A CABRA – 151 – 02.05.2006

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Versão integral da edição n.º 151 do jornal universitário de Coimbra “A Cabra”. Portugal, 02.05.2006.
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A CABRA – 151 – 02.05.2006

  1. 1. Nº151 TERÇA-FEIRA, 2 DE MAIO 2006 Edição Gratuita Ano XV Directora: Margarida Matos Entrevista Carlos Reis “Bolonha não é apenas uma reengenharia curricular, mas uma reengenharia de mentalidades” Carlos Reis é a partir de amanhã o novo reitor da Universidade Aberta (UA) e encara como principais objectivos do mandato a actualização do ensino à distância e a cooperação com países de língua portuguesa. Outro dos desafios que enfrenta é ajustar a UA a Bolonha, um processo para o qual nenhu- ma universidade portuguesa está preparada, segundo o catedrático. Em entrevista a A CABRA acusa ainda Governo e universidades de terem uma polí- tica de desqualificação das Humanidades Pág. 5 RUI VELINDRO Cidade Imprensa em crescimento Num curto espaço de tempo, Coimbra vê nascer três novos jornais. O “Jornal da Universidade” e o “Centro” já lançaram cada um dois números, enquanto o “No- vo Jornal” ainda aguarda para ver a luz do dia. Responsáveis dos jornais mais anti- gos saúdam os novos e consideram posi- tiva a concorrência Pág. 8 PÁGS. 10 E 11 -> Reportagem Mercado de droga Num momento em que os jardins da Academia têm chamado as atenções pelos piores motivos, A CABRA foi falar com alguns estudantes que traficam drogas leves. Muitas vezes não é per- ceptível a barreira que separa o consu- midor do traficante, condição essencial entre ser inocente ou culpado Cultura IndieLisboa em Coimbra Os filmes distinguidos no festival interna- cional de cinema independente IndieLis- boa vão ser exibidos no Teatro Académi- ´ EPOCA DE FOGOS co de Gil Vicente na próxima semana. É a primeira vez que a iniciativa sai da ca- pital, esperando–se da parte da organi- zação uma boa adesão PREOCUPA COIMBRA Pág. 15 SUMÁRIO Após os devastadores incêndios flo- Coimbra, considerado dos pontos de protecção civil, a polícia e a Direcção-- restais do Verão passado, A CABRA foi maior risco quanto aos fogos florestais. Geral dos Recursos Florestais. Destaque 2 Especial Queima _ tentar saber o que já foi e o que ainda Os responsáveis do sector apontam Apesar da crónica falta de limpeza das Opinião 4 Ciência 13 Ensino Superior 5 Desporto 14 está a ser feito no campo da prevenção. como principais problemas a escassez zonas e caminhos por parte dos propri- Cidade 8 Cultura 15 No Verão passado, arderam mais de de meios, a indefinição de tarefas e a etários, Coimbra é uma cidade segura, Nacional 9 Viagens 17 quatro mil hectares no distrito de falta de coordenação entre bombeiros, defendem os responsáveis Pág. 2 Tema 10 Artes Feitas 18 Internacional 12 PUBLICIDADE
  2. 2. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 2 DESTAQUE - Prevenção de fogos Coimbra prepara–se para combater No Verão passado, arderam mais de quatro mil hectares no distrito de Coimbra A cidade espera a legislação do Serviço Nacional de Bombeiros. Os planos de prevenção aos incêndios devem ser cumpridos por todos os distritos nacionais, mas por enquanto a distribuição das tarefas não está definida Por Sandra Camelo, Ricardo Machado, Wnurinham Silva (texto) e Rui Velindro (fotografia) Por todo o país está a decorrer um missão e o modo como vão coordenar Outro dos problemas que a corpora- de bombeiros sapadores, desemprega- plano de prevenção contra os incêndios funções com os outros agentes, confor- ção de bombeiros enfrenta diz respeito dos, reclusos da penitenciária de Coim- florestais. Os bombeiros de Coimbra, me alega o chefe do Gabinete de Pro- às zonas de “sombra”, o nome dado às bra, e ainda jovens do Instituto Portu- em colaboração com a autarquia, pre- tecção Civil. Por outro lado, o coronel áreas que não conseguem ser vigiadas guês da Juventude que se disponibili- param–se para mais uma época de fo- garante que há uma transferência de através de meios fixos. Estas zonas têm zam para a prevenção de incêndios flo- gos que, de certa forma, pode vir a cargos, pois, por exemplo, “a vigilância de ser complementadas pela vigilância restais. atingir os patamares do ano passado. fixa era da responsabilidade da DGRF e, móvel que é efectuada com jipes, mo- Além destes, também colaboram na No entanto, “face ao pacote legislativo com a nova legislação, passa a fazer tas e bicicletas equipadas com rádios. vigia diária a GNR, a Polícia de Seguran- delineado, há uma certa indefinição so- parte da responsabilidade da GNR que Normalmente, este tipo de vigilância é ça Pública (PSP), a Policia Municipal, a bre as missões, sobre quem é que pra- ainda não tem meios para assumir esta feito pelos Serviços Municipais de Pro- DGRF, a guarda–florestal e ainda algu- tica estas acções” declarou o chefe do função. Logo, ainda está com a DGRF”. tecção Civil, juntamente com equipas mas empresas de celulose. A interven- Gabinete de Protecção Civil, coronel ção passa pela supressão dos combus- Carlos Alberto Gonçalves, que acres- Bombeiros Voluntários com novas instalações tíveis (limpeza do terreno à volta das centou ainda que este facto ocorre povoações), prevenção activa e detec- “porque foram estabelecidas novas mis- As novas instalações da Associação Hu- também de um veículo de combate a incên- ção do começo de fogos florestais. Co- sões ao SEPNA” (Serviço de Protecção manitária de Bombeiros Voluntários de dios urbanos para os Bombeiros Voluntá- mo tal, “requer a operação imediata dos da Natureza e do Ambiente). Coimbra vão ser construídas na via que li- rios. A viatura em questão está orçamenta- profissionais”, afirma o coronel Gonçal- De acordo com o militar, “Coimbra já gará a Avenida da Guarda Inglesa ao Cen- da em 90 mil euros e o presidente da Fun- ves. tem elaborado o plano anual, mas é ne- tro de Saúde de Santa Clara, junto àquele dação Bissaya Barreto, Viegas Nascimen- Há 10 anos que Coimbra tem o siste- cessário rever essa matéria porque a le- que será o novo edifício da Polícia Judiciá- to, assegurou pagar metade da verba. No ma de vigilância montado, o qual tem gislação ainda não saiu, para ver quem ria e ao Forum Coimbra. A notícia foi dada entanto, tem sido difícil juntar este montan- vindo a ser melhorado cada vez mais, assume que cargo”. Carlos Gonçalves pela autarquia durante as comemorações te, até porque o Ministério da Administra- defende o militar. A média da área ardi- afirma ainda que, desta forma, “há uma do 117º aniversário da corporação, no pas- ção Interna já esgotou a dotação financeira da é de cerca de 20 hectares por épo- confusão” devido à alteração de meto- sado dia 23 de Abril. de 2006 destinada a este tipo de equipa- ca, o que “é praticamente insignifican- dologias. “Não há uma coordenação das Além disso, foi também inaugurada uma mentos. te”, considera Gonçalves. acções, quer dos bombeiros, quer de exposição de 80 quadros de vários pinto- Actualmente, o corpo de bombeiros apre- equipas de protecção civil, da Guarda res, na principal sala do Hotel D. Luís, que senta 128 voluntários e uma escola de ca- Chuvas atrasam fogos deste ano Nacional Republicana (GNR), ou mesmo serão vendidos num jantar–leilão a realizar detes com 25 alunos. Nos últimos quatro O facto de em 2006 as chuvas se te- da própria Direcção–Geral dos Recursos no dia 12 de Maio. O objectivo consiste na anos, a corporação, juntamente com a Pro- rem prolongado até mais tarde é bené- Florestais” (DGRF), afirma. angariação de fundos destinados não só à tecção Civil aumentou em mais de um ter- fico, devido ao atraso de todo o proces- Porém, cada departamento tem ela- aquisição de materiais de protecção mas ço o número de elementos. so legislativo, que está dependente do borado aquilo que considera ser a sua Serviço Nacional dos Bombeiros.
