• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Vagner de alencar
 

Vagner de alencar

on

  • 610 views

Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde ...

Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

Statistics

Views

Total Views
610
Views on SlideShare
610
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
1
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Vagner de alencar Vagner de alencar Document Transcript

    • Universidade Presbiteriana MackenzieA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DO PCC NA MÍDIAVagner de Alencar Silva (IC) Denise Cristine Paiero (Orientadora)Apoio: PIBIC MackenzieResumoEste artigo visa a compreender a construção da imagem pública do Primeiro Comando da Capital(PCC) a partir da criação de fatos jornalísticos e de sua repercussão na imprensa brasileira. Paraisso, analisamos os veículos Folha de S. Paulo e Jornal Nacional, escolhidos por serem consideradosum dos meios de comunicação, impresso e televisivo, mais influentes do país. Selecionamos algunsepisódios específicos, recortados, principalmente, nos períodos em que o grupo ganhou maisdestaque pela mídia, tornando-se praticamente notícia obrigatória. Os períodos analisados partiram,desde o surgimento da facção na mídia, em maio de 1997, até o estopim do PCC, quando os ataquesgerados pela facção criminosa pararam a cidade de São Paulo, em maio de 2006. Buscamoscompreender os elementos que foram utilizados pelo grupo criminoso para chamar a atenção dosjornalistas e dos veículos de comunicação e como os resultados das ações protagonizadas pelo PCC,quando cobertos pela mídia, acabaram se repetindo em outras ações que buscaram a mesmavisibilidade, provocando, assim, uma realimentação entre jornalismo e facção criminosa. O objetivotambém e, principalmente, foi verificar como a mídia jornalística ao desempenhar seu papel deinformar teve papel significativo para o crescimento e a disseminação da imagem do PCC.Palavras-chave: Jornalismo, PCC, mídiaAbstractThe aim of this article is to comprehend the construction of the public image of Primeiro Comando daCapital (PCC) – First Capital Comando da Capital – from journalistic soucers and press repercussionsby analyzing the materials of Folha de S. Paulo and Jornal Nacional specially during the period whenthe group has become prominent, since its first appearance in the media in May 1997 until the climaxwhen PCC has attacked the city of Sao Paulo causing a huge chaos. Our efforts were employedtowards the elements used by such criminal group to call the attention of journalists andcommunication vehicles causing as result a scheme of feedback for the journalisms and this criminalorganization. The goal of this article is also and mainly was to determine how the journalistic sourcescontribute to enlarge image of and growth of the PCC.Key-words: Journalism, PCC, media 1
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOO Primeiro Comando da Capital (PCC) é hoje considerado a facção criminosa mais perigosado Brasil. O surgimento do grupo aconteceu durante um jogo de futebol no “Pinheirão”, natarde de 31 de agosto de 1993. “Eram 8 presos, transferidos da capital por problemas disciplinares, para ficar em Taubaté – até então, temido pela classe carcerária”. Os detentos permaneciam 23 horas ininterruptas dentro da cela. Os oito estavam sendo punidos pela má conduta no antigo presídio e pelo fato de ter vindo de São Paulo o time foi chamado de Comando da Capital (SOUZA, 2006, p. 93)Estima-se que hoje o PCC tenha cerca de 130 mil membros, dentro e fora das prisões. Umverdadeiro “sindicato do crime” que comanda rebeliões, fugas, resgates, assaltos,seqüestros, assassinatos e o tráfico de drogas. (online¹)Mas mais forte que a presença de fato da facção no controle do crime em várias regiões deSão Paulo, do Brasil e até do exterior (sabe-se que hoje há representantes do PCC atuandoem Portugal) foi a imagem que ele criou a partir de fatos que tinham a intenção de buscarvisibilidade.Ao longo da sua história, o PCC já foi responsável por eventos espetaculares, que nãopoderiam passar despercebidos pelo jornalismo, como megarrebeliões em presídios,ataques simultâneos a órgãos públicos, incêndios a ônibus, sequestro de jornalista e até asuspensão da rotina na cidade de São Paulo, que aconteceu em maio de 2006. Todos,eventos que mais que o terror em si, visavam à sua expansão pelos meios de comunicação.A mídia jornalística, ao cumprir sua função de informar, teve e tem, ainda queinvoluntariamente, papel fundamental para a disseminação e o fortalecimento da imagem doPCC, sendo responsável por grande parte de seu crescimento e do destaque que a facçãorecebeu ao longo dos últimos anos.Nesta pesquisa, o que analisamos foi especificamente a mediação da relaçãoPCC/sociedade e seu impacto na vida social. Para isso, consideramos que a forma como a prática jornalística, ao atender a certos padrões, acaba por servir aos propósitos de potencialização dos atos terroristas o que, evidentemente, tem grande impacto no interior da comunicação e na organização da vida cotidiana, seja pelo papel desempenhado pela mídia como organizadora do tempo cotidiano quanto pela afirmação de Luhmann (1997) de que tudo que sabemos do mundo sabemos por meio da mídia. (Paiero, 2009, p.5)Procuramos compreender o cenário midiático em que o PCC atua e de que forma eleexplora a tendência à espetacularização da notícia na elaboração dos seus eventos quebuscam visibilidade. Sobre a ideia de espetáculo, Guy Debord afirma: “Toda a vida dassociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma 2
