Análise da estrutura do treino
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Análise da estrutura do treino Document Transcript

  • 1. Universidade do Porto Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação FísicaANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL Dissertação apresentada com vista à obtenção do Grau de Mestre em Ciências do Desporto – Área de especialização em Desporto para Crianças e Jovens de acordo com o Decreto-lei n.º 216/92, de 13 de Outubro, Capítulo II, Artigo 5º, pontos 1. e 2. e Capítulo III, Artigo 17º, ponto 1. Orientador: Professor Catedrático António Teixeira Marques Co-orientação Professor Doutor Júlio Manuel Garganta da Silva Mário Jorge Moisés Nogueira Porto, 2005
  • 2. Ficha de Catalogação Ficha de CatalogaçãoNogueira, M. (2005). Análise da estrutura do treino, no escalão de iniciados ejuvenis, em Futebol. Dissertação para provas de Mestrado no ramo de Ciênciasdo Desporto. FCDEF-UP, Edição do autor.Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS EJOVENS, EXERCÍCIOS DE TREINO, CONTEÚDOS DE TREINO, MÉTODOSDE TREINO.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
  • 3. Dedicatória Dedicatória: À Sandra, Pelo incentivo, compreensão, amor e amizade. Aos meus pais, irmã e avós, Porque a eles devo tudo o que sou. À família, Pela união, força e confiança transmitida.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL
  • 4. Agradecimentos AgradecimentosAo meu orientador de Mestrado, Professor Doutor António Teixeira Marques,pela amizade, pela sua incomensurável disponibilidade e pelo infinito apoio queme prestou. Agradeço também a cedência de bibliografia e a partilha do seuconhecimento, que em muito me ajudou.Um enorme obrigado ao Professor Doutor Júlio Garganta, pela disponibilidadedemonstrada, no esclarecimento de dúvidas, na indicação de bibliografia e pelointeresse demonstrado no estudo.O meu agradecimento aos Professores pertencentes ao gabinete de Futebol,pelo inefável empenho e ajuda na procura e cedência dos dossiers necessáriospara o estudo.O meu sincero obrigado à Marisa Silva Gomes, pela interminável procura dosdossiers necessários, para a realização do estudo. E aos treinadores, quetiveram a amabilidade de os ceder, contribuindo desta forma para que esteprojecto se pode-se realizar e concluir.À Diana, Sérgio e Padrinhos, pelo seu empenho na cooperação de tarefasrealizadas acerca do nosso estudo.À minha irmã, ao Henry, Rui e Miguel, pela ajuda prestada nas questõesinformáticasÀ Sandra, pelo carinho, empenho e incentivo constante, por todo o apoioprestado.Ao longo destes dois anos tenho a agradecer a todos os amigos do Curso deMestrado, pelo companheirismo.Para não ser injusto e não esquecer de ninguém, a todos aqueles que meajudaram através das suas sugestões, dúvidas e críticas. Agradeço tambémtoda a contribuição para que este trabalho se tornasse mais claro e completo.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL I
  • 5. AgradecimentosA todos os Professores e Funcionários da Faculdade de Ciências do Desportoe de Educação Física, por me surpreenderem com o seu profissionalismo,orgulhando-me de ter realizado o Mestrado nesta Instituição.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL II
  • 6. Índice GeralÍndice GeralAgradecimentos …………………………………………………………………………………... IÍndice Geral ………………………………………………………………………………………... IIIÍndice de Figuras …………………………………………………………………………………. VÍndice de Quadros………………………………………………………………………………… VIIResumo ……………………………………………………………………………………………. XIAbstract ……………………………………………………………………………………………. XIIIRésumé ……………………………………………………………………………………………. XVAbreviaturas ………………………………………………………………………………………. XVIII – INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………………... 1 1.1 Propósito e Problema do Estudo ………………………………………. ..…. ………………………. 1 1.2 Estrutura do Estudo...................................................................................................................... 3II – REVISÃO DA LITERATURA …………………………………………................................................ 5 2.1. O Futebol ……………………….................................................................................................... 5 2.1.1 Futebol, sua Natureza e sua Essência..................................................................................................... 6 2.1.2 Futebol, um Jogo de Oposição/ Cooperação, um Jogo Táctico............................................................... 7 2.1.3.Prespectivas para o Ensino e Treino do Futebol enquanto JDC.............................................................. 11 2.1.4 Referências Fundamentais para o Ensino do Futebol.............................................................................. 18 2.1.4.1 Condicionantes Estruturais e Fundamentais................................................................................. 18 2.1.4.2 Dimensão do Terreno de Jogo e Número de Jogadores............................................................... 18 2.1.4.3 Duração do Jogo............................................................................................................................ 19 2.1.4.4 Controlo da Bola............................................................................................................................ 21 2.1.4.5 Frequência de Concretização........................................................................................................ 21 2.1.4.6 Colocação de Alvos....................................................................................................................... 22 2.2 Treino com Jovens....................................................................................................................... 22 2.2.1 O Treinador de Crianças e Jovens........................................................................................................... 24 2.2.2 Etapas de Preparação.............................................................................................................................. 26 2.2.3 Fases Sensíveis de Treinabilidade…………………………………………………………………………….. 30 2.3 Exigências Físicas e Fisiológicas do Jogo de Futebol................................................................. 31 2.3.1 Importância do Treino Aeróbio em Futebol.............................................................................................. 33 2.3.2 Importância do Treino Anaeróbio em Futebol.......................................................................................... 35 2.4 Estrutura do Treino para Crianças e Jovens................................................................................ 36 2.4.1 Meios de Treino, Preparação Geral vs. Preparação Específica............................................................... 37 2.4.2 A Preparação Geral, na Formação Desportiva dos Jovens Futebolistas…………………………………... 40 2.4.3 O Exercício no Processo de Treino.......................................................................................................... 41 2.4.4 Especificidade do Exercícios de Treino em Futebol................................................................................. 44 2.5.5 Taxionomia dos Exercícios de Treino…................................................................................................... 47 2.4.6 Estrutura da Carga de Treino.................................................................................................................... 55 2.4.7 Carga de Treino e Competição em Crianças e Jovens nos Desportos Colectivos……………………….. 55 2.4.8 Conteúdos de Treino e sua Importância no Treino de Crianças e Jovens…………………………........... 57ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL III
  • 7. Índice GeralIII – Metodologia................................................................................................................................... 61 3.1. Objectivos……………………………………………………………………………………………….. 61 3.1.1 Objectivos Geral …………………………………………………………………………………………………. 61 3.1.2 Objectivo Específico................………………………………………………………………………………….. 61 3.1.3 Hipóteses Orientadoras do Estudo.................................................. ……………………………………….. 61 3.2 Categorizarão da Amostra………………...................................................................................... 62 3.3 Método de Pesquisa ……………………………………………………………………………………. 63 3.3.1 Procedimentos e Instrumentos de Pesquisa…………………………………………………………………... 64 3.3.2 Caracterização e Definição das Variáveis……………………………………………………………………... 64 3.3.2.1 Exercícios de Treino...................................................................................................................... 65 3.3.2.2 Carga de Treino............................................................................................................................. 65 3.3.2.3.Método de Treino........................................................................................................................... 66 3.3.2.4 Conteúdos de Treino..................................................................................................................... 66 3.4 Procedimentos estatístico............................................................................................................ 69IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS …………………………………………... 71 4.1. Exercícios de Treino.................................................................................................................... 71 4.2. Cargas de Treino ………………………………………………………………………………………. 73 4.2.1 Carga de Treino para cada Conteúdo de Treino...................................................................................... 73 4.2.2 Carga de Treino para o Desenvolvimento das Capacidades Motoras …………………………………….. 77 4.3 Métodos de Treino........................................................................................................................ 79 4.3.1 Metodologia de desenvolvimento das capacidades motoras condicionais ………………………………... 79 4.3.2 Exercícios Complementares/Fundamentais............................................................................................. 81 4.3.3 Exercícios Complementares (com ou sem oposição).............................................................................. 82 4.3.4 Exercícios Fundamentais......................................................................................................................... 84 4.4 Conteúdos de Treino.................................................................................................................... 85 4.4.1 Conteúdos de treino desenvolvidos a partir dos EPG.............................................................................. 85 4.4.2 Conteúdos desenvolvidos através dos EEPG.......................................................................................... 88 4.4.3 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase I.................................................................................. 92 4.4.4 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase II................................................................................. 94 4.4.5 Conteúdos desenvolvidos através dos EEP/Fase III................................................................................ 95V – CONCLUSÕES ………………………………………………………………………………................... 97VI – RECOMENDAÇÕES PARA A PRÁTICA, NO TREINO DE JOVENS FUTEBOLISTAS………… 101 6.1 Recomendações específicas aos resultados do nosso estudo …………………………………… 101 6.2 Recomendações Gerais ……………………………………………………………………………….. 102VII – SUGESTÕES……………………………………………………………………………………………... 105VIII – BIBLIOGRAFIA ……………………………………………………………………………................... 107IX – ANEXOS ……………………………………………………………………………………..................... 109ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL IV
  • 8. Índice de Figuras Índice de FigurasFigura II – 1. Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000) ………………………………. 9Figura II – 2. Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. de Cerezo, 2000)............................. 10Figura II – 3. O Futebol como actividade motora complexa (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998) 13Figura II – 4. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap. Bunker & Thorpe, 1992) …………………………………………………………………………. 15Figura II – 5. Cadeia acontecimental do comportamento Táctico/técnico do jogador no jogo (adap Garganta & Pinto, 1998) …………………………………………………………………………. 16Figura II – 6. Conteúdos do conhecimento em desportos colectivos (adap. de Malglaive, 1990; Gréhaigne & Godbout, 1995) ……………………………………………………………………. 17ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL V
  • 9. Índice de Quadros Índice de QuadrosQuadro II – 1. Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva /adap. de Marques, (1985)……………… 27Quadro II – 2. Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin, 1999) …………………………………………………………………………………………………………. 30Quadro II – 3. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação desportiva em Futebol, (Adap. Marques, 1989) …………………………………………………………………………………. 38Quadro II – 4. Preparação geral e preparação especial nas etapas de preparação Desportiva (adap. de Marques, (1989) …………………………………………………………………………………………. 38Quadro II – 5. Síntese da classificação dos exercícios realizado por vários autores (adap. de Bragada, 2000)..... 48Quadro II – 6. Grelha taxionómica de classificação dos exercícios de treino (Castelo, 2003) ……………………… 53Quadro II – 7. Valores, médias de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino), competições (oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino/competição (Adap. de Marques e col., 2000); Santos, 2001); Pinto e col., 2001) …………………………………………. 56Quadro II – 8. Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por época e total de unidades (Pinto e col., 2003) …………………………………………………………. 56Quadro II – 9. Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação treino/competição (Pinto e col., 2003)...………………………………………………………………. 56Quadro II – 10. Número de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col., 2000; Marques, 1993; Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col.2001) …………………………………………………… 57Quadro II – 11. Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios em minutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valore percentuais durante uma temporada desportiva (adap. Marques e col,. 2000) ……………………………………. 59Quadro III – 1. Principais características da amostra. …………………………………………………………………… 62Quadro III – 2 Caracterização das equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, razão treino/competições ……………………………………………………………………………………….. 63Quadro IV – 1. Utilização de meios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………… 71Quadro IV – 2. Utilização de meios de treino e tempo total de treino para o escalão de iniciado e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………………………………………………. 72Quadro IV – 3. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação……………………………………………………………………………………… 73Quadro IV – 4. Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para o escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………….. 74Quadro IV – 5. Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol (adaptado de Pinto e col., 2001; Pinto e col., 2003) …………………………………………………………………………………… 75ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL VII
  • 10. Índice de QuadrosQuadro IV – 6. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………… 77Quadro IV – 7. Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………………………… 78Quadro IV – 8 Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado de Santos, 2001) ……………………………………………………………………………………………. 79Quadro IV – 9 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………… 79Quadro IV – 10 Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………...…………………………. 80Quadro IV – 11 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………... 81Quadro IV – 12 Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …………………………………………. 82Quadro IV – 13 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………………… 82Quadro IV – 14 Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………... 83Quadro IV – 15 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ……………………………… 84Quadro IV – 16 Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………….. 85Quadro IV – 17 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação …. 86ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL VIII
  • 11. Índice de QuadrosQuadro IV – 18 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………………………………. 89Quadro IV – 19 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 92Quadro IV – 20 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 94Quadro IV – 21 Características da carga treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação ………………………………………………………………………… 95ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL IX
  • 12. Resumo RESUMOA inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de crianças ejovens leva a que este seja, de certa forma, empírico. O seu processo de treino é, namaior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino, devendo-se,muitas vezes, à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidade dos mesmosserem examinados (Marques, 1999).O objectivo desta investigação é caracterizar a estrutura do treino em Futebol noescalão de iniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças naestruturação do treino entre ambos.Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino de jovensjogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seis dossiers, dosquais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e os restantes a três equipasdo escalão de juvenis.Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino do centrode treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física daUniversidade do Porto (FCDEF-UP). O estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0,incluiu uma análise de frequências, das medidas descritivas, tais como as médias,desvios-padrão e percentagens, e um T-test para comparação de escalões etários.Concluiu-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados difere da dos juvenis,tendo-se verificado diferenças significativas, basicamente em todos os focos deanálise do nosso estudo. Os treinadores de futebol dos escalões de iniciados e juvenisdão prioridade aos aspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dosaspectos técnicos (8%). A resistência é a capacidade motora que mais se desenvolve(19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e acoordenação (2%) as que menos se desenvolvem. Os treinadores das faixas etáriasem estudo desenvolvem as capacidades motoras condicionais dos seus atletas deuma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas.Palavras-chave: FUTEBOL, ESTRUTURA DO TREINO, CRIANÇAS E JOVENS,EXERCÍCIOS, CONTEÚDOS E MÉTODOS DE TREINO.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XI
  • 13. Abstract AbstractThe inexistence of a theoretical basis for the children and youngs trainers work makesit, in a certain way, empiric. Their training process is, to a large extent, unknown to thetraining methodologists, due, a lot of times, to the lack of theoretical documents or tothe unavailability of the same ones to be examined (Marques, 1999).This investigations’ aim is to characterize the Soccer training structure in both initiateand juvenile step, to assert if there are differences in their training structures.In order to accomplish this study, 625 training units of young male Soccer players, ofthe former steps, were analyzed. Therefore six dossiers, concerning three teams of theinitiate step and three of the juvenile step, were reviewed.We carried out a documental research, regarding training dossiers of the center ofSoccer training of FCDEF-UP. The statistical study, accomplished with SPSS 10.0,included an analysis of frequencies, of descriptive measures, such as averages,standard-deviation and percentages, and a t-test for comparison of age steps.In short we may conclude that the training structure of the initiate step differs of thejuvenile one, having acknowledged significant differences, basically in all of the sampleanalysis of our study. Soccer trainers of the initiate and juvenile steps give priority totechnician / tactical (51%) and physical (41%) aspects over technical aspects (8%).Resistance is the motor capacity most improved by them (19%), followed by force(8%), flexibility (8%), being speed (3%) and coordination (2%) the least improved ones.The trainers of the focused age groups develop conditional motor capacities separatefrom technician subjects.KEY-WORDS: SOCCER, TRAINING STRUCTURE, CHILDREN AND YOUNGANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XIII
  • 14. Résumé RésuméL’absence d’un support théorique pour le travail des entraîneurs des enfants (12-14ans) et des jeunes (14-16 ans), le rend, d’une certaine façon, empirique.Leur méthode d’entraînement est, dans la plupart des fois, inconnue des expertsd’entraînement, parce que, les documents ne sont pas disponibles.L´objectif de cette investigation est caractériser la structure de l’entraînement dufootball dans les classes des enfants et des jeunes, et de vérifier s’il existe desdifférences entre eux.Pour la réalisation de cette étude c’était analysé 625 unités d’entraînement des jeunesjoueurs du football du sexe masculin. Dance ce but nous avon revu 6 dossiers, dont 3concernant le grupe des enfants et les autres le grupe des jeunes.Nous avon fait une recherche documentaire sur les dossiers d’entraînement de laFCDEF-UP. L’étude statistique, réalisé avec le SPSS 10.0, inclu une analyse desfréquences, des mesures descriptives, telles que les moyennes, les écarts type et lespourcentages, et un T-test pour la comparaison de groupes d’âge.Nous avon conclu que la structuration de l’entraînement de la classe des enfants estdifférente de celle de la classe des jeunes. Nous avons vérifié des différencessignificatives presque dans tous les points analysés dans notre étude.Les entraîneurs de football des classes des enfants et des jeunes accordent plus depriorité aux aspects technique/tactiques et physiques, qu’aux aspects techniques. Larésistance est la capacité motrice plus développée étant suivie por la force et laflexibilité. La vitesse et la coordination ce présentent comme moins développées. Lesentraîneurs développent plutôt les capacités motrices conditionnelles de ses athlètesd’une façon séparée des aspectes techniques ou technique/tactiques.Mots-clefs: FOOTBALL, STRUCTURE DE L’ENTRAINEMENT, ENFANTS ETJEUNES.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XV
  • 15. Abreviaturas AbreviaturasEPG – Exercícios de preparação geralEEPG – Exercícios específicos de preparação geralEEP – Exercícios específicos de preparaçãoCMC – Capacidades motoras condicionaisJDC – Jogos Desportivos ColectivosANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL XVII
  • 16. Introdução I. INTRODUÇÃO 1.1 PROPÓSITO E PROBLEMA DO ESTUDOO presente estudo, corresponde à Dissertação de Mestrado em Ciências doDesporto, variante Desporto para Crianças e Jovens, a apresentar naFaculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade doPorto, elaborada sob a orientação do Professor Catedrático António TeixeiraMarques e co – orientado pelo Professor Doutor Júlio Manuel Garganta daSilva.O assunto versa caracterizar a estrutura do treino em Futebol no escalão deiniciados e juvenis, procurando saber se existem diferenças na estruturação dotreino entre os escalões de iniciados e juvenis.Castelo (2002), define treino como um processo pedagógico que tem comoobjectivo o desenvolvimento das capacidades técnico / tácticas, físicas epsicológicas do praticante e, ou equipa no âmbito das competições específicas,através da prática metódica e planificada do exercício, de acordo comprincípios e regras científicas alicerçadas no conhecimento científico.Para o treino de crianças e jovens, exige-se a definição de objectivos denatureza formativa e educativa, o que obriga a equacionar a metodologia detreino e preparação dos jovens como um processo pedagógico, onde ascaracterísticas dos jovens atletas em formação têm de ser respeitadas (Pinto,2003). A preparação desportiva dos mais jovens deverá entender o processode maturação numa perspectiva individual, com diferenças intersexuais einterindividuais, condicionando de forma decisiva, a formação desportiva(Marques e col., 2000)Pinto (2003), refere que o processo de formação é composto por um conjuntode etapas / estádios, pelos quais o atleta vai passando e onde supostamenteirá desenvolver diversas capacidades (físicas, técnicas, tácticas epsicológicas). Por tal, os treinadores de formação deveriam confrontar-se, nomomento inicial de planeamento da época desportiva, com um conjunto deANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 1
  • 17. Introduçãoquestões centrais (O quê? Como? Quando?), cujas respostas estruturadasauxiliariam a modelar as suas intervenções, de uma forma mais ajustada aodesenvolvimento harmonioso dos jovens e a uma formação desportivaorientada para o sucesso.O mesmo autor, salienta que na realidade muitos dos treinadores de crianças ejovens intervêm no treino de uma forma não sustentada por um planeamentode base cuidado, mas sim por um conjunto de pretensões empíricasdecorrentes de um défice da base conceptual.A inexistência de uma base teórica para o trabalho dos treinadores de criançase jovens, leva a que este seja de certa forma empírico. O seu processo detreino é, na maior parte das vezes, desconhecido pelos metodólogos do treino,devendo-se muitas vezes à falta de documentos teóricos ou à indisponibilidadedos mesmos serem examinados (Marques, 1999).Embora se fale muito no treino de Futebol, e também já se fale sobre o treinode jovens, até ao momento, ninguém se preocupou em saber o que é feito comos nossos jovens ao nível do treino. A estrutura e os conteúdos de treino decrianças e jovens não são ainda bem conhecidos (Marques, 1989; Marques1990; Marques 1991; Marques, 1993).Marques e col. (2000), sustentam que a comparação entre os modelos dereferência para o treino nestas fases de idade com os dados empíricosdisponíveis, poderão ser extremamente importantes para uma melhorcompreensão da estrutura essencial do processo de treino de crianças ejovens.Assim, é nossa pretensão que, através da realização deste estudo se possacompreender qual a estrutura do treino utilizada pelos treinadores de iniciadose juvenis em Futebol, para que a possamos interpretar, descrever e comparar,procurando contribuir para a evolução da metodologia de treino nos escalõesde formação em Futebol.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 2
