Autoproteção marca posição de p ms sobre foco de seu trabalho

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Autoproteção marca posição de p ms sobre foco de seu trabalho

  1. 1. Autoproteção marca posição de PMs sobre foco de seutrabalho Os policiais demonstraram percepção mesclada sobre "clientela" e "meliante"Após entrevistar dez soldados de uma companhia da Polícia Militar do Estado de SãoPaulo, a psicóloga Erika Ferreira de Azevedo observou que a proteção da própria vidado policial e seus companheiros é uma das marcas do posicionamento discursivo dosoficiais quanto ao foco último de seu trabalho. A pesquisa desenvolvida por Erika, noInstituto de Psicologia (IP) da USP, buscava, a partir da análise do discurso dessesprofissionais, entender a história e posicionamento do policial quanto à sua clientela,hierarquia, o criminoso e si mesmo a partir de seu próprio ponto de vista.“Costumamos ver policiais posicionados no discurso externo a eles”, lembra apesquisadora. As questões abordadas nas conversas, que ocorreram no primeirosemestre de 2010, giravam em torno do dia a dia e situações por eles vividas, bemcomo a influência do trabalho em sua vida e o significado de pertencer à PM.A pesquisadora utilizou um método que, na psicologia, é chamado de AnáliseInstitucional de Discurso, não interpretando a fala dos sujeitos, mas constatando apartir dela os lugares ocupados pelos elementos associados a seu pertencimento erelação com a instituição. “Por meio desse posicionamento, existem relaçõesreconhecidas e desconhecidas e que mostram um pouco do policial e da instituiçãotambém”, explica.Clientela e melianteA percepção demonstrada pelos soldados a respeito de seus “clientes” não foi única. “Aclientela era classificada, para facilitar o trabalho do PM”, conta Erika. Assim, foiobservada certa diferenciação em duas partes, uma “boa” e outra “ruim”. A parcela
  2. 2. “boa” corresponderia a aqueles que não reclamam e elogiam as ações do policial,levando-o a uma posição heroica. É uma população de certa forma despossuída,ignorante e que precisa ser salva pela PM. Os clientes “ruins”, por sua vez, seriamaqueles que criticassem e se posicionassem contra as ações da polícia.Há também uma diferenciação quanto à posição social do cliente, identificado em doistipos. Um deles é a pessoa de uma camada mais elevada e influente da sociedade ouque possuísse algum cargo oficial, que, por um lado, pode humilhar o policial, mas éum cliente para o qual, quando identificado, recebe atendimento de acordo com a suaposição. O outro tipo corresponde à massa popular, na qual também se incluem e semisturam, em um entendimento bastante confuso, os criminosos em potencial,identificados, por exemplo, como moradores de comunidades.Ser policial“O PM se colocava na posição de alguém que era um alvo ambulante por ser policial”,relata a psicóloga. Quando questionados a respeito do tema violência, ela ressalta, ossoldados situavam-se como as pessoas contra quem os atos violentos dirigiam-se.“Sempre tinham histórias de amigos de farda que sofreram violência.”Como braço do Estado, a Polícia Militar deve, como função oficial, zelar pelo bem dapopulação. Apesar de tornar-se um amigo ou herói de parte desta clientela, também édela que partem uma série de ataques, sejam críticas ou ações criminosas dos“meliantes”, contra o policial. Desta forma, ele se volta para a proteção de si mesmo ede seu “amigo de farda”, como pessoas que “tem família”, se contrapondo ao melianteque “não tem nada a perder e não segue códigos”.Sua autoproteção, no entanto, parece ser dificultada pela organização hierárquica epelas regras da instituição. O soldado não pode agir nos mesmos termos do meliante.“O policial às vezes encontra-se em uma situação ambígua, deslizando entre ocriminoso, por estar à beira de cometer algum crime, ao mesmo tempo em que énormatizado e corrigido pela hierarquia”, relata Erika. A hierarquia deixa-os, de certaforma, desamparados em sua defesa. “Policial se sente na posição de alguém que temque se defender, mas não pode”, completa.O lugar da fardaOs policiais, por sua função de proteção a sua clientela, a si próprios e aos colegas,apresentam certa noção de “faz tudo”, o que é “validado pela farda”, que sesobrepõe às outras pessoas e mostra a influência institucional sobre seu
  3. 3. posicionamento. A psicóloga ressalta que isto não significa que o soldado seja “umavítima da farda”, mas, sim, de certa forma a incorpora em sua fala, ações e identidade.Todavia, a identificação ou não como membros da instituição varia conforme assituações relatadas. “O policial tem uma relação com essa farda, de a tirar e a colocar”,resume Erika. A psicóloga destaca o posicionamento inclusivo quando relacionado aações e efeitos positivos ao vestir a farda. Quando, porém, tratam a respeito dequestões negativas, os policiais despem-se da farda e relacionam tais fatos comautores individuais, criticando generalizações.Mais informações: email erikazevedo@gmail.com, com Erika Azevedohttp://www.usp.br/agen/?p=117148

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