Comparativo crítico J. Guedes      XCarlos Lemos
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Memorial américa latina

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Dois eruditos com pontos de vista antagônicos. Afinal, o Memorial da América Latina é um mau projeto? Com todo respeito à história de Niemeyer, há que se ter uma visão isenta. Que parâmetros podemos usar para julgar uma obra desta envergadura? A volumetria? A implantação? A qualidade espacial? O arrojo e inovações aplicados? Aqui um trabalho onde resumo o ponto de vista de Joaquim Guedes e de Carlos Lemos.
Não me furtei a opinar, afinal era isso que a professora Flávia Rudge Ramos pediu. Penso estar certo - caso contrário não escreveria! Mas, amigo leitor, caso discordes de mim, podes escrever e me desancar. Pelo menos teríamos, nesse caso, alguma discussão de alto nível, algum exercício inteligente pelo debate. Carlos Elson Cunha - facebook São Paulo - 2011 a D.

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  • Carlos, será que consegue o artiogo do Lemos na intergra, pdf ou link?
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Memorial américa latina

  1. 1. Comparativo crítico J. Guedes XCarlos Lemos
  2. 2. J. Guedes 1989, Oscar Niemeyer na Barra Funda em São PauloInovação tecnológica...ou ... desperdício de dinheiro público? 3.320m3 de concreto para 1875 m2 de construção. Padrãoegípcio de 3000 a C. cobertura média da casca quase 2m. Casca impede novas janelas, novas divisões, obriga pe-direito muitoalto.Projeto não teve tempo de maturação, excesso de silicone vedando caixilhos. Cabo de guarda-chuva inverte o sentido dasforças para sustentar a passarela. Aqui a irracionalidade transforma o original em grotesco.Vidros do museu não mostram o interior nem deixam passar luz: são negros. Entra-se por uma porta quase escondida e se saipor outra. Auditório bifolatoMuito longitudinal. Jogo de espelhos incomoda, não ajuda. Não se pode usar os dois simultaneamente.Não funciona como auditório, mas é mero galpão de palestras. Centro de estudos - maspinho - Parece ser sustentado porpórticos, mas não é. Uma caricatura de Lina. Vigas externas são uma trapaça, forma do que não é. Nega o real e ilude a simesma.OSCAR E O MEMORIAL - Carlos LemosHá que se analisar um projeto pelo conjunto: técnicas construtivas, programa, sócio-economia, sítio e plasticidade.Um grande espaço cívico para tratar das questões latino-americanas. Daí a necessidade de espaço monumental.Não se pode pensar em economizar dinheiro. Era necessário um espaço com perspectivas. A praça de S Pedro também éárida.Pirâmides do Egito estão lugar árido. Ninguém chamou Burle-Max para ajardinar a fim de tornar mais ameno o uso porturistas.É necessário haver uma diferença volumétrica para assegurar nossa identidade. América Latina subjugou-se até o sec 19 aosmodos europeus. Agora há de encontrar seu modo de fazer as coisas. O ecletismo sufocou nosso modo de fazer da arquittrcolonial. Ramos de Azevedo é exemplo: quis parecer atualizado renegando padrão latino. Villa-Lobos Possui uma identidadebrasileira ainda q seja universal.Pampulha mostra sábio jogo de luz no desencontro das abóbadas. O azulejo de Portinari na fachada, torre do sino isolada e ailuminação restrita no interior repete o padrão tradicional nos efeitos, mas com plasticidade moderna. Repetir soluções delajes curvas é ser coerente.Quem estaria mais apto?ConclusãoNunca ouvi elogios a esse espaço. Mesmo C. Lemos ao defender a proposta, não consegue citar qualidadesrelevantes no Memorial da América Latina. A maior queixa é a ausência de árvores, carência da cidade e de seuscidadãos. O argumento de uma implantação que se volta contra a cidade por construir uma nova centralidade ésofrível dada à dispersão dos prédios e desolação do espaço entre eles.Ausência de mobiliário torna o lugar inóspito, isto é reclamo universal de quem já esteve ali.A grande cerca de ferro é desnecessária se a intenção é um grande espaço cívico. Este grande gradil propiciou ouso da calçada por inúmeros camelôs e outros usuários de intenções suspeitas e age como uma barreira cruelcontra o espaço cívico que deveria ser democrático. Na realidade inibe o uso pela massa do povo em seusmovimentos sociais, uma vez que a saída é estrangulada no túnel desnecessário.Após a construção do gigantesco complexo da Uninove, temos mais de 15.000 pessoas todas as noites sedeslocando rumo ao metrô e vizinhança, tendo que desviar das grades do Memorial, que jaz escuro indiferenteàs necessidades dos estudantes e profissionais ali.A entrada subterrânea repetindo a catedral de Brasília atrapalha o acesso, dificulta pelas escadas e inútil porremeter à mesma cota da entrada, ou seja, faz-se o visitante descer e subir inutilmente. Tem sentido sepensarmos que esse jogo cenográfico de oclusão, túnel e emergir buscam impressionar o visitante num teatrosensorial – pode contribuir para o impacto visual da volumetria da arquitetura, entretanto não atende a outrofim, tornando-se um impedimento tanto para o acesso como por estar escamoteada, precisando o usuário fazerperguntas aos passantes para descobrir como se entra no Memorial.Joaquim Brito foi meticuloso na análise que fez ao passo que Carlos Lemos foi generalista. Brito aponta absurdose incoerências no projeto; Lemos cede à reputação de Niemeyer e apela à importância de valorizarmos nossaidentidade construtiva.
