Série contos 2010 (vampire)
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Uma compilação de contos sobre Vampiro a Máscara que vai dar a inspiração necessária para as suas crônicas.

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    Série contos 2010 (vampire) Série contos 2010 (vampire) Document Transcript

    • Série Contos Vampire: A Mascara 2010 http://umcontoeponto.wordpress.com/ Mais uma Noite – Um conto Ventrue Por Denilson de Paula 02 A Cidade Morta – Um conto Tremere Por Douglas Silva 04 O início de uma Lenda – Um conto Gangrel Por Marcus Aurélio 06 Golconda – Um conto Gangrel Por Arthur Granja 08 Uma Dança – Um conto Malkaviano Por Maria Ranúzia 10 Agradecimentos 13 Esses são contos que fazem do Brasil uma terra imortal e assombrada, vista pela ótica de algumas criaturas da noite que habitam por aqui...“..A lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual é sua lenda pessoal.” (O Alquimista) http://umcontoeponto.wordpress.com/
    • - 01 – Mais uma noite– Um conto Ventrue Me desperto como quem acabado de ter um pesadelo, assustado. O primeiro impulsoé de tentar respirar, mas nunca me vem ar, são alguns segundos de desespero e depoisa verdade me vem à tona com todos os ruídos e pequenas nuances de cores que agoraeu vislumbro. Minha vida mudou completamente há exatos vinte anos, e desde então, eu aindatenho que tomar decisões que me tiram toda maldita noite, um pouco do antigo eu.Levanto-me e as janelas se abrem ao sentido dos meus passos em sua direção, cadacentavo investido atuando da melhor maneira para o meu prazer. Escuto passos nocorredor e me concentro, sinto seu cheiro. A porta se abre alguns segundos antes de eu me virar, é Sandra me trazendo o jantarpelas mãos com um sorriso no rosto. Ahh como eu adoro quando ela faz isso, assimtenho mais tempo para resolver todos os assuntos do dia que não vou ver, dasreuniões que não vou participar e das pessoas com quem não vou falar. Ela deixa o jantar na cama, e sai comentando que vai me trazer os jornais do dia assimcomo a agenda da noite. Eficiente como sempre, linda eternamente!Bocejo, sorrio eespreguiço, afinal faz parte do charme de estar vivo não é? Então volto minha atençãopara meu jantar tudo da maneira como mais gosto, proporções perfeitas até consigosentir o cheiro de terra molhada e da cana de açúcar para ser cortada. O sabor demalicia dentro da inocência. Caminho lentamente na direção dela e pergunto seu nome, não finjo ter vergonha emesconder meu corpo para ela, afinal de contas, ela sabe o motivo de estar aqui e fazmuito tempo que descobriu que é muito mais vantajoso para ela do que pra mim! Elase levanta rindo, me abraça e me chama de “painho” - Maldita! A abraço e pergunto sobre seu dia, andando em direção do bar afim de um bomuísque me lembro muito bem da Justina reclamando que eu não encostei um dedo noBlue Label que me trouxe da última vez. Volto minha atenção para ela levando ouísque, dane-se para o fato dela ser muito nova para beber, afinal de contas o quepode acontecer comigo? Morrer? E ela vem andando, ou melhor, dançando e seusolhos claros iluminando os meus, seus cabelos ondulando ao sabor do vento metrazendo o cheiro de dinheiro bem investido e sua boca me lembrando o que está paraacontecer. Enquanto me visto Sandra entra no quarto e olha para o meu jantar ali deitada,sonhando algo que nunca saberei, ela a cobre e deixa ao seu lado o presente destanoite, algo que deve ter escolhido das sobras do que a dou. Entrega-me os jornaisdobrados estrategicamente nas paginas que me chamariam mais atenção, assim comofinge não notar que a olho com desejo, assim como eu finjo não notar que ela tambémme olha do mesmo modo. Comenta que Lyon, antigo Gangrel da cidade marcou uma reunião no Caravela e quetodos os cabeças estarão lá, sorrindo para ela pergunto se quer ir dessa vez e meentregando o terno responde rindo, debochadamente que não. 2