    • Universidade Presbiteriana Mackenzieimensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaçada representação”. (1992, p.12)Ainda segundo o autor, o espetáculo é o que move a sociedade contemporânea. Isso estápresente inclusive, e, sobretudo, nos produtos midiáticos, onde a exposição e o consumo doespetáculo se dão de fato.Arbex (2002) traz um conceito parecido ao analisar a construção da notícia nos veículos decomunicação contemporâneos e observar que, de fato, no jornalismo, tudo se transformaem um grande show, no qual os elementos espetaculares se sobrepõem ao interessepúblico.Para este trabalho, a fim de compreendermos como se constrói a imagem pública do PCCno jornalismo, analisamos a cobertura, desde seu surgimento, dos episódios em que afacção teve mais destaque. Não recortamos, portanto, um período sequencial para análise,mas períodos específicos.A importância da presente pesquisa se deu de maneira a compreender o papel dojornalismo para a formação e o fortalecimento da imagem da facção criminosa. Buscamosentender como o jornalismo, ao cumprir sua função, acaba por servir aos interessesdaqueles que se colocam contra a sociedade.Para fazermos nossas análises buscamos, primeiro, identificar quando o PCC foi criado.Para isso, utilizamos livros que trataram sobre o surgimento da facção e de seucrescimento, como Sindicato do Crime (2006), do repórter investigativo Percival de Souza,obra resultante de uma detalhada investigação para descobrir o que envolve o crimeorganizado.Outra obra que embasou nossa pesquisa inicial foi PCC- A Facção (2006), de Fátima deSouza, jornalista que realizou reportagens nos principais presídios de São Paulo para a TVBandeirantes, na década de 1990.Os livros Showrnalismo (2002) de José Arbex; Mídia e pânico (2002), de Malena Contrera eCultura de Massas no Século XX (1990), de Edgar Morin, serviram como base teórica para acompreensão da cobertura noticiosa, transformada em espetáculo e alimentadora dessesmesmos espetáculos.Para a análise de mídia, foi feito o clipping de todo o material jornalístico produzido para acobertura dos episódios selecionados e coletados nos jornais Folha de S.Paulo e JornalNacional.Alguns episódios foram destacados para nossas análises, escolhidos, principalmente,devido à repercussão e a ação espetacular realizadas pela facção. 3
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 20111. Mídia, sociedade e violênciaComo explica Malena Contrera (2002), a relação entre sociedade e mídia deve sercompreendida pela forma como acontece o estabelecimento de vínculos no processo decomunicação contemporânea, ou seja, quando falamos em meios sociais cada vez maisextensos e complexos. Segunda ela, em virtude de horários e espaços quase sempre semsincronia, é preciso verificar como se dão esses caminhos, por meio de vínculos. “(...) todocódigo é um corpo que precisa de meios eficientes (concretos ou virtuais) por onde transitar,confirmando e fortalecendo sua validez. (p. 47)Para Morin (1990) a cultura de massa gera o preceito de consumo máximo, por serconstituída por um conjunto formado por normas, símbolos e imagens é destinada a um“aglomerado gigantesco de indivíduos compreendidos aquém e além das estruturas internasda sociedade” (p.14).A mídia desempenhou papel estratégico para a transformação e criação de um novo modelode estética. Na sociedade contemporânea, sob a alimentação do poder simbólico, ela éconstruída pela presença espetacular dos acontecimentos e pela massificação davisibilidade. Conforme explica Arbex: “(...) Os meios de comunicação de massa – diz Debord– são apenas “a manifestação superficial mais esmagadora” da sociedade do espetáculo”(2002, p. 69).Para Guy Debord, o espetáculo é formado pela multiplicação de ícones e imagens,principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituaispolíticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homemcomum.Sob esse cenário de hiperdesenvolvimento dos suportes abstratos, Contrera afirma que osmeios eletrônicos de comunicação obtiveram papel fundamental para a extensão espacial,pela forma praticamente instantânea com que eles atingem a sociedade (2002, p. 49). ParaArbex, os meios midiáticos contemporâneos passaram somente a não “embelezar” arealidade da vida, “mas substituí-la pela relação entre homem e a vida encenada pela mídia[...] A mídia produz a abolição da memória mediante a sua substituição pelo show damemória” (2002, p. 268)A televisão passou a obter uma linguagem própria, por essa razão tornou-se responsávelpela maneira pela modificação na forma de recepção dos gêneros veiculados. ConformeArbex (2009), nos programas de telejornais “as notícias são apresentadas por belasmulheres, ou por ‘âncoras’ que funcionam como showmen, não tendo importância o fato deeles saberem ou não de que trata a notícia lida no telepromter.” Para o autor, o importante écomo se dão o impacto da imagem e o ritmo de transmissão: “(...) no caso do telenoticiário, 4