  3. 3. Lemos usa analogias frágeis, como a de valorizar as esplanadas áridas das pirâmides do Egito e da praça de SãoPedro. Se lembrarmos de que as pirâmides eram mausoléus destinados a salvaguardar os sarcófagos eapetrechos ali enterrados, compreendemos que o desconforto do entorno faz parte do programa. Infelizcomparação de Lemos. Nada ali, no Egito funéreo, foi feito para atrair turistas, mas sim para afastar visitantes.A Praça de São Pedro, igualmente, não é uma comparação razoável quando nos lembramos do jogo de colunatasoferecendo justamente descanso, sombra e abrigo das intempéries – coisa inexistente no Memorial.Não é um lugar onde se deva levar alguém idoso. Não é um lugar bom para alguém convalescente ou debilitado.Certamente não é convidativo para crianças, uma vez que nada há para ser escalado, tocado ou que se possainteragir.Resta a contemplação dos vidros negros e do cimento no chão.Ambos os autores parecem concordar que se trata de algo feito às pressas, o que abonaria o arquiteto de algunsmaus resultados. Será? Não teria um escritório de arquitetura desta reputação condições de indeferir umconvite uma vez que o prazo exíguo comprometeria a qualidade final da obra?Um ano depois da inauguração toda a cobertura das abóbadas já estava mofada, exigindo um retrabalho.Conversando com um diretor da Denver, fornecedora das mantas e material impermeabilizantes, um portuguêschamado Miguel, ouviu dele que não foi o material que desatendeu aos requisitos, mas foi o uso de camadasdesnecessárias de revestimento, causando despesas além do justo, que oclui e tornou hermética uma proteçãoque, a princípio era extremamente simples de se realizar, bastando apenas um produto (revestimento branco)que permitiria ao concreto “respirar” evitando-se assim o mofo e bolor.Isso apenas reforça o fato de que obras públicas tendem a jogar dinheiro público no ralo. O agravante é que sobo ralo, muitos ratos agem prontamente a fim de amealhar esse dinheiro que se escoa.Carlos Lemos desqualifica seu oponente intelectual com a mais frágil das colocações, ou seja, destaca agrandiosidade e acerto de obras anteriores de Niemeyer, assim furtando-se a analisar aspectos relevantes doprojeto, quais sejam, sua implantação, acesso, harmonia, partido coerente, qualidade espacial do auditório,biblioteca e restaurante e conforto dos usuários e funcionários.Se a longa amizade pessoal com Niemeyer o impede de ver suas falhas, o silêncio seria uma posição elegante.Por outro lado, se como arquitetos tivermos tal senso de corpo a ponto de só elogiar e não fazer reparos, comovamos evoluir construtivamente?O modernismo nasceu com cânones muito claros: funcionalidade, uso de pilotis, jardins nas lajes superiores,janelas amplas e seguindo o sentido da laje. Nada disso acontece no Memorial da América latina. A forma nãosegue a função em momento algum. Na realidade muitos modernistas apropriaram-se de alguns elementos(amplas lajes de concreto, excesso de vidros e caixilhos etc) para atuar num reduto de estética muito particular,renegando seus preceitos de fé arquitetônica. Basta ver as últimas obras d Le Corbusier com a famosa catedralde Rochamps, que nada tem de modernista.Deitar sobre a fama que se construiu, agir com arrogância e fazer prevalecer o peso de sua grife, parece ser opreço que se impõe ao usuário no contratar-se os velhos mestres. Especialmente num país sem tradição deconcursos arquitetônicos sérios.Ao perguntar “quem estaria mais apto?” Lemos joga ao rés-do-chão quaisquer inovações de jovens arquitetos etoda criatividade construtiva da geração pós-modernista. Tenta nos convencer de que como no Senado e noJudiciário, a Arquitetura tem suas iminências pardas, seus notáveis e intocáveis, e nos cabe servi-los sem insistirem que eles sirvam dando o seu melhor à sociedade. Uma tese de difícil aceitação, temos de convir.Quem vê o prédio do Itamaraty, o palácio da Alvorada e do Planalto, custa crer se tratar do mesmo artista aindamais amadurecido, ao ir ao Memorial da América Latina. Quando muito, pensaria ser obra de um estagiário,feito rapidamente em Sketchup.Carlos Elson Cunha – 408 823-1 – História da Arquitetura IIIFaculdade de Arquitetura & Urbanismo – U.P. Mackenzie – Profa. Flávia Rudge Ramos - 2011

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