    • Então eu escuto mais passos no corredor, mas não são quaisquer passos, são firmes,decididos, acompanhados do ruído do roçar do couro e dos penduricalhos de umajaqueta de motoqueiro, sinto o cheiro de cereja juntamente com o suor do capacete ea gasolina de avião que maculou as botas que lhe dei no começo do mês. E lá vamos nos para mais uma noite em Recife, ser Capitão [como chamam o cargo deXerife em Recife] por aqui não será nada fácil... Um conto de Jorge Emiliano Personagem criado por Denilson em Ago/ 2007 no Pernambuco by Night"... Quando fiquei mais velho pude iniciar no projeto e desde então venhoacompanhando e jogando sempre que possível. O mais interessante do projeto é adiversão, e aumentar o ciclo de amizades!..."- DenilsonJorge Emiliano: j3sm@hotmail.comDenilson de Paula: Adriandiii@hotmail.com | @Denodepaulahttp://olardodragao.blogspot.com/ 3
    • - 02 - A Cidade Marcada – Um conto Tremere O portão de mármore se abre propositalmente no marcar da primeira vigília. Aolevantar a minha movimentação é estranha, não sinto mais nada ao acordar e com umdialeto morto a argila enriquece o vigor, mesclando-se a minha própria pele. O alimento que estivera preso e sedentário sacia novamente a fome que cresce.Geburah não acordará hoje, poucas vezes o mesmo tomou o controle e sou capaz dequalquer coisa para não deixá-lo vencer, pois não importa os danos materiais oupsicológicos que venha a sofrer, minha existência depende de seu controle.Principalmente entre aqueles que precisam de sua cognição em perfeito estado: Nósos Feiticeiros do Sangue. É Terça Feira e tenho que me organizar. Mesmo a Capela estando próxima de minharesidência, pode ocorrer imprevistos. Tanta destruição programada, tantas sabotagenssendo tramadas diante de nossos olhos, me pergunto como muitos tentam manterseus preceitos mortais, agindo com seu falso moralismo. De fato, sinto que algo malcresce dentro de minha consciência e devo confessar que perdi o deslumbre pelahumanidade, mas tenho certeza que não tem nada a ver com a Besta. Vitória, minha Carniçal, prepara o carro, e já deixa tudo organizado, poisprovavelmente não conseguirei dirigir com toda essa multidão. As préviascarnavelascas em Olinda me deixam atordoado e ainda me lembro da vez em queGeburah acordou nas primeiras noites de abraço, há exatos 38 anos e as torturas emque meu Senhor, que era um sádico perito no assunto, me fez experimentar por minhafalta de controle em um local com muitas pessoas. Como tenho uma resistência à dor, estouro os meus tímpanos e peço para que ela meguie até lá. Mesmo surdo, consigo sentir o medo dos inquietos, o Mundo dos Mortosestá marcado, eu posso sentir; E a Umbra sofrera tantas mudanças que um especialistado assunto ficaria completamente perdido. "Feliz é o Leito em que nenhum feiticeiro padeceu, pois maldito é o solo onde ospensamentos mortos rapidamente se tornam novos e estranhamente incorporados,pois o mal é a mente que nenhum crânio aprisiona." O poder do Sangue nos possibilita realizar milagres com pequenos gestos eexpressões, mas mentes totalmente sagazes e deturpadamente "brilhantes"conseguiriam fazer coisas absurdas. E acho difícil mapear ou descobrir o que houvecom o conhecimento dos que viveram aqui e desapareceram subitamente, pois muitosdevem ter conseguido maneiras bastante desconvêncionais para manterem-seexistindo.Estou chegando, sinto que a porta destravou, faço o Sangue cobrir os ferimentos noouvido e saio do carro. Sinto que o seu Guardião notificou minha presença, poisconsigo sentir seu movimento entre as paredes, sei que ele está dentro da Casa e aochegar vislumbro as nuances do local, consigo sentir seu poder sem estar em suapresença, Gaius Lepidus. Gaius é um dos membros mais velhos e respeitados no qual já estive presente dentrodo clã. Os exagerados rumores a seu respeito não são nem sombra do seu realpotencial, visto que ele é um Magus, e deve possuir segredos incomensuráveis em 4