  3. 3. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA 3 Prevenção de fogos DESTAQUE os incêndios florestais “Como é de conhecimento geral, o ano de 2005 foi um ano de pandemónio devido às grandes proporções que os incêndios atingiram”, declara o coronel Gonçalves. Dados da DGRF indicam que até ao dia 8 de Setembro de 2005 arde- ram, em todo o país, 286.383 hectares de povoamentos e matos, registando- –se 32.553 ocorrências. O número de fogachos (fogos com menos de um hec- tare de área ardida) foi de 25.339. As zonas do Litoral Centro e Norte foram as áreas mais fustigadas. O distrito de Coimbra é um dos pon- tos do país considerados de maior risco em incêndios florestais. O coronel Car- los Gonçalves recorda que, “até ao dia 10 de Agosto, Coimbra era o distrito com menos área ardida em todo o país. Entre o dia 10 e 30 de Agosto passou a ser o distrito com maior área ardida, atingindo os 4.138 hectares”. Este ponto de situação “não deve ser considerado como uma falha na forma- ção e empenho dos bombeiros”, pois o militar considera que “nem sempre são as falhas da protecção civil, da prepara- ção da vigilância e da detecção dos fo- Para os responsáveis da protecção civil, “os meios nunca são suficientes” gos que causam os incêndios”. O coro- nel adianta ainda que “os dois grandes da que, “em cada incêndio que nasce ções têm de ser limpos até 100 metros No entanto. “isto não faz com que incêndios que ocorreram no ano passa- em Coimbra, imediatamente ocorrem e passam a ser da responsabilidade de Coimbra deixe de ser uma cidade segu- do foram importados, ou seja, vieram a ao local três viaturas e 15 homens, o cada câmara municipal. A limpeza des- ra”, frisa o coronel Gonçalves. As corpo- arder desde Cantanhede e Mealhada e que extingue à partida 90 por cento dos tas zonas custa cerca de 150 mil euros rações esperam ainda a aquisição de entraram em Coimbra às 21h30 de um incêndios”. Contudo, acrescenta que, e têm de ser limpas de três em três uma carrinha de caixa aberta, com kits domingo, com uma frente de 13 quiló- “se for uma zona de risco, em vez de anos. especializados para a primeira interven- metros”. O chefe do Gabinete de Pro- três viaturas, ocorrem logo seis veícu- A negligência, o desleixo, o vandalis- ção de combate aos incêndios, duas tecção Civil refere ainda a dificuldade los, dois de cada corporação (os Bom- mo, a piromania, e, acima de tudo, as moto–quatro igualmente equipadas de prever a situação, o que permitiu beiros Sapadores, Voluntários e de queimadas são outras das causas que com kits, uma viatura da protecção civil “que o fogo se propagasse durante a Brasfemes)”. contribuem para o constante acréscimo e mais oito bicicletas. Depois de Lisboa noite”. dos incêndios florestais. e Porto, a Câmara Municipal de Coimbra Além disso, Carlos Gonçalves conside- Falta de limpeza Questionado sobre os fundos econó- é das que mais gasta com os bombei- ra que a operação de protecção civil foi em área florestal micos e materiais, o chefe da protecção ros, com cerca de 140 operacionais. “exemplarmente desencadeada”. Ape- A questão da prevenção dos incên- civil declarou que “os meios nunca são Entre 2000 e 2005 arderam em Portu- sar das “circunstâncias únicas e espe- dios e da sua propagação tem vários suficientes, da mesma forma que os gal mais de um milhão de hectares, re- ciais que criaram a propagação do in- factores, entre os quais se encontram a meios humanos falham às vezes. O que gistando–se mais de 160 mil ocorrên- cêndio”, o coronel salienta que este “foi não preparação em matéria de limpeza dá mais trabalho para preparar estas cias. Face às condições adversas de se- rapidamente circunscrito”, mas não sem das zonas e caminhos. O que está de- acções de prevenção de fogos florestais ca que se têm verificado nos últimos antes arderem, por projecção de partí- terminado desde 2005 é que todas as é a obtenção de fundos para realizá- anos, e tendo em conta os números re- culas incandescentes, seis casas. pessoas que têm casa num espaço flo- –las.” Embora o coronel considere que velados, é importante que a prevenção Para que uma operação tenha êxito, é restal são obrigados a limpar a área os meios são suficientes, Coimbra não dos incêndios se realize em todas as necessário que os fogos sejam detecta- num raio de 50 metros. A respectiva possui um autotanque de grande porte, estações, visto que os fogos não se dos precocemente e combatidos o mais limpeza é da responsabilidade dos pro- viatura que transporta cerca de 30 mil combatem apenas no Verão, “previ- forte e rapidamente possível, explica prietários da casa ou do terreno. Os litros de água, o que torna difícil contro- nem–se durante todo o ano”, lembra Carlos Gonçalves. O militar destaca ain- aglomerados com mais de nove habita- lar um incêndio de grandes dimensões. Gonçalves. PUBLICIDADE
  4. 4. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 4 OPINIÃO Editorial Propinas para quem? A euforia da novidade O colega Isaque Santos publicou no último número da Cabra bres quem financia o ensino dos ricos. Conclusão: mais justiça O Forum abriu. De repente, a cidade mudou-se um artigo em defesa das propinas, sugerindo que são legítimas fiscal? Não: cobrar o ES a todos, tornando-o ainda mais inaces- para o Planalto de Santa Clara, e com ela as filas e que deveríamos aceitá–las e lutar antes por um melhor siste- sível aos pobres! intermináveis de trânsito, em busca da novidade, ma de bolsas. É certo que uma coisa não implica logicamente a outra, mas repetindo um cenário semelhante ao de há um Note–se o economicismo do texto: desenvolvimento de voca- estrategicamente: que governo se daria ao trabalho de subir as ano, na Solum, na abertura do Dolce Vita. ções, realização pessoal, gosto desinteressado por uma maté- propinas e ao mesmo tempo subir na mesma medida as bolsas, Bem vistas as coisas, o Forum traz benefícios à ria - tretas! O estudante não passa de um “homo economicus”, para compensar a injustiça resultante? Teria de subi–las não só cidade: promove postos de trabalho, traz até nós de quem só se espera que “invista” em si mesmo como “capi- em quantia, para não prejudicar os bolseiros existentes, mas a Fnac (numa cidade de estudantes ávidos por tal” e não aspire a mais que vender–se caro no mercado de tra- também em número, para acorrer aos novos estudantes que livros e música) e, mais importante de tudo, dá balho. passaram a carenciados pelo aumento. Sendo pragmático, pa- vida à margem esquerda da cidade, completa- Mas independentemente desta crítica mais teórica, a argu- ra isso não subia as propinas. mente ignorada, à excepção das festas académi- mentação é criticável mesmo dentro da sua lógica mercantil. É No topo da escala social, a vida segue como sempre. No cas. Por outro lado, a aposta de ceder o comércio essa critica em termos estritos, os da mera “lógica de financia- meio, e ainda mais na difusa fronteira com a base, parece–nos da cidade a grupos privados ameaça seriamente mento”, que