza–se mente a mesa do congresso, o conselho E a crise continua sem fim à vista. que fazem carreira da política, mas por na sexta–feira, 5 de Maio, em todas as de jurisdição, a comissão política e o Rui Simões aqueles que vivem em contacto diário secções do partido espalhadas pelo conselho nacional.
  • 10. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 10 TEMA - MERCADO DE DROGA O uso de substâncias psicotrópicas é recorrente entre os estudantes “Quem parte e reparte fica sempre com a melhor parte” A CABRA fez uma viagem ao mundo dos estudantes universitários que, para além de consumirem, também vendem drogas leves. Esta é uma barreira que nem sempre se distingue bem. E, por ser cada vez mais ténue, são muitos aqueles a quem o risco sai caro. Dados estatísticos mostram que o número de traficantes/consumidores detidos tem aumentado Por Helder Almeida e Inês Subtil (texto) e Cláudio Vaz (fotografia) Foi apanhado pelos seguranças. Du- tas à noite e festivais de Verão. O derra- rante um festival de Verão, as 38 gramas deiro passo para começar a traficar foi de drogas leves que tinha nos bolsos fi- dado com facilidade. “Comecei a com- zeram com que pela primeira vez na vi- prar maiores quantidades com amigos: da, Fábio, nome fictício, 22 anos, estu- era mais fácil e barato”. Seguidamente, e dante na Universidade de Coimbra (UC), à medida que tinha mais contactos, Fá- passasse a noite na prisão. No dia se- bio apercebeu–se que esta seria uma guinte foi presente a tribunal e o pesa- boa forma de “pagar o vício”. delo acabou por aí, apesar do inevitável Quando veio para Coimbra, o negócio registo no cadastro e do grande susto. manteve–se. Sempre com um ar descon- Segundo a lei portuguesa referente ao traído, enquanto faz malabarismo, afir- consumo de estupefacientes e substân- ma que “o consumo na cidade é genera- cias psicotrópicas, só é tolerada a posse lizado”, embora considere a droga mais de cerca de 4-5 gramas. cara que em outros sítios. Segundo ex- Hoje, Fábio continua a traficar mas ad- plica, são os estudantes que trazem mite ter–se tornado bastante mais cuida- grande parte do que se consome para doso e até uma “pessoa paranóica” com Coimbra e que o negócio gira à volta o medo de um segundo encontro com a “dos amigos e dos amigos dos amigos”. polícia. Fábio vende derivados de marijuana, Aos 15 anos começou com o consumo considerados drogas leves – haxixe, pó- de tabaco. Depois vieram os amigos e os len e óleos, quase sempre em casa, pa- “charutos”. Ao princípio, diz, apenas fu- ra não correr riscos. Além disso, explica mava em ocasiões especiais, como fes- que, uma vez que não lida com grandes
  • 11. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA Mercado de Droga TEMA 11 quantidades, estes produtos “não sus- tado num café a beber cerveja, diz com tentam ninguém e não dá para ganhar naturalidade que “este é um negócio ex- dinheiro”. ponencial e devia deixar de ser tabu”. A compra é feita em conjunto para “ficar Jardins debaixo de olho mais em conta no preço e ser mais fácil”. Há, no entanto, quem consiga lucrar “Toda a gente desenrasca os outros”, ex- com o negócio. Tiago, nome fictício, 26 plica. anos, ex–estudante na UC, também tra- ficante, diz que o ganho depende essen- As apreensões e o tráfico cialmente da fonte de abastecimento ou, A barreira entre quem consome e como explica, “a droga vale aquilo que quem passa é cada vez mais ténue. Se- derem por ela”. Neste momento sem gundo João, é uma questão de tempo ocupação a tempo inteiro, parte do di- para “se acabar por fazer papel de trafi- nheiro que gasta todos os dias vem do cante e distribuir”, apesar de referir que negócio do tráfico. Ironizando, diz: o lucro é mínimo ou mesmo inexistente. “quem parte e reparte, fica sempre com Além das pessoas envolvidas no negó- a melhor parte”. Segundo Tiago, isto só cio das drogas leves, o tráfico está de- acontece porque a última vez que se pendente das quantidades disponíveis. abasteceu foi em Marrocos, o principal António, 21 anos, estudante na UC, co- fornecedor de haxixe de Portugal. Dessa menta que a “escassez do momento” é o forma, o “lucro pode alcançar os 300 por principal motivo para agora não vender: cento”, explica. A passagem de substân- “já houve mais, mas com as apreensões cias ilícitas na fronteira entre este país e feitas pela polícia está complicado”. Espanha “é relativamente fácil”, comen- Grande parte do fornecimento que tinha ta, isto se as quantidades forem baixas chegava da capital. No entanto, António (cerca de um quilo) e apesar de saber sublinha que, “a uma hora do Porto e a que “há sempre riscos”. Os locais de tráfico têm estado sob a mira da polícia duas de Lisboa”, Coimbra tem uma boa Com um copo de cerveja na mão, sen- localização para a entrada de drogas. tado numa das esplanadas da Praça da e do respectivo espaço verde, como de- “a maioria já fuma antes de chegar à Apesar de actualmente não traficar, re- República, o ex–estudante garante que clarou Fernando Gonçalves, presidente universidade”. Numa licenciatura com fere que, quando o fazia, as quantidades “o consumo nunca vai acabar”. Segundo da Direcção-Geral da AAC. Na opinião de grandes exigências de estudo, Inês diz vendidas a cada pessoa rondavam os 10 considera, o problema é que “umas dro- Fábio, o tráfico de drogas que ali ocorre que este hábito já afectou o seu rendi- euros (cerca de duas gramas), na maio- gas são melhor aceites, como o álcool”. não é feito por estudantes, reconhecen- mento, como quando por vezes “deixa ria dos casos. Do outro lado, o Jardim da Sereia, um do que o sítio é mal frequentado. Tiago de ir às aulas”. Além disso, a estudante Dados estatísticos do Instituto da Dro- dos antigos locais de maior tráfico e con- vai mais longe ao considerar que as re- considera que há redução da memória a ga e Toxicodependência referentes a sumo na cidade. Tiago sublinha que “a centes notícias e medidas foram “uma curto–prazo e por isso “não fumo quan- 2004 (os últimos disponíveis) indicam questão das drogas leves se estende a boa coisa que aconteceu”. do vou estudar”. Embora tenha consciên- que a cannabis é a substância ilícita que toda a Coimbra”. No caso da diminuição cia dos efeitos referidos, não parece mais se consome, tanto em Portugal co- do negócio na Sereia, a explicação resi- O consumo como acto social preocupada. Com um sorriso explica as mo na Europa. Comparativamente a de numa “mega–rusga” ao espaço, que Para quem compra, os jardins são razões para o vício - “gosto da deturpa- 2003, houve um aumento do número de acabou por deslocar quem lá se dirigia sempre a “última das opções”. Inês, no- ção da realidade, da calma e do senti- condenados pela posse de haxixe (mais para outros locais, diz. me fictício, 24 anos, estudante de Medi- mento pacífico que provoca”. 12 por cento). Até há bem pouco tempo, os jardins da cina, diz que “o que lá se vende é infla- O consumo é visto por Inês como acto Em 2004, a Polícia Judiciária deteve Associação Académica de Coimbra (AAC) cionado no preço e de má qualidade”. social: “não fumo sozinha”. A mesma 413 traficantes/consumidores, entre os também faziam parte da lista dos lugares Consumidora assídua de drogas leves, ideia é partilhada por João Duarte, 24 20 e os 29 anos. Segundo João, é uma preferidos. Com o aumento do consumo para as conseguir arranjar recorre sem- anos, estudante de Bioquímica, ao afir- questão de tempo para “se passar do e das queixas de “mau ambiente”, vai ser pre a amigos e conhecidos. mar que, no seu grupo de amigos, “o consumo à distribuição”. Condição es- contratada uma empresa privada. O ob- A futura médica começou a fumar aos uso de drogas leves é generalizado”. Ani- sencial para a distinção entre inocente e jectivo é garantir a segurança do edifício 20 anos, mas explica ser uma excepção: mado com as questões levantadas, sen- culpado. Holanda, um caso paradigmático Espanha: semear, plantar e fumar “É uma ideia errada as pessoas de outros tudante critica o facto de essa ser “a única ra- “As pessoas compram sementes e conso- Apesar de tudo, a estudante afirma que a países pensarem que os holandeses estão zão para os turistas lá irem”. mem em casa. O tráfico é quase inexistente”, maioria das pessoas que praticam o auto–cul- sempre a consumir drogas”, opinião de Arjan A decisão de “separar” os respectivos mer- explica Núria Mur, 23 anos, estudante espa- tivo não tem a noção que é crime. Groote, 30 anos, estudante de doutoramento cados através da existência das “coffee nhola de Erasmus. Esta é a base do auto–cul- Já António Lorca, 23 anos, aluno espanhol em Patologia, na Universidade de Utreque. shops” (os estabelecimentos onde é permitida tivo da cannabis para consumo pessoal. de Erasmus, não tem tanta certeza da exis- Apontado como o exemplo mundial, o país a venda de pequenas quantidades de haxixe Analisando a situação em Espanha, Núria tência de um movimento, mas garante que tem uma política liberal no que respeita às e marijuana) tem valido à Holanda a perpétua fala de um “autêntico movimento em torno do “muitas pessoas plantam cânhamo em casa drogas. A Holanda foi pioneira na distinção en- censura do Órgão Internacional de Controlo auto–cultivo”. Em Barcelona, cidade onde es- para não terem de comprar”. Para António, o tre drogas “duras”, como por exemplo a heroí- de Estupefacientes. tuda, grande parte dos consumidores faz a auto–cultivo é uma forma de acabar com o trá- na e cocaína, e “leves”, os derivados da can- Segundo a legislação, é permitida a posse sua própria criação: “o que pode acontecer é fico, apesar de ter amigos que após começa- nabis. de pequenas quantidades de drogas para uso um amigo arranjar a outro, mas a venda a rem a produzir passaram a vender. Quanto a Segundo Arjan, existe um “turismo da dro- pessoal (menos de 0,5 gramas de “drogas pe- desconhecidos quase não acontece”. uma possível mudança da legislação espa- ga” motivado pela ideia errada de que tudo é sadas” e menos de cinco gramas para a can- Para quem quer iniciar a sua própria cultu- nhola, o estudante tem dúvidas: “após a entra- legal. nabis). A grande diferença do país é, porém, a ra, há em Espanha lojas onde se pode com- da em vigor da lei que restringe o consumo do A capital, Amesterdão, é um dos pontos pre- liberalização da venda, que o torna um local prar sementes de cannabis, apesar da lei não tabaco, não acho que haja vontade para uma dilectos de quem procura consumir, mas o es- único no mundo. permitir que se plante. liberalização do consumo de drogas”.
