Stephanie behisnelian

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Stephanie behisnelian

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieMATERIAIS SUSTENTÁVEIS EM ARQUITETURAStephanie Behisnelian (IC) e Ricardo Vasconcelos (Orientador)Apoio: PIBIC Mackenzie/MackPesquisaResumoEste trabalho aborda o tema da sustentabilidade, mais especificamente em relação a materiaisusados em arquitetura. Busca dar uma visão geral da sustentabilidade hoje no mundo e no Brasil,mostrando que a situação ambiental do nosso planeta não deve mais ser deixada de lado, já que éurgente e alarmante. Focando então em arquitetura, busca mostrar o que vem sendo discutido naárea da construção civil, e como os arquitetos podem e devem fazer a diferença no cuidado com omeio ambiente por meio da profissão. Abordará também os selos verdes, mais especificamente oLEED, selo americano mais utilizado atualmente, com foco no LEED CI (para interiores comerciais).Os créditos e pré-requisitos do LEED CI em relação a materiais e recursos terão uma análise umpouco mais cuidadosa. Entrando, então, no foco que são os materiais, estes serão analisados desdeo processo de extração de sua matéria prima, passando pela fabricação e transporte, a energia gastadurante todo seu processo, até sua reutilização e reciclagem, buscando entender o que realmentesão os chamados “materiais verdes” e qual o impacto deles sobre o meio ambiente. Uma análisesobre o que vem acontecendo em relação a materiais no Brasil será feita como conclusão de toda adiscussão.Palavras-chave: materiais, sustentabilidade, reciclagemAbstractThis work is about the issue of sustainability, specifically in relation to materials used in architecture. Itseeks to give an overview of sustainability in today’s world and in Brazil, showing that theenvironmental situation of our planet should no longer be left out since it is urgent and alarming. Thenfocusing on architecture, seeks to reveal what has been discussed in the construction area and howarchitects can and should make a difference through the profession. It will also address the Greenrating systems, specifically LEED, U.S. label in large use today, focusing on LEED CI (commercialinteriors). The credits and prerequisites for LEED CI in relation to materials and resources will have acareful analysis. Focusing materials, they will be analyzed from the extraction of their raw materials,throughout its process until its reuse and recycling, trying to understand why they are called “Greenmaterials” and what are their impact on the environment. An analysis of what is happening to thematerials in Brazil will be made at the conclusion of the discussion.Key-words: materials, sustainability, recycling 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOO objetivo principal do trabalho era analisar, caso a caso, materiais sustentáveis para seremusados em arquitetura. Após pesquisas, aulas e palestras, pude entender melhor o tema epercebi que o principal deveria ser discutir o que torna um material sustentável. O tema dasustentabilidade tem sido muito recorrente nos dias de hoje, porém, muitas vezes não étratado de maneira séria ou coerente, especialmente o tema dos materiais. Hoje em dia asempresas adotam critérios muitas vezes sem fundamento para vender um material como“verde”. É preciso analisar de maneira crítica o que torna um material realmente sustentável.É fundamental para um arquiteto que irá utilizar algum dos chamados materiais verdes emsuas obras, entender o porquê este é considerado não prejudicial ao meio ambiente, quaissão os critérios de análise, até mesmo para, assim, poder desenvolver produtos ou saberqual é a melhor utilização, por exemplo, para um certo tipo de material, que condiçõesfazem com que ele seja favorável a um certo tipo de ambiente ou clima, se pode ou não serreciclado ou qual é sua procedência. Foi decidido também, juntamente com o orientador,que seria melhor ter uma base para o trabalho, algo que já existe e foi testado com sucesso.Por isso, um selo reconhecido como o LEED é um ponto de partida ideal, pois foidesenvolvido por meio de muitos estudos, por diversos especialistas da área. Maisespecificamente, será analisado o LEED CI (commercial interiors), que tem por objetivocertificar interiores de prédios já existentes, por exemplo. Os materiais acabam sendo ummeio viável para essa solução, por isso a escolha desse LEED. Será