vamos desenvolver. que o empobrecimento não é de todo compensado por um au- as pequenas lojas da Baixa, e não parece que Isaque Santos vê correctamente que a educação é uma mer- mento de bolsas. A título de exemplo (insuficiente), um artigo uma obra faraónica e algo misteriosa como a cadoria peculiar: não existe um só sistema de educação pura- de Elísio Estanque e João Arriscado Nunes na Revista Crítica de cobertura do espaço resolva o problema. mente privado no mundo. Quantos físicos teríamos ao preço Ciências Sociais de Outubro de 2003 estimava que 47 por cen- A aposta, no entanto, não deve partir só da real do seu curso? Portanto, a sociedade to dos estudantes da UC provinha das autarquia. Os pequenos comerciantes nunca se no seu todo, que beneficia em ter uma classes teoricamente mais desfavoreci- prepararam para a chegada das grandes superfí- população formada, deve financiá–la “Antes um punhado de das. Juntando a categoria híbrida dos cies e, desde 1993 (quando abriu o Coimbra através do Estado. Trabalhadores por Conta Própria, eram Shopping) que se multiplicam os trespasses. A Qual é então a justificação de haver 59 por cento. Segundo os SASUC, 20 não modernização de instalações e a recusa em propinas? É que, para além da vantagem estudantes pagar de por cento dos alunos têm bolsa. abrir ao sábado à tarde ou ao domingo (à social, haveria uma vantagem “privada” Existe já um organismo especializado excepção do Natal) conduz a uma situação de que os estudantes retirariam da “fruição menos que uma na difícil contabilidade das contribuições crise, colocando o pequeno comércio a fazer o directa do bem” Ensino Superior (ES), na sociais: o fisco. Se o fisco, com o seu papel de parente pobre no meio da guerra de forma de melhores remunerações futu- enormidade deles aparato humano e técnico, tem dificul- consumo entre a Amorim Imobiliária e a Multi- ras, que seria justo que pagassem. dades em fazer com que cada um pa- Development (um Portugal-Holanda dos centros Essa vantagem já é paga, na forma de gue o que é justo, não se vê como uma comerciais, numa altura em que se aproxima o futuros impostos mais altos. Qual é a pagar demais, ou nem miríade de serviços de acção social uni- Mundial). justiça de pagá–la uma segunda vez? versitária conseguiria melhor. Se o ob- Entretanto, e talvez aproveitando a euforia da Mas não nos apressemos. Alarguemos chegar à universidade” jectivo é, como Isaque Santos diz, a novidade, a cidade vê nascer três novos jornais, esta lógica. Não é “justo” que um estu- igualdade, é mais fácil subir os impostos todos diferentes: um gratuito, dirigido à comu- dante de Medicina pague o mesmo que nos escalões mais altos, e às empresas, nidade universitária; um pago, apresentando-se um estudante de Letras - propinas diferenciadas por curso se- que aumentar propinas e desenvolver depois um bizantino sis- como o renascer das cinzas do “Jornal de riam a solução. E porque não ir para além da Universidade, exi- tema de bolsas para compensar as desgraças. Antes um punha- Coimbra”, e uma publicação mais arrojada, que gindo por exemplo propinas altíssimas no Centro de Estudos Ju- do de estudantes pagar de menos que uma enormidade deles ainda aguarda data de lançamento. Três jornais diciários? Os juízes que de lá saem têm remunerações chorudas pagar demais, ou nem chegar à universidade. Mais vale um cri- que vêm em boa altura, uma vez que os actuais pela frente, e cremos que não lhes é cobrada qualquer propina. minoso livre que nove justos presos. (principalmente os diários) já se estavam a aco- Esperamos ver Isaque Santos na linha da frente dessa reivindi- É que ao obstáculo económico junta–se o cultural. Pierre modar. cação. Bourdieu mostrou há décadas como os filhos das classes altas Numa cidade que tem três cursos de comuni- As possibilidades são infinitas, e justamente por isso preve- têm mais hipóteses de ter notas altas e caber nos numerus cação social, não choca o surgimento de novos mos dificuldades práticas, pois (1) no plano individual, é impos- clausus. Mesmo um ES público e gratuito não acabaria com as títulos. No entanto, há uma questão fulcral: não sível prever a remuneração futura de cada estudante, (2) no desigualdades, mas atenuá–las–ia. O que os defensores das se faz um jornal só com jornalistas, tem de haver plano colectivo, as estratificações profissionais não têm fim e propinas defendem é que ao obstáculo do capital cultural se leitores. E será que há leitores para três novos (3) também elas mudam de forma imprevisível. junte o do capital económico. É uma reacção que se coaduna jornais? A pergunta fica no ar, assim como a dúvi- Subjaz a isto um raciocínio curioso: a propina seria uma for- com o facto de até as elites sentirem a corda ao pescoço, mas da de qual será o próximo sector em Coimbra, ma de diminuir as desigualdades sociais. A ideia é que nas con- há sempre quem na sua candura julgue tudo isto conciliável depois dos centros comerciais e da imprensa, a dições específicas portuguesas são os mais desfavorecidos a fi- com lenga–lengas de qualificação e choque tecnológicos. ser afectada com a euforia da novidade. João nanciar o grosso dos serviços públicos, ES incluído, ao qual to- José Reis, estudante de Sociologia da Universidade de Campos davia acede só uma minoria. Mais caricaturalmente: são os po- Coimbra Jornal Universitário de Coimbra - A CABRA Depósito Legal nº183245/02 Registo ICS nº116759 Impressão CIC - CORAZE, Oliveira de Azeméis, Telefone. 256661460, Fax: 256673861, e-mail: grafica@coraze.com Tiragem 4000 exemplares Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Propriedade Associação Académica de Coimbra Contribuinte nº500032173 Directora Margarida Matos Chefe de Redacção Vítor Aires Editores: Rui Velindro (Fotografia), Olga Telo Cordeiro (Ensino Superior), João Campos (Cidade), Rui Simões (Nacional/Internacional), Sandra Pereira (Ciência), Bruno Gonçalves (Desporto), Bruno Vicente (Cultura), Cláudio Vaz (Viagens) Secretária de Redacção Sandra Ferreira Secção de Jornalismo, Paginação Nuno Braga, Tiago Carvalho Webdesign ACABRA.NET Daniel Sequeira, João Pereira, Marco Fernandes, Tiago Gaspar Redacção Ana Beatriz Rodrigues, Ana Luísa Associação Académica de Coimbra, Silva, Ana Martins, Ana Rita Faria, André Ventura, Carina Ferreira, Catarina Frias, Daniel Boto, Eunice Oliveira, Gonçalo Ribeiro, Helder Almeida, Inês Rodrigues, Inês Subtil, Rua Padre António Vieira, Jens Meisel, Joana Gante, Joana Nunes, Liliana Figueira, Marisa Ferreira, Marisa Soares, Marta Costa, Martha Mendes, Patrícia Cardoso, Patrícia Costa, Paula Monteiro, Pedro 3000 - Coimbra Tel. 239821554 Fax. 239821554 Galinha, Rafael Pereira, Raquel Mesquita, Ricardo Machado, Rita Soares, Rui Antunes, Rui Pestana, Salvador Cerqueira, Sandra Camelo, Sandra Henriques, Sara Simões, Sérgio e-mail: acabra@gmail.com Miraldo, Sofia Piçarra, Sónia Nunes, Soraia Manuel Ramos, Suzana Marto, Tânia Ramalho, Wnurinham Silva Fotografia Ana Maria Oliveira, Carine Pimenta, Daniel Palos, Fausto Moreira, Freddy Miguel, João Madureira, Liliana Gonçalves, Martha Morais, Miguel Meneses, Rui Pestana, Simão Ribau Colaboradores permanentes Andreia Ferreira, Cláudia Morais, Emanuel Botelho, Laura Cazaban, João Pedro Pereira, Kossaqui, Rafael Fernandes, Raphaël Jerónimo, Rui Craveirinha, Rui Maia, Tiago Almeida Colaboraram nesta edição Ana Raquel Melo, Carla Santos, Cláudia Sousa, João Oliveira, João Pimenta, Luísa Silva, Sandra Alves Publicidade Cláudio Vaz, Tiago Carvalho - 239821554; 96 32 333 08 Logotipo Omar Diogo Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra, Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra
