Memorial Justificativo Nova Cinelandia

4,241 views

Published on

Desafio de Projeto 6, na FAU-Mackenzie, em 2012: criar um edifício multifuncional na esquina da Av. São João com a Rua Aurora, no lado que segue para a Rua Vieira de Carvalho, Praça da República e Largo do Arouche.

Este memorial resume o pensamento surgido à partir da nossa visita ao local, de nosso conhecimento e vivência no centro de São Paulo, das apresentações de alunos que mostraram vários edifícios similares, do debate com o escritório Aflalo e Gasperini sobre o Eldorado Busines Tower, da visita guiada com a professora Cristiane e da avaliação do levantamento dos alunos sobre fotografias do entorno, mobiliário urbano, referências históricas e arquitetônicas e insolação mais vegetação.

Procuramos determinar os princípios norteadores do nosso pensamento projetual e formalizar um partido. Haverá quem ache aqui um excesso de considerações, entretanto o impacto de um investimento desta monta não pode se dar liminarmente, superficialmente. Como se tem comentado, na cidade de São Paulo há prédios demais e arquitetura de menos. E a boa arquitetura não surge meramente de um croqui, antes de uma compreensão significativa do sítio, do entorno, da cidade e dos seus cidadãos.

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
4,241
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
5
Actions
Shares
0
Downloads
34
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Memorial Justificativo Nova Cinelandia

  1. 1. “As melhores cidades são aquelas aonde nos perdemos.” José Morales – Diccionario Metápolis de ArchitecturaMEMORIAL DE ESTUDO PARA PROJETO 6 Quase um memorial justificativo... Quase!
  2. 2. Silogismo na concepção do partido
  3. 3. CONSIDERANDO A topologia Temos que nosso terreno situa-se na cumeeira de uma elevação. A cota em seus extremos não difere por mais de um metro, o que permite concluir estarmos lidando com um lote plano por excelência. Aceitando ligações da calçada de ruas diferentes com excelente resultado, não se faz necessário o visitante descer ou subir degraus por toda a extensão do pavimento térreo. DECIDIU-SE A esquina terá um generoso recuo de modo a tornar suave e natural o trânsito entre as duas calçadas. Adicionalmente implantar-se-á um acesso da Av. São João à Rua Aurora.Ligando o ponto mais interno situado na Rua Aurora ao interior do saguão aberto do térreo. Se usarmos marquises sob uma frente comercial recuado em 3 metros – algo já feito no Conjunto Nacional e no edifício Louvre construído por Artacho Jurado - e atrás desse bloco de lojas tivermos uma rua interna –também esta chegando às duas calçadas – chegaremos ao desenho de duas vias internas, atraindo e facilitando a circulação de pessoas.
  4. 4. CONSIDERANDO A esquina generosa Tendo duas frentes amplas, o terreno permite três acessos principais ao pedestre: 1) A própria esquina, que estará desimpedida de qualquer construção 2) Um acesso no extremo de cada uma das frentesfotos publicadas por Gilberto Calixto Rios http://www.slideshare.net/mgermina/avenida-so-joo-8055649 DECIDIU-SE Diferente do que prevíamos (três acessos principais) constatamos que o sítio permite uma Implantação generosa e sútil, onde as definições de entrada possam ser tão diluídas que se tornem imprecisas. A construção de pequenos blocos comerciais, contendo de quatro a seis lojas, dispostos intermitentemente e numa linha côncava resultará em atrair oquem passe em frente.