  • 18. Introdução 1.2 ESTRUTURAÇÃO DO ESTUDOIniciaremos o nosso estudo com o primeiro capítulo que apresenta de formasucinta a investigação, situando a problemática da estruturação do treino nosescalões de formação em futebol, assim como o caminho que estainvestigação irá seguir.No segundo capítulo, faremos uma revisão da literatura acerca dos aspectosrelacionados com o tema em questão. Caracterizaremos o Futebol comomodalidade desportiva colectiva, o treino com crianças e jovens, as exigênciasfísicas e fisiológicas do jogo de Futebol, e por fim, a estrutura do treino emcrianças e jovens.No terceiro capítulo, referiremos a metodologia utilizada para a realização doestudo, onde descrevemos o objectivo geral, os objectivos específicos e ashipóteses orientadoras da investigação. Procederemos à caracterização daamostra, à descrição do método de pesquisa, e à transcrição dosprocedimentos estatísticos utilizados.No quarto capítulo apresentaremos os resultados e a respectiva discussão.No quinto capítulo apresentaremos as conclusões.No sexto capítulo mencionaremos umas breves recomendações para a prática,no treino de jovens Futebolistas.No sétimo capítulo serão sugeridos possíveis prolongamentos ao nossoestudo.No oitavo capítulo apresentaremos a bibliografia utilizada para a realizaçãodeste estudo.No nono e último capítulo apresentaremos os anexos que consideramosnecessários.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 3
  • 19. Revisão da LiteraturaII. REVISÃO DA LITERATURA2.1 O FUTEBOLO futebol ocupa um lugar importante no contexto desportivo contemporâneo,dado que, na sua expressão multitudinária, não é apenas um espectáculodesportivo, mas também um meio de educação física e desportiva, e umcampo de aplicação da ciência (Garganta, 2002).O mesmo autor, refere que no decurso da sua existência, esta modalidade temsido ensinada, treinada e investigada, à luz de diferentes perspectivas, as quaisdeixam perceber concepções diversas a propósito do conteúdo do jogo e dascaracterísticas que o ensino e o treino devem assumir, na procura da eficácia.O desenrolar do jogo de Futebol encerra um conjunto diversificado desituações momentâneas do jogo que por si só, representam uma sucessão deacontecimentos imprevisíveis. Os jogadores perante as situações – problemaque lhes sucedem no decorrer do jogo, têm de tomar decisões certas no meiode uma grande imprevisibilidade.Perante isto, é necessário que o processo de intervenção (treino) decorra cadavez mais da reflexão metódica e organizada da análise competitiva doconteúdo do jogo, ajustando-se e adaptando-se a essa realidade. Estecontexto, orienta irremediavelmente a forma de encarar a prática, não sendoesta reduzida à “simples” alternância entre a carga (esforço) e descanso(regeneração). Daí a necessidade desta assentar numa base teórica – práticaformulada e fundamentada a partir da análise do seu conteúdo, pois só assim,podemos intervir eficientemente nessa realidade competitiva. De forma aelaborar uma actividade metodológica – sistemática e diferenciada, e definirigualmente os fundamentos pedagógicos do seu ensino (Castelo, 1994).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 5
  • 20. Revisão da Literatura 2.1.1 FUTEBOL, SUA NATUREZA E SUA ESSÊNCIACada jogo desportivo, definido pelas suas regras, possui uma lógica internabem precisa, que irá influenciar e coordenar os comportamentos dos seusintervenientes (Tavares, 2002).O futebol pertence a um grupo de modalidades desportivas, que secaracterizam por revelarem características próprias e comuns, habitualmentedesignadas por jogos desportivos colectivos (JDC). Sem diminuir a importânciadas restantes características, a relação de oposição entre os elementos dasduas equipas em confronto e a relação de cooperação entre os elementos damesma equipa, ocorridas num contexto aleatório, é o que traduz a essência dojogo de futebol (Garganta e Pinto, 1998). Castelo (1996) afirma que o futebol éum jogo desportivo colectivo, no qual os intervenientes estão agrupados emduas equipas numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa lutaincessante pela conquista da posse de bola (respeitando as leis do jogo), como objectivo de a introduzir o maior número de vezes na baliza adversária eevitar o inverso, com vista à obtenção da vitória. Para que se atinja essafinalidade, o futebol possui uma dinâmica própria, um conteúdo que se definecomo essência de jogo. Esta essência moldada pelas leis do jogo, dá origem auma série de atitudes e comportamentos técnico / tácticos mais ou menosestereotipados.Trata-se de uma actividade desportiva que ocorre em contextos nos quais oselementos que se defrontam disputam objectivos comuns, lutando para gerirem proveito próprio, o tempo e o espaço, e realizando acções reversíveis desinal contrário (ataque versus defesa) alicerçadas em relações de oposiçãoversus cooperação. Por tal, o futebol caracteriza-se por ser uma actividade fértilem acontecimentos que ocorrem em contextos permanentemente variáveis deoposição e cooperação, e cuja frequência, ordem cronológica e complexidadenão podem ser pré determinadas (Garganta, 2002b).Garganta & Pinto (1998), referem que a ocorrência de determinada acção dojogo, mesmo a mais elementar, como uma corrida ou salto, num dadoANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 6
  • 21. Revisão da Literaturamomento poderá ser mais ou menos pertinente, em função das configuraçõesque o jogo apresenta nesse preciso momento, conferindo à dimensãoestratégico – táctica uma importância capital.Garganta (2002b) sustenta que a essência estratégico – táctica deste tipo demodalidades (jogos desportivos) decorre de um quadro de referências quecontempla: - O tipo de forças (conflituidade) entre os efectivos que se defrontam; - A variabilidade, a imprevisibilidade e aleatoriedade do contexto em que as acções do jogo decorrem; - As características das habilidades motoras para agir num contexto específico. 2.1.2 FUTEBOL, UM JOGO DE OPOSIÇÃO / COOPERAÇÃO, UM JOGO TÁCTICOLosa e Castillo (2000), referem que o futebol possuiu uma estrutura efuncionalidade muito complexa e absolutamente distinta dos desportos ondepredomina a técnica. O futebol pertence ao grupo dos desportos decooperação / oposição, a técnica é somente um dos seis parâmetros queconfiguram a lógica interna do mesmo (regras, técnica, espaço, tempo,comunicação e estratégia). A execução técnica do possuidor da bola, vai serdirectamente influenciada por factores como a situação espacial da bola, doscompanheiros e dos adversários. Acções marcadas por a incerteza, que porconsequência reportam o futebol a um desporto onde a percepção e a tomadade decisão são no mínimo de igual importância à execução.O jogo de futebol exige que os seus praticantes possuam uma adequadacapacidade de decisão, que precede e implica uma ajustada leitura de jogo(Garganta & Pinto, 1998). Somente após uma correcta leitura de jogo, sepoderá materializar a acção através dos atributos técnicos. Os mesmos autoresafirmam que os factores de execução técnica são sempre determinados por umcontexto táctico. Pois face ao jogo, o problema primeiro é de natureza táctica,ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 7
  • 22. Revisão da Literaturaisto é, o praticante deve saber o que fazer, para poder resolver o problemasubsequente, o como fazer, seleccionando e utilizando a resposta motora maisadequada (Garganta, 2002a).O futebol como desporto colectivo caracteriza-se por ser um confronto entreduas equipas, que em competição são constituídas por onze elementos, o queperfaz a quantia de vinte e dois elementos a interagirem ao mesmo tempo, oque torna mais complexa a leitura de jogo. As acções dos jogadores deverãoser conjugadas mediante os seus companheiros e adversários, é um jogo decooperação/oposição pois implica uma constante comunicação entre osmembros da mesma equipa e uma contra comunicação entre adversários. “Aoobservarmos um jogo de Futebol minimamente organizado, mesmo que ambasas equipas em confronto não se distingam pela cor ou padrão do equipamento,é possível, passado algum tempo, identificar os elementos constituintes decada uma delas. Esta possibilidade resulta do facto de que a referida relaçãode oposição/cooperação, para ser sustentável e eficaz, reclama dos jogadorescomportamentos congruentes com as sucessivas situações do jogo, de acordocom os respectivos objectivos de sinal contrário de cada uma das equipas”(Garganta, 2002). Obrigando desta forma a que os seus intervenientescooperem de uma forma congruente e harmoniosa nas distintas fases de jogo(ataque, defesa), procurando desenvolver as acções de jogo mais adequadasàs situações de momento, acções essas, que irão ser influenciadas pelasmudanças que se produzem em torno do mesmo, da bola, dos companheiros eadversários.Cerezo (2000) define os princípios gerais da acção de jogo em função daequipa possuir ou não, a bola (Figura II-1).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 8
  • 23. Revisão da Literatura Princípios Gerais da acção de jogo Ataque Defesa Transição Manutenção da posse de bola Recuperar a posse de bola Progressão com bola na direcção Impedir a progressão da bola da baliza adversária na direcção da baliza Procura do desequilibro defensivo Proteger a baliza evitando com o intuito de finalizar o goloFigura II-1: Princípios gerais da acção do jogo (adap. de Cerezo, 2000)Os jogadores deverão organizar-se para realizar as acções de jogo maisadequadas, face à fase de jogo em que se encontram, influenciada pela posseou não de bola. Tendo como objectivo a obtenção do golo nos momentos emque possuem a bola, e evitar que a equipa adversária obtenha a posse de bola,afastando desta forma a possibilidade de sofrer um golo.O Futebol, poderá definir-se quanto à sua estrutura, como um desportocolectivo onde se produz uma interacção motriz entre os participantes, comoconsequência da presença de companheiros e adversários, utilizando umespaço comum (standard) e com uma participação simultânea mediante umacooperação/oposição. (Cerezo, 2000)ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 9
  • 24. Revisão da Literatura PRÁTICA DE FUTEBOL Objectivo: realizar movimentos, esforços e acções em sequências variáveis e intermitentes para que a bola chegue à sua meta (golo) e/ou evitar o inverso Interacção motriz Utilização do Espaço Presença de companheiros e Comum (Standard) Adversários Incerto PARTICIPAÇÃO Simultânea Cooperação/oposição (desporto sociomotriz) ANÁLISE FUNCIONAL COMO DESPORTO DE EQUIPAFigura II-2: Estrutura do Futebol a partir do seu objectivo (adap. Cerezo, 2000)O futebol é um jogo de equipa, um jogo em que as acções individuais devemser totalmente congruentes com a participação simultânea dos companheiros eadversários. O desempenho motor, a técnica, é condicionada pelo momento,pelo adversário, pelos companheiros, e se quisermos ser mais específicos,pelas condições climatéricas, pelo resultado, etc. O futebol é essencialmenteum jogo táctico, um jogo de momentos felizes e de momentos menos felizesonde a decisão tomada por um jogador, numa fracção de segundo, pode levaruma equipa “à glória” ou não.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 10
  • 25. Revisão da Literatura 2.1.3 PERSPECTIVAS PARA O ENSINO E TREINO DO FUTEBOL ENQUANTO JOGODESPORTIVO COLECTIVO (JDC)Desde os anos 60, que a didáctica dos jogos desportivos repousa numa análiseformal e mecanicista. Os processos de ensino e treino têm consistido em fazeradquirir aos praticantes sucessões de gestos técnicos, empregando-se muitotempo no ensino da técnica e muito pouco, ou nenhum no ensino do jogopropriamente dito (Gréhaigne & Guillon, 1992).O ensino e treino dos JDC, obedeceram inicialmente a uma metodologia deeminência técnica a partir do domínio dos Skills motores, antes daaprendizagem, da compreensão e gestão do envolvimento do jogo (Gréhaigne& Godbout, 1995), resultado das influências dos desportos individuais, atéentão, mais avançados nas suas concepções de ensino e treino.Alguns autores começaram a questionar este método, por enfatizar aaprendizagem das habilidades técnicas antes da compreensão do jogo.Garganta (1997) questiona-o referindo que, um jogador considerado bomtecnicamente sem a oposição de adversários, poderá não o ser quandocolocado em situação de jogo com oposição. Pois os praticantes sujeitos àaplicação do modelo técnico de ensino dos jogos desportivos, revelam umpoder de iniciativa limitado e um escasso conhecimento do jogo, pois existepouca transferência da aprendizagem técnica para situação real de jogo.Queiroz (1986) refere que, enquanto para uns, o jogo é a soma das funçõestécnicas e tácticas parciais, cujo domínio (parcelar) permite atingir o êxitoglobal, para outros, o jogo não pode ser separado nas suas váriascomponentes. Englobando-se nesta última perspectiva, defende ainda aconstituição da indivisibilidade das componentes como o princípio metodológicofundamental do ensino e treino do jogo.O Futebol exige dos praticantes uma adequada capacidade de decisão, que irádecorrer de uma ajustada leitura de jogo. No momento de materializar a acção,ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 11
  • 26. Revisão da Literaturatorna-se necessário utilizar uma gama de recursos motores específicos,genericamente designados por técnica (Garganta & Pinto, 1998).Os mesmos autores afirmam que no futebol, os factores de execução,designados por técnica, são sempre determinados por um contexto táctico,levando a que a verdadeira dimensão da técnica repouse na sua utilidade paraservir a inteligência e a capacidade de decisão táctica dos jogadores e dasequipas no jogo.No entanto, no treino, por vezes é privilegiada a dimensão eficiência (forma derealização) da habilidade, independentemente das dimensões eficácia(finalidade) e adaptação, isto é, do ajustamento das soluções e respostas aocontexto (Graça, 1994). Esta perspectiva ensina o modo de fazer (técnica)separado das razões (táctica), Bunker & Thorpe (1982) constataram que,quando a técnica é abordada através de situações que ocorrem à margem dosrequisitos tácticos, ela adquire um transfere diminuto para o jogo.No decurso de um jogo surgem tarefas motoras de grande complexidade paracuja resolução não existe um modelo de execução fixo (Faria & Tavares, 1992).Mombaerts (1998); Cerezo (2001) consideram o futebol como uma actividademotora complexa, uma actividade de regulação externa, em que os seusintervenientes deverão realizar as acções após uma análise prévia da situação(Figura II-3).Segundo os mesmos autores, um jogador quando se depara com uma situaçãodecorrente do jogo (com ou sem bola, com um adversário directo ou indirecto)deverá pôr em prática a sua habilidade motriz, para resolver o problemamomentâneo com que se depara, através: - Do seu mecanismo perceptivo, que poderá informar sobre os estímulos presentes (companheiros, adversários, bola...), sobre as relações espaço – temporais (distâncias dos jogadores, bola; ritmo de execução, etc.). O jogador deverá observar, para obter a informação mais correcta, da situação momentânea;ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 12
  • 27. Revisão da Literatura - Do seu mecanismo de decisão, planeio mental sobre o que se poderá fazer numa dada situação, análise ou antecipação de uma situação para a solucionar. Mombaerts (1998), salienta a importância de os jogadores desenvolverem a inteligência de jogo mediante a capacidade de estabelecerem estratégias motoras, pondo-as em prática através da sua táctica individual e colectiva. O autor considera este mecanismo fundamental e determinante para esta modalidade desportiva; - Do seu mecanismo de execução, resposta motriz para resolver a situação de jogo, sendo necessário utilizar as capacidades motoras, assim como, as habilidades técnicas. Habilidade para resolver um problema do jogo Requer Mecanismo O que se passa? Perceptivo Observar Informação da situação Estímulos, Relações Espaciais e Temporais Mecanismo de decisão O que fazer? Analisar/decidir Resposta adequada Capacidades Cognitivas: Táctica Como fazer? Mecanismo deRe Solução da situação Resposta motriz execução Estímulos, Relações Espaciais e Temporais Objectivo Obter um comportamento óptimo em competição, através da utilização de todas as capacidades e habilidades individuais actuando colectivamente.FiguraII-3: O Futebol como uma actividade motora complexa. (adap. de Cerezo, 2001; Monbaerts, 1998)ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 13
  • 28. Revisão da Literatura“Nesta perspectiva, numa partida de futebol afigura-se mais importante sabergerir regras de funcionamento, ou princípios de acção do que utilizar técnicasestereotipadas ou esquemas tácticos rígidos e pré-determinados. O bomjogador ajusta-se não apenas à situação que vê mas também àquilo que prevê,decidindo em função das probabilidades de evolução do jogo” (Garganta &Pinto, 1998; Garganta 2002a). Fuentes e col.(1998), sustentam a necessidadede se trabalhar mais os mecanismos de percepção e decisão, do que osmecanismos específicos de execução, pois consideram preponderante, nasetapas de formação, que os praticantes aprendam a observar e a perceber oque se sucede à sua volta, de forma a que analisem adequadamente assituações que surgem em jogo, podendo desta forma responder com eficácia.Em função da experiência que os praticantes adquirem com o treino e suacriatividade, estas respostas poderão vir a ser cada vez mais adequadas eoriginais.Bunkers & Thorpe (1982) propõem um modelo que, proporciona uma maiorconsciência táctica do jogo, uma vez que integra os padrões de decisãocaracterísticos da actividade (Figura II-4).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 14
  • 29. Revisão da Literatura (1) Jogo (2) Apreciação (6) Acção Motora APRENDIZ (3) Consciência (5) Habilidade táctica motora (4) Decisões: O que fazer? Como fazer?Figura II-4 – Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico-Técnico do Jogador no Jogo. (Bunker & Thorpe, 1992)Nos JDC a dimensão táctica ocupa o núcleo da estrutura de rendimento(Konzag, 1991; Faria & Tavares, 1992; Gréhaigne, 1992), pelo que a funçãoprincipal dos demais factores, sejam eles de natureza técnica, física oupsíquica, é a de cooperar no sentido de facultarem o acesso a desempenhostácticos de nível cada vez mais elevado.É fundamental iniciar-se a aprendizagem, valorizando estes aspectos, ou seja,toda a acção técnica deve ter um fim táctico, se tal não acontecer o treinopoderá ser inconsequente.De acordo com as afirmações anteriores, torna-se lógico que o ensino e otreino em futebol não deverão restringir-se a aspectos biomecânicos, ao gestoem si, mas atender sobretudo às imposições da sua adequação às situaçõesdo jogo (Garganta & Pinto, 1998).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 15
  • 30. Revisão da Literatura Jogo Apreensão do Acção jogo Motora Capacidade Habilidade táctica motora Decisões: O que fazer?Figura II-5 - Cadeia Acontecimental do Comportamento Táctico / Técnico do Jogador no Jogo (Garganta & Pinto, 1998)Todas as acções técnicas, para que sejam eficazes necessitam, para além deuma execução correcta, da sua execução no “timing” certo, se tal não ocorrer,a acção técnica irá perder a sua importância.A técnica é importante? Mesquita, (1997) argumenta que, o ensino dos JDC éuma competência que está obrigatoriamente dependente da mestria dastécnicas do jogo. Ser portador de uma boa técnica permite ao jogador ficarliberto para ler o jogo e consequente decidir melhor, prevalecendo na relaçãocom a bola, o controlo quinestésico em detrimento do visual, o jogadortecnicamente evoluído fica liberto para analisar as situações de jogo e,consequentemente, poder optar pelas melhores soluções. Mas, a técnica sórevela a sua importância quando aplicada oportunamente, isto é, quandoocorre uma execução técnica, tacticamente correcta.A aprendizagem dos procedimentos técnicos constitui apenas uma parte dospressupostos necessários para que, em situação de jogo, os praticantes sejamcapazes de resolver os problemas que o contexto específico lhes coloca.Desde os primeiros momentos da aprendizagem, importa que os praticantesassimilem um conjunto de princípios que vão do modo como cada um serelaciona com o móbil do jogo (bola), até à forma de comunicar com os colegasANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 16
  • 31. Revisão da Literaturae contra-comunicar com os adversários, passando pela noção de ocupaçãoracional do espaço de jogo (Garganta & Pinto, 1998).Malglaive (1990) e Gréhaigne & Godbout (1995), sustentam que o sistema deconhecimento, nos desportos colectivos, decorre de regras de acção, regras deorganização e capacidades motoras (Figura II-6). Regras de acção Regras de gestão e organização do jogo Organização colectiva e individual Capacidades motorasFigura II-6- Conteúdos do Conhecimento em Desportos Colectivos. (Malglaive, 1990 ; Gréhaigne & Godbout, 1995)As regras de acção são orientações básicas acerca do conhecimento táctico dojogo, que definem as condições a respeitar e os elementos a ter em conta paraque a acção seja eficaz (Gréhaigne & Guillon, 1991). As regras de organizaçãodo jogo, estão relacionadas com a lógica da actividade, nomeadamente com adimensão da área de jogo, com a repartição dos jogadores no terreno, com adistribuição de papéis e alguns preceitos simples de organização que podempermitir a elaboração de estratégias. As capacidades motoras, englobam aactividade perceptiva e decisional do jogador, bem como os aspectos daexecução motora propriamente dita.A evolução do Futebol terá necessariamente de apostar, de forma inequívoca,no entendimento e no ensino do jogo (Garganta & Pinto 1998), estando ostreinadores obrigados, em todos os níveis de ensino e treino do jogo, aprocurar formas e métodos que promovam jogadores que pensem e raciocinemem cada uma das acções em que intervêm (Greco, 1988). É necessário que ojogador compreenda a lógica interna do jogo, os princípios gerais e específicosANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 17
  • 32. Revisão da Literaturaque regem o seu comportamento, e seja capaz de os aplicar de formainteligente, depois de uma análise prévia da situação de jogo (Cárdenas, 2000). 2.1.4 REFERÊNCIAS FUNDAMENTAIS PARA O ENSINO DO FUTEBOLActualmente, a perspectiva de ensino e treino mais emergente é aquela que apartir de uma análise do jogo e da sua estrutura, apresenta o ensino e treino deuma forma mais global, com uma dimensão mais complexa e mais próxima darealidade do jogo. Esta visão emergiu no sentido de superar a tendênciadominante de corte analítico, mecanicista e técnico, apoiando-se na psicologiacognitiva e nos modelos de execução (Garganta, 1994)Esta concepção de treino integral tem como ponto de partida o Futebolenquanto jogo, no qual os problemas fundamentais dos jogadores são, por umlado a adaptação das suas condutas em relação de oposição (jogar contraadversários), e por outro a adaptação das suas condutas à relação decolaboração (jogar com os companheiros) (Mombaerts, 1998). 2.1.4.1 CONDICIONANTES ESTRUTURAIS E FUNCIONAISSe compararmos o Futebol, no plano estrutural, com outros denominadosgrandes jogos desportivos colectivos (Andebol, Basquetebol e Voleibol),constatamos algumas diferenças extensivas ao plano funcional, que nospermitem retirar ilações importantes para a orientação do processo deensino/treino deste jogo (Garganta & Pinto, 1998): 2.1.4.2 DIMENSÃO DO TERRENO DE JOGO E NÚMERO DE JOGADORESQuanto maior for o espaço de jogo mais elevado terá de ser a capacidade parao cobrir, mental e fisicamente. Deste modo, uma educação mental sistemáticatorna o jogador capaz de utilizar, de uma forma inteligente o conhecimentoadquirido, através das suas características psicomotoras (Mahlo, 1980).Sabe-se que um campo de Futebol de onze é um espaço muito grande,correspondendo aproximadamente à superfície de 10 campos de Andebol, 20campos de Basquetebol e 50 campos de Voleibol (Bauer & Ueberle, 1988 cit.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 18
  • 33. Revisão da LiteraturaGarganta & Pinto, 1998). Para além disso, o número de jogadores a referenciarnum jogo, condiciona a complexidade inerente à percepção das situações(leitura do jogo).O desenvolvimento da progressiva extensão do campo perceptivo (da visãocentrada na bola, à visão centrada no jogo) é um dos aspectos maisimportantes a que se deve atender na formação, na medida em que o jogo deFutebol reclama uma atitude táctica permanente.A capacidade de raciocinar tacticamente, mediante as variadas e imprevistassituações-problema a que o jogo submete os atletas, tem de ser desenvolvidano treino, isto é, aumentar e consolidar a capacidade de controlo cinestésicosobre a execução do movimento quando em posse de bola, capacitando-ospara utilizarem a visão para as funções de leitura do jogo (jogar de cabeçalevantada). Para que tal possa ocorrer Guterman (1996) refere que, seránecessário a construção de noções de jogo segundo processos altamenteparticipativos, uma vez que, jogar nas condições regulamentares dacompetição formal, leva a que essa participação possa vir a ser bastantereduzida.Esta é uma das muitas razões pelas quais se torna aconselhável que, nasfases iniciais quando o praticante tem dificuldade em controlar a bola, o jogoseja aprendido num espaço mais reduzido e com um menor número dejogadores (5 ou 7 jogadores, por exemplo), tornando os exercícios maisadaptados às reais dificuldades do jogador, podendo o assim aumentar aaprendizagem do mesmo (Queiroz, 1986). 2.1.4.3 DURAÇÃO DO JOGOO jogador de Futebol deve estar capacitado para responder eficazmente àssituações, agindo duma forma rápida e coordenada e repetindo essas acçõesao longo do jogo.De notar, por exemplo, que, para equipas seniores, do tempo estabelecido parauma partida de Futebol de onze (90 minutos), o tempo de jogo efectivo é deANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 19