  5. 5. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA ENSINO SUPERIOR 5 Carlos Reis “ Nenhuma universidade portuguesa está preparada para Bolonha O professor catedrático, que toma posse amanhã como reitor da Universidade Aberta ” HELENA PAULINO co em Portugal descobriu o fascínio da ciência e da tecnologia. O governo aperce- beu–se da necessidade de pôr o país com o passo certo quanto ao desenvolvimento (UA), insurge–se contra a tecnológico relativamente a outros países e desqualificação das não tenho nada contra isso. Mas tenho humanidades. Apesar quando isso gera um novo poder que põe em causa a matriz cultural humanística que do novo cargo, o professor é parte da nossa memória. É redutora e continuará a leccionar culturalmente devastadora a política de na Faculdade de Letras desqualificar e até fazer risota em torno das Humanidades e isto tem que ver com o da Universidade de Coimbra facto de, também por culpa das universida- des, termos estado a formar licenciados Ana Raquel Melo para o desemprego. Inês Rodrigues O facto de ter feito o seu percurso Foi eleito reitor da UA a 5 de Abril. de formação académica em Coimbra Que projectos pensa concretizar no vai levá–lo a encarar o cargo de forma mandato? especial? É presunçoso e prematuro dizer que se Essa é uma questão curiosa. Estou na quer mudar tudo. O sentido de instituição Universidade de Coimbra (UC) mas não co- é pouco compatível com a drástica mudan- lado a Coimbra. Acho extremamente fecun- ça; é compatível, sim, com a reforma. do trabalhar noutros lugares. Fui director Pretendo ajustar a UA ao processo de da Biblioteca Nacional e professor visitante Bolonha, porque ela tem nesse aspecto um “A UC é extraordinariamente resistente à mudança; a inércia é a regra do jogo.” noutras universidades. O que eu aprendi potencial que as outras universidades pre- nesses anos foi incrível. Só tenho pena de senciais não têm. E construir um plano es- não vai às aulas. Provavelmente é porque facto de os graus académicos estarem a não ter podido activar esses conhecimen- tratégico para os próximos quatro anos: estes não lhes fazem falta. Não é porque as ser regidos por um ritmo mais intenso. tos aqui, porque nesse aspecto a UC é ex- uma universidade recente não se desenvol- propinas são baratas, porque já não são, Quer–se que no processo de Bolonha se traordinariamente resistente à mudança; a ve se não souber para onde quer ir. Tam- não é porque têm que trabalhar, porque cumpram três ciclos num lapso temporal de inércia é a regra do jogo. bém quero tentar resolver um problema hoje já poucos têm que trabalhar, provavel- oito anos. Mas há uma aceleração que nun- muito grave de instalações. Outro aspecto mente não vão porque a aula não interes- ca deve ser radical: a do nosso pensamen- Considera esta eleição como o cul- é apostar na cooperação, sobretudo com sa ou são preguiçosos ou o professor falta. to, e nisso não há nenhum computador que minar de uma longa carreira académi- os países de língua oficial portuguesa, da ajude. ca? língua e cultura portuguesa e em língua Refere frequentemente o conceito A vida é decidida por pequeninos acasos, portuguesa. Quero ainda acelerar a actua- “ensino à distância” no programa de Pensa que o Ensino Superior se tem incidentes que parecem não ter importân- lização da UA na metodologia de ensino à candidatura. Este tipo de ensino vai vindo a tornar elitista? cia alguma. De repente, há alguma coisa distância. suplantar o convencional? Na minha geração, quem ia para a uni- que vem e muda tudo. Portanto, não é o É, cada vez mais, uma alternativa impor- versidade era uma minoria que correspon- culminar nem o seu contrário, é uma eta- A UA está preparada para a declara- tante. Há 20 anos, o ensino à distância era dia à elite económica e social. Nas franjas pa. Depois, será o que for, desde que eu ção de Bolonha? a porta traseira de acesso ao ensino. Hoje disto, como era o meu caso, eram pessoas seja feliz, isso é o que me importa. Nenhuma universidade portuguesa está é, mais do que um modo de ser, um mode- com bolsas. Hoje há outras possibilidades, preparada. Bolonha coloca–se nos mesmos lo. É uma alternativa ao presencial mas, mas houve outros factores de perversão no Perfil termos que a integração de Portugal na por enquanto, é preferível estar numa aula sistema. Os estudantes das faculdades Carlos Reis nasceu nos Açores há 56 União Europeia. Não faz sentido saber se com os alunos. Os modos técnicos de se economicamente potentes, como medici- anos. Licenciou–se em Filologia Românica estamos de acordo com a integração, é lá chegar à distância são cada vez mais sofis- na, vêm de agregados familiares e estratos e doutorou–se em Literatura Portuguesa na que temos de funcionar. ticados e trabalham cada vez mais em tem- socio–económicos que lhes permitiram o Faculdade de Letras da Universidade de O processo não é apenas um caso de po real. Isso dá um potencial considerável acesso a escolas, explicações, livros, que Coimbra, onde é professor catedrático des- reengenharia curricular, mas de reenge- de hipóteses de trabalho. os outros não tiveram. Os que hoje estu- de 1990. Leccionou em várias universida- nharia de mentalidades. Existem em Portu- dam Línguas e Literaturas Modernas ou des estrangeiras. Coordena, desde 1992, a gal universidades a mais para a nossa si- Este ensino adequa–se mais às exi- História são alunos que muitas vezes não Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós tuação demográfica. gências da sociedade? puderam ou não tiveram nota para estudar e é director da revista “Queirosiana”. Foi di- Um dos aspectos importantes de Bolonha Permite trabalhar mais depressa; como outra coisa. rector da Biblioteca Nacional de Lisboa en- é a referência à responsabilização do estu- dizia Álvaro de Campos, “ser toda a gente tre 1998 e 2002. É doutor “honoris causa” dante. E não me pode ser indiferente o que em toda a parte”. Por muito que seja pos- Defendeu que as Humanidades es- pela Pontifícia Universidade Católica do Rio se está a passar nesta faculdade de Letras: sível acelerar o tempo, há um tempo hu- tão em crise. O sistema de ensino su- Grande do Sul. Foi eleito reitor da Universi- a consciência tranquila que os órgãos de mano de reflexão e sedimentação que de- perior contribui para essa situação? dade Aberta no passado dia 5 de Abril. gestão têm de que 40 por cento dos alunos ve ser preservado. Preocupo–me com o Contribui, na forma como o poder políti-