    • relação ao poder e magia do sangue. Ao cruzar a entrada da Casa, sinto que já estou em meu quarto, onde me aguarda ummedalhão e um manto. O mais interessante é que não estou surpreso, pois jápresenciei tal recepção diversas vezes. Hoje ele cobrará atitudes, não o conheço bem, nem possuo laço algum deafetividade, mas ele está no topo e não cabe a mim, nem a nenhum dos convidadosousarem questionar esta autoridade. Esta é nossa sina, união e obediência, mesmoque isso seja passível de interpretação e diversas contradições, nos mantém vivo atéhoje. Um conto de Samuel Rennê Bellemain Personagem criado por Douglas em Out/2007 no Pernambuco by Night" É um projeto interativo muito interessante.A imaginação é o limite, mas mesmo nomundo do tudo pode, deve haver certas limitações.O importante é a Diversão Coletiva!"- DougSamuel: samuel_bellemain@yahoo.com.brDoug: doug_alamut@hotmail.com | @douglasdoozy 5
    • - 03 – O início de mais uma lenda - Um Conto Gangrel Noite calma no Horto de Dois Irmãos, residência coletiva dos Gangrel a muitoconcedida por uma lenda chamada Adriano Andreotti, Senhor das MatasPernambucanas e Nordestinas. Os mitos sobre as conquistas desta “Entidade daNatureza” não vem ao caso no momento. Apenas um conto acerca desta figuralendária, se destacará nesta humilde fogueira. A algumas décadas atrás, a Casa dasFeras em Pernambuco era coordenada por cinco grandes Gangrel: Urick, Bernardo,Ricardo Leão, Victor Harris e André, nomes estes que entrariam para a história no clãposteriormente. Os contos e causos sobre Dom Adriano Andreotti sempre circularamentre a família pernambucana, porém, não passava disto. Os mesmos cinco Gangrelachavam que havia mais mito do que realidade nestes boatos e que tal criatura nuncaexistira, que foram histórias inventadas por antepassados Gangrel a fim de impormedo a seus inimigos para que não ousassem adentrar nas matas. Reza a lenda que osanimais são os Olhos e Ouvidos de Andreotti. Nada acontece nas reservas verdes semo conhecimento deste ser, inclusive boatos e opiniões de alguns jovens Gangrel sobrevossa pessoa. Era uma noite inquieta no Horto de dois Irmãos. Um nevoeiro densoenvolvia as árvores, a fauna local estava agitada, e o ar, gélido como a espinha domundo. Qualquer habitante das matas sabe bem que mudanças bruscas em um devidohabitat indicam que algo nada agradável está acontecendo, e logo a incerteza e tensãotomam conta do lugar. Os mesmos cinco Gangrel já estavam acostumados com osperigos da floresta, e tinham conhecimento sobre a forma no qual este “aviso” eradado. Era hora de averiguar a razão/fonte do problema. Ao saírem do Casarão Branca Dias, topam com uma criatura nunca vista antes: Umhomem com traços Caucasiano, Cabelos Negros e Curtos, Olhar Mortal, trajando umaBata Religiosa meio surrada. O quinteto estava em prontidão e a postos para agir.Urick toma a frente e indaga: “ - Quem é você e como entrou nestas matas?”Uma voz extremamente calma replica: “-O senhor destas Matas. Adriano Andreotti.”Nesta hora um vento de arrepiar até a espinha dorsal é soprado. Urick recua àpresença dos seus quatro irmãos. Os cinco olham entre si e esboçam um sorrisosarcástico. Ricardo Leão dá um passo à frente junto com Urick e fala: “- Faz-nos rir,pobre criatura. Pagarás por tua audácia. E mesmo que seja esse tal de Andreotti, vaiser desmistificado agora!” Ao final das palavras de Ricardo Leão, os cinco Gangrel partem pra cima do estranho,selvagens como a besta e com sede de sangue. O “homem” não recuou ou adiantouum passo sequer. Permanecia imóvel como um Rei em sua Colina. Urick o atacou com suas poderosas Garras as teve destruída; Ricardo Leão investiu 6