  • 34. Revisão da Literaturaapenas 50 minutos. Durante este tempo, cada equipa poderá estar na posse dabola, em média, 25 minutos e cada jogador entre 30 segundos (defesascentrais) e um máximo de 3 minutos (para os condutores de jogo). Durantetodo o restante tempo os jogadores seleccionam informações, analisam-nas etomam decisões (Bauer & Ueberle, 1988 cit. por Garganta & Pinto, 1998);Gréhaigne, 1992).A aprendizagem adequada destes aspectos passa pela utilização de técnicas ede procedimentos de ensino que provoquem um confronto do aluno comproblemas, para os quais ele vai procurar solução. Esta metodologia procuraenfrentar o jogador com situações práticas, nas quais a lógica do movimentoseja entendida de uma forma progressiva, para que quando lhe sejaapresentado o problema, na sua globalidade, tenha possibilidades de o superarcom êxito (Mombaerts, 1998; Cerezo, 2001).O ensino do Futebol visa a formação de jogadores inteligentes, tornando-oscapazes de actuar e tomar decisões em função da leitura das diferentessituações que o jogo lhes oferece (Mangas, 1999). Deste modo o pensamentotáctico é um pressuposto a desenvolver desde a aprendizagem do jogo (Thorpe& Bunker, 1982).Esta constatação implica que seja estabelecida uma relação entre a técnica e atáctica em favor desta e que se atribua uma grande importância ao jogo sembola. Esta necessidade é evidente quando se verifica a existência de jogadoresque nos testes técnicos obtêm a máxima pontuação, onde a sua capacidade dedrible perante um obstáculo imóvel, os seus malabarismos, as suas fintas sãotecnicamente perfeitas, mas perante a aplicação no terreno de jogo não tem amesma eficácia, quando faz um drible bem, mas fora de tempo, quando remataatravés de uma execução correcta, mas na direcção do guarda-redes (FraduaUriondo, 1997).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 20
  • 35. Revisão da Literatura 2.1.4.4 CONTROLO DA BOLAO Futebol, o Andebol e o Basquetebol, são jogos de território comum eparticipação simultânea, em que existe luta directa pela posse da bola. Noentanto, as possibilidades de assegurar o controlo da bola são teoricamentemaiores para os jogadores de Andebol e de Basquetebol do que para ospraticantes de Futebol. A utilização das mãos (no Andebol e no Basquetebol)permite agarrar a bola e assim melhor a proteger e controlar, bem como dar-lhea direcção desejada.A aprendizagem do jogo de Futebol implica a construção da mestria da relaçãocom a bola, em função das exigências tácticas do jogo. A limitação específicadesta aprendizagem passa pela necessidade do praticante de Futebol ter quejogar a bola quase exclusivamente com os membros inferiores, estando estessimultaneamente implicados no equilíbrio do corpo e nos deslocamentos.Acresce o facto do jogo se desenvolver, predominantemente, num plano baixo,o que concorre para dificultar a disponibilização da visão para efectuar a"leitura do jogo".“Ler” o jogo é seguramente uma tarefa difícil de conseguir com pleno sucessopela quantidade e complexidade dos factores a que está sujeito. É no entantouma tarefa de extrema importância para o jogador e determinante para osucesso das competências que lhe estão atribuídas. (Martins, 1999).Neste contexto, quando um jogador erra frequentemente determinada respostamotora, torna-se importante identificar se tal decorre duma leitura deficiente dasituação (mecanismo perceptivo e de decisão mental), ou se deriva da suaineficiência técnica ou física para responder a tal situação. 2.1.4.5 FREQUÊNCIA DE CONCRETIZAÇÃOEm equipas de jogadores de elite, em média, no Andebol consegue-se um goloem cada dois minutos; nos jogos de Basquetebol e de Voleibol consegue-seconcretizar pontos em cada minuto. A relação entre as acções de ataque eêxitos quantificáveis é aproximadamente nestas modalidades de 2 para 1,ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 21
  • 36. Revisão da Literaturaenquanto que no Futebol é apenas de 50 para 1. Isto permite que, nãoraramente no Futebol, equipas de nível inferior possam conseguir bonsresultados frente a equipas de elevado nível, o que dificilmente acontecenoutros desportos de equipa.Estas constatações não devem conduzir a uma diminuição da importânciaatribuída à finalização no ensino/treino do Futebol. Bem pelo contrário, dever-se-á propiciar a criação de um grande e variado número de ocasiões definalização, quando não o praticante perde de vista o objectivo central do jogo(o golo) e centra a sua actuação ao nível do jogo de transição, provocando umdesequilíbrio entre jogo indirecto e jogo directo. 2.1.4.6 COLOCAÇÃO DE ALVOSNo Futebol, tal como no Andebol, e duma forma diversa do que acontece noBasquetebol e no Voleibol, a colocação dos alvos (balizas) na vertical, faz"variar" a sua largura aparente, em função da posição (ângulo) em que estão aser visualizadas pelo jogador (Gréhaigne, 1992). Esta indicação reveste-se degrande importância na construção do pensamento táctico do principiante, namedida em que permite interiorizar as noções de conquista/defesa do eixo doterreno, de jogo directo e indirecto, e de abertura/fecho de ângulos de remate.2.2 TREINO COM CRIANÇAS E JOVENSSobre o treino com crianças e jovens e sua participação desportiva, muito setem escrito em vários artigos e muito se tem dito em conferências sobre otema. A polémica entre os especialistas na matéria existe e subsiste,envolvendo sobretudo, as consequências para a saúde criando controvérsiasobre a participação de crianças e jovens no desporto de rendimento (Marquese Oliveira, 2002). Polémica que levanta reflexões, essencialmente sobre, quaisdeverão ser as configurações e contornos da actividade de treino e competiçãoem crianças e jovens, elevando a problemática, ao motivar divergênciasconcernentes às melhores estratégias de actuação (Marques e Oliveira, 2002).Esta problemática que se levanta, que desenvolve teorias implicandoconvergências e divergências entre os especialistas, não é um “problema” éANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 22
  • 37. Revisão da Literaturaciência. O verdadeiro problema reside no facto da teoria e pratica, na maioriados casos, ainda estarem extremamente distantes para o que seria desejável.Isto é, tudo que se escreve e se diz sobre o tema é, por vezes ou quasesempre, tão depressa aplaudido e louvado, como esquecido por aqueles quedeveriam por toda a teoria em prática.Os problemas surgem quando, o treino e a participação competitiva de criançase jovens tende a reproduzir e a adaptar os conhecimentos e formas deorganização do desporto de alto rendimento (com algumas adaptaçõesindispensáveis) (Marques, 1997); (Proença, 1998). Quando a valorização ereconhecimento social dos mais jovens, através dos resultados competitivos, étanto maior quanto menores são as hipóteses de êxito do clube, nascompetições seniores (Proença, 1998). Quando para muitos treinadores,dirigentes e pais, a vitória nas competições continua a ser o objectivo principal,onde a procura do rendimento imediato impõe estratégias de treino queproduzem resultados a curto prazo, mas comprometem os resultados futuros efrustram as expectativas de crianças e jovens, subvertendo toda a lógica daformação (Marques, 1997).Estes erros estão associados na maioria dos casos à especialização precoce eao abandono prematuro da prática desportiva. Erros cometidos em nome deinteresses inconfessados, por falta de preparação pedagógica e científica,jamais poderão ser tolerados nos dias de hoje, pois os conhecimentoscientíficos sobre a optimização dos pressupostos do rendimento e sobre odesenvolvimento do indivíduo nas fases evolutivas mostram claramente quenada se justifica para tal. A não ser a ignorância ou interesses reprováveis(Marques, 1991). Por tal “não se peçam vitórias aos treinadores dos maisjovens. No desporto, como em tudo, o tempo de formação é de preparação”(Marques & Oliveira, 2002 pp65).Marques (1997); Marques, (1991) sustenta que a preparação desportiva decrianças e jovens não pode estar subordinada a interesses pessoais,científicos, materiais e financeiros, ou a outros interesses, que, valorizandoexclusivamente o rendimento, poderão tornar a criança num instrumento deANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 23
  • 38. Revisão da Literaturapreocupações que, para além de serem gravosas para os mesmos poderãohipotecar o seu futuro desportivo.Marques, (1991) refere que a preparação desportiva poderá ser umpressuposto fundamental para o desenvolvimento harmonioso da criança etambém para a criação de condições para a optimização do rendimentodesportivo, desde que: - Se realize em articulação com a escola; - Seja enquadrada pelos melhores professores de desporto ou técnicos desportivos; - Tenha como referência axial a saúde física e mental da criança, o respeito pela sua individualidade biológica, e a observância das particularidades de cada especialidade desportiva.O treino e a competição devem situar-se num quadro estrito de respeito pelaeducação, formação e defesa dos interesses dos jovens atletas (Marques,1999) 2.2.1 O TREINADOR DE CRIANÇAS E JOVENSTreinar crianças e jovens é tudo menos uma tarefa fácil, pois trata-se de umprocesso complexo de gerir, o que exige treinadores bem preparados. Não setrata apenas de utilizar metodologias de treino que se coadunem comexperiências vividas como atletas ou plagiar o treino dos seniores. O processode formação que se prolonga por vários anos, para que tenha um requerimentoeficaz das mais valias pedagógicas, de extrema importância para odesenvolvimento dos jovens e do desporto, requer e exige não apenastreinadores qualificados no plano técnico – científico, como treinadores comuma particular sensibilidade para as questões pedagógicas (Marques, 2002).Marques, (2002) sustenta que para se ser treinador de crianças e jovensexistem três condições essenciais:ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 24
  • 39. Revisão da Literatura - Gostar do desporto em questão; - Gostar de trabalhar com crianças e jovens; - Estar preparado para um trabalho exigente, demorado e cujos resultados não são “visíveis” e vão aproveitar a terceiros. Lee, (1999) refere que, compete ao treinador: - Ensinar as técnicas e organizar sessões de treino de acordo com o nível de cada atleta; - Proporcionar bastante tempo de prática; - Definir objectivos individuais para cada jovem; - Corrigir os erros e explicar de forma clara a forma de os ultrapassar; - Apreciar as crianças pelo modo como evoluem e não por comparação com os outros.O treinador deverá proporcionar aos seus atletas uma formação completa, oque significa que o mesmo tem, para além de tarefas desportivas estritas,responsabilidades pedagógicas pelo presente e futuro das crianças que lhessão confiadas. Tal exige conhecimentos sobre o desenvolvimento motor,biológico, psíquico e social das crianças e jovens, mas também capacidade deintegração desses conhecimentos nas propostas da prática. Assim sendo aformação desportiva exige técnicos qualificados (Marques, 1991;Marques,1999).O treinador terá de ter em mente que, os grandes resultados desportivosdificilmente irão surgir à mercê de um trabalho a curto prazo, que a preparaçãodos atletas é um processo longo, demorado e complexo, sendo necessáriocontemplar diferentes etapas, subordinadas aos grandes objectivos do treino eda preparação desportiva (Marques, 1985). Somente assim poderão surgircampeões, na vida e no desporto.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 25
  • 40. Revisão da Literatura 2.2.2 ETAPAS DE PREPARAÇÃOA preparação de um atleta para que mais tarde possa vir a ter expectativas derendimento elevado, é um processo a longo prazo. Um processo quecontempla várias etapas, das quais umas estão directamente relacionadas como rendimento e as restantes com ele indirectamente relacionadas, sendo“causa” ou “consequência” do mesmo (Marques, 1985).Etapas essas que deverão subsistir e se subdividir, não apenas por merosaspectos organizativos mas sim por aspectos profundamente ligados àsciências biológicas, médicas, humanas, sociais... que se coadunem com asetapas do desenvolvimento ontogénico do ser humano ao mesmo tempo quesubordinam e integram os grandes objectivos do treino e da preparaçãodesportiva (Marques, 1985).O autor subdivide as etapas de preparação de um atleta em: (Quadro II-1) - Etapa de preparação preliminar; - Etapa de especialização inicial ou de base; - Etapa de especialização aprofundada; - Etapa de performances maximais; - Etapa de manutenção das performances; - Etapa de manutenção do nível geral de treino.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 26
  • 41. Revisão da LiteraturaQuadro II-1 – Grandes objectivos do treino e da preparação desportiva. (adap. de Marques, 1985) Referências Orientações metodológicas Etapas Objectivos Suas justificações prováveis dominantes Rápida maturação do sistema nervoso: Dominância de uma formação Criação dos desenvolvimento da geral-muitipla e diversificada. fundamentos da rede sináptica e De preparação 7/8 aos 11/12 Desenvolvimento das prestação desportiva. mielinização. preliminar anos capacidades desportivas gerais. Optimização dos pré- Evolução mais lenta Incidência de trabalho em requisitos motores das outras estruturas volume. biológicas. Período Pré- Selecção inicial e inicio da pubertário e especialização. pubertário. Rápido Desenvolvimento das Desenvolvimento e desenvolvimento de capacidades motoras gerais. aperfeiçoamento dos certas estruturas ( Prática de uma 2ª modalidade. De fundamentos da morfológicas – Desenvolvimento gradual das especialização 11/12 aos 14 prestação. Introdução ósseas) capacidades motoras inicial ou de anos de elementos que acompanhada de específicas. Predominância base condicionam de uma forma mais ainda do treino geral e em forma directa o lenta das estruturas volume. Inicio da participação rendimento. orgânicas em competições (11/13anos). (metabolismo Competições simplificadas, anaeróbio) e número reduzido, espaçadas. muscular. Selecção intermédia. Desenvolvimento sistemático e Aprofundamento e com cargas progressivas Progressiva direccionamento (volume e intensidade) das maturação e mais específico da capacidades motoras consolidação de preparação no determinante do rendimento de todas as estruturas De 15 aos 18 sentido do uma forma directa. Maior (com particular especialização anos desenvolvimento incidência do treino específico, incidência as aprofundada acelerado dos individualização progressiva do orgânicas e factores treino e das competições. musculares) determinantes do Aumento da participação em relacionadas como rendimento. competições considerável. rendimento. Primeiras competições internacionais (na fase final).Martin et al. (2001), refere-se ao processo de treino a longo prazo subjugando-o a três etapas, que constituem três níveis de treino: - Formação geral básica;ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 27
  • 42. Revisão da Literatura - Treino de jovens: • Treino dos fundamentos; • Treino de consolidação; • Treino de integração. - Treino de alto rendimento.O autor divide a formação desportiva em duas fases ou etapas fundamentais, aprimeira, formação geral, tem como objectivos melhorar de uma formadiversificada o estado geral de rendimento desportivo e despertar um interesseestável pela a actividade desportiva (mediante o conhecimento mais preciso deuma modalidade) através de uma participação desportiva variada. A segunda,treino com jovens, tem como principais objectivos, a melhoria a longo prazo doestado de rendimento próprio de uma modalidade, até atingir o nível ideal paraque possa vir a integrar futuramente o treino de alto rendimento, estabilizar osníveis de motivação dos atletas para a obtenção de um bom rendimento namodalidade e participar eficazmente em competições dentro da categoriacorrespondente a idade dos mesmos. Martin et al (2001) estabelece comoobjectivos directores para cada secção de treino de jovens: 1- Treino de fundamentos: - Alcançar um bom estado de rendimento geral – multilateral; - Desenvolver capacidades básicas próprias da modalidade e aprender as técnicas motrizes fundamentais da mesma; - Conhecer e experimentar diversos métodos de treino específicos da modalidade; - Participar com êxito em campeonatos nacionais.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 28
  • 43. Revisão da Literatura - 1- Treino de consolidação: - Elevar o estado de rendimento próprio da modalidade; - Dominar técnicas importantes da modalidade; - Conhecer métodos de treino específicos da modalidade, - Estabilizar a motivação para o rendimento dentro da modalidade; - Participar com êxito em campeonatos nacionais. 2- Treino de integração - Elevar novamente o estado de rendimento físico próprio da modalidade; - Dominar com virtuosidade o repertório técnico específico da modalidade; - Tolerar as cargas de treino necessárias aos distintos ciclos de treino; - Participar com êxito em campeonatos nacionais e internacionais das categorias de idades superiores, dentro do escalão jovem.Do treinador de crianças e jovens é exigido conhecimento científico sobre odesenvolvimento das mesmas, baseando-se em conhecimentos que derivamdas ciências biológicas, médicas, humanas, sociais etc., conhecimentos sobreo desenvolvimento ontogénico do ser humano e um profundo conhecimentosobre a modalidade. Só assim o treinador poderá responder as questões como:Quando, como e porquê o desenvolvimento de determinadas capacidades econteúdos? Que estratégias serão mais apropriadas para taisdesenvolvimentos? etc.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 29
  • 44. Revisão da Literatura 2.2.3 FASE SENSÍVEIS DE TREINABILIDADEMartin, (1999) define fases sensíveis de treino como períodos limitados detempo na vida dos indivíduos, em que eles respondem de forma mais intensado que noutros períodos, a determinados estímulos do ambiente exterior.O autor em questão, propõe um modelo de fases sensíveis de treinabilidadedurante a infância e a juventude (Quadro II-2), baseando-se na observação daprática do treino e nos resultados de investigações nas ciências do desporto.Quadro II-2 – Modelo das fases sensíveis de treinabilidade durante a infância e a juventude (adap. de Martin, 1999). Crianças Jovens Capacidades 6/7-9/10 10/12-12/13 13/14-14/15 14/15-16/18Aprendizagem das técnicas da *** **** _ _ modalidade Reacção **** _ _ _ Ritmo **** **** _ _ Equilíbrio **** **** _ _ Orientação *** _ *** **** Diferenciação **** **** _ _ Velocidade **** **** _ _ Força Máxima _ _ **** **** Força Veloz *** **** _ _ Resistência Aeróbia *** *** *** *** Resistência Anaeróbia _ ** *** ****Martin (1999) refere que o momento ideal para a aprendizagem das técnicastem a sua primeira fase sensível entre os 8/9 anos, considerando esta a melhorfase para o efeito, a segunda fase sensível ocorre durante a adolescência12/13 anos, pois ocorre uma associação entre a técnica e a força onde poderáocorrer uma melhoria da performance mecânica dos movimentos.O autor sugere os 7 anos e os 9 /10 anos, como os melhores para odesenvolvimento das capacidades coordenativas.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 30
  • 45. Revisão da LiteraturaTodas as formas de expressão da velocidade, têm a sua fase sensível durantea infância, particularmente entre os 6/7 anos e os 9/10 anos (Martin, 1999). Oautor refere que, “no treino de crianças, a orientação de base deverá serprioritariamente para a aprendizagem e treino das diferentes manifestações davelocidade”Martin, (1999) considera a puberdade uma fase sensível, extremamenteimportante para o treino da força máxima e da força resistente, devido aoaumento destas capacidades neste período. Já a força veloz tem a sua fasesensível entre 8/9 anos de idade.A resistência aeróbia é treinável em todos os períodos, não se podendo, nestecaso falar de fases sensíveis de treino (Martin, 1999)Já a resistência anaeróbia o autor salienta que esta capacidade se encontraem constante transformação, sendo que o seu aumento se dá com amaturidade dos pré-requisitos enzimáticos.2.3 EXIGÊNCIAS FÍSICAS E FISIOLÓGICAS DO JOGO DE FUTEBOLO Futebol caracteriza-se por ser um desporto que requer a execução deacções motoras de forma intermitente, com e sem bola, que variamaleatoriamente de jogo para jogo, pois são determinadas pelas particularidadesde movimentação táctica exigidas em cada competição impondo aospraticantes uma elevada intensidade de esforço (Bangsbo, 1993).Soares (1998) refere que, as exigências do futebol podem ser classificadas emtermos de capacidades técnicas, tácticas, psicológicas e físicas. O autorsalienta que no entanto todos estes factores estão interligados, sendo de fácilconstatação o facto de um jogador mal preparado fisicamente estar maissusceptível a erros de ordem técnica, por fadiga periférica, e de ordem táctica,como provável origem na fadiga central. Daí a necessidade de se conhecercom exactidão as exigências físicas impostas pela competição. Pois segundo omesmo autor, só a partir do conhecimento do esforço específico dos jogadores,ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 31
  • 46. Revisão da Literaturano plano táctico e estratégico da equipa, se podem programar treinoscorrespondentes às suas necessidades.As exigências energéticas – funcionais do jogo de Futebol, têm vindo a seravaliadas, a partir da actividade desenvolvida pelos jogadores durante acompetição (Garganta, 1999).Os investigadores na tentativa de configurar o perfil energético – funcional dojogo de Futebol, nas várias solicitações que este impõe aos jogadores, têmtraçado vários caminhos, Garganta (1999) refere que de acordo com aliteratura os mais explorados são: - A caracterização de indicadores externos: distâncias percorridas, duração, frequência, tipo de intensidade dos deslocamentos produzidos, repartição dos esforços e pausas; - A caracterização de indicadores internos: frequência cardíaca, lactato sanguíneo e consumo máximo de oxigénio.Através de vários estudos realizados nesta matéria foi se chegando a algunsvalores de referência, que se poderão revelar de extrema utilidade para aestruturação do treino em Futebol.Segundo Garganta (1999), um jogador de Futebol percorre em média, entre 7 a12 km por jogo. Sendo que os jogadores em média realizam corridas a umaintensidade sub – máximal em distâncias entre 5 a 15 metros (Rebelo, 1993).Ekblom (1986) sugere que a maior diferença entre equipas de níveis distintosnão é a distância que os jogadores percorrem, mas a percentagem que ofazem a grande intensidade.Estes são alguns indicadores externos que os especialistas conseguiramencontrar nos seus estudos. Quanto aos indicadores internos também se foramrealizando alguns estudos onde se chegaram a conclusões importantes.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 32
  • 47. Revisão da LiteraturaAo longo do jogo de Futebol, a frequência cardíaca situa-se à volta de 85% dafrequência cardíaca máxima (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta,1999; Ekblom, 1986), registando-se valores que poderão variar entre 160 bpme 180 btm (Bruyn-Prevost e Thilens, 1983 cit. Garganta, 1999).Segundo Ekblom (1986) a intensidade média de uma partida de futebolcorresponde a 75-80% do Vo2 max (consumo máximo de oxigénio), estesvalores indicam que o metabolismo aeróbio no jogo de Futebol, é maisimportante do que o metabolismo anaeróbio (Maréchal, 1996).A concentração de lactato sanguíneo segundo Bangsbo (1993), apresentavalores variáveis de jogador para jogador, encontrando-se no entanto umaconcentração média de 4 a 7 mmol/l, no entanto em diferentes fases do jogo,mediante a intensidade do mesmo, poderão vir a encontrar-se concentraçõesde 11 a 15 mmol/l. 2.3.1 IMPORTÂNCIA DO TREINO AERÓBIO EM FUTEBOLGrant e Mc Milan (2001), justificam a importância de uma adequadapreparação aeróbia nos jogadores de futebol, pela elevada duração do jogo,exigindo que os mesmos percorram 8 a 14 Km, a uma intensidade média decerca de 75% do seu Vo2 máximo. Tendo o sistema aeróbio uma contribuição,de cerca de 90 % do total de energia requerida no jogo.Segundo Bangsbo (1996), o treino aeróbio permite o aumento do Vo2 máx., oque possibilita ao futebolista, realizar exercícios de alta intensidade, duranteum período mais prolongado de tempo, permitindo um elevado consumo deoxigénio durante o jogo.O treino aeróbio permite o aumento da utilização de gorduras, poupando asreservas de glicogénio, de extrema importância para os esforços intensos,promovendo assim o atraso da fadiga (Reylly, 1990; Soares e Rebelo, 1993).Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere como objectivos gerais do treino aeróbio, oaumento da capacidade do jogador manter um ritmo de trabalho elevadoANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 33
  • 48. Revisão da Literaturadurante o decorrer do jogo, e a minimização do decréscimo técnico e dasfalhas de concentração, provocadas pela fadiga no final do jogo.O autor define, os seguintes objectivos específicos do treino aeróbio emFutebol: - Melhorar a capacidade do sistema cardiovascular no transporte de O2, de modo que uma maior percentagem de energia necessária para o exercício intenso possa ser fornecida de modo aeróbio, permitindo ao futebolista realizar exercícios intensos durante mais tempo; - Melhorar a capacidade dos músculos utilizarem O2 e assim oxidarem as gorduras durante períodos de exercícios prolongados, poupando desta forma as reservas de glicogénio muscular, permitindo a realização de exercícios intensos durante o jogo; - Aumentar a capacidade de recuperação após um exercício de alta intensidade, diminuindo o tempo de recuperação do jogador para a realização de um novo esforço.O autor divide o treino aeróbio em três categorias: - Treino de recuperação: envolve a realização de actividades ligeiras, como corrida lenta ou jogos de baixa intensidade, situações que permitam que o jogador recupere rapidamente, sendo adequado utilizar este tipo de exercícios no dia seguinte ao jogo, após treinos desgastantes, ou períodos em que tenha muitas sessões de treino e jogos frequentes, sendo esta a forma de se evitar situações de sobretreino; - Treino aeróbio de baixa intensidade: visa o aumento da capilarização e do potencial oxidativo do músculo, intervindo desta forma mais a nível periférico (Bangsbo, 1996). A consequente utilização de substratos leva ao aumento da resistência aeróbia, permitindo desta forma ao futebolista realizar os esforços durante mais tempo (Bangsbo, 1994; Bangsbo,ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 34