  • 12. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 12 INTERNACIONAL Timor-Leste Independência vai a RUI VELINDRO votos em Montenegro Salvador Cerqueira No dia 21 de Maio, os montenegrinos decidem se continuam a fazer parte da federação com a Sérvia ou preferem a independência. Após de- cisão unânime do parlamento daquela região balcânica, 46 mil eleitores respondem em referendo à questão: “Quer que o Montenegro seja um Estado independente com uma total legitimidade internacional e legal?”. O Montenegro e a Sérvia estão unidos desde 2003, prevendo a even- tual cisão das repúblicas três anos volvidos. A última consulta, realizada em 1992, reflectiu o desejo de união com a Sérvia. Desde então, tem- –se vindo a negociar com a oposição a execução de um referendo. Para que o estado da Sérvia e Montenegro, último marco da Jugoslá- via, se desmantele, é necessário que votem, no mínimo, metade dos O melhoramento do sistema educativo é uma das prioridades no país presidido por Xanana Gusmão eleitores e que 55 por cento dos votantes se expressem favoráveis à se- paração. Pobreza acentua-se no O primeiro–ministro da república de Montenegro, Milo Djukanovic, acredita que o país “será edificado como um estado democrático que respeitará os direitos do homem e as liberdades, as normas internacio- nais e a igualdade de direitos dos seus cidadãos”. As sondagens indicam que 43 por cento dos eleitores tencionam vo- mais jovem país mundial tar a favor do movimento independentista, enquanto os indecisos reú- nem 24 por cento dos votantes. Nos últimos dias, as acções nacionalis- tas têm aumentado. Enquanto a Sérvia se opõe à independência, o presidente da repúbli- A 20 de Maio de 2002, a independência de Timor–Leste foi restaurada e as ca de Montenegro, Filip Vujanovic, argumenta que os dois países devem Nações Unidas entregaram o poder ao primeiro governo constitucional do “viver com pontos de vista diferentes, aceitar o outro, e que as diferen- ças representam a riqueza e a qualidade específica da nossa democra- país. Passados quatro anos, o que mudou na vida económica, social e cia”. Já a UE mostra–se receosa que a independência contribua para o política de Timor Lorosae? O relatório recente da ONU dá algumas respostas maior afastamento dos povos dos Balcãs. Por Cláudia Sousa Timor–Leste continua a ser um dos países me- rense. Uma outra agravante tem a ver com a pro- Irlanda do Norte nos desenvolvidos do mundo, segundo o Relatório porção desmedida de investimentos dirigidos para Nacional de Desenvolvimento Humano de 2006, da Organização das Nações Unidas (ONU). O primeiro Dili, a capital. De facto, só um quinto dos bens e serviços visam os territórios rurais. Formação de governo objectivo fixado pelo organismo, que passava por reduzir em um terço a pobreza até 2015, perma- Ao nível da educação, Timor–Leste conseguiu progressos significativos para pôr em marcha as entra em fase decisiva nece, no entanto, realizável. instituições de uma administração pública de base, O petróleo e o gás podem ser a chave, mas, ten- mas, actualmente, dois terços das mulheres e me- Soraia Manuel Ramos do em conta que 80 por cento das famílias timo- tade dos homens com idades entre os 15 e 60 anos renses vivem da agricultura, esses rendimentos só são analfabetos e 10 a 30 por cento das crianças O plano para a devolução da autonomia da Irlanda do Norte (ou Ul- poderão reduzir a pobreza se forem canalizados em idade escolar não frequentam a escola. ster) prevê uma reunião no próximo dia 15, como primeira tentativa pa- para o desenvolvimento rural e para sectores como No campo político, a situação é mais encorajado- ra a formação de um governo até 24 de Novembro. A 6 de Abril, os par- a educação e a saúde. ra. O relatório sublinha os importantes avanços nos tidos irlandeses receberam um ultimato para a constituição de governo O mais recente estado–membro da ONU foi con- últimos quatro anos, com grande participação po- até à referida data, levando a uma progressiva devolução da autonomia siderado o mais pobre do Sudeste Asiático, com 40 pular e vontade política. Se o escrutínio de 1999 foi do Ulster. A intenção foi manifestada, em Armagh, pelos primeiros–mi- por cento da população a viver abaixo do limiar de visto como uma possibilidade única de escapar à nistros da Inglaterra (Tony Blair) e República da Irlanda (Bertie Ahern). pobreza. A esperança média de vida é de 55,5 ocupação indonésia, o carácter determinante das O processo prevê–se complexo e é composto por diferentes fases, a anos e metade da população não tem acesso a eleições de 2001 para a assembleia constituinte primeira das quais é a reunião da assembleia, a 15 de Maio. Se nas seis água potável. era nitidamente menor mas, mesmo assim, 94 por semanas seguintes não se eleger um executivo, os 108 membros da as- O contexto de retirada progressiva das tropas da cento dos timorenses foram votar. Apesar da apa- sembleia de Stormont vão ter mais 12 semanas para constituir o gover- ONU e o declínio da ajuda internacional têm con- rente estabilidade, o secretário–geral das Nações no. Caso esta segunda oportunidade também não resulte, estes vão dei- tribuído em muito para a contracção do Produto Unidas, Kofi Annan, quer garantir uma “presença xar de ser assalariados e vai ser feita uma parceria entre Londres e Du- Interno Bruto (PIB) do país. Sob liderança interna- política internacional” no país até à realização das blin para se aplicarem os acordos de paz de Sexta–feira Santa de 1998. cional, muito do sector agrícola foi convertido para próximas eleições, em 2007. “Os contribuintes da Irlanda do Norte não podem continuar a pagar colheitas de exportação. No entanto, essa opção O grande desafio de Timor passa agora por apli- anos e anos um salário de 85 mil libras [quase 122 mil euros] para os tem falhado devido aos baixos preços do mercado car de forma inteligente o grande potencial finan- membros da Assembleia não fazerem o seu trabalho”, criticou o minis- internacional. Devido à falta das antigas colheitas ceiro das suas reservas energéticas. Para isso, o tro britânico para o Ulster, Peter Hain. de subsistência, o país começou em 2005 a passar parlamento timorense legislou em Julho de 2005 a Já Blair e Ahern, numa declaração conjunta ao diário inglês “The Ti- por uma ausência crónica de alimentos. abertura de um Fundo de Petróleo. A 12 de Janei- mes”, afirmaram que não se justificam eleições no próximo ano: “Não A presença internacional em Timor provocou ain- ro, Timor–Leste assinou um tratado com a Austrá- se deve pedir aos cidadãos que participem na eleição de uma assem- da uma explosão nos sectores do comércio, hote- lia para permitir o arranque de projectos de desen- bleia que não se reúne. Assim, não haveria escolha senão congelar os laria e restauração, nos anos que se seguiram ao volvimento petrolífero e de gás no Mar de Timor. salários e benefícios para os membros da assembleia e adiar o seu re- referendo em 1999. A reversão do fenómeno reve- Estas reservas podem gerar mais de cinco mil mil- começo para quando houver uma clara vontade política de exercer o la–se agora muito negativa para a economia timo- hões de dólares, ao longo dos próximos 20 anos. poder autonómico”.
  • 13. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 Este suplemento é parte integrante do Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA, nº 151, não podendo ser vendido separadamente
  • 14. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 “E no sétimo dia descansou...” (Gén 2, 2- Sexta-feira 5 de Maio Na primeira noite da festa dos estudantes de Coimbra, o single “First day of my life”, um dos mais tocados nas rádios destaque vai para Melanie C, a única artista internacional nas nacionais, a artista britânica vem pela primeira vez a Portugal. Noites do Parque. No entanto, há outras atracções para os vi- Em seguida, a noite de Economia conta com os Lulla Bye, a sitantes: Duff, Lulla Bye e Coral Quecofónico do Cifrão. banda portuense que se apresentou com a designação Mud- Depois de, no ano passado, terem estado na Queima das Fi- –Her no Termómetro Unplugged 2003. Depois de meses em tas do Porto, os cinco elementos dos Duff vêm pela primeira estúdio, o primeiro single, “Making Me Better”, chegou ao mer- vez a Coimbra e abrem as noites na Praça da Canção. O pro- cado em Setembro de 2003. No entanto, só dois anos mais tar- jecto nasceu no Verão de 1996 mas foi em 2003 que gravaram de foi conhecido o álbum de estreia, integrado na banda sono- cinco temas numa primeira maquete e desde então mostram ra da série televisiva “Morangos com Açúcar”. como é possível misturar ska, reggae, funk e rock. O Coral Quecofónico do Cifrão, formado em 1993, já faz par- Após o sucesso com as Spice Girls, a “sporty–spice” Melanie te da tradição das Noites do Parque. Desde a sua consagração C volta a apostar na sua carreira a solo. Depois de conquistar como Tuna Oficial da faculdade de Economia, em 1997, o co- o número um nas vendas discográficas, sobretudo graças ao ral juntou alguns originais ao reportório de serenatas coimbrãs. Sábado 6 de Maio Neste dia vão actuar no recinto grandes nomes da música 1997, com o álbum “Digital Atmosphere”. No ano seguinte lan- portuguesa como Rui Veloso e The Gift. çaram “Vinyl” e foi com o tema “Ok, Do You Want Something Considerado o pai do rock português, Rui Veloso regressa à Simple” que a banda alcançou o seu maior sucesso. Queima das Fitas para apresentar o seu novo disco, “A Espu- O álbum mais recente dos The Gift, terceiro na discografia ma das Canções”, lançado em Novembro passado, onde o can- do grupo, intitulado “AM–FM”, vendeu mais de 30 mil exem- tor se reinventa com novos temas. plares, e nele constam temas como “Music” ou “Driving you No entanto, não vai esquecer os êxitos de sempre, aclama- slow”. dos pela crítica e tão conhecidos entre o público português, O último grupo a actuar são os X–Wife, grupo constituído como “Chico Fininho”, “Paixão (segundo S. Martinho da viola)” por João Vieira, Fernando Sousa e Rui Maia. Em 2004, a ban- e “Não há estrelas no céu”. da portuense lançou o seu primeiro álbum, intitulado “Feeding Outra presença muito esperada são os The Gift, consagra- The Machine”, que se destina ao mais variado público e que dos a melhor banda portuguesa, pelo canal de televisão MTV, com certeza vai agradar aos estudantes neste segundo dia da no ano passado. Os músicos de Alcobaça estrearam–se em Queima das Fitas de Coimbra. Domingo 7 de Maio A organização das Noites do Parque reservou para a progra- seu mais recente trabalho, “Memorial”, de 2006, álbum que mação da noite de Direito dois veteranos da música alternati- tem sido alvo de elogios por parte da crítica especializada. Es- va nacional – os Moonspell e os Mão Morta. A noite de Domin- te disco marca a estreia do grupo na editora discográfica SPV go conta ainda com a participação dos Diabolo e da tuna da e é assumido como sendo um retorno à sonoridade dos primei- claque da AAC/OAF, Fan–Farra Académica de Coimbra. ros tempos da banda. Sendo uma das bandas portuguesas de maior sucesso inter- O ano de 2004 viu nascer o mais recente álbum dos Mão nacional, com mais de 500 mil álbuns vendidos desde 1994, os Morta – “Nus”. Este trabalho, baseado na poesia de Allen Gins- Moonspell definem–se como uma banda de heavy metal com berg, foi considerado pelo jornal Blitz como o melhor disco des- influências góticas. Entre as referências musicais da banda se ano. contam–se Celtic Frost e os Sisters of Mercy, sendo que as le- A banda de Adolfo Luxúria Canibal (que já colaborou em tras contêm referências a poetas como Fernando Pessoa (Álva- duas faixas do álbum “Darkness and Hope” dos Moonspell) é ro de Campos) e o seu Opiário ou a Charles Baudelaire. conhecida pela intensidade com que encara as prestações ao O quarteto liderado por Fernando Ribeiro vai apresentar o vivo, sendo conhecidos os excessos do seu vocalista em palco. Segunda-feira 8 de Maio Considerados os dinossauros do rock português, os Xutos & geral, tendo participado em diversos eventos, como festivais Pontapés regressam a Coimbra como cabeça–de–cartaz para a de Verão, recepções ao Caloiro e semanas académicas, desde segunda–feira das Noites do Parque. A mais famosa banda a sua formação em 2002. A música “Hi Hello!” foi a primeira portuguesa, formada em 1978, possui já no seu repertório 17 música retirada do novo álbum “Flatline”, cujo lançamento se álbuns e um DVD gravado ao vivo no Pavilhão Atlântico em Lis- deu o ano passado, e tem sido um grande sucesso nas rádios boa, e vem actuar com músicas conhecidas pelo público portu- nacionais. Este sucedeu ao primeiro álbum de originais da ban- guês, como “A Minha Alegre Casinha”, “Circo de Feras”, “Ho- da, “Open”. mem do Leme”, “Não sou o único” e, mais recentemente, À Estudantina Universitária de Coimbra, fundada em 1984, “Mundo ao Contrário”e “Ai se ele cai”. cabe encerrar a noite referente à Faculdade de Ciências e Tec- Na noite de 8 de Maio vai também actuar a banda de Canta- nologia. A tuna formada apenas por elementos masculinos da nhede, Squeeze Theeze Pleeze, presença habitual nas festas Academia e que organiza o Festival Internacional de Tunas de académicas. A banda, que alcançou o êxito com o single “Ode Coimbra - Festuna, é dona de grande reconhecimento não só to a child (Bea)”, é já um nome reconhecido pelo público em nos palcos nacionais como também internacionais.