    • com uma Mordida potente e teve sua mandíbula destroçada; Bernardo o golpeou comum chute capaz de nocautear um elefante e teve a perna estourada; Victor Harris eAndré tomaram os flancos e atacaram simultaneamente com um soco em proporçõesde abater um Touro e tiveram seus braços quebrados; Apesar de toda a Resiliência e Resistência que os Gangrel são conhecidos porpossuírem, os cinco estavam aleijados e caídos no chão. E imóvel permanecia o alvodos ataques. Nós Gangrel somos conhecidos pela veracidade nos contos e históriasditas numa fogueira. Estas foram as palavras do aparentemente, padre. - “Não movium músculo e todos vocês estão incapacitados de combater. Seria eu uma pobrecriatura ?” Urick se esforçou até onde pôde para ficar de joelhos, e com um olhar fumegante,incitou a mesma vontade aos seus quatro irmãos. Logo mais os cinco estavamajoelhados ante uma lenda viva. “- Apartir deste dia, Todo Gangrel deve ajoelhar-se,fazer o Sinal da Cruz e rezar para seja lá qual for seu Deus, pedindo clemência emisericórdia na presença de Dom Adriano Andreotti” Disse Urick. Com a mesmaexpressão imparcial que chegou, Dom Andreotti foi embora e desapareceu nasprofundezas do Horto de Dois Irmãos sem dizer uma palavra. Deste dia em diante, ashistórias contadas entre a Casa das Feras eram de que “A Lenda” já era viva antesmesmo de Jesus Cristo ter nascido... Um conto de Lyon Gafaryon Personagem criado por “Zezinho” em Abr/2002 no Pernambuco by Night"O PEbN é um jogo que se este pelo Brasil e pelo mundo inteiro. Além de ser um projetocom ideais legais, tinha o fator "amigos""- "Zezinho"Lyon: kidlupino@yahoo.com.brZezinho: @kidlupino 7
    • - 04 – A Golconda – Um Conto Gangrel (Convidado) A Besta é o monstro que parasita nossas almas amaldiçoadas, presa em nossas entranhasborrando de negro o nosso coração que um dia fora humano e tornando-nos mais parecidoscom os vampiros que você está habituado a ler nos contos. É dela que vêm os nossos dons, anossa beleza sobrenatural, que encanta a tantos, e as nossas restrições. Um conjuntomaldições que nos impede de sair a luz do dia, que nos faz dormir quando não é noite, que nospriva dos sabores da vida condenando-nos a sobreviver como vermes sugadores de sangue. A Besta também é responsável por impedir a nossa autodestruição, muitas vezes optada pelocansaço da “não-vida”, sempre vigiando nossos passos, julgando-nos. Decisões perversas aalimenta como a uma criatura enjaulada que come a carne dada pelo seu criador, e, de formainversa, as decisões humanas enfraquecem-na. Eu pertenço ao inferno e para qualquer lugarque eu for ainda estarei nele. A Besta era o Diabo. Os meus deslizes com ela deixavam marcase eu estava começando a ficar cheio delas... Há um meio de acabar com tudo isso e seu nome é Adriano Andreotti. A primeira vez que me falaram de Andreotti eu pensei que fosse mais uma daquelas históriasque contam para os mais novos tirarem algo produtivo, mas talvez pelo meu desespero deencontrar uma cura para essa minha condição tenha me levado a acreditar nos contos do clãGangrel. E as histórias eram de fato verdadeiras. Ele é um dos mais velhos vampiros de meu clãde que se tem notícia. Contam que Andreotti respirava no dia em que Cristo fora pregado nacruz. Ele foi abraçado por nossa família e ficou desaparecido por muitos séculos, buscando operdão, visitou todos os lugares sagrados à procura de segredos que o levasse a salvação. Adriano sabe sobre a Golconda muito mais do que qualquer outro Gangrel. Uma utopia cainitaque me fez procurá-lo por alguns séculos e descobrir seu paradeiro em Itamaracá. Olheiembaixo de cada pedrinha da praia, deixei evidências de que queria encontrá-lo, mas seurastro