  5. 5. CONSIDERANDO A fachada ampla na Av. São João Há mais de 40m na frente voltada à Av. São João, confrontando a Praça Júlio Mesquita. Dona de uma larga calçada olote mira as faixas da Av. São João em seu momento de maior largura. Essa frente possui características muito diferentes da observada junto à Rua Aurora, que é uma via local. Em outras palavras, estamos diante de um dos principais exixos urbanos da cidade de São Paulo, eixo este iniciando-se na Rua Líbero Badaró e que segue passando pelo bairro dos Campos Elíseos (região da Praça Júlio Mesquita), cruza a Avenida Pacaembú em viaduto, passa sob um túnel que desemboca na Av. Francisco Matarazzo, chega ao bairro da Pompéia, onde hoje é o Shopping Bourbon, torna-se Rua Turiassú, cruza a Lapa, onde ladeia a linha ferroviária, e num breve desvio torna-se a Av. Brigadeiro Gavião Peixoto rumando à Vila Jaguara, Parque São Domingos e Mangalot naquilo que é o início da Via Anhanguera; uma linha arterial composta por vária avenidas por onde circulam diariamente milhares e milhares de pessoas, que vista do alto constitui-se uma única serpente urbana. Em termos simples: alguém que entre na cidade pela Via Anhanguera conseguirá chegar à Rua Líbero Badaró sem fazer uma curva de 45 graus em nenhum momento do trajeto. Estamos no principal eixo urbano do braço oeste da cidade. DECIDIU-SE Priorizar hireraquicamente a frente da Av. São João.fotos publicadas por Gilberto Calixto Rios http://www.slideshare.net/mgermina/avenida-so-joo-8055649 Aqui,indubitavelmente , está o lado nobre do Nova Cinelândia, este complexo condomínial que visa atrair usuários e, simultâneamente, instigar os ali dentro a que apreciem e circulem nas imediações.
  6. 6. CONSIDERANDO A operação urbana Nova LuzO que outrora chamou-se “cracolândia” pretende tornar-se “Nova Luz” numa parceria PúblicoPrivada envolvendo a entrega da gestão urbana sobre 45 quarteirões.Ainda que de ampla magnitude, este não é o primeiro gesto no sentido de melhorar a qualidadeurbana da região. A inauguração da Sala São Paulo, a construção da FATEC e o surgimento doMuseu da Língua Portuguesa na estação ferroviária da Luz, aconteceram dentro de um esforçocomum: revitalização do centro da cidade.Campos Elíseos, Luz, Praça Princesa Isabel, e entorno:toda essa área poderá ligar-se ao lado oposto da Avenida São João, que compreende Largo doArouche, Praça da República, Avenida Vieira de Carvalho, Terminal Amaral Gurgel e adjacências,passando por dentro da Nova Cinelândia. DECIDIU-SEO investimento no complexo Nova Cinelândia visa, entre outros objestivos, tornar-se passagemnatural dos que circularem em direção à Nova Luz. Sendo que a estação República do metrô ficapoucas quadras do lote estudado, é fácil supor o afluxo de pessoas no sentido norte sul, ou seja entrea Praça da República e a Nova Luz . A passagem de pedetres tornar-se tão natural e intuitiva sob alaje do pavimento térreo como é atravessar o Conjunto Nacional entre a Alameda Santos e aAvenida Paulista.
  7. 7. CONSIDERANDO A vida noturna paulistana Salas de cinema (Olido, Marabá etc) , casas de shows (Bar Brahma), churrascarias (Dinhos’s Place), escolas (Fatec), além dos inúmeros bares e boates de menor prestígio conferem à região forte potencial de vida noturna. Esta região já foi conhecida como Cinelândia, de modo informal. Haviam vários cinemas de rua ali e o paulistano tinha o hábito de sair à noite e mesmo nas tardes, para assistir um filme. Recentemente o cine Marabá foi restaurado e voltou a funcionar na Avenida Ipiranga, próximo ao Bar Brahma. O Bar Brahma mantém-se vigoroso como opção de lazer tanto nas tardes como à noite. Há poucos anos ele conseguiu o que deve ser a maior ambição de qualquer empresário do setor: alugou a esquina mais famosa da cidade! Assim a cidade viu-se livre da loja de consórcio de automóveis e motocicletas, o Consórcio Remaza, e ganhou uma porta aberta nos dois turnos aumentando a qualidade em termos de lazer, turismo e encontros. Isto frisa que há forças positivas atuando na região. Outro exemplo disso é a construção do Formule 1, hotel inserido em uma rede internacional que se apresenta como opção econômica aos viajantes. Mais que baixo preço, o Formule 1 é espartano, não contando, sequer, com um sofá em seu átrio de recepção – átrio esse reduzido ao mínimo. Assim, o cliente sabe que, em qualquer lugar do mundo, se buscar simplesmente dormir e tomar banho, poder recorrer à esta marca. Diante do Formule 1 inaugurou-se o SP Down Town Hostel. Opção para estudantes e descolados do mundo todo. O ambiente bom, limpo, oferecendo generoso café da manhã (ao contrário do Formule 1) torna a esquina na Praça Júlio Prestes algo mais do que apenas um cenário de abandono. DECIDIU-SEAbrir espaço no programa do projeto à atividades correlatas que tornem o Nova Cinelândiaum destino natural na noite. Casais, jovens e famílias terão onde ir. Tal estímulo é buscadona intenção de se evitar o uso intenso das instalações apenas no período diúrno, o queprovocaria um esvaziamento do condomíno à noite.