  • 15. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 -3). E tu,... aguentas até ao oitavo? Terça-feira 9 de Maio Após o célebre Cortejo dos Quartanistas pelas ruas da bora personifique uma vertente mais romântica. Os temas cidade, a noite de terça-feira da Queima das Fitas vai contar mais conhecidos do grande público são “Contigo faço amor” com a já tradicional presença do rei da música tradicional por- e “Levo–te pra casa”. tuguesa, Quim Barreiros. Do seu acordeão surgiram clássicos, Por fim é a vez de uma das mais aclamadas tunas da Uni- tais como, “A cabritinha”, “Chupa Teresa” e a “Garagem da vi- versidade de Coimbra, a Tuna de Medicina, “nascida” a 12 de zinha”, que certamente vão levar o público ao rubro. Janeiro de 1994, dia em que foi realizado o primeiro ensaio. Com mais de 30 anos de carreira, o ícone da música “pim- Já o primeiro espectáculo deu–se a 26 de Março do mesmo ba” tem um lugar cativo nas Latadas e Queimas de Coimbra, ano, conjuntamente com as Mondeguinas, que assim os apa- sendo aliás membro honorário da República dos Fantasmas, drinharam, durante o I Centenário da Academia Musical Ara- demonstração do seu grande apego à “cidade dos estudan- zerense. A Tuna de Medicina é membro honorário da Tuna Ca- tes”. moniana In Vino Veritas da Universidade Autónoma de Lisboa Em seguida, a Banda Lusa vai brindar o Parque com uma e apadrinha a Tuna feminina de Medicina da Universidade de actuação que segue um estilo preferencialmente popular, em- Coimbra. Quarta-feira 10 de Maio Para este dia são esperados os Da Weasel, banda já habitual mais jovens. em festas académicas. Criado em 1993, o grupo soube man- A actuar também no recinto vai estar a Imperial tertúlia “In ter–se fiel ao estilo hip–hop, não deixando de inovar e sur- vino veritas”, que conta actualmente com 25 elementos no ac- preender, sendo por isso, actualmente uma das bandas de tivo. Desde a sua fundação, em 1991, tem vindo a recuperar maior sucesso nacional. O público pode certamente contar temas populares antigos da região de Coimbra, compondo com temas tão conhecidos como “Todagente” ou “Re–trata- também músicas originais. É, sem dúvida, uma tertúlia que mento”. vingou no panorama musical da Associação Académica de Os Fonzie, formados em 1996, por um trio constituído por Coimbra. João Marques (bateria), David Marques (guitarra) e Hugo Maia As “Mondeguinas” são uma tuna feminina da universidade (voz e guitarra) vieram a compor a sua primeira maquete em de Coimbra, constituída por 30 elementos, que vem tentando 1997, após a entrada do baixista Daniel. O seu sucesso tem divulgar a música portuguesa, desde 1993. vindo a crescer, nomeadamente no estrangeiro, e hoje são A encerrar a noite vão estar os Fishbrain, uma das bandas uma das bandas em maior ascensão entre as preferências dos punk–rock de maior revelação da cidade. Quinta-feira 11 de Maio Quinta–feira vai ser marcada pelo rock em português. Jorge aguardadas neste concerto. Palma, artista de culto nacional, é o destaque para mais uma A abertura da noite fica para o Grupo de Cordas, que surgiu noite do parque. Irreverente, o músico conta com uma carrei- em 1997, com o objectivo de divulgar a música tradicional por- ra que marcou várias gerações e que ainda hoje move milha- tuguesa e estrangeira. O grupo é parte integrante da Secção res de fãs. Temas como “Frágil” ou “Dá–me Lume” vão ser de Fados da Associação Académica de Coimbra (AAC) e, con- aguardados com expectativa. forme o próprio nome indica, os instrumentos de cordas são Os Toranja são a segunda banda a entrar em palco. Influen- predominantes. Do seu repertório mais comum, destacam–se ciados pela sonoridade de Jorge Palma, são considerados uma temas como “Quadrilha” ou “Vai–te lavar morenaça”. das bandas–sensação do momento. Desde o lançamento em A encerrar, uma orquestra que dispensa apresentações, a Or- 2003 de “Esquissos” que gozam de um sucesso ascendente. O xestra Pitagórica. Com um estilo muito particular, vincado pela ano passado editaram “Segundo”, cujo primeiro single, “Laços”, boa disposição, faz também ela parte da Secção de Fados da se tornou num dos temas mais rodados nas rádios nacionais. AAC. Sanitas, violas, sinais de trânsito e cavaquinhos são al- “A Carta” ou “Fogo e Noite” são outras das canções mais guns dos instrumentos utilizados para animar o público. Sexta-feira 12 de Maio A última noite da Queima das Fitas abre com os FitaCola. Es- A grande estrela da noite é o MC português com mais noto- ta banda punk, proveniente de Coimbra, surge no início de riedade da actualidade. Boss AC sobe ao palco para apresentar 2005, e congrega elementos de projectos passados, como Lost um repertório já com três álbuns - “Manda–Chuva” (1998), “Ri- Target e Full Damage. Nas palavras do baixista, Ricardo Mar- mar Contra a Maré” (2002) e “Ritmo Amor Palavras” (2005) - e tins, é “o ponto alto da carreira da banda, uma vez que é o con- uma carreira de quase uma década. O MC mistura influências certo número 50, o que o torna ainda mais especial”. da soul, do “Rhythm & Blues” e de sonoridades africanas. Logo de seguida sobem ao palco os setubalenses Hands on Para terminar a festa, não podiam faltar tunas e grupos de fa- Approach, a grande revelação de 1999. A banda começou a do. Primeiro sobem ao palco “As Fans”, tuna feminina. A seguir, carreira musical em 1996, com um espectáculo ao vivo na An- actua o grupo Rags, integrado na Tuna Académica da Universi- tena 3. Os Hands on Approach já têm três álbuns editados: dade de Coimbra, em 1995. A sonoridade inspira–se no rock “Blown” (1999), com o single “My Wonder Moon”; “Moving Spi- dos anos 50 e 60, “rags” e jazz contemporâneo. Para acabar a rits” (2000), com “The Endless Road”; e “Grooving into Mons- noite, o palco é do Grupo de Fados de Coimbra, constituído por ter’s Eyeball” (2005), de onde é extraído “If You Give Up”. antigos estudantes, que mantêm vivo o Fado de Coimbra.
  • 16. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 da...que saudade tenho já de um tempo que ainda não vestidos com capa e batina. Os finalistas de bengala e Primeira Queima chegou. Coimbra, que acolhe estudantes de todos os re- cartola, os caloiros envergando o traje ainda novo. E vou cantos do país, marca–os para sempre e, embora seja sonhando com tudo isto, vagueando em mente pelas Os dias vão passando e a hora que tanto anseio vem tudo tão novo para mim, sinto que também eu já faço ruas da cidade, vestida de negro, descendo desde o Lar- chegando de mansinho. Por entre muita ansiedade e um parte desse mundo. Esta é sem dúvida a semana mais go de D.Dinis até à baixa num cortejo interminável. E de- pouquinho de nervosismo, vejo aproximar–se a tão es- desejada do ano. Dizem que a primeira Queima é espe- pois, ao fim do dia, com os pés cansados mas com uma perada Queima das Fitas. A expectativa é muita pois, na cial. Acredito que sim. Deixar para trás a vida de caloiro, vontade imensa de viver essa tão aguardada semana, verdade, e apesar das muitas histórias que me foram a praxe e todas aquelas tradições que tornam o primei- rumo até ao recinto da Queima para ver os concertos e sendo contadas, não sei bem o que me espera. O traje ro ano em Coimbra o mais inesquecível deles todos. Con- dançar a noite inteira. que está no armário há tanto tempo à espera de vir pa- tam os doutores que são tempos de euforia e eu vou Acordo do sonho e afinal estou no meu quarto a escre- ra a rua e mostrar à cidade que já não sou caloira, o de- aguardando para confirmar as inúmeras histórias e ri- ver e a Queima das Fitas afinal ainda não chegou… Por sejo de ver a serenata, os concertos, o tão aguardado tuais que se repetem ano após ano e que, no entanto, entre uma certa nostalgia que então surge em mim, aca- desfile…tudo cria em mim uma grande curiosidade. são sempre tão únicos. As palavras fogem quando que- bo por lembrar–me que já só faltam uns dias. E então É tanta a vontade de trajar, ver a cidade cobrir–se de ro explicar o que sinto e espero desta Queima das Fitas sorrio pois, como diz o povo, “Quem espera sempre al- preto para ouvir os fados que antes não gostávamos e e a inspiração parece estar enclausurada nalgum longín- cança” e afinal a espera está quase no fim… que agora põem as lágrimas nos olhos. Sonho já com es- quo lugar da mente, tanta é a expectativa. se momento e sem me aperceber, acabo por me imagi- Quero tanto ver o cortejo, fazer parte dele. A cidade Sofia Marques Ribeiro nar no meu último ano a ouvir a música da despedi- pára para ver os milhares de estudantes que saem à rua 17 anos, Bioquímica Paulo Aroso Campos no parque - parque Manuel Braga, na Portagem - sendo do Desporto e Educação Física... que ainda não tem edi- 28 anos, estudante de Engenharia Mecânica que pelos caminhos ladeados de relva e árvores do Par- fício que se possa chamar faculdade... que havia barracas de bebidas, muitas - bem mais pe- A ida no carro durante o cortejo é algo de fenomenal: Ouço uma balada da despedida e comovo–me. Penso quenas e separadas - e no local onde agora floresce o ver de cima os milhares de pessoas que estão ali para que no final deste ano poderá ser a minha balada da Parque Verde era onde se montava o palco para os es- nós e por nós, que perdoam os nossos excessos alcoó- despedida e o partir para um novo voo, diferente daque- pectáculos. De noite, aquele espaço tornava–se enorme licos e se embrenham na festa e participam da alegria - le - longo - que tenho feito desde que entrei nos regis- e pelos caminhos ou pela relva cruzavam–se milhares de e do álcool. Muitos procuram as plaquetes com as cari- tos da Universidade de Coimbra. estudantes por noite, encontrando–se facilmente bas- caturas porque, mesmo que sejamos autênticos desco- Espalhados pelas ruas, os cartazes a anunciar as noi- tantes pessoas conhecidas. Passaram por cá grandes nhecidos, aos seus olhos são obras de arte: as caricatu- tes do parque da Queima das Fitas... “Ah! a Queima das nomes da música internacional como Clawfinger ou Iggy ras, os nomes, os artistas que nos desenham e os ami- Fitas!...”, penso eu com ar saudoso de relembrar as his- Pop. Pelos relvados havia muito romance - amores e de- gos que contam as nossas histórias. Acima de tudo é tórias e aventuras e amigos nas várias edições por que samores, alguns bem tórridos, outros mais alcoólicos... também uma recordação valiosa de quem vê e não se passei. Houve momentos únicos, como a primeira Sere- - e muita cura de bebedeira! Outros aproveitavam a quer esquecer. nata Monumental na Sé Velha, o primeiro cortejo como frescura da relva para retemperar forças e dormir, por- Última Queima das Fitas... quem diria... Mesmo depois estudante universitário, a ida no carro no cortejo, o ano que a festa é longa e dura e os corpos têm os seus limi- de celebrar durante tantos anos fica já no corpo aquele em que estive em Erasmus em Paris e faltei à festa... tes. vazio futuro de saudade! A primeira Queima como estudante foi em Maio de 97. Agora também há mais uma noite, tornando a festa Os moldes em que a festa se fazia não eram muito dife- mais longa, - como se o estudante se importasse! - e rentes dos de agora. As noites do Parque eram mesmo que antes não existia, a noite da faculdade de Ciências Última Queima das Fitas?