desapareceu novamente e se esvaiu como água por entre os dedos. O perdão divino não é algo fácil de compreender. Não é como ir a uma igreja e pedirclemência por ter violado algum dos dez mandamentos ou por ter cometido um dos setepecados capitais. Ser um vampiro, um amaldiçoado é o suficiente para nos ser negado o céumesmo sem nunca termos pecado, estando condenado a vagar eternamente como morto-vivos sem pertencer a lugar algum. Fazer deste lugar um inferno é o nosso ofício, mas sãonossas escolhas que definirão para onde iremos quando chegar o juízo final. Isto é o perdão.Fazer diferente do que nossa natureza nos manda. Andar ao lado da humanidade e não contraela. È a penitência que devemos pagar para alcançar o perdão e um alívio em saber que nãomais carregaremos a falha das gerações anteriores em nossos ombros. Embora eu conseguisse me manter no caminho para a Golconda ainda faltava algumacoisa, o que tornou o meu encontro com Andreotti tão necessário. Lembro do queSartori me respondeu em séculos atrás quando o questionei sobre o assunto: “Golconda?Fala-se muito e sabe-se pouco.”.Não ajudou muito. Lyon convocou os Gangrel de Pernambuco em nome de Adriano Andreotti para expulsarinvasores lupinos do Horto de Dois Irmãos. Pensei que pudesse não ser verdade, o anciãoGangrel seria apenas mais uma lenda para assustar os novatos ou para impressionar umimbecil como eu. Além do mais, eu tinha bastante roupa suja para lavar em Petrolina, lugar 8
    • que posso chamar de lar. Que azar o meu! O desgraçado realmente existe e resolveu deaparecer quando eu não estava mais em Recife. Seria essa mais uma de minhas maldições? Não saber a verdade sobre o Perdão. Por algumtempo eu pensei que não teria uma nova chance de estar cara a cara com o ancião. Viajei omais depressa que minhas asas de carcará podiam me levar, mas ele desaparecera novamentesem deixar rastros. Com a ajuda de Lyon e outros Gangrel do Horto espalhamos recados porentre os animais com o dom de Animalismo. Então esperei por alguns meses, mas não fuirespondido. O desânimo de mais uma falha quase me fez sucumbir a Besta e assim destruir oque havia construído. Uma gangrena que consome a todos nós. A idade começava a pesar eestava evidente a criatura sem consciência na qual me transformaria. É incrível como as coisas mudam de curso quando tudo está próximo de desabar. A melhornotícia que recebi nesta “não-vida” veio de um rival. Davi Falcão é um Gangrel idiota que seacha maior do que realmente é e fala como um aristocrata Ventrue esnobe. Ele deu a notíciade que o Encontro sazonal do clã, que Uller havia programado e fora adiado por conta dasperseguições da Camarilla, está novamente marcado e Adriano Andreotti estará presente.Finalmente uma chance...Logo eu saberei o segredo da Golconda e então poderei estar novamente com ela... Minhaquerida Claudia... Um conto de Carcará Personagem criado por Arthur em Jan/ 2009 no Secas by Night“Entrei em Janeiro de 2008. Conheci a galera do clube que é super gente fina e fizamizades de se levar pra vida inteira...”- Arthur GranjaArthur: hunter_linkin_park@hotmail.com | @ArthurGranjahttp://umanjotorto.blogspot.com/ 9
    • - 05 – Uma Dança – Um conto Malkaviano Quase como uma música incansavelmente repetida, às vezes me pergunto se tudo isso é real.Pergunto-me como em uma década pode haver tantas mudanças, como me adaptei tãorápido?! Ganesha, a quem devo minha eternidade, sempre me alertou a cerca das conquistasque poderia obter se dançasse a música certa da forma correta, e do quanto era perigoso sujaras mãos com a política dos anciões. Belos conselhos... Meus gélidos pés descalços encontram meu mais novo lar, o piso frio de madeira da mansãoJardim de Pedra em Sorocaba/SP. Carrego pelas tiras um velho par de sapatilhas rosadesbotado que balança ao meu