  8. 8. CONSIDERANDO O cenário e seu horizonte Do alto das torres do Nova Cinelândia poderá se ver inúmeros pontos famosos da cidade: Edifício Altino Arantes, Estação Júlio Prestes, Estação da Luz, Mosteiro de São Bento, Edifício Racy (projetado e construído pelo escritório Zarzur e Kogan), Praça da República, Edifícios Copan, Itália e o antigo Hilton. DECIDIU-SE Eliminar corredores oclusivos nos pavimentos superiores. Expor a entrada principal dos elevadores para as alas residenciais e corporativas, de modo tal que ao chegar ou sair do elevador, tenha-se a visão da rua e da cidade. Expor ao máximo a ciculação em todos os setores, permitindo que tanto moradores como funcionários no Nova Cinelândia confrontem-se com a vista da cidade em vários ângulos e vários pontos da edificação.fotos publicadas por Gilberto Calixto Rios http://www.slideshare.net/mgermina/aveida-so-joo-8055649 Criar duas torres interligadas por corredores abertos.
  9. 9. LIVRE PENSARSANTO DE CASA...O Edifício Metrópole é um caso sadio, merecendo consideração atenta. Não é híbrido no sentido deconjugar residências e estimular seu usuário à conviver no entorno. Todavia é um caso de implantaçãotão bem pensada que todas as ruas circundantes são como que atraídas a ele.A generosidade dos acessos, as diversas opções de circulação, o convívio inteligente e franco com aPraça Dom José Gastar e sua frente acolhedora na Av. São Luís são apenas alguns aspectos de valor quebuscamos aplicar. Um de seus muitos asptectos interessantes é o jardim rebaixado que surgesurpreendentemente ao se andar no piso térreo. Poucos são os que não se encantam co est e uso jovial doespaço. É uma cota ideal para comerciantes e fornecedores de ser viços? Não, claro. Mas os restaurantese diversas atividades ali instaldas mostram que nem todo comércio exige a cota da calçada.No Edifício Louvre, situado em frente à Galeria Metrópole, temos algumas lições mostrando segredosda acessibilidade bem pensada. Artacho Jurado recuou a fachada das lojas em relação à calçada emcerca de 3 metros, o que fez surgir uma loggia, pois as colunas mostram-se proximas à rua e antecedemas salas comerciais. Tal abrigo é um convite a quem passas, pois o pedestre recebe proteção do sol e dachuva ali. Jurado cria uma leve linha côncava ao alinhar cada loja, provocando movimento e umasucessão de descobertas ao visitante. Outrossim, ele surpreende por nos revelar, após a portaria e ocorpo de elevadores, uma outra rua interna, absolutamente imperceptível de fora. Deparamo-nos, então,com uma galeria de ótimo pé-direito seguindo para a esquerda e para a direita, tendo uma belíssimaescada dupla de mármore como majestoso eixo desse espaço cinemtatográfico.É nossa intenção aplicar alguns desses princípios eadiconar o que faltou no Louvre : conectar as galeriascom a rua, eliminando oefeito “beco sem saída”. Provavelmente o arquiteto rábula optou assim pormotivos pertinentes.Hoje, nosso alvo é mais dirigido: dialogar com a urbe, de preferência nas duas mãos de direção.