feita uma visão semesgotamento dos aspectos gerais do assunto , mas uma análise com um pouco mais defoco será na parte de materiais e recursos.Durante todo o processo de pesquisa também pude perceber que a questão geral dasustentabilidade ainda é pouco discutida, pouco conhecida e, principalmente, pouquíssimoaceita. Dados de pesquisas revelam que a construção civil é uma das principais (senão aprincipal) responsáveis pelo acumulo de resíduos, extração de recursos naturais e emissõesde CO2. Mesmo assim, os arquitetos brasileiros não conhecem ou não procuram conhecer aquestão da sustentabilidade. Há ainda muito preconceito ou falta de informação e interesse,o que leva a uma recusa do tema.Será, portanto, aberta uma discussão sobre os materiais verdes no Brasil. Como é a oferta ea procura, quais são as barreiras para a compra verde, aspectos que devem ser levados emconsideração e, após esta análise, o trabalho será finalizado com uma crítica à maneiracomo o assunto é tratado no Brasil. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana MackenzieREFERENCIAL TEÓRICOA QUESTÃO GERAL DA SUSTENTABILIDADESegundo os conceitos de Brian Edwards, no seu livro “O Guia básico para asustentabilidade”, a sustentabilidade envolve todos os recursos necessários para odesenvolvimento das atividades humanas.A civilização humana e o ecossistema terrestre estão entrando em choque, e a maisdestrutiva demonstração disso é a crise climática. Extinção de diversas espécies de animais,derrubada e queima de florestas, emissão de gases tóxicos, acúmulo de lixo e poluição doar e da água são alguns exemplos (GORE, 2009).Atualmente a queima de carvão, petróleo e gás natural são as maiores fontes de CO2 e,consequentemente, a maior e mais crescente fonte de poluição, que causa o aquecimentoglobal (GORE, 2009).“Os níveis alarmantes de poluição, de violência, de fome, de escassez de água e deenergia, de elevação da temperatura global, de danos à camada de ozônio, entre outros,fazem-nos acreditar que as mudanças ambientais induzidas pela atividade humanaexcederam o ritmo natural da evolução, fazendo com que tenhamos que buscar,urgentemente, formas para nos adequarmos aos problemas que estamos criando comtamanho descontrole” (Kronka, 2002, p. 23).“O desenvolvimento sustentável é algo mais do que um compromisso entre o ambientefísico e o crescimento econômico - ele significa uma definição de desenvolvimento quereconhece, nos limites da sustentabilidade, origens não só naturais como estruturais. Cabe,assim, reconhecer na relação homem-natureza os processos históricos nos quais oambiente é transformado, e a sustentabilidade será uma decorrência de uma conexão entremovimentos sociais, mudança social e, consequentemente, possibilidade de políticas maisefetivas” (BECKER, Bertha K. – “Amazônia pós Eco 92”, Para pensar o desenvolvimentoSustentável, p. 138).“As únicas soluções significativas e efetivas para a crise climática envolvem grandesmudanças no comportamento e no pensamento humanos” (GORE, 2009).O objetivo final da implantação da sustentabilidade deve ser deixar para as gerações futurasreservas naturais iguais ou maiores às que herdamos (ROGERS, 2008). 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A SUSTENTABILIDADE E A CONSTRUÇÃO CIVILA indústria da construção civil deve ser levada em consideração se quisermos pensar emsustentabilidade, já que consome 40% de toda a energia gerada e emite 40% de gasespoluentes (PORTO, 2009).“A indústria da construção civil consome 50% dos recursos mundiais, convertendo-se emuma das atividades menos sustentáveis do planeta. No entanto, nossa vida cotidianadesenvolve-se em ambientes edificados: vivemos em casas, viajamos sobre estradas,trabalhamos em escritórios e nos sociabilizamos em bares e restaurantes. A civilizaçãocontemporânea depende de edificações para seu resguardo e sua existência, mas nossoplaneta não é capaz de continuar suprindo a atual demanda de recursos. Evidentemente,algo deve ser mudado nesse aspecto, e os arquitetos e designers têm uma granderesponsabilidade nesse processo” (EDWARDS, 2008).Com dados e números tão alarmantes em relação ao meio ambiente, a indústria global vemtrabalhando para oferecer materiais e recursos que revertam essa situação (PORTO, 2009).