  • 49. Revisão da Literatura 1996), permitindo ainda que o jogador recupere com mais facilidade a exercícios de alta intensidade (Bangsbo, 1994); - Treino aeróbio de alta intensidade: também designado por treino da potência aeróbia, visa a melhoria dos factores centrais, estando estritamente relacionado com o aumento do VO2 máx (Bangsbo, 1996). Este tipo de exercícios contribuem para o aumento da capacidade do Futebolista realizar exercícios de alta intensidade durante períodos de tempo prolongados (Bangsbo, 1994; Bangsbo, 1996).Bangsbo (1994;1996; 1999) considera que o treino aeróbio deverá serrealizado fundamentalmente com bola. Para que este tipo de treino tenha umefeito benéfico na capacidade de trabalho aeróbio de um jogador, numaactividade que deverá ter a duração de 15 a 90 minutos. 2.3.2 IMPORTÂNCIA DO TREINO AENAERÓBIO EM FUTEBOLO treino anaeróbio origina o aumento da actividade da creatina quínase e dasenzimas glicolíticas, aumentando a taxa de produção de energia pela viaanaeróbia (Bangsbo, 1996). Melhorando a sincronização entre o sistemanervoso e os músculos, e aumenta a capacidade de produção e remoção delactato (Bangsbo, 1994).Bangsbo (1994, 1996, 1999) refere, como objectivo geral do treino anaeróbio,desenvolver a capacidade de realizar repetidamente exercício de altaintensidade, considerando, como objectivos específicos: - Melhorar a capacidade de produzir potência rapidamente, de modo a melhorar o rendimento das actividades intensas do jogo; - Melhora a capacidade de produzir energia continuamente através da via anaeróbia, permitindo ao futebolista realizar exercícios de alta intensidade durante longos períodos de tempo; - Melhorar a capacidade de recuperar após um período de exercício intenso.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 35
  • 50. Revisão da LiteraturaO autor, divide o treino anaeróbio, em treino de velocidade e treino deresistência de velocidade. Sendo o treino de velocidade fundamental para oatleta se impor às frequentes acções intensas e de curta duração do jogo,estando desta forma a solicitar o metabolismo anaeróbio aláctico de altaintensidade, o treino de resistência de velocidade, permite dar melhor respostanos períodos mais longos de alta intensidade, sendo a energia necessáriaproduzida principalmente pelo sistema anaeróbio láctico.O treino anaeróbio deve ser realizado de modo intervalado, devido à elevadaintensidade dos exercícios (Bangsbo 1994; 1996; 1999).O autor salienta, a importância de se treinar as categorias da resistênciaanaeróbia, da forma mais aproximada possível da realidade do jogo, isto émaioritariamente realizado através de exercícios com bola.2.4 ESTRUTURA DO TREINO PARA CRIANÇAS E JOVENSO processo de formação é composto por um conjunto de etapas/estádios nasquais o atleta poderá assimilar, desenvolver e consolidar diversas capacidades(físicas, técnicas, tácticas e psicológicas). Estas componentes ou factores detreino, adquirem uma determinada estrutura (substância e método) e dinâmica(temporalidade) durante todo o processo de treino. Os treinadores daformação, deverão confrontar-se no início de cada época desportiva, com umconjunto de questões centrais (O quê? Como? Quando?). Responder a estasquestões deverá ser o objectivo de cada treinador de formação, modelandoassim as suas intervenções no treino às reais necessidades dos seus atletas,contribuindo para um desenvolvimento e preparação desportiva adequada parauma formação harmoniosa dos seus discípulos (Pinto et al., 2003). Os autoresantecedentes sabem que, nem sempre na prática isto se verifica, afirmandoque “frequentemente, a intervenção do treinador no treino dos mais jovens nãoé sustentada por um planeamento de base cuidado, mas sim por um conjuntode pretensões empíricas decorrentes de um défice da base conceptual”, talfacto compromete a formação das crianças e jovens envolvidas no processo.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 36
  • 51. Revisão da LiteraturaSão vários os artigos científicos que alertam sobre a importância da qualidadee eficiência do treino com crianças e jovens. No entanto, continua a saber-semuito pouco acerca de qual deverá ser a estruturação e organização do treinoem crianças e jovens (Marques, 1989; Marques, 1991; Marques, 1993;Marques, Marques 1999; Marques e col., 2000). Este facto deve-se em muito, àabstinência e a inadequada utilização das bases teóricas na estruturação eorganização do treino por parte dos treinadores (Marques 1999; Marques ecol., 2000).É importante salientar que o treino de criança e jovens, é pouco conhecido anível metodológico, porque os documentos de registro, se existem, na suamaioria são de difícil análise (Marques e col., 2000), o que dificulta em muito otrabalho dos investigadores. Contudo, realizaram-se alguns estudos científicosno nosso país em desportos colectivos (Marques e col. (2000); Pinto e col.(2001); Pinto e col. (2003); Santos (2001); Furriel (2002) que procuramresponder a questões que têm sido o foco de discussão entre os especialistas(Marques e col., 2000). Discussões essas, que se centram em torno deproblemas como, qual deverá ser a estrutura e dinâmica da carga, quais osmeios, métodos e conteúdos de treino mais apropriados para o longo processode formação dos atletas. Procurando através da análise dos dossiers,comparar os modelos de treino propostos pelos especialistas para as idadesem questão, referenciados na literatura da especialidade, com o que narealidade se faz durante um plano anual de treinos. Desejando desta forma queo conhecimento sobre a estrutura do treino em crianças e jovens se torne umarealidade (Marques e col., 2000). 2.4.1 MEIOS DE TREINO, PREPARAÇÃO GERAL VS. PREPARAÇÃO ESPECÍFICAOs meios de treino revelaram-se ao longo do tempo, um tema bastanteinteressante, mas também extremamente controverso entre os principaisespecialistas da área do treino. Facto que se deve às diferentes posiçõesdefendidas pelos mesmos quanto à importância que se deverá dar no treino,aos meios de treino gerais e específicos. (Marques, 1989; Marques, 1990;Marques, 1991; Marques e col., 2000). Surgiram desta forma duas teoriasANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 37
  • 52. Revisão da Literaturacontraditórias, por um lado uma que defendia a necessidade de não sedescontextualizar o treino dos mais jovens de problemas relevantes dacompetição. Os defensores desta teoria argumentavam que as possibilidadesdo organismo eram limitadas, sendo sustentada e recomendada uma rápidaespecialização. Contrapondo a teoria anterior, desenvolvia-se a teoria daformação multilateral, com o principio director do treino, no estádio de treino debase, regia-se pedagogicamente pela directiva de que o treino deveria incluirformas de actividade diversificadas, pois a formação desportiva multilateral eraconsiderada determinante para o processo de desenvolvimento e maturaçãodos jovens atletas, o que não iria suceder com um treino estritamenteespecializado (Marques, 1999).Embora exista uma certa contraposição no que concerne à importância que sedeverá dar aos meios de treino de preparação geral e específicos, a maioriados autores defendem a tese de que, no início da preparação desportiva sedeverá dar uma maior importância aos meios de treino de preparação geral doque aos meios de preparação especial. Importância, que deverá diminuir com oaumento da idade e da especialização desportiva, por tal, a preparação geraldeverá ser tanto mais elevada quanto mais próximo se estiver da fase inicial depreparação desportiva, essa importância tenderá a diminuir de uma forma maislenta à medida que o processo se aproxima da sua fase terminal (Marques,1989; Marques e col., 2000).Quadro II-3: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva em Futebol, Tschiene, inProdente (1983). Adaptado de Marques, (1989). Meio de Preparação 8-10 anos 10-12 anos Início Idade Rendimento Prep. Geral (%) 35 30 25 Prep. Especial (%) 65 70 75Quadro II-4: Preparação Geral e Preparação Especial nas etapas de Preparação Desportiva. Futebol, Stiehler et al.(1988). Adaptado de Marques, (1989). Etapas de Preparação Idades (anos) P. Geral (%) P. Especial (%) Treino de Base 10-14 50-30 50-70 Treino de Construção 15-18 39 61 Treino Evoluído 18-20 15 85ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 38
  • 53. Revisão da LiteraturaTorna-se inequívoca a importância da preparação geral no treino de crianças ejovens, essencialmente no início da formação desportiva onde se deveráprocurar que através do treino, os praticantes adquiram os requisitosnecessários para que possam ter êxito nas restantes etapas de formaçãodesportiva. Marques e Oliveira (2001) sustentam que anterior à aquisição detoda a estrutura complexa dos gestos e das acções desportivas deverá estaruma cultura motora não especializada, constituída por um repertório de gestosmotores e comportamentos motores que se caracterizam por serem maissimples, sem o qual não se evoluirá de forma eficiente e estável, noaprofundamento do rendimento desportivo. Trata-se do reconhecimento porparte dos especialistas que a forma desportiva não se faz na dependênciaestrita, sistemática e exclusiva dos fundamentos da cultura da futura actividadeespecializada. Aceitam-se como válidos os princípios da especializaçãocrescente, onde modelos mais avançados do desporto deverão funcionar comoelementos estruturantes da formação dos jovens desportistas.As duas teorias “extremistas”, rápida especialização e formação multilateral,cremos que deram origem a uma posição mais equilibrada e mais adaptada aoprocesso de formação desportiva dos mais jovens, pois sustenta umaorientação no sentido de um esforço da unidade entre o treino geral e o treinoespecial, sendo esta orientação condicionada por uma maior especialização dotreino multilateral. Revelando-se não ser recomendável, no início daespecialização, recorrer a uma formação multilateral independente do desporto,pois a formação multilateral deverá ser determinada pela estrutura dorendimento (Marques, 1999).Assim sendo, a rácio entre o treino geral e o treino especial deverá ter emconsideração os seguintes aspectos (Marques e col., 2000; Marques, 1999): - As exigências de cada desporto em concreto; - As características de cada fase de ontogénese;ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 39
  • 54. Revisão da Literatura - A necessidade de valorização ou de compensação de componentes particulares; - As alterações do estado de treino no percurso da formação desportiva. 2.4.2 A PREPARAÇÃO GERAL NA FORMAÇÃO DESPORTIVA DOS JOVENS FUTEBOLISTASNum estudo recente realizado por Marques e col. (2000), sobre a estrutura dotreino de jovens atletas Portugueses, os autores concluem que é muitoprovável que os treinadores estejam a dar uma prematura e excessivaimportância aos meios de treino específicos nas fases de preparaçãodesportiva iniciais. Onde os resultados do estudo revelam que, na faixa etáriados 10-12 anos, a razão entre a preparação geral e especifica é de 1: 2,3.É importante que os mais jovens durante a sua formação desportiva obtenhamo máximo de experiências motoras que lhes garanta um repertório motor rico,assim como, um bom desenvolvimento das suas capacidades físicas epsicossociais para que possam de futuro poder ter êxito no desporto derendimento. No futebol assim como nos restantes jogos desportivos colectivos,por ser uma prática desportiva que consente uma variedade de gestos esolicitações bem mais rica que a dos desportos baseados em estruturasgestuais e motoras, cíclicas, estreitas e fechadas, deverá obter-se aespecialização num momento mais tardio. Garantindo desta forma melhoresbases para a especialização futura (Marques, 1999).São vários os autores (Bompa, 1986; Queiroz 1986) que consideram que naidade dos máximos rendimentos, a estagnação ou uma reduzida elevação dorendimento e o aparecimento de lesões, se poderão dever em grande parte, aofacto de no processo de treino se aplicarem poucos exercícios de caráctergeral. Trata-se de um problema que carece aos treinadores resolver uma vezque, a cada vez mais reduzida actividade motora nos períodos pré-escolar eescolar, afecta particularmente o normal desenvolvimento de pressupostosANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 40
  • 55. Revisão da Literaturacoordenativos que constituem um suporte essencial da capacidade deprestação desportiva (Marques, 1999).Cabe aos treinadores a responsabilidade de estruturar e organizar todo oprocesso de treino, utilizando um conjunto de exercícios, pois estes são osmeios fundamentais que estes possuem para definir, direccionar e modificar oprocesso de formação e desenvolvimento dos jogadores (Castelo, 1996).Queiroz (1986); Castelo (1996), consideram o exercício como uma estrutura debase de todo o processo responsável pela elevação do rendimento do jogadore da equipa e, como tal, uma parte significativa do rendimento global, enaturalmente do sucesso obtido no treino, depende directamente da qualidadee, em ultima instância, da eficácia do próprio exercício. 2.4.3 O EXERCÍCIO NO PROCESSO DE TREINO“A noção de treino na linguagem corrente emprega-se nos mais diversosdomínios e mais frequentemente designa um processo, que pelo exercício, visaatingir um nível mais ou menos elevado segundo os objectivos que se tem emvista” (Weineck 1986).“A unidade elementar do processo de treino é o exercício. Este é destinado aodesenvolvimento de uma qualidade. É o modo de relação entre os diferentesexercícios que constitui a estrutura da sessão (Platonov, 1988) ”.Matveiev (2001), generaliza ao afirmar que “o termo exercício de treino emteoria e metodologia do desporto costuma denominar-se a reprodução reguladadas acções racionais (por separado ou em conjunto), que se regulamenta porprincípios de consecução do efeito e da actividade preparatória. O efeito doexercício pode expressar-se em certas condições no ensino dos modosracionais de execução das acções e no seu aperfeiçoamento, nodesenvolvimento das propriedades físicas e psíquicas do indivíduo, que seexpressam na realização das acções, e no aumento, conservação erecuperação do nível de capacidade para actuar”.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 41
  • 56. Revisão da LiteraturaSegundo Garganta (2002), o exercício no processo de treino, procura induzir,nos praticantes, os modelos de comportamentos desejados, no sentido deesses permitirem materializar a concepção de jogo preconizada.Já Castelo et al. (2000), sustentam que o exercício deve ser encarado como omeio fundamental para todo o processo de treino, tendo o professor / treinadoro poder de definir, orientar e modificar o processo de formação edesenvolvimento, ou seja, de transformação do(s) praticantes(s), sem o qualnão é possível que estes respondam de forma adequada e eficaz às exigênciasque a competição em si encontra.Para os especialistas na matéria, tais como, Weineck (1986), Bompa (1990),Teodorescu (1984, 1987), Matveiv (1977), o exercício de treino é o meioprioritário e operacional de preparação dos praticantes e das equipas,consubstanciando as adaptações físicas, técnicas, tácticas, psicológicas esociológicas fundamentais para a consecução de um elevado desempenhoquando em confronto directo (Castelo et al., 2000).Para Bompa (1983) citado por Queiróz (1986), o exercício é, na estrutura dotreino, “um acto motor sistematicamente repetido, representando o principalmeio de execução do treino, tendo em vista a elevação do rendimento”.Teodoresco (1984), Queiroz (1986), Castelo (2003), consideram que oexercício é o principal meio de preparação dos jogadores e das equipas.Castelo (2003), refere que o aspecto nuclear de qualquer processo deplanificação e organização na preparação competitiva dos jogadores ou dasequipas, nos seus diferentes níveis temporais (a curto, médio e longo prazo) enos seus diferentes níveis de aperfeiçoamento (aprendizagem,desenvolvimento e especialização) é alicerçado na prática sistemática de umconjunto (mais ou menos alargado) de exercícios de treino de carácterdinâmico e inovador cuja estrutura determina muito concretamente a: 1. Orientação da actividade do jogador e da equipa numa direcção cujos objectivos são válidos e preestabelecidos.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 42
  • 57. Revisão da Literatura 2. Concepção de conteúdos de treino que conciliem convenientemente o nível do jogador com lógica interna do jogo de futebol. 3. Aplicação de formas de treino apropriadas relativamente à contextualização das situações competitivas. 4. Elaboração coerente dos níveis de prestação a atingir pelo jogador ou pela equipa em cada momento da sua preparação desportiva. 5. Criação de elevados níveis de motivação que suportem o interesse, o empenho e a vontade do jogador em percorrer “caminhos” e “suportar” tarefas que se constituem à partida como construções hipotéticas (mesmo quando estas já foram anteriormente testadas) as quais não garantem a eficácia/eficiência de forma a impedir o insucesso, ou por outras palavras, garantir sempre o sucesso que desse processo poderá resultar.Naturalmente o sucesso obtido em treino e em competição está em relaçãodirecta com a eficácia do próprio exercício (Castelo et al., 1998).Harre (1981) citado por Queiroz (1986), considera que os exercícios são o meiomais importante para a elevação dos rendimentos desportivos. Estes têm deresponder às metas e tarefas do processo de treino e não devem ser elegidose aplicados sem ordem. A utilidade de um exercício no treino desportivo resultaexclusivamente do seu aproveitamento para o desenvolvimento do rendimento.Para Teodoresco (1984), o exercício deve reproduzir, parcial ou integralmente,o conteúdo e a estrutura do jogo, que consiste em acções individuais ecolectivas entre jogador, companheiros, bola, campo de jogo, equipamentosregulamentares e – especialmente – o objectivo a atacar (baliza). A presençadestes factores (ou apenas de uma parte deles) e a sua sucessão determinaestruturas diversas do sistema de relações individuais e colectivas deANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 43
  • 58. Revisão da Literaturacolaboração e de antagonismo, dando ao mesmo tempo especificidade eidentidade ao exercício considerado. Para Dietrich (1979) e Teissie (1969), osexercícios só adquirem significado para os jogadores, se considerarmos o jogode futebol na sua totalidade.O exercício é, em última análise, a estrutura de base de todo o processoresponsável pela elevação, mantimento e redução do rendimento dospraticantes. Naturalmente, o sucesso obtido em treino e em competições estáem relação directa com a eficácia do próprio exercício (Castelo, 2003).Os exercícios de treino devem conter a essência do jogo, em que cadaexercício proposto, deve reproduzir fielmente a operacionalização dascaracterísticas do jogo formal, dimensionando as componentes físicas,técnicas, tácticas, de decisão, sistematizando os comportamentos dosjogadores em jogo (Vasques, 2003). 2.4.4 ESPECIFICIDADE DO EXERCÍCIO DE TREINO EM FUTEBOLO treino em futebol muitas vezes é repartido em preparação física epreparação técnico táctica, onde a preparação física engloba a metodologia doatletismo (Gregson e Drust, 2000) e a parte técnico / táctica engloba situaçõesde jogo, não se considerando muitas das vezes os efeitos energéticos queessas situações poderão produzir nos atletas (Chanon, 1994).O Jogo não se deve dividir em diversas componentes, ou poderá se correr orisco de se desvirtuar a sua natureza fundamental (Queiroz, 1986). Pois apesarde em termos didácticos se poderem considerar as componentes física,técnica, táctica e psicológica no treino, o mesmo deverá ser abordadoglobalmente, através de formas jogadas (Ferreira e Queiroz, 1982).Teodoresco (1983), salienta a importância da criação de exercícios queproduzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estrutura do jogo, istosignifica que o treino deverá incluir preferencialmente situações fundamentaisdo jogo (Nunes e Gomes – Pereira, 2001).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 44
  • 59. Revisão da LiteraturaOs últimos desenvolvimentos na teoria do treino apontam para uma crescenteespecificidade, ou seja, para uma maior aproximação dos conteúdos e métodosde preparação às exigências da competição (Seirul-lo, 1987; Tschiene, 1990;Thiesse, 1995; Silva, 1998; Verkonshanskij, 2001; Bezerra, 2001).No desporto moderno, a especialização segue uma via de profundoaperfeiçoamento, regra geral, numa única espécie escolhida de exercícioscompetitivos ou num pequeno número de espécies muito próximas, quer emprovas entre dois adversários quer em provas entre conjuntos (comomodalidades desportivas) (Matvéiv, 1991). O mesmo autor sustenta que “osexercícios competitivos da modalidade escolhida desempenham um papelextremamente importante no treino, porque sem eles, é impossível reconstituiros requisitos específicos que cada modalidade impõe ao atleta e estimular,assim, a consecução de um determinado nível de treino”.“A funcionalidade específica dos diferentes sistemas orgânicos do praticantetraduzidas pelas suas prestações desportivas, são condicionadas por pressõesadaptativas específicas, determinadas por exercícios específicos os quais, porsua vez implicam a existência de um treino específico” (Castelo, 2002).Carvalhal (2002), define especificidade como uma palavra polissémica, em quepara muitos, especificidade é, após uma caracterização das exigências do jogode futebol nos aspectos físicos, treinar essa componente específicaisoladamente, para outros é, após a observação do jogo, quantificar as acçõestécnicas: remates, passes, etc., treinar estes aspectos específicos de formaisolada e garantir uma adaptação. Definindo-a como um efeito coordenador detodo o trabalho. A especificidade não pode ser considerada como um fim em siprópria, mas sim, como pressuposto fundamental na conceptualização eestruturação dos exercícios de treino cujo o desenvolvimento suportará nofuturo, modelos de treino distintos que reproduzem total ou parcialmente, paracada modalidade desportiva em diferentes dimensões (por exemplo: técnico,técnico-tácticos, de ambiente, etc), construídos à semelhança (isomórfica ouanalógica) da realidade competitiva (Castelo, 2002).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 45
  • 60. Revisão da LiteraturaO princípio da especificidade refere que os programas motores revelamparticularidades singulares e que a sua adaptação é específica e está ligada àtarefa ou actividade realizada (McGwon, 1991). Por isso, os exercícios detreino devem procurar uma elevada transferência das acções seleccionadaspara o jogo (McGwon, 1991; Garganta, 1998 e 1999a). Pelo contrário, a nãoespecificidade do exercício de treino pode condicionar a transferência dosprogramas motores adequados para o jogo, bem como aumentar a dificuldadede melhorias posteriores a esse nível (Castelo, 2000).“O exercício de treino é específico quando consubstancia uma estrutura(objectivo, conteúdo, forma) que no seu conjunto provoca adaptações de baseque estão na origem da elevação do rendimento dos jogadores e das equipas”(Castelo, 1996).O treino, ou situações de treino, só são verdadeiramente específicos quandohouver uma permanente e constante relação entre as componentes técnicas-tácticas individuais e colectivas, psico-cognitivas, físicas e coordenativas, emcorrelação permanente com o modelo de jogo adoptado e respectivosprincípios que lhe dão corpo (Vasques, 2003).O treino para ser específico deve simular numa determinada dimensão (macroou micro) os princípios do modelo de jogo adoptado, Oliveira (1991) define que“só se poderá chamar especificidade à especificidade se houver umapermanente e constante relação entre as componentes psico-cognitivas,tácticas-técnicas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com omodelo de jogo adoptado e respectivos princípios que lhe dão corpo”.O exercício deve-se identificar o mais possível com o tipo de jogo pretendidopelo treinador componentes técnica e táctica – por outro lado, ele devecontemplar as capacidades físicas – velocidade, força, resistência eflexibilidade específicas do futebol – subjacentes ao desenvolvimento domesmo (Bezerra, 2001).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 46
  • 61. Revisão da LiteraturaEsta nova filosofia de treino contempla a necessidade de se criarem exercíciosque reproduzam as condições de variabilidade do jogo (Queiroz, 1986), paraque exista uma grande identificação com o modelo de jogo pretendido pelotreinador, contemplando as capacidades físicas a ele subjacentes (Bezerra,2001), onde o desenvolvimento das capacidades físicas deverá ser realizadoatravés de formas jogadas num ambiente próximo do da competição (Ferreira eQueiroz, 1982; Nunes e Gomes – Pereira, 2001).Bangsbo (1994) salienta a dificuldade em organizar estes tipos de exercícios,pois requerem a disponibilização de mais tempo na sua organização e maisimaginação, assim como, a precedente avaliação para verificação documprimento dos objectivos do exercício. Tornando mais simples para otreinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico tácticas.Embora seja mais complexa a organização deste tipo de exercícios, asvantagens são bastantes, para que se possa abdicar dos mesmos e utilizar ametodologia tradicional, segundo Gregson e Drust (2000) as vantagens são asseguintes: - Adaptações musculares específicas às solicitações da competição; - Maior disponibilidade de tempo para desenvolver outros aspectos de performance física que necessitam de treino mais específico (força, potência e flexibilidade), - Aumento da motivação dos jogadores no treino. 2.4.5 TAXONOMIA DOS EXERCÍCIOS DE TREINOA classificação dos exercícios de treino é determinante para todo o processode treino. Por tal, foram vários os especialistas do treino que sentiram anecessidade de os classificar. Muitos autores procuram classificar os exercíciosde treino, de uma forma variada e para várias modalidades com respectivasadaptações.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 47
  • 62. Revisão da LiteraturaNuma tentativa de uniformização, Bragada (2000), tenta adaptar asclassificações já existentes, numa classificação mais simples, de fácilcompreensão e aplicabilidade em todas as modalidades desportivas, tendo emconta as três componentes do treino: condicional, técnica e táctica. Destaforma o autor pretende uma classificação racional e funcional, na qual osexercícios se associam aos fins e objectivos do treino, no contexto querealmente os justifica – o da respectiva modalidade. Tendo por base trêscritérios de referência: - O exercício específico da competição (modalidade); - Forma interna: características particulares do sistema neuromuscular e metabólico; - A forma externa: sequência dos movimentos.O mesmo autor classifica os exercícios como: a) Competitivos – prática das competições, em condições reais ou simuladas; b) Específicos – formas externas muito similares à sequência de movimentos competitivos, mas que apresentam desvios nas características da carga e/ou apenas abordam alguns elementos ou combinações complexas da competição. Podem privilegiar aspectos condicionais, coordenativos ou tácticos; c) Dirigidos – solicitam os grupos musculares responsáveis pelo rendimento competitivo, e/ou as capacidades coordenativas que lhe estão na base. d) Gerais – todos os restantes não compreendidos nas situaçõesO quadro que se segue representa uma síntese de Bragada, (2000), daclassificação de exercícios de treino realizada por vários autores especialistasna matéria.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 48