  6. 6. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 6 ENSINO SUPERIOR Avaliação internacional a 10 instituições arranca já este mês PAULA MONTEIRO A Organização de Cooperação carem os pontos fracos e os pontos for- e Desenvolvimento Económico tes, e assim nos apontarem novos cami- (OCDE) vai analisar o ensino nhos” afirma ainda. A vice–reitora para o acompanhamento superior português e de avaliação de cursos garante que o pro- compará–lo com o sistema cesso avaliativo não está vinculado à De- europeu claração de Bolonha, apesar de coincidir com a implementação deste último. No entanto, vê uma relação entre os dois Helder Almeida processos, “na medida em que é imple- Joana Nunes mentada uma cultura da avaliação a todos os níveis: pedagógica, do sistema e da A Universidade de Coimbra (UC) é uma gestão da avaliação”. das 10 instituições seleccionadas pelo Mi- O director–geral do Ensino Superior, An- nistério da Ciência, Tecnologia e Ensino tónio Morão Dias, destaca a transparência Superior (MCTES) para ser avaliada inter- de todo o processo. “É um projecto com- nacionalmente. Trata–se de uma análise pletamente independente do poder políti- extensiva que tem como um dos princi- co”, assegura, “uma vez que as entidades pais objectivos aconselhar e orientar a responsáveis são estrangeiras e gozam de reorganização e racionalização do sistema toda a credibilidade”. Segundo o mesmo, de ensino à luz das melhores práticas eu- “o MCTES e a Direcção Geral do Ensino ropeias. Superior apenas intervêm financeiramen- “É um processo que pode trazer muitos te, prestando apoio logístico à equipa de benefícios”, afirma a vice–reitora Cristina peritos”. Robalo Cordeiro, que assegura que “esta O concurso de avaliação do ensino por- avaliação pode trazer contributos muito A Universidade de Coimbra é uma das escolhidas para ser sujeita a avaliação internacional tuguês aberto pelo MCTES teve 42 candi- importantes ou para a continuação do tra- daturas. Mas o júri apenas seleccionou 10 balho que a UC actualmente desenvolve qualidade das universidades e dos politéc- em Lisboa, no mês de Dezembro. instituições, tendo como base o acordo ou para uma eventual mudança”. nicos. A visita vai incluir ainda um conjun- estabelecido em Novembro de 2005 entre A acção foi solicitada pelo Governo por- to de várias entrevistas e contactos insti- Descobrir a vocação da UC o Governo português e a AEU. tuguês à OCDE e será conduzida pela As- tucionais, de forma a garantir a indepen- Cristina Robalo Cordeiro defende que o Para além da UC, também as universi- sociação Europeia das Universidades dência da avaliação. relatório final “não deve ter apenas uso dades de Évora, Fernando Pessoa, Lusó- (AEU), em conjunto com a Rede Europeia No final do processo vai ser produzido interno, mas deve ser discutido nas facul- fona e Algarve foram escolhidas. Os Insti- para a Garantia da Qualidade no Ensino um relatório concludente que deverá in- dades, com os estudantes”. A vice–reitora tutos Politécnicos de Bragança, Porto e Superior. cluir elementos sobre os mecanismos de pensa “ser necessário examinar a qualida- Leiria, a Academia Militar e a Escola Supe- Durante a segunda quinzena de Maio, governação, as regras de acesso, a auto- de do serviço que é prestado pela institui- rior de Hotelaria e Turismo do Estoril en- uma equipa de peritos europeus, america- nomia institucional, os recursos financei- ção, saber qual a verdadeira vocação da cerram o grupo. nos e canadianos vai visitar Portugal. O ros, a internacionalização e outras políti- UC, se é o ensino, a investigação ou am- O processo de avaliação, que vai estar propósito do grupo de avaliadores, que foi cas relevantes relacionadas com o ensino. bas, perceber o tipo de relação que se es- concluído até final de 2006, engloba tam- seleccionado pela AEU, em conjunto com O documento vai ser então tornado públi- tabelece com o mundo empresarial e que bém a análise das actividades conduzidas a Associação Europeia de Instituições de co, após discussão e aprovação no Comi- género de preocupações sociais existem”. durante os últimos anos pelo Conselho Ensino Superior, é fazer um diagnóstico à té de Educação da OCDE, que se realiza “Esta pode ser uma forma de nos identifi- Nacional de Avaliação do Ensino Superior. Ambiente em destaque no auditório da reitoria Estudantes e Grupo de tudes ambientais e à sua repercussão no ticas, discutindo a possibilidade de inclusão Ciências Farmacêuticas, no binómio saú- Reflexão e Acção Ambiental planeta. de disciplinas no curso, como áreas opcio- de/ambiente”. da Universidade promovem A iniciativa, organizada pelo Eqofar (Es- nais de estudo ligadas ao plano ambiental. A fundadora do Eqofar salienta ainda tudantes de Química Orgânica da Faculda- Vai ser ainda apresentado o filme “A ter- que é prioritário “cuidar hoje do futuro das amanhã um Seminário de de Farmácia) em parceria com o Grau ra, um planeta aterrador”, um trabalho rea- próximas gerações de forma regrada e de Saúde, Ambiente e (Grupo de Reflexão e Acção Ambiental da lizado por alunos estagiários do departa- conscienciosa”, tendo em vista o desenvol- Desenvolvimento Sustentável Universidade) e com o NEF (Núcleo de Es- mento de Ciências da Terra. De seguida vai vimento sustentável. O Eqofar aproveita tudantes de Farmácia), realiza–se amanhã, discutir–se a política ambiental da Faculda- também para dar a conhecer o seu traba- dia 3, no Auditório da Reitoria da Universi- de de Farmácia da Universidade de Coim- lho e a forma como vem sendo desenvolvi- Sandra Alves dade de Coimbra, entre as 9 e as 18 horas. bra (FFUC) para os próximos tempos e di- do a título extra curricular, de forma volun- Eunice Oliveira O seminário tem como objectivo fulcral a versos temas polémicos relacionados com tária, na área da química orgânica. consolidação de parâmetros ambientais, o ambiente. Embora ainda haja poucas inscrições por Com o Seminário de Saúde, Ambiente e saúde ambiental e perspectivas futuras. De acordo com a presidente da comissão parte dos alunos da FFUC, Maria José Mo- Desenvolvimento Sustentável pretende–se O programa inclui um conjunto de sete organizadora do seminário, Maria José Mo- reno espera “uma adesão massiva por par- sensibilizar a sociedade para as questões conferências, apresentação de painéis e reno, o evento “procura ainda alertar, den- te de participantes externos à faculdade e do ambiente, nomeadamente para o seu uma mesa redonda. Um dos painéis vai de- tro da faculdade de Farmácia, para a ne- à cidade de Coimbra, já que o seminário peso em termos de saúde. A intenção é as- bater propostas de alterações curriculares cessidade de um maior empenhamento e conta com a participação de oradores de sim conduzir à consciencialização das ati- no plano de estudos de Ciências Farmacêu- trabalho, por parte da licenciatura em qualidade”.