“A construção sustentável deve levar em conta a proteção das águas, solo, clima,vegetação, ecossistema local e regional, o espírito do lugar” (FUJIOKA, 2008).Após a II Guerra Mundial, houve uma grande expansão das técnicas construtivas, e com ocombustível barato, pode-se então fazer utilização mais frequente da energia elétrica, porexemplo. Houve então um grande aumento no consumo de energia (CORBELLA, 2003).Ainda assim, os arquitetos modernistas brasileiros desde o início se preocuparam emconstruir de acordo com as condições climáticas de nossa região, procurando aproveitar, naarquitetura, os nossos recursos naturais (PORTO, 2009).A partir da década de 70, nos vimos invadidos por prédios inadequados ao meio ambiente(KAWAKAMI, 2008). Com a crise energética de 70, o petróleo aumentou os preços,impulsionando, assim, a busca por novas formas de geração de energia (CORBELLA,2003).No Brasil, a partir dos anos 80, a questão ecológica na arquitetura se tornou mais forte. Odebate sobre o futuro da arquitetura brasileira nessa época passava a incluir, agora, orespeito pelo contexto histórico, natural e geográfico e a tradição espacial e construtivaregional (FUJIOKA, 2008).“...agora todos estão preocupados em recuperar antigas questões, pensar na função doedifício, além da forma” (KAWAKAMI, 2008). 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenzie“Em tempo: chega-se ao consenso de que a arquitetura sustentável deve ser uma sínteseentre projeto, meio e tecnologia, considerando, ainda, aspectos econômicos, culturais esociais” (PORTO, 2009).SELOS NO BRASIL E NO MUNDOMuitos países criaram critérios para avaliar e guiar os projetos de edifícios. Selos decertificação verde foram criados em vários países, como, por exemplo, o BREEAM (BuildingResearch Establishment’s Enviromental Assessment), no Reino Unido, O HQE (HauteQualité Environnmentale), na França, o GBTOOL e o Casbee, no Japão, e o LEED(Leadership in Energy and Environmental Design), nos Estados Unidos. No Brasil, o IPT(Instituto de Pesquisas Tecnológicas), de São Paulo, e a UFSC, estão criando métodos noLaboratório de Eficiência Energética das Edificações (Labeee) (PORTO, 2009).O LEED é o selo mais reconhecido mundialmente na avaliação e certificação na indústria daconstrução civil. Funciona como uma ferramenta para medir o quão sustentável é umaconstrução. Possui classificações, podendo ser simples, prata, ouro ou platina. No Brasiltem sido muito divulgado GBC.....(KAWAKAMI, 2008).E é no setor comercial que há um maior investimento em relação ao desempenho ambientale eficiência energética (PORTO, 2009). Por isso, o LEED CI (para interiores corporativos)pode ter grande importância para a implantação da sustentabilidade no Brasil.O LEED CI, assim como os outros LEEDs, é feito por créditos e pré-requisitos comoespaços sustentáveis, que pretende fazer com que haja uma preocupação com o entorno,eficiência e uso da água, para que esse recurso seja usado de maneira consciente, energiae atmosfera, visando a diminuição do consumo excessivo de energia, qualidade doambiente interno, que visa um melhor conforto ambiental para os usuários, inovação eprocesso de design, para novas ideias e, em uma análise mais profunda, materiais erecursos (USGBC, 2004).Os créditos e pré-requisitos de materiais e recursos beneficiam projetos que se preocupamcom aspectos como depósito e coleta de materiais recicláveis, construindo, assim, nosusuários uma consciência ecológica, gestão de resíduos da construção, para que a obra emsi seja o mais limpa possível, com o mínimo desperdício, reuso de materiais e conteúdoreciclado, buscando um controle no consumo de novos materiais, materiais regionais, o queevita o transporte, materiais de rápida renovação , e uso de madeira certificada, o que evitaa destruição de nossas florestas (USGBC, 2004). 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O QUE QUALIFICA UM MATERIAL COMO SUSTENTÁVELQuando os materiais construtivos são escolhidos de maneira consciente, já é um grandeponto de partida para que seja realizada uma arquitetura de baixo impacto humano eambiental (YEANG, 1999).Devemos escolher o sistema construtivo buscando vantagens como mínima perda noprocesso de construção, diferentes usos da edificação durante sua vida útil, além depossibilidade e facilidade de reciclagem e reaproveitamento. Devemos levar emconsideração não apenas o custo, durabilidade, manutenção, entre outros fatores, comonormalmente era feito, mas pensar também nos aspectos ambientais (KRONKA, 2002).Não apenas o método construtivo, mas os materiais