    • Universidade Presbiteriana Mackenzieas imagens reiteram uma certa percepção do mundo. O que se fixa, na memória dotelespectador, são flashes.”2. A violência na mídiaTrabalhamos com o conceito de violência, compreendendo sua presença antes e após oprocesso de hominização. Para isso, utilizamos os conceitos de René Girard (1990) paraexplicar a violência nas sociedades. Para ele, os instintos são canalizados pela cultura.Segundo Contrera, essa relação entre instinto e cultura encontra suas válvulas de escapenos meios de comunicação de massa contemporâneos.Naturalmente, o homem tem uma predisposição à violência. Por outro lado, a vida emsociedade programada pela cultura, depende do controle da violência para existir. A cultura,portanto, controla a violência humana. Essa violência, agora controlada, precisa sercanalizada.O desejo de violência acontece quando é despertado por uma série de fatores querelacionam aspectos culturais e biológicos. Para René Girard (1990), a violência quem estápresente na base da cultura humana.O instinto violento é caracterizado por mudanças corporais, próprias para preparar o homempara a luta e não pode ser considerado como um simples reflexo, cujos efeitosdesapareceriam assim que o estímulo deixasse de agir. Segundo Girard “é mais difícilapaziguar o desejo de violência que desencadeá-lo, principalmente nas condições normaisde vida em sociedade” (GIRARD, 1990, p. 14).Segundo Edgar Morin (1990), a cultura controla e dá argumentos para os instintos e desejosde violência para que esses sejam canalizados: “A vida cotidiana está submetida às leis; osinstintos e desejos são reprimidos; os medos, camuflados [...] os instintos se tornamviolência e os medos angústia”Nos dias de hoje, a violência encontra seu espaço de propagação nos meios decomunicação de massa. Para Contrera, os meios de comunicação de massa transformaramno “altar de sacrifícios de nosso tempo”, ou seja, ela está presente em diversas situaçõescomunicativas, colocadas na mídia contemporânea, através de todos os veículos midiáticos,apresentando-se praticamente como uma “temática obsessiva”. como A abordagem daviolência na mídia está relacionada ao modo como é tratada, “como se ela estivessepresente na mídia sob a forma de tema, de assunto, como se fosse apenas mais umapauta.” (Contrera, 2004, p. 89) 5
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 20113. A História e os movimentos do PCCInicialmente, o PCC atuou por três anos na clandestinidade, porém ao longo de umadécada, desde sua fundação, a facção aumentou, de maneira expressiva, o número defiliados. No ano de 1997, o PCC contava com oito mil homens. Em 2006, apenas nospresídios, o comando registrava 120 mil.O massacre na Casa de Detenção, em 1992, onde mais de cem detentos foram mortos, foiuma das causas que levaram oito detentos da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté afundar o PCC. Com o propósito de defender os direitos dos presidiários, o grupo criou umaespécie de sindicato no qual reivindicariam às péssimas condições às quais eramsubmetidas nas cadeias. (SOUZA, 2007, p. 15)O PCC aumentava o número de filiados de forma rápida e vertiginosa, o que gerou,posteriormente, o “ornograma do PCC”, determinando as responsabilidades de cadaintegrante. Por meio da cobrança de caixinha mensal, os membros pagavam umadeterminada quantia. O valor arrecadado era destinado a compra de armas, drogas, opagamento de funcionários das cadeias e policiais corruptos. (SOUZA, 2007, p. 26). No anode 1997, os veículos de comunicação passaram a cobrir as ações do PCC, que passou aganhar destaque nos veículos de comunicação.Em 2001, a facção determinou um estatuto, composto por dezesseis itens, queestabeleciam os princípios vigentes pela organização. O item 11 do documento prevê que olema absoluto “A Liberdade, a Justiça e a Paz”. Segundo Percival de Souza (2006), “o crimeorganizado construiu seu formato, estabeleceu seus códigos, criou uma nova linguagem,avançou sobre funcionários de presídios, sobre juízes, policiais, promotores, advogados esobre jornalistas” (p. 13)Em 11 de julho de 2000, a Penitenciária de Presidente Bernardes foi palco para umarebelião orquestrada pelo PCC. O evento recebeu cobertura ao vivo de vários veículos decomunicação e repercutiu na mídia durante dias. Pode-se dizer que esse evento fez comque o PCC se tornasse pauta obrigatória para o jornalismo e ficasse conhecido do grandepúblico.Um semestre depois, em 18 de fevereiro de 2001, o Primeiro Comando da Capital organizouuma megarrebelião, evento esse jamais visto em toda a história do Brasil e do mundo.Foram trinta presídios rebelados simultaneamente. Para Souza, “a instalação do crimeorganizado dentro da prisão é a grande novidade penitenciária do século XXI” (p. 11).Entretanto, embora eventos que já intensificavam o poder da facção ao longo dos anos,foram os ataques ocorridos entre os dias 13 e 16 de maio de 2006, quando detentostomaram várias unidades prisionais do Estado de São Paulo, eclodindo uma enorme 6