  • 17. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 “Estórias” da Queima ARQUIVO A Queima das Fitas de Coimbra para abrir as festividades da Queima. é a semana mais longa e esperada da vida As “manifs” colocam queima em risco académica. Tida como a mais antiga festa Entretanto, a 8 de Maio de 1969, os estudantes grelados, de estudantes de Portugal, a sua história solidários com a greve académica, decidem não realizar a começa no século XIX. Queima das Fitas, que só viria a ser retomada 12 anos de- pois. Ainda em 1972, contra o luto académico, alguns quarta- Raquel Mesquita nistas realizaram com êxito actos comemorativos, houve até Gonçalo Ribeiro a elaboração do cartaz e do selo, mas o cortejo não se rea- lizou. A festa dos estudantes começa com a tradicional Serena- A Revolução de Abril não terminou com a greve académi- ta Monumental, no Largo da Sé Velha, passa pela sempre ca. Posições radicais deram origem a confusões, os estu- hilariante Garraiada, na Praça de Touros da Figueira da Foz dantes ficaram privados da sua festa académica e tudo pa- e tem o seu ponto alto no Cortejo dos Quartanistas.Com re- recia indicar que não se voltaria a realizar. percussão a nível nacional, ultrapassa fronteiras, atingindo O I Seminário do Fado de Coimbra, realizado em 1978, níveis nunca antes alcançados por qualquer outra organiza- vem dar alguma força aos que queriam reatar o Cortejo. O ção do género. ano de 1979 é marcado pelo facto de a Direcção–Geral da Os alicerces que lhe deram origem remontam a 1899, Associação Académica de Coimbra, presidida por Maló de com a realização do Centenário da Sebenta. A intenção das Abreu, conseguir organizar com os seus próprios meios a I festividades seria a de homenagear várias personalidades e Semana Académica de Coimbra, que decorreu de 2 a 10 de acontecimentos. Mais tarde, em 1905 celebra–se o Enterro Junho. do Grau. Em 1980, os estudantes que se opunham ao regresso das Até ao início do século XX, verificaram–se algumas dificul- festividades académicas não conseguiram impedir festejos dades, condicionadas pelas condições políticas, económicas que em muito se assemelhavam à Queima das Fitas, muito e sociais da época: a proclamação da República, e a Primei- embora não tivessem conseguido o apoio dos organismos ra Guerra Mundial. autónomos da AAC. A cidade adere à iniciativa e as lojas Nos anos 90 a Queima realizava-se na Portagem De acordo com a estrutura que conserva actualmente, a são decoradas com motivos alusivos à festa dos estudantes. nhecidos. Queima das Fitas surge em Coimbra a partir de 1919. De 23 a 28 de Maio, realiza–se novamente, em pleno, a Este ano foi ainda marcado pelo aparecimento de um no- Com o avançar do tempo e uma diversificação cada vez Queima das Fitas, com um programa completo e uma assis- vo modelo de Bilhete Geral, cujo tamanho passou a ser se- maior, a cada ano surgiam elementos novos a todos os ní- tência ao Cortejo que o jornal “Diário de Coimbra” estimou melhante ao de um cartão de crédito, permitindo um con- veis: a Garraiada, em 1929/30; a Venda da Pasta, cuja re- em mais de 200 mil pessoas. Isto apesar de, no dia 28 de trolo mais rígido na entrada do Queimódromo. Por fim, o re- ceita revertia a favor do Asilo da Infância Desvalida (hoje Maio, um grupo de estudantes tivesse procurado bloquear cinto passou a contar com um espaço destinado a servir re- Casa de Infância Doutor Elysio de Moura), em 1932; e o o cortejo da Queima das Fitas, ao fundo da Rua Alexandre feições. Baile de Gala das Faculdades em 1933. Herculano. O programa inclui ainda uma semana cultural e As outras actividades da Queima das Fitas, que criaram a Em 1935 surge o primeiro cartaz litografado, substituído um programa desportivo, que envolveu as secções despor- imagem e a identidade da festa, como o Chá Dançante, o em 1938 por um cartaz com várias cores. Ainda hoje se rea- tivas da AAC e convidados nacionais e estrangeiros. Baile de Gala ou o Sarau Académico, “têm cada vez menos liza um concurso com o objectivo de escolher o cartaz que A Queima das Fitas é a festa máxima da Academia, con- afluência, as pessoas simplesmente não aderem; o sarau serve de imagem ao evento. Neste ano, o grande palco da sistindo para os Quartanistas Fitados e Veteranos a come- quase que já não enche o Teatro Académico”, refere o es- Queima, que desde 1930 era no Parque da Cidade, volta a moração da última jornada universitária ou seja, o derradei- tudante de Engenharia Electrotécnica. ser no Jardim Botânico. ro trajecto da vivência coimbrã. Relativamente a aspectos negativos, “não há Queima que A Serenata Monumental surge pela primeira vez em 1949, Constituindo o expoente máximo do pulsar da vida aca- não tenha os seus problemas”. Segundo o Dux Veterano- ARQUIVO démica tradicional, o Cortejo é parte integrante e funda- rum, não existem regulamentos perfeitos, pois as festas mental da Queima das Fitas e nele se integram a maioria académicas “dependem sempre da capacidade e da dispo- dos estudantes da Universidade de Coimbra (UC). sição dos organizadores”. Os anos de todas as mudanças Os principais momentos Já nos anos 90, a festa realizou–se no Parque Dr. Manuel 1899 – Centenário da Sebenta Braga. “Antes havia umas barraquinhas que transmitiam o 1905 – Enterro do Grau elevado espírito académico que se vivia”, recorda João Luís 1919 – Surge o termo Queima das Fitas Jesus, o Dux Veteranorum, estudante de Engenharia Elec- 1930 – Garraiada trotécnica. No entanto, classifica o último ano do antigo 1932 – Venda da Pasta parque como o mais marcante. “Eu estava na organização 1933 – Baile de Gala e o cartaz foi muito bem conseguido, tudo correu muito 1935 – Primeiro Cartaz litografado bem”, recorda. 1938 – Cartaz multicolor e realização dos concertos no Desde 2000 que os concertos se realizam na Praça da Jardim Botânico Canção e, segundo o Dux Veteranorum, “as grandes tendas 1949 – Serenata Monumental do novo parque têm fins maioritariamente comerciais, o que 1969 – Luto académico (a Queima é interrompida por contribuiu para alguma perda do espírito académico que se 12 anos) vivia antigamente”. 1979 – Realização da I Semana Académica Em 2003, a Queima das Fitas trouxe novidades, com a 1999 – Última Queima no Parque Manuel Braga criação da noite da Faculdade de Ciências do Desporto e 2000 – A Queima do novo milénio vai para a Praça da Educação Física (FCDEFUC), o que implicou mais uma Noi- Canção te do Parque. Além disso, regressou também o “Palco 2” de- 2001 – Suspensão do Palco 2 pois um interregno de dois anos. Numa co–produção entre 2003 – Nova noite da FCDEFUC e regresso do Palco 2 a Queima das Fitas e a Rádio Universidade de Coimbra 2006 – Nova suspensão do Palco 2 (RUC), o palco foi montra de projectos musicais menos co-
  • 18. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 Para além das noites no parque D.R. A Queima das Fitas é um festival académico anual que comporta não só as noites de concertos no parque, mas também outras actividades. A CABRA foi saber em que consistem esses outros eventos mais tradicionais Por Patrícia Cardoso, Ricardo Machado, Ana Luísa Silva, Luísa Silva Serenata Monumental “Quem não passa por uma Serenata Monumental da Queima não pode dizer que passou por Coimbra”. É des- te modo que João Luís Jesus, Dux Veteranorum da Asso- ciação Académica de Coimbra, descreve a dimensão des- te acontecimento. O mesmo acrescenta ainda que “é o ex–líbris e o maior espetáculo em termos de fado de Coimbra” A Serenata Monumental realiza–se na noite que marca o início oficial da Queima das Fitas. De acordo com João Luís Jesus, “para se tocar nas escadas da Sé Velha, o fa- do tem de ser muito bom. É o sonho de qualquer grupo poder tocar naquele local”. No entanto, o Dux Veterano- rum considera “uma falta de respeito ter cerca de cinco a oito mil pessoas que vão lá porque é giro, mas não con- seguem estar 60 minutos calados, não respeitando o tra- José Cid vai ser a principal atracção do Chá Dançante da edição deste ano da Queima das Fitas balho de colegas que se esforçaram tanto durante anos”. João Luís Jesus explica que “são precisos seis ou sete jados. No entanto, relativamente à organização deste evento, anos para aprender e merecer tocar na Serenata Monu- De acordo com o responsável pelo Pelouro do Cortejo e Luís Gil esclarece que é “um pouco mais complexo”, uma mental”. Garraiada, Luís Gil, este é um dos eventos mais difíceis de vez que envolve “a mobilização para a Figueira da Foz, organizar, até porque “há muitos documentos entregues pois temos que certificar a CP e a polícia da Figueira. É Cortejo dos Quintanistas fora do prazo”. O mesmo explica que, para várias entida- preciso ainda efectuar contratos com o Coliseu e verificar O Cortejo da Queima das Fitas é marcado pelo desfile des, como “o Conselho de Veteranos, a polícia e os segu- as vagas dos cavaleiros”. de Quartanistas fitados em carros alegóricos e de finalis- ros, é necessário que os requisitos sejam entregues den- tas que trajam de cartola e bengala, representando o fim tro do tempo estabelecido”. Queima do Grelo e Queima das Fitas do curso. Aos “putos” cabe levar o grelo, que será quei- Luís Gil esclarece ainda que, apesar de o cortejo não ter O acto de queimar as fitas é anterior à própria festa da mado no quarto ano. Já para os estudantes do primeiro rentabilidade, o preço das inscrições (600 euros) vem Queima das Fitas. As fitas, como consequência de mea- ano, o cortejo simboliza o primeiro desfile em que vão tra- amortizar os gastos que são efectuados em autorizações, dos do século passado, eram tiras de tecido que serviam ARQUIVO policiamento e divulgação. para atar os livros, a que se chamava o grelo, e eram Em comparação com anos anteriores, o responsável pe- queimadas já de noite. As cinzas eram colocadas numa la- lo pelouro do Cortejo salienta que se registou um núme- ta que mais tarde passou a ser colocada junto à Porta Fér- ro menor de inscrições e acredita que se deve ao facto de, rea. “de ano para ano, haver menos pessoas inscritas na uni- A Queima do Grelo é uma estrutura que simboliza o dei- versidade”. xar de ser grelado para passar a ser fitado. O grelo, após Este evento teve origem em finais de Maio de 1901, ter sido utilizado na lapela dos estudantes do terceiro ano quando os estudantes do quarto ano jurídico organizaram (no caso dos cursos de cinco anos), vai para a pasta dos um cortejo com cerca de 20 carros motorizados e a cava- quartanistas. Actualmente, no dia do cortejo, estes quei- lo, enfeitados com flores e festões de murta. Nessa altu- mam–no no “penico” e começam a usar as fitas, indican- ra, os caloiros seguiam no cortejo amarrados por fitas ver- do a sua posição de pré–finalistas. melhas e com várias latas atadas com fios onde os dou- Queimar as fitas representa um acto simbólico cujo sig- tores batiam com as bengalas. nificado assenta na proximidade do fim do curso. Garraiada Baile de Gala Actualmente, a Garraiada consiste numa tourada onde De acordo com a responsável pelo Pelouro de Bailes e novilhos de quatro anos são lidados, não só por cavalei- Chá Dançante, Rita Costa, “o baile representa uma activi- ros e forcados amadores, como também pelos estudan- dade diferente, ligada à tradição, em que os estudantes tes. acabam por levar uma recordação diferente das noites do No entanto, quando este evento teve ínicio em 1929/30, parque”. João Luís Jesus explica que o baile, em meados eram os caloiros que, ornamentados com chocalhos, cor- da década de 30, “tinha uma função específica que era a nos e afins, se apresentavam no Largo da Feira do Gado, de apresentar os fitados à sociedade”. em Santa Clara, para serem toureados pelos doutores. Relativamente à organização desta actividade, Rita Cos- Para João Luís Jesus, “a Garraiada está sempre cheia. É ta refere que seguiu “a estrutura conhecida que é abrir uma adesão total. Ninguém perde aquela manhã a dormir concurso para decoração, produção e catering”. O ponto na areia, nem a viagem de comboio efectuada de direc- que mais a preocupou foi “tentar dar um menor prejuízo ta”. possível”, uma vez que se trata de um pelouro com saldo