  • 63. Revisão da LiteraturaQuadro II-5: Síntese de vários autores com Classificação de Exercícios de Treino Bragada (2000). Autor Critério Classificação Caracterização 1. Desenvolvimento físico geral; 1.1. Exercícios sem cargas 1. Preparação física Geral: adicionais (calisthenics) – de condicional e coordenativa. acção indirecta; 2. Desenvolvimento e preparação 1.2. Exercícios baseados em específica e aprendizagem de Bompa Estrutura e forma do jogos relacionados com a habilidades técnicas específicas (1994) exercício modalidade. da modalidade. 2.Específicos de desenvolvimento 3. Elementos e variantes de de capacidades biomotoras tarefas específicas da modalidade (exercícios de acção directa). (ou simulação da competição ou 3. Exercícios seleccionados de de algumas componentes). determinado desporto. Especificidade do 1. Formação física geral exercício e potencial (multilateral) e para activação dos de treino (semelhança 1.Preparação geral condicional. Verjoshanski processos de recuperação. externa; tipo de 2. Preparação condicional (1990) 2. Aumento do nível de contracção muscular; específica. capacidade específica do mecanismos de organismo. produção de energia. 1. Bases para a especialização progressiva (melhoria das capacidades (e habilidades) técnicas e tácticas; e factores psicológicos) Finalidade 1.Desenvolvimento geral. Weineck 2. Construídos a partir dos Economia 2. Exercícios especiais. (1986 e 1988) anteriores (melhoria de Eficácia 3. Exercícios de competição. rendimento) 3. Complexos, em relação directa com a modalidade (afinação da totalidade do rendimento desportivo). 1. Acções completas (combinadas e/ou complexas) 1.1. Condições reais da competição 1.2. Simulação da competição ou de acções da competição 2. Elementos das acções 1.Competitivos competitivas, suas variantes e 1.1. Propriamente ditos acções semelhantes na forma e 1.2. Formas de treino de exrc. capacidade solicitadas. Criação Semelhança com a Matvéiv Competitivos de pré-requisitos do domínio da modalidade (1986) 2. Preparação especial técnica. (competição) 2.1. Preliminares 2.1. Domínio dos gestos técnicos. 2.2. De Desenvolvimento 2.2. Desenvolvimento das 3. Preparação geral capacidades físicas. 3. Preparação geral (multilateral) do atleta; Formação de aptidões de suporte e auxiliares do rendimento. Meio de educação de capacidades. Factor de repouso activo.Especificamente para o futebol, alguns autores especialistas na matériarealizaram a sua classificação tendo em conta as classificações realizadas poroutros autores adaptando-as à modalidade em questão.Queiroz (1986), definiu a seguinte classificação de exercícios tendo ematenção um conjunto de reflexões de outros autores, no domínio específico dotreino de futebol:ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 49
  • 64. Revisão da Literatura 1. Os Exercícios fundamentais: são todas as formas de jogo que incluem a finalização como estrutura elementar fundamental; ou seja são todos os exercícios em que, qualquer que seja a forma, a estrutura e a organização da actividade, a finalização (obtenção de golo), representa, no domínio das tarefas definidas, a meta fundamental a atingir. Este tipo de exercícios contempla três formas fundamentais distintas: i. Forma Fundamental I – ataque sem oposição sobre uma baliza; ii. Forma Fundamental II – ataque contra defesa sobre uma baliza; iii. Forma Fundamental III – ataque contra defesa sobre duas balizas. 2. Os Exercícios complementares: são todos aqueles em que, qualquer que seja a forma ou a estrutura organizadora da actividade, não incluem como estrutura de base fundamental a finalização; estes exercícios podem ser ainda caracterizados pelas: i. Formas integradas – são exercícios que incluem elementos de dois ou mais factores de preparação; ii. Formas separadas – são aqueles que incluem elementos de um factor de preparação e se desenvolvem fora das condições de jogo.Corbeau (1989), perspectivando o ensino e o treino de Futebol através de umaforte ligação ao jogo, propõe uma classificação com quatro tipos de exercícios: 1. Exercícios simples – são executados sem oposição e permitem abordar os gestos técnicos simples; 2. Exercícios intermediários – são realizados numa zona do terreno precisa e constituem-se pela soma de dois ou mais exercícios simples, tendo como objectivo um encadeamento técnico mais próximo do jogo; 3. Exercícios complexos – são formas de trabalho que se aproximam das condições reais do jogo e prevêem a presença de adversários;ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 50
  • 65. Revisão da Literatura 4. Jogo de Aplicação – o jogo é omnipresente e apresenta uma maior similaridade com o jogo formal.Para Godik e Popov (1993) os exercícios de treino para os futebolistas dividem-se em: 1. Exercícios especializados, cuja sua aplicação influencia simultaneamente todos os aspectos da preparação dos futebolistas; 2. Exercícios não especializados, através dos quais dos quais é possível desenvolver algumas capacidades motoras dos futebolistas. Os mesmos autores propõem ainda uma subdivisão para os exercícios especializados: i) Situacionais, que pretendem imitar as situações reais do jogo e, por isso, caracterizam-se por um maior efeito de treino, sobretudo se criam e materializam situações de finalização; ii) standard, cuja execução não requer soluções de problemas tácticos.Castelo (2003), faz a classificação dos exercícios de treino em função da suaespecificidade. Numa avaliação preliminar e essencial o autor estabelece doisgrandes tipos de exercícios de treino: (1) os de preparação específica e, (2)os de preparação geral. Definindo no entanto dois grandes tipos de exercícios: - os exercícios de preparação específica são conceptualizados na base de uma estrutura e de uma natureza, que estabelece uma relação de correspondência dinâmica cujas: (1) atitudes, (2) comportamentos motores, (3) regime de funcionamento orgânico do praticante e, (4) o respeito pelos regulamentos, devem ser similares ou idênticos aos contextos competitivos que cada modalidade desportiva em si encerra. - os exercícios de preparação geral que são caracterizados, contrariamente aos exercícios de preparação específica, por nãoANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 51
  • 66. Revisão da Literatura apresentarem semelhanças com os contextos situacionais que derivam da competição do jogo de futebol.Partindo deste pressuposto Castelo (2003) estabeleceu um edifício taxonómicodos exercícios de treino consubstanciando à partida, três níveis fundamentais: 1. Os exercícios de preparação geral; 2. Os exercícios específicos de preparação geral; 3. Os exercícios específicos de preparação.A partir dos três níveis fundamentais considerados, procede à suacaracterização, apontando critérios de diferenciação para: • (1) Os exercícios de preparação geral – na prática são todos os exercícios que, para o exemplo estabelecido (jogos desportivos) não incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e acção motora do praticante; • (2) Os exercícios específicos de preparação geral – são todos os exercícios realizados em contextos situacionais “rudimentares” relativamente às condições objectivas em que se realiza a competição desportiva de uma dada modalidade. (…) Uma relação primordial do praticante com a bola sendo este elemento determinante da sua acção conjunta com um reduzido número de companheiros e adversários. (…) Estes exercícios não envolvem a concretização do objectivo fundamental do jogo, no caso do futebol o golo da baliza • (3) Os exercícios específicos de preparação – devem construir-se como núcleo central da preparação dos praticantes. Só com exercícios que derivam da contextualidade situacional do jogo é que é possível manter a “tensão dramática” do próprio jogo. Logo os exercícios específicos de preparação devem ser construídos de forma que os praticantes sintam que estes derivam verdadeiramente da lógica estrutural da modalidade desportiva que escolheram.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 52
  • 67. Revisão da LiteraturaA proposta de grelha taxionómica de Castelo (2003) (Quadro, II-6), dosexercícios de treino, tem como critério de classificação um elementofundamental do jogo, na mudança das escolhas e objectivos tácticosmomentâneos de cada equipa – A Bola.Quadro II-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003) Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003) de Classificação dos Exercícios de Treino “são todos os exercícios que não incluem a utilização da 1. Exercícios de Preparação Geral bola, como centro de decisão mental e acção motora do jogador”1. A. Exercícios de corrida contínua ou variável1. B. Exercícios que procuram aumentarem a taxa de produção de força. (…) São construídos na base das diferentes formas de manifestação da força. (Exemplo: abdominais, Flexões/extensões de braços)1. C. Exercícios de velocidade. (…) Procuram melhorar as diferentes formas básicas de manifestação da velocidade…” (Exemplo: velocidade de reacção, capacidade de aceleração, velocidade em distância curta, …)1. D. Exercícios que procuram melhorar ou manter os níveis de flexibilidade.” “Estabelecem a relação do praticante com a bola mas 2. Exercícios Específicos de Preparação não envolvem a concretização do objectivo fundamental Geral do jogo, isto é (…) o golo na baliza adversária.”2. A. Situações de treino das acções técnicas individuais. Através de circuitos técnicos em que cada jogador com asua bola executa um conjunto de estações técnicas específicas, diferenciadas pelo programa motor e pela suavelocidade de execução.2. B. Situações de treino das acções técnicas em grupo. (a dois, três, quatro, etc.), através das quais as acções depasse são realizadas com diferentes trajectórias, situações de duelo, 1x1, 2x2…2. C. Exercícios de posse de bola. Organizados para dois grupos de jogadores.2. D. Exercícios para potenciar a acção técnica de um ou mais jogadores. “… São organizados para que um ou maispraticantes terem de receber constante e permanentemente a bola por forma, por um lado, a pressioná-lo na suadecisão, e por outro lado, constituírem-se como alvos em que os seus companheiros terão continuamente quesolicitar.”2. E. Exercícios de dominante técnico – lúdico – recreativa (Exemplo: ténis – futebol, meiínho, …) “…devem ser construídos para que os jogadores sintam 3. Exercícios Específicos de Preparação que estes derivam verdadeiramente da lógica estrutural da modalidade desportiva…”ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 53
  • 68. Revisão da LiteraturaQuadro II-7 – Grelha Taxionómica de Classificação dos Exercícios de Treino (Castelo, 2003) (Cont.) Grelha Taxionómica Proposta por Castelo (2003) de Classificação dos Exercícios de Treino (Cont.)3. A. No primeiro nível, os exercícios específicos de treino caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou maisatacantes que desenvolvem as suas acções até finalizarem (…) sem haver oposição de defesas. (…) Constroem-sesobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e sem oposição defensiva. (a sua fórmula base varia de 1x0+GR…até 10x0+GR).3. B. No segundo nível, caracterizam-se pela acção ofensiva de um ou mais atacantes que desenvolvem as suasacções até finalizarem (…) com oposição de defesas, que estarão em igualdade, inferioridade ou superioridadenumérica. (…) Constroem-se sobre uma baliza (…) com um ou mais atacantes e com oposição defensiva. (a suafórmula base varia de 1x1+GR … até 10x10+GR)3.C. No terceiro nível, caracterizam-se pelo facto de quem ataca poder perder a posse da bola e por essa razão ter dedefender a sua baliza (…) pois irá sofrer o ataque de quem estava a defender. (…) Constroem-se sobre duas balizasem que os jogadores têm de desenvolver permanentemente atitudes e comportamentos técnicos / tácticos de carizofensivo e defensivo. (a sua fórmula base varia de GR+1x1+GR … até GR+10x10*GR). 3.C1. Jogos Treino3. D. Situações de bola parada (esquemas tácticos)Ramos (2003), propõe uma taxionomia próxima à do Castelo (2002),considerando-a a partir de critérios para as categorias dos exercícios que serãoconsiderados em: a) Exercícios essenciais, onde inclui o elemento essencial do jogo “atirar à baliza / defender a baliza”; b) Exercícios Complementares: - Exercícios complementares especiais com oposição, não tem como finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são realizados com a bola, mas as acções são realizadas “em condições de adversidade”, com oposição de objectivos do(s) adversário(s); - Exercícios complementares especiais sem oposição, não têm como finalidade (próxima, nem última) “atirar à baliza/defender a baliza”, são realizados com bola, e as acções são realizadas livres de adversário (s). c) Exercícios gerais “não incluem bola”.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 54
  • 69. Revisão da Literatura 2.4.6 ESTRUTURA DA CARGA DE TREINOMarques et al. (2000), afirmam ainda não ser possível nos tempos quedecorrem construir um modelo teórico sobre a dinâmica da carga no processode treino, que contribua de uma forma positiva, para o longo percurso dedesenvolvimento e formação dos atletas. No entanto, os autores em questãoaceitam como principal orientação para o processo de treino, no que concerneà gestão organização e estruturação da dinâmica das cargas, o aumentoprogressivo das componentes da carga (volume, intensidade, frequência edensidade). Entre os especialistas na matéria é relativamente consensual oprincípio que se rege pelo aumento da carga de treino através do volume, noentanto, este aumento está condicionado pelas obrigações escolares dosatletas, sendo assim essencial melhorar, progressivamente a eficácia dascargas de treino utilizadas, conseguindo para um mesmo tempo de treino umamelhor qualidade (Marques e col., 2000). 2.4.7 CARGA DE TREINO E COMPETIÇÃO EM CRIANÇAS E JOVENS NOSDESPORTOS COLECTIVOSNo que concerne à carga de treino e competições anuais para crianças ejovens nos desportos colectivos, estudos recentes realizados no nosso país(Quadros II-8, II-9 e II-10), demonstram que o número de cargas de treino ecompetição aumentam segundo o escalão etário, o que é sustentado pelaliteratura da especialidade (Marques e col., 2000; Pinto e col., 2001; Pinto ecol., (2003), sendo esta realidade apoiada pelo principio da do aumentosistemático da carga (Pinto e col. 2003). No entanto, os valores encontrados,em comparação com estudos realizados noutros países, são inferiores (QuadroII-11), o que leva Marques e col. (2000) a afirmarem que os jovensPortugueses na faixa etária 13-15 anos, poderão estar a treinar menos do queo que deveriam.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 55
  • 70. Revisão da LiteraturaQuadro II-8: Valores médios de treino (número de sessões, dias de treino no ano e frequência de treino), competições(oficiais e de preparação) e proporção entre unidades de treino / competições (adapt. de Marques e col., 2000; Santos,(2001; Pinto e col., 2001) Treino Competições Escalão Proporção Unidades/ Não Autor Etário Dias/ano Frequência Oficiais Total Treino/competição ano oficiais 10 / 12 81.7 229.7 2.5 25.5 5.8 31.2 2.6:1 Marques e col. 13 / 15 93.4 232.1 2.8 20.5 3.7 24.3 3.8:1 (2000) 12 / 14 104.6 264.6 2.75 20.6 5 25.6 3.6:1 Santos 15 / 19 136.3 271 3.49 30 6.3 36.3 3.8:1 (2001) Pinto e 12 /14 116.14 279.43 3.00 23.29 7.00 25.29 4.88:1 col. (2001)Quadro II-9: Valores de treino para: n.º sessões, média de horas por semana, duração média, horas por época e totalde unidades (Pinto e col., 2003)Época/escalão Sessões/semana Horas/semana Duração treino Horas/ano Total Autor 88/89/ 3.2 5.24 98.32 204.4 126 Iniciados 89/90/ 3.5 5.66 96.96 226.4 140 Iniciados Pinto e col. 90/91 4 7.2 107.4 263.1 147 (2003) Cadetes 94/95 4.2 7.6 118.6 298.5 151 CadetesQuadro II-10: Carga de treino e competição: n.º de competições oficiais, não oficiais e relação treino/competição(Pinto e col., 2003) Competições Época/escalão Relação treino/ comp. Autor Oficiais Não oficiais Total 88/89 34 6 40 3.15:1 Iniciados 89/90 27 7 34 4.12:1 Iniciados Pinto et 90/91 al. (2003) 38 4 42 3.5:1 Cadetes 94/95 44 5 49 3.1:1 CadetesJá pinto et al. (2003), quanto ao que a literatura indica como valores dereferência para os escalões estudados pelos mesmos, consideram que estesrevelam uma descontextualização evidente, essencialmente quando secomparam com propostas oriundas de realidades desportivas diferentesANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 56
  • 71. Revisão da Literatura(teorias ligadas aos desportos individuais e a níveis de exigência desportivoselevados). Os valores encontrados por Pinto et al. (2001) e Santos (2001) sãoligeiramente superiores aos encontrados por Marques (1993) e Marques et al.(2000), no entanto os valores encontrados pelos estudos referidos, realizadosno nosso país, são inferiores aos propostos pelos especialistas estrangeiros(Quadro II-11).Quadro II-11: numero de dias de preparação e frequência de treino (adap. de Marques e col. 2000; Marques, 1993;Martin, 1999; Santos, 2001; Pinto e col., 2001). Autor Escalão etário Dias de preparação Frequência de treinoGrosser et al. (1986) cit por 9-12 240-270 3-6 Marques e col. (2000) 13-14 300 5-10 10-12 291 2.8 Marques (1993) 13-15 285 2.5 10-12 315 2-4 Martin (1999) 13-15 315 4-6 10-12 230 2-5 Marques e col. (2000) 13-15 232 2-8 12 -14 265 2.8 Santos (2001) 15-19 271 3.5 Pinto e col. (2001) 12-14 279 3.0 2.4.8 CONTEÚDOS DE TREINO E SUA IMPORTÂNCIA NO TREINO DE CRIANÇAS EJOVENSMarques e col. (2000), no seu estudo (Quadro II-2), caracterizaram a carga detreino para cada conteúdo de treino, verificando que os treinadoresPortugueses dão mais importância a certos conteúdos em detrimento deoutros. Os autores verificaram, que os conteúdos de treino que desempenhamuma maior importância na estruturação do treino para estas idades (10-12anos; 13-15 anos) têm a seguinte ordenação: táctica, técnica, resistência delonga duração, endurance muscular e flexibilidade. Denotando-se a prioridadedada pelos treinadores, aos aspectos da táctica e da técnica algo que édefendido por Martin (1999) ao sustentar que, para estas idades os treinadoresao desenvolverem os sistemas de informação e neuro – motores, isto é, osANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 57
  • 72. Revisão da Literaturaaspectos da técnica e da táctica estão a revelar uma estratégia orientada paraa qualidade nos conteúdos de treino. Assim como importantes capacidadesmotoras como a resistência de longa duração, a flexibilidade e a resistênciamuscular, estão a ser desenvolvidas nesta fase de desenvolvimento doprocesso de treino.No entanto, os autores referenciados, nos resultados do estudo em questãoencontraram valores que contrariam essa qualidade de treino, ao denotaremque as capacidades de velocidade desempenham um papel de relevânciamenor (5% do tempo total de treino), capacidade motora considerada porMartin (1999) de extrema importância para formação motora e desportiva dosjovens atletas do grupo de idades de 10-12 anos. Assim como a força rápidaque igualmente lhe é atribuída uma importância reduzida.Marques e col. (2000), no seu estudo também verificaram que no grupo deidades 13-15 anos, os resultados são bastante reduzidos para o que Martin(1999) sugere no treino da força máxima (0%), da resistência de curta (0%) emédia duração (0,79%). Os autores consideram que menos de 1% do treinototal durante uma temporada completa, corresponde a diminutas exigências dequalidade no treino.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 58
  • 73. Revisão da LiteraturaQuadro II-12: Características da carga de cada conteúdo do treino nos dois grupos de idades: valores médios emminutos durante uma sessão de treino padrão, valor total em minutos e valores percentuais durante uma temporadadesportiva (adapt. de Marques e col., 2000) Grupo de Idades 10-12 Grupo de Idades 13-15 Conteúdos do Treino Média ± Dp T.Total % Média ± Dp T.Total % Resistência Muscular 5.5±6.1 603.5 6.43 3.7±5.4* 494.0 4.67 Força Rápida 0.2±1.3 31.6 0.20 0.5±3.0* 102.4 0.69Resistência de Longa Duração 6.2±7.5 637.2 7.26 6.1±8.1 728.8 7.07Resistência de Média Duração 0.5±2.7 11.1 0.55 0.6±2.5 184.6 0.79Resistência de Curta Duração 0.1±0.8 10.0 0.07 0.0±0.0* 0 0.00 Velocidade de Reacção 2.2±4.2 212.1 2.55 0.5±2.7* 74.6 0.63 Velocidade de Execução 0.6±2.4 144.7 0.69 0.1±0.5* 16.0 0.06 Velocidade de Deslocamento 2.0±4.9 338.6 2.31 0.7±3.1* 63.3 0.92 Resistência de Velocidade 0.1±0.6 15.0 0.05 0.2±2.3 108.7 0.29 Flexibilidade 3.5±5.0 442.1 4.00 5.0±5.1* 672.4 6.27 Coordenação 2.8±5.2 522.0 3.41 1.9±6.2* 274.9 2.41 Técnica 25.4±19.9 2427.3 29.90 27.1±19.2 2632.7 34.47 Táctica 35.9±20.8 2991.5 42.58 32.7±22.4* 3236.8 41.71 Tempo total de treino 86.1±9.8 7242.9 100.0 79.0±18.1* 7449.2 100.0ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 59
  • 74. MetodologiaIII. METODOLOGIA3.1 OBJECTIVOS 3.1.1 OBJECTIVO GERALO objectivo principal deste estudo é conhecer qual a estrutura do treino nofutebol, nos escalões de iniciados e juvenis, perceber as diferenças essenciaisentre as estratégias de formação utilizadas nos dois escalões e compará-lascom os modelos de referência. 3.1.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOSPara que o objectivo deste estudo se concretize, é pretendido atingir osseguintes objectivos específicos: - Caracterizar a estrutura do treino nos dois escalões. - Verificar e identificar as principais diferenças da estruturação do treinoentre o escalão de iniciados e juvenis, comparando essa estruturação com oque a literatura sugere para estas idades no que se refere: (1) aos exercíciosde treino – gerais ou específicos – utilizados; (2) aos conteúdos de treinovalorizados na formação – físicos, técnicos, técnico/tácticos; (3) aos métodosde treino privilegiados para cumprir as estratégias de formação. 3.1.3 HIPÓTESES ORIENTADORAS DO ESTUDOEm função dos objectivos definidos para a realização do nosso estudo,delimitámos quatro hipóteses orientadoras. Estas, devido à orientaçãometodológica do estudo, não estão vocacionadas à confirmação ou negação dasua veracidade, tendo como principal objectivo a contribuição para uma melhordefinição e clarificação das vias a serem seguidas pela pesquisa. HIPÓTESE 1 – A estruturação do treino do escalão de iniciados difereda estruturação do treino do escalão de juvenis. HIPÓTESE 2 – O aumento da especificidade do treino é proporcional aoaumento da idade dos atletas.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 61
  • 75. Metodologia HIPÓTESE 3 – Os treinadores de iniciados e juvenis de Futebol dãoprioridade ao desenvolvimento dos aspectos técnicos e técnico/tácticos emdetrimento dos aspectos físicos. HIPÓTESE 4 – As capacidades motoras desenvolvem-se através deuma exercitação conjugada com as habilidades técnico e técnico/tácticas,acompanhando as novas tendências de treino em Futebol.3.2 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRAO Quadro que se segue, caracteriza a amostra do nosso estudo.Quadro III-1: Principais características da amostra Unidades de Treino Escalão Etário Equipas Total 12-14 (Iniciados) 334 3 14-16 (Juvenis) 291 3 Total 625 6Para a realização deste estudo, foram analisadas 625 unidades de treino dejovens jogadores de Futebol do sexo masculino. Para tal, foram revistos seisdossiers, dos quais três pertencem a equipas do escalão de iniciados, e osrestantes a três equipas do escalão de juvenis.O quadro III – 2, tem por objectivo a descrição das equipas que constituem aamostra do nosso estudo, através da quantificação do número de treinos ecompetições formais realizados durante um período anual de treino, assimcomo, a razão entre o número de treinos e o número de competições.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 62
  • 76. MetodologiaQuadro III-2: Caracterização das equipas pertencentes ao estudo, número de treinos, número de competições, razãotreino/competições Iniciados Equipas n.º de Treinos n.º de Competições Razão Treino/Competição Equipa A (02/03) 98 28 3,5/1 Equipa B (02/03) 117 38 3,0/1 Equipa C (02/03) 119 29 4,1/1 Total / média razão trein./comp 334 95 3,5/1 Juvenis Clube/Época n.º de Treinos n.º de Competições Razão Treino/Competição Equipa D (02/03) 135 38 3,6/1 Equipa E (03/04) 71 24 3,0/1 Equipa F (03/04) 85 22 3,7/1 Total / média razão trein./comp. 291 84 3,5/1As equipas que deram origem às sessões de treino por nós analisadas,pertencem na sua maioria à Associação de Futebol do Porto, excepto a EquipaD, que pertence à Associação de Futebol de Aveiro.O número de treinos e competições, varia entre as equipas analisadas,verificando-se que as equipas do escalão de iniciados têm um número detreinos (334) e competições (95) superiores aos juvenis (treinos - 291,competições - 84). A equipa de iniciados que mais treina é a Equipa C, tendouma razão de treino / competições de 4,1/1, a equipa de juvenis que maistreina é a Equipa F, pois a razão treino / competições é de 3,7/1.As Equipas A, B, C e D pertencem aos centros de treino da Faculdade deDesporto e Educação Física do Porto, da Universidade do Porto, da época2002 / 2003. As Equipas E e F pertencem aos centros de treino da mesmaFaculdade, mas da época 2003 / 20043.3 MÉTODO DE PESQUISAO nosso estudo tem como pretensão, a caracterização da estrutura de treinoutilizada na preparação de jovens futebolistas portugueses (iniciados e juvenis),comparando-a com o que a literatura sugere. Trata-se de uma pesquisa denatureza exploratória e descritiva.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 63