  7. 7. 2 MAIO DE 2006- A CABRA ENSINO SUPERIOR 7 OCDE sugere propinas mais altas para Portugal RUI VELINDRO Num estudo sobre a economia pagassem uma taxa, depois de se licen- portuguesa, a OCDE defende ciarem, quando já tivessem emprego. Lo- que o ensino superior é elitista pes da Silva chama a atenção para o fac- to do presente relatório não corresponder e propõe o aumento de bolsas e à análise ao sistema de ensino superior empréstimos português que foi encomendada pelo Mi- nistério da Ciência, Tecnologia e do Ensi- no Superior. Desta forma, o presidente do Ana Beatriz Rodrigues CRUP considera prematuro tirar ilações do que foi publicitado. A Organização para a Cooperação e De- senvolvimento Económico (OCDE) classi- Insucesso também preocupa OC- ficou, num relatório que apresentou a 20 DE de Abril, como injusta e ineficaz a actual Outro dos pontos que, segundo a orga- Lei de Bases do Financiamento do Ensino nização, deve merecer muita atenção das Superior Português. políticas públicas prende–se com as ele- Segundo o mesmo estudo, o actual sis- vadas taxas de insucesso e abandono es- tema beneficia os mais ricos, destacando colares. Para a OCDE, a solução para o que “as propinas nas instituições públicas problema passa pela diversificação das são relativamente baixas, enquanto as ofertas educativas e pelo aumento da contrapartidas salariais para os detento- qualidade de ensino. Desenvolver uma res de um diploma são altas”. maior capacidade científica, de autono- Para resolver a situação, a OCDE pro- O aumento das propinas não é uma solução consensual mia e prestação de contas por parte das põe o aumento das propinas, a par de um instituições, a par de um sistema de acre- sistema de empréstimos e bolsas para os des, com vista a melhorar as condições aquilo que a OCDE diz é completamente ditação, são passos essenciais para a me- mais necessitados, visto que actualmente de ensino. falacioso”. O dirigente associativo afirma lhoria do ensino superior. apenas cerca de um quarto dos alunos re- De acordo com o reitor da Universidade que o estudo parte de um pressuposto A racionalização da oferta, englobando cebem ajuda monetária. de Coimbra (UC), Seabra Santos, é ne- errado, que conduz cada vez mais a uma a fusão e encerramento de instituições, o O estudo defende ainda que os recur- cessário “reflectir maduramente sobre a elitização do ensino, na medida em que fecho de cursos com poucos alunos e sos adicionais permitiriam aumentar a questão”, pois “algumas considerações “só os estudantes que têm dinheiro é que uma reestruturação das formações são qualidade do pessoal docente e da inves- merecem reparo”. O reitor sublinha, con- já estão no ensino superior, por isso va- mais algumas das medidas propostas. tigação. Os peritos da OCDE crêem que, tudo, que a OCDE “detém credibilidade, mos exigir mais desses estudantes”. A organização internacional está con- se os estudantes pagassem propinas mais já que é uma instituição preocupada com Já o presidente do Conselho de Reitores victa que as medidas ajudariam Portugal altas, passariam a estar mais atentos à questões de igualdade e acesso universal das Universidades Portuguesas (CRUP), a ter um sistema de ensino mais justo e qualidade e às matérias oferecidas, po- ao estudo e ao ensino superior”. José Lopes da Silva, afirma que “este es- eficiente, tendo como base objectivos dendo, desta forma, exercer uma maior Para o presidente da Direcção–Geral da tudo não constitui qualquer novidade no que se prendem com um apoio mais am- pressão sobre as instituições para que es- Associação Académica de Coimbra que respeita a propinas”, defendendo, po- plo do Estado aos mais necessitados e na tas dessem respostas às suas necessida- (DG/AAC), Fernando Gonçalves, “tudo rém, que seria preferível que os alunos redução da taxa de insucesso escolar. Aprendizagem e ensino em debate “Cérebros” africanos ficam em Portugal Raquel Mesquita A utilidade de instrumentos de avalia- Olga Telo Cordeiro bolsas pretenderem ser um estímulo ao de- ção, como testes neuropsicológicos, re- senvolvimento do país de origem. O gover- O VIII Congresso Internacional e Multi- centemente adaptados à população esco- Ao contrário das expectativas, as bolsas nante revelou que já em finais de Julho o disciplinar vai reunir quinta e sexta–feira, lar portuguesa, e necessários para o co- de estudo atribuídas pelo Governo portu- sistema de candidaturas a bolsas vai ser al- 4 e 5 de Maio, no Auditório da Reitoria da nhecimento de função cognitiva, é outro guês a estudantes de Países Africanos de terado, visto que o problema já está sinali- Universidade de Coimbra, investigadores dos temas a ser discutido. Língua Oficial Portuguesa têm como efeito a zado. nacionais e estrangeiros, para uma dis- De maneira a orientar a melhoria do en- sua fixação em Portugal, não levando ao de- O Instituto de Apoio ao Desenvolvimento cussão sobre práticas de ensino e melho- sino e da aprendizagem, o evento vai pro- senvolvimento dos países de onde provêm. (IPAD) pretende privilegiar a partir de agora ria da aprendizagem. curar discutir as dificuldades de aprendi- Esta é a principal conclusão de um relatório bolsas de mestrados e doutoramentos, em O evento, dedicado ao tema “Aprendiza- zagem e os comportamentos desviantes. da Organização do Comércio e Desenvolvi- detrimento das licenciaturas e seleccionar gens Escolares e Funções Cognitivas - De- O evento, que vai contar com a presen- mento Económico (OCDE), que avalia as po- bolseiros directamente em instituições afri- senvolvimento, Avaliação e Intervenções”, ça de especialistas de diferentes áreas líticas de cooperação em Portugal. canas, atribuindo as bolsas a estudantes é promovido pelo Centro de Psicopedago- disciplinares como Psicologia, Ciências da De acordo com o Comité de Ajuda ao De- com regresso garantido. O organismo que gia (unidade de investigação da Fundação Educação, Genética, Medicina, Neurociên- senvolvimento da organização internacional, integra o Ministério dos Negócios Estrangei- para a Ciência e a Tecnologia), em colabo- cias, Filosofia, Física, Matemática e Eco- Portugal deve repensar o que considera ser ros admite a falta de pessoal com formação ração com o Serviço de Avaliação Psicoló- nomia, pretende apresentar práticas pe- “questionáveis benefícios” destes apoios fi- em cooperação, o que constitui outra das gica da Universidade de Coimbra. dagógicas e analisar estratégias nos dife- nanceiros. críticas patentes no relatório, divulgado no A partir de modelos teóricos e resulta- rentes níveis escolares. Em declarações ao jornal “Público” o se- dia 27 de Abril. dos de investigação empírica relativos às O evento vai ainda procurar compreen- cretário de estado dos Negócios Estrangei- Neste ano lectivo, o IPAD atribuiu a estu- aprendizagens escolares, o evento vai der os efeitos dos medicamentos nas fun- ros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, dantes de cinco países africanos lusófonos procurar reflectir sobre o papel do ensino, ções cognitivas e o desenvolvimento de admite que muitos estudantes africanos 55 bolsas para licenciados, 57 para mestra- dos valores na educação e da aquisição de testes cognitivos para avaliar o início de acabam por ficar no nosso país depois de dos e pós-graduações e 23 para cursos de conhecimentos. problemas de cognição nos adultos. terminar as suas formações, apesar de as doutoramento.