utilizados tornam o projeto maisadequado ao meio ambiente, e mais integrado com seu entorno (KRONKA, 1998).Para que a escolha seja adequada, é preciso fazer uma análise dos materiais durante umgrande ciclo. Desde a extração de sua matéria-prima, a utilização no processo deconstrução, até a fase final, na demolição do edifício, se é possível a reciclagem. O custodisso tudo não é pago somente pelo cliente, mas também pelo usuário e meio ambiente(RATHMANN, 1999).No nosso sistema econômico, os materiais estão em um ciclo em linha reta, partindo damatéria-prima, passando pelo processo de fabricação, até se tornarem produtos que irãopara o consumidor final. Muitas vezes não nos damos conta de que eles podem impactar omeio ambiente (YEANG, 1999).Devemos levar em consideração o impacto ambiental que está nos processos de extração,transporte, utilização e demolição (KRONKA, 2002).Pensando na fase inicial do material, a matéria-prima pura, devemos considerar, porexemplo, se há na região da obra abundância do material que será empregado, para evitargastos de energia e emissão de CO2 com o seu transporte (LENGEN, 2008).A empresa que irá produzir o material deve ter uma preocupação com a redução da poluiçãoda água, ar e solo (KRONKA, 2002).Dar preferência aos materiais para que, ao serem extraídos, não causem um impactoecológico tão grande, é de grande importância (YEANG, 1999).Nessa fase, podemos considerar também se o material de construção pode ser provenientede matérias-primas da região e se na comunidade há mão de obra disponível para trabalharesse material. Quando não há material local disponível, devemos levar em consideraçãocomo será o transporte até o local da obra (LENGEN, 2008). 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenzieA origem geográfica e certificada dos materiais empregados são fatores importantes aserem considerados (FUJIOKA, 2008).Fatores determinantes para a qualidade do material, levando em conta o processo defabricação, são: energia necessária para produzir o material, emissão de CO2 resultante dafabricação do material e transporte durante sua fabricação até entrega ao sítio (ROAF,2006).Pensando agora no material já na obra, fatores determinantes para a sua escolha são:toxicidade do material, manutenção necessária, se para ela é necessário gastar muitodinheiro ou esforço, ou se precisa de materiais prejudiciais, como o material contribui para aredução do impacto ambiental do edifício, ou seja, se ele auxilia no conforto interno doprojeto (ROAF, 2006 e LENGEN, 2008).Outros fatores de grande importância são a vida útil e reciclagem do material. Algunsmateriais não se adaptam ao clima da região e por isso se desgastam mais rápido(LENGEN, 2008). A flexibilidade do projeto para acompanhar mudanças de uso e opotencial de reutilização do material empregado podem tornar uma obra mais sustentável(ROAF, 2006).A reciclagem só faz sentido se não demandar grande esforço para seu resultado final, ouseja, grande gasto de energia (ROAF, 2006).A seleção dos materiais deve levar em consideração seu potencial de reutilização ereciclagem. Ao pensar no edifício, devemos pensar também nos objetivos em relação àgestão de recursos de produtos. O objetivo final deve ser reduzir o impacto do edifício emseu entorno. Para isso, reutilizar e reciclar são processos fundamentais. Ainda assim,reutilizar é melhor que reciclar, já que exige menor esforço e gasto de energia. Materiaisprocedentes de fontes não renováveis devem ainda mais ser reutilizados ou reciclados.Tudo isso ajuda a reduzir a quantidade de energia embutida em um edifício (YEANG, 1999).A energia embutida nos materiais considera seu custo energético de produção e transporte.Trata-se da energia empregada na extração e transformação das matérias-primas, nafabricação, no transporte e na construção (YEANG, 1999).A energia embutida nos materiais é importante no impacto ambiental, pois ela defineaspectos como modo de extração, modo de produção e utilização. Porém, segundo KenYeang, não apenas a energia embutida, mas especialmente a possibilidade de reutilizaçãodo material, já que isso pode diminuir os níveis de energia embutida (YEANG, 1999). 