  • 19. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 ARQUIVO negativo por natureza. No entanto, acrescenta que “é uma tradição que, segundo o regulamento da queima, tem que ser feito e acho que as pessoas que normalmen- te vão acabam por gostar do evento”. A actividade engloba um jantar no qual estão inscritas “cerca de 560 pessoas, mais uns 150 convidados protoco- lares. O reitor não vai ser convidado, tal como no ano pas- sado, devido aos conflitos entre a associação e a reitoria”. A responsável pela organização salienta que as expec- tativas são boas. “Vai estar bastante gente no baile. Além das pessoas que vão ao jantar, vão mais cerca de 500 ao baile”. Este ano, o convidado para o evento é o maestro Vitorino de Almeida. Chá Dançante Este ano, o Chá Dançante vai contar com a presença de José Cid. Rita Costa acredita que, “apesar de muita gen- te não gostar, pode ser interessante e chamar muitas pes- soas, até porque há um abaixo assinado na cidade a pe- dir que o artista venha à Queima”. De acordo com João Luís Jesus “o chá dançante já foi um evento com cerca de oito mil pessoas lá dentro. Nes- te momento comporta à volta de mil e tal”. O Dux Vetera- norum explica que, além de ter mudado de instalações e, Desde 1901 que o Cortejo dos Quartanistas representa o ponto alto da Queima das Fitas de Coimbra como tal, não ter tanta capacidade, “os estudantes pare- cem ter esquecido que existe esta actividade”. No entan- tes tinham oportunidade de dizer aquilo queriam mas não Programa Cultural to, refere que a Comissão Organizadora da Queima das Fi- podiam dizer noutras alturas, de uma forma artística e sa- tas 2006 vai tentar recuperar esta tendência pela mudan- tírica”. Este ano, o Pelouro Cultural apresenta um leque diversifi- ça de programa. No entanto, o Dux Veteranorum lamenta que “neste cado de actividades, apostando assim, na inovação que, se- momento esteja completamente em declínio. São dois ou gundo a responsável, Ana Luísa Martins, “pode reverter a Venda das pastas três grupos que perdem cerca de três dias para se orga- tendência que se vêm a sentir nos últimos anos e, através O objectivo da venda da pasta é “os fitados de Coimbra nizarem e irem lá dizer umas patacoadas”. da divulgação e dinamização, pode chamar mais gente”. irem à Elysio de Moura, buscar as meninas que vivem na Uma das actividades mais mediatizadas deste pelouro é o instituição e levarem–nas para a Baixa para passear e Benção das Pastas Sarau de Gala, organizado juntamente com a Secção de Fa- vender pastas”, conforme afirma Luís Gil. O responsável De acordo com João Luís Jesus, este é “provavelmente dos. O Sarau consiste num concerto que se realiza no Tea- pelo pelouro que trata do evento acrescenta ainda que “a o único evento da Queima das Fitas a que as pessoas vão tro Académico de Gil Vicente, no dia 5 de Maio. às 21 horas instituição trata de tudo, e o dinheiro reverte a favor da conscientes do que estão a fazer”. e que pretende mostrar ao público todos os grupos da casa, Casa de Infância Doutor Elysio de Moura”. Ao fim da tar- A Benção das Pastas é um dos momentos de maior sig- seguido por um convívio na Cantina dos Grelhados. Para de, a Queima das Fitas proporciona às crianças um lanche nificado para grande parte dos finalistas, assumindo uma além deste evento, Ana Luísa Martins reforça a importância e fornece animação, “como a presença de palhaços”. solenidade especial para o estudante católico. Centenas do Festival Internacional de Tunas Masculinas que, no en- A actividade que consiste em vender as pastas data de de finalistas reúnem–se na Sé Velha para o ritual que tanto, “não se sabe se este ano se vai poder realizar”, e o Ci- 1932, tendo sido iniciada pelo curso médico, em que o di- anuncia a chegada da Queima das Fitas e cumprem assim clo de Palestras, acontecimento pensado com o objectivo de nheiro revestia para o Asilo da Infância Desvalida. uma das últimas tradições da sua vida académica. reunir cada núcleo das faculdades e que, de acordo com a estudante de Psicologia, “pretende dar a cada um deles a Récita dos Quintanistas A Queima das Fitas constitui, para os Quartanistas Fita- oportunidade de fazer uma palestra sobre um tema actual”. A Récita é a oportunidade dada aos Quintanistas para dos, o ponto de passagem para o derradeiro trajecto da Para isso, a Queima das Fitas disponibiliza as verbas neces- se exprimirem e criticarem o que quiserem, seja a socie- vivência estudantil coimbrã; para os caloiros a emancipa- sárias para a realização das mesmas. dade, os professores, a universidade, da forma mais ade- ção e para os Veteranos o fim da caminhada. Para além destes eventos, vai–se realizar o Peddy Tas- quada às suas intenções. De acordo com João Luís Jesus, Os caloiros passam a semi–putos, os semi–putos a pu- cas, o Musicalidades, o Tunalidades e o Festival de Teatro este “era um dos eventos mais importantes da Queima tos, os putos a quartanistas, os quartanistas a quintanis- Amador. O Tunalidades é uma actividade que envolve as Tu- das Fitas” e acrescenta que “era o local onde os estudan- tas e os quintanistas a veteranos. nas femininas e é organizado pelas próprias Fans e o Festi- val de Teatro Amador já começou e vai terminar no próximo Programa Desportivo dia 17 de Maio. O maior evento desportivo organizado pelo Pelouro do Des- “a iniciativa vai envolver muitas pessoas. Estamos à espera Contudo estas não são as únicas actividades que este pe- porto este ano é o Raid Urbano, conforme afirma o presiden- de uma enorme afluência por ser precisamente antes da louro suporta. De acordo com Ana Luísa Martins, “ há uma te da Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF) Queima”. série de actividades propostas pelas próprias secções que o 2006, Ricardo Duarte. Segundo o mesmo, este projecto, que Além desta actividade, o presidente da COQF salienta a pelouro tenta apoiar”. Dentro desses acontecimentos muitos tem lugar amanhã, vai ser realizado em parceria com a Direc- descida nocturna do rio Mondego, que se efectua no dia 24 de mediatizados, como salienta a estudante, estão incluídos, ção–Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e Maio e relembra as actividades mais mediáticas como “A quei- para este ano, o Caminho do Cinema Português, o ENEF - corresponde a um evento que começa à tarde na AAC e vai ma vai à tropa” e o “Assalto à reitoria”. Encontro Nacional Etnográfico e de Folclore, o Mês do Fado prolongar–se até à noite, acabando na Baixa. “A queima vai à tropa” foi o primeiro evento organizado pe- e outros de menor dimensão, organizados pela Secção de De acordo com Ricardo Duarte, “serão feitas actividades lo pelouro do desporto, e teve lugar na base militar de São Ja- Gastronomia, Secção de Jornalismo, o Grupo Ecológico e a como slide, rappel, BTT, peddy paper, manobras de cordas, cinto nos dias 24, 25 e 26 de Março. Já o “Assalto à reitoria” TV/AAC (o Concurso de Curtas Metragens e de Argumentos entre outras coisas”. consistiu num jogo de paintball realizado no Pólo II, no dia 26 para Curtas Metragens). Os apoios passam pelo próprio fi- Apesar do responsável do pelouro de Desporto considerar de Abril, que, segundo Ricardo Duarte, “teve bastante ade- nanciamento, pela oferta de prémios, montagem de palcos, este evento como “o mais trabalhoso”, acredita que o facto de são”. som e luz. ser realizado em conjunto com a DG/AAC e com várias em- O presidente da COQF afirma que “o pelouro de Desporto Relativamente aos apoios financeiros, Ana Luísa Martins presas de eventos “permite uma divisão de esforços que vão tem uma filosofia muito própria que consiste em proporcionar explica que “os orçamentos são disponibilizados pela pró- facilitar o trabalho”. ao estudante actividades a preços muito mais baixos que pria Queima das Fitas, o que este ano provocou uma situa- Relativamente às expectativas, Ricardo Duarte refere que aqueles que são destacados normalmente”. ção um bocado complicada, devido à falta de dinheiro”.
  • 20. QUEIMA DAS FITAS _ COIMBRA _ MAIO 2006 Ricardo Duarte “O dinheiro gasto em outros anos é exagerado” CARINE PIMENTA Natural de Seia, o presidente da Comissão Central da Queima das Fitas (CCQF) 2006 pretende que a festa pague as dívidas dos anos anteriores. O estudante do 3º ano de Jornalismo, com 20 anos, afirma que outro objectivo da Queima das Fitas (QF) deste ano é ajudar as secções da Associação Académica de Coimbra Sandra Henriques Decorre desde o mês passado o programa cul- tural e desportivo da QF. Como está a ser a ade- são ao programa? O desporto já teve algumas actividades, com uma adesão bastante aceitável. No entanto, a maior fatia dos eventos vai ser depois das Noites do Parque. Pri- meiro, porque este ano tivemos um período de acção menor, e também porque não é bom termos muitas ac- tividades seguidas. Quanto ao cartaz das Noites do Parque, o orça- mento deste ano é menor que o do ano passado. É o cartaz desejado ou o possível? O cartaz deixa–nos a todos bastante satisfeitos. Pri- meiro, devido à questão de sempre das bandas inter- nacionais: entendemos que não devemos ter uma ban- “Queremos que a cidade acorra em massa à Queima das Fitas” da internacional só para dizer que temos. Temos uma artista internacional [Melanie C] que foi considerada ternacionais não vêm se não lhes deres dinheiro na Eu tento acompanhar aquilo que é feito em cada um uma boa aposta, porque há dois meses e meio que é mão; com as bandas nacionais mesmo assim tens de dos pelouros, porque acho que ser presidente da CCQF número 1 em Portugal, e está nos lugares cimeiros das assinar contrato e pagar. Mas, com o trabalho que es- não é só dar a cara; é também ter o conhecimento do tabelas de vendas por esse mundo fora. tá a ser desenvolvido pelas diversas entidades, penso que se passa para, no caso de algo correr menos bem, Quanto ao orçamento, é muito mais baixo que o do que as dificuldades que poderão existir estão a ser con- poder dar a cara por isso e ajudar se for necessário. ano passado e, como é óbvio, tem que se adaptar o di- tornadas. Mas penso que está tudo a ser feito com bastante qua- nheiro ao que queremos. Mas também acho que o di- lidade, tão grande ou maior que em anos anteriores. nheiro gasto em anos anteriores é exagerado, porque Disseste agora que a organização trabalha co- ultrapassa as verdadeiras possibilidades da QF. Penso mo uma equipa. Nas relações interpessoais, a Com a Queima propriamente dita à porta quais que a afluência não será prejudicada, porque temos CCQF tem–se dado bem? as expectativas da CCQF? Pensam que vai correr um cartaz bastante equilibrado, abarcando quase todos Este ano, as relações dentro da comissão têm sido melhor que no ano passado? os tipos de música. À partida, como poderia a QF de bastante boas. Foi criado um sentimento geral de que As expectativas da CCQF, penso que são as mesmas anos anteriores ser acusada, ninguém fica de fora, por- estamos a trabalhar para o mesmo e não tem que ha- dos estudantes da Universidade de Coimbra, ou seja, que há noites diferentes para pessoas diferentes. ver divisões. E é isso que é de destacar. fazer uma festa que todas as pessoas que a vivam saiam de lá a dizer que gostaram. Em termos de A CCQF começou a trabalhar mais tarde e tam- Quanto à tua função em específico, ser presi- afluência, queremos que seja bastante elevada, quere- bém com dificuldades financeiras - com orça- dente da CCQF é uma grande responsabilidade. mos que a cidade acorra em massa à QF. mento zero. Isso foi um obstáculo ou um estí- Tem sido difícil? Também queremos captar o maior número de pes- mulo? Em relação àquilo que me diz respeito, é muito mais soas possível de fora de Coimbra. Com a Road to Quei- O orçamento não foi zero: começámos com um sal- complicado porque, para além da presidência, tenho o ma, estamos a levar por todo o país aquilo que é a QF do negativo de mais de 100 mil euros, quando a QF co- pelouro do Desporto. Não havia comissário de Despor- de Coimbra, a divulgar as Noites do Parque e as outras meça todos os anos com uma determinada verba. É to e eu achei que poderia assumir a função. actividades. Depois, desejamos que, em termos de se- um desafio enorme para todos começarmos nestas cir- gurança, tudo corra dentro da normalidade. cunstâncias, para conseguirmos fazer uma festa em Por opção vossa? E há também uma coisa que é muito importante que menos tempo e com a mesma qualidade ou até supe- Não, não houve comissário porque não houve candi- é a questão financeira, tendo em conta a QF do ano rior. Dá–nos um gosto especial e ainda mais força para dato na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação passado. Este ano, para além de pagar tudo o que es- trabalhar. Essa condicionante deu–nos uma maior legi- Física. Depois, na altura em que se estavam a distribuir tá para trás, queremos também deixar algo para o fu- timidade para definir prioridades e gastar o dinheiro os pelouros, preferi ficar eu sobrecarregado do que dar turo, porque todos nós temos consciência dos proble- onde é mais necessário. mais responsabilidade a qualquer outra pessoa. Não mas que as secções vivem. Temos secções com sérias porque não poderiam fazê–lo, mas porque queria cha- dificuldades porque não têm dinheiro para as financiar Que tipo de condicionantes sentiram este ano? mar a mim essa responsabilidade. Na minha função, é e essa é também uma responsabilidade que sentimos: Por exemplo, tens um orçamento para a QF e há pa- um bocado complicado gerir dois pelouros, o tempo que o saldo final desta QF permita também ajudar a gamentos que não podem ser adiados. As bandas in- não é muito. casa o máximo possível.