  8. 8. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 8 CIDADE Mais jornais em Coimbra Três novos títulos chegam às bancas RAQUEL MESQUITA “Jornal da Universidade” e “Centro” já lançaram dois números. “Novo Jornal” ainda não tem data de lançamento João Campos Sofia Piçarra Soraia Manuel Ramos A imprensa regional em Coimbra está em crescimento, com o aparecimento de três jornais. Ao “Jornal da Universi- dade”, lançado a 1 de Março, e ao “Cen- tro”, com o primeiro número a 12 de Abril, junta–se o “Novo Jornal”, que aguarda uma data definitiva para publi- cação (ver caixa). As questões do mer- cado e da concorrência são aspectos sublinhados pelos responsáveis dos ór- gãos de comunicação da cidade. No entender do professor da Faculda- de de Letras da Universidade de Coim- bra (FLUC), Carlos Camponez, “para o cidadão comum é sempre positivo haver novos jornais, porque a escolha é alar- gada a novos conteúdos”. A ideia é partilhada pelos membros “Jornal da Universidade” e “Centro” já viram a luz do dia, “Novo Jornal” aguarda data de lançamento dos diários regionais. “O aparecimento de novos jornais não deve preocupar Colmatar lacunas A independência reflecte–se na perio- gos e gratuitos, mas é a favor dos pri- aqueles que já existem”, refere o direc- Jorge Castilho justifica a fundação do dicidade, “que poderia ser semanal pela meiros, “porque há um compromisso tor adjunto do “Diário As Beiras”, Soares “Centro” com a necessidade de ocupar quantidade de acontecimentos na uni- entre quem faz os jornais e quem os Rebelo, acrescentando que “deve ser “um espaço deixado em branco pelo versidade, mas teria custos quatro ve- compra e não com os anunciantes”. No um estímulo para que se faça mais e ‘Jornal de Coimbra’ (JC), que muitas zes maiores do que um jornal mensal”, entanto, Jorge Castilho compreende a melhor”. O director do “Diário de Coim- pessoas sentiram não ser ocupado por que é distribuído gratuitamente. gratuitidade do “Jornal da Universida- bra”, Adriano Lucas, entende que “a outros jornais”. O director ambiciona Sendo um jornal pago, as leis do mer- de”, uma vez que é dirigido “a um públi- pressão da concorrência é benéfica e le- “um máximo de rigor para reconquistar cado vão ditar a regularidade do “Cen- co–alvo, os estudantes universitários, va–nos a novas iniciativas”. a confiança que o JC tinha conseguido”. tro”, actualmente quinzenal. O director que não têm muito dinheiro para com- O docente da FLUC afirma que “um A aposta na juventude é a lógica dos acredita haver espaço para jornais pa- prar jornais”. dos mercados dos media que ainda po- dois projectos dirigidos por Castilho, ao de crescer é o regional”. No entanto, considerar que “a formação actual é de- Informação para além da câmara e da universidade Carlos Camponez considera que “o cres- masiado virada para a parte teórica”. A cimento da imprensa em Coimbra é um questão do ensino é também importan- Para além dos dois jornais já lançados, fine a sua imagem com “uma paginação espaço muito reduzido, com dois jornais te para Soares Rebelo, até porque está previsto o lançamento de um terceiro moderna, alegre e inovadora, com grandes regionais diários e forte implementação defende que “Coimbra tem de justificar novo título. Editado pela empresa Socieda- espaços dedicados à fotografia e à infogra- da imprensa diária nacional”. O director a existência de um curso de Jornalismo de Aberta e liderado pelo actual director da fia”. do “Centro” e do “Jornal da Universida- e não pode estar a formar massa cin- Rádio Beira Litoral, Fernando Moura, o “No- A equipa editorial e comercial ainda se de”, Jorge Castilho, admite que “é uma zenta para a deixar ir embora”, numa ci- vo Jornal” pretende divulgar “factos, opi- encontra em constituição mas vai integrar aposta muito arriscada lançar um jor- dade com “responsabilidades acrescidas niões e ideias inovadoras e rege–se por cri- quadros jovens e profissionais com expe- nal”, mas afirma que “só a prática pode- sobre outros distritos do país”, no en- térios jornalísticos de rigor e isenção”, de riência jornalística e publicitária. Quanto às rá dizer se os projectos terão viabilida- tender do director adjunto do “Diário As acordo com a nota de imprensa divulgada. editorias em que o jornal se divide, consti- de”. Beiras”. Tendo como mote publicar “tudo o que se tuem, também, novidade, com páginas de- Apesar das dificuldades em criar um Sobre os jornais que lidera, Jorge Cas- sabe e ainda não se escreveu”, o novo ór- dicadas a festas, noites, dinheiro, empre- novo órgão, Jorge Castilho defende: tilho qualifica–os como “dois projectos gão promete “apresentar a cidade para sas, saúde, ensino, justiça, política, Inter- “Não nos podemos acomodar e há que completamente distintos”. Apesar de além da câmara e da universidade”. O pri- net, casas e carros. ser criativo e enfrentar as dificuldades proposto pela reitoria, o “Jornal da Uni- meiro jornal regional a dispor de um Prove- Segundo o futuro director da publicação, com a diversidade”. O director de dois versidade” é absolutamente autónomo dor do Leitor conta, ao nível da opinião, com Fernando Moura, a data de lançamento ain- dos novos jornais pretende combater a desta, que “aceitou a total independên- personalidades da região nas gerações de da não está definida, mas vai contar com a ideia de um “meio controlado, que ser- cia editorial do jornal”. O director refor- 70 e 80. edição antecipada de um número zero e ve de instrumento a interesses econó- ça: “No dia em que sentir alguma pres- Na nota de imprensa, o “Novo Jornal” de- uma campanha de promoção. micos e políticos”. são, deixarei de encabeçar o projecto”.
  9. 9. 2 MAIO DE 2006 - A CABRA NACIONAL 9 PP e PSD escolhem líderes Nota do editor Eleições nos partidos de direita realizam–se este fim–de–semana À direita, nada RUI VELINDRO de novo Cinco candidatos disputam a ‘Dejà vu’: os militantes do Partido So- direcção do PP num congresso cial Democrata (PSD) e do Partido Po- extraordinário, marcado pela pular (PP) escolhem, no próximo fim- –de–semana, o seu novo presidente. ausência de nomes ilustres na A situação não é nova e o observador oposição a Ribeiro e Castro. mais desatento pode questionar: “en- No PSD, o cenário é idêntico, tão, mas, outra vez?!”. De facto, foi há pouco mais de um ano que PSD e PP com as “grandes figuras” a recrutaram, respectivamente, Luís Mar- optarem por não desafiar ques Mendes e José Ribeiro e Castro Marques Mendes para a sua liderança. E, por exemplo, os sociais–democratas já somaram cinco presidentes diferentes desde que Cava- Rui Antunes co Silva deixou de o ser, em 1995. Para Sofia Piçarra lembrar e meditar ficam os nomes: Fer- nando Nogueira (1995 a 1996), Marce- As duas principais forças partidárias lo Rebelo de Sousa (1996 a 1999), Du- da direita portuguesa vão a votos nos rão Barroso (1999 a 2004), Pedro San- próximos dias. Ribeiro e Castro, do Par- tana Lopes (2004 e 2005) e Luís Mar- tido Popular (CDS/PP), e Marques Men- ques Mendes. des, do Partido Social Democrata (PSD), É verdade que desta vez são as bem- defendem a liderança num clima de ins- –vindas eleições directas (em que, de- tabilidade partidária provocado pelas mocraticamente, cada militante tem di- críticas dos opositores. reito a um voto) que dão azo a novos No XXI Congresso do Partido Popular, escrutínios nos dois principais partidos que se realiza nos dias 6 e 7 de Maio, na Apesar da existência de adversários, os actuais líderes de PP e PSD devem ser re-eleitos da direita nacional. Mas