caminhar silencioso pelos corredores em direção a longa portadupla. Ao atravessá-la um largo e clássico salão se revela, minha mente viaja nesse momentoaté meu antigo lar, onde contemplava do décimo andar minha doce Recife...... Lá, um portal semelhante me leva à sala de reuniões dos Filhos de Malkv. Recordo- me aprimeira vez em que estive ali, foi em uma noite quente de 2007 que conheci meus mais novosirmãos. Afastada observava aqueles onze membros circundando uma velha mesa, falando aomesmo tempo. Apreciando cada fragmento, vislumbrando novos sabores de transformação dahumilhação incômoda ao respeito. Retorno de meus devaneios. Sento-me na poltrona de canto e como quem respira encaixosuavemente meus dedos, um dia calejados, na ponteira siliconada ao fundo da sapatilha. E emum piscar de olhos sinto os calos de outrora sangrando novamente...... A voz da minha antiga professora retumba em meus ouvidos para que eu volte à posição.Olho para o lado; fantasmas de outras alunas me aconselham a não continuar. É quando algodentro de mim não me permite desistir. Ao abrir os olhos já não sou uma aluna, não tenhomais quinze anos. Cruzo aos tornozelos as fitas de cetim corroídas pelo tempo, um nó simples completa o ritual.Levanto-me e desnecessariamente me alongo. Levo minha cabeça ao joelho, e sentindo omundo deitado fronte aos meus olhos retorno mais uma vez no tempo...... Tempo em que os quadros e estátuas conversavam comigo; meus pais me olhavam com ummisto de pena e sofrimento, e diversas vezes era privada da companhia de pessoas. Meucomportamento provavelmente causaria algum escândalo para os convidados dos Nolleto.Deitada no chão, sedada e sem forças o mundo também se aquietava de lado, tal como agora.Meus olhos ardiam, mas sempre mirava minhas primeiras sapatilhas, como naquela época umsorriso sincero brota em meus lábios, a fonte de minha vida se desnuda mais uma vez estanoite. Ao subir a cabeça, os primeiros acordes do piano são embriagantes, seu gosto é irresistível elogo me abre o apetite. Abro um belo sorriso para o pianista que hoje não irá valsar comigo.Hoje ele quer tocar para mim. Gabriel Lawrence Y. Wesson, para uns um grande anciãoMalkaviano, para outros o Mestre das Harpias mais influente do país, mas para mim; meuGabriel. Sua paradoxal frieza e doçura são ainda inteligíveis a mim. Ele não devolve o sorrisoabertamente, como sempre, mas seu olhar me convida ao salão. Minhas mãos percorremtodo o contorno das pernas e cintura, meu corpo anuncia que está tudo pronto. Umperfume doce toma minha lembrança...... O frio adentra a janela da Sociedade Harmonia Lyra em Joinville/SC. Em meucamarim n º 08 o calor percorria dois corpos, mãos firmes puxam a cintura fina dajovem bailarina contra um corpo sem camisa. O amor aquecia nossos corpos e 10
    • celebrava a noite de gala do maior festival de dança do país. Apesar dos louros, meumaior prêmio era ele. Ainda com as sapatilhas, sentada no balcão, o perfume das florese o brilhar das medalhas não eram nada se comparados aos toques do forasteiroescocês percorrendo cada centímetro do meu franzino corpo de adolescente. Naquelaépoca as noites não eram tão escuras, minha carne ainda tinha calor e minha inocêncianão imaginava que meu amante se tratava de um ancião imortal. O gosto do “Mi” descendo suave pela garganta me traz de volta ao salão. Meus pésquase que incontroláveis se elevam em um perfeito relevé reconhecendo o sabor... É oinício de Clair de Lune, música favorita de Lawrence. Enquanto ele a toca, ainda maisperfeito que o próprio Debussy, meu corpo degusta cada nuance das teclas do lindopiano negro de calda. Ainda lentos, os rond de jambes parecem escorrer deliciosamentejunto a meus braços que dedilhão o ar sincronizado ao gesso das velhas sapatilhasCapézio temperando meus passos. Ao um