  10. 10. LIVRE PENSAR...HÍBRIDO É UM PRÉDIO QUE NÃO EXISTE!Não basta ser multifuncional: há que ser híbrido! O léxico nos ensina que híbrido é o resultado de duas espécies distintas, comoexemplo o cruzamento entre cavalo e jumento. A mula é um ser hibrido e como tal, não se reproduz. É o limite das espécies, no sentidoreprodutivo.Nosso prédio deve ser híbrido. O termo foi apropriado por um autor que assim decidiu nomear o tipo de edifícios multifuncionaisnovaiorquinos, edifícios estes inseridos na efervecente ilha de Manhattan.Diante da questão feita à professora “que prédio podemos considerar híbrido em nossa cidade?” ouvimos apenas uma resposta: oConjunto Nacional, que segundo ela possui algumas imperfeições no que tange a uma excessiva reclusão e distanciamento da cidade,em alguns setores do conjunto.Ora, se o encantador e genial projeto do Libenskin não atingiu a excelência para nossa mestra, posso considerar-me, eu mero aluno, umafracassado por antecipação.Naturalmente, esta conclusão em nada afetará nosso empenho em criar algo bom e primoroso; mas a aprovação ante tal grau deperfeccionismo já se apresenta vã, isso é fato.Consideremos alguns senões que penso serem úteis ao arquiteto paulistano neste tema. Manhattan é uma ilha. Essa obviedade é,amiúde, esquecida. As ilhas possuem uma situação urbana específica e nem todas as suas soluções aplicam-se no continente. Exemplo:São Paulo não possui um grau de congestão comparável à Manhattan,apesar de sua população ser superior. Isto implica em que osmodelos bem sucedidos ali jamais atingirão resposta equivalente numa cidade sem quadrículas, com 30km de extensão, com legislaçãourbana própria, num país de terceiro mundo.Antes de buscarmos replicar modelos de outro hemisfério e clima, não seria mais pedagógico aprender dos nossos bons exemplos?Não parece ser proveitoso buscar o híbrido, uma vez tratar-se de um modelo quimérico nascido em uma ilha em situação muito diversada que temos. Nossa utopia pode se dirigir à busca do que São Paulo tem de cosmopolita - condição essa que independe da congestão.Essa pluralidade, essa miscigenação e esse caldo cultural é o que fenece sob a multipilicação doscondomínios fechados.Eis a boa luta do urbanista: nossa utopia factível.
  11. 11. Lições dos projetos de colegas PENSAR CUIDADOSASMENTE A IMPLANTAÇÃO PENSAR NA UNICIDADE E COERÊNCIA VOLUMÉTRICA Não permitir que os recortes do terreno determinem a configuração do espaço. Acessos generosos, sem gargalos. Torre deve dialogar com a base.
  12. 12. Lições da cidade ETEC Heliópolis, de Ruy Ohtake: Pé-direito baixo pode ser acolhedor.Galeria Metrópole: a generosidade em espaçossuperpoostos. O rebaixamento pode ser usadocriando mais interação entre as lajes do que umamera cobertura com jardim. Cobertura da Galeria Prestes Maia, na Praça do Patriarca, de Mendes da Rocha: Usar a perspectiva e o jogo cenográfico obtendo uma experiência sensorial ímpar.Bar Brahma: ollhar a cidade e ser olhado.Extrair omáximo da esquina e devolver à cidadeum espaço gentil, ainda que privado. Guarda no Terminal Bandeira: A figura humana é elemento enriquecedor no espaço.Terminal Rodoviário Tietê: Luz natural farta, amplidão, Nosso projeto deve permitir seu destaque.numa monumentalidade protetora. Abrigo sem oclusão. ETEC Heliópolis, de Ruy Ohtake:CCBB – verticalizar um espaço exíguo. Usar a perspectiva como atração, convidandoUso inteligente das limitações. quem passa, a entrar.Hospital da Benificência Portuguesa: Bonecos de Antony Gormley na intervençãoImplantação criativa do acesso, criando “Corpos Presentes”, sendo levados para o Rio deaconchego em um complexo gigantesco Janeiro:– a pessoa não se sente oprimida pela A figura humana atrai o olhar, provoncando outramonumentalidade do prédio. apreensão da cidade e dos prédios.