não é menos Batalha, são cinco os candidatos que verdade que as sucessivas eleições são disputam a presidência do partido. Ri- com o país real”. Já Herculano Gonçal- país. igualmente fruto da falta de pulso na beiro e Castro aposta numa moção com ves pretende, acima de tudo, “devolver Apenas o presidente do PSD, Luís sua liderança, quando cada estrutura o nome “2009”, o mesmo que utilizou o CDS aos militantes, debater ideias e Marques Mendes, e o líder dos Trabalha- tenta, simplesmente, puxar para o seu no documento que lhe garantiu a vitória alterar os órgãos nacionais do partido”. dores Social–Democratas (TSD), Alberto lado e assaltar o poder. há cerca de um ano. O secretário–geral Ambos acreditam no sucesso das pro- Pereira Coelho, vão a escrutínio. Com o No PSD, os últimos 10 anos foram de do PP, Martim Borges de Freitas, apoia a postas no congresso e destacam a ur- lema de campanha “Credibilidade para alternância entre nomes fortes (Marce- proposta do actual líder, e assume como gência em unificar os militantes. Vencer”, Marques Mendes tem por ob- lo), nomes para queimar (Nogueira), objectivo da equipa “fazer com que o “Fazer Futuro” é o título da moção jectivo a revalidação do cargo e a pre- nomes para queimar que tiveram sorte partido se prepare melhor, de forma a subscrita pelo presidente da Juventude paração do partido para os confrontos com as circunstâncias (Durão), e um enfrentar a ronda eleitoral de 2009”, Popular, João Almeida, cujo objectivo eleitorais de 2009. O líder laranja conta autêntico ‘case–study’ (Santana). Ago- ano de eleições europeias, legislativas e declarado é contribuir para o enriqueci- com a presença de vários notáveis do ra, Marques Mendes, com a vitória se- autárquicas. mento do congresso e, ao mesmo tem- PSD na sua Comissão de Honra, presidi- guríssima, vai tentar mostrar que é um A oposição a Ribeiro e Castro desen- po, “aumentar a ambição do partido e a da por Francisco Pinto Balsemão. líder capaz de fazer a oposição que não volve–se em quatro frentes distintas. O convicção de que estaremos preparados Enquanto isso, Pereira Coelho culpa o fez no primeiro ano de mandato. E, já vice–presidente da concelhia nacional para o combate eleitoral de 2009”. No partido por não ter as mesmas condi- agora, tentar subir além dos frágeis 31 democrata–cristã, Paulo Miranda, enca- entanto, para o jovem candidato, “o im- ções que o outro candidato, a quem di- por cento que as últimas sondagens beça a moção “Um CDS para todos” e portante não é a liderança mas sim o rige duras críticas, considerando-o “in- dão a um PSD que não consegue capi- acusa o presidente de “falta de lideran- debate de ideias”. competente a vários níveis”. O candida- talizar as medidas impopulares do exe- ça”, considerando-o “um mau gestor A reunião promete ser agitada pelas to pretende “devolver os destinos do cutivo socialista... sem carisma”. O candidato promete divergências entre os apoiantes do líder PSD às bases” e acusa: “Há muitas pes- Enquanto isso, incapaz de pensar em uma revisão de estatutos imediata e e os que o acusam de “autismo” face soas no partido que não querem que es- oposição, o PP permanece, tão só, con- mostra–se confiante quando afirma: aos militantes. O congresso democrata- ta candidatura avance”. No entanto, centrado na turbulência interna. Os de- “Tenho a certeza que vou ganhar”. –cristão conta com a influente presença mostra–se confiante e afirma que, “a mocratas–cristãos ainda não consegui- Hélder Cravo e Herculano Gonçalves, de Telmo Correia, que já admitiu fazer partir do momento que sou candidato, ram superar a perda de Paulo Portas, líderes das distritais de Évora e Santa- frente a Ribeiro e Castro, apesar de não já sou vencedor”. depois do fracasso eleitoral de 20 de rém, respectivamente, também ambi- se assumir como candidato. As eleições directas decidem quem vai Fevereiro de 2005. Ribeiro e Castro cionam a direcção dos populares. Ape- fazer o discurso de encerramento do continua a ser o “bode expiatório” para sar de distintas, as moções dos candida- Eleições directas precedem XXIX Congresso Nacional na qualidade todos os problemas, sem que nenhum tos oriundos dos órgãos regionais de- congresso laranja de presidente do PSD. A reunião de mi- “notável” do partido queira arriscar ser fendem a importância de reestruturar e Pela primeira vez na sua história, o litantes realiza–se na Póvoa do Varzim, a próxima vítima... Ante isso, só dois ou descentralizar o partido. Para Cravo, é Partido Social Democrata escolhe atra- nos dias 19, 20 e 21, onde vão ser elei- três desconhecidos e um júnior aceita- necessário renovar o PP, que “não pode vés de eleições directas quem vai ficar à tos outros órgãos nacionais, nomeada- ram fazer o “frete” da oposição interna. ser dirigido exclusivamente por pessoas frente da direcção. A votação realiza–se mente a mesa do congresso, o conselho E a crise continua sem fim à vista. que fazem carreira da política, mas por na sexta–feira, 5 de Maio, em todas as de jurisdição, a comissão política e o Rui Simões aqueles que vivem em contacto diário secções do partido espalhadas pelo conselho nacional.
  10. 10. A CABRA - 2 MAIO DE 2006 10 TEMA - MERCADO DE DROGA O uso de substâncias psicotrópicas é recorrente entre os estudantes “Quem parte e reparte fica sempre com a melhor parte” A CABRA fez uma viagem ao mundo dos estudantes universitários que, para além de consumirem, também vendem drogas leves. Esta é uma barreira que nem sempre se distingue bem. E, por ser cada vez mais ténue, são muitos aqueles a quem o risco sai caro. Dados estatísticos mostram que o número de traficantes/consumidores detidos tem aumentado Por Helder Almeida e Inês Subtil (texto) e Cláudio Vaz (fotografia) Foi apanhado pelos seguranças. Du- tas à noite e festivais de Verão. O derra- rante um festival de Verão, as 38 gramas deiro passo para começar a traficar foi de drogas leves que tinha nos bolsos fi- dado com facilidade. “Comecei a com- zeram com que pela primeira vez na vi- prar maiores quantidades com amigos: da, Fábio, nome fictício, 22 anos, estu- era mais fácil e barato”. Seguidamente, e dante na Universidade de Coimbra (UC), à medida que tinha mais contactos, Fá- passasse a noite na prisão. No dia se- bio apercebeu–se que esta seria uma guinte foi presente a tribunal e o pesa- boa forma de “pagar o vício”. delo acabou por aí, apesar do inevitável Quando veio para Coimbra, o negócio registo no cadastro e do grande susto. manteve–se. Sempre com um ar descon- Segundo a lei portuguesa referente ao traído, enquanto faz malabarismo, afir- consumo de estupefacientes e substân- ma que “o consumo na cidade é genera- cias psicotrópicas, só é tolerada a posse lizado”, embora considere a droga mais de cerca de 4-5 gramas. cara que em outros sítios. Segundo ex- Hoje, Fábio continua a traficar mas ad- plica, são os estudantes que trazem mite ter–se tornado bastante mais cuida- grande parte do que se consome para doso e até uma “pessoa paranóica” com Coimbra e que o negócio gira à volta o medo de um segundo encontro com a “dos amigos e dos amigos dos amigos”. polícia. Fábio vende derivados de marijuana, Aos 15 anos começou com o consumo considerados drogas leves – haxixe, pó- de tabaco. Depois vieram os amigos e os len e óleos, quase sempre em casa, pa- “charutos”. Ao princípio, diz, apenas fu- ra não correr riscos. Além disso, explica mava em ocasiões especiais, como fes- que, uma vez que não lida com grandes

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