    • Universidade Presbiteriana Mackenzierebelião. “Uma alavanche de ataques e mortes. Policiais civis, militares, carcereiros, guardascivis metropolitanos e ate bombeiros tombavam em vários pontos de São Paulo,assassinados pelo PCC” (Souza, 2006, p. 285)No dia 29 de novembro de 2009, o canal Discovery Channel apresentou o documentário“São Paulo sob ataque”, uma recapitulação dos eventos que mergulharam o Estado e umasituação de pânico, em maio de 2006, segundo sinopse do canal pago.Ainda no ano de 2006, em 13 de agosto, outro episódio protagonizado pelo PCC foi osequestro do repórter da Rede Globo, Guilherme Portanova, e do técnico Alexandre CoelhoCalado. A exigência para libertação dos sequestrados era espaço para a leitura de ummanifesto no TV Globo, que foi concedido pela emissora.METODOLOGIANosso estudo foi constituído pelo jornal Folha de S.Paulo, escolhido por ser publicado nacidade de São Paulo, onde a facção surgiu e realizou a maior parte de suas ações quemereceram destaque, e também por estar entre um dos veículos impressos mais influentese de maior circulação do Brasil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).Analisamos ainda o Jornal Nacional, que é o telejornal mais visto do Brasil, alcançando emmédia 35 pontos diários no Ibope.Nosso objetivo foi investigar como e quando o PCC passou a ganhar visibilidade e queelementos foram utilizados pela facção para chamar a atenção de jornalistas e veículos decomunicação, a ponto de suas ações se tornarem notícia obrigatória. Outro ponto queobservamos foi a repetição das imagens dos eventos espetaculares gerados peloscriminosos e o seu efeito potencializador sobre as ações do PCC. Ao mesmo tempo,observamos como os resultados de uma ação do PCC, quando cobertos pela mídia,acabam se repetindo em outras ações que buscam a mesma visibilidade, provocando,assim, uma realimentação entre jornalismo e facção criminosa.O primeiro período recortado foi o mês de maio de 1997, quando a Folha de S. Paulopublicou as primeiras matérias acerca do PCC. Observamos que episódios levaram a mídiaa cobrir os atos da facção e que tratamento receberam. Em seguida, foi analisada a rebeliãono presídio Presidente Bernardes em julho de 2000.Posteriormente, analisamos a cobertura aos ataques do PCC que ocorreram entre os dias13 e 16 de maio 2006. Outro episódio de estudo foi o sequestro do repórter da Rede Globo,Guilherme Portanova, e do técnico Alexandre Coelho Calado, em 13 de agosto de 2006,cuja exigência para libertação dos reféns pelos sequestrados era espaço para a leitura deum manifesto no TV Globo, o que foi concedido pela emissora. 7
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Analisamos ainda outros eventos que se mostraram relevantes ao longo da pesquisa. Foirealizada uma análise qualitativa de conteúdo das mídias pesquisadas, observando,principalmente, pontos como: os elementos destacados pelo jornalismo nos textos eimagens apresentados pelas publicações / programa; os valores-notícia atrelados àcobertura midiática desses episódios; a forma como nome do PCC foi citado; o tipo de fonteque foi ouvida nessa cobertura; como se deu a repetição de imagens ou dos mesmospadrões de imagens geradas pelo PCC na cobertura midiática; como uma cobertura dedestaque acaba pautando outros atos do PCC.RESULTADOS E DISCUSSÕESVerificamos, portanto, textos e imagens sobre o PCC nos episódios selecionados e tambémos elementos destacados pela cobertura.1. Jornal Folha de S. Paulo1.1 Primeiras publicaçõesAté 22 de maio de 1997, a Folha de S. Paulo referia-se à sigla PCC como “Plano deClassificação de Cargos”. No dia 25, o jornal mencionou pela primeira vez o PrimeiroComando da Capital, no Caderno Cotidiano. Na mesma data, ainda com as sub-retrancas:“Organização prega rebelião em presídios”, “Em 85, grupo foi investigado”, o jornal faz asprimeiras referências ao PCC, que até o final daquele ano foi tratado por “supostaorganização criminosa.” Nesse momento, é possível perceber que em nenhum há referênciaàs siglas do comando. Por outro lado, por ser a primeira aparição do PCC, até então nãoconhecido, pode-se considerar que o jornal repercutiu de forma significativa o nome dogrupo.1.2 Rebelião Presidente BernardesNa cobertura da rebelião de Presidente Bernardes, onde cinco presos foram mortos durantea ação, é possível observar à tendência teve apenas duas citações ao PCC, na matériapublicada no dia 14 de julho de 2000. “As mortes ocorreram no início da rebelião, quando os50 presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) conseguiram fugir da área do‘seguro’” (Folha de S. Paulo, C3, 14/07/2000) “Uma rebelião em 24 presídios de São Paulo deixou ontem pelo menos 8 mortos e 22 feridos. Cerca de 27 mil presos – quase a metade dos 60 mil condenados que cumprem pena no Estado – começaram a dominar, por volta das 12h, penitenciárias em 19 cidades. Foi a maior rebelião na história do país” (Folha de S. Paulo, C1, 19 de fevereiro de 2001) 8