  13. 13. Lições da cidadeGaleria Nova Barão: um espaço acolhedor, Edifício Sylvio Monteiro: uma rua particularcomércio vibrante e popular mas com alguma ligando 3 prédios de modo generoso e franco:sofisticação: jóias também são oferecidas, um dos pontos mais agradáveis de se andar navalendo-se do clima levemente reservado de cidade!sua rua interna.Galeria Nova Barão: o mezanino abrigadiversos salões de beleza e serviços como Edifício Sylvio Monteiro e ao fundo uma dascontador, manutênção predial etc. Sua entradas do Copan. A ligação não permiteabertura provoca um convívio entre as cotas, que se saiba quando se saiu de um prédio enuma relação social mais rica. entrou-se em outro.Galeria Nova Barão: a antiga escada rolanteconfere algum charme retrô ao ambiente. Edifício Sylvio Monteiro: No fundo, à direita, uma galeria de restaurantes populares com muitas opções.Galeria Nova Barão: quase no meio ela seamplia e surge um largo, com chafariz, bancos, Edifício Copan: a planta mostra os caminhosfloreiras convidando ao descanso e um bate- de sua galeria sinuosa e surpreendente.papo. Quantos lugares em São Paulo tem isso Encanta leigos e profissionais que ali visitam.franqueado a todos?
  14. 14. Lições do entornoMeretrício assusta asfamílias, todavia, à medida que se O poste clássico paulistano é um símbolo elegante, altivoofertam espaços para residência e trabalho, ele reflui, e singular: merece ser mantido.como se vê ocorrer agora na Rua Augusta. Nordestinos, angolanos, nigerianos, bolivianos, peruanos etc: o centro da cidade é um caldeirão de trabalhadoresO pequeno comércio ofertas de serviços autônomos pobres de muitos lugares e isto é um traço valioso dedeve ser preservada. É mais valioso que sistemas de nossa cidade: ser cosmopolita...redes de franquias, impessoais e desconectadas darealidade e das pessoas da região. ...Em outras palavras: lutemos, enquanto urbanistas, contra a xenofobia e a segregação, elas são perigosas e se voltam contra os que as cultivam.Antigo cine Comodoro: a marquise projetadando-se àcalçada é um convite estupendo! Perspectiva e amplaabertura de acesso são elementos desse jogo rico.Muitos pobres moram no centro e seu espaço deve ser A arte faz parte do cenário: feira na Praça da República épreservado, caso contrário eles ocuparão a região de um bom exemplo; lojas para pintores na região domodo informal criando favelas e cortiços. São garçons, Arouche e Gal. Jardim igualmente..porteiros, diaristas, copeiras, manobristas, seguranças,comerciários etc. A classe rica não sobrevive sem eles,então a lógica é mesclar os diversos níveis sociais: isto éuma cidade sadia.. Galeria do Rock: exemplo de sucesso como espaço de encontros.Meretrício assusta asfamílias, todavia, à medida que se Jamais daria certo em um shopping, que tem custos tãoofertam espaços para residência e trabalho, ele reflui, altos a ponto de funcionar apenas sob o grande capital ecomo se vê ocorrer agora na Rua Augusta. suas redes impessoais de lojas e grifes.
  15. 15. LuzVeículo imprescindível para que o espaço se manifeste.Um espaço que não necessita de suporte material para dar-se a conhecer. LuzÉ necessário um diálogo de signos onde o lugar e a paisagem simplesmente é Conceito ampliado: a luz artificial pode atingir qualquer superfície.iluminado. É um mecanismo de modificação das formas no tempoCondição imprescindível para que a cidade se manifeste. Tornando-as instáveis.A escala e a relação de distância se modifica de modo a surgir FSuma linguagem simbólica entre a cidade e o edifício.Jm Lições do dicionário Galeria Nova Barão, à noiteLUZPensar no efeito luminoso à noite.Pensar no efeito luminoso (luz natural) durante o dia.Pensar no efeito luminoso artificial durante o dia nos setores internos.Pensar no caminho dirigido pela luz: luzes guia, postes, letreiros que convidam.Pensar na alteração das texturas e psicologia ambiental sob a luz.