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O transporte pode ser o fator de maior peso na análise de energia embutida dos materiais,mais uma razão para dar preferência a materiais locais (COOK, 2001). Não só a distância,mas também o peso e a facilidade de transporte influenciam nesse aspecto. (ROAF, 2006)Para calcular o gasto de energia embutida, devem-se considerar todos os estágios nosquais ela é utilizada para aquele material. Desde a extração, transporte, processo defabricação, transporte à obra e a utilizada durante a construção são energias a seremconsideradas (ROAF, 2006).Quanto mais processos pelos quais o material tiver que passar durante sua fabricação,maior será a energia embutida e os resíduos produzidos. Portanto, quanto mais próximos deseus estados naturais, menos impactantes serão os materiais (ROAF, 2006).Outra opção eficiente são os materiais naturais. Estes, segundo Brian Edwards, sãoconsiderados saudáveis. Porém, por terem baixo desempenho técnico, muitas vezes osarquitetos dão preferência aos industrializados. Hoje em dia, novas técnicas construtivasestão permitindo o uso diversificado de materiais orgânicos como: derivados da terra, pedra,madeira, entre outros (EDWARDS, 2008). Os materiais naturais têm baixa energiaembutida, baixa toxicidade e menor impacto ambiental (KRONKA, 2002).Outro aspecto que pode ser considerado em relação à escolha dos materiais é odesempenho térmico. Os materiais podem regular o desempenho térmico em um edifício,influenciando, assim, no conforto ambiental. Conhecendo as propriedades térmicas dosmateriais e as leis básicas da transferência de calor, pode-se, então, escolher de maneiramais consciente o melhor material a ser empregado em relação ao clima da região. Os quepermitem um controle no ganho de calor e dissipação da energia térmica interior podempropiciar maior conforto térmico aos usuários (CORBELLAS e YANNAS, 2003).Até mesmo a embalagem do material deve ser considerada; se é feita de componentesrecicláveis, por exemplo. Muito do lixo produzido é consequência da enorme quantidade deembalagens. O emprego de embalagens recicláveis ou mesmo a não utilização destas podeser um fator importante (KRONKA, 2002).Materiais biodegradáveis, ou seja, com capacidade de reabsorção e de decomposição deseus componentes sem que se tornem tóxicos, podem ser um fator importante naconstrução verde (KRONKA, 2002).O material sustentável é aquele em que sua produção atende ou mesmo excede asnecessidades de consumo do meio (COOK, 2001). 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana MackenzieEnfim, tudo isso deve ser planejado para que tenha bons resultados. Para isso, a etapa doprojeto é fundamental para maior êxito nas reduções, pois é nela que são definidos osmateriais construtivos (KRONKA 2002).Nosso planeta tem uma quantidade finita de recursos e materiais. O ritmo de consumo atualnão poderá ser atendido para sempre (YEANG, 1999).OS MATERIAIS NO BRASILNo Brasil há ainda uma certa dificuldade para se obter alguns tipos de materiais e atémesmo serviços adequados às exigências de uma obra verde. Os fornecedores brasileirosainda precisam crescer muito no sentido de oferta. Mas isso depende também da procurados fornecedores. O aumento da demanda deve modificar esse cenário (KAWAKAMI, 2008).Algumas barreiras ainda existem para a construção de greenbuildings no Brasil. Existe aindauma diferença grande entre a ABNT, norma brasileira, e as exigências do LEED, o que podeprejudicar um projeto em alguns parâmetros de certificação (PORTO, 2009).Apesar de os consumidores brasileiros se dizerem interessados na compra de produtosverdes, a falta de oferta ou os altos preços muitas vezes assustam. “É fácil constatar, e aspesquisas comprovam, que enquanto 52% dos consumidores estão dispostos a comprarprodutos de fabricantes que não agridem o meio ambiente, mesmo que sejam mais caros(de acordo com pesquisa IBOPE, set/2007), 76% das empresas admitem que nãoconhecem as preocupações de seus clientes com responsabilidade socioambiental” (dadosIBM, jan/2008) (fonte: SITE SELO SUSTENTAX).MÉTODOO mais importante no processo de pesquisa foi, primeiramente, tomar conhecimento numâmbito geral do tema. Por ser uma questão pouco discutida e pouco conhecida, entendermelhor os seus aspectos gerais foi fundamental para desenvolvê-la melhor. Num primeiromomento, palestras e aulas, com professores pesquisadores do assunto e pessoas quetrabalham no meio foram imprescindíveis para entender a sustentabilidade como tema,como proposta e como realidade. A participação em congressos também foi importante paraver a realidade brasileira e também do mundo. Livros que tratam da sustentabilidade comoum todo também foram essenciais.Na metodologia inicial foi sugerida uma análise das características climáticas, sociais,econômicas do Brasil para poder implementar a sustentabilidade aqui. Porém, antes disso éimportante entender o porquê estes dados influenciam na inserção do tema. O que osmateriais têm, que levam a esta discussão? 