  • 77. Metodologia 3.3.1 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS DE PESQUISAOs procedimentos utilizados para a realização deste estudo, baseiam-se nométodo de análise documental (Schnabel et al. 1987) e são do tipo descritivo –comparativo, permitindo-nos traçar as orientações seguidas na organização eestruturação do treino, no escalão de iniciados e juvenis em futebol.Procedeu-se a uma pesquisa documental, em torno dos dossiers de treino docentro de treino de Futebol da Faculdade de Ciências do Desporto e EducaçãoFísica da Universidade do Porto (FCDEF-UP).Os dossiers incluem os planos de preparação, que os alunos do 4º ano dalicenciatura de Desporto e Educação Física da FCDEF-UP, da opção defutebol, realizaram, ao terem a seu cargo uma determinada equipa, e por tal, aresponsabilidade de todo o planeamento, estruturação e organização do treinodessa mesma equipa.Os dossiers são, um instrumento auxiliar do treinador, para toda a organizaçãodo processo de treino, não um documento preparado para a realização deestudos científicos. Somente foi possível a realização de um trabalho criteriosode detecção, recolha e tratamento de informação, devido aos documentos emanálise se apresentarem estruturados e organizados de acordo com as normasde orientação precisas, formuladas nos Estudos do Centros Experimentais deTreino Desportivo da FCDEF-UP (Marques, 1982) 3.3.2 CATEGORIZAÇÃO E DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEISPara a realização do nosso estudo, foram objecto de análise nos dossiers detreino, as cargas de treino, os métodos de treino e os conteúdos de treinodesenvolvidos através dos distintos exercícios de treino (exercícios depreparação geral (E.P.G.), exercícios específicos de preparação geral(E.E.P.G.), exercícios específicos de preparação (E.E.P.)). A grande parte dacategorização e definição das variáveis do estudo, têm como base empírica aclassificação dos exercícios de treino de Queiroz (1986) e Castelo (2003).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 64
  • 78. Metodologia 3.3.2.1 EXERCÍCIOS DE TREINOOs exercícios de treino foram subdivididos nas seguintes categorias de análise: a. Exercícios de preparação geral: exercícios de treino que não incluem a utilização da bola, como centro de decisão mental e acção motora do jogador. b. Exercícios específicos de preparação: Exercícios de treino que estabelecem a relação do jogador com a bola, mas não envolvem a concretização do objectivo fundamental do jogo, isto é, do golo na baliza adversária. c. Exercícios de treino que estabelecem a relação do jogador com a bola e a concretização objectivo fundamental do jogo – golo na baliza adversária. 3.3.2.2 CARGA DE TREINOPara análise desta categoria, foi verificado o volume de treino (tempo total eparcial de treino em minutos e percentagens) para os seguintes conteúdos detreino: - Desenvolvimento das capacidades motoras: Resistência (aeróbia e anaeróbia; Força (resistente, rápida/explosiva, máxima); Velocidade (reacção, execução, deslocamento, resistente); Flexibilidade (activa e passiva); Coordenação (capacidade de reacção, capacidade rítmica, capacidade de equilíbrio, capacidade de diferenciação); - Técnica: aperfeiçoamento de um determinado gesto técnico ou gestos técnicos (passe, recepção, remate, etc.) - Técnico / Táctica: desenvolvimento de conjunto de movimentos (gestos técnicos, demarcações, etc.) adaptados às situações tácticas (ataque organizado, contra ataque, etc.), de acordo com o modelo de jogo adoptado pelo treinador.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 65
  • 79. Metodologia 3.3.2.3 MÉTODOS DE TREINOEm relação aos métodos de treino optámos por verificar: a. Desenvolvimento das capacidades motoras condicionais (resistência, força, velocidade) através de: - Exercícios sem posse de bola: através dos E.P.G. - Exercícios com posse de bola: através dos E.E.P.G. e E.E.P. b. Desenvolvimento dos conteúdos de treino através de exercícios: - Complementares (E.C.): todos os exercícios que não incluem como estrutura de base fundamental a finalização, subdivididos nas seguintes subcategorias de análise: exercícios sem oposição adversária; exercícios com a oposição adversária. - Fundamentais (E.F.): todos os exercícios que englobam as formas de jogo, que por sua vez, incluam a finalização como estrutura elementar fundamental, subdivididos em três formas fundamentais: Fase I – ataque sem oposição sobre uma baliza; Fase II – ataque contra defesa sobre uma baliza; Fase III – ataque contra defesa sobre duas balizas. 3.3.2.4 CONTEÚDOS DE TREINONo concerne aos conteúdos de treino, foi nossa opção, verificar: a. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.P.G: - Capacidades motoras condicionais: resistência aeróbia, resistência anaeróbia; força resistente, força rápida / explosiva, força máxima; velocidade de reacção, velocidade de deslocamento, velocidade resistente; flexibilidade activa, flexibilidade passiva. - Capacidades coordenativas: capacidade de reacção, capacidade de ritmo, capacidade de equilíbrio, capacidade de diferenciação, capacidade de orientação.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 66
  • 80. Metodologia b. Os conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P.G./ E.C: resistência específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); força específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); velocidade específica (desenvolvimento desta capacidade aliada a uma determinante técnica ou técnico / táctica); técnica; técnico / táctica. Desenvolvimento esse que poderá ser efectuado utilizando: - Exercícios sem oposição - Exercícios de oposição com igualdade numérica - Exercícios de oposição com superioridade numérica no ataque - Exercícios de oposição com superioridade numérica na defesa c. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase I: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - 1x0+gr: acção ofensiva com um atacante, sem oposição defensiva, que desenvolve as suas acções sobre uma baliza com o objectivo de finalizar; - 2x0+gr: acção ofensiva de dois atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem; - 3x0+gr: acção ofensiva de três atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem; - Mais de 3x0+gr: acção ofensiva com mais de três atacantes, sem oposição, desenvolvendo as suas acções sobre uma baliza com o intuito de finalizarem.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 67
  • 81. Metodologia d. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase II: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - Exercício com superioridade numérica no ataque: acção ofensiva de dois ou mais atacantes, com oposição defensiva, sendo que existe sempre superioridade no ataque no desenvolvimento das acções ofensivas sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização. - Exercício com igualdade numérica: acção ofensiva de um ou mais elementos, com oposição, caracterizando-se por no desenvolvimentos das acções ofensivas haver igual número de atacantes e defensores sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização; - Exercício com superioridade numérica na defesa: acção ofensiva de um ou mais elementos, com oposição defensiva, caracterizando-se por no desenvolvimento das acções ofensivas haver sempre inferioridade numérica do ataque sobre uma baliza, tendo por objectivo a finalização. e. Conteúdos de treino desenvolvidos através dos E.E.P / Fase III: análise de todos os conteúdos referenciados no ponto anterior (b.). Utilizando a seguinte estruturação de exercícios: - Jogo reduzido: formas jogadas, onde o número de jogadores é reduzido em comparação com o jogo formal, assim como as dimensões do terreno e balizas, no entanto as regras do jogo são idênticas (ex. 2x2, 3x3, etc.); - Jogo reduzido e condicionado: formas jogadas, onde o numero de jogadores é reduzido em comparação com o jogo formal, assim como as dimensões do terreno e balizas, nesta situação as regras do jogo são condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques na bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, etc.) onde também poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.);ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 68
  • 82. Metodologia - Jogo formal: situação de 11x11, com as regras e dimensões idênticas às da competição. - Jogo formal condicionado: situação de 11x11, onde as regras do jogo são condicionadas aos objectivos dos treinadores (máximo dois toques na bola, só podem finalizar de pois da bola ter passado por todos, jogar num espaço mais reduzido, em meio campo 11x11, etc.) onde também poderá não existir igualdade numérica (3x2, etc.);3.4. PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOSO estudo estatístico, realizado com o SPSS 10.0, incluiu uma análise defrequências, das medidas descritivas, tais como as médias, desvios-padrão epercentagens, e um T-test para comparação de escalões etários.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 69
  • 83. Apresentação e Discussão dos ResultadosIV. Apresentação e Discussão dos Resultados4.1 EXERCÍCIOS DE TREINOO quadro que se segue demonstra o nível de utilização dos vários exercíciosde treino (E.P.G, E.E.P.G e os E.E.P) por parte dos treinadores de futebol noescalão de iniciados e juvenis, pertencentes à amostra em estudo.Quadro IV-1: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios de Treino Média ± Dp Soma % Ex. de Preparação Geral 23,2±16,1 14472 28,0 Ex. esp. de prep. Geral 19,3±15,7 12042,8 23,2 Ex. esp. de Preparação 40,4±22,4 25236,2 48,8 Tempo Total de Treino 82,8±20,9 51751 100Verifica-se através destes dados que os treinadores na faixa etária dos 12 aos16 anos, correspondente aos escalões de formação de iniciados e juvenis, dãomais importância aos exercícios específicos de preparação (49%) emdetrimento dos exercícios específicos de preparação geral (23%) e dosexercícios de preparação geral (28%). Algo que não é surpreendente, uma vezque Marques e col., (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estruturado treino de jovens atletas em jogos desportivos colectivos, obtiveramresultados semelhantes.Denota-se que os treinadores das faixas etárias em questão dão bastanteimportância à preparação geral (EPG e EEPG), contemplando-a nos treinosdos seus atletas. A soma dos exercícios de preparação geral, num períodoanual de treino do nosso estudo revela que, nos iniciados o treino é subdivididoem (50,1 %) preparação geral e (49,9 %) preparação específica, nos juvenis(52,5%) preparação geral e (47,7%) preparação específica. Estes valoresdemonstram que, os treinadores em questão dão bastante importância aosexercícios de preparação geral, algo que é apoiado pela literatura daespecialidade, pois anterior à aquisição de toda a estrutura complexa dosgestos e das acções desportivas deverá estar uma cultura motora nãoespecializada, constituída por um repertório de gestos motores ecomportamentos motores que se caracterizam por serem mais simples, sem oANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 71
  • 84. Apresentação e Discussão dos Resultadosqual não se evoluirá de forma eficiente e estável, no aprofundamento dorendimento desportivo (Marques e Oliveira, 2001).No quadro IV-2, podemos observar os resultados referentes, à média emminutos de treino e percentagens de treino utilizados, numa unidade de treinotipo para cada escalão etário.Quadro IV-2: Utilização de exercícios de treino e tempo total de treino para os escalões de iniciado e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Exercício de Preparação Geral 25,8±18,8 30,2 20,0±11,7* 25,2 Ex. Específico de Preparação Geral 17,1±14,9 19,9 21,7±16,2* 27,3 Exercício Específico de Preparação 42,8±22,9 49,9 37,6±21,5* 47,4 Tempo Total de Treino 85,8±24,3 100 79,4±15,5* 100*Estatisticamente significativo p< 0,05.Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância comos resultados de Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugalsobre a estrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol;Basquetebol; Andebol; Voleibol), se bem que para faixas etária distintas 10-12e 13-15 anos, o grupo etário mais jovem tem uma média de minutos de treinosuperior (85,8±24,3) ao grupo etário de idade mais avançada (79,4±15,5)(p<0,05).Denota-se que no escalão de iniciados (25,8±18,8) é dada mais importânciaaos exercícios de preparação geral do que no escalão juvenil (20,0±11,7) (p<0,05), tal é suportado pela literatura. No que se refere aos exercíciosespecíficos de preparação geral verifica-se que no escalão de juvenis(21,7±16,2), este tipo de exercícios são mais utilizados para a preparação dosatletas do que no escalão de iniciados (17,1±14,9) (p <0,05), o que está deacordo com o que os especialistas defendem uma vez que sugerem que o nívelde especificidade do treino deverá ser proporcional ao aumento da idade. Talnão se verifica nos exercícios específicos de preparação, pois os iniciados nonosso estudo têm uma média de minutos de treino (42,8±22,9) superior aoescalão juvenil (37,6±21,5) (p <0,05).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 72
  • 85. Apresentação e Discussão dos ResultadosAo analisarmos o quadro (IV-2), verificamos que no escalão de juvenis osEEPG tem uma utilização ligeiramente superior (27,3%) em relação aos EPG(25,2%). Tal é defendido pela literatura, pois autores como (Teodoresco, 1983;Nunes e Gomes – Pereira, 2001), salientam a importância da criação deexercícios que reproduzam parcial ou integralmente o conteúdo e a estruturado jogo. Bezerra (2001) refere que as capacidades físicas devem serdesenvolvidas através de formas jogadas num ambiente próximo dacompetição (Ferreira e Queiroz, 1992; Nunes e Gomes – Pereira, 2001).4.2 CARGAS DE TREINO 4.2.1 CARGA DE TREINO PARA CADA CONTEÚDO DE TREINOO quadro IV-3, procura demonstrar qual a importância dada pelos treinadoresda faixa etária em estudo, ao desenvolvimento dos aspectos físicos, técnicos etécnico tácticos durante um período anual de treinos.Quadro IV-3: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Conteúdos de Treino Média ± Dp Soma % Desenvolvimento Físico 34,0±21,0 21244,2 41,1 Desenvolvimento Técnico 6,6±10,2 4128,2 8,0 Desenvolvimento Técnico/Táctico 42,2±22,1 26378,5 50,9 Tempo Total de Treino 82,8±20,9 51751 100O quadro IV-3, demonstra que os treinadores nestas idades dão prioridade aosaspectos técnico / tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectostécnicos (8%). Estes valores contrastam com os valores encontrados por Pintoe col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga de treinoe competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos), Santos(2001), estudo baseado numa análise das estruturas do treino e escalões deformação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, Pinto e col. (2003), numestudo de caso, sobre o planeamento do treino de jovens Basquetebolistas,onde foi realizada uma análise das cargas de treino, em dois escalõesdiferenciados (12/14 e 15/16 anos), de um treinador de referência e Marques ecol. (2000) num estudo realizado em Portugal sobre a estrutura do treino emjogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol; Andebol; Voleibol) nosANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 73
  • 86. Apresentação e Discussão dos Resultadosescalões de formação (10/12 e 13/15 anos), denotando-se que, os treinadoresde futebol para o escalão etário em estudo dão bastante importância àsquestões técnico / tácticas, o que não difere dos resultados encontrados nosestudos referenciados. No entanto no que concerne aos aspectos físicos osnossos valores são bastante superiores. Já no que diz respeito aodesenvolvimento técnico de uma forma isolada, os nossos valores são muitoinferiores aos encontrados pelos autores citados.O quadro IV-4, é referente à prioridade dada pelos treinadores aodesenvolvimento dos conteúdos em discussão, podendo verificar-se atravésdele, os valores médios da carga para os diferentes conteúdos de treino, assimcomo, as percentagens referentes a um período anual de desenvolvimentopara uma sessão de treino padrão em futebol, em ambos os grupos etários.Através da sua análise, poderemos compreender melhor as diferençasexistentes entre o nosso estudo e os estudos referenciados.Quadro IV-4: Características da carga de treino para o desenvolvimento físico, técnico e técnico / táctico, para o escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento Físico 34,7±23,2 40,4 33,2±18,2 41,8 Desenvolvimento Técnico 7,6±11,4 8,9 5,5±8,6 6,9 Desenvolvimento Técnico/Táctico 43,5±23,0 50,7 40,7±20,9 51,3 Tempo Total de Treino 85,8±24,3 100 79,4±15,5* 100*Estatisticamente significativo p< 0,05.Ao analisarmos o quadro, verificamos que não existem diferençasestatisticamente significativas (P <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenisno que diz respeito às prioridades de treino para o desenvolvimento físico,técnico e técnico / táctico.Comparando os valores da nossa amostra com os valores encontrados porPinto e col. (2001), estudo realizado em Portugal, sobre a análise da carga detreino e competição em Basquetebol no escalão de iniciados (12/14 anos),assim como os encontrados por Santos (2001), estudo baseado numa análisedas estruturas do treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) emBasquetebol e (Pinto e col. (2003), num estudo de caso, sobre o planeamentoANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 74
  • 87. Apresentação e Discussão dos Resultadosdo treino de jovens Basquetebolistas, onde foi realizada uma análise dascargas de treino, em dois escalões diferenciados (12/14 e 15/16 anos), de umtreinador de referência (Quadro IV-5), denotamos que os treinadorespertencentes ao nosso estudo dão muito mais realce ao desenvolvimento físico(40%) e pouca importância ao desenvolvimento técnico (9%), que pelocontrário é o que mais se desenvolve nos estudos de Pinto e col. (2001) eSantos (2001), quanto ao desenvolvimento técnico / táctico o resultado donossos estudo é ligeiramente superior (51%).Quadro IV-5: Percentagem da distribuição dos conteúdos de treino no basquetebol ( adaptado de Pinto e col., 2001; Pinto e col., 2003). Desenvolvimento Desenvolvimento Desenvolvimento Escalão Etário Autor Físico Técnico Táctico 13 / 14 30% 50% 20% Betrán (1996) 15 / 16 35% 40% 25% 12 / 14 5% 48% 47% Santos (2001) 15 / 19 4% 38% 59% 12 / 14 16% 45% 40% Pinto e col. (2001) 12 / 14 7% 45% 48% Pinto e col. (2003) 15 / 16 7% 33% 59%No escalão de juvenis (14-16), os nossos resultados, no desenvolvimentotécnico / táctico (51%), aproximam-se dos resultados de Santos (2001) e dePinto e col. (2003), mas mais uma vez, no que diz respeito ao desenvolvimentotécnico (7%) os nossos resultados são inferiores, mas bastante superiores nodesenvolvimento físico (42%).Também Marques e col. (2000), num estudo realizado em Portugal sobre aestrutura do treino em jogos desportivos colectivos (Futebol; Basquetebol;Andebol; Voleibol) nos escalões de formação (10/12 e 13/15 anos), realçaram aprioridade dada pelos treinadores às questões tácticas e técnicas, aos sistemasde informação e neuro - motores. O que segundo Martin (1999), se trata deuma estratégia orientada para a qualidade de treino, para fase dedesenvolvimento dos atletas correspondente à faixa etária em questão nonosso estudo.Estes resultados poderão justificar-se, pela metodologia utilizada no nossoestudo, que poderá ter sido diferente à dos estudos referenciados. Uma vezANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 75
  • 88. Apresentação e Discussão dos Resultadosque por nós foi considerado, como desenvolvimento técnico, o aperfeiçoamentode um determinado gesto técnico ou gestos técnico (passe, recepção, remate,etc.) que a dado momento os treinadores tenham demonstrado interesse emdesenvolver nos seus atletas, através dos exercícios complementares efundamentais por nós considerados. Como desenvolvimento técnico / táctico,quando os treinadores demonstrassem pretensões que os seus atletasdesenvolvessem a capacidade de, mediante uma determinada situação táctica(ataque organizado, contra ataque, circulação de bola, pressão zonal, etc.),optar por uma conjuntura de movimentos (gestos técnicos, demarcações, etc.)adaptados ao modelo de jogo idealizado pelos treinadores, através dosexercícios complementares e fundamentais por nós considerados.Ao mesmo tempo, na tentativa de acompanhar as novas tendências do treino,defendida por autores como Rui Faria e Carlos Carvalhal, que se contrapõem aperiodização “convencional” para o Futebol, defendendo a periodização táctica,que tem por princípios o desenvolvimento físico mediante situações técnico /tácticas, isto é, um desenvolvimento físico adaptado às exigências do modelode jogo adoptado pelo treinador. Mas também pelo facto dos autores, Santos(2001), Pinto e col.(2001) e Pinto e col.(2003), nos seus estudos realçarem asua dificuldade no processo de recolha de dados, ao não contemplarem odesenvolvimento físico integrado, desenvolvimento físico associado a umacomponente técnico / táctica, nos seus estudos e por os treinadores nemsempre definirem como objectivo esse mesmo tipo de treino. Por tal, optamospor verificar o desenvolvimento das capacidades condicionais (resistência,força, velocidade.) de uma forma específica, associada às componentestécnicas, ou técnico / tácticas através dos exercícios complementares efundamentais considerados no nosso estudo.Consideramos que os resultados do nosso estudo, neste aspecto, estão deacordo com o que os autores consideram e apelam de “qualidade de treino”,uma vez que nos estudos por nós consultados, os valores da vertente físicarevelaram-se bastante reduzidos (Quadro IV-5), tal não se verifica no nossoestudo. No que diz respeito aos baixos valores da componente técnica donosso estudo, poderá ser entendido como uma boa opção de treino, uma vezANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 76
  • 89. Apresentação e Discussão dos Resultadosque a técnica no Futebol deverá ser entendida como um conjunto de acçõesmotoras especializadas que permitam resolver as tarefas do jogo, a principalfunção da técnica reside na sua utilidade para servir a inteligência e acapacidade de decisão táctica dos intervenientes do jogo. O ensino e treino datécnica em futebol não deverá restringir-se aos gestos em si, à vertentebiomecânica do movimento, mas sim atender sobretudo às imposições da suaadaptação inteligente às situações de jogo (Garganta, 1997; Garganta, 2001;Garganta 2002). 4.2.2 CARGA DE TREINO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADESMOTORASO Quadro IV-6, referencia o desenvolvimento das capacidades motoras emFutebol na faixa etária do 12 aos 16 anos, através dos valores médios da cargapara os diferentes conteúdos de treino, assim como as percentagens referentesa um período anual, para uma sessão de treino tipo.Quadro IV-6: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Conteúdos Média ± Dp Soma % Desenvolvimento da Resistência 15,8±12,5 9870,3 19,1 Desenvolvimento da Força 6,9±11,4 4309,0 8,3 Desenvolvimento da Velocidade 2,6±6,3 1662,2 3,1 Desenvolvimento da Flexibilidade 6,8±5,0 4226,2 8,2 Desenvolvimento Coordenativo 1,3±2,7 796,5 1,6Verifica-se através da análise do quadro, que a resistência é a capacidademotora que mais se desenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) e aflexibilidade (8%), sendo a velocidade (3%) e a coordenação (2%) o que menosse desenvolve na faixa etária dos 12 aos 16 anos em Futebol.O nosso estudo, revela que a resistência, a força e a flexibilidade estão a serdesenvolvidos nesta fase do processo de desenvolvimento dos atletas, o querevela uma estratégia orientada para a qualidade de treino por parte dostreinadores, estes resultados são coincidentes com os resultados encontradospor Marques e col. (2000), no entanto, assim como nos resultados encontradospor Marques e col. (2000) a velocidade e coordenação no nosso estudo tiveramANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 77
  • 90. Apresentação e Discussão dos Resultadospouca relevância, capacidades que são de extrema importância seremdesenvolvidas nestas idades. Martin (1991), citado por Marques (2000)sustenta que um incremento contínuo dos níveis de aprendizagem e decoordenação, assim como, um maior ênfase no desenvolvimento dascapacidades de velocidade e de força rápida, são conteúdos de treinopreponderantes para uma optimização de performance no futuro.O quadro que se segue procura demonstrar se existem diferenças entre otreino de iniciados e juvenis no desenvolvimento das capacidades motoras.Quadro IV-7: Características da carga de treino para o desenvolvimento das capacidades motoras no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento da Resistência 18,1±12,8 21,1% 13,2±11,7* 16,6% Desenvolvimento da Força 5,4±8,9 6,3% 8,6±13,5* 10,8% Desenvolvimento da Velocidade 3,1±6,8 3,6% 2,2±5,6 2,8% Desenvolvimento da Flexibilidade 5,8±4,8 6,6% 7,9±4,9* 9,9% Desenvolvimento Coordenativo 1,6±2,9 1,8% 0,9±2,4* 1,1%*Estatisticamente significativo p< 0,05.Através da análise do quadro, verificamos que existem diferenças significativas(p <0,05) no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades motorasentre o escalão de iniciados e juvenis, pois o treino dos iniciados revela umdesenvolvimento superior da resistência e coordenação, já o treino dos juvenisdá mais importância ao desenvolvimento da força e flexibilidade. Ao contráriodos resultados de Santos (2001), estudo baseado numa análise das estruturasdo treino e escalões de formação (12/14 e 15/19 anos) em Basquetebol, osresultados do nosso estudo demonstram que o escalão etário mais baixodesenvolve mais a resistência do que o escalão etário de mais idade. No quediz respeito ao desenvolvimento da força assim como nos resultadosencontrados por Santos (2001), o escalão etário de idade mais avançadadesenvolve mais esta capacidade do que o escalão etário de idade mais baixa.Tanto no desenvolvimento coordenativo como no desenvolvimento daflexibilidade os nossos resultados são contrários aos de Santos (2001).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 78
  • 91. Apresentação e Discussão dos ResultadosÉ importante realçar, que de uma forma geral, os nossos resultados revelamque os treinadores de Futebol dão grande realce ao desenvolvimento dascapacidades motoras quando em comparação com os estudos por nósconsultados. Sendo exemplo disso a comparação dos nossos resultados comos resultados encontrados por Santos (2001) (Quadro IV-8), se bem que paramodalidades diferentes mas ambas desportos colectivos.Quadro IV-8: Características da carga de treino para cada conteúdo de treino: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação (Adaptado de Santos, 2001). 12-14 14-19 Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Desenvolvimento da Resistência 0,09±0,96 0,12 0,36±1,66 0,40 Desenvolvimento da Força 0,72±0,75 0,80 2,41±5,21 2,70 Desenvolvimento da Velocidade 0,76±0,96 0,84 0,28±1,31 0,30 Desenvolvimento da Flexibilidade 2,68±1,07 3,13 0,21±1,74 0,21 Desenvolvimento Coordenativo 0,0±0,0 0 0,01±0,14 0,01No entanto, cremos que os resultados da nossa amostra de uma forma geral,se revelam positivos, mas a nosso ver, requerem uma análise mais específicasendo necessário verificar o nível de desenvolvimento das diferentes formas deexpressão das capacidades motoras em questão, algo que se poderá verificarno ponto 4.4.1 da análise e discussão dos resultados do nosso estudo.4.3 MÉTODOS DE TREINO 4.3.1 METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES MOTORAS CONDICIONAISO quadro que se segue, tem por objectivo demonstrar de que forma ostreinadores de Futebol no escalão etário dos 12 aos 16 anos, desenvolvem ascapacidades motoras condicionais (C.M.C)Quadro IV-9: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Método de Treino Média ± Dp Soma % Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola 23,2±16,1 14472 28,0 Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola 10,8±11,5 6772,2 13,0O quadro demonstra que os treinadores, nestas idades, tendem a desenvolvermais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas de uma formaANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 79