  16. 16. Ambiente Configuração de um marco. Lugar onde pode descobrir ordem e desordem, vazios e caos. O ambiente é o marco do pré-linguístico, de estados prévios, onde há o intercâmbio prévio de todo processo criativo. É um contínuo de formas e espaços que se estica, se encolhe, de tal modo que torna obsoleta a visão simplista das décadas passadas entre arquitetura e território, Arquitetura e paisagem e mesmo sua relação com a história. JM Lições do dicionário Av. São João X Rua VitóriaAMBIENTEPensar num caminho natural, livre, óbvio entre a Av. São João e Rua Aurora.Usar a perspectiva à partir do poste símbolo do centro da cidade.Evitar oclusão e claustrofobia no pavimento térreo.Buscar tornar-se um atalho público antes, um espaço de permanência depois.
  17. 17. CIDADE A cidade contemporânea, sob a instabilidade do capitalismo tardio, não pode mais ser pensada com os parâmetros de CIDADE estabilidade, setores com sua rigidez orgânica, pois se articula dentro de uma estrutura global. Hoje há uma As melhores cidades são aquelas aonde nos perdemos. centralidade múltipla com estruturas policêntricas e inorgânicas, numa organização territorial que advém da É necessário sair às ruas num corpo-a-corpo para termos a medida do economia líquida. Há um crescimento descontínuo e desarticulado. Exemplos disso: a policentralidade das Vilas urbano e do espaço público. Novas de Paris, as Sunbelt americanas e a Ruhrgeniet e a Randstaat. São constelações de atratores que romperam Um espaço público sem nescessariamente complementos arquitetônicos, com o modelo de centros gravitacionais tradicionais.Sistemas policêntricos e não-hierárquicos, net-works e rizomas, onde se possa ouvir a reverberação da própria cidade. capazes de atuar sob condições instáveis. Uma cidade que é a soma das vozes de seus sujeitos. (Alejandro Zaera) JM. A cidade artefato é um amálgama, um material que desconhecemos, um amontoado de elementos naturais, artificiais e imateriais, simultaneamente fibroso e poroso, com áreas densas e estáveis, feita de elementos antitéticos que romperam com os limites tradicionais. Temos de encontrar nesse magma um substrato poético, algo que busca um novo horizonte, e buscarmos uma nova visão crítica, não o antigo viés moralista modernista. O desafio é descobrir, na verdade, a posição do homem contemporâneo no mundo. (Ábalos & Herreros) CO Lições do dicionário Rua Aurora: seboCIDADEPensar em programa não rígido, mas polivalente. (Hermann Hertzberger).Pensar em potencializar a criatividade dos usuários e cidadãosvisitantes do espaço.
  18. 18. O projeto do Edifício Eldorado ensinou que:Lições do A base estrutural pode ser reforçada com sutileza, por se ampliar as quinas do prédio, obtendo-se debate assim uma maior rigidez estrutural quando for necessária. A negociação entre grupos de investidores e poder público raramente é fácil. Buscar sustentabilidade = economizar na manutenção. Grau de transparência do vidro pode ser manipulado à favor da estética e conforto, obtendo-se visual atraente. A cadeira de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie continua fascinada por nomes internacionais. O resultado é que projetos oclusivos com praça elevada e murada(!) são apresentados como modelos de inserção na cidade, quando de fato, afastam o usuário dela. Soluções para climas frios pouco tem a ensinar para arquitetos de clima tropical, mas parece que conhecer o que se faz na Europa nos torna mais “antenados “. O resultado triste é que aumenta o desconhecimento dos alunos sobre projetos como o Conjunto Nacional, Copan, Galeria Metrópole, Artacho Jurado, Zarzur e Kogan etc. Lições das O risco é produzirmos uma legião de fachadistas, ansiosos por aplicar “tecnologia” e pesquisas dos materiais exóticos como revestimento, ignorando soluções de implantação, luz e ventilação. alunos Pilotis na China tem mais charme que pilotis do prédio do Ministério da Educação e Saúde, que sequer foi citado no semestre. Liberar o cenário como se fez no Pedregulho, no Masp, voltam à baila se forem replicados lá fora, provocando um rompimento do aluno com sua própria história. Talvez não seja tão estranho, já que pagamos caríssimo pelo café expresso feito em máquina suiça – com os grãos saídos do Brasil...