  • 21. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA CIÊNCIA 13 UC estuda sinistralidade em Lisboa FCTUC vai investigar a segurança rodoviária na capital RUI VELINDRO Em parceria com o e resolução de diversos problemas, o Laboratório Nacional de LNEC vai ainda aplicar um método cien- Engenharia Civil, a tífico para estudar a cidade e identificar os pontos de acumulação de acidentes, Universidade de Coimbra para se decidirem as medidas rectifica- vai analisar os acidentes de doras da sinistralidade. viação que ocorrem Segundo Picado Santos, os municípios são responsáveis pelas ruas, mas é a Po- na maior cidade do país lícia de Segurança Pública e a Direcção- –Geral de Viação que gerem os aciden- Raquel Mesquita tes. Assim, “se a câmara quiser interce- Rafael Pereira der numa área com um elevado número de ocorrências, não o pode fazer, porque Estudar a segurança e gestão da rede não sabe onde”, conclui. rodoviária urbana na cidade de Lisboa é Com o objectivo de atingir resultados o novo projecto que a Faculdade de práticos, enquanto o LNEC e a FCTUC se Ciências e Tecnologia da Universidade de dedicam ao estudo da cidade, a autar- Coimbra (FCTUC) vai desenvolver em co- quia vai fornecer, ao longo dos próximos laboração com o Laboratório Nacional de três anos, os dados referentes à sinistra- Engenharia Civil (LNEC). lidade. Do cruzamento de informação O “Protocolo de Cooperação Técnica e entre as entidades vai resultar as deci- Científica na área de segurança rodoviá- sões sobre onde e como intervir. ria na cidade de Lisboa”, que oficializa a O LNEC vai começar por intervir em al- parceria a partir do dia 11 de Maio, visa gumas zonas–piloto, o que pode incluir a criação de um método que defina as obras, alteração de traçados ou apenas a prioridades de intervenção, em que se Combater os acidentes de viação na capital é o principal objectivo da investigação introdução de semáforos. Contudo, a au- identifica e ordena as zonas de acumula- tarquia tem mais medidas em vias de se- ção de acidentes em área urbana. temas relevantes para a descrição de transferência de tecnologia. Mediante rem aprovadas. Deste modo, o projecto IRUMS – Infra- factores urbanos”. Entre estes incluem- equipamento já existente ou a adquirir Todo o procedimento vai incorporar a –estruturas Rodoviárias Urbanas Mais –se a densidade urbana e o uso do solo, pelas instituições proponentes pretende- experiência portuguesa e estrangeira no Seguras, integrado no programa, tem que possam influenciar a exposição ao –se “recolher dados pormenorizados so- domínio, visando a correlação entre as como principal objectivo a “avaliação do risco, a probabilidade de acidente e a bre os acidentes, as características dos variáveis recolhidas e a segurança, ao ní- efeito dos problemas e a percepção do sua respectiva gravidade. arruamentos e o tráfego (veículos e vel da intervenção correctiva. risco para os utentes”, refere Luís Picado Co–financiado pela Fundação para a utentes desprotegidos)”, salienta João O sistema estudado vai poder ser utili- Santos, docente de Engenharia Civil da Ciência e Tecnologia e ao abrigo do Pro- Cardoso. zado pelas entidades municipais para Universidade de Coimbra. grama Operacional de Ciência e Inova- apoio técnico à intervenção e atribuição João Cardoso, responsável pelo projec- ção 2010, o protocolo prevê também o Identificar pontos de acumulação de fundos para a correcção de deficiên- to e membro do LNEC, refere que é fun- desenvolvimento de projectos conjuntos de acidentes para corrigir estradas cias da estrada que contribuam para a damental “combinar o SIG (Sistema de de investigação e desenvolvimento (I&D) Com o intuito de aprofundar a coope- ocorrência ou agravamento dos aciden- Informação Geográfica) com outros sis- que compreendam a demonstração e a ração técnica e científica na identificação tes rodoviários. Estudante da Arca premiado em concurso europeu Networking Pedro Galinha transportar, sem dificuldades acresci- tectura e também design”, afirma Paula 2006 das, crianças cuja idade não deve exce- Trigueiros, docente de Design de Equi- José Pedro Coimbra, estudante da li- der os seis meses. pamentos na EUAC. A professora, que cenciatura em Design de Equipamentos Quando colocado sobre os membros dinamizou na passada semana um A quinta edição da Conferência Inter- da Escola Universitária de Artes de inferiores dos utilizadores de cadeiras workshop intitulado “Design, Comunica- nacional de Networking realiza–se de Coimbra (Arca/EUAC), venceu um pré- de rodas através de um conjunto de pe- ção e Inclusão”, refere que “o sucesso 15 a 19 de Maio no Departamento de mio inserido no programa Leonardo da ças de encaixe, o dispositivo possibilita de José Pedro Coimbra vem no segui- Engenharia Informática da Vinci com a apresentação de um dispo- uma maior independência aos portado- mento de um investimento” realizado Universidade de Coimbra (Pólo II). sitivo porta–bebés. res de limitações físicas, relativamente no âmbito dessa temática. O evento pretende discutir os últimos No âmbito do projecto Pro.f.use (To aos cuidados prestados a recém–nasci- Para além do estudante português, os avanços na área das telecomunicações Project Friendly and Usefully), a princi- dos. projectos de outros dois alunos, prove- e conta com a realização de sessões pal funcionalidade deste equipamento Os projectos na área da mobilidade e nientes de Itália e Holanda, foram pre- técnicas, workshops e a presença de reside na capacidade de ser instalado transporte pessoal têm conhecido em miados na iniciativa, financiada pela Co- vários investigadores internacionais. em cadeiras de rodas. Deste modo, o Portugal um acréscimo significativo. “Há missão Europeia e coordenada pelo A iniciativa é patrocinada pela IFIP, mecanismo concebido pelo aluno da vários trabalhos em termos de inclusão, Centro de Inovação em Negócios de Pis- Techincal Committee on EUAC permite a um deficiente motor em áreas como as engenharias, arqui- toia, Itália. Communication Systems (TC6).
  • 22. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 14 DESPORTO Sete equipas lutam pela continuidade Ponto , & Virgula Manutenção adiada RUI VELINDRO por Tiago Almeida Ao empatar 0-0 com o Belenenses, adversário directo Fim da era na luta pela permanência, a Académica / OAF “recupera” Vingada a tradição de adiar todas as decisões para a recta final “O ciclo de Vingada, iniciado em Janeiro de 2005, acabou por Patrícia Costa ficar aquém das expectativas, em parte pelas delineadas em A Académica deslocou–se a Belém, do- torno da presente temporada” mingo, 30 de Abril, para defrontar a equipa local, num jogo a contar para a 33ª jornada Domingo, no Restelo, o empate entre Be- da Liga Betandwin.com. A vitória interessa- lenenses e Académica adiou tudo para a úl- va a ambas as equipas, já que asseguraria a tima ronda da Liga. No final do jogo, à Co- uma delas, de imediato e matematicamente, municação Social, instado a analisar o pon- a manutenção. Contudo, o jogo terminou to conquistado em Belém, Ezequias deixou empatado e as contas da manutenção ficam escapar, entre o cansaço de 90 minutos de adiadas para a última jornada. esforço, que o objectivo que a equipa tinha Nelo Vingada, limitado pelas lesões que A Briosa precisa apenas de um empate na última jornada para fugir à “linha-de-água” para aquele jogo “foi cumprido”. A verdade afectam a equipa, optou por Ezequias para é que os “azuis” ameaçaram a baliza acade- o eixo da defesa, de modo a colmatar a au- cruzamento de Rui Miguel. No fim do primei- substituições feitas pelos treinadores, a mista por diversas vezes e o empate, pelo sência de Hugo Alcântara. ro período do encontro, o Belenenses criou equipa da casa só não chegou ao golo, mais qual a equipa apenas lutou, esteve em ris- As duas equipas, separadas apenas por a melhor oportunidade da partida. Paulo uma vez, por mérito do guarda–redes aca- co. Ao longo da época, a postura de expec- um ponto, não apresentaram um futebol Sérgio remata para golo, mas Vítor Vinha demista. Zé Pedro, aproveitando uma desa- tativa e de falta de coragem frente a adver- vistoso, tendo por isso realizado uma parti- evita a vantagem dos jogadores do Restelo. tenção de Vítor Vinha, rematou para uma sários da segunda metade da tabela foi evi- da equilibrada. Na primeira parte, a Briosa Na segunda parte, o Belenenses foi a boa defesa de Roma. dente. Em Penafiel, em Paços e na Amado- procurou incomodar Marco Aurélio, contudo, equipa mais atacante, mas não conseguiu No final do jogo, Nelo Vingada realçou a ra, apenas para citar alguns exemplos, a vi- nunca chegou a concretizar nenhuma das marcar, pois encontrou um Pedro Roma ins- “intensidade emocional” impressa no jogo e tória da Briosa fugiu por entre os dedos, oportunidades. Só ao minuto 25 é que a pirado e atento, na baliza adversária. Aos 52 “a necessidade de pontuar”. Já Couceiro sempre devido a uma segunda parte seme- equipa visitante criou perigo real: o guarda- minutos, Zé Pedro marcou um livre no lado apontou a falta de concretização como a fa- lhante à produzida domingo, no Restelo. –redes dos azuis fez uma defesa complica- esquerdo, ao qual Roma respondeu bem. E lha da sua equipa. Nelo Vingada é um profissional sério, da, após cruzamento de N’Doye. Seguida- somente à passagem do quarto de hora é Na ponta final do campeonato, a Acadé- competente e, acima de tudo, sensato. E mente, Vítor Vinha tentou a sua sorte de que os estudantes conseguiram “sacudir” a mica recebe o Marítimo e o Belenenses des- como escasseia esse bom senso no futebol longe, mas sem efeito. 10 minutos depois, pressão dos azuis, com N’Doye a rematar loca–se a Barcelos, para defrontar o Gil Vi- português! Porém, o ciclo de Vingada, ini- Joeano falhou a emenda para golo, após um muito distante da baliza. Depois de algumas cente. ciado em Janeiro de 2005, acabou por ficar aquém das expectativas, em parte pelas de- lineadas em torno da presente temporada. Foram muitas as lesões que assolaram o Râguebi com época para esquecer plantel (Filipe Teixeira e Dionattan ausen- taram-se numa fase decisiva), foram muitas Bruno Gonçalves sa, que acabou por perder por apenas nenses. as pressões externas em torno de uma quatro pontos de diferença. Esta é a segunda vez que a Secção de equipa aparentemente bem estruturada no O râguebi da Académica foi neste do- Dois anos depois de ter sido campeã Râguebi se vê fora do escalão principal. A arranque da época. Contudo, no limite, fica mingo afastado do escalão mais alto da nacional, a Académica vai deixar a Divisão única vez que se tinha verificado a mes- a sensação de fracasso, face ao plantel à modalidade em Portugal. de Honra para jogar na I Divisão. Na edi- ma situação foi na época de 1992/93. disposição. Afinal, Zé Castro, Danilo, Pedro No jogo realizado no Estádio Universitá- ção deste ano, que acabou neste fim–de- Nessa altura, a descida de divisão pode Silva, Brum e Filipe Teixeira, interessam a rio de Lisboa, os “estudantes” foram bati- –semana, o râguebi da Académica apenas até ter sido benéfica para a secção, que “meio mundo” e alguns deles não vestirão a dos pelo CDUP por 17-13. A partida foi conseguiu um ponto, averbando apenas ganhou, no ano seguinte, o campeonato . , camisola preta na próxima época. Assim, a era Vingada termina... com naturalidade bastante equilibrada, mas os últimos 15 minutos de jogo foram fatais para a Brio- derrotas, tendo até a derrota mais pesa- da do campeonato, 88-0 frente ao Bele- da II divisão, e disputou a final da Taça Nacional. PUBLICIDADE