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie1.3 Megarrebelião simultâneaEm 17 de fevereiro de 2001, com a megarrebelião que envolveram 29 presídios,simultaneamente, a Folha de S. Paulo passou a dar maior visibilidade às ações geradaspela facção. As manchetes aparecem sempre com o nome do grupo criminoso e as imagenstambém passar a receber um maior enfoque pelo veículo: “PM ocupa Detenção e retiralíderes do PCC” (17/02/2001), “PCC lidera 27 mil presos em 19 cidades de SP na maiorrebelião da história do país” e “Prova de Fogo” (19/02/2001)1.4 PCC para a cidade de São PauloEm maio de 2006, a sucessão de eventos gerados pelo PCC, que duraram quatro dias einterromperam o funcionamento da cidade de São Paulo, ganharam enorme repercussãopela mídia, evidenciando, por sua vez, o caráter espetacular na cobertura desses. No dia 13de maio de 2006, a Folha de S. Paulo estampou em quatro páginas, no caderno Cotidiano,as manchetes: “PCC ataca e mata policiais após transferências” e “Polícia pretendia isolar acúpula do PCC”.No dia 14 de maio de 2006, a facção ganhou visibilidade e recebeu grande destaquelevando a manchete de capa: “Ataques do PCC deixam 30 mortos”. O Caderno Cotidianoapresentou uma edição especial. Por meio da subretranca “guerra urbana”, a explicitaçãodos números foram cada vez mais presentes na cobertura da Folha de S. Paulo. Amanchete “Maior ataque do PCC faz 30 mortos” é o destaque do caderno referido sobre aimagem do chapéu ensangüentado de um policial. No maior ataque já realizado contras as forças de segurança de São Paulo, a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) provocou a morte de 30 pessoas, feriu outras 24, bombardeou delegacias, metralhou carros e bases da Polícia Militar, de guardas municipais e até do Corpo de Bombeiros, e ainda promoveu 24 rebeliões simultâneas em presídios da região metropolitana e do interior do Estado, segundo o governo. (FACÇÃO promove 63 atentados em 24 horas, Folha de S. Paulo, 13 de maio de 2006, São Paulo. Cotidiano, p. A2)Nesta edição, o caderno repercute em nove páginas, os eventos protagonizados pelo PCC,apontando a análise de especialistas, a posição do Governo Estadual, a repercussão dasredes sociais e o desdobramento dos ataques.No dia 15 de maio de 2006, a imagem de um ônibus incendiado ilustrou a capa da Folha deS. Paulo, e novamente o PCC é o centro das atenções por meio da manchete “PCC fazmais de 150 atentados e provoca 80 motins; 74 morrem”. O destaque às estatísticas devisitas, mortos e atentados é algo que também chama atenção, pois é a outra evidência deque, não somente a importância dada à facção pela promoção da sigla PCC, mas àcontribuição que o veículo midiático, no decorrer da sua cobertura, por meio da explicitação 9
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011desses índices acabou por ajudar com que o comando criminoso solidificasse ainda maissua imagem perante a sociedade.A presença de imagens de ônibus em chamas, rebelião de presidiários e o nome da facçãomostrado do alto é verificação de a mídia desempenhou papel significativo para que afacção continuasse a promover outros atentados. Dentre as 17 páginas, nas quais foramretratadas a atuação do PCC nesse dia, foi possível observar das imagens referidas. Nocaderno Cotidiano, a manchete “PCC ataca ônibus e bancos, promove megarrebelião eamplia medo no Estado” é dividida em três orações, de modo que ilustre as imagensdestacadas e os números de indicavam “74 mortes, 156 ataques e 80 rebeliões”.As manchetes atribuídas aos atentados comprovam como a cobertura feita acabouatribuindo outros eventos da facção. A repetição das imagens de fogo e fumaça feitas pelosintegrantes evidenciaram a relação, que involuntariamente ou não, acabou por agirmutuamente entre a cobertura jornalística e os ataques do comando criminoso.No quarto dia de ataques, as expressões “medo”, “terror” e “pânico” continuaramcomumente a serem veiculadas nas matérias cobertas jornal. No dia 16 de maio de2006, amanchete de capa da Folha de S. Paulo avisa que o “Temor de novos ataques causa pânicoe fecha escolas e lojas”. “Uma onda de pânico fez parar ontem a maior e mais rica cidade do país e espalhou choque e medo pelo Estado de São Paulo. No quarto dia de terror provocado pela facção criminosa PCC contra bases policiais, assassinatos e rebeliões. Mas (sic) ataques a ônibus, fóruns a madrugada foram amplificados ao longo do dia por rumores e trotes e fizeram escolas, lojas e repartições publicas fechar em cascata.O clima de medo perdurou ate a noite, quando bares, restaurantes e ate supermercados 24 horas deixaram de funcionar” (MEDO de