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Deixou de ser um foco a análise específica de cada material, mas sim a importância geraldeste assunto, o motivo pelo qual os materiais são tão importantes para a sustentabilidade.RESULTADOS E DISCUSSÃOUma discussão que tem se tornado cada vez mais constante no planeta é a preservaçãoambiental. Uma área que foca muito esta questão é a sustentabilidade. Cuidar do lugar ondevivemos para que tenhamos uma qualidade de vida melhor e preservá-lo para geraçõesfuturas deve ser um assunto a ser pensado, discutido e resolvido por todos. Ninguém estáisento da responsabilidade de tornar o planeta um lugar cada vez melhor. Com os recursosfinitos sendo cada vez mais utilizados, com problemas de poluição nas cidades,desmatamento de florestas importantes para o planeta, efeito estufa, entre outros, aconsciência ambiental deve ser despertada nas pessoas enquanto ainda há tempo demudar esta realidade. Por isso, nossa responsabilidade é reverter esta situação, nãoimportando a área em que atuamos. Cada pessoa, em sua própria área, deve procurar fazeralgo para ajudar o planeta.“A profissão também deve definir sua dimensão ética. A exigência de que a arquiteturacontribua para uma cidade sustentável em seus âmbitos social e ambiental cobra agoraresponsabilidades dos arquitetos” (ROGERS, 2008).Na arquitetura, a sustentabilidade tem sido um meio utilizado pelos profissionais da áreapara fazer sua parte. Construções autossustentáveis, certificados verdes, são alguns dosaspectos desse novo segmento da arquitetura. Porém, no Brasil, a sustentabilidade ainda épouco explorada na arquitetura, por falta de interesse ou por falta de conhecimento einformação de estudantes e arquitetos. No futuro, não será possível imaginaruma arquitetura separada das questões socioambientais. Por isso, desde já, devemos nosinformar e especializar nessa área.Como resultado da pesquisa, entender cada aspecto que torna um material sustentávelpode deixar mais clara a diferença entre os bons e maus produtos oferecidos atualmente.Para ser sustentável, um produto deve ter responsabilidade socioambiental. Como é denossa responsabilidade a escolha dos materiais de uma construção, saber identificar osaspectos fundamentais para que um material não seja um choque para o meio ambiente éde grande utilidade, especialmente na fase de projeto. Pude perceber também que é nessafase que será definido se a arquitetura será ou não sustentável. Um projeto bem planejado,feito pensando em todas as etapas, desde a construção até o fim da vida útil do edifício,está visando o bem-estar de nosso planeta. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieCRÍTICAO Brasil é conhecido como um país com grande diversidade. Diversidade de cultura, deetnias, de fauna e flora, de recursos. Temos florestas que oferecem matérias-primasincríveis. Temos um clima agradável em todas as estações do ano. No clima quente-úmidobrasileiro, uma das características mais notáveis é a influencia da ventilação, que pode serbem aproveitada na arquitetura (HERTZ, 1998). Com tantos recursos naturais disponíveis,ainda não sabemos aproveitá-los de maneira a não prejudicar a natureza.Cada pessoa deve fazer sua parte, e a parte dos arquitetos pode ser feita com construçõesverdes. Ainda em nosso meio, entre arquitetos, estudantes e professores, o assunto é poucodiscutido e aceito, sendo visto, muitas vezes, como um assunto que está na “moda”. Temosque entender que isso tudo é uma questão de sobrevivência. A urgência da situação denosso planeta ainda não atingiu de maneira impactante a indústria da construção civil.O impacto ambiental de nossas escolhas na construção de edifícios é um aspecto quedeveria ser óbvio, natural, e não motivo de propaganda, como ocorre com muitos edifíciosverdes brasileiros.Apesar de ainda existirem poucas obras certificadas, há um trabalho crescente para que oBrasil caminhe cada vez mais para a sustentabilidade.