  • 23. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA CULTURA 15 Festival internacional de cinema independente IndieLisboa estreia em Coimbra NUNO BRAGA Os filmes premiados na Retrospectiva do festival capital chegam na próxima O IndieLisboa nasceu há três anos, semana a Coimbra, numa com o objectivo de criar um festival de ci- extensão do evento que nema generalista em Portugal, integrando acabou no domingo uma competição de curtas e longas–me- em Lisboa tragens de novos realizadores. Um dos organizadores, Nuno Sena, considera que “as últimas edições tive- Ana Rita Faria ram como pontos marcantes a organiza- Joana Gante ção cuidada e uma programação de qua- Inês Rodrigues lidade”. O objectivo passou por “valorizar os filmes e os espectadores, proporcio- “Até agora, para ver o IndieLisboa, tí- nando um encontro entre o público, os fil- nhamos que nos deslocar à capital; agora mes e os seus autores”. as pessoas de Coimbra poderão ver o In- Em apenas dois anos, o IndieLisboa die na própria cidade”, considera a asses- tornou–se uma referência na área do ci- sora de imprensa do Teatro Académico de nema em Portugal, tendo exibido 210 fil- Gil Vicente, Teresa Santos. mes oriundos de diversos países. A extensão do festival de cinema a O teatro académico vai receber os três dias do IndieLisboa em Coimbra Coimbra, que está a cargo do teatro aca- démico e do Fila K Cineclub, pretende extensão de um festival com tanto prestí- der–se também a Aveiro, Famalicão, Al- A terceira edição do IndieLisboa, que “oferecer ao público três dias com o me- gio vem a Coimbra”, sublinha Teresa San- mada e Guimarães. decorreu entre 20 e 30 de Abril na capital, lhor do que passou por Lisboa”, afirma o tos. atingiu um número recorde de espectado- director do Fila K, Paulo Fonseca. Um dos organizadores do IndieLisboa, Um evento em ascensão res. Em comunicado oficial, a organização A terceira edição do IndieLisboa chega a Nuno Sena, considera que, embora o O IndieLisboa é um festival dedicado à mencionou que a previsão inicial de 25 mil Coimbra na próxima segunda–feira, 8 de evento decorra na capital, “não deixa de divulgação de obras e cinematografias pessoas poderá mesmo ter sido ultrapas- Maio, com uma programação especial di- ser um festival nacional que pode estar com menor visibilidade no circuito comer- sada. rigida a crianças e jovens, e continua nos presente noutros locais do país”. cial português. No entanto, Nuno Sena re- “Apostámos na multiplicação de todos dias 10 e 12, com duas sessões diárias. Nuno Sena reforça o interesse da orga- cusa a ideia de que os filmes sejam para os acontecimentos do festival – mais fil- Os organizadores locais esperam que a nização “em continuar a apostar na pre- “minorias”, adiantando que “as suas qua- mes, mais sessões, mais salas de cinema afluência do público seja bastante positi- sença do festival fora de Lisboa”. Assim, lidades justificam que sejam vistos pelo – e o público acompanhou esse cresci- va, “até porque é a primeira vez que uma para além de Coimbra, o evento vai esten- maior número de pessoas”. mento”, conclui o organizador. Ciência aliada à cultura Uma família com duas própria universidade de levar aos jovens adquiridas no local. amador. Faleceu em 1984, deixando o seu gerações de artistas revela novas panorâmicas”. nome como uma referência nacional na Tomando Rui Eloy Cunha, seu pai, como Uma família cultural área. parte das suas obras, numa um modelo a seguir, o pintor sentiu–se Rui Eloy Cunha, pai, nasceu em Coim- Rui Cunha, filho, nasceu em 1942 e, exposição que pretende emocionado com a ideia de juntar as bra em 1912, tendo–se formado em Medi- apesar de preferir a pintura, também pos- formar um elo entre o obras de ambos. “O que aqui está é a pas- cina pela universidade da cidade. Desde sui diversos trabalhos em cerâmica e es- conhecimento cultural sagem aos jovens de um pouco da sabe- cedo desenvolveu uma paixão pela foto- cultura. Em todas as suas obras procura doria do meu pai”, afirma. grafia, como passatempo, tendo ganho di- “imprimir uma nova forma de ver a arte e as ciências exactas O ex–presidente do Departamento de versos prémios de mérito como fotógrafo em Coimbra”. Bioquímica da FCTUC, Luís Martinho, re- PAULA MONTEIRO Marta Costa vela que “há outros projectos para o espa- João Oliveira ço, alguns deles já pensados ou parcial- mente planeados”. Entre uma sessão de A mostra de pintura e fotografia “Rui declamação de poesia, “sketches” teatrais Cunha, Pai e Filho: duas vidas, uma obra” e exposições de jovens artistas, há vários está patente no Departamento de Bioquí- eventos que se pretendem realizar no de- mica da Faculdade de Ciências e Tecnolo- partamento, sempre com a direcção artís- gia da Universidade de Coimbra (FCTUC), tica do pintor. até ao dia 18 de Maio. Todas as obras da exposição “Rui Cu- Rui Cunha, filho, considerou “um desa- nha, Pai e Filho: duas vidas, uma obra” fio” o convite para expor as suas obras. encontram–se apresentadas no átrio que Segundo o artista, a iniciativa deve–se “a tem o nome do artista, bem como num uma necessidade pessoal e também da dos corredores do edifício, e podem ser
  • 24. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 16 CULTURA Teatro com Noite mística da cultura popular sotaque Uma cortina separa o real DANIEL SEQUEIRA brasileiro e o imaginário. Superstições de uma noite de S. João Batista Suzana Marto envolvem o palco num evento “No Natal a gente vem te buscar” é uma que combina música, produção brasileira que vai ser apresenta- lengalengas e expressão da no Teatro Académico de Gil Vicente, no dia 11 de Maio, às 21h30. cultural. É esta a proposta A peça teatral é da autoria de Naum Al- do GEFAC, que repõe ves de Souza e faz parte de um ciclo re- o espectáculo trospectivo do autor, onde são abordados temas como a família, as tradições brasilei- “A água dorme de noite” ras e os preconceitos. Segundo a directora do espectáculo, El- Sandra Ferreira vira Gentil, o trabalho desenvolvido traduz- Sandra Pereira O espectáculo “A água dorme de noite” foi criado para a VII Semana Cultural da UC –se numa “peça humana que trata o uni- verso de cada personagem, as lutas, o tra- A partir do ciclo da água, o Grupo de O espectáculo surgiu no âmbito da VII culo. balho e as diferenças de cada um”. Etnografia e Folclore da Academia de Semana Cultural da Universidade de Depois da lotação esgotada da primei- Com personagens influenciadas pela Coimbra (GEFAC) mergulha nas lendas Coimbra, cujo tema foi “De mar a mar”. ra apresentação, o GEFAC decidiu repor moral religiosa, a história leva o especta- das 24 horas de uma festa de S. João Com o objectivo de manter viva a cultu- a peça. “Após cinco meses de prepara- dor a São Paulo, na década de 40, girando Batista. Mas mais do que o retrato de ra popular portuguesa, o GEFAC serviu- ção, não queríamos queimar tudo numa em torno de uma “solteirona”, a persona- um dia de festa, a peça, que regressa –se do elemento mais importante do hora”, explica Hélder Wasterlain, mem- gem principal, bem como da sua família. ao palco do Teatro Académico Gil Vicen- mar, a água, e descobriu “estórias” mis- bro do grupo. Elvira Gentil admite que o objectivo do te hoje e amanhã, representa o ciclo da teriosas em torno de um santo. Entre as O espectáculo tem início pelas 21h30 projecto em Coimbra consiste em “aproxi- vida, numa mistura de sagrado e profa- ladainhas que se repetiam nessa noite, e os bilhetes custam entre três (estu- mar o povo português e ver como os lusi- no. surge a frase que dá nome ao espectá- dante) e cinco euros (público em geral). tanos recebem a encenação”. PUBLICIDADE
  • 25. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA VIAGENS 17 De Osaca a Kyushu... Passados oito meses a residir no Japão, o sistema do metropolitano da cidade de Osaca ainda me parece confuso. Não ajudava o facto da mochila ser pequena (mesmo assim ainda estava extremamente pesada) e o saco-cama não ter cabido lá dentro. Chegámos em cima da hora e fomos os últimos passageiros a embarcar no ferry que nos levaria a Kyushu, uma das quatro ilhas principais situada a sul do Japão Por Carla Santos (Texto e Fotografia) O bilhete de segunda, segunda classe (e entenda–se que não me repeti) dava–nos acesso a Futon, numa camarata de aproximada 40 pessoas, onde miúdos e graúdos conviveram ruidosamente nas doze horas da viagem. Usuki, uma pequena cidade piscatória perto da montanha onde Pela manhã do dia seguinte chegámos a Beppu, cidade por- se encontram gravadas na ravina imponentes imagens de Buda tuária conhecida pelas famosas “onsen” ou nascentes de água datadas do século X. quentes. As onsen dividem–se em dois grupos, os chamados As boleias foram surgindo, e com elas fomos ouvindo histó- “infernos” onde a água é ácida, demasiado quente, de tons co- rias de vidas, na maioria das vezes, em japonês e um pouco loridos sendo por vezes lamacenta, onde o banho é interdito. perdidas na tradução. As boleias foram variando, desde um ca- As onsen podem ser mistas ou separadas por sexo, e variam beleireiro, uma dona de casa, um comerciante, funcionários de no tipo de serviços que oferecem. Famosos são os banhos de empresas, duas famílias japonesas, uma família de Taiwan, uma areia aquecida que segundo os entendidos fazem rejuvenescer. carrinha cheia de mulheres executivas muito bem dispostas, um Após abandonarmos a “ Las Vegas” das termas, pernoitámos farmacêutico e um surfista, dando–nos a conhecer uma outra em Oita, cidade irmã de Aveiro com a qual se realizam activida- faceta do Japão, a faceta de quem anda na estrada, de quem des de intercâmbio cultural. Personagens históricas como o pa- confia e de quem tem curiosidade em saber como pensam os dre Luís de Almeida, entre outros jesuítas espanhóis e portu- gaijin (palavra calão em japonês para se referir a estrangeiros). gueses, viriam aí fundar o primeiro hospital de carácter cientí- Um dos poucos falantes de inglês que nos deu boleia arran- fico do Japão. Oita constituiu um marco na nossa viagem, daí jou–nos alojamento com um familiar na moderna cidade de até o regresso de Osaca, o percurso seria feito à boleia. Fukuoka, de onde por 25 euros e duas horas de um tempo pre- De polegar em riste, meio sorriso e uma pequena vénia (em- cioso de que não dispunhamos, pode–se apanhar um ferry pa- prestada da cultura japonesa) conseguimos duas boleias para ra a Coreia do Sul. Crónica Erasmus A experiência Erasmus é única, não tenho dúvidas. de momento. Crescemos com estas pequenas coisas. Caminhos e incertezas Este é o sentimento demonstrado por quem volta a Portugal após um período a estudar no estrangeiro. É isso que procuro.A chegada a um local desconheci- do, a procura de casa, a adaptação a um nível de vida “Vale a pena, não te vais arrepender!” bastante mais elevado que o nosso e a nova Universi- Apesar da vontade em mudar, viver e estudar num Pois bem, não vou arrepender–me! E, se nada em dade serão, para além das possíveis noites a dormitar país que não é o nosso, as incertezas são ainda mui- contrário acontecer, partirei rumo a Espanha, em Se- algures numa estação ou jardim, a realidade a enfren- tas. Tudo começou quando, em meados de Fevereiro, tembro, ficando para trás a família e os amigos e à mi- tar. foi conhecida a listagem dos candidatos colocados. nha frente, um “mundo novo”. Ir ao encontro do des- O programa Erasmus é assim: uma aventura que Espanha é o meu destino, mas a cidade, essa, ainda conhecido é um dos grandes desafios que me espera. não é de todo maravilhosa. Outro factor nada agradá- é uma incógnita. Possivelmente, Madrid, a minha pri- Novo país, diferentes cidades, multiplicidade de cul- vel prende–se com a não garantia financeira relativa- meira escolha, mas estou dependente de terceiros turas e pessoas, ou seja, outras mentalidades. Mas as mente às bolsas de mobilidade. (pois é, a média afinal é importante!). novas descobertas não se cingem apenas à busca de Uma barreira que leva, invariavelmente, à desistên- Com a dúvida a persistir, a vontade parece esmore- coisas exteriores ao nosso ser. Abrange igualmente a cia de vários alunos. Espero, no entanto, não engros- cer. Os dias passam e a papelada relativa ao “Erasmus” descoberta de nós próprios. sar essa lista para que leve avante a minha futura ex- continua em branco. Esta indefinição leva–me a reflec- As dificuldades nos primeiros dias serão um teste à periência Erasmus, certamente a mais emocionante da tir cada mais… Será que até à data limite da inscrição capacidade de sobrevivência. Não receio passar uma minha curta existência. a vontade em mudar se mantém? noite ao relento. Receio sim não fazer disso um gran- Pedro Galinha PUBLICIDADE