ataques para São Paulo, Folha de S. Paulo, 16 de maio de 2006, São Paulo. Cotidiano, p C1)O caderno Cotidiano, sob chapéu “guerra urbana”, levou a manchete ao qual enfatizava que“o medo de ataques para São Paulo”. E novamente, os números na cor vermelha ganharamtanto destaque, quanto as imagens de fogo e de bandeiras com o nome PCC.2. Jornal NacionalA análise do telejornal foi feita com base no arquivo do site do telejornal, com base nadisponibilização das notícias veiculadas no site acerca do Primeiro Comando da Capital,selecionadas por palavras-chaves. No site do telejornal não há todos os vídeos das notíciasque analisaremos. Entretanto, apesar da ausência da exibição das cenas nas reportagens,há a transcrição das matérias repercutidas, de modo que a análise não se torne menosfidedigna. Nestes casos, que serão explicitados, não faremos, portanto, a análise dasimagens veiculadas. 10
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie2. 1 - O nome do PCCA expressão PCC aparece em 22 de agosto de 2001, referindo-se ao Plano de Cargos eCarreira do governo aos servidores públicos. Apenas um trimestre depois, em 12 denovembro de 2001, o telejornal menciona a sigla do Primeiro Comando da Capital, como “aquadrilha PCC, que domina presídios paulistas”. Um mês depois, o telejornal já apontava oPCC como a maior facção criminosa de São Paulo”.É possível observar que, gradualmente, a facção adquiriu repercussão no telejornal,passando a se tornar notícia obrigatória. O comando, por sua vez, utilizou de recursos paraganhar visibilidade na mídia, tais como a utilização de fogo, a repetição de imagens, arebelião de vários presídios.O PCC passava a alimentar o Jornal Nacional da mesma forma que o telejornal se nutriacom as ações da facção. Entre os dias 12 de novembro de 2001 e 09 de março de 2002foram encontradas doze retrancas no programa. Em todas elas o Primeiro Comando daCapital é citado pelas siglas da facção. Ao longo das reportagens desse período, acobertura midiática do veículo utilizou de elementos aos quais evidenciaram o destaquedado à facção e a forma a qual o telejornal emitia os valores-notícia embutidos em suasreportagens sobre o PCC. A utilização de expressões com sensacionalismo também foramutilizadas, para que mais do que promover a facção, fossem destacados elementos quechamassem a atenção do telespectador. Vejamos como o Jornal Nacional destacou aimagem do PCC ao público.2.2. Manchetes no Jornal NacionalOs seguintes textos foram publicados no Jornal Nacional, nos meses de fevereiro e marçode 2002:Guerra das facções – Homens ligados ao PCC - Primeiro Comando da Capital - assumirama responsabilidade pelas mortes. A sigla da facção foi escrita nos pátios. Num lençol, onome de um dos chefes da maior rebelião da história do país, que foi transferido para umpresídio do Distrito Federal. (18/02/2002)- Assassinado um dos fundadores da organização criminosa – Hoje um dos fundadores daorganização criminosa PCC foi assassinado. De manhã, no extremo oeste do estado, umdos fundadores do PCC foi assassinado na cadeia por membros da própria facção.(19/02/2002)- Violência em São Paulo – Entre os mortos o homem que chefiava o comboio, DjalmaGomes, integrante do PCC - facção criminosa que atua dentro e fora de presídios em SãoPaulo. (05/03/2002) 11
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011- Bombas em São Paulo – Desde o começo do ano prédios da justiça e da administraçãopenitenciária foram alvos de atentados assumidos pelo PCC. 08/mar/2002- PCC assume mais um atentado – O PCC, facção que age nos presídios, promoveu trêsrebeliões no estado. [...] Mais um ato de ousadia da facção criminosa, o PCC, mostra que ocrime organizado não se intimida, diante da reação da polícia de São Paulo. (09/03/2002)Durante a série de atentados à cidade de São Paulo, no mês de maio de 2006, o JornalNacional, em nenhum momento, é citada a sigla da facção. O Primeiro Comando da Capitalpassou então a ser denominado pelo jornal de maior audiência do país como “a facçãocriminosa”.No dia 18 de maio de 2006, o apresentador do Jornal Nacional, Willian Bonner, entrevistou,ao vivo, o então governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo. O jornalista destaca aocasião dos atentados como sendo “a crise”. Da mesma forma, os repórteres que entraramna programação informaram notícias em referência ao comando como “os ataques”. OGovernador Cláudio Lembo mencionou o movimento como “essa gente má”.Assim, fica claro perceber que o ajudou a construir a imagem do PCC, divulgando suasações e enfatizando àquilo que para a facção criminosa seria seu propósito principal.Embora o telejornal tenha deixado de utilizar a sigla PCC, o PCC ainda assim ganhavavisibilidade e destaque.Veja abaixo, o texto veiculado no telejornal, entre os dias 13 e 15 de maio de 2006.- Alerta máximo em São Paulo – No começo do sábado, os principais criminosos sãotransferidos para um presídio de segurança máxima. Um deles é Marcos Camacho, oMarcola. Acusado de orquestrar a onda de rebeliões e ataques. (13/05/2006)- Medo em São Paulo – Vamos aos números, que lembram uma guerra: 184 ataques emtodo o estado; 56 ônibus queimados; 8 agências bancárias pelo menos destruídas; 43policiais e cidadãos assassinados. E 38 suspeitos de envolvimento com esses crimestambém morreram em confronto com a polícia. Ao todo, 81 mortos. (15/05/2006)- Mapa da violência (15/05/2006)- Números da violência (16/05/2006)Não foi possível encontrar nenhuma referência a sigla “PCC” nos arquivos do telejornal, nosanos 2003 a 2005. Todavia, o que fica claro, é o declínio quanto à divulgação da imagem doPCC no telejornal no período posterior 12