  19. 19. Primeiro é usual pensar no uso máximo da área. Assim temos 3 entradas na intenção de facilitar a circulação de pessoas: pode-se entrar pela Av. São João e sair na Rua Aurora, além de uma abertura na esquina. Isto é uma maneira de facilitar o acesso e atrair pessoas. Mas, pode melhorar...? Aqui recuamos o prédio: a linha hachurada mostra uma calçada ampla, com curvas e uma esquina generosamente oferecida à população. Note que os extremos não possuem igual recuo. A pessoa que anda na rua é convidada a usar um espaço cedido gradualmente. Por dentro, claro, as lojas estão dispostas em corredores, formando ruas internas no mesmo sentido longitudinal, ligando ambas as calçadas. Neste desenho surgem duas torres ao invés de uma e há ligações aéreas entre eles: passarelas. O motivo disso é provocar a apreciação do horizonte da cidade pelo usuário. Dificilmente o morador e os visitantes recebidos por ele esquecerão que estão no centro de São Paulo. Os corredores com amplas aberturas serão mirantes. Espera-se assim causar uma experiência urbana em quem circule ali: ver a cidade, o entorno e até o ponto mais afastado é um modo de se fortalecer o apreço pela cidade e pela vida urbana.Desta página em diante: Todas são fotos de alunoeterno.blogspot.com
  20. 20. Aqui temos ainda as duas torres e suas passarela, (não desenhadas, mas estãolá!).Essa opção se aproxima muito do desenho anterior com um avanço: As torresnão estão ligadas por uma laje comum. Na verdade há um setor comercial nabase de cada uma, porém o intervalo é um enorme setor livre, a céu aberto,na cota da calçada. O inteiro pavimento tornou-se um lugar público,devassado, exceto onde se encontram as torres.Nesta opção buscou-se eliminar a noção de "dentro" e "fora" do conjunto.Um passante poderá simplesmente sentar-se na praça comum e ler algo,fumar, bater papo, ver a moda... Então você pergunta: Legal... e se chover? Eeu te respondo: E se não chover? Ou seja: há um desabrigo, claro. E isto tantotem um lado ruim como um lado bom...A questão é: por que temos tanta necessidade de sermos abrigados dachuva?Ok, existem as tempestades. Mas talvez cada um de nós consiga lembrar-sede uma cena na vida em que coisas legais e divertidas aconteciam quandoestávamos ensopados por um pé dágua. Então você me diz: o cliente vaiinvestir num espaço frágil, onde seu usuário ou locatário fique à mercê dasinclemências climáticas? E eu respondo, sim, se essa fragilidade for localizadae a opção de abrigo estiver próxima. Em outras palavras, pode ser que oprojeto final não se configure com toda essa abertura sugerida em nossorabisco. Mas que deve haver um ou mais lugares em que se possa ver a chuvacair fartamente dentro do complexo, isso haverá.Ninguém no pavimento térreo deveria fazer a pergunta: "Será que estáchovendo lá fora?" Bastará andar um pouco e esticar a mão, ou olhar paracima e ter a resposta.
  21. 21. É lícito permitir chuva dentro de um prédio? - Sim, como não ?
  22. 22. Cinema rebaixado podeser visto da rua.
  23. 23. Corredores e passarelas Estudo entre dois blocosÉ possível variar o desenho a cada pavimento?
  24. 24. Por ‘uma cidade que seja a soma das vozes de seus sujeitos.’ José Morales in Diccionário Metápolis de Arquitectura Avanzada. To d a s a s f o t o s s e m c r é d i t o s ã o d e a l u n o e t e r n o . b l o g s p o t . c o m produzidas por Carlos Elson Cunha. Agosto 2012 a. D.

×