  • 26. Zeros e uns ARTES... Opera: bons ventos do Norte Por volta do Verão de 2003, troquei pela primeira vez o Internet Explorer por outro “browser”. A razão era sim- Cinefilia ples: estava farto de “pop–ups” e, sobretudo, da impres- sionante quantidade de “spyware” que o “browser” da Microsoft conseguia (e consegue) acumular. A escolha Medo de Morte / Wayne Kramer recaiu, então, sobre o Opera, uma aplicação que já ti- nha usado algumas vezes. iioooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooouu Título de Morte Naveguei com o “browser” norueguês durante cerca de um ano, até que abri uma conta no Gmail. O proble- iiooooooouuuuiiiiiiiooouuu nética, adornada iiooooooouiiuuiuiiiioooouu ma estava no facto de o Opera ser, nessa altura, incom- Rafael Fernandes por alguns efeitos patível com o serviço do Google. Preferindo trocar de Joey Gazelle (Paul Walker, “Velocidade Furiosa”) que favorecem o Laura Cazaban “browser” do que de e–mail, acabei por experimentar o está envolvido numa espécie de máfia. Depois de dinamismo do fil- Firefox, no que foi até aqui um caminho sem retorno. um negócio que corre mal, fica incumbido de “eli- me, com o objecti- Raphäel Jerónimo Dois anos passados, decidi descarregar o Opera, ago- minar” uma arma. Nada que não estivesse acostu- vo de dar uma sen- ra na versão 8.5 e com uma versão 9 em fase beta. mado a fazer, mas desta vez algo corre mal e a ar- sação de velocida- Rui Pestana O Opera é normalmente descrito como tendo uma ma cai nas mãos erradas. de que acompanha percentagem de utilizadores residual. É, no entanto, Todo o filme gira à volta desta arma, que vai o argumento, mas que por vezes dá um ar artifi- preciso dizer que o programa se identifica por defeito passando de mão em mão, enquanto Joey procu- cial ao filme. como sendo o Internet Explorer. Isto permite aceder a ra recuperá–la a todo o custo, despistando os seus Mark Isham (“Colisão”) apresenta aqui uma ban- sites que possuem mecanismos de detecção destina- “colegas”, já desconfiados da sua falha. da sonora razoável. Destaque ainda para Paul dos a impedir a visualização por “browser”s que não se- “Medo de Morte” é um thriller interessante, que Walker, com uma interpretação bem acima daqui- jam os mais populares. E também faz com que as esta- foca o submundo do crime nos EUA, mas que ao lo a que nos habituou. tísticas possam ser enganadoras... mesmo tempo pisca o olho a alguns dos direitos Mais uma vez nota negativa para a tradução do A versão 8.5 do Opera foi uma agradável surpresa. humanos ainda hoje pouco respeitados. título para português. De resto, nada a que não Quando comparado com a versão de há dois anos, es- Um argumento bem escrito, algo complexo mas estejamos já habituados. “Medo de Morte” diz te Opera é extremamente leve em termos visuais (algo no qual facilmente nos envolvemos, apesar de de- muito pouco sobre o filme, ao contrário do título em que o Firefox era imbatível), apresentando–se por correr de uma forma muito rápida; reserva–nos original (“Running Scared”) que se adequa de for- defeito com bastante espaço na janela principal. O in- pequenas surpresas que culminam com um final ma bem mais óbvia ao argumento acima resumi- terface é muito elegante, com os efeitos de transparên- também algo inesperado. do. cia e “iluminação” de botões, assim como a “skin” pa- Wayne Kramer realiza o filme de uma forma fre- Rafael Fernandes drão, a deixarem a concorrência a um canto. iooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooouuuu O carregamento das páginas é rápido e o Opera mostrou–se compatível com todos os sites em que tes- tei. O problema é o carregamento de PDFs, onde o In- ternet Explorer leva, sem dúvida, a melhor: tal como o Vanitas / Paulo Rocha Firefox, o Opera tem muitos problemas em lidar com fi- iioooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooouu cheiros neste formato. Em resumo, o Opera está no bom caminho e é uma alternativa perfeitamente viável ao Firefox. Os utilizado- iiooooooouuuuiiiiiioooouu iiooooooouiiuuuiiiioooouu Vaidade? Alguma mas não muita... aqui e ali), “Vanitas” é uma imagem “quadro” em res deste poderão sentir falta da personalização que as Paulo Rocha, 43 anos depois da estreia como ci- que, nas cenas mais significativas, as personagens se extensões permitem, mas as muitas funcionalidades neasta em “Os Verdes Anos”, apresenta–nos “Vanitas” dispõem no ecrã de forma simbólica e milimetrica- chegam para a maioria das necessidades de navega- com a sua actriz fetiche Isabel Ruth no papel da esti- mente pensada.Surpreendentemente, Rocha parece ção. lista Nela Calheiros. leigo: problemas técnicos de som e imagem, a utiliza- Sendo a versão 8.5 realmente boa, vale a pena es- Numa espécie de Santa Trindade temos: Nela, a es- ção do vídeo digital como se tivesse esquecido toda a preitar o que anda a companhia a fazer na versão 9, tilista veterana, determinada e forte; Mila, sua prote- sua experiência de cineasta, uma narrativa com espa- que tem por grande novidade as “widgets” – pequenas gida, jovem modelo fútil por quem os homens caem ços em branco... no fundo, falta de coerência a vários aplicações em Ajax, que transformam o “browser” numa de amores (como o seu próprio padrasto Augusto e o níveis - um “soube–me a pouco”. espécie de “dashboard” do Mac OS X e que servem pa- primo direito Alfredo); e Tino, filho mudo de Augusto, “A Piscina”, curta–metragem de Iana e João Viana ra todo o tipo de coisas, desde jogar xadrez a ver o es- que partilha com Mila uma relação ambígua que varia que acompanha a sessão de “Vanitas”, é um bem tado do tempo. As “widgets” só podem ser usadas se o entre a adoração endeusada e o desejo carnal. Com conseguido plano sequência; embora seja uma suces- Opera estiver a correr. O conceito parece evidente: ofe- Nela a sucumbir ao mais fiel inimigo da beleza, o tem- são não–narrativa, mais estética que coreografada, recer ao utilizador uma série de pequenas aplicações po, Mila surge, embora mais frágil, como sua possível tocando o ilógico - fazendo lembrar muito vagamen- úteis e torná–lo, assim, dependente do “browser”. Mas herdeira no mundo da moda e da glória da juventu- te “Cremaster” de Matthew Barney - os seus interes- a estratégia não funciona. Embora algumas sejam de de. santes jogos de som facto interessantes, ninguém achará imprescindíveis Num enredo que parece complexo, a narrativa pro- e simbolismos vários Jorge Vaz Nande estas aplicações e o esforço seria mais bem empregue mete mais do que aquilo que alguma vez poderia vir (a vida numa metá- em desenvolver algumas extensões instaláveis. Rui Craveirinha a cumprir. Apesar de se poder ver a marca de Rocha fora) dão–lhe uma João Pedro Pereira - joaopedropereira@gmail.com em todo o filme (aqueles pequenos toques de absur- dimensão intrigante. Cláudia Morais Comentários e críticas podem ser deixados em do quase inexplicáveis, misteriosos, que vai deixando Cláudia Morais http://engrenagem.jppereira.com iiiooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooouu A evitar Fraco Podia ser pior Vale o bilhete A Cabra aconselha A Cabra d’Ouro Todas as críticas em acabra.net.
  • 27. No ouvido... À cabeceira O Nariz Nikolai Gógol Morrissey ama-nos Assírio & Alvim, 2002, 2ª edição Em 2004, quando Morrissey apareceu com o excelente álbum “You are the Quarry”, todas as luzes se voltaram pa- 10/10 ra ele. O disco teve boas críticas e foi muito bem aceite por todos. Desde “Vauxhall & I”, de 1994, que o ex–vocalista Rinoplastia radical uma sucessão de peripécias, cujo auge reside no dos Smiths não criava uma obra tão consistente e perfeita. encontro com o seu próprio nariz, na Catedral da Gravado em Roma, onde o artista vive actualmente, Sob a chancela da Assírio & Alvim, com uma Virgem de Kazan, na pele de conselheiro de Esta- “Ringleader of Tormentors” foi produzido por Tony Viscon- equipa de tradutores, Nina e Filipe Guerra, que do, o qual age como se de um estranho se tratas- ti – conhecido por excelentes trabalhos realizados com Da- têm, nos últimos anos, actualizado de forma bri- se. vid Bowie nos anos 70. lhante as traduções dos grandes clássicos russos, Sem que o autor revele passos importantes de Seguindo a mesma linha a que já nos tinha habituado, o O Nariz é um dos contos de Gógol que é impossí- acontecimentos que permitam compreender o novo disco está porém repleto de atmosferas não usuais vel contornar. que quer que seja, um polícia bate à porta de Ko- até à data. Conta com a colaboração do compositor e Publicado pela primeira vez em 1836, este con- valiov para lhe devolver o nariz, surgindo um no- maestro Ennio Morricone, conhecido por bandas sonoras to é sobre o absurdo de um homem, numa ma- vo problema: o de o colocar no seu devido sítio... como “Cinema Paraíso”. Liricamente menos político que os nhã igual às outras, ter perdido o seu nariz, que, Esta história absurda, ou sobre o absurdo, é anteriores, sente–se drama e paixão no ar. Pelos vistos, o enquanto o corrupio desesperado do seu hospe- sublinhada pelo facto de o autor nos confessar cantor anda apaixonado, o que o levou a viver na cidade deiro em buscas infrutíferas para o encontrar e que ele próprio não faz ideia do que se está a italiana. restituir a ordem natural das coisas, se passeia passar, nunca revelando ou sequer permitindo Os maiores testemunhos encontram–se nos temas “Dear pela cidade de S. Petersburgo e pretende uma vi- qualquer forma de o leitor compreender o porquê God, Please Help Me” (“There are explosive kegs / da independente. do que se está a passar. Between my legs / Dear God, please help me”); e “At Last Tudo começa quando um barbeiro, ao encetar Escrito com o brilhantismo de Gogól, e com I Am Born” (“I once was a mess of guilt because of the um pão acabado de cozer do seu pequeno almo- muito humor, esta parece ser uma sátira a algu- flesh / It’s remarkable what you can learn / Once you are ço, encontra um nariz. Do outro lado da cidade, ma literatura da época, não obstante outras expli- born, born, born”). Kovaliov, assessor colegial e major, com intuito de cações, usando para tal o nariz, um símbolo co- O single de avanço “You Have Killed Me” e outras can- ver o estado de uma borbulha que lhe tinha sur- mum na sua escrita e na cultura russa de então, ções, como “In The Future When All’s Well” ou “The Father gido no nariz no dia anterior, olha–se com horror como podemos entrever no capítulo final deste Who Must Be Killed”, mostram–nos um Morrissey sempre ao espelho, verificando que não tinha nariz. A au- breve conto. seguro no campo da pop, com melodias admiráveis e re- sência de qualquer ferida ou sinal de que naque- Boa Queima e... não percam o nariz. frões marcantes. le local tenha existido um nariz, leva Kovaliov a Andreia Ferreira O momento alto surge com “The Youngest Was The Most Loved”, a fazer lembrar uma mistura de Smiths e David Bowie (era–Diamond Dogs). O ambiente urbano–nocturno 1000 PALAVRAS e o coro sinistro no refrão assentam de forma perfeita. Depois de uma escrita irrepreensível desde 1985, cheia de êxitos como “There’s a Light That Never Goes Out”, “Bigmouth Strikes Again”, “Everyday is Like Sunday” ou FAUSTO MOREIRA “First of The Gang To Die”, Morrissey continua, pois, bri- lhante – as palavras soam geniais, a voz está mais forte que nunca, o estilo original permanece. O que leva “Ringleader of Tormentors” a ser um disco tão bom? Será fruto de um novo parceiro na composição das canções? Afinal, cinco foram escritas com Jesse Tobias, novo membro da sua banda. Será que Tony Visconti e a ci- dade de Roma são responsáveis pelo entusiasmo do can- tor? Ou tudo isto será por amor? Rui Maia ÂYÜxÖâxÇàxÅxÇàx àxÇàÉ xÇvÉÇàÜtÜ tÄzÉ |zâtÄ t Morrissey âÅ áxÇà|ÅxÇàÉ Öâx “Ringleader of Tormentors” Sancturary Records, 2006 ÇâàÜÉA cÉÜ ÉâàÜÉ ÄtwÉ? 8/10 Åâ|àtá äxéxá yÉàÉzÜtyÉ áxÅ Çtwt wx xáÑxv•y|vÉ xÅ ÅxÇàxAAAÊ `|ÇÉÜ j{|àx FEITAS...
  • 28. Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Redacção: Secção de Jornalismo, Associação Académica de Coimbra, e-mail: acabra@gmail.com Rua Padre António Vieira, Concepção/Produção: 3000 Coimbra Secção de Jornalismo da Telf: 239 82 15 54 Fax: 239 82 15 54 Associação Académica de Coimbra PUBLICIDADE PUBLICIDADE

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