  • 92. Apresentação e Discussão dos Resultadosseparada das questões técnicas e tácticas, pois a utilização de exercícios semposse de bola (28%) no seu desenvolvimento é superior à utilização deexercícios com posse de bola (13%). O que a nosso ver é compreensível, umavez que a literatura aponta para que a especificidade do treino aumente com oaumento da idade, por tal o desenvolvimento mais específico das capacidadesmotoras condicionais deverá aumentar de uma forma gradual, à medida que aidade dos atletas aumenta.No entanto, Gomes – Pereira (2001); Bangsbo (1994), defendem odesenvolvimento das capacidades motoras aliadas aos gestos técnicos etécnico / tácticos. Os autores consideram que o desenvolvimento físico deveser adaptado às exigências do modelo de jogo idealizado pelo treinador, isto éadaptado à competição, tal não se verifica no nosso estudo, pois apercentagem do desenvolvimento físico sem bola é inferior ao desenvolvimentofísico com bola.O facto dos treinadores geralmente utilizarem mais o desenvolvimento físicoseparado das questões técnico e técnico / tácticas, poderá justificar-sesegundo (Bangsbo, 1994), pela dificuldade em organizar-se este tipo deexercícios, pois requerem a disponibilização de mais tempo na suaorganização e mais imaginação, assim como, a precedente avaliação para averificação do cumprimento do exercício, tornando-se mais simples para otreinador o desenvolvimento físico separado das situações técnico e técnico /tácticas.O Quadro IV-10, descreve a opção metodológica de treino para odesenvolvimento das capacidades motoras condicionais dos iniciados ejuvenis.Quadro IV-10: Metodologia utilizada para o desenvolvimento das capacidades motoras condicionais no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Método de Treino Média ± Dp % Média ± Dp % Des. Cap. motoras através de ex. s/ bola 25,8±18,8 30,1 20,0±11,7* 25,2 Des. Cap. motoras através de ex. c/ bola 8,8±9,8 10,2 13,1±12,8* 16,5*Estatisticamente significativo p< 0,05.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 80
  • 93. Apresentação e Discussão dos ResultadosO quadro demonstra que os treinadores dos juvenis desenvolvem mais ascapacidades motoras condicionais, através de exercícios com posse de bola(17%) do que os iniciados (10%) (p <0,05), estes por sua vez, desenvolvemmais as capacidades motoras condicionais através de exercícios sem posse debola (p <0,05), isto é, sem associar o desenvolvimento das mesmas comsituações técnicas e tácticas. Mais uma vez, os resultados estão de acordocom o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino (Marquese col. 2000). 4.3.2 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES / FUNDAMENTAISO quadro seguinte retracta, através da média e desvio padrão, da soma epercentagens, para uma sessão de treino padrão durante um período anual detreino, quais os exercícios treino preferencialmente utilizados pelos treinadoresnestas idades.Quadro IV-11: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão etário dos 12 aos 16 anos em Futebol : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Método de Treino Média ± Dp Soma % Exercícios Complementares 19,3±15,7 12042,8 23,3 Exercícios Fundamentais 40,4±22,4 25236,2 48,8Através da análise do quadro, denota-se que os treinadores da faixa etária dos12 aos 16 anos em futebol, utilizam preferencialmente exercícios fundamentais(49%) em detrimento dos exercícios complementares (23%). Verificando-seque os mesmos, optam ou dão mais importância, aos exercícios queestruturalmente têm a finalização como objectivo (exercícios fundamentais),deixando para segundo plano os exercícios que não tem finalização (exercícioscomplementares), que normalmente servem para isolar ou canalizar aconcentração dos atletas para o desenvolvimento de determinada situaçãofísica, técnica ou técnico / táctica, não tendo como objectivo a finalização, isto éo objectivo do jogo.O Quadro IV-12, compara a utilização dos exercícios complementares efundamentais, por parte dos treinadores de iniciados e juvenis.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 81
  • 94. Apresentação e Discussão dos ResultadosQuadro IV-12: Preferência metodológica de utilização de exercícios (complementares / fundamentais) no escalão de iniciados e juvenis : valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Conteúdos Média ± Dp % Média ± Dp % Exercícios Complementares 17,1±14,9 19,9% 21,7±16,2* 27,3% Exercícios Fundamentais 42,8±22,9 49,9% 37,6±21,5* 47,4%*Estatisticamente significativo p< 0,05Através da análise do quadro, é nos demonstrado, que os iniciados utilizammais exercícios fundamentais do que os juvenis (p <0,05). Os juvenis por suavez utilizam mais exercícios complementares do que os iniciados (p <0,05). Aoanalisarmos estes tendo em conta o princípio da especialização crescente, nãose encontram de acordo com a lei, no entanto, essa diferença emborasignificativa não é elevada, para que se possa afirmar de forma peremptória,que está errado os treinadores dos juvenis utilizarem mais exercícioscomplementares do que os iniciados e vice-versa. 4.3.3 EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (COM OU SEM OPOSIÇÃO)O Quadro IV-13, procura demonstrar de que forma é que os treinadoresutilizam os exercícios complementares, através da média e desvio padrão, dasoma e percentagens, para uma sessão de treino tipo, de um período anual detreino.Quadro IV-13: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Ex. complementares - Método Média ± Dp Soma % Ex. comp. s/ oposição 9,9±11,7 6197,8 12,0 Ex. comp. c/ oposição 9,4±12,0 5845,1 11,4Ao analisarmos o quadro, deparamos que no treino de futebol no escalão deiniciados e juvenis, utiliza-se metodologicamente mais exercícioscomplementares sem oposição de adversários do que exercícioscomplementares com oposição, no entanto, essa diferença é pequena (0,6%).Estes resultados demonstram que os treinadores de Futebol da faixa etária emestudo, quando utilizam os exercícios complementares que se caracterizam pornão terem finalização, optam por não utilizarem a oposição adversária. Têmpreferência por exercícios pouco complexos para os atletas e para osANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 82
  • 95. Apresentação e Discussão dos Resultadostreinadores, isto é, de mais fácil execução para os atletas e de simples controlopara o treinador. No entanto embora os exercícios tenham as vantagensreferidas, segundo alguns autores especialistas na matéria (Mesquita, 2000;Garganta 2002) têm fraca aplicabilidade prática, quando se pretendedesenvolver aspectos técnicos ou técnico / tácticos, pois, através deste tipo deexercícios, os atletas desenvolvem sobretudo o seu controlo quinestésico, emdetrimento de outras importantes capacidades, como o controlo visual.Mesquita (2000) sustenta, que no treino dos jogos desportivos colectivos sedeve contemplar probabilidades de ocorrência das situações – problemaespecíficas da competição, o que não acontece neste tipo de exercícios(exercícios complementares sem oposição), pois em competição dificilmentenão existe a oposição de adversários.Os exercícios complementares sem oposição, poderão no entanto, serextremamente úteis para desenvolvimento específico das capacidades motorascondicionais, por tal, não poderemos julgar a opção dos treinadores emutilizarem estes tipos de exercícios, sem antes sabermos o que vai serdesenvolvido. Algo que se poderá verificar mais à frente no quadro IV – 18, doponto 4.4.2, referente à utilização de exercícios específicos de preparaçãogeral que são também denominados por exercícios complementares.O quadro que se segue, distingue as opções metodológicas dos treinadores deiniciados e juvenis a quando da utilização de exercícios complementares.Quadro IV-14: Preferência metodológica de utilização de exercícios complementares (com ou sem oposição) no escalão no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios Complementares Média ± Dp % Média ± Dp % Sem oposição 11,6±13,1 13,5 8,0±9,4* 10,1 Com oposição 5,5±9,8 6,4 13,7±12,8* 17,2*Estatisticamente significativo p< 0,05Os treinadores de iniciados utilizam mais exercícios complementares semoposição de adversários (14%) do que os treinadores dos juvenis (10%) (p<0,05), inversamente os treinadores de juvenis têm uma utilização superior deANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 83
  • 96. Apresentação e Discussão dos Resultadosexercícios complementares com oposição (17%) em relação aos treinadoresdos iniciados (6%).Os resultados, a nosso ver estão de acordo com o principio da especializaçãocrescente (Marques e col., 2000), pois os exercícios mais complexos são maisutilizados pelos treinadores dos juvenis, por sua vez, os exercícios queteoricamente são menos complexos, têm um grau de utilização superior porparte dos treinadores dos iniciados.Os exercícios fundamentais são os mais utilizados pelos treinadores de futebolda faixa etária dos 12 aos 16 anos (ver Quadros, IV-11 e IV-12), resta saber deque forma é que os treinadores pretendem desenvolver as capacidades dosseus atletas através destes exercícios. Queirós (1987) e Castelo (2002)subdividem os exercícios fundamentais em três fases distintas, com um graude complexidade crescente (exercícios fundamentais de fase I, fase II e faseIII). 4.3.4 EXERCÍCIOS FUNDAMENTAIS (FASE I, II, III)Os quadros que se seguem (Quadros IV-15 e IV-16) procuram demonstrar, quetipo de exercícios fundamentais mais se utiliza nesta faixa etária e se existemdiferenças estruturais entre os treinadores de iniciados e juvenis, na escolhadestes exercícios.Quadro IV-15: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão etário dos 12 aos 16 anos: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Ex. Fundamentais - Método Média ± Dp Soma % Exercícios Fundamentais Fase I 6,1±10,1 3835,5 7,4 Exercícios Fundamentais Fase II 6,5±11,7 4043,9 7,8 Exercícios Fundamentais Fase III 27,8±24,6 17356,8 33,6Os treinadores de Futebol da faixa etária dos 12-16 anos, quando utilizamexercícios fundamentais (exercícios com finalização), optam por utilizar maisexercícios fundamentais de fase III (34%), seguindo-se os de fase II (8%) e porfim os de fase I (7%).Através da análise destes resultados, verificamos que os treinadores em causa,optam por utilizar os exercícios de fase III, que são mais complexos que osANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 84
  • 97. Apresentação e Discussão dos Resultadosrestantes e que estruturalmente obrigam a que os atletas em posse de bolaprocurem a finalização e quando perdem a posse da mesma, evitem afinalização na sua baliza (jogo reduzido, jogo reduzido e condicionado, jogoformal, jogo forma condicionado) (Queiroz, 1987; Castelo, 2002). A nosso ver,é uma opção de treino bastante válida uma vez que são os exercícios queestruturalmente mais se assemelham com a competição.Quadro IV-16: Preferência metodológica de utilização de exercícios fundamentais (Fase I, Fase II e Fase III) no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Iniciados (12-14) Juvenis (14-16) Exercícios Fundamentais Média ± Dp % Média ± Dp % Exercícios Fundamentais Fase I 5,8±10,2 6,8% 6,5±10,0 8,2% Exercícios Fundamentais Fase II 4,8±9,9 5,6% 8,3±13,2* 10,4% Exercícios Fundamentais Fase III 32,1±25,8 37,4% 22,8±22,1* 28,7%*Estatisticamente significativo p< 0,05Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores dos iniciadosutilizam menos exercícios fundamentais de fase II (6%) do que os juvenis(10%) (p <0,05), os treinadores de iniciados utilizam mais os exercíciosfundamentais de fase III (37%) do que os treinadores de juvenis (29%) (p<0,05). Estes resultados, não estão de acordo com o princípio daespecialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col., 2000), poisos treinadores dos iniciados utilizam mais exercícios de fase III, que são osmais complexos, do que os treinadores dos juvenis.4.4 CONTEÚDOS DE TREINO 4.4.1 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.P.GO Quadro IV-17, é referente ao desenvolvimento das capacidades motorasatravés dos exercícios de preparação geral, distinguindo esse desenvolvimentopor escalões.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 85
  • 98. Apresentação e Discussão dos ResultadosQuadro IV-17: Características da carga de treino, para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios de Preparação Geral 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis)Conteúdos de Treino Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % Resistência Aeró. 10,7±9,1 3583,5 12,5 3,9±5,4* 1135,0 4,9 Resistência Anae. 0,7±2,7 245,0 0,8 0,5±2,4 135,0 0,6 Força Resistente 3,4±4,8 1126,5 4,0 4,0±3,1 1151,5 5,0 Força Rap./ Expl. 1,6±5,7 541,0 1,9 1,5±4,4 425,0 1,9 Força Máxima 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 Velocidade Reacç 0,4±1,9 123,0 0,5 0,5±2,2 135,0 0,6 -2 -2 Velocidade Exec. 3,1x10 ±0,4 10,5 3,6x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Velocidade Deslo. 1,3±4,2 429,2 1,5 1,0±2,9 282,5 1,3 -2 -2 Velocidade Resis. 0,3±2,1 114,5 0,3 4,1x10 ±0,5* 12,0 5,2x10 Flexibili. Acti. 1,2±2,0 386,5 1,4 1,0±1,6 299,5 1,2 Flexibili. Pass. 4,6±4,0 1534,8 5,4 6,9±4,9* 2005,5 8,7 Cap. Reac. Coord. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 Cap. Rítm. Coord. 1,6±2,9 537,5 1,9 0,7±1,7* 216,5 1,0 Cap. Equil. Coord 0,0±0,0 0,0 0,0 0,0±0,0 0,0 0,0 -2 -2 Cap. Orien. Coord 1,5x10 ±0,2 5,0 1,7x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Cap. Difer. Coord 0,0±0,0 0,0 0,0 0,1±0,9* 37,5 0,1*Estatisticamente significativo p< 0,05Através da análise do quadro verifica-se que existem diferençasestatisticamente significativas (p <0,05) no desenvolvimento da resistênciaaeróbia através de exercícios de preparação geral entre o escalão de iniciados(13%) e juvenis (5%), denotando-se que os iniciados desenvolvem mais estacapacidade condicional através deste tipo de exercícios. Martin (1999), refereque a resistência aeróbia é uma capacidade que deve ser desenvolvida emtodas as idades ou períodos, infância e juventude, o que confere uma grandeimportância ao desenvolvimento desta capacidade. O facto dos treinadores dosjuvenis, desenvolverem menos esta capacidade condicional através dosexercícios em questão, poderá explicar-se pelo facto de optarem pordesenvolver a resistência aeróbia, através de exercícios mais específicos(exercícios específicos de preparação geral ou exercícios específicos depreparação), uma vez que, embora desenvolvam menos a resistência do queos treinadores dos iniciados (ver Quadro IV-7), utilizam maioritariamenteANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 86
  • 99. Apresentação e Discussão dos Resultadosexercícios com posse de bola para o desenvolvimento da mesma (ver QuadroIV-10). Estes factos poderão justificar a diferença dos resultados, no entanto,requerem uma análise mais específica que se poderá realizar com aobservação quadros, IV-18, IV-19, IV-20 e IV-21.Podemos constatar, que o desenvolvimento da resistência aeróbia é o quemais se trabalha através deste tipo de exercícios, nas idades dos 12 aos 16anos, seguindo-se a flexibilidade passiva, em que o desenvolvimento difereestatisticamente (p <0,05) nos escalões em estudo, denotando-se umdesenvolvimento superior por parte dos juvenis (9%) em relação ao escalão deiniciados (5%). A força resistente, a força rápida / explosiva, a capacidaderítmica coordenativa, onde existem diferenças significativas entre os escalõestestados (p <0,05) pois o escalão de iniciados (2%) desenvolve mais estacapacidade do que o escalão de juvenis (1%), A velocidade de deslocamento epor fim a flexibilidade activa. Estes resultados revelam uma estratégia orientadapara a qualidade de treino por parte dos treinadores (Martin, 1999) e sãoidênticos aos do estudo realizado por Marques e col. (2000), no que dizrespeito à resistência aeróbia e à flexibilidade.As restantes capacidades motoras têm um desenvolvimento muito reduzido ounulo, destacando-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) entre oescalão de iniciados e juvenis, onde os iniciados (0,3%) desenvolvem mais avelocidade resistente do que os juvenis sendo o seu desenvolvimentopraticamente nulo neste escalão (5,2x10-2% ). Contudo os juvenis desenvolvemmais a capacidade de diferenciação coordenativa (0,1%) pois os iniciados nãodesenvolvem este tipo de coordenação.Podemos constatar que a velocidade tem um desenvolvimento ligeiramentesuperior no escalão de iniciados, do que no escalão de juvenis, o que está deacordo com o que Martin (1999) sustenta, embora essa diferença só sejaestatisticamente significativa numa forma de expressão desta capacidade.Estes resultados são coincidentes com os estudos realizados por Marques ecol. (2000); Pinto e col. (2001), onde igualmente se verifica um fracodesenvolvimento das formas de expressão da velocidade, considerado porMartin (1999) muito importante para a formação motora dos jovens atletas, dosANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 87
  • 100. Apresentação e Discussão dos Resultados10 aos 13 anos. Deste modo, podemos realçar a existência de um baixodesenvolvimento das várias formas de expressão da velocidade em Futebol, noescalão de iniciados através dos exercícios de preparação geral.Segundo Martin (1999) o desenvolvimento da resistência aeróbia, é muitoimportante dos 14 aos 18 anos, no entanto, os nossos resultados demonstramque não lhe foi dada a devida importância, ao revelarem baixos valores dedesenvolvimento no escalão de juvenis, através dos exercícios em questão.Destaca-se um desenvolvimento nulo em ambos os escalões da força máxima,da capacidade de reacção coordenativa e da capacidade de equilíbriocoordenativo. No que se refere à capacidade de reacção coordenativa, osresultados estão de acordo com o que Martin (1999) defende, uma vez queeste refere que, esta capacidade coordenativa tem a sua fase sensível dedesenvolvimento na faixa etária dos 6 aos 10 anos de idade, por tal, nãoengloba as faixas etárias em estudo. Já no que diz respeito à capacidade deequilíbrio coordenativo, os nossos resultados não estão de acordo com o queautor sustenta, uma vez que, o mesmo refere que é importante desenvolveresta capacidade dos 10 anos aos 13 anos de idade, o que corresponde aoescalão etário dos iniciados. A força máxima, segundo Martin (1999) tem a suagrande expressão dos 13 aos 19 anos, por tal, deveria ter sido desenvolvidapelo escalão juvenil.Estes dados, demonstram algumas orientações para a qualidade do treino porparte dos treinadores, assim como, um baixo desenvolvimento de outrascapacidades, que são extremamente importantes para a formação dos atletas. 4.4.2 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P.GOs quadros que se seguem, permitem-nos uma análise mais específica poisdemonstram o desenvolvimento dos diferentes conteúdos (resistênciaespecífica, força específica, velocidade específica, técnica e técnico/táctica),através dos meios específicos de preparação geral e dos meios específicos depreparação (fase I, fase II e Fase III).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 88
  • 101. Apresentação e Discussão dos Resultados Quadro IV-18: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação geral no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação Geral / Complementares 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % Sem oposição 5,4±8,3 1814,0 6,3 4,7±6,4 1363,2 5,9Resis Espe C/op.igualdad. n.º 0,2±1,2 59,0 0,2 0,5±2,1* 147,8 0,6 C/op sup. ataque 1,4±5,0 485,0 1,6 3,7±6,8* 1068,8 4,6 -2 -2 Sem oposição 0,2±1,6 70,00 0,2 5,2x10 ±05 15,0 6,5x10 EspeForç C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 0,2±1,7* 60,0 0,2 C/op sup. ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 02±1,9 55,0 0,2 -2 Sem oposição 9,0x10 ±1,2 30,0 0,1 0,4±2,5* 130,0 0,5Veloc Espe -2 -2 C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2x10 ±0,9 15,0 6,5x10 -2 C/op sup. ataque 9,7x10 ±0,9 32,5 0,1 0,0±0,0* 0,0 0,0 Sem oposição 5,4±9,4 1803,5 6,3 2,7±6,1* 790,5 3,4 Técni -2 -2 C/op.igualdad. n.º 0,0±0,0 0,0 0,0 6,4x10 ±0,9 18,8 8,0x10 -2 C/op sup. ataque 9,7x10 ±1,1 32,5 0,1 0,2±2,0 45,0 0,2 -2 Sem oposição 0,5±2,5 156,5 0,6 8,6x10 ±1,1* 25,0 0,1 C/op.igualdad. n.º 3,1±7,9 1035,8 3,6 1,4±5,0* 400,0 1,8Tecnic./ Táctica C/op sup. ataque 0,6±3,5 205,0 0,7 7,2±10,8* 2097,8 9,1 C/op. sup defesa 0,0±0,0 0,0 0,0 0,3±1,7* 87,2 0,4 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, verifica-se que o desenvolvimento da resistência de forma específica é superior no escalão de juvenis em relação ao desenvolvimento efectuado pelo escalão de iniciados, o que está de acordo com o princípio especialização crescente dos exercícios de treino (Marques e col., 2000). Denota-se que os treinadores de ambos os escalões têm preferência por desenvolver esta capacidade motora condicional, de forma específica, através dos exercícios específicos de preparação geral, utilizando exercícios complementares sem oposição, sendo provável que os mesmos pretendam desenvolver esta mesma capacidade a uma intensidade mais baixa. A ordem de preferência de utilização segue-se com, os exercícios complementares com oposição e superioridade no ataque, e por fim, os exercícios complementares com oposição e igualdade numérica. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 89
  • 102. Apresentação e Discussão dos ResultadosAtravés dos exercícios em análise, existem diferenças significativas (p <0,05)no desenvolvimento da resistência específica, entre iniciados e juvenis, pois ostreinadores dos juvenis optam por utilizar mais exercícios complementares comoposição e igualdade numérica (0,6%) do que os treinadores de iniciados(0,2%). O mesmo acontece no caso dos exercícios complementares comoposição e superioridade no ataque, em que os treinadores dos juvenisapresentam uma utilização de 4,6% em relação aos treinadores dos iniciados(1,6%), para o desenvolvimento da capacidade motora em questão, de formaespecífica.A capacidade motora que mais se desenvolve de forma específica atravésdestes exercícios é a resistência. A força específica e a velocidade específicatêm um desenvolvimento bastante reduzido. Para além da resistênciaespecífica, o que mais se desenvolve através destes exercícios são asquestões técnico / tácticas, onde existem diferenças estatisticamentesignificativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados e juvenis.Nas opções de treino para o desenvolvimento técnico / táctico, os treinadoresde iniciados utilizam mais exercícios complementares sem oposição (0,6%) doque os treinadores do escalão de juvenis (0,1%) e exercícios complementarescom oposição e igualdade numérica (3,6%). Já os treinadores de juvenis,optam mais pelos exercícios com oposição, dos quais se destacam os que têmsuperioridade no ataque (9,1%), onde os iniciados têm uma utilização menor(0,7%). Estes resultados estão de acordo com o princípio da especificidadecrescente dos exercícios de treino (Marques e col. (2000).No que diz respeito ao desenvolvimento da técnica, verifica-se que ostreinadores dos escalões representados no nosso estudo, quando pretendemdesenvolver ou apurar uma situação técnica, optam por faze-lo através deexercícios complementares sem a oposição de adversários, conotando-lhe umdesenvolvimento mais analítico, por tal, considerado menos apropriado pelaliteratura (Mesquita, 2000; Garganta, 2002). Estes autores defendem que essedesenvolvimento deverá ser realizado de uma forma mais aberta, onde osatletas possam desenvolver a capacidade de decidir qual o gesto técnico maisapropriado para a situação com que se deparam. No entanto, este tema éANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 90
  • 103. Apresentação e Discussão dos Resultadosbastante complexo, e bastante polémico, por tal, requer uma análise maisespecífica que permita afirmar se esta metodologia está certa ou errada, algoque não é objectivo do nosso estudo. Contudo, as diferenças estaticamentesignificativas (p <0,05) entre o escalão de iniciados (0,3%) e juvenis (3,4%),estão de o acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercíciosde treino, realçado por (Marques e col. (2000).No que diz respeito à duvida levantada no ponto 4.3.3 do nosso estudo, emrelação à importância da utilização de exercícios complementares semoposição na estrutura do treino de futebol, quando nos questionávamos qualseria o objectivo dos treinadores em utilizar este tipo de exercícios, podemosverificar através da análise dos resultados do quadro, que os treinadoresutilizam estes exercícios, para desenvolverem essencialmente a resistênciaespecífica dos seus atletas. Estes exercícios revelam-se muito importantes poistêm como objectivo, o desenvolvimento de conteúdos específicos damodalidade desportiva, através de uma relação primordial do praticante com abola, promovendo um desenvolvimento físico ajustado às características damodalidade (Castelo, 2002). Logo a utilização deste tipo de exercícios revela-se importante na estrutura do treino de Futebol, para os escalões etários emestudo.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 91