    • Universidade Presbiteriana Mackenzie2.3 Sequestro do jornalista Guilherme PortanovaNo caso do sequestro do repórter Guilherme Portanova e o auxiliar técnico AlexandreCoelho Calado estavam numa padaria na zona sul da cidade quando foram capturados pordois homens armados. Ambos pararam para tomar café depois de trabalhar no plantão damadrugada.Calado foi liberado na noite de sábado levando um DVD com uma gravação do PrimeiroComando da Capital (PCC). O auxiliar técnico recebeu a orientação para que o materialfosse veiculado na íntegra pela emissora, para garantir a vida do repórter GuilhermePortanova que permaneceu no cativeiro.O jornalista Cesar Trali, em caráter de Plantão na programação da Rede Globo, informou ocomunicado do PCC, de 3m36s, exibido à 0h28 de sábado do dia 13 de agosto de 2006.Na exibição do vídeo, enquanto um homem encapuzado faz a leitura do texto, é possívelobservar por meio de letras grandes, escritas de cor preta na parede branca, por detrás dosuposto líder da facção, a frase “PCC: Luta pela Justiça...” A filmagem é focalizadainicialmente no homem, de modo que, ao final do discurso, é dado destaque ao nome PCCna parede. Veja o fragmento do discurso do sequestrador retirado do site (Youtube, online²) “Como integrante do Primeiro Comando da Capital, o PCC, venho pelo único meio encontrado por nós, para transmitir um comunicado para a sociedade e os governantes. [...] Não estamos pedindo nada mais do que está dentro da lei. Se nossos governantes, juízes, desembargadores, senadores, deputados e ministros trabalham em cima da lei, que se faça justiça em cima da injustiça que é o sistema carcerário, sem assistência médica, sem assistência jurídica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem nada. Pedimos aos representantes da lei que se faça um mutirão judicial, pois existem muitos sentenciados com situação processual favorável, dentro do princípio da dignidade humana. O sistema penal brasileiro é, na verdade, um verdadeiro depósito humano, onde lá se jogam seres humanos como se fossem animais. [..] Queremos que a lei seja cumprida na sua totalidade. Não queremos obter nenhuma vantagem. Apenas não queremos e não podemos sermos [sic] massacrados e oprimidos. Queremos que: 1) as providências sejam tomadas, pois não vamos aceitar e não ficaremos de braços cruzados pelo que está acontecendo no sistema carcerário. Deixamos bem claro que nossa luta é contra os governantes e os policiais. E que não mexam com nossas famílias que não mexeremos com as de vocês. A luta é nós e vocês”.O comunicado gerou bastante discussão entre outros meios de comunicação e acabou porrepresentar a força a qual o PCC parecia deter naquele momento, pois havia sido capaz decolocar a maior rede de televisão brasileira à rendição de suas vontades, buscandodisseminar sua imagem perante a um público cada vez maior. Esse acontecimento acaboupor representar a força a qual o PCC parecia deter naquele momento, pois havia sido capazde colocar a maior rede de televisão brasileira à rendição de suas vontades, buscandodisseminar sua imagem perante a um público cada vez maior. 13
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011CONCLUSÃOAo longo deste artigo procuramos demonstrar como a mídia, a fim de desempenhar seupapel jornalístico, contribuiu para disseminar e fortalecer a imagem do PCC e como ojornalismo, ao atuar no cumprimento de seu papel de informar, foi e teve papel fundamentalpara pautar o PCC e, de forma mútua, utilizar-se dessa visibilidade para servir a si própria.A superexposição dos eventos gerados pelo PCC, desde seu surgimento até o mês de maiode 2006 – período de maior ascensão do grupo criminoso – nos mostrou que, de fato, aimagem pública do PCC adquiriu visibilidade, à medida em que a repetição de imagens e dadivulgação desses eventos acabava por gerar outros eventos, solidificando ainda mais aimagem da facção criminosa. Pudemos observar, segundo Arbex (2002), que acomunicação contemporânea tem transformado o jornalismo em um grande show,alimentado, por meio de eventos espetaculares, e alimentando o interesse do público.No cenário em que a violência ambientou a atuação a PCC, tão comumente notada durantesua atuação, pudemos verificar, com base nas conceituações de Malena Contrera, que osmeios de comunicação se transformaram no “altar de sacrifícios de nosso tempo”, aos quaisos veículos de comunicação apresentam a violência