vagaroso promenade en pointe possocontemplar os detalhes do salão onde vejo com a nuca levemente inclinada, flores emcima do piano, e recordo-me da rosa vermelha que Arantxa Negra carrega em seuscabelos; assinando sua feminilidade cruel. O chapéu no cabide ao lado da janela melembra Jan Dvorak ou talvez Thiago Scapelli, se orgulhão tanto da frieza azeda que mepergunto quem na verdade carrega a máscara para controlar. Minhas mãos deslizam sobo contorno delicado das minha perna que se eleva en poite a altura da visão e entãorecordo-me dos cuidados de Da Cunha. Fechando meus olhos posso sentir o cheiro deAnne Sophie guiando meus passos, flutuando comigo em um pás de deux que seguealém dos mundos. Ao crescer da música percorro rapidamente o piso com um chainés eao sentir meus pés sincronizados lembro-me de Ana Paula e de como éramos unidas.Mas assim como os pés se separam dando vez ao próximo passo, a política nos fezcaminhar por lugares diferentes dando espaço a outros enredos. Saboreio lascivamente os solos improvisados que Lawrence encaixa em meio aosacordes, tal qual coexiste em mim a vitae dos loucos e dos artistas. Relações que seencerram em um macio plié ao lembrar o ácido humor de Little Beth ou na explosivapaciência de Lourraine, minhas irmãs mais queridas. No ponto máximo da música, umalto grand jetê me faz abrir os braços em pleno ar sentindo uma liberdade exclusiva einconscientemente as imagens de Aquilles e Malakias fazem todo sentido de seremlembradas. Gargalhadas infantis brotam a cada port de brás. Graça e harmonia já são parte de mim,nem mesmo os artistas imortais conseguem me superar, transformei humilhação emrespeito e hoje os Filhos de Malkv são um dos pilares de Recife, e as noites como deJoinville se repetem.Um complicado attiti derrié faz meus pés doerem assim como meu corpo doeu duranteas noites duras em que dançar não era mais minha rotina, noites de Harpia, Senescal efinalmente Primogena. Os leves fondis escorregam sobre as gotas de sangue no piso;lembrança amarga do treinamento desnecessário ou talvez de um segredo que tende ame perseguir.O glissé em plié anuncia o fim da performance particular, o pianista me estende a mãoem sinal cortês. Caminho suavemente e sento-me ao seu lado dividindo o banquinho demadeira negra. Seus dedos continuam a deslizar as teclas graves da direita e então mearrisco a uma base aguda na esquerda. Seu braço envolve meu ombro como um pai quecuida da filha e então percebo o quanto ele é capaz de ser humano longe dos olharespúblicos. 11
    • Hoje dancei, não como uma artista, como de costume. Dancei sob meus própriossonhos realizados, flutuei por entre prestígios e favores. Modificando a história e lendoum novo capítulo. Dancei como uma Filha de Malkav, que transforma a realidade ao seu proveito. Um conto de Amélia Nolleto Personagem criada por Ranúzia em Fev/ 2008 no Pernambuco by Night" O by Night me trouxe amigos verdadeiros, pessoas que viajam meio pais pra me ver,que me ligam no meio da madrugada. Ahhh enfim, só tenho a agradecer os carinhos,mimos e tudo o que ganho aqui =] "RawAmélia: amelianolleto@gmail.com |http://camarilla.owbn.net/index.php?title=Am%C3%A9lia_NolletoRanúzia: ranuziakinneas@gmail.com | @Ranuziahttp://www.laperpetua.blogspot.com/ 12
    • AgradecimentosAos jogadores por permitirem publicar os contos dos seus personagens no blog ealguns por fazê-los com o objetivo de engrandecer a qualidade do Um conto e Ponto.A todos os seguidores do Blog por acompanharem mês a mês e dar opiniões, sua voz émuito importante.A todos aqueles que acreditam que Vampiro: A Máscara ainda é um jogo de HorrorPessoal e não bolinhas na ficha, emails enviados e acumulo de prestígios.Existe um mundo de possibilidades para quem tem criatividade.@Ranuzia http://umcontoeponto.wordpress.com/ 13