“As políticas sustentáveis já estão colhendo frutos visíveis. Por trás desse sucesso, e comdeterminação popular, a sustentabilidade poderia tornar-se a filosofia dominante da nossaera. Desta forma, as cidades, habitat da humanidade, poderiam estar, uma vez mais, ligadascom o ciclo da natureza. Cidades bonitas, seguras e igualitárias estão ao nosso alcance”(ROGERS, 2008).A oferta de materiais verdes no Brasil vem sendo crescente, porém devemos tomarcuidados em nossas escolhas. Precisamos analisar os aspectos como impactos da extraçãoda matéria-prima, transporte, distância da obra, processo de fabricação, possibilidade dereciclagem e reutilização, entre outros, para que a escolha do material seja correta. Nãopodemos acreditar em qualquer propaganda. Como profissionais, temos a obrigação deanalisar a origem do “verde” de certo produto. Produtos verdes existem muitos, mas quaissão realmente confiáveis? Quais realmente não agridem o meio ambiente? Há uma grandequantidade de aspectos a serem analisados, por isso não devemos nos contentar comapenas um aspecto atendido. Cabe a nós fazer o julgamento, por meio de pesquisa einformação, do que devemos ou não utilizar em nossas obras.A construção civil não pode mais andar separada do meio ambiente. As construções devemestar diretamente ligadas ao meio em que estão inseridas, de maneira que convivamharmoniosamente. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Selos verdes, a princípio, podem ser ótimos guias na compra verde, mas futuramente nãodevemos mais nos preocupar em atender os créditos e pré-requisitos destes. Devem, acada dia, se tornar algo cotidiano para os arquitetos, parte fundamental de sua formação ebase de qualquer projeto de arquitetura.REFERÊNCIASBECKER, B., - “A Amazônia pós ECO 92”. In: “Para Pensar o DesenvolvimentoSustentável”; BURSZTYN, M. (Org.) ET al., Ed. Brasiliense, 1994, p. 130-159.Construção - Técnicas Construtivas “- Dissertação de Mestrado apresentada ao IEE/USP -Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, no ProgramaCOOK, Jeffrey – “Millennium Measures of Sustainability: Beyond Bioclimatic Architecture”-In:Proceedings of PLEA 2001 Conference – The 18th International Conference on PassiveandLow Energy Architecture – Renewable Energy for a Sustainable Development of BuiltEnvironment, November 7 to 9, 2001, Florianópolis, Brasil, p.37-44.CORBELLA,Oscar e YANNAS – Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos– conforto ambiental. Ed. Revan, Rio de Janeiro, 2003 288 p.de Pós Graduação em Energia, 1998.Education, 1999, (http://www.umich.edu/~nppcpub/).EDWARDS, Brian – Guia Básico para a Sustentabilidade, Barcelona, Gustavo Gili 2008. 226p.FUJIOKA, Paulo Yassuhide - Iniciativa Solvim 2008: arquitetura sustentável. Abílio Guerra eSilvana Roano Santos (orgs.). Realização: Solvay Indupa do Brasil, apoio: Instituto deArquitetos do Brasil Departamento de São Paulo. Editora Romano Guerra, São Paulo 2008.96p.GORE, Al – Nossa Escolha: um plano para solucionar a crise climática. Ed. Manole, Barueri,2010. 416 p.HERTZ, John – Ecotécnicas em arquitetura: como projetar nos trópicos úmidos do Brasil –Ed. Pioneira, São Paulo, 1998. 125 p.KAWAKAMI, Nelson em entrevista à Revista Finestra, edição 52, março de 2008.KRONKA, Roberta C. - “Arquitetura de baixo impacto humano e ambiental” – Teseapresentada à faculdade de arquitetura e urbanismo/ USP, para obtenção do grau dedoutor, 2002. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana MackenzieKRONKA, Roberta C. - “Impacto e Consumo Energético Embutido em materiais deLENGEN, Johan Van – Manual do Arquiteto Descalço, Ed. Empório do Livro, São Paulo,2008. 712 p.Module. Michigan University. Publicação da National Pollution Prevention Center for HigherPORTO, Marcio - O Processo de Projeto e a Sustentabilidade na Produção da Arquitetura –Ed. C4, 2010 120 p.RATHMANN, Kurt – “Recycling and Reuse of Building Materials”- Sustainable ArchitectureROAF, Susan; THOMAS, Stephanie; FUENTES, Manuel. Ecohouse: a casa ambientalmentesustentável . 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 408 p.ROGERS, Richard; GUMUCHDJIAN, Philip. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona:Gustavo Gili, 2008. 180 p.YEANG, Ken – “The Green Skyscraper – The Basis for Designing Sustainable intensiveBuilding”, Prestel, New York, 1999, 394 p.REFERÊNCIAS INTERNET:www.usgbc.orgwww.selosustentax.com.brContato: stebehis@gmail.com; ricardo@rva.arq.br 13

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