de maneira massiva. Isso pode sercomprovado nas ações do grupo criminoso, que utilizou de seus ataques para ganharascensão na mídia, de modo que a imprensa não poupasse a veiculação desses eventos.A Folha de S. Paulo, desde a primeira matéria, veiculada em maio de 1997, foi uma dasresponsáveis por colocar o PCC no centro das atenções durante anos. Por meio demanchetes e imagens que, na grande maioria das vezes, colocou à sociedade um contextosob a ideia de pânico, medo e, consequentemente, espetáculo. Os ataques da facção, emmaio de 2006, foram sinônimo da relação mútua entre o comando e a cobertura midiática.Através da utilização de recursos para ganhar visibilidade na mídia, tais como a utilização defogo, a repetição de imagens, a rebelião de vários presídios foi certa a visibilidade geradapelo jornal, ao qual o PCC tornou-se notícia obrigatória.No Jornal Nacional, ao longo dos anos, o telejornal passou a tratar o Primeiro Comando daCapital sob a utilização de expressões com teor de sensacionalismo. O uso excessivo erepetitivo uso da sigla da facção fizeram parte do modo com o programa cobriu o PCC. ParaArbex (2006), a importância da televisão está relacionada ao impacto da imagem e o ritmode transmissão. Sobre essa ideia, como verificado anteriormente, ele aponta que “(...) nocaso do telenoticiário, as imagens reiteram uma certa percepção do mundo. O que se fixa,na memória do telespectador, são flashes.” No caso do PCC, a facção passou aprotagonizar seus eventos em horários específicos, geralmente em horário nobre, para a 14
    • Universidade Presbiteriana Mackenziegarantia da presença e cobertura em tempo real dos veículos de comunicação, exibindoessas ações normalmente de maneira espetacular.Concluiu-se este artigo, portanto, que, de fato, durante a cobertura midiática o PCC teveenorme influência dos veículos de comunicação que o cobriram durante seu período deatuação. Foi possível notar o crescimento da facção da última década e como ela passou ase beneficiar da cobertura feita pela imprensa. É importante destacar que os veículosestudados veiculam a sigla PCC, quando estritamente necessário. O Primeiro Comando daCapital, como no início de seu surgimento, passou a ser mencionado como “grupocriminoso”, ou “facção criminosa”. Nesse sentido, observamos que a mídia passou perceberde que estava sendo usada pelo grupo e que a promoção do PCC estava diretamente ligadaà maneira ao qual os veículos de comunicação alimentavam-se dos ataques do comando,uma vez que a veiculação dos mesmos somente fortalecia a imagem do PCC.Desse modo, pudemos verificar neste artigo, que, de fato, a mídia jornalística foiresponsável pelo destaque que a facção adquiriu entre o período de 1997 a 2006,principalmente entre os dias 13 e 15 de maio de 2006, período em que a cobertura do PCCganhou cadernos especiais na Folha de S. Paulo, manchetes com referência à sigla docomando e imagens de fogo, incêndios e violência. Do mesmo modo, no Jornal Nacional, asretrancas referidas ao PCC durantes seus ataques identificaram uma postura maisespetacular em sua veiculação. Portanto, embora tenha a função de informar taisacontecimentos, a mídia teve papel decisivo para a construção da imagem do PCC ao longodos anos.REFERÊNCIASARBEX JR, José. Showrnalismo: A notícia como espetáculo. São Paulo: Casa Amarela,2002.COMO FUNCIONA O PCC – Instituto Marconi. Disponível emhttp://www.institutomarconi.com.br/pcc.htm. Acesso em 10 jun. 2010CONTERA, Malena Segura. Mídia e Pânico: saturação da informação, violência e crisecultural na mídia. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2002.DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. São Paulo: Contraponto, 1992GIRARD, René. A violência e o sagrado sacrifício. Tradução de Martha Conceição Gambini.São Paulo: Paz e Terra; UNESP, 1990.JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em http://www.folhaonline.com.br. Acesso em22 de maio de 2010. 15
    • VII Jornada de Iniciação Científica - 2011JORNAL NACIONAL. Disponível em http://g1.globo.com/jornal-nacional/. Acesso em 20 mai.2010.MORIN, Edgar. Cultura de Massas no Séc. XX: o espírito do tempo. 8ª ed. São Paulo:Forense Universitária, 1990.PAIERO, Denise. São Paulo Re-signada: Um dia de caos na maior cidade do país in OsMeios da Incomunicação. São Paulo: Annablume, 2011 (no prelo)._______________. A estrutura simbólica do terror. Monografia apresentada no curso deDoutorado do Programa de Estudos Pós-graduados de comunicação e Semiótica da PUC-SP, para a disciplina Estudos Culturalistas da Comunicação. São Paulo, 2009RABIGER, M. 2005. Uma Conversa com Professores e Alunos sobre a Realização deDocumentários. In: M. MOURÃO & A. LABAKI (Orgs.). O Cinema do Real. São Paulo,Cosac Naify.SOUZA, Fatima. PCC – A Facção. São Paulo: Record, 2006.SOUZA, Percival de. O Sindicato do Crime. São Paulo: Ediouro, 2006.YOUTUBE, PCC na rede. Disponível em:http://www.youtube.com/watch?v=cdRLBuEYrQo&feature=related. Acesso em 15 mai. 2010Contato: vagnerdealencarsp@hotmail.com e denise@mackenzie.br 16