  • 104. Apresentação e Discussão dos Resultados 4.4.3 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE I Quadro IV-19: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase I no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase I 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % 1x0+gr 0,1±1,4 35,0 0,1 0,0±0,0 0,0 0,0Resis Espe -2 -2 3x0+gr 0,0±00 0,0 0,0 1,7x10 ±0,3 5,0 2,1 x10 -2 -2 Mais de 3x0+gr 5,7 x10 ±0,8 19,0 6,6 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 1x0+gr 0,1±1,4 40,0 0,1 1,1±3,4* 309,0 1,4 EspeForç -2 -2 2x0+gr 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2 x10 ±0,9 15,0 6,5 x10 -2 -2 Mais de 3x0+gr 0,1±1,4 35,0 0,1 3,4 x10 ±0,6 10,0 4,3 x10 -2 -2 1x0+gr 0,5±3,7 175,0 0,6 5,2 x10 ±09* 15,0 6,5 x10V. E. -2 -2 2x0+gr 3,0 x10 ±0,5 10,0 3,5 x10 0,1±1,4 35,0 0,1 1x0+gr 0,7±3,2 227,5 0,8 0,5±2,6 157,0 0,6 2x0+gr 0,3±2,1 112,5 0,3 0,6±3,4 170,0 0,8 Técnica 3x0+gr 0,4±2,3 117,5 0,5 0,4±2,4* 129,0 0,5 -2 -2 Mais de 3x0+gr 8,2 x10 ±0,9 27,5 9,6 x10 0,4±2,8 123,0 0,5 -2 -2 1x0+gr 3,0 x10 ±0,5 10,0 3,5 x10 0,1±1,1 31,0 0,1 2x0+gr 0,4±2,6 132,5 0,5 0,4±2,8 106,0 0,5Tecnic./ Táctica 3x0+gr 0,7±3,5 242,5 0,8 0,1±1,4* 32,5 0,1 Mais de 3x0+gr 2,3±6,6 755,0 2,7 2,6±6,2 759,0 3,3 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, denota-se um decréscimo bastante elevado do desenvolvimento da resistência específica através dos exercícios específicos de preparação, fase I, quando em comparação com desenvolvimento da mesma através dos exercícios específicos de preparação geral. A força específica mantêm o seu desenvolvimento baixo, excepto no treino de juvenis onde os seus treinadores optam por desenvolvê-la através dos exercícios fundamentais de fase I, numa estrutura em que, o portador da posse de bola sem ter oposição de um defesa, nem a ajuda dos companheiros, tem por objectivo a finalização (1x0+gr). Sendo esta a forma através da qual mais se desenvolve a força específica no nosso estudo. O que demonstra que os treinadores de juvenis, têm preferencia por desenvolverem a força específica dos seus atletas através de um exercício de finalização, isto é, desenvolvem a ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 92
  • 105. Apresentação e Discussão dos Resultadosforça dos seus jovens atletas, de forma adaptada às exigências físicas dasituação técnico / táctica em questão.Este resultado está de acordo com o que a literatura aponta como correcto,uma vez que existem diferenças estatisticamente significativas nodesenvolvimento da capacidade em questão entre os iniciados (0,1%) e juvenis(1,4%), estando de acordo com o princípio da especificidade crescente dosexercícios de treino (Marques e col. 2000), e com o que Martin (1999) sustenta,ao referir que é importante a força ser desenvolvida na faixa etária pertencenteao escalão de juvenis.O desenvolvimento da velocidade específica, embora se revele mais baixoatravés deste tipo de exercícios, quando em comparação com os exercíciosespecíficos de preparação geral, verifica-se que os treinadores de iniciadosoptam por desenvolver esta capacidade através de exercícios de finalização,que estruturalmente se caracterizam por, o jogador em posse de bola não ter aoposição de adversário, excepto o guarda redes, nem a ajuda de companheiros(1x0+gr) (0,6%), sendo esta diferença estatisticamente significativa, quando emcomparação com o nível de utilização destes exercícios por parte dostreinadores dos juvenis (0,065%), para o desenvolvimento da capacidade emquestão.O desenvolvimento técnico / táctico, através deste tipo destes exercícios,revela-se inferior quando em comparação com os exercícios específicos depreparação geral. Destacando-se, no entanto, a preferência dos treinadores pordesenvolverem este conteúdo de treino, através de situações em que o jogadorem posse de bola tem mais de três companheiros para finalizar sem a oposiçãode adversários, excepto o guarda-redes (mais de 3x0+gr).ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 93
  • 106. Apresentação e Discussão dos Resultados 4.4.4 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DOS E.E.P / FASE II Quadro IV-20: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase II no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase II 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % -2 -2 Sup. n.º no ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 3,4 x10 ±0,6 10,0 4,2 x10R. E. -2 -2 Igualdade numér. 3,0 x10 ±0,5 10 3,5 x10 0,0±0,0 0,0 0,0 Sup. n.º no ataque 0,0±0,0 0,0 0,0 0,8±2,5* 228,0 1,0 E.F. Igualdade numér. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,8±2,5* 228,0 1,0 -2 -2 Sup. n.º no ataque 7,5 x10 ±1,0 25,0 8,7 x10 0,0±0,0 0,0 0,0V. E. -2 -2 Igualdade numér. 0,2±1,6 65,0 0,2 2,7 x10 ±0,5 8,0 3,4 x10 -2 -2 Sup. n.º no ataque 6,0 x10 ±1,1 20,0 7,0 x10 0,2±1,4 57,0 0,2 T. -2 -2 Igualdade numér. 6,0 x10 ±1,1 20,0 7,0 x10 0,4±2,0* 102,0 0,5 Sup. n.º no ataque 1,8±5,9 597,5 2,1 3,4±7,6* 981,9 4,3 T./Ta Igualdade numér. 2,6±7,5 885,0 3,0 2,8±7,8 806,5 3,5 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Através da análise do quadro, verifica-se que os treinadores de iniciados e juvenis, através dos exercícios específicos de preparação de fase II, que são exercícios que estruturalmente obrigam os atletas a tentar finalizar com oposição defensiva podendo ou não ter a ajuda de companheiros, onde os treinadores poderão optar por criar situações de igualdade numérica, ou superioridade numérica, não desenvolvem ou quase não desenvolvem, a resistência específica, a força específica, a velocidade específica e a técnica, através dos exercícios específicos de preparação fundamentais de fase II. Denotando-se que os treinadores optam por utilizarem este tipo de exercícios para desenvolverem as qualidades técnico / tácticas dos seus atletas, destacando-se diferenças estatisticamente significativas (p <0,05) no desenvolvimento do conteúdo em questão, entre os iniciados e juvenis, verificando-se que, os treinadores de juvenis tem uma utilização superior deste tipo de exercícios, estruturalmente organizados com superioridade no ataque (4,3%) do que os treinadores de iniciados (2,1%). Estes resultados não estão de acordo com o princípio da especificidade crescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), pois teoricamente a realização de um exercício em ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 94
  • 107. Apresentação e Discussão dos Resultados superioridade numérica, deverá ter um nível de exigência inferior, ao de um realizado com igualdade numérica (Queirós, 1986). 4.4.5 CONTEÚDOS DESENVOLVIDOS ATRAVÉS DO E.E.P / FASE III Quadro IV-21: Características da carga de treino para todos os conteúdos da amostra desenvolvidos através dos exercícios específicos de preparação / fundamentais de fase III no escalão de iniciados e juvenis: valores médios (minutos) numa sessão de treino, somatório (minutos) e percentagem durante um ano de preparação. Exercícios Específicos de Preparação / Fundamentais Fase III 12-14 (Iniciados) 14-16 (Juvenis) Conteúdos Média ± Dp Soma % Média ± Dp Soma % -2 -2 Jogo reduzido 0,1±1,2 35,0 0,1 6,9 x10 ±1,2 20,0 8,7 x10Resis Espe -2 -2 J. reduzido condi. 0,0±0,0 0,0 0,0 5,2 x10 ±0,9 15,0 6,5 x10 J. formal condici. 0,0±0,0 0,0 0,0 0,2±2,3 65 0,2 A Força Específica não se desenvolveu através destes tipo de exercícios -2 -2 J. reduzido condi. 4,5 x10 ±0,8 15,0 5,2 x10 0,0±0,0 0,0 0,0V. E. J. reduzido condi. 0,3±3,3 110,0 0,3 0,0±0,0 0,0 0,0 T. J. formal condici. 0,2±2,7 65,0 0,2 0,0±0,0 0,0 0,0 Jogo reduzido 12,8±7,6 2592,2 14,9 3,4±9,1* 998,0 4,3 J. reduzido condi. 5,5±11,7 1847,0 6,4 10,6±14,6* 3074,5 13,4Tecnic./ Táctica Jogo Formal 14,5±29,7 4857,0 16,9 7,9±19,1* 2065,0 9,9 J. formal condici. 3,6±8,3 1212,0 4,2 1,3±5,5* 386,0 1,6 *Estatisticamente significativo p< 0,05 Ao analisarmos os resultados do quadro, verificamos que em consonância com os Quadros IV-19 e IV-20, correspondentes aos exercícios específicos de preparação, o desenvolvimento dos conteúdos de treino, resistência específica, força específica, velocidade específica e técnicos, têm um desenvolvimento praticamente nulo ao contrário dos conteúdos técnico / tácticos, que por sua vez têm um desenvolvimento superior, através dos exercícios específicos de preparação, assumindo os valores mais expressivos de desenvolvimento através dos exercícios fundamentais de fase III, que se caracterizam por o jogador ou equipa em posse de bola poder finalizar, mas na perda da posse da mesma, terem a obrigação de evitar a finalização na sua baliza (Castelo, 2002), sendo estes os exercícios que mais se assemelham com a competição. ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 95
  • 108. Apresentação e Discussão dos ResultadosExistem diferenças estatisticamente significativas (p <0,05), nodesenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios específicos depreparação / fundamentais de fase III, onde os treinadores dos iniciados têmuma utilização superior deste tipo de exercícios através de jogos reduzidos(14,9%) em relação aos juvenis (4,3%). Em conta partida, estes utilizam maisos jogos reduzidos e condicionados (13,4%) do que iniciados (6,4%), já ostreinadores dos iniciados tem uma utilização superior do jogo formal (16,9%)em comparação com os treinadores dos juvenis (9,9%) e igualmente umautilização superior de jogos reduzidos e condicionados (4,2%) onde os juvenistem uma utilização inferior (1,6%)Estes resultados não estão de acordo com o princípio da especificidadecrescente dos exercícios de treino (Marques e col. 2000), uma vez que severifica que, os treinadores dos iniciados, têm uma utilização superior de jogosformais e jogos formais condicionados, em relação à utilização deste tipo deexercícios, por parte dos treinadores de juvenis. Segundo Queiroz, (1986) estetipo de exercícios (formais, formais condicionados) são mais complexos,quando em comparação com os jogos reduzidos, onde, o menor número dejogadores (adversários e companheiros) e as menores dimensões do terrenode jogo, os tornam menos complexos, e por isso, mais adaptados àaprendizagem.Cremos que, o facto dos treinadores de iniciados e juvenis, optarem pordesenvolverem os conteúdos técnico / tácticos, através dos exercíciosfundamentais de fase III, revela uma estratégia direccionada para a qualidadedo treino, uma vez que este tipo de exercícios são os que mais se aproximamda realidade competitiva.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 96
  • 109. Conclusões V- ConclusõesAs conclusões do nosso estudo, procurarão cumprir com os objectivos traçadospara a sua realização. Seguindo para tal, as hipóteses orientadoras que nospropusemos a verificar.Conclui-se que a estruturação do treino do escalão de iniciados, difere daestruturação dos juvenis. Verificando-se diferenças estatisticamentesignificativas, basicamente em todos os focos de análise do nosso estudo,excepto nas prioridades de treino para o desenvolvimento físico, técnico etécnico / táctico onde não se registam diferenças estatisticamente significativas(P <0,05).Ao verificarmos as diferenças de estruturação do treino entre os escalões emanálise, concluímos que algumas apontam para a qualidade de treino aocumprirem o princípio da especialização crescente dos exercícios de treino,sendo exemplos disso: - O facto dos iniciados utilizarem mais E.P.G do que os juvenis, que por sua vez utilizam mais E.E.P.G; - Os juvenis desenvolverem mais as capacidades motoras condicionais, através de exercícios com posse de bola do que os iniciados, sendo este tipo de desenvolvimento mais específico do que os exercícios que não utilizam a posse de bola; - Os treinadores de iniciados utilizarem mais exercícios complementares sem oposição de adversários do que os treinadores de juvenis; - O escalão de juvenis ter um desenvolvimento superior da resistência especifica e da força específica em comparação com o desenvolvimento específico destas capacidades efectuado no escalão de iniciados; - O desenvolvimento da técnica através de exercícios sem posse de bola, ser superior no escalão de iniciados do que no escalão de juvenis;TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 97
  • 110. ConclusõesNo entanto, algumas dessas diferenças não apontam para a qualidade dotreino, sendo exemplo disso: - A utilização superior por parte dos iniciados de E.E.P em relação à utilização dos juvenis; - Os treinadores dos iniciados utilizarem mais os exercícios fundamentais de Fase III do que os treinadores dos juvenis; - Os treinadores dos juvenis utilizam mais exercícios com superioridade no ataque, no desenvolvimento técnico / táctico, através dos exercícios de Fase II do que os treinadores dos iniciados; - Os treinadores dos iniciados terem uma utilização superior de jogos formais e dos jogos formais condicionados, através dos exercícios fundamentais de Fase III, em relação aos treinadores do escalão de juvenis.Conclui-se que os treinadores de futebol do escalão de iniciados e juvenis,pertencentes à amostra em estudo, dão prioridade aos aspectos técnico /tácticos (51%) e físicos (41%) em detrimento dos aspectos técnicos (8%).Consideramos que estes resultados, apontam para a qualidade de treino, umavez que, os valores da vertente física se revelaram altos. Por sua vez, osvalores baixos da técnica, revelam que esta está a ser desenvolvidaconjuntamente com as situações tácticas.Podemos concluir que a resistência é a capacidade motora que mais sedesenvolve (19%), seguindo-se a força (8%) a flexibilidade (8%), sendo avelocidade (3%) e a coordenação (2%) as que menos se desenvolvem na faixaetária dos 12 aos 16 anos em Futebol.Pode-se constatar, que os treinadores das faixas etárias em estudodesenvolvem mais as capacidades motoras condicionais dos seus atletas deuma forma separada das questões técnico e técnico/tácticas, uma vez que autilização de exercícios sem posse de bola (28%) é superior à utilização deexercícios com posse de bola (13%).TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 98
  • 111. ConclusõesVerifica-se que os treinadores dos iniciados e juvenis utilizam mais osexercícios fundamentais (49%) em detrimento dos exercícios complementares(23%).Os resultados permitem-nos concluir que, a resistência aeróbia e flexibilidadepassiva estão a ser bem desenvolvidas, através dos E.P.G, no treino dosescalões em estudo, contribuindo desta forma para a qualidade do treino, noentanto, o baixo desenvolvimento de algumas capacidades motoras estão acontribuir negativamente para a referida qualidade, pois a resistência anaeróbiatem um baixo desenvolvimento no escalão de juvenis, a força máxima tem umdesenvolvimento nulo nos dois escalões e a velocidade tem um fracodesenvolvimento, para o que seria desejado, no escalão de iniciados.Conclui-se que os treinadores de iniciados e juvenis optam por desenvolver aresistência de uma forma específica, através dos E.E.P.G. A resistênciaespecífica é o que mais se desenvolve através deste tipo de exercícios,seguindo-se as questões técnico/tácticas.Verifica-se que os treinadores de juvenis, ao desenvolverem a força específicaoptam por o fazer, através dos E.E.P/ Fase I, numa estrutura de 1x0+gr.Os treinadores em estudo, através dos E.E.P./ Fase II o que mais desenvolvemsão as questões técnico/tácticas, revelando-se valores baixos dedesenvolvimento para os restantes conteúdos de treino analisados.Podemos concluir que os treinadores de iniciados e juvenis, optam porutilizarem os E.E.P para o desenvolvimento técnico/táctico, assumindo os seusvalores mais expressivos de desenvolvimento através dos exercíciosfundamentais de Fase III.TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 99
  • 112. RecomendaçõesVI – Recomendações para a prática, no treino de jovens Futebolistas6.1 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS AOS RESULTADOS DO NOSSO ESTUDOEm consonância com os resultados do nosso estudo, parece-nos importanterealçar o que se afigura preponderante modificar no planeamento do treino, noescalão de iniciados e juvenis, no sentido de beneficiar a qualidade do mesmo.Para tal, os treinadores deverão: - Dar importância ao desenvolvimento da velocidade e coordenação, sendo a velocidade importante desenvolver no escalão de iniciados, assim como, o desenvolvimento do equilíbrio coordenativo; - Dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima no escalão de juvenis; - Aumentar a capacidade anaeróbia dos atletas que se encontram no escalão juvenil; - Planear o desenvolvimento das capacidades motoras associado a situações técnicas ou técnico / tácticas. Um desenvolvimento adaptado às exigências da competição; - Desenvolver as capacidades técnicas dos seus atletas, através de exercícios específicos de preparação (EEP), com oposição de adversários, conotando-lhes um desenvolvimento eficaz e adaptado à realidade competitiva do jogo, especialmente no escalão de iniciados por englobar uma faixa etária cujo o seu desenvolvimento se revela preponderante.TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 101
  • 113. Recomendações6.2 RECOMENDAÇÕES GERAISApós a realização deste estudo, esperando que este possa vir a contribuir parao desenvolvimento científico da metodologia do treino em Futebol, parece-nospertinente fazer referência, a algumas recomendações para o treino de jovensfutebolistas, dos 12 aos 16 anos de idade.O Futebol é um jogo eminentemente táctico, toda a execução do atleta vaiestar condicionada a uma situação táctica, a resolução das situações tácticas,dependem da tomada de decisão do atleta, das capacidades motorasnecessárias à sua resolução e do gesto técnico mais apropriado.O treino serve, ou deverá servir, para que a resolução das situações tácticassejam eficazes em jogo, mais do que isso, o treino com crianças e jovensdeverá ter objectivos formativos, objectivos que deverão ser definidos a longoprazo, tendo em conta as etapas de formação e as fases sensíveis dedesenvolvimento.O treinador deve planear o treino, respeitando as etapas em que os atletas seencontram e segundo a sua forma de ver o jogo, o seu modelo de jogo, que porsua vez deverá ser transmitido, ensinado e entendido pelos seus atletas.Os exercícios apropriados para tal, parecem-nos ser os que mais seassemelham com a competição. Não cremos com isto dizer que o treino sódeverá incluir o jogo formal, mas sim, que deverá incluir fragmentos oupequenas partes desse mesmo jogo como, a finalização, a transição defesa-ataque / ataque-defesa, pressão, etc., que o treinador pretenda desenvolver ouconsolidar nos seus atletas. Para tal existe uma grande gama de exercícios,dos quais destacamos, os exercícios complementares com bola e os exercíciosfundamentais de Fase I, II e III, que poderão, se bem utilizados, servir para queo treino encaminhe a equipa e o processo formativo para o sucesso.A selecção dos exercícios deverá ser extremamente cuidadosa, para que osmesmos consigam objectivar as pretensões do treinador. O treinador deveexplicar os objectivos do exercício de uma forma simples e objectiva, de formaa que não surjam dúvidas entre os atletas. O facto dos atletas compreenderemTANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 102
  • 114. Recomendaçõesos variados exercícios que o treinador lhes propõe, permitirá a estes oentendimento sobre o modelo de jogo do treinador e consequentemente a suainterpretação em jogo.O desenvolvimento cognitivo do atleta revela-se preponderante, saber o porquêda realização deste ou daquele exercício, e dentro do exercício qual a suafunção e o objectivo a atingir, parece-nos o melhor caminho a seguir.Assim como o desenvolvimento técnico, o desenvolvimento físico deverá estarassociado a uma situação táctica, tornando-se desta forma umdesenvolvimento adaptado às exigências do jogo. Por tal os treinadoresdeverão incrementar as capacidades motoras dos seus atletas através deexercícios com bola.Todos os treinadores, incluindo os da formação, deverão procurar que osexercícios seleccionados para o treino sejam o mais específicos possíveis, nãosó os que têm objectivos técnico / tácticos mas também os que têm porobjectivo o desenvolvimento físico, para que estes reproduzam as capacidadesfísicas (velocidade, força, resistência, flexibilidade e coordenação) específicasdo futebol. Assim o desenvolvimento das capacidades físicas, deverá serrealizado através de exercícios que representem formas jogadas semelhantesà competição.A nosso ver os treinadores de Futebol dos escalões de formação, iniciados ejuvenis, devem: - Definir o modelo de jogo, a partir do qual, deve emergir todo o planeamento de treino (técnico, técnico / táctico, físico e psicológico); - Fazer com que os seus atletas compreendam o modelo de jogo, através do qual vão desenvolver todas as suas capacidades (técnico, técnico / táctico, físico e psicológico), originando que estes se sintam parte integrante do mesmo, facilitando desta forma a sua interpretação em competição;TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 103
  • 115. Recomendações - Utilizar exercícios com bola o mais específicos possíveis; - Respeitar as etapas de preparação em que os seus atletas estão inseridos, iniciados (especialização inicial), juvenis (especialização aprofundada); - Ter em conta as fases sensíveis de treinabilidade dos seus atletas (períodos de tempo na vida em que os atletas respondem de forma mais intensa a determinados estímulos). O desenvolvimento das capacidades motoras deve ser homogéneo, isto é, todas as capacidades devem ser desenvolvidas, no entanto: aos iniciados devem dar especial atenção ao desenvolvimento das aprendizagens técnicas, às capacidades coordenativas (ritmo, equilíbrio e diferenciação), à velocidade, força veloz e resistência aeróbia; aos juvenis devem dar ênfase ao desenvolvimento da força máxima, da resistência anaeróbia e da resistência aeróbia.TANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 104
  • 116. Sugestões VII – SugestõesApós a finalização deste estudo, surgem algumas sugestões para a elaboraçãode futuros trabalhos no âmbito desta temática, tais como:• A análise da estrutura do treino, dos escalões de formação, de uma equipacom tradição na formação, comparando a estruturação da mesma, com umaequipa que teoricamente tenha menos tradição, ou de nível inferior, tentandoverificar desta forma quais as principais diferenças, se é que elas existem,entre a estruturação do treino de uma e da outra equipa.• Acompanhar os treinos, de um ou mais escalões de formação, de uma oumais equipas, fazendo o registro no local, isto é, fazendo uma observaçãodirecta e registo directo de toda a estruturação do treino, podendo-se compararas diferenças, entre escalões, entre equipas ou entre os períodos depreparação (ex. período preparatório vs. período competitivo).• Comparar a estruturação do treino entre um escalão de formação e umaequipa sénior, tentando verificar das diferenças estruturais do treino entre oescalão de formação e o escalão sénior.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 105
  • 117. Bibliografia VIII – Referências BibliográficasADELINO, J; VIEIRA, J. COELHO, O. (1999), Treino de Jovens – O que todos precisam de saber!Secretaria de Estado do Desporto. Centro de Estudos e Formação Desportiva.AGUILLÀ, G.; PÉREZ, G.; SOLANAS, A & RENOM, J. (1990): Aproximación a una propussta deaprendizaje de los elementos tácticos individuales en los deportes de equipo. Apunts: Educació Física iEsportes, nº 24: 59-68AL-HAZZAA, H. M., AL-REFAEE, S. A., SULAIMAN, M. A., AL-HERBISH, A. S., & CHUKWUEMEKA,A. C. (1996). Maximal cardiorespiratory responses of adolescent athletes to treadmill running and armergometry: Swimmers vs soccer players. Medicine and Science in Exercise and Sports, 28 (5)ARAÚJO, D. (1997). O Treino da capacidade de decisão – Revista Treino Desportivo. Novembro, pp: 11– 22.ARAÚJO, J. (1983). Iniciação aos Desportos Colectivos – 1ª parte. Sete Metros. Revista técnica deAndebol nº 5. Abril/Maio: 7-12.ARAÚJO, J. (1985). Manual do treinador do desporto profissional. Campo das Letras. Porto.BANGSBO, J (1993). The physiology of soccer – with special reference to intense intermittent exercise.August krogh institute. University of copenhagen. Denmark.BANGSBO, J. (1994) : Fitness Trainning in Footbal – a Science Approach. HO+Storm. Bagsvaerd.Denmark.BANGSBO, J. (1996). Physiology of intermittent activity in football. In Reilly, T.;Bangsbo, J. E Hughes, M.(eds), Science and Football III, pp. 43-53. E&FN Spon. London.BANGSBO, J. (1999). Preparacíon fisica. In B. Ekblom e M.P. Rodriguez (eds), Manual de las ciencias deentrenamiento – fútbol, pp. 135-149. Tradução de J.P. Umbert. Editorial Paidotribo. Barcelona.BAR-OR, O. (1983). Pediatric sports medicine for the practitioner (comprehensive manual in pediatrics).New York: Springer-Verlag .BAYER, C. (1994). O ensino dos desportos colectivos. Dinalivro. LisboaBEZERRA, P. (2001): Pertinência do exercício de treino no futebol – Revista Treino Desporivo. Setembro,pp. 23-27.BOMPA, T. (1994), Theory and Methodology of Training - The Key to Athletic Performance, 3ª Edição, Ed.Orietta Cacina.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 107
  • 118. Bibliografia thBOMPA, T. (1999). Periodization – Theory and Methodology of Training- 4 Edition. Human KineticsBOMPA, T. (1999). Planeamento a Longo Prazo, Secretaria de Estado do Desporto. Centro de Estudos eFormação Desportiva. Seminário Internacional de Treino de Jovens. Lisboa 6 e 7 de Novembro de 1999.BOMPA, T. (2002). Periodización del Entrenamiento Deportivo –Programas para obtener el máximorendimiento en 35 deportes. 1ª Edição, Editorial Paidotribo.BRAGADA, J. (2000). A classificação dos exercícios de treino. Revista Treino Desportivo. Vol. 10, Junho;pp. (14-17);BUNKER, D. & THORPE, R. (1982) – A model for the teaching of games in secondary schools. Bull. Phys.Educ., 19 (1): 5-8CARVALHAL, C. (2002). No Treino de Futebol de Rendimento Superior. A Recuperação é … Muitíssimomais que “Recuperar”. Liminho, Indústrias Gráficas Lda.CARVALHO, A. (1994). Organização e condução do processo de treino Horizonte, Vol. I nº 4: 111-114.CASTELO, J. (1994). Futebol, Modelo Técnico-Táctico do jogo. Edições F.M.H. U.T.L.CASTELO, J. (1996). Futebol – a organização do jogo, edição do autorCASTELO, J. (1998). Estudo do factor táctico desportivo. Os factores do treino desportivo. In Metodologiado treino desportivo. Edição Faculdade de Motricidade Humana. Lisboa: 188-250.CASTELO, J. (2000). Exercícios de treino no futebol, comunicação apresentada no âmbito da formaçãocontinua 2000, Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém, (nãopublicado).CASTELO, J. (2002). O Exercício de Treino Desportivo - A Unidade Lógica de Programação eEstruturação do Treino Desportivo. Lisboa: Edições FMH.CASTELO, J. (2003). Futebol – Guia Prático de Exercícios de Treino. Lisboa: Edição Visão e contextos.CASTELO, J., et Al. (1998). Teoria e Metodologia do Treino Desportivo. Edições FMH.CASTELO, J., et Al. (2000). Teoria e Metodologia do Treino Desportivo. Edições FMH.CEREZO, C. (2000). Hacia una concepción más integral del entrenamiento en el fútbol. www.efdeportes.com, revista digital, Ano 5, n.º 19. Buenos AiresCHANON, J.C. (1994): Développement à système aérobie. EPS, 245 : 22-25.ANÁLISE DA ESTRUTURA DO TREINO, NO ESCALÃO DE INICIADOS E JUVENIS, EM FUTEBOL 108
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